FORMAÇÃO À DISTÂNCIA
DIS0515
Ana Cristina Pinto Ferreira Luís António Rodrigues Rui Alberto Machado de Sousa
www.otoc.pt
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
FICHA TÉCNICA
Título: ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos
Autores: Ana Cristina Pinto Ferreira; Luís António Rodrigues; Rui Alberto Machado de Sousa
Capa e paginação: DCI - Departamento de Comunicação e Imagem da OTOC
© Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, 2015
Não é permitida a utilização deste Manual, para qualquer outro fim que não o indicado, sem autorização prévia e por escrito da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, entidade que detém
os direitos de autor.
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ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
ÍNDICE
|
SIGLAS |
5 |
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7 |
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11 |
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3.2. |
DOCUMENTOS QUE COMPÕEM A PRESTAÇÃO DE CONTAS |
12 |
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13 |
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14 |
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14 |
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16 |
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20 |
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21 |
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24 |
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3.6.1.1. Sociedade por quotas |
27 |
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29 |
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33 |
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4.1.2. |
Pequenas entidades |
36 |
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38 |
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42 |
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46 |
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51 |
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54 |
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58 |
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6. OPERAÇÕES DE ENCERRAMENTO
63
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63 |
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77 |
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84 |
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91 |
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98 |
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102 |
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107 |
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113 |
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115 |
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SIGLAS
|
Art.º |
Artigo |
|
BADF |
Bases de apresentação das demonstrações financeiras |
|
CC |
Código dos Regimes Contributivos do Sistema Previdencial de Segurança Social |
|
CIRC |
Código do imposto sobre rendimentos pessoas coletivas |
|
CIVA |
Código do imposto sobre o valor acrescentado |
|
CIS |
Código do imposto do selo |
|
CLC |
Certificação legal das contas |
|
CMVM |
Comissão de Mercado de Valores Mobiliários |
|
CNC |
Comissão de Normalização Contabilística |
|
CRC |
Código do registo comercial |
|
CSC |
Código das sociedades comerciais |
|
DL |
Decreto-lei n.º |
|
DR |
Decreto regulamentar n.º |
|
EC |
Estrutura conceptual |
|
ESNL |
Entidades do setor não lucrativo |
|
FAQ |
Frequently asked questions (respostas a perguntas frequentes) |
|
FCT |
Fundo de compensação do trabalho |
|
FGCT |
Fundo de garantia de compensação do trabalho |
|
IAS |
International accounting standard |
|
IASB |
International Accounting Standard Board |
|
IES |
Informação empresarial simplificada |
|
IFRS |
International financial reporting standards |
|
IRC |
Imposto sobre rendimento pessoas coletivas |
|
ME |
Microentidades |
|
MEP |
Método de equivalência patrimonial |
|
NC-ME |
Norma contabilística para microentidades |
|
NCM |
Normalização contabilística para microentidades |
|
NCRF |
Normas contabilísticas e de relato financeiro |
|
NCRF–PE |
Norma contabilística e de relato financeiro para pequenas entidades |
|
NCRF–ESNL |
Norma contabilística e de relato financeiro para as entidades do setor não lucrativo |
|
OTOC |
Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas |
|
ROC |
Revisor Oficial de Contas |
|
SNC |
Sistema de normalização contabilística |
|
TOC |
Técnicos Oficiais de Contas |
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1. A CONTABILIDADE COMO SISTEMA DE INFORMAÇÃO
Numa sociedade globalizada e onde a concorrência é muito forte, a disponibilização de informação fiável e atempada é fundamental.
O mercado em permanente mudança, que pode resultar da evolução tecnológica, de tendências de moda ou de fatores políticos, entre outros, obriga os gestores das entidades a estarem dotados de informação que lhes
permita tomar as decisões corretas em cada momento.
Neste contexto, a contabilidade assume um papel preponderante, sendo o principal recurso de informação financeira e não financeira para a gestão.
A contabilidade é uma ferramenta ou um sistema que recolhe e regista informação sobre as operações reali- zadas numa entidade, informação que pode ser económica, financeira ou de gestão (analítica) e que, depois de sistematizada, é disponibilizada aos seus utilizadores.
Citado por Hans Rolle e Julian Zietzke 1 , como definição de contabilidade podemos ter (tradução livre):
“Contabilidade é o sistema que mede as atividades do negócio, processa essa informação convertendo - -a em relatórios e comunica estes resultados aos responsáveis pela tomada de decisões.” (Horngren & Harrison, 1991)
“A contabilidade é a linguagem utilizada pelos empresários para poder medir e apresentar os resultados obtidos no exercício económico, a situação financeira das empresas e as alterações na posição financeira e/ou nos fluxos de caixa.” (Catacora , Fernando, 1998)
“A contabilidade tem muitas funções, mas o seu principal objetivo é fornecer, quando solicitado ou em datas determinadas, informação fundamentada, com base em registos técnicos, das operações realiza- das por uma entidade pública ou privada.” (Redondo, A., 2001)
O sistema contabilístico regista, ao longo do período económico, todas as transações que se podem expressar em termos monetários. Para que possa ser utilizada por quem toma decisões, essa informação é classificada e resumida, devendo o sistema contabilístico permitir retirar a informação necessária aos seus utilizadores, a qual pode ser obtida através de extratos, balancetes, listagens ou outros relatórios.
As necessidades de informação são diversas. Os gestores necessitam de informação financeira para prestar contas, quer aos detentores de capital quer a outras entidades, mas também precisam de informação de supor-
1 Consultado em:http://www.monografias.com/trabajos10/sistcont/sistcont.shtml, Autores: Hans Rolle, Julian Zietzke
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
te às atividades operacionais, para melhoria de processos de produção, definir preços, otimizar os recursos,
ou ainda informação estratégica para apoio à tomada de decisões, por exemplo, para novos investimentos ou
expansão para novos mercados.
Para que a informação seja útil, tem que ser, simultaneamente, consistente, verdadeira, resumida, fácil de obter e estar disponível atempadamente, mesmo que, por vezes, o pormenor ou detalhe seja sacrificado. Por outro lado, o custo para a obter essa informação não deve exceder o benefício que se espera obter.
De referir ainda que não basta a uma entidade dispor dos meios mais avançados para obter informação ou dispor de toda a informação se, depois, não a utilizar.
A prestação de contas é a principal fonte de informação financeira das entidades. Assim, uma entidade deve preocupar-se em que as suas demostrações financeiras sejam completas, fiáveis e compreensíveis sem, no entanto, perder de vista o objetivo de serem atuais.
De acordo com a Estrutura Conceptual do SNC, o objetivo das demonstrações financeiras é o de proporcionar informação acerca da posição financeira, do desempenho e das alterações na posição financeira de uma enti- dade que seja útil a um vasto leque de utentes na tomada de decisões económicas.
Para que a informação financeira seja compreensível e comparável, tornou-se indispensável regular a forma
de organizar e de prestar a informação financeira, tendo surgido assim os vários planos e normativos conta- bilísticos.
O Plano Oficial de Contabilidade (POC) surgiu em 1977 tendo registado diversas alterações e atualizações, algumas das quais para dar cumprimento à harmonização exigida pela União Europeia. No entanto, no final de 2009, e para aproximar a normalização contabilística portuguesa da normalização contabilística interna- cional, foi revogado o POC, tendo sido aprovado o Sistema de Normalização Contabilística (SNC), baseado nas Normas Internacionais de Contabilidade adotadas pela União Europeia, cuja entrada em vigor se deu em 01 de Janeiro de 2010.
No caso das microentidades, a publicação da normalização contabilística ocorreu em março de 2011, tendo entrado em vigor para as demonstrações financeiras reportadas ao período findo em 31 de dezembro de 2010.
A normalização contabilística para as entidades do setor não lucrativo, que faz parte integrante do SNC, pu- blicada em março de 2011, entrou em vigor em 01 de janeiro de 2012, para as demonstrações financeiras de 2012, podendo, por opção aplicar-se ao período de 2011.
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2. OS UTILIZADORES DA INFORMAÇÃO CONTABILÍSTICA
Os utilizadores ou utentes da informação contabilística podem ser internos ou externos à entidade.
De acordo com a Estrutura Concetual, nos utentes das demonstrações financeiras, e as suas necessidades de informação, estão incluídos: os investidores (atuais ou potenciais), os empregados, os mutuantes, os fornece- dores e outros credores comerciais, os clientes, o Governo e seus departamentos e o público.
Ainda de acordo com a Estrutura Concetual, as diferentes necessidades de informação incluem:
Investidores — Necessitam de informação para avaliar o risco do investimento e ajudar a determinar se devem comprar, deter ou vender. Os acionistas estão também interessados em informação que lhes facilite determi- nar a capacidade da entidade pagar dividendos.
Empregados — Os empregados estão interessados na informação acerca da estabilidade e capacidade da enti- dade de gerar lucro e na informação que os habilite a avaliar a capacidade da entidade proporcionar remune- ração, benefícios de reforma e oportunidades de emprego.
Mutuantes — Os mutuantes estão interessados em informação que lhes permita determinar se os seus em- préstimos, e os juros que a eles respeitam, serão pagos quando vencidos.
Fornecedores e outros credores comerciais — estão interessados em informação que lhes permita determinar se as quantias que lhes são devidas serão pagas no vencimento.
Clientes — Os clientes têm interesse em informação acerca da continuação de uma entidade, especialmente quando com ela têm envolvimentos a prazo, ou dela estão dependentes.
Governo e seus departamentos — O Governo e os seus departamentos estão interessados na alocação de re-
cursos e, por isso, nas atividades das entidades. Também exigem informação a fim de regularem as atividades das entidades, determinar as políticas de tributação e como base para estatísticas do rendimento nacional e
outras semelhantes.
Público — As entidades afetam o público de diversos modos. Por exemplo, podem dar uma contribuição subs- tancial à economia local de muitas maneiras incluindo o número de pessoas que empregam e patrocinar comércio dos fornecedores locais.
Os utilizadores externos da informação contabilística são assim os que têm interesses diretos ou indiretos na empresa. Dependem da informação contabilística disponibilizada ou publicada para ter informação e poder avaliar o desempenho da empresa, a capacidade honrar os seus compromissos ou, por exemplo, pagar impos- tos.
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Quanto aos utilizadores internos da informação contabilística, destacam-se os órgãos governativos, uma vez que são eles que têm que garantir que a continuidade e os objetivos de lucro das entidades são atingidos.
As decisões devem ser baseadas em informação atempada e credível. Como a maioria das decisões chave são baseadas nos dados contabilísticos, os gestores são assim os primeiros e os mais importantes utilizadores da informação contabilística.
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3. A PRESTAÇÃO DE CONTAS
3.1. ENQUADRAMENTO
A prestação de contas é o meio pelo qual uma entidade apresenta aos seus detentores de capital e terceiros a atividade desenvolvida e os resultados obtidos durante o período de relato, bem como a posição financeira no final desse período, apresentando ainda os valores obtidos no período anterior.
O Código Comercial, nos poucos artigos que ainda mantém em vigor, refere no seu art.º 18.º que os comer- ciantes são obrigados a dar balanço e a prestar contas.
Este código vem ainda referir, no seu art.º 62.º, que todos os comerciantes são obrigados a dar balanço anual ao seu ativo e passivo nos três primeiros meses do ano imediato.
Já no Código das Sociedades Comerciais (CSC), no art.º 65.º - Dever de relatar a gestão e apresentar contas, destacam-se os seguintes aspetos:
- Os membros da administração devem elaborar e submeter aos órgãos competentes da sociedade o rela- tório de gestão, as contas do exercício e demais documentos de prestação de contas previstos na lei no prazo de três meses a contar da data do encerramento de cada exercício, ou no prazo de cinco meses a contar da mesma data quando se trate de sociedades que devam apresentar contas con- solidadas ou que apliquem o método da equivalência patrimonial;
- O relatório de gestão e as contas do exercício devem ser assinados por todos os membros da admi- nistração; a recusa de assinatura por qualquer deles deve ser justificada no documento a que respeita e explicada pelo próprio perante o órgão competente para a aprovação, ainda que já tenha cessado as suas funções;
- O relatório de gestão e as contas do exercício são elaborados e assinados pelos gerentes ou administra- dores que estiverem em funções ao tempo da apresentação, mas os antigos membros da adminis- tração devem prestar todas as informações que para esse efeito lhes forem solicitadas, relativamente ao período em que exerceram aquelas funções.
O Sistema de Normalização Contabilística (SNC), a Normalização Contabilística para Microentidades (NCM) bem como o Plano Oficial de Contabilidade, ainda em vigor para determinadas entidades, elencam as peças que compõem as contas a apresentar em cada período.
Salienta-se que a Informação Empresarial Simplificada (IES), exigida nos termos do Código do IRC e do Código do IVA, a submeter no portal das finanças até julho, não substituí a elaboração do relató- rio de gestão e das contas das entidades, de elaboração obrigatória, devendo pelo contrário refletir o
conteúdo destes documentos.
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Conforme refere a Comissão de Normalização Contabilística no seu site, na resposta à FAQ 19, “ importa ter em atenção que não se deve confundir o cumprimento das obrigações para finalidades tributárias e outras com o das obrigações de índole contabilística para efeitos societários.
Normalmente, o cumprimento das obrigações em matéria de normalização contabilística para fins societários deve preceder o cumprimento das obrigações para finalidades tributárias e outras.
Acresce que a quantidade e detalhe das informações exigidas para essas duas finalidades, não são justapostas.
Assim, a CNC entende que os documentos que constituam o dossier fiscal e a declaração da IES não substituem os documentos exigidos pelo art.º 11.º do Decreto-Lei n.º 158/2009, de 13 de julho.”
Este raciocínio aplica-se também às microentidades, bem como às entidades do setor não lucrativo.
A informação contida nos documentos de prestação das contas (designadamente nas demonstrações finan- ceiras), aprovados em Assembleia Geral, é informação base para a elaboração da IES, num momento futuro. Ou seja, a IES deverá ser preparada com base em documentos de prestação das contas, já aprovados ou não em Assembleia Geral, não podendo em caso algum substituir esses documentos.
3.2. DOCUMENTOS QUE COMPÕEM A PRESTAÇÃO DE CONTAS
Os documentos que compõem a prestação de contas dependem do tipo de entidade e, consequentemente, do
sistema normalização contabilístico adotado.
As entidades com legislação específica (setor público, financeiro ou segurador) que têm obrigações de reporte adicionais, não serão aqui tratadas.
3.2.1. ENTIDADES QUE ADOTEM O SNC “COMPLETO”
No caso das sociedades que adotem as 28 normas do SNC 2 , a prestação de contas é composta pelos seguintes documentos:
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• |
Relatório de gestão |
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• |
Anexo ao relatório de gestão (aplicável a Sociedades Anónimas) |
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• |
Balanço |
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• |
Demonstração dos resultados por naturezas |
|
• |
Demonstração dos resultados por funções - facultativa |
|
• |
Demonstração dos fluxos de caixa |
|
• |
Demonstração das alterações no capital próprio |
|
• |
Anexo |
2 Artigo 9.º do Decreto-Lei 158/2009, de 13 de julho, alterado pela Lei 20/2010, de 23 de agosto - sociedades que estejam sujeitas a certificação legal de contas ou que ultrapassem dois dos três limites:
- Total do balanço: € 1.500 000;
- Total de vendas líquidas e outros rendimentos: € 3 000 000;
- Número de trabalhadores empregados em média durante o exercício: 50.
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
3.2.2. PEQUENAS ENTIDADES, QUE ADOTEM A NCRF - PE
Os documentos que compõem a prestação de contas das pequenas entidades que adotem a NCRF-PE 3 , são:
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• |
Relatório de gestão |
|
• |
Balanço (modelo reduzido) |
|
• |
Demonstração dos resultados por naturezas (modelo reduzido) |
|
• |
Demonstração dos resultados por funções (modelo reduzido) - facultativa |
|
• |
Anexo (modelo reduzido) |
3.2.3. ENTIDADES DO SETOR NÃO LUCRATIVO ( ESNL )
Os documentos que compõem a prestação de contas das ESNL que adotem a normalização contabilística das entidades do setor não lucrativo 4 , são:
|
• |
Relatório de gestão (ou equivalente) |
|
• |
Balanço |
|
• |
Demonstração dos resultados por naturezas ou por funções |
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• |
Demonstração das alterações nos fundos patrimoniais - por opção ou por exigência de entidades públicas financiadoras; |
|
• |
Demonstração dos fluxos de caixa; |
|
• |
Anexo |
As entidades que apresentem as contas em regime de caixa divulgam a seguinte informação:
|
• |
Pagamentos e recebimentos; |
|
• |
Património fixo; |
|
• |
Direitos e compromissos futuros. |
3 Entidades que não apliquem a normalização para as microentidades nem apliquem a norma do setor não lucrativo, que
não estejam sujeitas a certificação legal de contas nem integrem o perímetro de uma consolidação, e não ultrapassem dois dos três limites:
- Total do balanço: € 1.500 000;
- Total de vendas líquidas e outros rendimentos: € 3 000 000;
- Número de trabalhadores empregados em média durante o exercício: 50.
4 Decreto-Lei n.º 36-A/2011, de 09 de março, art.º 5.º - Entidades que prossigam a título principal uma atividade sem fins lucrativos e que não possam distribuir aos seus membros ou contribuintes qualquer ganho económico ou financeiro direto, designadamente associações, fundações e pessoas coletivas públicas de tipo associativo. Exceptuam-se as cooperativas e as entidades que apliquem as normas internacionais de contabilidade.
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
|
3.2.4. |
MICROENTIDADES, QUE ADOTEM A NCM |
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Os documentos que compõem a prestação de contas das microentidades que adotem a NCM 5 , são: |
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• |
Relatório de gestão |
|
• |
Balanço |
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• |
Demonstração dos resultados por naturezas |
|
• |
Anexo para microentidades |
|
3.2.5. |
PESSOAS QUE EXERCEM A TÍTULO INDIVIDUAL UMA ATIVIDADE |
|
As pessoas que exercendo a título individual qualquer atividade comercial, industrial ou agrícola, que rea- lizem na média dos últimos três anos um volume de negócios superior a € 200 000 (antes €150.000), ficam obrigadas a adotar o SNC, conforme dispõe o artigo 10.º do Decreto-Lei 158/2009, de 13 de julho, alterado pela Lei 83-C/2013, de 31 de dezembro. |
|
|
3.2.6. |
ENTIDADES PÚBLICAS EMPRESARIAIS DA ÁREA DA SAÚDE |
|
De acordo como Despacho n.º 1.507/2014, de 16 de janeiro, é, obrigatoriamente, aplicável às entidades pú- blicas empresariais da área da saúde, incluindo os hospitais, os centros hospitalares e as unidades locais de saúde o Sistema de Normalização Contabilística (SNC). |
|
|
Esta obrigatoriedade inicia-se com a apresentação de contas do exercício de 2014. |
|
|
3.2.7. |
EMPRESAS LOCAIS |
De acordo com a Instrução n.º 1/2013 – 2ª Secção - Instruções para a organização e documentação das contas das empresas locais, do Tribunal de Contas, as empresas locais sujeitas ao regime jurídico da atividade empre- sarial local e das participações locais, aprovado pela Lei n.º 50/2012, 31 de agosto, devem remeter ao Tribunal de Contas os seguintes documentos (anexo I da Instrução):
|
• |
Relatório anual do órgão de gestão ou de administração |
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• |
Balanço |
|
• |
Demonstração dos resultados por naturezas |
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• |
Demonstração das alterações no capital próprio |
|
• |
Demonstração dos fluxos de caixa pelo método direto |
|
• |
Anexo |
5 Decreto-Lei n.º 36-A/2011, de 09 de março, art.º 2.º e 3.º - Entidades que não estejam sujeitas a certificação legal de con- tas, nem integrem o perímetro de uma consolidação e não ultrapassem dois dos três limites:
- Total do balanço: € 500 000;
- Volume de negócios líquido: € 500 000;
- Número médio de empregados durante o exercício: cinco.
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ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
|
• |
Parecer do órgão de fiscalização previsto na al. d) do n.º 2 do artigo 70.º do Código das Sociedades |
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Comerciais |
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• |
Certificação legal das contas |
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• |
Ata onde conste a deliberação da aprovação dos documentos de prestação de contas |
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• |
Ficha da caracterização da entidade |
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• |
Mapa da identificação dos participantes no capital |
|
• |
Mapa da composição dos órgãos de administração e fiscalização |
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• |
Plano de contas utilizado |
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• |
Balancetes sintéticos e analíticos antes e após o apuramento de resultados |
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• |
Pareceres a que se referem as als. a) a c) e j) do n.º 6 do artigo 25.º da Lei n.º 50/2012, de 31 de agosto. |
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• |
Reconciliação bancária |
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• |
Mapa dos empréstimos |
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• |
Mapa da locação financeira |
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• |
Mapa das dívidas em mora |
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• |
Certidões emitidas pelos serviços da segurança social e de finanças atestando a regularidade da |
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respetiva situação contributiva |
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• |
Mapa da renegociação, transmissão ou sub-rogação da dívida comercial |
|
• |
Mapa do escalonamento dos pagamentos relativos à dívida total |
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• |
Mapa do prazo médio de pagamentos |
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• |
Mapa das provisões e dos passivos e ativos contingentes |
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• |
Mapa dos derivados para cobertura de riscos financeiros |
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• |
Mapa dos benefícios obtidos e concedidos |
|
• |
Mapa das participações da entidade |
|
• |
Mapa das relações financeiras com a(s) entidade(s) pública(s) participante(s) e empresas locais |
|
• |
Mapa dos recursos humanos, remunerações e outros benefícios |
|
• |
Mapa da contratação administrativa |
• Identificação de fornecedores com os quais tenham sido efetuadas, no exercício a que as contas
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ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
respeitam, transações que representem mais de 5% do total de fornecimentos e serviços externos
|
• |
Mapa da evolução da situação económica e financeira |
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• |
Mapa do escalonamento dos compromissos plurianuais |
|
• |
Relatório de boas práticas de governo societário a que se refere o artigo 54.º da Lei n.º 133/2013, de 3 |
|
de outubro |
|
|
• |
Estatutos, contrato de sociedade e acordos parassociais e de reequilíbrio económico-financeiro |
atualizados
As empresas locais integradas no setor público administrativo, de acordo com a Lei de Enquadramento Orça- mental, que a 31 de dezembro do ano a que as contas respeitam tenham pagamentos em atraso, nos termos da Lei n.º 8/2012, de 21 de fevereiro, devem ainda remeter os seguintes documentos identificados:
|
• |
Mapa de fundos disponíveis a 31 de dezembro do exercício e do exercício anterior |
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• |
Plano de liquidação dos pagamentos em atraso e respetiva execução |
|
• |
Mapa dos pagamentos em atraso do exercício e do exercício anterior |
|
• |
Declaração com a identificação dos recebimentos em atraso existentes em 31 de dezembro |
|
• |
Resumo da execução orçamental |
Os primeiros documentos de prestação de contas das empresas locais a apresentar de acordo com a presente
instrução são os reportados ao exercício de 2013, a prestar em 2014.
Nos casos de dissolução ou liquidação das empresas locais, os responsáveis liquidatários devem remeter, no prazo de 45 dias a contar da data do registo de dissolução e do registo do encerramento da liquidação, nos serviços de registo competentes, respetivamente:
a. A relação nominal dos responsáveis liquidatários, incluindo as moradas, os documentos identificados no anexo I da presente instrução reportados à data da dissolução e o comprovativo do registo da dissolução.
b. As contas finais, o relatório completo da liquidação e, se for o caso, o mapa de partilha do ativo, bem como o comprovativo do registo da liquidação.
3.2.8. ENTIDADES DO SETOR EMPRESARIAL DO ESTADO
De acordo com a Instrução n.º 2/2013 – 2ª Secção, do Tribunal de Contas - Prestação de contas das entidades do setor empresarial do Estado, resumidamente, as entidades:
- Empresas públicas, incluindo EPE;
- Sociedades de economia mista controladas;
- Empresas concessionárias e subconcessionárias: da gestão de empresas púbicas; de sociedades de capitais públicos; de sociedade de economia mista controlada; de obras públicas; e de servi- ços públicos;
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
- Empresas gestoras de serviços públicos;
- E outras mencionadas na instrução, excluindo as empresas locais,
devem remeter ao Tribunal de Contas a seguinte documentação:
- Ata de aprovação de contas e deliberação de aplicação de resultados;
- Relatório de gestão;
- Documentos de prestação de contas previstos na lei;
- Relatório e parecer do órgão de fiscalização e CLC;
- Relação nominal dos responsáveis;
- Lista de participações sociais detidas
A presente instrução aplica-se a partir dos documentos de prestação de contas do exercício de 2013, a prestar em 2014, e inclui outras obrigações pelo que se recomenda a sua consulta.
3.3. RELATÓRIO DE GESTÃO E ANEXO
A estrutura do relatório de gestão que consta do art.º 66º do CSC é comum a todas as sociedades comerciais, ou en- tidades que apliquem aquele código, independentemente da sua dimensão ou sistema de normalização que adotem.
Em relação ao conteúdo do relatório de gestão, e de acordo com o art.º 66.º do CSC, salientam-se os seguintes aspetos:
- O relatório de gestão deve conter, pelo menos, uma exposição fiel e clara da evolução dos negócios, do desempenho e da posição da sociedade, bem como uma descrição dos principais riscos e incertezas com que a mesma se defronta, devendo incluir, quando adequado, uma referência aos montantes ins- critos nas contas do exercício e explicações adicionais relativas a esses montantes;
- Na medida do necessário deve abranger tanto os aspetos financeiros como, quando adequado, referên- cias de desempenho não financeiras relevantes para as atividades específicas da sociedade, incluindo informações sobre questões ambientais e questões relativas aos trabalhadores;
- O relatório deve indicar em especial:
a) A evolução da gestão nos diferentes setores em que a sociedade exerceu atividade, designada- mente no que respeita a condições do mercado, investimentos, custos, proveitos e atividades de investigação e desenvolvimento;
b) Os factos relevantes ocorridos após o termo do exercício;
c) A evolução previsível da sociedade;
d) As aquisições de ações próprias, referindo os motivos de cada aquisição, o número e valor de emissão das ações e o preço de aquisição, bem como o número e valor de emissão de todas as ações próprias em carteira e a fração do capital subscrito que representam;
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
e) As autorizações concedidas a negócios entre a sociedade e os seus administradores, nos termos do art.º 397.º do CSC;
f) Uma proposta de aplicação de resultados devidamente fundamentada;
g) A existência de sucursais da sociedade;
h) Os objetivos e as políticas da sociedade em matéria de gestão dos riscos financeiros, incluindo as políticas de cobertura de cada uma das principais categorias de transações previstas para as quais seja utilizada a contabilização de cobertura, e a exposição por parte da sociedade aos riscos de preço, de crédito, de liquidez e de fluxos de caixa, quando materialmente relevantes para a avaliação dos elementos do ativo e do passivo, da posição financeira e dos resultados, em relação com a utilização dos instrumentos financeiros.
De acordo com o art.º 210º do Código dos Regimes Contributivos do Sistema Previdencial de Segurança So - cial, o relatório de gestão deve incluir ainda informação quanto:
|
• |
ao valor da dívida vencida relativamente à Segurança Social. |
|
• |
às condições em que tenha sido autorizado o pagamento prestacional da dívida à segurança Social. |
O artigo 2.º do DL 534/80, de 07 de novembro, dispõe que nos relatórios de gerência das empresas públicas e nos relatórios de administração das sociedades anónimas, de publicação obrigatória, deverá constar a in- dicação do montante global dos débitos ao setor estatal, cujo pagamento esteja em mora, devendo ainda ser
discriminado no anexo.
O relatório de gestão não é transcrito para a IES. No entanto, é requerida alguma informação sobre o mesmo, designadamente quanto à sua elaboração e assinaturas:
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Anexo ao relatório de gestão
As sociedades anónimas, e apenas estas sociedades, de acordo com os art.º 447.º e 448.º do CSC, em anexo ao relatório anual do órgão de administração, devem ainda prestar a seguinte informação:
1 –
Relativamente a cada um dos membros do órgão de administração e fiscalização:
- Número de ações e de obrigações da sociedade de que são titulares, e bem assim todas as suas aquisições, onerações ou cessações de titulares por qualquer causa, e de ações e de obrigações da mesma sociedade com as quais aquela esteja em relação de domínio ou de grupo;
- O disposto no parágrafo anterior é extensivo às ações e obrigações:
a) Do cônjuge não separado judicialmente;
b) Dos descendentes de menor idade;
c) Das pessoas em cujo nome as ações ou obrigações se encontrem, tendo sido adquiridas por con- ta dos membros do órgão de administração e fiscalização, cônjuges ou descendentes;
d) Pertencentes a sociedade de que as pessoas anteriormente referidas sejam sócios de respon- sabilidade ilimitada, exerçam a gerência, administração ou fiscalização ou possuam, isola-
damente ou em conjunto com pessoas referidas nas alíneas a), b) e c), pelo menos metade do
capital social ou dos votos correspondentes a este;
- Às aquisições ou alienações equiparam-se os contratos de promessa, de opção, de reporte ou outros que produzam efeitos semelhantes;
- São abrangidas as aquisições e alienações em bolsa e as que porventura estejam sujeitas a termo ou condição suspensiva.
A informação a prestar deve fazer menção dos factos enumerados anteriormente, ocorridos durante o exercício a que o relatório respeita, especificando montante das ações ou obrigações negociadas ou one- radas, a data do facto e a contrapartida paga ou recebida.
2 – Lista dos acionistas que, à data de encerramento, forem titulares de ações ao portador não registadas representativas de, pelo menos, um décimo, um terço ou metade do capital de uma sociedade, bem como dos acionistas que tenham deixado de ser titulares das referidas frações do capital.
Para apuramento dos limites referidos, incluem-se igualmente as ações detidas pelas pessoas referidos nas alíneas a), b), c) e d) do ponto anterior.
Anexo
Para além das informações que resultam do SNC e que estão incorporadas nas NCRFs e nas minutas publica- das do Anexo, de acordo com o art.º 66.º-A do CSC, o anexo deverá conter a seguinte informação:
1 - As sociedades devem prestar informação, no anexo às contas:
a) Sobre a natureza e o objetivo comercial das operações não incluídas no balanço e o respetivo impacto financeiro, quando os riscos ou os benefícios resultantes de tais operações sejam relevantes e na medida em que a divulga- ção de tais riscos ou benefícios seja necessária para efeitos de avaliação da situação financeira da sociedade;
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b) Separadamente, sobre os honorários totais faturados durante o exercício financeiro pelo revisor oficial de contas ou pela sociedade de revisores oficiais de contas relativamente à revisão legal das contas anuais, e os honorários totais faturados relativamente a outros serviços de garantia de fiabilidade, os honorários totais faturados a título de consultoria fiscal e os honorários totais faturados a título de outros serviços que não sejam de revisão ou auditoria.
2 - As sociedades que não elaboram as suas contas de acordo com as normas internacionais de contabilidade adotadas nos termos de regulamento comunitário devem ainda proceder à divulgação, no anexo às contas, de informações sobre as operações realizadas com partes relacionadas, incluindo, nomeadamente, os montantes dessas operações, a natureza da relação com a parte relacionada e outras informações necessárias à avaliação da situação financeira da sociedade, se tais operações forem relevantes e não tiverem sido realizadas em con- dições normais de mercado.
3.3.1. EXEMPLO DE RELATÓRIO DE GESTÃO
Relatório de gestão
Considerando os itens que nos termos do art.º 66º do CSC devem ser mencionados, bem como outros que se mostrem úteis para a melhor compreensão da atividade e das contas da empresa, o relatório de gestão abor- dará os seguintes pontos, que poderão ser ajustados à dimensão da entidade:
1. Introdução
2. Enquadramento macroeconómico, externo, interno e do setor da empresa
3. Análise da atividade da empresa
3.1. Rendimentos e gastos
3.2. Ativo, passivo e situação líquida
3.3. Investimento
3.4. Participações financeiras
3.5. Atividades de investigação e desenvolvimento
3.6. Principais riscos e incertezas
4. Questões ambientais
5. Questões relativas aos trabalhadores
6. Existência de sucursais
7. Situação perante a Segurança Social e Estado
8. Factos relevantes ocorridos após o termo do exercício
9. Perspetivas futuras
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10. Gestão dos riscos financeiros
11. Aquisição de ações próprias
12. Negócios entre a sociedade e os seus administradores
13. Proposta de aplicação de resultados
3.3.2. EXEMPLO DE ANEXO AO RELATÓRIO DE GESTÃO
ANEXO AO RELATÓRIO DE GESTÃO
1. Participação dos membros dos órgãos de Administração e de Fiscalização no Capital Social da empresa Nos termos do Artigo 447º, do Código das Sociedades Comerciais, informa-se que a participação dos órgãos de Administração e de Fiscalização no Capital Social é a seguinte:
- Conselho de Administração
Xxxx Xxxx Xxxx
___
ações
(Se existir movimento no período, incluir quadro com títulos iniciais, movimento ocorrido no período e títulos
finais)
2. Relação dos Acionistas com ações representativas de, pelo menos, um décimo, um terço ou metade do Capital Social. Nos termos do Artigo 448º, do Código das Sociedades Comerciais, informa-se os Acionistas titulares de, pelo menos, um décimo do Capital Social:
|
|||
|
ações |
|||
|
, |
de |
de 20 __. |
|
O Conselho de Administração
3.4. OUTRAS FORMALIDADES
Assinaturas
O relatório de gestão e as contas do exercício devem ser assinados por todos os membros da administração;
a recusa de assinatura por qualquer deles deve ser justificada no documento a que respeita e explicada pelo
próprio perante o órgão competente para a aprovação, ainda que já tenha cessado as suas funções (n.º 3 do
artigo 65.º CSC).
O TOC deve assinar as demonstrações financeiras, não assinando o relatório de gestão que é da competência
exclusiva dos órgãos de gestão da entidade.
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O relatório de gestão e as contas do exercício são elaborados e assinados pelos gerentes ou administradores
que estiverem em funções ao tempo da apresentação, mas os antigos membros da administração devem
prestar todas as informações que para esse efeito lhes forem solicitadas, relativamente ao período em que
exerceram aquelas funções.
Prazo para prestar contas
O art.º 65.º do Código das Sociedades Comerciais - Dever de relatar a gestão e apresentar contas, refere que
os membros da administração devem elaborar e submeter aos órgãos competentes da sociedade o relatório de
gestão, as contas do exercício e demais documentos de prestação de contas previstos na lei no prazo de três
meses a contar da data do encerramento de cada exercício, ou no prazo de cinco meses a contar da mesma
data quando se trate de sociedades que devam apresentar contas consolidadas ou que apliquem o método da
equivalência patrimonial.
Os prazos referidos no parágrafo anterior referem-se às datas em que os documentos têm que ser submetidos
para aprovação em assembleia Geral (no caso de sociedades). De facto, os documentos de prestação de contas,
incluindo a certificação legal das contas se aplicável, têm que estar preparados e disponíveis para consulta
dos detentores de capital pelo menos 15 dias antes da Assembleia Geral de aprovação de contas. Ver ponto
3.6. abaixo.
Disponibilização das contas a terceiros
O artigo 70.º do CSC dispõe que as sociedades devem disponibilizar, gratuitamente, na sua sede e no site na
internet, quando exista, cópia dos seguintes documentos:
- Relatório de gestão;
- Relatório sobre a estrutura e as práticas de governo societário;
- Certificação legal das contas;
- Parecer do órgão de fiscalização, quando exista.
Chama-se assim a atenção para o facto de as sociedades que tenham presença na internet, terem que disponi-
bilizar no seu site a informação referida no parágrafo anterior.
3.5. REGISTO/DEPÓSITO DAS CONTAS
O art.º 70.º do CSC dispõe ainda que a informação respeitante às contas e demais documentos de prestação de
contas, devidamente aprovados, está sujeita a registo comercial, nos termos da lei respetiva.
A alínea n) do art.º 3.º do Código do Registo Comercial (CRC) estabelece que estão sujeitos a registo a presta-
ção de contas das sociedades anónimas, por quotas e em comandita por ações, bem como das sociedades em
nome coletivo e em comandita simples quando houver lugar a depósito, e de contas consolidadas de socieda-
des obrigadas a prestá-las.
O artigo 42.º do Código do Registo Comercial vem referir que o registo da prestação de contas consiste no
depósito, por transmissão eletrónica de dados e de acordo com os modelos oficiais previstos em legislação
especial, da informação constante dos seguintes documentos:
a) Ata de aprovação das contas do exercício e da aplicação dos resultados;
b) Balanço, demonstração dos resultados e anexo;
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
c) Certificação legal das contas;
d) Parecer do órgão de fiscalização, quando exista.
Relativamente às contas consolidadas, o registo da prestação de contas consiste no depósito, por transmissão
eletrónica de dados e de acordo com os modelos oficiais previstos em legislação especial, da informação cons-
tante dos seguintes documentos:
a) Ata da deliberação de aprovação das contas consolidadas do exercício, de onde conste o montante dos
resultados consolidados;
b) Balanço consolidado, demonstração consolidada dos resultados e anexo;
c) Certificação legal das contas consolidadas;
d) Parecer do órgão de fiscalização, quando exista.
Relativamente às empresas públicas, a informação respeitante à deliberação da assembleia geral é substituí-
da pela informação referente aos despachos de aprovação do ministro das Finanças e do ministro da tutela
e a respeitante à certificação legal das contas é substituída pela referente ao parecer da Inspeção-Geral de
Finanças.
Relativamente às representações permanentes em Portugal de sociedades com sede no estrangeiro, a ata de
aprovação é substituída por declaração da entidade representada.
Assim, no caso das sociedades, o registo comercial (depósito) das contas consubstancia-se na entrega da In-
formação Empresarial Simplificada (IES) e respetivo pagamento do depósito.
O prazo para o depósito das contas 6 é o 15.º dia do 7.º mês posterior à data do termo do período económico,
ou seja, a data limite da entrega da IES e tem um custo de 80 euros. O registo fora do prazo previsto implica o
pagamento do valor em dobro.
Para além do tratamento da informação para efeitos estatísticos, cujo resultado pode ser consultado no Portal
Estatístico de Informação Empresarial do Instituto dos Registos e Notariado (IRN) 7 , o registo e depósito têm
um caráter público, podendo, qualquer pessoa, pedir certidões dos atos de registo e dos documentos arquiva-
dos, bem como obter informações verbais ou escritas sobre o conteúdo de uns e outros (art.º 73.º CRC).
O registo das contas fora do prazo previsto (15 de julho do ano seguinte, para as empresa com período de
tributação coincidente com o ano civil) implica o pagamento dos valores em dobro. (art.º 17º CRC), para
além do facto de obstar ao registo de outros factos sobre a entidade, com exceção:
|
• |
dos registos de designação e cessação de funções, por qualquer causa que não seja o decurso do tem- |
|
po, dos membros dos órgãos de administração e de fiscalização; |
|
|
• |
de atos emanados de autoridade administrativa; |
|
• |
das ações, decisões, procedimentos e providências cautelares previstas no art.º 9.º; |
|
• |
bem como do arresto, arrolamento e penhora de quotas ou direitos sobre elas, outros atos ou provi- |
|
dências que afetem a sua livre disposição; e |
|
|
• |
quaisquer outros registos a efetuar por depósito. |
6 Art.º 15.º do CRC.
7 www.estatisticasempresariais.mj.pt/
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
A falta de registo durante dois anos consecutivos é motivo para ser instaurado oficiosamente pelo Conserva-
dor um procedimento administrativo de dissolução da empresa/entidade.
3.6. ASSEMBLEIA GERAL DE APROVAÇÃO CONTAS
Alguns aspetos formais das assembleias gerais e na elaboração das respetivas atas:
1 – Convocatória 8 :
- Sociedades por quotas (art.º 248.º n.º 3 do CSC) - A convocação compete a qualquer dos gerentes e deve ser feita por meio de carta registada, expedida com a antecedência mínima de quinze dias, a não ser que a lei ou o contrato de sociedade exijam outras formalidades ou estabeleçam prazo mais longo;
- Sociedades anónimas (art.º 377.º e 376.º n.º 2 do CSC) - As assembleias gerais são normalmente convo - cadas pelo presidente da mesa (no caso da assembleia geral anual, a pedido do conselho de administra- ção), devendo a convocatória ser publicada (portal do Ministério da Justiça). O contrato de sociedade pode exigir outras formas de comunicação aos acionistas. Se as ações forem nominativas a convocató - ria pode ser efetuada por cartas registadas ou, em relação aos acionistas que comuniquem previamente o seu consentimento, por correio eletrónico com recibo de leitura. Entre a última divulgação e a data da reunião da assembleia deve mediar, pelo menos, um mês, ou se a convocatória for através de expedição de carta registada ou correio eletrónico, pelo menos, 21 dias.
Dispensa de convocatória:
Podem os sócios ou acionistas, em qualquer tipo de sociedade e de acordo com o art.º 54.º do CSC, reunir-
-se em assembleia geral, sem observância de formalidades prévias, desde que todos 9 estejam presentes
e todos manifestem a vontade de que a assembleia se constitua e delibere sobre determinado assunto,
devendo tal facto ficar registado na própria ata.
2 – Prazo e ordem do dia da assembleia geral anual de aprovação de contas (art.º 65.º n. 5 e 376.º do CSC)
A assembleia geral dos acionistas deve reunir no prazo de três meses a contar da data do encerramento do
exercício ou no prazo de cinco meses a contar da mesma data quando se trate de sociedades que devam apre-
sentar contas consolidadas ou que apliquem o método da equivalência patrimonial.
Da ordem do dia deve constar:
a) Deliberar sobre o relatório de gestão e as contas do exercício;
b) Deliberar sobre a proposta de aplicação de resultados;
c) Proceder à apreciação geral da administração e fiscalização da sociedade (se sociedade anónima);
d) Proceder às eleições que sejam da sua competência (órgãos sociais).
8 A convocatória deve conter, pelo menos (art.º 377.º n. 5 do CSC):
a) A identificação completa da sociedade;
b) O lugar, o dia e a hora da reunião;
c) A indicação da espécie, geral ou especial, da assembleia;
d) Os requisitos a que porventura estejam subordinados a participação e o exercício do direito de voto;
e) A ordem do dia;
f) No caso de voto por correspondência, descrição do modo como o mesmo se processa.
9 Devem estar presentes os sócios/acionistas representantes da totalidade do capital social.
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ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
A partir do dia em que seja expedida a convocatória nas sociedades por quotas, ou nos 15 dias anteriores à data
da assembleia nas sociedades anónimas, devem ser facultados aos sócios ou acionistas os documentos de pres-
tação de contas, incluindo a certificação legal das contas e outros pareceres, quando aplicável. Se a sociedade
tiver site da internet, devem também estar aí disponíveis a partir da mesma data (art.ºs 263.º e 289.º do CSC).
3 – Quem deve estar presente
Tratando-se de uma assembleia geral universal nos termos do art.º 54.º do CSC, devem estar presentes os
sócios/acionistas representantes da totalidade do capital social da entidade.
Para além dos sócios/acionistas devem também estar presentes, de acordo com o n. 4 do art.º 379.º do CSC, os
administradores, os membros do conselho fiscal ou do conselho geral e de supervisão e, na assembleia anual,
os revisores oficiais de contas que tenham examinado as contas.
Nas sociedades por quotas, conforme dispõe o n. 4 do art.º 248.º do CSC, salvo disposição diversa do contrato
de sociedade, a presidência de cada assembleia geral pertence ao sócio nela presente que possuir ou represen-
tar maior fração de capital, preferindo-se, em igualdade de circunstâncias, o mais velho.
Nas sociedades anónimas, de acordo com o art.º 374.º do CSC, a mesa da assembleia geral é constituída, pelo
menos, por um presidente e um secretário. No silêncio do contrato, na falta de pessoas eleitas nos termos
do número anterior ou no caso de não comparência destas, serve de presidente da mesa da assembleia geral
o presidente do conselho fiscal, da comissão de auditoria ou do conselho geral e de supervisão e de secretá-
rio um acionista presente, escolhido por aquele. Se todos faltarem, preside à assembleia geral um acionista,
por ordem do número de ações de que sejam titulares; caso se verifique igualdade de número de ações, deve
atender-se, sucessivamente, à maior antiguidade como acionista e à idade.
4 – Elaboração das atas das assembleias gerais
Deve ser lavrada uma ata de cada reunião da assembleia geral. De acordo com o disposto no n. 2 do art.º 63.º
do CSC, as atas devem conter, pelo menos:
a) A identificação da sociedade, o lugar, o dia e a hora da reunião;
b) O nome do presidente e, se os houver, dos secretários;
c) Os nomes dos sócios presentes ou representados e o valor das quotas ou ações de cada um, salvo nos ca- sos em que a lei mande organizar lista de presenças (sociedades anónimas), que deve ser anexada à ata;
d) A ordem do dia;
e) Referência aos documentos e relatórios submetidos à assembleia;
f) O teor das deliberações tomadas;
g) Os resultados das votações;
h) O sentido das declarações dos sócios, se estes o requererem.
Nas sociedades por quotas as atas devem ser assinadas por todos os sócios que nelas tenham participado (n.
6 do art.º 248.º do CSC).
Nas sociedades anónimas, as atas das reuniões da assembleia geral devem ser redigidas e assinadas por quem
nelas tenha servido como presidente e secretário. (art.º 388.º do CSC).
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Lista de presenças
De acordo com o disposto no art.º 382.º do CSC, nas assembleias gerais das sociedades anónimas, o presidente
da mesa da assembleia geral deve mandar organizar a lista dos acionistas que estiverem presentes e represen-
tados no início da reunião.
A lista de presenças deve indicar:
a) O nome e o domicílio de cada um dos acionistas presentes;
b) O nome e o domicílio de cada um dos acionistas representados e dos seus representantes;
c) O número, a categoria e o valor de emissão das ações pertencentes a cada acionista presente ou representado.
Informação da ata que consta da IES
A ata de aprovação das contas do exercício e da aplicação dos resultados, é um dos elementos necessários para
efetuar o depósito das contas, conforme dispõe o art.º 42º do CRC.
No entanto esta informação não é transcrita na íntegra para a IES, sendo prestada alguma informação quanto à ata:
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
3.6.1. EXEMPLOS DE ATAS DE APROVAÇÃO DE CONTAS
3.6.1.1. SOCIEDADE POR QUOTAS
ATA N.º __
Aos
__
dias do mês de março de 20
__
,
pelas
__
horas, na sua sede social sita na ____________________
,
“
reuniram em Assembleia Geral Anual os sócios da sociedade por quotas _______________
,
Lda.”, com o número de
pessoa coletiva e de matriculada na Conservatória do Registo Comercial
___________
, com o capital social integral-
mente realizado de
euros.
_____________
Esta assembleia constituiu-se nos termos do artigo 54.º do Código das Sociedades Comerciais, por vontade
expressa manifestada pelos sócios que representavam a totalidade do capital social: __________________________
titular duma quota do valor nominal de
_________________
euros e
____________________
titular duma quota do
valor nominal de
euros.
_______________
Esteve ainda presente o Revisor Oficial de Contas ______________.
Os sócios reunidos manifestaram de imediato vontade em que esta Assembleia se constituísse e deliberasse sobre
os assuntos constantes da ordem de trabalhos, pelo que declararam aberta a sessão, passando à leitura da ordem
de trabalhos desta Assembleia que era do seguinte teor:
Ponto um: Deliberar sobre o relatório de gestão e as contas de exercício de 20 ; __
Ponto dois: Deliberar sobre a aplicação dos resultados do exercício de 20 __.
Presidiu à Assembleia o sócio maioritário ___________________
,
que usando da palavra procedeu à leitura dos
relatórios apresentados pela Gerência, que depois de analisados e comentados foram postos à votação juntamente
com as contas do exercício de dois mil e
______
,
tendo em consequência resultado as seguintes deliberações:
Quanto ao primeiro ponto da ordem de trabalhos foi aprovado por unanimidade o relatório de gestão e as contas
do exercício de 20 ; __
Quanto ao segundo ponto da ordem de trabalhos, foi analisada a proposta apresentada pela Gerência sobre a
aplicação dos resultados líquidos positivos do período de dois mil e
______
,
no montante de
______
€ (
______________
euros e
________
cêntimos), tendo sido aprovado por unanimidade a seguinte aplicação:
-
Reservas Legais,
________
€ (
___________
euros);
-
Reservas Livres,
________
€ (
______________
euros);
-
Reserva especial – lucros retidos e reinvestidos,
________
€ (
______________
euros);
-
Resultados Transitados,
_________
€ (
______________
euros).
Nada mais havendo a tratar, foi encerrada a Assembleia Geral quando eram
______
horas, passando a lavrar-se a
presente ata, que depois de lida e considerada conforme, vai ser assinada por todos os sócios presentes.
3.6.1.2. SOCIEDADE ANÓNIMA, COM CONVOCATÓRIA, COM GRATIFICAÇÃO DE BA - LANÇO E COM MEP
ATA N.º __
Aos
__
dias do mês de
____
de 20
__
,
pelas
__
horas, na sua sede social sita na
___________________
,
reu-
“
niram em Assembleia Geral Anual os acionistas da sociedade anónima _______________
,
SA.”, com o número de
pessoa coletiva e de matriculada na Conservatória do Registo Comercial
___________
,
e com o capital social inte-
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ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
gralmente realizado de
_____________
euros, de acordo com a convocatória de
__
de fevereiro de 20
__
,
publicada no
sítio do Ministério da Justiça (www.publicacoes.mj.pt).
A Mesa constituiu-se com o seu Presidente
________________
e Secretário
______________
,
verificando-se estarem
presentes os membros do Conselho de Administração:
Presidente –
Vogais –
Esteve ainda presente o Fiscal Único,
___________
,
SROC, representado por ________________.
O Presidente da Mesa verificou estarem presentes e/ou representados os acionistas constantes da lista de
|
presenças, titulares de |
ações correspondentes a __ |
% |
do capital social, às quais cabe igual número de votos, |
|
|
conforme dispõe o Artigo __. |
º dos estatutos, pelo que, rubricando a lista de presenças que é parte integrante desta |
|||
ata, declarou que a assembleia se encontra regularmente constituída e em condições de validamente deliberar sobre
a matéria constante da ordem de trabalhos que é do seguinte teor:
Ponto um: Deliberar sobre o relatório de gestão e as contas do exercício de 2014;
Ponto dois: Deliberar sobre a proposta de aplicação de resultados;
Ponto três: Proceder à apreciação geral da administração e fiscalização da Sociedade;
Ponto quatro: Proceder à eleição do órgãos sociais para o quadriénio
___
a ___.
Iniciando na ordem de trabalhos, o Presidente da Mesa deu a palavra ao Presidente do Conselho de Administração
que, entrando no primeiro ponto da ordem de trabalhos, procedeu à leitura e apresentação dos relatórios apre-
sentados pelo Conselho de Administração e pelo Fiscal Único, que depois de analisados e comentados foram postos
à votação juntamente com as contas do exercício de
________.
Em consequência, foram aprovados por unanimidade
o relatório de gestão e as contas do exercício de
________
;
Relativamente ao segundo ponto da ordem de trabalhos, foi analisada a proposta apresentada pelo Conselho de
Administração sobre a aplicação dos resultados do exercício, que é do seguinte teor:
“Proposta de Aplicação de Resultados
Tendo-se verificado no exercício um desempenho que proporcionou um resultado que justifica conceder uma grati-
ficação aos trabalhadores, o Conselho de Administração propõe que seja atribuída uma gratificação de balanço no
montante de
euros.
_________
Desta forma, propõe aos Senhores Acionistas a seguinte aplicação de resultados:
- Que seja atribuída uma gratificação de balanço aos Trabalhadores, no montante de €
____
(
_____
euros)
e aos Administradores no montante de €
____
( _____
euros), já deduzida ao resultado líquido do exercício; e que
- Ao resultado líquido do exercício no montante de €
_____
( ______
euros), que incluí o montante de € ____
(
_______
euros)
resultante da aplicação do método da equivalência patrimonial (MEP) seja dada a seguinte aplicação:
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ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
|
( ____ |
euro); |
|||
|
( _____ |
euros); |
|||
|
( |
euros); |
|||
|
€ ( ______________ |
euros); |
|||
|
Euros.” |
||||
O Presidente da Mesa pôs a proposta de aplicação de resultados à votação, tendo a mesma sido aprovada por
unanimidade.
Quanto ao terceiro ponto da ordem de trabalhos - apreciação geral da Administração e Fiscalização da Socieda-
de, deu o Presidente da Mesa a palavra ao acionista
_____________
,
o qual propôs à Assembleia Geral a aprovação
de um voto de confiança à ação do Conselho de Administração e do Fiscal Único ao longo do exercício de _______.
Tendo a proposta sido apresentada à votação, foi a mesma aprovada por unanimidade.
Relativamente ao quarto ponto da ordem de trabalhos, o Presidente da Mesa, deu a palavra ao Presidente do
Conselho de Administração que propôs que fossem designados para o mandato de
____
a
____
os seguintes órgãos
sociais:
Mesa da Assembleia Geral: …
Conselho de Administração: …
Fiscal Único: …
Suplente: …
Tendo a proposta sido apresentada à votação, foi a mesma aprovada por unanimidade.
Nada mais havendo a tratar foi encerrada a Assembleia Geral quando eram
______
horas, passando a lavrar-se a
presente ata, que depois de lida e considerada conforme, vai ser assinada nos termos legais.
3.7. CRONOLOGIA DO PROCESSO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS
O processo de encerramento das contas não se inicia na data de fecho do período. Este processo utiliza re-
gistos contabilísticos efetuados durante todo o ano e após o dia 31 de dezembro (data de calendário), desig-
nadamente, os registos contabilísticos associados ao processo de conferência e encerramento das contas,
normalmente executado no início do ano seguinte, mas com referência à data de encerramento.
Na realidade, durante todo o período, as entidades vão procedendo aos registos contabilísticos, contribuindo
para a elaboração de um balancete de situação reportado a 31 de dezembro.
Após obter este balancete, que idealmente seria nos primeiros dias de janeiro, as empresas devem iniciar o
processo de encerramento as contas, que integra duas tarefas em sentido lato: o processo de conferência das
contas e o processo de concretização dos lançamentos de encerramento.
Tentando esquematizar todo este processo, temos a seguinte linha temporal:
29
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
De outra forma, a cronologia do processo de prestação de contas, para entidades que adotem o período econó -
mico coincidente com o ano civil e não tenham disposição diversa nos estatutos é a seguinte:
|
Contas individuais |
Contas Consolidadas ou individuais |
|||
|
Datas limite legais |
sem MEP |
com MEP |
||
|
Soc. quotas |
Soc. anónima |
Soc. quotas |
Soc. anónima |
|
|
Data de encerramento do período |
31-12-2014 |
31-12-2014 |
31-12-2014 |
31-12-2014 |
|
Data do relatório e contas* |
01-03-2015** |
01-03-2015 |
01-05-2015** |
01-05-2015 |
|
Data p/ consulta dos sócios/acionistas |
15-03-2015 |
15-03-2015 |
15-05-2015 |
15-05-2015 |
|
Convocatória da assembleia |
15-03-2015 |
28-02-2015 |
15-05-2015 |
30-04-2015 |
|
Data da assembleia geral anual |
31-03-2015 |
31-03-2015 |
31-05-2015 |
31-05-2015 |
|
Depósito das contas |
15-07-2015 |
15-07-2015 |
15-07-2015 |
15-07-2015 |
*Data indicativa. Os documentos de prestação de contas devem estar disponíveis com antecedência su-
ficiente para o ROC ou Órgão de Fiscalização se pronunciar (emitir CLC ou parecer) até à data em que as
contas têm que estar disponíveis para consulta dos sócios/acionistas.
** No caso de a sociedade não estar sujeita a CLC, a data do relatório e contas pode ser coincidente com
a data de disponibilização dos documentos aos sócios.
30
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
4. NORMATIVOS CONTABILÍSTICOS
Em Portugal, continuam em vigor diversos normativos contabilísticos, os quais são aplicáveis em função da
dimensão, do tipo ou do setor de atividade em que a entidade se enquadra, designadamente:
|
• |
Normas Internacionais de Contabilidade; |
|
• |
Sistema de Normalização Contabilística; |
|
• |
Normalização Contabilística para as Microentidades; |
|
• |
Plano Oficial de Contabilidade para o setor público; |
|
• |
Plano de Contas para as Empresas de Seguros; e |
|
• |
Plano de Contas para o Sistema Bancário |
Normas Internacionais de Contabilidade (IAS)
As normas internacionais de contabilidade, adotadas pela União Europeia (Regulamento (CE) n.º 1606/2002,
do Parlamento Europeu e do Conselho, de 19 de Julho), aplicam-se às seguintes entidades (art.º 4.º do DL
158/2009, de 13 de julho):
1. Entidades cujos valores mobiliários estejam admitidos à negociação num mercado regulamentado (Bolsa);
2. Às contas individuais das entidades cujas contas sejam consolidadas de acordo com o disposto no n.º
1, ficando as suas demonstrações financeiras sujeitas a certificação legal das contas;
3. As restantes entidades, que sejam obrigadas a aplicar o SNC, podem optar por elaborar as suas con- tas consolidadas em conformidade com as normas internacionais de contabilidade, desde que as suas demonstrações financeiras sejam objeto de certificação legal das contas.
4. As entidades que estejam incluídas no âmbito da consolidação de entidades abrangidas pelo n.º 3, e que adotem o SNC, podem também optar por elaborar as respetivas contas individuais em confor- midade com as normas internacionais de contabilidade, ficando as suas demonstrações financeiras sujeitas a certificação legal das contas.
As opções referidas nos n.º 2 a 4 devem ser globais, mantendo-se por um período mínimo de três exercícios.
31
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Sistema de Normalização Contabilística (SNC) 10
O SNC veio substituir o Plano Oficial de Contabilidade (POC) e aplica-se à generalidade das empresas, exceto
se estas aplicarem as IAS ou se estiverem sujeitas à supervisão do Banco de Portugal ou Instituto de Seguros
de Portugal. Entrou em vigor em janeiro de 2010.
No âmbito do SNC, em função da dimensão e do objeto da entidade, aplicam-se as seguintes normas conta-
bilísticas:
|
• |
Normas contabilísticas e de relato financeiro – NCRF; |
|
• |
Norma contabilística e de relato financeiro para pequenas entidades – NCRF-PE; |
|
• |
Normalização contabilística para as entidades do setor não lucrativo - ESNL 11 |
Normalização Contabilística para as Microentidades (NCM) 12
A NCM é um regime simplificado das normas e informações contabilísticas aplicável, por opção, às microentidades.
São microentidades as entidades que não ultrapassam dois dos seguintes três limites (artigo 2.º da Lei n.º
35/2010, de 2 de setembro):
a) Total do balanço: € 500.000;
b) Volume de negócios líquido: € 500.000;
c) Número médio de empregados durante o exercício: 5.
Planos Oficiais de Contabilidade para o setor público
Para os diversos sectores do estado, continuam a aplicar-se os vários Planos Oficiais de Contabilidade para o
setor público, designadamente:
|
• |
Plano Oficial de Contabilidade Pública (POCP); |
|
• |
Plano Oficial de Contabilidade do Ministério da Saúde (POCMS); |
|
• |
Plano Oficial de Contabilidade das Autarquias Locais (POCAL); |
|
• |
Plano Oficial de Contabilidade Pública para o Sector da Educação (POC-Educação); |
|
• |
Plano Oficial de Contabilidade das Instituições Públicas do Sistema de Solidariedade e de Segurança |
Social (POCISSSS).
Apesar de o Despacho n.º 1.507/2014, de 16 de janeiro, referir que o Sistema de Normalização Contabilística
é aplicável às entidades públicas empresariais da área da saúde, o POCMS não foi revogado pelo que continua
em vigor.
10 Aprovado pelo Decreto-Lei 158/2009, de 13 de julho, alterado pela Lei n.º 20/2010, de 23 de agosto.
11 Aprovado pela Lei n.º 35/2010, de 2 de setembro.
12 Aprovado pela Lei n.º 35/2010, de 2 de setembro.
32
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Plano de Contas para as Empresas de Seguros e Plano de Contas para o Sistema Bancário
No que respeita ao setor segurador e bancário, continuam em vigor o Plano de Contas para as Empresas de Se-
guros e o Plano de Contas para o Sistema Bancário que não adotem as normas internacionais de contabilidade.
4.1. SISTEMA DE NORMALIZAÇÃO CONTABILÍSTICA
O SNC tem por base as normas internacionais de contabilidade adotadas pela União Europeia, à data da sua
entrada em vigor, surgindo do processo de uniformização das normas contabilísticas nacionais às normas
contabilísticas comunitárias iniciado com a entrada de Portugal na União Europeia.
Alguns aspetos das normas internacionais não foram adotados por se considerar que não se aplicam à realida-
de nacional e exigirem eventualmente um esforço de prestação de informação excessivo.
O SNC aplica-se às seguintes entidades, exceto se aplicarem as normas internacionais de contabilidade ou se
estiverem sujeitas à supervisão do Banco de Portugal ou Instituto de Seguros de Portugal:
a) Sociedades abrangidas pelo Código das Sociedades Comerciais;
b) Empresas individuais reguladas pelo Código Comercial;
c) Estabelecimentos individuais de responsabilidade limitada;
d) Empresas públicas;
e) Cooperativas, exceto aquelas cujo ramo específico não permita sob qualquer forma, direta ou indireta, a distribuição de excedentes, designadamente as cooperativas de solidariedade social 13 , equiparadas a instituições particulares de solidariedade social e, nessa qualidade, registadas na Direção-Geral da Segurança Social 14 ;
f) Agrupamentos complementares de empresas e agrupamentos europeus de interesse económico.
Ficam dispensadas da aplicação do SNC as pessoas que, exercendo a título individual qualquer atividade co -
mercial, industrial ou agrícola, não realizem na média dos últimos três anos um volume de negócios superior
a € 150 000 € 200.000 (artigo 10.º) (alterado art.º 179.º OE.2014).
O SNC também se aplica às entidades do setor não lucrativo (ESNL), que inclui as cooperativas excluídas na
aliena e) do art.º 3º do DL 158/2009, embora de acordo com normalização contabilística própria, conforme
exposto mais à frente.
Ficam também dispensadas as entidades que cumpram os critérios de microentidades e optem por aplicar a
normalização contabilística das microentidades, exceto se estiverem sujeitas a certificação legal de contas
(por exemplo todas as sociedades anónimas), ou entidades que façam parte do perímetro de consolidação de
uma entidade que elabore demonstrações financeiras consolidadas, que têm que aplicar obrigatoriamente o
SNC. Ver ponto 4.3.
O SNC é composto pelos seguintes instrumentos:
•
Bases para a apresentação de demonstrações financeiras (BADF);
13 Previstas na alínea m) do n.º 1 do artigo 4.º da Lei n.º 51/96, de 7 de setembro.
14 Redação dada pela Lei n.º 66-B/2012, de 31 de dezembro – OE para 2013.
33
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
|
• |
Modelos de demonstrações financeiras (MDF); |
|
• |
Código de contas (CC); |
|
• |
Normas contabilísticas e de relato financeiro (NCRF); |
|
• |
Norma contabilística e de relato financeiro para pequenas entidades (NCRF-PE); |
|
• |
Normas interpretativas (NI). |
4.1.1. ESTRUTURA CONCETUAL
No âmbito do Sistema de Normalização Contabilística foi também publicada a Estrutura Concetual (EC) 15 que
tem como finalidade estabelecer os conceitos que estão subjacentes às demonstrações financeiras. Não é uma
norma contabilística de relato financeiro nem se sobrepõe a estas.
A EC trata do objetivo das demonstrações financeiras, das caraterísticas qualitativas da informação, da defi-
nição, reconhecimento e mensuração dos elementos das demonstrações financeiras e dos conceitos de capital
e manutenção do capital.
No âmbito do encerramento de contas, a estrutura concetual apresenta alguns conceitos que, não se sobre-
pondo às normas contabilísticas, devem estar presentes na preparação e elaboração dos documentos de pres-
tação de contas.
Objetivo das demonstrações financeiras
O objetivo das demonstrações financeiras é o de proporcionar informação acerca da posição financeira, do
desempenho e das alterações na posição financeira de uma entidade que seja útil a um vasto leque de utentes
na tomada de decisões económicas.
Nos utentes das contas incluem-se os investidores atuais e potenciais, empregados, mutuantes, fornecedores
e outros credores, clientes, governo e outros entes públicos e o público.
Pressupostos e caraterísticas qualitativas das demonstrações financeiras
As demonstrações financeiras devem ser preparadas nos pressupostos do regime do acréscimo ou da periodi-
zação económica e da continuidade.
As principais caraterísticas qualitativas devem ser a compreensibilidade, a relevância, a materialidade, a fia-
bilidade, a representação fidedigna, a substância sobre a forma, a neutralidade, a prudência, a plenitude e a
comparabilidade.
Constrangimentos
A tempestividade ou momento em que as demonstrações financeiras são disponibilizadas aos utentes é um aspeto
relevante a ter em consideração. A demora indevida no relato financeiro pode fazer com que este deixe de ser útil.
Por outro lado, a relação custo benefício deve também ser ponderada. Os benefícios da informação devem
exceder os custos de a proporcionar.
15 Publicada no Aviso n.º 15 652/2009, de 07 de setembro.
34
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Assim, tem que haver um balanceamento ou um compromisso apropriado entre o rigor e fiabilidade da infor-
mação e o tempo e o custo que essas caraterísticas acarretam, de forma a ir ao encontro das necessidades dos
utentes das contas.
Elementos das demonstrações financeiras
Os elementos que permitem mensurar a posição financeira de uma entidade num dado momento são:
- Ativo, definido como um recurso controlado pela entidade como resultado de acontecimentos passados e do qual se espera que fluam para a entidade benefícios económicos futuros;
- Passivo, definido como uma obrigação presente da entidade proveniente de acontecimentos passados, da liquidação da qual se espera que resulte um exfluxo de recursos da entidade incorporando benefí- cios económicos; e
- Capital próprio, definido como o interesse residual nos ativos da entidade depois de deduzir todos os seus passivos.
Reconhecimento dos elementos das demonstrações financeiras
O reconhecimento consiste no processo de incorporar no balanço e na demonstração dos resultados um de-
terminado item.
Um item deve ser reconhecido se:
a) for provável que qualquer benefício económico futuro flua para ou da entidade, e
b) o item tiver um custo ou um valor que possa ser mensurado com fiabilidade.
Mensuração dos elementos das demonstrações financeiras
A mensuração é o processo de determinar as quantias monetárias pelas quais os elementos das demonstra-
ções financeiras devam ser reconhecidos e inscritos no balanço e na demonstração dos resultados.
a) Custo histórico – Os ativos são registados pela quantia paga ou pelo justo valor da retribuição dada para os adquirir no momento da sua aquisição.
b) Custo corrente – Os ativos são registados pela quantia que teria que ser paga se o mesmo fosse adqui- rido e pago correntemente. Os passivos são registados pela quantia que seria necessária para liquidar correntemente a obrigação.
c) Valor realizável (de liquidação) – Os ativos são registados pela quantia que possa ser correntemente obtida ao vender o ativo numa alienação ordenada. Os passivos são escriturados pelos seus valores de liquidação; isto é, as quantias que se espera que sejam pagas para liquidar os passivos no decurso normal dos negócios.
d) Valor presente – Os ativos são escriturados pelo valor presente descontado dos fluxos de caixa futuros que se espera que o item gere. Os passivos são escriturados pelo valor presente descontado dos fluxos de caixa futuros que se espera que sejam necessários para liquidar os passivos.
e) Justo valor – Quantia pela qual um ativo pode ser trocado ou um passivo liquidado, entre partes co - nhecedoras e dispostas a isso, numa transação em que não exista relacionamento entre elas.
35
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
4.1.2. PEQUENAS ENTIDADES
As pequenas entidades estão dispensadas de aplicar as 28 NCRF do modelo geral do SNC, aplicando apenas a
norma contabilística e de relato financeiro para pequenas entidades – NCRF-PE.
Enquadram-se no conceito de pequenas entidades 16 as entidades que não ultrapassem dois dos três limites:
a) Total de balanço: € 1.500.000;
b) Total de vendas líquidas e outros rendimentos: € 3.000.000;
c) Número de trabalhadores empregados em média durante o exercício: 50.
A NCRF-PE é de aplicação opcional não podendo ser aplicada a entidades sujeitas a certificação legal de con-
tas ou que integrem o perímetro de consolidação de uma entidade que apresente demonstrações financeiras
consolidadas.
O objetivo deste regime é simplificar o processo contabilístico e de relato financeiro, com princípios de reco -
nhecimento, mensuração e divulgação mais resumidos, diminuindo assim os custos de prestação de informa-
ção destas entidades.
As demonstrações financeiras a apresentar, cujos modelos reduzidos foram publicados na Portaria n.º
986/2009, de 07 de setembro, são:
ü Balanço
ü Demonstração dos resultados por naturezas
ü Demonstração dos resultados por funções (opcional)
ü Anexo
As principais diferenças para o regime geral do SNC (28 NCRF) são:
ü Modelos de Demonstrações financeiras reduzidos, estando dispensadas de apresentar a De- monstração dos fluxos de caixa e a Demonstração das alterações no capital próprio;
ü Não permite o reconhecimento de impostos diferidos, exceto se mensurar os ativos fixos tangíveis pelo método da revalorização;
ü Não prevê a rubrica de propriedades de investimento, pelo que os investimentos em imóveis para rendimento são tratados como ativos fixos tangíveis 17 .
ü Divulgação de informação no anexo mais reduzida.
Sempre que a NCRF-PE não responda a aspetos particulares em matéria de contabilização ou relato financeiro
e a lacuna em causa seja relevante, aplica-se, supletivamente e pela ordem indicada:
16 Definidas no artigo 9.º do Decreto-Lei 158/2009, de 13 de julho, alterado pela Lei n.º 20/2010, de 23 de agosto.
17 Conforme confirma a CNC na resposta à pergunta 16, das perguntas frequentes, disponível no site: http://www.cnc.min- -financas.pt/faqs_empresarial.html
36
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
a) As NCRF e Normas Interpretativas (NI);
b) As Normas Internacionais de Contabilidade aprovadas pela União Europeia;
c) As Normas Internacionais de Contabilidade aprovadas pelo IASB;
4.1.3. ENTIDADES DO SETOR NÃO LUCRATIVO
O Decreto-Lei n.º 36-A/2011, de 09 de março, aprovou o regime da normalização contabilística para as enti-
dades do setor não lucrativo (ESNL). Faz parte integrante do SNC e corresponde à criação de regras contabi-
lísticas próprias, aplicáveis especificamente a estas entidades.
A normalização contabilística para as ESNL aplica-se às entidades que prossigam a título principal uma ati-
vidade sem fins lucrativos e que não possam distribuir aos seus membros ou contribuintes qualquer ganho
económico ou financeiro direto, designadamente associações, fundações e pessoas coletivas públicas de tipo
associativo.
A normalização contabilística das ESNL aplica-se ainda às cooperativas cujo ramo específico não permita sob
qualquer forma, direta ou indireta, a distribuição de excedentes, designadamente as cooperativas de solida-
riedade social 18 , equiparadas a instituições particulares de solidariedade social e, nessa qualidade, registadas
na Direção-Geral da Segurança Social.
Este regime não é aplicável às entidades que apliquem as normas internacionais de contabilidade.
Ficam dispensadas da aplicação da normalização contabilística para as ESNL (opcional), conforme dispõe o
artigo 10.º do Decreto-Lei n.º 36-A/2011, de 9 de março, as entidades cujas vendas e outros rendimentos não
excedam € 150 000 em nenhum dos dois exercícios anteriores, salvo quando integrem o perímetro de conso -
lidação de uma entidade que apresente demonstrações financeiras consolidadas.
Estas entidades ficam obrigadas à prestação de contas em regime de caixa.
A normalização contabilística para as ESNL aplica-se a partir do exercício que se inicie em 1 de Janeiro de
2012, ou em data posterior, podendo estas entidades optar por aplicá-la a partir de 1 de Janeiro de 2011.
A Normalização Contabilística para Entidades do Sector não Lucrativo (NC-ESNL) é composta pelos seguintes
instrumentos:
|
• |
Bases para a apresentação de demonstrações financeiras (BADF); |
|
• |
Modelos de demonstrações financeiras (MDF); |
|
• |
Código de Contas (CC); |
|
• |
Norma contabilística e de relato financeiro para entidades do sector não lucrativo (NCRF-ESNL); |
|
• |
Normas interpretativas (NI). |
As demonstrações financeiras 19 a emitir por estas entidades, são:
18 Previstas na alínea m) do n.º 1 do artigo 4.º da Lei n.º 51/96, de 7 de setembro.
19 Publicadas na Portaria 105/2011, de 14 de março.
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ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
|
• |
Balanço |
|
• |
Demonstração dos Resultados por Naturezas ou por Funções |
|
• |
Demonstração das alterações nos fundos patrimoniais - por opção ou por exigência de entidades |
|
públicas financiadoras; |
|
|
• |
Demonstração dos fluxos de caixa; |
|
• |
Anexo. |
As entidades que apresentem as contas em regime de caixa divulgam a seguinte informação:
|
• |
Pagamentos e recebimentos; |
|
• |
Património fixo; |
|
• |
Direitos e compromissos futuros. |
A NCRF-ESNL segue a mesma estrutura da NCRF-PE, sendo uma adaptação desta norma às entidades do
setor não lucrativo. O código de contas e notas de enquadramento publicadas reportam-se apenas às contas
específicas deste setor, sendo as restantes comuns ao SNC.
Tal como na NCRF-PE, sempre que a NCRF-ESNL não responda a aspetos particulares em matéria de contabili-
zação ou relato financeiro e a lacuna em causa seja relevante, aplica-se, supletivamente e pela ordem indicada:
a) As NCRF e Normas Interpretativas (NI);
b) As Normas Internacionais de Contabilidade aprovadas pela União Europeia;
c) As Normas Internacionais de Contabilidade aprovadas pelo IASB;
4.2. NORMALIZAÇÃO CONTABILÍSTICA PARA MICROENTIDADES
A Lei n.º 35/2010, de 2 de setembro, veio instituir um regime especial simplificado das normas e informações
contabilísticas aplicáveis às microentidades, o qual foi regulado pelo Decreto-Lei n.º 36-A/2011, de 09 de
março, não se enquadrando no Sistema de Normalização Contabilística.
As entidades que adotem este regime ficam dispensadas da entrega dos anexos L, M e Q da informação em-
presarial simplificada (IES) 20 .
São microentidades as entidades definidas no artigo 2.º da Lei n.º 35/2010, de 2 de setembro, designadamente
as que não ultrapassem dois dos seguintes três limites:
a) Total do balanço: € 500.000;
b) Volume de negócios líquido: € 500.000;
c) Número médio de empregados durante o exercício: 5.
20 Dispensa prevista no n.º 2 do artigo 3.º da Lei 35/2010, de 2 de setembro.
38
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Ficam excluídas deste regime as entidades que tenham as suas demonstrações financeiras sujeitas a certifica-
ção legal de contas ou integrem o perímetro de consolidação de uma entidade que apresente demonstrações
financeiras consolidadas, sendo opcional para as restantes.
Em relação às microentidades, as demonstrações financeiras a apresentar, cujos modelos reduzidos foram
publicados na Portaria n.º 104/2011, de 14 de março, são:
ü Balanço
ü Demonstração dos resultados por naturezas
ü Anexo
As principais diferenças para o SNC são:
ü Demonstrações financeiras reduzidas, destacando-se o anexo com apenas 16 notas;
ü Não permite o uso do justo valor;
ü Não permite a revalorização de ativos fixos tangíveis ou ativos intangíveis;
ü Não permite capitalização de encargos com financiamentos (permitido em determinadas circunstâncias no SNC);
ü Os ativos biológicos consumíveis e os produtos agrícolas são reconhecidos como inventários;
ü Os ativos biológicos de produção são tratados como ativos fixos tangíveis.
ü Não permite o reconhecimento de impostos diferidos;
ü Não permite a aplicação do método de equivalência patrimonial nas participações;
ü Não prevê a rubrica de propriedades de investimento, pelo que os investimentos em imóveis para rendimento são tratados como ativos fixos tangíveis.
A estrutura e conteúdo das demonstrações financeiras a apresentar pelas microentidades está prevista na
norma contabilísticas para as microentidades (NC-ME). Contudo, esta Norma acolhe alguns dos conceitos,
definições e procedimentos contabilísticos enunciados no Sistema de Normalização Contabilística, tendo
como base de referência a estrutura conceptual.
A informação que consta no balanço e demonstração dos resultados publicados reporta-se à informação mí-
nima, conforme referem os pontos 4.11. e 4.13. da NC-ME. Assim, e conforme consta da resposta à FAQ 21 da
Comissão de Normalização Contabilística 21 , “desde que relevante/material, podem/devem ser acrescentadas
nas demonstrações financeiras outras rubricas, assim como devem ser eliminadas linhas de itens relativa-
mente aos quais não existam quantias a apresentar”.
Regime simplificado de IRC
Apenas as microentidades que adotem a NCM podem optar pelo regime simplificado de IRC. Uma entidade
que cumpra todos os requisitos para se enquadrar no regime simplificado de IRC previsto no artigo 86-A do
21 http://www.cnc.min-financas.pt/faqs_empresarial.html
39
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Código do IRC, mas adote, por opção, a NCRF-PE ou as NCRF completas, não pode enquadrar-se neste regime,
conforme já sancionado na ficha doutrinária da Autoridade Tributária - Processo 2014 002575, com Despacho
de 2014-10-09, do Diretor-Geral.
4.3. BASES PARA A APRESENTAÇÃO DE DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
As bases para a apresentação de demonstrações financeiras 22 estabelecem requisitos globais que permitem
assegurar a comparabilidade demonstrações financeiras.
As demonstrações financeiras destinam-se a satisfazer as necessidades de informação financeira, para a to -
mada de decisões económicas, dos seus utentes. São uma representação estruturada da posição financeira e
do desempenho financeiro de uma entidade e proporcionam informação sobre:
a) Ativos;
b) Passivos;
c) Capital próprio;
d) Rendimentos (réditos e ganhos);
e) Gastos (gastos e perdas);
f) Outras alterações no capital próprio;
g) Fluxos de caixa
Continuidade
As demonstrações financeiras devem ser apresentadas no pressuposto da continuidade, a menos que o órgão
de gestão pretenda liquidar a entidade ou, face à situação económico e financeira da entidade, não tenha al-
ternativa realista à sua liquidação. Ao avaliar o pressuposto da continuidade deve ser considerado pelo menos
um período de doze meses a partir da data do balanço.
Devem ser divulgadas incertezas ou acontecimentos que coloquem em dúvida a continuidade de uma entidade
e quando as demonstrações financeiras não sejam preparadas no pressuposto da continuidade, esse facto deve
ser divulgado juntamente com os respetivos fundamentos.
Regime de periodização económica ou de acréscimo
Os elementos das demonstrações financeiras (ativos, passivos, capital próprio, rendimentos e gastos) são re-
conhecidos quando satisfaçam as definições e os critérios de reconhecimento contidos na estrutura concep -
tual e NCRF, independentemente das datas de recebimento, pagamento ou de emissão dos documentos.
Consistência de apresentação
Uma entidade deve manter as suas políticas contabilísticas de classificação e de apresentação, de um período
para o outro, para que a comparabilidade das demonstrações financeiras não seja prejudicada.
A consistência de apresentação só deve ser derrogada se, após uma alteração significativa da natureza das
operações ou uma revisão das demonstrações financeiras, se concluir que outra apresentação ou classificação
é mais adequada ou se uma NCRF o determinar.
22 Previstas no ponto 2 do anexo ao Decreto-Lei n.º 158/2009, de 13 de julho.
40
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Materialidade e agregação
Cada classe material de itens semelhantes deve ser apresentada separadamente nas demonstrações finan-
ceiras. Por outro lado, se uma linha de item não for individualmente material, ela deve ser agregada a outros
itens.
Um item que não seja suficientemente material para ser apresentado separadamente na face das demonstra-
ções financeiras pode ser material para ser apresentado separadamente no anexo.
Compensação
Os ativos e passivos, e os rendimentos e gastos não devem ser compensados, exceto quando tal for exigido ou
permitido por uma NCRF, como por exemplo a apresentação das “mais-valias” contabilísticas, que poderá ser
compensada com “menos-valias” contabilísticas.
A compensação de saldos, quando tal não reflita a substância da transação ou outro acontecimento, prejudica
a informação prestada aos utentes e a capacidade destes compreender os acontecimentos passados e avaliar
os fluxos de caixa futuros.
Informação comparativa
Deve ser divulgada informação comparativa em relação ao período anterior de todas as quantias relatadas nas
demonstrações financeiras, a menos que uma NCRF permita o contrário.
Quando a apresentação e a classificação de itens nas demonstrações financeiras sejam emendadas, as quan-
tias comparativas devem ser reclassificadas, a menos que tal seja impraticável.
Quando as quantias comparativas sejam reclassificadas, uma entidade deve divulgar:
a) A natureza da reclassificação;
b) A quantia de cada item ou classe de itens que tenha sido reclassificada;
c) A razão para a reclassificação.
Quando for impraticável reclassificar as quantias comparativas, a entidade deve divulgar o motivo da não
reclassificação e a natureza dos ajustamentos que teriam sido efetuados se as quantias fossem reclassificadas.
Apresentação na demonstração dos resultados de juros e dividendos recebidos
Na estrutura da demonstração dos resultados, que consta da legislação específica, existe uma linha para apre-
sentar a informação sobre “Juros e rendimentos similares obtidos”.
No sentido de esclarecer a informação que se pretende ver inscrita nesta linha, podemos consultar, na respos-
ta à FAQ 26 da Comissão de Normalização Contabilística, que consta do seu site 23 e que refere:
“No modelo da demonstração de resultados por natureza adotado no SNC pretendeu-se proporcionar informação
quanto às diferentes fases de formação do resultado líquido do período, identificando métricas geralmente usadas
na análise financeira. Tem-se, consequentemente: o resultado antes de depreciações, gastos de financiamento e im-
23 http://www.cnc.min-financas.pt/faqs_empresarial.html
41
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
postos (correspondente à sigla anglo saxónica EBITDA), resultado operacional - antes de gastos de financiamento
e impostos - (correspondente à sigla anglo saxónica EBIT) e resultado antes de impostos (correspondente à sigla
anglo saxónica EBT).
O resultado antes de depreciações, gastos de financiamento e impostos, é um indicador que, ao eliminar os efeitos
das decisões de financiamento, permite analisar e comparar o desempenho/rentabilidade entre empresas.
O resultado operacional é um indicador que permite comparações sem ter em conta os efeitos derivados de diferen-
tes estruturas de capital e taxas de imposto.
O resultado antes de impostos permite estabelecer comparações entre entidades sujeitas a diferentes jurisdições fiscais.
Nas métricas supra, sempre se utilizou a expressão “gastos de financiamento” (e não a de resultados financeiros)
para identificar o gasto líquido de financiamento, ou seja, o gasto respeitante ao financiamento contraído pela
empresa, deduzido de eventuais rendimentos financeiros anteriores à sua utilização. Esta mesma posição já havia
sido expressa pela CNC quando no seu site divulgou no documento “Modelo de demonstrações financeiras – Ob-
servações e ligações às NCRF” 24 que a rubrica “Juros e rendimentos similares obtidos” compreende as quantias de
rendimentos obtidos relacionados com o financiamento da entidade.
Assim, a CNC entende que sob a rubrica de “Juros e rendimentos similares obtidos” da demonstração de resultados
por natureza serão inscritas, primordialmente, as quantias que figurem na conta 7915 – Juros, dividendos e
outros rendimentos similares – Juros obtidos – De financiamentos obtidos, devendo nessa rubrica da Demons-
tração de resultados por naturezas ser também considerados outros rendimentos (por exemplo diferenças de
câmbio ou outros) que se relacionem/derivem do financiamento da entidade, de forma a garantir que se respeite o
princípio subjacente ao apuramento do resultado operacional (antes de gastos de financiamento e impostos).”
Ou seja, nos casos dos juros obtidos em resultado de aplicações financeiras efetuadas pela empresa, bem
como os dividendos recebidos, estes apesar de contabilizados numa subconta da conta 79 – Juros, dividendos
e outros rendimentos similares, devem ser apresentados na Demonstração dos Resultados na linha dos outros
rendimentos e ganhos.
Desta forma, apuramos o Resultados antes de gastos de financiamento e impostos, conforme propõe a estru-
tura da Demonstração dos Resultados aprovada na portaria 986/2009, de 07 de setembro.
4.4. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
De acordo com o artigo 11.º do Decreto-Lei n.º 158/2009, de 13 de setembro, as demonstrações financeiras a
apresentar pelas entidades sujeitas ao SNC , cujos modelos foram publicados pela Portaria n.º 986/2009, de
07 de setembro, são:
a) Balanço;
b) Demonstração dos resultados por naturezas;
c) Demonstração dos resultados por funções (opcional);
d) Demonstração das alterações no capital próprio;
e) Demonstração dos fluxos de caixa — método direto;
f) Anexo.
24 ( http://www.cnc.min-financas.pt/SNC_projecto/SNC_MDF_observacoes.pdf )
42
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Conforme já referido nos pontos anteriores:
- As pequenas entidades , que apliquem a NCRF-PE, estão dispensadas de apresentar a demonstração das alterações no capital próprio e a demonstração dos fluxos de caixa, tendo sido publicados na Portaria n.º 986/2009, de 07 de setembro modelos reduzidos das restantes demonstrações.
- As demonstrações financeiras previstas para as ESNL , conforme modelos publicados na Portaria n.º 105/2011, de 14 de março, são:
ü Balanço
ü Demonstração dos resultados por naturezas
ü Demonstração dos resultados por funções
ü Demonstração das alterações nos fundos patrimoniais
ü Demonstração dos fluxos de caixa
ü Anexo
A demonstração das alterações nos fundos patrimoniais é opcional, podendo ser exigida pelas entidades
públicas financiadores.
- Em relação às microentidades, as demonstrações financeiras a apresentar, cujos modelos foram publicados na Portaria n.º 104/2011, de 14 de março, são:
ü Balanço
ü Demonstração dos resultados por naturezas
ü Anexo
A seguir apresenta-se um quadro resumo das demonstrações financeiras a apresentar por tipo de entidade:
|
Limites |
Balanço |
Dem. Resultados |
Dem. Fluxos |
Dem. Alteração |
Anexo |
||
|
(dois dos três) |
Caixa |
Capital Próprio |
|||||
|
Balan. |
> 1.500.000 |
||||||
|
NCRF |
Rend. Trab. Ou com CLC |
> 3.000.000 > 50 |
X |
X |
X |
||
|
Ativo |
≤ 1.500.000 |
||||||
|
NCRF-PE(1) |
Rend. |
≤ 3.000.000 |
|
X |
|||
|
Trab. |
≤ 50 |
||||||
|
Ativo |
≤ 500.000 |
||||||
|
ME(2) |
V.Neg. |
≤ 500.000 |
|
X |
|||
|
Trab. |
≤ 5 |
||||||
|
ESNL |
Rend. |
> 150.000 |
X(3)
|
X(3) |
X |
||
(1) Por opção. Podem aplicar as NCRF. (2) Por opção. Podem optar pelo sistema de normalização contabilística e aplicar a NCRF-PE ou as NCRF. (3) As ESNL podem apresentar a demonstração dos resultados por naturezas ou por funções. A demonstração das alte- rações nos fundos patrimoniais pode ser exigida pelas entidades públicas financiadores, sendo opção para as restantes.
43
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4.5. ESTRUTURA E CONTEÚDO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
A NCRF 1 – Estrutura e conteúdo das demonstrações financeiras prescreve as bases quanto à estrutura e con-
teúdo do balanço, da demonstração dos resultados, da demonstração das alterações no capital próprio e do
anexo para as demonstrações financeiras apresentadas de acordo com o SNC.
Identificação
Um primeiro ponto a ter em atenção é a identificação das demonstrações financeiras. Cada componente deve
mostrar de forma clara e proeminente a seguinte informação:
a) o nome da entidade que relata e qualquer alteração verificada desde a data das demostrações anteriores;
b) se as demonstrações financeiras são individuais ou consolidadas;
c) a data do balanço ou o período abrangido pelas demonstrações financeiras;
d) a moeda de apresentação; e
e) o nível de arredondamento usado na apresentação.
Por outro lado, o artigo 171.º do CSC, vem também referir que as sociedades, em todos os contratos, correspon-
dência, publicações, anúncios e de um modo geral em toda a sua atividade externa, devem indicar claramente:
a) a firma, o tipo e a sede;
b) a conservatória, o seu número de matrícula e de identificação de pessoa coletiva;
c) sendo caso disso, a menção de que a sociedade se encontra em liquidação;
d) o capital social, o montante do capital realizado, se for diverso; e
e) o montante do capital próprio segundo o último balanço aprovado, sempre que este for igual ou infe- rior a metade do capital social.
A informação mínima a apresentar nas demonstrações financeiras é a que consta nos modelos publicados. No
entanto, devem ser acrescentados itens adicionais sempre que a sua materialidade ou relevância o justifique,
ou, no caso do anexo, uma norma o exija.
Balanço
Distinção entre corrente e não corrente
Uma entidade deve separar na face do balanço os ativos e passivos correntes dos ativos e passivos não correntes.
Em termos genéricos, a distinção entre corrente e não corrente está relacionada com o período de doze meses
ou com o decurso normal do ciclo operacional.
Uma quantia deve ser classificada como corrente quando se espera que seja recuperada ou liquidada num pra-
zo inferior a doze meses ou durante o ciclo operacional da entidade.
44
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
O ciclo operacional de uma entidade é o tempo entre a aquisição de ativos para processamento e sua realiza-
ção em caixa ou seus equivalentes. Quando o ciclo operacional normal da entidade não for claramente identi-
ficável, pressupõe-se que a sua duração seja de doze meses.
Ativos correntes
Um ativo deve ser classificado como corrente quando satisfizer qualquer dos seguintes critérios:
a) se espera que seja realizado, ou se pretende que seja vendido ou consumido, no decurso normal do ciclo operacional da entidade;
b) seja detido essencialmente para a finalidade de ser negociado;
c) se espera que seja realizado num período até doze meses após a data do balanço; ou
d) é caixa ou equivalente de caixa, a menos que lhe seja limitada a troca ou uso para liquidar um passivo durante pelo menos doze meses após a data do balanço.
Todos os outros ativos devem ser classificados como não correntes.
Passivos correntes
Um passivo deve ser classificado como corrente quando satisfizer qualquer um dos seguintes critérios:
a) se espere que seja liquidado durante o ciclo operacional normal da entidade;
b) seja detido essencialmente para a finalidade de ser negociado;
c) deva ser liquidado num período até doze meses após a data do balanço; ou
d) a entidade não tenha um direito incondicional de diferir a liquidação do passivo durante pelo menos doze meses após a data do balanço.
Todos os outros passivos devem ser classificados como não correntes.
Demonstração dos resultados
Todos os itens de rendimentos e de gastos reconhecidos num período devem ser incluídos nos resultados a
menos que uma Norma o exija de outro modo.
Uma entidade não deve apresentar itens de rendimento e de gasto como itens extraordinários, quer na face da
demonstração dos resultados quer no anexo.
Os itens a apresentar na demonstração dos resultados deverão basear-se numa classificação que atenda à sua
natureza, podendo, adicionalmente, ser apresentada uma demonstração de resultados em que a classificação
dos itens se baseie na sua função dentro da entidade.
Demonstração das alterações no capital próprio (apenas se aplica às entidades que utilizem o SNC inte-
gral, ou seja composto pelas 28 normas)
As alterações no capital próprio de uma entidade entre duas datas de balanço refletem o aumento ou a redução
nos seus ativos líquidos durante o período.
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Com a exceção das alterações resultantes de transações com detentores de capital próprio, a alteração glo -
bal no capital próprio durante um período representa a quantia total de rendimentos e gastos gerados pelas
atividades da entidade (quer esses itens de rendimentos e de gastos sejam reconhecidos nos resultados ou
diretamente como alterações no capital próprio).
Esta demonstração financeira introduz o conceito de resultado integral que resulta da agregação direta do
resultado líquido do período com todas as variações ocorridas em capitais próprios não diretamente relacio -
nadas com os detentores de capital, agindo enquanto tal.
Anexo
O anexo deve:
a) Apresentar informação acerca das bases de preparação das demonstrações financeiras e das políticas contabilísticas usadas;
b) Divulgar a informação exigida pelas NCRF; e
c) Proporcionar informação adicional que não seja apresentada na face do balanço, na demonstração dos resultados, na demonstração das alterações no capital próprio ou na demonstração dos fluxos de caixa, mas que seja relevante para uma melhor compreensão de qualquer uma delas.
As notas do anexo devem ser apresentadas de uma forma sistemática, eliminando-se as notas não aplicáveis.
As notas de 1 a 4 (1 a 3 no modelo reduzido) são obrigatórias, destinando-se à identificação da entidade, refe-
rencial contabilístico, principais políticas contabilísticas e fluxos de caixa.
Cada item na face do balanço, na demonstração dos resultados, na demonstração das alterações no capital
próprio e na demonstração dos fluxos de caixa, que tenha merecido uma nota no anexo, deve ter uma refe-
rência cruzada.
Principais fontes de incerteza das estimativas
Uma entidade deve divulgar, no anexo, informação acerca dos principais pressupostos relativos ao futuro, e
outras principais fontes da incerteza das estimativas à data do balanço, que tenham um risco significativo de
provocar um ajustamento material nas quantias escrituradas de ativos e passivos durante o período contabi-
lístico seguinte.
4.6. CONSOLIDAÇÃO DE CONTAS
Obrigatoriedade de elaborar contas consolidadas
De acordo com o art.º 6.º do Decreto-Lei n.º 158/2009, de 13 de julho:
1 — Qualquer empresa mãe sujeita ao direito nacional é obrigada a elaborar demonstrações financeiras con-
solidadas do grupo constituído por ela própria e por todas as subsidiárias, sobre as quais:
a) Independentemente da titularidade do capital, se verifique que, em alternativa:
i) Possa exercer, ou exerça efetivamente, influência dominante ou controlo;
ii)
Exerça a gestão como se as duas constituíssem uma única entidade;
46
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
b) Sendo titular de capital, quando ocorra uma das seguintes situações:
i) Tenha a maioria dos direitos de voto, exceto se for demonstrado que esses direitos não conferem o controlo;
ii)
Tenha o direito de designar ou de destituir a maioria dos titulares do órgão de gestão de uma enti-
dade com poderes para gerir as políticas financeiras e operacionais dessa entidade;
iii) Exerça uma influência dominante sobre uma entidade, por força de um contrato celebrado com esta
ou de uma outra cláusula do contrato social desta;
iv) Detenha pelo menos 20 % dos direitos de voto e a maioria dos titulares do órgão de gestão de uma
entidade com poderes para gerir as políticas financeiras e operacionais dessa entidade, que tenham
estado em funções durante o exercício a que se reportam as demonstrações financeiras consolida-
das, bem como, no exercício precedente e até ao momento em que estas sejam elaboradas, tenham
sido exclusivamente designados como consequência do exercício dos seus direitos de voto;
v) Disponha, por si só ou por força de um acordo com outros titulares do capital desta entidade, da
maioria dos direitos de voto dos titulares do capital da mesma.
2 — Para efeitos do disposto nas subalíneas i), ii), iv) e v) da alínea b) do número anterior, aos direitos de voto,
de designação e de destituição da empresa mãe devem ser adicionados os direitos de qualquer outra subsidiá-
ria e os das subsidiárias desta, bem como os de qualquer pessoa agindo em seu próprio nome, mas por conta
da empresa mãe ou de qualquer outra subsidiária.
3 — Para os mesmos efeitos, aos direitos indicados no número anterior devem ser deduzidos os direitos relativos:
a) Às partes de capital detidas por conta de uma entidade que não seja a empresa mãe ou uma subsidiária; ou
b) Às partes de capital detidas como garantia, desde que os direitos em causa sejam exercidos em confor- midade com as instruções recebidas ou que a posse destas partes seja para a entidade detentora uma operação decorrente das suas atividades normais, em matéria de empréstimos, com a condição de que os direitos de voto sejam exercidos no interesse do prestador da garantia.
4 — Ainda para os efeitos do disposto nas subalíneas i), iv) e v) da alínea b) do n.º 1, à totalidade dos direitos de
voto dos titulares do capital da entidade subsidiária devem deduzir-se os direitos de voto relativos às partes de
capital detidas por essa entidade, por uma subsidiária desta ou por uma pessoa que atue no seu próprio nome,
mas por conta destas entidades.
Dispensa da elaboração de contas consolidadas
De acordo com o art.º 7.º do mesmo diploma:
1 — Uma empresa mãe fica dispensada de elaborar as demonstrações financeiras consolidadas quando, na
data do seu balanço, o conjunto das entidades a consolidar, com base nas suas últimas contas anuais aprova-
das, não ultrapasse dois dos três limites a seguir indicados:
a) Total do balanço: € 7 500 000;
b) Total das vendas líquidas e outros rendimentos: € 15 000 000;
c) Número de trabalhadores empregados em média durante o exercício: 250.
47
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
2 — A dispensa da obrigação de elaborar contas consolidadas só ocorre quando dois dos limites definidos no
número anterior se verifiquem durante dois exercícios consecutivos.
3 — Não obstante o disposto nos números anteriores, é ainda dispensada da obrigação de elaborar contas con-
solidadas qualquer empresa mãe que seja também uma subsidiária, quando a sua própria empresa mãe esteja
subordinada à legislação de um Estado membro da União Europeia e:
a) Seja titular de todas as partes de capital da entidade dispensada, não sendo tidas em consideração as partes de capital desta entidade detidas por membro dos seus órgãos de administração, de direção, de gerência ou de fiscalização, por força de uma obrigação legal ou de cláusulas do contrato de sociedade; ou
b) Detenha 90 %, ou mais, das partes de capital da entidade dispensada da obrigação e os restantes titu- lares do capital desta entidade tenham aprovado a dispensa.
4 — A dispensa referida no número anterior depende da verificação das seguintes condições:
a) A entidade dispensada, bem como todas as suas subsidiárias, serem consolidadas nas demonstrações financeiras de um conjunto mais vasto de entidades cuja empresa mãe esteja sujeita à legislação de um Estado membro da União Europeia;
b) As demonstrações financeiras consolidadas referidas na alínea anterior, bem como o relatório consoli- dado de gestão do conjunto mais vasto de entidades, serem elaborados pela empresa mãe deste conjun- to e sujeitos a revisão legal segundo a legislação do Estado membro a que ela esteja sujeita, adaptada à Diretiva n.º 83/349/CEE, de 13 de junho;
c) As demonstrações financeiras consolidadas referidas na alínea a) e o relatório consolidado de gestão referido na alínea anterior, bem como o documento de revisão legal dessas contas, serem objeto de publicidade por parte da empresa dispensada, em língua portuguesa.
5 — As dispensas referidas não se aplicam caso uma das entidades a consolidar seja uma sociedade cujos
valores mobiliários tenham sido admitidos ou estejam em processo de vir a ser admitidos à negociação num
mercado regulamentado de qualquer Estado membro da União Europeia.
6 – É ainda dispensada de elaborar contas consolidadas a empresa mãe que apenas possua subsidiárias que
não sejam materialmente relevantes.
Exclusões da consolidação
O art.º 8.º do referido diploma dispõe:
1 — Uma entidade pode ser excluída da consolidação quando não seja materialmente relevante para a reali-
zação do objetivo de as demonstrações financeiras darem uma imagem verdadeira e apropriada da posição
financeira, do desempenho financeiro e dos fluxos de caixa do conjunto das entidades compreendidas na
consolidação.
2 — Quando duas ou mais entidades estejam nas circunstâncias referidas no número anterior, mas sejam, no
seu conjunto, materialmente relevantes para o mesmo objetivo devem ser incluídas na consolidação.
3 — Uma entidade pode também ser excluída da consolidação sempre que:
48
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a) Restrições severas e duradouras prejudiquem substancialmente o exercício pela empresa mãe dos seus direitos sobre o património ou a gestão dessa entidade;
b) As partes de capital desta entidade tenham sido adquiridas exclusivamente tendo em vista a sua cessão posterior, e enquanto se mantenham classificadas como detidas para venda.
4 — Uma subsidiária não é excluída da consolidação pelo simples facto de as suas atividades empresariais
serem dissemelhantes das atividades das outras entidades do grupo.
5 — O disposto nos números anteriores não se aplica quando as demonstrações financeiras consolidadas se-
jam preparadas de acordo com as normas internacionais de contabilidade adotadas pela UE.
Entidades do setor não lucrativo - ESNL
Em relação às entidades do setor não lucrativo (ESNL) a obrigatoriedade, dispensa e exclusão da consolidação
de contas, está prevista nos art.ºs 7.º, 8.º e 9.º do Decreto-Lei n.º 36-A/2011, de 9 de março, ocorrendo, gene-
ricamente, no termos previstos no Decreto-Lei n.º 158/2009, de 13 de julho, referido anteriormente, com as
necessárias adaptações.
Os limites para a dispensa da elaboração de contas consolidadas são:
a) Total do balanço: € 5 000 000;
b) Total das vendas líquidas e outros rendimentos: € 10 000 000;
c) Número de trabalhadores empregados em média durante o exercício: 250.
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
5. OPERAÇÕES ANTERIORES AO ENCERRAMENTO DAS CONTAS
5.1. CONFERÊNCIA DOS SALDOS INCLUÍDOS NO BALANCETE REPORTADO A 31 DE DEZEMBRO
Antes de iniciar o processo de encerramento das contas, com os lançamentos de fim do período, exemplifica-
dos no ponto 6, e preparação das demonstrações financeiras, já tratadas nos pontos anteriores, é necessário
conferir os saldos incluídos no balancete do final do período e que resume os registos contabilísticos efetua-
dos ao longo do ano.
As demonstrações financeiras são elaboradas tendo por base balancetes de situação reportados ao final do
período (normalmente 31 de dezembro) e para se garantir que estas estão isentas de erros e distorções, tem
que haver confiança nos saldos apresentados naquele balancete.
Este processo não tem que ser efetuado apenas no final do período de relato, podendo, e devendo, ser realizado
ao longo do ano, por exemplo trimestralmente. Alguns procedimentos, como a conciliação bancária ou análi-
se das contas do estado, podem mesmo justificar-se que sejam efetuados mensalmente.
O processo de conferência dos saldos apresentados no balancete poderá ficar organizado num dossier (em pa-
pel ou informático), do Técnico Oficial de Contas ou da empresa, no qual serão arquivadas as provas das suas
conferências, para qualquer consulta futura.
Dada a responsabilidade atual dos TOC, é recomendada, com a frequência adequada à dimensão e risco da
entidade, a conferência das contas do Estado e da Segurança Social, designadamente pela comparação entre
os saldos apresentados no balancete dos vários impostos e contribuições e os pagamentos (ou recebimentos)
efetuados no período seguinte.
No entanto o processo de conferência dos saldos incluídos no balancete não se resume à conferência das con-
tas do estado, mas também a todas as outras contas.
Na conferência dos saldos ser ão utilizados os procedimentos que o TOC entenda serem os melhores para afe-
rir o saldo final ou movimento ocorrido no ano. Na maioria dos casos, esse procedimento passará pela análise
dos movimentos registados nos extratos de conta corrente e ou movimentos que justificam o saldo final. Para
além desses procedimentos, destacamos os seguintes:
|
• |
Conciliação bancária, incluindo as contas de depósitos à ordem, de depósito a prazo e as contas de |
|
empréstimos; (Ver mapa anexo 1) |
|
|
• |
Mapa resumo das aplicações financeiras mensuradas pelo justo valor e impacto nos resultados (Ver |
mapa anexo 2);
51
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|
• |
Conciliação dos saldos das contas de impostos com os pagamentos/recebimentos já efetuados no |
|
período/ano seguinte, bem como a consulta dos elementos disponíveis, para a empresa, no portal |
|
|
das finanças; |
|
|
• |
Identificação das faturas (ou saldos) em aberto nas contas de terceiros (clientes, fornecedores, ou- |
|
tros), principalmente se o seu saldo for relevante para a entidade; |
|
|
• |
Solicitação a clientes e fornecedores de extratos de conta corrente para conciliação de saldos; |
|
• |
Análise dos saldos de terceiros estáveis e da necessidade do reconhecimento de perdas por impari- |
|
dades (ver mapa anexo 3); |
|
|
• |
Conferência das contas correntes do pessoal, dos acionistas, dos financiamentos obtidos, dos em- |
|
préstimos concedidos e de outras contas a receber e a pagar, incluindo os saldos com entidades |
|
|
relacionadas; |
|
|
• |
Conferência das contas de devedores por acréscimos de rendimentos, de credores por acréscimos de |
|
gastos e de diferimentos, incluindo a regularização dos saldos de abertura; |
|
|
• |
Conferência das contas relacionadas com subsídios recebidos ou a receber, designadamente, o in- |
|
vestimento/despesa realizada, o subsídio recebido, o rendimento a imputar ao período e o imposto |
|
|
diferido associado; |
|
|
• |
Conciliação do cadastro de bens do ativo não corrente com os valores da contabilidade (Ver mapas |
|
anexos 4 e 5); |
|
|
• |
Comparação entre os imóveis e veículos constantes no portal das finanças e os constantes na con- |
|
tabilidade; |
|
|
• |
Conciliação do valor do inventário com a conta de inventários; |
|
• |
Verificação da sequência numérica dos documentos emitidos pela entidade, tais como faturas, notas |
|
de débito, notas de crédito, bem como dos valores resultantes do programa de faturação (ou SAF-T), |
|
|
e comparar com os valores registados na contabilidade; |
|
|
• |
Relação da totalidade dos processos em contencioso em que a empresa é interveniente e conciliação |
|
desta relação com a contabilidade – Imparidades, provisões e Reversões de imparidades e provisões; |
|
|
• |
Para as entidades que têm contabilidade analítica, confirmação de que todos os gastos e rendimen- |
tos têm reflexão na contabilidade analítica.
Neste processo de conferência de saldos o TOC pode consultar informação, que tem ao seu dispor, entre a qual
destacamos:
•
Informação constante do portal de finanças, designadamente:
|
o |
Consulta ao cadastro da empresa |
|
o |
Consulta das declarações submetidas |
|
o |
Consulta do património predial |
52
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
|
o |
Consulta das viaturas da empresa |
|
o |
Consulta dos movimentos financeiros |
|
o |
Obtenção de certidão de inexistência de dívidas. |
Alertamos que a obtenção desta declaração, válida à data de 31 de dezembro de 2014, bem
como à data de 30 de abril de 2015 e/ ou 31 de maio de 2015, pode ser imprescindível para
a utilização de benefícios fiscais previstos quer no Estatuto de Benefícios Fiscais, quer no
Código Fiscal do Investimento.
|
• Informação constante do portal da segurança social, designadamente: |
||
|
o |
Consulta das declarações submetidas |
|
|
o |
Obtenção de certidão de inexistência de dívidas, |
|
|
Imprescindível para a utilização de benefícios fiscais previstos quer no Estatuto de Benefí- |
||
|
cios Fiscais, quer no Código Fiscal do Investimento. |
||
|
• Informação constante do portal do Banco de Portugal |
||
o
Consulta das responsabilidades de crédito, e conciliação com os valores apresentados na
contabilidade.
O acesso ao portal do Banco de Portugal: http://www.bportugal.pt/pt-PT/ServicosaoPublico/
CentraldeResponsabilidadesdeCredito/ConsultaInternet/Paginas/NSA-CRC.aspx, é feito por
recurso às credenciais da empresa do portal das finanças.
5.2. PROCESSO DE CONFERÊNCIA ENTRE EMPRESAS DO GRUPO E ENTIDADES RELACIONADAS
As entidades deverão ter especial atenção às contas entre empresas do grupo e entidades relacionadas.
Deverá ser tido em consideração que os saldos entre estas empresas deve constar da nota 6 do Anexo (nu-
meração de acordo com a minuta de anexo para as entidades que aplicam as 28 NCRF, publicado na portaria
986/2009) e que esta informação deverá conciliar entre a informação prestada pelas várias entidades.
As entidades que adotem a Norma contabilística e de relato financeiro para as pequenas entidades, bem como
as entidades do setor não lucrativo, deverão, de acordo com os critérios de superação de lacunas proceder às
divulgações previstas na Norma contabilística e de relato financeiro n.º 5.
Por outro lado, para as entidades que sejam obrigadas a preparar o dossier dos preços de transferência, con-
forme art. º 63.º do Código do imposto sobre rendimento das pessoas coletivas (CIRC), fazendo este parte
integrante do dossier fiscal (art.º 130.º do CIRC), poderá ser necessário explicar eventuais divergências entre
as contas correntes com as entidades relacionadas.
A informação respeitante às transações e saldos com as entidades relacionadas deverá também ser apresen-
tada na Informação Empresarial Simplificada, designadamente no quadro 10 do Anexo A desta declaração.
53
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Desta informação consta:
|
• |
O NIF da entidade relacionada; |
|
• |
A indicação da natureza da relação, por inclusão de um código pré-definido; |
|
• |
O montante das transações efetuadas com cada entidade relacionada; |
|
• |
A indicação se o dossier dos preços de transferência se encontra elaborado ou não; |
|
• |
A referência à eventual dispensa de elaboração do dossier dos preços de transferência. |
Por consulta às instruções de preenchimento da Informação Empresarial Simplificada (IES), podemos referir
que este quadro se destina a dar cumprimento ao n.º 7 do artigo 63.º do CIRC, pelo que deverá ser preenchido
sempre que o declarante tenha efetuado operações com outro sujeito passivo do IRC ou IRS, com o qual esteja
em situação de relações especiais.
Por outro lado, este quadro deve ainda ser preenchido quando o declarante exerça simultaneamente atividades
sujeitas e não sujeitas ao regime geral do IR. Neste caso o campo relativo ao N.º de Identificação Fiscal não deve
ser preenchido, devendo, no entanto inscrever o código da relação especial, H ou H1 ou H2, no respetivo campo.
Este quadro é flexível permitindo, assim, utilizar tantas colunas quanto as necessárias.
5.3. CONTAGENS FÍSICAS DOS INVENTÁRIOS
Antes das operações de encerramento, a entidade deverá proceder a testes ou às contagens dos inventários.
Este processo é normalmente desenvolvido sem a intervenção do Técnico Oficial de Contas.
Embora não seja da responsabilidade do TOC, este pode alertar os órgãos governativos das entidades onde co -
laboram para a obrigatoriedade dos artigos em armazém deverem ser contados pelo menos uma vez por ano.
Se a empresa utilizar o sistema de inventário intermitente, as contagens devem realizar-se no final do período
de relato pois é a única forma de apurar o valor dos inventários e dos resultados obtidos no período.
É também um momento importante para identificar os artigos com defeito, com pouca rotatividade ou obso -
letos e identificar e quantificar eventuais imparidades.
Pode ser a altura ideal para efetuar abates de inventários sem valor, devendo o T.O.C alertar a empresa para a
54
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
necessidade/recomendação de comunicar previamente a Autoridade Tributária, bem como elaborar um auto
de abate.
Os TOC devem solicitar às entidades, no final do ano, as listagens dos inventários na sua posse em posse de
terceiros, com os artigos discriminados e valorizados, bem como a identificação e quantificação de eventuais
imparidades.
Comunicação dos inventários
Com o orçamento de estado para 2015, as pessoas singulares ou coletivas, que tenham sede, estabelecimento
estável ou domicílio fiscal em território português, que disponham de contabilidade organizada e estejam
obrigadas à elaboração de inventário, devem comunicar à Autoridade Tributária, até ao dia 31 de janeiro,
por transmissão eletrónica de dados, o inventário respeitante ao último dia do exercício anterior, através de
ficheiro com características e estrutura definidos na Portaria 2/2015, de 06 de janeiro.
Ficam dispensadas da obrigação de comunicação do inventário entidades cujo volume de negócios do exercí-
cio anterior ao da referida comunicação não exceda € 100 000.
Abate de inventários
Não estando previsto expressamente na legislação, a exigência de comunicação à Autoridade tributária dos
abates de inventários, este procedimento é recomendável. Os modos como poderá ser efetuado este procedi-
mento são os mesmos que estão definidos na legislação para ativos fixos tangíveis.
5.4. ATIVOS FIXOS TANGÍVEIS
Cadastro de Bens de Investimento
Conforme dispõe o artigo 51º do CIVA, os sujeitos passivos que possuam contabilidade organizada para efei-
tos do IRS ou IRC são obrigados a efetuar registo dos seus bens de investimento, de forma a permitir o contro -
lo das deduções efetuadas e das regularizações processadas.
Este registo, também designado por cadastro dos bens de investimento, deve conter, para cada um dos bens,
os seguintes elementos/informação:
a) Data da aquisição ou da conclusão das obras em bens imóveis e do início da utilização ou ocupação;
b) Valor do imposto (IVA) suportado;
c) Percentagem de dedução (do IVA) em vigor no momento da aquisição;
d) Somatório das deduções (de IVA) efetuadas até ao ano da conclusão das obras em bens imóveis;
e) Percentagem definitiva de dedução (de IVA) do ano da aquisição ou da conclusão das obras em bens imóveis;
f) Percentagem definitiva de dedução (de IVA) de cada um dos anos do período de regularização.
É frequente, e recomendável, que deste cadastro façam parte as informações necessárias à fundamentação das
depreciações. Assim, para além da informação referida acima, deste cadastro devem constar, para cada bem:
a) A vida útil estimada pela empresa
b) O enquadramento de cada bem nas tabelas do DR 25/2009
55
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
c) O impacto das revalorizações
d) O histórico das depreciações e das perdas por imparidade.
Este registo não deverá ser efetuado no período de encerramento do exercício, mas neste momento este ca-
dastro deverá ser conciliado com os registos contabilísticos, mapa de depreciações e valores das demonstra-
ções financeiras.
Abate AFT
O art.º 31º-B do CIRC, que entrou em vigor em 01-01-2014, no que respeita a abates de investimentos, refere
que deve ser elaborado um auto de destruição/abate.
Assim o abate físico será confirmado pela existência de um auto, assinado por duas testemunhas, e identifica-
dos e comprovados os factos que originaram as desvalorizações excecionais/ abate físico.
Este auto deve ser acompanhado de relação discriminativa dos elementos em causa, contendo, relativamente a
cada ativo, a descrição, o ano e o custo de aquisição, bem como o valor líquido contabilístico e o valor líquido fiscal;
A destruição/abate dos bens deve ser comunicada ao serviço de finanças da área do local onde aqueles ativos
se encontrem, com a antecedência mínima de 15 dias, devendo ser comunicado o local, a data e a hora do abate
físico e o total do valor líquido fiscal dos bens abatidos.
Estes documentos devem integrar o processo de documentação fiscal, no ano em que se verificou o abate dos bens.
Exemplo de comunicação de um abate:
“Comunicação de Auto de Abate
Ao serviço de finanças da área do local onde os bens se encontram
|
A empresa |
, |
contribuinte nº |
, |
com sede na Rua __________________________ |
, |
|
|
com o NIF |
, detém um lote de mercadorias destinadas a venda/ matérias destinadas a consumo/ bens no |
|||||
seu ativo (eliminar o que não interessa) que se encontram obsoletos e avariados (fundamentar com outras razões),
pelo que perderam o seu valor comercial/valor de uso.
Para concretizar este abate de mercadorias destinadas a venda / matérias destinadas a consumo/ bens no seu ativo
(eliminar o que não interessa), a empresa irá proceder à sua destruição/ enviar os bens para entidades de recicla-
gem/ enviar estes bens para entidades que recolham sucatas, enviar estes bens para entidades que recolham estes
desperdícios…(outro processo).
56
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Testemunharão a este ato as seguintes pessoas:
1º (identificação com nome completo e cargo na empresa)
2º (identificação com nome completo e cargo na empresa)
Pela empresa,
O Gerente/Administrador/ CA”
Exemplo de um auto de abate
“Auto de Abate
|
A empresa |
, |
contribuinte nº |
, |
com sede na Rua __________________________ |
, |
|
|
com o NIF |
, detém um lote de mercadorias destinadas a venda/ matérias destinadas a consumo/ bens no |
|||||
seu ativo (eliminar o que não interessa) que se encontram obsoletos e avariados (fundamentar com outras razões),
pelo que perderam o seu valor comercial/valor de uso.
Para concretizar este abate de mercadorias destinadas a venda/ matérias destinadas a consumo/ bens no seu ativo
(eliminar o que não interessa), a empresa procedeu à sua destruição/ enviou os bens para entidades de reciclagem/
enviou estes bens para entidades que recolham sucatas, enviou estes bens para entidades que recolham estes des-
perdícios… (outro processo).
Testemunharam a este ato as seguintes pessoas:
1º (identificação com nome completo e cargo na empresa)
2º (identificação com nome completo e cargo na empresa)
|
Assinaturas: |
|
|
1º _______________________________________________ |
|
|
2º _______________________________________________ |
|
|
Pela empresa, |
|
O Gerente/Administrador/ CA”
57
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
5.5. ATIVOS MENSURADOS PELO MODELO DA REVALORIZAÇÃO
Nas entidades que adotem o modelo de revalorização para mensurar alguns dos seus ativos, o TOC deve
solicitar às entidades, com regularidade ou sempre que existam indícios de divergência entre o valor contabi-
lístico e o valor de mercado, avaliações dos bens revalorizados, efetuadas por entidades independentes.
A frequência das revalorizações, conforme dispõe o parágrafo 34 da NCRF 7, depende das alterações nos
justos valores dos ativos fixos tangíveis que estão a ser revalorizados. Quando o justo valor de um ativo reva-
lorizado diferir materialmente da sua quantia escriturada, é exigida uma nova revalorização. Alguns itens do
ativo fixo tangível sofrem alterações significativas e voláteis no justo valor, necessitando, por conseguinte, de
revalorização anual. Tais revalorizações frequentes são desnecessárias para itens do ativo fixo tangível ape-
nas com alterações insignificantes no justo valor. Em vez disso, pode ser necessário revalorizar o item apenas
a cada três ou cinco anos.
58
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Anexo 1 - Exemplo de mapa resumo da conciliação bancária
Empresa:
|
CONCILIAÇÃO BANCÁRIA |
PERÍODO: |
|
|
NOME DO BANCO: |
ELABORADO POR: |
DATA: |
Nº DA CONTA:
DATA DA CONCILIAÇÃO:
59
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Anexo 2 - Exemplo de mapa resumo da mensuração dos ativos financeiros
pelo justo valor e impacto nos resultados
Anexo 3 - Exemplo de mapa para análise de saldos estáveis e cálculo de imparidades (critério fiscal).
CONTAS COM SALDOS ESTÁVEIS
|
PERÍODO: |
|||||||||||
|
Empresa: |
FEITO POR: |
DATA: |
|||||||||
|
CLIENTES |
(Valores em euros) |
||||||||||
|
Código |
Cliente |
Débito |
Crédito |
Saldo |
Mora |
< 0,5 |
>0,5 e |
>=1 e |
>=1,5 e |
>= 2 anos / |
|
|
anos |
anos |
< 1 ano |
<1,5 |
<2 |
outros |
||||||
|
Cliente A
|
1,000.00 |
0.75 |
1,000.00 |
||||||||
|
Cliente B
|
1,000.00 |
1.00 |
1,000.00 |
||||||||
|
Cliente C
|
1,000.00 |
1.75 |
1,000.00 |
||||||||
|
Cliente D
|
1,000.00 |
>2 |
1,000.00 |
||||||||
|
Cliente que faliu
|
1,000.00 |
0.25 |
1,000.00 |
||||||||
|
TOTAL |
5,000.00 |
0.00 |
5,000.00 |
0.00 |
1,000.00 |
1,000.00 |
1,000.00 |
2,000.00 |
|||
|
Taxa |
0.00 |
0.25 |
0.50 |
0.75 |
1.00 |
||||||
|
Imparidade necessária |
3,500.00 |
0.00 |
250.00 |
500.00 |
750.00 |
2,000.00 |
|||||
|
Imparidade existente |
0.00 |
||||||||||
|
Imparidade a criar |
3,500.00 |
||||||||||
60
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Anexo 4 - Exemplo de mapa resumo da movimentação das contas do ativo
fixo tangível e comparação com mapas de depreciações
|
PERÍODO: |
||||||||||
|
Empresa : |
FEITO POR: |
DATA: |
||||||||
|
_____ |
_________ |
|||||||||
|
Activos Fixos Tangíveis - Resumo do movimento Anual |
||||||||||
|
Conta do Razão |
Saldo Razão |
ovimentos |
Saldo |
Saldo Razão |
Diferença |
|||||
|
Nº |
Descrição |
Ano n-1 |
Aumentos |
Abates |
Transferênc. |
(se applicável) |
1+2-3±4+5 |
Ano n |
||
|
431 |
Terrenos e Recursos Naturais |
- |
- |
- |
||||||
|
432 |
Edifícios e O.Construções |
- |
- |
- |
||||||
|
433 |
Equipamento Básico |
- |
- |
- |
||||||
|
434 |
Equipamento de Transporte |
- |
- |
- |
||||||
|
435 |
Equipamento Administrativo |
- |
- |
- |
||||||
|
436 |
Equipamentos Biológicos |
- |
- |
- |
||||||
|
437 |
O.Act. Fixos Tangíveis |
- |
- |
- |
||||||
|
Total |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
|||
|
Total mapa de amortizações |
||||||||||
|
Diferença mapa amort e Cont. |
- |
- |
- |
- |
- |
|||||
|
Anexo 5 - Exemplo de mapa resumo da movimentação das contas |
||||||||||
|
de depreciações e comparação com mapas de depreciações |
||||||||||
|
PERÍODO: |
||||||||||
|
Empresa : |
FEITO POR: |
DATA: |
||||||||
|
_____ |
_________ |
|||||||||
|
Activos Fixos Tangíveis - Depreciações - Resumo do movimento Anual |
||||||||||
|
Conta do Razão |
Saldo Razão |
ovimentos |
Saldo |
Saldo Razão |
Diferença |
|||||
|
Nº |
Descrição |
Ano n-1 |
Reforço |
Abates |
Transferênc. |
(se applicável) |
1+2-3±4+5 |
Ano n |
||
|
4382 |
Edifícios e O.Construções |
- |
- |
- |
||||||
|
4382 |
Equipamento Básico |
- |
- |
- |
||||||
|
4384 |
Equipamento de Transporte |
- |
- |
- |
||||||
|
4385 |
Equipamento Administrativo |
- |
- |
- |
||||||
|
4386 |
Equipamentos Biológicos |
- |
- |
- |
||||||
|
4387 |
O.Act. Fixos Tangíveis |
- |
- |
- |
||||||
|
Total |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
|||
|
Total mapa de depreciações |
||||||||||
|
Diferença mapa deprec. e Con |
- |
- |
- |
- |
- |
|||||
61
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
62
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
6.OPERAÇÕES DE ENCERRAMENTO
Neste capítulo vão ser abordadas as principais matérias que se colocam no final do ano e no encerramento das
contas, apresentando os principais aspetos das normas contabilísticas aplicáveis e exemplos práticos.
6.1. REVALORIZAÇÕES – ATIVOS FIXOS TANGÍVEIS E ATIVOS INTANGÍVEIS
Aplicabilidade
|
• |
Entidades que apliquem as 28 NCRF |
|
• |
Entidades que apliquem a NCRF-PE |
|
• |
Entidades que apliquem a NCRF-ESNL |
Mensuração
Um item do ativo fixo tangível ou do ativo intangível deve ser mensurado inicialmente pelo seu custo, sendo
que este é o valor de aquisição ou de produção.
Para a mensuração subsequente, uma entidade deve optar pelo modelo de custo, ou seja, o seu custo me-
nos as depreciações acumuladas e quaisquer imparidades acumuladas. No entanto, se existirem diferenças
significativas entre a quantia escriturada e o justo valor do bem, uma entidade pode optar pelo modelo de
revalorização.
Para os ativos intangíveis, esta opção apenas está disponível para as entidades que apliquem o SNC integral
com 28 normas, e em condições específicas que deverão ser verificadas na NCRF 6 – Ativos intangíveis.
As entidades que adotem a NCRF-PE ou a NCRF-ESNL e optem pelo modelo de revalorização ficam obrigadas
a aplicar na integra a NCRF 25 – Impostos sobre o rendimento, ou seja estas entidades ficam obrigadas a apli-
car os impostos diferidos.
As microentidades não têm opção pela adoção do modelo de revalorização, pelo que os seus ativos fixos tan-
gíveis e ativos intangíveis devem ser mensurados pelo seu custo de aquisição ou de produção.
Regularidade das revalorizações
Optando pelo modelo de revalorização, as entidades devem efetuar revalorizações com suficiente regulari-
dade de forma a assegurar que a quantia escriturada não difira materialmente daquela que seria determinada
pelo uso do justo valor à data do balanço.
63
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
De acordo com as normas, nos casos em que os itens do ativo sofrem alterações significativas e voláteis no
justo valor, necessitam de revalorização anual.
Por outro lado, tais revalorizações frequentes são desnecessárias para itens do ativo apenas com alterações insig-
nificantes no justo valor. Nestes casos, pode ser necessário revalorizar o item apenas a cada três ou cinco anos.
Obtenção da informação
Num processo de revalorização, quando se está perante terrenos e edifícios, o justo valor deve ser determina-
do, sempre, a partir de avaliações realizadas por avaliadores profissionalmente qualificados e independentes,
a partir de provas com base no mercado.
Não é da responsabilidade do TOC proceder a esta avaliação, devendo o TOC ter acesso aos relatórios emitidos
pelos avaliadores independentes, e proceder à sua leitura e análise, com sentido crítico, para posteriormente
retirar destes relatórios os elementos necessários à mensuração daqueles ativos.
No caso dos restantes ativos, tais como instalações e equipamentos, o seu justo valor é geralmente o seu valor
de mercado determinado por avaliação.
Não existindo provas com base no mercado do justo valor devido à natureza especializada do item do ativo
fixo tangível ou se o item for raramente vendido, exceto como parte de um negócio em continuação, uma en-
tidade não pode utilizar o método de revalorização.
Pressupostos e Cálculo
Quando um item do ativo fixo tangível, ou ativo intangível, for revalorizado, qualquer depreciação acumulada
à data da revalorização é tratada de uma das seguintes formas:
a. Reexpressa proporcionalmente com a alteração na quantia escriturada bruta do ativo a fim de que a quantia escriturada do ativo após a revalorização iguale a quantia revalorizada.
b. Eliminada contra a quantia escriturada bruta do ativo, sendo a quantia líquida reexpressa para a quantia revalorizada do ativo. Este método é muitas vezes usado para edifícios.
A diferença entre o valor contabilístico do ativo à data da revalorização e o valor da revalorização deve ser
reconhecido:
a. Se a quantia escriturada de um ativo for aumentada como resultado de uma revalorização, o aumento deve ser creditado diretamente ao capital próprio numa conta com o título de excedente de revalo- rização. (Contudo, o aumento deve ser reconhecido nos resultados até ao ponto em que reverta um decréscimo de revalorização do mesmo ativo previamente reconhecido nos resultados.)
b. Se a quantia escriturada de um ativo for diminuída como resultado de uma revalorização, a dimi- nuição deve ser reconhecida nos resultados. Contudo, a diminuição deve ser debitada diretamente ao capital próprio até ao ponto de qualquer saldo de crédito existente no excedente de revalorização com respeito a esse ativo.
Impostos Diferidos
As entidades que adotem o SNC completo, com 28 normas, ou as entidades que adotem a NCRF-PE, e que
procedam à revalorização do seu ativo, devem reconhecer passivos por impostos diferidos, conforme dispõe a
64
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
NCRF 7 – Ativos fixos tangíveis:
“Os efeitos dos impostos sobre o rendimento, se os houver, resultantes da revalorização do ativo fixo tangível
são reconhecidos e divulgados de acordo com a NCRF 25 — Impostos sobre o Rendimento.”
Na NCRF 25 é referido que os impostos diferidos relativamente a revalorizações são movimentados direta-
mente no capital próprio.
A NCRF 25 alerta para o facto de a NCRF 7 — Ativos Fixos Tangíveis não especificar se uma entidade deve
transferir ano a ano o excedente (reserva) de revalorização realizado para resultados transitados (quantia
igual à diferença entre a depreciação ou amortização de um ativo revalorizado e a depreciação ou amortização
baseada no custo desse ativo).
Se uma entidade fizer tal transferência, a quantia transferida é líquida de qualquer imposto diferido relacionado.
Considerações semelhantes aplicam-se a transferências feitas pela alienação de um item de ativo fixo tangível.
Para o ano de 2015 (tal como aconteceu em 2014), a taxa de IRC foi alterada. Assim, os passivos por impostos
diferidos (com contrapartida no capital próprio), devem refletir as taxas de imposto previstas para o ano de 2015.
Consequentemente, depois do registo dos movimentos do ano, o saldo do passivo por impostos diferidos deve
ser recalculado para que reflita a taxa de 21% de IRC que vigorará nos anos seguintes.
Código de contas
O código de contas apresentado na portaria 1011/2009, de 09 de setembro, é de aplicação obrigatória, mas
não é exaustivo. No que respeita às revalorizações, não existindo qualquer necessidade de desagregação nas
contas do ativo, consideramos ser importante desagregar as seguintes contas, para a contabilidade fornecer
todos os elementos de informação e divulgação necessários:
27 Outras contas a receber e a pagar
274 Impostos diferidos
…
2742 Passivos por impostos diferidos
2742X resultantes da mensuração pelo modelo de revalorização
58 Excedentes de revalorização de ativos fixos tangíveis e intangíveis
581 Reavaliações decorrentes de diplomas legais
5811 Antes de imposto sobre o rendimento
58111 Excedentes de Revalorização não disponíveis
58112 Excedentes de Revalorização Disponíveis
5812 Impostos diferidos
58111 Impostos diferidos sobre Excedentes de Revalorização não disponíveis
58112 Impostos diferidos sobre Excedentes de Revalorização disponíveis
65
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
…
589 Outros excedentes
5891 Antes de imposto sobre o rendimento
58911 Excedentes de Revalorização não disponíveis
58912 Excedentes de Revalorização Disponíveis
5892 Impostos diferidos
58921 Impostos diferidos sobre Excedentes de Revalorização não disponíveis
58922 Impostos diferidos sobre Excedentes de Revalorização disponíveis
Divulgações no Anexo
No que respeita a revalorização de ativos, no anexo das entidades que procedam a esta revalorização, deverão
ser efetuadas as seguintes divulgações:
Nota sobre ativos fixos tangíveis
|
• |
Divulgação dos critérios de mensuração usados para determinar a quantia escriturada bruta – Exis- |
|
tindo revalorização, esta informação deve ser prestada |
|
|
• |
Um quadro que apresente uma reconciliação da quantia escriturada no começo e fim do período que |
|
mostre as adições, as revalorizações, as alienações, os ativos classificados como detidos para venda, |
|
|
as amortizações, as perdas de imparidade e suas reversões e outras alterações. |
|
|
• |
Se os itens do ativo fixo tangível forem expressos por quantias revalorizadas, deve ser divulgado o |
seguinte:
a) A data de eficácia da revalorização;
b) Se esteve ou não envolvido um avaliador independente;
c) A medida em que o justo valor dos itens foi determinado diretamente por referência a preços observáveis num mercado ativo ou em transações de mercado recentes numa base de não relacionamento entre as partes; e
d) O excedente de revalorização, indicando a alteração do período e quaisquer restrições na distribuição do saldo aos acionistas.
Nota sobre ativos intangíveis
|
• |
Um quadro que apresente uma reconciliação da quantia escriturada no começo e fim do período que |
|
mostre as adições, as revalorizações, as alienações, os ativos classificados como detidos para venda, |
|
|
as amortizações, as perdas de imparidade e suas reversões e outras alterações. |
|
|
• |
Se os ativos são mensurados após o reconhecimento segundo o modelo de custo ou o modelo de |
revalorização.
• Se os ativos intangíveis forem contabilizados por quantias revalorizadas, uma entidade deve divulgar:
66
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
a. Por classe de ativos intangíveis:
|
i. |
A data de eficácia da revalorização; |
|
ii. |
A quantia escriturada de ativos intangíveis revalorizados; e |
|
iii. |
A quantia escriturada que teria sido reconhecida se a classe revalorizada de ativos |
intangíveis tivesse sido mensurada após o reconhecimento usando o modelo de
custo;
b. A quantia do excedente de revalorização relacionada com ativos intangíveis no início e no final do período, indicando as alterações durante o período e quaisquer restrições na distri- buição do saldo aos acionistas; e
c. Os métodos e pressupostos significativos aplicados na estimativa do justo valor dos ativos.
No caso de ser necessário agregar as classes de ativos revalorizados em classes maiores para finali-
dades de divulgação, esta agregação não é possível se a classe em causa incluir quantias mensuradas
tanto segundo o modelo de custo como o de revalorização.
Exemplo Prático
1 – Revalorização, r eexpressando proporcionalmente as depreciações acumuladas
A entidade X, por entender que o valor contabilístico do seu equipamento básico se encontrava desajustado
face ao seu valor de mercado, decidiu, no início de janeiro de 2014, alterar o modelo de mensuração do seu
equipamento básico, passando do modelo de custo para o modelo de revalorização. Para esse efeito, contratou
uma empresa de avaliações, especializada naquele tipo de equipamentos, para proceder à avaliação das suas
máquinas.
|
Valor aquisição do equipamento: |
1.000.000 € |
|
Taxa de depreciação: |
10% |
|
Depreciação acumulada (até à data da revalorização): |
600.000 € |
|
Valor escriturado: |
400.000 € |
|
Valor da avaliação: |
500.000 € |
|
Excedente de revalorização: |
100.000 € |
|
A taxa de IRC 2014: |
23% |
|
A taxa de IRC 2015: |
21% |
|
Pedido: |
|
Quais os lançamentos a efetuar na contabilidade na data da revalorização e no final o ano?
Resolução:
Na data da revalorização (janeiro de 2014):
67
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
|
25% |
|
((100.000 € / 400.000 €)*100) |
|
|
250.000 € |
|
150.000 € |
|
100.000 € |
|
23.000 € |
Lançamento da revalorização:
|
433 |
– Equipamento básico |
250.000 € |
|
|
a |
4383 – Depreciações acumuladas-Eq. básico |
150.000 € |
|
|
a |
5891 – Excedentes revalorização – Ant. impostos |
100.000 € |
|
|
Impostos diferidos |
|||
|
5892 |
– Excedentes revalorização – Imp. diferido |
23.000 € |
|
|
a |
2742 – Passivos impostos diferidos |
23.000 € |
|
|
No final do ano: |
|||
|
- |
Depreciação do ano de 2014 (1.250.000 * 10%): |
125.000 € |
|
|
- |
Depreciação Fiscal 2014 (1.000.000*10%) |
100.000 € |
|
|
642 |
– Gastos de depreciação AFT |
125.000 € |
|
|
a |
4383 – Depreciações acumuladas-Eq básico |
125.000 € |
|
Acrescer no quadro 07 da declaração modelo 22: 125.000 € - 100.000 € = 25.000 €
|
- |
Impostos diferidos do exercício (25.000 €*23%) |
5.750 € |
|
5.750 € |
|
|
a |
8122 – Imposto S/rendimento – Imp Dif. |
5.750 € |
Realização do excedente de revalorização, pelo uso:
(depreciação pelo mod. revalorização – depreciação mod. custo = 125.000-100.000)
|
25.000 € |
|
|
a |
56 – Result. transitados |
25.000 € |
|
56 – Result. transitados |
5.750 € |
|
|
a |
5892 – Excedentes revalorização-Imp. dif. |
5.750 € |
68
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Ajustamento do Imposto diferido, face a alteração da Taxa de IRC de 23% para 21%:
|
- |
Saldo da conta 2742 - Passivos por impostos diferidos: |
|
|
23.000 € - 5.750 € = 17.250 €, ou (100.000 € - 25.000 €) * 23% = 17.250 €. |
||
|
- |
Passivo por impostos diferidos, com a nova taxa de imposto: |
|
|
(100.000 € - 25.000 €) * 21% = 15.750 € |
||
|
- |
Correção a efetuar: 17.250 € - 15.750 € = 1.500 € |
|
|
- |
Lançamento contabilístico: |
|
|
2742 – Passivos impostos diferidos |
1.500 € |
|
|
a |
5892 – Excedentes revalorização – imp. diferido |
1.500 € |
Resolução - Microentidades:
As entidades que apliquem a normalização contabilística das microentidades não podem aplicar o modelo de
revalorização na mensuração dos seus ativos fixos tangíveis.
Assim, neste exemplo, teriam apenas que contabilizar as depreciações no final do ano pelo modelo do custo.
|
- |
Valor da depreciação de 2014 (1.000.000*10%) |
100.000 € |
|
642 – Gastos de depreciação AFT |
100.000 € |
|
|
a |
4383 – Depreciações acumuladas-Eq básico |
100.000 € |
Duodécimos
Com o cálculo das depreciações por duodécimos (obrigatório de acordo com o disposto no SNC), as deprecia-
ções do exercício devem ser registadas até à data da revalorização, se diferente do início do ano, com base no
valor anterior à revalorização e, a partir dessa data, como base nos valores revalorizados.
2 – Revalorização, eliminando as depreciações acumuladas
A entidade Y passou a usar o modelo de revalorização para os seus edifícios a partir do início do ano de 2014.
Para esse efeito, contratou uma empresa de avaliações de imóveis, a qual realizou uma avaliação ao seu edifí-
cio da qual resultou os seguintes valores:
|
Valor aquisição do edifício: |
2.000.000 € |
|
Taxa de depreciação: |
5% |
|
Depreciação acumulada em dezembro de 2013: |
1 000.000 € |
|
Valor escriturado: |
1.000.000 € |
|
Valor da avaliação: |
1.500.000 € |
69
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
|
A taxa de IRC 2014: |
23% |
|
A taxa de IRC 2015: |
21% |
|
Pedido: |
|
Quais os lançamentos a efetuar na contabilidade na data da revalorização e no final do ano de 2014?
Resolução:
Na data da revalorização (início de 2014):
|
1.000.000 € |
||
|
500.000 € |
||
|
115.000 € |
||
|
Lançamentos contabilísticos: |
|||
|
Revalorização: |
|||
|
4382 |
– Depreciações acumuladas - Edifícios |
1.000.000 € |
|
|
a |
432 – Edifícios |
500.000 € |
|
|
a |
5891 – Excedentes revalorização – Ant.imposto |
500.000 € |
|
|
Impostos diferidos |
|||
|
5892 |
– Excedentes revalorização – Imp. diferido |
115.000 € |
|
|
a |
2742 – Passivos impostos diferidos |
115.000 € |
|
No final do ano de 2014:
Admitindo que não há alteração da vida útil, a nova vida do edifício é:
|
- |
Vida útil inicial (100%/5%) |
20 anos |
|
- |
Vida útil decorrida na data da revalorização |
10 anos |
|
(1.000.000/2.000.000*20) |
||
|
- |
Vida útil remanescente |
10 anos |
|
- |
Nova taxa depreciação (10/100) |
10 % |
|
- |
Depreciação contabilística 2014 (1.500.000 * 10%) |
150.000 € |
|
- |
Depreciação Fiscal 2014 (2.000.000 * 5%) |
100.000 € |
|
642 – Gastos de depreciação AFT |
150.000 € |
|
|
a |
4383 – Depreciações acumuladas-Edifícios |
150.000 € |
70
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Acrescer no quadro 07 da declaração modelo 22: 150.000 € -100.000 € = 50.000 €
|
- |
Impostos diferidos do exercício (50.000 € * 23%) = |
11.500 € |
|
11.500 € |
|
|
a |
8122 – Imposto S/rendimento – Imp Dif. |
11.500 € |
Realização do excedente de revalorização, pelo uso:
(depreciação pelo mod. revalorização – depreciação mod. custo =(150.000-100.000)=50.000
|
50.000 € |
|
|
a |
56 – Result. transitados |
50.000 € |
|
56 – Result. transitados |
11.500 € |
|
|
a |
5892 – Excedentes revalorização-Imp. dif |
11.500 € |
Ajustamento do Imposto diferido, face a alteração da Taxa de IRC de 23% para 21%
|
• |
Saldo da conta 2742 - Passivos por impostos diferidos: |
||
|
115.000 € - 11.500 € = 103.500 €, ou (500.000 € - 50.000 €) * 23% = 103.500 €. |
|||
|
• |
Passivo por impostos diferidos, com a nova taxa de imposto: |
||
|
(500.000 € - 50.000 €) * 21% = 94.500 € |
|||
|
• |
Correção a efetuar: 103.500 € - 94.500 € = 9.000 € |
||
|
• |
Lançamento contabilístico: |
||
|
9.000 € |
||
|
a |
5892 – Excedentes revalorização – imp. diferido |
9.000 € |
|
Resolução - Microentidades:
As entidades que apliquem a normalização contabilística das microentidades não podem aplicar o modelo de
revalorização na mensuração dos seus ativos fixos tangíveis.
Assim, neste exemplo teria apenas que contabilizar as depreciações no final do ano.
|
- |
Valor da depreciação do ano (2.000.000 * 5%) |
100.000 € |
|
642 – Gastos de depreciação AFT |
100.000 € |
|
|
a |
4383 – Depreciações acumuladas-Edifícios |
100.000 € |
71
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
6.2. DEPRECIAÇÕES E AMORTIZAÇÕES
Conceito
As depreciações / amortizações consistem na imputação sistemática aos resultados da quantia depreciável de
um ativo (ativo fixo tangível, propriedade de investimento ou ativo intangível) durante a sua vida útil.
As depreciações / amortizações podem não ser imputadas diretamente aos resultados do período se forem
incluídas na quantia escriturada de outros ativos.
As depreciações reportam-se aos ativos fixos tangíveis e propriedades de investimento 25 e as amortizações
aos ativos intangíveis 26 .
No caso de um ativo conter um ou vários elementos com um custo significativo em relação ao seu custo total,
esses componentes devem ser depreciados separadamente, os quais podem ter vidas úteis ou métodos de de-
preciação diferentes.
Quantia depreciável
A quantia depreciável de um ativo fixo tangível é obtida pelo valor de custo do ativo deduzido da estimativa
do seu valor residual. Na prática, o valor residual de um ativo é muitas vezes insignificante e por isso não
considerado no cálculo da quantia depreciável.
O valor residual deve ser revisto pelo menos no final de cada ano financeiro e sempre que existirem diferenças
nas estimativas, a quantia depreciável deverá ser alterada, de acordo com as disposições para as alterações de
estimativas contabilísticas 27 , isto é, de forma prospetiva. As alterações da estimativa da vida útil têm impacto
a partir do momento em que ocorrem tendo efeito nos períodos seguintes.
Nos ativos intangíveis, o valor residual é nulo, exceto se existir um compromisso de um terceiro de comprar o
ativo no final da sua vida útil; ou existir um mercado ativo para o ativo.
Vida útil esperada
A vida útil pode ser definida pelo período durante o qual uma entidade espera que um ativo esteja disponível
para uso, ou pelo número de unidades de produção ou similares que uma entidade espera obter do ativo.
A vida útil do ativo, para efeito dos normativos contabilísticos, pode diferir do conceito de taxa de depreciação
ou amortização definido no decreto regulamentar 25/2009, de 14 de setembro. Em resultado desta divergência
poderão ocorrer correções a efetuar no quadro 07 da declaração e rendimentos modelo 22.
A vida útil de um ativo deve ser revista pelo menos no final de cada ano financeiro.
Métodos de depreciação
O método de depreciação usado deve ser o que melhor reflete o modelo por que se espera que os futuros be-
nefícios económicos do ativo sejam consumidos pela entidade e deve ser consistente ao longo da vida útil do
ativo. Os métodos de depreciação incluem:
25 NCRF 7 – Ativos Fixos Tangíveis e NCRF 11 – Propriedades de Investimento
26 NCRF 6 – Ativos Intangíveis
27 NCRF 4 — Políticas Contabilísticas, Alterações nas Estimativas Contabilísticas e Erros
72
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
|
• |
método da linha reta |
|
• |
Neste caso, a depreciação resulta num reconhecimento de um gasto constante durante a vida útil do |
|
ativo se o seu valor residual não se alterar. |
|
|
• |
método do saldo decrescente |
|
• |
Neste método do saldo decrescente resulta num débito decrescente durante a vida útil. |
|
• |
método das unidades de produção |
Neste caso, a depreciação resulta num débito baseado no uso ou produção esperados.
Apenas é possível alterar o método de depreciação utilizado de um período para outro se ocorrer alguma
alteração significativa no modelo esperado de consumo dos futuros benefícios económicos associados a esse
ativo.
Duodécimos
De acordo com o sistema de normalização contabilística, as depreciações/amortizações, iniciam-se a partir
do momento em que o bem se encontra disponível para uso, ou seja, quando estiver na localização e condição
necessárias para que seja capaz de operar na forma pretendida. Assim, no ano de aquisição ou produção de
um ativo, a depreciação ou amortização apenas deve corresponder ao período a partir do qual o bem se en-
contrava disponível para uso.
Cessação depreciações
Contrariamente ao início das depreciações, que exige a disponibilidade do bem para funcionamento, a depre-
ciação de um ativo não cessa quando o ativo se tornar ocioso ou for retirado do uso a não ser que o ativo esteja
totalmente depreciado.
A depreciação de um ativo cessa na data que ocorrer mais cedo entre:
|
• |
a data em que o ativo for classificado como detido para venda (ou incluído num grupo para alienação |
|
que seja classificado como detido para venda) de acordo com a NCRF 8 — Ativos não correntes deti- |
|
|
dos para venda e unidades operacionais descontinuadas |
|
|
• |
e a data em que o ativo for desreconhecido. |
Microentidades – Para as entidades que adotem a norma das microentidades, apenas está previsto o método
de depreciação da linha reta. No restante, não há divergências a referir.
Divulgações no Anexo
No que respeita às depreciações, existem as seguintes divulgações no anexo:
Notas sobre ativos intangíveis:
•
Divulgação para cada classe de ativos intangíveis, distinguindo entre os ativos intangíveis gerados
internamente e outros ativos intangíveis:
73
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
a) Se as vidas úteis são indefinidas ou finitas e, se forem finitas, as vidas úteis ou as taxas de amor-
tização usadas;
b) Os métodos de amortização usados para ativos intangíveis com vidas úteis finitas;
c) A quantia bruta escriturada e qualquer amortização acumulada (agregada com as perdas por impa-
ridade acumuladas) no começo e fim do período;
d) Os itens de cada linha da demonstração dos resultados em que qualquer amortização de ativos
intangíveis esteja incluída;
e) Uma reconciliação da quantia escriturada no começo e fim do período que mostre separadamente
as adições, as alienações, os ativos classificados como detidos para venda, as amortizações, as per-
das por imparidade e outras alterações.
•
Descrição, quantia escriturada e período de amortização restante de qualquer ativo intangível
individual materialmente relevante para as demonstrações financeiras.
Notas sobre ativos fixos tangíveis:
|
• |
Divulgações sobre ativos fixos tangíveis: |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
ladas) no início e no fim do período; e |
|
|
|
|
lorizações, as alienações, os ativos classificados como detidos para venda, as amortizações, as perdas |
|
|
de imparidade e suas reversões e outras alterações. |
|
|
• |
Depreciação, reconhecida nos resultados ou como parte de um custo de outros ativos, durante um |
|
período. |
|
|
• |
Depreciação acumulada no final do período. |
Notas sobre as propriedades de investimento:
•
Para as propriedades de investimento mensuradas pelo modelo do custo:
a) Métodos de depreciação usados;
b) Vidas úteis ou taxas de depreciação usadas;
c) Quantia escriturada bruta e depreciação acumulada (agregada com as perdas por imparidade acu-
muladas) no início e no fim do período;
74
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
d) Reconciliação da quantia escriturada da propriedade de investimento no início e no fim do período
evidenciando: i) Adições que resultaram de aquisições; ii) Adições que resultaram de dispêndio sub -
sequente reconhecido como ativo; iii) Adições que resultaram de aquisições por intermédio de con-
centrações de atividades empresariais; iv) Ativos classificados como detidos para venda ou incluídos
num grupo para alienação classificado como detido para venda e outras alienações; v) Depreciações;
vi) Quantia de perdas por imparidade reconhecida e quantia de perdas por imparidade revertida
durante o período; vii) Diferenças cambiais líquidas resultantes da transposição das demonstra-
ções financeiras para outra moeda de apresentação; viii) Diferenças cambiais líquidas resultantes
da transposição de uma unidade operacional estrangeira para a moeda de apresentação da entidade
que relata; ix) Transferências para e de inventários e propriedade ocupada pelo dono; x) Outras al-
terações.
….
Exemplo Prático
1 – Depreciação por componentes
Em janeiro de 2012, uma empresa adquiriu uma máquina, com as seguintes caraterísticas:
|
450.000 € |
|
100.000 € |
|
10 anos |
|
2 anos |
|
50.000 € |
|
0 € |
Após a receção da máquina, a empresa concluiu a sua instalação, estando disponível para ser utilizada, no
início de julho de 2012. No entanto, apenas começou a utilizá-la em janeiro de 2013, para uma encomenda de
um novo cliente.
No final de junho de 2014, procedeu à substituiç ão do componente secundário, sendo que o novo teve um
custo de 120.000 €.
Pedido:
Lançamentos contabilísticos a efetuar em 2014.
Resolução:
Apesar da máquina ter sido adquirida em janeiro de 2012, a sua instalação apenas ficou concluída no final de
junho do mesmo ano. Assim, as depreciações iniciaram-se em julho de 2012. O facto de apenas ter sido utili-
zada em janeiro de 2013, não releva para efeito do início da depreciação da máquina.
a) Final de junho de 2014 – depreciação e substituição do componente secundário.
Depreciação componente secundário:
75
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
|
- |
Custo aquisição 2012 |
100.000 € |
|
|
- |
Vida útil |
2 anos |
|
|
- |
Depreciação correspondente ao primeiro semestre |
25.000 € |
|
|
(100.000 € / 4 semestres) |
|||
|
25.000 € |
||
|
a |
4383 – Depreciações acumuladas-Eq básico |
25.000 € |
|
|
Substituição componente |
|||
|
Abate do antigo: |
|||
|
100.000 € |
||
|
a |
433 – Equipamento básico |
100.000 € |
|
|
Aquisição do novo componente: |
|||
|
433 |
– Equipamento básico |
120.000 € |
|
|
a |
271 – Fornecedores investimentos |
120.000 € |
|
|
b) |
Final de 2014 – depreciação da máquina |
||
|
Componente principal: |
|||
|
450.000 € |
||
|
50.000 € |
||
|
10 anos |
||
|
Cálculo depreciação: |
|||
|
O valor residual deve ser deduzido ao custo de aquisição para cálculo da depreciação. |
|||
|
Assim, será: (450.000 € - 50.000 €) * 10% = 40.000 € |
|||
|
642 |
– Gastos de depreciação AFT |
40.000 € |
|
|
a |
4383 – Depreciações acumuladas-Eq básico |
40.000 € |
|
|
Componente secundário: |
|||
|
120.000 € |
||
|
0 € |
||
|
2 anos |
||
Cálculo da depreciaç ão – 2º semestre: 120.000 € * 50% / 2 = 30.000 €
76
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
|
642 – Gastos de depreciação AFT |
30.000 € |
|
|
a |
4383 – Depreciações acumuladas-Eq básico |
30.000 € |
|
Resumo: |
||
Valor total das depreciações no ano: 25.000 € + 40.000 € + 30.000 € = 95.000 €
Mais valia abate: 0 €.
6.3. IMPARIDADES EM ATIVOS
As normas referem imparidades em ativos para diversas situações, tais como:
|
• |
Imparidades em ativos, no âmbito da NCRF 12 – Imparidades em ativos, que se reporta a ativos fixos |
|
tangíveis, ativos intangíveis, propriedades de investimento, quando mensuradas pelo método do |
|
|
custo, a ativos não correntes detidos para venda. |
|
|
• |
Imparidades em ativos financeiros, no âmbito da NCRF 27 – Instrumentos financeiros |
Imparidades em ativos (NCRF 12)
O conceito de imparidade difere do conceito de depreciação e do conceito de desvalorização extraordinária.
Uma entidade está perante uma imparidade num ativo sempre que a quantia escriturada do ativo seja supe-
rior à quantia recuperável, sendo que esta é a quantia mais alta de entre o justo valor de um ativo ou unidade
geradora de caixa menos os custos de vender e o seu valor de uso.
Testes de imparidade (indícios)
Os testes de imparidade anuais não são obrigatórios, com exceç ão dos ativos intangíveis com vida útil inde-
finida e do goodwill. No entanto, sempre que existam indícios, a entidade deverá proceder a testes de impari-
dade para verificar a eventual necessidade de reconhecimento deste gasto.
Sempre que o TOC tenha indícios de que um ativo possa estar em imparidade, deverá alertar a gestão para que
procedam à execução de testes de imparidade, para que este tenha elementos que permitam aferir da eventual
necessidade do reconhecimento de uma perda por imparidade.
Se durante o período não foram realizados quaisquer testes de imparidade, a data de relato, principalmente o
momento do encerramento das contas, é o momento indicado para analisar eventuais imparidades, proceder
à elaboração dos testes, e em caso de confirmação da perda por imparidade, proceder ao registo do gasto.
O regime da normalização contabilística para as microentidades não prevê o reconhecimento de impari-
dades para os ativos fixos tangíveis e para os ativos intangíveis, pelo que este conceito não se aplica
a estas entidades.
Divulgações no anexo
No anexo devem ser efetuadas as divulgações constantes dos parágrafos 65 a 69 da NCRF 12 – Imparidade de ativos.
77
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Imparidades em ativos financeiros (NCRF 27)
À data de cada período de relato financeiro, uma entidade deve avaliar a imparidade de todos os ativos finan-
ceiros que não sejam mensurados ao justo valor através de resultados, tais como contas de clientes ou outras
contas a receber.
Se existir uma evidência objetiva de imparidade, a entidade deve reconhecer uma perda por imparidade na
demonstração dos resultados.
Existe evidência objetiva de que um ativo financeiro ou um grupo de ativos está em imparidade, nos casos em
que existe (indícios de imparidade):
a) Significativa dificuldade financeira do emitente ou devedor;
b) Quebra contratual, tal como não pagamento ou incumprimento no pagamento do juro ou amortiza- ção da dívida;
c) O credor, por razões económicas ou legais relacionados com a dificuldade financeira do devedor, oferece ao devedor concessões que o credor de outro modo não consideraria;
d) Torne-se provável que o devedor irá entrar em falência ou qualquer outra reorganização financeira;
e) O desaparecimento de um mercado ativo para o ativo financeiro devido a dificuldades financeiras do devedor;
f) Informação observável indicando que existe uma diminuição na mensuração da estimativa dos flu- xos de caixa futuros de um grupo de ativos financeiros desde o seu reconhecimento inicial, embora a diminuição não possa ser ainda identificada para um dado ativo financeiro individual do grupo, tal como sejam condições económicas nacionais, locais ou setoriais adversas.
A perda por imparidade é a diferença entre a quantia escriturada e a melhor estimativa dos fluxos de caixa a
receber ou do justo valor do ativo.
Divulgações no anexo
No anexo devem ser efetuadas as seguintes divulgações relativamente às imparidades em instrumentos fi-
nanceiros:
Nota sobre os instrumentos financeiros
|
• |
Quantia escriturada de cada uma das categorias de ativos financeiros e passivos financeiros, no total |
|
e para cada um dos tipos significativos de ativos e passivos financeiros de entre cada categoria. |
|
|
… |
|
|
• |
Ativos financeiros para os quais foi reconhecida imparidade, com indicação, para cada uma das |
|
classes, separadamente, i) a quantia contabilística que resulta da mensuração ao custo ou custo |
|
|
amortizado e ii) a imparidade acumulada. |
|
|
• |
Quantia de perda por imparidade reconhecida para cada uma das classes de ativos financeiros. |
78
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
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Exemplo Prático
1 – Imparidade em dívidas a receber
No final de 2014, após análise aos saldos de clientes em mora (após a data de vencimento da fatura), uma em-
presa apurou os seguintes valores:
Saldo
Valor que espera recuperar
|
200.000 € |
165.000 € |
|
100.000 € |
50.000 € |
|
50.000 € |
25.000 € |
|
50.000 € |
10.000 € |
|
200.000 € |
0 € |
|
50.000 € |
0 € |
|
Total |
650.000 € |
250.000 € |
Tem sido efetuado diligências para cobrar os saldos, mantendo em arquivo os comprovativos dessas tentati-
vas de cobrança, tendo os valores que a empresa espera recuperar sido calculados com base no histórico das
cobranças anteriores.
O valor já reconhecido, em anos anteriores, de:
|
400.000 € |
|
300.000 € |
|
35.000 € |
Pedido:
Lançamentos contabilísticos a efetuar com esta operação.
Resolução:
a) Reclassificação dos saldos para cobrança duvidosa:
Como a contabilidade já reflete saldos de cobrança duvidosa no montante de 400.000 € (saldo inicial), é neces-
sário um reforço de 250.000 € (650.000 – 400.000).
|
21x – Clientes – cobrança duvidosa |
250.000 € |
|
a 211 – Clientes – conta corrente |
250.000 € |
Apesar de contabilisticamente o SNC não obrigar a esta reclassificação, é importante ter este controlo.
Por outro lado, apenas são aceites fiscalmente os créditos de cobrança duvidosa reconhecidos como tal na
contabilidade.
b) Reconhecimento da perda por imparidade
Perda por imparidade necessária em 2014
(650.000 € – 250.000 €)
400.000 €
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|
Perda já reconhecida em anos anteriores |
-300.000 € |
|
|
Perda por imparidade a contabilizar no período |
100.000 € |
|
|
100.000 € |
|
|
a |
219– Perdas por imparidade acumuladas |
100.000 € |
c) Reconhecimento do ativo por impostos diferidos
Uma vez que a perda a por imparidade reconhecida não é aceite na totalidade como gasto de IRC 28 , haverá a
necessidade do reconhecimento de um ativo por impostos diferidos.
Sendo o ativo por impostos diferidos para utilizar em período(s) futuro(s), no momento em que a imparidade
for aceite fiscalmente, deve mensurar-se este ativo pela taxa de IRC que se espera que esteja em vigor
nesse(s) período(s), designadamente, 21% - taxa para 2015.
Se existirem ativos por impostos diferidos constituídos em anos anteriores, estes ativos devem ser ajustados para
a taxa de 21%, que corresponde à taxa prevista para os anos de 2015, e seguintes.
Cálculo:
Perda imparidade aceite fiscalmente:
|
Saldo |
% aceite |
Valor aceite |
|
|
200.000 € |
0% |
0 € |
|
100.000 € |
25% |
25.000 € |
|
50.000 € |
50% |
25.000 € |
|
50.000 € |
75% |
37.500 € |
|
200.000 € |
100% |
200.000 € |
|
50.000 € |
100% |
50.000 € |
|
Total |
650.000 € |
337.500 € |
|
Valor do ativo por impostos diferidos no final 2014, taxa IRC 21%:
|
Perda por imparidade contabilística acumulada |
400.000 € |
|
Perda por imparidade fiscal acumulada |
-337.500 € |
|
Diferença |
62.500 € |
|
Imposto diferido (62.500 * 21%) |
13.125 € |
|
Valor já registado na contabilidade (saldo inicial) |
35.000 € |
Assim, tem que se registar uma redução do ativo por impostos diferidos no montante de 21.875 €:
|
21.875 € |
|
|
a |
2741 – Ativos por impostos diferidos |
21.875 € |
28 Artigos 28.º-A e 28.º-B do CIRC.
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Microentidades, Pequenas Entidades e Entidades Setor não Lucrativo
Nas entidades que adotem a NCM, a NCRF-PE ou a NCRF-ESNL (nos dois últimos casos exceto se adotarem o
modelo de revalorização) não está previsto o reconhecimento de impostos diferidos. No restante, o procedi-
mento contabilístico (e fiscal) é idêntico.
6.4. APLICAÇÃO DO JUSTO VALOR
Aplicabilidade
|
• |
Entidades que apliquem as 28 NCRF |
|
• |
Entidades que apliquem a NCRF-PE e NCRF-ESNL (exceto para as propriedades de investimento) |
Áreas de aplicação
Existem várias normas que permitem a opção pela mensuração ao justo valor ou que referem a obrigatorieda-
de de mensuração de determinados ativos ao justo valor.
Para as propriedades de investimento, o critério de mensuração é o modelo de justo valor existido possibili-
dade de opção pelo modelo do custo.
No entanto, para outros casos existe obrigatoriedade de mensuração pelo justo valor, tais como:
|
• |
Instrumentos financeiros, |
|
Uma entidade deve mensurar ao justo valor, através de resultados, instrumentos financeiros, tais |
|
|
como: |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
(i) Adquirido ou incorrido principalmente para a finalidade de venda ou de recompra num |
|
|
prazo muito próximo; |
|
|
(ii) Parte de uma carteira de instrumentos financeiros identificados que sejam geridos em |
|
|
conjunto e para os quais exista evidência de terem recentemente proporcionado lucros reais. |
|
|
• |
Ativos biológicos |
Para as entidades que apliquem a NCRF-PE e para as entidades do setor não lucrativo, apenas para
a mensuração dos instrumentos financeiros é válida e obrigatória, a mensuração pelo método do
justo valor. Nestas entidades, as propriedades de investimento são tratadas como sendo Ativos fixos
tangíveis.
As microentidades estão obrigadas a mensurar todos os seus ativos pelo modelo do custo.
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Pressupostos e Cálculo
Para mensurar os ativos pelo seu justo valor, as entidades têm que ter conhecimento do valor de mercado
desses ativos, por recurso à cotação, por exemplo.
Se estivermos perante propriedades de investimento, a NCRF 11 incentiva, mas não é exigido, que as entidades
determinem o justo valor das propriedades de investimento (para mensuração, ou divulgação) na base de uma
valorização de um avaliador independente que tenha uma qualificação profissional relevante e reconhecida e que
tenha experiência recente na localização e na categoria da propriedade de investimento que esteja a ser valorizada.
Regularidade dos ajustamentos para o justo valor
Como estamos a falar de ativos cuja mensuração, por opção ou não, é o método do justo valor, então estes
ativos deverão ser apresentados pelo seu justo valor em cada data de relato, não existindo qualquer exceção
a esta frequência.
Os critérios de verificação do justo valor são os mesmos que foram definidos no momento de adoção deste
método, ou seja, deverão existir avaliações efetuadas por peritos independentes para as propriedades de in-
vestimento, e provas do valor de mercado (cotações), para os restantes.
Depreciações e perdas por imparidade
Estando estes ativos mensurados pelo justo valor, estes ativos não serão depreciados, nem deverão estar su-
jeitos a testes de imparidade, isto porque os efeitos deverão ser todos refletidos na alteração do justo valor
dos ativos.
Exemplo prático
1- Propriedades de investimento
A entidade X é proprietária de um imóvel industrial, cujo custo de aquisição ascendeu a 250.000 €. A fina-
lidade desse imóvel é o arrendamento, estando o mesmo arrendado e reconhecido no ativo da empresa em
propriedades de investimento ao justo valor.
O justo valor deste imóvel em 2013 ascendia a 275.000€ e, no final de 2014, o valor de mercado do imóvel, de
acordo com uma avaliação efetuada por um avaliador independente, aumentou para 325.000 €.
A taxa de IRC para 2014 é de 23% e para 2015 de 21%.
Pedido:
Quais os registos contabilísticos a efetuar no final de 2014?
Resolução:
Mensuração do imóvel para justo valor em dezembro de 2014
- Ganho resultante do aumento do justo valor do imóvel: 325.000 €-275.000 € = 50.000 €
|
422 – PI - Edifícios PI |
50.000,00 € |
|
|
a |
773 – Ganhos por aumento de justo valor |
50.000,00 € |
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Impostos diferidos
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
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O ganho por aumento de justo valor não é tributável em IRC. Adicionalmente, de acordo com o n.º 2 do ar-
tigo 45.º-A do CIRC, redação em vigor a partir de 01-01-2014, o custo de aquisição, as grandes reparações e
beneficiações e as benfeitorias das propriedades de investimento que sejam subsequentemente mensuradas
ao justo valor, é aceite como gasto para efeitos fiscais, em partes iguais, durante o período de vida útil que se
deduz da quota mínima de depreciação que seria fiscalmente aceite caso esse ativo permanecesse reconhecido
ao custo de aquisição.
Assim, como o valor escriturado contabilístico difere do valor fiscal da PI, há lugar ao registo de ativos ou
passivos por impostos diferidos.
Cálculo do valor do imposto diferido:
|
Aumento do Justo Valor: |
50.000 € |
|
|
Valor terreno – 25% * 250.000 € |
62.500 € |
|
|
Valor Edifício – 75% * 250.000 € |
187.500 € |
|
|
Gasto fiscal aceite – 187.500 € * 2,5% |
4.687 € |
|
|
Diferença temporária: 50.000 € + 4.687 € |
54.687 € |
|
|
Imposto Diferido: 54.687 € * 21% |
11.484 € |
|
|
8122 – Imposto S/rendimento – Imp Dif. |
11.484 € |
|
|
a |
2742 – Passivo por impostos diferidos |
11.484 € |
O lançamento a efetuar deve ter em consideração o saldo inicial da conta 274 Ativo/Passivo por impostos
diferidos, devendo o saldo no final do ano refletir a diferença entre o valor escriturado na contabilidade e o
valor “fiscal” da P. Investimento.
Em 2014 havia ainda que efetuar o acerto do saldo inicial do imposto diferido, decorrente da alteração da taxa
de IRC de 23% para 21%: ((275.000 € - 250.000 €) * 2% = 500 €).
Este exemplo apenas se aplica às entidades que adotem as 28 NCRF, uma vez que a NCRF-PE não prevê Pro -
priedades de Investimento e, de acordo com a resposta n.º 16 da CNC às “Perguntas Frequentes sobre o SNC” 29 ,
deve ser aplicado o capítulo 7 da NCRF-PE – Ativos Fixos Tangíveis.
O mesmo se aplicará às entidades que apliquem a NCRF-ESNL.
No caso das microentidades, estes imóveis serão mensurados pelo custo, na conta de Ativos fixos tangíveis.
2- Instrumentos financeiros - ações
Uma entidade detém 10.000 ações da empresa Y, cotada no PSI20. Em 2013 a cotação das ações era de 5 € e em
2014 de apenas 4 €.
29 http://www.cnc.min-financas.pt/faqs_empresarial.html
83
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Pedido:
Registos contabilísticos em 31 de dezembro de 2014.
Resposta:
|
Justo valor em 31.12.13 |
50.000 € |
|
|
Justo valor em 31.12.14 |
40.000 € |
|
|
Variação JV |
-10.000 € |
|
|
661 – Perdas diminuição de justo valor |
10.000,00 € |
|
|
a 143 – Outros Instrumentos financeiros |
10.000,00 € |
|
Microentidades
Nas microentidades, os instrumentos financeiros são mensurados ao custo, pelo que não havia lugar a qual-
quer registo contabilístico.
6.5. MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL
Aplicabilidade
|
• |
Entidades que apliquem as 28 NCRF |
|
• |
Entidades que apliquem a NCRF-PE e NCRF-ESNL, utilizando as regras de superação de lacunas |
previstas nessas normas
Nas contas individuais das empresas com participações financeiras, desde que estas correspondam a partici-
pações com influência significativa superior a 20%, direta ou indiretamente, ou 20 % ou mais do poder de voto
na investida, estas deverão ser mensuradas de acordo com o método da equivalência patrimonial.
As participações financeiras cuja influência significativa seja inferior a 20%, deverão ser mensuradas pelo
método do custo ou pelo justo valor se cotadas em mercado organizado, conforme disposto na NCRF 27 –
Instrumentos financeiros.
Caso existam restrições severas e duradouras que prejudiquem significativamente a capacidade de transfe-
rência de fundos para a empresa detentora, as participações financeiras deverão ser mensuradas pelo método
do custo, devendo ser divulgadas as restrições que impediram a utilização do método da equivalência patri-
monial.
O método da equivalência patrimonial aplica-se, pelo sistema superação de lacunas previsto na legislação,
às entidades que adotem a NCRF-PE bem como às entidades do setor não lucrativo.
Não se aplica às microentidades, que deverão manter, sempre, as suas participações mensuradas ao custo,
independentemente da participação detida.
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Obtenção de informação
Para calcular os ajustamentos a efetuar nas participações financeiras, para que estas sejam mensuradas pelo
método da equivalência patrimonial, o TOC deverá ter acesso às demonstrações financeiras, emitidas para
publicação, de todas as participadas.
Assim, e por necessitar desta informação, as empresas que detêm participações financeiras poderão aprovar
as suas contas 30 no prazo de cinco meses a contar da data de encerramento de cada período.
Na mensuração das participações financeiras pelo método da equivalência patrimonial, poderão ser necessá-
rios outros elementos, tais como informações sobre políticas contabilísticas, preços e margens, que deverão
ser solicitadas às participadas.
Procedimentos para adoção do método de equivalência patrimonial
Sempre que uma entidade adote o método de equivalência patrimonial na mensuração das suas participações
financeiras, deverá ter em atenção os seguintes procedimentos:
|
• |
Obter as demonstrações financeiras emitidas para publicação, ou seja, as demonstrações financeiras |
|
das participadas devidamente assinadas; |
|
|
• |
Harmonizar as políticas contabilísticas utilizadas pela entidade participante e participadas; |
|
• |
Proceder à eliminação dos resultados gerados intragrupo. |
|
• |
Proceder aos ajustamentos nas contas individuais, tendo em consideração as variações no capital |
próprio da participada.
Código de contas
O código de contas apresentado na portaria 1011/2009, de 09 de setembro, é de aplicação obrigatória, mas não
é exaustivo. No que respeita às mensuração das participações financeiras pelo método da equivalência patri-
monial, consideramos ser importante desagregar as seguintes contas, para a contabilidade fornecer todos os
elementos de informação e divulgação necessários:
41 Investimentos financeiros
411 Investimentos em subsidiárias
4111 Participações de capital – método de equivalência patrimonial
4111 1 – Participada ABC, Lda
4111 11 Aquisição participada
4111 12 Resultados participada
4111 13 Excedentes de revalorização participada
4111 14 Outras variações capital participada
….
30 Nº 5 Artº 65º CSC – “O relatório de gestão, as contas do exercício e demais documentos de prestação de contas devem ser apresentados ao órgão competente e por este apreciados, salvo casos particulares previstos na lei, no prazo de três me- ses a contar da data do encerramento de cada exercício anual, ou no prazo de cinco meses a contar da mesma data quando se trate de sociedades que devam apresentar contas consolidadas ou que apliquem o método da equivalência patrimonial.”
85
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Divulgações no Anexo
No que respeita às participações financeiras, independentemente dos critérios de mensuração, são que cons-
tam dos parágrafos 64 a 70 da NCRF 13 - Interesses em Empreendimentos Conjuntos e Investimentos em
Associadas.
Exemplo prático
Aplicação do método da equivalência patrimonial
Em 31 de dezembro de 2014, a empresa X detinha 55% do capital social da empresa Y.
O capital social da participada, empresa Y, é de 50.000 €.
O capital próprio em 2013 era de 120.000 € e em 2014 ascende ao montante de 235.000 €.
Em 2014, esta participada registou resultados positivos, no montante de 20.000 €, não tendo qualquer tran-
sação comercial com a detentora do capital.
A participada, seguindo as instruções da empresa mãe, mensurou os seus imóveis pelo modelo de revaloriza-
ção, tendo registado um excedente de revalorização no capital próprio de 130.000,00 euros.
A participada corrigiu saldos de terceiros, que tendo sido considerada uma correção relevante, foi efetuada na
conta de resultados transitados. Esta correção ascendeu a 5.000 euros.
Em 2014, a participada distribuiu ainda resultados de anos anteriores. O montante total dos resultados distri-
buídos ascendeu a 30.000 €, e o valor que a empresa X recebeu foi de 16.500 € (30.000*55%).
Pedido:
Lançamentos contabilísticos a efetuar em 2014, na empresa X.
Resolução:
Variação no capital próprio da participada:
|
Capital próprio inicial: |
120.000 € |
|
|
Resultados líquidos 2014: |
20.000 € |
|
|
Resultados distribuídos: |
-30.000 € |
|
|
Excedente de revalorização |
130.000 € |
|
|
Outras variações: |
-5.000 € |
(Ex: correção de saldos de terceiros) |
|
Capital próprio final: |
235.000 € |
|
a) Reconhecimento da variação negativa de 5.000 € no capital próprio da participada (5.000 * 55%):
|
5713 – Ajustam. at. fin.- Outras variações |
2.750 € |
|
|
a |
4121 – Participações de capital - MEP |
2.750 € |
86
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|
b) |
Reconhecimento do excedente de revalorização (130.000 € * 55%): |
||
|
71.500 € |
||
|
a |
5713 – Ajustam. at. fin.- Outras variações |
71.500 € |
|
|
c) |
Reconhecimento dos resultados do período (20.000 € * 55%): |
||
|
11.000 € |
||
|
a |
7851 – Aplicação MEP |
11.000 € |
|
|
d) |
Recebimento dos resultados (30.000 € * 55%): |
||
|
12 – Depósitos à ordem |
16.500 € |
||
|
a |
4121 – Participações de capital - MEP |
16.500 € |
|
Neste exemplo, partiu-se do pressuposto de que as políticas contabilísticas usadas nas duas entidades eram
semelhantes, não havendo necessidade de proceder à harmonização de políticas contabilísticas.
Microentidades
Este exemplo não se aplica às entidades que apliquem a normalização contabilística para as microentidades,
uma vez que as participações financeiras são mensuradas ao custo.
6.6. INVENTÁRIOS
A contabilização dos inventários encontra-se essencialmente regulada na NCRF 18 – Inventários. De acordo
com esta norma, os inventários são ativos:
a) que se destinam a ser vendidos no decurso normal da atividade;
b) que se encontram no processo de produção para tal venda; ou
c) na forma de materiais ou consumíveis a serem incorporados ou consumidos no processo de pro - dução ou na prestação de serviços.
Os inventários englobam ainda os produtos agrícolas a partir da data da colheita, nas condições previstas na
NCRF 17 – Agricultura.
Mensuração
Os inventários devem estar mensurados no balanço ao custo ou, se inferior, ao valor realizável líquido.
O custo inclui:
- o preço de compra, deduzido de descontos comerciais ou outros abatimentos;
- os gastos adicionais, tais como impostos não dedutíveis ou despesas de transporte;
87
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- os custos de conversão, tais como materiais incorporados, mão-de-obra e outros gastos gerais de fabrico; e
- pode ainda incluir encargos financeiros no caso dos inventários que requeiram um período alargado de tempo para a sua construção ou para estarem em condições de venda (NCRF 10).
Os gastos gerais de produção fixos devem ser imputados ao custo dos inventários com base na capacidade
normal de produção das instalações, definida como a produção média que, em condições normais, se espera
obter durante alguns períodos.
Produtos agrícolas
Os produtos agrícolas são mensurados, na data da colheita, pelo justo valor deduzido dos custos de vender
(NCRF 17). O valor encontrado é o custo para o reconhecimento inicial destes inventários.
Fórmulas de custeio dos inventários
Estão previstas três fórmulas de custeio dos inventários:
- Identificação específica;
- FIFO – primeira entrada, primeira saída ( first in, first out);
- Custo médio ponderado.
A escolha do custeio de mensuração deve ser idêntica para todos os itens da mesma natureza e uso semelhan-
te, independentemente da sua localização.
Valor realizável líquido/Imparidade
Por valor realizável líquido entende-se o preço estimado de venda deduzido dos custos previsíveis de acaba-
mento e de venda.
Se o valor realizável líquido de um inventário for inferior ao seu custo, o seu custo deve ser reduzido para esse
montante.
O valor da imparidade a reconhecer corresponde à diferença entre o custo do inventário e o seu valor realizá-
vel líquido e deve ser reconhecida no período em que ocorre.
A estimativa do valor realizável líquido deve basear-se nas melhores estimativas existentes à data do seu
cálculo, incluindo os acontecimentos após a data do balanço, na medida em que estes confirmem as condições
existentes à data da estimativa.
As estimativas do valor realizável líquido devem ser revistas pelo menos uma vez por período. No caso de
ter sido registado uma imparidade (ou ajustamento) no período anterior, deve verificar-se se as condições se
mantêm e se é preciso reforçar ou reverter a imparidade.
Divulgações no Anexo
No que respeita às participações financeiras, independentemente dos critérios de mensuração, são que cons-
tam dos parágrafos 36 a 38 da NCRF 18 - Inventários.
Sistema de Inventário
Existem dois sistemas de inventário: o sistema de inventário permanente e o sistema de inventário intermi-
tente ou periódico.
88
Obrigatoriedade
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O Decreto-Lei 158/2009, de 13 de julho, que aprovou o SNC, no seu art.º 12.º, no seguimento do que já dis-
punha o POC (Decreto-Lei 44/1999, de 12 de fevereiro), obriga as entidades que apliquem o sistema de nor-
malização contabilística ou as normas internacionais de contabilidade e ultrapassem dois dos três limites
indicados no n.º 2 do art.º 262.º do Código das Sociedades Comerciais a adotarem o sistema de inventário
permanente.
Ficam dispensadas da aplicação do sistema de inventário permanente, em termos gerais, as atividades rela-
cionadas com a agricultura, silvicultura, exploração florestal, pesca, pontos de venda a retalho e entidades
cuja atividade predominante consista na prestação de serviços.
Exemplo Prático
1 – Valorização dos inventários
Em 31 de dezembro, uma empresa tinha nos seus armazéns as seguintes quantidades do produto x:
- 100 unidades acabadas
- 50 unidades em curso, com 50% de acabamento
Ficha técnica do produto x:
|
100 € |
|
|
10 € |
|
|
25 € |
|
|
15 € |
|
|
5 € |
|
|
3 € |
|
|
Total |
158 € |
|
A matéria-prima é incorporada no início do processo produtivo e os restantes custos são incorporados de
forma uniforme ao longo do processo de produção.
Pedido:
Valorização do inventário
Resolução:
De acordo com a NCRF 18 - Inventários, os gastos administrativos e financeiros não devem ser incluídos no
custo dos inventários.
Produtos acabados:
|
Custo unitário do produto x (158 € - 5 € - 3 €): |
150 € |
|
Produto acabado total (160 unid * 150 €): |
24.000 € |
89
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|
Produtos em curso: |
|||
|
- |
Matéria-prima y (100 € * 100%) |
100 € |
|
|
- |
Matérias subsidiárias (10 € * 50%) |
5 € |
|
|
- |
Mão-de-obra (25 € * 50%) |
12,5 € |
|
|
- |
Gastos gerais de fabrico (15 € * 50%) |
7,5 € |
|
|
Total |
125 € |
||
|
Total produto em curso (150 unid * 125 €) |
18.750 € |
||
Salienta-se que a valorização dos produtos acabados ou em curso retirando uma margem, valor ou percenta-
gem ao preço de venda não cumpre as disposições previstas no SNC. A valorização destes artigos deve estar
suportada por fichas técnicas onde constem detalhadamente as matérias incorporadas bem como todos os
outros gastos necessários à sua produção.
2 – Ajustamentos em inventários
Na data de relato, uma entidade mantém no seu armazém diversas matérias-primas obsoletas, não havendo pers-
petiva da sua utilização na produção. Estes artigos estão valorizados ao custo, pelo montante de 10.000 €. A em-
presa ainda não decidiu o destino a dar às referidas matérias, embora reconheça que estas não têm valor comercial.
Assim, foi decidido considerar uma perda por imparidade/ajustamento para aqueles inventários, ainda que
não tenha qualquer prova sobre o valor realizável liquido, que a empresa assumiu ser de 100 €, valor pago por
empresa de recolha daquelas matérias.
Pedido:
Registo contabilístico da imparidade
Resolução:
Uma vez que aqueles artigos não terão valor comercial, exceto o valor pago pelo envio para sucata, deverá ser
reconhecida uma perda por imparidade do seu valor, deduzido do valor atribuído.
a) Reconhecimento da perda por imparidade
|
652 – Perdas p/ imparidade – Em inventários |
9.900 € |
|
|
a |
339 – Perdas por imparidade acumuladas |
9.900 € |
(10.000 € - 100 €)
b) Reconhecimento do ativo por impostos diferidos
Uma vez que a perda a por imparidade reconhecida não se reporta a uma perda por imparidade aceite como
gasto para efeitos de IRC, haverá a necessidade do reconhecimento de um ativo por impostos diferidos:
|
2741 – Ativos por impostos diferidos |
2.079 € |
|
|
a |
8122 – Imposto s/rendimento – Imp dif. |
2.079 € |
Perda por imparidade*taxa de IRC: 9.900 * 21% = 2.079 €
90
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Microentidades, Pequenas Entidades e Entidades Setor não Lucrativo
Nas entidades que adotem a NCM, a NCRF-PE ou a NCRF-ESNL (exceto, nos últimos dois casos, adotarem o
modelo de revalorização) não está previsto o reconhecimento de impostos diferidos. Assim, neste exemplo
teríamos apenas:
a) Reconhecimento da perda por imparidade
|
652 – Perdas p/ imparidade – Em inventários |
9.900 € |
|
|
a |
339 – Perdas por imparidade acumuladas |
9.900 € |
6.7. DIFERENÇAS DE CÂMBIO
A norma que trata os efeitos nas demonstrações financeiras de alterações nas taxas de câmbio é a NCRF 23 –
Os efeitos de alterações em taxas de câmbio.
Esta norma aplica-se à:
a) contabilização de transações e saldos em moedas estrangeiras;
b) transposição das demonstrações financeiras de unidades operacionais estrangeiras que sejam incluí- das nas demonstrações financeiras da entidade pela consolidação, pela consolidação proporcional ou pelo método de equivalência patrimonial; e
c) transposição dos resultados e da posição financeira de uma entidade para a moeda de apresentação.
Relativamente à alínea a), contabilização de transações e saldos em moedas estrangeiras, de acordo com o
parágrafo 23 da norma, à data de cada balanço:
a) Os itens monetários em moeda estrangeira devem ser transpostos pelo uso da taxa de fecho;
b) Os itens não monetários que sejam mensurados ao custo histórico numa moeda estrangeira devem ser transpostos pelo uso da taxa de câmbio à data da transação;
c) Os itens não monetários que sejam mensurados ao justo valor numa moeda estrangeira devem ser transpostos pelo uso das taxas de câmbio que existiam quando os justos valores foram determinados.
Na data de encerramento deve ser efetuado um levantamento dos saldos, ativos e passivos, em moeda estran-
geira. Por exemplo:
|
• |
saldos de clientes; |
|
• |
saldos de fornecedores; |
|
• |
depósitos bancários; |
|
• |
numerário em caixa. |
Sendo itens monetários, que é o caso dos exemplos do parágrafo anterior, no final do período deve atualizar-
-se saldo do item, convertendo-se o saldo na moeda original para a moeda de relato (euros), utilizando o câm-
bio da data de fecho do período (31/12). A diferença, se existir, deve ser reconhecida em diferenças de câmbio.
91
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Código de contas
O código de contas apresentado na portaria 1011/2009, de 09 de setembro, é de aplicação obrigatória, mas
não é exaustivo. Considerando também o referido no site da CNC (FAQ 10), o código de contas sugerido para
registos das diferenças de câmbio será o seguinte:
68 Outros gastos e perdas
…
686 Gastos e perdas nos restantes ativos financeiros
6861 Diferenças de câmbio desfavoráveis (atividade de investimento)
688 Outros
6887 Diferenças de câmbio desfavoráveis (atividade operacional)
69 Gastos e perdas de financiamento
…
692 Diferenças de câmbio desfavoráveis (atividade de financiamento)
6921 Relativas a financiamentos obtidos
…
6928 Outras
78 Outros rendimentos e ganhos
…
786 Rendimentos e ganhos nos restantes ativos financeiros
7861 Diferenças de câmbio favoráveis (atividade de investimento)
788 Outros
7887 Diferenças de câmbio favoráveis (atividade operacional)
79 Juros, dividendos e outros rendimentos similares
…
793 Diferenças de câmbio favoráveis (atividade de financiamento)
As diferenças de câmbio desfavoráveis só devem ser registadas na conta 692 – Diferenças de câmbio se
estiverem relacionadas com financiamentos obtidos. Se estiverem relacionadas com a atividade opera-
cional da entidade deve ser criada uma subconta da conta 68 – Outros gastos e perdas, conforme resposta
à FAQ 10 da CNC 31 .
31 http://www.cnc.min-financas.pt/faqs_empresarial.html
92
Divulgações no Anexo
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
No que respeita às participações financeiras, independentemente dos critérios de mensuração, são que cons-
tam dos parágrafos 50 a 53 da NCRF 23 - Os Efeitos de Alterações em Taxas de Câmbio.
Exemplo Prático
Uma empresa, em 31 de dezembro, apresentava os seguintes saldos em moeda estrangeira:
|
5.000 $ |
||||
|
10.000 $ |
||||
|
7.500 £ |
||||
|
Resolução: |
|||||
|
Saldo Contab. |
Moeda Original |
Câmbio |
Valor (€) |
Diferença |
|
|
(EUR) |
31/12 |
31/12 |
|||
|
Dep. Ordem USD |
4.000 € |
5.000 $ |
1,3791 |
3.625 € |
-375 € |
|
Cliente USD |
7.000 € |
10.000 $ |
1,3791 |
7.250 € |
250 € |
|
Fornecedor GBP |
8.000 € |
7.500 £ |
0,8337 |
8.996 € |
-996 € |
Contabilização
Depósitos à ordem:
|
6887 |
– Diferenças de câmbio desfavoráveis |
375 € |
|
|
a |
12 – Dep. Ordem |
375 € |
|
|
Clientes: |
|||
|
211 – Clientes |
250 € |
||
|
a |
7887 – Diferenças de câmbio favoráveis |
250 € |
|
|
Fornecedores: |
|||
|
6887 |
– Diferenças de câmbio desfavoráveis |
996 € |
|
|
a |
221 - Fornecedores |
996 € |
|
93
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
6.8. PROVISÕES, PASSIVOS CONTINGENTES E ATIVOS CONTINGENTES 32
Uma provisão é um passivo de tempestividade ou quantia incerta. Tempestividade incerta porque se desco -
nhece o momento exato da ocorrência da obrigação, e quantia incerta porque se desconhece a quantia exata
necessária para fazer face à obrigação.
Uma provisão é reconhecida quando:
- uma entidade tem uma obrigação presente (legal ou construtiva), resultante de um acontecimento passado;
- em que é provável que seja necessário um dispêndio (exfluxo de recursos que incorporem benefícios económicos) futuro para a liquidação da obrigação; e
- seja possível estimar com fiabilidade a quantia da obrigação.
Um passivo contingente pode resultar de duas situações:
a) uma obrigação possível, resultante de acontecimentos passados, mas cuja ocorrência apenas será confirmada por eventos futuros não totalmente controlados pela entidade; ou
b) uma provisão que não é reconhecida porque: não é provável que um exfluxo de recursos seja exi- gido para liquidar a obrigação; ou a quantia da obrigação não pode ser estimada com fiabilidade.
Um passivo contingente não é reconhecido devendo apenas ser divulgado, a menos que seja remota a possibi-
lidade de um dispêndio futuro para a sua liquidação, caso em que não se reconhece nem se divulga.
Ativo contingente é o resultado de um acontecimento que dá origem a um possível influxo de benefícios
económicos no futuro, mas que apenas será confirmada ou não pela ocorrência de acontecimentos futuros,
incertos e não totalmente controlados pela entidade.
Um ativo contingente nunca é reconhecido devendo apenas ser divulgado se for provável a ocorrência de um
influxo de benefícios económicos.
A recolha de informação sobre as obrigações à data do balanço pode incluir evidência proporcionada por
acontecimentos ocorridos após a data do balanço.
Em caso de dúvida entre uma provisão ou um passivo contingente (casos raros diz a norma), está-se perante
uma provisão se for mais provável do que não que tal obrigação exista à data do balanço.
As provisões, os passivos contingentes e os ativos contingentes devem ser revistos todos os anos, para refletir
a melhor estimativa à data do balanço.
Uma provisão deve ser usada somente para os dispêndios relativos aos quais a provisão foi originalmente
reconhecida.
Contrabalançar os dispêndios com uma provisão que foi originalmente reconhecida para uma outra finalidade
esconderia o impacto de dois acontecimentos diferentes.
32 NCRF 21 – Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes
94
Contratos onerosos
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Se uma entidade tiver contratos onerosos, definidos como contratos em que os custos inevitáveis à sua reali-
zação excedem os rendimentos que se espera receber, deve reconhecer a obrigação presente (diferença entre
os custos totais previstos e o valor da receita prevista no contrato) como uma provisão.
Reestruturação
A reestruturação de uma entidade, resultante por exemplo da venda, do fecho ou da deslocalização de uma
unidade de negócio ou de uma reorganização fundamental com efeito material nas operações da entidade,
pode originar uma provisão para custos diretos de reestruturação.
Uma provisão para reestruturação apenas é reconhecida quando, antes da data do balanço, a entidade tenha
iniciado a implementação do plano de reestruturação ou tenha anunciado as principais caraterísticas do pla-
no aos interessados de forma suficientemente específica.
Se tiver iniciado ou anunciado a implementação da reestruturação após a data do balanço, deve apenas divul-
gar o facto no anexo.
Como exemplo de situações que podem levar ao reconhecimento de provisões podem referir-se:
- Garantias a clientes
- Processos judiciais em curso
- Acidentes no trabalho e doenças profissionais (NCRF 28)
- Matérias ambientais (NCRF 26)
- Contratos onerosos
- Reestruturações
Na preparação das demonstrações financeiras os TOC devem questionar os órgãos governativos sobre a exis-
tência de situações que possam originar o reconhecimento ou divulgação de provisões, passivos contingentes
ou ativos contingentes.
No âmbito desse trabalho podem ser consultadas as atas das reuniões da administração ou solicitada infor-
mação aos advogados no caso de haver processos judiciais ou litígios em curso.
O processo de decisão previsto no anexo A da NCRF 21, dos principais requisitos de reconhecimento de provi-
sões e passivos contingentes, é o seguinte:
95
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Exemplos práticos
Exercício 1 – Contrato oneroso
Uma empresa celebrou no início de 2014 um contrato para construção de uma obra no montante de 1.100.000
€. Os custos estimados para a realização dessa obra ascendiam a 1.000.000 €.
No final de 2014, ao reavaliar a evolução deste contrato, devido a alguns custos não estimados no projeto
inicial e a atrasos provocados por condições climatéricas adversas, os custos estimados deste contrato ascen-
diam já a 1.200.000 €. Estes custos adicionais não serão suportados pelo cliente.
Pedido:
Registos contabilísticos relacionados com a provisão do contrato oneroso em 2014.
Resolução:
Constituição da provisão:
1.200.000 € - 1.100.000 € = 100.000 € (custos estimados deduzidos preço venda)
Contabilização:
|
676 – Provisões – contratos onerosos |
100.000 € |
|
|
a |
296 – Provisões – contratos onerosos |
100.000 € |
96
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
As provisões para contratos onerosos não estão previstas no CIRC, pelo que deverão ser registados os impos-
tos diferidos correspondentes.
- Reconhecimento do imposto diferido (taxa de IRC 21% - para 2015):
|
2741 – Ativo por Imp. diferidos |
21.000 € |
|
|
a |
8122 – Imp. s/ rendim. – Imposto diferido |
21.000 € |
Microentidades, Pequenas Entidades e Entidades Setor não Lucrativo
Nas entidades que adotem a NCM, a NCRF-PE ou a NCRF-ESNL (exceto, nos últimos dois casos, adotarem o
modelo de revalorização) não está previsto o reconhecimento de impostos diferidos. No restante, o tratamen-
to contabilístico é idêntico.
Exercício 2 – Processos judiciais em curso
Um cliente intentou uma ação judicial contra uma empresa por danos causados numa obra por si realizada, na
qual se vieram a verificar diversos problemas.
O valor da indemnização pedida pelo cliente ascende ao montante de 100.000 € e o advogado diz que a proba-
bilidade da empresa perder a causa e ter que pagar a indemnização é elevada.
Pedido:
Registos contabilísticos associados ao processo judicial em curso.
Resolução:
Uma vez que existe uma obrigação presente, decorrente de um acontecimento passado, em que existe uma
probabilidade elevada de vir a ocorrer um dispêndio para liquidar a obrigação, estamos perante uma provisão.
Como pode ser mensurada com fiabilidade deve ser reconhecida.
Reconhecimento da provisão:
|
100.000 € |
|
a 293 – Provisões – processos judiciais em curso |
100.000 € |
No momento em que a empresa tiver que pagar a indemnização, deve fazer o seguinte lançamento:
|
100.000 € |
|
a 12 – Bancos |
100.000 € |
O registo de provisões pode originar a contabilização de impostos diferidos. Assim, deve ser analisado o en-
quadramento fiscal de cada provisão e, no caso de haver uma diferença fiscal temporária (em IRC), registar os
correspondentes impostos diferidos.
97
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
6.9. RÉDITO 33
O rédito é um rendimento que provém da atividade corrente ou ordinária de uma entidade devendo ser reco -
nhecido quando tenha surgido um aumento de um ativo ou uma diminuição de um passivo, quando possa ser
quantificado com fiabilidade e tenha um grau suficiente de certeza.
Estamos perante rédito quando registamos o rendimento de vendas de bens, prestações de serviços, ou juros,
royalties e dividendos pelo uso por outros de ativos da entidade.
O Rédito deve ser mensurado pelo justo valor da retribuição recebida ou a receber, tendo em consideração
eventuais descontos comerciais ou de quantidade concedidos.
Se o seu recebimento for diferido por um prazo anormalmente alargado, o rédito ser mensurado pelo valor
descontado. A diferença resultante deve ser reconhecida como rédito de juros.
Venda de Bens
O reconhecimento do rédito proveniente da venda de bens ocorre quando se verificarem, cumulativamente,
as seguintes situações:
a) tenham sido transferidos para o comprador os principais riscos e vantagens da propriedade dos bens;
b) a entidade não mantenha envolvimento continuado de gestão nem controlo efetivo sobre os bens vendidos;
c) o rédito possa ser fiavelmente mensurado;
d) seja provável que os benefícios económicos futuros fluam para a entidade; e
e) os custos incorridos ou a incorrer referentes à transação possam ser mensurados com fiabi- lidade.
No encerramento do período deve ser efetuada uma análise às últimas faturas de venda, e primeiras do no
seguinte, para verificar se, na data do balanço, os bens foram expedidos para o cliente e se foram transferidos
os principais riscos e vantagens associados aos bens. Assim, se apesar de ter sido emitida uma fatura, os bens
continuarem no armazém da entidade, sob a sua responsabilidade, nenhum rédito deve ser reconhecido.
Prestação de Serviços - Fase de acabamento
O reconhecimento do rédito, na data do balanço, das prestações de serviços que transitam de um período para
outro incide sobre a sua fase de acabamento, também designado como método da percentagem de acabamento.
O reconhecimento do rédito depende da mensuração com fiabilidade da fase de acabamento e dos custos in-
corridos e a incorrer até o desfecho da transação.
O método da fase de acabamento, ou percentagem de acabamento, consiste no reconhecimento dos réditos e
dos gastos no período em que os serviços são executados. Isto é, em função dos serviços já realizados (gastos
incorridos) determina-se a fase de acabamento e o rédito a imputar ao exercício.
33 NCRF 20 – Rédito
98
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Assim, no encerramento do período, deve ser apurada a fase da acabamento em que a prestação de serviços se
encontra, a qual pode ser obtida através da percentagem dos custos já incorridos face aos custos totais previs-
tos, e ajustado o rédito imputado ao período.
Se for esperado que os custos do contrato sejam superiores ao rédito (contrato oneroso), a diferença deve ser
reconhecida de imediato como gasto mesmo que o trabalho ainda não se tenha iniciado (ver exemplo ponto
anterior).
Exemplo Prático
1 - Venda de bens
Uma empresa celebrou, em dezembro de 2014, um contrato para uma venda de bens. O valor do contrato é de
100.000 € e a entrega dos artigos está prevista para 2015.
No entanto, o cliente solicitou a fatura com data de 2014, pelo que foi emitida e contabilizada, em dezembro
de 2014, uma fatura no montante de 100.000 €.
Pedido:
Registos contabilísticos relacionados com esta operação.
Resolução:
Uma vez que os bens ainda não foram enviados para o cliente e os riscos da sua propriedade continuam na
posse do vendedor, o rédito da venda dos bens deve ser anulado.
|
Contabilização: |
||
|
71 - Vendas |
100.000 € |
|
|
a |
21 – Clientes |
100.000 € |
1- Prestação de Serviços
Em 31 de dezembro de 2014, uma entidade que se dedica à reparação de automóveis, mantinha obras em curso
no montante de 80.000 € (mão-de-obra, peças e outros encargos). O valor a faturar associado aos serviços já
realizados, face às margens praticadas para aqueles clientes, ascendia ao montante de 100.000 €.
Pedido:
Registos contabilísticos no final do período.
Resolução:
Neste caso, uma vez que os serviços são faturados ao cliente em função dos gastos incorridos, não é necessá-
rio calcular a percentagem de acabamento para determinar o rédito a imputar ao período. Assim, o rédito a
imputar ao período é de 100.000 € (não devem ser reconhecidos produtos e trabalhos em curso/variação da
produção uma vez que os bens não são propriedade da empresa).
99
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Contabilização:
|
2721 – Devedores por acréscimos de rendimentos |
100.000 € |
|
|
a |
72 – Prestações de Serviços |
100.000 € |
6.10. CONTRATOS DE CONSTRUÇÃO
Um contrato de construção é um contrato especificamente negociado para a construção de um ativo ou de
uma combinação de ativos que estejam intimamente inter-relacionados ou interdependentes em termos da
sua conceção, tecnologia e função ou do seu propósito ou uso final.
A norma dos contratos de construção (NCRF 19) apenas se aplica a contratos para construção de ativos de
terceiros (por exemplo construção de uma ponte) e não à construção de ativos próprios (por exemplo a cons-
trução de imóveis para venda).
Mensuração
O rédito nos contratos de construção é mensurado pelo justo valor das quantias a receber.
O rédito do contrato deve compreender:
a) A quantia inicial de rédito acordada no contrato; e
b) Variações no trabalho, reclamações e pagamentos de incentivos do contrato: (i) Até ao ponto que seja provável que resultem em rédito; e (ii) Estejam em condições de serem fiavelmente mensurados.
Reconhecimento
Quando o desfecho de um contrato de construção puder ser fiavelmente estimado, o rédito e os custos do con-
trato devem ser reconhecidos, à data do balanço, com base na fase de acabamento (método da percentagem de
acabamento), imputando ao período os gastos e réditos correspondentes aos serviços executados.
Se o desfecho do contrato não puder ser estimado com fiabilidade, o rédito só é reconhecido até ao ponto que
for provável que os custos incorridos sejam recuperados.
Fase de acabamento ou método da percentagem de acabamento
Segundo este método, o rédito é balanceado com os gastos incorridos, resultando no relato de rédito, gastos e
lucros atribuíveis à proporção de trabalho concluído. Este método proporciona informação útil sobre a exten-
são de atividade e desempenho do contrato durante um período.
A fase de acabamento de um contrato pode ser determinada de várias formas. A entidade usa o método que
melhor calcule o trabalho executado. Os métodos podem incluir:
a) A proporção dos custos do contrato incorridos até à data face aos custos estimados totais do contrato;
100
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
b) Levantamentos do trabalho executado; ou
c) Conclusão de uma proporção física do trabalho contratado.
Exemplo prático
Uma empresa celebrou um contrato para a construção de um imóvel pelo montante de 5.000.000 €. O custo
para a realização do contrato foi estimado em 4.000.000 €, tendo sido revisto no final do segundo ano para
4.500.000 €.
O prazo previsto para a execução do contrato é de três anos e a faturação será emitida: 30% no primeiro
ano, 40% no segundo ano e 30% com a conclusão da obra.
Dados do contrato, ao longo do período de execução:
|
Ano 1 |
Ano 2 |
Ano 3 |
Total |
|||
|
Custos incorridos |
1.000.000 |
2.240.000 |
1.260.000 |
4.500.000 |
||
|
Faturação |
1.500.000 |
2.000.000 |
1.500.000 |
5.000.000 |
||
|
Pedido: |
||||||
|
Registos contabilísticos no final de cada período. |
||||||
|
Resolução: |
||||||
|
Cálculo da percentagem de acabamento, do rédito a reconhecer, dos acréscimos de rendimentos e dos rendi- |
||||||
|
mentos a diferir: |
||||||
|
Ano 1 |
Ano 2 |
Ano 3 |
||||
|
Custos incorridos acumulados (1) |
1.000.000 |
3.240.000 |
4.500.000 |
|||
|
Custos totais estimados (2) |
4.000.000 |
4.500.000 |
4.500.000 |
|||
|
Percentagem de acabamento (3)=(1)/(2) |
25% |
72% |
100% |
|||
|
Rédito a reconhecer acumulado (4)=(3)*5.000.000 |
1.250.000 |
3.600.000 |
5.000.000 |
|||
|
Rédito correspondente ao período |
1.250.000 |
2.350.000 |
1.400.000 |
|||
|
Faturação emitida |
1.500.000 |
2.000.000 |
1.500.000 |
|||
|
Diferença |
+250.000 |
-350.000 |
+100.000 |
|||
|
Registos contabilísticos na emissão da fatura |
||||||
|
72 – Prestações de serviços (faturação) |
1.500.000 |
2.000.000 |
1.500.000 |
|||
|
Registos contabilísticos final ano/correção |
||||||
|
72 – Prestações de serviços (faturação) |
250.000 |
d |
350.000 c |
100.000 |
d |
|
|
2721 – Acréscimos de rendimentos |
- |
100.000 d |
100.000 |
c |
||
|
282 – Rendimentos a reconhecer |
250.000 |
c |
250.000d |
- |
||
Resumindo:
No final do ano 1, teríamos a faturação emitida superior ao rédito a reconhecer em 250.000 €, logo, o registo
contabilístico seria:
101
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
|
250.000 € |
|
|
a |
282 – Rendimentos a reconhecer |
250.000 € |
No final do ano 2, teríamos a faturação emitida inferior ao rédito a reconhecer em 350.000 €, logo, o registo
contabilístico seria:
|
282 – Rendimentos a reconhecer |
250.000 € |
(anulação saldo ano 1) |
|
|
2721 – Acréscimos de rendimentos |
100.000 € |
||
|
a |
72 – Prest. Serviços |
350.000 € |
|
No final do ano 3, na conclusão do contrato, teríamos a faturação emitida superior ao rédito a reconhecer em
100.000 €. O registo contabilístico seria:
|
100.000 € |
|
|
a |
2721 – Acréscimos de rendimentos |
100.000 € |
6.11. FUNDO DE COMPENSAÇÃO DO TRABALHO ( FCT ) E FUNDO DE GARANTIA DE COMPENSAÇÃO DO TRABALHO ( FGCT )
Conforme referido na Lei n.º 70/2013, de 30 de agosto e na Portaria 294-A/2013, de 30 de setembro, por cada
contrato de trabalho celebrado após 01-10-2013, as entidades empregadoras pagam:
|
• |
para o Fundo de compensação do trabalho (FCT) o montante correspondente a 0,925 % da retribui- |
|
ção base e diuturnidades devidas a cada trabalhador abrangido. |
|
|
• |
para o Fundo de garantia de compensação do trabalho (FGCT) o montante correspondente a 0,075 |
% da retribuição base e diuturnidades devidas a cada trabalhador abrangido pelo FCT ou ME .
Fundo de compensação do trabalho (FCT)
Conforme refere a FAQ 28, disponibilizada no site da CNC, as entregas mensais para o FCT, efetuadas pela en-
tidade empregadora, devem ser reconhecidas como um ativo financeiro dessa entidade, mensurado pelo justo
valor, com as respetivas variações reconhecidas em resultados, considerando-se que o valor das unidades de
participação divulgado pela entidade gestora do fundo poderá ser um referencial prático para o efeito.
No site do Fundo de Compensação de Trabalho 34 (nas FAQ’s), é referido que o valor da unidade de participação
é determinado dividindo o valor líquido global do fundo pelo número total de unidades de participação emi-
tidas. O valor líquido global do fundo corresponde ao valor dos ativos que o integram, valorizados de acordo
com as normas de valorimetria aplicáveis, em cada momento, aos organismos de investimento coletivo
domiciliados em Portugal, deduzido do valor dos encargos efetivos ou pendentes de liquidação.
a) Entregas mensais para o FCT
415 – Outros investimentos financeiros
a
12 – Depósitos à ordem
34 http://www.fundoscompensacao.pt
102
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
|
b) |
Variações de justo valor do ativo face às entregas mensais para o FCT |
|
|
|
a |
772 – Ganhos por aumentos de justo valor em investimentos financeiros |
|
Ou |
|
|
|
|
a |
415 – Outros investimentos financeiros |
|
c) |
Impostos diferidos nas variações de justo valor do ativo referente às entregas mensais para o FCT |
Haverá lugar ao reconhecimento de impostos diferidos, uma vez que a quantia da eventual valorização gerada
pelas aplicações financeiras dos valores do FCT só é considerada rendimento para efeitos tributários no mo -
mento do reembolso à entidade empregadora.
Assim, no caso de estarmos perante uma valorização de JV, devemos registar um passivo por impostos dife-
|
ridos: |
|
|
|
|
a |
2742 – Imp. diferidos – Passivos |
Estando perante uma desvalorização de JV, devemos considerar um ativo por impostos diferidos:
2741 – Imp. diferidos – Ativos
a
8122 – Imp. s/ rendim. – Imposto diferido
No que respeita às entidades que apliquem o regime das pequenas entidades e para as entidades do setor não lu-
crativo, consignado no SNC, o disposto anteriormente aplica-se, sem as considerações para os impostos diferidos.
As entidades que apliquem a Normalização Contabilística para Microentidades:
- As entregas mensais para o FCT, efetuadas pela entidade empregadora, devem ser reconhecidas como um ativo financeiro dessa entidade, mensurado ao custo;
- A eventual valorização gerada pelas aplicações financeiras dos valores do FCT será reconhecida como rendimento na data em que ocorrer o reembolso à entidade empregadora.
Fundo de garantia da compensação do trabalho (FGCT)
As entregas mensais para o FGCT, efetuadas pela entidade empregadora, devem ser reconhecidas como gasto
do período a que respeitam.
Assim, mensalmente por cada entrega efetuada, as entidades devem efetuar o seguinte lançamento:
635 – Gastos com o pessoal - Encargos sobre remunerações 35
a
12 – Depósitos à ordem
35 Aconselha-se a criação de uma subconta apropriada com o título Fundo de garantia de compensação do trabalho.
103
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
6.12. REGIME DO ACRÉSCIMO OU DA PERIODIZAÇÃO ECONÓMICA
A estrutura concetual e as bases de apresentação das demonstrações financeiras definem como princípio con-
tabilístico o regime de acréscimo ou da periodização económica, para a preparação das demonstrações finan-
ceiras, exceto para informação de fluxos de caixa.
Ao ser usado o regime contabilístico de acréscimo ou da periodização económica, os itens são reconhecidos
como ativos, passivos, capital próprio, rendimentos e gastos (os elementos das demonstrações financeiras)
quando satisfaçam as definições e os critérios de reconhecimento para esses elementos contidos na estrutura
concetual.
Assim, os gastos e os rendimentos devem ser reconhecidos no período em que são incorridos, independente-
mente do período em que o fluxo financeiro se verifica.
O cumprimento deste princípio tem impacto nas seguintes contas do balanço:
ü 2721 – Devedores por acréscimos de rendimentos
ü 2722 – Credores por acréscimos de gastos
ü 281 – Gastos a reconhecer
ü 282 – Rendimentos a reconhecer
Existem inúmeras situações em que o período a que se reporta o rendimento ou o gasto não coincide com a
data do documento que o suporta, por exemplo:
2721 – Devedores por acréscimos de rendimentos
ü Valores a receber no ano 2015 que se reportam ao ano 2014 (juros a receber; subsídios a receber rela- tivos a gastos já incorridos, rédito a reconhecer de prestações de serviço em curso)
2722 – Credores por acréscimos de gastos
ü Estimativa para as férias e subsídio de férias a pagar em 2015, mas que se venceram em 2014, inde- pendentemente da forma de pagamento ser em duodécimos;
ü Estimativa das gratificações/prémios a distribuir em 2015, por serviços prestados pelos funcionários no ano. Incluí as gratificações de balanço a deliberar na assembleia geral de aprovação de contas do ano 2014, desde que seja provável o seu pagamento (proposto no relatório de gestão, seja usual a sua distribuição, …);
ü Despesas a pagar em 2015 que se reportam a gastos do ano 2014 (eletricidade, gás, água, juros su- portados)
281 – Gastos a reconhecer
ü Despesas pagas no ano 2014 e que se reportam a gastos de 2015 (seguros, rendas pagas, trabalhos especializados)
282 – Rendimentos a reconhecer
104
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
ü Valores recebidos no ano 2014 e que se reportam a rendimentos de 2015 (adiantamentos de subsídios recebidos, rendas recebidas).
Estimativa com férias e subsídio de férias
De acordo com a legislação em vigor, designadamente o art.º 237º do Código do Trabalho, os empregados ga-
nham o direito às férias e ao subsídio de férias, no dia 01 de janeiro de cada ano, por terem prestado serviços
numa entidade durante o ano (ou parte do ano) anterior.
O processamento das férias em duodécimos, corresponde às férias do ano anterior (2013), pagas em 2014.
Assim a entidade deverá reconhecer esta responsabilidade assumida com os empregados como gasto do ano
em que estes prestaram serviço e ganharam o direito às férias e ao subsídio de férias.
Se a entidade preparar contas intercalares deve ainda estimar o encargo com o subsídio de natal já vencido.
A contrapartida desta responsabilidade será uma conta do passivo 2722 – Outras contas a receber e a pagar –
Credores por acréscimos de gastos.
Estimativa de gratificações
No que respeita ao reconhecimento da participação nos lucros de uma entidade (gratificações de balanço),
esta deve reconhecer o custo esperado dos pagamentos de participação nos lucros e bónus, só quando:
a) A entidade tenha uma obrigação presente legal ou construtiva de fazer tais pagamentos em consequência de acontecimentos passados; e
b) Possa ser feita uma estimativa fiável da obrigação.
Exemplos Práticos
1 – Estimativa de férias e subsídio de férias
Uma empresa, no processamento de vencimentos de dezembro, apresentou os seguintes valores:
|
Vencimento base |
50.000 |
|
Prémios de produtividade |
10.000 |
|
Subsídio de refeição |
500 |
|
Contribuições para a Segurança Social (23,75%) |
14.250 |
|
TSU (11%) |
6.600 |
|
Retenção na fonte de IRS |
2.500 |
Pedido:
Admitindo que apenas o vencimento base é pago 14 meses e os funcionários a trabalhar em dezembro terão
direito, em 2015, às férias e ao subsídio de férias por completo, pede-se o c á lculo e a contabilização, em 2014,
da estimativa com as férias e subsídio de férias a pagar em 2015.
105
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
|
Resolução: |
||
|
Cálculo: |
||
|
- |
Férias: |
50.000 € |
|
- |
Subsídio de férias |
50.000 € |
|
- |
Contribuições Segurança Social |
23.750 € |
Para o cálculo dos encargos com as férias e o subsídio de férias a pagar no ano seguinte, devem ser considera-
das apenas as remunerações que são processadas e pagas (e os trabalhadores tem direito) nesses meses (pagas
14 vezes por ano). Assim, os valores pagos para além do vencimento base, têm que ser analisados caso a caso,
para efeito do cálculo destas responsabilidades.
Os encargos por conta dos trabalhadores (IRS e TSU) não entram para este valor.
Devem também ser analisadas as situações de faltas, de incapacidade temporária ou de contratos de trabalho
recentes, para efetuar o cálculo dos encargos com férias e subsídio de férias a pagar no ano seguinte.
Reconhecimento na contabilidade, em 2014, da responsabilidade com as férias e subsídio de férias a pagar em 2015
|
100.000 € |
|
|
||
|
para a Segurança Social |
23.750 € |
|
|
a |
2722 – Outras contas a receber e a pagar |
|
|
Credores por acréscimos de gastos |
123.750 € |
|
2 – Estimativa de gratificações de balanço
O órgão de gestão propõe o pagamento, em 2015, de gratificações resultantes da aplicação do resultado de li-
quido de 2014 (gratificações de balanço) de 225.000 euros, das quais 25.000 € para os sócio-gerente e 200.000
€ para os trabalhadores. Historicamente, Assembleia Geral da entidade sempre aprovou a distribuição de
resultados proposta pela Gestão. A remuneração do gerente ascende ao montante de 5.000 € mensais.
Pedido:
Registo contabilístico da estimativa com a gratificação de balanço
Resolução:
A gratificação a pagar aos sócios-gerentes não é aceite fiscalmente pela totalidade, uma vez que ultrapassa
dobro da remuneração mensal auferida no período de tributação a que respeita o resultado em que participam
(alínea o) do n.º 1 do art.º 23.º-A do CIRC). Limite: 2 * (5.000 * 14 / 12) = 11.666,67 €.
Contabilização:
a) Reconhecimento da responsabilidade com a gratificação estimada a pagar em 2015
106
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
|
25.000 € |
|
|
200.000 € |
|
|
a |
2722 – Outras contas a receber e a pagar |
|
|
- Credores acréscimos. de gastos |
225.000 € |
|
6.13. SUBSÍDIOS DO GOVERNO
Os subsídios do governo são auxílios do Governo na forma de transferência de recursos para uma entidade
em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas com as atividades operacionais
da entidade.
Os subsídios do governo podem ser:
|
• |
Reembolsáveis; |
|
• |
Não reembolsáveis. |
Quanto às despesas elegíveis, os subsídios do governo podem ser subsídios:
|
• |
Ao investimento; |
|
• |
À exploração. |
Um subsídio do Governo não deve ser reconhecido, até que haja segurança razoável de que:
|
• |
a entidade cumprirá as condições a ele associadas; e |
|
• |
que o subsídio será recebido. |
No entanto o recebimento de um subsídio não proporciona ele próprio prova conclusiva de que as condições
associadas ao subsídio tenham sido ou serão cumpridas.
Subsídio reembolsáveis Vs Subsídio não reembolsáveis
Os subsídios do Governo reembolsáveis são contabilizados como passivos. No caso de estes subsídios ad-
quirirem a condição de não reembolsáveis, deverão passar a ter o tratamento definido para os subsídios não
reembolsáveis, mas unicamente a partir desse momento.
Os subsídios do Governo não reembolsáveis relacionados com ativos fixos tangíveis e intangíveis (subsídios
ao investimento) devem ser inicialmente reconhecidos nos capitais próprios e, subsequentemente:
a. Quanto aos que respeitam a ativos fixos tangíveis depreciáveis e intangíveis com via útil defini- da, imputados numa base sistemática como rendimentos durante os períodos necessários para balanceá-los com os gastos relacionados que se pretende que eles compensem;
b. Quanto aos que respeitem a ativos fixos tangíveis não depreciáveis e intangíveis com vida útil in- definida, mantidos nos Capitais Próprios, exceto se a respetiva quantia for necessária para com- pensar qualquer perda por imparidade.
107
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
No caso dos subsídios à exploração, que pretendem compensar as entidades pela realização de despesas
elegíveis com caráter de gasto, por exemplo, subsídios à formação (POPH), à internacionalização, na parte em
que comparticipam gastos, ou incentivos à contratação de pessoal, deverão ser reconhecidos nos resultados,
conta 75 - Subsídios à exploração, no mesmo período em que os gastos associados são incorridos.
Impostos diferidos
De acordo com a informação constante no site da CNC, na resposta revista em 15-04-2013 (resposta à FAQ
13) 36 , e considerando que a forma de reconhecimento dos subsídios relacionados com ativos (em capital pró -
prio) que foi acolhida no SNC se diferencia das normas internacionais de contabilidade, suscitando dificulda-
des de enquadramento em matéria de impostos diferidos e considerando que, no caso de subsídios não reem-
bolsáveis relacionados com ativos fixos tangíveis depreciáveis e intangíveis com vida útil definida, o período
de reconhecimento contabilístico do subsídio como rendimento e o momento da sua tributação coincidem,
decidiu a CNC reanalisar a questão, e rever o seu entendimento, nos seguintes termos:
|
• |
Quanto aos subsídios não reembolsáveis relacionados com ativos fixos tangíveis depreciáveis e in- |
|
tangíveis com vida útil definida, os subsídios estão sujeitos a tributação, por força do registo do ren- |
|
|
dimento com a imputação de subsídios para investimentos (conta 7883), o valor registado no capital |
|
|
próprio apenas se circunscreve à quantia do subsídio, deduzida da quantia do imposto que lhe está |
|
|
associado. |
|
|
Assim, a quantia escriturada dos ativos com que os subsídios se relacionam é igual à base fiscal desse |
|
|
ativo (vide § 5 da NCRF 25). |
|
|
Por conseguinte, não existe qualquer diferença temporária tributável e, logo, não há lugar ao reco - |
|
|
nhecimento de qualquer passivo por impostos diferidos. |
|
|
• |
Quanto aos subsídios não reembolsáveis relacionados com ativos fixos tangíveis não depreciáveis e |
intangíveis com vida útil indefinida , estes serão reconhecidos nos capitais próprios e, subsequente-
mente, ser mantidos nos capitais próprios, exceto se a respetiva quantia for necessária para compen-
sar qualquer perda por imparidade ou se requererem o cumprimento de alguma obrigação, caso em
que serão reconhecidos como rendimento durante os períodos que suportam o custo de satisfazer tal
obrigação.
O subsídio é reconhecido como rendimento nas demonstrações dos resultados dos períodos que suportam
o custo de satisfazer tal obrigação, ou nos períodos em que se torne necessário compensar qualquer perda
por imparidade.
No período do reconhecimento inicial do subsídio e seguintes, há lugar ao reconhecimento de imposto
nos termos do art.º 22.º do CIRC, independentemente de o subsídio ser reconhecido como rendimento na
demonstração dos resultados.
Significa isto que, aquando do registo inicial do subsídio em capital próprio, haverá também que registar
no capital próprio e passivo o imposto que lhe está associado.
Desta forma, e uma vez que os subsídios estão sujeitos a tributação, o aumento do capital próprio apenas
se circunscreve à quantia do subsídio deduzida da quantia do imposto que lhe está associado.
Face ao referido nos parágrafos anteriores, ocorrerá uma diferença temporária tributável sempre que o
36 http://www.cnc.min-financas.pt/faqs_empresarial.html
108
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
rendimento relevante para fins fiscais seja diferente do rendimento contabilístico. Apenas nesses casos
haverá lugar ao reconhecimento de um passivo por impostos diferidos.
Código de contas
O código de contas apresentado na portaria 1011/2009, de 09 de setembro, é de aplicação obrigatória, mas
não é exaustivo. Considerando também o referido no site da CNC (FAQ 13), o código de contas sugerido para
registos dos subsídios ao investimento será o seguinte:
59 Outras variações no capital próprio
…
593 Subsídios e doações
5931 Subsídios atribuídos
5932 Ajustamentos em subsídios
Para o reconhecimento do passivo correspondente ao IRC a pagar, nos subsídios não reembolsáveis ao inves-
timento, sugere-se
278 – Outros devedores e credores
278XX – Subsídio Investimento – IRC
Exemplo Prático
Subsídio não reembolsável ao investimento e à exploração
Uma empresa, em 2014, adquiriu um equipamento e realizou despesas de investigação no âmbito de um pro -
jeto de investigação e desenvolvimento, estando previsto receber um subsídio não reembolsável de 30% do
valor do investimento realizado.
A empresa ainda não solicitou o pedido de reembolso associado a esta aquisição, mas tem perspetivas de cum-
prir as condições/cláusulas do contrato e de receber os subsídios previstos.
Os dados desta operação são os seguintes:
|
25.000 € |
|
25.000 € |
|
100.000 € |
|
10.000 € |
|
23% |
|
21% |
Pedido:
Cálculos e registos contabilísticos associados a esta operação
109
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Resolução:
Uma vez que a empresa tem perspetivas de cumprir as condições/cláusulas do contrato e de receber o subsídio
correspondente, deve ser reconhecido o subsídio ao investimento (no capital próprio), bem como o subsídio à
exploração correspondente.
|
a) |
Reconhecimento do subsídio a receber |
||
|
278 |
– Outros devedores e credores – subsídios |
45.000 € |
|
|
a |
5931 – Outras Var. CP – Subsídios atribuídos |
30.000 € |
|
|
a |
75 – Subsídios à exploração |
15.000 € |
|
|
Cálculo do valor do subsídio a receber: |
|||
|
- |
Subs. Investimento: Equip. básico * tx comparticipação: 100.000 € * 30% = 30.000 € |
||
|
- |
Subsídio exploração: Gastos * tx comparticipação: 50.000 * 30% = 15.000 € |
||
|
b) |
Reconhecimento do passivo associado ao subsídio ao investimento - IRC a pagar no futuro |
||
|
6.900 € |
||
|
a 278 – Outros devedores e credores – IRC |
6.900 € |
||
|
Cálculo do valor do passivo associado ao subsídio: |
|||
|
Subsídio investimento * taxa IRC: 30.000 €* 23% = 6.900 € |
|||
|
c) |
Imputação do subsídio ao investimento aos rendimentos |
||
|
3.000 € |
||
|
a |
7883 – Imputação de subsídios para investimentos |
3.000 € |
|
|
Cálculo do valor do rendimento: |
|||
|
Depreciaç ão * taxa de comparticipação: 10.000 €*30% = 3.000 € |
|||
|
d) |
Passivo associado ao subsídio - IRC |
||
|
278 |
– Outros devedores e credores - IRC |
690 € |
|
|
a |
5932 – Outras Var. CP – Ajustamentos em Subsídios |
690 € |
|
|
Cálculo do valor do passivo associado ao subsídio: |
|||
|
Imputação subsídio ao rendimento * taxa IRC: 3.000,00 €* 23% = 690 € |
|||
|
e) |
Efeito da alteração da taxa de IRC prevista para 2015 - 23% para 21% |
||
110
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
|
278 – Outros devedores e credores |
540 € |
|
|
a |
5932 – Outras Var. CP – Ajustamentos em Subsídios |
540 € |
Saldo da conta do passivo de IRC, antes da alteração:
(30.000-3.000)*23% = (6.900 € -690 € ) = 6.210 €
Saldo da conta do passivo de IRC, com a nova taxa de imposto:
(30.000 € -3.000 € )*21% = 5.670 €
Acerto a efetuar: 6.210 € - 5.670 € = 540 €
6.14. IMPOSTOS DIFERIDOS
De acordo as disposições do Código do IRC e outra legislação fiscal avulsa, existem várias situações cujo tra-
tamento contabilístico difere do tratamento fiscal.
Nestes casos, estamos perante correções que se refletem na declaração de rendimentos modelo 22, que pode-
rão ser definitivas ou temporárias.
No caso dos ajustamentos temporários na declaração modelo 22, estamos perante situações passíveis de im-
postos diferidos.
Assim, deveremos verificar se temos que proceder ao reconhecimento de ativos/passivos por impostos diferi-
dos, quando estamos perante operações, tais como:
|
• |
Existência de prejuízos fiscais, acumulados ou do período, para os quais a entidade tem perspetivas |
|
de utilizar no prazo prescrito na legislação fiscal; |
|
|
• |
Contabilização de imparidades em ativos; |
|
• |
Contabilização de imparidades não aceites fiscalmente; |
|
• |
Contabilização de gastos com provisões não aceites; |
|
• |
Utilização do MEP nas participações financeiras; |
|
• |
Reconhecimento de subsídios ao investimento no capital próprio, de investimentos não depreciáveis; 37 |
|
• |
Opção pelo modelo de revalorização de ativos fixos tangíveis; |
|
• |
Opção pelo modelo de revalorização de ativos intangíveis; |
|
• |
Ajustamentos para o justo valor de ativos não aceites para efeitos fiscais |
|
• |
Contabilização do ativo relacionado com as entregas ao Fundo de compensação do trabalho |
37 http://www.cnc.min-financas.pt/faqs_empresarial.html
111
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
•
Utilização de benefícios fiscais com deduções à coleta não utilizados no ano corrente
Os impostos diferidos, e a NCRF 25 – Impostos sobre o rendimento, na parte dos impostos diferidos aplicam-se a:
|
• |
Entidades que utilizem o SNC integral, com as 28 normas; |
|
• |
Entidades que apliquem a NCRF-PE, e que optem pelo modelo de revalorização dos ativos fixos tangíveis; |
|
• |
Entidades do setor não lucrativo, e que optem pelo modelo de revalorização dos ativos fixos tangíveis; |
Os impostos diferidos não se aplicam às microentidades.
Alteração da taxa IRC
Na sequência das alterações à taxa geral de IRC verificadas nos orçamentos de estado para 2014 e para 2015,
nomeadamente, passou de 25% em 2013 para 23% em 2014 e para 21% para 2015 e seguintes, os ativos e passi-
vos por impostos diferidos reconhecidos no balanço, no final de cada ano, têm que ser ajustados para as novas
taxas de imposto.
Assim, em 2014, os ativos e passivos por impostos diferidos que estejam mensurados a taxas diferentes da
taxa de IRC prevista para 2015 devem ser recalculados para que passem a refletir a taxa de 21%.
Este procedimento poderá ser confirmado na resposta à FAQ 29, que refere, em 2014, que as alterações de
taxas e a outras alterações fiscais, devem ser considerados no encerramento das contas reportadas a 31 de
dezembro de 2013, nomeadamente para a mensuração dos impostos diferidos, uma vez que a referida lei já se
encontrava aprovada pela Assembleia da República desde 20 de dezembro de 2013, publicada em 16 de Janeiro
de 2014, inserindo-se, deste modo, no §44 da NCRF 25 – Impostos sobre o rendimento. Assim, transpondo
esta informação para o fim de 2014, os impostos diferidos devem ser quantificados tendo em consideração a
taxa de 21%, prevista no Orçamento de Estado para 2015, publicado do dia 31 de dezembro de 2014.
Exemplo prático
Foram já apresentados vários exemplos com lançamentos de impostos diferidos pelo iremos referir apenas a
situação do reconhecimento dos ativos por impostos diferidos relacionados com prejuízos fiscais reportáveis.
Como referido acima, nas microentidades não são reconhecidos impostos diferidos pelo que este exemplo não
se aplica a estas entidades.
Uma empresa obteve em 2014 um resultado contabilístico, antes de impostos, negativo de 25.000 €.
As tributações autónomas foram estimadas em 4.000 € e a empresa efetuou, em 2014, PEC’s no montante de
2.500 €.
Da elaboração do quadro 07 da declaraç ão de rendimentos modelo 22, foi apurado um prejuízo fiscal de
20.000 €.
A entidade prevê recuperar este prejuízo fiscal nos próximos três anos, tendo por base a evolução prevista da
atividade.
Taxa de IRC 2014 - 23%; Taxa de IRC 2015 21%.
112
ENCERRAMENTO DE CONTAS - Aspetos Contabilísticos | DIS0515
ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Pedido:
Quais os lançamentos a efetuar?
Resolução:
a) Imposto diferido
|
4.200 € |
|
|
a |
8122 – Imposto s/rendimento – Imp. Dif. |
4.200 € |
|
Cálculo do valor do imposto diferido: |
||
|
Prejuízo fiscal * taxa IRC para 2015: 20.000 € * 21% = 4.200 € |
||
|
||
|
4.000 € |
|
|
a |
241 – Imp. s/ rendimento – Imp. estimado |
4.000 € |
O imposto corrente, neste caso, é igual às tributações autónomas. Os PEC’s não entram para o cálculo da es-
timativa do imposto corrente ou diferido.
6.15. ESTIMATIVA DE IMPOSTO
Neste ponto não se pretende fazer uma análise aos aspetos fiscais do apuramento do lucro tributável, nem
uma análise ao preenchimento da declaração de rendimentos modelo 22, aspetos que serão abordados na
formação sob o tem Encerramento de Contas – Aspetos Fiscais.
Apenas se irá apresentar, de forma sintética, a forma de calcular a estimativa do imposto corrente do exercício.
Em determinadas situações, e uma vez que o encerramento das contas ocorre antes da entrega da declaração
modelo 22, a estimativa do imposto pode diferir do imposto apurado aquando da entrega da declaração. Por
exemplo, se na data do encerramento das contas, a empresa tiver a intenção de submeter uma candidatura ao
benefício fiscal SIFIDE ou beneficiar da Dedução dos lucros retidos e reinvestidos, deve considerar a melhor
estimativa desse incentivo (se quantificável de forma fiável) no cálculo da estimativa do imposto. Na data
da entrega da declaração modelo 22, esse valor já poderá será definitivo, podendo diferir do valor estimado
anteriormente.
Nestes casos, no ano seguinte, as diferenças de estimativa do imposto serão registadas em gastos ou rendi-
mentos do período.
O imposto diferido foi já abordado nos pontos e exemplos anteriormente apresentados.
A estimativa do IRC resulta do somatório da coleta, do resultado da liquidação, de derramas e tributações
autónomas, deduzido de eventuais benefícios fiscais à coleta.
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Assim, o cálculo do imposto corrente do período resultará de:
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+/- |
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+/- |
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impostos diferidos e IRC |
+ |
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impostos diferidos |
- |
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= |
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- |
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= |
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x |
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= |
|
- |
|
= |
|
+ |
|
+ |
|
+ |
|
+ |
|
ESTIMATIVA IRC |
= |
6.16. APURAMENTO DOS RESULTADOS
O processo de finalização do balancete de situação reportado ao fim do período, culmina com o apuramento
do resultado líquido do período.
Geralmente, este procedimento é um procedimento de execução automática por recurso a uma função do
sistema informático de contabilidade disponível. Sendo um procedimento automático, deverá ser objeto de
conferência.
Apuramento do resultado antes de impostos
Neste processo de apuramento dos resultados, todas as contas de gastos (da conta 61 à conta 69) e de rendi-
mentos (da conta 71 à conta 79), deverão ser saldadas por contrapartida da conta 811 – Resultados antes de
impostos.
Previamente, nas entidades que adotem o sistema de inventário intermitente, deve ser apurado o valor do
Custo das mercadorias vendidas e matérias consumidas (conta 61), e da variação da produção (conta 73).
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Apuramento do resultado líquido
Uma vez que todos os movimentos relacionados com os impostos sobre o rendimento do período (conta 812),
designadamente imposto corrente e imposto diferido, já se encontrem efetuados, então estamos em condi-
ções de proceder ao apuramento do resultado líquido.
Assim, deveremos saldar a conta 811 – Resultados antes de impostos e a conta 812 – Imposto sobre rendimen-
to do período, por contrapartida da conta 818 – Resultado líquido.
Observação:
Como forma de manter a informação sobre o valor dos gastos e dos rendimentos do período, bem como do
valor das compras, geralmente, utilizam-se “meses” diferentes para os diversos apuramentos. Este procedi-
mento depende de programa para programa e nem todos o permitem.
Assim, se o programa de contabilidade permitir, sugere-se:
- Mês 12 / Dezembro – Lançamento de todas as estimativas, depreciações e amortizações;
- Mês 13 / Apuramento 1 – Apuramento do CMVMC e variação da produção;
- Mês 14 / Apuramento 2 – Apuramento do resultado antes de impostos e contabilização da estimativa de IRC
- Mês 15 / Final – Apuramento do resultado líquido do período
6.17. PREPARAÇÃO DO BALANÇO E DA DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS
Uma vez obtido o balancete final da contabilidade, pode proceder-se à elaboração das demonstrações finan-
ceiras (DF), designadamente, balanço, demonstração dos resultados, anexo, entre outras, conforme referido
no ponto 3. deste manual.
A elaboração das DF deve obedecer às disposições constantes na Estrutura conceptual, nas Bases para a apre-
sentação de demonstrações financeiras e nas NCRF, em especial a NCRF 1 – Estrutura e conteúdo das de-
monstrações financeiras. Contudo, chamamos a atenção para alguns aspetos, designadamente:
- Não compensação de saldos – Em termos simples, os passivos não devem ser compensados com os ativos, isto é, os saldos devedores da classe 1 e classe 2 não devem ser compensados com os saldos credores das mesmas classes, exceto os respeitantes a perdas por imparidade acumuladas.
- Saldos credores de depósitos à ordem – No caso de existirem saldos de depósitos à ordem credores (descobertos bancários), os saldos – apenas das subcontas credoras, devem ser relevados no passivo, em financiamentos obtidos. Existindo um processo automático de elaboração das Demonstração dos Fluxos de Caixa, poderá existir necessidade de efetuar um registo contabilístico, no qual será debitada a conta de depósitos à ordem e creditada a conta dos financiamentos, pelo valor dos saldos credores em Depósitos à ordem.
- O ativo ou passivo nunca deve apresentar valores negativos. Apenas no capital próprio se pode verifi- car essa situação. Um saldo negativo no ativo, por exemplo, depósitos bancários, representa um passi- vo e, como tal, deve ser apresentado dessa forma no balanço.
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- Dívidas correntes vs dívidas não correntes – em termos simples, são correntes as dívidas que se vencem no prazo de um ano. Por exemplo, num contrato de locação financeira, relevado em financiamentos obtidos, a amortização da dívida prevista para o ano seguinte, deve ser relevada no passivo corrente. A restante deve ser relevada no passivo não corrente.
- Sempre que uma linha no balanço ou demonstração não tenha valor, ou uma nota no anexo não tenha aplicação, deve ser eliminada. Apenas no anexo das microentidades está previsto que as notas não aplicáveis se mantenham, com a designação de não aplicável.
- Materialidade / agregação – os modelos de balanço e restantes demonstrações constantes nas diversas Portarias contêm a informação mínima a apresentar. Assim, desde que relevante/material, podem/de- vem ser acrescentadas nas demonstrações financeiras outras rubricas, assim como devem ser elimina- das linhas de itens relativamente aos quais não existam quantias a apresentar. Esta situação também se aplica às microentidades.
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REFERÊNCIAS LEGISLATIVAS E BIBLIOGRAFIA
SNC
Sistema de normalização contabilística, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 158/2009, de 13 de julho, alterado pela
Declaração de Retificação n.º 67-B/2009, de 11 de setembro
Estrutura conceptual, Aviso 15.652/2009, de 07 de setembro
Modelos de demonstrações financeiras, Portaria 986/2009, de 07 de setembro
Código de contas, Portaria 1.011/2009, de 09 de setembro
Normas contabilísticas e de relato financeiro, Aviso 15.655/2009, de 07 de setembro
Normas interpretativas, Aviso n.º 15653/2009, de 7 de setembro
Norma contabilística e de relato financeiro para pequenas entidades, Aviso n.º 15654/2009, de 7 de setembro
Microentidades
Simplificação das normas e informações contabilísticas para as microentidades, Lei n.º 35/2010, de 02 de
setembro
Regime de normalização contabilística para as microentidades (NCM), Decreto-Lei n.º 36-A/2011, de 9 de
março
Modelos de demonstrações financeiras para microentidades, Portaria n.º 104/2011, de 14 de março,
Código de contas para microentidades, Portaria n.º 107/2011, de 14 de março
Norma contabilística para microentidades, Aviso n.º 6726-A/2011, de 14 de março
ESNL
Regime da normalização contabilística para as entidades do setor não lucrativo (ESNL), Decreto-Lei n.º 36-
A/2011, de 9 de março
Modelos de demonstrações financeiras para as ESNL, Portaria n.º 105/2010, de 14 de março
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ORDEM DOS TÉCNICOS OFICIAIS DE CONTAS
Código de contas específico para as ESNL, Portaria n.º 106/2011, de 14 de março
Norma contabilística para as ESNL, Aviso n.º 6726-B/2011, de 14 de março
Legislação
Código das Sociedades Comerciais
Código Comercial
Código do Registo Comercial
Código do IRC
Código do IVA
Código do Imposto do Selo
Adaptação do Código do IRC ao SNC, Decreto-Lei nº. 159/2009, de 13 de julho, alterado pela Declaração de
Retificação n.º 67-B/2009, de 11 de setembro
Decreto Regulamentar 25/2009, de 14 de setembro
Declaração de rendimentos modelo 22 em vigor a partir de janeiro de 2012
Sites consultados
Comissão de Normalização Contabilística. http://www.cnc.min-financas.pt.
Rolle, Hans; Zietzke, Julian. Limitaciones de Sistema Contable. Consultado em: http://www.monografias.
com/trabajos10/sistcont/sistcont.shtml.
Fundo de compensação: http://www.fundoscompensacao.pt
Outra
Teixeira, Ana Bela de Sousa Delicado. 2009. A Contabilidade como Sistema de Informação nas Instituições do
Ensino Superior Público em Portugal – O Caso da Escola Superior de Ciências Empresariais. Tese de Doutora-
mento em Gestão – Contabilidade. Universidade Aberta.
Sarmento, Maria Manuela; Duarte, Maria Manuela. A Contabilidade Financeira como um Sistema de Informa-
ção Ambiental nas Organizações. Proelium – Revista da Academia Militar, N.º 3.
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