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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

INSTITUTO DE MATEMÁTICA E ESTATÍSTICA


LANTE – Laboratório de Novas Tecnologias de Ensino

INSERÇÃO DE DISCIPLINAS EAD EM CURSOS SUPERIORES PRESENCIAIS

LILIAN PRADO PEREIRA

SÃO PAULO POLO PERA MARMELO


2018
LILIAN PRADO PEREIRA

INSERÇÃO DE DISCIPLINAS EAD EM CURSOS SUPERIORES PRESENCIAIS

Trabalho de Final de Curso apresentado à


Coordenação do Curso de Pós-graduação da
Universidade Federal Fluminense, como
requisito parcial para a obtenção do título de
Especialista Lato Sensu em Planejamento,
Implementação e Gestão da EAD.

Aprovada em dezembro de 2018.

BANCA EXAMINADORA

________________________________________________________________________
Profa. Lícia Giesta Ferreira de Medeiros - Orientador
CEFET/RJ

_________________________________________________________________________
Prof. Nome
Sigla da Instituição

________________________________________________________________________
Prof. Nome
Sigla da Instituição
RESUMO

(é uma síntese de pontos relevantes, permitindo o conhecimento do conteúdo do trabalho, escrito


em bloco único, sem parágrafos e com espaçamento simples. Mínimo de 150 e máximo de 200
palavras).

Este trabalho tem como objetivo XXXXXXXXXXXXXX. Descreve XXXXXXXXXXXXXXX.


Usamos XXXXXXXXXXXXXXXX......Por meio do desenvolvimento do presente estudo, foi
possível observar que .......
Este trabalho consiste em uma pesquisa bibliográfica inserida no tema da legislação que
rege a oferta de cursos e disciplinas na modalidade à distância (EaD) nos cursos de ensino superior
EaD, semipresenciais e presenciais. Trata-se de uma análise das leis específicas que regem a oferta
de ensino a distância nessas modalidades no Ensino Superior no Brasil. O objetivo específico deste
trabalho é analisar a legislação vigente sobre a oferta de cursos e disciplinas EaD para cursos
presenciais por meio da análise de documentos (leis), chegando assim a um quadro geral sobre toda
a legislação específica sobre o assunto que nos permite analisar a sua função, suas vantagens e suas
falhas no que se refere a regulamentação dessa modalidade de ensino.

Palavras–chave: (3 palavras que tenham relação direta com o que foi desenvolvido no trabalho).
SUMÁRIO

Nº da página
1 – Introdução
1.1 - XXXXXXXXXXXXX
1.2 - XXXXXXXXXX
2 – Pressupostos Teóricos
3 – Análise da Literatura
4 – Conclusões
5 – Referências

1 folha
1 INTRODUÇÃO

Este trabalho consiste em uma pesquisa bibliográfica inserida no tema da legislação que
rege a oferta de cursos e disciplinas na modalidade à distância (EaD) nos cursos de ensino superior
EaD, semipresenciais e presenciais. Trata-se de uma análise das leis específicas que regem a oferta
de ensino a distância nessas modalidades no Ensino Superior no Brasil. O que buscamos fazer
neste trabalho é analisar a legislação vigente, tendo como base a literatura específica da área e os
textos da legislação, tratando-se o presente de um trabalho realizado exclusivamente por meio de
análise bibliográfica e documental.
O objetivo específico deste trabalho é analisar a legislação vigente sobre a oferta de
cursos e disciplinas EaD para cursos presenciais por meio da análise de documentos (leis),
chegando assim a um quadro geral sobre toda a legislação específica sobre o assunto que nos
permite analisar a sua função, suas vantagens e suas falhas no que se refere a regulamentação dessa
modalidade de ensino.
Começamos o trabalho analisando a legislação para a oferta de cursos a distância,
começando na sua primeira aparição oficial na LDB (Lei de Diretrizes e bases da Educação
Nacional) em 1996, onde a possiblidade de EaD aparece de forma geral, e passamos para os
decretos e portarias específicos que dispões sobre as especificidades da oferta dessa modalidade
educacional no Brasil. Essa parte do trabalho cobre a legislação específica para oferta de cursos
EaD e Semi-presenciais no Ensino Superior no Brasil.
A seguir passamos a tratar especificamente sobre a introdução de disciplinas ofertadas na
modalidade a distância (de forma integral ou em partes) em cursos cadastrados como presenciais
pelo MEC. Analisamos aqui as portarias específica para a área (2.253/2001 e 4.059/2004) que
tratam da questão permitindo que até 20% dos cursos presenciais das IES (Instituições de Ensino
Superior) brasileiras sejam ofertados a distância.
Passamos, a seguir, para a análise da parte que a legislação específica ainda não cobre na
regulamentação da oferta de cursos e disciplinas a distância no Brasil, dando especial atenção à
questão trabalhista, para a qual reservamos a sessão seguinte do trabalho.
Com a inserção dessa nova modalidade de ensino, principalmente nos cursos presenciais
tradicionais, vemos também a inserção de novas formas de trabalho, mediadas por novas
tecnologias e pelos novos cargos criados entre o professorado. Os docentes 1 que atuam na EaD, por
não ter suas atividades específicas definidas na legislação que rege as leis trabalhistas no Brasil,
permanecem no “limbo” legislativo, o que leva à desvalorização e superexploração seu trabalho, o
que entendemos que leva também à queda na qualidade dos cursos que oferecem disciplinas nessa
modalidade de ensino (EaD).
Apresentamos, então, um quadro síntese dos pressupostos apresentados no trabalho, onde o
inserimos os principais marcos regulatórios na legislação brasileira referente à Educação a
Distância, Educação Semi-presencial e a presença de disciplinas EaD na Educação Presencial
tradicional nas IES brasileiras.
Finalmente concluímos o trabalho reafirmando a importância da legislação específica na
regulamentação dos cursos e disciplinas oferecidas a distância para resguardar os alunos que optam
por essa modalidade em seus direitos, e também para garantir aos alunos que não optam por essa
modalidade, mas realizam disciplinas EaD em seus cursos presenciais, que essas disciplinas
estarão inseridas nos seus cursos de forma a não prejudica-los nem ferir sus direitos enquanto
consumidores da mercadoria em questão que é o curso superior oferecido pela IES.

2 EAD NO ENSINO PRESENCIAL: LEGISLAÇÃO

1
E monitores, que para fins desse trabalho incluímos também na categoria de docentes.
A Educação a Distância (EaD) apareceu pela primeira vez na literatura oficial brasileira
em 1996 quando, no artigo 80 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) - ou Lei
9.394 – aparece como possibilidade para todos os níveis e modalidades de ensino.
Art. 80. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de
programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e
de educação continuada.
§1º A educação a distância, organizada com abertura e regime especiais, será
oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União.
§2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro
de diploma relativos a cursos de educação a distância.
§3º As normas para a produção, controle e avaliação de programas de educação a
distância e a autorização para sua implementação, caberão aos respectivos
sistemas de ensino, podendo haver cooperação e integração entre os diferentes
sistemas.
§4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado, que incluirá:
I – custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora
e de sons e imagens;
II – concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas;
III – reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos
concessionários de canais comerciais. (BRASIL, 1996)
Neste artigo da LDB, embora de forma minimalista (MENDES, 2005), já estavam dados
alguns dos aspectos fundamentais da legislação brasileira sobre a possiblidade de oferta de cursos a
distância como a regulamentação da oferta desses cursos pela União. Tratava-se de um primeiro
aceno para a possiblidade de oferta de cursos a distância que foi regulamentada posteriormente por
uma série de decretos e portarias que tratavam sobre os diversos aspectos da sua regulamentação,
implementação e oferta. No quadro 1, abaixo, podemos observar os decretos e Portarias vigentes.

Quadro 1 – Decretos e leis vigentes sobre a oferta de cursos a distância


Lei Data Assunto
Decreto N.° 5.622 19/12/2005 Regulamenta o art. 80 da LDB-1996
Dispõe sobre o exercício das funções de regulação, supervisão
e avaliação de instituições de educação superior e cursos
Decreto N.º 5.773 09/05/2006
superiores de graduação e sequenciais no sistema federal de
ensino.
Decreto N.º 6.303 12/12/2007 Altera dispositivos dos Decretos nos 5.622 e 5.773
Dispõe sobre o Ciclo Avaliativo do Sistema Nacional de
Portaria n° 1 10/01/2007 Avaliação da Educação Superior – SINAES, no qual os cursos
a distância estão presentes
Dispõe sobre os procedimentos de regulação e avaliação da
Portaria n° 2 10/10/2007
educação superior na modalidade a distância
Institui o e-MEC, sistema eletrônico de fluxo de trabalho e
gerenciamento de informações relativas aos processos de
Portaria n° 40 12/12/2007
regulação da educação superior no sistema federal de
educação. Inclui EaD.
Fixa critérios para dispensa de avaliação in loco e dá outras
Portaria n° 10 02/07/2009
providências
Fonte: Brasil - Ministério da Educação

A implementação de legislação que apoie e incentive a Educação a Distância no Brasil


surge sob a presença de fortes influências internacionais que patrocinam ou mesmo impõe
“soluções oferecidas e recomendadas por agências multilaterais como, por exemplo, o Banco
Mundial e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico” (SEGENREICH et alli,
2016, p. 236). Essas influências são recontextualizadas e reinterpretadas pelos países que produzem
sua legislação própria, resultado das disputas e acordos políticos locais
[...] onde normalmente as políticas são iniciadas e os discursos políticos são
construídos. É nesse contexto que grupos de interesse disputam para influenciar
a definição das finalidades sociais da educação e do que significa ser educado.
Atuam nesse contexto as redes sociais dentro e em torno de partidos políticos, do
governo e do processo legislativo. (MAINARDES apud SEGENREICH et alli,
2016).
Assim surgem as leis, decretos e portarias que regulamentam a oferta do Ensino a
Distância no Brasil.

2.1 Legislação sobre EaD no Ensino presencial

Além do Ensino a Distância, regulamentado pela legislação que apresentamos acima, há


ainda uma forma intermediária entre a educação totalmente presencial e a EaD, conhecida como
Educação Semipresencial, ou blended learning. Esses cursos podem ser oferecidos sob a tutela da
legislação de EaD, oferecendo certificados de conclusão nessa modalidade, ou sob a tutela de uma
legislação específica, podendo dessa forma oferecer certificados de conclusão na modalidade de
Ensino Presencial. No Brasil essa possibilidade se tornou real com a promulgação da portaria n°
2.253/2001 que permitiu que a oferta de 20% da grade curricular, em cursos superiores presenciais
seja oferecida na modalidade semi-presencial.

Quadro 2 – Principais aspectos da Portaria n° 2.253/2001


As disciplinas ofertadas com a utilização de método não-presencial não podem exceder 20% da
grade curricular.
A universidade deverá ofertar essas disciplinas também na modalidade presencial, para escolha
do aluno.
Os exames finais de todas as disciplinas deverão ser presenciais
Os cursos ainda devem cumprir as exigências da LDB e ofertar no mínimo 200 dias de trabalho
acadêmico a cada ano letivo.
Todas as alterações devem ser comunicadas e aprovadas pelo MEC, exceto para universidades e
Centros Universitarios que não precisam de aprovação, basta comunicar.
A autorização do MEC depende de uma análise específica, realizada por especialistas em EaD.
Fonte: Portaria n° 2.253/2001

A Portaria n° 2.253/2001 permitiu que as universidades oferecessem disciplinas EaD em


seus cursos presenciais regulares, mas foi logo substituída pela Portaria n° 4.059/2004, que incluiu
novas exigências para a oferta de disciplinas EaD nos cursos presenciais, entre elas:

Quadro 3 – Novidades da Portaria n° 4.059/2004 em relação à Portaria n° 2.253/2001


Não é mais necessário ofertar a disciplina também de forma presencial, a partir da
aprovação/reconhecimento pelo MEC as Instituições de Ensino Superior (IES) podem oferecer
somente a modalidade a distância.
Todas as avaliações devem ser realizadas de forma presencial, não somente o exames finais.
Encontros presenciais são agora obrigatórios.
É obrigatório a oferta de tutoria com tutores qualificados.
Todas as IES devem comunicar e solicitar reconhecimento junto ao MEC para as novas
disciplinas implementadas em EaD.
A autorização do MEC está agora inclusa no bojo dos processos de reconhecimento dos cursos.
Fonte: Segenreih, 2009.
De acordo com Moran et alli (2005) as portarias n° 2.253 e n° 4.059 vieram regulamentar
uma prática que já era comum para alguns professores e que, sem a devida regulamentação, poderia
levar a problemas jurídicos para as suas IES. Com a implementação dessas portarias, e a
possibilidade de inclusão de disciplinas EaD em cursos presenciais sem alterações nos certificados
oferecidos, a oferta dessas disciplinas se tornou um processo que, desde então, vem crescendo
silenciosamente. Para Segenreich (2009)
[...] esta modalidade de inserção da EaD na educação superior continua invisível
nas estatísticas educacionais e não deixa de crescer silenciosamente [...]. Alguns
dados esparsos têm sido registrados nas publicações da ARAEAD, mas nem de
longe retratam a situação dessas disciplinas (SEGENREICH, 2009, p. 14).
Para Moran et alli, a implementação dessa modalidade de ensino semipresencial, que
seguem as normas das portarias citadas, podem ocorrer de duas formas distintas, pelo voluntarismo
ou por meio de um planejamento pontual. O voluntarismo ocorre quando a universidade deixa que
os professores adiram de forma livre às atividades virtuais, o que, segundo os autores, ocorre de
forma mais frequente nas universidades públicas. Já o planejamento pontual ocorre quando as
universidades começam a transferir para o universo virtual situações-problema do cotidiano
escolar, por exemplo alunos com problemas de aprendizagem ou com pendências, para depois
passar a ofertar nessa modalidade disciplinas comuns a vários cursos.
A implementação dessa modalidade a distância se deu principalmente em universidades
particulares e, de acordo com Segenreich et alli as pesquisas realizadas sobre o assunto
demonstram que as disciplinas mais selecionadas para essa modalidade são as disciplinas comuns a
vários cursos, que assim possibilitam a diminuição de despesas das IES com instalações e corpo
docente. Para os autores
[...] uma medida que poderia representar (e representou em algumas instituições)
a oportunidade de renovação de uma cultura acadêmica da IES e a oportunidade
de acesso dos estudantes a novas modalidades de ensino, está se tornando, no
momento, uma estratégia para diminuir exclusivamente os gastos da instituição
[...] (SEGENREICH et alli, 2016, p. 254)
Para Ball (2001), a “educação está, cada vez mais, sujeita às prescrições e assunções
normativas do economicismo e o tipo de cultura na qual a escola existe e pode existir é articulado
dentro desta lógica”. Isso coloca para a implementação de disciplinas semipresenciais, e a
utilização de tecnologias de EaD nos cursos regulares uma questão fundamental: se é o plano
econômico que dita as disciplinas selecionadas para a modalidade semipresencial e a forma como
serão ofertadas aos alunos o que garante que a qualidade e o conteúdo oferecido estão de acordo
com o divulgado/proposto?
Para Lessa (2011) essas “normas trazem segurança a sociedade, desmistificando a falsa
ideia de que existe diferença de qualidade entre cursos da modalidade presencial e a distância”
(p.6). Discordamos dessa proposição, uma vez que entendemos que a legislação não existe para dar
garantias de qualidade comparativa com o ensino presencial, mas para fazer valer os parâmetros
educacionais vigentes, o que não implica que um curso dentro da legislação tenha o mesmo nível
qualitativo do ensino presencial. A legislação, pelo menos da forma como se encontra hoje, garante,
especificamente, que os cursos terão o mínimo de dias letivos definido pelo MEC, que seguirão os
parâmetros curriculares essenciais para a formação em cada área e que seguirão critérios mínimos
de avaliação.
Estão ainda de fora da legislação específica para EaD, e para a inserção de cursos
semipresenciais no ensino regular, as questões de formação de turmas, relações de trabalho e
qualificação dos profissionais que atuam nessa modalidade. Essas são questões essenciais para que
se possa falar em garantia de qualidade idêntica às dos cursos superiores na legislação sobre a
oferta de cursos inteiramente EaD ou mesmo na inclusão de 20% de disciplinas EaD na modalidade
presencial.

2.2 Legislação trabalhista na EaD


A questão da legislação trabalhista, por exemplo, é de extrema importância para essa
discussão. Enquanto na modalidade presencial as aulas são oferecidas por professores qualificados
em regime de trabalho compatível com a sua função, nas disciplinas oferecidas a distância as
funções de professores, autores e tutores ainda estão confusas, o que pode prejudicar os alunos que
podem ter aulas com profissionais superexplorados e até sem a qualificação necessária.
As funções do professorado na educação a distância são bastante diferentes das da
educação presencial, dado que na EaD há uma série de atividades que devem ser executadas antes
da disponibilização dos cursos aos alunos. É preciso elaborar os materiais em seus aspectos
acadêmicos e tecnológicos, o que pode incluir diagramação de textos e a elaboração de material
audiovisual que exigem uma equipe preparada que vai muito além do professor. Há ainda as
questões técnicas de execução do curso e o acompanhamento dos alunos que ali acontece
prioritariamente como função do tutor, figura nova que assume funções do professor e da equipe
técnica.
Para Scottini (2018) “a falta de legislação trabalhista específica para a educação a
distância colabora para a precarização das condições de trabalho do docente que trabalha nessa
modalidade de educação” (s.p.). Isto acontece pelo fato de que é uma modalidade de ensino que
acontece por meio de novas tecnologias que promovem alterações no processo de trabalho docente
“numa realidade onde inexistem ordenamentos jurídicos específicos que garantam a legitimidade
de profissionalizaão do docente virtual” (s.p.).
Neves (apud Scottini) afirma que essas novas tecnologias, que alterando os meios de
produção alteram também a forma de exploração do trabalho docente no ensino a distância e “tem
sido utilizadas pelas instituições de ensino privadas como forma de dispersar a mão-de-obra e
aumentar o trabalho daqueles que permanecem empregados” por meio da atribuição de quantidades
abusivas de alunos para um mesmo professor ou pelo não pagamento do trabalho realizado em
atendimento aos alunos, normalmente fora do ambiente escolar mediado por tecnologias digitais,
que vai além da regência.
Na educação a distância, isso é notório. Professores com mil, dois mil alunos,
sendo que presencialmente lecionariam para, no máximo, duas ou três turmas de
50 a 60 alunos, o que bem evidencia a existência do componente econômico
como estimulante do estabelecimento desta espécie de processo educacional
(NEVES apud SCOTTINI, 2018, s.p.).
Essa precarização do trabalho, tanto na figura do professor quanto na figura do tutor, é
possível devido à falta de legislação específica ao trabalho docente nos cursos a distância. Como já
afirmamos anteriormente, somente a existência de legislação que exija das IES o devido
investimento na infraestrutura de oferta dos cursos, o que inclui o número de docentes e tutores, e a
formação adequada desses profissionais, pode dar aos alunos desses cursos garantias de qualidade
comparáveis ao ensino presencial.
Hoje o que encontramos é apenas um documento do Ministério da Educação denominado
“Referenciais de qualidade para cursos a distância”, com primeira versão em 2003, atualizado em
2007, que não tem prerrogativas de lei, ou seja, não é obrigatório às IES que oferecem cursos EaD
aos seus alunos que sigam essas instruções, vide as informações do MEC sobre a questão:
Embora seja um documento que não tem força de lei, ele será um referencial
norteador para subsidiar atos legais do poder público no que se referem aos
processos específicos de regulação, supervisão e avaliação da modalidade citada.
Por outro lado, as orientações contidas neste documento devem ter função
indutora, não só em termos da própria concepção teórico-metodológica da
educação a distância, mas também da organização de sistemas de EAD no Brasil.
(MEC, s.d., s.p.)
Segue o Quadro 4 com as principais instruções desse documento.

Quadro 4 – Referenciais de qualidade para cursos a distância


Condições Considerar, na carga horária de trabalho dos professores, o tempo necessário para
de trabalho: atividades de planejamento e acompanhamento das atividades específicas de um
programa de educação a distância;
- Estabelecer uma proporção professor-aluno que garanta boas possibilidades de
comunicação e acompanhamento;
- Quantificar o número de professores/hora disponíveis para os atendimentos
requeridos pelos alunos.
Diretrizes: - A elaboração de material deverá ser remunerada como hora-atividade já
estabelecida na carga horária semanal do professor ou poderá se constituir em
tarefa específica que deve ser previamente negociada com a instituição. Neste
caso pode-se trabalhar como parâmetro o estabelecido no direito autoral;
- Para o acompanhamento aos alunos tanto na solução das dúvidas/explicações
complementares ou nos momentos de avaliação é necessário que este tempo seja
estabelecido e remunerado pelo número de horas-aulas necessárias. Esta carga
horária deve estar integrada à carga horária semanal do professor ou a hora-aula
deverá ter valores diferenciados, considerando-se o curso de curta duração;
- Gravação de vídeos: a remuneração poderá ser por hora-atividade ou por tarefa
específica. Deve-se levar em conta, neste caso, o direito de imagem.
Questões - Jornada de trabalho - jornada nuclear, previamente definida por contrato -
que devem contrato por uma carga horária semanal, nos mesmos moldes e parâmetros;
ser - Horário de trabalho - flexível, agenda de trabalho previamente definida com a
discutidas e instituição de ensino onde constariam datas/horários de presença do professor na
abordadas instituição;
nos - Hora atividade - em percentual sobre a carga horária contratual, podendo ser a
instrumentos forma de contemplar a disponibilidade do professor. Quanto mais próxima da
de realidade for a norma fixada menor a possibilidade de vulnerabilidade contratual.
negociação Somente reconhecendo esta diversidade é possível garantir a proteção dos
coletiva: professores.
- Direitos autorais - devem ser previamente estabelecidos pelas partes, no que
dizem respeito à utilização dos materiais elaborados e da imagem do professor, ou
no silêncio; presume-se que não podem ser reutilizados pela instituição sem
prévia autorização do professor.
Fonte: SCOTTINI, 2018

Embora este documento seja bastante completo, e sua implementação garantiria o bom
funcionamento do trabalho docente, questão importante tanto para o professor, quanto para a
qualidade do curso oferecido e satisfação dos alunos, por não passar de sugestões sem possibilidade
de cobrança por meio dos órgãos reguladores da EaD no Brasil, é ignorado pelas IES quando estas
estão mais preocupadas com as questões relacionadas ao retorno financeiro dos serviços oferecidos.
3 ANÁLISE DOS PRESSUPOSTOS TEÓRICOS

Abaixo inserimos um quadro síntese dos pressupostos apresentados na sessão anterior.


Neste quadro inserimos os principais marcos regulatórios no que se refere à Educação a Distância,
Educação Semi-presencial e a presença de disciplinas EaD na Educação Presencial tradicional.
Essa legislação é o que regula e acompanha a oferta de cursos e disciplinas a distância no
Ensino Superior no Brasil, e por isso, deve ser observada atentamente por todos os gestores de
cursos de Ensino Superior, independente da modalidade, para a oferta de produtos de educação a
distância a seus alunos.

Tabela 1 – Análise dos pressupostos teóricos


Educação a Distância
Lei de Diretrizes e Bases da Educação - 1996 A EaD aparece pela primeira vz na literatura
oficial brasileira
Mendes, 2005 – A EaD aparece de forma
minimalista
Regulamentação da EaD Por meio de Decretos e Portarias específicas:
Decreto n° 5.622/2005; Decreto n° 5.773/2006;
Decreto n° 6.303/2007; Portaria n° 1/2007;
Portaria n° 2/2007; Portaria n° 40/2007;
Portaria n°10/2009.
Influência internacional A legislação brasileira específica para EaD é
criada sob presença de fortes influências
internacionais de agências multilaterais que são
reinterpretadas para a realidade nacional.
Educação Presencial e Semipresencial
Modalidades Podem ser ofertados cursos semipresenciais sob
a tutela da legislação específica para a EaD –
oferecendo certificados de cursos a distância,
ou pela legislação de cursos presenciais, com
até 20% de aulas EaD.
Legislação Por meio das Portarias n° 2.253/2001 e n°
4.059/2004
Moran et alli – Essas portarias vieram
regulamentar uma prática que já era comum e
que sem a devida regularização poderia levar
problemas jurídicos para as IES.
Formas de implementação dos “20%” EaD no 1- Voluntariamente – professores aderem
ensino presencial voluntariamente, mais comum nas IES
públicas.
2- Planejamento pontual – primeiro
situações problemas e depois
disciplinas comuns a vários cursos,
mais comum em IES particulares.
Motivações Diminuição de gastos
Ball - A educação está cada vez mais sujeita ás
exigências econômicas.
Função da legislação Lessa – segurança e garantir que os cursos EaD
têm a mesma qualidade dos cursos presenciasi
Para nós é garantir que os parâmetros
curriculares sejam cumpridos minimamente.
Qualidade Para garantir a qualidade seria necessário uma
legislação trabalhista específica, que
regulamentaria as funções de professores,
autores e tutores e impediria a precarização do
trabalho docente na EaD.
Legislação trabalhista na EaD
Legislação específica Não existe.
É necessária devido as peculiaridades dos meios
de trabalho docente na EaD – novos formas de
produção pela tecnologia digital.
Scottini - A falta de uma legislação trabalhista
específica para a EaD contribui para a
precarização do trabalho docente na área.
“Referenciais de qualidade para cursos a É um documento do MEC que não tem
distância” prerrogativas de lei.
É um referencial norteador para o poder público
Apresenta propostas para: condições de
trabalho; diretrizes e questões que devem ser
discutidas e abordadas nos instrumentos de
negociação coletiva.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A elaboração deste trabalho nos permitiu observar a implementação do Ensino a


Distância nas diferentes modalidades de cursos de ensino superior no Brasil do ponto de vista legal
por meio da análise da legislação específica que regulamenta a implementação de cursos EaD e de
disciplinas a distância em cursos presenciais regulares e semipresenciais nas IES brasileiras.
Por meio dessa análise pudemos compreender a necessidade dessa legislação para
garantir aos alunos que os cursos oferecidos na modalidade a distância cumpram os requisitos
mínimos para o seu funcionamento e que os alunos não sejam enganados enquanto consumidores,
limitando a quantidade de atividades que podem ser oferecidas a distância pelas IES que optam por
esse modelo de educação os seus cursos presenciais.
Entendemos ainda que a legislação sozinha não é capaz de garantir aos alunos que os
cursos a distância tenham a mesma qualidade, ou mesmo um padrão mínimo de qualidade uma vez
que o documento que trata dessa questão não tem força de lei, sendo somente uma sugestão às
instituições de ensino no Brasil.
Outra questão que nos pareceu importante nesse sentido, da garantia da qualidade dos
cursos oferecidos a distância, mas que não é regulamentada pela legislação brasileira, é a questão
trabalhista. Para nós a falta de uma legislação trabalhista específica para a área é imprescindível
para a garantia da qualidade dos cursos, uma vez que, como se trata de uma forma nova de trabalho
ela passa pelas brechas legislativas. A falta de uma legislação específica contribui para a
precarização do trabalho docente dentro desse novo modelo de ensinar que não acontece em tempo
nem lugar específico e por isso acaba em superexploração e desvio de funções entre os
trabalhadores da educação.
Diante disso destacamos a necessidade de que, em pesquisas futuras, sejam estudadas as
novas formas de trabalho docente no âmbito da educação a distância para servir de subsídio para
elaboração de uma legislação trabalhista específica para esses profissionais. Para nós, a existência
dessa legislação trará para os cursos superiores a distância, e para as disciplinas a distância
oferecidas em cursos presenciais e semipresenciais, garantia de qualidade por meio da correta
utilização o trabalho docente.
Concluímos este trabalho reiterando a importância de legislação específica para a
modalidade de educação a distância nas questões de ensino e trabalho uma vez que a sua lógica de
ensino-aprendizagem e de produção não seguem os mesmos critérios daqueles da educação
presencial tradicional.
5 REFERÊNCIAS

BALL, S.J. Diretrizes políticas globais e relações políticas locais em educação. Currículo sem
fronteiras, Porto Alegre, v. 1, n. 2, 2001.
BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm. Acesso em 20 out. 2018.
______. Portaria n. 2.253 de 18 de outubro de 2001. Disponível em:
http://www.ufrgs.br/cursopgdr/legislacao/p2253.pdf. Acesso em: 20 out. 2018.
______. Portaria n. 4.059 de 10 de dezembro de 2004. Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/sesu/arquivos/pdf/nova/acs_portaria4059.pdf. Acesso em 20 out. 2018.
______. Decreto Nº. 5.622, de 19 de dezembro de 2005. Disponível em:
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_____. Decreto N.º 5.773, de 09 de maio de 2006. Disponível em:
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out. 2018.
______. Portaria nº 1, de 10 de janeiro de 2007. Disponível em:
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______. Portaria nº 40, de 12 de dezembro de 2007. Disponível em:
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