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ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO 28/07/2017

REVISÃO DE VÉSPERA1

Sumário
DIREITO CONSTITUCIONAL .............................................................................................................................. 3
 CONCEITO DE CONSTITUIÇÃO .................................................................................................................. 3
 CONSTITUCIONALISMO ..................................................................................................................... 6
 CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES............................................................................................... 9
 ESTRUTURA DAS CONSTITUIÇÕES .................................................................................................. 13
 ELEMENTOS DA CONSTITUIÇÃO ...................................................................................................... 14
 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS ....................................................................... 15
 APLICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO............................................................. 16
 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL................................................................................................. 19
 PODER CONSTITUINTE..................................................................................................................... 22
 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS .......................................................................................................... 23
 DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS ........................................................................... 23
 DIREITOS SOCIAIS ............................................................................................................................ 27
 NACIONALIDADE E DIREITOS POLÍTICOS ........................................................................................ 28
 ORGANIZAÇÃO DO ESTADO ............................................................................................................. 32
 INTERVENÇÃO .................................................................................................................................. 39
 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA .............................................................................................................. 42
DIREITO ADMINISTRATIVO ............................................................................................................................ 44
 CONCEITO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.............................................................................................. 44
 REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO:............................................................................................. 46
 ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO .............................................................................................. 55
 ATO ADMINISTRATIVO .................................................................................................................... 64
 PODERES ADMINISTRATIVOS.......................................................................................................... 72
 PROCESSO ADMINISTRATIVO – LEI 9.784/99.................................................................................. 77
 LICITAÇÃO ........................................................................................................................................ 79
 RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO .......................................................................................... 85

1
Esse material ainda está em produção. Caso o tema não seja encontrado aqui, o aluno deve conferir o Revisão de
Véspera I ou II.

1
 INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE PRIVADA ............................................................... 90
DIREITO CIVIL .................................................................................................................................................. 94
 LINDB ............................................................................................................................................... 94
 DAS PESSOAS ................................................................................................................................... 97
 BENS ............................................................................................................................................... 106
 FATO JURÍDICO .............................................................................................................................. 109
 PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA.......................................................................................................... 117
 BENS ............................................................................................................................................... 121
 RESPONSABILIDADE CIVIL ............................................................................................................. 123
 POSSE ............................................................................................................................................. 130
 DIREITO REAL NA COISA ALHEIA ................................................................................................... 134
DIREITO EMPRESARIAL ................................................................................................................................... 137
 TEORIA DA EMPRESA..................................................................................................................... 137
 NOME EMPRESARIAL..................................................................................................................... 141
DIREITO DO CONSUMIDOR.............................................................................................................................. 142
 CONCEITOS ..................................................................................................................................... 143
 RELAÇÃO DE CONSUMO ................................................................................................................ 143
 DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR........................................................................................... 147
 RESPONSABILIDADE CIVIL ............................................................................................................. 149
 SERVIÇOS PÚBLICOS ...................................................................................................................... 155
 PRAZOS .......................................................................................................................................... 156
 PRESCRIÇÃO ................................................................................................................................... 157
 DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA.................................................................... 158
 OFERTA E PUBLICIDADE ................................................................................................................ 159
 DAS PRÁTICAS ABUSIVAS .............................................................................................................. 161
 ORÇAMENTO .................................................................................................................................. 162
 BANCO DE DADOS E CADASTRO DE CONSUMIDORES .................................................................. 163
 PROTEÇÃO CONTRATUAL PRINCÍPIO DA INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONSUMIDOR
166
 DIREITO DE ARREPENDIMENTO .................................................................................................... 167
 GARANTIA CONTRATUAL E LEGAL ................................................................................................ 168
 CLÁUSULAS ABUSIVAS .................................................................................................................. 168
 CREDITO ......................................................................................................................................... 171
 CLÁUSULA DE DECAIMENTO.......................................................................................................... 172

2
 CONTRATOS DE ADESÃO ............................................................................................................... 173
DIREITO PENAL ............................................................................................................................................... 173
 CRIMES CONTRA A PESSOA ........................................................................................................... 174
DIREITO PROCESSUAL PENAL ......................................................................................................................... 184
 INQUÉRITO POLICIAL ..................................................................................................................... 184

DIREITO CONSTITUCIONAL

 CONCEITO DE CONSTITUIÇÃO
A Constituição é a lei fundamental e suprema de um Estado, criada pela vontade soberana do povo. É ela
que determina a organização político-jurídica do Estado, dispondo sobre a sua forma, os órgãos que o
integram e as competências destes e, finalmente, a aquisição e o exercício do poder. Cabe também a ela
estabelecer as limitações ao poder do Estado e enumerar os direitos e garantias fundamentais.
- Constituição Ideal (preceito preconizado por J. J. Canotilho):
Trata-se de constituição de caráter liberal, que apresenta os seguintes elementos:
a) Deve ser escrita;
b) Deve conter um sistema de direitos fundamentais individuais (liberdades negativas);
c) Deve conter a definição e o reconhecimento do princípio da separação dos poderes;
d) Deve adotar um sistema democrático formal.

Todos esses elementos estão intrinsecamente relacionados à limitação do poder coercitivo do Estado.

A doutrina não é pacífica quanto à definição do conceito de constituição, podendo este ser analisado a
partir de diversas concepções. As mais comuns são as seguintes:
- Constituição em sentido sociológico (Ferdinand Lassalle) – “SO LA”: a Constituição é um fato social, e
não uma norma jurídica. A Constituição real e efetiva de um Estado consiste na soma dos fatores reais de
poder que vigoram na sociedade.

SENTIDO SOCIOLÓGICO

3
Constituição = fato social
Constituição é a soma dos fatores reais de poder
Exponente: FERDINAND LASSALE
Se o texto constitucional não corresponder aos fatores reais de poder = mera
folha de papel
Obra: “O que é uma Constituição?”

- Constituição em sentido político (Carl Schmitt) – “POn Sch”: a Constituição é uma decisão política
fundamental que visa estruturar e organizar os elementos essenciais do Estado. As normas
materialmente constitucionais (estruturam e organizam os elementos essenciais do Estado)
correspondem àquilo que Carl Schmitt denominou “Constituição”. Por sua vez, normas formalmente
constitucionais são o que o autor chamou de “leis constitucionais”.
SENTIDO POLÍTICO
Constituição é uma decisão política fundamental
A decisão política fundamental estrutura e organiza os elementos essenciais do
Estado
A validade da Constituição se apoia na decisão política que lhe dá existência
É uma teoria decisionista ou voluntarista, pois a Constituição seria fruto de uma
vontade política.
Exponente: CARL SCHMITT
Constituição ≠ Leis Constitucionais
Obra: “A Teoria da Constituição”

- Constituição em sentido jurídico (Hans Kelsen) – “JU KE box”: a Constituição é entendida como norma
jurídica pura, sem qualquer consideração de cunho sociológico, político ou filosófico. Ela é a norma
superior e fundamental do Estado, que organiza e estrutura o poder político, limita a atuação estatal e
estabelece direitos e garantias individuais.
Para Kelsen todas as normas devem retirar seu fundamento de validade da norma hierarquicamente
superior (escalonamento hierárquico das normas), se encontrando no topo da hierarquia, a Constituição.
Mas, de onde a Constituição – que está no topo da pirâmide - retira seu fundamento de validade? Da

4
norma hipotética fundamental! Esta norma não possui um enunciado explícito, consistindo apenas numa
ordem: “Obedeça-se a constituição positiva!”.
Para Kelsen, a compreensão da Constituição parte de dois sentidos: o lógico-jurídico e o jurídico positivo.
SENTIDO JURÍDICO
Constituição vista em perspectiva puramente formal
Constituição = Pura norma jurídica
Na Constituição não há que se buscar qualquer juízo de valor
Norma superior e fundamental do Estado, que orienta todo o ordenamento
jurídico.
Exponente: HANS KELSEN
Obra: “Teoria Pura do Direito”
SENTIDO LÓGICO JURÍDICO SENTIDO JURÍDICO POSITIVO
A Constituição é norma fundamental A Constituição é a norma positiva
hipotética, cuja função é servir de suprema, que orienta a formação de
fundamento lógico transcendental para todas as outras normas. É documento
validade da Constituição em sentido solene.
jurídico-positivo. Comando: “Obedeça-
se à Constituição positiva”.

- Constituição em sentido cultural (Meirelles Teixeira) – o direito é entendido como objeto cultural, já que
não é objeto real, ideal, nem valor. Dessa análise chega-se ao conceito de Constituição Total, que é
influenciada pela cultura do povo, mas também influencia a própria cultural (é uma via dupla). Essa
constituição abrange todos os aspectos da vida da sociedade e do Estado, sendo uma combinação de
todas as concepções anteriores – sociológica, política e jurídica!

#INDOALÉM: Constituição.com (Uadi Lammego Bulos) é aquela cujo projeto conta com a opinião maciça
dos usuários da internet. Foi a Islândia que pioneiramente fez um projeto desse tipo em 2011.

5
 CONSTITUCIONALISMO
- Conceito: Para Canotilho é uma “teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado
indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma
comunidade”.
É uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos.
#INDOALÉM:
Para Prof. André Ramos Tavares, o termo “constitucionalismo” é empregado com 4 (quatro)
diferentes sentidos:
Movimento político-social.
Imposição de que os Estados adotem cartas constitucionais escritas.
Indica a função e a posição das constituições nas diversas sociedades.
Refere-se à evolução histórico-constitucional de um determinado Estado.

- Constitucionalismo Antigo: A origem do constitucionalismo remonta à antiguidade clássica,


especificamente ao povo hebreu (regime teocrático), do qual partiram as primeiras manifestações desse
movimento constitucional em busca de uma organização política fundada na limitação do poder
absoluto.
Destaque também para:
 As cidades-estados gregas.
 A Carta Magna Inglesa, na Idade Média.
 Petition of Rights (1628), Habeas Corpus Act (1679) e o Bill of Rights (1689) – como necessidade de
limitar e controlar o poder político.

Percebe-se que o conceito de constitucionalismo está ligado, em um primeiro momento, à necessidade


de se limitar e controlar o poder político.

- Constitucionalismo moderno: são marcos do constitucionalismo moderno a Constituição dos Estados


Unidos da América (1787) e a Constituição da França (1791). Para a maioria da doutrina, a Constituição só
pode ser chamada efetivamente de Constituição no constitucionalismo moderno, pois foi nesse período
que o povo realmente passou a legitimar a Constituição e a exigir um rol de garantias perante do Estado.

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CONSTITUCIONALISMO NA CONSTITUCIONALISMO NA CONSTITUCIONALISMO
IDADE ANTIGA IDADE MÉDIA MODERNO
Manifestado pela civilização Marcado pela Magna Carta Marcado pela Revolução
hebraica (teocentrismo). de 1215. Francesa e pela
Independência dos EUA.
Civilização Grega, com
participação popular na vida
política.

- Neoconstitucionalismo ou Constitucionalismo Contemporâneo: caracteriza-se pela mudança de


paradigma, de Estado Legislativo de Direito para Estado Constitucional de Direito, em que a Constituição
passa a ocupar o centro de todo o sistema jurídico.
- Marco: Pós 2ª Guerra Mundial, como reação às atrocidades cometidas pelo nazismo, com fundamento
no positivismo jurídico.
- As constituições do pós-guerra promoveram inovações por meio da incorporação explícita, em seus
textos, de anseios políticos, como a redução de desigualdades sociais, e de valores como a promoção da
dignidade humana e dos direitos fundamentais.
- No neoconstitucionalismo prevalece o pós-positivismo, estando o direito intimamente relacionado a
valores como ética, moral e justiça.
- Marcado pela ideia de justiça social, equidade e emprego de valores morais, despregando-se do
positivismo extremado, despido de valor.
- O foco agora reside na Constituição, que deixa de ser uma carta de intenções para se revestir em
verdadeira norma jurídica, buscando-se concretizar o ordenamento de acordo com a Constituição.
- Consagra a força normativa da Constituição.
- Os princípios assumem caráter normativo em igualdade com as regras.
- Os direitos fundamentais e os princípios constitucionais irradiam-se, orientando a forma de se
interpretar todo o ordenamento.

 JUSNATURALISMO/JUSPOSITIVISMO/PÓS-POSITIVISMO

JUSNATURALISMO

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O direito é uno, imutável, inato, independe da vontade humana e da vontade estatal.
Para os jusnaturalistas, há um direito anterior ao direito positivo (escrito), que é resultado da
própria natureza (razão) humana: trata-se do chamado direito natural.
Apresenta duas principais escolas: Escola Tomista e a Escola do Direito Natural e das Gentes.

- A doutrina jusnaturalista, inspirada no pensamento de Santo Tomás de Aquino, reconhecia a


existência de duas ordens distintas - uma formada pelo direito natural, como expressão da natureza
racional do homem; a outra, pelo direito positivo - sustentando, outrossim, que a desobediência ao
direito natural por parte dos governantes poderia ensejar o exercício do direito de resistência dos
súditos oprimidos. Nela, o Poder Constituinte Originário seria limitado pelo direito natural.

POSITIVISMO
Direito e moral são coisas distintas.
O direito é aquele criado pelo Estado, independente de qualquer conteúdo de valor.
Por distanciar a moral e o direito acabou por legitimar as atrocidades cometidas pelo regime
nazista.
No Brasil, a teoria positivista é utilizada para afirmar que o Poder Constituinte Originário é
juridicamente ilimitado (não está materialmente limitado por qualquer norma).
Contribuiu para a estabilidade do Direito e supremacia da lei.

PÓS POSITIVISMO
Marco filosófico do constitucionalismo moderno.
É um aperfeiçoamento do positivismo.
Entende que direito e moral não estão totalmente desvinculados.
Princípios como a dignidade da pessoa humana devem reger a criação e aplicação das normas.
Marco principal: Constituição Alemã de 1949
Os jusnaturalismo e o positivismo na verdade se complementam. Soma-se a estabilidade do
positivismo com a base moral jusnaturalista.

Constitucionalização Simbólica

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- A constitucionalização simbólica é um fenômeno caracterizado pelo fato de que, na atividade
legiferante (atividade de elaboração das leis e das Constituições), há o predomínio da função simbólica
(funções ideológicas, morais e culturais) sobre a função jurídico-instrumental (força normativa).
- É um fenômeno que aponta para a existência de um déficit de concretização das normas
constitucionais, resultado da maior importância dada ao simbolismo do que à efetivação da norma.
Desse modo, a constitucionalização simbólica seria definida em dois sentidos:
a) sentido negativo: o texto constitucional, de forma generalizada, não seria suficientemente
concretizado normativo- juridicamente.
b) sentido positivo: a atividade constituinte e a linguagem constitucional desempenhariam relevante
papel político-ideológico, servindo para encobrir problemas sociais e obstruindo as transformações
efetivas da sociedade.
- O conteúdo da legislação simbólica poderia ter as seguintes funções:
a) confirmar valores sociais;
b) Demonstrar a capacidade de ação do Estado (assegurar confiança no sistema jurídico e político);
c) Aditamento da solução de conflitos através de compromissos dilatórios.

 CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES


A depender das suas características, as Constituições recebem pela doutrina diferentes classificações:
Quanto à origem:
 Outorgadas ou impostas: não há participação popular na sua elaboração. É fruto da vontade
individual do detentor do poder estatal.
 Promulgada: há participação popular, que pode ser de forma direta (plebiscito ou referendo) ou
indireta (o povo escolhe os responsáveis pela elaboração da Constituição).
 Cesarista: há uma aparente participação da população, que apenas referenda/ratifica a vontade do
detentor do poder.

Quanto à forma:
 Escritas: há documento solene onde o texto constitucional está formalizado.
 Não escritas: não há um documento solene que consagre a Constituição. Ao contrário, as normas são
esparsas, estão em leis, costumes, jurisprudências e convenções. (OBS.: O fato de uma Constituição
ser do tipo não escrita não quer dizer que não haja normas escritas!).

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Quanto ao modo de elaboração:
 Dogmáticas: resultam da consagração de dogmas e ideais existentes no momento da elaboração do
texto constitucional, por isso acabam por exprimir os anseios ocasionais de uma sociedade. São
sempre escritas. Podem ser ortodoxas (refletem uma única ideologia) ou ecléticas (refletem um
pluralismo ideológico).
 Históricas: consagram valores que se fortaleceram ao longo dos anos. É fruto de uma lenta formação
histórica.

Quanto ao conteúdo:
 Material: o que interessa para uma norma ser constitucional é o seu conteúdo, independentemente
do processo de formação pelo qual aquela norma passou. São as normas que contêm assuntos
essenciais à organização e ao funcionamento do Estado.
 Formal: são constitucionais as normas que integram uma constituição escrita, independentemente
do seu conteúdo. Ou seja, basta que a norma esteja integrada ao texto constitucional para ser tida
como norma constitucional. Observe-se que o que interessa é o processo de formação da norma,
que é sempre mais rígido do que para as demais normas.

Quanto à estabilidade:
 Imutável: não admite alterações no texto constitucional.
 Rígida: o processo de elaboração das normas constitucionais é mais rígido do que para as demais
normas.
 Semirrígida: há normas constitucionais que exigem um procedimento mais rígido e rigoroso,
enquanto outras exigem um procedimento mais simples.
 Flexível: todo o texto constitucional pode ser alterado pelo mesmo procedimento aplicado às demais
normas do ordenamento.

Quanto à correspondência com a realidade (classificação de Karl Loewenstein) ou critério ontológico2:


 Normativa: o texto da Constituição corresponde à realidade social e política.

2
Não há consenso sobre em qual classificação a Constituição brasileira se enquadra. A doutrina se divide em nominalista
e normativa. A maioria entende que nossa constituição é do tipo normativa, vez que, no plano político há
correspondência entre o texto constitucional e a realidade fática.

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 Nominativa: corresponde à Constituição que, embora tente regular a vida política, essa
regulamentação não se concretiza na realidade.
 Semântica: nesse tipo de Constituição a intenção é de apenas fundamentar, dar legitimidade a um
poder político vigente. Ou seja, não há a intenção de regulamentar a vida política do Estado, mas
apenas conferir legitimidade formal aos detentores do poder.

Quanto à extensão:
 Sintética: o texto constitucional é enxuto e breve. Versa, basicamente, sobre as normas gerais de
organização e funcionamento do sistema jurídico estatal.
 Analítica: a Constituição apresenta um conteúdo extenso, que abarca temas que vão além da
organização de um Estado, versando sobre diversas áreas.

Quanto à finalidade:
 Garantia: a Constituição garantia é aquela que busca salvaguardar os direitos já conquistados,
impedindo a atuação ilimitada do Estado. Ou seja, o texto constitucional busca garantir a liberdade,
limitando o poder.
 Balanço: a intenção é registrar um estágio das relações de poder, e à medida que as relações se
modificam, uma nova constituição é elaborada para que possa acompanhar esse novo estágio de
organização política.
 Dirigente (Programática): nesse tipo de Constituição a intenção é a de não apenas legitimar direito e
garantias, limitando o poder estatal, mas também traçar metas, objetivos e programas a serem
perseguidos pelo Estado. É uma Constituição que olha para frente, que busca novos horizontes.

Quanto à sistematização:
 Codificadas: corresponde à Constituição que reúne as suas normas em um único documento.
 Legais: o texto constitucional é integrado por documentos diversos, fisicamente distintos.

Quanto ao sistema:
 Principiológica: os princpipios ganham relevo, preponderam.
 Preceitual: dá primazia às regras. Contém normas com alto grau de precisão e especificidade.

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Quanto ao local da decretação:
 Heteroconstituição: o documento constitucional é feito fora do Estado onde suas normas
produzirão efeitos e será aplicada.
 Autoconstituição: a Constituição é elaborada dentro do próprio Estado onde será aplicada.

OBSERVAÇÕES ACERCA DAS CLASSIFICAÇÕES DA CONSTITUIÇÃO


- Constituição, em sua acepção formal, corresponde ao documento solene que disciplina as normas
superiores elaboradas por um processo constituinte específico, sendo as normas integrantes da
Constituição Federal de 1988 (CF) caracterizadas como formalmente OU materialmente constitucionais
– Todas as normas da CF são formalmente constitucionais, mas nem todas são materialmente
constitucionais.
- Constituição não escrita é aquela que não é reunida em um documento único e solene, sendo
composta de costumes, jurisprudência e instrumentos escritos e dispersos, inclusive no tempo.
- As constituições históricas são juridicamente flexíveis, pois podem ser modificadas pelo legislador
ordinário, mas, normalmente, são política e socialmente rígidas. Raramente são modificadas, pois são
frutos de um lento amadurecimento.
- Em relação ao conteúdo, a CF/88 é do tipo formal, enquanto, no que se refere à extensão, é analítica.
- A doutrina denomina constituição semântica as cartas políticas que apenas refletem as subjacentes
relações de poder, correspondendo a meros simulacros de constituição.
- Segundo classificação ontológica de Karl Loewenstein, as constituições podem ser divididas em
normativas, nominais ou semânticas, conforme o grau de correspondência entre a pretensão normativa
dos seus preceitos e a realidade do processo de poder.
- A Constituição semântica é aquela que tem como objetivo apenas a formalizar a situação existente do
poder político, em benefício dos seus detentores.
- Quanto à ideologia, a CF é classificada pela doutrina como heterodoxa.

CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988


Promulgada
Escrita

12
Dogmática
Formal
Rígida
Normativa*
Analítica
Dirigente
Codificada
Principiológica
Autoconstituição
*Há divergência doutrinária.

 ESTRUTURA DAS CONSTITUIÇÕES


- As Constituições, de forma geral, dividem-se em três partes: preâmbulo, parte dogmática e disposições
transitórias.
PREÂMBULO
Define as intenções do legislador
Orienta a interpretação que deve se dar às normas
Sintetiza a ideologia do poder constituinte originário
STF: não é norma constitucional, logo não serve como parâmetro para controle de
constitucionalidade, nem estabelece limites para o Poder Constituinte Derivado.

Não dispõe de força normativa, não tendo caráter vinculante.

PARTE DOGMÁTICA
Corpo permanente (sujeito a alteração por meio das emendas constitucionais)
Texto constitucional propriamente dito
CF/88 – ART. 1 ao 250

DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS
Busca integrar a ordem jurídica antiga à nova
Suas normas são formalmente constitucionais

13
É paradigma para o controle de constitucionalidade

 ELEMENTOS DA CONSTITUIÇÃO
- Embora as Constituições formem um todo sistematizado, suas normas estão agrupadas em títulos,
capítulos e seções, com conteúdo, origem e finalidade diferentes. Diz-se, por isso, que a Constituição tem
caráter polifacético, ou seja, que possui “muitas faces”. Segundo José Afonso da Silva, temos cinco
categorias:
a) Elementos orgânicos: regulam a estrutura do Estado e dos Poderes.
b) Elementos limitativos: instituem o rol dos direitos e garantias fundamentais, limitando a
ingerência estatal.
c) Elementos sócio ideológicos: evidenciam o compromisso social do Estado com a sociedade.
d) Elementos de estabilização constitucional: buscam assegurar a solução de conflitos
constitucionais, defender a Constituição e o Estado.
e) Elementos formais de aplicabilidade: estabelecem regras de aplicação das normas
constitucionais.

Pirâmide de Kelsen
PRECEITOS ACERCA DO ESCALONAMENTO HIERÁRQUICO DAS NORMAS:
Não existe hierarquia entre normas constitucionais originárias.
Não existe hierarquia entre normas constitucionais originárias e normas constitucionais
derivadas
Normas constitucionais originárias não podem ser declaradas inconstitucionais, mas as
derivadas podem. MAS NÃO HÁ HIERARQUIA ENTRE ELAS!
#SELIGA: A tese de Otto Bachof, “Normas constitucionais inconstitucionais”, não foi adotada
no Brasil, já que não há normas constitucionais originárias inconstitucionais.
As normas federais, estaduais, distritais e municipais possuem o mesmo grau hierárquico.
As leis complementares, apesar de serem aprovadas por um procedimento mais dificultoso,
têm o mesmo nível hierárquico das leis ordinárias.
As leis complementares podem tratar de tema reservado às leis ordinárias, mas recíproca não é
verdadeira.

14
As leis ordinárias não podem tratar de tema reservado às leis complementares
Os regimentos dos tribunais do Poder Judiciário são considerados normas primárias,
equiparados hierarquicamente às leis ordinárias.
Os regimentos das Casas Legislativas (Senado e Câmara dos Deputados) são considerados
normas primárias.
Os tratados e convenções internacionais de direitos humanos aprovados em cada Casa do
Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal), em dois turnos, por três
quintos dos votos dos respectivos membros, são equivalentes às emendas constitucionais =
formam o chamado Bloco de Constitucionalidade.
Não há hierarquia entre lei complementar e decreto autônomo, quando este for
validamente editado.

As medidas provisórias têm o mesmo “status” das leis ordinárias.

 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS


- Não há norma constitucional destituída de eficácia, pois todas elas são possuidoras de ao menos dois
efeitos negativos:
a) efeito paralisante: capacidade que toda norma constitucional tem de impedir a recepção das normas
anteriores à sua vigência que com ela não guardem compatibilidade;
b) efeito impeditivo: capacidade que toda norma constitucional possui de vedar, ainda que
implicitamente, ao legislador ordinário a edição de normas que a contrariem.
15
- Classificação de José Afonso da Silva:
a) Norma de eficácia plena: tem aplicabilidade direta, imediata e integral. Não precisam de complemento.
b) Norma de eficácia contida: tem aplicabilidade direta, imediata, mas possivelmente não integral.

AS RESTRIÇÕES ÀS NORMAS DE EFICÁCIA CONTIDA PODERÃO SER IMPOSTAS:


Por lei;
Por outras normas constitucionais;
Por conceitos ético-jurídicos.

#SELIGANOSTF: a lei não pode restringir excessivamente os efeitos da norma constitucional a ponto de
ferir seu “núcleo essencial”.
c) Norma de eficácia limitada: tem aplicabilidade mediata, indireta e reduzida.
c.1) eficácia limitada quanto a Princípios Institutivos: dependem de lei para estruturar e organizar as
atribuições de instituições, pessoas e órgãos previstos na Constituição.
c.2) eficácia limitada declaratória de Princípios Programáticos: são aquelas que estabelecem programas a
serem desenvolvidos pelo legislador infraconstitucional.

Obs.: as normas de eficácia limitada geram ainda o efeito vinculativo, que nada mais é do que a obrigação
de que o legislador ordinário edite leis regulamentadoras.

#INDOALÉM: Uadi Lammêgo Bulos acrescenta mais uma classificação, tratando do que chama de
Normas de Eficácia Exaurida, que seriam aquelas que já extinguiram a produção de seus efeitos, tendo,
portanto, sua aplicabilidade esgotada.

 APLICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO


São três os efeitos da entrada em vigor de uma nova Constituição:

a) A Constituição anterior é integralmente revogada, inteiramente retirada do mundo jurídico, deixando


de ter vigência e, consequentemente, validade.

No Brasil, não se aceita a tese da desconstitucionalização (que somente ocorrerá quando houver
determinação expressa do Poder Constituinte Originário).

16
b) As normas infraconstitucionais editadas na vigência da Constituição pretérita que forem
materialmente compatíveis com a nova Constituição são por ela recepcionadas. Compatibilidade formal
não é necessária. É importante ressaltar que o “status” da norma recepcionada é definido pela nova
Constituição. Ex.: Com o advento da CF/88, o CTN manteve seu “status” de lei complementar (apesar de
ter sido editado como lei ordinária). Pode também a nova Constituição determinar, expressamente, a
continuidade de dispositivos daquela que lhe precedeu. E também pode ser parcialmente recepcionada. -
As normas jurídicas anteriores à CF devem respeitar a supremacia material da constituição atualmente
vigente, sob pena de não serem recepcionadas.
c) As normas infraconstitucionais editadas na vigência da Constituição pretérita que forem
materialmente incompatíveis com a nova Constituição são por ela revogadas. Essa revogação é tácita e
automática.

No Brasil não se reconhece a inconstitucionalidade superveniente (Para o STF o controle de


constitucionalidade somente é cabível quando uma norma é contemporânea à Constituição). O direito
pré-constitucional incompatível será, revogado.

#INDOALÉM:
- O fenômeno da repristinação: A repristinação consiste na possibilidade de “ressuscitar” normas que já
haviam sido revogadas. Mas somente existe a possibilidade de repristinação expressa (jamais de
repristinação tácita!). No Brasil, em regra, só ocorre recepção de dispositivos legais que estejam em vigor
no momento da promulgação da nova Constituição.

- Emendas Constitucionais: o princípio da recepção também se aplica no caso de emenda constitucional.


Assim, o que se dá, no caso de edição de emenda constitucional, é a revogação do direito ordinário
anterior, se com ela desconforme, ou a manutenção de sua validade, caso ele seja com ela compatível.
Por outro lado, as normas infraconstitucionais editadas após uma emenda constitucional e que com ela
sejam incompatíveis, poderão ser declaradas inconstitucionais.

- Recepção x “Vacatio legis”: Nem sempre as leis entram em vigor na data de sua publicação. É bem
comum que haja um período de “vacatio legis”, no qual a lei está vacante, não podendo ser aplicada. Isso
existe para evitar a surpresa, permitindo que os cidadãos e os Poder Público se adaptem às novas regras.

17
Mas o que ocorre quando uma Constituição é promulgada e, nessa data, existe uma lei em período de
“vacatio legis”? A doutrina considera que a lei vacante não será recepcionada pela nova ordem
constitucional.

A recepção somente se aplica às normas que estejam em vigor no momento da promulgação da


Constituição. Como a lei ainda não está em vigor, por estar em seu período de “vacatio legis”, ela não
será recepcionada.

- Direito pré-constitucional inconstitucional em face da Constituição pretérita: uma lei editada em 1980
poderá ser considerada inconstitucional perante a Constituição de 1967, mas materialmente compatível
com a Constituição de 1988. A Constituição de 1988 poderá, então, recepcioná-la? Não! A lei de 1980 já
nasceu inválida porque incompatível com a Constituição da época. Assim, não poderá ser recepcionada
pela nova Constituição. Com efeito, um dos requisitos essenciais para que uma norma seja recepcionada
é que ela seja válida perante a Constituição de sua época (Constituição pretérita).

- O Poder Constituinte Originário é ilimitado e pode, inclusive, fazer alterações na repartição de


competências da federação. Ex.: um tema “X” seja competência da União face à Constituição pretérita. A
União, por consequência, edita uma lei regulando o assunto. Com o advento da nova Constituição, o
tema “X” passa a ser da competência dos Estados. Essa lei será, então, recepcionada pela nova
Constituição, desde que com ela materialmente compatível, como se tivesse sido editada pelo ente
competente para tratar da matéria. A lei federal será recepcionada, portanto, como lei estadual.

- A recepção somente será possível se houver alteração de competência de um ente de maior grau para
um ente de menor grau. Exemplo: uma lei federal vigente sob a égide da Constituição pregressa poderá
ser recepcionada como estadual pela nova Carta, se esta estabelecer que os Estados são competentes
para disciplinar a matéria. Já a lei estadual não será recepcionada como lei federal após a entrada em
vigor da nova Constituição.

- A recepção de normas constitucionais pretéritas com status de lei infraconstitucional é o que a doutrina
chama de desconstitucionalização, que somente ocorre se houver previsão expressa.

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 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL
- Como regra, cabe ao Poder Judiciário realizar a interpretação das normas, mas o Poder Legislativo, por
exemplo, também o faz por meio da interpretação autêntica.
- Tanto as regras quanto os princípios podem ser formuladas por meio das expressões deontológicas
básicas do dever, da permissão e da proibição.
- Para se interpretar a constituição podemos fazer uso de dois meios:
a) Princípios: direcionam de forma geral, guiando o intérprete, para depois se usar o método. Os diversos
princípios podem ser usados em conjuntos
b) Métodos: é a forma como será promovida a interpretação. Podem ser usados conjuntamente.

MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO
Método jurídico ou hermenêutico clássico: A Constituição deve ser encarada como lei, logo, usam-se
todos os métodos tradicionais que são utilizados na tarefa interpretativa. Por ex.: método gramatical,
lógico, teleológico, histórico.
Método tópico-problemático: O intérprete parte de um problema concreto para chegar à norma. Tenta-
se adequar a norma ao problema.
Método hermenêutico-concretizador: Prevalência/primazia do texto constitucional sobre o problema.
Valoriza a atividade interpretativa e as circunstâncias nas quais esta se desenvolve, promovendo uma
relação entre texto e contexto, transformando a interpretação em “movimento de ir e vir” (círculo
hermenêutico).
Método científico-espiritual: Não se fixa na literalidade da norma, mas parte da realidade social e dos
valores subjacentes do texto da Constituição.
Método normativo-estruturante: A norma seria o resultado da interpretação do texto aliado ao
contexto. Inexistência de identidade entre norma jurídica e texto normativo. O teor literal da norma, que
será considerado pelo intérprete, deve ser analisado conforme a concretização da norma em sua
realidade social. Em outras palavras, a norma constitucional só diz o início (conhecido como a “ponta do
iceberg”) e o intérprete deve alcançar todo o sentido da norma. Analisa-se a norma tentando interpretar
a sua função como estruturadora do Estado.
Método comparativo constitucional: O intérprete compara a Constituição de seu país com as
Constituições estrangeiras.

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PRINCÍPIOS
Unidade Constitucional – as normas constitucionais formam um corpo único, harmônico e integrado.
Concordância prática/harmonização – o intérprete deve ponderar os valores de modo a otimizar o
resultado da interpretação.
Força Normativa da Constituição – deve interpretar as normas constitucionais de forma a garantir a
máxima efetividade e permanência da Lei Fundamental.
Efeito integrador/Eficácia Integradora – deve-se realizar e priorizar uma interpretação que realize uma
integração política e social e o reforço da unidade política
Justeza/Conformidade Funcional – o resultado da interpretação não pode implicar em um resultado que
subverta ou perturbe o esquema organizatório previsto pelo legislador.
Máxima efetividade das normas constitucionais – é considerado como subprincípio da Força Normativa
da Constituição, de forma a estimular uma interpretação que torne as normas mais densas, fortalecidas e
eficazes.
Presunção de constitucionalidade das leis (iuris tantum – relativa) – presume-se a constitucionalidade das
leis, embora essa presunção seja relativa, cabendo prova em contrário.
Interpretação Conforme a Constituição – presume-se que a lei é constitucional, mas quando restar
dúvidas, deve-se interpretá-la de forma que seu conteúdo seja compatível com a Lei Fundamental. Ou
seja, prioriza-se o “salvamento” da lei. Se pudermos dar uma interpretação que a torna compatível com
a Constituição, essa interpretação deve prevalecer.
Razoabilidade/Proporcionalidade – ao se ponderar valores deve-se buscar o melhor resultado possível,
ponderando-se os benefícios com os malefícios (os benefícios da ponderação devem ser superiores aos
malefícios causados).

CONFLITO ENTRE
- Regras: lógica do tudo ou nada.
Princípios: lógica da ponderação

#INDOALÉM: DERROTABILIDADE DAS NORMAS: A derrotabilidade da norma jurídica significa a


possibilidade, no caso concreto, de uma norma ser afastada ou ter sua aplicação negada, sempre que

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uma exceção relevante se apresente, ainda que a norma tenha preenchido seus requisitos necessários e
suficientes para que seja válida e aplicável (Dirley da Cunha Junior).
- Há razoável consenso de que o marco inicial do processo de constitucionalização do direito foi
estabelecido na Alemanha. Ali, sob o regime da Lei Fundamental de 1949 e consagrando desenvolvimentos
doutrinários que já vinham de mais longe, o Tribunal Constitucional Federal assentou que os direitos
fundamentais, além de sua dimensão subjetiva de proteção de situações individuais, desempenham uma
outra função: a de instituir uma ordem objetiva de valores.
- Para Peter Häberle, jurista alemão cujo pensamento doutrinário tem influenciado o direito constitucional
brasileiro, a constituição deve corresponder ao resultado, temporário e historicamente condicionado, de
um processo de interpretação levado adiante na esfera pública por parte dos cidadãos e cidadãs – Teoria
da sociedade aberta dos intérpretes.
- A Constituição aberta é aquela que está apta a captar as mudanças da realidade social, o que permite
com que ela permaneça no tempo sem perder a sua força normativa.
- No método jurídico, defende-se a identidade entre lei e constituição, esta considerada espécie de lei,
devendo, portanto, ser interpretada pelas regras tradicionais de hermenêutica.
- Pela eficácia direta se tem a possibilidade de se extrair uma regra do núcleo essencial do princípio,
permitindo a subsunção.
- Pela eficácia interpretativa entende-se que as normas jurídicas devem ter seu sentido e alcance
determinados de maneira que melhor realize a dignidade humana, que servirá como critério de
ponderação na hipótese de colisão de normas.
- A eficácia negativa, de caráter geral ou particular, paralisa ou neutraliza a incidência de regra jurídica que
seja incompatível com a dignidade humana.
- O princípio de interpretação da CF denominado Harmonização ou concordância prática. De acordo com
esse princípio, os bens jurídicos constitucionalizados deverão coexistir de forma harmônica a fim de evitar
o sacrifício (total) de uns em relação aos outros. Para Uadi Bulos, o principio da concordância prática tem
como meta coordenar, harmonizar e combinar bens constitucionais conflitantes, evitando o sacrifício total
de uns em relação aos outros.
- Segundo o princípio da unidade da constituição, deve-se interpretar a CF em sua globalidade para se
evitar contradições (antinomias). A CF deve ser interpretada de maneira a evitar contradições entre suas
normas, devendo ser considerada como um todo. Assim, jamais deve o intérprete isolar uma norma do
conjunto em que ela está inserida.

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- Uma das características da hermenêutica constitucional contemporânea é a distinção entre regras e
princípios; segundo Ronald Dworkin, tal distinção é de natureza lógico-argumentativa, pois somente pode
ser percebida por meio dos usos dos argumentos e razões no âmbito de cada caso concreto. a) Regras =
Lógica do Tudo ou Nada b) Princípios = Lógica da Ponderação.
- Não há um método de interpretação pré-determinado para cada caso concreto.
- Antinomias APARENTES são os conflitos de normas ocorridos durante o processo de interpretação que
podem ser solucionados através da aplicação dos critérios hierárquico, cronológico e da especialidade
para solucionar o conflito.
- Antinomias REAIS são conflitos entre normas que NÃO são resolvidos com a utilização dos referidos
critérios. A solução de uma antinomia real é feita pelo intérprete autêntico, com a utilização da analogia,
dos costumes, dos princípios gerais de Direito e da doutrina, nos termos do art. 4 da Lei de Introdução ao
Código Civil, in verbis: “Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os
costumes e os princípios gerais de Direito”.
- De acordo com o STF, o artigo da CF que assegura a gratuidade nos transportes coletivos urbanos aos
maiores de sessenta e cinco anos de idade constitui norma de eficácia plena e de aplicabilidade imediata.
- Segundo o STF, será revogada a lei que for materialmente incompatível com texto constitucional
promulgado posteriormente a ela. Embora o termo "revogação" não seja mesmo tecnicamente o mais
apropriado, é esse o entendimento do STF: ocorre REVOGAÇÃO.
- De acordo com o entendimento do STF, constitui norma de eficácia restringível o preceito constitucional
que veda a prisão civil por dívida, salvo a do responsável por inadimplemento voluntário e inescusável de
obrigação alimentícia e a do depositário infiel.
- Normas constitucionais supereficazes ou com eficácia absoluta são aquelas que contêm todos os
elementos imprescindíveis para a produção imediata dos efeitos previstos; elas não requerem
normatização subconstitucional subsequente e não podem sofrer restrição nem mesmo por emenda.

 PODER CONSTITUINTE

- Defendido pioneiramente pelo abade Sieyes, em sua obra “O que é o terceiro Estado?”. Para ele, o titular
da soberania era a nação (hoje se fala em povo).

- O poder constituinte pode ser: originário ou derivado. O originário inaugura uma nova ordem jurídica,
fazendo surgir a Constituição. O derivado pode ser decorrente, reformador ou revisor:

a) Decorrente: poder para os Estados formularem suas próprias Constituições. Art. 25 da CF/88. Obs:
Município não exerce esse poder quando elabora sua Lei Orgânica.

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b) Reformador: poder para alterar as normas constitucionais. Se manifesta pelas emendas à constituição.
Art. 60 da CF/88.

c) Revisor: previsto no art. 3º do ADCT. Foi instituído para se manifestar 5 anos após a promulgação da
Constituição Federal. Foram elaboradas 6 emendas de revisão. Esse poder revisor já foi exercido e extinto.

- O poder difuso corresponde à possibilidade de se promover a mutação constitucional (alteração informal


da Constituição).

- O poder constituinte originário pode ser histórico ou revolucionário.

- Poder constituinte supranacional: se manifesta pela criação de uma Constituição única para diversos
Estados.

-PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO PODER CONSTITUINTE DERIVADO


Poder político Poder jurídico
Inicial Derivado
Ilimitado Limitado
Incondicionado Condicionado
Autônomo -
Permanente (latente) -

 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
- Fundamentos da República Federativa do Brasil: soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana,
valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, pluralismo político.

- BRASIL:

FORMA DE ESTADO FEDERAÇÃO


FORMA DE GOVERNO REPÚBLICA
REGIME DE GOVERNO DEMOCRÁTICO
SISTEMA DE GOVERNO PRESIDENCIALISTA

- O art. 2º consagra a Separação dos Poderes, que é cláusula pétrea.

 DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

- 1ª DIMENSÃO (Liberdades Públicas, Civis e Militares) - DIREITOS NEGATIVOS - PRINCÍPIO DA LIBERDADE.


- 2ª DIMENSÃO (Direitos Sociais, Econômicos e Culturais) - DIREITOS POSITIVOS - PRINCÍPIO DA
IGUALDADE.

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- 3ª DIMENSÃO (Direito ao Meio Ambiente, progresso da humanidade, etc.) - DIREITOS DIFUSOS -
PRINCÍPIO DA FRATERNIDADE.
- Alguns autores falam em direito de 4ª geração (direito à democracia) e 5ª geração (direito à paz).
- Características dos direitos fundamentais: historicidade, inalienabilidade, imprescritibilidade,
irrenunciabilidade, universalidade, relatividade ou limitabilidade.
- A imprescritibilidade dos direitos fundamentais vincula-se à sua proteção contra o decurso do tempo.
- As três vertentes da proteção internacional da pessoa humana, a saber, os direitos humanos, o direito
humanitário e o direito dos refugiados, foram consagradas nas conferências mundiais da última década
de 90. Não obstante, a implementação dessas vertentes deve atender às demandas de cada região,
mesmo que não haja sistemas regionais de proteção.
- Os direitos humanos não se esgotam na CF, vão muito além dela, como os tratados internacionais, bem
como os direitos fundamentais garantidos exclusivamente por via das normas ordinárias brasileiras.
- Na luta pelos direitos humanos, há avanços e retrocessos, decorrendo disso a necessidade de o Estado
e a sociedade civil se engajarem para que se realizem ações e políticas públicas que sejam efetivamente
de Estado e não de governo.
- Exceções à inafastabilidade de jurisdição: justiça desportiva e habeas data (exige prévia negativa
administrativa).
- Presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos, Diego García-Sayán, afirmou que o tribunal
não pode alterar sentenças de tribunais nacionais; em caso de violação de algum direito processual,
segundo ele, a corte pode, porém, recomendar a revisão de parte do processo ou estabelecer uma
reparação econômica.
- Os direitos e garantias individuais são cláusula pétrea. Obs.: eles não estão apenas no art. 5º, da CF.
- A anterioridade tributária é cláusula pétrea da Constituição Federal de 1988.
- No conflito entre direito fundamentais usa-se o Princípio da Harmonização.
- É inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações
telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para
fins de investigação criminal ou instrução processual penal.
- STF: As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios podem requisitar diretamente das instituições financeiras informações sobre as
movimentações bancárias dos contribuintes. Esta possibilidade encontra-se prevista no art. 6º da LC
105/2001, que foi considerada constitucional pelo STF. Isso porque esta previsão não se caracteriza como
"quebra" de sigilo bancário, ocorrendo apenas a “transferência de sigilo” dos bancos ao Fisco.

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- STF: Não são nulas as provas obtidas por meio de requisição do Ministério Público de informações
bancárias de titularidade de prefeitura municipal para fins de apurar supostos crimes praticados por
agentes públicos contra a Administração Pública. É lícita a requisição pelo Ministério Público de
informações bancárias de contas de titularidade da Prefeitura Municipal, com o fim de proteger o
patrimônio público, não se podendo falar em quebra ilegal de sigilo bancário. STJ. 5ª Turma. HC 308.493-
CE, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 20/10/2015 (Info 572).
- STJ: nas ações para fornecimento de medicamentos, apesar de a obrigação ser solidária entre
Municípios, Estados e União, caso o autor tenha proposto a ação apenas contra o Estado-membro, não
cabe o chamamento ao processo da União, medida que apenas iria protelar a solução da causa.
- Súmula 629 STF: A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos
associados independe da autorização destes.
- São a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos
Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; b) a obtenção de
certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse
pessoal;
- São gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei: a) o registro civil de nascimento; b) a
certidão de óbito. Também são gratuitos para os reconhecidamente pobres: habilitação, registro e
primeira certidão de casamento civil.
- São gratuitas para qualquer pessoa as ações de "habeas-corpus" e "habeas-data", e, na forma da lei, os
atos necessários ao exercício da cidadania. Também é gratuita para qualquer pessoa a celebração do
casamento civil.
- Habeas Data = só cabe após recusa administrativa. Súmula 2 STJ: Não cabe o habeas data (CF/88, art. 5º,
LXXII, a) se não houve recusa de informações por parte da autoridade administrativa.
- Crimes imprescritíveis e inafiançáveis na CF: racismo e ação de grupos armados, civis ou militares, contra
a ordem constitucional e o Estado Democrático.
- De acordo com a CF/88 os crimes hediondos, o terrorismo, tráfico de drogas e tortura são inafiançáveis,
mas prescritíveis (discute-se se a tortura também não seria imprescritível por previsão em tratados
internacionais).
- STF: Pregar um discurso de que as religiões são desiguais e de que uma é inferior a outra não configura,
por si, o elemento típico do art. 20 da Lei nº 7.716/89. Para haver o crime, seria indispensável que tivesse
ficado demonstrado o especial fim de supressão ou redução da dignidade do diferente, elemento que
confere sentido à discriminação que atua como verbo núcleo do tipo (INFO 849).

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- Nem em sede jurisdicional pode haver censura da liberdade de expressão. A censura é vedada
constitucionalmente em todas as suas formas.
- STF: Para que seja publicada uma biografia NÃO é necessária autorização prévia do indivíduo
biografado, das demais pessoas retratadas, nem de seus familiares. Essa autorização prévia seria uma
forma de censura, não sendo compatível com a liberdade de expressão consagrada pela CF/88. (INFO
789).
- Informativo Nº 767,STF: ... a liberdade de manifestação do pensamento, que representa um dos
fundamentos em que se apoia a própria noção de Estado democrático de direito e que não pode ser
restringida, por isso mesmo, pelo exercício ilegítimo da censura estatal, ainda que praticada em sede
jurisdicional.
- Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros
e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade.
- O STF entende que esses direitos se estendem não apenas aos estrangeiros residentes no país, mas
também àqueles em passagem (ex.: férias), em razão da dignidade da pessoa humana. Da mesma forma,
o STF entende que esses direitos podem ser titularizados também por pessoas jurídicas.
- Toda reunião pacífica, sem armas, em locais abertos ao público, pode ser realizada independentemente
de autorização, desde que não frustre outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local e que
haja aviso prévio à autoridade competente. Esse prévio aviso é fundamental para que a autoridade
administrativa tome as providências necessárias relacionadas ao trânsito, organização, segurança, etc.
Cuidado: O direito a reunião poderá ser restringido na vigência de estado de defesa, podendo ser
suspensa a liberdade de reunião durante o estado de sítio.
- Na hipótese de cancelamento de naturalização por decisão judicial fundada na constatação de
ocorrência de prática de atividade nociva ao interesse nacional, o interessado não pode readquirir
naturalização mediante novo processo de naturalização.
- STF: Se um brasileiro nato que mora nos EUA e possui o green card decidir adquirir a nacionalidade
norte-americana, ele irá perder a nacionalidade brasileira. Não se pode afirmar que a presente situação se
enquadre na exceção prevista na alínea “b” do inciso II do § 4º do art. 12 da CF/88. Isso porque, como ele
já tinha o green card, não havia necessidade de ter adquirido a nacionalidade norte-americana como
condição para permanência ou para o exercício de direitos civis. O estrangeiro titular de green card já
pode morar e trabalhar livremente nos EUA. Dessa forma, conclui-se que a aquisição da cidadania
americana ocorreu por livre e espontânea vontade. Vale ressaltar que, perdendo a nacionalidade, ele

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perde os direitos e garantias inerentes ao brasileiro nato. Assim, se cometer um crime nos EUA e fugir
para o Brasil, poderá ser extraditado sem que isso configure ofensa ao art. 5º, LI, da CF/88. (Info 859).
- A exigência de diploma de curso superior para a prática do jornalismo - o qual, em sua essência,
corresponde ao desenvolvimento profissional das liberdades de expressão e de informação - não está
autorizada pela ordem constitucional, pois constitui uma restrição, um impedimento, uma verdadeira
supressão do pleno, incondicionado e efetivo exercício da liberdade jornalística, expressamente proibido
pelo art. 220, § 1º, da Constituição.
- A obrigatoriedade do visto de advogado para o registro de atos e contratos constitutivos de pessoas
jurídicas não ofende os princípios constitucionais da isonomia e da liberdade associativa.
- A lei 8906/94 art. 1° §2° diz: "os atos e contratos constitutivos de pessoas jurídicas, sob pena de nulidade,
só podem ser admitidos a registro, nos órgãos competentes, quando visados por advogados".
- De acordo com a Declaração dos Princípios Básicos de Justiça Relativos às Vítimas da Criminalidade e de
Abuso de Poder, adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas na sua resolução 40-34, de 29 de
novembro de 1985, em seu considerando A.2, entende-se que uma pessoa pode ser considerada como
"vítima", no quadro da presente Declaração, quer o autor seja ou não identificado, preso, processado ou
declarado culpado, e quaisquer que sejam os laços de parentesco deste com a vítima. O termo "vítima"
inclui também, conforme o caso, a família próxima ou as pessoas a cargo da vítima direta e as pessoas
que tenham sofrido um prejuízo ao intervirem para prestar assistência às vítimas em situação de carência
ou para impedir a vitimização.
- As associações somente podem ser compulsoriamente dissolvidas por meio de decisão judicial
transitada em julgado, considerando a vedação constitucional de interferência do Estado em seu
funcionamento.
STJ: O Poder Judiciário pode condenar universidade pública a adequar seus prédios às normas de
acessibilidade a fim de permitir a sua utilização por pessoas com deficiência (INFO 592).
- O Estado de Coisas Inconstitucional ocorre quando se verifica a existência de um quadro de violação
generalizada e sistêmica de direitos fundamentais, causado pela inércia ou incapacidade reiterada e
persistente das autoridades públicas em modificar a conjuntura, de modo que apenas transformações
estruturais da atuação do Poder Público e a atuação de uma pluralidade de autoridades podem modificar
a situação inconstitucional (Dizer o Direito).

 DIREITOS SOCIAIS
- Princípios aplicáveis: Proibição do Retrocesso, Mínimo Existencial e Reserva do Possível.

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- A reserva do possível não pode ser alegada como impedimento à concretização do mínimo existencial.

- Direito sociais: educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a


segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados.

- Assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em
creches e pré-escolas.

 NACIONALIDADE E DIREITOS POLÍTICOS


- Nacionalidade é vínculo jurídico-político entre o Estado soberano e o indivíduo.
- Elementos do Estado: território, povo e governo soberano.
#ATENÇÃO: povo não se confunde com população. Esta é composta pelo conjunto de pessoas que
habitam o território de um Estado, enquanto povo compõe-se dos seus nacionais, independentemente
do local em que residem.
- O Estado soberano é o único outorgante da nacionalidade.
- Nacionalidade X Cidadania = são conceitos diferentes. A pessoa pode ter nacionalidade brasileira e não
ser cidadão. Cidadão é o indivíduo que está no gozo dos seus direitos políticos. Ex.: criança brasileira é
nacional, mas não é cidadã.

NACIONALIDADE ORGINÁRIA NACIONALIDADE DERIVADA


Resulta de um fato natural, o É aquela que depende de ato de
nascimento. É, portanto, uma forma vontade. Adquirida mediante
involuntária de aquisição de naturalização.
nacionalidade. É atribuída ao indivíduo
em razão de critérios sanguíneos,
territoriais ou mistos.

#ATENÇÃO: Como regra o Brasil adota o jus solis (critério territorial).


- Nacionalidade potestativa: os nascidos no estrangeiro de pai ou mãe brasileiros que venham a residir no
Brasil, e optem, a qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira.
NATURALIZAÇÃO ORDINÁRIA NATURALIZAÇÃO EXTRAORDINÁRIA
Art. 12, II, a Art. 12, II, b
É ato discricionário do Chefe do Uma vez cumpridos os requisitos, é
Executivo direito subjetivo do indivíduo. É ato
vinculado

- Portugueses residentes no Brasil receberão tratamento igual ao de um brasileiro (naturalizado), desde


que preenchidos alguns requisitos:

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a) Residência permanente no Brasil;
b) Deverá haver reciprocidade de tratamento em favor dos brasileiros.

CARGOS PRIVATIVOS DE BRASILEIRO NATO


PRESIDENTE Da República e Vice Presidente
Da Câmara dos Deputados
Do Senado Federal
Ministro do STF
Carreira Diplomática -
Oficial das Forças Armadas
Soment
Ministro de Estado da Defesa
e a
Constituição pode estabelecer diferenças entre brasileiro nato e naturalizado.
- O brasileiro nato pode perder a nacionalidade? SIM, art. 12, §4º, II, a.
- STF: Se um brasileiro nato que mora nos EUA e possui o green card decidir adquirir a nacionalidade
norte-americana, ele irá perder a nacionalidade brasileira. Não se pode afirmar que a presente situação se
enquadre na exceção prevista na alínea “b” do inciso II do § 4º do art. 12 da CF/88. Isso porque, como ele
já tinha o green card, não havia necessidade de ter adquirido a nacionalidade norte-americana como
condição para permanência ou para o exercício de direitos civis. O estrangeiro titular de green card já
pode morar e trabalhar livremente nos EUA. Dessa forma, conclui-se que a aquisição da cidadania
americana ocorreu por livre e espontânea vontade. Vale ressaltar que, perdendo a nacionalidade, ele
perde os direitos e garantias inerentes ao brasileiro nato. Assim, se cometer um crime nos EUA e fugir
para o Brasil, poderá ser extraditado sem que isso configure ofensa ao art. 5º, LI, da CF/88. STF. 1ª Turma.
MS 33864/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 19/4/2016 (Info 822). STF. 1ª Turma. Ext 1462/DF, Rel.
Min. Roberto Barroso, julgado em 28/3/2017 (Info 859).
- São inelegíveis os inalistáveis (estrangeiros e conscritos) e os analfabetos.
- STF INF 747: São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos
ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou
Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses
anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. A Súmula Vinculante 18
do STF (A dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal, no curso do mandato, não afasta a
inelegibilidade prevista no § 7º do artigo 14 da Constituição Federal) não se aplica aos casos de extinção
do vínculo conjugal pela morte de um dos cônjuges.

29
- STF: As hipóteses de inelegibilidade previstas no art. 14, § 7º, da CF, inclusive quanto ao prazo de seis
meses, são aplicáveis às eleições suplementares (Info 802).
- O militar, enquanto em serviço ativo, não pode estar filiado a partidos políticos.
- O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições: I - se contar menos de dez anos de
serviço, deverá afastar-se da atividade; II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela
autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.
IDADES MÍNIMAS PARA OS CARGOS
18 anos VEREADOR
30 anos GOVERNADOR E VICE-GOVERNADOR
35 anos PRESIDENTE, VICE PRESIDENTE E SENADOR
21 anos DEPUTADO ESTADUAL, FEDERAL OU
DISTRITAL, PREFEITO, VICE-PREFEITO E JUIZ
DE PAZ.

- A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça.


- A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei
subscrito por, no mínimo, 1% do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não
menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.
- A suspensão de direitos políticos se dará pela incapacidade civil absoluta (relativa não).
SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS PERDA DOS DIREITOS POLÍTICOS
Incapacidade civil absoluta; Cancelamento da naturalização por sentença
transitada em julgado.
Condenação criminal transitada em julgado,
enquanto durarem seus efeitos;
Recusa de cumprir obrigação a todos imposta
ou prestação alternativa (alguns autores –
minoria – diz ser hipótese de perda);
Improbidade administrativa.

30
- A perda da nacionalidade decorrente de aquisição voluntária de outra nacionalidade pode atingir tanto
brasileiros natos quanto naturalizados e independerá de ação judicial, já que se concretiza no âmbito de
procedimento meramente administrativo.
- O analfabeto só tem capacidade eleitoral ativa (como eleitor), não tem capacidade passiva (inelegível).
- O fato de ter filho brasileiro não impede a extradição.
- Haverá a suspensão dos direitos políticos quando houver CONDENAÇÃO PENAL TRANSITADA EM
JULGADO, ENQUANTO DURAREM SEUS EFEITOS, independentemente da conduta ser culposa ou a pena
não ser privativa de liberdade.
- Os estrangeiros são inelegíveis, dado que não são titulares de direitos políticos.
- Os analfabetos possuem o voto facultativo - presença de capacidade positiva ativa, mas não podem ser
votados - ausência de capacidade positiva passiva;
- Somente são inelegíveis os analfabetos e os inalistáveis - estrangeiros e os conscritos durante o serviço
militar obrigatório;
- Os direitos sociais são de segunda dimensão e sua importância é tão grande quanto os de primeira.
- Se um pai estrangeiro estiver a serviço do país, o filho nascido no Brasil será considerado estrangeiro;
- Servidor público da administração direta, autárquica ou fundacional eleito vereador poderá acumular o
exercício de seu cargo público com o do mandato. Entretanto, sendo ele eleito para os demais cargos
eletivos, deverá ficar afastado de seu cargo, emprego ou função pública.
- Quando o partido cumprir todos os requisitos, o registro de seu estatuto perante o TSE se torna um ato
vinculado, ou seja, não é passível de decisão.
- O ato do TSE que analisa o pedido de registro partidário não tem caráter jurisdicional, mas, conforme o
STF entendeu, tem natureza meramente administrativa.
- Partido Político adquire personalidade jurídica com a inscrição do ato constitutivo no respectivo
registro. Com registro no TSE adquire capacidade política.
- Caso o prefeito de um município e seu filho, deputado estadual, sejam candidatos à reeleição para os
mesmos cargos, não haverá inelegibilidade.
1º situação: se o prefeito (pai) foi eleito antes que o deputado estadual (filho), não haveria problemas,
já que a jurisdição deste é maior que o daquele;
2º situação: se o deputado estadual foi eleito antes que o prefeito, também não haveria problemas, já
que a inelegibilidade reflexa faz referência a titulares de cargo do Poder Executivo, e não do Legislativo.

31
- É a chamada inelegibilidade reflexa, que atinge parentes até o 2º grau dos titulares de cargo executivo
(Presidente, governador e prefeito) e de quem os haja substituído nos últimos 6 meses. Não se aplica na
reeleição.
- Na CF/88 temos as Inelegibilidades Absolutas e as Inelegibilidades Relativas:
a) As inelegibilidades absolutas encontram-se no art. 14, § 4º, que declara que são inelegíveis os
inalistáveis e os analfabetos.
b) As inelegibilidades relativas estão arroladas no art 14, §§ 5º ao 9º, onde temos inelegibilidade por
motivos funcionais (§§ 5º e 6º); por motivos de casamento, parentesco ou afinidade (§ 7º); dos militares (§
8º); e por previsões de ordem legal (§ 9º).
- Temos o caso da exceção à regra da inelegibilidade por motivo de parentesco, insculpido no §7º do Art.
14:§ 7º - São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou
afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou
Território, do Distrito Federal, de PREFEITO ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses
anteriores ao pleito, SALVO SE JÁ TITULAR DE MANDATO ELETIVO E CANDIDATO À REELEIÇÃO.
- STF: As contribuições de pessoas jurídicas para campanhas eleitorais e partidos políticos são
inconstitucionais (INFO 799).

 ORGANIZAÇÃO DO ESTADO

- Formas de estado: unitário, federativo, composto, confederativo, regional.


- Formas de governo: monarquia, diarquia, república.
- Sistemas de governo: monarquismo, parlamentarismo, presidencialismo, semi-presidencialismo.
- Regimes políticos: democracia, autoritarismo, totalitarismo.
- As características fundamentais da República são: temporariedade, eletividade e responsabilidade.
- No caso específico do federalismo, identificam-se dois tipos básicos. O primeiro é o federalismo por
agregação (centrípeta) que tem por característica a maior descentralização do Estado, no qual os entes
regionais possuem competências mais amplas, como ocorre nos Estados Unidos da América do Norte
(EUA). O segundo, é o federalismo por desagregação (centrífuga), onde a centralização é maior. O ente
central recebe a maior parcela de poderes, como é o caso da federação brasileira.
- O Estado Federal é conceituado como uma aliança ou união de Estados. A própria palavra federação, do
latim foedus, quer dizer pacto, aliança.
- Pela Constituição da República de 1988, que de forma inovadora erigiu o Município à categoria,
nominalmente expressa no texto constitucional, de ente federativo, atribuindo-lhe competências

32
somente concebíveis, em um federalismo clássico, a Estados-membros. Instituiu-se, pois, um federalismo
de três níveis – União, Estados e Municípios.
- É recente a definição jurídica de povo. Sendo conceituado como o conjunto de indivíduos que, através
de um momento jurídico, se unem para constituir o Estado, estabelecendo com este um vínculo jurídico
de caráter permanente, participando da formação da vontade do Estado e do exercício do poder
soberano. Ou de forma mais sucinta o conjunto de pessoas naturais que pertencem ao Estado.
- No âmbito da competência legislativa concorrente, a União limita-se a elaborar normas gerais, o que
não exclui a competência suplementar dos estados-membros.
- Art. 29, caput, CF: "O município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com interstício
mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara municipal, que a promulgará,
atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os
seguintes preceitos:".
- Art. 20, VII, CF: "São bens da União: VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos."
- É vedado à União, aos Estados, ao DF e aos Municípios: III - criar distinções entre brasileiros ou
preferências entre si."
- Art. 18 - A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os
Estados, o DF e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição. § 2º - Os Territórios
Federais integram a União..." TERRITÓRIO FEDERAL NÃO É AUTÔNOMO.
- Art. 18, § 3º. Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem
a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população
diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar.

Estados podem:
Mediante
incorpora-se entre Lei
plebiscito
si; complementar
(população
do Congresso
se subdividir; diretamente
Nacional
interessada)
se desmebrar

33
- Art. 25, § 3º. Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas,
aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, para
integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum.
- A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei estadual,
dentro do período determinado por Lei Complementar Federal, e dependerão de consulta prévia,
mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de
Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da lei.

Plebiscito
Para criação, Lei (população Estudo de
incorporação complemen dos Viabilidade Lei Estadual
de Municípios tar Federal Municípios Municipal
envolvidos)

COMPETÊNCIA MATERIAL (DE FAZER ALGO)


EXCLUSIVA: é da União e é indelegável – COMUM: compete a todos os entes
art. 21 da CF/88. (União, Estado, Municípios e DF) –
art. 23, CF/88.
- Art. 22.
Compete privativamente à União legislar sobre: I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral,
agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho (tributário não). Parágrafo único: Lei
complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias
relacionadas neste artigo.

COMPETÊNCIA LEGISLATIVA (PARA LEGISLAR)


PRIVATIVA DA UNIÃO: Somente a União CONCORRENTE: União, Estado e DF
pode legislar sobre esses assuntos, mas podem legislar sobre determinados
por lei complementar pode autorizar os temas. A união estabelece normas
Estados a legislar sobre questões gerais (art. 24, CF/88).
específicas (art. 22, CF/88).

34
COMPETÊNCIA LEGISLATIVA
PRIVATIVA DA UNIÃO CONCORRENTE DA
UNIÃO, ESTADOS E DF
Legislar sobre seguridade Legislar sobre previdência
social social, proteção e defesa
da saúde
Diretrizes e bases da Educação, cultura, ensino,
educação nacional desporto, ciência,
tecnologia, pesquisa,
desenvolvimento e
inovação
Legislar sobre direito Legislar sobre
processual procedimentos em
matéria processual
Normas gerais de Organização, garantias,
organização, efetivos, direitos e deveres das
material bélico, garantias, polícias civis
convocação e mobilização
das polícias das polícias
militares e corpo de
bombeiros
Direito civil Responsabilidade por
dano ao consumidor

ESTADOS:
- Têm competência residual = São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas
por esta Constituição (art. 25, §1º, CF/88);
- Instituem regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões através de lei complementar
(art. 25, §3º, CF/88);
- Exploram diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de gás canalizado, na forma da lei,
vedada a edição de medida provisória para a sua regulamentação (art. 25, §3º, CF/88).

MUNICÍPIOS:
Regem-se por lei orgânica

35
por 2/3 dos
Interstício
Votada de 2 membrios da
mínimo de 10
turnos Câmara dos
dias
Vereadores

- Haverá segundo turno nas eleições para Prefeito, se o Município tiver mais de 200 mil ELEITORES e no
primeiro turno nenhum candidato obtiver maioria absoluta;
- O total da despesa com a remuneração dos Vereadores não poderá ultrapassar o montante de 5% da
receita do Município;
- Julgamento do Prefeito perante o Tribunal de Justiça;
- SÚMULA 702: A competência do Tribunal de Justiça para julgar prefeitos restringe-se aos crimes de
competência da Justiça comum estadual; nos demais casos, a competência originária caberá ao respectivo
tribunal de segundo grau.
- A Câmara Municipal não gastará mais de 70% de sua receita com folha de pagamento, incluído o gasto
com o subsídio de seus Vereadores. Constitui crime de responsabilidade do Presidente da Câmara
Municipal o desrespeito a essa norma.
- Constitui crime de responsabilidade do Prefeito Municipal:
I - efetuar repasse que supere os limites definidos na CF;
II - não enviar o repasse até o dia vinte de cada mês; ou
III - enviá-lo a menor em relação à proporção fixada na Lei Orçamentária.

DISTRITO FEDERAL
Rege-se por lei orgânica;

por 2/3 dos


Interstício
Votada de 2 membros da
mínimo de 10
turnos Câmara
dias
Legislativa

DF não se subdivide em Municípios. #CUIDADO: os Territórios podem ser divididos em Municípios, o DF


NÃO!

36
- O Estado-membro não tem competência para legislar sobre uso de armas de fogo apreendidas. Art. 22.
Compete privativamente à União legislar sobre: material bélico.
- STF: Lei estadual que disponha sobre bloqueadores de sinal de celular em presídio invade a
competência da União para legislar sobre telecomunicações (Info 833).
- Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: I - direito
tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico; XIII - assistência jurídica e Defensoria
pública; § 1º - No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer
normas gerais. § 2º - A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência
suplementar dos Estados. § 3º - Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a
competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. § 4º - A superveniência de lei federal
sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário.
- O Distrito Federal tem competência legislativa híbrida = pode legislar sobre o que competir aos Estados
e aos Municípios.
- Art. 31, § 2º. O parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre as contas que o Prefeito deve
anualmente prestar, só deixará de prevalecer por decisão de 2/3 dos membros da Câmara Municipal. Não
se aplica no caso da apreciação das contas do Presidente pelo TCU.
- Os Territórios poderão ser divididos em Municípios. As contas do Governo do Território serão
submetidas ao Congresso Nacional, com parecer prévio do Tribunal de Contas da União. Nos Territórios
Federais com mais de cem mil habitantes, além do Governador nomeado na forma desta Constituição,
haverá órgãos judiciários de primeira e segunda instância, membros do Ministério Público e defensores
públicos federais; a lei disporá sobre as eleições para a Câmara Territorial e sua competência deliberativa.
- Art. 31, §4 - E vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou Órgãos de contas Municipais.
- O CNJ tem atribuições em caráter nacional, não estando sua atuação limitada meramente ao âmbito
federal, isto posto, seria absolutamente desnecessário e contraditório a criação de conselho de justiça
estaduais.
- Súmula 649 - STF: É inconstitucional a criação, por Constituição estadual, de órgão de controle
administrativo do Poder Judiciário do qual participem representantes de outros Poderes ou entidades.
- Com a finalidade de reduzir as desigualdades regionais, a União poderá criar regiões de
desenvolvimento sem capacidade política – são regiões administrativas SEM autonomia. Ex.: Zona Franca
de Manaus.
- O plebiscito é condição de procedibilidade para o processo legislativo da lei estadual. Se favorável, o
legislador estadual terá discricionariedade para aprovar ou rejeitar o projeto de lei de criação do novo

37
plebiscito. Em igual sentido, mesmo que aprovada a lei pelo legislador estadual, o Governador de Estado
poderá vetar a lei.
- CF arts. 33, § 1º, e 35:Os territórios poderão, ou não, ser divididos em municípios; caso sejam divididos
em municípios, eles gozarão de autonomia política e poderão, inclusive, ser objeto de intervenção
federal.
- A CF não atribuiu a imunidade formal ao parlamentar municipal e não a reconheceu, ao parlamentar
estadual, quanto aos crimes praticados antes da diplomação.
- A CF, ao conferir autonomia aos estados-membros, impõe a observância obrigatória de princípios
relacionados ao processo legislativo, de modo que o legislador estadual não pode validamente dispor
sobre as matérias reservadas à iniciativa do chefe do Poder Executivo.
- Os princípios constitucionais da administração pública são vetores de observância obrigatória pela
União, pelos estados, pelo DF e pelos municípios, funcionando como parâmetros de comportamento
tanto para o Poder Executivo quanto para os Poderes Legislativo e Judiciário de todas as esferas de
governo.
- De acordo com a jurisprudência do STF, há certas regras de cunho estrutural (entre elas as pertinentes
ao processo legislativo) que devem ser observadas pelos estados membros em suas constituições, em
respeito ao princípio da simetria constitucional.
- A União é pessoa jurídica de direito público interno, conforme expressamente previsto no Código Civil. -
- Quem possui a personalidade jurídica de direito Internacional é a República Federativa do Brasil.
- As competências residuais são aqueles afetas aos Estados Membros, já que estes não tem suas
competências exaustivamente enumeradas, pelo contrário, há expresso preceito constitucional
atribuindo aos Estados-Membros aquilo que não for expressamente atribuído à União e Municípios.
- O artigo 18, §2º a CF expressamente preconiza que os territórios federais, caso criados, o serão por meio
de lei complementar.
- É inconstitucional lei estadual que estabelece regras para a cobrança em estacionamento de veículos.
- Comércio é competência privativa da União, podendo ser repassada, aos Estados ou DF, somente
através de Lei complementar. CF, Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: I - direito civil,
comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho;
- Assim, é inconstitucional lei estadual que proíba a comercialização de produto alimentício no estado por
considerá-lo nocivo à saúde.

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- Nos territórios federais com mais de cem mil habitantes, além do governador nomeado na forma da CF,
haverá órgãos judiciários de primeira e segunda instâncias, membros do Ministério Público e defensores
públicos federais.
- A consulta prévia às populações diretamente interessadas na modificação territorial de um município
deve contemplar tanto a população do território a ser desmembrado quanto a do território
remanescente.
- Súmula 702, STF: A competência do Tribunal de Justiça para julgar Prefeitos restringe-se aos crimes de
competência da Justiça comum estadual; nos demais casos, a competência originária caberá ao
respectivo tribunal de segundo grau.
- Em crimes da competência da Justiça Federal os prefeitos são julgados pelo respectivo TRF.
- É da competência do Município a edição de lei que disponha sobre a sucessão do prefeito e do vice-
prefeito no caso de dupla vacância dos cargos de direção do Poder Executivo em município localizado em
seu território.
- CF, Art. 25,§ 2º - Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de
gás canalizado, na forma da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua regulamentação.
- CF, Art. 32. O Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios, reger-se-á por lei orgânica...
- LODF, Art. 10. O Distrito Federal organiza-se em Regiões Administrativas,...
- CF, art.24§ 4º - A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual,
no que lhe for contrário.

 INTERVENÇÃO
- A intervenção da União em estado, para assegurar a observância dos chamados princípios
constitucionais sensíveis, depende do provimento, pelo STF, de representação interventiva ajuizada pelo
procurador-geral da República.
- Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:
I - manter a integridade nacional;
II - repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra;
III - pôr termo a grave comprometimento da ordem pública;
IV - garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação;
V - reorganizar as finanças da unidade da Federação que:
a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, salvo motivo de força
maior;

39
b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta Constituição, dentro dos prazos
estabelecidos em lei;
VI - prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial;
VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais (SENSÍVEIS):
a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático;
b) direitos da pessoa humana;
c) autonomia municipal;
d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta.
e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida a proveniente
de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde.
- Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios localizados em
Território Federal (União não tem legitimidade para intervir em município situado em Estado-membro),
exceto quando:
I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos, a dívida fundada;
II - não forem prestadas contas devidas, na forma da lei;
III – não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e desenvolvimento do
ensino e nas ações e serviços públicos de saúde;
IV - o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância de princípios
indicados na Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de ordem ou de decisão judicial.
- Art. 36. A decretação da intervenção dependerá:
I - no caso do art. 34, IV, de solicitação do Poder Legislativo ou do Poder Executivo coacto ou impedido,
ou de requisição do Supremo Tribunal Federal, se a coação for exercida contra o Poder Judiciário;
II - no caso de desobediência a ordem ou decisão judiciária, de requisição do Supremo Tribunal Federal,
do Superior Tribunal de Justiça ou do Tribunal Superior Eleitoral;
III - de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de representação do Procurador-Geral da República,
na hipótese do art. 34, VII, e no caso de recusa à execução de lei federal. Obs: nesse caso, a decretação
da intervenção é vinculada, cabendo ao Presidente a mera formalização da decisão tomada pelo STF. Não
é necessário que a intervenção seja apreciada pelo Congresso Nacional.
§ 1º - O decreto de intervenção, que especificará a amplitude, o prazo e as condições de execução e que,
se couber, nomeará o interventor, será submetido à apreciação do Congresso Nacional ou da Assembleia
Legislativa do Estado, no prazo de 24 horas.

40
§ 2º - Se não estiver funcionando o Congresso Nacional ou a Assembleia Legislativa, far-se-á convocação
extraordinária, no mesmo prazo de 24 horas.
§ 3º - Nos casos do art. 34, VI e VII, ou do art. 35, IV, dispensada a apreciação pelo Congresso Nacional ou
pela Assembleia Legislativa, o decreto limitar-se-á a suspender a execução do ato impugnado, se essa
medida bastar ao restabelecimento da normalidade.
§ 4º - Cessados os motivos da intervenção, as autoridades afastadas de seus cargos a estes voltarão, salvo
impedimento legal.
- Súmula 637 STF: Não cabe recurso extraordinário contra acórdão de tribunal de justiça que defere
pedido de intervenção estadual em município.
- A União não intervém em Municípios, exceto nos localizados em Territórios Federais.
- STJ: A União poderá intervir no Estado ou DF para prover (garantir) a execução de ordem ou decisão
judicial que esteja sendo desrespeitada (art. 34, VI, da CF/88). Ocorrendo esse descumprimento, o STF, o
STJ ou o TSE, a depender de qual ordem/decisão judicial esteja sendo desatendida, irá requisitar ao
Presidente da República a intervenção federal. Se o Estado/DF estiver descumprindo uma decisão de juiz
ou Tribunal de 2ª instância, o Tribunal local deverá fazer uma representação ao Tribunal Superior
competente (STF, STJ ou TSE) solicitando a intervenção. Se o Tribunal Superior concordar, irá requisitar
ao Presidente da República a intervenção. Para saber qual Tribunal Superior será competente, deverá ser
analisada a matéria discutida e para quem seria dirigido o eventual recurso. Compete ao STJ julgar pedido
de intervenção federal baseado no descumprimento de ordem de reintegração de posse de imóvel rural
ocupado pelo MST, expedida por Juiz Estadual e fundada exclusivamente na aplicação da legislação
infraconstitucional civil possessória. Isso porque a decisão descumprida analisou tema relacionado com
direito civil privado, não tendo feito considerações sobre questões constitucionais. Logo, o eventual
recurso contra a decisão, quando o processo superasse as instâncias ordinárias e chegasse aos Tribunais
Superiores, seria apreciado pelo STJ em sede de recurso especial. Não caberia, no caso, recurso
extraordinário ao STF, razão pela qual esta Corte não seria competente para julgar o pedido
de intervenção relacionada com o desatendimento da decisão. Quanto ao mérito, na situação concreta
envolvendo ocupação de sítio pelo MST, tendo sido deferida decisão judicial para a retomada do imóvel
há muitos anos, o que nunca foi cumprido, deverá ser deferida a intervenção federal? Prevalece que sim.
Deve ser deferido pedido de intervenção federal quando verificado o descumprimento pelo Estado, sem
justificativa plausível e por prazo desarrazoado, de ordem judicial que tenha requisitado força policial
para promover reintegração de posse em imóvel rural ocupado pelo MST, mesmo que, no caso, tenha se
consolidado a invasão por um grande número de famílias e exista, sem previsão de conclusão,

41
procedimento administrativo de aquisição da referida propriedade pelo Incra para fins de reforma
agrária. É certo que a ocupação de grande número de famílias é sempre um fato que merece a
consideração da autoridade encarregada da desocupação, mas não é em si impeditiva da intervenção. A
inércia do Estado-executivo em dar cumprimento à decisão do Estado-juiz enfraquece o Estado de
direito, que caracteriza a República brasileira. STJ. Corte Especial. IF 107-PR, Rel. Min. João Otávio de
Noronha, julgado em 15/10/2014 (Info 550). STJ. Corte Especial. IF 116/PR, Rel. Min. Felix Fischer, julgado
em 16/12/2015.

 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
- Art. 37, XVII – A proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias,
fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades
controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público.
- STF: Nos casos autorizados constitucionalmente de acumulação de cargos, empregos e funções, a
incidência do art. 37, XI, da Constituição Federal pressupõe consideração de cada um dos vínculos
formalizados, afastada a observância do teto remuneratório quanto ao somatório dos ganhos do agente
público. Ex: se determinado Ministro do STF for também professor da UnB, ele irá receber seu subsídio
integral como Ministro e mais a remuneração decorrente do magistério. Nesse caso, o teto seria
considerado especificamente para cada cargo, sendo permitido que ele receba acima do limite previsto
no art. 37, XI da CF se considerarmos seus ganhos globais. STF. Plenário. RE 612975/MT e RE 602043/MT,
Rel. Min. Marco Aurélio, julgados em 26 e 27/4/2017 (repercussão geral) (Info 862).
- Art. 37, § 10: É vedada a percepção simultânea de proventos de aposentadoria decorrentes do art. 40 ou
dos arts. 42 e 142 com a remuneração de cargo, emprego ou função pública, ressalvados os cargos
acumuláveis na forma desta Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comissão declarados em lei
de livre nomeação e exoneração.
- STF INF 736: É inconstitucional norma da Constituição estadual que impõe obrigações relacionadas com
servidores municipais. Há, no caso, violação à autonomia municipal.
- Aposentadoria de servidor: voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo de 10 anos de efetivo
exercício no serviço público e 5 anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria, observadas as
seguintes condições: a) 60 de idade e 35 de contribuição, se homem, e 55 anos de idade e 30 de
contribuição, se mulher (os requisitos de idade e de tempo de contribuição serão reduzidos em 5 anos
para o professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na
educação infantil e no ensino fundamental e médio); b) 65 anos de idade, se homem, e 60 anos de idade,
se mulher, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição.

42
APOSENTADORIA
REGRA GERAL EXCEÇÃO
Compulsoriamente, Aos 75 anos, na
com proventos forma da lei
proporcionais: 70 complementar,
anos de idade com proventos
proporcionais.

Voluntariamente, cumprido tempo mínimo de 10 anos de dez anos de efetivo


exercício no serviço público e cinco anos no cargo efetivo em que se dará a
aposentadoria:
HOMEM MULHER
60 anos de idade e 35 de contribuição, 55 anos de idade e 30 de contribuição,
com proventos integrais* com proventos integrais*
65 anos de idade, com proventos 60 anos de idade, com proventos
proporcionais proporcionais

- É computado o tempo de CONTRIBUIÇÃO e não de efetivo exercício.


- É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria aos
abrangidos pelo regime de que trata este artigo, ressalvados, nos termos definidos em leis
complementares, os casos de servidores: I - portadores de deficiência (LC 142/13 - apenas para RGPS, mas
provavelmente será estendida para servidores); II - que exerçam atividades de risco (não há lei
complementar pro RGPS, nem específica); III - cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais
que prejudiquem a saúde ou a integridade física (Súmula vinculante 33: aplicam-se ao servidor público, no
que couber, as regras do regime geral da previdência social sobre aposentadoria especial de que trata o
artigo 40, § 4º, inciso III da Constituição Federal, até a edição de lei complementar específica).
- STF INF 758: No entanto, se o período que este servidor trabalhou sob condições especiais não for
suficiente para que ele goze da aposentadoria especial, ele não poderá converter este tempo especial
usando os índices de conversão previstos para os trabalhadores em geral (não se aplica aos servidores o
§ 5º do art. 57 da Lei nº 8.213/91).
- Art. 37, § 13. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre
nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o RGPS.
- A administração pública pode alterar as condições constantes de edital de concurso público com o fim
de adaptá-las a nova legislação aplicável a certame ainda não concluído nem homologado.

43
- STJ: Tratando-se de cumulação legítima de cargos, a remuneração do servidor público não se submete
ao teto constitucional, devendo os cargos, para este fim, ser considerados isoladamente.
- É constitucional o aproveitamento, em processo administrativo disciplinar, de prova licitamente obtida
mediante interceptação telefônica autorizada judicialmente em investigação criminal ou ação penal.
- Funções de confiança: exclusivamente para servidores ocupantes de cargo efetivo.
- O servidor público estável só perderá cargo: a) por sentença judicial transitada em julgado; b) por
processo administrativo; c) por procedimento de avaliação periódica de desempenho (na forma da lei
complementar); d) por excesso de despesas, se as medidas adotadas não forem suficientes.

DIREITO ADMINISTRATIVO

 CONCEITO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


a) Sentido objetivo, material ou funcional (administração pública): consiste na própria atividade
administrativa exercida pelos órgãos e entes estatais.
b) Sentido subjetivo, formal ou orgânico (Administração Pública): consiste no conjunto de órgãos,
entidades e agentes que tenham a atribuição de executar a função administrativa.
FUNÇÃO ADMINISTRATIVA:
Critério subjetivo ou orgânico (sujeito Critério objetivo material Critério objetivo formal
ou agente), (conteúdo da atividade) (regime jurídico em que se
situa).

- Critério da administração pública (Hely Lopes Meirelles): Direito Administrativo é um conjunto


harmônico de princípios e regras, isto é, o próprio Regime Jurídico Administrativo, que irá reger órgãos,
entidades, agentes públicos no exercício da atividade administrativa, tendentes a realizar de forma direta
(atividade do Estado que independe de provocação), concreta (destinatário determinado com efeitos
concretos; exclui a atividade legislativa) e imediata (se preocupa com a atividade jurídica do Estado,
excluindo a mediata que se preocupa com a atividade social) os fins desejados pelo Estado, que são
determinados pelo Direito Constitucional.
- Enquanto a administração pública extroversa é finalística, dado que ela é atribuída especificamente a
cada ente político, obedecendo a uma partilha constitucional de competências, a administração pública
introversa é instrumental, visto que é atribuída genericamente a todos os entes, para que possam atingir
aqueles objetivos.

44
Resumo dos critérios:
Escola do Serviço Público: Qualquer atividade prestada pelo Estado é serviço público.
Critério do Poder Executivo: O direito administrativo se esgota nos atos do Poder Executivo.
Critério Teleológico: Conjunto de PRINCÍPIOS que norteiam o atendimento dos fins do Estado.
Critério negativista ou residual: aquilo que não for pertinente às funções legislativa e
jurisdicional será objeto do direito administrativo
Critério das atividades jurídicas e sociais do Estado: Conjunto de normas que regem as relações
entre Administração e administrado.
Critério da Administração Pública: conjunto harmônico de princípios jurídicos que regem os
órgãos, os agentes e as atividades públicas, tendentes a realizar concreta e imediatamente os
fins desejados pelo Estado de forma NÃO CONTENSIOSA.
 FONTES

a) Lei – qualquer espécie normativa (sentido amplo);


b) Doutrina;
c) Jurisprudência;
d) Costumes – prática habitual, acreditando ser ela obrigatória;
e) Princípios Gerais do Direito – estão na base da disciplina/ alicerce. Exemplos.: Ninguém pode causar
dano a outrem. É vedado o enriquecimento ilícito. Ninguém pode se beneficiar da própria torpeza;
f) Precedentes administrativos.
FONTES (Critério de Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino)
Primária Secundária Indireta
Lei (sentido amplo) Jurisprudência Costumes sociais
Súmula vinculante Doutrina
Decisões do STF em controle abstrato Praxe administrativa

- O Estado é pessoa jurídica de direito público, necessariamente, podendo ele estar atuando no direito
público ou privado (a sua personalidade não muda). Estado de Direito é o Estado juridicamente
organizado e obediente às suas próprias leis.

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-Teoria da Dupla Personalidade dizia que o Estado ora aparecia como pessoa pública, ora aparecia como
pessoa privada. Essa Teoria não existe mais. Não importa em que atividade ele está, ele sempre será
pessoa pública.

- Elementos que formam, estruturam o Estado:


I) o Povo;
II) o Território;
III) o Governo;
IV) suas Finalidades Específicas.
- Governo é o comando, a direção da pessoa jurídica do Estado.
- Administração é a máquina administrativa, o aparelhamento do Estado.
- A função administrativa é a atividade do Estado para realizar seus fins, debaixo da ordem jurídica.

SISTEMAS ADMINISTRATIVOS
- Sistema de Jurisdição Única / Sistema Inglês: os atos praticados pela administração podem ser revistos e
controlados pelo Poder Judiciário. A administração pode até decidir, pode até julgar, entretanto esse
julgamento pode ser revisto pelo Poder Judiciário. O Poder Judiciário pode controlar esse ato. Coisa
julgada administrativa – não é uma verdadeira coisa julgada (somente dentro da Administração). Pode
ser revista pelo Judiciário. Diz-se que somente o Poder Judiciário tem jurisdição, em sentido próprio.
BRASIL.
- Sistema francês/dualidade de jurisdição: há jurisdição administrativa, vedando-se o Poder Judiciário de
conhecer atos da administração pública. Ou seja, há tribunais de índole administrativa.

 REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO:


- É o conjunto harmônico de princípios, formando a unidade, o sistema ou o regime jurídico
administrativo.
Regra: é aplicada no modo disjuntivo (no plano da Princípio: é usada a técnica da ponderação, um
validade). princípio, a depender do caso concreto pode
prevalecer sobre outro, mas não o invalida. NÃO
EXISTE HIERARQUIA ENTRE OS PRINCÍPIOS.

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- Princípios mínimos: estão expressos na CF: LIMPE (Legalidade, Impessoalidade, Moralidade,
Publicidade, Eficiência).
- Conceito de princípio explícito: é aquele que se encontra declinado, exteriorizado no ordenamento
jurídico.
- Conceito de princípio implícito: é uma decorrência lógica do ordenamento jurídico. (Celso Bandeira de
Mello). Ex.: princípio da razoabilidade.
- A administração pública tem de observar os princípios explícitos no art. 37 da CF, bem como OUTROS
princípios espalhados pelo seu texto.
- A Lei 9784/99, no seu art. 2º, traz os seguintes princípios: legalidade, finalidade, motivação,
razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse
público e eficiência.
- Todos os princípios, expressos ou não, derivam da CF.

PRINCÍPIOS BASILARES (SUPRAPRINCÍPIOS OU SUPERPRINCÍPIOS)


SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO INDIPONIBILIDADE DO INTERESSE PÚBLICO
Ambos são princípios relativos, ou seja, não existe supremacia absoluta do interesse público sobre o
privado, nem indisponibilidade absoluta dos interesses públicos. A indisponibilidade do interesse
público limita a supremacia do interesse público, ao trazer limitações ao administrador.

- Do princípio da supremacia do interesse público decorre o caráter instrumental da administração


pública.
- Interesse público primário: voltado ao interesse coletivo.
- Interesse público secundário: interesse da pessoa jurídica estatal.
- Estando presente o interesse público, o Administrador não pode dele dispor – a Indisponibilidade do
Interesse Público é um limite ao Princípio da Supremacia. É um Princípio Geral do Direito. Exemplo de
aplicabilidade desse princípio: Lei de Responsabilidade Fiscal.
- De acordo com precedente histórico do STF, é possível, sem ofensa ao princípio da indisponibilidade do
interesse público, a União firmar compromisso arbitral, mesmo em situação excepcional, desde que
relativamente a direitos patrimoniais do Estado.
- Decorrem do princípio da indisponibilidade do interesse público a necessidade de realizar concurso
público para admissão de pessoal permanente e as restrições impostas à alienação de bens públicos.

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- Princípio da Eficiência: só ingressou no ordenamento com a Emenda 19/98 (conhecida como Emenda da
Reforma Administrativa). Ou seja, o princípio da eficiência não é obra do poder constituinte originário.
Estes princípios são os princípios expressos na CF, mas existem princípios implícitos.

- O Princípio da Motivação (Lei 9784/99) – exprime o dever que a administração tem de fundamentar
seus atos. Admite exceções.

- O Princípio da Especialidade visa garantir maior eficiência na administração. - P. Especialidade: os


órgãos da Administração Indireta são criados por lei, que traz uma determinada finalidade.
- Somente uma nova lei pode alterar a finalidade de uma pessoa jurídica – P. Da Especialidade.

- Princípio da Autotutela (também chamado Controle): expresso na Lei 9784/99: “A administração deve
anular seus próprios atos quando eivados de vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de
conveniência e oportunidade, respeitados os direitos adquiridos”.

Súmula 473 STF: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os
tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou
oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.

Súmula 346 STF: A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos.

#ATENÇÃO: a administração pode rever DE OFÍCIO ou por provocação, seus próprios atos.

#ATENÇÃO: a autotutela não afasta a possibilidade de revisão dos atos por parte do Judiciário, caso
provocado.
- Pode rever seus atos ILEGAIS – através da ANULAÇÃO. Pode rever seus atos INCONVENIENTES –
através da REVOGAÇÃO.
- Súmula Vinculante nº3. Nos processos perante o tribunal de contas da união asseguram-se o
contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão
inicial de aposentadoria, reforma e pensão. O STF fez um temperamento (“temperando a vinculante

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nº3”). STF então entendeu que se o TC demorar mais de cinco anos para confirmar o ato de
aposentadoria ele terá que realizar o contraditório e ampla defesa.

- Princípio da Continuidade: implícito na CF e expresso na Lei 8987/95 (Lei do regime de concessão e


permissão da prestação de serviços público). O serviço público deve ser ininterrupto. Há exceção
prevista na lei:
a) Com prévio aviso: questões de ordem técnica ou de segurança das instalações e inadimplemento do
usuário, considerado o interesse da coletividade.
#ATENÇÃO: na questão da inadimplência do usuário, observe-se que só pode ser interrompido o serviço
se não houver dano à coletividade. Ex.: pode cortar luz do usuário individual por falta de pagamento, mas
não pode cortar a energia do hospital público por falta de pagamento.
b) Situação de emergência.
- Direito de Greve – norma constitucional de eficácia limitada – art. 37, VII, CF – o STF admitiu a aplicação,
no que couber, da lei de greve do trabalhador comum, enquanto não for aprovada a lei do servidor
público (essa decisão se deu em MI com efeitos concretos) – SV 33. Há greve legal de servidor.
Consequências: descontar dias não trabalhados ou regime de compensação de horas. Exceção: não
poderá ser feito o desconto se ficar demonstrado que a greve foi provocada por conduta ilícita do Poder
Público (Info 845 STF).
- Não é legitimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais quando a inadimplência do
consumidor decorrer de débitos pretéritos, o débito originar-se de suposta fraude no medidor de
consumo de energia apurada unilateralmente pela concessionária e inexistir aviso prévio ao consumidor
inadimplente.
- *A divulgação da suspensão no fornecimento de serviço de energia elétrica por meio de emissoras de
rádio, dias antes da interrupção, satisfaz a exigência de aviso prévio, prevista no art. 6º, § 3º, da Lei nº
8.987/95. STJ. 1ª Turma. REsp 1.270.339-SC, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 15/12/2016 (Info 598).

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
- Subordinação à lei.
- O administrador público só pode praticar os atos que estejam previstos em lei.
Para o Direito Privado, o particular pode tudo, salvo o que está vedado pela lei (critério de não
contradição à lei).

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- Princípio da reserva legal não se confunde com o princípio da legalidade, pois aquele determina que
para certa matéria é reservada (escolhida) a espécie normativa. Restrições excepcionais admitidas pela
própria Constituição, nas situações de: a) medidas provisórias; b) decretação do estado de defesa; c)
decretação do estado de sítio.

#ATENÇÃO: O princípio da legalidade em relação ao particular difere em relação à administração pública,


posto que em relação àquele, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em
virtude de lei (art. 5º, II).

#ATENÇÃO: O simples fato de haver previsão legal não significa que o administrador está obrigado a
praticar o ato, pois existem situações em que o administrador age por conveniência e oportunidade.
- O princípio da legalidade promove a previsibilidade da ação estatal, pois limita a ação estatal às
previsões legais.
- Quando um princípio da administração é maculado pelo administrador este ato passa a ser passível de
controle judicial.
- O ato administrativo pode ser submetido a um controle de legalidade pelo Judiciário. Mas o Poder
Judiciário NÃO pode controlar o mérito do ato.
- Para o exame psicotécnico seja uma das etapas de um concurso público, há necessidade de sujeição
legal strictu senso. SÚM 686/STF: SÓ POR LEI SE PODE SUJEITAR A EXAME PSICOTÉCNICO A
HABILITAÇÃO DE CANDIDATO A CARGO PÚBLICO.
- STF: limite de idade tem que ter previsão em lei, não bastando a previsão em regulamento.
- ATENÇÃO: LIMITE DE IDADE EM CONCURSO PÚBLICO = É possível, desde que previsto na lei da carreira
e seja compatível com as atribuições do cargo. O limite de idade é hoje possível e é acolhido pela
Constituição, desde que obedecidos os requisitos. E se a previsão está em regulamentos, regimentos e
não em lei? O STF discutiu tal questão em relação às forças armadas, pois o limite de idade estava
previsto em regulamento (RE 600885). O STF decidiu que não foi recepcionada pela CF/88 a expressão
“nos regulamentos das Forças Armadas” do art. 10 da Lei 6880/80, que remetia a definição dos
requisitos aos regulamentos. O princípio da segurança jurídica impõe, no entanto, a modulação dos
efeitos da não recepção, para assegurar a constitucionalidade dos concursos realizados até 31 de
dezembro de 2012. A primeira decisão era ate 30.11.2012, mas houve embargos e o prazo foi aumentado.
Dessa forma, o STF reafirma a exigência de que os requisitos estejam previstos em lei em sentido estrito.

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PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE
- O administrador na atividade administrativa tem que agir de forma a atingir a finalidade pública e não
interesses pessoais. Uma das facetas do princípio da impessoalidade é o princípio da finalidade. Pois, não
se busca interesse pessoal, mas a finalidade pública.
- Outra faceta deste princípio é a não imputação de um ato administrativo em si a um agente. Ou seja,
quem pratica o ato é a administração pública (Teoria da Imputação) e não o agente em si. (Exemplo de
violação a esse princípio são os anúncios de atividades estatais em que há a descrição dos agentes
políticos).
- Entre as teorias que tratam da natureza jurídica da relação entre o Estado e seus agentes, é amplamente
adotada pela doutrina e jurisprudência brasileiras a teoria do órgão ou da imputação volitiva – o órgão e
o agente atuam para manifestar a vontade do Estado – princípio da impessoalidade em relação à
Administração.
- O princípio da impessoalidade está ligado à isonomia e a moralidade ligado à lealdade e à boa fé. Esses
princípios estão sempre conectados. Impessoalidade – ausência de subjetividade. Finalidade – ligado à
Legalidade (buscar a vontade da lei).
- Impessoalidade – ótica do indivíduo (isonomia, sem favorecimentos) / ótica da Administração (os atos
não são imputáveis ao funcionário que os pratica, mas sim à Administração).
- Ações afirmativas (cotas) são exceções à impessoalidade.
- Pela teoria da autovinculação administrativa, ao fixar determinado entendimento, por respeito à
igualdade e à boa-fé, a Administração fica vinculada quando analisar relações jurídicas distintas, porém
similares, embora possa alterar seu entendimento, de forma motivada e sem efeitos retroativos
("prospective overruling").
- Súmula Vinculante 13: a nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por
afinidade, até o 3º grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica
investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de
confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante
designações recíprocas, viola a Constituição Federal.
- A proibição de nepotismo não alcança cartórios, Ministro de Estado nem Secretário de Estado (agentes
políticos).
- A proibição de nepotismo não alcança servidores de provimento efetivo.

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- Viola o princípio da igualdade a não realização por órgãos e entidades da administração pública de
processo seletivo para contratação de estagiário, por não constituir tal recrutamento uma forma de
provimento de cargo público.

PRINCÍPIO DA MORALIDADE
- Ligado à moralidade jurídica e não à moralidade social.
- Não interessa a boa-fé subjetiva, mas a objetiva.
- Para o direito administrativo interessa a atitude, não a intenção. Se conduta violou ou não os padrões
de lealdade, honestidade e correção.
- O STJ fixou entendimento no sentido de que a contratação de agentes públicos sem a realização de
concurso público enseja violação ao princípio da moralidade. Isso não quer dizer, contudo, que os
responsáveis pela contratação devam ser condenados a ressarcir o erário, pois essa condenação
depende da demonstração do enriquecimento ilícito e do prejuízo para a administração.

PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE
- O poder emana do povo. O administrador exerce função pública em nome do povo, motivo pelo qual
deve dar ciência ao titular do direito do que está ocorrendo.
- Difere de publicação;
- Traz a ideia de transparência na atuação. Garante o controle por parte da sociedade;
- Publicidade é o ato de dar ciência, mas para isso nem sempre é necessário que haja publicação;
- É falso dizer que TODOS os atos devem ser públicos. Atos que digam respeito à segurança da sociedade
e do Estado serão sigilosos;
- É requisito de eficácia dos atos administrativos.
- O princípio da publicidade exige que a administração pública dê ampla divulgação dos seus atos,
inclusive fornecendo, gratuitamente, certidões para a defesa de direitos e o esclarecimento de situações
de interesse pessoal quando solicitadas.
- A publicidade é condição de eficácia do ato. É quando o ato começa a produzir seus efeitos. É o marco
inicial para a contagem dos prazos.
- A não publicação acarreta improbidade administrativa.
- #SELIGANOSTF: É legítima a publicação, inclusive em sítio eletrônico mantido pela Administração
Pública dos nomes de seus servidores e do valor dos correspondentes vencimentos e vantagens
pecuniárias.

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PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA
- Introduzido pela EC nº 19/98 (reforma administrativa);
- Tem duas facetas:
a) Deve ser analisado em relação ao servidor público.
b) Deve ser analisado em relação ao serviço público.
- A razoável duração do processo é inerente ao princípio da eficiência. Pois o processo que não seja
célere, não vai conseguir atingir a justiça de fato, logo não é eficiente.
- Crise da noção de serviços públicos = privatização. Di Pietro critica, afirmando que a privatização
garante a modicidade, generalidade e continuidade do serviço.
- Agencificação = criação de agências reguladoras.
Eficiência – conduta das Eficácia – meios, Efetividade – resultado.
pessoas instrumentos

Administração Pública Gerencial. Conforme lembra Celso Antonio B. de Mello, a eficiência não pode ser
concebida senão na intimidade do princípio da legalidade, pois jamais uma suposta busca de eficiência
pode justificar a arbitrariedade. O autor lembra que ele se apresenta como uma faceta de um princípio
mais amplo, tratado no Direito italiano: o princípio da boa administração.

PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE


- A razoabilidade está ligada a ação, de fazer, ou não fazer. A proporcionalidade relaciona-se com o
quantum da ação.
- A ideia geral é a de que o princípio da razoabilidade abarca o princípio da proporcionalidade.
- A autotutela administrativa compreende tanto o controle de legalidade ou legitimidade quanto o
controle de mérito.
- Razoabilidade e proporcionalidade (necessidade, adequação e proporcionalidade em sentido estrito)
não tem previsão expressa na CF, mas sim na lei 9.784/99.
- Subprincípios da proporcionalidade ampla:
a) Adequação (utilidade): a medida deve ser apta ao fim desejado;
b) Necessidade (exigibilidade): o meio deve ser aquele que menos cause prejuízo aos administrados;
c) Proporcionalidade em sentido estrito: as vantagens devem superar as desvantagens.

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- PRINCÍPIO DA INTRANSCENDÊNCIA E ATOS PRATICADOS PELAS GESTÕES ANTERIORES. Se a
irregularidade no convênio foi praticada pelo gestor anterior e a gestão atual, depois que assumiu,
tomou todas as medidas para ressarcir o erário e corrigir as falhas, o ente (Estado ou Município) não
poderá ser incluído nos cadastros de inadimplentes da União. (Info 791). ATENÇÃO AQU!3
*#STF: Segundo a posição que prevalece no STF, se a irregularidade no convênio foi praticada pelo
gestor anterior e a gestão atual, depois que assumiu, tomou todas as medidas para ressarcir o erário e
corrigir as falhas (exs: apresentou todos os documentos ao órgão fiscalizador, ajuizou ações de
ressarcimento contra o antigo gestor etc.), neste caso, o ente (Estado ou Município) não poderá ser
incluído nos cadastros de inadimplentes da União. Assim, segundo esta acepção, o princípio da
intranscendência subjetiva das sanções proíbe a aplicação de sanções às administrações atuais por atos
de gestão praticados por administrações anteriores. Segundo o Min. Luiz Fux, “não se pode inviabilizar a
administração de quem foi eleito democraticamente e não foi responsável diretamente pelas
dificuldades financeiras que acarretaram a inscrição combatida”. Penso que seja a posição que prevalece
no STF. A própria AGU admite esta tese: Súmula 46-AGU: Será liberada da restrição decorrente da
inscrição do município no SIAFI ou CADIN a prefeitura administrada pelo prefeito que sucedeu o
administrador faltoso, quando tomadas todas as providências objetivando o ressarcimento ao erário.
Vale ressaltar, no entanto, que o Min. Marco Aurélio recentemente manifestou-se contrariamente à
tese afirmando que: A inscrição do nome do Estado-Membro em cadastro federal de inadimplentes em
face de ações e/ou omissões de gestões anteriores não configura ofensa ao princípio da
intranscendência. Vigora, no âmbito da Administração Pública, o princípio da impessoalidade, previsto no
artigo 37 da CF/88. A relação jurídica envolve a União e o ente federal, e não a União e certo Governador
ou outro agente. O governo se alterna periodicamente nos termos da soberania popular, mas o Estado
é permanente. A mudança de comando político não exonera o Estado das obrigações assumidas. No
caso concreto (ACO 732/AP), o STF julgou o pedido de forma favorável ao Estado porque a União não
havia respeitado o devido processo legal. Dessa forma, esta argumentação do Min. Marco Aurélio não
foi adotada pela Turma como razão de decidir. Por isso, penso que a posição do referido Ministro é
minoritária e, em concursos públicos, acredito que ainda se deve adotar o entendimento no sentido de
que é possível aplicar o princípio da intranscendência para esta situação. STF. 1ª Turma. ACO 732/AP, Rel.

3
Súmula 46-AGU: Será liberada da restrição decorrente da inscrição do município no SIAFI ou
CADIN a prefeitura administrada pelo prefeito que sucedeu o administrador faltoso, quando
tomadas todas as providências objetivando o ressarcimento ao erário.
54
Min. Marco Aurélio, julgado em 10/5/2016 (Info 825). STF. 1ª Turma. AC 2614/PE, AC 781/PI e AC 2946/PI,
Rel. Min. Luiz Fux, julgados em 23/6/2015 (Info 791).

 ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO
- Regra geral: as pessoas têm personalidade jurídica, logo têm capacidade processual. Os órgãos não têm
personalidade jurídica (são entes despersonificados), logo não têm capacidade processual.
DICAS GERAIS:
Descentralização por outorga (ou descentralização por serviço): transfere a titularidade e a execução
do serviço, por meio de lei e em benefício das pessoas da Administração indireta de direito público.
Descentralização por delegação (ou descentralização por colaboração): transfere apenas a execução
do serviço. É possível ocorrer por meio de lei, às pessoas da Administração indireta de direito privado
(empresa pública, sociedade de economia mista e fundação pública de direito privado), por contrato
administrativo, aos particulares (concessionárias, permissionárias de serviços – transporte coletivo,
telefonia), ou por ato administrativo unilateral (autorização – serviço de táxi, despachante).

- Administração direta: formada pelos órgãos que integram as pessoas políticas do Estado (União,
Estados, DF e Municípios). É forma de desconcentração.
- Administração indireta: conjunto de pessoas jurídicas quem têm personalidade jurídica própria, mas não
têm autonomia política. São vinculadas à administração direta.
- Não há relação de hierarquia e subordinação entre a Adm. Direta e Indireta. Há apenas o controle
finalístico, supervisão ministerial pelo Executivo (ex.: criação de agências reguladoras), o controle do
Judiciário, e do Legislativo (Tribunal de Contas, e pode ocorrer CPI), e o controle popular (Ação Popular).
- Órgãos públicos são criados por lei, vedada a criação mediante decreto autônomo. Não possuem
patrimônio próprio em decorrência da falta da personalidade jurídica.
- Órgão público é um núcleo especializado de competência. Não tem personalidade jurídica, embora
possuam CNPJ (quem responde por seus atos é a pessoa jurídica a que pertence) – Por isso, não pode
celebrar contrato (pode efetuar licitação, mas não é parte do contrato, e sim a pessoa jurídica da qual faz
parte). O CNPJ serve para acompanhar e fiscalizar o fluxo do recurso. Por essa razão a Receita Federal
criou o CNPJ. Assim, se houver recurso público, haverá CNPJ, mas não a personalidade jurídica.
- Os órgãos não tem personalidade jurídica, mas podem ter personalidade judiciária.
- Os órgãos subdividem-se em:

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a) Independentes: representam o poder, originários da Constituição. É independente hierarquicamente
falando, pois não se subordina a ninguém. Ex.: presidência, prefeituras, governadorias, MP, Tribunal de
Contas.
b) Autônomos: são subordinados aos órgãos independentes, mas conservam autonomia administrativa e
financeira. Ex.: Ministérios, Secretarias.
c) Superiores: não têm independência nem autonomia, mas tem poder de decisão, com atribuições
predominantemente executórias. Ex.: secretaria da fazenda, procuradoria da fazenda.
d) Subalternos: órgãos de mera execução.
#ATENÇÃO: Na descentralização pode haver a desconcentração e a descentralização (criação de
subsidiárias).
- Na descentralização NÃO HÁ SUBORDINAÇÃO, NÃO HÁ CONTROLE HIERÁRQUICO. O QUE HÁ É
VINCULAÇÃO, TUTELA OU SUPERVISÃO (CONTROLE FINALÍSTICO).
#ATENÇÃO: mesmo não havendo hierarquia entre a administração direta e a indireta, em casos
excepcionais, previstos em lei, pode ser autorizado o “recurso hierárquico impróprio” contra ato da
administração indireta, impetrado perante a Administração Direta.
- Para garantir a eficiência no serviço, o Estado se especializa através da descentralização. (Princípio da
Descentralização ou Especialização).
- Na desconcentração HÁ SUBORDINAÇÃO, LOGO HÁ HIERARQUIA.
 União, Estados, Municípios, DF, Autarquias, Fundações Públicas (de direito público): Pessoas jurídicas
de Direito Público. Obedecem ao regime jurídico publicista, regidas por normas jurídicas de direito
público.
 Empresas Públicas, Sociedades de Economia Mista e Fundações Públicas (de direito privado): Pessoas
Jurídicas de Direito Privado. Regidas por um regime jurídico misto ou híbrido. Podem prestar serviços
públicos ou explorar atividade econômica.
- Pessoa jurídica de direito público é criada diretamente por lei, não sendo necessário ato constitutivo no
registro público.
#ATENÇÃO: O Brasil adotou a TEORIA DA IMPUTAÇÃO VOLITIVA, pela qual o agente público atua em
nome do Estado, titularizando um órgão público, de modo que a atuação ou comportamento do agente
no exercício da função pública é juridicamente atribuída (imputada) ao Estado.
- A imunidade recíproca só alcança os entes políticos, as autarquias e fundações de direito público.

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- Os órgãos da administração indireta devem dispensar, no âmbito de sua competência e finalidade,
tratamento prioritário e adequado, tendente a viabilizar, na área da saúde, a garantia de atendimento de
saúde domiciliar ao deficiente grave não internado.
Súmula 525-STJ: A Câmara de vereadores não possui personalidade jurídica, apenas personalidade
judiciária, somente podendo demandar em juízo para defender os seus direitos institucionais.

PRERROGATIVAS (PRIVILÉGIOS) ESTATAIS DO REGIME JURÍDICO PÚBLICO:

Bens públicos impenhoráveis;


Regime de precatório;
Prazos processuais dilatados para contestar e recorrer;
Imunidade recíproca;
Remessa necessária das decisões judiciais prejudiciais;
Expedem atos administrativos.

AUTARQUIAS:
- Desenvolvem atividades típicas do Estado.
- Forma de descentralização por serviço.
- Pessoa jurídica de direito público;
- Criada por lei, para desenvolver uma atividade típica do Estado. (art. 37, XIX CF);
- Autonomia financeira e gerencial (administrativa);
- Seus bens são públicos, logo são impenhoráveis;
- Dívidas executadas via precatório;
- Seus prazos são dilatados e gozam de imunidades recíprocas.
- O Estado é subsidiariamente responsável pelas obrigações contraídas por suas autarquias. A
responsabilidade é subsidiária e objetiva.
- A extinção da autarquia também é feita por lei.
- A autarquia segue regime de precatório, mas com fila própria de precatórios. Sujeita-se à Lei de
Responsabilidade Fiscal. Há imunidade recíproca para os impostos das autarquias, quando se tratar de
sua finalidade específica instituída por lei (um ente não pode instituir impostos para outro ente – mas
pode taxas e contribuições).

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- OAB – tem tratamento diferenciado em relação aos demais Conselhos de classe. A anuidade não tem
natureza de tributo e o seu não pagamento acarreta execução normal. Suas contas não se sujeitam ao
Tribunal de Contas. O STF determinou que a OAB é uma pessoa jurídica sui generis, que não se confunde
com os demais conselhos de classe e nem com as autarquias especiais e que não está vinculada nem à
Administração direta e nem à indireta. Assim, afastou-se a necessidade de concurso público. Tem
tratamento de autarquia, como a contagem de prazo de Fazenda Pública.
- Súmula 66, STJ: Compete à Justiça Federal processar e julgar execução fiscal promovida por Conselho
de fiscalização profissional. Conselho de Classe tem natureza jurídica de autarquia e exerce poder de
polícia. A anuidade tem natureza tributária e o seu não pagamento gera cobrança por execução fiscal,
com competência na JF (é autarquia federal). E é controlada pelo Tribunal de Contas (em razão da
natureza tributária das anuidades – dinheiro público). O benefício da isenção do preparo é inaplicado ao
conselho de classe. Deve haver concurso público.
- A autarquia é pessoa jurídica de direito público destituída de capacidade política. APENAS OS ENTES
POLÍTICOS POSSUEM CAPACIDADE POLÍTICA (União, Estados, DF, Municípios).
- Para receber a distinção de agência executiva, a autarquia ou a fundação deve, necessariamente,
celebrar contrato de gestão (GESTÃO PRIVILEGIADA – AGÊNCIA EXECUTIVA) com o órgão que a
supervisiona. Tem limite dobrado para dispensa de licitação. Enquanto os dirigentes das agências
reguladoras são detentores de mandatos, os dirigentes das agências executivas não dispõem de tal
estabilidade, podendo haver destituição sempre que a autoridade competente entender conveniente.
- Súmula 483, STJ: O INSS não está obrigado a efetuar depósito prévio do preparo por gozar das
prerrogativas e privilégios da Fazenda Pública.
- Súmula 561-STJ: Os conselhos regionais de Farmácia possuem atribuição para fiscalizar e autuar as
farmácias e drogarias quanto ao cumprimento da exigência de manter profissional legalmente habilitado
(farmacêutico) durante todo o período de funcionamento dos respectivos estabelecimentos.

FUNDAÇÕES:
- Fundação pública de direito público: nada mais é que uma espécie de autarquia. É chamada de fundação
autárquica. É uma espécie do gênero autarquia e por isso, a lei não autoriza a sua criação. A lei cria
fundação pública de direito público.
Forma de descentralização da administração pública;
- Se pessoa jurídica de direito público, seus bens são públicos, logo impenhoráveis;
- Dívidas executadas via precatório;

58
- Prazos são dilatados e gozam de imunidades recíprocas;
- Constituídas a partir de personificação patrimonial;
- Criadas por lei. Obs.: na CF fala-se que as fundações são autorizadas em lei, mas atente-se que a CF faz
menção às fundações de direito privado e não às de direito público. Logo estas são CRIADAS POR LEI.
- Em regra são de direito público, mas existem fundações de direito privado.
- Fundação pública de direito privado: também é chamada de fundação governamental. Segue um regime
misto, híbrido, igual ao da empresa pública e sociedade de economia mista. Nesse caso, a lei autoriza a
criação.

EMPRESAS PÚBLICAS

- É uma empresa estatal.


- Pessoa jurídica de direito privado. Logo, não goza das prerrogativas de estado.
- Segue o mesmo regime das empresas privadas no que tange às obrigações civis, comerciais, trabalhistas
e processuais.
- Mesmo não gozando dos privilégios públicos, se submetem às limitações do Estado.
- Capital exclusivamente público.
- A existência legal de uma empresa pública inicia-se com o registro do ato constitutivo no órgão
competente.
- Admitem qualquer forma societária admitida no direito.
- Lei apenas AUTORIZA sua criação.
- Não gozam das prerrogativas estatais (exceto se prestar serviço público).
- A regra geral é que, independentemente da finalidade, empresa pública e sociedade de economia mista
não estão sujeitas à falência.
- Regime de pessoal das EP e SEM é obrigatoriamente celetista, regime trabalhista, exigência de concurso
público, proibição de acumulação de cargos e sujeição ao teto quando receber repasse da Administração
Pública.
- Empresa pública é fiscalizada pelo Tribunal de Contas.
- Nenhuma das pessoas jurídicas tem o lucro como objetivo, não obstante o lucro seja possível. Nem
mesmo a empresa pública e sociedade de economia mista. A empresa pública e sociedade de economia
mista podem ter duas finalidades. Prestar um serviço público e explorar atividade econômica. Ainda que
explorem atividade, o objetivo não é o lucro.

59
- Empresa Pública Federal: pessoa jurídica de direito privado que segue um regime híbrido ou misto. Pode
ser prestadora de serviço público ou exploradora da atividade econômica. Pode ser constituída de
qualquer modalidade empresarial (LTA, S/A de capital aberto, etc.). Ex.: CEF, IFRAERO, BNDES,
EMBRAPA, CORREIOS. Criação por autorização em lei e depende de registro em órgão competente.
Competência da JF. OBS.: se for EP estadual ou municipal, quem julga é a JE.
- EP e SEM: na prestação de serviço público, precisa haver LICITAÇÃO. Na exploração de atividade
econômica, por falta da lei específica que regule o procedimento, devem seguir a lei geral de Licitação.
Mas há vários casos de dispensa e inexigibilidade impostos pela lei: para ATIVIDADE FIM, NÃO precisa
licitar (inexigibilidade). Seus bens são privados e, em regra, penhoráveis, a exceção dos bens que
estiverem diretamente ligados à prestação de serviços públicos. Não estão sujeitos à falência. Seguem o
regime celetista – possuem emprego (é agente público, mas não é servidor público, e sim empregado).
Mas possuem tratamento equiparado ao de servidor público em alguns casos (concurso público, não
acumulação de empregos, teto remuneratório, são funcionário público para o CP e Lei de Improbidade–
art. 327, CP, sujeitam-se aos remédios constitucionais). Não possuem estabilidade – mas o STF determina
que a dispensa deve ser motivada (contrário ao que diz a súmula do TST).
- Responsabilidade EP e SEM: prestando serviço público (art. 37, §6º) – responsabilidade objetiva e o
Estado responde subsidiariamente. Explorando atividade econômica (CC/02) – não aplica o art. 37, §6º, e
aplica-se a regra geral de responsabilidade subjetiva do CC, e o Estado não responde subsidiariamente.
- CORREIOS – Empresa Pública com tratamento diferenciado. Tem tratamento de Fazenda Pública,
porque tem exclusividade no serviço postal – por isso, todos os seus bens são protegidos,
impenhoráveis, mesmo que não estejam ligados às finalidades. Seguem regime de precatórios. A
dispensa de licitação não pode ser imotivada.
- Na esfera federal, a empresa pública pode ser constituída sob a forma de sociedade unipessoal, que tem
por órgão necessário a assembleia geral, por meio da qual se manifesta a vontade do Estado. Tal
assertiva está correta. Vamos entender o motivo? #IMPORTANTE #NÃOCONFUNDIR: Há diferença entre
a empresa pública unipessoal e a empresa constituída sob forma de sociedade unipessoal: nesta existe, e
naquela não, a assembleia geral, como órgão pelo qual se manifesta a vontade do Estado. Na primeira,
essa vontade é externa e, na segunda, é interna ou imanente. Empresa Pública sob forma de sociedade
unipessoal - Existe assembleia geral. Empresa Pública unipessoal - Não existe assembleia geral.
- O STF reconheceu que EP e SEM que prestam serviço público com exclusividade teriam que seguir o
regime de precatórios.

60
SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA
- É uma empresa estatal.
- Pessoa jurídica de direito privado. Logo, não goza das prerrogativas de Estado.
- Segue o mesmo regime das empresas privadas no que tange às obrigações civis, comerciais, trabalhistas
e processuais.
- Mesmo não gozando dos privilégios públicos, se submetem às limitações do Estado.
- Capital misto, público e privado. Com a maioria do capital votante pertencente ao ente público.
- Controle administrativo nas mãos do Estado.
- Lei apenas AUTORIZA sua criação.
- Só admitem a forma de sociedade anônima.
- Não goza das prerrogativas estatais (exceto se prestar serviço público).
- SÚMULA Nº 517: as sociedades de economia mista só têm foro na justiça federal, quando a união
intervém como assistente ou opoente.
- É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia mista prestadoras de serviço público
próprio do Estado e de natureza não concorrencial. STF. Plenário. ADPF 387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 23/3/2017 (Info 858)

*#CUIDADO: Segundo o STF, a PETROBRÁS não possui imunidade tributária pelos


seguintes motivos: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA
RECÍPROCA (ART. 150, VI, A DA CONSTITUIÇÃO). IMÓVEL UTILIZADO PARA SEDIAR
CONDUTOS DE TRANSPORTE DE PETRÓLEO, COMBUSTÍVEIS OU DERIVADOS. OPERAÇÃO
PELA PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. - PETROBRÁS. MONOPÓLIO DA UNIÃO.
INAPLICABILIDADE DA SALVAGUARDA CONSTITUCIONAL. 1. Recurso extraordinário
interposto de acórdão que considerou tributável propriedade imóvel utilizada pela
Petrobrás para a instalação e operação de condutos de transporte de seus produtos.
Alegada imunidade tributária recíproca, na medida em que a empresa-agravante
desempenha atividade sujeita a monopólio. 2. É irrelevante para definição da
aplicabilidade da imunidade tributária recíproca a circunstância de a atividade
desempenhada estar ou não sujeita a monopólio estatal. O alcance da salvaguarda
constitucional pressupõe o exame (i) da caracterização econômica da atividade (lucrativa
ou não), (ii) do risco à concorrência e à livre-iniciativa e (iii) de riscos ao pacto federativo

61
pela pressão política ou econômica. 3. A imunidade tributária recíproca não se aplica à
Petrobrás, pois: 3.1. Trata-se de sociedade de economia mista destinada à exploração
econômica em benefício de seus acionistas, pessoas de direito público e privado, e a
salvaguarda não se presta a proteger aumento patrimonial dissociado de interesse
público primário; 3.2. A Petrobrás visa a distribuição de lucros, e, portanto, tem
capacidade contributiva para participar do apoio econômico aos entes federados; 3.3. A
tributação de atividade econômica lucrativa não implica risco ao pacto federativo.
Agravo regimental conhecido, mas ao qual se nega provimento. (RE 285716 AgR,
Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 02/03/2010, DJe-055
DIVULG 25-03-2010 PUBLIC 26-03-2010 EMENT VOL-02395-04 PP-00892).

- O STF só admite a prévia aprovação, pelo Legislativo, de dirigentes de autarquias e fundações públicas.
No caso de empresa pública e sociedade de economia mista, o Supremo entende que se trata de
intromissão indevida.

AGÊNCIA EXECUTIVA - Art. 37, §8º.


- Firma-se contrato de gestão, o qual garante ampliação da autonomia gerencial, orçamentária e
financeira dos órgãos e entidades da administração direta e indireta, mediante a fixação de metas de
desempenho.
- Quando as autarquias e fundações firmarem esse contrato de gestão, passarão a se chamar Agências
Executivas.
- Efetuam plano estratégico de reestruturação.
- Observe-se que as agências executivas gozam do regime jurídico de direito público, visto que são
autarquias e fundações, embora tenham firmado contrato de gestão.

AGÊNCIA REGULADORA - Art. 175 CF.


- São autarquias em regime especial que têm por finalidade a regulamentação e a fiscalização do serviço
público delegado;
- Seguem um regimento diferenciado, pois foram criadas pela necessidade da administração de
regulamentar e fiscalizar a prestação de serviço de serviços públicos.

62
- Tem poder normativo - poder de estabelecer normas gerais e abstratas, mas dentro dos limites da lei.
Os atos normativos das agências reguladoras são as resoluções, a qual permite que a agência estabeleça
normas que serão observadas pelos prestadores do serviço.
- Seus dirigentes serão nomeados pelo Presidente com aprovação do Senado. Terão mandato com prazo
certo (logo, não exoneráveis ad nutum) e ao saírem do cargo observarão a quarentena (a legislação
específica pode estabelecer prazo diverso), ficando impossibilitado, durante esse prazo, de exercer
cargos nas empresas reguladas pela sua agência reguladora.
#OBS: Durante a quarentena continua vinculado à agência, fazendo jus à remuneração integral.
O titular do serviço público é o Estado, mas ele pode delegar essa função, através da concessão ou da
permissão. Ao delegar, o Estado não repassa a titularidade do serviço público, mas a titularidade da
execução. Portanto, uma vez delegada a prestação desse serviço público, o Estado precisa fiscalizar essa
atividade e o faz por meio das Agências Reguladoras.
- Dirigente de agência reguladora não pode ser, em regra, exonerado ad nutum. Súmula 25 do STF
superada.
- As decisões das agências reguladoras federais estão sujeitas à supervisão ministerial, inclusive por meio
de recurso hierárquico impróprio (não é baseado na hierarquia).
-- Agências Reguladoras: são autarquia de regime especial. Requer: SENADO + PRESIDENTE para nomear
e exonerar o dirigente. O Presidente nomeia, mas precisa de prévia autorização do Senado, que sabatina
o possível dirigente. O dirigente assume o cargo com um mandato com prazo fixo e diferente para cada
agência reguladora. Quarentena de 4 meses (regra geral) – não podendo o dirigente, quando encerrar
seu mandato, ir para a iniciativa privada no ramo da sua atividade. O dirigente fica afastado com
remuneração. LICITAÇÃO: por pregão e consulta (modalidade específica das agências). O regime adotado
deve ser o estatuto com cargos públicos e com CLT.

OBSERVAÇÕES EXTRAS:
- O consórcio público é constituído por contrato. Somente entes políticos (U, E, DF e M) podem participar
como consorciados, mas o consórcio poderá ter estrutura de direito privado também. Se constituído com
personalidade jurídica de direito público, integra a administração indireta de todos os entes da federação
consorciados. Pode ser contratado pela administração direta e indireta dos entes da federação
consorciada, dispensada a licitação. A União somente participará de consórcios públicos em que também
façam parte todos os Estados em cujos territórios estejam situados os Municípios consorciados.

63
- CF, Art. 241: A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios disciplinarão por meio de lei os
consórcios públicos e os convênios de cooperação entre os entes federados, autorizando a gestão
associada de serviços públicos, bem como a transferência total ou parcial de encargos, serviços, pessoal
e bens essenciais à continuidade dos serviços transferidos.
- Atividade Econômica = Monopólio / Serviço Público = Exclusividade.
- O terceiro setor são entidades privadas, sem fins lucrativos, que exercem atividades de interesse social
e coletivo (serviços não exclusivos) e que, por este motivo, recebem incentivos do Estado dentro de uma
atividade de fomento. São entes paraestatais, organizações não governamentais, pessoas jurídicas de
direito privado, prestam atividade de interesse coletivo, não prestam serviço público, cooperam com o
Estado, não têm fins lucrativos. A sua criação depende de autorização legislativa. Benefício da
parafiscalidade (delegação para cobrar tributos) – recebem dinheiro público – fiscalização do Tribunal de
Contas. Por ter dinheiro público, está sujeito à licitação, mas pode adotar um procedimento simplificado
(segundo o TC). Regime celetista, empregado privado. Competência da Justiça Estadual.
- OS – Organizações Sociais: pessoa jurídica de direito privado, que não integra a Administração, sem fins
lucrativos, criada por particulares para a execução de serviços públicos não exclusivos do Estado,
previstos em lei. Colaboram com o cumprimento dos objetivos dos serviços públicos. Atuação em ensino
e pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, meio ambiente, cultura e saúde.
- A CF passou a prever, após a reforma administrativa do Estado promovida pela Emenda Constitucional
n.º 19/1998, a gestão associada na prestação de serviços públicos mediante convênios de cooperação e
consórcios públicos.
- Quatro setores e suas características –TRF5

1º SETOR: ENTES FEDERATIVOS


2º SETOR: INICIATIVA PRIVADA COM FINS LUCRATIVOS
3º SETOR: INICIATIVA PRIVADA SEM FINS LUCRATIVOS
4º SETOR: CONTINGENTE DA ECONOMIA INFORMAL
5º SETOR: EXCLUÍDOS DA ECONOMIA, EM DECORRÊNCIA DA MISÉRIA ABSOLUTA

 ATO ADMINISTRATIVO
-Conceito: é uma manifestação de vontade do Estado ou de quem o represente que irá criar, modificar ou
extinguir direitos, com o objetivo de satisfazer o interesse público. É complementar e inferior à lei e está
sujeito ao controle pelo Poder Judiciário. Seu regime jurídico é de direito público.
64
ATOS DA ADMINISTRAÇÃO
ATOS ADMINISTRATIVOS ATOS MATERIAIS ATOS DE DIREITO ATOS POLÍTICOS
PRIVADO
Manifestação de vontade Atuação da Atos praticados São atos
unilateral do Estado (ou de Administração que pela Administração governamentais
quem lhe faça às vezes), no produz sem a prerrogativa por excelência, e
exercício da função pública, consequências de direito público. não apenas de
regida pelo INTERESSE jurídicas, mas não O Estado se põe administração.
PÚBLICO, visando adquirir, se traduz em uma em situação de Consiste na
resguardar, transferir, manifestação de igualdade com o própria condução
modificar, extinguir e vontade. Ex.: particular. dos negócios
declarar direitos. cirurgia em públicos. Ex.:
hospital público. sanção/veto do
Presidente da
República a
projeto de lei.

Vigência do ato tem a ver com sua existência, ao passo que vigor tem a ver com a eficácia.

Validade do ato diz respeito à legalidade; eficácia diz respeito à aptidão para produzir efeitos.
Ato perfeito (existe, vigência), válido (legal) e eficaz (vigorando).

- Pelo critério objetivo, funcional ou material, ato administrativo é somente aquele praticado no exercício
concreto da função administrativa, seja ele editado pelos órgãos administrativos ou pelos órgãos judiciais
e legislativos.
- Pelo critério subjetivo, orgânico ou formal, são atos administrativos os editados pelos órgãos
administrativos, excluindo-se dessa classificação todos os atos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário.
- O ato da administração, praticado pela administração pública no exercício da função administrativa,
pode ser regido tanto pelo direito público quanto pelo direito privado, ao passo que o ato administrativo
rege-se, necessariamente, pelo direito público.

65
FATO – acontecimento
ATO – manifestação de vontade.

- Características dos atos administrativos:


a) Presunção de legitimidade (diz respeito ao direito);
b) Presunção de veracidade (diz respeito aos fatos);
c) Auto Executoriedade (executar sem o Judiciário, meio direto de coerção – quando autorizado por
lei expressamente ou for urgente);
d) Exigibilidade (decidir sem o Judiciário, meio indireto de coerção);
e) Imperatividade (se impõe ao particular, independente de sua aquiescência);
f) Tipicidade (previsão em lei).

Não estão presentes em todos os atos:


Auto Executoriedade
Exigibilidade
Imperatividade

- Elementos ou requisitos de validade do ato:


a) Sujeito competente (O produtor do ato precisa ser agente público competente – deve estar
prevista em lei a competência administrativa. A competência resulta da lei e é por ela delimitada);
b) Forma (prevista em lei);
c) Motivo (situação de fato ou de direito que leva à prática do ato);
d) Objeto (é o conteúdo do ato praticado, o efeito jurídico do ato);
e) Finalidade (a razão de interesse público).
- A competência é de exercício obrigatório, irrenunciável, imodificável, não admite transação,
imprescritível, improrrogável (não se aplica a prorrogação de competência como no Processo Civil).

ABUSO DE PODER
Desvio de poder: desvio de finalidade (vício que atinge o elemento da finalidade)
Excesso de poder: autoridade atua fora dos limites de sua competência.

66
- A competência não pode ser delegada nos casos de: competência exclusiva, para edição de ato
normativo, para decisão em recurso administrativo.
- Os atos praticados por delegação imputam-se ao delegado.
- Súmula 510 STF: Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela cabe
o mandado de segurança ou a medida judicial.
- Forma: Em regra é a escrita (excepcionalmente admite-se de outra maneira). Princípio da solenidade;
processo administrativo prévio é requisito de forma do ato (legitima, fundamenta o ato).
- Em obediência ao princípio da solenidade das formas, o ato administrativo deve ser escrito, registrado e
publicado, não se admitindo no direito público, em regra, o silêncio como forma de manifestação de
vontade da administração.
- Art. 60, §único, Lei 8666: é nulo e de nenhum efeito o contrato verbal, SALVO pronta-entrega, pronto-
pagamento e valores de até 4 mil reais.
- Motivo – não existe ato imotivado – é obrigatório e deve ocorrer antes ou durante a prática do ato. O
que pode não haver e a explicitação dos motivos que levaram à edição do ato.
- Motivação difere de motivo.

Todo ato administrativo tem motivo, no entanto, nem sempre a Administração é obrigada a explicitar os
motivos que levaram à edição do ato. No entanto, mesmo quando a motivação for dispensa pela lei, caso
o administrador opte por expor os motivos, essa motivação vincula o ato para todos os efeitos jurídicos. -
- Logo, havendo desconformidade entre os motivos determinantes e a realidade, o ato será inválido
(TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES).

O motivo é o fato e o fundamento jurídico que determina ou autoriza a realização do ato


administrativo.

A motivação é a exposição dos motivos. Faz parte da forma do ato.

- Para que o ato seja legal, o motivo deve ser legal. Legalidade do motivo – ele precisa ter materialidade;
ser compatível com o motivo legal, previsto em lei; e compatível com o resultado do ato.
- Teoria dos Motivos Determinantes: motivo declarado é motivo vinculado – a autoridade deve cumprir o
motivo (mesmo que seja feita em exoneração de cargos em comissão – ad nutum – a exoneração não
precisa de motivo, mas se for declarado, tem que cumprir).
67
- Tredestinação: possível nos atos administrativos de desapropriação e que estará presente sempre que a
finalidade específica do ato é alterada, garantida a manutenção da busca pelo interesse público. É a
mudança de motivo autorizada na desapropriação, quando mantido o interesse público.

Requisitos sempre vinculados: COMPETÊNCIA, FINALIDADE e FORMA.


Mérito do ato administrativo
- Nem todos os requisitos dos atos administrativos são vinculados.
- O motivo e o objeto podem ser discricionários, se assim dispuser a lei. Desse modo, no ato
discricionário, cabe ao administrador avaliar a conveniência e a oportunidade relativas ao motivo e ao
objeto, inspiradoras da prática do ato discricionário.
- Essa análise da conveniência/oportunidade configura o mérito administrativo.
- No ato vinculado não há mérito administrativo, pois a administração já dispôs previamente sobre o
motivo e o objeto do ato.
- Ato discricionário não se confunde com ato arbitrário. No ato discricionário a lei permite que o
administrador avalie a conveniência e oportunidade do motivo e/ou do objeto do ato, mas sempre
dentro dos limites da lei. No ato arbitrário o administrador atua em desconforme com a lei.
- Não cabe ao Judiciário exercer o controle sobre o mérito do ato administrativo, ou seja, não pode
avaliar se o ato é ou não conveniente/oportuno. Mas, cuidado, o Judiciário pode ANULAR o ato
discricionário quando identificar alguma nulidade.
- O Judiciário NUNCA revoga um ato administrativo, mas pode ANULÁ-LO se encontrar vícios que o
maculem. Assim, o Poder Judiciário não pode rever o mérito em si, mas se o objeto e o motivo forem
falsos – mesmo que o ato seja discricionário, pode revê-los, mas esta revisão recairá sobre a legalidade e
não a liberdade do ato.

Classificação dos atos:


QUANTO AO GRAU DE LIBERDADE:
a) Vinculado;
b) Discricionário.
QUANTO O DESTINATÁRIO:
a) Ato geral: atinge pessoa indeterminadas;
b) Ato individual: atinge pessoa (s) determinada (s).
QUANTO AO ALCANCE:

68
a) Ato interno: se dá no âmbito da própria Administração (ato introverso);
b) Ato externo: atinge terceiros, estranhos à Administração (ato extroverso).
QUANTO AO OBJETO:
a) Ato de Império: é praticado com as prerrogativas e privilégios da Administração;
b) Ato de Gestão: é praticado com posição de igualdade jurídica com particulares
QUANTO À FORMAÇÃO:
a) Ato simples: resulta da manifestação de vontade de um único órgão.
b) Ato complexo: resulta da conjugação de vontades de mais de um órgão. É formado pela soma de
vontades independentes.
c) Ato composto: resulta da vontade única de um órgão, mas depende da verificação por parte do outro,
para se tornar exequível. Há uma vontade independente mais uma vontade acessória.

Espécies de atos:
a) Atos normativos:
 Decreto;
 Regulamento;
 Regimento;
 Deliberações;
 Resoluções;

b) Atos ordinatórios: disciplinam o funcionamento da Administração e a conduta funcional dos seus


agentes. Ex.: avisos, circulares, instruções, ofícios, etc. É exercício de poder hierárquico.

c) Atos negociais: consistem em declarações de vontade da administração, que se consubstancia com o


pedido do administrado. Ex.: licença, autorização, permissão, aprovação, admissão, visto, homologação.

- Licença é ato vinculado. Não confundir com as licenças para o servidor público, que em regra são
discricionárias.
- Admissão é um ato administrativo unilateral e vinculado pelo qual a Administração Pública reconhece ao
particular, que preencha os requisitos legais, o direito à prestação (desfrute e gozo) de um determinado
serviço público. Ex.: ato de internação em hospital público, matrícula de aluno em escola pública,
inscrição como usuário em biblioteca pública.
69
d) Atos enunciativos: enunciam uma situação existente, sem qualquer manifestação de vontade da
Administração. Ex.: certidões, atestados, pareceres, apostilas.

e) Atos punitivos.

Extinção dos atos administrativos:

a) Extinção natural:
 Cumprimento dos seus efeitos;
 Desaparecimento do sujeito;
 Desaparecimento do objeto;
 Caducidade: haverá caducidade quando a lei em que o ato se sustentava (lembre-se que todo
ato advém de previsão legal) for revogada por outra norma, e esta nova lei não der
sustentação jurídica ao ato administrativo.

b) Extinção provocada:
a. Cassação: o particular descumpre as exigências legais relativas à situação do objeto do ato.
b. Anulação: ocorre quando o ato é ilegal, que contraria o ordenamento;
c. Revogação: ocorre quando não é mais conveniente/oportuno à Administração a manutenção
do ato. Não há vício no ato, mas desinteresse na manutenção do ato.

 Somente atos legais podem ser revogados. Atos ilegais serão anulados.

#FICALIGADO: quando a Administração, no exercício da autotutela, desfizer atos administrativos que


afetem desfavoravelmente interesse do administrado, deve instaurar procedimento no qual se dê a ele
oportunidade de contraditório.
- O princípio da proteção à confiança legitima a possibilidade de manutenção de atos administrativos
inválidos.
Súmula 473

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A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque
deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados
os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.
Súmula 346
A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos.
- A administração pública tem o dever de anular seus atos administrativos com vício de legalidade. (O
Judiciário também pode!). É o que pode ser deduzido a partir do art. 53 da Lei n. 9.784/99: "A
Administração deve anular seus próprios atos, ,quando eivados de vício de legalidade, e pode revogá-los
por motivo de conveniência e oportunidade, respeitados os direitos adquiridos".

REVOGAÇÃO ANULAÇÃO

Efeitos ex-nunc Efeitos ex-tunc

ATOS QUE NÃO ADMITEM REVOGAÇÃO

Ato vinculado
Ato que gerou direito adquirido
Ato consumado/exaurido
Ato enunciativo
Ato procedimento

- No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contar-se-á da percepção do primeiro


pagamento. Não corre esse prazo entre o ato administrativo concessivo de aposentadoria ou pensão e o
posterior julgamento de sua legalidade e registro pelo TCU.
- os vícios sanáveis possibilitam a convalidação, ao passo que os vícios insanáveis impedem o
aproveitamento do ato.
Convalidação do ato administrativo:

- Os vícios sanáveis admitem convalidação. Os efeitos da convalidação são retroativos (ex tunc).
- A maioria da doutrina admite que os vícios nos requisitos competência e forma admitem convalidação.

71
 Competência: tratando-se de competência exclusiva ou em razão da matéria não é possível a
convalidação quando o vício atingir tais aspectos.
 Forma: é possível a convalidação desde que a forma prevista em lei não seja essencial à validade
do ato.
- A convalidação é da competência privativa da própria Administração, logo, é incabível que um órgão
jurisdicional pratique a convalidação, a menos que se trate dos seus próprios atos administrativos.
- A convalidação existe exatamente para manter a validade de um ato ilegal, desde que a ILEGALIDADE
presente nesse ato seja sanável e não acarrete lesão a ninguém, ratificando a presunção de legitimidade
atribuída a tal ato. Na convalidação, o ato administrativo por meio do qual se supre o vício existente em
um ato eivado de ilegalidade, tem efeitos retroativos, mas o ato originário não pode ter causado lesão a
terceiros.
- A conversão incide sobre atos nulos e não os aproveita na situação original; a convalidação incide sobre
atos anuláveis e mantém o ato na situação original.
- Segundo entendimento do STJ, uma vez impugnado o ato administrativo seja pela via judicial, seja pela
via administrativa não mais há possibilidade de convalidação.

 PODERES ADMINISTRATIVOS
- Os poderes administrativos são poderes deveres. Ou seja, a administração não pode deixar de buscar o
interesse público.

- Esses poderes são instrumentais, são os meios necessários para se alcançar o interesse público. Se o
Estado exerce esse poder pelo simples uso do poder, ou seja, sem objetar uma finalidade pública, ocorre
o abuso de poder.

ABUSO DE PODER

a) Excesso de poder – é vício de competência. O agente extrapola a competência dada pela lei.
b) Desvio de poder (ou desvio de finalidade) – é vício de finalidade. O agente pratica o ato com finalidade
diversa daquela prevista na lei.

- Os poderes administrativos podem ser exercidos de forma vinculada ou discricionária.

72
- O Poder Judiciário pode controlar um ato discricionário no que tange à legalidade, mas não pode
substituir o mérito administrativo.

PODER NORMATIVO
- Decorre do poder hierárquico.
- Não é sinônimo de poder regulamentar, posto que este é espécie do poder normativo.
- É o poder que a administração pública tem de editar normas gerais e abstratas (em alguns casos raros
pode ser geral e concreto), dentro dos limites da lei. Observe-se que não é o poder de editar lei, mas
normas inferiores para facilitar o entendimento do texto da lei.
- O ato normativo mais famoso é o regulamento.
- Regulamento é o ato e decreto é a forma do regulamento.
- A competência regulamentar é privativa dos Chefes do Executivo e, em princípio, indelegável. Exceção,
art. 84, § único, CF/88.
- A doutrina divide os regulamentos em dois tipos:
a) Executivos: expedido para fiel execução da lei.
b) Autônomos (ou independentes): é expedido para substituir a lei. No Brasil, em tese, não são aceitos,
pois só se originam direito e deveres a partir de lei. No entanto, foi inserido na CF (pela EC nº 32/01), o
artigo 84, VI (já trabalhado em Direito Constitucional).

#ATENÇÃO: o exercício do poder regulamentar independe de previsão na lei a ser regulamentada.


PODER HIERÁRQUICO

- Poder de organização e ordenação interna da coletividade. Não existe hierarquia externa, pois a
hierarquia se faz dentro da mesma pessoa jurídica.
- Justifica a possibilidade de avocação e delegação de competência.
- É um poder interno (não se aplica a particulares) e permanente.

 Não existe hierarquia entre a administração direta e as entidades componentes da administração


indireta.

DELEGAÇÃO (art. 12- 14 da Lei 9.784/99)

73
- Um órgão administrativo ou seu titular poderão delegar parte da sua competência a outros órgãos ou
titulares, ainda que estes não lhe sejam hierarquicamente subordinados, quando for conveniente, em
razão de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial.
- A delegação é sempre provisória, pois pode ser revogada a qualquer tempo pela autoridade delegante.
- O ato de delegação obrigatoriamente especificará as matérias e poderes transferidos, os limites da
atuação do delegado, a duração e os objetivos da delegação e o recurso cabível, podendo conter ressalva
de exercício da atribuição delegada.
- As decisões adotadas por delegação consideram-se praticadas pelo delegado.
- A regra é a delegabilidade da competência.
São indelegáveis:
a) Edição de ato de caráter normativo;
b) Decisão em recursos administrativos;
c) Matérias de competência exclusiva.

Súmula 510 STF: Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela cabe o
mandado de segurança ou a medida judicial.

AVOCAÇÃO
- Permite que a autoridade hierarquicamente superior chame para si a competência de um órgão ou
agente subordinado.
- É medida excepcional e temporária. Só pode ser realizada dentro de uma mesma linha hierárquica,
denominando-se avocação vertical.
- Não existe no direito brasileiro, avocação horizontal.

PODER DISCIPLINAR
- Poder sancionatório, de aplicação de penalidades.
- Trata-se de poder interno, não permanente e discricionário. Interno, pois só pode ser exercido sobre
agentes públicos, nunca em relação aos particulares, exceto quando houver algum vínculo especial entre
a Administração e o particular, como no caso de contratos administrativos. Não permanente, pois só se
aplica se e quando o agente comete falta. E discricionário porque pode a administração escolher a
penalidade que melhor se adeque ao caso;

74
#ATENÇÃO: constatada a infração a administração é obrigada a punir seu agente. É um dever vinculado.
Mas a escolha da punição é discricionária;

#ATENÇÃO: nem toda penalidade deriva do Poder Disciplinar. O Poder Disciplinar refere-se a quem tem
vínculo específico com a administração. Ex.: a multa aplicada ao particular que infringiu norma de transito
não deriva do poder disciplinar, pois não há vínculo especial entre o Estado e o sancionado. Essa multa
deriva do poder de polícia.
- A advertência aplicada a um servidor é decorrência imediata do poder disciplinar e mediata do poder
hierárquico. Vale dizer, o poder disciplinar, nesses casos, deriva do hierárquico. Entretanto, quando a
administração pública aplica uma sanção administrativa a alguém que descumpriu um contrato
administrativo, há exercício do poder disciplinar, mas não existe liame hierárquico.
PODER DE POLÍCIA
- É exercido por meio de prerrogativas e sujeições;
- Pode ser preventivo ou repressivo;
- Aqui, fala-se da polícia administrativa e não da polícia judiciária.
- É chamado pelos doutrinadores mais modernos de LIMITAÇÃO ADMINISTRATIVA.
- Art. 78 CTN: Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou
disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de
interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e
do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder
Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.
- Se manifesta por atos gerais ou individuais, preventivos ou repressivos.
A regra é que seja discricionário. Mas há casos em que é vinculado, como no caso da licença.

Características*:

Discrionariedade
Autoexecutoriedade
Coercibilidade
*Nem todos os atos decorrentes do Poder de Polícia têm esses requisitos.

75
- É coercitivo (meios indiretos de coerção) e autoexecutável (meios diretos de coerção, não precisam do
judiciário). A autoexecutoriedade não está presente em todos os atos de polícia, mas deriva de lei ou de
situação de urgência.
- A doutrina majoritária entende que o poder de polícia (poder típico do Estado) não pode ser delegado a
particulares, por isso, hoje se entende que os conselhos profissionais são autarquias, para que possam
gozar dos poderes da administração.
- A transferência de atividades materiais preparatórias a particulares não significa dizer que se está
delegando o poder de polícia. Ou seja, os aspectos materiais do poder de polícia podem ser delegados a
particulares.
- O poder de polícia só pode ser delegado a pessoas jurídicas de direito público.
- O Poder de Polícia não se reduz à atuação estatal de oferecimento de segurança pública. As polícias
civil, militar e federal também exercem o poder de polícia, mas este não se esgota na atividade
específica de manter a segurança pública.
- O Banco Central tem o dever de exercer o controle do crédito e fiscalizar a atividade das instituições
financeiras. O Serasa não é uma instituição financeira, considerando que não exerce coleta,
intermediação nem aplicação de recursos financeiros, nem a custódia de valor de propriedade de
terceiros, seja como atividade principal ou acessória. Logo, não é da atribuição do Banco Central a
fiscalização das atividades do Serasa. STJ. 4ª Turma. REsp 1.178.768-SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti,
julgado em 1/12/2016 (Info 595).
- A Lei nº 7.102/83 estabelece normas para constituição e funcionamento das empresas particulares que
exploram serviços de vigilância e de transporte de valores. O art. 11 dessa Lei prevê que “a propriedade e
a administração das empresas especializadas que vierem a se constituir são vedadas a estrangeiros.”
Esse art. 11 deve ser interpretado segundo a Constituição Federal que, desde a EC 6/95, proíbe, em regra,
que a lei faça discriminação entre “empresa brasileira de capital nacional” e “empresa brasileira de
capital estrangeiro”. Em outras palavras, para o texto constitucional atual, em regra, desde que uma
empresa seja brasileira (constituída no Brasil e sujeita às leis brasileiras), a origem do seu capital é
irrelevante. Diante disso, a interpretação atual do art. 11 deve ser a seguinte: • Empresas constituídas no
exterior são proibidas de atuar no setor de segurança privada. • Todavia, empresas que sejam
constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País são consideradas
“empresas brasileiras” (art. 1.126 do Código Civil), sendo irrelevante que tenham na sua composição
societária, direta ou indiretamente, participação ou controle pelo capital estrangeiro. • Logo, “empresas
brasileiras” poderão praticar atividades de segurança privada no país ainda que tenham sócios

76
estrangeiros. A restrição veiculada pelo art. 11 da Lei nº 7.102/83, de acordo com a CF/88, não impede a
participação de capital estrangeiro nas sociedades nacionais (empresas brasileiras) que prestam serviço
de segurança privada. STJ. 1ª Seção. MS 19.088-DF, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 14/12/2016
(Info 596).

Tem dois sentidos:

Sentido amplo: engloba as restrições legislativas e administrativas.


Sentido estrito: inclui somente as limitações administrativas à liberdade e propriedade
privadas, deixando de fora as restrições impostas por dispositivos legais.

 PROCESSO ADMINISTRATIVO – LEI 9.784/99


- Trata-se de lei federal, e não nacional.
- Tem caráter supletivo ou subsidiário, ou seja, se houver lei específica, essa deverá ser aplicada (art. 69
da Lei 9.784/99).
- Princípios expressos na lei: legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade,
moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.
- Princípios implícitos: informalismo, oficialidade, verdade material e gratuidade.
- Súmula Vinculante 5: A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não
ofende a Constituição.
- Tramitação prioritária: Art. 69-A. Terão prioridade na tramitação, em qualquer órgão ou instância, os
procedimentos administrativos em que figure como parte ou interessado: I - pessoa com idade igual ou
superior a 60 (sessenta) anos; II - pessoa portadora de deficiência, física ou mental; IV - pessoa portadora de
tuberculose ativa, esclerose múltipla, neoplasia maligna, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante,
cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia
grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome
de imunodeficiência adquirida, ou outra doença grave, com base em conclusão da medicina especializada,
mesmo que a doença tenha sido contraída após o início do processo.
- O processo pode se iniciar de ofício ou a pedido.
- A alegação de suspeição, se não alegada tempestivamente, leva a preclusão.
- Não há na lei obrigação de declarar-se suspeito, havendo obrigação tão somente quanto ao
impedimento.

77
- Art. 24. Inexistindo disposição específica, os atos do órgão ou autoridade responsável pelo processo e
dos administrados que dele participem devem ser praticados no prazo de cinco dias, salvo motivo de
força maior.
- A intimação pode ser efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso de recebimento, por
telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado.
- As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento
do administrado supre sua falta ou irregularidade => Princípio da Instrumentalidade das Formas.
- Art. 27. O desatendimento da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos fatos, nem a
renúncia a direito pelo administrado. Parágrafo único. No prosseguimento do processo, será garantido
direito de ampla defesa ao interessado.
- Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de
deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de
seu interesse.
- A instrução ocorre de ofício.
- Poder haver consulta pública e audiência pública.
- O Princípio da Verdade Material norteia os processos administrativos.
- Prazo para emissão de parecer: 15 dias.
- Prazo para emissão da decisão: 30 dias.
- A parte pode desistir do processo ou renunciar a direito, mas, caso haja interesse da administração, o
processo pode prosseguir.
- Art. 57. O recurso administrativo tramitará no máximo por três instâncias administrativas, salvo
disposição legal diversa.
- Cabe reconsideração: prazo de 5 dias.
- Súmula Vinculante 21: É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou
bens para admissibilidade de recurso administrativo.
- Regra geral: 10 dias para interpor recurso.
- O recurso pode agravar a situação do recorrente, mas deve-se assegurar o contraditório prévio.
- Da revisão do processo não pode ocorrer o agravamento da situação.
- Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de interpretação da norma
administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada
aplicação retroativa de nova interpretação.

78
- O efeito preliminar ou prodrômico acontece nos atos administrativos que dependem de duas
manifestações de vontade. Este efeito se configura com o dever da segunda autoridade se manifestar
quando a primeira já o fez. Esse dever vem antes do aperfeiçoamento do ato, que se chama preliminar ou
prodrômico.
- Inexistindo competência legal específica, o processo administrativo deverá ser iniciado perante a
autoridade de menor grau hierárquico para decidir.
- Recurso hierárquico próprio é aquele dirigido à autoridade superior do mesmo órgão. Recurso
hierárquico impróprio é aquele dirigido à autoridade externa à pessoa jurídica prolatora da decisão.
- Teoria da encampação (não se confunde com a encampação na concessão de serviço público): trata da
admissão de mandado de segurança contra a autoridade administrativa hierarquicamente superior,
apontada por engano como coatora, quando o mandamus deveria ter sido manejado contra autoridade
subordinada sua. Mesma competência para julgamento do MS. Que conteste o mérito.
#SELIGANOSTRIBUNAISSUPERIORES:
- Sumula 18 STF: Pela falta residual, não compreendida na absolvição pelo juízo criminal, é admissível a
punição administrativa do servidor público.
- Súmula 19 STF: É inadmissível segunda punição de servidor público, baseada no mesmo processo em
que se fundou a primeira.
- Segundo o STJ não há ilegalidade na instauração de processo administrativo com fundamento em
denúncia anônima, por conta do poder-dever de autotutela imposto à Administração e, por via de
consequência, ao administrador público.
- STF e STJ são firmes em admitir a utilização no processo administrativo de “prova emprestada” do
inquérito policial ou do processo penal em processo administrativo.
- O excesso de prazo só tem o condão de macular o processo administrativo se ficar comprovado que
houver fundado e evidenciado prejuízo, pois não há falar em nulidade sem prejuízo.
- PAD é independente em relação à ação de improbidade administrativa.
 LICITAÇÃO
- É procedimento administrativo prévio às contratações do Poder Público.
- Finalidades: seleção da proposta mais vantajosa, isonomia, promoção do desenvolvimento nacional
sustentável.
- Os princípios explícitos estão elencados no art. 3º da Lei 8.666/93:

A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia, a seleção da proposta mais
vantajosa para a administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável e será processada e
julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da

79
igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento
objetivo e dos que lhes são correlatos.
 Legalidade
 Impessoalidade
 Moralidade
 Igualdade
 Publicidade
 Probidade administrativa
 Vinculação ao instrumento convocatório
 Julgamento objetivo.
Art. 3º § 3o A licitação não será sigilosa, sendo públicos e acessíveis ao público os atos de seu
procedimento, salvo quanto ao conteúdo das propostas, até a respectiva abertura.
- Publicidade X Publicação: publicação é uma forma de dar publicidade. A carta convite tem publicidade,
mas não há publicação.

Art. 37, XXI CF/88 - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão
contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes,
com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos
termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à
garantia do cumprimento das obrigações.

- Todo mundo deve licitar, se receber dinheiro público.

- Tipos de licitação:
 Menor preço;
 Melhor técnica;
 Técnica e preço;
 Maior lance.
Art. 3, § 2o Em igualdade de condições, como critério de desempate, será assegurada preferência, aos bens e
serviços:
I- (Revogado pela Lei nº 12.349, de 2010)
II - produzidos no País;
III - produzidos ou prestados por empresas brasileiras.
IV - produzidos ou prestados por empresas que invistam em pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia no
País. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)
V - produzidos ou prestados por empresas que comprovem cumprimento de reserva de cargos prevista em lei para
pessoa com deficiência ou para reabilitado da Previdência Social e que atendam às regras de acessibilidade
previstas na legislação. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)
Art. 45 § 2º No caso de empate entre duas ou mais propostas, e após obedecido o disposto no § 2o do art. 3º desta
Lei, a classificação se fará, obrigatoriamente, por sorteio, em ato público, para o qual todos os licitantes serão
convocados, vedado qualquer outro processo.

- LC 123 confere preferência de desempate à microempresa e EPP. Sua proposta pode ser até 10% maior,
configurando, ainda, empate. No pregão, esse percentual é de 5%.

COMISSÃO LICITANTE

80
- Mínimo de 3 membros, pelos menos 2 devem ser servidores efetivos do órgãos. Todos respondem
solidariamente.

Art. 51 § 3o Os membros das Comissões de licitação responderão solidariamente por todos os atos praticados pela
Comissão, salvo se posição individual divergente estiver devidamente fundamentada e registrada em ata lavrada
na reunião em que tiver sido tomada a decisão.

A comissão pode ser temporária ou permanente (1 ano). Depois de 1 ano, é vedada a recondução de
todos os membros.

MODALIDADES DE LICITAÇÃO

Em razão do valor Em razão do objeto


Concorrência Leilão
Tomada de preços Concurso
Convite Pregão

CONCORRÊNCIA

 É modalidade que considera o valor do serviço/compra*;


 Qualquer pessoa pode participar, ampla competição;
 Aplica-se para valores altos, grandes vultos;
 Usado também para o Sistema de Registro de Preços;
 Para valores mais baixos, ela será opcional.
 Intervalo mínimo (entre o edital e o início do procedimento):
o Licitação do tipo técnica ou técnica e preço: 45 dias;
o Outros: 30 dias.
o Nos contratos de empreitada integral o intervalo é de 45 dias.

*Exceções (não interessa o valor, a concorrência será obrigatória):


 Concessão de serviço público;
 Concessão de direito real de uso;
 Aquisição/venda de IMÓVEIS: se o imóvel a ser vendido foi adquirido por processo
judicial ou dação em pagamento, pode ser usado o leilão.
 Contrato de empreitada integral;
 Licitação internacional (participação de empresa estrangeira que não tem sede no país):
se o órgão tiver cadastro internacional pode ser tomada de preço (a depender do valor);
se não houver fornecedor no país pode ser convite (a depender do valor).

TOMADA DE PREÇOS

 O participante precisa estar cadastrado ou se cadastrar 3 dias antes da abertura das


propostas;
 Não há fase de habilitação porque os concorrentes já estão cadastrados.

81
 O cadastro nada mais é do que uma habilitação prévia;
 O cadastro tem validade de 1 ano;
 Intervalo mínimo:
o Licitação do tipo técnica ou técnica e preço: 30 dias;
o Outros: 15 dias.

CONVITE

 Participam os convidados;
 Não tem fase de habilitação;
 Prazos pra recurso são de 2 dias úteis.
 Se todos forem desclassificados, o prazo para adequação é de 3 dias úteis.
 Mínimo de 3 convidados, cadastrados ou não, exceto se não tiver esse mínimo;
 Os cadastrados que queiram participar têm que se manifestar, em pelo menos 24hrs
antes da apresentação da proposta.
 Instrumento convocatório é a Carta Convite. Possui publicidade, mas não tem
publicação.
 Intervalo mínimo: 5 dias ÚTEIS.
 Na comissão, havendo escassez de pessoal, pode não ter comissão, sendo feita apenas
por 1 servidor efetivo.

CONCURSO

 Aplica-se para escolher melhor trabalho técnico, científico ou artístico;


 Comissão: 3 membros, mas não precisam ser servidores, mas devem ser idôneos e com
conhecimento na área.
 Paga prêmio ou remuneração;
 Intervalo mínimo: 45 dias.

LEILÃO
 Sempre do tipo maior lance.
 Não há comissão, quem faz é o leiloeiro. Pode ser servidor ou leiloeiro oficial.

 Destina-se à alienação de BENS MÓVEIS:


o Bens móveis (até R$ 650.000,00) – se o bem móvel for de valor superior a R$
650.000,00 a modalidade será concorrência.
o Bens móveis inservíveis;
o Produtos legalmente apreendidos/penhorados (a lei, na verdade, quis dizer bem
empenhado, mas na literalidade está “penhorados”);

 Se tratando de BENS IMÓVEIS:


o Regra geral: concorrência;
o Exceção (pode ser concorrência ou leilão): bem imóvel fruto de processo judicial ou
de dação em pagamento.

82
Para a alienação de BENS IMÓVEIS da administração direta, autarquias e fundações públicas que não
tenham sido adquiridos em decorrência de procedimentos judiciais ou de dação em pagamento exigem-
se:

(a)interesse público devidamente justificado;


(b) autorização legislativa;
(c) AVALIAÇÃO PRÉVIA;
(d) licitação na modalidade concorrência, ressalvadas as hipóteses de licitação dispensada.

VALORES QUE REGULAM A MODALIDADE DE LICITAÇÃO


MODALIDADES DE PARA OBRAS SERVIÇOS PARA COMPRAS E
LICITAÇÃO DE ENGENHARIA OUTROS SERVIÇOS
Dispensa de licitação4 Até R$ 15.000,00 Até R$ 8.000,00
Convite Até R$ 150.000,00 Até R$ 80.000,00
Tomada de preços Até R$ 1.500.000,00 Até R$ 650.000,00
Concorrência Acima de R$ Acima de R$ 650.000,00
1.500.000,00

- Nos casos em que couber convite, a Administração poderá utilizar a tomada de preços e, em qualquer
caso, a concorrência.
- A administração não pode contratar por partes para atingir o mínimo da modalidade de licitação.
Art. 23 § 5o É vedada a utilização da modalidade "convite" ou "tomada de preços", conforme o caso, para parcelas
de uma mesma obra ou serviço, ou ainda para obras e serviços da mesma natureza e no mesmo local que possam
ser realizadas conjunta e concomitantemente, sempre que o somatório de seus valores caracterizar o caso de
"tomada de preços" ou "concorrência", respectivamente, nos termos deste artigo, exceto para as parcelas de
natureza específica que possam ser executadas por pessoas ou empresas de especialidade diversa daquela do
executor da obra ou serviço.

- É vedada a criação de outras modalidades de licitação ou a combinação das já existentes.

Edital: publica-se em Diário Oficial E em jornal de grande circulação da localidade.


 Impugnação: qualquer cidadão pode impugnar, desde que o faça até o 5º dia útil
anterior à data da abertura das propostas. O licitante pode impugnar ate o 2º dia útil
anterior.
 Se a administração por conta própria identificar algum vício, ela pode fazer de ofício
(autotutela). Se for feita alteração, tem que publicar de novo, nos mesmos moldes da
primeira publicação.
 Abre novo prazo mínimo, salvo se a alteração não modificar o conteúdo das propostas.

Habilitação:
 LC 123 – Micro e EPP pode participar de licitação mesmo que não tenha regularidade
fiscal. Ao final do procedimento, caso vença, ela terá 5 dias úteis para se regularizar com
o fisco.

4
Nesse caso, sendo empresa pública, sociedade de economia mista, consórcio público ou agencia executiva têm
dispensa em dobro (até 20% do convite).

83
Recurso da fase de habilitação: 5 dias úteis, tem efeito suspensivo. Não cabe trazer novos documentos
esquecidos.
Se todos forem inabilitados: a administração pode abrir 8 dias úteis para que todos se adequem ao edital,
trazendo novos documentos. Só passam para fase seguinte, os que forem habilitados.

Atenção ao art. 3º, §5º e seguintes.


Julgamento das propostas: recurso 5 dias úteis. Efeito suspensivo.
Homologação:
 Se houver vício – anula.
 Se não for mais conveniente (interesse superveniente) – revoga. Se fizer isso, 5 dias
úteis para recursos SEM efeito suspensivo.
Adjudicação
 Não é contratar, é dar ao vencedor o objeto do contrato;
 Não gera o direito á celebração do contrato, mas se contratar, deve observar a ordem
de classificação.
 O vencedor fica obrigado a celebrar o contrato, no prazo de 60 dias contados da data
de abertura da proposta. Passados esses dias, ele pode dizer que não tem mais
condição de cumprir a proposta.
 Se o vencedor não assinar o contrato, a administração chama o 2º colocado, mas deve
observar a proposta do vencedor.

PREGÃO
 Não está prevista na Lei 8.666/93, mas na Lei 10.520/02.
 Intervalo mínimo: 8 dias ÚTEIS.
 Tipo de licitação: menor preço
 Serve para aquisição de bens e serviços comuns (expressão usual de mercado).
 Independe do valor, levando em consideração o objeto.
 Hoje, a 8.666/93 é mais usada para obras.
 Vai para lances verbais a melhor proposta e todos de até 10% o valor desta. Deve ir a
menos 3 candidatos, caso não tenha, flexibiliza-se esse valor de 10%.
 Não tem comissão, tem pregoeiro.
 O próprio pregoeiro adjudica, cabendo ao superior a homologação.
 O recuso é feito ao final. Não recurso entre as fases. O recurso é imediato, cabendo 3
dias para elaboração do recurso.

Decreto 3.555 de 2000:


Art. 5º A licitação na modalidade de pregão não se aplica às contratações de obras e serviços de
engenharia, bem como às locações imobiliárias e alienações em geral, que serão regidas pela legislação
geral da Administração.

DISPENSA DE LICITAÇÃO
 Art. 24 da Lei 8.666/93.
 Nas situações de dispensa, apesar do legislador não exigir a licitação, o administrador
tem condições materiais de fazê-la. É poder discricionário.

84
 As hipóteses são taxativas.
 Licitação deserta – cabe dispensa.
 Licitação fracassada – cabe dispensa APENAS na hipótese de todas as propostas terem
valores superiores aos praticados no mercado.

INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO
 Art. 25 da Lei 8.666/93
 É inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição.
 Rol exemplificativo: a lei traz três situações.
 Toda vez que houver inviabilidade de competição.
 É poder vinculado, pois se não há como ocorrer a competição, não há como licitar.

- Licitação frustrada: ocorre quando todos os participantes foram provados inidôneos.

- Procedimento de dispensa e inexigibilidade:


 A dispensa e a inexigibilidade devem ser justificadas através de parecer;
 O parecer é enviado à Autoridade Superior, a qual, no prazo de 3 dias ratifica e,
publica no prazo de 5 dias (essa publicação é condição de eficácia do ato).

 RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO


- A responsabilidade civil do Estado pode se dar por ato ilícito ou lícito.

Responsabilidade por ato ilícito Responsabilidade por ato lícito


A responsabilidade se dá por ter havido A responsabilidade se dá por ter havido
ofensa à legalidade. ofensa à isonomia.

- A responsabilidade pode ser contratual ou extracontratual (aquiliana).

- Regra no Brasil:

ATOS COMISSIVOS ATOS OMISSIVOS


Responsabilidade objetiva – art. 37, §6º, CF Responsabilidade subjetiva (culpa anônima)

- Pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público responde objetivamente; exploradora
de atividade econômica responde subjetivamente.
- A teoria do risco administrativo está presente no plano constitucional desde a Constituição de 1946 e
confere fundamento doutrinário à responsabilização objetiva do Estado.

85
- Os elementos que compõem a responsabilidade civil objetiva do Estado são: causalidade material,
alteridade do dano, oficialidade da atividade causal e lesiva imputável a agente público e ausência de
causa excludente de responsabilidade estatal.
- No Brasil, a regra é a responsabilidade objetiva do Estado, seja para o usuário, seja para o não usuário
do serviço.
- O dano jurídico é diferente do dano econômico, do dano patrimonial. Precisa da lesão a um direito. Não
há responsabilidade civil se o dano for meramente econômico – deve ter dano jurídico.
- A pessoa jurídica pode, se condenado, chamar o agente à responsabilidade – por ação de regresso – mas
o agente só responde se agiu com culpa ou dolo – fala-se em teoria subjetiva nesse caso, para o agente.
- A responsabilidade civil do servidor público pela prática, no exercício de suas funções, de ato que
acarrete prejuízo ao erário ou a terceiros pode decorrer tanto de ato omissivo quanto de ato comissivo,
doloso ou culposo.
- Segundo a jurisprudência atualizada do STJ, em ação de indenização por ilícito penal praticado por
agente do Estado, o termo inicial da prescrição é o trânsito em julgado da ação penal condenatória.
- A responsabilidade objetiva no Brasil (como regra) é a do Risco Administrativo.

- Excludentes da responsabilidade: culpa exclusiva da vítima, caso fortuito/força maior, fato de terceiro.

- De forma excepcional o Brasil adota a Teoria do Risco Integral => Dano nuclear, atentado terrorista,
dano ambiental e ato de guerra.

- O Estado só será obrigado a ressarcir os danos decorrentes de atentados terroristas quando ficar
demonstrado o nexo de causalidade entre o atentado e a falha do Estado em seu dever de prestar o
serviço de segurança pública.
- Após os atentados terroristas em 11/09/2001, foi editada a Lei n° 10.744, de 9 de outubro de 2003,
segundo a qual fica a União autorizada, na forma e critérios estabelecidos pelo Poder Executivo, a
assumir despesas de responsabilidades civis perante terceiros na hipótese da ocorrência de danos a
bens e pessoas, passageiros ou não, provocados por atentados terroristas, atos de guerra ou
eventos correlatos, ocorridos no Brasil ou no exterior, contra aero-naves de matrícula brasileira
operadas por empresas brasileiras de transporte aéreo público, excluídas as empresas de táxi aéreo,
no montante global, equivalente em reais, de até US$ 1,000,000,000.00 (um bilhão de dólares dos
Estados Unidos da América). Não se trata de imputar responsabilidade imediata à União nas situações

86
acima descritas, mas de admitir que, havendo disponibilidade orçamentária, a União possa suportar o
ônus deste ressarcimento.
- Nos casos de dano por ato omissivo do Estado, a regra é a que a responsabilidade seja subjetiva (Culpa
Anônima ou Culpa Administrativa). Ocorre nas situações em que o Estado podia e devia agir.

#ATENÇÃO: Quando o Estado atuar como garantidor (custódia) a Responsabilidade é Objetiva. Trata-se
de uma omissão específica. Ex.: preso que mata outro dentro do presídio (o Estado tem o dever de
garantir a segurança dos apenados, já que arvorou para si o poder-dever de aplicação da pena).

- Quando o Estado for garantidor, sua culpa só será excluída quando houver caso fortuito/força maior.

- O Estado é objetivamente responsável pela morte de detento. Isso por que houve inobservância de seu
dever específico de proteção previsto no art. 5º, inciso XLIX, da CF/88. Exceção: o Estado poderá ser
dispensado de indenizar se ele conseguir provar que a morte do detento não podia ser evitada. Neste
caso, rompe-se o nexo de causalidade entre o resultado morte e a omissão estatal.
- Na responsabilidade por ato lícito o Estado responde por ter causado um dano anormal e específico à
determinada (s) pessoa (s), ferindo a isonomia. (Esse dano não pode se confundir com o risco social,
comum da vida em sociedade).

- Responsabilidade por ato jurisdicional: em regra não cabe indenização. Caberá quando houver
condenação por erro judicial ou prisão além do tempo. Para o STF a obrigação de indenizar independe de
culpa ou dolo do magistrado.

#ATENÇÃO: o magistrado poderá responder pessoalmente quando agir com dolo. Aqui a
responsabilidade é pessoal do juiz!

- A Decretação de prisão cautelar, que se reconheceu INDEVIDA, contra quem não teve qualquer
participação ou envolvimento com o fato criminoso, repercutindo na perda de seu emprego,
apresenta-se como comportamento inadmissível ao aparelho de Estado.

- Considere que o Poder Judiciário tenha determinado prisão cautelar no curso de regular processo
criminal e que, posteriormente, o cidadão aprisionado tenha sido absolvido pelo júri popular. Nessa
situação hipotética, segundo entendimento do STF, não se pode alegar responsabilidade civil do Estado,
com relação ao aprisionado, apenas pelo fato de ter ocorrido prisão cautelar, visto que a posterior
absolvição do réu pelo júri popular não caracteriza, por si só, erro judiciário.

87
- Responsabilidade por ato legislativo: em regra não cabe indenização. Exceção: lei inconstitucional +
prejuízo específico e anormal e nos casos de leis de efeitos concretos (porque são materialmente
equivalentes aos atos administrativos).

- A responsabilização do Estado por danos decorrentes de sua omissão legislativa já é uma realidade em
nações como França e Itália, contudo, o Brasil, apesar de ter caminhado na direção da res-ponsabilização
(STF - RE 424584 - MG - 2• T. - Rei. Min. Carlos Velloso - J. 04.10.2005), atualmente vem se posicionando
pela impossibilidade de responsabilização estatal, segundo recentes decisões da Min. C. Lúcia.

O particular pode cobrar diretamente do


causador do dano (agente público)?
STF: NÃO
O STF defende a Teoria da Dupla Garantia:
- da vítima (não precisar provar culpa, já que
a responsabilidade do Estado é objetiva)
- do agente público (de só ser demandado
regressivamente).
STJ já admitiu que o particular demandasse o
agente público.

- Cabe denunciação da lide? A maioria entende que não, pois o particular teria que provar dolo/culpa do
agente público. STJ já admitiu. INFO STJ 532: Na hipótese de dano causado a particular por agente
público no exercício de sua função, a vítima tem a possibilidade de ajuizar a ação de indenização
diretamente contra o agente, contra o Estado ou contra ambos.
- É pacífico o entendimento de que a revisão do valor a ser indenizado somente é possível
quando exorbitante ou irrisória a importância arbitrada.
- Prescrição: 5 anos, de acordo com o Decreto 20910/32.

- É de 5 anos o prazo prescricional para que a vítima de um acidente de trânsito proponha ação de
indenização contra concessionária de serviço público de transporte coletivo. O fundamento legal para
esse prazo está no art. 1º-C da Lei 9.494/97 e no art. 27 do CDC.

88
- Início do prazo prescricional: momento em que constatada a lesão e os seus efeitos (Teoria da Actio
Nata).

- Súmula 85 STJ: Nas relações jurídicas de trato sucessivo em que a Fazenda Pública figure como
devedora, quando não tiver sido negado o próprio direito reclamado, a prescrição atinge apenas as
prestações vencidas antes do quinquênio anterior a propositura da ação.

RESPONSABILIDADE POR OBRA


Má execução da obra:
- será objetiva, se a obra estiver sendo realizada (executada) pelo próprio Estado;
- será subjetiva se o particular estiver realizando a obra (responsabilidade de acordo com o
Código Civil).
Responsabilidade pelo simples fato da obra (problema na existência da própria obra):
Responsabilidade Objetiva do Estado.
- Teoria da perda de uma chance = O STJ reconheceu a responsabilidade civil do Estado com
fundamento na teoria da "perda de uma chance" quando demonstrado o erro no tratamento
médico pelo sistema público de saúde. Porém, ao julgar pedido de indenização em face de
interpretação equivocada por parte da Administração Pública quanto à impossibilidade de
acumulação de cargos, não vislumbrou a ocorrência da teoria da "perda de uma chance", tendo em
vista se tratar de um evento certo sobre o qual não resta dúvidas. Nesse último caso a responsabilidade
deve ser dar com base na efetiva extensão do dano causado.
- INF STJ 563: Ilegitimidade passiva da União em demanda que envolve erro médico ocorrido em
hospital do SUS. União não tem legitimidade passiva em ação de indenização por danos decorrentes de
erro médico ocorrido em hospital da rede privada durante atendimento custeado pelo Sistema Único
de Saúde (SUS). De acordo com a Lei 8.080/90, a responsabilidade pela fiscalização dos hospitais
credenciados ao SUS é do Município, a quem compete responder em tais casos.
- INFO STJ 581: O anistiado político que obteve, na via administrativa, a reparação econômica prevista
na Lei nº 10.559/2002 (Lei de Anistia) não está impedido de pleitear, na esfera judicial, indenização por
danos morais pelo mesmo episódio político.

- INFO STJ 523: As ações de indenização por danos morais decorrentes de atos de tortura ocorridos
durante o Regime Militar de exceção são imprescritíveis. Não se aplica o prazo prescricional de 5 anos.

89
- INFO STJ 509: Caso o Poder Público tenha reconhecido administrativamente o débito, o termo inicial
do prazo prescricional de 5 anos para que servidor público exija seu direito será a data desse ato de
reconhecimento. Para o STJ, o reconhecimento do débito implica renúncia, pela Administração, ao
prazo prescricional, já transcorrido.

 INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE PRIVADA

- CF/88 tem índole marcadamente social, prezando pela função social da propriedade.

INTERVENÇÃO RESTRITIVA Limitação administrativa, tombamento,


servidão, ocupação e requisição.
INTERVENÇÃO SUPRESSIVA Desapropriação.
- Nem todas as formas de intervenção do Estado na propriedade privada estão na CF/88, pois há
hipóteses tratadas em leis administrativas.

- SERVIDÃO ADMINISTRATIVA:

a) direito real público;

b) autoriza o poder público a usar propriedade imóvel para permitir a execução de obras e serviços de
interesse coletivo.;

c) em situações especiais, pode incidir sobre bem móvel;

d) base legal: Decreto-lei 3.365/41 art. 40.

e) a instituição de servidão não é ato administrativo auto-executório, dependendo de acordo ou


sentença judicial;

f) só vai haver indenização se houver danos ou prejuízos.

- REQUISIÇÃO

a) pode incidir sobre bens móveis ou imóveis;

b) exige situação de perigo público iminente.

c) a indenização, se houver, será ulterior, e depende da ocorrência de dano.

90
d) previsão na CF/88 art. 5º, XXV.

e) considerando que a situação é de perigo iminente, a requisição é autoexecutória, não dependendo de


qualquer apreciação judicial prévia.

- OCUPAÇÃO TEMPORÁRIA

a) incide sobre bens imóveis (para apoiar a execução de obras e serviços públicos).

b) é ato autoexecutório;

c) só haverá indenização, se ocorrer prejuízo ao proprietário.

- LIMITAÇÃO ADMINISTRATIVA

a) determinação de caráter geral, com a finalidade de assegurar que a propriedade atenda sua função
social, em benefício da coletividade.

b) derivam do poder de polícia administrativo.

c) em regra não há indenização (justamente por terem caráter geral). Exceção: quando o ato tiver efeito
concreto sobre determinado indivíduo, reduzindo o valor do bem.

- TOMBAMENTO

a) procura proteger o patrimônio cultural brasileiro.

b) pode recair sobre bens imóveis e móveis.

c) previsão no art. 216, §1º da CF/88.

d) exige processo administrativo com observância do princípio do devido processo legal.

e) não exige indenização.

- DESAPROPRIAÇÃO

a) é forma originária de aquisição da propriedade.

b) é efetivada mediante procedimento administrativo, na maioria das vezes, acompanhado de uma fase
judicial.

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c) exige necessidade pública, utilidade pública ou interesse social.

d) prevista no art. 5º, XXIV da CF/88.

DESAPROPRIAÇÃO URBANÍSTICA
Caráter a sancionatório;
O expropriante é o município;
Proprietário não cumpre o adequado aproveitamento do imóvel;
Indenização paga mediante títulos da dívida pública;
Emissão previamente aprovada pelo Senado Federal;
Prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor
real da indenização e os juros legais.

DESAPROPRIAÇÃO RURAL
Destinada à reforma agrária;
Incide sobre imóveis rurais que não estejam cumprindo a sua função social;
Expropriação feita pela União
Indenização paga em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real,
resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão.

- São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária:

a) a pequena e média propriedade rural, desde que seu proprietário não possua outra;
b) a propriedade produtiva (qualquer que seja o tamanho).

- Desapropriação confisco (expropriação): As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País


onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na
forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular,
sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado,
no que couber, o disposto no art. 5º.

- Salvo as impossibilidades jurídicas e materiais, mediante declaração de utilidade pública, formalizada


por meio de decreto do chefe do Poder Executivo, todos os bens podem ser desapropriados pelos entes

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que compõem a Federação. Poderá também o Poder Legislativo tomar a iniciativa da desapropriação
(através de lei).
- Não incide IR sobre indenização decorrente de desapropriação. Não incide imposto sobre a renda
recebida a título de indenização decorrente de desapropriação.
Tredestinação Ilícita - Esta modalidade de tredestinação ocorre quando ao bem desapropriado é
conferida destinação tanto diversa daquela exposta no ato declaratório quanto distinta do interesse
público. Nesse caso, surgirá em favor do desapropriado o direito de retrocessão. A retrocessão pode ser
entendida como: a) direito de reaver o imóvel, b) direito de obter perdas e danos em razão da
desapropriação indevida ou c) direito de reivindicar o bem e, caso impossível, a conversão do pedido em
perdas e danos.
- Se, ao bem desapropriado, for dada destinação diversa da inicialmente prevista, há a chamada
tredestinação. É considerada lícita se, ainda que não implementada a intenção inicial (construção de um
hospital público), seguir tendo como fim o interesse público (construção de uma escola pública), não se
mostrando possível a exigência de retorno do bem ao seu patrimônio. A tredestinação será considerada
ilícita na hipótese de o Poder Público dar destinação diversa do interesse público.
- A desapropriação pode recair inclusive sobre bens públicos, desde que ela seja feita sempre pela
entidade política maior ou central em relação a bem de entidade política menor ou local (União pode
desapropriar bens dos Estados e os Estados, bens do município); disso decorre que os bens públicos
federais são sempre inexpropriáveis. Há, ainda, necessidade de autorização legislativa prévia para que a
desapropriação seja possível.
- Os estados e os municípios podem desapropriar imóveis rurais, para fins de utilidade pública.
- A expropriação prevista no art. 243 da Constituição Federal pode ser afastada, desde que o proprietário
comprove que não incorreu em culpa, ainda que in vigilando ou in eligendo. STF. Plenário. RE 635336/PE,
Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 14/12/2016 (repercussão geral) (Info 851).
- É possível que o expropriante desista da ação de desapropriação? SIM, é possível a desistência da
desapropriação a qualquer tempo, mesmo após o trânsito em julgado, desde que: a) ainda não tenha
havido o pagamento integral do preço (pois nessa hipótese já terá se consolidado a transferência da
propriedade do expropriado para o expropriante); e b) o imóvel possa ser devolvido sem que ele tenha
sido alterado de forma substancial (que impeça sua utilização como antes era possível). É ônus do
expropriado provar a existência de fato impeditivo do direito de desistência da desapropriação. STJ. 2ª
Turma. REsp 1.368.773-MS, Rel. Min. Og Fernandes, Rel. para acórdão Min. Herman Benjamin, julgado em
6/12/2016 (Info 596).

93
DIREITO CIVIL

 LINDB
- A LINDB é norma de superdireito ou sobredireito.
- Ab-rogação (absoluta): revogação total
- Derrogação: revogação parcial
- Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país 45 dias depois de oficialmente
publicada.
- Nos Estados, estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia 3 meses depois
de oficialmente publicada (são 3 meses, e não 90 dias).
- Se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, destinada a correção, o prazo
deste artigo e dos parágrafos anteriores começará a correr da nova publicação.
- As correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova.
- Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios
gerais de direito. Equidade não está prevista na LINDB.
- NCPC: Art. 140. O juiz não se exime de decidir sob a alegação de lacuna ou obscuridade do
ordenamento jurídico. Parágrafo único. O juiz só decidirá por equidade nos casos previstos em lei.
- Analogia legis: consiste na aplicação de uma única norma existente destinada a reger caso semelhante.
- Analogia juris: consiste na aplicação de um conjunto de normas para obter elementos aptos a serem
aplicados a caso similar.
- A lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito (já consumado perante a
lei vigente ao tempo em que se efetuou), o direito adquirido (em que o seu titular pode exerce-los), e a
coisa julgada (a decisão de que já não caiba recurso).
- Antinomia de 1º grau ou aparente: pode ser resolvida com a aplicação de um único critério.
- Antinomia de 2º grau ou real: há conflito entre critérios (ex: cronológico x hierárquico), sendo
necessário um metacritério para solucionar o caso.
- Em caso de competência legislativa concorrente, há hierarquia entre lei federal, estadual e municipal.
- A lei terá vigor até que outra modifique (art. 2º). A lei posterior revoga a anterior quando expressamente
o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei
anterior. A nova lei que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revogam

94
lei anterior. A lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência, salvo disposição
em contrário – Repristinação (deve ser expressa, conforme art. 2º, §3º – é vedada a repristinação tácita).
- O regime de bens, legal ou convencional, obedece à lei do país em que tiverem os nubentes domicílio, e,
se este for diverso, a do primeiro domicílio conjugal.
- A obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente.
- A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que domiciliado o defunto ou o
desaparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens.
- A lei do domicílio do herdeiro ou legatário regula a capacidade para suceder.
- Os Governos estrangeiros, bem como as organizações de qualquer natureza, que eles tenham
constituído, dirijam ou hajam investido de funções públicas, não poderão adquirir no Brasil bens imóveis
ou susceptíveis de desapropriação. Podem adquirir apenas a propriedade da embaixada ou consulado.
- A autoridade judiciária brasileira cumprirá, concedido o exequatur e segundo a forma estabelecida pela
lei brasileira, as diligências deprecadas por autoridade estrangeira competente, observando a lei desta,
quanto ao objeto das diligências.
- As autoridades consulares brasileiras também poderão celebrar a separação consensual e o divórcio
consensual de brasileiros, não havendo filhos menores ou incapazes do casal e observados os requisitos
legais quanto aos prazos, devendo constar da respectiva escritura pública as disposições relativas à
descrição e à partilha dos bens comuns e à pensão alimentícia e, ainda, ao acordo quanto à retomada
pelo cônjuge de seu nome de solteiro ou à manutenção do nome adotado quando se deu o casamento. É
indispensável a assistência de advogado, devidamente constituído, que se dará mediante a subscrição de
petição, juntamente com ambas as partes, ou com apenas uma delas, caso a outra constitua advogado
próprio, não se fazendo necessário que a assinatura do advogado conste da escritura pública.
- Súmula 654 STF: A garantia da irretroatividade da lei, prevista no art. 5º, XXXVI, da Constituição da
República, não é invocável pela entidade estatal que a tenha editado.
- Súmula Vinculante n. 1, STF: “Ofende a garantia constitucional do ato jurídico perfeito a decisão que,
sem ponderar as circunstâncias do caso concreto, desconsidera a validez e a eficácia de acordo constante
de termo de adesão instituído pela LC 110/2001” – Essa LC institui contribuições sociais, autoriza créditos
de complementos de atualização monetária em contas vinculadas do FGTS.
- O princípio da eticidade, paradigma do atual direito civil constitucional, funda-se no valor da pessoa
humana como fonte de todos os demais valores, tendo por base a equidade, boa-fé, justa causa e demais
critérios éticos, o que possibilita, por exemplo, a relativização do princípio do pacta sunt servanda,
quando o contrato estabelecer vantagens exageradas para um contratante em detrimento do outro.

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- Cláusulas Gerais e Conceitos gerais indeterminados são normas que apresentam conceitos
intencionalmente vagos, permitindo ao Juiz preenchê-las com valores. A diferença é que as cláusulas
gerais não fornecem a solução jurídica a ser dada, já os conceitos legais indeterminados sim.
- Com relação à sucessão, aplica-se a regra do art. 10 "caput" da LINDB, lei do país em que era domiciliado
o defunto. Já com relação à capacidade para suceder, aplica-se a lei do domicílio do herdeiro, no caso,
aplica-se a lei brasileira, na forma do $2º do art. 10 da LINDB. Art. 1.785. A sucessão abre-se no lugar do
último domicílio do falecido. Art. 1.787. Regula a sucessão e a legitimação para suceder a lei vigente ao
tempo da abertura daquela.
NCPC 2015: Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra: III - em
divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à partilha de bens situados no Brasil,
ainda que o titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional.
- Consideram-se leis novas as correções de texto de lei já em vigor.
- Na sucessão por morte ou por ausência de estrangeiro, a lei do domicílio do herdeiro ou legatário regula
a capacidade para suceder, independentemente do lugar do domicílio do falecido ou ausente.
- ART. 2º § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga
nem modifica a lei anterior.
- § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela
incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior.
- A regra é da inadmissibilidade do efeito repristinatório, mas isso não significa que o direito brasileiro
não o aceite. As exceções (admissibilidades) são as seguintes: a) quando houver previsão expressa na
nova lei; b) quando a lei revogadora houver sido declarada inconstitucional por controle concentrado,
haverá restauração automática da lei revogada, salvo se o STF ao reconhecer a inconstitucionalidade da
lei revogada, declara efeitos ex-nunc.
- ATENÇÃO: respristinação ≠ efeitos repristinatório.
- Em razão da denominada ultratividade da norma, mesmo revogado, o Código Civil de 1916 tem aplicação
às sucessões abertas durante a sua vigência, ainda que o inventário tenha sido proposto após o advento
do Código Civil de 2002.
- LC 95/98, art. 8º A vigência da lei será indicada de forma expressa e de modo a contemplar prazo
razoável para que dela se tenha amplo conhecimento, reservada a cláusula "entra em vigor na data de
sua publicação" para as leis de pequena repercussão. § 1º “A contagem do prazo para entrada em vigor
das leis que estabeleçam período de vacância far-se-á com a inclusão da data da publicação e do último
dia do prazo, entrando em vigor no dia subsequente à sua consumação integral”.

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- A lacuna ontológica pressupõe a existência de norma para regular o caso concreto, sem, entretanto,
eficácia social.
- A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei que nele vigorar, quanto ao ônus e aos
meios de produzir-se, não admitindo os tribunais brasileiros provas que a lei brasileira desconheça.
- Art. 7º A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da
personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.
- Art. 10. A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que domiciliado o defunto ou o
desaparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens.
- O fato de um juiz, transcendendo a letra da lei, utilizar de raciocínio para fixar o alcance e a extensão da
norma a partir de motivações políticas, históricas e ideológicas caracteriza o exercício da interpretação
lógica.

 DAS PESSOAS
- Personalidade Jurídica é a aptidão genérica para titularizar direitos e contrair obrigações (pessoa física
ou natural e pessoa jurídica).
- Pessoa física:
- A personalidade civil da pessoa começa com o nascimento com vida, titularizando direitos e obrigações.
- Mas há, desde a concepção, são resguardados os direitos do nascituro – art. 2º, CC.
- Admite-se doação em favor do nascituro.
- Enunciado nº 1 do CJF: "A proteção que o Código defere ao nascituro alcança também o natimorto no
que concerne aos direitos da personalidade, tais como nome, imagem e sepultura".
- Os embriões congelados não são considerados nascituro.
- Concepturo – prole eventual. Natimorto – nascido morto.
- O CC adotou a teoria natalista (o nascituro já seria titular de alguns direitos de personalidade, como o
direito a nascer, mas somente consolidaria direitos de cunho material ou econômico sob a condição de
nascer com vida). Mas a teoria concepcionista vem ganhando força (em que é considerado pessoa desde
a concepção, dotado de personalidade jurídica plena – o STJ admite dano moral em favor do nascituro,
seguro DPVAT em favor dos pais pela morte do nascituro, alimentos gravídicos, doação, ser beneficiário
de herança, mas seu direito hereditário não se transmite à mãe caso não nasça com vida – o nascimento
consolida os direitos já existentes).
- Todas as pessoas, sem distinções, possuem capacidade de direito (que difere da capacidade de
fato/exercício, que os incapazes não têm).

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- Capacidade não se confunde com legitimidade. Ex.: dois irmãos capazes não podem casar entre si por
falta de legitimidade.
- O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146 de 06 de Julho de 2015) reconstruiu a teoria da
capacidade civil. Até então, os artigos 3º e 4º do Código Civil brasileiro, dispondo sobre incapacidade
absoluta e relativa, respectivamente, inseriam a deficiência como causa de incapacidade civil.
- Incapaz absoluto: menores de 16 anos.
- Ainda que o título do Estatuto diga “da pessoa com deficiência”, ele diz respeito a todos nós. Antes, a
pessoa com deficiência era direcionada a uma presunção de incapacidade. O que o estatuto fez foi
desconstruir um paradigma, pois, a partir de sua entrada em vigor, as pessoas que eram rotuladas de
incapazes, passam a ser consideradas LEGALMENTE CAPAZES, independente do seu grau de deficiência e
ainda que necessite de um representante ou curador para praticar os atos da vida social.
- A partir do Estatuto da Pessoa com Deficiência, operou-se uma verdadeira desconstrução ideológica: A
pessoa com deficiência (art. 2º do EPD) passa a ser considerada legalmente capaz, ainda que para atuar
necessite do auxílio de institutos protetivos/assistenciais, tais como a tomada de decisão apoiada e a
curatela (excepcional) (arts. 6º e 84 do EPD).
- O estatuto considera a curatela (art. 85) medida extraordinária, que só será aplicada quando
rigorosamente necessário. Além disso, a curatela é limitada à prática de atos patrimoniais ou negociais
(ex: a venda de imóvel).
- Outra novidade é a possibilidade de se nomear mais de um curador para a mesma pessoa (curatela
compartilhada), como, por exemplo, a nomeação de pai e mãe curadores de um filho maior com
deficiência.
- Diversos direitos foram reconhecidos, no âmbito da educação, da família, da vida política, garantias de
mobilidade e acessibilidade, enfim, uma verdadeira CONSOLIDAÇÃO das conquistas obtidas pela
convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência (Convenção de Nova York, a qual, junto com seu
protocolo facultativo, é a única convenção com status constitucional, aprovada pelo rito do Art.5º, §3º, da
CF).
- Emancipação voluntária/pelos pais: pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante
instrumento público, independentemente de homologação judicial. Caráter irrevogável. Deve ter 16 anos
completos. A simples detenção de guarda não autoriza a emancipação. A responsabilidade dos pais por
eventual ilícito cometido pelo menor emancipado persiste até que ele complete 18 anos.
- A emancipação civil não interfere na maioridade penal.
- Emancipação Judicial: por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos.

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- Emancipação Legal: a emancipação se concretiza por determinação da própria lei: pelo casamento; pelo
exercício de emprego público efetivo; pela colação de grau em curso de ensino superior; pelo
estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função
deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria.
- O divórcio não opera a restituição ao anterior estado de incapacidade. Sentença que invalida casamento
tem eficácia retroativa – retorna-se ao estado de incapacidade anterior (exceto na aplicação da Teoria da
Putatividade).
- O menor emancipado que exerça atividade empresarial, nos termos da lei de falência, poderá falir, e
eventual ilícito penal praticado por ele será considerado como ato infracional falimentar nos termos do
ECA.
- Emancipação civil não antecipa a maioridade penal.
- O menor emancipado pode ser civilmente preso por se tratar de obrigação civil descumprida
(alimentos).
- O art. 140, I, CTB, exige como requisito para habilitação a imputabilidade penal, que somente é
alcançada aos 18 anos, independentemente de emancipação.
- Em situações justificadas, o menor emancipado pode continuar a receber alimentos.
- Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e
irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária.
- CC Art. 8º: Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo averiguar se algum
dos comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão simultaneamente mortos.
- Sucessão provisória: 1 ano da arrecadação; 3 anos da arrecadação se houver deixado representante ou
procurador.
AUSÊNCIA
CURATELA DOS BENS DO AUSENTE:
- Se desaparecido e não deixar representante ou procurador: 1 ano. Se houver representante
ou curador: 3 anos.
- Curador: cônjuge OU pais OU descendentes (nesta ordem).
SUCESSÃO PROVISÓRIA:
- 10 anos;
- Exige caução (regra). Os ascendentes, os descendentes e o cônjuge, uma vez provada a sua
qualidade de herdeiros, poderão, independentemente de garantia, entrar na posse dos bens

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do ausente.
- 10 anos
SUCESSÃO DEFINITIVA:
- após 10 anos da provisória OU;
- ausente maior de 80 anos e 5 anos da última notícia;
- 10 anos para conclusão.

- 10 ANOS depois de passada em julgado a sentença que concede a abertura da sucessão provisória,
poderão os interessados requerer a sucessão definitiva e o levantamento das cauções prestadas.
- A sentença que determinar a abertura da sucessão provisória só produzirá efeito 180 DIAS depois de
publicada pela imprensa; mas, logo que passe em julgado, proceder-se-á à abertura do testamento, se
houver, e ao inventário e partilha dos bens, como se o ausente fosse falecido.
- Os herdeiros, para se imitirem na posse dos bens do ausente, darão garantia. Aquele que tiver direito à
posse provisória, mas não puder prestar a garantia exigida neste artigo, será excluído, mantendo-se os
bens que lhe deviam caber sob a administração do curador, ou de outro herdeiro designado pelo juiz, e
que preste essa garantia. Os ascendentes, os descendentes e o cônjuge, uma vez provada a sua
qualidade de herdeiros, poderão, independentemente de garantia, entrar na posse dos bens do ausente.
- Pode-se requerer a sucessão definitiva, também, provando-se que o ausente conta 80 ANOS de idade, e
que de 5 anos datam as últimas notícias dele.
- A legislação civil brasileira admite o reconhecimento de morte sem a existência de cadáver e sem a
necessidade de declaração de ausência – art. 7º, morte presumida sem decretação de ausência.
- Para classificação de comoriência faz-se necessário o falecimento de ambos simultaneamente,
independentemente de estarem no mesmo local – há apenas a condição do TEMPO. Abrem-se cadeias
sucessórias autônomas (um não transmite para o outro).
- A tutela da dignidade da pessoa humana na sociedade da informação inclui o direito ao esquecimento.
- A responsabilidade dos pais em relação aos filhos menores que estiverem sob a sua guarda ou
companhia é objetiva complexa, pois não precisa ser provada a culpa do responsável, mas deve ser
provada a culpa do agente.
- O incapaz (menor não emancipado) pode ser responsabilizado pelos danos que causar. Responderá
subsidiária e equitativamente pelos danos que causar, caso o responsável não possua meios de fazê-lo,
não podendo priva-lo do necessário, nem as pessoas que dele dependam (responsabilidade subsidiária
do menor).
100
- Quando o menor é emancipado por ato voluntário do pai, responderão pai e filho solidariamente pela
totalidade de prejuízos (responsabilidade solidária do emancipado voluntário).
- É válido e irrecobrável o pagamento espontâneo, feito por maior de idade, para cumprir obrigação de
dívidas inexigíveis, como as prescritas ou as de jogo.
- O menor relativamente incapaz pode aceitar mandato, independentemente da presença de assistente.
- O pseudônimo, adotado para atividades lícitas, goza da proteção que se dá ao nome.
- Segredo Doméstico significa aquele segredo relacionado a vida da pessoa dentro da residência, aquilo
que ela faz na intimidade dentro do seu lar. Inclusive um dos fundamentos do segredo doméstico é o
Artigo 5, inciso XI da CF
- Art. 206. Prescreve: § 3º Em três anos: V - a pretensão de reparação civil – assim, a reparação pelo dano
de personalidade prescreve – o que não prescreve é a pretensão. OBS.: O STJ tem um julgado que
quando a lesão ao direito da personalidade é tão grave atingindo a dignidade da pessoa humana a
reparação do dano é imprescritível. Isso ocorreu nos julgados de crimes de tortura na época da ditadura
militar, onde as pessoas vem pleiteando indenização.
- Segundo a jurisprudência do STJ, não será necessária a interdição prévia para que seja anulado negócio
jurídico a ela anterior praticado por aquele que sofra de insanidade mental, desde que esta já exista no
momento em que tiver sido realizado o negócio jurídico.
- Extinção da pessoa física ou natural: pela morte (morte cerebral).
- Morte presumida: decretação de ausência; presunção de morte sem decretação de ausência (se for
extremamente possível a morte; desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não encontrado em até
dois anos após fim de guerra).
- Testamento vital: ato jurídico por meio do qual o paciente manifesta, prévia e expressamente, o desejo
de querer ou não determinado tratamento médico.
- JURISPRUDÊNCIAS E SÚMULAS:
- Súmula 403 do STJ: Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de
imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais.
- Súmula 228 STJ: É inadmissível o interdito proibitório para a proteção do direito autoral. (Não há posse
de bens imateriais).
- INF STJ 566: Propriedade Intelectual - Pagamento de direitos autorais pela execução pública de
fonogramas inseridos em trilhas sonoras de filmes - É possível a suspensão ou a interrupção da
transmissão ou retransmissão públicas de obra audiovisual por sociedade empresária do ramo
cinematográfico no caso em que não houver o prévio pagamento dos direitos autorais referentes à

101
transmissão ou à retransmissão dos fonogramas que componham a trilha sonora da obra
cinematográfica, ainda que os detentores dos direitos autorais dos fonogramas tenham concedido, ao
diretor ou ao produtor da obra cinematográfica, autorizações para inserção das suas obras na trilha
sonora do filme.
- STJ: O uso não autorizado da imagem de atleta em cartaz de propaganda de evento esportivo, ainda
que sem finalidade lucrativa ou comercial, enseja reparação por danos morais, independentemente da
comprovação de prejuízo.
- STJ: Imagem da fachada do imóvel utilizada em propaganda comercial com permissão do proprietário,
mas sem autorização do autor do projeto. O autor de projeto de obra arquitetônica, ainda que situada
permanentemente em logradouros públicos, integrando de modo indissociável o meio ambiente, a
compor a paisagem como um todo, faz jus ao ressarcimento por danos de ordem material e moral em
virtude da representação por terceiros de sua obra, com fins comerciais, sem a devida autorização e
indicação de autoria, ainda que tenha havido aquiescência do proprietário da obra (Info 594).
- STJ: A transmissão de músicas por meio da rede mundial de computadores mediante o emprego da
tecnologia streaming (webcasting e simulcasting) demanda autorização prévia e expressa pelo titular
dos direitos de autor e caracteriza fato gerador de cobrança pelo ECAD relativa à exploração econômica
desses direitos (Info 597).

- Pessoa Jurídica:
- O reconhecimento da existência social da pessoa jurídica, admitido no Código Civil de 2002, tem como
base a teoria da realidade técnica.
- A aquisição da personalidade se dá com a inscrição dos atos constitutivos da pessoa jurídica (contrato
social ou estatuto) em seu respectivo registro (Junta Comercial ou CRPJ), exigindo-se, em situações
especiais, autorização do Poder Executivo. A ausência de registro resulta em uma pessoa
despersonificada, cuja responsabilidade recairá nos próprios sócios ou administradores.
- Condomínio não é pessoa jurídica – não tem contrato social.
- Apenas pessoas jurídicas de direito privado podem sofrer dano moral. As de direito público não! – INF
534, STJ.
- Súmula 227: A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.
- Direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado: 3 anos (decadencial), contados
da publicação da inscrição no registro.

102
- Art. 47. Obrigam a pessoa jurídica os atos dos administradores, exercidos nos limites de seus poderes
definidos no ato constitutivo.
- Art. 48. Se a pessoa jurídica tiver administração coletiva, as decisões se tomarão pela maioria de votos
dos presentes, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso. Decai em três anos o direito de
anular as decisões a que se refere este artigo, quando violarem a lei ou estatuto, ou forem eivadas de
erro, dolo, simulação ou fraude.
- Espécies de PJ de Direito Privado: associações, sociedades, fundações, organizações religiosas, partidos
políticos, EIRELI.
- A respeito de direitos da personalidade, pessoas jurídicas e personalidade, de acordo com a
jurisprudência do STJ: A exagerada e indefinida exploração midiática de crimes e tragédias privadas deve
ser impedida, a fim de se respeitar o direito ao esquecimento das vítimas de crimes e, assim, preservar a
dignidade da pessoa humana.
- Associações: Pessoa Jurídica de Direito Privado, constituída mediante estatuto, registro no CRPJ, sem
fins lucrativos. Não há direitos ou obrigações recíprocas. Há receita. Dissolvida a associação o seu
patrimônio será atribuído às entidades de fins não econômicos designados no estatuto, ou, omisso este,
a uma instituição de fins iguais ou semelhantes. Admite a expulsão do associado por justa causa –
Assembleia geral.
- Os associados devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá instituir categorias com vantagens
especiais.
- A associação civil é uma pessoa jurídica de direito privado criada a partir da união de pessoas em torno
de uma finalidade que não seja lucrativa. No entanto, não há qualquer impedimento para que uma
organização sem fins lucrativos desenvolva atividades econômicas para geração de renda, desde que não
partilhe os resultados decorrentes entre os associados.
- Fundações: resultam da afetação de um patrimônio visando realizar uma finalidade ideal ou não
econômica. É um patrimônio personificado que se converte em uma pessoa jurídica própria. Podem gerar
receita, que é reinvestida na própria atividade.
- 1) Fundações PÚBLICAS de direito PÚBLICO: essas nada mais são do que Fundações AUTÁRQUICAS,
logo elas devem ser criadas por lei. 2) Fundações PÚBLICAS de direito PRIVADO: essas se equiparam às
Empresas Públicas e Sociedade de Economia Mista, por isso sua criação é AUTORIZADA por lei. 3)
Fundações PRIVADAS: essas são pessoas jurídicas privadas e não há que se falar em lei em sua criação.

103
- CC/2002, Art. 64. Constituída a fundação por negócio jurídico entre vivos, o instituidor é obrigado a
transferir-lhe a propriedade, ou outro direito real, sobre os bens dotados, e, se não o fizer, serão
registrados, em nome dela, por mandado judicial.
- As sociedades são pessoas jurídicas de direito privado, mesmo que tenham como sócios ou acionistas
entes de direito público interno.
- A alteração do estatuto de fundações exige aprovação do órgão do Ministério Público (MP).
- A fundação, que pode ser instituída por escritura pública ou testamento, podendo somente constituir-
se para fins de I – assistência social; II – cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico;
III – educação; IV – saúde; V – segurança alimentar e nutricional; VI – defesa, preservação e conservação
do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável; VII – pesquisa científica,
desenvolvimento de tecnologias alternativas, modernização de sistemas de gestão, produção e
divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos; VIII – promoção da ética, da
cidadania, da democracia e dos direitos humanos; IX – atividades religiosas (Lei 13.151/2015).
- Se o estatuto da fundação não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor, ou, não havendo prazo,
em 180 dias, a incumbência caberá ao Ministério Público.
- Requisitos: 1) Afetação de bens livres por escritura pública ou testamento; 2) elaboração do seu
estatuto; 3) aprovação do estatuto pelo MP – se o próprio MP o elaborar, deve ser aprovado pelo Juiz.
- Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma:
I - seja deliberada por 2/3 dos competentes para gerir e representar a fundação;
II - não contrarie ou desvirtue o fim desta;
III – seja aprovada pelo órgão do Ministério Público no prazo máximo de 45 (quarenta e cinco) dias, findo
o qual ou no caso de o Ministério Público a denegar, poderá o juiz supri-la, a requerimento do
interessado. (Redação dada pela Lei nº 13.151, de 2015)
- Quando a alteração não houver sido aprovada por votação unânime, os administradores da fundação,
ao submeterem o estatuto ao órgão do Ministério Público, requererão que se dê ciência à minoria
vencida para impugná-la, se quiser, em dez dias.
- Não é possível a reversão dos bens para o instituidor no caso de extinção da fundação. Configuraria
enriquecimento sem causa (em razão dos benefícios fiscais).
- Sociedades: constituída por meio de contrato social, com o propósito de exercer atividade econômica e
partilhar lucro. Tem fim lucrativo.
- Admite-se sociedade entre cônjuges que não sejam casados em comunhão universal de bens ou
separação obrigatória.

104
- Uma sociedade é empresária quando tiver por objeto exercício de atividade empresarial (critério
material) e registro na junta comercial (critério formal).
- EIRELI: Empresa Individual de Responsabilidade Limitada. Pessoa jurídica autônoma constituída por um
único indivíduo – a responsabilidade é limitada ao capital social. É possível EIRELI Simples – para o
exercício de atividade não empresarial.
- STJ: A pessoa jurídica de direito público não tem direito à indenização por danos morais relacionados à
violação da honra ou da imagem. Não é possível pessoa jurídica de direito público pleitear, contra
particular, indenização por dano moral relacionado à violação da honra ou da imagem (Info 534).
- STJ: Pessoa jurídica pode ser titular de direitos autorais (Info 594).
Súmula 370: Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado.
Súmula 385: Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe indenização por dano
moral, quando preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento.
Súmula 387: É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral.
Súmula 388: A simples devolução indevida de cheque caracteriza dano moral.
- Desconsideração da personalidade jurídica:
TEORIA MAIOR TEORIA MENOR
CÓDIGO CIVIL CDC, DANOS AMBIENTAIS

- Exige demonstração de abuso da personalidade jurídica (confusão patrimonial ou desvio de finalidade)


e requerimento da parte ou MP (não pode ser de ofício pelo juiz). Encerramento irregular das atividades
não caracteriza, por si só, abuso da personalidade jurídica. Dispensa demonstração de insolvência da
pessoa jurídica.
- Desconsideração inversa: caracteriza-se pelo afastamento da autonomia patrimonial da sociedade para
atingir o ente coletivo e seu patrimônio social, de modo a responsabilizar a pessoa jurídica por
obrigações do sócio (busca evitar que o sujeito esconda seu patrimônio por meio da pessoa jurídica). O
NCPC adota expressamente a desconsideração inversa (art. 133, §2º).
- Nas associações, não há responsabilidade solidária entre os administradores, de forma que um não
responde pelos atos praticados por outro – entre associados não há direitos ou obrigações recíprocas.
- Enunciado 67 da I Jornada CJF:A quebra do affectio societatis não é causa para a exclusão do sócio
minoritário, mas apenas para dissolução (parcial) da sociedade.

105
- Enunciado 51 da I Jornada CJF: A teoria da desconsideração da personalidade jurídica – disregard
doctrine – fica positivada no novo Código Civil, mantidos os parâmetros existentes nos microssistemas
legais e na construção jurídica sobre o tema.
- Enunciado 53 da I Jornada CJF: Deve-se levar em consideração o princípio da função social na
interpretação das normas relativas à empresa, a despeito da falta de referência expressa.
- Os efeitos da desconsideração da personalidade jurídica somente alcançam os sócios participantes da
conduta ilícita ou que dela se tenham beneficiado.
- Para a decretação da desconsideração da personalidade jurídica, exige-se a comprovação do desvio de
finalidade OU de confusão patrimonial. O Art. 50 do Código Civil fala em desvio de finalidade ou confusão
patrimonial, sendo requisitos alternativos, e não cumulativos.
- Enunciado nº 285 do CJF "Art. 50. A teoria da desconsideração, prevista no art. 50 do Código Civil, pode
ser invocada pela pessoa jurídica em seu favor”.
- Enunciado nº 284 do CJF "Art. 50. As pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos ou de fins
não-econômicos estão abrangidas no conceito de abuso da personalidade jurídica."
- Enunciado nº 282 do CJF "Art. 50. O encerramento irregular das atividades da pessoa jurídica, por si só,
não basta para caracterizar abuso de personalidade jurídica".
- Enunciado nº 281 do CJF "Art. 50. A aplicação da teoria da desconsideração, descrita no art. 50 do
Código Civil, prescinde da demonstração de insolvência da pessoa jurídica".
- Enunciado nº 283 do CJF "Art. 50. É cabível a desconsideração da personalidade jurídica denominada
'inversa' para alcançar bens de sócio que se valeu da pessoa jurídica para ocultar ou desviar bens
pessoais, com prejuízo a terceiros”.

 BENS
- Bem = interesse juridicamente protegido pela norma.

- O direito à sucessão aberta é bem imóvel. Sua cessão exige escritura pública e vênia conjugal.
- Universalidade de fato: bens; universalidade de direito: relações jurídicas.
- Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público
interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem.
- Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais os bens pertencentes às pessoas jurídicas de
direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado.
- Os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram, bem como o direito à sucessão aberta, são
considerados bens imóveis para os efeitos legais, de acordo com o Código Civil.

106
- Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto
conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar.
- Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei.
- Art. 103. O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído, conforme for estabelecido
legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem.
- Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião.
- Súmula 49 STF: A cláusula de inalienabilidade inclui a incomunicabilidade dos bens.
- Art. 94. Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as pertenças, salvo se
o contrário resultar da lei, da manifestação de vontade, ou das circunstâncias do caso.
- Bem de família voluntário = estabelecido pela vontade do casal, da entidade familiar ou de terceiro,
mediante registro.
- Bem de família legal = proteção automática conferida pela lei.
- A impenhorabilidade do bem de família no qual reside o sócio devedor não é afastada pelo fato de o
imóvel pertencer à sociedade empresária. STJ. 4ª Turma. EDcl no AREsp 511.486-SC, Rel. Min. Raul Araújo,
julgado em 3/3/2016 (Info 579).
- Súmula 486-STJ: É impenhorável o único imóvel residencial do devedor que esteja locado a terceiros,
desde que a renda obtida com a locação seja revertida para a subsistência ou a moradia da sua família.
- Súmula 364-STJ: O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange também o imóvel
pertencente a pessoas solteiras, separadas e viúvas.
- Súmula 449-STJ: A vaga de garagem que possui matrícula própria no registro de imóveis não constitui
bem de família para efeito de penhora.
- Súmula 205-STJ: A Lei 8.009/90 aplica-se à penhora realizada antes de sua vigência.
- O art. 3º da Lei nº 8.009/90 traz as hipóteses em que o bem de família legal pode ser penhorado. O inciso
V afirma que o imóvel poderá ser penhorado, mesmo sendo bem de família, se ele foi dado como
hipoteca (garantia real) de uma dívida em favor da entidade familiar e esta, posteriormente, não foi
paga. Neste caso, o bem de família poderá ser alienado e seu produto utilizado para satisfazer o credor.
Vale ressaltar que não é necessário que a hipoteca esteja registrada no cartório de Registro de Imóveis.
Assim, a ausência de registro da hipoteca em cartório de registro de imóveis não afasta a exceção à regra
de impenhorabilidade prevista no art. 3º, V, da Lei nº 8.009/90. Em outras palavras, o fato de a hipoteca
não ter sido registrada não pode ser utilizado como argumento pelo devedor para evitar a penhora do
bem de família. STJ. 3ª Turma. REsp 1.455.554-RN, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em
14/6/2016 (Info 585).

107
- O art. 3º da Lei nº 8.009/90 traz as hipóteses em que o bem de família legal pode ser penhorado. O inciso
V afirma que o imóvel poderá ser penhorado, mesmo sendo bem de família, se ele foi dado como
hipoteca (garantia real) de uma dívida em favor da entidade familiar e esta, posteriormente, não foi
paga. Neste caso, o bem de família poderá ser alienado e seu produto utilizado para satisfazer o credor.
Vale ressaltar que não é necessário que a hipoteca esteja registrada no cartório de Registro de Imóveis.
Assim, a ausência de registro da hipoteca em cartório de registro de imóveis não afasta a exceção à regra
de impenhorabilidade prevista no art. 3º, V, da Lei nº 8.009/90. Em outras palavras, o fato de a hipoteca
não ter sido registrada não pode ser utilizado como argumento pelo devedor para evitar a penhora do
bem de família. STJ. 3ª Turma. REsp 1.455.554-RN, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em
14/6/2016 (Info 585).
- A impenhorabilidade do bem de família no qual reside o sócio devedor não é afastada pelo fato de o
imóvel pertencer à sociedade empresária. STJ. 4ª Turma. EDcl no AREsp 511.486-SC, Rel. Min. Raul Araújo,
julgado em 3/3/2016 (Info 579).
- Lei 8.009/90 – Exceções à impenhorabilidade do bem de família: créditos de trabalhadores da própria
residência e respectivas contribuições previdenciárias (#ATENÇÃO: HIPÓTESE REVOGADA PELA LC
150/2015); crédito decorrente do financiamento destinado à construção ou à aquisição do imóvel; credor
de pensão alimentícia; impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições devidas em função do
imóvel familiar; hipoteca sobre o imóvel oferecido como garantia real pelo casal ou pela entidade
familiar; ter sido adquirido com produto de crime; para execução de sentença penal condenatória a
ressarcimento, indenização ou perdimento de bens; fiança concedida em contrato de locação.
- Mesmo sem disposição em contrário, as pertenças, como o mobiliário, por exemplo, não acompanham
o imóvel alienado ou desapropriado. A modificação introduzida, tendo em vista que se operou a
unificação parcial do direito privado, atenderá melhor aos interesses comerciais.
- As pertenças não seguem necessariamente a lei geral de gravitação jurídica, por meio da qual o
acessório sempre seguirá a sorte do principal. Por isso, se uma propriedade rural for vendida, desde que
não haja cláusula que aponte em sentido contrário, o vendedor não estará obrigado a entregar
máquinas, tratores e equipamentos agrícolas nela utilizados.
- Segundo a redação literal da súmula 486-STJ, "é impenhorável o único imóvel RESIDENCIAL do devedor
que esteja locado a terceiros, desde que a renda obtida com a locação seja revertida para a subsistência
ou a moradia da sua família." A 2ª Turma do STJ, contudo, ampliou esta proteção e decidiu que também é
impenhorável o único imóvel COMERCIAL do devedor que esteja alugado quando o valor do aluguel é

108
destinado unicamente ao pagamento de locação residencial por sua entidade familiar. STJ. 2ª Turma.
REsp 1.616.475-PE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 15/9/2016 (Info 591).

 FATO JURÍDICO
- Fato jurídico = acontecimento para o qual uma norma jurídica atribui um efeito jurídico.
- O acontecimento, seja ele natural ou humano, para revestir-se da figura do fato jurídico, precisa
obrigatoriamente ter repercussão no mundo jurídico, senão será simples fato sem importância para o
direito.
- O fato jurídico (em sentido amplo) pode ser: Fato Jurídico Natural (ou em sentido estrito) independe da
vontade humana. Os Fatos naturais se subdividem em ordinários (exemplos: o nascimento, a morte, a
maioridade, o decurso do tempo) ou extraordinários (a exemplo do caso fortuito, ou força maior, das
tempestades e dos terremotos que ocasionem danos às pessoas).
- Fato Jurídico Humano, que será decorrência de um Ato humano. (Exemplos: reconhecimento da
paternidade, um contrato, uma doação). O fato jurídico voluntário pode ser um ato lícito ou ilícito. O ato
lícito pode ser um ato jurídico stricto senso ou um negócio jurídico.
- Ato-fato jurídico = num primeiro momento, a vontade não apresenta relevância jurídica, mas seus
efeitos sim. Ex.: encontrar tesouro.
FATO JURÍDICO = qualquer acontecimento, seja ele natural ou humano, que tenha
repercussão jurídica.

FATO JURÍDICO NATURAL = independe da conduta humana. Ex.: passar do tempo, raio que
cai em alto – mar. Pode ser ordinário ou extraordinário.
FATO JURÍDICO VOLUNTÁRIO = depende da manifestação de vontade humana. Pode ser ato
jurídico lícito ou ilícito.
ATO JURÍDICO LÍCITO (SENTIDO AMPLO) = pode ser ato jurídico em estrito senso ou negócio
jurídico.
ATO JURÍDICO EM SENTIDO ESTRITO = comportamento humano que conduz à produção de
efeitos legalmente previstos. Não há liberdade de escolha quanto aos efeitos.
NEGÓCIO JURÍDICO = maior expressão da autonomia privada. Há uma declaração de vontade,
permitindo-se a escolha dos efeitos jurídicos que queira produzir.

- CC/2016 = adotou a Teoria Dualista, distinguindo atos jurídicos em sentido estrito dos negócios jurídicos.

109
- Condição = evento futuro e incerto, que subordina a produção dos efeitos de um negócio jurídico.
- Termo = evento futuro e certo. Ex.: data futura.
- Encargo = restrição à vantagem criado para o beneficiário de um negócio jurídico gratuit0.
- Art. 131. O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito.
- Na condição, enquanto não se verifica seu implemento, não se adquire o direito a que o ato visa;
no termo inicial, pelo contrário, não se impede a aquisição do direito, apenas se retarda seu exercício.
- No termo o evento é futuro e certo, ao passo que na condição é futuro e incerto.
- Art. 137. Considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível, salvo se constituir o motivo
determinante da liberalidade, caso em que se invalida o negócio jurídico.

- Art. 123. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados: I - as condições física ou
juridicamente impossíveis, quando suspensivas; II - as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita; III - as
condições incompreensíveis ou contraditórias.

- Art. 124. Têm-se por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de não fazer coisa
impossível.

- Planos do negócio jurídico = existência, validade e eficácia.


- Existência = agente, objeto, vontade e forma.
- Validade = agente capaz; objeto lícito, possível, determinado ou determinável; vontade livre e forma
prescrita ou não defesa em lei.
- Requisitos de validade do negócio jurídico: partes plenamente capazes (relativamente incapaz –
assistido / absolutamente incapaz – representado); objeto lícito, possível, determinado ou determinável;
forma prescrita ou não defesa em lei; vontade manifestada de forma consistente (capacidade civil) e livre
de vícios (erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão, fraude contra credores).

- Art. 104. A validade do negócio jurídico requer: I - agente capaz; II - objeto lícito, possível, determinado
ou determinável; III - forma prescrita ou não defesa em lei.

- Art. 105. A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício
próprio, nem aproveita aos co-interessados capazes, salvo se, neste caso, for INDIVISÍVEL o objeto do
direito ou da obrigação comum.

- Art. 106. A impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio jurídico se for relativa, ou se cessar
antes de realizada a condição a que ele estiver subordinado.

110
- Art. 107. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei
expressamente a exigir.

- Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios
jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis
de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País.

- Art. 110. A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não
querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento.

- Art. 111. O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for
necessária a declaração de vontade expressa.

- Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao
sentido literal da linguagem.

- Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua
celebração.

- Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente.

- São vícios da vontade: o erro, o dolo, a coação, o estado de perigo e a lesão; e vícios sociais: a fraude
contra credores e a simulação.

- Os vícios de consentimento prejudicam a exteriorização do negócio jurídico, atuando sobre o


consentimento; já os vícios sociais se mostram quando há uma divergência entre a vontade exteriorizada
e a ordem legal.
- São vícios da vontade: o erro, o dolo, a coação, o estado de perigo e a lesão; e vícios sociais: a fraude
contra credores e a simulação.
- Erro é vício no consentimento em que há uma falsa percepção da realidade pelo agente, seja no tocante
à pessoa ao objeto ou ao próprio negócio jurídico. Mas para desconstituir o negócio jurídico deve ser: 1)
essencial ou substancial (que tem o condão de impedir a celebração da avença, se dele tivesse
conhecimento um dos contratantes); 2) ser escusável ou perdoável (homem mediano – qualquer pessoa
de inteligência mediana cometeria) – invoca-se a boa-fé.
- É perfeitamente possível configurar-se o erro de direito, desde que não traduza intencional recusa à
aplicação da lei nos termos do art. 139, III, CC.
- A cognoscibilidade (conhecimento do erro pela outra parte) não é necessária.

111
- Dolo: é causa de anulação do negócio jurídico e se configura quando a parte é enganada praticando um
ato jurídico prejudicial (é um erro provocado de má-fé). Deve ser principal (atacar a sua causa), que
resulta na anulação do negócio. Se for incidental, resultará apenas na obrigação de pagar perdas e danos.
- Mensagem subliminar é espécie de dolo.
- O dolo deve ser principal – se for acidental resulta na obrigação de pagar perdas e danos. Dolo de
terceiro (se o beneficiário sabia ou devia saber, anula-se o negócio / se não, o negócio é mantido e o
terceiro responde por perdas e danos). Dolo de Representante legal (só obriga o representado a
responder civilmente até a importância do proveito que teve. Se for do representante convencional, o
representado responde solidariamente pelas perdas e danos – não anula o negócio). Dolo Bilateral (dolo
das duas partes, o negócio permanece como está). Dolo Negativo (silêncio intencional ao dever de
informação, que resulta na celebração de um negócio prejudicial à parte enganada).
- Coação: séria violência psicológica (ameaça) que conduz o coagido a celebrar negócio jurídico contra a
sua vontade – na coação física o negócio é inexistente. Não se considera coação o simples “temor
reverencial”. Coação de terceiro – resulta na anulação do negócio se o beneficiário sabia ou deveria saber
da coação (e responde solidariamente por perdas e danos). Mas se não soubesse, o negócio é mantido e
responde apenas o coator por perdas e danos.
- No estado de perigo não exige a verificação da inexperiência, somente é necessário que a parte lesada
esteja premida de necessidade – gera anulação do negócio.
- Dolo de aproveitamento: a outra parte sabe da situação de estado de perigo e se aproveita. - O dolo de
aproveitamento não é exigido na lesão – só é exigido no estado de perigo.
- Lesão: é causa de invalidade do negócio jurídico, resultada da desproporção existente entre as
prestações do negócio, em virtude da necessidade ou inexperiência de uma das partes. Não era tratada
no CC/16. Para o CC, a lesão é causa de anulabilidade de negócio jurídico, já para o CDC é causa de
nulidade absoluta.
- É possível invalidar-se negócio jurídico em que tenha sido pactuada taxa abusiva de juros bancários.
- A Teoria da Imprevisão não resulta na invalidade do negócio jurídico, mas apenas na sua revisão
(desproporção ou desequilíbrio causado após a celebração do negócio).
- Simulação: celebra-se um negócio jurídico que tem aparência normal, mas que não pretende atingir o
efeito que juridicamente deveria produzir. As partes se unem para prejudicar um terceiro. É causa de
nulidade absoluta do negócio. Quer seja a simulação absoluta quer seja a simulação relativa, a
consequência é a nulidade absoluta do negócio jurídico (art. 167), embora, na simulação relativa, em
determinados casos, sendo juridicamente possível, o juiz poderá aproveitar o que se simulou. Toda

112
simulação, inclusive a “inocente” invalida o negócio. A reserva mental (reticência) – quando o agente
emite uma declaração de vontade, resguardando oculto ou íntimo propósito de não cumprir o que
declarou ou de atingir finalidade diversa – se essa reserva é manifestada e a outra parte toma
conhecimento, o negócio será considerado inexistente (há doutrinadores que defendem ser causa de
invalidade).
- A simulação consiste em um acordo das partes contratantes para criar um negócio jurídico aparente,
cujos efeitos não são desejados pelas partes, ou para ocultar, sob determinada aparência, o negócio
querido, acarretando a nulidade do negócio. O propósito do negócio aparente é o de enganar terceiros,
ou fugir ao imperativo da lei. Em caso de simulação absoluta, as partes convencionam um negócio
jurídico aparente com o qual não desejam produzir qualquer efeito com esse ato. Esse negócio jurídico é
nulo e o efeito da declaração de nulidade é ex tunc, fulminando o ato em sua origem e extirpando todos
os seus efeitos, ressalvando-se os direitos de terceiros de boa-fé em face desses contratantes.
- A nulidade absoluta de um negócio jurídico poderá ser arguida por qualquer interessado, bem como
pelo Ministério Público em casos em que couber intervir, ou, ainda, ser decretada pelo juiz, de ofício,
quando conhecer do negócio ou dos seus efeitos e a encontrar provada. Declarada essa nulidade por
sentença judicial, ela produzirá efeitos ex tunc, alcançando a declaração de vontade no momento da
emissão.
- A simulação pode ser arguida mesmo por um simulador contra o outro, vez que a simulação é uma
causa de nulidade do negócio jurídico e matéria de ordem pública.
- “Contrato de vaca-papel”: simulação de um contrato de parceria pecuária que, em verdade, visa a
encobrir um empréstimo de dinheiro a juros extorsivos – invalidade desse negócio jurídico simulado.
- Negócio jurídico bifronte: pode ser unilateral ou bilateral. Ex: mandato e depósito, quando é estipulada
remuneração ao mandatário ou depositário.
- Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:
I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz;
II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto;
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito;
IV - não revestir a forma prescrita em lei;
V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade;
VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa;
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção.
- Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico:

113
I - por incapacidade relativa do agente;
II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores.
III – quando expressamente declarado em lei.
- Regra da malitia suplit artatem (a malícia supre a idade/incapacidade): Art. 180, CC: O menor, entre
dezesseis e dezoito anos, não pode, para eximir-se de uma obrigação, invocar a sua idade se
dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte, ou se, no ato de obrigar-se, declarou-se maior.
- Vedação ao veniri contra factum proporium (vedação ao comportamento contraditório).
- Anulação de negócio jurídico: prazo sempre decadencial (é direito potestativo).
Art. 178. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico, contado:
I - no caso de coação, do dia em que ela cessar; II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de
perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico; III - no de atos de incapazes, do dia em que
cessar a incapacidade.
Art. 179. Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer prazo para pleitear-se a
anulação, será este de dois anos, a contar da data da conclusão do ato.
- O negócio anulável admite confirmação.

- Art. 169. O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso do
tempo.

- Art. 170. Se, porém, o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, subsistirá este quando o fim
a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se houvessem previsto a nulidade.

- Conversão ≠ Convalidação. Conversão aproveita a manifestação de vontade, transformando o ato nulo


ou anulável em outro válido e lícito. Convalidação é a correção do vício do negócio, mantendo-se o
mesmo negócio jurídico (só cabe para atos anuláveis).

- Só é anulável o negócio concluído pelo representante em conflito de interesses com o representado se


tal fato era ou deveria ser do conhecimento de quem com aquele tratou. Prazo para anulação: 180 dias,
contados da conclusão do negócio ou da cessação da incapacidade.
- Efeito da sentença de nulidade: erga omnes e ex tunc. Efeito da anulabilidade: inter partes e ex nunc (há
discussões na doutrina por conta do art. 182 CC).
- A súmula 494 do STF que prevê que a ação para anular a venda de ascendente a descendente prescreve
em 20 anos contados da data do ato perdeu sua eficácia com o advento do art.179 do Código Civil de
2002.

114
- Art.179. Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer prazo para pleitear-se a
anulação, será este de 02 anos, a contar da data da conclusão do ato.
- A doação prescinde (= não depende) de anuência dos demais herdeiros, constituindo-se, no entanto,
adiantamento de herança. A doação realizada pelos pais aos filhos, com exclusão de um ou mais
herdeiros, é válida e independe do consentimento de todos os descendentes, configurando-se
adiantamento de legítima, cabendo aos prejudicados, tão somente, ao ensejo da abertura da sucessão,
postular pela redução dessa liberalidade até complementar a legítima, desde que ultrapasse a metade
disponível.
- De acordo com o Código Civil, a alienação feita por ascendente a descendente é ato jurídico anulável.
- CC, Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o
cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. Parágrafo único. Em ambos os casos,
dispensa-se o consentimento do cônjuge se o regime de bens for o da separação obrigatória. – o
consentimento deve ser expresso.
- Tanto nos casos de declaração de nulidade quanto nos de decretação de anulação do negócio jurídico,
ocorre o retorno das partes à situação anterior.
- A boa-fé objetiva limita os direitos subjetivos e constitui fonte de obrigação aos contratantes, de forma
a estabelecer deveres implícitos que não estão previstos expressamente no contrato.
- Art. 110. A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não
querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento.
- Segundo preconiza o artigo 167, CC, à luz do princípio da conservação, na SIMULAÇÃO RELATIVA, sendo
possível, o juiz poderá aproveitar o negócio dissimulado.
- Menor de 16 - nulo de pleno direito (não há manifestação de vontade) / Maior de 16 e menor de 18 –
anulável.
- As condições de fazer coisas impossíveis, quando resolutivas, são inexistentes. Art. 124. Têm-se por
inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de não fazer coisa impossível.
- Art. 117. Salvo se o permitir a lei ou o representado, é anulável o negócio jurídico que o representante,
no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo.
- A condição integra o plano da eficácia do negócio jurídico.
- Nos casos em que a lei exclui a prova testemunhal, não se admitem as presunções, com exceção das
legais, assim como é irrevogável a confissão, que pode ser anulada se decorrer de erro de fato ou de
coação.

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- Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na
substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: II - contiverem declaração,
confissão, condição ou cláusula não verdadeira;
- Art. 170. Se, porém, o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, subsistirá este quando o fim
a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se houvessem previsto a nulidade.
- De acordo com o Código Civil, não importa em anuência tácita o silêncio da locadora em relação à
correspondência a ela encaminhada pelos fiadores comunicando-lhe a intenção de se exonerarem da
fiança prestada.
- A aferição de abusividade no exercício de um direito deve ser realizada pelo magistrado de forma
objetiva.
- Tendo sido pactuada cláusula penal em negócio jurídico, caso venha a ocorrer a invalidade da obrigação
principal, a cláusula penal, por consequência, também perecerá em razão do mesmo vício.
- Elementos do plano da eficácia: 1) Regime de bens; 2) Inadimplemento; 3) Perdas e danos; 4) Registro
imobiliário; 5) Elementos acidentais do negócio jurídico.
- Elementos acidentais: 1) condição (subordina sua eficácia a um evento futuro e incerto – “SE”); 2)
Termo (subordina a eficácia a evento futuro e certo – “QUANDO”); 3) Encargo ou modo (é um ônus
introduzido em ato de liberdade – é sempre doação ou testamento – “PARA QUE”, “COM O FIM DE”).
- Ação pauliana: é a ação anulatória fundada na fraude contra credores – ação revocatória. Há
litisconsórcio passivo necessário entre o devedor insolvente, a pessoa que com ele celebrou a estipulação
fraudulenta, ou terceiros adquirentes que hajam procedido de má-fé. Os terceiros adquirentes de boa-fé
são protegidos (teoria da aparência).

- A fraude à execução só poderá ser reconhecida se o ato de disposição do bem for posterior à citação
válida do sócio devedor, quando redirecionada a execução que fora originariamente proposta em face da
pessoa jurídica. STJ. 3ª Turma. REsp 1.391.830-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/11/2016 (Info
594). O entendimento acima exposto permanece válido com o CPC/2015? Haverá polêmica, mas pela
redação literal do novo CPC, não. Isso porque o CPC/2015 traz uma nova regra, que não havia no Código
passado, afirmando que a fraude à execução tem como marco a data da citação da pessoa jurídica que é
objeto da desconsideração: Art. 792 (...) § 3º Nos casos de desconsideração da personalidade jurídica, a
fraude à execução verifica-se a partir da citação da parte cuja personalidade se pretende desconsiderar.

- Súmula 195-STJ: Em embargos de terceiro não se anula ato jurídico, por fraude contra credores.

116
 PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

- Prescrição é a perda da pretensão – relaciona-se aos direitos subjetivos (pessoais), de cunho


patrimonial. É a perda da pretensão de direito material, em razão da inércia do seu titular, no prazo
previsto em lei.
Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela prescrição, nos
prazos a que aludem os arts. 205 e 206.
- Termo a quo da contagem do prazo prescricional: a partir da lesão.
- ENUNCIADO 14, I JDC: Art. 189, CC: o início do prazo prescricional ocorre com o surgimento da
pretensão, que decorre da exigibilidade do direito subjetivo. O art. 189, CC diz respeito a casos em que a
pretensão nasce imediatamente após a violação do direito absoluto ou da obrigação de não fazer.
- Cobrança: do vencimento da dívida.
- Reparação dos danos: da ocorrência do ilícito.
- A exceção ou a defesa prescrevem no mesmo prazo em que a pretensão (art. 190).
- A tendência legislativa, doutrinária e jurisprudencial é de aplicação da Teoria da ACTIO NATA, tendo
início o prazo não da lesão em si, mas do seu conhecimento.
- A prescrição é fixada por lei, não podendo ser alterada por acordo entre as partes. Contudo, a
prescrição pode ser renunciada (depois que ela se consumar e se não houver prejuízo de terceiro).
- A prescrição extingue apenas a pretensão, permanecendo o direito material. Assim, o credor não possui
meio jurídico para forçar o pagamento da dívida, porém, uma vez paga pelo devedor, não tem ele direito
à devolução, pois a dívida ainda existe. Trata-se de obrigação natural.
- A prescrição pode ser declarada de ofício. É matéria de ordem pública.
- Enunciado 295, 4ª JDC, 2006: art. 191: A prescrição de ofício não retira do devedor a possibilidade de
renúncia à prescrição, admitida no art. 191, CC.
- Dívida prescrita não pode ser exigida, mas pode ser paga – não cabe repetição de indébito.
- A ação de alimentos é imprescritível, porque é, apesar de ser condenatória, também é declaratória. Para
declarar a dívida, é imprescritível, porém, prescreve em dois anos, a partir dos respectivos vencimentos a
pretensão para cobrança de alimentos já fixados em acordo ou sentença. É uma prescrição parcial,
porque vai atingindo parte da dívida. Art. 206, § 2º Em dois anos, a pretensão para haver prestações
alimentares, a partir da data em que se vencerem.

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- Art. 193. A prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição, pela parte a quem aproveita. –
por ser matéria de ordem pública – inclusive nas instâncias especiais.
- Não se admite prescrição intercorrente com a demanda que não está no arquivo.
- Se houve a diminuição de um prazo de prescrição, como ocorreu por exemplo, na reparação civil, de 20
para três anos, devem ser observadas duas regras: 1ª regra: se em 11 de janeiro de 2003, quando o CC
entrou em vigor, tiver decorrido mais da metade do prazo anterior (mais de 10 anos), o prazo antigo
continua. 2ª regra: se, em 11 de janeiro de 2003, tiver decorrido metade ou menos da metade do prazo
anterior, aplica-se o prazo novo de 3 anos, contado da entrada em vigor do CC. (Enunciado 50 da 1ª JDC e
já aplicado na jurisprudência: STJ, REsp 896.635, MT).
- Art. 192, CC "Os prazos de prescrição não podem ser alterados por acordo das partes”.
- A interrupção da prescrição, que pode ser promovida por qualquer interessado, pode ocorrer uma única
vez. Entre as causas da interrupção inclui-se o despacho do juiz, ainda que incompetente, que ordenar a
citação, se o interessado a promover no prazo e na forma da lei processual.
- A violação do direito gera, para seu titular, a pretensão, a qual se pode extinguir pela prescrição, que
continua a transcorrer com relação ao sucessor, em caso de falecimento do titular.
- Prescreve em três anos, pretensão relativa a alugueis de prédios urbanos ou rústicos. Cobrança de
alugueis e também repetição de indébito.
- Súmula 412, STJ: se for repetição de indébito para repetição de indébito de tarifas de água e esgoto, o
STJ dá um prazo de 10 anos.
- Ações indenizatórias em geral. Prescreve em três anos, quando há relação civil. Se a relação for de
consumo, o prazo é de cinco anos.
- Prazos prescricionais: art. 205 e 206, CC. Todos os demais são prazos decadenciais.
- §5º, I: prescreve em cinco anos. Pretensão de cobrança de dívidas líquidas (certas e determinadas,
constantes em instrumento público ou particular. Ex: escritura pública).
- §5º, II: cobrança de honorários em geral, prescreve em cinco anos.
- §5º, III – direito de regresso. O prazo é de cinco anos.
- A prescrição somente decorre de lei. Os prazos de prescrição não podem ser alterados pelas partes, sob
pena de nulidade. (art. 192, CC).
- Art. 192. Os prazos de prescrição não podem ser alterados por acordo das partes.
- A prescrição não corre em relação às ações declaratórias ou constitutivas. Corre apenas em relação às
ações condenatórias.
- Art. 197. Não corre a prescrição:

118
I - entre os cônjuges, na constância da sociedade conjugal – e na união estável;
II - entre ascendentes e descendentes, durante o poder familiar – que se encerra com 18 anos;
III - entre tutelados ou curatelados e seus tutores ou curadores, durante a tutela ou curatela.
- Art. 198. Também não corre a prescrição:
I - contra os incapazes de que trata o art. 3º (absolutamente incapazes em geral);
II - contra os ausentes do País em serviço público da União, dos Estados ou dos Municípios (e os ausentes
mortos presumidos – pela impossibilidade de cobrança);
III - contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em tempo de guerra.
- Art. 199. Não corre igualmente a prescrição:
I - pendendo condição suspensiva;
II - não estando vencido o prazo (o prazo pra a cobrança da dívida);
III - pendendo ação de evicção.
- Art. 200. Quando a ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal, não correrá a
prescrição antes da respectiva sentença definitiva.
- Hipóteses de interrupção da prescrição (o prazo volta para o início)
- Art. 202:
I – Despacho do juiz que ordenar a citação (a interrupção da prescrição ocorre com a citação válida, o que
retroage à data da propositura da ação - o efeito interruptivo da prescrição produzido pelo despacho que
ordena a citação é retroativo até a data da propositura da demanda);
II – Protesto Judicial;
III – Protesto Cambial – aquele realizado no Cartório de Protesto;
IV – Pela apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de credores (falência)
– habilitação de crédito;
V – Por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor – notificação e interpelações judiciais.
VI – Por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento do direito pelo
devedor (são atos do devedor).
- Notificação extrajudicial por carta ou cartório de títulos e documentos não interrompe a prescrição.
- Suspensão da prescrição para credores solidários: obrigação indivisível.
- Interrupção da prescrição para credores solidários: obrigação divisível ou indivisível.
- Interrupção da prescrição contra um dos herdeiros do devedor solidário não prejudica os outros
herdeiros ou devedores, senão quando se trate de obrigações e direitos indivisíveis.

119
- Havendo solidariedade entre devedores, a interrupção da prescrição atinge a todos, devedor principal e
fiador.
- A interrupção produzida contra o principal devedor prejudica o fiador.
- Todos os prazos prescricionais são em anos. Se aparece um prazo em dias, em meses, ano e dia, é prazo
decadencial.
- AÇÃO DECLARATÓRIA é imprescritível.
- Prescrição: AÇÃO CONDENATÓRIA.
- Súmula 149: é imprescritível a ação de investigação de paternidade, mas não o é a de petição de
herança.
- Súmula 383 STF: a prescrição em favor da fazenda pública recomeça a correr, por dois anos e meio, a
partir do ato interruptivo, mas não fica reduzida aquém de cinco anos, embora o titular do direito a
interrompa durante a primeira metade do prazo.
- Súmula 106 STJ: Proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício, a demora na citação, por motivos
inerentes ao mecanismo da justiça, não justifica o acolhimento da arguição de prescrição ou decadência.
- Súmula 150 STF: Prescreve a execução no mesmo prazo de prescrição da ação.
- Súmula 154 STF: Simples vistoria não interrompe a prescrição.
- STJ: É de 5 anos o prazo prescricional para que a vítima de um acidente de trânsito proponha ação de
indenização contra concessionária de serviço público de transporte coletivo (empresa de ônibus). O
fundamento legal para esse prazo está no art. 1º-C da Lei 9.494/97 e também no art. 14 c/c art. 27, do CDC
(Info 563).
- STJ: As ações de indenização por danos morais decorrentes de atos de tortura ocorridos durante o
Regime Militar de exceção são imprescritíveis. Não se aplica o prazo prescricional de 5 anos previsto no
art. 1º do Decreto 20.910/1932.

- Decadência: é a perda de direito potestativo – relacionado às ações constitutivas. Em regra a decadência


não pode ser impedida, suspensa ou interrompida. EXCEÇÃO: Art. 208. Aplica-se à decadência o disposto
nos arts. 195 e 198, inciso I.
→ 195: direito de regresso contra quem deu causa a prescrição.
→ Art. 198, I: questão de tutela de vulnerável. A decadência não corre contra absolutamente incapaz.
- Decadência: AÇÃO MANDAMENTAL e CONSTITUTIVA POSITIVA OU NEGATIVA (no caso, as
desconstitutivas, que desfazem negócio jurídico).

120
- Exemplo de decadência convencional: prazo de garantia dado pelo vendedor na venda de um bem. A
decadência convencional pode ser renunciada – mas a legal não (art. 209 – é nula a renúncia à decadência
fixada em lei).
- A decadência legal deve ser conhecida de ofício pelo juiz. Art. 210. Deve o juiz, de ofício, conhecer da
decadência, quando estabelecida por lei.
- Art. 211. Se a decadência for convencional, a parte a quem aproveita pode alegá-la em qualquer grau de
jurisdição, mas o juiz não pode suprir a alegação.
- A decadência pode ser legal ou convencional. A decadência legal não pode ser renunciada.
- Ação de investigação de paternidade é declaratória – por isso não prescreve.
- A petição de herança prescreve, porque é ação condenatória e está no art. 2015 – prazo de 10 anos.
- Enunciado 368 – Art. 496: o prazo para anular a venda de ascendente para descendente é decadencial
de dois anos (art. 179, CC).
- Já a decadência pode decorrer da lei ou do contrato.
- Art. 500. Se, na venda de um imóvel, se estipular o preço por medida de extensão, ou se determinar a
respectiva área, e esta não corresponder, em qualquer dos casos, às dimensões dadas, o comprador terá
o direito de exigir o complemento da área, e, não sendo isso possível, o de reclamar a resolução do
contrato ou abatimento proporcional ao preço.
Art. 501. Decai do direito de propor as ações previstas no artigo antecedente o vendedor ou o comprador
que não o fizer no prazo de um ano, a contar do registro do título.

 BENS
- O art. 3º da Lei nº 8.009/90 traz as hipóteses em que o bem de família legal pode ser penhorado. O
inciso V afirma que o imóvel poderá ser penhorado, mesmo sendo bem de família, se ele foi dado como
hipoteca (garantia real) de uma dívida em favor da entidade familiar e esta, posteriormente, não foi
paga. Neste caso, o bem de família poderá ser alienado e seu produto utilizado para satisfazer o credor.
Vale ressaltar que não é necessário que a hipoteca esteja registrada no cartório de Registro de Imóveis.
Assim, a ausência de registro da hipoteca em cartório de registro de imóveis não afasta a exceção à regra
de impenhorabilidade prevista no art. 3º, V, da Lei nº 8.009/90. Em outras palavras, o fato de a hipoteca
não ter sido registrada não pode ser utilizado como argumento pelo devedor para evitar a penhora do
bem de família. STJ. 3ª Turma. REsp 1.455.554-RN, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em
14/6/2016 (Info 585).

121
- A impenhorabilidade do bem de família no qual reside o sócio devedor não é afastada pelo fato de o
imóvel pertencer à sociedade empresária. STJ. 4ª Turma. EDcl no AREsp 511.486-SC, Rel. Min. Raul Araújo,
julgado em 3/3/2016 (Info 579).
- Súmula 364-STJ: O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange também o imóvel
pertencente a pessoas solteiras, separadas e viúvas.
- Súmula 486-STJ: É impenhorável o único imóvel residencial do devedor que esteja locado a terceiros,
desde que a renda obtida com a locação seja revertida para a subsistência ou a moradia da sua família.
- Universalidade de fato: bens; universalidade de direito: relações jurídicas.
- Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público
interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem.
- Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais os bens pertencentes às pessoas jurídicas de
direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado.
- Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto
conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar.
- Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei.
- Art. 103. O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído, conforme for estabelecido
legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem.
- Súmula 49 STF: A cláusula de inalienabilidade inclui a incomunicabilidade dos bens.
- Lei 8.009/90 – Art. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil, fiscal,
previdenciária, trabalhista ou de outra natureza, SALVO SE MOVIDO: II - pelo titular do crédito
decorrente do financiamento destinado à construção ou à aquisição do imóvel, no limite dos créditos e
acréscimos constituídos em função do respectivo contrato; III – pelo credor da pensão alimentícia,
resguardados os direitos, sobre o bem, do seu coproprietário que, com o devedor, integre união estável
ou conjugal, observadas as hipóteses em que ambos responderão pela dívida; IV - para cobrança de
impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições devidas em função do imóvel familiar; V - para
execução de hipoteca sobre o imóvel oferecido como garantia real pelo casal ou pela entidade familiar;
VI - por ter sido adquirido com produto de crime ou para execução de sentença penal condenatória a
ressarcimento, indenização ou perdimento de bens. VII - por obrigação decorrente de fiança concedida
em contrato de locação.
- Segundo o STJ, as exceções à impenhorabilidade do bem de família, previstas no art. 3º, da Lei nº
8.009/90, devem ser interpretadas restritivamente.
- Súmula 205-STJ: A Lei 8.009/90 aplica-se à penhora realizada antes de sua vigência.

122
- A impenhorabilidade do bem de família é matéria de ordem pública, dela podendo conhecer o juízo a
qualquer momento, antes da arrematação do imóvel, desde que haja prova nos autos.
- Súmula 449-STJ: A vaga de garagem que possui matrícula própria no registro de imóveis não constitui
bem de família para efeito de penhora.
- Súmula 549-STJ: É válida a penhora de bem de família pertencente a fiador de contrato de locação.
- STJ: Se o executado possui um único imóvel residencial, mas quem mora nele é um parente (ex.: filho),
mesmo assim esse imóvel será considerado como bem de família, sendo impenhorável. Em outras
palavras, constitui bem de família, insuscetível de penhora, o único imóvel residencial do devedor em que
resida seu familiar, ainda que o proprietário nele não habite (Info 543).
- Mesmo sem disposição em contrário, as pertenças, como o mobiliário, por exemplo, não acompanham
o imóvel alienado ou desapropriado. A modificação introduzida, tendo em vista que se operou a
unificação parcial do direito privado, atenderá melhor aos interesses comerciais.
- Art. 94. Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as pertenças, salvo se
o contrário resultar da lei, da manifestação de vontade, ou das circunstâncias do caso.
- Os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram, bem como o direito à sucessão aberta, são
considerados bens imóveis para os efeitos legais, de acordo com o Código Civil.
- As pertenças não seguem necessariamente a lei geral de gravitação jurídica, por meio da qual o
acessório sempre seguirá a sorte do principal. Por isso, se uma propriedade rural for vendida, desde que
não haja cláusula que aponte em sentido contrário, o vendedor não estará obrigado a entregar
máquinas, tratores e equipamentos agrícolas nela utilizados.
- São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, e também os bens que podem ser removidos
sem alteração de sua substância econômica. Os materiais destinados a uma construção mantêm a
qualidade de móveis enquanto não forem imobilizados com a sua utilização. Assim, não perde a
característica de imóvel o telhado provisoriamente separado da casa.

 RESPONSABILIDADE CIVIL
- É uma obrigação que incumbe uma pessoa de ter de reparar os danos causados a outra (indenizar) pela
transgressão de uma norma jurídica preexistente, contratual ou extracontratual.

- A violação de um dever jurídico configura o ilícito, que, quase, sempre, acarreta dano para outrem,
gerando um novo dever jurídico, qual seja, o de reparar o dano. Há, assim, um dever jurídico originário,
chamado por alguns de primário, cuja violação gera um dever jurídico sucessivo, também chamado por
alguns de primário, que é de indenizar o prejuízo.

123
- A responsabilidade civil é um direito jurídico sucessivo, que surge para recompor o dano decorrente da
violação de um dever jurídico originário.

- Não há responsabilidade sem dano (sem o qual importaria e enriquecimento sem causa). É a extensão
do dano que dá a dimensão da indenização.

- Prejuízo de afeição é o dano extrapatrimonial sofrido pelos familiares da pessoa morta.


- Teoria da Perda de uma Chance: flexibiliza o requisito da certeza do dano, pois, mesmo sem a certeza
do dano, a indenização é devida. Permite que a vítima seja indenizada quando sofre a perda de uma
situação que tinha grande probabilidade de acontecer não fosse a conduta danosa de outrem.

HÁ DISTINÇÃO ENTRE RESPONSABILIDADE CIVIL CONTRATUAL E EXTRACONTRATUAL:


RESPONSABILIDADE CONTRATUAL – tem origem na INEXECUÇÃO CONTRATUAL, decorre da
relação contratual existente.
- ônus da prova: basta comprovar o INADIMPLEMENTO.
- mora: mora é automática.
RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL – tem origem na VIOLAÇÃO DE UM DEVER GERAL DE
ABSTENÇÃO pertinente aos direitos reais ou de personalidade.
- Também denominada de RESPONSABILIDADE AQUILIANA.
- Afundamento da nomenclatura: a lex aquilia foi o diploma romano que previu a
responsabilidade independentemente da existência de uma relação contratual.
- ônus da prova: deve-se demonstrar: DANO + CONDUTA CULPOSA + NEXO DE CAUSALIDADE.
- mora: não é automática.

- Elementos da Responsabilidade Civil: De acordo com o art. 186, CC, são: conduta humana (ação ou
omissão); dano (prejuízo); culpa genérica – dolo (intenção ou vontade de causar o prejuízo) ou culpa
(reprovabilidade – inobservância de um dever de cuidado); e nexo de causalidade (relação de causa e
efeito).

- Pode haver responsabilidade civil por ato lícito (Caso do agente que, em estado de necessidade, atinge
bem de terceiro).

- Art. 929. Se a pessoa lesada, ou o dono da coisa, no caso do inciso II do art. 188, não forem culpados do
perigo, assistir-lhes-á direito à indenização do prejuízo que sofreram.

- Art. 930. No caso do inciso II do art. 188, se o perigo ocorrer por culpa de terceiro, contra este terá o
autor do dano ação regressiva para haver a importância que tiver ressarcido ao lesado. Parágrafo único.
A mesma ação competirá contra aquele em defesa de quem se causou o dano (art. 188, inciso I).

124
- Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona: a culpa genérica é um elemento acidental, e não essencial, tendo em
vista a hipótese de responsabilidade objetiva (que prescinde a análise de culpa).

- A responsabilidade pode se dar por ato próprio, de terceiro ou fato da coisa ou do animal.

DANO IN RE IPSA DANO REFLEXO DANO INDIRETO DANO BUMERANGUE


Dano presumido. Ocorre quando a Remete à ideia de É um dano imediato
ofensa é dirigida uma uma cadeia de em revide, que a
pessoa, mas quem prejuízos, ou seja, a vítima causa no seu
sente os efeitos mesma vítima sofre ofensor.
dessa ofensa, dessa um dano principal,
lesão é outra. denominado de
direto e, em
consequência deste,
ainda suporta outro,
indireto.

- A conduta de um adulto que pratica agressão verbal ou física contra criança ou adolescente configura
elemento caracterizador da espécie do dano moral in re ipsa. STJ. 3ª Turma. REsp 1.642.318-MS, Rel. Min.
Nancy Andrighi, julgado em 7/2/2017 (Info 598).

TEORIAS QUE EXPLICAM A CAUSALIDADE


Teoria da equivalência das condições
(conditio sine qua non): É aquela que
considera como elemento causal todo
antecedente que haja participado da cadeia
de fatos que resultaram no dano. Esta teoria
não é aplicada no direito civil brasileiro, e é a
descrita na questão.
Teoria da causalidade adequada: É aquela
que considera como elemento causal
somente o fato apto (adequado) a produção
do resultado danoso. Se o evento ocorreu por
força de uma circunstância acidental a causa

125
não era adequada. Baseia-se em um juízo de
probabilidade.
Teoria da causalidade direta ou imediata (ou
causalidade necessária): É aquela que
considera como elemento causal somente o
antecedente fático que determine o resultado
danoso como uma consequência sua
direta/imediata. Esta teoria é defendida por
Maria Helena Diniz, dentre outros. É A TEORIA
ADOTADA NO DIREITO CIVIL BRASILEIRO.

- O Brasil adotou a Teoria da Causalidade Direta ou Imediata (há quem entenda que o Brasil adotou a
Teoria da Causalidade Adequada).

- Excludentes de causalidade: fato vítima, fato de terceiro, caso fortuito e força maior.

- Fortuito interno: integra o próprio processo de elaboração do produto ou da execução do serviço. Não
tendo o condão de excluir a responsabilidade civil.

- Cliente roubado no posto de gasolina enquanto abastecia seu veículo: não há responsabilidade do
posto.
- Cliente, após sacar dinheiro na agência, é roubado à mão armada em um estacionamento privado que
fica ao lado, mas que não tem qualquer relação com o banco. Não haverá responsabilidade civil nem do
banco nem da empresa privada de estacionamento.
- Roubo ocorrido em veículo sob a guarda de vallet parking que fica localizado em via pública. Não há
responsabilidade da empresa.
- Furto ocorrido em veículo sob a guarda de vallet parking que fica localizado em via pública. Há
responsabilidade.
- Furto ou roubo ocorrido em veículo sob a guarda de vallet parking localizado dentro do shopping
center. Há responsabilidade.
- Súmula 187 STF: A responsabilidade contratual do transportador, pelo acidente com o passageiro, não é
elidida por culpa de terceiro, contra o qual tem ação regressiva.
- Súmula 161 STF: Em contrato de transporte, é inoperante a cláusula de não indenizar.

126
- Súmula 492 STF: A empresa locadora de veículos responde, civil e solidariamente com o locatário, pelos
danos por este causados a terceiro, no uso do carro locado.
- Súmula 465 STJ: Ressalvada a hipótese de efetivo agravamento do risco, a seguradora não se exime do
dever de indenizar em razão da transferência do veículo sem a sua prévia comunicação.
- O titular de determinado direito cometerá ato ilícito se exercer esse direito fora dos limites de sua
finalidade econômica ou social.
- Art. 271. Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste, para todos os efeitos, a
solidariedade.
- O dever de indenizar ante a prática de um ato ilícito inicia-se no momento da sua ocorrência, embora
possa ser posterior a confirmação desse dever, bem como a quantificação da indenização.
- Modalidade de ato ilícito, por configurar abuso de direito, a supressio indica a possibilidade de redução
do conteúdo obrigacional pela inércia qualificada de uma das partes, ao longo da execução do contrato,
em exercer direito ou faculdade.
- O DANO MORAL QUANTO À NECESSIDADE OU NAO DE PROVA:
A) Dano moral provado ou dano moral subjetivo - constituindo regral geral, segundo o atual estágio da
jurisprudência nacional, é aquele que necessita ser comprovado pelo autor da demanda, ônus que lhe
cabe.
B) Dano moral objetivo ou presumido (in re ispa) - não necessita de prova, como nos casos de morte de
pessoa da família, lesão estética ou uso indevido de imagem para fins lucrativos (SÚMULA 403 DO STJ)
Súmula 403 do STJ "independe de prova do prejuizo a indenização pela publicação não autorizada da
imagem da pessoa com fins econômicos ou comerciais".
- Mesmo nao sendo a regra, é sim permitida a presuncao de dano moral, que é o chamado Dano Moral in
re ipsa. Um exemplo é a negativacao irregular, conforme sumula do STJ. Assim, Tratando-se de ato ilícito,
admite-se a presunção de dano moral pela simples comprovação da ilicitude do ato.

- Art. 188. Não constituem atos ilícitos: I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um
direito reconhecido; II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de
remover perigo iminente. Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as
circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do indispensável para a
remoção do perigo.

127
- Não se deve confundir culpa exclusiva da vítima com culpa concorrente, que apenas atenua a
responsabilidade civil.

- A anuência da vítima só exclui a responsabilidade quando o bem for disponível e desde que a haja
capacidade jurídica para consentir.

- Art. 944. A indenização mede-se pela extensão do dano. Parágrafo único. Se houver excessiva
desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, poderá o juiz reduzir, equitativamente, a indenização.
(Esse parágrafo único evita a transferência do fracasso total. É aplicável nos casos de culpa mínima e
prejuízo enorme). É aplicável também aos casos de responsabilidade objetiva.

- Art. 942. Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos à
reparação do dano causado; e, se a ofensa tiver mais de um autor, todos responderão solidariamente
pela reparação. Parágrafo único. São solidariamente responsáveis com os autores os co-autores e as
pessoas designadas no art. 932 (pais, tutor, curador, empregador, dono de hotel e o que gratuitamente
houver participado nos produtos do crime).

- Art. 927. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos
especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por
sua natureza, risco para os direitos de outrem. (TEORIA DO RISCO).

- Responsabilidade Objetiva: abuso de direito, exercício de atividade de risco ou perigosa, danos


causados por produtos, responsabilidade pelo fato de outrem, responsabilidade pelo fato da coisa e do
animal, responsabilidade dos incapazes.

- Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os
limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. ABUSO DE
DIREITO = HIPÓTESE DE RESPONSABILIDADE OBJETIVA.

- A responsabilidade civil decorrente do abuso do direito independe de culpa e fundamenta-se somente


no critério objetivo-finalístico.
- Art. 950. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão,
ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do tratamento e lucros
cessantes até ao fim da convalescença, incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para

128
que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu. Parágrafo único. O prejudicado, se preferir, poderá
exigir que a indenização seja arbitrada e paga de uma só vez.
- INF STJ 536: Os credores de indenização por morte fixada na forma de pensão mensal não têm o direito
de exigir que o causador do ilícito pague de uma só vez todo o valor correspondente. Isso porque a
faculdade de “exigir que a indenização seja arbitrada e paga de uma só vez” (parágrafo único do art. 950
do CC) é estabelecida para a hipótese do caput do dispositivo, que se refere apenas a defeito que
diminua a capacidade laborativa da vítima, não se estendendo aos casos de falecimento.
- Súmula 132 STJ: a ausência de registro da transferência não implica a responsabilidade do antigo
proprietário por dano resultante de acidente que envolva o veículo alienado.
- Súmula 39 STJ: Prescreve em vinte 3 anos a ação para haver indenização, por responsabilidade civil, de
sociedade de economia mista.
- Súmula 420 STJ: Incabível, em embargos de divergência, discutir o valor de indenização por danos
morais.
- STJ: O termo inicial da contagem do prazo prescricional na hipótese em que se pleiteia indenização por
danos morais e/ou materiais decorrentes do falecimento de ente querido é a data do óbito,
independentemente da data da ação ou omissão.
- STJ: O espólio não tem legitimidade para postular indenização pelos danos materiais e morais
supostamente experimentados pelos herdeiros, ainda que se alegue que os referidos danos teriam
decorrido de erro médico de que fora vítima o falecido. Nessa situação, debatem as partes em torno de
bens cuja titularidade é dos herdeiros por direito próprio, e não sobre bem jurídico de titularidade
originária do falecido que tenha sido transmitido por efeito hereditário.
- INF STJ 532: O espólio não tem legitimidade para buscar reparação por danos morais decorrentes de
ofensa post mortem à imagem e à memória de pessoa. A legitimidade, nesse caso, é dos herdeiros.
- INF STJ 565: Responsabilidade civil dos administradores de rede social por violação de direito autoral
causada por seus usuários – O STJ tem entendimento consolidado no sentido de que o titular que teve
direito autoral violado pela comercialização desautorizada de sua obra em rede social deve indicar a URL
específica da página na qual o ilícito foi praticado, caso pretenda que o provedor torne indisponível o
conteúdo e forneça o IP do usuário responsável pela violação. O administrador de rede social (no caso, o
Google®) não é responsável pelos prejuízos decorrentes de violações de direito autoral levadas a efeito
por usuários que utilizavam a rede social Orkut® para comercializar obras sem autorização dos
respectivos titulares, desde que constatado que: (a) o provedor de internet (Google®) não obteve lucro
ou contribuiu decisivamente com a prática ilícita e
(b) os danos sofridos ocorreram antes da notificação

129
do provedor acerca da existência do conteúdo infringente (ou seja, as vendas foram antes de o provedor
ser notificado sobre as páginas ilícitas).
- INF STJ 563: É de 5 anos o prazo prescricional para que a vítima de um acidente de trânsito proponha
ação de indenização contra concessionária de serviço público de transporte coletivo (empresa de
ônibus).
- Segundo o entendimento do STJ, caso preexistam outras inscrições regularmente realizadas, a ausência
de prévia comunicação ao consumidor da inscrição do seu nome em órgão de proteção ao crédito não
ensejará indenização por danos morais.
- O mero afastamento de filho de 16 anos de idade da casa paterna não é suficiente para elidir a
responsabilidade dos pais.
- Não há como afastar a responsabilização do pai do filho menor simplesmente pelo fato de que ele não
estava fisicamente ao lado de seu filho no momento da conduta O art. 932 do CC prevê que os pais são
responsáveis pela reparação civil em relação aos atos praticados por seus filhos menores que estiverem
sob sua autoridade e em sua companhia. O art. 932, I do CC, ao se referir à autoridade e companhia
dos pais em relação aos filhos, quis explicitar o poder familiar (a autoridade parental não se esgota na
guarda), compreendendo um plexo de deveres, como proteção, cuidado, educação, informação, afeto,
dentre outros, independentemente da vigilância investigativa e diária, sendo irrelevante a proximidade
física no momento em que os menores venham a causar danos. Em outras palavras, não há como afastar
a responsabilização do pai do filho menor simplesmente pelo fato de que ele não estava fisicamente ao
lado de seu filho no momento da conduta. STJ. 4ª Turma. REsp 1.436.401-MG, Rel. Min. Luis Felipe
Salomão, julgado em 2/2/2017 (Info 599). OBS: CUIDADO COM O RESP 1.232.011-SC, REL. MIN. JOÃO
OTÁVIO DE NORONHA, JULGADO EM 17/12/2015 (INFO 575), PRECEDENTE EM SENTIDO UM POUCO
DIVERSO ENVOLVENDO UMA MÃE QUE MORAVA EM OUTRA CIDADE.
- Súmula 572-STJ: O Banco do Brasil, na condição de gestor do Cadastro de Emitentes de Cheques sem
Fundos (CCF), não tem a responsabilidade de notificar previamente o devedor acerca da sua inscrição no
aludido cadastro, tampouco legitimidade passiva para as ações de reparação de danos fundadas na
ausência de prévia comunicação. STJ. 2ª Seção. Aprovada em 11/05/2016, DJe 16/05/2016.

 POSSE
- Exercício, pleno ou não, de alguns dos poderes inerentes à propriedade.
- Situação de fato. Exercício de um poder fático sobre a coisa.

130
- Trata-se de um instituto sui generis (não é direito real, nem direito obrigacional).
- Detenção = desqualificação da posse.
- São casos de detenção: fâmulo da posse e atos de mera tolerância.
- A posse se dá apenas sobre bens materiais. Não há posse de bens incorpóreos. Exceção: Súmula 193 STJ
“o direito de uso de linha telefônica pode ser adquirido por usucapião”.

#SELIGANOSTJ:
Particular invade imóvel público e deseja proteção possessória em face do PODER PÚBLICO: não é
possível. Não terá direito à proteção possessória. Não poderá exercer interditos possessórios porque,
perante o Poder Público, ele exerce mera detenção. Particular invade imóvel público e deseja proteção
possessória em face de outro PARTICULAR: terá direito, em tese, à proteção possessória. É possível o
manejo de interditos possessórios em litígio entre particulares sobre bem público dominical, pois entre
ambos a disputa será relativa à posse. STJ. 4ª Turma. REsp 1.296.964-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão,
julgado em 18/10/2016 (Info 594).

Particulares podem ajuizar ação possessória para resguardar o livre exercício do uso de via municipal
(bem público de uso comum do povo) instituída como servidão de passagem. Ex: a empresa começou a
construir uma indústria e a obra está invadindo a via de acesso (rua) que liga a avenida principal à uma
comunidade de moradores locais. Os moradores possuem legitimidade para ajuizar ação de reintegração
de posse contra a empresa alegando que a rua que está sendo invadida representa uma servidão de
passagem. STJ. 3ª Turma. REsp 1.582.176-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 20/9/2016 (Info 590).

- Teoria adotada no Brasil a respeito da posse: Teoria Objetiva (Ihering). Mas, há temperamentos da
Teoria Subjetiva (Savigny).
- Enunciado 78 CJF – Art. 1.210: Tendo em vista a não-recepção pelo novo Código Civil da exceptio
proprietatis (art. 1.210, § 2º) em caso de ausência de prova suficiente para embasar decisão liminar ou
sentença final ancorada exclusivamente no ius possessionis, deverá o pedido ser indeferido e julgado
improcedente, não obstante eventual alegação e demonstração de direito real sobre o bem litigioso.
- Enunciado 79 CJF – Art. 1.210: A exceptio proprietatis, como defesa oponível às ações possessórias
típicas, foi abolida pelo Código Civil de 2002, que estabeleceu a absoluta separação entre os juízos
possessório e petitório.

131
- Art. 73 NCPC. O cônjuge necessitará do consentimento do outro para propor ação que verse sobre
direito real imobiliário, salvo quando casados sob o regime de separação absoluta de bens.
§ 2o Nas ações possessórias, a participação do cônjuge do autor ou do réu somente é indispensável nas
hipóteses de composse ou de ato por ambos praticado.

CLASSIFICAÇÃO DA POSSE
Posse direta Posse indireta
Posse justa Posse injusta
Posse de boa-fé Posse de má-fé
Posse ad interdicta Posse ad usucapionem
Posse nova Posse velha

- Enunciado 76 do CJF: “Art. 1.197O possuidor direto tem direito de defender sua posse contra o indireto,
e este contra aquele”.
- Só há posse indireta quando há a direta e vice-versa. Não havendo desdobramento da posse, temos a
posse plena.
- Constituto Possessório – aquele que possuía em nome próprio, passa a possuir em nome alheio.
- Traditio brevi manu – aquele que possuía em norme alheio, passa a possuir em nome próprio.
- Enunciado 77 CJF– Art. 1.205: A posse das coisas móveis e imóveis também pode ser transmitida
pelo constituto possessório.
- Enunciado 76 CJF– Art. 1.197: O possuidor direto tem direito de defender a sua posse contra o indireto, e
este, contra aquele (art. 1.197, in fine, do novo Código Civil).
- Posse injusta: posse com vício (violência, clandestinidade ou precariedade).
- Fator da Relatividade: a posse poder ser justa em relação a uma pessoa, e ser injusta em relação a
outrem.
- A posse injusta pode ser protegida pelos interditos proibitórios.
- Princípio da Continuidade do Caráter da Posse: salvo prova em contrário, entende-se manter a posse o
mesmo caráter com que foi adquirida.
- Interversão = alteração do caráter da posse. Ex.: locador que após término do contrato não sai do
imóvel (tinha posse justa e agora tem posse injusta).
- Posse de boa-fé: ignora o vício ou obstáculo que impede a aquisição da coisa.

132
- Presunção (relativa) de boa-fé – justo título.
- Enunciado 86 CJF Art. 1.242: A expressão “justo título” contida nos arts. 1.242 e 1.260 do CC abrange
todo e qualquer ato jurídico hábil, em tese, a transferir a propriedade, independentemente de registro.
- Enunciado 80 do CJF – Art. 1.212: É inadmissível o direcionamento de demanda possessória ou
ressarcitória contra terceiro possuidor de boa-fé, por ser parte passiva ilegítima diante do disposto no
art. 1.212 do novo Código Civil. Contra o terceiro de boa-fé, cabe tão-somente a propositura de demanda
de natureza real.
- Posse civil – decorrente de uma relação contratual, tal como o constituto possessório.
- Efeitos da posse:
a) percepção dos frutos;
b) indenização pelas benfeitorias e direto de retenção;
c) responsabilidade civil do possuidor;
d) possibilidade de usucapião.
- A posse de má-fé não permite a retenção, nem mesmo das benfeitorias necessárias. Haverá apenas o
direito de indenização por elas.
POSSE DE BOA-FÉ POSSE DE MÁ-FÉ
Direito aos frutos percebidos (enquanto durar a Não tem direito a frutos. Responde por todos os
boa-fé). frutos colhidos e percebidos, bem como pelos
que, por culpa sua, deixou de perceber.
Cabe indenização pelas benfeitorias necessárias, Cabe indenização apenas pelas benfeitorias
úteis e voluptuárias. necessárias.
Tem direito a retenção pelas benfeitorias úteis e Não tem direito de retenção.
necessárias.
Poder levantar as benfeitorias voluptuárias Não pode levantar as benfeitorias voluptuárias.
(quando não for paga a indenização).

- O ex-mutuário de imóvel dado em garantia hipotecária em financiamento do Sistema Financeiro da


Habitação (SFH) não tem direito à retenção pelas benfeitorias realizadas no bem antes da adjudicação.
Quanto às benfeitorias realizadas após a adjudicação, deve-se analisar se há boa-fé ou má-fé na posse.
Havendo má-fé do ex-mutuário possuidor (o que é a regra), ele não tem direito de retenção pelas
benfeitorias realizadas no imóvel após a adjudicação, mas poderá ser indenizado pelas benfeitorias

133
necessárias (art. 1.220 do CC). STJ. 3ª Turma. REsp 1.399.143-MS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino,
julgado em 7/6/2016 (Info 585).
- Enunciado 81 CJF: O direito de retenção previsto no art. 1.219 do CC, decorrente da realização de
benfeitorias necessárias e úteis, também se aplica às acessões (construções e plantações) nas mesmas
circunstâncias.

 DIREITO REAL NA COISA ALHEIA


SUPERFÍCIE:

- Tem origem romana.

- Pode incidir em imóvel urbano ou rural.

- Pode se dar a título oneroso ou gratuito.

- Só se admite a sua constituição por tempo determinado.

- Art. 1.369. O proprietário pode conceder a outrem o direito de construir ou de plantar em seu terreno,
por tempo determinado, mediante escritura pública devidamente registrada no Cartório de Registro de
Imóveis. Parágrafo único. O direito de superfície não autoriza obra no subsolo, salvo se for inerente ao
objeto da concessão.

- O superficiário responde pelos encargos e tributos que incidirem sobre o imóvel.

- Art. 1.375. Extinta a concessão, o proprietário passará a ter a propriedade plena sobre o terreno,
construção ou plantação, independentemente de indenização, se as partes não houverem estipulado o
contrário.

- Art. 1.373. Em caso de alienação do imóvel ou do direito de superfície, o superficiário ou o proprietário


tem direito de preferência, em igualdade de condições.

- O direito de superfície pode transferir-se a terceiros e, por morte do superficiário, aos seus herdeiros.

SERVIDÃO

- Art. 1.378. A servidão proporciona utilidade para o prédio dominante, e grava o prédio serviente, que
pertence a diverso dono, e constitui-se mediante declaração expressa dos proprietários, ou por
testamento, e subsequente registro no Cartório de Registro de Imóveis.

134
- Art. 1.379. O exercício incontestado e contínuo de uma servidão aparente, por dez anos, nos termos
do art. 1.242, autoriza o interessado a registrá-la em seu nome no Registro de Imóveis, valendo-lhe como
título a sentença que julgar consumado a usucapião.

Parágrafo único. Se o possuidor não tiver título, o prazo da usucapião será de vinte anos.

- Nasce da vontade legal dos proprietários, não se confundindo com as servidões legais, que são direitos
de vizinhança, imposto coativamente.

- Características: a) é uma relação entre dois prédios distintos; b) os prédios devem pertencer a donos
diversos; c) é direito real, acessório, de duração indefinida e indivisível; d) é inalienável.

- Classificação:

a) contínua: quando exercida independente de uma ação humana;

b) contínua: quando tem seu uso condicionado a algum ato humano atual;

c) aparente: se manifesta por obras exteriores;

d) não aparente: não se revela por obras exteriores.

- Súmula 415 STF: Servidão de trânsito não titulada, mas tornada permanente, sobretudo pela natureza
das obras realizadas, considera-se aparente, conferindo direito à proteção possessória.

- Extinção: a) renúncia; b) pela cessação, para o prédio dominante, da utilidade que determinou a
constituição da servidão; c) pelo resgate; d) pela confusão; e) pela supressão das respectivas obras; f)
pelo não uso, durante 10 anos contínuos.

USUFRUTO

- Art. 1.390. O usufruto pode recair em um ou mais bens, móveis ou imóveis, em um patrimônio inteiro,
ou parte deste, abrangendo-lhe, no todo ou em parte, os frutos e utilidades.

- Art. 1.393. Não se pode transferir o usufruto por alienação; mas o seu exercício pode ceder-se por título
gratuito ou oneroso.

- É temporário. Não se admite que, pela morte, seja transferido a terceiro. O CC/02 prevê a extinção do
usufruto pela morte do usufrutuário.

- É impenhorável.

- Art. 1.399. O usufrutuário pode usufruir em pessoa, ou mediante arrendamento, o prédio, mas não
mudar-lhe a destinação econômica, sem expressa autorização do proprietário.

135
- O usufrutuário, antes de assumir o usufruto, inventariará, à sua custa, os bens que receber,
determinando o estado em que se acham, e dará caução, fidejussória ou real, se lha exigir o dono, de
velar-lhes pela conservação, e entregá-los findo o usufruto. Não é obrigado à caução o doador que se
reservar o usufruto da coisa doada.

- Art. 1.392. Salvo disposição em contrário, o usufruto estende-se aos acessórios da coisa e seus
acrescidos.

§ 1o Se, entre os acessórios e os acrescidos, houver coisas consumíveis, terá o usufrutuário o dever de
restituir, findo o usufruto, as que ainda houver e, das outras, o equivalente em gênero, qualidade e
quantidade, ou, não sendo possível, o seu valor, estimado ao tempo da restituição.

- O §1º acima traz o usufruto impróprio, assemelhado ao mútuo, já que o usufrutuário torna-se verdadeiro
proprietário, ficando obrigado a restituir coisa equivalente.

- STJ: Usufruto é o direito real e temporário de usar e fruir (retirar frutos e utilidades) coisa alheia (bem
móvel ou imóvel), de forma gratuita, sem alterar-lhe a substância ou destinação econômica. O
usufrutuário detém a posse direta do bem. Além disso, como se trata de direito real, ele também possui o
poder de sequela, podendo perseguir a coisa aonde quer que ela vá. Como o usufrutuário detém a posse
direta do bem, é óbvio que ele pode se valer das ações possessórias caso esteja sendo ameaçado em sua
posse. No entanto, como o usufruto é um direito real e como o usufrutuário detém poder de sequela, a
doutrina e a jurisprudência também admitem que ele ajuíze ação reivindicatória — de caráter petitório —
com o objetivo de fazer prevalecer o seu direito sobre o bem, seja contra o nu-proprietário, seja contra
terceiros (Info 550).

- STJ: A nua propriedade é suscetível de constrição judicial, salvo se o imóvel do executado for
considerado bem de família. Ex: incide sobre o imóvel “X” um usufruto. A mãe é a usufrutuária. O filho
(“A”) é o nu-proprietário. “A” mora de aluguel em uma outra casa e neste imóvel “X” quem reside é a
sua mãe. O Banco ajuizou execução contra “A” e pleiteou a penhora do imóvel “X”. O imóvel “X” poderá
ser penhorado? Melhor dizendo, como o que “A” possui em relação ao imóvel “X” é apenas a nua
propriedade, o Banco poderá penhorar esse direito (nua propriedade) que pertence ao indivíduo “A”? O
STJ decidiu que, em regra, a nua propriedade é suscetível de constrição judicial, salvo se o imóvel do
executado for considerado bem de família. Assim, em tese, o Banco poderia penhorar a nua propriedade

136
que pertence a “A”. No entanto, no caso concreto, a penhora não foi admitida porque este imóvel é
utilizado como bem de família pela mãe de “A”. Logo, esta protegido pela Lei nº 8.009/90 (Info 495).

DIREITO EMPRESARIAL
 TEORIA DA EMPRESA
- Atos de Comércio foi a Teoria adotada pelo Código Comercial de 1850 (Teoria Francesa). Previa os atos de comércio.

- Código Comercial de 1850:

 Parte I – Comércio em geral;


 Parte II – Comércio marítimo;
 Parte III – Quebras.
- Teoria da Empresa: Teoria Italiana adotada pelo CC/02.
- O CC/02 manteve a parte II do Código Comercial de 1850 (comércio marítimo):

Art. 2.045. Revogam-se a Lei no 3.071, de 1o de janeiro de 1916 - Código Civil e a Parte Primeira do Código Comercial,
Lei no 556, de 25 de junho de 1850.

- Empresário:

Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção
ou a circulação de bens ou de serviços.

- Requisitos para ser empresário:


 Habitualidade;
 Atividade empresarial – finalidade lucrativa;
 Organização empresarial (mão-de-obra, matéria prima, capital, tecnologia).

- Empresário individual: pessoa natural, tem CNPJ (o empresário individual possui CNPJ para ter o mesmo tratamento
tributário que a sociedade – pessoa jurídica -, mas não é pessoa jurídica).

- Não cabe a desconsideração da personalidade jurídica do empresário individual, pois ele não tem personalidade
jurídica.

- Excluídos do conceito de empresário:

 Profissão intelectual: científica, literária, artística. É o profissional liberal.


 Já que não é empresário, é o quê? Se for pessoa natural, será autônomo, se for pessoa jurídica será sociedade
simples.

Art. 966. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica,
literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir
elemento de empresa.

- As atividades intelectuais são prestadas de forma pessoal, e ainda que contenha auxiliares ou colaboradores, o
personalismo prevalece.

137
- Elemento de empresa: ocorre quando a natureza pessoal da atividade cede espaço para uma atividade de natureza
empresarial.

- A sociedade de advogados nunca será tida como atividade empresarial, por expressa vedação legal (Estatuto da
OAB). É sociedade simples.

- Empresário individual é pessoa natural. Tem CNPJ. Em regra, a responsabilidade do empresário individual é ilimitada,
exceto no caso da EIRELI. Requisitos para ser empresário individual:

Art. 972. Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem
legalmente impedidos.

- Menor pode ser empresário individual? Sim, não podem iniciar a atividade. (Se estiver emancipado, sim).

- Menor pode dar continuidade à empresa? Sim. Requisitos:

 Deve estar devidamente assistido ou representado;


 Autorização judicial (pode ser revogada).

Art. 974. Poderá o incapaz, por meio de representante ou devidamente assistido, continuar a empresa antes exercida
por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de herança.

§ 1o Nos casos deste artigo, precederá autorização judicial, após exame das circunstâncias e dos riscos da empresa,
bem como da conveniência em continuá-la, podendo a autorização ser revogada pelo juiz, ouvidos os pais, tutores ou
representantes legais do menor ou do interdito, sem prejuízo dos direitos adquiridos por terceiros.

§ 2o Não ficam sujeitos ao resultado da empresa os bens que o incapaz já possuía, ao tempo da sucessão ou da
interdição, desde que estranhos ao acervo daquela, devendo tais fatos constar do alvará que conceder a autorização.

§ 3o O Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais deverá registrar contratos ou alterações
contratuais de sociedade que envolva sócio incapaz, desde que atendidos, de forma conjunta, os seguintes
pressupostos: (Incluído pela Lei nº 12.399, de 2011)

I – o sócio incapaz não pode exercer a administração da sociedade; (Incluído pela Lei nº 12.399, de 2011)

II – o capital social deve ser totalmente integralizado; (Incluído pela Lei nº 12.399, de 2011)

III – o sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente incapaz deve ser representado por seus
representantes legais. (Incluído pela Lei nº 12.399, de 2011)

- Juiz, Promotor, Servidor Público Civil e Federal não podem ser empresários individuais. Mas podem ser sócios de
sociedade, desde que não exerçam a Administração. Também só podem ser sócios de sociedades com
responsabilidade limitada.

Art. 978. O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens,
alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real.

138
Art. 980-A. A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por uma única pessoa titular da
totalidade do capital social, devidamente integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior salário-mínimo
vigente no País. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência)

§ 1º O nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão "EIRELI" após a firma ou a denominação
social da empresa individual de responsabilidade limitada. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência)

§ 2º A pessoa natural que constituir empresa individual de responsabilidade limitada somente poderá figurar em uma
única empresa dessa modalidade. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência)

§ 3º A empresa individual de responsabilidade limitada também poderá resultar da concentração das quotas de outra
modalidade societária num único sócio, independentemente das razões que motivaram tal concentração. (Incluído
pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência)

§ 4º ( VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência)

§ 5º Poderá ser atribuída à empresa individual de responsabilidade limitada constituída para a prestação de serviços
de qualquer natureza a remuneração decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome,
marca ou voz de que seja detentor o titular da pessoa jurídica, vinculados à atividade profissional. (Incluído pela
Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência)

§ 6º Aplicam-se à empresa individual de responsabilidade limitada, no que couber, as regras previstas para as
sociedades limitadas. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência)

- Obrigações do Empresário:

 Registro;
 Escrituração dos livros;
 Realização de balanços;
 Manutenção e boa guarda dos documentos e livros.

Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes
do início de sua atividade.

- Consequências da ausência de registro: não pode pedir falência de outrem (mas pode sofrer falência, a pedida seu ou
de outrem); não pode pleitear recuperação judicial; não pode participar de licitação, não vai obter certidão negativa
de débito; se for sociedade, a responsabilidade dos sócios será ilimitada.
- Para o empresário rural o registro é facultativo:

Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as formalidades de que
tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede,
caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro.

- O registro, como regra, tem natureza declaratória. É mera condição de regularidade. Para o empresário rural tem
natureza constitutiva.
Enunciado 198 CJF: A inscrição do empresário na Junta Comercial não é requisito para a sua caracterização,
admitindo-se o exercício da empresa sem tal providência. O empresário irregular reúne os requisitos do art. 966,
sujeitando-se às normas do Código Civil e da legislação comercial, salvo naquilo em que forem incompatíveis com a
sua condição ou diante de expressa disposição em contrário.

139
Enunciado 199 CJF: A inscrição do empresário ou sociedade empresária é requisito delineador de sua regularidade, e
não de sua caracterização.
Enunciado 202 CJF: O registro do empresário ou sociedade rural na Junta Comercial é facultativo e de natureza
constitutiva, sujeitando-o ao regime jurídico empresarial. É inaplicável esse regime ao empresário ou sociedade rural
que não exercer tal opção.
- Escrituração:
LIVROS COMERCIAIS
LIVROS OBRIGATÓRIOS LIVROS FACULTATIVOS
COMUM – ART. 1.180 – LIVRO DIÁRIO Ex.: livro razão, livro conta corrente.
ESPECIAL – não se exige para todos os empresários,
mas apenas aos que praticam determinados atos
que fazem ser necessário o livro respectivo. Ex.:
para o empresário que emite duplicata, é
obrigatório o livro de registro de duplicatas.

Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que pode ser substituído por fichas no caso
de escrituração mecanizada ou eletrônica.

Parágrafo único. A adoção de fichas não dispensa o uso de livro apropriado para o lançamento do balanço patrimonial
e do de resultado econômico.

- Princípio que norteia a escrituração dos livros comerciais: Princípio da Sigilosidade. Mas há exceções:

Art. 1.191. O juiz só poderá autorizar a exibição integral dos livros e papéis de escrituração quando necessária para
resolver questões relativas a sucessão, comunhão ou sociedade, administração ou gestão à conta de outrem, ou em
caso de falência.

§ 1o O juiz ou tribunal que conhecer de medida cautelar ou de ação pode, a requerimento ou de ofício, ordenar que os
livros de qualquer das partes, ou de ambas, sejam examinados na presença do empresário ou da sociedade
empresária a que pertencerem, ou de pessoas por estes nomeadas, para deles se extrair o que interessar à questão.

§ 2o Achando-se os livros em outra jurisdição, nela se fará o exame, perante o respectivo juiz.

- Exibição parcial – possível em qualquer ação judicial.

Súmula 260 STF: O exame de livros comerciais, em ação judicial, fica limitado às transações entre os litigantes.

Art. 1.193. As restrições estabelecidas neste Capítulo ao exame da escrituração, em parte ou por inteiro, não se
aplicam às autoridades fazendárias, no exercício da fiscalização do pagamento de impostos, nos termos estritos das
respectivas leis especiais.

Súmula 439 STF: Estão sujeitos à fiscalização tributária ou previdenciária quaisquer livros comerciais, limitado o exame
aos pontos objeto da investigação.

- Consequência da falta de escrituração:

140
Art. 178. Deixar de elaborar, escriturar ou autenticar, antes ou depois da sentença que decretar a falência, conceder a
recuperação judicial ou homologar o plano de recuperação extrajudicial, os documentos de escrituração contábil
obrigatórios:

Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa, se o fato não constitui crime mais grave.

- Balanços, 2 tipos, o patrimonial e o de resultado econômico:

Art. 1.188. O balanço patrimonial deverá exprimir, com fidelidade e clareza, a situação real da empresa e, atendidas as
peculiaridades desta, bem como as disposições das leis especiais, indicará, distintamente, o ativo e o passivo.

Parágrafo único. Lei especial disporá sobre as informações que acompanharão o balanço patrimonial, em caso de
sociedades coligadas.

Art. 1.189. O balanço de resultado econômico, ou demonstração da conta de lucros e perdas, acompanhará o balanço
patrimonial e dele constarão crédito e débito, na forma da lei especial.

 NOME EMPRESARIAL
- É o elementos de identificação do empresário ou da sociedade empresária.

- Princípios aplicáveis: Veracidade/Autenticidade e Novidade.

Art. 5º, XXIX, CF/88: a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem
como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos
distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País;
- Espécies:
 Firma: individual ou social;
 Denominação.

Sociedade limitada, comandita por ações e EIRELI podem usar firma ou denominação.

141
Art. 1.156. O empresário opera sob firma constituída por seu nome, completo ou abreviado, aditando-lhe, se quiser,
designação mais precisa da sua pessoa ou do gênero de atividade.
Art. 1.157. A sociedade em que houver sócios de responsabilidade ilimitada operará sob firma, na qual somente os
nomes daqueles poderão figurar, bastando para formá-la aditar ao nome de um deles a expressão "e companhia" ou
sua abreviatura.
Art. 1.158. Pode a sociedade limitada adotar firma ou denominação, integradas pela palavra final "limitada" ou a sua
abreviatura.
§ 2o A denominação deve designar o objeto da sociedade, sendo permitido nela figurar o nome de um ou mais sócios.
§ 3o A omissão da palavra "limitada" determina a responsabilidade solidária e ilimitada dos administradores que assim
empregarem a firma ou a denominação da sociedade.
Art. 1.160. A sociedade anônima opera sob denominação designativa do objeto social, integrada pelas expressões
"sociedade anônima" ou "companhia", por extenso ou abreviadamente.
Parágrafo único. Pode constar da denominação o nome do fundador, acionista, ou pessoa que haja concorrido para o
bom êxito da formação da empresa.
Art. 1.161. A sociedade em comandita por ações pode, em lugar de firma, adotar denominação designativa do objeto
social, aditada da expressão "comandita por ações".
Art. 1.162. A sociedade em conta de participação não pode ter firma ou denominação.
Art. 1.163. O nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro já inscrito no mesmo registro. (Juris: É possível
nomes iguais desde que em ramos diferentes e que não causem confusão).
Parágrafo único. Se o empresário tiver nome idêntico ao de outros já inscritos, deverá acrescentar designação que o
distinga.
Art. 1.164. O nome empresarial não pode ser objeto de alienação.
Parágrafo único. O adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, pode, se o contrato o permitir, usar o nome do
alienante, precedido do seu próprio, com a qualificação de sucessor.
Art. 1.166. A inscrição do empresário, ou dos atos constitutivos das pessoas jurídicas, ou as respectivas averbações, no
registro próprio, asseguram o uso exclusivo do nome nos limites do respectivo Estado.
Art. 1.167. Cabe ao prejudicado, a qualquer tempo, ação para anular a inscrição do nome empresarial feita com
violação da lei ou do contrato. IMPRESCRITÍVEL.
Art. 1.168. A inscrição do nome empresarial será cancelada, a requerimento de qualquer interessado, quando cessar o
exercício da atividade para que foi adotado, ou quando ultimar-se a liquidação da sociedade que o inscreveu.
Término da proteção ao nome empresarial:
 Dissolução total da sociedade ou liquidação;
 Inatividade – art. 60, Lei 8.934/94.
Art. 60. A firma individual ou a sociedade que não proceder a qualquer arquivamento no período de dez anos
consecutivos deverá comunicar à junta comercial que deseja manter-se em funcionamento.
§ 1º Na ausência dessa comunicação, a empresa mercantil será considerada inativa, promovendo a junta comercial o
cancelamento do registro, com a perda automática da proteção ao nome empresarial.

DIREITO DO CONSUMIDOR

142
 CONCEITOS
 Art. 1 – 54 = direito material – conceitos;
 Art. 55 – 60 = Direito Administrativo;
 Art. 61 – 80 = Penal;
 Art. 81 – 104 = Tutela Coletiva

Art. 1° O presente código estabelece normas de proteção e defesa do consumidor, de ordem pública e interesse
social, nos termos dos arts. 5°, inciso XXXII, 170, inciso V, da Constituição Federal e art. 48 de suas Disposições
Transitórias.

- O artigo 1º diz que é norma de ordem pública, logo o juiz pode atuar de ofício.

- SÚMULA 381 STJ: Nos contratos bancários, é vedado ao julgador conhecer, de ofício, da abusividade das cláusulas
(Muito criticada pela doutrina).

Obs.: o STJ tem aplicado essa súmula de forma muito restritiva mesmo, apenas para bancos.

- A defesa do consumidor é garantia fundamental = art. 5º, XXXII CF/88: o Estado promoverá, na forma da lei, a
defesa do consumidor;

- Art. 170, V, CF/88 = a ordem econômica deve observar a defesa do consumidor.

- Os Tribunais entendem que não se aplica o CDC aos contratos firmados antes da vigência deste. Exceção: se o
contrato for por prazo indeterminado, com prestações periódicas, as prestações pagas na vigência do CDC se
sujeitam a ele.

 RELAÇÃO DE CONSUMO
 Elementos subjetivos: consumidor e fornecedor.
 Elementos objetivos: produto e/ou serviço.

- Consumidor

- Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário
final.
Utiliza = inclui também o que ganha de presente, por exemplo.
# O que é dar destinação final?
- Temos 2 teorias:
MAXIMALISTA OS MAXIMALISTAS DEFENDEM QUE SERÁ
CONSIDERADO COMO CONSUMIDOR AQUELE
QUE RETIRE O PRODUTO OU SERVIÇO DO
MERCADO E QUE O UTILIZE COMO
DESTINATÁRIO FINAL, SEM IMPORTAR SE ESTE
PRODUTO OU SERVIÇO ADQUIRIDO SEJA
UTILIZADO PARA SATISFAZER UMA
NECESSIDADE PESSOAL, OU PARA SER
INCORPORADO A UM NOVO PROCESSO DE
PRODUÇÃO.
FINALISTA CONSUMIDOR É QUEM RETIRA O PRODUTO DE

143
CIRCULAÇÃO; NÃO PODE QUERER REVENDER. É
O CONSUMIDOR FINAL, DE FATO E ECONÔMICO.
COLOCA UM FIM NA CADEIA DE PRODUÇÃO.

 Prevalece que a busca deve ser pela Vulnerabilidade, a qual pode ser:

 Técnica;
 Jurídica;
 Econômica;
 Informacional.

- Nesse sentido, o STJ adota a Teoria Finalista Mitigada ou Aprofundada. A Teoria Finalista é mitigada diante da
vulnerabilidade.

AGRAVO INTERNO - AGRAVO - INDENIZAÇÃO - ATRASO NA ENTREGA DE IMÓVEL - ARTIGOS 165 , 458 E 535 , DO
CPC - PREQUESTIONAMENTO - REEXAME DE PROVAS - APLICAÇÃO DO CÓDIGO DO CONSUMIDOR -
TEORIAFINALISTA MITIGADA. 1.- Tendo o Tribunal de origem fundamentado o posicionamento adotado com
elementos suficientes à resolução da lide, não há que se falar em ofensa aos artigos 165 , 458 e 535 , do CPC . 2.-
Não examinada a matéria objeto do Recurso Especial pela instância a quo, mesmo com a oposição dos Embargos
de Declaração, incide o enunciado 211 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. 3.- A convicção a que chegou o
Acórdão decorreu da análise do conjunto fático-probatório, e o acolhimento da pretensão recursal demandaria o
reexame do mencionado suporte, obstando a admissibilidade do Especial os enunciados 5 e 7 da Súmula desta
Corte Superior. 4.- A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE TEM MITIGADO A TEORIA FINALISTA PARA AUTORIZAR A
INCIDÊNCIA DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR NAS HIPÓTESES EM QUE A PARTE (PESSOA FÍSICA OU
JURÍDICA), EMBORA NÃO SEJA TECNICAMENTE A DESTINATÁRIA FINAL DO PRODUTO OU SERVIÇO, SE
APRESENTA EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE. Precedentes. 5.- Agravo Regimental improvido. (STJ - AgRg no
AREsp: 402817 RJ 2013/0330208-2, Relator: Ministro SIDNEI BENETI, Data de Julgamento: 17/12/2013, T3 - TERCEIRA
TURMA, Data de Publicação: DJe 04/02/2014).

Há relação de consumo entre a sociedade empresária vendedora de aviões e a sociedade empresária


administradora de imóveis que tenha adquirido avião com o objetivo de facilitar o deslocamento de sócios e
funcionários. Aplica-se a teoria finalista mitigada. STJ. 3ª Turma. AgRg no REsp 1.321.083-PR, Rel. Min. Paulo de
Tarso Sanseverino, j. em 9/9/2014 (Info 548).

Em regra, somente pode ser considerado consumidor, para fins de aplicação do CDC, o destinatário fático e
econômico do bem ou serviço, seja ele pessoa física ou jurídica. Com isso, em regra, fica excluído da proteção do
CDC o consumo intermediário, assim entendido como aquele cujo produto retorna para as cadeias de produção e
distribuição, compondo o custo (e, portanto, o preço final) de um novo bem ou serviço. Embora consagre o
critério finalista para interpretação do conceito de consumidor, a jurisprudência do STJ também reconhece a
necessidade de, em situações específicas, abrandar o rigor desse critério para admitir a aplicabilidade do CDC nas
relações entre fornecedores e sociedades empresárias em que, mesmo a sociedade empresária utilizando os bens
ou serviços para suas atividades econômicas, fique www.dizerodireito.com.br Página100 evidenciado que ela
apresenta vulnerabilidade frente ao fornecedor. Diz-se que isso é a teoria finalista mitigada, abrandada ou
aprofundada. STJ. 3ª Turma. REsp 1.195.642-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 13/11/2012 (Info 510 STJ).

144
- Consumidores equiparados:

Art. 2º, Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja
intervindo nas relações de consumo

Art. 29. Para os fins deste Capítulo e do seguinte, equiparam-se aos consumidores todas as pessoas determináveis
ou não, expostas às práticas nele previstas.

Art. 17. Para os efeitos desta Seção, equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento.

#SELIGA: É aquele que não participa diretamente da relação, é o “bystander” do direito americano. Vítima de um
acidente de consumo. Ex.: pessoa atropelada por um carro da RENAULT sem freios (não é consumidor pelo art. 2º).
Acidente da TAM em SP que atingiu a casa de particulares. Explosão do shopping Osasco.

- Fornecedor:

Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes
despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação,
importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.

 Desenvolvem a atividade com habitualidade.

Elementos objetivos:

- Produto:

Art. 3º, § 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.

Exemplo de produto imaterial: programa de computador.

- Serviço: depende de remuneração. Atenção nas remunerações indiretas, ex.: estacionamentos gratuitos em
farmácias.

§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de


natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.

 STJ: serviço público de saúde não se aplica CDC.

Súmula 297 STJ: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras.

Fornecedor é gênero do qual temos como espécies: comerciante, produtor, construtor, etc. Então, quando o CDC
falar em fornecedor ele está sendo generalista, mas quando especificar o tipo de fornecedor ele está
individualizando o caso. Atenção nos artigos: 8º, § único, 12, 13, 14 §4º, 18 §5º, 19 §2º, 25 §2º, 32 e 33.

ENTENDIMENTO DO STJ – APLICAÇÃO DO CDC:

 Súmula 563 STJ: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às entidades abertas de previdência
complementar, não incidindo nos contratos previdenciários celebrados com entidades fechadas.

145
 Súmula 469 STJ: Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de plano de saúde.
 Súmula 297-STJ: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras
 Taxista: comprando veículo, é consumidor, pois está em situação de vulnerabilidade frente à fabricante.
 Sistema financeiro de habitação = aplica CDC. Exceção: quando houver cláusula FCVS (Fundo de Compensação
de Variação Salarial) por importar a presença da garantia do governo em relação ao saldo devedor, não se aplica o
CDC.
 Sociedade e associações sem fins lucrativos quando fornecerem produtor ou prestam serviços remunerados,
aplica-se o CDC.
 Concessionária de serviços públicos.
 Cooperativa de crédito.
 Serviços funerários.
 Correios e usuários.

Deve ser reconhecida a relação de consumo existente entre a pessoa natural, que visa a atender necessidades
próprias, e as sociedades que prestam, de forma habitual e profissional, o serviço de corretagem de valores e
títulos mobiliários. Ex: João contratou a empresa “Dinheiro S.A Corretora de Valores” para que esta intermediasse
operações financeiras no mercado de capitais. Em outras palavras, João contratou essa corretora para investir seu
dinheiro na Bolsa de Valores. A relação entre João e a corretora é uma relação de consumo. STJ. 3ª Turma. REsp
1.599.535-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 14/3/2017 (Info 600).

ENTENDIMENTO DO STJ – NÃO APLICAÇÃO DO CDC

 Crédito educativo (trata-se de política governamental de fomento à educação);


 Relações decorrentes de condomínio (condômino x condomínio);
 Contratos de locação predial urbano (mesmo que intermediado por corretora);
 Atividade notarial (cartórios);
 Contrato de franquia (é relação empresarial);
#NÃOCONFUNDA: A franqueadora pode ser solidariamente responsabilizada pelos danos causados pela
franqueada aos consumidores. STJ. 3ª Turma. REsp 1.426.578-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em
23/6/2015 (Info 569).
 Execução fiscal;
 Beneficiários da previdência social;
 Bens ou serviços para implemento ou incremento da atividade comercial. No mesmo sentido, envolvendo
insumo agrícola (adubo); financiamento para incrementar na atividade comercial;
#OLHAOGANCHO: Não se aplica o Código de Defesa do Consumidor - CDC ao contrato de transporte de
mercadorias vinculado a contrato de compra e venda de insumos. STJ. 3ª Turma. REsp 1.442.674-PR, Rel. Min.
Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 7/3/2017 (Info 600).
 Relação entre contador e condomínio.
 Relação tributária;
 Representante comercial autônomo e a sociedade representada;
 Contratos firmados entre postos e distribuidoras de combustível;
 Lojistas e administradora de shopping center (contrato comercial);
 Serviços advocatícios – era divergente, mas STJ pacificou.

146
AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
ADVOCATÍCIOS. CDC. INAPLICABILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA 83 DO STJ. 1. A jurisprudência desta corte se
firmou no sentido de que o código de defesa do consumidor não se aplica às relações decorrentes de contrato de
prestação de serviços advocatícios. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (STJ - AgRg no AREsp: 616932
SP 2014/0275916-7, Relator: Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, Data de Julgamento: 18/12/2014, T4 - QUARTA
TURMA, Data de Publicação: DJe 06/02/2015)

 DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR


– ART. 6º

- Rol exemplificativo. Os 3 incisos mais importantes:

V - a MODIFICAÇÃO das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua REVISÃO em
razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas;

- Lesão e onerosidade excessiva.

 Prestações desproporcionais gera modificação das cláusulas (configura-se lesão).

No CC/02 a lesão exige premente necessidade ou inexperiência do lesado. NO CDC NÃO EXIGE!

 Onerosidade excessiva gera revisão das cláusulas.

Rompe o equilíbrio. Teoria do Rompimento da Base Objetiva do Negócio Jurídico.

#SELIGA: Aqui, o CDC não adotou a Teoria da Imprevisão, pois o fato não precisa ser imprevisível. O CC/02 adotou a
Teoria da Imprevisão no art. 478.

VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos;

Aqui temos o dever de Reparação Integral.

- CDC veda a reparação tarifada.

- Principais entendimentos do STJ no tocante ao dano moral:

Não configura dano moral in re ipsa a simples remessa de fatura de cartão de crédito para a residência do
consumidor com cobrança indevida. Para configurar a existência do dano extrapatrimonial, é necessário que se
demonstre que a operadora de cartão de crédito, além de ter incluído a cobrança na fatura, praticou outras
condutas que configurem dano moral, como por exemplo: a) reiteração da cobrança indevida mesmo após o
consumidor ter reclamado; b) inscrição do cliente em cadastro de inadimplentes; c) protesto da dívida; d)
publicidade negativa do nome do suposto devedor; ou e) cobrança que exponha o consumidor, o submeta à
ameaça, coação ou constrangimento. STJ. 4ª Turma. REsp 1.550.509- RJ, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em
3/3/2016 (Info 579).

#SELIGANODIZERODIREITO: Súmula 28 STF: O estabelecimento bancário é responsável pelo pagamento de cheque


falso, ressalvadas as hipóteses de culpa exclusiva ou concorrente do correntista. • Superada, em parte. • Segundo
entendimento do STF, o Código de Defesa do Consumidor é aplicado nas relações entre as instituições financeiras

147
e seus clientes (ADI 2591/DF). • O CDC afirma que somente a culpa exclusiva do consumidor (no caso, o
correntista) é que exclui a responsabilidade do fornecedor de serviços (art. 14, § 3º, II). Logo, mesmo havendo
culpa concorrente do correntista, persistirá a responsabilidade do estabelecimento bancário. A culpa concorrente
servirá, no máximo, como fator de atenuação do montante indenizatório.

Súmula 37-STJ:
São cumuláveis as indenizações por dano material e dano moral oriundos do mesmo fato.

Súmula 402
O contrato de seguro por danos pessoais compreende os danos morais, salvo cláusula expressa de exclusão.

Súmula 370
Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado. (Dano in re ipsa).

Súmula 385
Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe indenização por dano moral, quando
preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento.

Súmula 387
É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral.

Súmula 388

A simples devolução indevida de cheque caracteriza dano moral. Dano moral in re ipsa.

Dano Moral Coletivo = art. 6º, VI. STJ reconhece o dano moral coletivo, embora haja doutrina contrária. Prevalece
na doutrina e na 2ª Turma do STJ essa posição, com o argumento de que, embora a coletividade não possua
personalidade, ela tem consciente coletivo (valores não patrimoniais intrínsecos à coletividade), o qual pode
sofrer dano moral.

O banco pode ser condenado a pagar reparação por dano moral coletivo, em ação civil pública, pelo fato de
oferecer, em sua agência, atendimento inadequado aos consumidores idosos, deficientes físicos e com dificuldade
de locomoção. STJ. 3ª Turma. REsp 1.221.756-RJ, Rel. Min. Massami Uyeda, julgado em 2/2/2012 (Info 490 STJ).

VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo
civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras
ordinárias de experiências;

- Inversão do Ônus da Prova Ope Iudicis.

 Intenção de propiciar meios de prova: equilíbrio.


 Respeito ao Princípio do Acesso A Justiça.

- Requisitos:
a) verossimilhança da alegação OU;
b) hipossuficiência.
 Não é sempre que ocorre, depende de fundamentação do juiz.

148
#SELIGANOSTJ: inverter o ônus da prova não significa a inversão do pagamento das despesas da prova => paga a
prova quem requerer.

- Qual o momento para inverter o ônus da prova?


 Regra do procedimento: até o despacho saneador;
 Regra de julgamento: até a sentença.
STJ considera melhor a Regra do Procedimento. Possibilita a parte oposta de se desincumbir dessa obrigação;

A inversão do ônus da prova de que trata o art. 6º, VIII, do CDC é REGRA DE INSTRUÇÃO, devendo a decisão judicial
que determiná-la ser proferida preferencialmente na fase de saneamento do processo ou, pelo menos, assegurar à
parte a quem não incumbia inicialmente o encargo a reabertura de oportunidade para manifestar-se nos autos.
STJ. 2ª Seção. EREsp 422.778-SP, Rel. para o acórdão Min. Maria Isabel Gallotti (art. 52, IV, b, do RISTJ), julgados em
29/2/2012 (Info 492 STJ).

INVERSÃO OPE IUDICIS: art. 6º, VIII.

INVERSÃO OPE LEGIS: art. 12 §3º II, art. 14 §3º I, art. 38.

 RESPONSABILIDADE CIVIL
CDC: não interessa se é contratual ou extracontratual.

RESPONSABILIDADE PELO FATO – ART. 12 A 14

 DO PRODUTO
- A responsabilidade pode ser do fornecedor (menos o comerciante): art. 12
- A responsabilidade pode ser do comerciante: art. 13.

- RESPONSABILIDADE DO FORNECEDOR

Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem,


independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos
decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou
acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua
utilização e riscos.

- O artigo exclui o comerciante.


- Regra geral: responsabilidade objetiva. Não é responsabilidade integral, porque há excludentes. É a Teoria da
Responsabilidade Econômica.

§ 3° O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será responsabilizado quando provar: (eles terão o
ônus de provar).

I - que não colocou o produto no mercado;

149
II - que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste; (Inversão do ônus da prova ope legis.
Provar o defeito, em regra, é ônus do consumidor, mas aqui cabe ao fornecedor provar a ausência de defeito).

III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro (Esse terceiro não pode ser o comerciante).

- Se a culpa for concorrente do consumidor  STJ aplica o art. 954  indenização diminuída.

#SELIGA: Esse rol de excludente não é taxativo. O STJ aceita o caso fortuito a força maior como excludentes de
responsabilidade do fornecedor, embora não esteja previsto expressamente.

CASO FORTUITO

 INTERNO – é aquele imprevisível, mas que se liga de alguma forma à atividade da empresa, e por isso gera
responsabilidade. Ex.: Assalto a carro forte que transportava cheques, os quais foram usados pelos bandidos e
compensados. Algumas contas ficaram com saldo negativo, sendo os correntistas negativados. O banco alegou
caso fortuito e força maior. STJ: enquanto o cheque não chegar à casa do consumidor, não há que se alegar
excludente, foi um fortuito interno. Do mesmo modo, o STJ entende que o assalto a estacionamento do banco é
fortuito interno (se o estacionamento for privado, não cabe essa responsabilização).

Súmula 479 STJ: As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno
relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias.

 EXTERNO – está fora da atividade. Exclui a responsabilidade. Ex.: Assalto em transporte interestadual de
ônibus. STJ: está fora do limite de responsabilidade da empresa.

RESPONSABILIDADE CIVIL. TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE PASSAGEIROS. ASSALTO A ÔNIBUS. CASO FORTUITO.


QUEBRA DO NEXO CAUSAL. EXCLUSÃO DO DEVER DE INDENIZAR. PRETENSÃO IMPROCEDENTE. APELO
CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. Em que pese a reconhecida responsabilidade objetiva, atribuída, por força do art.
14 do CDC, às empresas prestadoras de serviços de transporte interestadual de passageiros, não deve ser olvidada
a possibilidade do advento de causa excludente da responsabilidade civil, a fraturar o nexo de causalidade entre a
conduta do transportador contratado e os danos experimentados pelo passageiro assaltado. 2. Na esteira da
jurisprudência pacificada do STJ , deve o assalto sofrido dentro do ônibus de passageiros ser havido como caso
fortuito, a afastar a responsabilidade da empresa transportadora pelos danos eventualmente suportados pelo
usuário, haja vista se tratar de fato absolutamente alheio e sem qualquer conexão com o serviço prestado. 3. Por
força da preclusão, não se admite a juntada, em sede de apelação, de documentos alcançáveis à época da
propositura da ação, por não se tratar de "documento novo", à luz do que estabelece o artigo 397 do CPC,
vedando-se, nessa quadra, o exame valorativo dos subsídios informativos tardiamente acostados, pela parte
autora, às fls. 49/51. 4. Recurso conhecido e desprovido. Condenado o recorrente vencido ao pagamento das
custas processuais e dos honorários advocatícios, estes arbitrados em 10% (dez por cento) do valor da causa, ex vi
do art. 55 da Lei nº. 9.099/95. Suspensa, no entanto, a exigibilidade de tais verbas, por força da gratuidade de
justiça concedida (fl. 56). (TJ-DF - ACJ: 20140110689215 DF 0068921-51.2014.8.07.0001, Relator: LUIS MARTIUS
HOLANDA BEZERRA JUNIOR, Data de Julgamento: 21/10/2014, 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito
Federal, Data de Publicação: Publicado no DJE : 23/10/2014 . Pág.: 243)

- RESPONSABILIDADE DO COMERCIANTE

150
Art. 13. O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo anterior, quando:

I - o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados; (o comerciante assume a
responsabilidade uma vez que vendeu produto sem identificação ou com identificação fraca).

II - o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou importador;

III - não conservar adequadamente os produtos perecíveis. (Exclui a responsabilidade do produtor? Não. Exemplo:
Comerciante não conserva bem as almôndegas da Sadia, pode responsabilizar a sadia? Sim, lembre-se do art. 12, §3º,
III). Pode parecer injusto, mas isso estimula o produtor a escolher melhor os seus representantes. Ajuda na proteção
ao consumidor.

Parágrafo único. Aquele que efetivar o pagamento ao prejudicado poderá exercer o direito de regresso contra os
demais responsáveis, segundo sua participação na causação do evento danoso. (Se quem pagou não foi efetivamente
quem causou o dano, no exemplo da Sadia, cabe a ela o direito de regresso contra o comerciante).

Art. 88. Na hipótese do art. 13, parágrafo único deste código, a ação de regresso poderá ser ajuizada em processo
autônomo, facultada a possibilidade de prosseguir-se nos mesmos autos, vedada a denunciação da lide.

Não cabe a denunciação da lide nas ações indenizatórias decorrentes da relação de consumo, seja no caso de
responsabilidade pelo fato do produto, seja no caso de responsabilidade pelo fato do serviço (arts. 12 a 17 do CDC).
STJ. 3ª Turma. REsp 1.165.279-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 22/5/2012. A vedação à
denunciação da lide nas relações de consumo refere-se tanto à responsabilidade pelo fato do serviço quanto pelo
fato do produto. STJ. 3ª Turma. AgRg no AREsp 472.875/RJ, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em
03/12/2015. A vedação à denunciação da lide prevista no art. 88 do CDC não se restringe à responsabilidade de
comerciante por fato do produto (art. 13 do CDC), sendo aplicável também nas demais hipóteses de
responsabilidade civil por acidentes de consumo (arts. 12 e 14 do CDC). STJ. 4ª Turma. AgRg no AREsp 694.980/MS,
Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 22/09/2015.

O art. 88 do CDC proíbe que o fornecedor que foi acionado judicialmente pelo consumidor faça a denunciação da
lide, chamando para o processo outros corresponsáveis pelo evento. Esta norma é uma regra prevista em
benefício do consumidor, atuando em prol da brevidade do processo de ressarcimento de seus prejuízos devendo,
por esse motivo, ser arguida pelo próprio consumidor, em seu próprio benefício. Assim, se o fornecedor/réu faz a
denunciação da lide ao corresponsável e o consumidor não se insurge contra isso, haverá preclusão, sendo
descabido ao denunciado invocar em seu benefício a regra do art. 88. Em outras palavras, não pode o denunciado
à lide invocar em seu benefício a regra de afastamento da denunciação (art. 88) para eximir-se de suas
responsabilidades perante o denunciante. STJ. 4ª Turma. REsp 913.687-SP, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em
11/10/2016 (Info 592).

 DO SERVIÇO: ART. 14

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos
causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes
ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.

151
§ 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode esperar, levando-se em
consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais:

I - o modo de seu fornecimento;

II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;

III - a época em que foi fornecido.

§ 2º O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas.

§ 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar:

I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;

II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.

§ 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa.
(responsabilidade subjetiva).

Os profissionais liberais quando prestam serviços = tem responsabilidade subjetiva. (foge à regra geral).

ATENÇÃO:
 OBRIGAÇÃO DE MEIO = garantia do meio, ou seja, com a melhor técnica, melhor estratégia, melhor
tratamento, mas sem garantir um resultado. Responsabilidade subjetiva (culpa provada);

 OBRIGAÇÃO DE RESULTADO = profissional pode garantir o resultado. Por exemplo, nas cirurgias plásticas
embelezadoras (estéticas) e tratamentos ortodônticos. Cuidado que em alguns casos a cirurgia plástica é
reparadora (pessoa que teve o rosto queimado), então a obrigação é de meio. A responsabilidade era vista como
objetiva (veja que aqui a doutrina e o STJ criaram uma responsabilidade objetiva, indo de encontro ao art. 14,
§4º). A doutrina e o STJ reformularam esse entendimento e agora dizem que a culpa é presumida (acarreta uma
inversão do ônus da prova).

Responsabilidade civil do médico em caso de cirurgia plástica: I – A obrigação nas cirurgias meramente estéticas é
de resultado, comprometendo-se o médico com o efeito embelezador prometido. II – Embora a obrigação seja de
resultado, a responsabilidade do cirurgião plástico permanece subjetiva, com inversão do ônus da prova
(responsabilidade com culpa presumida, não é responsabilidade objetiva). III – O caso fortuito e a força maior,
apesar de não estarem expressamente previstos no CDC, podem ser invocados como causas excludentes de
responsabilidade. STJ. 4ª Turma. REsp 985.888-SP, Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 16/2/2012 (Info 491 STJ).

# Como fica a responsabilidade dos médicos e hospitais?

- O hospital, como fornecedor dos serviços médicos, tem responsabilidade objetiva (art. 14 caput) e o médico tem
responsabilidade subjetiva, conforme o §4º.

152
- STJ:

 Se o ato é exclusivo do hospital (segurança, ministração dos remédios, alimentos fornecidos, etc) =
responsabilidade exclusiva do hospital = responsabilidade objetiva;
 Se houver atuação do médico:
a) Se o médico não tinha vínculo com o hospital = não haverá a responsabilidade do hospital, sendo exclusiva do
médico = responsabilidade subjetiva.
b) Se o médico tinha vínculo com o hospital = o hospital responde solidariamente pela culpa do médico. Atenção, a
responsabilidade é subjetiva, mas o hospital responde solidariamente com o médico.

O plano de saúde é solidariamente responsável pelos danos causados aos associados pela sua rede credenciada de
médicos e hospitais. Assim, no caso de erro médico cometido por profissional credenciado, a operadora
responderá, solidariamente, com o médico, pelos danos causados ao paciente. O plano de saúde possui
responsabilidade objetiva perante o consumidor, podendo, em ação regressiva, averiguar a culpa do médico ou do
hospital. STJ. 4ª Turma. REsp 866.371-RS, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 27/3/2012.

- RESPONSABILIDADE POR VÍCIO

- Produto inadequado para sua função (não funciona como deveria, ou mesmo não funciona).

 DO PRODUTO:
a) De qualidade (art. 18):

Art. 18. Os fornecedores (inclui todos) de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem
solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a
que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com as indicações
constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações
decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas.

§ 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à
sua escolha:

I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso;

II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e
danos;

III - o abatimento proporcional do preço.

§ 2° Poderão as partes convencionar a redução ou ampliação do prazo previsto no parágrafo anterior, não
podendo ser inferior a sete nem superior a cento e oitenta dias. Nos contratos de adesão, a cláusula de prazo
deverá ser convencionada em separado, por meio de manifestação expressa do consumidor.

§ 3° O consumidor poderá fazer uso imediato das alternativas do § 1° deste artigo sempre que, em razão da
extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder comprometer a qualidade ou características do
produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto essencial.

153
§ 4° Tendo o consumidor optado pela alternativa do inciso I do § 1° deste artigo, e não sendo possível a
substituição do bem, poderá haver substituição por outro de espécie, marca ou modelo diversos, mediante
complementação ou restituição de eventual diferença de preço, sem prejuízo do disposto nos incisos II e III do § 1°
deste artigo.

§ 5° No caso de fornecimento de produtos in natura, será responsável perante o consumidor o fornecedor


imediato, exceto quando identificado claramente seu produtor.

§ 6° São impróprios ao uso e consumo:

I - os produtos cujos prazos de validade estejam vencidos;

II - os produtos deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados, corrompidos, fraudados, nocivos


à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em desacordo com as normas regulamentares de fabricação,
distribuição ou apresentação;

III - os produtos que, por qualquer motivo, se revelem inadequados ao fim a que se destinam.

#NAPRÁTICA: Compro uma TV, chego em casa e ela está quebrada, faço o quê?

 Regra geral, o fornecedor tem o direito de consertar o produto.


 Se em 30 dias não for solucionado, nascem 3 hipóteses para o consumidor:
a) Novo produto; (se não tiver um igual, fica a critério do consumidor escolher um melhor e pagar o extra, ou
pegar um mais barato e receber a diferença);
b) Devolução do dinheiro;
c) Abatimento do preço (mais complicado pra saber o quantum do abatimento).

ATENÇÃO: o prazo de 30 dias (decadencial), do art. 18, §1º pode ser convencionado entre as partes, sendo que não
pode ser inferior a 7 dias, nem superior a 180 dias. Se for no contrato de adesão, essa cláusula terá que ser feita em
separado, com anuência do consumidor.

A regra geral é que o consumidor tem que esperar esses dias 30, pra ver se o fornecedor conserta o produto = art.
18, §3º.

O provedor de buscas de produtos à venda on-line que não realiza qualquer intermediação entre consumidor e
vendedor não pode ser responsabilizado por qualquer vício da mercadoria ou inadimplemento contratual.
Exemplos de provedores de buscas de produtos: Shopping UOL, Buscapé, Bondfaro. STJ. 3ª Turma. REsp
1.444.008-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 25/10/2016 (Info 593).

b) De quantidade (art. 19):

Art. 19. Os fornecedores respondem solidariamente pelos vícios de quantidade do produto sempre que,
respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, seu conteúdo líquido for inferior às indicações constantes
do recipiente, da embalagem, rotulagem ou de mensagem publicitária, podendo o consumidor exigir,
alternativamente e à sua escolha: (observe que aqui não há prazo)

154
I - o abatimento proporcional do preço;

II - complementação do peso ou medida;

III - a substituição do produto por outro da mesma espécie, marca ou modelo, sem os aludidos vícios;

IV - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e
danos.

§ 1° Aplica-se a este artigo o disposto no § 4° do artigo anterior.

§ 2° O fornecedor imediato será responsável quando fizer a pesagem ou a medição e o instrumento utilizado
não estiver aferido segundo os padrões oficiais. (Nessa hipótese o dono da balança é o responsável, é exceção da
responsabilidade solidária).

 DO SERVIÇO:
a) De qualidade (art. 20):

Art. 20. O fornecedor de serviços responde pelos vícios de qualidade que os tornem impróprios ao consumo ou
lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade com as indicações constantes da oferta
ou mensagem publicitária, podendo o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha:
I - a reexecução dos serviços, sem custo adicional e quando cabível;
II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e
danos;
III - o abatimento proporcional do preço.
§ 1° A reexecução dos serviços poderá ser confiada a terceiros devidamente capacitados, por conta e risco do
fornecedor.
§ 2° São impróprios os serviços que se mostrem inadequados para os fins que razoavelmente deles se esperam,
bem como aqueles que não atendam as normas regulamentares de prestabilidade.

b) De quantidade

Não há artigo específico, usa-se analogicamente o art. 19.

O DIREITO DO FORNECEDOR DE CONSERTAR EM 30 DIAS É APENAS NO ARTIGO 18, PARA CONSERTO DE VÍCIO
NO PRODUTO.

Art. 23. A ignorância do fornecedor sobre os vícios de qualidade por inadequação dos produtos e serviços não o
exime de responsabilidade.

 SERVIÇOS PÚBLICOS
 Quais são os serviços públicos tutelados pelo CDC?
Deve haver natureza contratual e de contraprestação. O particular paga pelo o que utilizou. Ex.: Energia elétrica,
telefonia, água, etc. Paga mais se usa mais, paga menos se usa menos. Se o particular não quiser, não usa. O
pagamento é mediante tarifa/preço público. Se for pago mediante taxa ou imposto não é serviço tutelado pelo
CDC.
Tarifa/preço público = incide CDC.

155
 Pode-se interromper o serviço público de energia elétrica em caso de inadimplemento?
Até 2003 o STJ entendia que não poderia, porque violaria a dignidade da pessoa humana. Depois mudou
radicalmente esse entendimento, usando a lei 8987/95:

§ 3o Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua interrupção em situação de emergência ou após
prévio aviso, quando:

I - motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações; e,

II - por inadimplemento do usuário, considerado o interesse da coletividade.

#SELIGA: O STJ usou do “diálogo das fontes”. Usou a Lei 7.783/89, que trata do direito de greve, nos arts. 10 e 11,
que descreve os serviços essenciais que têm que ter uma prestação mínima. A lei 8.987/95 diz que pode, mas deve-
se garantir o funcionamento de serviços mínimos, com base na 7.783/89.

Nesse sentido, cabe à concessionária comunicar ao ente estatal o inadimplemento e cortar apenas serviços não
essenciais. Ex.: corte de luz na quadra municipal poliesportiva.

STJ: a interrupção deve ser por débito atual.

 Súmulas e jurisprudências do STJ:

Súmula 356
É legítima a cobrança da tarifa básica pelo uso dos serviços de telefonia fixa.
Súmula 407
É legítima a cobrança da tarifa de água fixada de acordo com as categorias de usuários e as faixas de consumo.
(Fazer categorias de consumo, ex.: industrial, comercial, residencial, etc. Quem consome menos, tem alíquota mais
benéfica).
Súmula 412
A ação de repetição de indébito de tarifas de água e esgoto sujeita-se ao prazo prescricional estabelecido no
Código Civil. (10 anos, prazo geral).
Súmula 506
A Anatel não é parte legítima nas demandas entre a concessionária e o usuário de telefonia decorrentes de relação
contratual.

Súmula Vinculante 27
Compete à Justiça Estadual julgar causas entre consumidor e concessionária de serviço público de telefonia,
quando a Anatel não seja litisconsorte passiva necessária, assistente, nem opoente.

 PRAZOS
Esses prazos são decadenciais – art. 26
 30 dias = produtos não duráveis; são aquelas que se esgotam pelo uso, como remédios, alimentos, etc.
 90 dias = produtos duráveis.

Início do prazo = vai depende da sua constatação.

156
 Fácil constatação/aparente = no caso de produto conta da entrega do produto; se for serviço, conta do término
do serviço.
 Vício oculto = quando fica evidenciado o vício.

Art. 26. O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em:

I - trinta dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos não duráveis;

II - noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis.

§ 1° Inicia-se a contagem do prazo decadencial a partir da entrega efetiva do produto ou do término da


execução dos serviços.

§ 2° Obstam a decadência:

I - a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor de produtos e serviços


até a resposta negativa correspondente, que deve ser transmitida de forma inequívoca;

II - (Vetado).

III - a instauração de inquérito civil, até seu encerramento.

§ 3° Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no momento em que ficar evidenciado o defeito.

OBS.: Há divergências se o §2º trata de hipóteses de interrupção ou suspensão de prazo.

Súmula 477
A decadência do art. 26 do CDC não é aplicável à prestação de contas para obter esclarecimentos sobre cobrança
de taxas, tarifas e encargos bancários.

Súmula 229
O pedido do pagamento de indenização à seguradora suspende o prazo de prescrição até que o segurado tenha
ciência da decisão.

 PRESCRIÇÃO

Art. 27. Prescreve em cinco anos a pretensão à reparação pelos danos causados por fato do produto ou do serviço
prevista na Seção II deste Capítulo, iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento do dano e de sua
autoria.

Destrinchando:
- Prazo: 5 anos
- Começa a correr: conhecimento do dano E da autoria. Ex.: Pessoa começa a tomar remédio e passa a ter dores.
Veja que já existe o dano, mas ele ainda não sabe p motivo. Quando descobre que é por conta do remédio começa
a correr o prazo de 5 anos.

157
Súmula 101
A ação de indenização do segurado em grupo contra a seguradora prescreve em um ano.

Súmula 405
A ação de cobrança do seguro obrigatório (DPVAT) prescreve em três anos.

#OLHAAPEGADINHA: No que se refere ao prazo prescricional da ação de indenização por danos morais decorrente
da inscrição indevida em cadastro de inadimplentes, promovida por instituição financeira ou assemelhada, como
no caso dos autos, por tratar-se de responsabilidade extracontratual, incide o prazo de 3 (três) anos previsto no
art. 206, § 3º, V, do CC/2002. Não se aplica o art. 27 do CDC, que prevê o prazo de 5 (cinco) anos para ajuizamento
da demanda, considerando que este dispositivo se restringe às hipóteses de responsabilidade decorrente de fato
do produto ou do serviço. STJ. 3ª Turma. AgRg no AREsp 586.219/RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em
09/12/2014. STJ. 3ª Turma. AgInt no AREsp 663.730/RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 09/05/2017.

 DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA


A primeira norma no Brasil a tratar da desconsideração foi o CC/02.

No CC está previsto no art. 50:


 Requisitos: desvio de finalidade ou confusão patrimonial;
 Não pode ser de ofício, depende de requerimento da parte ou do MP;
 CC/02 adotou a Teoria Maior.

No CDC:

Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em detrimento do consumidor,
houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato
social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou
inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração.

§ 1° (Vetado).

§ 2° As sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades controladas, são subsidiariamente


responsáveis pelas obrigações decorrentes deste código.

§ 3° As sociedades consorciadas são solidariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes deste código.

§ 4° As sociedades coligadas só responderão por culpa.

§ 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for, de alguma forma,
obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores.

 Aqui basta o inadimplemento.


 Adotou a Teoria Menor.
 Pode ser aplicada de ofício. Porque o CDC é norma de ordem pública

158
Mais outras duas leis trazem a desconsideração: Lei 12.529/2011 e Lei 9605/98.

TEORIA MAIOR TEORIA MENOR


LEI DO CADE CDC
CÓDIGO CIVIL DANOS AMBIENTAIS

Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em detrimento do consumidor,
houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato
social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou
inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração.

§ 1° (Vetado).

§ 2° As sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades controladas, são subsidiariamente


responsáveis pelas obrigações decorrentes deste código.(Exemplo das holding. A que causou o dano é diretamente
responsável, as demais são subsidiariamente).

§ 3° As sociedades consorciadas são solidariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes deste


código.(comum em obras públicas)

§ 4° As sociedades coligadas só responderão por culpa.(são aquelas que uma detém 10% da outra, mas sem poder
de gestão);

§ 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for, de alguma forma,
obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores.

TIPOS DE SOCIEDADES TIPO DE RESPONSABILIDADE


Integrantes dos grupos societários e controladas Subsidiária
Consorciadas Solidária
Coligadas Só respondem por culpa

 OFERTA E PUBLICIDADE

- Oferta é gênero que abrange informação e publicidade. A simples informação já é oferta. Do mesmo modo a
publicidade.

Princípios da Publicidade:

 Princípio da vinculação contratual da oferta (publicidade) – art. 30

159
Art. 30. Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por qualquer forma ou meio de
comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados, obriga o fornecedor que a fizer veicular
ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado.

- O fornecedor pode alegar erro na propaganda e exigir outro preço? O CDC é silente, mas entende-se que se o erro
for tão grosseiro, a ponto do consumidor percebê-lo, o preço não vai vincular, com base na boa-fé objetiva.

 Princípio da identificação da mensagem publicitária

Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como
tal.

- Através desse princípio o consumidor tem direito de saber se aquilo é publicidade. Saber que aquele
produto/serviço é pago.

- Merchandising = técnica publicitária em que há divulgação de produto/serviço mas sem haver publicidade
ostensiva. Seria legal no Brasil? O ideal é que o consumidor seja informado antes de que vai haver merchandising,
porque ai prepara o consumidor para essa publicidade.

 Princípio da transparência da fundamentação da publicidade – art. 36, §único

Parágrafo único. O fornecedor, na publicidade de seus produtos ou serviços, manterá, em seu poder, para
informação dos legítimos interessados, os dados fáticos, técnicos e científicos que dão sustentação à mensagem.

Quando alguém for fazer publicidade tem que provar que é verdadeira.

 Princípio da veracidade da publicidade – art. 37, §1º

Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva.

§ 1° É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou


parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a
respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros
dados sobre produtos e serviços.

§ 3° Para os efeitos deste código, a publicidade é enganosa por omissão quando deixar de informar sobre dado
essencial do produto ou serviço. (não é qualquer informação, mas uma essencial, seria aquela que leva à compra
ou não do produto/serviço naquelas condições).

 Princípio da não abusividade da publicidade – art. 37, §2º

§ 2° É abusiva, dentre outras a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à violência, explore o
medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, desrespeita valores
ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua
saúde ou segurança.

160
Propaganda enganosa não se confunde com abusiva. Na abusiva há o desrespeito a valores da sociedade. Se
aproveita da fragilidade de certas pessoas/setores da sociedade para se beneficiar. Ex.: Propaganda de cerveja
que explora em demasia a figura feminina com viés de subordinação ou exploração sexual.

 Princípio da inversão do ônus da prova na publicidade – art. 38

Art. 38. O ônus da prova da veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária cabe a quem as
patrocina. (é uma inversão ope legis).

 Princípio da correção do desvio publicitário – art. 56, XII e art. 60

- É a contrapropaganda.

- Visa corrigir o que foi feito de errado.

- Desvio publicitário é a propaganda enganosa e a abusiva.

Art. 60. A imposição de contrapropaganda será cominada quando o fornecedor incorrer na prática de publicidade
enganosa ou abusiva, nos termos do art. 37 e seus parágrafos, sempre às expensas do infrator.

§ 1º A contrapropaganda será divulgada pelo responsável da mesma forma, frequência e dimensão e,


preferencialmente no mesmo veículo, local, espaço e horário, de forma capaz de desfazer o malefício da
publicidade enganosa ou abusiva.

- O Código não é técnico quanto às nomenclaturas propaganda e publicidade.

 Princípio da lealdade publicitária – art. 4º, VI

VI - coibição e repressão eficientes de todos os abusos praticados no mercado de consumo, inclusive a


concorrência desleal e utilização indevida de inventos e criações industriais das marcas e nomes comerciais e
signos distintivos, que possam causar prejuízos aos consumidores;

- É o caso daquelas marcas menores que imitam a melhor marca (marca top) para enganar o consumidor.

 DAS PRÁTICAS ABUSIVAS

- Art. 39 e incisos = rol exemplificativo.

- A mais conhecida é a Venda Casada.

I - condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço, bem como,
sem justa causa, a limites quantitativos;

Súmula 473

161
O mutuário do SFH não pode ser compelido a contratar o seguro habitacional obrigatório com a instituição
financeira mutuante ou com a seguradora por ela indicada.

- Nos casos das operadoras de celular que oferecem celulares com preços menores com plano de fidelização o STJ
entendeu que não era venda casada desde que houvesse benefício ao consumidor. Ex.: O celular sai com preço
bem mais barato.

III - enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer produto, ou fornecer qualquer serviço;

- Se enviar sem solicitação configurará amostra grátis e não vincula o consumidor à contratação simplesmente por
não ter devolvido o produto. Mas observe que o simples envio, sem solicitação do consumidor, já configura prática
abusiva.

Súmula 532
Constitui prática comercial abusiva o envio de cartão de crédito sem prévia e expressa solicitação do consumidor,
configurando-se ato ilícito indenizável e sujeito à aplicação de multa administrativa.

COBRANÇA DE DÍVIDAS
A cobrança é lícita, o que não pode é a cobrança abusiva, que causa constrangimento.

Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não será exposto a ridículo, nem será submetido a
qualquer tipo de constrangimento ou ameaça.

Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito, por valor
igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de
engano justificável.

Requisitos para repetição em dobro:


a) Cobrança indevida;
b) Pagamento em excesso;
c) Inexistência de engano justificável (análise de culpa do fornecedor).

#SELIGA: a restituição vai ser em dobro do que foi pago em excesso.


- Se aplica às concessionárias de água.

 ORÇAMENTO

- Deve haver:
a) Valor da mão de obra;
b) Valor dos materiais empregados;
c) Condições de pagamento;
d) Início e término do serviço.

162
- Se não foi pactuado de forma diversa, o orçamento tem prazo de 10 dias. Mas este pode ser pactuado de forma
diversa, inclusive com prazo menor.
- Se durante a execução for constatado que será necessário algo a mais (uma peça, ou um outro serviço) deve-se
dar ciência ao consumidor para que este concorde.

 BANCO DE DADOS E CADASTRO DE CONSUMIDORES


– Art. 43
- São métodos legais. Existem diferenças entre banco de dados e cadastro de consumidores, mas o CDC trata igual.
- Banco de dados = a própria instituição que é criada com a intenção de conter informações dos consumidores. Ex.:
SPC – finalidade de colher informações para os conveniados.
- Cadastro de consumidores = feito pelo próprio fornecedor, geralmente no momento em que ele vai fornecer um
crédito ao consumidor.

- É necessários compreender 4 direitos dos consumidores:


 Direito de acesso – art. 43 caput;
 Direito à informação - art. 43, §2º;
 Direito à retificação – art. 43, §3º.
 Direito à exclusão – art. 43, §1, §5º.

Art. 43. O consumidor, sem prejuízo do disposto no art. 86, terá acesso às informações existentes em cadastros,
fichas, registros e dados pessoais e de consumo arquivados sobre ele, bem como sobre as suas respectivas fontes.
(havia um artigo que previa o HD, mas foi vetado, mas em razão do §4º, sendo os bandos de dados de caráter
público, cabe Habeas Data e não Mandado de Segurança);

§ 1° Os cadastros e dados de consumidores devem ser objetivos, claros, verdadeiros e em linguagem de fácil
compreensão, não podendo conter informações negativas referentes a período superior a cinco anos.

§ 2° A abertura de cadastro, ficha, registro e dados pessoais e de consumo deverá ser comunicada por escrito
ao consumidor, quando não solicitada por ele.

§ 3° O consumidor, sempre que encontrar inexatidão nos seus dados e cadastros, poderá exigir sua imediata
correção, devendo o arquivista, no prazo de cinco dias úteis, comunicar a alteração aos eventuais destinatários das
informações incorretas. (esse prazo é usado para retirada do nome do devedor do banco de dados, quando do
pagamento)

§ 4° Os bancos de dados e cadastros relativos a consumidores, os serviços de proteção ao crédito e congêneres


são considerados entidades de caráter público.(legitima o HD)

§ 5° Consumada a prescrição relativa à cobrança de débitos do consumidor, não serão fornecidas, pelos
respectivos Sistemas de Proteção ao Crédito, quaisquer informações que possam impedir ou dificultar novo acesso
ao crédito junto aos fornecedores.(se o débito do consumidor prescreveu, de qualquer ação, cabe a exclusão).

163
§ 6o Todas as informações de que trata o caput deste artigo devem ser disponibilizadas em formatos
acessíveis, inclusive para a pessoa com deficiência, mediante solicitação do consumidor.(Incluído pela Lei nº 13.146,
de 2015) (Vigência)

#AJUDAMARCINHO: O que acontece se o órgão mantenedor do cadastro restritivo (ex: SERASA) enviar a
notificação para um endereço errado, ou seja, um endereço que não seja o do consumidor? Neste caso, o
consumidor terá que ser indenizado, mas quem pagará a indenização? O consumidor deverá propor a ação contra
o credor (ex: loja onde foi feita a compra) ou contra o órgão mantenedor do cadastro e que enviou a notificação?
Depende: • Se o credor informou o endereço certo para o órgão mantenedor do cadastro e este foi quem errou: a
responsabilidade será do órgão mantenedor. • Se o credor comunicou o endereço errado do consumidor para o
órgão mantenedor do cadastro e este enviou exatamente para o local informado: a responsabilidade será do
credor. Veja, no entanto, uma situação diferente julgada pelo STJ: É passível de gerar responsabilização civil a
atuação do órgão mantenedor de cadastro de proteção ao crédito que, a despeito da prévia comunicação do
consumidor solicitando que futuras notificações fossem remetidas ao endereço por ele indicado, envia a
notificação de inscrição para endereço diverso. Neste caso concreto, o consumidor informou ao órgão
mantenedor do cadastro que seu endereço estava errado no banco de dados e pediu para ser comunicado no
endereço certo em futuras notificações. Apesar disso, o órgão mandou novamente para o endereço errado. STJ. 3ª
Turma. REsp 1.620.394-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 15/12/2016 (Info 597).

Súmulas importantes:

Súmula 572
O Banco do Brasil, na condição de gestor do Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF), não tem a
responsabilidade de notificar previamente o devedor acerca da sua inscrição no aludido cadastro, tampouco
legitimidade passiva para as ações de reparação de danos fundadas na ausência de prévia comunicação.

Súmula 359
Cabe ao órgão mantenedor do Cadastro de Proteção ao Crédito a notificação do devedor antes de proceder à
inscrição.

- Consagra o direito à informação. Cabe dano moral, in re ipsa. Só não cabe dano moral, se o devedor já estiver
negativado. Quem fica no polo passivo da ação? É exclusiva do arquivo de consumo, porque cabe a este informar
ao consumidor que o fornecedor deseja sua inscrição.

Súmula 404
É dispensável o aviso de recebimento (AR) na carta de comunicação ao consumidor sobre a negativação de seu
nome em bancos de dados e cadastros.

Súmula 548-STJ
Incumbe ao credor a exclusão do registro da dívida em nome do devedor no cadastro de inadimplentes no prazo
de cinco dias úteis, a partir do integral e efetivo pagamento do débito.

Súmula 323
A inscrição do nome do devedor pode ser mantida nos serviços de proteção ao crédito até o prazo máximo de
cinco anos, independentemente da prescrição da execução.

164
Súmula 385
Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe indenização por dano moral, quando
preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento.

Súmula 380
A simples propositura da ação de revisão de contrato não inibe a caracterização da mora do autor.

- O que estava acontecendo era que os advogados propunham ações, discutindo cláusula do contrato (ex.: juros
excessivos) e pedia que o juiz suspendesse a inscrição negativa do devedor ou cancelasse uma inscrição prévia até
que a lide fosse resolvida. Isso gerou abusos, o que fez o STJ passar a exigir os seguintes requisitos para permitir o
cancelamento ou a abstenção da inscrição do nome do consumidor (cumulativos):
 Existência de ação proposta pelo devedor, contestando a existência integral ou parcial do débito;
 Efetiva demonstração de que a cobrança indevida se funda em jurisprudência consolidada do STJ ou do STF
(Houve uma certa relativização, exigindo apenas “fumaça do bom direito”);
 O depósito do valor referente à parte incontroversa do débito ou que seja prestada caução idônea.

Jurisprudências do STJ:
 Negativações baseadas em execuções não precisam de prévia notificação ao devedor;
 As negativações relativas a protestos de cartórios devem ser retiradas pelo próprio consumidor.
 Scoring de crédito:

O STJ analisou a validade do chamado sistema “credit scoring”, fixando as seguintes teses:
a) “Credit scoring”, também chamado de “credscore”, é um método desenvolvido para avaliação do risco de
concessão de crédito, a partir de modelos estatísticos, considerando diversas variáveis, com atribuição de uma
pontuação ao consumidor avaliado (nota do risco de crédito);
b) O “credit scoring” é considerado como prática comercial LÍCITA, estando autorizada pelo art. 5º, IV, e pelo art.
7º, I, da Lei 12.414/2011 (Lei do Cadastro Positivo);
c) Vale ressaltar, no entanto, que para o “credit scoring” ser lícito, é necessário que respeite os limites
estabelecidos pelo sistema de proteção do consumidor no sentido da tutela da privacidade e da máxima
transparência nas relações negociais, conforme previsão do CDC e da Lei 12.414/2011;
d) Apesar de desnecessário o consentimento do consumidor consultado, devem ser a ele fornecidos
esclarecimentos, caso solicitados, acerca das fontes dos dados considerados (histórico de crédito), bem como as
informações pessoais valoradas;
e) O desrespeito aos limites legais na utilização do sistema “credit scoring” configura abuso no exercício desse
direito, podendo ensejar a responsabilidade objetiva e solidária do fornecedor do serviço, do responsável pelo
banco de dados, da fonte e do consulente pela ocorrência de danos morais nas hipóteses de utilização de
informações excessivas ou sensíveis, bem como nos casos de comprovada recusa indevida de crédito pelo uso de
dados incorretos ou desatualizados.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.419.697-RS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 12/11/2014 (recurso repetitivo)
(Info 551).

Súmula 550-STJ:

165
A utilização de escore de crédito, método estatístico de avaliação de risco que não constitui banco de dados,
dispensa o consentimento do consumidor, que terá o direito de solicitar esclarecimentos sobre as informações
pessoais valoradas e as fontes dos dados considerados no respectivo cálculo.

Art. 44. Os órgãos públicos de defesa do consumidor manterão cadastros atualizados de reclamações
fundamentadas contra fornecedores de produtos e serviços, devendo divulgá-lo pública e anualmente. A
divulgação indicará se a reclamação foi atendida ou não pelo fornecedor.

§ 1° É facultado o acesso às informações lá constantes para orientação e consulta por qualquer interessado.

§ 2° Aplicam-se a este artigo, no que couber, as mesmas regras enunciadas no artigo anterior e as do parágrafo
único do art. 22 deste código.

SNDC = interliga todo o sistema de proteção ao consumidor, sobretudo os PROCON. Possibilita uma política
nacional de defesa do consumidor.

Art. 105. Integram o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC), os órgãos federais, estaduais, do Distrito
Federal e municipais e as entidades privadas de defesa do consumidor.

 PROTEÇÃO CONTRATUAL PRINCÍPIO DA INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONSUMIDOR

Art. 46. Os contratos que regulam as relações de consumo não obrigarão os consumidores, se não lhes for dada a
oportunidade de tomar conhecimento prévio de seu conteúdo, ou se os respectivos instrumentos forem redigidos
de modo a dificultar a compreensão de seu sentido e alcance.

- Boa-fé objetiva tem dois pilares = confiança e lealdade.

- Resumindo esse artigo: o consumidor tem que receber previamente o contrato. As cláusulas devem ser claras,
para que o consumidor as entenda. Ex.: Contrato de seguro de saúde que se exime de assegurar “doenças
infectocontagiosas”, sendo este termo muito aberto, leva o consumidor à incerteza.

Súmula 402
O contrato de seguro por danos pessoais compreende os danos morais, salvo cláusula expressa de exclusão.

PRINCÍPIO DA INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL

Sempre vai se interpretar mais favorável ao consumidor nos casos de dúvida.

Art. 47. As cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor.

166
Ex.: Contrato de saúde em que se deve avisar à seguradora doenças pré-existentes. O segurado não sabia que
tinha essas doenças, e por isso não as informa. O juiz vai interpretar favoravelmente ao consumidor.

- Esse princípio fere a isonomia? Claro que não, ele busca justamente buscar a isonomia material, já que o
consumidor regra geral está em situação de desvantagem.

Art. 48. As declarações de vontade constantes de escritos particulares, recibos e pré-contratos relativos às
relações de consumo vinculam o fornecedor, ensejando inclusive execução específica, nos termos do art. 84 e
parágrafos. (muito similar ao art. 30)

Quando se referir à oferta publicidade, aplica o art. 35.

É indevido cobrar reajuste de ex-empregado demitido sem justa causa que opta por permanecer vinculado ao
plano de saúde em que se encontrava antes da demissão, na condição de beneficiário, pelo prazo que lhe assegura
o art. 30, § 1º, da Lei nº 9.656/98, nas mesmas condições de cobertura assistencial e mediante o pagamento integral
das mensalidades, só lhe podendo ser atribuído algum aumento que também tenha sido estipulado aos
empregados em atividade. Em 2011, a ANS editou a Resolução ANS 279/2011, prevendo que "a manutenção da
condição de beneficiário no mesmo plano privado de assistência à saúde em que se encontrava quando da
demissão ou exoneração sem justa causa ou aposentadoria observará as mesmas condições de reajuste, preço,
faixa etária e fator moderador existentes durante a vigência do contrato de trabalho" (art. 16). Vale ressaltar, no
entanto, que, mesmo antes da Resolução ANS 279/2011, os empregados demitidos sem justa causa já possuíam
esse direito de permanecerem pagando o mesmo valor. Isso porque esse direito decorre diretamente do art. 30 da
Lei nº 9.656/98 (e não da Resolução, que só veio confirmar essa conclusão). STJ. 3ª Turma. REsp 1.539.815-DF, Rel.
Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 7/2/2017 (Info 599).

 DIREITO DE ARREPENDIMENTO

- Se a compra foi feita fora do estabelecimento comercial, há uma presunção de que o consumidor não teve o
contato necessário com o produto/serviço e dá a ele o prazo de 7 dias para de arrepender. O prazo se inicia ou do
recebimento do produto ou da assinatura do contrato. O arrependimento é imotivado.

Art. 49. O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 dias a contar de sua assinatura ou do ato de
recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer
fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone ou a domicílio.

Parágrafo único. Se o consumidor exercitar o direito de arrependimento previsto neste artigo, os valores
eventualmente pagos, a qualquer título, durante o prazo de reflexão, serão devolvidos, de imediato,
monetariamente atualizados.

- Todos os custos do produto/serviço terão que ser ressarcidos ao consumidor, ou seja, não pode haver desconto
de frete. Inclusive, deve haver correção monetária.

- Financiamento de carros naqueles casos em que o financiamento do automóvel é feito na própria concessionária.
STJ entende que há direito ao arrependimento, posto que foi feito fora do seu estabelecimento comercial (fora do
banco).

167
 GARANTIA CONTRATUAL E LEGAL

Art. 24. A garantia legal de adequação do produto ou serviço independe de termo expresso, vedada a exoneração
contratual do fornecedor.

Art. 50. A garantia contratual é complementar à legal e será conferida mediante termo escrito.

Parágrafo único. O termo de garantia ou equivalente deve ser padronizado e esclarecer, de maneira adequada
em que consiste a mesma garantia, bem como a forma, o prazo e o lugar em que pode ser exercitada e os ônus a
cargo do consumidor, devendo ser-lhe entregue, devidamente preenchido pelo fornecedor, no ato do
fornecimento, acompanhado de manual de instrução, de instalação e uso do produto em linguagem didática, com
ilustrações.

- A garantia legal não precisa estar no contrato.

- Se for contratual pode vir limitada, com condições. Ex.: A HONDA dá 5 anos de garantia, mas as revisões devem
ser feitas na própria HONDA. Mas deve estar tudo bem informado ao consumidor.

#SELIGANOSTJ: Se o fornecedor deu 1 ano de garantia, o consumidor tem esse prazo pra reclamar qualquer vício,
ou seja, verificando o vício ele não precisa correr para reclamar, pode fazer nesse prazo de 1 ano. Na prática: 1 ano
+ o prazo de reclamação.

- Garantia estendida nada mais é do que um seguro.

 CLÁUSULAS ABUSIVAS

Art. 51  rol exemplificativo.

- Essas cláusulas não precisam estar em contrato de adesão, pode ser um contrato paritário.
Os efeitos da declaração da abusividade da cláusula são ex-tunc, desde o momento da contratação.

Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e
serviços que:

- O juiz pode declarar de ofício. Não convalescem com o tempo.


- Nesse ponto reside o questionamento feito ao teor da Súmula 381 STJ. É inexplicável. Seu uso deve ser restrito.

Súmula 381
Nos contratos bancários, é vedado ao julgador conhecer, de ofício, da abusividade das cláusulas.

- As que mais caem em concurso:

I - impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por vícios de qualquer natureza dos
produtos e serviços ou impliquem renúncia ou disposição de direitos. Nas relações de consumo entre o fornecedor
e o consumidor pessoa jurídica, a indenização poderá ser limitada, em situações justificáveis;

168
Regra geral não pode ter limitação de indenização, a única exceção é para pessoas jurídicas em situações
justificáveis.

VI - estabeleçam inversão do ônus da prova em prejuízo do consumidor;

VII - determinem a utilização compulsória de arbitragem;

- O que se veda é a arbitragem compulsória. Deve ser uma faculdade do consumidor.


#SELIGANOSTJ: Essa escolha pelo consumidor deve ser feita após o litígio, após o dano. Porque na hora da
contratação não se tem noção da dimensão de um possível litígio.

XVI - possibilitem a renúncia do direito de indenização por benfeitorias necessárias.

§ 2° A nulidade de uma cláusula contratual abusiva não invalida o contrato, exceto quando de sua ausência, apesar
dos esforços de integração, decorrer ônus excessivo a qualquer das partes.

 Princípio da Conservação dos Contratos.

SÚMULAS IMPORTANTES

Súmula 302
É abusiva a cláusula contratual de plano de saúde que limita no tempo a internação hospitalar do segurado.

- No mesmo sentido, o STJ entendeu que não pode limitar o valor do tratamento médico. E também não pode
limitar o tipo de tratamento.

Súmula 60
É nula a obrigação cambial assumida por procurador do mutuário vinculado ao mutuante, no exclusivo interesse
deste.

- STJ entende também que é abusiva a cláusula que prevê que no caso de perda/furto/roubo o consumidor fica
obrigado a pagar os débitos feitos até a comunicação à operadora do cartão do evento.

- STJ: juros no pé, pagos antes da entrega do imóvel, não são abusivos.

- STJ: a cláusula que limita o seguro à furto qualificado é abusiva.

TAC = Tarifa de Abertura de Crédito

TEC = Tarifa de Emissão de Carnê.

STJ: após 30/04/2008 essas cobranças são proibidas. O que vai ser permitido apenas é a TC, tarifa de cadastro.

Súmula 566
Nos contratos bancários posteriores ao início da vigência da Resolução-CMN n. 3.518/2007, em 30/4/2008, pode ser
cobrada a tarifa de cadastro no início do relacionamento entre o consumidor e a instituição financeira.

169
Súmula 565
A pactuação das tarifas de abertura de crédito (TAC) e de emissão de carnê (TEC), ou outra denominação para o
mesmo fato gerador, é válida apenas nos contratos bancários anteriores ao início da vigência da Resolução-CMN
n. 3.518/2007, em 30/4/2008.

- STJ: na rescisão de contrato imobiliário a devolução do dinheiro deve ser imediata, não pode a construtora exigir
o término da obra para pagar.
- STJ: pode as operadoras exigir fidelização em troca de produto mais barato.

Não é abusiva cláusula contratual de plano privado de assistência à saúde que estabeleça a coparticipação do
usuário nas despesas médico-hospitalares em percentual sobre o custo de tratamento médico realizado sem
internação, desde que a coparticipação não caracterize financiamento integral do procedimento por parte do
usuário, ou fator restritor severo ao acesso aos serviços. STJ. 3ª Turma. REsp 1.566.062-RS, Rel. Min. Ricardo Villas
Bôas Cueva, julgado em 21/6/2016 (Info 586).

Quando o contrato de plano de saúde incluir atendimento obstétrico, a operadora tem o dever de prestar
assistência ao recém-nascido durante os primeiros trinta dias após o parto (art. 12, III, "a", da Lei nº 9.656/98),
independentemente de a operadora ter autorizado a efetivação da cobertura, ter ou não custeado o parto,
tampouco de inscrição do neonato como dependente nos trinta dias seguintes ao nascimento. STJ. 4ª Turma. REsp
1.269.757-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 3/5/2016 (Info 584).

O transporte aéreo é serviço essencial e pressupõe continuidade. Considera-se prática abusiva o cancelamento de
voos sem razões técnicas ou de segurança inequívocas. Também é prática abusiva o descumprimento do dever de
informar o consumidor, por escrito e justificadamente, quando tais cancelamentos vierem a ocorrer. Nas ações
coletivas ou individuais, a agência reguladora não integra o feito em litisconsórcio passivo quando se discute a
relação de consumo entre concessionária e consumidores, e não a regulamentação emanada do ente regulador.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.469.087-AC, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 18/8/2016 (Info 593).

Plano de saúde não pode negar o custeio de cirurgia de gastroplastia (indicada para tratamento de obesidade
mórbida). Assim, é abusiva a negativa do plano de saúde em cobrir as despesas de intervenção cirúrgica de
gastroplastia, necessária à garantia da sobrevivência do segurado. STJ. 3ª Turma. REsp 1.249.701-SC, Rel. Min. Paulo
de Tarso Sanseverino, julgado em 4/12/2012 (Info 511 STJ).

É legítima a cobrança, pelas instituições financeiras, de tarifas relativas a saques quando estes excederem o
quantitativo de quatro realizações por mês. STJ. 3ª Turma. REsp 1.348.154-DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze,
julgado em 13/12/2016 (Info 596).

#AJUDAMARCINHO: Nos contratos de arrendamento mercantil, é permitido que a instituição cobre do consumidor
tarifa bancária pela liquidação antecipada (parcial ou total) do saldo devedor? • Contratos celebrados antes da
Resolução CMN nº 3.516/2007 (antes de 10/12/2007): SIM • Contratos firmados depois da Resolução CMN nº
3.516/2007 (de 10/12/2007 para frente): NÃO Assim, para as operações de crédito e arrendamento mercantil
contratadas antes de 10/12/2007 (data de publicação da referida Resolução), podem ser cobradas tarifas pela
liquidação antecipada no momento em que for efetivada a liquidação, desde que a cobrança dessa tarifa esteja
claramente identificada no extrato de conferência. STJ. 3ª Turma. REsp 1.370.144-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas
Cueva, julgado em 7/2/2017 (Info 597).

170
#AJUDAMARCINHO: Em 1999, João aposentou-se pelo INSS. Em 2000, voltou a trabalhar para uma empresa e
passou a usufruir do plano de saúde coletivo empresarial no qual a empregadora pagava metade e ele a outra
metade das mensalidades. Em 2009, João foi demitido sem justa causa, mas continuou no plano, assumindo o
pagamento integral das mensalidades. Em 2015, João faleceu e Maria continuou no plano, não mais na
condição de dependente, mas sim na de beneficiária principal. Em 2017, contudo, o plano enviou uma carta
para Maria comunicando que havia cessado a sua condição de segurada no plano de saúde coletivo. O
argumento utilizado pelo plano de saúde para cessar a condição de segurada de Maria foi o de que a sua
situação se enquadrava no art. 30 da Lei nº 9.656/98. Maria não concordou e afirmou que, quando João
faleceu, ele estava aposentado, de forma que deveria incidir a regra do art. 31 da Lei nº 9.656/98. A
manutenção de Maria no plano ocorreu com base no art. 30 ou no art. 31 da Lei nº 9.656/98? Aplica-se o
disposto no art. 31 da Lei nº 9.656/98 ao aposentado – e ao grupo familiar inscrito, na hipótese de seu
falecimento – que é contratado por empresa e, posteriormente, demitido sem justa causa. No caso concreto,
Maria terá direito de continuar no plano por tempo indeterminado (regra do caput do art. 31) ou por prazo
determinado (regra do § 1º do art. 31)? Por prazo determinado. A lei somente assegura ao aposentado a sua
manutenção como beneficiário, sem qualquer restrição temporal, quando houver contribuído para os planos
de assistência à saúde pelo prazo mínimo de 10 anos (regra do caput do art. 31). A vigência do contrato de
seguro saúde iniciou-se em 2000, quando João foi contratado pela empresa X. Em 2009 João foi demitido sem
justa causa e continuou como beneficiário do plano de saúde, assumindo o ônus integral do pagamento das
mensalidades, o que fez até a data de seu óbito, em 2015. Desta feita, tem-se que o tempo de filiação original
ao plano foi de 9 anos (2000 a 2009), mostrando-se, impossível, portanto, a aplicação do art. 31, caput, da Lei,
que exige tempo de contribuição mínimo de 10 anos. Maria alegou que, com a morte de João, ela o teria
sucedido no plano de saúde, devendo, portanto, somar o tempo que João contribuiu (9 anos) com o tempo
que ela também pagou o plano (2 anos, ou seja, de 2015 a 2017). Logo, somando esses dois períodos, haveria
mais que 10 anos de contribuição ao plano. Essa tese foi aceita pelo STJ? NÃO. O art. 31 da Lei expressamente
exige que o APOSENTADO tenha contribuído por prazo mínimo de 10 anos, não prevendo a possibilidade de
haver a soma do período de contribuição do aposentado com seus eventuais sucessores. João contribuiu por
9 anos para o plano coletivo de assistência à saúde. Logo, a manutenção do contrato em favor de Maria deve
se dar por 9 anos. O termo inicial para a contagem desses 9 anos de manutenção do contrato não pode ser
considerado a data do óbito de João (2015) mas sim a data em que ocorreu a cessação do vínculo
empregatício (2009), considerando que foi neste momento que nasceu o direito à manutenção do titular,
bem como de sua dependente no plano de saúde. STJ. 3ª Turma. REsp 1.371.271-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 2/2/2017 (Info 597).
 CREDITO

Art. 52. No fornecimento de produtos ou serviços que envolva outorga de crédito ou concessão de financiamento
ao consumidor, o fornecedor deverá, entre outros requisitos, informá-lo prévia e adequadamente sobre:

I - preço do produto ou serviço em moeda corrente nacional;

II - montante dos juros de mora e da taxa efetiva anual de juros;

III - acréscimos legalmente previstos;

171
IV - número e periodicidade das prestações;

V - soma total a pagar, com e sem financiamento.

§ 1° As multas de mora decorrentes do inadimplemento de obrigação no seu termo não poderão ser superiores
a dez por cento do valor da prestação.

§ 1° As multas de mora decorrentes do inadimplemento de obrigações no seu termo não poderão ser
superiores a dois por cento do valor da prestação.(Redação dada pela Lei nº 9.298, de 1º.8.1996)

§ 2º É assegurado ao consumidor a liquidação antecipada do débito, total ou parcialmente, mediante redução


proporcional dos juros e demais acréscimos.

§ 3º (Vetado).

 Multa de mora não pode ser superior a 2% do valor da prestação. Antes era de 10%.
 Esse limite pode ser aplicado a outros contratos que não sejam de outorga de crédito? STJ interpreta
extensivamente, aplicando-o para todo e qualquer contrato de consumo. Nancy Andrighi.
 Liquidação antecipada do débito (total ou parcial)  redução proporcional dos juros e demais acréscimos. Os
bancos passaram a incluir uma taxa de antecipação de débito, mas foi julgada ilegal.
 Superendividamento:
Ativo: consciente e inconsciente.
Passivo: aquele que sofre um acidente na vida. Não foi por culpa sua direta.
O entendimento é o de que o endividado ativo inconsciente e o passivo merecem proteção do Estado e das leis.
Isso vem sendo muito usado nas conciliações, pela defensoria, MP, etc. Há muitos pedidos de renegociação da
dívida por questões de superendividamento. Boa-fé objetiva.

“Validade da cláusula autorizadora do desconto em folha de pagamento das prestações do contrato de empréstimo,
não configurando ofensa ao art. 649 do Código de Processo Civil,3. Os descontos, todavia, não podem ultrapassar 30%
(trinta por cento) da remuneração percebida pelo devedor.4. Preservação do mínimo existencial, em consonância
com o princípio da dignidade humana.5. Precedentes específicos da Terceira e da Quarta Turma do STJ.RESP 1206956.

- Em matéria de empréstimo consignado não existe limitação legal ao valor a ser descontado em folha. Estavam
ocorrendo situações em que 80% do valor estava sendo destinado para pagamento do débito, o que gerava o
superendividamento do devedor, que não tinha condições de viver com 20% do seu salário. STJ passou a limitar o
desconto, tendo em vista a dignidade da pessoa humana e o superendividamento.

 CLÁUSULA DE DECAIMENTO

Art. 53. Nos contratos de compra e venda de móveis ou imóveis mediante pagamento em prestações, bem como
nas alienações fiduciárias em garantia, consideram-se nulas de pleno direito as cláusulas que estabeleçam a perda
total das prestações pagas em benefício do credor que, em razão do inadimplemento, pleitear a resolução do
contrato e a retomada do produto alienado.

§ 1° (Vetado).

172
§ 2º Nos contratos do sistema de consórcio de produtos duráveis, a compensação ou a restituição das parcelas
quitadas, na forma deste artigo, terá descontada, além da vantagem econômica auferida com a fruição, os
prejuízos que o desistente ou inadimplente causar ao grupo.

§ 3° Os contratos de que trata o caput deste artigo serão expressos em moeda corrente nacional.

 É cláusula muito abusiva que era muito aplicada à época da edição do CDC.
 O que pode ser cobrado é uma taxa de administração, bem como as vantagens auferidas com o uso de bem (se
já estava na posse). Esse valor (taxa de administração) não é estabelecido pelo CDC. Vem se usando um valor de
10%, mas não é absoluto.
 Em consórcios é diferente porque pode gerar prejuízo aos demais consorciados. Ai o consórcio teria que pagar
em até 30 dias até o término. Mas o consumidor recebe o valor atualizado.

 CONTRATOS DE ADESÃO

Art. 54. Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas tenham sido aprovadas pela autoridade competente ou
estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou serviços, sem que o consumidor possa discutir ou
modificar substancialmente seu conteúdo.

§ 1° A inserção de cláusula no formulário não desfigura a natureza de adesão do contrato.

§ 2° Nos contratos de adesão admite-se cláusula resolutória, desde que a alternativa, cabendo a escolha ao
consumidor, ressalvando-se o disposto no § 2° do artigo anterior.

§ 3° Os contratos de adesão escritos serão redigidos em termos claros e com caracteres ostensivos e legíveis,
de modo a facilitar sua compreensão pelo consumidor.

§ 3o Os contratos de adesão escritos serão redigidos em termos claros e com caracteres ostensivos e legíveis,
cujo tamanho da fonte não será inferior ao corpo doze, de modo a facilitar sua compreensão pelo
consumidor. (Redação dada pela nº 11.785, de 2008)

§ 4° As cláusulas que implicarem limitação de direito do consumidor deverão ser redigidas com destaque,
permitindo sua imediata e fácil compreensão.

§ 5° (Vetado)

 Os autorizados são aqueles feitos por concessionárias de serviços públicos e autorizados pelo poder público.
 O fato do particular incluir cláusula, não desnatura a qualidade de contrato de adesão.
 Cláusula resolutória = pode ter, desde que para ambas as partes.

DIREITO PENAL

173
 CRIMES CONTRA A PESSOA

Art. 121. Matar alguém:

Pena - reclusão, de seis a vinte anos.

Caso de diminuição de pena

§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de
violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um
terço. HOMICÍDIO PRIVILEGIADO

Homicídio qualificado

§ 2° Se o homicídio é cometido:

I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;

II - por motivo futil;

III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que
possa resultar perigo comum;

IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a
defesa do ofendido;

V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime:

Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

Feminicídio (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)

VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino: (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)

VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema
prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu
cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição: (Incluído pela Lei nº
13.142, de 2015)

Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

§ 2o-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve: (Incluído pela Lei nº
13.104, de 2015)

I - violência doméstica e familiar; (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)

II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher. (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)

174
Homicídio culposo

§ 3º Se o homicídio é culposo: (Vide Lei nº 4.611, de 1965)

Pena - detenção, de um a três anos.

Aumento de pena

§ 4o No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância de regra
técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura
diminuir as conseqüências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é
aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60
(sessenta) anos. (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)

§ 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as conseqüências da infração
atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária. (Incluído pela Lei nº
6.416, de 24.5.1977)

§ 6o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por milícia privada, sob o
pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio. (Incluído pela Lei nº 12.720, de
2012)

§ 7o A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado: (Incluído pela
Lei nº 13.104, de 2015)

I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto; (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)

II - contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos ou com deficiência; (Incluído pela Lei
nº 13.104, de 2015)

III - na presença de descendente ou de ascendente da vítima. (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)

- Homicídio preterdoloso é a lesão corporal seguida de morte.


- Para o STJ a transmissão consciente do HIV caracteriza lesão corporal de natureza gravíssima (doença incurável).
Já o STF não se posicionou quanto ao tipo de crime, apenas afirmando que não se tratava de homicídio.

Lei dos crimes hediondos: Art. 1º São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei
no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou tentados: (Redação dada pela Lei nº 8.930, de
1994) (Vide Lei nº 7.210, de 1984)

I – homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que cometido por um
só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2o, incisos I, II, III, IV, V, VI e VII); (Redação dada pela Lei nº 13.142, de
2015)

- Reconhecido o homicídio privilegiado, a redução da pena é obrigatória.


- Qualificadoras:
 Incisos I e II: motivo;

175
 Inciso III: meio;
 Inciso IV: modo;
 Incisos V, VI e VII: finalidade;

Julgados importantes:
- O dolo eventual não se compatibiliza com a qualificadora do art. 121, § 2º, IV (traição, emboscada, dissimulação).
STF. 2ª Turma. HC 111.442/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 28/8/2012 (Info 677).

- A qualificadora do motivo fútil (art. 121, § 2º, II, do CP) é compatível com o homicídio praticado com dolo eventual?
1ª corrente: SIM. O fato de o réu ter assumido o risco de produzir o resultado morte (dolo eventual), não exclui a
possibilidade de o crime ter sido praticado por motivo fútil, uma vez que o dolo do agente, direto ou indireto, não
se confunde com o motivo que ensejou a conduta. STJ. 5ª Turma. REsp 912.904/SP , Rel. Min. Laurita Vaz, julgado
em 06/03/2012. 2ª corrente: NÃO. A qualificadora de motivo fútil é incompatível com o dolo eventual, tendo em
vista a ausência do elemento volitivo. STJ. 6ª Turma. HC 307.617-SP , Rel. para acórdão Min. Sebastião Reis Júnior,
julgado em 19/4/2016 (Info 583).

- Não incide a qualificadora de motivo fútil (art. 121, § 2°, II, do CP), na hipótese de homicídio supostamente
praticado por agente que disputava "racha", quando o veículo por ele conduzido — em razão de choque com
outro automóvel também participante do "racha" — tenha atingido o veículo da vítima, terceiro estranho à
disputa automobilística. STJ. 6ª Turma. HC 307.617-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. para acórdão Min. Sebastião
Reis Júnior, julgado em 19/4/2016 (Info 583).

- O reconhecimento da qualificadora da "paga ou promessa de recompensa" (inciso I do § 2º do art. 121) em relação


ao executor do crime de homicídio mercenário não qualifica automaticamente o delito em relação ao mandante,
nada obstante este possa incidir no referido dispositivo caso o motivo que o tenha levado a empreitar o óbito
alheio seja torpe. STJ. 6ª Turma. REsp 1.209.852-PR, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 15/12/2015 (Info
575).

- Se a morte é o fim colimado pelo agente e a tortura é o meio empregado, o crime será o de homicídio qualificado
pela tortura. Mas, se a intenção é de apenas tortura, vindo a vítima a falecer, o crime será de tortura qualificada
pela morte (art. 1º, §3º, da Lei 9.455/97).
- Feminicídio ≠ Femicídio. Feminicídio é a morte da pessoa em razão de sua condição enquanto mulher. Femicídio é
a pura morte de uma mulher (ex.: numa briga entre duas inimigas, uma mata a outra para se vingar).
- A mulher homossexual, quando vítima de ataque perpetrado pela parceira, no âmbito da família, também
encontra-se sob a proteção do diploma legal em estudo.
- A proteção não se estende ao travesti, mas se estende à transexual.
- A qualificadora do feminicídio é subjetiva, o homicídio deve ser cometido contra a mulher por razões da condição
de sexo feminino.

§ 2º-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve: (Incluído pela Lei nº
13.104, de 2015)

I - violência doméstica e familiar; (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)

II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher. (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)

- O homicídio qualificado do inciso VII abarca guardas civis (municipais ou metropolitanos) e agentes de segurança
viária. Mas não abrange agentes de policia do Congresso Nacional.

176
VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema
prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu
cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição: (Incluído pela Lei nº
13.142, de 2015)

- O homicídio pode ser privilegiado qualificado desde que a circunstância qualificadora seja de caráter objetivo.
- Prevalece que o homicídio qualificado privilegiado não é crime hediondo.

§ 4º No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância de regra
técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura
diminuir as conseqüências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é
aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60
(sessenta) anos. (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003).

- É diferente da imperícia. Pois aqui, o agente detém o conhecimento e aptidão, mas não os emprega.

Jurisprudência importante:
No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não
procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante (§ 4º do art. 121 do CP). Se a
vítima tiver morte instantânea, tal circunstância, por si só, é suficiente para afastar a causa de aumento de pena
prevista no § 4º do art. 121? NÃO. No homicídio culposo, a morte instantânea da vítima não afasta a causa de
aumento de pena prevista no art. 121, § 4º, do CP, a não ser que o óbito seja evidente, isto é, perceptível por
qualquer pessoa. STJ. 5ª Turma. HC 269.038-RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 2/12/2014 (Info 554).

Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio

Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça:

Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de
suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.

Parágrafo único - A pena é duplicada:

Aumento de pena

I - se o crime é praticado por motivo egoístico;

II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência.

- No induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio não haverá crime se o induzimento for genérico, destinado a
pessoas incertas.
- O crime só é punido se vítima morrer, ou sofrer lesões graves. Se sofrer lesão leve, o fato é atípico. Não admite a
tentativa.
- Na causa de aumento, prevista no art. 122, § único, II, a vítima tem DIMINUÍDA capacidade de resistência. Caso ela
não tenha qualquer possibilidade de resistência, o crime é o de homicídio.

177
Infanticídio

Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após:

Pena - detenção, de dois a seis anos.

- Nada mais é do que um homicídio privilegiado.


- O Brasil adotou o critério fisiopsicológico.
- O estado puerperal é elementar subjetiva do tipo, comunicável nos termos do art. 30 do CP.
- Se a mãe mata filho alheio acreditando ser o seu, responde pelo infanticídio, aplicando-se as regras do erro
quanto à pessoa, art. 20, §3º do CP.
- Não existe a modalidade culposa. Se a mãe, sob a influência do estado puerperal, imprudentemente mata o
próprio filho, responderá por homicídio culposo.

Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento

Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: (Vide ADPF 54)

Pena - detenção, de um a três anos.

Aborto provocado por terceiro

Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante:

Pena - reclusão, de três a dez anos.

Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante: (Vide ADPF 54)

Pena - reclusão, de um a quatro anos.

Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada
ou debil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência

Forma qualificada

Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço, se, em conseqüência do
aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são
duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte.

Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: (Vide ADPF 54)

Aborto necessário

I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante; DISPENSA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL OU


CONSENTIMENTO DA GESTANTE.

Aborto no caso de gravidez resultante de estupro

178
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz,
de seu representante legal. DISPENSA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL, MAS JÁ SE EXIGIU A CONFECÇÃO DE B.O.

#MUITAATENÇÃO:
A interrupção da gravidez no primeiro trimestre da gestação provocada pela própria gestante (art. 124) ou com o
seu consentimento (art. 126) não é crime. É preciso conferir interpretação conforme a Constituição aos arts. 124 a
126 do Código Penal – que tipificam o crime de aborto – para excluir do seu âmbito de incidência a interrupção
voluntária da gestação efetivada no primeiro trimestre. A criminalização, nessa hipótese, viola diversos direitos
fundamentais da mulher, bem como o princípio da proporcionalidade. STF. 1ª Turma. HC 124306/RJ, rel. orig. Min.
Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 29/11/2016 (Info 849).
- No crime de aborto, o Brasil adotou a Teoria Pluralista.
- Na hipótese de haver vários fetos (gêmeos) haverá concurso formal de crimes.
- Não se pune o aborto culposo pratica pela própria gestante. Caso provocado, culposamente, por terceiro,
responderá por lesão corporal culposa.
- No art. 125 temos a dupla subjetividade passiva = gestante e feto.
- Atenção ao art. 126.
- Atenção à seguinte contravenção penal:

Art. 20. Anunciar processo, substância ou objeto destinado a provocar aborto: (Redação dada pela Lei nº 6.734,
de 1979)

Pena - multa de hum mil cruzeiros a dez mil cruzeiros. (Redação dada pela Lei nº 6.734, de 1979)

- No artigo 127 traz a possibilidade de tentativa de crime preterdoloso (exceção, pois em regra não cabe tentativa
de crime preterdolosos), caso, dos meios empregados para praticar o aborto (o aborto não se consuma) a
gestante sofre lesão corporal grave ou morre.

- No art. 128 temos duas excludentes de ilicitude. Tratam-se do aborto necessário ou terapêutico e do aborto
humanitário ou sentimental.

- Aborto eugênico: praticado em razão dos comprovados riscos que feto nasça com graves anomalias psíquicas ou
físicas. Não é admitido.

#FALASTF: É inconstitucional a interpretação segundo a qual a interrupção da gravidez de feto anencéfalo seria
conduta tipificada nos arts. 124, 126 e 128, I e II, do CP. A interrupção da gravidez de feto anencéfalo é atípica. STF.
Plenário. ADPF 54/DF, rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11 e 12/4/2012.

- Aborto miserável/social/econômico: praticado em razão da incapacidade financeira de sustentar o filho. Não é


admitido.

- Aborto honoris causa: para ocultar gravidez adulterina: é crime!

- É admitido dolo eventual no aborto: gestante que tenta suicídio e acaba abortando.

Lesão corporal – não se confunde com a contravenção penal de vias de fato, na qual a agressão física é sem a
intenção de lesionar.

Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:

179
Pena - detenção, de três meses a um ano.

Lesão corporal de natureza grave

§ 1º Se resulta:

I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias; ocupações habituais, como subir escada,
dirigir, etc. Não se restringe ao trabalho.

II - perigo de vida; comprovado por perícia.

III - debilidade permanente de membro, sentido ou função; não exige perpetuidade. Perda de dentes: se
causou debilidade da função mastigatória, há lesão grave.

IV - aceleração de parto: o agente deve saber da gravidez, caso contrário teremos responsabilidade objetiva.

Pena - reclusão, de um a cinco anos.

§ 2° Se resulta:

I - Incapacidade permanente para o trabalho; A maioria entende que a incapacidade deve se dar para qualquer
tipo de trabalho, e não apenas para o qual a vítima exercia. Ou seja, ficando a vítima incapacitada apenas para a
atividade esoecífica que estava exercendo, mas podendo exercer outra, não se configura a lesão gravíssima.

II - enfermidade incuravel; Transmissão de HIV (ST). Se aplica também quando a cura depender de
intervenções cirúrgicas arriscadas.

III perda ou inutilização do membro, sentido ou função; Se for órgão duplo, deve atingir ambos.

IV - deformidade permanente;

V - aborto:

Pena - reclusão, de dois a oito anos.

Lesão corporal seguida de morte

§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de
produzi-lo:

Pena - reclusão, de quatro a doze anos.

Diminuição de pena

§ 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou sob o domínio de
violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um
terço.

180
Substituição da pena

§ 5° O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção pela de multa, de duzentos
mil réis a dois contos de réis:

I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior;

II - se as lesões são recíprocas.

Lesão corporal culposa

§ 6° Se a lesão é culposa: (Vide Lei nº 4.611, de 1965)

Pena - detenção, de dois meses a um ano.

Aumento de pena

§ 7o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer qualquer das hipóteses dos §§ 4o e 6o do art. 121 deste
Código. (Redação dada pela Lei nº 12.720, de 2012)

§ 8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. 121.(Redação dada pela Lei nº 8.069, de 1990). Perdão
judicial.

Violência Doméstica (Incluído pela Lei nº 10.886, de 2004)

§ 9o Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem
conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de
hospitalidade: (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006) Não importa se a vítima é homem ou mulher. Não se
aplica o princípio da insignificância aos delitos praticados em situação de violência doméstica.

Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006)

§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o deste artigo, se as circunstâncias são as indicadas no § 9o deste artigo,
aumenta-se a pena em 1/3 (um terço). (Incluído pela Lei nº 10.886, de 2004)

§ 11. Na hipótese do § 9o deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido contra
pessoa portadora de deficiência. (Incluído pela Lei nº 11.340, de 2006)

§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição
Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em
decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa
condição, a pena é aumentada de um a dois terços. (Incluído pela Lei nº 13.142, de 2015)

- a lei não pune a autolesão.

- Súmula 542 STJ: A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência doméstica contra a
mulher é pública incondicionada.

181
Atenção no Crime Hediondo:

Art. 1o São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei no 2.848, de 7 de
dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou tentados:

I-A – lesão corporal dolosa de natureza gravíssima (art. 129, § 2o) e lesão corporal seguida de morte (art. 129, § 3o),
quando praticadas contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do
sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou
contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição; (Incluído
pela Lei nº 13.142, de 2015)

Ação penal: em regra é de ação penal pública incondicionada


Lesão leve ou culposa  pública condicionada à representação
Lesão leve ou culposa no âmbito de violência doméstica e familiar praticada contra a MULHER 
pública incondicionada (súmula 542 STJ)
Lesão leve ou culposa no âmbito de violência doméstica e familiar praticada contra HOMEM  pública
condicionada à representação.

Julgados importantes:#AJUDAMARCINHO

- A lesão corporal que provoca na vítima a perda de dois dentes tem natureza grave (art. 129, § 1º, III, do CP), e não
gravíssima (art. 129, § 2º, IV, do CP). A perda de dois dentes pode até gerar uma debilidade permanente (§ 1º, III), ou
seja, uma dificuldade maior da mastigação, mas não configura deformidade permanente (§ 2º, IV). § 1º Se resulta: III
- debilidade permanente de membro, sentido ou função; § 2º Se resulta: IV - deformidade permanente; STJ. 6ª
Turma. REsp 1.620.158-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 13/9/2016 (Info 590).

- A ausência do laudo pericial não impede que a materialidade do delito de lesão corporal de natureza grave seja
reconhecida por outros meios, como testemunhas e relatórios de atendimento hospitalar. STF. 2ª Turma. HC
114567/ES, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 16/10/2012 (Info 684).

- A qualificadora “deformidade permanente” do crime de lesão corporal (art. 129, § 2º, IV, do CP) não é afastada por
posterior cirurgia estética reparadora que elimine ou minimize a deformidade na vítima. Isso porque, o fato
criminoso é valorado no momento de sua consumação, não o afetando providências posteriores, notadamente
quando não usuais (pelo risco ou pelo custo, como cirurgia plástica ou de tratamentos prolongados, dolorosos ou
geradores do risco de vida) e promovidas a critério exclusivo da vítima. STJ. 6ª Turma. HC 306.677-RJ, Rel. Min.
Ericson Maranho (Desembargador convocado do TJ-SP), Rel. para acórdão Min. Nefi Cordeiro, julgado em
19/5/2015 (Info 562).

Calúnia

Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.

§ 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga.

§ 2º - É punível a calúnia contra os mortos.

Exceção da verdade

182
§ 3º - Admite-se a prova da verdade, salvo:

I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por sentença
irrecorrível;

II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141;

III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível.

- atinge a honra objetiva, a reputação da vítima.

- o estatuto da OAB não confere imunidade aos advogados ao delito de calúnia, mas apenas aos de difamação e
injúria.

- é imputado um FATO definido como CRIME. A falsa imputação de contravenção penal não caracteriza calúnia,
mas difamação.

- deputados, senadores e vereadores (nos limites da circunscrição do município) têm inviolabilidade pelas suas
palavras e votos.

- na calúnia contra os mortos, as vítimas são os familiares.

- a consumação ocorre no momento em que a imputação chega ao conhecimento de terceira pessoa.

Art. 523 CPP: Quando for oferecida a exceção da verdade ou da notoriedade do fato imputado, o querelante
poderá contestar a exceção no prazo de dois dias, podendo ser inquiridas as testemunhas arroladas na queixa, ou
outras indicadas naquele prazo, em substituição às primeiras, ou para completar o máximo legal.

- Exceção de notoriedade: oportunidade facultada ao réu de demonstrar que suas afirmações são de domínio
público.

Difamação

Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação:

Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

Exceção da verdade

Parágrafo único - A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é
relativa ao exercício de suas funções.

- atinge a honra objetiva, a reputação.


- os advogados, no exercício da atividade profissional, são invioláveis ao delito de difamação.
- pessoa jurídica pode ser vítima.
- não se pune a difamação contra os mortos.
- a falsa imputação de contravenção penal não caracteriza calúnia, mas difamação.
- a exceção da verdade é excepcional.

183
Súmula 396 STF: Para a ação penal por ofensa à honra, sendo admissível a exceção da verdade quanto ao
desempenho de função pública, prevalece a competência especial por prerrogativa de função, ainda que já tenha
cessado o exercício funcional do ofendido.

DIREITO PROCESSUAL PENAL

 INQUÉRITO POLICIAL
- É um procedimento administrativo preliminar, de caráter informativo, presidido pela autoridade policial
(delegado), com objetivo de apurar a autoria e a materialidade e em que circunstâncias o delito foi praticado. E
tem por finalidade contribuir na formação da opinião delitiva do titular da ação.
- O inquérito policial não possui rito – uma vez que cada delegado conduz o inquérito da melhor maneira que
provem, não há rito previsto em lei. Por isso, uma das suas características é a discricionariedade: o IP é conduzido
com margem de conveniência e oportunidade.
- O IP serve para convencer o titular da ação quanto ao início ou não do processo – fornece o lastro indiciário.
- O delegado pode denegar um requerimento, por entender que a diligência é impertinente, em razão da
discricionariedade. A EXCEÇÃO do exame de corpo de delito – deve determinar de ofício se o crime deixar
vestígios.

Art. 14. CPP: O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão requerer qualquer diligência, que será
realizada, ou não, a juízo da autoridade.

- O IP é um procedimento sigiloso. O sigilo interno é frágil, porque não restringe o acesso aos autos.
- O defensor público e o advogado têm direito de acessar o que já foi produzido e integra os autos, o que não
compreende o acesso às diligências futuras.
- Não há contraditório e ampla defesa – é gerido com concentração de poder em uma autoridade única – é um
procedimento inquisitivo. Mas o defensor ou o advogado estão autorizados a agir – pode haver atividade
defensiva no inquérito.

Estatuto da OAB, Art 7:

XIV - examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de
flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade,
podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital;

XXI - assistir a seus clientes investigados durante a apuração de infrações, sob pena de nulidade absoluta do
respectivo interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, de todos os elementos investigatórios e
probatórios dele decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva
apuração: (Incluído pela Lei nº 13.245, de 2016)

a) apresentar razões e quesitos; (Incluído pela Lei nº 13.245, de 2016)

b) (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.245, de 2016). Era previsto o direito de requisitar diligências, mas foi
vetado.

184
Súmula Vinculante 14:

É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já
documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam
respeito ao exercício do direito de defesa.

- O indiciamento é ato privativo da autoridade policial, segundo sua análise técnico-jurídica do fato. O juiz não pode
determinar que o Delegado de Polícia faça o indiciamento de alguém.
- Em regra, a autoridade com foro por prerrogativa de função pode ser indiciada. Existem duas exceções previstas
em lei de autoridades que não podem ser indiciadas: a) Magistrados (art. 33, parágrafo único, da LC 35/79); b)
Membros do Ministério Público (art. 18, parágrafo único, da LC 75/73 e art. 40, parágrafo único, da Lei nº 8.625/93).
Excetuadas as hipóteses legais, é plenamente possível o indiciamento de autoridades com foro por prerrogativa de
função. No entanto, para isso, é indispensável que a autoridade policial obtenha uma autorização do Tribunal
competente para julgar esta autoridade. (Info 825 STF)
- Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso para o chefe de Polícia.
- O inquérito é inquisitivo, não se aplicando os princípios do contraditório e da ampla defesa.
- No inquérito policial instaurado por requisição do Ministro da Justiça, objetivando a expulsão de estrangeiro, o
contraditório é obrigatório.
- Prazos do inquérito:
 - Estadual: 10 dias réu preso; 30 dias réu solto, prorrogáveis.
 - Federal: 15 + 15 dias réu preso; 30 dias réu solto, prorrogáveis.
 - Militar: 20 dias réu preso; 40 + 20 dias réu solto
 - Drogas: 30 + 30 réu preso; 90 + 90 réu solto
 - Economia popular: 10 réu preso ou solto
 - Eleitoral: 10 dias preso; 30 solto.

- Em nenhuma hipótese, o delegado poderá arquivar o inquérito, já que toda investigação iniciada deve ser
concluída e encaminhada à autoridade competente (art. 17, CPP).
- Mas, é determinação legal que, em situações visíveis que estejam a margem da lei, o delegado deve denegar o
inquérito. Não pode instaurar inquérito manifestamente ilegal – não há discricionariedade para isso.
- Havendo indícios de que membro do MP está envolvido em infração penal, a notícia crime ou os autos de
eventual investigação, serão imediatamente remetidos à Procuradoria Geral, já que o delegado não pode indiciar
membros do MP (Lei Orgânica Nacional do MP).
- Eventual notícia crime ou os autos da investigação serão imediatamente encaminhados ao Tribunal que o
magistrado está vinculado, pois o delegado não tem atribuição para indiciá-lo (art. 33, da LC 35/79).

185
- Autoridades com foro por prerrogativa funcional: - O STF entende que o indiciamento e a evolução da
investigação pressupõe a autorização do Tribunal em que a autoridade usufrui da prerrogativa funcional (STF,
Inquérito 2411). E a corrente prevalente é a de que caberia ao delegado conduzir a investigação criminal,
provocando o Tribunal nas situações de cláusula de reserva de jurisdição.
- Para os Tribunais Superiores, os vícios da investigação estão adstritos ao inquérito e não tem o condão de
contaminar o futuro processo, já que o inquérito é meramente dispensável (Posição Majoritária – são vício
endoprocedimentais).
- Os vícios do inquérito não contaminam o processo. Entretanto, de acordo com a própria jurisprudência, os vícios
do inquérito poderão excepcionalmente contaminar o processo, ao retirarem todo o substrato indiciário de
sustentabilidade da inicial acusatória, faltando, assim, justa causa para o exercício da ação.
- Súmula 397 STF: O poder de polícia da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, em caso de crime cometido
nas suas dependências, compreende, consoante o regimento, a prisão em flagrante do acusado e a realização do
inquérito.
- A instauração de inquérito policial não interrompe o prazo para oferecimento de queixa nos crimes de ação penal
privada.
- A decisão judicial de arquivamento do inquérito policial com fundamento na atipicidade do fato praticado produz
coisa julgada material, impedindo-se a reabertura das investigações preliminares mesmo diante do surgimento de
novas provas.
- Arquivamento indireto: ocorre quando o MP não oferece a denúncia por considerar a juízo incompetente.
- É irrecusável o pedido de arquivamento de inquérito feito pelo PGR nos feitos de competência originária, não se
aplicando a remessa prevista no art. 28, CPP.
- INF STJ 565: Inviabilidade de MS impetrado pela vítima para evitar o arquivamento de IP. A vítima de crime de
ação penal pública não tem direito líquido e certo de impedir o arquivamento do inquérito ou das peças de
informação.
- É incabível a anulação de processo penal em razão de suposta irregularidade verificada em inquérito policial - STF.
2ª Turma. RHC 131450/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 3/5/2016 (Info 824).
- INF STF 345: A manifestação formulada pelo Procurador-Geral da República, no sentido do arquivamento de
inquérito penal, possui caráter irretratável, não sendo, portanto, passível de reconsideração ou revisão, ressalvada,
no entanto, a hipótese de surgimento de novas provas.
- Súmula 524 do STF: "arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do promotor de justiça,
não pode a ação ser iniciada sem novas provas."
- O delegado não pratica desobediência, quando descumpre a ordem do juiz, isto enseja simplesmente infração
administrativa. Pode ser que ele cometa prevaricação, mas na prevaricação ele teria que ter o dolo na conduta e
com o fim especial de agir, depende da situação hipotética.
- Não existe crime de Desobediência cometido de um funcionário público para com outro. Crime de Desobediência
é cometido por particular contra a Administração Pública.
- A acareação pode ocorrer tanto na instrução criminal, quanto no IP.
Art. 6º Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá: III - colher todas as
provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias; VI - proceder a reconhecimento de
pessoas e coisas e a acareações; A autoridade policial poderá sim realizar acareações, caso considere necessário
para a elucidação do fato.
- Em se tratando de ação pública incondicionada, o pedido de arquivamento do IP pelo Ministério Público
respaldado com a concordância do juiz, somente será desarquivado com novas provas. Na ação pública
incondicionada , o despacho que arquiva o inquérito policial ou peças de informações, quando solicitadas pelo

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Ministério Público são irrecorríveis. Sendo assim, uma vez arquivado o inquérito a pedido do Ministério Público,
fica inadmissível a instauração de ação penal mediante queixa-crime subsidiária.
*#INFORMATIVO #IMPORTANTE #MP #STJ: O controle externo da atividade policial exercido pelo Ministério
Público Federal não lhe garante o acesso irrestrito a todos os relatórios de inteligência produzidos pela Diretoria
de Inteligência do Departamento de Polícia Federal, mas somente aos de natureza persecutório-penal. O controle
externo da atividade policial exercido pelo Parquet deve circunscrever-se à atividade de polícia judiciária, conforme
a dicção do art. 9º da LC n. 75/93, cabendo-lhe, por essa razão, o acesso aos relatórios de inteligência policial de
natureza persecutório-penal, ou seja, relacionados com a atividade de investigação criminal. O poder fiscalizador
atribuído ao Ministério Público não lhe confere o acesso irrestrito a "todos os relatórios de inteligência"
produzidos pelo Departamento de Polícia Federal, incluindo aqueles não destinados a aparelhar procedimentos
investigatórios criminais formalizados. STJ. 1ª Turma. REsp 1.439.193-RJ, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em
14/6/2016 (Info 587).

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