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10/6/2018 A matemática a serviço da democracia - 19/09/2018 - Marcelo Viana - Folha

Marcelo Viana (/colunas/marceloviana/)


viana.folhasp@gmail.com (mailto:viana.folhasp@gmail.com)

A matemática a serviço da democracia


Dupla esteve na origem de importantes avanços da matemática no domínio das
ciências sociais

A cantora israelense Netta Barzilai no concurso Eurovision, que usa método de votação criado
pelo matemático Jean-Charles de Borda - Francisco Leong/AFP

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10/6/2018 A matemática a serviço da democracia - 19/09/2018 - Marcelo Viana - Folha

19.set.2018 às 2h00

EDIÇÃO IMPRESSA (https://www1.folha.uol.com.br/fsp/fac-simile/2018/09/19/)

Era uma vez uma votação com 3 candidatos –X, Y e –Z e 100 votantes.
Quarenta eleitores preferem o candidato X, seguido de Y e depois Z; 35
escolhem Y, têm Z como segunda opção e X como última; para 25, Z é o
favorito, seguido de Y e de X. Numa votação uninominal —em que cada
eleitor vota em um só candidato— X ganha, embora uma maioria de 60% o
considere o pior dos três!

É o paradoxo de Condorcet, assim chamado em homenagem ao marquês de


Condorcet (1743-1794), matemático, filósofo e político francês que observou
o fenômeno pela primeira vez. Há exemplos recentes, em diversos países.

O marquês propôs um sistema de votação, chamado "método de Condorcet",


para corrigir esse efeito. Essencialmente, consiste em comparar cada
candidato com cada um dos outros, separadamente, sendo eleito aquele que
vença todos esses "duelos".

É pouco prático, sobretudo em eleições com muitos candidatos ou eleitores


—como no Brasil. Por isso, o método de Condorcet raramente é usado. A
votação em dois turnos, com o duelo no segundo, é um passo nessa direção.

Outro sistema de votação foi proposto por um contemporâneo de Condorcet,


o cavaleiro Jean-Charles de Borda (1733-1799), matemático e navegador
francês. Nele, cada eleitor dá pontos aos candidatos. Um ponto ao último, 2
ao penúltimo e assim por diante. Ganha o candidato que somar mais pontos.
Este método já foi usado no Senado da República de Roma.

No exemplo acima, Z ganha 40 vezes 1 ponto mais 35 vezes 2 pontos mais 25


vezes 3 pontos (185 pontos no total). Já Y ganha 235 pontos, e leva a eleição.
X ficaria com 180 pontos, o último lugar --e não o primeiro.

Embora concordassem que esse método é mais prático, Condorcet e Borda


debateram sobre qual reflete melhor a vontade dos eleitores (a matemática
do século 20 acabou dando alguma razão a Borda).

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10/6/2018 A matemática a serviço da democracia - 19/09/2018 - Marcelo Viana - Folha

O método de Borda é usado em situações diversas, como eleições


parlamentares de alguns pequenos países, o Festival Eurovisão da Canção e
até nas votações da comissão de atividades científicas do Impa.

Mais importante, o trabalho de Condorcet e Borda esteve na origem de


importantes avanços da matemática no domínio das ciências sociais, com
destaque para o famoso teorema da impossibilidade de Arrow
(https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marceloviana/2018/09/condorcet-levou-matematica-a-justica-e-as-eleicoes.shtml).

Marcelo Viana
Diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada, ganhador do Prêmio Louis D., do
Institut de France.
cebook.com/IMPABR)
p://twitter.com/impaoficial)

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borda-usaram-a-matematica-para-criar-metodos-de-votacao.shtml

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