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Mídia poder e contrapoder

Apresentação

Aborda o cenário internacional, especialmente as transformações socioeconômicas e políticas em


países da América Latina cujos governos progressistas qualificam a democratização da comunicação
como pressuposto para a diversidade informativa e cultura (p.13)

Interpretar a contemporaneidade cada vez mais midiatizada, tecnologizada e mercantilizada

Na primeira parte examinamos os efeitos da colonização do imaginário social pela mídia corporativa,
não raro com a divulgação massiva de verdades convenientes rentáveis. Analisamos a condição do
atual sistema midiático, sob forte concentração monopólica em torno de megagrupos e dinastias
familiares, as estratégias de comerzialização de produtos culturais e manifestações artísticas; a
subordinação de informações de interesses coletivos a ambições lucrativas; a retórica quase sempre
calculista em favor da “liberdade de expressão” que dissimula artimanhas para prevalecer a liberdade
de imprensa; e as implicações para a democracia. (p.15)

Edward Said: É importante questionar os discursos hegemônicos da mídia

[…] “exercitar, através do jornalismo crítico e colaborativo, um contrapoder na produção e na difusão


alternativas, baseado no que Alfredo Bosi caracterizou como “o esforço argumentativo para
desmascarar o discurso astuciosos, conformista ou simplesmente acrítico dos forjadores ou
repetidores da ideologia dominante””. (p.16)

convicções em outro jornalismo plenamente possível, ético, plural, irredutível à resignação e à


cooptação. (p.16)

Sistema Midiático, Mercantilização Cultural e Poder Mundial –

Dênis de Moraes

Moares utiliza a imagem de uma árvore para simbolizar “as linhas predominantes do sistema
midiático atual”: Nos galhos estão os setores de informação e entretenimento, que se combina com
os outros por meio de um fio condutor invisível (as tecnologias avançadas) que entrelaça e lubrifica
os demais em um circuito comum de elaboração, irradiação e comercialização de conteúdos, produtos
e serviços. (p.19)

No entanto, ele fala que a árvore pertence à um pequeno número de corporações que produzem um
volume gigante de dados, sons, imagens em uma incessante busca por lucratividade.
“trata-se de um podeder desmaterializado, penetrante, invasivo, livre de resistências físicas e
territoriais, expandindo seus tentáculos para muito além da televisão do rádio, dos meios impressos e
do cinema.” (p.19.

Principais características do siustema midiático:

a) a capacidade de fixar sentidos e ideologias, interferindo na formação da opinião pública e em linhas


predominantes do imaginário social.

b) apropriação de diferentes léxicos para tentar colocar dentro de si todos os léxicos, a serviço de suas
conveniências particulares (como por ex, se apropriando do léxico da esquerda) - no auge da
hegemonia do neoliberalismo – 1980 a 1990

c) incute e celebra a vida para o mercado, a supremacia dos apelos consumistas, o individualismo e a
competição

Esse modelo está associado à lógica concentracionária e expansivamente reprodutiva do mercado e


da cultura tecnológica, cujos eixos preponderantes são a digitalização, a virtualização, a
mercantilização simbólica e a internacionalização dos negócios

Os projetos mercadológicos e as ênfases editoriais podem variar, menos num ponto chave: operam,
consensualmente, para reproduzir a ordem do consumo e conservar hegemonias constituídas. (p.21)

A convergência entre mídia, telecomunicações e informática viabiliza o aproveitamento de um


mesmo produto em diferentes plataformas e suportes e distintos meios de transmissão, distribuição,
circulação, exibição e consumo, afzendo sobressair a mais-valia na economia digital. (p.22)

Os megagrupos alastraram-se pelos continentes sem se submeter a maiores restrições legais. Como
por exemplo a Disney, News Corporation, Time Warner, CBS, Viacom, CCMedia Holdings e Live
Nation Enterteinment – que acumularam juntos 145 bilhões em 200 países.

Phillippe Bouquillion (2005) aponta que os financiamentos e inversões dos grandes bancos ampliam
a influência das engrenagens da “financeirização” no modelo oligopolista das indústrias culturais.
Para o autor, a liberalização nas décadas de 1980 e 1990 favoreceu a entrada do capital financeiro nos
mercados de comunicação de vários países. Bancos e fundos de pensão passaram a investir atraídos
pela expectativa de alta rentabilidade com a explosão digital. Isso significou uma intersecção entre o
capital financeiro e o capital midiático. (p.25)

“Com a expansão de seus negócios e o lastro financeiro assegurado por bancos e fundos de
investimentos, conglomerados de mídia se convertem em atores econômicos de primeira linha. Eles
acumulam diferenciais inacessíveis a organizações de menor porte: altas tecnologias, know- how
gerencial, pesquisa e desenvolvimento de produtos de ponta, influência política, capacidade
industrial, inovações técnicas, esquemas globais de distribuição e campanhas publicitárias
mundializadas. É a interpenetração de aparatos tecnológicos, de modelos de planejamentos e de
negócios que introduz circunstâncias e fatores sinergéticos entre os players, beneficiando a
concentração e oligopolização.” (p.25)

- acordos estratégicos e joint ventures

- mega fusões

- vantagens empresariais: menos despesas, maior poder de negociação comercial com fornecedores,
repartição de dívidas, soma de ativos

Com a sofisticação das infraestruturas de gestão, acompanhamento e intervenção em tempo real, já


não se exige proximidade entre os lugares de planejamento, produção e consumo. Pelo contrário há
uma relação íntima entre a desterritorialização da produção e as instâncias de controle de todo o
fluxo empresarial, por meio digital.

Centro de inteligência – A Holding destaca-se como polo de planejamneto e decisão ao qual se


remetem as estratégias locais, nacionais e regionais. Ela organiza e supervisiona a instituição de cima
para baixo, em fragmentos e nódulos de uma rede constituída por eixos estratégicos comuns e
hierarquias intermediárias flexíveis. (p. 31)

- Temos portanto uma concentração de poder sem centralização operacional.

Exemplos: os estúdios de Hollywood e a descentralização dos parques produtivos, com a “runway


production”, muitos filmes são feitos em diversas parte sdo mundo, aonde é mais barato

A gestão de identidades culturais em escala global

São implementadas políticas de produção, comercialização e marketing absorvendo particularidades


socioculturais dos países em que se encontram. O desafio cosniste em coadunar os alvos
mercadológicos com cada área, seja para fizar a impressao de que os produtos poairam acima de
singularidades, seja para incorporar demandas locais. (p. 35) Exemplo: o mac donalds de cada local
tem um prato “típico”, como a Nova Zelândia que tem um hamburguer “kiwi”, e o McAfrika,
McArabia.

As identidades locais funciona como uma representação das diferenças comercializáveis, isto e
submetidas a “maquiagens que reforçam seu exotismo e a hibridizações que neutralizam suas classes
mais conflitivas” (BARBERO, 2006, p. 61)

Aculturação que coculta uma ambiguidade proposital: embora as firmas globais assimilem predicados
dos gostos e particularidades regionais, o que gera a hibridizações e contradita a ideia de
homogeneização cultural sem freiuos, em momento algum renunciam à meta de se apropriar dos
traços disponíveis para continuar atraindo o imaginário de massa para seus produtos, pré-requisito à
expansão internacional. (p.38)

A intenção dos estrategistas, em última análise, é incorporar, adaptar, reciclar, contornar elementos
culturais de uma dada formação social, atraindo consumidores locais coma supressão de entraves à
livre circulação de produtos. (p. 39)

Sobre a arte: “Não raro, imagens e objetos transcendem as intenções originais de seus ciradores para
completar um circuito de produção e comercialização.

A noção de museu se alterou radicalmente nas últimas décadas. Ele faz uma crítica à cosmopolitizaçao
cultural dos museus, que antes eram templos de fruição estética e agora tem lojinha, wifi, telões
digitais, áreas de conveniência e o escambau kk

O exemplo dos museus e das igrejas ilustra como a lógica da mercantilização costuma ser indiferentes
ao valor cultural intrínseco dos bens simbólicos; o interesse primordial é a sua conversão ao estatuto
de mercadoria, e por isso mesmo não foge à exigência capitalista de remunerar o capital inestido. A
dissolução da aura da alta cultura e os investimentos em mercadorias da cultura de massa conjugam-
se ao diagnóstico de Jameson: a natureza intrínseca do produto perde a significância, é um mero
pretexto de marketing. (p. 43)

No processo de reprodução ampliada do capitalismo, o sistema midiático desempenha um duplo papel


estratégico. O primeiro diz respeito à sua condição peculiar de agente discursivo da globalização e
do neoliberalismo. Não apenas legitima o ideário global, como também o transforma no discurso
social hegemônico, propagando valores e modos de vida que transferem para o mercado a regulação
das demandas coletivas. O segundo papel é o de agentes econômicos. (p. 46)

O sistema corporativo explora uma gama de empreendimentos e serviços tornados convergentes e


sinérgéticos pela digitalização. A execução de tal objetivo implica a reorganização das relações entre
os grupos globais e os públicos regionais, nacionais e locais, por intermédio de ações de marketintg
que caucionam uma oferta mais heterogênea e mesclada de produtos, em consonância comdinâmicas
estratificadas e DESTERRITORIALIZADAS de consumo . A acirrada competitividade obriga
gigantes empresariais a incorporar mesclas e hibridações com traços característicos de países e
regiões, a fim de se ajustarem a demandas de clientes específicas.

Embora permita maior circulação de dados, sons e imagens pelo planeta, o mundo globalizado
frequentemente desaloja a ideia original de territorialidade, e com isso é afetada a noção de identidade
associada à partilha de crenças e sentidos comuns.

Aqui temos o território como: partilha de crenças e sentidos.


Diversidade só se alcança com o fortalecimento das vozes da cidadania, das dinâmicas participativas
e múltiplas práticas culturais e interculturais.

Meios de Comunicação: Um poder a serviço de interesses privados? -

Ignacio Ramonet

Existe um conflito entre a sociedade e os meios de comunicação, que se alastra há uns 10 ou quinze
anos. Acentuado com a crise dos meios impressos, TV e rádio devido ao advento da internet,
principalmente com a multiplicação da informação individualizada, com o surgimento das
atualizações em tempo real e de jornais on-line totalmente autônomos. (p.53)

A imensa maioria dos meios digitais não é rentável, e o mesmo acontece com a mídia convencional,
cada vez menos lucrativa.

Crise de Credibilidade - Há uma ruptura no “contrato de confiança” que estabelecemos com os


meios de comunicação.

Um dos efeitos dessa crise: Ramonet fala que, na tentativa de seduzir o maior número de pessoas
possível, os meios de comunicação dispersaram suas linhas editoriais, e hoje não se pode reconhecer
uma identidade política. Centro esquerda, centro direita podem ser absolutamente tudo, e a maioria
dos jornais se situam nesse campo. (p. 56)

Desaparece a ideia de prazo, a informação é imediata. E a rapidez faz com que seja cada vez mais
difícil para o jornalista ter um tempo de análise suficiente. (p.56)

Perda da Continuidade. As informações se sobrepõem de tal maneira que é cada vez mais difícil ter
uma visão relativamente complexa e completa dos fenômenos ao mesmo tempo. E as informações
acontecem em uma velocidade que algumas notícias e fatos importantes acabam sendo esquecidos.
(p. 57) Esse é o caso do assassinato da vereadora do PSOL, Marielle Franco, ocorrido em março de
2018, que foi esquecido pela mídia convencional embora ainda não tenha sido solucionado.

O entendimento de que “estar presente é saber” cai por terra, agora os correspondentes internacionais
não são mais a fonte privilegiada da informação, e muitas vezes as agências já tem as informações
mais completas quando eles mandam sua reportagem. Agora ele está sob vigilância da redação.

A acumulação de informações falsas, imprecisas ou manipuladas despertou a desconfiança do


público, gerando o que eu chamo de “insegurança informativa”. As pessoas acreditam na informação
que é repetida, mas posteriormente, esta pode ser desmentida.
Ele diferencia a comunicação da informação. A comunicação é um discurso e a informação é um
fato que ocorreu.

As oligarquias que compram jornais e mídias convencionais o fazem não por sua rentabilidade, mas
para ganhar influência, para propagar um projeto político- ideológico. PODER

Althusser – os grupos midiáticos se comportam como ferramenta ideológica da globalização

O poder é econômico-financeiro e midiático. Não basta vencer, é preciso convencer.

Na democracia moderna a mídia funciona como 4º poder.

Contrapoder - A opinião pública pressiona os poderes legítimos e, além disso, trasnmsite a eles seu
descontentamento em relação às medidas tomadas, sendo assim um agente indispensável para o bom
funciuonamento da democracia atual. (p. 65)

Quem critica o poder midiático ? Na nossa sociedade ele é o único sem um contrapoder.

Liberdade de expressão x liberdade de imprensa (da empresa com valores etc etc)

O autor tem uma visão utópica da internet: “ A internet nos permite voltar a sonhar com a
democratização da informação” (p.66)

Surgimento do “cidadão informante” - a internet permite a transmissão da infromação sem intermédio


do “jornalismo”. Por exemplo: especialistas que falam de um determinado assunto em seu blog ou
site na internet.
Qual é a especifidade do jornalista? “É garantir a veracidade da inromação, verificae a informação a
ser divulgada; saber que não deve se recorrer a uma só fonte. (p 67)

Crise do jornalismo investigativo, pois ele demandar muitos recursos, e isso vai na direção oposta
dos conglomerados, que só visam o lucro

WikiLeaks não se define como jornalismo. Ele só existe por causa da crise do jornalismo.

Democracia e Liberdade de Imprensa

Pascual Serrano

Liberdade de imprensa = liberdade de empresa.

Características da Mídia como quarto poder:

- Diferentemente dos outros três poderes, o poder midiático não tem legitimidade nenhuma.

-Sob o manto da liberdade de imprensa o poder midiático conseguiu um nível de impunidade


impressionante

- Não é submetido a controles econômicos como os demais

- A mídia não tem um contrapoder

“A mídia corporativa não exerce o direito à liberdade de expressão, e sim à censura, já que decide o
que será publicado e divulgado e o que não” (p. 76)

A nova forma de censura se dá quando ela: enterra a verdade com mentiras ou informações inúteis.

A mídia se sobrepõe ao sistema político tendo mais alcance do que membros do executivo, legislativo
ou judiciário.

A verdadeira liberdade de imprensa deve vir com o apoio do Estado, ou não virá. A conclusão é que
devemos reivindicar o papel do Estado nos meios de comunicação, fundado na participação social e
na pluralidade e não no uso partidário de um governo. (p .82)
A Explosão do Jornalismo na Era Digital

Ignacio Ramonet

Popularização da internet – custo barato.

“Nunca na história da mídia os cidadãos contribuíram tanto para a informação. (p. 86)

Perda de credibilidade – crise do jornalismo, queda na publicidade

queda do jornalismo como “meio-sol”, agora temos o “meio- polvo”, uma vez que acda cidadão com
seu smartphone, notebook ou Ipad pode mandar mensagens, corrigir informações. (p. 87)

Exclusão Digital – todo mundo produz ou pode produzir infromação no mundo desenvolvido, no
entanto, muitos ainda vivem na linha da pobreza e ainda há uma grande exclusão digital. (p. 87)

Na atualidade há uma ruptura do monopólio, o que faz com que cada cidadão se transforme no que
eu chamo de “web actor” [ator da rede]: qualquer pessoa pode entrar na rede e comunicar.

Para Ramonet os jornais deveriam ter uma linha editorial mais bem definida, embora não se trate de
uma imprensa ideológica., mas capaz de defender sua linha editorial.

Os “latifundiários midiáticos” enfrentam uma reforma agrária dos dias de hoje, uma reforma
midiática

A internet leva à pirataria

Os meios de comunicação que controlam o mercado da imprensa também dominam a audiência na


internet, no entanto há possibilidade de contrainformação.

Bourdieu .– A opinião pública não existe, ela é o reflexo dos meios de informação de massa. Para
Ramonet ela se transforma no quarto poder, uma vez que ele está na mão dos grupos midiáticos.
A mídia procura domesticar a sociedade e evitar questionar o sistema dominante.

O autor propõe que todos construam o quinto poder, que se expressaria mediante a crítica ao
funcionamento dos meios de comunicação

Quanto à recepção, apesar de teoricamente podermos receber uma quantidade grandiosa de


informação, não dispomos de tempo para absorvê-la.

Agências alternativas em Rede e Democratização da Informação na América Latina

Dênis de Moraes

Foco do capítulo: As agências alternativas de notícias latino- americanas.

Estas recorrem à ambiência descentralizada e interativa da internet para renovar sistemáticas de


produção, difusão e circulação

Os conteúdos são produzidos e veiculados sem relação de dependência a matrizes fixas de emissão e
enunciação.

Gramsci (2000) situa a imprensa como a parte mais dinâmica da superestrutura ideológica das classes
dominantes. Caracteriza-a como a “organização material voltada para manter, defender e desenvolver
a frente teórica ou ideológica”, ou seja, um suporte ideológico do bloco hegemônico. Sendo a
imprensa e os jornalistas, agentes históricos essenciais no direcionamento da opinião pública,
interferindo nos processos de conservação ou modificação das hegemonias politico-culturais.

Gramsci vê os projetos alternativos como uma forma de resistência e expressão da diversidade


informativa. Eles são “instrumentos para criar uma nova forma ético-política” cujo alicerce
programático está em denunciar e tentar superar as condições de marginalização e exclusão impostas
a amplos estatos sociais pelo modo de produção capitalista. A contra- hegemonia institui o
contraditório no que até então parecia uníssono e estável. (p.106)

Gramsci – a hegemonia não é uma construção monolítica, e sim o resultado das medições de forças
entre blocos de classes em dada conjuntura. Pode ser reelaborada e alterada em um longo processo
de lutas, contestações e vitórias cumulativas- que inclui a produção e difusão de conteúdos contra
hegemônicos. Nenhum momento histórico é homogêneo; está atravessado por tensões e focos de
resistência que podem ser portadores de contrassentidos e contraideologias. (p. 106)
Em sentido geral a tarefa da comunicação contra-hegemônica : reivindicar o pluralismo e o valor das
histórias e culturas e motivar-nos a reflexão sobre o mundo vivido. (p. 106)

A tradição da comunicação alternativa na América Latina:

Em fins dos anos 1940 surgem as rádios livres e comunitárias na região. Com baixa potência e
condições improvisadas, as emissoras divulgavam principalmente o evangelho e temas educativos.

A partir daí surgem experiências significativas de comunicação participativa, como rádios sindicais,
étnicas e o que conhecemos hoje como “rádios comunitárias, que se desenvolveram através das Ongs,
associações e nos meios sindicais e religiosos” (p.109)

Na década de 1950 as rádios comunitárias foram utilizadas nas lutas sindicais e políticas. Na Bolívia,
as rádios organizadas e financiadas por sindicatos de operários tiveram papel chave nas mobilizações
contra a exploração dos trabalhadores nas minas de estanho, uma das maiores riquezas de exportação.
Os palcos físicos das emissoras viraram palco de assembleias comunitárias nas quais se discutiam
problemas de interesse público, contribuindo para o processo de mudanças no país que resultaria,
mais tarde, na instauração da reforma agrária, do voto universal e da nacionalização da mineração,
(p. 110)

Durante a Revolução Cubana em 1959, as transmissões radiofônicas clandestinas foram essenciais à


divulgação de estratégias e orientações táticas, atuando como meio de comunicação entre as forças
guerrilheiras lideradas por Fidel Castro, Ernesto Che Guevara e Camilo Cienfuegos e os quartéis-
generais revolucionários. (p.110)

Após a Revolução Cubana é criado o jornal “Prensa Latina” que propunha a informar o mundo sobre
a situação de Cuba, mostrando uma visão alternativa à veiculada nos grandes conglomerados
midiáticos, que eram tendenciosas. (p. 111)

Diversas correntes do pensamento de esquerda influenciaram a comunicação crítica latino-americana,


principalmente a “Teoria da Dependência”, a pedagogia elaborada pelo educador brasileiro Paulo
Freire e a Teologia da Libertação. (p.113)

A Teoria da Dependência, formulada nos anos 1960 por intelectuais da época denunciava a
dependência econômica da América Latina aos países ricos, especialmente os EUA e criticava a
dominação cultural e o modo de vida norte-americano (p.113)

A opção preferencial pelos pobres e excluídos feita por setores progressistas da Igreja Católica que
pregavam a Teologia da Libertação, em comunhão com a pedagogia de Freire, favoreceu o
desenvolvimento das Comunidades Eclesiais de Base no Brasil que engajaram no combate ao
analfabetismo e em uma nova prática comunicacional, as rádios populares. (p.114)
1964 – Criação da Agência Inter Press Service (IPS) fruto da associação entre jornalistas latino-
americanos e europeus que pretendiam difundir em nível global as notícias dos países do Sul sob uma
perspectiva das próprias nações. (p. 114)

A partir do Golpe militar de 1964 no Brasil, a censura aos meios de comunicação passa a ser uma
prática do Estado, se intensificando com a instituição do AI5 em 1968.

Jornais alternativos brasileiros do período da ditadura – PIF PAF (1964), O pasquim (1969), Opinião
(1972), EX (1973), Movimento (1975), Coojornal (1975), Versus (1974), De Fato (1975), entre
outros. (p.115)

As publicações sobreviviam com contribuições voluntárias e campanhas de assinaturas, já que as


vendas em bancas eram enormemente dificultadas pelas pressões exercidas pelos órgãos de segurança
do regime sobre os distribuidores. (p.115)

A despeito dos obstáculos, a imprensa alternativa foi fundamental na defesa das liberdades
democráticas e nas campanhas pela anistia dos opositores da ditadura e pela convocação da
Assembleia Constituinte (p. 115)

Dois expoente da imprensa alternativa na América Latina foram as revistas Marcha (Uruguai) e Crisis
(Argentina). (tiveram influência do boom da literatura latina nos anos 1960) (p. 115)

A Marcha contou com colaboradores como Juan Carlos Onetti, Jorge Luis Borges, Mario Benedetti.
Publicou artigos e entrevistas de Che Guevara, Salvador Allende e Pablo Neruda. Abrigou exilados
brasileiros como João Goulart, Brizola, Darcy Ribeiro, Francisco Julião. (p. 115) Funcionou até 1974
quando foi instalada uma ditadura no país.

Outra referência continental no campo da imprensa alternativa foi a Agência Latino Americana de
informação (ALAI), fundada e em 1977 em Montreal, por um grupo de jornalistas latino-americanos
que se exilaram no Canadá.

A agência liderou a construção de uma rede de publicações alternativas e entidades afins num
momento em que a internet ainda não estava disseminada. “Já vinhamos trabalhando com a lógica
das redes, antes de elas estabelecerem conexões virtuais globais. Redes não no sentido de uma
formalidade estrutural, mas justamente de fluxos, de inter-relações, articulações fluidas” explica Sally
Burch (p.117)

Dois marcos históricos do uso da internet na difusão de causas sociais e populares:


1) A utilização da rede pelo Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) em Chiapas, sul
do México em 1994
2) As manifestações contra a globalização neoliberal em Seattle, cidade que sediou a Rodada do
Milênio, realizada pela OMC (p.117)

A web foi valiosa na preparação de eventos, através de correios eletrônicos, boletins, listas de
discussão e fóruns, bem como sua divulgação em tempo real, com pouca burocracia e um mínimo de
hierarquia. (p. 118)

Os militantes antiglobalização identificaram na rede “um espaço particularmente adaptado à


construção de novas formas de mobilização e engajamento”, convencendo-se de que os recursos da
internet “poderiam ser mobilizados ao mesmo tempo como suportes de coordenação, meios de
informação e modalidades de ação através do novo repertório de ação do ciberativismo” (Dominique
Cardon e Fabien Granjon, 2010, p. 85) (p. 118)

Formaram-se pools de jornalistas – a maioria jovens – para coberturas do Fórum Social Mundial e de
protestos contra o neoliberalismo. A produção jornalística em rede tornou-se, então, parte do espaço
comum de pertencimento e colaboração entre os participantes de grupos e coletivos envolvidos, com
base em modos flexíveis de organização das atividades e tarefas. (p.119)

Cooperativas de mídia Alternativa – O sistema cooperativo contraria a obsessão capitalista de tirar


proveito em trocas lucrativas na medida em que o interesse básico é gerar ideias que traduzam
entendimentos críticos e percepções diferenciadas. (p.119)

As políticas econômicas submissas ao Consenso de Washington e ao capital financeiro internacional


aprofundaram a concentração de renda e o desemprego; desnacionalizaram e privatizaram setores
estratégicos; enfraqueceram o papel estratégico do Estado; e suprimiram direitos trabalhistas e
previdenciários, (p. 120)

As recentes leis e medidas antimonopólicas introduzidas em países como a Argentina, Venezuela,


Bolívia, Equador e Uruguai sintonizam-se com o direito humano à comunicação livre e plural. (p.120)

Os pontos de convergência das agências são:

a) A exploração dos espaços proporcionados pela ambiência descentralizada e baixos custos de


difusão da rede para instituir outras dinâmicas noticiosas, mais participativas e não
mercantilizadas;
b) A responsabilidade que assumem com a causa da democratização da informação e do
conhecimento. (p.121)

Cimac – questões de gênero


Azkintuwe – defende os povos originários, multiculturalismo

Jornal “Prensa Rural” – contra o cerco midiático colombiano numa região onde há conflito armado
pela posse da terra

Brasil de Fato – Nilton Viana (editor) briga pela democratização dos meios de comunicação. Defende
a importância da Reforma Agrária.

Agências importantes: ALAI (Equador) , Adital, Prensa Rural, Brasil de Fato..entre outras.

Página/12 (Argentina, La jornada (México), Rebelión (Espanha), New Left Review (Inglaterra),

Opera Mundi, Diário da Liberdade e Patria Latina (Brasil)

Rebelarte – coletivo de fotógrafos uruguaios, os “militantes com câmera” – firme recusa à


comercialização das imagens.

As agências alternativas diversificam as óticas interpretativas, incluem outras vozes sociais, agendas
e seleções temáticas; atualizam processos de produção jornalística em rede; e optam por textos mais
longos, com análises, colunas de opinião e contextualizações. (p.133)

Os desafios dessas agências: estender a penetração às redes sociais, listas de discussão, boletins;
aprofundar a articulação entre as agências; se atentar à urgência de renovação de formatos e
linguagens; aumentar a interação com os usuários; conseguir mais apoio governamental por meio de
editais e políticas públicas que contemplem as dificuldades audiovisuais, proteção legal, assistência
técnica. (p.134)

Resguardar a autonomia criativa e a independência editorial dos meios de comunicação alternativo


em relação aos organismos e governos (p.137)

Outro Jornalismo possível na Internet

Pascual Serrano

Crise da mediação – o modelo informativo deixou de se identificar com os cidadãos

Crise de confiabilidade - o público não confia mais nos meios pois eles mentem, omitem.

Crise de objetividade – agenda neoliberal

Crise de autoridade

Crise da informação
Crise da distribuição

Não somos o suporte de nossa ideologia – O autor enfatiza que não devemos nos ater à nossa opinão,
mas às informações que consideramos dignas de ser divulgadas.

Ele critica a pluralidade editorial dos jornais, que não se definem.

“Quando falamos na internacionalização do conteúdo e no compartilhamento de recursos, parece


inevitável chegar à conclusão de que é preciso enfrentar o desafio de criar meios de comunicação
globais, isto é, não ligados a um país específico. Para isso a internet é o formato perfeito. (p.171)

Ele critica a tecnofobia dos resistentes à internet.

Pascual fala do surgimento da Bolha Social, pois a internet faz com que formem-se grupos
endogâmicos de pessoas que tem ideias similares. Isso gera uma distorção da realidade.

Diante do caos informativo da internet, temos que aplicar nossos próprios critérios de seleção para
não morrermos afogados nesse mar de “entulho”. (p.178)

A dependência progressiva das estruturas de cada país com a internet transforma a ameaça de guerra
cibernética numa realidade. O assunto vai além do uso da internet como meio de informação. No caso
de uma guerra cibernética, uma potência pode derrubar toda a rede comunicacional de uma região ou
país, incluindo seu sistema bancário ou de comunicação aérea, marítima, terrestre. (p.180)

Segundo a jornalista Rosa Miriam Elizalde, os EUA estão desenvolvendo “um arsenal militar para a
intervenção em servidores, a espionagem na rede, a compra de mercenários cibernéticos, o assalto às
legislações para criminalizar os cidadãos em nome da guerra contra o terrorismo, o domínio sobre as
companhias de telecomunicações e até o lançamento – em 2003. No Iraque – da bomba eletrônica
que inabilita todos os sistemas eletrônicos de uma só vez” (p.180)