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Para Ipea, impunidade no

País para menores infratores
é um mito
LÍGIA FORMENTI ­ O ESTADO DE S. PAULO
16 Junho 2015 | 13h 13

Em 2013, havia 23,1 mil adolescentes privados de liberdade, dos quais
64% cumpriam medida de internação ­ a mais severa de todas

BRASÍLIA ­ Documento preparado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)
com dados referentes a 2013 classifica como mito o argumento de que existe impunidade
para menores infratores no Brasil. O trabalho, divulgado nesta terça­feira, 16, é o quarto
sobre o tema preparado em um período de dois meses pelo governo, numa clara reação à
proposta que tramita no Congresso para reduzir a maioridade penal.

"Embora muitos argumentem que a lei não
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pune nem responsabiliza adolescentes que
Cardozo diz que presídios brasileiros são 'escolas de
crime'
cometem delitos, a justiça juvenil tende a ser
Redução de maioridade fará jovens se aliarem a aplicada de forma mais dura do que a justiça
facções, diz Pepe Vargas penal comum", afirma o trabalho, preparado
por Enid Rocha Andrade da Silva e Raissa
Menezes de Oliveira. 
Em 2013, havia 23,1 mil adolescentes privados de liberdade no Brasil. Desses 64%
cumpriram a medida de internação ­ a mais severa de todas. Outros 23,5% estavam na
internação provisória, 9,6% cumpriam medida de semiliberdade e 2,8% estavam em
situação indefinida.

Para Enid, o principal recado do trabalho é mostrar a necessidade de se melhorar e
apostar nas medidas socioeducativas. 

"Aqueles que poderiam estar legislando jogam a responsabilidade no colo dos
adolescentes, que são muito mais vítima do que autores da violência", diz o secretário
Nacional de Juventude, Gabriel Medina. 

O trabalho mostra que, dos adolescentes infratores, 95% eram do sexo masculino, 60%
tinham idade entre 16 e 18 anos e 51% não frequentavam a escola no período em que
cometeram o delito. Do total de adolescentes que estava cumprindo algum tipo de pena,
49% não trabalhavam enquanto cometeram o delito e 66% viviam em famílias
consideradas extremamente pobres.

"Se fôssemos mais eficientes na chegada das políticas públicas, poderíamos evitar crimes
mais graves, como crimes contra a vida", completa Medina. "O que estudos têm
demonstrado é que a política vem avançando bastante, evitando que parte dos
adolescentes cometam delitos, mas é preciso pensar novas estratégias de prevenção, para
atrair os jovens para escola, para ampliar o acesso a  iniciativas como jovem aprendiz."

Os dados indicam que viviam no Brasil, em 2013, 10,6 milhões de jovens. Desse total, 1
milhão nem estudada e nem trabalhava, outros 584 mil só trabalhavam e 1,8 milhão
trabalhavam e estudavam de forma simultânea.

O estudo mostra que, em 2013, 40% dos infratores respondiam por roubo, 3,4% por furto
e 23,5% por tráfico. Homicídio respondiam por cerca de 8,75% ­ um porcentual
considerado baixo pela pesquisadora. Latrocínio, por sua vez, respondia a 1,9% dos
 infratores. 

São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco e Ceará são os Estados, de acordo com o texto,
com maior número de adolescentes privados de liberdade. Para as pesquisadoras, tal
distribuição é em parte explicada pela forma como a população jovem está distribuída no
País.

O documento do Ipea não faz uma relação sobre a quantidade de delitos cometidos por
menores com os números gerais de crimes no País. Tal  lacuna de informação, avaliam os
pesquisadores, não é prejudicial para o debate que atualmente ocorre no País em torno da
maioridade penal.

"O que tem afetado o debate, é o apelo da justiça pela próprias mãos, uma ideia de
segurança pública que flerta com a barbárie, um conjunto de deputados desinformados",
diz o secretário. "O que existe é uma tentativa de deputados não olharem os números.
Eles reproduzem uma cultura de violência, para eles não existe um argumento."

Ele admite, no entanto, não haver estatísticas nacionais precisas sobre violência. O
problema, avalia, é provocado sobretudo pela dificuldade de o governo receber dados de
Estados ­ que têm a atribuição de cuidar  da segurança.
TAGS: Maioridade penal, Ipea, Violência