Vous êtes sur la page 1sur 301

Aplicação dos Sistemas CAD/CAM

na Odontologia Restauradora

Fernando Esgaib Kayatt – DDS, MS, PhD


Coordenador e Prof. Dr. do Curso de Especialização em
Implantodontia do Sindicato dos Odontologistas do Estado de
Mato Grosso do Sul – Campo Grande-MS.
Clinica Privada Odontologia Kayatt – Asunción – Paraguay.

Flávio Domingues das Neves – DDS, MS, PhD


Prof. Associado Doutor da Área de Prótese Fixa, Oclusão
e Materiais Odontológicos da Faculdade de Odontologia da
Universidade Federal de Uberlândia-MG.
© 2013, Elsevier Editora Ltda.
Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610, de 19/02/1998.
Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderá ser re-
produzida ou transmitida sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos,
fotográficos, gravação ou quaisquer outros.
ISBN: 978-85-352-6463-0

Capa
Folio Design
Editoração Eletrônica
Arte & Ideia

Elsevier Editora Ltda.


Conhecimento sem Fronteiras

Rua Sete de Setembro, nº 111 – 16º andar


20050-006 – Centro – Rio de Janeiro – RJ

Rua Quintana, nº 753 – 8º andar


04569-011 – Brooklin – São Paulo – SP

Serviço de Atendimento ao Cliente


0800 026 53 40
sac@elsevier.com.br

Preencha a ficha de cadastro no final deste livro e receba gratuitamente informações sobre
os lançamentos e promoções da Elsevier.
Consulte também nosso catálogo completo, os últimos lançamentos e os serviços exclusivos
no site www.elsevier.com.br

NOTA
O conhecimento médico está em permanente mudança. Os cuidados normais de segu-
rança devem ser seguidos, mas, como as novas pesquisas e a experiência clínica ampliam
nosso conhecimento, alterações no tratamento e terapia à base de fármacos podem
ser necessárias ou apropriadas. Os leitores são aconselhados a checar informações mais
atuais dos produtos, fornecidas pelos fabricantes de cada fármaco a ser administrado,
para verificar a dose recomendada, o método e a duração da administração e as con-
traindicações. É responsabilidade do médico, com base na experiência e contando com
o conhecimento do paciente, determinar as dosagens e o melhor tratamento para cada
um individualmente. Nem o editor nem o autor assumem qualquer responsabilidade
por eventual dano ou perda a pessoas ou a propriedade originada por esta publicação.
O Editor

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

K32a

Kayatt, Fernando Esgaib


Aplicação dos Sistemas CAD/CAM na odontologia restauradora /
Fernando Esgaib Kayatt, Flávio Domingues das Neves . – Rio de Janeiro :
Elsevier, 2013.
304 p. : il. ; 28 cm

ISBN 978-85-352-6463-0

1. Restauração (Odontologia) 2. Cavidade dentária – Preparo


3. Resinas dentárias. I. Neves, Flávio Domingues das. II. Título.

12-9405. CDD: 617.6


CDU: 616.314
Dedicatória

Nós, Fernando e Flávio, dedicamos este livro a


Deus, que sempre esteve iluminando o nosso
caminho.

Eu, Fernando, dedico este livro ainda à minha


avó Lola, aos meus pais, João e Labibe, à minha
esposa, Rita, e aos meus filhos, Fernando,
Daniel, Fábio e João Gabriel, e também aos
meus netos, Luís Otavio, Fernando e Camilo.

E eu, Flávio, dedico este livro ainda aos meus


pais, Joelson e Aniruaze, à minha esposa,
Fernanda, e às minhas filhas, Olívia, Laura e
Júlia.
Agradecimentos

Eu, Fernando Esgaib Kayatt, agradeço


Ao amigo e coautor Flavinho, pois sem o seu entusiasmo e sua presença intensa e
total este livro não teria sido escrito. Aos amigos Antonio Olivares (Chile), Peer Kulzer
(Costa Rica), Svenja Hougen (Sirona Alemanha), Daniel Sousa (Sirona Brasil) e Rena-
ta Trevi (AmannGirrbach), por terem me proporcionado os primeiros contatos com a
tecnologia CAD/CAM. Ao meu filho e coautor deste livro, Daniel Kayatt, que esteve
sempre ao meu lado em todos os momentos, emprestando seus conhecimentos e sua
paciência. Ao meu colega e sobrinho Marcelo Kayatt Lacoski, que sempre nos auxiliou
em todos os momentos. À Odontologia Kayatt Unidade Asunción – Paraguay, onde os
meus amigos Victor Bogarin e Patricia Haro Fillipini nos ajudaram a compartilhar um
sonho. À sra. Patricia Serrati e ao engenheiro Ricardo Sosa, pelo apoio quando solici-
tado (Sirona Paraguay – Elizeche SAC).
Eu, Flávio Domingues das Neves, agradeço
Aos amigos Fernando e Daniel Kayatt, que me proporcionaram o entendimento da
filosofia CAD/CAM, tema com o qual fiquei maravilhado na IDS-2011. À UFU – Univer-
sidade Federal de Uberlândia, à FAPEMIG – Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de
Minas Gerais e à UNC – University North Carolina – EUA, cujas parcerias possibilitaram
buscas bibliográficas, utilização de equipamentos e pesquisas sobre o tema em ques-
tão. À EIKON – Odontologia Especializada e sua equipe, sempre presente nos trabalhos
clínicos (principalmente Fabiana e Erika, TSBs imprescindíveis). Aos amigos e coautores
João Lyra, Thiago, Marcel, Gustavo, Carlos, Célio e Alfredo, que emprestaram conhe-
cimentos e amizades para o desenvolvimento de assuntos que integraram tão bem o
contexto do livro. E aos técnicos de prótese dentária e seus respectivos laboratórios:
Flávio Rosa, Marco, Guilherme e Marcelo, por terem disponibilizado tempo para expli-
cações e fotografias, esclarecendo diversas dúvidas.
Prefácio

TECNOLOGIA DE PONTA A SERVIÇO DA ODONTOLOGIA DE QUALIDADE. Esta é a


essência do livro Aplicação dos Sistemas CAD/CAM na Odontologia Restauradora, de
Fernando, Flávio e seus colaboradores.
O livro que agora nos é apresentado não tem apenas o objetivo de mostrar como
e quando usar essa tecnologia para confeccionar próteses sobre dentes e implantes,
mas também, e principalmente, enfatizar que a filosofia de tratamento, ou seja, o co-
nhecimento necessário para integrar a biologia dos tecidos à técnica, que é essencial
no sucesso do tratamento em longo prazo, ainda é mais importante do que a própria
técnica, independentemente de qual seja empregada na sua fabricação. Como enfa-
tizado muito bem pelos autores, “a prótese não pode ser vista como fim, e sim como
meio para devolver ou melhorar as funções perdidas ou prejudicadas”.
Os autores oferecem ao cirurgião-dentista a oportunidade de receber novas infor-
mações sobre o que há de mais moderno para ser empregado no tratamento de seus
pacientes. Eles democratizam o conhecimento, possibilitando que os profissionais co-
nheçam e aprendam a usar novas técnicas e materiais. Além de se manterem atualiza-
dos, terão à disposição outras possibilidades técnicas para obter resultados estéticos e
funcionais, sempre com indicações precisas para que logrem resultados melhores do
que os que poderiam ser conseguidos com as técnicas tradicionais.
Desse modo, os autores respeitam e cumprem o objetivo principal de qualquer tipo
de publicação, que é disseminar conhecimento, transmitir experiências.
Por mostrar o caminho mais simples para aplicar a técnica CAD/CAM sem enfocar
somente aspectos técnicos, este não é mais um livro, e sim “o livro” sobre o que há de
mais atual no tratamento e na confecção de próteses fixas.
Congratulo-me com os autores pelo excelente trabalho.

Luiz Fernando Pegoraro


Professor Titular do Departamento de Prótese da Faculdade de Odontologia
de Bauru, Universidade de São Paulo
Introdução

do. Entretanto, o objetivo principal era esclarecer como a tecnologia CAD/CAM poderia
auxiliar e até melhorar os resultados pretendidos quando relacionada a outras técnicas
laboratoriais hoje mais tradicionais. Iniciamos, assim, um árduo trabalho de pesquisa,
nem sempre podendo contar com a colaboração das empresas, ainda preocupadas com
o decorrer mercadológico dessa nova situação, receosas, talvez, de estarem no meio de
uma espionagem industrial ou algo semelhante. O fato é que, embora o assunto não
possa realmente ser considerado novo (Capítulo 1), sua popularização tem ocorrido
sabidamente nos últimos anos. Além disso, os novos sistemas apresentam objetivos e,
consequentemente, características muito diferentes uns dos outros.
Há sistemas que objetivam possibilitar todo o trabalho protético dentro do consultó-
rio odontológico, disponibilizando escâneres, softwares e fresadoras, o que é compatível
com tal proposta. Outros pretendem apenas eliminar o desconfortável ato da molda-
gem convencional (com moldeiras e materiais à base de borracha), agora substituída
por modernas técnicas de digitalização 3D de imagens geradas por diferentes tecnolo-
gias de escâneres. Há, ainda, os escâneres que têm finalidade laboratorial, digitalizando
imagens de modelos de gesso, agilizando procedimentos com um menor número de
funcionários, mas não eliminando a referida moldagem convencional.
Observamos também que as fresadoras, disponíveis em grandes e sofisticadas fá-
bricas para atender à demanda das diversas áreas das Engenharias, foram sendo adap-
tadas à Odontologia à medida que a demanda foi aumentando, existindo hoje desde
fresadoras como as já mencionadas, de porte pequeno, para instalação dentro do pró-
prio consultório, passando pelas de porte médio, destinadas a grandes laboratórios de
prótese odontológica e que funcionam como pequenas centrais de usinagem, até as
de grande porte, verdadeiras centrais de usinagem, que às vezes atendem diferentes
países. Isso sem falar dos diferentes softwares, que, dependendo do objetivo do siste-
ma, pode permitir a obtenção do modelo, ou o desenho de estruturas e até mesmo
do dente propriamente dito. Esses sistemas podem ser de dois tipos: fechados, que
se comunicam apenas com máquinas específicas, e abertos, que podem ser utilizados
com diferentes máquinas.
Dada a complexidade dos resultados iniciais das pesquisas, logo percebemos que
deveríamos separar didaticamente todas as informações. Além disso, as citadas pesqui-
sas não podiam ser publicadas somente nas revistas especializadas, pois correríamos o
risco de publicar uma informação nova em termos de artigo, mas defasada em relação
a desenvolvimentos extremamente recentes. Então, buscamos por essas novidades em
sites de internet e conversas com usuários dos sistemas, o que não estava nos protoco-
los iniciais de pesquisa utilizado por estes autores. Isso explica a grande quantidade de
sites presentes nas referências bibliográficas de alguns capítulos.
Após um minucioso levantamento de sistemas CAD/CAM presentes no mercado
mundial, com a consciência de que o número real seria ainda muito maior, resolvemos
classificar assim este tema: o CAD de laboratório ou de bancada (Capítulo 4), o CAD
de consultório ou intraoral (Capítulo 5), o CAM (Capítulo 6), e, ainda, um capítulo
destinado a estruturas aparafusadas (Capítulo 9). Na medida do possível, elaboramos
quadros finais que descrevem as principais características dos sistemas listados para
auxiliar o leitor a entender a complexidade do assunto de modo que possa fazer sua
escolha com base na sua necessidade e realidade.
Entendemos que, ao finalizar o livro, chegamos ao objetivo pretendido. Esperamos
que seja útil aos leitores, tanto no que diz respeito aos princípios reabilitadores quanto
no que se refere à filosofia CAD/CAM propriamente dita, aumentando a familiaridade
de cirurgiões-dentistas, professores, técnicos de prótese dentária e estudantes dessas
áreas com esse tema tão fascinante e revolucionário, que, com toda a certeza, será
uma constante em consultórios odontológicos e laboratórios de próteses dentárias
nos próximos anos.

Fernando Esgaib Kayatt e


Flávio Domingues das Neves
Colaboradores

ADÉRITO SOARES DA MOTA


Prof. Titular da Área de Prótese Fixa, Oclusão e Materiais Odontológicos
da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia-MG.

ALFREDO JÚLIO FERNANDES NETO


Prof. Titular Doutor da Área de Prótese Fixa, Oclusão e Materiais
Odontológicos da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de
Uberlândia-MG.

BRUNO DE CASTRO FERREIRA BARRETO


Mestre em Reabilitação Oral e Doutor em Clínica Odontológica.

CARLOS JOSÉ SOARES


Prof. Associado Doutor da Área de Dentística Restauradora e Materiais
Odontológicos da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de
Uberlândia-MG.

CÉLIO JESUS DO PRADO


Prof. Associado Doutor da Área de Prótese Fixa, Oclusão e Materiais
Odontológicos da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de
Uberlândia-MG.

DANIEL LIMA KAYATT


Prof. Colaborador do Curso de Especialização em Implantodontia do
Sindicato dos Odontologistas do Estado de Mato Grosso do Sul.
Especialista em Implantodontia pelo Sindicato dos Odontologistas do
Estado de Mato Grosso do Sul – Campo Grande-MS.
Prof. Esp. do curso de especialização em Implantodontia do Sindicato dos
Odontologistas do Estado de Mato Grosso do Sul. Campo Grande-MS.

GISELE RODRIGUES DA SILVA


Professor Adjunto Dentística e Materiais Odontológicos, Mestre em
Reabilitação Oral e Doutora em Clínica Odontológica.
Colaboradores

GUSTAVO MENDONÇA
Assistant Professor, Department of Prosthodontics, School of Dentistry,
University of North Carolina at Chapel Hill, Chapel Hill, NC, USA.

IBRAHIM DUQUM
Assistant Professor, Department of Prosthodontics, School of Dentistry,
University of North Carolina at Chapel Hill, Chapel Hill, NC, USA.

INGEBORG DE KOK
Assistant Professor, Department of Prosthodontics, School of Dentistry,
University of North Carolina at Chapel Hill, Chapel Hill, NC, USA.

JOÃO PAULO LYRA E SILVA


Mestre em clínica Odontológica e doutorando em Materiais Dentários
pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba – UNICAMP – Área de
Materiais Dentários.

LOURENÇO CORRER SOBRINHO


Prof. Doutor na Faculdade de Odontologia de Piracicaba – UNICAMP –
Área de Materiais Dentários.

LYNDON COOPER
Director of Prosthodontics Graduate Program, Distinguished Professor,
Department of Prosthodontics, School of Dentistry, University of North
Carolina at Chapel Hill, Chapel Hill, NC, USA.

MARCEL SANTANA PRUDENTE


Mestre em Odontologia pela Faculdade de odontologia da Universidade
Federal de Uberlândia-MG.

MURILO DE SOUSA MENEZES


Professor Adjunto Dentística e Materiais Odontológicos, Mestre em
Reabilitação Oral e Doutor em Clínica Odontológica.

PAULO CÉSAR DE FREITAS SANTOS FILHO


Professor Adjunto Dentística e Materiais Odontológicos, Mestre em
Reabilitação Oral e Doutor em Clínica Odontológica.
Capítulo 1 Contextualização Histórica

Figura 1.10. Escâner laboratorial


PROCERA – Nobel Biocare –
Laboratório Marco Aurélio Dias Galbiatti
– Uberlândia-MG.

Obtidas as imagens do preparo em questão, do antagonista e sua articulação, pas-


sa-se à segunda etapa, que consiste em desenhar a prótese a ser confeccionada. Para
isso utiliza-se o CAD propriamente dito, e essa etapa pode ser realizada no consultório
ou em centrais de CAD. Nessa segunda etapa, um software bastante interativo (de ma-
neira geral) auxilia a partir de um banco de dados – biblioteca, técnicos e/ou cirurgi-
ões-dentistas a elaborar um projeto do trabalho protético a ser confeccionado. Inúmeros
sistemas possibilitam diferentes trabalhos, a começar do objetivo: obter simplesmente
o modelo com troquel recortado para, em seguida, confeccionar trabalhos protéticos
de maneira convencional ou já desenhar a própria infraestrutura do trabalho protético,
ou ainda o dente propriamente dito15 e posteriormente o material a ser utilizado, que
pode ser: cera, resina acrílica, cerômeros, ligas de titânio e cobalto cromo, zircônia, alu-
mina, cerâmicas feldspáticas, cerâmicas reforçadas com leucita e cerâmicas reforçadas
com dissilicato de lítio. Isto de acordo com as possibilidades e interesse do fabricante.
Essas máquinas podem ser de uso clínico (Figura 1.11) ou laboratorial (central de esca-
neamento).15 Na Figura 1.12 é possível ver uma foto feita no stand da Ivoclar Vivadent
com quatro diferentes sistemas de escâner de laboratório. Esses sistemas consistem em

Figura 1.11. Unidade CAD do sistema E4D


– D4D – Dental School – UNC – USA.

9
Colaboradores

PAULO CÉZAR SIMAMOTO JÚNIOR


Prof. Associado Doutor da Área de Prótese Fixa, Oclusão e Materiais
Odontológicos da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de
Uberlândia-MG.

PAULO VINÍCIUS SOARES


Professor Adjunto Dentística e Materiais Odontológicos, Mestre em
Reabilitação Oral e Doutor em Clínica Odontológica.

THIAGO DE ALMEIDA PRADO NAVES CARNEIRO


Mestre em Odontologia pela Faculdade de odontologia da Universidade
Federal de Uberlândia-MG.

VERIDIANA RESENDE NOVAIS SIMAMOTO


Professor Adjunto Dentística e Materiais Odontológicos, Mestre em
Reabilitação Oral e Doutora em Materiais Dentários.
Sumário

Capítulo 1: Contextualização Histórica 1


Flávio Domingues das Neves e Fernando Esgaib Kayatt

Capítulo 2: Bases para Diagnóstico, Planejamento


e Tratamento em Reabilitação Oral 13
Alfredo Júlio Fernandes Neto, Paulo Cézar Simamoto Júnior, Célio
Jesus do Prado e Flávio Domingues das Neves

Capítulo 3: Preparos Dentários para Restaurações


CAD/CAM 35
Célio Jesus do Prado, Alfredo Júlio Fernandes Neto, Adérito Soares
da Mota e Flávio Domingues das Neves

Capítulo 4: O CAD Indireto ou CAD de


Laboratório 73
Fernando Esgaib Kayatt, Flávio Domingues das Neves, Daniel Lima
Kayatt e Marcel Santana Prudente

Capítulo 5: O CAD Direto ou CAD de Consultório


ou CAD Intraoral 135
Flávio Domingues das Neves, Fernando Esgaib Kayatt, Daniel Lima
Kayatt e Thiago de Almeida Prado Naves Carneiro

Capítulo 6: O CAM 217


Fernando Esgaib Kayatt, Flávio Domingues das Neves, Marcel
Santana Prudente e Thiago de Almeida Prado Naves Carneiro

Capítulo 7: Materiais Utilizados nos


Sistemas CAD/CAM 235
João Paulo Lyra e Silva, Lourenço Correr Sobrinho, Célio Jesus do
Prado e Carlos José Soares
Sumário

Capítulo 8: Materiais e Técnicas de Cimentação


para Restaurações CAD/CAM 255
Carlos José Soares, Paulo Vinícius Soares, Murilo de Sousa Menezes
e Paulo César de Freitas Santos Filho

Capítulo 9: Infraestruturas CAD/CAM


sobre Implantes 269
Gustavo Mendonça, Ibrahim Duqum, Ingeborg De Kok e
Lyndon Cooper

Capítulo 10: Reparo em Restaurações


Cerâmicas CAD/CAM 285
Carlos José Soares, Bruno de Castro Ferreira Barreto, Gisele
Rodrigues da Silva e Veridiana Resende Novais Simamoto

Índice 293
1

CONTEXTUALIZAÇÃO
HISTÓRICA
Flávio Domingues das Neves e Fernando Esgaib Kayatt

Introdução
Embora a utilização clínica dos sistemas CAD/CAM em Odontologia seja descrita desde
meados dos anos 1980,1,2 não há dúvida de que só agora na segunda década dos anos
2000 essa revolucionária forma de obter próteses e/ou estruturas protéticas começa a
conquistar relativa parcela no universo de usuários (cirurgiões-dentistas, protéticos e pa-
cientes) de tecnologias para construção de próteses dentárias3. O interesse dos pacien-
tes de se verem livres da sensação de mutilação oral, seja por estética, seja por motivos
funcionais, principalmente no que diz respeito à mastigação, sempre levou a busca por
materiais e técnicas que restabelecessem a estética e função perdidas, que fosse de rápi-
da e fácil confecção e resistente à complexa tarefa de sobrevida em um meio tão hostil
quanto o da cavidade bucal, isso devido a vários fatores: complexa microflora, que, de-
pendendo de sua atuação (microfilme), pode deixar o pH de algumas regiões bastante
ácido, diferentes temperaturas em curtos intervalos de tempo, contato com ambiente
úmido, às vezes salgado, e, como se não bastasse, sujeito a solicitações por intensos car-
regamentos, funcionais e às vezes parafuncionais. Resumindo, três tópicos têm norteado
o desenvolvimento de novos produtos e técnicas na Odontologia Restauradora: materiais
mais estéticos, próteses mais resistentes e simplicidade e rapidez na confecção técnica.
No que diz respeito a materiais, o desenvolvimento de cerâmicas reforçadas, com
estética cada vez mais próxima da gerada pela sobreposição da dentina pelo esmalte
dentário, é a grande sensação, entretanto diferentes resinas compostas são disponibi-
lizadas a clínicos o tempo todo e reforçadas com cristais cerâmicos, não podendo ser
deixadas de fora quando o assunto é lançamento de novos materiais. Até porque neste
contexto do desenvolvimento das resinas de uso odontológico estão os adesivos e os
agentes de fixação resinosos. Cada vez mais eficientes e práticos de usar, esses cimentos
resinosos possibilitaram o uso das cerâmicas feldspáticas, das reforçadas com leucita e
das reforçadas com dissilicato de lítio.
Quando o foco é a resistência, o metal, ou seja, as ligas metálicas são o principal
sinônimo de resistência mecânica com biocompatibilidade, historicamente demons-
trada com as ligas áureas, as de cobalto-cromo e, mais recentemente, com as de titâ-
nio. Entretanto, chocam com a busca pela estética, e seu recobrimento com resina ou
cerâmica, mascarando a feia aparência, mas ganhando em resistência, até hoje é tema
de publicações, isso porque às vezes deixam a desejar, justamente no quesito estética.
Nesse contexto, as estruturas de zircônia são o grande desenvolvimento. Embora ainda
não consigam bater as ligas metálicas em resistência, são inúmeras as pesquisas que
demonstram sua viabilidade clínica.4,5
Por fim, no que diz respeito a serem de rápida e fácil confecção, não menosprezan-
do a óbvia necessidade de serem bem-feitos dentro dos limites que a prática impõe, os
sistemas CAD/CAM são, sem a menor dúvida, a grande revolução.1,2,3

1
Capítulo 1 Contextualização Histórica

É bem verdade que os três aspectos descritos são oferecidos a técnicos em próteses
dentárias e/ou cirurgiões-dentistas muitas vezes em conjunto, sob uma denominação
técnica específica. Neste sentido, foram apresentadas ao mercado as cerâmicas prensa-
das, os sistemas de cerômeros e os de CAD/CAM. Outras vezes as inovações são ofere-
cidas na forma de equipamentos e técnicas, para partes específicas do processamento
laboratorial ou até clínico dessas próteses: fornos para cerâmica odontológica, cada vez
mais práticos e eficientes ou as máquinas de solda a laser. Quando, entretanto, se escre-
ve que os sistemas CAD/CAM são a grande revolução, a palavra de ordem é: rapidez,
palavra importante e de grande impacto quando colocada ao usuário final, o paciente.
Para entender a grandeza dessa revolução, os cirurgiões-dentistas precisam procu-
rar entender melhor como é o processamento laboratorial das próteses odontológicas
fixas, embora o processo CAD/CAM em próteses removíveis, inclusive totais, também
já tenha sido publicado.6 Apesar dos inúmeros lançamentos de novos materiais e novas
técnicas, a prótese odontológica metalocerâmica, obtida por meio convencional, ainda
é a forma mais comum de obtenção de próteses odontológicas ao redor do mundo. A
prótese metalocerâmica passa, obviamente, pelos procedimentos clínicos de moldagens
tradicionalmente feitas, com materiais à base de borracha sobre dentes, afastados de
suas gengivas marginais por diferentes métodos e registros intermaxilares realizados
com cera, resina ou material de moldagem (Figura 1.1). No laboratório, o processo
segue com a obtenção de modelos, montagem em articulador, enceramento, recorte
de troquel e selamento de bordo (Figura 1.2), estando assim a prótese pronta para a
etapa de inclusão e fundição (Figura 1.3). Só nesse processo gasta-se dentro de um
laboratório aproximadamente 6 a 8 horas, dependendo do tipo de gesso e de reves-
timento utilizados. Esse tempo refere-se a coroas unitárias ou próteses fixas pequenas,
dependendo muito da habilidade do operador, ou seja, do técnico em prótese dentária.
Após essa etapa vêm as de solda necessárias para assegurar uma boa adaptação para
as próteses múltiplas (Figura 1.4), seguidas de uma moldagem de transferência para a
construção de um novo modelo para aplicação de porcelana sobre a estrutura metálica.
O passo seguinte é a aplicação da porcelana (Figura 1.5). Nesse passo, o metal
passa por um tratamento e, em seguida, ocorre a aplicação da porcelana propriamente
dita: opaca e mais 2 ou 3 camadas de cerâmica, estratificando por camadas de maneira
a obter uma estética que se assemelhe ao máximo ao que existia na dentição natural.
O processo em questão leva, em média, 5 a 8 horas e depende dos horários clínicos
que intermediarão os laboratoriais: remoção para solda e moldagem de transferência.
Com toda essa dificuldade, já que um laboratório dificilmente poderá atender frequen-

Figura 1.1. Molde de trabalho para


confecção de prótese fixa metalocerâmica
anterior.

2
Capítulo 1 Contextualização Histórica

Figura 1.2. Selamento de bordo,


derretendo a cera contra o troquel
recortado.

Figura 1.3. Procedimento laboratorial de


fundição.

Figura 1.4. Remoção clínica de retentores


para o procedimento laboratorial de solda.

3
Capítulo 1 Contextualização Histórica

Figura 1.5. Aplicação de porcelana pela técnica


convencional.

temente todos os cirurgiões-dentistas com esses tempos mínimos, a prótese odontoló-


gica tornou-se, para a população em geral, sinônimo de demora.
O tempo que os pacientes passam com próteses provisórias de resina acrílica que
invariavelmente são frágeis (quebram), feias (antiestéticas) e soltam com frequência
(já que são, obviamente, cimentadas provisoriamente) faz com que os pacientes que
necessitam desses tratamentos, e principalmente os que precisam pela segunda vez,
tenham verdadeiros traumas quando relacionam demora com qualidade de vida no
período em que estão com os provisórios. Por tudo isto, as técnicas, equipamentos e
materiais desenvolvidos nos últimos anos passam pela seguinte problemática: oferecer
uma adaptação ao menos aceitável clinicamente (conceito mais crítico para a longevi-
dade das próteses odontológicas), com estética e resistência ao menos igual às atingi-
das nos procedimentos descritos anteriormente, porém obtidas de maneira muito mais
simples e prática. De todas as formas recentemente lançadas no mercado, os Sistemas
CAD/CAM indiscutivelmente são imbatíveis nesses quesitos até o momento. Lembrando
que há autores que acharam desajustes melhores para estas próteses CAD/CAM do que
para as convencionais,7 a Figura 1.6 ilustra o assentamento de uma coroa produzida
em um sistema CAD/CAM CEREC-SIRONA, material e-max – IPS e.max CAD (Ivoclar
Vivadent) com digitalização direta, aqui aumentada em 400 vezes.
Desta forma, nos últimos anos, todos os profissionais envolvidos com a reabilitação
protética odontoestomatológica e até mesmo potenciais clientes têm recebido uma

Figura 1.6. Corte vestibulolingual de


microtomografia de um pré-molar com uma coroa de
dissilicato de lítio, confeccionada no CEREC-SIRONA.

4
Capítulo 1 Contextualização Histórica

grande quantidade de propagandas, vindas das mais variadas mídias e referindo-se a


sistemas CAD/CAM em odontologia, ora oferecendo rapidez e estética, ora qualidade
e precisão. O número exato desses sistemas hoje disponíveis seria de difícil definição,
até porque ainda não atingiu um limite e novos sistemas estão em desenvolvimento e
logo estarão no mercado. Estamos no ano de 2012 e iniciamos este livro sabendo que
deverá ser atualizado nas próximas edições, uma vez que talvez não haja no mercado
voltado à odontoestomatologia área que se desenvolva tanto e tão rápido. A propos-
ta deste capítulo é fazer uma contextualização histórica do processo e, nos seguintes,
identificar quais os equipamentos mais utilizados no momento e o que eles possibili-
tam obter em termos de aparelhos protéticos. A denominação CAD/CAM refere-se ao
universo de equipamentos e ferramentas, digitais e mecânicas, usadas na fabricação de
objetos, inicialmente desenhados em um programa específico, tendo as mais variadas
aplicações. Mas o que significam essas siglas?

Significado de CAD e CAM


Em uma despretensiosa consulta ao Google e acessando a Wikipédia,8 encontra-se:
Desenho auxiliado por computador (DAC) ou CAD (do inglês: computer-aided design)
é o nome genérico de sistemas computacionais (software) utilizados pela engenharia,
geologia, geografia, arquitetura e design para facilitar o projeto e desenho técnicos.
No caso do design, este pode estar ligado especificamente a todas as suas vertentes
(produtos como vestuário, eletroeletrônicos, automobilísticos etc.), de modo que os
jargões de cada especialidade são incorporados na interface de cada programa. E ain-
da sua história:
1. anos 1950 – Início de aplicações de computadores em auxílio das engenharias.
Criação de gráficos monocromáticos a partir de um computador.
2. 1951 – Aparecimento dos primeiros terminais gráficos e impressoras.
3. 1953 – Aparecimento das primeiras impressoras.
4. 1958 – Dispositivos de aquisição de dados.
5. 1962 – Primeiro trabalho gráfico em três dimensões.
6. 1970 – A IBM revoluciona o mercado CAD com a padronização da linguagem grá-
fica e técnicas computacionais para 3D.
7. 1980 – Desenvolvimento de sistemas que interliguem os softwares diretamente à
produção.
8. 1990 – Desenvolvimento de sistemas operacionais robustos para a aplicação em
computadores, redução de custos em hardware e “super” utilizadores especializados.
Esses sistemas fornecem uma série de ferramentas para a construção de entidades
geométricas planas (como linhas, curvas, polígonos) ou mesmo objetos tridimensionais
(cubos, esferas etc.). Também disponibilizam ferramentas para relacionar essas entida-
des ou esses objetos, por exemplo: criar um arredondamento (filete) entre duas linhas
ou subtrair as formas de dois objetos tridimensionais para obter um terceiro.
Já quanto ao CAM, o referido site (Wikipédia) descreve: Computer-Aided Manu-
facturing (CAM), ou Manufatura Auxiliada por Computador. Contrapondo-se ao CAD,
o CAM está no processo de produção. Qualquer processo auxiliado por microcontro-
lador ou controlador numérico pode ser considerado um CAM, como os tornos com
CNC, mas em alguns segmentos o refinamento que o auxílio computacional traz é
sem par, como no caso do vestuário, onde o CAM agrega o melhor da sala de corte
numa única máquina, onde a mesa funciona por sucção, compactando os enfestos, e
a cabeça de corte do CAM faz o trabalho da máquina de faca vertical e furadeira de
marcação. Para a compactação se faz necessário papel perfurado sobre o enfesto para
que o sistema de sucção não seja sobrecarregado. O caminho da faca sobre o enfesto
pode ser programado (para que tenhamos um tempo de corte menor ou algum cui-
dado específico com o modelo), assim como a quantidade de afiamentos que a faca
sofrerá neste percurso.
5
Capítulo 1 Contextualização Histórica

Os sistemas CAM trabalham tendo como base modelos matemáticos provenientes


do sistema CAD. Por meio desses modelos, os sistemas geram um arquivo de caminho
de ferramenta através do pós-processador (software que gera o programa do coman-
do específico da máquina). A partir dos sistemas de CAM é possível transferir todas as
coordenadas para que as máquinas (CNC, Comando-Numérico-Computadorizado)
efetuem as usinagens da peça. Quanto maior a precisão do desenho gerado no CAD,
maior será a precisão dos caminhos de ferramenta gerados pelo CAM e, consequente-
mente, uma peça de maior qualidade.
Quanto à origem, eles escrevem: o CAM tem como antepassados as máquinas
de produção automáticas dos anos 1950, nos Estados Unidos da América, com partes
móveis controladas por cames, peças de geometria complexa. A produção de novos
produtos implicava a reprogramação dos cames, operação que era muito demorada e
onerosa, sendo de difícil afinação. Posteriormente, os cames viriam a ser substituídos
por controladores e motores de passo, que dariam lugar aos controladores numéricos
e posteriormente ao CAM (Computer-Aided Manufacturing), a Manufatura Auxiliada
por Computador.
A escolha da Wikipédia para ilustrar a faceta multiusuária ou interdisciplinar des-
te processo CAD/CAM foi por ser uma ferramenta digital que primeiramente aparece
no Google a mostrar justamente a grandeza do processo que poderá ser utilizado em
qualquer área, embora a odontoestomatologia não apareça ali como exemplo de uti-
lização do sistema.
A expressão CAD (Computer Aided Desing – Desenho Auxiliado por Computador)
pode ser definida como o processo de projeto, de desenho, que utiliza técnicas gráfi-
cas computadorizadas, por meio de programas (software) de apoio, que auxiliam na
resolução de problemas, associados ao projeto em questão, normalmente referentes à
forma 3D, daí ser importante também discutir-se o desenvolvimento de escâneres 3D,
revolucionando e facilitando muito a utilização das ferramentas de CAD, exemplo disto
os modernos escâneres 3D, que facilitam a elaboração de amostras para a técnica de
elementos finitos (Figura 1.7).
Já o CAM (Computer Aided Manufacturing – Fabricação Auxiliada por Computador)
refere-se a todo e qualquer processo de fabricação controlado por computador, sendo os
mais eficientes os tornos CNC, que se referem a máquinas controladas numericamente
pelo computador. Atualmente a sigla (CNC) envolve diversos processos automáticos
de fabricação, podendo ser usado como exemplos o torneamento, o fresamento e o
corte a laser, mas os sistemas CAM por desgaste ou usinagem já vêm sendo substituí-
dos por econômicos sistemas CAM por deposição ou acréscimo. De uma maneira ou

Figura 1.7. Escâner 3D utilizado para


gerar modelos para a técnica de elementos
finitos – Laboratório de Análise de Tensões (LATE) –
Faculdade de Odontologia da UFU-MG.

6
Capítulo 1 Contextualização Histórica

Figura 1.8. Torno que fabrica peças para


montagem de uma outra máquina. Empresa
REMAC- Uberlândia-MG.

de outra, a tecnologia CAD/CAM é a união das duas coisas que em palavras simples
significam que o computador que tem o software que permitiu o desenho, o projeto,
pode “conversar” com a máquina CNC que o executará após os comandos necessá-
rios. Exemplo comum desse processo são as atuais técnicas de obtenção de “banners”
ou de ferramentas industriais (Figura 1.8).
Interessante dizer que os dois processos evoluíram separadamente, segundo o
site http://machinedesign.com, em análise feita em 7 de julho de 2012,9 CAD e CAM
foram desenvolvidos como duas tecnologias distintas e começaram a surgir do labora-
tório aproximadamente ao mesmo tempo no início da década de 1960. E, no caso
do CAM, a tecnologia evoluía para usinagem de controle numérico, que mais tarde se
transformou no que hoje conhecemos como manufatura auxiliada por computador. Na
sua introdução e por um longo tempo depois, provavelmente ninguém poderia prever
que o CAD e o CAM seriam interligados e surgiriam como as forças mais poderosas
do mundo industrial. No caso do CAD, havia muitas pessoas e instituições que traba-
lhavam com a ideia de computação gráfica para design. O Dr. Ivan Sutherland é consi-
derado o pioneiro,9 ele fez seu trabalho inicial com um sistema chamado Sketchpad
no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Trabalho paralelo foi feito na General
Motors Research Laboratories. As origens de comando numérico (CN) ou CAM estavam
claramente com o Sr. John Parsons,9 dono de uma empresa que produzia uma série
de produtos, mas que fez o seu trabalho original em CN para a fabricação de lâminas
de rotor de helicóptero. Posteriormente o desenvolvimento de controle numérico tor-
nou-se, em grande parte, um esforço patrocinado pela Força Aérea Americana com o
trabalho desenvolvido pela MIT. Uma das pessoas envolvidas com o projeto CAD com
a General Motors foi o Dr. Patrick Hanratty,9 que mais tarde deixou a GM para for-
mar sua própria empresa e desenvolver o primeiro software comercialmente disponível
para desenho mecânico. O software do Dr. Hanratty foi usado como base para quase
uma dúzia de empresas start-up de programas CAD. Hoje, cerca de 90% da elabora-
ção de softwares comerciais pode traçar suas raízes de volta ao programa original do
Dr. Hanratty, chamado Adam.9 Há 25 anos, a própria ideia de CAD e CAM que estava
sendo vinculada era absurda e provocadora, para dizer o mínimo. Mas, hoje, a produ-
ção de uma peça é posta em movimento a partir do terminal de um designer gráfico.
Os CAD/CAM constituem agora uma das maiores forças tecnológicas e econômicas já
vistas na indústria. Infelizmente, esse fato não é compreendido pelo público em geral.
Fora das comunidades de engenharia de manufatura e design, poucas pessoas perce-
bem o potencial do instrumental CAD e CAM.

7
Capítulo 1 Contextualização Histórica

CAD/CAM na Odontologia
Restauradora
Quanto ao processo CAD/CAM na odontologia, sua história remonta ao final da década
de 1970, a partir dos trabalhos de Bruce Altschuler, François Duret, Werner Mormann
e Marco Brandestini, e início dos anos 1980 em se tratando de máquinas comerciais,
sendo o CEREC (Mormann e Brandestini) o primeiro sistema comercialmente viável
disponibilizado aos cirurgiões-dentistas.10,11 Esse sistema continua hoje em sua versão
BlueCam e OminiCam, sendo um dos sistemas mais comercializados em todo o mun-
do, e sua evolução tem sido descrita pelo próprio idealizador.1
O processo é relativamente antigo e frequentemente utilizado em outras áreas, mas
houve um grande problema na Odontologia, como descreve Rekow, E. D., 2006,12 a
usinagem de uma cerâmica dental pareceu inicialmente uma ideia ridícula. Ressalta-se
que o uso dos sistemas CAD/CAM em odontologia objetivava substituir procedimen-
tos laboratoriais complexos que conseguiam obter adaptações de coroas a dentes nos
seus términos cervicais com valores em média de 50 micrômetros, além de reproduzir
detalhes anatômicos delicados das superfícies oclusais em materiais que simulassem a
cor dos dentes humanos nas diversas variações existentes. Ou seja, o processo necessi-
taria de um sistema de alta precisão, e para isto inicialmente teria de ser desenvolvido
um equipamento sofisticado para capturar a imagem do dente ou pilar implantado
que receberia a prótese usinada. Desta forma, o primeiro a introduzir a ideia de usar
um instrumento óptico para mapear a superfície dental foi Bruce Altschuler,10 em 1977.
Atualmente câmeras ópticas, digitalização por contato e escaneamento a laser são al-
gumas das várias formas utilizadas por diversos sistemas, alguns deles permitindo a
captura das imagens diretamente da boca do paciente, com alta qualidade13 (Figura
1.9). Nota-se que, na Odontologia, o processo compreende três etapas distintas: 1 – a
captura dos dados, a digitalização das imagens de boca ou modelo, 2 – o trabalho no
CAD, propriamente dito, a confecção virtual das próteses ou estruturas e 3 – o trabalho
no CAM, a confecção real do trabalho protético.14
O processo descrito, em sua primeira etapa, pode não necessitar de procedimentos
de moldagem e vazamento de modelos tradicionais, bem como suas montagens em
articuladores, já outros sistemas de escâneres são laboratoriais (Figura 1.10) e digitali-
zam modelos ou proformas de pilares.

Figura 1.9. Moldagem digital sendo


realizada com o sistema CEREC – SIRONA –
Eikon Odontologia Especializada – Uberlândia-MG.

8
Capítulo 1 Contextualização Histórica

Figura 1.12. Foto do “Stand” da Ivoclar


Vivadent na IDS-2011 – Colônia-Alemanha.
Cedida pelo Prof. Dr. Paulo Cesar Simamoto Júnior.

um escâner com um computador com configuração compatível com trabalhos pesados


usando muitas imagens e/ou vídeos com o referido software instalado.
Na sequência, após o desenho ou projeto realizado, o arquivo é enviado ao CAM,
terceira etapa do processo, ou seja, à máquina que fará o trabalho protético em questão.
Este processo de manufatura pode ser feito por adição16 (menos comum) ou desgaste,
neste caso com um torno que tem um programa de computador (um software) que
lê aquele arquivo e controla os movimentos de vários eixos de um torno de maneira a
usinar com a máxima precisão possível e no material escolhido a estrutura ou o dente
planejado anteriormente. Esses tornos podem ser de uso clínico (Figura 1.13) ou po-
dem ainda estar localizados em centrais de produção16,17 (Figura 1.14).
Alguns sistemas mais comuns em Odontologia serão mais bem descritos nos Ca-
pítulos 4, que trata do CAD de laboratório, aqui chamado de extraoral (ou indireto),

Figura 1.13. Unidade fresadora para


consultório do sistema CEREC – SIRONA.
Eikon Odontologia Especializada – Uberlândia-MG.

10
Capítulo 1 Contextualização Histórica

Figura 1.14. Unidade Fresadora


para laboratório sistema
LAVA – 3M – Central de fresagem
ERO Prótese São Paulo-SP.

5, que trata do CAD de consultório, aqui chamado de intraoral (ou direto), e, 6, que
aborda o CAM, ou seja, as máquinas que construirão os modelos, as próteses ou as
estruturas, a depender do pretendido no CAD.

Referências Bibliográficas
1. Mörmann, W.H. The Evolution of the CEREC system. JADA, v.137 (9 supplement), p.7S – 13S, 2006
2. Fasbinder, D.J.The CEREC system : 25 years of Chairside CAD/CAM Dentistry. J Am Dent Assoc
2010;v.141;p.3S-4S
3. Poticny, D.J. e Klim, J. CAD/CAM in office technology. Innovations after 25 years for predictable,
esthetic outcomes. JADA, 2010, v.141, p5s-9s.
4. Heintze, S.D. e Rousson, V. Survival of Zirconia – and Metal-Suported Fixed dental Prostheses: a
systematic Revew. Int J Prosthodont 2010;23:493–502.
5. Komine,F, Blatz,M.B.Matsumura H. Current status of zirconia- based fixed restorations. Journal of
Oral Science. V.52, n.4,p.531-539, 2010
6. Goodacre, C.J.; Garbacea, A.; Naylor,W.P. et al. CAD/CAM Fabricated Complete Denture: Concepts
and Clinical Methods of Obtaining Required Morphological Data. J. Prosthet dent, v. 107, p34-6,
2012.
7. Almasri et al 2010 Volumetric Misfit in CAD/CAM and Cast Implant Frameworks:A University Labo-
ratory Study. Journal of Prosthodontics 00 (2011) 1–8 c_ 2011
8. Site: http://pt.wikipedia.org/wiki/Desenho_assistido_por_computador
9. Site: http://machinedesign.com
10. Uzun G. An Overview of dental CAD/CAM systems. Biotechnol & Biotechnol, 22, p. 530-535, 2008.
11. Fasbinder, D.J.The CEREC system : 25 years of Chairside CAD/CAM Dentistry. J Am Dent Assoc
2010;v.141;p.3S-4S
12. Rekow, E.D. Dental CAD/CAM systms. A 20-year success story. JADA, v.137 (9 supplement)pag. 5
e 6S, 2006
13. Christensen, G.J. Impressions are changing. Deciding on conventional, digital or digital plus in-office
milling. J Am Dent Assoc 2009;v.140;p.1301-1304
14. Fuster-Torres MA, Albalat-Estela S, Alcañiz-Raya M, Peñarrocha-Diago, M. CAD / CAM dental sys-
tems in implant dentistry: Update. Med Oral Patol Oral Cir Bucal. 2009 Mar 1;14 (3):E141-5
15. Strub,J.R., Rekow, E.D., Witkowski, S. Computer-aided design and fabrications of dental restora-
tions. JADA, v.137, n.9, p.1289-96, 2006

11
Capítulo 1 Contextualização Histórica

16. Noort,R.V. The Future of devices dental is digital.Dent Mat.;28, p 3-12.2012


17. Bernardes, S.R. et al, Tecnologia CAD/CAM aplicada a prótese dentária e sobre implantes: o que é,
como funciona, vantagens e limitações. Revisão crítica da literatura. Volume 06, no 01, Jan. Fev.
Mar . 2012.

Referências Consultadas
Birnbaum NS, Aaronson HB, Stevens C, Cohen B. 3D Digital Scanners: a high-tech approach to more
accurate dental impressions. Inside Dentistry 2009; 5: 70-74.
Brandestini M, Moermann WH, inventors. Method and Apparatus for the Three Dimensional Registra-
tion and Display of Prepared Teeth. US Patent 4837732; 1989.
Duret F and Termoz C, inventors. Method of and Apparatus for Making a Prosthesis, Especially a Dental
Prosthesis. US Patent 4663720, 2010.
Elias C N. Capítulo 13- Aplicações da Zircônia e os Sitemas CAD/CAM Usados na Odontologia. In: Fer-
nandes CP. Uma Odontologia de Classe Mundial, 1ª ed.. Brasil: Editora Santos, 2010. p.307-334.
Miyazaki T, Hotta Y, Kunii J et al. A Review of Dental CAD/CAM: current status and future perspectives
from 20 years of experience. Dent Mater J 2009; 28:44–56.7.
Otto T, De Nisco S. Computer-aided Direct Ceramic Restorations: a 10-year prospective clinical study
of Cerec CAD/CAM inlays and onlays. Int J Prosthodont 2002; 15(2):122-128.
Otto T, Schneider D. Long-term Clinical Results of Chairside Cerec CAD/CAM Inlays and Onlays: a case
series. Int J Prosthodont 2008; 21(1):53-59.
Posselt A, Kerschbaum T. Longevity of 2328 Chairside Cerec Inlays and Onlays. Int J Comput Dent 2003;
6(3):231-248.

Agradecimentos
Os autores agradecem a colaboração da FAPEMIG, principalmente pela aprovação do
estágio técnico científico ETC-00056-11 na UNC-USA; à própria UNC-USA, principal-
mente aos professores: Dr. Lyndon Cooper, Dr. Gustavo Mendonça, Dra. Ingeborg
De Kok e Dr. Ibrahim Duqum, autores do Capítulo 9, e que tão bem nos acolheram
em nossa estada; à UFU, principalmente às áreas de Oclusão, Prótese Fixa e Materiais
Odontológicos, e à de Dentística Restauradora e Materiais Odontológicos, que uniram
forças para fazer um livro com a filosofia de Reabilitação da Faculdade de Odontolo-
gia da Universidade Federal de Uberlândia. Ao Sr. Elias Rosa de Oliveira e seu filho Dr.
Flávio Rosa, bem como aos colaboradores do Laboratório ERO Prótese de São Paulo.
À CAPES e ao CNPQ por bolsas e projetos que direta ou indiretamente contribuíram
com este capítulo; à empresa Neodent, especialmente ao Dr. Sérgio Rocha Bernardes,
que tão prontamente nos ajudou com importantes informações; e, finalmente, às em-
presas Neodent, SmartOptics, Sirona Paraguay (Elizeche SAC), Sirona do Brasil e Nobel
Biocare, as únicas que responderam a nossos questionários.

12
2
2
BASES PARA DIAGNÓSTICO,
PLANEJAMENTO E TRATAMENTO
EM REABILITAÇÃO ORAL
Alfredo Júlio Fernandes Neto, Paulo Cézar Simamoto Júnior,
Célio Jesus do Prado e Flávio Domingues das Neves

Introdução ao Aparelho
Estomatognático
O Aparelho Estomatognático (AE) é uma entidade fisiológica complexa, funcional, per-
feitamente definida e integrada por um conjunto heterogêneo de sistemas, órgãos e
tecidos cuja biologia e fisiopatologia são absolutamente interdependentes, envolvidos
nos atos funcionais, como fala, mastigação e deglutição dos alimentos, e nos atos para-
funcionais, como apertamento dentário e bruxismo. Esse aparelho tem como funções:
mastigação, deglutição, fonação, expressão e estética facial, e postura da mandíbula, da
língua e do osso hioide. Dentre elas, a mastigação é a que gera o maior esforço oclusal.
Seus componentes anatômicos são: todos os ossos fixos da cabeça, a mandíbula,
o hioide, as clavículas e o esterno, os músculos da mastigação, deglutição, expressão
facial e posteriores do pescoço, as articulações dentoalveolar (periodonto) e temporo-
mandibular (ATM) e seus ligamentos, os sistemas vasculares e nervosos, os dentes, a
língua, os lábios, as bochechas e as glândulas salivares.
O sistema neuromuscular, as articulações temporomandibulares (ATMs), a oclusão
dentária e o periodonto são as quatro unidades fisiológicas básicas que integram uma
unidade biológica funcional do AE, que, por sua vez, pertence a outra unidade biológi-
ca fundamental, o indivíduo, do qual não podem ser separadas ao se fazer considera-
ções diagnósticas, prognósticas e terapêuticas em se tratando de promoção de saúde.

Sistema Neuromuscular
O sistema neuromuscular é considerado fator preponderante nas funções do apare-
lho estomatognático, pois os músculos excitados pelo sistema nervoso constituem-se
no elemento ativo, que origina as forças necessárias às funções a que se destinam. As
demais unidades representam os elementos passivos encarregados de receber e trans-
mitir a ação das forças.
Para o entendimento da interação do sistema neuromuscular com a morfologia
oclusal, faz-se necessário o conhecimento das relações anatômicas das ATMs e de seus
ligamentos com os músculos que o constituem. Esse conhecimento inclui a função, a
inervação e a vascularização desses músculos.

Articulação Temporomandibular – ATM


A articulação temporomandibular pode ser tecnicamente considerada uma articulação
ginglemoartroidal, por realizar movimentos de rotação (ginglemoidal) e translação
(artroidal).
O homem é portador das articulações temporomandibulares desde o seu nasci-
mento, quando ainda inexistem os dentes nas arcadas dentárias. Durante o seu de-

13
Capítulo 2 Bases para Diagnóstico, Planejamento e Tratamento em Reabilitação Oral

senvolvimento, os côndilos e as fossas vão se remodelando continuamente por meio


da transição da dentição temporária para a permanente e mesmo quando da perda
desta última (Figura 2.1).
As ATMs se projetarão ligeiramente para uma posição anterior quando da ausência
de todos os dentes e são, juntamente com o sistema neuromuscular, as referências que
se mantêm durante toda a vida do homem.
As articulações temporomandibulares apresentam todos os elementos de uma ar-
ticulação sinovial, incluindo um disco articular (Figura 2.2). O côndilo é revestido por
uma camada fibrocartilaginosa, assume uma posição anterossuperior na fossa mandi-
bular e apoia-se anteriormente contra a eminência articular, que é protegida por uma
camada fibrocartilaginosa em toda a superfície de relacionamento funcional.
O disco articular (menisco), com forma bicôncava, está colocado entre ambas as
superfícies articulares e apresenta a inserção do feixe superior do músculo pterigóideo
lateral, cujo feixe inferior insere-se na fossa pterigóidea (colo do côndilo). Posteriormente
ao côndilo, encontra-se a zona bilaminar com vascularização e inervação própria, que
não é apropriada para suportar o côndilo.
A irrigação dos elementos que constituem as ATMs é conduzida por ramos das
artérias temporal superficial, timpânica anterior, meníngea média e auricular posterior.

Figura 2.1. Nesta ilustração veem-se os diferentes estágios das ATMs durante o
desenvolvimento do crânio e da mandíbula de um recém-nascido, de uma criança,
de um adulto e de um idoso.

Figura 2.2. Elementos da ATM – vista sagital: A. Superfície articular do osso


temporal. B. Disco articular. C. Cavidade sinovial superior. D. Tecido retrodiscal.
E. Feixe superior da zona bilaminar. J. superfície articular do côndilo. L. Feixe
superior do pterigoideo lateral. M. Feixe inferior do pterigóideo lateral.

14
Capítulo 2 Bases para Diagnóstico, Planejamento e Tratamento em Reabilitação Oral

Oclusão
Oclusão se refere ao estudo das relações estáticas (intercuspidação dentária) e dinâmi-
cas (movimentos mandibulares) entre as superfícies oclusais, e entre estas e todos os
demais componentes do AE, que quase sempre pode ser traduzido no próprio movi-
mento mandibular.
Uma oclusão é fisiológica quando apresenta harmonia entre os determinantes ana-
tômicos e as unidades fisiológicas do AE, não gerando patologias aos tecidos. Entre-
tanto, na presença de desarmonia a oclusão poderá gerar patologias aos tecidos. São
considerados maloclusão os contatos oclusais antagônicos ou adjacentes dos dentes em
desarmonia com os componentes anatômicos e unidades fisiológicas do AE.
O termo maloclusão não significa doença ou saúde, e sim dentes mal posicionados
ou desalinhados. Muitas pessoas apresentam maloclusão, mas se adaptam a ela e não
apresentam sinais patológicos.
No aparelho estomatognático, os dentes posteriores têm como funções: mastiga-
ção, ponto de apoio da mandíbula durante a deglutição, manutenção da dimensão
vertical de oclusão, transmissão e dissipação das forças axiais, e proteção aos dentes
anteriores e às ATMs na posição de oclusão em relação cêntrica – ORC.
Os dentes anteriores têm como funções: estética, fonética, apreensão e corte dos
alimentos e proteção aos dentes posteriores e às ATMs nos movimentos excêntricos da
mandíbula, principalmente nos movimentos laterais durante a mastigação, momento
em que o canino tem especial função de guia, sendo um dente muito solicitado, daí
sua robustez.

Periodonto
As forças que incidem sobre os dentes são transmitidas aos ossos por meio das fibras
periodontais, dessa forma o ligamento periodontal é capaz de converter uma força des-
trutiva (compressão) numa força aceitável (tensão). O equilíbrio entre as forças de ação
que incidem sobre os dentes e a reação biológica adequada dos tecidos do periodon-
to de sustentação, cemento, fibras periodontais e osso alveolar mantêm a integridade
das estruturas do aparelho estomatognático e representa o principal componente da
homeostasia desse periodonto.
Importante frisar que os tecidos ósseos não toleram bem forças de compressão
(ver Biomecânica), caso essa força seja aplicada diretamente sobre o osso e de maneira
contínua poderemos observar um processo de remodelamento severo.
Para Okeson (2008), quando um dente é contatado numa ponta de cúspide ou
numa superfície relativamente plana, como a crista marginal ou o fundo de fossa, a
força resultante é dirigida verticalmente por meio do longo eixo. As fibras do ligamen-
to periodontal estão alinhadas de modo a dissipar e reconhecer essas forças como fi-
siológicas. Dessa forma, quando forças horizontais são colocadas diretamente sobre o
dente, muitas fibras periodontais não estão apropriadamente alinhadas para direcionar
de maneira adequada essas intensidades de carga para o osso.
Na mandíbula as forças seguem a trajetória das trabéculas ósseas em direção aos
côndilos, de onde são transmitidas e neutralizadas nas regiões temporal, parietal e oc-
cipital. Nas maxilas a trajetória trabecular forma três pilares ósseos: anterior, médio e
posterior, por meio dos quais as forças se direcionam para as áreas frontal, orbital, na-
sal e zigomática, onde são neutralizadas. Essas disposições trabeculares asseguram o
máximo de resistência óssea à tensão.

Manutenção ou Reabilitação do
Aparelho Estomatognático
Aspectos que Devem ser Analisados
A manutenção ou reabilitação do aparelho estomatognático pelo cirurgião-dentista
tem como objetivo preservar ou restabelecer os seguintes aspectos:

15
Capítulo 2 Bases para Diagnóstico, Planejamento e Tratamento em Reabilitação Oral

UÊ Dimensão vertical – DV.


UÊ Dimensão horizontal (dh) ou relação cêntrica – RC.
UÊ Estabilidade oclusal – EO.
UÊ Guia anterior – GA.
Para isso se fazem necessários os conhecimentos de:
UÊ Biologia dos tecidos.
UÊ Fisiologia do aparelho estomatognático.
UÊ Propriedade dos materiais odontológicos.
UÊ Técnicas de execução dos procedimentos clínicos e laboratoriais.
UÊ Fundamentos de estética odontológica.
E os procedimentos:
UÊ Anamnésia, exames: clínico, radiográfico e dos modelos de estudo montados em
articulador semiajustável horizontalmente ou em RC.
UÊ Diagnóstico.
UÊ Planejamento e execução de procedimentos educativos, preventivos e restauradores.
O que são e a que se destinam os objetivos:

Dimensão Vertical (DV)


É a medida vertical da face, entre dois pontos quaisquer, arbitrariamente selecionados
e convenientemente localizados um acima e outro abaixo da boca, normalmente na
linha mediana da face, variando entre a dimensão vertical de repouso e a dimensão
vertical de oclusão. Fundamental na preservação da saúde da unidade fisiológica neu-
romuscular do AE.
A dimensão vertical de repouso (DVR) é a dimensão vertical da face, quando a
mandíbula se encontra sustentada pela posição postural, ou de repouso fisiológico dos
músculos do AE e com os lábios se contatando levemente. Independe da presença ou
não dos dentes. A dimensão vertical de oclusão (DVO) é a dimensão vertical da face,
quando os dentes estão em máxima intercuspidação e os músculos contraídos em seu
ciclo de potência máxima. Depende da presença dos dentes em oclusão (Figura 2.3).

Figura 2.3. Grupo de músculos que atuam na estabilização da dimensão


vertical, DV.

16
Capítulo 2 Bases para Diagnóstico, Planejamento e Tratamento em Reabilitação Oral

Figura 2.4. Diferentes Perfis Sociais: A. DV correta. B. DV excessiva. C. DV reduzida.

O paciente pode apresentar diferentes perfis faciais em detrimento de alterações


na DV (Figura 2.4).
A distância existente entre as superfícies oclusais e incisais dos dentes antagonistas, quan-
do a mandíbula se encontra sustentada pela posição postural ou de repouso muscular
fisiológico, é denominada espaço funcional livre (EFL) e representa a diferença entre a
DVO e a DVR, sendo de aproximadamente 3 mm.

Dimensão Horizontal (DH) ou Relação Cêntrica (RC)


Trata do relacionamento temporomandibular, fundamental na preservação da saúde
das unidades fisiológicas, neuromuscular e ATMs do AE. Para Fernandes Neto (2010), é
a relação horizontal do côndilo com a fossa mandibular do osso temporal em completa
harmonia com o disco articular. É uma posição estável e reproduzível pelo equilíbrio
fisiológico dos músculos de sustentação mandibular, e independe do relacionamento
dentário.

Estabilidade Oclusal (EO)


É a estabilidade dada à mandíbula em relação às maxilas pela intercuspidação simul-
tânea das cúspides funcionais nas respectivas fossas antagonistas em ambos os lados
da arcada dentária. Fundamental na preservação da saúde das unidades fisiológicas,
neuromuscular, ATMs e oclusão dentária (Figura 2.5) e periodonto (Figura 2.6) do AE.
Para manter ou restabelecer a estabilidade maxilomandibular do aparelho esto-
matognático, são indispensáveis a oclusão dos pré-molares e dos primeiros molares
antagônicos.
Denomina-se oclusão em relação cêntrica – ORC (oclusão cêntrica ou máxima in-
tercuspidação cêntrica) quando há coincidência da posição de máxima intercuspidação
dentária com a posição de RC das ATMs (Figura 2.7).
Como máxima intercuspidação habitual – MIH, é considerada a posição maxiloman-
dibular com o maior número de contatos entre os dentes antagonistas. É uma posição
dentária que independe da posição dos côndilos, logo não deve ser impropriamente
chamada de oclusão cêntrica, pois nesta posição a mandíbula estará sempre desviada
da RC.
Estudos têm mostrado que, na maioria dos casos, a neuromusculatura posiciona a
mandíbula para alcançar a máxima intercuspidação independentemente da posição dos
côndilos na fossa. Quando interferências oclusais estão presentes, o feedback proprio-
ceptivo das fibras periodontais ao redor do dente envolvido programa a função muscu-
lar para evitar as interferências. A função muscular resultante pode ser tão dominante

17
Capítulo 2 Bases para Diagnóstico, Planejamento e Tratamento em Reabilitação Oral

Figura 2.5. A. Estabilidade condilar. B. Estabilidade Figura 2.6. Estabilidade oclusal, direcionamento das forças para
oclusal. o longo eixo dos dentes e consequente saúde periodontal.

Figura 2.7. Estabilidade maxilomandibular.

que a posição mandibular adquirida com frequência considerada erroneamente pelos


clínicos como a verdadeira RC.
Para melhor entendimento de toda essa nomenclatura é importante observar que
o termo relação cêntrica se refere sempre a uma posição de estabilidade entre o côn-
dilo e a fossa mandibular, independente dos dentes. Os termos intercuspidação e oclu-
são referem-se a uma relação de estabilidade dentária entre as maxilas e a mandíbula
(maxilomandibular), independente dos côndilos. No entanto, uma oclusão fisiológica
requer estabilidade e reprodutibilidade no relacionamento da mandíbula com os ossos
temporais e maxilas.
Para que isso ocorra, é necessário preservar ou restabelecer simultaneamente a re-
lação temporomandibular por meio das ATMs direita e esquerda em RC como apoio
posterior, e a relação maxilomandibular por meio da intercuspidação dos dentes pos-
teriores simultaneamente de ambos os lados da arcada dentária como apoio anterior.
Obtém-se, desse modo, uma oclusão em relação cêntrica ou uma máxima intercus-
pidação cêntrica, de tal maneira que, quando unidos os extremos desses pontos de
apoio, forme uma figura geométrica (quadrilátero de estabilidade).

Guia Anterior (GA)


Descreve-se o relacionamento das bordas incisais dos dentes anteriores inferiores, com a
face lingual dos dentes anteriores superiores, durante os movimentos protrusivo e re-

18
Capítulo 2 Bases para Diagnóstico, Planejamento e Tratamento em Reabilitação Oral

trusivo da mandíbula (Figura 2.9), sem contato dental posterior, formando-se com as
ATMs direita e esquerda um tripé de estabilidade (Figura 2.10). São fundamentais na
preservação da saúde das unidades fisiológicas: neuromuscular, ATMs, oclusão dentá-
ria e periodonto do AE.
Após a revisão da normalidade do aparelho estomatognático (AE) observa-se que,
em uma oclusão fisiológica, ao final do fechamento mandibular, a ação do sistema
neuromuscular promove o assentamento dos côndilos na fossa mandibular do osso
temporal, denominada posição de relação cêntrica (RC), estabilidade temporomandi-
bular, coincidente com o máximo de contatos dentários posteriores bilaterais, denomi-
nada máxima intercuspidação (MI), estabilidade maxilomandibular, conferindo, assim,
à mandíbula uma posição estável denominada oclusão em relação cêntrica (ORC),
estabilidade temporomaxilomandibular, na dimensão vertical de oclusão (DVO), após
o que a ação dos músculos elevadores é neutralizada, gerando a dimensão vertical de
repouso (DVR).
Nos movimentos excursivos da mandíbula, os dentes posteriores devem desocluir
pela ação das guias anterior e laterais, em perfeita harmonia com os demais compo-
nentes do AE.
O objetivo maior da odontologia está em preservar ou restabelecer a biologia dos
tecidos e a fisiologia do AE. Recomenda-se assim a prática da odontologia 4 × 4, na
qual o alcance dos quatro objetivos resulta na preservação e ou restabelecimento das
quatro unidades fisiológicas (Tabela 2.1).

Figura 2.8. Desenho esquemático da trajetória dos Figura 2.9. Guia anterior vista no plano sagital. Pode-se
incisivos centrais, no momento da guia anterior, relacionado observar que no momento dos movimentos excursivos não
à movimentação do côndilo na fossa mandibular. existe interferência oclusal nos dentes posteriores.

Figura 2.10. Desenho esquemático da localização dos


contatos deflectivos no deslize em direção à linha média.

19
Capítulo 2 Bases para Diagnóstico, Planejamento e Tratamento em Reabilitação Oral

Tabela 2.1. Odontologia 4 × 4: quatro objetivos da odontologia que visam preservar


quatro unidades fisiológicas do aparelho estomatognático
Objetivos permanentes a serem alcançados Unidades fisiológicas – preservadas

Dimensão vertical Neuromuscular


Relação cêntrica Neuromuscular e
ATMs
Estabilidade oclusal Neuromuscular,
ATMs,
Oclusão e
Periodonto
Guia anterior Neuromuscular,
ATMs,
Oclusão e
Periodonto

Procedimentos Técnicos Relacionados ao Restabelecimento


das Funções do Aparelho Estomatognático
Ajuste Oclusal
O ajuste oclusal é a conduta terapêutica que propõe modificações nas superfícies dos
dentes, restaurações ou próteses, por meio de desgaste seletivo ou acréscimo de ma-
teriais restauradores, buscando harmonizar os aspectos funcionais maxilomandibulares
na oclusão em relação cêntrica e nos movimentos excêntricos.
O objetivo é melhorar as relações funcionais da dentição para que, juntamente
com o periodonto de sustentação, receba estímulos uniformes e funcionais, propician-
do as condições necessárias para a saúde do sistema neuromuscular e das articulações
temporomandibulares.
As indicações do ajuste oclusal são as seguintes:
UÊ Presença de sinais e sintomas de oclusão traumática e quando as relações oclusais
podem ser melhoradas por meio de ajuste, nas seguintes situações:
UÊ Discrepância oclusal em relação cêntrica.
UÊ Tensão muscular anormal (ocorrendo consequente desconforto e dor resultante
de hábitos, como apertamento ou bruxismo).
UÊ Presença de disfunção neuromuscular.
UÊ Previamente a procedimentos restauradores extensos para estabelecer um
padrão oclusal ótimo.
UÊ Estabilização dos resultados obtidos pelo tratamento ortodôntico e pela cirur-
gia bucomaxilofacial.
UÊ Coadjuvante no tratamento periodontal, nos casos com mobilidade dental.
O ajuste oclusal é contraindicado nas seguintes condições:
UÊ Profilaticamente (sem que o paciente apresente sinais e sintomas de oclusão trau-
mática).
UÊ Sem diagnóstico da causa do distúrbio.
UÊ Desconhecimento da técnica correta de como fazê-lo, o mau ajuste piora o quadro.
A oclusão traumática foi definida por Stillman e McCall em 1922 como uma tensão
oclusal anormal, capaz de produzir (ou que tenha produzido) injúrias aos dentes, pe-
riodonto, ou sistema neuromuscular. Apresenta como sinais clínicos mobilidade dental;
migração dental; padrão anormal de desgaste oclusal (facetas); abcessos periodontais
(especialmente em áreas de bifurcação); hipertonicidade dos músculos da mastigação;
sensibilidade à pressão, som seco à percussão, ocasionalmente atrofia ou recessão gen-
gival, disseminação da inflamação e proliferação epitelial; profundidade desigual das
bolsas periodontais e bolsas intraósseas.

20
Capítulo 2 Bases para Diagnóstico, Planejamento e Tratamento em Reabilitação Oral

Como sinais radiográficos, apresenta perda da continuidade da lâmina dura; espa-


ço periodontal alargado; reabsorção radicular externa; hipercementose, osteoesclerose;
reabsorção interna dos dentes; calcificação pulpar, reabsorção óssea do tipo vertical e
necrose pulpar de dentes hígidos.
São considerados sintomas de oclusão traumática a sensibilidade das estruturas
periodontais; hipersensibilidade pulpar e dentinária, desconforto regional vago e dor
muscular ou da articulação temporomandibular.
Deve-se indicar o ajuste oclusal somente após correto diagnóstico da necessidade
do paciente. Não se realiza ajuste oclusal preventivo, apenas na presença de sinais e
sintomas de distúrbio oclusal.

Princípios do Ajuste Oclusal


1. Eliminar os contatos que defletem a mandíbula da posição de relação cêntrica para
a máxima intercuspidação habitual.
2. Dirigir os vetores de força para o longo eixo dos dentes.
3. Evitar, sempre que possível, qualquer redução na altura das cúspides de contenção
cêntrica.
4. Estreitar a mesa oclusal.
5. Obter a estabilidade em relação cêntrica, e a partir daí não alterar mais as cúspides
de contenção cêntrica.
A execução do ajuste oclusal deve ser precedida de um meticuloso planejamento,
devendo-se considerar:
1. Revisão da literatura especializada pertinente.
2. Revisão da fisiologia do aparelho estomatognático.
3. Enceramento das superfícies oclusais.
4. Montagem dos modelos de estudo do paciente em articulador semiajustável (ASA)
em relação cêntrica.
5. Análise funcional da oclusão nos modelos de estudo montados, aplicando-se as re-
gras de orientação para o ajuste, preconizadas por Guichet.
6. Ajuste da oclusão do paciente.
As regras para orientar o ajuste oclusal por desgaste seletivo foram concebidas di-
daticamente na seguinte sequência:
Ajuste Oclusal em Relação Cêntrica:
UÊ Com deslize em direção à linha média.
UÊ Com deslize em direção contrária à linha média.
UÊ Com deslize em direção anterior.
UÊ Sem deslize.
Ajuste Oclusal em Lateralidade:
UÊ Movimento de trabalho.
UÊ Movimento de não trabalho.
Ajuste Oclusal em Protrusão
O local do desgaste na superfície oclusal deve-se restringir única e tão somente à
área demarcada pela fita marcadora. Para o desgaste, utiliza-se uma broca diamanta-
da ou de aço tipo 12 lâminas em alta rotação cuja forma melhor se adapte à face do
dente a ser ajustada.

Ajuste em Relação Cêntrica


O ajuste oclusal é sempre realizado em relação cêntrica (RC), pois o que se busca é o
restabelecimento da oclusão em relação cêntrica (ORC). Observam-se três posições
distintas do relacionamento oclusal antes e após o ajuste:

21
Capítulo 2 Bases para Diagnóstico, Planejamento e Tratamento em Reabilitação Oral

1. Máxima intercuspidação habitual (MIH), posição adquirida em que se tem estabi-


lidade oclusal independente da estabilidade condilar (RC), resultando em máxima
intercuspidação (MI) diferente da RC antes do ajuste.
2. Relação cêntrica (RC) posição de estabilidade condilar independente da estabilidade
oclusal (MI).
3. Oclusão em relação cêntrica (ORC), posição em que se tem estabilidade condilar
(RC) coincidente com estabilidade oclusal (MI), resultando na posição almejada ao
concluir o ajuste.
O ajuste será considerado concluído quando for obtida a estabilidade condilar
(RC), sua contenção pelo maior número possível de contatos oclusais bilaterais (MI), e
ausência de contato nos dentes anteriores (se estes ocorrerem, devem ser simultâne-
os aos contatos dos dentes posteriores), o que caracteriza a obtenção da oclusão em
relação cêntrica (ORC).

Com Deslize em Direção à Linha Média


Ocorrerá sempre que houver um contato deflectivo entre uma cúspide funcional (CF)
(contenção cêntrica) e uma não funcional (CNF) (não contenção cêntrica).
a) Local do contato: Vertente lisa da cúspide funcional (vestibular inferior, palatina
superior ou ambas) versus vertente triturante da cúspide não funcional (vestibular
superior, lingual inferior ou ambas), Figura 2.10.
b) Local de desgaste: Em todas as situações de contato entre CF e CNF, este ocorre-
rá em vertente lisa versus vertente triturante, estruturas de diferentes importâncias
funcionais, em razão do que se opta prioritariamente pelo desgaste na vertente lisa
até que o contato ocorra na ponta da cúspide funcional. Em seguida, desgasta-se
o contato na vertente triturante da cúspide não funcional (Figuras 2.11 e 2.12).

Figura 2.11. Deslize a favor da linha média, cúspides vestibulares.

Figura 2.12. Deslize a favor da linha média, cúspides linguais.

22
Capítulo 2 Bases para Diagnóstico, Planejamento e Tratamento em Reabilitação Oral

Com Deslize em Direção Contrária à Linha Média


Ocorrerá sempre que houver um contato deflectivo entre duas CFs antagonistas.
a) Local do contato: Vertente triturante de uma cúspide funcional versus vertente tri-
turante de uma cúspide funcional antagonista (Figura 2.13).
b) Local de desgaste: Por se tratar de estruturas de mesma importância funcional,
desgasta-se o contato que se localizar mais próximo da ponta da cúspide. Assim
que conseguir o contato na ponta da cúspide, desgasta-se a vertente triturante
antagonista. Quando os dois contatos se localizarem à mesma distância da ponta
da cúspide, desgasta-se no dente em posição mais desfavorável (Figura 2.14). Na
Figura 2.15 observam-se as três posições distintas do relacionamento oclusal antes
e após o ajuste.

Figura 2.13. Desenho esquemático da


localização dos contatos deflectivos no
deslize em direção contrária à linha média.

Figura 2.14. Deslize contrário à linha


média.

Figura 2.15. Deslize contrário à linha


média, visão sagital.

23
Capítulo 2 Bases para Diagnóstico, Planejamento e Tratamento em Reabilitação Oral

Deslize em Direção Anterior


Ocorrerá sempre que houver um contato deflectivo entre duas CFs antagonistas.
a) Local do contato: Vertente triturante ou aresta longitudinal mesial da cúspide fun-
cional superior versus vertente triturante ou aresta longitudinal distal da cúspide
funcional inferior (Figura 2.16). Quando o contato deflectivo ocorre nos dentes
posteriores, causa deslocamento anterior da mandíbula e subsequente trauma an-
terior (Figura 2.17).
b) Local de desgaste: Observar a posição dos dentes na arcada, se estiverem em boa
posição desgasta-se justamente o ponto demarcado nas vertentes e arestas em am-
bos os dentes, caso contrário, desgasta-se o dente em posição mais desfavorável.
Na Figura 2.18, observam-se três posições distintas do relacionamento oclusal antes
e após o ajuste.

Figura 2.16. Esquema ilustrativo do deslize para anterior.

Figura 2.17. Trauma nos dentes anteriores em consequência do contato


prematuro deflectivo.

Figura 2.18. Deslize para posição anterior.

24
Capítulo 2 Bases para Diagnóstico, Planejamento e Tratamento em Reabilitação Oral

Sem Deslize
Ocorrerá sempre que houver um contato prematuro entre uma CF e sua respectiva
fossa antagonista.
a) Local do contato: Ponta de cúspide funcional versus fossa do dente antagonista
ou ponta de cúspide funcional versus faceta ou platô da vertente triturante de uma
das cúspides antagonistas. Essa situação ocorre em casos em que existem facetas
de desgaste ou após os ajustes em relação ao desvio.
b) Local de desgaste: Se durante o movimento de trabalho a cúspide funcional tocar
na vertente triturante e/ou na ponta de cúspide não funcional, e/ou durante o mo-
vimento de balanceio as cúspides funcionais tocarem, desgasta-se na ponta da cús-
pide de contenção. Se durante os movimentos de lateralidade a cúspide funcional
não tocar no dente antagonista, desgasta-se a fossa, faceta ou platô (Figura 2.19).

Figura 2.19. Contato prematuro em cêntrica,


desgasta-se preferencialmente a fossa no intuito
de preservar a ponta de cúspide e diminuir o
risco de alteração da DVO do paciente.

Ajuste Oclusal em Lateralidade


Considerando-se que a posição inicial de todos os movimentos mandibulares é a ORC,
para iniciar o ajuste dos movimentos excêntricos é indispensável que o paciente já se
encontre em tal posição.

Ajuste no Movimento de Trabalho


No ajuste do movimento de trabalho, há que se considerar o padrão de desoclusão
do paciente em apenas duas situações clínicas: guia em canino ou função em grupo.
Desoclusão pela guia em canino – Durante o movimento para o lado de trabalho,
os únicos dentes a contatarem são os caninos deste lado, não devendo apresentar ne-
nhum outro contato entre os demais dentes anteriores e posteriores.
a) Local do contato: Ponta de cúspide ou vertente lisa de uma cúspide funcional ver-
sus ponta de cúspide ou vertente triturante de uma cúspide não funcional (Figura
2.20).

Figura 2.20. Desenho esquemático da


localização da interferência oclusal no
movimento de trabalho.

25
Capítulo 2 Bases para Diagnóstico, Planejamento e Tratamento em Reabilitação Oral

b) Local de desgaste: Deve-se evitar desgastar a ponta de cúspide funcional e, após


o ajuste do lado de trabalho, deve-se também verificar a ocorrência de contatos no
movimento de balanceio.
Desoclusão pela função em grupo – Neste padrão de desoclusão, durante o mo-
vimento de trabalho, ocorrem contatos contínuos de deslocamento entre a superfície
incisal do canino inferior e a fossa lingual do canino superior, e entre as vertentes lisas
ou pontas das cúspides vestibulares inferiores e as vertentes triturantes das cúspides
vestibulares superiores de todos os dentes deste lado.
b) Local de desgaste: Quando as interferências ocorrerem em apenas alguns dentes
posteriores (Figura 2.21), desgasta-se as vertentes lisas das cúspides vestibulares
inferiores (funcionais) até contatar a ponta da cúspide. Se o desgaste não for sufi-
ciente, desgasta-se nas vertentes triturantes das cúspides vestibulares superiores dos
dentes contatantes até harmonizar a desoclusão em grupo.

Figura 2.21. Desenho esquemático da


função em grupo incompleta.

Ajuste no Movimento de não Trabalho


No ajuste do movimento no lado de não trabalho, busca-se remover todas e quaisquer
interferências oclusais que ocorreram entre os dentes deste lado.
a) Local do contato: Ponta de cúspide ou vertente triturante de uma cúspide funcional
versus ponta de cúspide ou vertente triturante da outra cúspide funcional antago-
nista (Figura 2.22).
b) Local de desgaste: Por se tratar de interferências oclusais entre estruturas dentárias
de mesma importância funcional, deve-se desgastar a interferência que se localizar
mais próxima da ponta da cúspide e após conseguir a interferência na ponta da
cúspide desgasta-se a vertente triturante antagonista. Quando as duas interferências
se localizarem à mesma distância da ponta da cúspide, desgasta-se no dente em

Figura 2.22. Desenho esquemático da


localização da interferência oclusal no lado
de não trabalho.

26
Capítulo 2 Bases para Diagnóstico, Planejamento e Tratamento em Reabilitação Oral

posição mais desfavorável. Se a interferência ocorrer entre as pontas das cúspides,


desgasta-se no dente em posição mais desfavorável em oclusão em relação cêntri-
ca – ORC.

Ajuste Oclusal em Protrusão


Tal como nos movimentos de lateralidade, a posição inicial do movimento de protru-
são é a ORC, observando-se o contato contínuo da guia anterior (pelo menos em dois
dentes incisivos inferiores) e a total desoclusão dos dentes posteriores.

Fases do Tratamento
UÊ Análise funcional da oclusão.
UÊ Mapeamento do desgaste seletivo.
UÊ Ajuste oclusal clínico.
UÊ Tratamento reabilitador.

Análise Funcional da Oclusão


É o procedimento pelo qual se detecta as prematuridades que o paciente apresenta
em RC e, partindo desta, os direcionamentos dos desvios mandibulares até atingir a
MIH, realizado por meio da análise dos modelos de estudo montados em ASA na DH
correta ou RC.

Mapeamento do Desgaste Seletivo


Os modelos de estudo montados na posição de RC devem apresentar o primeiro con-
tato cêntrico coincidente com o primeiro contato observado na boca do paciente
quando em RC. Uma maneira de verificar se os modelos realmente foram montados
corretamente na posição de RC é colocar uma tira de papel celofane (largura de um
dente) entre o primeiro contato dos dentes nos modelos (o celofane deve ficar preso
nessa posição) e proceder de maneira semelhante na boca do paciente, utilizando-se
a manipulação frontal ou bilateral da mandíbula, para posicionamento na DH ou RC.
Após a confirmação de que os modelos estão na posição correta, a partir da pre-
maturidade deve-se forçar o fechamento do ASA até que os modelos atinjam a posi-
ção de MIH. e novamente, com o papel celofane, verificar todos os contatos dentários
e sua semelhança com os contatos dos dentes do paciente na mesma posição. Se os
contatos não apresentarem coincidência (modelos × paciente), é sinal de que os mo-
delos estão incorretamente montados.

Ajuste Oclusal Clínico


Terminado o ajuste, o profissional deve verificar qual foi o resultado obtido nos modelos
de estudo, dando então o diagnóstico e prognóstico do caso, ou seja, se é realmente
válido realizar o ajuste no paciente. Em caso afirmativo, procede-se ao ajuste oclusal
clínico em conformidade com o estudo realizado previamente. Ressalta-se que: terapia
restauradora, ortodôntica, ortopédica ou até cirúrgica – ortognática, podem ser neces-
sárias para restabelecer as funções do AE, nem sempre a relação das arcadas dentárias
superiores e inferiores permitem um relacionamento cúspide × fossa compatíveis com
o ajuste oclusal descrito.
Nos trabalhos protéticos, o objetivo é harmonizar a nova restauração com o apa-
relho estomatognático, de maneira a integrar e melhorar suas funções e não invadir
seus espaços na forma de contatos prematuros ou interferências oclusais que forçam
o aparelho a novas adaptações, trazendo invariavelmente os sinais e sintomas de oclu-
são traumática. Nos sistemas CAD/CAM, o ajuste oclusal pode ser refinado no próprio
software facilitando o ajuste clínico, ferramentas adequadas na modelagem da coroa
previamente a sua fresagem são interessantes para otimização de todo o processo. A
limitação de alguns sistemas CAD denota da possibilidade de ajuste oclusal apenas para

27
Capítulo 2 Bases para Diagnóstico, Planejamento e Tratamento em Reabilitação Oral

A B

Figura 2.23. Ajuste oclusal prévio à C D


fresagem (Sistema CEREC 3-Sirona).
A. Imagem inicial com contatos mais
evidentes, em vermelho, inclusive
em CNF. Para otimizar o ajuste foram
eliminados os contatos com a função em
destaque na imagem. B. A eliminação
de contatos grosseiros, a função alisar,
auxilia no refinamento do modelo digital.
C e D. Modelo com contatos oclusais
adequados, pronto para fresagem.
E e F. Reabilitação anterior (12, 11, 21 e
22), modelada pelo Sistema E4D – D4D.
Observe a ausência de contatos cêntricos E F
em todos os elementos.

contatos cêntricos, sendo os ajustes oclusais para os movimentos excursivos delegados


apenas a parte clínica (Figura 2.23).
Podemos observar que contatos mais suaves em tonalidades azul e verde facili-
tam o ajuste posteriormente na etapa de prova clínica, otimizando tempo e estética
no consultório.

Terapia Restauradora
Entre as condutas terapêuticas utilizadas para tratar as desordens oclusais estão, como
já visto, os procedimentos restauradores, que essencialmente restabelecem ou mantêm
a dimensão vertical, a dimensão horizontal ou relação cêntrica, a estabilidade posterior
e a guia anterior. Assim, é imprescindível que um cirurgião dentista que trabalha com
a restauração da anatomia oclusal e ou incisal saiba como harmonizá-la aos dentes
vizinhos e antagonistas tanto durante o fechamento, quanto durante os movimentos
mandibulares. Checar os contatos cêntricos durante a abertura e fechamento implica
reproduzir clinicamente os contatos que ocorrerão durante o final da mastigação e/ou
deglutição. Checar os movimentos excursivos laterais implica reproduzir clinicamente
a dinâmica do ato mastigatório no lado de trabalho e não trabalho durante a alimen-
tação e, finalmente, checar guia anterior implica reproduzir clinicamente o movimento
de apreensão e corte dos alimentos. Qualquer face a ser reconstruída tem funções es-
pecíficas, todas importantes e que não podem ser negligenciadas, como foi visto, sob

28
Capítulo 2 Bases para Diagnóstico, Planejamento e Tratamento em Reabilitação Oral

risco de gerar sobrecargas a outras estruturas, com perda ou alteração cada vez maior
das funções do aparelho estomatognático.
Sendo os dentes, periodonto e oclusão as articulações temporomandibulares e o
sistema neuromuscular os determinantes fisiológicos do aparelho estomatognático, estes
devem ser investigados antes de qualquer procedimento restaurador, a fim de determinar
a normalidade ou não das funções do sistema, detectando qual impacto, seja positivo
ou negativo pode ter uma restauração específica. Da mesma forma que um paciente
deve ser alertado sobre os malefícios trazidos pela ausência de dada restauração, tam-
bém deve estar devidamente informado para que não crie expectativa demais diante
de limitações de materiais ou da própria biologia e fisiologia dos tecidos envolvidos.
Em nossa cultura, dificilmente um ser humano será plenamente feliz se não puder
sorrir com liberdade e desprendimento ou se não puder se alimentar dignamente, isto
implica em dentes saudáveis funcional e esteticamente, tornando nobre e responsável
a tarefa de trabalhar as superfícies oclusais e ou incisais dos mesmos. As figuras a seguir
ilustram situações clínicas de ajuste cêntrico (Figura 2.24, 2.25A e B, 2.26, 2.27, 2.28)
e excêntrico (Figura 2.29, 2.30, 2.31, 2.32, 2.33) de restaurações totais e parciais re-
alizada em sistema CAD/CAM, restabelecendo forma e função.

Figura 2.24. Ajuste cêntrico de restauração


total do elemento 36, escaneado pelo
Sistema CAD (CEREC 3-Sirona). Ver Figura
2.23. Marcação dos contatos cêntricos, com
a cor vermelha do carbono na ausência da
restauração.

Figura 2.25. A. Ajuste de coroa total em


dissilicato de lítio (IPS e.max CAD – Ivoclar
Vivadent) primeiramente nas proximais,
distal e mesial. Iniciando com a marcação
B dos contatos e, posteriormente, do desgaste,
com ponta diamantada (B).

Figura 2.26. Marcação dos contatos


cêntricos cor preta do papel contato, com
a peça em posição. Contatos evidenciados
na coroa na cor preta. Não são observados
contatos na cor preta nos dentes contíguos
ao preparo, sendo este um indicativo de
que a restauração ainda se apresenta com
contatos inadequados.

29
Capítulo 2 Bases para Diagnóstico, Planejamento e Tratamento em Reabilitação Oral

Figura 2.27. Peça ajustada, com ponta diamantada, Figura 2.28. Peça finalizada após maquiagem,
contatos pretos coincidentes com os contatos vermelhos. evidenciando distribuição de contatos em CF,
A tinta preta deve cobrir toda a vermelha, ou teremos uma direcionando a força cêntrica de oclusão para o
prematuridade impedindo o fechamento. longo eixo do dente.

Figura 2.29. Ajuste oclusal cêntrico, em CAD/CAM (CEREC 3-Sirona), previamente à


fresagem da restauração. Observe contatos finais em tons azuis e verde, evidenciando contato
moderado entre a restauração e o antagonista.

Figura 2.30. Contatos cêntricos evidenciados


em vermelho sem a restauração.

30
Capítulo 2 Bases para Diagnóstico, Planejamento e Tratamento em Reabilitação Oral

A B

Figura 2.31. A. Contato cêntrico com a restauração parcial em posição (IPS e.max CAD –
Ivoclar Vivadent), evidenciado com a cor preta, apenas na restauração. B. Após ajuste oclusal,
contatos vermelhos coincidentes com os pretos. A tinta preta deve cobrir toda a vermelha, ou
teremos uma prematuridade impedindo o fechamento.

A B

Figura 2.32. Ajuste oclusal dos movimentos excursivos (lado de trabalho), guia em canino.
A. Fita oclusal colocada do lado vermelho para a restauração, com o objetivo de detectar
interferência oclusal no lado de trabalho. B. Interferência oclusal detectada na cor vermelha,
distinguindo dos contatos cêntricos na cor preta.

A B

Figura 2.33. Ajuste oclusal dos movimentos excursivos. A. Desgaste do contato em


vermelho com broca diamantada de granulação fina, sem afetar os contatos cêntricos na cor
preta. B. Peça finalizada.

31
Capítulo 2 Bases para Diagnóstico, Planejamento e Tratamento em Reabilitação Oral

Referências Bibliográficas
Ash M M, Ramfjord S P. Introdução à Oclusão Funcional. Traducão: José dos Santos Jr. São Paulo: Edi-
tora Parma, 1987. p. 276.
Celenza F, Nasedkin JN. Occlusion the State of the Art. Chicago: Quintessence, 1978.
Cordray FE. Centric Relation Treatment and Articulator Mountings in Orthodontics. The Angle Ortho-
dontist 1996; 66(2): 153-158.
Dawson PE. Oclusão Funcional: da ATM ao desenho do sorriso. São Paulo: Santos, 1ª ed., p. 650, 2008.
Eyzaguirre C, Fidone SJ. Fisiologia do Sistema Nervoso, 2ª ed. Traduzido por Aglai Penna Barbosa de
Sousa. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. p. 398.
Fernandes Neto AJ e Neves FD. Harmonia Oclusal para Promoção de Saúde. In: Kriger L. Promoção de
Saúde Bucal, 3ª ed. São Paulo: Artes Médicas, 2003. p. 341.
Fernandes Neto AJ et al. Fundamentação do Funcionamento do Aparelho Estomatognático. In: Lima
F et al. Prótese Dentária: fundamentos e técnicas. Reabilitação Oral para Todos. Florianópolis: Edi-
tora Ponto, 2010. p. 342.
Fernandes Neto AJ, Neves FD. Fundamentos de Oclusão no Planejamento Terapêutico. In: Busato A
LS, Hernandes PAG, Macedo RP. Dentística Restaurações Estéticas. São Paulo: Artes Médicas Ltda,
2002. p. 675-702.
Fields HL. Pain. New York: Mcgraw-Hill, 1987: 1-78.
Guichet NF. Occlusion. California: Denar Corp., 1977. p. 117.
Howat AP et al. Atlas Colorido de Oclusão e Maloclusão. São Paulo: Artes Médicas, 1992. p. 240.
In: Kriger L. Promoção de Saúde Bucal, 3ª ed. São Paulo: Artes Médicas, 2003.
Janson WA et al. Introdução à Oclusão Ajuste Oclusal. Bauru: Universidade de São Paulo, Faculdade de
Odontologia de Bauru, 1986. p. 55.
Jiménez-lopez V. Próteses sobre Implantes: oclusão, casos clínicos e laboratório, 2ª ed. São Paulo: Quin-
tessence, 1996. p. 264.
Karppinen K et al. Adjustment of Dental Occlusion in Treatment of Chronic Cervicobrachial Pain and
Headache. Journal of Oral Rehabilitation 1999; 26: 715-721.
Kawagoe T, Onodera K, Tokiwa O, Sasaguri K, Sato S. Relationship between Sleeping Occlusal Contact
Patterns and Temporomandibular Disorders in the Adult Japanese Population. Int J Stomatol Occ
Med 2009; 2:11-5.
Kijima N et al. Relationship between Patient Characteristics, Mandibular Head Morphologyand Thick-
ness of the Roof of the Glenoid Fossa in Symptomatic Temporomandibular Joints. Dentomaxillofac
Radiol 2007; 36, 277–281.
Kirveskari P. The Role of Occlusal Adjustmente in the Management of Temporomandibular Disorders.
Oral Surgery Oral Medicine Oral Patholog 1997; 83. p. 87 – 90.
Madeira MC. Anatomia da Face. Bases Anátomofuncionais para a Prática Odontológica, 2ª ed. São
Paulo: Sarvier Editora, 1997.
Mcneill C. Craniomandibular Disorders. Guidelines for Evolution, Diagnosis and Management. Chi-
cago: Quintessence, 1990.
Mohl MD et al. Fundamentos de Oclusão. Traduzido por Milton Edson Miranda. São Paulo: Quintes-
sence, 1989. p. 449.
Neff PE. TMJ Occlusion and Function. Washington: Georgetown University – School of Dentistry, Sev-
enth printed, 1993. p. 60.
Okeson JP. Tratamento das Desordens Temporomandibulares e Oclusão. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.
p. 528.
Paiva HJ. Oclusão, Noções e Conceitos Básicos. São Paulo: Santos Livraria e Editora, 1997. p. 336.
Ramfjord SP, Ash MM. Oclusão, 3ª Edição. Tradução: Dioracy Fonterrada Vieira. Rio de Janeiro:
Interamericana, 1984.
Pertes RA, Gross GS. Tratamento Clínico das Disfunções Temporomandibulares e da Dor Orofacial. São
Paulo: Quintessence, 2005. p. 368.
Ramfjord S, Ash MM. Oclusão, 2ª ed. São Paulo: Editora Santos, 2007. p. 284.
Schluger S, Yuodelis RR, Page RC. Periodontia: fenômenos básicos, tratamento e inter-relação oclusais
e restauradores. Rio de Janeiro: Interamericana, 1981. p. 701.
Sencherman G et al. Manual sobre Neurofisiologia de la Oclusión. Bogotá: Pontificia Universidad Ja-
veriana, 1975. p. 66 .
Siéssere S et al. Macroscopic and Microscopic Aspects of the Temporomandibular Joint Related to its
Clinical ImplicationMicron, 2008; 39, 852–858.
Slavicek R. Relationship between Occlusion and Temporomandibular Disorders: implications for the
gnathologist. American Journal of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics 2011; v. 139 (1).
Suvinen TI et al. Review of Aetiological Concepts of Temporomandibular Pain Disorders: towards a bio-
psychosocial model for integration of physical disorder factors with psychological and psychosocial
illness impact factors. European Journal of Pain 2005; 9, 613–633.
Suzuki K, Mito T, Ishizaki K, Sato S. Mandibular Lateral Translation During Symmetric Mandibular
Function in Relation to Patterns of Intracapsular Derangement of TMJ. J Stomat Occ Med 2010;
1: 24-31.

32
Capítulo 2 Bases para Diagnóstico, Planejamento e Tratamento em Reabilitação Oral

The Academy of Prostho-dontics. The Glossary of Prosthodontics Terms. Journal of Prosthetic Dentistry
2005; St. Louis: v. 94, n(1).
Thomas PK, Tateno G. Gnathological Occlusion. Tokyo: Shorin, 1979. p. 235.
Torii K, Chiwata I. Occlusal Adjustment Using the Bite Plate-induced Occlusal Position as a Reference
Position for Temporomandibular Disorders: a pilot study. Head e Face Medicine 2010; 6:5.
Troeltzsch M et al. Prevalence and Association of Headaches, Temporomandibular Joint Disorders, and
Occlusal Interferences. J Prosthet Dent 2011; 105:410-417.

33
3
3
PREPAROS DENTÁRIOS PARA
RESTAURAÇÕES CAD/CAM
Célio Jesus do Prado, Alfredo Júlio Fernandes Neto,
Adérito Soares da Mota e Flávio Domingues das Neves

Introdução
A sociedade está cada dia mais exigente, em todos os aspectos. Na área odontológica
não é diferente. É muito provável que isso se deva ao fato de que novas informações
sobre os mais variados temas estão à nossa disposição de forma rápida, acessível e em
tempo real. Também é assim para os nossos pacientes. Eles estão bem informados, ex-
ceto uma minoria, sobre as diversas alternativas de tratamentos odontológicos e seus
resultados. O cirurgião-dentista precisa atualizar-se continuamente.
Mesmo com as mais variadas medidas de prevenção na área odontológica, é muito
comum tratarmos dentes parcialmente destruídos, com necessidade de procedimen-
tos restauradores indiretos. Há várias maneiras de restaurar a forma e restabelecer as
funções devido à grande variedade de técnicas de processamento laboratorial da pró-
tese dentária, que, em vez de simplificarem, às vezes confundem o cirurgião-dentista
durante a elaboração do plano de tratamento odontológico. Quase sempre, porém,
as possibilidades técnicas para elaboração de restaurações unitárias indiretas, parciais
ou totais são tantas que podem inviabilizar ou, no mínimo, dificultar o conceito de
“consentimento informado”, sugerido por qualquer comissão de bioética como obri-
gatório. Diversos materiais e técnicas reforçam esta colocação: restaurações metálicas
em diversas ligas, fixadas com cimento fosfato de zinco ou resinosos; restaurações
confeccionadas por meio de vários sistemas CAD/CAM, as confeccionadas por meio
de porcelana aplicada, porcelanas infiltradas e, ainda, as restaurações confeccionadas
em cerômeros.
Criado o dilema, resta elucidar os dois pretensos objetivos deste capítulo: 1 – Dis-
cutir bases biológicas e algumas propriedades de diferentes grupos de materiais, for-
necendo fundamentação teórica que possibilitará ao profissional analisar criticamente
cada situação clínica de maneira segura, para tornar mais fácil a tomada de decisão pelo
cliente; 2 – Sugerir uma técnica de preparo racional, segura e que respeite a biologia
dos tecidos vivos, bem como as características físico-químicas das porcelanas aplicáveis
ao sistema CAD/CAM.
Independentemente da técnica, a necessidade de modificar a coroa dentária por
meio de desgaste é comum a todas elas, o que denominamos preparo dentário com fi-
nalidade protética. O preparo dentário é o principal evento de natureza irreversível entre
os vários necessários para a conclusão da restauração. Caso o desgaste seja excessivo,
será impossível devolver esmalte e dentina removidos, enfraquecendo o remanescente
dental, isso se não for necessário também o tratamento endodôntico.
O objetivo deste capítulo não é denegrir, nem tampouco menosprezar as novas
técnicas nem os materiais que surgem a cada dia, até porque as considerações esté-
ticas em nossa sociedade nos obrigam muitas vezes ao seu uso. No entanto, se a liga
de ouro fosse estética não haveria necessidade de porcelanas e resinas. A longevida-

35
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

de do ouro, em função de suas propriedades e/ou facilidade de trabalho, o mantém


entre os materiais restauradores odontológicos de escolha. É claro que, do ponto de
vista estético, esse material é contraindicado por praticamente todos os pacientes. O
cirurgião-dentista deve estar preparado a informar ao seu paciente as diversas formas
de tratamento para uma determinada situação específica, bem como as vantagens,
desvantagens, provável durabilidade, possíveis dificuldades e técnica de higienização
de cada uma delas, além dos custos, para que o paciente, agora informado, escolha a
que melhor lhe convier. É obrigação do cirurgião-dentista estar cientificamente prepa-
rado para prestar tais informações e técnico-cientificamente preparado para executá-las.
Quando se fala em preparo dentário, não se trata de simplesmente reduzir as faces
do dente. É necessário que se faça uma análise dos seguintes aspectos: quantidade de
estrutura dentária remanescente, como a estrutura dentária foi perdida, a presença ou
não de tratamento endodôntico e sua condição, a localização e o posicionamento do
dente no arco, os materiais restauradores existentes e, finalmente, sugerir uma técnica
de preparo para dentes anteriores e posteriores. Assim, três questionamentos são im-
portantes nesta abordagem: quando preparar? por que preparar? e como preparar?

Quando Preparar?
Em algumas situações, este é um questionamento muito difícil de ser respondido. Te-
mos que considerar que as resinas compostas fotopolimerizáveis provocaram grande
revolução nas técnicas restauradoras. Em muitos casos é possível a realização de res-
taurações com esse material de forma a conseguir excelentes resultados, às vezes com
mínimo desgaste da estrutura dentária. Da mesma maneira, o emprego de pequenas
e delgadas peças de porcelana podem ser fixadas, especialmente em dentes anteriores,
sem a necessidade de modificação dentária. Deve ser entendido que a palavra “prepa-
ro” na presente abordagem tem o sentido de obter, por meio de desgaste com pontas
diamantadas, a forma específica necessária para receber a restauração indireta que terá
por finalidade harmonizar o dente em questão com as demais estruturas do aparelho
estomatognático, restabelecendo ou otimizando suas funções.
Na maioria das vezes a destruição de tecidos dentários faz com que, obrigatoria-
mente, o remanescente seja preparado para receber uma restauração indireta. Tal pre-
paro tem a finalidade de viabilizar, dependendo da técnica, a possibilidade de execu-
ção do trabalho laboratorial, assegurar resistência mecânica e, ainda, fornecer ou pelo
menos auxiliar na retenção e estabilidade da restauração protética quando em função
pelo maior tempo possível.

Quanto à Necessidade do Preparo


Tradicionalmente, a restauração indireta é aquela feita no modelo de trabalho de gesso
e posteriormente fixada no dente preparado do paciente. A restauração não pode ser
confeccionada em áreas retentivas, pois não haveria como assentá-la no dente pilar.
Portanto, uma das razões que nos obriga a fazer o preparo é quando essa restaura-
ção envolver várias faces do dente, impossibilitando obter um eixo de inserção para a
mesma. Outra necessidade de preparo se refere ao fato de que, se fizermos uma res-
tauração com a espessura exigida pelo material com o objetivo de conseguir estética e
resistência, haverá aumento do contorno do dente. Essa condição se aplica quando o
dente está mal alinhado no arco, especialmente lingualizado/palatinizado. No entanto,
é exceção. Os exemplos de restaurações do tipo “lente de contato”, por serem extre-
mamente finas, raramente requerem preparo, pois o aumento gerado é praticamen-
te imperceptível e não envolve várias faces a ponto de inviabilizar o eixo de inserção.
Uma grande parte do tempo (se não a maior) gasto pelo profissional é aplicada na
substituição de tratamentos odontológicos. Os principais motivos normalmente são:
restaurações com infiltração marginal, perfurações nas restaurações, fraturas do mate-
rial restaurador, insatisfação com a estética, inflamação gengival, ou ainda história de
deslocamentos frequentes. Tais situações têm em comum o desrespeito a um ou vários

36
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

dos princípios fundamentais para os preparos com finalidade protética. Retenção e es-
tabilidade, resistência ou rigidez estrutural, integridade ou selamento marginal, linha
de terminação aceitável, conservação da estrutura dentária ou preservação do órgão
pulpar, preservação da saúde periodontal ou extensão cervical, entre outros, são termos
usados para descrever tais princípios, que, fundamentalmente, podem ser classificados
em: mecânicos, biológicos e estéticos.

Preparo para Coroas em Cerâmica “Pura”


Precisamos saber onde queremos chegar. Portanto, devemos ter em mente a imagem
do dente preparado. De maneira geral, a redução dentária deve ser feita de tal forma
que a restauração indireta possa apresentar espessura suficiente para cumprir com os
requisitos de beleza e resistência; tenha um eixo de inserção, com inclinação das pa-
redes de aproximadamente 5 graus; com todos os ângulos arredondados; ângulo ca-
vossuperficial nítido e regular (Figura 3.1); término cervical em chanfrado profundo ou
ombro arredondado.
A forma do término cervical está vinculada ao tipo de material restaurador e suas
características físico-químicas ou de manufatura. Basicamente, as cerâmicas necessitam
término em ombro com ângulo axiogengival arredondado ou chanfrado profundo para
proporcionar resistência estética.
Desgaste insuficiente pode gerar restauração com espessura reduzida de material
estético. Como consequência, pode ocorrer fratura da restauração em porcelana, es-
pecialmente se feldspática. Se o desgaste dentário for insuficiente, mas o técnico con-
feccionar a restauração com espessura adequada visando obter translucidez ocorrerá
aumento do contorno, o que compromete a estética e a saúde periodontal.

Figura 3.1. Características


de um preparo concluído.
Ele deve apresentar a
silhueta do dente íntegro,
com redução suficiente para
que a restauração possa
suportar os esforços da
mastigação e ser estética.

Como Preparar o Dente


Respeitando-se as estruturas dentais e periodontais, os meios de retenção e estabilidade,
e ainda a rigidez e a estética dos materiais restauradores, três requisitos definem uma
técnica de preparo: 1 – o material restaurador; 2 – o dente ou a área a ser preparada
e 3 – o diâmetro e a forma das pontas diamantadas utilizadas.
O que se espera da necessidade estética, do esforço mastigatório e a longevidade
da restauração definem o tipo do material restaurador. Em função do material, são de-
finidos: a inclinação das paredes do preparo frente ao agente de fixação, a quantidade
de desgaste e a forma do término cervical, em função do mínimo para proporcionar
resistência aos esforços mastigatórios.
As diferentes faces do dente ou das áreas a serem preparadas podem receber di-
ferentes graus de esforço mastigatório. Assim, a espessura do material restaurador nas
regiões de maior esforço deve ser de pelo menos 1,5 mm, independentemente do ma-

37
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

terial, enquanto áreas de menor esforço dependem exclusivamente das características


do material restaurador.
Finalmente, para certificar-se da quantidade e da forma do desgaste, impreterivel-
mente o operador deve conhecer a forma e o diâmetro da ponta a ser utilizada. Grande
parte dos cirurgiões-dentistas de todo o Brasil aprenderam, direta ou indiretamente,
a técnica da silhueta, que sem dúvida alguma permite obter o resultado desejado. A
técnica que será sugerida, silhueta modificada, apenas otimiza o resultado final, agi-
lizando o processo de desgaste dentário a partir de pequenas alterações nos passos
clínicos, conforme poderá ser visto.
É importante enfatizar que o respeito aos princípios e o resultado final alcançado
são mais importantes do que a técnica em si. Para discussão dos diversos preparos, as
técnicas a serem mostradas classificam os preparos para elementos unitários em: pre-
paros para coroas totais anteriores, dentes bem posicionados no arco; preparos para
coroas totais posteriores, dentes bem posicionados no arco; preparos para coroas totais
anteriores ou posteriores, para dentes mal posicionados no arco; preparos para coroas
parciais posteriores e preparos para coroas parciais anteriores.
A localização do término cervical em relação à margem gengival está relacionada
à conservação da estrutura dental e/ou estética e/ou retenção. Isso porque preparos
subgengivais implicam maior desgaste, proporcionam mais estética e maior retenção,
enquanto preparos supragengivais implicam menor desgaste, menos estética e menor
retenção, considerando o mesmo grau de convergência das paredes do preparo. De-
ve-se ressaltar que preparo subgengival significa extensão máxima aproximada de 0,5
mm dentro do sulco gengival. Se essa extensão violar as distâncias biológicas, certa-
mente provocará, em curto espaço de tempo, alteração gengival que, se não tratada,
poderá evoluir para a perda de inserção óssea.
A principal razão para localizar o término cervical subgengivalmente é estética,
especialmente quando a restauração é metalocerâmica, devido à margem metálica
vestibular. No caso de restaurações cerâmicas, não existindo metal, não há neces-
sidade de preparo subgengival, a não ser quando o dente está escurecido. Se a jun-
ção restauração/dente ficar no nível gengival, é muito provável que haja comprometi-
mento estético na vestibular. Sendo assim, justifica-se a localização subgengival de até
0,5 mm. Portanto, em dentes não escurecidos, o término pode ficar no nível gengival
ou levemente subgengival (aproximadamente 0,2 mm). Isso facilita os procedimen-
tos de preparo, moldagem, inspeção da adaptação, cimentação e higiene. Na face
lingual, dependendo da altura da coroa e inexistência de defeitos e restaurações, o
término pode ficar supragengival.

Quantidades de Desgaste
Serão enfatizados, neste capítulo, preparos para restaurações cerâmicas feldspáticas, re-
forçadas por leucita, dissilicato de lítio e zircônia. Os preparos exigem pequenas diferen-
ças com relação a esses materiais, pois eles apresentam diferenças quanto à resistência
flexural. Sendo assim, áreas do dente que recebem mais carga durante a mastigação de-
vem ser mais desgastadas que outras, porém a diferença é pequena (Tabelas 3.1 – 3.4).

TABELA 3.1. Quantidade de desgaste (em mm) para restaurações em cerâmica à base
de feldspato (Vita Blocs – Mark II, Triluxe, Triluxe Forte, RealLife, VITA Zahnfabrik)
Término Ponta de Fundo de
Incisal Terço médio cervical cúspide fossa

Faceta 2,0* 1,2 1,0 - -


Coroa total unitária anterior 1,5 1,0 1,0 - -
Coroa total unitária posterior - 1,5 1,0 2,0 1,5
Coroas parciais - 1,5 - 2,0 1,5

* A configuração incisal varia desde apenas desgastar a face vestibular até envolver parte da face lingual além da área de
contato com os dentes antagonistas.

38
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Tabela 3.2. Quantidade de desgaste (em mm) para restaurações em cerâmica


reforçada por dissilicato de lítio (IPS e.max CAD Ivoclar – Vivadent)
Terço Término Ponta de Fundo de
Incisal médio cervical cúspide fossa

Facetas 0,7 0,6 0,6 - -


Coroa total unitária anterior 1,5 1,2 1,0 - -
Coroa total unitária posterior - 1,5 1,0 1,5 1,2
Coroa total anterior 2,0 1,5 1,0 - -
(próteses múltiplas)
Coroa total posterior - 1,5 1,0 2,0 1,5
(próteses múltiplas)
Coroas parciais - 1,5 1,0 1,5 1,5

Tabela 3.3. Quantidade de desgaste (em mm) para restaurações reforçadas por
Leucita (IPS empress CAD)
Terço Término Ponta de Fundo de
Incisal médio cervical cúspide fossa

Facetas 0,7 0,7 0,6 - -


Coroa total unitária anterior 2,0 1,5 1,0 - -
Coroa total unitária posterior - 2,0 1,0 2,0 1,5

Tabela 3.4. Quantidade de desgaste (em mm) para restaurações reforçadas por
zircônia (IPS e.max Ivoclar – Vivadent)
Terço Término Ponta de Fundo de
Incisal médio cervical cúspide fossa

Coroa total unitária anterior 1,5 1,2 1,0 - -


Coroa total unitária posterior - 1,2 1,0 1,5 1,2
Coroa total anterior (próteses múltiplas) 2,0 1,5 1,0 - -
Coroa total posterior (próteses múltiplas) - 1,5 1,0 2,0 1,5
Coroas parciais - 1,5 1,0 1,5 1,5

Técnica de Preparo Dentário para


Receber Restaurações em Cerâmica
Independentemente da técnica, o material restaurador requer espessuras mínimas que,
portanto, devem ser removidas durante o preparo. O término cervical deverá ser em
ombro arredondado ou chanfrado profundo, de forma a ter largura horizontal de pelo
menos 1,0 mm.
Nas regiões incisal e pontas de cúspides deve haver redução de aproximadamente
1,5 a 2,0 mm.
Nas regiões vestibular e/ou lingual, a redução deve ser de aproximadamente 1,2
mm para os dentes anteriores e de 1,5 mm para os dentes posteriores.
A espessura da borda incisal ou pontas de cúspides do preparo não deve ser infe-
rior a 1,0 mm, caso contrário a ponta diamantada de usinagem do CAM poderá dei-
xar essa região da coroa fresada com mais alívio e, portanto, menos contato com o
dente preparado.

Técnica de Preparo para Coroa Total Anterior: dente bem


posicionado no arco (técnica da silhueta – modificada)
Por meio desta técnica procuraremos utilizar poucas pontas diamantadas, de forma a
colocá-las em alta rotação apenas uma vez durante a realização do preparo. Para faci-
litar o entendimento, o preparo será dividido em passos.
39
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Antes de iniciar, confirme a quantidade de desgaste de acordo com o material ce-


râmico escolhido (Tabelas 3.1 a 3.4).

1o Passo – Desgastes das faces proximais


Objetivo
Eliminar a convexidade da área proximal, por meio de corte em fatia, promovendo a
separação do(s) dente(s) contíguo(s).

Método
Instrumento: ponta diamantada cônica longa #3203, em alta rotação e com bastante
irrigação.
O(s) dente(s) vizinho(s) deve(m) ser protegido(s) com porta matriz e matriz de aço
para amálgama (Figura 3.2).
Posicionamento da ponta diamantada: paralelo ao eixo de inserção pretendido
para o preparo, com sua extremidade no nível da papila proximal. Movimenta-se o
alta rotação no sentido vestibulolingual até remover a fatia proximal. O formato côni-
co desta ponta promove corte com inclinação de 3 graus, convergente para a incisal.
Em casos múltiplos o paralelismo entre os preparos dos pilares inicia-se já neste passo.
Separação entre os dentes: deve ser nítida e de aproximadamente 1,0 mm, na
cervical. Essa distância é confirmada pela visualização, pela face incisal e pela faixa de
tecido gengival.

Figura 3.2. Proteção do dente vizinho com matriz de aço. Ponta diamantada #3203 no nível
da papila interdental, com inclinação de aproximadamente 5 graus.

Figura 3.3. Eliminação dos contatos proximais com distância de 1,0 mm dos dentes
vizinhos, na região cervical.

40
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

2o Passo – Sulco marginal cervical nas faces vestibular e lingual e


perfurações linguais
Objetivo
Confeccionar sulco de orientação mesiodistal cervical nas faces vestibular e lingual. Se
o(s) dente(s) vizinho(s) não estiver(em) presente(s) também é possível fazer este sulco
na(s) proximal(is). Confeccionar também perfurações na concavidade lingual (Figura 3.4).

Figura 3.4. Sulco de


orientação vestibular
confeccionado no
nível gengival, com
profundidade de pelo
menos 1,0 mm de
profundidade. Também
deve ser realizado na face
palatina.

Método
Ponta diamantada recomendada: esférica # 1014 – diâmetro de 1,4 mm, em alta ro-
tação e com bastante irrigação.
Posicionamento da ponta diamantada: inclinada aproximadamente 45 graus em
relação ao longo eixo do dente (Figura 3.5).
Localização do sulco cervical: considerar o planejamento definido para o término
cervical (supragengival, no nível e subgengival). Se a localização for no nível ou sub-
gengival, a ponta esférica estará no nível da margem gengival. Assim já fica definido o
término no nível, faltando apenas o acabamento, e tornará mais rápido o trabalho de
estender o término subgengival, quando for o caso. Se o término é para ser supragen-
gival, o sulco marginal cervical deverá ser realizado onde se deseja o término. Poste-
riormente, será feito o acabamento.

Figura 3.5. Posicionamento da ponta #2214


no nível da margem gengival, com inclinação de
aproximadamente 45 graus em relação à direção
de inserção pretendida, que normalmente coincide
com o longo eixo do dente.

41
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Figura 3.6. Perfurações na face palatina com a ponta


esférica #2214, com profundidade de aproximadamente
1,0 mm.

Quantidade de desgaste ou profundidade axial do desgaste cervical: é uma área


de pouco esforço mecânico durante a mastigação, portanto, desgastar-se-á apenas o
necessário para manter a rigidez e a estética do material restaurador. No mínimo 0,8
mm nas faces proximais e lingual e 1,0 mm na vestibular para coroas totais em cerâ-
mica (feldsptática, leucita, dissilicato de lítio ou zircônia).
Perfurações na concavidade lingual: aproveitando a ponta esférica no alta rotação
são confeccionadas duas a quatro perfurações no terço médio da concavidade palatina
do referido dente (Figura 3-6).
Esta área será totalmente desgastada no 9o passo e necessitará destas perfurações
para orientação do desgaste. Caso não sejam feitas neste momento, a ponta esférica
será substituída por outra, mas futuramente ela teria que retornar ao alta rotação para
este procedimento, o que resultaria em mais uma troca de pontas e, portanto, perda
de tempo. A profundidade da perfuração é variável, pois próximo ao cíngulo há pouco
esforço mecânico, mas próximo à incisal há mais esforço. Assim, 0,8mm próximo ao
cíngulo e 1,2 mm na região compreendida entre o local em que o dente antagonista
faz contato em cêntrica até a borda incisal.
Análise da quantidade de desgaste: o grande aliado do cirurgião-dentista neste mo-
mento é o diâmetro da ponta diamantada utilizada. À medida que ela é aprofundada
torna-se possível conhecer a quantidade de estrutura desgastada. Assim a metade da
ponta implica desgaste próximo de 0,7 mm, e todo o seu diâmetro implica desgaste
próximo de 1,4 mm.

3o Passo – Desgaste da face incisal


Objetivo
Diminuir a altura da coroa clínica, favorecendo o preparo dos terços médio e cervical
das demais faces, eliminando quantidade suficiente de estrutura dentária da face incisal
para prover ao material restaurador que a recobrirá rigidez durante a incisão e masti-
gação dos alimentos (guias anterior e canina).

Método
Ponta diamantada recomendada: a presente técnica tem por finalidade tornar mais
rápida a etapa clínica, assim a análise do comprimento da coroa clínica do dente a ser
preparado indicará o uso da ponta cilíndrica #2143 para coroas clínicas curtas ou a
#3145 para coroas clínicas longas. Ambas possuem 1,2 mm de diâmetro e extremidade
arredondada. Utilizar o alta rotação com bastante irrigação. O comprimento da ponta
ativa não tem relação com este passo, mas a escolha certa implica não trocar pontas
para realização de passos futuros, conforme será visto.
Posicionamento da ponta diamantada: seguindo a inclinação natural da face. Inicial-
mente, fazer dois ou três sulcos de orientação, no sentido vestibulolingual.
Depois eles serão unidos utilizando a mesma ponta posicionada obliquamente aos
mesmos (Figura 3.7). Em dentes superiores a ponta fica inclinada para palatino e em
dentes inferiores fica inclinada para vestibular.

42
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Figura 3.7. Ponta


diamantada #2143
colocada obliquamente aos
sulcos de orientação incisal
para a redução da metade
incisal, na mesial.

Quantidade de desgaste: um pouco mais que o diâmetro da ponta diamantada,


pois é área de muito esforço mecânico durante a incisão ou mastigação. Portanto, a
redução será de pelo menos 1,5 mm.
Análise do desgaste: nesta fase o conhecimento do diâmetro da ponta diaman-
tada utilizada favorece a medição da quantidade de desgaste efetuada. Um guia de
silicone é bastante útil.

4o Passo – Sulcos de orientação – Face vestibular e terço cervical da face


lingual
Objetivo
Confeccionar sulcos para a orientação da inclinação e profundidade de desgaste na
face vestibular e no terço cervical da face lingual.

Método
Ponta diamantada recomendada: cilíndrica com extremidade arredondada #2143 para
coroas clínicas curtas ou #3145 para coroas clínicas longas, ambas com diâmetro de
1,2 mm, em alta rotação e com bastante irrigação. Embora a realização do passo an-
terior possa ser realizado por ambas, neste passo, se a coroa clínica for grande, pode
ser impossível a sua realização com a ponta curta #2143, por isso o tamanho da coroa
clínica é observada para que a mesma ponta seja utilizada nestes dois passos, não sen-
do necessária sua substituição.
Posicionamento da ponta diamantada no sentido mesiodistal: sugere-se fazer um sul-
co no centro das faces vestibular e lingual, dividindo-as em metade mesial e distal. Em
seguida, outro sulco na porção mesial orientará o desgaste desta primeira metade – a
mesial (Figura 3.8). Desta forma, durante o preparo o operador tem a referência da

Figura 3.8. Posicionamento


da ponta diamantada #2143
ou 3145 na face vestibular de
acordo com os planos desta
face. Normalmente são três:
cervical, médio e incisal.

43
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Figura 3.9. Posicionamento da ponta diamantada


#2143 no terço cervical. Respeitar a profundidade de
aproximadamente 1,0 mm e a inclinação com o longo eixo
do dente, próximo a 5 graus.

porção distal, não preparada, para orientar-se quanto à quantidade e inclinação do


desgaste. Um guia de silicone facilita esse controle com melhor precisão.
Posicionamento da ponta diamantada quanto à inclinação: como o dente está bem
posicionado no arco, a ponta diamantada na face vestibular terá inclinação de apro-
ximadamente 5 graus com relação ao longo eixo do dente, na região do terço mé-
dio-cervical, área de retenção friccional ou também denominada primeira inclinação
do preparo. Na região do terço incisal, ou também conhecida como área de segunda
inclinação, a ponta diamantada terá inclinação de aproximadamente 8 graus para a
incisal. No terço cervical da face lingual a inclinação também é de aproximadamente
5 graus com relação ao longo eixo dental (Figura 3.9).
Os terços médio e incisal dos dentes anteriores possuem a concavidade palatina e
não serão preparados neste momento. O desgaste deve seguir, sempre que possível,
a inclinação anatômica do dente, mantendo seus planos, porém prioriza-se o respeito
às inclinações descritas visando a mais estabilidade para a restauração.
Quantidade de desgaste: Sendo áreas de pouco esforço mecânico durante a mastiga-
ção, desgastar-se-á apenas o necessário para prover rigidez e estética à cerâmica: apro-
ximadamente 1,0 na cervical e 1,5 mm nas demais áreas. É importante ressaltar que
em muitos dentes que apresentam o posicionamento gengival muito apical, devido a
tratamento periodontal ou consequência de doença periodontal tratada, na região do
terço médio, será necessário desgastar mais que 1,5 mm. Em muitos casos pode até
ser indicado o tratamento endodôntico.
Análise do desgaste: Também nesta fase o conhecimento do diâmetro da ponta dia-
mantada utilizada favorece a medição do desgaste efetuado (Figura 3.10).

Figura 3.10. Verificação da profundidade dos sulcos de


orientação vestibular e lingual. Sabendo-se o diâmetro da
ponta diamantada é possível controlar tal profundidade.
Para dentes bem posicionados essa técnica é precisa, porém
para aqueles mal posicionados um guia de silicone a partir
de um enceramento de diagnóstico é mais preciso.

44
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

5o Passo – União dos sulcos de orientação e preparo da face mesial


Objetivo
Preparar as metades mesiais das faces vestibular e lingual, inclusive a face estritamen-
te mesial.

Método
Ponta diamantada recomendada: a mesma do passo anterior, em alta rotação e com
bastante irrigação.
Posicionamento da ponta diamantada: obliquamente aos sulcos de orientação, desgas-
tando-se apenas o remanescente entre os sulcos (Figura 3.11). Assim evita-se aumentar
a quantidade de desgaste toda vez que a ponta tocar o fundo do sulco, o que ocorre
se a tentativa de união for feita com a ponta diamantada posicionada paralelamente
aos mesmos. Também recomendamos marcar o sulco com grafite antes do desgaste.
Durante a união dos sulcos essa marca não deve ser totalmente removida, pois se as-
sim acontecer haverá desgaste superior ao planejado, pois o sulco fora confeccionado
com profundidade desejada como ótima.
Preparo da face mesial: a finalidade do primeiro passo – eliminar o contato proximal com
o dente vizinho foi a de possibilitar a passagem da ponta diamantada agora em uso.
Assim, neste momento define-se o preparo desta face (Figura. 3.12). Para isto, quando
da opção por término cervical subgengival, a papila interdental deverá ser contorna-
da de maneira a possibilitar, num passo seguinte, a extensão subgengival uniforme.
Profundidade do desgaste mesial: compatível com as necessidades de estética ou rigi-
dez do material restaurador selecionado. Neste caso, os sulcos já foram feitos com a
profundidade desejada.

Figura 3.11. Posicionamento oblíquo da ponta


diamantada para união dos sulcos.

Figura 3.12. Preparo da face proximal com a ponta


#2143 de forma a definir o término cervical e, portanto,
a metade mesial está concluída, faltando o acabamento.
Compare com a metade distal não preparada.

45
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

6o Passo – Desgaste da metade distal – repete-se toda a sequência citada


para a metade mesial: sulcos de orientação (4o passo) e união dos sulcos
(5o passo).

7o Passo – Desgaste da concavidade lingual


Objetivo
Desgastar a concavidade lingual acompanhando a anatomia do dente e respeitando a
quantidade mínima de desgaste recomendada para manter a rigidez para o material
selecionado.

Método
Ponta diamantada recomendada: em forma de chama #3168.
Posicionamento da ponta diamantada: seguindo a inclinação e a forma da concavidade,
até que esta ponta diamantada se nivele ao fundo das perfurações feitas com a ponta
diamantada #1014 (marcada com grafite), no 2o passo desta técnica.
Quantidade de desgaste: quanto à profundidade de desgaste axial, seguir a orienta-
ção feita pelas perfurações (Figura 3.13) conforme explicado, mantendo a quantida-
de sugerida pelas mesmas. Lembre-se de que porcelanas em áreas sujeitas ao esfor-
ço mastigatório necessitam desgaste de aproximadamente 1,2 mm, enquanto para
áreas não sujeitas ao esforço mastigatório o desgaste deve ser de aproximadamente
1,0 mm.

Figura 3.13. Ponta diamantada #3168 posicionada na


face palatina para o desgaste da mesma, até que a tinta
marcadora comece a ser removida.

8o Passo – Preparo subgengival – se necessário


Objetivo
Se necessário, por razões estéticas, estender o preparo até o limite de 0,5 mm subgen-
gival, como discutido anteriormente.

Método
Ponta diamantada recomendada: a morfologia da extremidade da ponta diamantada
deve ser de acordo com o tipo do término desejado (ombro arredondado ou chanfra-
do). Assim, ponta cilíndrica com extremidade arredondada #2143 para coroas clínicas
curtas ou #3145 para coroas clínicas longas favorece o preparo de término em ombro
arredondado. Ponta cilíndrica com topo ogival #2214 favorece obtenção de término
em forma de chanfro (Figura 3.14). Ambos os tipos de términos são indicados para
restaurações em cerâmica, pois o término cervical é uma área de pouco esforço mecâ-
nico. Independentemente da ponta utilizada, visando a um melhor controle do proce-
dimento, deve-se empregar o baixa rotação.

46
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Figura 3.14. Ponta diamantada #2214FF posicionada no


ângulo cavossuperficial para estendê-lo até 0,5 mm abaixo
da margem gengival.

Posicionamento da ponta diamantada: seguindo a inclinação das paredes do preparo,


estendendo o desgaste até no máximo 0,5 mm subgengival.

9o Passo – Acabamento
Objetivo
Eliminar todas as arestas e definir a forma e o limite do término cervical, obtendo uma
linha contínua, definida e nítida. Vale relembrar que não devem existir bordas incisais
com espessura inferior a 1,0 mm de espessura, mesmo que seja necessário desgastar
ainda mais a incisal (mais que 1,5 mm planejado inicialmente). Como mencionado
anteriormente, o processo de fresagem do bloco cerâmico fica prejudicado quando,
por exemplo, a incisal for muito delgada (Figura 3.15).

Figura 3.15. Ponta diamantada #2214FF deve ser


posicionada em região de aresta para arredondá-la.
Não deve exister bordas/ângulos com espessura inferior
a 1 mm para não prejudicar o procedimento de fresagem.

Método
Pontas diamantadas recomendadas: forma de chama #3168F para a concavidade
palatina e forma cilíndrica de topo arredondada #2143F (granulação fina – 30µm)
ou #2143FF (granulação extra fina – 46 µm) ou ogival #2215F/FF para as demais fa-
ces e término cervical. Em algumas situações é necessária a ponta #2214F/FF para o
acabamento das proximais devido à proximidade do dente vizinho. O controle do
acabamento é melhor com o baixa rotação, especialmente do ângulo cavossuperfi-
cial (Figura 3.16).

47
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Figura 3.16. Posicionamento correto da ponta diamantada


#2214FF para se conseguir o término cervical bem definido,
regular e liso.

Características do preparo ideal:


A. Mantém a silhueta da coroa clínica existente previamente ao preparo.
B. Paredes axiais das faces vestibular e proximais com inclinação de aproximadamente
5 graus para a incisal, na primeira inclinação, e de 8 graus na segunda (Figura 3.17).
C. Terço médio cervical da face lingual com inclinação de aproximadamente 5 graus
para a incisal compatível com a convergência vestibular e definição da concavidade
lingual nos outros dois terços (Figura 3.18).
D. Ângulos axiais e axioincisais arredondados, com espessura mínima de 1,0 mm.
E. Separação do dente contíguo na área cervical de pelo menos 1,0 mm.

Figura 3.17. Preparo concluído. Paredes proximais


convergentes para incisal em aproximadamente
5 graus para cada.

Figura 3.18. Vista proximal do preparo concluído.


Terço cervical da palatina e da vestibular convergem
em aproximadamente 10 graus (cinco para cada face),
concavidade palatina definida e terço oclusal com maior
convergência para incisal.

48
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Figura 3.19. Espaço entre a concavidade palatina preparada


e os dentes antagonistas, quando de boca fechada, de
aproximadamente 1,5 mm.

F. Término cervical em chanfro profundo ou ombro arredondado, com profundidade


de pelo menos 1,0 mm.
G. Linha de término cervical externa (ângulo cavossuperficial) contínua, definida e
nítida.
H. Espaço entre a face palatina desgastada e os dentes antagonistas de aproximada-
mente 1,5 mm (Figura 3.19).

Técnica de Preparo para Coroa Total Posterior: dente bem


posicionado no arco (técnica da silhueta – modificada)
O 1º Passo, desgastes proximais (Figuras 3.20 e 3.21), e o 2º Passo, sulco marginal
cervical (Figuras 3.22 e 3.23), faces vestibular e lingual, têm os mesmos objetivos e de-
vem ser feitos com os mesmos métodos sugeridos para os preparos totais para dentes
anteriores, obviamente sem as perfurações feitas na face lingual.

Figura 3.20. Primeiro passo: eliminação das convexidades


proximais, mesial e distal utilizando a ponta diamantada #3203,
sendo que sua extremidade não deve tocar na papila gengival.

Figura 3.21. Contatos proximais removidos, com pelo menos


1,0 mm de separação com os dentes contíguos.

49
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Figura 3.22. Sulco marginal cervical vestibular, localizado no Figura 3.23. Profundidade dos sulcos vestibular e lingual
nível gengival, com profundidade aproximada de 1,0 mm. (pelo menos 1mm).

3o Passo – Desgaste da face oclusal


Objetivo
Diminuir a altura da coroa clínica, favorecendo o preparo dos terços médio e cervical
das demais faces, eliminando quantidade suficiente de estrutura dentária da face oclusal
para prover espaço ao material restaurador que a recobrirá, proporcionando resistência
aos esforços mastigatórios.

Método
Ponta diamantada recomendada: a presente técnica tem por finalidade agilizar a etapa
clínica, assim uma análise do comprimento da coroa clínica do dente a ser preparado
indicará o uso da ponta cilíndrica com extremidade arredondada #2143 – coroas clíni-
cas curtas ou a #3145 – coroas clínicas longas, ambas com 1,2 mm de diâmetro, em
alta rotação e com bastante irrigação. O comprimento da ponta ativa não tem relação
com este passo, mas a escolha certa implica não trocar pontas para realização de pas-
sos futuros, conforme será visto.
Posicionamento da ponta diamantada: fazer dois ou três sulcos de orientação no sen-
tido vestibulolingual seguindo a inclinação das cúspides, para em seguida uni-los com
a mesma ponta posicionada obliquamente aos mesmos, seguindo a inclinação natural
das cúspides (Figura 3.24).
Quantidade de desgaste: a restauração cerâmica deverá apresentar espessura de pelo
menos 1,2 mm nas regiões de fossas e cristas marginais e 1,5 mm nas pontas de cús-
pides. Portanto, aprofundar todo o diâmetro da ponta diamantada (que tem diâmetro
de 1,2 mm) durante a confecção dos sulcos de orientação. O restante 0,3 mm será
desgastado durante o acabamento. Caso o dente apresente coroa clínica grande, câ-
mara pulpar reduzida ou tratamento endodôntico, o desgaste pode chegar a 2,0 mm.

Figura 3.24. Sulco


oclusal realizado pela
ponta diamantada #3145,
com profundidade de seu
diâmetro (1,2 mm).

50
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Figura 3.25. Espaço


interoclusal conseguido
após o desgaste oclusal.

Análise da quantidade de desgaste: também nesta fase o conhecimento do diâme-


tro da ponta diamantada utilizada favorece a medição do desgaste efetuado. Avaliar a
distância com o dente antagonista com a boca fechada (Figura 3.25).

4o Passo – sulcos de orientação nas faces vestibular e lingual


Objetivo
Confeccionar sulcos para a orientação da inclinação e profundidade de desgaste nas
faces vestibular e lingual.

Método
Ponta diamantada recomendada: cilíndrica com extremidade arredondada #2143 para
coroas clínicas curtas ou #3145 para coroas clínicas longas – ambas com diâmetro de
1,2 mm, em alta rotação e com bastante irrigação.
Posicionamento da ponta diamantada quanto à disposição dos sulcos nas faces: suge-
re-se fazer um sulco no centro das faces, dividindo-as em mesial e distal. Em seguida,
outro sulco na porção mesial orientará o desgaste desta primeira metade, a mesial.
Desta forma, durante o preparo, o operador tem a referência da porção distal, não
preparada, para se orientar quanto à quantidade e inclinação do desgaste.
Posicionamento da ponta diamantada quanto à inclinação: aproximadamente 5 graus
para a oclusal, na altura do terço mediocervical – área de retenção friccional ou pri-
meira inclinação do preparo – e de aproximadamente 8 graus para a oclusal, na altu-
ra do terço médio-oclusal ou segunda inclinação do preparo (Figuras 3.26 e 3.27). O

Fig03Figura 3.26. Posicionamento da ponta diamantada Figura 3.27. Ponta diamantada #2143 posicionada na segunda
para realizar os sulcos de orientação da face palatina, no terço inclinação palatina (terço oclusal). Neste caso é até superior a 8
cervical.26.TIF graus, mas deve-se respeitar a anatomia deste terço.

51
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

desgaste deve seguir, sempre que possível, a inclinação anatômica do dente mantendo
seus planos, porém prioriza-se o respeito às inclinações descritas. Embora não haja uma
referência exata sobre inclinação máxima quando se emprega agente fixador resinoso,
é bom trabalhar respeitando tais características clássicas, até que se prove o contrário.
Quantidade de desgaste: como se trata de áreas de pouco esforço mecânico durante a
mastigação, desgastar apenas o necessário para prover resistência: aproximadamente
1,0 mm no terço cervical, 1,2 mm no terço médio e 1,5 mm no terço oclusal, espe-
cialmente nas cúspides funcionais.
Análise do desgaste: também nesta fase o conhecimento do diâmetro da ponta dia-
mantada utilizada favorece a medição do desgaste efetuado. Um guia de silicone é
também importante para avaliar tal desgaste.

5o Passo – União dos sulcos de orientação e preparo da face mesial


Objetivo
Unir os sulcos de orientação preparando a porção mesial do dente, inclusive a face
mesial.

Método
Ponta diamantada recomendada: a mesma do passo anterior, em alta rotação e com
bastante irrigação.
Posicionamento da ponta diamantada quanto à disposição: obliquamente aos sulcos
de orientação, desgastando-se apenas o remanescente íntegro (Figuras 3.28 e 3.29).
Assim evita-se aumentar a quantidade de desgaste cada vez que a ponta voltar ao sul-
co, o que ocorre se a tentativa de união for feita com a ponta diamantada posiciona-

Figura 3.28. Ponta diamantada posicionada de forma


oblíqua para união dos sulcos vestibulares.

Figura 3.29. Vista oclusal do preparo das faces vestibular


e palatina. As proximais permanecem com o desgaste
realizado durante o primeiro passo.

52
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Figura 3.30. Ponta diamantada #2143 posicionada para


promover o preparo das faces mesial e distal.

da paralelamente a eles. A sugestão para minimizar tal fato é marcar o fundo do sulco
com grafite. Este não deve ser desgastado durante esta fase. É importante respeitar as
inclinações obtidas com os sulcos de orientação.
Inclinação e quantidade de desgaste: estas considerações são as mesmas do passo an-
terior – os sulcos, como o próprio nome diz, orientarão o desgaste neste passo.
Preparo da face mesial: a finalidade do primeiro passo (eliminar os contatos proximais)
foi possibilitar a passagem da ponta diamantada agora em uso. Assim, neste momento
executa-se o preparo desta face. Para isso, quando da opção por término cervical sub-
gengival, a papila interdental deverá ser contornada de maneira a possibilitar em um
passo seguinte extensão subgengival uniforme, se for necessário.
Profundidade do desgaste mesial: compatível com as necessidades de estética ou rigi-
dez do material restaurador selecionado (1,0 mm).

6o Passo – Desgaste da metade distal


Repete-se a sequência citada para a metade mesial: 4º passo – Sulcos de orientação e
5º passo – União deles (Figura 3.31).

Figura 3.31. Vista oclusal dos desgastes das faces


vestibular, lingual, mesial e distal.

7o Passo – Preparo subgengival – se necessário


Objetivo
Estender o preparo até no máximo 0,5 mm subgengival (para preparos com término
cervical subgengival).

53
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Método
Pontas diamantadas recomendadas: cilíndrica com extremidade arredondada #2143
para coroas clínicas curtas ou #3145 para coroas clínicas longas – ambas com diâme-
tro de 1,2 mm. Em baixa rotação, ou alta rotação em baixa velocidade, com bastante
irrigação.
Posicionamento da ponta diamantada: seguindo a inclinação das paredes do preparo,
estendendo o desgaste até no máximo 0,5 mm subgengival (Figura 3.32).
Sequência de pontas diamantadas em função do término selecionado: para ombro com
ângulo axiogengival arredondado utiliza-se a ponta #2143 ou #3145 até 0,5 mm. Para
chanfrado a ponta #2143 ou #3145 até aproximadamente 0,3 mm.

Figura 3.32. Ponta diamantada #2214F para estender o


término 0,5 mm subgengivalmente e realizar acabamento.

Característica do término cervical: o material restaurador selecionado terá influência


muito grande neste momento. Preparos para porcelanas exigem término em ombro
com ângulo axiogengival arredondado, conseguido pela extremidade arredondada
das pontas #2143 ou #3145.

8o Passo – Acabamento
Objetivo
Arredondar as arestas axiais e áxio-oclusais e definir a forma e o limite do término cer-
vical, obtendo uma linha contínua, definida e nítida.

Método
Ponta diamantada recomendada: cilíndrica de topo arredondada #2143F (granulação
fina – 30 µm) ou #2143FF (granulação extrafina – 46 µm) ou ogival #2215F/FF para as
demais faces e término cervical. Em algumas situações, é necessária a ponta #2214F/
FF para o acabamento das proximais devido à proximidade do dente vizinho. Normal-
mente, as pontas são utilizadas em baixa rotação.
Acabamento propriamente dito: este passo é realizado para arredondar ângulos vivos
e definir a 1ª e 2ª inclinações das paredes, além do objetivo maior que é a definição
da forma e limite externo do término cervical. Tal linha deve ser contínua, definida e
nítida, pois é uma área de grande importância no preparo. As pontas das cúspides de-
vem ser arredondadas para facilitar o processo de fresagem do bloco cerâmico com
maior precisão interna.
Características finais do preparo:
A. Mantém a silhueta da coroa clínica existente previamente ao preparo, com espaço
interoclusal de pelo menos 1,5 mm (Figura 3.33).

54
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Figura 3.33. Espaço interoclusal de pelo menos 1,5 mm.


Observe a manutenção da forma anatômica básica de um
molar hígido.

B. Paredes axiais das faces vestibular e proximais com inclinação de aproximadamente


5 graus para a incisal, na primeira inclinação, e de 8 graus na segunda.
C. Ângulos axiais e áxio-oclusais arredondados, com espessura mínima de 1,0 mm.
D. Separação do dente contíguo na área cervical de pelo menos 1,0 mm.
E. Término cervical em chanfro profundo ou ombro arredondado, com profundidade
de pelo menos 1,0 mm (Figura 3.34).
F. Linha de término cervical externa (ângulo cavossuperficial) contínua, definida e ní-
tida.

Figura 3.34. Vista oclusal do preparo concluído: espaço


em relação aos dentes contíguos, término cervical com
quantidade de desgaste de maneira uniforme, de pelo
menos 1,0 mm de profundidade axial, forma anatômica da
face preservada (silhueta).

Preparo para Coroa Total Anterior ou Posterior em Dente Mal


Posicionado no Arco – Considerações Gerais
Dentes girovertidos e/ou inclinados, ao serem preparados, exigem mais atenção e al-
guns cuidados especiais.
As características esperadas no final do preparo devem ser analisadas antes do iní-
cio e reavaliadas durante todo o desgaste para evitar desgastes acentuados em alguns
locais ou desnecessários ou insuficientes em outras. O paciente deve ser alertado que,
em função do mau posicionamento da coroa dentária, o desgaste atípico pode, inde-
pendentemente da vontade do cirurgião-dentista, exigir o tratamento endodôntico.
O enceramento de diagnóstico parece ser mais importante nesses casos. A com-
paração do modelo encerado com um modelo original, sem modificações e avaliações
radiográficas possibilita enxergar com mais facilidade a provável necessidade de trata-

55
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

mento endodôntico. Um guia de silicone obtido a partir do enceramento possibilita-


rá a verificação mais precisa da quantidade de desgaste durante o preparo dentário.
Características finais do preparo
A. Restabelecer a silhueta da coroa clínica que se deseja confeccionar.
B. Para dentes anteriores – Inclinação das paredes axiais vestibular e proximais de apro-
ximadamente 5 para a incisal, na área de retenção friccional – primeira inclinação
– e de 8 graus para a segunda.
C. Para dentes anteriores – Inclinação do terço cervical da face lingual de aproxima-
damente 5 graus para a incisal, na área de retenção friccional e definição da con-
cavidade nos outros dois terços.
D. Para dentes posteriores – Inclinação das paredes axiais de aproximadamente 5 graus
em relação ao eixo de inserção, na área de retenção friccional para a primeira incli-
nação, e de 8 graus para a segunda.
E. Ângulos axiais e áxio-incisais ou áxio-oclusais arredondados, evitando bordas incisais
ou pontas de cúspides com espessura a 1,0 mm.
F. Separação do dente contíguo na área cervical de pelo menos 1,0 mm.
G. Forma do término cervical, bem como a quantidade de desgaste, compatível com
o material restaurador selecionado.
H. Linha de término cervical contínua, definida e nítida.

Técnica de Preparo para Coroa Parcial Posterior –


Considerações Gerais
Quanto à restauração de coroas clínicas parcialmente destruídas, o aprimoramento dos
materiais restauradores e sistemas adesivos, bem como das propriedades mecânicas dos
compósitos, faz com que as resinas sejam a melhor opção para as restaurações inlays
com envolvimento estético, sendo razoável então considerar desnecessário discutir res-
taurações indiretas inlays dada a praticidade clínica no uso de materiais restauradores
diretos. Resta, entretanto, discutir o preparo para restaurações indiretas daqueles den-
tes com destruição parcial extensa, para os quais estarão contraindicados os diretos. É
fato que não há um limite exato entre indicar/contraindicar uma extensa restauração
direta em resina ou uma pequena restauração indireta fixada com materiais adesivos,
havendo, em algumas situações críticas, divergências entre profissionais às vezes com
a mesma formação.
O motivo é o grande número de fatores de risco envolvidos no sucesso ou no in-
sucesso destes trabalhos – diretos ou indiretos, tais como: presença de hábitos para-
funcionais, padrão muscular, esquema de desoclusão, localização da área destruída,
quantidade e qualidade das estruturas remanescentes, suscetibilidade à cárie, dificul-
dade técnica do preparo e/ou da fixação. As experiências de cada profissional levam
a uma maior confiança em uma ou outra técnica. Deve-se, porém, diferenciar aquilo
que acreditamos, daquilo que está cientificamente comprovado.
Talvez no futuro, por meio de aompanhamentos longitudinais, seja possível definir
entre uma ou outra. No momento, entretanto, dado o custo de ambas, o paciente deve
participar desta eleição e o papel social das restaurações diretas não pode evidentemente
ser desconsiderado. Entretanto, optando-se por restaurações indiretas, teoricamente de
maior longevidade para situações de extensa destruição, abre-se nova discussão: a forma
e a extensão do preparo. Restaurações parciais fixadas apenas por retenção friccional
devem envolver toda a superfície oclusal e ainda o terço oclusal da face vestibular ou
palatina das cúspides funcionais, independentemente da área destruída.
Desrespeitar esse preceito pode implicar fratura da área não preparada em função
do efeito de cunha gerado pela carga mastigatória, não justificando o risco.
Restaurações parciais fixadas com materiais adesivos, normalmente cerâmicas ou
cerômeros, têm diferença significativa. A união promovida pelo adesivo tende a apro-
ximar as partes, minimizando ou talvez eliminando o efeito de cunha, com tendência

56
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

a formação de um corpo único, permitindo assim o preparo de apenas parte da es-


trutura dentária.
Embora isso represente conservação da estrutura dentária, o preparo torna-se com-
plexo do ponto de vista técnico. Quando confiar em uma parede de dentina e esmalte?
Qual deve ser a espessura minima dessa parede? E até onde estender o preparo para
obter retenção e estabilidade? São perguntas difíceis de responder com precisão, e
uma opção errada pode significar o fracasso da restauração. Por hora é recomendado
inicialmente a remoção de todo o tecido cariado ou a regularização de toda a parte
fraturada. Em seguida, uma reparação com adesivo e resina reforça o remanescente sa-
dio e favorece o preparo, os chamados núcleos de preenchimento são particularmente
interessantes para dentes tratados endodonticamente.
Assim restabelece-se a forma previamente ao preparo do remanescente. Obviamente,
todo o término cervical será em tecido dentário. As cúspides afetadas receberão prepa-
ro onlay, com término em ombro com o ângulo axiogengival arredondado. Uma caixa
oclusal é então confeccionada com profundidade de aproximadamente 1,5 mm e largura
vestibulolingual de 2,0 mm (aproximadamente um terço da distância V-L), com paredes
expulsivas – divergentes para a oclusal – inclinação não maior que 10 graus. A técnica su-
gerida a seguir, para coroas parciais MOD, é considerada a complexidade máxima deste
tipo de preparo. Para as restaurações estéticas, devemos diminuir as áreas que apresen-
tem espessura mínima de 1,5 mm de paredes com esmalte e dentina – nestas apenas a
caixa oclusal será feita, como se fosse uma parede expulsiva de uma restauração inlay.
Preparo Propriamente Dito
Os preparos para restaurações parciais tipo MOD, classicamente, possuem caixas pro-
ximais confeccionadas mais pela retenção friccional necessária para as restaurações
cimentadas por fosfato de zinco (inlay e onlay metálicas) do que pela necessidade de
reforço estrutural. Acreditamos que, considerando a grande retenção conseguida com
os cimentos resinosos e a resistência de algumas cerâmicas (especialmente as de dissili-
cato de lítio), em algumas situações não há necessidade de tais caixas, sendo, portanto,
um preparo mais conservador e menos difícil. Além dessa vantagem, preparo parcial
sem caixas possui menos ângulos diedros ou triedros e, portanto, é mais favorável às
cerâmicas. No entanto, ainda não temos provas científicas sobre tal posicionamento,
mas vale a reflexão, pois se a coroa total resiste quando apresenta espessura oclusal de
1,5 mm, uma parcial não precisaria de espessura superior. Talvez em breve isso pos-
sa ser provado. Então, ainda descreveremos a técnica com as características clássicas.

1o Passo – Desgastes proximais


Objetivo
Eliminar a convexidade da área proximal – corte em fatia, promovendo a separação
com o(s) dente(s) contíguo(s) (Figura 3.35).

Figura 3.35. Vista oclusal da separação dos dentes


contíguos.

57
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Método
De forma idêntica à já citada para coroa total posterior.
Ponta diamantada recomendada: cônica longa #3203, em alta rotação e com bastan-
te irrigação.
Posicionamento da ponta diamantada: paralelo à direção de inserção pretendida. A
forma cônica da ponta utilizada promove corte com inclinação de 3 graus, proporcio-
nando paredes convergentes para a oclusal.
Recomenda-se a proteção do dente contíguo com porta matriz e matriz de aço.
Separação entre os dentes: deve ser nítida e de aproximadamente 1,0 mm na cervical.
Deve ser possível visualizar entre os dentes faixa de tecido gengival de aproximada-
mente 1,0 mm.
Durante o corte deve-se preservar, por razões estéticas, o máximo da face vestibular.

2o Passo – Desgaste da face oclusal e terço médio oclusal das paredes


axiais das cúspides
Objetivos

1. Confeccionar sulcos para orientação da profundidade de desgaste na face oclusal,


terço oclusal das cúspides funcionais, para dentes superiores e inferiores e, ainda,
para o terço oclusal da face lingual dos dentes inferiores (Figura 3.36)
2. Unir os sulcos de orientação, eliminando quantidade suficiente de estrutura dentária
da face oclusal, provendo resistência ao material restaurador durante a mastigação
e estética (Figura 3.37).

Figura 3.36. Vista lingual. Sulcos de orientação oclusal


com profundidade de aproximadamente 1,5 mm.

Figura 3.37. Desgaste oclusal concluído. Note que


as marcas dos sulcos ainda permanecem, indicando a
manutenção da profundidade dos sulcos.

58
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Método
Ponta diamantada recomendada: cilíndrica com extremidade arredondada #2143 de
1,2 mm de diâmetro, em alta rotação e com bastante irrigação.
Posicionamento da ponta diamantada – a: na superfície oclusal o desgaste será feito
acompanhando os planos inclinados das cúspides, de forma idêntica ao preparo para
coroa total posterior. No terço oclusal das paredes axiais, o limite do desgaste deve ser
o trespasse vertical da cúspide do dente antagonista, definindo-se uma inclinação de
paredes de 6 graus.
Posicionamento da ponta diamantada – b: inicialmente de maneira a fazer 2 ou 3 sul-
cos de orientação no sentido vestibulolingual seguindo as inclinações sugeridas, para
em seguida uni-los, com a mesma ponta posicionada obliquamente aos mesmos e de
maneira a seguir a inclinação e a profundidade dos sulcos.
Quantidade de desgaste: para a face oclusal e terço médio oclusal das cúspides
funcionais (Figura 3.38), aprofundar todo o diâmetro da ponta diamantada durante
a confecção dos sulcos de orientação. Em área de muito esforço mecânico durante a
mastigação deverá ser desgastado, independentemente da cerâmica, 1,5 a 2,0 mm,
dependendo do comprimento da coroa clínica e da existência ou não de tratamento
endodôntico. Portanto, um pouco mais que o diâmetro da ponta #2143.
Para o terço oclusal da face lingual de dentes inferiores: 1,0 a 1,5 mm (Figura 3.39).
Para o arco superior, devido ao risco de comprometimento estético, evita-se o des-
gaste da cúspide não funcional – vestibular, mesmo para restaurações em porcelana.

Figura 3.38. Ponta diamantada #2143 respeitando a Figura 3.39. Ponta diamantada #2143 respeitando a
inclinação do terço oclusal vestibular, penetrando todo seu inclinação do terço oclusal lingual, penetrando quase todo seu
diâmetro (1,2 mm). diâmetro (1,2 mm).

3o Passo – abertura das caixas oclusal e proximais


Objetivo
Abrir uma caixa oclusal e duas caixas proximais, mesial e distal. A caixa oclusal permite
aumentar a espessura da restauração em área de grande esforço mastigatório, propor-
cionando mais resistência.

Método
Pontas diamantadas recomendadas: tronco cônica #2131 para pré-molares e #3131
para molares.
Posicionamento da ponta diamantada para a caixa oclusal: paralela à direção de in-
serção pretendida, de forma a permitir a abertura de caixa oclusal no sulco principal
mesiodistal, seguindo o contorno das cúspides (Figura 3.40).
O desgaste assemelha-se em profundidade a uma classe I para amálgama (1,0
mm), porém, ao contrário daquela, suas paredes axiais deverão apresentar-se expulsivas

59
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Figura 3.40. Ponta


diamantada #3131
posicionada na oclusal
paralela ao longo do eixo
do dente para abrir a caixa
oclusal.

para a oclusal; a inclinação destas paredes é de 6 graus. Sendo assim, o desgaste total
nessa região é de 2,5 mm, pois o desgaste oclusal foi de 1,5 mm e a profundidade da
caixa de 1,0 mm (Figura 3.41). É neste ponto que acreditamos ser desnecessário esse
desgaste de 1,0 mm, a não ser que já exista restauração prévia com tal profundidade.
Posicionamento da ponta diamantada para as caixas proximais: paralela à direção de
inserção pretendida, de forma a permitir a abertura de caixas proximais com istmo se-
melhante ao da caixa oclusal, com largura de aproximadamente um terço da distância
V-L (Figura 3.42). Neste ponto também acreditamos não ser necessário tal desgaste.
Características da caixa oclusal após o desgaste:
A. paredes vestibular e lingual divergentes no sentido cérvico-oclusal em aproximada-
mente 6 graus.
B. parede pulpar plana.
C. profundidade de aproximadamente 1 mm e istmo de pelo menos 2,0 mm no sen-
tido V-L do dente.

Figura 3.41. Vista


proximal da caixa oclusal
mostrando a expulsividade
proporcionada pela ponta
diamantada #3131.

Figura 3.42. Vista


proximal. Detalhe da caixa
proximal também expulsiva
para oclusal.

60
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Figura 3.43. Vista oclusal


após abertura das caixas
proximais e oclusal, ambas
expulsivas para oclusal,
e as proximais expulsivas
em direção aos dentes
contíguos.

Característica das caixas proximais após o desgaste (Figura 3.43):


A. paredes vestibular e lingual divergentes em aproximadamente 6 graus no sentido
cérvico-oclusal e expulsivas em direção ao dente contíguo.
B. paredes axiais (mesial e distal) convergentes no sentido cérvico-oclusal e seus ân-
gulos arredondados com a parede pulpar.
C. paredes gengivais planas, paralelas à pulpar e de 0,5 a 1,0 mm aquém da margem
gengival.

4o Passo – União das faces preparadas


Objetivo
Unir os preparos das faces proximais, oclusal e terço oclusal das cúspides funcionais e
lingual inferior delimitando uma linha de término cervical tortuosa, porém contínua,
definida e nítida.

Método
Ponta diamantada recomendada: cilíndrica de extremidade arredondada #2143 para
término cervical tipo ombro com ângulo axiogengival arredondado.
Posicionamento da ponta diamantada nas proximais: paralela à direção de inserção
pretendida, apenas definindo o término.
Posicionamento da ponta diamantada nas áreas de proteção de cúspide (terço oclusal
das cúspides funcionais e lingual inferior): a ponta diamantada #2143 deverá definir o
término na região de encontro entre as faces proximais e as faces vestibular e lingual
(Figura 3.44), de forma que o término possa ser contínuo, embora tortuoso, mas de-

Figura 3.44. Ponta


diamantada #2143 em
posição para fazer a
união do término cervical
vestibular e lingual com
a caixa proximal, para
suavizar essa transição e
eliminar ângulos agudos.

61
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

finido e com mesma largura, quando visto pela oclusal. É fazer a união da área ante-
riormente desgastada (Figura 3.43) com o desgaste da face proximal, contornando o
terço oclusal da cúspide no sentido vestibuloproximal, com convergência equivalente
à direção de inserção requerida, não permitindo o aparecimento de áreas retentivas
(Figura 3.45). Para os dentes superiores, quando o terço oclusal das cúspides não fun-
cionais (vestibulares) não foram preparados, deve-se apenas arredondar o ângulo agu-
do na junção das faces.
Característica do término cervical: em ombro com ângulo axiogengival arredondado.
É importante enfatizar que a própria parede gengival da caixa proximal define o tér-
mino, restando apenas unir as faces no terço oclusal (Figura 3.46).
Extensão cervical do término na proximal: idealmente, supragengival. Se já houver
restauração prévia subgengival, este não poderá estender-se mais que 0,5 mm. Pro-
fundidade maior implica necessidade de cirurgia periodontal.

Figura 3.45. Vista


proximal após a união do
desgaste vestibular e do
desgaste lingual com as
caixas proximais.

Figura 3.46. Vista oclusal


após o término do preparo,
antes do acabamento.
Ainda presença de ângulos
diedros e triedros próximo
ou menores que 90 graus.

5o Passo – Acabamento
Objetivo
Definir a forma e o limite do término cervical, obtendo uma linha tortuosa, porém con-
tínua, definida e nítida, além de arredondar todos os ângulos diedros e triedros entre
as faces, planificar as paredes pulpar e gengival e assegurar a correta inclinação das pa-
redes preparadas.

Método
Pontas diamantadas recomendadas: cilíndrica com extremidade cônica #2131F e
#2143F para obtenção de términos em ombro arredondado, em baixa rotação ou alta
rotação em baixa velocidade, com irrigação.
Posicionamento das pontas diamantadas: o acabamento é efetuado em todas as ares-
tas superficiais do término cervical nas faces vestibular, lingual e proximal (Figuras 3.47
e 3.48).

62
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Figura 3.47. Ponta diamantada de granulação fina para Figura 3.48. Posicionamento da ponta diamantada de
arredondar as arestas, em destaque o ângulo diedro da parede granulação fina para arredondar o ângulo diedro formado
lingual da caixa oclusal com a parede oclusal. pelas faces lingual e oclusal.

Acabamento propriamente dito: neste passo deve-se reafirmar a inclinação das pare-
des, principalmente as da caixa oclusal e o terço médio oclusal das cúspides funcionais
e lingual inferior, assim como as das caixas proximais.
Término cervical: também devem ser confirmadas e definidas a forma e o limite do
término cervical, obtendo-se uma linha externa tortuosa, porém contínua, definida e
nítida (Figura 3.49).
Característica do preparo da coroa parcial mésio-ocluso-distal:
A. ângulos diedros e triedros arredondados.
B. Arestas axiopulpares mesial e distal arredondadas.
C. Paredes pulpar e gengivais planas e perpendiculares à direção de inserção pretendida.
C. Paredes axiais das caixas proximais mesial e distal convergentes para oclusal no sen-
tido cérvico-oclusal.
E. Paredes vestibular e lingual das caixas proximais expulsivas no sentido cérvico-oclu-
sal e também no sentido do dente contíguo.
F. Paredes vestibular e lingual da caixa oclusal expulsivas no sentido cérvico-oclusal.
G. Término cervical tortuoso, contínuo e nítido, com forma de chanfrado ou ombro
com ângulo axiogengival arredondado (Figura 3.52).
H. Pontas de cúspides arredondadas, com espessura mínima de 1,0 mm (Figura 3.51).
I. Espaço interoclusal de pelo menos 1,5 mm (Figura 3.53).

Figura 3.49. Ponta diamantada posicionada para fazer o


acabamento do término cervical lingual, dando a forma de Figura 3.50. Vista oclusal do preparo parcial concluído.
chanfrado profundo. Término cervical nítido. Ausência de arestas vivas.

63
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Figura 3.51. Vista proximal do preparo concluído. Note a Figura 3.52. Demarcação das paredes do preparo, mas com
suavidade na transição entre os desgaste vestibular e lingual ângulos arredondados.
com a parede gengival da caixa proximal.

Figura 3.53. Vista proximal destacando o espaço para


o material restaurador, que deve ser, na oclusal, de pelo
menos 1,5mm.

Técnica de Preparo para Coroa Parcial Anterior


As facetas de porcelana estão indicadas, de maneira genérica, para dentes que apre-
sentam alteração de cor, forma ou posição, e que podem ser restaurados tendo apenas
as faces vestibular ou palatina envolvidas. Não há dados científicos disponíveis para
defender um determinado tipo de preparo:
Alguns clínicos são de escolas que defendem pouca ou nenhuma redução dentá-
ria, ao passo que outros indicam preparo em chanfrado profundo na face vestibular.
Cada caso específico requer um tipo de preparo, e isto deve ser decidido individu-
almente. A decisão de reduzir ou não o esmalte dentário depende de fatores biológicos
e técnicos: estética; relativa posição dentária; cor do dente; idade; fator psicológico;
susceptibilidade à doença periodontal.
Generalizando, em relação ao desgaste, a quantidade necessária de redução do
esmalte, com base nas necessidades técnicas, é entre 0,3 a 0,6 mm ou cerca da meta-
de da espessura de esmalte disponível. O preparo dentário para facetas de porcelana
pode ser classificado em função da profundidade e da extensão.
Quanto à profundidade do preparo: sem desgaste dental, desgaste em esmalte e
desgaste em esmalte/dentina.
Quanto à extensão da faceta: total – quando recobre toda a face vestibular e total
com recobrimento incisal (quando restaura toda a face vestibular incluindo redução
do bordo incisal e terço incisal da face palatina).
A profundidade do preparo é determinada pela alteração de cor, extensão de res-
taurações antigas de resina composta e posição do dente no arco dental. A faceta de

64
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

porcelana pode ser confeccionada sobre um dente sem necessidade de desgaste quan-
do este não apresentar alteração de cor e estiver na posição paralingual. Desgaste em
esmalte quando houver discreta alteração de cor e com desgaste em esmalte/dentina
quando houver severa alteração de cor ou estiver vestibularizado.
Quanto ao envolvimento da face vestibular (extensão da faceta), o preparo total
permite minimizar o desgaste de tecido dental hígido, preservar a função incisal e pa-
latina, o que é interessante nos dentes anterossuperiores, pois protege as facetas de
carga oclusal significativa, além de apresentar boa resistência à fratura.
O preparo total com recobrimento do bordo incisal estará indicado naquelas situ-
ações em que um defeito na região incisal está presente comprometendo mecanica-
mente ou esteticamente essa área, quando houver necessidade de realizar alongamento
dental ou quando for necessário obter uma transparência mais natural na borda incisal.
Durante o preparo a redução do esmalte deve ser considerada em relação a cinco
aspectos distintos descritos a seguir:
1. Redução vestibular: o preparo vestibular deve abranger a quantidade de redução
necessária para facilitar a colocação de uma restauração estética.
Deve estar em esmalte sempre que possível e mais especificamente em todas
as áreas marginais para assegurar adequado selamento. Pequenas áreas de dentina
podem ser expostas, e isto não é crítico se as margens permanecerem em esmalte.
O preparo uniforme do esmalte deve resultar em redução tecidual média de 0,5
mm. Não se recomenda desgaste menor que 0,3 mm – dado à dificuldade técni-
ca de fresagem. Pode-se, em casos mais extremos de descoloração, aumentar a
redução para 0,7 a 0,8 mm, para reduzir o efeito de escurecimento apresentado
(alteração na cor do dente causada por ingestão de antibióticos ou por doenças
tais como a fluorose ou dentinogênese imperfeita).
2. Extensão Interproximal: dois princípios básicos devem ser observados no preparo
destas superfícies: preservar as áreas de contato ou colocar as margens além das
áreas visíveis. O preparo ou não da área de contato depende apenas de fatores clí-
nicos e não laboratoriais. É preferível preservar a área de contato se as circunstâncias
clínicas permitirem. Entretanto, como previamente notado, certas circunstâncias
ocorrem onde a área de contato proximal tem de ser preparada, como pequenas
lesões de cárie proximal, restaurações velhas de compósitos e ângulos fraturados.
Nesses casos é imperativo ir além da área visível, que deve ser determinada
tanto por uma vista frontal quanto lateral – regra especialmente importante quan-
do a cor do dente difere bastante da faceta a ser confeccionada. Em geral, não é
necessário destruir a área de contato, apenas separar o dente com tiras de lixa para
facilitar o ato da moldagem. Outras circunstâncias clínicas, tais como diastemas ou
alterações da forma ou da posição de um grupo de dentes, podem exigir preparos
específicos para a área de contato com a margem colocada em uma direção lingual.
3. Extensão cervical: é altamente desaconselhável posicionar as margens profunda-
mente no sulco gengival, as facetas geralmente permitem margens supragengi-
vais invisíveis (devido às suas propriedades ópticas) e mantêm um bom perfil de
emergência. Esta margem será para gengival ou levemente subgengival. Qualquer
alteração exacerbada na cor do dente implica localização da margem cervical em
posição levemente subgengival. A margem não deve ser situada mais do que 0,5
mm na posição subgengival, já que além dessa profundidade a adesão torna-se ex-
tremamente desafiadora, senão impossível.
4. Modificação incisal: em razão da maior incidência de fraturas quando a margem
fica localizada na crista incisal, a cobertura completa desta é o procedimento de es-
colha para quase todos os casos, embora haja relato de maior resistência quando a
porcelana não atingia a borda incisal. Esse procedimento oferece várias vantagens:
restringe fraturas de ângulos; melhora as propriedades estéticas das facetas; oferece

65
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

espaço para alterar a forma e posição dental; possibilita ajustar a oclusão e posicio-
nar a margem fora da área de impacto oclusal. A redução incisal deve prover uma
camada de cerâmica de pelo menos 1 mm de espessura. Camadas com mais de
1,5 a 2,0 mm de espessura devem ser usadas para caninos e incisivos inferiores.
5. Superfícies linguais: em dentes com a borda incisal comprometida por resinas anti-
gas, fraturas ou cárie, indica-se uma variação do preparo. Na face lingual é executa-
do um degrau (ombro) em toda a extensão da face. A extensão do preparo lingual
depende da situação clínica em particular. A margem lingual deve estar localizada
longe da área de impacto.

Preparo Propriamente Dito


Inicialmente, determina-se a profundidade (sem preparo, preparo em esmalte ou em
esmalte/dentina) e a extensão da face a ser preparada (total ou total com recobrimento
do bordo incisal). Obviamente a técnica sugerida a seguir pode ser adequada diante
de uma situação clínica específica, conforme informações anteriores.

1o Passo – Sulco de orientação cervical


Objetivo
Confeccionar o sulco de orientação cervical na face que receberá a faceta.

Método
Ponta diamantada recomendada: esférica #1014, em alta rotação e com bastante ir-
rigação.
Posicionamento da ponta diamantada: inclinada em aproximadamente 45 graus para
vestibular, conforme técnica de preparo para coroa total cerâmica anterior, visto na
Figura 3.5.
Confecciona-se uma canaleta cervical, de mesial para distal, próximo à margem
gengival, com profundidade de 0,3 mm a 0,7 mm, dependendo do planejamento
(Figura 3.54).

Figura 3.54. Sulco de orientação cervical com profundidade de aproximadamente 0,7 mm,
portanto metade do diâmetro da ponta #1014.

2o Passo – Definição das margens proximais


Objetivo
Demarcar o contorno proximal da restauração de acordo com os requisitos estéticos
e funcionais da mesma, podendo preferencialmente ser mantido o ponto de contato
em esmalte, mas não necessariamente.

66
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Método
Ponta diamantada recomendada: cilíndrica com extremidade arredondada #2143 para
coroas clínicas curtas ou #3145 para coroas clínicas longas – ambas com diâmetro de
1,2 mm, em alta rotação e com bastante irrigação.
Posicionamento da ponta diamantada: ligeiramente aquém da área de contato proximal.
Inclinação da ponta diamantada: com convergência para a incisal, tanto no sentido
vestibulolingual como mesiodistal, mas paralela à direção de inserção pretendida.
Extensão do desgaste: o ponto de contato interproximal com o dente vizinho deve
preferencialmente ser mantido, com exceção dos dentes que apresentam acentuada
alteração de cor. Neste caso é importante realizar o desgaste em direção à face pala-
tina na área de contato interproximal. Após o desgaste sugerido, o contato proximal
deverá ser rompido com tiras de lixa para amálgama, possibilitando a moldagem e
otimizando o trabalho técnico. Com esses cuidados consegue-se “esconder” a inter-
face de transição entre a faceta e o dente quando esse for observado por um ângulo
lateral.
Frequentemente, o profissional se concentra apenas na visualização da restaura-
ção em um único ângulo de observação – geralmente frontal, comprometendo a apa-
rência estética final, pois poderá permitir a visualização do contraste de cor existente
entre um dente escurecido e o material restaurador, principalmente a partir de uma
visualização lateral.
Profundidade axial do desgaste: metade da ponta diamantada se o contato proximal for
mantido em esmalte (aproximadamente 0,7 mm) e toda sua profundidade se a opção
for invadir a área de contato (aproximadamente 1,2 mm). Neste último caso, proteger
o dente vizinho com o porta-matriz e matriz para amálgama. Apesar da profundidade
do desgaste, normalmente ele ocorre apenas em esmalte.

3o Passo – Redução vestibular


Objetivo
Confeccionar sulcos para a orientação da inclinação e profundidade de desgaste na
face vestibular e executar o desgaste então sugerido.

Método
Ponta diamantada recomendada: cilíndrica com extremidade arredondada #2143 para
coroas clínicas curtas ou #3145 para coroas clínicas longas – ambas com diâmetro de
1,2 mm, em alta rotação e com bastante irrigação.
Disposição dos sulcos de orientação na face: sugere-se fazer um sulco no centro da
face dividindo-a em porção mesial e distal, e mais dois sulcos, um na metade mesial e
outro na distal (Figura 3.55).

Figura 3.55. Sulcos de orientação na face vestibular,


confeccionada com a ponta #2143 ou #3145, com
aproximadamente 0,7 mm, seguindo a anatomia da face.

67
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Posicionamento da ponta diamantada: aproximadamente 6 graus de inclinação para a


incisal no terço médio e cervical, área de primeira inclinação e de aproximadamente 5
a 10 graus no terço médio e incisal ou segunda inclinação da face. Sempre que possí-
vel, a inclinação anatômica do dente deve ser seguida, mantendo seus planos, porém
deve-se priorizar o respeito às inclinações descritas.
Para facilitar o controle da profundidade dos sulcos, deve ser feito um guia em
silicone antes de iniciar o preparo. Se o dente apresentar correto posicionamento ves-
tibulolingual, o guia poderá ser feito diretamente na boca (Figura 3.56). O silicone é
adaptado às faces vestibular e incisal, de forma que, após concluído, esteja no nível
incisal (Figura 3.57).
Caso o dente apresente alguma giroversão, posicionamento não adequado no sen-
tido vestibulolingual, um modelo deve ser providenciado para o enceramento estético
e neste confecciona-se o guia.
Este guia deve ser fatiado horizontalmente de forma que facilite a avaliação nos ter-
ços incisal, médio e cervical (Figura 3.58), quando observado pela incisal. Esses cortes
são incompletos, ou seja, de um lado não há separação. Isso possibilita o afastamento
das mesmas para vestibular, sem ficar saindo de posição (Figura 3.59).
Profundidade axial do desgaste: como já mencionado dependerá do planejamento
feito variando de 0,3 a 0,7 mm, quando sem envolvimento severo de cor e de 0,7 a
1,0 quando com envolvimento acentuado de cor, ou para os casos de adequação da
forma da face, a quantidade necessária para isso (Figura 3.59).

Figura 3.57. Guia de silicone após removido o excesso


Figura 3.56. Guia de silicone na vestibular e incisais. incisal. Deve estar nivelado.

Figura 3.59. O fatiamento permite o afastamento de parte


do guia para análise da região desejada. Neste caso, avaliação
Figura 3.58. Guia de silicone fatiado com lâmina de bisturi. da profundidade dos sulcos próximo ao terço médio.

68
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Figura 3.60. Desgaste conseguido mediante união dos Figura 3.61. Conferência da quantidade de desgaste no
sulcos vestibulares. terço incisal.

Durante a união dos sulcos de orientação a ponta deve estar posicionada obliqua-
mente aos mesmos (conforme Figura 3.11), facilitando o procedimento sem aumentar
a quantidade de desgaste (Figuras 3.60 e 3.61).

4o Passo – Preparo da face incisal – se necessário


Preparos totais com recobrimento incisal
Objetivo
Diminuir a altura da coroa clínica, eliminando quantidade suficiente de estrutura den-
tária da face incisal, provendo ao material restaurador que a recobrirá estética e rigidez
durante a incisão ou mastigação dos alimentos, respectivamente guias anterior e canina.

Método
Ponta diamantada recomendada: a mesma utilizada no passo anterior (#2143 ou
#3145), em alta rotação e com bastante irrigação.
Posicionamento da ponta diamantada: seguindo a inclinação natural da face. Inicial-
mente de maneira a fazer dois ou três sulcos de orientação, no sentido vestibulolingual,
para em seguida uni-los, com a mesma ponta posicionada obliquamente aos mesmos
– inclinação para palatino em dentes superiores e para vestibular em dentes inferiores.
Quantidade de desgaste: 1,5 mm – obtido inicialmente com os sulcos de orientação
e posteriormente com a união dos mesmos.

5o Passo – Preparo do terço incisal da face lingual


Objetivo
Preparar parte da superfície lingual, próximo à incisal, possibilitando o recobrimento
desta área com o material restaurador.

Método
Pontas diamantadas recomendadas: esférica diamantada #1014, delimitando a exten-
são lingual desejada ou apenas com a cilíndrica com extremidade arredondada #2143,
completando o desgaste.
Posicionamento das pontas diamantadas: a esférica #1014 é de 45 graus em relação
ao longo eixo do dente, lembrando que a área de impacto oclusal deverá estar distante
da junção esmalte/restauração; e da cilíndrica com extremidade arredondada #2143,
paralela à direção de inserção regularizando o desgaste e envolvendo os terços mesial
e distal da face incisal (Figura 3.62).

69
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Figura 3.62. Ponta diamantada #3145, de extremidade arredonda posicionada para realizar
o desgaste palatino e, simultaneamente, definir o término cervical.

6o Passo – Acabamento
Objetivo
Arredondar as arestas axiais e axioincisais e definir a forma e o limite do término cervi-
cal, obtendo uma linha de término tortuosa, porém contínua, definida e nítida.

Método
Ponta diamantada recomendada: cilíndrica com ponta ogival #2214F, em baixa rotação
ou em alta rotação com baixa velocidade e bastante irrigação.
Acabamento propriamente dito: neste passo deve-se arredondar os ângulos axioin-
cisais e reafirmar a inclinação das paredes confirmando a direção de inserção da faceta.
Alguma retenção friccional, comum às facetas que se estendem na face proximal, deve
contribuir para o sucesso destas restaurações, porém acompanhamentos longitudinais
deverão confirmar cientificamente esta colocação.
Término cervical: ainda com a ponta diamantada #2214F, define-se a localização
do término cervical em forma de chanfrado. Este deve ficar situado, de preferência, na
posição supragengival, para favorecer a etapa de acabamento/polimento da restaura-
ção e higienização pelo paciente. Entretanto, dependendo da exigência estética e da
linha do sorriso e principalmente em dentes com acentuada alteração de cor, o limite
cervical deve ser colocado de 0,2 a 0,5 mm na posição subgengival; sempre obtendo
uma linha tortuosa, porém contínua, definida e nítida (Figura 3.63).

Figura 3.63. Vista vestibular do preparo concluído.

70
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Características do Preparo
Desgaste vestibular respeitando a anatomia da face, a não ser que o dente esteja em
posição desfavorável, necessitando maior ou menor desgaste (Figuras 3.64 e 3.65).
Término cervical em forma de chanfrado, com profundidade axial aproximada de
0,7 mm (Figura 3.66).
Término cervical de preferência supragengival ou 0,2 mm a 0,5 mm subgengival,
nos casos de dentes escurecidos.
Áreas de contato preferencialmente preservadas, mas não necessariamente.
Término cervical em forma de chanfrado, obtendo-se uma linha de término tortu-
osa, porém contínua, definida e nítida.
Término cervical na face palatina: fora do local de toque dos antagonistas. Nor-
malmente, mais para cervical (Figura 3.67).

Figura 3.64. Vista incisal da quantidade de desgaste no Figura 3.65. Vista incisal da quantidade de desgaste no
terço incisal. terço médio.

Figura 3.67. Vista palatina da relação dos dentes anteriores


quando de boca fechada. O ângulo cavossuperficial do
Figura 3.66. Vista incisal da quantidade de desgaste no término está localizado cervicalmente às pontas incisais dos
terço cervical. antagonistas.

Referências Bibliográficas Sugeridas


Aboushelib MN. Fatigue and Fracture Resistance of Zirconia Crowns Prepared with Different Finish Line
Designs. J Prosthodont 2012; 21(1):22-27.
Ahlers MO, Mörig G, Blunck U et al. Guidelines for the Preparation of CAD/CAM Ceramic Inlays and
Partial Crowns. Int J Comput Dent 2009; 12(4):309-325.
Anusavice J. Cerâmicas Odontológicas. In: _____Materiais dentários. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.

71
Capítulo 3 Preparos Dentários para Restaurações CAD/CAM

Bottino MA, Faria R, Valandro LF. Preparos Dentais em Próteses Livres de Metal. In: ___. Percepção: estética
em próteses livres de metal em dentes naturais e implantes. São Paulo: Artes Médicas; 2009:233-315.
Clinical Aspects of All-Ceramics – ceramic design. Disponível em: http://www.vita-zahnfabrik.com/re-
sourcesvita/shop/en/en_3055801.pdf. Acessado em 30 de junho de 2012.
Cortellini D, Canale A. Bonding Lithium Disilicate Ceramic to Feather-edge Tooth Preparations: a mini-
mally invasive treatment concept. J Adhes Dent 2012; 14(1):7-10.
Della Bona A, Kelly JR. The Clinical Success of All-ceramic Restorations. J Am Dent Assoc 2008; v. 139.
p. 85.
Fasbinder DJ. Chairside CAD/CAM: an overview of restorative material options. Compend Contin Educ
Dent 2012; 33(1):52-58.
Fernandes Neto AJ, Neves FD, Mota AS. Preparos para Elementos Unitários. In: Oclusão/ATM, Prótese,
Prótese sobre Implantes e Prótese Bucomaxilofacial. São Paulo: Artes Médicas, 2002; 245-270.
Fernandes PFS, Almeida TC, Sampaio Fernandes JCA et al. Erros Mais Frequentes no Preparo Dental Re-
alizado pelos Alunos de Prótese Fixa da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto.
Revista de Odontologia da UNESP 2007; 36(4): 305-316.
Fradeani M, Barducci, G. Produzindo e finalizando a reabilitação protética. In: Fradeani M. Tratamento
protético – uma abordagem sistemática à integração estética, biológica e funcional, v. 2. Quintes-
sence 2009; 435-523.
Gabbert O, Karatzogiannis E, Ohlmann B et al. Fracture Load of Tooth-implant-retained Zirconia Ce-
ramic Fixed Dental Prostheses: effect of span length and preparation design. Clin Oral Implants
Res 2012; 23(6):719-725.
Garguilo AW, Wentz FM, Orban BJ. Dimensions and Relations of the Dentogingival Junction in Humans.
J Periodontol 1961; 32:261-267.
Giannetopoulos S, van Noort R, Tsitrou E. Evaluation of the Marginal Integrity of Ceramic Copings with
Different Marginal Angles Using Two Different CAD/CAM Systems. J Dent 2010; 38(12):980-986.
Hirata R, Viotti R, Reis AF et al. Allceramic Inlay-retained Fixed Partial Bridge Using a CAD/CAM Pro-
duced Y-TZP Framework and Fluoropatite Venering Ceramic: a clinical report. Gen Dent 2007;
55(7):657-662.
IPS Emax Clinical Guide. Disponível em: http://www.ivoclarvivadent.com/en/all/products/all-ceramics/
ips-emax-dentist/preparation. Acessado em 30 de junho de 2012.
Jalalian E, Atashkar B, Rostami R. The Effect of Preparation Design on the Fracture Resistance of Zirconia
Crown Copings (computer associated design/computer associated machine,CAD/CAM system). J
Dent (Tehran) 2011; 8(3):123-129.
Janson AW et al. Preparo de Dentes com Finalidade Protética: técnica da silhueta. São Paulo: FOB-USP,
1986.
Kano P, Gondo R. Uso de Cerâmicas em Dentes Anteriores. In: Baratieri LN et al. Soluções clínicas: fun-
damentos e técnicas. Florianópolis: Ponto, 2008; 395-431.
Kina S, Bruguera A. Preparos Dentários com Finalidade Protética. In:___ Invisível: restaurações estéticas
cerâmicas. Curitiba: Dental Press, 2008; 223-301.
Kurbad A. Clinical Aspects of All-ceramic CAD/CAM Restorations. Int J Comput Dent 2002; v.5:183-197.
Newcomb GM. The Relationship Between the Location of Subgengival Crown Margins and Gingival
Inflammation. J Periodontol 1974; 45(3):151-154.
Oliveira AA. Entender, Planejar, Executar: o universo das restaurações estéticas cerâmicas. Nova Odessa:
Napoleão, 2008.
Pegoraro LF. Preparos de Dentes com Finalidade Protética. In: Pegoraro, LF et al. Prótese fixa. São Paulo:
Artes Médicas, 1998. p. 43-67.
Prado CJ, Fernandes Neto AJ, Mota, AS et al. Localização do Término Cervical de Preparos Dentários
com Finalidade Protética em Relação à Margem Gengival – revisão de literatura. Rev Cent Ci Bio-
méd Univ Fed Uberlândia 1995; 11(1):67-74.
Schmitter M, Mueller D, Rues S. Chipping Behaviour of All-ceramic Crowns with Zirconia Framework
and CAD/CAM Manufactured Veneer. J Dent 2012; 40(2):154-62.
Shillingburg HT, Hobo S, Whitsett LD et al. Restaurações de Cerâmicas. In: ____. Fundamentos de Pró-
tese Fixa. São Paulo: Quintessence, 1988; 353-371.
Tarnow D, Stahl SS, Magner A et al. Human Gingival Attachment Responses to Sub-gengival Crown
Placement. Marginal Remodeling. J Clin Periodontol 1986; 13(6):563-569.
Vanlioglu BA, Evren B, Yildiz C et al. Internal and Marginal Adaptation of Pressable and Computer-aided
Design/computer-assisted Manufacture Onlay Restorations. Int J Prosthodont 2012; 25(3):262-264.

72
4
4
O CAD INDIRETO OU CAD DE
LABORATÓRIO
Fernando Esgaib Kayatt, Flávio Domingues das Neves,
Daniel Lima Kayatt e Marcel Santana Prudente

Introdução
Este capítulo e o próximo abordam as unidades CAD e serão divididos entre CAD indi-
reto ou de laboratório, tratado neste capítulo, e CAD direto, de consultório ou intrao-
ral, tratado no Capítulo 5. Esses capítulos mencionarão formas de escaneamento para
captura das imagens em diferentes situações clínicas a partir do escaneamento dos
modelos de gesso e registros, tradicionalmente obtidos (indireto) ou diretamente do
escaneamento da boca (escâneres intraorais). A expressão “situações clínicas” refere-se
ao arco de trabalho – antagonista e seu relacionamento intermaxilar e tradicionalmente
obtido –, aos procedimentos técnicos, normalmente utilizados:
1. Sobre dentes: por meio de moldagem convencional, ou seja, com moldeiras de
estoque e materiais de moldagem a base de borracha (siliconas, mercaptanas ou
poliéteres) após afastamento gengival, traumático (fio ou bisturi elétrico) ou atrau-
mático (casquetes de moldagem).
2. Sobre implantes: com componentes específicos para moldagem (transferentes) e
réplicas de pilares ou implantes com moldeiras abertas ou fechadas e os mesmos
materiais descritos.
Bons trabalhos protéticos são obtidos há décadas em laboratórios de prótese após
os cirurgiões-dentistas fornecerem boas referências aos procedimentos laboratoriais. As
mencionadas referências são: modelos normalmente a base de gesso (obtidos a partir
de boas moldagens) e registros, o que permite uma correta montagem em articulador,
favorecendo a resolução protética laboratorial da situação clínica em questão, seja sobre
dentes, seja sobre implantes. Após essas etapas, os procedimentos laboratoriais podem
ser realizados com mínimas distorções em relação à boca. As inovações tecnológicas
promovem a otimização das técnicas desenvolvidas em laboratório e o CAD indireto
(de laboratório) é a inovação que será tratada neste capítulo. Podendo acelerar pro-
cedimentos quando da obtenção de enceramento ou até realizando procedimentos
no CAD, Estruturas ou mesmo Próteses, evitando procedimentos laboratoriais como
enceramento, inclusão, fundição e aplicação de porcelana.1
Após a digitalização dos modelos e o desenho da restauração, o próximo passo
será o envio desses dados a uma central de CAM ou a uma máquina do laboratório. O
capítulo cinco mostrará a revolução do sistema CAD no consultório (também chama-
do de CAD direto ou intraoral), a partir de moldagens digitais em substituição às mol-
dagens convencionais, que poderão ser encaminhadas por e-mail a um laboratório, a
uma central de usinagem ou a uma máquina de CAM presente no próprio consultório,
daí a necessidade didática da separação dos dois capítulos.
O CAD (Computer Aided Design) propriamente dito atua após a captura da ima-
gem pelo escâner e trata-se de um software instalado em um potente computador,

73
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

que pode já vir de fábrica acoplado ao escâner ou montados (normalmente por entra-
da USB) após a aquisição. São inúmeros os programas de CAD voltados a odontologia
restauradora, e seria praticamente impossível abordarmos todos eles, não sendo esta a
finalidade deste capítulo, e sim abordar alguns sistemas, permitindo um entendimen-
to por parte do leitor do que é possível ser feito até porque existe uma tendência de
boas ferramentas digitais serem “copiadas” em novas versões dos diferentes softwares.
Esses softwares, utilizados após o escaneamento que possibilita gerar o modelo digi-
tal, permitem delimitar término cervical e o recorte do troquel, individualizando a área
de trabalho laboratorial. Há também os softwares que possibilitam o desenho de uma
estrutura para próteses cimentadas, alguns permitem a escolha de pilares para implantes
e desenho de estruturas para próteses aparafusadas,2 já outros desenham coroas par-
ciais e totais, tanto para dentes anteriores, quanto posteriores. O desenho das coroas é
obtido a partir de uma base de dados de uma biblioteca preexistente ou por meio da
personalização da coroa a ser criada de acordo com a anatomia de dentes adjacentes. A
maioria deles ainda disponibiliza ferramentas digitais, para que o operador possa modi-
ficar a peça sugerida pelo software, personalizando ou melhorando o trabalho gerado.
Nem todos os softwares disponibilizam todas essas diversidades de tarefas, mas to-
dos executam o planejamento em poucos minutos, restando apenas enviar o arquivo
gerado para uma máquina de CAM, que executará os comandos contidos no referido
arquivo, confeccionando uma peça real, conforme o programado, a partir de placas
ou blocos prontos, por tecnologia de desgaste ou pela tecnologia de sobreposição,
camada por camada, sendo também rapidamente confeccionadas, o que gera o maior
impacto e benefício do processo: a rapidez.
Embora a técnica tenha sido idealizada inicialmente para funcionar dentro do con-
sultório odontológico, com o primeiro modelo comercial (CEREC I) disponibilizado em
meados dos anos 1980,3 a fraca resistência das cerâmicas, a ausência de agentes de
fixação mais eficazes comercialmente disponibilizados, o fato de os blocos serem mo-
nocromáticos associado a dificuldade de trabalhar com pinturas de cerâmicas no con-
sultório, a pobre adaptação das restaurações obtidas e, acima de tudo, o alto custo do
equipamento fez com que os trabalhos em CAD/CAM ficassem restritos a um pequeno
grupo de usuários, mesmo que ao redor do mundo. Assim, a técnica CAD/CAM só se
popularizaria entre cirurgiões dentistas e técnicos de prótese dentária a partir do siste-
ma PROCERA – NobelBiocare, que iniciou a comercialização de escâneres em 1996.4 A
ideia foi de que os laboratórios de próteses dentárias os adquirissem e pudessem atender
um grande número de cirurgiões dentistas. A mudança de paradigma na utilização da
técnica CAD/CAM era notória em relação ao CEREC (um sistema exclusivo para o con-
sultório). A fresagem das peças do Procera seria feita em uma unidade na Suécia, e os
arquivos enviados por e-mail possibilitariam um investimento relativamente menor, uma
vez que o laboratório adquiriria apenas o escâner. Como o sucesso foi muito grande,
outras empresas voltadas à produção de escâneres e softwares para CADs começaram
a copiar a fórmula fazendo parcerias com empresas que fabricavam as máquinas de
CAM, que passaram a ser obtidas por centrais para usinagens de próteses odontológi-
cas e até mesmo por grandes laboratórios de prótese dentária.
Assim surgiram, como já dito, inúmeros sistemas CAD/CAM voltados para uso labo-
ratorial, e que estão cada vez mais ”abertos”,5 esta palavra é o contrário de “fechado”,
que quer dizer que os equipamentos de CAD e CAM utilizam formatos de arquivos e
softwares que só “falam” entre si, ou seja, não é possível utilizar com outros sistemas.
Logo “aberto” significa que os formatos de arquivo e software permitem a utilização
com outros sistemas. Tratando-se aqui dos CAD de laboratório, sua eficiência passa ob-
viamente pela competência do operador em usar tanto o escâner para obter as imagens
quanto as ferramentas presentes no software específico e ainda na sua compreensão das
necessidades de uma prótese dentária para oferecer ao cliente final estética, resistência
mecânica e condições de higiene. Nesse momento limita-se a análise de sistemas mais
famosos, de maneira a ilustrar a diversidade de produtos no mercado, sabendo que cada
sistema de CAD diferenciará do outro pelo escâner, que é o equipamento que permitirá

74
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

a captura das imagens, a digitalização da situação clínica (arco de trabalho com ênfase
para: dentes, pilares ou implantes que receberão a prótese, bem como antagonista e
sua relação intermaxilar) para o disco rígido do computador, e pelas características do
software, ou seja, o que ele possibilita fazer, coroas totais, coroas parciais, estruturas
de próteses cimentadas, de próteses aparafusadas e de até quantos elementos sobre
dentes e/ou sobre implantes.
Mais adiante estão listados alguns sistemas de CAD, presentes nos laboratórios.
A ausência de um ou outro sistema na lista não quer dizer que ele é pior ou até me-
nos famoso. Significa apenas que não foi encontrado entre as informações colhidas
junto a experientes técnicos de prótese – que certamente procuraram se inteirar do
assunto para adquirir o seu sistema – e, logicamente, por meio de uma busca no site
do Google usando a expressão CAD Dentistry Lab. Entretanto, novos sistemas estão
sendo lançados e antigos sistemas sendo aperfeiçoados, podendo a leitura a seguir
nortear uma aquisição dadas as características que foram levantadas e serão expostas,
mas nunca pelo nome do produto ou da empresa, que daqui a poucos anos poderá
estar ultrapassado.
Os sistemas de CAD indireto que serão descritos são:
1. Nobel Procera Optical Scanner – da Nobelbiocare, de origem sueca (www.nobel-
biocare.com/en/products-solutions/nobelprocera-individualized-solutions/default.
aspx).
2. InEos Blue – da Sirona de origem alemã (www.sirona.com/en/products/digital-den-
tistry/inlab-labside-solutions/?tab=248).
3. 3Shape Dental Scanner – da 3shape de origem dinamarquesa (www.3shapeden-
tal.com/restoration.aspx).
4. Cercon®eye – de origem suíça, o sistema Cercon é comercializado pela Degudent
(www.degudent-cadcam.com).
5. Everest Scan pro e Kavo Scan II, do Sistema Everest – da Kavo Dental de origem
alemã (http://www.kavo.com/Products/Dental-Laboratory/Everest-CADCAM/ARC-
TICA.aspx).
6. Activity850 e Activity 880, da smartOptics de origem alemã (www.smartoptics.
de/html/activity_880___dental.html).
7. Ceramill map100 e o Ceramill map300, da Amanngirrbach, de origem austríaca/
germânica (http://www.amanngirrbach.com/us/home).
8. Lava Scan ST Dental System, do sistema Lava da 3M ESPE, de origem norte-ame-
ricana (http://solutions.3m.com/wps/portal/3M/en_US/3M-ESPE-NA/dental-pro-
fessionals/products/).
9. Zirkonzahn – da Zirkonzahn de origem italiana (www.zirkonzahn.com/pt/sistema-
cadcam/CAD-CAM.aspx).
10. 3série ou 7séries Scanner– da DentalWings, de origem canadense (www.den-
talwings.com).
11. Maestro3D Dental Scanner – da Maestro 3D, empresa italiana (www.maestro3d.
com/index.asp?page0=container&page1=maestro3d.dental.scanner).
12. IOS FastScan Lab System, produzido pela IOS Technologie, empresa norte-ameri-
cana (www.ios3d.com).
13. DentSCAN 3D scanner, comercializado pela HINT – ELS GMBH, de origem alemã
(www.hintel.com).
14. EDG escaner – produzido pela Smart Dental-EDG, empresa brasileira (www.edg.
com.br/edgProteses/index.php?pag=produtos).
15. Straumann® CARES® Digital Solutions, produzido pela Straumann, emprersa de
origem suíça (www.straumann-cares-digital-solutions.com).
16. Escâner X-Cad, produzido pela X-CAD dental design, sistema de origem brasileira
(www.xcadcam.com).
Entretanto, só no link: http://products.dentalproductsreport.com/community/
Browse.asp?cid=44 podem ser encontrados 24 modelos de escâneres de bancada ou
para laboratórios, em busca feita dia 24 de junho de 2012.

75
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Principais Escâneres Disponibilizados


Comercialmente
Sistema Procera® – Nobelbiocare
Como já dito, esses escâneres eram instalados em um laboratório e atendiam vários
cirurgiões dentistas. O procedimento técnico em si era pouco alterado: dentes e im-
plantes moldados por técnicas convencionais, modelos igualmente obtidos, troquéis
recortados e enceramento feito, só então o enceramento era digitalizado por contato
e o arquivo gerado enviado por e-mail a uma central de fresagem, que inicialmente
possuía uma única central localizada na Suécia. A Figura 4.4 mostra um desses escâne-
res, e as Figuras de 4.1 a 4.13 uma situação clínica de obtenção de um pilar em alu-
mina seguido da estrutura também em alumina que recebe a cerâmica de cobertura.
Segundo a empresa,6 em 15 anos, mais de 11 milhões de restaurações nobelpro-
cera foram fresadas. O referido escâner tem cristais de safira de alta dureza para o es-
caneamento por contato. O troquel é posicionado em uma plataforma rotatória, que
realiza giros de 360°. Uma sonda com a ponta esférica de safira realiza a coleta de dados
(Figura 4.4). O processo demorava cerca de 30 segundos por dente, comercialmente
eram vendidos em dois modelos: o picolo®, habilitado a digitalizar preparos para: coroas
isoladas, laminados e proforma de pilares protéticos, e o Forte®, que tem a capacidade
de digitalizar arcos completos para desenhar próteses, incluindo o “procera Bridge” em
titânio e zircônia. Ambos utilizam o Procera Software 2.0. Recentemente a Nobelbiocare
lançou um novo escâner, o Nobel Procera Optical Scanner com tecnologia exclusiva e

Figura 4.1. Aspecto clínico inicial.

Figura 4.2. Modelo de gesso.

76
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.3. Componente encerado e personalizado.

Figura 4.4. Escâner Procera®.

Figura 4.5. Ponta do escâner de contato.

77
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.6. Escaneamento por contato. Figura 4.7. Pilar personalizado digitalizado.

Figura 4.8. Pilar personalizado digitalizado. Figura 4.9. Pilar personalizado Procera® após usinagem.

Figura 4.10. Pilar personalizado Procera® após


usinagem. Figura 4.11. Pilar personalizado Procera® instalado.

78
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.13. Caso finalizado.

Figura 4.12. Radiografia do Pilar Procera®.

patenteada chamada de holografia conoscópica, que é uma tecnologia de digitalização


colinear que permite medir ângulos acentuados e cavidades profundas, tornando possível
uma digitalização mais precisa que a dos concorrentes.6 Ele vem com o Cutting-edge
3D Desing Software, que promete ser o mais preciso e interativo dos softwares presen-
tes no mercado. Das Figuras Figura4.1 a 4.13 pode ser visto um caso cedido pelo Dr.
Flávio Domingues das Neves (Eikon Odontologia Especializada) e realizado a partir do
sistema Procera. Com a estratificação da Coroa pelo TPD: Marco Aurélio Dias Galbiatti.

Sistema Cerec In Lab Sirona®


O sistema CEREC inLab da Sirona, de origem alemã, utiliza o escâner InEos Blue com a
tecnologia BlueCam que utiliza uma luz azul de ondas curtas e provê uma rápida digita-
lização obtendo precisos modelos tridimensionais. A captura das imagens é automática
a partir de movimentos livres do modelo em diversas direções. Conta com o software
“inLab 3D” e pode ser utilizado em combinação com a fresadora inLab MC XL, que
pode estar presente no próprio laboratório, desta forma permite a confecção de coroas
totais e parciais em cerâmica pura, incluindo as reforçadas com leucita e dissilicato de
lítio (IPS e.max CAD Ivoclar Vivadent) e estruturas em zircônia.
Pode, ainda, salvar e exportar dados digitalizados em formato .STL para uma má-
quina de CAM terceirizada. Ou seja, é um software aberto, neste caso o desenho da
prótese ou da estrutura será realizado em um outro software de CAD, e de acordo com
este e sua interação com a máquina de CAM poderá usinar trabalhos em materiais di-
ferentes como titânio e CoCr.8
Recentemente, algumas evoluções nos sistemas foram introduzidas em função da
demanda do mercado relacionado às próteses sobre implantes. Alianças foram feitas,
por exemplo: Encode®, Biomet 3I®, Bella TEK® e Sirona®, buscando soluções na con-
fecção de próteses extensas. A Sirona com a versão InLab 4.0 possibilita, por meio do
uso de TiBase e ScanBody, capturar o posicionamento de mais de um implante customi-
zando o abutment em zircônia (InCoris Meso). Com o uso de ferramentas específicas,
seleciona-se os implantes e busca-se posicionar o eixo de inserção de acordo com a
necessidade de cada caso, segundo o enceramento de diagnóstico, permitindo assim
a confecção de infraestruturas extensas telescópicas. Esse procedimento pode ser rea-

79
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

lizado com uma fresadora InLab MCXL em blocos de zircônio InCoris Zi XL, destinados
a infraestruturas superiores a 10 elementos.
No caso da Sirona, com Encode®, Biomet 3I®, Bella TEK®, a intenção é de realizar-
mos a moldagem digital por meio de cicatrizadores especiais que atuam como ScanBo-
dy (corpo de escaneamento) e, uma vez obtida a moldagem óptica, enviá-la para um
centro de usinagem a fim de confeccionar a infraestrutura em zircônia ou em titânio
conforme a necessidade. Vale ressaltar que em ambos os casos a estrutura é confeccio-
nada de acordo com o enceramento de diagnóstico, em que marcações são realizadas
no modelo, e a imagem digitalizada é sobreposta ao modelo virtual onde realiza-se os
procedimentos restauradores.
As Figuras 4.14 a 4.23 mostram ilustrações deste equipamento e do uso do sof-
tware para construção de trabalhos protéticos, cortesia do laboratório Marco Aurélio
Dias Galbiatti.
Nas Figuras 4.24 a 4.46 pode-se ver um caso clínico, cortesia do Dr. Fernando Es-
gaib Kayatt, que ilustra a confecção de uma prótese sobre implante unitário.

Figura 4.14. Escâner InEos Sirona. Figura 4.15. Escâner InEos Sirona.

Figura 4.17. Digitalização de


Figura 4.16. Digitalização de modelo. modelo.

80
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.18. Base móvel para escaneamento. Figura 4.19. Modelo de gesso instalado na base móvel.

Figura 4.20. Digitalização do modelo. Figura 4.21. Base para digitalização de troquel.

Figura 4.22. Digitalização de troquel. Figura 4.23. Modelo virtual.

81
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

A B

Figura 4.24 A. Vista oclusal do implante com cicatrizador. B. Vista vestibular do implante com cicatrizador (note a transparência
gengival).

Figura 4.25. Conjunto para digitalização de implantes – Figura 4.26. Modelo de gesso com TiBase instalado no
Sirona. análogo.

Figura 4.27. Modelos digitalizados: modelo de trabalho,


máscara gengival e antagonista.

82
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.28. Modelo digitalizado.

Figura 4.29. Modelo digitalizado com definição


da margem gengival.

Figura 4.30. Recorte do troquel digital.

83
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.31. Verificação do eixo de inserção.

Figura 4.32. Desenho do pilar personalizado.

Figura 4.33. Desenho final do pilar personalizado.

84
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.34. Pilar personalizado em zircônia


pré-sinterizado.

Figura 4.35. Pilar personalizado em zircônia


pós-sinterização (InCoris Meso).

Figura 4.36. Pilar personalizado em zircônia


(InCoris Meso) e TiBase.

85
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.37. Pilar personalizado Figura 4.38. Pilar personalizado instalado no modelo.
(InCoris Meso) cimentado no TiBase.

A B

Figura 4.39. A. Vista oclusal do pilar personalizado instalado na boca. B. Vista vestibular do pilar personalizado instalado
na boca.

Figura 4.40. Torque aplicado com


torquímetro digital.

86
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.41. Restauração planejada no software.

Figura 4.42. Anatomia da coroa definida.

Figura 4.43. Coroa após caracterização


e glaze.

87
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.44. Condicionamento da


porcelana.

Figura 4.45. Condicionamento da porcelana.

A B

Figura 4.46 A. Vista oclusal da prótese cimentada. B. Vista da prótese finalizada, cimentada e em oclusão.

88
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Sistema 3Shape®
O sistema 3Shape® utiliza o 3D Dental Scanners, que tem várias versões para a comer-
cialização (500, 700, 710, 800, 810), que dependerão do fluxo de procedimentos do
laboratório. Esse escâner pode digitalizar modelos tanto a partir de moldagens quanto
a partir de modelos de gesso. É um sistema de digitalização de modelos muito rápido e
preciso, que pode obter o detalhamento necessário para confecção de próteses de arco
completo, tanto sobre dentes quanto sobre implantes, uma tecnologia única utilizando
uma câmera de 5 MP, tendo integração com o 3Shape’s Design Software. No Brasil é
comercializado pela Neodent, já nos Estados Unidos, pela Biomed 3i. O software gera
arquivos .STL para restaurações, que após serem digitalizadas, geram arquivos abertos,
muito interativos e versáteis, possibilitando desenhar desde coroas totais e parciais até
próteses completas, como já descrito.9
As Figuras 4.47 e 4.48 exemplificam o escâner 3Shape.

Figura 4.47. Escâner 3Shape.

Figura 4.48. Escâner 3Shape e monitor convencional.

89
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Sistema Cercon® – Degudent


O sistema Cercon utiliza o escâner Cercon®eye com os softwares Cercon® Art Custom
e o Cercon® Art. Aqui há uma diferença interessante em relação a alguns sistemas: a
empresa tem interesse em comercializar alguns produtos fabricados para serem usina-
dos nas suas máquinas de CAM, como as famosas zircônias Cercon, assim, no próprio
site eles comercializam também o escâner e o software 3Shape. Isso porque o sistema
Cercon tem uma central de usinagem (York, Pensilvânia, Estados Unidos), que pode
receber os dados por e-mail para produção dos mais variados tipos de próteses de coro-
as a estruturas protéticas para próteses aparafusadas e cimentadas. Ainda disponibiliza
vários modelos de fresadoras para CAM, que podem ser instaladas em um laboratório
de porte médio a grande. O escâner promete máxima acurácia, graças à precisa inte-
ração entre seus componentes.10

Sistema Everest® – Kavo Dental


O sistema Everest, da KaVo, de origem alemã, utiliza o escâner KaVo Scan II, que utiliza
a projeção de luz de listra para capturar até menores fissuras e geometrias complexas,
com um tempo de varredura de 95 segundos por unidade e uma precisão de aproxi-
madamente 10 mícrons. Sua captura de imagens se dá por câmera CCD de alta defi-
nição. Os arquivos obtidos são de formato .STL (padrão aberto) e podem ser usinados
em diferentes sistemas. Indicações de digitalização padrão são: troquéis, pontes, ence-
ramentos e mordidas de antagonista.
Na unidade de digitalização, a geometria do gesso é registrada pela primeira vez.
O modelo é colocado em um porta objeto removível e, posteriormente, é fixado no
interior do escâner. Em seguida, a placa giratória do escâner com uma operação sim-
ples passa girar e gerar automaticamente a digitalização.
O operador pode controlar o processo de digitalização facilmente com o módulo de
varredura do software Everest, e o processo de digitalização, incluindo armazenamento
de dados, é concluído em menos de quatro minutos. Nesse breve período, uma câmera
CCD examina todos os contornos 3D na proporção de 1:1 e os dados são convertidos em
dados digitais. A placa de medição gira e inclina-se durante o processo de digitalização
para registrar todos os aspectos das formas mais complexas e todas as regiões críticas.
As restaurações construídas são, então, enviadas através de uma interface para o sistema
de usinagem Everest de cinco eixos e, em poucos minutos, serão obtidos os elemen-
tos em questão. Esse sistema permite a usinagem de zircônia já sinterizada, processo
mais demorado, mas que dispensa a posterior sinterzação e consequente contração.11

Sistema Ceramill
O Sistema Ceramill, da empresa Amanngirrbach, que se originou da fusão de duas em-
presas, uma alemã e a outra austríaca, tem dois escâneres de laboratório, o Ceramill
map100 e o Ceramill map300. O site diz que são caracterizados por sua maior resolu-
ção na captura de dados, que são gerados por uma projeção de luz e sensores 3D de
maior sensibilidade e acurácia menor que 20 micrômetros. Geram arquivos .STL e têm
uma interface aberta para outros softwares de CAD, embora a empresa disponibilize
máquinas de CAM (Ceramil Motion). Quanto ao CAD, o sistema conta com os softwa-
res Ceramil mind e Ceramill m-plant, que é o módulo para construção de pilares sobre
implantes do primeiro software. E pode confeccionar pilares tanto em titânio quanto
em zircônia, para várias empresas de implantes. Para o escaneamento, há uma base de
titânio que é apoiada sobre o análogo e que depois recebe um corpo de escaneamento,
que no momento de escaneamento do modelo concede ao software o posicionamen-
to do implante. Essa base adapta-se a 11 sistemas diferentes (o site exemplifica Nobel
Biocare, Strauman e Astra) do tipo hexágono externo e interno. Apresenta também
um software denominado Ceramill Artex, que promove a articulação dos modelos,
concedendo o ajuste da coroa nos movimentos cêntricos e excêntricos, reduzindo a
necessidade de ajuste na boca.12

90
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figuras 4.49 a 4.75 – Apresentam diferentes situações em que é possível trabalhar


com o software, como copings sobre dentes, infraestruturas unitárias sobre implantes e
grandes estruturas aparafusadas sobre implantes. Cortesia do Laboratório União, Co-
ordenado pelo Dr. Guilherme de Sousa.

Figura 4.49. Escâner Ceramill map 100.

Figura 4.50. Escâner Ceramill e monitor


convencional.

Figura 4.51. Software sendo operado após


digitalização.

91
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.52. Modelo de gesso.

Figura 4.53. Modelo digitalizado.

Figura 4.54. Coping planejado no modelo virtual.

92
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.55. Coping planejado no modelo virtual.

Figura 4.56. Copings em posição no modelo virtual.

Figura 4.57. Análise da direção de inserção.

93
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.58. Copings em posição no


modelo virtual.

Figura 4.59. Copings de zircônia após usinagem. Figura 4.60. Copings de zircônia após usinagem (Vista interna).

Figura 4.61. Copings em posição no modelo de gesso.

94
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.62. Modelo de implante digitalizado.

Figura 4.63. Modelo de implante digitalizado


(Vista oclusal).

Figura 4.64. Registro oclusal digitalizado.

95
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.65. Dispositivo auxiliar de


digitalização de implantes.

Figura 4.66. Modelo de implante


digitalizado com o dispositivo auxiliar.

Figura 4.67. Modelo de implante


digitalizado com o registro de mordida.

96
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.68. Planejamento da infraestrutura e


orifício de acesso do parafuso protético.

Figura 4.69. Planejamento da infraestrutura e


orifício de acesso do parafuso protético
(Vista aproximada).

Figura 4.70. Desenho da infraestrutura


(sem máscara digital).

97
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.71. Desenho da infraestrutura (com


máscara digital).

Figura 4.72. Infraestrutura digital finalizada.

Figura 4.73. Confecção de infraestrutura de


14 elementos sobre implantes.

98
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.74. Confecção de infraestrutura de


14 elementos sobre implantes (Vista vestibular).

Figura 4.75. Confecção de infraestrutura de


14 elementos sobre implantes (Vista oclusal).

Sistema Lava® – 3M Espe


O sistema Lava, da 3M, utiliza como escâner de bancada o Lava Scan ST Dental System,
que é um sistema ótico, sem contato, para captura de imagens 3D, controlado por um
computador preciso de alta qualidade que permite desenhos simples ou complexos de
restaurações somente de zircônia. É possível capturar todas as dimensões do modelo
dentário, sob diferentes ângulos e visões, formando uma imagem tridimensional com
precisão de detalhes. Além disso, é possível digitalizar enceramentos feitos a partir de
uma cera específica (Figura 4.93). O software trabalha a imagem e gera os padrões de
controle necessários para garantir o sucesso no processo de fresagem do bloco de zircô-
nia. As imagens são enviadas para fresagem em um centro de usinagem via internet.13
As Figuras 4.76 a 4.95 exemplificam o escâner, algumas ferramentas do software,
a unidade de usinagem e algumas outras possibilidades do sistema. Cortesia do labo-
ratório de prótese: Funcional Prótese Dentária – TPD responsável: Marquianderson Na-
tal Borges. (Com exceção da 4.87, que é da central de fresagem do ERO Prótese São
Paulo – TPD responsável: Elias Rosa de Oliveira.)

99
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.76. Escâner de bancada


Lava 3M ESPE.

Figura 4.77. Modelo com troquéis


individualizados.

Figura 4.78. Modelo com troquéis


individualizados pronto para digitalização
no escâner.

100
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.79. Digitalização do troquel.

Figura 4.80. Troquel digitalizado.

Figura 4.81. Ajuste do término cervical.

101
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.82. Ajuste do término cervical.

Figura 4.83. Ajuste do término cervical.

Figura 4.84. Design do coping no software.

102
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.85. Ajuste de espessura do coping e


alívio interno.

Figura 4.86. Escolha da posição das hastes


para usinagem.

Figura 4.87. Usinagem no CAM.

103
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.88. Coping de zircônia obtido.

Figura 4.89. Modelo de trabalho.

Figura 4.90. Infraestrutura obtida em zircônia pelo sistema.

104
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.91. Infraestrutura obtida em


posição no modelo.

Figura 4.92. Análogo ou réplica.

Figura 4.93. Cera específica para


digitalização CAD/CAM.

105
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.94. Coping encerado sobre o


análogo.

Figura 4.95. Coping encerado, pronto para


digitalização.

O caso clínico a seguir é uma cortesia do Dr. Thiago de Almeida Prado Naves Car-
neiro, que demonstra a confecção de um elemento unitário sobre implante a partir do
sistema LAVA – 3M ESPE.
Figuras 4.96 a 4.116 (caso clínico).
(Agradecimento aos TPDs Marquianderson Natal Borges e Pablio Alves Caetano).

Figura 4.96. Aspecto clínico inicial.

106
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.97. Molde de transferência do


implante.

Figura 4.98. Molde do antagonista.

Figura 4.99. Modelo de trabalho.

107
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.100. Modelo antagônico.

Figura 4.101. Link (base metálica).

Figura 4.102. Link parafusado no análogo.

108
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.103. Digitalização do Figura 4.104. Link digitalizado.


modelo com link em posição.

Figura 4.105. Design do coping no software.

Figura 4.106. Design do coping no software.

109
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.107. Design do coping no


software finalizado (Vista proximal).

Figura 4.108. Design do coping no


software finalizado (Vista vestibular).

Figura 4.109. Coping de zircônia usinado,


pronto para ser cimentado no link.

110
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.110. Coping cimentado no link.

Figura 4.111. Prova da infraestrutura. Figura 4.112. Registro oclusal.

Figura 4.113. Aplicação de porcelana sobre a infraestrutura.

111
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.114. Aplicação de porcelana


sobre a infraestrutura.

Figura 4.115. Prótese parafusada não


segmentada finalizada.

Figura 4.116. Prótese Instalada.

112
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Sistema Zirkonzahn®
O sistema Zirkonzahn conta com um escâner óptico aberto com feixe de luz automático,
que possibilita a digitalização de troquéis individuais, segmento maxilar, antagonistas,
modelos em cera, impressões dentárias (moldes), gengiva artificial e pilares. Permite
a visualização de planos oclusais e elementos auxiliares de colocação, girando o mo-
delo em 360 graus e inclinando-os até 100 graus, captando todas as partes do objeto
a ser escaneado. Possui precisão de 10 micrometros e exporta arquivo do tipo STL.14
As Figuras 4.117 a 4.127 mostram os equipamentos de digitalização e usinagem,
além de alguns exemplos de possibilidades do software. (Laboratório ERO Prótese – SÃO
PAULO sob responsablidade do TPD: Elias Rosa de Oliveira).

Figura 4.117. Escâner Zirkonzahn.

Figura 4.118. Modelo digital com análogo virtual.

113
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.119. Análogo virtual.

Figura 4.120. Design da infraestrutura no software.

Figura 4.121. Design da infraestrutura no software.

114
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.122. Infraestrutura finalizada no


software.

Figura 4.123. Escolha da posição de


usinagem no bloco de zircônia.

Figura 4.124. Fresadora Zirkonzahn.

115
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.125. Eixos da Fresadora


Zirkonzahn.

Figura 4.126. Bloco de zircônia com


infraestrutura usinada.

Figura 4.127. Bloco de zircônia com


infraestrutura usinada (Vista oclusal).

116
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Caso clínico do Dr. Fernando Esgaib Kayatt, e demonstra a confecção de uma


prótese unitária sobre implante a partir do sistema Zirkonzahn (Laboratório JC Estética
TPD João Cláudio).
Figuras 4.128 a 4.140 (caso clínico).

Figura 4.128. Aspecto Inicial com prótese


adesiva provisória.

Figura 4.129. Aspecto inicial – ausência do


elemento 31.

Figura 4.130. Modelo de trabalho.

117
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.131. Modelo com dispositivo de digitalização instalado sobre o análogo.

Figura 4.132. Modelo instalado na base de escâner.

Figura 4.133. Digitalização do modelo.

118
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.134. Obtenção do modelo digital.

Figura 4.135. Design da infraestrutura.

Figura 4.136. Design da infraestrutura.

119
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.137. Infraestrutura em zircônia


obtida após usinagem.

Figura 4.138. Prótese finalizada após aplicação Figura 4.139. Radiografia comprovando a
de porcelana. passividade de assentamento.

120
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.140. Caso finalizado.

Sistema da Dental Wings


A Dental Wings, empresa canadense, fabrica dois tipos de escâneres 3D para a Odonto-
logia Restauradora (7 séries e 3 séries), dependendo da quantidade de trabalhos, aten-
dendo desde pequenas clínicas a grandes laboratórios. Os equipamentos são escâneres
ópticos 3D que combinam a tecnologia da triangulação a laser com 3 ou 5 eixos livres,
dependendo da aplicação. A digitalização tem acurácia de 15 micrômetros, que são in-
tuitivos e fáceis de utilizar gerando arquivos no formato .STL, estando habilitados para
uma comunicação eficiente entre clínicas e laboratórios. Para isso utilizam o software
DWOS (Dental Wings Open Software), também produzido pela DentalWings que, se-
gundo o site da empresa, oferece o software para mais de 30 países e em 12 idiomas.
O software permite a construção de coroas, pilares para implantes, estruturas protéti-
cas para próteses cimentadas e aparafusadas, de todos os tamanhos, inclusive totais.
O 7series Scanner, digitaliza simultaneamente 16 unidades em 25 minutos e permite
total controle de todo o processo de desenho por meio do DWOS Design Software.15

Sistema Maestro 3D
Este sistema de origem italiana promete em seu site ser atualmente o melhor custo/
benefício do mercado, e é voltado para a aquisição de imagens de pilares, arcos com-
pletos, preparos para coroas parciais e totais, enceramentos, sua utilização é simples e
intuitiva, com precisão de 10 micrômetros, gerando um arquivo no formato .STL, que
deixará livre a escolha de como usinar a peça. Permite digitalizar vários modelos em
uma única sessão de digitalização, que dura 2 a 3 minutos, e não necessita interven-
ção manual, sendo tudo automático. Para o desenho das próteses utiliza o software
Maestro Dental CAD.16

Sistema IOS Fastscan Lab


O sistema da IOS Technologies possui um sistema de laboratório denominado Digital
Laboratory System, que digitaliza modelos de gesso em alta definição e exporta-os di-
retamente para um software na própria unidade para o desenho de coroas e próteses,
sobre dentes e sobre implantes. Em uma única digitalização, o equipamento captura 4 a
5 dentes sem necessitar movimentar a mão, ou o suporte que mantém a câmera. É ideal
para gerar modelos que possam ser exportados diretamente para o software Crown &
Bridge, custom implant abutment and full ortho cases. A submissão pode ser realizada
eletronicamente para o Laboratório Glidewell para solicitar copings, infraestruturas, res-
taurações de zircônia sólidas, abutments e coroas de dissilicato de lítio. Além disso, a câ-
mera permite digitalizar o arco de trabalho, o antagonista e sua relação intermaxilar em
menos de quatro minutos. Os arquivos têm formato .STL, e o equipamento é aberto.17

121
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Sistema Dentscan 3D
Fundada em 2000, a empresa alemã Hint-Els GmbH desenvolveu seu sistema em co-
operação com a Fraunhofer Institute for Applied Optics and Precision Engineering. O
sistema de captura de imagens é baseia-se no princípio da visão estereoscópica huma-
na e no princípio da projeção linear: linhas retas que, projetadas sobre um objeto, se
curvam no seu entorno. A câmera de luz branca oferece uma acurácia de menos de
20 microns, o escâner ótico DirectScan faz uma sequência rápida de imagens de vários
ângulos a cada 200 milissegundos, gravando a forma da superfície escaneada de cada
dente ou espaço. Os arquivos são enviados via internet ao laboratório que tem a má-
quina para o CAM. O software para desenho inclui um articulador virtual e possibilita
desenhar coroas totais, parciais e próteses parciais.18
O sistema da DentSCAN utiliza o homônimo DentSCAN 3D Scanner, que captura
e cria o modelo virtual.

Sistema EDG
O sistema EDG é o escâner pioneiro em prótese digital fabricado no Brasil com tecnolo-
gia alemã. É um sistema aberto com precisão de 15 micrômetros e permite a realização
de desenhos de copings, pontes de até 14 elementos, inlays, onlays, arcadas completas
e pilares. O sistema de digitalização trabalha com uma interface luminosa comprova-
damente superior ao sistema laser. Esse escâner acompanha computador adequado ao
sistema, monitor LCD, teclado e mouse.19

Sistema X-CAD
Desenvolvido em parceria com o CUBO central de obtenção de estruturas por CAD/CAM,
o X-CAD tem exclusiva tecnologia de escaneamento, varredura angular a laser (Angular
Laser Scanning TM), possibilitando uma digitalização precisa sem depender de comple-
xos sistemas de deslocamento linear. Associado a isso, o XCAD cria malha de triângulos
extremamente otimizada, gerando arquivos muito pequenos, economizando o espaço
do seu computador e facilitando o envio via internet. Além disso, os arquivos são com-
patíveis com todos os outros sistemas CAD/CAM abertos, pois gera arquivos .STL (ste-
reolithography, formato universal para volumes digitalizados e compatível com todos os
softwares CAD do mercado). O processo de escaneamento é automático, após a insta-
lação do modelo em sua plataforma. Este sistema é aberto aos seguintes sistemas: Siro-
na, EDG, Zrconzahn, Amartoptics e Amanngirrbach, Cercon, 3Shape e Dentalwings.20

Sistema Smartoptics
O sistema Smart Optics é oferecido pela empresa alemã em duas versões, Activity
850 e 880. Esses escâneres permitem o escaneamento de modelos e dentes por com-
pleto, sem a necessidade de variação do posicionamento do modelo no interior da
máquina. O sistema funciona com um Sensor 3D sobre diferentes ângulos de ação. A
característica original desse escâner é o fato de que ele pode verificar modelos articu-
lados e saída dos dados em um crânio relacionada com um sistema de coordenadas.
O escâner fornece um arquivo de dados eletrônicos representado por uma imagem
tridimensional dos modelos. Esses dados podem ser usados para visualização 3D ou
planejamento da restauração. Os resultados gerados do escaneamento ficam no for-
mato .STL aberto permitindo a exportação para softwares de desenho de próteses e
sistemas CAM que podem reproduzi-las. Esse sistema, segundo o site, é de funda-
mental importância para o uso com outros sistemas CAM. O processo de digitali-
zação 3D óptico compreende digitalização do modelo da mandíbula, varredura de
modelo de maxila e digitalização vestibular. O tempo de escâner é de 1 segundo para
segmentos menores, e de 3 minutos para uma mandíbula completa. Tem acurácia de
10 microns. Está apto a escanear mandíbulas, implantes, registro de mordida, pilares
e inlays.21 O escâner do sistema e algumas fotos do software em uso são mostrados
nas Figuras 4.141 a 4.150.

122
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.141. Escâner Smart Optics.

Figura 4.142. Gaveta do escâner.

Figura 4.143. Software DentCreate!

123
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.144. Preparo digitalizado.

Figura 4.145. Abutment personalizado no CAD.

Figura 4.146. Confecção de infraestrutura sobre implantes.

124
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.147. Confecção de barra parafusada.

Figura 4.148. Análise da espessura do material escolhido para infraestrutura de


três elementos.

Figura 4.149. Articulador virtual e análise dos contatos oclusais.

125
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.150. Coroas finalizadas no CAD do software.

Sistema Straumann
O Straumann® Cares® Digital Solutions, com digitalização intraoral e uma gama com-
pleta de próteses CAD/CAM, tem como principal vantagem o fato de que o pacote
completo vem de um único provedor e é projetado para uma conectividade perfeita
para simplificar fluxos de trabalho, além de vincular os profissionais da odontologia de
diversas disciplinas com uma plataforma de software aberta. O escâner intraoral é o
cadent iTero, em uma parceria interessante entre Straumann e Cadent. O Straumann®
Cares® Scan CS2 é o escâner de bancada do sistema, tem a capacidade de digitalizar
modelos mestre sólidos, troquéis e modelos antagônicos. Utilizando avançada tecnologia
a laser 3D para precisão e velocidade, reduz a digitalização para apenas 30 segundos
para matrizes individuais, e 3 minutos para os modelos. O escâner também tem nova
capacidade morphing, o que automaticamente desenha um dente totalmente restau-
rado com inlays, onlays, facetas ou coroas parciais, apesar do fato de que a morfologia
original do dente está faltando.22

Considerações Finais
Como já foi dito, não é objetivo dos autores, neste capítulo, nortear uma aquisição
de escâner, e as informações aqui contidas podem, em pouco tempo, ser meramente
históricas com as também já faladas constantes atualizações de escâneres e softwares
de todos os sistemas. Entretanto, alguns fatores devem ser analisados devido à sua re-
levância. Em primeiro lugar, a acurácia, a precisão, o detalhamento das imagens obti-
das pelo escâner, bem como a simplicidade em manuseá-lo e a rapidez do processo,
estão entre os mais relevantes aspectos da escolha. Em segundo, o software, e este está
totalmente interligado com os objetivos e condições de investimento do laboratório.
Será comprado um conjunto escâner/CAD para planejar/desenhar e terceirizar a pro-
dução (CAM), ou será também adquirida uma fresadora (CAM), sendo sua proporção
relacionada à demanda que se pretende atender (Capítulo 6). Isso sem deixar de lado
os procedimentos auxiliares laboratoriais como a caracterização e maquiagem de pró-
teses em regiões de exigência estética (Capítulo 8), enaltecendo a importância do téc-
nico em prótese dental e sua função, juntamente com o cirurgião dentista dentro do
sucesso na reabilitação oral.
A Tabela 4.1 mostra um pouco da diversidade de equipamentos, bem como suas
diferentes características.

126
TABELA 4.1. Diversidade de equipamentos de digitalização
Escâner Empresa Princípio de trabalho/ Fonte de luz Tipo de imagem Grande central Fresadora para Permite desen- Permite desen- Usina o
laboratorial Formato de arquivo de usinagem laboratório har coroas har estrturas modelo
gerado

InEosBlue Sirona Dental Triangulação ativa e Luz azul visível Imagens Não Sim Sim Sim Não**
system GMBH microscopia confocal/ múltiplas
(DE) Landlord
3D Dental 3Shaape Câmera 5.0 megapixel/ Luz vermelha Imagens Sim Não Sim Sim Não
Scanners System STL múltiplas
Lava 3M ESPE (US) Amostragem de onda Luz azul Vídeo Informacão não Não Não Não Sim
frontal ativa/Landlord pulsante visível obtida
IOS fastscan IOS Triangulação ativa e Laser 3 imagens Sim Não Não Não Sim
Technologies, princípio Schleimpflug/
INC. (US) STL
DirectScan HINT-ELS GMBH Imagem estereocópica/STL Informacão não Múltiplas Informacão não Não Sim Sim Não*
(DE) obtida imagens obtida
3D dental 3Shape A/S (DK) Microscopia confocal Informacão não Múltiplas Não Não Sim Sim Não**
Scanners obtida Imagens
Nobel Procera Procera-Nobel Escâner de contato e Contato Mútiplas Sim Não Não Sim Não
Optical Biocare escâner a laser holografia imagens
Scanner conoscópica
Angular Laser XCAD Varredura triangular a laser Laser Múltiplas Não Não Informação não Informação não Informacão
ScanningTM STL imagens obtida obtida não obtida
Escâner EDG Interface luminosa superior Interface Mútiplas Não Não Sim Sim
EDG ao laser superior ao imagens
STL laser
Maestro 3D Maestro 3D STL Informação não Informação não Informação não Informação não Sim Sim Não
obtida obtida obtida obtida
Zirkonzhan Zirkonzhan Escâner ótico aberto/ STL Feixe de luz Informação não Informação não Informação não Sim Sim Não
Capítulo 4

obtida obtida obtida


Kavo Everest STL Luz de listras Imagens Informação não Sim Sim Sim Não
múltiplas obtida
Ceramill Amanngirrback Projeção de luz, captação Feixe de Luz Imagens Não Sim Sim Sim Não
3 D/ STL múltiplas
Activity 850 e Smart optics Projeto de digitalização 3D Informação não Informação não Informação não Informação não Sim Sim Não
880 óptico obtida obtida obtida obtida
Dental Wings Dental Wings Escâneres óticos 3D Informacão não Informação não Informação não Informação não Informação não Informação não Informação
obtida obtida obtida obtida obtida obtida não obtida
cercon®eye Cercon Informação não obtida Laser Informação não Sim Sim Sim Sim Não
obtida
Starumann Straumann Laser 3D Laser Informação não Sim Não Sim Sim Informação
Scan CS 2 obtida não obtida

127
O CAD Indireto ou CAD de Laboratório
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

O caso a seguir, cedido pelo Dr. Fernando Esgaib Kayatt, exemplifica o processo
de maquiagem (Maquiagem por Peer Kulzer) e caracterização em região estética em
associação dos procedimentos clínicos e laboratoriais (Figuras 4.151 a 4.171).

Figura 4.151. Aspecto


inicial.

Figura 4.152. Radiografia Inicial – Figura 4.153. Radiografia após a exodontia


evidência de reabsorção radicular. e instalação do implante, já osseointegrado,
com o transferente de moldagem instalado.

Figura 4.154. Transferente personalizado para


reproduzir o perfil gengival conseguido com
condicionamento.

128
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.155. Kit TiBase e ScanBody –


Sirona.

Figura 4.156. Modelo de trabalho obtido


com o conjunto ScanBody e Tibase instalado
no analogo, pronto para digitalização da
imagem.

Figura 4.157. Modelo sendo digitalizado


no Ineos Blue – Sirona.

129
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.158. Modelo digitalizado.

Figura 4.159. Design do pilar personalizado no


software.

Figura 4.160. Posição do pilar no bloco para


usinagem com posicionamento do orificio de acesso do
parafuso no bloco perfurado.

130
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.161. Pilar obtido após usinagem.

Figura 4.162. Prova do pilar personalizado.

Figura 4.163. Design da coroa protética e


máscara gengival.

131
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.164. Design da coroa protética.

Figura 4.165. Escolha da posição de


usinagem da coroa no bloco.

Figura 4.166. Prova da coroa protética,


antes do processo de caracterização.

132
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Figura 4.167. Kit para caracterização e maquiagem da prótese. Figura 4.168. Maquiagem da peça protética.
AKzent (VITA Zahnfabrik)

Figura 4.169. Coroa após caracterização (Vista mesial). Figura 4.170. Coroa após caracterização (Vista distal).

Figura 4.171. Radiografia final. Figura 4.172. Caso finalizado.

133
Capítulo 4 O CAD Indireto ou CAD de Laboratório

Referências Bibliográficas
Paul Feuerstein. New Changes in CAD/CAM: part 2 lab systems. Inside Dentistry. Masch 2007; v.3(3).
Almasri et al. Volumetric Misfit in CAD/CAM and Cast Implant Frameworks: a university laboratory study.
Journal of Prosthodontics 2011; 00 (2011) 1–8 c.
Mörmann WH. The Evolution of the CEREC System. J Amer Dent Assoc 2006; 137: 7S-13S.
Andersson M, Carlsson L, Persson M, Bergmann B. Accuracy of Machine Milling and Spark Erosion with
a CAD/CAM System. J Prosthet Dent 1996; 76: 187-193.
Noort RV. The Future of Devices Dental is Digital. Dent Mat 2012; 28. p. 3-12.
www.nobelbiocare.com/pt/products-solutions/nobelprocera-individualized-solutions/production/.
Elias CN. Aplicações da Zircônia e os Sitemas CAD/CAM Usados na Odontologia. In: Fernandes CP. Uma
Odontologia de Classe Mundial, 1ª ed. Brasil: Editora Santos, 2010. p.307-334.
www.sirona.com/en/products/digital-dentistry/inlab-labside-solutions/?tab=248.
www.3shapedental.com/restoration.aspx.
www.degudent-cadcam.com.
http://www.kavo.com/Products/Dental-Laboratory/Everest-CADCAM/ARCTICA.aspx.
http://www.amanngirrbach.com/us/home.
http://solutions.3m.com/wps/portal/3M/en_US/3M-ESPE-NA/dental-professionals/products/.
www.zirkonzahn.com/pt/sistema-cadcam/CAD-CAM.aspx.
www.dental-wings.com.
www.maestro3d.com/index.asp?page0=container&page1=maestro3d.dental.scanner.
www.ios3d.com.
www.hintel.com.
www.edg.com.br/edgProteses/index.php?pag=produtos.
www.xcadcam.com.
www.smartoptics.de/html/activity_880___dental.html.
www.straumann-cares-digital-solutions.com.

Agradecimentos
Os autores agradecem a colaboração da FAPEMIG, principalmente pela aprovação do
estágio técnico científico – ETC-00056-11 na UNC-USA, à própria UNC-USA, princi-
palmente nas pessoas dos professores: Dr. Lyndon Cooper, Dr. Gustavo Mendonça,
Dra. Ingeborg De Kok e Dr. Ibrahim Duqum, autores do capítulo 9 e que tão bem nos
acolheram em nossa estada, à UFU principalmente as Áreas de Oclusão, Prótese Fixa e
Materiais Odontológicos e a de Dentística Restauradora e Materiais Odontológicos, que
uniram forças pra fazer um livro com a filosofia de Reabilitação da Faculdade de Odon-
tologia da Universidade Federal de Uberlândia. À CAPES e CNPQ por bolsas e projetos
que direta ou indiretamente contribuíram com este capítulo, à empresa Neodent na
pessoa do Dr. Sérgio Rocha Bernardes, que tão prontamente nos ajudou com impor-
tantes informações e finalmente às empresas Neodent, SmartOptics, Sirona Paraguay
(Elizeche SAC), Sirona do Brasil, e Nobelbiocare, únicas a responderem nossos questio-
nários. Finalmente aos Profissionais: CDs e TPDs que cederam fotos para as ilustrações.

134
5
5
O CAD DIRETO OU CAD DE
CONSULTÓRIO OU CAD INTRAORAL
Flávio Domingues das Neves, Fernando Esgaib Kayatt,
Daniel Lima Kayatt e Thiago de Almeida Prado Naves Carneiro

Introdução
O procedimento de moldagem dos arcos dentais é considerado uma grande dificuldade
para muitos cirurgiões-dentistas, pois para muitos pacientes é considerado incômodo
e pode causar mal-estar e náuseas. Mesmo os pacientes que suportam bem tal pro-
cedimento dificilmente o considerarão agradável. Esse procedimento clínico era, até
bem pouco tempo, essencial para análises de modelos de estudo e planejamento de
casos clínicos, bem como para a execução de procedimentos protéticos odontológicos
sobre mucosa, dentes e implantes. Na verdade, em certas situações ainda o é, mas a
novidade é que para determinados tipos de próteses já se pode eliminar por completo
a necessidade da moldagem convencional, com moldeiras e materiais de moldagens,
ora à base de hidrocoloides, ora à base de borrachas, entre outros (Capítulo 4).
Em verdade, a obtenção de modelos virtuais a partir da digitalização direta da
boca (daí o título do capítulo, CAD direto), já existe comercialmente desde meados
dos anos 1980, por meio do sistema CEREC, com mais de 27.000 unidades instaladas
em consultórios de mais de 50 países e mais de 20 milhões de restaurações feitas nes-
se período.1 A real novidade é sua alta qualidade, possibilitando imagens com riqueza
de detalhes que podem deixar orgulhoso ou frustrado o autor do preparo protético, a
depender da sua competência. As Figuras 5.1, 5.2 e 5.3 mostram, respectivamente, o
preparo realizado, o processo de digitalização do preparo e o preparo na tela do com-

Figura 5.1. Preparo do dente 35 realizado


para confecção de uma coroa em cerâmica
pura. Cortesia Eikon Odontologia Especializada,
Uberlândia-MG.

135
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.2. Moldagem digital ou digitalização do Figura 5.3. Imagem digital do dente 35 no CAD do CEREC-Sirona.
preparo do dente 35 no CEREC-Sirona. Cortesia Eikon Cortesia Eikon Odontologia Especializada, Uberlândia-MG.
Odontologia Especializada, Uberlândia-MG.

putador. Um vídeo postado no youtube pelo site http://www.glidewelldental.com2


mostra quatro sistemas de escâneres intraorais e cita a preocupação e o interesse das
empresas em divulgar a ainda inovadora técnica (http://www.youtube.com/watch?-
v=eWeXwb9TGFg&list=UUP5621NElKFjdUaF8OfQkGQ&index).2
Atualmente, vários sistemas CAD que possibilitam a digitalização direta da boca
estão disponíveis comercialmente. Diferem entre si em vários aspectos, sendo os mais
perceptíveis:
UÊ A técnica de digitalização das imagens reais ou “escaneamento” da boca: câmeras
potentes que usam diferentes técnicas para capturar as imagens e geram diferentes
arquivos para trabalhar nos diversos softwares de CADs.
UÊ As possibilidades de trabalho à disposição pelo software, ou seja, o que é possível
executar: se apenas a obtenção do modelo; se desenham só estruturas e de até
quantos elementos; se desenham coroas: parciais e totais, anteriores e posteriores
e se fazem tanto coroas quanto estruturas; se desenham mais de uma coroa ao
mesmo tempo; se personalizam pilares sobre implantes e se desenham próteses
implantadas aparafusadas.
UÊ As possibilidades de interação com equipamentos de CAM, ou seja, com as má-
quinas que usinarão a peça desenhada. Alguns sistemas são fechados e vendem o
equipamento de captura e desenho acompanhado da fresadora; outros vendem
apenas o equipamento de captura e desenho, e outros apenas o equipamento de
captura – neste último caso, o CAD propriamente dito seria utilizado em uma cen-
tral de desenho.
Entre os mais conhecidos atualmente são listados treze sistemas,3,4,5,6 construídos
por onze empresas, além da precursora:
UÊ BlueCam e o CEREC OminiCam – Comercializado pela Sirona Dental Systems
GmbH, de origem Alemã (www.sirona.com).7
UÊ E4D – Comercializado pela D4D TECHNOLOGIES, LLC, de origem norte-americana
(www.d4dtech.com).8
UÊ LAVA C.O.S – Comercializado pela 3M ESPE, de origem norte-americana (www.3m.
com).9
UÊ I-Tero – (http://www.cadentinc.com).10
UÊ Trios – Comercializado pela 3Shape A/S, de origem dinamarquesa (http://www.3sha-
pedental.com/restoration.aspx).11

136
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

UÊ Cyrtina Intra Oral Scanner – Comercializado pela Cyrtina Colaborative Compu-


terized Dentistry, empresa holandesa (http://www.cyrtina.nl)12 e o Progress IO-
DIS, empresa norte-americana (www.clon3d.com),13 que é o mesmo equipamento
produzido pela italiana MHT (Medical High Technologies).
UÊ Zfx Intrascan – Comercializado pela ZfX, de origem italiana (www.zfx-dental.
com).14
UÊ IOS Fastscan – Comercializado pela IOS TECHNOLOGIES, INC, de origem norte-
-americana (http://www.ios3d.com).15
UÊ Bluescan-I Intraoral 3D Scanner – Comercializado pela a.TRON 3D, de origem
austríaca (http://www.a-tron3d.com/).16
UÊ DirectScan – Comercializado pela HINT – ELS GMBH, de origem alemã (www.
hintel.com).17
UÊ DENSYS 3D – Comercializado pela DENSYS LTD, de origem israelense (www.
densys3d.com).18

Sabe-se ainda que há outros sistemas em desenvolvimento.1 A pretensão de des-


crever um pouco sobre cada sistema, o que será feito a seguir, deve vir precedida de
um comentário já feito no primeiro capítulo: é provável que não haja no mercado des-
tinado à odontoestomatologia nada que se desenvolva tanto e tão rápido atualmente
como os sistemas CAD/CAM. Assim, infelizmente, a qualquer momento uma atualiza-
ção recente pode alterar substancialmente as informações contidas a respeito de cada
sistema. Os autores recomendam, se a finalidade for a compra de um desses equipa-
mentos, uma análise minuciosa à luz da teorização aqui realizada, mas nunca a partir
das informações específicas de cada um aqui apresentadas, servindo estas para ilustrar
as diversidades hoje existentes. Entretanto, o que um sistema não faz hoje poderá fazer
amanhã, dependendo dos objetivos e do desenvolvimento obtido.

Principais Sistemas de Escâneres


Intraorais Disponibilizados
Comercialmente
CEREC® – by Sirona Dental System GmbH (DE)
De origem alemã, contará sempre com o status de ser o precursor, enquanto sistema
comercial, que ocorreu em 1987, embora com importantes limitações de adaptação
marginal e cor. O sistema atual foi lançado em 2009 e consiste em um CAD/CAM
completo e, segundo a empresa, aberto (embora não se saiba exatamente com quais
CAM). Atualmente comercializa duas câmeras de digitalização de imagens: o Sistema
com a BlueCam e o com a OmniCam. O escâner com a BlueCam opera com os prin-
cípios da microscopia confocal e da técnica da triangulação, emitindo uma luz azul.3
Como desvantagem do sistema, a técnica da triangulação requer reflexão uniforme de
diferentes materiais que refletem diferentemente a luz, assim é imprescindível o pó. Em
contrapartida, as imagens são obtidas automaticamente e permitem digitalizar todo o
arco (fato que as versões anteriores não contemplavam). Em seu software (que contém
uma biblioteca de imagens) podem ser desenhadas coroas, totais e parciais, em dife-
rentes materiais cerâmicos (feldspática pura, da Vita e da própria Sirona, e reforçadas
com dissilicato de lítio e leucita, da Ivoclar) e estruturas para próteses cimentadas em
zircônia. Além disso, a partir de um dispositivo para escaneamento (TiBase), permite
a confecção personalizada de pilar para vários sistemas de implantes. Atualmente foi
disponibilizado o software Inlab 4.0 e o Cerec 4.0, muito mais versatil e intuituvo que
o anterior 3.8, embora este já seja muito interativo e de fácil utilização. O CAD tem
ainda várias ferramentas que permitem ao operador alterar a forma proposta pelo sof-
tware. Após o desenho final, as imagens são enviadas à máquina do CAM, que usina a
restauração ou a estrutura pretendida.

137
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Em processo de evolução contínua, a Sirona disponibilizou no mercado, em 2012


a OmniCam, um modelo inovador de obtenção do modelo virtual da área desejada
através de imagens sucessivas, ou seja, um filme colorido em formato .avi e, sem a
necessidade do uso de pó refratário. As imagens são capturadas sem o uso de pó, de
maneira contínua com os detalhes de dentes e gengivas conforme o “filme” realizado,
e essas imagens capturadas serão processadas em um modelo virtual em três dimen-
sões, tal qual exposto anteriormente.
Nas Figuras 5.4.1 a 5.4.4 pode ser visto um Caso clínico cedido pelo Dr. med. dent.
Harald Steinbrenner, University of Heidelberg, Alemanha.

Figura 5.4.1. Caso clínico Apinhamento dentário. Figura 5.4.2. Imagem capturada com Omnicam.

Figura 5.4.3. CAD com software CEREC 4.0.2. Figura 5.4.4. Caso clínico finalizado com facetas em IPS
e.max CAD (Ivoclar Vivadent)

Para próteses aparafusadas e múltiplas, recentes parcerias podem trazer importantes


alterações em um futuro breve – ler último parágrafo do CEREC-Sirona no Capítulo 4.
As Figuras 5.4 e 5.5 ilustram o sistema em questão. Os vídeos abaixo mostram a utiliza-
ção do sistema. (http://www.youtube.com/watch?v=d29DD54kQd8&feature=related;
http://www.youtube.com/watch?v=HB20R7gJz_g&feature=related)19
O caso clínico abaixo descrito foi realizado pelos Drs. Fernando Esgaib Kayatt e
Flávio Domingues das Neves. Utilizaram o CEREC BlueCam com o software 3.8 para
restaurar o dente 36 de uma paciente, descrito da Figura 5.6 à 5.22.

138
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.4. Equipamento CAD com a BlueCam do sistema Figura 5.5. Equipamento CAM do sistema CEREC-Sirona.
CEREC-Sirona.

Figura 5.6. Dente 36 preparado após reconstrução com pino Figura 5.7. Dente 36 com fio para afastamento gengival
de fibra de vidro e resina fotopolimerizável. previamente à moldagem digital.

Figura 5.8. Área a ser digitalizada, o BlueCam do CEREC Figura 5.9. Câmera do BlueCam fazendo tomadas.
necessita de um spray que “opacifica” as superfícies brilhantes. O equipamento faz isso automaticamente.

139
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.10. Imagem do dente 36 na tela do computador, captada em tempo real pela
câmera.

Figura 5.11. Tomada do arco antagonista, para registro e montagem em “articulador”


virtual.

Figura 5.12. Uma das etapas de confecção virtual da coroa – Figura 5.13. Coroa do dente 36 pronta no CAD, será então
delimitação do término cervical. encaminhada ao CAM para fresagem.

140
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.14. Seleção do bloco e análise


do melhor local para fresagem, conforme
tonalidades cervical e oclusal.

Figura 5.15. Bloco em posição na fresadora.

Figura 5.16. Fim da usinagem. O tempo gasto


para fresar a coroa do 36 foi de 13 minutos.
Note a luz verde indicativa de final do processo.

141
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.17. Coroa logo após ser retirada


da fresadora. Note a haste que a prendia ao
bloco.

Figura 5.18. Prova clínica. Antes do glase,


é preciso certificar-se da adaptação e ainda
refinar contatos proximais e oclusais.
Se necessário, faz-se ainda a pigmentação –
maquiagem.

Figura 5.19. Coroa do 36 pronta após


prova, maquiagem e glase.

142
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.20. Coroa após fixação definitiva


com cimento resinoso. Foram gastas 3 horas
e 30 minutos do preparo à fixação.

Figura 5.21. Vista final do sorriso – note a


harmonia do dente 36 com os demais.

E4D – by D4D Technologies, LLC (US)


De origem norte-americana, foi desenvolvido pela D4D Technologies LLC (Richardson,
TX) no início de 2008 e consiste em uma unidade CAD na qual está acoplado um escâ-
ner a laser. Atualmente é um sistema CAD/CAM completo e fechado, ou seja, o desenho
feito no CAD só pode ser executado no CAM do próprio sistema. A exemplo do CEREC,
a fresadora pode facilmente ser alocada em um consultório. Confecciona coroas par-
ciais ou totais, anteriores ou posteriores, em diversos materiais, sendo os mais comuns
o dissilicato de lítio e o Empress (à base de leucita), da Ivoclar Vivadent, e o Ultimate, da
(3M-ESPE). O software para desenho dos dentes é bastante interativo e simples de traba-
lhar. O escâner utilizado apresenta um sensor confocal e uma fonte de laser acoplada a
um cabo de fibra ótica3 e não necessita de pó sobre o dente a ser escaneado. Também
não precisa escanear o arco antagonista, um registro oclusal é criado com material de
moldagem à base de borracha, colocado sobre o preparo do dente e escaneado. Com
esses dados, o software permite o desenho da restauração a partir de uma biblioteca de
imagens, e pode ser alterada pelas ferramentas do sistema ao gosto ou necessidade do
operador. Quando pronta é enviada à máquina do CAM. As Figuras 5.22 e 5.23 mos-
tram o equipamento descrito e o vídeo no link a seguir mostra a sua utilização.
http://www.youtube.com/watch?v=3B5rs8riF9E19

143
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.22. Escâner intraoral e CAD do sistema E4D – D4D.

Figura 5.23. Fresadora dos sistema E4D – D4D.

O caso clínico a seguir foi gentilmente cedido pelo Dr. Lyndon Cooper, da Dental
School, Carolina do Norte, Estados Unidos, e mostra uma coroa feita para o dente 44
no sistema E4D. Ele está descrito das Figuras 5.24 a 5.33.

144
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.24. Preparo do dente 44 para


receber uma coroa total em cerâmica pura.

Figura 5.25. Dente 44 com fio para


afastamento gengival previamente à
moldagem digital.

Figura 5.26. Moldagem digital com o


sistema E4D – D4D. Não necessita o spray
para a digitalização das imagens de boca.

145
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.27. Imagem da tela do CAD do


sistema E4D – D4D.

Figura 5.28. Imagem da tela da parte CAD do sistema E4D Figura 5.29. Imagem da tela da parte CAD do sistema
– D4D. Note a intensidade e localização do contato proximal. E4D – D4D. Note o relacionamento intermaxilar feito
a partir de um registro em silicone. Não há molde do
antagonista, somente do registro.

Figura 5.30. Imagem da tela da parte CAD do sistema


E4D – D4D durante análise dos bordos da restauração.

146
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.31. Imagem da tela da parte CAD do


sistema E4D – D4D, análise da espessura ainda
na peça virtual.

Figura 5.32. Coroa logo após ser retirada da


fresadora. Note que está presa ao bloco no qual
foi usinada.

Figura 5.33. Coroa do 44 instalada na mesma


sessão.

147
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Lava™C.O.S. – by 3M ESPE (US)


Sistema de origem americana que tem por princípio montar centrais de Manufatura
(CAM), assim o escâner será utilizado no consultório para moldar, ou seja, obter ima-
gens que possam ser encaminhadas por e-mail a uma central que confeccionará o mo-
delo, que será utilizado de forma convencional na fabricação das próteses. Foi criado
pela Brontes Technologies em Lexington-Massachusetts e adquirido pela 3M ESPE, em
2006.3 O display touch screen é uma vantagem do CAD deste sistema. A câmera con-
tém um sistema ótico complexo de 22 lentes e 192 células de leds azuis, e usa o método
chamado 3D-in-Motion Technology.3 Atualmente o software, que fica no laboratório,
permite o desenho de modelos articulados e o recorte do troquel, devendo o arquivo
ser encaminhado à 3M ESPE para gerar modelo estereolitográfico que é enviado ao
laboratório.3 O vídeo a seguir mostra o sistema em uso.
http://www.youtube.com/watch?v=nxSj8IwZeOQ&feature=relmfu 19
O caso a seguir foi gentilmente cedido pelo Professor Dr. Ibrahim Duqun (Dental
School, Carolina do Norte). Trata-se da restauração do dente 25 a partir da digitali-
zação intraoral com o sistema LAVA – 3M ESPE, e é mostrado da Figura 5.34 à 5.57.

Figura 5.34. Vista oclusal mostrando fratura de cúspide palatina do 25, que necessita
restauração.

Figura 5.35. Vista vestibular do dente 25. Note que a face vestibular mantém a estética com
grande área de esmalte sem suporte.

148
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.36. Vista vestibular após reconstrução com ionômero de vidro e preparo protético.

Figura 5.37. Vista oclusal após reconstrução com ionômero de vidro e preparo protético.

Figura 5.38. Vista vestibular após confecção de coroa provisória para o dente 25 para
aguardar a confecção laboratorial da prótese.

149
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.39. Vista oclusal da coroa


provisória do dente 25 pronta.

Figura 5.40. Procedimento de moldagem


digital com o escâner LAVA – 3M. (Dental
School – UNC-Chapel Hill-CN – EUA)

Figura 5.41. Vista vestibular do preparo do dente 25 no


software do CAD – LAVA – 3M. Note o término cervical.

150
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.42. Vista lingual do preparo do dente


25 no software do CAD – LAVA – 3M. Note o
término cervical.

Figura 5.43. Vista oclusal do preparo do dente


25 no software do CAD – LAVA – 3M. Note o
término cervical.

Figura 5.44. Vista vestibular do dente 25


digitalizado no CAD – LAVA – 3M.

Figura 5.45. Vista lingual do dente 25


digitalizado no CAD – LAVA – 3M.

151
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.46. Definição da área de recorte


de troquel no futuro modelo.

Figura 5.47. Relacionamento intermaxilar


dos arcos digitalizados. CAD – LAVA – 3M.

Figura 5.48. Vista oclusal do modelo


obtido após moldagem digital do dente 25.

152
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.49. Vista vestibular do modelo obtido após Figura 5.50. Vista vestibular dos modelos ocluídos, prontos
moldagem digital do dente 25. para a etapa laboratorial de confecção da coroa do 25.

Figura 5.51. Vista lingual da coroa do 25 pronta no Figura 5.52. Vista vestibular da coroa do 25 pronta no
modelo de trabalho. modelo de trabalho.

Figura 5.53. Vista oclusal da coroa do 25 pronta no Figura 5.54. Vista oclusal da coroa do 25 pronta após ajustes
modelo de trabalho. na boca.

153
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.55. Vista cervical da coroa do 25 Figura 5.56. Vista oclusal da coroa do 25 após instalação –
pronta após ajustes em boca. SISTEMA LAVA – 3M.

Figura 5.57. Vista vestibular da coroa do


25 após instalação – SISTEMA LAVA – 3M.

3D Progress – by MHT S.p.A. (IT) and MHT Optic Research AG


(CH) – Cyrtina
Este sistema é produzido pela MHT (Medical High Technologies), criado pela divisão
de pesquisa ótica da empresa. É um sistema portátil que se conecta via entrada USB
a um PC.3 Sua comercialização para o usuário final da América do Norte é feita pela
Clon 3D e se chama Progress IODIS (Intra Oral Digital Impression System). Outra re-
presentante é a holandesa Oratio BV, que chama o equipamento de Cyrtina IntraOral
Scanner. A performance dependerá do PC, mas pode escanear um arco completo em
menos de três minutos; o spray pode ser requerido em algumas superfícies reflexivas.3
É compatível com muitas plataformas de CAD. A câmera baseia-se nos princípios do
microscópio confocal combinado com o efeito Moireé,3 tem um sofisticado conjunto
de lentes. O link a seguir mostra o sistema em uso.
http://www.youtube.com/watch?v=dv8aRQjk2OA&feature=related19

Trios – by 3Shape A/S (DK)


De origem dinamarquesa, este sistema intraoral foi comercialmente apresentado ao
mundo na IDS, em Colônia, Alemanha, em março de 2011 (Figura 5.58). O escâner é
preciso e rápido, e trabalha de acordo com os princípios dos microscópios confocais. A
fonte de luz provê uma forma de iluminação que provoca oscilação de luz sobre o objeto

154
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.58. Demonstração de digitalização de imagens diretamente da


boca pelo sistema 3Shape – IDS-2011 – Colônia, Alemanha.
Foto do Dr. Paulo César Simamoto Júnior.

a ser escaneado, coletando inúmeras imagens 2D, possibilitando formar a imagem 3D


da superfície escaneada.3 Uma característica do sistema é a variação do plano de foco
sem mover o escâner em relação ao objeto escaneado. O software permite a construção
tanto de coroas totais quanto parciais, que podem ser usinadas em cerâmicas puras dado
a uma parceria com a Ivoclar Vivadent (dissilicato de lítio e leucita). Também faz estru-
turas, tanto para próteses aparafusadas quanto para prótese cimentadas, em diferentes
materiais como Ti, Co-Cr e zircônia. Para usinagem, o sistema é aberto e pode utilizar
fresadoras de vários sistemas. No Brasil é comercializado pela Neodent – Curitiba-PR.
Os vídeos a seguir mostram o uso do sistema 3Shape.
http://www.youtube.com/watch?v=LeIHlIkRc20
http://www.youtube.com/watch?v=2sn1hggiwXw&feature=related19
O caso clínico a seguir é uma cortesia do Dr. Sérgio Rocha Bernardes, que utilizou
o sistema intraoral 3Shape Trios e a fresadora Neoshape da empresa Neodent, Curitiba
– PR, Brasil, para confecção de cinco facetas anteriores para os dentes 13 – 23. O caso
é apresentado da Figura 5.59 a 5.66.

Figura 5.59. Vista frontal mostrando desgaste


das superfícies incisais do dente 13 ao 23.

155
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.60. Índex realizado sobre um modelo com Figura 5.61. Preparo realizado de acordo com a proposta do
enceramento diagnóstico. índex.

Figura 5.62. Vista frontal dos dentes 13, 12, 11, 21, 22, 23,
preparados para serem digitalizados – moldagem digital –
Sistema 3Shape.

Figura 5.63 A. Moldagem digital – digitalização da situação


clínica diretamente da boca com o sistema 3Shape. B. Detalhe
A da câmera intraoral do Trios em uso – 3Shape. No Brasil
comercializado pela Neodent – Curitiba-PR.

156
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.64 A. Blocos de e.max da Ivoclar Vivadent após confecção das facetas na central
de usinagem do sistema Neoshape. B. Prova das estruturas antes da cristalização do
dissilicato de lítio para estratificação das facetas.

Figura 5.65. Facetas prontas para fixação após prova, refinamento estético, maquiagem e
glase.

157
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.66. Vista vestibular do caso concluído, sistema Neoshape.

iTero – by CADENT LTD (IL) – http://www.cadentinc.com/itero


De fabricação israelense, este sistema entrou no mercado em 2007. O sistema empre-
ga uma técnica de imagem confocal paralela e incide um radiante laser vermelho.3
Usando esta técnica, o iTero captura todas as estruturas e os materiais encontrados na
boca sem a necessidade do agente contra reflexo, spray de pó. Molda-se digitalmente
o arco de trabalho, o antagonista e ambos em oclusão (o processo leva cerca de três
minutos). O arquivo é enviado via HIPAA-comliant wireless system3 para que a Cadent,
por processo CAD/CAM, confeccione um modelo por usinagem que é encaminhado ao
laboratório, para obter o trabalho protético pela técnica convencional. Ressalta-se que o
dispositivo é muito pesado. As Figuras 5.67 e 5.68 mostram um desses equipamentos.
O vídeo a seguir mostra o sistema.
http://www.youtube.com/watch?v=dlNtGrWLPio&feature=related19

Figura 5.67. Cadente i-tero


– sistema CAD. (Dental School –
UNC-Chapel Hill-CN – EUA)

158
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.68 A. Detalhe da câmera do sistema I-TERO –


CADENT. B. Cadente i-tero sendo utilizado para digitalizar um
B
caso clínico. (Dental School – UNC-Chapel Hill-CN – EUA)

Zfx intrascan (IT)


De origem italiana, aparentemente é o mesmo equipamento comercializado e produ-
zido pela MHT (Medical High Technologies), com nome Cyrtina na Holanda e Progress
IODIS nos Estados Unidos. Entretanto, não foi possível confirmar a autenticidade da
informação. A empresa é italiana e o site mostra um centro de desenvolvimento de
produtos, não citando especificamente como chegou-se ao escâner intraoral.14
A seguir, links para dois vídeos do sistema.
http://www.youtube.com/watch?v=B7oNOAp3ozc&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=hUtJpTO8Hrg&feature=related (19)

Bluescan-I Intraoral 3D scanner – by a.tron3D (AS)


Sistema de origem austríaca, com desenho inovador, promete em seu site ser o mais
ergonômico do mercado. Utiliza a Bluescan-I, que conecta-se a um PC por USB e foi
desenvolvido em cooperação com o Austrian Researche Institute (AIT), sendo, segun-
do o site, o mais complexo sistema ótico de medições, capturando 15 estereoimagens
por segundo a partir de lentes integradas, processando imagem de alta resolução em
apenas milissegundos, gerando um arquivo STL, sem a necessidade de pó.16 O arquivo
pode ser encaminhado ao protético ou diretamente para usinagem, já que pode utilizar
a fresadora do CEREC (veja vídeo no link a seguir).
O link seguinte é um vídeo do sistema em uso.
http://www.youtube.com/watch?v=n7lzjY5N2x419

159
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

IOS FastScan – by IOS Technologies, INC. (US)


A IOS Technologies Inc. foi fundada em 2007, com o objetivo de criar um escâner para
moldagem digital intraoral, sendo a fastscan o produto dessa empreitada. É o único
sistema em que a câmera movimenta sozinha no bastão que a carrega, facilitando a
captura de imagens.3
À semelhança do Lava e do iTero, o IOS FastScan molda e permite a obtenção de
modelos (por processo CAD/CAM, gerando um modelo estereolitográfico) sobre os
quais serão confeccionadas as próteses pela técnica convencional. O escâner tem o
princípio da triangulação ativa e utiliza o raio laser projetado sobre a superfície a ser
escaneada(3). A câmera vem associada a um computador – CAD cujo software permite
o recorte do troquel antes da usinagem do modelo.
No link a seguir pode ser visto um vídeo do sistema em uso.
http://www.youtube.com/watch?v=09qKu_TI7b019

DirectScan – by Hint – ELS GmbH (DE)


Fundada em 2000, a empresa alemã desenvolveu seu sistema em cooperação com a
Fraunhofer Institute for Applied Optics and Precision Engineering.3 O Sistema de cap-
tura de imagens baseia-se no princípio da visão estereoscópica humana e no princípio
da projeção linear: linhas retas que, projetadas sobre um objeto, se curvarão no seu en-
torno.3 O grande mérito do desenvolvimento deste sistema é a medida exata de dentes
unitários e arcos completos. A câmera oferece uma acurácia de medida entre 12 e 15
mícrons, o escâner ótico DirectScan faz uma sequência rápida de imagens de vários
ângulos a cada 200 milissegundos, gravando a forma da superfície escaneada de cada
dente ou espaço.3 O sistema é aberto, mas oferece também a parte CAM, os arquivos
são enviados via internet ao laboratório que tem a máquina para o CAM. O software
para desenho inclui um articulador virtual e possibilita desenhar coroas totais, parciais
e próteses parciais. Infelizmente, pouco se sabe do sistema e o site está desatualizado.

Densys 3D – by Densys Ltd. (IL)


Desenvolvido e apresentado ao mercado entre 2007 e 2009, o sistema é oferecido para
reabilitações protéticas e para ortodontia. A câmera usa luz visível, produz um pequeno
arquivo ASCII e pode interagir com diferentes máquinas de CAD/CAM. O escâner usa
o princípio ativo da estereofotogrametria com projeção de luz estruturada.3
A Densys 3D comercializa o equipamento MIA3d Station. A empresa, de origem
israelense, ainda não mostra claramente no site como utilizar o equipamento.

Considerações Finais
Embora qualquer profissional que venha a ler este capítulo tenha o interesse de saber
qual a melhor câmera a ser adquirida, os autores entendem que os atributos dos siste-
mas associados ao interesse profissional é que determinará a escolha. Aspectos como
interesse em independência do consultório em relação ao laboratório, ou simplesmente
a busca por um procedimento de moldagem mais rápido e prático, são algumas das
análises que devem nortear a escolha.
Outro fato importante é que, em determinadas situações, ou até localizações in-
trabucais, o escaneamento pode ser difícil e impreciso. Esses escâneres copiam a re-
gião desejada e podem mesmo evitar a confecção do modelo, o que dispensaria a
necessidade de envio ao laboratório. Além disso, outras empresas são citadas,3 como
a DPI-3D (by Dimensional Photonics International Inc., Estados Unidos), e em seu site
pode-se ver um exemplo de que novas câmeras estão em desenvolvimento (http://
www.dphotonics.com/).20
Na Tabela 5.1, adaptada de Governi (2011), pode ser visto um resumo das prin-
cipais características dos sistemas apresentados.

160
TABELA 5.1. Resumo das principais técnicas apresentadas.
Permite Permite
Escâner Princípio de trabalho/Formato Tipo de Fresadora para desenhar desenhar Usina o
Intraoral Empresa de arquivo gerado Fonte de luz imagem Uso de spray consultório coroas estruturas modelo

CEREC – BlueCam Sirona Dental System Triangulação ativa e microscopia Luz azul visível Imagens Sim – dióxido de Sim Sim Sim Sim**
GMBH (DE) confocal/Landlord/STL múltiplas titânio
CEREC – OmniCam Sirona Dental System Triangulação ativa e microscopia Luz visivel Múltipla/vídeo Não Sim Sim Sim Sim**
GMBH (DE) confocal/Landlord/Avi
I-tero Cadent LTD (IL) Microscopia confocal óptica/ Laser vermelho Múltipla Não Não Não Não Sim
Landlord e STL
E4d D4D Technologies, Tomografia óptica e microscopia Laser Múltipla Ocasionalmente Sim Sim Não Não
LLC (US) confocal/Landlord vermelho
Lava 3M ESPE (US) Amostragem de onda frontal Luz azul vídeo Sim – óxido de titânio Não Não Não Sim
ativa/Landlord pulsante
visível
IOS fastscan IOS Technologies, Triangulação ativa e princípio Laser 3 imagens Sim Não Não Não Sim
Capítulo 5

INC. (US) Schleimpflug/STL


Densys 3D Densys LTD. (IL) Estereofotogrametria ativa/ASCII Luz visível 2 imagens sim Não sim sim nao
DirectScan HINT-ELS GMBH (DE) Imagem estereocópica/STL Luz visível Múltiplas sim Não Sim Sim Não*
imagens
Trios 3Shape A/S (DK) Microscopia confocal/STL Luz Azul Múltiplas Não Não Sim Sim Sim
imagens
Syrtina MHT (IT) Microscopia confocal e efeito Luz visível 3 imagens ocasionalmente Não Sim* Sim* Sim*
Intraoralscan Mireé/STL
e Progress IODIS
Bluescan-I a-tron 3D Imagem estereoscópica/STL Luz azul Não Não Não Sim* Sim* Sim*
Intraoral 3D Scanner informado
ZfX Não informado Imagem estereoscópica/STL Não informado Não sim Não Sim* Sim* Sim*
informado

* Esses escâneres têm como proposta, gerar um arquivo que possa ser trabalhado em diferentes CADs e, a partir daí, gerar trabalhos ou modelos para diferentes máquinas CAMs.
** Embora possa ser feito, não é a filosofia principal do sistema.

161
O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

As Figuras 5.69 a 5.153 apresentam detalhadamente uma situação clínica que ilustra
o poder dessa tecnologia. Uma paciente necessitava fechar um diastema inferior entre
os dentes 45 e 46, e no superior entre os dentes 15 e 16. No inferior, por ser maior,
preferiu-se ferulizar as duas coroas, assim construiu-se uma estrutura de zircônia que
recebeu uma aplicação cerâmica de cobertura. Na sequência, em uma única sessão,
fechou-se o diastema superior com a confecção de duas coroas.

Figura 5.69. Vista oclusal inicial da


região inferior.

Figura 5.70. Aplicação do spray para


digitalização.

Figura 5.71. Moldagem digital.

162
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.72. Modelo digital mostrando


ausência de paralelismo entre os Pilares
protéticos.

Figura 5.73. Espelho de paralelismo mostrando


ausência de paralelismo.

Figura 5.74. Repreparo dos pilares protéticos


buscando paralelismo.

163
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.75. Espelho mostrando o


paralelismo dos dentes pilares preparados.

Figura 5.76. Vista oclusal mostrando o


paralelismo alcançado.

Figura 5.77. Nova aplicação do spray de


digitalização.

164
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.78. Nova obtenção do modelo digital, já com Figura 5.79. Vista vestibular do desenho da infraestrutura no
paralelismo entre os preparos. software.

Figura 5.80. Vista oclusal do desenho da infraestrutura no


software. Figura 5.81. Infraestrutura finalizada no software.

Figura 5.83. Vista da porção interna da prótese finalizada


Figura 5.82. Articulação dos modelos digitais mostrando após transferência da infraestrutura de zircônia e aplicação de
espaço protético. porcelana.

165
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.84. Vista oclusal da prótese finalizada


após transferência da infraestrutura de zircônia
e aplicação de porcelana.

Figura 5.85. Prótese instalada.

Figura 5.86. Vista vestibular dos dentes 15 e


16. Note a falta de contato proximal.

Figura 5.87. Vista oclusal dos dentes 15 e 16.


Note a falta de contato proximal.

166
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.89. Vista vestibular após o preparo do dente 15.

Figura 5.88. Remoção da restauração de ouro do


dente 15.

Figura 5.90. Vista


oclusal após o preparo
do dente 15.

Figura 5.91. Região


após aplicação do
spray de digitalização.

167
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.92. Digitalização da relação


interoclusal.

Figura 5.93. Vistas das moldagens


digitais do preparo, antagonista e relação
interoclusal.

Figura 5.94. Imagem prévia à montagem


virtual em articulador. Feita a partir da
sobreposição do registro intermaxilar sobre
os modelos de trabalho e antagonista.

168
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.95. Modelos digitais articulados.

Figura 5.96. Vista oclusal do modelo digital


para recorte do troquel.

Figura 5.97. Recorte do troquel.

169
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.98. Delimitação do término


cervical.

Figura 5.99. Restauração gerada com


ausência de contatos proximais.

Figura 5.100. Restauração após ajustes


evidenciando o contato proximal na face
mesial a partir das ferramentas do CAD.

170
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.101. Intensidade do contato


proximal na mesial.

Figura 5.102. Restauração finalizada,


pronta para usinagem.

Figura 5.103. Escolha da posição de


usinagem no bloco.

171
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.104. Bloco IPS e.max CAD


(Ivoclar Vivadent).

Figura 5.105. Restauração obtida após


usinagem do bloco.

Figura 5.106. Vista oclusal da restauração.

Figura 5.107. Remoção da haste de


usinagem.

172
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.108. Prova da restauração obtida.

Figura 5.109. Ajuste oclusal.

Figura 5.110. Processo de caracterização e


pintura.

173
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.111. Restauração após cristalização, recebendo o Figura 5.112. Lavagem em água corrente para remoção
condicionamento ácido (ácido hidrofluorídrico a 9,5% por 20 seg.). do ácido hidrofluorídrico.

Figura 5.113. Material utilizado para a silanização (silano). Figura 5.114. Silanização.

Figura 5.115. Manipulação do cimento Rely X U100 –


3M ESPE. Figura 5.116. Aplicação do cimento.

174
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.117. Remoção do cimento após fixação e Figura 5.118. Vista vestibular da onlay de e.max após
polimerização. fixação.

Figura 5.119. Vista oclusal da onlay de e.max após fixação. Figura 5.120. Vista oclusal do preparo do dente 16.

Figura 5.121. Vista vestibular do preparo do dente 16.

Figura 5.122. Moldagem digital.

175
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.123. Vistas das moldagens


digitais do preparo, antagonista e relação
interoclusal.

Figura 5.124. Modelos digitais articulados.

Figura 5.125. Recorte do troquel.

176
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.126. Vista lingual da delimitação


do término cervical.

Figura 5.127. Vista oclusal da delimitação


do término cervical.

Figura 5.128. Coroa protética finalizada no


software.

177
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.129. Vista vestibular da coroa


protética finalizada no software mostrando
contato proximal mesial.

Figura 5.130. Redistribuição dos contatos


oclusais.

Figura 5.131. Posicionamento da


restauração no bloco para usinagem ainda
no software.

178
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.132. Coroa após usinagem no


respectivo bloco.

Figura 5.133. Remoção da haste de


usinagem.

Figura 5.134. Vista interna da coroa


antes da cristalização.

179
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.135. Verificação do contato


proximal.

Figura 5.136. Ajuste do contato proximal.

Figura 5.137. Ajuste do contato proximal.

180
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.138. Ajuste oclusal.

Figura 5.139. Ajuste oclusal.

Figura 5.140. Refino da anatomia oclusal.

181
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.141. Caracterização para cristalização. Figura 5.142. Coroa após cristalização.

Figura 5.143. Instalação do fio para fixação da coroa. Figura 5.144. Manipulação e inserção do cimento resinoso
no interior da coroa. (Após ataque com ácido hidrofluorídrico a
9,5% por 20 seg e silanização).

Figura 5.145. Cimentação e excesso escoado. Figura 5.146. Remoção do excesso de cimento após rápida
polimerização.

182
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.147. Remoção do fio após fixação.

Figura 5.148. Vista vestibular após cimentação (note o excesso de cimento nas proximais,
que devem ser totalmente removidos).

Figura 5.149. Vista oclusal após cimentação.

183
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.150. Harmonia do sorriso.

Figura 5.151. Contatos oclusais.

Figura 5.152. Contatos oclusais


antagônicos.

Figura 5.153. Caso finalizado após uma


semana.

184
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

O mesmo pode ser dito para o caso seguinte em que três coroas anteriores, 12,
11 e 21 (sendo o 11 sobre implante, e 12 e 21 sobre dentes), são confeccionadas em
um único dia. O caso é mostrado praticamente na íntegra da Figura 5.154 a 5.245.

Figura 5.154. Aspecto inicial.

Figura 5.155. Vista palatina do aspecto


inicial.

Figura 5.156. Abertura gengival para


exposição do cover na região do dente 11.

185
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.157. Pilar protético selecionado


(Neodent – Curitiba – PR – BRASIL).

Figura 5.158. Instalação do munhão


personalizável.

Figura 5.159. Delimitação da altura e


limite gengival do munhão.

Figura 5.160. Corte do munhão.

186
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.161. Personalização do final do


preparo do munhão.

Figura 5.162. Munhão personalizado e


instalado.

Figura 5.163. Colocação do fio afastador


gengival.

187
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.164. Remoção de cárie e excessos de resina para confecção de resina


fotopolimerizável. Com finalidade de reconstruir o 12 já que o software tentará fazer a forma
do 11 harmônica com 12 e 21.

Figura 5.165. Ataque com ácido fosfórico a 37% por 15 seg., seguido de lavagem com
água corrente, controle da umidade com papel absorvente.

Figura 5.166. Aplicação da primeira camada de adesivo, volatilização do solvente e


aplicação da segunda camada.

188
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.167. Remoção de excesso e polimerização.

Figura 5.168. Aplicação da resina, após seleção de cor.

Figura 5.169. Resina selecionada para a finalização da restauração. A reconstrução objetivou


facilitar o futuro preparo protético, como será visto.

189
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.170. Após a finalização da resina,


seleção do dente 11 no software para a
moldagem digital.

Figura 5.171. Após a aplicação da camada


de pó para a opacificação das superfícies,
a moldagem digital do munhão preparável
sendo realizada para opacificação das
superfícies.

Figura 5.172. Moldagem digital do


antagonista.

190
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.173. Obtenção da relação


interoclusal.

Figura 5.174. Tela do software mostrando


o registro da moldagem interoclusal.

Figura 5.175. Modelos digitalizados


prontos para articulação.

191
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.176. Modelos digitais articulados.

Figura 5.177. Modelo digital troquelizado.

Figura 5.178. Delimitação do término.

192
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.180. Restauração desenhada pelo software.

Figura 5.179. Parâmetros adotadas para a restauração.

Figura 5.181. Restauração pronta para o envio ao processo de usinagem.

193
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.182. Restauração no interior no bloco.

Figura 5.183. Processo de usinagem finalizado.

Figura 5.184. Restauração finalizada contendo haste de ligação ao bloco.

194
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.185. Remoção da haste de ligação.

Figura 5.186. Ajuste proximal da restauração.

Figura 5.187. Ajuste oclusal em fechamento cêntrico.

195
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.188. Ajuste oclusal em movimento excêntrico.

Figura 5.189. Pintura extrínseca após o ajuste. Maquiagem do IPS e.max CAD (Ivoclar
Vivadent).

Figura 5.190. Material utilizado para a caracterização.

196
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.191. Coroa posicionada para a cristalização.

Figura 5.192. Processo de cristalização iniciado.

Figura 5.193. Coroa após a cristalização.

Figura 5.194. Instalação de um parafuso Neotorque para a fixação


do pilar. Neodent – Curitiba – PR – Brasil.

197
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.195. Torque de 32 Ncm


recomendado pelo fabricante.

Figura 5.196. Prova da coroa após a


fixação do pilar com parafuso Neotorque e
processo de cristalização.

Figura 5.197. Vista vestibular da coroa


sobre implante do 11.

198
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.198. Remoção de faceta no


dente 21.

Figura 5.199. Desgastes para remoção de


faceta.

Figura 5.200. Preparo para a confecção


de coroa metal free IPS e.max CAD (Ivoclar
Vivadent) e fio para afastamento gengival
em posição.

199
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.201. Vista vestibular da aplicação


de uma fina camada de pó para opacificar as
superfícies e permitir a moldagem digital.

Figura 5.202. Remoção do fio de maior


espessura para permitir a moldagem digital.

Figura 5.203. Seleção do dente 21 para a


moldagem.

200
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.204. Moldagem do preparo,


antagonista e da relação interoclusal.

Figura 5.205. Modelos articulados.

Figura 5.206. Delimitação do término


cervical da restauração após o recorte do
troquel.

201
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.207. Desenho da restauração


obtida pelo software.

Figura 5.208. Vista palatina da restauração.

Figura 5.209. Ajuste proximal da


restauração após a usinagem.

202
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.210. Ajuste oclusal.

Figura 5.211. Ajuste anatômico.

Figura 5.212. Restaurações dos elementos


11 e 21 finalizadas.

203
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.213. Vista do interior das


restaurações 11 e 21.

Figura 5.214. Restaurações em posição


após ajuste.

Figura 5.215. Vista palatina das


restaurações.

204
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.216. Preparo do elemento 12


para a confecção de uma restauração metal
free. Também em IPS e.max CAD (Ivoclar
Vivadent).

Figura 5.217. Técnica de afastamento


gengival utilizando dois fios sendo um
o "000" e o outro o "0", realizada para
promoção da moldagem digital.

Figura 5.218. Modelos digitais do preparo,


antagonista e da relação intermaxilar
obtidos.

205
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.219. Articulação dos modelos.

Figura 5.220. Término cervical delimitado.

Figura 5.221. Desenho da restauração do


dente 12.

206
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.222. Restauração obtida em


IPS e.max CAD (Ivoclar Vivadent) antes da
cristalização.

Figura 5.223. Vista vestibular da


restauração IPS e.max CAD (Ivoclar
Vivadent).

Figura 5.224. Ajuste proximal prévio à


cristalização.

207
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.225. Ajuste da proximal.

Figura 5.226. Ajuste estético do dente 12.

Figura 5.227. Coroa de IPS e.max CAD


(Ivoclar Vivadent) após o ajuste.

208
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.228. Programação para


cristalização do e.max selecionada no painel
de controle.

Figura 5.229. Coroa posicionada para a


cristalização.

Figura 5.230. Prova da coroa após a


cristalização e maquiagem.

209
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.231. Cópia da porção interna


das coroas para remoção do excesso de
cimentos.

Figura 5.232. Ataque com ácido


hidrofluorídrico a 9,5% por 20 seg.,
previamente à silanização na parte interna da
coroa de dissilicato de lítio – IPS e.max CAD
(Ivoclar Vivadent).

Ataque com ácido hidrofluorí-


drico a 9,5% por 20 seg., pre-
viamente a Silanização na parte
interna da coroa de Dissilicato
de Lítio - IPS e.max CAD - Ivo-
clar Vivadent

Figura 5.233. Acido hidrofluorídrico


a 9,5% .

210
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.234. Agente utilizado para


silanização.

Figura 5.235. Silanização.

Figura 5.236. Inserção do cimento


resinoso.

211
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.237. Remoção do excesso na


réplica.

Figura 5.238. Fixação da coroa com


cimento resinoso Rely X U100-3M ESPE.

Figura 5.239. Remoção do excesso do


cimento.

212
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.240. Colocação do fio retrator


para a cimentação.

Figura 5.241. Fio retrator em posição


pré-cimentação.

Figura 5.242. Remoção do excesso de


cimento.

213
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Figura 5.243. Remoção do excesso de


cimento com fio dental após a remoção do
fio retrator.

Figura 5.244. Vista vestibular do caso


finalizado.

Figura 5.245. Vista palatina do caso


finalizado.

214
Capítulo 5 O CAD Direto ou CAD de Consultório ou CAD Intraoral

Referências Bibliográficas
1. Poticny, D.J. e Klim, J. CAD/CAM in office technology. Innovations after 25 years for predictable,
esthetic outcomes. JADA, 2010, v.141, p5s-9s.
2. http://www.glidewelldental.com
3. Governi, L. Blois: A Comparative Analysis Of Intraoral 3d Digital Scanners For Restorative Dentistry.
The Internet Journal of Medical Technology. 2011 Volume 5 Number 1.
4. Correia ARM, Sampaio Fernandes JCA, Cardoso JAP, Leal da Silva CLC. CAD-CAM: informatics ap-
plied to fixed prosthodontics. Rev Odontol UNESP. 2006; 35(2): 183-89.
5. Uzun G. An Overview of dental CAD/CAM systems. Biotechnol & Biotechnol, 22, p. 530-535, 2008.
6. Noort,R.V. The Future of devices dental is digital.Dent Mat. 2012;28, p 3-12
7. (www.sirona.com)
8. (www.d4dtech.com)
9. (www.3m.com)
10. (http://www.cadentinc.com)
11. (http://www.3shapedental.com/restoration.aspx)
12. (http://www.cyrtina.nl)
13. (www.clon3d.com)
14. (www.zfx-dental.com)
15. (http://www.ios3d.com)
16. (http://www.a-tron3d.com/)
17. (www.hintel.com)
18. (www.densys3d.com)
19. (http://www.youtube.com)
20 http://www.dphotonics.com.

Agradecimentos
Os autores agradecem a colaboração da FAPEMIG, principalmente pela aprovação do
estágio técnico científico – ETC-00056-11 na UNC-USA, à própria UNC-USA, principal-
mente nas pessoas dos professores: Dr. Lyndon Cooper, Dr. Gustavo Mendonça, Dra.
Ingeborg De Kok e Dr. Ibrahim Duqum, autores do capítulo 9 e que tão bem nos
acolheram em nossa estada, à UFU principalmente as Áreas de Oclusão, Prótese Fixa
e Materiais Odontológicos e a de Dentística Restauradora e Materiais Odontológicos,
que uniram forças pra fazer um livro com a filosofia de Reabilitação da Faculdade de
Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia. À CAPES e CNPQ por bolsas e
projetos que direta ou indiretamente contribuíram com este capítulo, à empresa Neo-
dent na pessoa do Dr. Sérgio Rocha Bernardes, que tão prontamente nos ajudou com
importantes informações e às empresas Neodent, SmartOptics, Sirona Paraguay (Elize-
che SAC), Sirona do Brasil, e Nobelbiocare, únicas a responderem nossos questionários.
Finalmente nossos agradecimentos aos profissionais: CDs e TPDs que cederam fotos
para ilustrar o capítulo.

215
6
6
O CAM
Fernando Esgaib Kayatt, Flávio Domingues das Neves,
Marcel Santana Prudente e Thiago de Almeida Prado Naves Carneiro

Introdução
O desenvolvimento de um sistema CAD/CAM baseia-se em três elementos: 1) aquisição
dos dados, 2) processamento dos dados e 3) manufatura.1 O CAM (Computer-Aided
Manufacturing), como descrito no primeiro capítulo, refere-se ao processo de manufa-
tura, fabricação da(s) peça(s) planejadas no CAD, ou seja, é a materialização da imagem
virtual trabalhada no software do CAD. Desde que máquinas CNC (Controle Numérico
Computadorizado) foram desenvolvidas, o processo CAM foi também criado. Máquinas
controladas por computadores realizam os procedimentos de usinagem com alta pre-
cisão a partir de uma lista de movimentos escrita em um código específico.2 Tal código
permite o controle simultâneo de vários eixos para corte do material. Assim, a forma e
os cuidados do corte ou usinagem são respeitados e controlados de maneira automati-
zada.2 A tecnologia CAM reduz o tempo de programação manual da máquina e evita
possíveis erros de operação. Os programas gerados fornecem para a máquina de corte
os parâmetros essenciais para o funcionamento e realização das diferentes operações
de fabricação das peças. Essa tecnologia permite, ainda, a simulação rápida e completa
do formato final da peça e o armazenamento dos dados para confeccionar peças se-
melhantes.3 Ou seja, relaciona-se ao programa de computador, software, que, lendo a
programação do CAD, orienta qual movimentação (sequência e tipo) dos eixos da má-
quina será necessária para obter a(s) peça(s) com as mesmas características e proporções
propostas, podendo ser micrométricas. De maneira geral, quanto menos eixos uma má-
quina possui, menor, mais simples e mais barata ela será. Máquinas maiores têm mais
possibilidades de copiar pequenos detalhes e costumam ter um número maior de eixos.2
Esta tecnologia é utilizada na produção Industrial há muitos anos e foi introduzida
na Odontologia com a criação do sistema CEREC, que desde o início de seu desenvol-
vimento teve a filosofia de vender CAD, CAM juntos e equipamentos para equipar um
consultório odontológico.4,5 Assim, o sistema inclui uma fresadora pequena, capaz de
atender às necessidades de um consultório ou clínica pequena. No Capítulo 4 foram
descritos os escâneres de bancada ou de laboratório e ficou evidente que o Sistema
Procera – Nobel Biocare foi iniciado com uma nova filosofia de logística de trabalho
na qual uma central de fresagem iniciou o atendimento de centenas de usuários. Mais
tarde as empresas disponibilizaram equipamentos intermediários, que pudessem ser
montados em grandes laboratórios de prótese, não se restringindo mais a um grande
centro. Assim, hoje encontramos no mercado as três possibilidades para atender a parte
de manufatura (CAM) dos sistemas CAD/CAM em Odontologia:

1. Equipamentos para consultório: fresadoras de porte pequeno (CEREC e E4D).


2. Equipamentos para grandes laboratórios (LAVA – 3M ESPE, Zirkonzahn, Cercon etc.).
3. Centrais de usinagem (Neo-Shape e Nobel-PROCERA) ou usinagem Industrial.2

217
Capítulo 6 O CAM

Além dessa diferenciação, também é importante discutir a classificação: sistemas


abertos e sistemas fechados. Os sistemas abertos aceitam arquivos (normalmente .STL)
oriundos de diferentes escâneres, enquanto os fechados trabalham apenas com informa-
ções geradas dentro dos módulos de aquisição, planejamento e confecção do próprio
sistema. Cada vez mais e mais sistemas se declaram como abertos.1
Quanto ao procedimento de confecção (manufatura), pode-se utilizar o processo
de subtração, mais encontrado nos sistemas do mercado odontológico ou por adição,1
método que fabrica um objeto 3D, depositando camada por camada. Esse método
por adição teve início na construção rápida de protótipos, mas hoje começa a disputar
espaço mercadológico com as manufaturas por desgaste. Há pelo menos cinco dessas
técnicas, dentre elas a estereolitografia e a laser power forming.1 A velocidade, o cus-
to, a confiabilidade e a precisão dos processos de obtenção dos trabalhos protéticos
direcionarão o andamento comercial das técnicas de manufatura, seja por desgaste,
seja por acréscimo.
Como foi realizado nos Capítulos 4 e 5, ao descrever alguns escâneres, segue des-
crição de algumas máquinas de CAM de alguns sistemas de CAD/CAM em Odonto-
logia Restauradora.

Fresadoras Disponibilizadas
InLab MC XL- Sirona Dental System
O InLab MC XL da empresa Sirona Dental System é um sistema CAM que tem quatro
motores de fresagem e um quinto eixo virtual que promove uma grande produção a
nível laboratorial e em nível de consultório, gerando restaurações em alta velocidade,
com precisão, volume de usinagem e versatilidade (Figura 6.1). O sistema consegue
produzir restaurações unitárias, parciais, infraestruturas e até restaurações mais exten-
sas. Os blocos para usinagem apresentam dimensões personalizadas de acordo com a
extensão da restauração a ser fresada. O sistema de encaixe permite a instalação dos
blocos na fresadora, seguida pelo aperto do parafuso de fixação dos blocos (Figuras
6.2, 6.3 e 6.4). O tempo de usinagem varia de acordo com a extensão da peça e do
material. Por exemplo, a usinagem de infraestruturas de zircônia de quatro elementos
é realizada em um período de 40 minutos. Restaurações extensas, de até 12 elemen-
tos, são passíveis de serem fresadas em blocos maiores, de 85 × 40 × 22 mm. Atualiza-
ções recentes do sistema permitem também o uso de blocos maiores para usinagem
de várias restaurações em um único bloco, permitindo a redução de custo por unidade
e utilização de uma maior extensão do bloco. Esses blocos maiores tem a vantagem
de programação e usinagem de várias peças durante o período noturno. O sistema
trabalha também com vários materiais, como zircônia, feldspática, dissilicato de lítio,

Figura 6.1. Fresadora InLab MC XL – Sirona Dental System.

218
Capítulo 6 O CAM

Figura 6.2. Tamanho de blocos variados, dependentes da


extensão da restauração a ser usinada.

Figura 6.3. Instalação do bloco de usinagem, com ferramenta


própria para o aperto do bloco.

Figura 6.4. Bloco cerâmico instalado na máquina para


usinagem de uma restauração.

leucita e resinas reforçadas. Uma precisão de usinagem de 25 µm é alcançada inde-


pendentemente da indicação e do material.6 Além dessa precisão, sinais luminosos são
emitidos pela fresadora durante a sua operação e trazem segurança ao sistema: a luz
azul é emitida quando o processo de usinagem está ocorrendo dentro dos padrões (Fi-
gura 6.5). Alterações de cor para o vermelho indicam a existência de algum problema
no sistema ou a necessidade de manutenção, por exemplo, a colocação de um bloco
menor do que a restauração planejada, e também será mostrada no painel uma men-

219
Capítulo 6 O CAM

Figura 6.5. Sinal luminoso azul emitido no processo de usinagem


correto das peças.

sagem referente ao problema (Figura 6.6). A luz verde é acionada quando a máquina
for ligada e estiver em condições de operação e quando o processo de usinagem for
concluído (Figura 6.7). No período de usinagem, é possível verificar em um pequeno
visor o andamento do processo em relação ao tempo e a porcentagem já fresada da
restauração. Após a conclusão do processo, a restauração pode estar presa ao bloco por
uma haste ou pode ter se destacado durante a conclusão da restauração e se localizar
no fundo da máquina (Figuras 6.7 e 6.8).

Figura 6.6. Sinal luminoso vermelho indicativo de irregularidade na máquina. A. Painel da fresadora alertando um erro
no processo de usinagem.

Figura 6.7. Sinal luminoso verde indicativo de que a fresadora


está pronta para o uso ou finalização do processo e restauração
localizada no fundo da máquina.

220
Capítulo 6 O CAM

Figura 6.8. Restauração unida pela haste ao bloco durante a


conclusão da restauração.

As máquinas de usinagem InLab MC XL com número de série acima de 120.000,


além de usinar uma grande opção de restaurações, podem ainda usinar modelos. Isso
significa que esta máquina em específico garante aos laboratórios importar e proces-
sar impressões digitais (Sirona Connect), fabricar modelos e criar restaurações CAD/
CAM em alta qualidade. Os segmentos dos modelos estão sendo usinados em blocos
de poliuretano usando o inLab MC XL e brocas específicas para usinagem desses blo-
cos. Esse método é particularmente adequado para a fabricação de modelos de maxila
parciais para confecção de restaurações unitárias, bem como infraestruturas de restau-
rações de pequena extensão posterior. A empresa pretende, em breve, usinar modelos
de arcos totais utilizando um único bloco no InLab MC XL. Economia de tempo será
o foco principal na produção de modelos, facilitando a retenção da cadeia da produ-
ção digital dentro do próprio laboratório, não sendo preciso buscar outros sistemas.6
Ressalta-se que na Europa e Estados Unidos a Sirona disponibiliza duas fresadoras,
há uma semelhante à “in Lab”mas que usina apenas coroas totais e restaurações par-
ciais, não faz estuturas de Zircônia.

E4D Mill – by D4D Technologies, LLC (US)


E4D é um sistema de CAD/CAM para impressão digital que não necessita de utilização
de pó para o escaneamento. Após a digitalização, a restauração é desenhada e enviada
para a fabricação de coroas, inlays, onlays e laminados no consultório ou no laboratório.
A fresadora do sistema recebe o nome de E4D Mill e apresenta três eixos de trabalho
(Figuras 6.9 e 6.10). A comunicação do escâner com a fresadora pode ocorrer também

Figura 6.9. Fresadora E4D Mill – by D4D Technologies, Figura 6.10. Compartimento interno E4D Mill
LLC. mostrando os eixos de trabalho da máquina.

221
Capítulo 6 O CAM

através do envio de dados gerados no escâner com o E4D Sky Network. O sistema de
CAD para laboratórios possui o software E4D Labworks Clone, que vai otimizar os tra-
balhos em relação a procedimentos como replicação da dentição preexistente, restau-
ração temporária e enceramentos diagnósticos de modo simples. O sistema CAM tem
também uma capacidade de reproduzir restaurações com grande fidelidade aos dentes
adjacentes planejadas pelo E4D Labworks e usinadas pelo E4D Mill.7 O Sistema tem uma
fresadora automática que necessita da inserção do bloco para o processo de usinagem
se iniciar, uma vez que a concessão de dados em relação ao tamanho e material que
constituem o bloco já foi informada após o desenho da restauração e antes do envio para
usinagem. Após esse passo, serão mostrados na tela da E4D Mill dados sobre o tempo
gasto para usinagem e a porcentagem do processo que já foi realizado (Figura 6.11).
Se algum problema encontrado pelo sistema, uma mensagem de alerta é gerada e o
início da restauração não é permitido ou a interrupção do sistema de fresagem ocorre
imediatamente. Sinais de alerta também são gerados no momento da necessidade de
mudanças das fresas e também em relação ao nível de água, dentre outros, que estão
localizados no visor (Figura 6.11). A adição de um lubrificante junto ao sistema de arre-
fecimento de água é necessária para a fresagem dos blocos e, devido à espuma gerada
por ele é necessária a aplicação de um spray que reduzirá o nível de espuma durante a
fresagem. Após completar a usinagem do bloco será emitida na tela uma mensagem
de que a usinagem foi completada e a tampa irá se abrir automaticamente. O sistema
garante praticidade e volume de trabalho equivalente a fluxo de consultório e labora-
tórios pequenos.

Figura 6.11. Mensagem informando o tempo gasto na usinagem


da restauração e a porcentagem da restauração usinada. No visor
também temos ícones que mostram a vida útil das brocas de
usinagem e indicam o nível de água.

Neoshape – Neodent
É um sistema CAD/CAM localizado no Complexo Industrial Neodent, que é constituído
por um escâner de bancada da empresa 3Shape e de um Centro de Fresagem dedica-
do exclusivamente ao sistema CAD/CAM Neoshape. O processo de fabricação inicia-se
após o recebimento do arquivo 3D, já projetado pelo técnico em prótese do sistema,
utilizando o software de modelagem CAD. Em seguida, o software CAM define a melhor
estratégia para a produção do arquivo recebido, levando em consideração as dimensões
e as particularidades de cada caso, a fim de se chegar ao resultado exatamente idêntico
ao projetado pelo profissional. As máquinas de última geração, Fresadora High-Speed
de cinco eixos, executam a fresagem de forma eficiente e com alta precisão, possibi-
litando a fabricação desde copings unitários até arcos totais (Figura 6.12). Concluídos
todos os procedimentos de fabricação, os produtos são enviados diretamente ao pro-
fissional, que realiza a estratificação da porcelana e garante a qualidade estética de seu
trabalho.8 Pode-se concluir aqui que este sistema tem caráter industrial, oferecendo
maior volume de trabalhos, diferentemente dos sistemas CEREC e E4D, mencionados
anteriormente, que têm caráter de consultório e laboratório de pequeno porte.

222
Capítulo 6 O CAM

Figura 6.12. Fresadora Neoshape-Neodent.

Caddent
É uma empresa alemã que possui um centro de usinagem Augsburg and Munich que
cobre todas as tecnologias de CAD/CAM para dentistas e centros universitários. Possui
um time que confere experiência, alta qualidade de funcionários e alto nível de pro-
dutividade. O centro oferece aos parceiros o escâner sem nenhum custo ou subsidia a
aquisição desses equipamentos. Possui tecnologia de CAM por processo de usinagem
e processo laser melting. A tecnologia de usinagem possui uma fidelidade de reprodu-
ção hábil a atingir uma precisão única. A máquina usina a zircônia como material, que
é considerado um ouro branco na região alemã. Todos os funcionários do laboratório
possuem grande familiaridade com esta cerâmica de alta performance que produz
coroas unitárias, infraestruturas totais e parciais, onlays telescópicas, como também
reconstruções de boca toda. A vantagem da zircônia é a extrema estabilidade, resis-
tência e biocompatibilidade tecnológica ao laser melting, permitindo a produção de
várias peças em curto espaço de tempo, não deixando de lado a exatidão e a precisão.
A produção de modelos de fundição também está disponível nessa tecnologia. Outra
inovação do sistema é realizar próteses parciais de metal. A liga metálica em que as
próteses parciais são confeccionadas é comparável às ligas de aço industrial e é, entre-
tanto, superior a todas as outras ligas de fundição utilizadas na odontologia. O sistema
laser melting é de extrema eficiência, agilidade e precisão. As máquinas de usinagem
a laser processam os seguintes materiais: zircônia, titânio puro, ligas de titânio, CrCo,
PMMA e cera. O centro CAM recebe arquivos do escâner 3Shape D200/D250/D500/
D640/D700/D710/D800/D810, Wieland – S100, OpenScan of HEIMERLE+MEULE, De-
gudent, Sirona, Amann Girrbach, Schütz, Smart Optics, Etkon, Zirkonzahn e todos os
outros escâneres abertos.9 Nota-se aqui que a logística empregada por essa empresa
dispõe de máquinas de diferentes tecnologias, para atender a um padrão de demanda
maior, apresentando uma variedade de materiais e confecção dos mais diversos tipos
de prótese, acelerando e digitalizando todo o processo de usinagem e confecção, re-
duzindo custo, mão de obra e volume de resultados finais.

IOS Technologies, INC.


O sistema tem como ponto forte o escâner, trazendo a facilidade de digitalização de
modelos e planejamento das restaurações. Além disso, não há no site informações de
um sistema CAM próprio, mas orienta a submissão dos modelos digitais gerados ou
planejamentos para o Glidewell Laboratories para a confecção de copings, pontes, infra-
estruturas, restaurações de zircônia, pilares de implantes e coroas de dissilicato de lítio.10

Lava™ CNC 500 Milling System – by 3M ESPE (US)


O sistema Lava™ apresenta um sistema de usinagem designado Lava™ CNC 500
Milling System que opera com 3 a 5 eixos, podendo trabalhar 76 horas seguidas com

223
Capítulo 6 O CAM

Figura 6.13. Fresadora Lava™ CNC 500


Milling System – by 3M ESPE (US). (Laboratório
ERO Prótese - São Paulo, sob coordenação do
TPD Elias Rosa de Oliveira.)

múltiplos materiais (Figura 6.13). O sistema de cinco eixos é essencial para laboratórios
que pretendem realizar usinagem de pilares. Já o sistema de três eixos funciona com
um sistema de usinagem convencional e que não tem capacidade de usinar metais.
O CNC Lava™ 500 Milling System tem um local para armazenamento de 500 peças,
permitindo carregar e descarregar uma variedade de tipos de blocos, sem interromper
o processo de usinagem (Figura 6.14). A usinagem de até 21 quadros, perfazendo 10
unidades por quadro, é possibilitada pelo Sistema (Figura 6.15). A janela de visualiza-
ção e o centro de controle touchscreen são facilidades encontradas, a troca das fresas
depende do material escolhido, e caso haja colocação incorreta o sistema informa o
erro. Restaurações como coroas unitárias, pontes de 3, 4, 5 e 6 elementos, infraestru-
turas curvas ou não até 48 mm de comprimento, inlay e onlay e pilares de implantes
são fabricados por este sitema de 5 eixos. A empresa possui variedade de zircônia e
uma resina reforçada por zircônia altamente resistente (Lava™ Ultimate Restorative).
A Lava™ Ultimate Restorative Crowns é indicada na fabricação de coroas implantossu-
portadas, onlays, inlays e facetas. O sistema conta com outros tipos de materiais, como
cera e outras cerâmicas, além da zircônia e resinas reforçadas citadas anteriormente.

Figura 6.14. Porção interna da fresadora Lava™ CNC 500 Figura 6.15. Bloco de zircônia fresado. Várias restaurações
Milling System – by 3M ESPE (US). aumentam a eficiência e reduzem o custo pelo sistema Lava™.

224
Capítulo 6 O CAM

Sistema Procera® – Nobel Biocare


O sistema Procera conta com um escâner próprio fechado, ou seja, os centros de usi-
nagem somente usinam arquivos gerados do escâner Procera Nobel Biocare (Procera
MOD 40, Procera MOD 50, Picollo e Escâner Forte). Para atender à demanda de con-
fecção de restaurações, vários centros localizados em Estocolmo, Mahwah, Tóquio e
Quebec pretendem flexibilidade e eficiência na confecção. Os centros confeccionam
restaurações de dentes e implantes unitário, arco total e também barras de overdentures.
Restaurações do Procera são obtidas por meio de diferentes materiais como: alumina,
zircônia, titânio, ligas de metais básicos com CrCo, acrílico e dissilicato de lítio. Em sua
grande maioria, os materiais são sinterizados e usinados para garantir o sucesso, como
adaptação interna e marginal precisa, estabilidade mecânica e biocompatibilidade. No
catálogo existe ainda a orientação da escolha do material a ser utilizado para confecção
da restauração em relação à extensão da prótese, facilitando a indicação e o sucesso do
tratamento reabilitador. O sistema concede garantia aos serviços englobando restau-
rações unitárias a próteses de 14 elementos. Além dessas próteses também se realiza a
confecção de pilares individualizados, garantindo sucesso e estética. Para a confecção
desses serviços sobre implantes é necessária a instalação de um localizador do posicio-
namento do implante para o escaneamento do modelo. A fabricação de restaurações
tanto sobre dente quanto sobre implante ocorre 24 horas por dia e sete dias por semana
em todos os locais de produção desenhados e equipados para acomodar volumes de
processos flutuantes, eficiência, pequeno tempo e previsibilidade. Recebem arquivos do
tipo XML. Todos os passos de produção da Nobel são monitorados e calibrados, sendo
todos os materiais que vão entrar na linha de produção testados e com o certificado de
qualidade. Para isso, etiquetas de autenticidade rastreáveis do material oferecem uma
garantia abrangente de cinco anos, apoio local direto. Este fato também gera subpro-
dutos de formação, parcerias com fornecedores de material líderes no mercado visando
a obtenção de soluções verdadeiramente completas.12

Zfx Zhan CAM


A empresa Zfx Zhan possui como ponto forte o desenvolvimento de um escâner in-
traoral que permite a digitalização dos dados e o não uso de materiais de moldagem
como visto no capítulo anterior. Os dados do modelo digital permitem o planejamento
de restaurações no software Zfx CAD não somente de coroas e infraestruturas como
também de barras, attachments, pilares e barras parafusadas. O sistema apresenta duas
opções de fresadoras uma mais compacta e outra localizada em um centro de usina-
gem. Para a confecção de restaurações mais simples, o sistema conta com uma unida-
de de usinagem (CAM) compacta para laboratórios, que tem quatro eixos que usinam
a seco o dióxido de zircônio, PMMA e cera disponível, com uma estratégias otimizada
de precisão. Dependendo do tamanho do laboratório e da demanda de restaurações,
pode ser economicamente viável para a produção de infraestruturas de zircônia, bem
como estruturas temporárias de PMMA e cera, para esta opção compacta. Restaura-
ções mais complexas já são produzidas no centro de usinagem e, para isso, o sistema
usa uma fresadora de cinco eixos que permite a confecção de restaurações em dente
e sobre implante, como infraestruturas, inlays, onlays, facetas, pilares, barras e attach-
ments. A companhia oferece, para serviços sobre implante, uma base de titânino (Zfx
titanium bases) para a confecção de pilares individuais, que tem duas peças. A série de
desenho regular é similar a base de titânio de outros fabricantes e é personalizada espe-
cialmente para pacientes com espessura gengival delgada. A empresa garante entrega
de serviços em cidades a 50 km do centro de usinagem em 72 horas para restaurações
que vão ser escaneadas, desenhadas e usinadas a partir do modelo de gesso, e 48 horas
para as restaurações que já foram digitalizadas e que só precisam ser fresadas. Todos
os componentes do sistema têm interfaces abertas, ou seja, os arquivos gerados pelo
CAD podem ser enviados a qualquer fresadora, e o CAM do sistema também recebe
arquivos para processamento de qualquer escâner aberto. A proximidade de centros
de usinagem não é possível, pois não consta nenhuma filial na América do Sul e so-
mente uma na América do Norte, localizada no estado da Califórnia, Estados Unidos.13

225
Capítulo 6 O CAM

A.tron 3D (AS)
A A.tron 3D é uma empresa austríaca que desenvolveu uma câmera intraoral que permite
o escaneamento da boca e o envio para confecção de modelos através de um sistema
CAM. Portanto, o sistema CAM possui o único objetivo de gerar modelos e alcançar
níveis de precisão e eficiência das impressões digitais por meio da câmera de luz azul
(blue scan-I), moderna ferramenta de CAD que por consequência permite a geração
de modelos muito próximos do real. Para isso o sistema conta com uma máquina de
usinagem moderna de cinco eixos que opera em padrões mais elevados de precisão,
com tempos de usinagem menores, com tecnologia flexível e controle de produção
de um modelo de baixo custo, mas de alta qualidade em menos de 30 minutos. Uma
empresa experiente, líder de mercado alemão, em conjunto com a Atron desenvolveu
a articulação dos modelos obtidos.14

Cercon® Brain
A Cercon possui uma nova geração de fresadora denominada Cercon® brain, que apre-
senta precisão, velocidade e economia. A facilidade de manuseio do seu antecessor foi
aumentada por unidades lineares com rolamentos de contato, cuja ação de alta veloci-
dade permite o controle ainda mais preciso e ágil da unidade fresadora de alta velocida-
de. Discos de vários materiais diferentes e tonalidades são usinados, enquanto o conceito
multi-milling assegura que todas as matérias-primas são utilizadas de uma maneira efi-
ciente e econômica. O Cercon possui várias opções de materiais como zircônia, PMMA,
poliuretano, ceras. A empresa ainda orienta a utilização de zircônia para confecção de
copings primários para coroas telescópicas, zircônia translúcida para confecção de co-
roas e próteses parciais, PMMA para pilares personalizáveis, resina para restaurações
provisórias e cera para confecção de infraestrutura para fundição. A empresa Cercon
apresenta resultados clínicos dos produtos disponíveis de forma tão segura quanto as
restaurações convencionais do tipo metalocerâmicas. Estudo clínicos de longo prazo
mostraram que os resultados de infraestruturas de Cercon zircônia são comparáveis às
pontes de metalocerâmica15 e a sobrevida dessas próteses foi de 100% em 40 meses de
observação. Além disso, a Cercon oferece a mais ampla gama de indicações de estudos
clínicos em pontes cantilever16 e em pontes de grande extensão,17 tendo demonstrado
alto nível de segurança em diferentes situações clínicas. A Cercon produz também uma
zircônia única, com um conceito de recobrimento cerâmico suportado cientificamente.
Estudos incluem pesquisas in vitro e clínicas, mas também observações naturalísticas
que promovem a aceitação do produto.18 A fresagem da zircônia é feita sob medida,
compensando exatamente a contração de cada lote sinterizado no Cercon Heat. Para
isso, previamente à fresagem, um código de barras no bloco de zircônia informa, de
modo preciso, a sua contração para que esta seja compensada durante a fresagem. O
sistema Cercon trabalha também com a confecção de pilares sobre implantes perso-
nalizáveis, complemento para pilares pré-fabricados, pilares de duas peças e diferentes
sistemas de implantes como Dentsply Friadent, Astra Tech, Biomet 3i, Camlog, Nobel
Biocare, Straumann, Zimmer, isto é possível com o uso de uma base metálica sobre a
qual é desenvolvida o pilar personalizável.19

KaVo Everest Engine


O sistema Kavo, como já mencionado em capítulos passados, comercializa três escâ-
neres diferentes denominados: Everest Scan Pro, Everest Scan II, 3Shape Scanner, que
possuem a vantagem de escaneamento múltiplos de próteses, pela disponibilidade dada
pelo software. Essa capacidade, principalmente do planejamento de próteses sobre pi-
lares adjacentes, é uma vantagem que não é só deste sistema, mas está levando outras
empresas a atualizarem os softwares para possibilitarem este mecanismo que garante
facilidade pela redução de tempo e, portanto, do custo. A usinagem destas peças (CAM),
ponto forte a ser considerado neste capítulo, é possibilitada pela fresadora Everest CAM,
que tem design extremamente compacto e cinco eixos para a usinagem, desenvolvido
especialmente para o trabalho em laboratório de prótese dental. Estes cinco eixos X, Y,

226
Capítulo 6 O CAM

Z, A e B receberam um sistema giratório de 240° com eixo duplo para a realização de


uma usinagem por desgaste preciso, com velocidades variáveis de rotação entre 5.000
e 80.000 rpm dependentes do material a ser utilizado, gerando elevada escala de mo-
vimento, com grande oferta de ângulos para alcançar a máxima precisão nos processos
de usinagem e máxima produtividade. O Everest CAM é uma fresadora de corpo sólido,
que apresenta amortecimento de vibração, reduzido os ruídos e também um comparti-
mento de abertura vertical na região frontal da máquina que permite fácil acesso à célula
de usinagem, além um sistema de refrigeração fechado com circulação de lubrificantes.
Os fluidos que participam do processo de refrigeração passam por um sistema separa-
dor de sólidos. O sistema oferece usinagem de coroas, inlays, onlays, facetas, infraestru-
turas de até 14 elementos, com excelência uniforme. O sistema Everest apresenta uma
particularidade que permite a fresagem de restaurações e infraestruturas sem a necessi-
dade de espessura marginal adicional, necessidade de cortar as barras de retenções da
restauração e pode produzir restaurações com até 60 mm de comprimento anatômico.
Para a usinagem dessas restaurações extensas ou para processo de usinagem de várias
restaurações em um só bloco (Restauration Overnight), blocos circulares são oferecidos.
O sistema disponibiliza para usinagem materiais como dissilicato de lítio, resina acrílica,
PMMA,titânio, leucita feldspática, zircônia e metal. Materiais como titânio, zircônia e
materiais restauradores temporários estão disponíveis em discos que permitem a fabri-
cação de até 25 unidades, isto concede ao laboratório produção por toda noite e, em
particular neste sistema de fresagem de disco, barras de retenção são utilizadas. O ma-
terial metálico disponível para trabalho é um cromo cobalto livre de níquel, que possui
alta adesividade na cimentação e alta biocompatibilidade. Esse material permite uma
usinagem incomparável em CAD/CAM e não promove reação marginal e descoloração
da gengiva marginal.20 Em um recurso de software de ponta, o Everest trabalha também
no campo da tecnologia de implante. Estruturas de implantes podem ser digitalizadas
e construídas sobre bases metálicas. Para otimizar a construção de pilares, a Kavo man-
tém uma parceria com o Neoss, que oferece pilares para implantes de empresas como
Straumann, Nobel Biocare e 3i, que podem ser obtidos diretamente e individualmen-
te em CAD, em laboratórios. Infraestruturas também podem ser geradas por meio de
um pacote de software adicional e materiais como zircônia e titânio estão disponíveis.20

Sistema Zirkonzahn®
É um sistema flexível, aberto e com tecnologia de fresagem de 5 eixos com movimento
contínuo, em que o estado de fresagem é indicado pela iluminação LED policromática,
e o estado do processo de confecção das próteses é possível de ser consultado pelo
sistema on-line e controlado por meio de celular e internet. A capacidade de produção
diária é de aproximadamente 100 unidades (Figuras 6.16 e 6-17). Tem ampla gama

Figura 6.16. Fresadora Zirkonzahn®. Laboratório ERO


Prótese – São Paulo, sob coordenação do TPD Elias
Rosa de Oliveira.) Figura 6.17. Interior da Fresadora Zirkonzahn®.

227
Capítulo 6 O CAM

de indicações, como: coroas e pontes, modelos, estruturas aparafusadas, barras, atta-


chments, pilares de implantes. Aceita blocos de até 30 mm de altura de diversos ma-
teriais, como zircônia pré-sinterizada, alumina pré-sinterizada, resinas e cera (Figuras
6.18, 6.19, 6.20). A empresa pretende usinar metal, cerâmicas e também atualizações
para novas tecnologias do futuro: plasma e lazer.21

Fig.6.18.Figura 6.18. Bloco de zircônia para fresadora Figura 6.19. Porção superior de um pilar estético
Zirkonzahn®. confeccionado pela fresadora Zirkonzahn®.

Figura 6.20. Porção inferior do hexágono externo de um


pilar estético confeccionado pela fresadora Zirkonzahn®.

Organical Milling Machine


A Organical conta com uma variedade de fresadoras a 5× Multi (Figuras 6.21 e 6.22).
As diferentes máquinas de usinagem fresam uma variedade de materiais, como cerâ-
micas, titânio, nióbio e titânio, Cr-CoMo, zircônia, materiais plásticos, resinas e cera
(Figuras 6.23 e 6.24). A última geração de máquina de cinco eixos Multi possui sis-
tema de fresagem com refrigeração a água, o que os outros modelos não possuíam,
sendo todos outros a seco e com refrigeração a ar (Organical 5×, 4×M, 4×T). A Or-
ganical 4×-T é uma destas e possui 4 eixos de usinagem a seco de materiais como
zircônia e acrílico até pontes de 14 unidades, perfazendo 18 minutos por unidade
usinada. Esses sistemas de usinagem a seco não atendiam o mercado em relação a
custo operacional e em relação a disponibilidade de materiais para usinagem, como

228
Capítulo 6 O CAM

Figura 6.21. Fresadora Organical Multi.


(Laboratório ERO Prótese – São Paulo, sob
coordenação do TPD Elias Rosa de Oliveira.) Figura 6.22. Vista aproximada da Organical Multi.

Figura 6.23. Bloco metálico instalado Organical Multi para


confecção de infraestrutura.

Figura 6.24. Blocos fresados parcialmente estocados para


fresagem das partes intactas.

229
Capítulo 6 O CAM

titânio, ligas de titânio e cerâmicas. Assim foi desenvolvido o centro de fabricação


Organical Multi & changer 80 completamente automatizado, adequado pela preci-
são de usinagem utilizando cinco eixos de uma precisão equivalente a 2 micra em
qualquer material disponível. O nível de ruído durante a operação, necessidade de
manutenção muito baixa e facilidade de reposição e troca de materiais com poucas
intervenções manuais são facilidades do sistema, que permite produção de 24 horas
sem necessidade de vigilância, especialmente para vidro cerâmico em uma grande
variedade de tonalidades.
As máquinas do sistema possuem ainda interface aberta e recebem arquivos do
tipo STL.22 É interessante colocar aqui, neste momento, que as empresas possuem uma
diversidade de opções de máquinas para a usinagem de materiais, porém para aquisição
de uma delas é necessário conhecer alguma que atenderá ao padrão de demanda do
consultório e até mesmo do laboratório. Laboratórios de alta demanda necessitam de
máquinas maiores, sem considerar que se pode reduzir a necessidade de funcionários.
A empresa também conta com um sistema para acelerar o processo de enceramento
tanto de armações de próteses parciais removíveis quanto de infraestruturas de próte-
ses fixas convencionais, otimizando esta fase laboratorial.22

Straumann
A empresa Straumann, destacada no setor da implantodontia, possui também uma
tecnologia para confecção de próteses pelo sistema CAD/CAM. Possui dois sistemas
de escâner: um intraoral (Cadent iTero), resultado de uma parceria entre Straumann e
Cadent e o Straumann® CARES® Scan CS2 que é um escâner de bancada do sistema,
com a capacidade de digitalizar modelos mestre sólidos, troqueis e modelos antagô-
nicos. O escâner também tem nova capacidade morphing, o que automaticamente
desenha um dente totalmente restaurado com inlays, onlays, facetas ou coroas par-
ciais. Para o sistema CAM houve investimentos de tecnologia de usinagem de alta ve-
locidade de corte com cinco eixos, de grande porte, pesando de 4,2 e 6,7 toneladas,
livres de vibrações e chegam a uma velocidade de no máximo 10 metros por segun-
do, criando margens afiadas e superfícies lisas. A rotação máxima de 30.000 U/min
usina a parede mais delicada e é concebida para alcançar alta precisão na restauração
dentária. A Straumann possui dois centros de usinagem de próteses de alta precisão
CAD/CAM: um em Arlington (EUA) e um em Leipzig (Alemanha). A empresa oferece
a usinagem de pilares personalizados em zircônia e em titânio assegurando forma,
tolerância, qualidade de superfície e dos materiais. Oferece também a confecção de
restaurações unitárias, reabilitações totais de até 16 unidades e facetas para cavida-
des, dentes e pilares. Como também inlays, onlays, infraestruturas e coroas. Oferece
várias opções de materiais como resina nano, cerâmica, zircônia, titânio, cobalto cro-
mo, acrílico, PMMA.23

Sistema CUBO
O sistema CUBO é uma central de confecção de restaurações, infraestruturas e barras
localizada no Brasil que poderá realizar seus trabalhos após o desenho CAD. O envio da
restauração é realizado por um software em nuvem concedendo agilidade e eficiência
no envio. O Sistema CUBO conta com dois processos de obtenção de peças: o sistema
de usinagem convencional por desgaste e o sistema a laser por adição. O processo de
usinagem é o mais comum para criação de copings e pilares em zircônia, mas também
utilizado para criação de estruturas em metal com um acabamento excepcional. Utili-
za blocos maciços de zircônia, metal (CoCr, Titânio, NiCr), acrílicos (transparentes ou
com tonalidades VITA) e poliuretano (para criação de modelos ortodônticos) que são
desgastados no formato criado pelo software CAD ou arquivos gerados diretamente
pelo escaneamento. A grande vantagem é que os materiais não são aquecidos ou fun-
didos, o que preserva suas características físicas e químicas. Isso significa que modelos
e guias têm resistência excepcional, sobre metais e zircônia. CUBO é a única empresa

230
Capítulo 6 O CAM

em toda América Latina que utiliza a tecnologia a laser de adição para obtenção de
próteses dentárias. O equipamento que produz essa tecnologia é chamado de EOSINT
M 280, que utiliza pó metálico para criar infraestruturas de diversos formatos. Em linhas
gerais, é uma impressora tridimensional de metal, permitindo confecção de copings,
abutments e barras a preços competitivos e com excepcional qualidade. As peças gera-
das por esse sistema são submetidas a um processamento para dissipar tensões induzi-
das pelo processo, além de uma limpeza superficial através de jateamento de óxido de
alumínio. Após esse processo, as peças geradas são tão precisas quanto as usinadas, a
um custo muito menor.24

RENISHAW
O sistema Renishaw tem escâner e fresadora para laboratório que utilizam um mecanis-
mo patenteado não cartesiano. Ao contrário dos projetos convencionais, este fornece
uma estrutura leve e de custo baixo que permite alta velocidade de processamento. Isto
significa que mesmo laboratórios menores podem acomodar um escâner, enquanto
laboratórios maiores podem oferecer um serviço completo de CAD/CAM a partir de
uma única bancada. Depois da conclusão do projeto da restauração, os dados podem
ser enviados tanto para centrais de usinagem da Renishaw quanto para fresadoras,
que podem ser adquiridas para laboratório próprio. A fresadora se encaixa facilmente
em cima da bancada e pode fresar de 15 a 30 estruturas de cerâmica a partir de um
único bloco de zircônia, incluindo pontes de até oito elementos. Tem um tempo de
fresagem de apenas 30 minutos por unidade. Uma única fresadora é suficiente para
atender às necessidades da maioria dos laboratórios. O sistema fresa copings para co-
roas posteriores e anteriores, infraestruturas de 2 a 8 unidades, pilares personalizados
e enceramentos. O sistema fresa materiais como a zircônia, CrCo, cera, polimetacrilato
e titânio. Na Europa há a disponibilidade de o CrCo ser pré-sinterizado para usinagem
e a sinterização é realizada a laser.25

Considerações Finais
O objetivo deste capítulo não é nortear uma aquisição de fresadora, e as informações
aqui contidas podem em pouco tempo ser meramente históricas devido aos constantes
aperfeiçoamentos das máquinas do sistema CAM para atender os diversos materiais que
são desenvolvidos. Foi realizada a construção de um quadro com os diferentes sistemas
de CAM para enumerar diferentes tecnologias do sistema (Tabela 6.1), como também
sua procedência comercial, tipo de restauração a ser usinada e suas opções de mate-
riais. Entretanto, alguns fatores devem ser analisados na relevância dos sistemas CAM.
Em primeiro lugar, a acurácia, a precisão e a simplicidade em manuseá-la, rapidez do
processo e produção compatível com a do laboratório, consultório ou centro de usina-
gem. Em segundo lugar, o fato de o sistema ser aberto ou fechado confere flexibilidade
ou uso somente de uma fresadora, assim seria ideal que laboratórios tivessem essa in-
terface aberta e que consultórios pudessem optar pela escolha segundo vários pontos
colocados anteriormente. Em terceiro lugar, devemos considerar o fato de o sistema
apresentar tecnologia de deposição ou de desgaste. E a opção de desgaste mostrou
em um contexto histórico definir precisão e riqueza de detalhes com o aumento de
eixos de usinagem e pela necessidade de usinagem de restaurações sobre implantes
e confeccionadas por metais. Já a tecnologia por adição de camadas há de ser consi-
derada pelo fato de gastar menor quantidade de material, possuindo destaque e foco
das empresas no sentido de reduzir o custo do processo e o desperdício do material.
Todos esses aspectos são de fundamental importância e devem ser considerados em
um Sistema CAM.
A Tabela 6.1 procura orientar as diferenças entre os vários sistemas disponibilizados
comercialmente.

231
Capítulo 6 O CAM

Tabela 6.2. Diferentes Sistemas CAM


Consultório/
laboratório/ Estrutura ou
Empresa Nome do CAM industrial Número de eixo prótese Materiais

Straumann Fresadora de alta Industrial 5 Sim Resina nano, cerâmica,


velocidade de corte zirconia, titânio, cobalto
cromo, acrílico, PMMA.
Organical Orgnical 5x multi, 5x, Industrial/ laboratório 5/4 Sim Cerâmicas, titânio, nióbio
4xM, 4x titânio, Cr-CoMo,
zircônia, materiais
plásticos, resinas e cera
Kavo KaVo Everest Engine Laboratório 5 Sim Dissilicato de lítio,
resina acrílica, PMMA,
titânio, leucita, CrCo,
feldispática, zircônia e
metal
CERCON Cercon® brain Laboratório 5 Sim Zircônia, PMMA,
expert® poliuretano, ceras
ATRON a.tron 3D Consultório/ laboratório 5 Somente modelos
Zfx intrascan Zfx CAM Laboratório/centro de 4 Sim Dióxido de zircônio,
usinagem PMMA e cera
Nobel Biocare CAM do sistema Industrial 5 Sim Alumina, zircônia, titânio,
Procera ligas de metais básicos
com CrCo, acrílico e
dissilicato de lítio
Lava™ Lava™ CNC 500 Centro de usinagem 3 a 5 eixos Sim Zircônia e Lava™ Ultimate
3M (ESPE) Milling System Restorative
IOS Technologies Não informado Recomenda envio para Não informado Não informado Dissilicato de lítio, zircônia
laboratório
Sirona InLab MC XL Consultório/ 4 Eixos Sim Zircônia, feldspática,
Laboratório dissilicato de lítio, leucita,
resina
E4D E4D Mill Consultório/laboratório 3 eixos Sim Dissilicato de lítio, Lava™
Ultimate Restorative,
CADDENT Não informado Laboratório 5 eixos Sim Zircônia, titânio puro, ligas
de titânio, CrCo para
usinagem e também
para laser melting,
PMMA e cera
Neodent- Neoshape Neoshape Centro de usinagem 5 eixos Sim Zircônia, titânio puro, ligas
de titânio, dissilicato
de lítio, leucita, cromo
cobalto
Sistema CUBO CUBO Centro de usinagem/ 5 eixos Sim Zircônia, metal (CoCr,
Manufatura por titânio, NiCr), acrílicos, e
acréscimo poliuretano
Renishaw Renishaw CAM Centro de usinagem e Equivalente a 5 eixos, Sim Zircônia, CrCo, PMMA,
laboratório/Manufatura pois não utiliza cera, titânio
por acréscimo sistema cartesiano

Referências Bibliográficas
1. Noort,R.V. The Future of devices dental is digital.Dent Mat. 2012;28, p 3-12
2. Bernardes, S.R. et al, Tecnologia CAD/CAM aplicada a prótese dentária e sobre implantes: o que é,
como funciona, vantagens e limitações. Revisão crítica da literatura. Volume 06, no 01, Jan. Fev.
Mar . 2012.
3. Elias, C. N., Capítulo 13 – Aplicações da Zircônia e os sitemas CAD-CAM usados na Odontologia.
In:Fernandes, C. P., Uma Odontologia de Classe Mundial – fdi 2010 Brasil. Editora Santos.1 edição.
Pag.307-334.
4. MiyazakiT, HottaY, KuniiJ, etal. A review of dental CAD/CAM: current status and future perspectives
from 20 years of experience. Dent Mater J 2009; 28:44–56.

232
Capítulo 6 O CAM

5. Poticny, D.J. e Klim, J. CAD/CAM in office technology. Innovations after 25 years for predictable,
esthetic outcomes. JADA, 2010, v.141, p5s-9s.
6. (www.sirona.com)
7. (www.d4dtech.com)
8. (www.neodent.com.br/neoshape)
9. (www.caddent.de)
10. (www.ios3d.com)
11. (www.3m.com)
12. (www.nobelbiocare.com)
13. (www.zfx-dental.com)
14. (http://www.a-tron3d.com)
15. Sailer I, Gottnerb J, Kanelb S, Hammerle CH. Randomized controlled clinical trial of zirconia-ceramic
and metal-ceramic posterior fixed dental prostheses: a 3-year follow-up. Int J Prosthodont. 2009
Nov-Dec;22(6):553-60.
16. Wolfart S, Harder S, Eschbach S, Lehmann F, Kern M. Four-year clinical results of fixed dental pros-
theses with zirconia substructures (Cercon): end abutments vs. cantilever design. Eur J Oral Sci.
2009 Dec;117(6):741-9.
17. Schmitter M, Mussotter K, Rammelsberg P, Stober T, Ohlmann B, Gabbert O. Clinical performance
of extended zirconia frameworks for fixed dental prostheses: two-year results. J Oral Rehabil. 2009
Aug;36(8):610-5.
18. Rinke S, Schäfer S, Roediger M. Complication rate of molar crowns: a practice-based clinical evalu-
ation. Int J Comput Dent. 2011;14(3):203-18.
19. (www.dentsply.com.br)
20. (www.kavo.com)
21. (www.zirkonzahn.com)
22. (www.organicaldesign.com)
23. (www.straumann-cares-digital-solutions.com)
24. (http://www.centraldeusinagem.com/)
25. (http://www.renishaw.com)

Agradecimentos
Os autores agradecem a colaboração da FAPEMIG, principalmente pela aprovação do
estágio técnico científico – ETC-00056-11 na UNC-USA; à própria UNC-USA, princi-
palmente nas pessoas dos professores: Dr. Lyndon Cooper, Dr. Gustavo Mendonça,
Dra. Ingeborg De Kok e Dr. Ibrahim Duqum, autores do capítulo 9 e que tão bem nos
acolheram em nossa estada; à UFU, principalmente as Áreas de Oclusão, Prótese Fixa
e Materiais Odontológicos e à de Dentística Restauradora e Materiais Odontológicos,
que uniram forças pra fazer um livro com a filosofia de Reabilitação da Faculdade de
Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia. À CAPES e à CNPQ por bolsas e
projetos que direta ou indiretamente contribuíram com este capítulo, à empresa Neo-
dent na pessoa do Dr. Sérgio Rocha Bernardes, que tão prontamente nos ajudou com
importantes informações; e finalmente às empresas Neodent, SmartOptics, Sirona Pa-
raguay (Elizeche SAC), Sirona do Brasil, e Nobel Biocare, únicas a responderem nossos
questionários. Finalmente aos profissionais: CDs e TPDs que cederam fotos para ilustrar.

233
7
7
MATERIAIS UTILIZADOS NOS
SISTEMAS CAD/CAM
João Paulo Lyra e Silva, Lourenço Correr Sobrinho, Célio Jesus do Prado e Carlos José Soares

Introdução
Nas últimas três décadas, a Odontologia restauradora sofreu transformação tanto em
relação a novos materiais quanto a novas técnicas fundamentadas em evidências cien-
tíficas. O sucesso das restaurações está relacionado à escolha terapêutica adequada, à
correta execução dos procedimentos clínicos, à qualidade dos procedimentos protéticos
e ao controle da higiene pelo paciente. Esses procedimentos protéticos, quando mal
executados, geram grande parte dos insucessos estruturais da reabilitação, acarretando
vários transtornos ao cirurgião-dentista e ao paciente.
Durante a confecção de prótese dentária, unitária ou múltipla, são muitas as variá-
veis a serem controladas em relação aos materiais e sua manipulação (Figura 7.1). Para
tanto, o técnico em prótese dentária deve realizar vários procedimentos que exigem
critério, conhecimento dos materiais e grande habilidade manual para se obter resul-
tado satisfatório. Portanto, quase todos os procedimentos laboratoriais são vulneráveis
ao erro humano.
A introdução dos sistemas CAD/CAM na Odontologia permitiu a produção de res-
taurações protéticas a partir de blocos pré-formados produzidos industrialmente a partir
de vários tipos de materiais, como cerâmicas odontológicas, titânio, ligas não preciosas,
resinas compostas e resinas acrílicas. Esses sistemas possibilitaram a confecção de infra-
estruturas ou restaurações provisórias e definitivas em prótese fixa, permitindo, assim,
a padronização da qualidade dos trabalhos e a utilização de materiais que apresentam

Figura 7.1. Processo de


fundição de metal executado
pelo técnico em prótese
dentária.

235
Capítulo 7 Materiais Utilizados nos Sistemas CAD/CAM

Figura 7.2. Processo de fresagem de sistema


CAD/CAM.

melhor desempenho e qualidade estética.1 Como consequência, têm-se a otimização


do processo de fabricação das próteses odontológicas e a diminuição das varáveis ine-
rentes aos materiais e ao operador (Figura 7.2). Nas páginas são apresentados os prin-
cipais materiais utilizados nesta relativamente nova tecnologia.

Materiais Utilizados nos Sistemas


CAD/CAM
7.2.1 Cerâmicas Odontológicas
Atualmente, observa-se procura cada vez mais acentuada por procedimentos estéti-
cos na Odontologia. Esse fato se deve à inserção da população em uma sociedade na
qual a aparência tem importância significativa na aceitação social e autoestima. As ce-
râmicas odontológicas apresentam-se como um dos principais materiais na ciência e
arte da reconstrução dentária, por proporcionarem inúmeras características desejáveis,
como biocompatibilidade, alta resistência à compressão e abrasão, estabilidade de cor,
radiopacidade, estabilidade química, coeficiente de expansão térmica próximo ao da
estrutura dentária e excelente potencial para mimetizar os dentes naturais.2 Esses mate-
riais foram inicialmente representados pelas porcelanas feldspáticas, as quais são frágeis
(friáveis) quando submetidas a tensões de tração, com baixa capacidade de resistir aos
diferentes tipos de tensões mecânicas presentes no ambiente bucal, além de gerarem
maior desgaste no dente antagonista quando são de alta/média fusão.3
A confecção de restaurações em cerâmica livre de metal se tornou possível graças
ao surgimento dos materiais adesivos e das cerâmicas reforçadas (Figura 7.3). Esses
sistemas cerâmicos baseiam-se no desenvolvimento de materiais de infraestrutura com
fase cristalina aumentada para reforço, em substituição ao metal, que, associados às
porcelanas de cobertura, podem proporcionar excelentes resultados estéticos sem com-
prometer o desempenho mecânico indispensável à longevidade clínica da restauração4.

Figura 7.3. Coroas metal free.

236
Capítulo 7 Materiais Utilizados nos Sistemas CAD/CAM

Desde a sua introdução até os dias atuais, as cerâmicas odontológicas têm evoluído
muito quanto à sua composição e diferentes métodos de processamento, podendo ser
classificadas em: vítreas (feldspáticas, leucita e dissilicato de lítio), à base de alumina
(óxido de alumínio – Al2O3) e à base de zircônia (policristais de zircônia estabilizados
por ítrio)5 (Figura 7.4).

Cerâmicas Feldspáticas
As cerâmicas feldspáticas, também referidas como convencionais, são compostas
essencialmente por sílica e feldspatos. A sílica constitui o principal componente da fase
cristalina, variando a quantidade de cristais de leucita, que foi o primeiro componente
ou agente modificador, adicionado nas proporções de 17 a 25% em relação à massa
de cerâmica feldspática convencional. A leucita apresenta alto coeficiente de expansão
térmica (CET), que possibilitou compatibilidade com os coeficientes das liga metálicas
e o desenvolvimento de um sistema conhecido como metalocerâmico. Esse sistema
persiste com alta popularidade, previsibilidade e longevidade até os dias atuais, com
eficiência comprovada ao longo de vários anos de aplicação clínica. Sua resistência fle-
xural varia entre 55 e 87 MPa4. A produção das cerâmicas feldspáticas em blocos per-
mite a confecção de restaurações cerâmicas auxiliadas por computador (Figura 7.5).

Figura 7.4. Figura esquemática. No


lado esquerdo da seta estão as cerâmicas
mais estéticas e no lado direito da seta as
cerâmicas com maior resistência mecânica.
Os valores de resistência flexural estão em
Mpa e foram retirados de Anusavice 2005.4

Figura 7.5. Blocos de cerâmica feldspática.

Cerâmica Vítrea com Alto Teor de Leucita


A leucita é um mineral silicato-potássio-alumínio com alto coeficiente de expansão tér-
mica que funciona como uma fase de reforço, conferindo maior resistência flexural ao
material cerâmico, o que permite sua utilização em trabalhos puramente cerâmicos. O

237
Capítulo 7 Materiais Utilizados nos Sistemas CAD/CAM

acréscimo de altos teores de leucita (aproximadamente 45% em peso) a este compo-


nente também contribui para um alto coeficiente de expansão térmica, o que provoca
diferenças entre a leucita e a matriz vítrea, resultando no desenvolvimento de tensões
de compressão. Essas tensões podem agir como deflectores de fendas e contribuir com
o aumento da resistência da fase vítrea.3 A resistência à flexão desses materiais reforça-
dos por leucita está situada entre 120 e 180 Mpa6. Como exemplo, os blocos de Pro-
CAD (Ivoclar Vivadent), Paradigm C (3M ESPE), IPS EMPRESS CAD® (Ivoclar Vivadent).

Cerâmicas à Base de Dissilicato de Lítio


As cerâmicas à base de dissilicato de lítio são utilizadas no sistema e.max da Ivoclar
Vivadent pela técnica de injeção (prensagem) e de CAD/CAM. O IPS e.max CAD é um
bloco de cerâmica vítrea à base de dissilicato de lítio para a tecnologia CAD/CAM (Fi-
gura 7.6). No seu estado cristalino intermediário, o bloco pode ser facilmente fresado
com o equipamento CAD/CAM. A cromatização do IPS e.max CAD varia entre branco,
azul e cinza azulado. Essa cromatização é criada pela microestrutura e composição da
cerâmica vítrea. No estado intermediário, que pode ser trabalhado com relativa facili-
dade, a resistência do material é de 130 a 150 Mpa. Assim, pode ser comparado com
outros blocos de cerâmica vítrea que estão comercialmente disponíveis. Após a fresa-
gem e ajuste em boca, o bloco de IPS e.max CAD deve ser cristalizado (sinterização
para aumento da fase cristalina) (Figura 7.7a a 7.7h). Ao contrário de algumas outras

Figura 7.6. Bloco de cerâmica vítrea à base de dissilicato


de lítio para a tecnologia CAD/CAM.

A B

Figura 7.7. Prótese confeccionada com IPS e.max CAD (Ivoclar Vivadent). A. Vista vestibular do dente 22 escurecido e com
grande porcentagem de resina. B. Preparo para coroa total do dente 22.

238
Capítulo 7 Materiais Utilizados nos Sistemas CAD/CAM

C D

E F

G H

Figura 7.7. (continuação) C. Afastamento gengival do dente 22 para moldagem digital. D. Término delimitado no modelo
digital do software CEREC-Sirona. E. Desenho da Coroa 22 no software do CEREC-Sirona. F. Prova do IPS e.max CAD após usinagem
no Sistema CAM do CEREC-Sirona. G. Coroa do dente 22 após cristalização do e-max. H. Coroa após maquiagem e fixação. Vista
após uma semana. Notar saúde gengival.

cerâmicas CAD/CAM, esses blocos não contraem de modo significativo e não requerem
complicados processos de infiltração. O processo de cristalização é realizado à tempe-
ratura de 840 a 850°C (1544 a 1562°F), produz a alteração da microestrutura, que é
resultado do crescimento controlado dos cristais de dissilicato de lítio. No processo de
fresagem, o software de fresagem leva em conta esta densificação resultante de 0,2 %.
A transformação da microestrutura possibilita todas as propriedades físicas finais, com
360 MPa de resistência à flexão e as adequadas propriedades óticas, como cor, trans-

239
Capítulo 7 Materiais Utilizados nos Sistemas CAD/CAM

lucidez e luminosidade.7 Os blocos disponíveis são: HT Blocks, LT Blocks e MO Blocks


(Ivoclar Vivadent). Os de alta translucência (HT) são usados para criar restaurações full
contour minimamente invasivas, como incrustações, onlays, facetas e lentes de contato.
A seguir, materiais de pigmentação são usados para individualizar essas restaurações.
Os blocos de baixa translucência (LT) são indicados para fabricar coroas parciais e com-
pletas full contour. Os blocos de média opacidade (MO) são usados para produzir es-
truturas a serem instaladas em dentes naturais vitais e ou não, levemente descoloridos.

Cerâmica com Alto Conteúdo de Alumina


As cerâmicas com alto conteúdo de alumina para infraestrutura têm como exemplo o
sistema Procera®, composto por alumina altamente pura, sendo satisfatoriamente re-
sistente ao ponto de substituir copings de metal para coroas. Esse sistema, composto
por 99,5% de partículas de óxido de alumínio puro (Al2O3) densamente sinterizado, é
indicado para confecção de coroas anteriores e posteriores. A condensação das molé-
culas de óxido de alumínio contida nos copings resulta numa superfície livre de poros
de extrema resistência. A resistência flexural conseguida nesses sistemas fica em torno
de 700 Mpa.6

Cerâmicas à Base de Zircônia


A zircônia vem conquistando ampla utilização na odontologia como alternativa às in-
fraestruturas protéticas metálicas, devido às suas propriedades mecânicas, alta capa-
cidade estética, estimada longevidade clínica, radiopacidade e biocompatibilidade. O
óxido de zircônio (ZrO2), que apresenta um dos maiores valores de tenacidade entre
os materiais cerâmicos,8 resiste fortemente à propagação de trincas e apresenta alta
resistência flexural, sendo consideradas, atualmente, a melhor opção para infraestru-
turas de próteses parciais fixas metal free de maior extensão, bem como para coroas
unitárias6 (Figura 7.8 e 7.9).

Figura 7.8. Estrutura em zircônia


pré-sinterizada croma L2.

Figura 7.9. Estrutura de zircônia


pós-sinterizada croma L2.

240
Capítulo 7 Materiais Utilizados nos Sistemas CAD/CAM

A alta resistência das cerâmicas à base de zircônia é inerente à sua formulação,


conhecida como zircônia Y-TZP. A zircônia (ZrO2) é uma forma oxidada do metal zir-
cônio, tal como a alumina é referente ao metal alumínio. O óxido de ítrio (Y2O3) é um
agente que é adicionado à zircônia pura de modo a conferir estabilidade à temperatu-
ra ambiente e produzir um material multifásico conhecido como zircônia parcialmen-
te estabilizada por ítrio (Y-TZP). Esse material tem uma propriedade conhecida como
transformation toughening, ou aumento da tenacidade por transformação de fases. Sob
tensão, o material sofre transformação da fase tetragonal estabilizada artificialmente pelo
ítrio para a fase monoclínica, com alteração dimensional e aumento volumétrico de 3 a
4%, gerando tensões de compressão que inibem a propagação das linhas de fratura e
trincas tão frequentes nas cerâmicas. Portanto, a zircônia é conhecida como “cerâmica
inteligente”.8 É uma característica semelhante à ação da junção amelodentinária no
dente natural. Por outro lado, deve-se ressaltar também suas favoráveis características
com relação à biocompatibilidade e à estética. Para a utilização nas máquinas de fresa-
gens dos sistemas CAD/CAM, a zircônia apresenta-se em duas formas:
UÊ Zircônia totalmente sinterizada – implica maior tempo de trabalho (2 a 4
horas para uma unidade) e em maior desgaste com brocas/pontas. O desgaste
dessa forma de zircônia com pontas diamantadas pode causar danos ao material,
comprometendo sua resistência e viabilidade, razão pela qual é aconselhada a uti-
lização mais favorável da zircônia parcialmente sinterizada.8
UÊ Zircônia parcialmente sinterizada – permite processamento mais fácil e mais
rápido. Todavia, devido à sua condição parcialmente sintetizada, necessita de 6 a
8 horas adicionais em um forno especial de cerâmica para completar sua sinteri-
zação. Fornos mais modernos já fazem o processo de sinterização em 90 minu-
tos, como, por exemplo, o inFire HTC speed (Sirona) e o Zyrcomat 6000 (VITA
Zahnfabrik). Devido a esse processo, verifica-se alteração dimensional que tem de
ser compensada durante o desenho virtual inicial da estrutura. Esse fato é geral-
mente levado em consideração pelos softwares dos sistemas CAD/CAM.

7.2.2. Compósitos
Existem também blocos confeccionados a partir de resinas compostas para restaurações
definitivas como a Paradigm MZ100™ (3M ESPE), lançados em 2000. Esse material é
caracterizado por um bloco de polímero com base na resina composta Z100, contendo
partículas de zircônia de tamanho médio de 0,6 µm, sendo radiopaco e disponível em
seis tonalidades. A composição química do polímero da resina Paradigma MZ100 torna
mais fácil o ajuste e polimento intrabucal. Outra opção de compósito para o sistema
CAD/CAM é o Lava™ Ultimate (3M ESPE), chamado também de nanocerâmica (Figu-
ra 7.10) por apresentar em sua composição partículas de sílica e zircônia, oferecendo
a facilidade de manuseio da resina composta e o brilho surperficial de cerâmica. Seu
fabricante relata uma resistência flexural de 200 Mpa1 e o Enamic (VITA Zahnfabrik).
Depois de selecionado o material, os blocos pré-fabricados são, então, submetidos
ao processo subtrativo de fresagem, segundo o número de eixos (3 a 6 eixos), depen-
dendo do sistema em questão. Para finalizar a estrutura são requeridos, além da prova
de inserção, o polimento e procedimentos cosméticos.

Figura 7.10. Blocos do Lava


Utimate (3M ESPE).

241
Capítulo 7 Materiais Utilizados nos Sistemas CAD/CAM

7.2.3 Metais
Titânio
Um dos metais utilizados para infraestrutura de próteses é o titânio, que é facilmente
fresado, além de possuir elevada biocompatibilidade e produzir excelente resposta dos
tecidos moles. Esse material representa uma excelente alternativa nos casos em que a
situação clínica limita a aplicação das estruturas em zircônia. Os processos CAD/CAM
trabalham blocos de titânio produzidos industrialmente, que são submetidos a rígidos
controles estruturais. As restaurações com infraestruturas em titânio possuem elevada
resistência e precisão marginal em torno de 20 µm9 (Figura 7.11).

Figura 7.11. Bloco de Titânio.

Cobalto-cromo (COCR)
Outro metal utilizado em processos CAD/CAM para confecção de infraestruturas é a
liga de cobalto-cromo (CoCr). A liga metálica à base de cobalto-cromo é uma exce-
lente alternativa em casos em que a situação clínica limita a aplicação das estruturas
em zircônia. As restaurações com infraestruturas à base de cobalto-cromo são fresadas
a partir de um bloco sólido para garantir elevada resistência, além de serem biocom-
patíveis, pois são isentas de níquel, cádmio e berílio.10

7.2.4 Polímeros
Polímeros Metacrilato
Os blocos de polímero metacrilato são indicados para a confecção de enceramentos
(“Wax-Ups”) por CAD/CAM para utilização na técnica de fundição da cera perdida ou
por injeção/prensagem, assim como para a confecção de guias cirúrgicos para o posi-
cionamento correto de implantes, e construção prévia de subestruturas para o controle
de assentamento da peça (Figura 7.12). Apresenta como vantagens:
UÊ Modelagem computadorizada que simplifica e acelera a confecção do padrão de
cera.
UÊ Estabilidade dimensional e resistência ao cisalhamento elevadas.
UÊ Queima sem resíduos do material que assegura um resultado de fundição ou de
injeção/prensagem livre de poros ou irregularidades.
Exemplo de blocos desse material é o IPS Acryl CAD (Ivoclar Vivadent), VITA CAD-
Waxx (VITA Zahnfabrik), disponível na geometria CW-40 (14 x 15 x 40 mm) que podem
ser usinados com o sistema CEREC*, InLab* assim como InLab/CEREC MC XL, da Sirona.

242
Capítulo 7 Materiais Utilizados nos Sistemas CAD/CAM

Figura 7.12. Bloco de polímero IPS Acryl


CAD (Ivoclar Vivadent).

Polimetilmetacrilato (PMMA)
Nem todas as situações clínicas são passíveis de tratamento definitivo imediato, portan-
to, blocos em resina acrílica à base de polimetilmetacrilato (PMMA) para restaurações
provisórias, unitárias ou próteses parciais fixas foram introduzidos no mercado para
complementar o processo de fabricação de laboratório1 (Figura 7.13).

Figura 7.13. Bloco em resina acrílica à base de


polimetilmetacrilato (PMMA).

7.2.5 Ceras
As aplicações dos blocos são várias, desde a fresagem de coroas individuais até pon-
tes com várias unidades, incluindo estruturas para cerâmica prensada (Figura 7.14).
O enceramento de diagnóstico é facilmente produzido em pouco tempo. O material

Figura 7.14. Bloco em cera.

243
Capítulo 7 Materiais Utilizados nos Sistemas CAD/CAM

queima perfeitamente sem deixar resíduos.11 Exemplos de blocos de cera: 5-TEC Cera
(Zirkonzahn®), Organic Wax (- R+K CAD/CAM Technologie GmbH. Queima sem resí-
duos do material, o que assegura um resultado de fundição ou de injeção/prensagem
livre de poros ou irregularidades.
Exemplo de blocos desse material é o IPS Acryl CAD (Ivoclar Vivadent), VITA
CAD-Waxx (VITA Zahnfabrik), disponível na geometria CW-40 (14 × 15 × 40 mm)
que podem ser usinados com o sistema CEREC*, InLab*, assim como InLab/CEREC
MC XL, da Sirona.
A seguir, podem ser vistos os materiais disponibilizados para as respectivas empresas.

Materiais Disponibilizados por Sistema


CAD/CAM
CEREC® – by Sirona Dental System GmbH
Com esse sistema é possível fresar blocos de cerâmica, de resina e de cera, dentre eles:
Cerâmicos:
1. Feldspática – CEREC Blocs (Sirona), CEREC Blocs PC (policromático) (Sirona), VI-
TABLOCS® (VITA Zahnfabrik), VITABLOCS TriLuxe (VITA Zahnfabrik), VITABLOCS
TriLuxe forte (VITA Zahnfabrik), VITABLOCS® RealLife for CEREC® (VITA Zahnfabrik).
2. Leucita – ProCAD (Ivoclar Vivadent), Paradigm C (3M ESPE), IPS EMPRESS CAD®
(Ivoclar Vivadent).
3. Dissilicato de Lítio – IPS e.max CAD (Ivoclar Vivadent), IPS e.max CAD Impulse blo-
cks (Ivoclar Vivadent).
4. Alumina – VITA In-Ceram® AL (VITA Zahnfabrik), VITA In-Ceram SPINELL (Spinell de
aluminato magnésio) (VITA Zahnfabrik).
5. Zircônia – CEREC InCoris ZI (Sirona), VITA In-Ceram® YZ CUBES (VITA Zahnfabrik),
VITA In-Ceram® Zirconia (VITA Zahnfabrik), Zircon-Cad AC (Angelus®).
Resina: Lava™ Ultimate CAD/CAM Restorative (3M ESPE).
Resina Provisória: VITA CAD Temp (VITA Zahnfabrik), Telio® CAD (Ivoclar Vivadent).
Polímero de Acrílico: VITA CAD-Waxx, IPS AcrylCAD (Ivoclar Vivadent).

E4D – by D4D Technologies, LLC (US)


Com este sistema é possível fresar blocos de cerâmica, de resina e de cera. São eles:
Cerâmicos: Dissilicato de Lítio – IPS e.max CAD (Ivoclar Vivadent).
Resina: Lava™ Ultimate CAD/CAM Restorative (3M ESPE).
Polímero de Acrílico: BOB™ (Burn Out Block; D4D Technologies) blocos de acrílico.

ORGANICAL – R+K CAD/CAM Technologie GmbH


Com este sistema é possível fresar blocos de metal, cerâmica, resina e cera. São eles:
Metais: Organic Non-Precious Alloy (Co 61,1 %, Cr 32,0 %, Mo 2,5 %, Si 0,7 %, Mn
0,7 %), Organic PureTitanium (Ti 99,9 %), Organic Titanium Niobium (Ti 86,9 %, Nb
6,5 – 7,5 %, Al 5,5 – 6,5 %, Ta < 0,5 %, Fe < 0,25 %, O < 0,2 %, C < 0,08 %, N <
0,05 %, H < 0,009%).
Cera: Organic Wax (Synthetic wax).
Zircônia: Organic Zirkon (ZrO2/ HF02/ Y2O3 >99,0 wt%, Y203 4,5-5,5 wt%, HFO2
<5,0 wt%, Al2O3 <0,1 wt%, Outros óxidos <0,5 wt%).
Resina acrílica: Organic PMMA (Polimetilmetacrilato).
Resina composta: Organic Composite (Butandioldimetacrilato, Uretanodimetacrilato,
Bis-GMA).

244
Capítulo 7 Materiais Utilizados nos Sistemas CAD/CAM

Lava™C.O.S. – by 3M-ESPE (US)


Com este sistema é possível fresar blocos de zircônia.
Zircônia – Lava Frame Zircônia (ZrO2) (3M ESPE).

Sistema Procera® – Nobel Biocare


Com este sistema é possível fresar blocos de metal, cerâmica, de resina e de cera. São
eles:
Cerâmicas: Nobel Procera Alumina, Nobel Procera Zircônia.
Metais: O Nobel Procera Titanium (Titânio), liga metálica à base de cobalto-cromo.
Resina Acrílica: Telio® CAD by Nobel Procera.

Sistema Cercon® – Degudent


Com este sistema é possível fresar blocos de Zircônia (Cercon Zircônia), Polimetilme-
tacrilato (PMMA), Poliuretano e cera.

Sistema Everest® – Kavo Dental


Com este sistema é possível fresar blocos de metal, cerâmica, de resina e de cera, são eles:
Metal: Everest T Metall (Titânio).
Cerâmica: Everest ZH (óxido de zircônio estabilizado de ítrio sinterizado), Everest ZS
(óxido de zircônio estabilizado por ítrio pré-sinterizado), IPS e.max CAD for KaVo Eve-
rest (cerâmica de dissilicato de lítio).
Plástico: Everest C-Temp Plástico (plástico reforçado com fibra de polímero de alto de-
sempenho) Everest C-Cast Plástico.

Sistema Ceramill Amanngirrbach


Com este sistema é possível fresar blocos de zircônia, de resina acrílica e de cera. São eles:
Zircônia: Cecamill Zolid, Ceramill ZI.
Cera: Ceramill Wax.
Resina acrílica (PMMA): Ceramill Temp, Ceramill PMMA.

Sistema Cubo
Com este sistema é possível fresar blocos de metal (CoCr, Titânio, NiCr), acrílicos (trans-
parentes ou com tonalidades VITA), zircônia, poliuretano. E também é possível obter
nos mesmos materiais estruturas por sinterização a laser.

Sistema Zirkonzahn®
Com este sistema é possível fresar blocos acrílicos (transparentes ou com tonalidades
VITA), zircônia e poliuretano.
Zircônia: 5-TEC Prettau Zircônia, 5-TEC Zirkon Transluzent.
Cera: Burnout, 5-TEC Cera.
Resina acrílica (PMMA): 5-TEC Temp Basic, 5-TEC Temp Premium.

Sistema Neoshape – Neodent


O sistema Neoshape para confecção de infraestruturas protéticas utiliza diferentes tipos
de materiais – e.max®, zircônia, titânio ou cobalto cromo (veja o Capitulo 6).12

Procedimentos Laboratoriais de Apoio


A busca por restaurações imperceptíveis é o sonho dos pacientes e do cirurgião den-
tista reabilitador. Mesmo com o desenvolvimento de resinas compostas e porcelanas

245
Capítulo 7 Materiais Utilizados nos Sistemas CAD/CAM

de última geração essa tarefa é muito difícil, principalmente quando o dente a ser res-
taurado está na região anterior da boca. Imitar a natureza é extremamente difícil, para
não dizer impossível.
Não é diferente com os materiais CAD/CAM. De forma generalizada, quanto mais
estética é a cerâmica, menor a sua resistência flexural e, portanto, quanto mais resis-
tente, menos estética. Assim, a cerâmica feldspática é a mais estética e a zircônia a
menos estética.
A cerâmica feldspática e a reforçada por leucita podem ser disponibilizadas de
forma policromática por alguns fabricantes, o que facilita obter resultados mais satisfa-
tórios, muito naturais em algumas poucas situações clínicas. No entanto, a reforçada
por dissilicato de lítio, de excelente resistência, ainda não é disponibilizada de forma
policromática, sendo de apenas um croma. Isso significa que raramente obteremos
uma coroa prensada ou pelo sistema CAD/CAM de leucita ou dissilicato de lítio, ou até
mesmo de feldspática que se assemelha à cor dos dentes vizinhos.
Diante dessa situação há duas maneiras para modificar essa característica mono-
cromática: a técnica da maquiagem (pelo uso de pigmentos adicionados à superfície)
e a técnica da estratificação ou cut-back (p. ex., remoção de parte da cerâmica mono-
cromática e aplicação de cerâmica de esmalte).
Dessas duas, a maquiagem está mais próxima da realidade do cirurgião-dentista,
pois não requer uma preparação técnica tão específica quanto a cut-back. Por essa ra-
zão, essa técnica será objeto de discussão.

Técnica da Maquiagem
A técnica da maquiagem é mais fácil e rápida para ser realizada pelo profissional. É re-
lativamente simples, exigindo apenas o forno para queima, um kit básico para pintura
(Figura 7.15) e um pouco de treinamento e capacidade de observação e paciência.
Para obter melhores resultados, é preferível utilizar blocos cerâmicos de croma mais
baixo, como por exemplo A1 e B1. Esse croma é facilmente modificado pela aplicação
de pigmentos, podendo chegar a cromas mais altos. Por exemplo, cor A1 pode ser
modificada para simular a cor A4. O contrário não é verdadeiro. Mesmo que após a
aplicação de um determinado pigmento não se consiga a cor desejada, facilmente esse
pigmento é removido por meio de desgaste da superfície com pontas diamantadas de
granulação fina para aplicação de outro. O tempo de cada queima é de aproximada-
mente 12 minutos. Podem ser necessárias várias aplicações e queimas até se conseguir
a tonalidade desejada, sem afetar a resistência da cerâmica.
Na técnica de maquiagem, as restaurações fresadas recebem aplicações de pig-
mentos e de glaze. As caracterizações individuais e o glazeamento podem ser feitos
antes ou depois da queima de cristalização. A caracterização de cerâmicas translúcidas

Figura 7.15. Materiais empregados para glaze


e pintura de cerâmicas.

246
Capítulo 7 Materiais Utilizados nos Sistemas CAD/CAM

de IPS e.max CAD é realizada de maneira relativamente simples e rápida, de forma a


conseguir nuances naturais, mesmo em dentes com ligeira alteração de cor.
Normalmente, o procedimento de maquiagem é realizado fazendo-se a queima
de cristalização e pigmentação/glazeamento em apenas um passo. Se isso não for su-
ficiente, outras camadas de pintura podem ser realizadas.
O objetivo, neste momento, não é ensinar como fazer, mas ilustrar a possibilidade
de recursos existentes para se conseguir restaurações mais naturais.
A ténica da maquiagem, resumidamente, tem os seguintes passos, considereando
a restauração já ajustada quanto aos contatos cêntricos, excêntricos, proximais, con-
torno e textura.
– Antes de submeter a restauração ao processo de cristalização, a superfície da mesma
deve receber acabamento com pontas diamantadas de granulação fina (inferior a
60 µm) ou polidores de borracha diamantados.
– Limpar bem a restauração, se possível, com vapor ou em banho de ultrassom, para
remover pigmentos do carbono utilizado para os ajustes dos contatos.
– Secar bem a restauração com jato de ar isento de óleo.
– Aplicar IPS e.max CAD Crystall./Glaze Paste. Para se obter uma fina camada, o glaze
pode ser misturado, utilizando um pincel de ponta fina, com pequena quantidade
do IPS e.max CAD Crystall./Glaze Liquid (Figura 7.16).
– Evitar a aplicação de camada muito grossa de glaze e cuidado com acúmulos do
material, especialmente na superfície oclusal. As camadas muito finas de glaze po-
dem resultar em brilhos não satisfatórios.
– Se caracterizações forem desejadas, a restauração pode ser individualizada usando IPS
e.max CAD Crystall/Shades e Stains, antes da queima de cristalização (Figura 7.17).

Figura 7.16. Diluição da pasta glaze com líquido de stain. Figura 7.17. Aplicação de fina camada de stain antes da
cristalização e glaze, simultaneamente.

– Shades e Stains devem ser misturados completamente até obter cor homogênea.
– Os Shades e Stains podem ser ligeiramente diluídos fazendo-se a mistura de IPS
e.max CAD Crystall com o Glaze Liquid. Entretanto, deve sempre ser conservada
a consistência de pasta para não escoar demais e concentrar nas regiões de sulcos
e fossas.
– Aplicar a mistura de Shades e Stains diretamente sobre a camada de glaze ainda
não queimada, utilizando um fino pincel.
Depois da pigmentação e do glazeamento, a queima combinada (cristalização/
glazeamento) deve ser conduzida a um compatível forno cerâmico, de preferência,
recomendado pelo fabricante (Figura 7.18).

247
Capítulo 7 Materiais Utilizados nos Sistemas CAD/CAM

Figura 7.18. Forno adequado para consultório


para o processo de glaze e cristalização.

Após a primeira pigmentação, simultaneamente à cristalização, se a cor estiver clara


(Figura 7.19), outras pinturas de correção (Figura 7.20) podem ser feitas, usando IPS
e.max CAD Crystall/Shades, Stains e Glaze ou o VITA Akzent (VITA Zahnfabrik). Essa
camada deve ser fina, caso contrário, haverá acúmulo do material, tornando a restau-
ração artificial, com brilho excessivo. Normalmente, usam-se os stains amarelados na
oclusal, longe das cúspides, azul no terço oclusal vestibular e lingual, branco para cris-
tas marginais e pontas de cúspides (Figura 7.21) e marrom para evidenciar sulcos, se
o paciente desejar. Outras queimas de correção podem ser feitas até que se consiga o
efeito desejado (Figura 7.22).
Se houver necessidade de pequenos ajustes de forma ou mesmo contatos proximais
e oclusais, o IPS e.max CAD Crystall/Add-On está disponível (Figura 7.23) ou ainda o
sistema VitaVM9 (VITA Zahnfabrik). Esse material é uma pasta facilmente aplicada com
pincel no local desejado. Quando o acréscimo é mais volumoso, em torno de 1 mm de
espessura, pode-se misturar o material add-on com dentina incisal, na proporção 1/1,
com o líquido de stain, obtendo-se uma massa. Se ficar muito fluida, papel absorvente
delicadamente pressionado sobre essa massa retira o excesso de umidade, tornando
essa mistura mais facilmente aplicável no local desejado, com espessura necessária, por
meio de espátula ou pincel fino. A seguir, vai ao forno para o glaze final.

Figura 7.19. Restauração na boca após a primeira queima de Figura 7.20. Aplicação de segunda camada de stain.
glaze. Ainda está mais clara, necessitando mais correção de cor.

248
Capítulo 7 Materiais Utilizados nos Sistemas CAD/CAM

Figura 7.21. Restauração após a aplicação dos Figura 7.22. Restauração finalizada. Foi utilizado croma A1 e,
corantes, antes da queima. após duas queimas de correção, chegou-se próximo ao A2.

Figura 7.23. Massa para correção add-on.

Concluída a caracterização, uma boa dica é fazer o polimento da restauração uti-


lizando apenas pedra-pomes e escova pequena de pelos (Figura 7.24) e depois roda
de feltro, em torno de bancada (Figura 7.25). Esse procedimento torna a restauração

Figura 7.24. Procedimento de polimento da restauração Figura 7.25. Polimento final da restauração apenas com roda
concluída utilizando torno de bancada equipado com roda de de feltro em torno de bancada.
pelos e pedra-pomes, principalmente para a superfície oclusal.

249
Capítulo 7 Materiais Utilizados nos Sistemas CAD/CAM

mais lisa e ainda mais natural. A pigmentação não sai mediante tal procedimento e
que, portanto, não sairá pela ação de escovação pelo paciente.
Com relação à zircônia, que antes era totalmente branca, considerada às vezes não
estética, hoje é possível encontrá-la em diferentes cores (escala vita) ou mesmo modi-
ficá-la por meio de corantes específicos.

Cromatização da Zircônia
É um procedimento opcional, mas que torna mais fácil obter a cor desejada. Para cro-
matizar as estruturas de IPS e.max ZirCAD, quatro”Colouring Liquids” (CL1-CL4) estão
disponíveis, VITA YZ coloring Liquid (VITA Zahnfabrik). Esses líquidos são cromatiza-
dos de acordo com o grupo de cores. A classificação, conforme a cor do dente (A–D,
Chromascop e Bleach BL). O procedimento é simples e rápido. Algumas breves consi-
derações sobre tal procedimento:
– Limpar completamente o pó de fresagem da estrutura com água corrente. Não
limpar com vapor.
– A estrutura deve estar seca antes do processo de cromatização. As estruturas úmi-
das não absorvem o corante.
– A estrutura deverá ser seca no interior de uma cabine de secagem (em aproxima-
damente 80 a 120°C/176 a 248°F) por aproximadamente duas horas (Figura 7.26).
Para a cromatização das estruturas, os seguintes procedimentos devem ser obser-
vados:
– Selecionar o líquido de cor desejada e preencher o pote de trabalho até ser sufi-
ciente para cobrir os copings.
– Colocar as estruturas de zircônia na peneira de inserção do pote de trabalho, levan-
do-a com a superfície oclusal ou incisal da estrutura virada para baixo.
– Mergulhar a peneira de inserção, com a estrutura, no líquido corante (Figura 7.27),
deixando repousar no líquido por aproximadamente dois minutos para assegurar
penetração de espessura de 0,7 mm.
– Depois desse tempo de repouso, remover a estrutura da peneira de inserção, usan-
do pinças plásticas.
– Lavar levemente os resíduos do líquido com água. Quando várias restaurações são
cromatizadas ao mesmo tempo, elas poderão ser lavadas em conjunto na peneira
de inserção.
– Secar a estrutura com jato de ar, isento de óleo.
– A estrutura deve ser seca antes do processo de sinterização. Uma estrutura úmida
não pode ser sinterizada, porque prejudica a sinterização do óxido de zircônio. Isso

Figura 7.26. Estruturas de zircônia após o processo de Figura 7.27. Estruturas de zircônia mergulhadas no líquido
secagem, previamente à cromatização. para cromatização (VITA YZ Coloring Liquid – VITA ZahnFabrik).

250
Capítulo 7 Materiais Utilizados nos Sistemas CAD/CAM

Figura 7.28. Estruturas de zircônia após o processo de


secagem. Um deles não foi cromatizado para servir de referência
quanto à alteração de cor.

é possível conseguir colocando-a no interior de uma cabine de secagem (em apro-


ximadamente 80 a 120°C/176 a 248°F) ou sob uma lâmpada de infravermelho,
durante uma hora (Figura 7.28).

Sinterização da Zircônia
Também é um procedimento simples e rápido. Neste caso, é necessário forno especí-
fico, de alta temperatura. O processo convencional gasta de 6 a 8 horas. No forno In-
Fire HTC Speed (Sirona), o processo se completa em 90 minutos. Durante o processo
de sinterização, a zircônia (que está aumentada em aproximadamente 20 %) (Figura
7.29) contrai até o seu tamanho final, proporcionando ótima justeza e adaptação. A
estrutura deve ser colocada em recipiente adequado do forno, preenchida com péro-
las de ZrO2 (Figura 7.30).

Figura 7.29. Estrutura de zircônia antes da sinterização,


em um análogo de pilar munhão universal de 3,3 × 6 mm,
exibindo tamanho maior em aproximadamente 20%.
(Neodent – Curitiba – PR – Brasil)

Figura 7.30. Estruturas de zircônia no recipiente contendo


pérolas de ZrO2.

251
Capítulo 7 Materiais Utilizados nos Sistemas CAD/CAM

A temperatura de sinterização é de 1.500°C/2732°F. Somente quando a tempe-


ratura cair até abaixo de 97°C (206°F), a porta do forno deve ser aberta. Remove-se o
recipiente de queima do interior do forno. Em todos os casos, deve-se permitir que a
estrutura esfrie até a temperatura ambiente antes de prosseguir (Figura 7.31). Após a sin-
terização, a estrutura apresenta tamanho desejado, passando de uma peça desadaptada
antes da sinterização para adaptada (Figura 7.32). Os copings podem ser levados à boca
para conferência da adaptação e posterior moldagem de transferência (Figura 7.33).

Figura 7.32. Estrutura de zircônia num pilar munhão


Figura 7.31. Estruturas de zircônia sinterizadas. Note a cor universal de 3,3 × 6 mm, confirmando a redução de seu
obtida com a cromatização em relação à cor original (coping tamanho após a sinterização (Neodent – Curitiba – PR – Brasil),
branco) e escala de cor vita. tornando-o adaptado.

Figura 7.33. Copings de zircônia cromatizados na boca,


previamente à moldagem de transferência.

Considerações Finais
As cerâmicas têm desempenhado importante papel na odontologia restauradora de-
vido às suas características estéticas, aos avanços nas suas propriedades mecânicas e
nas técnicas de fabricação, substituindo gradativamente a utilização dos metais que se
fazem presentes principalmente em infraestruturas de próteses sobre implante. Além
das cerâmicas, pode-se utilizar, nos diversos sistemas CAD/CAM, metais (Co-Cr e Ti),
ceras, resinas acrílicas e resinas compostas, aumentando de forma considerável as pos-
sibilidade desses sistemas. Contudo, ainda não existe um material que resolva todos
os tipos de planejamentos em restaurações protéticas. Deste modo, se faz necessária
a busca de conhecimentos e constante atualização, por parte do técnico em prótese
dentária juntamente com o cirurgião-dentista, para que a indicação correta seja apli-
cada em cada situação clínica.

252
Capítulo 7 Materiais Utilizados nos Sistemas CAD/CAM

Referências Bibliográficas
1. Fasbinder DJ. Chairside CAD/CAM: an overview of restorative material options. Compend Contin
Educ Dent 2012; 33(1):50, 52-8.
2. Kelly JR, Benetti P. Ceramic Materials in Dentistry: historical evolution and current practice. Aust
Dent J 2011; 56 Suppl 1:84-96.
3. Craig R G, Powers JM. Materiais Dentários Restauradores, 11ª ed. São Paulo: Santos, 2004.
4. Anusavice KJ. Materiais Dentários de Phillips, 11ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. p.
412.
5. Conrad HJ, Seong WJ, Pesun IJ. Current Ceramic Materials and Systems with Clinical Recommenda-
tions: a systematic review. J Prosthet Dent 2007; 98(5):389-404.
6. Guess PC, Schultheis S, Bonfante EA, Coelho PG, Ferencz JL, Silva NR. All-ceramic Systems: labora-
tory and clinical performance. Dent Clin North Am 2011; 55(2):333-52.
7. http://www.ivoclarvivadent.com/en/products/all-ceramics/ips-emax-technicians/ips-emax-cad.
8. Denry I, Kelly JR. State of the Art of Zirconia for Dental Applications. Dent Mater 2008; 24(3):299-307.
9. Scotti R, Caldari M, Galhano G, Bottino. Sistemas CAD/CAM em Prótese Odontológica. In: Bottino
MA. Percepção – Estética em Próteses Livres de Metal em Dentes Naturais e Implantes. São Paulo:
Artes Médicas, 2009.
10. http://www.nobelbiocare.com/pt/products-solutions/nobelprocera-individualizedsolutions/materi-
als/default.aspx.
11. http://www.zirkonzahn.com/pt/sistema-cadcam/Acessorios-CAD-CAM/5-tec-cera.aspx.
12. http://www.neodent.com.br/produtos/tecnicas-cirurgicas/sistema-cadcam.

253
8
8
MATERIAIS E TÉCNICAS
DE CIMENTAÇÃO PARA
RESTAURAÇÕES CAD/CAM
Carlos José Soares, Paulo Vinícius Soares,
Murilo de Sousa Menezes e Paulo César de Freitas Santos Filho

Introdução
A função primária da dentição humana é do preparo e processamento do alimento por
meio da ação biomecânica da mastigação. O procedimento restaurador tem por ob-
jetivo fundamental recuperar o equilíbrio entre a biomecânica funcional e a satisfação
estética do paciente. Quando o dente perde grande quantidade de estrutura dentária
que resulta em considerável fragilidade biomecânica do remanescente ou quando a
perda dentária está associada a um comprometimento estético significativo, o emprego
de restaurações diretas se inviabiliza. Neste caso, a opção por técnicas restauradoras
que envolvam procedimentos indiretos torna-se imperativa.
Nesse contexto, maior complexidade técnica e maior número de etapas existem
a serem vencidas, criteriosamente, para que a restauração atenda aos princípios esté-
ticos e funcionais. A indicação correta do tipo de material restaurador utilizado para
confeccionar as restaurações CAD/CAM ampliam o horizonte de sucesso neste desafio
reabilitador. Como visto nos capítulos anteriores, atualmente há inúmeros materiais
disponíveis para este fim, o que exerce influência determinante nas diversas etapas da
sequência do procedimento restaurador. Após selecionar o material a ser empregado
na confecção da restauração no sistema CAD/CAM, o clínico se depara com o dilema
da realização do preparo cavitário que deve associar a conservação de estrutura dental
com os princípios básicos de configuração cavitária, de forma a respeitar as caracte-
rísticas dos diferentes materiais cerâmicos ou resinosos, ou mesmo o preparo de pilar
metálico para alinhar a inserção de restaurações sobre implantes dentais. Todas essas
etapas determinarão um substrato preparado que receberá a restauração indireta, que
necessita ser tratada para a obtenção da união efetiva.
A procura pelo sistema CAD/CAM, muitas vezes, é estabelecida pela busca em reduzir
etapas e solucionar a grande maioria dos procedimentos restauradores em sessão única.
Neste caso, dispensa-se a etapa clínica de fixação temporária de restaurações provisórias,
que demanda muito tempo e pode influenciar negativamente na união entre restauração
e substrato do preparo. Associe-se, ainda, a etapa de fixação em uma estrutura dental
que foi recém-preparada, momento em que se devem aumentar os cuidados com o
protocolo de tratamento da estrutura dental, quando da presença de vitalidade pulpar.
No entanto, como especificidade do protocolo restaurador indireto, há uma etapa
decisiva e complexa que integra a restauração indireta ao preparo cavitário, o proces-
so de fixação. A fixação da restauração indireta visa obter retenção máxima, resistên-
cia adequada, ausência de infiltração e sensibilidade pós-operatória. Para unir os dois
substratos é necessário que o clínico atente para três passos decisivos e interligados
(Figura 8.1): tratamento do preparo para cimentação; seleção, utilização e considera-
ções clínicas dos cimentos; e tratamento da superfície interna da restauração. Esta será
a estratégia de apresentação deste capítulo, trazer ao clínico a visão atual, de forma

255
Capítulo 8 Materiais e Técnicas de Cimentação para Restaurações CAD/CAM

Figura 8.1. Descrição dos Tópicos Fundamentais Destacados Neste Capítulo para Obtenção Maior Longevidade Clínica da
Interface Adesiva.

direta, clara e com evidência científica, de como proceder em cada etapa para que
atinja o sucesso clínico final.

Tratamento do Preparo para


Cimentação
O sucesso e a longevidade de restaurações indiretas adesivas dependerão de diversos
fatores, como o preparo do dente, protocolo de fixação provisória, agente de limpeza
do substrato dentário, protocolo de fixação definitiva, agente de fixação definitivo e
ajuste da restauração definitiva.1,2 A fixação adesiva efetiva pode ser obtida por meio
de adequada adaptação e selamento marginal da interface entre dente e restauração.3
Desse modo, a escolha correta do tipo de tratamento do substrato dentário é importan-
te, e deve ser levada em consideração a utilização do sistema adesivo mais adequado e
compatível com o tipo de cimento selecionado para o processo de fixação, que pode ser
um cimento resinoso convencional ou um cimento resinoso autoadesivo (Figura 8.2).

Tratamento do Substrato – Cimento Resinoso Convencional


Sistemas de cimentos resinosos convencionais não têm a capacidade de unir o substrato
ao remanescente dentário e, por isso, requerem o prévio condicionamento deste subs-
trato seguido da aplicação de um sistema adesivo para mediar a união deste à restau-
ração.4,5 Vários sistemas adesivos estão disponíveis, sendo classificados de acordo com
a interação ao substrato dentário e com o número de passos clínicos: sistema adesivo
convencional de 2 ou 3 passos e sistema adesivo autocondicionante de 1 ou 2 passos.6

Figura 8.2. Protocolo do sistema de união


mais adequado e compatível com o tipo de
cimento resinoso.

256
Capítulo 8 Materiais e Técnicas de Cimentação para Restaurações CAD/CAM

Os sistemas adesivos convencionais são aqueles que preconizam o passo operató-


rio de condicionamento da superfície do esmalte ou dentina, com ácido fosfórico a 32
a 37% por 15 segundos, o que aumenta a energia de superfície devido à remoção da
smear layer e desmineralização da camada superficial de cristais de hidroxiapatita.5,7,8
Após a aplicação do ácido fosfórico é realizada a lavagem do substrato dentário, por
30 segundos, para remover os subprodutos da reação e do mineral solubilizado na
superfície.9 Em seguida, é realizado o controle de umidade com papel absorvente e
aplicação de digluconato de clorexidina a 2%, com o objetivo de evitar a degradação
da camada híbrida, pela ação das enzimas metaloproteinases e desta forma favorecer
maior longevidade da restauração.10 Após um minuto realiza-se novamente controle
de umidade e, por fim, aplica-se uma única solução de primer e adesivo.11 Os sistemas
adesivos convencionais de três passos diferem dos convencionais de dois passos por
demandarem a aplicação do primer e, posteriormente, a do adesivo (Figura 8.3). Os
sistemas adesivos autocondicionantes diferem dos convencionais por não requererem
o passo operatório de condicionamento com ácido fosfórico. Esse sistema possui na
composição monômeros ácidos que desmineralizam e infiltram simultaneamente os
tecidos dentais e não podem ser lavados após a aplicação.8 Estes podem ser de dois
ou de um passo. Nos sistemas adesivos autocondicionantes de dois passos, a primeira
solução a ser aplicada é o primer, que tem caráter ácido, seguida pelo segundo passo,
representado pela aplicação do adesivo, que é uma resina de baixa viscosidade.11 Já os
adesivos de passo único são constituídos por uma única solução que contém monô-
meros ácidos, solventes, diluentes e água na sua formulação. Ambos os sistemas ade-
sivos convencionais ou autocondicionantes, independentemente de serem de 1, 2 ou
3 passos, devem ser fotoativados por 20 segundos por face.
Os sistemas adesivos que apresentam menores números de etapas clínicas são de-
signados como simplificados (convencionais de dois passos e autocondicionantes de
passo único) e têm sido empregados com frequência devido à simplicidade e rapidez
de utilização. No entanto, esses sistemas têm em sua composição quantidade maior de
monômeros ácidos, diluentes e água, o que pode comprometer a união desses mate-
riais com os cimentos resinosos de ativação química e de dupla ativação, física e quími-
ca.7,12 Isto é justificado devido aos monômeros ácidos dos sistemas adesivos entrarem
em contato com as aminas terciárias de caráter alcalino, presentes nos compósitos de
ativação química, consumindo-as e assim impedindo que elas atuem como catalisado-
res e ativadores da reação de polimerização dos cimentos.13 Dessa forma, o cimento
não obtém o grau máximo de conversão dos monômeros em polímeros, o que gera
falhas na interface e resulta em baixa resistência de união.14
Este problema se refere à incompatibilidade química desses sistemas adesivos aos
cimentos de ativação química e de dupla ativação. No entanto, existe outra preocu-
pação em relação à permeabilidade desses materiais. A transudação de fluidos através
do adesivo acarreta acúmulo de água na interface entre adesivo e cimento, e provoca
redução da resistência de união.9,15

Figura 8.3. Protocolo de limpeza da


estrutura dentária prévia à cimentação.

257
Capítulo 8 Materiais e Técnicas de Cimentação para Restaurações CAD/CAM

Portanto, este efeito adverso gerado pela incompatibilidade dos sistemas adesivos
simplificados com os cimentos resinosos convencionais pode ser evitado por meio da
utilização de sistema adesivo convencional de três passos ou autocondicionante de dois
passos. Com isso haverá menor probabilidade de comprometimento da polimerização
do cimento e, consequentemente, maior resistência de união.

Tratamento do Substrato – Cimento Resinoso Autoadesivo


Os cimentos resinosos autoadesivos têm sido muito utilizados devido à simplicidade da
técnica e por terem número reduzido de etapas durante o procedimento clínico. Isso
porque eles não requerem tratamento prévio do substrato dental com condicionamen-
to ácido fosfórico e aplicação de sistema adesivo.3,5 A ação desses materiais pode ser
explicada pela presença dos monômeros metacrilatos fosfatados que têm habilidade
de promover autoadesão. Mais ainda, a presença de grupos ácidos na composição
cria um ambiente com pH baixo, que dissolve a smear layer, o que possibilita a pene-
tração do cimento resinoso na superfície dentária desmineralizada, proporcionando
assim adequada camada híbrida e resistência de união.4 Retenção micromecânica e
interação química entre os grupos ácidos do cimento e hidroxiapatita da estrutura
dental são esperadas.5
A adesão deste material à dentina é satisfatória e elimina a sensibilidade técnica.
Por outro lado, a união do esmalte com o cimento resinoso autoadesivo não é ide-
al. A acidez do cimento promove pouca retenção micromecânica, sendo necessária a
aplicação prévia de ácido fosfórico para melhorar os valores de resistência de união.16

Limpeza da Estrutura Dentária Previamente à Fixação da


Restauração
Independentemente do tipo de material a ser empregado na fixação definitiva, um
protocolo de limpeza efetivo prévio à cimentação é necessário, a fim de evitar inter-
ferência ao longo da interface entre o substrato dentário e o agente de fixação, visto
que a presença de fluidos orais como saliva, sangue e fluido crevicular, partículas pro-
venientes dos procedimentos operatórios e resíduos de cimento provisório possam
causar incompatibilidade química com os materiais adesivos.17-19
Vários métodos são indicados para limpeza do substrato dentário com o objetivo
de maximizar a penetração do monômero, presente no cimento resinoso, na rede de
colágeno da dentina para garantir maior resistência de união da interface entre cimen-
to e dentina. Estes incluem substâncias químicas como o digluconato de clorexidina,20
peróxido de hidrogênio,21 hipoclorito de sódio e ácido poliacrílico2,21 e métodos mecâ-
nicos como instrumentação rotatória com pedra pomes,22 jateamento com bicarbonato
de sódio22 e abrasão com partículas de óxido de alumínio19 (Figura 8.4).

Figura 8.4. Tensões de contração


geradas na polimerização de cimento
resinoso autoadesivo RelyX U100
analisadas pelo método de elementos
finitos. A contração pós-gel foi
mensurada utilizando-se strain-gauge e
o módulo de elasticidade mensurado
quando polimerizado imediatamente e
após cinco minutos da cimentação da
restauração inlay. A imagem demonstra
redução de 50% das tensões residuais de
polimerização quando o clínico aguarda
cinco minutos para então realizar a
ativação pela luz. Soares CJ, Versluis A,
Tantbirojn D, J Dent 2012.

258
Capítulo 8 Materiais e Técnicas de Cimentação para Restaurações CAD/CAM

A aplicação de diferentes tratamentos de limpeza na superfície da dentina gera di-


ferentes resultados sobre a smear layer e na remoção do cimento provisório. Seus efei-
tos podem ser desde simples remoção de agentes contaminantes, tais como sangue e
detritos, até a remoção total ou parcial da smear layer, promovendo assim, a desmine-
ralização superficial da dentina que pode facilitar a interação entre o cimento resinoso
e a rede de colágeno na superfície dentinária.2,21
A escolha desses agentes dependerá do tipo de cimento resinoso. Quando o agente
de fixação adesiva for um cimento resinoso convencional, pode-se utilizar para limpeza
a clorexidina, pedra-pomes e abrasão com partículas de óxido de alumínio, sem que
haja comprometimento da resistência de união do cimento à dentina.23 No entanto,
o uso de solução de peróxido de hidrogênio e jato de bicarbonato de sódio deve ser
evitado como métodos de profilaxia, pois interferem na resistência de união.23
Ao utilizar um cimento autoadesivo é contraindicado o uso da clorexidina como
agente de limpeza, pois este pode reduzir a resistência de união da interface entre o
cimento e a dentina.24,25 Nestes casos, o tratamento mais indicado é a abrasão com par-
tículas de óxido de alumínio, que, além de promover a limpeza da superfície do dente,
resulta em aumento da resistência de união entre o cimento e a superfície dentária.21,24

Tratamento do Pilar Metálico


A utilização de cimentos resinosos como material de fixação para núcleos metálicos pode
garantir alta resistência à tração e baixa solubilidade, devido à presença de polímeros à
base de dimetacrilato. No entanto, é fundamental o conhecimento das propriedades
dos materiais e sua correta indicação considerando o tipo de cimento.
Para a fixação de coroas metalocerâmicas, cimento resinoso de ativação apenas fí-
sica está contraindicado, pois a intensidade de luz que alcança o cimento é insuficiente
para a ativação do cimento, devido à presença do metal da restauração. Dessa forma, o
cimento terá sua polimerização comprometida, reduzindo assim a resistência de união.26
Para garantir melhor união do cimento resinoso às ligas metálicas, é necessária a
realização de tratamento de superfície do metal que pode ser realizado da seguinte
forma: abrasão com partículas de óxido de alumínio, seguido da aplicação de primer
específico para metal.26

Seleção, Utilização e Considerações


Clínicas dos Cimentos
Para a obtenção do sucesso clínico nos procedimentos restauradores indiretos, garantir
adequada resistência mecânica, retenção satisfatória e evitar a infiltração marginal são
passos imprescindíveis para a correta seleção e utilização do cimento de fixação.27 O
processo de fixação é de suma importância para o sucesso clínico das restaurações,4
sendo as funções primárias dos cimentos preencher espaços vazios entre a prótese e o
preparo e garantir retenção e estabilidade às restaurações.28
A seleção do tipo de cimento a ser empregado em cada caso deve ser resultado
de análise criteriosa por parte do cirurgião-dentista, pautada no material que constitui
a restauração e no conhecimento das características físicas e mecânicas dos cimentos
de fixação. Com o advento do sistema CAD/CAM tornou-se possível a confecção de
restaurações indiretas, que utiliza diversos materiais como metal, resina composta, ce-
râmicas convencionais e cerâmicas reforçadas. O sistema CAD/CAM possibilita a reali-
zar a restauração no próprio consultório odontológico e finalizar o procedimento res-
taurador em uma única sessão. Por isso, torna-se importante que o profissional possua
conhecimento prévio sobre a fixação, a fim de otimizar o trabalho e garantir o sucesso
clínico, pois a escolha errada do material de fixação ou sua manipulação inadequada
podem limitar significativamente a longevidade das restaurações.28
Dentre os cimentos mais utilizados estão os convencionais, os híbridos e os resi-
nosos. O grupo dos cimentos convencionais é composto pelo cimento de ionômero

259
Capítulo 8 Materiais e Técnicas de Cimentação para Restaurações CAD/CAM

de vidro, cimento de policarboxilato e cimento de fosfato de zinco. Esses materiais são


constituídos pela mistura de pó e líquido que forma matriz de hidrogel29 com baixa
resistência à tração, alta solubilidade e limitações estéticas. O cimento de fosfato de
zinco pode causar reações inflamatórias na polpa devido ao baixo pH inicial e desen-
cadear sensibilidade pós-operatória. O principal método de ação desses materiais, ca-
racterizados pela cimentação não adesiva, é a retenção micromecânica que depende
da textura, altura e conicidade dos preparos. Os cimentos híbridos são aqueles que
apresentam reações ácido-base, mas têm monômeros resinosos com objetivo de me-
lhorar as propriedades físicas e mecânicas dos materiais, como é o caso do ionômero
de vidro modificado por resina composta. Seu método de ação ocorre por meio da
retenção micromecânica e da união molecular. No entanto, a utilização primordial é a
utilização de cimentos resinosos.
Esses materiais apresentam composição e característica similares às resinas compos-
tas, constituídos por partículas inorgânicas silanizadas embebidas em matriz resinosa,
composta por monômeros como o Bis-GMA, TEGDMA e UDMA.27 Entretanto, esses
materiais têm menor quantidade de carga e alta fluidez quando comparados com as
resinas compostas.4 Os cimentos resinosos são os materiais mais indicados para fixação
de próteses em cerâmica e de resina laboratorial ao substrato dentário.30 A união da
restauração ao preparo, por meio do sistema adesivo e cimento resinoso, proporciona
distribuição das tensões de forma homogênea entre o dente e a restauração, que reduz
a probabilidade de propagação de microtrincas nas cerâmicas.
Adicionalmente, este material apresenta forte união química aos substratos, que
aumenta a resistência às injúrias da cavidade bucal como a fratura e a fadiga.27 Outras
características importantes são sua versatilidade, alta resistência à compressão, tração,
flexão, baixa solubilidade e estética favorável. Para garantir o sucesso das restaurações
cerâmicas, a união entre o cimento resinoso e o substrato dentário deve ser forte e
duradoura e isto está diretamente relacionado ao grau de conversão dos cimentos em
questão. A polimerização adequada é fator crucial para alcançar ótimas propriedades
físicas e desempenho clínico satisfatório dos materiais resinosos31 (Figura 8.5).

Classificação dos Cimentos Quanto ao Método de Ativação


Estes materiais são classificados quanto ao método de ativação em: ativação física ou
fotoativados, ativação química, ou de dupla ativação, porém apenas os cimentos de
ativação química ou dupla ativação são utilizados para fixar restaurações confecciona-
das pelo sistema CAD/CAM e receberam ênfase neste capítulo.

Figura 8.5. A. Preparos prévios à


cimentação convencional de coroas
cerâmicas reforçadas por dissilicato de lítio.
B. Condicionamento do preparo com ácido
fosfórico a 37%. C. Remoção do excesso
de umidade com papel absorvente após a
lavagem do ácido. D. Aplicação do sistema
adesivo.

260
Capítulo 8 Materiais e Técnicas de Cimentação para Restaurações CAD/CAM

Ativação Física
Os cimentos de ativação física contêm, em sua formulação, agente fotoiniciador como
a canforoquinona e são ativados exclusivamente pela luz. No entanto, este tipo de ci-
mento não será abordado, por ser de uso exclusivo em laminados estéticos, que não
é o caso do sistema CAD/CAM.

Ativação Química
Os cimentos de ativação química são geralmente utilizados em restaurações metáli-
cas, requerem longo período de conversão e apresentam tempo de trabalho reduzido,
o que dificulta o controle durante a fixação. São utilizados também em restaurações
de cerâmica reforçadas por alumina e zircônia, uma vez que a luz tem dificuldade em
atravessar esse material e ativar o cimento. Outra limitação dos cimentos ativados qui-
micamente é a oxidação das aminas terciárias, que resulta alteração da cor e, conse-
quentemente, interferência estética.

Dupla Ativação – Física e Química


Os cimentos resinosos de dupla ativação apresentam maior facilidade de controle técni-
co durante o procedimento de fixação e podem ser ativados mesmo em profundidades
nas quais a luz não consegue alcançar. No entanto, esses materiais apresentam exces-
siva espessura de interface quando são misturados em baixas temperaturas, podendo
gerar desadaptações marginais nas restaurações indiretas.32

Classificação dos Cimentos Quanto ao Método de Ação


Os cimentos resinosos também podem ser classificados, quanto ao método de ação,
em convencional e autoadesivo.

Cimentos Resinosos Convencionais


Os cimentos resinosos convencionais, como mencionado anteriormente, são aqueles
que não são capazes de se ligar ao substrato e à restauração sem hibridização prévia
do substrato dentário e tratamento de superfície da restauração.

Cimentos Resinosos Autoadesivos


Este tipo de cimento é capaz de se unir tanto ao substrato quanto a diversos tipos de
materiais restauradores indiretos. Une-se aos óxidos metálicos e tem afinidade com a
alumina e a zircônia, assim sendo indicados para fixação de restaurações indiretas em
preparos com coroa clínica curta. Estão disponíveis aproximadamente doze diferentes
marcas comerciais de cimentos resinosos autoadesivos. Desse modo, este capítulo en-
fatizará este tipo de cimento, uma vez que se mostram mais indicados para fixação de
restaurações geradas pelo sistema CAD/CAM.
Os cimentos autoadesivos são capazes de aderir à estrutura dentária dispensando
o condicionamento ácido prévio e o uso de um sistema adesivo separado3 e apresenta
como maior benefício a simplicidade técnica de utilização. Esses materiais combinam
características das resinas compostas, dos sistemas adesivos autocondicionantes e dos
cimentos odontológicos.3
Inicialmente, ao ser misturado, este cimento apresenta característica hidrofílica ca-
paz de facilitar o molhamento e a adaptação à superfície do dente. Durante a reação do
cimento com o cálcio do dente e com os óxidos lixiviados das partículas inorgânicas,
o material se torna hidrofóbico. O conteúdo de partículas inorgânicas nos cimentos
autoadesivos varia de 60 a 75% em peso e geralmente é composta de vidro de fluo-
raluminiossilicato de bário, quartzo, sílica coloidal, entre outros.33
Os cimentos autoadesivos apresentam dupla ativação e são baseados na adição de
fotoiniciadores e iniciadores de oxirredução. Essa característica possibilita tempo ótimo
de trabalho, além de maior grau de conversão quando comparado com cimentos de

261
Capítulo 8 Materiais e Técnicas de Cimentação para Restaurações CAD/CAM

ativação apenas química. Imediatamente após a mistura das pastas que compõem o
cimento autoadesivo, o pH é de aproximadamente 1,5, o que o torna capaz de desmi-
neralizar a dentina e o esmalte. O pH desse material aumenta durante a reação até que
os monômeros ácidos sejam totalmente consumidos e o pH neutralizado.3
Para que ocorra a união do cimento autoadesivo ao dente, o grupo acídico do ci-
mento se liga ao cálcio da hidroxiapatita do substrato e forma uma cadeia estabilizada
entre a rede de metacrilato e o dente. Os íons liberados durante a dissolução ácida das
partículas inorgânicas neutralizam os monômeros ácidos residuais e criam reforço por
meio de quelação da cadeia de metacrilato.
Após a inserção da restauração indireta, a remoção do excesso do cimento é usu-
almente realizada após curto período de ativação química, e após cinco minutos da
manipulação a ativação final é completada (Figura 8.6). Deve-se tomar cuidado com
a remoção do excesso de cimento resinoso para que o cimento pré-polimerizado não
seja deslocado da interface entre dente e restauração, resultando em fenda. Para restau-
rações geradas pelo sistema CAD/CAM esse risco é menor, uma vez que há excelente
adaptação da restauração indireta.
Outra observação importante é não utilizar cimentos à base de eugenol em res-
taurações provisórias, quando da necessidade de posterior fixação definitiva por meio
de cimentos resinosos. Caso seja necessária a utilização desse material, deve-se aguar-
dar período mínimo de sete dias para que o eugenol perca o efeito e não interfira na
polimerização do material e comprometa a resistência de união final da restauração.18
Outro fator a ser observado é que, ao utilizar cimento resinoso de dupla ativação,
a fotoativação deve ser realizada cinco minutos após a manipulação do mesmo. Esse
procedimento permite que a ativação química ocorra de modo lento e gradual, o que
permite o relaxamento das tensões durante o processo de polimerização, uma vez que
a contração volumétrica e o desenvolvimento de tensões de contração de polimerização
são problemas inerentes dos materiais à base de polímeros (Figura 8.7). Estudos que
avaliam o desempenho clínico e a longevidade dos cimentos autoadesivos são ainda
escassos, mas os existentes demonstram que esse material apresenta boa estabilidade

Figura 8.6. A. Aspecto final após a


cimentação adesiva das restaurações.
B. Sorriso final da paciente.

Figura 8.7. A. Condicionamento


ácido para a cimentação com cimento
convencional nos preparos dos dentes 12,11
e 22, os quais receberam coroas de cerâmica
reforçada por disilicato de lítio associadas a
pinos de fibra de vidro, buscando melhor
estética do conjunto final. B. Hibridização
dos preparos dos dentes 12,11 e 2.
C. Cimentação de coroa com infraestrutura
de zircônia com cimento autoadesivo
no preparo de dente 21, com o intuito de
mascarar o núcleo metálico fundido.
D. Remoção do excesso de cimento após a
polimerização química.

262
Capítulo 8 Materiais e Técnicas de Cimentação para Restaurações CAD/CAM

Figura 8.8. A. Vista vestibular das coroas


de dissilicato de lítio (esquerda) e zircônia
(direita), destacando a harmonia estética
entre as pecas. B. Vista interna das coroas
mostrando a translucidez da infraestrutura
de dissilicato de lítio (esquerda) e a
opacidade do coping de zircônia (direita).
C. Aspecto final das restaurações após a
cimentação.

e maior resistência compressiva quando comparado ao cimento de fosfato de zinco e


menores solubilidade, potencial de irritação pulpar e microinfiltração marginal, quan-
do comparados a alguns cimentos convencionais.34 Essas características tornam esse
material muito atrativo para a fixação de restaurações (Figura 8.8) confeccionadas pelo
sistema CAD/CAM.

Tratamento da Superfície Interna da


Restauração
Conforme analisamos nos tópicos anteriores, o sucesso clínico das restaurações cerâmi-
cas depende da qualidade de união ao longo da área de dentina preparada e da sele-
ção do correto material fixador adesivo, que é fator fundamental na interação entre a
restauração e a estrutura dental. As retenções micromecânicas e o preparo químico da
superfície interna das restaurações indiretas são necessários para o processo de união
adesiva com cimento resinoso.31,35
O tratamento da superfície interna das restaurações indiretas é modulado, princi-
palmente, pela composição do material restaurador. Perante a grande quantidade de
opções de materiais restauradores indiretos, suas diferentes composições e formas de
tratamento de superfície, é sempre oportuno conhecer os protocolos de cimentação

Tabela 8.1. Protocolos de tratamento dos substratos dentários e da superfície interna de materiais restauradores indiretos
livres de metal
Substrato do Preparo Protocolos de Tratamento de Superfície

Esmalte/Dentina Cimento resinoso convencional Cimento resinoso autoadesivo


Ácido fosfórico 37% – 15 s Adequação e Profilaxia do preparo
Lavagem com água 15 s Pasta Pedra Pomes e Água
Remoção excesso umidade
Aplicação do sistema adesivo
Pilar cerâmico Jateamento prévio laboratorial com partículas diamantadas, durante 20 segundos
Lavagem da restauração com água durante 1 minuto, secagem
Pilar metálico Jateamento prévio laboratorial com óxido de alumínio por 60s e aplicação de primer específico
para ligas metálicas
CERÂMICA Protocolos de Tratamento de Superfície
Feldspáticas Ácido hidrofluorídrico – 9.5%, durante 2 a 2,5 minutos
Ex: VitaBlocs Mark II (VITA Zahnfabrik) Lavagem durante 1 minuto
Aplicação do silano – 60 segundos
Leucita Ácido hidrofluorídrico – 9.5%, durante 60 segundos
Ex: Empress Esthetic (Ivoclar Vivadent) Lavagem durante 1 minuto
Aplicação do silano – 60 segundos
Dissilicato de lítio Ácido hidrofluorídrico – 9.5%, durante 20 segundos
Ex: IPS e.max CAD (Ivoclar Vivadent) Lavagem durante 1 minuto
Aplicação do silano
Zircônia ou alumina Jateamento: partículas diamantadas, durante 20 segundos
Ex: Cercon (Dentsply), Vita In Ceram YZ (Vita), Lava ultimate Lavagem da restauração com água durante 1 minuto, secagem
(3M Espe), Zircon-CAD (Angelus) Cimento autoadesivo

263
Capítulo 8 Materiais e Técnicas de Cimentação para Restaurações CAD/CAM

de restaurações indiretas cerâmicas e resinas laboratoriais, com o objetivo de aumentar


a longevidade da restauração.
O desenvolvimento de protocolos de tratamento de superfície para cerâmicas
predominantemente vítreas, também conhecidas como cerâmicas convencionais, fel-
dspáticas ou de recobrimento, favorece a consolidação do tratamento prévio com áci-
do hidrofluorídrico associado a silanização.31 Já foi discutido neste capítulo que esses
sistemas necessitam de cerâmicas enriquecidas com cristais de reforço e, em alguns
casos, predominantemente compostas por óxidos metálicos. Sendo assim, a criação
de retenções mecânicas e tratamentos químicos da superfície interna das restaurações
geradas por sistemas CAD/CAM dependem inicialmente da distinção de cerâmicas ví-
treas reforçadas por cristais (cristal de leucita e de dissilicato de lítio) e cerâmicas com
alta concentração de óxidos metálicos (óxido de zircônia e óxido de alumínio).

Retenção Micro Mecânica da Superfície Cerâmica


O condicionamento químico com ácido hidrofluorídrico em concentração que varia
entre 8 e 10% promove alteração morfológica da fase vítrea das cerâmicas e cria topo-
grafia com aspecto de favo de mel, ideal para retenção micromecânica.31 Esse processo
é gerado pela reação química preferencial do ácido hidrofluorídrico com a fase sílica
das cerâmicas feldspáticas, que forma um sal denominado hexafluorossilicato, remo-
vido pela água. Para as cerâmicas feldspáticas, o tempo de condicionamento deve ser
entre 2 e 2,5 minutos.36
Cerâmicas reforçadas com cristais de leucita, dissilicato de lítio e óxidos de alumina
e zircônia têm sido amplamente utilizadas como material restaurador, sendo o trata-
mento de superfície fator modulador do sucesso clínico dessas restaurações. Estudos
demonstraram resultados positivos para sistemas como Empress Esthetic (Ivolar-Viva-
dent, Schaan, Liechtenstein) e CergoGold (Ivoclar Vivadent Degussa Dental/Dentsply,
Hanau, Germany), que são exemplos de cerâmicas reforçadas com leucita, utilizando
ácido fluorídrico durante 60 segundos.35,37 O mesmo processo ocorre com cerâmicas
reforçadas por dissilicato de lítio, pois estas possuem considerável proporção de fase
vítrea. O sistema e.max CAD (Ivoclar Vivadent, Schaan, Liechtenstein) que tem fase
principal cristalina composta por longos cristais destes silicatos e envolvida por matriz
vítrea também deve ter sua superfície interna preferencialmente tratada com ácido
hidrofluorídrico. A diferença microestrutural dos dois sistemas faz com que o sistema
Emax obtenha índices de resistência de união e resistência flexural superiores ao Empress
Esthetic. O condicionamento com ácido hidrofluorídrico a 9,5% durante 20 segundos
é suficiente para a remoção da segunda fase cristalina e matriz vítrea do sistema Emax
e cria retenções micromecânicas na superfície com padrão aceitável para a união.1,35
No entanto, o tratamento de superfície com ácido hidrofluorídrico promove mi-
crorretenções superficiais rasas em restaurações cerâmicas reforçadas com óxido de
alumínio (Al2O3) ou alumina, devido à baixa quantidade de sílica destes materiais.27
Os sistemas cerâmicos que apresentam em sua composição mais de 80% de óxido de
alumínio e/ou zircônia (p. ex.: In-Ceram-Vita Zahnfabrik, Seefeld, Germany, LAVA 3M
Espe, St Paul, USA) têm grandes limitações para criação de retenções mecânicas por
meio de agentes ácidos. O jateamento da superfície interna dessas cerâmicas é alter-
nativa viável para alteração microestrutural favorável à união com o cimento resinoso,
perante as limitações do condicionamento químico com ácido hidrofluorídrico. Al-
guns fatores moduladores deste tipo de tratamento como pressão aplicada, tamanho
da partícula, ângulo de incidência e umidade das partículas são fundamentais para o
sucesso clínico da união.
O jateamento com partículas de óxido de alumínio não é indicado para esses siste-
mas, pois essas partículas têm dureza similar às da alumina que compõem a cerâmica,
o que resultará em amassamento da superfície. Sistemas de silicatização da superfície
foram elaborados para aumentar a resistência de união. Nestes sistemas, por exemplo,
o Rocatec (3M ESPE), a superfície da cerâmica recebe jateamento de partículas ricas em

264
Capítulo 8 Materiais e Técnicas de Cimentação para Restaurações CAD/CAM

sílica pré-silanizadas.27 Esse jateamento tornará a superfície da cerâmica mais propícia


a cimentos resinosos convencionais. No entanto, essa tecnologia possui baixa relação
custo-beneficio, devido ao alto investimento para aquisição do sistema. Outra opção
também pouco utilizada devido ao alto custo é o uso de partículas diamantadas com
diâmetro entre 1 e 3 µm, por terem dureza maior do que a das partículas de alumina
presentes na restauração.31 Assim, para a cimentação adesiva desses materiais indica-se
a utilização de cimentos resinosos autoadesivos, como discutido na etapa anterior des-
te capítulo. A resistência de união pode ser associada ao embricamento mecânico, por
meio do padrão de desgaste da estrutura dental, que torna o preparo mais retentivo,
permite maior contato entre as superfícies e gera maior atrito com as paredes internas.
Isto é permitido devido à alta rigidez e resistência flexural dessas cerâmicas.

União Química da Superfície


O silano é uma molécula bifuncional que atua como agente de união entre a partícula
inorgânica presente na resina composta e matriz resinosa do adesivo ou cimento resi-
noso. Esse agente de união possui estrutura química geral: R’ – Si (OR)3, onde R’ é o
grupo organofuncional, tipicamente um metacrilato, que reage com o sistema adesivo
ou cimento resinoso na formação de ligação covalente após a polimerização. O grupo
alquil (R) é hidrolisado para um silanol (SiOH) e forma ligação covalente com as partí-
culas inorgânicas de silício (Si – O – Si) que completa o processo de união.31
O silano possui grupos funcionais que promovem união química com óxido de silí-
cio hidrolisado da superfície da cerâmica e com o grupo metacrilato do sistema adesivo
ou cimento resinoso por copolimerização. Os sistemas de monocomponente contêm
silano diluído em álcool ou acetona e necessitam de tratamento superficial da cerâmica
com ácido hidrofluorídrico, com a finalidade de criar superfície quimicamente ativa.
Nas soluções de duplo componentes, o silano é diluído em solução aquosa ácida, que
é hidrolisado e pode reagir diretamente com a superfície cerâmica. Se este silano não
for utilizado no tempo correto, ocorrerá a polimerização formando cadeias de ligações
polisiloxanas não reativas.
A etapa clínica de silanização é importante para a união das restaurações cerâmicas,
sendo o silano responsável pela união química entre a fase inorgânica da cerâmica e a
fase orgânica do cimento resinoso.38 Há aumento considerável da resistência de união
com a utilização do silano em cerâmicas feldspáticas reforçadas por leucita e dissilicato
de lítio pré-condicionadas com ácido hidrofluorídrico. A aplicação somente do silano
em cerâmicas não tratadas apresentam interface de união menos resistente.
Entretanto, a efetividade do silano é comprometida em sistemas cerâmicos refor-
çados com alto conteúdo de alumina, pois a união entre silano e alumina é baixa e ins-
tável e o mecanismo de união com a fase inorgânica é mediado pela presença de sílica
na superfície da cerâmica, substância presente em pouca quantidade na composição
de cerâmicas altamente sinterizadas com alumina e zircônia.

Tratamento de Superfície de Resinas Indiretas CAD/CAM


A combinação de processos de polimerização fundamentados em alta intensidade de
luz, temperatura, pressão, vácuo e atmosfera de nitrogênio associado à evolução dos
monômeros faz com que as resinas compostas laboratoriais atinjam níveis de conversão
acima de 80%, o que melhora suas propriedades mecânicas e amplia suas indicações.
O tratamento da superfície interna de restaurações em resinas laboratoriais com
ácido hidrofluorídrico promove alteração microestrutural do compósito, devido à dis-
solução das partículas inorgânicas presentes nos compósitos. O tratamento mecânico
da superfície interna de restaurações em resinas laboratoriais por meio de jateamento
com partículas de óxido de alumínio é a alternativa indicada para aumentar a ener-
gia de superfície, pois promove degradação não seletiva da resina e manutenção das
partículas inorgânicas, o que torna mais eficiente a união com o cimento resinoso.31

265
Capítulo 8 Materiais e Técnicas de Cimentação para Restaurações CAD/CAM

A presença de partículas inorgânicas na superfície das resinas laboratoriais melhora


a união da restauração indireta com cimento resinoso, promovida por meio da apli-
cação do silano. Apenas o jateamento com óxido de alumínio não produz aumento
significativo na resistência de união. No entanto, quando este é associado ao silano,
obtêm-se maiores valores de resistência de união para restaurações indiretas em resina
composta. Embora as resinas laboratoriais apresentem variação em sua composição, o
tratamento de superfície é o mesmo.31,39
O tipo de tratamento da superfície interna de restaurações em cerâmica e resina
laboratorial é modulado pela composição destes materiais e dos agentes abrasivos, con-
dicionantes e silanizadores. Cabe, portanto, ao profissional conhecer profundamente os
materiais restauradores com os quais está atuando e seguir protocolos específicos, com
o objetivo de otimizar o sucesso de procedimentos restauradores indiretos.

Referências Bibliográficas
1. Ayad MF, Rosenstiel SF, & Hassan MM.Surface roughness of dentin after tooth preparation with
different rotary instrumentation. Journal of Prosthetic Dentistry 1996;75(2):122-128.
2. Grasso CA, Caluori DM, Goldstein GR, & Hittelman E. In vivo evaluation of three cleansing tech-
niques for prepared abutment teeth Journal of Prosthetic Dentistry 2002; 88(4):437-441.
3. Ferracane JL, Stansbury JW, Burke FJ. Self-adhesive resin cements - chemistry, properties and clinical
considerations. J Oral Rehabil. 2011; 38(4):295-314.
4. Haddad MF, Rocha EP, Assunção WG. Cementation of prosthetic restorations: from conventional
cementation to dental bonding concept. J Craniofac Surg. 2011;22(3):952-8.
5. Manso AP, DDS, Silva NRFA, Bonfante EA, DDS, Pegoraro TA, Dias RA, Carvalho RM. Cements and
Adhesives for All-Ceramic Restorations. Dent Clin N Am 2011; 55:311–332
6. Van Meerbeeck B, De Munck J, Yoshida Y, Inoue S, Vargas M, Vijay P, et al. Buonocore memorial
lecture. Adhesion to enamel and dentin: current status and future challenges. Oper Dent.
2003;28(3):215-35.
7. Santos GC Jr, Santos MJ, Rizkalla AS. Adhesive cementation of etchable ceramic esthetic restora-
tions. J Can Dent Assoc. 2009;75(5):379-84.
8. Silva e Souza MH Jr, Carneiro KG, Lobato MF, Silva e Souza Pde A, de Góes MF. Adhesive systems:
important aspects related to their composition and clinical use. J Appl Oral Sci. 2010;18(3):207-14.
9. Carvalho RM, Pegoraro TA, Tay FR, Pegoraro LF, Silva NRFA, Pashley DH. Adhesive permeability af-
fects coupling of resin cements that utilize self-etching primers to dentine. J Dent 2004; 32: 55-65.
10. Carrilho MR, Geraldeli S, Tay F, de Goes MF, Carvalho RM, Tjäderhane L, Reis AF, Hebling J, Maz-
zoni A, Breschi L, Pashley D. In vivo preservation of the hybrid layer by chlorhexidine. J Dent Res.
2007;86(6):529-33.
11. Pashley DH, Tay FR, Breschi L, Tjäderhane L, Carvalho RM, Carrilho M, Tezvergil-Mutluay A. State
of the art etch-and-rinse adhesives. Dent Mater. 2011;27(1):1-16.
12. Tay FR, Suh BI, Pashley DH, Pratid C, Chuang SF, Li F. Factors Contributing to the Incompatibility
Between Simplified-step Adhesives and Self-cured or Dual-cured Composites. Part II. Single-bottle,
Total-etch Adhesive. J Adhes Dent 2003; 5: 91–105.
13. Ikemura K, Endo T. Effect on adhesion of new polymerization initiator systems comprising 5-mono-
substituted barbituric acids, aromatic sulphonate amides, and tert-butyl peroxymaleic acid in dental
adhesive resin. J Appl Polym Sci 1999; 72 : 1655-68
14. Sanares AM, Itthagarun A, King NM, et al. Adverse surface interactions between one-bottle
light-cured adhesives and chemical-cured composites. Dental Materials 2001;17:542-556
15. Mak YF, Lai SCN, Cheung ASP, Chan AWK, Tay FR, Pashley DH. Micro-tensile bond testing of resin
cement to dentin and an indirect resin composite. Dent Mater 2002; 18: 609-21.
16. Hikita K, Van Meerbeek B, De Munck J, Ikeda T, Van Landuyt K, Maida T, Lambrechts P, Peu-
mans M. Bonding effectiveness of adhesive luting agents to enamel and dentin. Dent Mater.
2007;23(1):71-80.
17. Pinzon LM, Oguri M, O’Keefe K, Dusevish V, Spencer P, Powers JM, & Marshall GW. Bond strength
of adhesives to dentin contaminated with smoker’s saliva Odontology. 2010;98(1) 37-43.
18. Fonseca RB, Martins LR, Quagliatto PS, & Soares CJ. Influence of provisional cements on ultimate
bond strength of indirect composite restorations to dentin Journal of Adhesive Dentistry. 2005;7(3):
225-230.
19. Chaiyabutr Y, & Kois JC. The effects of tooth preparation cleansing protocols on the bond
strength of self-adhesive resin luting cement to contaminated dentin Operative Dentistry 2008;
33(5):556-563.
20. Say EC, Koray F, Tarim B, Soyman M, & Gulmez T. In vitro effect of cavity disinfectants on the bond
strength of dentin bonding systems Quintessence International. 2004;35(1):56-60.

266
Capítulo 8 Materiais e Técnicas de Cimentação para Restaurações CAD/CAM

21. Duke ES, Phillips RW, & Blumershine R. Effects of various agents in cleaning cut dentine Journal of
Oral Rehabilitation. 1985;12(4):295-302.
22. Sol E, Espasa E, Boj JR, & Canalda C. Effect of different prophylaxis methods on sealant adhesion
Journal of Clinical Pediatric Dentistry. 2000;24(3):211-214.
23. Soares CJ, Pereira JC, Souza SLB, Menezes MS, Armstrong SR. The Effect of Prophylaxis Method on
Microtensile Bond Strength of Indirect Restorations to Dentin. Oper Dent 2012; 65:37-4
24. Santos MJMC, Bapoo H, Rizkalla AS, Santos Jr GC. Effect of Dentin-cleaning Techniques on the Shear
Bond Strength of Selfadhesive Resin Luting Cement to Dentin. Oper Dent 2011;36:512-520 apartir
da ref 25 segue na outra caixa.
25. Hipólito V, Rodrigues FP, Piveta FB, Azevedo LC, Alonso RCB, Nick Silikas N, Carvalho RM, Goes
MF, D’Alpino PHP. Effectiveness of self-adhesive luting cements in bonding to chlorhexidine-treated
dentin. Dent Mater 2012;28(5):495-501.
26. Petrie CS, Eick JD, Williams K, Spencer P. A comparison of 3 alloy surface treatments for resin-bonded
prostheses. J Prosthodont. 2001;10(4):217-23.
27. Thompson JY, Stoner BR, Piascik JR, Smith R. Adhesion/cementation to zirconia and other non-silicate
ceramics: where are we now? Dent Mater 2001;27(1):71-82.
28. Hill EE, Lott J. A clinically focused discussion of luting materials. Aust Dent J 2011;56:67-76.
29. Hill EE. Dental cements for definitive luting: a review and practical clinical considerations. Dent Clin
North Am 2007;51(3):643-58.
30. Kramer N, Lohbauer U, Frankenberger R. Adhesive luting of indirect restorations. Am J Dent
2000;13:60D-76D.
31. Soares CJ, Soares PV, Pereira JC, Fonseca RB. Surface treatment protocols in the cementation pro-
cess of ceramic and laboratory-processed composite restorations: a literature review. J Esthet Restor
Dent 2005;17(4):224-35.
32. Van Meerbeek B, Inokoshi S, Davidson CL, De Gee AJ, Lambrechts P, Braem M, et al. Dual cure lut-
ing composites--Part II: Clinically related properties. J Oral Rehabil 1994;21(1):57-66.
33. Belli R, Pelka M, Petschelt A, Lohbauer U. In vitro wear gap formation of self-adhesive resin cements:
a CLSM evaluation. J Dent 2009;37(12):984-93.
34. Behr M, Rosentritt M, Wimmer J, Lang R, Kolbeck C, Burgers R, et al. Self-adhesive resin ce-
ment versus zinc phosphate luting material: a prospective clinical trial begun 2003. Dent Mater
2009;25(5):601-4.
35. Borges, G.A.; Sophr, A.M.; De Goes, M.F.; Sobrinho, L.C.; Chan, D.C.N. Effect of etching and
airborne particle abrasion on the microstructure of different dental ceramics. J Prosthet Dent
2003;89:479-488.
35. Peumans, M.; Meerbeek, B.V.; Lambrechts, P.; Vanherle, G. Porcelain veneers: a review of the litera-
ture. J Dent 2000;28:163-177.
37. Holand, W.; Schweiger, M.; Frank, M.; Rheinberger, V. A comparison of the microstructure and prop-
erties of the IPS Empress 2 and the IPS Empress glass-ceramics. J Biomed Mater Res 2000;53:297-303.
38. Brum R, Mazur R, Almeida J, Borges G, Caldas D. The influence of surface standardization of lithium
disilicate glass ceramic on bond strength to a dual resin cement. Oper Dent 2011;36(5):478-85.
39. Honda MI, Flório FM, Basting RT. Effectiveness of indirect composite resin silanization evaluated by
microtensile bond strength test. Am J Dent 2008;21(3):153-8.

Agradecimentos
Os autores agradecem a colaboração fundamental de Bruno de Castro Ferreira Barreto,
Veridiana Resende Novais Simamoto e Gisele Rodrigues da Silva no preparo e revisão
deste capítulo. Os autores agradecem ainda à FAPEMIG, à CAPES e à CNPQ pelo finan-
ciamento das pesquisas e bolsas de orientados que viabilizam a produção de material
científico presente neste capítulo.

267
9
9
INFRAESTRUTURAS CAD/CAM
SOBRE IMPLANTES
Gustavo Mendonça, Ibrahim Duqum, Ingeborg De Kok e Lyndon Cooper

Introdução
Computer-assisted design (CAD) e computer-assisted manufacturing (CAM) tem sido
utilizado em implantodontia para o desenho e confecção de infraestruturas e pilares
protéticos. Várias vantagens dessa técnica têm sido identificadas, incluindo uma melhor
qualidade e precisão através do controle do processo de fabricação; uso de software
específico para determinar as dimensões necessárias baseadas nas propriedades físicas
e mecânicas do material; uso de um material mais consistente e homogêneo; neces-
sidade de um inventário reduzido; permite comunicação e colaboração remota entre
cirurgiões-dentistas, técnicos em prótese e outras pessoas envolvidas; e o potencial de
reduzir o custo do tratamento.1

Tabela 9.1. Vantagens e desvantagens do sistema CAD/CAM para confecção de


estruturas sobre implantes
Vantagens Desvantagens

Melhor qualidade e precisão do processo de fabricação da Investimento inicial no equipamento


infraestrutura
Possibilidade de determinar as dimensões necessárias Necessidade de treinamento específico e
baseadas nas propriedades físicas e mecânicas do material constante na tecnologia de escolha
através de parâmetros do software
Maior consistência e homogeneidade do material utilizado Custos de manutenção e atualização do
equipamento
Comunicação e colaboração remota entre Alguns materiais ainda são relativamente novos
cirurgiões-dentistas, técnicos em prótese e outras e necessitam de mais estudos clínicos
pessoas envolvidas
Possibilidade de personalizar e adaptar a infraestrutura
Inventário reduzido
Potencial redução do custo de tratamento

Para cirurgiões-dentistas que necessitam de componentes com alto nível de perso-


nalização, o sistema CAD/CAM pode ser considerado a primeira opção de tratamento.
Da mesma maneira, quando o material de escolha da infraestrutura é titânio ou zir-
cônia, CAD/CAM novamente é a primeira opção. Entretanto, a curva de aprendizado
necessária para a utilização dessas tecnologias requer que tanto o cirurgião-dentista
quanto o técnico em prótese dentária passem por um treinamento específico antes da
implementação do sistema. Além disso, a rápida progressão dessas tecnologias necessita
treinamento constante para garantir um resultado ideal, e devido ao alto investimento
inicial, é recomendado que usuários tenham um bom entendimento das necessidades
de manutenção e controle do equipamento de escolha.1

269
Capítulo 9 Infraestruturas CAD/CAM sobre Implantes

Novas tecnologias têm sido desenvolvidas muito rapidamente e pesquisas clínicas


dos sistemas de CAD/CAM disponíveis atualmente para a confecção de infraestruturas
e pilares sobre implantes são necessárias.2-5 Cirurgiões-dentistas e técnicos em prótese
dentária também precisam estar cientes de que novos materiais e tecnologias estão
agora sendo combinados de maneira que não havia ainda sido documenta.1 Uma vez
que estas novas tecnologias ainda não possuem acompanhamentos clínicos de longo
prazo, recomenda-se que os profissionais sejam cautelosos quando da aplicação clíni-
ca dessas tecnologias. O propósito deste capítulo é apresentar/discutir o uso das tec-
nologias de CAD/CAM na confecção de infraestruturas sobre implantes. A utilização
de tecnologias de CAD/CAM na confecção de pilares protéticos é discutida em outros
capítulos deste livro e, portanto, não será discutida neste capítulo.

Sistemas CAD/CAM para Confecção


de Infraestruturas sobre Implantes
A tecnologia CAD/CAM inclui a usinagem de infraestruturas a partir de blocos sólidos
e homogêneos de materiais metálicos (titânio e suas ligas e também outras ligas como
cobalto-cromo) e zircônia. A partir de 1980 essa tecnologia tem sido usada para usinar
infraestruturas unitárias em titânio;6 e a partir do final dos anos 1990, tem sido utiliza-
da para a produção de infraestruturas de casos múltiplos usinados a partir de blocos
homogêneos de titânio.
Estruturas CAD/CAM podem ser desenhadas em software CAD antes da usina-
gem, ou padrões de cera/resina podem ser confeccionados. Esses padrões são então
digitalizados por meio de um escâner e o desenho é enviado ao CAM para confecção
de uma infraestrutura de titânio que reproduz as dimensões da infraestrutura mes-
tre ou padrão de cera com grande precisão. Esse processo é chamado copy milling e
é diferente da tecnologia CAD/CAM que não inclui a confecção de padrões de cera
antes do processo de usinagem.7 Na tecnologia copy milling uma réplica exata do pa-
drão de cera/resina é criada virtualmente ao digitalizar a imagem do padrão, obtida
pelo escâner. Esses dados são então usados para programar a máquina de usinagem e
confeccionar a infraestrutura final no material de escolha.8 Ortorp e colaboradores9,10
compararam infraestruturas usinadas em sistemas CNC (computer numerically con-
trolled) e confeccionadas pelo processo convencional de fundição da cera perdida, e
observaram que as estruturas desenhadas e usinadas pelo computador tiveram adap-
tação em análogos de implantes em um modelo mestre tão bom quanto ou melhor
do que as infraestruturas fundidas.11

Infraestruturas de Titânio
Titânio e ligas à base de titânio são adequadas para utilização em odontologia clíni-
ca devido à sua excelente resistência à corrosão, excelente biocompatibilidade, baixo
custo, e também possui propriedades mecânicas similares a ligas áureas. Entretanto,
titânio e ligas à base de titânio são difíceis de fundir e não apresentam adesão ideal aos
materiais cerâmicos.12

Infraestruturas de Cobalto-cromo
Ligas a base de Cobalto-cromo (Co-Cr) como uma alternativa para ligas áureas devido
ao alto custo do ouro demonstrou sua longevidade e eficiência em reabilitações proté-
ticas.13 Atualmente, ligas a base de Co-Cr são uma alternativa às limitações do titânio
com relação à adesão ideal aos materiais cerâmicos.12,13

Infraestruturas de Zircônia
Zircônia estabilizada com Ítrio (Y-TZP) tem sido utilizada em odontologia restauradora
como um material cerâmico substituto de infraestruturas metálicas. Y-TZP é um material

270
Capítulo 9 Infraestruturas CAD/CAM sobre Implantes

cerâmico monofásico formado pela sinterização direta dos cristais sem nenhum tipo de
matriz, formando uma estrutura policristalina densa. Ítrio é adicionado a zircônia para
estabilizar e manter as propriedades físicas do material em baixas temperaturas. A re-
sistência flexural de materiais de zircônia tem sido relatadas entre 900 e 1.100 MPa.14
Zircônia parcialmente sinterizada e não sinterizada (ou em “estado verde”) são mais
macias e mais eficientes para usinar. Após a usinagem, as infraestruturas de zircônia são
sinterizadas em fornos a 1.350 a 1.530°C. O processo define a forma final, resistência
e propriedades físicas obtidas. Infraestruturas de zircônia parcialmente sinterizada são
usinadas 20% a 25% maiores que o tamanho final da infraestrutura para permitir a
contração do material durante o processo de sinterização.14
Atualmente, vários sistemas CAD/CAM estão disponíveis para utilização com im-
plantes dentários. Os sistemas discutidos a seguir são alguns exemplos relatados na
literatura. Alguns sistemas permitem a usinagem não só de infraestruturas, mas tam-
bém de pilares sobre implantes. Neste capítulo são discutidos somente os sistemas para
fabricação de infraestruturas sobre implantes.

Informações para a Confecção de


Infraestruturas sobre Implantes
Draco and Howell15 descreveram algumas informações para a confecção de infraes-
truturas de prótese híbridas. Neste capítulo essas informações foram modificadas para
incluir a confecção de infraestruturas em outras situações clínicas:
Deve existir uma adaptação passiva entre a infraestrutura e os implantes e/ou
pilares. Infraestruturas confeccionadas com os sistemas CAD/CAM propiciam uma
melhor adaptação do que as infraestruturas fundidas e também com menos de-
feitos.10
A infraestrutura deve resistir às forças de tensão e compressão associadas a mastiga-
ção e hábitos parafuncionais. A espessura da infraestrutura depende do tipo de material,
processo de fabricação usado em cada sistema específico, do número e comprimento
dos implantes, a qualidade do osso suporte e o tipo do arco antagonista (oclusão).15
As infraestruturas necessitam de uma adequada espessura/largura horizontalmente
(sentido vestibulolingual) e verticalmente. As usinadas nos sistemas CAD/CAM podem
ter dimensões ligeiramente menores do que as infraestruturas fundidas (as dimensões
recomendadas para as barras fundidas são de aproximadamente 7 mm de altura e 6
mm de espessura).16 O sistema CAM StructSURE (Biomet 3i, Palm Beach Gardens, FL)
especifica que a altura mínima das barras usinadas deve ser 2,5 mm.
O desenho da infraestrutura tem que ser compatível com a localização dos den-
tes. Para as próteses híbridas, as infraestruturas devem ser desenhadas com um espaço
adequado para os materiais estéticos (1,5 a 2 mm): resina acrílica/resina composta/
materiais poliméricos reforçados e devem também incluir elementos de retenção para a
resina e dentes.15 Retenções extras para o acrílico podem ser feitas com protuberâncias,
arcos ou retenções colocadas aleatoriamente ao longo da infraestrutura. Essas reten-
ções devem ser colocadas de maneira que não interfiram com a localização dos den-
tes. As linhas de acabamento entre metal e resina também devem possuir retenções.16
Cirurgiões-dentistas devem determinar a localização aproximada dos dentes artificiais
previamente ao desenho da infraestrutura no software. Para paciente desdentado, uma
prótese total em cera deve ser confeccionada e digitalizada antes do desenho da infra-
estrutura. Esse processo facilitará a localização dos dentes artificiais em conjunto com
a confecção da infraestrutura (Figuras 9.1 a 9.9).
A extensão do cantilever deve ser compatível com o tipo de material para a con-
fecção da infraestrutura, número e localização dos implantes. Infraestruturas com ligas
de metais básicos são mais flexíveis do que com ligas nobres ou zircônia. A extensão
do cantilever pode ser até 1,5× da distância anteroposterior dos implantes – implante
mais anterior até o implante mais posterior.

271
Capítulo 9 Infraestruturas CAD/CAM sobre Implantes

Figura 9.1. Enceramento prévio da prótese para Figura 9.2. Enceramento prévio da prótese para avaliação
avaliação da localização dos dentes. Vista lateral. da localização dos dentes. Vista oclusal.

Figura 9.3. Infraestrutura gerada no software


levando em consideração o enceramento prévio.
Vista lingual.

Figura 9.4. Infraestrutura gerada no software


levando em consideração o enceramento prévio.
Vista lateral.

Figura 9.5. Infraestrutura gerada no software levando em


consideração o enceramento prévio. Vista lingual.

272
Capítulo 9 Infraestruturas CAD/CAM sobre Implantes

Figura 9.6. Infraestrutura gerada no


software levando em consideração o
enceramento prévio. Vista vestibular.

Figura 9.7. Prova da infraestrutura na boca.


Vista vestibular.

Figura 9.8. Prova da infraestrutura na boca.


Vista oclusal.

Figura 9.9. Prótese híbrida (tipo protocolo)


instalada. Vista vestibular.

273
Capítulo 9 Infraestruturas CAD/CAM sobre Implantes

Alguns dos Sistemas Comercialmente


Disponíveis
Procera
Próteses sobre implantes estão disponíveis em zircônia e titânio. Próteses parciais Pro-
cera são aparafusadas e estão disponíveis para uma grande variedade de sistemas de
implantes. As infraestruturas de zircônia estão disponíveis apenas no nível do implante,
enquanto as infraestruturas de titânio existem sobre implantes ou pilares. No sistema
Procera, uma estrutura de resina acrílica é confeccionada diretamente sobre cilindros
temporários sobre os implantes.6 A infraestrutura de resina é, então, escaneada a laser
e a infraestrutura é usinada em uma máquina CNC de cinco eixos.6,17

CAM Structure
Barras usinadas de precisão estão disponíveis no formato Hader e Dolder para overden-
tures e também para próteses fixas híbridas (do tipo “protocolo”). Com esse sistema, o
técnico de prótese não precisa fazer o padrão de cera/resina da infraestrutura (Figuras
9.10 a 9.29). O desenho é feito diretamente no software com um programa específico.7

Figura 9.10. Implantes instalados na maxila com pilares UniAbutment


(Astratech, Suécia). Vista oclusal.

Figura 9.11. Implantes instalados na mandíbula com pilares UniAbutment


(Astratech). Vista oclusal.

274
Capítulo 9 Infraestruturas CAD/CAM sobre Implantes

Figura 9.12. Moldagem dos pilares na maxila. Figura 9.13. Moldagem dos pilares na mandíbula.

Figura 9.14. Infraestrutura da maxila gerada no software levando em


consideração o enceramento prévio. Vista lingual.

Figura 9.15. Infraestrutura da maxila gerada no software levando em


consideração o enceramento prévio. Vista lateral.

275
Capítulo 9 Infraestruturas CAD/CAM sobre Implantes

Figura 9.16. Infraestrutura da maxila


gerada no software levando em consideração
o enceramento prévio. Vista oclusal.

Figura 9.17. Infraestrutura da mandíbula


gerada no software levando em consideração
o enceramento prévio. Vista lingual.

Figura 9.18. Infraestrutura da mandíbula


gerada no software levando em consideração
o enceramento prévio. Vista lateral.

Figura 9.19. Infraestrutura da mandíbula


gerada no software levando em consideração
o enceramento prévio. Vista oclusal.

276
Capítulo 9 Infraestruturas CAD/CAM sobre Implantes

Figura 9.20. Infraestrutura confeccionada


para a maxila sobre o modelo. Vista oclusal.

Figura 9.21. Prova da infraestrutura


confeccionada para a maxila. Vista oclusal.

Figura 9.22. Prova da infraestrutura


confeccionada para a maxila. Vista vestibular.

Figura 9.23. Prova da infraestrutura


confeccionada para a mandíbula.
Vista oclusal.

277
Capítulo 9 Infraestruturas CAD/CAM sobre Implantes

Figura 9.24. Prova da infraestrutura confeccionada para a


mandíbula. Vista vestibular.

Figura 9.25. Montagem de dentes. Vista vestibular.

Figura 9.26. Montagem de dentes. Vista oclusal da mandíbula.

278
Capítulo 9 Infraestruturas CAD/CAM sobre Implantes

Figura 9.27. Montagem de dentes. Vista oclusal da maxila.

Figura 9.28. Prótese híbrida (do tipo protocolo) instalada. Vista vestibular.

Figura 9.29. Sorriso do paciente.

279
Capítulo 9 Infraestruturas CAD/CAM sobre Implantes

BioCad
Este sistema também confecciona barras usinadas e permite a confecção de barra para
a maioria dos sistemas de implantes. Essas barras são feitas de ligas de titânio grau ci-
rúrgico usinadas em máquinas industriais. Barras do sistema Biocad estão disponívies
em formatos Hader, Dolder, para próteses fixas e arredondadas.

Etkon
Este sistema confecciona infraestruturas de até 16 elementos em uma variedade de
materiais, incluindo titânio e zircônia.18

ZirkonZahn
Infraestruturas em zircônia são usinadas a partir do escâner da infraestrutura do padrão
de resina. Essas infraestruturas são utilizadas também em reabilitações de arcos com-
pletos (Figuras 9.30 a 9.34).

Figura 9.30. Vista oclusal dos implantes instalados.

Figura 9.31. Prova e ajuste da prótese confeccionada em zircônia. Vista


frontal.

280
Capítulo 9 Infraestruturas CAD/CAM sobre Implantes

Figura 9.32. Vista aproximada mostrando a estética obtida utilizando


zircônia.

Figura 9.33. Sorriso do paciente.

Figura 9.34. Radiografia da infraestrutura de zircônia instalada.

281
Capítulo 9 Infraestruturas CAD/CAM sobre Implantes

Cagenix
Cagenix possui um sistema patenteado e produz uma infraestrutura para próteses
híbridas na qual a barra de titânio é recoberta com uma cobertura para melhorar a
estética e não aparecer através da resina. Essa barra também possui uma superfície
microrretentiva.

Everest
Este sistema da Kavo também permite a usinagem de infraestruturas em titânio e dife-
rentes tipos de zircônia, além de blocos de cobalto-cromo (Co-Cr).

Considerações Finais
A tecnologia CAD/CAM utilizada para usinar infraestruturas implanto-suportadas eli-
mina a necessidade de enceramento, fundição, soldagem (convencional ou a laser) e
as dificuldades associadas com esses procedimentos.19 Em uma das técnicas, próteses
totais em fase de cera e prova são convertidas em padrões de resina. Esse padrão é,
então, reduzido para permitir espaço para confecção de coroas metalocerâmicas. Esse
padrão de resina é então digitalizado, e o modelo digital gerado é utilizado para pro-
gramar a máquina de usinagem (copy milling). Essa infraestrutura usinada é uma cópia
exata da infraestrutura em resina confeccionada no laboratório.
Em outra técnica, o modelo e a prótese total encerada para prova de dentes são
digitalizados e a infraestrutura é planejada completamente em ambiente digital com
base na prótese total. Essas infraestruturas promovem uma ótima adaptação sobre os
implantes/pilares. Coroas individuais metalocerâmicas podem também ser usadas para
promover melhores resultados estéticos.
Em ambos os processos, é extremamente importante ter certeza, durante a fase de
prova da prótese total em cera, de que o espaço para a confecção da infraestrutura e
dentes é suficiente. Também é importante verificar o espaço para higienização durante
todas as fases do tratamento.

Referências Bibliográficas
1. Hammerle C H, Stone P, Jung R E, Kapos T, Brodala N. Consensus statements and recommended
clinical procedures regarding computer-assisted implant dentistry. Int.J.Oral Maxillofac.Implants
2009; 24 Suppl: 126-131.
2. Engquist B, Astrand P, Anzen B, et al. Simplified methods of implant treatment in the edentulous
lower jaw. Part II: Early loading. Clin.Implant Dent.Relat.Res. 2004; 6:90-100.
3. Ortorp A, Jemt T. Clinical experiences of computer numeric control-milled titanium frameworks
supported by implants in the edentulous jaw: a 5-year prospective study. Clin.Implant Dent.Relat.
Res. 2004; 6:199-209.
4. Sanna A M, Molly L, van Steenberghe D. Immediately loaded CAD-CAM manufactured fixed com-
plete dentures using flapless implant placement procedures: a cohort study of consecutive patients.
J.Prosthet.Dent. 2007 Jun; 97:331-339.
5. Kapos T, Ashy L M, Gallucci G O, Weber H P, Wismeijer D. Computer-aided design and comput-
er-assisted manufacturing in prosthetic implant dentistry. Int.J.Oral Maxillofac.Implants 2009; 24
Suppl: 110-117.
6. Ehrenkranz H, Langer B, Marotta L. Complete-arch maxillary rehabilitation using a custom-designed
and manufactured titanium framework: a clinical report. J.Prosthet.Dent. 2008 Jan; 99:8-13.
7. Drago C J, Peterson T. Treatment of an edentulous patient with CAD/CAM technology: a clinical
report. J.Prosthodont. 2007 May-Jun; 16: 200-208.
8. Meulen P V, Linden W V, Eeden R V. Optimal Restoration of Dental Esthetics and Function with Ad-
vanced Implant-Supported Prostheses: A Clinical Report. J.Prosthodont. 2012 Feb 28.
9. Ortorp A, Jemt T. CNC-milled titanium frameworks supported by implants in the edentulous jaw:
a 10-year comparative clinical study. Clin.Implant Dent.Relat.Res. 2012 Mar; 14:88-99.
10. Ortorp A, Jemt T, Back T, Jalevik T. Comparisons of precision of fit between cast and CNC-milled
titanium implant frameworks for the edentulous mandible. Int.J.Prosthodont. 2003 Mar-Apr;
16:194-200.
11. Jemt T, Back T, Petersson A. Precision of CNC-milled titanium frameworks for implant treatment in
the edentulous jaw. Int.J.Prosthodont. 1999 May-Jun; 12:209-215.

282
Capítulo 9 Infraestruturas CAD/CAM sobre Implantes

12. Pieralini A R, Benjamin C M, Ribeiro R F, Scaf G, Adabo G L. The effect of coating patterns with spi-
nel-based investment on the castability and porosity of titanium cast into three phosphate-bonded
investments. J.Prosthodont. 2010 Oct; 19:517-522.
13. Teigen K, Jokstad A. Dental implant suprastructures using cobalt-chromium alloy compared with
gold alloy framework veneered with ceramic or acrylic resin: a retrospective cohort study up to 18
years. Clin.Oral Implants Res. 2012 Jul; 23:853-860.
14. White S N, Miklus V G, McLaren E A, Lang L A, Caputo A A. Flexural strength of a layered zirconia
and porcelain dental all-ceramic system. J.Prosthet.Dent. 2005 Aug; 94:125-131.
15. Drago C, Howell K. Concepts for Designing and Fabricating Metal Implant Frameworks for Hybrid
Implant Prostheses. J.Prosthodont. 2012 Mar 13; .
16. Carr A B, Stewart R B. Full-arch implant framework casting accuracy: preliminary in vitro observa-
tion for in vivo testing. J.Prosthodont. 1993 Mar; 2:2-8.
17. Kupeyan H K, Shaffner M, Armstrong J. Definitive CAD/CAM-guided prosthesis for immediate load-
ing of bone-grafted maxilla: a case report. Clin.Implant Dent.Relat.Res. 2006; 8:161-167.
18. Beuer F, Aggstaller H, Edelhoff D, Gernet W, Sorensen J. Marginal and internal fits of fixed dental
prostheses zirconia retainers. Dent.Mater. 2009 Jan; 25:94-102.
19. May K B, Edge M J, Russell M M, Razzoog M E, Lang B R. The precision of fit at the implant prosth-
odontic interface. J.Prosthet.Dent. 1997 May; 77:497-502.

283
10

REPARO EM RESTAURAÇÕES
CERÂMICAS CAD/CAM
Carlos José Soares, Bruno de Castro Ferreira Barreto,
Gisele Rodrigues da Silva e Veridiana Resende Novais Simamoto

Introdução
O processo restaurador tem por objetivo primordial a recuperação da função, estética
e manutenção da normalidade do aparelho estomatognático. Neste contexto, as ce-
râmicas odontológicas têm papel importante, pois apresentam propriedades físicas e
mecânicas compatíveis com o esmalte dentário que mimetizam com naturalidade esse
tecido.1 Adequações na composição, estrutura e no processo de fabricação das cerâmi-
cas odontológicas resultaram em melhores propriedades mecânicas, o que possibilita
sua utilização como material de infraestrutura para restaurações de dentes anteriores
e posteriores. Atualmente, os sistemas CAD/CAM utilizam diferentes blocos cerâmicos
pré-fabricados em cerâmica feldspática, reforçadas por leucita, dissilicato de lítio, alu-
mina, zircônia e zircônia tetragonal policristalina estabilizada por ítrio (Y-TZP).
No entanto, mesmo com a evolução desses materiais, todas as restaurações cerâ-
micas apresentam falhas durante processamento laboratorial ou quando em função,
independentemente da composição microestrutural do material cerâmico.2 As com-
plicações clínicas mais comuns que ocorrem em restaurações de cerâmica pura são:
1) o lascamento ou trinca da camada de recobrimento; 2) exposição da infraestrutura
devido à inadequada união com a camada de recobrimento e 3) a fratura do conec-
tor.3 Neste contexto, é importante para o cirurgião-dentista não apenas saber quando
e como reparar restaurações cerâmicas danificadas, mas também como evitar situações
que possam potencializar as falhas.
Assim, este capítulo demonstra a relação da microestrutura, composição, método
de processamento, propriedades mecânicas das cerâmicas, desenho da restauração e
conceitos oclusais no processo de falha. Além disso, fornece orientações para auxiliar
o cirurgião-dentista a realizar reparo em restaurações cerâmicas CAD/CAM.

Como e Por Que as Restaurações Cerâmicas Falham?


As restaurações em cerâmica pura são expostas a condições intraorais complexas, que
incluem cargas funcionais e parafuncionais, por isso a fratura ainda é uma das causas
mais comuns do fracasso desse tipo de restauração.4 Clinicamente, as falhas mecânicas
das restaurações cerâmicas podem ser associadas ao processo de fadiga, à sobrecarga ou
ao impacto, e podem ser potencializadas pelas condições de umidade do ambiente oral.4
Embora o aumento no conteúdo cristalino e as modificações estruturais resultem
em maior resistência à fratura, as cerâmicas são friáveis, apresentando baixa tenacidade
à fratura e limitada capacidade de resistir às tensões de tração. A tenacidade à fratura
é definida como a resistência de um material à propagação de trincas e é geralmente
independente do tamanho da fenda inicial. Em contraste, a resistência do material de-
pende do tamanho da fenda inicial ou de defeitos gerados durante a produção, pro-

285
Capítulo 10 Reparo em Restaurações Cerâmicas CAD/CAM

cessamento ou manuseio. Falhas e defeitos microscópicos podem surgir na superfície


da cerâmica, como resultado de processos químicos, térmicos ou mecânicos, que re-
sultam em concentração de tensões que podem gerar trincas passíveis de se propagar
e resultar em fratura do material.1
Outros processos comuns de falha em restaurações cerâmicas são a delaminação
ou a fratura coesiva da camada de recobrimento. As restaurações em cerâmica pura
podem ser bilaminadas e constituídas por dois diferentes tipos de materiais: a cerâmica
de infraestrutura, que tem maior resistência, e a de cobertura, que é menos resistente,
porém mais estética. No entanto, esses dois tipos de cerâmica apresentam diferentes
composições químicas e microestruturais, e consequentemente, diferentes proprieda-
des mecânicas, em especial o módulo de elasticidade e coeficiente de expansão tér-
mica (CTE).1
Alguns procedimentos clínicos também podem resultar em restauração propícia
a falhas. Assim, cuidados devem ser tomados quanto à indicação e uso dos materiais
e técnicas de fixação, bem como durante a fase dos ajustes antes e após a fixação. A
obtenção da harmonia dos contatos oclusais nos movimentos de abertura e fechamen-
to, bem como nos excursivos da mandíbula, são fundamentais para evitar sobrecarga
das restaurações. Entretanto, a realização dos ajustes gera irregularidades na superfície,
que podem ocasionar maior desgaste dos dentes antagonistas, trincas e acúmulo de
placa batceriana.5 Uma superfície lisa é desejável após os ajustes finais, o que pode ser
obtido com o glazeamento da superfície ou adequado polimento.
É importante enfatizar que o diagnóstico precoce das trincas com possibilidade de
propagação e fratura deve ser considerado pelo cirurgião-dentista. Assim, é indicada
a utilização da transiluminação da restauração préviamente à fixação, que é método
eficaz, simples, rápido e de baixo custo.6

Como Reparar Restaurações Cerâmicas: abordagem


direta e indireta
Importante inicialmente é saber se é possível e como podemos reparar as restaurações
cerâmicas fraturadas. Alguns aspectos devem ser considerados, tais como a composi-
ção do material, a extensão e a localização da falha, para definir a estratégia de reparo
da restauração (Figura 10.1).
Como mencionado anteriormente, as cerâmicas odontológicas são reforçadas por
diferentes cristais. O aumento do teor cristalino resulta em maior resistência mecânica
e menor resistência da propagação de trincas durante as fases laboratoriais e clínicas.
No entanto, a composição e propriedades físicas das cerâmicas de alta resistência, tais
como as reforçadas por óxido de alumínio (Al2O3) e óxido de zircônio (ZrO2), diferem
substancialmente das demais. Esses materiais cerâmicos são altamente resistentes ao
condicionamento químico e necessitam de técnicas alternativas para a obtenção de
adequada resistência de união aos materiais resinosos.7,8,9
A extensão e localização das fraturas também são fatores que devem ser observados
no processo de reparo. As próteses fixas múltiplas têm maior risco de apresentar falhas
quando comparadas às coroas unitárias (Ozcan & Niedermeier, 2002). Isso ocorre, em
parte, devido à extensão da infraestrutura e da probabilidade de maior flexão da res-
tauração. De uma forma geral, o reparo da restauração deve ser considerado somente
se ela cumprir os requisitos fundamentais de função e estética clinicamente aceitáveis.10
Existem duas alternativas de reparo: direta e indireta.11,12 Na técnica indireta, o re-
manescente da restauração é preparado, moldado e uma faceta cerâmica é confecciona-
da em laboratório, e depois cimentada sobre o substrato remanescente. Essa técnica é
mais apropriada para grandes superfícies fraturadas, em áreas de maior esforço funcional
ou onde a estética é primordial. No entanto, exige mais sessões clínicas e onera maior
custo operacional. Por outro lado, o método direto preserva a restauração, resulta em
procedimento de baixo custo, é de fácil execução com resultados imediatos. Quando
comparada ao reparo indireto, apresenta algumas desvantagens: menor resistência
à fratura, dificuldade em obter excelência estética e limitada resistência ao desgaste.

286
Capítulo 10 Reparo em Restaurações Cerâmicas CAD/CAM

Figura 10.1. Estratégias de reparo em restaurações cerâmicas.

Técnica Direta: reparo intraoral


As propriedades mecânicas, físicas e ópticas da resina composta micro-híbrida, nano-
híbrida ou nanopartícula fazem deste material a melhor opção para os reparos intraorais
em restaurações cerâmicas.10 No entanto, a resistência de união da resina composta à
cerâmica está relacionada ao tipo de cerâmica e ao protocolo de tratamento da superfície
da cerâmica fraturada.11,13 Tradicionalmente, as tentativas de tratamento de superfície
da cerâmica têm incluído métodos para promover a união química e mecânica. Esses
tratamentos podem remover a superfície glazeada da cerâmica e expor camada sub-
jacente, mais reativa. Além disso, há o aumento da área de contato superficial, melhor
molhabilidade e a interação entre as partículas de sílica e silano, que otimiza a união
na interface entre cerâmica e resina composta. Quando possível, o reparo intraoral
deve ser realizado sob isolamento absoluto do campo operatório, que visa proteger os
tecidos e dentes adjacescentes, obter melhor visualização do campo de trabalho, livre
de contamição e umidade.11,13

Preparo Mecânico
Asperização da Superfície Fraturada
A realização de asperização e confecção de bisel com pontas diamantadas na superfície
fraturada são indicadas especialmente quando a linha de fratura for evidente (Figura
10.2). No entanto, esse procedimento deve ser feito em alta rotação para reduzir as
vibrações, que podem gerar trincas nas margens da restauração cerâmica.13

287
Capítulo 10 Reparo em Restaurações Cerâmicas CAD/CAM

Figura 10.2. A. Prótese fixa superior


de 14 elementos com lascamento na
cerâmica feldspática de cobertura,
região incisal dos elementos 11 e 12.
B. Asperização e biselamento da cerâmica
com ponta diamantada 2135 F no dente
11. C. Recontorno da cerâmica com ponta
diamantada 2135 FF no dente 12.
D. Aspecto final após os preparos
mecânicos das próteses.

Jateamento Abrasivo
Outro método simples para aumentar a rugosidade da superfície cerâmica é o jatea-
mento abrasivo. Apesar de esta técnica aumentar a área de superfície para união, deve
ser associada a tratamentos químicos.7 No entanto, cuidados devem ser observados
em relação à abrasão excessiva, que pode induzir o lascamento ou grande perda de
estrutura quando realizadas em cerâmicas à base de sílica.14 O jateamento com óxido
de alumínio é normalmente realizado sob pressão de ar de 2 a 3 bars, por período de
15 a 60 segundos,11 mas a resistência de união entre a interface resina composta e ce-
râmica pode ser significativamente elevada quando utilizada a técnica de abrasão com
óxido de alumínio seguido pelo condicionamento com ácido hidrofluorídrico, durante
2 a 2,5 minutos para cerâmicas feldspática, 60 segundos para as reforçadas por leucita,
e por 20 segundos para as cerâmcias à base dissilicato de lítio.15 Para as cerâmicas à
base de zircônia Y-TZP tem sido observado em alguns estudos o aumento da resistência
de união entre a resina composta e a cerâmica, após abrasão com óxido de alumínio
seguida por aplicação de primer para metal.9
A utilização da técnica de jateamento com sílica impregnada pelo óxido de alumí-
nio, silicatização, também aumenta a resistência de união no procedimento de reparo
de restaurações em cerâmica. Ela deve ser realizada com a ponta do dispositivo intraoral
distando 10 a 30 mm da superfície fraturada, com pressão de 2 a 3 bars, por período
de 10 a 15 segundos.7,10,16 Nessa técnica, a sílica é incorporada à superfície cerâmica
que vai iteragir com o agente de união. A vantagem da sílica é que as múltiplas super-
fícies expostas, cerâmica e metal, podem ser tratadas em um único passo, incluindo as
cerâmicas policristalinas. Em restaurações de cerâmicas reforçadas por alumina, a sili-
catização seguida da silanização proporciona estabilidade hidrolítica superior, quando
comparado a outras estratégias de reparo como a técnica descrita por Ozcan et al.,16
que condiciona a superfície com ácido fluorídrico a 9,5% seguido pela silanização, pos-
terior aplicação do adesivo ou asperização da superfície, condicionamento com ácido
fosfórico 40%, aplicação de primer cerâmico e adesivo. Da mesma forma, a silicatização
aumenta a longevidade do reparo em coroas de zircônia,7 apesar de Thompson et al.8
terem relatado que irregularidades criadas por esse método podem induzir a fratura
e menor resistência mecânica da restauração. Como desvantagens, essa técnica apre-
senta o custo adicional do dispositivo de abrasão e as condições insalubres de trabalho
devido às partículas abrasivas de sílica.16

288
Capítulo 10 Reparo em Restaurações Cerâmicas CAD/CAM

Tratamentos Químicos
Condicionamento com Ácidos
O condicionamento com ácido é efetivo apenas para o tratamento de superfície das
cerâmicas feldspática e das reforçadas por leucita ou dissilicato de lítio. O ácido dissol-
ve de forma seletiva a matriz vítrea, promove a limpeza e/ou criar microrretenções que
aumentam a resistência de união do reparo.10
Ácido hidrofluorídrico (AH): cria irregularidades na superfície ao agir sobre a síli-
ca (SiO2) da fase vítrea da cerâmica. A concentração pode variar de 2,5 a 10%.11,14
O tempo de aplicação depende da composição do material cerâmico (Figura 10.3) e
pode variar de 20 segundos a 2,5 minutos.13,17 Apesar de ser eficaz, o ácido fluorídrico
acarreta sérios riscos para os tecidos humanos e por isso cuidados devem ser utilizados
para evitar o contato do ácido com os tecidos orais e extraorais.18 Os mecanismos que
causam danos aos tecidos são a corrosão pelos íons de hidrogênio livres e a queima-
dura química pela penetração dos íons fluoreto, e, além disso, a inalação dos vapores
do AH pode lesar pulmões e olhos.18

Figura 10.3. A. Condicionamento da


cerâmica com ácido hidrofluorídrico a
9,5%. B. Remoção do ácido com auxílio de
sugador evitando contato com os tecidos
orais. C. Lavagem abundante com água.
D. Aspecto final após o condicionamento
químico inicial da cerâmica.

Flúor fosfato acidulado (FFA): utilizado em concentração de 1,23%. Seus efeitos


parecem ser semelhantes ao produzido pelo ácido hidrofluorídrico, quando utilizados
em cerâmica feldspática19 com período de condicionamento de 5 a 15 minutos, e é
inócuo para os tecidos orais.13
Ácido bifluoreto de amônio: utilizado em concentração de 9,4%. É outra alterna-
tiva por resultar em resistência de união semelhante a do ácido AH, quando utilizado
em cerâmica reforçada por dissilicato de lítio.17
No entanto, o flúor fosfato acidulado e ácido bifluoreto de amônio ainda são pou-
co descritos na literatura científica. Assim, o protocolo de condicionamento desses
ácidos nas superfícies das diferentes cerâmicas existentes no mercado ainda não está
bem determinado, fazendo com que sejam necessárias mais pesquisas para desenvol-
ver protocolos de utilização.

Silanização
O silano é um monômero bifuncional, que contém o grupo silanol (SiH3OH), que rea-
ge com a superfície da cerâmica e o outro que copolimeriza com a matriz resinosa dos
compósitos, conforme visto no capítulo de cimentação. Ele melhora a molhabilidade do
substrato cerâmico e, quando associado às técnicas que promovem microrretenções,
melhora a união física, mecânica e química do reparo.11,16 A aplicação do silano varia

289
Capítulo 10 Reparo em Restaurações Cerâmicas CAD/CAM

Figura 10.4. A. Silanização da cerâmica


pelo tempo de 1-5 minutos. B. Aplicação
do adesivo e fotoativação por 20 segundos.
C. Inserção incremental de resina composta
nanoparticulada sobre a superfície tratada.
D. Fotoativação da resina composta
por 40 segundos.

de 1 a 5 minutos10 (Figura 10.4). No entanto, a química do silano não é verdadeira-


mente eficaz com cerâmicas policristalinas de alta resistência mecânica.

Aplicação de Primers
Os primers cerâmicos e metálicos passaram a ser interessantes especialmente para as ce-
râmicas reforçadas com alumina e zircônia, em situações clínicas em que a fratura expõe
a infraestrutura.3 O zirconato tem sido utilizado em cerâmicas reforçadas por zircônia,20
tem mecanismo de ação semelhante ao silano, porém a união ocorre entre o ZrO2 com
grupos hidroxila.8 Outra opção é o MDP [10-metacriloxidecil diidrogen fosfato], pois
aumenta a resistência de união entre materiais resinosos e a superfície da zircônia.9,20,21
Finalmente, diferentes sistemas de reparo, tais como kit de reparo de cerâmica
(Bisco), kit CoJet (3M/ESPE), Silistor (HeraeusKulzer), Cimara (Voco) e Clearfil (Ivoclar
Vivadent), estão disponíveis no mercado odontológico. Estes apresentam diferentes
estratégias de condicionamento e devem ser utilizados de acordo com as instrucões
dos fabricantes.

Polimento em Restaurações Cerâmicas Fraturadas


Algumas fraturas coesivas nas cerâmicas de recobrimento podem dispensar a subs-
tituição ou o reparo da restauração, desde que sejam de pequenas dimensões e não
interfiram na função ou estética. O polimento pode minimizar a rugosidade5 que evita
a propagação de trincas, desgaste excessivo do dente antagonista ou acúmulo de pla-
ca bacteriana, e ainda melhora a estética.5 Para o polimento da superfície cerâmica é
utilizada sequência de borrachas abrasivas, discos ou pastas diamantadas de granula-
ção decrescente, que estão disponíveis no mercado odontológico tais como Ceramida
(Morita), CeraMaster (Shofu), NTI CeraGlaze (NTI-Kahla GmbH), Dialite II (Brasseler)
dentre outros. Estes devem ser utilizados em baixa velocidade, com rotação entre 4.000
e 15.000 rpm, durante 10 a 180 segundos.5,22 É válido ressaltar que cada sistema de
polimento tem protocolo individualizado pelo fabricante que deve ser seguido cuidado-
samente pelo profissional para obtenção de superfície bem lisa e polida (Figura 10.5).

Longevidade Clínica do Reparo Direto em Restaurações Cerâmicas


As complicações geram resultados desfavoráveis e inesperados ao tratamento odonto-
lógico, sendo a longevidade da restauração a melhor forma de avaliar o sucesso clínico
ao longo de período específico, sem que haja efeitos adversos ou necessidade de ação

290
Capítulo 10 Reparo em Restaurações Cerâmicas CAD/CAM

Figura 10.5. A. Polimento, com borracha


de exacerapol e pasta diamantada, da
superfície vestibular e incisal do elemento
12 e reparo do elemento 11. B. Aspecto
final da prótese reparada, no elemento 11 e
recontorno e polimento do elemento 12.

corretiva.1 Embora o reparo seja a alternativa mais viável quando comparado à substitui-
ção das restaurações cerâmicas,23 poucos trabalhos descrevem a longevidade clínica das
restaurações de cerâmica reparadas. A taxa de sucesso clínico dos reparos em restaura-
ções cerâmicas é multifatorial11 e compreender as razões da falha, extensão, forças oclu-
sais exercidas, hábitos e higiene oral do paciente. Isso é importante, pois pode interferir
na longevidade clínica do reparo. Ozcan & Niedermeier,10 ao utilizarem a silicatização,
silanização e preenchimento da falha com resina composta, observaram taxa de lon-
gevidade cumulativa de 89% em até três anos para restaurações metalocerâmicas. No
entanto, mais pesquisas clínicas são necessárias para investigar as estratégias de reparo
para os diferentes tipos de restaurações cerâmicas disponíveis no mercado odontológico.

Reparo Indireto
O reparo indireto de restaurações cerâmicas é raramente citado na literatura. Essa téc-
nica é mais apropriada para grandes fraturas de superfícies, em áreas de maior esfor-
ço funcional ou nas quais a estética é fundamental. Consiste basicamente no preparo
do remanescente da restauração, moldagem, confecção de faceta em cerâmica e sua
posterior fixação com materiais resinosos e com os protocolos de condicionamento
disponíveis na Figura 10.1. No entanto, é uma técnica que requer maior tempo clínico
e agrega maior custo para o paciente.11
Outra forma de reparo indireto é a adição de cerâmica antes da cimentação para
melhorar o ponto de contato proximal, a estética, a função ou por fratura. No entanto,
o aumento do número de ciclos de queima modifica a cor24 e as propriedades da cerâ-
mica.25,26 Nessa técnica, cerâmicas de ultrabaixa fusão, com temperaturas de queima
inferior a 850° C, são aplicadas. Na escolha do tipo de cerâmica para esse fim, deve-se
optar por aquelas que possuam algum tipo de reforço, como, por exemplo, cristais de
leucita.27 O tratamento de superfície para o acréscimo e o ciclo de queima dependerá
do sistema escolhido e, por isso, o protético também deve seguir cuidadosamente as
instruções dos fabricantes.

Referências Bibliográficas
1. Anusavice KJ. Standardizing failure, success, and survival decisions in clinical studies of ceramic and
metal-ceramic fixed dental prostheses. Dent Mater 2012; 28(1):102-11.
2. Sailer I, Gottnerb J, Kanelb S, Hammerle CH. Randomized controlled clinical trial of zirconia-ceramic
and metal–ceramic posterior fixed dental prostheses: a 3-year follow-up. Int J Prosthod 2009;
22:553–60.
3. Wolfart S, Eschbach S, Scherrer S, Kern M. Clinical outcome of three-unit lithium-disilicate glass-ce-
ramic fixed dental prostheses: up to 8 years results. Dent Mater 2009; 25(9): e63-71.
4. Borges GA. Fracture Loads of All-Ceramic Crowns under Wet and Dry Fatigue Conditions. J Prostho-
dont 2009; 18(8):649-655.
5. Dalkiz M, Sipahi C, Beydemir B. Effects of six surface treatment methods on the surface rough-
ness of a low-fusing and an ultra low-fusing feldspathic ceramic material. J Prosthodont. 2009;
18(3):217-22.
6. Benetti P, Pelogia F, Valandro LF, Bottino MA, Bona AD. The effect of porcelain thickness and surface
liner application on the fracture behavior of a ceramic system. Dent Mater 2011; 27(9):948-53.

291
Capítulo 10 Reparo em Restaurações Cerâmicas CAD/CAM

7. Attia A. Influence of surface treatment and cyclic loading on the durability of repaired all-ceramic
crowns. J Appl Oral Sci 2010; 18(2):194-200.
8. Thompson JY, Stoner BR, Piascik JR, Smith R. Adhesion/cementation to zirconia and other non-silicate
ceramics: where are we now? Dent Mater 2011; 27(1):71-82.
9. Paranhos MP, Burnett LH Jr, Magne P. Effect Of Nd:YAG laser and CO2 laser treatment on the resin
bond strength to zirconia ceramic. Quintessence Int 2011; 42(1):79-89.
10. Ozcan M, Niedermeier W. Clinical study on the reasons for and location of failures of metal-ceramic
restorations and survival of repairs. Int J Prosthodont 2002; 15(3):299-302.
11. Hammond BD, Swift EJ, Brackett WW. Critical appraisal. Intraoral repair of fractured ceramic resto-
rations. J Esthet Restor Dent 2009; 21(4):275-84.
12. Raposo LH, Neiva NA, da Silva GR, Carlo HL, da Mota AS, do Prado CJ, Soares CJ. Ceramic restora-
tion repair: report of two cases. J Appl Oral Sci 2009; 17(2):140-4.
13. Reston EG, Filho SC, Arossi G, Cogo RB, Rocha Cdos S, Closs LQ. Repairing ceramic restorations:
final solution or alternative procedure? Oper Dent. 2008; 33(4):461-6.
14. Blatz MB, Sadan A, Kern M. Resin-ceramic bonding: a review of the literature. J Prosthet Dent
2003;89(3):268-74.
15. Panah FG, Rezai SM, Ahmadian L. The influence of ceramic surface treatments on the micro-shear
bond strength of composite resin to IPS Empress 2. J Prosthodont 2008; 17(5):409-14.
16. Ozcan M, Valandro LF, Amaral R, Leite F, Bottino MA. Bond strength durability of a resin composite
on a reinforced ceramic using various repair systems. Dent Mater 2009; 25(12):1477-83.
17. Pattanaik S, Wadkar AP. Effect of etchant variability on shear bond strength of all ceramic restora-
tions - an in vitro study. J Indian Prosthodont Soc 2011: 11(1):55–62.
18. Ozcan M, Allahbeickaraghi A, Dündar M. Possible hazardous effects of hydrofluoric acid and rec-
ommendations for treatment approach: a review. Clin Oral Investig 2012; 16(1):15-23.
19. Sposetti V, Shen C, Levin A. The effect of topical fluoride application on porcelain restorations. J
Prosthet Dent 1986; 55(6):677-82.

Agradecimentos
Os autores agradecem a colaboração fundamental de Luis Henrique Araújo Raposo,
Lucas Zago Naves, Paulo Vinícius Soares, Paulo César de Freitas Filho e Murilo de Sousa
Menezes no preparo e revisão deste capítulo. Os autores agradecem ainda à Fapemig,
à Capes e ao CNPq pelo financiamento das pesquisas e bolsas orientados que viabili-
zam a produção de material científico presente neste capítulo.

292
Índice

A à base de zircônia, 240


com alto conteúdo de alumina, 240
A.tron 3D (AS), 226 feldspáticas, 237
abcessos periodontais, 20 odontológicas, 236
abertura das caixas oclusal e proximais, 59 Ceramill map100 e o Ceramill map300, 75
abrasão com partículas de óxido de ceras, 243
alumínio, 258 Cercon® Brain, 226
acabamento, 47, 54, 62 Cercon®eye, 75
ácido bifluoreto de amônio, 289 CEREC® – by Sirona Dental System
ácido fosfórico, 257 GmbH (DE), 137, 244
ácido hidrofluorídrico, 289 cimento(s)
ácido poliacrálico, 258 quanto ao método de ação, 261
Activity850 e Activity 880, 75 quanto ao método de ativação, 260
ajuste resinoso
em relação cêntrica, 21 autoadesivo, 258, 261
local de desgaste, 26 convencional, 256, 261
local do contato, 26 cobalto-cromo, 270
no movimento de não trabalho, 26 compósitos, 241
no movimento de trabalho, 25 compressão, 15
oclusal, 20 Computer Aided Desing, Desenho Auxiliado por
clínico, 27 Computador, 5, 6
em lateralidade, 25 na odontologia restauradora, 8
em protrusão, 27 Computer Aided Manufacturing, Fabricação
princípios do, 21 Auxiliada por Computador, 5, 6
análise funcional da oclusão, 27 na odontologia restauradora, 8
aparelho estomatognático, 13, 15 condicionamento com ácidos, 289
manutenção ou reabilitação do, 15 côndilo, 14
procedimentos técnicos relacionados ao confecção de infraestruturas sobre implantes, 271
restabelecimento das funções do 20 consentimento informado, 25
aplicação de primers, 290 contenção cêntrica, 22
articulação contextualização histórica, 1-12
ginglemoartroidal, 13 copy milling, 270
temporomandibular, 13 coroas em cerâmica “pura”, 37
articulador semiajustável, 21 cromatização da zircônia, 250
asperização da superfície fraturada, 287 cúspide funcional, 22
ativação
física, 261 D
química, 261
atrofia, 20 Densys 3D – by Densys Ltd. (IL), 160
dente bem posicionado no arco, 39, 49
B dentes anteriores, 15
DentSCAN 3D scanner, 75
BioCad, 280
desconforto regional vago, 21
Bluescan-I Intraoral 3D scanner – by a.tron3D
desgaste
(AS), 159
da concavidade lingual, 46
bolsas intraósseas, 20
da face incisal, 42
bordas incisais dos dentes, 18
da face oclusal, 50
e terço médio oclusal das paredes axiais das
C
cúspides, 58
CAD (Computer Aided Desing – Desenho da metade distal, 46, 53
Auxiliado por Computador), 5, 6 das faces proximais, 40
na odontologia restauradora, 8 proximais, 57
Caddent, 223 deslize em direção à linha média, 22
Cagenix, 282 local do contato, 22
calcificação pulpar, 21 local de desgaste, 22
CAM (Computer Aided Manufacturing – deslize em direção anterior
Fabricação Auxiliada por Computador), 5, 6 local do contato, 24
na odontologia restauradora, 8 local de desgaste, 24
CAM Structure, 274 deslize em direção contrária à linha média
cerâmica(s) local do contato, 23
à base de dissilicato de lítio, 238 local de desgaste, 23

293
Índice

desoclusão L
pela função em grupo, 26
pela guia em canino, 25 lateralidade, 21
digluconato de clorexidina, 257, 258 Lava Scan ST Dental System, 75
dimensão horizontal, 17 Lava™ CNC 500 Milling System – by 3M ESPE
dimensão vertical, 16 (US), 223
de oclusão, 16 Lava™C.O.S. – by 3M ESPE (US), 148, 245
de repouso, 16 ligas metálicas, 1
DirectScan – by Hint – ELS GmbH (DE), 160 limpeza da estrutura dentária previamente à
disco articular, 14 fixação da restauração, 258
disseminação da inflamação, 20 longevidade clínica do reparo direto em
dor da articulação temporomandibular, 21 restaurações cerâmicas, 290
dor muscular, 21
dupla ativação, física e química, 261 M
Maestro3D Dental Scanner, 75
E maloclusão, 15
E4D – by D4D Technologies, Llc (Us), 143, 244 mandíbula, 15
E4D Mill – by D4D Technologies, LLC (US), 221 mapeamento do desgaste seletivo, 27
EDG escaner, 75 margens proximais, 66
Escâner X-Cad, 75 materiais disponibilizados por Sistema
escâneres disponibilizados comercialmente, 76 CAD/CAM, 244
espaço funcional livre, 17 materiais utilizados nos Sistemas CAD/CAM. 236
espaço periodontal alargado, 21 maxilas, 15
estabilidade oclusal, 17 máxima intercuspidação cêntrica. 17
Etkon, 280 menisco, 14
Everest, 282 metais, 242
Everest Scan pro e Kavo Scan II, 75 métodos mecânicos, 258
extensão interproximal, 65 migração dental, 20
mobilidade dental, 20
F modificação incisal, 65
movimentos de rotação (ginglemoidal), 13
face vestibular e terço cervical da face movimentos de translação (artroidal), 13
lingual, 43 movimentos mandibulares, 15
fases do tratamento, 27
fixação adesiva efetiva, 256 N
flúor fosfato acidulado, 289
fossa pterigóidea, 14 necrose pulpar de dentes hígidos, 21
fresadoras disponibilizadas. 218 Neoshape – Neodent, 222
Nobel Procera Optical Scanner, 75
G
O
guia anterior, 18
oclusão, 15
H cêntrica, 17
em relação cêntrica, 22
hipercementose, 21 traumática, 20
hipersensibilidade pulpar e dentinária, 21 ORGANICAL – R+K CAD/CAM Technologie
hipertonicidade dos músculos da GmbH, 244
mastigação, 20 Organical Milling Machine, 228
hipoclorito de sódio, 258 osteoesclerose, 21
I
P
InEos Blue, 75
padrão anormal de desgaste oclusal
infraestruturas
(facetas), 20
CAD/CAM sobre implantes, 269
pedra pomes, 258
de cobalto-cromo, 270
percussão, 20
de titânio, 270
perda da continuidade da lâmina dura, 21
de zircônia, 270
periodonto, 15
InLab MC XL- Sirona Dental System, 218
peróxido de hidrogênio, 258
instrumentação rotatória com pedra pomes, 258
polimento em restaurações cerâmicas
intercuspidação dentária, 15
fraturadas, 290
IOS FastScan – by IOS Technologies,
polímeros, 242
INC. (US), 160
metacrilato, 242
IOS FastScan Lab System, 75
porcelana, 2
IOS Technologies, INC., 223
posicionamento da ponta diamantada, 69
iTero – by CADENT LTD (IL), 158
preparar o dente, 37
preparo
J
da face incisal, 69
jateamento da face mesial, 45, 52
abrasivo, 288 do terço incisal da face lingual, 69
com bicarbonato de sódio, 258 mecânico, 287
com partículas de óxido de alumínio, 264 para coroa total anterior ou posterior em
KaVo Everest Engine, 226 dente mal posicionado no arco, 55

294
Índice

propriamente dito, 66 Sistema Neoshape – Neodent, 245


subgengival, 46, 53 sistema neuromuscular, 13
preparos dentários para restaurações CAD/CAM Sistema Procera® – Nobel Biocare, 225, 245
como preparar o dente, 37 Sistema Procera® – Nobelbiocare, 76
preparo para coroas em cerâmica “pura”, 37 Sistema Smartoptics, 122
quando preparar, 36 Sistema Straumann, 126
quantidades de desgaste, 38 Sistema X-CAD, 122
quanto à necessidade do preparo, 36 Sistema Zirkonzahn®, 113, 227, 245
técnica de preparo dentário para receber sistemas CAD/CAM
restaurações em cerâmica, 39 sistemas cad/cam para confecção de
para coroa total anterior, 39 infraestruturas sobre implantes, 270
para coroa total posterior, 49 sistemas de cad indireto, 75
preparos totais com recobrimento incisal, 69 sistemas de escâneres intraorais, 137
pressão, 20 som seco, 20
primers, 290 Straumann, 230
procedimentos Straumann® CARES® Digital Solutions, 75
laboratoriais de apoio, 245 Sulco(s)
técnicos relacionados ao restabelecimento das de orientação cervical, 66
funções do aparelho estomatognático, 20 marginal cervical nas faces vestibular e lingual
procera, 274 e perfurações linguais, 41
profundidade desigual das bolsas de orientação nas faces vestibular e lingual, 51
periodontais, 20 de orientação, 43
proliferação epitelial, 20 superfícies linguais, 66
protrusão, 21
T
R técnica da maquiagem, 246
reabsorção técnica da silhueta, modificada, 39, 49
interna dos dentes, 21 técnica de preparo para coroa
óssea do tipo vertical, 21 parcial anterior, 64
radicular externa, 21 parcial posterior, 56
recessão gengival, 20 tensão, 15
redução vestibular, 65, 67 muscular anormal, 20
relação cêntrica, 17, 21 terapia restauradora, 28
RENISHAW, 231 titânio, 242, 270
reparo indireto, 291 tornos CNC, 6
reparo intraoral, 287 tratamento
restaurações cerâmicas da superfície interna da restauração, 263
falhas, 285 de superfície de resinas indiretas
reparos, 286 CAD/CAM, 265
retenção micro mecânica da superfície do pilar metálico, 259
cerâmica, 264 do preparo para cimentação, 256
do substrato, 256, 258
S reabilitador, 28
químico, 289
sem deslize 3D Progress – by MHT S.p.A. (IT) and MHT
local do contato, 25 Optic Research AG (CH) – Cyrtina, 154
local de desgaste, 25 3série ou 7séries Scanner, 75
sensibilidade, 20 3Shape Dental Scanner, 75
silanização, 289 Trios – by 3Shape A/S (DK), 154
silano, 265, 289
sinterização da zircônia, 251 U
Sistema 3Shape®, 89
união
Sistema Ceramill, 90
das faces preparadas, 61
Sistema Ceramill Amanngirrbach, 245
dos sulcos de orientação, 45
Sistema Cercon® – Degudent, 90, 245
dos sulcos de orientação, 52
Sistema Cerec In Lab Sirona®, 79
química da superfície, 265
Sistema CUBO, 230, 245
Sistema da Dental Wings, 121
Sistema Dentscan 3D, 122
Z
Sistema Edg, 122 Zfx intrascan (IT), 159
Sistema Everest® – Kavo Dental, 90, 245 Zfx Zhan CAM, 225
Sistema Ios Fastscan Lab, 121 zircônia, 270
Sistema Lava® – 3M Espe, 99 totalmente sinterizada, 241
Sistema Maestro 3D, 121 Zirkonzahn, 75, 280

295