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DIREITO DO TRABALHO

Maria Glauce Carvalho

.Ian Tavares Ramos


.Gabrielle Lacerda
.José Guilherme Martins Barros
.Carlos Henrique Almeida Estrela de Oliveira

SOBRE O TRABALHO RURAL


Outubro, 2018

Noções gerais

Os trabalhadores rurais sempre representaram uma grande parte


da força econômica do país, visto que, quando o Brasil ainda era uma
colônia, a agricultura e a pecuária serviam como as principais fontes de
riqueza; ainda nos tempos atuais, ambas representam certa parcela dos
ganhos econômicos.

Sendo o trabalho rural uma parte tão importante da força


econômica brasileira, a necessidade de criar normas que garantissem
segurança para aqueles que o exercem se tornou uma prioridade. As
primeiras normas surgiram na Constituição de 1934, que dizia em deu
artigo 121, parágrafo 4°, que o trabalhador do campo teria sua educação
garantida e teria preferência na colonização e aproveitamento das terras
públicas.

A próxima Constituição a abordar direitos dos trabalhadores


agrícolas é a de 1946, que procurava incentivar a indústria rural e
aproveitar os grandes latifúndios. Como prova disso, seu artigo 157
garante: "estabilidade, na empresa ou na exploração rural, e indenização
ao trabalhador despedido, nos casos e nas condições que a lei estatuir"
(inciso XII).

Em 25 de maio de 1971, mais um passo foi dado em direção a


melhoria das vidas daqueles que trabalham no campo: foi criado o
Programa de Assistência ao Trabalho Rural, que garantia aos rurícolas
benefícios previdenciários, em 1973 a lei n° 5889/73 , em 1975 a lei nº
6260/75, até chegar aos tempos atuais, em que a Constituição de 1988
garante em seu artigo 7° os direitos no mesmo nível tanto para os
trabalhadores rurais como os urbanos.

Conceito jurídico de trabalhador rural


A lei nº 5889/73, em seu artigo 2° caracteriza o empregado rural da
seguinte maneira: ''Empregado rural é toda pessoa física que, em
propriedade rural ou prédio rústico, presta serviços de natureza não
eventual a empregador rural, sob a dependência deste e mediante
salário'', ou seja, ele precisa ser pessoa física, de natureza não eventual,
com subordinação e salário.

Em relação à propriedade rural, ela só será considerada como tal


caso a sua destinação seja majoritariamente agrícola, mesmo que ela seja
localizada em uma região metropolitana, como nos casos de cultivo de
flores e hortaliças.

A seguir as classificações de acordo com o Instituto Nacional do


Seguro Social:

"Estabelecimento rural ou prédio rústico e o imóvel destinado


principalmente a exploração com finalidade econômica de animais,
plantas cultivadas, a extração de matérias-primas de origem animal ou
vegetal, a criação, a recriação, a invernagem ou a engorda de animais e a
industrialização conexa ou acessória.''

''Estabelecimento rural e o imóvel destinado a produção econômica


de alimentos e matérias-primas e ao extrativismo de origem animal ou
vegetal, a industrialização, conexa ou acessória, dos produtos derivados
dessas atividades.''

''Prédio rústico e o prédio ou a propriedade imobiliária, situado no


campo ou na cidade, que se destine a exploração agro-silvo-pastoril de
qualquer natureza. Caracteriza-se pela natureza de seu uso ou utilização,
não importando o local de situação. E rústico o prédio ou terreno situado
no perímetro urbano de uma cidade, vila ou povoação, desde que
destinado a exploração de produção rural.''

Direitos assegurados ao trabalhador rural

Os direitos dos trabalhadores rurais encontram-se previstos no


artigo 7º, da Constituição Federal de 1988 e regulamentado pela na Lei
5.889/73, sendo assim aplicada a todo trabalhador rural e não só aos
empregados rurais conforme menciona o artigo 17 da referida Lei.

Há também outras disposições sobre o tema como a Lei nº 605, de


05/01/49 que trata do Descanso Semanal Remunerado; a Lei nº 4.090, de
13/07/62 que trata do 13º Salário; a Lei nº 4.725, de 13/07/65, com as
alterações da Lei nº 4.903, de 16/12/65 que trata do Dissídio Coletivo; o
Decreto-lei nº 15, de 29/07/66 sobre o Reajuste Salarial; e o Decreto-lei nº
368, de 19/12/68 sobre Débitos Salariais.

a) JORNADA DE TRABALHO

É estipulado a jornada máxima de 8 horas por dia e 44 horas de


trabalho semanal, os direitos trabalhistas do trabalhador rural também
asseguram que, entre uma jornada e outra, haja um descanso de, pelo
menos, 11 horas. Não obedecendo o período de descanso, cada hora
desrespeitada deve ser paga como uma hora extra para o trabalhador.

b) TRABALHO NOTURNO

Na esfera do ambiente rural o trabalho ocorre de maneira distinta,


dependendo da atividade a ser realizada. Para aqueles que trabalham
com pecuária, o horário noturno é das 20 horas às 4 horas do dia
seguinte. Para os que trabalham em lavoura, o horário noturno é aquele
entre as 21 horas e as 5 horas da manhã seguinte. As horas de trabalho à
noite também são reduzidas para 52 minutos e 30 segundos, mas o
adicional noturno é de 25%, ao invés dos 20% urbanos.

c) APOSENTADORIA

A aposentadoria de um trabalhador rural apresenta uma redução de


cinco anos em relação aos trabalhadores urbanos. Isso se dá por causa
das condições de trabalho muito mais duras, de forma geral, para a
saúde, ocasionando um desgaste físico precoce.
Isso quer dizer que trabalhadores homens do meio rural podem
aposentar-se aos 60 anos, e as mulheres podem fazê-lo aos 55 anos de
idade. O fator previdenciário também influencia no benefício a ser
recebido.

d) OUTROS DIREITOS
- O trabalhador rural tem direito a receber, no mês de dezembro de cada
ano, o 13 salário (chamado de gratificação natalina). Este valor
corresponde a 1/12 (um doze avos) da remuneração devida em dezembro
por cada mês de trabalho rural no ano.

- A partir da Constituição de 1988, o trabalhador rural adquiriu direito a


ter depositados os valores do FGTS. Da mesma forma, tem direito a
receber a multa de 40% no caso de demissão sem justa causa.

- No aviso prévio de 30 dias, o tarbalhador rural tem 1 dia livre por


semana, diferentemente do trabalhador urbano que tem 2 (duas) horas
por dia.

O BOIA FRIA

O termo boia-fria pode possuir vários significados que variam de


acordo com a abordagem. As pessoas que recebem esse nome vivem ou já
viveram no campo, quase sempre tiveram poucos anos de estudo e não
possuem qualificação profissional.

Muitas dessas pessoas são analfabetas ou semianalfabetas que se


sujeitam ao trabalho no campo em diversas culturas, quase sempre em
períodos de colheitas, geralmente em baixas condições de trabalho e
salarial. O termo boia-fria designa um indivíduo que executa um trabalho
na zona rural sem a obtenção de vínculos empregatícios.

A expressão boia-fria é proveniente do modo como eles se


alimentam, pois saem para o trabalho de madrugada e já levam suas
marmitas, como não existem meios para esquentá-las, ingerem a comida
fria. O termo boia-fria foi difundido no centro-sul do país, quando
trabalhadores sazonais eram chamados para trabalhar em colheitas, esses
geralmente viviam, e ainda vivem, em áreas periféricas dos municípios e
os atravessadores são os responsáveis pelo recrutamento.
CONTRATO POR SAFRA

Contrato de safra é aquele que tem sua duração dependente de


variações estacionais das atividades agrárias, assim entendidas as tarefas
normalmente executadas no período compreendido entre o preparo do
solo para o cultivo e a colheita.

DOS DIREITOS DO SAFRISTA

O safrista deve ser registrado na Carteira de Trabalho e em Livro ou


Ficha de Registro. Deve, também, ser inscrito no Programa de Integração
Social (PIS). Durante a vigência do contrato terá todos os direitos
trabalhistas e previdenciários, tais como: A jornada de trabalho do safrista
é a mesma aplicada aos demais empregados, ou seja, 44 horas semanais,
não podendo ultrapassar a 08 horas diárias.

A duração da jornada poderá exceder o limite legal ou


convencionado para terminar serviços, que pela sua natureza não possam
ser adiados face a motivo de força maior, desde que não exceda a 12
horas.

CONTRATO PARA CADA SAFRA

O trabalho rural possui características próprias, como próprias são as


relações que se dão entre empregador e empregado. Os trabalhos com
característica de temporariedade são, atualmente, enquadrados como
trabalhos de safra. Com base na Lei no 5.889/73 e no Decreto nº
73.626/79, daremos os aspectos gerais sobre o contrato por safra.

A legislação estabelece que contrato por safra e aquele cuja duração


depende de variações estacionais das atividades agrárias, sendo as tarefas
normalmente executadas no período entre o preparo do solo para o
cultivo e a colheita.

O contrato por safra é firmado por prazo determinado, uma vez que
a sua natureza e transitoriedade justificam a predeterminação do prazo
como determina o art. 443, § 2º, letra "a", da CLT.

O art. 19 do Decreto nº 73.626/79 dispõe que o safrista também


conhecido como safreiro é todo trabalhador que se obriga à prestação de
serviços mediante contrato por safra. O safrista tem garantido os seus
direitos trabalhistas, a saber: férias, adicional de 1/3 de férias, 13º salário,
descanso semanal remunerado, FGTS, salário família; recolhimento do
INSS; inscrição no PIS (caso não a possua). Lembrando que a rescisão
antecipada do contrato de safra obedece às mesmas regras das rescisões
do contrato de trabalho por prazo determinado.

Como a legislação estabelece que a duração do contrato de safra


depende de variações estacionais das atividades agrárias, não é necessário
que se determine entre as partes às datas de início e término do referido
contrato, sendo suficiente que se mencione o produto agrícola e o ano em
questão.

Observando ainda que a safra compreende muitas vezes o plantio


imediato à colheita, como exemplo o esparrame em terreiro da cultura de
café, não se resumindo apenas à colheita. Foi nesse sentido que o
legislador ao dispor que se entendem por variações estacionais das
atividades agrárias as tarefas normalmente executadas no período
compreendido entre o preparo do solo para o cultivo e a colheita.

O art.14 da Lei nº 5.889/73 determina que expirado normalmente o


contrato de safra, o empregador pagará ao safreiro, a título de
indenização do tempo de serviço, a importância correspondente a 1/12
avos do salário mensal por mês de serviço ou fração superior a 14 dias.

Conforme prevê o art. 479 da CLT se rescindido o contrato antes do


término da safra, fará jus o safreiro ao pagamento da indenização que
corresponde a metade da remuneração a que teria direito até o termo do
contrato e a multa indenizatória de 40% sobre o saldo do FGTS.

Contratos de Trabalho com Período de Vigência Prefixado

Baseando-se nos art. 443, caput § 1o, 445, 451, 452 e 481 da CLT,
podemos dizer que os contratos que possuem período de vigência
prefixado, cujo término foi determinado quando de sua celebração,
somente é permitida nas seguintes hipóteses:

I - Serviços cuja natureza ou transitoriedade justifique a pré-determinação


de prazo.

O legislador estabelece como serviços de breve duração, ainda que


seja a atividade empresarial permanente, como, por exemplo, serviços de
auditoria fiscal em uma empresa rural de produção de algodão. Nesta
hipótese, a atividade empresarial é permanente, mas o serviço de
auditoria tem breve duração, podendo, portanto, os auditores serem
contratados por prazo determinado, visto ser o serviço transitório, cuja
natureza justifica a predeterminação de prazo;

II - Atividades empresariais de caráter transitório.

Nesse caso, o legislador faz referência a atividades que possuem sua


duração determinada, sem que sejam permanentes, como acontece com
empresas que são constituídas somente ao final de cada ano, para
fabricação de enfeites natalinos. Para essas atividades empresariais, todos
os empregados podem ser contratados por prazo determinado, dada a
transitoriedade existente.

III - Contrato de experiência.

Quando da opção por essa modalidade, e de conformidade com as


hipóteses anteriormente mencionadas, deverá o empregador anotar na
CTPS do trabalhador, na parte destinada a "Anotações Gerais", a
existência do prazo determinado e o período ajustado.
O prazo máximo de duração dos contratos por prazo determinado
não poderá ultrapassar um período de 2 anos, sendo permitida uma única
prorrogação dentro desse período. Havendo mais de uma prorrogação ou
ultrapassando-se o prazo estabelecido, passará o contrato a vigorar por
tempo indeterminado.

Lembrando ainda, que, para que seja celebrado um novo contrato por
prazo determinado com o mesmo empregado, é necessário respeitar um
intervalo de, no mínimo, 6 meses, sob pena de o referido contrato
transformar-se em prazo indeterminado.