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2 Justiça Pereira Mouta Mendes & Associados

Tulipas e Imobiliário em Portugal


e a sua irracionalidade face ao debacle psicoló- Portugal está a profissionalizar-se cada vez precaução: há já 16 meses consecutivos que
gico. Com esta história queria introduzir um te- mais, aumentou o número de pessoas que os bancos avaliam as casas cada vez mais ca-
ma que há muito preocupa os portugueses: a olham para o incipiente mercado de arren- ro. E neste momento a avaliação das casas
Especulação Imobiliária em Portugal. Desde damento em Lisboa como uma oportunida- para concessão de crédito à habitação está
2015 que os preços das casas em Lisboa já au- de de investimento, as baixas taxas de juro em níveis historicamente elevados. Quando
mentaram 90% e as do Porto 45%. Também estimulam a procura, o “Regime de Residen- toda a gente pensa que está tudo bem, que
o aumento das rendas tem verificado um ritmo te não Habitual” deste governo e os vistos isto é sempre a subir, o desleixo na gestão do
de crescimento considerável. O problema é Gold atraem investimento estrangeiro e re- risco aumenta. O problema aqui são as famí-
que o rendimento dos portugueses não segue formados de toda a Europa para Lisboa. Es- lias e os bancos. Porque os bancos são mui-
esta tendência e muito menos a taxa de infla- te aumento de preços e criação de hotéis e to maus mediadores imobiliários e quando
ção. Então porque é que o preço das casas su- alojamento local no centro de Lisboa e Por- os juros da Euribor subirem é provável que
No início do século XVII as tulipas eram um as famílias fiquem asfixiadas com os seus
biu tanto? Como qualquer bom economista to está a expulsar os portugueses do centro
símbolo de estatuto e de riqueza na Holanda. créditos. Sem esquecer que o crédito ao con-
poderia esclarecer: lei da oferta e da procura, das cidades e a aumentar o número de des-
Com o passar do tempo, banqueiros (extrema- sumo também está a aumentar a bom ritmo.
ou no caso concreto, a falta de oferta e a abun- pejos? Quando estas notícias são contrasta-
mente ricos) começaram a comprar as flores, Quando alguém vai pedir um crédito ao ban-
dância de procura. Se é verdade que os portu- das com informações oficiais, verifica-se que
tornando-as assim um artigo de luxo. De tão gueses veem os seus rendimentos congelados co tem de estar ciente das condições subjacen-
os despejos são uma raridade e a grande
raras e diferentes, foi-se-lhes atribuído um no- há muitos anos, existem muitos estrangeiros tes. No crédito habitação, que normalmente é
maioria das vezes ocorrem devido ao não
me todo pomposo, Semper Augustus, e quan- com posses que têm vindo a descobrir este be- pagamento da renda. Eu acredito que todo o feito a prazos largos os clientes podem optar
do um produto é escasso ou exclusivo, auto- lo lugar à beira-mar plantado. Os portugueses rumor detrás desta suposta gentrificação, por uma taxa de juro fixa. Esta opção é parti-
maticamente o preço dele sobe. Havia Holan- não auferem em média o que aufere um espa- pode ter algum fundamento, mas também cularmente interessante para quem pensa rea-
deses que trocavam todos os seus bens por nhol, alemão, francês ou britânico, contudo está a ser muito exagerado. Não nos pode- lizar um empréstimo a largo prazo e não pen-
apenas um bolbo desta planta. Houve meses verifica-se que o mercado imobiliário em Lis- mos esquecer o bem que o investimento na se realizar amortizações de capital ao longo
em que os valores de um bolbo aumentaram boa e no Porto se internacionalizou. Muitos reabilitação de determinadas zonas de Lis- dos anos. Atualmente teria de pagar mais, mas
mais de 20 vezes! Isto fazia com que os espe- prédios devolutos, foram comprados por em- boa e Porto está a fazer ao nosso turismo, às a longo prazo não correria o risco de sofrer va-
culadores comprassem bolbos da planta e os presas estrangeiras que os estão a restaurar e a nossas cidades, ao nosso país e à nossa au- riações repentinas de valor, o risco seria muito
revendessem a preços exorbitantes. Contudo, modernizar a fim de os colocar no mercado. O toestima como portugueses. Lisboa todos os mais reduzido. Contudo se quisesse amortizar,
um dos principais problemas do mercado de investimento atual é um investimento com anos ganha prémios internacionais, temos o teria de pagar mais que um cliente que tives-
tulipas era a sazonalidade da planta e o tempo conta, peso e medida, pago a pronto por gran- melhor porto de cruzeiros da Europa, a nos- se contratado um crédito habitação a taxa
que ela demorava a florescer. O que os especu- des investidores internacionais e que está a sa gastronomia é elogiada em todas as par- variável. São opções que devem ser bem
ladores inventaram, foi então o contrato de tu- atrair muita gente para Lisboa, entre eles al- tes do Mundo e quem vem a Lisboa, quer pensadas e debatidas antes de se enveredar
lipas, muito semelhante aos atuais “Contratos guns famosos, como Michael Fassbender, Ma- por um crédito habitação. Uma coisa é cer-
voltar… Sou a favor que se regulamentem
de Futuros” negociados na bolsa de valores. donna, Monica Belluci, entre outros. O que ta: este nível de crédito barato não vai durar
todas as situações e que não se perca a iden-
Ao assinar um contrato de tulipas, o compra- para sempre e a população tem de estar
aconteceu, entretanto, foi uma mudança de tidade Lisboeta. Mas a identidade Lisboeta é
dor comprometia-se a adquirir uma tulipa no ciente dessa realidade. O Mercado Imobiliá-
fundamentos do mercado imobiliário, uma ser cosmopolita, pois desde a altura dos Des-
final da temporada por determinado preço. rio tal como o Turismo são os motores atuais
mudança de paradigma. Nos finais dos anos cobrimentos que podemos considerar Lis-
Assim surgiu o primeiro “Mercado de Deriva- da economia portuguesa. Temos que saber
90 havia uma construção desenfreada por to- boa a primeira cidade Global. Nego a exis-
dos” do mundo. Mas no Inverno de 1636-37 estimá-los e aproveitar o melhor que cada
da Lisboa, as pessoas endividavam-se a 100% tência de uma bolha imobiliária em Portugal,
tudo mudou. Um comprador da cidade de um deles tem, mas sempre com conta, peso
ou mais para poder comprar a casa, o com- mas aceito e considero estarem reunidas as
Haarlem não cumpriu o seu contrato de com- e medida e dentro da legalidade, promoven-
prador era maioritariamente português da condições para que existam determinadas
pra de tulipas holandesas e começou então um do um crescimento sustentável que seja be-
classe média e até era possível que tivesse 2 ou mini-bolhas em locais específicos. Acredito
efeito dominó de pânico generalizado. As tuli- néfico para todos e não apenas para alguns.
mais casas; os construtores civis estavam ala- que a partir do verão de 2019, quando os ju-
pas caíram para um centésimo do seu valor e vancados quase também a 100%, o arrenda- ros da Euribor começarem a subir, os preços
imensos contratos deixaram de ser honrados. Iolanda Mendes, advogada
mento de casas para habitação era residual ou estabilizem e até é possível que ocorram pe-
Então os compradores desapareceram e o inexistente e também não havia o arrenda- quenas correções, mas nunca as descidas
caos da bolha financeira das tulipas foi tal que mento local. Atualmente o paradigma é outro: observadas na altura da crise. Enquanto es-
o Governo teve de intervir. A intervenção só mais de 25% das casas são compradas por es- tes fundamentos se mantiverem, e não hou-
fez escalar o problema. A primeira bolha do trangeiros, muitas das casas são compradas ver uma subida dramática da oferta, estes se-
mercado financeiro originou uma grave reces- para investimento em arrendamento local e rão os preços da Habitação em Lisboa e no
são económica que levou muitos anos a ser su- muitos dos prédios devolutos são comprados Porto. O mercado atual não se pode compa-
perada. Desde o século XVII até aos nossos para restaurar e transformar em hotéis e hos- rar com a “Mania das Tulipas” do século
dias muita coisa mudou, apesar disso ainda en- téis; não se vê construção desenfreada por Lis- XVII. Não há ninguém que tenha vendido tu-
contramos muitos paralelismos com a primei- boa, o número de novas construções é resi- do para comprar uma casa ou que se tenha Rua General Firmino Miguel, n.º 3, 4.º B,
ra grande bolha especulativa do Mundo e a úl- dual, a grande maioria das transações de casas endividado a mais de 100%, os bancos aper- Torre II das Laranjeiras
1600-100 LISBOA
tima grande bolha que originou a Grande Re- são em segunda mão, as casas muitas vezes taram as condições de acesso ao crédito, há
cessão. O que não mudou foi a forma de agir são compradas a pronto e poucos são os cré- muito investimento estrangeiro nessas casas Tel: 217160319 • Tlm: 913119772
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