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CONCEITO DE TRANSFERÊNCIA NA OBRA DE FREUD

I- Introdução

Etimologicamente a palavra transferência resulta do latim trans e ferros.


Prefixo trans (passar através de / transparência) ou passar para outro nível (em
transito), enquanto ferros significa conduzir.
No pensamento de Freud o conceito de transferência é fruto de inúmeras
reformulações significativas operadas em diversos aspectos teóricos e
conceituais. No decorrer do seu desenvolvimento, se apresentam as
mudanças conceituais sobre a transferência, até ser reconhecida como mola
estrutural do tratamento analítico. O conceito de transferência só pode ser
apreendido considerando sua relação com outros conceitos fundamentais da
psicanálise, especialmente o conceito de desejo inconsciente.
Originariamente o termo transferência é empregado no plural para descrever a
atualização do desejo inconsciente através de sua transformação, transporte e
transcrição para representantes substitutos, designando de forma geral, as
formações do inconsciente e os processos pelos quais passa o desejo com a
finalidade de driblar as resistências, fazendo uso do termo transferência para
designar, o próprio trabalho do inconsciente.
A transferência, no sentido descrito na obra sobre os sonhos e posteriormente
concebida como motor da análise refere à atualização do desejo inconsciente.
A Interpretação dos sonhos se inscreve não apenas no conjunto teórico da
psicanálise, mas também no formato da prática analítica. O tema da
transferência é complexo e central no pensamento de Freud, para
compreendê-lo em sua extensão é preciso percorrer a obra freudiana desde os
Estudos sobre a histeria (1983/1985) alcançar A interpretação dos sonhos
(1900), atingir o texto metapsicológico O inconsciente (1915), culminando com
a introdução da segunda tópica Além do princípio do prazer (1920), até o
Esboço de psicanálise (1938/1940), se detendo em textos que não abordam
diretamente o conceito, mas são relevantes para situá-lo.
O termo transferência na psicanálise fica reservado para relação analítica
presente, acrescido da resistência e da interpretação, constituindo a
fundamentação da prática psicanalítica.
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II- Projeto para uma psicologia científica (1895)

Freud já havia concluído que os neuróticos padecem de sintomas


oriundos de “idéias excessivamente intensas”, e de que elas são
refratárias às atividades de pensamento. A análise desses pacientes lhe
possibilitou chegar a algumas interessantes conclusões sobre o mecanismo
de formação de tais idéias, antecipando as formalizações, efetuadas anos
depois, sobre o recalcamento, o retorno do recalcado e o deslocamento. Em
síntese, naquele período, ele chegou à conclusão de que no processo de
análise observava-se que uma idéia excessivamente intensa irrompia na
consciência provocando sensações penosas no paciente. Denominou essa
idéia de idéia a. Contudo, descobria-se existir uma idéia b, que realmente
justificava as sensações dolorosas. A idéia b mantinha uma relação particular
com a Idéia a, na qual a substituía b, ocupando o seu lugar. A idéia “a” tornou-
se uma substituta, um símbolo de b” (p. 459). O neurótico, ao experimentar
sensações dolorosas em relação à idéia a, desconhece ser devido a sua
relação com a idéia b. Freud deduziu que entre a e b existia uma relação
simbólica ignorada pelo sujeito. A idéia a era intensa porque algo havia sido
acrescentado a ela, retirado de b. “Em suma, a é compulsiva e b está
reprimida”
A intensidade de “a” foi retirada, ficando disponível para receber a intensidade
originariamente pertencente a b. Se a é uma idéia forte, é pelo fato de substituir
“b” na cadeia associativa. A e b estabelecem uma relação capaz de substituir
um ao outro. É um processo similar a esse que Freud descreve em A
interpretação dos sonhos ao conceituar o deslocamento, sendo no marco
dessas elaborações que ele introduz e desenvolve o conceito de transferência.

Estudos sobre a histeria (Breuer / Freud, 1893/1895)

Em Estudos sobre a Histeria Freud empregou pela primeira vez o termo


“transferência” (ubertragung em alemão), como uma forma de resistência, um
obstáculo à análise com a finalidade de evitar o acesso ao resíduo da
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sexualidade infantil. Observou que o analista ocupa na economia psíquica de


seus analisando um lugar de importância.
A concordância e a atenção integrais dos pacientes são necessárias, mas,
acima de tudo, é preciso contar com sua confiança, visto que a análise
invariavelmente leva à revelação dos eventos psíquicos mais íntimos e
secretos. Grande número dos pacientes que se adequariam a essa forma de
tratamento abandonam o médico tão logo começam a suspeitar da direção
para a qual a investigação está conduzindo. Para tais pacientes, o médico
continua a ser um estranho. Com outros, que resolvem colocar-se em suas
mãos e depositar sua confiança nele ... com esses pacientes, repito, é quase
inevitável que sua relação pessoal com ele assuma indevidamente, pelo menos
por algum tempo, o primeiro plano.
Na verdade, parece que tal influência por parte do médico é uma condição sine
qua non para a solução do problema... Não penso que faça qualquer diferença
essencial, nesse sentido, se a hipnose poderá ser utilizada ou se terá que ser
contornada e substituída por outra coisa... Mas a razão exige que ressaltemos
o fato de que esses obstáculos, embora inseparáveis de nosso método, não
podem ser atribuídos unicamente a ele. Pelo contrário, está bastante claro que
eles se baseiam nas condições predeterminantes das neuroses a serem
curadas e que têm de estar ligados a qualquer atividade médica que envolva
uma intensa preocupação com o paciente e conduza a uma modificação
psíquica nele.

Além das motivações intelectuais que mobilizamos para superar a resistência,


há um fator afetivo, a influência pessoal do médico, que raramente podemos
dispensar e em diversos casos só este último fator está em condições de
eliminar a resistência.
A primeira e mais poderosa impressão causada numa dessas análises é com
certeza a de que o material psíquico patogênico aparentemente esquecido, que
não se acha à disposição do ego e não desempenha nenhum papel na
associação e na memória, não obstante está de algum modo à mão, e em
ordem correta e adequada... O tratamento também não consiste em extirpar
algo — mas em fazer com que a resistência se dissolva e assim permitir que a
circulação prossiga para uma região que até então esteve isolada.
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Já admiti a possibilidade de a técnica de pressão falhar, de não suscitar


nenhuma reminiscência, apesar de toda a garantia e insistência. Quando isso
acontece, disse eu, há duas possibilidades: ou, no ponto que estamos
investigando, não há mesmo nada mais a ser encontrado... ou, esbarramos
numa resistência que só poderá ser superada mais tarde, estamos diante de
uma nova camada em que ainda não podemos penetrar.
Mas existe ainda uma terceira possibilidade que da mesma forma testemunha
a presença de obstáculo, porém um obstáculo externo, e não inerente ao
material. Isso acontece quando a relação entre o paciente e o médico é
perturbada e constitui o pior obstáculo com que podemos deparar.
Ora, quando essa relação entre a paciente e o médico é perturbada, a
cooperação da primeira também falha; quando o médico tenta investigar a
representação patogênica seguinte, o paciente é retido pela interposição da
consciência das queixas que nele se acumulam contra o médico. Em minha
experiência, esse obstáculo surge em três casos principais.
(1) Quando há uma desavença pessoal — quando, por exemplo, a
paciente acha que foi negligenciada, muito pouco apreciada ou insultada, ou
quando ouve comentários desfavoráveis sobre o médico ou sobre o método de
tratamento. O obstáculo pode ser superado com facilidade por meio da
discussão e da explicação, muito embora a sensibilidade e a desconfiança dos
pacientes histéricos possam às vezes atingir dimensões surpreendentes.
(2) Quando a paciente é tomada pelo pavor de ficar por demais
acostumada com o médico em termos pessoais, de perder sua independência
em relação a ele, e até, quem sabe, de tornar-se sexualmente dependente
dele. A causa desse obstáculo reside na especial solicitude que é inerente ao
tratamento. A paciente tem então um novo motivo para a resistência, que se
manifesta não só em relação a alguma reminiscência específica, mas a
qualquer tentativa de tratamento.
(3) Quando a paciente se assusta ao verificar que está transferindo para
a figura do médico as representações aflitivas que emergem do conteúdo da
análise. A transferência para o médico se dá por meio de uma falsa ligação.
Numa de minhas pacientes, a origem de um sintoma histérico específico estava
num desejo, que ela tivera muitos anos antes e relegara de imediato ao
inconsciente, de que o homem com quem conversava na ocasião ousasse
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tomar a iniciativa de lhe dar um beijo. Numa ocasião, ao fim de uma sessão,
surgiu nela um desejo semelhante a meu respeito. Ela ficou horrorizada com
isso, passou uma noite insone e, na sessão seguinte, embora não se
recusasse a ser tratada, ficou inteiramente inutilizada para o trabalho. Depois
de eu haver descoberto e removido o obstáculo, o trabalho prosseguiu e, o
desejo que tanto havia assustado a paciente surgiu como sua próxima
lembrança patogênica, aquela que era exigida pelo contexto lógico imediato.
O que aconteceu, portanto, foi isto: o conteúdo do desejo apareceu, antes de
tudo, na consciência da paciente, sem nenhuma lembrança das circunstâncias
contingentes que o teriam atribuído a uma época passada. O desejo assim
presente foi então, graças à compulsão a associar que era dominante na
consciência da paciente, ligado a minha pessoa, na qual a paciente estava
legitimamente interessada; e como resultado dessa mésalliance — que
descrevo como uma “falsa ligação” — provocou-se o mesmo afeto que forçara
a paciente, muito tempo antes, a repudiar esse desejo proibido. Desde que
descobri isso, tenho podido, todas as vezes que sou pessoalmente envolvido
de modo semelhante, presumir que uma transferência e uma falsa ligação
tornaram a ocorrer.
É impossível concluir qualquer análise a menos que saibamos como enfrentar
a resistência que surge por essas três maneiras. Mas podemos encontrar um
meio de fazê-lo se resolvermos que esse novo sintoma produzido com base no
modelo antigo, deve ser tratado da mesma forma que os sintomas antigos.
Nossa primeira tarefa é tornar o “obstáculo” consciente para o paciente.
A técnica da pressão jamais deixou de nos trazer de volta esse momento.
Quando o obstáculo era descoberto e demonstrado, a primeira dificuldade era
removida do caminho. Mas persistia outra maior, que estava em induzir a
paciente a produzir informações que dissessem respeito a relações
aparentemente pessoais e onde a terceira pessoa coincidisse com a figura do
médico.
A princípio, fiquei muito aborrecido com esse aumento de meu trabalho
psicológico, até que percebi que o processo inteiro obedecia a uma lei; e então
notei também que esse tipo de transferência não trazia nenhum aumento
significativo para o que eu tinha de fazer. Para a paciente, o trabalho
continuava a ser o mesmo: ela precisava superar o afeto aflitivo despertado por
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ter sido capaz de alimentar aquele desejo sequer por um momento; e parecia
não fazer nenhuma diferença para o êxito do tratamento que ela fizesse desse
repúdio psíquico o tema de seu trabalho no contexto histórico, ou na recente
situação relacionada comigo.
Aos poucos, também os pacientes aprenderam a compreender que nessas
transferências para a figura do médico tratava-se de uma compulsão e de uma
ilusão que se dissipavam com a conclusão da análise. Creio, porém, que se
lhes tivesse deixado de esclarecer a natureza do “obstáculo”, eu simplesmente
lhes teria dado um novo sintoma histérico — embora, é verdade, mais brando
— em troca de outro que fora espontaneamente gerado...
No “pós - escrito” deste trabalho o termo transferência é repetido pela segunda
vez, tendo sido conceituado como “novas edições revistas ou fac símiles de
impulsos e fantasias, passando a considerá-lo uma necessidade”.

III- Interpretação dos sonhos (Freud, 1900)

No período em que elaborava a teoria sobre os sonhos Freud ocupava-se com


duas questões: efetuar uma compreensão dos processos do inconsciente e
formalizar um método de acesso e de interpretação de tais processos; ou seja,
de que modo a análise do sonho permitiria o acesso ao desejo recalcado.
No sonho a resistência atua por um lado determinando a deformação do
próprio desejo, por outro, dificultando tanto o seu relato quanto às associações
que o sujeito pode fazer sobre ele. Nas elaborações sobre os sonhos Freud
apreende a estrutura do desejo que o aciona, sua insistência e os disfarces dos
quais lança mão para chegar ao conteúdo manifesto.
Ao estudar os sonhos Freud propõe uma teoria sobre a estrutura do
inconsciente: os processos de pensamentos; as leis do deslocamento e
condensação que regem esses processos e uma teoria da memória
inconsciente ligada à noção de indestrutibilidade do desejo.
Neste estudo ele firma o método da psicanálise – a livre associação,
abandonando a sugestão hipnótica, formulando a concepção estrutural do
aparelho psíquico, expondo as transformações do desejo inconsciente ao
migrar de uma representação para outra. Essas noções conceituais
assentaram a base sobre a qual se edificaram as elaborações posteriores
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sobre a transferência, tal como a mesma se apresenta no tratamento analítico,


selando a relação do analisando com o analista.
No estudo sobre os sonhos que Freud introduz o conceito de transferência
estabelecendo as suas relações com a memória e a atualização do desejo.
O termo transferência não surge originariamente ligado ao tratamento analítico,
ele é empregado inicialmente para designar, de modo geral, a mobilidade
própria que caracteriza os processos de desejo no inconsciente. Ou seja, para
designar o fato de que, devido às forças da resistência, as representações de
desejos infantis são obrigadas a se deslocar para representantes substitutos do
inconsciente.
Freud utiliza o termo transferência para designar como, através de uma série
associativa, o desejo inconsciente migra de uma representação para outra.
Nesse sentido geral, o termo era empregado no plural para descrever a
mobilidade própria e característica do processo primário que reina no
inconsciente, o recalcado jamais ser dito de forma direta, sendo sempre
elucidado através de representações. O inconsciente recalcado retorna, porém
deslocado, transferido, transportado. As transferências, no sentido plural no
pensamento freudiano são reedições, reimpressões das representações
recalcadas, apontando à mobilidade do inconsciente, isto é, à possibilidade de
as representações recalcadas darem lugar a formações diversas do
inconsciente. Nesse sentido, ela opera por meio de um traço característico e
por meio de um mecanismo central: o da substituição, troca, permuta,
remanejamentos sucessivos, no qual uma representação assume o lugar de
outra na cadeia. As transferências constituem-se em novas edições do desejo
inconsciente.
Ao proceder à análise dos sonhos constatou a presença de forças de
resistências que se opunham à tradução direta do desejo que preside à
formação do sonho, determinando um trabalho de deformação efetuado sobre
ele. O absurdo aparente do sonho deve-se precisamente ao fato de ele ser o
veículo de um desejo recalcado, que passou por todo um trabalho de distorção
imposto pela resistência. O estranhamento do sujeito diante do inconsciente
pode ser verificado em qualquer uma e suas formações – sonhos, atos falhos,
ditos espirituosos e igualmente nos sintomas.
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É justamente o trabalho de deformação operada sobre o desejo, obrigando-o a


se deslocar para formações substitutas, que o termo transferência foi
empregado na obra A interpretação dos sonhos.
No tratamento analítico é este mesmo mecanismo que Freud verá
posteriormente em ação: em função das resistências, o desejo é obrigado a se
transferir para uma representação atual – o analista. Nos sonhos ele é
transferido para resíduos diurno. No trabalho de análise o desejo se vê forçado
a retornar de modo disfarçado, sob a forma de transferência para a pessoa do
analista, que parece exercer então a mesma função que no sonho
desempenham os resíduos diurnos.
O deslocamento e a condensação foram isolados por Freud como os dois
principais operadores por meio dos quais os pensamentos inconscientes
sofrem um trabalho de deformação.
Afigura-se, assim, plausível supor que, na elaboração do sonho, uma força
psíquica esteja atuante, a qual, por um lado, despoja os elementos que
possuem elevado valor psíquico de sua intensidade, e, por outro, por meio de
superdeterminação, cria a partir de elementos de baixo valor psíquico, novos
valores, que depois se insinuam no conteúdo do sonho. Se esse for o caso,
ocorre uma transferência e deslocamento de intensidades psíquicas no
processo de formação do sonho, e é como resultados deles que se verifica a
diferença entre o texto do conteúdo do sonho e dos pensamentos oníricos.
A transformação operada pelo deslocamento sobre os pensamentos
inconscientes culmina por autorizar sua “transcrição” para as cadeias de
pensamentos conscientes, tornando-as tributárias das intensidades psíquicas.
Quando consideramos o trabalho do deslocamento nos sonhos, fomos levados
a supor que as intensidades que se vinculam às idéias podem ser
completamente transferidas pela elaboração onírica de uma idéia para outra.
A transferência, no sentido atribuído por Freud em Interpretação dos sonhos e
posteriormente alçada à categoria de elemento ordenador central da análise,
refere à atualização do desejo inconsciente. Precisamente, através do
processo de transferência, os traços de memória inconsciente constitutivos do
desejo são atualizados, sendo revividos e reexperimentados como forças ainda
em atividade, logo, como forças atuais.
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A transferência foi se tornando progressivamente mais complexa no


pensamento de Freud, até chegar a se constituir num conceito fundamental em
torno do qual se ordena a práxis da psicanálise.
No decorrer da análise o analista é investido pelos atributos oriundos dos
personagens fantasmáticos do sujeito que, ao sofrerem um processo de
deslocamento, são inteiramente transferidos e condensados sobre ele, e nada
deve aos atributos ou qualidades da pessoa do analista.
A relevância tomada pelo analista aos olhos do analisando deve ser atribuída
às conexões estabelecidas entre as representações de desejo recalcadas e a
sua pessoa. Freud é conduzido a concluir que o laço estabelecido pelo sujeito
com o analista constitui uma forma extremamente singular de transferência do
desejo inconsciente, e que permite ao mesmo atualizar-se ao driblar as
resistências.
Seja compreendida no sentido geral, quer no sentido específico, a
transferência é sempre o processo estrutural por meio do qual o inconsciente
se atualiza, ainda que ao preço de certo número de distorções e disfarces.
No centro da experiência analítica se encontra o desejo inconsciente como o
motor que aciona o processo de transferência. O conteúdo da transferência,
seja no sonho, seja na prática analítica, é sempre o desejo em sua insistência
repetitiva, exigindo ser reconhecido.

IV- Fragmento da análise de um caso de histeria (1905 [1901])


“DORA”

Se o presente caso clínico parece tão privilegiado no que tange à utilização dos
sonhos, em outros aspectos se revelou mais precário do que eu teria
desejado... Este relato, que cobre apenas três meses, pôde ser rememorado e
revisto, mas seus resultados permanecem incompletos em mais de um
aspecto.
O tratamento não prosseguiu até alcançar a meta prevista, tendo sido
interrompido por vontade da própria paciente depois de chegar a certo ponto...
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Desde os Estudos, a técnica psicanalítica sofreu uma revolução radical.


Naquela época, o trabalho [de análise] partia dos sintomas e visava a
esclarecê-los um após outro. Desde então, abandonei essa técnica por achá-la
totalmente inadequada para lidar com a estrutura mais fina da neurose. Agora
deixo que o próprio paciente determine o tema do trabalho cotidiano, e assim
parto da superfície que seu inconsciente ofereça a sua atenção naquele
momento. Mas desse modo, tudo o que se relaciona com a solução de
determinado sintoma emerge em fragmentos, entremeado com vários
contextos e distribuído por épocas amplamente dispersas. Apesar dessa
aparente desvantagem, a nova técnica é muito superior à antiga, e é
incontestavelmente a única possível.
Justamente a parte mais difícil do trabalho técnico nunca entrou em jogo com
essa paciente, pois o fator da “transferência”, considerado no final do caso
clínico (ver a partir de [1]), não foi abordado durante o curto tratamento.
O sonho é, em suma, um dos desvios por onde se pode fugir ao recalcamento,
um dos principais recursos do que se conhece como modo indireto de
representação no psíquico. O presente fragmento da história do tratamento de
uma jovem histérica destina-se a mostrar de que forma a interpretação dos
sonhos se insere no trabalho de análise...
Nesses casos, vê-se melhorar o estado do doente à medida que, traduzindo o
material patogênico em material normal, contribui-se para o solucionamento de
seus problemas psíquicos. O rumo tomado é diverso quando os sintomas se
colocam a serviço de motivos vitais externos, como acontecera com Dora nos
últimos dois anos. Fica-se surpreso, e pode-se facilmente errar o caminho,
quando se toma conhecimento de que o estado do doente não dá sinal de se
modificar nem mesmo depois de o trabalho ter progredido muito. Na realidade,
porém, as coisas não são tão ruins; é certo que os sintomas não desaparecem
enquanto o trabalho prossegue, e sim algum tempo depois, uma vez dissolvido
os vínculos com o médico. O adiamento da cura ou da melhora só é realmente
causado pela pessoa do médico.
Durante o tratamento psicanalítico, pode-se dizer com segurança que uma
nova formação de sintomas fica regularmente sustada. A produtividade da
neurose, porém, de modo algum se extingue, mas se exerce na criação de um
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gênero especial de formações de pensamento, em sua maioria inconscientes,


às quais se pode dar o nome de “transferências”.
O que são as transferências? São reedições, reproduções das moções e
fantasias que, durante o avanço da análise, soem despertar-se e tornar-se
conscientes, mas com a característica (própria do gênero) de substituir uma
pessoa anterior pela pessoa do médico. Dito de outra maneira: toda uma série
de experiências psíquicas prévia é revivida, não como algo passado, mas como
um vínculo atual com a pessoa do médico. Algumas dessas transferências em
nada se diferenciam de seu modelo, no tocante ao conteúdo, senão por essa
substituição. São, portanto, para prosseguir na metáfora, simples
reimpressões, reedições inalteradas. Outras se fazem com mais arte: passam
por uma moderação de seu conteúdo, uma sublimação, como costumo dizer,
podendo até tornarem-se conscientes ao se apoiarem em alguma
particularidade real habilmente aproveitada da pessoa ou das circunstâncias do
médico.
São, portanto, edições revistas, e não mais reimpressões.
Quando se penetra na teoria da técnica analítica, chega-se à concepção de
que a transferência é uma exigência indispensável. Na prática, pelo menos,
fica-se convencido de que não há nenhum meio de evitá-la, e de que essa
última criação da doença deve ser combatida como todas as anteriores.
Ocorre que essa parte do trabalho é de longe a mais difícil. Interpretar os
sonhos, extrair das associações do enfermo os pensamentos e lembranças
inconscientes, e outras artes similares de tradução são fáceis de aprender: o
próprio doente sempre fornece o texto para elas. Somente a transferência é
que se tem de apurar quase que independentemente, a partir de indícios
ínfimos e sem incorrer em arbitrariedades. Mas ela é incontornável, já que é
utilizada para produzir todos os empecilhos que tornam o material inacessível
ao tratamento, e já que só depois de resolvida a transferência é que surge no
enfermo o sentimento de convicção sobre o acerto das ligações construídas
[durante a análise].
Tender-se-á a considerar uma séria desvantagem desse procedimento, aliás
nada cômodo, que ele próprio multiplique o trabalho do médico, criando uma
nova espécie de produtos psíquicos patológicos, e talvez se queira até inferir
da existência das transferências algum prejuízo para o doente através do
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tratamento analítico. Ambas as suposições estariam erradas. O trabalho do


médico não é multiplicado pela transferência; de fato, é-lhe indiferente ter de
superar a respectiva moção do enfermo ligada a sua pessoa ou a alguma
outra. Mas o tratamento tampouco obriga o doente, com a transferência, a
qualquer nova tarefa que de outro modo ele não executasse. Se também se
produzem curas da neurose em instituições das quais o tratamento
psicanalítico está excluído, se é possível dizer que a histeria não é curada pelo
método, e sim pelo médico, e se é freqüente obter-se como resultado uma
espécie de dependência cega e de cativeiro permanente do enfermo perante o
médico que o livrou de seus sintomas através da sugestão hipnótica, a
explicação científica de tudo isso há de ser vista nas “transferências” que o
doente faz regularmente para a pessoa do médico. O tratamento psicanalítico
não cria a transferência, mas simplesmente a revela, como a tantas outras
coisas ocultas na vida anímica. A única diferença manifesta-se em que,
espontaneamente, o enfermo só evoca transferências ternas e amistosas que
contribuam para sua cura; não podendo ser esse o caso, ele se afasta o mais
rápido possível, sem ser influenciado pelo médico que não lhe é “simpático”.
Na psicanálise, por outro lado, de acordo com sua colocação diferenciada dos
motivos, despertam-se todas as moções [do paciente], inclusive as hostis;
mediante sua conscientização elas são aproveitadas para fins de análise, e
com isso a transferência é repetidamente aniquilada. A transferência destinada
a constituir o maior obstáculo à psicanálise converte-se em sua mais poderosa
aliada quando se consegue detectá-la a cada surgimento e traduzi-la para o
paciente.
Fui obrigado a falar da transferência porque somente através desse fator pude
esclarecer as particularidades da análise de Dora. O que constitui seu grande
mérito e que a fez parecer adequada para uma primeira publicação introdutória,
a saber, sua transparência incomum, está intimamente ligada ao seu grande
defeito, que levou a sua interrupção prematura. Não consegui dominar a tempo
a transferência; graças à solicitude com que Dora punha à minha disposição no
tratamento uma parte do material patogênico, esqueci a precaução de estar
atento aos primeiros sinais da transferência que se preparava com outra parte
do mesmo material, ainda ignorada por mim. Desde o início ficou claro que em
sua fantasia eu substituía seu pai, o que era fácil de compreender em vista de
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nossa diferença de idade. Dora chegou até a me comparar com ele


conscientemente, buscando, angustiada, assegurar-se de minha completa
sinceridade para com ela, já que seu pai “preferia sempre o segredo e os
rodeios tortuosos”.
Assim, fui surpreendido pela transferência e, por causa desse “x” que me fazia
lembrar-lhe o Sr. K., ela se vingou de mim como queria vingar-se dele, e me
abandonou como se acreditara enganada e abandonada por ele. Assim, atuou
uma parte essencial de suas lembranças e fantasias, em vez de reproduzi-las
no tratamento. Quando, no decorrer do tratamento, as moções de crueldade e
os motivos de vingança já usados na vida do paciente para sustentar seus
sintomas transferem-se para o médico, antes que ele tenha tido tempo de
afastá-los de sua pessoa reconduzindo-os a suas origens, não surpreende que
o estado do enfermo não exiba a influência de seu empenho terapêutico.
De que maneira pode o doente vingar-se com mais eficácia do que
demonstrando, em sua própria pessoa, quão impotente e incapaz é o médico?
Ainda assim, não me inclino a subestimar o valor terapêutico nem mesmo de
tratamentos tão fragmentários quanto foi o de Dora.

O homem dos ratos (Freud 1909)


Ao estudar a neurose obsessiva Freud faz referencia à transferência como um
agente terapêutico. Paciente revive com o médico, os conflitos relacionados
com o pai morto.

Cinco leituras sobre psicanálise (Freud 1910)


“...os sintomas são precipitados de anteriores eventos amorosos”... que só
podem dissolver-se à elevada temperatura da transferência, e portanto
transformar-se em outro produto químico”.

V- Artigos sobre a técnica (Freud 1911/1915)

Freud procederá à formalização da transferência, definindo-a como a condição


mínima e necessária para o trabalho de análise.
Foram necessários anos de experiência clínica para que ele constatasse uma
modalidade particular de atualização do inconsciente no decorrer do
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tratamento, e que segue os mesmos processos que ele vira na formação dos
sonhos. Em função das resistências, o desejo retorna de modo mascarado,
transportando-se inteiramente para a relação atual do analisando com o
analista, levando-o a repetir em ato o que ele não pode pôr em palavras.
Somente o quadro do tratamento analítico possibilita ao sujeito entrar em
relação com seu próprio inconsciente ou com o do outro. A investigação do
inconsciente só pode ocorrer no seu interior, e sob as condições armadas pela
transferência, permitindo a verificação inteiramente experimental da hipótese
da existência de processos psíquicos inconscientes. Nestes artigos sobre
técnica Freud descreve a relação entre a transferência e a resistência; “
resistência ao surgimento da transferência” ou ainda “ a possibilidade que a
transferência funcione como uma forma de resistência”

VI- A dinâmica da transferência (Freud 1912)

Embora este artigo esteja incluído nos testudos sobre técnica, ele é mais um
exame teórico do fenômeno da transferência e da maneira pela qual esta opera
no tratamento analítico. Freud havia abordado o assunto em considerações ao
final da história clínica de ‘Dora’ (1905-[1901]).
Nesta obra Freud fala da transferência no singular. O termo transferência
passa a designar o modo pelo qual o sujeito estabelece laço com o
semelhante, bem como com o analista – colocado no lugar de objeto imaginário
– determinado pelo seu desejo. A transferência no singular designa, no
pensamento freudiano, a atualização do desejo inconsciente na situação
concreta e precisa da análise. Freud constatou, desde o período relativo ao
estudo dos sonhos, que o inconsciente insiste em se atualizar através de
diversas formações.
Deve-se compreender que cada indivíduo, através da ação combinada de sua
disposição inata e das influências sofridas durante os primeiros anos,
conseguiu um método específico próprio de conduzir-se na vida erótica — isto
é, nas precondições para enamorar-se que, estabelece nos instintos que
satisfaz e nos objetivos que determina a si mesmo no decurso daquela. Isso
produz o que se poderia descrever como um clichê estereotípico (ou diversos
deles), constantemente repetido — constantemente reimpresso — no decorrer
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da vida da pessoa, na medida em que as circunstâncias externas e a natureza


dos objetos amorosos a ela acessíveis permitam, e que decerto não é
inteiramente incapaz de mudar, frente a experiências recentes. Ora, nossas
observações demonstraram que somente uma parte daqueles impulsos que
determinam o curso da vida erótica passou por todo o processo de
desenvolvimento psíquico. Esta parte está dirigida para a realidade, acha-se à
disposição da personalidade consciente e faz parte dela. Outra parte dos
impulsos libidinais foi retida no curso do desenvolvimento; mantiveram-na
afastada da personalidade consciente e da realidade, e, ou foi impedida de
expansão ulterior, exceto na fantasia, ou permaneceu totalmente no
inconsciente, de maneira que é desconhecida pela consciência da
personalidade.
Se a necessidade que alguém tem de amar não é inteiramente satisfeita pela
realidade, ele está fadado a aproximar-se de cada nova pessoa que encontra
com idéias libidinais antecipadas; e é bastante provável que ambas as partes
de sua libido, tanto a parte que é capaz de se tornar consciente quanto a
inconsciente, tenham sua cota na formação dessa atitude.
Assim, é perfeitamente normal e inteligível que a catexia libidinal de alguém
que se acha parcialmente insatisfeito, uma catexia que se acha pronta por
antecipação, dirija-se também para a figura do médico. Decorre de nossa
hipótese primitiva que esta catexia recorrerá a protótipos, ligar-se-á a um dos
clichês estereotípicos que se acham presentes no indivíduo; ou, para colocar a
situação de outra maneira, a catexia incluirá o médico.
Se a ‘imago paterna’, para utilizar o termo adequado introduzido por Jung
(1911), foi o fator decisivo no caso, o resultado concordará com as relações
reais do indivíduo com seu médico. Mas a transferência não se acha presa a
este protótipo específico: pode surgir também semelhante à imago materna ou
à imago fraterna. As peculiaridades da transferência para o médico, graças às
quais ela excede, em quantidade e natureza, tudo que se possa justificar em
fundamentos sensatos ou racionais, tornam-se inteligíveis se tivermos em
mente que essa transferência foi precisamente estabelecida não apenas pelas
idéias antecipadas conscientes, mas também, por aquelas que foram retidas ou
que são inconscientes.
16

Nada mais haveria a examinar ou com que se preocupar a respeito deste


comportamento da transferência, não fosse permanecerem inexplicados nela
dois pontos que são de interesse específico para os psicanalistas. Em primeiro
lugar, não compreendemos por que a transferência é tão mais intensa nos
indivíduos neuróticos em análise que em outras pessoas desse tipo que não
estão sendo analisadas. Em segundo, permanece sendo um enigma a razão
por que, na análise, a transferência surge como a resistência mais poderosa ao
tratamento.
À primeira vista, parece ser uma imensa desvantagem, para a psicanálise
como método, que aquilo que alhures constitui o fator mais forte no sentido do
sucesso nela se transforme no mais poderoso meio de resistência.
O problema de saber por que a transferência aparece na psicanálise como
resistência — está por enquanto intacto; e temos agora de abordá-lo mais de
perto. Figuremos a situação psicológica durante o tratamento.
Uma precondição invariável e indispensável de todo desencadeamento de uma
psiconeurose é o processo a que Jung deu o nome apropriado de ‘introversão’.
Isto equivale a dizer: a parte da libido que é capaz de se tornar consciente e se
acha dirigida para a realidade é diminuída, e a parte que se dirige para longe
da realidade e é inconsciente, e que, embora possa ainda alimentar as
fantasias do indivíduo pertence todavia, ao inconsciente, é proporcionalmente
aumentada.
A libido (inteiramente ou em parte) entrou num curso regressivo e reviveu as
imagos infantis do indivíduo. O tratamento analítico então passa a segui-la; ele
procura rastrear a libido, torná-la acessível à consciência e, enfim, útil à
realidade. No ponto em que as investigações da análise deparam com a libido
retirada em seu esconderijo, está fadado a irromper um combate; todas as
forças que fizeram a libido regredir se erguerão como ‘resistências’ ao trabalho
da análise, a fim de conservar o novo estado de coisas. Pois, se a introversão
ou regressão da libido não houvesse sido justificada por uma relação
específica entre o indivíduo e o mundo externo — enunciado, em termos mais
gerais, pela frustração da satisfação — e se não se tivesse, no momento,
tornado mesmo conveniente, não teria absolutamente ocorrido. Mas as
resistências oriundas desta fonte não são as únicas ou, em verdade, as mais
poderosas. A libido à disposição da personalidade do indivíduo esteve sempre
17

sob a influência da atração de seus complexos inconscientes (ou mais


corretamente, das partes desses complexos pertencentes ao inconsciente), e
encontrou num curso regressivo devido ao fato de a atração da realidade haver
diminuído. A fim de liberá-la, esta atração do inconsciente tem de ser superada,
isto é, a repressão dos instintos inconscientes e de suas produções, que
entrementes estabeleceu no indivíduo, deve ser removida. Isto é responsável,
de longe, pela maior parte da resistência, que tão amiúde faz a doença persistir
mesmo após o afastamento de a realidade haver perdido sua justificação
temporária. A análise tem de lutar contra as resistências oriundas de ambas
essas fontes. A resistência acompanha o tratamento passo a passo.
Cada associação isolada, cada ato da pessoa em tratamento tem de levar em
conta a resistência e representa uma conciliação entre as forças que estão
lutando no sentido do restabelecimento e as que se lhe opõem.
Assim, a transferência, no tratamento analítico, invariavelmente nos aparece,
desde o início, como a arma mais forte da resistência, e podemos concluir que
a intensidade e persistência da transferência constituem efeito e expressão da
resistência. Ocupamo-nos do mecanismo da transferência, é verdade, quando
o remontamos ao estado de prontidão da libido, que conservou imagos infantis,
mas o papel que a transferência desempenha no tratamento só pode ser
explicado se entrarmos na consideração de suas relações com as resistências.
Percebemos afinal que não podemos compreender o emprego da transferência
como resistência enquanto pensarmos simplesmente em ‘transferência’. Temos
de nos resolver a distinguir uma transferência ‘positiva’ de uma ‘negativa’, a
transferência de sentimentos afetuosos da dos hostis e tratar separadamente
os dois tipos de transferência para o médico. A transferência positiva é ainda
divisível em transferência de sentimentos amistosos ou afetuosos, que são
admissíveis à consciência, e transferência de prolongamentos desses
sentimentos no inconsciente. Com referência aos últimos, a análise demonstra
que invariavelmente remontam a fontes eróticas. E somos assim levados à
descoberta de que todas as relações emocionais de simpatia, amizade,
confiança e similares, das quais podemos tirar bom proveito em nossas vidas,
acham-se geneticamente vinculadas à sexualidade e se desenvolveram a partir
de desejos puramente sexuais, através da suavização de seu objetivo sexual,
por mais puros e não sensuais que possam parecer à nossa autopercepção
18

consciente. Originalmente, conhecemos apenas objetos sexuais, e a


psicanálise demonstra-nos que pessoas que em nossa vida real são
simplesmente admiradas ou respeitadas podem ainda ser objetos sexuais para
nosso inconsciente.
Assim, a solução do enigma é que a transferência para o médico é apropriada
para a resistência ao tratamento apenas na medida em que se tratar de
transferência negativa ou de transferência positiva de impulsos eróticos
reprimidos. Se “removermos’ a transferência por torná-la consciente, estamos
desligando apenas, da pessoa do médico, aqueles dois componentes do ato
emocional; o outro componente admissível à consciência e irrepreensível,
persiste, constituindo o veículo de sucesso na psicanálise, exatamente como o
é em outros métodos de tratamento.
Nas formas curáveis de psiconeurose, ela é encontrada lado a lado com a
transferência afetuosa, amiúde dirigida simultaneamente para a mesma
pessoa. Bleuler adotou o excelente termo ‘ambivalência’ para descrever este
fenômeno. Até certo ponto, uma ambivalência de sentimento deste tipo parece
ser normal; mas um alto grau dela é, certamente, peculiaridade especial de
pessoas neuróticas.
No processo de procurar a libido que fugira do consciente do paciente,
penetramos no reino do inconsciente. As reações que provocamos revelam, ao
mesmo tempo, algumas das características que viemos a conhecer a partir do
estudo dos sonhos. Os impulsos inconscientes não desejam ser recordados da
maneira pela qual o tratamento quer que o sejam, mas esforçam-se por
reproduzir-se de acordo com a atemporalidade do inconsciente e sua
capacidade de alucinação. Tal como acontece aos sonhos, o paciente encara
os produtos do despertar de seus impulsos inconscientes como
contemporâneos e reais; procura colocar suas paixões em ação sem levar em
conta a situação real. O médico tenta compeli-lo a ajustar esses impulsos
emocionais ao nexo do tratamento e da história de sua vida, a submetê-los à
consideração intelectual e a compreendê-los à luz de seu valor psíquico.
Esta luta entre o médico e o paciente, entre o intelecto e a vida instintual, entre
a compreensão e a procura da ação, é travada, quase exclusivamente, nos
fenômenos da transferência. É nesse campo que a vitória tem de ser
conquistada — vitória cuja expressão é a cura permanente da neurose.
19

Não se discute que controlar os fenômenos da transferência representa para o


psicanalista as maiores dificuldades; mas não se deve esquecer que são
precisamente eles que nos prestam o inestimável serviço de tornar imediatos e
manifestos os impulsos eróticos ocultos e esquecidos do paciente.

Sobre o início do tratamento - Novas Recomendações sobre a


técnica da psicanálise I (Freud 1913)

Neste trabalho Freud introduz o conceito de Neurose de Transferência

“Permanece sendo o primeiro objetivo do tratamento ligar o paciente à


ele e à figura do médico.”

Observações sobre o amor de transferência - Novas


recomendações sobre a técnica da psicanálise III

(Freud 1914/1915)

Classifica a transferência em positiva (amorosa) / negativa (sexual),


estas ultimas ligadas as resistências.

VII- Conferencias introdutória (Freud 1916 /1917)

O analista, segundo Freud deve estar atento às seguintes questões


relacionadas à transferência: onde surge a transferência, que
dificuldades ele impõe ao trabalho de análise, como podemos superar
tais dificuldades e que vantagens podemos auferir desta situação?
Como regra geral, propõe Freud que o analista não ceda às
exigências do paciente, decorrentes da transferência, nem as rejeite
de modo brusco ou indignado. O analista procura superar a
transferência através da interpretação, mostrando ao paciente que a
origem de seus sentimentos não está na situação atual, nem se aplica
à pessoa do analista, tratando-se, antes, de uma repetição de algo
pertencente ao seu passado, graças à influência da regressão.

Desse modo, esta repetição pode ser finalmente transformada em


lembrança (Freud, 1914), dentro do esquema: repetir (movimento
20

inconsciente), recordar e elaborar (movimento consciente). Dessa


maneira, o analista passa a instrumentalizar a transferência mediante
o recurso da interpretação. Nota-se, aqui, uma mudança importante
no pensamento freudiano: a transferência seja ela amorosa ou hostil,
que antes parecia servir exclusivamente à resistência e, nessa
medida, constituía uma ameaça ao tratamento, torna-se então "seu
melhor instrumento" (Freud, 1916-1917). A técnica de tratamento
consiste na descoberta do material reprimido (não recordado) através
das associações livres do paciente e da interpretação (dentro da
transferência) das resistências, a fim de torná-las conscientes ao
paciente (Freud, 1914). A resistência é vista como condição inerente
ao tratamento psicanalítico e o manejo da transferência é a arma que
o analista dispõe para reprimir a compulsão à repetição. Observamos,
assim, que a doença não estanca, não paralisa sua evolução uma vez
iniciado o tratamento. Quando o dispositivo do tratamento está
plenamente instalado, e sua influência é decisiva sobre o paciente,
outro importante fenômeno ocorre - a doença começa a convergir
para um único ponto: a relação com o analista. As recordações do
paciente cedem sua proeminência para os aspectos transferências.

O analista passa a ocupar um lugar dentro das séries psíquicas do


paciente. Já não se trata da neurose anterior do paciente, mas de
uma neurose recente, criada na e pela situação analítica, e que
assumiu o lugar da antiga doença. É evidente que esta lhe serviu de
matéria-prima, condicionando suas feições básicas. O importante aqui
é que, nessa nova edição, o analista desempenha um papel
fundamental e, até mesmo, constitutivo, por se situar no seu próprio
centro da situação, dado que ele é objeto desta neurose. Daí porque
se trata de uma neurose de transferência. O analista está apto a
observá-la meticulosamente.

"Todos os sintomas do paciente abandonam seu significado


original e assumem um novo sentido que se refere à
transferência (...) Mas dominar essa neurose nova, artificial,
21

equivale a eliminar a doença inicialmente trazida ao


tratamento - equivale a realizar nossa tarefa terapêutica.
Uma pessoa que se tornou normal e livre da ação de
impulsos instintuais reprimidos em sua relação com o
médico, assim permanecerá em sua própria vida, após o
médico haver-se retirado dela". (Freud, 1916-1917)

Freud faz uma distinção entre Neurose de Transferência e Neurose


Narcísica (referindo-se ás psicoses), afirmando com relação ás
segundas que “não poderiam ser tratadas psicanaliticamente por não
haver libido disponível para formação da transferência”.

Nesse ponto, diz Freud (1916-1917), não é compreensão intelectual


(o insight) que é decisiva, mas unicamente a relação com o analista.
Caso se esteja sob uma transferência positiva, o paciente reveste o
analista de autoridade e atribui alguma credibilidade às suas
comunicações. O acesso se dá a partir do aspecto intelectual, mas se
completa apenas quando é possível a contrapartida libidinal, à medida
que o paciente se mostre capaz de operar uma catexia libidinal de
objetos e tome o analista como um novo objeto de seus desejos.

Para Freud, a transferência envolve deslocamento da libido dos


objetos originais do passado para a figura do analista, uma operação
inconsciente e que obedece à noção da compulsão à repetição - o
paciente repete na transferência as situações reprimidas no passado
como algo efetivamente pertencente ao presente.

A relação transferencial logo se converte em um "poderoso estímulo


que influenciará sua decisão no sentido que desejamos" (Freud, 1916-
1917a, p. 518), isto é, no sentido de enfrentar o conflito normal, com
as suas resistências. Do contrário, o paciente poderia facilmente
recair na "repetição do resultado anterior" (a solução anteriormente
conferida ao conflito), e tudo aquilo que pôde ser pacientemente
trazido à consciência pelo trabalho analítico cairia por terra e
novamente deslizaria para o inconsciente, sob a força da repressão.
22

O desenvolvimento da neurose de transferência marca um ponto


decisivo na relação analítica, e provavelmente só se viabiliza no
momento em que a repressão já se encontra de certo modo
abrandada, em decorrência do processo terapêutico, de modo que o
paciente possa dirigir as catexias libidinais (que escapam da restrição
imposta pelos mecanismos repressivos) à pessoa do analista. Este
fenômeno representa "apenas um aumento extraordinário dessa
característica universal" que é a transferência. (Freud, 1916-1917).

VIII- Além do Princípio do Prazer (Freud 1920)

Em 1920 no texto Além do princípio do prazer, Freud estabelece o conceito de


compulsão a repetição em suas articulações com a transferência. O conceito
de repetição é responsável pela introdução da segunda tópica e por uma
reviravolta na técnica da psicanálise. Freud demonstrou como o sonho é
constituído predominantemente de imagens, e que a sua tradução para o
campo das palavras é tarefa árdua. Sua insistência para que o sujeito desse
livre curso aos pensamentos inconscientes, produzindo sobre ele diversas
associações, demonstra a sua confiança no poder elaborativo das palavras.
A elaboração do desejo requer sua transferência para o campo da linguagem, o
recebendo expressão verbal, transferência simbólica que a livre associação
opera. No processo de transferência o desejo inconsciente é atualizado através
de seu deslocamento para representações conscientes. Só temos acesso ao
desejo inconsciente quando ele é transferido no sonho, no sintoma, no chiste,
na relação do analisando com o analista, ou, ainda, num espaço mais
privilegiado: o da dimensão simbólica das palavras. O desejo inconsciente é a
mola do sonho, bem como a mola da transferência no processo de análise.
A teoria do sonho em Freud ergueu dois pilares da psicanálise: o desejo
inconsciente e sua transferência. Ao longo da obra freudiana, a transferência
se apresenta sob três aspectos: a resistência, a sugestão e a repetição, bem
como no duplo viés de motor e de obstáculo da análise. Não se trata de supor
que um ou outro desses aspectos e vieses se apresente de forma isolada ou
mesmo de forma predominante, se apresentam simultaneamente no
tratamento.
23

A primeira definição da transferência implicando a noção de atualização do


desejo através de sua transformação e transporte para representantes
substitutos –, constitui um princípio conceitual conservado por Freud ao longo
de sua obra, e sobre o qual ele assentou em definitivo o método da psicanálise.
Freud postula a existência de uma pulsão de morte e coloca o fenômeno da
transferência como exemplo de uma compulsão à repetição ligado aos
conteúdos da sexualidade edípica.
Acompanhando detalhadamente a genealogia e o desenvolvimento do conceito
de transferência na obra freudiana, deparamo-nos com um conjunto de
formulações conceituais cuja elaboração segue inicialmente um curso paralelo
e independente e que, pouco a pouco, vai se entrelaçando. A teoria da
resistência, fundamental para se compreender a transferência é um tema que
percorre toda obra freudiana. Ela se origina no período dos Estudos quando
Freud observou sua presença sob a forma de um obstáculo que se opunha à
rememoração das idéias inconscientes, abarca todo o período conhecido como
segunda clínica psicanalítica, pautada na concepção tópica do aparelho
psíquico como dividido em três sistemas (Cs, Pcs e Ics), e alcança a segunda
tópica, na qual são introduzidas as instâncias do id, do ego e do superego em
suas relações com o inconsciente. Em Inibições, sintomas e ansiedade (Freud,
1925-1926), isola cinco formas de resistência. Três são atribuídas ao ego, uma
ao superego e, surpreendentemente, uma é atribuída ao próprio inconsciente: a
compulsão à repetição.
No período dos Estudos, a resistência foi delineada de forma precisa.
Sua estrutura é traçada em relação ao “núcleo patógeno”. Freud teve a visão
de que era necessário superar uma força psíquica posta contra a ideia
patogênica, impedindo-a de se tornar consciente, e de que essa força
aumentava na proporção direta da aproximação ao seu núcleo. Sabemos hoje
o quanto essas noções se ligam de forma estreita ao conceito de fantasia
inconsciente em suas relações com a transferência, contudo, será apenas
posteriormente que ele extrairá delas todas as consequências para a prática
clínica da psicanálise.
Resistência, transferências do desejo e lugar do analista na economia libidinal
do sujeito em análise constituem-se em linhas de pensamentos que se
elaboraram paralelas e independentes. Foram necessários alguns anos de
24

trabalho teórico e de prática clínica para que Freud estabelecesse os seus


entrecruzamentos.

VIII- O Ego e o ID (Freud 1923)


Amplia o conceito de transferência para além da repetição das lembranças e
pulsões reprimidas, incluindo a participação de funções superegóicas e os
mecanismos de defesa do ego.

IX- TRANSFERÊNCIA – PÓS FREUD


Zimerman (1999)

X- Melanie Klein

Trabalhou na transferência dando ênfase à transferência negativa, decorrentes


das pulsões sádico-destrutivas. Compreendia o fenômeno transferencial como
uma reprodução dos primitivos objetos e relações objetais introjetadas,
acompanhadas das pulsões, fantasias inconscientes e ansiedades.
Em As origens da transferência (1952) desenvolve a compreensão do
fenômeno transferencial enfatizando:
A compreensão e valorização da transferência primitiva, ou seja, a reprodução
das antigas relações de objeto com o analista, com as correspondentes
fantasias inconscientes arcaicas, ansiedade de aniquilamento e primitivos
mecanismos defensivos (negação onipotente, dissociação, identificação
projetiva e introjetiva, idealização), mecanismos estes anterior à repressão
postulada por Freud, onde pautou o conceito de transferência.
Essas primitivas relações objetais não aparecem sob a forma de associação de
idéias, porque foram formadas antes do ego adquirir a capacidade de fazer
representações-palavras das mesmas, podendo ser captadas pelo analista
possibilitando sua reconstrução.
Neste tipo de transferência primitiva, as relações objetais são configuradas com
objetos parciais (seio, penis...) desde as primeiras sensações corporais
decorrentes das angústias persecutórias e depressivas inerentes ao início do
desenvolvimento infantil. Essa compreensão do fenômeno transferencial
acarretou modificações na forma e no conteúdo das interpretações.
25

Para Melanie Klein a transferência opera ao longo de toda vida. Na medida em


que ela começa a abrir caminho dentro do inconsciente do paciente, seu
passado vai sendo gradualmente revivido. Desse modo, sua premência em
transferir suas primitivas experiências, relações de objeto e emoções é
reforçada, e elas passam a localizar-se no psicanalista. Disso decorre que, o
paciente lida com conflitos e ansiedades que foram reativados, recorrendo aos
mesmos mecanismos e mesmas defesas, como em situações anteriores.
“A transferência origina-se dos mesmos processos que, nos estágios iniciais,
determinam as relações de objeto. Desta forma, na análise temos que voltar
repetidamente às flutuações entre objetos amados e odiados, externos e
internos, que dominam desde o começo da infância.”
“Na transferência o papel do analista pode ser de objeto bom, objeto mau,
ambos os pais bondosos ou perseguidores”.

XI- Kohut (1971)

Criou a psicologia do self, estudou as transferências narcísicas e as classificou


e três tipos: idealizadoras, gemelares e especulares.
Caracterizou paciente com transtornos narcisistas como personalidades
famintas que serão repetidas na transferência.
1) famintas por fusão- vivenciam o analista como extensão do
próprio self (dificuldade de separação)
2) famintas por espelho- necessidade de encontrar no analista
um espelho que aceite e reconheça seu exibicionismo
“refletindo a grandiosidade de seu self”
3) famintas por ideal- procura constante por uma imago parental
idealizada, ou seja, pessoas como o analista que possam
admirar por seu prestígio
4) famintas por gemelaridade – necessidade de encontrar um
gêmeo, um alter-ego, alguém parecido consigo que confirme a
existência e aceitação do seu próprio self.
Kohut acredita que a transferência das precoces falhas empáticas que tais
pacientes tiveram com a mãe, quando compreendidas e manejadas pelo
26

analista, possibilitam uma” internalização transmutadora”, promovendo uma


reestruturação do self.

XII- Winnicott

A transferência é mais do que uma repetição de impulsos e defesas, os


pacientes apresentam mais do que desejo, apresentam necessidades que não
satisfeitas pelo analista geram decepção pelo novo fracasso do ambiente que
já ocorrera nos primeiros anos da infância, interrompendo o crescimento do self
e sua capacidade de desejar. Postula ainda que a incapacidade materna
(analista) pode produzir ameaças de aniquilamento do self, resultado do
desamparo que a privação provoca.
A transferência é compreendida por Winnicott como uma nova relação, sendo
a imagem do analista distorcida pelas projeções e sentimentos de “posse”, que
o paciente alimenta em relação ele, podendo inicialmente usa - lo como um
objeto transicinal e posteriormente como um objeto real.
A relação analista /analizando caracteriza-se um processo mutual, no qual
cada um está se descobrindo e recriando ao outro porquanto as descobertas
levem às criações. Outro aspecto relativo à transferência refere ao holding do
analista, sua capacidade de sobreviver aos ataques destrutivos do paciente, o
risco de que a análise possa contribuir para manutenção do falso self.

XIII- LACAN

Parte do princípio de que a fixação oral à mãe expressa o “estágio do espelho”,


no qual o sujeito reconhece seu ego no “outro”, ou que a primeira noção de ego
provem do outro. Lacan acredita que a ênfase do analista na interpretação
sistemática da transferência não faz mais do que reforçar o vínculo de natureza
diádica especular. O analista deve romper com esta díade imaginária pela
castração simbólica, como um recurso de propiciar a transição do nível
imaginário para o nível simbólico, próprio da triangularidade edípica.
Todos estes aspectos constituem o que Lacan configura como a teoria
simbólica da transferência.
27

XIV- BION

Bion não escreveu qualquer texto sobre transferência, porém, o fenômeno


transferencial está contido em inúmeros de seus trabalhos.
“A transferência é uma experiência transitória, é um pensamento, sentimento
ou idéia que o paciente tem em seu caminho para outro lugar”
Para Bion a transferência não é estática e uniforme, mas acontece como um
processo de “transformações”. Inclui no fenômeno transferencial a existência
dos três vínculos : amor (L), ódio (H) e conhecimento (K) e a importância do
reconhecimento da transferência vir da parte neurótica ou da parte psicótica da
personalidade, assim o seu conceito de vértice à partir do qual o analista
possibilita que ele próprio e o paciente percebam e reflitam uma mesma
experiência à partir de uma outra visualização, adquire uma relevância na
prática analítica.
Refere ao fenômeno transferencial a partir do modelo da relação
continente/conteúdo tomando como referencia a relação original mãe-filho.
Considera o analista como uma pessoa real e não unicamente como objeto
alvo da transferência: “ Penso que o paciente faz algo para o analista e o
analista faz algo para o paciente; não é apenas uma fantasia
onipotente”.(1992)

XV- TIPOS DE TRANSFERENCIA


Zimerman (1999)

• EXTRATRANSFERÊNCIA

Designa uma condição pela qual a analise percebe que o analisando


demonstra por meio dos inter-relacionamentos de sua vida cotidiana a forma de
como estão estruturadas as suas relações objetivas internas. De modo geral,
os analistas desvirtuam a extratransferência e apregoam que tais experiências
28

profissionais só têm eficácia analítica se elas forem analisadas á luz da


vivência do “aqui-agora-comigo” transferencial.
Por exemplo, no caso de um paciente que estiver narrando na sessão uma
séria briga que teve véspera com sua mulher, existe a possibilidade muito
comum, de que o analista proceda a um automático reducionismo interpretativo
do que o analisando está expressando uma briga com ele, analista.
Independentemente se essa interpretação corresponde a uma realidade
psíquica do paciente ou se é um equivoco de compreensão do analista, é
freqüente que o paciente a rejeite com costumeiras exclamações do tipo: “Não
é nada disso”; “Eu sabia que ias dizer isso, tudo o que eu falo sempre trazes
para ti...”, não sendo rara a possibilidade que o analista queira reiterar a sua
interpretação “transferencial”, adquirindo a sessão um clima polêmico.
Em uma situação como a referida, creio ser perfeitamente possível um trabalho
verdadeiramente analítico a partir da extratransferencia, isto é, de analisar com
o paciente os detalhes da briga... poder propiciar um importante insight, com a
possibilidade eventual de, aí sim, poder fazer uma costura dessa briga com
outras manifestas ou ocultas que se passaram no passado ou que, de fato,
possa estar acontecendo no vinculo analítico.

• NEUROSE DE TRANSFERÊNCIA

É útil traçar uma diferença entre o surgimento na situação analítica de


momentos transferências e a instalação de uma neurose de transferência.
Neste ultimo caso, quer seja aparecimento precoce ou tardio, o analisando vive
intensa e continuadamente uma forte carga emocional investida na pessoa do
psicanalista, que transborda para fora da sessão e lhe ocupa uma grande fatia
do seu tempo e espaço mental. O comum nesses casos é que o paciente
revive as suas experiências afetivas não com uma percepção de um como-se,
de que está reproduzindo antigas vivencias equivalente, mas com a convicção
de um está havendo, de fato. A existência desse tipo de transferência justifica
plenamente o emprego sistemático de interpretações centradas no calor do
“aqui-agora-comigo-como-lá-então”.

• TRANSFERÊNCIA PSICÓTICA
29

Como o nome designa, trata-se de uma transferência que caracteriza os


pacientes clinicamente psicóticos e que, contrariamente á crença de Freud de
que esses pacientes não seriam analisáveis, por quanto eles nunca
desenvolveriam uma transferência (ele partia de idéia de que, nesses casos,
toda libido estava investida auto eroticamente), hoje é consensual que eles
desenvolvem, sim, uma clara transferência, sendo que, embora muitas vezes
sejam inacessíveis á análise, muitas outras vezes eles possibilitam um
verdadeiro trabalho analítico.
Esse conceito de “transferência psicótica” não deve ser confundido com o da
transferência provinda da “parte psicótica da personalidade” (conforme Bion) e
tampouco se iguala á conceituação de psicose de transferência, descrita por
Rosenfeld (1978) e que, por sua importância, será objeto de uma capitulação
especial.

• TRANSFERÊNCIA POSITIVA

Classicamente essa denominação referia-se a todas as pulsões e derivados


relativos á libido, especialmente os sentimentos carinhosos e amistosos, mas
também incluídos os desejos eróticos, desde que tenham sido submetidos sob
a forma de amor não sexual e não persistam como um vinculo erotizado.
O jugo importante a ser destacado é o fato de que muitas vezes o que parece
ser uma transferência “positiva” pode estar sendo “negativa”, do ponto de vista
de um processo analítico, porquanto ela pode estar representando não mais do
que uma extrema e permanente idealização (isso é diferente de uma –
estruturante – admiração) que o paciente faz em relação ao analista.
Também pode acontecer que uma aparência de “positividade” pode estar
significado unicamente um inconsciente conluio transferencial-
contratransferencial, sob a forma de uma estéril recíproca fascinação
narcisística. Igualmente, é necessário levar em conta a possibilidade nada
incomum de que aparente transferência positiva pela qual o paciente cumpriu
fielmente todas as combinações de assiduidade, pontualidade, verbalização,
uso do divã, manifesta concordância com as interpretações, etc. Possa estar
encobrindo uma pseudocolaboração. Isso geralmente acontece por parte de
30

pacientes portadores de uma forte estrutura narcisista, que os leva em um


plano oculto da mente a desvitalizarem as interpretações do analista, de modo
que nele, paciente, nada muda de verdade.
Em contrapartida uma transferência costumeiramente chamada de “negativa”
pode estar sendo altamente “positiva” para o curso exitoso da análise.

• TRANSFERÊNCIA NEGATIVA

Como esse nome Freud referia aquelas transferências nas quais predominava
a existência de pulsões agressivas com os seus inúmeros derivados, sob a
forma de inveja, ciúme, rivalidade, voracidade, ambição desmedida, algumas
formas de destrutividade, as eróticas incluídas, etc.
Na atualidade, creio ser relevante fazer afirmações de que se uma análise não
transitou pela “transferência negativa” no mínimo ela ficou incompleta,
porquanto todo e qualquer analisando tem conflitos manifestos ou latentes
relacionados á agressividade. A propósito, é útil estabelecer uma diferença
entre agressão (sádico-destrutiva) e agressividade, a qual, tal como a sua
etimologia designa, represente um movimento (“gradior”) para frente (“ad”),
uma forma de proteger-se contra os predadores externos, além de também
indicar uma ambição sadia com metas possíveis de serem alcançadas.
Assim, a transferência pode ser “negativa” desde uma perspectiva adulta em
relação á educação de uma criança que quer romper com certas regras,
porém, ela não pode ser altamente “positiva” a partir de um vértice que permite
propiciar ao paciente a criação de um espaço, no qual ele pode reexperimentar
antigas experiências que foram mal-entendidas e mal solucionadas pelos pais
(por exemplo, que eles não tenham entendido os presentes-fezes, ou o direito
de o filho fazer um sadia contestação aos valores deles, etc.). Principalmente, o
terapeuta deve levar em conta que as manifestações agressivas possam estar
representando a construção de preciosos núcleos de confiança que o paciente
esteja desenvolvendo em relação e ele próprio, ao analista, e ao vínculo entre
ambos.
Talvez não exista experiência analítica mais importante do que aquela em que
o paciente se permita atacar o seu analista, pelas formas mais diversas, ás
vezes cruéis, e este sobrevive aos ataques, sem se intimidar, revidar, deprimir,
31

apelar para recursos medicamentosos e outro afins, mantendo-se fiel a firme


posição de analista. Isso repercute no paciente de duas formas estruturantes
para seu self : a comprovação de que nem ele é tão perigoso, destruidor e
mau, como imaginava, e tampouco os seus objetos tão frágeis como sempre
temeu.

• TRANSFERÊNCIA ESPECULAR

Na atualidade, é consensual entre os psicanalistas que a transferência não


expressa unicamente conflitos, tai como aqueles que tipificam a “neurose de
transferência”, mas também que ela traduz os problemas de déficit. Neste
último caso, próprio dos pacientes com fortes fixações em etapas, nas quais as
necessidades emocionais básicas não foram suficientemente satisfeitas pelos
cuidados de uma adequada maternagem, a transferência assume
características de uma busca de algo, de alguém, tanto que pode assumir a
forma de uma “fusão”, ou a de um “continente”, de alguém, portador de seus
“ideais”, ou a de uma “espelho”.
Nesse último caso, quando o movimento transferencial representa uma busca
de um “espelho” na pessoa analista – que o reflita, reconheça e devolva a sua
imagem de auto-idealização, vitalmente necessária para que o paciente sinta
que, de fato ele existe e é valorizado – estabelece aquilo que genericamente
está sendo denominado “transferência especular”, quando é necessário que o
analista transitoriamente aceite funcionar como “ ego auxiliar” do paciente, ao
mesmo tempo em que gradativamente vá construindo o processo de
diferenciação, que possibilite o paciente adquirir uma separação, individuação
e uma posterior autonomia.

• TRANSFRÊNCIA IDEALIZADORA

Até algumas décadas, os psicanalistas em formação aprendiam que uma


transferência excessivamente idealizada do paciente em relação ao seu
analista devia ser logo analisada e desfeita, por quanto ela encobria forte carga
persecutória subjacente (o que, na maioria das vezes, não deixa de ser uma
verdade), como também representaria uma forma de controle onipotente do
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analisando sobre o analista, pelo fato de que este se sentiria obrigado a


corresponder á perfeição que lhe era atribuída.
Na atualidade, entendemos que uma transferência inicial de uma intensa
idealização possa estar representando uma necessidade básica e
indispensável para que o paciente, aos poucos, construa um verdadeiro vínculo
analítico. Em caso contrário, isto é, quando, por meio de interpretações
unicamente dirigidas “ á perseguição resultante da agressão que está
encoberta, bem como de uma tentativa de manipulação e controle por parte do
analisando” o psicanalista desfaz precocemente a idealização, daí resultando a
possibilidade do paciente ingressar em um estado de desamparo análogo á
imagem que me ocorre de se “tirar a escada e deixá-lo seguro pelo pincel”.
A “transferência idealizadora” corresponde, segundo Kohut (1971), a uma
etapa do desenvolvimento emocional primitivo, na qual a criança tem
necessidade de estruturar o seu self pela da idealização dos pais, ao que ele
denomina imago parental idealizada.
O risco que essa forma de transferência representa para uma análise exitosa é
a possibilidade de que o analista seja portador de uma estrutura
excessivamente narcisista, de modo a se sentir gratificado com a idealização
que o analisando faz dele e assim, ao invés de ser um processo transitório, a
transferência idealizadora pode ficar cronificada, o que impossibilitaria o tão
necessário surgimento de ocasionais períodos de “transferência negativa”.
Da mesma forma, a permanência da transferência idealizadora, além do tempo
necessário, representa o risco de economizar a fé no lugar da confiança, a
evasiva dos problemas em vez de seu enfrentamento e a sugestão no lugar da
análise”.

• TRANSFERÊNCIA ERÓTICA E EROTIZADA

“No que diz respeito a transferência erótica, Freud a define como uma
"inclinação amorosa" que, diferentemente da transferência positiva,
torna-se intensa, revelando sua origem localizada em uma
necessidade sexual direta, que inevitavelmente produz uma oposição
interna a si própria. Esta modalidade particular de vínculo
transferencial foi tratada de um modo mais pormenorizado por Freud
33

(1915) em Observações sobre o Amor Transferencial, com seu


enfoque sobre o manejo da transferência erótica, bem como sobre o
ponto de vista profissional e ético.

Em 1915, Freud referiu-se ao “amor de transferência” como uma complicação


do processo psicanalítico, que acontece com freqüência, e no qual a (o)
paciente se diz “apaixonada” pelo analista. Embora ele reconhecesse o caráter
defensivo dessa forma transferencial, alertava aos terapeutas para que não
confundissem essa reação com um amor verdadeiro, ao mesmo tempo em que
os advertia contra as tentativas de eles reprimirem o amor de tais paciente,
desde que “o tratassem como algo irreal e o rastreassem até suas origens
inconscientes”.
Ao mesmo tempo, Freud advertia quanto aos “casos graves de amor
transferencial” e descrevia essas suas pacientes histéricas como “meninas que,
por natureza de uma pulsão elementar, recusam aceitar o psíquico em lugar do
material” e ele sugeria que a única forma de tratar esses casos era o de uma
tentativa de mudar de analista, ou, então, a interrupção da análise.
Como vemos, a transferência de características eróticas adquire, largo
espectro de possibilidades, desde os sentimentos afetuosos e carinhosos pelo
analista até o outro polo de uma imensa atração sexual por ele, atração essa
que se converte em um desejo sexual obcecado, permanente, consciente,
egossintônico e resistente a qualquer tentativa de análise. O primeiro caso
alude á transferência erótica, enquanto o segundo refere-se à transferência
erotizada.
Conquanto ambas as formas, em algum grau, estejam virtualmente e
ocasionalmente presentes em todas as análises, tanto de forma homossexual
quanto heterossexual, é necessário estabelecer uma clara diferença entre elas.
A “transferência erótica” está mais vinculada com a necessidade que qualquer
pessoa tem de ser amada, sendo que essa demanda por compreensão,
reconhecimento e contato emocional, pode se fundir (e con-fundir) com o
desejo de um contato físico.
Em contrapartida a “transferência erotizada” designa a predominância de
pulsões ligadas ao ódio com as respectivas fantasias agressivas, que visam um
controle sobre o analista e de uma posse voraz dele. Essas fantasias
34

manifestam-se por diversas formas, são de origem inconsciente, superam o


senso crítico da realidade objetiva (a ponto de o paciente se quer reconhecer o
“como-se” transferencial) e elas aparecem na situação analítica disfarçadas de
legítimas necessidades amorosas e sexuais.
Dois sérios riscos podem acompanhar a instalação da “transferência erotizada”
no campo analítico: uma, é a que, diante da não gratificação do psicanalista
dessas demandas sexuais do paciente, este recorra a actings fora da situação
analítica, que, ás vezes pode adquirir características de grave malignidade.
“A segunda possibilidade igualmente maligna, é que a análise, a partir dessa
transferência de natureza perversa, possa descambar para uma perversão da
transferência, inclusive com a possível eventualidade de o analista ficar nela
envolvido, fato que está longe de ser uma raridade”.

• TRANSFERÊNCIA PERVERSA

“O termo “perverso” deve ser entendido como um “desvio da normalidade”,


porém não deve ser tomado como sinônimo de “perversão”, clinicamente
configurada como tal. Assim, é comum que os pacientes em geral de alguma
forma tentem “perverter” as combinações que eles aceitaram em relação ao
setting analítico, procurando modificar “as regras do jogo”, traduzidas nas
formas de pagamento, na obtenção de privilégios, em alguma forma de
provocação para tirar o analista de seu lugar, etc.
Comumente, nada do mencionado acima representa algum risco para análise,
desde que o analista, embora possa ter alguma flexibilidade em relação aos
pedidos do paciente, não saia do seu lugar e função de psicanalista. No
entanto, em se tratando de pacientes predominantemente psicopatas, essa
atitude transferencial perversa pode se constituir como uma constante que
exige redobrados esforços do terapeuta, sendo que, muitas vezes, as
sucessivas atuações podem definir uma condição de não-analisibilidade.
Meltzer (1973) foi o autor que mais consistentemente estudou a perversão da
transferência, apontando para o risco da formação de um conluio perverso
entre o par analítico, que consiste em um jogo de seduções por parte do
35

paciente (creio que vale acrescentar a hipótese de as seduções partirem do


analista) e que, na hipótese de o terapeuta ficar envolvido, e esse conluio ficar
estabilizado, virá a acontecer que o paciente, ao invés de reconhecer suas
limitações e conflitos, verá o seu analista “como uma prostituta, uma ama-de-
leite, viciada na prática da psicanálise e incapaz de conseguir melhores
pacientes”.

Assim, a Transferência refere ao conjunto de todas as formas pelas quais o


paciente vivencia com a pessoa do psicanalista, todas as representações que
ele tem do seu próprio self, as relações objetais que habitam seu psiquismo e
os conteúdos psíquicos que estão organizados como “fantasias inconscientes”,
com as respectivas distorções perceptivas, de modo a permitir interpretações
com a finalidade de possibilitar a integração do presente com o passado, o
imaginário com o real e o inconsciente com o consciente.”
Zimerman (1999)
36

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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brasileira das obras psicológicas completas (J. Salomão, trad., Vol. 1,) Rio de
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Edição standard brasileira das obras psicológicas completas (J. Salomão, trad.,
Vol. 2). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1893-1895).
Freud,S. A interpretação dos sonhos. In S. Freud, Edição standard brasileira
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standard brasileira das obras psicológicas completas (J. Salomão, trad., Vol. 7).
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Freud,S. Artigos sobre a técnica. O manejo da interpretação de sonhos na
psicanálise. In S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas
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Edição standard brasileira das obras psicológicas completas (J. Salomão, trad.,
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psicanálise. In S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas
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S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas completas
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em 1914).
37

Freud,S. Artigos sobre a metapsicologia. O inconsciente In S. Freud, Edição


standard brasileira das obras psicológicas completas (J. Salomão, trad., Vol.
14). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1915).
Freud,S. Conferências introdutórias sobre a psicanálise. Parte III.
Transferência. In S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas
completas (J. Salomão, trad., Vol. 16). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original
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Freud,S. Conferências introdutórias sobre a psicanálise. Parte II.
Conferência V. Sonhos. Dificuldades e abordagens iniciais. In S. Freud, Edição
standard brasileira das obras psicológicas completas (J. Salomão, trad., Vol.
15). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1916-1917).
Freud,S.. Conferências introdutórias sobre a psicanálise. Parte II. Conferência
VI. Sonhos. Premissas e técnica de interpretação. In S. Freud, Edição standard
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Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1916-1917).
Freud,S. Conferências introdutórias sobre a psicanálise. Parte II. Conferência
XI. A elaboração onírica. In S. Freud, Edição standard brasileira das obras
psicológicas completas (J. Salomão, trad., Vol. 15). Rio de Janeiro: Imago.
(Trabalho original publicado em 1916-1917).
Freud,S. Além do princípio do prazer. In S. Freud, Edição standard brasileira
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Freud, S. O ego e o id. In S. Freud, Edição standard brasileira das obras
psicológicas completas (J. Salomão, trad., Vol. 19). Rio de Janeiro: Imago.
(Trabalho original publicado em 1923)
Freud,S. Esboço de Psicanálise. In S.Freud, Edição standard brasileira das
obras psicológicas completas (J. Salomão, trad., Vol. 23). Rio de Janeiro:
Imago. (Trabalho original publicado em 1937-1940).
Lagache, D. (1990). A transferência. São Paulo: Martins Fontes.
Laplanche, J. & Pontalis, J. B. (1970). Vocabulário de psicanálise. São Paulo:
Martins Fontes.
Zimerman,D.E Teoria, técnica e clínica. (1999) São Paulo: Editora Artes
Médicas Sul Ltda
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Trabalho do módulo

Caro colega , seguem algumas questões a serem respondidas acerca do filme indicado
“Um Método Perigoso”, procurei eleger os conceitos abordados na ala: sexualidade,
inconsciente, repetição, transferência, contratransferência etc.

• Cena em que o Dr. Carl Gustav Jung encontra-se investigando os sintomas da


paciente quando esta interrompe sua fala (cadeia associativa), resultando no
pedido do médico que lhe comunicasse então, uma imagem. Comente sobre a
interrupção da fala da paciente e argumente com uma teoria possível de
representar essa interrupção.

• Cena em que a paciente caminha junto ao médico e lhe diz que sua mãe
desconfia que seu pai (da paciente) não a ama. Responde a paciente que de certo
sua mãe está correta, expondo em seguida, o comentário do pai que a considera
(paciente) excepcional. Comente esta fala da paciente e argumente com uma
teoria possível de representar essa comunicação.

• Cena em que a paciente relata quando apanhava do pai sentia-se humilhada e


que posteriormente procurava situações que resultasse em quaisquer tipos de
humilhação. Comente esta fala da paciente e argumente com uma teoria
possível de representar essa comunicação.

• Cenas em que o médico e a paciente envolvem-se sexualmente. Comente e


argumente com uma teoria que poderia representar essa ação tanto da paciente
quanto do médico.

Atenciosamente
Eliana Luiz

247 São José dos Campos 13 de novembro de 2014