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Ergonomia e Segurança do

Trabalho em foco
Volume I

1ª Edição

Belo Horizonte

Poisson

2017
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
E67
Ergonomia e Segurança no Trabalho em foco
volume 1 – Editora Poisson – Belo
Horizonte (MG : Poisson, 2017)
363 p.

Formato: PDF
ISBN: 978-85-93729-38-6
DOI: 10.5935/978-85-93729-38-6.2018B001

Modo de acesso: World Wide Web


Inclui bibliografia

1. Ergonomia. 2. Segurança. I. Título

CDD-658.8

O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade


são de responsabilidade exclusiva dos seus respectivos autores.

www.poisson.com.br

contato@poisson.com.br
Construção de demanda ergonômica: aplicação em empresa do setor
de tecnologia da informação ................................................................................................
09
(Claudiana Pereira Batista, Yuri Laio Teixeira Veras Silva)

Análise ergonômica das condições ambientais de um posto de


trabalho em uma fábrica de móveis ....................................................................................
25
Gabriel Santana Vasconcelos, Felipe Augusto Silva Lessa, Simone de Cassia Silva)

Análise ergonômica do nível de ruído em salas de aula de uma


faculdade na cidade de Patos- Pb ........................................................................................
38
(Matheus das Neves Almeida, Emmily Gersica Santos Gomes, Danielly Felix de
Oliveira, Phelippe Afonso de Oliveira, Deborah Mais Fragoso Barbosa)

Avaliação do conforto térmico em uma sala de aula........................................................


53
(Sara Virginia Ornilo Correia, Mateus Marcelino da Silva, Beatriz Pires do Carmo
Neta, Natalia Gomes Lucio Cavalcante, Ivanize Claudia dos Santos e Silva)

Macroergonomia participativa - uma aplicação na operação de


montagem de calçados ..........................................................................................................
61
(Claudio Oberajara Bonetti, Rogerio Bueno de Paiva, Alexandre Luis Lorenz, Elisete
Frey Kieling)

Profissão gesseiro e o contexto legal para a prevenção de acidentes e


doenças ocupacionais no município de Mossoró/RN.......................................................
74
(Almir Mariano de Sousa Junior, Nadja Keilane Dantas Espinola, Alfredo Luiz da
Costa, Jaqueline Sandra Soares de Souza)

Aplicação da análise ergonômica do trabalho (AET) em uma


multinacional do setor calçadista: aprimorando a gestão de materiais........................
86
(Yuri Laio Teixeira Veras Silva, Claudiana Pereira Batista)
Métodos subjetivos de mensuração da fadiga de um indivíduo: uma
revisão da literatura................................................................................................................
103
(Naia Antunis de Rezende, Renata Aparecida Ribeiro Custodio, Carlos Henrique
Pereira Mello)

Avaliação de riscos ocupacionais no setor de logística de uma


distribuidora de bebidas: uma abordagem macroergonômica ......................................
117
(Guido Rosso Guedin, Lizandra Garcia Lupi Vergara)

Antropometria e temperatura: um case em uma empresa de


equipamentos de biossegurança .........................................................................................
135
(Fernando Henrique Lermen, Gustavo de Souza Matias, Rodrigo Roder, Rubya Vieira
de Mello Campos, Celise Roder)

Ergonomia no setor de produção de uma fábrica de móveis de


pequeno porte: benefícios para a empresa e trabalhadores ..........................................
144
(Débora de Oliveira Gomes, Carmen Lucia Campos Guizze)

Propostas de melhoria a partir da análise ergonômica do trabalho


(AET) em distribuidora de GLP em Aracaju/SE ...................................................................
158
(Derek Gomes Leite, Ludimila Cavalcante da Silva, Simone de Cassia Silva)

Análise preliminar dos riscos ambientais e mecânicos: estudo de caso


em uma indústria de ourivesaria na cidade de Abaetetuba-Pará ..................................
172
(Luciana Lobato Silva)

Aplicação da análise hierárquica da tarefa e estudo de demandas


ergonômicas em uma empresa de doces tradicionais de pelotas .................................
183
(Rick Carneiro De Menezes, Aline Soares Pereira, Luís Antônio Dos Santos Franz)
Análise ergonômica do trabalho (AET) aplicado no processo de salga
da carne de uma fábrica de charque .................................................................................
198
(Valdanes Paludo, Heloisa Carolina Massucato Bravin)

Estudo ergonômico em uma planta de produção de papel higiênico ..........................


210
(Luciano Ferreira Machado, Denise Cristina de Oliveira Nascimento)

A importância de uma abordagem participativa dos usuários em um


projeto de melhoria do posto de trabalho: um estudo de caso em
uma escola municipal de João Pessoa-Pb .........................................................................
225
(Helena Thâmara Aquino dos Santos, Fábio Morais Borges, Beatriz Pires do Carmo
Neta, Jerusa Cristina Guimaraes De Medeiros)

Análise da vibração ocupacional por implementos de roçadeiras em


diferentes tipos de vegetação rasteira...............................................................................
235
(Marco Tulio Domingues Costa, Eder Junio Martins, Patrícia Nunes Sartori, Luciano
de Castro Diniz)

Avaliação ergonômica dos postos de trabalho do setor administrativo


de uma autarquia pública ....................................................................................................
246
(Francisca Rogéria da Silva Lima, Moises dos Santos Rocha)

Análise ergonômica do trabalho de um operador de dobradeira de


uma metalúrgica ....................................................................................................................
262
(Lizandra Garcia Lupi Vergara, Andre Schappo, Gustavo Reitz Sperotto, Bruno
Valério Alves)

Doenças, acidentes e riscos ocupacionais: análise em uma


organização pública hospitalar ...........................................................................................
275
(Pablo Marlon Medeiros Da Silva, Inácia Girlene Amaral, Juliana Carvalho De Sousa,
Lydia Maria Pinto Brito, Fernanda Gabrielle Pereira De Oliveira Marques
Risco biomecânico de um funcionário de serviços gerais pela equação
de Niosh ..................................................................................................................................
287
(Bianca Rezende Trindade Silva, Karen Caroline Vasconcelos, Luanna Rodrigues
Leite)

Os possíveis impactos ocasionados pela geração de ruídos em um


porto marítimo .......................................................................................................................
297
(Ayla Ferrari, Benhur Igor Campos Brito, Marielce De Cassia Ribeiro Tosta, Monica
Maria Pereira Tognella, Pamela Gama Pereira)

Investigação ergonômica de um protetor auricular com óculos de


proteção acoplado .................................................................................................................
310
(Julio Cesar Berndsen, Carlos Aparecido Fernandes, Fernando Antônio Forcellini,
Eugenio Andres Diaz Merino)

Uma investigação quanto aos riscos prioritários no canteiro de obras


da construção de uma barragem ........................................................................................
322
(Italo Rodeghiero Neto, Larissa Kabke Rosa, Luis Antônio Dos Santos Franz, Felipe
Augusto Ferro Erig)

Avaliação de riscos ambientais, mecânicos e ergonômicos em um


laboratório químico de uma universidade federal...........................................................
335
(Geraldo Alves Colaco, Ithyara Dheylle Machado De Medeiros, Winnie De Lima
Torres, Eleide Correia De Melo Colaco, Gabriela Oliveira Galvão)

.................................................................................................................................. 348
CONSTRUÇÃO
DE DEMANDA
ERGONÔMICA:
APLICAÇÃO EM
EMPRESA DO SETOR
DE TECNOLOGIA
DA INFORMAÇÃO

Claudiana Pereira Batista


Yuri Laio Teixeira Veras Silva

RESUMO
No contexto da gestão de projetos de TI, ferramentas de apoio são fundamentais para o
bom acompanhamento dos projetos e decisivos para o sucesso ou fracasso do mesmo.
Entretanto os sistemas de gestão de projetos devem ser agentes facilitadores e não um
problema. Este artigo retrata uma AET cujo núcleo aborda a reestruturação organizacional
do modelo de gestão de TI, na busca de redução do retrabalho e aumento da eficiência.

Palavras-chave

Construção de demanda, AET, ergonomia, gestão de projetos de TI, retrabalho.


9

1. INTRODUÇÃO da empresa de tecnologia da informação


sob o ponto de vista dos atores envolvidos
No atual cenário de globalização, a preo- no processo, e apresenta como objetivos
cupação com os fatores ergonômicos vem construir o diagnóstico ergonômico do
ganhando uma maior atenção no decorrer ambiente estudado e apresentar as possí-
dos anos (ABEPRO, 2013). Os postos de veis ações que irão solucionar, parcial-
trabalho estão sendo cada vez mais plane- mente ou totalmente, a problemática
jados e desenvolvidos a partir das neces- observada no diagnóstico.
sidades dos operários envolvidos em seu
ambiente. Por ter uma visão multidisci-
2. METODOLOGIA
plinar, a ergonomia faz com vários setores
das organizações sejam contemplados A Análise Ergonômica do Trabalho - AET,
com os benefícios da análise ergonômica metodologia utilizada nesse artigo, compre-
do trabalho de forma mais completa e ende um conjunto de análises globais,
eficaz. (IIDA, 2002). sistemáticas e intercomplementares que
possibilitam a modelagem da situação de
A atividade em análise é a atividade de
trabalho (VIDAL, 2003). Ademais, são suge-
gerenciamento de projetos, em uma
ridas as etapas: instrução das demandas,
empresa de pequeno porte do ramo de
modelagem da atividade e projeto de
informática. O objetivo principal é a iden-
soluções. Nesse contexto, o método de
tificação dos fatores que contribuem para
instrução das demandas foi baseado na
uma gestão ineficiente dos projetos. A
construção social (SALDANHA, 2010), utili-
justificativa para escolha desse setor da
zando-se de técnicas interacionais (ação
empresa é o fato de que a pesquisa pode
conversacional, verbalizações espontâ-
ser conduzida em um ambiente com pouca
neas), de questionário, de técnicas observa-
interferência externa e com uma equipe
cionais (observações abertas da realização
pequena, especializada e muito solícita.
das tarefas e dos sistemas de informação
Aspectos referentes a carga/esforço físico
associados) e de pesquisas bibliográficas.
na execução das atividades, ambiente
Abaixo segue um quadro 1 que resume as
físico, o conforto técnico, aspectos orga-
ações metodológicas realizadas.
nizacionais e cognitivos também foram
estudados previamente, para o estabeleci- Como a atividade de gestão de TI segue,
mento das demandas latentes da empresa. inclusive nas contratações governamen-
No entanto, devido ao caráter do escopo tais, os modelos internacionais COBIT,
escolhido, aspectos legais e normativos PMBOK entre outros, não foi inserida uma
que regulamentem a atividade não foram avaliação profunda do enquadramento
inclusos. legislativo/normativo brasileiro, ABNT ISO/
IEC 38500/2009 que figura a norma de
O artigo em questão trata da análise do
governança de TI compilada.
método de trabalho utilizado pelo gestor

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


10

Quadro 1 - Matriz metodológica

Com
O que
Etapas Fonte Objetivo Abordagem Método quem in-
coletou teragiu
Embasar as
Informações informações
1. Análise Site /
sobre a sobre as Qualitativa Observação -
Global Empresa
empresa ações da
empresa
Instruir a
Informações demanda Observação
Analistas de
2. Instrução sobre as coerente com Qualitativa / / Questioná-
Funcionários Sistema /
da demanda atividades da as neces- Quantitativa rios / Intera-
Gestor
empresa sidades de ções
cada setor
Informa- Identificar Observação
Analistas de
3. Análise da ções sobre as situações Qualitativa / / Interações
Literatura Sistema /
atividade a demanda críticas da Quantitativa / pesquisa
Gestor
identificada demanda bibliográfica
Produzir
recomenda-
Indicadores
4. Memorial ções para Qualitativa / Pesquisa Professor
/ Valores de Literatura
descritivo contornar as Quantitativa bibliográfica orientador
referência
demandas
levantadas

Fonte: Elaborado pelos autores (2013)

Adiante, todas as etapas aplicadas no A missão da Ideen é promover o cresci-


estudo e ilustradas no quadro 1 anterior- mento econômico e social por meio do
mente, serão identificadas e descritas. desenvolvimento de soluções computacio-
nais para estimular o mercado de produção

2.1. ANÁLISE GLOBAL e consumo de informação (IDEEN, 2013).


Os objetivos são:

2.1.1. IDEOLOGIA DA _ Desenvolver produtos de software e


EMPRESA serviços relacionados que facilitem um
melhor aproveitamento da tecnologia para
A IDEEN Soluções em Informática LTDA
pessoas e organizações, com respeito,
surgiu em 2008, a partir da união de
garantindo sua plena satisfação;
pesquisadores universitários que identifi-
caram possibilidades de negócio no emer- _ Realizar parcerias de negócio que
gente mercado de televisão digital. Em ampliem oportunidades comerciais e de
2009, a empresa inicia suas operações no compartilhamento do conhecimento para
segmento a partir do desenvolvimento de todas as partes envolvidas;
soluções de autoria para aplicações intera-
tivas para a televisão digital. _ Gerir o conhecimento e capacitação
contínua de colaboradores associados.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


11

2.1.2. FORMAS DE pesquisa e inovação tecnológica, o sucesso


ORGANIZAÇÃO DO da organização. E vislumbrando o cresci-
TRABALHO mento pretendem conservar e especia-
lizar o corpo funcional. No que se referem
As atividades executadas na empresa Ideen às faixas etárias, os funcionários tem em
ocupam prioritariamente o turno da manhã, média 29 anos.
das 08:00 às 12:00 hs, de segunda a sexta-
-feira. Dependendo do projeto realizado e
2.1.3. ORGANOGRAMA
da demanda requerida este período pode
ser dilatado, utilizando outros turnos e/ou Este organograma oferece a configuração
dias da semana. A quarta é utilizada para dos funcionários na empresa. Acima do
as reuniões semanais, onde são definidas gestor, foco da análise, apenas a diretoria.
as metas e atividades a serem realizadas Os gerentes de cada projeto podem contri-
durante a semana vindoura e analisados os buir entre si, no entanto, os papéis devem
resultados obtidos na semana corrente. ser dispostos como na figura 2 abaixo.

O quadro funcional é composto por funcio-


nários fixos e rotativos, todos especiali- 2.1.4. ÁREA DE ATUAÇÃO
zados nas suas respectivas funções. Os
A empresa atua no segmento de desen-
funcionários fixos são os sócios, auxiliados
volvimento de soluções de software sob
pelo gestor que é regido por um contrato
encomenda. Atualmente, a Ideen tem
de colaboração. Os demais funcionários
concentrado esforços de atuação no desen-
são convocados mediante uma demanda
volvendo sistemas multimídias voltados
de projeto e podem trabalhar em um ou
para o mercado de televisão digital e inte-
mais projetos conforme conveniência e
ratividade, dada as necessidades do setor
disponibilidade. No momento a empresa
por soluções para o seu crescimento.
possui 4 analistas de sistemas locados no
projeto de TV digital e 1 na linha de solu- A empresa Ideen concebeu o AppITV
ções visuais. E ainda conta com 1 funcio- Developer: Uma ferramenta integrada de
nário no comercial. Vale mencionar que desenvolvimento de aplicações interativas
um dos sócios e o gestor também atuam para o Sistema Brasileiro de TV Digital,
no desenvolvimento de produtos. subvencionado pelo programa Primeira
Empresa (PRIME), através da Financiadora
Quanto ao nível de escolaridade, os
de Estudos e Projetos (FINEP), operaciona-
funcionários rotativos são graduados com
lizado localmente pela Fundação Parque
exceção de um (IDEEN, 2013). Existe uma
Tecnológico da Paraíba (PaqTcPb). Esti-
política de incentivo ao estudo, na orga-
mulada pelo bom resultado alcançado no
nização, visto que o setor de tecnologia é
AppITV, a empresa submete novamente
bastante acirrado e exige inovação. Um
uma proposta de trabalho através do edital
dos proprietários é mestre e enxerga, na
RHAE, e ganha subvenção do governo

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


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Figura 2 - Organograma da empresa

Fonte: Elaborado pelos autores (2013)

federal através do CNPq no projeto AppITV mencionados anteriormente a empresa


RCM que iniciou-se em 2012 (IDEEN, 2013). oferece o serviço de consultoria.

Em Janeiro de 2011 a Ideen iniciou desen-


volvimento de um nova linha de produtos,
2.2. INSTRUÇÃO /
voltado para o desenvolvimento de aplica-
CONSTRUÇÃO DA DEMANDA
ções em comércio eletrônico, o BITBazar. Para Guerin (2001), o sistema homem/
Entretanto, com o crescimento da demanda tarefa deve ser a base fundamental dessa
do BITBazar e por entender a importância instrução. Ademais, ao instruir a demanda
de desenvolvimento de toda identidade dar-se início à construção de um ponto de
visual dos clientes, decide centrar seus vista do trabalho sobre esse funcionamento.
esforços nesse nicho de mercado e em
2012 lança a linha de produtos Criativa. A A instrução da demanda tem por objetivo
linha Criativa foca os esforços apenas em prático a implicação de todos os integrantes
soluções visuais e gráficas, como cartões da empresa. Observando a configuração do
de visita, logomarca, site, entre outros. organograma mostrado anteriormente, foi
escalonada a pesquisa em três grupos de
Os sistemas de informação sob enco- trabalho distintos na organização, a saber:
menda (Ideen Sis) permanecem como uma analistas de desenvolvimento, analista de
linha de produtos/serviços da empresa, relacionamento/comercial e gerência, para
e a partir dele surgiu a oportunidade de verificar demandas. Diante dessa avaliação
estruturar uma nova linha em 2012, o e levando em consideração as queixas e
Ideen Proprietà, voltado para o mercado observações realizadas, foram identifi-
imobiliário. Além de atuar nos segmentos cados os seguintes problemas:

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


13

Quadro 2 - Demandas observadas na empresa

Demandas da Demandas da ativi- Demandas da


atividade do gestor dade do comercial atividade do analista

- - Sobrecarga menta
Saúde

Esforço repetitivo - Esforço repetitivo

Acústica prejudicada Acústica prejudicada Acústica prejudicada


biente

Problemas na infraes-
Am-

- -
trutura de trabalho

Controle e registro
Gestão

Controle e registro inefi- Controle e registro inefi-


ineficiente das ativi-
ciente das atividades ciente das atividades
dades

Fonte: Elaborado pelos autores (2013)

Percebe-se que, de acordo com o quadro mentos (Gdrive) e dois sistemas para plane-
2, há um problema recorrente, nas três jamento e controle de projetos, Dotproject
esferas funcionais da empresa, é o controle e/ou Mantis, que são utilizados de acordo
e registro ineficiente das atividades, logo com o tipo de projeto e controle desejado
seria interessante direcionar a demanda assim como perfil do funcionário.
para a solução deste problema.
A equipe de relacionamento/marketing
capta os clientes em prospecção. Em
2.3. ANÁLISE DAS seguida, seguem para uma pré-avaliação
ATIVIDADES onde é elaborado um esquema de suges-

As atividades a serem analisadas serão tões e propostas para o cliente. Após o

as atividades do gestor de projetos da aval do cliente e assinatura de contrato, o

empresa, que realiza basicamente o projeto é avaliado com a equipe técnica,

controle dos projetos em execução na onde são tratadas as estratégias de

empresa e dando suporte a equipe. trabalho e encaminhado de acordo com


as características para os núcleos especí-
A estrutura de comunicações da empresa ficos (TV digital, soluções visuais, soluções
está munida de site sobre serviços e imobiliárias e sistemas de informação).
produtos, e-mail corporativo, sistema
para gestão de conhecimento (Knownledge A equipe de projeto é definida e são

Tree), sistema de armazenamento de docu- iniciados os trabalhos. Todas as atividades

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


14

são alocadas e monitoradas através dos porte em desenvolvimento. Consideramos


sistemas de comunicação implantados de pequeno porte aqueles que não exigem
na empresa. Ademais, informações consi- rígido controle de contas, utilizam poucos
deradas importantes e que devem ser recursos humanos ou tem uma carga de
mantidas em sigilo ou compartilhadas com trabalho reduzida;
os membros de determinada equipe ou da
_ Mantis: ferramenta de bug tracking cuja
organização, para o seu correto prossegui-
principal característica é o gerenciamento
mento, são inseridas no Knownledge Tree.
dos defeitos de um projeto (VALBERTO,
O gestor deve, preferencialmente, se 2012). Utilizado para que a gerência de
munindo de ferramentas computacionais projetos obtenha uma visão geral da
de controle de projetos, acompanhar o quantidade de defeitos apresentados por
andamento do projeto, as atividades indi- um produto de software, centralizando
viduais dos colaboradores e proporcionar as medidas utilizadas para resolver os
meios para checar e sanar eventuais problemas encontrados. Esse sistema
problemas de execução. é pouco utilizado devido a equipe ser
pequena, sendo mais efetivo a comuni-

2.3.1. ANÁLISE FOCAL cação de defeitos diretamente ao respon-


sável técnico no intuito de sanar quaisquer
A análise focal foi realizada utilizando os defeitos rapidamente;
métodos das verbalizações espontâneas, e
da observação. _ DotProject: sistema de gerência de
projetos em software livre, com um
Na empresa são utilizados 2 sistemas de conjunto de funcionalidades e caracterís-
gestão, propriamente ditos, para auxi- ticas que o tornam indicado para imple-
liar o controle das tarefas e ainda mais 2 mentação em ambientes corporativos
sistemas de gestão de conhecimento e (DOTPROJECT, 2013). É o sistema de gestão
documentos, que contribuem no gerencia- mais utilizado na Ideen, onde são alocadas
mento dos projetos. São eles: as tarefas semanais de cada colaborador,
de acordo com as metas do projeto.
_ Ktree (Knowledge Tree): Sistema licen-
ciado segundo os termos da GNU/FDL, Gdrive: conjunto de aplicações que torna
que oferece ferramentas que permitem possível a criação de documentos de forma
e incentivam o compartilhamento do fácil e corporativa (GDRIVE, 2013). Usado
conhecimento por meio de documentos na Ideen para referenciar e guardar os
que são armazenados em um repositório artefatos produzidos de um único projeto,
de acesso aos usuários cadastrados ao o AppITV RCM, com pastas organizadas
sistema (NARDELLI, 2006). Esse sistema para cada tipo de artefato. São utilizados
é utilizado pela empresa para armazenar os recursos de edição compartilhada de
dados e artefatos de projetos de pequeno documentos e os fóruns de discussão.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


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Mediante os sistemas utilizados, foi possível lidades básicas encontradas em cada um


traçar um comparativo entre as funciona- deles. A tabela 1 mostra esse comparativo.

Tabela 1 - Comparativo ferramental

Funções dos programas Ktree Mantis Dotproject Gdriver

Gerenciamento de multiplos projetos X X X X

Controle de acesso e niveis de permissões


X X X X
para usuários

Gerador Interno de relatórios e gráficos


X X (só Gantt)
(exportação para CSV, excel e Word)

Mecanismo para criação de campos persona-


x x
lizáveis

Notificações por e-mail x x x

Controle de tarefas x

Logs de tarefas x

Controle de recursos x

Calendário x

Fóruns x

Gerenciamento de documentos x x x

Controle de contratos x x x x

Edição compartilhada de documentos em


x
tempo real

Identificação de fatores de risco para o


x x
projeto
Integração com ferramentas de controle de
x
versão
Interface Weservice para integração com
x
outras ferramentas

Fonte: Elaborado pelos autores (2013)

Além do comparativo ferramental e das equipes de desenvolvimento quanto do


observações realizadas, a equipe de quadro comparativo entre as ferramentas
desenvolvimento foi ouvida sobre a mani- de suporte a gestão.
pulação dos sistemas de gerenciamento
Provavelmente o problema da demanda
utilizados na empresa. Foi percebida
está relacionado a organização do trabalho,
uma convergência tanto dos relatos das
no que se refere ao retrabalho gerado na

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


16

inserção das informações que alimentam panhamento da execução dos projetos,


sistemas de controle de gestão. bem como foram utilizadas as interações
conversacionais, pesquisa bibliográfica.

2.3.2. ANÁLISE FOCADA


2.4. CONSTRUÇÃO
Diante do pré-diagnóstico realizado fez-se SOCIAL
necessário estipular alguns índices, que
no nosso caso foram: horas de retrabalho A construção social se inicia quando se
semanais, o custo financeiro da empresa pretende realizar uma intervenção para o
com os recursos humanos envolvidos, e o levantamento das demandas de onde se
número de erros. pretende analisar a AET e consiste numa
estrutura de ação participativa, técnica
A análise focada possibilitou a obtenção e gerencial necessária para o processo
de resultados permitindo enriquecer com de instrução/construção das demandas
argumentos a demanda ergonômica: [o (SALDANHA, 2004; VIDAL, 2008).
problema da demanda está relacionado a
organização do trabalho, no que se refere Na construção social do projeto, os grupos
ao retrabalho gerado na inserção das infor- que influenciam e participam de levanta-
mações que alimentam sistemas de controle mento das demandas, auxiliam na compre-
de gestão]. Nesta fase, além da observação ensão das atividades e na validação das
propriamente dita, com a coleta das telas soluções, são os identificados na figura 3.
dos sistemas e do processo de acom-

Figura 3 - Esquema do dispositivo social da AET da atividade

Fonte: Elaborado pelos autores (2013)

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


17

Por sua vez, o quadro 3 mostra a função de


cada grupo de ação no desenvolvimento
do presente artigo.

Quadro 3 - Grupos da construção social

Grupos Características

Grupo de ação ergonômica Formado pela articulação entre o grupo externo e o interno.

Formado por pessoas que detém o poder de decisão junto à


Grupo de suporte
atividade

Grupo de acompanhamento Pessoas que detém autoridade técnica.

Pessoas que participam do levantamento dos dados e validações.

GF1: Analistas de sistemas

GF1:Analistas de sistemas

GF2: Analista Comercial

GF3: Gestor de projetos

Grupos de foco GF4: Diretoria

Fonte: Elaborado pelos autores (2013)

3. RESULTADOS basta ter demanda de clientes e muitos


serviços, mas é imprescindível que a
empresa saiba gerenciar seus processos
3.1. ANÁLISE GLOBAL
de desenvolvimento de software, aplica-
A empresa analisada neste artigo é uma tivos e arte, de forma eficaz e eficiente.
empresa nova no mercado e que conta
Por ter muito conhecimento e querer
com corpo técnico altamente especiali-
realizar o melhor, concentrando o máximo
zado. Devido estes fatores, busca galgar
de informação possível, a Ideen peca pelo
parcelas significativas de mercado, em
excesso. São esses excessos e a estrutura
nichos específicos e incipientes, como é o
de trabalho disponibilizada, que iremos
caso da TV digital interativa, bem como em
detalhar adiante.
nichos de crescimento vertiginoso, como é
o da inclusão de pessoas e organizações na
internet, e de organizações interessadas
em otimizar seus processos e que buscam
informatizar suas empresas. Todavia, não

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


18

3.2. ANÁLISE DA atividade chata e repetitiva, e quando essa


ATIVIDADE atualização é feita, é atualizada em apenas
um sistema. As telas do anexo mostram
A situação de trabalho analisada é confor- um fato típico onde o analista realiza uma
tável diante dos aspectos de infraestrutura atividade (Figura 5), informa ao gestor
da empresa, por não apresentar, como visto (Figura 4), mas não atualiza o sistema
anteriormente no quadro 2, demandas de de gestão (Figura 6). Pode ocorrer que o
saúde, segurança do trabalho associadas. analista finaliza uma tarefa ou deseja atua-
lizar o status de conclusão, mas não sabe
A população de trabalho envolvida não
se deve atualizar em todos os sistemas
se restringe ao gestor de projetos, mas
e/ou como proceder. Este fato pode ser
engloba os funcionários que inserem
evidenciado no seguinte relato: “Onde eu
as informações nos sistemas de gestão,
coloco essa especificação que eu produzi?
analistas de desenvolvimento, e a diretoria.
Semanas antes eu tinha uma pasta e
agora mudou tudo. Essas pastas são muito
3.2.1. TRABALHO confusas.” (Analista). Causando um retra-
PRESCRITO E REAL balho ao gestor, como pode ser verificado

Existe um descompasso entre a atividade com: “Coloque no diretório que depois eu

prescrita e a atividade real do trabalhador. organizo.” (Gestora). Ou seja, o gestor não

Para que a atividade de gestão de projetos, consegue observar claramente o status de

do trabalhador analisado, seja realizada execução da tarefa tendo que recorrer a

com qualidade faz-se necessário que mais de um sistema por vez para verificar

os colaboradores insiram dados condi- a veracidade das informações.

zentes com o estado atual do projeto nos


A utilização mais de um sistema de gestão
sistemas de gestão; então a participação
de projetos e ainda outros sistemas auxi-
dos analistas deve ser analisada. Entre-
liares de acompanhamento e planeja-
tanto, a contribuição destes funcionários,
mento, para auxiliar na execução da
por vezes, não é a esperada.
atividade do gestor de projetos, possui

O desenvolvedor ao concluir a execução aspectos positivos e negativos, demons-

de uma tarefa e ao final do dia, ou quando trados no quadro 4:

houver necessidade, deve atualizar a


Percebe-se que o que deve ser atacado
tarefa nos sistemas de gestão relacio-
inicialmente é a redundância das informa-
nados. O gestor deve realizar o acompa-
ções nos sistemas de gestão, o que pode
nhamento diário do sistema de gestão, de
ocasionar inconsistência nos dados.
modo a verificar o andamento das ativi-
dades. No trabalho real, o desenvolvedor
não consegue realizar a atualização do
andamento das atividades por ser uma

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


19

Quadro 4 - Pontos fortes e fracos

Pontos fortes Manter Potencializar Prioridade

1. Controle amplo dos projetos X

2. Diversas visões de controle de projetos X

3. Armazenamento de arquivos na nuvem X

Pontos fracos Eliminar Melhorar Prioridade

1. Carga de trabalho excessiva X

2. Redundância X Sim

3. Erros na inserção das informações X

4. Demandas diversificadas X

Fonte: Elaborado pelos autores (2013)

3.2.2. OBSERVÁVEIS DA uma variável de mensuração é o tempo


ATIVIDADE E INDICADORES semanal desperdiçado com a realização
desta atualização em vários sistemas, de
A principal fonte de observação é o sistema forma redundante, tanto pelos analistas
de gestão DotProject, por ser o sistema quanto pelo gestor. Outro indicador é o
basilar para o acompanhamento geral de valor despendido pela empresa para pagar
projetos em execução, na empresa. Além proporcionalmente o gestor, que transfere
de acompanhar as atualizações no DotPro- seus esforços para a execução de ativi-
ject, os outros sistemas foram consultados dades recorrentes operacionais, sem o
paralelamente para identificar incompa- caráter gerencial e sem se traduzir em
tibilidades. Opiniões dos analistas foram valor agregado para empresa, bem como
coletadas para embasar os dados, assim para pagar proporcionalmente os analistas
como as reuniões de acompanhamento que investem tempo nessas ações.
semanais realizadas na empresa, e todos
os meios de comunicação das equipes, Pode-se observar que o gargalo se
como fóruns, chats, correio eletrônico. concentra no gestor, que detém propor-
cionalmente o maior tempo em atuali-
Como, de fato, se perde muito tempo para zação dos sistemas e maior custo. Esse
atualizar essa gama de sistemas de gestão, quadro também consegue fornecer a ideia

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


20

Quadro 5 - Horas de atualização

Analistas de Gestora de Total


desenvolvimento projetos

Hs para atualizar sistema


7 4 11
semanal

Hs para atualizar sistema


28 16 44
mensal

Custo atualização semanal R$ 33,60 R$ 20,00 R$ 53,60

Custo atualização mensal R$ 134,40 R$ 80,00 R$ 214,40

Fonte: Elaborado pelos autores (2013)

de retrabalho da gestora, que precisa de Outra análise que pode ser feita diz respeito
quatro vezes mais tempo (cada analista ao retrabalho gerado com a necessidade
precisa de apenas 1 hora) para proceder de atualização de quatro sistemas de
com a mesma atividade, visto que a atua- informação. O quadro 6 mostra que cerca
lização de status de uma etapa de projeto de 30% (aproximadamente 18 minutos) do
ou tarefa demanda a análise de todos os tempo na atualização das atividades sema-
sistemas de apoio a gestão. Outro fato nais de um analista consta de algum nível
interessante é que as horas restritas as de retrabalho. Esse percentual sobe para
atualizações dos sistemas somadas são 60% (144 minutos, ou seja, pouco mais de
suficientes para uma semana de trabalho 2 horas) no caso do gestor de projetos.
de funcionário.

Quadro 6 - Trabalho e retrabalho

Fonte: Elaborado pelos autores (2013)

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


21

Por fim, foi levantado o número de erros Percebe-se que por ser o sistema mais
na atualização dos sistemas de gestão. São utilizado na empresa, o DotProject, conta
considerados erros a não atualização em com o maior número de erros, 17, seguido
um dos sistemas e a inserção de informa- pelo sistema de armazenamento de arte-
ções incorretas, que foram coletados em fatos do projeto AppITV RCM com 5 erros.
uma semana escolhida aleatoriamente.

Quadro 7 - Erros de atualização dos sistemas

Fonte: Elaborado pelos autores (2013)

4. ENCARGOS E cional, a descrição dos fluxos e de respon-

ESPECIFICAÇÕES sabilidades é importante.

ERGONÔMICAS No caso, as especificações podem abordar

O caderno de especificações ergonômicas tanto aspectos relativos a software como

de uma situação de trabalho consiste aspectos organizacionais, visto que os

num relatório de intervenção acrescido da softwares de apoio a gestão são funda-

especificação das mudanças em termos mentais no fluxo do processo de acompa-

de projetos (plantas, especificação de nhamento de projetos.

compras e outros detalhamentos necessá-


_ Os projetos, e suas respectivas pastas
rios). Segundo Masculo e Vidal (2011), ele
e artefatos a serem gerados devem ser
servirá a um programador de software, se
dispostos de forma clara e informados no
for dotado de uma minuciosa descrição
início do projeto a todos os envolvidos.
dos processos cognitivos, das tomadas
de decisão, dos parâmetros considerados _ Os analistas de sistema devem atualizar
entre outros. Para uma demanda organiza- o sistema de gestão sempre ao final da

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


22

jornada de trabalho diário ou assim que 5.1. DEMANDAS DE AÇÃO


determinada tarefa for concluída. PARA ATIVIDADE DE
GESTÃO DE PROJETOS
_ Um sistema de alertas deve ser utilizado
para evitar que apenas um dos sistemas Por não possuir influência do enquadra-
de gestão seja atualizado. mento normativo, a matriz-resumo das
ações ergonômicas foi simplificada. As
5. MATRIZ-RESUMO DAS ações levantadas são basicamente três:
AÇÕES ERGONÔMICAS capacitação, gestão e projeto.

Quadro 8 - Ações propostas para o ambiente estudado

Ações Proposta de desenvolvimento

Educação: sensibilizar para impotância da atualização constante dos sistemas


Capacitação
de gestão.

Recomendações voltadas á melhoria da gestão da atividade (organização do


trabalho) e dos funcionários
Gestão
Melhorar a transferência de conhecimentos e informações entre todos os
envolvidos: empresa, analista e gestor.

Planejamento de um sistema próprio de gestão que integre as funcionali-


Projeto
dades dos sistemas utilizados.

Fonte: Elaborado pelos autores (2013)

Essas demandas de ação identificadas 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS


são muito importantes na medida em que
podem trazer melhorias significativas na Toda Análise Ergonômica do Trabalho é
realização da tarefa. Como grande parte um processo complexo, que conta com
do retrabalho é fruto da inadequação dos uma investigação da realidade laboral e
sistemas de gestão de projetos empre- suas singularidades. O processo, desen-
gado, se sugere que seja desenvolvido um volvido até que fossem identificadas as
sistema próprio, ou melhorado o sistema demandas efetivas na empresa, mereceu
Dotproject, no intuito de concentrar todas uma contextualização e a participação dos
as funcionalidades, ou grande parte delas, funcionários envolvidos. A construção da
numa única interface amigável que elimi- demanda utilizou a metodologia da cons-
naria os problemas de duplicidade de trução social. De posse das informações
informações, inconsistência de dados, coletadas e do trabalho desenvolvido deve
e facilitaria o processo de inserção das ser entregue o caderno de especificações
informações pelos analistas de sistema e ergonômicas para a empresa algo do
o acompanhamento do gestor e diretoria. estudo realizado.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


23

Embora algumas organizações acreditem ficar que a empresa estudada dispõe de


que quanto mais informação é melhor, inúmeros meios de registro de atividades
pode-se considerar que o mais importante e controle que por não serem bem orga-
não é o número de dados e informações nizados acabaram causando retrabalho
que detém, mas principalmente o uso que principalmente para o gestor de projetos
é feito delas, de modo a facilitar as ações da que deveria ser o maior beneficiado com
gerência. Considerando todos os aspectos os sistemas de gestão de projetos.
analisados no relatório pudemos veri-

REFERÊNCIAS [ 8] . NARDELLI, G. Sistema gerenciador


de documentos via web. Disponível em:
[1 ]. ABEPRO. Associação Brasileira de <http://www.vivaolinux.com.br/dica/Siste-
Engenharia de Produção. Disponível em: ma-gerenciador-de-documentos-(DMS)-
<http://www.abepro.org.br>. Acesso em: -via-Web-KnowledgeTree>. Acesso em: 10
06 jan. 2013. mar. 2013.

[2]. DOTPROJECT. Welcome to dotProject. [ 9 ] . SALDANHA, M.C.W. et al. A Ergonomia


net. Disponível em: <http://www.dotpro- e sustentabilidade na atividade jangadeira:
ject.net>. Acesso em: 13 abr. 2013. construção das demandas ergonômicas
na praia de Ponta Negra-RN. Ação Ergonô-
[3]. GDRIVE. Gdrive funcionalidades.
mica, v.7, p. 101-121, 2012.
Disponível em: <http://www.google.com/
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Acesso em: 09 abr. 2013. trução das demandas e tecnologia social:
aplicação na atividade jangadeira. Extensão
[4]. GUÉRIN, F. et al. Compreender o
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trabalho para transformá-lo: a prática da
ergonomia. São Paulo: Edgard Blucher, [ 1 1 ] . VALBERTO, V.C. Mantis Bug Tracking.
2001. Disponível em: <http://valbertovc.
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fev. 2013. [ 1 2 ] . VIDAL, M.C. Guia para Análise Ergo-
nômica do Trabalho (AET) na Empresa. Rio
[6 ]. IIDA, I. Ergonomia, projeto e produção,
de Janeiro: Editora Virtual Científica, 2003.
São Paulo: Editora Edgard Blucher, 2002.

[7]. MASCULO, F.S. & VIDAL, M.C. (orgs).


Ergonomia: trabalho adequado e eficiente.
Rio de Janeiro: Elsevier: ABEPRO, 2011.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


24

ANEXOS
Figura 4 - Comunicado de conclusão de atividade

Fonte: Pesquisa de campo (2013)

Figura 5 - Sistema de armazenamento de documentos com artefato

Fonte: Pesquisa de campo (2013)

Figura 6 - Visualização da tarefa desatualizada no sistema de gestão

Fonte: Pesquisa de campo (2013)

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


ANÁLISE ERGONÔMICA
DAS CONDIÇÕES
AMBIENTAIS DE UM
POSTO DE TRABALHO
EM UMA FÁBRICA
DE MÓVEIS

Gabriel Santana Vasconcelos


Felipe Augusto Silva Lessa
Simone de Cassia Silva

RESUMO
Os conceitos de ergonomia, já discutidos por diversos autores em variados estudos e em
diferentes épocas, estão atrelados à interação entre os seres humanos e outros elementos
de um sistema, adaptando o trabalho ao homem com o objetivo de proporcionar bem-estar
às pessoas envolvidas neste processo. A análise ergonômica deste estudo abrange a etapa
do processo de polimento, que é composta por um posto de trabalho que prepara as peças
a serem encaminhadas à pintura, em uma fábrica de móveis. Buscou-se a avaliação das
características e condições do trabalho concernentes às condições ambientais de saúde e
segurança relacionadas ao posto analisado, como a análise dos ambientes: térmico, lumí-
nico, acústico e da qualidade do ar. Ao final do trabalho, foram propostas melhorias neces-
sárias para adequação dos quesitos que se encontraram inadequados.

Palavras-chave

Ergonomia, condições ambientais, posto de trabalho


26

1. INTRODUÇÃO contexto, muitos ergonomistas buscam


soluções onde os colaboradores sintam-se
Diversos autores relatam o surgimento da satisfeitos e confortáveis, de modo que
ergonomia durante a II Guerra Mundial, haja um aumento da produtividade acom-
a partir do trabalho interdisciplinar a fim panhado de vários outros benefícios,
de buscar soluções para os problemas evitando constrangimentos e insatisfa-
dos grandes projetos. Sendo que, no ções, como fadiga, estresse e monotonia.
pós-guerra, essa busca intensificou-se para
as questões industriais e tem evoluído Diversas variáveis interferem nas condi-

desde então (IIDA, 1997; KROEMER; ções ambientais em um posto de trabalho.

GRANDJEAN, 1998). É possível identificá-las principalmente


através do imediatismo de suas influências:
Para a Associação Internacional de Ergo- as primárias – temperatura, iluminação,
nomia ou International Ergonomics Asso- ruído, vibrações, odores, cores; e secundá-
ciation (IEA), a ergonomia é a uma disciplina rias – arquitetura, relações humanas, remu-
relacionada à análise das interações entre neração, estabilidade, apoio social. Entre-
os homens e os demais elementos de um tanto nem sempre é possível trabalhá-las
sistema. Além disso, a IEA divide a abran- em sua totalidade, podendo-se considerar
gência da ergonomia em três especializa- como sendo mais comum o enfoque de
ções: ergonomia física, cognitiva e organiza- alguns desses, de acordo com as necessi-
cional. Sendo que neste trabalho será dada dades do projeto em função da interface
ênfase à ergonomia física, mais especifica- usuário e atividade (VERDUSSEN, 1978).
mente aos aspectos das condições ambien-
tais do posto de trabalho em análise. Este artigo teve o intuito de realizar uma
análise das condições ambientais em um
Vários fatores interferem direta ou indire- posto de trabalho de uma empresa do
tamente em um processo ou atividade. E ramo moveleiro. O posto escolhido foi o de
isso aumenta a cada dia com o advento polimento, por apresentar não-conformi-
de novas tecnologias, como ferramentas dades que podem trazer riscos ambientais
e equipamentos, que são inseridas no e prejudicar a saúde do trabalhador.
ambiente laboral, alterando-o de diversas
formas e influenciando a maneira como Dentro deste contexto, este trabalho

os colaboradores se sentem no seu posto tem como objetivo principal a realização

de trabalho. de uma análise das condições ambien-


tais presentes em um posto de trabalho
Dentre esses fatores encontram-se aqueles do setor de polimento de uma fábrica
relacionados às condições ambientais, que de móveis, visando a busca de possíveis
são abordados neste trabalho e podem ser melhorias em aspectos ergonômicos e de
divididos em: ambiente lumínico, térmico, produtividade da empresa.
acústico e da qualidade do ar. Neste

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


27

2. ERGONOMIA E aceita como elemento importante nas

AS CONDIÇÕES empresas se for economicamente viável, ou

AMBIENTAIS seja, se apresentar uma relação custo/bene-


fício favorável (LEITE e CARVALHO, 2011).
A ergonomia direciona seus estudos
abarcando tanto as condições prévias de No Brasil a Norma Reguladora em Ergonomia

trabalho, ou seja, a concepção do trabalho, é a NR 17, que visa estabelecer parâmetros

como também as consequências do que permitam a adaptação das condições

trabalho que interagem na relação entre o de trabalho às características psicofisioló-

homem, à máquina e o ambiente durante gicas dos trabalhadores, de modo a propor-

o seu relacionamento com esse sistema cionar um máximo de conforto, segurança e

produtivo (LEITE e CARVALHO, 2011). desempenho eficiente.

Segundo Falzon (2007), um aspecto impor-


3. METODOLOGIA
tante da ergonomia é o seu caráter inter-
disciplinar, pois a ergonomia utiliza a cola- A análise ergonômica deste estudo
boração das diversas disciplinas científicas, abrange a etapa do processo de poli-
numa perspectiva de aplicação de um corpo mento, que é composta por um posto de
de conhecimentos que, tem como finali- trabalho que prepara as peças a serem
dade uma melhor adaptação ao homem encaminhadas à pintura.
dos meios tecnológicos de produção e dos
Para isso, foi realizada a comunicação e
ambientes de trabalho e de vida.
explanação da importância desse estudo
As condições ambientais são grandes junto aos colaboradores envolvidos dire-
fontes de tensão no local de trabalho e tamente com o setor em análise. Diversas
podem causar desconforto e incômodo visitas técnicas foram feitas em dias e
aos colaboradores quando suas grandezas períodos alternados a fim da obtenção de
encontram-se fora dos limites normati- dados com uma melhor qualidade para o
zados. Consequentemente, ocorre um posterior estudo.
maior risco de acidentes e danos conside-
Para a realização da análise ergonômica
ráveis a saúde neste caso. Sendo assim,
das condições ambientais do setor de
cabe ao ergonomista conhecer detalha-
polimento de uma fábrica de móveis foi
damente essas limitações dentro de um
necessário realizar medições quantos aos
posto de trabalho, para assim tomar as
aspectos térmico, lumínico, acústico e de
providências necessárias para manter os
qualidade do ar, com a utilização de equi-
trabalhadores fora dessas faixas de risco
pamentos especificados para cada parâ-
(IIDA, 1997).
metro a ser avaliado.
Porém, como toda atividade que se destina
Foi utilizado o termo-higro-decibel-luxim
ao setor produtivo, a ergonomia só será

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


28

para a análise térmica, lumínica e acústica, 4. RESULTADOS E


além do medidor de stress térmico que DISCUSSÕES
também foi utilizado na análise térmica.
O ambiente em análise apresenta um
Para a coleta e análise dos dados das espaço físico amplo, arejado e bem ilumi-
condições ambientais estudadas foram nado, devido ao fato de ser uma edificação
realizadas cinco medições nas mesmas com pé direito elevado e à existência de
posições do ambiente de trabalho, para janelões e uma abertura lateral para uma
cada parâmetro de condição ambiental. iluminação e ventilação ainda melhores.
Esses dados foram coletados no ambiente
onde se encontra o posto de trabalho em
4.1. AMBIENTE TÉRMICO
análise, ou seja, a bancada onde é realizado
o polimento das peças em madeira para a Quanto à análise do ambiente térmico, os
preparação para a pintura, restringindo-se dados foram obtidos com a utilização do
apenas a este ambiente interno citado. termo-higro-decibel-luxim e do medidor de
stress térmico, sendo mostrados na Tabela 1.

Tabela 1 - Dados obtidos com a utilização do termo-higro-decibel-luxim

Medições Temperatura ( º C)

1 28,3

2 28,5

3 28,2

4 31,6

5 29,2

Média 29,16

Desvio padrão 1,269

De acordo com a norma regulamenta- acordo com a norma regulamentadora NR


dora NR 17, relacionada à ergonomia, o 17, relacionada à ergonomia, o índice de
índice de temperatura efetiva deve variar temperatura efetiva deve variar entre 20 e
entre 20 e 23 °C. Com isso, pode-se traçar 23 °C. Com isso, pode-se traçar o gráfico da
o gráfico da variação de temperatura, variação de temperatura, considerando os
considerando os limites normativos. De limites normativos.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


29

Figura 1 - Gráfico de controle das temperaturas medidas

Com base nos dados obtidos e no gráfico de de ar, que auxiliariam também na quali-
controle das temperaturas medidas, pode-se dade do ar respirado pelos trabalhadores
notar que há uma discrepância entre os devido à quantidade excessiva de partí-
dados coletados e os valores normativos. culas suspensas oriundas do polimento.
Com isso, constata-se que o ambiente de
Levando-se em conta a utilização do
trabalho encontra-se desconfortável termi-
medidor de stress térmico, os dados
camente, mas esse efeito pode ser masca-
obtidos nas medições e as análises neces-
rado quando da ocorrência de correntes de
sárias de acordo com a norma regulamen-
ar que aliviam a sensação térmica.
tadora NR 15 – em seu anexo 3, que trata
Para melhorar esse quadro, aconselha-se dos limites de tolerância para exposição ao
a colocação de circuladores/exaustores calor, são observados na sequência.

Tabela 2 - Dados obtidos com a utilização do medidor de stress térmico

Medições Globo (ºc) Bulbo úmido (ºC)

1 29,1 26,9

2 29,2 26,8

3 29,1 26,7

4 29,1 26,7

5 29,2 26,8

Média 29,13 26,73

Desvio padrão 0,058 0,058

Para a medição de stress térmico, os dados _ A média e os desvios padrão foram calcu-
mostrados na Tabela 2 devem ser tratados ladas em função das 3 últimas medições
da seguinte maneira: onde não houve uma variação acima de 0,1

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


30

°C, de acordo com o que é estabelecido pelo temos que o índice IBUTG para ambientes
manual de instruções do aparelho medidor internos sem carga solar direta deve ser
de stress térmico digital portátil – modelo calculado conforme a Equação 1.
TGD-200, fabricado pela Instrutherm.
IBU TG = 0,7 T B U N + 0,3 T G
_ Para o cálculo do IBUTG (Índice de Bulbo
Onde: TBUN: temperatura de bulbo úmido
Úmido Termômetro de Globo) levou-se em
natural
consideração somente as temperaturas
medidas pelo globo e pelo bulbo úmido, TG: temperatura do globo
pois, como é determinado pelo manual de
instruções do equipamento, somente se Com isso, o índice IBUTG foi calculado
faz necessário o uso desses parâmetros no considerando-se as últimas três tempera-
caso de ambiente interno sem carga solar turas para o globo e o bulbo úmido, e seus
direta, que é o caso do posto de trabalho valores são mostrados na tabela a seguir.
em estudo. Tabela 3 - Valores do IBUTG calculado

_ Foram necessárias várias medições expe- Medições IBUTG calculado


rimentais para a temperatura de globo e
1 27,42
de bulbo úmido, sendo que as medições
2 27,42
que não respeitaram a variação máxima
3 27,52
permitida foram desconsideradas, com
isso as medições de relevância para o Após isso, foi necessária a classificação da
estudo foram as mostradas na Tabela 2. atividade com relação à sua intensidade,
conforme descrito no Quadro 1.
De acordo com a NR 15 – em seu anexo 3,

Quadro 1 - Classificação de atividades


Tipo de atividade Kcal/h
Sentado em repouso 100
Trabalho leve
Sentado, com movimentos moderados de braços e tronco (ex:datilografia) 125
Sentado, com movimentos moderados de braços e pernas (ex:dirigir) 150
De pé, trabalho leve em máquina ou bancada, pricipalmente com os braços 150
Trabalho moderado
Sentado, movimentos vigoroso com braços e penas 180
De pé, trabalho leve em máquina ou bancada, com alguma movimentação 175
De pé, trabalho moderado em máquina ou bancada, com alguma movimentação 220
Em movimento, trabalho moderado de levantar e empurrar 300
TRABALHO PESADO
Trabalho intermitente de levantar, Empurrar, ou arrastar peso(ex:remoção com pá) 440
Trabalho fatigante 500

Fonte: Quadro nº 3, NR 15 – anexo 3

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


31

A partir de uma análise subjetiva deste De posse dessas informações e com os


quadro, classificou-se a atividade de poli- índices IBUTG calculados, pode-se realizar
mento, do posto de trabalho observado, a análise comparativa entre o tipo de
como trabalho moderado. Dentro desta atividade e a faixa de valores dos índices
classificação, especificou-se esta ativi- IBUTG para a determinação do regime de
dade como sendo de pé, em máquina ou trabalho adequado. Isso deve ser realizado
bancada, com alguma movimentação, de acordo com o Quadro 2.
possuindo assim uma taxa de metabolismo
de 220 kcal/h, de acordo com o Quadro 1.

Quadro 2 - Quadro relacionando tipo de atividade, índice IBUTG e regime de trabalho


REGIME DE TRABALHO TIPO DE ATIVIDADE
INTERMITENTE COM DESCANSO
NO PRÓPRIO LOCAL DE
TRABALHO (por hora) LEVE MODERADA PESADA
Trabalho contínuo Até 30,0 Até 26,7

45 minutos trabalho
30,1 a 30,5 26,8 a 28,00 25,1 a 25,9
15 minutos descanso

30 minutos trabalho
30,7 a 31,4 28,1 a 29,4 26,0 a 27,9
30 minutos descanso

15 minutos trabalho
31,5 a 32,2 29,5 a 31,1 28,0 a 27,9
45 minutos descanso

Não é permitido o trabalho sem a adoção de


Acima de 32,2 Acima de 31,1 28,0 a 30,0
medidas adequadas de controle

Fonte: Quadro nº 1, NR 15 – anexo 3

Analisando essas informações, conclui-se Chegando-se ao gráfico de controle dos


que os valores do índice IBUTG compre- índices IBUTG, considerando os limites de
endem a faixa de 26,8 a 28,0 na coluna de controle como sendo a faixa de valores
atividade moderada. Com isso, o regime proposta no Quadro 2, conforme obser-
de trabalho que deve ser utilizado será o vado na Figura 2.
de 45 minutos de atividade regular e 15
minutos de descanso, em uma hora de
trabalho.

Sendo que esse descanso pode ser através


da realização de uma atividade mais leve,
ou seja, com uma menor taxa metabólica.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


32

Figura 2 - Gráfico de controle dos IBTUGs medidos

Para determinar a taxa de metabolismo Onde: Mt: taxa de metabolismo no local de


gasta na realização da atividade laboral, trabalho; Md: taxa metabólica no local de
compreendendo a atividade regular e de descanso; Tt: tempo, em minutos, no local
descanso, devem ser apontados os valores de trabalho; Td: tempo, em minutos, no
das taxas de metabolismo para cada ativi- local de descanso.
dade. Isso é feito através do quadro de
Assim, chegou-se ao valor da taxa média
classificação das atividades, proposto pela
de gasto metabólico de 202,5 kcal/h,
NR 15 – em seu anexo 3.
podendo-se aproximar esse valor para
Como a taxa de metabolismo para a ativi- 200 kcal/h, visando uma melhor análise de
dade regular moderada já foi determinada, acordo com a NR 15 – em seu anexo 3.
deve-se fazer o mesmo para a atividade
Quadro 3 - Relacionamento do gasto
de descanso. Essa atividade foi classifi- metabólico e IBUTG máximo
cada em uma análise subjetiva como leve,
M(Kcal/h) MÁXIMO IBUTG
sendo um trabalho de pé, em máquina ou
bancada e principalmente com os braços, 175 30,5
tendo uma taxa metabólica de 150 kcal/h. 200 30

250 28,5
Sendo assim, deve-se determinar a taxa
metabólica média, que é realizada através 300 27,5

de uma média ponderada e de acordo com 350 26,5

a Equação 2, proposta na NR 15 – em seu 400 26

anexo 3. 450 25,5

500 25
Fonte: Quadro nº 2, NR 15 – anexo 3

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


33

Portanto, o valor máximo do índice IBUTG 4.2. AMBIENTE LUMÍNICO


deve ser de 30,0. Então, ao se utilizar o
regime de trabalho com 45 minutos de Com relação à análise do ambiente lumí-
atividade regular e 15 minutos de ativi- nico os dados também foram obtidos com
dade de descanso ou mais leve, pode-se a utilização do termo-higro-decibel-luxim,
concluir que o gasto metabólico e a relação sendo mostrados na tabela a seguir.
do stress térmico seriam satisfatórios.

Tabela 4 - Dados obtidos com a utilização do termo-higro-decibel-luxim

Medições Medição 1 Medição 1 Medição 1 Medição 1 Medição 1

(Lux) (Lux) (Lux) (Lux) (Lux)

1 546 520 1139 1480 640

2 548 522 1137 1476 638

3 545 523 1135 1477 641

4 544 519 1140 1474 639

5 548 521 1136 1482 640

Média 546,20 521,00 1137,40 1477,80 639,60

Desvio padrão 1.789 1.581 2,074 3,194 1,140

Conforme estabelecido pela norma regu- É importante destacar que o limite infe-
lamentadora NBR 5413, que versa sobre a rior de controle (LIC) é o fator preponde-
iluminância de interiores, os limites supe- rante na análise do ambiente lumínico, já
riores e inferiores da referida norma são o limite superior de controle (LSC) é um
subdivididos em três classes A, B e C. O fator de referência, podendo ter o seu
ambiente de trabalho analisado se caracte- valor superado sem grandes prejuízos aos
riza dentro do tipo de atividade inserido na trabalhadores até o ponto em que não
classe B, que se refere à iluminação geral se transforme em um incômodo como o
para área de trabalho com tarefas com ofuscamento pelo excesso de luminosi-
requisitos visuais normais. Com isso, os dade. Sendo assim, podemos considerar
limites inferior e superior da iluminância o ambiente lumínico como em condições
na referida classe são, respectivamente, satisfatórias, pois o valor do LIC é respei-
500 e 1000 lux. tado em todos os pontos e em todas as
medições realizadas.
Então, de posse dessas informações foi
construído o gráfico de controle da ilumi-
nância para as cinco medições realizadas
no ambiente de trabalho.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


34

Figura 3 - Gráfico de controle das iluminâncias medidas

4.3. AMBIENTE ACÚSTICO o termo-higro-decibel-luxim e os dados


obtidos da medição são observados na
Assim como nas análises anteriores, na tabela que segue.
análise do ambiente acústico utilizou-se

Tabela 5 - Dados obtidos com a utilização do termo-higro-decibel-luxim

Medições Medição 1 Medição 1 Medição 1 Medição 1 Medição 1

Db(A) Db(A) Db(A) Db(A) Db(A)

1 73,7 86 79,4 85,8 89,5

2 80 85,2 73 83,4 88,6

3 75,7 80,3 80,1 81,7 85,7

4 74,8 79,6 82 78,7 83,2

5 75,54 82,3 78,5 84,2 87,1

Média 75,54 82,68 78,60 82,76 86,82

Desvio padrão 2,65 2,86 3,38 2,71 2,49

Na norma regulamentadora NR 15 – em seu 8 horas diárias de atividade, o limite supe-


anexo 1, assim como na Norma de Higiene rior de controle será de 85 dB (A) para os
Ocupacional – NHO 01, de avaliação da indivíduos que não estejam adequada-
exposição ocupacional ao ruído, são esta- mente protegidos, que é o caso dos traba-
belecidos os limites de tolerância para lhadores do estudo. Esta mesma norma
ruídos contínuos ou intermitentes, como diz que não será permitida uma exposição
mostrado na figura a seguir. Então, no a níveis de ruído acima de 115 dB (A) para
posto de trabalho em análise, durante as esses indivíduos desprotegidos.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


35

Quadro 4 - Limites de tolerância para ruído


Nível de Ruído B(A) MÁXIMA EXPOSIÇÃO DIÁRIA PERMISSÍVEL
85 8 horas
86 7 horas
87 6 horas
88 5 horas
89 4 horas e 30 minutos
90 4 horas
91 3 horas e 30 minutos
92 3 horas
93 2 horas e 40 minutos
94 2 horas e 15 minutos
95 2 horas
96 1 horas e 45 minutos
98 1 horas e 15 minutos
100 1 hora
102 45 minutos
104 35 minutos
105 30 minutos
106 25 minutos
108 20 minutos
110 15 minutos
112 10 minutos
114 8 minutos
115 7 minutos

Fonte: NR 15 – anexo 1

A partir dos limites regulamentados e dos estabelecer o gráfico de controle, que é


valores do nível de ruído medidos pode-se mostrado na figura 4.

Figura 4 - Gráfico de controle para os níveis de ruído

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


36

Da Figura 4, pode-se observar que nas Figura 5 - Trabalhador utilizando o EPI


medições 2, 4 e 5 o nível de ruído ultra-
passa ou se aproxima bastante do limite
recomendado para exposição ao ruído por
período igual a 8 horas diárias. Isso pode
ser explicado pela maior proximidade
desses pontos de medição com o setor
de montagem, que possui muitos equipa-
mentos que em operação têm um nível de
ruído elevado. Com isso, faz-se necessária
a utilização de equipamentos de proteção
individual (EPIs), tais como protetores auri-
culares dos tipos concha e plug. 5. CONCLUSÕES
O presente trabalho teve o objetivo de
4.4. QUALIDADE DO AR
realizar uma análise ergonômica do
Por fim, para a análise da qualidade trabalho através do estudo das condições
do ar observou-se que o ambiente em presentes de um posto de trabalho do setor
estudo apresenta uma situação desfa- de polimento de uma fábrica de móveis,
vorável no tocante à qualidade do ar visando à busca de possíveis melhorias em
devido à presença excessiva de partículas aspectos ergonômicos e de produtividade
suspensas oriundas tanto da atividade da empresa.
realizada no posto de trabalho analisado
Apesar da fábrica se apresentar em condi-
(polimento) como também dos outros
ções satisfatórias ou toleráveis de trabalho
setores da organização, pois a matéria-
em diversos pontos de análise, foi proposta
-prima base de todo o processo produtivo
um conjunto de melhorias que devem ser
é a madeira. Sendo assim, a empresa já
implementadas.
adota algumas medidas para mitigação
desses efeitos nocivos à saúde de seus Por fim, caso a empresa siga as orientações
trabalhadores, como a disponibilização do do presente trabalho conseguirá melhorar as
equipamento de proteção individual (EPI) condições ergonômicas do posto estudado,
do tipo protetor respiratório, como pode além de auxiliar na adequação das normas
ser visto na Figura 5. regulamentadoras. Com isso a empresa
cuidará da saúde e segurança de seu traba-
lhador sem prejuízo de produtividade.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


37

REFERÊNCIAS [ 8] . KROEMER, K. H. E.; GRANDJEAN,


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trabalho ao homem. Porto Alegre: Artes
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produção. São Paulo: 2ª ed. Edgard Blucher
Ltda, 2005.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


ANÁLISE ERGONÔMICA
DO NÍVEL DE RUÍDO
EM SALAS DE AULA DE
UMA FACULDADE NA
CIDADE DE PATOS-PB

Matheus das Neves Almeida


Emmily Gersica Santos Gomes
Danielly Felix de Oliveira
Phelippe Afonso de Oliveira
Deborah Mais Fragoso Barbosa

RESUMO
O conforto acústico em edificações é essencial para o desenvolvimento de algumas ativi-
dades de rotina. Quando se trata de uma edificação escolar, o bom desempenho acústico
torna-se imprescindível, uma vez que os usuários passam mais tempo nas escolas que em
sua própria casa, e muitas vezes, exercendo atividades que exigem um ambiente silen-
cioso. Diante da importância de sanar as problemáticas ocasionadas pelo ruído em salas
de aula, este artigo desenvolveu um estudo acústico, direcionado as condições do nível de
ruído em ambientes de trabalho, em três salas de aula e no entornos destas. Elas estão
localizadas no bloco de arquitetura de uma faculdade da cidade de Patos-PB. O objetivo
do estudo está em verificar se há ou não variação nas médias dos ruídos para diferentes
fatores de variação. Para isto, a pesquisa descreve algumas características dos ambientes
e ao mesmo tempo investiga os fatores de variação do ruído, com uma abordagem quan-
titativa. Para a análise, fez-se necessário a coleta de algumas variáveis, como o nível de
pressão sonora, através do decibelímetro. As medições foram realizadas em diferentes
dias e em todos os expedientes de uso das salas, aproximando-se assim das condições
reais de trabalho dos usuários. As coletas realizadas deram-se comas portas abertas e
fechadas e nos turnos da manhã e da noite. Os resultados foram comparados aos parâ-
metros descritos pelas NBR 10151 (ABNT, 1987); NBR 10152 (ABNT, 1999) e S12.60-(ANSI,
2010) e mostraram que os níveis médios de ruídos a qual os profissionais estão expostos
indicam valores acima dos propostos nestas normas.

Palavras-chave

Ergonomia, ambiente de trabalho, ruído


39

1. INTRODUÇÃO Dessa forma, durante o processo de


aprendizagem, faz-se necessário que a
O conforto ambiental em edificações é mensagem emitida pelo professor seja
muito importante para o desenvolvimento recebida de forma clara pelo aluno com o
das atividades, laborais ou de lazer, dos mínimo de interferência por parte do ruído.
usuários. Quando se trata de uma edifi- Em uma situação desfavorável em que há
cação escolar essa harmonia, sem sobra competição entre a fala do professor e
de duvida, deve ser mais eficaz, uma vez os demais ruídos, o desempenho escolar
que os usuários passam mais tempo nas pode sofrer interferência (ENIZ, 2004;
escolas que em sua própria casa e por LACERDA E MARASCA, 2001).
se tratar de um ambiente acadêmico de
aprendizagem e formação. Esse fato foi Nesta pesquisa discutiu-se a ergonomia

confirmado por Mendell e Heath (2005) ao do ambiente de trabalho, em salas de

afirmarem que a qualidade nos ambientes aula, que é uma das vertentes dessa disci-

escolares deve ser uma prática porque plina. Mensuraram-se os níveis de ruídos,

as crianças passam mais tempo nesse por meio de um decibelímetro digital, que

ambiente que em sua residência. estão presente nas salas de uma faculdade
da cidade de Patos/PB a fim de analisar
Segundo Ochoa, Araújo e Sattle (2012), os resultados dos dados obtidos e avaliar
para obter um desempenho ambiental se estão de acordo com os valores ideais
satisfatório deve-se envolver uma série de para a atividade desenvolvida no ambiente
variáveis no estudo do ambiente, dentre considerado, além de verificar se há ou não
elas o ruído, que trabalham em conjunto variação nas médias dos níveis de ruído
para que as condições laborais sejam satis- para os diferentes fatores de variação
feitas, principalmente a inteligibilidade da considerados no estudo. Por intermédio
fala do professor pelos alunos e vice-versa. dos modelos de ANOVA gerados se veri-
ficou se existe variação nas médias dos
Um estudo demostrou que muitos
níveis de ruídos devido as diferentes salas
ambientes escolares, do ensino funda-
de aulas analisadas, aos dois turnos de
mental e médio, os ruídos estão presentes
trabalho e as duas situações em que as
e são oriundos, em sua maioria, do tráfego
portas podem estar (abertas e fechadas)
de veículos, que o considera uma fonte
com o objetivo de verificar se há condições
principal de poluição sonora nos grandes
de ter aulas com as portas abertas sem
centros urbanos (SOUZA, 2000). Diversos
essa variável interfira no aprendizado.
estudos apontam a importância da variável
acústica ruído e sua relação com aproveita-
mento acadêmico dos estudantes (LOSSO,
2003; KLODZINSKI; ARNAS E RIBAS, 2005;
FIORAMONTE ET AL, 2015; GUIDINI ET AL,
2012; DIAS, PINHEIRO E PINHEIRO, 2015).

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


40

2. FUNDAMENTAÇÃO conforto ambiental (FILHO et al 2010).

TEÓRICA
2.2 AMBIENTE DE
2.1 ERGONOMIA TRABALHO

Ergonomia é uma disciplina útil, prática e O ambiente de trabalho vem sendo cada

aplicada que vem sofrendo, ao longo de vez mais analisado ergonomicamente com

sua história, adaptações ao contexto em o intuído de promover boas condições

seu domínio de estudo e várias instituições de conforto ambiental. Essa constante

estão responsável pela sua sobrevivência, preocupação não é só para o aumento da

seu crescimento e sua perpetuação. Entre produtividade e qualidade, mas também

elas vale desta a: International Ergonomics para evitar acidentes de trabalho, bem

Association (IEA) e Ergonomics Research como, prevenir doenças ocupacionais e

Society no meio internacional e Associação aumentar a satisfação do trabalhador.

Brasileira de Ergonomia (ABERGO) no meio


Ênfase em ambientes de trabalho são
nacional brasileiro.
praticas constantes de estudos e, principal-

Segundo a IEA (2000 apud ABERGO, 2016) mente, em ambientes escolares. Esse fato

a Ergonomia (ou Fatores Humanos) é defi- deve-se, segundo Filho et al (2010), porque

nida como uma disciplina científica relacio- a educação é um dos fatores mais impor-

nada ao entendimento das interações entre tante que influem no desenvolvimento de

os seres humanos e outros elementos ou um país e a qualidade do ensino torna-se

sistemas, e à aplicação de teorias, princí- algo de grande importância para que esta

pios, dados e métodos a projetos a fim de educação seja eficiente. Dessa maneira,

otimizar o bem estar humano e o desem- em ambiente escolar, os fatores acústicos,

penho global do sistema. entre eles ruído, afetam diretamente o


processo de comunicação e consequen-
Para Dias, Pinheiro e Pinheiro (2015), a temente a qualidade do ensino e apren-
ergonomia é um estudo científico que pode dizagem pode ser prejudicados (KNECHT,
visar a adequação do meio ambiente de NELSON E FETH, 2002; SEEP ET AL, 2002).
trabalho aos sujeitos nele inseridos, através
da aplicação das normas de referência
2.3 RUÍDO
aos ambientes físicos avaliados como
insalubres e/ou desconfortáveis. A impor- Segundo o Iida (2005), o ruído é um estí-
tância das boas condições do ambiente de mulo auditivo que não contém informa-
trabalho reflete diretamente na produtivi- ções úteis para cada tarefa em execução
dade e qualidade do trabalho realizado e e é uma mistura complexa de vibrações,
para que o trabalhador se sinta bem em portanto, ele pode ser definido como um
seu ambiente de trabalho é preciso que som desagradável. O ruído pode ser divi-
ele usufrua de uma situação favorável de dido em curta-duração (1 ou 2 minutos),

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


41

provocando queda no rendimento, ou de terísticas (fatores de variação) de um fenô-


longa-duração (horas) que dependendo da meno (níveis de ruído).
faixa de intensidade ele provoca ou não a
queda no desempenho e aumentando o 3.1 CARACTERÍSTICAS
número de erros. FÍSICAS DO AMBIENTE DE
A Norma Regulamentadora nº 15, da
TRABALHO
Portaria do Ministério do Trabalho nº A faculdade está localizada cidade de
3.214/1978 estabelece o limite de tole- Patos/PB. As salas de aula estudadas
rância para ruídos contínuos ou intermi- encontram-se no bloco do curso de Arqui-
tentes em 8 horas a máxima exposição tetura e Urbanismo, inserido na parte
diária permissível de 85 dB(A), entenden- posterior da faculdade.
do-se que a exposição do profissional a
níveis acima dos estabelecidos pela norma Mais especificamente, as áreas analisadas
serão lesivos para essa carga horária. foram: corredor, as salas Multimeios e os
Quando a exposição ao ruído é intensa Ateliê 1 e 2, que estão no pavimento terrio
e repentina ocorrerá danos ao aparelho do bloco, como representado na Figura 1.
auditivo e aumentando a possibilidade de Outras áreas que compõe o bloco interna-
perda de audição. O ruído, sendo um risco, mente também se efetuou um levantamento
necessita de ações de prevenção bem físico, porém, não sofreram análise ergonô-
como de controle, os quais são de respon- mica do nível de ruído nessa pesquisa.
sabilidade da empresa (MINISTÉRIO DA
_ Com a finalidade de elucidar as caracterís-
SAÚDE, 2006).
ticas físicas dos locais onde as coletas foram
realizadas, descrevem-se sucintamente
3. MATERIAIS E esses ambientes de trabalho.
MÉTODOS
_Corredor: Possui uma área de aproxima-
Esta pesquisa é classificada quanto à damente 49 m², sendo um ambiente de
natureza como aplicada, pois, busca gera grande fluxo de circulação, que interliga
conhecimentos para aplicação prática diri- todas as salas do bloco, e de muita impor-
gida a soluções de problemas específicos tância para os resultados das medições,
(análise ergonômica do nível de ruído nas principalmente na coleta de dados das salas
salas de aula). Quanto à abordagem do com portas abertas (ver Figura 2 a).
problema trata-se de uma pesquisa quan-
titativa, pois, por meio de um levanta- _ Sala de Multimeios: Essa sala possui uma
mento traduzido em números que passou área de 52,14 m² e é de fácil acesso devido
por uma análise estatística para alcançar o sua localidade no prédio, recebendo ativi-
objetivo. Do ponto de vista do objetivo este dades didáticas como: aulas expositivas e
estudo trata-se de uma pesquisa descritiva o desenvolvimento das disciplinas teóricas
e explicativa, pois, visa descrever as carac- (ver Figura 2 b).

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


42

_ Sala do Ateliê 1: Possui uma área de 71,15 _ Sala do Ateliê 2: Com área de 47,03m² e
m² e está localizada ao lado da coordenação tem acesso direto do corredor interno. A
do curso, e sua porta dá acesso direto ao sala é um ambiente utilizado principalmente
corredor interno. É utilizada principalmente para aulas práticas que envolvam produção
para aulas práticas de desenho a mão (ver de maquetes, pintura, colagens, etc (ver
Figura 2 c). Figura 2 d).

Figura 1 - Planta baixa do ambiente de trabalho

Figura 2 - Ambiente de trabalho

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


43

3.2 FERRAMENTA DE mente com elas abertas e ar condicionado


COLETA DE DADOS desligado (Ver Tabela 2 no Anexo 1).

Para as medições dos níveis de ruído, utili-


3.3 FERRAMENTAS DE
zou-se o decibelímetro digital portátil, ITDEC
ANÁLISE DOS DADOS
4000 INSTRUTEMP, seguindo os procedi-
mentos definidos de acordo com a NBR Organizaram-se os dados levantados de
10151, além do próprio manual do aparelho forma sistêmica para uma análise deta-
que especifica os seguintes ajustes: ponde- lhada, buscando o objetivo da pesquisa. O
ração de frequência “A”, que simula a forma processo de tratamento dos dados constou
que o ouvido humano captura as frequ- inicialmente da tabulação e organização
ências, fazendo com que os resultados das medições e informações obtidas no
sejam mais próximos do real ao que real- levantamento com o auxílio de planilha
mente chega aos usuários, e com tempo eletrônica do software Microsoft Excel®.
de resposta Slow (lento), que faz as medi-
ções em intervalos de 1s, pois os ambientes Em primeira instância analisaram-se esses

analisados possuem uma frequência de dados de forma a compará-los com as

som razoável e consistente. Também, normas a NBR 10151, NBR 10152 e ANSI

adotou-se a faixa de alcance do aparelho S12.60-2010, e verificar se nível de ruído

de 50 a 100 dB, medidas essas dadas pelo coletados nesses ambientes de trabalho

próprio aparelho, que indica se a faixa de estão de acordo com essas normas. Poste-

alcance deve ser de 30 a 80, 50 a 100 ou 60 riormente, utilizou-se o software R x64

a 120, de acordo com as medições. 3.2.4® para efetuar os cálculos estatísticos.

Realizou-se as medições em 4 dias, nos Portanto, para fins de tratamento dos

turnos que ocorrem as aulas (matutino dados, pretendeu-se explorar, descrever e

e noturno), com intervalos de 1 minuto, analisar as relações entre as variáveis das

tendo duração de 5 minutos cada, para três salas de aula através de estudos descri-

se estabelecer uma média aritmética e tivo-correlacional, seguindo duas etapas:

analisar a viabilidade de se assistir aula


a) Análise descritiva dos níveis de ruído;
nessas condições, em termos acústicos do
nível de ruído. O posicionamento adotado A estatística descritiva desenvolveu-se
para o aparelho, também seguiu a NBR na determinação da medida central
10.151. Escolheram-se os horários de pico: (média) da variável dependente nível de
de 7h às 7:10h, das 9h às 9:10h e das 11h às ruído (Ruido), que pode ser determinada
11:10h para o turno matutino e de 18h às para as três variáveis e seus respectivos
18:10h, das 20h às 20:10h e das 21:50h às tratamentos: variável “Salas” e os três
22h. Inicialmente efetuaram-se as coletas tratamentos (1 = Multimeios, 2 = Ateliê
com portas e janelas fechadas, estando 1 e 3 = Ateliê 2), a variável “Turnos” e
com o ar condicionado ligado, e posterior- seus dois tratamentos (1 = Matutino e 2

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


44

= Noturno) e a variável “Porta” pode se menta. São dois os pressupostos a serem


encontrar dois tratamentos (1 = Fechada verificados: primeiro se as observações
e 2 = Aberta). Essa análise se deu por tem distribuição normal que pode ser veri-
meio de calculo das médias e por meio ficada por meio de gráfico de histograma
de visualização de gráficos de caixa da e teste Shapiro-Wilk e em segundo se as
variável ruído médio para os diferentes variâncias dos fatores não variam (homo-
casos expostos acima. cedasticidade) que podendo ser verificada
por meio do teste Bartlett.
b) Análise correlacional das variáveis
Após a verificação dos pressupostos
Realizou-se a análise da relação entre
exigidos, se construiu os modelos de
as variáveis, dependente Y (Ruido) e
ANOVA para saber se há ou não dife-
as variáveis independentes Xi (Turnos,
renças das médias da variável dependente
Salas e Portas), por meio da construção
devidos aos fatores das variáveis indepen-
de modelos de análise de variância
dentes. Essa ferramenta utiliza o teste t
(ANOVA).
para comparar dois tratamentos e teste F

Essa ferramenta estatística baseia-se no para mais de dois tratamentos, porém, a

teste da hipótese nula H0 de igualdade das conclusão da análise da ANOVA é a mesma

médias para verificar se há ou não variação para os dois testes, onde se compara a

na média da variável dependente devido estatística p-valor encontrada nas tabelas

aos fatores de variação das variáveis inde- de resultados gerados pelos softwares

pendes (HAIR et al 2005). Construiu-se o com o valor de α = 5% de nível de signifi-

teste da seguinte forma: cância. Portanto para as variáveis indepen-


dentes Porta (Aberta e Fechada) e Turno

{
H 0: µ 1 = µ 2 = ...= µ n (Matutino e Noturno) que possuem apenas
dois tratamentos utilizou-se o teste t e a
H 1: µ 1 ≠ µ 2 ≠ ...≠ µ n
para a variável sala que possui três fatores
onde: (Multimeios e Ateliê 1 e Ateliê 2) utilizou-se
o teste F.
H0: hipótese nula;

H1: hipótese alternativa 4. RESULTADOS E


DISCUSSÕES
µi = média dos i tratamentos para i = 1, 2,
..., n Efetuou-se 96 observações dos níveis de
ruído das três salas e corredor (Anexo 1) e
Para Hogg e Ledolter (1987 apud Minitab mediante essas observações pode-se inferir
2006) para a construção dos modelos da que esses ambientes encontram-se fora
ANOVA é importante verificar, primeira- dos padrões estabelecidos pelas normas
mente, se a variável dependente Y satisfaz para os dois turnos de trabalho, pois os
os pressupostos exigidos por essa ferra- níveis médios de ruídos (ver Figura 3) estão

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


45

acima do permitido pelas normas. Para o sofrem com interferências externas.


Ateliê 1, que também é utilizada como sala
Após essa comparação com as normas é
de desenho, a NBR 10152 ainda faz uma
importante verificar se existe variação nas
ressalva, designando um valor ideal em deci-
médias do nível de ruído, que para fins
béis de 35-45; dessa forma os resultados
de análise do software escreveu-se como
encontram-se muito acima do indicado.
Ruido, devido aos diferentes tratamentos
O corredor é uma área de grande movi- das variáveis independentes: Sala (com os
mentação, e, portanto, de grande poluição tratamentos 1 = multimeios, 2 = ateliê 1 e
sonora. Os valores encontrados, compa- 3 = ateliê 2), Turno (com os tratamentos 1
rativamente, chegam a igualar ao nível = matutino e 2 = noturno) e Porta (com os
de ruído de uma via expressa de tráfego tratamentos 1 = fechada e 2 = aberta). Essa
intenso (80 dB). Nas salas de aula, valores verificação deu-se, a principio, por uma
tão altos quanto do corredor também análise descritiva (ver Figura 3) da variável
foram encontrados, demonstrando a fragi- Ruido e posteriormente pela ANOVA.
lidade da vedação acústica das salas, que

Figura 3 - Valores das médias dos tratamentos

Salas Médias Turnos Médias Porta Médias

Ateliê 1 74,58 Matutino 74,67 Fechada 74,78

Ateliê 2 73,58 Noturno 74,68 Aberta 89,5

Multimeios 75,88

Observa-se na Tabela 1 que os valores das dentes, é o gráfico boxplot (ver Figura 4),
médias dos ruídos devido aos tratamentos pois ele fornece uma visualização das
de cada variável independente e nota-se médias, dos quartis e dos limites superior
que esses valores não variaram muito, e inferior, dando assim um pré-conclusão
principalmente entre os dos tratamentos que será confirmada pela ANOVA.
das variáveis independentes Turno e
A Figura 7 apresenta três gráficos boxplot,
Porta. A princípio, pode-se concluir que
Ruido x Porta, Ruido x Turno e Ruido x
as médias dos ruídos não variam devido
Sala. Observa-se que nos dois gráficos da
aos tratamentos, mas essa observação
parte superior da figura há indícios muitos
tem que ser fundamentada por meios de
fortes que às médias dos níveis de ruído,
gráficos e pela ANOVA.
representada pela linha mais escura nos
Um gráfico adequado, que é uma ferra- gráficos, não variam e isso ocorre tanto para
menta estatística bastante utilizada para os dois fatores da variável Porta (Fechada
visualizar o confronto entre a variável e Aberta) quanto para os dois fatores da
dependente com as variáveis indepen- variável Turno (Matutino e Noturno). Dife-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


46

Figura 4 - Boxplot das variáveis.

rentemente, o terceiro gráfico, que está na âncias dos fatores de cada variável inde-
parte inferior da figura, apresenta indícios pendente (homocedatiscidade).
de uma suave variação entre as médias
O gráfico de histogramas das variáveis (ver
dos níveis do ruído da sala Multimeios com
Gráfico 1) e o teste de Shapiro-Wilk (ver
as médias das salas Ateliê 1 e Ateliê 2.
Figura 5) são ferramentas estatísticas que
Com o intuito de comprovar essas análises podem indica se as medições dos níveis
visuais dos gráficos boxplot utilizou-se a do ruído são normalmente distribuídas.
ferramenta estatística ANOVA. Contudo, Para provar se as variâncias são significa-
a ANOVA parte do principio que as medi- tivamente iguais, ou seja, possuem homo-
ções dos ruídos possuem distribuições cedatiscidade utilizou-se o bartlett.test
normais e que não haja variação das vari- (ver Figura 6).

Gráfico 1 - Histograma das variáveis

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


47

Figura 5 - Resultado dos testes de normalidade Shapiro Wilk

No Gráfico 1 visualiza-se o histograma da de normalidade das médias para todas as


variável dependente ruído e nota-se que variáveis e seus fatores superam o α = 5%,
o perfil traçado pela linha preta é muito ou seja, os p-valores são maiores que 0,05
próximo de um perfil de um gráfico de uma do nível de significância, confirmando a
distribuição normal. Quando se observa a análise gráfica do histograma de normali-
Figura 5 nota-se que os p-valores dos testes dade dos resíduos por esses testes.

Figura 6 - Resultados dos Bartlett teste

A Figura 6 expõe os resultados dos Bartlett de homocedatiscidade foram satisfeitos


test (homocedatisciadade) das variáveis então, pode prosseguir com a análise esta-
independentes Turno, Porta e Sala. Nota-se tística ANOVA. Para isso construiu-se e
que todos os p-valores foram maiores que analisou-se três modelos de um fator (ver
o nível de significância de 0,05, ou seja, os Figura 7), 3 modelos de dois fatores consi-
resultados mostram que não há indicio de derando apenas os efeitos principais (ver
diferença significativa entre as variâncias Figura 8) e três modelos de dois fatores
dessas variáveis. considerando efeitos principais e de inte-
ração (ver Figura 9).
Como os pressupostos de normalidade e

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


48

Figura 7 - Resultados da análise dos modelos de um fator

Figura 8 - Resultados da análise dos modelos com dois fatores e considerando apenas
os efeitos principais

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


49

Figura 9 - Resultados da análise dos modelos com dois fatores e considerando os efei-
tos principais e de interação

As Figuras 7, 8 e 9 exibem os resultados da não estão suficientemente adequadas às


ANOVA para os modelos possíveis de ser Normas Regulamentares Brasileiras (NBR)
construídos. Pode-se observa nestes resul- e que os níveis de ruídos estão acima do
tados os valores dos p-valores dos fatores permitido pelas normas. Ademais, esse
e das interações dos fatores e que eles são ruído acima do normal nas salas sofre certa
maiores que 0,05 de nível de significância influência do ruído do corredor interno
do erro e, portanto, pode-se concluir que devido a um grande fluxo de usuários do
não há variação na média dos níveis do bloco do curso de Arquitetura e Urbanismo,
ruído devido aos fatores das variáveis Sala, mostrando assim uma carência do isola-
Turno e Porta isoladamente e ou asso- mento acústico nas estruturas das salas
ciados dois a dois com ou sem interações. analisadas. Vale salientar que esses níveis
foram medidos nas condições extremas

5. CONCLUSÕES quando os turnos se iniciam, na hora do


intervalo e ao final dos expedientes.
A análise dos resultados dados do nível de
ruído indicou que, em geral, as salas de Quanto ao resultado da análise estatística

aula investigadas, nos turnos matutino e ANOVA efetuada para verificar se há ou

noturno e com as portas abertas e fechadas, não variação na média dos níveis de ruído

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


50

devido aos fatores de variação das variá- [ 2 ] . BRASIL. Ministério da Saúde. Perda
veis independes constatou-se que indepen- auditiva induzida por ruído (Pair). Brasília,
dente de qual sala, do turno que estiverem 2006. Disponível em: http://bvsms.saude.
ministrando aulas e se a porta estiver aberta gov.br/bvs/dicas/140perda_auditiva.html.
ou fechada o nível médio do ruído não apre- Acesso em: 01 maç. 2016.
senta alterações significantes. Esse fato
[ 3] . Dias E. B., Pinheiro F. A., Pinheiro
indica que há um desconforto ambiental
A. V. B. S.. Influência dos aspectos ergo-
por parte do ruído e que é necessário tomar
nômicos de sala de aula na atividade de
medidas corretivas para diminuir o nível de
ensino-aprendizagem: o caso de uma
ruído nos ambientes analisados.
escola de ensino fundamental e médio
Algumas medidas podem ser de caráter na cidade de Petrolina/PE/Brasil. XXXV
organizacional, tais como: retirando as ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA
cadeiras do corredor interno onde alguns DE PRODUCAO. Fortaleza, CE, Brasil, 13 a
alunos utilizam como área de vivência e, 16 de outubro de 2015.
assim, é necessária a construção de uma
[ 4] . Eniz A. O.. Poluição sonora em escolas
área de vivencia na parte externa do bloco;
do Distrito Federal. Brasília (DF): Tese de
de mudança do layout onde a coorde-
Metrado - Pós-Graduação em Planeja-
nação deixaria de ser ao lado das salas
mento e Gestão Ambiental, Universidade
eliminando o ruído proveniente dela e a
Católica de Brasília, Distrito Federal, 2004.
vedação acústica das salas desse bloco,
em que necessitem de maior investimento, [ 5] . FILHO, E. F. C. et al. Avaliação do
possuem grande eficiência de redução da conforto ambiental em uma escola muni-
poluição sonora. cipal de João Pessoa. In: IX ENCONTRO
NACIONAL DE EXTENSÃO. Anais... João
Como pretensão de estudos futuros poderia
Pessoa, 2010.
analisar o nível de ruído nas outras salas de
aula do curso de Arquitetura e Urbanismo, [ 6 ] . FIORAMONTE B. Y. S., Moreira S. G.,
tanto a que estão ao lado quanto as que Kalache N., Crema G. G. e Felix S. da S..
estão nos pavimentos superiores desse Estudo ergonômico de instalações de uma
bloco, como também, as salas dos demais instituição de ensino superior pública.
cursos ofertados pela faculdade. XXXIII NCONTRO NACIONAL DE ENGE-
NHARIA DE PRODUCAO. Salvador, BA,
5. REFERÊNCIAS Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013.

[1 ]. ABERGO – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA [ 7] . Guidini R. F., Bertoncello F. Zanchetta


DE ERGONOMIA. 2016?. Disponível em: S. e Dragone M. L. S.. Correlações entre
www.ergonomianotrabalho.com.br/ ruído ambiental em sala de aula e voz do
abergo.html. professor. Rev Soc Bras Fonoaudiol.; v. 17,
n.4, p.398-404. 2012.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


51

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TATHAM, R. L. e BLACK, W. C. Análise Multi- A critical review of literature. Indoor Air:
variada de Dados. 5ª ed. Porto Alegre: International Journal of Indoor Environ-
Bookman, 2005. ment and Health, v. 15, nº. 1, p. 27-52, 2005.

[9 ]. HOGG, R.V., LEDOLTER, J. Applied [ 1 6 ] . Ochoa J. H., Araújo D. L. e Sattler M.


Statistics for Engineers and Physical Scien- A.. Análise do conforto ambiental em salas
tists. Macmillan Publishing Company, NY. de aula: comparação entre dados técnicos
1987. e a percepção do usuário. Ambiente Cons-
truído, Porto Alegre, v. 12, nº. 1, p. 91-114,
[1 0]. Jaroszewski GC, Zeigelboim BS,
jan./mar. 2012.
Lacerda A. Ruído escolar e sua implicação
na atividade de ditado. Rev CEFAC, São [ 1 7] . Seep B, Glosemeyer R, Hulce E, Linn
Paulo, v.9, nº.1, 122-32, jan-mar, 2007. M, Aytar P. Acústica em sala de aula. Rev
Acúst Vibr. V.29, nº. 2, p.22. 2002.
[1 1 ]. Knecht HA, Nelson PB, Feth LL. Back-
ground noise levels and reverberation [ 1 8] . SOUZA, F. P. Efeitos do ruído no
times in unoccupied classrooms: predic- homem dormindo e acordado. Acústica e
tions and measurements. Am J Audiol, v. vibrações, Florianópolis, n.25, jul. 2000.
11, nº.7, 2002.

[1 2]. Klodzinski Dayanne; Arnas Fabiane;


Ribas Angela. O ruído em salas de aula de
Curitiba: como os alunos percebem este
problema. Rev. Psicopedagogia; v. 22, nº.
68, p. 105-10. 2005.

[1 3]. Lacerda A e Marasca C. Níveis de


pressão sonora de escolas municipais de
Itapiranga – Santa Catarina. Pró-Fono R
Atual Cient. v. 13, nº. 2, p. 277-80, 2001.

[1 4 ]. LOSSO, M. A. F. Qualidade Acústica


de Edificações Escolares em Santa Cata-
rina: avaliação e elaboração de diretrizes
para projeto e implantação. Dissertação de
Mestrado Programa de Pós-Graduação em
Engenharia Civil, Universidade Federal de
Santa Catarina, Florianópolis, 2003.

[15]. MENDELL, M. J.; HEATH, G. A. Do


Indoor Pollutants and Thermal Conditions

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


52

ANEXO 1 – VALORES DAS MEDIÇÕES DO NÍVEL DE


RUÍDO DO AMBIENTE DE TRABALHO
Resultados do NPS da sala de Multimeios comparada com a ANSI S12.60-
2010 / NBR 10151*
Horários Terça Quarta Quinta Sexta
Manhã Noite Manhã Noite Manhã Noite Manhã Noite
F/A F/A F/A F/A F/A F/A F/A F/A
1º horário 73,2/70,7 76,4/76,4 73,2/73,6 71,1/72,7 73/83,1 75,7/71,2 Sem aula 75,5/78,9

2º horário 69,8/71,3 74,37 75,7/74,2 76,3/70,5 85,6/83,3 78,4/80,3 82,9/81,2 72,1/76,5

3º horário Sem aula Chuva 72/72,3 73,2/75,6 82/78,5 Sem aula Sem aula Sem aula

Valores ideais* da ANSI S12.60-2010: 35 dB / NBR 10151: Manhã F/A - 35/40; Noite F/A -
30/35
Resultados do NPS da sala Ateliê 1 comparada com a ANSI S12.60-2010 /
NBR 10151*
Horários Terça Quarta Quinta Sexta
Manhã Noite Manhã Noite Manhã Noite Manhã Noite
F/A F/A F/A F/A F/A F/A F/A F/A
1º horário 74,5/73,6 78,7/78,2 74,3/75,8 72,8/73,2 67,5/63,2 76,8/76,8 72,5/72,4 72,7/76,5

2º horário 77,9/65,8 78,2/74,8 75/75,3 80,4/80,3 72,8/72 81,7/80,6 79,7/78,8 66,8/67

3º horário 72,9/72,9 Chuva Sem aula Sem aula 73,3/73,7 80,3/80,6 Sem aula Sem aula

Valores ideais* da ANSI S12.60-2010: 35 dB / NBR 10151: Manhã F/A - 35/40; Noite F/A -
30/35
Resultados do NPS da sala Ateliê 2 comparada com a ANSI S12.60-2010 /
NBR 10151*
Horários Terça Quarta Quinta Sexta
Manhã Noite Manhã Noite Manhã Noite Manhã Noite
F/A F/A F/A F/A F/A F/A F/A F/A
1º horário Sem aula 71/71,4 74,2/74,8 72,7/74,3 67,5/68,2 69,8/66,3 73,4/73,5 76,9/75,6

2º horário 75,3/74,4 75,9/73,6 79,9/78,8 76,9/74 75,3/75,9 69,7/70,2 71,3/70,8 75,6/74,3

3º horário 75,9/77,3 Chuva 77,2/75,4 79,2/78,7 72,8/72,9 Sem aula Sem aula Sem aula

Valores ideais* da ANSI S12.60-2010: 35 dB / NBR 10151: Manhã F/A - 35/40; Noite F/A -
30/35

Resultados do NPS do corredor comparada com a NBR 10152*

Horários Terça Quarta Quinta Sexta


Manhã Noite Manhã Noite Manhã Noite Manhã Noite
F/A F/A F/A F/A F/A F/A F/A F/A
1º horário 77 77,4 78,1 79,5 79,8 76,5 73 77,8

2º horário 74,3 77,6 75,2 79,8 75,1 82,1 72,5 74,6

3º horário 76,9 Chuva 69,1 80 64,1 68,4 74,4 76,6

*Valores ideais indicados pela NBR 10152: 45-55 dB

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


AVALIAÇÃO DO
CONFORTO TÉRMICO
EM UMA SALA DE AULA

Sara Virginia Ornilo Correia


Mateus Marcelino da Silva
Beatriz Pires do Carmo Neta
Natalia Gomes Lucio
Cavalcante
Ivanize Claudia dos Santos e
Silva

RESUMO
Embora a análise do conforto ambiental seja aplicada em diversas áreas, foram observadas
as condições de trabalho e/ou estudo em uma sala de aula. Dentre os fatores que influen-
ciam para o desconforto no desempenho das atividades, destacam-se as variáveis ambien-
tais, peso, idade e sexo. Considerando a importância de um ambiente confortável, este
artigo tem como objetivo realizar a análise do conforto térmico pela aplicação dos métodos
PPD e PMV. A abordagem metodológica foi através da utilização do modelo computacional
CBE Thermal Comfort Tool. Foram realizadas medições térmicas, utilizando um medidor de
stress térmico, modelo TGD-400 e um termo-anemômetro, modelo TAR-176, e aplicações
de questionários. Constatou-se um ambiente térmico extremamente desconfortável e difi-
cilmente tolerável. Com a utilização do software, foram obtidos valores do PMV e do PPD,
destacando-se as condições de calor do ambiente e a insatisfação da pessoa analisada.

Palavras-chave

Conforto térmico, condições, trabalho


54

1. INTRODUÇÃO dados foram obtidos por meio de entre-


vistas com alunos e professores presentes
O estudo do conforto ambiental, em seus no local, além da utilização de equipa-
diversos aspectos, busca construir uma mentos como termômetro de globo e
relação entre os princípios bioclimáticos e anemômetro. Estes dados possibilitaram a
as intervenções nas atividades práticas que determinação dos índices PMV (Predicted
amenizam os efeitos dos elementos ambien- Mean Vote - Voto Médio Previsível) e o
tais presentes. O conhecimento adquirido PPD (Predicted Percentage Dissatisfied -
dos planejadores, através de pesquisas Porcentagem Previsível de Insatisfeitos),
e análises, instrui suas respectivas ações, que analisam o conforto do ambiente para
visando obter ambientes confortáveis. o trabalhador.

Salas de aula são ambientes que exigem


condições que favoreçam e possibilite o 2. REFERENCIAL
rendimento, bem estar e a atenção dos TEÓRICO
estudantes e professores que nela desem-
A preocupação com a Qualidade de Vida
penham suas funções e atividades. Para
no Trabalho (QVT) busca suprir as neces-
garantir melhores condições de trabalho
sidades básicas do ser humano no âmbito
e/ou estudo, especificamente, quanto
de atuação, sem afetar a produtividade do
ao conforto ambiental, seja ele, térmico,
trabalho. A QVT busca humanizar as rela-
luminoso ou acústico, novas exigências
ções de trabalho mantendo uma relação
são frequentemente visadas para obter
estreita com a produtividade e com a satis-
as condições necessárias para os espaços
fação do trabalhador em seu ambiente de
interiores, utilizando as diretrizes de
atividade (BÚRIGO, 1997). Isto é, tornar o
conforto ambiental.
ambiente de trabalho mais agradável e

As características fisiológicas dos indi- harmonioso faz com que o homem possa

víduos, fatores como peso, idade, sexo, ter um desempenho e uma satisfação

juntamente com as variáveis ambien- maior em suas atividades.

tais influenciam diretamente no conforto


Segundo Pedroso e Pilatti (2012) o grande
térmico, podendo afetar a produtividade,
diferencial das empresas hoje em dia são
uma vez que a satisfação e o bem-estar dos
os recursos humanos nela presentes.
trabalhadores é um fator determinante
A empresa precisa privilegiar cada vez
para a obtenção da qualidade de vida no
mais o colaborador, lhes propiciando as
trabalho. (Gosling & Araújo, 2008).
melhores condições possíveis de trabalho,

Para a realização deste estudo, foram reali- para que possam render o seu melhor

zadas medições de variáveis térmicas na desempenho e desenvolver o melhor de

sala 102 A da Central de Aulas no Campus suas potencialidades.

I, na Universidade Federal da Paraíba. Os


Os seres humanos precisam de uma quali-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


55

dade ambiental mínima para conseguir das condições de trabalho e maior partici-
além de manter o bom funcionamento pação do funcionário no processo organi-
do organismo, desenvolver suas tarefas zacional); na perspectiva da organização
(FROTA, SCHIFFER,2003). Para que o traba- (visando à produção e motivação para o
lhador possa ter a desejada satisfação em trabalho); e por último uma perspectiva
seu ambiente de trabalho, ele deve estar integrante, que visa o equilíbrio dos inte-
em uma situação de conforto ambiental. resses dos trabalhadores e da organi-
Entende-se como Conforto Ambiental a zação. Como o conforto ambiental é algo
relação entre Conforto térmico, luminoso relativo, pois cada pessoa reage de uma
e acústico, os quais devem ser investigados forma diferente a estímulos externos, para
para ter conhecimento se um ambiente esse estudo foi dado privilégio a percepção
está em conforto ou não. somente do trabalhador (o professor que
ministra aulas na sala CAA 102, Campus
Um programa de QVT tem como objetivo
I, UFPB) sem levar em consideração os
promover um ambiente de trabalho que
alunos.Nesse sentido, este estudo tem
estimule e dê suporte ao colaborador e à
como objetivo a análise do conforto
organização, conscientizando sobre como
térmico e sua influência na qualidade
sua saúde está diretamente relacionada à
de vida do trabalhador em uma sala de
sua qualidade e produtividade (CARMELLO,
aula da Central de Aulas da Universidade
2015). O investimento das empresas em
Federal da Paraíba, Campus I.
QVT evita futuros problemas como: absen-
teísmo, redução da produtividade e efici-
ência, redução da qualidade do serviço,
2.1 CONFORTO TÉRMICO
reclamações, despesas médicas decor- O conforto térmico está relacionado à
rentes de depressão, desgaste, fadiga, preocupação natural do homem em busca
como até mesmo desgostos e preocupa- do bem estar. O desempenho do homem
ções em seu ambiente de trabalho. Tem está diretamente associado ao conforto
que haver consciência por parte das orga- térmico, sendo comprovado por diversas
nizações que QVT não se trata de um resul- pesquisas realizadas em laboratório e em
tado imediato, mas, de um investimento campo. (FANGER, 1970 apud SILVA, 2001).
contínuo que deve ser aplicado em todo o
ambiente organizacional. É primordial preo- A performance perceptiva, manual e inte-
cupar-se com a gestão das pessoas num lectual do homem é notavelmente maior
todo, oferecendo condições adequadas de em ambientes de conforto térmico. Diante
trabalho e respeitando o profissional. disso, várias análises aferiram a influência
do ambiente térmico no desempenho
De acordo com Guimarães (2004) há três escolar de alunos, afetando negativa-
correntes que podem ser seguidas para a mente o aprendizado em consequência do
mensuração da QVT: QVT na perspectiva aumento da temperatura e qualidade do ar.
do trabalhador (interesse está na melhoria

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


56

Aspectos físicos, fisiológicos e psicológicos 2.3 PPD (PREDICTED


como dor de cabeça, depressão intelectual, PERCENTAGE OF
sono, fadiga, descoordenação motora, falta DISSATISFIED)
de concentração e perda de memória são
sintomas frequentemente manifestados, O PPD (Predicted Percentage of Dissa-
e por essa razão, existe a necessidade da tisfied), índice desenvolvido a partir das
avaliação cognitiva do conforto térmico. condições de temperatura, umidade e velo-
cidade do ar em um ambiente, expressa o
O método mais difundido foi criado por percentual de pessoas insatisfeitas com as
Fanger (1972) e adotado pela norma inter- condições climáticas do ambiente. Algumas
nacional ISO7730/1994, realizado para das restrições dos parâmetros envol-
avaliar o conforto térmico. Através de vidos são: temperatura entre 10°C e 30°C,
diversas pesquisas avaliando condições umidade relativa entre 30% e 70% e veloci-
de temperatura, umidade e velocidade de dade do ar menor que 1m/s. Os índices de
ar, e aplicação de questionários quanto ao desconforto, obtidos a partir da análise dos
conforto, os índices “Predicted Mean Vote” parâmetros envolvidos, sofrem algumas
(PMV) e o “Predicted Percentage of Dissa- alterações de acordo com a estação do
tisfied People” (PPD) foram desenvolvidos. ano em que a medição é realizada, e são
afetados apenas pelas variáveis: Tempera-
2.2 PMV (PREDICTED MEAN tura Operativa (To) e Umidade Relativa do
VOTE) ar (UR). A Porcentagem Estimada de Insa-
tisfeitos pode ser calculada e obtida grafi-
O PMV (Predicted Mean Vote - Voto Médio camente por meio do PMV.
Previsível) é um índice de avaliação do
conforto térmico, adotado pela ISO 7730,
3. METODOLOGIA
que varia de -3 a +3 e calcula a probabili-
dade da sensação térmica humana a partir A análise de conforto térmico foi realizada
de associações entre o nível metabólico em um ambiente de trabalho na Central de
de atividade (Met), a resistência térmica Aulas (CA 102) da Universidade Federal da
das vestimentas (Clo) e quatro variáveis Paraíba, no dia 04 de abril de 2016. A sala
ambientais: temperatura do ar (ºC), velo- estudada possui área de 70 m² contendo
cidade do ar (m/s), temperatura de globo três janelas de correr, com área útil de
(°C) e umidade relativa do ar (%). ventilação de 50%, do lado esquerdo e
direito da sala. Possui três ventiladores,
Assim, prevendo a sensação térmica de
mas apenas dois em funcionamento. O
um grupo de pessoas, é possível calcular
posto de trabalho situa-se na frente da
e determinar graficamente a Porcentagem
sala, visto que o posto analisado foi o do
Estimada de Insatisfeitos (PPD).
professor, como pode ser observado na
Figura 1 e 2Figura 1: Sala CAA 102

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


57

Figura 2 - Sala CAA 102. Foram realizadas medições térmicas utili-


zando um medidor de stress térmico,
modelo TGD-400 e um termo-anemô-
metro, modelo TAR-176, ambos da marca
Instrutherm, fabricados no Brasil.

O medidor de stress térmico foi ligado e


estabilizado após 10 minutos de funciona-
mento. Foram realizadas quatro medições
com intervalos de 1 hora entre cada uma
delas, obtendo os valores apresentados no
Quadro 1.

Quadro 1 - Dados da medição.

Termômetro de Globo (TGD-400)

Temperatura Temperatura média Unidade Relativa


Hora do ar (°C) Radiante (°C)
14h 31,1 31,6 78,20%

15h 31,2 31,8 77,20%

16h 30,8 31,2 82,30%

17h 30,1 30,5 82,30%

Fonte: elaborada pelos autores

Foram encontrados valores de 0,1m/s menta que o trabalhador apresenta no seu


como velocidade do vento em todas as ofício, como mostra o Quadro 2.
medições. Para a análise da sensação do
Os dados do indivíduo estudado são apre-
conforto térmico, foi aplicado um questio-
sentados no Quadro 3.
nário, elaborado pelos autores, com ques-
tões relativas a sua percepção da sensação A utilização do modelo computacional foi
térmica no ambiente e o quanto o consi- o CBE Thermal Comfort Tool, disponível
dera tolerável. no site eletrônico da Universidade de
Berkeley: http://comfort.cbe.berkeley.edu/,
A vestimenta é um dos fatores que influen-
que serviu para o cálculo do PMV e PPD.
ciam diretamente o conforto térmico. A
professora analisada vestia vestido de
malha, sandália aberta de salto de 6cm
e roupas íntimas (calcinha e sutiã) de
algodão. De acordo com a NBR 7730, é
possível calcular a resistência da vesti-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


58

Quadro 2 - CLO.

Vestuário CLO

Calcinha e sutiã 0,03

Vestidos leves, mangas curtas 0,20

Sapatos (sola grossa) 0,04

Total 0,27

Fonte: elaborada pelos autores

Quadro 3 - Dados do indivíduo.

Sexo Idade Peso Altura Atividade

Feminino 40 78Kg 1,58m Professor

Fonte: elaborada pelos autores

4. ANÁLISE DOS zando os dados já expostos, o PMV e o PPD

RESULTADOS foram calculados utilizando o software CBE


Thermal Comfort Tool.
Para a análise do conforto térmico,
levou-se em consideração a temperatura
4.1 ANÁLISES DO PMV E
do ar, temperatura média radiante, veloci-
PPD
dade do vento, umidade relativa e a hora
da medição. Não foram levados em consi- Conforme citado, foi utilizado o software
deração os pontos de ventilação artificial, Confort Tool para o cálculo do PMV. A
devido a sala não possuir ar- condicionado professora estudada apresentou um inter-
e os ventiladores presentes não apresen- valo de valores do PMV de 1,9 a 2,22 e um
tarem bom funcionamento. intervalo do PPD de 72 a 86%. Para efeito
de cálculo do PMV foram inseridos os
Para o posto de trabalho analisado, a
valores das variáveis ambientais medidos
medição foi realizada à altura do tórax,
no dia escolhido para estudo. O Quadro
levando em consideração que o funcio-
4 apresenta os resultados alcançados a
nário trabalha sentado durante aproxima-
partir da medição.
damente 4 horas por dia. De acordo com
a NBR 7730 a taxa metabólica (Met) da Assim, com o resultado obtido constata-se
atividade em questão é de 1,2met (seden- a insatisfação e o desconforto do traba-
tary activity). lhador em relação às condições térmicas
do ambiente de trabalho, considerando
O questionário aplicado indicou que o
que em um ambiente termicamente acei-
ambiente térmico era extremamente
tável é preciso que o PPD < 10%, ou seja,
desconfortável e dificilmente tolerável,
-0,5 < PMV < +0,5 (ISO 7730, 2005).
baseado nas respostas da professora. Utili-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


59

Quadro 4 - PMV E PPD das medicações

Medição 1 Medição 2 Medição 3 Medição 4

PVM 2,18 2,22 2,08 1,9

PVD 84% 86% 80% 72%

Fonte: elaborada pelos autores

5. CONCLUSÃO 6. AGRADECIMENTO
As diretrizes apontadas no estudo de caso Os autores agradecem ao LAT (Laboratório
não são implantadas em muitos ambientes de Análise do Trabalho) do departamento
de trabalho, o que traz desconfortos na de Engenharia de Produção da Universi-
atividade e comprometendo a eficiência dade Federal da Paraíba pelo empréstimo
do ensino e aprendizagem. Entre as vanta- dos equipamentos necessários para o
gens obtidas pela aplicação dos métodos, desenvolvimento desse estudo.
destaca-se a utilidade do método PMV, por
exemplo, em avaliar o conforto térmico, REFERÊNCIAS
pelo cálculo da probabilidade da sensação
térmica humana, e a utilidade do método [ 1 ] . American Society of Heating and Air
PPD por expressar o percentual de pessoas Conditioning Engineers - ASHRAE. Physio-
insatisfeitas com as condições climáticas logical principles for comfort and health. In:
do ambiente. Handbook Fundamentals. Atlanta, 2001. p.
8.1 - 8.2.BÚRIGO, C. C. D. Qualidade de vida
Com a utilização do software, foram no trabalho. Revista de Ciências Humanas,
obtidos valores do PMV de 1,9 a 2,22 e um v. 15, n. 22, p. 90-111, 1997.
intervalo do PPD de 72 a 86%.
[ 2 ] . CARMELLO, E. Portal de Recursos
No ambiente estudado, os métodos PMV Humanos. Qualidade de Vida no
e PPD foram aplicados e analisados, trabalho.2015. Disponível em:< http://
possibilitando também a mensuração dos www.rhportal.com.br/artigos/rh.php?rh=-
períodos adequados de descanso durante Qualidade-De-VidaNo-Trabalho&idc_
o trabalho. cad=a7o2sdrwi >. Acesso em 03 mar 2015.

Para um melhor desempenho de ensino [ 3] . FANGER, P. O. Thermal comfort:


na sala de aula, é viável um trabalho futuro analysis and applications in environmental
buscando a climatização para tornar o engineering. United States: McGraw-Hill
ambiente mais confortável, aumentando Book Company, 1970. 244 p.
assim, o índice de satisfação do usuário.
[ 4] . FROTA, A.B. & SCHIFFER, S.R. Manual
do Conforto Térmico. 4ª ed. São Paulo:
Studio Nobel, 2003. GUIMARÃES, L. B. M.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


60

Ergonomia: Tópicos Especiais - Qualidade


de vida no trabalho, psicologia e trabalho.

[5]. 4.ed. Porto Alegre: FEENG/UFRGS/EE/


PPGEP, 2004.

[6 ]. ISO 7730 (2005). Ergonomics of the


thermal environment – Analytical deter-
mination and interpretation of thermal
comfort using calculation of the PMV and
PPD indices and local thermal comfort
criteria. Genebra: International Organiza-
tion for Standardization.

[7]. PEDROSO, B.; PILATTI, L. A. Guia de


avaliação da qualidade de vida e qualidade
de vida no trabalho. Ponta

[8]. Grossa: Editora UEPG, 2012.

[9 ]. SILVA, L. B. Análise da relação entre


Produtividade e conforto térmico: o caso
dos digitadores do centro de processa-
mento de dados da Caixa Econômica
Federal de Pernambuco. Florianópolis,
2001. Tese (Doutorado em Engenharia de
Produção) - Universidade Federal de Santa
Catarina.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


MACROERGONOMIA
PARTICIPATIVA -
UMA APLICAÇÃO
NA OPERAÇÃO DE
MONTAGEM DE
CALÇADOS

Claudio Oberajara Bonetti


Rogerio Bueno de Paiva
Alexandre Luis Lorenz Elisete
Frey Kieling

RESUMO
Essa pesquisa objetivou identificar problemas ergonômicos, em postos de trabalho de linha
de montagem de uma indústria calçadista, localizada no Vale do Rio dos Sinos no estado
do Rio Grande do Sul. Para o estudo foram visitadas as linhas de produção e seus postos
de trabalho, coletadas imagens e vídeos. Após a visita, realizou-se a definição dos postos
a serem estudados, com a participação de profissionais da área de produção e segurança
do trabalho. Com auxílio do método de diagnóstico preliminar participativo dos riscos
(Deparis), realizou-se entrevistas com trabalhadores. Como resultado deste estudo foram
identificados riscos ergonômicos, a necessidades de melhoria no processo, dos postos de
trabalho e ferramentas.

Palavras-chave

Ergonomia, montagem de calçados, participação do trabalhado


62

1. INTRODUÇÃO industrial. No entanto, as necessidades de


conforto do trabalhador não têm sido obser-
Segundo Grandjean (1998) a exigência vadas adequadamente, e pode-se observar
muscular prolongada, pode desenvolver que no desenvolvimento de postos de
no trabalhador uma série de lesões e trabalho são atendidas somente as necessi-
desgastes. As principais lesões são as dades de produção (ESTIVALET et al, 2005).
inflamação nas articulações, na bainha
dos tendões e extremidades dos tendões, A Norma Regulamentadora 17 - Ergo-

processos crônicos degenerativos de nomia, estabelecida pela portaria nº3.751,

artrose em articulações, doenças de disco de 23 de novembro de 1990, do Ministério

intravertebral e cãimbras musculares. do Trabalho e Emprego, é definida como,


um importante instrumento de garantia da
A fadiga é um dos principais fatores que saúde e segurança do trabalhador. Reforça
causam a redução da produção. Tem sua a necessidade da participação dos traba-
origem em longas jornadas de trabalho, lhadores e a efetiva adaptação dos postos
fatores ergonômicos e ambientais como: de trabalho a estes.
exagerada carga muscular, ruído, vibra-
ções, temperatura ou iluminação inade- O objetivo deste estudo foi identificar

quados. Outro fator gerador de fadiga é riscos ergonômicos presentes nos postos

o mau dimensionamento de postos ou de trabalho das linhas de montagem do

arranjos de trabalho, que demandam calçado, que tem como característica o

exigências de torções de tronco, cabeça emprego de grande volume de traba-

inclinada para frente ou manipulações fora lhadores. O artigo está estruturado do

da área de alcance (IIDA, 2005). seguinte modo: a Seção 2 apresenta a


revisão bibliográfica sobre ergonomia,
A necessidade de dimensionar constante- análise ergonômica, postura no trabalho
mente os postos de trabalho e os produtos e perdas decorrentesde LER e DORT; a
de forma ergonômica tem sido recomenda Seção 3 apresenta o método utilizado
afim de não considerar o ser humano como neste estudo de caso; na Seção 4 são apre-
um manequim ou robô. Observando que a sentados os resultados; e as considerações
utilização de tabelas antropométricas não finais na Seção 5.
contempla todos os aspectos da ergonomia.
Que considera o indivíduo em constante
2. REVISÃO
atividade, constante movimento e constante
BIBLIOGRÁFICA
alteração de humor (GUIMARÃES, 2000).

A avaliação ergonômica é responsável 2.1 ERGONOMIA


pela definição de parâmetros relativos à
“A ergonomia é uma disciplina científica rela-
segurança e saúde do operador, quando
cionada ao entendimento das interações
da confecção de equipamentos de uso
entre os seres humanos e outros elementos

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


63

ou sistemas, é a aplicação de teorias, princí- e chanfração. Identificaram exposição aos


pios, dados e métodos a projetos a fim de riscos físico-ambientais, posturais e opera-
otimizar o bem estar humano e o desem- cionais. O estudo que inicialmente encon-
penho global do sistema” (ABERGO-Asso- trou barreiras em seu desenvolvimento se
ciação Brasileira de Ergonomia). firmou e apresentou sugestão de melhorias
para o posto de trabalho em estudo, com a
Para Couto (2002) a ergonomia, surgida
troca de assentos, confecção de apoio para
em 1950 em países socialmente e indus-
os pés, e sugestão de troca do maquinário
trialmente desenvolvidos, busca basica-
mais antigo por máquinas mais modernas
mente, adaptar o trabalho às pessoas, e
e com regulagens de altura.
está sustentada em um conjunto de ciên-
cias e tecnologias que visa o ajuste mútuo, Cornelli (2010), ao realizar Análise Macro
que resulta em trabalho confortável e Ergonômica do Trabalho em empresa de
produtivo. Complementa, com a visão de componente para calçados, utilizou meto-
que a ergonomia é um dos processos mais dologia participativa associada com inter-
baratos e de melhor relação custo/bene- venção de especialista em ergonomia, apli-
fício desenvolvidos pelas empresas. cada ao processo com 90 trabalhadores,
fez importantes apontamentos, como altas
Iida (2005) defende que a ergonomia na
temperaturas do ambiente de trabalho,
busca de resultados desejados tem visão
dificuldades no deslocamento em função
mais ampla, ocorrendo desde a fase de
do leiaute e posturas inadequadas dos
planejamento e projeto, antes de se realizar
trabalhadores. Além de reduzir as perdas
o trabalho, e fases de controle e avaliação,
de matéria-prima de 49% para 31%.
com ocorrência durante e após a reali-
zação do trabalho. Esta ideia é concentrada Bitencourt (2006), ao fazer aplicação inclu-
no estudo das características do trabalho, siva macro ergonômica em empresa calça-
e posterior projeção para a tarefa com o dista, contemplou 92% de um total de 600
indivíduo, primando pela preservação da funcionários, sendo 1,3% pessoas porta-
sua saúde, tendo a eficiência como conse- doras de deficiência física, auditiva ou
quência e não foco principal. mental. O estudo resultou na proposição de
soluções para as demandas ergonômicas,

2.2 ANÁLISE ERGONÔMICA de uma forma participativa que envolveu

E POSTURA DO os trabalhadores. Das proposições se

TRABALHADOR destacou o revezamento das atividades no


setor de montagem, que em curto prazo,
Ao realizar intervenção ergonômica em refletiu no aumento da satisfação dos
empresa de pequeno porte que fabrica trabalhadores, que indicaram redução do
componentes para calçados, Silva et al desconforto e das dores. O tópico seguinte
(2006) estudaram o processo e sua inte- aborda a postura do trabalhador.
ração com trabalhadores do setor de corte

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


64

A participação do trabalhador na execução 3. METODOLOGIA


de análise ou avaliação ergonômica, reco-
mendada pela NR 17, não é nenhum precio- Esta pesquisa caracteriza-se como de
sismo por parte dos legisladores. Quando natureza aplicada, realizada em uma
da verificação dos resultados obtidos por empresa do ramo calçadista, e pretende
autores que se utilizaram da metodologia examinar problemas ergonômicos com
participativa, é possível entender o quanto uma abordagem qualitativa. O estudo
importante é a participação do traba- tem como objetivo explorar o problema
lhador, na condução de melhoria do seu de pesquisa e analisar os dados qualita-
posto ou ambiente de trabalho. Pois este, tivamente, propondo soluções para as
normalmente, é a pessoa mais indicada demandas encontradas.
em termos de entendimento da tarefa. E
posterior a análise, quando da aplicação de 3.1 CARACTERIZAÇÃO DA
ações propostas, este trabalhador estará EMPRESA
mais comprometido com o resultado final,
pois entenderá melhor que o objetivo que O ambiente de realização deste estudo

se espera atingir é a melhoria das condi- foi o processo produtivo de uma empresa

ções de trabalho. do ramo calçadista, de administração


familiar, no mercado desde 1977, loca-
Ambrosi e Queiroz (2004), ao estudar perfil lizada no Estado do Rio Grande do Sul.
do trabalhador e as relações de saúde no Emprega aproximadamente 2.500 (dois
trabalho, em indústria de confecções em mil e quinhentos) funcionários diretos,
Santo André, identificaram na postura com produção anual próxima de 7.000.000
sentada de uma costureira, dores difusas (sete milhões) de pares. Produz calçados
em todo o corpo. Os relatos da própria femininos, nas tendências de moda, prin-
trabalhadora davam conta de dores nos cipalmente para o mercado nacional e está
membros inferiores, na coluna cervical dividida em quatro unidades produtivas.
e membros superiores. Em um total de
22 questionários de Corlett aplicados aos
3.2 CARACTERIZAÇÃO DA
demais postos similares, resultaram em
ATIVIDADE
27% com dores na região cervical, 27%
panturrilha, 18% coluna lombar, 18% A fabricação de calçados tem variação de
ombros e 9% braços antebraços e mãos, empresa para empresa, no que diz respeito
em muitos casos dores relacionadas à à organização do processo interno. No
diminuição da circulação sanguínea pela entanto, esse processo pode ser resumido
postura sentada. em seis fases, conforme indicado na Figura 1.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


65

Figura 1 - Fluxograma das fases do pro- Figura 2 - Componentes do calçado para


cesso de fabricação do calçado montagem

Fonte: Elaborada pelo autor (2013)

3.3 PROCEDIMENTO
REALIZADO

Para a definição do setor a ser estudado,


foram seguidos os seguintes passos: (i)
realizou-se reunião com a direção da
empresa, a qual se mostrou favorável à
realização do estudo; (ii) posteriormente
foram reunidos a equipe de segurança
e medicina do trabalho e o engenheiro
Fonte: Rochlin et al, (2005)
de produção e debatido sobre a neces-
sidade da pesquisa. Esse passo resultou
Para o estudo em questão, foi observado em demanda de pesquisa em prontuário,
somente o processo de montagem, tarefa para identificação dos setores mais quei-
de montagem manual, a qual é respon- xosos, relacionados à ergonomia; (iii) em
sável pela união dos cabedais obtidos paralelo à pesquisa das queixas realizada
no processo de costura com solado e pelo SESMT, foram realizadas visitas aos
palmilha, tendo a fôrma como suporte setores produtivos da empresa, oportu-
e molde para determinação do formato nidade onde formalizou-se a iniciativa da
do calçado. Esta fase requer preparação pesquisa, com obtenção de imagens e
para a colagem, aplicação de adesivos, vídeos de duas das unidades produtivas.
a montagem manual e com máquina do (iv) após análise de imagens, vídeos e
cabedal na forma e prensagem no solado queixas médicas, decidiu-se por realizar o
(REHFELDT,2001). Os componentes são estudo no setor de montagem do calçado.
apresentados na figura 2. Pois este apresentou maior relevância sob
o ponto de vista ergonômico na realização

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


66

dessa análise preliminar. No setor de Foi aplicado com método de ergonomia


montagem a demanda de força é conside- participativa, o metodo de diagnóstico
ravelmente maior, na execução das tarefas, preliminar participativo dos riscos (Deparis)
motivo pelo qual a maioria dos traba- que faz parte da estratégia de gestão dos
lhadores é do sexo masculino. (v) Como riscos profissionais – SOBANE. O método,
haviam diferenças consideráveis na orga- segundo Malchaire (2002), consiste de
nização e características dos dois setores abordagens participativas e realizadas de
de montagem inicialmente visitados, foi forma progressivas, ou seja, no primeiro
escolhido o setor com maior número de estágio deve se buscar a identificação das
pontos visíveis a melhorar, percebidos na situações de trabalho em todas as circuns-
visita e análise prévia dos dados coletados, tâncias abordando as 18 rublicas descritas
como pode ser visto nas imagens 3 e 4. pelo método, em que o trabalhador deverá
indicar o que pode ser feito de concreto
Figura 3 - Setor de montagem do calçado para melhorar a sua situação de trabalho
conforme o item determinado.

Dentre as 18 rublica abordadas estão as


zonas de trabalho, a organização técnica
entre os postos, os locais de trabalho, os
riscos de acidentes, os comandos e sinais,
as ferramentas e materiais de trabalho,
o trabalho repetitivo, o levantamento
de carga, a carga mental, a iluminação,
o ruído, o ambiente térmico, os riscos
químicos ou biológicos, as vibrações, as
Fonte: Elaborada pelo autor (2013)
relações de trabalho entre os trabalha-
Figura 3 - Setor de montagem do calçado dores, o ambiente social, o conteúdo do
trabalho e o ambiente psicossocial.

Conforme Malchaire (2002), o método


Deparis estabelece para cada rubrica uma
discussão da situação desejada e uma
lista dos aspectos a serem controlados,
após isso o coordenador da aplicação do
método verifica se a solução necessita da
aplicação de um estudo mais detalhada
para resolver aquele determinado item.
Fonte: Elaborada pelo autor (2013) O método estabelece que o quadro indi-
cado na figura 5 seja preenchido para cada
uma das 18 rúbricas. No final, a equipe faz

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


67

o julgamento da situação global daquele uma situação intermediária (sinal amarelo)


determinado item, se está em uma situ- ou se apresenta uma situação insatisfa-
ação satisfatória (sinal verde), se está em tória (sinal vermelho).

Figura 5 - Quadro para aplicação do método Deparis

Fonte: Malchaire (2002)

4. RESULTADOS Os trabalhadores puderam, a partir da


pesquisa sugerir melhorias e indicar
o que poderia ser revisto no processo
4.1 DIAGNÓSTICO
produtivo dentro de cada uma das 18
PRELIMINAR
rúbricas, ao final eles classificaram a
O resultado da aplicação da estratégia rúbrica em satisfatório, média sarisfação
SOBANE no nível 1, ou seja, a fase de diag- ou insatisfatório pela percepção deles
nóstico preliminar participativo (Deparis) referente ao ponto avaliado. Em alguns
que gerou, a identificação por parte dos casos a rúbrica não estava presente na
trabalhadores dos pontos com maior insa- situação de trabalho e foi considerada
tisfação em relação às 18 rúbricas descritas como situação não aplicada (NA).
pelo método Deparis. Esse resultado se
encontra resumido no quadro 1.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


68

Quadro 1 - Quadro Síntese do estudo deparis na montagem de calçados

RESUMO DEPARIS MONTADORES

1-As zonas de trabalho :|

2-Organização técnica entre postos de trabalho :(

3-Os locais de trabalho :|

4-Os riscos de acidentes :(

5-Os comandos e sinais/marcadores NA

6-As ferramentas e materiais de trabalho :|

7-O trabalho repetitivo :(

8-Os manuseios/lev. Peso NA

9-A carga mental NA

10-A iluminação :)

11-O ruído :(

12-Os ambientes térmicos :|

13-Os riscos químicos e biológicos :|

14-As vibrações NA

15-As relações de trabalho entre trabalhadores :|

16-O ambiente social local e geral :)

17-O conteúdo do trabalho :(

18-O ambiente psicossocial :(

NA - Não Aplicado :( - Insatisfatório :| - Média Satisfação :) - Satisfatório

Fonte: Elaborada pelo autor (2013)

4.1 RESPOSTAS E nos locais onde elas são necessárias,


CONTRIBUIÇÕES DOS visto que não fazem parte da função em
TRABALHADORES estudo. A imagem 4 representa a organi-
zação atual.
As zonas de trabalho, conforme o layout
da linha de produção, não gera o mesmo
nível de exposição para o grupo de
montadores. Os montadores posicio-
nados nas extremidades iniciais e finais
do local sofrem mais com obstrução
por máquinas, aumento de calor pela
proximidade das estufas e canhões. As
sugestões são de organizar as máquinas

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


69

Figura 6 - Disposição de máquinas e equipamentos

Cabina
Canhão
Cavale te
Estu fa

Fonte: Elaborada pelo autor (2013)

A organização técnica entre os postos de mentos com braço elevado e tronco incli-
trabalho segue a predisposição da esteira, nado, conforme apresentado na figura 7,
a qual é regulada baseada em demanda
ocasionando dores nas costas, pernas,
por linha de produtos. Existe a pressão
braços, mãos e dedos dos trabalhadores.
de tempo para a realização de tarefas. Foi
No entanto essas posições são entendidas
relatado que existe uma insatisfação geral
pelos trabalhadores como necessárias
em termos dos tempos. Até mesmo para
para a realização da montagem. Dentre as
buscar água durante a jornada é necessária
soluções apontadas pelos trabalhadores,
uma combinação entre os trabalhadores. E
está a necessidade de desenvolver novas
as soluções apontadas passam por iden-
formas de montagem e melhorar as ferra-
tificação de variáveis por produto e falta
mentas, pois segundo eles, no passado
de interação entre setores de preparação
essa operação dispunha de bancos para
para a manufatura e determinação dos
trabalho sentado, o que na visão deles
tempos de ciclo. Segundo os funcionários
representa uma perda. Nesse caso vale
os tempos não estão adequados em cada
destacar que existe uma falta de conheci-
tipo de montagem e deveriam ser revistos.
mento dos trabalhadores, poie estas situ-
Os locais de trabalho são organizados de ações podem gerar doenças a médio e
forma que os montadores executem as longo prazo.
operações na posição em pé, contrariando
Dos riscos de acidentes presentes no local
a alternância na posição sentada e em pé,
de trabalho, foram destacados os de quei-
recomendada por Grandjean e explici-
madura, choque mecânico e elétrico, de
tada pela NR 17. Existem ainda obstruções
incêndio nas estufas e canhões (inclusive
por máquinas, os tornos de montagem
na limpeza das estufas com pano embe-
(suporte da forma) possuem regulagem
bido em álcool), do contato com produtos
e a posição do trabalhador requer movi-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


70

Figura 7 - Posição do operador ao mon- cação das tarefas tem sido recomendada
tar o calçado por alguns autores como alternativa na
diminuição da repetição de movimentos.

A iluminação artificial atende às neces-


sidades destes trabalhadores para reali-
zação da tarefa, conforme relato dos entre-
vistados. No ambiente fabril as luminárias
estão colocadas a 2,50 metros de altura e
geram um iluminamento de 820 lux, aten-
dendo assim aos limites estabelecidos
pela NBR-5413. No entanto, dependendo
Fonte: Elaborada pelo autor (2013) do tipo de componente a ser montado,
químicos e poeiras. Entre as soluções existe o ofuscamento. Para esses casos
propostas estão a melhoria da ventilação não atende plenamente a NR 17 no sub
do local, a remoção de máquinas que iten 17.5.3.2, pois a iluminação é sempre a
não pertencem ao setor e a execução da mesma, não permitindo ajuste.
limpeza ser realizada por uma pessoa
O ruído no setor, conforme o programa de
específica e não pelo montador.
prevenção dos riscos ambientais (PPRA),
As ferramentas de trabalho não têm altera- está no nível de 80 dB(A), e é resultante
ções nos últimos anos dentro da empresa, da utilização diversas máquinas do setor
porém existem opções no mercado. Inclu- de montagem. Os entrevistados afirmam
sive para a disposição do espelho do que o principal ruído é o de vazamentos de
montador que é colocado de lado e não à ar. A operação de montagem manual não
frente como requerem os trabalhadores. gera níveis de ruído tão altos, se isolada.
Nesse ponto a observação de solução Segundo os operadores, não são verifi-
seria a de renovação do parque fabril, que cadas as fugas de ar dos sistemas pneumá-
alguns indicaram estar desatualizado. ticos, que aumentam o ruído e aumenta
a necessidade de trabalho dos compres-
No caso de repetição do trabalho, existem sores. Nesse ponto fica a indicação de
as queixas de dores nas mãos, braços resolução nos vazamentos de ar por
e nas costas. Existe um entendimento uma manutenção, o que poderia reduzir
parcial por parte dos operadores, que é também os gastos com energia eletrica.
necessário a repetição para a eficiência,
porém falta conhecimento deles que isto é A questão das temperaturas no ambiente
um dos motivos pelas dores relatadas. é influenciada negativamente com a apro-
ximação das estufas de reativação de
Ao mesmo tempo alguns acreditam que a adesivos e canhões. Também, o armazena-
troca de tarefas diminuiria consideravel- mento de embalagens e caixas com estoque
mente as dores citadas acima. A diversifi-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


71

de produtos que obstruem as aberturas industrial é bem receptiva quando da


laterais dificulta a dissipação desse calor. A abordagem direta.
solução possível seria a remoção dos esto-
O conteúdo do trabalho aponta a necessi-
ques de materiais que não pertencem ao
dade de interação do corpo técnico. Pois
setor, a destinação do maquinário sobresa-
inúmeros produtos têm a predisposição de
lente ao depósito e a abertura de lanternin
melhoramento na sua concepção para faci-
ou exaustores no telhado.
litar a tarefa do montador. Que sugere casos
Quanto aos riscos químicos e biológicos onde é necessário, além da execução da
foram relacionados os produtos químicos tarefa de montar, também corrigir problemas
utilizados nas tarefas adjacentes, as do projeto. Como exemplo, modelos com
poeiras acumuladas no maquinário, que material de montagem escassos, fazendo
são devolvidos ao ambiente quando os com que o montador tenha que aplicar força
ventiladores são ligados. Foi relatado um maior para atingir o limite inferior da linha
mal estar e diminuição da visão quando se de montagem necessária.
utiliza os produtos químicos para limpeza
O ambiente psicossocial requer, segundo
na tarefa realizada do outro lado da esteira
os trabalhadores, o melhor detalhamento
na operação de acabamento. Tratada
das metas, tanto produtivas quanto de
como item separado, a qualidade e tempe-
participação de lucros e dissídios coletivos.
ratura da água são ruins e a distância para
Pois como o clima entre posições hierár-
se buscar água fica em torno de 20 metros.
quicas é entendido satisfatório, seria neces-
Das soluções, aproximação do bebedouro
sária a informação de como os índices são
ao setor, limpeza mais frequente das
montados, e como são tratados os espaços
poeiras acumuladas e maior distancia-
onde não existe produção a ser executada.
mento ou exaustão dos químicos.
Esse ponto, deveria se atualizado no mural
As relações de trabalho entre os trabalha- de informações do setor, que há muito
dores são entendidas como satisfatória, tempo está vazio.
exceto por um dos casos que aponta as
A aplicação desse estudo preliminar foi
diferenças e fofocas existentes no setor.
importante para esse ambiente de trabalho,
Nessa questão, os trabalhadores admitem
pois foi possível identificar que muitas das
ser existente em todos os setores. Reque-
situações que incomodam os trabalha-
rendo aprofundamento do estudo por
dores é de fácil resolução e não impactam
especialista para proposição de soluções.
em custos ou despesas elevados, estão
Com relação ao ambiente social, local e mais associadas a organização do local de
geral, existe satisfação, pois os monta- trabalho e de uma melhor interação entre
dores podem conversar entre si e com os setores dentro da empresa. A utilização
seus supervisores, sobre assuntos não desse tipo de ferramenta é importante
ligados ao trabalho. Inclusive a direção pois torna o trabalhador parte integrante

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


72

do processo, e este ao perceber que As demandas sugeridas, vão desde a orga-


suas sugestões são aceitas e atendidas, nização do maquinário, melhor acom-
contribuem além do clima favorável, com panhamento dos tempos de ciclo, inte-
aumento de motivação e da produtividade. gração entre projetistas e executores da
tarefa, necessidade de cadeiras ou bancos
Neste caso, como o método utilizado
para a alternação da posição de trabalho,
sugere, após a resolução dos problemas
aproximação dos bebedouros aos postos
apontados pelo diagnóstico preliminar
de trabalho, atualização do parque fabril,
participativo (Deparis), deve-se partir para
informações sobre qualidade e eficiência
um segundo nível de aplicação da estra-
entre outras. Possibilitando a verificação
tégia SOBANE, onde serão pesquisados os
de que o modelo ergonômico participativo,
problemas mais complexos e que neces-
apontou melhorias necessárias na visão
sitam da intervenção de especialistas.
dos trabalhadores, e que estas melhorias
além de atenderem a NR 17, contribuiem
5. CONSIDERAÇÕES para a manutenção da saúde e da segu-
FINAIS rança das pessoas.

O objetivo desse estudo de caso foi a iden-


tificação das necessidades de melhoria REFERÊNCIAS
aplicando a macroergonomica participa-
[1]. AMBROSI, D., QUEIROZ, M.F.F.
tiva em uma atividade de montagem de
Compreendendo o Trabalho da Costu-
calçados, em uma empresa calçadista loca-
reira: um enfoque para a postura sentada.
lizada no Estado do Rio Grande do Sul.
Revista Brasileira de Saúde Ocupacional,

O resultado qualitativo obtido na aplicação São Paulo, 2004.

do método de diagnóstico participativo dos


[2]. BITENCOURT, R.S., GUIMARÃERS,
riscos (Deparis), com quatro trabalhadores,
L.B.M. SANTOS, P.H. Uma Aplicação Inclu-
possibilitou apontar demandas ergonô-
siva da
micas na organização técnica entre postos
de trabalho, nos riscos de acidentes, no [ 3] . Macroergonomia no Setor Industrial
trabalho repetitivo, no ruído, nos ambientes Calçadista: Anais: 14º Congresso Brasileiro
térmicos, nos riscos químicos e biológicos, de Ergonomia. Curitiba, PR: ABERGO, 2006.
no conteúdo do trabalho e no ambiente
[ 4] . CORNELLI, Renata. Aplicação da
psicossocial. A participação dos trabalha-
AMT para a Redução de Perdas de Maté-
dores nesta metodologia, produziu suges-
rias-Primas e de Custos Ergonômicos: o
tões de melhorias ergonômicas em áreas
caso de uma empresa de componentes
abrangidas pelas pela metodologia, além
de calçados. 2010. Disponível em: <http://
da motivação proporcionada pelo envolvi-
www.lume.ufrgs.br/handle/10183/23930>.
mento dos trabalhadores na participação
Acesso em: 13 nov. 2013.
das soluções apontadas.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


73

[5]. COUTO, Hudson de Araujo. Como [ 1 3]. SILVA, C. B. et al. Intervenção Ergo-
Implantar Ergonomia na Empresa: a prática nômica em uma Indústria de Compo-
dos comitês de ergonomia. Belo Horizonte: nentes para Calçados: Cadernos de Terapia
Ergo, 2002. Ocupacional da UFSC, 2006.

[6 ]. ESTIVALET, P.S. et al. Avaliação Ergo-


nômica de Máquina de Costura: Anais: XXIV
ENEGEP-Encontro Nacional de Engenharia
de Produção. Florianópolis, SC: ABEPRO,
2004.

[7]. GRANDJEAN, Etiene. Manual de Ergo-


nomia: adaptando o trabalho ao homem.
Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

[8]. GUIMARÃES, L.B.M., PASTRE, T.,


KMITA, S.F. Levantamento Ergonômico em
um Setor de Cromagem, Mostrando Sua
Abrangência e Evolução. 2000. Disponível
em:<http://pg.utfpr.edu.br/dirppg/ppgep/
ebook/2006/5.pdf>. Acesso em: 10 dez.
2013.

[9 ]. IIDA, Itiro. Ergonomia: projeto e


produção. 2.ed. São Paulo: Blucher, 2005.

[1 0]. MALCHAIRE, J. Diagnóstico Participa-


tivo de Riscos de uma Situação de Trabalho:
método Deparis. Universidade Católica de
Louvain. Unidade de Higiene e fisiologia do
trabalho. Bruxelas, 2002.

[1 1 ]. Manual de aplicação da Norma Regu-


lamentadora nº 17.- 2ed.-Brasília: MTE, SIT,
2002. REHFELDT, Márcia J. H. Uma Heurís-
tica Aplicada a um Problema de Escalona-
mento na [12]. Indústria Calçadista. Disser-
tação de mestrado. Disponível em:<http://
www.lume.ufrgs.br>. Acesso em: 11 de
março de 2011.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


PROFISSÃO GESSEIRO
E O CONTEXTO LEGAL
PARA A PREVENÇÃO DE
ACIDENTES E DOENÇAS
OCUPACIONAIS NO MUNI-
CÍPIO DE MOSSORÓ/RN

Almir Mariano De Sousa Junior


Nadja Keilane Dantas Espinola
Alfredo Luiz da Costa
Jaqueline Sandra Soares de
Souza

RESUMO
Ao longo dos anos a preocupação de criar subsídios para uma melhora na segurança e a
prevenção dos trabalhadores da Construção Civil, fez com que muitas mudanças ocorressem
na legislação do trabalho para atender a demanda do crescimento do número de acidentes
ocasionados no âmbito laboral das obras. Um profissional que merece atenção é o gesseiro,
onde por muitas vezes o nível de escolaridade baixo traz conseqüências bastante preocu-
pantes quanto ao conhecimento dos mesmos sobre os riscos existentes nessa profissão. Este
trabalho tem o intuito analisar as questões que envolvem a segurança e saúde a fim de gerar
prevenção de acidentes nas empresas que utilizam a mão de obra dos gesseiros terceirizados.
Para chegar às conclusões obtidas, utilizou-se como metodologia a aplicação de uma pesquisa
qualitativa com questionários e entrevistas na empresa do gesso, tanto com seus colabora-
dores como com o gestor da empresa para o levantamento de dados que possa ser mostrado
a fim de haver uma educação e conscientização destes profissionais quanto a sua segurança
no trabalho e aplicação de questionário para obter conhecimento aprofundado das estatís-
ticas e doenças ocupacionais nos órgãos como o Sindicato, INSS, AGU (Procuradoria do RN) e
CEREST. Com isso, foi averiguado que a empresa não está atuando de forma eficaz quando diz
respeito à segurança e saúde dos seus trabalhadores. Onde a mesma não possui um sistema
de gestão de segurança eficiente devido à falta de informação e de fiscalização dos órgãos
competentes. Já outro fator de extrema relevância é a falta de um sindicato que possa reivin-
dicar os direitos e fiscalizar empresas não cadastradas quanto à esfera trabalhista.

Palavras-chave

Segurança, Legislação, Profissional do Gesso, Empresa


75

1. INTRODUÇÃO rança dos gesseiros, capacitando os cola-


boradores com treinamentos. Outro fator
A importância de estudos na área da Cons- chave é identificar os riscos gerados pela
trução Civil ligado a esfera da segurança utilização do gesso e analisar o estudo
do trabalhador encontra-se ainda escasso. sobre a principal causa dos acidentes de
Apesar de ser uma atividade que está trabalhos propondo medidas de prevenção
presente no progresso do homem desde para reduzir os riscos.
tempos remotos. Uma atividade que está
ligada ao setor da Construção Civil que Através deste estudo, vale ressaltar que

deve ser observada por ser geralmente para se obter o resultado proposto será

um serviço terceirizado, como exemplo é o preciso haver medidas de segurança na

profissional do gesso. profissão do gesseiro, verificação dos


fatores que proporcionam maiores índices
O gesso é um material utilizado desde de acidentes e doenças ocupacionais com
período neolítico, foi aplicado em a utilização do gesso, as suas conseqüên-
paredes interiores de algumas pirâmides cias que podem trazer prejuízos internos
egípcias, com cerca de 5000 anos atrás. e externos para a organização por cola-
A partir do século XIX foi incorporado ao boradores envolvidos em acidente, como
contexto da arquitetura civil como mate- também a legislação que rege a profissão
rial de reboco, forro, como elemento do gesseiro. Demonstrando assim a
decorativo e de vedação. importância da prática prevencionista nos
ambientes de trabalho.
Na profissão do gesseiro a atual realidade
enfrenta dificuldades para se obter com Para reduzir os números de acidentes e
êxito a segurança dos seus trabalhadores de vítimas a política de segurança pres-
envolvidos, pois não há o devido reconhe- supõe a elaboração e a conseqüente reali-
cimento da profissão e bases legislativas zação de um programa de gerenciamento
para o embasamento legal da profissão. de acidentes com medidas preventivas
Além da falta de comprometimento por e educativas, envolvendo todas as ativi-
parte dos empregadores e órgãos fiscaliza- dades necessárias para atingir o objetivo
dores competentes, assim os empregados preestabelecido que é analisar as ques-
ficam desamparados. Que medidas tomar tões que envolvem a segurança e saúde a
para evitar os impactos dos acidentes e fim de gerar prevenção de acidentes nas
das doenças ocupacionais sofridos pelos empresas que utilizam a mão de obra
profissionais do gesso das empresas desses operários terceirizados.
terceirizadas. Dentre estas será preciso
oferecer boas condições de trabalho com A pesquisa realizada para a execução deste

períodos de descanso durante a jornada artigo será feita através de um estudo de

de trabalho. Como também adotar proce- caso com visita “in loco” em uma empresa

dimentos preventivos sobre saúde e segu- na cidade de Mossoró/RN, que tem por

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


76

finalidade verificar os procedimentos da No séc. XIX, o gesso vai progressivamente


gestão, a conformidade quanto a legis- se incorporando ao contexto da arquite-
lação vigente e se há uma visão prevencio- tura civil como material de reboco e/ou
nista dos gestores e empregadores. como elemento decorativo em palácios
e vivendas. Hoje em dia o gesso genera-
Será verificado os documentos da empresa
lizou-se como material fundamental na
com a legislação vigente da segurança na
construção, principalmente utilizado para
construção civil- NR 18, como também apli-
acabamentos e revestimentos. Portanto
cação de questionário sistemático aos cola-
as suas propriedades servem como
boradores para demonstrar se a empresa
obtenção de uma qualidade de vida no
fornece treinamento para prevenção dos
âmbito social e para isso é importante
acidentes e entrevista não sistematizada
verificar a prevenção da saúde daqueles
aos gestores. Serão aplicados também
que executam os trabalhos com gesso,
questionários para obter conhecimento
[...] a saúde passa não apenas pelo corpo,
aprofundado das estatísticas e doenças
mas também pela mente e, ainda, pelo
ocupacionais nos órgãos como o Sindicato
ambiente (MORATO, 2003).
da Construção Civil da cidade de Mossoró/
RN, INSS (Instituto Nacional do Seguro No nordeste o Rio Grande do Norte foi o
Social), AGU (Advocacia Geral da União) e pioneiro no Brasil na produção de gipsita
CEREST do Rio Grande do Norte (Centro e gesso por quase vinte anos, a posição de
de Referência em Saúde do Trabalhador) maior produtor nacional. Em 1960, Pernam-
objetivando servir como instrumento buco assumiu essa posição com cerca
norteador para elaboração de Manual de de 93% da produção nacional de gipsita.
Segurança na prática da prevenção do (Departamento nacional de produção
gesseiro e como instrumento para diversas mineral, 2005), a economia da microrregião
pesquisas e estudos sobre o assunto. Araripina, tem grande destaque a produção
de gesso - no Pólo Gesseiro do Araripe, que

2. DESENVOLVIMENTO compreende os municípios de Araripina,


Ipubi, Trindade, Bodocó e Ouricuri. Neste
pólo é produzido 95% do gesso consumido
2.1 HISTÓRICO DA
em todo o Brasil. A maioria do gesso reti-
ATIVIDADE DO GESSO
rado das jazidas do pólo gesseiro é tratado
A história do gesso vem ressaltar a neces- em Araripina, cidade mais desenvolvida, rica
sidade do homem para o seu desenvol- e importante da microrregião. A segunda
vimento tanto tecnológico e social. Não cidade em importância é Ouricuri, com
sabe-se ao certo o período da sua geração, posição estratégica na malha viária. Outro
porém é utilizado para diversos fins, como: polo de destaque nacional é no municipio
decorações do ambiente, na utilização de Grajaú, no estado do Maranhão.
medicinal, e também na alimentação.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


77

2.2 DESCRIÇÃO DA sição segundo a Universidade Federal de


ATIVIDADE Santa Catarina,

A profissão do gesseiro é regulamentada As características do gesso encon-


pelo Ministério do Trabalho e Emprego- tra-se como um material branco, fino;
-MTE com o CBO (Classificação Brasileira que quando entra em contato com
de Ocupações) número 9-55.20, onde agua passa por um processo de reação
possui como título Gesseiro. química chamada de reação exotér-
mica, que libera calor para o meio, a
De um modo geral, para fazer a apli- sua produção se da pela mineração e
cação de gessos e revestimentos de calcinação da gipsita, mineral natural
tetos e paredes, os gesseiros costumam produzido pela evaporação dos mares,
seguir orientações especificadas em estando presente em toda superfície
projetos de decoração. Moldar, recortar terrestre. A sua extração, não gera resí-
e instalar painéis e objetos ornamentais duos tóxicos e pouco requer interferên-
em gesso são atividades que refletem o cias na superfície terrestre. As proprie-
dia-a-dia de trabalho desses profissio- dades especificas do gesso são: elevada
nais. Para desenvolver essas atividades plasticidade da pasta; finura equivalente
utilizam ferramentas como espátulas, ao cimento; pequeno poder de retração
pincéis ou pistolas. Além disso, aplicam na secagem e estabilidade volumétri-
produtos impermeabilizantes e decora- ca;garantem desempenho satisfatório
tivos em superfícies exteriores de edifi- quando utilizado como aglomerante na
cações. Muitas vezes, criam texturas fabricação de premoldados ou aplicado
decorativas de acabamento, utilizando como revestimento; funciona como
areia ou pedras, (Almanaque de Profis- inibidor de propagação de chamas,
sões, SENAI). liberando moléculas d’água quando em
contato com o fogo.
Na atividade desse profissional descrita
é de extrema necessidade o uso do EPI A utilização do gesso fica restrita a
(Equipamento de Proteção Individual), ambientes interiores e onde não haja
para proteger toda a mão de obra, para ser contato direto e constante com água, e
eficaz é preciso a conscientização, através desde que se considere certos cuidados,
de treinamentos. tais como: diminuição da resistência com
o grau de umidade absorvida; a solubi-
2.3 COMPOSIÇÃO QUÍMICA lidade e lixiviação com a percolação de
DO GESSO água constante.

O gesso é um produto químico utilizado


constantemente nas obras, para deco-
ração, móveis, entre outros. A sua compo-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


78

2.4 RISCOS DA ATIVIDADE

Descrição

Norma Regulamentadora – 9 Esta Norma Regulamentadora – NR estabelece a obrigatoriedade da elabo-


ração e implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores
como empregados, do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA, visando à preservação da
saúde e da integridade dos trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e consequen-
temente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de
trabalho, tendo em consideração a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais. Os riscos de acordo
com a Norma regulamentadora 9, defini-se:

Risco Ergonômico- Qualquer fator que possa interferir nas características psicofisiológicas do trabalhador,
causando desconforto ou afetando sua saúde. São exemplos de risco ergonômico: o levantamento de peso,
ritmo excessivo de trabalho, monotonia, repetitividade, postura inadequada de trabalho, etc.

Risco Acidente- Qualquer fator que coloque o trabalhador em situação vulnerável e possa afetar sua inte-
gridade, e seu bem estar físico e psíquico. São exemplos de risco de acidente: as máquinas e equipamentos
sem proteção, probabilidade de incêndio e explosão, arranjo físico inadequado, armazenamento inade-
quado, etc.
Risco Químico- Consideram-se agentes de risco químico as substâncias, compostos ou produtos que
possam penetrar no organismo do trabalhador pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos gases,
neblinas, névoas ou vapores, ou que seja, pela natureza da atividade, de exposição, possam ter contato ou
ser absorvido pelo organismo através da pele ou por ingestão.

Fonte: Manuais de Legislação ATLAS: Segurança e Medicina do Trabalho (2006)

Para o desenvolvimento da atividade os pelo próprio ambiente, como: quedas,


profissionais atuam em posições que preju- choque violento em materiais, e outros.
dicam seu corpo, com movimentações
Os principais vilões da saúde nos ambientes
bruscas, posturas inadequadas, carrega-
de construção civil são as tintas, vernizes,
mento de pesos excessivos, e vários outros
colas, areia, cimento, cal, gesso e produtos
fatores que influenciam o aparecimento
químicos em geral. Por isso, esses mate-
de doenças ocupacionais relacionadas
riais devem ser manipulados com muito
ao risco ergonômico, tais como: DORT,
cuidado, de preferência em locais abertos
lombalgias, escoliose, dores abdominais,
e bem ventilados.
hérnias de disco, dentre outras.

Nos canteiros de obras os riscos de acidentes 2.5 LEGISLAÇÃO VIGENTE


são eminentes, que tais danos podem ser DA PROFISSÃO DO
fatais, desta forma, as técnicas e normas GESSEIRO
de segurança devam ser respeitadas, e
assim minimizar os riscos, ainda, mantendo Nos dias atuais trabalhar diariamente
o ambiente bem organizado, limpo. As expõe o profissional a variados riscos,
consequências da não salubridade de um desde Revolução Industrial que foi o marco
ambiente são o aparecimento das doenças para que a legislação trabalhista fosse, mas
ocupacionais, que podem ser ocasionadas rigorosa e houvesse uma preocupação da

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


79

segurança e saúde do trabalhador. resíduos sólidos. Para atender a lei 6.514


o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)
A Constituição de 1988 foi bastante signi-
publica as normas regulamentadoras (Lei
ficativa juridicamente para a área do
3.214/78) que trata da segurança saúde no
trabalho, pois a partir da criação de leis e
trabalho. Assim, fortalecendo a prevenção
normas, os trabalhadores passaram a ter
de acidentes nas atividades laborais.
direito a saúde, higiene e segurança reco-
nhecidos. Apesar da criação da PNSST A NR que trata da atividade da Construção
(Política Nacional de Segurança e Saúde do Civil é a NR-18 (Condições e Meio Ambiente
Trabalhador), CLT (Consolidação das Leis de Trabalho na Indústria da Construção),
Trabalhista) e das NR’s (Normas Regula- que estabelece diretrizes para tornar o
mentadoras) buscarem oferecer ao traba- ambiente de trabalho das empresas salu-
lhador melhores condições de saúde e bres, nesta norma entra o profissional do
segurança, as mesmas não são suficientes gesso, em que empresas da Construção Civil
para eliminação dos riscos causados pelas são co-responsáveis pela prevenção destes
profissões, deverá ser levado em conta profissionais. Sendo obrigatório o forne-
o tempo para descanso, os relaciona- cimento dos EPI’s que é tratada na NR-6
mentos no ambiente de trabalho, além da (Equipamento de Proteção Individual-EPI)
educação envolvendo todos na empresa, e a minimização ou eliminação dos riscos
podendo assim minimizar riscos/causas existentes de acordo com a NR-9 (Programa
que promovem acidentes. de Prevenção de Riscos Ambientais).

A lei nº 98/2009 de 10 de setembro regula- Na CLT no art. 581, § 2º dispõe que se


menta o regime de reparação dos acidentes entende por atividade-fim a que caracte-
de trabalho e das doenças profissionais. rizar a unidade do produto, operação ou
(De acordo com o previsto no artigo 284º objetivo final, para cuja obtenção todas
do Código do Trabalho– Lei nº 7/2009, de as demais atividades convirjam exclusiva-
12 de Fevereiro), vem ressaltar a impor- mente em regime de conexão funcional.
tância de empresas da Construção Civil de O conceito do empregador contido na CLT
atuar com responsabilidade na prevenção em seu Art. 2º. Considera-se empregador
dos acidentes de trabalho. a empresa, individual ou coletiva, que,
assumindo os riscos da atividade econô-
Outro ponto a ser observado é com relação
mica, admite, assalaria e dirige a pres-
à geração dos resíduos nas empresas que
tação pessoal de serviços. Nesse artigo dá
de acordo com a Resolução 307 do Conselho
a garantia de que a empresa que contrata
Nacional do Meio Ambiente torna obriga-
serviços terceirizados, o mesmo está
tório a responsabilidades das empresas
acobertado perante lei, de qualquer even-
da Construção Civil de gerenciar estes
tualidade que possa acontecer no âmbito
resíduos. O gesso entra nesse ponto, pois
de trabalho.
há grande quantidade da geração desses

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


80

3. METODOLOGIA vigente da segurança na construção civil-


NR 18, como também aplicação de ques-
Este trabalho será desenvolvido através de tionário sistemático aos colaboradores
pesquisa bibliográfica em livros, revistas para verificar se a empresa fornece treina-
e artigos, para obter o conhecimento mento para prevenção dos acidentes.
aprofundado na prevenção de acidentes
e doenças Ocupacionais adquiridas na Portanto o foco do estudo é fazer uma
profissão do gesseiro. investigação das causas e conseqüên-
cias dos acidentes com ou sem afasta-
O objetivo de se aprofundar no tema mento desses profissionais terceirizados e
proposto foi avaliar as condições atuais da propor uma proposta de conscientização
empresa sobre o direcionamento preven- e educação prevencionista no âmbito da
cionista da mesma, como também verificar segurança dos trabalhadores envolvidos
através dos órgãos como: INSS, sindicato da nesta atividade.
Construção Civil de Mossoró/RN, CEREST
(Centro de Referência e Saúde do Traba-
4. RESULTADOS E
lhador) no período de 07/09/11 a 30/09/11
DISCUSSÕES
de como se encontra atualmente a saúde
destes trabalhadores na cidade de Mossoró/ A segurança do trabalho tem sido um dos
RN. No período de 10/10/11 a 14/10/11 principais temas de interesse das empresas
haverá a realização de uma visita “in loco”, na nos dias atuais, especialmente em função
empresa do ramo do gesso para aplicação da visão de gestores e fiscalização dos
de questionários referente à satisfação da órgãos competentes do trabalho. Na ativi-
política de gestão de segurança e saúde no dade do gesseiro de acordo com entre-
ambiente de trabalho e se há um sistema de vistas no INSS, o Sindicato da Construção
gerenciamento de risco, como também uma Civil-RN e do Cerest, não há dados estatís-
gestão participativa que é de fundamental ticos relacionados a profissão do gesseiro
importância para levantamento de dados versus acidentes e doenças ocupacionais.
estatísticos. Como também, questionário Isto revela um grave problema social e
sistemático para avaliar o grau de escolari- principalmente na segurança deste traba-
dade e o conhecimento sobre os riscos exis- lhador, quando deve ser necessário rever
tentes na profissão. Haverá a realização de a fiscalização e oferecer melhorias na ativi-
uma entrevista não-estruturada ao gestor, dade e segurança do profissional.
para entender o conhecimento e procedi-
mento que é realizado no ambiente laboral A pesquisa foi realizada em uma micro

com os colaboradores relativos à segurança empresa familiar, localizada na cidade de

no trabalho. Mossoró/RN, que presta serviços de reves-


timento interno em gesso para grandes
Outro ponto a ser analisado será os docu- empresas construtoras. Possui em seu
mentos das empresas com a legislação quadro de 35 funcionários registrados,

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


81

sendo um diretor administrativo e um dados da idade podemos perceber que os


gerente geral e que poderá ser sujeito ao trabalhadores desta atividade é relativa-
dobro a depender da demanda. Dentre mente baixa, pois o gráfico apresenta resul-
esses, foram selecionados uma amostra tado de 29% e 39% a faixa etária maior. O
composta por 28 trabalhadores com faixa gráfico 1 abaixo representa os dados acima
etária entre 19 a 41 anos. Na coleta de apresentados dos entrevistados.

Gráfico 1 - Faixa Etária dos Entrevistados

Conforme resultados do questionário apli- profissionais e principalmente a falta de mão


cado na empresa, em relação ao tempo de obra qualificada neste setor. O gráfico 2
de trabalho na empresa, mostraram que a abaixo representa em dados coletados as
maioria de 71% está em torno de 1 mês a respectivas porcentagens das respostas dos
1 ano. Isso revela uma rotatividade na qual 28 colaboradores entrevistados.
é bastante preocupante para o setor destes

Gráfico 2 - Tempo de Serviço na Empresa

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


82

A participação dos colaboradores em trei- de doenças ocupacionais que possam surgir


namentos com o propósito de assegurar no decorrer da atividade, principalmente
a saúde e integridade física é de extrema por ser uma ligada aos agentes químicos,
importância. O questionário aplicado podendo acarretar doenças respiratórias
mostra que os hábitos associados à ativi- e no pulmão chegando a óbito, de acordo
dade há ainda um índice alto de fumantes com o gráfico 3.
com 43%, isso podendo agravar o quadro

Gráfico 3 - Tabela dos Fumantes

No gráfico 4 se observa que a atividade ergonômico, onde há 86% de queixas dos


desempenhada após a jornada de trabalho trabalhadores relacionado a dores muscu-
pelo gesseirooferece risco físico, ergo- lares, isso se deve a falta de preparação
nômico e de acidente. Sendo o principal física e de como deve agir no meio laboral.
apresentado pela coleta de dados o risco

Gráfico 4 - Risco Ergonômico (Dores Musculares)

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


83

A empresa visitada oferece recursos para 9 (riscos ambientais). Constatou-se que


aquisição de equipamentos de proteção os trabalhadores possuem uma grande
individual (EPI), sendo que não está de deficiência de informação, motivação e
acordo com as recomendações das normas treinamento nas áreas de saúde, segu-
regulamentadoras 6 (equipamento de rança do trabalho e meio ambiente. Cabe
proteção individual), a análise crítica do a empresa melhorar nestes pontos para
planejamento das atividades quanto aos garantir a melhoria contínua do ambiente
aspectos ambientais, de segurança e de de trabalho. No gráfico 5 abaixo os dados
saúde ocupacional, inexiste como prática apontam que 64% dos entrevistados
gerencial na empresa analisada, onde não recebem os EPI’s, sendo que 36% recebem
há documentação, como o PPRA- Programa mas não totalmente e de acordo com a
de Prevenção de Riscos Ambientais exigido norma vigente.
de acordo com a norma regulamentadora

Gráfico 5 - Fornecimento do EPI (Equipamento de Proteção Individual)

De acordo com entrevista ao gestor da fiscalizar e proporcionar melhorias na


empresa, a falta de fiscalização, de um qualidade de vida dos profissionais.
sindicato do gesso e regulamentação
Portanto de acordo com os resultados apre-
trabalhista de várias empresas que atuam
sentados nas entrevistas e questionários
no mercado de trabalho na cidade de
aplicados a esses profissionais, há o desco-
Mossoró/RN a profissão do gesseiro apre-
nhecimento de normas vigentes de leis
senta fatores problemáticos como: direitos
sobre a profissão do gesso, na convenção
humanos fundamentais e auxílio doença,
coletiva do sindicato da construção Civil
com isso gerando o risco na saúde e segu-
não é citado o profissional gesseiro, e não
rança destes envolvidos. A sugestão levan-
há dados estatísticos sobre acidentes com
tada pelo entrevistado foi de que deveria
ou sem afastamento relacionado a essa
implantar um sindicato do gesso para
função. Então revela a ausência da apli-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


84

cação da norma regulamentadora 18, e leis determinado ambiente da Construção Civil,


vigentes no âmbito da segurança e saúde portanto, para que possa haver o objetivo
do trabalhador. proposto por este artigo é de fundamental
importância a obrigação coletiva e indis-

3 CONSIDERAÇÕES tinta de melhorias e implantação de metas

FINAIS para que possa ser alcançada.

Os resultados obtidos neste trabalho O modo como se procedeu à escolha do

permitiram chegar à conclusão que a utili- tema desta pesquisa foi à inserção dos

zação do gesso não é algo contemporâneo, estudos aos procedimentos utilizados com

pois desde período neolítico já se traba- relação à segurança e saúde dos profis-

lhavam como material de reboco e/ou sionais do gesso. Verifica-se que há uma

elemento decorativo, por isso deve haver escassez na prevenção e na segurança dos

melhorias na atividade, na saúde e bem funcionários, gerando assim receios aos

estar destes profissionais. riscos da exposição dos produtos químicos


utilizados apresentando doenças ocupa-
O trabalho é normalmente um dos meios cionais, quanto ao trabalho em obras da
pelos quais o homem alcança melhores construção, podendo ocasionar acidentes
condições de vida e a sua qualidade de graves. O contexto trata da regulamen-
vida sofre um reflexo direto das condições tação trabalhista, em que possa gerar uma
do local de trabalho, onde se desenvolve solução a ser utilizada posteriormente
uma grande parte de sua existência. O pelas empresas do gesso, que geralmente
ambiente de trabalho quando é salutar são terceirizadas. As possíveis contribui-
e utiliza a segurança adequada, propor- ções deste resultado servem para o conhe-
ciona resultados satisfatórios daquilo que cimento humano onde produz a conscien-
se produz e para a saúde daqueles que ali tização que ocorrem vários problemas
trabalham. Assim, percebe-se que a quali- dentro desta atividade, relacionados à falta
dade de vida tem um caráter fundamental da capacitação de profissional, uso inade-
para atingir a qualidade total. Desperta- quado de equipamentos, noções básicas
ram-se as atenções para a proteção da de higienização e procedimentos corretos
saúde do trabalhador em seu ambiente de no uso dos EPI’s.
trabalho devido a coleta de dados colhidos.
Para haver uma diminuição dos impactos
Atividades não inspecionadas e desacober- sociais e na esfera da segurança no trabalho
tadas pela esfera trabalhista pode provocar será necessário um controle dos riscos
algum tipo de risco à saúde daqueles que ambientais nas empresas, treinamentos,
as exercem, seja por efeitos patogênicos fiscalização e principalmente a conscien-
ou por acidentes, o que algumas vezes tização de que a segurança é a melhor
pode ser fatal. O controle desses riscos é maneira de eliminar os acidentes que
do interesse de todos que freqüentam um possam ocorrer com seus colaboradores.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


85

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zonte: Inédita, 2003.

[9 ]. MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO
NACIONAL. Diagnóstico Energético do
Setor Industrial do polo gesseiro da Meso

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


APLICAÇÃO DA ANÁLISE
ERGONÔMICA DO
TRABALHO (AET) EM
UMA MULTINACIONAL
DO SETOR CALÇADISTA:
APRIMORANDO A
GESTÃO DE MATERIAIS

Yuri Laio Teixeira Veras Silva


Claudiana Pereira Batista

RESUMO
O presente artigo teve como objetivo aplicar a análise ergonômica do trabalho, com base
nas conceituações teóricas da literatura em questão, em um almoxarifado de produtos
químicos de uma multinacional produtora de calçados. Para tanto, forram realizadas
diversas observações sistemáticas e entrevistas com funcionários da empresa, principal-
mente com o funcionário responsável pelo setor estudado, assim como observações não
sistemáticas, buscando melhor mapear o processo realizado. Os dados coletados foram
tratados com o auxílio do Microsoft Excel e do software Google SketchUP. Por fim, foi detec-
tado que os principais problemas relatados a partir de uma demanda gerencial da empresa,
são provenientes de um layout mal projetado, que acarreta na não realização do FIFO dos
materiais, ocasionando desperdícios de materiais e atrasos na produção.
87

1. INTRODUÇÃO os eventuais atrasos na produção e com


as dificuldades de processos encontradas
No atual cenário de globalização, a preo- pelo funcionário responsável pelo setor.
cupação com os fatores ergonômicos vem
ganhando uma maior atenção no decorrer
2. REFERENCIAL
dos anos (ABERGO, 2013). Os postos de
TEÓRICO
trabalho estão sendo cada vez mais plane-
jados e desenvolvidos a partir das neces- A ergonomia estuda o cotidiano do homem
sidades dos operários envolvidos em seu em seu trabalho ao realizar suas tarefas
ambiente. Por ter uma visão multidisci- e atividades rotineiras. (FALZON, 2006)
plinar, a ergonomia faz com vários setores Segundo Vidal (2008) ela busca solucionar
das organizações sejam contemplados desequilíbrios relacionados ao homem e
com os benefícios da análise ergonômica às suas ferramentas na produção de um
do trabalho de forma mais completa e determinado bem ou serviço, para o seu
eficaz. (IIDA, 2002). melhor funcionamento.

A empresa objeto de estudo é uma multina- Segundo a descrição proposta pela Abergo
cional de grande porte, privada, de capital (2013), a área de ergonomia visa modi-
aberto, com sede em São Paulo e possuem ficar os sistemas dos postos de trabalho,
14 unidades de produção no Brasil e uma buscando adequar tais atividades nele exis-
na Argentina. A justificativa para o artigo tentes às habilidades, necessidades e limi-
advém de vários problemas ocorridos tações dos trabalhadores que estão envol-
no setor que vão desde materiais organi- vidos nelas, com vista a um desempenho
zados fora dos locais adequados, paletes eficiente, confortável e seguro. Pode ser
e estantes, por esses locais estarem com afirmado, portando, que a ergonomia visa
sua capacidade esgotada, e vai até mesmo entender as interações entre as pessoas e os
a elevados índices de vencimento de tintas aspectos que envolvem um sistema, assim
que são ocasionados pela não realização como a aplicação dos conhecimentos desta
do FIFO (traduzido do inglês, primeiro a pertencidos, no que tange seus princípios
entrar, primeiro a sair), levando em conse- e métodos a serem utilizado, auxiliando no
quência a possíveis atrasos na produção desenvolvimento de projeto, otimizando,
por falta dessas matérias primas. principalmente, o bem-estar humano e o
desempenho geral de um sistema (VIDAL,
O artigo tem como objetivo realizar a
2008; RAMOS et. al., 2011).
análise ergonômica do trabalho para iden-
tificar os possíveis problemas que são A Análise Ergonômica do Trabalho (AET),
acarretados pela ineficácia do layout atual metodologia utilizada nesse artigo,
existente no almoxarifado de produtos compreende um conjunto de análises
químicos, comprovando sua relação com globais, sistemáticas e intercomplemen-
os índices de desperdícios de tintas, com tares que possibilitam a modelagem

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


88

da situação de trabalho (VIDAL, 2008; 3.1. ANÁLISE GLOBAL


SALDANHA, 2012). Ademais, são sugeridas
as etapas: instrução das demandas, mode- A empresa objeto de estudo é uma multi-
lagem da atividade e projeto de soluções. nacional de grande porte, privada, de
Nesse contexto, o método de instrução capital aberto, com sede em São Paulo
das demandas foi baseado na construção e possuem 14 unidades de produção no
social, proposta por Saldanha (2010), utili- Brasil e uma na Argentina, e exportando
zando-se de técnicas interacionais (ação seus produtos para serem comerciali-
conversacional, verbalizações espontâ- zados em mais de 80 países.
neas), de questionário, de técnicas observa-
O registro ambiente global foi realizado
cionais (observações abertas da realização
com base nos dados coletados através de
das tarefas e dos sistemas de informação
conversas informais junto com o coorde-
associados) e de pesquisas bibliográficas.
nador do almoxarifado, o gerente de enge-
nharia industrial e o gerente de planeja-
3. MÉTODO APLICADO mento e desenvolvimento da fábrica, além
de observações não sistemáticas feitas em
A análise ergonômica do trabalho
alguns momentos na empresa, como no
compreende quatro fases: análise global,
setor de controle da qualidade, na área de
análise da demanda, análise da tarefa e
aviamento (onde os produtos são enviados
análise das atividades, que, de acordo
após serem transformados), nos labora-
com Fialho (2007), devem ser abordadas
tórios, entre outros setores. Através das
nessa sequencia para que possa ilustrar
conversas realizadas foi possível elaborar
e garantir uma coerência metodológica,
o fluxograma do ciclo de produção
acarretando em uma melhor compre-
completo da empresa, no qual, em geral,
ensão do ambiente estudado e das possí-
é necessário os produtos passarem por
veis ações a serem indicadas.
três fábricas (João Pessoa – Satélite – Santa
De acordo com Guérin et. al. (2001), a Rita) até que sejam completamente finali-
análise ergonômica do trabalho pode ser zados e enviados aos clientes.
dividida em três grandes etapas, são elas:
A realização do registro da parte que
_ Conhecimento e mapeamento do envolve o setor de uma maneira geral teve
funcionamento da empresa (instrução da como principais atividades, frequentes
demanda ergonômica) e elaboração do medições no posto de trabalho para
pré-diagnóstico; elaborar o layout do local, além das obser-
vações das áreas que não existem fisica-
_ Observações da atividade de trabalho; mente, mas devem ser levadas em conta na
elaboração do template do local. Com base
_ Elaboração do diagnóstico e do plano de
em observações feitas nas diversas áreas
implantação.
da fábrica, foi possível elaborar o fluxo-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


89

grama das matérias-primas no processo e sendo comprados materiais em excesso


registrar, de forma detalhada, o processo e e, mesmo assim, ocorria de ter materiais
as operações realizadas na fábrica. sendo descartados por ultrapassarem o
prazo de validade.
De maneira geral, os dados foram cole-
tados por meio de observações sistemá- Dessa forma, com base na demanda
ticas e alguns através de observações não gerencial apresentada, e nas observações
sistemáticas durante a rotina diária do realizadas acerca do setor e mostradas no
funcionário, juntamente com dados cole- tópico anterior, foi construída a seguinte
tados através de entrevistas com funcio- demanda: (Próxima página)
nários de diversos setores da empresa,
buscando melhor compreender o processo 3.3. ANÁLISE DAS
e as pessoas que estão envolvidas nele, ATIVIDADES
com o objetivo de registrar de forma clara
e sucinta o setor objetivo de estudo e o A etapa micro do trabalho (que envolve
ambiente no qual está inserido. as atividades propriamente dita do traba-
lhador responsável pelo setor estudado)
Para realização do presente trabalho, foi registrada através de medições antro-
se fez necessária ainda a utilização dos pométricas, cronológicas e de distancias
softwares Microsoft Excel, Google Sket- percorrida, além de conversas informais
chUp e AutoCad como auxílio para melhor e registros fotográficos com o funcionário,
mapear os arranjos físicos e o fluxograma que possibilitaram tanto uma melhor
da empresa de modo geral e outras infor- análise de suas atividades, como uma
mações importantes que serão observadas construção dos fatores psicossociais que
no decorrer do artigo. o envolvem em seu ambiente de trabalho.
Foi realizada ainda, uma entrevista com
3.2. INSTRUÇÃO / o funcionário, buscando compreender a
CONSTRUÇÃO DA relação entre os fatores psicossociais de
DEMANDA SELECIONADA / seu trabalho com as situações observadas
NEGOCIADA no processo.

A demanda do presente estudo partiu


de uma demanda gerencial, na qual
3.3.1. ANÁLISE FOCAL E
foram identificados diversos problemas
PRÉ-DIAGNÓSTICO
decorrentes do setor estudado, e soli- A análise foi feita através de observações
citado um estudo no almoxarifado de no ambiente físico (layout) e nas atividades
químicos buscando identificar e propor- desempenhadas pelo funcionário. Primei-
cionar uma solução de melhoria no ramente, foi possível observar que o local
que tange os desperdícios que estavam apresenta muitos materiais fora dos locais
sendo gerados, uma vez que não estavam adequados de armazenamento (estantes e

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


90

Figura 1 - Demanda do setor estudado

Materiais
fora do local
adequado de
armazena-
mento

Fonte: Elaborado pelos autores (2013)

paletes), o que atrapalha bastante a movi- 3.3.2. ANÁLISE FOCADA E


mentação do funcionário dentro do setor DIAGNÓSTICO ÓSTICO
e o fluxo de abastecimento e retirada dos
materiais, por muitas vezes estes materiais Por se tratar de um setor simples, uma vez
estarem obstruindo o acesso a outros. que a única atividade do almoxarifado é de
armazenamento das matérias primas, e,
considerando que o trabalho partiu de uma
demanda gerencial, não houve dificuldade

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


91

com relação ao que seria analisado no nário ou grupo de acompanhamento. Por


almoxarifado. Como o trabalho partiu de fazer parte da evolução e desenvolvimento
uma premissa de que deveriam ser averi- do trabalho, do ponto de vista acadêmico
guados os possíveis motivos que estariam houve um acompanhamento da profes-
levando o setor a um alto índice de desper- sora orientadora do presente trabalho.
dícios de tintas, foi necessário realizar O funcionário responsável pelo setor de
observações no local, principalmente com produtos químicos representa o grupo de
relação às atividades desempenhadas pelo foco primário, enquanto o analista respon-
funcionário, e percepção dos problemas sável pelas compras desses materiais
ocasionados pelo layout mal elaborado. representa um grupo de foco secundário.
Através de observações não sistemáticas O grupo de suporte pode ser descrito
e conversa informal com o funcionário como o supervisor do setor, responsável
responsável pelo setor, foi possível traçar por impor a demanda observada, além da
o trabalho real do funcionário, já descrito professora orientadora da disciplina.
em uma etapa anterior no trabalho, e
O funcionário responsável pelo setor foi
constatar que todos os problemas obser-
responsável por esclarecer suas ativi-
vados na demanda do trabalho envolvem
dades diárias, dificuldades nos processos
diretamente o layout do local.
e maneira como é feito o armazenamento
Foram realizadas ainda conversas informais e envio dos materiais, sendo todos esses
com funcionários do setor de produção da fatores sidos detalhados anteriormente
empresa, buscando coletar informações no presente trabalho. Com relação às
sobre possíveis atrasos em decorrência da interações realizadas com o analista de
falta de tintas no estoque. Através de dados almoxarifado responsável pelas compras
coletados junto ao supervisor do almoxari- das matérias primas do almoxarifado de
fado da empresa, foi possível identificar as produtos químicos, foi possível constatar
despesas ocasionadas por desperdícios de que o mesmo não apresenta dificuldades
tintas, que ocorreram em função de ultra- na realização das compras, pois há uma
passarem o prazo de validade. variação muito baixa nesses volumes, e
que é planejada com eficácia pelo sistema

3.3. CONSTRUÇÃO SOCIAL de MRP da empresa, sem nenhuma diver-


gência. Houve ainda algumas conversas
O trabalho foi realizado sem nenhum grupo informais com diversos membros da
de acompanhamento direto da empresa, empresa apenas para melhor ilustrar o
pois, por se tratar de uma demanda vinda ambiente no qual o setor está inserido e
da própria gerência, e de que o respon- quais são suas atividades, mas nenhum
sável pela realização do trabalho (eu) já ser fator relacionado diretamente com almo-
funcionário da empresa, mais especifica- xarifado propriamente dito em estudo.
mente desse mesmo setor, a empresa não Abaixo é apresentada de forma mais clara
julgou necessário nenhum outro funcio- como se deu a construção social:

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


92

Figura 2 - Construção social na análise

Fonte: Elaborado pelos autores (2013)

4 RESULTADOS fábricas menores responsáveis apenas por


realizarem as costuras que formarão os
4.1. CARACTERIZAÇÃO DA cabedais, parte superior dos calçados. Logo
EMPRESA após, os cabedais produzidos nas fábricas
satélites são enviados para a fábrica de
A fábrica estudada é uma das unidades de
Santa Rita. A montagem final é realizada na
produção da empresa e está localizada na
fábrica de Santa Rita, onde na própria fábrica
cidade de João Pessoa – PB, atuando no
já é produzida a sola de todos os tipos de
setor calçadista e de artigos esportivos,
calçados da empresa, e, juntamente com
tendo como principais clientes grandes
os cabedais que são enviados das fábricas
distribuidoras de calçados.
satélites, é realizada a montagem final do
A empresa tem uma produção dividida calçado, em várias unidades produtivas
e direcionada em vários locais. De modo em formato celular. O fluxograma abaixo
geral, a matéria-prima é cortada nas mostra, de forma resumida, como funciona
medidas padrões em João Pessoa, após o processo de produção da empresa no
isso, é enviada às fábricas satélites, que são estado da Paraíba:

Figura 3 - Ciclo produtivo dos produtos

Fonte: Elaborado pelos autores (2013)


Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco
93

4.2. CARACTERIZAÇÃO DO extenso. Dessa forma, para efeito de


SETOR melhor visualização do ambiente no qual
o funcionário estudado está inserido, é
Por se tratar de uma empresa de grande apresentado abaixo um organograma do
porte, apresentar o organograma completo setor de almoxarifado da fábrica, no qual o
se torna uma tarefa muito complexa, já funcionário está diretamente inserido.
que seu quadro de funcionários é muito

Figura 4 - Organograma do setor de almoxarifado da fábrica

Fonte: Elaborado pelos autores (2013)

O setor de almoxarifado é composto por serão enviados à produção.


cinco analistas de compras, responsáveis
O fluxograma a seguir mostra os setores
por fazer as compras dos materiais de
por onde passam os materiais, desde sua
acordo com a programação do sistema da
chegada através do fornecedor, até sua
empresa, em seu devido prazo.
transformação no produto final (neste caso,
Um supervisor, com a missão de gerir a o produto final será a matéria-prima das
equipe do almoxarifado para que sejam fábricas satélites). Foi elaborada com base
alcançados os planejamentos, e, por fim, na simbologia da Sociedade Americana de
oito auxiliares de almoxarifado, sendo um Engenharia Mecânica (do inglês, ASME).
desses oitos o funcionário responsável
O fluxograma apresentado na Figura 5
por realizar as atividades no almoxarifado
acima mostra que o material percorre
estudado, e tem as atribuições de realizar o
um longo trajeto na fábrica até chegar
recebimento e a estocagem dos materiais,
ao processo de transformação. Primei-
além de receber as ordens de produção
ramente, após a chegada das matérias-
e realizar a separação dos materiais que

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


94

Figura 5 - Fluxograma do setor

Fonte: Elaborado pelos autores (2013)


-primas na empresa pela transportadora, encaminhado para devolução. Caso os
o material é encaminhado para o setor de materiais sejam aprovados pelas normas
qualidade, onde lá é estocado e posterior- de qualidade da empresa, são encami-
mente, inspecionado. Caso esses materiais nhados para o almoxarifado, onde são
não sejam aprovados pelas normas de recebidos pelo funcionário estudado e lá
qualidade vigentes na empresa, a empresa estocados por ele.
fornecedora é contatada e o material é

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


95

As matérias-primas serão retiradas do tintas. A Figura 6 a seguir mostra o arranjo


estoque no almoxarifado pelo funcionário físico atual do posto de trabalho.
na medida em que as ordens de produção
De acordo com a figura 6, é perceptível
que o funcionário recebe as solicitem.
que há bastantes materiais fora dos locais
Quando isso ocorrer, as matérias-primas
adequados para o armazenamento. Devido
são transportadas até o setor de produção,
à lotação constante das estantes e paletes,
onde os materiais são processados e, após
este espaço demarcado no layout como
a produção ser realizada, há uma inspeção
excessos está, na maior parte das vezes,
para saber se o produto está com o padrão
completamente cheio de materiais, o que
correto. Há uma grande importância nessa
dificulta a movimentação e as demais ativi-
etapa, já que o produto final da fábrica
dades do funcionário no setor.
de João Pessoa será utilizado como maté-
ria-prima pelas fábricas satélites. Após a Como o posto de trabalho é puramente
inspeção, os produtos são transportados um local de estoque de produtos, o funcio-
para as fábricas satélites correspondentes. nário percorre praticamente toda a área
disponível para que possa armazenar e
De acordo com os dados coletados junto
retirar os materiais em todos os espaços
com o supervisor e o analista do setor,
disponíveis nas estantes e paletes. O
não houve critérios, normas ou um estudo
template apresentado abaixo na Figura 7
específico para definir o arranjo físico atual,
ilustra a área percorrida pelo funcionário
que foi organizado pelos próprios funcio-
e outras informações que não fazem parte
nários, juntamente com o líder do almoxa-
do arranjo físico, por não estarem demar-
rifado, seguido à lógica organizacional que
cadas fisicamente.
mais lhes satisfaziam no momento.

A Figura 7 acima mostra que o funcionário


Foi observado no setor que a atual forma
percorre praticamente toda a área dispo-
de armazenamento, possivelmente, não
nível para circulação no almoxarifado,
maximiza o aproveitamento do espaço
alocando e retirando materiais nos locais
disponível para alocar os produtos, além
de armazenamento. Pode ser observado
de que não há um endereçamento fixo dos
que alguns dos excessos prejudicam a
materiais, o que por vezes causa grandes
movimentação dentro do setor e as ativi-
dificuldades ao funcionário em ter que
dades de armazenamento, por obstruírem,
procurar os materiais nas alocações. Foi
parcialmente ou completamente, o acesso
observado ainda que o arranjo físico do
aos materiais que já estão armazenados
local não favorece a realização do FIFO (do
nas locações ideais.
inglês, primeiro a entrar, primeiro a sair),
algo que é de extrema importância para
que se consiga reduzir o alto índice de
desperdícios que existem hoje na empresa,
por conta dos curtos prazos de validade das

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


96

Figura 6 - Arranjo físico atual do posto de trabalho

Figura 7 - Template do posto de trabalho

Fonte: Elaborado pelos autores (2013)

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


97

4.3. CAPACIDADE DE a capacidade máxima de armazenamento


ARMAZENAMENTO do setor, tanto com relação as tintas, como
em relação aos demais produtos químicos.
A partir das dimensões do setor, foram Dessa forma, a tabela a seguir mostra a
realizadas medições em todo o ambiente, quantidade de materiais que podem ser
e, através de cálculos matemáticos, com o armazenados no setor, tanto de produtos
auxílio dos softwares Microsoft Excel e do químicos como de tintas.
Google SketchUp, foi possível determinar

Figura 8 - Capacidade total de armazenamento dos produtos


Local de Armazenamento Estantes (Tintas) Peletes (Químicos)
Quantidade de Materiais por Local 280 64

Quantidade de Locais 24 11

Quantidade Total de Armazemento 6.720 Tintas 704 Quimicos

Fonte: Elaborado pelos autores (2013)

4.4. DIAGNÓSTICO descarte, por estar vencido.


ERGONÔMICO
Na medida em que esses materiais vão a
Com base nas observações feitas, foi descarte, um problema em série pode vim
possível constatar que, sempre ao chegar a acontecer: A produção está esperando
material novo para ser armazenado, o que aquele material seja enviado de acordo
funcionário empurrava os materiais que com o cronograma pré-estabelecido pelo
já estavam armazenados para trás, abas- PCP da empresa e, com essa desavença
tecendo as estantes com os novos. Dessa tendo ocorrido, a ordem de produção não
maneira, os materiais mais antigos sempre vai puder ser iniciada na programação
estariam atrás, o que acarreta em um prevista por conta do não envio nessa
futuro problema, pois, quando a produção material, atrasando-a a mesma, e, conse-
solicitar os devidos materiais, ele não irá quentemente, levando a um atraso na
retirar todos os materiais mais novos (que entrega do pedido ao consumidor.
agora estão à frente na estante), para
Pode ser observado na figura 15 que há
retirar o mais antigo (que está atrás), pois
um elevado índice de desperdício no setor,
isso daria uma carga de trabalho enorme
e que, além de despesas de desperdício,
para ele. Assim, ele envia à produção o
por vezes, gera atrasos na produção pela
material que está à frente, ou seja, o mate-
tinta não ser enviada na data prevista. Com
rial mais novo e que está longe de atingir o
relação aos índices de atraso na produção,
prazo de validade, deixando aquele mate-
foi encontrada dificuldade na coleta de
rial que está mais próximo de atingir o
dados pelos analistas e supervisor do setor
prazo de validade armazenado no setor,
não terem dado a permissão de coletá-los.
levando-o, em breve, possivelmente, a um

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


98

Figura 9 - Desperdícios financeiros gerados com o vencimento das tintas

Fonte: Elaborado pelos autores (2013)

Como já foi observado, foi constatado do layout ter sido definido sem nenhum
através de conversas informais com funcio- estudo e, portanto, ter sido mal planejado. O
nários do setor de produção que, espora- impacto desses fatores é demonstrado pelo
dicamente, algumas ordens de produção comportamento tanto dos gastos financeiros
são produzidas com atraso de alguns dias, com os desperdícios de materiais, como nos
devido à falta daqueles itens necessários atrasos na produção em decorrência desse
determinados na ordem de produção. A material desperdiçado.
empresa não liberou os dados para que se
fosse divulgado no presente trabalho por 5 CADERNO DE
questões de políticas de sigilo de produção ENCARGOS E AS
na empresa. ESPECIFICAÇÕES
Baseado nas análises realizadas foi possível
ERGONÔMICAS
construir o diagnóstico ergonômico da situ- A partir dos dados analisados e apresen-
ação estudada, e notado que, o fato de tados durante o trabalho, foi possível
haver um grande tempo perdido na procura construir o caderno de encargos e especifi-
por itens no setor, além de um alto índice cações ergonômicas ilustrado a seguir em
de desperdícios de materiais e, consequen- forma de tabela para melhor visualização,
temente, atrasos na produção de alguns relatando os problemas observados de
pedidos, podem ser explicados tanto pelo acordo com a demanda gerencial que foi
funcionário não realizar o FIFO dos mate- passada, e mostrando possíveis melhorias
riais, como pela falta de capacidade de arma- para esses fatores listados.
zenamento e de um endereçamento fixo
dos materiais, que ocorrem em decorrência

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


99

Figura 10 - Problemas e possíveis melhorias no setor

Fonte: Elaborado pelos autores (2013)

6 MATRIZ-RESUMO DAS LONGA, 2010). Para elaboração da matriz

AÇÕES ERGONÔMICAS resumo das ações ergonômicas, foi utili-


zado como base o diagnóstico ergonômico
As mudanças de layout em almoxarifados construído, o caderno de encargos apre-
de produtos químicos devem levar em sentado anteriormente e, ainda, os enqua-
consideração cada uma das normas regu- dramentos normativos que regem cada
lamentadoras, assim como as peculiari- uma das ações necessárias e propostas.
dades de cada ambiente estudado (COSTA-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


100

Figura 11 - Matriz resumo das ações ergonômicas

Matriz-Resumo das Ações Ergonômicas

Problemas
Enquadramento
Impactos Aspectos Recomendações Prazo
Normativo
NBR - 7500 , NBR- 7502, FIS 001,
11 A1, A2, A3 R1, R2, R3 Curto
MR- 9, NR -16 NR 26
NBR - 7500 , NBR- 7502, FIS 001,
12 A1, A3 R1, R3 Curto
MR- 9, NR -16 NR 26
NBR - 7500 , NBR- 7502, FIS 001,
13 A1 R1, R2, R3 Curto
MR- 9, NR -16 NR 26
NBR - 7500 , NBR- 7502, FIS 001
14 A1 R1, R2, R3 Curto
, MR- 9, NR -16 NR 26
NBR - 7500 , NBR- 7502, FIS 001,
15 A1, A2,A3 R1, R2, R3 Curto
MR- 9, NR -16 NR 26

Fonte: Elaborado pelos autores (2013)

Figura 12 - Impactos, aspectos, recomendações e enquadramento normativo das ações

Fonte: Elaborado pelos autores (2013)

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


101

7 CONSIDERAÇÕES REFERÊNCIAS
FINAIS
[ 1 ] . ABERGO (Associação Brasileira de
Através da realização do presente trabalho Ergonomia). Panorama da ergonomia na
foi possível observar a importância da AET atualidade. Disponível em: <http://www.
(Análise Ergonômica do Trabalho) como abergo.com.br> Acesso em: 16 mar. 2013.
forma de avaliar o processo produtivo, com
[ 2 ] . BRASIL. NR 8 - Edificações. Dispo-
todas as variáveis que ele engloba, assim
nível em: <http://portal.mte.gov.br/
como o trabalhador. Além disso, também
data/files/8A7C816A2E7311D1012FE5B-
foi observado como as ferramentas utili-
50DCD522C/nr_08_atualizada_2011.pdf>.
zadas foram importantes no desmembra-
Acesso em: 25 jan. 2013.
mento do setor, podendo identificar com
clareza os pontos cruciais que estavam [ 3] . _______. NR 9 – Programa de
levando aos impactos causados. prevenção de riscos ambientais. Disponível
em: <http://portal.mte.gov.br/data/files/
Dessa maneira, pode ser dito que o artigo
FF8080812BE914E6012BEF1CA0393B27/
alcançou seu objetivo proposto, uma
nr_09_at.pdf>. Acesso em: 25 jan. 2013.
vez que a partir da análise ergonômica
do trabalho feita, foi possível mostrar [ 4] . _______. NR 11 – Transporte, movi-
com clareza os aspectos que levam aos mentação e armazenagem de materiais.
problemas demandados (impactos) e Disponível em:<http://portal.mte.gov.br/
observados no setor, assim como deter- data/files/FF8080812DDC2FF4012DD-
minar recomendações que possam vim a D2A360E758E/NR-11%20(Anexo%20I%20
apresentar melhorias e fazer com que os -%20RTP).pdf>. Acesso em: 25 jan. 2013.
impactos sejam sanados.
[ 5] . _______. NR 16 – Atividades e
Com a realização do estudo fica eviden- operações perigosas. Disponível em: <
ciada a importância que uma análise ergo- http://portal.mte.gov.br/data/files/8A-
nômica do trabalho pode ter para as orga- 7C816A35F7884401366032742033EF/
nizações, uma vez que ela não está limitada NR-16%20(atualizada%202012).pdf>.
apenas a saúde do trabalhador e aspectos Acesso em: 25 jan. 2013
cognitivos, mas a vários outros elementos
que envolvem a melhoria do processo em [ 6 ] . COSTALONGA R. Normas de arma-
si. É de extrema importância que as melho- zenamento de produtos químicos. Rio de
rias recomendadas sejam estudadas Janeiro: UFRJ, 2010.
minuciosamente em uma etapa posterior,
[ 7] . FALZON, P. Ergonomia. São Paulo:
com o intuito de solucionar os problemas
Editora Edgard Blücher, 2006.
encontrados atualmente no setor.
[8]. FIALHO, F. A. P. Manual de análise ergo-
nômica do trabalho. Curitiba: Gênesis, 2007.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


102

[9 ]. IIDA, I. Ergonomia, projeto e produção,


São Paulo: Editora Edgard Blucher, 2002.

[1 0]. RAMOS, D. S.; MEDEIROS; J.B;


OLIVEIRA, M. D. M.; SOUSA, A. C. A. Apli-
cação da análise ergonômica do trabalho
em uma lavanderia. Belo Horizonte:
ABEPRO, 2011.

[1 1 ]. SALDANHA, M.C.W. A Ergonomia e


sustentabilidade na atividade jangadeira:
construção das demandas ergonômicas
na praia de Ponta Negra-RN. Ação Ergonô-
mica, v.7, 2012.

[1 2]. SALDANHA, M.C.W. A construção


das demandas e tecnologia social: apli-
cação na atividade jangadeira. Extensão e
Sociedade, v.1, 2010.

[1 3]. VIDAL, M. C. Guia para Análise Ergo-


nômica do Trabalho na empresa: Uma
metodologia realista, ordenada e sistemá-
tica. Rio de Janeiro: Editora Virtual Cientí-
fica, 2008.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


COMPARAÇÃO DE
MÉTODOS SUBJETIVOS
DE MENSURAÇÃO
DA FADIGA DE UM
INDIVÍDUO

Naia Antunis de Rezende


Carlos Henrique Pereira Mello
Renata Aparecida Ribeiro
Custodio

RESUMO
Esse artigo possui como objetivo comparar alguns métodos subjetivos de avaliação da fadiga
de um indivíduo. Inicialmente, foi realizada uma revisão da literatura em que foi proporcio-
nada uma visão da ergonomia em geral, assim como um foco maior na ergonomia cogni-
tiva devido ao tema do artigo. Após essa introdução, alguns métodos de mensuração da
fadiga largamente conhecidos foram apresentados resumidamente para que fosse possível
compreendê-los minimamente. O levantamento dos dados foi realizado através da plata-
forma científica ISI Web of Knowledge®, a qual proporcionou dados para análise da vali-
dação científica dos métodos. Uma vez que os dados foram coletados foi possível comparar
atualidade e a taxa de ocorrência do método, notou-se que o método NASA-TLX (NASA
- Task Load Index) é o que possui maior aceitação na área científica, provavelmente devido
a sua facilidade de utilização e a sua multidimensionalidade, ou seja, o método identifica
qual o fator que possui o maior impacto na fadiga como demanda, prazo, exigência mental
ou física, entre outros. Porém isso não descarta nenhum dos métodos apresentados, já que
cada um deles possui um forte embasamento científico e se realizado de maneira correta é
capaz de medir um aspecto puramente subjetivo e psicológico do ser humano.
104

1. INTRODUÇÃO sendo criado então o primeiro Instituto de


Pesquisa da Fadiga Industrial (IIDA, 2005).
O neologismo ergonomia começou a ser Apesar de a ergonomia ser um assunto
difundido em 1950 na Inglaterra, porém bem antigo a sua atualidade nos meios
sabe-se que desde o homem pré-histórico científicos pode ser observada na pesquisa
a ergonomia já era realizada para propor- realizada na base ISI Web of Knowledge®
cionar um melhor desempenho durante as com as palavras “ergonomics” ou “ergo-
tarefas. Durante a Primeira Guerra Mundial nomic” visualizada na Figura 1, gráficos
buscou-se avaliar não só os esforços fisio- mostram que cada vez mais se busca a
lógicos como também os psicológicos, adaptação do trabalho ao homem.

Figura 1 - Busca das palavras “ergonomic” e “ergonomics”

Fonte: Base ISI Web of Knowledge® (05/12/2013)

Existem diversos ramos da ergonomia, executada, ou seja, traduz a visão do traba-


porém o foco desse artigo será a ergonomia lhador. E os métodos subjetivos são de fácil
cognitiva que aborda os aspectos mentais aplicação sem necessitar de aparelhos ou
como memória, raciocínio, estresse e a inte- recursos extras.
ração homem-máquina. Além disso, essa é
Para a realização deste artigo foram sele-
uma área pouco pesquisada em relação às
cionados cinco métodos subjetivos de
outras, pois tenta compreender o psicoló-
análise da fadiga, esses artigos foram sele-
gico humano. Para a mensuração da fadiga
cionados entre muitos visto que são os
do indivíduo existem diversas técnicas divi-
mais influentes nas associações e institui-
didas em três categorias: (1) Desempenho;
ções que pesquisam sobre a ergonomia
(2) Fisiológica; (3) Subjetiva. Apesar de todas
cognitiva. Na fundamentação teórica cada
apresentarem um resultado satisfatório as
método possui uma pequena introdução,
técnicas subjetivas refletem mais fielmente
na qual é possível constatar alguns pontos
o que a pessoa sente em relação à tarefa

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


105

positivos e outros negativos. Logo depois, de trabalho, porém essa definição é muito
na análise dos resultados foi pesquisado vasta. A ergonomia pode ser dividida em
no ISI Web of knowledge® os artigos refe- três áreas principais: (1) Ergonomia física
rentes aos métodos, mostrando o JCR é o estudo do ser humano em relação
(Journal Citation Report) do periódico em ao ambiente como ruídos, temperatura,
que foi publicado assim como a média de odores entre outros aspectos, porém
citações de cada método. Com essas infor- também é possível se preocupar com as
mações adquiridas foi possível desenhar dimensões, posturas, vibrações e pesos. (2)
uma tabela com alguns aspectos gerais Ergonomia organizacional possui seu foco
dos métodos como a dimensão, o tempo na otimização do sistema sócio-técnico da
de resposta e a validação científica. Após empresa incluindo a comunicação empre-
essa tabela nota-se que o método NASA- sarial, os horários dos turnos, a produção
-TLX (NASA – Task Load Index) é o mais e a gestão da qualidade. E, por fim, (3)
utilizado no meio científico, provavelmente Ergonomia cognitiva que é voltada para
devido a sua facilidade de uso e por ser os aspectos mentais do trabalhador como
também multidimensional, garantindo a fadiga mental, a tomada de decisão, o
diversas respostas ao pesquisador. estresse, entre outros.

A ergonomia cognitiva pode ser vista como


2. FUNDAMENTAÇÃO a percepção do esforço e da demanda
TEÓRICA exigida da tarefa, por isso o limite do
esforço é individual e é influenciado pela
2.1 ERGONOMIA tarefa a ser realizada, o prazo disponível,
além da percepção subjetiva da dificul-
A palavra “ergonomia” provém do grego
dade da tarefa. Além disso, esses fatores
ergo (trabalho) e nomos (leis, normas,
são bastante influenciados por fatores
ciência), definida então como a ciência
externos como problemas pessoais, ativi-
do trabalho. Portanto, a ergonomia é
dades independentes da tarefa analisada,
uma disciplina científica que estuda as
entre outros. Ao assumir que a capacidade
interações humanas com os aspectos do
do indivíduo é um recurso limitado nota-se
ambiente. Embora haja diversas definições
que é importante que uma empresa
para a palavra ergonomia, seja no campo
obtenha o máximo desse recurso (Figura 2),
teórico quanto na área prática, todas
porém essa área da ergonomia não é sufi-
concordam que o que motiva essa ciência
cientemente pesquisada como as outras.
é o intuito de atender as necessidades de
trabalho do ser humano. (BUSH, 2012).

Segundo Bush (2012), a ergonomia é uma


disciplina que se interessa pelas condições

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


106

Figura 2 - Influência do nível de excitação na captação de estímulos

Fonte: IIDA (2005)

2.2 ERGONOMIA _ Tomar decisões em relação à qualidade


COGNITIVA do produto que refletirá na segurança dos
clientes;
A Ergonomia Cognitiva analisa não só o
homem em relação às máquinas, equi- _ Diminuição da concentração devido à
pamentos e ambientes como também monotonia;
referente às suas faculdades mentais,
_ Falta de contato humano quando um
que influenciam diretamente no modo
posto de trabalho é isolado de outros.
de operar, raciocinar e tomar decisões
no trabalho (MÁSCULO E VIDAL, 2011). Conforme Rubio et al.(2004), para garantir
Segundo Kroemer e Grandjean (2005), conforto, satisfação, eficiência e segurança
existe um pré-conceito de que o trabalho no local de trabalho um dos pontos que
manual é realizado pelos operadores do deve ser avaliado é a demanda da tarefa
chão de fábrica, já os gerentes e superiores para que o indivíduo não fique sobrecarre-
realizam o trabalho puramente mental. gado nem ocioso por muito tempo. Nota-se
Porém, essa ideia está mudando ao longo um aumento de estudos que mostram o
dos anos, pois nota-se que a percepção, a malefício do estresse, tédio e monotonia,
interpretação e o processamento da infor- em uma organização, principalmente
mação é feita em todos os níveis de uma quando a tarefa é automatizada. Existem
organização. Além do que existem diversos diversas ferramentas capazes de avaliar
outros fatores comentados a seguir: aspectos da ergonomia cognitiva, ou seja,
da fadiga mental. E elas se dividem em três
_ Manter um nível elevado de alerta
principais categorias de medição, obser-
durante o trabalho;
vadas na Figura 3.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


107

Figura 3 - Categorias de medição

Fonte: Adaptado de Rubio et al. (2004)

Cada categoria de medição da fadiga medições subjetivas utilizam questioná-


mental possui diversas técnicas, métodos rios e realimentação dos operadores em
e instrumentos que auxiliam na análise relação à operação. Segundo Rubio et al.
dos processos de tomada de decisão, (2004), as medições subjetivas estão sendo
resolução de problemas, as bases de orga- cada vez mais utilizadas devido à facilidade
nização do conhecimento, e o que mais de implantação, e a não- intromissão, além
for verificado o uso de atividade mental. da grande capacidade de atualização.
Alguns desses métodos podem ser visua-
lizados na Figura 4. 2.3 MÉTODOS
De acordo com Bush (2012), as medições Existem diversas ferramentas e métodos na
de desempenho utilizam medições secun- literatura, e por não existir nenhum padrão
dárias para avaliar a fadiga mental, como cada pesquisador utiliza o seu próprio
desorganização, formação de filas, taxas método para a análise da fadiga mental.
de erros. Se a pessoa atribuir forças para Serão analisados nesse artigo métodos
o desempenho da tarefa, os resultados conhecidos que utilizam a subjetividade
serão influenciados. Medições fisiológicas através de questionários e escalas para a
assume que existe uma ligação entre a medição da fadiga do ser humano. Os cinco
fisiologia humana e sua relação com o métodos selecionados são: Bedford Scale
trabalho, por exemplo, de acordo com (Roscoe, 1987; Roscoe e Ellis, 1990); Modi-
Zheng et al. (2012), há uma ligação entre fied Cooper-Harper Scale ou MCH Scale
a diminuição do intervalo de piscadas de (Wierwilli e Gasali, 1983); NASA-Task Load
olho de um médico e seu cansaço durante Index ou NASA-TLX (Hart e Staveland, 1988);
uma cirurgia. Porém nota-se que é possível Subjective Workload Assessment Technique
que variações na fisiologia não sejam ou SWAT (Reid e Nygren, 1988); Workoad
apenas devido à fadiga no trabalho. As Profile ou WP (Tsang e Velazquez, 1996).

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


108

Figura 4 - Referências de algumas técnicas de análise de fadiga mental

Fonte: Adaptado de Bush (2012)

2.3.1 BEDFORD SCALE Geddie et al. (2001), a Bedford Scale é uma


derivação da Cooper-Harper Scale, voltada
Segundo Roscoe e Ellis (1990), em 1969 para o manuseio de aeronaves.
houve uma preocupação geral relacionada
à segurança do voo principalmente anali- ROSCOE E ELLIS Após diversas pesquisas
sando o piloto e sua fadiga mental. Após foi possível verificar que uma escala para
diversas pesquisas, Ellis e Roscoe confeccio- medir a fadiga mental de pilotos de aero-
naram um questionário e entrevistaram mili- naves deveria ser ordinal e possuir uma
tares de pilotos de aeronaves. Foi possível classificação adjetiva. Porém, como o
então determinar que diversos acidentes método é unidimensional, com ele não
possuem como causa os níveis de fadiga é possível identificar o porquê da fadiga
mental encontrado no piloto. Conforme mental e nem qual aspecto da fadiga

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


109

mental influencia mais na tarefa, sendo a tarefa a ser avaliada e a sequencia das
necessária a utilização de outros métodos perguntas faz com que o questionário não
complementares (ROSCOE E ELLIS, 1990). seja cansativo e pela sua facilidade pode
ser realizado durante a tarefa. Segundo
De acordo com Geddie et al. (2001), assim
o método é desejado um nível baixo de
como a simplicidade do método auxilia
fadiga mental, porém algumas situações
a compreensão dos entrevistados, essa
podem causar problemas em relação a
característica é uma desvantagem, pois
problemas de vigilância e aumento da
cada entrevistado pode ter uma interpre-
monotonia (GEDDIE et al., 2001).
tação diferente. Porém essa característica
é uma luta de todos os métodos subjetivos.
2.3.3 NASA – TASK LOAD
INDEX (NASA-TLX)
2.3.2 MODIFIED COOPER-
HARPER SCALE (MCH De acordo com Hart e Staveland (1988),
SCALE) depois de muita análise verificou-se que
existia um grande problema em métodos
Segundo Cooper e Harper (1969), existiam
subjetivos, pois havia uma alta variabilidade
na época diversas escalas de classificação
entre sujeitos diferentes. Outro problema
que confirmaram sua utilização, porém
encontrado nos métodos existentes foi
existiam algumas fraquezas. Desse modo
a generalização da fadiga mental, eles
se tornou necessário uma escala que fosse
buscavam uma resposta unidimensional
feita para avaliação da fadiga mental de
(sim/não). Para diminuir o problema de
atividade que necessitam do manuseio de
variabilidade e generalização foi proposta
materiais. A escala é uma árvore de decisão
uma nova técnica multidimensional que
e deve ser utilizada somente quando a difi-
desmembra a fadiga menta. Em 1988 havia
culdade no manuseio é crucial na avaliação
um método descrito por Hart e Staveland
da fadiga.
que possuía dez subescalas, porém após

Depois de quatorze anos Wierwille e diversas análises das escalas em função da

Casali (1983) notaram que em um sistema sensibilidade, independência e importancia

complexo de sistema homem-máquina os foi criado o NASA – TLX (GEDDIE et al., 2001).

fatores mais importantes são a percepção,


Primeiramente a pessoa a ser analisada dá
o monitoramento, a avaliação, a comuni-
uma nota para cada subescala do método
cação e a resolução de problemas. Sendo
(Figura 5). Na segunda etapa faz-se uma
assim, foi criado o método Modified
comparação por pares identificando qual
Cooper-Harper Scale (MCH Scale). A modifi-
elemento é mais importante em relação ao
cação aconteceu principalmente nas ques-
outro. Após essa etapa o pesquisador faz
tões da escala, e o formato de árvore de
uma média ponderada dos valores obtidos
decisão foi mantido. Nesse método o ques-
indicando, assim, a porcentagem total de
tionário deve ser feito imediatamente após
fadiga mental.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


110

Figura 5 - Sub-escalas do NASA-TLX.

Fonte: Leal et al. (2006)

Segundo Geddie et al. (2001), uma grande de métodos que possuem propriedades
desvantagem do NASA-TLX é a interfe- métricas conhecidas. E também se buscou
rência que ele causa na tarefa, sendo diminuir o tempo necessário. Esse método
aconselhado a fazer após a finalização da possui três dimensões incluindo carga
tarefa a ser avaliada. Além do que devido temporal, carga de esforço mental e carga
às diversas etapas a serem realizadas o de estresse psicológico. E cada dimensão
tempo a ser despendido para a explicação é é medida em uma escala de três níveis:
muito longo e a utilização das escalas pelos baixo, médio, alto. Por existir tais dimen-
avaliadores pode ser um problema. Porém sões nota-se que o método é multidimen-
foi verificado que o NASA-TLX pode ser sional e além de avaliar a fadiga mental
utilizado em pesquisas básicas e aplicadas também faz um diagnóstico desta (RUBIO
o que faz com que ele seja bem aceito no et al., 2004).
campo da ergonomia, psicologia industrial
Existem duas fases nesse método: fase de
e comunicação entre homem-máquina.
desenvolvimento e fase de pontuação. Na
primeira parte o indivíduo deve colocar em
2.3.4 SUBJECTIVE ordem as 27 combinações das três dimen-
WORKLOAD ASSESSMENT sões, em seguida utiliza-se um programa
TECHNIQUE (SWAT) de computador para analisar se as esco-

Segundo Bressler, Potter e Reid (1989), lhas estão de acordo com os axiomas mate-

o método SWAT foi criado em 1988 por máticos e verifica-se se a escala poderá ser

Reid e Nygren para preencher a ausência aplicada. Na segunda fase basta que o indi-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


111
víduo pontue cada uma dessas 27 combi- ANÁLISE
nações (BRESSLER, POTTER E REID, 1989). BIBLIOMÉTRICA
De acordo com Geddie et al. (2001), um Segundo Thomson Reuters (2008), a análise
diferencial do método SWAT é a escala bibliométrica é a análise quantitativa e
em intervalo, o que facilita a avaliação estatística de publicações e suas citações.
por parte dos entrevistados. Além disso, Essa análise é uma avaliação de artigos
o método pode ser utilizado durante a referentes a um tema específico e através
tarefa devido a sua simplicidade e rapidez. de uma simples contagem é possível tirar
A parte mais importante do método é a diversas conclusões. A complexidade
fase de desenvolvimento, porém esta fase dessa análise está na seleção de critérios
pode consumir bastante tempo e depende e na interpretação dos dados encontrados.
da compreensão do método, entretanto se
houver problemas eles podem ser identifi- Segundo Pendlebury (2008),quando os dados
cados na validação computadorizada. são mal avaliados podem prejudicar uma
pesquisa, para evitar que isso ocorra foi criado
uma checagem com dez regras que devem
2.3.5 WORKOAD PROFILE
ser praticadas na análise bibliométrica:
(WP)
1 . Considerar qualquer dado que possa auxi-
De acordo com Tsang e Velazquez (2007) o
liar a análise: Quanto mais simples a pesquisa
novo método de análise da fadiga avaliado
maior será o número de dados, assim a
foi o Workload Profile ou MP, ele foi criado
análise provavelmente será confiável.
em 1996 por Tsang e Velazquez focalizando
na importância do diagnóstico e tendo a 2 . Escolher tipos de publicações, áreas
base teórica como influência. As tarefas a específicas e período dos dados: Se o
serem avaliadas são colocadas em ordem pesquisador não eliminar algumas áreas de
aleatória em uma coluna seguida por estudo a pesquisa provavelmente contará
colunas com as dimensões do método. com muitos dados irrelevantes. Também é
Existem oito dimensões no total: processa- necessário selecionar quais anos de publi-
mento central, execução, processamento cações serão analisados, pois publicações
espacial, processamento verbal, proces- muito antigas podem significar uma não
samento visual, processamento auditivo, atualidade do assunto.
saída manual, saída verbal. A partir daí o
respondente coloca o valor entre 0 e 1 para 3. Decidir pelo aspecto geral ou específico:
avaliar a atenção dada para cada dimensão A publicação pode ser feita por diversos
de cada tarefa. Após essa etapa, basta autores de universidades diferentes. Desse
somar os valores de cada linha para avaliar modo existem duas opções, ou o número
qual tarefa demanda mais atenção. Ou de citações será dividida pelas universi-
então, somam-se os valores de cada coluna dades ou todas receberão o valor total.
para avaliar qual dimensão é mais exigida.
4. Verificar se os dados requerem edição:

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


112
Muitas vezes os autores escrevem seus 4. ANÁLISE DOS DADOS
nomes de diferentes maneiras nas suas
publicações, por exemplo, em uma publi- Para que fosse realizada a análise biblio-
cação o nome está PENDLEBURY D, em métrica dos métodos de análise da fadiga
outra está PENFLEBURY DA. Isso pode a pesquisa utilizou a base de dados ISI Web
causar repetição de dados o que causará of Knowledge® e as publicações anali-
confusão no momento de análise. sadas são datadas de 2003 à 2013. Outra
restrição imposta foi o tipo de publicação,
5 . Comparar semelhantes: É importante foi selecionado apenas artigos, destes
comparar publicações com aspectos seme- foram selecionados os que continham
lhantes como área, ano, quantidade de informações dos métodos explicitamente
citações, entre outros. Essa é considerada no resumo ou nas palavras-chave. As pala-
“a regra de ouro” da análise bibliométrica vras de busca de cada método, os artigos
encontrados e os artigos selecionados de
6 . Usar medições relativas: Essa regra é
acordo com as restrições encontram-se
mais utilizada para contagem de citações.
na Figura 4. Após a seleção dos artigos, foi
É importante avaliar o número de citações
analisado o periódico em que cada artigo
de acordo com o ano de sua publicação, o
foi publicado e seu respectivo JCR (Journal
periódico em que foi publicado, o tipo da
Citation Reports) encontrado no ISI Web
publicação, entre outros aspectos.
of Knowledge®. Após essa análise foi feito
7. Obter diversas medições: É importante o Gráfico 1 comparando a quantidade de
que o pesquisador utilize diversas medi- artigos com JCR abaixo de 1,000, acima
ções para evitar as falsas conclusões. de 1,000 e os que não possuem JCR dos
quatro métodos mais citados.
8 . Reconhecer as distorções dos dados:
Independente do que está sendo anali- Analisou-se também a quantidade de cita-
sado, a distribuição dos dados será caótica. ções que cada artigo possui, informação
disponibilizada pelo ISI Web of Know-
9. Confirmar se os dados coletados são
ledge®. Após essa classificação, foi calcu-
relevantes.
lado a média de citações por ano de cada

1 0. Avaliar se os resultados são razoáveis. método, porém cada média foi dividida
pela quantidade de anos que se passaram,
Enfim, o objetivo principal da análise biblio- exemplo: a média de citações do método
métrica é obter um maior e melhor enten- NASA-TLX em 2003 é de 25, porém já se
dimento sobre o assunto em questão e a passaram 10 anos, assim a média recalcu-
regra principal é apresentar os resustados lada será de 2,5 citações ao ano. Já a média
de forma honesta e aberta, a análise deve de citações do ano 2009 foi de 7,78 que divi-
ser fácil de compreender e transparente dido pelos anos que se passaram resulta
para que outros possam confiar. no valor 1,9 citações ao ano. Após esse
cálculo foi então esboçado o Gráfico 2 com
a média de citação-ano de cada método.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


113

Quadro 1 - Artigos selecionados de cada método

Fonte: Produção do autor

Gráfico 1 - Análise do JCR

Fonte: Produção do autor

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


114

Gráfico 2 - Análise das citações

Fonte: Produção do autor

5. RESULTADOS os outros métodos possuem também uma


boa quantidade de publicações com JCR
O objetivo desse artigo foi comparar acima de 1,000, o que mostra que esse
alguns métodos de análise de fadiga assunto é de extrema importância para
além de uma pequena apresentação de a atualidade. Foi analisado também o
cada método, também foram analisados número de citações que cada artigo possui
na base Web of Knowledge artigos publi- e, para todos os métodos, a média de cita-
cados de 2003 a 2013 sobre tais métodos. ções foi satisfatória considerando a quan-
Após a análise dos dados foi possível veri- tidade de artigos por ano. Isso mostra que
ficar que o método de avaliação da fadiga os artigos são de alta relevância indepen-
mais publicado nessa base de pesquisa dente do método utilizado.
foi o NASA-TLX, isso mostra a facilidade
de compreensão do método e seus resul- Foi possível com essa análise resumir

tados satisfatórios. Porém essa consta- algumas informações em uma pequena

tação não descarta os outros métodos, tabela para auxiliar a escolha do método

todos os métodos são válidos e fornecem para avaliar a fadiga (Quadro 3). Essa

as informações prometidas. tabela mostra se o método é unidimen-


sional ou multidimensional: o método será
Nota-se também que o método NASA-TLX unidimensional quando avalia a fadiga
possui a maior porcentagem de artigos em geral, já o método multidimensional
publicados em periódicos com JCR acima pondera qual o tipo de fadiga encontrada.
de 1,000, o que garante mais uma vez o Outro aspecto importante é se o método
título de método com publicações mais pode ser respondido durante a tarefa
relevantes no mundo científico. Entretanto

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


115

ou somente depois da tarefa realizada. do método, de 2003 a 2013, este enfoque


Lembrando que se o método for realizado foi dividido nas categorias alta, média,
durante a tarefa ele não pode influenciar baixa. Sendo assim, a validação alta mostra
nas respostas, e se for realizado após a que nos últimos 10 anos houve bastante
tarefa deve garantir que as verdadeiras pesquisa em relação a certo método, já a
impressões aparecerão nas respostas. baixa propõe uma baixa repercussão do
método nesse período analisado.
Também foi considerada a atual validação

Quadro 3 - Tabela de resumo

Fonte: Produção do autor

6. CONCLUSÕES industrial sugere-se que mais métodos


sejam tema de comparação em pesquisas
A automatização da indústria trouxe futuras. Outro aspecto é a comparação
diversos benefícios para a sociedade, científica realizada neste artigo, foi anali-
proporcionando uma maior produtivi- sada neste artigo a influência científica de
dade e maior qualidade dos produtos. cada método, avaliando as publicações
Porém, juntamente com ela vieram alguns realizadas nos últimos 10 anos, desse
problemas entre o homem e a máquina. modo sugere-se uma comparação prática
Para que isso não se torne um problema, dos métodos em relação a diversas tarefas.
diversos estudos focam o psicológico do
homem moderno garantindo uma melhor
7. AGRADECIMENTOS
qualidade de vida e a adaptação do trabalho
ao homem. Esse trabalho teve como obje- Os autores agradecem à FAPEMIG, CNPq,
tivo comparar alguns métodos de mensu- CAPES e UNIFEI pelo apoio para a reali-
ração da fadiga que tornam esse aspecto zação desse trabalho.
subjetivo e complexo em valores de fácil
entendimento e que auxiliam a tomada de 8. BIBLIOGRAFIA
decisão em relação à fadiga do trabalhador.
[1]. ABRAHÃO, J.I.; SILVINO, A.M.D.; SARMET,
Primeiramente foram apresentados cinco M.M. Ergonomia, Cognição e Trabalho Infor-
métodos de mensuração da fadiga, saben- matizado. Psicologia: Teoria e Pesquisa. v.
do-se que existem muitos outros métodos 21. n. 2. p. 163-171.
tanto na literatura quanto no ambiente

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


116

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ques. v. 26. n. 10. p. 2746-2750. 2012.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


AVALIAÇÃO DE RISCOS
OCUPACIONAIS NO
SETOR DE LOGÍSTICA
DE UMA DISTRIBUIDORA
DE BEBIDAS: UMA
ABORDAGEM
MACROERGONÔMICA

Guido Rosso Guedin


Lizandra Garcia Lupi Vergara

RESUMO
O trabalho sob condições desfavoráveis além de ser prejudicial à saúde do trabalhador,
compromete seu rendimento e por consequência sua produtividade, diminuindo muitas
vezes, a competitividade da organização. Nesse contexto, a Ergonomia surge como grande
aliada para melhorar a vida dos trabalhadores. Desta forma, o presente trabalho apresenta
um estudo realizado em uma distribuidora de bebidas, com objetivo de verificar a adequação
ergonômica do setor de Logística, na busca de soluções de otimização do sistema produtivo,
levando em consideração as condições de saúde dos trabalhadores. Para tanto, utilizou-se
uma abordagem macroergonômica de análise e adequação das condições ergonômicas e de
segurança através da ferramenta System Analysis Tool (SAT), metodologia que visa a melhoria
das condições de trabalho, minimizando os problemas relacionados ao sistema homem-má-
quina-ambiente. A demanda considerada foi a inadequação ergonômica do setor analisado
somado aos problemas de segurança e ao descumprimento das Normas Regulamentadoras.
A abordagem foi conduzida também apoiada em entrevistas com os colaboradores do setor,
conversas com diretores, gerentes, supervisores e encarregados, além das observações das
atividades. Através da execução da metodologia macroergonômica, os problemas encon-
trados foram divididos em cinco áreas distintas. A ferramenta se mostrou de grande utilidade,
permitindo a complementação de visões diferentes (colaboradores, supervisores, direção e
pesquisador), evidenciando os problemas com maior ênfase e possibilitando a escolha das
alternativas com melhor custo/benefício.
Palavras-chave
Macroergonomia, Riscos Ocupacionais, Produtividade, Distribuidora de bebidas.
118

1. INTRODUÇÃO AmBev, maior do segmento na América


Latina, que no Brasil possui 9 centros de
A relação entre o homem e as atividades distribuição próprios e 165 unidades de
que desempenha é estudada pela área revendas administradas por terceiros,
de estudo chamada Ergonomia. Pode-se envolvendo milhares de colaboradores.
dizer que esta consiste em um conjunto Conforme a Classificação Nacional de
de conhecimentos científicos eficaz em Atividade Econômica - CNAE, as revendas
analisar e promover melhores condições de bebidas se enquadram no setor terci-
de trabalho, e por consequência, obter o ário da economia brasileira, mais precisa-
máximo de conforto, segurança e eficácia mente na seção de Comércio e na divisão
no ambiente de trabalho. Comércio Atacadista de Bebidas, classe
4635-4 (CONCLA). Segundo dados do MTE
O processo produtivo básico de uma
(2011), para esta classe, o número total de
indústria de bebidas envolve a fabricação,
acidentes de trabalho no país no ano de
o engarrafamento e a distribuição do
2011 foi de 3.349, sendo que 568 foram
produto. Conforme Rosa, Conseza e Leão
na região sul do Brasil. No caso do estado
(2006), no caso de um país de dimensões
de Santa Catarina, a ocorrência total de
continentais como é o Brasil, a localização
acidentes de trabalho para o mesmo ano
espacial das plantas industriais próximas
foi de 169 vezes, na qual 59,17% foram
ao mercado consumidor e a constituição
classificados como acidentes típicos,
de redes de distribuição com capacidade
15,98% como acidentes de trajeto e 1,18%
para alcançar as mais distantes localidades
relacionadas a doenças do trabalho. Os
e enfrentar as limitações de trânsito de
outros 23,67% são os acidentes de trabalho
veículos dos centros urbanos, são variáveis
sem CAT – Comunicação de Acidente de
importantes e cruciais para a estratégia
Trabalho – registrada.
das grandes empresas de bebidas.
O presente estudo se aplica nesse
Neste segmento empresarial, grande parte
contexto. A importância de responder às
das atividades laborais rotineiras apre-
demandas de um mercado de alto volume,
sentam elevada carga física e alto índice
distribuindo produtos com o compro-
de repetitividade. Durante o processo
misso de entregá-los com qualidade, orga-
de armazenamento e distribuição dos
nização do trabalho eficiente e coerente
produtos acabados, colaboradores estão
com as exigências trabalhistas e normas
expostos aos mais variados riscos, ainda
regulamentadoras do país. Assim sendo,
que não estejam cientes disso ou mesmo
este trabalho pretende, considerando os
que a identificação destes riscos não seja
princípios ergonômicos, contribuir com
tão simples.
a melhoria das condições de trabalho de
A cadeia de distribuição de bebidas no uma distribuidora de bebidas localizada no
país é gigantesca. Pode-se citar a empresa estado de Santa Catarina.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


119

2. FUNDAMENTAÇÃO sindicatos e ergonomistas e patrocinada

TEÓRICA pelo Ministério do Trabalho. Para Stringari


(2012), esta norma trata de conceitos não
só essenciais, mas também obrigatórios
2.1 A ERGONOMIA NAS
para as empresas.
EMPRESAS BRASILEIRAS
Segundo Bowersox e Closs (2001), o canal
Os sindicatos são mais desenvolvidos
de distribuição pode ser definido como
nas grandes empresas, logo a exigência
um grupo de entidades interessadas que
de condições adequadas de trabalho por
assume a propriedade de produtos ou
parte dos trabalhadores é mais presente
viabiliza a sua troca durante o processo
(RODRIGUES et al. 2008, apud, OLIVEIRA e
de comercialização, do fornecedor até o
FONTES 2012).
comprador final. Para que se caracterize
Ainda segundo os autores, nas menores um canal de distribuição é necessário que
empresas, os sindicatos são poucos desen- os membros que atuam nesse sistema
volvidos e os empregados são mais repri- mantenham uma relação de interde-
midos, preocupados em não perder o pendência. Nesse contexto, os canais de
emprego, não possuem meios para mani- distribuição têm a finalidade de destinar
festar suas insatisfações; a limitada disponi- os produtos acabados aos consumidores
bilidade de recursos entra também como um finais (SILVA, HERRMAN e LEAL, 2012).
fator inviabilizador de projetos ergonômicos;
Ainda nos dizeres de Bowersow e Closs
a pequena empresa pode até mesmo não
(2001), ao se discutir os canais de distri-
possuir pessoas preocupadas com a cons-
buição, é importante destacar os objetivos
trução de postos de trabalho adequados,
e funções dos mesmos. Entretanto, alguns
visto que não recebem queixas, ou não têm
fatores gerais estão presentes na maior
ciência da existência de problemas e nem
parte dos casos, sendo possível ressaltar
sequer sabem que a ergonomia pode trazer
os seguintes:
benefícios para a produtividade e qualidade
de vida do trabalhador. _ Garantir a rápida disponibilidade do
produto nos segmentos do mercado iden-
No âmbito legislativo do trabalho, o Brasil
tificados como prioritários;
possui diversas normas regulamentadoras
(NR) em vigor, com o objetivo de reduzir _ Intensificar ao máximo o potencial de
os riscos de acidentes, doenças e outros vendas do produto em questão;
agravantes no ambiente de trabalho,
garantindo os requisitos legais sobre os _ Buscar a cooperação entre os partici-

aspectos de Saúde e Segurança Ocupa- pantes da cadeia de suprimento no que

cional. A Norma Regulamentadora que tange aos fatores relevantes relacionados

trata especificamente da Ergonomia é a com a distribuição;

NR-17. Foi resultado da articulação entre

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


120

_ Garantir um nível de serviço preestabe- e integra as metodologias da engenharia


lecido pelos parceiros da cadeia de supri- de produção e de sistemas com a abor-
mento; dagem macroergonômica, quando o obje-
tivo consiste em identificar problemas e
_ Garantir um fluxo de informações rápido
possíveis fatores causais relacionados com
e preciso dos elementos participantes;
o ambiente de trabalho. O método provê

_ Buscar, de forma integrada e perma- o processo de desenvolvimento estratégico

nente, a redução de custos. e de soluções sistemáticas, assim como


desenvolve alternativas de potenciais solu-
ções e os respectivos custos benefícios.
2.3 MACROERGONOMIA
De forma sucinta, Young e Kreiner (2008)
“A macroergonomia surgiu nos anos expõem as setes etapas dessa ferramenta.
80 quando começou-se a pensar que o Essas estão descritas a seguir:
trabalho desenvolvido num posto também
_ Definir problema - criar árvore de fatores
fazia parte de um sistema maior que influía
ou problemas, identificando-os e relacio-
direta ou indiretamente na sua execução;
nando-os;
foi assim, que ela começou a ser identifi-
cada por diversos autores: americanos, _ Desenvolver árvore de meta, objetivos e
franceses, polacos, canadenses e outros; ações;
que de acordo com seus estudos e expe-
riências a definiram de diversas formas” _ Desenvolver alternativas que contem-

(GONTIJO, BENITO e JARUFE, 1997). plem as ações;

A macroergonomia ensina que as soluções _ Avaliar alternativas - mensurar de acordo

de otimização devem ser buscadas na arti- com critérios de avaliação;

culação entre os sistemas técnicos e os


_ Selecionar alternativas.
sistemas de gestão de pessoas (BROWN Jr,
1995). Segundo o autor, de uma variedade _ Desenvolver o plano de implementação
de métodos desenvolvidos ou adaptados – programar e gerir o fluxo de projeto;
para implantação da macroergonomia,
_ Avaliar as modificações.
o método participativo possui grande
relevância, propondo a participação dos
funcionários em todos os estágios do 3. PROCEDIMENTOS
estudo e/ou intervenções ergonômicas. METODOLÓGICOS

2.3.1 METODOLOGIA SAT – 3.1 CARACTERIZAÇÃO DA


SYSTEM ANALYSIS TOOL PESQUISA

Esse método é utilizado em avaliações O intuito do presente estudo é analisar as


macroergonômicas do processo de trabalho condições de trabalho de uma distribuidora

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


121

de bebidas, mais especificamente o setor MTE. Essas áreas foram escolhidas porque
de Logística, para levantar oportunidades contemplam a maior parte dos problemas
de melhoria. Este trabalho caracteriza-se e dos aspectos físicos e técnicos do setor
como um estudo de caso, visando à iden- estudado. São elas:
tificação dos agravos à saúde dos trabalha-
_ Análise técnica;
dores do setor analisado, sendo a discussão
de dados realizada sob os paradigmas _ Postura e movimento;
qualitativo e quantitativo. O primeiro
advém de pesquisas sobre o tema delimi- _ Informação e operação;
tado pelo autor e através de questionários,
_ Organização do Trabalho;
realizando análises de opiniões e informa-
ções coletadas. Já a segunda caracteriza-se _ Fatores ambientais.
por informações coletadas em dados já
existentes da empresa. Os dados serão de
3.3 ENTREVISTAS E
origem primária e secundária, uma vez que
ANÁLISES PRELIMINARES
o autor coletará dados e também utilizará
dados já reunidos pela empresa. Tendo sido analisado o ambiente, parte-se
para a formulação do questionário a ser
3.2 COLETA E aplicado aos colaboradores. O questionário
CLASSIFICAÇÃO DE DADOS tem a finalidade de corroborar as caracte-
rísticas observadas na primeira etapa do
A coleta de dados iniciou-se com a análise estudo e avaliar a satisfação dos colabora-
dos dados do setor Pessoal quanto às dores quanto as áreas supracitadas.
queixas e afastamentos de funcionários
por questões de saúde. Após isso, foi feita Por meio da aplicação de questionário
a observação assistemática, a qual “não aos colaboradores do setor, foram levan-
tem planejamento e controle previamente tadas as demandas de maior relevância
elaborados” (SILVA e MENEZES, 2005). O e observações identificadas por eles. As
estudo foi realizado observando-se os perguntas foram divididas, entre as cinco
indivíduos do setor e, na coleta dos dados, áreas supracitadas, no intuito de formar
tomando-se o cuidado de não interferir no um questionário sucinto, e que ao mesmo
andamento das operações. tempo viesse a abranger a maior quanti-
dade de informações possíveis e que fosse
Com intuito de balizar as observações, de fácil interpretação.
orientar a pesquisa e facilitar a coleta
de dados e sua posterior análise, foram Para que os questionários fossem apli-
tomadas como norte cinco grandes áreas, cados, primeiramente entrou-se em
adaptadas de Dul e Weerdmeester (2004) e contato com o Gerente Comercial, um
também baseado no “Manual de Aplicação dos proprietários da revenda. Essa inicia-
da Norma Regulamentadora Nº 17”, do tiva visou à autorização de condução da

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


122

pesquisa, definição dos informantes e próxima etapa é composta por uma


conscientização dos mesmos quanto à análise intermediária do que fora cole-
fidelidade das respostas. As entrevistas tado até o momento. A importância desta
tiveram duração de vinte a trinta minutos análise está relacionada ao esclarecimento
por equipe. Por meio disso, buscou-se o das principais demandas que se apre-
conhecimento do que os colaboradores sentaram nesse período de entrevistas e
pensam a respeito das condições físicas observações, pois são os dados de entrada
atuais, dos equipamentos que são utili- para a ferramenta SAT. Essa análise busca
zados, da segurança durante as atividades sintetizar as três visões do setor (colabora-
e outras questões. dores, supervisores e pesquisador) através
das anotações do pesquisador e dos ques-
Feito o levantamento dos dados e coleta
tionários respondidos. A figura 1 ilustra
informações de maior relevância, a
como ocorre essa interação.

Figura 1 - Diagrama da metodologia

Fonte: Produção do autor

O próximo passo é introduzir os dados e vice-presidente coordenando os setores.


coletados de forma prática à ferramenta,
O setor de logística busca, armazena e
seguindo os passos recomendados por
distribui todos os produtos comerciali-
Young e Kreiner (2008). Constrói-se então
zados, além de devolver vasilhames vazios.
a árvore de problemas, a árvore de metas,
Do total de 164 funcionários na empresa,
objetivos e ações e desenvolve-se alterna-
58% estão alocados nesse setor, distribu-
tivas para obtenção da meta.
ídos em dois turnos de trabalho. A natureza
das atividades do turno diurno é exclusi-
4. ANÁLISES E vamente relacionada ao descarregamento
DISCUSSÕES e à distribuição do produto. Já o turno
PRELIMINARES noturno é responsável pelo carregamento
da mercadoria que será distribuída no dia
4.1 APRESENTAÇÃO DA subsequente. A estrutura organizacional do
EMPRESA setor conta com um Gerente de Operação e
Distribuição, três supervisores responsáveis
A empresa é dividida em quatro setores:
pelo armazém, distribuição na região norte
administrativo, comercial, logística e
e na região sul, além de um encarregado do
recursos humanos. A estrutura organiza-
carregamento. Os funcionários deste setor
cional possui no topo o diretor-presidente

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


123

estão distribuídos entre quatro equipes de O fluxo geral do processo desde o forne-
trabalho: Armazém, Carregamento, Distri- cedor até o cliente é descrito na figura 2.
buição Sul e Distribuição Norte.

Figura 2 - Fluxo geral do processo

Fonte: Autor (2015)

As atividades referentes às compras e minada e descarregam os produtos em


vendas estão relacionadas com o setor cada cliente. Atualmente, a distribuição é
Comercial e não são focos de análise do dividida em duas equipes, uma destinada
presente estudo. As atividades de Puxada à região norte de atuação da empresa sob
– termo definido pelos documentos da estudo e outra à região sul.
empresa AmBev – são referentes à reti-
A estrutura física conta com 23.590m² de
rada dos produtos junto ao fornecedor e
terreno e cerca de 5.700m² construídos.
a devolução de vasilhames vazios. Essas
A distribuição das instalações físicas da
atividades são desenvolvidas pelos moto-
empresa é apresentada na Figura 3.
ristas da equipe de Armazém.

São armazenados cerca de cinquenta itens


As operações de armazenamento são
no galpão referente ao setor de Logística
referentes à organização e estocagem dos
e a área total construída deste galpão é
produtos dentro do galpão do setor de Logís-
de 3500m². Um esboço de seu layout é
tica. As atividades de carregamento estão
apresentado na Figura 4. Observa-se nesta
relacionadas ao carregamento dos cami-
figura que o layout do galpão é orientado
nhões, que são divididas em dois grupos,
pelo sentido do fluxo dos caminhões e
o de carga aberta e o de carga fechada. As
carretas, podendo ser caracterizado em
diferenças não estão relacionadas somente
um arranjo físico do tipo linear ou por
ao tipo de caminhão utilizado em cada caso,
produto, sendo sua orientação do tipo U.
mas também ao tipo de pedido e a quan-
tidade. Para grandes pedidos, compostos Segundo Borba (2013), esta é a solução
somente por pallets completos, são utili- ideal quando se tem apenas um produto
zados caminhões com carroceria do tipo ou produtos similares, manufaturados em
baú. Já os pequenos pedidos são acumu- grande quantidade e o processo é rela-
lados e organizados dentro de caminhões tivamente simples. O tempo que o item
com carroceria do tipo aberta. gasta em cada estação ou lugar fixado é
balanceado. As linhas são ajustadas para
As atividades de distribuição estão rela-
operar na velocidade mais rápida possível,
cionadas à entrega do pedido ao cliente.
independentemente das necessidades do
Os caminhões seguem sua rota predeter-
sistema. O sistema não é flexível.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


124

Figura 3 - Distribuição física da empresa

Fonte: Google Earth (2015)

Figura 4 - Esboço do Layout atual do Setor de Logística

Fonte: Autor

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


125

4.2 ANÁLISE DA be-se que 84% dos funcionários do setor


POPULAÇÃO DOS trabalham até cinco anos na empresa, com
TRABALHADORES NO predominância para os que trabalham
SETOR LOGÍSTICA até dois anos. Este grupo representa um
risco para a empresa, pois apresenta altos
Atualmente, a empresa possui cento e índices de faltas e abandono do trabalho,
cinco funcionários distribuídos no setor de resultando em elevado nível de rotativi-
Logística, dos quais nove estão afastados. dade dos funcionários.
No gráfico apresentado na figura 5, perce-

Figura 5 - Tempo de serviço dos colaboradores

Fonte: Empresa (2014)


O grau de escolaridade dos colaboradores Ensino Fundamental e o Ensino Superior.
é predominantemente o Ensino Médio A distribuição do grau de escolaridade dos
Completo, embora, nos extremos, existam funcionários é apresentada na figura 6.
funcionários sem terem completado o
Figura 6 - Grau de escolaridade dos funcionários do setor

Fonte: Empresa (2014)

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


126

São doze os cargos que compõe a estrutura estava afastado por motivos de acidente
funcional do setor de Logística da empresa. ou doença, sendo que o maior número
A figura 7 apresenta estes cargos, quanti- de afastados é para o cargo de Auxiliar
dade de colaboradores e a quantidade de de Entrega – cinco funcionários afastados
afastados há mais de quinze dias por cargo. (13%). No entanto, são nos cargos de Carre-
Grande parte (68%) dos funcionários são gador e Auxiliar de Limpeza que os maiores
contratados como Motorista ou Auxiliar índices de afastamento são encontrados
de Entrega. Quando coletados os dados, com 18% e 33%, respectivamente.
9% do quadro de colaboradores do setor

Figura 7 - Número de funcionários ativos e afastados

Fonte: Empresa (2014)

4.3 ENTREVISTAS E Do total de noventa e seis colaboradores


ANÁLISES PRELIMINARES ativos, setenta e oito questionários foram
recolhidos, dos quais setenta e cinco de
As entrevistas têm como objetivo coletar maneira correta e completa (96%), embora
o máximo de informações possível dentro todos tenham sidos tabulados. Ao fim das
do tempo estipulado pela empresa para tabulações, as médias gerais e por equipe
as entrevistas com cada equipe. O ques- foram calculadas e parâmetros ideais
tionário é composto por um cabeçalho foram estabelecidos. A compilação de
mais trinta e dois itens e foi desenvol- todas as médias calculadas se encontra no
vido visando abranger as áreas Análise Apêndice 3 deste trabalho.
Técnica, Postura e Movimento, Informação
e Operação, Organização do Trabalho e
Fatores Ambientais. Esse e sua tabulação
se encontram no Apêndice 1 e Apêndice 2
deste trabalho, respectivamente.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


127

5. APLICAÇÃO - A construção da “árvore de fatores ou

SYSTEMS ANALYSIS problemas” passa pela definição do

TOOL problema e dos subproblemas, base-


ados nas constatações das observações
e entrevistas. Também estão presentes
5.1 DEFINIÇÃO DO
nessa árvore todas as áreas de análise. A
PROBLEMA
figura 8 ilustra a árvore desenvolvida para
a etapa abordada.
Figura 8 - Árvore de fatores ou problemas

Fonte: Autor (2015)

5.2 ÁRVORE DE META, árvore anterior, foi estipulado um alvo a


OBJETIVOS E AÇÕES ser atingido pelas ações propostas, apre-
sentado na figura 9.
Para conceber os objetivos e consequen-
temente as ações que serão tomadas,
deve-se esclarecer, primariamente, qual
a meta da aplicação metodológica. Tanto
a meta, quanto os objetivos e ações
utilizam informações oriundas da “árvore
de fatores ou problemas”. Tendo em vista
a atual situação do setor de Logística
da empresa e os problemas que foram
apontados nas análises preliminares e na

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


128

Figura 9 - Árvore de meta, objetivos e ações

Fonte: Autor (2015)

5.3 ALTERNATIVAS em duplas de trabalho, conforme exigência


da NR-17;
Com a meta traçada, os objetivos esti-
pulados e ações necessárias definidas, _ Uma inspeção antes do carregamento
parte-se então para o desenvolvimento (produtos organizados no chão) e outra
das alternativas que satisfazem essas com o caminhão carregado, por funcioná-
ações, baseadas nos fatos, ocorrências, rios diferentes;
reclamações e constatações retiradas das
_ Reformular procedimento de revisões
observações em campo, entrevistas com
e manutenções dos veículos, definindo as
colaboradores, conversas com superiores
condições e períodos.
e revisão bibliográfica, mas, principal-
mente, nas notas médias da tabulação do b) Melhorar a proteção das mãos e dos pés
questionário. As alternativas são apresen- dos colaboradores:
tadas na sequência.
_ Incluir no uniforme luvas revestidas e
a) Reestruturar procedimentos e tarefas: estofadas no dorso da mão, com proteção
reforçada contra impactos e corte,
_ Organização de todos os pallets e todas
conforme ilustração da figura 10;
as mercadorias no chão antes do carrega-
mento nos caminhões; _ Alterar botinas fornecidas no uniforme
por botinas com biqueiras de aço.
_ Inspeção no chão de todos os produtos;
c) Reformular treinamentos e repasse de
_ Manuseio manual de engradado cheio
informações:
ou fardos de 2 L (cargas com mais de 25 kg)

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


129

Figura 10 - Luvas revestidas _ Demarcar faixas de pedestres, desta-


cadas em vermelho nos pontos em que
cruza com ruas de passagem de empilha-
deiras e veículos;

_ Utilizar espelhos convexos em cruza-


mentos e curvas sem visão;
Fonte: Protcap (2015)
_ Fixar alertas (uso de EPIs, ITs, Riscos, etc)
_ Revisar conteúdo e frequência dos trei- nas paredes, carretas e caminhões.
namentos;
f) Adequar o setor às Normas Regulamen-
_ Reunião geral semanal para todas as tadoras vigentes:
equipes;
_ Providenciar assentos para as pausas de
_ Elaborar instruções de trabalho (ITs) e trabalho, conforme exigência da NR-17;
fixar em lugares estratégicos.
_ Adequar galpão à iluminação natural,
d) Adequar estrutura e uniformes ao calor conforme ilustração da figura 12;
e ao frio, mantendo o conforto térmico
Figura 12 - Exemplo de galpão com ilu-
exigido pela NR-17 e outras Normas Regu-
minação natural
lamentadoras:

_ Instalar exaustores em todo o galpão;

_ Incluir cachecol no uniforme do turno


noturno.

e) Pintar demarcações no chão e fixar


alertas, respeitando a NR-26:
Fonte: Google (2015)
_ Demarcar áreas para transito, estaciona-
_ Estabelecer pausas durante o turno para
mento, carregamento, descarregamento,
todas as equipes em 02 (dois) períodos
limites de estocagem e área de picking
de 10 (dez) minutos contínuos, conforme
conforme exemplo da figura 11;
exigência da NR-17;
Figura 11 - Exemplo de demarcação para
estacionamento de carretas _ Disponibilizar sanitários e bebedouros
no galpão, segundo exigência da NR-17;

_ Considerar na reformulação dos treina-


mentos conteúdo que proporcione o cola-
borador conhecer as causas e a prevenção
Fonte: Autor (2015)
de lesões relacionadas à atividade exer-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


130

cida, bem como a correta utilização dos desfavoráveis gera prejuízos à saúde do
equipamentos de trabalho, segundo orien- trabalhador em longo prazo que, por conse-
tação de Rio e Pires (2001). quência, terá seu rendimento reduzido,
afetando também a competitividade da
g) Realocar murais e conteúdo:
empresa. Logo, cabe à própria organização

_ Descentralizar as informações contidas buscar melhorar o ambiente de trabalho

nos murais das salas de reuniões e sala para que o colaborador desempenhe suas

do gerente para todo galpão e adequar atividades da melhor maneira possível.

conteúdo, de forma a reduzir a quanti-


Boas práticas e erradicação dos descon-
dade de informações em um mesmo local,
fortos elevam os índices de satisfação
seguindo orientações de Kroemer e Grand-
no trabalho e, consequentemente, incre-
jean (2005);
mentam os níveis de produtividade, além

_ Fixar um quadro branco em posição de contribuir com a diminuição da rota-

visível para registrar lembretes. tividade e do número de afastamentos,


reduzindo a necessidade de contratações
emergenciais para reposição.
6. CONSIDERAÇÕES
FINAIS
7. REFERÊNCIAS
Ter condições de conforto, saúde e segu-
rança no trabalho é um direito dos cida- [ 1 ] . ABERGO – Associação Brasileira de

dãos. No Brasil, esses direitos dos trabalha- Ergonomia. Disponível em <www.abergo.

dores estão previstos na Consolidação das org.br>. Acesso em: Abr/2014.

Leis Trabalhistas (Decreto-Lei Nº 5.452, de


[ 2 ] . BORBA, M. Projeto de Instalações.
1º de Maio de 1943) e regulamentados pela
Apostila direcionada à disciplina de Projeto
NR-17 (1990). Ou seja, para as empresas
de Instalações – EPS 7025. Departamento de
brasileiras produzirem conforme as leis do
Engenharia de Produção e Sistemas, Univer-
país devem preocupar-se com a adaptação
sidade Federal de Santa Catarina, 2013.
do trabalho ou serviço às características de
quem irá executá-lo, os trabalhadores. [ 3] . BRASIL. MINISTÉRIO DO TRABALHO
E EMPREGO et al. Anuário Estatístico de
A realização do presente estudo propor-
Acidentes do Trabalho 2011. Brasília:
cionou uma maior compreensão do compor-
MTE:MPAS, 2011.
tamento da organização com relação às
condições ergonômicas e de segurança dos [ 4] . _________. Norma Regulamentadora
colaboradores. Percebe-se certa dificuldade NR17 – Ergonomia. Disponível em < www.
por parte da empresa em atender a todos mte.gov.br > Acesso em: mar. 2015.
os requisitos da norma regulamentadora.
[ 5] . _________. Manual de Aplicação da
O trabalho sob condições ergonômicas Norma Regulamentadora N° 17. Brasília:

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


131

Secretaria de Inspeção do Trabalho, 2002, rama do setor de bebidas no brasil. BNDES


101p. Setorial, n. 23, p. 101-150. Rio de Janeiro,
mar. 2006
[6 ]. BOWERSOX, D.; CLOSS, D. Logística
Empresarial: o Processo de Integração [ 1 4] . SILVA, I.; HERRMANN, F.; LEAL, R.
da Cadeia de Suprimento. Ed. Atlas, São Estratégia de produção e sua relação com
Paulo, 2001. unidades de negócio desenvolvidas para
gestão do canal de distribuição. In: ENEGEP,
[7]. BROWN Jr. O. The devellopement
Bento Gonçalves, 2012. SILVA, E. L.;
and Domain of Participatory Ergono-
MENEZES, E. M.. Metodologia da pesquisa
mics. In: Procedings of the IEA WORLD
e elaboração de dissertação. 4ª Ed. Rev.
CONFERENCE, Rio de Janeiro, 1995. DUL,
Atual. 138p. Florianópolis: UFSC, 2005.
J.; WEERDMEESTER, B. Ergonomia Prática.
Tradutor: Itiro Iida. 2. Ed. rev. e ampl. São [ 1 5] . STRINGARI, E. S. Condições ergonô-
Paulo: Edgard Blucher, 2004. micas e a produtividade em uma indústria
do setor alimentício. Trabalho de Conclusão
[8]. GONTIJO, L.; BENITO, G.; JARUFE, M.
de Curso. Departamento de Engenharia de
Macroergonomia: um novo enfoque na
Sistemas e Produção, Universidade Federal
administração hospitalar. In: ENEGEP,
de Santa Catarina. Florianópolis, 2012.
Gramado, 1997.
[ 1 6 ] . YOUNG, Deborah E.; KLEINER, Brian
[9 ]. KROEMER, K. GRANDJEAN, E. Manual
M. Drywall Finishing Industry: Macroergo-
da ergonomia: adapatando o trabalho ao
nomic Evaluation and Intervention Design.
homem. 5 ed. Porto Alegre: Bookman, 2005
Human Factors in Organizational Design

[1 0]. OLIVEIRA, J.; FONTES, A. Aplicação da and Management – IX, 2008.

análise ergonômica do trabalho no posto


de embalamento em uma Microempresa
do setor de Brinquedos. In: ENEGEP, Belo
Horizonte, 2012.

[1 1 ]. PROTCAP. Luva de segurança,


modelo Extreme Ultra DA43500. Dispo-
nível em: <http://www.protcap.com.br/
detalhes/luva-de-seguranca-modelo-ex-
treme-ultra-4580> Acesso: jun. 2014.

[1 2]. RIOS, R.; PIRES, L. Fundamentos


da prática ergonômica. 3. Ed. São Paulo:
Editora LTR, 2001.

[1 3]. ROSA, S.; CONSEZA, J.; LEÃO, L. Pano-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


132

APÊNDICE 1 – QUESTIONÁRIO

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


133

APÊNDICE 2 – TABULAÇÃO DOS QUESTIONÁRIOS

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


134

APÊNDICE 3 – COMPILAÇÃO DAS MÉDIAS

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


ANTROPOMETRIA E
TEMPERATURA: UM
CASE EM UMA EMPRESA
DE EQUIPAMENTOS DE
BIOSSEGURANÇA

Fernando Henrique Lermen


Rodrigo Röder
Gustavo de Souza Matias
Rubya Vieira Mello Campos
Celise Röder

RESUMO
A análise ergonômica do trabalho ajuda a compreender as formas ou estratégias utilizadas
pelos trabalhadores no confronto, para minimizar ou limitar as suas condições patogê-
nicas. Partindo deste pressuposto, esse trabalho teve por objetivo desenvolver um estudo
ergonômico com foco na antropometria e na avaliação da temperatura de uma indústria
de equipamentos de Biossegurança. O método de abordagem adotado foi o qualitativo e
quantitativo. A pesquisa classifica-se, quanto aos fins, como descritiva e explicativa. Quanto
aos meios como bibliográfica, virtual e estudo de caso. Com a realização do estudo foi
possível verificar a importância da ergonomia no ambiente de trabalho e na obtenção de
melhores resultados produtivos. Sugeriu-se para a empresa fazer um isolamento térmico
em suas estruturas e a instalação de exaustores, assim como melhorar a arborização no
entorno da mesma.

Palavras-chave

Ergonomia; Antropometria; Temperatura.


136

1. INTRODUÇÃO e dispositivos que possam ser utilizados


com o máximo conforto, segurança e efici-
A Segurança do Trabalho é uma função ência (LAVILLE, 1977). Isso envolve não
empresarial que tem se tornado uma somente o ambiente físico, mas também
exigência conjuntural. As empresas devem os aspectos organizacionais.
se preocupar com a saúde de seus colabora-
dores, para que estes possam produzir com De acordo com Falzon (2007) o objetivo da

eficiência e com melhores condições de Ergonomia é elaborar, com a colaboração

trabalho. Sendo assim, por meio de visitas das diversas disciplinas científicas que a

à empresa, identificou-se a necessidade de compõem, um corpo de conhecimentos

realizar um estudo ergonômico na mesma. que numa perspectiva de aplicação, deve


ter como finalidade uma melhor adap-
O estudo ergonômico do trabalho ajuda a tação ao homem dos meios tecnológicos
compreender as formas ou estratégias utili- de produção e dos ambientes de trabalho
zadas pelos trabalhadores no confronto, e de vida.
para minimizar ou limitar as suas condi-
ções patogênicas. As novas tecnologias A ergonomia tem uma visão ampla, abran-

trouxeram benefícios inestimáveis, mas, gendo atividades de planejamento e

também, novas restrições e imposições ao projeto, que ocorrem antes do trabalho

de modo de funcionamento dos indivíduos ser realizado, e aqueles de controle e

(ABRAHÃO et al., 2009). avaliação, que ocorrem durante e após


esse trabalho. Tudo isso é necessário para
O tema do estudo, segundo as áreas e que o trabalho possa atingir resultados
subáreas de Engenharia de Produção apre- desejados (IIDA, 2005).
sentado pela ABEPRO (2008), faz parte da
área de Engenharia do Trabalho e subárea De acordo com Abrahão et al. (2009, p.

Gestão de Riscos de Acidentes do Trabalho. 12), os trabalhadores especializados em


ergonomia atuam em diferentes focos,
O objetivo do foi desenvolver um estudo abordando características específicas do
ergonômico com foco na antropometria sistema, como, Ergonomia Física, Cognitiva
e na avaliação da temperatura de uma e Organizacional.
indústria de equipamentos de Biossegu-
rança situada no município de Campo
2.1. OBJETIVOS BÁSICOS
Mourão-PR.
DA ERGONOMIA

2. ERGONOMIA A ergonomia estuda diversos fatores que


influenciam no desempenho do sistema
A ergonomia pode ser definida como produtivo e procura reduzir as suas conse-
o conjunto de conhecimentos cientí- quências nocivas sobre o trabalhador.
fico relativos ao homem e necessários à Assim, ela procura reduzir a fadiga, estresse,
concepção de instrumentos, máquinas

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


137

erros, e acidentes, proporcionando segu- A aplicação sistemática da ergonomia na


rança, satisfação e saúde aos trabalha- indústria é feito identificando-se os locais
dores, durante o seu relacionamento com onde ocorrem maiores problemas ergonô-
o sistema produtivo (IIDA, 2005). micos. Estes, podem ser reconhecidos por
certos sintomas como alto índice de erros,
De acordo com Iida (2005, p. 15), alguns
acidentes, doenças, absenteísmos e rota-
fatores são extremamente importantes
tividade dos empregados. Por trás dessas
para que os trabalhadores tenham um
evidências podem estar ocorrendo uma
grande desempenho, tais como saúde,
inadaptação das máquinas, falhas na orga-
segurança, satisfação e eficiência.
nização do trabalho ou deficiências ambien-
tais que provocam tensões musculares e
2.2. ERGONOMIA NA psíquicas nos trabalhadores, resultando
INDÚSTRIA nos fatos acima mencionados (IIDA, 2005).

De acordo com Iida (2005), a ergonomia


contribui para melhorar a eficiência, a 2.3. TEMPERATURA NO
confiabilidade e a qualidade das opera- AMBIENTE DE TRABALHO
ções industriais. Isso pode ser feito basica-
O ser humano tem uma capacidade de
mente por três vias:
manter a temperatura corporal, mesmo se

_ O aperfeiçoamento do sistema homem- o ambiente passar por variações térmicas,

-máquina pode ocorrer tanto na fase de este equilíbrio é adquirido através de

projeto de máquinas, equipamento e perda ou aquisição de calor (LUZ, AZEVEDO

postos de trabalho, como na introdução & OLIVEIRA, 2008).

de modificações em sistemas já existentes,


O homem precisa de sangue quente para
adaptando-os às capacidades e limitações
sobreviver, segundo Sá (1999), tem a neces-
do organismo humano;
sidade de manter a temperatura constante

_ Quanto aos aspectos organizacionais de 37ºC, que proporciona o equilíbrio

do trabalho, procura reduzir a fadiga e a térmico entre o homem e o meio envol-

monotonia, principalmente pela elimi- vente que tem influência nessa tempe-

nação do trabalho altamente repetitivo, ratura interna, podendo ter um pequeno

dos ritmos mecânicos impostos ao traba- desvio entre calor e frio, ou seja, quando

lhador, e da falta de motivação provocada há diferenças entre calor produzido pelo

pela pouca participação do mesmo nas corpo e o calor perdido para o ambiente.

decisões sobre o seu próprio trabalho; e,


De acordo com Sá (1999), o ambiente

_ A melhoria de condições de trabalho é térmico pode ser definido por variá-

feita pela análise das condições físicas de veis termais do cargo de trabalho que

trabalho, como temperatura, ruídos, vibra- influencia o organismo do trabalhador,

ções, gases tóxicos e iluminação. sendo um fator que afeta direta ou indi-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


138

reta mente a saúde e bem estar do mesmo, Para locais exteriores com carga solar deve
ou na realização das tarefas atribuídas. ser utilizada a Equação (2):
Os ambientes industriais são frequentes
WBGT = 0,7 tnw + 0,2 tg + 0,1 ta(2)
ocorrer um desconforto térmico, denomi-
nado “estresse térmico”, comprometendo Em que: ta é a temperatura do ar.
a produtividade da empresa, e ocasionar
acidentes de trabalho. Uma vez conhecido o valor de WBGT
é possível, mediante comparação com
Ruas (1999) destaca que as recomenda- valores de referência, determinar o nível
ções ideais de conforto térmico estão de “stress” térmico a que o trabalhador
presentes na Norma Regulamentadora está sujeito e, caso seja possível justificar,
NR-15 da Portaria 3214/1961. O traba- limitar o seu tempo de exposição às condi-
lhador em condições que a temperatura ções térmicas que originam o “stress”
ambiente é muito elevada, pode-se conju- térmico medido (CARNEIRO, 2012).
gar-se com baixa humidade e circulação de
ar deficiente. Desta forma, a temperatura Na Tabela 1 estão os valores máximos
registrada, estabelece-se em função dos WBGT para o tempo de exposição de 8
seguintes fatores: humidade relativa do horas de acordo com a ISO 7243: 1989, que
ar; velocidade e temperatura do ar; calor avalia e regulamenta ambientes quentes,
radiante que é produzido por fontes de com uma estimativa do stress por calor
calor do ambiente, como fornos, maça- sobre o trabalhador, baseado no IBUTG
ricos, luz intensa. (bulbo úmido e temperatura de globo).

A ISO 7730: 2005- Ergonomics of the thermal


2.3.1. ÍNDICES ASSOCIADOS environment -- Analytical determination
AO STRESS POR CALOR and interpretation of thermal comfort using
calculation of the PMV and PPD indices and
Atualmente classificam-se 30 índices de
local thermal comfort criteria que estuda
“stress” térmico, o mais utilizado é o WBGT
os aspectos térmicos ergonômicos, apre-
(“Wet Bulb Globe Temperature”) que pode
senta o método de calcular os índices de
ser traduzido por “Índice de Temperatura
PMV (variação da temperatura no posto de
de Bolbo Húmido e de Temperatura de
trabalho) e o PPD (percentual que diminui
Globo” (CARNEIRO, 2012).
a temperatura), e como medir os critérios
Para o interior ou exterior das edificações de conforto térmico dos trabalhadores. A
sem carga solar, deve ser calculado utili- Tabela 2, apresentada a variação nas cate-
zando a Equação (1): gorias quanto a temperatura.

WB GT = 0,7 t nw + 0,3 tg(1)

Em que: tnw é a temperatura natural


húmida e tg é a temperatura de globo.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


139

Tabela 1 - Valor máximo de WBGT para o tempo de exposição de 8 horas, conforme a


ISO 7243:1989
Valor máximo de WBGT ISO 7243: 1989
Trabalhador Trabalhador não
Tipo de atividade aclimatado aclimatado
Descanso 33 32

Trabalho manual leve 30 29

Trabalho braçal moderado 28 26

Corrente Corrente
Ar parado Ar parado
de ar de ar
Atividade física intensa 25 25 22 23

Atividade física intensa 23 26 18 20

Fonte: Sá (1999)

Tabela 2 - Variação das categorias das temperaturas nos postos de trabalho.

Categoria PPD (%) PMV

A <6 - 0,2 < PMV > + 0,2

B < 10 29 - 0,5 < PMV > + 0,5

C < 15 - 0,7 < PMV > + 0,7

Fonte: Adaptado de Sá (1999).

3. REVISÃO DE zação do trabalho, identificaram que 65%

LITERATURA dos funcionários sentem dor foram suge-


ridas melhorias no setor de conversão.
A revisão de literatura foi realizada em nível
nacional. As pesquisas foram realizadas Soares e Silva (2012) realizaram um estudo

nos eventos de Engenharia de Produção com objetivo de realizar um estudo ergo-

como ENEGEP e SIMPEP além dos portais nômico dos postos de trabalho dos

de pesquisa Scielo e Capes. Foram consi- operadores de uma planta industrial em

derados apenas trabalhos pertinentes ao uma mineradora localizada no Estado da

tema nos períodos de 2009 à 2013. Paraíba, bem como levantar sugestões
para melhoria dos mesmos de modo, a
Machado e Nascimento (2013) realizaram adequar os postos de trabalho às condi-
a aplicação de um programa de ergonomia ções ergonômicas dos operadores. Utili-
no setor de conversão de uma fábrica de zaram o método RULA e identificaram os
papel higiênico no Estado do Rio de Janeiro, locais da empresa que deveriam receber
em que desenvolveram e aplicaram ques- adequação e melhorias.
tionários sobre problemas de dores e a
aplicação do método OWAS. Com a reali- Ribeiro (2009) desenvolveu um estudo ergo-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


140

nômico nos postos de trabalho informati- e explicativa. Quanto aos meios classifi-
zados e o ambiente de escritório de uma ca-se como bibliográfica, virtual e estudo
empresa do ramo florestal, em que avaliou de caso.
os níveis de iluminância, ruído e tempera-
O estudo de caso foi realizado em uma
tura, além das posturas dos funcionários,
empresa do setor de biossegurança que
utilizando questionários e analisando movi-
fabrica aparelhos odontológicos localizada
mentos repetitivos, fadiga visual, mono-
na cidade de Campo Mourão – PR.
tonia, estresse e jornadas de trabalho. Os
resultados obtidos identificaram mesas e Para a coleta de dados, realizou-se uma
cadeiras com medidas inadequadas e os pesquisa in loco, para que fosse possível
níveis de iluminância, de ruídos e tempe- reconhecer os diversos setores da
ratura apresentados, estavam abaixo dos empresa, bem como, a avaliação dos riscos
limites estabelecidos pela norma. Quanto incorridos na realização de cada atividade
às posturas, foram identificados trabalha- realizada pelo setor.
dores com posturas incorretas.
De posse de um termômetro de mercúrio
inicialmente foi medida a tempera-
4. METODOLOGIA
tura no período das 08horas00min às
O método de abordagem adotado foi o 16horas00min. O Quadro 1 mostra a
qualitativo e quantitativo. A pesquisa clas- variação de temperatura em diferentes
sifica-se, quanto aos fins, como descritiva setores da empresa.

Quadro 1 - Variação da temperatura na empresa

Locais de Coleta Temperaturas Encontradas

Setores de Produção (média) 32ºC

Inspeção 26ºC

Compras 24ºC

Expedição 22ºC

Estoque 37ºC

Cozinha 35ºC

E possível analisar, que a temperatura medições das bancadas de trabalho


nesse período variou de 22ºC à 37ºC, o que conforme mostra o Quadro 2. Foi utilizado
caracteriza uma variação bastante consi- uma trena para medição e dimensiona-
derável. mento das bancadas de trabalho e a altura
dos trabalhadores, que nelas operam.
Outro fator avaliado foi quanto à antro-
pometria. Sendo assim, foram realizadas

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


141

Quadro 2 - Dimensões das bancadas e alturas dos indivíduos e altura ideal.


Dimensões da Bancada
Setor de Produção (Comprimento x Altura do Indivíduo (m)
Largura)
Marcação de Furacão 2,66 x 0,90/h=0,86 1,56; 1,70

Montagem Inicial 2,78 x 0,60/h=0,86 1,56; 1,70

Montagem Pneumática 2,04 x 0,49/h=0,92 1,56; 1,70

Montagem Elétrica 1,30 x 0,61/h=0,85 1,56; 1,70

Teste 2,81 x 0,65/h=1,00 1,56; 1,70

Limpeza e Polimento 4,72 x 0,57/h=1,02 1,70; 1,80

Embalagem 4,72 x 0,57/h=1,02 1,56; 1,70

União das partes Pneumáticas e


3,00 x 70/h=0,86 1,56; 1,70
inicial

Fonte: Autores, 2015.

As temperaturas e os fatores antropomé- devem realizar em pé, ou seja, o teste de


tricos foram avaliadas de acordo com a NR 17 qualidade, a limpeza, polimento e emba-
– Ergonomia, que visa a estabelecer parâme- lagem, a NR 17 determina que altura ideal
tros que permitam a adaptação das condi- da bancada é de 5 a 10 cm abaixo da altura
ções de trabalho às características psico- dos cotovelos dos mesmos, estando em pé.
fisiológicas dos trabalhadores, de modo a
Para o teste realizado, com o colaborador
proporcionar um máximo de conforto, segu-
(mais alto), com estatura de 1,70 cm,
rança e desempenho eficiente.
altura dos cotovelos do mesmo de 1,07
cm e a bancada com altura de 1 metro, foi
5. RESULTADOS E possível afirmar que, a bancada de teste
DISCUSSÕES está adequada. Como a bancada de emba-

Segundo a NR 17 a temperatura nos locais lagem tem somente 2 centímetros a mais e

de trabalho onde são executadas ativi- o colaborador que nela trabalha também

dades que exijam solicitação intelectual tem 1,70 cm, pode-se afirmar que esta

e atenção constantes, tais como: salas de bancada também esta adequada. Por fim,

controle, laboratórios, escritórios, salas de para a bancada de embalagem com 1,2

desenvolvimento ou análise de projetos, cm e o colaborador que nela trabalha com

dentre outros, as temperaturas devem 1,80 cm, estando seu cotovelo à 1,13 cm do

estar entre 20ºC À 23ºC, sendo assim a chão, a mesma também encontra-se nas

temperatura dos setores citados estavam dimensões adequadas.

acima do limite permitido pela norma.


A marcação de furação, a montagem inicial,

Para as atividades em que os operadores a montagem pneumática, a montagem


elétrica e a junção das partes são feitas

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


142

com os indivíduos sentados. A altura ideal tenham melhores condições de trabalho.


para bancadas onde são realizadas ativi-
Algumas das sugestões para amenizar
dades sentadas é de 68 a 75 centímetros,
os problemas seria fazer um isolamento
podendo ter uma variação de 1,5 centíme-
térmico nas estruturas ou verificar a possi-
tros pra mais e menos. Após a avaliação,
bilidade da instalação de exaustores. Uma
todas as bancadas ultrapassam a medida
outra opção a longo prazo, prazo seria
máxima. Quanto a essas bancadas, suge-
a plantação de arvores no entorno da
riu-se o uso de cadeiras mais altas, o que
empresa. Visto que, altas temperaturas
seria uma opção mais fácil.
podem estar causando fadiga e descon-
Para os setores de vendas, P&D, finanças forto nos colaboradores o que contribui
e recepção onde os indivíduos tem que para a redução da produtividade.
ficar sentado todo tempo, foram sugeridas
algumas mudanças, tais como posicionar o 7. REFERÊNCIAS
monitor de modo que o topo da tela fique
à altura dos olhos e manter uma distância [ 1 ] . ABEPRO – Associação Brasileira de
de 45 cm a 70 cm, com leve inclinação e Engenharia de Produção. Áreas e Subáreas
sem reflexos. Os cotovelos devem ficar da Engenharia de Produção. Rio de Janeiro,
juntos ao corpo e embaixo dos ombros, 2008.
mantendo uma flexão de 90°. Antebraços,
[ 2 ] . ABRAHÃO, J.; SZNELWAR, L.; SILVINO,
punhos e mãos devem ser mantidos
A.; SARMET, M.; PINHO, D. Introdução à
apoiados em linha reta em relação ao
Ergonomia: da prática à teoria. São Paulo:
teclado mouse.
Brucher, 2009.

6. CONSIDERAÇÕES [ 3] . CARNEIRO, P. M. C. Ambiente térmico


FINAIS e qualidade no ar em cozinhas profissio-
nais. Instituto Superior de Engenharia de
O projeto de Ergonomia dentro de uma Coimbra, 2012.
empresa é muito importante pois aborda
vários aspectos que podem estar causando [ 4] . FALZON, P. Ergonomia. São Paulo:
doenças de trabalho e fadiga nos colabo- Blucher, 2007.
radores, consequentemente contribuindo
[ 5] . GUEDES, A. B. Segurança e Saúde no
para uma diminuição da produtividade.
trabalho, como evitar riscos no frio. 2010.
Quanto aos aspectos observados na
[ 6 ] . IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção.
empresa, sugeriu-se para a mesma,
2ª Ed. São Paulo: Blucher, 2005.
adequação dos problemas encontrados.
Se a mesma visa uma maior produtividade [ 7] . LAVILLE, A. Ergonomia. São Paulo,
juntamente com uma maior satisfação dos EPU, Ed. da Universidade de São Paulo,
trabalhadores, é essencial que os mesmos 1977.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


143

[8]. LUZ, F; AZEVEDO. M; OLIVEIRA, R.


Como o Corpo Humano mantém sua
temperatura durante a atividade física.
Física na Escola. V. 9. n. 2. 2008.

[9 ]. MACHADO L. F; NASCIMENTO D. C.
O. Estudo Ergonômico de uma Planta de
Produção de Papel Higiênico. In: Encontro
Nacional de Engenharia de Produção,
Porto Alegre-RS. Anais.... ENEGEP. Porto
Alegre, 2013.

[1 0]. RIBEIRO F. D. L. Avaliação Ergonô-


mica de Postos de Trabalho Informati-
zados em Escritório: Estudo de Caso numa
Empresa Florestal. Universidade Federal
de Viçosa, 2009.

[1 1 ]. SA, R. Introdução ao Stress térmico


em ambientes quentes. Tecnometal n. 124.
Set-Out 1999.

[1 2]. SOARES E. V. G., SILVA L. Estudo


Ergonômico e Proposta de Melhoramento
em Postos de Trabalho de uma Empresa
de Mineração. Revista SEPRONE, 2012.

[1 3]. RUAS, A. C. Conforto Térmico nos


Ambientes de Trabalho. Brasília. FUNDA-
CENTRO, 1999.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


ERGONOMIA NO
SETOR DE PRODUÇÃO
DE UMA FÁBRICA DE
MÓVEIS DE PEQUENO
PORTE: BENEFÍCIOS
PARA A EMPRESA E
TRABALHADORES

Débora de Oliveira Gomes


Carmen Lúcia Campos Guizze

RESUMO
O setor moveleiro no Brasil tem crescido consideravelmente e gerado muitos empregos,
porém é responsável hoje por um elevado número de afastamentos causados por doenças
e acidentes de trabalho. Tendo em vista a problemática apresentada, este estudo teve como
objetivo fazer uma análise ergonômica do setor de produção de uma fábrica de móveis
planejados e propor melhorias que venham eliminar e/ou reduzir os riscos ergonômicos.
Através da metodologia de análise ergonômica do trabalho, realizou-se observações, entre-
vistas e com a utilização de ferramentas de análise ergonômica, foram constatados diversos
problemas no setor de produção. Diferentes melhorias foram propostas com o objetivo de
eliminar ou reduzir os riscos encontrados. Deste modo, espera-se possibilitar mais conforto
e segurança aos funcionários, assim como impactar positivamente na produtividade da
empresa. Após a análise dos investimentos necessários para implementação das melho-
rias e os custos causados pela falta de ergonomia na empresa, constatou-se uma relação
custo-benefício bastante favorável às melhorias ergonômicas. A implementação do projeto
irá possibilitar que a empresa trabalhe dentro da legalidade e de maneira mais produtiva
e segura.
145

1. INTRODUÇÃO com a tecnologia, organização e ambiente


onde as intervenções devem ter como
Houve um expressivo crescimento do objetivo a melhoria, levando sempre em
setor moveleiro no Brasil nos últimos consideração a segurança, o conforto,
anos. Dados da Associação Brasileira das o bem-estar e a eficácia das atividades
Indústrias do Mobiliário (ABIMÓVEL) em humanas (ABERGO, 2008). A disciplina
2007 mostram que a indústria brasileira Ergonomia possui caráter multidisciplinar,
de móveis gera mais de 206 mil empregos, enfatizando seus estudos nas atividades
distribuídos em aproximadamente 16 mil das pessoas com a finalidade de adequar
micros, pequenas e médias empresas. produtos, sistemas, postos de trabalho
priorizando sua adaptação às caracterís-
Segundo Maciel et al (2010) em empresas
ticas dos usuários (DEFANI, 2006).
moveleiras de pequeno e médio porte
existe uma variabilidade de produtos e Diante desses fatos, este estudo teve como
de processos que impactam negativa- objetivo realizar uma análise ergonômica
mente nas condições de trabalho. Fiedler do setor de produção de uma fábrica de
et al (2003) já ressaltavam que no ramo móveis planejados de pequeno porte e
de fabricação de móveis há tarefas que propor melhorias que venham eliminar e/
exigem constante esforço físico por parte ou reduzir os riscos ergonômicos. Deste
dos operadores e, estas tarefas acarretam modo, espera-se possibilitar mais conforto
dores musculares e lesões como lombal- e segurança aos funcionários, assim como
gias e hérnias de disco. impactar positivamente na produtividade
da empresa.
Silva et al (2006) afirmam que no dimensio-
namento dos postos de trabalho responsá-
veis pela montagem de móveis, as alturas 2. O SETOR MOVELEIRO
e dimensões das bancadas e máquinas NO BRASIL
devem estar adequados aos biótipos dos
De acordo com os dados atualizados do
trabalhadores. Fiedler et al (2009) sina-
IEMI (Inteligência de Mercado, 2014), o país
lizam que equipamentos alocados em
tem 18,2 mil unidades produtoras atuantes
uma sequencia lógica de produção, níveis
no setor moveleiro, que empregam 300
de iluminamento adequados e distâncias
mil pessoas, revelando um crescimento de
mínimas entre as máquinas, dentre outros
28% em relação a 2009, passando de 237
fatores, otimizam o ambiente de trabalho,
mil para 303 mil funcionários empregados
geram mais motivação e qualidade de vida
direta e indiretamente no setor.
ao trabalhador e assim podem impactar
em aumento da produtividade. O maior número dessas unidades produ-
toras está alocado no segmento de
Para a Associação Brasileira de Ergonomia
madeira, com mais de 80% do total, que
a ergonomia é a integração das pessoas
também foi o que mais cresceu entre 2009

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


146

a 2013, com alta de 25%. As regiões Sul e O beneficio acidentário exige a CAT (comu-
Sudeste concentram o maior número de nicação de acidente do trabalho) e é conce-
unidades produtoras, com 39,6% e 38,5% dido ao segurado que sofre acidente de
do total, respectivamente. trabalho, inclusive o de trajeto, ou para
aquele trabalhador que se torna portador
De acordo com dados fornecidos pelo
de doença profissional. Porém, sabe-se que
Ministério da Previdência Social, apenas
muitas vezes o trabalhador tem doença
no ano de 2011 foram registrados 711.164
acidentes e doenças do trabalho, entre os profissional, adquirida pelos esforços
trabalhadores assegurados da previdência advindos das suas atividades profissionais,
social. Entre esses registros foram conta- e esta é reconhecida como doença comum,
bilizadas 15.083 doenças relacionadas recebendo assim o auxílio previdenciário.
ao trabalho, e alguns desses acidentes e
Com todos os dados apresentados,
doenças tiveram como consequência o afas-
nota-se a importância da prevenção e
tamento de 611.576 trabalhadores devido
proteção contra os riscos relativos às ativi-
à incapacidade temporária, 14.811 traba-
dades laborais, em especial no setor de
lhadores por incapacidade permanente e
fabricação de móveis, objeto de análise do
ainda o óbito de 2.884 trabalhadores. Em
presente estudo.
média, observou-se no ano de 2011 que
49 trabalhadores/dia não retornaram ao
trabalho por motivo de invalidez ou morte. 3. A ERGONOMIA E
A FABRICAÇÃO DE
Considerando o pagamento pelo INSS de MÓVEIS
benefícios devido a acidentes e doenças
do trabalho somado ao pagamento das Segundo Iida (2005) a ergonomia é o estudo
aposentadorias especiais decorrentes das da adaptação do trabalho ao homem. O
condições ambientais do trabalho, conta- trabalho passa a ter uma acepção muito
bilizou-se no ano de 2011 um total de R$ ampla, abrangendo não apenas aqueles
15,9 bilhões/ano. Adicionando-se despesas executados com máquinas e equipa-
como o custo operacional do INSS mais as mentos, utilizados para transformar os
despesas na área da saúde e afins, totali- materiais, mas também toda a situação
zou-se um valor de R$ 63,60 bilhões. em que ocorre o relacionamento entre o
homem e uma atividade produtiva. Isso
Apenas no setor de fabricação de móveis, envolve não somente o ambiente físico,
ainda segundo dados fornecidos pelo mas também os aspectos organizacionais.
Ministério da Previdência Social, nos anos
de 2011, 2012 e 2013, foram registrados De acordo com Dul e Weerdmeester (2004)
um total de 2.308 trabalhadores que rece- a ergonomia baseia-se em conhecimentos
beram auxílio acidentário e 21.051 que de outras áreas científicas, como a antro-
receberam auxílio previdenciário. pometria, biomecânica, fisiologia, psico-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


147

logia, toxicologia, engenharia mecânica, produção de uma marcenaria gera perdas


desenho industrial, eletrônica, informática na produtividade e a saúde do traba-
e gerência industrial. Ela reuniu, selecionou lhador pode ser severamente prejudicada
e integrou os conhecimentos relevantes (FIEDLER ET AL, 2009).
dessas áreas, para desenvolver métodos e
Outra fonte de tensão no trabalho é a
técnicas específicas para aplicação desses
condição ambiental desfavorável como
conhecimentos na melhoria do trabalho e
excesso de calor, umidade, ruído e vibração,
das condições de vida, tanto dos trabalha-
incluindo-se também luminosidade impró-
dores, como da população em geral.
pria, além da exposição a gases, fuligens e
Várias empresas do setor de fabricação poeiras. Esses fatores, segundo Fiedler et
de móveis têm buscado, nos últimos al. (2006), causam desconforto, aumentam
anos, melhorar as condições de trabalho, o risco de acidentes e podem provocar
criando situações mais confortáveis para danos consideráveis à saúde, sendo grande
os trabalhadores, o que reflete direta- parte das lesões decorrentes do risco ergo-
mente na sua qualidade e produtividade. nômico do tipo trauma cumulativo, ou seja,
No entanto, Fiedler et al. (2003) consta- o trabalhador somente irá perceber seus
taram que diversas atividades ainda são efeitos deletérios depois de alguns anos
executadas com a exigência de grandes numa situação de trabalho que, a princípio,
esforços físicos e com posturas potencial- o mesmo considerava até cômoda.
mente lesivas aos trabalhadores.
De acordo com Fiedler et al (2003) o estudo
Comumente ocorrem fadigas por sobre- ergonômico do trabalho em indústrias
carga física, com as posturas inadequadas fabricantes de móveis e a consequente apli-
gerando dores no sistema musculoesquelé- cação prática de seus resultados podem
tico do trabalhador, tendo como consequ- levar a condições mais seguras e saudá-
ência a redução do ritmo de trabalho e de veis no ambiente de trabalho, melhorando
raciocínio, o que pode levar a erros e, até sensivelmente a adaptação da atividade
mesmo, ao seu afastamento por doenças à pessoa que a realiza e proporcionan-
ocupacionais. Segundo Silva et al. (2006), os do-lhe um trabalho com maior conforto,
parâmetros antropométricos dos trabalha- bem-estar, produtividade e qualidade.
dores devem ser levados em consideração
Zanuncio et al (2009) ressaltam a neces-
no dimensionamento de postos de trabalho
sidade premente de que a ergonomia se
nas marcenarias. Assim, as alturas e demais
coloque como uma ferramenta de suma
dimensões das bancadas, máquinas e locais
importância no combate e prevenção aos
de depósito de madeira devem adequar-se
riscos de acidentes no trabalho. Deste modo,
à compleição física dos trabalhadores.
consequentemente, gerará segurança no
O inadequado posicionamento das trabalho em setores de marcenaria, de
máquinas e equipamentos no processo de modo que os trabalhadores possam ter

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


148

uma garantia de qualidade de vida e se e) Aplicação do questionário nórdico de


sintam mais satisfeitos com a produção e sintomas musculoesqueléticos;
com o ambiente de trabalho. O empregador
f) Análise de layout;
também será beneficiado, pois obterá
melhores resultados econômicos propor- g) Meidição do tempo de fabricação das
cionados pela otimização da produção e a peças;
não ocorrência de absenteísmo.
h) Verificação de não conformidades em
relação às Normas Regulamentadoras do
4. METODOLOGIA
Ministério do Trabalho e Emprego;
A pesquisa realizada pode ser classificada
i) Análise de custo-benefício.
como de natureza exploratória e descri-
tiva. A abordagem seguida foi a de estudo
de caso, tendo como base dados de natu- 5. O ESTUDO DE CASO
reza qualitativa. A metodologia utilizada foi
A marcenaria em estudo tem como principal
a Análise Ergonômica do Trabalho (AET).
atividade a fabricação de móveis plane-
Para Guèrin et al. (2001) a característica jados com predominância de madeira. A
básica de uma análise ergonômica do empresa está presente no mercado desde
trabalho é a observação sistemática das 2011, possui 12 funcionários, situa-se na
pessoas trabalhando. O foco é o trabalho cidade de Cabo Frio (RJ) e atende a clientes
efetivo desempenhado (chamado de de toda a Região dos Lagos.
trabalho real), que é analisado a partir das
Os proprietários e a gerência relataram
condições de trabalho impostas (posto de
que gostariam que houvesse uma maior
trabalho, métodos de produção, quanti-
agilidade na entrega dos produtos aos
dades e objetivos a serem atingidos).
clientes, pois é grande o número de
Para realizar o projeto de melhorias com atrasos, o que impacta negativamente nos
o objetivo de eliminar ou reduzir os riscos objetivos de conquista de uma clientela
existentes, utlizou-se os seguintes intru- maior na região.
mentos e métodos:
5.1. O SETOR DE
a) Observações sistemáticas das situações
PRODUÇÃO
de trabalho;
O setor de produção funciona de segunda a
b) Fotos e vídeos do processo produtivo;
sábado de segunda à sexta das 08:00h até
c) Entrevistas com os funcionários e 18:00h, com 1:30h de intervalo para almoço.
proprietário; Aos sábados, de 08:00h até 12:00h. Os cola-
boradores fazem pelo menos uma hora
d) Aplicação do método de avaliação extra diariamente. Não há pausas institu-
biomecânica RULA; ídas durante a realização da atividade.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


149

5.2 A POPULAÇÃO DE nesta empresa. Apesar de possuírem


TRABALHO pouco tempo na empresa, todos os funcio-
nários já trabalharam anteriormente em
A empresa possui um total de doze funcio- outras empresas, exercendo a mesma
nários, oito no setor de produção, que função. Trata-se, portanto, de um grupo de
será objeto de análise deste estudo. A profissionais experientes. A empresa não
distribuição de cargos no setor ocorre da oferece nenhum treinamento ou curso
seguinte maneira: quatro marceneiros, complementar.
dois montadores e dois ajudantes. Quatro
desses oito funcionários possuem até
5.3. PROBLEMAS NO SETOR
30 anos, três possuem de 31 a 40 anos e
DE PRODUÇÃO
apenas um deles possui mais de 50 anos
de idade. Quanto ao nível de escolaridade, Através de observações, entrevistas e
quatro funcionários no setor de produção aplicação das ferramentas propostas, foi
não possuem nem mesmo o ensino funda- possível detectar a existência de diversas
mental completo. Três concluíram o ensino inadequações no setor de produção, que
médio e um deles cursa o ensino superior. podem ser visualizadas na tabela 1, a seguir:

A empresa possui três anos de existência, No presente artigo serão detalhados a seguir
mas apenas três, dos oito funcionários somente os que causam maiores danos aos
possuem mais de um ano de trabalho trabalhadores e ao sistema produtivo.

Tabela 1 - Problemas detectados no setor de produção


Setor de Produção
Layout mal planejado
Desorganização
Não utilização de EPI’s
Inadequação das bancadas de trabalho
Alto nível de poeira
Falta de assentos para momentos de pausa
Risco de choque
Falta e inadequação dos equipamentos
Ruídos
Iluminação deficiente
Temperaturas elevadas
Falta de um local para estocagem
Inadequação na armazenagem de resíduos
Risco de queda
Espaços exíguos
Ausência de ambiente para refeições
Banheiro inadequado

Fonte: Elaborado pelas autoras

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


150

5.3.1. INADEQUAÇÃO Assim como a matéria prima, os produtos


DO LAYOUT DO SETOR acabados também não costumam ter um
DE PRODUÇÃO E local específico de armazenamento.
DESORGANIZAÇÃO DO
Os dois armários que se encontram no setor
AMBIENTE DE TRABALHO
são utilizados para guardar ferramentas,
Nota-se no setor de produção a exis- peças pequenas, produtos químicos e
tência de um layout mal planejado, onde outros materiais, porém todo esse material
as passagens são inadequadas para trans- é armazenado desordenadamente.
porte de materiais e deslocamento dos
A figura 1 a seguir retrata o layout atual
funcionários, acarretando em dificuldade
com os principais deslocamentos necessá-
no deslocamento e falta de espaço. Não
rios na produção.
existe um local específico para armaze-
namento da matéria prima, esse tipo de Descrição dos itens:
material costuma ser depositado em dife-
rentes locais sem nenhuma ordem para - -Item 1: Chapas de MDF;

isso. Além disso, observam-se muitos


- -Item 2: Produtos acabados;
resíduos no chão e objetos no caminho.

Figura 1 - Principais deslocamentos na produção (layout atual)

Fonte: Elaborado pelos autoras

- -Item 3: Esquadrejadeira; - -Item 9: Bebedouro;

- -Item 4: Bancadas; - -Item 10: Caixa de água.

- -Item 5: Desempenadeira; Foram filmadas as fabricações de alguns


móveis, visando estimar a distribuição
- -Item 6: Furadeira de bancada;
do tempo demandado em cada tarefa

- -Item 7: Coladeira; realizada. A distribuição apresentada no


gráfico 1, a seguir, foi estimada a partir do
- -Item 8: Armários; tempo total obtido em diversas filmagens
e a partir do relato dos funcionários.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


151

Gráfico 1 - Distribuição média do tempo gasto para fabricação das peças.

outras; 11%;
11% Corte; 18%;
transporte de 18%
materiais e
ferramentas;
10%; 10%

Acabamento;
11%; 11%
transporte de
peças
12%

limpeza da montagem;
peça; 16%; 22%; 22%
16%

Fonte: Elaborado pelos autoras

Observa-se através do gráfico que uma no transporte de materiais e ferramentas.


considerável parcela de tempo é consu-
mida com o transporte de peças (móveis) e 5.3.3. EXCESSO DE CARGA
deslocamento do marceneiro para buscar DE TRABALHO
materiais e ferramentas, além de outras
atividades (11%) que se resumem no Constatou-se que existe uma inadequação
tempo gasto para procura de materiais e em relação à carga de trabalho. Os funcio-
ferramentas, preparar o local de trabalho e nários se queixaram da carga horária
tempo de espera para utilizar as máquinas. “puxada”. Admitiram terem que faltar por
A partir destas análises, concluiu-se que há motivos de desconforto no trabalho. A
um deslocamento excessivo e movimentos realização de horas extras diárias confirma
desnecessários no processo produ- esta inadequação.
tivo, que contribuem para o aumento do
desconforto e do tempo para fabricação 5.3.4. FALTA DE MÁQUINAS
dos móveis. E EQUIPAMENTOS EM
PÉSSIMAS CONDIÇÕES
5.3.2. TRANSPORTE
Foi observado que existem gargalos na
MANUAL DE CARGAS
produção devido ao número insuficiente
Observou-se também a existência de de dois tipos de máquinas: a serra esqua-
esforços para o transporte de cargas, que drejadeira e a desempenadeira. A falta
se agrava de- vido ao layout mal plane- destes equipamentos causa espera e gera
jado e à desorganização do ambiente de ociosidade no fluxo de produção. Outras
trabalho. Na fábrica não existe nenhum peças, tais como furadeiras, também se
equipamento para auxiliar os funcionários encontram em péssimas condições de uso.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


152

6. RESULTADOS E e nos joelhos.

DISCUSSÃO Os diversos problemas identificados no

Através da aplicação do método de setor de produção comprometem a segu-

avaliação biomecânica RULA nas atividades rança e o conforto dos trabalhadores, além

dos ajudantes, marceneiros e montadores, de reduzirem sua produtividade e efici-

em ambos os lados, obteve-se pontuação ência. Também geram perdas e implicam

6, que aponta para a necessidade de inves- diretamente nos resultados da empresa.

tigar e realizar mudanças rapidamente.


6.1 PERDAS NO SETOR DE
Embora a empresa possua apenas três
PRODUÇÃO
anos de existência, todos os colaboradores
se queixaram de desconforto em pelo Embora a empresa receba, em média, de
menos uma parte do corpo. As respostas 20 a 30 pedidos por mês, constatou-se a
ao Questionário Nórdico de Sintomas existência de várias perdas no sistema
Musculoesqueléticos mostraram que as produtivo, como pode ser observado na
queixas mais frequentes foram em relação tabela 2, a seguir.
a sintomas na coluna superior, nos ombros

Tabela 2 - Perdas no setor de produção

Perdas Quantidade

Pedidos atrasados Cerca de 5 pedidos por mês

Pedidos cancelados Cerca de 2 pedidos por mês

Tempo médio de espera para uso das máquinas De 10 a 15 minutos

Erros/devoluções Em média 3 pedidos por mês

Absenteísmo Em média 3 faltas por mês, por funcionário

Fonte: Elaborado pelas autoras

A partir desses dados, pode-se concluir cada projeto variam, mas oscilam entre
que o número de atrasos para entrega R$3.000,00 e R$10.000. A média dos
de produtos é grande e pode representar valores perdidos por cancelamento pode
mais de 20% do total de pedidos. Embora ser estimada em R$6.500,00. Como são
os contratos de projetos não incluam cancelados, em média 2 pedidos por mês,
multas sobre atrasos, esse costuma ser o a empresa deixa de faturar uma média
principal motivo de desistência de pedidos de R$ 13.000,00 devido a cancelamentos.
por parte de clientes. Estes custos podem ser agravados se a
empresa já tiver cortado as peças, que são
Os valores que os clientes pagam por
fabricadas sob medida para cada cliente.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


153

A cada 30 pedidos, ocorrem em média, três armário destinado a produtos específicos


erros na produção, o que gera perda de para o acabamento, que inclui alguns
material e retrabalho. Cada chapa de MDF produtos químicos.
utilizada para a confecção de peças tem
As máquinas utilizadas nos demais
um custo que costuma variar de R$80,00
processos, esquadrejadeira (3), desem-
a R$200,00 e esse é o principal material
penadeira (5) e furadeira de bancada (6),
que é desperdiçado durante a produção
foram centralizadas a fim de poder atender
dos móveis. Existem perdas também refe-
melhor a cada processo realizado nas
rentes ao alto absenteísmo e o impacto
demais bancadas, que encontram-se no
deste no que se deixa de produzir.
seu entorno, reduzindo os deslocamentos.
Foi acrescentado ao layout uma esquadre-
6.2. MELHORIAS jadeira e uma desempenadeira.
PROPOSTAS
Também foi acrescido ao layout uma
Foram sugeridas diversas melhorias
caçamba para resíduos (12) colocada em
com o objetivo de eliminar ou reduzir
um local de fácil acesso à porta principal e
os problemas detectados (tabela 3). No
ao local das máquinas e bancadas, visando
presente estudo, apenas a que se segue
facilitar o depósito de resíduos na caçamba
será detalhada.
e o descarte do resíduo depositado.

6.2.1 REPLANEJAMENTO Foi sugerido também um jogo de mesa e

DO LAYOUT cadeiras para refeição (11) e assentos para


momentos de pausa (13).
A proposta de novo layout visa eliminar os
deslocamentos desnecessários, tornar o Na figura 2, a seguir, é possível visualizar

ambiente mais organizado afim de reduzir como se dariam os principais desloca-

o tempo na procura de equipamentos e mentos após a mudança do layout do setor

ferramentas, reduzir os riscos de queda e de produção.

facilitar a padronização das atividades.


6.2.2. INVESTIMENTOS
Foi separado um local específico para
PARA AS MELHORIAS
armazenar matéria prima (1) e produtos
PROPOSTAS
acabados (2), esse local é de fácil acesso
à principal entrada do setor de produção, Na tabela 3, a seguir, serão apresentados os
visando facilitar a entrada e saída de mate- investimentos necessários para implemen-
rial e produtos da fábrica. tação de todas as melhorias propostas:

Um local destinado ao processo de acaba-


mento foi estipulado, onde se encontra
uma bancada (4), a coladeira (7) e um

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


154

Figura 2 - Principais deslocamentos após a mudança do layout

Fonte: Elaborado pelos autoras

Tabela 3 - Investimentos para as melhorias propostas

Melhoria Valor

Instalação de exaustores R$ 1.466,00

Assentos para momentos de pausa R$ 350,00

EPI’s R$ 215,00

Proteção auto- ajustável que evita o contato direto com a serra R$ 459,00

Sinalizadores de perigo R$ 20,00

Instalação de lâmpadas nas bancadas de trabalho R$ 80,00

Instalação de bancadas de trabalho que possibilitem regulagem de altura R$ 2.200,00

Um carrinho de mão para transportar resíduos R$ 80,00

Uma caçamba para armazenar resíduos R$ 650,00

Reparo das instalações sanitárias. R$ 4.000,00

Readequação de toda a instalação elétrica do setor de produção. R$ 2.000,00

Mesa e cadeiras para alimentação R$ 500,00

Carrinho para transporte de chapas. R$ 2.200,00

Carrinho de plataforma. R$ 1.706,00

Uma serra esquadrejadeira R$ 4.200,00

Uma desempenadeira R$ 3.300,00

Duas parafusadeiras R$ 248,00

Total R$ 23.674,00

Fonte: Elaborado pelas autoras

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


155

6.3 CUSTOS COM A falta de ergonomia nas empresas implica


AUSÊNCIA DE ERGONOMIA em diversas perdas que se convertem em
NA EMPRESA custos que muitas vezes passam desperce-
bidos. A tabela 4 evidencia estas perdas.

Tabela 4 - Custos com ausência de ergonomia

Perdas Custo mensal Custo anual

1.Horas extras R$ 2.045,45 R$ 24.545,45

2.Faltas dos funcionários R$ 545,45 R$ 6.545,45

3.Impacto das faltas na produção R$ 19.431,82 R$ 233.181,84

4.Pedidos cancelados R$ 13.000,00 R$ 156.000,00

5.Erros/devoluções R$ 19.500,00 R$ 234.000,00

6.Desperdício de materiais R$ 6.000,00 R$ 72.000,00

Total R$ 60.522,73 R$ 726.272,73

Fonte: Elaborado pelas autoras

6.4. A RELAÇÃO ENTRE no processo de produção durante a AET e


OS INVESTIMENTOS a estimativa de investimento para implan-
PROPOSTOS E OS CUSTOS tação das sugestões de melhoria. Pode-se
COM AUSÊNCIA DE perceber que os investimentos sugeridos
ERGONOMIA representam apenas cerca de 30% do valor
que é gasto mensalmente pela ausência de
O gráfico 2, a seguir, apresenta a relação ergonomia na empresa.
entre os custos ergonômicos constatados

Gráfico 2 - Relação entre investimentos e custos ergonômicos mensais

Fonte: Elaborado pelos autoras

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


156

7. CONCLUSÃO [ 4] . DEFANI, Luciana Gomes; FRANCISCO,


Antonio Carlos de; DEFANI, Junior Clau-
Através de observações, entrevistas e com cindo. Importância da análise ergonômica
a utilização de ferramentas de análise ergo- em um posto do setor madeireiro: um
nômica, foram evidenciados diversos riscos estudo de caso. In: XIV CONGRESSO BRASI-
no setor analisado, que prejudicam a saúde LEIRO DE ERGONOMIA. Anais do... Curi-
e o conforto dos funcionários, além de tiba/PR. 29 de outubro a 02 de novembro,
comprometer o trabalho e a produtividade, 2006.
impactando na lucratividade da empresa.
[ 5] . DUL, Jean, WEERDMEESTER, Bernard.
Espera-se que as melhorias sugeridas Ergonomia Prática. 2. ed. São Paulo. Edgard
venham colaborar para a reduzir o alto Blücher, 2004.
absenteísmo, melhorando a qualidade de
vida dos trabalhadores, além de otimizar a [ 6 ] . FIEDLER, Nilton Cesar et al. Análise da
capacidade de produção e eliminar custos. exigência física do trabalho em fábricas de
móveis no Distrito Federal. Revista Árvore,
Após a análise dos investimentos neces- v.27, n.6, p.879-885, 2003.
sários e os custos causados pela ausência
de ergonomia no sistema produtivo, cons- [ 7] . FIEDLER, Nilton César; VENTUROLLI,

tatou-se uma relação de custo-benefício Fábio; MINETTI, Luciano José. Análise

bastante favorável às melhorias ergonô- de fatores ambientais em marcenaria

micas. A implementação do projeto ergo- no Distrito Federal. Revista Brasileira de

nômico irá possibilitar que a empresa Engenharia Agrícola e Ambiental. v.10 n.3

trabalhe em conformidade com as normas Campina Grande jul./set. 2006.

regulamentadoras e de maneira mais


[ 8] . FIEDLER, Nilton Cesar et al. Otimi-
segura e produtiva.
zação do layout de marcenarias no sul do
Espírito Santo baseado em parâmetros
REFERÊNCIAS ergonômicos e de produtividade. Revista
Árvore, Viçosa - MG, v. 33, n. 1, p.161-170,
[1 ]. ABERGO. O que é ergonomia? Dispo-
2009.
nível em: <http://www.abergo.org.br>.
Acesso em: 12 ago. 2008. [ 9 ] . GÜÉRIN, François et al. Compreender
o trabalho para transformá‑lo: a prática
[2]. ABIMÓVEL. Panorama do setor move-
da ergonomia. São Paulo: Edgard Blücher,
leiro no Brasil: informações gerais. São
2001.
Paulo, v.2, 2007.
[ 1 0 ] . IEMI (Inteligência de Mercado). Brasil
[3]. BRASIL, Ministério da Previdência
Móveis 2014. Disponível em <http://www.
e Assistência Social (MPAS). Estatísticas.
iemi.com.br>. Acesso em 25 mar. 2015.
Disponível em < http://www.mpas.gov.br>.
Acesso em: 20 abr. 2014.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


157

[1 1 ]. MACIEL, Laura Lehn et al. Fabricação


e Montagem de Móveis: uma análise ergo-
nômica da organização do trabalho. In: X
Semana de Engenharia de Produção Sul
Americana. Santiago, Chile, novembro de
2010.

[1 2]. SILVA, Kátia Regina; SOUZA, Amaury


Paulo de; MINETTE, Luciano José; COSTA,
Fernanda Freitas; FIALHO, Patrícia Bhering.
Avaliação antropométrica de trabalha-
dores em indústrias do pólo moveleiro de
Ubá, MG. Revista Árvore. v.30 n.4, 2006.
Disponível em: <http://www.scielo.br/img/
revistas/rarv/v30n4/31682q1.gif>. Acesso
em: 11 mai. 2008.

[1 3]. ZANUNCIO, SharinnaVenturim et al.


Como a Análise Ergonômica do Trabalho
Pode Contribuir Para a Segurança no
Trabalho no setor de Marcenaria. Anais
do IV Workshop de Análise ergonômica do
Trabalho e I Encontro Mineiro de Estudos
em Ergonomia. Viçosa- MG, 2009.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


PROPOSTAS DE
MELHORIA A PARTIR DA
ANÁLISE ERGONÔMICA
DO TRABALHO (AET) EM
DISTRIBUIDORA DE GLP
EM ARACAJU/SE

Derek Gomes Leite


Ludimila Cavalcante da Silva
Simone de Cássia Silva

RESUMO
A Ergonomia busca adequar as condições de trabalho às necessidades do homem, de
modo a prover segurança, conforto e bom desempenho. Para isso, estuda o ser humano e
os sistemas de trabalho a fim de prover soluções que promovam uma melhor innteração
entre esses dois componentes. Dentro do ambiente organizacional, possui vários benefícios,
tanto para sua produtividade como também para o bemestar e segurança do colaborador.
Segundo a Norma Regulamentadora NR-17, o ambiente de trabalho deve estar adequado às
características dos trabalhadores e a natureza do trabalho. Neste sentido, o objetivo desta
pesquisa foi proporcionar uma abordagem baseada em melhorias dos processos, a partir
da Análise Ergonômica do Trabalho (AET), em uma base de produção em Aracaju de uma
distribuidora de gás liquefeito de petróleo (GLP). Para que esse objetivo fosse alcançado,
buscou-se selecionar os postos de trabalho e atividades críticas dos processos de trabalho,
identificar as disfunções evidentes ao sistema de operações, analisar os problemas ergo-
nômicos e propor soluções técnico-científicas adequadas para os mesmos. Após as visitas
técnicas e análises realizadas, foi possível sugerir uma rampa para carga e descarga de
cilindros de GLP, de forma a substituir o levantamento manual que ocorria no processo,
visando mitigar problemas devido ao esforço físico dos colaboradores. Outra recomen-
dação foi a substituição gradativa das luminárias utilizadas na plataforma de produção,
respeitando a certificação para áreas classificadas que estes equipamentos necessitam, por
159

outros que proporcionariam melhor iluminação ao ambiente, já que as medições realizadas


mostraram valores abaixo do que consta na norma referente a esse quesito, a NBR 5413.
Com isso, foi possível entregar à distribuidora de GLP um relatório com essas recomen-
dações ergonômicas, de modo que a empresa viabilizasse a implantação das propostas
elaboradas neste estudo.

Palavras-chave

Análise Ergonômica do Trabalho, biomecânica ocupacional, iluminação de ambientes

1. INTRODUÇÃO operações, analisar os problemas ergonô-


micos e propor soluções técnico-científicas
O contexto ergonômico desta pesquisa adequadas para os mesmos.
volta-se às observações diretas realizadas
em postos de trabalho, numa perspec-
2. REVISÃO
tiva de adequar as melhores condições
BIBLIOGRÁFICA
de trabalho às necessidades do homem,
provendo a segurança, o conforto e o bom
desempenho. A conectividade do estudo
2.1 BIOMECÂNICA
entre as relações do trabalhador com o
OCUPACIONAL
ambiente organizacional deve promover O enfoque ergonômico tende a desen-
uma melhor interação entre esses compo- volver postos de trabalhos que reduzem
nentes, a fim de trazer índices crescentes as exigências biomecânicas e cognitivas,
para sua produtividade, bem como para o procurando colocar o operador em uma
bem-estar e segurança do colaborador. boa postura de trabalho. Os objetivos a
serem manipulados ficam dentro da área
Segundo a Norma Regulamentadora
de alcance dos movimentos corporais. As
NR-17, o ambiente de trabalho deve estar
informações colocam-se em posições que
adequado às características dos traba-
facilitem a sua percepção (IIDA, 2005).
lhadores e a natureza do trabalho. Neste
sentido, o objetivo desta pesquisa foi A postura correta, sem inclinação do dorso,
proporcionar uma abordagem baseada é importante no momento do levanta-
em melhorias dos processos, a partir da mento de pesos para que não haja sobre-
Análise Ergonômica do Trabalho (AET), carga sobre uma ou outra região da coluna.
em uma base de produção em Aracaju O peso deve ser distribuído o mais unifor-
de uma distribuidora de gás liquefeito memente possível entre todas as vértebras
de petróleo (GLP). Para que esse objetivo e discos. Trabalhos que exigem esforço
fosse alcançado, buscou-se selecionar os físico, associados a posturas incorretas,
postos de trabalho e atividades críticas geram dores ao trabalhador, sendo mais
dos processos de trabalho, identificar comumente lombalgias (MERINO, 1996).
as disfunções evidentes ao sistema de

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


160

Quando se levanta um peso, o esforço deve para sua degeneração (VANÍCOLA, 2004).
estar concentrado sobre os músculos dos
Segundo Iida (2005), Corlett e Manenica
membros inferiores, que são mais fortes
(1980) propuseram um diagrama de dores
do que os músculos do dorso, conside-
para ajudar na identificação e localização
rados apenas como posturais. A sobrecarga
das áreas mais atingidas no trabalhador. O
imposta aos discos intervertebrais da coluna,
diagrama apresenta um índice de descon-
muito estudada pela Biomecânica, ocasiona
forto que vai de níveis 1 a 7 para obter
um aumento da pressão exercida sobre o
informações mais precisas dos locais com
disco na manutenção de uma postura está-
dores. A Figura 1 mostra as regiões para
tica durante a realização de uma tarefa,
avaliação de dor ou desconforto.
sendo esse um dos fatores que contribuem

Figura 1 - Mapa das regiões corporais para avaliação de dor/desconforto

Fonte: Iida (2005)

Maia (2008) explica que por meio deste 2.2 ILUMINAÇÃO DE


diagrama o pesquisador pode identificar AMBIENTES
máquinas, equipamentos e postos de
trabalho que promovem maior descon- A iluminação de ambientes é regulamen-
forto postural. Este método pode ser apli- tada pela NBR 5413, cujo objetivo é favo-
cado com ou sem auxílio de softwares recer o ambiente de trabalho, estabele-
específicos e tem como vantagens sua cendo os valores mínimos de iluminância
simplicidade e o fato de não interromper em interiores onde se realizem atividades
o trabalho para coleta de dados. Todavia, de comércio, indústria e outras. A Tabela
seus resultados baseiam-se exclusiva- 1 traz os valores de iluminância exigidos
mente na colaboração do trabalhador para cada ambiente, que dependem da
entrevistado, podendo este omitir ou demanda de acuidade visual da tarefa e da
aumentar o índice de desconforto no sua frequência.
momento da avaliação.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


161

Tabela 1 - Iluminância de interiores segundo NBR 5413/1992

Fonte: NBR 5413/1992

Uma das formas mais utilizadas de cálculo Outro fator que afeta a iluminação de
luminotécnico é o Método dos Lúmens, ambientes é a sua depreciação ao longo
que consiste em encontrar a demanda de do tempo. Esta causa redução da lumino-
fluxo luminoso do ambiente, relacionando sidade emitida pelas lâmpadas, especial-
suas características ao iluminamento que mente naquelas de vapores metálicos. Já as
se deseja obter para o local. Tal cálculo é lâmpadas de LED, além de apresentarem
dado pela Equação 1 (FIORINI, 2006). alta iluminação e baixo consumo, possuem
depreciação de duas a três vezes menor
do que os equipamentos convencionais.
Por outro lado, seu alto custo de aquisição
requer análises de investimento, relacio-
nando o ganho de eficiência ao preço de
Onde: 0 : Fluxo luminoso (lm)
compra (VARGAS; MAESTRIA, 2015).

S: Área do recinto (m²)


2.3 ILUMINAÇÃO EM ÁREAS
E: Iluminamento requerido pelo ambiente
CLASSIFICADAS
(lux)
A classificação de áreas é essencial para a
nLuminária: Rendimento da luminária,
definição dos mecanismos de segurança
indicado no catálogo do fabricante
necessários para cada ambiente de uma

nRecinto: Valor tabelado pelo fabricante empresa a fim de evitar acidentes decor-

de acordo com as refletâncias do local rentes da presença de atmosferas explo-


sivas (JAGLBAUER, 2007).
D: Fator de depreciação
Segundo a NBR IEC 600079-10, área classi-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


162

ficada é aquela em que está ou espera-se instalação ou uso de equipamentos. A defi-


que esteja presente uma atmosfera explo- nição do tipo de área considera a frequ-
siva, em quantidades tais que requeiram ência e duração atmosfera explosiva em
precauções especiais para a construção, determinado local, conforme a Tabela 2.

Tabela 2 - Definição de zonas segundo NBR 60079-10

Fonte: Adaptado de NBR 60079-10

Essa mesma norma afirma ainda que, a partir da observação dos fatos exata-
uma vez definidas as áreas classificadas, é mente como os mesmos ocorrem, seguida
possível finalmente especificar os equipa- da Análise Ergonômica do Trabalho (AET),
mentos elétricos que ali serão utilizados. A com sugestões de melhorias ergonômicas
certificação desses equipamentos é dada para a empresa (GIL, 2010).
de acordo com o tipo de proteção determi-
Após revisão bibliográfica e escolha da
nado pela zona em que se localizam, grupo
empresa onde seria aplicado o estudo,
ao qual a substância presente na atmos-
foram realizadas uma série de visitas
fera explosiva pertence, sua temperatura
técnicas para as observações diretas, coleta
de ignição e a proteção do invólucro, que
e análise de dados até a elaboração e crítica
são definidos pelas normas NBR IEC 60079
do relatório de recomendações ergonô-
e NBR IEC 60529.
micas, conforme demonstrado pela Figura
2. Este produto do projeto de pesquisa foi
3. MÉTODOS ADOTADOS entregue à empresa para que a mesma

Este trabalho consistiu em um estudo de realizasse a viabilidade efetiva para as

caso, em que se realizou uma pesquisa implantações das melhorias ergonômicas

de campo, quando são coletados dados sugeridas para os processos avaliados.

Figura 2 - Etapas da pesquisa

Fonte: Autoria própria

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


163

4. RESULTADOS E não há lança transportadora e todos os

DISCUSSÕES processos ocorrem de forma manual,


exceto a pintura. Tal fato se deve ao
pequeno volume de produção desse tipo
4.1 DESCRIÇÃO DOS
de produto, aproximadamente 50 por dia,
POSTOS DE TRABALHO
contra 14.000 P-13. Além disso, o tamanho
ESCOLHIDOS
e formato diferenciados do produto não
Após a primeira visita a empresa, foram permitem que estes passem pela linha
identificados dois postos de trabalho com destinada ao P-13.
exigência física devido aos frequentes
Esses dois postos de trabalho comparti-
levantamentos de peso envolvidos em suas
lham uma equipe formada por 12 cola-
atividades: os postos de carga e descarga
boradores do sexo masculino, com idade
de P-13 e de cilindros, que correspondem
média de 39 anos, que possuem o cargo
ao P-20 e P-45. O primeiro pesa aproxi-
de ajudantes de produção. Os mesmos
madamente 14 kg vazio e 27 kg cheio,
intervêm em duplas no descarregamento
enquanto o último, de maiores volume e
de caminhões com vasilhames vazios (mais
massa, varia de 40 kg a 60 kg vazio até 105
leves) e no carregamento de caminhões
kg quando está preenchido com GLP.
com vasilhames preenchidos com o GLP
A linha de produção de P-13 inicia e (mais pesados), sob a premissa de que a
termina em dois pontos diferentes do mesma dupla não realize o carregamento
posto de carga e descarga. Inicialmente, de dois caminhões de forma consecutiva,
a produção é alimentada pela chegada de a fim de distribuir melhor as atividades
um caminhão com botijões vazios, que são pesadas entre os trabalhadores.
colocados pelos colaboradores em uma
lança transportadora. Esse equipamento 4.2 DISFUNÇÕES
move-se para dentro ou para fora da carro- EVIDENTES
ceria do veículo à medida que o mesmo
é carregado ou descarregado, enquanto A primeira visita técnica permitiu observar

sua esteira transporta os vasilhames para algumas disfunções referentes ao ambiente

a linha de produção. Esses recipientes e ao trabalho no setor de produção.

passam por uma série de processos de


Em relação às condições ambientais, o
inspeção, ajustes e envase até chegar ao
ruído decorrente dos frequentes choques
momento de ser carregado em outro cami-
entre os botijões é facilmente notado. Em
nhão, que leva os produtos ao seu destino.
decorrência disso, todos os colaboradores

O posto de cilindros funciona de forma e visitantes são obrigados a utilizar protetor

bem parecida, porém o local em que auricular nessa área. Outros dois fatores

ocorre a descarga do vasilhame é o observados foram o constante odor do gás

mesmo onde o produto cheio é entregue, que escapa durante o processo e a tempe-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


164

ratura elevada, sendo os mesmos ameni- gado e carregado em um caminhão mais


zados pelos umidificadores presentes no alto do que a plataforma.
local e o fato de o mesmo não ser fechado Figura 3 - Descarga de P-45 vazio
(possui cobertura, mas não apresenta
paredes), o que o torna arejado.

Apesar de a primeira visita ter sido reali-


zada durante o dia, quando a iluminação
natural ainda está presente, foram ouvidas
queixas por meio de entrevistas diretas
com os colaboradores referentes à ilumi-
nação artificial da plataforma de produção.
Dessa forma, optou-se por aguardar até
o momento da avaliação ambiental para Figura 4 - Carregamento de P-45 cheio
aferir tais condições com uso de luxímetro.
Nesse momento foi decidido também que a
visita 3, referente às medições ambientais,
seria realizada em um horário noturno, de
forma que fosse possível a verificação da
iluminação artificial.

Devido à demanda física do trabalho, é


realizada ginástica laboral mediada por
profissional de Fisioterapia, com duração
de 10 a 15 minutos, no início do expe- Fonte: Fotografado pelos autores
diente de cada dia. O objetivo é amenizar
Observa-se nas Figuras 3 e 4 que a postura
os incômodos sentidos pelos colabora-
apropriada, com coluna ereta e sem
dores. Ainda assim, de acordo com a enfer-
esforço na musculatura do dorso, não é
meira do trabalho da base, é comum haver
seguida. Apesar de haver alguma flexão
queixas referentes a lombalgias. Acon-
dos membros inferiores, a musculatura da
tecem também, com menor frequência,
região lombar do ajudante ainda é exigida,
reclamações sobre dores no ombro.
o que pode contribuir para dores no local.

Uma atividade observada como crítica Outro risco observado na Figura 4 é o fato

durante a pesquisa de campo foi a carga de o trabalhador se apoiar na porta da

e descarga dos cilindros, especialmente gaiola da carroceria, que é uma parte móvel

quando existe diferença de altura entre a do veículo. Um eventual deslocamento da

plataforma e o caminhão ali posicionado. porta, provocado pelo peso e pelo esforço

As Figuras 3 e 4 mostram, respectivamente, do trabalhador, pode causar a queda do

os momentos em que o P-45 é descarre- mesmo e consequente impacto contra o


para-choques do caminhão, o vasilhame

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


165

de aço ou a própria gaiola, configurando ções de trabalho sobre a saúde dos mesmos,
acidente de trabalho. foi aplicado diagrama de dores com os doze
colaboradores desse cargo, cujo resultado
Como forma de investigar os principais incô-
está apresentado na Tabela 3.
modos dos ajudantes e o impacto das condi-

Tabela 3 - Resultados do Diagrama de Dores

Fonte: autoria própria

É possível observar na Tabela 3 a maior boradores, foi sugerida a utilização de uma


ocorrência de dores na região lombar, no rampa para o transporte dos cilindros para
pulso ou mão e na nuca (50% das respostas), dentro e fora dos veículos com diferença de
seguidos das costas (43% de queixas). altura. Apesar de haver a opção de cons-
Apesar de não se destacar nas queixas de truir uma rampa fixa à plataforma, tal como
dor ocasional, o ombro também apresentou rampas de docagem, sugere-se uma rampa
alta incidência de dores frequentes (29%). móvel por representar uma solução eficaz e
econômica. A Figura 6 ilustra um modelo de
Esses números confirmam a indicação de
rampa móvel que pode ser utilizado para a
que o levantamento de peso e a postura são
carga e descarga dos produtos P-20 e P-45.
fatores depreciativos à saúde desses traba-
lhadores, já que as posições de elevação de Figura 5 - Exemplo de rampa para
carga/descarga de cilindros
produtos observadas trazem sobrecarga
às costas, nuca, região lombar e ombros,
enquanto a pega dos botijões exige esforço
do pulso e da mão.

4.3 RAMPA PARA


CARREGAMENTO DE
CILINDROS

A fim de evitar situações de demanda


Fonte: Site Equipleva
muscular sobre a região lombar dos cola-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


166

Recomenda-se um modelo simples, com comprimento. A última alternativa tem


material de alumínio, sistema antiderra- como vantagem ocupar menor espaço
pante e capacidade de suportar aproxi- durante o acondicionamento, o que é
madamente 250 kg a 300 kg de carga. Tal importante devido à limitação de espaço
valor é apropriado para o uso nos cilindros, do posto de trabalho.
já que a carga máxima transportada, refe-
A fim de definir o comprimento mínimo para
rente a um P45 cheio, é de 105 kg. Saben-
a rampa, foi medida a diferença de altura
do-se que o carrinho pesa 15 kg, restariam
entre a plataforma e os caminhões que ali
130 a 180 kg para a massa do trabalhador.
carregam cilindros. Como os veículos mais
Este valor é suficiente para que o ajudante
altos apresentam nível 60 cm acima do piso
transporte um P45 por meio de carrinho,
da área de carga/descarga de cilindros, foi
conforme a Figura 6.
possível projetar o comprimento neces-
Figura 6 - Transporte de cilindro P45 sário da rampa de 120 cm, para um ângulo
com carrinho
de 30º com o piso, sendo o afastamento
de 104 cm. O esquema da montagem da
rampa está representado na Figura 7.

Dessa forma, sugere-se uma rampa de


carga em alumínio e material antiderra-
pante com as especificações de acordo com
a Tabela 4.

De acordo com levantamento realizado


através de websites de fornecedores deste
tipo de produto, estima-se um custo de
aproximadamente R$ 300,00. Enquanto
Fonte: Fotografado pelos autores
isso, plataformas embutidas apresentaram
Além do material e capacidade de carga, valores bem superiores, a partir de R$
devem ser definidas as dimensões da 4500,00. A sugestão deste trabalho trata-se,
rampa. Como a largura do carrinho utili- portanto, de uma alternativa de baixo custo
zado na empresa é 59 centímetros, então e boa efetividade para eliminar a elevação
aproximadamente 70 centímetros são sufi- manual dos cilindros.
cientes para a sua passagem segura, levado
pelo ajudante. Já o comprimento deve ser
tal que seja possível conectar o veículo à
plataforma numa posição que permita
levar os produtos da área de estoque até
o caminhão. Há ainda a opção de adquirir
um produto com opção de regulagem de

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


167

Figura 7 - Esquema de utilização da rampa sugerida

Fonte: autoria própria

Tabela 4 -Capacidade de carga e dimensões sugeridas para a rampa

Fonte: autoria própria

4.4 RESULTADOS muitos deles não estavam dentro dos


DA AVALIAÇÃO DA valores de iluminância regulamentados
ILUMINAÇÃO DA pela norma NBR 5413/1992. Apenas três
PLATAFORMA postos atenderam ao valor da norma, o
que revela a necessidade de adequação
Após as reclamações constatadas por da iluminação do ambiente. A inspeção
meio de entrevistas diretas com os cola- de fundo apresentou excelente ilumi-
boradores em relação à iluminação da nação por haver uma luminária instalada
plataforma de produção, foram reali- próxima ao trabalhador. Por outro lado, os
zadas as medições com uso de aparelho postos carga e descarga, inspeção visual e
luxímetro a fim de verificar as condições diversos outros ficaram muito abaixo do
ambientais relativas a esse quesito. Dife- valor exigido, como mostra a Tabela 5.
rentemente das análises das atividades
de carga e descarga, a avaliação da ilumi- Devido aos baixos valores de iluminância
nação foi realizada em toda a plataforma encontrados, decidiu-se redimensionar a
de produção da empresa. iluminação da plataforma. Por propiciar
maior distribuição luminosa, com consumo
Percebeu-se a existência de alguns locais mais baixo e vida útil elevada, optou-se por
menos iluminados que outros, sendo que utilizar iluminação em LED.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


168

Tabela 5 - Iluminância medida na plataforma de produção

Fonte: Autoria própria, com base na NBR 5413/1992

Porém, uma dificuldade encontrada foi a 3,8 metros do piso, o que corresponde a 3
indisponibilidade do projeto de iluminação, metros do plano de trabalho.
assim como dos critérios utilizados em seu
Segundo o setor de manutenção da
dimensionamento, já que os gestores de
empresa, as lâmpadas de vapor metálico
manutenção e de produção não estavam
são mais antigas do que as fluorescentes,
na empresa quando o projeto foi conce-
que possuem aproximadamente 10 anos e
bido e seus registros não foram locali-
7 anos de uso, respectivamente. A depre-
zados. Dessa forma, tornou-se necessário
ciação do invólucro das luminárias é um
mapear a localização das luminárias ao
fator agravante para a baixa de iluminância
longo da área de produção.
no local, pois o estado escurecido do acrí-
Foram mapeadas 70 lâmpadas fluores- lico reduz a passagem da luz para o plano
centes cilíndricas com potência de 40 W de trabalho.
instaladas na parte interna da plataforma,
Antes dos cálculos, foi definido o tipo de
distribuídas em 35 luminárias. Ao redor
luminária de modo a respeitar as normas
da área de produção, estão localizadas 33
de certificação para o ambiente em
lâmpadas de vapor metálico de 160 W de
questão. A Tabela 6 traz a especificação
potência. Todas as luminárias são à prova
de luminária para a área de produção da
de explosão e estão fixadas na estrutura
empresa segundo a atmosfera explosiva
metálica de sustentação da cobertura, a
com presença de GLP que existe no local.

Tabela 6 - Especificação de luminária para o setor de produção da empresa estudada

Fonte: autoria própria

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


169

Após a determinação do tipo de proteção a dois diferentes fornecedores, com o obje-


ser utilizada, foi definido o número de lumi- tivo de escolher a que a mais se adequa às
nárias necessárias para adequar a ilumi- necessidades de melhoria da iluminação
nação, a partir do cálculo luminotécnico e redução do custo de energia elétrica. Os
com o método dos lúmens. Foi realizado resultados são apresentados na Tabela 7.
então orçamento de quatro luminárias de

Tabela 7 - Comparação de luminárias em LED

Fonte: autoria própria

Os melhores consumos de energia foram Para isso, analisou-se o valor presente


encontrados nas opções 3 e 4. Dentre líquido (VPL), considerando utilização por
essas, a opção 4 foi escolhida para substi- 20 anos. O tempo de retorno do inves-
tuir as luminárias antigas por apresentar timento inicial foi calculado em função
menor investimento inicial, já que requer da redução do custo de energia elétrica
menos unidades para atender à demanda por meio do método do payback simples,
de luminosidade. sendo o tempo de retorno máximo deter-
minado pela vida útil média da luminária.
Por fim, foi analisado se seria viável trocar
Os resultados estão apresentados na
esses equipamentos imediatamente ou
Tabela 8.
fazer a substituição gradativa, à medida
em que as antigas apresentem defeito. A Tabela 8 mostra que, mesmo com a
A vantagem da substituição gradativa é redução de consumo de energia elétrica,
que haveria apenas um custo incremental O VPL é negativo e o tempo de retorno de
para aquisição de uma luminária superior. investimento é superior ao critério estabe-
Por outro lado, a troca imediata em toda lecido. Isso ocorre devido ao alto custo de
a planta traria ganhos qualitativos, já que aquisição das luminárias, que se deve ao
elevaria imediatamente o nível de ilumi- fato de ser produto com especificação espe-
nação do ambiente. cial para atmosfera explosiva, bem como
utilizar lâmpadas de LED, que possuem

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


170

alto preço de compra. Outro fator é o baixo gradativa das luminárias da plataforma pela
tempo de utilização da iluminação, já que se alternativa 4, de modo a propiciar condi-
trata de um ambiente aberto e as luzes são ções de iluminação adequadas às ativi-
acesas apenas quando há trabalho noturno. dades desenvolvidas no local e promover
a redução do consumo de energia elétrica.
Portanto, foi recomendada a substituição

Tabela 8 - Tempo de retorno e VPL do investiment

Fonte: autoria própria

5. CONSIDERAÇÕES elaborado projeto de redimensionamento

FINAIS da iluminação, buscando adequar a situ-


ação da plataforma a um ambiente de
A partir da AET e com o apoio das normas trabalho mais confortável e seguro, dentro
NR-17 e NBR 5413, foi possível analisar os das especificações da norma. Porém, o alto
problemas ergonômicos e entregar um investimento para implantação imediata
relatório de recomendações referentes e VPL negativo da análise de viabilidade
às atividades críticas e ao ambiente de econômica do projeto levaram à conclusão
trabalho da empresa. de que seria preferível trocar as luminárias
gradativamente, à medida que os equipa-
Dentre as reclamações ouvidas dos opera-
mentos antigos apresentassem defeito.
dores em relação à atividade que eles
executam, a lombalgia foi o incômodo mais
citado, tendo sido associada ao elevado REFERÊNCIAS BIBLIO-
esforço físico que é despendido para carregar GRÁFICAS
e descarregar os vasilhames. Para solucionar
[ 1 ] . ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
este problema, foi sugerida a instalação de
NORMAS TÉCNICAS. NBR 5413 – Ilumi-
uma rampa entre o veículo e a plataforma
nância de interiores, Brasil: 1992.
para auxiliar a movimentação desses vasi-
lhames, reduzindo os esforços de levan- [ 2 ] . ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
tamento de carga e, consequentemente, NORMAS TÉCNICAS. NBR IEC 60079-10 –
contribuindo para a saúde do colaborador. Equipamentos Elétricos para Atmosferas
Explosivas. Parte 10: Classificação de áreas,
Além disso, dados coletados na análise da
Brasil: 2006.
iluminação mostraram deficiência no atual
projeto da planta. Os valores medidos [ 3] . BRASIL, Ministério do Trabalho e
foram insatisfatórios quando comparados Emprego. Manual de Aplicação da Norma
com o que dispõe a NBR 5413. Foi então Regulamentadora n° 17. 2 ed. Brasília:

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


171

SIT, 2002. Florianópolis, 1996.

[4]. EQUIPLEVA. Produtos Equipleva. [ 1 1 ] . VANÍCOLA, M. et al. Biomecânica


Disponível em: <www.equipleva.pt>, Ocupacional: uma revisão de literatura.
acesso em 18/01/2016. Revista de Atenção à Saúde, v.2, n.3, 2004.

[5]. FIORINI, T. M. S. Projeto de Ilumi- [ 1 2 ] . VARGAS, M. C.; MAESTRIA, M. Efici-


nação de Ambientes Especiais. Trabalho de ência energética em edificações residen-
Conclusão de Curso, Universidade Federal ciais: iluminação e refrigeração. In: XXXV
do Espírito Santo, Departamento de Enge- ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA
nharia Elétrica, 2006. DE PRODUCAO. Anais... Fortaleza: ENEGEP,
2015.
[6 ]. GIL, A. C. Como elaborar projetos de
pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010

[7]. IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção.


2. ed. São Paulo: Blucher, 2005.

[8]. JAGLBAUER, V. Contribuição à melhora


das condições de trabalho através do apri-
moramento da iluminação em galpões
e pátios cobertos na indústria mineral.
Dissertação (Mestrado) – Departamento de
Engenharia de Minas e de Petróleo, Escola
Politécnica da Universidade de São Paulo,
São Paulo, 2007.

[9 ]. MAIA, I. M. O. Avaliação das condi-


ções posturais dos trabalhadores na
produção de carvão vegetal em cilindros
metálicos verticais. Dissertação (Mestrado)
- Programa de Pós-Graduação em Enge-
nharia de Produção, Universidade Tecno-
lógica Federal do Paraná, Ponta Grossa,
2008.

[1 0]. MERINO, E.A.D. Efeitos agudos e


crônicos causados pelo manuseio e movi-
mentação de cargas no trabalhador. Disser-
tação (Mestrado) – Programa de Pós-Gra-
duação em Engenharia de Produção,
Universidade Federal de Santa Catarina,

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


ANÁLISE PRELIMINAR
DOS RISCOS
AMBIENTAIS E
MECÂNICOS:
ESTUDO DE CASO
EM UMA INDÚSTRIA
DE OURIVESARIA
NA CIDADE DE
ABAETETUBA-PARÁ

Luciana Lobato Silva

RESUMO
Os riscos ambientais, mecânicos e a segurança constituem três fatores de extrema impor-
tância para a melhoria dos diferentes tipos de organização, quer no desempenho das
funções de seus trabalhadores como também no impacto sobre o ambiente circundante
da indústria. Este estudo teve por objetivo elaborar uma análise dos riscos ambientais dos
trabalhadores em uma indústria de joias, no município de Abaetetuba- Pa, propor melho-
rias necessárias, a fim de adequar o ambiente de trabalho às normas de saúde e segurança
do trabalho vigente no país. O método utilizado constituiu-se de coleta de dados a partir
de observação in loco, entrevistas e relatório fotográfico. O estudo teve como base a apli-
cação de uma ferramenta de gerência de riscos conhecida como Avaliação Preliminar de
Risco (APR) da atividade de Ourivesaria.Esta ferramenta consiste em mostrar que algumas
medidas básicas como: conhecimento dos riscos e dos danos que estes podem causar,
assim como as medidas para sua prevenção são oportunidades para a melhoria da condição
de trabalho.

Palavras-chave

Segurança; Riscos Ambientais e Mecânicos; Análise Preliminar de Risco.


173

1. INTRODUÇÃO trabalhadores não podiam reclamar dos


salários, horários de trabalho, barulho e
A história da joalheria sempre esteve sujeira nas fábricas (MAXIMIANO, 2011).
presente no progresso da civilização
humana. Desde então, a criatividade de Nesse sentido, RAMAZZINI (1700), afirma

transformar os materiais, preciosos ou não, que a segurança deve ser exercida antes

em peças para ornamento pessoal vem se que ocorra o acidente, é errado pensar

desenvolvendo, ganhando reconhecimento que ela só serve para criar mais trabalho

e fascínio do homem através dos tempos. e é comum ser lembrada apenas quando
ocorre um acidente. “É mais impor-
Historicamente, ao lado da ourivesaria tante prevenir do que curar” Hoje, existe
surge à joalheria, que são denominações certo cuidado com as máquinas, poden-
diferentes, apesar de terem significados do-se medir seu rendimento através de
bastante misturados nos dias de hoje. modernas técnicas de monitoramento. É
Quando se fala em joalheria o foco recai sabido o custo do equipamento e o lucro
sobre a confecção de joias propriamente cessante caso o mesmo venha a parar
ditas, utilizando metais nobres associados de funcionar. Mas, e o homem? Os níveis
ou não a pedras preciosas ou imitações. Já de preocupação para com o homem e a
a ourivesaria está relacionada a um âmbito máquina parecem estar em patamares
maior, os ourives não confeccionam bastante distintos.
apenas joias, mas também, molda artistica-
mente metais preciosos como ouro, prata Algumas indústrias não disponibilizam aos

e platina, transformando-os em objetos seus funcionários ambientes de trabalho

utilitários como baixelas, talheres e armas adequados. A maioria delas mantém insta-

(GOLA, 2008). lações e ambientes precários por consi-


derarem o investimento como um custo
A ourivesaria é uma das atividades mais desnecessário. As indústrias não conse-
antigas e importantes desse mercado, guem enxergar os benefícios que podem
técnica na qual as joias são produzidas ser alcançados com esses investimentos.
artesanalmente. Apesar de serem muito
tradicionais e valorizadas, podem trazer Por outro lado, existem organizações que

riscos à saúde do ourives, esses riscos apesar de investirem em diversos tipos de

podem comprometer a realização de suas treinamento e boas condições físicas dos

atividades implicando tanto na redução da locais de trabalho, ainda sim estão sujeitas

sua qualidade de vida como na diminuição a tais riscos, pois os acidentes podem

da produtividade, afetando além da sua ocorrer também por condições comporta-

produção a situação econômica. mentais. Por maiores que sejam os investi-


mentos, chega-se a um ponto onde não se
No final do século XVIII, as condições de consegue mais reduzir os índices negativos.
trabalho nas fábricas eram rudes. Os
Sendo assim, os riscos relacionam-se ao

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


1 74

fato de que caso ocorra, podem compro- como “o estado de estar livre de riscos
meter ou impedir a criação de um produto, inaceitáveis de danos”.
atividade, serviço ou resultado exclusivo, ou
O objetivo da segurança do trabalho é de
seja, a realização de um projeto (OLIVEIRA,
eliminação ou atenuação do risco ao traba-
2010, p.277). Para o autor, os conceitos
lhador, usando os recursos tecnológicos
básicos de segurança e saúde devem estar
disponíveis, o treinamento intensivo, a
inseridos em todas as fases do processo
busca da conscientização dos trabalhadores
produtivo, desde o projeto à operação.
aos riscos. É bastante complicado pensar em
segurança sem planejamento adequado,
2. SEGURANÇA DO organização e interação, enfim, o envolvi-
TRABALHO mento por completo de todos os setores da

Quando se fala na saúde do trabalhador empresa, que deverão resultar, na prática,

deve saber as leis das quais estas são em um sistema de gestão de segurança e

regidas, devem ser identificadas na lei as prevenção aos riscos ambientais.

ações dos governos que regulam e aplicam


o exercício de um trabalho saudável. 2.1. ANÁLISE PRELIMINAR
No Brasil, a primeira Lei de acidente do DE RISCOS
trabalho surgiu em 15 de Janeiro de 1919
A Análise Preliminar de Riscos (APR) é defi-
através do Decreto-lei nº 3.724 e basea-
nida como um estudo realizado na fase
va-se no conceito de “risco profissional”,
de concepção ou desenvolvimento de um
considerando esse risco como sendo
novo sistema ou processo, com o objetivo
natural à atividade profissional. Tal decreto
de determinar os riscos que podem estar
veio a previr a obrigatoriedade pela repa-
presentes na fase operacional do processo
ração aos danos decorrentes dos infortú-
(DE CICCO; FANTAZZINI, 2003).
nios laborais, onde o empregador deve
responsabilizar-se por qualquer risco que Segundo SHERIQUE (2011), a elaboração
este possa acarretar ao seu empregado. de uma APR passa por algumas etapas
básicas, a saber:
Segundo MIGUEL (1998), a segurança
é um estado, uma condição; traduz-se a) Revisão de problemas conhecidos: A
na confiança e na prevenção de perdas. busca por analogias ou similaridades com
Estas perdas, às quais devemos antecipar outros sistemas;
referem-se a todo tipo de ação técnica
ou humana, que possam resultar numa b) Revisão da missão a que se destina:
condição das funções laborais (produtivas, Atentar aos objetivos, exigências de
humanas, etc.). desempenho, principais funções e procedi-
mentos, estabelecer os limites de atuação
O termo “segurança” segundo as normas e delimitar o sistema;
BSI-OHSAS e BS-8800 pode ser definido

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


175

c) Determinação dos riscos principais: f) Indicação de quem levará a sério as ações


Apontar os riscos com potencialidade corretivas e/ou preventivas: Indicar respon-
para causar lesões diretas imediatas, sáveis pela execução de ações preventivas
perda de função, danos a equipamentos e/ou corretivas, designando também, para
e perda de materiais; cada unidade, as atividades a desenvolver.

d) Revisão dos meios de eliminação ou


controle de riscos: Investigar os meios
2.2. MÉTODO DE
possíveis de eliminação e controle de riscos,
CATEGORIZAÇÃO DOS
para estabelecer as melhores opções
RISCOS
compatíveis com as exigências do sistema; A metodologia utilizada na categori-
zação dos riscos baseia-se no padrão de
e) Analisar os métodos de restrição de danos:
SHERIQUE (2011), onde a graduação dos
Encontrar métodos possíveis e eficientes
riscos e as respectivas ações necessárias
para a limitação dos danos gerados pela
são descritas para a Análise Preliminar de
perda de controle sobre os riscos;
Riscos, através da seguinte classificação:

Tabela 1 - Categoria de frequência


Categoria Características
Conceitualmente possivel extremamente improvável
de ocorrer durante a vida útil do empreendimento.
A Extremamente < 1 em 105
Não há referências históricas nos principais bancos
de dados.
Não esperado ocorrer durante a vida útil do empre-
B Remota 1 em 102 a 1 em 105 anos endimento, apenas de já poder ter ocorrido em
algum lugar no mundo.

Possível de ocorrer até uma vez durante a vida útil do


C Pouco provável 1 em 30 a 1 10² anos
empreendimento.

Esperado ocorrer mais de uma vez durante a vida útil


D Provável 1 por ano a 1 em 30 anos
do empreendimento.
Esperado ocorrer muitas vezes duarnte a vida útil do
E Frequente > 1 ano
empreendimento.

Fonte: DE CICCO; FANTAZZINI, 2003.


Tabela 2 - Categoria de risco
Categoria de risco Descrição
Tolerável (T) O risco é considerado tolerável. Não há necessidade de medidas adicionais.
O risco é considerado tolerável quando mantido sob controle. Controles
adicionais devem ser avaliados e implementados aplicando-se uma análise
Moderado (M)
para avaliar as alternativas disponíveis, de forma a se obter uma redução
adicional dos riscos.
O risco considerado não tolerável com os controles existentes. Método alter-
Não Tolerável (NT) nativos devem ser considerados para reduzir a probabilidade de ocorrência
e adicionalmente as consequências.

Fonte: SHERIQUE, 2011.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


176

Tabela 3 - Categoria de severidade


Categoria Significado Características
I Desprezível Não degrada o sistema nem seu funcionamento.

II De atenção Degradação moderada com danos menores.

Degradação crítica com lesões. Apresenta risco e


III Crítico
necessita de ações corretivas imediatas.

Séria degradação do meio ambiente. Perda do


IV Catastrófico
sistema, morte e lesões.

Fonte: DE CICCO; FANTAZZINI, 2003.

A NR 9 - programa de prevenção de riscos interna e externa; melhoria do clima orga-


ambientais/9.4.2 – III estabelece que os nizacional, maior produtividade, compe-
empregados devam informar aos empre- titividade e lucratividade (BRASIL, L.A.D.B
gadores de maneira apropriada e sufi- (Org.). SESI – SEBRAE, 2005).
ciente sobre os riscos ambientais que
O Mapa de risco (figura 01) foi elaborado
possam originar-se nos locais de trabalho
de acordo com a padronização ilustrada na
e sobre os meios disponíveis para prevenir
tabela 04 a seguir, que divide e exemplifica
ou limitar tais riscos e para proteger-se
os riscos em cinco principais grupos: riscos
dos mesmos. Para isso, foi elaborado um
físicos, químicos, biológicos, ergonômicos
Mapa de risco a partir da análise do leiaute
e de acidentes e gradua os mesmos quanto
da empresa, com intuito de apresentar os
a sua gravidade ilustrada na tabela 05.
riscos mapeados.

2.3. MAPA DE RISCOS 3. MAPEAMENTO DOS


RISCOS AMBIENTAIS NA
De acordo com a NR 5 - comissão interna EMPRESA
de prevenção de acidentes, mais espe-
A construção do mapa de risco da empresa
cificamente o item 5.16/ a), a adoção do
mostra de modo objetivo os riscos ambien-
MR na empresa pode trazer benefícios: a
tais e mecânicos que a maioria dos funcio-
identificação prévia dos riscos existentes
nários está exposta e assim poder montar
nos locais de trabalho aos quais os traba-
estratégias e programas de prevenção
lhadores poderão estar expostos; cons-
a esses riscos. A figura 01 apresenta o
cientização quanto ao uso adequado das
mapeamento desses riscos. Uma vez feito
medidas de proteção, equipamentos de
o mapeamento dos riscos de cada setor,
proteção coletiva e individual; redução
cabe uma análise preliminar dos riscos
de gastos com acidentes e doenças,
ambientais para analisar cada risco e a
medicação, indenização, substituição de
necessidade de mitigá-los.
trabalhadores e danos patrimoniais; faci-
litação da gestão de saúde e segurança
no trabalho com aumento da segurança

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


177

Tabela 4 - Classificação dos principais riscos Ocupacionais em grupos, de acordo com a


sua natureza e a padronização das cores correspondentes.
Grupo Natureza dos riscos Características
Vibração, Radiação, Ionizante, Radiação, não-Io-
Grupo 1 Físicos
nizante, frio, Calor, Pressoes anormais, Umidade.

Poeiras, Fumos, Neblinas, Gases, Vapores, Subs-


Grupo 2 Químicos
tâncias químicas.

Grupo 3 Biológicos Vírus, Bactérias, Fungos, Parasitas, Bacilos.

Esforço físico intenso. Ritmos excessivos,


Jornadas de trabalho prolongadas, controle
Grupo 4 Ergonômicos
rígido de produtividade, Outras situações causa-
doras de stress físico e/ou psíquico.
Arranjo físico inadequado, Máquinas e equipa-
mentos sem proteção, Iluminação inadequada,
Grupo 5 Acidentes Probabilidade de incêndio ou explosão, Outras
situações de riscos que poderão contribuir para
a ocorrência de acidentes.

Fonte: NR 05(Comissão Interna de Prevenção de Acidentes)

Tabela 5 - Simbologia da Classificação da gravidade Utilizada no Mapa de Riscos.


Símbolo Tipo de Risco Proporção
Pequeno 1

Médio 2

Grande 4

Fonte: NR 05(Comissão Interna de Prevenção de Acidentes)


Figura 1 - Mapa de risco

Fonte: Desenvolvida pela autora

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


178

3.1. ANÁLISE PRELIMINAR Com os dados obtidos pelas observações


DOS RISCOS NA EMPRESA e entrevistas foram elaborados critérios
para a priorização de ações (Tabela 6). O
As ferramentas de categorização de frequ- conjunto destas informações e a identifi-
ência (Tabela 05), risco (Tabela 06) e seve- cação das normas que não estavam sendo
ridade (Tabela 07) proporcionaram um atendidas serviram de base para a elabo-
mapeamento da condição de trabalho ração da APR (Tabelas 08 e 09).
para realizar a atividade.

Fator Ativida- Fre- Tipo


Seve- Norma/ Medidas
de de do Efeito quên- Risco ridade de Item Preventivas
Risco Processo cia Risco
Fornecer, treinar
e fiscalizar a utili-
zação de prote-
Polimento, tores auriculares,
cravação, para os colabora-
Descon-
laminação, dores que traba-
forto NR 1 / 1.7 e
Ruído trefilação, D NT III Físico lham próximos
acústico; NR 6 / 6.3
corte, às máquinas;
Stress.
prensas, Restringir o
fundição. acesso desneces-
sário de pessoas
que não traba-
lham no setor;
Polimento,
cravação, Conscientização
laminação, sobre a postura
Postura NR 17 /
trefilação, Problemas Ergonô- adequada
Inade- D M II 17.1.2 e NR
corte, na coluna mico para todas as
quada 17/ 17.2.3
prensas, atividades da
fundição, cera empresa.
perdida.

Polimento,
Doenças Providenciar
cravação,
respira- a utilização de
laminação,
tórias; protetor respira-
Poeira trefilação, D NT III Químico NR 6 / 6.3
Irritação tório tipo químico
corte,
da pele e por empresa
prensas,
olhos. especializada;
fundição.

Esbarra- Polimento,
Dificul-
mento Laminação,
dade Criação de um
em bancada E M II Acidentes NR 12 / 12.6
de loco- novo leiaute.
maqui- auxiliar e
moção.
nário trefilação
Doenças
Área de
vias NR 24 / Realocar o bebe-
serviço, cera D M II Biológicos
aéreas, 24.7.1 douro.
perdida.
viroses.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


179

Fator Ativida- Fre- Tipo


Seve- Norma/ Medidas
de de do Efeito quên- Risco ridade de Item Preventivas
Risco Processo cia Risco
Proteger os
fios e cabos
energizados e
Choque NR 10 /
Eletrici- Laminação, organiza-los de
elétrico; C M III Acidentes 10.4.1 e NR
dade trefilação. maneira que não
Incêndio. 23 / 23.1.1
atrapalhe o fluxo
de pessoas e
máquinas;

Providenciar
a utilização
Trabalho Polimento, de cadeiras
em pé laminação, e pequenas
NR 17 /
por trefilação, Problemas Ergonô- pausas durante
D M II 17.1.2 e NR
períodos prensas, na coluna mico a produção
17/ 17.2.3
prolon- fundição, cera de modo que
gados perdida. não acarrete
problemas na
produção.

Polimento,
Doenças Providenciar
cravação,
respira- a utilização de
laminação,
tórias; protetor respira-
Poeira trefilação, D NT III Químico NR 6 / 6.3
Irritação tório tipo químico
corte,
da pele e por empresa
prensas,
olhos. especializada;
fundição.

Os trabalhadores
Polimento, Ocor- devem receber
cravação, rência de treinamento
laminação, acidentes sobre os perigos,
NR 26 /
Sinali- trefilação, de vários riscos, medidas
C M III Acidentes 26.1.1 e NR
zação corte, tipos pela preventivas para
26/26.2.1
prensas, ausência o uso seguro e
fundição, cera de sinali- procedimentos
perdida. zação para atuação de
suas atividades.

Fornecer, treinar
Distúrbios
e fiscalizar a utili-
respira-
zação de luvas e
Subs- tórios;
Limpeza, cera NR 6 / 6.3 e protetores respi-
tâncias Irritação B M IV Químico
perdida. NR 16 / 16.5 ratórios, para
químicas da pele;
evitar contato
Intoxi-
direto com o
cação.
produto.

Analisando-se a Tabela10 nota-se que as dade de polimento) e figura 07 (atividade de


maiores severidades, onde o risco é consi- cravação), pois não se identificou a utilização
derado não tolerável com os controles exis- de qualquer equipamento de proteção, sem
tentes, estão nos fatores de riscos poeira e conhecer os reais riscos a que estão expostos
ruído, como pode ser visto na figura06 (ativi- o que pode vir a prejudicar sua saúde. A

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


180

sugestão para este item seria a utilização e interior da empresa, por exemplo. Neste
adequação dos EPI´s (máscara respiratória e sentido, observou-se que na área de serviço
protetores auriculares), além de uma gestão onde está localizado o bebedouro, foi anali-
focada na conscientização, treinamento e sado como risco moderado, pois se encontra
fiscalização nos setores durante o trabalho no interior da área de produção próximo a
para o uso dos mesmos. atividade de cera perdida, o que acarreta
risco de contaminação, caracterizado como
Figura 2 - Presença de poeira, ruído e
máquinas mal posicionadas na empresa. risco biológico, ver figura 08 a seguir. É reco-
mendado que fosse garantido aos trabalha-
dores da empresa um local, separado da
produção, para refeições e descanso.

Figura 4 - Fiação elétrica no chão e na


horizontal atrapalhando a passagem no
interior da empresa.

Figura 3 - Presença de poeira, ruído e


posturas inadequadas.

Figura 5 - Trabalho em pé por períodos-


prolongados.

Fonte: Desenvolvida pela autora

Alguns itens de baixa severidade exigem


um pouco mais de investimento, mas consi-
derado de baixo custo como a alteração de
leiaute e a implantação de sinalização no Fonte: Desenvolvida pela autora

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


181
Outro fator de risco é a eletricidade, consi- Apesar de ser um fator de risco que deve
derada como risco moderado, pois a ter total precaução, durantes as fotogra-
presença de fios no meio do caminho atra- fias não foi possível tirar foto do local por
palha a passagem do trabalhador de um um pedido da representante.
setor ao outro, ocasionando queda dos
Cabe ressaltar também que, o setor atri-
trabalhadores, sendo caracterizado como
buído a um trabalhador não implica que ele
risco de acidente. Ver figura 10 (no lado
somente esteja exposto aos riscos deste
das atividades de Laminação e Trefilação).
setor, uma vez que este mesmo traba-
A sugestão é que seja feita a proteção dos
lhador pode percorrer todos os setores da
fios e cabos energizados e organiza-los
empresa, dependendo da necessidade.
de maneira que não atrapalhe o fluxo de
pessoas e máquinas e manter o seu pron-
tuário de instalações elétricas, baseado 4. CONSIDERAÇÕES
na NR 10 - segurança em instalações e FINAIS
serviços em eletricidade.
O presente trabalho buscou mostrar,
Além do fator de risco citado a cima, foi através de uma aplicação prática de
identificado outro fator de risco como análise de risco em uma Ourivesaria, a
o trabalho em pé por períodos prolon- importância em se ter um gerenciamento
gados, considerado também como risco de riscos em conformidade com os obje-
moderado, pois este tipo de trabalho pode tivos estratégicos da empresa, de forma a
ocasionar problemas futuros na coluna garantir minimamente a preservação do
dos trabalhadores. Ver figura 11 (ativi- meio ambiente e manutenção da saúde e
dade de Cera Perdida). Para todo posto segurança dos trabalhadores.
de trabalho em pé, é obrigatório o uso
Mediante a elaboração da ferramenta de
de cadeiras para descanso, é importante
gerência de riscos chamada Análise Preli-
que os trabalhadores fizessem pequenas
minar de Riscos (APR) utilizada no processo
pausas durante as atividades de modo que
de produção de joias, foi possível iden-
não acarretasse problemas na produção
tificar e caracterizar os riscos inerentes à
das joias e que não viessem acarretar no
indústria de ourivesaria e suas atividades,
futuro problemas na coluna.
bem como estabelecer os setores críticos.
Já para a identificação do risco por contato
Para TAVARES (2004) a análise preliminar
de produtos com a pele que tem média
de riscos (APR) consiste no estudo reali-
severidade foi verificado que deve ser
zado durante a fase de concepção ou no
fornecido o treinamento, fiscalização e utili-
desenvolvimento de um sistema, com o fim
zação de luvas e protetores respiratórios,
de se determinarem os riscos que poderão
para evitar contato direto com o produto
estar presentes na fase operacional. Dessa
durante a atividade de limpeza das joias
forma, a implantação de um diagrama de
e avaliar a possibilidade de implantar um
causa e efeito preventivo com resultados
novo locar para a limpeza dessas peças.
na parte de segurança e riscos ambientais

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


182
são ações simples, como a instalação de DN, 2005.
sinalização no interior da indústria é uma
[ 3] . DE CICCO, Francesco; FANTAZZINI,
ferramenta que pode facilitar a implemen-
Mário Luiz. Tecnologias consagradas de
tação de um sistema de gestão de saúde e
gestão de riscos. 2 ed. São Paulo: Risk
segurança consistente. A APR é uma ferra-
Tecnologia, 2003.
menta simples e fácil que pode ser utili-
zada no setor da Ourivesaria. [ 4] . GOLA, Eliana. A Jóia: história e design.
São Paulo: Editora Senac, 2008.
Verificou-se ainda que algumas medidas
são básicas e podem trazer grandes [ 5] . IBGM- Instituto Brasileiro de Gemas
melhorias nas condições de trabalho e e Metais Preciosos. Países selecionados no
satisfação dos trabalhadores. A conscienti- total da produção mundial.Disponível em:
zação sobre os riscos da sua função e como <www.ibgm.com.br>. Acesso em: 26 de
preveni-los com cuidados e equipamentos Janeiro de 2014.
de proteção podem ser alavancados com
treinamentos e informação. A responsabili- [ 6 ] . MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru.
dade da organização e limpeza dos setores Teoria Geral da Administração: da Revo-
e seus benefícios durante o trabalho. Com lucão Urbana à Revolução Industrial. 6.
a implementação dessas medidas preven- Ed.- 8 reimpr. – São Paulo, 2011.
tivas anunciadas, os índices de riscos asso-
[ 7] . MIGUEL, Alberto Sérgio S. R. Manual
ciados às atividades consideradas mais
de Higiene e Segurança do Trabalho. 4º ed.
perigosas irão, com certeza, diminuir,
Portugal: Porto EditoraLtda, 1998.
desde que as mesmas sejam cumpridas
pelos trabalhadores. [ 8] . OHSA – OccupationalSafetyand
Health Administration.Norma 18001.Apos-
Desta forma, a prevenção de acidentes
tila da Norma.
será minimamente satisfatória quando
o gerenciamento dos ricos da empresa [ 9 ] . OLIVEIRA, Cláudio Antônio Dias de.
for um processo em contínuo desenvol- Manual Prático de Saúde e Segurança do
vimento e que acompanhe a criação e a Trabalho. São Caetano do Sul, São Paulo:
implantação de qualquer estratégia da Yendis Editora, 2010.
organização, devendo incluir os riscos em
torno das atividades atuais, as do passado [ 1 0 ] . RAMAZZINI, Bernadinus.As Doenças
e, em especial, as atividades futuras. dos Trabalhadores. Tradução de Raimundo
Estrela. 3. ed. São Paulo: Fundacentro, 1700.

REFERÊNCIAS [ 1 2 ] . SHERIQUE, Jaques. Aprenda como


BIBLIOGRÁFICAS fazer. 7 ed. São Paulo: LTr2011.

[1 ]. BRASIL, L.A.D.B (Org.). SESI – SEBRAE. [ 1 3] . TAVARES, José da Cunha. Noções de


Saúde e Segurança no Trabalho: Dicas Prevenção e controle de perdas em segu-
de Prevenção de Acidentes e Doenças no rança do trabalho. São Paulo: Senac, 2004.
Trabalho. Micro e Pequena Brasília: SESI-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


APLICAÇÃO DA ANÁLISE
HIERÁRQUICA DA
TAREFA E ESTUDO
DE DEMANDAS
ERGONÔMICAS EM UMA
EMPRESA DE DOCES
TRADICIONAIS DE
PELOTAS

Rick Carneiro De Menezes


Aline Soares Pereira
Luis Antonio dos Santos Franz

RESUMO
A intervenção gerencial nas condições de trabalho de uma empresa, bem como em seu
layout e no modo pelo qual são executadas as etapas de fabricação, exigem saberes que
abrangem áreas de conhecimento que vão desde ergonomia até os processos de fluxo de
pessoas e materiais. Este artigo procura, através da abordagem de análise hierárquica da
tarefa, realizar um estudo a cerca das condições reais de trabalho na fabricação de doces
artesanais, buscando não só compreender as possíveis causas de problemas no âmbito
ergonômico prejudiciais à saúde e bem estar do homem, como também encontrar possi-
bilidades de otimização do sistema como um todo. Tornando possível a demonstração da
existência de pontos críticos de aspectos ergonômicos e considerações relevantes à produ-
tividade da empresa, mapeando as atividades de fabricação e associando cada etapa a
modos de erro previamente determinados.

Palavras-chave

Ergonomia; Fluxo de pessoas e materiais; Analise hierárquica da tarefa; Otimização.


184

1. INTRODUÇÃO Dentro do panorama de necessidade de


segurança no trabalho e produtividade,
Os estudos voltados para o âmbito ergo- verifica-se que não há ainda uma caracteri-
nômico procuram compreender todos os zação clara quanto quais são as demandas
fatores que influenciam o homem em seu ergonômicas que atingem os funcionários
setor de trabalho. O desempenho de uma inseridos no cenário das empresas doceiras
empresa consiste em um aspecto crítico de Pelotas, nem o quanto estas podem ser
de competitividade e, para que se consiga afetas às falhas na qualidade dos produtos
obter algum ganho com o estudo do entregues ao mercado. Sendo assim, ao
trabalhador e seu ambiente de trabalho, se estabelecer um estudo que foque nas
é importante que sejam analisados dife- condições em que o trabalhador doceiro
rentes pontos de domínio de especiali- está inserido é possível entender os motivos
zação da ergonomia, como: respostas do para a ocorrência de uma possível baixa
corpo humano à carga física, processos no nível de produtividade, os quais afetam
mentais e psicológicos envolvidos na inte- diretamente a lucratividade da empresa,
ração entre homem, máquina e ambiente, geram retrabalho e declinam a qualidade
etc (IIDA, 2005). dos produtos acabados. Esse estudo identi-
ficou pontos críticos e potenciais de caráter
Embora se apresente muitas vezes de
ergonômico que acarretem na possível
forma sutil, os efeitos do foco exclusiva-
ocorrência de distúrbios físicos e mentais
mente no produto, quando se trata da
aos funcionários é de grande auxilio para
qualidade deste, pode trazer efeitos inde-
assegurar a saúde do trabalhador e, em
sejáveis sobre os indivíduos envolvidos
subsequência, garantir a produtividade da
nos processos de produção. Neste sentido,
empresa em questão.
não se sabe ao certo em que aspectos os
operários são afetados por fatores como O presente artigo tem por objetivo apre-
ritmo de trabalho, características físicas sentar os resultados dessa investigação
do ambiente, características dos procedi- em uma empresa produtora de doces
mentos operacionais, entre outros fatores. na região de Pelotas – RS. A fabricação
Uma série de atividades profissionais de doces artesanais utiliza métodos de
submete os trabalhadores a ambientes produção apropriados para obtenção do
de trabalho que apresentam condições padrão de qualidade regional. Possuem
diferentes daquelas a que o organismo também uma grande contagem de fabri-
humano está habituado, tais como: calor cação, tanto na variedade quanto na quan-
ou frio intensos, iluminação fraca ou dema- tidade produzida diariamente.
siada alta, ruídos constantes e vibrações.
São situações que podem comprometer
2. REVISÃO
seriamente a saúde dos funcionários.
BIBLIOGRÁFICA

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


185

2.1. A IMPORTÂNCIA 2.2. OS DESAFIOS NA


DA ERGONOMIA NAS INDÚSTRIA DO DOCE DE
PEQUENAS EMPRESAS PELOTAS

A preocupação em adaptar o ambiente e A fabricação de doces artesanais na cidade


máquinas para atender as necessidades de Pelotas no Rio Grande do Sul detém
humanas torna-se um fator primordial papel importante para a economia local
para as empresas apresentarem a efici- com destaque positivo na cultura da
ência de suas atividades. O taylorismo atri- região, onde receitas e os métodos são
buía a baixa produtividade à tendência de passados por gerações, criando o que hoje
vadiagem dos trabalhadores, e os acidentes é um grande complexo de fabricantes de
de trabalho à negligência dos mesmos. doces (APDP, 2014).
Hoje já se sabe que existe uma série de
O empreendedor contribui integralmente
fatores ligados ao projeto de máquinas e
para o bem-estar social do local, seja
equipamentos, ao ambiente físico, ao rela-
gerando renda para as famílias da região
cionamento humano e diversos fatores
ou movimentando o mercado monetário
organizacionais que podem ter uma
da cidade. Relativamente ao empreendedo-
forte influência sobre o desempenho do
rismo, Dolabela (2006) enfatiza ainda que:
trabalho humano (IIDA, 2005).

O empreendedor é responsável pelo


A metodologia de macroergonomia é apli-
crescimento econômico e pelo desen-
cada devido ao grande número de funcio-
volvimento social. Por meio da inovação
nários. O desenvolvimento e aplicação dos
dinamiza a economia. Este conceito
conhecimentos de ergonomia são elevados
trata não só de indivíduos, mas de
ao nível “macro” e as ações conjuntas
comunidades, cidades, regiões, países.
proporcionam ao trabalhador maior satis-
Implica a ideia de sustentabilidade. O
fação e segurança, modificando o layout da
empreendedor é a melhor arma contra
empresa ou adotando uma nova tecnologia
o desemprego.
que evite o esforço humano (BAUDEL, 2005).

Diante dessa percepção, os fabricantes


Iida (2005) destaca, ainda, que o estudo é
buscam divulgar suas marcas, garantir o
feito de acordo com os índices de ocorrência
padrão de qualidade, padronizar, certi-
de acidentes, problemas ergonômicos e
ficar e assegurar as condições de preparo
reclamações por parte dos funcionários.
e armazenamento exigidas pela cultura
Fatores que podem ser reconhecidos pelo
pelotense. Dentro desse contexto, foi
fato de ocorrerem altos índices de erros,
criada a associação dos produtores de
acidentes, doenças, absenteísmos e rotati-
doces de Pelotas, que objetiva direcionar
vidade dos empregados.
os esforços para o crescimento da indús-
tria do doce na região garantindo que a
tradição do doces da região seja mantida.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


186

Um dos trabalhos da associação é o de Dessa forma, Iida (2005) determina que


conduzir as empresas a aplicar o sistema deve-se analisar as discrepâncias entre
de rastreabilidade pela inserção do selo aquilo que é prescrito e o que é executado,
de certificação de procedência, que visa realmente. Não podendo tomar como base
proteger a cultura e identidade do doce apenas a tarefa prescrita, deve-se observar
de Pelotas. Assegurando que somente os a realidade de atuação de cada função e
doces com esta identificação são fabri- como ela é interpretada pelo funcionário,
cados pelos processos de qualidade defi- onde a atividade é influenciada por diversos
nidos e avaliados pela associação. Dessa fatores como, por exemplo, as caracterís-
forma garante que o produto é verdadeiro ticas do trabalhador, sua formação, sexo,
quanto aos métodos, evitando possíveis idade, experiência, motivação, vigilância,
fráudes e imitações (ADPD, 2014). sono, fadiga, etc.

A análise da atividade busca o detalha-


2.3. INTEGRANDO A mento de tudo aquilo que o trabalhador
ANÁLISE HIERÁQUICA realiza para a execução do trabalho, e leva
DA TAREFA E A ANÁLISE em consideração todos os aspectos rela-
ERGONÔMICA DO tivos à tarefa (normas, regras), bem como,
TRABALHO as características pessoais, a experiência e

Uma das funções da área de ergonomia é o treinamento (ABRAHÃO, 1993).

voltada para execução das tarefas e ativi-


dades que o trabalhador realiza, levando 2.3.1 ANÁLISE
em conta seu posto de trabalho, suas HIERÁRQUICA DA TAREFA
queixas e percepções quanto ao ritmo de
A Análise Hierárquica da Tarefa (AHT) é
trabalho e ambiente em que atua. Consiste
uma das diversas formas de se caracterizar
na Análise Ergonômica do Trabalho (AET) e
as demandas que mais causam impacto na
provém de estudos sobre a situação real
produtividade de uma empresa, bem como
de trabalho diagnosticando os problemas
no bem-estar e na saúde do trabalhador. A
ocorridos, finalizando na elaboração de
metodologia visa analisar os dados obtidos
recomendações de melhorias (IIDA, 2005).
em levantamentos, gerando o fichamento
Para Santos e Fialho (1997), é importante das situações reais da empresa, obtendo a
analisar a demanda e entender a natureza priorização de intervenções, sejam estudos
e dimensão dos problemas apresentados mais aprofundados ou apenas algumas
dentro da empresa. Muitas vezes, esse correções (BAUDEL, 2005).
problema é apresentado de forma parcial,
Ao avaliar as tarefas prescritas e analisadas
mascarando outros de maior relevância. A
na realidade de atuação dos funcionários
partir dessa demanda problemática, fica
pode-se verificar os possíveis problemas
claro que deve ser estudada a tarefa a ser
e identificar mais facilmente a qual etapa
executada diariamente.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


187

ele se relaciona, tomando por base a apre- Para Stanton (2006), o estudo necessita
sentação de uma representação gráfica de informações da logística advindas da
auxiliar e a descrição dos trabalhos a realidade de fabricação, certificando as
serem realizados, identificando assim as informações e caracterizando o pré-di-
demandas ergonômicas etapa por etapa mensionamento das atividades. A AHT tem
(STANTON, 2006). sido largamente utilizada para avaliação
de tarefas, possibilitando compreender
A estrutura foca em um determinado
sua complexidade e identificando o erro
problema, os critérios/subcritérios, os
potencial em cada sub objetivo, servindo
quais podem ser determinados em tantos
como molde para os estudos de obser-
níveis quanto necessários e as alternativas
vação e entrevistas, facilitando a avaliação
viáveis para a resolução do problema. A
e identificação de possíveis erros, podendo
análise é composta em etapas de atuação
ser utilizada como base de previsão.
com o objetivo de facilitar a execução pelo
usuário indicando os caminhos para sua Ainda, é possível utilizar a sistemática
aplicação. Inicia-se com a especificação do SHERPA (Systematic Human Error Reduc-
motivo da análise, seguindo pela determi- tion &. Prediction Analysis) de previsão e
nação das metas da tarefa e os critérios de abordagem de redução do erro humano
desempenho. Feito isso, identificam-se as com a ideia de associa-los à cinco (05)
fontes de informação da tarefa e é realizada parâmetros básicos de atividade humana,
a obtenção de dados e a decomposição como: Ação, Recuperação, Verificação,
prévia, além de tabela/diagrama. Por conse- Informação e comunicação, e Seleção.
guinte, é executada a revisão e validação da Para cada sub objetivo que é analisado
decomposição e, junto com os colabora- associa-se um erro que é rotulado e utili-
dores, a identificação de operações signi- zado um código dentro de uma tabela com
ficantes sob a luz do propósito da análise, a descrição de como se chega a cometer
gerando testes de solução hipotética para o erro e as consequências que este pode
identificar problemas de desempenho na levar. Outros passos futuros consideram
análise (SANTOS e ELLWAGER, 2013). as possibilidades de recuperação de erros,
probabilidade de ocorrência, criticalidade,
Conforme apresentado na Figura 1, a
e possíveis soluções.
metodologia é estabelecida por etapas de
atuação, desde a especificação do motivo Desse modo, a Figura 2 representa uma
de analise, até a solução hipotética dos das etapas da metodologia de avaliação
problemas identificados. Assim, a Análise das tarefas de modo a compreender os
Hierárquica da Tarefa (AHT) procura carac- tipos de erro e associa-los a cada uma das
terizar a prática de trabalho, identificando, tarefas, direcionando o foco de atuação do
categorizando e decompondo tarefas, pesquisador fornecendo o agrupamento
realizando sucessivos refinamentos ao dos erros encontrados.
modelo. (SANTOS, 2013).

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


188

Figura 1 - Etapas da Análise Hierárquica da Tarefa

Fonte: Elaboração do Autor.

Figura 2 - Descrição e classificação do erro.


Modo do Erro Derscrição do Erro
Ação _________

A1 _________

Recuperação _________

R1 _________

Verificação _________

V1 _________

Informação/Comunicação _________

I1 _________

Seleção _________

S1 _________

Fonte: Stanton (2006).

Stanton (2006) ressalta ainda que é possível


vincular a AHT à análise SHERPA e reproduzir
em uma tabela que auxilie nos projetos e
resolução dos erros influentes diretamente
à cada etapa de execução da tarefa, desse
modo tem-se uma quadro similar aquele
apresentado aqui na Figura 3.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


189

Figura 3 - Modelo de tabela SHERPA


Sub Descrição Consequência Recuperação Estratégia
Modo Erro
Objetivo do Erro Corretiva
1,1 A1 _________ _________ Imediata _________

2 A2 _________ _________ Imediata _________

2,2 R1 _________ _________ Imediata _________

Fonte: Elaboração do Autor.

A Figura 3 demonstra como deve ser reali- compreender as principais demandas ergo-
zada a associação dos erros encontrados e nômicas da empresa, bem como o motivo
definidos pela primeira avaliação SHERPA. de uma possível perda de efetividade e
Assim, é possível compreender se um erro produtividade do trabalhador.
produtivo está sendo causado por uma falha
humana e se essa falha humana pode causar 3.1 PROCEDIMENTOS
algum dano para a saúde do funcionário. METODOLÓGICOS
O mapeamento das tarefas e etapas levam Para Rodrigues (2007), metodologia cien-
ao encontro de situações nos postos de tífica consiste num conjunto de aborda-
trabalho que necessitem de uma análise. gens, técnicas e processos utilizados pela
Esse processo busca priorizar as demandas, ciência para formular e resolver problemas
e é considerado como uma fase do diagnós- de aquisição objetiva do conhecimento, de
tico ergonômico, servindo como suporte da uma maneira sistemática. Procura encon-
análise global (BAUDEL, 2005). trar respostas para indagações propostas,
adquirindo conhecimentos sem que haja
3. MATERIAL E MÉTODO uma aplicação prevista.
DA PESQUISA
A escolha do método e da técnica utilizada
Várias foram as metodologias utilizadas dependeu não só do objetivo do artigo,
para se atingir o objetivo do artigo. Em como também da disponibilidade de aten-
um primeiro momento foram executadas dimento da empresa estudada. De acordo
visitas e observações, em uma empresa com a teoria apresentada, ao analisar as
fabricante de doces tradicionais, em tarefas em sua realidade podem-se veri-
conjunto com a aplicação de questionários ficar os possíveis problemas e identifcar
e reuniões. Em um segundo momento foi mais facilmente a qual etapa ele se rela-
montada a hierarquização das tarefas refe- ciona, tomando por base a apresentação
rentes à fabricação de bombons a partir de uma representação gráfica auxiliar e
dos dados obtidos nas etapas anteriores. a descrição dos trabalhos a serem reali-
Por conseguinte realizou-se a análise dos zados, identificando assim as demandas
dados e relacionamento com as ques- ergonômicas etapa por etapa.
tões referentes a ergonomia de modo a

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


190

3.1.1 PROJETO DO ESTUDO trabalho com a aquisição de fotos, vídeos,


realização de croquis, observações livres
De modo a introduzir o trabalho aqui reali- e diagnósticos preliminares. Foi também
zado, tomou-se como objeto de estudo necessário estudar a população do setor
a pesquisa dentro de uma empresa do de trabalho, a quantidade de funcioná-
ramo de produção de doces artesa- rios, tempo de experiência, organização
nais em Pelotas - RS. Definiu-se que a funcional, etc.
pesquisa seria realizada frente às etapas
de produção de um único tipo de doce, Ainda, em conjunto com essas atividades,
que pudesse oferecer um suporte maior foram aplicadas entrevistas abertas com a
quanto às etapas de fabricação. Desse gerência a partir do emprego de questioná-
modo, seria possível realizar um estudo rios com perguntas simples, iniciando uma
quanto ao método de trabalho e as possí- conversação e gerando a comunicação
veis demandas ergonômicas encontradas. mais próxima junto a diretoria de modo
Foi estabelecido que o âmbito do estudo a compreender a realidade da empresa
seriam os setores produtivos responsáveis quanto aos problemas de acidentes de
pela produção de bombons de chocolate, trabalho, absenteísmo, rotatividade e difi-
visto que esse tipo de produto necessitava culdades com os funcionários, sindicatos e
da atuação de mão de obra especializada, outras entidades.
constante fabricação, e por ser um produto
Entendendo o panorama da empresa por
de alta procura por parte dos clientes,
meio da observação, rascunhos e croquís,
necessitando assim além de quantidade,
questionários e reuniões, realizou-se o
qualidade no alimento produzido.
mapeamento dos processos produtivos,
Foram estudadas as etapas de fabricação, compreendendo o fluxo de materiais e
desde a retirada da matéria prima do pessoas, bem como a simulação da reali-
estoque, até a saída do produto da fábrica zação das atividades da indústria.
para entrega ao cliente. Com o mape-
Desse modo, foi possível identificar, hierar-
amento e hierarquização das tarefas e
quizar e priorizar as demandas ergonô-
etapas de fabricação é possível obter uma
micas das indústrias, definindo formas
visão ampla dos pontos críticos que afetam
de intervenção com rescursos internos e
não só a produtividade da empresa, como
externos, propondo melhorias que podem
também a saúde do trabalhador, possibi-
ser implementadas pela diretoria.
litando a intervenção em situações como
ritmo de produção, posturas e layout. Os materiais utilizados na metodologia
para que fosse possível realizar a análise e
3.1.2 MATERIAIS posterior discussão com vistas a alcançar
o objetivo do artigo foram: visitas; questio-
Procurando a obtenção de dados concretos, nários; fotos; vídeos; croquis; mapeamento
foram realizadas visitas ao ambiente de e hierarquização das tarefas e demandas

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


191

ergonômica e tabela SHERPA. Em suma, A obtenção dos dados referentes às execu-


realiza-se a obtenção dos dados, organi- ções das tarefas, suas etapas e peculia-
zação das informações obtidas, análise e ridades possibilitou identificar, em um
estruturação das tarefas, diagnosticação contexto geral, duas situações ocorrentes,
quanto às demandas ergonômicas, e por de suma importância que servem como
fim a conclusão do estudo realizado. pontos de investigação para o estudo e
concretização do objetivo proposto. A

4. RESULTADOS E Figura 4 representa de forma resumida a

DISCUSSÃO hierarquia das etapas de fabricação dos


bombons de chocolate. A partir da decom-
posição de cada tarefa é possível analisar
4.1 AVALIAÇÃO DAS
os fatores que influenciam diretamente
TAREFAS EXECUTADAS
cada etapa de produção.

Figura 4 - Etapas de fabricação.

Fonte: Elaboração do Autor.

De um modo geral, todas as atividades ções que dependem das ações e fatores
de fabricação dos doces estão dispostas humanos que necessitam ser avaliadas.
por processos de execução, seguidos pelo
A partir desse procedimento é possível iden-
deslocamento para as próximas etapas.
tificar os erros presentes nas etapas deter-
Foi possível identificar pontos importantes
minadas pela empresa, onde se torna viável
de investigação que exigiam a atuação
que seja estabelecida a relação da análise
de fatores cognitivos, físicos e resposta
hierárquica da tarefa (AHT) vinculado à meto-
motora, em suma, estuda-se: Recolhimento
dologia da análise SHERPA de modo a dire-
do Material, Fabricação da Massa, Mode-
cionar a atuação para os erros potenciais.
lagem, Fabricação da Cobertura, Etapa de
Finalização, Montagem do Pedido. A Figura 5 possibilita conhecer parte da
decomposição das etapas relacionadas à
A organização destes dados possibilita
fabricação de bombom de chocolate pelas
ao estudo investigar fatores críticos para
empresas. A partir da observação de cada
o sistema produtivo da empresa como,
tarefa executada consegue-se relacionar o
por exemplo, formação de gargalos ou
estudo da análise ergonômica do trabalho
processos dispensáveis para a fabricação
com a metodologia AHT.
dos doces, bem como alerta para situa-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


192

Figura 5 - Decomposição das Etapas de fabricação.

Fonte: Elaboração do Autor.

A decomposição das etapas de fabricação podem ocorrer em cada item/procedi-


possibilita estabelecer um relacionamento mento”, “Qual a importância dos erros
hierárquico de modo que cada tarefa está encontrados?”, “A que tema sobre ergo-
subordinada a uma ação anterior. Desse nomia o erro está relacionado?”, “Quais
ponto de observação é possível realizar um estratégias de prevenção devem ser
estudo acerca dos possíveis casos de falha tomadas?”. Assim, a Figura 6 representa o
de produção ou de manutenção dos movi- estudo feito acerca da primeira etapa de
mentos e postos de trabalho nas diversas produção, demonstrando os erros asso-
etapas produtivas. ciados a cada tarefa referente à etapa de
recolhimento de material bem como a

4.2 IDENTIFICAÇÃO DOS descrição do erro, consequência, recupe-

ERROS POTENCIAIS E ração e estratégia corretiva. Essa etapa

DETERMINAÇÃO DOS compreende apenas a tarefa de recolhi-

PONTOS CRÍTICOS mento de material e deslocamento para


área de fabricação da massa. É uma parte
De acordo com a metodolgia proposta por da produção importante pelo fato de dar
Stanton (2006), este sub tópico da análise inicio à fabricação de acordo com as quan-
de dados tem por objetivo responder tidades recolhidas em estoque.
a perguntas como: “Que tipo de falhas

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


193

Figura 6 - Modo do erro da etapa de Recolhimento do Material


Sub Modo Descrição Conse- Recupe- Estratégia
Etapa
Objetivo Erro do Erro quência ração Corretiva
1 Recolhimento do Material
Disposição
Pegar Falha na
quantidades
o leite operação de Incapaz de
das necessá-
1,1 conden- A4 - 12 - V4 recolhimento formar a Imediata
rias em mural
sado no - Quantidade massa
próximo ao
estoque errada
estoque
Trans-
portar para
Falha no deslo- Atraso da
1,2 a área de A4
camento produção
NA NA
fabricação
da massa

Retorno ao Falha no deslo- Atraso da


1,3 estoque
A4
camento produção
NA NA

Disposição
Falha na
Pegar o quantidades
operação de Incapaz de
chocolate das necessá-
1,4 em pó no
A4 - 12 - V4 recolhimento formar a Imediata
rias em mural
- Quantidade massa
estoque próximo ao
errada
estoque

Trans-
portar para
Falha no deslo- Atraso da
1,5 a área de A4
camento produção
NA NA
fabricação
da massa

Fonte: Elaboração do Autor.

A Figura 7 representa o estudo feito acerca


da quinta etapa de produção, demons-
trando os erros associados a cada tarefa
referente à etapa de Finalização bem
como a descrição do erro, consequência,
recuperação e estratégia corretiva. Essa
etapa compreende tanto ao acabamento
dado aos bombons produzidos (corte de
rebarbas, acerto de medidas) quanto à
embalagem individual e em conjunta do
produto. Fase importante pois segundo
a gerência é onde são notados os princi-
pais erros de fabricação, ocasionados por
falha na matéria prima ou por descuido
de manipulação.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


194

Figura 7 - Modo do erro da etapa de Finalização


Sub Descrição Conse- Recupe- Estratégia
Objetivo Modo Erro Etapa do Erro quência ração Corretiva
5 5º Finalização
Falha no deslo- Atraso da
5.1 Ida ao estoque A4
camento produção
N/A N/A

Disposição
Falha na
quantidades
operação de
Pegar pelotine, Incapaz de das necessá-
recolhimento
5.2 fundo rendado A4 - 12 - V4
- Quantidade
embalar o Imediata rias em mural
e caixa produto próximo ao
errada ou ítem
estoque - Trei-
errado
namento

Transportar
Falha no deslo- Atraso da
5.3 para a área de A4
camento produção
N/A N/A
fabricação

Ida á área de Falha no deslo- Atraso da


5.4 fabricação
A4
camento produção
N/A N/A

Pegar a Falha na
bandeija com operação Atraso da
5.5 os bombons
A4 - 12 - V4
- atraso ou produção
N/A N/A

prontos demora

Transporte dos
bombons para Falha no deslo- Atraso da
5.6 área de finali-
A4
camento produção
N/A N/A

zação

Falha na
operação/
Pegar o prato,
esquecer Atraso da Treinamento do
5.7 faca e bandeija A4
algum ítem produção
N/A
funcionário
no armário
pu pegar ítem
errado

Falha na
Pegar o operação-
bombom para -Quebra do Atraso da Treinamento do
5.8 acabamento 1
A4
bombom- produção
Imediata
funcionário
á1 -atraso ou
demora

Realização do Retrabalho/
Falha no
acabamento, atraso da
acabamento/ Treinamento do
5.9 corte de A4
Quebra do
produção/ Imediata
funcionário
rebarbas do Perda do
bombom
bombom produto

Colocar todos
Falha na Atraso da
5.10 os bombons na A4
operação produção
N/A N/A
bandeija

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


195

Sub Descrição Conse- Recupe- Estratégia


Objetivo Modo Erro Etapa do Erro quência ração Corretiva
5 5º Finalização
Falha na
operação-
Colocar o fundo -Quebra do Atraso da Treinamento do
5.11 rendado
A4
bombom- produção
Imediata
funcionário
-atraso ou
demora

Falha na
operação-
Colocar o pelo- -Quebra do Atraso da Treinamento do
5.12 tine
A4
bombom- produção
Imediata
funcionário
-atraso ou
demora
Falha na
operação-
Colocar o
-Quebra do Atraso da Treinamento do
5.13 bombom na A4
bombom- produção
Imediata
funcionário
caixa
-atraso ou
demora
Falha na Atraso da
5.14 Fechar o caixa A4
operação produção
N/A N/A

Transportar
Falha no deslo- Atraso da
5.15 para a área de A4
camento produção
N/A N/A
expedição

Fonte: Elaboração do Autor.

4.3 FATORES carga) geram ao longo do tempo, estresse


ERGONÔMICOS mental, podendo ocorrer falha da execução
de seus serviços e perda da qualidade.
Para as etapas de recolhimento de mate-
rial, fica evidente a presença de fatores da Para a etapa de Finalização, além dos
ergonomia cognitiva, ou seja, fatores que elementos cognitivos, fica mais explícita
ocupam-se dos processos mentais do ser a presença de fatores físicos diante do
humano, como a percepção, memória, trabalho realizado. A posssibilidade de erros
raciocínio e resposta motora, tomada por fadiga e ajustes ficam claros e mais
de decisão, estresse e treinamento. A fáceis de ocorrerem, já que essa tarefa exige
percepção do trabalhador e o processo de habilidade, treinamento e resposta motora
memorização estão em constante atuação constante para atingir os padrões de quali-
dentro dessa etapa de fabricação, onde dade exigidos dos produtos fabricados.
qualquer descuido pode levar a perdas
O funcionário realiza repetitivamente os
ou atrasos de produção. A pressão de não
mesmos movimentos com a função de
poder errar e o excesso de trabalho (sobre-
embalar e dar acabento aos bombons, atin-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


196

gino o mesmo formato, tamanho e peso em cada processo de fabricação e, em sequ-


para inúmeros pedidos no decorrer do ência, a análise SHERPA associa cada subob-
dia. Utiliza, também, grande parte de sua jetivo apresentado pela AHT a um modo de
percepção e memória que são exigidos nas erro que deverá ser analisado posterior-
etapas de verificação visual e retrabalho. mente pela gerência.

A partir da analise hierarquica da tarefa


5. CONSIDERAÇÕES identificou-se que as etapas de atuação
FINAIS mais relevantes para o estudo foram as

A partir dos conteúdos e resultados apre- de recolhimento de material e finalização,

sentados foi possível, com a exemplifi- onde existiam as principais demandas e

cação sobre a fabricação de bombons de erros produtivos.

chocolate, encontrar, identificar e demons-


Assim, conforme o objetivo proposto pelo
trar a existência de alguns pontos críticos
estudo, levando em consideração as deli-
que necessitam de cuidados acerca dos
mitações nas quais a pesquisa foi realizada,
aspectos ergonômicos e considerações
pôde-se obter uma visão geral dos pontos
relevantes à produtividade da empresa.
críticos dentro da fabricação de bombons

A aplicação da metodologia de análise de chocolate e das situações que neces-

hierárquica da tarefa forneceu subsídios sitam de atenção na indústria doceira.

para encontrar os pontos relevantes às Foi possível, então, alcançar o objetivo de

etapas de fabricação, bem como, com o investigar a ocorrência de demandas ergo-

auxílio da análise SHERPA, foi possível nômicas na empresa produtora de doces

associar um modo de erro a cada subob- na região de Pelotas – RS com o uso de

jetivo e assim determinar a importância ferramentas simples, constatando que

deste no sistema de produção da empresa. a busca de uma solução possa facilitar o

Também, forneceu dados capazes de iden- trabalho do profissional bem como o seu

tificar demandas ergonômicas e situações bem estar.

de desconforto, sobrecarga e excesso de


Em suma, a pesquisa conseguiu fornecer
movimentação do funcionário na relai-
uma visão geral sobre a interação entre
zação de suas atividades.
análise hierárquica da tarefa junto à análise

Desse modo, fundamentando-se nos dados ergonômica do trabalho. Essa relação,

encontrados, concluiu-se que tanto a análise sendo estudada em conjunto, é capaz

hierárquica da tarefa, quanto a análise de prover caminhos que a gerência deve

SHERPA, são metodologias essencias para se seguir para sanar os erros de produção e

identificar os principais erros de produção e direcionar a atuação sobre as questões de

problemas relacionados a cada tarefa sobre bem estar do trabalhador, auxiliando na

um objetivo comum. A AHT fornece o mape- adaptação do trabalho às condições fisio-

amento das atividades a serem executadas lógicas dos funcionários.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


197

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1 ]. ADPD. Sistema de rastreabilidade de


IP. Disponível em:< http://docesdepelotas.
org.br/sistema/consumidor >, 2014.

[2]. ABRAHÃO, J. Ergonomia, modelos,


métodos e técnicas. In: CONGRESSO
LATINO AMERICANO E VI SEMINÁRIO
BRASILEIRO DE ERGONOMIA. Florianó-
polis, 1993.

[3]. BAUDEL, A. Mapeamento hierár-


quico das demandas ergonômicas de uma
empresa – Análie de uma proposta. Niterói,
2005.

[4]. DOLABELA, F. O segredo de Luíza.


São Paulo: Editora de cultura, 2006.

[5]. FIALHO, F. e SANTOS, N. Manual de


análise ergonômica do trabalho. 2ª ed.
Curitiba: Gênesis, 1997.

[6 ]. IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção.


2ª edição ver. E ampl. – São Paulo: Blucher,
2005.

[7]. RODRIGUES, William Costa. Metodo-


logia Científica. FAETEC/IST. Paracambi –
RJ, 2007.

[8]. SANTOS. C. e ELLWAGER. C. Avaliação


de usabilidade de sistemas sob a ótica da
estruturação conceitual hierárquica. Santo
Ângelo, 2013.

[9 ]. STANTON, N. A. Hierarchical task


analysis: Developmnents, aplications, and
extensions. 2006.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


ANÁLISE ERGONÔMICA
DO TRABALHO
(AET) APLICADO NO
PROCESSO DE SALGA DA
CARNE DE UMA FÁBRICA
DE CHARQUE.

Valdanês Paludo
Heloisa Carolina Massucato
Bravin

RESUMO
A aplicação de ferramentas de avaliação ergonômica das condições ambientais, buscam
conhecer os riscos oferecidos aos trabalhadores, e as ações de melhorias a serem imple-
mentadas no ambiente de trabalho. O estudo refere-se à análise ergonômica de um posto
de trabalho, visto que se faz necessário, devido aos grandes riscos ergonômicos oferecidos
aos trabalhadores. O presente trabalho objetivou avaliar os riscos ergonômicos existentes
no ambiente de trabalho na indústria de charque através do instrumento avaliativo REBA
(Rápida avaliação do corpo inteiro), apresentado por Couto (2007), aplicada por Santos
(2009). Os resultados obtidos com avaliação dos ambientes de trabalho possibilitou visua-
lizar a realidade dos mesmos, que estão apresentados nas tabelas 4, 5 e 6. Verificou-se que
os postos de trabalhos apresentam condições ergonômicas com níveis de risco médio e
alto, bem como níveis de ação 2 e 3. Nas atividades transportar a carne e distribuir a carne
sobre o sal, há necessidade de ação em breve ou imediata, já a atividade jogar o sal grosso
sobre a carne, o nível de risco é médio, sendo ação necessária.
199

1. INTRODUÇÃO A ergonomia apresenta situações reais no


ambiente estudado, analisando a maneira
A ergonomia é uma disciplina direcio- que possa ser confortável e bem-sucedida
nada na interação do ser humano com para realizações das atividades, tendo em
os artefatos sob a perspectiva da ciência, vista a finalidade de humanização e avanço
engenharia, design, tecnologia e gerencia- do sistema de trabalho. Assim, a ergo-
mento de sistemas compatíveis com o ser nomia apresenta o aperfeiçoamento das
humano. Os sistemas incluem uma varie- condições de trabalho e proporciona uma
dade de produtos, processos e ambientes melhora na vida das pessoas (ORMELEZ;
naturais e artificiais. A ergonomia atua ULBRICHT, 2010).
com uma grande variedade de interesses
e aplicações, incluindo o lazer e o trabalho Segundo a Norma Regulamentadora

(MATTOS; MÁSCULO, 2011). NR – 17, a ergonomia visa estabelecer


parâmetros que permitam a adaptação
Ergonomia é o estudo do relacionamento das condições de trabalho as caracterís-
entre o homem e seu trabalho, equipa- ticas psicofisiológicas dos trabalhadores,
mento e ambiente, com a aplicação do de modo a proporcionar o máximo de
conhecimento de anatomia, fisiologia e conforto, segurança e desempenho das
psicologia para com a solução de problemas atividades (BRASIL, 1978).
ocorridos das atividades. Conhecimentos
esses necessários a concepção de instru- Certas atividades exigem dos trabalha-

mentos, maquinas e dispositivos que dores mais e outras menos esforço físico,

possam ser utilizados com o máximo devido à exigência no transporte, tomba-

de conforto, segurança e produtividade mento e movimentação da carne na fabri-

(SALIBA, 2011). cação de charque. Deste modo buscou-se


avaliar como a situação pode ser agravada
Segundo a Organização Internacional de se a sobrecarga física for realizada com a
Ergonomia (IEA, 2000), a ergonomia ou adoção de uma postura incorreta, ou seja,
fatores humanos, é a disciplina científica que possa trazer riscos de desenvolvimento
dedicada ao conhecimento das interações de perdas musculoesqueléticas, através do
entre o ser humano e outros elementos trabalho repetitivo e os mecanismos utili-
de um sistema, e a profissão que aplica zados para realização das atividades.
as teorias, princípios, dados e métodos,
visando otimizar o bem-estar do ser Para isto, contou-se com auxílio da ferra-

humano. A ergonomia contribui para a menta Rapid Entire Boby Assessment (REBA),

projeção e avaliação de tarefas e traba- também denominada Rápida Avaliação do

lhos, produtos, meio ambiente para tornar Corpo Inteiro, para realizar as medições

compatíveis com as necessidades, habili- de movimentos e postura, para posterior

dades e limitações humanas. avaliação do ambiente de trabalho.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


200

2. REFERENCIAL nomia, visando realizar o diagnóstico das

TEÓRICO situações críticas com a legislação oficial,


além de estabelecer sugestões, alterações
O termo ergonomia é derivado das pala- e recomendações de ajustes de processo,
vras gregas ergon (trabalho) e nomos ajustes de produto, postos de trabalho,
(regras), ou seja, normas de trabalho. e, ambiente de trabalho. A AET analisa
De fato na Grécia antiga tinha um duplo todo o recinto com o fito de compreender
sentido: ponos que designava do trabalho os problemas relacionados com a orga-
escravo de sofrimento e sem nenhuma nização do trabalho e seus reflexos em
criatividade e, ergon que designava o prováveis ocorrências de lesões físicas e
trabalho arte de criação, satisfação e moti- transtornos psicofisiológicos (GUALBERTO;
vação. Sendo assim o objetivo da ergo- ROSA; CAMPOS; BRAGA, 2014).
nomia, é transformar o trabalho ponos em
trabalho ergon (MARTINS NETO, 2015).
2.1 ANTROPOMETRIA E O
O bem estar, a segurança, a qualidade de AMBIENTE DE TRABALHO
vida, a satisfação, a postura adequada, a
A antropometria (do grego ánthropos,
redução da fadiga, o aprendizado mais
“homem”, e métron, “medida”) “é o conjunto
rápido e a adaptação, ajustados as capa-
de processos ou técnicas de mensuração
cidades e limitações humanas. O efeito
do corpo humano e de suas várias partes”.
da ergonomia surgiu como uma ciência
A antropometria “ocupa-se das dimen-
inovadora agrupada a várias especiali-
sões e proporções do corpo humano”. Na
dades de engenharia, da arquitetura, da
saúde do trabalhador, a antropometria irá
sociologia, da psicologia e da medicina do
adequar as dimensões dos utensílios de
trabalho, com objetivo de humanizar o
trabalho às características físicas e indivi-
trabalho, determinar regras e precauções
duais de cada trabalhador, respeitando
(PINHEIRO; FRANÇA, 2006).
seu peso, altura e habilidades. Ela engloba

A Análise Ergonômica do Trabalho (AET) é tanto profissionais da saúde como das

uma importante ferramenta para a compre- demais áreas do conhecimento, tais como:

ensão de um ambiente de trabalho, devido engenheiros, administradores, assistentes

este sofrer influências de forma direta. O sociais etc (MATTOS; MÁSCULO, 2011).

estudo direciona a atividade humana para


Através da antropometria, buscou-se
um melhor desempenho, sobretudo, nas
alcançar o objetivo para constituir a
suas consequências físicas e psicofisioló-
garantia e o conforto dos trabalhadores
gicas (SALIBA, 2011).
em relação aos seus sistemas produtivos.

A AET tem por objetivo a real compre- O efeito é consequência e não fim, pois se

ensão da situação de trabalho, o confronto posta a eficácia como finalidade principal

de aptidões com limitações à luz da ergo- poderia denotar angústia e sacrifício dos
trabalhadores o que seria inadmissível.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


201

Em 1948 com o projeto da cápsula espacial saúde (PINTO, 2009)


norte-americana surge a ideia de ergonomia
moderna, uma vez que foi preciso fazer um 2.2 BIOMECÂNICA
remanejamento de tempos e canais para OCUPACIONAL
se transportar ao espaço, em consequência
da moléstia que sofreram os astronautas A biomecânica ocupacional pode ser definida
no inicial protótipo, surge dessa forma, por como o estudo da interação entre trabalho
meio da antropometria, o conceito de que e o homem sob o ponto de vista dos movi-
o primordial não é adequar o homem ao mentos musculoesqueléticos envolvidos
trabalho, mas procurar acomodar as situ- e suas consequências. Aplicando as leis da
ações de trabalho ao ser humano (BRUM; física e da mecânica, possibilita estimar as
OLIVEIRA; COSTA; PINTO, 2013). tensões que ocorrem nos músculos e arti-
culações durante uma postura ou movi-
Segundo Saliba (2011), o mobiliário e os mento. Sendo assim, a biomecânica avalia
postos de trabalho devem atender as as posturas corporais no trabalho e a apli-
características antropométricas de 90% cação de forças (IIDA, 2005).
dos trabalhadores, respeitando os alcances
dos membros e da visão, ou seja, compa- A biomecânica oferece o suporte cientí-
tibilizando as áreas da visão com a mani- fico para análise de forças e posturas que
pulação. Obter espaço adequado para o determinam as pressões internas sobre os
trabalhador desenvolver suas atividades músculos, tendões, ossos e articulações
tanto sentado quanto em pé. Posicioná-los envolvidos nos movimentos repetitivos e
no posto de trabalho dentro dos limites atritos dos tendões e músculos. A biome-
de alcance manual e visual do operador, cânica auxilia na determinação dos limites
permitindo a movimentação dos membros fisiológicos e da capacidade de recupe-
superiores e inferiores, respeitando a ração do organismo. Com base no diagnós-
natureza de cada tarefa. tico, possibilita escolher alternativas para a
melhoria dos postos de trabalho de modo
O posto de trabalho deve ser desenhado a não penalizar o trabalhador (MATTOS;
tendo em conta o trabalho e a tarefa que MÁSCULO, 2011).
vai realizar, a fim de que esta seja execu-
tada de modo confortável e eficiente. Para
2.3 ADOÇÃO E
tanto, há que considerar quer os movi-
MANUTENÇÃO DA
mentos exigidos pelo trabalho como, as
POSTURA
posturas e o esforço intelectual. Se o posto
de trabalho for adequadamente dese- Segundo Saliba (2011), a postura mais
nhado, o trabalhador poderá manter uma adequada ao trabalhador é aquela que
postura de trabalho correta e cômoda, ele escolhe livremente e que pode ser
sendo certo que se assim não for, poderão variada ao longo do tempo. O tempo de
decorrer várias consequências para a manutenção de uma postura deve ser o

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


202

mais breve possível, visando que os efeitos em diferentes setores ou departamentos


nocivos, dependem do tempo durante o da empresa, tendo como objetivo principal
qual ela será mantida. O local e o ambiente prevenir e diminuir os casos de LER/DORT
também devem ser adequados para com a (OLIVEIRA, 2006).
execução das atividades.
Segundo Evangelista (2013), o objetivo
A postura ocupacional é a assumida pelo principal da Ginástica na Empresa é possi-
corpo, quer seja por meio da ação inte- bilitar um aquecimento muscular capaz
grada dos músculos operando para contra de atenuar a incidência de acidentes de
atuar a força da gravidade, quer seja trabalho causados por esforço físico sem
quando mantida durante a inatividade preparação. Esses exercícios devem ser
muscular. Formada pela manutenção da dosados de modo que se obtenham esse
combinação de movimentos executados aquecimento e a oxigenação necessária à
pelos segmentos corporais, cabeça, tronco melhoria do estado físico geral, promover
e membros. Durante a jornada de trabalho, maior disposição para o trabalho, maior
o trabalhador adota posturas ocupacio- capacidades respiratórias, vitalidade
nais, as quais serão uma consequência muscular e mental, além de descontração
das atividade das tarefas. A postura mais no ambiente / relação de trabalho.
adequada é aquela que o trabalhador
escolhe de forma voluntária (MATTOS; 2.5 RAPID ENTIRE BOBY
MÁSCULO, 2011). ASSESSMENT ( REBA) OU
RÁPIDA AVALIAÇÃO DO
2.4 GINASTICA LABORAL CORPO INTEIRO

A ginástica laboral contribui com a ergo- O método REBA (Rapid Entire Boby Asses-
nomia, uma vez que faz parte do processo sment) foi desenvolvido por Hignett and
ergonômico e proporciona redução McAtamney (2000), para estimar o risco
das dores, fadiga, monotonia, estresse, de desordens corporais a que os trabalha-
acidentes e doenças ocupacionais dos traba- dores estão expostos. As técnicas que se
lhadores. Ginástica laboral pode ser defi- utiliza para realizar uma análise postural
nida como atividade física praticada no local têm duas características que são a sensi-
de trabalho de forma voluntária e coletiva bilidade e a generalidade. Uma alta gene-
pelos funcionários na hora do expediente, ralidade quer dizer que é aplicável em
ou seja, é um programa de prevenção, cujo muitos casos, mas provavelmente tenha
objetivo é a promoção da saúde dos traba- uma baixa sensibilidade, quer dizer que
lhadores (SILVA; SALETE, 2007). os resultados que se obtenham podem
ser pobres em detalhes. Porém as técnicas
A Ginástica Laboral compreende exercícios
com alta sensibilidade, onde é necessária
específicos de alongamento, de coorde-
uma informação muito precisa sobre os
nação motora e de relaxamento, realizados
parâmetros específicos que se medem,

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


203

parecem ter uma aplicação bastante limi- A avaliação de risco também é feita a partir
tada (PAVANI; QUELHAS, 2006) de uma observação sistemática dos ciclos
de trabalho, pontuando as posturas do
O método REBA tem 6 (seis) passos no seu
tronco, pescoço, pernas, carga, braços,
procedimento: i) observação da tarefa; ii)
antebraços e punhos em tabelas especí-
seleção das posturas para avaliação; iii) atri-
ficas para cada grupo. Após a pontuação
buir uma pontuação às posturas, iv) efetuar
de cada grupo é obtido a pontuação final
o tratamento das pontuações; v) estabelecer
onde se compara com uma tabela de
a pontuação final do REBA e; vi) finalmente,
níveis de risco e ação em escala que varia
confirmar o nível de ação e a urgência das
de 0 (zero), correspondente ao intervalo
respectivas medidas (COUTO, 2007).
de movimento ou postura de trabalho

Após realizar a seleção das posturas para aceitável e que não necessita de melho-

avaliação, os critérios a usar podem ser as rias na atividade até ao valor 4 (quatro)

posturas repetidas com mais frequência, onde o fator de risco é considerado muito

as posturas mantidas por mais tempo, alto sendo necessário atuação imediata

as que requeiram maior força e atividade (COUTO, 2007).

muscular, as posturas identificadas como


A tabela 1 apresenta os níveis de risco e de
causadoras de desconforto, as extremas,
ação do REBA, onde nos possibilita realizar
instáveis, posturas complexas que exigem
a comparação com os dados coletados a
aplicação de força, etc. O método permite
campo, assim determinar as prioridades
a análise das posturas adotadas no
para melhorar os postos de trabalho,
trabalho, de forças aplicadas, de tipos de
possibilitando assim reduzir os riscos de
movimentos ou ações realizadas, atividade
doenças musculoesqueléticas causadas
muscular, trabalho repetitivo e o tipo de
nos postos de trabalho.
pega adotada pelo trabalhador ao realizar
a atividade (SHIDA; BENTO, 2012).

Tabela 1 - Pontuação, níveis de riscos e níveis de ação do REBA.


Pontuação Nível de risco Nível de ação Ação
1 Insignificante 0 Nenhuma necessária

1-3 Baixo 1 Pode ser necessária

4-7 Médio 2 Necessária

8-10 Alto 3 Necessária brevemente

11-15 Muito alto 4 Necessário de imediato

Fonte: Pinto, 2009.

A tabela 2, determina a pontuação referente


ao esforço necessário para com a carga
força necessária para realizar as atividades.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


204

Tabela 2 - Pontuação da carga/força necessária para realizar as atividades


0 1 2 +1
< 5 kg 5 – 10 kg > 10 kg Choque ou rápido desencadeamento da força

Fonte: Pinto, 2009.

A tabela 3, norteia o desenvolvimento e trabalho, relacionados a pontuação da


avaliação das condições ambientais de pega, com base na tabela 3.

Tabela 3 - Pontuação da pega na realização das atividades de trabalho


Níveis de pontuação Tipos de pega
0 (boa) Bem ajustada e pega de potência.

Pega aceitável mas não ideal, ou a pega é aceitável feita por outra parte
1 (aceitável)
do corpo.

2 (má) Pega não aceitável apesar de possível.

Difícil e inseguro, sem pega ou pega inaceitável usando outras partes do


3 (inaceitável)
corpo.

Fonte: Pinto, 2009.

3. PROCEDIMENTOS cada. Segundo Gerhardt e Silveira (2009),

METODOLÓGICOS a pesquisa aplicada objetiva gerar conhe-


cimentos para aplicação prática, dirigidos
O estudo foi realizado em uma empresa à solução de problemas específicos. Em
Sul Matogrossense, a qual possui 20 relação aos procedimentos utilizados, esta
funcionários, sendo a maioria profissionais pesquisa pode ser caracterizada como
com ensino médio incompleto. O estudo bibliográfica, visto que faz uso de fontes
teve como foco principal desenvolver e bibliográficas em relação ao assunto estu-
orientar os colaboradores da empresa, dado (LAKATOS; MARCONI, 2007).
sobre a responsabilidade quanto aos
procedimentos ergonômicos de cada um. Em relação à abordagem o estudo pode

Prinacipalmente através de treinamentos ser caracterizado como sendo quanti-

e palestras, com o interesse em buscar o tativo. Conforme Dafovo; Lana e Siveira

envolvimento de todos no desenvolvimento (2008), este método de abordagem, carac-

e aplicacao do trabalho, visando minimizar teriza-se pelo emprego da quantificação,

ao máximo os riscos de ocasionar lesões tanto nas modalidades de coleta de infor-

musculo-esqueléticas relacionadas ao mações, quanto no tratamento dos dados.

trabalho (LMERT), causada pela postura Ele possui como diferencial a intenção de

inadequada dos trabalhadores. garantir a precisão dos trabalhos reali-


zados, conduzindo a um resultando com
Quanto à natureza do estudo, esta poucas chances de distorções.
pesquisa pode ser considerada como apli-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


205

Quanto aos objetivos, o presente estudo é um método de fácil aplicação e eficaz


pode ser classificado como uma pesquisa para análise de postos de trabalho.
exploratória. Para Gil (2010), a pesquisa
2 ª e t a p a – a p lica çã o d o R E BA e
exploratória busca possibilitar mais proxi-
cole t a d os d a d os : Através dos estudos
midade com o problema, com o obje-
buscou-se verificar e determinar as condi-
tivo de torná-lo mais explícito ou ainda a
ções ambientais do trabalho, assim deter-
construir hipóteses, normalmente envol-
minou-se pela aplicação da metodologia
vendo levantamento bibliográfico, entre-
REBA. O público alvo desta pesquisa
vistas com pessoas atuantes na área em
foram cinco funcionários de uma fábrica
discussão e análises que estimulem maior
de charque do Sul de Mato Grosso, a qual
compreensão. Quanto aos fins, a pesquisa
possui um total de 20 funcionários. Foram
será descritiva, exploratória e quantitativa.
selecionados profissionais que desen-
Quanto aos meios, a pesquisa será biblio-
volvem atividades diárias, fazendo uso de
gráfica e documental.
esforço físico para com o desenvolvimento
das mesmas.
3.1 MATERIAIS E MÉTODOS
3ª e t a p a – a n á lis e d os d a d os :
A escolha do local de aplicação da ferra-
De posse dos dados obtidos através das
menta REBA, se deu em função do processo
observações das atividades de trabalho,
de produção de charque ser uma atividade,
foram realizadas as modelagens gráficas
artesanal e exaustiva, por exigir grande
utilizando o Ergolândia 5,0 e Microsoft
esforço físico, e dificultar ou até mesmo
Excel. Com o auxílio das tabelas gráficas,
não ser possível utilizar máquinas e equi-
possibilitou melhor visualização da real
pamentos (automatizar) no processo, para
situação em que são desenvolvidas as ativi-
facilitar ao desenvolvimento do trabalho.
dades diárias de salga do charque. Assim
Diante destes contextos, o trabalho foi
possibilita verificar os pontos com maior
desenvolvido através das 4 (quatro) etapas
riscos e determinar a busca de melhorias
a seguir:
no ambiente de trabalho, visando ao bem

1 ª etapa – D ef in iç ão do méto d o a estar dos trabalhadores.

s er uti l i z ado e do loc al a ser a p li-


4ª etapa - avaliação dos ambientes
cado: Nesta etapa, primeiramente, foram
d e t ra b a lh o: após a formatação dos
realizadas consultas em livros, artigos cien-
dados, comparou-se os resultados com os
tíficos, teses, dissertações e demais docu-
parâmetros apresentados na Tabela 01.
mentos impressos e digitais que abor-
Dessa forma poder perceber os pontos
daram a análise ergonômica do trabalho.
onde há maior risco de causar lesões
A partir deste embasamento teórico, foi
musculo esqueléticas relacionadas ao
possível definir o método de avaliação
trabalho, no trabalhador fabril.
ergonômica através do REBA para ser utili-
zado na execução do estudo, visto que este

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


206

4. RESULTADOS E DIS- para a determinação da pontuação nos

CUSSÕES diferentes movimentos realizados pelos


trabalhadores, durante a salga da carne
Com aplicação da ferramenta REBA, para fabricação de charque, classificados
gerou-se os dados para posterior avaliação pelos grupos A e B, visando classificar o
do ambiente de trabalho, os quais para nível de risco. O grupo A é composto pelos
melhor visualização estão apresentados seguintes membros do corpo humano:
nas tabelas de 4 a 6. Os resultados apre- tronco, pescoço e pernas (TPP). O grupo B
sentados nas tabelas de 4 a 6 foram é composto pelos seguintes membros do
obtidos avaliando as diferentes atividades corpo humano: braço, antebraço e pulso.
no processo de salga da carne para fabri- Nas tabelas de 4, 5 e 6 estão apresentados
cação de charque. os resultados da análise ergonômica de
trabalho, referente aos grupos A e B.
A tabela 04 apresenta os dados coletados
Tabela 4 - Pontuação referente ao transporte da carne após salga úmida para a pilha de
salga a seco.
Traba- Tron- Pes- Per- Ante- Carga Resul-
Braço Pulso Pega
lhador co coço nas braco /força tado
Nº 01 3 1 2 4 2 2 3 1 9

Nº 02 3 2 2 3 2 2 3 1 8

Nº 03 3 1 2 3 2 2 3 1 10

Nº 04 3 2 3 4 2 2 3 1 9

Nº 05 3 2 2 3 2 2 3 1 9

Tabela 5 - Pontuação referente a distribuição das mantas de carne sobre o sal para
salga a seco
Traba- Tron- Pes- Per- Ante- Carga Resul-
Braço Pulso Pega
lhador co coço nas braco /força tado
Nº 01 3 2 1 2 1 2 2 1 8

Nº 02 3 2 1 2 1 2 2 1 8

Nº 03 2 2 2 2 1 1 2 1 8

Nº 04 3 2 2 2 1 2 2 1 9

Nº 05 3 2 2 2 2 1 2 1 10

Tabela 6 - Pontuação referente a distribuição de sal sobre as mantas de carne para


salga a seco.
Traba- Tron- Pes- Per- Ante- Carga Resul-
Braço Pulso Pega
lhador co coço nas braco /força tado
Nº 01 3 3 2 2 1 2 1 1 5

Nº 02 3 3 2 2 1 2 1 1 5

Nº 03 3 2 2 2 1 1 1 1 5

Nº 04 3 2 2 2 1 2 1 1 7

Nº 05 2 2 1 2 1 1 1 1 7

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


207

Com base nos resultados coletados a posturas incômodas e repetitivas, o que


campo as tabelas 4 e 5 apresentam níveis pode ocasionar o aparecimento de lesões.
de riscos alto, nível de ação 03 sendo
É importante que as empresas de pequeno
necessária ação brevemente ou imediato.
porte, como a que foi alvo deste estudo,
A tabela 6 apresenta níveis de risco médio,
adicione à sua cultura a preocupação com o
nível de ação 02 sendo ação necessária.
desenvolvimento de condições de trabalho
Ações de melhorias a serem adotadas
adequadas aos trabalhadores. É preciso
como rotatividade das atividades por parte
que estas, cada vez mais, se tornem cientes
dos colaboradores, não permanecendo
da importância da aplicação da ergonomia
por tempo prolongado na mesma. Buscar
como forma de proporcionar mais conforto
melhorar a postura de trabalho e os tipos
e segurança a seus funcionários e como
de movimentos que são realizados.
um investimento que acarretará em ganho
Segundo Ligeiro (2010), o REBA constitui-se de produtividade, diminuição de custos
em uma ferramenta muito eficaz para ser relacionados a problemas de saúde.
aplicada em atividades de carregamento
Com os resultados obtidos verificou-se que
de pacientes por auxiliares de enfer-
as atividades: Transporte da carne após
magem, sendo que os resultados obtidos
salga úmida para a pilha de salga a seco, e
estão em consonância com as posturas
a distribuição das mantas de carne sobre o
que os trabalhadores adotam e com os
sal para salga a seco, apresentaram pontu-
problemas de saúde que apresentam.
ação 10, sendo assim os níveis de risco
Para realizar a avalição ergonômica do são alto, determinando a adoção de ação
posto de trabalho na área de saúde pública necessária brevemente. Já o procedimento
Pinto (2009), utilizou a ferramenta REBA de distribuir o sal sobre as mantas de carne
por ser de fácil aplicação e apresentar para salga a seco, apresentou pontuação
os resultados confiáveis, para posterior 7, nível de risco médio, nível de ação 2,
determinação dos níveis de risco que o tornando necessário ação para minimizar
ambiente de trabalho possa apresentar os riscos oferecidos aos trabalhadores.
aos trabalhadores.
Com a realização do estudo da analise
ergonômica no ambiente de trabalho,
5. CONSIDERAÇÕES com aplicação do REBA, a empresa poderá
FINAIS fazer uso destas informações como

O presente trabalho teve como objetivo subsídio para realizar ações de melhorias e

analisar a questão ergonômica do posto conforto para com a realização das opera-

de trabalho da salga das mantas de carne ções produtivas, visando a otimização dos

para fabricação de charque. Realizada recursos, bem como adotar medidas que

esta análise, verificou-se que o trabalho poderão reduzir a possibilidade de ocorrer

do operário em questão é exercido em lesões por esforços repetitivos (LER) na

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


208

produção de charque. quantitativos e qualitativos: um resgate


teórico. Revista Interdisciplinar Científica
Como sugestões para trabalhos futuros,
Aplicada, Blumenau, v.2, n.4, p.01- 13,
sugere-se fazer uso de outras ferramentas
2008.
como a Análise ergonômica do local de
trabalho (EWA), Sistemas de análises de [ 6 ] . EVANGELISTA, Roany Alves. Melhoria
postura do trabalho (OWAS) e a Rápida da qualidade de vida do trabalhador prati-
Avaliação dos Membros superiores (RULA), cante de ginástica laboral. Monografia de
visando assim apresentar medidas ergo- graduação em educação física, da Univer-
nômicas para buscar um ambiente de sidade Federal de Rondônia, 2013.
trabalho que ofereça menores riscos de
[ 7] . IIDA, Itiro; Ergonomia, projeto e
distúrbios osteomusculares relacionadas
produção. 2ª ed. São Paulo: Blucher, 2005.
ao trabalho (DORT).

[ 8] . MARTINS NETO, Edgar; Ergonomia.


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trabalho.com.br/artigos/Apostila_de_Ergo-
[1 ]. ABERGO - Associação brasileira de
nomia_2.pdf, acesso 01 Fev. 2015. aps.
ergonomia. O que é ergonomia. Disponível
em http://www.abergo.org.br/internas. [ 9 ] . GIL, Antônio Carlos. Como elaborar
php?pg=o_que_e_ergonomia, acesso 20 projetos de pesquisa. 5ª ed. São Paulo.
mar. 2015. Atlas, 2010.

[2]. BRASIL, Norma Regulamentadora [ 1 0 ] . GERHARDT, Tatiana Engel; SILVEIRA,


(NR) 17 – Ergonomia. Aprovada pela Denise Tolfo. Métodos de pesquisa. 1ª ed.
Portaria 3.214 de 08 de junho de 1978. Porto Alegre, UFRGS, 2009.

[3]. BRUM, Leonardo Rafael; OLIVEIRA, [ 1 1 ] . LAKATOS, Eva Maria; MARCONI,


Luciana Pinheiro; COSTA, Helder Gomes; Marina de Andrade. Metodologia Cientí-
PINTO, Mary Lucy Ribeiro. Antropometria fica. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2007.
na ergonomia: um estudo para funcio-
[ 1 2 ] . LIGEIRO, Joellen. Ferramentas de
nários da empresa de gelo em cabo frio.
avaliação ergonômica em atividades multi-
IX Congresso Nacional de Excelência em
funcionais: a contribuição da ergonomia
Gestão, Rio de Janeiro, 2013.
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[4]. COUTO, Hudson de Araújo. Ergo- Universidade Estadual Paulista Julio de
nomia aplicada ao trabalho: conteúdo Mesquita Filho, pesquisa em Ergonomia,
básico: guia prático. Belo Horizonte: ERGO, como requisito para obtenção do título de
2007. Mestre em Design. Bauru, 2010.

[5]. DALFOVO, Michael Samir; LANA, [ 1 3] . MATTOS, Ubirajara Aluísio de


Rogério Adilson; SILVEIRA, Amélia. Métodos Oliveira; MASCULO, Francisco Soares.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


209

Higiene e segurança do trabalho. Rio de nharia Humana, Universidade de Minho,


Janeiro, ABEPRO, 2011. Portugal, 2009.

[1 4 ]. ORMELEZ, Camila Rosa; ULBRICHT, [ 2 1 ] . SILVA, Jordani Bueno da; SALETE,


Leandra; Análise ergonômica do trabalho Ana Claudia Boname. A ginástica laboral
aplicada a um posto de trabalho com como forma de promoção a saúde. Fisiote-
sobrecarga física. Revista UNIANDRADE, v. rapia especialidades. 2007.
11, n. 02, 2010.
[ 2 2 ] . SHIDA, Georgia Jully; BENTO, Paulo
[1 5 ]. OLIVEIRA, João Ricardo Gabriel de. A Eduardo Gomes. Métodos e ferramentas
prática da ginástica laboral. 3ª ed. Rio de ergonômicas que auxiliam na análise
Janeiro: Sprint, 2006. de situações de trabalho. VIII Congresso
nacional de excelência em gestão. 2012.
[1 6 ]. PAVANI, Ronildo Aparecido;
QUELHAS, Osvaldo Luiz Gonçalves. A
avaliação dos riscos ergonômicos como
ferramenta gerencial em saúde ocupa-
cional. XIII SIMPEP - Simpósio de enge-
nharia de produção, Bauru, 2006.

[1 7]. PINHEIRO, Ana Karla da Silva;


FRANCA, Maria Beatriz. Araújo. Ergonomia
aplicada a anatomia e fisiologia do traba-
lhador. Goiânia: AB, 2006.

[1 8 ]. PINTO, Alice Manuela Palmeirão.


Análise ergonômica dos postos de trabalho
com equipamentos dotados de visor
em centros de saúde da administração
regional de saúde do centro. 2009. Disser-
tação de Mestrado da Faculdade de Medi-
cina da Universidade de Coimbra: 2009.

[1 9 ]. SALIBA, Tuffi Messias. Curso Básico


de Segurança e Higiene Ocupacional. 4ª Ed.
São Paulo, LTr, 2011.

[20]. SANTOS, José Manuel Soares dos.


Desenvolvimento de um guia de seleção
de métodos para análise do risco de lesões
músculo esqueléticas relacionadas com o
trabalho (LMERT). Tese de Mestrado Enge-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


ESTUDO ERGONÔMICO
EM UMA PLANTA DE
PRODUÇÃO DE PAPEL
HIGIÊNICO

Luciano Ferreira Machado


Denise Cristina de Oliveira
Nascimento

RESUMO
Este artigo analisa a necessidade da aplicação de um programa de ergonomia no setor de
conversão de uma fábrica de papel higiênico no Estado do Rio de Janeiro. Para identificar
esta necessidade foi aplicado o questionário de áreas dolorosas e o método OWAS. Estes
dois métodos foram escolhidos por analisarem o corpo por inteiro. Após a aplicação do
diagrama de áreas dolorosas chegou-se a conclusão que de 65 % dos funcionários sentem
dor. E com a aplicação do método OWAS em cinco etapas, as duas primeiras demostram a
necessidade de uma intervenção assim que possível e nas três últimas etapas, se faz neces-
sário uma intervenção imediata. Com isso, chegou-se a conclusão de que faz-se neces-
sário uma intervenção ergonômica no setor de conversão de forma urgente, sendo assim,
propõe-se um conjunto de sugestões, a fim de implantar um programa de ergonomia espe-
cífico para o setor de conversão.

Palavras-chave

Programa de Ergonomia, fábrica de papel, higiênico,OWAS, Diagrama de áreas dolorosas.


211

1. INTRODUÇÃO dade do desenvolvimento de um programa


de ergonomia no setor de conversão ou
Segundo o Anuário Estatístico da Previ- acabamento em uma planta de produção
dência Social 2010, cerca de 326 mil de papel higiênico do ponto de vista ergo-
acidentes do trabalho ocorreram no ano nômico, sob o aspecto da postura dos
de 2010 destes, 1.536 em trabalhadores funcionários. Este setor terá suas condi-
de instalações e máquinas de fabricação ções ergonômicas estudadas e analisadas
de celulose e papel (BRASIL, 2010). Um para isto serão identificados os principais
número bem elevado, levando em conside- fatores de afastamento de trabalhadores.
ração que no Brasil, segundo a Associação Baseado nesta análise, caso seja neces-
Brasileira de Celulose e Papel (BRACELPA), sário, será proposto um programa de ergo-
existem hoje cerca de 222 empresas com nomia piloto para a empresa em estudo.
atividade em 539 municípios, localizados
em 18 estados e um total de 68 mil traba-
2. PROCESSO DE
lhadores na indústria (BRACELPA, 2012)
TRABALHO NA
A indústria de celulose no Brasil é uma ativi- FABRICAÇÃO DE PAPEL
dade em expansão no Brasil. Em virtude
O processo de fabricação do papel manual
disso, faz-se necessários estudos na área
foi inventado por Ts’ Ai Lun, oficial do exér-
da saúde do trabalhador em particular na
cito chinês no ano de 150, este processo é
ergonomia, foco deste trabalho. Estudos
válido nos dias atuais. Ele se dá através das
estes que poderão contribuir para que os
seguintes etapas: matéria prima, prepa-
investimentos priorizem, além do aumento
ração de massa, formação da folha, pren-
da produtividade e de melhorias na quali-
sagem e secagem. Este processo foi utili-
dade do produto, processos e tecnologias
zado até o século XVIII, quando na França,
não poluentes BRACELPA (2012).
em 1799, Nicholas-Louis Robert, inventou

Segundo Couto (2007) programas de uma máquina que produzia o papel conti-

ergonomia têm ganhado importância no nuamente. Pouco tempo depois, os irmãos

cenário industrial brasileiro nos últimos Fourdrinier apresentaram o método de

anos. Lesões ergonômicas podem produção contínua de papel, aperfeiçoado

aumentar e causar um grande número de na Inglaterra. O processo atual segue o

afastamentos. Assim, a ergonomia busca modelo desenvolvido por estes inventores.

soluções para um ambiente laboral mais Pode-se dividi-lo em dois grupos: prepa-

salutar, visando a correção de práticas ração de massa e a formação na máquina

posturais, corporais e usos de variáveis de papel, os tratamentos especiais e o

ambientais na melhoria da produção. acabamento (BRACELPA, 2012).

Neste artigo, pretende-se realizar um Um detalhamento sobre as etapas desse

estudo de caso, a fim de avaliar a necessi- processo é apresentado pelas Figuras xxx,
conforme dados oferecidos pela BRACELPA:

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


212

1 . A celulose chega à fábrica de papel em çados. Na segunda, a folha percorre um


placas. Depois, é misturada à água em sistema de cilindros altamente aquecidos
equipamentos chamados Hidrapulper – por vapor, para uma secagem comple-
semelhantes a liquidificadores gigantes mentar. Esse processo pode ser visuali-
– para a formação de uma massa. Essa zado na Figura 3.
massa, antes de seguir para a máquina
3. Nesta etapa, o papel recebe trata-
de papel, pode sofrer transformações,
mentos para atingir determinados
como tingimento, adição de colas e outros
padrões, conforme o seu uso. O método
produtos que vão conferir características
mais utilizado é a calandragem, na qual
especiais ao papel. Pode também passar
o material é submetido a um sistema de
por processos que quebram as fibras em
rolos que intensifica as características de
pedaços ainda menores, visando maior
lisura e brilho do produto final (Figura 4).
aderência, uniformidade e resistência da
(BRACELPA, 2012)
folha, conforme figura 1 e figura 2.

Figura 1 - Celulose em pasta Figura 3 - Processos úmido e seco

Figura 2 - Adição de produtos químicos

Figura 4 - Calandramento

Fonte: Própria, (2013)

2. Quando chega à máquina de papel,


a massa de celulose é submetida a duas
etapas: uma úmida e outra seca. Na Fonte: Própria, (2013)
primeira delas, é formada a folha de papel:
sobre uma tela, as fibras de celulose são
separadas da água, resultando em uma
espécie de tecido com pequenos fios tran-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


213

2.1. ERGONOMIA: emocional melhor, uma menor incidência


DEFINIÇÕES E EVOLUÇÃO de doença, uma melhor qualidade de vida
NO CONTEXTO e uma maior eficiência do trabalho.
EMPRESARIAL
_ Para a empresa: Um menor gasto com
A ergonomia possui variadas definições, assistência médica por ocorrência de
mas o conceito mais popular segundo doenças ocupacionais; menor número de
Iida (2005) é a adequação do trabalho ao acidentes; redução do índice de absente-
homem. Segunda o autor, o estudo da ísmo; aumento na eficiência do trabalho;
ergonomia inicia fazendo uma análise das maior proteção legal contra possíveis ações
características do trabalhador, para depois judiciais por causa de doenças e acidentes
então projetar o trabalho a que ele estará de trabalho; maior produtividade; melhoria
exposto. Esta análise parte primeiro de se da qualidade de vida dos colaboradores da
conhecer o homem para depois inseri-lo empresa; melhora na imagem da empresa,
no ambiente de trabalho. melhor ambiente de trabalho.

A Ergonomia também conhecida como


2.2 ESTRUTURAÇÃO
human factors, é uma disciplina científica
DE UM PROGRAMA DE
que trata da interação entre os homens e a
ERGONOMIA
tecnologia. A Ergonomia integra o conheci-
mento proveniente das ciências humanas De acordo com Vidal (2002) a estruturação
para adaptar tarefas, sistemas, produtos e de um programa de ergonomia deve ser
ambientes às habilidades e limitações físicas demandada pela alta administração da
e mentais das pessoas (KARWOWSKI, 1996). empresa e não vinda de algo pontual e
localizada. Este programa deve estar estru-
A ABERGO (2002) define ergonomia como a
turado da seguinte maneira: A alta Admi-
ciência das interações com a tecnologia, a
nistração deve conduzir o processo com
organização e o ambiente com o propósito
a participação dos trabalhadores; deve
de melhorar projetos e de forma não disso-
viabilizar o controle do risco, identificação
ciada e integrada a segurança, o conforto e
e análise; o foco deve ser constante na
bem-estar das atividades do homem.
educação e treinamento; deve verificar a
Santos (2003) cita as vantagens de se eficácia do programa; e por fim, receber
investir em ergonomia, em especial nos permanente comunicação e informação.
programas de ergonomia:
Ainda segundo Vidal (2002) muitos aspectos
_ Para o empregado: Diminuição do na ergonomia são distintos não permitindo
desconforto físico e da fadiga, e com de imediato apontamento com relação à
isso haverá uma diminuição da irritabili- solução de problemas. A ergonomia deve
dade; dos gastos energéticos, diminuição apontar caminhos que permitam receber
do estresse ocupacional, um equilíbrio a demanda, modelar a realidade que tem

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


214

como base a análise ergonômica, que poderá como um todo do assunto investigado.
conduzir a uma intervenção e a implan-
Para fornecer subsídio para o programa de
tação de soluções mais apropriadas para a
ergonomia foram aplicados dois métodos
melhoria do processo, produto e processos.
ergonômicos: Ovako Working Posture
Analysing System (OWAS) e o Método
3. METODOLOGIA Diagrama de áreas Dolorosas. Esses dois

Esta pesquisa foi realizada em uma métodos foram escolhidos em virtude dos

empresa de fabricação de papel higiênico mesmos avaliarem o a postura relativa ao

localizada no interior do Estado do Rio de corpo inteiro.

janeiro. O setor de Conversão foi esco-


lhido devido ao número de funcionários e 3.1 MÉTODO OWAS
por apresentar um elevado grau de stress,
Segundo Iida (2005) em 1977, três pesqui-
monotonia, trabalho repetitivo e um alto
sadores finlandeses de uma siderúrgica,
índice de afastamento.
desenvolveram um sistema prático de
A primeira parte foi concentrada em registro de posturas, chamado de Ovako
pesquisa bibliográfica em (livros, perió- Working Posture Analysing System. (OWAS).
dicos, revistas especializadas, publica- Esta análise inicialmente se dá por meio de
ções avulsas, imprensa escrita, internet e fotos tiradas das principais posturas dos
outras publicações). O Estudo de Caso foi colaboradores em análise em uma siderúr-
o método escolhido para o artigo, este gica. Foram analisadas 72 posturas típicas,
método se caracteriza por um estudo resultando em diferentes combinações
intensivo, exaustivo e profundo de um ou das posições do dorso, braços, e pernas.
de poucos objetos. Foi levada em consi- Conforme figura 5.
deração, principalmente, a compreensão

Figura 5 - Sistema OWAS para Registro de Postura

Fonte: IIDA (2005)

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


215

Para se comprovar na eficácia do método, melhorar os métodos de trabalho por


foram observados funcionários no exer- identificar posturas corporais inade-
cício de suas atividades executando uma quadas adotadas pelos trabalhadores.
tarefa no turno manhã e no turno tarde e foi Para a realização do método o procedi-
concluído então, que o método tinha consis- mento adequado é observar o trabalho de
tência. Após essas avaliações, as posturas forma geral analisando sempre à postura,
foram classificadas em quatro classes (IIDA, a força aplicada para realização da tarefa e
2005), essas classes levam em conta o cada etapa que está sendo desenvolvida.
tempo da duração da postura com relação à Em seguida fazer o registro no programa.
percentagem da jornada de trabalho: Pode-se fazer uso de filmagens e fotos
para se estimar a proporção do tempo as
_ Classe - 1: postura normal que dispensa
quais as forças são exercidas e as posturas
cuidados, apenas em casos excepcionais;
são assumidas.

_ Classe - 2: postura que deve ser verificada


3.2. Método Diagrama de áreas Dolorosas
durante a próxima revisão dos métodos de
trabalho; Segundo Iida (2005) o método foi proposto
por Corlett e Manenica em 1980), onde o
_ Classe - 3: postura deve receber atenção
corpo humano é dividido em 24 segmentos,
em curto prazo;
isto é para facilitar a identificação onde os

_ Classe - 4: postura deve receber atenção trabalhadores sentem dores. Este método

imediata. serve para se mapear as áreas de toda


empresa e permite que se identifiquem
as máquinas, equipamentos e locais de
3.1.2 APLICAÇÃO DO
trabalho que apresentam maior gravidade
MÉTODO OWAS
e que mereçam atenção imediata (IIDA,
Segundo Iida (2005) o método OWAS foi 2005). A Figura 6 mostra em detalhes os
criado para se obter informações para pressupostos deste método.

Figura 6 - Diagrama de regiões doloridas

Fonte: IIDA (2005)

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


216

3.3. PESSOAS ENVOLVIDAS 09 de Fevereiro de 2013, iniciando 02 horas


NA PESQUISA antes do término dos turnos de trabalho a
fim de encontrar os funcionários com certo
As pessoas envolvidas nesta pesquisa desgaste físico, os turnos são definidos da
trabalham no setor de conversão de uma seguinte forma: 07:00h às 15:00h; 15:00h
fábrica de papel higiênico. No total este às 23:00h e 23h:00 às 07:00h.
setor possui 130 funcionários, os mesmos
executam sua jornada de trabalho em três A empresa foco do artigo é uma fábrica de
turnos: 07:00h as 15:00h ,15:00h as 23:00h papel higiênico localizada em um muni-
e 23:00h a 07:00h. As funções que serão cípio no Estado do Rio de Janeiro e utiliza
analisadas são: “Rebobinador” e “Auxiliar para insumo de seus produtos papel reci-
de Produção”. clável, celulose semi-processada e celulose
branqueada 100% virgem. Atualmente
A Pesquisa teve a duração aproximada- possui três máquinas para a produção de
mente de dois meses e o questionário foi papéis, sendo sua capacidade instalada de
aplicado sempre nas duas últimas horas produção de 110 toneladas por dia (40.150
de trabalho, conforme escala de trabalho. toneladas por ano).

4 – ESTUDO DE CASO 4.1 QUESTIONÁRIOS


EM UMA FÁBRICA DE MÉTODO DIAGRAMA DE
PAPEL HIGIÊNICO ÁREAS DOLOROSAS
Os dados foram coletados através do As atividades de “Rebobinador” e “Auxi-
método estudo de caso, onde foram utili- liar de Produção” são desenvolvidos na
zadas entrevistas e observações diretas. posição em pé durante toda jornada de
Através das entrevistas procurou-se a trabalho, ou seja, 08 horas diárias, seis dias
busca por depoimentos dos funcionários da semana, tendo apenas algumas folgas
do setor de conversão. Foram entrevis- durante a realização de sua tarefa de 30
tados 82 funcionários de nível operacional: minutos para o almoço ou jantar e quando
“Rebobinadores” e “Auxiliar de Produção” necessário parada para as necessidades
de um total de 130 os entrevistados foram fisiológicas e uma folga por semana. Foram
escolhidos aleatoriamente realizadas nove perguntas aos entrevis-
tados como o objetivo de, em um primeiro
Os 82 funcionários de nível operacional
momento, traçar um perfil dos operários e
foram entrevistados através de um ques-
após anotar a ocorrência de dores durante
tionário usando o método Diagrama de
a execução das suas atividades.
áreas Dolorosas. Para aplicação do método
OWAS foi escolhida a atividade de abasteci- 1 . Dados Obtidos
mento das rebobinadeiras com tubetes. As
entrevistas ocorreram no período de 04 a Os dados obtidos através da aplicação

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


217

do questionário baseado no método ponto de chamar a atenção dos diretores da


Diagrama de Áreas Dolorosas e as discus- empresa. Eles alegaram que tinham noção
sões são apresentados nesta seção. desse problema devido ao fato de alguns
funcionários reclamarem de dores em
_ Pessoas Entrevistadas: Das pessoas entre-
regiões do corpo. Entretanto, não sabiam
vistadas 65% indicaram dores no corpo e
que existia um quantitativo tão elevado. A
35% alegaram não sentir nenhuma dor.
Figura 7 apresenta um comparativo entre
O percentual de pessoas que apresentam
os funcionários com dor e sem dor.
dores no corpo é bem representativo, a

Figura 7 - Funcionários do setor de conversão sem dor e com dor.

Fonte: O autor, 2013.

_ Parte do Corpo mais Atingida pela dor: mais atingidas foram às pernas e a lombar,
De acordo com as perguntas realizadas conforme figura 8.
durante a pesquisa as partes do corpo

Figura 8 - Funcionários do setor de conversão parte do corpo mais atingida pela dor.

Fonte: O autor, 2013.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


218

De acordo com a pesquisa realizada a e 27% nível 5 de desconforto.


perna esquerda apresenta o maior índice
de desconforto com 60%; a perna direita 4.2 O SOFTWARE
58% e a lombar com 43%. Deu-se destaque WINOWAS
que esses desconfortos podem ser conse-
quência da atividade do “rebobinador” ser O software chamado WinOWAS, foi apli-
realizada na posição em pé por 7 horas e cado apenas para a função Auxiliar de
30 minutos consecutiva, não sendo permi- produção na atividade de abastecimento
tido aos colaboradores descanso, salvo das rebobinadeiras com tubetes, pois
30 minutos paras as refeições (almoço ou a atividade de Rebobinador não depre-
jantar). Isso acaba acarretando dores nas ende força física. O software é usado para
pernas e na região lombar. Os “rebobina- realizar análise do corpo inteiro do traba-
dores” precisam acionar a Rebobinadeira lhador em situações em que o mesmo não
utilizando o pé esquerdo ou direito a cada esteja em estado de inércia.
15 segundos, acionando um pedal.
No software OWAS existe uma área
_ Nível de Desconforto: Aos colaboradores chamada: definir informação do estudo.
entrevistados que manifestaram sentir dor, Nesta etapa foi alimentado o software com
foi solicitado que identificassem o grau de as fases da tarefa analisada (Alimentar a
desconforto que sentem numa escala de 0 rebobinadeiras com os tubetes), ou seja:
a 07, onde ( 0 ) “sem desconforto” até o nível Carregando tubetes, funcionário com
( 07 ) “extremamente desconfortável”, essa tubete, transportando tubetes, subindo
escala faz parte do método de diagrama escada com tubete na rebobinadeira e
de áreas dolorosas. Dos entrevistados 56% descarregando os tubetes na rebobina-
indicaram um grau de desconforto nível 4 deira. (Figura 9).

Figura 9 - Fases do trabalho a serem analisadas

Fonte: O autor, 2013.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


219

Na figura 10 observa-se as fases da tarefa


mencionadas na figura 9.

Figura 10 (a, b, c, d, e) - Etapas da realização das tarefas.

Fonte: O autor, 2013.

O resultado demostrado pela figura 11 que cruza os retângulos de cada parte


expõe as áreas do corpo e a carga em que analisada faz o destaque de cada categoria
está situado o trabalhador. A linha preta de acordo com o método OWAS.

Figura 11 - Tela de recomendações de ações para todo trabalho

Fonte: O autor, 2013.

A figura 12 mostra o gráfico de categoria No gráfico apresentado pela figura 12, visu-
de ação por cada etapa da tarefa analisada. aliza-se a categoria de ação de cada fase

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


220

Figura 12 - Tela de recomendações de ações para todas as categorias

Fonte: O autor, 2013.

da atividade que foi analisada pelo método do comitê de ergonomia; Identificar o


OWAS. Pelos resultados verifica-se que os problema; Analisar o problema/fazendo
dois primeiros movimentos (carregamento sugestões; avaliar os resultados.
tubetes e funcionário com tubete) apre-
senta-se na categoria 3 e segundo a litera- 3.1. ENVOLVIMENTO:
tura esta categoria requer ações corretivas
logo que possível. Já os três ultimos movi- Segundo Evans (1999 apud TOMASINI,
mentos: Transporte de tubetes, subindo a 2001) um programa de ergonomia deve
escada e descarregamento do tubete apre- ter o envolvimento completo de todos os
sentam-se na categegoria 4 apontando funcionários da empresa da alta admi-
a necessidade de correções imediatas. nistração ao “chão de fábrica”, conforme
Este resultado demostra a necessidade proposta de treinamento apresentada
urgente de um programa de ergonomia pelo quadro 1.
que venha a corrigir todas as não confor-
midades identificadas . 3.2. FORMAÇÃO DO
COMITÊ DE ERGONOMIA
3. ESTRUTURA DO
Segundo Evans (1999 apud TOMASINI,
PROGRAMA DE
2001) durante essa etapa duas ações
ERGONOMIA:
devem ser tomadas: a formação do comitê
Este programa será estruturado em e a capacitação.
algumas etapas: envolvimento; formação
_ Quanto à formação do comitê: O comitê

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


221

Quadro 1 - Treinamento Proposto


Treinamentos Conteúdo Duração
Origem da Ergonomia 8hs

Treinamento A Técnicas e métodos em ergonomia 1 8hs

Ergonomia nas empresas um programa 8hs

Treinamento B Princípio da Biomecânica e Antropometria 10 hs

Treinamento C Técnicas e métodos em ergonomia 2 12 hs

Fonte: Adaptado de Soares et al.(2007)

de ergonomia deverá ser divido em vários Grupo 4: Suporte a gestão- Aquele que tem
grupos ou equipes, a fim de facilitar os poder de autorizar as mudanças necessárias.
trabalhos e as decisões que necessitam ser
_ Gerente de Conversão e Diretor Presi-
tomadas:
dente: na escolha da formação do grupo
Grupo 1: Cliente e consultoria externa: 2 deve-se ter em mente alguns critérios
Consultor externo, RH. e Gerente de básicos: Se os mesmos estão familiarizados
Conversão com os fluxos da empresa, se são pessoas
com iniciativa, se têm boa circulação entre
Grupo 2: Formados internamente em ergo-
a força de trabalho.
nomia ( aqueles que foram treinados nos
conceitos e nas técnicas e métodos, que Salienta-se ainda que os grupos de ergo-
terão a responsabilidade das ações ergo- nomia a serem formados devam ser multi-
nômicas dentro da empresa: Médico do disciplinares.
Trabalho; Técnico de Segurança do Trabalho;
_ Quanto à capacitação ou educação conti-
Recursos Humanos; 01 Supervisor de área;
nuada: O treinamento continuado deverá
03 operadores (01 de cada turno).
ser realizado em várias ocasiões, conforme
Grupo 3: Rebobinadores e Auxiliar de Quadro 2.
produção (operadores alvos da pesquisa)

Quadro 2 - Proposta de Treinamento Continuado


ATIVIDADES QUANDO
DDSMS Uma vez por semana

SIPAT Uma palestra durante a semana

Lançamento do Programa Três dias de atividades

Fonte: o autor, 2013.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


222

4.3.3 IDENTIFICANDO O ados no item identificação do problema.


PROBLEMA: Deve-se destacar que o desenvolvimento
de sugestões de soluções esta intrinseca-
Alguns pontos que necessitam de melho- mente ligada a uma análise bem feita do
rias já foram levantados através do uso do problema no momento do desenvolvi-
questionário diagrama de áreas dolorosas, mento de soluções, dois personagens não
em destaque nas funções de “Rebobi- pode ficar de fora: A equipe de Engenharia;
nador” e “Aux. de Produção”, ficando assim Gestores (Administradores).
resumidamente os problemas: 65% dos
funcionários entrevistados queixaram de
4.3.3.1 REBOBINADORES E
dor; Partes do corpo mais atingidas: 60%
AUXILIAR DE PRODUÇÃO.
perna esquerda, 58% perna direita e 43
lombar; 56% com grau de desconforto 4, I- Situação Atual: Conforme demonstra a
27% com grau de desconforto 5; Dos 65% figura 13 o funcionário realiza suas ativi-
dos funcionários entrevistados e que rela- dades por mais de 07h consecutivas na
taram sentir dor, destes 68% trabalham a posição em pé, esta posição tem causado
mais de 05 anos na empresa. incomodo nas pernas e na lombar do
funcionário conforme identificado no
Outra atividade analisada foi a de Abaste-
questionário de áreas dolorosas aplicado
cimento das Rebobinadeiras com Tubetes
neste estudo.
pelo método OWAS. Através deste método
identificou-se que todas as 5 etapas deste - Sugestões: 1ª Uso de um banco semi
abastecimento necessitam sofrer inter- sentado, a fim de evitar o excesso de
venção. Pelos resultados verifica-se que os cargas nas pernas e na lombar (Figura 14)
dois primeiros movimentos (carregamento
Figura 13 - Funcionário realizando suas
tubetes e funcionário com tubete) apre-
atividades na posição em pé
senta-se na categoria 3 e segundo a litera-
tura esta categoria requer ações corretivas
logo que possível. Já os três ultimos movi-
mentos( Transporte de tubetes, subindo a
escada e descarregamento do tubete) apre-
sentam-se na categegoria 4 apontando a
necessidade de correções imediatas.

3.3. ANALISANDO O
PROBLEMA/ FAZENDO
SUGESTÕES Fonte: Própria (2013)

Esta etapa terá como insumo a identifi-


cação dos problemas ergonômicos pontu-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


223

Figura 14 - Sugestão para a realização III - Situação Atual: O auxiliar de produção


das atividades na posição em pé. transportando um amarrado de tubetes
para alimentar a rebobinadeira. Esta ativi-
dade esta sendo desenvolvida de maneira
inadequada, carga posicionada sobre os
ombros, forçando a coluna do funcionário.
A carga pesa em média 25 kg.

- Sugestão: Para evitar o transporte pelos


funcionários dos tubetes manualmente
sugere-se o uso de um carrinho para trans-
Fonte: Iida (2005) porte, conforme figura 17 ou algo seme-
lhante. Em se tratando do abastecimento
2ª Ginástica laboral para os funcionários das rebobinadeiras por tubetes, o ideal é
no início de suas atividades que todo este processo seja mecanizado,
pois já existe no mercado equipamento
II - Situação Atual: O rebobinador flexio-
que faz a alimentação de forma aérea.
nando a coluna para juntar os tubetes,
conforme análise do método OWAS esta Figura 16 - Carinho para transporte
posição foi classificada na categoria 3
e exige medidas assim que possível,
conforme figura 15

- Sugestão: Sugere-se que o funcionário


Fonte: Etaegro (2013)
não flexione a coluna, mas sim os joelhos.
Para melhor proposição de soluções para
Figura 15 - Funcionário flexionando a
coluna e Postura correta os problemas identificados, sugere-se a
gravação em vídeo das operações, a fim de
que seja analisada por todos os membros
do grupo 2 de ergonomia. Após esta
análise o grupo 2 irá reunir-se com o grupo
3 de ergonomia (Rebobinadores e Auxiliar
de Produção), para observar, analisar e
discutir as possíveis soluções de descon-
forto através da análise das gravações.

CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Com este artigo pretendeu identificar a
necessidade de um programa de ergo-
Fonte: Adaptado Iida (2005).

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


224

nomia em uma empresa e propor solu- [ 6 ] . KARWOWSKI, W. IEA Facts and Back-
ções que são capazes de trazer benefícios ground. Louisville: IEA Press, January, 1996.
imediatos a vida do trabalhador, melho-
[ 7] . IIDA, It. Ergonomia; projeto e
rando o ambiente de trabalho, a saúde
produção. 2ª Edição revisada e ampliada –
física e mental, sem falar no aumento
São Paulo; Blucher, 2005.
de produção. Este estudo não esgotou o
levantamento dos problemas ergonômicos [ 8] . MATTOS GRION, R. & VALENÇA, A. C.
do setor de conversão, sendo necessária Papéis para fins sanitários. Informes Seto-
ainda uma avaliação ergonômica deta- riais. BNDES, 1999.
lhada dos vários postos de trabalho exis-
tentes no setor de conversão, tais como: [ 9 ] . SANTOS, E. dos S. Avaliação de um
Cortadeiras, enfardadeiras, empacota- Programa de Ergonomia Desenvolvido
deiras manual, enchimento dos paletes, pelos preceitos da Norma OHSAS 18001.
máquinas de guardanapos, máquina de 107 f. Dissertação(Mestrado em Enge-
fabricas tubetes. nharia de Produção) - Universidade Federal
de Itajubá, 2003.

REFERÊNCIAS: [ 1 0 ] . SOARES, Marcelo M. et al, Os


Primeiros Passos de um Programa de
[1 ]. ABERGO, Definição Internacional de
Ergonomia na empresa: Duas experiencias
Ergonomia. Revista Ação Ergonômica. V.01,
distintas.Revista Gestão |Industrial,Univer-
nº 02, p.03-04, 2002.
sidade Tecnológica Federal do Paraná, v.
[2]. BRACELPA (Associação Brasileira 03, n. 03: p. 160-171, 2007.
de Celulose e Papel). Relatório Estatístico
[ 1 1 ] . TOMASINI, A. Desenvolvimento e
2010/201. Disponível em: <http://www.
aplicação de modelo de gestão ergonô-
bracelpa.org.br/bra2/sites/default/files/
mina para uma empresa de indústria
estatisticas/ rel2010.pdf>. Acesso em 29 de
metalúrgica. 101 f. Dissertação (Mestrado
Junho de 2012.
em Engenharia de Produção) – Universi-
[3]. BRASIL. Ministério da Previdência dade Federal do Rio Grande do Sul, 2001.
Social Anuário Estatístico da Previdência
[12]. VIDAL, Mário. Ergonomia na
Social. Brasília, DF, 2011, 326 p.
Empresa: Útil, Prática e Aplicada. Rio de
[4]. COUTO, H. de A. Ergonomia Aplicada Janeiro: ECV, 2002.
ao Trabalho: conteúdo básico: guia prático
– Belo Horizonte: ERGO Editora, 2007.

[5]. DUARTE F. J. C. M.; DIAS R. L. M.;


CORDEIRO C. V. C. Comitês de Ergonomia e
Ergonomistas Internos. IX Congresso Brasi-
leiro de Ergonomia, Bahia, 1999.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


A IMPORTÂNCIA DE UMA
ABORDAGEM PARTICI-
PATIVA DOS USUÁRIOS
EM UM PROJETO DE ME-
LHORIA DO POSTO DE
TRABALHO: UM ESTUDO
DE CASO EM UMA ESCO-
LA MUNICIPAL DE JOÃO
PESSOA-PB

Helena Thâmara Aquino dos


Santos
Fábio Morais Borges
Beatriz Pires do Carmo Neta
Jerusa Cristina Guimarães de
Medeiros

RESUMO
Na elaboração de um projeto de posto de trabalho, é essencial a participação não só dos
projetistas, como também dos usuários. Essa participação é de grande importância para
identificação e definição das premissas e requisitos do projeto dee melhoria do ambiente.
Nesse sentido, este estudo apresenta a importância que o usuário teve em um projeto de
melhoria do trabalho em uma cozinha de uma escola pública do Município de João Pessoa,
Paraíba. Os dados foram coletados a partir de visitas à escola, entrevistas e questionários
aplicados junto às cozinheiras, além das observações realizadas no ambiente em estudo, e
em seguidas tratados de forma qualitativa. Para as propostas finais, seguiu-se uma abor-
dagem bottom up, onde foi realizada a reunião de construção social com a presença da
diretora e das cozinheiras da escola. Os resultados obtidos com o estudo mostram que a
reunião de construção social promove mais aceitação quanto ao processo de mudança e
adequação, além das propostas sugeridas pelas cozinheiras somarem de maneira positiva
na definição do projeto final.

Palavras-chave

Posto de trabalho. Projeto de trabalho. Projeto Participativo. Construção Social.


226

1. INTRODUÇÃO projeto de melhoria do trabalho em uma


cozinha de uma escola pública do Muni-
As relações entre o homem e o posto de cípio de João Pessoa, Paraíba.
têm sido o foco de discursões e preocupa-
ções no âmbito da ergonomia e do projeto
2. FUNDAMENTAÇÃO
do posto de trabalho. A partir análise dessa
TEÓRICA
relação, têm sido empregadas abordagens,
métodos e ferramentas com a finalidade de
propor melhorias do ambiente de trabalho já
2.1. PROJETO
existentes e no desenvolvimento de postos Diversas são as definições para Projeto,
de trabalhado que já incluam os conheci- desde as mais longas, como “projeto de
mentos dos usuários. O grande propósito vida”, passando por aquelas mais acadê-
das diversas diretrizes de procedimento é micas, como “Projeto político pedagógico
a eliminação ou redução de problemas no do curso” e chegando às definições que
processo produtivo não previsto no projeto acabam por permear áreas da Engenharia
do posto de trabalho e que, como conse- de Produção, tais como Projeto do produto,
quência, podem causar doenças físicas ou Projeto do Trabalho e Projeto de Fábrica.
ocupacionais aos usuários.
Segundo o PMBoK (2013) um  projeto  é
  O processo de desenvolver as estraté- um esforço temporário empreendido
gias apropriadas de gerenciamento deve para criar um produto, serviço ou resul-
envolver as partes interessadas de maneira tado exclusivo. Os projetos e as operações
eficaz no decorrer de todo o ciclo de vida diferem, principalmente, no fato de que
do projeto, com base na análise de suas os projetos são temporários e exclusivos,
necessidades, interesse, e impacto poten- enquanto as operações são contínuas e
cial no êxito do projeto (PMBoK, 2013). repetitivas. Segundo a ISO 10006, Projeto:
Processo único, consistindo de um grupo
A participação do usuário é de grande
de atividades coordenadas e controladas
importância para identificação e definição
com datas para início e término, empreen-
das premissas e requisitos de um projeto de
dido para alcance de um objetivo conforme
melhoria do ambiente de trabalho. É muito
requisitos específicos, incluindo limitações
difícil o projetista conseguir mensurar tais
de tempo, custo e recursos.
requisitos, estando fora da realidade e do
convívio do ambiente. Com a colaboração As definições concordam sobre o quesito
do usuário aliada as competências do duração ao incluírem que projetos têm
projetista, um ambiente de trabalho sem inicio e fim bem definidos, ou seja, são
riscos pode ser proporcionado, atendendo temporários. Enquanto o PMBoK procura
as necessidades e superando as expec- diferenciar projetos e operações e definir
tativas. Dessa forma, apresenta-se aqui suas características respectivas, a ISO
a importância que o usuário teve em um 10006 já indica que projetos podem estar

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


227

submetidos á restrições sobre requisitos de outra tarefa ou aparelhamento análogo,


de tempo, custo e recurso. No mesmo bastando, para isso, empregar recursos,
tópico, 3.1 Projetos, a ISO 10006 aponta como entrevistas, observações, questioná-
que um projeto individual pode fazer rios ou filmagens.
parte de uma estrutura de Projetos mais
De acordo com Sell (2002) o fator deter-
abrangente. Para essa diretriz, o PMBoK
minante para a melhoria das condições
(2013) relaciona portfólios, programas e
de trabalho é o método. Este define como
projetos, onde o mesmo afirma que os
as pessoas agem e reagem as situações
programas são agrupados em um portfolio
que se lhe apresentam, nos diversos
e englobam subprogramas, projetos ou
trechos da tarefa, referindo-se, portanto,
outros trabalhos que são gerenciados de
à contribuição das pessoas no processo
forma coordenada para apoiar o portfolio.
de trabalho. O método de trabalho é a
Os projetos individuais que estão dentro
maneira individual de realizar o trabalho
ou fora do programa são de qualquer
descrevem, respectivamente, de que
forma considerados parte de um portfolio.
forma a pessoa deve participar ou efetiva-
mente participar do decurso do trabalho
2.2. PROJETO DE (SELL, 2002).
TRABALHO

Dentro da concepção de espaços de 2.3. PROJETO


trabalho (postos, setores, unidades, PARTICIPATIVO
fábricas etc.), analisar a tarefa que o ser
A abordagem contemporânea de projeto
humano recebe e tudo o que, efetivamente,
busca trazer os usuários – no caso de
acontece no seu local de trabalho, ou seja,
produtos – ou os trabalhadores, em projetos
a atividade, leva à necessidade de inserir o
de trabalho, para dentro do processo de
projeto do trabalho dentro do escopo de
projeto. Fazendo-os atores do processo,
qualquer projeto produtivo. Seja projeto
tal qual qualquer outro envolvido ou inte-
de concepção, seja de melhoria.
ressado. Evolui-se da visão top-down de
O projeto de posto de trabalho deve projeto, com gerenciamento centralizado e
arranjar os elementos do sistema de poucos envolvidos na construção das solu-
trabalho de tal maneira que a tarefa possa ções, para uma abordagem bottom-up,
ser executada de forma ótima, e as condi- organização que surge das relações intrín-
ções de trabalho sejam adequadas às secas entre as partes, as quais agenciam a
pessoas (Sell, 2002). Conforme Iida (2005), organização do todo, a partir das camadas
o projeto do posto de trabalho apropriado inferiores (VASSÃO, 2008). Sendo estes, no
requer conhecimento sobre a natureza caso, os trabalhadores.
da tarefa, o equipamento, as posturas e
De acordo do Slack (2003), os objetivos e as
o ambiente. Para os novos projetos, tais
ações, da abordagem de bottom-up, devem
informações podem ser obtidas por meio

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


228

ser formatados pelo menos em parte a Escola Municipal de Ensino Fundamental


partir do conhecimento adquirido com as localizada em João Pessoa – PB. Como o
atividades cotidianas. As virtudes funda- foco é apresentar o papel dos trabalha-
mentais requeridas para formatar a estra- dores nas soluções finais de Projeto, resu-
tégia de baixo para cima são a capacidade miu-se o caminho até o levantamento e
de aprender com a experiência e a filosofia priorização dos problemas a serem resol-
de melhoria continua e incremental. vidos, no que tange ao trabalho na cozinha.

A construção física do espaço de trabalho A partir de visitas à escola, entrevistas


depende da construção social do projeto e questionários aplicados junto às cozi-
(Daniellou, 2004), na qual são estabelecidas nheiras, além das observações realizadas
relações de cooperação, diálogo e comuni- no ambiente em estudo, foram sugeridas
cação, permitindo a confrontação de pontos propostas de melhoria do posto de trabalho.
de vista e necessidade dos agentes. Para
Os problemas identificados foram elen-
Daniellou (2004) não há limite para os conhe-
cados e avaliados sobre três aspectos
cimentos que podem ser recrutados para a
(gravidade, urgência e tendência – Matriz
interpretação de uma atividade de trabalho.
GUT), os níveis de avaliação de cada indi-
cador vão de 1 à 5, sendo 5 o nível de
3. METODOLOGIA maior criticidade. Assim, os problemas

O presente trabalho trata-se de um estudo foram classificados segundo a prioridade

de caso de natureza qualitativa e caráter de resolução (Quadro 1).

descritivo, realizado na cozinha de uma


Quadro 1 - Matriz GUT para os problemas da cozinha

Fonte: Autoria Própria (2015)

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


229

Com a análise da matriz, verificou-se que os Assim, as soluções propostas para a dimi-
riscos destacados em amarelo apresentam nuição ou mitigação desses riscos levan-
relação, logo, uma única solução seria tados são apresentadas no Quadro 2.
viável para resolver mais de um problema.

Quadro 2 - Problemas identificados e soluções iniciais


Problema Solução Descrição
Arranjo físico inadequado, Mudança da geladeira e tambores de lixo,
Mudança de posição de equi-
mobiliário e carregamento de visando melhorar o espaço onde se localiza
pamentos
cargas. o fogão.
Mudança de dois armários que estavam
Arranjo físico inadequado e
Mudança de estruturas próximos ao fogão, e ainda a retirada de
mobiliário.
uma parte do balcão (Figura 03);

Instalação de um exaustor Visando melhorar a circulação do ar e conse-


Temperatura do ambiente.
industrial quentemente a temperatura do ambiente;

Elaboração de um carrinho, ilustrado na


Carregamento de cargas,
Criação de uma ferramenta Figura 04, que facilitará o transporte das
arranjo físico inadequado e
de transporte panelas e ferramentas no momento de
mobiliário.
distribuição da comida.

Instalação de luminárias de modo a deixar


Iluminação inadequada Instalação de luminárias o ambiente com uma luminosidade mais
adequada para o trabalho.

Fonte: Autoria Própria (2015)

No entanto, além das propostas sugeridas do conforto do ambiente, com o propó-


pela equipe, foi de extrema importância sito de identificar de problemas relacio-
à colaboração dos demais envolvidos no nados a esses fatores que constituíram o
projeto. Seguindo a abordagem bottom projeto. Foram propostas soluções iniciais
up, e visando a integração de todos os para os problemas encontrados (Quadro
envolvidos foi realizada a reunião de 2), que foram discutidas com os usuários
construção social com a presença da nesta reunião A finalidade era nivelar a
diretora e das cozinheiras da escola com compreensão sobre as propostas, expli-
o intuito de apresentar as propostas cando aos trabalhadores detalhadamente
iniciais e gerar discursões com a finali- cada proposição. Dessa forma, poder-se-ia
dade de igualar as propostas sugeridas inseri-los no processo de construção de
com as opiniões dos próprios trabalha- soluções, de forma, efetivamente, parti-
dores, bem como avaliar a aprovação das cipativa. As propostas sugeridas e discu-
propostas pela parte interessada. tidas na reunião de construção social
foram: mudança no layout da cozinha;
Na preparação para a reunião de cons-
minimização do carregamento de cargas; e
trução social do projeto, foram reali-
conforto térmico e luminoso.
zados levantamentos acerca da atividade
(processo), dos aspectos ergonômicos e

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


230

4. RESULTADOS mento neste modelo.

Questionou-se quanto à utilização dos


4.1. MUDANÇA NO LAYOUT armários debaixo da bancada, localizada
DA COZINHA próxima ao fogão, os usuários disseram
que como o fogão bloqueava a abertura
O layout atual do posto de trabalho, não
das portas dos armários, os mesmos não
favorece a utilização adequada do fogão,
estavam sendo utilizados.
os usuários destacaram que utilização das
6 bodas do fogão é comprometida dado Deste modo, para melhorar o fluxo de
que o mesmo encontra-se posicionado movimentação ao redor do fogão, optou-se
junto a parede, uma vez que, as panelas pela redução da bancada e realocação dos
utilizadas apresentam dimensões supe- armários para outro espaço da cozinha. A
riores as panelas do uso diário em cozi- Figura 2 apresenta o layout atual e a Figura
nhas domésticas, assim a cozinheira só 3 o proposto a partir da resolução acima.
consegue utilizar as 3 bocas da frente.

Para as cozinheiras, um layout ideal seria 4.2. MINIMIZAÇÃO DO


ter o fogão afastado da parede, de modo CARREGAMENTO DE
a haver espaço disponível para movimen- CARGAS
tação ao redor do mesmo, viabilizando
Observou-se que os usuários realizam
assim a utilização de todas as bocas do
transporte de cargas que podem ser mini-
fogão. No entanto, a estrutura física da
mizados, a exemplo tem-se o liquidificador
cozinha não permite a alocação do equipa-

Figura 2 - Layout atual

Fonte: Autoria Própria (2015)

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


231

Figura 3 - Layout proposto

Fonte: Autoria Própria (2015)

industrial, que fica guardado na dispensa, permitem o mesmo passar pelo corredor
uma vez que, não há espaço na cozinha da cozinha, altura da base superior regu-
destinado para alocar o mesmo e por lável, bandejas de suporte para alocação
motivos de segurança contra furtos, apon- de pratos e copos, evitando movimentos
tado pelos usuários, o mesmo é guardado de rotação do tronco, e travas de fixação.
na dispensa.
A satisfação dos usuários frente às
Para utilizar o equipamento, o mesmo é adequações foi bastante positiva, logo
carregado pelas cozinheiras até a tomada essas soluções foram aprovadas sem
localizada próxima a pia, após o término da nenhuma alteração.
tarefa, o mesmo é carregado de volta para a
dispensa. Outras cargas transportadas são 4.3. CONFORTO TÉRMICO E
as panelas com comida, do fogão para a LUMINOSO
bancada de distribuição, está é improvisada
com uma carteira e cadeira da sala de aula. A estrutura física apresenta cobogós que
permitem as trocas de ar entre o ambiente
Deste modo, para minimizar o esforço interno da cozinha e o externo, e o fluxo de
físico de transporte do liquidificador, foi luminosidade do ambiente externo para
sugerido à implantação de rodinhas com o interno, todavia, ambas as variáveis de
travas, a fim de evitar que a vibração do conforto não estão adequada para o exer-
equipamento provoque seu deslizamento cício da atividade.
sobre o piso durante a atividade.
Quando questionadas sobre os pontos
Para o problema das cargas transpor- da cozinha com sensação térmica de calor
tadas (panelas) foi projetado um carrinho elevada, as cozinheiras destacaram o local
de distribuição, com dimensões que próximo ao fogão, uma vez que, nesse ponto

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


232

tem-se a maior fonte de emissão de calor. tiva, uma vez que, o custo para comprar e
instalar lâmpadas de LED será menor do
De modo a melhorar a vaiável térmica
que instalar uma linha de lâmpadas, dado
foi sugerida inicialmente a instalação de
que seria necessário fazer uma mudança
um exaustor, porém a parte interessada
na rede elétrica, consumindo mão de obra
destacou que escola não tem recursos para
e materiais.
custos operacionais e de manutenção do
exaustos, discutiu-se também que o exaustor
seria uma fonte de ruído. Assim, para mini-
4.4. PROJETO DE LAYOUT
mizar a sensação de calor na cozinha, Com a consolidação das soluções para os
optou-se pela instalação de um ventilador problemas identificados na construção
de parede, com regulagem manual da velo- social, projetou-se um novo layout para
cidade através de um disjuntor. a cozinha, buscando atender as necessi-
dades do usuário e assim contribuir para
Buscando melhorar o conforto luminoso
uma melhoria nas condições de trabalho,
do ambiente se optou pela substituição
e respeitando restrições da estrutura física
das luminárias fluorescentes por luminá-
da cozinha que não poderiam ser modi-
rias de LED, que oferecem maior eficiência
ficados (vigas e pilares). As Figuras 4 e 5
em potência e vida útil, apresentando
apresentam o Projeto de layout em dois
também uma maior economia em termos
ângulos distintos.
de consumo. A diretora aprovou a alterna-

Figura 4 - Projeto de Layout

Fonte: Autoria Própria (2015)

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


233

Figura 5 - Realocação dos armários

Fonte: Autoria Própria (2015)

5. CONCLUSÃO Dessa maneira, as soluções finais no projeto


de melhoria do posto de trabalho das cozi-
Partindo das informações coletadas de nheiras, além de atender todas as propostas
visitas à escola, entrevistas e questionários sugeridas por elas, promove uma maior
aplicados junto às cozinheiras, observa- aceitação quanto ao processo de mudança
ções realizadas no ambiente em estudo, e adequação, já que elas fizeram parte do
além da realização de reunião de cons- projeto de melhoria do trabalho.
trução social com todos os envolvidos do
projeto, buscou-se analisar a importância
REFERÊNCIAS
do envolvimento dos usuários no projeto
de melhoria do posto de trabalho. [ 1 ] . ABNT - Associação Brasileira de
Normas Técnicas.  ISO 10006: Gestão da
Verificou-se que a discursão das soluções,
qualidade - Diretrizes para a qualidade
as observações destacadas e as sugestões
no gerenciamento de Projetos. Rio de
pontuadas pelas cozinheiras na reunião
Janeiro, 2010. Disponível em: <  http://
de construção social, no projeto partici-
licenciadorambiental.com.br/wp-content/
pativo, agregaram de forma positiva para
uploads/2015/01/NBR-10.006-Gest%-
definição do escopo final do projeto. É
C3%A3o-da-Qualidade-diretrizes-para-a-
válido mencionar também, que as soluções
-qualidade-no-gerenciamento-de-projetos.
propostas foram construídas com a parceria
pdf >. Acesso em 06/05/2016.
entre os projetistas e os usuários do projeto
em questão, de modo que ambas estavam [2]. DANIELLOU, F. Questões episte-
em total sinergia com o trabalho. mológicas levantadas pela ergonomia

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


234

de projeto. In: DANIELLOU, F. (Coord.).


A ergonomia em busca de seus princí-
pios: debates epistemológicos. São Paulo:
Edgard Blucher, 2004.

[3]. LIDA, I..  Ergonomia Projeto E


Produção.  São Paulo: Edgard Blücher,
2015. 2ª Edição.

[4]. PMBoK. Um guia do conhecimento


em gerenciamento de projetos. Guia
PMBok. EUA Project Management Institute
(PMI), 2013. 5ª Edição.

[5]. SELL, I. Projeto do trabalho humano.


Florianópolis: Editora da UFSC, 2002.

[6 ]. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON,


R.; BETTS, A.. Gerenciamento de Operações
e de Processos: princípios e práticas de
impacto estratégico. São Paulo: Bookman,
2013.

[7]. VASSÃO, Caio Adorno. Arquitetura


livre : complexidade , metadesign e ciência
nômade . 2008. Tese (doutorado em Arqui-
tetura) - Universidade de São Paulo, 2008.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


ANÁLISE DA VIBRAÇÃO
OCUPACIONAL POR
IMPLEMENTOS DE
ROÇADEIRAS EM
DIFERENTES TIPOS DE
VEGETAÇÃO RASTEIRA

Marco Tulio Domingues Costa


Eder Junio Martins
Patricia Nunes Sartori
Luciano de Castro Diniz

RESUMO
Diversos trabalhadores possuem problemas e distúrbios causados pela vibração, porém,
atualmente a literatura apresenta poucas pesquisas a esse respeito. Normativamente
tem-se a obrigatoriedade do acompanhamento e a elucidação dos métodos empregados
na avaliação de determinado agente. O presente estudo tem como objetivo pesquisar a
vibração ocupacional no corpo humano, mais especificamente a vibração em mãos e
braços no uso da roçadeira. Para tal é analisada a interferência do uso e manuseio do equi-
pamento de corte com três tipos de lâminas: uma com duas pontas, uma com três pontas e
outra com fio de nylon bitola 2,6 mm, e ainda a interferência da mudança da vegetação para
cada implemento, sendo utilizado para isso as gramas batatais e braquiária decumbens.
Para melhor compreensão desenvolveu-se um estudo prático da medição da vibração no
trabalhador que realizou o corte das gramas, obtendo como resposta a diferença do nível
de vibração para cada implemento utilizado.

Palavras-chave

Vibração ocupacional, vibração em mãos e braços, roçadeiras, implementos


236

1. INTRODUÇÃO 2. A VIBRAÇÃO DO
PONTO DE VISTA
O nosso corpo possui uma vibração
OCUPACIONAL
natural, por essa razão grande parte das
atividades realizadas pelo homem no A vibração sempre é tratada como preju-
seu dia-a-dia possui vibração. Algumas dicial, porém estudos atualizados apontam
atuam de forma benéfica, como é o caso alguns benefícios dessa utilização. Essa
de nossas cordas vocais. Outras, porém, linha tênue que separa o benefício do male-
dependendo da frequência, amplitude da fício da vibração se deve a alguns fatores
vibração, sua direção e o tempo de expo- como: característica do movimento, carac-
sição podem causar sérios danos à saúde terísticas da pessoa exposta, atividade da
e ao bem estar do trabalhador. pessoa exposta, entre outros aspectos.
(DUARTE, 2012)
Embora haja uma grande preocupação
com a saúde do trabalhador, observa-se Ainda assim, no ambiente diário de trabalho
que ainda há poucos estudos acerca da a vibração vem, sobretudo, dos equipa-
vibração, especialmente a que é transmi- mentos e ferramentais e por isso, segundo
tida ao sistema mãos-braço. Por esta razão Nepomuceno (1989) é muito difícil evitar a
optou-se pelo estudo desse ramo. vibração. Geralmente as causas de vibrações
em máquinas e equipamentos ocorrem por
Nesta pesquisa, é apresentado o impacto
efeitos dinâmicos de tolerâncias de fabri-
causado por uma roçadeira com três tipos
cação, folgas, desalinhamentos entre equi-
de lâmina de corte. Sendo elas: uma com
pamentos ou componentes, atritos em rola-
duas pontas, uma com três pontas e outra
mentos e mancais, contatos de batimentos
com fio de nylon bitola 2 mm. Também foi
de dentes de engrenagem, forças de desba-
alterado a vegetação em gramas batatais e
lanceamento, flutuação de campo eletro-
braquiária decumbes.
magnético, variação de torque, movimentos

Desse modo, o presente trabalho tem alternativos (motores, compressores).

por objetivo principal verificar a variabi-


Quando se fala em vibração humana
lidade da vibração conforme a mudança
busca-se a determinação de quanto o
do implemento utilizado. Em segunda
corpo humano aceita em suas atividades
instância, verificar se a mudança da vege-
diárias, seja de trabalho ou não.
tação interfere ou não na utilização de
cada implemento citado anteriormente. A vibração varia com a duração da própria
Assim permite que se entenda as melhores atividade a qual o trabalhador está desen-
possibilidades de trabalho para este tipo volvendo. Por esse motivo, não se pode
de maquinário. afirmar com precisão que, na avaliação
de conforto ou aumento do desconforto
é em função ao aumento da duração da

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


237

vibração, esse aumento depende de outros frequência; e vibração de mãos e braços


diversos fatores. (VMB), que são aquelas absorvidas a
partir do uso de máquinas ou ferramentas
A vibração depende da frequência de
manuais. Contudo, o foco no estudo ocupa-
vibração. De modo geral, a resposta
cional são as Vibrações de Corpo Inteiro e
humana também fortemente depende
Vibrações em Mãos e Braços.
desta frequência de vibração, isso porque
a “exposição humana envolve algum movi-
mento que aconteceu em um intervalo de
2.1 A VIBRAÇÃO DE CORPO
frequência”. (DUARTE, 2012)
INTEIRO

Izume et al (2006) define Vibrações de


Entretanto a frequência não é um fator
Corpo Inteiro (VCI) “quando a pessoa
que, isoladamente, irá caracterizar a
exposta está suportada pela superfície
possibilidade de dano. Conforme expõe
vibratória, sentada, em pé ou deitada”.
Soeiro (2011), na avaliação ocupacional da
Ximenes (2006) no que tange a VCI diz que
vibração, vários fatores influenciam para
as mesmas possuem frequência baixa e
a caracterização do risco, entre os quais
amplitude alta, encontram-se na faixa de 1
se destacam: amplitude da vibração, sua
a 20 Hz e, para ocorrer a VCI, deve haver
frequência, sua direção e o tempo de expo-
uma vibração dos pés (posição em pé) ou
sição do trabalhador.
do assento (posição sentada). Além disso,
As vibrações podem ser caracterizadas em sua avaliação é feita com base em três
três tipos principais. Vibrações de corpo eixos de ação, eixo x, eixo y e eixo z.
inteiro (VCI), aquela em que o corpo se
A figura 1, retirada da NHO 09, permite
encontra suportado em uma superfície
visualizar os três eixos de ação da vibração
vibratória; movimento de enjoo causado
no corpo humano:
pelo movimento, real ou ilusório, em baixa

Figura 1 - Eixos de direção adotados para medição da VCI

Fonte: Fundacentro (2012-a)

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


238

Durante a jornada de trabalho o colabo- De modo geral, os termos se aplicam


rador pode ser exposto a uma ou mais àquelas vibrações mecânicas que são
fonte de vibração. Em função dessa incer- absorvidas pelo corpo através das mãos
teza é necessário que se faça um levanta- e que tem a potencialidade de danos à
mento qualitativo de modo que se possa saúde e segurança do trabalhador, particu-
determinar possíveis diferenças da acele- larmente problemas vasculares, neuroló-
ração da vibração para cada componente gicos, nas articulações, ossos e músculos.
de exposição, considerando que caracte- (DIRECTIVA EUROPÉIA, 2002)
rísticas específicas de veículos e máquinas,
Ao contrário do que se julga, a VMB não
assentos e suspensões, podem afetar o
afeta simplesmente o local de contato, mas
valor de vibração assimilado pelo indivíduo.
assim como VCI, podem causar vibração
Exemplo disso é o caso de um mesmo cola-
através do corpo. A classificação adotada
borador poder atuar no mesmo período
é “considerada muito mais em função do
de trabalho, com: trator agrícola, pá carre-
interesse” do que do efeito de abrangência
gadeira, caminhão.
desta no organismo. (DUARTE, 2012)
Nos casos em que não se tenha certeza de
Dessa maneira, estimar a severidade gera-
que uma amostragem parcial seja suficien-
dora do dano ocupacional é tratado em
temente representativa, faz-se necessário
diversos estudos com o caráter de subje-
estender a mesma até ser possível obter
tividade, uma vez que a frequência não é
a representatividade da amostra com
único fator determinante para gerar qual-
confiança. (NHO 09, 2012)
quer tipo de agravo salutar.

2.1 A VIBRAÇÃO EM MÃOS Segundo a norma ISO 5349 (2001), a


E BRAÇOS vibração em mãos e braços na realização
da atividade laboral terá uma severidade
Há várias formas de se distinguir o modo
influenciada por fatores como: aceleração
de absorção da vibração através das mãos,
da frequência da vibração, a intensidade
sendo a mais comum o termo “vibração
sofrida, o tempo diário ao qual o traba-
em mãos e braços”, como citado logo no
lhador se expõe, método de trabalho consi-
título da NHO 10. Entretanto este tipo
derando ocupação-descanso, “a magni-
de vibração também é descrito nas lite-
tude e a direcção das forças aplicadas pelo
raturas como “localizada”, “transmitidas
operador com suas mãos à ferramenta ou
pelas mãos” (DUARTE, 2012) “em extre-
aos instrumentos de trabalho”, a postura
midades” e “segmentais” (VENDRAME,
das mãos, braços e do corpo do indivíduo
2013), ou ainda “transmitidas ao sistema
e o próprio ferramental utilizado.
mão-braço”. (DIRECTIVA EUROPÉIA, 2002)
Aqui vamos tratá-la com vibração em mãos Do mesmo modo a NHO 10 (2012) expõe
e braços – VMB. a necessidade desse levantamento quali-
tativo em que, na avaliação do agente,

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


239

deverá adquirir dados administrativos e A NR 15, em seu anexo 8, dispõe: é consi-


técnicos (como o ferramental, o ambiente derada atividade insalubre qualquer
e o método de trabalho) como meio de operação que exponha o indivíduo à
se obter “à identificação dos grupos de vibração, seja VCI ou VMB. Entre os crité-
exposição similar e à caracterização da rios mínimos para a constatação da insa-
exposição dos trabalhadores com base lubridade está o resultado da avaliação
no critério utilizado.” Acrescenta-se ainda, quantitativa, que deve ser sempre apre-
que em tal avaliação a caracterização da sentado pela perícia trabalhista.
exposição deve englobar todos os traba-
Para que haja parâmetros para a avaliação
lhadores envolvidos no estudo.
dos riscos envolvendo vibração, a Directiva
De qualquer modo, a análise quantitativa Européia (2002) propôs valores de limite
ainda se faz necessária. A norma regula- de tolerância (ELV) e nível de ação (EAV),
mentadora n° 09 considera como agente sendo aw = 5,0 m/s² e 2,5 m/s², respectiva-
físico as mais variadas formas de energia mente. Mesmos valores são adotados no
na qual os trabalhadores podem sofrer Brasil, que na NHO 10 (2012) acrescenta
algum tipo de exposição e cita entre elas ainda a necessidade de medidas preven-
a vibração. NR 09 regulamenta ainda que tivas e corretivas para o que nomearam
a avaliação quantitativa deve ser feita para “região de incerteza”, faixa de aceleração
que se comprove que o agente foi contro- resultante de exposição normalizada (aren)
lado ou da sua inexistência, para se ter a entre 3,5 e 5,0 m/s² conforme apresentado
dimensão da exposição dos trabalhadores na tabela 1:
e para ajudar na ações de controle do risco.

Tabela 1 - Critérios de avaliação e atuação conforme aren


aren (m/s 2) Consideração técnica Atuação recomendada
0 a 2,5 Aceitável No mínimo, manutenção da condição existente

> 2,5 a < 3,5 Acima do nível de ação No mínimo, adoção de medidas preventivas

Adoção de medidas preventivas e corretivas


3,5 a 5,0 Região de incerteza
visando a redução da exposição diária

acima de 5,0 Acima do limite de exposição Adoção imediata de medidas corretivas

Fonte: Fundacentro (2012-b)

Já o método de coleta destes dados são devem ser compostos por acelerômetros
propostos na ISO 5349 e mais recente- do tipo triaxial.
mente foi divulgado no Brasil pela NHO
A necessidade da medição em três eixos
10. A NHO 10 estipula procedimentos
ortogonais x, y e z, assim como em VCI,
gerais para a avaliação do agente, dentre
são consideradas por normas atuais como
tais procedimentos explica os métodos
importantes para que, de forma ponde-
de medição, considerando que estes

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


240

rada, se possa estabelecer a severidade Os três eixos ortogonais descritos são


global da VMB. (DUARTE, 2012) demonstrados segundo NHO 10 na figura 2:

Figura 2 - Eixos de direção adotados para medição da VCI

Fonte: Fundacentro (2012-b).

3. DANOS À SAÚDE cional pode gerar inclusive danos irre-

DESENCADEADOS PELA versíveis à audição, apresentando lesões

VIBRAÇÃO cocleares. Já para VMB (localizada), foco


principal deste estudo, há outros agravos
A distinção do que a vibração pode trazer a serem considerados, o principal deles,
de danos e quando ela pode trazer é consi- entretanto é a síndrome do dedo branco
derado, pela maioria dos autores, extre- (problema de ordem vascular).
mamente relativo e seu potencial prejudi-
cial se deve a diversos fatores conjuntos e Também conhecida como doença de

não exclusivamente relacionado ao tempo Raynaud, a síndrome do dedo branco mani-

de exposição como acontece em outros festa-se “através da degeneração grada-

riscos ocupacionais como, por exemplo, o tiva do tecido muscular e nervoso fazendo

ruído e riscos químicos em geral. com que alguns dedos ficam brancos até
azulados, frios e ‘sem sentidos’ [...] e tem
Soeiro (2011) cita, por exemplo, “amplitude por base a contração espasmódica dos
da vibração, sua frequência, sua direção vasos sanguíneos”. (XIMENES, 2006)
e o tempo de exposição do trabalhador”
como “fatores que influenciam na caracte-
4. MATERIAIS
rização do risco” e que devem ser levados
E MÉTODOS
em conta durante a avaliação ocupacional
EMPREGADOS
da vibração.
Esta pesquisa foi realizada em duas áreas
Dentre os efeitos patológicos ou de inter-
ajardinadas localizadas no município de
ferência na saúde, Izume et al (2006) relata
João Monlevade, estado de Minas Gerais.
que a VCI propicia em maior significância
Nas áreas foram analisadas as operações
“problemas de coluna, em especial a
de corte de grama mecanizada com três
dor lombar”, mas acrescenta, através de
tipos de lâminas de corte, usualmente
estudos próprios, que a vibração ocupa-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


241

usadas nestas operações, sendo uma sional da marca Nakashi modelo L331M,
com duas pontas, uma com três pontas e 32 cc e 6,8 kg recomendada para jardins e
outra com fio de nylon bitola de 2 mm. Na pastos. A Figuras 3 e 4, mostram as lâminas
operação utilizou-se uma roçadeira profis- de corte e o fio de nylon.

Figura 3 - Tipos de lâminas empregadas, duas pontas, três pontas e fio de nylon.

Fonte: Elaborado pelo autores.

Os níveis de vibração foram coletados Cabo para transmissão de dados s/n ADP
durante o uso da máquina na jornada de 209, Acelerômetro, Suporte para Adap-
trabalho de 15 minutos para cada vari- tação do Acelerômetro, Abraçadeira, Chave
ável de corte. O operador foi único para as Hexagonal 82 H.5/32.
avaliações e os tipos de vegetação cortados
Para inicio da avaliação, o vibrômetro
foram a grama batatais, com altura média
Vib008 foi calibrado com apoio de um
de 10 cm, e a braquiária decumbens,
micro computador e selecionado algumas
variando sua altura com média de 25 cm.
configurações metrológicas da medição.
Em ambas as situações o solo se encon-
Para apoio no tratamento e registro das
trava úmido, por ser estação chuvosa, no
informações foi utilizada uma planilha de
primeiro tipo de vegetação o terreno era
campo, anexo A.
plano, e no segundo o terreno possuía
inclinação leve de aproximadamente 18º. O operador da roçadeira foi orientado a
desempenhar suas atividades de forma
As avaliações foram medidas através de um
normal e rotineira. Assim, foi instalado o
aparelho Vibrômetro Vib008, número 10460,
aparelho no terceiro dedo metacarpiano
Fabricante 01 dB, modelo Metravib, acelerô-
da mão direita, pois é onde o avaliado faz
metro número 1042, modelo AP 2042, com
a aceleração da máquina, sendo esta a
Software dB Maestro que mede, calcula e
superfície mais vibrante e mais perto da
armazena o conjunto dos indicadores e das
zona vibratória da roçadeira.
amostras que permitem o acesso ao estudo
detalhado do fenômeno vibratório. A vibração foi medida simultaneamente
nas três direções do sistema ortogonal
A medição foi 1/3 d’oitava igual a 0.8Hz –
de coordenadas como apresentado pela
2.5KHz. Os acessórios utilizados foram:
figura 2, anteriormente apresentada.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


242

A avaliação do nível de exposição baseou-se rados aos limites pré-estabelecidos nos


no cálculo do valor da exposição diária anexos da mesma norma. Desse modo,
para um período de referência de 8 horas torna-se interessante a adoção de instru-
(A(8)). De acordo com a Norma ISO 2631 mentos avaliativos combinados, sendo
de 1978, tem-se os critérios de severidade qualitativos e quantitativos.
para adequação dos parâmetros de clas-
sificação da vibração mão-braço. Os parâ- 5.1 AVALIAÇÃO
metros são divididos nos eixos X, Y e Z; QUALITATIVA
referente à palma da mão, nos dos dedos
e braço, respectivamente. Para o cálculo Avaliação qualitativa consiste na busca de
da vibração nos eixos XY, utilizou-se a informações através da observação do
seguinte expressão, definidas na norma trabalho, do ambiente, do equipamento e
ISO 5349-1 (2001) e explicada pela EU da exposição do trabalhador ao risco.
Good Practice Guide HAV (2006), seguindo
Flores (2010) cita a Diretiva 2002/44/EC
as orientações da Directive 2002/44/EC da
para elucidar a possibilidade de realizar
União Européia: Em que ahwx, ahwy são os
uma “avaliação indireta” do risco envolvido
valores eficazes (coletados) da aceleração
no processo e, para isso, destaca a impor-
ponderada em freqüência, para a palma
tância que tal avaliação se baseie na “obser-
da mão e nos dedos, respectivamente.
vação da natureza da atividade, de condi-
ções especiais e das informações prestadas
5. RESULTADOS pelos fabricantes dos equipamentos.
OBTIDOS A PARTIR DA
ANÁLISE Para este trabalho foram avaliados as
condições do ambiente ao qual o traba-
A NR 15 considera obrigatório para fins de lhador se expõe e as condições do maqui-
caracterização de insalubridade a apresen- nário utilizado. Essas características foram
tação de resultados quantitativos, além descritas no capítulo 3 e são abaixo resu-
disso, estes resultados devem ser compa- midas na tabela 2:

Tabela 2 - Condições de ambiente e máquina

Vegetação Braquiária Decubens Grama Batatais

Terreno 18° de inclinação Plano

Altura média da vegetação 25 cm 10 cm

Temperatura média 18° 18°

Tempo de exposição diária De 6 a 8 horas De 6 a 8 horas

Equipamento Roçadeira profissional 52 cc Roçadeira profissional 52 cc


Lâmina 2 pontas, 3 pontas e fio Lâmina 2 pontas, 3 pontas e fio de
Implementos
de nylon nylon

Fonte: Elaborado pelo autores.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


243

Em relação às informações disponibili- A Directiva Européia (2002) estabelece que


zadas pelo fabricante do equipamento, não sempre que se julgar necessário deverá ser
há nenhuma menção específica a valores realizada a medição da exposição dos traba-
de vibração neste maquinário avaliado. O lhadores à vibração mecânica, sendo que “os
manual relata a presença da vibração no métodos utilizados podem incluir a amos-
equipamento, expõe a possibilidade da tragem”, e aparelhos usados devem respeitar
obtenção da síndrome do dedo branco e cracterísticas das vibrações e do ambiente da
sugere medidas de controle, mas não apre- utilização do equipamento de medição.
senta valores de aceleração de vibração.
Para pesquisa indireta foi escolhido para
consulta o banco de dados italiano, o
5.1 AVALIAÇÃO Banca Dati Vibrazioni Manobracci, por ser
QUANTITATIVA mais completo. Neste banco de dados se

Avaliar quantitativamente do ponto de vista encontram cadastradas informações de

da avaliação ambiental significa precisar vibração de 91 tipos (de diversas marcas)

através da utilização de equipamentos diferentes de roçadeiras. A marca utili-

específicos qual o nível que se encontra zada para o presente trabalho não possui

determinado agente, no caso da vibração, nenhum modelo cadastrado. Portanto,

qual valor da aceleração da vibração. considerou-se inapropriado a adoção de


qualquer valor constante no banco de
Nos estudos de Flores (2010) é destacado dados, ainda que existam modelos pare-
que a quantificação pode ser realizada de cidos ao da roçadeira utilizada.
forma indireta ou direta.
Para pesquisa direta foi realizado um
Um dos artifícios que podem ser utilizados estudo de caso com teor comparativo entre
para fazer a análise indireta da vibração está os implementos que podem ser utilizados
o uso de bancos de dados. Existem, para para o corte e ainda a variação da vibração
tanto, vários bancos de dados diferentes, dos de cada um deles no caso de mudança
quais podemos destacar o da ISPESL (órgão de vegetação a ser trabalhada. Para isso
técnico do ministério da saúde italiano) e o foram utilizados os métodos relatados no
da NIOSH (órgão governamental norte-ame- capítulo anterior.
ricano de higiene ocupacional).
Como resposta às avaliações realizadas é
Já a avaliação direta consiste na obtenção apresentado na tabela 4 a seguir:
de respostas através da medição do agente.

Tabela 3 - Aceleração por eixo, lâmina e tipo de vegetação


Lâmina 2 pontas Lâmina 3 pontas Fio de Nylon
Eixo ortogonal ahvx ahvy ahvz ahv ahvx ahvy ahvz ahv ahvx ahvy ahvz ahv
Braquiária Decubens 2,11 3,33 1,96 4,12 1,95 3,17 1,91 3,91 1,84 3,76 1,99 4,34
Grama Batatais 2,18 1,54 1,77 3,20 2,08 1,87 1,60 3,23 1,88 2,34 1,96 3,58

Fonte: Elaborado pelo autores.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


244

Pelos resultados obtidos, houve uma maior com a vegetação também maior.
variação em torno de 20% a menos em Dessa forma recomenda-se cortar com
grama batatais, que tinha um tamanho a roçadeira vegetações menores ou não
médio de 10 cm, em relação a braquiaria deixar que cresçam muito, ou aumentar o
que tinha tamanho médio de 25 cm. número de cortes para um determinado
tempo para não deixar que a vegetação
A partir deste resultado e em comparação
cresça muito.
com o quadro de aren definido pela NHO
10 e já apresentado na tabela 1 do capítulo Além disso, pôde-se constatar que quanto
2.4, temos que, para todas as avaliações maior a vegetação, maior deverá ser o
realizadas, independentemente do imple- número de pontas da lâmina, fazendo com
mento utilizado ou do tipo vegetal cortado, que a vibração no operador diminua.
ultrapassaram o nível de ação que é de
Em respeito ao descrito na NHO 10,
2,5 m/s². Contudo, deve-se destacar que
torna-se interessante, ainda que se utilize
a utilização do ferramental, em todas as
a lâmina três pontas, a adoção de medidas
três lâminas, para a Braquiaria Decubens
administrativas que visem melhorar a
e o corte com fio de nylon para a grama
condição salutar, tais como a diminuição
batatais se encontram na chamada região
da jornada de trabalho e também a indi-
de incerteza, ou seja, estão dentro da faixa
cação do uso de EPI, conforme orientado
de 3,5 m/s² a 5,0 m/s² e requer medidas
pelo fabricante do equipamento avaliado.
mais diretas ou até corretivas. Nenhuma
avaliação ultrapassou o limite de tolerância.
REFERÊNCIAS
6. CONCLUSÃO [ 1 ] . BRASIL. Ministério do Trabalho e
Emprego. Norma Regulamentadora 9 –
Quando comparado os resultados dos tipos
Programa de Prevenção de Riscos Ambien-
de corte, o fio de nylon obteve maior trepi-
tais. Brasília, 1994.
dação. Em seguida, o corte com lâmina de
duas pontas obteve valor um pouco abaixo [2]. ________. Ministério do Trabalho
do fio de nylon. Por fim, a lâmina de três e Emprego. Norma Regulamentadora
pontas obteve o menor índice para os cortes 15 – Atividades e Operações Insalubres.
em Braquiária. Os resultados mostram Brasília, 2011.
que a lâmina de três pontas se comportou
melhor que os outros cortes para vibração [ 3] . DUARTE, Maria Lúcia. Vibrações
de mãos e braços, podendo inferir que humanas. Faculdade Pitágoras: Belo Hori-
quanto maior as pontas da lâmina, menor a zonte, 2012. (Apostila de aula)
vibração ocasionada no operador.
[ 4] . EUROPEAN COMISSION. Directive
Pode-se concluir que a vibração, para 2002/44/EC of the European Parliament
o corte de vegetação com roçadeira, é and of the Council of 25 June 2002 on the

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


245

minimum health and safety requirements mi=&max_di=&ord=max_dichiarato&ad-


regarding the exposure of workers to the vancedSearch=> Acessado em 01/03/2013.
risks arising from physical agents (vibra-
[ 1 1 ] . IZUMI, Renata; MITRE, Edson Ibrahim;
tion). Official Journal of the European
DUARTE, Maria Lúcia M. Efeito das vibra-
Communities, L.177/13. 2002.
ções de corpo inteiro na audição. Revista
[5]. FLORES, Cibele Rabassa. Avaliação CEFAC, vol. 8, núm. 3, julio-septiembre,
Da Exposição Ocupacional à Vibração em 2006, pp. 386-392
Mãos E Braços Na Operação de Lixadeiras
[12]. NAKASHI. Manual do operador:
Orbitais em Marcenarias. Monografia
roçadeiras laterais. 27p.
apresentada para obtenção do grau de
Especialista em Engenharia de Segurança [ 1 3] . NEPOMUCENO, L. X. Técnicas
do Trabalho. Chapecó, 2010 de manutenção preditiva. São Paulo: E.
Blücher, 1989
[6 ]. FUNDACENTRO, São Paulo. NHO
09. Avaliação da exposição ocupacional [ 1 4] . SOEIRO, N.S. Vibrações e o Corpo
a vibrações de corpo inteiro. São Paulo, Humano: uma avaliação ocupacional. In:
2012. 63 p. Anais I workshop de vibrações e acústica –
Tugurui - Pará, 2011.
[7]. ________, São Paulo. NHO 10. Avaliação
da exposição ocupacional a vibrações em [ 1 5] . XIMENES, Gilmar Machado. Gestão
mãos e braços. São Paulo, 2012. 37 p. ocupacional da vibração no corpo humano,
aspectos técnicos e legais relacionados à
[8]. INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR
saúde e segurança. Dissertação apresen-
STANDARDIZATION. ISO 2631-1: Mecha-
tada ao Curso de Mestrado em Sistemas
nical Vibration and Shock - Evaluation of
de Gestão da Universidade Federal Flumi-
Human Exposure to Whole-Body Vibration
nense. Niterói, 2006.
- Part 1: General Guidelines. Geneva, 1978.

[ 1 5] . 01DB. Manual do usuário: Dosí-


[9 ]. ________.ISO 5349-1: Mechanical
metro Exposímetro para Vibrações. 58p.
Vibration - Measurement and Evaluation
of Human Exposure to Hand-Transmitted
Vibration - Part 1: General Guidelines.
Geneva, 2001, 24 p.

[1 0]. ISTITUTO SUPERIORE PER LA


PREVENZIONE E LA SICUREZZA DEL
LAVORO (ISPESL). Guidelines. Disponível
em: <http://www.portaleagentifisici.it/
fo_hav_list_macchinari_avanzata.php?l-
g=IT&cc=All&mo=&ti=21&ta=All&max_

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


AVALIAÇÃO
ERGONÔMICA
DOS POSTOS DE
TRABALHO DO SETOR
ADMINISTRATIVO
DE UMA AUTARQUIA
PÚBLICA

Francisca Rogéria da Silva Lima


Moisés dos Santos Rocha

RESUMO
O trabalho é fundamental para a importância do homem em sociedade, pois através deste, o
homem garante satisfação material e cultural. Contudo, a forma de trabalhar para garantir a
sobrevivência e o bem estar muitas vezes coloca o homem em uma situação conflituosa. Nesse
contexto, a ergonomia se enquadra como participante do processo, ao adequar o trabalho ao
ser humano através de diversos métodos, como os de análise postural. O objetivo deste artigo
é avaliar as condições organizacionais do trabalho no Conselho Regional de Radiologia (CRTR)
17ª Região, no sentido de propor melhorias as condições e formas de organização de trabalho
no setor administrativo desta autarquia pública. A metodologia aplicada consiste em realizar
análise e diagnóstico da situação atual da empresa, acrescidos da revisão bibliográfica acerca
de conceitos relacionados a medidas preventivas, identificação e ocorrência das LER/DORT,
apresentando-se sugestões de melhorias quanto ao funcionamento do setor administrativo
da empresa, a fim de minimizar os prejuízos causados pela má postura no andamento do
trabalho e contribuir positivamente à produtividade e qualidade do trabalho. O conteúdo deste
artigo apresenta colocações sobre o desenvolvimento da ergonomia no ambiente de trabalho
e suas perspectivas, considerando-se a busca do conhecimento por parte das empresas, as
competências a serem adquiridas, e como se dá o desenvolvimento dessas competências
247

para a empresa e as pessoas. Ao fim deste artigo, há conclusões referentes à implantação de


um programa de ginástica laboral na autarquia pública e a confirmação da contribuição do
estudo ergonômico para reduzir a fadiga, stress e consequentemente, promover o aumento
do bem-estar e da produtividade dos colaboradores.

Palavras-chave

LER/DORT, Estudo Ergonômico, Produtividade.

1. INTRODUÇÃO os fundamentos que permeiam a organi-


zação do trabalho.
 O trabalho é de fundamental importância
para o homem perante a sociedade, além A escolha do presente tema se deu por ser

de ser o meio de garantir satisfação mate- um assunto atual e bastante preocupante

rial ainda constitui-se na essência do ser para as empresas que operam com tarefas

humano, no prazer de produzir, modi- repetitivas. Desta forma, percebe-se que

ficar, construir e realizar sonhos. Contudo os funcionários que trabalham no CRTR

a forma de trabalhar para garantir a 17º Região realizam trabalhos repetitivos

sobrevivência e o bem estar muitas vezes e exaustivos na frente de computadores,

coloca o homem em uma situação confli- realizando tarefas repetitivas, sendo este

tuosa. Se por um lado garante a vida, por um ambiente propício para o apareci-

outro, contraditoriamente, pode provocar mento das LER/DORT.

doenças, diminuir a capacidade vital e até


Neste trabalho foi realizada uma análise
provocar a morte.
ergonômica obtida no setor administra-

As LER/DORT são consideradas doenças tivo de uma autarquia pública federal, o

ocupacionais de origem multicausal, os Conselho Regional de Radiologia (CRTR)

fatores que mais influenciam para o seu 17ª Região, onde foi analisada a situação

aparecimento são ergonômicos (móveis do ambiente de trabalho, equipamentos,

inadequados), ambientais (frio, calor, ferramentas e também o comportamento

iluminação), individuais (pré-disposição) do trabalhador, assim como entender

psicológicas (pressão, insatisfação), e a influência dessas variáveis na produ-

principalmente organizacionais (forma de tividade da organização. O objetivo do

executar tarefas). A maioria das pesquisas trabalho é avaliar as condições organiza-

realizadas até o momento tem se limitado cionais do trabalho no Conselho Regional

a estudar suas manifestações, os aspectos de Radiologia (CRTR) 17ª Região, no sentido

psicológicos, as predisposições individuais, de propor melhorias as condições e formas

a ergonomia e as formas de tratamento de organização de trabalho no setor admi-

dos lesionados. Todavia, é preciso para nistrativo desta autarquia pública.

uma compreensão mais efetiva, buscar

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


248

2. REFERENCIAL laborais de um maior número de trabalha-

TEÓRICO dores;

3. A biomecânica do estudo do movimento


2.1 HISTÓRICO DA humano, relacionando a atividade profis-
ERGONOMIA sional a fim de entender os mecanismos de
adoecimento e sobrecarga física do trabalho.
Oficialmente, a Ergonomia nasceu em
1.949, derivada da 2ª Guerra Mundial.
Durante a guerra, centenas de aviões, 2.1 LER/DORT
tanques, submarinos e armas foram
Segundo Schmitz (2002) as LER/DORT são
rapidamente desenvolvidas, bem como
conceituadas como lesões por esforços
sistemas de comunicação mais avançados
repetitivos, são doenças músculo-tendi-
e radares (ANTONALIA, 2001).
nosas, dos membros superiores, ombros

No Brasil a Ergonomia teve seu marco e pescoço, causados pela sobrecarga de

inicial nos anos 60, mas foi reconhecida um grupo muscular particular, devido a

oficialmente em 23 de novembro de 1990, movimentos repetitivos ou posturas inade-

através da Portaria n.º 3751, que esta- quadas, que resultam em dor, fadiga e

belece a norma reguladora tratando da declínio no desempenho profissional.

ergonomia. A N.R-7 visa estabelecer parâ-


De acordo com a norma técnica sobre
metros para adequar diferentes situações
LER do INSS, de 1993, a LER é descrita
de trabalho às características humanas,
como sendo afecções que podem atingir
propiciando conforto, segurança e possibi-
tendões, sinóvias, músculos, fáscias ou
litando um melhor desempenho dos traba-
ligamentos, afetando principalmente, os
lhadores. Após esta Portaria, tornou-se
membros superiores, região escapular e
evidente o despertar do interesse pela
pescoço. De origem ocupacional decorre,
ergonomia no meio empresarial brasileiro.
de forma combinada ou não, dos seguintes
(CHEREM, 1997).
fatores: uso repetitivo de grupos muscu-

De acordo com Couto (1995), são três lares; uso forçado de grupos musculares,

as áreas de aplicação da ergonomia ao manutenção de postura inadequada.

trabalho:
Segundo O’Neill (2003) o portador da

1 . Prevenção de fadiga no trabalho através LER/DORT entra em depressão devido as

da identificação de sobrecarga; consequências da doença e do descrédito


que sofre na empresa, dos peritos do INSS,
2. A adequação do posto de trabalho, os quais acabam por diagnosticá-la  de
onde por meio dos conceitos de antropo- origem psicológica, ainda é discriminado
metria, conforto, biomecânica e fisiologia, pela família e rejeitado pela sociedade.
seja viabilizada a elaboração de um posto
de trabalho que atenda as necessidades

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


249

2.2 ERGONOMIA E POSTOS danos potenciais aos membros superiores,


DE TRABALHO em função da postura adotada. Avaliando
a postura do pescoço, tronco e membros
Ergonomia é um conjunto de ciências superiores (braço, antebraço e mãos) e rela-
e tecnologias que procura a adaptação cionando com o esforço muscular e a carga
confortável e produtiva entre o ser humano externa a que o corpo está submetido.
e seu trabalho, basicamente procurando
adaptar as condições de trabalho às carac- O método foi desenvolvido para inves-
terísticas do ser humano (COUTO, 1995). tigar a exposição dos trabalhadores aos
fatores de risco associados aos distúrbios
Segundo Rodrigues (2003) as condições dos membros superiores. O método usa
ergonômicas implicam de forma direta no diagramas de postura do corpo humano e
acontecimento de erros humanos, e para três tabelas que proporcionam a avaliação
a prevenção eficiente, é necessário adotar da exposição aos fatores de risco.
medidas para o indivíduo em relação
ao seu trabalho, e atender às melhorias Os fatores de risco considerados foram:
é aumentar a confiabilidade do serviço número de movimentos, trabalho muscular
humano. Na concepção da ergonomia, estático, força, postura de trabalho deter-
o erro humano está ligado às anomalias minada pelo equipamento e mobiliário e
ergonômicas do ambiente de trabalho. tempo de trabalho sem pausa.
Portanto, a análise dos postos e ambiente
Adicionalmente a estes fatores, pode-se citar
de trabalho, visando o bem-estar do
a velocidade e precisão dos movimentos, a
trabalhador é de suma importância para
frequência e a duração das pausas.
a organização e o próprio trabalhador,
pois o ambiente aconchegante e o posto O método Rula foi desenvolvido para:
adequado refletem diretamente na capaci-
dade produtiva do funcionário. 1 . Proporcionar um método de pesquisa
rápido da população aos fatores de risco
Segundo Rio (2001) os aspectos espe- de distúrbios dos membros superiores;
cíficos da organização do trabalho são
aqueles diretamente ligados à execução 2 . Identificar o esforço muscular que está

das tarefas. Deve-se analisar se o trabalho associado com a postura de trabalho, força

é predominantemente físico ou psíquico, e trabalho estático ou repetitivo, o que

como e quais os segmentos musculoes- contribui para a fadiga muscular;

queléticos mais envolvidos.


3. Gerar resultados que podem ser incor-
porados em uma avaliação ergonômica
2.3 MÉTODO RULA mais ampla, considerando a epidemio-
logia, fatores físicos, mentais, ambientais e
McAtamney & Corlett (1993) propuseram
organizacionais.
um método para avaliação rápida dos

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


250

Durante a utilização do método Rula, é de determinada população ou fenômeno,


calculado também o fator força/carga que ou então, o estabelecimento de relações
é adicionado aos grupos A e B para deter- entre variáveis. Além de consistir em um
minar a pontuação final. estudo de caso, é a pesquisa sobre um
indivíduo, família, grupo ou comunidade,
O método foi validado por meio da compa-
que seja representativo do seu universo
ração entre os valores obtidos e o descon-
(BITTAR, 2006).
forto percebido pelo trabalhador. Os resul-
tados indicam a validade do método, pois o Segundo Fleury et al (2012) o estudo de
mesmo é sensível às variações da postura caso é um trabalho de caráter empírico
e desconforto. que investiga um dado fenômeno dentro
de um contexto real contemporâneo por
Segundo Lueder (1996) o método é reco-
meio de análise profunda de um ou vários
mendado para avaliação ergonômica da
objetos de análise.
postura em uma variedade de atividades,
tais como: embalagem manual e automa- Foram realizadas visitas in loco, onde
tizada, trabalho em computador, opera- foi feito ainda, um acompanhamento
ções da indústria têxtil, checkout de super- das atividades e postos de trabalho da
mercados, microscopia e montadoras empresa no período de três meses. Estas
de veículos. O método proporciona uma visitas foram direcionadas ao setor admi-
avaliação rápida das cargas impostas ao nistrativo do CRTR 17ª REGIÃO MA/PI, onde
sistema musculoesquelético dos opera- se podem acompanhar os diversos postos
dores devido à postura, função muscular de trabalho presentes no setor adminis-
e forças exercidas, sem a necessidade de trativo. Para coletar os dados do trabalho
equipamentos especiais, contribuindo foi aplicado um questionário fechado.
para a análise ergonômica global da tarefa. A partir dos levantamentos avaliou-se o
impacto da organização do trabalho, os

3. METODOLOGIA fatores ambientais e os ergonômicos no


surgimento das doenças ocupacionais
Este trabalho é caracterizado como um nos funcionários assim como, observa-
estudo bibliográfico, onde foram utili- ções diretas e mensuração das medidas
zadas referências teóricas publicadas em dos funcionários para que se aplicasse
livros, artigos e outros documentos a cerca o método Rula, onde foi realizada uma
do assunto LER/DORT e uma pesquisa avaliação postural para que se obtivessem
descritiva. Segundo Gil (2002) não é viável informações ricas em dados específicos
restringir-se a um levantamento biblio- para maior precisão do estudo.
gráfico no intuito de tornar o problema
explícito e construir hipóteses. É também
uma pesquisa do tipo descritiva, onde é
realizada a descrição das características

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


251

4. A EMPRESA nais presentes em todo Brasil. O CRTR 17ª


Região tem suas atividades definidas como
prestador de serviço e tem como público
4.1 PERFIL DA EMPRESA
os técnicos e tecnólogos que atuam no
ONDE FOI REALIZADO O
estado do Maranhão e Piauí, mas tem sede
ESTUDO
em São Luís/MA, tem orçamento e admi-
Em 2009 o Conselho Regional de Radio- nistração autônomos e é responsável pela
logia 2ª Região foi desmembrado, e foi normatização, habilitação e fiscalização
criado no Maranhão o Conselho Regional do exercício das técnicas radiológicas nos
de Radiologia (CRTR) 17ª Região, instituído estados do Maranhão e Piauí.
também através da Lei nº. 7.394 de 29 de
Atualmente o CRTR 17ª Região possui 20
Outubro de 1985 e Decreto Regulamentar
funcionários, que atuam nos setores de
nº. 92.790 de 17 de junho de 1986, sendo
informática, secretaria, fiscalização, finan-
esta uma autarquia pública federal.
ceiro. Posui três diretores: Diretor Presi-
O objeto de estudo deste trabalho foi dente, Diretor Secretário e Diretor da
o Conselho Regional de Radiologia 17ª Tesouraria, e apenas responde de forma
Região (CRTR 17ª Região), que é subor- hierárquica ao CONTER. Isto pode ser mais
dinado ao Conter (Conselho Nacional de bem visualizado na Figura 1.
Radiologia). Atualmente existem 19 regio-

Figura 1 - Organograma do CRTR 17ª Região

Fonte: CRTR 17ª Região (2015)

5. DIAGNÓSTICO E realizadas no Conselho são extrema-

SUGESTÕES PARA mente propícias para o aparecimento das

MELHORIA DO SETOR LER/DORT, foi sugerido que se aplicasse

ADMINISTRATIVO um programa de prevenção para estas


doenças, através a da utilização de um guia
Após ser constatado que as atividades prático. A partir da utilização do mesmo

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


252

se pode desenvolver primeiramente um aos ambientes: térmico, acústico e visual.


programa adequado de prevenção e em
Apresenta-se o Quadro 1 e o Gráfico 1 em
seguida fazer a investigação dos problemas
coluna para fatores ambientais com as
de LER/DORT, realizar a coleta e análise de
respostas obtidas em escala de 1 a 5  com
dados e por fim, fazer um planejamento de
20 entrevistados. Quanto mais a resposta
novos postos de trabalho ou funções.
tende a esquerda extremidade 1 mais
Segundo Rio (2001), o conforto ambiental insatisfeito e quanto mais a direita extre-
pode interferir no bem-estar e no desem- midade 5 mais satisfeito em relação ao
penho das pessoas. As áreas mais frequen- ambiente em relação aos itens: tempera-
temente estudadas são as relacionadas tura, ruído, iluminação e layout.

Quadro 1 - Fatores ambientais


Escalas de Pontuação de 1 a 5
Fatores Ambientais 1 2 3 4 5
Temperatura 1 1 5 12 1
Ruído 0 1 6 4 9
Iluminação 1 2 3 3 11
Layout 1 4 4 8 3

Fonte: Elaboração Própria

Gráfico 1 - Fatores ambientais

Fonte: Elaboração Própria

Observou-se que os itens temperatura e é possível fazer mudanças através de um


iluminação obtiveram a menor pontuação projeto bem elaborado por um engenheiro
seguida do item layout. Quanto ao layout com conhecimentos ergonômicos, que

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


253

irá melhorar o visual do CRTR 17ª Região, Segundo Schmitz (2002), móveis e equipa-
também é preciso levar em consideração mentos tais como mesa, cadeira, balcão
a disposição dos móveis e equipamentos de caixa, teclados rígidos, muita ou pouca
para o bom andamento dos trabalhos distancia da tela do computador, se inade-
sem prejudicar a saúde dos trabalhadores. quados provocam dores, fadiga e lesões
Quanto ao item temperatura sugere-se a musculares entre outros problemas, estes
troca imediata dos aparelhos de ar condi- devem ser projetados com dispositivo
cionado, já que os funcionários encon- de ajuste e regulagem para acomodar
tram-se insatisfeitos com a temperatura pessoas de diferentes tipos físicos. As ques-
no ambiente de trabalho que sempre é tões sobre mobiliários e equipamentos,
quente e não atende as exigências da NR composto por 8 questões obedecem aos
17 quantos aos aspectos ambientais de critérios anteriores da escala de 1 a 5 foram
trabalho. Lembrando ainda, que todos os elaboradas especificamente para os 16
postos de trabalho devem oferecer ilumi- funcionários que trabalham diariamente
nação apropriada, natural ou artificial, no CRTR 17ª Região, sendo 7 funcionários
geral ou suplementar, de acordo com a no setor de informática, 5 na secretaria , 3
natureza do trabalho a ser realizado. E deve no financeiro, e 1 no setor de fiscalização.
ser planejada e instalada para evitar ofus-
Apresenta-se no  Quadro 2 mobiliários e
camento, reflexos incômodos, sombras e
equipamentos de caixa e o Gráfico 2 de
contrastes excessivos.
coluna para melhor ilustrar  resultados
Em seguida, foi realizado o mesmo proce- obtidos na pesquisa.
dimento para mobiliários e equipamentos.

Quadro 2 - Mobiliário e equipamentos

Escalas de Pontuação de 1 a 5

Mobiliário e equipamentos 1 2 3 4 5

Espaço para realização das tarefas 0 2 4 6 4

Segurança 1 4 3 6 2

Alteração de Postura 6 3 2 3 2

Cadeira 8 5 3 0 0

Elevação/Extensão dos braços 4 6 3 2 1

Apoio para os pés 6 5 4 1 0

Mesa 7 3 2 3 1

Tamanho e Eficiência dos equipamentos 2 2 4 7 1

Fonte: Elaboração Própria

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


254

Gráfico 2 - Mobiliário e equipamentos

Fonte: Elaboração Própria

A pesquisa durante a realização deste Em seguida, foi feita ainda o tratamento


trabalho revelou que os móveis e equi- de dados para a organização do trabalho
pamentos não são adequados para a dentro da empresa. Segundo Gaigher
maioria dos itens, causando desconforto (2001) a organização do trabalho é sempre
na execução das tarefas realizadas, não resultado de uma negociação entre a
havendo apoio para os pés, as mesas gerência e o coletivo, em que a liberdade
são pesadas e há um movimento muito do trabalhador e seu desejo se confrontam
grande dos braços e as cadeiras não são com a racionalidade patronal. Para que a
adequadas e são desconfortáveis. Suge- organização do trabalho propicie condi-
re-se a troca desses equipamentos o mais ções ideais para que a saúde e a produti-
breve possível. vidade não sejam afetadas é preciso equa-
cionar esforço e repouso e, por outro lado,
A NR 17 fala sobre o mobiliário nos postos
o enriquecimento do trabalho propiciando
de trabalho e recomenda que sempre que
diversidade de utilização do corpo e da
o trabalho puder ser efetuado na posição
mente humana. Ações como aumentar a
sentada, o posto de trabalho deve ser
complexidade, diversificar e fazer rodízios
projetado ou modificado para esta posição.
das atividades representam soluções para
E para trabalhos manuais sentados ou
não tornar o trabalho monótono e repeti-
que tenha de ser efetuado em pé, o mobi-
tivo (RIO, 2001).
liário deve oferecer boas condições de
postura, visualização e operação ao traba- O Quadro 3 apresenta a organização do
lhador. O mobiliário deve ser planejado trabalho e o Gráfico 3 apresenta a avaliação
com regulagens que possibilitem o traba- de 8 itens e os resultados alcançados na
lhador adequá-lo as suas necessidades escala de 1 a 5 com os 20 funcionários
antropométricas como a altura, peso, pesquisados. A organização do trabalho é
comprimento das pernas e braços. Deve um dos fatores mais importantes, depois
oferecer a opção de se trabalhar sentado dos fatores ergonômicos, a serem anali-
sempre que possível, ou a alternância de sados na empresa, uma vez que, contribuem
posturas (sentado, em pé), pois uma única em muito para o surgimento das LER/DORT.
postura exercida durante toda a jornada
de trabalho não proporciona conforto.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


255

Quadro 3 - Organização do trabalho

Escalas de Pontuação de 1 a 5

Organização do Trabalho 1 2 3 5 5

Valorização da função 5 2 3 4 6

Relacionamento Interpessoal 3 4 3 7 3

Carga de Trabalho 5 3 1 5 6

Ritmo de Trabalho 3 5 5 5 6

Pausas 3 4 3 4 6

Pressão da chefia/diretores 0 3 4 9 4

Conteúdo das tarefas 1 3 4 6 6

Fonte: Elaboração Própria

Os gerentes e responsáveis diretos pelas resultar em grandes benefícios tanto para


equipes de trabalho devem dispensar as empresas como para preservar a saúde
atenção especial e este fator, o que poderá dos funcionários.

Gráfico 3 - Organização do trabalho

Fonte: Elaboração Própria

Conforme os resultados da pesquisa considerável, impactando no nível de


pode-se observar que as maiores partes produtividade dos funcionários, portanto,
das marcações concentram-se bem percebe-se que é preciso que haja uma
próximos ao totalmente satisfeito. No valorização urgente destes funcionários.
entanto, o item valorização da função A norma (NR 17) expõe parâmetros para
foi o que obteve um grau de insatisfação o posto e a organização do trabalho, com

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


256

o objetivo de adequar as condições do para a organização.


ambiente de trabalho, adaptando a área de
As questões que avaliam a saúde dos
trabalho para a economia de movimentos,
funcionários, ao contrário das questões
moderação de manipulações e repetições,
anteriores, quanto mais a resposta se apro-
melhoria do ritmo do trabalho, adequação
ximar do 1 (um) na escala de 1 a 5 melhor
do formato ao operador, o que permite a
é o quadro de saúde dos funcionários da
diminuição da atividade muscular.
empresa. Neste quesito, pode-se avaliar
O fator saúde também foi analisado, a presença de doenças, de dores relacio-
pois é condição essencial para o desem- nadas ao trabalho ou não.
penho e a produtividade. Fatores como
Apresenta-se o Quadro 4, Fator Saúde I
motivação, treinamento e comprometi-
e o Gráfico 4  com 20 participantes e as
mento compõem com a saúde o conjunto
marcações na  escala de 1 a 5 . Marcações
de condições que permitem as pessoas
com tendência a extremidade 1 represen-
tornarem o trabalho um diferencial compe-
tando nunca e na extremidade 5 sempre.
titivo da mais alta importância estratégica

Quadro 4 - Fator saúde I


Escalas de Pontuação de 1 a 5
Fator Saúde I 1 2 3 4 5
Dores durante o trabalho 2 4 5 5 4
Dores fora do trabalho 3 8 4 3 2
Tensão no Ambiente 1 5 4 2 8
Sofrimento Mental e Fadiga 1 2 5 7 5
Movimentos Repetitivos 6 7 3 2 2

Fonte: Elaboração Própria

Gráfico 4 - Fator saúde I

Fonte: Elaboração Própria

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


257

O Quadro 5, Fator saúde II, é uma conti- respostas na escala de 1 a 5 com sim na
nuação da anterior mudando apenas as extremidade 1 e não na extremidade 5.

Quadro 5 - Fator saúde II


Escalas de Pontuação de 1 a 5
Fator Saúde II 1 2 3 4 5
Trabalho monótono 8 2 7 2 1
Trabalho criativo 8 3 4 3 2
Trabalho dinâmico 7 4 5 3 1
Responsabilidade 15 1 1 2 1

Fonte: Elaboração Própria


Gráfico 5 - Fator saúde II

Fonte: Elaboração Própria

Através da pesquisa realizada neste monótono e repetitivo.


trabalho, pode-se observar  que as tarefas
No segundo momento foi feita a utilização
realizadas são pouco dinâmicas, pouco
do método Rula para avaliação do grupo
criativas e muito monótonas. Sendo assim,
A dos membros superiores. Os dados
sugere-se um ambiente de trabalho mais
colhidos foram preenchidos no software
relaxante, com a prática de atividades
Excel para ser determinada a pontuação
como ginástica laboral, antes do inicio
do grupo A, obtido a o partir dos valores
do expediente, e o incentivo para reali-
individuais do braço, antebraço e punho,
zação de atividades mais criativas e dinâ-
conforme segue figura 2.
micas. Para que a organização do trabalho
propicie condições ideais para que a saúde Em seguida, é feita avaliação no grupo
e a produtividade não sejam afetadas é B para a postura do Pescoço, Tronco e
preciso equacionar esforço e repouso Pernas. Os dados colhidos foram preen-
e, por outro lado, o enriquecimento do chidos no software Excel para ser determi-
trabalho propiciando diversidade de utili- nada a pontuação do grupo B, obtido a o
zação do corpo e da mente humana. Ações partir dos valores individuais para a análise
como aumentar a complexidade, diversi- de pescoço, troco e perna, conforme segue
ficar e fazer rodízios das atividades repre- figura 3.
senta soluções para não tornar o trabalho

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


258

Figura 2 - Análise dos membros superio- Figura 3 - Análise de pescoço, tronco e


res e punhos pernas

Fonte: Guia de ferramentas completas -


método rula (2015)

Então, finalmente depois de levantar as


pontuações do grupo A, B, adicionados ao
fator carga/ força dos músculos, tem-se a
pontuação final do método Rula, conforme
o cálculo realizado no software Excel,
conforme segue Figura 4.

Fonte: Guia de ferramentas completas -


método rula (2015)

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


259

Figura 4 - Pontuação final do método Rula

Fonte: Guia de ferramentas completas - método rula (2015)

Segundo (McAtamney, & Corlett,1993) o 6. CONCLUSÕES


valor da pontuação final representa os
níveis de ação em função do potencial O setor administrativo das aéreas de infor-
de dano ao sistema musculo esquelético. mática, fiscalização, secretaria e finan-
Valores entre 5 e 6, indicam que a inves- ceiro dentro do CRTR 17ª Região, ainda
tigação e mudanças devem ocorrer breve- apresentam muitas deficiências no que
mente na organização do trabalho na diz respeito à aplicação do estudo da
empresa no sentido de promover o bem ergonomia e produtividade, pois existe
estar dos funcionários. Através da inves- certa relutância tanta por parte da parte
tigação pelo método Rula, constatou-se da diretoria, assim como dos próprios
que mudanças devem ocorrer brevemente funcionários em sua aplicação. Tudo isso
dentro do CRTR 17ª Região, confirmando representou um grande desafio, mas por
os resultados dos quesitos analisados na outro lado, representou a oportunidade
pesquisa. Neste contexto, destaca-se a de crescimento profissional dado o grau
necessidade do surgimento da ideia de de complexidade na aplicação da metodo-
melhorar o ambiente de trabalho visando logia exposta neste trabalho.
maior conforto, segurança, dinamismo,
A implantação de um programa de
produtividade, participação em programas
prevenção para as LER/DORT não repre-
de prevenção e valorização dos funcioná-
sentou medidas preventivas prontas a
rios e suas tarefas, tudo isso a partir de
serem impostas. Neste contexto, o papel
um comprometimento e colaboração da
dos trabalhadores e dos diretores do CRTR
gerência, assim como participação dos
17ª Região foi também de assegurar o
trabalhadores para que todas as melhorias
sucesso do trabalho realizado, levando em
funcionem de forma eficiente e eficaz.
consideração a diversidade das situações de

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


260

trabalho e a implantação de medidas que nharia de Produção da Universidade


tenham como base a análise das atividades Federal de Santa Catarina,1997.
dos postos de trabalho realizadas no local.
[ 4] . COUTO, Hudson de Araújo. Ergo-
Foram analisados ainda, o conteúdo das
nomia aplicada ao trabalho: o manual
tarefas e seu modo de executá-las, seja de
técnico da máquina humana. Belo Hori-
caráter repetitivo, alto controle, treinamento
zonte: Ergo, 1995.
inadequado, relacionamento interpessoal
afetado, os ritmos e riscos das tarefas. [ 5] . Ferramentas de avaliação ergonô-
mica. Método Rula. Disponível em: <https://
Por fim, vale ressaltar que após a análise
topergonomia.wordpress.com /category/
dos fatores acima seria importante para o
ferramentas-ergonomicas>. Acessado em
CRTR 17ª Região implantar um programa
dezembro de 2015.
de ginástica laboral para esclarecimento
dos benefícios da mesma e para o desen- [6]. FLEURY, Afonso Carlos Correa;
volvimento pessoal em busca de saúde e MELLO, Carlos Henrique Pereira; NAKANO,
melhoria de qualidade de vida no ambiente Davi Noboru; TURRIONI, João Batista; HO,
de trabalho, assim como o esclarecimento Linda Lee; MIGUEL, NETO, Reinaldo Mora-
sobre a incidência de doenças ocupacionais. bito, MARTINS, Roberto Antônio, PUREZA,
Vitória. Metodologia de Pesquisa em Enge-
REFERÊNCIAS nharia de Produção e Gestão de Opera-
ções. Editora Campus Elsevier, 2012.
[1 ]. ANTONALIA, Cláudio, LER DORT Preju-
ízos Sociais e Fator Multiplicador do Custo [ 7] . GAIGHER FILHO, Walter, LER/DORT A
Brasil, São Paulo: LTr, 2001. Psicossomatização no Processo de Surgi-
mento e Agravamento  / Walter Gaigher
[2]. BITTAR, Rita de Cássia da Silveira
Filho & Sebastião Iberes Lopes Melo. São
Marconcini. Proposta de Metodologia para
Paulo: LTr, 2001.
Avaliação da Integração na Empresa Esten-
dida Associada a Índices de Automação. [ 8] . GIL, A. C. Como elaborar projetos de
Campinas: UNICAMP, 1995. 240 p. Tese pesquisa. 4.ed. São Paulo: Atlas, 2002.
(Doutorado) - Programa de Pós-Graduação
[ 9 ] . INSS. L.E.R. : normas técnicas para
Engenharia Mecânica, Universidade Esta-
avaliação da incapacidade. Brasília,1993.
dual de Campinas, Campinas, 2006.

[ 1 0 ] . LUEDER, R. A Proposed RULA for


[3]. CHEREM, A. J. A prevenção de
Computer Users. Proceedings of the Ergo-
Phathos: uma proposta de protocolo para
nomics Summer Workshop . UC Berkley
diagnóstico dos distúrbios osteomuscu-
Center for occupational & Environmental
lares relacionados ao trabalho.Dissertação
Health continuing education program. San
(mestrado em engenharia da produção),
Francisco, 1996.
Programa de pós- graduação em Enge-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


261

[1 1 ]. McAtamney, L.; Corlett, E.N. RULA:


a survey methodfor the investigation of
work-related upper limb disorders. Applied
Ergonomics, v. 24, 1993.

[1 2]. NR 17- ERGONOMIA. D i s p o n í v e l


em: <http://www.mtps.gov.br/data/files/
FF8080812BE914E6012BEFBA D7064803/
nr_17.pdf.> Acessado em janeiro de 2016.

[1 3]. O’NEILL, Maria José,  LER/DORT:


O Desafio de Vencer.São Paulo:MA-
DRAS,2003.

[1 4 ]. RIO, Rodrigo Pires do e Pires,


Licinia,  Ergonomia: Fundamentos da
Prática Ergonômica. 3ªed. São Paulo: LTr,
2001.

[1 5 ]. RODRIGUES, Allan do Couto et


al.  Uma investigação sobre as condições
do posto de trabalho através da análise
ergonômica na central de atendimento de
uma unidade de serviços bancários. Artigo/
Universidade Federal Fluminense, 2003.

[1 6 ]. SCHMITZ, Cláudio,  Análise ergonô-


mica de postos de trabalho de caixa de
banco: comparação de dois modelos do
Banrisul S.A. Trabalho de conclusão de
curso (Mestrado Profissionalizante em
Engenharia) UFRGS, Porto Alegre, 2002.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


ANÁLISE ERGONÔMICA
DO TRABALHO DE
UM OPERADOR DE
DOBRADEIRA DE UMA
METALÚRGICA

Lizandra Garcia Lupi Vergara


Andre Schappo
Gustavo Reitz Sperotto
Bruno Valerio Alves

RESUMO
O presente artigo tem como objetivo a aplicação da Análise Ergonômica do Trabalho em uma
metalúrgica, localizada em São José, Santa Catarina, na tentativa de avaliar as condições de
trabalho oferecidas para os colaboradores. O posto de trabalho abordado é a área de dobra
de chapas metálicas, onde foi constatado diversos problemas, que necessitam ser resolvidos
urgentemente para evitar complicações à saúde dos trabalhadores. Como metodologia apli-
cada à situação analisada, foi utilizado a ferramenta de Análise Ergonômica do Trabalho, por
meio de observações, registros fotográficos, aplicação do questionário LEST e o Método NIOSH,
que serviram de base para as recomendações de melhorias propostas ao posto de trabalho.
Dentre elas, destaca-se a possível utilização de carros pantográficos hidráulicos para facilitar
o carregamento e transporte de chapas, de forma a diminuir a diferença de altura entre a
mesa de trabalho e o pallet, assim como o uso de pinças para manusear chapas pequenas na
dobradeira, baseando-se em indicações de pontos de verificação descritos pela Organização
Internacional do Trabalho.

Palavras-chave

Análise Ergonômica do Trabalho, dobras de chapas metálicas, Método NIOSH


263

1. INTRODUÇÃO Assessement), o ambiente de trabalho


deveria sofrer mudanças imediatas com
A preocupação com questões ergonômicas o intuito de o operador não sofrer com
e com a postura de trabalho remonta à anti- possíveis danos à sua saúde. Por sua vez,
guidade, na qual o ser humano, constante- Silva et al., (2015) realizaram uma análise
mente, procurou desenvolver ferramentas das condições de trabalho de carrega-
e formas de trabalho que fossem práticas e mento manual em uma empresa de
que não prejudicassem quem as utilizasse locação de materiais para festas e consta-
(FIDELIS; FERNANDES, 2015). A ciência que se taram a falta de métodos adequados para
preocupa com essas questões é denominada a realização do carregamento de cargas
ergonomia e vem sendo fruto de muitos manuais, o que pode gerar problemas
estudos nos últimos anos devido a sua impor- psicofisiológicos aos trabalhadores. Por
tância para o bem-estar do ser humano em meio da utilização de ferramentas espe-
seu ambiente de trabalho. É caracterizada cíficas para o carregamento de cargas,
como o “estudo da adaptação do trabalho ao o questionário LEST e o método NIOSH,
homem” e seus objetivos práticos são: segu- foram concluídos que existia certo risco a
rança, satisfação e o bem-estar dos traba- ser avaliado no ambiente de trabalho, e
lhadores em contato com os seus sistemas que isso era ocasionado pelas pegas das
produtivos (IIDA, 2005). caixas que eram ruins, como também, a
atividade constante de subir e descer as
Wisner (1987) define a ergonomia o
escadas poderia causar desconfortos nas
conjunto de informações relacionadas ao
pernas e possíveis problemas na circu-
desempenho do ser humano em atividade,
lação sanguínea.
com o intuito de aplicá-las à concepção das
tarefas, dos instrumentos e das máquinas Desta forma, o objetivo deste trabalho
utilizadas. Com isso, há maior interesse em é realizar uma análise ergonômica do
estudos relacionados aos problemas de trabalho, de modo a identificar as princi-
diversos ambientes laborais de trabalho. pais demandas ergonômicas impostas aos
Como exemplo, tem-se os estudos de Fidelis funcionários de uma indústria metalúrgica,
e Fernandes (2015) realizaram uma análise com vistas à proposição de melhorias.
ergonômica do trabalho em um operador
de torno mecânico em uma Universidade
1.1. ANÁLISE ERGONÔMICA
do Paraná. Neste trabalho, os autores
DO TRABALHO
perceberam que a luminosidade do posto
de trabalho não era a adequada de acordo A Análise Ergonômica do Trabalho (AET)
com a norma NBR 8995, que rege a ilumi- consiste em “uma série de técnicas, que
nância dos ambientes de trabalho. permitem o entendimento da atividade de
trabalho com relação a seu contexto real”
Também, evidenciaram que a partir da utili-
(VIDAL, 2012). De acordo com o autor, é
zação do método RULA (Rapid Upper Limb
uma metodologia que por meio do enten-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


264

dimento da relação da atividade com seu realizar um diagnóstico sobre as condições


contexto ambiental, tecnológico e orga- de trabalho a que o operador está sujeito.
nizacional, busca propor modificações Por fim, as recomendações ergonômicas
necessárias ao ambiente de trabalho para são feitas a partir do diagnóstico realizado,
que ocorra um benefício ao trabalhador. são sugeridas recomendações que possi-
bilitem uma melhor adequação do posto
A AET foi desenvolvida por pesquisadores
de trabalho às características do operador,
franceses e se desdobra em cinco etapas:
com o objetivo de aumentar a segurança,
Análise da Demanda, Análise da Tarefa,
o bem-estar e o desempenho do mesmo.
Análise das Atividades, Diagnóstico e Reco-
mendações Ergonômicas (GÜÉRIN et al.,
2001). O autor descreve que a análise da
1.2. FERRAMENTAS
demanda é o ponto inicial da AET, pois é a
ERGONÔMICAS
partir dela é possível determinar os poten- As ferramentas ergonômicas auxiliam na
ciais problemas existentes no ambiente de identificação de cargas de trabalho que
trabalho analisado. A análise da tarefa refe- podem causar lesões musculoesquelé-
re-se ao trabalho prescrito do trabalhador, ticas ao trabalhador. Essas lesões podem
ou seja, aquilo que ele deveria realizar e ser causadas por diversos motivos, dentre
quais as condições ambientais, técnicas e eles os movimentos repetitivos, posturas
organizacionais necessárias para esta reali- inadequadas, fadiga, transporte de cargas
zação, pode ser determinada por meio de excessivas, intensificação do trabalho
entrevistas com os gestores das empresas entre outros. Por meio dessas ferramentas
e com os operadores, além da análise da é possível diagnosticar as situações que
organização do trabalho e das caracterís- mais prejudicam a saúde do trabalhador
ticas do posto de trabalho. Por sua vez, a e também apontam o grau de criticidade
análise das atividades compreende aquilo que o trabalhador está submetido em cada
que é realmente realizado pelo trabalhador, atividade (SHIDA; BENTO, 2012).
isto é, procura verificar como o posto de
trabalho é efetivamente utilizado. E essa Para cada um dos motivos citados, existe
análise pode ser feita por meio da obser- uma ou mais ferramentas responsáveis por
vação constante do ambiente de trabalho analisar a magnitude dos problemas que
e das ações realizadas pelo operador. podem estar acontecendo com o operador.
Quanto maior a distância entre o trabalho De acordo com o ambiente de trabalho estu-
prescrito e o trabalho real, maior a possi- dado, foram selecionadas algumas ferra-
bilidade de problemas serem encontrados. mentas ergonômicas que serão utilizadas
para auxiliar na definição dos problemas
O diagnóstico é a etapa que procura utilizar enfrentados pelo operador. As ferramentas
as informações adquiridas pelas obser- consideradas adequadas foram o método
vações do posto de trabalho e pela apli- LEST, o RULA, NIOSH e o método de Moore
cação de ferramentas ergonômicas para e Garg. Os métodos puderam ser apli-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


265

cados sobre as condições de trabalho exis- em membros superiores. Está relacionada


tentes para permitir um diagnóstico mais com a repetitividade de atividades e a apli-
preciso quanto aos riscos encontrados pelo cação de forças no posto de trabalho.
operador em seu trabalho.

O método LEST é utilizado para realizar uma


2. PROCEDIMENTOS
observação mais geral sobre o ambiente de
METODOLÓGICOS
trabalho analisado. A partir deste método é Os procedimentos metodológicos
possível identificar informações relevantes adotados neste trabalho foram estrutu-
sobre as condições em que o posto de rados em cinco etapas, conforme apre-
trabalho se encontra quanto ao ambiente sentado na Figura 1. Utilizou-se a Análise
físico e à carga física e mental, além de Ergonômica do Trabalho (AET), na qual são
considerar aspectos psicossociais e tempo apresentadas, resumidamente as etapas
de trabalho (GUÉLAUD et al., 1975). realizadas, de modo a facilitar o entendi-
mento dos procedimentos desta pesquisa.
O método RULA - Rapid Upper Limb Asses-
sement investiga a exposição dos traba-
lhadores aos fatores de riscos relacio- 2.1 OBJETO DE ESTUDO
nados aos membros superiores. Permite
A empresa objeto de estudo está locali-
que as posturas de trabalho que mereçam
zada na cidade de São José, reconhecida
atenção especial sejam identificadas
na região, com 60 anos de mercado. Ela
(McATAMNEY, CORLETT, 1993).
atua na venda de tubos e chapas metá-
Por sua vez, a ferramenta NIOSH é uma licas, além de equipamentos e produtos
equação que, por meio da determinação voltados para serralheiros. Também presta
de alguns fatores do posto de trabalho, serviços por encomenda de corte e dobras
calcula um limite de peso recomendado em chapas metálicas.
a que o operador pode estar submetido
de forma a evitar qualquer tipo de lesão
osteomuscular (WATERS et al., 1994). O
Limite de Peso Recomendado - LPR - é o
produto e resultado da equação. Com o
LPR calculado, é possível determinar o
índice de levantamento, caracterizado
pelo quociente entre o peso real da carga
levantada e o limite de peso recomendado
(NIOSH,1994).

A ferramenta Moore e Garg, também


conhecida como Strain Index, tem como
principal objetivo avaliar o risco de lesões

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


266

Figura 1 - Procedimentos metodológicos adotados na pesquisa

Fonte: Adaptado de Ferreira (2013)

3. RESULTADOS foram identificados vários problemas,


porém o setor considerado mais crítico foi
o da dobra.
3.1. ANÁLISE DA DEMANDA
A função exige do trabalhador muito
A AET decorre de uma demanda, a qual
esforço físico e atenção, sendo que todos os
pode ser formulada pela empresa, pelos
trabalhadores desse setor tiveram algum
trabalhadores, pelos sindicatos ou ainda
tipo de afastamento devido a problemas
por instituições públicas legais (GUÉRIN
causados pela atividade. Existem reclama-
et al., 2001). Para tanto, foram realizadas
ções referentes ao pedal de ativação da
visitas ao local de trabalho com o intuito
máquina, que obriga os trabalhadores a
de observar as possíveis ameaças a que
sustentarem seu peso em apenas um pé.
o empregador estaria exposto. Devido
Além disso, há a necessidade de se abaixar
ao tamanho da empresa, a análise da
diversas vezes para abastecer o posto com
demanda inicial foi realizada por meio de
matéria-prima, necessitando em alguns
uma entrevista com os responsáveis pela
momentos carregar pesos superiores a 40
área produtiva. Tal entrevista foi esten-
kg. O setor produtivo da empresa pode ser
dida para os trabalhadores dos setores
observado na Figura 2, com destaque em
definidos como críticos pelos gerentes e
vermelho para a área do posto analisado.
no decorrer da aplicação do questionário

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


267

Figura 2 - Layout do setor produtivo

Fonte: Autores

3.2. ANÁLISE DA TAREFA terísticas da dobra. Após, o trabalhador


necessita realizar o transporte do metal
Bolis (2011) define como o objetivo dessa até a bancada de trabalho, adaptando
fase levantar dados sobre as exigências também a programação da máquina para
da empresa para com seus funcionários. as características da dobra. Terminado a
Assim a análise da tarefa pode ser execu- programação, o trabalhador pode abas-
tada em dois níveis. O primeiro é com tecer a máquina com a chapa, ativando
relação à descrição do sistema homem- o pedal e iniciando o funcionamento da
-máquina e o segundo do sistema homem- dobradeira. Por último, o trabalhador pega
-tarefa (IIDA, 2005; RODRIGUES, 2003). a chapa, agora já dobrada, e carrega até o
Após a seleção da tarefa, passa-se para o setor de expedição.
estágio de coleta de dados, o qual envolve
entrevistas diretas com os usuários que a
3.3. ANÁLISE DAS
realizam, além de consulta aos gestores
ATIVIDADES E
para identificar a tarefa prescrita e como
DIAGNÓSTICO
o trabalhador deve realizá-la (PADOVANI;
ALVES, 2009). A análise da atividade trata da análise dos
comportamentos de trabalho: posturas,
Por meio dessa análise, chegou-se a
ações, gestos, comunicação, direção do
algumas etapas que o trabalhador neces-
olhar, movimentos, modos operativos e
sita executar, iniciando com a leitura da
demais atividades que podem ser obser-
ordem de produção, atento a todos os
vadas ou inferidas das condutas dos traba-
detalhes a respeito da chapa e das carac-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


268

lhadores (FIALHO; SANTOS, 1997). Para ciais para os trabalhadores, porém só com
cumprir com todas as tarefas prescritas a aplicação de ferramentas que utilizam
pela empresa o trabalhador necessita métodos quantitativos podem-se mostrar
realizar um esforço físico muito grande. A ao certo a magnitude de tais riscos.
fim de tentar mensurar esse desgaste foi
Dessa forma, foram utilizadas quatro ferra-
realizada a análise, cujo objetivo é observar
mentas ergonômicas, na qual se acredita
as atividades desenvolvidas pelos traba-
que estas, abrangem os quesitos para um
lhadores, face às condições e aos meios
diagnóstico preciso do operador em seu
que lhe são colocados à disposição. Reali-
posto, sendo essas: LEST, RULA, NIOSH
zou-se a observação do posto de trabalho
e Moore e Garg. Os cálculos, a princípio,
durante dois períodos de uma hora, e
seriam feitos com base nas cargas mais
assim estabeleceu-se a média dos esforços
pesadas que ele chegasse a carregar no dia
realizados no decorrer de uma hora de
de trabalho, porém de forma geral as avalia-
trabalho, dentre esses, pode-se destacar:
ções resultaram em dados que implicam em
_ O trabalhador necessita permanecer uma necessidade emergencial de mudança
com os braços estendidos por 30 minutos, no posto para maior conforto e segurança
em intervalos de 2 minutos; do trabalhador, para uma média de carga
de 8 kg por chapa, não havendo, portanto, a
_ Se agachar 4 vezes para abastecer o
necessidade em se utilizar valores maiores
posto de trabalho;
para as massas das chapas.

_ Permanecer 45 minutos em pé parado,


A Figura 3 apresenta os resultados do
10 minutos se movimentando e 5 minutos
LEST, na qual as análises de carga física e
sentado;
ambiente físico atingiram o maior valor da

_ O trabalhador em alguns momentos senta escala, resultado devido a posição adotada

para realizar alguma operação mais fácil, nos carregamentos e transporte das

porém vale ressaltar que a banqueta a dispo- chapas, pelo próprio esforço para segurar

sição do trabalhador não oferece conforto; as chapas na dobra e das condições


adversas de iluminação e ruído constantes.
_ Para o manuseio das chapas o antebraço Percebe-se, entretanto, a partir da análise
do operador fica 35 minutos em supinação; dos dados, que os valores para carga
mental e aspectos psicossociais foram
_ Enquanto parado o trabalhador neces-
considerados bons ao trabalho, visto que
sita manusear sem apoio, peças que
o mesmo não apresenta complexidade.
pesam até 30 quilos;
Há uma boa comunicação com os outros
_ O transporte de peças de até 10 quilos, trabalhadores e a questão do status social
até a expedição, é realizado sem a ajuda de adquiriu um resultado positivo, embora
equipamentos. uma atenção constante seja exigida por
parte do trabalhador em sua função.
Todas essas atividades podem ser prejudi-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


269

Figura 3 - Resultados do método LEST

Fonte: Software Ergonautas

Considerando os aspectos luminosos e resultado em 76 db e esteja dentro do


de ruído requeridos pelo LEST, os valores limite, há ruídos impulsivos originários de
foram obtidos por meio de medições no marteladas na chapa para ajustar a dobra
próprio posto de trabalho, chegando a com valor 106 db.
resultados de 127 lux e 76 db, respectiva-
A ferramenta RULA foi útil na aplicação
mente. Segundo a NBR 8995, a qual trata de
para análise das posturas e esforços
iluminância de interiores, o valor apresen-
empregados nos membros superiores. O
tado se encontra abaixo do recomendado
resultado da avaliação atingiu o valor 6 na
para o tipo de trabalho, que se enquadra
escala que vai até 7, considerada elevada
em indústria metalúrgica. Por se tratar
e exigindo uma remodelagem e atividades
de um trabalhador com idade inferior a
de investigação da tarefa. Vale ressaltar,
40 anos, velocidade e precisão da tarefa
que para efeito de cálculo considerou-se
crítica e refletância de 30% a 70%, o valor
uma massa média de 8 kg, de forma que
recomendado para o ambiente é de 200
caso fosse considerado a carga máxima
lux. Para o ruído, o limite aceitável para um
para análise, o valor final resultaria em 7,
ambiente industrial é de 85db. Percebe-se,
o qual é requerido mudanças urgentes no
portanto, que o resultado obtido de 127
posto de trabalho. A utilização do NIOSH
lux está muito inferior ao recomendado
teve por intuito calcular o limite de peso
e que embora a medição de ruído tenha

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


270

recomendado do trabalhador para retirar limiar para o alto risco ao trabalhador. Essa
as chapas dobradas da dobradeira, abai- ferramenta mostrou claramente a discre-
xar-se e colocá-las no pallet que fica ao pância entre as condições ideais e reais de
chão para levá-las ao próximo posto de trabalho, sobretudo por manusear cargas
trabalho, no qual o material continuará pesadas por um longo período em um
seu processo de produção. O limite encon- ritmo rápido sem haver preocupação com
trado foi 7,986kg, valor esse menor do a postura corporal.
que a própria média de 8kg considerado
nas outras ferramentas, e o índice de 4. RECOMENDAÇÕES
levantamento foi de 1,002, considerado
nocivo ao trabalhador. A maior atribuição Para a elaboração das recomenda-
de valor se deu nas variáveis: distância ções referentes ao posto de trabalho,
vertical e distância vertical percorrida pela fez-se uso dos pontos de verificação (PV)
carga, dado o fato de que o operador deve descritos pela Organização Internacional
pegar as chapas que estão na dobradeira do Trabalho (International Labour Office,
e colocá-las no pallet. Finalmente, o resul- 2001). O Quadro 1 apresenta os principais
tado que mais atenuou as condições de pontos e a forma como pode ser aplicado
trabalho foi a Moore e Garg, que resultou na presente situação.
em um valor de 36, dado muito acima do

Quadro 1 - Pontos de Verificação e Aplicação na empresa


Ponto de Verificação Como aplicar
Eliminar ou reduzir as diferenças de nível quando Diminuir ao nível de altura entre o pallet e a bancada
materiais forem removidos à mão (PV-13) do trabalhador
Limitar o número de pedais e, se forem regu-
Possibilitar a alternância de apoio entre as pernas
larmente usados, fazer com que sejam de fácil
através da variação de posições do pedal
operação (PV-43)
Utilizar proteções ou barreiras apropriadas para Utilização de pinças para manusear chapas
prevenir contatos com as partes móveis do maqui- pequenas a fim de evitar o contato direito com
nário (PV-53) partes móveis da dobradeira
Mudança de layout da indústria que faça com que a
máquina fique próxima das janelas, aumentando a
Propocionar iluminação suficiente para os traba-
luz natural em seu ambiente de trabalho
lhadores, de forma que possam operar a todo
Acréscimo de uma lâmpada focada ao ambiente de
momento de modo eficiente e confortável (PV-76)
trabalho
Uso de cores claras em paredes e tetos
Providenciar equipamentos de proteção pessoal
Uso de protetores auriculares
adequados (PV-100)

Fonte: Autores

O ponto de verificação PV-13 pode ser apli- bancada, na qual o operador pega as
cado, no presente posto, a partir da intro- chapas a fim de diminuir a distância vertical
dução de um carro pantográfico hidráu- percorrida pela carga e segundo a ferra-
lico, que poderia nivelar com a altura da menta NIOSH, aumentar o limite de carga

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


271

que o mesmo poderia levantar, devido a utilizado para carregamento das chapas,
melhora dessa condição ergonômica. A para o próximo posto de trabalho. Com a
Figura 4 e a Tabela 1 abaixo exemplificam diminuição da distância vertical percorrida,
o carro pantográfico hidráulico e os atuais percebe-se que o valor final para limite de
valores para o cálculo do limite de peso peso recomendado sobe, melhorando as
recomendado pela NIOSH. São apresen- condições ergonômicas do trabalhador.
tados também, os valores, caso o carro seja

Figura 4 - Carro pantográfico hidráulico

Fonte: http://www.nowak.com.br/movimentacao/carro-pantografico-hidraulico/carro-
-pantografico-1-mt-1-ton-ref-1982 (2015)

Tabela 1 - Comparação dos resultados da NIOSH antes e após intervenção ergonômica

Fonte: Software Ergolândia

Em relação aos pedais, no qual o operador apertando o pedal e ficando apenas com
tem o controle da máquina de dobra, uma perna de apoio durante quase todo o
quanto à sua velocidade, houve queixas período de trabalho. Uma indicação para
em relação a sua perna de apoio, devido tal seria desafixar o pedal do chão para
ao fato de o mesmo estar constantemente haver a possibilidade de um outro posicio-

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


272

namento do mesmo no chão com o intuito do trabalhador em seu posto, no qual apre-
de que o operador possa alternar a perna senta suas mãos constantemente próximas
de apoio e aquela que controla a dobra- à parte móvel da máquina, oferecendo
deira ao longo de sua jornada de trabalho. perigo ao operador. A Figura 5 elucida a
indicação de uma pinça de fundição que
Quanto ao uso de pinças para manusear
poderia ser utilizada também para englobar
chapas pequenas na dobradeira, a reco-
as necessidades de manuseio de chapas
mendação se deu pela observação direta
pequenas do respectivo posto de trabalho.

Figura 5 - Pinça para manuseio de chapas pequenas

Fonte: http://pt.aliexpress.com/item/High-quality-35cm-Crucible-Tongs-Melting-Dish-Stain-
less-Plier-Holder-Handle-For-Melting-Pouring-Casting-chemical/32444132765.html (2015)

5. CONCLUSÃO nação, que serviram como dados iniciais


de nossa avaliação ergonômica.
A ergonomia, de maneira geral, trata de
adaptar o posto de trabalho às caracterís- Por fim, vale ressaltar, que o ponto mais

ticas dos trabalhadores, pensando sempre significante do trabalho são as recomen-

no bem-estar dos trabalhadores. Com base dações, que podem realmente causar um

nesses princípios, uma pesquisa foi reali- impacto positivo na empresa, tendo em

zada em indústria metalúrgica, buscando vista que cada uma delas objetiva abordar

em conjunto com gerentes e trabalhadores um problema recorrente. Alterações como

do setor, indicações dos processos críticos, diminuir a altura entre o pallet e a bancada

o que acarretou na escolha da operação de do trabalhador, uso de protetores auricu-

dobra. Foram aplicadas ferramentas ergo- lares e acréscimo de uma lâmpada focada

nômicas, obtendo resultados muito signifi- no posto de trabalho podem contribuir

cantes. Para isso, se fez necessário realizar para melhores condições ergonômicas

várias visitas no local, com medições “in do trabalhador. Contudo, este estudo

loco”, como de luminosidade, ruído e ilumi- por si só não representa uma melhoria

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


273

na empresa, caso a mesma não queira nomia para a melhoria do trabalho e para
mudar a sua situação, sendo por custos ou o processo de emancipação dos sujeitos.
apenas resistência à mudança. O mesmo Tese de Mestrado em Engenharia de
pode ocorrer com os trabalhadores caso Produção – Universidade Politécnica de
eles se recusem a trabalhar usando, por São Paulo - São Paulo, 2011.
exemplo, equipamentos de proteção indi-
[ 5] . FERREIRA, Evelise Pereira. Análise
vidual. Como trabalhos futuros, recomen-
dos riscos ambientais em uma empresa
da-se que este estudo, feito neste posto
de geração termelétrica. Trabalho de
específico, seja realizado também em
Conclusão de Curso – Universidade Federal
outros setores da empresa, com vistas à
do Pampa (Unipampa), Bagé. 2013.
identificação das demandas ergonômicas
impostas aos trabalhadores e posterior- [6]. FIDELIS, Nayara Vargas Witcel;
mente, proposição de melhorias. FERNANDES, Carlos Aparecido. Análise
ergonômica do trabalho de um operador
REFERÊNCIAS de torno mecânico em uma universidade
do Paraná. XXXV Encontro Nacional de
[1 ]. ABERGO - Associação Brasileira de
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SHIDA, Georgia Jully. Métodos e ferra- [ 8] . GUÉLAUD Françoise; ROUSTANG
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análise de situações de trabalho. VIII Jacques. Pour une analyse des conditions
Congresso Nacional de Excelência em du travailouvrier dans l’entreprise. LEST
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Sociologie de travail. Aix en Provence,
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Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


2 74

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25 de novembro de 2015.
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manual for the revised NIOSH lifting equa-
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Aspectos da ergonomia que contribuem
na prevenção das LER/DORT num setor
da indústria cerâmica: um estudo de
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Produção – Universidade Federal de Santa
Catarina, Florianópolis, 2003. Top - Ergo-
nomia. Ferramentas Ergonômicas - Moore
e Garg. 2008. Disponível em: <topergo-
nomia.wordpress.com/2008/04/04/ferra-
mentas-ergonomicas-moore-e-garg/>.
Acesso em: 27 de novembro de 2015.

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


DOENÇAS, ACIDENTES E
RISCOS OCUPACIONAIS:
ANÁLISE EM UMA
ORGANIZAÇÃO PÚBLICA
HOSPITALAR

Pablo Marlon Medeiros da Silva


Inácia Girlene Amaral
Juliana Carvalho de Sousa
Lydia Maria Pinto Brito
Fernanda Gabrielle Pereira de
Oliveira Marques

RESUMO
A ocorrência de doenças profissionais no ambiente hospitalar tornou-se corriqueira, sendo
necessária a identificação dos acidentes, riscos e ações no sentido de minimizá-los, confir-
mando deste modo a importância de estudos relacionados aos temas. A presente pesquisa
teve como objetivo conhecer as políticas e práticas em prol da saúde dos trabalhadores de um
hospital público especializado em doenças infectocontagiosas, na percepção dos gestores e
responsáveis. Foi realizada uma pesquisa exploratória, descritiva e de campo, com abordagem
qualitativa, aplicada a três servidores ativos e efetivos dos níveis de direção e tático, sendo
os dados das entrevistas submetidos à análise de conteúdo. Os resultados mostraram que
a organização pesquisada não possuía ainda um programa específico e contínuo de saúde
no trabalho, realizando apenas ações pontuais e periódicas como palestras anuais relacio-
nadas à segurança, patologias, proteção e prevenção de riscos e debates anuais acerca do dia
internacional de incentivo ao combate aos acidentes no trabalho. Concluiu-se que deve haver
uma concentração de esforços e recursos no sentido de promover mudanças no ambiente de
trabalho, como a implementação de programas de prevenção e conscientização de práticas
que melhorem a segurança de todos os profissionais.

Palavras-chave

Riscos ocupacionais. Saúde do trabalhador. Ambiente hospitalar.


276

1 INTRODUÇÃO literatura abordando os riscos, acidentes e


doenças do trabalho e as políticas e práticas
O hospital, lugar onde os profissionais em prol da saúde no trabalho; a terceira
da saúde repetidamente permanecem parte discorre sobre os aspectos metodo-
grande parte de suas vidas, muitas vezes lógicos deste estudo; a quarta parte trata
em mais de um turno de trabalho, devido das discussões dos resultados obtidos
aos baixos salários percebidos. Nessas na pesquisa; na quinta parte constam
organizações, ao mesmo tempo em que as considerações finais dos autores e na
os seus trabalhadores tentam salvar vidas sexta parte são expostas as referências
e recuperar a saúde dos pacientes, estes utilizadas no estudo.
trabalhadores adoecem tendo em vista
a falta de preocupação com a proteção,
2 REVISÃO DA
promoção e manutenção da saúde de seus
LITERATURA
empregados (XELEGATI; ROBAZZI, 2003).

Diante desses fatores, a ocorrência de 2.1 ACIDENTES, RISCOS E


doenças profissionais no ambiente hospi- DOENÇAS NO TRABALHO
talar tornou-se comum, nos mais diversos
Fatores econômicos, políticos, sociais,
setores, exigindo a identificação dos riscos,
tecnológicos e internos demonstram que
acidentes, doenças e ações no sentido de
o mercado está altamente competitivo e
minimizá-las, uma vez que sua ocorrência
excludente cotidianamente. Dessa forma,
gera transtornos pessoais, familiares,
muitos trabalhadores acabam sendo
prejuízos funcionais às unidades hospita-
explorados, pressionados sobre metas
lares e gastos previdenciários, causando
a cumprir, desrespeitados por clientes e
problemas sociais e econômicos.
superiores, além de conviver, muitas vezes,
A questão norteadora deste trabalho é com ambientes de trabalho precários,
saber de que forma as ações de prevenção com a falta de políticas de valorização do
de acidentes, riscos e doenças no trabalho, funcionário e de prevenção de acidentes,
em um ambiente hospitalar, tem contri- riscos e doença no trabalho. O resultado é
buído para a saúde dos trabalhadores. A o elevado número de doenças e acidentes
pesquisa teve como objetivo conhecer as adquiridos no trabalho, que vem crescendo
políticas e práticas em prol da saúde dos em larga escala, prejudicando empresas,
trabalhadores de um hospital público espe- governo, famílias, e o próprio empregado.
cializado em doenças infecto- contagiosas,
Dentre os acidentes de trabalho, os de
na percepção dos gestores e responsáveis.
maior prevalência em instituições de saúde
Este artigo contempla as seguintes partes: são os que envolvem materiais biológicos,
na primeira parte consta essa introdução; notadamente no ambiente hospitalar, o
na segunda parte apresenta a revisão de qual é constituído por diversas unidades

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


277

de atendimento (CARDO; BELL, 1997). De tividade e qualidade de vida do trabalhador


acordo com Couto, Pedrosa e Nogueira (FERNANDES; MORATA, 2002). Saliba (2002)
(2003) acidentes com material contami- conceitua riscos ambientais como agentes
nado, por exemplo, podem acarretar físicos, químicos e biológicos, presentes
doenças como a Hepatite B, Hepatite C, e nos ambientes de trabalho, capazes de
em casos mais letais, a Síndrome de Imuno- produzir danos à saúde quando superados
deficiência Adquirida (AIDS), dentre outros. os limites de tolerância.

Um ambiente de trabalho agressivo é um Os tipos de riscos a que os trabalhadores


somatório de situações desconfortáveis da área da saúde estão expostos são exem-
ao homem, como o elevado nível de ruído, plificados por Marziale e Rodrigues (2002),
o excesso de calor, dentre outros. Isso é elencados no quadro a seguir:
prejudicial, implicando em perda de produ-

Quadro 1 - Tipos de riscos no ambiente de trabalho


Tipos de riscos Detalhamento
Ruídos, vibrações, radiações ionizantes e não ionizantes, temperaturas
Físicos extremas, pressões anormais, umidades, iluminação inadequada, exposição a
incêndios e choques elétricos

Químicos Manuseio de: gases, vapores anestésicos, anticépticos, esterilizantes e poeiras.

Microorganismos, bactérias, fungos, protozoários, vírus, material infectoconta-


Biológicos gioso (podendo causar doenças como tuberculose, hepatite, rubéola, herpes,
escabiose e AIDS).
Levantamento de peso para movimentação e transporte de pacientes e equi-
pamentos, postura inadequada e flexões de coluna vertebral em atividades de
Ergonômicos
organização e assistência que podem causar problemas à saúde do trabalhador,
tais como fraturas, lombalgias e varizes.

Falta de iluminação, possibilidade de incêndios, piso escorregadio, armazena-


Acidentes
mento, arranjo físico, ferramentas inadequadas e máquinas defeituosas.

Mecânicos Lesões causadas pela manipulação de objetos cortantes e penetrantes.

Sobrecarga vinda do contato com os sofrimentos dos pacientes, com a dor e a


Psicossociais morte, o trabalho noturno, rodízios de turno, ergonomia, jornadas duplas e até
triplas de trabalho, ritmo acelerado, tarefas fragmentadas e repetitivas.

Fonte: adaptado de Marziale e Rodrigues (2002).

Quando se trata de doenças no ambiente problemas característicos dos profissionais


organizacional, Casarotto e Mendes (2003) da saúde. As doenças osteomusculares
chamam atenção para as tarefas que relacionadas ao trabalho (DORT), as lesões
exigem movimentos de membros supe- por esforços repetitivos (LER), lombalgias
riores e coluna, levantamento de pesos e os problemas de coluna podem desen-
excessivos e permanência na postura volver-se em atividades que apresentam
em pé por longos períodos de tempos, estas características (ANDERSSON, 1991;

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


278

KEYSERLING, 1993; EHRMANN, 1996; 2.2. POLÍTICAS E PRÁTICAS


OLIVEIRA; MUROFUSE, 2001). EM PROL DA SAÚDE NO
TRABALHO
O estresse é outro problema bastante
corriqueiro nas organizações hospitalares, De acordo com Cavalcante et al (2008), o
este é o e são o responsável pelo adoeci- ambiente de trabalho se constitui em um
mento do trabalhador. O profissional da local privilegiado para as ações de educação
saúde tem na sua atribuição principal o para a saúde, pois é o espaço organiza-
cuidar do outro, estar em contato perma- cional que o indivíduo passa grande parte
nente com um doente e dar suporte a seus do seu dia e onde deve receber orienta-
familiares. Essa tarefa requer dele paci- ções voltadas para a promoção e proteção
ência, compaixão, dedicação, empatia e a à saúde. Para estes autores seria oportuno
capacidade de conviver com o sofrimento que no ambiente de trabalho fosse ofere-
do outro. Durante a sua carreira profis- cido ao trabalhador à oportunidade de
sional terá que conviver com a morte do refletir mais amplamente sobre sua saúde
paciente e o sofrimento da família, sendo e sua qualidade de vida.
um trabalho que suscita grande nível de
estresse (MENEZES, 2009). Para que um hospital preste serviços com
qualidade, eficiência e eficácia é funda-
Outros fatores podem determinar o esta- mental que a existência de um Programa
belecimento do estresse no dia-a-dia do de Prevenção de Acidentes e Doenças
trabalhador da saúde, estes são: o medo que proporcionem condições ambientais
do futuro, a qualidade de vida ruim, os seguras para o paciente e profissionais. O
maus hábitos alimentares, a falta de lazer, hospital deve desenvolver continuamente
ansiedade pela sobrevivência própria e da essa política, assegurando que gerentes
família, a imposição de jornadas exaustivas e funcionários estejam cientes de suas
de trabalho, a competitividade desleal, os responsabilidades na redução de riscos
baixos salários, salários injustos ou incom- e acidentes. Devem promover e reforçar
patíveis com a função exercida, conflitos práticas seguras de trabalho e propor-
nos relacionamentos, entre outros (FARIAS; cionar ambientes livres de riscos, em
CUNHA, 2009). acordo com as obrigatoriedades das legis-
lações municipais, estaduais e federais
Os gestores precisam tomar medidas para
(ANVISA, 2011).
prevenir que o estresse atinja níveis destru-
tivos, conhecendo inicialmente quem são os Dreher e Marisco (2010) asseguram que é de
estressores pessoais, a fim de que se tomem extrema importância que os responsáveis
ações (SCHERMERHORN; HUNT; OSBORN, pelas instituições do segmento da saúde
2005) para prevenir a doença ocupacional. formulem políticas de proteção à saúde
visando à redução e eliminação do adoeci-
mento dos trabalhadores, resultantes das

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


279

condições, dos processos e do ambiente de servidores, tem como usuários adultos


trabalho, bem como o aprimoramento da e crianças e oferece serviços de: ambula-
assistência à saúde aos trabalhadores. O tório, cardiologia, comissão de infecção
uso correto de equipamentos de proteção hospitalar, dermatologia, enfermagem,
individual, o cuidado ao manusear medi- esterilização, farmácia, nutrição, odon-
cações, a redução da força despendida tologia, pediatria, psicologia, psiquiatria,
pelos trabalhadores e dos esforços repeti- serviço social, ginecologia e tisiologia. Em
tivos, a eliminação de posturas impróprias, sua estrutura dispõe de 52 leitos, com uma
a lavagem correta das mãos e a devida sala para procedimentos de pequenas
atenção aos princípios de assepsia, são cirurgias, e atende aproximadamente 850
técnicas do auto-cuidado e maneiras de pacientes por mês, a média diária é de
prevenir danos à saúde do profissional. 20 pacientes nos casos de AIDS e outras
doenças sexualmente transmitidas.

3. METODOLOGIA Para a realização da pesquisa houve um

A abordagem escolhida para a conse- contato inicial com a diretora geral do

cução dos objetivos da pesquisa é quali- hospital, a fim de identificar servidores

tativa. Para Richardson (2009) os estudos ativos e efetivos nos níveis de direção

que empregam uma metodologia qualita- e tático, ou seja, os responsáveis pelas

tiva podem descrever a complexidade de decisões relacionadas à prevenção dos

determinado problema, analisar a inte- acidentes, riscos e doenças no trabalho,

ração de certas variáveis, compreender e assim como as ações em prol da saúde

classificar processos dinâmicos vividos por dos servidores. Mediante as informa-

grupos sociais, contribuir no processo de ções obtidas junto à diretora geral, foram

mudança e possibilitar o entendimento escolhidos para participar do estudo o

das particularidades do comportamento diretor administrativo, o coordenador de

dos indivíduos. A pesquisa de campo foi enfermagem e a enfermeira integrante da

realizada em um hospital do estado do comissão de controle de infecção hospi-

Rio Grande do Norte, especializado em talar (CCIH). O quadro 2 apresenta as

doenças infectocontagiosas. O hospital características dos sujeitos desta pesquisa:

possui cerca de duzentos e quinze (215)

Quadro 2 - Perfil dos entrevistados


Código dos Tempo na
Cargo Idade Sexo Escolaridade
sujeitos organização
Enfermeira da
E 25 anos Feminino Superior 2 anos
CCIH
Coordenador de
CE 30 anos Masculino Superior 2 anos e meio
Enfermagem
Diretor Adminis-
DA 50 anos Masculino Superior 4 anos
trativo

Fonte: dados da pesquisa (2011).

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


280

A coleta de dados foi realizada através de normatização de rotinas e serviços para


entrevistas semiestruturadas, que foram diminuir os riscos de infecção; a elabo-
aplicadas no próprio ambiente de trabalho, ração de fluxogramas; a supervisão do
com duração média de 20 minutos cada. desenvolvimento de atividades de limpeza,
As respostas foram gravadas e transcritas lavanderia, enfermagem, laboratório e
para a posterior análise de seus dados. farmácia, com o objetivo de avaliar os riscos
Os dados foram submetidos à análise de de infecção; fazer o controle de infecção
conteúdo (BARDIN, 1977). Do resultado das hospitalar tanto do funcionário quanto do
transcrições, houve a releitura do mate- paciente em geral; fiscalizar os procedi-
rial e organização dos relatos dos partici- mentos que lhe são imputados. Os cargos
pantes, dividindo-os por áreas, sendo a de infectologista e bioquímico são cargos
área estratégica representada pelo diretor de assessoria, que fornecem opiniões para
administrativo da organização e a área melhorar os procedimentos adotados.
tática representada pelo coordenador
Entre ações realizadas pela CCIH estão
de enfermagem e a enfermeira da CCIH.
às palestras anuais relacionadas à segu-
Após a organização dos dados e leituras
rança, patologias, proteção e prevenção
repetidas do texto, buscou-se identificar
de riscos. Dedica-se também, ao menos
os pontos mais importantes da pesquisa
uma vez ao ano, a debates acerca do dia
e posteriormente estabelecer compara-
internacional de incentivo ao combate aos
ções a fim de verificar as semelhanças e os
acidentes no trabalho.
contrastes entre os respondentes sobre o
problema dos acidentes, ricos, doenças no Nas entrevistas constatou-se que a orga-
trabalho, para assim responder a questão nização pesquisada não possui ainda um
e o objetivo dessa pesquisa. programa específico de saúde no trabalho,
uma realidade contrária ao que Dreher
4. APRESENTAÇÃO e Marisco (2010) defendem. Para esses
E DISCUSSÃO DOS autores é importante que os responsáveis
RESULTADOS pelas instituições do segmento da saúde
formulem políticas de proteção à saúde
A partir da análise das entrevistas, consta-
visando à redução e eliminação do adoeci-
tou-se que o hospital dispõe da comissão
mento dos trabalhadores.
de controle de infecção hospitalar, órgão
autônomo, presente há quatro anos na A seguir destacam-se algumas narrativas dos
instituição, obrigatório nas organizações entrevistados sobre a existência de programa
hospitalares. Este órgão é composto por de prevenção no hospital pesquisado:
um enfermeiro, um infectologista, um
Segundo o entrevistado E, a comissão de
bioquímico e é facultada a entrada de um
controle de infecções hospitalares vem
nutricionista. O cargo de enfermeiro tem
tentando desenvolver algumas atividades
por funções: o diagnóstico de infecção; a
relacionadas à saúde do trabalhador,

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


281

como implantar consultas funcionais para feito também com o psicólogo, cardiolo-
realização de exames periódicos. Porém, gista, psiquiatra, dentista, nutricionista, o
existem obstáculos na contratação de que não tinha antes.
profissionais qualificados para realizar
As informações obtidas acima contrariam
esses exames.
o que a Anvisa (2011) sugere sobre as
A entrevistada CE acrescenta que: As ações práticas em saúde organizacional. Para o
são pontuais e desenvolvidas por um órgão, o hospital deve desenvolver conti-
grupo de pessoas, como da CCIH, coor- nuamente políticas, assegurando que
denação de enfermagem, da direção, do gerentes e funcionários estejam cientes
serviço social, etc. Mensalmente, organi- de suas responsabilidades na redução
zam-se algumas ações na área da saúde do de riscos e acidentes. Um dos fatores
trabalhador, mas são ações pontuais, não que mais preocupa os entrevistados no
existe uma política voltada para a saúde ambiente laboral é a convivência com
do trabalhador. Mas hoje notamos melho- agentes capazes de causar danos à saúde
rias, pois agora temos um agendamento ou integridade física dos trabalhadores.
de consultas para o trabalhador. Toda Quando perguntado aos entrevistados dos
semana tem cerca de 8 a 10 consultas riscos existentes no hospital, CE e E indi-
com cardiologista e durante a consulta, o carão vários. Estes podem ser visualizados
médico pede alguns exames como: eletro- no quadro 3, abaixo.
cardiograma, hemograma, e está sendo

Quadro 3 - Os riscos distribuídos nos diversos setores do hospital pesquisado.


Setores Riscos Riscos Riscos
Funções Riscos Riscos
do biológi- ergonô- psicos-
envolvidas físicos químicos
hospital cos micos sociais
Contato Bactérias,
Enfermeiros, Esforço físico,
com cloro, fungos, Trabalho noturno,
técnicos de levantamento
Posto de enfer- desinfetante bacilos, situações de
enfermagem, e Transporte
magem e outras parasitas, estresse, sobre-
coordenador de manual de
substâncias protozoários carga de trabalho.
enfermagem peso
químicas. e vírus

Contato Bactérias, Esforço físico,


com cloro, fungos, Levantamento
Tempe- Trabalho noturno,
Serviços de Auxiliares de desinfetante bacilos, e transporte
raturas situações causa-
limpeza Serviços gerais e outras parasitas, manual de
extremas doras de estresse
substâncias protozoários peso e postura
químicas e vírus. inadequada

Cozinheiros,
Copeiras,
Tempe- Esforço físico,
Auxiliares
Copa e cozinha raturas postura inade- Trabalho noturno
de cozinha,
extremas quada
nutricionista,
despenseiros

Ergonomia e Segurança do Trabalho em Foco


282

Setores Riscos Riscos Riscos


Funções Riscos Riscos
do biológi- ergonô- psicos-
envolvidas físicos químicos
hospital cos micos sociais

Farmacêutico, Esforço físico,


auxiliares de Levantamento
Farmácia e Substâncias
farmácia, chefe e transporte
almoxarifado químicas
de almoxari- manual de
fado peso

Postura
Recepcionista, inadequada,
Serviços de
Secretária, monotonia,
escritório
Digitador repetitividade
e L.E.R.

Fonte: Elaborado pelos autores (2011).

Para os mesmos entrevistados, esses esforços do profissional da saúde ao auxi-


riscos ocupacionais afetam diretamente liar o paciente com dificuldade de loco-
a saúde do trabalhador, expondo-o a moção e, também, auxiliar o paciente a
adoecimentos e acidentes do trabalho. levantar-se do leito); acidente com mate-
Nas indagações feitas aos sujeitos entre- rial biológico (que poderia gerar o risco
vistados sobre o ambiente hospitalar e de contrair doenças como H.I.V); doenças
as doenças ocupacionais, E afirmou que respiratórias (resultantes de poeira e
dentre os fatores que mais preocupa os gases); problemas osteomusculares
funcionários acerca de doenças ocupacio- (motivados por enfermeiros que traba-
nais no ambiente hospitalar são os mate- lham manipulando pacientes com macas
riais biológicos contaminados. ou aqueles que possuem fragilidades do
sistema ósseo), etc.
Para o entrevistado E, Há registros no
próprio hospital de pessoas que sofreram Esta última fala de CE corresponde ao
acidentes com esse tipo de material, como que Casarotto e Mendes (2003) afir-
por exemplo, acidentes com agulha e maram acerca das tarefas que exigem
contato com sangue. movimentos de membros superiores e
coluna, levantamento de pesos exces-
Esta afirmação corrobora com os estudos
sivos e permanência na postura em
de Couto, Pedrosa e Nogueira (2003), que
pé por longos períodos de tempos,
identificaram junto aos profissionais da
ocasionam problemas osteomusculares.
saúde o registro de doenças ocupacionais
como a AIDS, Hepatite B, etc. Quando questionados sobre as possíveis
causas que levariam um profissional a
Para CE, os casos mais comuns de doenças