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Banco de questões - OUSE SABER

1- Admite-se reclamação contra decisão de juiz de primeiro grau que não seguiu entendimento firmado pelo
STF em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida?

R: Prova realizada em 10/05/2015 - Resposta: O STF já decidiu, no julgamento da Reclamação 4335/AC, que, em que
pese hodiernamente os precedentes terem maior relevância no ordenamento jurídico brasileiro, a admissão
incondicional de reclamação para qualquer caso de descumprimento da decisão do STF transformará este Tribunal
em uma Corte executiva, suprimindo instâncias locais e atraindo competências próprias das instâncias ordinárias. Em
outras palavras, não se pode dizer que a força expansiva das decisões do STF seja sinônimo perfeito de efeitos erga
omnes e vinculantes. A reclamação cabe na hipótese de descumprimento das decisões do STF que gozem de eficácia
vinculante e efeito erga omnes, como as proferidas em controle concentrado e também as que dão ensejo à edição
de súmulas vinculantes, mas não será admitida em caso de violação a decisões que tenham apenas uma força
expansiva, como no caso narrado de julgamento de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida.

2- O que se entende por elementos migratórios no processo penal?

R: Segundo Luiz Flávio Gomes, elementos migratórios no processo penal são "aqueles extraídos do inquérito policial
e que podem servir de sustentáculo para eventual sentença condenatória"
Conforme tal autor, "existem três elementos migratórios no Brasil: a) provas irrepetíveis: são as de iminente
perecimento, que são colhidas durante o inquérito policial por inviabilidade lógica da sua realização na fase
processual: por exemplo, a constatação da embriaguez para os efeitos do artigo 306, CTB. b) provas cautelares:
pautadas pela necessidade e urgência, como a interceptação telefônica, por exemplo. c) incidente de produção
antecipada de prova: instaurado perante o juiz, mesmo durante o trâmite do inquérito, já fixando a prevenção. Cabe
ao juiz convocar as futuras partes do processo e promover o respeito ao contraditório e ampla defesa. Exemplo:
oitiva de uma testemunha que está prestes a deixar o país ou prestes a morrer".

3- (PGE-PR-2015-Discursiva)No processo do trabalho,pode o juiz iniciar de ofício a execução?

R: Diferentemente da execução no processo civil, no processo do trabalho admite-se o início da execução de ofício,
mediante inicativa do próprio juiz da causa, consoante o disposto no art. 878 da CLT, sendo essa uma das grandes
singularidades do processo de execução trabalhista. Devendo-se lembrar que, no processo civil, a execução de ofício
só é possível, excepcionalmente, no caso do cumprimento de sentença de obrigações de fazer e não fazer.

4- O que é o princípio da confiança legítima?


*Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o princípio da proteção da confiança dos administrados constitui a face
subjetiva do princípio da
R: Diferentemente dasegurança
execuçãojurídica. Essa face
no processo subjetiva
civil, relaciona-se
no processo com o caráter
do trabalho psicológico
admite-se daquele
o início que acreditou
da execução estar
de ofício,
atuando conforme o direito. Assim, a caracterização da confiança legítima do administrado para com a administração depende
mediante inicativa do próprio juiz da causa, consoante o disposto no art. 878 da CLT, sendo essa uma das grandes
necessariamente da boa-fé do administrado, que acreditou nas expectativas geradas pela atuação estatal. Logo, não se admite a
singularidades
invocação do processo
do princípio de execução
da proteção trabalhista.
da confiança Devendo-se atua
quando o administrado lembrar que,perante
de má-fé no processo civil, a execução
a administração. Tampouco de se
ofício
só é possível,
admite excepcionalmente,
a invocação no casonos
do princípio em comento do casos
cumprimento de sentença
em que o particular sabede obrigações
que de fazer
está albergado e não fazer.
por medida judicial precária,
como nos casos de posse precária em cargo público via decisão liminar.
5- Se um prefeito de um município do interior pratica um crime doloso contra a vida será julgado pelo
tribunal do júri?

R: A resposta, dessa vez, é NÃO! Cuidado com a pegadinha! Aqui não se trata de aplicação da súmula vinculante 45
(objeto da nossa última postagem)! Não se aplica a SV 45, pois a competência para o Julgamento do Prefeito é do
Tribunal de Justiça do Estado por determinação da própria CF/88 (art. 29, X). Assim sendo, não se trata de aplicação
da SV 45, pois a competência para julgar os prefeitos não é estabelecida pela Constituição Estadual, mas pela própria
CF.

6-
R: Questão 06 do TRF5 de 2015 - O preâmbulo, segundo a jurisprudência do STF, não é paradigma de controle. As
leis declaradas inconstitucionais em controle difuso, apesar de existir um julgado em sentido contrário no STF,
continuam dependendo de suspensão pelo Senado. O STF não admite em sua jurisprudência majoritária a
transcendência dos motivos determinantes. O MS do parlamentar efetua controle formal e não material. Resposta
Correta: Letra D.

7- O que seria legitimidade conglobante as ações coletivas?

R: Com influências da tipicidade conglobante preconizada por Zaffaroni no Direito Penal, doutrinadores do processo
coletivo, com destaque para Hermes Zanett Jr, passaram a defender a idéia de que a legitimidade conglobante seria
uma legitimação extraordinária admitida pelo ordenamento jurídico, mesmo que não expressa em lei, por não
contrariar nenhuma norma jurídica ou estar em desacordo com os princípios do ordenamento. Um exemplo de sua
aplicação prática seria a legitimidade do MP e da DP para a interposição de mandado de segurança coletivo, mesmo
que a CF/88 tenha se referido apenas aos partidos políticos e associações.

8- Em relação aos contratos administrativos , o que seria o termo de ajuste de contas?

R: Em casos de celebração de contratos administativos nulos por parte da Administração Pública, quando a nulidade
não seja imputável ao contratado, deve-se indenizá-lo pelos serviços que foram efetivamente prestados, sob pena
de enriquecimento sem causa da Administração Pública, de acordo com o art 59, parágrafo único, da lei 8.666.
Consoante jurisprudência do TCU, a formalização de tal pagamento ocorre mediante um instrumento legal
denominado termo de ajuste de contas. Em virtude do princípio da legalidade, da moralidade e da impessoalidade, a
doutrina administrativa prega que cada vez mais tais dívidas devem ser evitadas.

9- O que seria flagrante fracionado?

R: Flagrante fracionado é o que ocorre nos casos de crime continuado, de acordo com o art. 71 do Código Penal.
Como existem várias infrações independentes, cada uma podendo constituir crime isoladamente, torna-se possível a
prisão em flagrante por cada uma delas, consubstanciando o que a doutrina denomina de crime fracionado.
10- O que é convenção coletiva de consumo?

R: Art. 107 do CDC.: As entidades civis de consumidores e as associações de fornecedores ou sindicatos de categoria
econômica podem regular, por convenção escrita, relações de consumo que tenham por objeto estabelecer
condições relativas ao preço, à qualidade, à quantidade, à garantia e características de produtos e serviços, bem
como à reclamação e composição do conflito de consumo. § 1° A convenção tornar-se-á obrigatória a partir do
registro do instrumento no cartório de títulos e documentos. § 2° A convenção somente obrigará os filiados às
entidades signatárias. § 3° Não se exime de cumprir a convenção o fornecedor que se desligar da entidade em data
posterior.

11-

R: Prova Objetiva DPU 2015 - Gabarito: C C E E E


151. C - Consoante entendimento doutrinário, até o sec. XVII, são características do denominado Constitucionalismo
Antigo: Constituições consuetudinárias, garantia da existência de direitos perante o monarca limitando o seu poder,
e supremacia do Parlamento(Inglaterra). Desse modo, não se pode falar em supremacia da Constituição.
152. C - As limitações materiais ao poder de reforma da Constituição são as denominadas cláusulas pétreas,
colocadas no art. 60, paragrafo 4o, da CF/88. Não alcança, assim, todo o texto constitucional.
153. E - Conforme entendimento já manifestado pelo STF, uma das exceções à necessidade de observância da
cláusula de reserva de plenário é a não-recepção ou revogação de normas anteriores à Constituição Federal, por ser
procedimento notadamente distinto da declaração de inconstitucionalidade.
154. E - De acordo com o entendimento do STF, o controle judicial das emendas constitucionais, e não apenas de
projetos de emendas constitucionais, pode ocorrer mesmo que não haja violação à cláusula pétrea. Diferente seria o
caso de ser apenas um projeto de emenda constitucional, em que o STF apenas admite o controle por meio de MS
impetrado por parlamentar em caso de violação à cláusula pétrea ou vício formal na tramitação do projeto.
155. E - Em recente decisão do STF, foi reafirmada a legitimidade da Defensoria Pública para ingressar com ações
coletivas, consoante alteração na lei de ACP. Os principais argumentos utilizados foram que não existe norma que
atribua exclusivamente ao MP a prerrogativa exclusiva de ingressar com ACP, compatibiliza-se tal previsão com a
demanda social crescente e ampliam-se os instrumentos de acesso à Justiça. No caso narrado, vislumbra-se ainda
que a demanda diz respeito a um direito difuso, direito à saúde, em que existem beneficiados hiposuficientes pela
ação, sendo esse o principal critério utilizado pelos Tribunais Superiores para averiguar a legitimidade da Defensoria
Pública para as ações coletivas.O item está errado, pois a ACP não pode ter como objetivo principal a declaração de
inconstitucionalidade ou se tornaria substitutiva das ações de controle concentrado.
12- O que é transconstitucionalismo?

R: Transconstitucionalismo é o fenômeno pelo qual diversas ordens jurídicas de um mesmo Estado, ou de Estados
diferentes, se entrelaçam para resolver provlemas constitucionais. Segundo Uadi Bulos, seria um constitucionalismo
de níveis múltiplos ou um constitucionalismo multiplex. Pode ser dividido em dois tipos: stricto sensu, em que a
comunicação opera entre ordens jurídicas de Estados diferentes, ou lato sensu, em que ocorre entre duas ordens
jurídicas de um mesmo ordenamento(como por exemplo entre Constituição do Ceará e a Constuição do Distrito
Federal). No STF, tal teoria já foi usada no caso do terrorismo e sua descaracterização de crime político, na Ext 853.

13- O que é o princípio do consenso afirmativo?

R: Consenso afirmativo é o nome dado doutrinariamente ao princípio que consagra o direito da pessoa capaz de
manifestar sua vontade de dispor gratuitamente de seu corpo, no todo ou em parte, para depois de sua morte, com
objetivo científico ou terapêutico, consoante o art. 14 do Código Civil. É, então, necessário consentimento expresso
para que se utilize parte ou a totalidade do corpo de alguém, após a sua morte. Uma dica do Ouse: em concursos
públicos, é importante que se saibam as mais variadas nomenclaturas que os institutos possuem. Muitas vezes, o
candidato conhece o instituto que se está pedindo em uma questão, porém, pelo fato de o enunciado trazer uma
nomenclatura nova para algo que já é conhecido, ele acaba errando a questão.

14- O que é culpa mortuária?

R: (Pergunta Prova oral TJCE-2015) O art. 1830 do Código Civil prevê que “o cônjuge só teria direito à herança se não
estivesse divorciado, separado judicialmente ou separado de fato há mais de 02 anos, salvo se comprovasse o
casamento se desfez sem culpa sua e por culpa do outro”. Esta última hipótese é denominada de culpa mortuária,
isto é, atribui-se capacidade sucessória ao cônjuge separado de fato, mesmo que cessada a convivência há mais de
dois anos, desde que o consorte falecido tenha dado causa, por culpa, ao fim do casamento. Ressalte-se, entretanto,
que, segundo o STJ, a simples separação de fato, independentemente de qualquer prazo, cessa o regime de bens e
também o direito à herança, sob pena de violação da boa-fé objetiva.

15- O que é a teoria da cegueira deliberada ou teoria de Avestruz?

R: A teoria da cegueira deliberada, também denominada teoria do avestruz, de origem norte-americana, está no
âmbito dos crimes de lavagem de capitais e visa à tornar típica a conduta do agente que tem consciência sobre a
possível origem ilícita dos bens ocultados por ele ou pela organização criminosa a qual integra, mas, mesmo assim,
deliberadamente, cria mecanismos que o impedem de aperfeiçoar sua representação acerca dos fatos. Ao evitar a
consciência quanto à origem ilícita dos valores, assume os riscos de produzir o resultado, daí porque responde pelo
delito de lavagem de capitais a título de dolo eventual.

16- O que é o princípio da responsividade?

R: Consoante entendimento de Diogo de Figueiredo, a responsividade é um dos princípios modernos que norteia a
atuação da Administração Pública. Determina que ela ao atuar não obedeça apenas à legalidade, mas também à
legitimidade e ao princípio democrático, ou seja, que atue de modo a atender os anseios da população. É, então,
inegavelmente, um dever jurídico autônomo dos agentes do Poder Público quando estiverem dotados de
competências para perfazer escolhas discrionárias atenderem(responderem) às demandas da sociedade. Tal
princípio está para o Estado Democrático tal como está a legalidade para o Estado de Direito.

17- O que é bagatela imprópria?


R: Diferentemente dos casos da bagatela própria ou princípio da insignificância, em que o fato não nasce relevante
para o Direito Penal(é atípico), no caso da bagatela imprópria, o fato surge como relevante para o Direito Penal,
sendo típico, ilícito e culpável, porém posteriormente a aplicação da reprimenda soa como desnecessária e
inoportuna, pois diversos fatores recomendam o seu afastamento, como a colaboração com a Justiça, o
reconhecimento de culpa, reparação do dano causado à vítima, dentre outros motivos. Como ensina Cleber Masson,
o seu reconhecimento deve dar-se de acordo com o caso concreto, e não em plano abstrato, e pressupõe a não
incidência da bagatela própria.

18- O que é inconstitucionalidade circunstancial?

R: Inconstitucionalidade circunstancial é a declaração de inconstitucionalidade de uma norma produzida com relação


a incidência em um caso específico. É possível, assim, que se vislumbre situações nas quais um enunciado normativo,
válido em tese e na maior parte das suas incidências, ao ser confrontado com determinadas situações concretas,
produza uma norma inconstitucional. Um exemplo seria a vedação de liminares contra a Fazenda Pública previstas
na lei 9.494/97, no caso em que o pedido fosse relativo a concessão de tutela antecipada para que o Estado
custeasse cirurgia de vida ou morte.

19-

R: O CDC brasileiro adotou um conceito amplo de Consumidor, incluindo, o chamado Consumidor por Equiparação,
também chamado de BYSTANDER, ou seja, aquele que não é consumidor direto, mas que é afetado pelo fato do
produto ou do serviço passa a ser considerado consumidor. Nesses termos, no caso da foto, as pessoas dos carros
poderão ajuizar ações contra a empresa aérea com os benefícios do CDC!

20- O que é evolução racionaria?

R: Evolução reacionária significa o mesmo que vedação ao retrocesso ou efeito cliquet. Tais conceitos perpassam
pela idéia de que não seria possível suprimir direitos humanos, uma vez que os direitos já positivados acabam sendo
incorporados ao patrimônio jurídico da Humanidade, sendo um retrocesso na afirmação da dignidade humana o
pensamento de que podem ser suprimidos. Muitos doutrinadores utilizam tal princípio para arguir a
inconstitucionalidade do Novo Código Florestal, notadamente por trazer proteção menor ao meio ambiente.

21- O que é contrato de programa?


R: Consórcio públicos representam a reunião de esforços para atender a objetivos comuns, entre entidades públicas
de mesma espécie, com criação de pessoas jurídica de direito público ou direito privado. Com amparo na lei 11.107,
José dos Santos Carvalho Filho define contrato de programa como sendo uma condição de validade da constituição e
regulação de obrigações que uma pessoa da federação assuma para com outro ente estatal ou para com o consórcio
público, tendo tal negócio jurídico por objetivo implementar gestão associada.

22- A instituição financeira pode enviar cartão de crédito não solicitado pelo consumidor?

R: A questão foi alvo da mais recente Súmula do STJ: Enunciado N. 532 - "Constitui prática comercial abusiva o envio
de cartão de crédito sem prévia e expressa solicitação do consumidor, configurando-se ato ilícito indenizável e
sujeito à aplicação de multa administrativa”. A Súmula 532 tem amparo no artigo 39, III, do Código de Defesa do
Consumidor, que proíbe o fornecedor de enviar produtos ou prestar serviços sem solicitação prévia. (Fonte: STJ).
Assim sendo, a resposta é NÃO! A instituição financeira abusa ao enviar cartão de crédito não solicitado pelo
consumidor!

23- O que é desvio produtivo do consumidor?

R: De acordo com o autor Marcos Dessaune, o desvio produtivo do consumidor ocorre quando ele, diante de uma
situação de mau atendimento, precisa desperdiçar o sei tempo e desviar as suas competências - de uma atividade
necessária ou por ele preferida - para tentar resolver um problema criado pelo fornecedor, a um custo de
oportunidade indesejado e de natureza irrecuperável. Em outra perspectiva, evidencia-se quando o fornecedor, ao
descumprir sua missão e praticar ato ilícito, impõe ao consumidor um relevante ônus produtivo indesejado. Difere,
assim, do mero aborrecimento, que muitas vezes é utilizado pelo STJ para negar pretensões de dano moral.

24- O que é Mutatio Libelli nas ações de medicamento?

R: O termo mutatio libelli ordinariamente é empregado no processo penal. No processo civil, nas ações relativas a
medicamentos, deve-se aplicar tal conceito quando a mudança da situação do paciente que ingressou com uma ação
acarreta uma mudança no medicamento a ser utilizado. Deve se entender como pedido do autor o direito a tutela da
saúde, sendo o medicamento indicado apenas forma instrumental para atendê-lo. Assim, como já decidiu o STJ, essa
simples alteração não acarreta durante o processo ofensa ao art. 264 do CPC, uma vez que o pedido, que é o próprio
tratamento médico, não se altera.

25- O que é justa causa duplicada?

R: Justa causa se mostra como sendo uma das condições da ação, definida como sendo a necessidade de lastro
probatório mínimo do cometimento do crime. Justa causa duplicada, segundo Renato Brasileiro, ocorre nos casos
dos crimes de lavagem de capitais, uma vez que, além de demonstrar a presença de lastro probatório quanto à
ocultação de bens ou valores, é necessário também demonstrar que tais valores são oriundos direta ou
indiretamente de outra infração penal. Desse modo, exige-se o lastro probatório mínimo quanto à lavagem e quanto
ao crime antecedente.

26- Existe desconsideração da personalidade jurídica realizada pela Administração?

R: Em regra, a desconsideração da personalidade jurídica ocorre por meio de um incidente processual, ou seja,
sendo decretada por decisão judicial. O novo CPC, inclusive, regulamentou esse incidente. Portanto, normalmente, a
Administração NÃO pode desconsiderar! NO ENTANTO, na Lei N. 12.846/2013, a chamada Lei Anticorrupção, o
art.14 preceitua: "A personalidade jurídica poderá ser desconsiderada sempre que utilizada com abuso do direito
para facilitar, encobrir ou dissimular a prática dos atos ilícitos previstos nesta Lei ou para provocar confusão
patrimonial, sendo estendidos todos os efeitos das sanções aplicadas à pessoa jurídica aos seus administradores e
sócios com poderes de administração, observados o contraditório e a ampla defesa". Nesse caso, tendo sido a
desconsideração prevista no contexto do processo administrativo de tal lei e para aqueles casos de indícios de
corrupção, vem a doutrina admitindo a desconsideração administrativa para tais hipóteses!

27- O que é iniciativa vinculada de leis?

R: Segundo Roger Leal, iniciativa vinculada de leis trata-se de uma modalidade mais forte de iniciativa privativa. Na
iniciativa privativa, o legitimado decide acerca da conveniência e oportunidade de apresentar o conteúdo do projeto
de lei, no tocante a quando será apresentado e o seu conteúdo. Em se tratando de inicativa vinculada, como é o caso
das leis orçamentárias, a CF/88 estabelece limites a este juízo de conveniência e oportunidade, sobretudo no que diz
ao momento em que o projeto deve ser apresentado.

28- O que é inconstitucionalidade desvairada?

R: Consoante o magistério de Pedro Lenza, fazendo alusão a decisões do min. Sepúlveda Pertence,
inconstitucionalidade chapada, desvaraida ou enlouquecida é aquela mais do que evidente, flagrante, manifesta,
não restando quaisquer dúvida sobre o vício, seja ele material ou formal.

29- Quem são os hipervulneráveis?

R: Consoante o próprio CDC, todo consumidor é considerado vulnerável, sendo tal vulnerabilidade vários tipos:
informacional, técnica, fática e jurídica. Nas palavras do Min. Herman Benjamin, do STJ, hipervulneráveis são aqueles
consumidores que apresentam uma deficiência maior ainda e que em razão disso merecem maior proteção, como as
crianças e os idosos.

30- No direito financeiro,o que é intranscendência subjetiva das reestrições?

R: O art 23 estipula sancões para aqueles entes que não cumprem os limites de despesa de pessoal na LRF - dentre
tais sanções está a de não receber transferências voluntárias. Ocorre que, pelo princípio da instrancendência
subjetiva das sanções, o STF vem acolhendo que tais reestrições apenas fazem efeito ao órgão que está
descumprindo a legislação. Por exemplo, se o TCE/CE não está obedecendo à tal limite de despesa, não podem ser
aplicadas sanções ao Poder Executivo do Estado do Ceará.

31- O que é intervenção anódina?

R:Intervenção anódina, também chamada de anômala, é uma espécie de intervenção de terceiros especial, regulada
pela Lei 9.469/97, em que os entes públicos apenas precisam demonstrar interesse econômico em uma demanda
para puderem nela intervir. Difere, então, dos outros casos regulados no CPC, notadamente a assistência, uma vez
que nessa há de ser demonstrado o interesse jurídico na demanda para que possa ocorrar essa espécie de
intervenção de terceiros.

32- Pode-se aumentar o valor de contrato de seguro saúde em razão de o beneficiário ter virado idoso?

R: O Estatuto do Idoso, em seu art 15, parágrafo terceiro, veda que se faça discriminação dos idosos nos contratos de
plano de saúde. O STJ, adotando uma posição bastante criticável, decidiu que a alteração dos valores de plano de
saúde em virtude de tal fato é válida, desde que haja obediência aos limites e requisitos da lei 9.605/98 e não se
apliquem limites desarrazoados ou aleatórios. Segundo a Corte da Cidadania, a pessoa com mais idade possui um
maior risco subjetivo, sendo isso um fato confirmado na vida, e não se pode interpretar de modo absoluto o Estatuto
do Idoso, uma vez que ele visou apenas coibir a descriminação desproporcional.
33- É possível cautelar na ação direta de inconstitucionalidade por omissão(ado)? Em sendo possível, pode o
STF determinar o prazo ao Legislativo ou ao Executivo nessa cautelar de ADO?

R: A resposta a tal questão é sim, em razão da Lei nº. 12.063/09, que modificou a Lei n°. 9.868/99, passando a prever
a cautelar em ADO que antes não existia. Ao disciplinar o procedimento específico da ação direta de
inconstitucionalidade por omissão, a Lei n°. 12.063/09, no art. 12-F, § 1º, modificou a Lei 9.868/99, possibilitando o
deferimento de cautelar em ADO, que poderá consistir em: i) suspensão da aplicação da lei ou do ato normativo
questionado, no caso de omissão parcial; ii) suspensão de processos judiciais ou de procedimentos administrativos;
ou ainda iii) qualquer outra providência a ser fixada pelo Tribunal. Segundo o Ministro Gilmar Mendes, em obra
doutrinária: “(...) a complexidade das questões afetas à omissão inconstitucional parece justificar a fórmula genérica
utilizada pelo legislador, confiando ao Supremo Tribunal Federal a tarefa de conceber providência adequada a
tutelar a situação jurídica controvertida” (Controle abstrato de constitucionalidade – ADI, ADC e ADO: comentários à
Lei n. 9.868/99. São Paulo: Saraiva, 2012). Assim sendo, o STF, em cautelar de ADO, pode determinar prazo para
providências pelo Legislativo ou pelo Executivo.

34- Em defesa de que direitos e interesses Partido Político pode impetrar Mandada de Segurança Coletivo?

R: Segundo a CF/88, Partido Político com REPRESENTAÇÃO NO CONGRESSO NACIONAL possui legitimidade ativa para
a o Mandado de Segurança Coletivo (MSC). Já a Lei n°.12.016/09, no art. 21, ao detalhar o tema afirma: "O mandado
de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional, na defesa
de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou por organização sindical,
entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 (um) ano, em
defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou associados, na forma dos seus
estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial". Assim sendo, a
lei, seguindo a jurisprudência do STF, limita a defesa do MSC por partido político a: i) defesa dos seus filiados; ii)
interesses inerentes à finalidade partidária. Neste último caso, a jurisprudência e a doutrina majoritária entendem
de modo restrito, no sentido de serem interesses intrínsecos à legenda e não na tutela de interesses sociais! O
examinador queria confundir o candidato com a questão do interesse social, que "a priori" não está albergado pela
proteção do MSC por Partido Político! Vale, no entanto, observar que há autores que defendem a ampla
legitimidade do Partido Político nestes casos!

35- Em que casos há intervenção federal provocada?

R: A intervenção federal (Art. 34 da CF/88) pode ser de Ofício (incisos I, II, III e V) ou provocada. A intervenção
provocada pode se dar por solicitação dos poderes (inciso IV) ou por requisição judicial (incisos VI e VII)!

36- O que é hiato constitucional?

R: Expressão cunhada por Ivo Dantas. Hiato constitucional ocorre quando existe um choque, um divórcio, entre o
conteúdo da Constituição Política e a realidade social ou sociedade. Caracteriza, assim, verdadeiro intervalo, e pode
dar origem a diversos fenômenos tais quais: elaboração de Nova Constituição, mutação constitucional, reforma
constitucional e hiato autoritário.

37- O que é publicização?

R: Segundo Ronny Charles, o movimento da publicização se fundamenta na passagem dos serviços para um setor
público não-estatal. O setor público não-estatal é aquele construído pelas organizações sem fins lucrativos que estão
orientadas diretamente para o atendimento do interesse público. Assim, essas entidades, embora não sejam
estatais, são consideradas para os reformistas como parte desse setor intermediário, entre o público e o privado.
Assim, "publicização" não equivale à estatização nem à privatização.
38- O que é administração dialógica?

R: Segundo Ronny Charles, administração dialógica é uma tendência identificada em algunsas atividades
administrativas, notadamente na prestação de serviços públicos e na contratação de grandes empreendimentos,
que consiste na abertura de diálogo com os administrados, permitindo que eles colaborem para o aperfeiçoamento
ou a legitimação da atividade administrativa. Distancia-se de um modelo de administração pública monológica, na
qual os particulares não possuem a oportunidade de interferir previamente colaborando para a realização de
atividade administrativa.

39- O que é fracionamento indevido nas licitações?

R: Trata-se de uma conduta ilícita por parte da Administração Pública que, para evitar proceder a uma modalidade
mais complexa em face da quantidade de objeto/serviço que o órgão necessita, divide essa necessidade em várias
licitações para utilizar um procedimento mais simples(como por exemplo o convite e a tomada de preços). Apesar de
não existir prazo expresso na Lei 8.666, a doutrina administrativista considera que o prazo para se averiguar tal
necessidade do órgão é o prazo da LOA, ou seja, um exercício financeiro(que coincide com ano civil).

40- O que é a constituição compromissória?

R: As Constituições compromissórias são aquelas que não cristalizam uma única diretriz, um único projeto, uma
única idéia política, religiosa ou de qualquer outra matriz ideológica. Elas consagram uma pluralidade de valores
sociais de seu povo, prestigiando os diferentes seguimentos sociais e as diferentes formas de ser viver e agir. Elas
são fruto do consenso possível entre fontes políticas díspares quando não antagônicas presentes numa determinada
quadra histórica. A nossa constituição é uma típica constituição compromissória. Ex.: consagra a livre iniciativa e os
valores sociais do trabalho. Essas constituições suscitam problemas hermenêuticos muito mais complexos, porque
em uma constituição simples retorna-se aquele valor inicial que vai iluminar, de modo inexorável, a aplicação de
qualquer dispositivo. Já na constituição compromissória, às vezes, tem-se que conciliar diretrizes antagônicas. A
idéia de que não há antinomia no direito e que estas são meramente aparentes, é uma idéia que não corresponde a
verdade. O direito contém antinomias sim e a constituição é pródiga nessas antinomias. A única resposta que se
deve dar é que a resolução das antinomias constitucionais devem ser feitas a partir de parâmetros inferidos da
própria constituição. Tanto maior ela terá antinomias quanto maior for o seu caráter compromissório. Na
constituição compromissória, o papel do intérprete tem uma relevância, porque, às vezes, ele tem que buscar a
conciliação possível entre vetores contrapostos.

41- O que a teoria dos quatro status de Jellinek?

R: A teoria dos quatro status foi desenvolvida por Georg Jellinek, famoso jurista e filósofo do direito que viveu a
maior parte de sua vida na segunda metade do século XIX.
Segundo essa teoria, são quatro os possíveis status do indivíduo na sua relação com o Estado: o passivo (status
subjectionis), o ativo (Status activus civitates), o negativo (Status libertatis) e o positivo (Status civitates).
O status passivo é aquele em que o indivíduo encontra-se em posição desubordinação com relação aos poderes
públicos. Dessa forma, o Estado tem competência para vincular o indivíduo, através de mandamentos e proibições.
O status ativo, por sua vez, representa o poder do indivíduo de interferir na formação da vontade do Estado. Sendo
clara manifestação dos direitos políticos, o status ativo do indivíduo concretiza-se principalmente através do voto.
O status negativo representa o espaço que o indivíduo tem para agir livre da atuação do Estado, podendo
autodeterminar-se sem ingerência estatal.
Por fim, o status positivo consiste na possibilidade do indivíduo exigir atuações positivas do Estado em seu favor.

42- O que é a teoria do concurso voluntário?


R: A teoria do concurso voluntário é aplicada no âmbito do Direito Urbanístico. Segundo Fernanda Lousada, tal teoria
embasa a transferência de áreas privadas ao patrimônio público, como requisito para se criar e aprovar um
loteamento, de acordo com o art. 22 da lei de Parcelamento do Solo Urbano. Consoante entendimento do STJ, para
a incorporação desse terreno pelo ente público basta a aprovação do loteamento, sendo despiciendo o registro em
cartório imobiliário.

43- O que é paternidade alimentar?

R: Adotando uma concepção bem vanguardista, o doutrinador Rolf Madaleno através da teoria da paternidade
alimentar busca prestigiar o sentimento precioso da paternidade socioafetiva, mas também impõe ao pai biológico o
dever de prestar assistência à criança quando o pai socioafetivo não pode, uma vez que o primeiro participou da
concepção da criança e agora não está dando assistência.

44- O que é a constituição monista?

R: A Constituição Monista é aquela que adota uma única matriz ideológica quanto aos valores que a inspiram. A
Constituição Monista não admite a pluralidade de pensamento ou a diversidade nos modos de ser, pensar e agir. Ela
é típica de países antidemocráticos.

Exemplos clássicos de Constituições Monistas são as Constituições de países comunistas, nos dias atuais, pode-se
mencionar a Coréia do Norte. Nesses países, apenas a doutrina comunista é aceita. Outro exemplo seriam os países
que adotam documentos religiosos como Constituição, ex. o Irã

45- O que é o principio do limite no direito ambiental?

R: Segundo Edis Milaré, o princípio do limite diz respeito à atribuição do Estado, através de seu poder de polícia,
fiscalizar e orientar os particulares quanto aos limites em usufruir o meio ambiente, conscientizando-os sobre a
importância de sempre observarem o bem estar da coletividade. Refere-se também a competência estatal de
promover termos de ajustamento de condutas para visar a cessação das atividades nocivas.

46- O que é imunidade ontológica?

R: No que tange á classificação das imunidades em origem, a doutrina as divide em ontológicas e políticas.
Ontológicas são aquelas que existem mesmo sem previsão expressa do texto constitucional, uma vez que são
fundamentais para atendimento do princípio da isonomia e pacto federativo.

47- O que é a teoria unitária da responsabilidade no direito do consumidor?

R: Para o Direito do consumidor, não importa a distinção entre responsabilidade contratual e extracontratual,
diverso do que ocorre no Direito Civil.

48- O que é o princípio da Juridicidade?

R: O princípio da Juridicidade ou princípio da legalidade em sentido amplo é uma releitura do antigo princípio da
legalidade existente no D. Administrativo.
Com o pós-positivismo e a resignificação do conceito de norma, nos termos do lecionado por Alexy e Dworkin, o
conceito de norma passa a englobar regras e princípios, o que resgatou a força normativa de tais princípios.
Ante essa nova força dada às normas princípio, elas passam a vincular todo o Estado, portanto, também à
Administração.
Com isso, a legalidade passa a ter como parâmetro não somente a lei em sentido estrito, mas também os princípios
constitucionais.
Com efeito, o princípio da Juridicidade é a ampliação da antiga legalidade para abarcar também os princípios
constitucionais para que eles sirvam de parâmetros de atuação da Administração.

49- O que é dano ricochete?

R: Dano por ricochete, ou dano reflexo, segundo Pablo Stolze, é o prejuízo que atinge uma vítima indireta, ligada à
vítima direta da atuação ilícita. No caso do dano em ricochete, tem-se, ao menos, duas vítimas, a direta e a indireta.
Um exemplo: João foi vítima do homicídio; ele é a vítima direta do ato ilícito; o filho de João é a vítima indireta.

50- O que é a decisão negativa do CNJ e CNMP?

R: As decisões negativas do CNJ e CNMP ocorrem quando o interessado provoca tais órgãos, porém eles se recusam
a tomar alguma providência no caso concreto alegando que não tem competência para aquela situação ou hipótese
de intervenção. Consoante entendimento do STF, nas ações relativas a tais casos, a competência para julgar não é do
STF, pois não existe ato do CNJ ou CNMP a ser atacado.

51- O que é cláusula de dureza?


Segundo Tartuce, em várias legislações subsistem as chamadas cláusulas de dureza, também denominadas cláusulas
de rigor
R. Asoudecisões
salvaguardas.
negativasEssas cláusulas
do CNJ e CNMPimpõem
ocorremlimitação
quando oàinteressado
possibilidade de divórcio-remédio,
provoca tais órgãos, porémou estabelecem
eles se recusam uma
a tomar
sanção a umalguma providência
ou a ambos no casoque
os cônjuges concreto alegando
o requerem. quedisposições
São não tem competência para aquela
que, em síntese, buscamsituação ou hipótese
dificultar o divórcio.
Com a nova redação constitucional, o divórcio em nosso ordenamento deve sempre ser visto como remédio,émotivo
de intervenção. Consoante entendimento do STF, nas ações relativas a tais casos, a competência para julgar não do
pelo STF,
qualpois
essanão existe ato
cláusula nãodo CNJ ou CNMP
é admitida a ser atacado. jurídico brasileiro, não sendo reproduzida no CC/02.
no ordenamento

52- O que é reserva do impossível?

R. É muito comum os estudantes saberem o que é reserva do possível, ligado a ciência das finanças. Reserva do
impossível é a impossibilidade de se anular situação fática decorrente de decisão política de caráter institucional sem
que ocorra agressão ao princípio federativo. Foi aplicada pelo STF a respeito da criação de municípios sem lei
complementar federal, tendo sido convalidados tais entes até 2006. Vale a pena ler o entendimento de Eros Grau:
"Criado o Município, passou a existir e agir como ente da federação. Trata-se de fato. Não se anulam os fatos...
Impossível retornarmos ao tempo para anular essa existência sem ofensa à autonomia desse Município e ao pacto
federativo."

53- Quais são as vertentes do acesso à justiça?

R. São três as vertentes do acesso à justiça: acesso físico, material e formal. O acesso físico correspondente à
aproximação do cidadão ao Judiciário. o acesso formal consiste nas alterações legislativas para conferir maior
facilidade e agilidade na prestação da tutela jurisdicional. Por fim, o acesso material refere-se à análise da
efetividade da tutela jurisdicional, denominada de devido processo legal substancial.

54- O que é backlash?

R. Consoante a idéia de judicial review, incumbe ao Poder Judiciário dar a última palavra a respeito das ações dos
outros Poderes. Nesse contexto, ao ser declarada a inconstitucionalidade de uma lei, pode ocorrer fenômeno
denominado de backlash, em que ocorre uma intensa rejeição dessa decisão judicial seguida por medidas de
resistência tendentes a minimizar a sua efetividade, como a aprovação de uma mesma lei pelo Poder Legislativo, o
que é constitucional segundo o STF. Nesse caso, pode a Corte Suprema ser instada e pronunciar-se novamente pela
inconstitucionalidade dessa lei.
55- É privativa a competência do presidente para alterar as alíquotas do II?

R. De acordo com a CF, art 153, paragrafo primeiro, compete ao Poder Executivo a alteração da alíquotas de alguns
impostos, dentre deles o II. Consoante entendimento do STF, é constitucional a delegação dessa atribuição a outros
órgãos do Poder Executivo, uma vez que a própria CF não reestringiu essa atribuição aos Chefes do Poder Executivo.

56- O que é estado em rede?

R. De acordo com Alexandre Mazza, a teoria do Estado em rede foi criada como tentativa de aperfeiçoar o modelo
da Administração Pública Gerencial. Intentando ultrapassar uma simples busca por resultados, essa teoria propõe
que o Estado realize uma gestão para a cidadania, transformando os indivíduos destinatários das políticas públicas
como sendo os reais protagonistas na definição das estratégias governamentais. Busca-se, assim, uma gestão
participativa. Um dos grandes instrumentos utilizados atualmente para concretizar essa participação popular são as
audiências civis.

57- O que é deslegalização ou delegificação no direito administrativo?

R. Esse conceito foi citado no Brasil por Diogo Figueiredo de Moreira Neto. Segundo esse autor, deslegalização
ocorre quando uma lei remete a um ato normativo secundário (portaria, decreto etc.) a regulamentação de
determinada matéria. O STF já analisou, p. ex., o caso da lei que aumentou o valor do salário mínimo e remeteu os
futuros reajustes a decreto do P. Executivo. Nesse caso, o STF entendeu a medida constitucional. Essa
deslegalização, todavia, tem de ser analisada com cuidado, pois, nos casos em que a CF afirma que a matéria deve
ser tratada por lei, a deslegalização não pode ocorrer. O Rafael hoje nos apresentou um novo caso de deslegalização,
existente na lei do FIES, que remete várias regulamentações a portarias. Nesse caso em particular, essa
deslegalização gerou várias medidas inconstitucionais, mas isso será tratado em outra esfera!

58- Os direitos fundamentais são aplicáveis entre particulares?

R. Há grande discussão, na doutrina e na jurisprudência, sobre a aplicação dos direitos fundamentais nas relações
privadas, ou seja, nas relações entre particulares. Isso se deve ao fato de os direitos fundamentais terem surgido,
inicialmente, para o controle das relações entre indivíduo e o Estado (dimensão vertical dos direitos fundamentais).
No entanto, desde a década de 1950, principalmente na Alemanha, discute-se a possibilidade de aplicação dos
direitos fundamentais entre particulares (dimensão horizontal dos direitos fundamentais). A discussão se deve a
uma possível supressão da autonomia da vontade entre particulares em razão da aplicação de tais direitos entre
indivíduos igualmente livres.
Assim, surgiram várias correntes para tratar do tema. As duas de maior destaque são as da aplicação indireta e da
aplicação direta. No Brasil, o STF, apesar das críticas, vem aplicando a teoria da aplicação direta, ou seja, os direitos
fundamentais poderiam ser aplicados diretamente entre particulares.

59- O que é hermenêutica diatópica?

R. Nos Direitos Humanos, existe uma grande discussão a respeito da sua aplicabilidade nas mais diversas culturas.
Pela corrente universalista, os direitos humanos referem-se a todas as nacionalidades, e devem ser aplicados
independentemente de cor ou credo. Para a corrente relativista, pelo fato de cada cultura possuir valores distintos,
não se pode estabelecer um padrão uniforme de moral universal que gere os mesmos direitos humanos. Superando
tal tensão, Boaventura de Sousantos propõe a teoria da hermenêutica diatópica, buscando superar a dicotomia
entre essas duas teorias, ampliando a consciência de incompletude múltipla através de um diálogo que se desenrola
de modo intercultural. O resultado é que se busca superar essa tensão através de uma adoção gradual dos Estados
aos valores dos direitos humanos e do estímulo à formação e aprimoramente de sistemas regionais de Direitos
Humanos.
60- Aplicação direta ou indireta dos direitos fundamentais entre particulares?

R. Há uma discussão se pode haver tal aplicação, posto que, originalmente, os direitos fundamentais foram
estipulados para controlar o Estado e limitá-lo ante liberdades dos cidadãos. Então, a priori, direito fundamental
garante a liberdade do cidadão e não a limita; e a garante ante o Estado e não ante outro particular. Não obstante
isso, há casos que levam ao questionamento: e um particular não poderia violar o direito fundamental de um outro
particular?! A resposta para a doutrina quase que em uníssono é sim, mas o grave problema surge em um momento
posterior, qual seja, admitindo-se essa violação, como pode ser ela reparada. Aí, surgem as duas principais teorias
para tratar do tema: a da aplicação indireta e a da aplicação direta. A primeira é mais próxima à teoria tradicional
dos direitos fundamentais, ou seja, eles existem para limitar o Estado e não o particular, portanto, caso um
particular esteja violando um direito fundamental de outro particular, cabe à LEI, por meio de cláusulas abertas e
outras "portas de entrada", intermediar essa aplicação aos particulares, portanto, uma aplicação indireta. Já a da
aplicação direta afirma que os direitos fundamentais podem já ser aplicados diretamente entre os cidadãos sem a
intermediação legal. Desse modo, nota-se que o problema é prévio, que é o problema de que é ou pode ser obrigado
e limitado pelos direitos fundamentais. Tanto que os adeptos da aplicação indireta criticam os da aplicação direta
por criarem limitações aos particulares por meio dos direitos fundamentais, mas sem que haja amparo
constitucional para isso, pois, como dito, para essa vertente, os direitos fundamentais são para o controle do Estado
e não do indivíduo.

61- O que é erosão da consciência constitucional?

R. O fenômeno da erosão da consciência constitucional, concebido inicialmente por Karl Lowenstein, consiste no
enfraquecimento da função das normas constitucionais, isto é, ocorre quando a Lei Fundamental de um país sofre
abalos em sua força normativa e na sua capacidade de transformação social. Tal efeito pode decorrer de
afastamentos casuísticos da norma constitucional pelo julgador, de repetidas emendas constitucionais que venham a
desnaturar a essência da Constituição e sua natureza rígida, bem como da perpetuação de omissões pelo legislador
infraconstitucional, ao não regulamentar e dar operabilidade a normas constitucionais de eficácia limitada
veiculadoras de direitos e garantias fundamentais. Em um exemplo prático, o mandado de injunção é um remédio
apto a combater esse fenômeno maléfico, em uma de suas causas, já que se destina a viabilizar o exercício de
direitos e garantias fundamentais consagrados pelo Poder Constituinte Originários, mas inaplicáveis, por serem
“letra morta”, em razão da ausência de regulamentação por parte do legislador.

62- O que é sentimento constitucional?

R. O conceito de sentimento constitucional foi cunhado por Pablo Lucas Verdu, pois, segundo o autor, a Constituição
e os direitos fundamentais para serem efetivos não dependem apenas de aspectos técnico-jurídicos, mas também
de uma consciência social em torno desses direitos, ou seja, as disposições jurídicas para serem efetivas necessitam
de um mínimo de reconhecimento social. Esses aspectos psico-sociológicos configuram o chamado sentimento
constitucional. Assim, ainda segundo o autor, o Estado Moderno necessita criar laços de fraternidade e harmonia,
baseados em noções como as de patriotismo, cidadania, nacionalidade e outros, entre seus cidadãos, que façam
com que eles cumpram as normas e mantenham a integridade do Estado. Desse modo, esse é o sentimento
constitucional.

63- O que é tutela de evidência?

R. A tutela de evidência cabível de forma geral no NCPC é uma feliz inovação do código de 2015. Agora, as tutelas
provisória se dividem em: de urgência (cautelar e antecipada) e evidência. Assim sendo, nota-se que a tutela de
evidência é uma tutela anterior à tutela jurisdicional final, portanto, é uma tutela baseada em cognição sumária
(diferente da tutela final que é baseada em cognição exauriente). O grande diferencial da tutela de evidência da
atual antecipação dos efeitos da tutela (que continua a existir no NCPC) é que para ela ser dada basta haver uma
forte probabilidade do direito, SENDO DISPENSADA A URGÊNCIA. Em termos rudes e até atecnicos, mas de forma
didática seria uma antecipação dos efeitos da tutela sem ser necessária a urgência. E qual a razão disso? Por qual
motivo existe a tutela de evidência? O objetivo é inverter os ônus do tempo do processo. Fazer com que a existência
do processo não seja um prejuízo para quem tem grande aparência de ter razão.

64- O que é o patriotismo constiticional?

R. Trata-se de uma teoria desenvolvida por Habermans. Estudando a história e o desenvolvimentodo do


constitucionalismo, tal doutrinador percebeu que ao longo do tempo os vínculos de solidariedade estabelecidos
foram realizados com base no conceito de nação. Opondo-se à visão tradicional do nacionalismo, o patriotismo
constitucional vai enfatizar a noção de Constitucional e o respeito aos seus valores como sendo o elo de ligação dos
cidadãos com o Estado Democrático de Direito e com os direitos humanos.

65- O que é princípio de duplo benefício ou da “reformatio in melius” no processo penal?

R. No âmbito dos recursos no Processo Penal, vigora o princípio do duplo benefício, também denominado princípio
da reformatio in melius, o qual excepciona a regra geral de proibição de reformatio in pejus, permitindo que o réu
possa angariar benefícios em sua situação jurídica, através do recurso exclusivo do Ministério Público ou do
querelante, isto é, mesmo sem recorrer, o acusado pode alcançar uma redução em sua pena, ou, até mesmo, a
absolvição, por reconhecimento de ofício do Tribunal. Essa teoria é lastreada no principio da presunção da inocência,
por isso o princípio do duplo benefício se aplica apenas aos recursos da acusação; mantém-se a regra de proibição
de reformatio in pejus nos recursos do acusado.

66- O Brasil adota o “IUS LABORIS”para atribuir nacionalidade?

R. Existem vários critérios adotados pelos diferentes Estados para atribuir nacionalidade às pessoas. Os mais
famosos são o "ius solis" e o "ius sanguinis", este atribui nacionalidade aos filhos daqueles que já são nacionais de
um determinado Estado, já aquele atribui nacionalidade àquelas pessoas que nascem em seu território. O Brasil, em
regra, adota um critério misto que combina "ius solis" e o "ius sanguinis". Há, todavia, no ordenamento internacional
outros critérios de aquisição da nacionalidade, como o "ius domicilii" (nacionalidade adquirida por fixação de
domicílio em um determinado Estado), "ius communicatio" (nacionalidade adquirida pelo casamento) e o "ius
laboris", sendo esta a aquisição de nacionalidade pelo trabalho. A diferença entre os dois primeiros critérios e esses
três últimos é que os dois primeiros geram a aquisição originária da nacionalidade e os demais aquisição derivada. A
legislação brasileira adota o "ius laboris", na Lei n° 6815/80, art. 113, III, p. único, ao estabelecer que prestar ou ter
prestado serviço relevante para o Brasil reduz de quatro para um ano o prazo de residência em território brasileiro
para a naturalização e o estrangeiro que tiver trabalhado dez anos ininterruptos em embaixada ou consulado
brasileiro no exterior dica inteiramente dispensado de residir no Brasil para se naturalizar (Lei n° 6815/80, art. 114,
II).

67-
R. Sobre a questão, a resposta é letra C: são as redações nuas e cruas das SVs 42, 43 e 44 do STF.

68- O que é pensamento do possível?

R. Gilmar Mendes, citando Peter Haberle, aduz que se trata o pensamento jurídico do possível de uma teoria
constitucional de alternativas, devendo sempre o interprete pensar em uma terceira ou quarta opção. Desse modo,
a Constituição não pode ser vista como um texto acabado e definitivo, mas sim como um projeto em contínuo
desenvolvido. Tal teoria foi aplicada no âmbito do STF no julgamento da ADI 1289 referente ao quinto constitucional.
Não havia nenhum membro do MP com mais de anos de exercício, como aduz precisar a CF/88. Enfrentou a Corte,
então, uma inegável lacuna constitucional e entendeu que nesse caso deveria um membro do MP com menos de 10
anos de exercício assumir e não um advogado.

69- O que é publicização do Direito Civil?

R. Consoante Cristiano Chaves, publicização refere-se ao dirigismo contratual, ou seja, é a intervenção concreta do
Estado em uma relação privada com o fito de assegurar a igualdade material, não apenas formal, entre as partes. A
constitucionalização do Direito Civil difere dela, pois esse outro fenômeno é caracterizado como sendo a
interpretação dos clássicos institutos do Direito Civil à luz dos valores constitucionais, ocorrendo uma espécie de
filtragem constitucional. Tal diferenciação já foi alvo de questionamentos da prova subjetiva de Juiz do TJ-DF(uma
das mais difíceis do país).

70- Qual a função promocional do Direito Penal?

R. Segundo Cleber Masson, a função promocional do Direito Penal consiste no fito de essa área transformar os
valores da sociedade, e não se satisfazer com a sua mera manutenção. Não deve, assim, ser o Direito Penal um
empecilho para o progresso social, mas sim uma ferramenta que ajuda a dinamizar a ordem social e promover as
mudanças estruturas necessárias.

71- O que é teoria do risco do desenvolvimento?

R. No CDC, tal teoria abrange a situação em que os defeitos de um dado produto não eram e nem podiam ser
conhecidos em face do desenvolvimento da ciência e da tecnologis à época em que foi introduzido no mercado.
Posteriormente, em face do desenvolvimento da ciência, descobrem-se tais riscos. Para excluir a responsabilidade,
várias empresas intentaram argumentar com base nessa teoria. No entanto, ela não foi aplicada, seja por se
estabelecer por via transversa a responsabilidade subjetiva(lembre-se que no CDC ela é objetiva), seja por ser a
empresa responsável pelos riscos do seu negócio. Um grande exemplo que ilustra a situação foi em relação ao
medicamento talidomida, que era um remédio pra enjôo que foi utilizado nas grávidas e causou má-formação dos
fetos. Ainda que a ciência na época não tivesse conhecimento para detectar tal possibilidade de dano à saúde,
devem as empresas responderem pelos danos causados.

72- O que é norma de eficácia exaurida e de eficácia absoluta?

R. É clássica a distinção realizada das normas constitucionais quanto à sua eficácia em 3: plena, contida e limitada.
Existem autores que acrescentam, ainda, outras espécies. Maria Helena acrescenta as normas de eficácia absoluta,
que seriam aquelas super eficazes, com a mesma eficácia que as de eficácia plena, porém com uma única diferença:
enquanto as de eficácia plena só não podem ser restringidas por lei(podem sê-lo por EC, as de eficácia absoluta não
podem ser restringidas nem por lei nem por emenda constitucional - é o caso então das cláusulas pétreas de nosso
texto constitucional. Existem, ainda, as normas de eficácia exaurida, que seriam aquelas que, após terem sido
aplicadas, exauriram a sua eficácia. É o caso de muitas normas do ADCT, como a do art 3., que prevê a revisão
constitucional que já foi realizada.

73- Você lembra da diferença entre negócio jurídico e ato jurídico em sentido estrito?

R. Então, vamos à diferença: tanto o ato jurídico em sentido estrito e o negócio jurídico são espécies de ato jurídico
em sentido amplo, que se caracteriza pela necessidade da existência de uma manifestação de vontade. Distinguem-
se, porém, pois, enquanto, no negócio jurídico, as partes não só manifestam vontade, mas também estabelecem os
efeitos decorrentes desse pacto, no ato jurídico em sentido estrito, a despeito de haver a necessidade de
demonstração da autonomia da vontade, os efeitos disso decorrem diretamente da lei. Exemplos desse último
instituto são a adoção e o reconhecimento de filho, atos que para se perfectibilizarem necessitam de uma vontade
humana expressa, mas cujos efeitos dessa declaração de vontade estão estabelecidos em lei, não estando os sujeitos
livres para pactuar seus efeitos.

74- O que são contratos de atribuição no Direito Administrativo?

R. De acordo com classificação clássica elaborada por Hely Lopes Meireles, os contratos administrativos dividem-se
em dois tipos: os de atribuição e os de colaboração. Os contratos de atribuição são aqueles em que a Administração
Pública confere algunas vantagens aos particulares, tal como o uso privativo de um bem público, sendo realizado no
interesse do particular. Enquanto isso, o contrato de colaboração é todo aquele em que o particular se obriga a
prestar ou realizar algo para a Administração, como ocorre no ajuste de obras, serviços ou fornecimentos, sendo
feito primordialmente no interesse da Administração Pública.

75- Quais são os elementos da Constituição?

R. Segundo José Afonso da Silva, existem 5 elementos da Constituição: orgânicos, limitativos, sócio-ideológicos, de
estabilização constitucional e formais de aplicabilidade. Os orgânicos são aqueles relativos à estrutura do Estado e
do Poder. Os limitativos são os que elencam os direitos e garantias individuais. Os sócio-ideológicos são aqueles
relacionados ao caráter de compromisso das Constituições modernas, como por exemplo o capítulo da CF/88 sobre
ordem social e sobre direitos sociais. Os de estabilização constitucional são aqueles destinados a solucionar os
conflitos de índole constitucional, como os artigos sobre intervenção federal, estado de sítio e estado de defesa. Por
último, os elementos formais de aplicabilidade são aqueles destinados a regulamentar a aplicação das normas
constitucionais, como o preâmbulo e as normas do ADCT.

76- O que é Princípio da Deferência?


R. Primeiramente, cumpre situar o tema: diz respeito às agências reguladoras. Como se sabe, são elas autarquias de
regime especial (todas são, apesar de não existir lei que obrigue) criadas para fiscalizar e controlar atuação de
investidores privados que passam a exercer atividades antes desempenhadas pelo Estado. Para desempenhar de
modo eficaz tal função, possuem uma maior autonomia técnica, que envolve inclusive a utilização de poder
normativo para editar atos secundários(inclui-se aqui o fenômeno da deslegalização, já tratado aqui pela equipe do
Ouse). A essa maior maior autonomia técnica dada a essas agências a doutrina denominou princípio da deferência.

77- O que é administração contratada nas licitações?

R. Segundo Di Pietro, administração contratada, também chamada de Administração interessada, é o contrato


administrativo em que a Administração defere a terceiro a incumbência de orientar e superintender a execução da
obra ou serviço, mediante pagamento de importância proporcional ao seu custo total. O particular contratado, que
não possui vínculo empregatício com a Administração contratante, entra com a direção dos serviços, com a
responsabilidade técnica, com o know-how, com a técnica da execução.
O administrador não suportar os riscos do empreendimento, que correm por conta da Administração Pública.
Difere da empreitada da Lei 8.666, pois nela os riscos correm por conta do particular e a remuneração é fixa
abrangendo o total da obra.
A Lei 8.666 não mais prevê essa modalidade, que foi vetade pelo Presidente da República.

78- No que consiste a teoria dos poderes reservados?

R. A teoria dos poderes reservados consubstancia-se na aplicação da separação dos poderes na repartição da
competência entre os poderes estatais. Desse modo, via de regra, um outro poder não pode se imiscuir na atribuição
de outro. Existe, assim, uma reserva de Administração e uma reserva de jurisdição. Podemos citar como exemplo da
aplicação da primeira um caso julgado recentemente em que o STF aplicou tal teoria ao enunciar que não pode o
Poder Judiciário, salvo situações excepcionalíssimas, imiscuir-se no mérito de questões formuladas em concurso
público. Um exemplo de reserva de jurisdição é no que tange às atribuições da CPI, já que essa comissão não pode,
justamente por essa teoria, por exemplo, decretar a indisponibilidade dos bens dos investigados.

79- Qual a função regulatória da licitação?

R. Segundo Luciano Ferraz, citado pelo Portal Dizer o Direito, consiste a função regulatória da licitação na
possibilidade de se usar a licitação como reguladora do mercado, tornando-o mais livre e competitivo, além de
concebê-la como modo de estimular práticas positivas na sociedade, gerando resultados benéficos diretos ou
indiretos. Um exemplo dessa função é a dispensa de licitação no que tange às organizações sociais, já que desse
modo o Estado induz que essas entidades sejam criadas pelos particulares.

80- No que consiste o vício de decoro parlamentar?

R. Segundo entendimento de Pedro Lenza, o vício de decoro parlamentar é uma das espécies de vício de
inconstitucionalidade, ao lado da formal e da material. Consubstancia-se quando, na votação de determinada
matéria, ocorre a situação descrita no art. 55, parágrafo primeiro, da CF/88. Assim, por exemplo, quando se
comprova que no processo legislativo de uma emenda constitucional ocorreu a compra de votos(mensalão), deveria
tal lei ser tida por inconstitucional pelo vício no decoro. Foram ajuizadas ADIs, pendentes hoje de julgamento, no STF
alegando a inconstitucionalidade da Reforma da Previdência, ocorrida com a EC 43, justamente por esse tipo de
vício. Até o momento, o STF não decidiu sobre o assunto.

81- No que consiste o direito de perversão no Direito Penal?


R. O direito de perversão consiste no direito de as pessoas pensarem o que quiserem e mesmo assim não poderem
ser punidas pelo Direito Penal. Ou seja, diz respeito à impossibilidade de punição da mera cogitação na seara penal.
É, então, o direito de pensar e planejar atos contrários à lei, desde que isso não seja exteriorizado.

82- O que é a teoria do pluripaventalidade?

R. Segundo Cristiano Chaves, a teoria da pluriparentalidade consiste na possibilidade de uma pessoa ter até três pais
ou três mães. Seriam aplicados três critérios: o afetivo, de acordo com o laço de convivência, o biológico, de acordo
com a carga genética, e um ontológico, de acordo com o exemplo de vida. Tal tese foi desenvolvida pelos profs
Pedro Welter e Walcir Rodrigues Junior que argumentam que, em homenagem ao princípio da igualdade, não pode
um critério de filiação excluir o outro. Essa teoria, no entanto, não vêm ganhando muitos adeptos e nem sendo
acolhida pela jurisprudência. Argumenta-se que, de certo modo, ela patrimonializa a filiação, tornando-a disponível à
vontade das partes. Por enquanto, então, ainda prevalece que os critérios são excludentes. Ou se aplica o critério
legal, ou o biológico ou o afetivo. E cabe ao juiz, no caso concreto, estabelecer qual deles será aplicado.

83- O que a reserva mental no negócio jurídico?

R. A reserva mental está prevista no art. 110 do Código Civil e é um tema polêmico no Direito brasileiro em razão de
seus efeitos. A reserva mental enquadra-se no rol dos possíveis defeitos do negócio jurídico. No art. 110, o CC
estatui: "A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que
manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento". Então, o que é reserva mental? A reserva mental
ocorre quando uma das partes celebra um negócio jurídico, mas "esconde" em sua mente o verdadeiro interesse por
trás de tal negócio, ou seja, declara-se uma determinada vontade, mas a vontade real é outra. Por exemplo, um
estrangeiro que teme uma deportação de um dado país e, com o fito de permanecer em tal território, casa-se com
uma nacional desse país, o que seria suficiente para barrar a deportação. O motivo real do casamento ficou
encoberto, não revelado. Qual a consequência da reserva mental? Se ela nunca for declarada, sempre estando não
revelada, não haverá consequência alguma, subsistindo o negócio jurídico, como afirma o art. 110. Por outro lado, se
ela é manisfestada, as consequências são divergentes a depender da corrente doutrinária. Nas lições clássicas de
Pontes de Miranda, se a reserva é manifestada e a outra parte a ela adere, O NEGÓCIO JURÍDICO SERIA
INEXISTENTE! Já para Caio Mario, o negócio jurídico seria INVÁLIDO. A nosso ver, o CC adotou a inexistência para
esse defeito quando manisfestado e com adesão da outra parte, já que o CC afirma que neste caso o negócio jurídico
não subsiste!

84- No que consiste o direito de família mínimo?

R. Consoante Cristiano Chaves, Direito de Família mínimo consiste na racionalização da atuação do Poder Público na
esfera privada da família. A família deve ser tida como um espaço privado, logo o Estado apenas penetra nesse
campo quando é necessário à preservação de direitos. Podemos citar como exemplo desse fenômeno a mudança
que ocorreu no âmbito do divórcio. Antes, havia prazo para que o divórcio pudesse ocorrer e o juiz poderia indeferir
acordo de divórcio consensual. Hoje, não existe mais prazo e o divórcio consensual, quando não há interesse de
incapaz, pode ser realizado inclusive em cartório.

85- O que é estatuto jurídico do patrimônio mínimo?

R. A Teoria do Estatuto Jurídico do Patrimônio Mínimo, desenvolvida pelo novo ministro do STF, Luiz Edson Fachim,
afirma que à luz da dignidade da pessoa humana, todo indivíduo deve ter preservado, pela lei civil, um mínimo de
patrimônio para que tenha vida digna. Exemplos: proteção do bem de família e a possibilidade interdição de
pródigo, pois a idéia é de que ele não apenas subsista, mas que tenha uma vida digna, até mesmo para que depois
não venha buscar ajudar na família e no próprio Estado.

86- Qual a diferença do silencia no direito administrativo e no civil?


R. O silêncio no Direito Administrativo reside na falta de agir da Administração Pública em face de um requerimento
elaborado pelo particular. No Direito Civil, consoante o art. 132 do CC, pode ser ele entendido como a manifestação
de vontade quando os usos e as circunstâncias o autorizarem. No Direito Administrativo, a doutrina majoritária
entende que a consequência deve ser tida como diferente, notadamente em face do regime jurídico administrativo e
do princípio da legalidade. Deve ser entendido como um nada jurídico, não produzindo efeitos, a não ser que a lei
expressamente determine os seus efeitos.

87- O que é o princípio da lucratividade no direito econômico?

R. Segundo Luciano Sotero, a motivação do agente econômico é o proveito econômico de sua atividade. Isso é da
essência do sistema econômico capitalista em que os meios de produção são da iniciativa privada. O princípio da
lucratividade coibe que o Estado, ao intervir na atividade econômica, notadamente no controle de preços, retire a
possibilidade de obtenção de lucro de modo desrrazoável e desproporcional. No RE 422.941, o STF entendeu que a
União violou tal princípio, devendo ser responsabilizads civilmente, ao estabelecer preço mínimo para
comercialização de cana-de-açucar, geriu danos patrimoniais aos agentes econômicos envolvidos, os quais
acarretaram insegurança e instabilidade, desfavoráveis à coletividade, e em última análise ao próprio consumidor.

88- Constituição Federal: Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta constituição, a exploração direta de
atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança
nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em Lei.

R. Inicialmente, deve-se afirmar que o artigo trata da exploração direta de atividade econômica pelo Estado. Isso
significa uma atuação do Estado na atividade econômica em sentido estrito, ou seja, em busca do lucro, na atuação
em que a regra é a exploração por particulares, sendo excepcional a atuação do Estado. Por ser exceção a atuação
do Estado no Mercado, a própria CF exigiu que o Estado só pode atuar nesse âmbito em casos em que fosse
relevante para a SEGURANÇA NACIONAL ou em que existisse INTERESSE COLETIVO, bem como fosse tal atuação
DEFINIDA EM LEI. Salvo essas hipóteses, só os particulares podem explorar atividade econômica em sentido estrito.
A questão é: E essa lei é FEDERAL ou NACIONAL? Inicialmente, vale lembrar que lei federal é a que vincula apenas os
entes e atividades inerentes à União, ou seja, só vincula a União, enquanto pessoa jurídica de direito interno, e os
demais entes da Administração Interna Federal. Já a lei nacional é a que vincula tantos os entes federais, como os
estaduais e municipais, sendo uma lei que vale para todos os entes da nossa federação. O que define se uma lei é
federal ou nacional são as regras de competência da própria CF. Em relação ao art. 173, o tema é interessante, pois,
segundo o Prof. EROS ROBERTO GRAU, no que tange à segurança nacional, por ser esta matéria de competência
legislativa federal, somente a União, por seus órgãos legislativos, pode definir os casos em que por interesse da
segurança nacional o Estado pode intervir diretamente no domínio econômico. Já em relação ao relevante interesse
público, segundo o mesmo autor, essa matéria é eminentemente de D. Econômico, que, segundo o art. 24, I, é
competência concorrente, podendo ser legislada pela União, Estados e Municípios. Por isso, segundo Grau, no tema
do relevante interesse coletivo, a lei que define as hipóteses de atuação do Estado seria NACIONAL, podendo os três
entes definir situações de intervenção do Estado no domínio econômico.

89- O que é coculpabilidade às avessas?

R. Segundo Cleber Masson, a teoria da coculpabilidade tradicional, muito trabalhada por Zaffaroni, aduz que existe a
responsabilidade social do Estado pela não inserção social do indíviduo e, portanto, deve suportar também os ônus
do comportamento desviante por parte dos atores sociais que possuem uma menor autodeterminação diante das
concausas socioeconômicas da criminalidade urbana e rural. Pode gerar aplicação de atenuante inominada,
consoante o art. 66 do CP. Em outro sentido, a coculpabilidade às avessas possui duas perspectivas fundamentais. A
primeira consiste na crítica à seletividade do sistema penal e à incriminação da própria vulnerabilidade: o Direito
Penal seleciona seu arsenal punitivo para os indivíduos mais frágeis, normalmente excluídos da vida em sociedade e
das atividades do Estado. Além disso, propõe também uma maior reprovação penal relativo aos crimes praticados
por pessoas de elevado poderio econômico, e que abusam dessa vantagem para praticar deitos, notadamente
contra a Administração, tributários econômicos, em regra prevalecendo-se de facilidades proporcionadas pelo livre
trânsito nas redes de controle político e econômico. Pode-se citar como exemplo de tal entendimento a crítica que
se faz ao fato de o arrependimento posterior gerar apenas a diminuição de 1/3 a 2/3 da pena, enquanto o
pagamento dos tributos em muitos crimes tributários gera a extinção da punibilidade.

90- O que é a relação circular entre direito processual e direito material?

R. Segundo Fredie Didier, processo e direito material estão de uma relação de íntima conexão, de simbiose. Um
serve ai outro, enquanto o outro precisa desse um. O processo serve ao direito material ao mesmo tempo que é
servido por ele. Não há, assim relação de subordinação/hierarquia entre eles.

91- O que é recurso extraordinário/especial cruzado?

R. Fredie Didier, citando Salomão Moreira, aduz que tal recurso cabe na seguinte situação: a parte fundamenta sua
apelação em questão constitucional e federal, acolhendo o tribunal o pedido na tese federal e rejeitando o
fundamento constitucional.
Nesse caso:
- A parte vencida pode interpor recurso especial(para discutir a questão federal, que foi acolhida). Inexiste interesse
de ela ingressar com recurso extraordinário para o STF, já que a questão constitucional foi rejeitada.
-A parte vencedora, em tese, não pode recorrer extraordinariamente, já que regra geral não se pode recorrer apenas
para discutir fundamento. Por conta disso, pode sofrer grave prejuízo se o recurso especial da outra parte for
provido, já que a questão constitucional não poderá ser rediscutida pela preclusão.
Para evitar tal risco, a doutrina considera possível a interposição de recurso extraordinário/especial adesivo
cruzado(vice-versa) sob a condição de apenas for processado se o recurso independente for acolhido.

92- O que é “Credit Scoring”?

R. O credit scoring consiste basicamente em um sistema de avaliação de risco de financiamento realizado pelas
instituições financeiras. É uma avaliação do tomador do empréstimo para verificar os riscos que aquela pessoa
apresenta ao negócio jurídico. O STJ decidiu em 2014 que o sistema de credit scoring é LÍCITO, mas que em razão do
dever de publicidade da relação consumerista, o consumidor deve ficar ciente de sua avaliação, podendo essa
avaliação conter vícios! Pra quem lembra de um filme um pouquinho antigo, "Quero ficar com Polly" (2004), o
protagonista do filme (Ben Stiller) trabalha com credit scoring em uma seguradora e acaba aplicando as regras desse
sistema para decidir se deve namorar com Polly (Jennifer Aniston).

93- Lesão corporal gravíssima é classificada como crime hediondo?


R. A resposta é: depende! A recente lei 13.142/15 alterou o Código Penal para inserir o inciso VI ao art. 121, criando
uma nova qualificadora para o crime de homicídio, qual seja, "VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts.
142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no
exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até
terceiro grau, em razão dessa condição". Além disso, inseriu uma nova causa de aumento de pena aos crimes de
lesão corporal leve, grave e gravíssima, com o mesmo teor, majorando a pena dos sujeitos que praticarem o delito
em desfavor de agentes das forças de segurança pública, em razão do exercício do cargo, ou contra seu cônjuge,
companheiro ou parente até o terceiro grau. No mais, o mesmo diploma legislativo modificou a Lei 8.072/90, que
passou a prever a lesão corporal gravíssima e a lesão corporal seguida de morte contra as vítimas nas condições
acima descritas como delitos de natureza hedionda! SOMENTE A GRAVÍSSIMA, E NÃO A GRAVE!

94- Quais os cinco níveis de aferição da máxima da proporcionalidade?


R. A máxima da proporcionalidade ou princípio da proporcionalidade é um dos mais tratados princípios do atual
estágio neoconstitucional brasileiro, isso se deve ao fato de vivermos em um Estado Democrático de Direito, em que
os direitos fundamentais possuem papel de destaque e em que a proporcionalidade tem o papel de solucionar o
conflito entre princípios constitucionais, inclusive, quando esses princípios tratam de direitos fundamentais. Então,
quais seus CINCO NÍVEIS de aferição?! Alguém com razão pode se questionar: "CINCO NÍVEIS?!" E complementar:
"MAS EU SÓ CONHEÇO TRÊS!" Pode ser que isso aconteça com você, pois a doutrina clássica (Bonavides, p. ex.) só
fala de três níveis ou subprincipios da proporcionalidade: adequação, necessidade e proporcionalidade em sentido
estrito. Ocorre, todavia, que a prova subjetiva de delegado do DF acabou de perguntar por esses dois outros níveis.
Pois bem, amig@s do Ouse, segundo o autor alemão Matias Klatt, os outros dois níveis são: objetivo lícito (O Estado
não pode buscar objetivos ilícitos) e meio lícito (O Estado para alcançar seus desideratos deve o fazer por meios
lícitos), sendo o objeto lícito e o meio lícito, a decisão estatal deve ser adequada, necessária e ponderada!
95- O que é direito administrativo sancionador?
R. Segundo Hely Lopes Meireles, o regime jurídico brasileiro dispõe de um conjunto de leis que forma um sistema
usualmente denominado de Direito Administrativo Sancionador, cujas normas se aproximam do Direito Penal. Esse
conjunto busca a punição de condutas lesivas ao dever de probidade e contrária aos princípios, especialmente o da
moralidade. Por isso, as sanções da Lei de Improbidade Administrativa e a Lei de Ação Popular também devem ser
interpretados à luz dos princípios atinentes aos direitos fundamentais que informam o Direito Penal, destacando-se
o princípio da culpabilidade, cujo teor prega que a sanção ou punição apenas tem base constitucional para a conduta
dolosa ou culposa.

96- O que é a ação penal adesiva?


R. Segundo Renato Brasileiro, encontramos dois conceitos a respeito de ação penal adesiva. O primeiro, majoritário,
com base no D. Alemão, entende que é a possibilidade de o MP ofereça denúncia em crimes de ação penal privada,
caso visualize interesse público. Nesse caso, poderia o ofendido habilitar-se como acusador subsidiário, tal como
uma espécie de ação penal adesiva. Não vem sendo aplicada no Brasil. A segunda corrente, minoritária, entende que
ação penal adesiva é a possibilidade de litisconsórcio entre o MP, que oferece denúncia em relação ao crime de ação
penal pública, e o querelante, que oferece queixa em relação ao crime conexo da ação penal privada. Vem sendo
admitida no Brasil.

97- O que é imunidade testemunhal do parlamentar?


R. Tal imunidade refere-se à prerrogativa posta no art. 53, parágrafo sexto, que aduz que os Deputados e os
Senadores não serão obrigados a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do
mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou receberam dele informações. No caso da questão, o
presidente de uma CPI havia recebido informações referente a suposto desvio de verbas na execução de contratos
celebrados pela Administração Pública Federal. De acordo com a resposta da banca, o presidente da CPI não estaria
obrigado a testemunhar sobre as informações que recebeu, tampouco sobre quem as forneceu, ainda que intimado
judicialmente para tal fim.

98- O estado responde por atos lícitos?A desapropriaçaõ se enquadra nessa hipótese?
R. : Sim, o Estado pode ser responsabilizado pela prática de atos lícitos, diante da ocorrência de danos
extraordinários e anormais. É necessário que o ônus imposto aos administrado exceda o regular sacrifício de direitos
imposto aos cidadãos em geral.
A desapropriação não se enquadra nessa hipótese pois não se trata de responsabilidade extracontratual, já que o
sacrifício do direito do administrado é a própria finalidade do ato do Estado, com a necessária conversão do prejuízo
em espécie.

99- No âmbito do direito das pessoas com deficiência, qua a diferença entre integração social e inclusão?
R. Consoante a resposta da banca, enquanto na integração social a questão ou os problemas derivados da
deficiência são da pessoa, na inclusão social são da sociedade. Em outras palavras, ao invés de apenas ser garantida
a integração das pessoas com deficiência nos meios e recursos sociais, na inclusão é o meio social que deve estar
adaptado para todos. A integração social teve o mérito de romper o paradigma da segregação e da discriminação da
sociedade, mas limitava se apenas a garantir o acesso aos meios sociais à pessoa com deficiência, sem reconhecer
que os meios sociais é que tinham que ser concebidos para inclusão de todos. Já o conceito de inclusão social refere-
se ao reconhecimento de que o direito ao pleno exercício dos direitos básicos, o bem estar pessoal, social e
econômico são incondicionais - ou seja, não dependem da capacidade do indivíduo - pois é o meio social que deve
garantir o acesso universal e a provisão de sistemas de suported para todos.
No Brasil, o princípio da integração veio tratado na Lei 7853/89. Já o princípio da inclusão passou a ser tratado no
Decreto 6949/2009 que promulgou a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu
Protocolo Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007.

100- O que é efeito repicão?

R. Segundo Uadi Lammego Bulos, efeito repicão significa o mesmo que efeito cascata, vedado pela CF/88 em seu art.
37, XIV, o qual aduz que os acréscimos pecuniários percebidos pelo servidor público não serão computados nem
acumulados para fins de concessão de acréscimos ulteriores.

101- Você sabe o que significa o princípio pro homine no D.Internacional?

R. O Direito Internacional, e, mais especificamente, o Direito Internacional dos Direitos Humanos há, como um de
seus princípios reitores, o princípio "pro homine", que significa que os direitos previstos nos tratados devem não
somente buscar o equilíbrio nas relações entre os Estados, mas, principalmente, ter como foco principal a proteção
do ser humano. Esse princípio tem algumas consequências principais, são elas: Em primeiro lugar, com base em tal
princípio, os direitos previstos para os indivíduos sempre devem ser ampliados. Assim sendo, diante de normas, de
conflitos de normas ou de conflitos de interpretações, deve-se sempre optar pela forma de resolução do conflito que
mais amplie direitos ao indivíduo. Por exemplo, no anterior conflito existente entre a norma da Convenção
Americana de Direitos Humanos, que garante o duplo grau de jurisdição em matéria penal e o vetusto art. 594 do
CPP (posteriormente revogado) que restringia tal direito, dever-se-ia optar pela primeira norma, pois ampliava
direitos. Com a mesma lógica, diante de normas que restrigem direitos humanos, deve-se optar pela interpretação
que menos restrige direitos. Por exemplo, no Conflito entre a mesma Convenção Americana de Direitos Humanos,
que permite a prisão civil por dívida apenas em caso de dívida alimentar e a Constituição Federal de 1988, que
permite prisão civil em caso de dívida alimentar e em caso de depositário infiel, deve-se optar pela Convenção, pois
esta restringe menos direitos. Por fim, segundo Mazzuoli e Flávio Gomes, tal princípio estimula o diálogo de fontes
em matéria de direitos humanos, estimulando uma hermenêutica potencializadora de tais direitos sempre com foco
na aplicação da norma mais favorável ao ser humano!

102- O que é contrato guarda-chuva?Ele é admitido?

R. No Direito Administrativo, contrato guarda-chuva é aquele com objeto licitatório amplo e indefinido(tem como
característica um objeto amplo e sem definição das atividades a serem executadas). É vedado em razão do art 54,
parágrafo primeiro da Lei 8.666, que aduz que os contratos devem estabelecer com clareza e precisão as condições
para sua execução, expressas em cláusulas que definam os direitos, obrigações e responsabilidades das partes, em
conformidade com os termos da licitação e da proposta a que se vinculam.

103- O que é a teoria da dupla revisão?

R. Teoria da dupla revisão, defendida por Jorge Miranda, entende que em um primeiro momento pode-se revogar
uma cláusula pétrea para em seguida modificar aquilo que a cláusula pétrea protegia. A doutrina majoritária
adotada em concursos é no sentido da vedação da dupla revisão, na medida em que existem limitações implícitas ao
poder constituinte reformador, decorrentes do próprio sistema. Até porque, caso fosse admitida, seria uma afronta
ao próprio poder constituinte originário.

104- O que é o bombril do Direito Brasileiro no âmbito das políticas públicas?


R. No âmbito das políticas públicas, com o objetivo de muitas vezes se escusar de suas obrigações constitucionais, o
Estado alega a teoria da reserva do possível: que, resumidamente, significa que o Estado possui recursos limitados e
as necessidades populacionais são ilimitadas, razão pela qual ele tem que realizar escolhas trágicas(teoria das
escolhas trágicas, também um bom tema) para decidir quais prestações sociais serão realizadas. No voto do Min.
Luiz Fux no RExt 440.028/SP, citando Barbosa Moreira, tal ministro elucidou que a teoria da reserva do possível seria
o bombril do Direito Brasileiro pois teria mil e uma utilidades, já que para tudo o Estado a usa e recalcitra de seus
deveres.

105- Quais as exceções à cláusula de reserva de plenário?

R. A cláusula de reserva de plenário, ou regra do full of bench, está prevista no art 97 da CF.

Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial
poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.

Ocorre que tal regra possui diversas exceções. Muitas delas nem deveriam ser chamadas de exceções, uma vez que
nem se enquadram na regra geral.

Dentre tais exceções, podemos citar:


1)Turmas do STF no julgamento de RE: de acordo com as normas regimentais pertinentes ao STF é das Turmas a
competência para julgar RE. Não se aplica a clausula de reserva de plenário nesse caso, seja por não se tratar de um
Tribunal no sentido fixo do art. 97, seja por ser função precípua da Corte a declaração de inconstitucionalidade.
Nesse sentido, a jurisprudência pacífica do STF:"O STF exerce, por excelência, o controle difuso de
constitucionalidade quando do julgamento do recurso extraordinário, tendo os seus colegiados fracionários
competência regimental para fazê-lo sem ofensa ao art. 97 da CF” (RE 361.829-ED, Rel. Min. Ellen Gracie, j.
02.03.2010, 2.ª Turma, DJE de 19.03.2010)
2) Juízo monocrático de primeira instância: Ora, aqui por óbvio não se aplica a cláusula de reserva de plenário, já que
não se pode cogitar na sua caracterização como sendo Tribunal.3)Interpretação conforme a Constituição: O STF já
entendeu, no julgamento do RE 460.971, de rel. do min Sepúlveda Pertence, que nesse caso não seria aplicável a
reserva de plenário porque a
inconstitucionalidade estaria na interpretação incompatível com o teto constitucional, e não na lei ou no ato
normativo passíveis de serem interpretadas em harmonia com a Constituição
4)Turmas Recursais dos Juizados Especiais: embora considerados órgãos recursais, aqui também não
se pode exigir a reserva de plenário pelo fato de não serem consideradas Tribunais. (Tema cobrado na objetiva do
TRF-5a Região-Juiz Federal).

5)quando o Tribunal (orgao especial ou pleno) ou o pleno do STF ja tiverem se pronunciado anteriormente
6) quando for decidida pela constitucionalidade da lei
7) normas pré-const: aqui não se trata de juízo de inconstitucionalidade, mas de mera não-recepção
8) medida cautelar

106- O que faz uma empresa coelho em uma licitação?

R. A ação dessas empresas coelhos numa licitação consiste em apresentar uma proposta excessivamente baixa para
que outras empresas desistam de competir, por acreditarem que o outro concorrente teria um preço que não lhes
permitiriam prosseguir na disputa. Na sequência, uma empresa que esteja em conluio com o coelho oferece o
segundo melhor lance e, com a desclassificação intencional da primeira, acaba sendo contratada por um valor que
possivelmente poderia ser superior àquele que seria obtido sem a influência do coelho. Tal prática vem sendo
combatida pelos Tribunais de Contas e pela Administração Pública, uma vez que nitidamente gera prejuízos ao
erário.
107- O que é audiência de custódia?

R. A audiência consiste no direito de o preso em flagrante ter contato com o juiz imediatamente(em SP, foi
regulamentado em 24h) para que o magistrado avalie a necessidade e a legalidade da prisão. Na prática, o contato
entre o juiz e a pessoa presa apenas ocorre meses após a sua prisão, na audiência de instrução e julgamento. Muitos
alegam que seria desnecessária uma lei no Brasil para que essa audiência fosse posta em prática, já que a Convenção
Americana sobre Direitos Humanos, conhecida como Pacto de San José da Costa Rica, já prevê o direito de o preso
ter contato com o juiz sem demora. A sua adoção efetiva no Brasil irá implicar no respeito das garantias
constitucionais, combate à superlotação das cadeias públicas - através de uma diminuição das prisões
manifestadamente ilegais, mecanismo de combate à tortura e tramentos cruéis que ocorrem nos inquéritos policiais
e demonstração de compromisso do Brasil com os Direitos Humanos.

108-O que é a teoria do pre-comprometimento?

R. Na mitologia grega, na Odisséia, Ulisses durante seu regresso a Ítaca saberia que ia passar por todo tipo de
provação e tentação. Para não ser levado por essas tentações, pediu para ser acorrentado no barco, principalmente
em razão do canto das sereias, que por seu efeito encantador desviava os homens de seus objetivos e os conduzia a
caminhos tortuosos. Ulisses saberia que não resistiria e por isso criou uma auto-restrição para não sucumbir depois.
Existe uma grande relação entre essa história e a existência de cláusulas pétreas na CF/88.
Jon Elster, fazendo essa ligação, justifica a existência de cláusulas pétreas através da teoria do pré-
comprometimento. Aduz que as Constituições democráticas são mecanismos de autovinculação adotados pela
soberania popular para se proteger de suas paixões e fraquezas. Desse modo, não seria levado por elas para que se
fizessem alterações nesses temas mais sensíveis que precisavam ser petrificados.

109-O que é constituição.com?

R. Segundo Uadi Lammego Bulos, Constituição.com ou crowdsourcing é aquela cujo projeto conta com a opinião
maciça dos usuários da internet que, por meio de sites de relacionamento, externam seu pensamento a respeito dos
temas a serem constitucionalizados. Desse modo, por esse sugestivo nome "constituição.com" os governos
aproveitam as redes sociais para escreverem novas cartas constitucionais para seus respectivos Estados.
Foi a Islândia que pioneramente fez um projeto desse tipo em 2011. Nela, as reuniões das Assembléias eram
transmitidas on-line, permitindo aos internautas opinarem a respeito da nova Constituição. Tais opiniões foram
convertidas em rascunho constitucional e foi entregue ao Parlamento.

110-Quais os tipos de inconstitucionalidade material?

R. Segundo Uadi Lammego Bulos, existem dois tipos: por incompatibilidade entre o conteúdo da norma e o da
Constituição e por excesso do ato de legislar. Quanto ao primeiro, bem comum no Brasil, em que se legisla contra
constitucionem, podemos citar o exemplo da CPMF, que era cumulativa, enquanto a própria Carta Magna determina
que nos casos dos tributos residuais têm que ser não-cumulativos.
No segundo caso, estamos diante de uma inconstitucionalidade finalística ou teleológica, também chamada de
inconstitucionalidade por desvio de poder. Constata-se a contradição entre o fim do ato normativo e o fim do bem
constitucionalmente protegido. Exemplo: ao editar uma lei ordinária, o legislador, valendo-de sua competência legal,
persegue finalidade contrária àquela prevista na Constituição, somente para prejudicar ou beneficiar setores ou
segmentos da sociedade.

111-Você sabe oq ue é sentença de mérito impura?

R. É possível uma sentença de mérito SEM JULGAMENTO de mérito no Direito Processual Civil brasileiro? Alexandre
Freitas Câmara nos lembra que sim. Isso ocorre nos casos em que há: i) reconhecimento do pedido; ii) transação; ou
iii) renúncia à pretensão. Isso ocorre nesses casos, pois não é o juiz quem define o objeto da sentença, "o qual se
resolve por ato das partes (autocomposição dos interesses)". Nesses casos, embora não exista julgamento, há
sentença definitiva com resolução de mérito, estando apta a fazer coisa julgada material, por isso, há autores, como
Carlos Silveira Noronha, que chama tal tipo de decisão de sentença de mérito IMPURA!

112-O que é desdetinação e a adestinação?

R. No âmbito do Direito Administrativo, relativo à desapropriação, temos o conceito de tredestinação, que ocorre
quando o Poder Público não dá ao bem a destinação que era a razão de desapropriar. Pode ser lícita, quando o bem
continua a ser usado no interesse público, ou ilícita, quando é utilizado em finalidade que não seja de interesse
público, dando ensejo nesse caso à retrocessão.
Existem mais dois outros conceitos relacionados e não muito conhecidos: desdetinação e adestinação.
A desdetinação ocorre quando, embora inicialmente empregado para finalidade de interesse público, empós o bem
é destinado à outra finalidade. A maioria da doutrina se posiciona no sentido de que nesse caso não há direito à
retrocessão, pois o bem foi utilizado no interesse público.
No caso da adestinação, não é dada nenhuma finalidade, nenhuma destinação ao bem. Assim, a maioria da doutrina
se posiciona no sentido de que não há direito à retrocessão. Existem posições, no entanto, de doutrinadores que se
posicionam no sentido de que é tendência do Estado Democrático de Direito a amplitude do controle das omissões
administrativas e a exigência de eficiência, não podendo simplesmente a Administração Pública tolher direitos
individuais(como o de propriedade) para simplesmente depois se omitir.

113-O que é a teoria do impacto desproporcional?


R. A Teoria do Impacto Desproporcional está atrelada aos conceitos de discriminação de fato e discriminação
indireta, importantes para a compreensão das ações afirmativas. A discriminação de fato acontece quando uma
norma jurídica é válida e poderia ser aplicada de maneira não discriminatória, mas no mundo dos fatos ela acaba
discriminando pessoas e grupos. Já a discriminação indireta acontece quando há uma norma aparentemente neutra
e a sua aplicação efetivamente irá discriminar uma pessoa ou grupo, ou seja, a mera aplicação da norma leva à
discriminação. Segundo Deborah Duprat, integrante do MPF. no parecer da ADI 4424, entende-se que a situação de
discriminação indireta é correlata com a teoria do impacto desproporcional
Tal teoria foi citada por voto do min. Joaquim Barbosa, na ADI 4424, em que disserta:
“que tal teoria (do impacto desproporcional) consiste na ideia de que toda e qualquer prática empresarial, política
governamental ou semi-governamental, de cunho legislativo ou administrativo, ainda que não provida de intenção
discriminatória no momento de sua concepção, deve ser condenada por violação do princípio constitucional da
igualdade material se, em consequência de sua aplicação, resultarem efeitos nocivos de incidência especialmente
desproporcional sobre certas categorias de pessoas.” (trecho retirado do Santo Graal do MPF).

114-Você sabe o que é a constitucionalização simbólica?

R. A Constituição Simbólica é um conceito desenvolvido por Marcelo Neves, sob uma perspectiva sociológica e
sistêmica, para definir a ausência de concretização normativa do texto constitucional, ou seja, a ineficácia ou não
realização das normas constitucionais, mas, em que pese a ausência de normatividade real, a Constituição acaba
servindo como um símbolo social, ou em outras palavras, a Constituição não consegue ser efetivamente uma norma
reguladora da sociedade, mas como um símbolo, como ente quase mítico de fé, ela se presta a gerar crenças sociais,
realizando assim um papel muito mais de camuflagem a valores políticos concretos, portanto, servindo àqueles que
possuem o poder real. Desse modo, nota-se que há uma dupla perspectiva negativa no constitucionalismo simbólico,
pois, além de não regular as condutas, traveste o poder real em poder legítimo (sem necessariamente o ser),
fazendo com que os valores reais buscados pela sociedade, como democracia e paz, p. ex., acabem caindo em total
descrédito!

115-Você sabe o que é constituição inorgânica?


R. As constituições que reúnem seu texto em um só documento jurídico são chamadas codificadas ou ainda
constituições orgânicas. Por outro lado, são chamadas de legais, variadas ou inorgânicas aquelas cujos preceitos
estão espalhados por vários textos legais de caráter constitucional (leis constitucionais).

116-A publicidade comparativa é possível no direito do consumidor do Brasil?

R. A publicidade comparativa ocorre quando uma marca se compara às outras, seja de modo genérico ou específico
(citando expressamente a marca rival), apresentando suas virtudes e vantagens em relação às adversárias. Em geral,
com relação ao D. Do Consumidor, a publicidade comparativa não é proibida, ilícita ou vedada. Ela por si só não é
lesiva ao consumidor, salvo se for enquadrada entre outras propagandas vedadas pelo CDC (abusiva ou enganosa).
No entanto, com relação ao Direito Marcário (direito das marcas), a publicidade comparativa é possível, mas tem de
seguir alguns requisitos, p. ex., não pode levar à confusão entre os destinatários (Art. 189, I, L 9.279/96) e também
não pode contribuir para denegrir a marca rival (Arts. 130, III e 131, L. 9.279/96).

117-O que é efeito repristinatório indesejado?

R. Primeiramente, cabe dissertar que repristição não é o mesmo que efeito repristinatório. Enquanto a repristinação
encontra-se definida no parágrafo 3o da LINB, que aduz que salvo disposição em contrário, a lei revogada não se
restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência, o efeito repristinatório decorre da declaração de
inconstitucionalidade de uma norma, que automaticamente gera a restauração da norma revogada em razão da
declaração de inconstitucionalidade uma norma revogadora(lembre-se que o Brasil adota a teoria de que as leis
inconstitucionais devem ser declaradas nulas, com efeito ex tunc no controle abstrato). O efeito repristinatório
indesejado ocorre quando a norma que volta a viger padece dos mesmos defeitos da norma que foi declarada
inconstitucional. O STF entende que, nesse caso, como regra geral, deve o proponente da ADI impugnar todo o
complexo normativo supostamente inconstitucional, sob pena de inépcia da petição inicial. Entende também que
não precisa o autor pedir a inconstitucionalidade de normas antes de 88, pois essas serão analisadas sob o prisma da
revogação, já que o Brasil não admite a inconstitucionalidade superveniente.

118-O que é controle de constitucionalidade por elevação de causa?


R. Segundo Uadi Lammego Bulos, controle de constitucionalidade por elevação da causa é o mecanismo de defesa
da constituição que permite ao juiz singular submeter o exame da norma, supostamente inconstitucional, ao órgão
de cúpula do Poder Judiciário. Exerce-se pelo incidente de inconstitucionalidade.

Acaba aproximando sistemas difusos e concentrado e existe no Canadá. A elevação reside justamente no "pulo", no
"salto" do grau de jurisdição inferior para o superior. Em nosso país, a Constituição Federal e o Código de Processo
Civil impossibilitam o uso o controle de constitucionalidade por elevação da causa:

O art. 97 da CF/88 exige que a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo só pode ser declarada pela maioria
absoluta dos membros do tribunal. Significa que o juiz singular não poderá, por ato próprio, remeter a matéria ao
Supremo Tribunal Federal, porque, no Brasil, não há o per saltum do magistrado ao tribunal pleno ou órgão especial,
muito menos para o órgão de cúpula do Poder Judiciário. Entre nós, portanto, não é possível o exercício do controle
de constitucionalidade por elevação da causa.

A justificativa para a impossibilidade é a seguinte: no Brasil qualquer juiz ou tribunal poderá apreciar, via controle
difuso, questões prejudiciais, declarando a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.

Logo, não é necessário os magistrados singulares remeterem ao Supremo Tribunal Federal as questões prejudiciais
se eles próprios detêm competência para fazê-lo, inclusive de ofício, sem qualquer provocação.

119-O que é o principio da boa administração?


R. Expressão oriunda do Direito Italiano. É certo que, em muitas atividades administrativas, vigora a
discricionariedade, em que a Administração Pública deve agir de acordo com a oportunidade e a conveniência.
Ocorre que tal discricionariedade não pode ser tida como absoluta. Boa administração, segundo as lições de Guido
Falzone, significa a desenvoltura da atividade administrativa do modo mais congruente, mais oportuno e adequado
aos fins a serem alcançados, graças à escolha dos meios e da ocasião de utilizá-los, concebíveis como os mais
idôneos para tanto. Imaginemos a situação em que um determinado Estado tenha recursos apenas para construir
um hospital ou uma creche. Ocorre que o problema de educação em tal ente é muito menos urgente do que o de
saúde. Em que pese existir discricionariedade para escolher uma ou outra opção, imagina-se como lesiva do
princípio da boa administração a escolha por construir uma creche.

120-O que é Constituição em branco?

R. Segundo Bulos, a constituição em branco (Blanko-Verfassung) é aquela que não consagra limitações explícitas
ao poder de reforma constitucional.

O processo de sua mudança subordina-se à discricionariedade dos órgãos revisores, que, por si próprios, ficam
encarregados de estabelecer as regras para a propositura de emendas ou revisões constitucionais.

As primeiras constituições dos Estados da união norte-americana possuíam o sentido em branco. Também foi o caso
das Constituições da França de 1799, 1814 e 1830, do Estatuto do Reino da Sardenha de 1848 e da Carta espanhola
de 1876.

121-

R. Qualquer norma inserida na CE, mesmo que de observância obrigatória, pode ser parâmetro do controle de
constitucionalidade nos Estados. A diferença é que apenas caberá Recurso Extraordinário no caso de ela ser de
observância obrigatória. Gabarito Letra e.

122-O que é subconstituição?

R. Segundo Bulos, citando o pensamento de Kramer que aduz que uma constituição só deve trazer aquilo que
interessa à sociedade como um todo, sem particularizações e detalhamentos inúteis.
A praxe de incluir uma gama infindável de matérias nas constituições (totalitarismo constitucional), a ponto de se
falar em constituição econômica, constituição social etc., é uma prática
injustificável, pois, em rigor, constituição é somente aquilo que diz respeito à comunidade, à nação e ao sistema
político. O resto não se pode considerar constituição do Estado, no sentido exato da palavra, porque foi fruto dos
interesses de certos grupos que, num determinado estágio de evolução política do país, acreditaram que o simples
ato de consagrar autorizações constitucionais seria o bastante para o cumprimento de todas as promessas
formuladas.
Esse equívoco mereceu de Krüger severas críticas. Explicou ele que o excesso de temas constitucionalizados forma as
constituições subconstitucionais ou, simplesmente, subconstituições, as quais podem ser definidas como um
conjunto de normas que, mesmo elevadas formalmente ao patamar constitucional, não o são, pois que limitadas nos
seus objetivos. Demonstram preocupações momentâneas, interesses esporádicos, próprios do tempo em que foram
elaboradas.
Em geral, as subconstituições não servem para o futuro, pois já nascem divorciadas do sentido de estabilidade e
perpetuidade que deve encampar o ato de feitura dos documentos supremos que pretendem ser duradouros.

123-No que tange à restrição de direitos fundamentais,qual a diferença entre a teoria interna e a externa?

R. Teoria interna - os limites aos direitos fundamentais são fixados por meio de um processo interno ao próprio
direito, sem influenciar outros normas. Por ser limite fixado a priori, de caráter definitivo, parece-se muito com as
regras.
Teoria externa - as restrições ao direito fundamental não atingem o seu conteúdo abstratamente considerado, mas
apenas o seu exercício em um caso concreto. Enquanto na teoria interna apenas existe um objeto(o direito com as
suas restrições), aqui existe uma distinção entre o direito em si e as restrições, que estão situadas foras do Direito.

124-O que é bagatela imprópria?

R. Diferentemente do caso da bagatela própria ou insignificância, muito conhecida de todos, em que a ação não se
reveste de tipicidade material, segundo Cleber Masson, na infração (crime ou contravenção penal) de bagatela
imprópria é aquela que surge como relevante para o Direito Penal, pois apresenta desvalor da conduta e desvalor do
resultado. O fato é típico e ilícito, o agente é dotado de culpabilidade e o Estado possui o direito de punir
(punibilidade).Porém, após a prática do fato, a pena revela-se incabível no caso concreto, pois diversos fatores
recomendam seu afastamento, tais como: sujeito com personalidade ajustada ao convívio social (primário e sem
antecedentes criminais), colaboração com a Justiça, reparação do dano causado à vítima, reduzida reprovabilidade
do comportamento, reconhecimento da culpa, ônus provocado pelo fato de ter sido processado ou preso
provisoriamente etc. Não há, assim,a necessidade de imposição de pena.

125- O que é a teoria do compartilhamento da infraestrutura no Direito Administrativo?

R. egundo Rafael Carvalho, de acordo com a teoria das essential facilities ou compartilhamento da infraestrutura, a
infraestrutura monopolizada por determinado agente econômico e considerada essencial para o desempenho da
atividade deve ser compartilhada pelos concorrentes. São requisitos para aplicação da referida teoria: a) controle da
essential facility por um monopolista; b) inviabilidade prática ou razoável de duplicação da essential facility;

c) restrição de uso da essential facility por outros competidores; e d) viabilidade técnica de acesso à essential facility.
Nesse caso, o regulador obrigará o monopolista a compartilhar a sua infraestrutura com os seus concorrentes,
mediante o recebimento de preço razoável que permita o acesso por terceiros interessados e, ao mesmo tempo,
remunere o titular da facility pelos investimentos realizados. A regulação, nesses casos, justifica-se em razão das
limitações e “falhas” do mercado, tendo em vista que as instalações essenciais são monopolizadas (monopólios
naturais). O objetivo do regulador é a criação de um espaço possível e saudável de competição, mediante a aplicação
do “princípio da obrigatoriedade de interconexão”ou do livre acesso às redes (“indústrias de rede”), em razão dos
quais os operadores devem possibilitar aos demais agentes econômicos o acesso às redes de transporte e
distribuição, como acontece com o gás, a eletricidade, as telecomunicações etc
É justificada pela função social da propriedade em consonância com a livre concorrência e a defesa do consumidor.
126-O que é patriotismo constitucional?

R. Passagem do livro de Nathalia Masson falando sobre a teoria do patriotismo constitucional, elaborada por
Habermans:

Segundo preceitua o autor, desde a antiguidade até a modernidade, sempre foi necessário buscar mecanismos que
possibilitassem a convivência entre os homens.
Em comunidades arcaicas, a divisão do trabalho como única forma de sobreviver em um ambiente inóspito; na polis
grega, a homogeneidade de seus valores, tais como o bem, a verdade, o justo; nas monarquias absolutistas, o
vínculo pessoal de caráter transcendental e divinatório entre os súditos e o rei; e nos Estados Nacionais, o
nacionalismo
implícito no conceito de Estado-nação
Estas fórmulas se sucederam temporalmente na busca do estabelecimento de vínculos e solidariedade entre
estranhos e, atualmente, questiona-se: qual seria o fio condutor da união e altruísmo entre os indivíduos em
sociedades pós-modernas?
Habermas aposta no patriotismo constitucional como ideal capaz de unir todos os cidadãos, independentemente de
suas nacionalidades, antecedentes culturais ou heranças étnicas, imprimindo nos indivíduos uma lealdade
constitucional que, não podendo ser imposta juridicamente, deve estar internalizada nas motivações e convicções
de cada um dos cidadãos - o que só é possível quando cada um deles entende o Estado Constitucional enquanto uma
realização de sua própria história.

127-O que é crime de tendência ou atitude pessoal?

R. Segundo Cleber Masson,é aquele em que a tendência afetiva do autor delimita a ação típica, ou seja, a tipicidade
pode ou não ocorrer em razão da atitude pessoal e interna do agente. Exemplos: toque do ginecologista na
realização do diagnóstico, que pode configurar mero agir profissional ou então algum crime de natureza sexual,
dependendo da tendência (libidinosa ou não), bem como as palavras dirigidas contra alguém, que podem ou não
caracterizar o crime de injúria em razão da intenção de ofender a honra ou de apenas criticar ou brincar.

128-O que é responsabilidade civil por defenestramento?

R. Segundo Flavio Tartuce, enuncia o Código Civil que aquele que habitar uma casa ou parte dela responde pelos
danos provenientes das coisas que dela caírem ou forem lançadas (sólidas ou líquidas) em lugar indevido (art. 938).
Trata-se da responsabilidade civil por defenestramento ou por effusis et dejectis. A expressão defenestrar significa
jogar fora pela janela.

129-Quais as seis dimensões dos direitos fundamentais?

R. A primeira relacionada ao Estado de não fazer, ligadas ao valor liberdade, e relativos aos direitos civis e políticos.

A segunda dimensão, ligadas ao Estado de fazer, à igualdade material, e relativos aos direitos sociais, econômicos e
culturais.

A terceira dimensão ligada à fraternidade, ligada aos direitos transindividuais, como o meio ambiente, a
autodeterminação dos povos.
A quarta dimensão de direitos fundamentais surge na doutrina de Norberto Bobbio, como o direito à engenharia
genética (patrimônio genético de cada indivíduo), do qual se extraem direitos como congelamento de embrião,
pesquisas com células-tronco, inseminação artificial, barriga de aluguel etc. Para Paulo Bonavides, essa dimensa se
relaciona aos direitos ligados à democracia, à informação e ao pluralismo.

A quinta dimensão de direitos fundamentais aponta para uma nova preocupação no direito, que são as questões
inerentes ao universo virtual. Assim, a quinta dimensão é apontada como o direito cibernético, o que engloba tutela
de software, direito autoral pela internet, proteção dos crimes virtuais e assim por diante. Para Paulo Bonavides, a
quinta dimensão corresponde ao direito à paz.

A sexta dimensão de direitos fundamentais já está sendo construída e, para alguns, seria o direito de buscar a
felicidade.

130-O que é guardo do mochileiro ou do pingue-pongue?

R. Segundo Flávio Tartuce:

Também chamada de guarda alternada: o filho permanece um tempo com o pai e um tempo com a mãe,
pernoitando certos dias da semana com o pai e outros com a mãe. A título de exemplo, o filho permanece de
segunda a quarta-feira com o pai e de quinta-feira a domingo com a mãe. Essa forma de guarda não é recomendável,
eis que pode trazer confusões psicológicas à criança. Com tom didático, pode-se dizer que essa é a guarda pingue-
pongue, pois a criança permanece com cada um dos genitores por períodos interruptos. Alguns a denominam como
a guarda do mochileiro, pois o filho sempre deve arrumar a sua malinha ou mochila para ir à outra casa. É altamente
inconveniente, pois a criança perde seu referencial, recebendo tratamentos diferentes quando na casa paterna e na
materna. De toda sorte, há quem entenda que é possível a sua instituição em casos excepcionais. Nessa linha,
enunciado aprovado na V Jornada de Direito Civil, nos seguintes termos: “A Lei n. 11.698/2008, que deu nova
redação aos arts. 1.583 e 1.584, do Código Civil, não se restringe à guarda unilateral e à guarda compartilhada,
podendo ser adotada aquela mais adequada à situação do filho, em atendimento ao princípio do melhor interesse
da criança e do adolescente. A regra aplica-se a qualquer modelo de família (atualizados os Enunciados 101 e 336,
em razão de mudança legislativa, agora abrangidos por este Enunciado)” (Enunciado n. 518).

131-Quais as velocidades do direito penal?

R. Segundo Rogério Sanches, a noção de “velocidades do Direito Penal” foi idealizada por Jesuás-María Silva Sánchez.
Trabalha com o tempo que o Estado leva para punir o autor de
uma infração penal, mais ou menos grave.
(Á) A 1a velocidade enfatiza as infrações penais mais graves, punidas com penas privativas de liberdade, exigindo,
por este motivo, um procedimento mais demorado, que observa todas as garantias penais e processuais penais.
(B) Já a 2a velocidade relativiza, flexibiliza direitos e garantias fundamentais, possibilitando punição mais célere, mas,
em compensação, prevê como consequência jurídica do crime sanção não privativa de liberdade (penas
alternativas). '
(C) Fala-se ainda na 3a velocidade do Direito Penal, mesclando-se as duas anteriores. Defende a punição do
criminoso com pena privativa de
liberdade (Ia velocidade), permitindo, para determinados crimes (tidos como mais graves), a flexibilização om
eliminação de direitos e garantias constitucionais (2a velocidade), caminho para uma rápida punição.
O Estado responde de forma intensa (nem sempre sinônimo de justiça) e célere. Essa velocidade está presente na
condução do Direito Penal do Inimigo.
(D) Por último, ainda existe a 4a velocidade, ligada ao Direito Penal Internacional. Para aqueles que uma vez
ostentaram a posição de Chefes de Estado e como tais violaram gravemente tratados internacionais de tutela de
direitos humanos, serão aplicadas a eles as normais internacionais. O TPI (Tribunal Penal Internacional) será
especialmente aplicado a esses réus. Nessa velocidade, há uma nítida diminuição das garantias individuais penais e
processuais penais desses réus, defendida inclusive pelas ONGs.

132-O que é a privatização do Direito Penal?


R. Segundo Rogério Sanches, a "privatização” do direito penal é a expressão utilizada por parte da doutrina para
destacar o (atual e crescente) papel da vítima no âmbito criminal.
Depois de anos relegada ao segundo (ou terceiro) plano, inúmeros institutos penais e processuais penais foram
criados sob o enfoque da vítima,
preponderando seu interesse sobre o punitivo do Estado.
O dano causado pelo crime finalmente encontra-se na linha de ação do juízo criminal. Parece-nos que o divisor de
águas veio com a criação da Lei
9.099/95, prevendo uma etapa de composição civil entre os envolvidos no crime, acordo que, uma vez homologado,
conduz à renúncia do direito de queixa ou representação (art. 74 da Lei dos Juizados Especiais).
Existem outros exemplos, como a possibilidade de fixação de indenização mínima pelo juiz, nos termos do art. 387,
IV, CPP.
Trata-se de uma forma diferente de encarar o crime e os personagens nele envolvidos, sobressaindo a reassumção,
pelas partes, do poder sobre as decisões a serem tomadas após a prática do delito - poder este tradicionalmente
"usurpado” pelo Estado, que historicamente alijou a vítima, valorizando um sistema punitivo imparcial.

133-O que são órgãos consultivos,verificadores,contenciosos e ativos?

R. Renato Alessi, doutrinador italiano, citado por Di Pietro, classifica os órgãos quanto às funções, em:
ATIVOS - dele emanam decisões estatais para o cumprimento dos fins da pessoa jurídica. Exemplo: Conselho
Monetário Nacional, que edita resoluções obrigatórias para todo o SFN;
CONSULTIVOS - såo órgãos de aconselhamento e elucidação – pareceres – para que sejam tomadas as providências
pertinentes pelos órgãos ativos;
Exemplo: AGU, que expede pareceres para a resolução de problemas jurídicos;
de CONTROLE - destinam-se a fiscalizar e controlar a atividade de outros órgãos e agentes; ex.: TCU, que controla as
despesas governamentais, inclusive cominando sanções aos responsáveis por ilicitudes.
A respeito dos órgãos verificadores: são aqueles responsáveis pela emissão de perícias ou verificação de situações
fáticas ou jurídicas para implementar direitos(como por exemplo um órgão que trabalha com as perícias médicas
para licenças).
Por último, órgãos contenciosos são aqueles que decidem as lides que são travadas no âmbito administrativo, como
por exemplo o Conselho de Contribuintes.

134-O que é política do subsídio cruzado no âmbito da imunidade dos Correios?

R. Por ser detentor de privilegio de prestar o serviço público postal, o STF por diversas vezes já decidiu que a EBCT é
beneficiária da imunidade recíproca(ou intergovernamental, nas palavras de Sacha Calmon) prevista no art. 150 da
Carta Magna. Em relação às atividades prestadas pela EBCT que não dizem respeito ao privilégio, mas estão
submetidas ao regime de concorrência - elas também estão submetidas?
O STF decidiu que SIM! Argumentos:
1) Mesmo nessas atividades, os Correios se sujeitam a uma série de restrições que a iniciativa privada não se sujeita,
como a obrigação de licitar e contratar por concurso público;
2) A principal clientela dos serviços dos Correios é aquela que não possui acesso à moderna rede bancária brasileira:
os Correios prestam serviços onde a atividade privada não chega! E a EBCT é supervitária apenas em 4 estados,
sendo deficitária em todas as demais, porém continua a ser obrigada a prestar o serviço.
3) A própria prestação do serviço postal vem passando por um grande declínio, e os Correios são obrigados a
prestar.
Assim, a própria manutenção desse serviço depende de uma política de SUBSÍDIO CRUZADO. Desse modo, o
exercício de atividades lucrativas não compreendidas no conceito de serviços postais e correio aéreo nacional gera
recursos que subsidiam a prestação desses serviços, de forma que a desoneração tributária daquelas atividades
como consequência da imunidade recíproca é fundamental para a manutenção dos citados serviços essencias.
(Utilizados a doutrina de Ricardo Alexandre como base para responder o questionamento)
135-O que é ação penal extensiva?

R. Segundo Nestor Tavora, de acordo com a regra do art. 101 do Cp, é a ação que ocorre nos crimes complexos, leia-
se, nos
delitos que se originam da soma de condutas que constituem delitos autônomos, se um deles é de ação pública, o
delito decorrente da junção também o será (por extensão).
É o que ocorre na injúria real, que consiste no emprego de violência ou vias de fato, e que pela natureza ou meio
empregado, são considerados aviltantes. Em tal situação, a injúria será de ação pública incondicionada.

136-Qual a diferença entre conceito indeterminado e cláusula geral?

R. Segundo Fredie Didier, cláusula geral é um enunciado completo, aberto nas duas pontas (hipótese e
consequente). O conceito indeterminado é uma parte do enunciado. Cláusula geral é composta por conceitos
indeterminados. Ex.: boa-fé é um conceito indeterminado, que faz parte da cláusula “todos devem se comportar
com boa-fé”.

137-O que é ação coletiva passiva?

R. Segundo as lições do professor Fernando Garjadoni, quanto aos sujeitos, o processo coletivo se classifica em dois
tipos: ativo e passivo. O ativo é o mais comum: alguém que representa a coletividade ajuiza a ação. Exemplo mais
clássico: MP ajuiza uma ACP para defender os interesses da coletividade do ponto de vista ativo.

A grande discussão que possuímos na doutrina pátria é a respeito do cabimento da ação coletiva passiva, em que a
coletividade seria ré. Ou seja, entrariam com uma ação contra nós.
Seria isso possível?

1) Não - o principal defensor dela é Dinamarco. Aduz que não há possibilidade porque não há lei que fala disso e
ofenderia o contraditório e a ampla defesa.

2) Sim - principal defensora é a Ada Pellegrini. CORRENTE MAJORITÁRIA! O principal argumento apresentado é um
argumento natural - apesar da inexistência de previsão legal, a sua existência decorre do sistema. Se não existisse,
uma série de demandas na sociedade não poderia ser discutida em juízo. Exemplo: Ação ajuizada pelo MPT para
impedir uma greve de metrô. É coletiva ativa(o MP ajuizou) e também passiva(a coletividade dos metroviários está
no polo passivo)

138-Na teoria das provas no processo penal,o que é infração constitucional alheia?

R. Segundo Renato Brasileiro, seria a teoria da infração constitucional uma das limitações à declaração da
inadmissibilidade da prova ilícita. De acordo com essa limitação, só a pessoa que teve o direito fundamental violado
e que é prejudicada com a utilização da prova ilícita no processo é que pode solicitar o reconhecimento de sua
ilicitude. Assim, caso o direito fundamental violado quando da obtenção da prova refira-se à pessoa distinta do
acusado, a prova deve ser considerada válida. Referida teoria não tem acolhida no ordenamento pátrio. A
inadmissibilidade das provas ilícitas tem por escopo não apenas a proteção dos direitos fundamentais do acusado,
mas também o de impor ao Estado um comportamento ético, a fim de se respeitar os parâmetros constitucionais
estabelecidos, especialmente para limitar o exercício do ius puniendi.

139-Quais são as eficácias da dignidade da pessoa humana?

R. De acordo com Ana Paula de Barcellos, existem três eficácias de tal princípio: -Eficácia direta - permite reconhecer
um direito subjetivo, invocável pelo seu titular, para proteger contra eventuais lesões ou ameaças de lesões por
parte de pessoas privadas ou do poder publico;
-Eficácia interpretativa - é utilizado para a interpretação do ordenamento, irradiando seus efeitos para todas as
áreas e influenciando a atividade do intérprete em sua missão;
-Eficácia negativa - invalidar normas ou atos normativos contrários à dignidade da pessoa humana.

140-O que é constitucionalismo fraternal ou altrístico?

R. Inicialmente, discutiu-se muito a respeito do Constitucionalismo liberal, que era mais voltado ás atitudes
negativas do Estado, deixando os indivíduos livres para tomarem as suas próprias escolhas. Posteriormente, adotou-
se um Constitucionalismo Social, voltado justamente para o atendimento dos direitos sociais das pessoas, como
moradia, lazer, educação. Hodiernamente, fala-se em CONSTITUCIONALISMO FRATERNAL OU ALTRUÍSTICO(de
acordo com o Direito Italiano). E o que seria isso?
Na ADI 3768, relativo ao direito constitucional de gratuidade aos idosos maiores de 65 anos, tal expressão apareceu
no voto do Min. Carlos Ayres Britto. É um Constitucionalismo, segundo ele, com ações distributivas e solidárias. Não
se trataria de um direito social, mas de um direito fraternal para amainar direitos tradicionalmente negligenciados.
Relaciona-se, assim, aos direitos humanos de terceira geração - concretizando um objetivo explicito da CF/88:
promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de
discriminação. Incorporam-se, assim, posturas estatais AFIRMATIVAS, assecuratórias de abertura de oportunidades
para segmentos sociais historicamente desfavorecidos, como negros, deficientes físicos e mulheres.
Tal tema vem aparecendo em INÚMERAS decisões do STF: casamento de homossexuais, cotas para negros, lei da
biossegurança, dentre outras.

141-O que é intervenção móvel no microssistema de tutela coletiva?


R. É a possibilidade por parte da pessoa jurídica nas demandas coletivas, a juízo de seu representante legal e com a
finalidade de atender ao interesse público, optar por atuar ao lado do autor, contestar a ação como ré ou não
contestar, na forma do art. 6º, § 3º, da Lei da Ação Popular (A pessoas jurídica de direito público ou de direito
privado, cujo ato seja objeto de impugnação, poderá abster-se de contestar o pedido, ou poderá atuar ao lado do
autor, desde que isso se afigure útil ao interesse público, a juízo do respectivo representante legal ou dirigente) e
art. 17, § 3º, da Lei de Improbidade Administrativa (No caso de a ação principal ter sido proposta pelo Ministério
Público, aplica-se, no que couber, o disposto no § 3o do art. 6o da Lei no 4.717, de 29 de junho de 1965).

142-Explique a teoria das escolhas trágicas:


R. A escassez de recursos públicos, quando envolve questões peremptórias, por exemplo, à vida e à dignidade
humana, culmina em escolhas tidas como trágicas. A destinação de recursos públicos, sempre tão drasticamente
escassos, faz instaurar situações de conflito, quer com a execução de políticas públicas definidas no texto
constitucional, quer com a própria implementação de direitos sociais assegurados pela Constituição Federal. Daí
resulta contextos de antagonismo que impõem ao Estado o encargo de superá- los mediante opções por
determinados valores, em detrimento de outros igualmente relevantes, compelindo o Poder Público, em face dessa
relação dilemática, causada pela insuficiência de disponibilidade orçamentária, a proceder a verdadeiras escolhas
trágicas, em decisão governamental cujo parâmetro, fundado na dignidade da pessoa humana, deverá ter em
perspectiva a intangibilidade do mínimo existencial, em ordem a conferir real efetividade às normas programáticas
positivadas na Carta Política de 1988. Com efeito, as escolhas trágicas exprimem o estado de tensão dialética entre a
necessidade estatal de tornar concretos direitos prestacionais fundamentais e as dificuldades governamentais de
viabilizar a alocação de recursos financeiros, tão drasticamente escassos. Nesse contexto, a cláusula da reserva do
possível encontrará, sempre, insuperável limitação na exigência constitucional de preservação do mínimo
existencial, que representa emanação direta do postulado da essencial dignidade da pessoa humana.

143-È possível filial nacional responder pelos reparos de bens adquiridos no exterior?

R. O STJ, instado a se pronunciar sobre o tema, em meados de 2000, respondeu que sim, sob o fundamento de que
se empresas nacionais se beneficiam de marcas mundialmente conhecidas, também incumbe-lhes responder pelas
deficiências desses produtos que anunciam e comercializam. Vejamos a ementa do caso:
DIREITO DO CONSUMIDOR. FILMADORA ADQUIRIDA NO EXTERIOR. DEFEITO DA MERCADORIA. RESPONSABILIDADE
DA EMPRESA NACIONAL DA MESMA MARCA (“PANASONIC”). ECONOMIA GLOBALIZADA. PROPAGANDA. PROTEÇÃO
AO CONSUMIDOR. PECULIARIDADES DA ESPÉCIE. SITUAÇÕES A PONDERAR NOS CASOS CONCRETOS. NULIDADE DO
ACÓRDÃO ESTADUAL REJEITADA, PORQUE SUFICIENTEMENTE FUNDAMENTADO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO
NO MÉRITO, POR MAIORIA. I — Se a economia globalizada não mais tem fronteiras rígidas e estimula e favorece a
livre concorrência, imprescindível que as leis de proteção ao consumidor ganhem maior expressão em sua exegese,
na busca do equilíbrio que deve reger as relações jurídicas, dimensionando-se, inclusive, o fator risco, inerente à
competitividade do comércio e dos negócios mercantis, sobretudo quando em escala internacional, em que
presentes empresas poderosas, multinacionais, com filiais em vários países, sem falar nas vendas hoje efetuadas
pelo processo tecnológico da informática e no forte mercado consumidor que representa o nosso País.
II — O mercado consumidor, não há como negar, vê-se hoje “bombardeado” diuturnamente por intensa e hábil
propaganda, a induzir a aquisição de produtos, notadamente os sofisticados de procedência estrangeira, levando em
linha de conta diversos fatores, dentre os quais, e com relevo, a respeitabilidade da marca.

III — Se empresas nacionais se beneficiam de marcas mundialmente conhecidas, incumbe-lhes responder também
pelas deficiências dos produtos que anunciam e comercializam, não sendo razoável destinar-se ao consumidor as
consequências negativas dos negócios envolvendo objetos defeituosos.
V — Rejeita-se a nulidade arguida quando sem lastro na lei ou nos autos. (REsp 63.981/SP, Rel. p/ Acórdão Ministro
Sálvio de Figueiredo Teixeira, j. 11-42000, DJ 20-11-2000)

144-O que é criptoimputação no Processo Penal?

R. A doutrina denomina criptoimputação a imputação contaminada por grave situação de deficiência na narração do
fato imputado, quando não contém os elementos mínimos de sua identificação como crime, como às vezes ocorre
com a simples alusão aos elementos do tipo penal em abstrato. Consequências: a consequência primeira da
criptoimputação é a rejeição da denúncia, por inépcia.

145-O que é a doutrina da troca de sujeitos?

R. A doutrina da troca de sujeitos prega uma espécie de sanção ao órgão omisso para garantir a efetividade dos
direitos fundamentais prejudicados pela omissão, garantindo que outro Poder assuma tal função. Tal teoria é citada,
dentre outros doutrinadores, por Alexy e Rothenburg. O STF vem, indubitavelmente, aplicando tal teoria,
notadamente no mandado de injução, uma vez que hodiernamente vem aceitando a teoria concretista geral, como
no caso em que decidiu que deve ser aplicada, no que couber, para a greve dos servidores públicos, a lei que rege a
greve da iniciativa privada.

146-Fale sobre cifra negra,cifra dourada,crimes de colarinha branco e crimes de colarinho azul:

R. Crimes de rua são os praticados pelas pessoas de classes sociais desfavorecidas, a exemplo dos furtos executados
por miseráveis, andarilhos e mendigos. Esses delitos são cometidos aos olhos da sociedade, em locais
supervisionados pelo Estado (praças, parques, favelas etc.), e por essa razão são frequentemente objeto das
instâncias de proteção (Polícia, Ministério Público e Poder Judiciário). Quando ficam alheios ao conhecimento do
Poder Público, integram as cifras negras do Direito Penal.
Os crimes de rua se contrapõem aos “crimes do colarinho branco” (white collar crime),cometidos por aqueles que
gozam e abusam da elevada condição econômica e do poder daí decorrente, como é o caso dos delitos contra o
sistema financeiro nacional (Lei 7.492/1986), de lavagem de capitais (Lei 9.613/1998) e contra a ordem econômica
(Lei 8.176/1991), entre tantos outros. Nesses crimes socioeconômicos, surgem as “cifras douradas do Direito Penal”,
indicativas da diferença apresentada entre a criminalidade real e a criminalidade conhecida e enfrentada pelo
Estado. Raramente existem registros envolvendo delitos dessa natureza, inviabilizando a persecução penal e
acarretando a impunidade das pessoas privilegiadas no âmbito econômico. De fato, em tais crimes o Poder Público
pouco interfere, pois são praticados em locais privados (escritórios, restaurantes de luxo, casas, apartamentos etc.),
resultando no desconhecimento pelo Estado e, consequentemente, na ausência do correspondente registro para
viabilizar a persecução penal. Se os crimes econômicos são etiquetados como crimes do colarinho branco, os crimes
de rua são rotulados como crimes do colarinho azul: aqueles fazem alusão às finas camisas utilizadas pelos
executivos das grandes empresas, enquanto estes se referem à cor dos macacões utilizados pelos operários norte-
americanos da década de 1940.

147-O que é big bang legislativo no Direito Privado?

R. Consoante a teoria de Ricardo Lorenzetti, o Direito Privado Brasileiro hoje convive com um fenômeno
denominado Big Bang Legislativo, justamente pela explosão de leis e existência de inúmeras leis que regem os mais
diversos temas. Além do Código Civil, temos o CDC, a Lei de Locações, dentre outros diplomas. Argumenta-se que o
mundo pós-moderno e globalizado, complexo e abundante por natureza, convive com essa enorme quantidade de
normas jurídicas a deixar o aplicador do Direito até desnorteado. Ganha destaque, nesse contexto, a teoria do
diálogo das fontes,criada por Erik Jayme, com introdução no ordenamento jurídico brasileiro por meio dos
ensinamentos de Claudia Lima Marques. Antes, quando existiam duas normas que regiam um dado tema,
necessariamente um excluiria a aplicação da outra: assim, em uma relação consumerista, por exemplo, a existência
do CDC excluiria a possibilidade de aplicação do Código Civil. Hoje, a visão é distinta a partir da teoria do dialogo das
fontes. Três tipos de diálogos a) Diálogo sistemático de coerência = aplicação simultânea de duas leis, sendo que
uma serve de base conceitual para outra (o CC é a base do CDC). Para ela, o CDC não impede a aplicação do CC,
quando este trouxer regra mais favorável ao consumir, como é o caso dos prazos prescricionais. b) Diálogo
sistemático de complementariedade e subsidiariedade = consiste na aplicação coordenada de duas leis, uma
complementando a aplicação da outra ou sendo aplicada de forma subsidiária. Ex.: Temas que constam no CC e não
no CDC e vice-versa. c) Diálogo das influências recíprocas sistemáticas = influência do sistema geral no especial e
vice-versa.

148-O que significa a Revolução Kantiana do Direito?

R. Fenômeno que se encontra na volta à influência da moral no Direito. Supera-se, então, a fase do positivismo de
Kelsen, em que o próprio sistema jurídico se retroalimentava, olhando sempre para si, em uma verdadeira
autopoiese. Encontra-se a Revolução Kantiana no contexto do pós-positivismo, neoconstitucionalismo, em que a
Constituição passa a possuir também superioridade material: não deve mais ser tratada apenas como uma peça
decorativa, uma mera carta política de intenções, mas sim como um instrumento veiculador de princípios e regras
aplicados diretamente às relações sociais com forte conteúdo axiológico.

149-O que é a teoria do cenário da bomba relógio?

R. Sabe-se que os seus direitos fundamentais são relativos, e não absolutos, podendo ser restringidos de acordo com
o caso concreto, notadamente através de uma técnica de ponderação para prestigiar um outro direito fundamenta.
As exceções a respeito dessa idéia é tratada pela doutrina de Norberto bobbio como sendo a tortura e a escravidão:
em nenhuma hipótese elas poderiam acontecer. É, então, a vedação à tortura como sendo um direito fundamento
absoluto. A teoria da bomba relógio intenta desmitificar tal idéia através de um mito(rs): nos faz imaginar uma
situação hipotética em que se estaria justificada a tortura - um agente teria instalado uma bomba relógio em um
prédio que iria explodir em poucos minutos e matar diversas pessoas. Nesse caso, notadamente para salvar mais
pessoas, seria justificado a tortura o agente. A doutrina critica a mencionada prática, sobretudo pelo fato de
retroagir aos primórdios e não ter nenhuma eficácia comprovada, pois muitos terroristas são treinados para
suportar torturas. Além disso, vários estudos médicos advertem que no momento da tortura, para que cessem as
dores advindas da sua prática, o criminoso acaba por falar ou confessar qualquer coisa que agrade o torturador. Por
último, os Tribunais Superiores não adotam o princípio da proporcionalidade para obter provas ilícitas com o
objetivo de prejudicar o réu, razão pela qual tem-se que tal teoria não deve ser tida como adotada no ordenamento
jurídico brasileiro.
150-O que são ações neutras? São elas puníveis?

R. As ações são definidas como aquelas que decorrem do exercício profissional, ou aquelas socialmente aprovadas,
as quais podem favorecer o autor de um delito sem que o colaborador seja necessariamente tomado como
cúmplice. Cita-se como exemplo um padeiro que vende um pão para um determinado agente que depois o utilizará
para envenenar alguém. Consoante a teoria da imputação objetiva, afastando-se a causalidade simples pregada pelo
Código Penal que geraria um regresso ao infinito(como nesse caso), pelo fato de tais condutas não estarem envoltas
por riscos proibidos e estarem albergadas pelo princípio da confiança, deve-se afastar o nexo de causalidade e tal
conduta não deve ser punida.

151-Quais são as três fases do princípio da igualdade?

R. gualdade formal: prevaleceu no constitucionalismo liberal – igualdade perante a lei. É a ideia de


lei igual para todos – não existem mais distinções em razão de privilégios de berço.
Igualdade material : prevaleceu no constitucionalismo social – igualdade na lei (no seu conteúdo). Exemplo clássico
de luta em torno da igualdade: direitos do trabalhador. É uma lógica de desigualar, de forma a equiparar aquele
econômica ou culturalmente mais fraco. Tratam-se desigualmente os desiguais, observado o princípio da
proporcionalidade.

Hodiernamente, segundo a doutrina de Boaventura de Sousa Santos, trabalha-se com uma terceira fase da igualdade
- igualdade como como reconhecimento . Segundo essa visão, há direito a ser igual quando a desigualdade
inferioriza. Fala-se, aqui, em um direito à equiparação. Por outro lado, há o direito a ser diferente quando a
igualdade descaracteriza. Aqui está o fundamento da proteção diferenciada dos índios. Tratá-los como iguais ou
desiguais em todos os aspectos descaracteriza sua cultura. (texto adaptado do Santo Graal do MPF)

152-È possível a investigação criminal defensiva?


R. Dever-se-á abordar os seguintes tópicos: a) investigação criminal b) investigação realizada por particular c)
princípios da paridade de armas e da ampla defesa d) investigação criminal defensiva e suas consequências jurídicas
e) previsão do instituto no anteprojeto do novo CPP. Trata-se da possibilidade de o imputado realizar diretamente a
investigação do crime, por meio de seu defensor, para reunir os elementos de convicção que lhe sejam favoráveis.
Intimamente relacionada aos princípios da igualdade e da ampla defesa, a investigação defensiva representa, ainda,
uma forma de equilibrar o atual movimento de atribuir poderes investigatórios ao Ministério Público. Em outras
palavras, é o conjunto de atividades investigatórias desenvolvidas pelo defensor em qualquer fase da persecução
penal, inclusive antes do oferecimento da peça acusatória, o qual poderá ser realizado com ou sem assistência de
investigador particular, objetivando a colheita de elementos informativos que possam ser utilizados para beneficiar
o investigado em contraponto à investigação policial. Essa investigação pode ser realizada, porém o particular não é
dotado de poderes coercitivos, tampouco lhe é permitido violar direitos e garantias fundamentais. Registre-se que o
projeto do novo Código de Processo Penal (Projeto de Lei n.° 156/2009) prevê, expressamente, investigação criminal
defensiva. M mesmo sem estar ainda regulamentado, é plenamente possível pelas razões acima expostas, bem
como por ser um corolário da garantia constitucional da ampla defesa.

153-O que é reserva de autolavagem?O Brasil adota?


R. Há países (v. g.: Itália e França) em que o autor da infração antecedente não pode responder pelo crime de
lavagem de dinheiro, atendendo-se a reserva contida no art 6o, item 2, e, da Convencao de Palermo. Por excluirem
expressamente o autor do crime antecedente de lavagem, diz-se que estes paises fazem a reserva de autolavagem.
No Brasil, notadamente em face da nova Lei de Lavagem de Capitais e consoante a jurisprudência dos Tribunais
Superiores - REsp 1234097, tal teoria não foi adotada. Vejamos parte da ementa desse julgado, bastante elucidativa:
(…)VII. A lavagem de dinheiro pressupõe a ocorrência de delito anterior, sendo próprio do delito que esteja
consubstanciado em atos que garantam ou levem ao proveito do resultado do crime anterior, mas recebam punição
autônoma. Conforme a opção do legislador brasileiro, pode o autor do crime antecedente responder por lavagem de
dinheiro, dada à diversidade dos bens jurídicos atingidos e à autonomia deste delito. VIII. Induvidosa, na presente
hipótese, a existência do crime de evasão de divisas como crime antecedente. IX. Recurso desprovido. (REsp
1234097/PR, 5ª turma do STJ, rel. Min. Gilson Dipp, DJe 17/11/2011).

154-O que são estados mentais paranóicos na produção de provas no processo penal?
R. Posição adotada por parte da doutrina que critica a possibilidade de que o juiz produza provas de ofício no
processo penal!
O atual Código de Processo Penal contém dispositivos que abrem possibilidade do juiz produzir provas antes mesmo
do início da ação penal, conforme se extrai da redação do artigo 156, inciso I. Também há previsão do juiz produzir
provas no inciso II do mesmo artigo 156, artigos 209, 212, parágrafo único, 404 e 473, todos do CPP. Num sistema no
qual o órgão jurisdicional produz prova que aproveita tanto à acusação quanto à defesa, os papéis de acusador,
defensor e julgador se confundem numa só pessoa, desestruturando o modelo acusatório sistematizado na
Constituição da República de 1988. Quando o juiz sente necessidade de produzir prova para suprir uma deficiência
da acusação ou da defesa, ocorre o que Franco Cordero denomina de estado mental paranóico conhecer o fato, indo
atrás das provas depois para comprovar ou não sua versão (hipótese). É o primado das hipóteses sobre os fatos. Por
tal razão, as hipóteses possíveis criam na mente do juiz quadros mentais paranóicos, já que ele acredita numa
hipótese e, a partir disso, busca provas para atestar ou não o que ele já acreditava ser verdadeiro. Esses quadros
mentais paranóicos fazem com que o juiz seja parcial e assuma uma função que não é sua constitucionalmente, ou
seja, assuma a função de acusador (ou assistente de acusador) ou de defensor (ou assistente de defensor)
contrariando o sistema acusatório de 1988. Portanto, quando o juiz produz prova no lugar da acusação ou da defesa
age em dessintonia com o sistema acusatório previsto pela Constituição da República do Brasil.

155-O que é constituição originária ou derivada?

R. Constituição originária - É a que apresenta um princípio político novo, por exemplo, a Constituição americana ao
instituir o federalismo. - Constituição derivada – É a que não apresenta princípio político novo, e sim reproduções
das Constituições anteriores

156-O que é constituição transitoriamente flexível?

R. Segundo Rodrigo Padilha, é aquela que pode ser alterada por procedimento ordinário, igual ao das leis, durante
um determinado período; depois disso, a norma constitucional passa a ser rígida, tendo um procedimento especial.
Ex.: Constituição de Baden, de 1947; Carta Irlandesa de 1937, durante os três primeiros anos de vigência foi flexível e
após passou a ser rígida.

157-Aplica-se o venire contra factum proprium à Administração Pública?Quais são os requisitos?

R. Primeiramente, o STJ já decidiu que se aplica sim o venire contra factum proprium contra os atos da
Administração Pública, pois a boa fé objetiva irradia seus efeitos para todo o ordenamento jurídico.
Consoante Rafael Carvalho, possui 3 requisitos:
a) identidade subjetiva e objetiva: o ato anterior e o ato posterior emanam da mesma Administração e são
produzidos no âmbito da mesma relação jurídica;
b) a conduta anterior é válida e unívoca: capaz de gerar a confiança (expectativa legítima) na outra parte da relação
jurídica; e
c) atuação contraditória:incompatibilidade do ato posterior com o ato anterior.
É possível mencionar alguns exemplos de aplicação da teoria dos atos próprios no Direito Administrativo: nulidade
da imposição de multa de trânsito por irregularidade no veículo, constatada em fiscalização realizada pela Secretaria
de Trânsito na saída do pátio de DETRAN, logo depois de o veículo ser vistoriado e devidamente licenciado;
imposição ao Município de proceder ao loteamento dos imóveis alienados pelo próprio Ente municipal aos
particulares, sendo descabida a pretensão de anulação dos con tratos de compra e venda.

158-O que è tendência de personificação dos contratos administrativos?


R. No âmbito da prestação indireta de serviços públicos, que aquela que não é prestada pelo ente político,
consoante Alexandre Mazza, existe uma tendência da legislação regente de exigir que sejam constituidas pessoas
juridicas especificas para gerenciar contratos administrativos. É o caso da Lei das Parceiras Públicos-Privadas, que
dispõe no art 9: Art. 9o Antes da celebração do contrato, deverá ser constituída sociedade de propósito específico,
incumbida de implantar e gerir o objeto da parceria.

159-O que é o usucapião tabular e o princípio da convalescença registral?

R. O (ou a) usucapião tabular é o prevista no PARÁGRAFO ÚNICO do Art. 1242 do CC/02: "Adquire também a
propriedade do imóvel aquele que, contínua e incontestadamente, com justo título e boa-fé, o possuir por dez anos.
Parágrafo único. Será de cinco anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel houver sido adquirido, onerosamente,
com base no registro constante do respectivo cartório, cancelada posteriormente, desde que os possuidores nele
tiverem estabelecido a sua moradia, ou realizado investimentos de interesse social e econômico". Assim sendo, o
usucapião tabular é o que tem o prazo reduzido em razão de aquisição onerosa e com registro constante do
respectivo cartório (além dos demais requisitos acima vistos). Nesses termos, nota-se que, em tal espécie de
usucapião, há uma preservação do registro cartorário, o que se chama de princípio da convalescença registral.

160-O que são ações pseudoindividuais ?

R. Segundo Daniel Amorim, nessas ações pseudoindividuais há apenas uma aparência de tutela na esfera individual,
quando na realidade está se tutelando o direito da coletividade ou do grupo. A sua tutela procedente ao autor acaba
gerando efeitos ultrapartes ou erga omnes, tutelando na realidade um direito difuso ou coletivo, para os quais
naturalmente o individuo não teria legitimidade ativa para atuar.
Um exemplo concreto: imaginemos a situação de um cadeirante que entra com ação judicial para obrigar Municipio
a oferecer num trajeto o transporte especial para cadeirantes.
Parte da doutrina critica tal possilidade de se ajuizar tais ações sob a argumentação de que acaba se gerando uma
apreciação incompleta da questão, a coisa julgada opera para outras partes e pode desorganizar políticas públicas.
Ocorre que inegavelmente não se pode violar o direito do indivíduo de entrar com ação, em virtude da
inafastabilidade da jurisdição.

161-O que é despersonalização do contratante?

R. A sociedade de massa representa a realidade atual. Um dos grandes resultados dela é a despersonalização do
contratante, caracterizando novas manifestações contratuais. Assim, como regra geral, a própria pessoa que vai
assinar o contrato já não mais importa tanto - razão pela qual se aduz que ele foi despersonalizado. Duas formas
contratuais modernas que refletam tal tendência são o contrato de adesão e os contratos coletivos.
Segundo Sylvio Venosa, a grande implicação dessa tendência moderna é que a personificação apenas acaba
interessando no caso de inadimplemento ou descumprimento do contrato.

162-O que é o problema da moral paralela na Administração Pública?

R. Alexandre Mazza disserta sobre o tema:


Maria Sylvia Zanella Di Pietro, citando Agustín Gordillo, chama a atenção para importante problema da
Administração Pública moderna que é a existência de uma duplicidade de regras, processos, organizações e sistemas
dentro do aparelho governamental. Regras formais e regras informais; processos formais e processos informais;
organizações formais e organizações informais; sistemas formais e sistemas informais. Essa chamada “administração
paralela” edificada à sombra das estruturas estatais oficiais favoreceria a descrença no dever de cumprimento das
regras jurídicas e morais. E conclui a autora, na esteira da lição de Gordillo: “É só por meio da participação popular
no controle da Administração Pública que será possível superar a existência dessa administração paralela e, em
consequência, da moral paralela”
163-O que é usucapião de liberdade?

R. A usucapião da liberdade corresponde a uma expressão sinônima do prazo de perempção ao qual se submete o
direito real de hipoteca, isto é, o art. 1485 do Código Civil estabelece como limite máximo de eficácia de uma
hipoteca, a contar da celebração do negócio jurídico, o prazo de 30 anos. Após o decurso desse período, o direito
real é extinto de pleno direito, independentemente de novas prorrogações, sem prejuízo de a dívida continuar
pendente, caso não esteja prescrita. Nessa situação, o crédito deixará de ter eficácia real pra se tornar quirografário.
Segundo Flávio Tartuce, nos contratos silentes quanto ao tempo de validade da hipoteca, aplica-se o prazo de
perempção de 30 anos, o qual possui natureza decandencial, não se sujeitando à interrupção ou à suspensão.

164-O que é a teoria do limite dos limites?

R. Conforme Rafael Barreto, de um modo geral, os direitos humanos comportam limitações, restrições, que são
feitas com o intuito de harmonizá-los com outros direitos ou bens jurídicos protegidos.
A teoria dos limites da limitação induz a idéia de que a faculdade de limitar direitos é limitada, que não pode ser
exercida em desacordo com os parâmetros expressos ou implícitos do tezto constitucional. Significa dizer que a
atividade estatal de impor limites aos direitos é, ela própria, uma atividade limitada, vinculada aos parâmetros
constitucionais.
Segundo Gilmar Mendes, o principal regulador de tal limitação é o princípio da proporcionalidade, que traduz a idéia
de que os atos estatais não podem limitar os direitos fundamentais de modo excessivo, desmedido e arbitrário.
Possui duas vertentes principais: -Proibição do excesso: dever imputado aos agentes públicos de ao limitarem um
direito não irem além do estritamente necessário, não se excedendo. -Vedação à insuficiência: o Poder Público não
pode atuar de maneira insuficiente na efetivação dos direitos. Cita-se como exemplo a punição com uma sanção
penal extramemente pequena para um dado bem jurídico que merece ser protegido de modo mais importante
(como por exemplo, os crimes contra a Administração Pública são punidos com penas ínfimas se considerado a
importância do patrimônio público.

165-Quais são as teorias da consumação do crime de furto?

R. Segundo Rogério Sanches:

Contrectatio - Dá-se pelo simples contato entre o agente e a coisa(dispensa-se o deslocamento)


Amotio ou apreensio - Dá-se quando a coisa subtraída passa para o poder do agente, mesmo que em um pequeno
espaço de tempo, independetemente de posse mansa ou pacífica. Adotada pelo STJ ou STF
Ablatio - Dá-se com o deslocamento da coisa de um lugar para outro.
Ilatio - A coisa deve ser levada ao local desejado pelo ladrão e mantida a salvo.

166-O que é liquefação ou desmaterialização do direito penal?

R. Segundo Cleber Masson, a idéia de bem jurídico sempre girou em torno da pessoa humana, posteriormente vindo
a alcançar também as pessoas jurídicas. Nesse contexto, somente se configurava uma infração penal quando
presente uma lesão (dano) a interesses individuais das pessoas, a exemplo da vida, da integridade física, do
patrimônio, da liberdade sexual etc. Com a evolução dos tempos, e visando a antecipação da tutela penal, pois assim
mostrou-se possível a prevenção de lesões às pessoas, o Direito Penal passou a também se preocupar com
momentos anteriores ao dano, incriminando condutas limitadas à causação do perigo (crimes de perigo concreto e
abstrato), ou seja, à exposição de bens jurídicos – notadamente de natureza transindividual – à probabilidade de
dano. Exemplificativamente, surgiram crimes ambientais, pois é sabido que a manutenção do meio ambiente sadio e
equilibrado é imprescindível à boa qualidade de vida, e do interesse das presentes e futuras gerações, nos moldes do
art. 225, caput, da Constituição Federal. A crescente incursão pela seara dos interesses metaindividuais e dos crimes
de perigo, especialmente os de índole abstrata – definidos como os delitos em que a lei presume, de forma absoluta,
a situação de risco ao bem jurídico penalmente tutelado –, tem sido chamada de espiritualização, desmaterialização
ou liquefação de bens jurídicos no Direito Penal.

167-O que é dano moral objetivo?

R. Dano moral objetivo nada mais é do que um sinônimo para dano moral presumido ou in re ipsa! Faz-se necessário
sempre ficar atento aos eventuais "apelidos" dos institutos, já que tendem a ser cobrados pelas bancas dos
concursos! Dito isso, vale relembrar o conceito de dano moral presumido, que corresponde a uma lesão a direito de
personalidade que não precisa ser provada pela vítima para fins de responsabilização do agente, tamanha sua
gravidade. Nessas situações, o lesado necessita demonstrar somente a ocorrência do evento danoso e o nexo de
causalidade, dispensada a prova do dano. O STJ, em recentes julgados, já listou várias hipóteses em que se dá o dano
moral presumido: a prática abusiva de overbooking por companhias áreas que inviabiliza o embarque do passageiro;
a anotação irregular de consumidor como inadimplente em serviço de proteção ao crédito, desde que não houvesse
inscrição preexistente; a utilização da imagem de um indíviduo, sem sua autorização, para fins publicitários, ainda
que não haja finalidade lucrativa e ainda que a pessoa seja pública.

168-O que é ato administrativo ablativo?

R. Ato administrativo ablativo é aquele que retira direitos de um dado cidadão. Como por exemplo: um servidor
percebia uma gratificação e, antes de esgotado o prazo decadencial, a Administração Pública ao revisar o ato
mediante a sua autotutela, vê que em verdade o servidor não tinha direito e pratica um ato administrativo ablativo
para retirar a gratificação.

169-O que é pedágio masmorra?


R. Segundo expressão utilizada pelo STJ em pedido de indenização por danos morais ajuizada por presidiário em face
de maus-tratos sofridos durante a sua estadia na penitenciária, a condenação do Estado à indenização por danos
morais individuais como remédio isolado arrisca a instituir uma espécie de pedágio-masmorra, deixando a impressão
de que ao Poder Público, em vez de garantir direitos inalienáveis e imprescritíveis de que são titularesp or igual
todos os presos, basta pagar aos prisioneiros que disponham de advogado para postular em seu favor, uma espécie
de bolsa-indignidade, pela ofensa diária, continuada e indesculpável aos mais fundamentais dos direitos,
assegurados constitucionalmente. No caso, argumentou-se que não se tratava da incidência da cláusula da reserva
do possível nem de assegurar o mínimo existencial, mas sim da necessidade urgente de aprimoramente das
condições do sistema prisional, que deverá ser feito por meio de melhor planejamento e estruturação física, e não
apenas mediante pagamento pecuniário e individual aos apenados. No caso, inclusive, que era patrocinado pela
Defensoria Pública, consignou-se que esse órgão teria mecanismos mais eficientes e efetivos para contribuir, NO
ATACADO, com a melhoria do sistema prisional, dentre os quais o próprio ajuizamento de ACP.

170-O que são crimes de impressão?

R. São aqueles que provocam determinado estado anímico no sujeito passivo. Podem ser: ■ delitos de inteligência:
quando provocam o engano na vítima, como o estelionato; ■ delitos de sentimento: abalam as faculdades
emocionais do ofendido, como a injúria; ■ delitos de vontade: coartam a vontade do sujeito passivo, como o
constrangimento ilegal.

171-O que é versari in re illicita?

R. egundo Masson, durante longo período da História do Direito Penal, as sanções penais se impuseram sem
qualquer exigência de que o fato fosse praticado dolosa ou culposamente. Vários textos propugnavam a
responsabilidade penal baseada na mera voluntariedade da conduta, mesmo que o resultado jurídico produzido não
fosse desejado, previsto ou mesmo previsível. A isto se denominava versari in re illicita. Pode-se dizer que ainda há
um resquício do fenômeno na legislação pátria, localizado no art. 3º da Lei de Contravenções Penais, quando estatui
que “para a existência da contravenção, basta a ação ou omissão voluntária”, somente se exigindo a demonstração
de dolo e culpa em caráter excepciona. A posição privilegiada que hoje ocupa o princípio da culpabilidade (art. 5º,
inc. LVII), contudo, impõe seja a regra acima transcrita considerada incompatível com a Constituição Federal, de tal
modo que ela deve ser simplesmente desconsiderada, aplicando-se, também em sede de contravenções penais, os
arts. 18 e 19 do Código Penal.

172-O indígena é penalmente imputável?

R. Segundo o Supremo Tribunal Federal, o indígena é penalmente imputavel, ficando sujeito às normas do art. 26 e
parágrafo único, do CP, que regulam a responsabilidade penal, em geral, inexistindo razão para exames psicológico
ou antropológico, se presentes, nos autos, elementos suficientes para afastar qualquer dúvida sobre sua
imputabilidade. Outrossim, afirma a Suprema corte que o indio, em nosso sistema jurídico, como já assinalado, só é
considerado relativamente incapaz e, portanto, sujeito à tutela da União, para efeitos civis, nada impedindo que o
índio ainda não integrado seja criminalmente responsável, como se extrai do art. 56 da Lei nº 6.001/73, segundo o
qual, no caso de condenação de índio por infração penal, a pena deverá ser atenuada e na sua aplicação o juiz
atenderá também ao grau de integração do silvícola, norma que não teria nenhum sentido se o índio não integrado
não fosse considerado imputável. HC nº 79.530-7-PA, 1ª Turma, unânime, rel. Min. Ilmar Galvão,16.12.1999. No
mesmo sentido: HC 85.198-3 MA, 1ª Turma, unânime, rel. Min. Eros Grau, 17.11.2005. Considerando o fato de o
índio, mesmo o não integrado, ser considerado penalmente imputável pelo STF, portanto, portador de uma normal
higidez e desenvolvimento mental, tal fato mostra-se, evidentemente, incompatível com a oligofrênia, baseada no
só fato da condição de indígena.

173-Crítivas à impossibilidade de livramento condicional para reincidente específico em crime hediondo:

R. Com a nova redação dada ao art. 2º da Lei no 8.072/90 pela Lei no 11.464/07, garantindo-se ao condenado por
crime hediondo ou equiparado o direito à progressão de regime após o cumprimento de três quintos da pena, se
reincidente, ainda que específico, já não subsistiria a vedação do art. 83, V, última parte, do Código Penal, pois
revogada tacitamente. Constituindo o livramento condicional a última etapa do sistema progressivo de cumprimento
da pena privativa de liberdade, não faria sentido garantir ao condenado reincidente específico em crime hediondo a
promoção até o regime aberto, vedando-lhe, contudo, o acesso ao estágio final, sobretudo, se consideradas que
mais gravosas as consequências em caso de revogação.

174-Reclamação constitucional-Função Primária e secundária.Cabe reclamação de decisão em reclamação?

R. A função da Reclamação divide-se em Função Primária, que visa a sustentação da integridade interpretativa do
STF e fortalecimento do quadro da jurisdição constitucional brasileira, e secundária que pretende cassar decisão
judicial ou avocar os autos para preservação da competência do STF e STJ. A respeito do cabimento de reclamação
de decisão em reclamação é plenamente possível, tendo como exemplo clássico decisão do STJ que invade
competência do STF.

175-O que é a teoria da culpa contra a legalidade?

R. A expressão “culpa contra a legalidade” foi cunhada por Sérgio Cavalieri Filho. Em voto o referido Desembargador
e Jurista afirmou que há “(...) culpa contra a legalidade quando o dever violado resulta de texto expresso de lei ou
regulamento (...)” (Programa de Responsabilidade Civil, Ed. Malheiros, 2006, p. 90-91).
Transportada para a responsabilidade civil automobilística, a “culpa contra a legalidade” desdobra-se no desrespeito
a uma norma regulamentar do trânsito. Pressupõe a culpa do agente mesmo sem necessidade de demonstração da
imprudência ou negligência. Nesse caso, estando o motorista, por exemplo, acima da velocidade permitida no local
quando do acidente, alcoolizado, sem carteira de habilitação ou falando ao celular, caracterizada estaria a sua culpa,
o que o levaria a indenizar pelos danos daí decorrentes.
No Brasil existem vários julgados aplicando a teoria da “culpa contra legalidade”, tanto na área trabalhista, como na
responsabilidade civil automobilística.

176-Em matéria de licitações,fale sobre a emergência fabricada e seus efeitos jurídicos.

R. A questão proposta situa-se no contexto da hipótese legal de dispensa de licitação prevista no art. 24, IV, da Lei n.
8.666/93, referente a casos de contratações em situações de emergência. Emergência fabricada, diferentemente da
real(em que ocorreu caso de natureza fortuita, como uma enchente), entende-se a situação em que a
Administração, dolosa ou culposamente, deixa de tomar tempestivamente as providências necessárias à realização
da licitação previsível. Atinge-se o termo final de um contrato sem que a licitação necessária à nova contratação
tenha sido realizada. Nessas hipóteses, sem se desconhecer entendimento no sentido da impossibilidade da
dispensa emergencial, que, se realizada, seria considerada ilegal, com nulidade do contrato firmado, tem-se
posicionamento sólido no sentido de que, em casos tais, deve ser verificado se a urgência efetivamente existe e se a
contratação direta é a melhor possível frente às circunstâncias concretas. Em caso afirmativo, para que não haja
agravamento do ônus suportado pela comunidade afetada, a contratação com dispensa de licitação poderá ser
realizada. Todavia, simultaneamente, deverá ser desencadeada a indispensável licitação. Tudo sem prejuízo da
exemplar responsabilização do agente público que tenha se omitido no desencadeamento tempestivo da licitação,
inclusive com dever de indenizar o prejuízo sofrido se comprovado que com a licitação formal e comum a
Administração teria obtido melhor resultado.
P.S: Ressalte-se que o entendimento pela possibilidade de dispensa mesmo no caso de emergência fabricada foi
alterado com o tempo. Anteriormente, não se admitia dispensa de licitação nesses casos. Hoje, aceita-se, porém
desde que comprovadamente se promova a responsabilidade de quem causou o prejuízo.

177-Fale sobre o built to suit:

R. Foi publicada no dia 19/12/2012, a lei federal 12.744 que incorpora à lei do inquilinato (8.245/91) os chamados
contratos "built to suit" ou "build to suit" - negócio jurídico no qual uma das partes, o locatário, contrata a
construção, aquisição ou reforma de imóvel de acordo com as suas necessidades e o recebe por cessão temporária
de uso mediante pagamentos mensais dos valores pactuados.

A lei federal 12.744 regulamentou os contratos built to suit por meio da alteração do artigo 4º da Lei do Inquilinato e
a inclusão do artigo 54-A no mesmo diploma legal.

No artigo 54-A está previsto que, na locação não residencial de imóvel urbano, em que o locador procede à prévia
aquisição, construção ou substancial reforma do imóvel especificado pelo pretendente à locação, para que este seja
locado por prazo determinado, deverão prevalecer as condições livremente pactuadas no contrato e as disposições
procedimentais previstas na Lei.

Além disso, o referido dispositivo ainda autoriza que as partes convencionem a renúncia ao direito de revisão do
valor dos aluguéis durante o prazo de vigência do contrato de locação. Em outras palavras, a revisão dos aluguéis
passa a ser expressamente um direito disponível pelas partes nesta modalidade contratual.

No parágrafo segundo do artigo 54-A, foi incluída a regra para o caso de denúncia antecipada do contrato pelo
locatário. A alteração do artigo 4º da lei do inquilinato foi para ajustar a redação deste artigo ao disposto no
parágrafo segundo do artigo 54-A. Assim, nos contratos built to suit foi afastada a regra geral que prevê a
possibilidade de o locatário devolver o imóvel ao locador arcando com a multa pactuada de forma proporcional ao
período de cumprimento do contrato. Para essa modalidade contratual, vale a multa fixada no contrato que não
excederá a soma dos valores dos aluguéis a receber até o termo final da locação. (noticia publicada no site migalhas
de Luis Gustavo Miranda e Paulo Teixeira Fernandes)

178-O que é o efeito desobstrutivo da apelação?


R. Consoante entendimento da doutrina, trata-se de uma possibilidade prevista na aplicação da denominada teoria
da causa madura, descrita no parágrafo terceiro do art. 518, que aduz que Nos casos de extinção do processo sem
julgamento do mérito (art. 267), o tribunal pode julgar desde logo a lide, se a causa versar questão exclusivamente
de direito e estiver em condições de imediato julgamento.

179-O que significa a doutrina do Preferred Freedoms nos direitos fundamentais?


R. Tal doutrina prega o estabelecimento de hierarquia entre direitos fundamentais - um terá importancia maior do
que os outros, por ter uma preeminência axiológica naquele ordenamento jurídico. Nos EUA, aduz-se que um dos
direitos fundamentais dotados de essa característica é a liberdade de expressão, que deve prevalecer prima facie em
face de outros direitos fundamentais.
A aplicação de direitos fundamentais por meio da técnica de ponderação mostra-se muito mais consentânea com
um ordenamento jurídico valorativo e principiológico do que o método defendido pela doutrina dos preferred
freedoms, verificando-se no caso concreto aquele que deve prevalecer.

180-O que pe sociedade aberta de intérpretes?

R. Segundo Bernardo Gonçalves, na perspectiva de Peter Häberle, a assunção de uma perspectiva de um Estado
Democrático de Direito, bem como de uma Hermenêutica Constitucional adequada, que visa a autocompreensão da
Constituição mostram-se como inadequadas se forem construídas (forjadas) tendo como destinatárias uma
sociedade fechada de intérpretes – que segundo o autor estaria preocupada e, sobretudo, direcionada a
interpretação (constitucional) dada (apenas) pelos magistrados (principalmente os membros dos Tribunais e das
Cortes Constitucionais). Ora, Estado Democrático de Direito impõe uma nova tônica como paradigma constitucional
e, por isso mesmo, sua preocupação transborda além das paredes dos tribunais. Ele se assume como referencial
teórico para pensar uma sociedade pluralista, hipercomplexa, dotada em seu interior de diversos projetos de vida.
Sob tal prisma, levanta exigências de uma sociedade aberta de intérpretes, na qual cada sujeito é destinatário da
norma constitucional e igualmente o seu intérprete, em um processo ativo de construção do seu sentido.

181-O que é princípio do protetor recebedor?

R. Segundo Frederico Amado, outro importante princípio ambiental é o do Protetor-Receptor ou Recebedor, que
seria a outra face da moeda do Princípio do Poluidor-Pagador, ao defender que as pessoas físicas ou jurídicas
responsáveis pela preservação ambiental devem ser agraciadas como benefícios de alguma natureza, pois estão
colaborando com toda a coletividade para a consecução do direito fundamental ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado. Assim, haveria uma espécie de compensação pela prestação dos serviços ambientais em favor daqueles
que atuam em defesa do meio ambiente, como verdadeira maneira de se promover a justiça ambiental, a exemplo
da criação de uma compensação financeira em favor do proprietário rural que mantém a reserva florestal legal em
sua propriedade acima do limite mínimo fixado no artigo 12 do novo Código Florestal. Além de benefícios financeiros
diretos a serem pagos pelo Poder Público, também é possível a concessão de créditos subsidiados, redução de base
de cálculos e alíquotas de tributos, ou mesmo a instituição de isenções por normas específicas.

182-Qual a distinção entre coculpabilidade e vulnerabidade?

R. e acordo com Rogério Sanches, a teoria da coculpabilidade foi criada por Zaffaroni, sustenta que existe uma
parcela de responsabilidade social do Estado pela não inserção social e, portanto, deve também suportar o ônus do
comportamento desviante do padrão normativo por parte dos atores sociais sem cidadania plena, que possuem uma
menor autodeterminação diante das concausas socioeconômicas da criminalidade urbana e rural. Por conseguinte, a
carga de valores negativos vivenciada pelo réu deve ser usada em seu favor, como uma ATENUANTE INOMINADA, na
forma prevista do art. 66 do Código Penal:

Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada em razão de circunstância relevante, anterior ou posterior ao crime,
embora não prevista expressamente em lei. Perceba, assim, que a norma acima dá ao juiz uma ferramenta para
atenuar a resposta penal à desigualdade social de oportunidades.
Existem, entretanto, várias críticas à coculpabilidade, senão vejamos:
• Parte da premissa de que a pobreza é causa do delito.
• Pode conduzir à redução de garantias quando se trata de réu rico.
• Continua incentivando a seletividade do poder punitivo.
Certo é que, nos dias de hoje, a teoria da coculpabilidade perdeu espaço para a TEORIA DA VULNERABILIDADE, que
considera a maior ou menor vulnerabilidade do agente de sofrer a incidência do D. Penal, e esse é o caso de quem
não tem família estruturada, instrução etc. Nesses casos, o indivíduo tem a sua reprovação reduzida. Quem desfruta
de baixa vulnerabilidade, deve ser mais severamente punido.

183-O que é efeito diferido do recurso?


R. Para uma corrente doutrinária, o efeito diferido nada mais é do que o efeito regressivo, o qual autoria o juízo a
quo a reexaminar a decisão por ele próprio proferida. Para outra corrente, porém, o efeito ocorre quando o
conhecimento do recurso depende de recurso a ser interposto contra outra decisão, como na hipótese do agravo
retido.

184-Causa de pedir-Teoria da individualização X Substanciação:


R. A teoria da substanciação exige a descrição dos fatos dos quais decorre a relação de direito para a propositura da
ação. A teoria da individualização se contenta com a afirmação da relação jurídica fundamentadora do pedido para a
caracterização da ação. O CPC adotou a teoria da substanciação (art. 282, III).

185-Em ação de improbidade,pode-se pleitear cumulativamente dano moral coletivo pelo dono do patrimônio
público?
R. Espera-se que o candidato discorra sobre o dano moral coletivo e considere a possibilidade de indenização por
dano moral à pessoa jurídica de direito público lesada, considerando o teor das Súmulas nº 37 (são cumuláveis as
indenizações por dano material e dano moral oriundos do mesmo fato) e nº 227 (a pessoa jurídica pode sofrer dano
moral), ambas do Superior Tribunal de Justiça, bem como o precedente do Supremo Tribunal Federal de que o poder
público é titular de patrimônio moral (RE nº 170.768-2-SP). Importante a menção, ainda, ao disposto no art. 1º da Lei
da Ação Civil Pública -Lei Federal nº 8.429/92 (regem-se pelas disposições desta lei, sem prejuízo da ação popular, as
ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados...). A Lei de Improbidade Administrativa (Lei
Federal nº 8.429/92), ao dispor, no art. 12, sobre o "ressarcimento integral do dano", não distingue entre dano
moral e material.

186-Como se resolvem as antinomias de segundo grau?

R. Antinomias de segundo grau: segundo Norberto Bobbio, conflitos de segundo grau são conflitos entre critérios
(hierárquico, cronológico e especialidade). Nas antinomias de primeiro, apenas um critério é aplicado, razão pela
qual a resolução da demanda é relativamente mais simples. Critérios para solução de antinomias de segundo grau:
Critério da especialidade X critério cronológico: prevalece o critério da especialidade. Critério hierárquico X critério
cronológico: prevalece o critério hierárquico. Critério cronológico: mais fraco de todos eles. Conflito entre critério
hierárquico e o critério da especialidade: deve ser analisado o caso concreto.

187-O que é a doutrina brasileira do habeas corpus?

R. Consoante Marcelo Novelino, durante a Primeira República, com a introdução desse instituto no sistema
constitucional pátrio, surgiu a denominada “doutrina brasileira do habeas corpus”, que ti nha Rui Barbosa como seu
principal expoente. Em face da ausência de outras garantias constitucionais na Carta de 1891, foi adotada uma
interpretação ampla acerca do cabimento deste mandamus, que passou a ser utilizado em diversas situações de
ameaça a direitos constitucionalmente assegurados – e não apenas à liberdade de locomoção – decorrentes de
ilegalidades ou abusos de poder. À época, o Supremo Tribunal Federal adotou o entendimento de que o habeas
corpus contemplava as situações em que a liberdade de ir e vir era meio para atingir outro direito.
A partir da reforma constitucional de 1926, essas concepções deixaram de ser adotadas e o habeas corpus passou a
ser utilizado apenas em seu sentido clássico. Atualmente não se justifica a utilização ampla dessa garantia
constitucional, uma vez que a Constituição brasileira de 1988, além de delimitar com precisão o objeto do habeas
corpus, foi extremamente generosa na consagração de ações voltadas especificamente à proteção de outros direitos
fundamentais.

188-Quais as críticas ao direito penal premial?

R. O direito penal premial agrupa regras de atenuação ou não aplicação da pena (perdão judicial). Delação Premiada,
colaboração premiada, colaboração processual ou cooperação processual. Instrumento de suporte da persecução
criminal. Eficiência da tutela penal contra o crime organizado. Críticas: Ilegitimidade do sistema premial, violação ao
sistema penal garantista e do princípio da eticidade (imoralidade do instituto). Posicionamento do candidato quanto
ao modelo. Previsão legal: Lei 8.072/90 – art. 8º; Lei 8884/94 – art. 35-B e 35- C; Lei 9.034/95 – art. 6º; Lei 9.613/98
– art. 1º, § 5º; Lei 9.807/99 – arts. 13 e 14; Lei 11.343/06 – art. 41; CP – art. 159, § 4º. (Cf. Eduardo Pelella, Bruno
Calabrich e Douglas Fischer. Garantismo Penal Integral – Questões penais e processuais, criminalidade moderna e a
plicação do modelo garantista no Brasil. Ed. Juspodium. Também: Rógerio Sanches Cunha, Pedro Taques e Luiz Flávio
Gomes. Limites Constitucionais da Investigação. Ed. RT

189-Cite hipóteses que o agente público apenas responde por dolo.

R. Consoante a nossa Carta Magna, em seu art 37, parágrafo sexto, o servidor público pode ser responsabilizado por
sua atuação em caso de culpa ou dolo por ação de regresso. Existem casos especiais, no entanto, em que ele apenas
pode ser responsabilizado pessoalmente quando agir com dolo: seria o caso do juiz ou do membro do Ministério
Público, consoante o disposto no CPC em seus arts. 85 e 133.

190-O que é direito de protocolo no Direito Administrativo? Ele ainda se aplica?

R. O direito de protocolo relaciona-se com o direito adquirido à regime jurídico - consoante tal teoria, deve-se
determinar a aplicação durante todo procedimento administrativo do regime jurídico existente no momento do
protocolo do pedido inicial. O STJ já entendeu que não se aplica tal direito no ordenamento jurídico brasileiro, pois o
direito do requerente apenas se implementaria com a decisão administrativa do órgão.

191-O que é a terceira vai do Direito Penal?

R. Consoante Cleber Masson, sanção penal é a resposta estatal, no exercício do ius puniendi e após o devido
processo legal, ao responsável pela prática de um crime ou de uma contravenção penal. Divide-se em duas espécies:
penas e medidas de segurança. As penas têm como pressuposto a culpabilidade. Com efeito, crime é o fato típico e
ilícito, e a culpabilidade funciona como pressuposto de aplicação da pena. Destinam-se aos imputáveis e aos semi-
imputáveis sem periculosidade. Já as medidas de segurança têm como pressuposto a periculosidade, e dirigem-se
aos inimputáveis e aos semi-imputáveis dotados de periculosidade, pois necessitam, no lugar da punição, de especial
tratamento curativo. Destarte, o Direito Penal é um sistema de dupla via, pois admite as penas (1.ª via) e as medidas
de segurança (2.ª via) como respostas estatais aos violares das suas regras. Fala-se também na terceira via do Direito
Penal, consubstanciada nas situações em que, embora tenha sido cometida uma infração penal, não se impõe pena
ou medida de segurança, pois a punibilidade estatal cede espaço à reparação do dano causado à vítima, a exemplo
do que se verifica na composição dos danos civis nos crimes de menor potencial ofensivo de ação penal privada e de
ação pública incondicionada, na forma delineada pelo art. 74, parágrafo único, da Lei 9.099/1995.A terceira via do
Direito Penal, na concepção de Claus Roxin, é a reparação de danos, legitimada que está pelo princípio da
subsidiariedade do direito penal. Isso porque, para além da pena e da medida de segurança, ela é uma medida penal
independente, que alia elementos do direito civil e cumpre com os fins da pena. Para o consagrado doutrinador, a
reparação substituiria ou atenuaria a pena naqueles casos nos quais convenha, tão bem ou melhor, aos fins da pena
e às necessidades da vítima. A inclusão no sistema penal, sancionador da indenização material e imaterial da vítima,
significa que o Direito Penal passa a se aproximar mais da realidade social.

192-O que é Constituição silenciosa?

R. Segundo Bernardo Gonçalves, Constituição fixa ou silenciosa é aquela que só pode ser modificada pelo mesmo
poder que a criou. (Poder constituinte originário). São as chamadas Constituições silenciosas, por não preverem
procedimentos especiais para a sua modificação. Exemplo: Constituição espanhola de 1876.

193-È possível que se criem Defensorias Públicas Municipais?

R. Segundo Franklin Roger e a grande maioria dos doutrinadores que escrevem sobre Defensoria Pública, NÃO é
possível a criação de Defensoria Pública Municipal. Primeiramente, a CF nada dispõe acerca de competência dos
Municipios para realizar assit juridica municipal, configurando silêncio eloquente do legislador. Além disso, não há
competência legislativa. Outro argumento é que tal previsão teria relação intríseca com a autonomia da própria
DP(que já vem sendo questionada no âmbito do STF): advogados desses serviços ficariam muito mais vulneráveis a
interesses locais. O que vem se admitindo é apenas a colaboração dos Municípios para melhor prestar serviços de
assistência jurídica gratuita - oferecendo,por exemplo, melhoramento na infraestrutura. Não se pode, no entanto,
no Município instituir serviço autônomo de prestação de assistência jurídica gratuita aos necessitados.

194- Disserte acerca dos três níveis de controle nos direitos fundamentais: controle de evidência, de
justificabilidade e material de intensidade.

R. No primeiro nível, o controle realizado pelo Tribunal deve reconhecer ao legislador uma ampla margem de
avaliação, valoração e conformação quanto às medidas que reputar adequadas e necessárias. A norma somente
poderá ser declarada inconstitucional quando as medidas adotadas pelo legislador se mostrarem claramente
inidôneas para a efetiva proteção do bem jurídico fundamental.
No segundo nível, o controle de justificabilidade está orientado a verificar se a decisão legislativa foi tomada após
uma apreciação objetiva e justificável de todas as fontes de conhecimento então disponíveis. Nesse segundo nível,
portanto, o controle de constitucionalidade estende-se à questão de se verificar se o legislador levantou e
considerou, diligente e suficientemente, todas as informações disponíveis, e se realizou prognósticos sobre as
consequências da aplicação da norma.
No terceiro nível, o controle material de intensidade aplica-se às intervenções legislativas que, a exemplo das leis
penais, por afetarem intensamente bens jurídicos de extraordinária importância, como a liberdade individual, devem
ser submetidas a um controle mais rígido por parte do Tribunal.
Assim, quando estiver evidente a grave afetação de bens jurídicos fundamentais de suma relevância, poderá o
Tribunal desconsiderar as avaliações e valorações fáticas realizadas pelo legislador para, então, fiscalizar se a
intervenção no direito fundamental em causa está devidamente justificada por razões de extraordinária importância.

195-Dissete a respeito dos modelos contemporâneos de assistência jurídica gratuita :

R. Consoante a doutrina de Franklin Rogers, modernamente, aduz-se que existem quatro sistemas de prestação
desse serviço:
1) Pro bono: a assistência jurídica aos necessitados é prestada por intermédio profissionais liberais (advogados
particulares), que atuam sem receber qualquer espécie de contraprestação pecuniária dos cofres públicos. A
atividade jurídica é exercida em regime assistencial caritativo e imbuída do aspecto humanitário.
2) Judicare: Assim como ocorre no modelo pro bono, no sistema judicare a assistência jurídica é também prestada
por advogados particulares. Entretanto, nesse sistema a atividade desempenhada pelos profissionais liberais é
remunerada casuisticamente pelos cofres públicos. Existe grande divergência na doutrina internacional a respeito da
efetividade/adequação desse sistema para cumprir com esse compromisso.
3) Salaried Staff Model: No salaried staff model os advogados laboram sob regime de dedicação exclusiva e recebem
remuneração fixa por período de trabalho diário, independentemente da carga de serviço ou de tarefas
efetivamente cumpridas.Ao contrário do sistema judicare, portanto, no salaried staff model não há o pagamento de
remuneração casuística em virtude de cada atividade jurídica executada; nesse modelo, os advogados integram
corpo de profissionais especializados na prestação de assistência jurídica gratuita aos necessitados, percebendo
como contraprestação por seus serviços remuneração fixa.
4) Misto ou híbrido: O sistema híbrido ou misto não constitui propriamente um modelo cientificamente distinto de
assistência jurídica aos necessitados; na verdade, trata-se da reunião dos modelos básicos acima mencionados, em
diversas combinações possíveis, caracterizando autêntica relação de complementaridade.

196-Procurador Geral do Estado precisa ser da carreira?ACE é determinada a institur isso?

R. Consoante a CF/88, o Advogado Geral da União não é necessariamente integrante da carreira. No caso dos
Procuradores do Estado, a Carta Magna nada dispõe. Assim, surge o questionamento: ele há de necessariamente ter
que ser da carreira? Aplica-se o dever de simetria? Instado a se pronunciar sobre o tema, o STF decidiu que não se
aplica ao princípio da simetria ao caso e que pode a Constituição Estadual dispor livremente se há ou não a
necessidade ser o Procurador Geral do Estado integrante da carreira. Vejamos a ementa: “O cargo de Procurador
Geral do Estado é de livre nomeação e exoneração pelo Governador do Estado, que pode escolher o Procurador
Geral entre membros da carreira ou não.” (ADI 291, rel. min. Joaquim Barbosa, julgamento em 7-4-2010, Plenário,
DJE de 10-9-2010.) No mesmo sentido: ADI 2.682, rel. min. Gilmar Mendes, julgamento em 12-2-2009, Plenário, DJE
de 19- 6-2009. “Mostra-se harmônico com a CF preceito da Carta estadual prevendo a escolha do Procurador Geral
do Estado entre os integrantes da carreira.” (ADI 2.581, rel. p/ o ac. min. Marco Aurélio, julgamento em 16-8-2007,
Plenário, DJE de 15-8-2008.) Em sentido contrário: ADI 291, rel. min. Joaquim Barbosa, julgamento em 7-4-2010,
Plenário, DJE de 10-9-2010.

197-O que são unidades de conservação atípicas?

R. Segundo Frederico Amado, são unidades de conservação que, embora não referidas na Lei do SNUC - arts 8 e 14 -,
encaixam-se perfeitamente na definição enunciada pelo legislador no art 2o, I. Esses espaços não incluídos
expressamente pela lei amoldam-se ao conceito geral e dispõem de ato normativo do Poder Público. Tratam-se de
modalidades tradicionais e já amplamente difundidas como as hortas florestais, jardins botânicos, parques públicos
urbanos e jardins zoológicos.

198-Demolição de imóvel público-È possíbel pleitear por meio da ação popular?

R. A doutrina costuma afirmar que a natureza da decisão da ação popular, quando for declarada a procedência do
pedido, é dúplice: será desconstitutiva - desconstituir o ato ilegal - e, simultaneamente, condenatória - determinar
que o agente efetivamente desconte os valores.
Indaga-se - pode haver alguma outra sanção - como perda dos direitos
politicos, perda de cargo?
STJ - não há essa possibilidade. Devem ser buscadas nas outras vias, justamente por essa redacao legal.
Além disso - pode-se pleitear a demolição de imóvel?
A jurisprudência do TRF não admite tal pedido, também pelos mesmos argumentos.

199-Quais as fases pelas quais o processo civil passou?

R. a) sincretismo ou civilismo - processo considerado apenas mero apêndice do direito material – apenas existe
processo se ocorre a vitória da parte. Segundo Savigny, processo era o direito civil armado para Guerra.
b) autonomista – necessidade de ser separado - existe uma clara diferença entre a relação de direito material e a de
direito processual – já que nessa última, além de envolver as partes também envolve também o Estado juiz.
Consequência: separação bem rígida dos institutos – preocupação exarcebada com a forma. O processo passou a
esquecer a própria finalidade dele.
c) instrumentalismo – Acesso à justiça começou a ficar bem prejudicado. Buscou, assim, preocupar-se com o
resultado final do processo. Os institutos de direito processual devem servir ao direito materia, ao mesmo tempo
que os de direiro material servem a ele. Aplicação prática atual de tal fase: a aplicação do princípio da fungibilidade.

200-O que é princípio do cosmopolitismo do direito constitucional?

R. Segundo Daniel Sarmento e Cláudio Pereira de Souza Neto, a Hermenêutica especificamente Constitucional possui
o princípio do cosmopolitismo. Tal vetor interpretativo seria uma decorrencia positiva da globalização no mundo do
Direito. O princípio do cosmopolitismo significa o aumento da utilização de argumentos de decisão utilizados por
outros tribunais constitucionais ou mesmo tribunais internacionais em um dado tribunal constitucional. Assim
sendo, por exemplo, se o STF, em uma decisão específica, utiliza argumentos de um caso análogo julgado pela
Tribunal Constitucional Federal Alemão ou pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, isso seria uma
manifestação do princípio do cosmopolitismo! Portanto, esse princípio estimula o diálogo institucional com outras
esferas de debate constitucional estrangeiras ou internacionais.

201-Ainda existe a bipolaridade das medidas caulares no Processo Penal?

R. Anteriormente à edição da Lei 12.403/11, durante o processo penal apenas poderiam ser estabelecidas duas
medidas cautelares de natureza pessoal: a liberdade provisória ou a prisão cautelar. Com o vigor de tal lei, acabou-se
tal bipolaridade, uma vez que consoante o CPP hodiernamente várias outras medidas são admitidas. Ressalte-se que
a jurisprudência dos Tribunais Superiores entendem que tal rol de medidas é tido como exemplificativo, podendo
serem adicionadas outras medidas desde que adequadas ao caso do acusado.

202-O que é Fair Notice?

R. Tal principio determina que nas ações coletivas, deve-se buscar uma publicidade de modo que os interessados
fiquem sabendo do ajuizamento de tal ação, consoante o art 94 do CDC. O STJ decidiu no REsp 205.481/MG que a
ausência de tal publicidade não gera a nulidade da demanda, notadamente quando foi julgada procedente para os
consumidores. O principal argumento é de que uma norma que foi instituída no beneficio dos consumidores não
pode ser utilizada contra eles.

203-Há limitações temporais ao poder da reforma?

R. As limitações temporais, na história constitucional brasileira, foram previstas apenas na Constituição do Império,
de 1824, não se verificando nas que se seguiram. Trata-se de previsão de prazo durante o qual fica vedada qualquer
alteração da Constituição. O exemplo único é o art. 174 da citada Constituição Política do Império, que permitia a
reforma da Constituição somente após 4 anos de sua vigência.

Assim, não há limitação expressa temporal prevista na CF/88. Convém lembrar que a regra do art. 3.º do ADCT
(poder constituinte derivado revisor), não configurou qualquer limitação temporal ao poder de reforma, mas apenas
a previsão de prazo para a malfeita revisão constitucional já esgotada.

Além disso, cumpre frisar que o disposto no art. 60, parágrafo primeiro, trata-se de uma limitação circunstancial, e
não temporal. Assim, existem limitações circunstancias, e não temporais, ao poder de reforma.

204-O que são sentenças interpretativas de rechaço?


R. Diante de duas possíveis interpretações que determinado ato normativo possa ter, por meio das sentenças
interpretativas de rechaço, a Corte Constitucional adota aquela que se conforma à Constituição, repudiando
qualquer outra que contrarie o texto constitucional. Assim, o enunciado “permanece válido, mas só poderá ser
interpretado de maneira conforme à Constituição, o que significa dizer que, implicitamente, e sob pena de vir a
considerá-la nula, a Corte proíbe que se dê ao citado dispositivo interpretação contrária à Constituição”.
205-O que é abolicionísmo penal?Quais as suas espécies?

R. Diante da crise no sistema penal(que prende e não ressocializa) prega a despenalização e descriminalização(crime
deixa de existir). Divide-se em dois:
- Abolicionismo fenomenologico - sistema penal como sendo um problema em si mesmo - inutilidade, incapaz de
chegar aos resultados que se propõe. Propõe então um sistema intermediário sem natureza penal - Abolicionismo
fenomenológico-historicista - ligada a estrutura do capitalismo, razão pela qual alem de sua eliminação defende-se o
fim de todo e qualquer método de repressão existente na sociedade.

206-Quais as características do constitucionalismo do futuro?

R. Trata-se da Constituição do “por vir”, com os seguintes valores, segundo José Roberto Dromi: verdade: a
Constituição não pode mais gerar falsas expectativas; o constituinte só poderá “prometer” o que for viável cumprir,
devendo ser transparente e ético solidariedade: trata-se de nova perspectiva de igualdade, sedimentada na
solidariedade dos povos, na dignidade da pessoa humana e na justiça social; consenso: a Constituição do futuro
deverá ser fruto de consenso democrático; continuidade: ao se reformar a Constituição, a ruptura não pode deixar
de levar em conta os avanços já conquistados; participação: refere-se à efetiva participação dos “corpos
intermediários da sociedade”, consagrando-se a noção de democracia participativa e de Estado de Direito
Democrático; integração: trata-se da previsão de órgãos supranacionais para a implementação de uma integração
espiritual, moral, ética e institucional entre os povos; universalização: refere-se à consagração dos direitos
fundamentais internacionais nas Constituições futuras, fazendo prevalecer o princípio da dignidade da pessoa
humana de maneira universal e afastando, assim, qualquer forma de desumanização.

207-O que é cessão do uso no Direito Adminstrativo?

R. Existem algunas formas de utilização dos bens públicos. As mais conhecidas são: autorização, permissão e
concessão de bem público. Resolvemos trazer, para aumentar o conhecimento de vocês, uma nova forma: a cessão
de uso. Sobre o tema, importante observar os ensinamentos de Fernanda Marinela:

Entende-se por cessão de uso a utilização especial em que o Poder Público permite, de forma gratuita, o uso de bem
público por órgãos da mesma pessoa ou de pessoa diversa, com o propósito de desenvolver atividades benéficas
para a coletividade, com fundamento na cooperação entre as entidades públicas e as privadas.

É reconhecida, ainda, a utilização especial de forma privativa de um bem público através dos institutos do direito
privado, a exemplo, a enfiteuse, a locação, o arrendamento, o comodato, além de outros. A doutrina diverge um
pouco quanto ao regime a ser aplicado a esses vínculos, dividindo-se entre o regime público e o regime privado, no
entanto prevalece hoje a orientação de que são instrumentos privados. (MARINELA, Fernanda. Curso de Direito
Administrativo, 7ª edição, 2013,Editora IMPETUS, pag. 904)

208-Ente público pode figurar como assistente de acusação?

R. Consoante entendimento do STJ, o ente público público pode figurar como assistente de acusação quando no
crime ocorrer prejuízo patrimonial a ele. Nesse caso, entendeu a Corte que o interesse defendido por esse ente não
se confunde com os que o Ministério Público defende, razão pela qual não há que se falar em impossibilidade.

209-Pode ocorrer flagrante por apresentação?

R. O denominado flagrante por apresentação ocorre quando o próprio agente, após cometer o delito, apresenta-se
espontaneamente às autoridades públicas. Nesse caso, consoante entendimento da doutrina de Renato Brasileiro,
não se pode considerar que existe flagrante, pois não se encaixa em nenhuma das hipóteses legalmente
estabelecidas. Nada impede, no entanto, que caso se preencham todos os requisitos legais, seja decretada a prisão
preventiva do agente.

210-O que são os efeitos podrômicos do ato administrativo?

R. Quanto aos efeitos produzidos pelo atos administrativos, dividem-se em duas grandes correntes: os típicos e os
atípicos.
Quanto aos típicos, podem ser caracterizados como os esperados, inerentes ao ato. O exemplo é o próprio
desligamento do servidor em caso de pedido de demissão.

Os efeitos atípicos são tidos como inesperados, justamente aqueles que não resultam de seu conteúdo específico.
Dividem-se em dois: os prodrômicos e os reflexos.

Os reflexos são aqueles que atingem terceiros estranhos a relação jurídica principal. Pode ser citado como exemplo o
caso da desapropriação de imóvel que estava locado. Indubitavelmente, tal ato administrativo ira gerar
conseqüências para o locatário, que esta fora da relação jurídica de desapropriação.

Os prodrômicos ou preliminares são considerados os efeitos preliminares ou iniciais distintos da eficácia principal do
ato. Sao, assim, todos aqueles produzidos enquanto o ato administrativo encontra-se em uma situação de
pendência. Segundo Marinela, nos atos sujeitos a controle por parte de um outro órgão, o dever-poder de emitir o
ato de controle é um efeito atípico preliminar do ato contratado. De forma sintética, foi efeito atípico preliminar do
ato controlado acarretar para o órgão controlador o dever-poder de emitir o ato de controle.

211-Classificação dos atos administrativos-espécie-Hely Lopes

R. Segundo classificação clássica elaborada por Hely Lopes Meireles(MEIRELES, Hely. Direito Administrativo
Brasileiro, Editora Malheiros, 38a edicao, 2012), os atos administrativos, podem ser classificados em 5 espécies:
normativos, negociais, ordinatórios, enunciativos e punitivos.

Os atos normativos são aqueles que veiculam enunciados gerais e abstratos para viabilizar o cumprimento de lei.
Alguns consideram, inclusive, que tais atos podem ser considerados leis em sentido material. Os decretos e as
deliberações são exemplos.

Os atos negociais são aqueles que exigem a manifestação de vontade da Administração em concordância com o
interesse dos particulares. São exemplos as concessões e as licenças.

Os atos ordinatórios são tidos como as manifestações internas por parte da Administração Pública para disciplinar o
funcionamento dos órgãos e da conduta dos agentes públicos. Exemplos: instruções e portarias.

Os atos enunciativos ou de pronúncia certificam ou atestam uma situação existente, não ocorrendo manifestação de
vontade por parte da Administração Pública. Exemplo: certidões, pareceres e atestados.

Os atos punitivos são aqueles em que ocorre a aplicação de sanções a particulares ou servidores que pratiquem
condutas irregulares. Exemplos: multas e interdições de estabelecimentos.

212-Quais os parâmetros para a judiscialização do direito à saúde definidos pelo STF?

R. Segundo Gilmar Mendes, em tal caso, realizando audiência pública sobre o tema - judiscialização da saúde - alvo
de grandes controvérsias no âmbito dos Tribunais Pátrios, foram fixadas alguns parâmetros para as decisões
judiciais:
a) O primeiro dado a ser considerado é a existência, ou não, de política estatal que abranja a prestação de saúde
pleiteada pela parte. Isso porque, ao deferir uma prestação de saúde incluída entre as políticas sociais e econômicas
formuladas pelo SUS, o Judiciário não está criando política pública, mas apenas determinando o seu cumprimento.
2) Como regra geral a ser adotada, é vedado à Administração Pública fornecer fármaco que não possua registro na
ANVISA. Apenas em casos excepcionais, cuja verificação ocorrerá em concreto, a importação de medicamento não
registrado poderá ser autorizada pela ANVISA.
3) Como regra geral, deverá ser privilegiado o tratamento fornecido pelo SUS em detrimento de opção diversa
escolhida pelo paciente, sempre que não for comprovada a ineficácia ou a impropriedade da política de saúde
existente; essa sistemática pressupõe, porém, a necessidade de revisão periódica dos protocolos existentes e de
elaboração de novos protocolos - uma vez que o SUS adotou a teoria da Medicina com base em evidências
conjuntamente com um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas;
Essa conclusão não afasta, contudo, a possibilidade, ainda que excepcional, de o Poder Judiciário, ou de a própria
Administração, decidir que medida diferente da custeada pelo SUS deve ser fornecida a determinada pessoa que,
por razões específicas do seu organismo, comprove que o tratamento fornecido não é eficaz no seu caso. Assim, em
casos excepcionais, os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas do SUS poderão ser contestados judicialmente.
4) Além disso, os tratamentos experimentais (sem comprovação científica de sua eficácia) são realizados por
laboratórios ou centros médicos de ponta, consubstanciando-se em pesquisas clínicas. A participação nesses
tratamentos rege-se pelas normas que regulam a pesquisa médica e, portanto, o Estado não pode ser condenado a
fornecê-los.
5) Quanto aos novos tratamentos(ainda não incorporados pelo SUS) é preciso muita cautela para apreciar a matéria.
Como frisado pelos especialistas ouvidos na audiência pública, o conhecimento médico não é estanque, sua
evolução é muito rápida e dificilmente suscetível de acompanhamento pela burocracia administrativa. Se, por um
lado, a elaboração dos Protocolos Clínicos e das Diretrizes Terapêuticas privilegia a melhor distribuição de recursos
públicos e a segurança dos pacientes; por outro, a aprovação de novas indicações terapêuticas pode ser muito lenta
e, assim, acabar por excluir o acesso de pacientes do SUS a tratamento há muito prestado pela iniciativa privada.
Nesses casos, a omissão administrativa no tratamento de determinada patologia poderá ser objeto de impugnação
judicial, tanto por ações individuais como coletivas

213-Pode-se determinar no Estado a recondução dos mesmo membros da mesa da Assemblèia Legislativa?

R. Nos termos do art. 57, §4º, na eleição das mesas, é vedada a recondução para o mesmo cargo de seus membros.
No entanto, tal dispositivo não é de reprodução obrigatória para os Estados-Membros, pois não constitui um
princípio constitucional estabelecido, já que não se trata de um preceito sensível a organização dos Poderes do
Estado. Deste modo, de acordo com o STF, tal competência se encontra inserida na capacidade de auto-organização
conferida aos estados federados.

214-O que é direito pensal subterrâneo?

R. Considera-se, segundo Cleber Masson, o exercício irregular do direito de punir do Estado, como se fosse um
Estado paralelo. É aquele praticado às escuras, às avessas da lei, exercício arbitrário da lei pelos agentes da
Administração Pública: execuções sem processo, tortura, cárcere privado, sob a pretensa alegativa de estar-se
cumprindo a lei.

215-O que é o princípio do compartilhamento da infraestrutura?

R. Segundo o princípio do compartilhamento da infra-estrutura, a infra-estrutura monopolizada por determinado


agente econômico e considerada essencial para o desempenho da atividade deve ser compartilhada pelos
concorrentes. A imposição de compartilhamento da infra-estrutura decorre da necessidade do cumprimento da
função social da propriedade, em consonância com o princípio constitucional da livre concorrência e da defesa do
consumidor, bem como a consagração do Estado Regulador. O compartilhamento pode ser interno, quando envolve
serviços do mesmo setor regulado, ou externo, quando envolve setores regulados distintos. Exemplificando, o
direito brasileiro regula expressamente o compartilhamento no art. 73 da Lei Geral de Telecomunicações (Lei nº
9.472/97). Trata-se de um dispositivo que permite a utilização compartilhada de postes, dutos, condutos e servidões
pelas prestadoras de serviços de telecomunicação de forma compartilha com outros serviços públicos. O
compartilhamento justifica-se quando a criação de infra-estrutura exclusiva torne inviável a exploração econômica
do serviço; ou quando faltem meios físicos suficientes para instalação de uma nova estrutura econômica.
A competência para disciplinar o compartilhamento de infra-estrutura foi atribuída legalmente ao órgão regulador
da empresa cessionária dos meios. Por exemplo, cabe a ANEEL estabelecer as condições para compatibilizar o uso
secundário da infra-estrutura com o atendimento prioritário do serviço elétrico. O art. 73 da lei supracitada prevê
expressamente que o beneficiário da infra-estrutura deve compensar economicamente a empresa cessionária.

216-Na perspectiva de responsabilidade civil do Estado,diferencie ressarcimento,reparação e idenização.

R. Segundo Jessé Torres, há uma distinção técnica entre ressarcimento, reparação e indenização. Ressarcimento e
reparação concerniriam a atos ilícitos. Havendo um ato ilícito por parte do Estado, deverá ocorrer o ressarcimento
ou a reparação. Quando o dano fosse de ordem moral, estaríamos diante de um dever de reparação. No dano
material por ato ilícito, estaríamos diante de um dever de ressarcimento.
A indenização ocorreria quando o dano decorresse de ato lícito, que ensejasse prejuízo ao particular. É o que
distingue a responsabilidade civil do Estado da intervenção do Estado na propriedade. No ressarcimento, a atuação
do Estado gera como subproduto o dano ao particular, mas esta não tem por finalidade específica causar este dano;
o dano é mero reflexo do risco da atividade administrativa. Na indenização o Estado, autorizado pelo ordenamento
jurídico, atua diretamente sobre a esfera do particular, causando-lhe dano, como ocorre na desapropriação.

217-Quais os parâmetros para fins de interposição de ADPF?

R. NA ADPF, os parâmetro são os preceitos fundamentais, consoante o próprio nome da ação. O problema é que
nem a Constituição nem a Lei n. 9882/99 definem o que é preceito fundamental. Para isto utiliza-se o entendimento
do Supremo na ADPF n. 33. Neste julgado foi fixado como preceito fundamental o seguinte:
Princípios fundamentais (são os do art. 1o ao art. 4o, CRFB). Direitos fundamentais (art. 5o ao art. 17 e também
outros direitos esparsos na CRFB). Princípios constitucionais sensíveis (art. 34, VII, CRFB – princípios que uma vez
violados ensejam a intervenção federal).
Cláusulas pétreas (art. 60, § 4o, CRFB).

218-O que a teoria do Ilusionismo no âmbito da proteção dos direitos humanos?

R. Política muito adotada pelos Estado: diante da tendência irreversível de proteção dos direitos humanos e a
própria expansão dos tratados, Estado reconhece a importância das questões e ratifica tratados sobre direitos
universalmente reconhecidos - no entanto, diante de uma possível responsabilização internacional pela sua atuação
contraria a esses tratados alega que não ha que se falar em violação uma vez que o documento não foi descumprido,
apenas foi atribuída a ele uma interpretação pautada na concepção nacional daqueles conceitos ali traduzidos,
consolidando a dicotomia universalismo na ratificacao x localismo na aplicação.

219-O que é o princípio do dedutível e do deduzido?

R. O princípio do dedutível e do deduzido também é chamado de eficácia preclusiva da coisa julgada, e está previsto
no art. 474 do Código de Processo Civil. Segundo este artigo, passada em julgado a sentença de mérito, reputar-se-
ão deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas, que a parte poderia opor assim ao acolhimento como à
rejeição do pedido. Significa dizer que a parte não poderá ajuizar outra demanda para discutir o mesmo fato, mesmo
que tenha novos argumentos. Tal princípio serve para dar mais estabilidade a coisa julgada, já que, do contrário,
seria possível às partes fracionar seus argumentos com o fim de possuir mais tentativas de êxito em processos
judiciais.

220-Qual a diferença entre enriquecimento sem causa e enriquecimento ilícito?


R. Segundo Flavio Tartuce, categoricamente, o enriquecimento sem causa não se confunde com o enriquecimento
ilícito. Na primeira hipótese, falta uma causa jurídica para o enriquecimento. Na segunda, o enriquecimento está
fundado em um ilícito. Assim, todo enriquecimento ilícito é sem causa, mas nem todo enriquecimento
sem causa é ilícito. Um contrato desproporcional pode não ser um ilícito e gerar enriquecimento sem causa.

221-Como se concebe o estado constitucional cooperativo no âmbito do direito ambiental?


R. Para efeitos conceituais, o Estado Constitucional Moderno é gênero do qual Estado Liberal, Estado Social, Estado
de Bem-Estar, Estado Contemporâneo e todas as outras denominações dadas às variações de seu âmbito de
atuação, são espécies. Ou seja, há uma só matriz político-jurídica, com vários modelos que foram surgindo a partir
de decisões ou necessidades ideológicas. Sua estrutura vem passando por transformações ao longo da história. Do
conceito de Estado de Direito dos séculos XVIII e XIX avançou-se para o de Estado Constitucional, que no século XX
ganhou a preeminência nas formulações políticas do mundo ocidental. A partir da segunda metade do século XX,
com o fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados, em sua conformação Constitucional, passaram a vivenciar uma
nova perspectiva: a dos blocos e comunidades transnacionais, as quais se formaram em busca de uma maior força
pelas alianças econômicas, políticas e até culturais. Foi também após a segunda guerra mundial que as Constituições
nacionais começaram a se aprimorar no sentido de reconhecer e proteger certos Direitos Humanos, antes não
previstos, como o meio ambiente ecologicamente equilibrado (este, mais especificamente, após a Declaração de
Estocolmo, de 1972). Häberle define essa etapa como a fase de integração entre o Estado Constitucional e os
Direitos Humanos. Com o advento dos riscos perspectivados em termos políticos, econômicos, sociológicos,
filosóficos e ambientais, despontou a necessidade de uma nova transformação. A rígida estruturação do Estado
obrigou a buscar novas alternativas de sociabilidade que neutralizem e previnam tais riscos e abram caminho para
novas possibilidades democráticas. É aí que se enquadram as propostas de um Estado Constitucional Cooperativo. O
termo, criado pelo doutrinador alemão Peter Häberle na década de 70, está fundado no Princípio da Cooperação, na
interdependência econômica dos Estados Constitucionais e na consagração dos Direitos Humanos nas ordens
internas. Cabe ressaltar que o autor estruturou sua teoria de acordo com a realidade de seu país, no intuito de
buscar uma ampliação da proteção ambiental por parte do Estado.
Segundo o autor, a Constituição permite a abertura para o futuro, pois institucionaliza as experiências e abre espaço
para o desenvolvimento do espírito humano e sua história. Não se trata de um texto de utilização dos juristas, que
devem interpretá-la de acordo com as antigas e novas regras da profissão, mas de um guia para aqueles que não são
juristas. O cidadão da Constituição não é só um texto jurídico ou um mecanismo normativo, mas a expressão de um
estágio do desenvolvimento cultural, um meio para a representação do povo perante si mesmo, um espelho de seu
patrimônio cultural e um fundamento para suas esperanças. No Brasil, essa análise só foi possível com a Constituição
de 1988. A partir de então passou a se questionar as formas de alcançar o ideal de uma sociedade livre, justa e
solidária (prevista no artigo 3º, inciso I, da Constituição Federal de 1988) no plano interno do Estado Constitucional
brasileiro, sem descuidar, no plano externo, de políticas que privilegiem a prevalência dos Direitos Humanos, a
igualdade entre os Estados, a defesa da paz, a proteção do meio ambiente, enfim, a cooperação entre os povos para
o progresso da humanidade (prevista no artigo 4º, incisos II, V,VI,IX, da Constituição Federal de 1988). O equilíbrio
entre os dois pontos encontra-se na forma de interpretar o texto constitucional. A Constituição passou a influenciar
todos os ramos do Direito, sejam eles públicos ou privados; em outras palavras, a ordem constitucional passou a
irradiar os seus efeitos sobre todo o ordenamento jurídico. Nesse sentido é que pode ser compreendida uma
mudança na forma de tratar a proteção ambiental. Sendo um Direito Fundamental, ele merece ponderação em
todos os níveis de decisões, públicas ou privadas, por determinação do texto Constitucional. Essa transformação na
maneira de encarar a obrigatoriedade de proteção ambiental provoca uma mudança cultural na forma de o
indivíduo relacionar-se com seu meio, fazendo com que todos sejam responsáveis por parcela deste dever de
proteger o meio ambiente.

222-Quais as teorias que embasam os fundamentos filosóficos dos direitos humanos?

R. Teoria positivista - a própria fundamentação dos Direitos Humanos decorre da lei. Apenas existem porque a lei diz
que o é assim.
Teoria jusnaturalista - Os direitos humanos são direitos naturais, inatos, decorrem da natureza humana. Parte da
doutrina alega que tal teoria não deve ser adotada em virtude da própria característica de historicidade, de
expansividade dos direitos humanos.
Teoria moralista - Direitos são considerados humanos/fundamentais independente de positivação no ordenamento
jurídico, o são em razão de valores morais que permeiam a sociedade.

223-Admite-se criação de cargos em comissão para médicos?

R. Primeiramente, consoante o disposto na Constituição Federal, como modalidade excepcional de provimento de


cargos públicos, apenas pode-se admitir a criação de cargos em comissão para as funções de direção, chefia e
assessoramento. Além disso, consoante a jurisprudência dos Tribunais Superiores, é impossível a criação de cargos
em comissão quando inexiste relação de confiança entre a autoridade nomeante e o comissionado, ou seja, quando
esse presta seus serviços independentemente de orientação dela, tal como no caso narrado, de médicos,
enfermeiros e jornalistas.

224-Qual a natureza jurídica do reexame necessário?

R. No que pese grande controvérsia jurisprudência e doutrinaria a respeito do tema, prevalece que a natureza
jurídica da remessa necessária/reexame necessário é de condição objetiva de eficácia da sentença. Por vários
motivos, dentre os quais a ausência de voluntariedade e a inexistência de taxatividade, advoga-se que não ha mais
como encarar o reexame necessário como sendo recurso. Ademais, a ausência de recurso da Fazenda Publica contra
sentença de primeiro grau não impede que se recorra do aresto proferido, uma vez que não se pode falar em
preclusão lógica nesse caso, conforme jurisprudência edificada pelo STJ.

225-Analise e interprete a suspensão do prazo prescricional prevista no art.20,paragráfo terceiro,da LEF.

R. No que tange às dividas ativas tributárias, consoante entendimento dos Tribunais Superiores, o prazo de
suspensão da prescrição constante desse artigo não foi recepcionado pela CF/88 que dispõe no art. 146, III, b que
compete à lei complementar dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, mas a Lei 6.830 é lei
ordinária. Tal artigo então, se aplica, ao caso de dívida ativa não-tributária - uma vez que não existe tal limitação.

226-Fale sobre o instituto da tredestinação lícita/ilícita e relacione com a retrocessão.

R. A Tredestinação, assentada na ideia de desvio de finalidade, é a destinação desconforme do bem expropriado com
o plano inicialmente previsto. Ocorre quando o Poder Público não aplica o bem, adquirido por desapropriação, à
finalidade pública que suscitou o desencadeamento de sua força expropriatória. A Tredestinação lícita dá-se quando,
persistindo o interesse público, o expropriante dispensa ao bem desapropriado destino diverso do que planejara no
início. A ilícita, à sua vez, concretiza-se quando o Poder Público, em flagrante ofensa ao interesse público, transfere a
terceiro, por exemplo, o bem desapropriado ou pratica outro desvio de finalidade pública, permitindo que alguém se
beneficie de sua utilização. A Retrocessão é um direito real segundo entendimento predominante (defende-se
minoritariamente ser direito pessoal), consistente em o exproprietário poder reaver o bem expropriado, mas não
preposto à finalidade pública, sendo o meio pelo qual o expropriado pode reivindicar aludido bem e, diante da
impossibilidade de fazê-lo, postular em juízo a reparação pelas perdas e danos sofridos. Segundo o Superior Tribunal
de Justiça a retrocessão apenas se dá em caso de grave desvio de finalidade no ato estatal, o que configura
tredestinação ilícita, não se aplicando, pois, à tredestinação lícita.

227-O que é referenda ministerial?

R. Segundo Alexandre Mazza, nos termos do art. 87, parágrafo único, I, da Constituição Federal, referenda
ministerial é a manifestação de anuência aposta pelo Ministro de Estado nos atos e
decretos presidenciais que versem sobre matéria relacionada ao respectivo ministério. A doutrina discute o que
ocorre se o Ministro deixar de referendar decreto pertinente à sua pasta. O entendimento majoritário considera que
a falta de referenda não interfere na existência, validade ou eficácia do decreto. É a mesma conclusão a que
chegou o Supremo Tribunal Federal no julgamento do MS 22.706-1. Entretanto, a recusa na
aposição da referenda ministerial representa grave ruptura da vinculação hierárquica diante do
Presidente da República, importando a automática exoneração do Ministro envolvido.

228-Cabe danos morais em ação de improbidade?

R. Existe controvérsia jurisprudencial quanto à possibilidade de condenação por


danos morais na ação de improbidade administrativa. A 1ª Turma do STJ rejeita tal possibilidade, considerando
incompatível o dano moral, qualificado pela noção de dor e sofrimento psíquico, e a natureza transindividual da
referida ação (Resp. 821.891). Em sentido contrário, a 2ª Turma admite condenação por dano moral, quer pela
frustração causada pelo ato ímprobo à comunidade, quer pelo desprestígio efetivo causado à entidade pública
lesada.

229-O que é a tendência de personificação dos contratos administrativos?


R. No âmbito da prestação indireta de serviços públicos, que aquela que não é prestada pelo ente político,
consoante Alexandre Mazza, existe uma tendência da legislação regente de exigir que sejam constituidas pessoas
juridicas especificas para gerenciar contratos administrativos. É o caso da Lei das Parceiras Públicos-Privadas, que
dispõe no art 9: Art. 9o Antes da celebração do contrato, deverá ser constituída sociedade de propósito específico,
incumbida de implantar e gerir o objeto da parceria.

230-Admite-se propositura de emenda constitucional por iniciativa popular?


R. Maior parte da doutrina considera que não é possivel a edição de emendas constitucionais com iniciativa popular.
Primeiramente, a iniciativa popular não constou nao no rol dos legitimados para tanto pela CF/88 em seu art. 60 - se
o constituinte desejasse, deveria ter incluido o povo. Além disso, por uma interpretação topológica, quando a
própria Carta Magna trata de iniciativa popular, no parágrafo terceiro do art. 61, trata-a dentro da subseção III,
relativa às leis, e não na subseção II, da emenda à Constituição.

231-Admite dispensa de licitação por licitação deserta em caso de convite?


R. NÃO SE DISPENSA LICITAÇÃO, COM FUNDAMENTO NOS INCS. V E VII DO ART. 24 DA LEI NO 8.666, de 1993, CASO
A LICITAÇÃO FRACASSADA OU DESERTA TENHA SIDO REALIZADA NA MODALIDADE CONVITE.

232-A vedação ao confisco também se aplica às multas tributárias?

R. Segundo Eduardo Sabbag, o STF entende que sim, e o faz desde a década de 1960. Multa não é tributo, mas
sanção exigível perante o descumprimento de obrigação tributária, como nítida reação do Direito a um
comportamento devido, e não realizado. A doutrina majoritária e o próprio STF tem se mostrado favorável à
aplicação do postulado tributário às multas exacerbadas. Afirma-se, em resumo, que tanto a multa moratória quanto
a multa punitiva podem ser confiscatórias se extrapolarem os lindes do adequado, do proporcional, do razoável e do
necessário, colocando em xeque as suas precípuas finalidades. Portanto, o STF estendeu esse princípio tributário a
uma realidade diversa do tributo (multas), em homenagem ao direito de propriedade e à liberdade empresarial.
Além disso, o Supremo sempre mencionou nos seus julgados os critérios de razoabilidade e proporcionalidade, que
devem ser bem perseguidos pelo Estado (ADI 1.075; ADI 551).

233-As sentenças internacionais precisam de homologação no STJ para aqui serem cumpridas?

R. As sentenças internacionais(proveniente de organizações internacionais), diferentemente das


estrangeiras(proveniente de Estados estrangeiros), não necessitam de homologação perante o STJ.
234-Solução pacífica de controvérsias-a guerra cabe apenas no caso de legítima defesa no âmbito do Direito
Internacional?

R. Incorreta. Segundo Portela, a guerra a guerra não é entendida como meio lícito de resolução de litígios
internacionais, salvo nas hipóteses permitidas pelo Direito das Gentes, que se restringem a duas: • Legítima defesa;
• Interesse da comunidade internacional em manter ou restaurar a paz. Assim, a questão apenas falou de uma delas,
razão pela qual deve ser considerada incorreta.

235-A obrigatoriedade de reparação de meio ambiente é pessoal?

R. A responsabilidade civil ambiental, consoante entendimento do STJ, independe da pessoalidade da conduta,


podendo ser exigida mesmo dos novos adquirentes do imóvel. Nesse caso, abranda-se a necessidade de
comprovação do nexo causal como forma de privilegiar o meio ambiente. Aduz-se que a obrigação de reparar o dano
ambiental é propter rem, aderindo a coisa(imóvel). Isso também está previsto no regramento da APP, no parágrafo
primeiro do art 7o.

236-O STF vem aplicando que teoria ao mandado de injução?

R. O mandado de injução, na jurisprudência do STF, passou por diversas fases. Desde a fase não concretista(em que
o Tribunal apenas declarava que estava em omissão), depois a fase concretista-individual(em que o Tribunal apenas
declarava o direito no caso concreto ao indivíduo) e a concretista-intermediária(em que o Tribunal dava prazo para o
legislador atuar, se não iria decidir o caso), até chegar à fase concretista-geral(em que o Tribunal decide o caso para
todos). Atualmente, o STF vem aderindo à tal corrente, como se pode visualizar na decisão que determinou a
aplicação no que couber da lei de greve dos servidores da iniciativa privativa aos servidores públicos.

237-Quais as características do neoconstitucionalismo?

R. O neoconstitucionalismo opõe-se, basicamente, ao positivismo jurídico teórico do século XIX. Traz o


neoconstitucionalismo como modelo de Constituição e de Estado.
Características:
• Reconhecimento da força normativa da Constituição: hoje, não se concebe a Constituição que não seja do ponto
de vista jurídico, e não apenas político e moral; a Constituição é norma, de caráter vinculante a todos os Poderes.
• Superioridade da Constituição (supremacia formal e material): sobretudo no que toca aos direitos fundamentais;
• Rematerialização das Constituições: textos prolixos, pois tratam de diversos assuntos, inclusive com diretrizes e
opções políticas (vinculantes) para o legislador. Atualmente, é inconcebível que um dispositivo da Constituição não
seja vinculante e obrigatório. Não existem “conselhos” no texto constitucional.
• Centralidade da Constituição e dos direitos fundamentais: antes, quem estava no centro do ordenamento jurídico
era a lei. No modelo de Estado do constitucionalismo contemporâneo, quem está no centro é a Constituição, e não
mais a lei. O fenômeno da constitucionalização do direito está diretamente ligado a essa ideia de centralidade,
possuindo três aspectos importantes:
o Consagração, cada vez maior, de normas de outros ramos do direito no texto constitucional: ex.: normas de D.
Previdenciário, D. Administrativo etc.;
o Interpretação das leis conforme a Constituição: a interpretação do direito infraconstitucional deve se dar à luz da
Constituição, pois ela é o fundamento de validade de todas as leis.
o Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: os direitos fundamentais deixam de ser oponíveis apenas em face do
Estado (eficácia vertical) e passam a ser aplicados também às relações entre particulares (eficácia horizontal).
• Fortalecimento do Poder Judiciário: está ligado diretamente ao reconhecimento da força normativa da
Constituição. Se o legislador e o administrador não cumprem a sua função, o Judiciário acaba se fortalecendo, em
virtude da omissão e inércia daqueles primeiros.

238-O poder constituinte originário pode ser limitado pelos valores que informam a sociedade?
R. O poder constituinte derivado possui natureza jurídica, ao contrário do originário, que possui natureza política.
No que tange às limitações materais do Poder Constituinte Originário, existe uma concepção positivsta, que aduz
que ele poderia legislar a respeito de quaisquer temas sem nenhuma vinculação.

Tal teoria é refutada por vários doutrinadores, dentre eles Jorge Miranda. Para tal autor, existem três categorias de
limites possíveis: os transcedentes, os imanentes e os heterônomos. Cumpre observar o entendimento de Marcelo
Novelino sobre o tema:

Dirigidos ao Poder Constituinte material, os limites transcendentes são aqueles que, advindos de imperativos do
direito natural, de valores éticos ou de uma consciência jurídica coletiva, impõem-se à vontade do Estado,
demarcando sua esfera de intervenção. É o caso, por exemplo, dos direitos fundamentais imediatamente conexos
com a dignidade da pessoa humana.

A necessidade de observância e respeito por parte do Poder Constituinte aos direitos fundamentais conquistados
por uma sociedade e sobre os quais haja um consenso profundo é conhecida como princípio da proibição de
retrocesso (“efeito cliquet”). Hipótese de violação deste princípio seria a consagração da pena de morte, além do
caso de guerra declarada previsto na atual Constituição (CF, art. 5.°, XLVII, a), em uma Constituição futura. Os limites
imanentes são impostos ao Poder Constituinte formal e estão relacionados à “configuração do Estado à luz do Poder
Constituinte material ou à própria identidade do Estado de que cada Constituição representa apenas um momento
da marcha histórica”. Referem-se a aspectos como a soberania ou a forma de Estado. Os limites heterônomos são
provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. Dizem respeito a princípios, regras ou atos de
direito internacional que impõem obrigações ao Estado ou a regras de direito interno. No primeiro caso, observa-se
a flexibilização do caráter autônomo e ilimitado do Poder Constituinte como decorrência, sobretudo, da globalização
e da crescente preocupação com a proteção dos direitos humanos.

Em relação ao direito interno, no caso de Estados compostos ou complexos, tais como a federação, revelam-se nos
limites recíprocos entre o Poder Constituinte federal os poderes constituintes dos Estados federados. NOVELINO,
Marcelo. Manual de Direito Constitucional, 9ª edição, Editora Método, 2014, pag. 92 e 93)

239-O IPTU pode incidir sobre àrea Non Aedificandi?

R. O fato de parte de um imóvel urbano ter sido declarada como Área de Preservação Permanente (APP) e, além
disso, sofrer restrição administrativa consistente na proibição de construir (nota non aedificandi) não impede a
incidência de IPTU sobre toda a área do imóvel. Nos termos da jurisprudência do STJ, “A restrição à utilização da
propriedade referente a área de preservação permanente em parte de imóvel urbano (loteamento) não afasta a
incidência do Imposto Predial e Territorial Urbano, uma vez que o fato gerador da exação permanece íntegro, qual
seja, a propriedade localizada na zona urbana do município. Cuida-se de um ônus a ser suportado, o que não gera o
cerceamento total da disposição, utilização ou alienação da propriedade, como ocorre, por exemplo, nas
desapropriações.” (REsp 1.128.981-SP, Primeira Turma, DJe 25/3/2010). O fato de parte do imóvel ser considerada
como área non aedificandi (área com restrições legais ou contratuais onde não é permitido construir) não afasta o
referido entendimento, pois não há perda da propriedade, mas apenas restrições de uso, a fim de viabilizar que a
propriedade atenda à sua verdadeira função social. Logo, se o fato gerador do IPTU, conforme o disposto no art. 32
do CTN, é a propriedade de imóvel urbano, a simples limitação administrativa de proibição para construir não
impede a sua configuração. Ademais, não há lei que preveja isenção tributária para a situação analisada, conforme a
exigência dos arts. 150, § 6º, da CF e 176 do CTN. (AgRg no REsp 1.469.057-AC, Segunda Turma, DJe 20/10/2014).

240-Ente público pode adquirir bem por usucapião?

R. Primeiramente, cumpre estabelecer que pelas suas características, os bens públicos são insuscetíveis de
prescrição aquisitiva (usucapião) - assim, o patrimônio público não pode ser usucapido. Todavia, consoante doutrina
majoritaária, é possível o Estado usucapir bens particulares, uma vez que inexiste restrição nas normas do CC e da
CF/88 sobre o tema sobre a sua aplicação aos particulares.

241-A responsabilidade dos pais ainda existe em que tipo de emancipação?

R. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO.ATROPELAMENTO. LESÕES


CORPORAIS. INCAPACIDADE. DEVER DE INDENIZAR.REEXAME DE MATÉRIA DE FATO. REVISÃO DO VALOR DA
INDENIZAÇÃO POR DANOMORAL. PENSÃO MENSAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. CUMULAÇÃO.POSSIBILIDADE.
JULGAMENTO ULTRA PETITA. OCORRÊNCIA. RESPONSABILIDADECIVIL DOS PAIS. EMANCIPAÇÃO. 1. Não cabe recurso
especial por alegada ofensa a dispositivosconstitucionais. 2. A emancipação voluntária, diversamente da operada por
força delei, não exclui a responsabilidade civil dos pais pelos atospraticados por seus filhos menores. 3.
Impossibilidade de reexame de matéria de fato em recurso especial (Súmula 7 do STJ). 4. Admite a jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça,excepcionalmente, em recurso especial, reexaminar o valor fixado atítulo de indenização
por danos morais, quando ínfimo ou exagerado.Hipótese, todavia, em que o valor foi estabelecido na
instânciaordinária, atendendo às circunstâncias de fato da causa, de formacondizente com os princípios da
proporcionalidade e razoabilidade. 5. A percepção de benefício previdenciário não exclui o pagamento depensão
mensal como ressarcimento por incapacidade decorrente de atoilícito. Precedentes. 6. Indevidos décimo terceiro e
férias, não postulados na inicial,uma vez que o autor não era assalariado, desenvolvendo a atividadede pedreiro
como autônomo. 7. Agravo regimental parcialmente provido.

242-O prazo para emendar a inicial è dilatório?

R. A Seção, ao apreciar o REsp submetido ao regime do art. 543-C do CPC e Res. n. 8/2008-STJ, firmou o
entendimento de que o prazo previsto no art. 284 do CPC não é peremptório, mas dilatório. Caso a petição inicial
não preencha os requisitos exigidos nos arts. 282 e 283 do CPC, ou apresente defeitos e irregularidades sanáveis que
dificultem o julgamento do mérito, o juiz determinará que o autor a emende ou a complete no prazo de 10 dias.
Porém, decidiu-se que esse prazo pode ser reduzido ou ampliado por convenção das partes ou por determinação do
juiz, nos termos do art. 181 do código mencionado. Com base nesse entendimento, concluiu-se que mesmo quando
descumprido o prazo de 10 dias para a regularização da petição inicial, por tratar-se de prazo dilatório, caberá ao
juiz, analisando o caso concreto, admitir ou não a prática extemporânea do ato pela parte.

243-Qual a teoria adotada pelo CP a respeito do nexo de cansalidade?

R. Segundo Rogerio Sanches, dissertando sobre as teorias do nexo de causalidade, temos(ainda existe a da
imputação objetiva): a) Teoria da Equivalência dos antecedentes (= teoria da equivalência das condições = teoria da
causalidade simples = teoria da condição generalizadora = teoria da conditio sine qua non): causa é todo fato
humano sem o qual o resultado não teoria ocorrido, quando e como ocorreu.

b) Teoria da causalidade adequada (= teoria da condição qualificada = teoria individualizadora): causa é o


antecedente não só necessário, mas adequado à produção do resultado. Considera-se a conduta adequada quando
idônea a gerar o efeito. A idoneidade baseia-se na regularidade estatística, excluindo acontecimentos
extraordinários, fortuitos, excepcionais e anormais. Portanto, a causa adequada é aferida de acordo com o juízo do
homem médio e com a experiência comum.

O Código Penal Brasileiro adotou a TEORIA DA CAUSALIDADE SIMPLES, generalizando as condições, ou seja, todas as
causas concorrentes se põem no mesmo nível de importância, equivalendo-se em seu valor ⇒ teoria da equivalência
dos antecedentes causais ou teoria da “conditio sine qua non”. Nesse contexto, podemos conceituar causa como
toda conduta pretérita sem a qual o resultado não ocorreria como e quando ocorreu.
244-Prisão temporária pode ser decretada durante o processo judicial ?

R. Segundo Renato Brasileiro, prisão temporária é uma ESPÉCIE DE PRISÃO CAUTELAR decretada pela autoridade
competente durante a FASE PRELIMINAR DE INVESTIGAÇÕES, com PRAZO PREDETERMINADO de duração, a ser
utilizada quando a privação da liberdade de locomoção do investigado for indispensável para ASSEGURAR A
EFICÁCIA DAS INVESTIGAÇÕES, seja em relação às infrações penais mencionadas no art. 1º, III, da Lei 7.960/89, seja
em relação a crimes hediondos e equiparados.
Frise-se que NÃO EXISTE PRISÃO TEMPORÁRIA NA FASE PROCESSUAL. Ela só pode ser decretada na fase
investigatória (lembre-se que o inquérito não é o único instrumento investigatório). Além disso, ela tem prazo
predeterminado, imposto pela própria lei, bem como NÃO PODE SER DECRETADA DE OFÍCIO PELO MAGISTRADO.

245-Pode-se aplicar o aviso prévio aos contratos com termo final ?

R. Como regra geral, o aviso prévio é cabível na hipótese de contrato de trabalho que seja por prazo indeterminado
(art. 487, caput, CLT). Não se aplica no trabalho temporário regido pela Lei n. 6.019/74, como também nos contratos
de trabalho por prazo determinado. Todavia, ele poderá incidir nos contratos a termo, quando no pacto por prazo
determinado houver a previsão da cláusula assecuratória do direito recíproco de rescisão previsto no art. 481 da
CLT.

246-A possibilidade de fuga impede a legítima defesa?

R. Segundo Rogerio Sanches, ao contrário do que ocorre no estado de necessidade, a possibilidade de fuga ou
socorro pela autoridade pública não impede a legítima defesa; não se impõe o commodus discessus, isto é, o
agredido não está obrigado a procurar a saída mais cômoda e menos lesiva para escapar do ataque injusto.

247-Abuso de autoridade-qual a natureza da ação e prazo para o MP denunciar?

R. Segundo Silvio Maciel, os crimes de abuso de autoridade são de ação penal pública INCONDICIONADA, ou seja,
não dependem de representação da vítima, não obstante a previsão final do art. 12. A representação a que se refere
o art. 12 não é a do CPP, mas o direito de petição contra o abuso de poder, previsto no art. 5º, XXXIV, “a”, da CF/88.
Além disso, o prazo para o MP denunciar é 48 horas, consoante o art. 13 da Lei de Abuso de Autoridade.
Art. 13. Apresentada ao Ministério Público a representação da vítima, aquele, no prazo de quarenta e oito horas,
denunciará o réu, desde que o fato narrado constitua abuso de autoridade, e requererá ao Juiz a sua citação, e, bem
assim, a designação de audiência de instrução e julgamento.

248-Portaria é ato de regulamentação de segundo grau?

R. Segundo José dos Santos Carvalho Filho: “Por esse motivo é que considerando nossa sistemática de hierarquia
normativa, podemos dizer que existem graus diversos de regulamentação conforme o patamar em que se aloje o
regulamentador. Os decretos e regulamentos podem ser considerados como atos de regulamentação de primeiro
grau; outros atos que a eles se subordinem e que, por sua vez, os regulamentem, evidentemente com maior
detalhamento, podem ser qualificados como atos de regulamentação de segundo grau, e assim por diante“ Segundo
tal entendimento, as portarias devem sim ser consideradas atos de regulamentação de segundo grau.

249-Qual a responsabilidade da parecerista em caso de parecer opinativo?


R. EMENTA: CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. CONTROLE EXTERNO. AUDITORIA PELO TCU. RESPONSABILIDADE
DE PROCURADOR DE AUTARQUIA POR EMISSÃO DE PARECER TÉCNICO-JURÍDICO DE NATUREZA OPINATIVA.
SEGURANÇA DEFERIDA. I. Repercussões da natureza jurídico-administrativa do parecer jurídico: (i) quando a consulta
é facultativa, a autoridade não se vincula ao parecer proferido, sendo que seu poder de decisão não se altera pela
manifestação do órgão consultivo; (ii)quando a consulta é obrigatória, a autoridade administrativa se vincula a emitir
o ato tal como submetido à consultoria, com parecer favorável ou contrário, e se pretender praticar ato de forma
diversa da apresentada à consultoria, deverá submetê-lo a novo parecer; (iii) quando a lei estabelece a obrigação de
decidir à luz de parecer vinculante, essa manifestação de teor jurídica deixa de ser meramente opinativa e o
administrador não poderá decidir senão nos termos da conclusão do parecer ou, então, não decidir. II. No caso de
que cuidam os autos, o parecer emitido pelo impetrante não tinha caráter vinculante. Sua aprovação pelo superior
hierárquico não desvirtua sua natureza opinativa, nem o torna parte de ato administrativo posterior do qual possa
eventualmente decorrer dano ao erário, mas apenas incorpora sua fundamentação ao ato. III. Controle externo: É
lícito concluir que é abusiva a responsabilização do parecerista à luz de uma alargada relação de causalidade entre
seu parecer e o ato administrativo do qual tenha resultado dano ao erário. Salvo demonstração de culpa ou erro
grosseiro, submetida às instâncias administrativo-disciplinares ou jurisdicionais próprias, não cabe a
responsabilização do advogado público pelo conteúdo de seu parecer de natureza meramente opinativa. Mandado
de segurança deferido.
250-Cabe imissão provisória na posse na despropriação para fins de reforma agrária?
R. Sobre o cabimento da imissao provisoria na posse, cumpre observar o disposto no DL 3365:
Art. 15-A No caso de imissão prévia na posse, na desapropriação por necessidade ou utilidade pública e interesse
social, inclusive para fins de reforma agrária, havendo divergência entre o preço ofertado em juízo e o valor do bem,
fixado na sentença, expressos em termos reais, incidirão juros compensatórios de até seis por cento ao ano sobre o
valor da diferença eventualmente apurada, a contar da imissão na posse, vedado o cálculo de juros compostos.
Os Tribunais Superiores ja decidiram que tal artigo dota-se de constitucionalidade. Assim, tanto no caso de
desapropriacao para fins de reforma agraria, quanto por utilidade ou necessidade publica, pode acontecer a imissao
provisoria na posse.

251-Em caso de culpa concorrente da vítima,o estado responde integralmente?

R. Consoante o disposto no art 37, parágrafo sexto, o Brasil adota, em caso de ação, a teoria da responsabilidade
objetiva baseada no risco administrativo - e não no risco integral. Assim, admitem-se excludentes de
responsabilidade, como o caso fortuito, a força maior e a culpa exclusiva de terceiro. No caso de culpa concorrente,
atenua-se a responsabilidade do Estado parcialmente, consoante a doutrina de Fernanda Marinela Assim, a
alternativa, ao mencionar que mesmo nos casos de culpa concorrente o Estado responde integralmente pelo dano,
está incorreta.

252-Cabe permissão de uso para utilizar rua para festa comemorativa?


R. Segundo Fernanda Marinela, normalmente, a permissão de uso é utilizada em situações em que o uso do bem
público não é ocasional, mas também não é permanente (os seus efeitos não são definitivos, ou seja, pode ser
desfeita com facilidade). É realizada visando ao atendimento do interesse público(sendo esse o preponderante) +
privado. Realiza-se mediante ato administrativo, unilateral, discricionário e precário. No caso da questão, como era
com o objetivo de realizar festa comemorativa do aniversário do bairro, atendendo primordialmente interesse
privado, pensamos que deveria se utilizar o instituto da autorização de uso. Nesse sentido, a doutrina de Marcelo
Alexandrino, que inclusive ao falar sobre exemplo de ato que necessita de autorização de uso, cita o caso de
autorização para fechamento de rua para festa popular(em um caso praticamente similar ao da questão narrada).

253-Costume internacional precisa ser unânime para virar norma de Direito Internacional?

R. Segundo Portela, o costume cuida-se da prática generalizada (elemento objetivo/volitivo), acrescida da convicção
de
que essa prática é juridicamente obrigatória (elemento subjetivo/psicológico). Essa prática não precisa ser unânime.
Assim, a alternativa está incorreta.

254-Quala distinção entre teoria da emprevisão e da teoria da quebra da base objetiva?

R. Teoria da quebra da base objetiva: diferentemente da teoria da imprevisão do Código Civil, aqui não interessa se o
fato superveniente que alterou a base do contrato seja imprevisível ou não. Além disso, também não exige a
extrema vantagem para o credor.
Temos, então, que a onerosidade excessiva se divide em duas:
Teoria da quebra da base objetiva (adotada pelo CDC)
Teoria da imprevisão (adotada pelo CC).

255-Apropiar-se de celular privado de funcionário público pode ser considerado peculato?

R. Primeiramente, cumpre observar o que dispõe o CP a respeito do crime de peculato: Art. 312 - Apropriar-se o
funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em
razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio. Assim, pode sim ocorrer o peculato em relação a bem
privado - ocorre que esse tem que estar na posse da Administração em razão do cargo. No caso descrito na questão,
o celular era de propriedade do próprio servidor público, era seu bem particular. Assim, não se pode considerá-lo
objeto para o crime de peculato. Vejamos entendimento aprundado de Rogerio Sanches sobre o tema(inclusive
abrangendo outros tópicos): Frise-se que a posse deve se dar EM RAZÃO DO CARGO. Isso significa dizer que deve
estar entre as atribuições do agente a posse da coisa. Ou seja, não basta posse por ocasião do cargo (deve haver um
nexo entre a posse e as atribuições do funcionário público). Assim, por exemplo:
• Inexistindo relação entre a posse invertida e o ofício desempenhado pelo agente, estará configurado o delito de
apropriação indébita; • Alcançada a posse da cosa mediante engodo, ardil ou outro meio fraudulento, haverá o
crime de estelionato;
• Se a posse decorre de violência ou grave ameaça, estaremos diante de um delito de roubo.

256-Norma do ADCT já exaurida pode ser parâmetro do controle de constitucionalidade abstrato?

R. Assim como ocorre em relação às normas constitucionais já revogadas, as normas do ADCT que tiveram sua
eficácia exaurida não podem servir de parâmetro para a aferição da parametricidade constitucional. Em tais
hipóteses, a incidência da norma implica o seu exaurimento eficacial. Ato contínuo, é correto dizer que, uma vez
cumprida sua função no ordenamento, não se prestam mais como normas de referência para o controle. No tocante
ao parâmetro na ADI, Bernardo Gonçalves Fernandes arremata o assunto: [...] a relação de parametricidade no Brasil
envolve as normas constitucionais expressas (art. 1º a 250 e ADCT) e implícitas na Constituição (formal). Certo é que
nessas normas constitucionais, atualmente, podemos acrescentar os tratados internacionais que passaram pelo
procedimento equivalente ao das emendas constitucionais nos moldes do art. 5º, § 3º, da CR/88 (introduzido pela
EC nº 45/04). Porém, temos ainda que salientar o que, definitivamente, não seráparâmetro (base) para a ADI, na
perspectiva desenvolvida pelo STF. Certo é que não pode ser usado como paradigma para o controle de
constitucionalidade: a) o preâmbulo da Constituição, pois o STF não admite sua força normativa; b) normas
constitucionais já revogadas (visto que foram destituídas de normatividade) ou as normas constitucionais do ADCT
que tiveram sua eficácia exaurida (por já terem cumprido sua função no ordenamento); c) normas das constituições
anteriores, visto que não são dotadas de validade (a não ser que a nova constituição excepcionalmente determine
de forma expressa) frente ao novo ordenamento constitucional, constituído a partir de 05.10.1988.

257-A União possui responsabilidade subsidiária em razão de má qualidade no atendimento de serviço de saúde?
R. A União não tem legitimidade passiva em ação de indenização por danos decorrentes de erro médico ocorrido em
hospital da rede privada durante atendimento custeado pelo SUS. Isso porque, de acordo com a descentralização
das atribuições previstas na Lei nº 8.080/90, a responsabilidade pela fiscalização dos hospitais credenciados ao SUS é
do Município, a quem compete responder em tais casos.
Assim, nos termos do art. 18, X, da Lei n.° 8.080/90, compete ao Município celebrar contratos e convênios com
entidades prestadoras de serviços privados de saúde, bem como controlar e avaliar a respectiva execução.
Não se deve confundir a obrigação solidária dos entes federativos em assegurar o direito à saúde e garantir o acesso
universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação, com a responsabilidade civil
do Estado pelos danos causados a terceiros. Nesta, o interessado busca uma reparação econômica pelos prejuízos
sofridos, de modo que a obrigação de indenizar se sujeita à comprovação da conduta, do dano e do respectivo nexo
de causalidade.
Dessa forma, não há qualquer elemento que autorize a responsabilização da União, seja porque a conduta não foi
por ela praticada, seja em razão da impossibilidade de aferir-se a existência de culpa in eligendo ou culpa in
vigilando.

258-Caso exista precedente do STF, o AGU é obrigado a defender a constitucionalidade da norma?

R. De acordo com Pedro Lenza, na ADI 1.616 — j. 24.05.2001 a jurisprudência do STF começa a evoluir, permitindo
que o AGU deixe de defender o texto impugnado se já houver manifestação do STF: “EMENTA: (...) 4. O munus a que
se refere o imperativo constitucional (CF, artigo 103, § 3.º) deve ser entendido com temperamentos. O Advogado-
Geral da União não está obrigado a defender tese jurídica se sobre ela esta Corte já fixou entendimento pela sua
inconstitucionalidade.

259-Exige-se transtono da vida social para que ocorra intervenção por grave comprometimento da ordem pública?
R. Consoante Gilmar Mendes, a intervenção pode-se dar para “pôr termo a grave perturbação da ordem pública”
(art. 34, III). Ao contrário do que dispunha a Constituição de 1967, não se legitima a intervenção em caso de mera
ameaça de irrupção da ordem. O problema tem de estar instaurado para a intervenção ocorrer. Não é todo tumulto
que justifica a medida extrema, mas apenas as situações em que a desordem assuma feitio inusual e intenso. Não há
necessidade de aguardar um quadro de guerra civil para que ocorra a intervenção. É bastante que um quadro de
transtorno da vida social, violento e de proporções dilatadas, se instale duradouramente, e que o Estado-membro
não queira ou não consiga enfrentá-lo de forma eficaz, para que se tenha o pressuposto da intervenção. É
irrelevante a causa da grave perturbação da ordem; basta a sua realidade.

260-Emenda constitucional pode ser declarada inconstitucional?

R. Inexiste óbice para que emenda constitucional seja declarada inconstitucional no controle de constitucionalidade.
Caso diferente, no entanto, é com relação às normas constitucionais originárias que, em razão do princípio da
unidade da Constituição, não se admite a sua declaração de inconstitucionalidade(não se adota a tese das normas
constitucionais inconstitucionais).

261-Defina o sistema vicariante:

R. Antes da reforma do Código Penal, feita pela Lei 7.209/84, o sistema adotado era o do duplo binário, pelo qual o
semi-imputável cumpria a pena, e, depois, se ainda necessitasse de especial tratamento curativo, era submetido à
medida de segurança.
Hodiernamente, o semi-imputável cumpre pena diminuída OU medida de segurança. Logo, percebe-se que o CP
adotou o SISTEMA VICARIANTE OU UNITÁRIO, pelo qual o réu somente cumpre uma das sanções penais, as quais,
repita-se, não são cumuláveis.
Assim, o semi-imputável não é inimputável. É um imputável ao qual, uma vez condenado, se aplica a redução da
pena de 1/3 a 2/3 (causa obrigatória de diminuição de pena), podendo o juiz converter a pena em medida de
segurança se entender que essa conversão é benéfica ao réu (art. 98 do CP).

262-Admite-se união estável de pessoa casada?

R. Admite-se a união estável de pessoa casada, desde que já esteja separada de fato, consoante a própria dicção do
Código Civil(parágrafo primeiro, art. 1723) e o entendimento do STJ:
PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE. UNIÃO ESTÁVEL. REQUISITOS LEGAIS. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICO-
PROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. UNIÃO ESTÁVEL RECONHECIDA MESMO NA CONDIÇÃO DE CASADO DO DE CUJUS.
EXISTÊNCIA DE SEPARAÇÃO DE FATO. AFASTAMENTO DE CONCUBINATO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA
83/STJ.
(…)
2. O entendimento desta Corte é no sentido de admitir o reconhecimento da união estável mesmo que ainda vigente
o casamento, desde que haja comprovação da separação de fato dos casados, havendo, assim, distinção entre
concubinato e união estável, tal como reconhecido no caso dos autos. Precedentes. Súmula 83/STJ.
Agravo regimental improvido.

263-Fazenda pública possui legitimidade para requerer falência?


R. Entende o STJ que, uma vez que a Fazenda Pública dispõe de instrumento específico para cobrança do crédito
tributário, a Lei 6.380/1980 (Lei de Execuções Fiscais), falta-lhe interesse de agir para o pedido de falência. No
mesmo sentido, foi aprovado o Enunciado 56 da I Jornada de Direito Comercial do CJF: “A Fazenda Pública não
possui legitimidade ou interesse de agir para requerer a falência do devedor empresário”. Vejamos jurisprudência
sobre o tema: Processo civil. Pedido de falência formulado pela Fazenda Pública com base em crédito fiscal.
Ilegitimidade. Falta de interesse. Doutrina. Recurso desacolhido. I – Sem embargo dos respeitáveis fundamentos em
sentido contrário, a Segunda Seção decidiu adotar o entendimento de que a Fazenda Pública não tem legitimidade, e
nem interesse de agir, para requerer a falência do devedor fiscal. II – Na linha da legislação tributária e da doutrina
especializada, a cobrança do tributo é atividade vinculada, devendo o fisco utilizar-se do instrumento afetado pela lei
à satisfação do crédito tributário, a execução fiscal, que goza de especificidades e privilégios, não lhe sendo
facultado pleitear a falência do devedor com base em tais créditos

264-A usucapião prevalece sobre hipoteca judicial gravada antes da posse adusucapionem?

R. A decisão que reconhece a aquisição da propriedade de bem imóvel por usucapião prevalece sobre a hipoteca
judicial que anteriormente tenha gravado o referido bem. Isso porque, com a declaração de aquisição de domínio
por usucapião, deve desaparecer o gravame real constituído sobre o imóvel, antes ou depois do início da posse ad
usucapionem, seja porque a sentença apenas declara a usucapião com efeitos ex tunc, seja porque a usucapião é
forma originária de aquisição de propriedade, não decorrente da antiga e não guardando com ela relação de
continuidade.

265-O que é o sistema do probation of first offenders act?

R. Tal sistema é o adotado no Brasil para a suspensão condicional do processo, sob a égide do qual o réu é
processado, suspendendo-se o processo, SEM RECONHECIMENTO DE CULPA. Existem outros dois sistemas, o Franco-
Belga e o Anglo-Americano ou Probation System. Segundo o sistema Franco-Belga, o réu é processado, reconhecido
culpado, CONDENADO, suspendendo-se a execução da pena por determinado período. Tal sistema é adotado no
nosso ordenamento para a suspensão condicional da pena. Por fim, o sistema Anglo-Americano ou Probation System
aduz que o réu seja processado, reconhecido culpado, e, após isso, o processo é suspenso, evitando-se a
condenação.
266-O que é a imunidade prisional do Presidente da República?Pode ser também dada aos governadores de
Estado?

R. Consoante a nossa Carta Magna, o Presidente da República não está sujeito a nenhuma espécie de prisão
cautelar(o que não impede a prisão decorrente de transito em julgado) . A doutrina aduz que nisso consiste a
imunidade prisional do Presidente da República. Mesmo que prevista em Constituição Estadual, tal imunidade não
pode ser atribuída aos Governadores do Estado - a responsabilização dos chefes do Poder Executivo é decorrência
do princípio democrático, apenas se admitindo a exceção do Presidente da República pelo fato de estar posta pelo
poder constituinte originário, que tem a força de poder político e é ilimitado.

267- O que é o método bifásico para se determinar a quantia devida em danos morais?

R. Segundo Flávio Tartuce, mais recentemente, tais critérios foram adotados pelo STJ em outro julgado, com tom
bem peculiar. A decisão consagra a ideia de que o julgador deve adotar um método bifásico de fixação da
indenização. Na primeira fase, é fixado um valor básico de indenização de acordo com o interesse jurídico lesado e
em conformidade com a jurisprudência consolidada do Tribunal (grupo de casos),
Na segunda fase, há a fixação definitiva da indenização de acordo com as circunstâncias particulares do caso
concreto (gravidade do fato em si, culpabilidade do agente, culpa concorrente da vítima, condição econômica das
partes, entre outros fatores). A ementa, publicada no Informativo n. 470
daquele Tribunal Superior, trazendo também repúdio
quanto ao tabelamento da indenização imaterial.

268-O que é o dano existencial no Direito do Trabalho?

R. Jorge Cavalcanti Boucinhas Filho e Rúbia Zanotelli de Alvarenga, em artigo publicado realçam que nas relações de
trabalho o dano existencial, "também chamado de dano à existência do trabalhador, decorre da conduta patronal
que impossibilita o empregado de se relacionar e de conviver em sociedade por meio de atividades recreativas,
afetivas, espirituais, culturais, sociais e de descanso, que lhe trarão bem-estar físico e psíquico e, por consequência,
felicidade; ou que o impede de executar, de prosseguir ou mesmo de recompor os seus projetos de vida, que serão,
por sua vez, responsáveis pelo seu crescimento ou realização profissional, social e pessoal."

269-O que é a teoria do pensamento jurídico do possível?

R. Tal teoria foi destacada pelo STF no julgamento da ADI 1.289, relativa ao quinto constitucional no âmbito do TRT.
No caso, não havia membros do Ministério Publico com mais de 10 anos efetivo exercício para concorrer ao cargo de
Desembargador. A Corte enfrentou então uma inegável lacuna constitucional: não existia nenhuma solução dentro
da Carta Constitucional. Gilmar Mendes, destacando Peter Haberle, um dos mais expressivos defensores da ideia do
pensamento jurídico possível, aduziu que se trata de uma expressão, consequência, pressuposto e limite para uma
interpretação constitucional aberta. Destacou, assim, uma teoria constitucional de alternativas, sendo o pensamento
em alternativas, devendo o interprete estar sempre para uma terceira ou quarta possibilidade. Desse modo, a
Constituicao não pode ser vista como um texto acabado ou definitivo, mas sim como um projeto em continuo
desenvolvimento. Veja-se a ementa desse julgado: “EMENTA: (...). Cargos vagos de juízes do TRT. Composição de
lista. Requisitos dos arts. 94 e 115 da Constituição: quinto constitucional e lista sêxtupla. Ato normativo que menos
se distancia do sistema constitucional, ao assegurar aos órgãos participantes do processo a margem de escolha
necessária. Salvaguarda simultânea de princípios constitucionais em lugar da prevalência de um sobre o outro.
Interpretação constitucional aberta que tem como pressuposto e limite o chamado ‘pensamento jurídico do
possível’. Lacuna constitucional. Embargos acolhidos para que seja reformado o acórdão e julgada improcedente a
ADI 1.289, declarando-se a constitucionalidade da norma impugnada”
270-Na relação consumeirista, a inversão do ônus da prova se aplica indiscriminadamente a todos os fatos?

R. A inversão do ônus da prova não se aplica indiscriminadamente a todas as alegações de fato deduzidas pelo
consumidor, mas apenas àquelas verossímeis ou em relação às quais ele seja hipossuficiente para provar. Além
disso, apenas pode se referir a alegações que o fornecedor seja capaz de contraditar pelos meios probatórios
disponíveis.

271-A fazenda públixa pode ser considerada revel?

R. A Fazenda Pública pode deixar de se manifestar nesse prazo e ser considerada revel - não se pode confundir a
revelia com os seus efeitos(dentre os quais está o efeito material, de presunção de veracidade dos fatos afirmados).
Vejamos o entendimento do STJ sobre o tema - de que não se aplicam os efeitos da revelia contra a Fazenda:
Os efeitos da revelia não se operam integralmente em face da Fazenda Pública, posto indisponíveis os interesses em
jogo, na forma do art. 320, II, do CPC.Precedentes do S.T.J: REsp 635.996⁄SP, DJ 17.12.2007 e REsp 541.239⁄DF, DJ
05.06.2006.
[...] (EDcl no REsp 724.111⁄RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17⁄12⁄2009, DJe 12⁄02⁄2010);

272-Os estados podem consagrar diferentes níveis de proteção dos direitos fundamentais?

R. Segundo Gilmar Mendes, direitos a prestação notabilizam-se por uma decisiva dimensão econômica. São
satisfeitos segundo as conjunturas econômicas, de acordo com a disponibilidade do momento, na forma prevista
pelo legislador infraconstitucional. Diz-se que esses direitos estão submetidos a reserva do possível. São traduzidos
em medidas práticas tanto quanto permitem a disponibilidade materiais do Estado. Na medida em que a
Constituição não oferece comando indeclinável para as opções de alocações de recursos, essas decisões devem ficar
a cargo de órgão político, legitimado pela representação popular, competente para fixar as linhas mestras da política
financeira e social. Assim, por suas características organizatórias, os entes federados podem apresentar, na prática,
diferentes níveis materiais de asseguramento dos direitos fundamentais formalmente reconhecidos.

273-O que é a teoria do correlacionismo penal?

R. Segundo Cleber Masson, trata-se de uma teoria surgida na Alemanha (1839), tendo por expoente KARL RÖEDER.
Essa escola foi considerada inovadora e revolucionária, pois submeteu a uma detalhada análise as teorias
fundamentais sobre o delito e a pena, de modo que esta teria a finalidade de corrigir a injustiça e perversa vontade
do criminoso e, dessa forma, não pode ser fixa e determinada, como na visão da Escola Clássica, a qual defendia o
caráter retributivo da pena.
Assim, sustenta que a sanção penal deve ser indeterminada e passível de cessação de sua execução quando não se
tornar mais necessária. Lançou-se no D. Penal a semente da sentença indeterminada. Um dos responsáveis por
disseminar essa teoria na Europa foi PEDRO DORADO MONTERO, que pugnou pela implementação de métodos
corretivos e tutelares que, sem a índole de castigo, redimissem o criminoso, tido como um ser incapaz para o Direito
e a pena como um meio para a realização do bem social. O direito de reprimir os delitos, assim, deve ser utilizado
pela sociedade com fim terapêutico, isso é, reprimir curando.
Vale dizer, por fim, que o natimorto Código Penal de 1969 estabeleceu a pena relativamente indeterminada para os
criminosos habituais e por tendência. Hodiernamente, não mais se aplica tal teoria.

274-O que é discricionariedade de grau zero?

R. Em síntese, para Celso Antônio Bandeira de Mello, a discricionariedade administrativa é uma margem de
liberdade verificável perante o caso concreto, cuja utilização deve perseguir a solução mais adequada à finalidade
legal. Por via de conseqüência, é autorizado o intérprete a constatar que a discricionariedade prevista no preceito
não subsista perante a situação que demanda a aplicação, e isso quando as circunstâncias levem a uma única
solução justa. É o que se chama de redução da discricionariedade a zero.

275-Ação popular pode tutelar Direito do Consumidor?

R. STJ – Consoante tal Corte da Cidadania, o rol deve ser tido taxativo - apenas serve para patrimônio publico,
moralidade, meio ambiente e patrimônio histórico e cultural. Não serve para defesa do consumidor(caso concreto)
nem para direitos dos deficientes. Infelizmente, tal decisão distancia(e muito) dos próprios princípios do
microssistema de tutela coletiva, como o da máxima amplitude.

276-O que é a eficácia objetiva da representação da vítima nos crimes de ação penal pública condicinada?

R. Ainda que a vítima tenha representado em relação a apenas pessoa, MP é livre para denunciar contra todos os
coautores e partícipes que entender estarem envolvidos no fato. Não pode, no entanto, o MP oferecer denuncia em
relação a outros crimes que não foram objeto da representação.

277-Considerações sobre o objeto e parâmetro em controle concentrado de constitucionalidade.

R. Segundo Marcelo Novelino, em relação ao objeto, deve ser observada regra da congruência (ou da correlação ou
da adstrição). O STF deve se limitar, como regra geral, à análise dos dispositivos impugnados na petição inicial. A
exceção fica por conta dos casos de inconstitucionalidade por consequência (ou por arrastamento ou por atração),
hipótese em que o STF pode estender a declaração de inconstitucionalidade a dispositivos não impugnados na
petição inicial, desde que possuam uma relação de interdependência com os dispositivos questionados. Neste caso,
portanto, cria-se uma exceção à regra da adstrição ao pedido, admitindo-se a declaração de inconstitucionalidade de
dispositivo não impugnado expressamente na inicial.
Com o parâmetro invocado, a situação é diversa, pois apesar da necessidade de serem indicados os fundamentos
jurídicos do pedido na petição inicial, o STF não está adstrito a eles. Isso ocorre porque na ADI, assim como em todas
as ações de controle abstrato, a causa de pedir é aberta, abrangendo todas as normas integrantes da
Constituição,independentemente dos fundamentos constitucionais invocados pelo requerente. Por essa razão, no
processo constitucional objetivo a conexão entre as ações ocorrerá apenas quando houver identidade quanto ao
objeto impugnado.

278-O que são interesses inconvenientes do assistido?!

R. Os intesses inconvenientes do assistido são aqueles que ele apresenta ao seu Defensor, visando a pleitea-los em
juízo, todavia, tais objetivos são, juridicamente, mais lesivos ao assistido do que benéficos, ou seja, a questão
apreciada juridicamente pelo Defensor revela-se nociva ao próprio assistido. Desse modo, cabe ao Defensor, em
razão de sua independência funcional, NÃO PROMOVER o interesse inconveniente do assistido. Ex: o pedido de
revisão do valor dos alimentos pelo pai feitos ao DP, todavia, este entende que no caso, se o filho reconvir no
processo, pode trazer um aumento do valor dos alimentos. Assim sendo, na hipótese de interesses inconvenientes,
cabe ao Defensor, com base em seu dever de orientação, explicar ao assistido as consequências dos interesses por
ele buscados e tentar soluções alternativas ao problema.

279-Poderi a ADI estadual ser defendida pelo Procurador da Assembléia Legislativa?


R. Consoante jurisprudência recente do STF, a Constituição Estadual pode determinar que a lei estadual na ADI
estadual seja defendida pelo Procurador Geral do Estado ou então pelo Procurador da Assembléia Legislativa do
Estado. Os principais argumentos são que inexiste dever de simetria no caso com a CF/88(que determina a defesa
pelo AGU), que inexistem partes na acepção técnica do termo no controle concentrado e que tal atuação não se
confunde com a atividade privativa dos Procuradores do Estado determinada na CF/88.

280-Em que hipótese cabe recurso extraordinário de decisão em ADI Estadual?

R. Consoante jurisprudência do STF, apenas cabe ADI estadual em caso de que a norma paradigma do controle de
constitucionalidade seja norma de reprodução obrigatória da CF/88, não cabendo quando for norma de mera
repetição.

281-Estado pode criar novas modalidades de extinção do crédito tributário?

R. O STF vem admitindo que os Estados e o DF estabeleçam outros meios não previstos expressamente no CTN de
extinção de seus créditos tributários, sob dois fundamentos:
- O primeiro é relacionado ao pacto federativo: permite ao ente estipular a possibilidade de receber algo do seu
interesse para quitar um crédito de que é titular;
- o segundo sob a lógica do “Quem pode o mais, pode o menos”, ou seja, se o ente pode até perdoar o que lhe é
devido, mediante a edição de concessiva de remissão (o mais), também pode autorizar que a extinção do crédito
seja feita de uma forma não prevista no CTN (o menos).

282-Pode-se determinar o bloqueira de verbas públicas para que haja fornecimento de medicamentos?

R. Em que pese a alegada impenhorabilidade dos bens públicos, o STJ vem admitindo o sequestro de bens dos entes
políticos para que se efetivem tutelas relativas ao fornecimento de medicamente, notadamente em face de no caso
concreto preponderar o direito à saúde, uma vez que não existem direitos absolutos. Vejamos parte de julgado que
trata sobre o tema:

Tratando-se de fornecimento de medicamentos, cabe ao Juiz adotar medidas eficazes à efetivação de suas decisões,
podendo, se necessário, determinar, até mesmo, o sequestro de valores do devedor (bloqueio), segundo o seu
prudente arbítrio, e sempre com adequada fundamentação.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.069.810-RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 23/10/2013 (recurso repetitivo).

283-O que é transconstitucionalismo?

R. O transconstitucionalismo é um conceito desenvolvido e trabalhado, em livro homônimo, por Marcelo Neves.


Nesse livro, o autor encara as inter-relações entre ordens constitucionais a partir das problemáticas comuns a elas.
Neste ponto, ele ressalta que as grandes controvérsias da constitucionalização moderna, a seu modo de ver,
referiam-se ou à ampliação e à garantia de direitos fundamentais ou à delimitação e ao controle do poder. Neves
observa que esses problemas extrapolam as fronteiras nacionais na ordem mundial hodierna, assim sendo, a análise
transconstitucional significa, do ponto de vista prático, a possibilidade de uma ordem constitucional aprender com a
outra, ou seja, a possibilidade de, por exemplo, um determinado tribunal constitucional dialogar com decisões de
outro tribunal constitucional ou de uma corte de internacional (TPI, p. ex.) sobre um caso que seja semelhante em
cada um desses sistemas. Por isso mesmo, o transconstitucionalismo propiciaria a rica experiência do aprendizado
de uma ordem constitucional com outra, restando fortalecida a concepção de um sistema jurídico de ordens
múltiplas.

284-O que é competência funcional horizontal?Exemplifique.


R. Competência funcional é aquele que leva em consideração as diversas funções exercidas dentro do processo. A
competência funcional é a competência para exercer uma função dentro do processo. A competência funcional
horizontal é aquela que resulta da distribuição de funções na mesma instância; como exemplo, cite-se o caso do
procedimento do júri: o juiz pronuncia, o júri condena e o juiz dosa a pena; outro exemplo, o reconhecimento de
inconstitucionalidade em tribunal, devido a reserva de plenário: o processo é remetido ao órgão especial para
pronunciar a inconstitucionalidade, e, em seguida, volta a ser julgado pela câmara.

285-O que é princípio do atalhamento constitucional?

R. A proibição do atalhamento constitucional significa que não se deve utilizar do poder constituinte reformador
para burlar um princípio constitucional. Exemplo julgado pelo Supremo foi o caso da emenda que possibilitou a não
obrigatoriedade de vinculação entre candidaturas em âmbito nacional, estadual e municipal, com desrespeito ao
princípio da anualidade eleitoral, previsto no art. 16 do texto constitucional. O atalhamento representa a tentativa
de se obter um fim ilícito a partir de um meio lícito. Trata-se de uma tentativa de impedir a produção de efeitos dos
princípios constitucionais.

286-O que é justa causa duplicada?

R. Justa causa duplicada -


Nos crimes em geral, aduz-se que no momento da denúncia uma das condições da ação é a justa causa, ou seja,
lastro probatório mínimo que sustenta a ligação do denunciado ao crime. No caso da justa causa duplicada, está
ligada ao delito de lavagem de dinheiro - no processo de lavagem, o lastro probatório mínimo deve ser relativo não
apenas a lavagem de capitais mas também em relação ao crime antecedente.

287-O que é a teoria do inferno da severidade?

R. Tese do inferno da severidade


Tal teoria busca mitigar eventuais distorções de razoabilidade em razão da reparação plena do dano prevista no art
944, parágrafo único, do Código Civil. A aplicação irrestrita do princípio da reparação plena do dano pode
representar, em algumas situações, para o causador do evento danoso, um autêntico inferno de severidade. Se, na
perspectiva da vitima, as vantagens da consagração irrestrita do principio são evidentes, na do agente causador do
dano, a sua adoção plena e absoluta pode constituir um exagero, conduzindo a sua ruína econômica em função de
um ato descuidado praticado em um momento infeliz da sua vida, notadamente quando proveniente de um fato
culposo.

288-É inconstitucional a destinação de percentual de receita decorrente de custas e emolumentos para Fundo
Especial da Defensoria Pública?

R. Sobre a destinação das custas e dos emolumentos judiciais, cumpre observar o disposto na Carta Magna:
Art 98. § 2º As custas e emolumentos serão destinados exclusivamente ao custeio dos serviços afetos às atividades
específicas da Justiça.
Consoante entendimento do STF, possuem natureza jurídica de taxa.
Determinada Constituição Estadual previa que parte desses valores seriam destinados ao aparelhamento da
Defensoria Pública, por meio de um Fundo. Haveria inconstitucionalidade em tal previsão?
O STF decidiu que não! Os principais argumentos foram de que o princípio da não-vinculação aplica-se apenas aos
impostos(art. 167, IV), enquanto que as taxas e emolumentos têm natureza de taxa. Além disso, em sentido amplo,
há de se conceber que a Defensoria Pública faz parte também do acesso à justiça.
Vejamos a ementa do julgado:
Constitucional. Ação direta de inconstitucionalidade. Inciso III do art. 4º da lei n. 4.664, de 14 de dezembro de 2005,
do Estado do Rio de Janeiro. Taxa instituída sobre as atividades notariais e de registro. Produto da arrecadação
destinado ao Fundo Especial da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro. É constitucional a destinação do
produto da arrecadação da taxa de polícia sobre as atividades notariais e de registro, ora para tonificar a
musculatura econômica desse ou daquele órgão do Poder Judiciário, ora para aportar recursos financeiros para a
jurisdição em si mesma. O inciso IV do art. 167 da Constituição passa ao largo do instituto da taxa, recaindo, isto sim,
sobre qualquer modalidade de imposto. O dispositivo legal impugnado não invade a competência da União para
editar normais gerais sobre a fixação de emolumentos. Isto porque esse tipo de competência legiferante é para
dispor sobre relações jurídicas entre o delegatário
a serventia e o público usuário dos serviços cartorários. Relação que antecede, logicamente, a que se dá no âmbito
tributário da taxa de polícia, tendo por base de cálculo os emolumentos já legalmente disciplinados e administrativo.

289-Para que ocorra a prova emprestada, é necessária que as partes no processo judicial sejam as mesmas?

R. Sobre o tema, a Corte Especial do STJ manifestou entendimento que não existe tal necessidade, uma vez que
restringiria desrrazoavelmente tal instituto, que proporciona grande economia processual. Vejamos a ementa do
julgado:
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. PROVA EMPRESTADA ENTRE PROCESSOS COM PARTES DIFERENTES.

É admissível, assegurado o contraditório, prova emprestada de processo do qual não participaram as partes do
processo para o qual a prova será trasladada. A grande valia da prova emprestada reside na economia processual
que proporciona, tendo em vista que se evita a repetição desnecessária da produção de prova de idêntico conteúdo.
Igualmente, a economia processual decorrente da utilização da prova emprestada importa em incremento de
eficiência, na medida em que garante a obtenção do mesmo resultado útil, em menor período de tempo, em
consonância com a garantia constitucional da duração razoável do processo, inserida na CF pela EC 45/2004. Assim,
é recomendável que a prova emprestada seja utilizada sempre que possível, desde que se mantenha hígida a
garantia do contraditório. Porém, a prova emprestada não pode se restringir a processos em que figurem partes
idênticas, sob pena de se reduzir excessivamente sua aplicabilidade sem justificativa razoável para isso. Assegurado
às partes o contraditório sobre a prova, isto é, o direito de se insurgir contra a prova e de refutá-la adequadamente,
o empréstimo será válido. EREsp 617.428-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 4/6/2014.

290-Admite-se a progressividade nas alíquotas das contribuições previdenciárias dos servidores públicos?

R. Consoante entendimento manifestado pelo STF, a instituição de contribuição previdenciária de modo progressivo
para servidores públicos deve ser tida por inconstitucional, pois ofende o princípio da vedação da utilização de
qualquer tributo com efeito confiscatório, além de necessitar de autorização pela CF(ocorre que esse último
argumento de certo modo queda-se hodiernamente ultrapassado, uma vez que se admitiu a instituição de alíquotas
progressivas para o ITCMD, mesmo que sem autorização constitucional).

291-Súmula pode ser alvo de controle concentrado?

R. Consoante entendimento manifestado pelos Tribunais Superiores, inexiste a possibilidade de controle


concentrado em face de súmula, pois não considerada ato normativo, mas tão somente o modo de interpretar a lei
por parte de um Tribunal. Tais súmulas possuem métodos de revisão próprio dentro do Tribunal, como por exemplo
as próprias súmulas vinculantes que podem ser canceladas por meio de votos de 2/3 dos Ministros do STF.

292-Existe controe de constitucionalidade concentrado concreto?

R. Há um descuido frequente de algumas pessoas de tratar como sinônimos o controle concreto com o controle
difuso, bem como o controle abstrato com o controle concentrado. Ocorre que tais formas de controle não são
iguais. O controle concreto é o que ocorre diante de um caso concreto, ou seja, há uma lide, em que há partes
debatendo por algum bem da vida, mas que para isso há a necessidade de, PREJUDICIALMENTE, ser analisada a
constitucionalidade da lei a ser aplicada ao caso. O controle concreto contrapõe-se ao controle abstrato, que seria
aquele em que se discute a constitucionalidade da própria lei, ou seja, da lei em tese e não como uma prejudicial à
solução de um caso, portanto, a análise da constitucionalidade da lei á a questão principal do processo, neste caso,
NÃO HÁ LIDE, TRA-SE DE UM PROCESSO OBJETIVO. Já o controle difuso é aquele que pode ser realizado por qualquer
juiz ou tribunal (Nos Tribunais, deve ser observado a cláusula de reserva de plenário), diferindo-se do controle
concentrado que é aquele que é realizado pelo órgão de cúpula do Judiciário, no caso do Brasil, pelo STF (por meio
da ADI, ADC, ADIO, ADPF etc). Como, estatisticamente, quase sempre o controle difuso ocorre de forma concreta e o
controle concentrado ocorre de forma abstrata, gera-se o descuido acima citado. Não obstante isso, há exceções,
portanto, casos em que o controle é CONCENTRADO e CONCRETO, são eles: a) ADI interventiva; b) ADPF Incidental;
c) Mandado de Segurança do Parlamentar. Esses casos são exceções, pois são formas de controle concentrado no
STF, mas que partem de um caso concreto.

293-As CPIs municipais podem requerer apresentação de dados protegidos pelo sigilo bancário?

R. CPI MUNICIPAL - Pode existir, de acordo com o princípio da simetria. A sua peculiaridade consiste no fato de ela
possuir poderes mais restritos em relação às CPI’s federais e estaduais, notadamente por não existir órgão do Poder
Judiciário Municipal. Pedro Lenza (LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado, 18a edição, 2014, Editora
Saraiva, 595 p.) cita o voto de Joaquim Barbosa no qual este se posiciona no sentido de que os poderes instrutórios
não são extensíveis às CPI’s municipais. Isso porque se trata, " ... no modelo de separação de poderes da
Constituição Federal, de uma excepcional derrogação deste poder para dar a uma casa legislativa poderes
jurisdicionais, posto que instrutórios. Essa transferência de poderes jurisdicionais não se pode dar no âmbito do
município, exatamente porque o município não dispõe de jurisdição nem de poder jurisdicional, a transferir, na área
da CPI, do Judiciário ao Legislativo" (voto na ACO 730, p. 82).

294-A vulnerabilidade do CDC restringe-se ao aspecto econômico?

R. Espécies de vulnerabilidade, consoante Cláudia Lima Marques, e


adotada pelo STJ:- Técnica: aquela na qual o comprador não possui os conhecimentos
específicos sobre o produto ou o serviço, podendo, assim, ser mais
facilmente iludido no momento da compra;
- Jurídica ou científica: Própria falta de conhecimentos jurídicos ou de outros pertinentes à relação, como
contabilidade, matemática, finanças etc.
- Econômica ou fática: o fornecedor possui um grande poderio
econômico, seja em razão de monopólio seja em razão da essencialidade do produto que presta.
- Informacional: a professora Cláudia Lima Marques que a indica bem. Aduz que as informações no mundo moderno
estão cada vez mais valorizadas e importantes e, em contrapartida, os consumidores estão cada vez mais
desinformados. Assim, de
modo a manter tal equilíbrio, deve sempre o fornecedor buscar dar ao consumidor o máximo de informações
possíveis.
Obs.: Não precisa haver cumulação destes três aspectos para a caracterização da vulnerabilidade, bastando apenas
um deles.
(GARCIA, Leonardo de Medeiros, Leis Especiais Comentadas - Direito do Consumidor - Juspodivm, pag. 23).

295-Admite-se a cumulação de pensão por morte com pensão civil ex delicto?

R. Consoante entendimento já reiterado no âmbito do STJ, admite-se a cumulação da pensão por morte com a
pensão civil ex delicto em razão da morte de uma pessoa. Não há que se confundir uma obrigação com a outra.
Primeiramente, os responsáveis pelo pagamento são distintos - uma vez que o INSS é o responsável pelo pagamento
da pensão por morte e o autor do ato ilícito é o responsável pelo pagamento da pensão civil. Além disso, há se de ter
a idéia ainda de que a própria pensão por morte apenas é paga em razão da morte de segurado, de acordo com as
próprias regras do regime, o que não ocorre no caso da pensão civil.

296-A ausência cópia da certidão de intimação acarreta o não conhecimento do recurso?

R. A certidão de intimação da decisão agravada, consoante dicção do CPC, é requisito obrigatório para interposição
de agravo de instrumento. Ocorre que a ausência da cópia da certidão não é óbice ao conhecimento do agravo de
instrumento quando, por outros meios inequívocos, for possível aferir a tempestividade do recurso, em respeito ao
princípio da instrumentalidade das formas, consoante entendimento manifestado pelo STJ.

297-A dissolucao irregular da sociedade é por si so causa para desconsideracao da personalidade juridica?

R. NÃO! Segundo entendimento manifestado pelo STJ, o encerramento das atividades ou dissolução da sociedade,
ainda que irregulares, não é causa por si só para ensejar a desconsideração da personalidade jurídica prevista no
Codigo Civil. Não pode se aplicar o regramento da execução fiscal a seara civil por dois motivos: 1) Cada sistema
possui as suas próprias regras e pressupostos; 2) A súmula 435 do STJ não trata sobre desconsideração de
personalidade, mas sim sobre redirecionamento da execução fiscal a luz de regras próprias do CTN.

298-Eventual decisão em ADPF pode atingir a coisa julgada?

R. Uma das particularidades da ADPF é que ela pode atingir decisões judiciais. Nas palavras do Min. Gilmar Mendes,
quando ocorrerem proliferação de decisões a ponto de gerar confusão hermenêutica e incoerência judicial, ela será
cabível. Não é cabível em face de uma única decisão, como sucedâneo de recurso ou de ação rescisória. Ocorre que,
quando interposta em face de decisões judiciais, elas não podem atingir a coisa julgada, consoante entendimento do
STF, por ser o meio cabível previsto legalmente para tanto a ação rescisória(que possui prazos específicos e
hipóteses também específicas).

299-É de observância obrigatória que os Estados seguiam a legitimidade prevista para ADI?
R. Sobre o tema, a CF apenas prelaciona o seguinte:

Art 125. § 2º Cabe aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos
estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, vedada a atribuição da legitimação para agir a um único
órgão.

Surge então uma dúvida pertinente: os legitimados para exercer esse controle estadual têm que ser
necessariamente os mesmos do art. 103 da CF/88 pelo principio da simetria? A resposta é: não! O tema já foi
pacificado no âmbito do STF:

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPRESENTAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE


LEIS OU ATOS NORMATIVOS ESTADUAIS OU MUNICIPAIS. VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL DE ATRIBUIR A LEGITIMAÇÃO
PARA AGIR A UM ÚNICO ÓRGÃO. PARTIDO POLÍTICO SEM REPRESENTAÇÃO NO PODER LEGISLATIVO LOCAL.
POSSIBILIDADE. CONTROLE ABSTRATO DE CONSTITUCIONALIDADE. LEIS DE EFEITOS CONCRETOS. VIABILIDADE.
CONTRATO DE CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO. PRORROGAÇÃO POR PERÍODO ALÉM DO PRAZO RAZOÁVEL PARA
A REALIZAÇÃO DE NOVO PROCEDIMENTO LICITATÓRIO. VIOLAÇÃO À EXIGÊNCIA CONSTITUCIONAL DE PRÉVIA
LICITAÇÃO PÚBLICA. AGRAVO IMPROVIDO. I – A exigência do art. 125, § 2º, da Constituição Federal, pertinente aos
legitimados para a representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em
face da Constituição Estadual, é que a Carta Estadual não os restrinja a um único órgão legitimado. Precedente. II –
No julgamento da ADI 4.048-MC/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, esta Corte admitiu o exercício de controle abstrato de
leis de efeitos concretos. III – A prorrogação não razoável de concessão de serviço público ofende a exigência
constitucional de que ela deve ser precedida de licitação pública. Precedentes. IV – Agravo regimental improvido. (RE
412921 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Primeira Turma, julgado em 22/02/2011, DJe-048 DIVULG
14-03-2011 PUBLIC 15-03-2011 EMENT VOL-02481-01 PP-00100)

300-Pode-se contratar advogados para causas de saúde no Estado?

R. 1- Analisar a questão sob o ângulo de que prévia licitação produz a melhor contratação, com obediência a
isonomia, à impessoalidade e à moralidade. Complementarmente, argumentar que a ausência de licitação deve ser,
sempre, precedida de procedimento administrativo prévio, não se tratando de contratação informal, só possível em
situações-limite, o que não ocorre nos autos. Apontar ainda que a representação judicial dos Estados é de
responsabilidade de seus Procuradores (Constituição Federal, art. 132; CPC. 12, inciso I), pelo que só em situações
excepcionais, diante de singularidades, justificar-se-ia a contratação de advogados externos aos quadros públicos. 2-
O não enquadramento dos fatos na inexigibilidade prevista no artigo 25, II e parágrafo 1º da Lei 8.666/93, porque, a.
não haveria notória especialização, já que trata de escritório de advocacia com atuação geral; b. a inexigibilidade de
licitação decorre legalmente da inviabilidade de competição, o que em regra não ocorre no segmento da prestação
de serviços advocatícios, c. não se caracteriza o requisito, ínsito à inexigibilidade pela notória especialização, de que
o escritório contratado mostrarse-ia ͞essencial e indiscutivelmente o mais adequado à plena situação do objeto do
contrato(art 25, parágrafo primeiro, in fine, Lei 8.666) d. não situação jurídica singular, mas mera advocacia de
massa, relativa a
inúmeros fatos repetitivos, com provimentos jurisdicionais similares, sem justificativa para que essa advocacia não
seja prestada pelos próprios Procuradores Judiciais do Estado. III- O parecer, ao próprio Tribunal de Contas do Piauí,
subsidiará o julgamento administrativo da contratação, propondo-se à Assembleia Legislativa do Estado o
reconhecimento de sua nulidade, pelo não preenchimento dos requisitos legais à inexigibilidade de licitação. Deverá
ser proposto, também, o encaminhamento oportuno ao Ministério Público, pelo Tribunal de Conta do Piauí, para
ajuizamento da ação civil pública cabível, bem como para o exame de eventuais sanções criminais aplicáveis (art. 89,
Lei 8.666/93).

301-O que é nulidade de algibeira?


R. Consoante entendimento manifestado pelo STJ, em caso de decisão monocrática em caso de recurso de agravo de
instrumento(como, por exemplo, no caso de efeito suspensivo à decisão ou de antecipação de tutela recursal), se for
favorável ao agravante, necessariamente tem que se intimar o agravado. Em caso de rejeição ao pedido, não se
necessita de tal intimação.
Ocorre que, eventual nulidade em caso de não intimação, deve ser considerada sanável e deve ser alegada no
primeiro momento sob pena de preclusão. Em um caso em que o prejudicado alegou apenas posteriormente, bem
depois de saber dessa nulidade, o STJ entendeu que não deveria ser tolerada tal conduta, pois ofendia a boa-fé
processual e lealdade. Não se deve, então, admitir essa "nulidade de algibeira", de bolso, em que o prejudicado
ficaria guardando até o momento que acreditasse ser melhor alegar.

302-Qual a exceção ao princípio da especialidade nas autarquias?


R. O princípio da especialidade assevera que as entidades de Administração Pública indireta devem se voltar ás
funções as quais a lei específica que a criou estabelecem para ela. Como exceção ao princípio da especialidade, há os
territórios, os quais têm natureza de autarquia federal - são denominados de autarquias territoriais - e não
desempenham uma função específica. Atualmente, inexiste território federal no ordenamento jurídico brasileiro.

303- Admite-se a condenação por ato de improbidade administrativa antes da própria edição da Lei 8.429?
R. Consoante entendimento já manifestado pelo STJ, não se admite condenação por ato de improbidade
anteriormente à edição da Lei 8.429, notadamente em face da legalidade. Ressalte-se, no entanto, que o
ressarcimento ao erário dos prejuízos causados pode ser buscado mesmo que anteriormente à edição dessa lei e até
da CF/88, pois já estava previsto em outras Constituições.

304-O que é o princípio da variável ambiental no processo decisório de políticas de desenvolvimento?


R. Tal princípio está assentado no art. 225, parágrafo primeiro, inciso IV, da CF/88, impondo que seja levado em
conta a variável ambiental em qualquer ação ou decisão, pública ou privada, que possa causar impacto negativo
sobre o meio ambiente.

305-O valor das astrientes pode ser fixado em valor superior ao montante fixado?
R. Com o objetivo de justamente impor o cumprimento da obrigação, o STJ vem admitindo que o juízo fixe-a em
valor superior ao da dívida estabelecida. Lembrem-se: as astreintes consistem em multas fixadas em certa
peridiocidade em razão de não cumprimento de obrigação estabelecida pelo juízo. Decorrem do contempt of court,
que intenta dar mais efetividade às decisões judicias - tal idéia também é aplicável no caso da litigância de má-fé.

Outras observações sobre as astreintes são necessárias:


- Pode ser arbitrada de ofício;
- Pode ser cumulada com juros de mora;
- Não fazem coisa julgada, podendo ser alteradas a qualquer tempo;
- O titular dos valores é parte que foi beneficiada com a própria decisão.

306-O que é a teoria da dupla personalidade do Estado?


R. Teoria da dupla personalidade do Estado: de acordo com esta teoria, o Estado atua como pessoa pública quando
edita atos de império e como pessoa privada quando edita atos de gestão - e isso geraria uma própria divisão da
responsabilidade civil do Estado. Todavia, ela está superada e abandonada. Isso porque sabemos que, hoje, o Estado
só atua com personalidade de Direito Público.

307-MP tem legitimidade para ajuizar ACP a respeito de matéria tributária?


R. Em razão da vedação posta na Lei de ACP, em seu art 1o, parágrafo único, não possui legitimidade o MP para
ajuizar ACP alegando aumento abusivo de tributos, por exemplo. Vejamos entendimento do STJ sobre o tema:
PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. MATÉRIA TIPICAMENTE TRIBUTÁRIA. MINISTÉRIO PÚBLICO. ILEGITIMIDADE
ATIVA. SÚMULA 83/STJ.
ANÁLISE DE LEI LOCAL. SÚMULA 280/STF.
3. É firme a orientação no sentido da ilegitimidade do Ministério Público para propor ação civil pública com objetivo
tipicamente tributário, visando impedir a cobrança de tributos, tendo em vista que o contribuinte não se confunde
com o consumidor, cuja defesa está autorizada em lei, além de que funcionaria a referida ação como autêntica ação
direta de inconstitucionalidade.
(AgRg no AREsp 289.788/MG, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe
16/12/2013)

Atenção: No Informativo 543 do STJ, foi decidido que o MP tem legitimidade para ajuizar ACP cujo pedido seja
condenação por improbidade administrativa de agente publico que tenha cobrado taxa superior ao custo do serviço
prestado, ainda que a causa de pedir envolva questões tributarias tributo aqui seria mera causa de pedir, nao pedido
em si mesmo.

308-Pode Fazenda Pública habilitar créditos no falência ?


R. A Fazenda pode habilitar créditos tributários no processo de falência? Esta questão envolve a interpretação do
art. 187, caput, do CTN, segundo o qual, para que seja possível a cobrança de tributos judicialmente, a Fazenda não
precisa habilitar os créditos tributários, podendo, assim, ajuizar execução fiscal paralelamente ao processo de
falência. Entretanto, há decisões do STJ no sentido de que, ainda que a Fazenda não precise habilitar os créditos
tributários, isso não significa dizer que ela esteja proibida de fazê-lo (o art. 187, caput, do CTN, não estabelece
vedação neste sentido). Ou seja, ela pode, caso entenda necessário, habilitar os créditos na falência ou ajuizar
execução fiscal, devendo escolher uma duas opções, consoante o STJ.

309-Aplica-se o direito de arrependimento do CDC em compras pela internet?Quem deve arcar com os ônus da
devolução?
R. Em caso de compras realizadas em sítios eletrônicos, deve-se aplicar sim o direito de arrependimento previsto no
art. 49 do CDC, uma vez que são compras realizadas fora do estabelecimento comercial. O prazo de 7 dias
estabelecido é colocado pela doutrina como sendo um prazo de reflexão. Não é necessário que o consumidor
justifique o motivo de não querer mais o bem, pouco importando se o produto contém ou não algum vício. Além
disso, consoante entendimento já consolidado no âmbito do STJ no REsp 1.340.604-RJ, o ônus de arcar com as
despesas postais decorrentes do exercício do direito de arrependimento é do fornecedor e não pode ser repassado
ao consumidor, mesmo que o contrato assim preveja(pois será considerado cláusula abusiva).

310-O que é a teoria da qualidade no âmbito do Direito do Consumidor?


R. Consoante entedimento doutrinário de Herman Benjamin, ministro do STJ, tal teoria aplica-se no âmbito do
Direito do Consumidor, diferenciando-se do caso da aplicação da teoria dos vícios redibitórios, em que se exige um
vínculo estável e confirmado do contrato para que seja aplicada. No caso da teoria da qualidade, ocorre uma
adaptação à sociedade moderna, consoante a idéia básica de se impor aos fornecedores o atendimento de padrões
na elaboração de produtos ou na prestação de serviços, padrões estes estabelecidos previamente e de acordo com
as peculiaridades de cada caso, mesmo antes da própria formulação do contrato.
Outras vantagens e diferenciais: Aqui além de não se precisar do vínculo contratual, abarca-se também o
consumidor indireto e o bystander.
Inexiste a necessidade de os problemas serem graves.
Quanto ao ônus da prova, enquanto que recai no prejudicado no caso dos vícios redibitórios, aqui ocorre uma
inversão do ônus.

311-Quais as fases do crime de lavagem de capitais?


R. Segundo Renato Brasileiro, essas fases são sugeridas pelo GAFI (Grupo de Ação Financeira sobre Lavagem de
Dinheiro), formado por vários países, com a finalidade de combater a lavagem de capitais. Apesar da doutrina falar
sobre as fases da lavagem de capitais, o STF entende que, para a consumação do delito, não há necessidade do
preenchimento de todas as fases, ou seja, trata-se de etapas independentes.
Primeira fase: Colocamento(placment)
Consiste na introdução dos valores ilícitos no sistema financeiro, dificultando a identificação da procedência dos
valores de modo a evitar qualquer ligação entre o agente e o resultado obtido com a prática do crime antecedente.
Segunda fase: Dissimulação ou mascaramento(layering) Nesta fase são realizadas várias operações financeiras, com
o objetivo de dificultar o rastreamento da origem ilícita dos valores. Os valores inseridos no mercado financeiro na
etapa anterior são pulverizados através de operações e transações financeiras variadas e sucessivas, no Brasil e em
outros países. Exemplos: transferências eletrônicas; envio do dinheiro já convertido em moeda estrangeira para o
exterior via cabo.
Uma vez efetuados os vários depósitos, os valores serão movimentados, na maioria das vezes por um “laranja”,
dificultando o rastreamento do dinheiro.
Terceira fase: integração(integration)
Com a aparência lícita, os recursos são formalmente incorporados ao sistema econômico e reutilizados/reinvestidos,
inclusive para financiar a prática de novos ilícitos penais, perpetuando-se, assim, o ciclo vicioso. Exemplos:
investimentos no mercado mobiliário ou imobiliário, transações de importação/exportação com preços
superfaturados (ou subfaturados) ou aquisição de bens em geral (obras de arte, ouro, joias, embarcações etc.).

312-Quais as gerações das leis de lavagem de crime de capitais?

R. Segundo Renato Brasileiro, a doutrina divide em 3 as gerações dos crimes de lavagem de capitais:

a) Leis de 1ª geração: o único crime antecedente era o tráfico de drogas.


b) Leis de 2ª geração: há uma ampliação do rol dos crimes antecedentes, porém este rol é taxativo (numerus
clausus). A Lei 9.613/98, até o advento da Lei 12.683/12, se encaixava nessa situação.
c) Leis de 3ª geração: qualquer infração penal (crime e contravenção penal) pode figurar como delito antecedente da
lavagem de capitais, desde que seja uma infração capaz de gerar bens, direitos e valores (infração produtora). Países
como a Espanha e a Argentina já adotam essa geração de leis. Em face das alterações produzidas pela Lei 12.683/12,
a Lei 9.613/98 transformou-se numa lei de 3ª geração.

313-A imputabilidade penal aos 18 anos é cláusula pétrea?

R. O candidato deverá analisar o contido no art. 228, da Constituição Federal, bem como a previsão do art. 60, § 4º,
inc. IV, também da Constituição Federal. Deverá ainda se referir aos tratados e convenções internacionais incidentes
ao tema (com destaque para a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, para as Diretrizes das Nações
Unidas para a Prevenção da Delinquência Juvenil – Diretrizes de Riad, para as Regras Mínimas das Nações Unidas
para a Administração da Justiça de Menores – Regras de Beijing e para o Estatuto de Roma do Tribunal Penal
Internacional), além da invocação aos princípios da dignidade da pessoa humana, da vedação de retrocesso no
campo dos direitos humanos e da proteção integral. Por fim, uma vez indicada a existência de controvérsia sobre a
matéria, deve o candidato anunciar seu entendimento.

314-O que é bloco de constitucionalidade?Quais os seus sentidos?

R. Consoante Marcelo Novelino, a expressão “bloco de constitucionalidade” possui dois ♣ Sentido estrito:
compreende apenas as normas constitucionais que servem como parâmetro para o controle de constitucionalidade.
O Min. Celso de Mello utiliza a expressão “bloco de constitucionalidade” nesse sentido estrito (ADIn 514/PI; ADIn
595/ES). É a teoria que a doutrina aduz que o ordenamento jurídico brasileiro adota. ♣ Sentido amplo: abrange não
apenas as normas da Constituição, mas também aquelas vocacionadas a desenvolver a eficácia de preceitos
constitucionais. Ex.: o direito de greve do servidor público é previsto na CF (art. 37, VII); logo, a lei que vier a
regulamentar esse direito, mesmo sendo infraconstitucional, também fará parte do bloco de constitucionalidade, de
acordo com o sentido amplo, pois essa lei será a responsável por dar eficácia à norma constitucional que estabelece
o direito de greve do servidor público. Quando falamos em bloco de constitucionalidade em sentido amplo,
podemos abranger, além das normas constitucionais, o Pacto de San José da Costa Rica e o preâmbulo da CF/88.

315-È constitucional norma de Constituição Estadual que permite a transformação de cargos de Procuradores de
Contas em Procuradores de Justiça?
R. No tocante ao preceito que estabelece a transformação dos procuradores de contas em procuradores de justiça, a
inconstitucionalidade material resta evidente, isso porque a corte de contas se qualifica como órgão estatal dotado
de identidade
própria que a torna inconfundível com a instituição do
Ministério Público comum da União e dos estados.
Assim, os procuradores das cortes de contas são ligados administrativamente a estas, sem qualquer vínculo com o
Ministério Público comum, de modo que a referida
inserção dos procuradores de contas no MP afronta
claramente os arts. 73, § 2º, I, e 130 da CF. Ademais, a conversão automática dos cargos de procurador do
Tribunal de Contas para os de procurador de justiça, cuja investidura depende de aprovação prévia em
concurso público de provas e títulos, ofende também o art. 37, II, da CF. Portanto, a norma estadual é
inconstitucional. Precedentes: ADI nº 1.175; ADI nº 2.597; ADI nº 3.315. Inconstitucionalidade da lei quanto à
transformação dos cargos - Ilegítima vinculação administrativa dos procuradores de contas ao Ministério Público
comum - Ofensa ao princípio do concurso público.

316-O que é a teoria dos poderes reservados?

R. Segundo Marcelo Novelino, a competência reservada aos Estados para legislar sobre as matérias que não lhes
sejam vedadas pela Constituição (CF, art. 25, § 1.°), além de exclusiva, é residual (ou remanescente) e subsidiária,
cabendo-lhes dispor sobre os aspectos gerais e específicos do tema. Na Constituição de 1988, as competências
legislativas exclusivas conferidas aos Estados-membros continuaram bastante reduzidas, em razão das extensas
competências atribuídas à União e aos Municípios. A definição concreta de tais competências exige, em um primeiro
momento, a identificação das competências federais e municipais e das vedações impostas pela Constituição.
Portanto, as competências dos Estados-membros são identificadas por exclusão, abrangendo tudo o que não lhes
seja constitucionalmente vedado e que não faça parte da competência legislativa federal ou municipal.

Utilizada na Constituição de 194616 e retomada pela Constituição de 1988, a fórmula das competências reservadas
(CF, art. 25, § 1.°) significava, originariamente, o refúgio das competências não nacionais.17 Trata-se de uma técnica
tradicional da federação norte-americana, originada por um processo de agregação de Estados independentes que
se uniram para formar o Estado federal. Nesta, os Estados abriram mão de uma parcela de sua soberania,
reservando a si próprios aquilo que consideraram satisfatório à sua existência autônoma. Daí a expressão: “poderes
reservados”. No entanto, a expressão competências reservadas não é apropriada para a federação brasileira, que
surgiu por um processo inverso (“federalismo por segregação”), a partir de um movimento centrífugo resultante da
descentralização de um Estado Unitário. Nesse sentido, a fórmula utilizada pela Constituição anterior mostrava-se
mais adequada.

317-O que é preclusão punitiva no processo civil?

R. Preclusão é a perda de uma oportunidade de atuação no curso do processo. Em regra, é comum falar de três
razões que justificam a preclusão: a lógica, a temporal e a consumativa. A preclusão consumativa significa que se
você já atuou no processo fazendo o ato cabível, não pode renová-lo (ex.: se já apresentou a contestação não pode
apresentar novamente). A preclusão deriva da necessidade da marcha adiante dos processos. A preclusão temporal
é a que decorre dos prazos, ou seja, se havia um prazo para agir e a parte não agiu, tal parte perde o poder de agir
no processo, visto que o processo necessita seguir adiante. Há ainda a preclusão lógica, ou seja, se a parte atuou em
um sentido é algo lógico que ela perca a oportunidade de agir no sentido diametralmente oposto. Por fim,
recentemente, Didier Jr vem chamando atenção para a chamada preclusão-sanção ou preclusão punitiva que é a
perda do poder de se manifestar no processo em razão do cometimento de um ilícito. O exemplo clássico ocorre
quando há a confissão ficta por ausência ao depoimento pessoal (comparecer é um dever da parte), a confissão ficta
é uma sanção que gera a PRECLUSÃO CONSISTENTE EM PERDER A OPORTUNIDADE DE PROVAR ALGO EM SENTIDO
DIVERSO DO FICTAMENTE CONFESSADO.

318-O que é a tendência de personificação dos contratos administrativos?


R. No âmbito da prestação indireta de serviços públicos, que aquela que não é prestada pelo ente político,
consoante Alexandre Mazza, existe uma tendência da legislação regente de exigir que sejam constituidas pessoas
juridicas especificas para gerenciar contratos administrativos. É o caso da Lei das Parceiras Públicos-Privadas, que
dispõe no art 9: Art. 9o Antes da celebração do contrato, deverá ser constituída sociedade de propósito específico,
incumbida de implantar e gerir o objeto da parceria.

319-A lesão necessita de dolo de aproveitamento?

R. Não. Consoante entendimento de Pablo Stolze, o art. 157 do CC apenas exige a comprovação da desproporção
entre as prestações e, até mesmo, a necessidade ou inexperiência da parte. Isso, na visão do doutrinador, não é tão
difícil. O grande problema seria a necessidade de comprovar a intenção de prejudicar (dolo de aproveitamento). O
legislador brasileiro (CC/02 e CDC) teve o bom senso, ao regular a lesão, desconsiderar o dolo de aproveitamento .
Observação: Para o estado de perigo, o art. 156 exigiu, para a configuração do vício, que o perigo seja conhecido
pela outra parte - configurando o dolo de aproveitamento:
Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua
família, de grave dano conhecido pela outra parte [DOLO DE APROVEITAMENTO], assume obrigação excessivamente
onerosa.
Parágrafo único. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante, o juiz decidirá segundo as
circunstâncias.
320- Entre a data do óbito a transmissão dos bens ao Município - durante a a herança jacente - podem ser os bens
adquiridos por usucapião?

R. Segundo STJ, é possível usucapião dos bens que compõem a herança antes da sentença de vacância (REsp AgRg AI
851.228/RJ). Isso porque, desde antes, o mesmo STJ já tinha afirmado que a aquisição da propriedade pela Fazenda
Pública só se confirmava com a sentença de vacância (REsp 253.719/RJ). Assim, se até a sentença de vacância, os
bens não integram o patrimônio público, são passíveis, portanto, de usucapião.

321-O que é inconstitucionalidade circunstancial?

R. Inconstitucionalidade circunstancial - Segundo Pedro Lenza, busca-se, diante uma lei formalmente constitucional,
identificar que, circunstancialmente, a sua aplicação caracterizaria uma inconstitucionalidade, que pode ser
chamada também de axiológica. O autor cita Barcellos, que aduz: Trata-se da declaração de inconstitucionalidade de
norma produzida pela incidência da regra sobre toda uma situação especifica. Possível cogitar de situações nas quais
um enunciado normativo, valido em tese e na maior parte de suas incidências, ao ser confrontado com
determinadas circunstancias concretas, produz uma norma inconstitucional. Um exemplo interessante da possível
aplicação de tal espécie de inconstitucionalidade é o da ADI 4.068 em que a OAB questionou a criação da Super
Receita e a transferência de atribuição de toda divida ativa da União para a PGFN. Segundo alega a entidade, a PGFN
não teria condições materiais e de recursos humanos para os mais de 401 bilhões(divida ativa inscrita em 2006),
sendo que a carga de trabalho criada é desumana.

322-O que é a tendência de desjudicialização dos conflitos conjugais?

R. Consoante Flávio Tartuce, No que concerne à sua administração, salvo previsão em contrário, cabe a ambos os
cônjuges ou companheiros, sendo possível a intervenção judicial, em caso de divergência (art. 1.720 do CC). Esse
comando legal, que constitui novidade, está em total sintonia com a igualdade consagrada no art. 226 da CF/1988 e
no art. 1.511 do CC. Traz também uma tendência de judicialização dos conflitos conjugais, pois o juiz irá decidir sobre
a questão que interessa aos membros da entidade familiar. É importante a constatação de que essa tendência não é
a atual, de fuga do Judiciário, o que pode ser captado pela recente Lei 11.441/2007, que possibilita o divórcio, o
inventário e a partilha extrajudiciais (desjudicialização).

323-Admite-se a penhora de valores irrisórios? Não ofende o princípio da eficiência?

R. Consoante entendimento do STJ, não se obsta a penhora online de valores o fato de ser de pequeno valor,
inexistindo ofensa ao princípio da eficiência. Vejamos tal entendimento:
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. PENHORA ON LINE, VIA
BACENJUD. ACÓRDÃO QUE DETERMINA O DESBLOQUEIO DOS VALORES, AO PRETEXTO DE QUE IRRISÓRIOS.
IMPERTINÊNCIA. 1. O STJ tem externado que não se pode obstar a penhora online de numerário, ao pretexto de que
os valores são irrisórios. Nesse sentido: REsp 1242852/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe
10/05/2011; REsp 1241768/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 13/04/2011; REsp
1187161/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/08/2010. 2. Agravo regimental não provido.

324-Para se criar uma CPI, exige-se a submissão a deliberação plenária da Casa?

R. Não! A CPI deve ser encarada, consoante entendimento do STF, como sendo um direito subjetivo das minorias,
requerendo-se para a sua instalação constitucional apenas o requerimento de 1/3 dos membros de uma das Casas
ou de cada uma(em caso de CPI conjunta). Assim, exigir submissão à deliberação plenária ofende tal prerrogativa e
cria requisito não previsto constitucionalmente

325-A função exercida pela Defensoria Pública em caso de citação de edital depende da riqueza da pessoa?
R. Não! Nesse caso, a atuação da Defensoria independe de hipossuficiência financeira do assistido. É missão dela
institucional promover a curadoria especial, notadamente em respeito a outros princípios constitucionais, no caso o
contraditório e a ampla defesa.

326- Pode a indisponibilidade de bens da AIA atingir bens adquiridos antes?

R. Sim! Consoante entendimento já manifestado pelo STJ, a indisponibilidade pode recair sobre bens adquiridos
tanto antes quanto depois da prática do ato de improbidade, uma vez que constituem o patrimônio do réu.
Outros entendimentos:
- Pode ser decretada antes do recebimento da inicial de improbidade;
- Pode ser decretada sem ouvir o réu;
- O periculum in mora é considerado presumido;
- Pode-se decretar ainda que o acusado não esteja se desfazendo de seus bens;
- Pode atingir bens que o acusado possuía antes da suposta prática do ato de improbidade;
- Pode ser decretada tanto para assegurar o ressarcimento dos valores ao erário quanto o pagamento da multa civil;
- O MP não precisa ao realizar tal pedido fazer a indicação individualizada dos bens do réu.

327-O que são mecanismos punitivos não formais?

R. Ontem, em um atendimento de um assistido da DPU, me deparei com um senhor, com cegueira unilateral, que
estava intentando perceber benefício assistencial pelo LOAS. Relatou que era ex-presidiário pois tinha intentando
matar um cidadão que tentou roubar a sua bicicleta, dizendo ainda que tal meio de locomoção era o que utilizava
para vender cremosinhos(iogurtes) na rua.
Disse ainda que, depois de sair da prisão, tentou de todas as formas arranjar um emprego. Inclusive, argumenta que
foi inclusive nas Igrejas, pois já tinha trabalhado como pastor também. Relatou que as instituições e empresas
procuradoras negaram emprego pelo fato de ser ex-presidiário.
Contei essa história pois aí se percebe um problema social(que pode ser também de concursos públicos,
notadamente os de Defensoria Pública): os mecanismos punitivos não formais. Tais mecanismos são todas as formas
de preconceito e discriminação sem estarem estabelecidas em lei por quais passam os ex-presidiários empós
voltarem ao convívio da sociedade: estarão nela, porém não conseguem entrar de novo(se é que alguns já entraram
algum dia) pelo fato de já terem sido presos. Incluem-se, por exemplo, negativas de emprego, discriminação na
família e nos amigos, dentre outras casos que podem acontecer. Percebe-se, assim, que muitas vezes o sistema
prisional brasileiro longe de cumprir a sua função especial positiva de ressocializar, acaba colocando mais à margem
o cidadão.

328- O que são liberdades remanescentes e construídas?

R. Consideram-se liberdades remanescentes aquelas relativas aos direitos naturais que remanescem com o ser
humano após a criação do Estado. Observa-se, nesse sentido, um Estado como tolhedor das liberdades das pessoas.
As liberdades contruídas, as quais não podem ser consideradas naturais - acabam nascendo posteriormente ao
próprio surgimento do Estado, pois dependem de sua presença. Pode-se citar como exemplo o direito de ação e o
direito de acesso à justiça.

329-É possível a ocorrência de desapropriação, pelo Poder Público, em que os bens desapropriados sejam
destinados a terceiros?

R. 1) Embora se trate de situações excepcionais, em alguns casos ocorrerá a destinação dos bens desapropriados a
terceiros. 2) A primeira situação é a desapropriação por zona ou extensiva. É aquela forma de intervenção supressiva
que engloba área contígua necessária ao desenvolvimento da obra a que se destina, e as zonas que se valorizam, de
forma extraordinária, em consequência da realização do serviço prestado pelo Estado. O Poder Público deverá
discriminar, expressamente, os bens que serão alienados. 3) O segundo caso seria é a desapropriação para
urbanização ou para industrialização (desapropriação urbanística). O Poder Público pretende criar ou alterar planos
de urbanização, retirando algumas propriedades das mãos de seus donos, sob o fundamento da utilidade pública ou
do interesse social. Depois disso, ocorrerá a transferência de bens a terceiros que cumprirão a finalidade declarada
pelo Poder Público, sendo que a alienação será onerosa, não se admitindo a doação. 4) A terceira situação é a
desapropriação para fins ambientais, tendo que como fundamento a utilidade pública ou, exatamente, a proteção
ambiental.

330-Indique as três ondas do Movimento do Acesso à Justiça, segundo Mauro Cappelletti e Bryan Garth.

R. Primeiramente, cumpre falar a respeito fase do Instrumentalismo, uma vez que umbilicalmente ligada à tal obra. –
Na fase anterior, a autonomista, a relação jurídica material, com a descoberta da autonomia processual, acabou
sendo de certo modo esquecida. Assim, os direitos começaram a ser deixados de ser tutelados, o acesso à justiça
ficou prejudicado - uma vez que se concentrava no direito processual. Então, surge uma terceira fase metodológica
do estudo do direito processual que ficou e ainda é conhecida como instrumentalismo, que tem início em meados de
1950, com a obra de dois autores, um italiano e um americano: Mauro Cappelletti e Bryant Garth. Os dois
escreveram uma obra clássica: “O Acesso à Justiça.” Esses autores defendem que deve haver um resgate dos
verdadeiros fins do processo, e só através do resgate do direito material é que o processo realmente se torna um
meio de acesso à justiça. Para sustentar esse movimento novo, para que o processo se tornasse, realmente, um
instrumento de acesso à justiça, eles dizem que todos os ordenamentos jurídicos do mundo deveriam observar
aquilo que eles chamaram de As 3 Ondas Renovatórias de acesso à Justiça: 1. Onda de Tutela aos Pobres – Se o
processo quer tutelar o direito material e ampliar o acesso à justiça, a primeira pessoa que tem que ser trazida para
dentro do sistema judicial é aquele que não tem condições de entrar com a ação. A consequência é que o sistema só
será acessível se o pobre tiver direito. A consequência disso é que nasce a justiça gratuita, a Defensoria Pública,
tribunais de pequenas causas. 2. Onda da Coletivização do Processo – O grande momento dessa fase metodológica é
a segunda onda renovatória, que é aquela em que eles sustentam a necessidade de coletivização do processo, com
uma série de instrumentos autônomos. Nessa onda renovatória, passa-se a promover a representação em juízo dos
direitos metaindividuais. 3. Onda da Efetividade do Processo – Por último, ao ver que muitas vezes acontece a
conhecida e famigerada máxima de que a pessoa ganha, mas não leva, busca-se estabelecer uma série de novos
instrumentos para dar efetividade ao processo. Estamos vivendo essa nova onda neste momento: súmula
vinculante, repercussão geral, nova lei de execução, novo CPC, tudo isso para fortalecer tal idéia.

331-Diferencie justiça retributiva de restaurativa.


R. Diferenças entre justiça retributiva e restaurativa.
Segundo Rogério Sanches, são duas facetas de concepção de Justiça que orientam o Direito Penal, a depender da
época e dos acontecimentos que estamos vivendo. Na justiça retributiva, o crime é considerado um ato contra a
sociedade, o interesse na punição é público, predomina a indisponibilidade da ação penal, o foco é punitivo,
predominam as penas privativas de liberdade, consagra-se pouca assistência à vítima, e um exemplo de tal espécie
de justiça é a Lei 8.072(Lei dos Crimes Hediondos). De um outro lado, na justiça restaurativa, o crime é ato contra a
comunidade, contra a vítima e contra o próprio autor, o interesse de punir ou reparar é primordialmente das
pessoas envolvidas no caso, predomina-se a disponibilidade da ação penal, o foco é nitidamente conciliador,
predomina a reparação do dano e as penas alternativas, o foco da assistência é voltado à vítima, e um exemplo é a
Lei 9.099(Lei dos Juizados Especiais).

332-Qual a definição típica e atípica da atuação Defensoria Publica?

R. Consoante definição da doutrina clássica, a atuação típica envolve necessitado econômico. A atuação atípica
envolveria o necessitado juridicamente e organizacional. Juridicamente, pode-se falar, por exemplo, no caso das
mulheres, deficientes, crianças, e outras pessoas que, em tese, em nossa sociedade moderna, já padecem de uma
certa vulnerabilidade - a própria LC 80 já traz isso em seu bojo. Essas demais hipossuficiências perpassam por uma
interpretação jurídico-teleleógica do conceito estabelecido pela CF:
a) CF não estabelece exaustivamente as funcoes da DP - trata-se apenas de uma funcao mínima;
b) interpretação ampliativa do conceito de necessitado
A respeito dos hipossuficientes organizacionais, trata-se de uma expressão trazida ao ordenamento jurídico
brasileiro pela jurista Ada Pellegrini, referindo-se a um termo já utilizado por Mauro Capelleti, estando ligada à
questão da vulnerabilidade das pessoas em face das relações sócio-juridicas existentes hoje em dia nas sociedades
contemporâneas. Caracteriza-se no caso, por exemplo, de existir um agrupamento de pessoas com direito a serem
tutelados o qual, embora não sejam dotados necessariamente de hipossuficiência financeira, possuem uma
reconhecida dificuldade de organização.
Ressalte-se que, hodiernamente, muitos autores criticam essa distinção entre função típica e atípica da Defensoria
Pública, aduzindo que é uma classificação anacrônica diante do novo perfil constitucional da Defensoria Pública -
bem amplo.

333-O que é o juiz “peitado”?

R. Juiz peitado é um antigo termo da doutrina utilizado para designar o magistrado que profere sentença movido por
prevaricação, concussão ou corrupção. No antigo Código de Processo Civil de 1939, havia menção expressa ao termo
“juiz peitado”. No atual CPC de 1973, não há a expressa referência a esse termo, mas a “peita” (corrupção) do juiz
está prevista no Art. 485, I, ao afirmar que "A sentença de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida
quando: I - se verificar que foi dada por prevaricação, concussão ou corrupção do juiz;”. Nesse sentido, a importância
do termo “juiz peitado” está no fato de a “peita” do juiz ser causa de rescisão da sentença prolatada, ou seja, é uma
hipótese de cabimento da Ação Rescisória!

334-Quais as razões da desconstrução da supremacia do interesse público sobre o interesse privado?

R. Uma das pedras de toques do Direito Administrativo, segundo Celso Antônio Bandeira de Mello, conjuntamente
com a indisponibilidade do interesse público, é a supremacia do interesse público sobre o interesse privado. Ocorre
que, com as modificações pelas quais o Direito Administrativo vem passando ultimamente, notadamente com a
Constitucionalização do Direito Administrativo, a doutrina, notadamente a de Daniel Sarmento, vem admitindo a
desconstrução da supremacia do interesse público sobre o interesse privado, sob as seguintes razões:
a) texto constitucional privilegia dignidade da pessoa humana;
b) incompatibilidade com preceitos como proporcionalidade e concordância prática;
c) indeterminação abstrata e objetiva do interesse publico
d) interesse publico indissociável do interesse privado uma vez que ambos são consagrados na Constituição e
incluídos como finalidade do Estado.

Ressalte-se que tal descontrução envolve, segundo classificação da doutrina italiana, notadamente o interesse
público secundário, aquele que envolve aspectos patrimoniais da Fazenda Pública.

335-Admite-se danos morais em face das pessoas jurídicas de direito público?

R. Primeiramente, há de estabelecer que, no que for cabível, consoante dicção do CC, aplica-se a proteção dos
direitos da personalidade á pessoa jurídica. Assim, é consenso, tanto doutrinário quanto jurisprudencial, que as
pessoas jurídicas podem sofrer dano moral em razão da violação de sua honra objetiva, e não de sua honra
subjetiva. Em um exemplo, já decidiu o STJ que não é violador dessa honra objetiva o tão só fato de ter faltado
energia.
Surgiu, no entanto, uma dúvida - pode-se atribuir danos morais em face do atingimento das pessoas jurídicas de
direito público? Instado a se pronunciar sobre o tema, o STJ decidiu pela impossibilidade de danos morais para
pessoas jurídicas de direito publico. Caso se permitisse seria uma subversão da própria essência dos direitos
fundamentais, que seria um garantia do particular em face do estado, e não o contrário. Seria assim uma confusão
ou paradoxo se ter na mesma pessoa idêntica posição jurídica de titular ativo ou passivo, credor e devedor dos
direitos fundamentais. Deve-se, ainda, olhar para a própria história dos direitos fundamentais: o dano moral foi
positivado com a CF/88 - doutrina e jurisprudência apenas tem reconhecido às pessoas jurídicas de direito público
direitos fundamentais de caráter processual ou relacionado a proteção constitucional da autonomia, prerrogativas
ou competências de entidades e de órgãos públicos, ou seja, direitos que per si são oponíveis ao estado e não ao
particular.Quando se fala de direitos fundamentais de natureza material pretensamente oponíveis contra
particulares, a jurisprudência do STF nunca ratificou tal entendimento. Além disso, a própria razão para instituição
para pessoa jurídica não se justifica aqui - resguardar a credibilidade mercadológica ou reputação negocial da
empresa, que poderiam ser fragmentadas pela violação da sua imagem - perda pecuniária da atividade empresarial.

336-Quais as modificações que a constitucionalização do Direito abalou no Direito Administrativo?

R. O fenômeno da constitucionalizacao do Direito, que fez com que todas as áreas do Direito passassem a serem
enxergadas sob as lentes do Direito Constitucional, abalou alguns dos mais tradicionais dogmas do Direito
Administrativo, a saber:
a) redefinição do interesse público sobre privado e ascensão da ponderação dos direitos fundamentais;
b) a superação da concepção do principio da legalidade como vinculação positiva do administrador à lei e a
consagração da vinculação direta à Constituição;
c) releitura da legitimidade democrática da Administração, com previsão de instrumentos de participação dos
cidadãos na tomada de decisões administrativa. Envolvem-se, assim, os conceitos de consesualidade da
Administração, Estado em rede, Administração Pública dialógica.

337-A tributação pode ser utlizada como instrumento de controle da livre concorrência?

R. A livre concorrência é um princípio fundamental da nossa ordem econômica previsto no Art. 170, IV da CF/88 e a
própria Constituição, em vários momentos, determina proteção dessa livre concorrência (p. Ex.: Art. 173, p.4°), pois
bem, por meio de emenda constitucional, o constituinte derivado criou o Art. 146-A, permitindo que, POR MEIO DE
LEI COMPLEMENTAR, possam ser criados critérios especiais de tributação com o objetivo de previnir desequilíbrios
da concorrência! Um ponto MUITO importante é que a parte final do dispositivo afirma que a União pode continuar
legislando POR MEIO DE LEI ORDINÁRIA com o mesmo objetivo. A CONCLUSÃO a que se chega é: A UNIÃO necessita
regular, por meio de LEI COMPLEMENTAR NACIONAL, os critérios gerais sobre o tema; por outro lado, por regular
por meio de LEI ORDINÁRIA FEDERAL assuntos específicos sobre o tema pertinentes ao seu âmbito específico de
atuação!

338-Qual a justiça competente para julgar pedofilia por material fotográfico na internet?

R. STF. Decisão: O Tribunal, por maioria, vencido o Ministro Marco Aurélio, apreciando o tema 393 da repercussão
geral, fixou tese nos seguintes termos: "Compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes consistentes em
disponibilizar ou adquirir material pornográfico envolvendo criança ou adolescente (arts. 241, 241-A e 241-B da Lei
nº 8.069/1990) quando praticados por meio da rede mundial de computadores". Ausentes, justificadamente, o
Ministro Celso de Mello e, nesta assentada, o Ministro Dias Toffoli. Presidência do Ministro Ricardo Lewandowski.
Plenário, 29.10.2015.” RE 628624.

339-DISSERTE A RESPEITO DAS TEORIAS QUE TRATAM DA ATRIBUIÇÃO DE PERSONALIDADE JURÍDICA AO


NASCITURO.

R. Segundo Pablo Stolze, tal tema deve ser solucionado à luz de três teorias explicativas fundamentais: 1ª) natalista;
2ª) personalidade condicional; e 3ª) concepcionista. ♣ Teoria natalista: é a teoria tradicional no direito brasileiro,
defendida por Silvio Rodrigues, Vicente Ráo e Silvio Venosa. Sustenta que a personalidade jurídica só seria adquirida
a partir do nascimento com vida, de maneira que o nascituro não seria considerado pessoa, gozando de mera
expectativa de direito. ♣ Teoria da personalidade condicional: defendida por Arnaldo Wald e Serpa Lopes, fica a
meio caminho entre as teorias natalista e a concepcionista. O nascituro seria dotado de personalidade apenas para
direitos existenciais/personalíssimos (ex.: direito à vida; direito ao nome; direito ao pré-natal etc.), mas apenas
consolidaria a personalidade para a aquisição de direitos econômicos ou materiais, sob a condição de nascer com
vida. A jurisprudência aceita bastante essa teoria, por considerá-la uma evolução da teoria natalista. ♣ Teoria
concepcionista: trata-se da teoria mais completa, à qual se filia Teixeira de Freitas e Silmara Chinellato. Afirma que o
nascituro é dotado de personalidade jurídica desde a concepção, inclusive para efeitos patrimoniais. Percebemos
que, aos poucos, a teoria concepcionista vai ganhando mais espaço nos Tribunais, inclusive na própria legislação
brasileira, a exemplo da Lei de Alimentos Gravídicos (Lei nº. 11.804/08), de recentes decisões do STJ que admitiram
o dano moral ao nascituro (REsp 399.028/SP) e, até mesmo, do pagamento de DPVAT pela morte do nascituro
(Noticiário de 15.05.2011). O nascimento com vida, assim, teria apenas um efeito retroativo, pois viria a confirmar os
direitos.

340-O que é sanatória voluntária?

R. Diogo de Figueiredo Moreira Neto construiu uma teoria bastante sofisticada para tratar do “aperfeiçoamento da
relação jurídico-administrativa com defeito de legalidade”. Segundo o autor, a sanatória voluntária (convalidação)
possui três modalidades: a) ratificação: corrige defeito de competência; b) reforma: elimina a parte viciada de um
ato defeituoso; c) conversão administrativa: a Administração transforma um ato com vício de legalidade,
aproveitando seus elementos válidos, em um novo ato. O autor reconhece ainda a possibilidade de uma conversão
legislativa, promovida, não por meio de ato administrativo, mas por força de lei. Além das modalidades voluntárias,
o referido administrativista faz referência à sanatória não voluntária ou fato sanatório, nomes atribuídos aos
institutos da prescrição e da decadência, que operam a estabilização de defeitos do ato administrativo pelo
transcurso de um prazo legal associado à inércia do titular do direito à impugnação.

341-O que é o princípio da parcelaridade?

R. Segundo Pedro Lenza, trata-se de um principio aplicável no âmbito do controle concentrado. Isso significa que a
Corte Constitucional, ao julgar parcialmente procedente o pedido de declaração de inconstitucionalidade, pode
expurgar do texto legal apenas uma palavra ou expressão, diferente com o que ocorre no caso do veto presidencial,
conforme o art. 66, paragrafo segundo da CF/88.

342-Ações de controle estadual e federal - ajuizadas em momento diversos.

R. Muito já se discutiu a respeito do tema das ações de controle estadual e federal quando ajuizadas em um mesmo
momento - fenômeno denominado pela doutrina de simultanis processus. Imaginemos, no entanto, que as ações
foram ajuizadas em um momento distinto - como se deve solucionar o caso? O Supremo está vinculado à decisão do
TJ?
Se o TJ decide que a lei estadual é inconstitucional, não é possível que se ajuize uma ADI no STF, pois se o TJ
reconhece que a lei estadual é inconstitucional, o TJ retira a lei do mundo jurídico - não existindo objeto para uma
ADI no Supremo. Se o TJ reconhece isso, retira a lei do mundo jurídico. O que era lei não é mais lei e, portanto, não
existe mais objeto para uma ADI no Supremo. Não há nem mais que se falar em vinculação do Supremo pela decisão
do TJ, uma vez que o TJ já retirou a norma jurídica do ordenamento

E se o TJ reconhece que a lei estadual é constitucional? Esta decisão do TJ vincula o Supremo? É possível o
ajuizamento de uma ADI nesta situação? É possível, pois apesar do TJ ter reconhecido que a lei estadual é
constitucional, o Supremo pode reconhecer que a lei estadual é inconstitucional, pois se decide com outro
parâmetro que outro parâmetro que não a Constituição estadual, mas a Constituição Federal.

343-Disserte sobre corrupção, características , causas, consequências, atuação do MP no seu combate e


accountability vertical e horizontal.

R. O candidato deve discorrer sobre o tema Corrupção e mencionar a existência de múltiplos significados. Em relação
à esfera estatal, deve informar que a corrupção indica o uso ou a omissão, pelo agente público, do poder que a lei
lhe outorgou em busca da obtenção de uma vantagem indevida para si ou para terceiros, relegando a
plano secundário os legítimos fins contemplados na norma; b) características: desvio e enriquecimento ilícito; c)
causas: deve o candidato discorrer sobre fatores que possibilitam a prática da corrupção, como: debilidade
democrática; questões históricas; fragilidades dos padrões éticos; vícios do procedimento eletivo; deficiências na
organização estatal; ausência de publicidade adequada dos atos de corrupção; d) accountability horizontal: está
associada à existência de órgãos do Estado com poder de fiscalização dos atos públicos; accountability vertical:
mecanismos que permitem aos cidadãos exigirem prestação de contas à Administração Pública; e) corrupção e
improbidade administrativa: a corrupção configura uma das faces do ato de improbidade administrativa, o qual
possui maior amplitude. Improbidade é gênero e corrupção é espécie; f) atuação do Ministério Público no combate à
corrupção: deve o candidato discorrer sobre a atuação preventiva/pedagógica do Ministério Público junto à
sociedade no sentido de incentivar a discussão crítica, a participação social e a educação para a cidadania, bem como
a atuação repressiva no âmbito civil e criminal, na defesa do patrimônio público e social e de outros interesses
difusos e coletivos, como a moralidade administrativa.

344-O que é autoria mediata particular?

R. Consoante Rogério Sanches, é uma forma especial de autoria mediata, também chamada de autoria mediata
particular ou autoria mediata especial, é aquela que pressupõe uma máquina de poder determinando a ação de
funcionários, os quais, no entanto, não podem ser considerados como meros instrumentos nas mãos dos “chefões”.
O autor de escritório tem poder hierárquico sobre seus soldados. É o que muito acontece nas grandes organizações
criminosas. É um tipo de autoria mediata em que o autor mediato é alguém com consciência, em tese, da ilicitude do
ato.
Em outras palavras, é autor de escritório o agente que transmite a ordem a ser executada por outro autor direto,
dotado de culpabilidade e passível de ser substituído a qualquer momento por outra pessoa, no âmbito de uma
organização ilícita de poder. Exemplo: o líder do PCC (SP) ou do Comando Vermelho (RJ) dá ordens a serem seguidas
pelos seus comandados; é ele o autor de escritório, com poder hierárquico sobre seus “soldados”. Essa modalidade,
vale dizer, também é muito comum nos grupos terroristas.

345-Quais são as teorias relacionadas à criação das pessoas jurídicas?

R. São três as teorias que buscam explicar as pessoas jurídicas:

Teoria da ficção: existência dela deve ser meramente ideal ou abstrata, sendo uma criação da pura técnica do
direito;
Teoria da realidade objetiva, sociológica ou organicista - seria um organismo social vivo, a ser explicado pela
sociologia, e não pela técnica do direito;
Teoria da realidade técnica - É a teoria adotada pelo ordenamento jurídico brasileiro. É uma teoria mais equilibrada -
personificada pela técnica abstrata do direito, mas que também possui dimensão social, integrando relações de
variada ordem.

346-Você sabe o que é legislação de “Compliance”?

R. No mundo empresarial, há o termo anglo-saxão "compliance", que significa a prática da boa gestão, gestão
transparente ou gestão limpa. O termo "compliance" está relacionado com a vedação da corrupção no mundo
empresarial e negocial. O termo tem ganhado muita força no Direito com a recente Lei N°.12.846/13, a chamada Lei
Anti-corrupção, que dispõe sobre a responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos
contra a Administração Pública nacional ou estrangeira. Assim, com essa lei o Brasil se integra à lógica do
compliance, punindo a gestão administrativa corrupta. As principais inovações da Lei Anti-corrupção são: a) a clara
possibilidade de responsabilização do administrador (Art. 3*); b) a possibilidade de desconsideração da
personalidade jurídica na via administrativa (Art. 14); c) a ampliação da utilização do acordo de leniência; d) a criação
do Cadastro Nacional de Empresas Punidas (CNEP). Sugerimos a leitura atenta da Lei.
347-O que são as entidades de apoio?

R. Inicialmente, deve-se observar que as Entidades de Apoio não possuem uma regulamentação clara. Elas também
são chamadas de “Fundações de Apoio” por Odete Medauar. As Entidades de Apoio são pessoas jurídicas de direito
privado que assumem a forma de fundação privada, mas que também podem assumir a forma de associação ou
cooperativa, que se autodeclaram sem fins lucrativos, constituídas pelos próprios servidores públicos e firmam
convênios com a Administração Pública para colaborar com o exercício das funções da própria Administração,
geralmente, colaboram como instituições de ensino e pesquisa. Não fazem parte da Administração Pública, mas que,
com base nos citados convênios, utilizam de servidores públicos, recursos públicos, prestam serviço público,
utilizam-se dos ambientes, instrumentos e equipamentos públicos. Não raro cobram pelos serviços prestados. Por
tudo o que foi dito, consideramos TOTALMENTE ILÍCITA a prática de convênios para a delegação de serviços públicos
para Entidades de Apoio por ser uma nítida utilização de recursos públicos com confusão patrimonial com interesses
privados e, especialmente, por tender a ser uma ofensa ao princípio da gratuidade dos serviços públicos. O
Ministério Público, em regra, combate a figura das Entidades de Apoio.

348-A respeito das provas ilícitas por derivação e seus limites, dissere sobre a teoria da proporcionalidade, da
destruição da mentira do imputado, do risco, da doutrina da visão aberta e da renúncia do interessado.

R. d) teoria da proporcionalidade: o magistrado, no caso concreto, deve ponderar os valores assegurados pela
Constituição, considerando a intensidade e a quantidade da violação ao direito fundamental e o dano que poderá
advir caso a prova não seja admitida. Infelizmente, a teoria vem sendo pouco aplicada pelos tribunais pátrios
enquanto limitação à prova ilícita por derivação, como se a inadmissibilidade da prova obtida por meio ilícito fosse
uma garantia absoluta. e) teoria da destruição da mentira do imputado: a prova obtida sem a observância das
formalidades estabelecidas na lei não é idônea para comprovar a culpabilidade do acusado, entretanto, pode ser
valorada para demonstrar que o acusado está mentindo, desqualificando seu álibi. Não se tem precedente do STF ou
do STJ sobre a aplicação desta teoria. f) teoria do risco: é válida a prova obtida mediante violação ao direito à
intimidade quando o acusado, espontaneamente, faz revelações a respeito de sua participação em eventos ilícitos,
assumindo o risco quanto à documentação da confissão. O STF vem reconhecendo a validade da gravação de uma
conversa por um dos interlocutores sem o conhecimento do outro, sobretudo quando utilizada para a defesa de
quem a gravou. A doutrina ainda defende a aplicação em caso de gravações feitas por câmeras de segurança. g)
teoria da doutrina da visão aberta: com esteio no princípio da razoabilidade, deve ser considerada legítima a
apreensão de elementos probatórios do fato investigado e de outro crime quando, a despeito de não se tratar da
finalidade gizada no mandado de busca e apreensão, no momento da diligência, o objeto ou documento é
encontrado por ser encontrar visível ou ao alcance de todos. No Brasil a teoria é de pouca utilidade prática, haja
vista a adoção da teoria do encontro fortuito de provas. h) teoria da renúncia do interessado: a prova será
considerada válida caso o acusado disponha, legitimamente, da garantia constitucional. É aplicada no direito norte-
americano para mitigar a exigência de prévia autorização judicial para
(A RESPOSTA SO FOI ATE AI,MUITAS PESSOAS RECLAMARAM NOS COMENTÁRIOS)

349-É constitucional a previsão de toque de recolher?

R. Não! Primeiramente, com base no art. 149 do ECA, não se podem ter determinações gerais dadas pelos juízes.
Além disso, consoante entendimento já manifestado pelo STJ,a própria situação do tratamento do tema mudou com
a edição do ECA, pois no antigo Código de Menores existia uma maior liberdade de atuacao do magistrado.
Hodiernamente, sua atuação é vinculada à determinação em cada caso concreto. Antes ,pai e mae apenas podiam
frequentar certos lugares com os filhos se juiz de sua comarca o julgasse adequado - era o juiz era quem
autodeterminava no lugar dos pais. Hoje em dia, isso não existe mais. Além disso, tem-se que o próprio toque de
recolher contraria o poder familiar, ultrapassa os limites do poder normativo e viola direitos constitucionais, como
de ir e vir, do menor.

350-Previsão de eleição para diretores escolars é constitucional?


R. Consoante entendimento já reiterado no STF, tal previsão é inconstitucional, por ser um cargo em comissão que
deve ser escolhido pelo chefe do Executivo. Vejamos a ementa:
EMENTA: INCONSTITUCIONALIDADE. Ação direta. Art. 308, inc. XII, da Constituição do Estado do Rio de Janeiro.
Normas regulamentares. Educação. Estabelecimentos de ensino público. Cargos de direção. Escolha dos dirigentes
mediante eleições diretas, com participação da comunidade escolar. Inadmissibilidade. Cargos em comissão.
Nomeações de competência exclusiva do Chefe do Poder Executivo. Ofensa aos arts. 2º, 37, II, 61, § 1º, II, "c", e 84, II
e XXV, da CF. Alcance da gestão democrática prevista no art. 206, VI, da CF. Ação julgada procedente. Precedentes.
Voto vencido. É inconstitucional toda norma que preveja eleições diretas para direção de instituições de ensino
mantidas pelo Poder Público, com a participação da comunidade escolar. (ADI 2997, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO,
Tribunal Pleno, julgado em 12/08/2009, DJe-045 DIVULG 11-03-2010 PUBLIC 12-03-2010 EMENT VOL-02393-01 PP-
00119)

351-A concessão de licenciamento ambiental pode ser condicionada à autorização da Assembléia Legislativa?

R. Na ADIN 1505 e na ADI 3252-MC, o STF decidiu que é inconstitucional lei estadual que condicione o procedimento
de licenciamento ambiental a prévia autorização de Comissão ou do Plenário de Assembleia Legislativa, por
representar indevida interferência do Poder Legislativo na atuação no Executivo, gerando, portanto, grave violação
ao princípio da separação dos poderes, consignado no art. 2º da CF/88. De fato, a atividade de licenciamento
ambiental encontra-se no âmbito do Poder de Polícia da Administração Pública, sobre o qual não cabe intervenção
do Poder Legislativo.

352-È obrigatória a intervenção do MP em toda demanda que envolva direito de idoso?

R. Consoante a jurisprudência do STJ, a intervenção do Ministério Público nas ações em que envolva o interesse do
idoso não é obrigatória, devendo ficar comprovada a situação de risco de que trata o art. 43 da Lei 10.741/2003 (Art.
43. As medidas de proteção ao idoso são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados
ou violados: I – por ação ou omissão da sociedade ou do Estado; II – por falta, omissão ou abuso da família, curador
ou entidade de atendimento; III – em razão de sua condição pessoal). O só fato de a relação jurídico-processual
conter pessoa idosa não denota parâmetro suficiente para caracterizar a relevância social a exigir a intervenção do
Ministério Público.(STJ - AgRg no AREsp: 557517 SP 2014/0186485-9, Relator: Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Data
de Julgamento: 02/09/2014, T4 - QUARTA TURMA, Data de Publicação: DJe 05/09/2014)

353-È possível a criação do Conselho Estadural de Justiça?

R. Na ADI 3367, o STF decidiu que é inconstitucional a criação pelos Estados-membros de Conselho Estadual de
Justiça, pois carecem de competência constitucional para instituir, como órgão interno ou externo do Judiciário,
conselho destinado ao controle da atividade administrativa, financeira ou disciplinar da respectiva Justiça. Portanto,
a norma do art. 103-B da CF/88 não é passível de ser reproduzida pelos outros entes federados. Vale ressaltar que,
no mesmo julgado, entendeu-se que o CNJ não tem nenhuma competência sobre o STF e seus ministros, sendo esse
o órgão máximo do Poder Judiciário nacional, a que aquele está sujeito.

354-Constituição Estadual pode trazer artigo que assevera que no controle concentrado estadual deve-se remeter
para o parlamento suspender a execução da lei?

R. Algumas constituições estaduais dizem o seguinte: depois que o TJ reconhece a inconstitucionalidade, no controle
concentrado, ele remete a decisão para a Assembléia Legislativa e o parlamento estadual suspende a execução da
lei. A Constituição/SP, por exemplo, diz isso.

Pergunta-se: Esta previsão é constitucional ou inconstitucional?


É inconstitucional! Constituição Estadual não pode sujeitar os efeitos da decisão em controle concentrado à
manifestação do Poder Legislativo. No controle concentrado de âmbito nacional existe a participação do Legislativo?
Não. No controle concentrado, não se pode ter tal previsão, apenas no controle difuso. O art. 52, X, da CF trata do
tema.
A CE/SP é inconstitucional ao estabelecer a necessidade de que a decisão que se adota no controle concentrado
receba aprovação do parlamento estadual, pois nesse tipo de controle a decisão não pode se sujeitar ao parlamento.

355-No que consiste a Justiça de Transição?

R. Quando um Estado Totalitário passa a ser um Estado de Direito, temos um conjunto de medidas que devem ser
adotadas pelo regimes para não trazer sentimentos constantes de revanchismo, de modo a trazer segurança jurídica
e legitimidade ao novo regime estabelecido. Dentre tais medidas, podemos citar:
a) reforma das instituições;
b) responsabilização criminal dos que cometeram crimes;
c) reparação das vitimas;
d) busca pela verdade;
e) respeito do direito à memória.

Obs: Hodiernamente, fala-se muito no direito ao esquecimento, que seria o direito de as pessoas que eventualmente
cometeram ilícitos no passado, mesmo após tanto tempo, não terem suas histórias relembradas, despertando
estigmas. Argumenta-se que inexistem penas perpétuas. Tal direito, no entanto, não tem o condão de impedir a
concretização do direito a memória - grandes violações de direitos humanos ocorridas no período da ditadura militar
são de extrema relevância histórica e de inegável interesse publico. Assim, não podem ser simplesmente esquecidas
pelo interesse desses particulares.

356-Remissão pode ser cumulada com medida socioeducativa?

R. No âmbito do Direito da Criança e do Adolescente, o instituto da remissão consiste em causa de exclusão do


processo, quando concedida pelo membro do Ministério Público antes do procedimento judicial de apuração do ato
infracional, ou causa de extinção ou suspensão do processo, quando autorizada pelo magistrado no decurso do
procedimento judicial. Nos termos do art. 127 do ECA, a aplicação de remissão não implica necessariamente o
reconhecimento de culpa por parte do adolescente. Ademais, o mesmo dispositivo prevê que a remissão pode ser
cumulada com medida socioeducativa, exceto aquelas que restringem a liberdade do adolescente, quais sejam,
semi-liberdade e internação. No RESP 457.684/SP, o STJ decidiu que, ao homologar a remissão concedida pelo órgão
ministerial, o juiz pode impor outra medida sócio-educativa prevista na Lei nº 8.069/90, excetuadas aquelas que
impliquem semiliberdade ou internação do menor.

357-BO FAZ PROVA DO FATO DESCRITO?

R. Nos termos da jurisprudência firmada no STJ, "o Boletim de Ocorrência Policial, em regra, não
gera presunção iuris tantum da veracidade dos fatos narrados, uma vez que apenas consigna as
declarações unilaterais narradas pelo interessado, sem atestar que tais afirmações sejam verdadeiras"
(AgRg no REsp 773.939/MG, Relator o Ministro SIDNEI BENETI, DJe de 29/10/2009).

358- PODE A DEFENSORIA PÚBLICA ADENTRAR COM AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA?

R. Tal tema é cercado de muita discussão doutrinária. Inicialmente, cumpre falar que o art. da LIA estabelece que
apenas a Fazenda respectiva e o Ministério Público podem ajuizar ação de improbidade administrativa. Assim, não
poderia a Defensoria ajuizá-la. É a corrente majoritária na doutrina e na jurisprudência.
De um outro lado, existe corrente que advoga no sentido da Defensoria Pública poder ajuizá-la. Existe, inclusive,
precedente do TJ-RS que admitiu, em um caso que estava ocorrendo desvio de valores por parte de uma ONG.
Os argumentos para tal corrente, segundo a própria posição jurisprudencial de tal tribunal, são os seguintes:
a) a AIA é uma espécie de ACP, então - como a Defensoria Pública pode ajuizar ACP, poderia adentrar com AIA;
b) a função constitucional da Defensoria Pública e a sua tutela dos direitos difusos;
c) garante-se, acima de tudo, o princípio da dignidade da pessoa humana;
d) apenas existe legitimidade exclusiva do MP na CF/88 para adentrar com ação penal pública;
e) o MP, por vezes, pode não agir quando deveria tê-lo feito, e ainda tentar calar quem efetivamente o fez(trecho do
voto do relator, Desembargador Carlos Canibal).

359-O que é a teoria do bolso profundo?

R. De acordo com a jurisprudência do STJ, a responsabilidade do poluidor direto ou indireto é solidária. Consoante
Frederico Amado, há uma tendência específica no Direito Ambiental em buscar responsabilizar quem tem mais
condições de arcar com os prejuízos ambientais, com base na doutrina americana do “bolso profundo”, uma vez que
prevalece que todos os poluidores são responsáveis solidariamente pelos danos ambientais.

360-DP pode ajuizar ação coletiva em favor de idosos beneficiários de plano de saúde?

R. Atenção a esse recentíssimo julgado da Corte Especial do STJ (EREsp 1192577), de 26/10/2015), que vai de
encontro ao então entendimento da 4ª Turma, o qual negava a legitimidade da Defensoria Pública para ajuizar ação
coletiva em favor de idosos beneficiários de plano de saúde. Assim, no julgamento de embargos de divergência
contra essa decisão, a Corte decidiu, por unanimidade, que a Defensoria Pública tem legitimidade para ajuizar ação
civil pública em que se discute abusividade de aumento de plano de saúde de idosos, isso porque os beneficiários da
demanda coletiva, independentemente da aferição de suas condições econômicas, são considerados
hipervulneráveis, conceito que engloba os socialmente estigmatizados ou excluídos, as crianças, os idosos, as
gerações futuras; enfim, todos aqueles que, como indivíduo ou classe, por conta de sua real debilidade perante
abusos ou arbítrio dos detentores de poder econômico ou político, ‘necessitem’ da mão benevolente e solidarista do
Estado para sua proteção, mesmo que contra o próprio Estado.

361-O que é dano ambiental por ricochete?

R. Consoante entendimento doutrinário, o dano ambiental tem uma conceituação ambivalente por demonstrar que
a lesão recai sobre o patrimônio ambiental, que é comum à coletividade, e também por se referir ao dano por meio
do meio ambiente, o chamado dano ricochete, que se percebe no âmbito dos interesses pessoais, legitimando os
lesados a uma reparação pelo prejuízo patrimonial ou extra patrimonial sofrido.

362-O QUE É A TEORIA DA DUPLA PERSONALIDADE DO ESTADO?


R. Consoante a teoria da dupla personalidade do Estado, o Estado atuaria como pessoa pública ao editar atos de
império e de pessoa privada ao editar atos de gestã. Trata-se de uma teoria superada e abandonada, pois hoje é
consenso doutrinário e jurisprudencial que o Estado sempre atua com personalidade de Direito Público.

363-Quais são as fases da pena de morte?

R. Primeira fase - é denominada de convivêcia tutelada - a pena de morte tolerada, com estrito regulamento:
existência de várias limitações, como natureza do crime, devido processo legal penal e vedações circunstancias.
A segunda seria a do banimento com exceções - existem apenas pequenas exceções que se admite no ordenamento
jurídico. É o caso do ordenamento jurídico brasileiro, que apenas admite a pena de morte em caso de guerra
declarada;
A terceira e mais esperada pelos Direitos Humanos seria a do banimento em qualquer hipótese.

364-Quais as teorias a respeito da natureza da jurisdição voluntária?

R. Existe uma grande divergência a respeito da natureza da jurisdição voluntária. Trazemos, aos amig@s do Ouse, as
principais teorias:
Teoria administrativista - a jurisdição voluntária possui natureza administrativa. Defendida pelo doutrinador Guido
Zanobi, argumentando que nela inexistem lides e partes, e2 uma exigência legal, e o juiz é posto como membro
estatal necessário a integração da validade de determinados negócios jurídicos.
Teoria revisionista - a jurisdição voluntária possui natureza jurisdicional. Argumenta que a lide é considerada um
elemento acidental mesmo na jurisdição contenciosa, além do fato de o conflito sempre existir de modo indireto ou
ao menos um estado de insatisfação. Aduz-se, ainda, que nela juiz continua atuando com independência e
imparcialidade.
Obs: Lembrem-se que, na jurisdição voluntária, o juiz está autorizado a decidir por equidade(sempre isso é
questionado). Na jurisdição comum, apenas pode o juiz decidir por equidade quando autorizado por lei.

365-Admite-se a tese das normas constitucionais inconstitucionais para as normas constitucionais originárias?

R. Uma das principais utilidades do princípio da unidade da constituição é afastar a tese da hierarquia entre normas
da Constituição, tese essa defendida por Otto Bachof (“Normas constitucionais inconstitucionais?”), o qual sugeria a
existência de normas superiores e normas inferiores dentro do texto constitucional originário. Cumpre relembrar
que essa tese da hierarquia entre normas da Constituição foi invocada na ADIn 4097. Nessa ação, sustentou-se a
ideia segundo a qual a norma do art. 14, §4º, da CF, que considera inelegível o analfabeto, seria uma norma inferior
a outras normas da Constituição, a exemplo do princípio da isonomia, do sufrágio universal e o da não-
discriminação. Foi com base no princípio da unidade da Constituição que a tese sustentada ADIn 1097 foi rejeitada,
considerando-se que o constituinte originário estabeleceu o art. 14, §4º como exceção aos princípios acima
referidos.
Obs: Inexistem vedações a que seja ajuizada ADIn em face de emenda constitucional, uma vez que não são
decorrentes do poder constituinte originário.

366-Na ação de responsabilidade civil ambiental é cabível a denunciação da lide? Fundamente.

R. Consoante entendimento de Frederico Amado,visando a celeridade processual e a prática viabilidade da


reparação, há forte entendimento vedando a denunciação da lide (modalidade de intervenção de terceiros
provocada, com o fito de garantir o direito de regresso no mesmo processo) ou o chamamento ao processo
(intervenção provocada de codevedores) nos processos de reparação por danos ambientais, sendo necessário o
ajuizamento de ação própria contra os codevedores ou responsáveis subsidiários. Existem, inclusive precedentes
nesse sentido, como o do AgRg no Ag 1.213.458 no STJ.

367-A soma de dois cargos públicos de saúde chega a 70 horas semanais - existindo decreto que proibe quando a
acumulação passar as 60 horas semanais. Tal acumulação é lícita?

R. MUDANÇA DE ENTENDIMENTO DO STJ! Antes se entendia que, mesmo que se ultrapassa 60 horas semanais -
estabelecida por decreto tal limite, poder-se-ia acumular cargos públicos, uma vez que a dicção constitucional não
impunha tal limitação. Ocorre que, no Informativo 549 do STJ, mudou-se tal entendimento e passou-se a entender
que é impossível a acumulação de dois cargos públicos quando a soma da carga horária referente a eles for superior
ao limite máximo de 60h semanais. As justificativas foram a de que como é exceção, deve ser interpretada de forma
restritiva. Além disso, deve ser privilegiado o princípio da eficiência - existe a necessidade de o servidor estar em
condições físicas e mentais de trabalhar.

368-Qual o termo inicial para o prazo em dobro no caso da DP?

R. Consoante entendimento manifestado pelos Tribunais Superiores, tal como no caso do MP, também na DP o
termo inicial para contagem do prazo em dobro deve ser o momento em que os autos chegam na instituição, e não
quando o próprio membro dá a ciência disso.

369-O CNJ possui competência sobre o STF?


R. Não! Consoante entedimento reiterado pelo STF, decidido na ADI 3.367, o CNJ não possui nenhuma competência
sobre o STF e seus ministros, sendo esse o órgão máximo do Poder Judiciario Nacional, a que aquele está sujeito.
Obs: Apesar de não ter competência jurisdicional, o CNJ é órgão do Poder Judiciário.

370-A expropriação pelo cultivo de psicotrópicos abrange apenas onde há esse cultivo ilegal?

R. Instado a se pronunciar sobre o tema, o STF manifestou entendimento de no caso de glebas de culturas ilegais de
plantas psicotrópicas, o confisco recairá sobre toda a propriedade, e não apenas sobre aquela onde há o cultivo
ilegal no RExt 543.974/MG.

371-Admite-se reclamação no âmbito estadual?

R. O STF, em precedentes, como o da ADI 2212-CE, deixou claro a possibilidade de instituição da reclamação no
âmbito estadual. Vejamos a ementa do julgado, bastante elucidativo: “AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
ARTIGO 108, INCISO VII, ALÍNEA I DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO CEARÁ E ART. 21, INCISO VI, LETRA J DO
REGIMENTO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA LOCAL. PREVISÃO, NO ÂMBITO ESTADUAL, DO INSTITUTO DA RECLAMAÇÃO.
INSTITUTO DE NATUREZA PROCESSUAL CONSTITUCIONAL, SITUADO NO ÂMBITO DO DIREITO DE PETIÇÃO PREVISTO
NO ARTIGO 5º, INCISO XXXIV, ALÍNEA A DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO ART. 22, INCISO I
DA CARTA. 1. A natureza jurídica da reclamação não é a de um recurso, de uma ação e nem de um incidente
processual. Situa-se ela no âmbito do direito constitucional de petição previsto no artigo 5º, inciso XXXIV da
Constituição Federal. Em consequência, a sua adoção pelo Estado-membro, pela via legislativa local, não implica em
invasão da competência privativa da União para legislar sobre direito processual (art. 22, I da CF). 2. A reclamação
constitui instrumento que, aplicado no âmbito dos Estados-membros, tem como objetivo evitar, no caso de ofensa à
autoridade de um julgado, o caminho tortuoso e demorado dos recursos previstos na legislação processual,
inegavelmente inconvenientes quando já tem a parte uma decisão definitiva. Visa, também, à preservação da
competência dos Tribunais de Justiça estaduais, diante de eventual usurpação por parte de Juízo ou outro Tribunal
local. 3. A adoção desse instrumento pelos Estados-membros, além de estar em sintonia com o princípio da simetria,
está em consonância com o princípio da efetividade das decisões judiciais. 4. Ação direta de inconstitucionalidade
improcedente.

372-Consumidor pode entregar aparelho com defeito na loja onde o comprou?


R. A resposta é: depende! Depende da existência de serviço de assistência técnica localizado no mesmo Município
onde o consumidor adquiriu o aparelho. Caso haja tal serviço na cidade, o estabelecimento comercial não é obrigado
a receber o produto defeituoso e enviá-lo para conserto. O STJ tratou do tema, no REsp 1411136, firmando
entendimento de que aparelhos que apresentam defeito dentro do prazo legal de garantia devem ser entregues
pelo consumidor nos postos de assistência técnica, e não nas lojas onde foram comprados, a menos que o serviço de
reparação especializada não esteja disponível no município. Entendeu-se que, existindo assistência técnica
especializada e disponível na localidade de estabelecimento do comerciante (leia-se, no mesmo município), não é
razoável a imposição ao comerciante da obrigação de intermediar o relacionamento entre seu cliente e o serviço
disponibilizado, mesmo porque essa exigência apenas dilataria o prazo para efetiva solução e acrescentaria custos ao
consumidor, sem agregar-lhe qualquer benefício.

373-Qual a teoria da reincidência adotada pelo CPB?

R. Segundo a teoria da reincidência presumida, para alguém ser tratado como reincidente, é suficiente que a prática
de novo crime ocorra após o trânsito em julgado da condenação anterior, independentemente da presença de
elementos que atestem que houve a execução daquela pena. ESSA É A TEORIA ADOTADA PELO CÓDIGO PENAL
BRASILEIRO. Por sua vez, de acordo com a teoria da reincidência real, somente se verifica a reincidência quando o
agente comete novo crime depois de ter cumprido integralmente a pena imposta como decorrência da prática de
delito anterior.
374-A inconstitucionalidade formal impede a recepção?

R. Com relação às normas constitucionais no tempo, como regra geral, a recepção ocorre quando as normas
editadas anteriormente possuem compatibilidade material com a nova Constituição, sendo desnecessária a
compatibilidade formal(com o novo procedimento estabelecido) para tanto. Consoante Marcelo Novelino, existe,
contudo, uma exceção, na qual a incompatibilidade formal irá impedir a recepção: quando a competência para tratar
da matéria for transferida de um ente menor para um ente maior. Ex.: a Constituição anterior entendia que a
matéria X poderia ser tratada pelos Municípios; existiam, assim, centenas de leis sobre esse tema. A nova
Constituição, por seu turno, transferiu a competência para dispor sobre a matéria X para a União. Nesse caso, a
incompatibilidade é formal, todavia as leis editadas pelos municípios não serão recepcionadas. Ressalte-se,
entretanto, que o inverso pode acontecer. Assim, por exemplo, se a competência era da União e a nova Constituição
a transferiu para os Estados, a recepção pode ocorrer, desde que compatível.

375-Admite-se a reconvenção na ação popular?

R. No que cumpre à reconvenção, o STJ já consignou entendimento que ela não é admitida na ação popular, já que o
legitimado ativo, o cidadão, não age em defesa de apenas um direito próprio, mas sim em interesse pertencente à
toda a coletividade.

Cumpre observar o julgado:

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO POPULAR. RECONVENÇÃO.


IMPOSSIBILIDADE. DANO MORAL. AFERIÇÃO. SÚMULA 07/STJ.
1. A ação popular é um dos mais antigos meios constitucionais de participação do cidadão nos negócios públicos, na
defesa da sociedade e dos relevantes valores a que foi destinada. Admitir o uso da reconvenção produziria efeito
inibitório do manejo desse importante instrumento de cidadania, o que o constituinte procurou arredar, quando
isentou o autor das custas processuais e do ônus da sucumbência.
2. O instituto da reconvenção exige, como pressuposto de cabimento, a conexão entre a causa deduzida em juízo e a
pretensão contraposta pelo réu. A conexão de causas, por sua vez, dá-se por coincidência de objeto ou causa de
pedir.
3. Na hipótese, existe clara diversidade entre a ação popular e a reconvenção. Enquanto a primeira objetiva a
anulação de ato administrativo e tem como causa de pedir a suposta lesividade ao patrimônio público, a segunda
visa à indenização por danos morais e tem como fundamento o exercício abusivo do direito à ação popular.
4. O pedido reconvencional pressupõe que as partes estejam litigando sobre situações jurídicas que lhes são
próprias. Na ação popular, o autor não ostenta posição jurídica própria, nem titulariza o direito discutido na ação,
que é de natureza indisponível. Defende-se, em verdade, interesses pertencentes a toda sociedade. É de se aplicar,
assim, o parágrafo único do art. 315 do CPC, que não permite ao réu, "em seu próprio nome, reconvir ao autor,
quando este demandar em nome de outrem".
5. A discussão a respeito da suposta má-fé do autor popular ao propor a demanda sem um mínimo de provas
aceitáveis resvala no óbice da Súmula n.º 07/STJ, que impede o reexame, na via especial, do suporte fático-
probatório que fundamenta a decisão recorrida.
6. Recurso especial improvido.
(REsp 72.065/RS)

376-CNJ pode realizar controle de constitucionalidade?

R. No MS 28872 DF, o STF decidiu que o Conselho Nacional de Justiça, embora seja órgão do Poder Judiciário, nos
termos do art. 103-B , § 4º , II , da Constituição Federal , possui, tão somente, atribuições de natureza administrativa
e, nesse sentido, não lhe é permitido apreciar a constitucionalidade dos atos administrativos, mas somente sua
legalidade. Pontua-se que tal vedação encontra fundamento no princípio da presunção de constitucionalidade das
normas, a qual só merece ser afastada por pronunciamento judicial, tendo ainda a ressalva da cláusula de reserva de
plenário no controle no âmbito dos Tribunais.

377-A emancipação voluntária exclui a responsabilidade dos pais por atos dos filhos? E a emancipação legal?

R. Nos termos do art. 6º do CC, a emancipação voluntária ocorre quando um dos pais ou os dois a concedem ao
filho, por meio de instrumento público, caso o adolescente tenha dezesseis anos completos. No mesmo dispositivo,
estão dispostas as hipóteses de emancipação legal, quais sejam, casamento, exercício de emprego público efetivo,
colação de grau em curso de ensino superior e estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de
emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. Feita essa
distinção, o STJ, no AgRg no Ag 1239557 RJ 2009/0195859-0, decidiu que a emancipação voluntária, diversamente da
operada por força de lei, não exclui a responsabilidade civil dos pais pelos atos praticados por seus filhos menores.
De acordo com Caio Mário, a emancipação voluntária não exonera os pais, porque um ato de vontade não elimina a
responsabilidade que provém da lei.

378- FARRA DO BOI - BRIGA DE GALO - FOIES GRAS - SÃO CONSTITUCIONAIS AS NORMAS QUE A POSSIBILITAM?

R. Com relação às brigas de galo - evento cultural realizado em alguns Estados - deve se considerá-la constituconal
como forma de manifestação das culturas? Ou prevalece a vedação à crueldade com os animais?
As leis estaduais do RN e RJ que autorizavam a “briga de galo” foram consideradas inconstitucionais (ADIN 3776/RN).
ADIN 3776/RN (13.06.07)
Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. Ação direta. Lei nº 7.380/98, do Estado do Rio Grande do Norte. Atividades
esportivas com aves das raças combatentes. “Rinhas” ou “Brigas de galo”. Regulamentação. Inadmissibilidade. Meio
Ambiente. Animais. Submissão a tratamento cruel. Ofensa ao art. 225, §1º, VII, da CF. Ação julgada procedente.
Precedentes. É inconstitucional a lei estadual que autorize e regulamente, sob título de práticas ou atividades
esportivas com aves de raças ditas combatentes, as chamadas “rinhas” ou “brigas de galo”.
Outra questão importante que já foi analisada pelo STF foi a “farra do boi”. A minoria do votou a favor alegando ser
prática cultural, porém prevaleceu a tese do ex-ministro Resek (maioria) que proibiu a prática deste evento, sob o
fundamento de ser prática de crueldade contra os animais. RE 153.531/SC.
Também se veda o denominado foie gras:termo francês, fígado gordo, prática de engorda forçada de animais. Inserir
muita comida pela boca do animal com o objetivo de criar gordura no fígado. Método utilizado com gansos em
épocas passadas na França. Por também implicar em crueldade contra os animais, é vedado.
Vejamos o teor de entendimento do STF sobre o tema:
RE 153.531/SC (02.06.97)
Ementa: COSTUME - MANIFESTAÇÃO CULTURAL - ESTÍMULO - RAZOABILIDADE - PRESERVAÇÃO DA FAUNA E DA
FLORA - ANIMAIS - CRUELDADE. A obrigação de o Estado garantir a todos o pleno exercício de direitos culturais,
incentivando a valorização e a difusão das manifestações, não prescinde da observância da norma do inciso VII do
artigo 225 da Constituição Federal, no que veda prática que acabe por submeter os animais à crueldade.
Procedimento discrepante da norma constitucional denominado farra do boi.

379-O QUE É O EFEITO VIAGRA? O QUE FOI FEITO PARA ALTERÁ-LO?

R. Consoante a doutrina previdenciária, consiste no fato de muitos segurados da Previdência Social relacionarem-se
com pessoas mais novas e, assim, quando do seu falecimento, tais pessoas novas receberão por muito tempo a
pensão por morte, ainda que tenham capacidade laborativa. Argumenta-se, assim, que prejudica o equilibrio atuarial
e financeiro do sistema.
Com o intuito de combater tal efeito, foi editada a Lei 13.135/2015, que estabeleceu prazo para gozo da pensão por
morte para o cônjuge ou companheiro:
O cônjuge ou companheiro perderá a qualidade de beneficiário da pensão por morte nos seguintes prazos:

I – Se o servidor tiver vertido (pago) menos que 18 contribuições mensais para o regime previdenciário: a pensão irá
durar 4 meses.

II – Se o servidor era casado ou vivia em união estável há menos de 2 anos quando morreu: a pensão irá durar 4
meses (não importa o número de contribuições que ele tenha pago). III – Se o servidor tiver vertido mais que 18
contribuições mensais para o regime previdenciário E se ele era casado ou vivia em união estável há mais de 2 anos
quando morreu. Neste caso, a pensão irá durar:

a) 3 anos, se o beneficiário tiver menos que 21 anos de idade;

b) 6 anos, se o beneficiário tiver entre 21 e 26 anos de idade;

c) 10 anos, se o beneficiário tiver entre 27 e 29 anos de idade;

d) 15 anos, se o beneficiário tiver entre 30 e 40 anos de idade;

e) 20 anos, se o beneficiário tiver entre 41 e 43 anos de idade;

f) será vitalícia, se o beneficiário tiver mais que 44 anos de idade.

IV – Se o servidor tiver morrido em decorrência de acidente de qualquer natureza ou de doença profissional ou do


trabalho não importará o número de contribuições que ele tenha pago nem o tempo de casamento ou união estável.
A pensão irá durar:

a) 3 anos, se o beneficiário tiver menos que 21 anos de idade;

b) 6 anos, se o beneficiário tiver entre 21 e 26 anos de idade;

c) 10 anos, se o beneficiário tiver entre 27 e 29 anos de idade;

d) 15 anos, se o beneficiário tiver entre 30 e 40 anos de idade;

e) 20 anos, se o beneficiário tiver entre 41 e 43 anos de idade;

f) será vitalícia se o beneficiário tiver mais que 44 anos de idade.

380-Presidente da República podre criar território federal por meio da medida provisório?

R. Para de responder a essa pergunta, faz-se necessário realizar uma interpretação sistemática da Constituição
Federal! A medida provisória é uma espécie legislativa editável pelo Presidente da República, respeitados os
requisitos constitucionais de relevância e urgência. Além de tais requisitos, a Constituição Federal, em seu art. 62 §
1º, enumerou matérias que não podem ser tratadas por meio de MP, dentre as quais se encontram aquelas
reservadas à lei complementar. Portanto, o Presidente da República não pode editar medida provisória instituindo
um Território Federal, pois o art. 18 § 2º, da CF/88, determina que sua criação, transformação em Estado ou
reintegração ao Estado só poderão ser reguladas em lei complementar.

381-O que é a decadência imprópria no processo penal?


R. Com efeito, a decadência é uma causa de extinção de punibilidade, prevista no art. 107, IV do Código Penal, que
se aplica às ações penais privadas e públicas condicionadas à representação. Opera-se quando o ofendido deixa de
apresentar a queixa ou a representação dentro do prazo de seis meses, contado a partir do dia que é sabida a
autoria do crime. E na ação penal privada subsidiária da pública? Há decadência? Nesse caso, após o fim do prazo de
oferecimento da denúncia por parte do Ministério Público, que é de 05 dias, caso o réu esteja preso, e de 15 dias,
caso solto, segundo o art. 46 do CPP, inicia-se o lapso temporal de 06 meses, dentro do qual o ofendido pode
promover a ação. Como nesses casos a ação penal é originalmente de natureza pública incondicionada, o decurso do
prazo decadencial não irá acarretar a extinção da punibilidade. É a chamada decadência imprópria, isto é, o ofendido
perde o direito de exercer o jus persequendi, mas não haverá a extinção da punibilidade.

382-O que é contrabando legislativo?

R. Contrabando Legislativo consiste em uma prática vedada pelo nosso ordenamento jurídico, em que o Congresso
Nacional apresenta emendas a uma Medida Provisória, sem que estas alterações tenham qualquer pertinência
temática com a MP proferida. STF. Plenário.ADI 5137/DF. Info 803.

383-È possível alimentos gravídicos avoengos?

R. No tocante ao pedido de alimentos gravídicos aos avós, urge salientar que a Lei 11.804/08 é omissa quanto a essa
possibilidade. Todavia, há diversos entendimentos doutrinários, como o da professora Maria Berenice Dias, no
sentido da aplicação supletiva do Código Civil, o que possibilitaria a cobrança dos avós, desde que de forma
subsidiária e complementar.

384-Cabe liminar em ADI interventiva?

R. Muitos não sabem, mas existe um diploma legislativo que trata especificamente da ADI Interventiva: é a Lei nº
12.562/11. Justamente por não ser muito conhecida, as bancas dos concursos tendem a explorá-la cada vez mais,
com ocorreu nos certames para Juiz Federal do TRF da 5ª Região e para Defensor Público do Estado do Maranhão.
Nesse sentido, o art. 5º dessa lei prevê expressamente que o Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria
absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida liminar na representação interventiva. Tal liminar
poderá consistir na determinação de que se suspenda o andamento de processo ou os efeitos de decisões judiciais
ou administrativas ou de qualquer outra medida que apresente relação com a matéria objeto da representação
interventiva.

385-É possível PPP por órgãos do poder legislativo?

R. A lei Federal nº 13.137/2015, resultante da conversão em lei da Medida Provisória nº 668/2015, que, entre outras
matérias legisladas, autorizou o Poder Legislativo a celebrar contratos de PPP.
A nova lei alterou a redação do parágrafo único, do artigo 1º, da Lei Federal nº 11.079/2004 (Lei de PPPs) para incluir
dentre os entes públicos autorizados a celebrar contratos de PPP os órgãos da Administração Pública Direta do
Poder Legislativo.

386-Pode-se aplicar a LIA a atos praticados anteriormente à sua vigência?

R. Consoante entendimento já consolidado no âmbito do STJ, a Lei de Improbidade Administrativa não pode ser
aplicada retroativamente a atos praticados anteriormente a sua vigência, notadmente em face do princípio da
legalidade. Ademais, deve-se consubstanciar entendimento de que isso não se impede no entanto o ajuizamento de
ação de ressarcimento de danos causados contra administração, até mesmo aos atos praticados anteriormente à
CF/88, já que tais condutas já eram vedadas.

387-O que é coisa julgada in utilibus?

R. Inicialmente, vale lembrar o que a coisa julgada, sendo esta uma CARACTERÍSTICA DOS EFEITOS da sentença.
Assim sendo, as sentenças podem ser declaratórias, constitutivas, condenatórias (além de mandamentais ou
executivas "lato sensu", caso se adote a teoria quinária), pois bem, a coisa julgada é a CARACTERÍSTICA DE
DEFINITIVIDADE que esses efeitos assumem, QUANDO A DECISÃO NÃO MAIS FOR PASSÍVEL DE RECURSOS, tornando-
se consolidada. Assim sendo, A COISA JULGADA "in utilibus" é a possibilidade de transporte da definitividade das
decisões de um processo para outro processo, ou seja, é a possibilidade de se utilizar uma decisão favorável de um
outro caso em favor próprio. No Brasil, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) criou a possibilidade da COISA
JULGADA "IN UTILIBUS" para o microssistema processual coletivo, visto que estabeleceu que a coisa julgada de um
processo coletivo pode estender os seus efeitos a processos individuais. Nesses termos, um indivíduo pode valer-se
da coisa julgada do processo coletivo para buscar a indenização pelos seus prejuízos individuais em razão do fato
apurado no processo coletivo, buscando, na fase de liquidação da sentença coletiva, a determinação de sua parcela
de dano ou mesmo transportando a coisa julgada para um outro processo individual que busque a reparação
individual, tudo conforme o Art. 103, p.3° do CDC.

388-Pode ocorrer o tombamento por meio de lei?

R. Consoante entendimento manifestado pelo STF, o tombamento deve ser encarado como sendo um ato do Poder
Executivo. Assim, ato do Poder Legislativo que o efetua ou pretende alterar as condições de tombamento
regularmente instituído pelo poder executivo é inconstitucional por agredir a separação dos poderes.

389-Aplica-se a vedação ao nepotismo para nomeação em cargo político?

R. Consoante entendimento já consolidado no âmbito do STF, nos casos de cargos políticos, em face da extrema
confiança que se exige para nomeação nesses cargos, não se aplica a vedação ao nepotismo consubstanciada em
súmula vinculante do STF. Um exemplo: ano passado, o então Governador do Ceará, Cid Gomes, nomeiou o seu
irmão, Ciro Gomes, para Secretário de Saúde - pelo fato de ser o cargo político, não se aplicou a vedação ao
nepotismo.

390-Qual a diferença entre crime progressivo e progressão criminosa?

R. Segundo Cleber Masson, crime progressivo é aquele que, para ser cometido, deve o agente violar
obrigatoriamente outra lei penal, a qual tipifica crime menos grave, chamado de crime de ação de passagem. Adota-
se, no caso, o princípio da consunção, de modo que o crime mais grave absorve o menos grave. Ex.: homicídio/lesão
corporal. Enquanto isso, progressão criminosa verifica-se quando ocorre uma mutação no dolo do agente, que,
inicialmente, realiza um crime menos grave e, após, quando já alcançada a consumação, decide praticar outro delito
de maior gravidade. O agente responde pelo mais grave, por aplicação do princípio da consunção. Ex.: A decide
lesionar B, mas, no meio da agressão, resolve matá-lo (responde somente pelo homicídio).

391-Qual o nome do crime em que a tentativa é punida com a mesma pena da ação?

R. CRIME DE ATENTADO OU DE EMPREENDIMENTO

Nesse tipo de crime, a lei pune de forma idêntica o crime consumado e a forma tentada, ou seja, não há causa
diminuição de pena em caso de tentativa. Ex.: evasão mediante violência contra a pessoa (art. 352, CP).

392-O que é dano em Ricochete?

R. Segundo Pablo Stolze, dano em ricochete ou dano reflexo cuida-se do prejuízo que atinge uma VÍTIMA INDIRETA,
ligada à vítima direta da atuação ilícita. No caso do dano em ricochete, tem-se, ao menos, duas vítimas, a direta e a
indireta (que sofre o dano reflexo). Ex.: João foi vítima de homicídio; ele é a vítima direta do ato ilícito; o filho de
João é a vítima indireta.
Recentemente, entretanto, o STJ proferiu julgado em que negou ao noivo da vítima direito de pedir indenização pela
sua morte (REsp 1.076.160/AM).
Aprofundamento:
Alguns autores empregam sentido próprio ao dano indireto, o qual não se confundiria com o dano reflexo (Fernando
Gaburri). Esse não é o entendimento majoritário - a expressão “dano indireto” traduz uma cadeia de prejuízos
experimentados pela MESMA VÍTIMA.
Ex.: João compra um cavalo de raça por R$10.000,00; descobre-se, entretanto, que o animal possui uma doença
infectocontagiosa, de modo que essa doença acabou por infectar a melhor égua de João, e os dois animais vêm a
óbito. A morte da égua é um dano indireto sofrido por João.

393-Preclusão “Pro Judicato”; A preclusão limita o juiz?

R. O tema é polêmico, pois para certa corrente doutrinária, a “preclusão pro judicato” seria a preclusão que afeta o
juiz, sofrendo este limitações na prática de determinados atos decisórios. Esta corrente é sustentada por Marinoni,
p. ex., citando como exemplo o Art. 463 do CPC: “Art. 463. Publicada a sentença, o juiz só poderá alterá-la: I - para
Ihe corrigir, de ofício ou a requerimento da parte, inexatidões materiais, ou Ihe retificar erros de cálculo; II - por
meio de embargos de declaração”. Já para uma segunda corrente, a “preclusão pro judicato” não significaria
preclusão para o juiz, pois em razão da própria etimologia da palavra, significaria a "preclusão como se tivesse sido
julgado", ou seja, seria uma presunção de que os temas já teriam sido apreciados pelo juiz, um exemplo seria o Art.
474 do CPC: “Art. 474. Passada em julgado a sentença de mérito, reputar-se-ão deduzidas e repelidas todas as
alegações e defesas, que a parte poderia opor assim ao acolhimento como à rejeição do pedido.”. Desse modo, para
esta segunda corrente, preclusão “pro judicato” não seria uma perda de oportunidade de atuação do juiz, mas uma
presenção de que ele já teria atuado. Pode-se citar como defensor desta corrente José Maria da Rosa Tesheiner. Em
que pesem as diferenças, é bem comum a utilização do termo “preclusão pro judicato” para se referir a uma
limitação do poder de atuação do magistrado. Ver como exemplo o seguinte julgado do TJMG:
“Ementa: PROCESSUAL CIVIL. RITO. CONVERSÃO. JUIZ. ADMISSÃO. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. TEMA.
REAPRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO PRO JUDICATO. Nos termos da norma do art. 471 , do CPC , é vedado
ao Juiz reapreciar questões já decididas no processo, relativas à mesma lide, salvo se houver previsão legal ou,
tratando-se de relação jurídica continuativa, sobrevier modificação no estado de fato ou de direito. Na hipótese em
que o magistrado tenha determinado a intimação do autor, para que emendasse a inicial, e deferido o pedido de
conversão de rito, em decisão transitada em julgado, descabido é o posterior indeferimento da inicial e a extinção do
feito sem exame do mérito”.

394-Admite-se extensão de isenção fiscal a categoria não contemplada?

R. Em vistas à própria definição de isenção fiscal, que necessita de lei, e em atenção à separação de poderes, o STF
vem decidindo que não se pode extender isenção fiscal a categoria não contemplada pela lei. Vejamos o
entendimento:
DIREITO TRIBUTÁRIO. EXTENSÃO DE ISENÇÃO FISCAL A CATEGORIA NÃO CONTEMPLADA.
Não é possível ao Poder Judiciário estender benefício de isenção fiscal a categoria não abrangida por regra isentiva
na hipótese de alegação de existência de situação discriminatória e ofensa ao princípio da isonomia. A concessão de
isenção fiscal é ato discricionário, fundado em juízo de conveniência e oportunidade do Poder Público, não sendo
possível ao Poder Judiciário, sob o pretexto de tornar efetivo o princípio da isonomia, reconhecer situação
discriminatória de categorias não abrangidas pela regra isentiva e estender, por via transversa, benefício fiscal sem
que haja previsão legal específica. Precedente citado do STF: RE 405.579-PR, DJ 3/8/2011. AgRg no AREsp 248.264-
RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 27/11/2012.

395-
R. A resposta correta é a letra "E"!

Os casos citados são exemplos de atos-fatos jurídicos. Essa categoria engloba certas situações em que as ações
humanas são conduzidas sem levar em consideração a vontade, a intenção ou a consciência do agente, necessitando
apenas da própria realização da conduta para que sejam produzidos efeitos. São determinadas condutas, que pelas
regras gerais do negócio jurídico, a rigor, sequer poderiam ser válidas, mas, que por serem socialmente aceitas ou
excepcionadas pela lei, acabam sendo reconhecidas pela lei como produtoras de efeitos jurídicos. O exemplo do ato-
fato socialmente aceito é o da compra do chocolate por uma criança, o que não pode ser um negócio jurídico, pois a
criança é absolutamente incapaz. Do mesmo modo, o achado de tesouro pelo louco também teria problema de
capacidade e até mesmo de falta de consciência, mas a lei atribui ao fato consequências jurídicas: "Art. 1.264. O
depósito antigo de coisas preciosas, oculto e de cujo dono não haja memória, será dividido por igual entre o
proprietário do prédio e o que achar o tesouro casualmente". E "Art. 1.265. O tesouro pertencerá por inteiro ao
proprietário do prédio, se for achado por ele, ou em pesquisa que ordenou, ou por terceiro não autorizado. Por isso,
a resposta é ATO-FATO JURÍDICO!

396-O que é iniciativa de lei conjunta? Ainda existe no ordenamento juridico brasileiro?

R. Nesta hipótese, a atribuição da propositura legislativa cabe a mais de um órgão ou autoridade, que devem
promovê-la necessariamente em conjunto.

Esta espécie de iniciativa não é mais admitida no direito brasileiro. Em 2003, a EC 43 acabou com a última hipótese
ao alterar os arts. 48, XV, e 96, II, b. Atualmente, projeto de lei que estipula o subsídio do Ministro do STF (e,
consequentemente, o teto do funcionalismo público – art. 37, XI) é de iniciativa do próprio STF (art. 96, II, b), que,
posteriormente, será analisado pelo Congresso Nacional (art. 48, XV).

397-O que é teoria da margem de apreciação?

R. A teoria da margem de apreciação é muito utilizada na interpretação dos direitos humanos, em especial pela
Corte Europeia dos Direitos Humanos.
Referida teoria apregoa que alguns temas de direitos humanos não poderiam ser processados nos sistemas
internacionais por representarem matéria de grande sensibilidade nacional,devendo assim ser analisada no âmbito
interno pelo Poder Judiciário Local.
Isto é, a relação direitos humanos e interesse público deve ser preferencialmente analisada pelo próprio estado,
dentro da sua margem de apreciação (por isso o nome da teoria). Referida teoria, em que pese seja recorrente na
Corte Europeia, não é acolhida na Corte Interamericana de Direitos Humanos.

398-A regra da aposentadoria compulsória aplica-se ao servidor público que ocupa apenas cargo em comissão?
R. Não! Consoante entendimento exarado pelo STJ, no RMS 36.950-RO, a regra da aposentadoria
compulsória(também chamada de expulsória) aos septuagenários destina-se a disciplinar apenas os servidores
efetivos, não se aplicando aos servidores em geral. Pensamos que não ocorreu alteração desse entendimento em
face da PEC da Bengala, uma vez que os fundamentos permanecem os mesmos( o que se poderia discutir é apenas a
idade em que ocorre a compulsória).Ressalte-se que a matéria teve repercussão geral conhecida pelo STF.

399-A União deve depositar obrigatoriamente no BACEN todos os recursos que movimenta?

R. Não há essa necessidade. Consoante dicção constitucional, no parágrafo terceiro do art. 164, apenas AS
DISPONIBILIDADES da União devem ser depositadas no Banco Central. Assim, por exemplo, consoante entendimento
dos Tribunais Superiores, em caso de valores que servem ao pagamento de servidores públicos ou de fornecedores,
inexiste tal necessidade, uma vez que não se consubstanciam em disponibilidades - já que estão afetadas.
Vejamos tal decisão: "Constitucional. Estados, Distrito Federal e Municípios: disponibilidade de caixa: depósito em
instituições financeiras oficiais. CF, art. 164, § 3º. Servidores públicos: crédito da folha de pagamento em conta em
branco privado: inocorrência de ofensa ao art. 164, § 3º, CF." (Rcl 3.872-AgR, rel. min. Carlos Velloso, julgamento em
14-12-2003, Plenário, DJ de 12-5-2006.) No mesmo sentido: AI 837.677-AgR, rel. min. Rosa Weber, julgamento em 3-
4-2012, Primeira Turma, DJE de 8-5-2012.

400- Pode-se inverter o ônus da prova quando o MP figurar como parte na relação processual?

R. Sim! Consoante entendimento do STJ, no Resp 951.785 aplica-se o conceito de parte material - o MP está
representando os consumidores, assim, pode fazer jus à inversão do ônus da prova previsto no art. 6o do CDC. Desse
modo, deve-se levar em consideração a parte material, a que efetivamente irá ser beneficiada pela decisão.
Segundo Salomão, ministro do STJ, “o próprio código utiliza o termo ‘consumidor’ de forma plurívoca, ora se
referindo a um indivíduo, ora se referindo a uma coletividade de indivíduos, ainda que indetermináveis”, assim
sendo, a inversão do ônus da prova é um instrumento adequado à facilitação da defesa da coletividade.

401-Admite-se a alíquota diferenciada de IPVA em face de veículos nacionais e importados?

R. Não! Consoante entendimento manifestado pelo STF, é impossível de se ter alíquota diferenciada de IPVA em face
de veículos nacionais e importados - configuraria por parte do estado membro um tributo decorrente da importação
- que já é tributado pela união - ocorrerendo bitributação, vedada pela ordem constitucional. Além disso, deve ser
aplicado o art. 152 do CF/88.

402-Admite-se o protesto de certidão de dívida ativa?

R. Consoante entendimento manifestado pelo STJ, sim! Além de dever-se considerar a própria modificação da Lei
(que passou a prever essa possibilidade expressa), há de se interpretar que a o protesto é instituto bifronte: possui
os objetivos de constituir o devedor em mora e provar inadimplência, além de por outro lado ser modalidade
alternativa para cobrança de divida.
Com o passar do tempo, ocorreu uma verdadeira ampliação de sua aplicação de desvinculação dos titulos
estritamente cambiariformes para abranger todos e quaisquer "titulos dos documentos de divida".
Dada essa natureza bifronte, não é dado ao Poder judiciário substituir-se à Administração Pública para eleger sob o
enfoque da necessidade as políticas publicas no âmbito extrajudicial da divida ativa da Fazenda Pública.
Interpretação em sentido contrário fere a independência e separação de poderes. Devem ser considerados
falaciosos os argumentos de que o ordenamento jurídico já prevê mecanismo para a recuperação do credito fiscal,
pois não autoriza por si só a insustentável conclusão de que é vedado em caráter permanente a instituição de
mecanismos extrajudiciais de cobrança da dívida.
Além disso, deve-se considerar que no processo para inscrição de divida ativa já houve defesa do contribuinte, não
se podendo falar em surpresa ou abuso de poder.
Não implica ofensa ao contraditório e ampla defesa - tem, inclusive, o contribuinte o direito as defesas da lei 9492.
Consoante tal entendimento, realize-se uma interpretação contextualizada da lei 9492. Além disso, é medida que
corrobora a moderna interseção dos regimes jurídicos próprios de direito publico e de direito privado.

403-Aplica-se a vedação ao nepotismo aos serviços notariais?

R. Consoante entendimento do STF, NÃO! Tais serviços possuem caráter privado, não ocupando os seus titulares
cargos públicos, o que faz com que nada impeça que contratem seus parentes pelo regime da CLT. Vejamos o
julgado do STF sobre o tema:
Decisão: Trata-se de recurso extraordinário interposto em face do Tribunal de Justiça de Minas Gerais do nos
seguintes termos: ?ADMINISTRATIVO. NEPOTISMO. SERVIÇOS NOTARIAIS. EXTENSÃO E ALCANCE DA RESOLUÇÃO N.
07/2005 DO CNJ E DA SÚMULA VINCULANTE N. 13 DO STF. - Os serviços extrajudiciais de notas e de registro têm
caráter privado e seus titulares não exercem cargo público efetivo nem ocupam cargo público (ADI 2.602-0 do STF) e
nada os impede de contratar parentes pelo regime da CLT. - O STF já decidiu que a Resolução n. 07/2005 do CNJ não
disciplina a atividade exercida pelas serventias extrajudiciais que não se caracterizam como órgãos do Poder
Judiciário. (STF, RE 678.574).

404-As autorizações de sáida são compatíveis com os crimes hediondos?

Conforme ensina o professor Renato Brasileiro, a Lei 8.072/90 não veda que esse benefício seja concedido aos
condenados por crimes hediondos.
Sendo assim, como o STF passou a admitir progressão de regime em relação aos crimes hediondos e equiparados,
não há qualquer óbice à concessão de permissão de saída e saída temporária, desde que preenchidos seus requisitos
objetivos e subjetivos. (LEP arts. 122 a 125).

405-Existe presunção de que imóvel é do estado se elenão tiver registro?

R. O registro de propriedade do imóvel na matrícula faz presumir, de modo relativo, a propriedade do bem. Ressalte-
se, no entanto, que o denominado Registro TORRENS, relativo ao Direito Agrário, gera presunção absoluta de
dominialidade.
Imaginemos, no entanto, a seguinte situação: inexiste registro de propriedade com relação a um dado imóvel. Esse
tão só fato já gera a presunção de que o bem é de dominialidade pública?
Instado a se pronunciar sobre o tema, o STJ manifestou entendimento: RECURSO ESPECIAL. USUCAPIÃO. FAIXA DE
FRONTEIRA. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE REGISTRO ACERCA DA PROPRIEDADE DO IMÓVEL. INEXISTÊNCIA DE
PRESUNÇÃO EM FAVOR DO ESTADO DE QUE A TERRA É PÚBLICA. 1. O terreno localizado em faixa de fronteira, por si
só, não é considerado de domínio público, consoante entendimento pacífico da Corte Superior. 2. Não havendo
registro de propriedade do imóvel, inexiste, em favor do Estado, presunção iuris tantum de que sejam terras
devolutas, cabendo a este provar a titularidade pública do bem. Caso contrário, o terreno pode ser usucapido. 3.
Recurso especial não conhecido. (REsp 674558/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado
em 13/10/2009, DJe 26/10/2009).

406-É possível o ajuizamento de ação civil de improbidade administrativa exclusivamente contra o particular, sem
a concomitante presença de agente público no polo passivo da demanda? Justifique.
R. O candidato deverá discorrer sobre os legitimados passivos da ação civil de improbidade administrativa, indicando
a impossibilidade de ajuizamento desta exclusivamente contra o particular, sem a concomitante presença de agente
público no polo passivo da demanda, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Deve o candidato
discorrer, neste caso, sobre a possibilidade de ajuizamento de ação própria contra o particular visando à restituição
de valores que foram tirados do erário.

407- O que são os cargos isolados?

R. É o que não se escalona em classes, por ser o


único na sua categoria. Os cargos isolados constituem exceção no funcionalismo público,
porque a hierarquia administrativa exige escalonamento das funções
para aprimoramento do serviço e estímulo aos servidores, através da promoção
vertical. Não é o arbítrio do legislador que deve predominar na criação
de cargos isolados, mas sim a natureza da função e as exigências do serviço.

408-O que é o princípio da indistinção nas licitações ?

R. Principio da indistinção
Correlato ao princípio da igualdade, estabelece que é vedado criar preferências ou distinções relativas à
naturalidade, à sede ou ao domicílio dos licitantes, ressalvadas, atualmente, algumas exceções previstas em lei (art.
3º, §1º, I, Lei 8.666/93).

409-Cabe ação declaratória incidental em controle concreto?

R. Não! Caso fosse admitido tal ação declaratória, uma das causas de pedir da ação(a inconstitucionalidade de uma
lei) viraria um pedido - e isso faria com que a própria coisa julgada ação atingisse também a constitucionalidade da
lei. Indubitavelmente, nesse caso, estar-se-ia transformando um controle concreto em abstrato, usurpando a
competência do STF.

410-O juiz pode deferir medida liminar em MS para nomear candidato? A hipótese se enquadra no rol de
vedações da lei?

R.A Lei nº 12.016/2009, que regulamenta o Mandado de Segurança, veda expressamente a concessão de medida
liminar pelo juiz nas demandas que tenham por objeto a compensação de créditos tributários, a entrega de
mercadorias e bens provenientes do exterior, a reclassificação ou equiparação de servidores públicos e a concessão
de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer natureza. Nesse viés, poderia se pensar que a
nomeação e posse de candidato aprovado em concurso público gera despesa ao Erário e representa concessão de
vantagem a servidor. NO ENTANTO, ESSA TESE NÃO MERECE PROSPERAR. Em caso análogo ao aqui posto, no AgRg
no Ag: 1158326 RJ 2009/0022035-4, o STJ entendeu que o candidato aprovado dentro do número de vagas previsto
no edital do certame não tem mera expectativa de direito, mas verdadeiro direito subjetivo à nomeação, e o juiz
pode determinar sua nomeação e posse liminarmente, pois essa hipótese não se encaixa em nenhuma das vedações
legais.

411-Há conexão entre ação de guarda e ação de busca e apreensão de menor,ajuizada em razão do sequestro
internacional?

R. A ação de busca e apreensão de menor tem por objetivo restabelecer o status quo ante, devolvendo a criança ou
o adolescente para o seu domicílio. Em geral, é ajuizada pelo pai ou a mãe que desejam retomar a companhia do
filho no domicílio de origem, em razão do “sequestro internacional” da criança ou do adolescente, praticado,
costumeiramente, pelo outro genitor. Ressalta-se que a expressão “sequestro internacional” significa a retirada não
autorizada do menor do seu País de origem, não implicando necessariamente efeitos penais. Ex: Ana, brasileira, vivia
em união estável com Lorenzo, italiano, na Itália, com quem teve uma filha, Isabela. A residência habitual da família
era a cidade de Milão, Itália. Após desentendimentos, Ana retorna ao Brasil, levando consigo Isabela, sem a
autorização do pai. Em tese, está caracterizado o sequestro internacional, e Lorenzo pode ajuizar ação de busca e
apreensão, para que Isabela volte a residir em Milão. Essa demanda deve ser proposta na Justiça Federal e tem
como base a Convenção de Haia sobre Aspectos Civis do Sequestro Internacional de Crianças. Nesse sentido, no CC
132100 BA, o STJ decidiu que não há conexão entre esse tipo de demanda e a ação de guarda e regulamentação de
visitas proposta na Justiça Estadual, pode ser declarada, no entanto, a existência de prejudicialidade externa,
situação em que se recomendar a suspensão da demanda proposta na Justiça Estadual.
412-Quais os problemas decorrentes da atuação de um “juiz solipsista”?/

R. Inicialmente, temos de explicar o que o "juiz solipsista". O solipsismo é ver o mundo apenas a partir de nossas
concepções pessoais e individuais, ou seja, sem a capacidade de perceber a os diferentes aspectos dos diversos fatos
da vida (sem alteridade/diálogo intersubjetivo). O solipsismo, na Hermenêutica, está relacionado com o papel do
intérprete que se considera "senhor" da interpretação, que se considera capaz de descobrir o sentido "exato" do
texto da norma, ou seja, que não percebe que a norma (assim como nós mesmos) não é algo pronto e acabado, mas
sim o resultado de uma construção social e atado ao meio em que se está inserido. Dessarte, a norma é o resultado
de uma construção de sentido socialmente articulado. Ser solipsista é não perceber essa característica da norma e
achar que é capaz de achar um sentido "a priori" da norma, p. ex., recorrendo a conceitos obsoletos como o de
vontade do legislador etc. Os problemas do juiz solipsista estão relacionados com o arbítrio da decisão judicial, pois
se a decisão não dialoga com a sociedade acaba sem parâmetro de controle, podendo se resumir à mera vontade do
magistrado, o que acarreta graves perigos à própria legitimidade democrática do Judiciário. Frise-se, por fim, que
todo intérprete pode ser solipsista e não apenas o juiz. Para maiores aprofundamentos recomendamos o livro
Hermenêutica Jurídica e(m) Crise de Lenio Streck.

413-Partido Político com representação no Congresso Nacional pode impetrar Mandado de Segurança Coletivo em
favor de quem?

R. Quanto aos partidos políticos com representação no Congresso Nacional, há jurisprudência do STF afirmando que
eles APENAS podem impetrar Mandado de Segurança Coletivo apenas no interesse de seus filiados. Nesse sentido:
"Uma exigência tributária configura interesse de grupo ou classe de pessoas, só podendo ser impugnada por eles
próprios, de forma individual ou coletiva. Precedente: RE 213.631, Rel. Min. Ilmar Galvão, DJ de 7-4-2000. O partido
político não está, pois, autorizado a valer-se do mandado de segurança coletivo para, substituindo todos os cidadãos
na defesa de interesses individuais, impugnar majoração de tributo." (RE 196.184, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento
em 27-10-2004, Plenário, DJ de 18-2-2005.) Deve-se, todavia, registrar que há posicionamentos doutrinários
recentes em sentido oposto!

414-O que é o “Imperativo Categórico” formulado pelo filósofo Immanuel Kant?

R. O imperativo categórico é uma máxima proposta pelo filosofo alemão Immanuel Kant, que significa “aja como
gostaria que todos os seres humanos se comportassem”. Isso significa colocar o ser humano como centro da ação do
próprio ser humano, ressaltando a responsabilidade que o "comportar-se" deve possuir. O indivíduo deve sempre
ter em mente que sua ação implica conseqüências diretas para toda humanidade. Segundo o autor suíço Heiner
Bielefeldt, em seu livro Filosofia dos Direitos Humanos, "O imperativo categórico é reconhecidamente formulado por
Kant não apenas como demanda pela universalização de máximas, mas também como imposição do respeito à
dignidade humana”. Assim sendo, a GIGANTE importância do imperativo categórico está no fato de ser um
fundamento racional para a diginidade da pessoa humana. Desse modo, com seu imperativo categórico, Kant reflete
a mudança de percepção que se tinha do homem em seu tempo. Se no cristianismo medieval, amar ao próximo
tinha como finalidade amar a Deus, no Iluminismo da época de Kant, comportar-se como gostaria que todos os
outros seres humanos se comportassem tem como finalidade respeitar a própria humanidade, o que é um
fundamento racional e laico para o princípio da dignidade da pessoa humana.

415-O que é o “Princípio da Vedação da Proteção Insuficiente”?

R. O conceito de “vedação da proteção insuficiente” (Untermassverbot) foi assim cunhado por Claus-Wilhelm Canaris
e adotado pelo Tribunal Constitucional Federal alemão como um “mínimo de proteção” que o Estado deve conferir
aos direitos fundamentais para preservar o conteúdo desses direitos. Esse conceito foi utilizado, por exemplo, nos
casos Aborto I e II do TCF Alemão, para afirmar que as medidas de descriminalização do aborto e as previsões de
planos de aconselhamento à gestante nas doze primeiras semanas de gestação desde a concepção não eram,
conforme previsto, principalmente, na Lei da Gestante e da Ajuda Familiar (caso Aborto II), suficientes para a
proteção da vida intrauterina segundo entendimento do TCF. Nesse cenário, construiu-se, acadêmica e
jurisprudencialmente, a noção de que integrada aos deveres estatais de tutela existiria uma vedação da proteção
insuficiente, que, por sua vez, corresponderia a uma nova vertente do princípio da proporcionalidade, que deveria
passar a ser compreendido não só sob o seu aspecto clássico de “vedação das ações excessivas” (Übermassverbot),
mas também como “vedação da proteção insuficiente” (Untermassverbot). Esse conceito de vedação da proteção
insuficiente vem sendo muito utilizado pelo STF em matéria criminal, o que se fez, por exemplo, no Habeas Corpus
104.410/RS, em que o STF afirmou ser constitucional o porte ilegal de arma de fogo DESMUNICIADA, pois, do
contrário, não haveria uma proteção suficiente! Tal utilização afigura-se metodologicamente preocupante e sem
controle, mas isso é objeto de outra discussão.

416-Existe o instituto da “Quase-posse” no Direito Civil brasileiro?

R. O instituto da "Quase-Posse" não existe no Direito Civil brasileiro atual. A quase-posse existia no Direito Romano,
pois, naquele contexto, a posse só era decorrente da propriedade. No Direito Romano, a propriedade era requisito
da posse. Assim sendo, situações como a do locatário não seriam de posse, mas sim quase-posse. No Direito
brasileiro, todavia, a posse decorre da mera atuação como se proprietário fosse, seja ou não proprietário de fato, ou
seja, o nosso Código adota a teoria objetiva da posse. Com efeito, os casos de quase-posse do Direito Romano,
quando analisados à luz do Direito brasileiro, seriam casos efetivos de posse!

417-O que é a posse “as interdicta” ?

R. A posse "ad interdicta" é a que pode ser defendida pelas ações possessórias. As ações possessórias são:
Reintegração de Posse em caso de esbulho; Manutenção de Posse em caso em caso de turbação; Interdito
Proibitório em caso de ameaça. Pois bem, a posse "ad interdicta" é a que pode ser defendida pelas ações
possessórias, mas NÃO PODE SER DEFENDIDA PELA USUCAPIÃO. Desse modo, a posse de um locatário pode, p. ex.,
ser defendida pelas ações possessórias (inclusive contra o proprietário), mas não poderia ser defendida por
usucapião, pois é uma posse precária!

418-O que é verdade sabida?

R. O ordenamento jurídico brasileiro não admite mais a denominada verdade sabida.


A verdade sabida consista na hipótese em que a autoridade superior verificava pessoalmente o cometimento da
infração pelo administrado. Como era uma testemunha ocular e tinha um grau de superioridade hierárquica, poderia
aplicar de forma sumária a penalidade ao agente público, sem que fosse exigido a instauração de processo
disciplinar.
Como já citado ao decorrer dessa rodada, temos que ocorreu uma Constitucionalizarão do Direito Administrativo,
notadamente com a edição da CF/88. Todo o Direito Administrativo desse ser enxergado, então, sob as lentes
constitucionais. Vejamos o texto constitucional que trata do tema:
Art 5o - LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o
contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
Tal instituto não pode ser considerado, então, compatível com a CF/88, pois não respeita o contraditório e ampla
defesa, que em sede constitucional é exigido inclusive em processos administrativos, independentemente de
quaisquer condições. Assim, a potencial a aplicação de sanção disciplinar, ainda que de natureza leve, acarreta a
necessidade de dar-se ao acusado a possibilidade de se defender.

419- QUAIS AS FUNÇÕES EXTERNAS E INTERNAS DO PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIAL DOS CONTRATOS?

R. O princípio da função social dos contratos, consubstanciado no dever de proceder ético antes, durante e após a
sua vigência não gera efeitos apenas entre as próprias partes(eficácia interna). Deve ser reconhecido também que
tal preceito aplica-se perante terceiros, sendo esse um dos aspectos da eficácia externa. Tal idéia foi positivida no
Código Civil com o art. 608, que aduz que que aquele que aliciar pessoas obrigadas por prestar serviços a outrem,
pagará a este o correspondente a dois anos de prestação de serviços. Esse dispositivo consagra a teoria do terceiro
cúmplice, gerando, inegavelmente, responsabilidade para aqueles que agem deslealmente, mesmo que não
submetidos diretamente ao contrato. Um exemplo: a Brahma respondeu perante a Nova Schin por ter aliciado Zeca
Pagodinha durante a vigência do contrato.

420-O que é clausula leonina?

R. Cláusula inserida por uma das partes no contrato, que lesa diretamente a parte contrária. Tal cláusula é vedada,
por exemplo, quando o CC/02 prevê que a estipulaçao contratual que exclua qualquer sócio de partipação dos lucros
e perdas é nula! (art. 1008, CC). Nesse caso poderia haver limitação da participação, mas não exclusão.

421-O QUE É MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL EXOGENETICA?

R. Com fundamento nos ensinamentos de J. J. GOMES CANOTILHO, a “mutação constitucional exogenética” seria
uma espécie de mutação constitucional inconstitucional, dado que extrapola os limites interpretativos valendo-se de
elementos extra-Constituição que contrariam e/ou são alheios ao programa da norma constitucional.

422-Qual a diferença entre dano transtemporal e dano transfronteiriço no Direito Ambiental?

R. Segundo a doutrina ambientalista, dano transtemporal é aquele, dada a visão intergeracional do Direito
Ambiental, que pode atingir não apenas as presentes como as futuras gerações, sendo no entanto difícil constatar a
forma e a proporção como atingirá as gerações futuras. De um outro lado, o dano transfronteiriço consiste naquele
dano que atinge mais de um Estado, posto que pode se espalhar de maneira incontrolável pelo homem, como
através do ar ou águas.

423-Há a necessidade de previsão legislativa para o recurso hierárquico próprio?

R. Quanto aos recursos hierárquicos, a doutrina de Alexandre Mazza identifica duas categorias: a) recurso
hierárquico próprio: é aquele endereçado à autoridade superior à que praticou o ato recorrido. Como tal recurso é
inerente à organização escalonada da Administração, pode ser interposto sem necessidade de previsão legal.
Exemplo: recurso contra autuação dirigido à chefia do setor de fiscalização; b) recurso hierárquico impróprio:
dirigido à autoridade que não ocupa posição de superioridade hierárquica em relação a quem praticou o ato
recorrido. Tal modalidade de recurso só pode ser interposta mediante expressa previsão legal. Exemplo: recurso
contra decisão tomada por autarquia endereçado ao Ministro da pasta a qual a entidade recorrida está vinculada.
Assim, inexiste a necessidade de que exista previsão legal para que possa impetrar um recurso hierárquico próprio. É
direito do administrado, e não pode ser obstado em face de eventual desoganização administrativa.

424-Pode a defesa do municipio ser feita pelo prefeito?

R. Há quem defenda a possibilidade de, sendo o prefeito advogado regularmente inscrito na OAB, a defesa da
Fazenda Municipal ser feita por ele mesmo, comparecendo em juízo na sua pessoa. Segundo Leonardo José Carneiro
da Cunha, parece não ser possível ao prefeito, ainda que seja advogado regularmente inscrito na OAB, promover, ele
mesmo, a defesa dos interesses do Município. É que, segundo o art. 28, I, do Estatuto da OAB, a função de Chefe do
Poder Executivo é incompatível com o exercício da advocacia, estando suprimida, enquanto durar o mandato
eletivo, a capacidade postulatória. Logo, o prefeito pode receber citação, mas deverá constituir advogado para
representar o Município, caso não haja cargo próprio de procurador judicial.

425-O que é a teoria do adimplemento substancial?

R. Também chamado de substancial perfomance, tal teoria, aplicando os preceitos da boa-fé objetiva, intenta fazer
com que a mera possibilidade de rescisão do contrato por um dos contratantes quando o outro não esteja
cumprindo com a sua parte no contrato ceda espaço a uma interpretação que reduz tal direito quando o outro já
tiver cumprido grande parte do contrato e, no caso concreto, mostrar-se tal desfazimento da avença um direito
potestativo exercido de modo não razoável. Ressalte-se que não implica que a parte contratante que está em mora
não tenha que adimplir com a sua parte - apenas busca-se encontrar novas soluções para que se dê uma melhor
saída - como por exemplo concessão de novo prazo para cumprimento do acordado, parcelamento, etc.

426-O que é Constituicao principiologica?

R. Constituição principiológica – Nela, há predominância de princípios, sendo, assim, necessária a ação


concretizadora do legislador ordinário; v.g., CRFB/1988. • Constituição preceitual – Nesta, prevalecem as regras; v.g.,
Constituição mexicana

427- O que é inconstitucionalidade por arrastamento? Horizontal e vertical?

R. Inconstitucionalidade por arrastamento horizontal são as hipóteses de inconstitucionalidade parcial geradoras da


inconstitucionalidade total, isto é, quando dentro do mesmo sistema normativo existe relação de dependência entre
elas, seja lógica ou teleológica. b) Inconstitucionalidade por arrastamento vertical é verificada quando a declaração
de inconstitucionalidade incide, por consequência, em norma ligada hierarquicamente à norma objeto do pedido
inicial. Explicando melhor: imagine que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade de determinada
lei. Agora, imagine que esta lei é regulamentada por um decreto regulamentador. Se a lei é declarada
inconstitucional, o que deverá acontecer com o decreto que a regulamenta? Obviamente ser declarado, por
consequência, inconstitucional! Esta seria uma hipótese de inconstitucionalidade consequencial vertical.

428-Cabe convalidação em atos praticados com desvio de finalidade?

R. Convalidação é o ato administrativo pelo


qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado.
Destina-se a aproveitar atos administrativos com vícios superáveis, de forma a confirmá-los. Quando o ato
administrativo for praticado com vício de finalidade não é possível a convalidação. Isto porque se o ato foi praticado
contra o interesse público ou com finalidade diversa da que decorre da lei, não é possível a sua correção. Ora, um
ato cuja finalidade se encontra desvirtuada é um ato que desatende ao fim em razão do qual foi editado, vale dizer,
não cumpre o objetivo jurídico próprio de sua categoria. Exemplo: a finalidade do ato que interdita um prédio sem
condições de segurança é a segurança pública. Assim, a interdição de um prédio em condições de uso, por motivos
de inimizade política, constitui desvio de finalidade e não pode ser convalidada.

429-O QUE CONSISTE ATOS ADMINISTRATIVOS EXECUTORIOS, DE CARATER PREPARATORIO?

R. Poder assegurado pela Lei 8.625, Art 26, inciso V.


O Ministério Público, para verificar a veracidade de notícia chegada ao seu conhecimento, pode expedir requisições
de documentos ou informações, ou mesmo tomar depoimentos, não estando tal poder vinculado à existência de
prévio procedimento formal(investigatório criminal ou inquérito civil), o qual pode até ser dispensado diante das
circunstâncias que se apresentarem. Isso significa que não é condição ao ato requsitório a instauração de
procedimento formal, seja ele administrativo seja ele inquisitório.

430-A SV aplica-se à sindicância?

R. O STF, instado a se pronunciar sobre o tema, entendeu que tal súmula NÃO se aplica aos procedimentos de
sindicância meramente administrativa. Vejamos parte do julgado: "O Verbete 14 da Súmula Vinculante do STF (É
direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados
em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao
exercício do direito de defesa) não alcança sindicância que objetiva elucidação de fatos sob o ângulo do
cometimento de infração administrativa. Com base nessa orientação, a 1ª Turma negou provimento a agravo
regimental em que se reiterava alegação de ofensa ao referido enunciado, ante a negativa de acesso a sindicância."
(Rcl 10771 AgR, Relator Ministro Marco Aurélio, Primeira Turma, julgamento em 4.2.2014, DJe de 18.2.2014)
O principal argumento utilizado para tal decisão foi a de que o próprio verbete sumular deixa bem claro que a
sindicância administrativa não está incluída, notadamente porque não se trata de procedimento de investigação
realizado por órgão com competência de polícia judiciária. Além disso, também se deixou consignado na medida
cautelar relativa a tal processo que a a adequação do verbete está claro no próprio enunciado: a existência de
acusado. Assim, simples sindicância repousa em notícia de fatos a serem elucidados quanto à materialização de
infração administrativa, inclusive no tocante a indícios de envolvimento de servidores, por ora indefinidos.

431-Constituição Estadual pode estabelecer que Procurador Estadual possui direito à vitaliciedade?

R. Alguns estados, dentre eles o Rio Grande do Norte, legislaram dando dentre as garantias atribuídas aos
Procuradores do Estado, a vitaliciedade.
Importante consignar que a principal diferença entre a estabilidade, garantia estabelecida aos servidores públicos de
um modo geral, e a vitaliciedade é que na segunda apenas pode ocorrer a perda do cargo por meio de processo
judicial, não podendo ocorrer por meio de procedimento administrativo, possível no primeiro caso.
Foi ajuizada ADI para questionar a previsão de tal garantia aos Procuradores do Estado. O STF manifestou seu
entendimento na ADI 291: "A garantia da inamovibilidade é conferida pela CF apenas aos magistrados, aos membros
do Ministério Público e aos membros da Defensoria Pública, não podendo ser estendida aos procuradores do
Estado." (ADI 291, rel. min. Joaquim Barbosa, julgamento em 7-4-2010, Plenário, DJE de 10-9-2010.) Assim, não se
pode estabelecer vitaliciedade para os Procuradores do Estado, uma vez que a CF/88 apenas assegurou aos
membros do MP, Magistratura e Tribunal de Contas, em nada dispondo a respeito dos Procuradores do Estado.

432-O que sao os negocios juridicos bifrontes?

R. Negócios jurídicos bifrontes – aqueles que tanto podem ser gratuitos como onerosos, o que depende da intenção
das partes. Exemplos: depósito e mandato, que podem assumir as duas formas.

433-QUAL A DIFERENCA ENTRE ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA E ENRIQUECIMENTO ILICITO?

R. Segundo Flavio Tartuce, categoricamente, o enriquecimento sem causa não se confunde com o enriquecimento
ilícito. Na primeira hipótese, falta uma causa jurídica para o enriquecimento. Na segunda, o enriquecimento está
fundado em um ilícito. Assim, todo enriquecimento ilícito é sem causa, mas nem todo enriquecimento
sem causa é ilícito. Um contrato desproporcional pode não ser um ilícito e gerar enriquecimento sem causa.

434-È possível adotar um nascituro?

A presente questão é objeto de divergência na doutrina, não havendo julgados sobre o assunto.
Para uma primeira corrente, seria possível a adoção de nascituro, vez que o ordenamento jurídico reconhece a tutela
jurídica dos seus interesses, não devendo, assim, o direito de ser adotado ser suprimido do âmbito da sua tutela.
Para uma segunda corrente, defendida pela doutrinadora Maria Berenice Dias, não seria possível adotar um
nascituro, vez que não haveria como se observar o requisito do estágio de convivência.
Note que essa segunda corrente não afirma que o nascituro não merece proteção jurídica, mas apenas não
reconhece a possibilidade de a adoção lhe ser conferida, uma vez que não haveria como demonstrar a efetiva
vantagem para o nascituro.
Particulamente, entendo que esse segundo posicionamento seja mais correto.

435-O que é sindicato horizontal?


R. No Brasil, a regra é a sindicalização por categoria profissional na atividade econômica (sindicatos verticais). Ou
seja, a formação da categoria profissional se dá com a união de trabalhadores em torno da atividade econômica
comum, similar ou conexa exercida pelo empregador.
Já os sindicatos horizontais (sindicalização por ofício ou por profissão ou categorias profissionais diferenciadas) são
compostos de trabalhadores das mais diversas empresas e atividades econômicas, visto que o critério de união é o
fato de exercerem a MESMA PROFISSÃO, independentemente da atividade econômica desenvolvida pelo
empregador. Exemplos de sindicatos horizontais: motoristas, aeronautas, músicos profissionais e advogados.

436-È possível unificar medidas socieducativos que foram aplicadas de forma sucessiva?

R. O art.45 da Lei 12.594 (Lei do Sinase) preconiza que, quando o adolescente tiver cumprindo medida
socioeducativa e for novamente condenado, deve haver a unificação da execução.
Para tanto, o Juiz deve considerar o tempo já cumprido, e não reiniciar a contagem do prazo, observando-se os prazo
máximos de cumprimento e liberação compulsória.
Registra-se ainda que, se o adolescente cumpria medida de internação e progrediu para uma menos gravosa, caso
seja novamente condenado por ato infracional praticado anteriormente, não pode haver aplicação de nova medida
de internação, sob pena de esvaziar o processo de ressocialização exitoso do menor.

437-Aplica-se o efeito translativo ao Recurso de Revista?

R. O efeito translativo é aquele que confere ao Tribunal a possibilidade de julgar matérias de ordem pública de
ofício. Para alguns doutrinadores, tal fenômeno equivale ao efeito devolutivo em profundidade.
Entretanto, nos recursos de natureza extraordinária, como é o caso do Recurso de Revista, o TST somente se
manifesta sobre matérias prequestionadas.
Conforme se depreende da redação da OJ 62, SDI-1, TST, o efeito translativo NÃO SE APLICA aos recursos de
natureza extraordinária, sendo que é necessário o prequestionamento como pressuposto de admissibilidade, ainda
que se trate de incompetência absoluta.
Tal entendimento, contudo, é criticado pela doutrina, uma vez que a parte pode ajuizar ação rescisória, mas a
arguição de incompetência absoluta não depende de prequestionamento (vide OJ 124, SDI-2, TST).

438-Estagiário comete ato de improbidade administrativa?

R. Consoante entendimento manifestado pelo STJ no REsp 1.352.035, SIM! Ainda que transitoriamente ou sem
remuneração, é certo que desempenham função pública que se enquadra nos moldes do preconizado pela Lei 8.429
em seu art 2o.

439-A Fazendo Pública Municipal necessita ter seus bens penhorados para fazer jus a CND em execução fiscal
promovida pelo Estado?

R. Como é sabido, a imunidade recíproca apenas abrange os impostos, e não todas as espécies tributárias. Assim,
podemos imaginar a hipótese em que um Município é executado em razão de taxa devida ao Estado.
Nesse caso, nos termos do art. 106 do CTN, necessita ocorrer a penhora dos bens municipais para que se faça jus a
certidão negativa de débitos?
O STJ no Resp 603313 deixou consignado o entendimento de que nesse caso o Município possui direito à expedição
da CND independentemente de penhora em razão de serem os seus bens inexpropriáveis e
impenhoráveis(características dos bens públicos).

440-O que é discriminação indireta?

R. A discriminação pode ocorrer de forma direta, quando o fator de discrímen é fundado em critérios proibidos
(também conhecidos como classificações suspeitas ou dados sensíveis: por exemplo, idade, gênero ou orientação
sexual), os quais, em regra, levam à desequiparação ilegítima.
De outra parte, a discriminação indireta é aquela que, aparentemente calcada em critérios neutros, acaba por gerar
desigualdade para pessoas de determinado grupo.
É o que se depreende da teoria do impacto desproporcional sobre grupos em desvantagem ("disparate impact"),
cuja origem remonta ao direito norte americano, no "leading case" Griggs x Duke Power Company.
O STF, embora não tenha mencionado expressamente essa teoria, reconheceu sua aplicação no direito brasileiro na
ADI 1.946 (excedente do teto do salário maternidade recaindo sobre o INSS). Veja-se que onerar o empregador
nesse caso geraria um impacto desproporcional às mulheres, prejudicando o acesso ao emprego, bem como a
manutenção do vínculo.

441-È constitucional a criação de “cartão cidadão” como condição para que cidadão usufrua os serviços públicos?

R. A presente alternativa trata-se de um caso ocorrido no Município de Guararema, em que foi criada uma lei que
instituiu e regulamentou um programa governamental - "Cartão Cidadão" - estabelecendo-o como de porte
obrigatória para acesso de vários serviços públicos, dentre eles o da saúde e da educação.
Impetrou-se ADI contra tal norma. Vejamos a ementa do STF:
NOVO: “A Lei 2.600, de 8-7-2009, e o Decreto 2.716, de 28-12-2009, ambos do Município de Guararema, instituíram
e regulamentaram o ‘Cartão Cidadão’ como documento hábil e de porte obrigatório para acesso aos serviços
públicos municipais de educação, saúde, esporte, lazer e assistência social. O programa foi instituído com intuito
excludente e discriminatório, visando somente aos habitantes do Município, impondo, ainda, obstáculos aos
próprios munícipes, caso não obtivessem o cartão ou não o detivessem quando do comparecimento perante os
órgãos públicos. A política pública em questão trata de maneira uniforme serviços públicos de naturezas distintas, os
quais, por isso, deveriam receber tratamento de acordo com as suas especificidades. Ao condicionar o acesso aos
serviços públicos de saúde ao porte de um cartão, excluindo do gozo de tais serviços as pessoas que não residiam na
localidade ou que, residindo, não detinham o cartão, o Município violou a natureza universal e igualitária que a
Constituição conferiu a esses serviços (art. 196, CF/1988). O ‘cartão cidadão’ também viola o art. 205, que fixa a
educação como direito de todos e dever do Estado, e o art. 206, ambos da CF, o qual estabelece, dentre os princípios
norteadores do ensino no Brasil, a igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola.” (ARE 661.288,
rel. min. Dias Toffoli, julgamento em 6-5-2014, Primeira Turma, DJE de 24-9-2014.) Assim, tal norma deve ser
considerada inconstitucional, por ofender o regime da prestação dos serviços públicos no Brasil.

442-È constitucional a criação de benefício no valor de um salário mínimo pelo Estado para famílias carentes ?

R. O Estado do Amapá editou norma que prevê o pagamento de metade do valor de um salário mínimo às famílias
que se encontrem em situação de pobreza e extrema pobreza, consoante critérios de enquadramento nela
definidos, em nítida violação, em tese, do citado comando constitucional, motivo pelo qual foi ajuizada a ADI 4726.

Contudo, a Corte, dando interpretação conforme a Constituição à referida norma, assentou que as alusões ao salário
mínimo deveriam ser entendidas como a revelarem o valor vigente na data da publicação da lei questionada, vedada
qualquer vinculação futura por força do inciso IV do art. 7º da CF.

Nesse ponto, a referência ao salário mínimo contida na norma de regência do benefício haveria de ser considerada
como a fixar, na data da edição da lei, certo valor. A partir desse montante referencial, passaria a ser corrigido
segundo fator diverso do mencionado salário. Em outras palavras, o STF determinou que a referência ao salário
mínimo contida na lei estadual fosse considerada como um valor certo que vigorava na data da edição da lei,
passando a ser corrigido nos anos seguintes por meio de índice econômico diverso. Com isso, o benefício continua
existindo e será necessário ao governo do Amapá apenas reajustar esse valor por meio de índices econômicos.
Por derradeiro, vale ressaltar que o benefício assistencial da LOAS, que é devido a deficientes e idosos em condição
de miséria, no valor de um salário-mínimo, não viola o artigo 7°, inciso IV, in fine, da CRFB, uma vez que foi previsto
pela própria Constituição Federal, em seu artigo 203, V.
443-Existe hierarquia entre lei ordinária e lei complementar ?

R. Há controvérsia doutrinária sobre o tema! Há doutrina que entende que existe hierarquia sendo a Lei
Complementar superior, pois os critérios formais para a aprovação da Lei Complementar são MAIS RIGOROSOS que
o da Lei Ordinária, sendo, portanto, aquela hierarquicamente mais rigorosa. Esse entendimento, por exemplo, é o do
Professor Hugo de Brito Machado. Por outro lado, há os que entendem que NÃO HÁ HIERARQUIA, pois tanto a Lei
Complementar como a Lei Ordinária retiram seu fundamento de validade da própria Constituição Federal e não uma
de outra, desse modo, a diferença seria apenas de conteúdo e não de hierarquia. Este segundo entendimento é o
MAJORITÁRIO e o do STF!!! A matéria é importante pois permite, por exemplo, que leis ordinárias alterem leis
complementares, quando essas leis complementares tratem de assuntos NÃO PRIVATIVOS de lei complementar! Isso
tem grande relevância em matéria tributária em que normas gerais devem ser tratadas por lei complementar, mas
que podem acabar extrapolando para tratar de temas não reservados a lei complementar, nestes pontos de
extrapolamento, a lei ordinária pode alterar lei complementar!

444-Cemitérios possuem direito à imunidade tributária?

R. Existem dois casos:


a) O STF, conferindo uma interpretação extensiva sobre o tema, que já é sua prática(a respeito da imunidade, uma
vez que a respeito das isenções a interpretação tende a ser restritiva), entendeu que se aplica aos cemitérios que
funcionem como extensões de entidades religiosas, que não tenham fins lucrativos e se dediquem exclusivamente à
realização de serviços religiosos e funerários;
b) No caso, no entanto, de o cemitério for instituído por particular com intuito lucrativo, não se aplica a imunidade.

445-È constitucional a vedação da advocacia aos agente policiais ?

R. O STF, no julgamento da ADI 3.541/DF, deixou assente a constitucionalidade da lei que veda o exercício de
advocacia pelos integrantes da carreira policial. Em síntese, a Corte aduziu que a vedação do exercício da atividade
de advocacia por aqueles que desempenham, direta ou indiretamente, serviço de caráter policial, prevista no art. 28,
inciso V, da Lei nº 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)), não se presta a fazer
qualquer distinção qualificativa entre a atividade policial e a advocacia, mas sim a impedir o exercício simultâneo
dessas duas atividades, por conta do prejuízo ao cumprimento das respectivas funções.
Assim, não há se falar em desrespeito ao princípio da isonomia, ante as peculiaridades inerentes ao exercício da
profissão de advogado e das atividades policiais.
Conforme destacou o Ministro Dias Toffoli, a atuação simultânea das duas atividades refletiria certa problemática: a)
da perspectiva da advocacia, pela interferência direta dos policiais civis na fase inquisitorial da persecução penal
(inquérito policial), a qual, conquanto não constitua peça imprescindível da propositura da ação penal, configura
elemento de substancial importância para o processo; b) do ponto de vista da atividade policial, no sentido da
necessidade de exclusividade no desempenho da função, como se observa, por exemplo, na lei de regência dos
funcionários policial civis da União (atual Polícia Federal) e do Distrito Federal (art. 4º da Lei 4.878/65).

446-Viola a livre iniciativa lei que concede passe livre nos transportes interestaduais aos deficientes?

R. Nesse sentido de proteção aos deficientes, foi elaborada a Lei 9.889/94, que concedeu passe livre às pessoas com
deficiência nos sistemas de transportes interestadual.
Instado a se pronunciar se a previsão de passe livre às pessoas com Deficiência violava o princípio da livre iniciativa,
o STF decidiu nos seguintes termos:
"(...) Associação Brasileira das Empresas de Transporte Rodoviário Intermunicipal, Interestadual e Internacional de
Passageiros (ABRATI). Constitucionalidade da Lei 8.899, de 29 de junho de 1994, que concede passe livre às pessoas
portadoras de deficiência. Alegação de afronta aos princípios da ordem econômica, da isonomia, da livre iniciativa e
do direito de propriedade, além de ausência de indicação de fonte de custeio (arts. 1º, IV; 5º, XXII; e 170 da CF):
improcedência. Em 30-3-2007, o Brasil assinou, na sede da ONU, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência, bem como seu Protocolo Facultativo, comprometendo-se a implementar medidas para dar efetividade
ao que foi ajustado. A Lei 8.899/1994 é parte das políticas públicas para inserir os portadores de necessidades
especiais na sociedade e objetiva a igualdade de oportunidades e a humanização das relações sociais, em
cumprimento aos fundamentos da República de cidadania e dignidade da pessoa humana, o que se concretiza pela
definição de meios para que eles sejam alcançados." (ADI 2.649, rel. min. Cármen Lúcia, julgamento em 8-5-2008,
Plenário,DJE de 17-10-2008.)

447-Possui o Ministério Público legitimidade para adentrar com MS coletivo?

R. A respeito da legitimidade para ingresso de mandado de segurança coletivo, temos a previsão na Carta Magna:

Art 5o. LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:
a) partido político com representação no Congresso Nacional;
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos
um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados;

Tal rol é taxativo? O Ministério Público não poderia adentrar também com tal espécie de ação constitucional?

Sobre o tema, incumbe-nos falar a respeito da teoria da legitimidade conglobante de Hermes Zaneti Jr: "A expressão
<LEGITIMAÇÃO CONGLOBANTE> é de Hermes Zaneti Jr. que, segundo explica, “Com essa denominação entendemos
a legitimação extraordinária permitida pelo ordenamento, mesmo que não expressa na lei, por não estar contrariada
por norma jurídica ou em desacordo com os princípios do ordenamento coletivo. Dessa forma, com a adoção de tal
denominação, prestamos nossa justa homenagem aos juristas do direito penal, Eugenio Raúl Zaffaroni e José
Henrique Pierangeli, pela importante contribuição científica na elaboração deste conceito: A tipicidade conglobante
é um corretivo da tipicidade legal, posto que pode excluir do âmbito do típico aquelas condutas que apenas
aparentemente estão proibidas, como acontece no caso do oficial de justiça, que se adequa ao subtrair, para si ou
para outrem, coisa alheia móvel‟ (art. 155 do CP), mas que não é alcançada pela proibição do não furtarás‟. A
função deste segundo passo do juízo de tipicidade penal será, pois, reduzi-la à verdadeira dimensão daquilo que a
norma proíbe, deixando fora da tipicidade penal aquelas condutas que somente são alcançadas pela tipicidade legal,
mas que a ordem normativa não quer proibir, precisamente porque as ordena ou as fomenta‟.”( ZANETI Jr., Hermes.
A legitimação conglobante nas ações coletivas, p. 230.) Inexistem precedentes no STJ ou STF a respeito do tema.
Alguns Tribunais de Justiça tem aceitado tal teoria, aduzindo legitimidade do MP para mandado de segurança
coletivo.

448-È possível a diferença de classes no SUS?

R. A diferença de classes consiste na possibilidade de um paciente pagar para ter melhores acomodações ou ser
atendido por médico de sua preferência no SUS. Os ministros do STF negaram provimento ao Recurso Extraordinário
(RE) 581488, sob a fundamentação de que esse tipo de pagamento contraria o artigo 196 da Constituição Federal,
que garante a todos os cidadãos acesso universal e igualitário às ações e serviços de saúde. Cumpre observar
importante observação feita pelo Min. Dias Toffoli - "O relator do recurso, ministro Dias Toffoli, salientou que a
decisão representa um reajuste da jurisprudência da Corte que permitia a diferenciação em casos individuais em que
a especificidade da doença ou do tratamento assim exigisse. Ele observou que esse entendimento foi fixado durante
a transição do modelo anterior, no qual o acesso ao sistema de saúde público era garantido apenas aos segurados da
previdência social e seus dependentes, e a implementação do SUS, um sistema universal que prevê o atendimento a
todos os cidadãos, criado pela Constituição de 1988." A tese firmada foi a de que: “É constitucional a regra que veda,
no âmbito do SUS, a internação em acomodações superiores, bem como o atendimento diferenciado por médico do
próprio SUS ou por médico conveniado, mediante o pagamento da diferença dos valores correspondentes”.

449-Qual a diferença entre evasão e elisão fiscal?


R. Quando o contribuinte utiliza meiso lícitos para fugir da tributação ou torná-la menos onerosa, argumenta-se que
ocorreu elisão fiscal.
Quando o contribuinte utiliza-se de meios ilícitos para fugir da tributação ou torná-la menos onerosa, argumenta-se
que ocorreu evasão fiscal.
Por fim, existem doutrinadores que argumentam que quando o comportamento do contribuinte a rigor não é ilícito
mas adota um formato artificioso, atípico para o ato, "abusando das formas", sem um motivo para tanto - tão
somente evitar a tributação, argumentam que ocorreu elusão fiscal.
No caso da elisão, existe o denominado planejamento tributário. Como regra geral, ocorre antes da concretização do
fato gerador.
No caso da evasão, como regra geral o comportamento ilícito do contribuinte ocorre depois de se concretizar o fato
gerador.

450-Existe possibilidade de concessão de benefício fiscal de ICMS sem necessidade de convênio autorizativo?

R. Nos termos constitucionais, no art. 155, parágrafo 2o, XII, exige-se a celebração de convênio no âmbito do
CONFAZ para que qualquer benefício fiscal de ICMS seja dado.
Com isso, busca-se evitar a tão perniciosa prática da guerra fiscal.
Existe exceção a isso?
Como é sabido, o que se importa para se ter a imunidade é a questão do contribuinte de direito. Assim, imaginemos
que uma igreja consuma energia elétrica. Não há que se falar em imunidade recíproca do ICMS porque o próprio
contribuinte de direito é a concessionária de energia elétrica.
Ocorre que o Estado do Paraná disciplinou lei concedendo isenção de contas de água, luz, telefone e gás para os
templos de qualquer culto.
Nesse caso, houve ofensa ao disposto na Constituição?
O STF, no julgamento da ADI 3.421, decidiu que NÂO! NEesse caso, a concessão de isenção a templos de qualquer
culto não enseja a possibilidade de gerar guerra fiscal ou risco ao pacto federativo. Assim, é desnecessária a
submissão da matéria ao CONFAZ.
Precedente: ADI 3.421/PR

451-No que consiste a figura do recurso excepecional adesivo cruzado?

R. Imaginem a seguinte hipótese: apelação interposta por “A” com fundamento em norma constitucional e em
norma federal. O acórdão acolhe o pedido apenas com base no fundamento federal, afastando o fundamento de
ordem constitucional. A parte adversária interpõe recurso especial ao STJ. Com isso, “A” pode ter sua jurídica
piorada pelo STJ, o qual não poderá adentrar na questão constitucional suscitada na apelação.
Para evitar a preclusão do seu direito recursal, “A” deve interpor um “Recurso Excepcional Adesivo Cruzado” em face
acórdão que julgou a apelação. Trata-se, no caso, de um recurso extraordinário em face do afastamento do
fundamento constitucional (recurso subordinado), interposto adesivamente ao recurso especial (recurso principal),
que será julgado única e exclusivamente no caso de procedência do recurso principal.
Tal recurso funciona, "mutatis mutantis", como um agravo retido em uma decisão interlocutória: tem por finalidade
dar à parte a possibilidade de se evitar a preclusão para que, caso sucumba mais à frente, seja possível a sua
reapreciação pelo órgão "ad quem". A diferença principal reside no procedimento do julgamento: o agravo retido
tem preferência sobre a apelação adversa, já o recurso adesivo condicionado é apreciado a posteriori.
Fonte: OLIVEIRA, Pedro Miranda de. Recurso excepcional adesivo cruzado. Revista da Esmesc, v.13, n. 19, 2006.
DIDIER JR., Fredie et al. Curso de Direito Processual Civil. Vol. 3, 5ª ed. Salvador: Juspodivum, 2010. pág. 97.

452-O que é “cram down”?

R. "Cram down" é a possibilidade do juiz deferir a recuperação judicial ainda que o plano de recuperação tenha sido
recusado pela assembleia de credores.
Como se se sabe a RJ exige concordância da maioria simples dos credores de todas as classes de credores
(trabalhista, detentores de garantia real, microempresa e empresa de pequeno porte e, por último, os
quirografários). Contudo, em atenção ao princípio da conservação da atividade empresarial, a lei 11.101/05, art. 58,
permite que o juiz conceda a recuperação contra a vontade da classe rejeitante, caso o magistrado entenda viável a
recuperação da empresa, desde que presente os requisitos do art. 58.
Note que "cram down" pode ser traduzido livremente como "impor à força": daí sua utilização para identificar o
instituto, afinal o juiz força uma solução não desejada pela assembleia de credores!

453-Pode-se discutir o excesso de execução empós o prazo para embargos?

R. Existia um argumentação da Fazenda Pública no sentido de que, por consubstanciar em matéria de ordem pública,
mesmo empós o prazo para opor embargos à execução, poderia ela discutir o excesso de execução.
No julgamento do AgRg no AREsp 150.035/DF, o STJ decidiu que a petição apresentada depois dos embargos à
execução não pode ser conhecida, porquanto o suposto excesso de execução é típica matéria de defesa, e não de
ordem pública, a qual deve ser alegada pelo executado a quem aproveita.
Portanto, era ônus da Fazenda Pública executada provar, com a oposição dos embargos, que a execução era
excessiva. Como não o fez no momento próprio, ocorreu a preclusão.
O STJ mencionou, ainda, que não seria cabível a exceção de pré-executividade, uma vez que o excesso de execução é
matéria reservada aos embargos à execução (art. 741, V) e, portanto, as questões reservadas aos embargos não são
passíveis de conhecimento ex officio pelo magistrado.

454-O serviços socias autônomos precisam realizar concurso públicos?

R. Segundo o STF, no julgado do RE 789.784, os serviços sociais autônomos, por possuírem natureza jurídica de
direito privado e não
integrarem a Administração Pública, mesmo que desempenhem atividade de interesse público
em cooperação com o ente estatal, NÃO estão sujeitos à observância da regra de concurso
público (art. 37, II, da CF/88) para contratação de seu pessoal.

455-O CNMP pode realizar controle de constitucionalidade?

R. Consoante entendimento do STF, no Info 781, o CNMP não pode realizar controle de constitucionalidade de
normas.
Isso ocorre em razão de sua natureza de órgão administrativo, cuja atribuição se resume a fazer o controle da
legitimidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do Ministério Público federal e
estadual (art. 130-A, § 2º, da CF/88)

456-O DPGF possui legitimidade para adentrar com ADI?

R. Em que pese estar elencado na Lei 11.417 como sendo um dos legitimados a propor a edição, revisão ou
cancelamento de súmula vinculante, o DPGF não possui legitimidade para ingressar com ação de controle de
constitucionalidade, uma vez que não está elencado dentre os legitimados do art. 103 da CF/88

457-O habeas data pode ser impetrado contra pessoas jurídicas não integrantes da Aministração Públca?

R. O habeas data é garantia (ação) constitucional, de natureza civil, de rito especial, isento de despesas judiciais e
que tem como bem juridicamente tutelado a proteção da intimidade e da privacidade do autor, no que diz respeito a
informações que sobre ele possam estar contidas em bancos de dados de caráter público, sejam estes integrantes de
quaisquer dos Poderes (órgãos) do Estado ou da Administração Pública Indireta, ou mesmo pertencentes à iniciativa
privada. O caráter público não está no fato do banco de dados integrar ou não o aparato estatal, mas na
possibilidade de ser ele um depositário de informações generalizadas ou específicas sobre as pessoas físicas ou
jurídicas, colhidas de terceiros e transmitidas também a terceiros, sem o conhecimento e/ou consentimento da
pessoa cuja informação diga respeito. Os bancos de dados e cadastros relativos a consumidores, os serviços de
proteção ao crédito e congêneres são considerados entidades de caráter público.

458-No controle abstrato estadual,pode acontecer o controle de constitucionalidade incidental do parâmetro


invocado?

R. STF já decidiu, através da Rcl 526/SP, que pode-se analisar incidentalmente a inconstitucionalidade do parâmetro
na ação de controle-concentrado-abstrato. Dessa decisão proferida pelo TJ, cabe Recurso Extraordinário para o STF.
Vejamos a ementa do julgado:
EMENTA: - Reclamação. - Inexistência de atentado à autoridade do julgado desta Corte na ADIN
347, porquanto, no caso, a ação direta de inconstitucionalidade foi proposta com a argüição de ofensa à Constituição
Estadual, e não à Federal, e julgada procedente por ofensa ao artigo 180,
VII, da Carta Magna do Estado de São Paulo. - Não ocorrência de usurpação da competência
desta Corte por ter o Tribunal de Justiça rejeitado a alegação incidente de que o citado artigo
da Constituição do Estado de São Paulo seria inconstitucional em face da Carta Magna Federal.
Controle difuso de constitucionalidade em ação direta de inconstitucionalidade. Competência do
Tribunal de Justiça. Reclamação improcedente. (STF, Rcl 526, Relator(a): Min. MOREIRA ALVES,
Tribunal Pleno, julgado em 11/11/1996, DJ 04-04-1997 PP-10524 EMENT VOL-01863-01 PP-
00113)

459-Podem as normas remissivas serem parâmetro de controle de constitucionalidade estadual?

R. Segundo o entendimento atual do STF, não há qualquer tipo de restrição no que se refere a natureza do
dispositivo invocado, devendo ser admitida como parâmetro tanto as normas de observância obrigatória, quanto
normas de mera repetição e até mesmo as normas remissivas.
As normas remissivas, também denominadas de per relationem, consistem em uma técnica em que a
regulamentação é devolvida a uma outra norma. Nesta, o Ministro Gilmar Mendes, citando Leo Leoncy, explicita
sobre as normas remissivas que: “[...] Em sua grande maioria, as normas jurídicas trazem elas próprias a
regulamentação imediata da matéria a que concernem, merecendo, por isso, a denominação
de normas de regulamentação direta ou, em fórmula mais sintética, normas materiais. Por outro lado, em
contraposição a estas normas, há outras em que a técnica utilizada para a atribuição de efeitos jurídicos
a determinado fato contido na hipótese normativa é indireta, consistindo numa remissão para outras normas
materiais que ao caso se consideram, por esta via, aplicáveis.“Pode-se citar como exemplo a Constituição do Estado
do Piauí, art 5:
O Estado assegura, em seu território e nos limites de sua competência, a inviolabilidade dos direitos e garantias
fundamentais que a CF confere aos brasileiros e estrangeiros residentes no pais. Nesse caso, como já argumentado,
o STF já entendeu ser possível a sua utilização como parâmetro em
virtude de, ao se utilizar dessa técnica, a Constituição Estadual adiciona formalmente e materialmente tal norma ao
seu ordenamento. Celso de Mello, com precisão, observa ser perfeitamente possível:
“... se invocar, como referência paradigmática, para efeito de controle abstrato de constitucionalidade de leis ou
atos normativos estaduais e/ou municipais, cláusula de caráter remissivo, que, inscrita na Constituição Estadual,
remete, diretamente, às regras normativas
constantes da própria Constituição Federal, assim incorporando-as, formalmente, mediante referida técnica de
remissão, ao plano do ordenamento constitucional do Estado-membro”.
E completa: “com a técnica de remissão normativa, o Estado-membro confere parametricidade às normas, que,
embora constantes da Constituição Federal, passam a compor, formalmente,
em razão da expressa referência a elas feita, o ‘corpus’ constitucional dessa unidade política da Federação, o que
torna possível erigir-se, como parâmetro de confronto, para os fins a que se refere o art. 125, § 2.º, da Constituição
da República, a própria norma constitucional estadual de conteúdo remissivo” (Rcl 10.500, j. 18.10.2010, cf. Inf.
606/STF).
460-Pode-se discutor a modulação de efeitos de decisão em controle de constitucionalidade empós proclamado o
resultado final?

R. Consoante entendimento do STF, na ADI 2949, quando o Supremo Tribunal Federal proclama o resultado de uma
Ação Direta de Inconstitucionalidade, não pode reabrir o julgamento para aceitar o voto de um ministro que estava
ausente na sessão, a fim de obter o quórum necessário para a modulação dos efeitos. Foi o que entendeu o Plenário
nesta quarta-feira (8/4) ao colocar fim numa pendência que existia desde 2007.
Segundo o Ministro Luis Roberto Barroso, a análise de ADIs é bifásica, sendo a primeira fase a de declaração da
inconstitucionalidade e a segunda, sobre a modulação. No caso avaliado, entretanto, Barroso disse que a votação
sobre modular os efeitos já estava concluída, sem se atingir o quórum. Apenas no dia seguinte, já efetivada a
proclamação do resultado, tentou-se reabrir a discussão. “A proposta feita depois que o julgamento havia se
encerrado e o seu resultado proclamado é uma exceção que não devemos admitir”, afirmou.

461-Pode ocorrer discriminação na contribuição dos servidores públicos inativos?

R. A tão discutida EC 41/2003 provocou grandes reformas no sistema de aposentadoria dos servidores públicos
vigentes no Brasil.
Inclusive, nas discussões no STF a respeito da sua constitucionalidade, firmou-se o tão já proferido entendimento de
que "não existe
direito adquirido à regime jurídico"(guardem essa informação, pois sempre é cobrada em concursos públicos).
Ocorre que, tal emenda, previu que os servidores inativos da União, seria cobrada a contribuição previdenciária nos
valores que excedesse a 60% do estabelecido para os limites em geral dos benefícios do INSS.
Para os Estados e Municípios, seria no que excedesse a 50%. Tal diferenciação é constitucional?
Instado a se pronunciar sobre o tema, o STF, na ADI 3.105/DF, declarou a inconstitucionalidade de tal norma, sob o
argumento de que essa diferenciação ofenderia a isonomia tributária, que é particularização do princípio
fundamental da igualdade.

462-Pode o Poder Judiciário conceder isenção à categoria não contemplada?

R. Consoante jurisprudência consolidada do STF, concessão de isenção funda-se na conveniência e oportunidade de


que gozam as autoridades fiscais na implementação de políticas fiscais e econômicas. Assim, não cabe ao Poder
Judiciário, que não possui função legislativa, substituir-se ao legislador, para estender a isenção a contribuintes não
contemplados na lei a título de isonomia.
STF - RE 344.331/PR.

463-O que é o crime de plágio? De quem é a competência?

R. Consoante entendimento doutrinário, crime de plágio é o crime de redução à condição análoga à de escravo. O
nome plágio é empregado pois significa a sujeição de uma pessoa ao domínio de outra.
Tal crime está previsto no art. 149 do CP.
A maioria da doutrina/jurisprudência se posiciona no sentido de que não se faz necessária a prática de maus-tratos
ou sofrimentos ao sujeito passivo. Quando se estiver diante das condutas referidas no artigo, já se considera
consumado o crime.
Consoante entendimento dos Tribunais Superiores, compete à Justiça Federal processar e julgar tal crime, pois
qualquer violação ao homem trabalhador e ao sistema de órgãos e instituições que preservam coletivamente os
direitos dos trabalhadores enquadra-se na categoria de crime contra a organização do trabalho, desde que praticada
no contexto da relação de trabalho.
Julgado baseado: Ag Rg no Conflito de competência 105026 MT, STJ.

464-No que consiste a cláusula da imprevisão da prisão preventiva?


R. A prisão preventiva regula-se pelo disposto no art. 316 do CPP, consistindo isso segundo a doutrina na cláusula de
imprevisão. Assim, diante da possibilidade de mudança do cenário fático processual que tramita, o instituto da
prisão preventiva regula-se pela cláusula rebuc sic standibus(imprevisão), podendo ser revogado quando não mais
presentes os motivos que a ensejaram, bem como renovada quando sobrevierem motivos que a justifiquem,
inclusive de ofício pelo juiz durante o processo penal.

465-Adolescente de 17 anos pode trabaljar como empregado domèstico?

R. A resposta é NÃO. Há pelo menos três fundamentos que justificam esta impossibilidade:

a) de ordem CONSTITUCIONAL: art. 7o, XXXIII, CF - o qual proíbe trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores
de dezoito anos;
b) de ordem SUPRALEGAL (ou materialmente constitucional, a depender do doutrinador): Convenções 138 e 182,
OIT - as quais tratam da idade mínima para o trabalho e das piores formas de trabalho infantil, respectivamente;
c) de ordem LEGAL: Decreto 6.481/2008 (Lista TIP) - elenca dentre as piores formas de trabalho infantil o trabalho
doméstico - e LC 150/2015 - que regulamenta o trabalho doméstico e veda expressamente, em seu artigo 1o,
parágrafo único, o trabalho doméstico para menores de 18 anos.

Portanto, trata-se de modalidade de trabalho proibido. À luz da doutrina da proteção integral, deve ser dada máxima
efetividade ao dispositivo constitucional do art. 7o, XXXIII, o que felizmente ocorreu com a publicação da LC
150/2015.

466-Qual a diferença entre termo de colaboração e termo de fomento no âmbito das parcerias voluntárias?

R. ATENÇÃO! LEI NOVA! A Lei 13.019, de 01.08.2014, estabeleceu o regime jurídico das parcerias voluntárias,
envolvendo ou não transferência de recursos, entre a administração pública e as organizações da sociedade civil, em
regime de mútua cooperação para a consecução de finalidades de interesse público. Diferentemente dos casos da
OS e OSCIP, não há necessidade de qualquer qualificação ou título específico da entidade para que possa se firmar
essas parcerias com o Poder Público. Basta cumprir os requisitos do art. 33 dessa nova lei, dentre os quais está não
possuir finalidade lucrativa. Nesse contexto, importante ressalvar a diferença entre termo de colaboração e termo
de fomento - que são os instrumento que formalizam a parceria. Enquanto que no termo de colaboração a proposta
é oriunda da Administração, no termo de fomento a proposta é do parceiro privado.

467-No caso de auxílio-reclusão para servidores públicos federais regidos pela lei 8112,há a necessidade de o
segurado ser de baixa-renda?

R. Diferentemente do auxílio-reclusão do RGPS, previsto no artigo 201, IV, da CRFB, o auxílio-reclusão da Lei
8.112/90 não exige que o servidor público preso seja enquadrado como pessoa de baixa renda para o recebimento
do benefício pelos seus dependentes.

O artigo 201 da CRFB previu, no âmbito do RGPS, o benefício previdenciário chamado auxílio-reclusão, o qual é pago
aos dependentes do segurado que for preso desde que este tenha baixa renda, não receba remuneração da empresa
durante a prisão, nem esteja em gozo de auxílio-doença, de aposentadoria ou de abono permanência.
Pois bem, para fins de determinação do requisito “baixa renda”, a EC 20/98, a qual alterou o artigo 201, IV da CRFB,
previu que, até que a lei discipline o auxílio-reclusão, esse benefício será concedido apenas àqueles que tenham
renda bruta mensal igual ou inferior a R$ 360,00, valor esse que deverá ser corrigido pelos mesmos índices aplicados
aos benefícios do Regime Geral de Previdência Social (art. 13 da Emenda).
Ocorre que até hoje essa não existe. Assim, todos os anos é publicada uma Portaria Interministerial, assinada pelos
Ministros da Previdência e da Fazenda, atualizando o valor. Para o ano de 2015, por exemplo, esse valor foi fixado
em R$ 1.089,72. Assim, o auxílio-reclusão somente será pago se o último salário-de-contribuição do segurado (que
comprovar o preenchimento dos demais requisitos), antes de ser preso, era igual ou inferior a essa quantia.
A Lei 8.112/90, por sua vez, prevê um benefício também chamado de auxílio-reclusão, o qual é pago aos
dependentes dos servidores públicos federais, veja-se:
Art. 229. À família do servidor ativo é devido o auxílio-reclusão, nos seguintes valores:
I - dois terços da remuneração, quando afastado por motivo de prisão, em flagrante ou preventiva, determinada pela
autoridade competente, enquanto perdurar a prisão;
II - metade da remuneração, durante o afastamento, em virtude de condenação, por sentença definitiva, a pena que
não determine a perda de cargo.
§ 1o Nos casos previstos no inciso I deste artigo, o servidor terá direito à integralização da remuneração, desde que
absolvido.
§ 2o O pagamento do auxílio-reclusão cessará a partir do dia imediato àquele em que o servidor for posto em
liberdade, ainda que condicional.
§ 3o Ressalvado o disposto neste artigo, o auxílio-reclusão será devido, nas mesmas condições da pensão por morte,
aos dependentes do segurado recolhido à prisão.

Conforme se observa, esta Lei não previu como requisito para concessão do referido benefício a condição de “baixa
renda” pelo servidor público federal.
Após relativa cizânia doutrinária e jurisprudencial, o STJ, no informativo n° 560, deixou assente que este requisito
não se aplica ao auxílio-reclusão previsto pela Lei 8.112, mas somente ao auxílio-reclusão do RGPS. Assim, conclui-se
que o artigo 13 da EC 20/1998 não afeta a situação jurídica dos servidores ocupantes de cargo público de
provimento efetivo, mas apenas os servidores vinculados ao RGPS, isto é, empregados públicos, contratados
temporariamente e exclusivamente titulares de cargos comissionados.

468-O bem de família pode ser penhorado em razão dos créditos de trabalhadores de própria residência e das
respectivas constribuições previdenciárias?

R. Atualmente, não é possível a penhora nesses casos, uma vez que o art. 46 da LC 150/2015 revogou
expressamente o art. 3o, I, da Lei 8.009/90 (o qual permitia a penhora do bem de família em razão de dívidas
trabalhistas). Entretanto, a aplicação da LC 150/2015, nesse ponto, gera a dúvida: é possível aplicá-la à penhora já
realizada antes de sua vigência?

Em que pese não haver um entendimento consolidado, por tratar-se de legislação recente, é possível sustentar a
existência de duas correntes:
a) SIM. Mesmo em relação a penhora já realizada antes da LC 150/2015 é possível sua aplicação (ou seja, desfazer a
penhora ). Neste caso, utiliza-se analogicamente a
Súmula 205, STJ (A Lei 8.009/90 aplica-se à penhora realizada antes de sua vigência). b) NÃO. Uma vez realizada a
penhora, a LC 150/2015 não pode ser aplicada retroativamente para desfazê-la, em razão da teoria do isolamento
dos atos processuais.

469-O que é o princípio da autodeterminação informativa?

R. O princípio da autodeterminação informativa (do direito alemão, “informationelle Selbstbestimmung”) consiste


no direito que todo ser humano possui de ter o controle sobre os dados e informações que lhe dizem respeito. Está
cingido ao direito à privacidade e à intimidade. Desta forma, o consentimento (esclarecido ou informado) do titular
desse direito é fundamental para consolidá-lo. Somente a partir do conhecimento efetivo sobre o tratamento que é
dado às informações que lhe dizem respeito é que o titular poderá bem exercer o direito à autodeterminação
informativa.

Em tempos de youtube e vídeos que “viralizam” em poucos minutos, o referido tema ganha bastante relevo e abre
espaço para discussões sobre os direitos fundamentais em jogo.
470-Admite-se o tombamento duplo?
R. Configura-se o tombamento duplo quando ele é feito por duas entidades políticas - por exemplo, o tombamento
de um bem é feito pelo Estado e pelo Município. O STJ, no RMS 18;952/RJ, posicionou-se no sentido de que não
existe nenhuma ilegalidade no tombamento duplo, afirmando que nada impede que duas esferas estatais com o
objetivo de preservar o bem atuem, uma vez que o que está em interesse é a preservação do bem da coletividade,
consubstanciando-se em interesse público de várias vertentes. Assim, o bem acaba sendo protegido em dose dupla.

471-CE pode proibir que servidores público sejam usados na substituição de empregados privados em momentos
de greve?

R. O STF debruçou-se sobre o tema por conta da ADI 232/RJ proposta pelo Governador do Rio de Janeiro tendo por
objeto o artigo 77, XXIII, da Carta Política carioca, a qual dispõe o seguinte:
Art. 77 - A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes do Estado e dos
Municípios, obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, interesse coletivo e,
também, ao seguinte:
XXIII - ressalvada a legislação federal aplicável, ao servidor público estadual é proibido substituir, sob qualquer
pretexto, trabalhadores de empresas privadas em greve

Em primeiro lugar, necessário destacar que o STF asseverou que as regras básicas do processo legislativo presentes
na CF/1988 incorporariam noções elementares do modelo de separação dos poderes, o que as torna de observância
inafastável no âmbito local (CF, art. 25). A esse respeito, o artigo 61, §1°, II, “a” e “e” determina que a competência
para legislar sobre o funcionamento da administração pública é do Chefe do Executivo, não podendo, a priori, tal
matéria ser tratada em constituição estadual, visto que devem ser propostas pelo chefe do Poder Executivo em leis
de sua iniciativa.

Contudo, as constituições estaduais não estão inteiramente proibidas de tratarem sobre o funcionamento da
Administração local, desde que respeitem as regras de reserva de iniciativa e de forma que o parlamento local não
retire do Governador alguma competência legítima que ele possua.

De fato, o inciso XXIII do artigo 77 da constituição estadual carioca está relacionado ao funcionamento da
Administração local, mas ele não se sobrepõe ao campo de discricionariedade política que a Constituição Federal
reserva, com exclusividade, à iniciativo do Governador. Além disso, a regra não deu à Administração local
configuração definitiva em desacordo com o texto federal.

472-Monopólio e privilégio são termos sinônimos?

R.Coloquialmente falando, os termos "monopólio" e "privilégio" por vezes são utilizados como sendo sinônimos.

Ocorre que, nas acepções técnicas dos termos, eles não significam o mesmo e nem devem ser confundidos, como
veremos a seguir.

Isso, inclusive, constou já em decisão do STF:


“O serviço postal – conjunto de atividades que torna possível o envio de correspondência, ou objeto postal, de um
remetente para endereço final e determinado – não consubstancia atividade econômica em sentido estrito. Serviço
postal é serviço público. A atividade econômica em sentido amplo é gênero que compreende duas espécies, o
serviço público e a atividade econômica em sentido estrito. Monopólio é de atividade econômica em sentido estrito,
empreendida por agentes econômicos privados. A exclusividade da prestação dos serviços públicos é expressão de
uma situação de privilégio. Monopólio e privilégio são distintos entre si; não se os deve confundir no âmbito da
linguagem jurídica, qual ocorre no vocabulário vulgar. A Constituição do Brasil confere à União, em caráter exclusivo,
a exploração do serviço postal e o correio aéreo nacional [art. 21, X]. O serviço postal é prestado pela Empresa
Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT, empresa pública, entidade da Administração Indireta da União, criada pelo
Decreto-Lei 509, de 10 de março de 1969. É imprescindível distinguirmos o regime de privilégio, que diz com a
prestação dos serviços públicos, do regime de monopólio sob o qual, algumas vezes, a exploração de atividade
econômica em sentido estrito é empreendida pelo Estado. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos deve atuar
em regime de exclusividade na prestação dos serviços que lhe incumbem em situação de privilégio, o privilégio
postal. Os regimes jurídicos sob os quais em regra são prestados os serviços públicos importam em que essa
atividade seja desenvolvida sob privilégio, inclusive, em regra, o da exclusividade. Arguição de descumprimento de
preceito fundamental julgada improcedente por maioria. O Tribunal deu interpretação conforme à Constituição ao
art. 42 da Lei 6.538 para restringir a sua aplicação às atividades postais descritas no art. 9º desse ato normativo.”

473-Inconstitucional idade do IPTU progressivo-È possível a sua cobrança na aliquota mínima?

R. Consoante a Súmula 668 do STF, editada em razão da ausência de autorização constitucional nessas outras
hipóteses até aquele momento, “é inconstitucional a lei municipal que tenha estabelecido, antes da Emenda
Constitucional 29/2000, alíquotas progressivas para o IPTU, salvo se destinada a assegurar o cumprimento da função
social da propriedade urbana”
Consoante entendimento recente do STF no RE 602.347, o fato de a progressividade de alíquota do IPTU ter sido
declarada inconstitucional não anula a validade do tributo. Nesses casos, é devido o tributo calculado pela alíquota
mínima correspondente, de acordo com a destinação do imóvel.

474- É constitucional a taxa de incêndio?

R. Consoante a CF/88, em seu art. 145, II, um dos fatos geradores para a cobrança de taxa é a utilização efetiva ou
potencial de serviços públicos específicos e divisíveis. No caso da taxa de incêndio, em que pese existir alguma
polêmica sobre a sua legitimidade, certo é que o STF possui precedentes aduzindo que a taxa colocada com o escopo
específico de cobrir despesas com manutenção dos serviços de prevençao e extinção de incêndios foi considerada
constitucional tendo sido enquadrada como uma utilização potencial de serviço público(Precedentes - RE 206/777-
SP, e RE-AgRR 473.611/MG)

475- As cooperativas possuem imunidade tributária?

R.Consoante o disposto no art. 146, III, "c", incumbe à lei complementar nacional estabelecer adequado tratamento
tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. o STF já deixou assente, no julgado do RE
141.800/SP e também no julgado do AI-AgRg 740.269/SP, que essa dicção constitucional não concedeu às
cooperativas imunidade tributária, nem pode ser diretamente invocada para reconhecer algum benefício tributário
não previsto expressamente em lei. Ou seja, as sociedades cooperativas não podem gozar de benefícios tributários
com fundamento exclusivo na alínea "c" do inciso III do art. 146 da CF/88 sem que haja edição de lei complementar
exigida por esse dispositivo constitucional.

476- Incide IOF sobre operações de Factoring?

R. Segundo o STF, é legítima a incidência de IOF sobre operações de factoring - operações de desconto de títulos de
crédito para empresas mercantis, com o intuito de disponibilizar numerário para o capital de giro destas -, uma vez
que consoante a CF é autorizada a União Federal a instituir impostos sobre operações relativas a títulos ou valores
mobiliários, operações estais incluidas as de factoring. Precedente: ADIMC 1.763/DF.

477-Vice-prefeito pode acumular cargo em empresa pública estadual?

R. Segundo o STF, não pode o vice-prefeito acumular a remuneração decorre de emprego em empresa pública
estadual com a representação estabelecida para o exercício de mandato eletivo, pois o que a CF excepciona para
possibilitar a acumulação é no que tange aos vereadores. Vejamos parte do julgado:
“Vice-prefeito, que é titular de emprego remunerado em empresa pública. Não pode o vice-prefeito acumular a
remuneração decorrente de emprego em empresa pública estadual com a representação estabelecida para o
exercício do mandato eletivo (...). O que a Constituição excepcionou, no art. 38, III, no âmbito municipal, foi apenas a
situação do vereador, ao possibilitar-lhe, se servidor público, no exercício do mandato, perceber as vantagens de seu
cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, quando houver compatibilidade de
horários; se não se comprovar a compatibilidade de horários, será aplicada a norma relativa ao prefeito (CF, art. 38,
II).” (RE 140.269, Rel. Min. Néri da Silveira, julgamento em 1º-10-1996, Segunda Turma, DJ de 9-5-1997.) No mesmo
sentido: ARE 659.543-AgR, rel. min. Cármen Lúcia, julgamento em 30-10-2012, Segunda Turma, DJE de 20-11-2012.

478- De quem é a competência para julgar um Tribunal de Contas dos Municípios?

R: Consoante entendimento do STF, a competência para tanto é do Tribunal de Contas do próprio Estado, e não da
própria Assembléia Legislativa, notadamente por serem órgãos estaduais e por prevalecer a competência genérica
do Tribunal de Contas posta no art. 71 c/c art. 75. Vejamos parte do julgado do STF:
"Municípios e Tribunais de Contas. A Constituição da República impede que os Municípios criem os seus próprios
Tribunais, Conselhos ou órgãos de contas municipais (CF, art. 31, § 4º), mas permite que os Estados-membros,
mediante autônoma deliberação, instituam órgão estadual denominado Conselho ou Tribunal de Contas dos
Municípios (RTJ 135/457, Rel. Min. Octavio Gallotti – ADI 445/DF, Rel. Min. Néri da Silveira), incumbido de auxiliar as
Câmaras Municipais no exercício de seu poder de controle externo (CF, art. 31, § 1º). Esses Conselhos ou Tribunais
de Contas dos Municípios – embora qualificados como órgãos estaduais (CF, art. 31, § 1º) – atuam, onde tenham
sido instituídos, como órgãos auxiliares e de cooperação técnica das Câmaras de Vereadores. A prestação de contas
desses Tribunais de Contas dos Municípios, que são órgãos estaduais (CF, art. 31, § 1º), há de se fazer, por isso
mesmo, perante o Tribunal de Contas do próprio Estado, e não perante a Assembleia Legislativa do Estado-membro.
Prevalência, na espécie, da competência genérica do Tribunal de Contas do Estado (CF, art. 71, II, c/c o art. 75).” (ADI
687, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 2-2-1995, Plenário, DJ de 10-2-2006.)

479-De quem é a competência para legislar sobre serviços funerários?

R. Consoante entendimento do STF, por dizerem respeito a serviços locais, é competência dos Municípios legislarem
sobre serviços funerários. Vejamos o entendimento do STF:
"(...)Os serviços funerários constituem, na verdade, serviços municipais, tendo em vista o disposto no art. 30, V, da
Constituição: aos Municípios compete 'organizar e prestar, diretamente ou sob o regime de concessão ou permissão,
os serviços de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial'. Interesse local diz
respeito a interesse que diz de perto com as necessidades imediatas do Município. E não há dúvida que o serviço
funerário diz respeito com necessidades imediatas do Município. Leciona Hely Lopes Meirelles que 'o serviço
funerário é da competência municipal, por dizer respeito a atividades de precípuo interesse local, quais sejam, a
confecção de caixões, a organização de velório, o transporte de cadáveres e a administração de cemitérios'. (Hely
Lopes Meirelles, 'Direito Municipal Brasileiro', 10ª ed., 1998, atualizada por Izabel Camargo Lopes Monteiro e Célia
Marisa Prendes, Malheiros Editores, pág. 339). Esse entendimento é tradicional no Supremo Tribunal Federal,
conforme se vê do decidido no RE 49.988/SP, Relator o Ministro Hermes Lima, cujo acórdão está assim
ementado:'EMENTA: Organização de serviços públicos municipais. Entre estes estão os serviços funerários. Os
municípios podem, por conveniência coletiva e por lei própria, retirar a atividade dos serviços funerários do
comércio comum.' (RTJ 30/155).(...)." (RE 387990/SP

480-È possível no julgamento de cautelar de ação de controle concentrado de constitucionalidade haver a


conversão direta em julgamento de mérito?

R. O tema foi apreciado pelo STF na ADPF 378 que apreciou o procedimento de impeachment. Nesse caso, o
Ministro Fachin, alegando a necessidade de garantir a segurança jurídica, propôs que o julgamento da cautelar já
fosse convertido NO PRÓPRIO JULGAMENTO DE MÉRITO. Por unanimidade, foi acatada a proposta. O decano, Min.
Celso de Mello, ainda alertou sobre a existência de precedentes. Por fim, o Min. Fachin chamou atenção para duas
situações que configuram verdadeiras condições para tal conversão: a) a existência do quórum para o julgamento de
mérito; b) existir todos os elementos de instrução do processo.

481- Se a CE permtir, pode Deputado Estadual ajuizar ação de controle abstrato de constitucionalidade?
R. Sobre o tema, a CF apenas preleciona o seguinte:
Art. 125. § 2º Cabe aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis ou
atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, vedada a atribuição
da legitimação para agir a um único órgão.
Surge então uma dúvida pertinente: os legitimados para exercer esse controle estadual têm que ser
necessariamente os mesmos do art. 103 da CF/88 pelo principio da simetria? A resposta é: não! O tema
já foi pacificado no âmbito do STF:
EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPRESENTAÇÃO DE
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS OU ATOS NORMATIVOS ESTADUAIS OU MUNICIPAIS.
VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL DE ATRIBUIR A LEGITIMAÇÃO PARA AGIR A UM ÚNICO ÓRGÃO.
PARTIDO POLÍTICO SEM REPRESENTAÇÃO NO PODER LEGISLATIVO LOCAL. POSSIBILIDADE.
CONTROLE ABSTRATO DE CONSTITUCIONALIDADE. LEIS DE EFEITOS CONCRETOS.VIABILIDADE. CONTRATO DE
CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO. PRORROGAÇÃO PORPERÍODO ALÉM DO PRAZO RAZOÁVEL PARA A REALIZAÇÃO
DE NOVO PROCEDIMENTOLICITATÓRIO. VIOLAÇÃO À EXIGÊNCIA CONSTITUCIONAL DE PRÉVIA LICITAÇÃO
PÚBLICA.AGRAVO IMPROVIDO. I – A exigência do art. 125, § 2º, da Constituição Federal, pertinente aos legitimados
para a representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos
estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, é que a Carta Estadual não
os restrinja a um único órgão legitimado.Precedente. II – No julgamento da ADI 4.048- MC/DF, Rel. Min. Gilmar
Mendes, esta Corte admitiu o exercício de controle abstrato de leis
de efeitos concretos. III – A prorrogação não razoável de concessão de serviço público ofende
a exigência constitucional de que ela deve ser precedida de licitação pública. Precedentes. IV
– Agravo regimental improvido. (RE 412921 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI,
Primeira Turma, julgado em 22/02/2011, DJe-048 DIVULG 14-03-2011 PUBLIC 15-03-2011
EMENT VOL-02481-01 PP-00100)

482-Habeas corpus já foi instrumento para defender outros direitos além da liberdade de ir e vir?

R. A respeito da história do habeas corpus no ordenamento jurídico brasileiro, cumpre observar os ensinamentos de
Marcelo Novelino:
Durante a Primeira República, com a introdução desse instituto no sistema constitucional pátrio, surgiu a
denominada “doutrina brasileira do habeas corpus”, que ti nha Rui Barbosa como seu principal expoente. Em face da
ausência de outras garantias constitucionais na Carta de 1891, foi adotada uma interpretação ampla acerca do
cabimento deste mandamus, que passou a ser utilizado em diversas situações de ameaça a direitos
constitucionalmente assegurados – e não apenas à liberdade de locomoção – decorrentes de ilegalidades ou abusos
de poder. À época, o Supremo Tribunal Federal adotou o entendimento de que o habeas corpus contemplava as
situações em que a liberdade de ir e vir era meio para atingir outro direito.
A partir da reforma constitucional de 1926, essas concepções deixaram de ser adotadas e o habeas corpus passou a
ser utilizado apenas em seu sentido clássico. Atualmente não se justifica a utilização ampla dessa garantia
constitucional, uma vez que a Constituição brasileira de 1988, além de delimitar com precisão o objeto do habeas
corpus, foi extremamente generosa na consagração de ações voltadas especificamente à proteção de outros direitos
fundamentais.
(NOVELINO, Marcelo. Manual de Direito Constitucional, 9ª edição, Editora Método, 2014, pag. 103 e 719)
Assim, como se pode visualizar, a partir da denominada doutrina brasileira do habeas corpus, era esse o meio cabível
para a defesa de outros direitos no passado.

483- Pode-se avaliar o valor cultural do livro para que faça jus à imunidade?
R. A imunidade tributária cultural está prevista no art. 150, IV, da CF. É a única tipicamente objetiva, de forma a
impedir impostos incidentes sobre livros, jornais, periódicos e papel para a sua impressão(não abrange, assim, a
"pessoa" do livreiro - como por exemplo o tributo FINSOCIAL).
Vamos imaginar que se tenha feito um albúm de figurinhas com os jogadores do Fortaleza Esporte Clube - de
péssimo gosto, diga-se por sinal.
Nesse caso, pode-se fazer um juízo de que não existe valor didático ou artístico nas informações veiculadas para que
não se incidisse a imunidade tributária?
Consoante entendimento do STF, posto no RE 221.239, não é lícito ao intérprete restringir direitos ou garantias
postas de modo forma irrestrita pelo Constituinte. Assim, afasta-se a possibilidade de aferimento de valor cultural
das publicações com o objetivo de conferir-lhes ou não imunidade.

484- Os órgãos públicos podem possuir CNPJ?

R. Os órgãos públicos podem possuir CNPJ quando forem unidades gestoras de orçamento, não sendo impeditivo
para isso o fato de não possuírem personalidade jurídica. Vejamos o entendimento de Fernanda Marinela sobre o
tema: Essas estruturas também estarão sujeitas à Inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica - CNPJ, quando
forem unidades gestoras de orçamento, conforme previsão do art. 5S, inc. I, da Instrução Normativa n° 1.183, da
Receita Federal do Brasil, publicada no Diário Oficial da União, em 19.08.2011, que dispõe sobre o Cadastro Nacional
de Pessoa Jurídica.16 Tal Instrução foi alterada, no dia 16.11.2011, pela Instrução Normativa na 1.210, pelo Ato
Declaratório Executivo Cocad na 2, de 22.12.2011, e pelo Ato Declaratório Executivo Cocad na 1, de 21.08.2012, mas
o citado inciso foi mantido intacto. (MARINELA, Fernanda. Curso de Direito Administrativo, 7ª edição, 2013, Editora
IMPETUS, pag. 103)

485-Pode a Administração Pública reter pagamento em caso de fornecedor irregular perante o Fisco?

R. Imaginemos a seguinte situação: um determinado fornecedor, durante o cumprimento do contrato, passa a estar
em situação irregular perante o Fisco, descumprindo obrigações tributárias.
Como deveria proceder a Administração Pública? Pode ela reter o pagamento?
Instado a se pronunciar sobre o tema, o STJ consignou que, na falta de previsão legal e em sendo a Administração
Pública regida pela legalidade, não poderia tomar tal conduta. Vejamos o julgado:
DIREITO ADMINISTRATIVO. CONTRATO ADMINISTRATIVO. RETENÇÃO DE PAGAMENTO. FORNECEDOR EM SITUAÇÃO
IRREGULAR PERANTE O FISCO.
É ilegal reter o pagamento devido a fornecedor em situação de irregularidade perante o Fisco. A exigência de
regularidade fiscal para a participação no procedimento licitatório funda-se no art. 195, § 3º, da CF e deve ser
mantida durante toda a execução do contrato, consoante o art. 55 da Lei n. 8.666/1993. No entanto, o ato
administrativo, no Estado democrático de direito, está subordinado ao princípio da legalidade (CF, arts. 5º, II, 37,
caput, e 84, IV), o que equivale assentar que a Administração poderá atuar tão somente de acordo com o que a lei
determina. Não constando do rol do art. 87 da Lei n. 8.666/1993, não pode ser aplicada a retenção do pagamento
pelos serviços prestados. O descumprimento de cláusula contratual pode até ensejar, eventualmente, a rescisão do
contrato (art. 78 da Lei de Licitações), mas não autoriza, ao mesmo tempo, suspender o pagamento das faturas e
exigir a prestação dos serviços pela empresa contratada. Precedentes citados: REsp 633.432-MG, DJ 20/6/2005;
AgRg no REsp 1.048.984-DF, DJe 10/9/2009; RMS 24.953-CE, DJe 17/3/2008. AgRg no REsp 1.313.659-RR, Min.
Mauro Campbell Marques, julgado em 23/10/2012.
Ressalte-se: outro seria o caso se o fornecedor não estivesse cumprindo com a prestação de seus serviços - assim,
pela própria teoria geral dos contratos, poderia a Administração Pública opor inclusive a exceção de contrato não
cumprido para que não pagasse a avença.
Como aqui o caso discutido é outro - deixar de manter os requisitos necessários à habilitação durante o processo do
contrato - temos que a solução preconizada e acolhida pelo STJ é diversa.

486-A pena de advertência pode ser acumulada com outras no caso da Lei de Licitações?
A respeito da cumulação de sanções, há de se observar a Lei 8.666:
Art. 87. Pela inexecução total ou parcial do contrato a Administração poderá, garantida a prévia defesa, aplicar ao
contratado as seguintes sanções:
I - advertência;
II - multa, na forma prevista no instrumento convocatório ou no contrato;
III - suspensão temporária de participação em licitação e impedimento de contratar com a Administração, por prazo
não superior a 2 (dois) anos;
IV - declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração Pública enquanto perdurarem os
motivos determinantes da punição ou até que seja promovida a reabilitação perante a própria autoridade que
aplicou a penalidade, que será concedida sempre que o contratado ressarcir a Administração pelos prejuízos
resultantes e após decorrido o prazo da sanção aplicada com base no inciso anterior.
§ 2o As sanções previstas nos incisos I, III e IV deste artigo poderão ser aplicadas juntamente com a do inciso II,
facultada a defesa prévia do interessado, no respectivo processo, no prazo de 5 (cinco) dias úteis.
Assim, apenas a pena de multa pode ser cumulada com outras, não podendo a de advertência.

487- Admite-se liminar em mandado de injução?

R. Diferentemente do que ocorre na ADin por omissão, no mandado de injução o STF tem jurisprudência consolidada
no sentido de que NÃO cabe liminar, por ser incompatível com a sua natureza, consoantes os julgados – MI 670/ES,
rel. Min. Maurício Corrêa (DJ 24.05.2002). No mesmo sentido: STF – MI (AgR) 323, rel. Min. Moreira Alves (DJ
14.02.1992); STF – MI (AgR) 335, rel. Min. Celso de Mello (DJ 17.06.1994).

488-A declaração de inidoneidade produz efeitos ex tunc?

R. Consoante entendimento do STJ, a aplicação da pena de declaração de inidoneidade apenas pode ter efeitos ex
nunc, para frente, não justificando por si só o desfazimento de contratos administrativos já firmados. Vejamos
julgado que trata sobre o tema:
ADMINISTRATIVO. DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE PARA LICITAR E CONTRATAR COM A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
EFEITOS EX NUNC DA DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE: SIGNIFICADO. PRECEDENTE DA 1ª SEÇÃO (MS 13.964/DF, DJe
DE 25/05/2009). 1. Segundo precedentes da 1ª Seção, a declaração de inidoneidade "só produz efeito para o futuro
(efeito ex nunc), sem interferir nos contratos já existentes e em andamento" (MS 13.101/DF, Min. Eliana Calmon,
DJe de 09.12.2008). Afirma-se, com isso, que o efeito da sanção inibe a empresa de licitar ou contratar com a
Administração Pública (Lei 8666/93, art. 87), sem, no entanto, acarretar, automaticamente, a rescisão de contratos
administrativos já aperfeiçoados juridicamente e em curso de execução, notadamente os celebrados perante outros
órgãos administrativos não vinculados à autoridade impetrada ou integrantes de outros entes da Federação
(Estados, Distrito Federal e Municípios). Todavia, a ausência do efeito rescisório automático não compromete nem
restringe a faculdade que têm as entidades da Administração Pública de, no âmbito da sua esfera autônoma de
atuação, promover medidas administrativas específicas para rescindir os contratos, nos casos autorizados e
observadas as formalidades estabelecidas nos artigos 77 a 80 da Lei 8.666/93. 2. No caso, está reconhecido que o
ato atacado não operou automaticamente a rescisão dos contratos em curso, firmados pelas impetrantes. 3.
Mandado de segurança denegado, prejudicado o agravo regimental.(STJ - MS: 14002 DF 2008/0267371-4, Relator:
Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Data de Julgamento: 28/10/2009, S1 - PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe
06/11/2009)

489-Em matéria de direito autoral,o que é contrafação?

R. O nome – contrafação – é pouco conhecido, mas nada mais é do que a reprodução não autorizada de algo
protegido pelo direito autoral de alguém.
Por exemplo, se alguém resolver copiar parte de um livro de um autor sem dar os devidos créditos.
490- Se wesley safadão fosse se candidatar a um cargo público,ele poderia continuar cantando em período
eleitoral?

R. A hipótese tratada na questão não se confunde com a proibição dos denominados "showmícios" - em que mesmo
que o artista esteja ali por pura espontânea vontade, é vedado que se realizem, consoante disposto na Lei 9504 em
seu art. 39, parágrafo sétimo. No caso tratado, em que o próprio cantor é candidato a um cargo público, ele pode
continuar a realizar os seus shows durante o período eleitoral, desde que não faça referências à sua candidatura.
Desse modo o TSE já entendeu em consulta formulada - vejamos: “Consulta. Candidato. Cantor. Exercício da
profissão em período eleitoral. 1. O candidato que exerce a profissão de cantor pode permanecer exercendo-a em
período eleitoral, desde que não tenha como finalidade a animação de comício ou reunião eleitoral e que não haja
nenhuma alusão à candidatura ou à campanha eleitoral, ainda que em caráter subliminar. 2. Eventuais excessos
podem ensejar a configuração de abuso do poder econômico, punível na forma do art. 22 da Lei Complementar nº
64/90, ou mesmo outras sanções cabíveis. [...].”(Res. 23.251, rel. Min. Arnaldo Versiani, julgada em 15.4.2010)

491-TCU pode decretar a indisponibilidade de bens?

R. O STF entendeu pela possibilidade do TCU decretar, no início ou no curso de qualquer procedimento de apuração
que lá tramite, a indisponibilidade dos bens do responsável por prazo não superior a 1 ano, nos moldes do artigo 44,
§ 2º da Lei 8.443/92, veja-se:
Art. 44. No início ou no curso de qualquer apuração, o Tribunal, de ofício ou a requerimento do Ministério Público,
determinará, cautelarmente, o afastamento temporário do responsável, se existirem indícios suficientes de que,
prosseguindo no exercício de suas funções, possa retardar ou dificultar a realização de auditoria ou inspeção, causar
novos danos ao Erário ou inviabilizar o seu ressarcimento. (...) § 2° Nas mesmas circunstâncias do caput deste artigo
e do parágrafo anterior, poderá o Tribunal, sem prejuízo das medidas previstas nos arts. 60 e 61 desta Lei, decretar,
por prazo não superior a um ano, a indisponibilidade de bens do responsável, tantos quantos considerados
bastantes para garantir o ressarcimento dos danos em apuração.
O Colegiado asseverou que não haveria que se falar em ilegalidade ou abuso de poder em relação à atuação do TCU,
que, ao determinar a indisponibilidade dos bens, teria agido em consonância com suas atribuições constitucionais,
com as disposições legais e com a jurisprudência do STF.
Com efeito, o ato impugnado estaria inserido no campo das atribuições constitucionais de controle externo exercido
por aquela corte de contas (CF, art. 71).
Nesse diapasão, a jurisprudência do STF reconheceria assistir ao TCU um poder geral de cautela, que se
consubstanciaria em prerrogativa institucional decorrente das próprias atribuições que a Constituição
expressamente lhe outorgara para seu adequado funcionamento e alcance de suas finalidades. Seria possível,
inclusive, ainda que de forma excepcional, a concessão, sem audiência da parte contrária, de medidas cautelares,
por deliberação fundamentada daquela Corte, sempre que necessárias à neutralização imediata de situações de
lesividade ao interesse público ou à garantia da utilidade prática de suas deliberações finais.
Assim, isso não viola, por si só, o devido processo legal nem qualquer outra garantia constitucional.

492- Pode ocorrer discriminação na contribuição dos servidores públicos inativos?

R. A tão discutida EC 41/2003 provocou grandes reformas no sistema de aposentadoria dos servidores públicos
vigentes no Brasil.
Inclusive, nas discussões no STF a respeito da sua constitucionalidade, firmou-se o tão já proferido entendimento de
que "não existe
direito adquirido à regime jurídico"(guardem essa informação, pois sempre é cobrada em concursos públicos).
Ocorre que, tal emenda, previu que os servidores inativos da União, seria cobrada a contribuição previdenciária nos
valores que excedesse a 60% do estabelecido para os limites em geral dos benefícios do INSS.
Para os Estados e Municípios, seria no que excedesse a 50%. Tal diferenciação é constitucional?
Instado a se pronunciar sobre o tema, o STF, na ADI 3.105/DF, declarou a inconstitucionalidade de tal norma, sob o
argumento de que essa diferenciação ofenderia a isonomia tributária, que é particularização do princípio
fundamental da igualdade.
493-Pode ocorrer a divulgação da remuneração de servidores públicos?

R. Consoante entendimento consolidado no âmbito do STF, na SS 3902, é constitucional a divulgação dos


vencimentos dos servidores públicos como medida de transparência, uma vez que tal ação diz respeito à sua atuação
como agente estatal, não violando a sua intimidade ou vida privada. Além disso, como medida de segurança, não é
possível que se divulgue o seu endereço residencial ou número de CPF.

494-Ta lembrando do DOLO direito de segundo grau?

R. Inicialmente, o dolo pode ser direto e indireto. ✅O dolo direto é aquele que o resultado decorre diretamente da
vontade manifestada "a priori" pelo agente, p ex, quero matar o Pedro, vou lá e o mato por esganadura. ✅O dolo
indireto ocorre nos casos de dolo eventual e dolo alternativo. ➖O dolo eventual está na assunção do risco de
produzir o resultado; ➖O dolo alternativo o agente está disposto a cometer qualquer dos delitos que estão na linha
de desdobramento lógico de sua ação, p. ex., o agente quer praticar uma ação que sabe que pode gerar lesão
corporal ou homicídio indistintamente, mas age aceitando qualquer dos resultados. Em relação à subdivisão em dolo
direto de primeiro grau e de segundo grau, primeiramente, devemos dizer que ela não é adotada por toda doutrina.
Para parte da doutrina, o dolo direto de segundo grau seria sinônimo do dolo eventual (LFG, p. ex). Já Bittencourt e
Nucci, por sua vez, diferenciam, afirmando que ⚠o dolo direto de primeiro grau é o básico, em que: quero matar
alguém, vou lá, dou uma facada e mato, ou seja, consequência direta na minha vontade inicial. ⚠Já o dolo direto de
segundo grau, seria um desdobramento natural das minhas ações, MAS NÃO INICIALMENTE PREVISTO POR MIM, no
exemplo da doutrina alemã: para enganar a seguradora, alguém ateia fogo no navio, matando os tripulantes. 🚩Para
trazer para um exemplo, infelizmente, mais próximo da realidade brasileira, a população, com a finalidade de
realizar algum protesto, incêndeia um ônibus, mas acaba matando algum de seus passageiros (como na foto acima),
o dolo do homicídio dos passageiros seria direto de segundo grau, pois estaria na linha natural de botar fogo em um
ônibus, mas não era o intuito inicial. Perceba que o dolo direto de segundo grau é muito próximo ao dolo eventual,
por isso, uma parte da doutrina não os diferencia.
Para quem diferencia dolo direto de segundo grau e dolo indireto eventual, a diferença seria que, no primeiro, o
dolo colateral seria desdobramento natural da ação, algo já esperado e, no segundo, não seria desdobramento
natural, mas seria algo possível, tendo o risco do possível resultado sido assumido pelo agente. Seja qual for o tipo
de dolo, todos serão penalizados da mesma forma! Marque aqui dolosamente o seu amigo que está por fora da
discussão sobre o dolo!

495-È cabível ação penal privada da pública em caso de crime eleitoral?

R. Recurso especial. Crime eleitoral. Ação penal privada subsidiária. Garantia constitucional. Art. 5º, LIX, da
Constituição Federal. Cabimento no âmbito da Justiça Eleitoral. Arts. 29 do Código de Processo Penal e 364 do
Código Eleitoral. Ofensa. 1. A ação penal privada subsidiária à ação penal pública foi elevada à condição de garantia
constitucional, prevista no art. 5º, LIX, da Constituição Federal, constituindo cláusula pétrea. 2. Na medida em que a
própria Carta Magna não estabeleceu nenhuma restrição quanto à aplicação da ação penal privada subsidiária, nos
processos relativos aos delitos previstos na legislação especial, deve ser ela admitida nas ações em que se apuram
crimes eleitorais. 3. A queixa-crime em ação penal privada subsidiária somente pode ser aceita caso o representante
do Ministério Público não tenha oferecido denúncia, requerido diligências ou solicitado o arquivamento de inquérito
policial, no prazo legal. 4. Tem-se incabível a ação supletiva na hipótese em que o representante do Ministério
Público postulou providência ao juiz, razão pela qual não se pode concluir pela sua inércia. [...]” (Ac. de 14.8.2003, no
RESPE nº 21295, rel. Min. Fernando Neves.)

496- É constitucional a previsão de que em publicações do Poder Executivo em jornais conste o seu valor?
R. Consoante entendimento do STF, exigir que em toda publicação do Poder Executivo conste o valor que foi gasto
para tal ato é inconstitucional, uma vez que - em que pese visar à defesa do princípio da publiidade - foge a critérios
de razoabilidade e proporcionalidade. Precedente: ADI 2472/RS.

497-A falta de previsão de recurso contra gabarito definitivo de concurso público é inconstitucional?

R. Com supedâneo na orientação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, é
lícita a regra editalícia que veda a interposição de novo recurso administrativo contra o gabarito definitivo porque
não viola o princípio do contraditório e, tampouco, do amplo direito de defesa.
Deve-se considerar que já foi elaborado um gabarito provisório, no qual os candidatos puderam se insurgir contra as
posições adotadas pela banca.
Vejamos os entendimentos dos Tribunais Superiores sobre o tema:
CONCURSO PÚBLICO. PROCURADOR DA REPÚBLICA. PROVA OBJETIVA: MODIFICAÇÃO DO GABARITO PRELIMINAR.
REPROVAÇÃO DE CANDIDATA DECORRENTE DA MODIFICAÇÃO DO GABARITO. ATRIBUIÇÕES DA BANCA
EXAMINADORA. MÉRITO DAS QUESTÕES: IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO JUDICIAL. PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO
E DA AMPLA DEFESA. RECURSO AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO.
1. A modificação de gabarito preliminar, anulando questões ou alterando a alternativa correta, em decorrência do
julgamento de recursos apresentados por candidatos não importa em nulidade do concurso público se houver
previsão no edital dessa modificação.
2. A ausência de previsão no edital do certame de interposição de novos recursos por candidatos prejudicados pela
modificação do gabarito preliminar não contraria os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa.
3. Não cabe ao Poder Judiciário, no controle jurisdicional da legalidade, substituir-se à banca examinadora do
concurso público para reexaminar os critérios de correção das provas e o conteúdo das questões formuladas (RE
268.244, Relator o Ministro Moreira Alves, Primeira Turma, DJ 30.6.2000; MS 21.176, Relator o Ministro Aldir
Passarinho, Plenário, DJ 20.3.1992; RE 434.708, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ
9.9.2005).
(Negritei). (MS 27260, Relator(a): Min. CARLOS BRITTO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno,
julgado em 29/10/2009, DJe-055 DIVULG 25-03-2010 PUBLIC 26-03-2010 EMENT VOL-02395-02 PP-00454 RTJ VOL-
00216- PP-00332)

498-A posso de chip por preso constitui falta grave?

R. Consoante entendimento consolidado no âmbito do STF, a posse de chip constitui sim falta grave, por ser
instrumento necessário ao funcionamento do aparelho. STF - HC 112947 SP
HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PACIENTE FLAGRADO NA POSSE DE CHIP DE TELEFONIA CELULAR NO INTERIOR
DE ESTABELECIMENTO PRISIONAL. CONFIGURAÇÃO DE FALTA GRAVE. ORDEM DENEGADA.
1. Jurisprudência desta Corte no sentido de que a apreensão de chip de aparelho celular no interior de
estabelecimento prisional constitui falta grave, nos termos do art. 50, VII, da Lei 7.210/1984 (introduzido pela Lei
11.466/2007).
2. Ordem denegada.

499-Aplica-se o CDC às entidades fechadas de previdência privada?

R. Diz respeito à aplicação do CDC às entidades fechadas e às abertas de previdência privada.


As entidades fechadas são organizadas sob a forma de fundação ou sociedade civil, mantidas por grandes empresas
ou grupos de empresa, para oferecer planos de previdência privada aos seus funcionários.São denominadas de
"fundos de pensão".
As entidades abertas, por um outro lado, são empresas privadas constituídas sob a forma de sociedade anônima,
que oferecem planos de previdência privada que podem ser contratados por qualquer pessoa física ou jurídica.
Consoante a Súmula 321 do STJ, " O Código de Defesa do Consumidor é aplicável à relação jurídica entre a entidade
de
previdência privada e seus participantes".
Essa súmula é aplicada tanto às entidades abertas de previdência quanto às fechadas?
De acordo com o STJ, com base no entendimento posto nesse informativo, o CDC aplica-se apenas às entidades
abertas.
Isso ocorre pelo fato de: a) as entidades fechadas não comercializam seus planos ao público em geral; b) não há
remuneração pelos serviços prestados, e o intuito não é lucrativo nas entidades fechadas; c) predomina o
associativismo ou mutualismo com fins previdenciários.
Assim, pode ser aplicada às entidades fechadas a legislação cível e trabalhista, mas não a consumeirista.
A súmula 321 do STJ aplica-se apenas às entidades abertas!

500-Permissão de uso de bem público gera posse?

R. Consoante entendimento do STJ, a permissão de uso de bem público NÃO gera posse em relação ao Poder
Público, mas sim mera detenção . Ex.: ocupação irregular de áreas públicas (STJ – REsp 556.721/DF ). Segundo tal
Corte, não é possível a posse de bem público, constituindo a sua ocupação sem aquiescência formal do titular do
domínio mera detenção de natureza precária, razão pela qual não há falar em indenização por benfeitorias.
Vejamos parte da ementa do julgado:
EMBARGOS DE TERCEIRO - MANDADO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE – OCUPAÇÃO IRREGULAR DE ÁREA PÚBLICA -
INEXISTÊNCIA DE POSSE - DIREITO DE RETENÇÃO NÃO CONFIGURADO. 1. Posse é o direito reconhecido a quem se
comporta como proprietário. Posse e propriedade, portanto, são institutos que caminham juntos, não havendo de
ser reconhecer a posse a quem, por proibição legal, não possa ser proprietário ou não possa gozar de qualquer dos
poderes inerentes à propriedade. 2. A ocupação de área pública, quando irregular, não pode ser reconhecida como
posse, mas como mera detenção. 3. Se o direito de retenção depende da configuração da posse, não se pode, ante a
consideração da inexistência desta, admitir o surgimento daquele direito advindo da necessidade de se indenizar as
benfeitorias úteis e necessárias, e assim impedir o cumprimento da medida imposta no interdito proibitório. 4.
Recurso provido. (Processo - REsp 556721 / DF - RECURSO ESPECIAL - 2003/0126967-7 - Relator(a) - Ministra ELIANA
CALMON (1114) - Órgão Julgador - T2 - SEGUNDA TURMA - Data do Julgamento - 15/09/2005)

501-A perde dos dias remidos pode alcançar os dias trabalhados/estudados após a prática de falta grave?

R. De acordo com o STJ, no informativo 571, reconhecida falta grave, a perda de até 1/3 do tempo remido (art. 127
da LEP) pode alcançar dias de trabalho (ou de estudo) anteriores à infração disciplinar e que ainda não tenham sido
declarados pelo juízo da execução no cômputo da remição. Não há ofensa a direito adquirido, uma vez que se
entende que se trata apenas de expectativa de direito.
Por outro lado, a perda dos dias remidos não pode alcançar os dias trabalhados (ou de estudo) após o cometimento
da falta grave. Isso ocorre pois, caso se entendesse assim, iria ocorrer um desistimulo ao trabalho/estudo do preso
que pratifcou falta grave. Como ele já foi condenado pela falta grave, o novo trabalho/estudo seria para ele inútil já
que ele seria utilizado apenas para "pagar" a pena da falta grave cometida no passado. Desse modo, a falta grave só
acarreta a perda dos dias trabalhados/estudados antes da infração disciplinar.

502-Emenda de CE que destina parte dos recursos de custas e emolumentos a fundo da defensoria pública deve
ser considerada constitucional?

R. Art 98. § 2º As custas e emolumentos serão destinados exclusivamente ao custeio dos serviços afetos às
atividades específicas da Justiça.
Consoante entendimento do STF, possuem natureza jurídica de taxa.
Determinada Constituição Estadual previa que parte desses valores seriam destinados ao aparelhamento da
Defensoria Pública, por meio de um Fundo. Haveria inconstitucionalidade em tal previsão?
O STF decidiu que não! Os principais argumentos foram de que o princípio da não-vinculação aplica-se apenas aos
impostos(art. 167, IV), enquanto que as taxas e emolumentos têm natureza de taxa. Além disso, em sentido amplo,
há de se conceber que a Defensoria Pública faz parte também do acesso à justiça.
Vejamos a ementa do julgado:
Constitucional. Ação direta de inconstitucionalidade. Inciso III do art. 4º da lei n. 4.664, de 14 de dezembro de 2005,
do Estado do Rio de Janeiro. Taxa instituída sobre as atividades notariais e de registro. Produto da arrecadação
destinado ao Fundo Especial da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro. É constitucional a destinação do
produto da arrecadação da taxa de polícia sobre as atividades notariais e de registro, ora para tonificar a
musculatura econômica desse ou daquele órgão do Poder Judiciário, ora para aportar recursos financeiros para a
jurisdição em si mesma. O inciso IV do art. 167 da Constituição passa ao largo do instituto da taxa, recaindo, isto sim,
sobre qualquer modalidade de imposto. O dispositivo legal impugnado não invade a competência da União para
editar normais gerais sobre a fixação de emolumentos. Isto porque esse tipo de competência legiferante é para
dispor sobre relações jurídicas entre o delegatário
a serventia e o público usuário dos serviços cartorários. Relação que antecede, logicamente, a que se dá no âmbito
tributário da taxa de polícia, tendo por base de cálculo os emolumentos já legalmente disciplinados e
administrativamente arrecadados. Ação direta improcedente.”

503-Greve na Defensoria Pública tem o condão de suspernder os prazos processuais?

R. respeito do direito de greve no âmbito da Defensoria Pública, o Superior Tribunal de Justiça sufragou o
entendimento de que as greves realizadas pelos integrantes da Defensoria Pública da União não possuem o condão
de suspender os prazos processuais nos feitos em que a instituição atua. Além disso, entendeu o STJ que, nos feitos
em que a Defensoria Pública atuava, a nomeação de advogados dativos para funcionarem durante o período de
greve não acarretaria nenhuma nulidade processual, consoante assevera Franklin Roger(ROGER, Franklin. ESTEVES,
Diogo. Principios Institucionais da Defensoria Pública, Editora Metodo, pag. 834). Vejamos a ementa de tais julgados:
AGRAVO REGIMENTAL. DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO. GREVE. SUSPENSÃO/DEVOLUÇÃO DE PRAZO.
IMPOSSIBILIDADE. 1. A Corte Especial deste Superior Tribunal decidiu, em questão de ordem, que o movimento
grevista não representa força maior capaz de ampliar ou devolver o prazo recursal da parte representada por
membros das carreiras em greve. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (STJ – Quarta Turma – AGRESP nº
200702259757 – Relatora Min. MARIA ISABEL GALLOTTI, decisão: 07-10-2010) AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO
ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. INTEMPESTIVIDADE. SUSPENSÃO DE PRAZO. GREVE. DEFENSORIA PÚBLICA. 1. É
intempestivo o agravo regimental interposto após o prazo de cinco dias. 2. A greve dos membros da Defensoria
Pública não suspende os prazos processuais. 3. Agravo regimental não conhecido. (STJ – Terceira Turma – AGRESP nº
200703099015 – Relator VASCO DELLA, decisão: 02-09-2009)

504-O fato de Defensor Púbçico estar presente em audiência em que foi proferida sentença ilude a sua
prerrogativa de intimação pessoal?

R. Segundo o STJ, mesmo no caso que o Defensor Público esteja presente à audiência, deve-se respeitar a
prerrogativa de intimação pessoal - privilegia, assim, as funções da Defensoria Pública e os princípios do
contraditório e da ampla defesa. Vejamos o julgado:
RECURSO ESPECIAL - DIREITO PROCESSUAL CIVIL - NEGATIVA DE PRESTAÇÃOJURISDICIONAL - AUSÊNCIA DE
DEMONSTRAÇÃO - FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE- INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF - INTIMAÇÃO PESSOAL -
DEFENSORIAPÚBLICA - PROTEGER E PRESERVAÇÃO A FUNÇÃO DO ÓRGÃO - DEFESA DOSNECESSITADOS - DEFENSOR
PÚBLICO - PRESENÇA - AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃOE JULGAMENTO - ENTREGA DOS AUTOS COM VISTA -
NECESSIDADE - PRINCÍPIOCONSTITUCIONAL DA AMPLA DEFESA - RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTECONHECIDO E,
NESSA EXTENSÃO, PROVIDO. I - A não explicitação precisa, por parte da recorrente, sobre a forma como teria sido
violado o dispositivo suscitado, no caso, oartigo 535, inciso II, do Código de Processo Civil, atrai a incidência do
enunciado n. 284 da Súmula do STF. II - O artigo 74 da Lei Complementar Estadual 35/2003, por compreender-se no
conceito de lei estadual, não pode dar ensejo a abertura desta Instância especial. Incide, na espécie, por analogia o
óbice da Súmula n. 280/STF. III - A necessidade da intimação pessoal da Defensoria Pública decorre de legislação
específica que concede prerrogativas que visa facilitar o bom funcionamento do órgão no patrocínio dos interesses
daqueles que não possuem recursos para constituir defensor particular. IV - A finalidade da lei é proteger e preservar
a própria função exercida pelo referido órgão e, principalmente, resguardar aquelesque não têm condições de
contratar um Defensor particular. Não secuida, pois, de formalismo ou apego exacerbado às formas, mas, sim,de
reconhecer e dar aplicabilidade à norma jurídica vigente e válida. V - Nesse contexto, a despeito da presença do
Defensor Público, naaudiência de instrução e julgamento, a intimação pessoal da Defensoria Pública somente se
concretiza com a respectiva entregados autos com vista, em homenagem ao princípio constitucional da ampla
defesa. VI - Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão,provido. (STJ - REsp: 1190865 MG
2010/0074947-9, Relator: Ministro MASSAMI UYEDA, Data de Julgamento: 14/02/2012, T3 -TERCEIRA TURMA, Data
de Publicação: DJe 01/03/2012)

505-A citação do cônjuge em ação de desapropriação dispensa a citação do outro?

R. DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. DISPENSA DE CITAÇÃO DO CÔNJUGE NA DESAPROPRIAÇÃO POR


UTILIDADE PÚBLICA.

Na ação de desapropriação por utilidade pública, a citação do proprietário do imóvel desapropriado dispensa a do
respectivo cônjuge. Isso porque o art. 16 do Decreto-Lei 3.365/1941 (Lei das Desapropriações) dispõe que a citação
far-se-á por mandado na pessoa do proprietário dos bens; a do marido dispensa a da mulher. Ressalte-se que,
apesar de o art. 10, § 1º, I, do CPC dispor que ambos os cônjuges serão necessariamente citados para as ações que
versem sobre direitos reais imobiliários, o art. 42 do referido Decreto-Lei preconiza que o CPC somente incidirá no
que for omissa a Lei das Desapropriações. Assim, havendo previsão expressa quanto à matéria, não se aplica a
norma geral. Precedente citado do STF: RE 86.933, Segunda Turma, DJ 18/6/1979. REsp 1.404.085-CE, Rel. Min.
Herman Benjamin, julgado em 5/8/2014.
Decidiu-se que não se aplicaria o art 10, parágrafo 1o do CPC, pois seria norma geral em relação à norma específica
disposta no DL 3365.

506-O companheiro possui direito real de habitação?

R. Consoante entendimento do STJ, o companheiro tem sim direito real de habitação, em virtude da especialidade
da Lei 9.278/96 e do silêncio não eloquente do Código Civil.
Vejamos o julgado:
DIREITO CIVIL. SUCESSÃO. DIREITO REAL DE HABITAÇÃO. COMPANHEIRO SOBREVIVENTE. POSSIBILIDADE. VIGÊNCIA
DO ART. 7° DA LEI N. 9.278/96. RECURSO IMPROVIDO. 1. Direito real de habitação. Aplicação ao companheiro
sobrevivente. Ausência de disciplina no Código Civil. Silêncio não eloquente. Princípio da especialidade. Vigência do
art. 7° da Lei n. 9.278/96. Precedente: REsp n. 1.220.838/PR, Rel. Ministro SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, julgado
em 19/06/2012, DJe 27/06/2012. 2. O instituto do direito real de habitação possui por escopo garantir o direito
fundamental à moradia constitucionalmente protegido (art. 6º, caput, da CRFB). Observância, ademais, ao postulado
da dignidade da pessoa humana (art. art. 1º, III, da CRFB). 3. A disciplina geral promovida pelo Código Civil acerca do
regime sucessório dos companheiros não revogou as disposições constantes da Lei 9.278/96 nas questões em que
verificada a compatibilidade. A legislação especial, ao conferir direito real de habitação ao companheiro
sobrevivente, subsiste diante da omissão do Código Civil em disciplinar tal direito àqueles que convivem em união
estável. Prevalência do princípio da especialidade. 4. Recurso improvido. (REsp 1156744/MG, Rel. Ministro MARCO
BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 09/10/2012, DJe 18/10/2012)

507-È possúvel proteção dos direitos da personalidade do morto?!

R. SIM, nos termos dos artigos 12 (direitos da personalidade em geral) e 20 (direitos da personalidade referentes à
proteção da imagem, escritos ou palavra) do Código Civil. E de quem é a legitimidade para defesa dos direitos da
personalidade do morto? A legitimidade para a defesa dos direitos do morto vai variar a depender da situação que
se pretende proteger, nos direitos da personalidade em geral a legitimidade está no parágrafo único do artigo 12
(cônjuge sobrevivente, qualquer parente em linha reta e colateral até o quarto grau). Na hipótese do artigo 20, a
legitimidade é mais restrita, permitindo-se a proteção somente ao cônjuge, ascendentes e descendentes. Veja-se a
previsão do Art. 12: “Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas e
danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. Parágrafo único. Em se tratando de morto, terá legitimação
para requerer a medida prevista neste artigo o cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou
colateral até o quarto grau”. Já o Art. 20 fala: “Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à
manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a
utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que
couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais. Parágrafo
único. Em se tratando de morto ou de ausente, são partes legítimas para requerer essa proteção o cônjuge, os
ascendentes ou os descendentes”. Assim sendo, é possível sim a proteção jurídica dos direitos da personalidade do
morto.

508-O que é morte civil?


R. A morte civil consiste na cessação da personalidade jurídica de quem está vivo, acontecia quando o devedor não
pagava a sua dívida e era escravizado, o que ocorria em tempos remotos. A morte civil não está consagrada no
ordenamento jurídico brasileiro atual. Não obstante isso, alguns entendem que ainda há casos de morte civil, que
consiste na indignidade que é instituto de direito sucessório, trata-se da exclusão de uma herança que, em tese,
teria direito, porque tenha cometido algum ato que justifique essa pena, que deve ser reconhecida por sentença. O
que prevalece, todavia, é que não há propriamente uma perda da personalidade, perde-se somente o direito de
herdar.

509-Pena imposta em PAD deve ser cumprida imediatamente?

R. Instado a se pronunciar sobre o tema, o STJ entendeu que sim. Os principais argumentos utilizados foram a
autoexecutoriedade dos atos administrativos e a regra de o recurso administrativo não possuir efeito suspensivo.
Vejamos a ementa do julgado:
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL.
SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. TÉCNICO DE ASSUNTOS EDUCACIONAIS DO MINISTÉRIO DA SAÚDE. PROCESSO
ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. PENA DE CASSAÇÃO DE APOSENTADORIA. ARTS. 127, IV, 132, IV E 134, DA LEI
8.112/1990. USO DE DOCUMENTO FALSO. DIPLOMA DE GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA. CUMPRIMENTO IMEDIATO
DA PENALIDADE IMPOSTA.
POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. ALEGADA AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS. NÃO COMPROVAÇÃO DO PREJUÍZO.
INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. PRESCRIÇÃO DA
PRETENSÃO PUNITIVA DISCIPLINAR. INOCORRÊNCIA. SEGURANÇA DENEGADA.
(...)
2. Não há ilegalidade no cumprimento imediato da penalidade imposta a servidor público logo após o julgamento do
PAD e antes do decurso do prazo para o recurso administrativo, tendo em vista o atributo de auto-executoriedade
que rege os atos administrativos e que o recurso administrativo, em regra, carece de efeito suspensivo (ex vi do art.
109 da Lei 8.112/1990). Precedentes: MS 14.450/DF, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Terceira Seção, julgado em
26/11/2014, DJe 19/12/2014; MS 14.425/DF, Rel. Ministro Nefi Cordeiro, Terceira Seção, julgado em 24/09/2014,
DJe 01/10/2014; MS 10.759/DF, Rel.
Ministro Arnaldo Esteves Lima, Terceira Seção, julgado em 10/05/2006, DJ 22/05/2006.
(...) (MS 19.488/DF, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/03/2015, DJe
31/03/2015)

510-A SV 14 aplica-se à sindicânci administrativa?

R. O STF, instado a se pronunciar sobre o tema, entendeu que tal súmula NÃO se aplica aos procedimentos de
sindicância meramente administrativa. Vejamos parte do julgado: "O Verbete 14 da Súmula Vinculante do STF (É
direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados
em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao
exercício do direito de defesa) não alcança sindicância que objetiva elucidação de fatos sob o ângulo do
cometimento de infração administrativa. Com base nessa orientação, a 1ª Turma negou provimento a agravo
regimental em que se reiterava alegação de ofensa ao referido enunciado, ante a negativa de acesso a sindicância."
(Rcl 10771 AgR, Relator Ministro Marco Aurélio, Primeira Turma, julgamento em 4.2.2014, DJe de 18.2.2014)
O principal argumento utilizado para tal decisão foi a de que o próprio verbete sumular deixa bem claro que a
sindicância administrativa não está incluída, notadamente porque não se trata de procedimento de investigação
realizado com órgão com competência de polícia judiciária. Além disso, também se deixou consignado na medida
cautelar relativa a tal processo que a a adequação do verbete está claro no próprio enunciado: a existência de
acusado. Assim, simples sindicância repousa em notícia de fatos a serem elucidados quanto à materialização de
infração administrativa, inclusive no tocante a indícios de envolvimento de servidores, por ora indefinidos.

511- Norma de Constituição Estadual passou a estabelecer que em todo caso também se deveria incluir dentre as
funções da DP a defesa dos servidores públicos, mesmo que não comprovassem hipossuficiência. Tal previsão
deve ser considerada constitucional?
R. Instado a se pronunciar sobre o tema, o STF decidiu que NÃO! Entendeu tal Tribunal que isso fugiria das próprias
atribuições da DP - as quais não se inclui a defesa do servidor público em todo e qualquer caso. Claro que, se em um
caso concreto, um dado servidor público demonstrar a sua hipossuficiência financeira, poderá ser defendido pela DP
- o que se declarou inconstitucional foi uma determinação abstrata e a priori, sem averiguação da situação de
hipossuficiência.
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. RITO DO ART. 12 DA LEI 9.868. ART. 45 DA CONSTITUIÇÃO DO
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. ALÍNEA A DO ANEXO II DA LEI COMPLEMENTAR 9.230/1991 DO ESTADO DO RIO
GRANDE DO SUL. ATRIBUIÇÃO, À DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, DA DEFESA DE
SERVIDORES PÚBLICOS ESTADUAIS PROCESSADOS CIVIL OU CRIMINALMENTE EM RAZÃO DE ATO PRATICADO NO
EXERCÍCIO REGULAR DE SUAS FUNÇÕES. OFENSA AO ART. 134 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. 1. Norma estadual que
atribui à Defensoria Pública do estado a defesa judicial de servidores públicos estaduais processados civil ou
criminalmente em razão do regular exercício do cargo extrapola o modelo da Constituição Federal (art. 134), o qual
restringe as atribuições da Defensoria Pública à assistência jurídica a que se refere o art. 5º, LXXIV. 2. Declaração da
inconstitucionalidade da expressão "bem como assistir, judicialmente, aos servidores estaduais processados por ato
praticado em razão do exercício de suas atribuições funcionais", contida na alínea a do Anexo II da Lei
Complementar estadual 10.194/1994, também do estado do Rio Grande do Sul. (...).
(ADI 3022, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Tribunal Pleno, julgado em 02/08/2004)

512-È constitucional norma estadual que equipara o Defensor Público Geral a Secretário de Estado?

R. O artigo 134, parágrafo segundo da CF/88, estabelece, assim, a autonomia administrativa, financeira e funcional
da Defensoria Pública Estadual.
Instado a se pronunciar sobre o tema, o STF no julgamento da ADI 4056/MA declarou inconstitucional lei estadual
que aduz que o Governador do Estado é auxiliado pelo Defensor Geral do Estado e que o Defensor Público-Geral
deve ser equiparado a Secretaria do Estado, por ofender tais autonomias.
No que cumpre à equiparação com os secretários estaduais, tem-se que esses agentes políticas são demissíveis ad
nutum, o que faria com que caso houvesse equiparação com Defensor Público Geral se perdesse uma autonomia em
relação ao governo.

513-O que é laxismo penal?

R. O laxismo penal, conforme ensinam os professores Ricardo Dip e Volney Correa Leite de Moraes Júnior, consiste
na tendência em se propor soluções absolutórias, ainda quando as evidências processuais não apontem nesse
sentido, ou ainda quando se aplicam punições benevolentes, desproporcionais à gravidade e circunstância do fato,
sob o pretexto de que o agente seja vítima de um contexto social e/ou familiar.
Para muitos, quando o STF se utiliza de critérios de proporcionalidade e razoabilidade para mitigar a lei penal, estar-
se-ia implementado o laxismo penal.
O referido conceito deve ser conhecido pelos candidatos a concursos públicos que envolvam direito penal de uma
forma mais aprofundada (magistratura, dpe, mp), não necessitando o aluno se debruçar no tema, mas apenas
conhece-lo.

514-O que é o contrato de “Time Sharing”?

R. Na tradução literal, significa “tempo compartilhado”. Segundo Cristiano Chaves, na tradução jurídica, significa
“multipropriedade imobiliária”. Trata-se de um novo modelo de condomínio criado de forma diferenciada. Por conta
de sua estrutura, o condomínio sempre foi visto como uma unidade no espaço. O time sharing é um novo tipo de
condomínio, uma vez que é um condomínio no tempo, e não no espaço.
No time sharing, os condôminos vão ter direito ao uso da coisa em um determinado número de dias do ano. Tem por
fundamento o aproveitamento do espaço, com opção de lazer ou turismo.
Frise-se que todo time sharing exige uma administradora, para que possa conciliar, harmonizar os diferentes
interesses. Observe-se que, em regra, a relação travada entre o condômino e o condomínio não é de consumo. No
time sharing, por sua vez, excepcionalmente, a relação jurídica entre o condômino e a administradora é de consumo.
O time sharing continua sendo uma propriedade condominial. Cada condômino terá a sua própria escritura pública,
da qual, todavia, irá constar que ele é proprietário, por exemplo, por 30 dias no ano. Note que isso repercutirá no
âmbito fiscal, na medida em que os tributos (e também as demais despesas) serão pagos proporcionalmente ao
número de dias em que a pessoa é proprietária da coisa.
Frise-se, por fim, que segundo o doutrinador o time sharing aplica-se apenas a imóveis destinados a LAZER ou
TURISMO.Existem já precedentes de inúmeros tribunais pátrios, como TJ-DF e o TJ-SP, reconhecendo tal figura
atípica de contrato(segundo o próprio CC, podem ser realizados contratos atípicos).

515-A União possui responsabilidade por danos decorrentes de erro médico ocorrido em hospital da rede provada
coveniado ao SUS?

R. A União não tem legitimidade passiva em ação de indenização por danos decorrentes de erro médico
ocorrido em hospital da rede privada durante atendimento custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo
com a Lei 8.080/90, a responsabilidade pela fiscalização dos hospitais credenciados ao SUS é do Município, a quem
compete responder em tais casos.
STJ. 1ª Seção. EREsp 1.388.822-RN, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 13/5/2015 (Info 563)
Isso não quer dizer que a União não tenha responsabilidade solidária para fornecer tratamento médico aos cidadãos.
A situação difere substancialmente! O dever de fornecer serviço de saúde é pacificamente, de acordo com a
jurisprudência, solidário!

516-A arbitragem pode ser utilizda como meio de resolução de dissídios individuais trabalhistas?

R. A Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho determinou que o
Conselho Arbitral do Sudoeste da Bahia e a Justiça Arbitral de Vitória da Conquista e Região não realizem arbitragem
para solução de conflitos envolvendo direitos individuais trabalhistas em todo e qualquer caso. A arbitragem é a
solução de conflitos por meio de árbitros, e não por decisão judicial.
A decisão, que deu provimento a embargos do Ministério Público do Trabalho, ratificou precedentes do TST no
sentido de que a arbitragem não é aconselhável na solução de conflitos individuais de trabalho.
Em ação civil pública, o Ministério Público do Trabalho (MPT) pedia que o conselho arbitral se abstivesse de realizar
arbitragem envolvendo direitos individuais trabalhistas.
O pedido foi julgado improcedente pela primeira instância e pelo Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (BA). A
Quarta Turma do TST, em recurso de revista, considerou admissível a utilização da arbitragem quando já extinta a
relação de emprego, proibindo a atuação do conselho apenas nos casos de cláusula que tenha sido objeto do
contrato de trabalho ou de aditamento deste durante a vigência da relação empregatícia.
Ao recorrer à SDI-1, em busca do provimento completo do recurso, o MPT sustentou que a arbitragem seria
recomendável para solucionar conflitos entre partes equivalentes, o que não acontece no campo do Direito do
Trabalho. Defendeu que os princípios protetivo e da irrenunciabilidade, que amparam o direito individual do
trabalho, impossibilitariam a adoção da arbitragem para solucionar dissídios individuais trabalhistas.
O ministro José Roberto Freire Pimenta, relator dos embargos, assinalou que, na esfera coletiva, a arbitragem é
autorizada e incentivada, devido à relativa igualdade de condições entre as partes negociadoras, pois empregados e
empregadores têm respaldo igualitário de seus sindicatos. Destacou, porém, que a Lei 9.307/96, que traça diretrizes
para a arbitragem, é clara quando limita o seu campo de atuação aos direitos patrimoniais disponíveis, "que não
abrangem os direitos personalíssimos". Processo: RR-27700-25.2005.5.05.0611 Fonte: Site TST
Vale ressaltar que a Lei 13.129/15, que amplia o alcance da Lei de Arbitragem, sofreu três vetos, dentre eles o
relativo à utilização da arbitragem em conflitos individuais envolvendo altos empregados.

517-O que é contrato de namoro?

R. Segundo Pablo Stolze, o “contrato de namoro” é “um negócio celebrado por duas pessoas que mantém
relacionamento amoroso – namoro, em linguagem comum – e que pretendem, por meio da assinatura de um
documento, a ser arquivado em cartório, afastar os efeitos da união estável”. Assim sendo, tal avença é celebrada
por casais que não querem ser alcançados pelos efeitos de uma união estável: partilha de bens, alimentos, efeitos
sucessórios, direito real de habitação em caso de falecimento de um deles etc. O objetivo do pacto é firmar
compromisso de que eles não vivem em uma união estável e proteger os bens pessoais de cada um deles. Segundo a
doutrina e a jurisprudência, o contrato de namoro não possui proteção jurídica, visto que não poderia a autonomia
da vontade das partes afastar a incidência da norma cogente! Desse modo, mesmo que exista um contrato de
namoro, se, no caso concreto, estiverem presentes os requisitos da união estável, esta deverá prevalecer.

518-O que é a toria da “Actio Libera in Causa”?

R. O tema da “actio libera em causa” está relacionado com a embriaguez como causa geradora da inimputabilidade.
Como se sabe, a inimputabilidade é a exclusão da pena (não do crime) em razão do enquadramento em umas dadas
situações previstas no Código Penal. Eis a previsão do CP: “Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença
mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente
incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento”. Com relação à
INTEIRA INCAPACIDADE DE ENTENDER O CARÁTER ILÍCITO DO FATO, a embriaguez pode excluir a punibilidade? A
teoria da “actio libera in causa” afirma que, EM REGRA, NÃO! A embriaguez convencional, ou seja, a típica, aquela
em que a pessoa se une aos amig@s para “tomar todas” (como na rapaziada da foto acima), mesmo que gere a total
falta de percepção da realidade não gera a inimputabilidade, pois, na origem, no início do ato de beber, sabia-se da
possível consequência embriaguez (a pessoa é livre na causa antecedente – “actio libera in causa”). Do mesmo
modo, ocorre no caso da embriaguez preordenada, em que o agente se embriaga ou se droga exatamente para
cometer o delito (ganhar coragem). Segundo o STJ: “PENAL E PROCESSO PENAL. RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO
QUALIFICADO. MOTIVO FÚTIL. EMBRIAGUEZ. COMPATIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL NÃO-PROVIDO. 1. Pela adoção
da teoria da actio libera in causa (embriaguez preordenada), somente nas hipóteses de ebriez decorrente de "caso
fortuito" ou "forma maior" é que haverá a possibilidade de redução da responsabilidade penal do agente
(culpabilidade), nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 28 do Código Penal. determinar-se . (...)(REsp 908.396/MG)”.
Diferente, todavia, é a situação da embriaguez fortuita, ou seja, aquela em que o agente se embriaga sem querer,
por exemplo, quando há um choque entre dois medicamentos incompatíveis, gerando a embriaguez. De todo modo,
em regra, a embriaguez não exime de pena, portanto, CUIDADO!

519-Qual o juízo competente para apreciar ação popular proposta em face de ato do Presidente da República?

R. A competência para apreciar ação popular é do juízo de 1 grau, independentemente de quem seja o titular do ato
objeto da demanda.
Assim, na questão proposta, caberia ao Juiz de 1 grau apreciar a respectiva ação popular.
Esse tema é pacífico na doutrina e foi ratificado pelo plenário do STF, no seu último informativo (811).

520- O que é jurisprudência de crise?


R. Fazendo utilização dos ensinamentos de Gilmar Mendes, temos que a aplicação da chamada PROIBIÇÃO DE
RETROCESSO aos direitos sociais tem conquistado destaque nas Cortes Constitucionais. Tal princípio é também
chamado de efeito cliquet ou evolução reacionária.
Trata-se de princípio segundo o qual não seria possível extinguir direitos sociais já implementados, evitando-se,
portanto, um verdadeiro retrocesso ou limitação tamanha que atinja seu núcleo essencial.
Ocorre que, em virtude de questões econômicas a que os países estão submetidas atualmente, questões
relacionadas a políticas de austeridade têm sido submetida sao Tribunal Constitucional português, gerando o que se
tem chamado "JURISPRUDÊNCIA DE CRISE"
Segundo Alexandre Sousa Pinheiro(professor da Faculdade de Direito de Lisboa):
“Entendemos que a “jurisprudência da crise” traduz um “processo negocial” entre a interpretação normativa da
Constituição e a necessidade de ceder perante as “exigências das circunstâncias”. O Tribunal Constitucional
socorreu-se da “prossecução do interesse público” dentro de uma ordem “transitória” e “excepcional” para decidir
no sentido da não inconstitucionalidade de medidas legislativas que conheceriam outro desfecho não fora o tempo
de “crise”. A utilização banal e repetitiva, amiúde sem fundamentação abundante, do “interesse público” serviu de
base a uma sequência de decisões do TC em manifesta cedência da normatividade – tal como vinha sendo
interpretada – à verdade do mundo”
Ou seja, muitas vezes está-se “violando” tal princípio pois o Estado não tinha condições, diante daquela crise, em
arcar os custos econômicos desses direitos sociais.
O Tribunal Constitucional Português, decidiu, inclusive, pela constitucionalidade de decisão que diminuía os
vencimentos salariais. Ainda sobre o caso, Alexandre Sousa Pinheiro: “Como exemplo deste fenómeno pode citar-se
a posição do TC no Acórdão n.º 396/2011, quando compagina a compatibilidade com a Constituição de reduções
remuneratórias entre 3,5% e 10%7 . Recuperando jurisprudência “pré-crise”, o TC estabelece a necessidade de
estabelecer critérios de aplicação princípio da protecção da confiança. Assim, assumindo a doutrina, do complexo de
acórdãos constitucionais números: 128/20098 , 188/20099 e 3/201010, a decisão de 2011 concebia os seguintes
pressupostos de aplicação: a) necessidade de o legislador ter encetado comportamentos capazes de gerar nos
privados «expectativas» de continuidade; b) as referidas expectativas serem legítimas, justificadas e fundadas em
boas razões; c) os privados deverem ter feito planos de vida tendo em conta a perspectiva de continuidade do
«comportamento» estadual; d) não existirem razões de interesse público que justifiquem, a não continuidade do
comportamento que gerou a situação de expectativa».” Na decisão também foi mencionada a ideia de "LIMITES DO
SACRIFÍCIO" , expressão que vem sendo utilizada pelo Tribunal português e que se relaciona aos princípios da
proporcionalidade e da igualdade.

521- É legítima a previsão em Regimento Interno de TJ de que desembargador relator tire cópias dos autos ao
encaminhar para a PGJ para possivelmente posteriormente após esgotar o prazo legal sem manifestação julgar
desde logo o processo?

R. Existia uma previsão no Regimento Interno do TJ/PE que estabelecia a possibilidade de o desembargador relator
de um recurso desde logo ao encaminhar à PGJ(MP de 2º grau) tirar cópias autenticadas do processo para
permanecer em gabinete, as quais seriam utilizadas para julgar o feito na hipótese em que após o prazo legal estar
esgotado, não ter o MP se manifestado.
Tal previsão foi declarada constitucional?
Sim, consoante entendimento do STF, tal previsão é constitucional, pois entendeu a Corte que apenas foram
estabelecidas regras de procedimento(competência concorrente) e não de processo. Além disso, entendeu-se que
não se afastou a regra legal de intimação do MP para se pronunciar, uma vez que essa norma estava sendo
obedecida.
Tal julgado foi divulgado no informativo 278, STF, a ADI 1936/PE: "julgado improcedente o pedido formulado em
ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pelo Procurador-Geral da República contra dispositivos do Regimento
Interno do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco (na redação dada pelas Resoluções 112/98 e 107/98, ambas
do TJ/PE), que disciplinam regras para o julgamento das ações de habeas corpus e mandados de segurança no
âmbito do próprio Tribunal. Quanto ao art. 46-A ("A critério do desembargador relator, quando da remessa dos
autos de mandados de segurança e de habeas corpus à Procuradoria-Geral de Justiça, poderão ser extraídas cópias
autenticadas dos autos, que permanecerão no gabinete, as quais serão utilizadas para o julgamento do feito, nas
hipóteses em que, findo o prazo legal para a emissão de parecer pelo Ministério Público, não tenham sido
devolvidos"), e à cláusula final constante do art. 161 ("Prestadas ou não as informações pela autoridade impetrada ,
findo o prazo legal, os autos serão remetidos à Procuradoria-Geral de Justiça, para parecer, observado o disposto no
art. 46- A"), o Tribunal afastou a alegada ofensa à competência privativa da União para legislar sobre direito
processual (CF, 22, I c/c 48, caput) por entender que não foram estabelecidas regras novas de processo, mas apenas
de procedimento, atendendo ao diposto no art. 96, I, a, da CF, que atribui competência privativa aos tribunais para
elaborar seus regimentos internos. Entendeu-se, ainda, que as normas impugnadas não afastaram a regra legal de
intimação do Ministério Público para pronunciar-se, o qual continua a ser intimado nos casos de intervenção
obrigatória."

522-Ainda que existam ingressos disponíveis na entrada de evento esportivo,há crime de cambismo?

R. Vamos imaginar que você vai ao jogo do Ceará Sporting Club e antes, por estar em um ritmo intenso de estudos,
não consegue comprar o ingresso antes.
Ao chegar lá, apesar de existirem ainda alguns ingressos na bilheteria, a fila está muito grande e você verifica que
não conseguirá comprar o ingresso a tempo. Olhando ao redor, percebe que existem cambistas vendendo o ingresso
por toda parte.
Você resolve, então, comunicar o fato ao MP, que posteriormente ingressa com ação penal contra os cambistas pelo
delito previsto no art. 41-F da Lei 10.671.
Eles alegam que pelo fato de existirem ainda ingressos disponíveis na bilheteria, tal crime não ocorreu. Tal alegativa
merece acolhimento?
Consoante entendimento do STJ, preconizado no RHC 47.835-RJ, consuma-se o crime do art. 41-F do Estatuto do
Torcedor sem necessidade de se provar que no momento da oferta existiam ingressos disponíveis na entrada. O tipo
penal não exige essa circunstância e apenas o fato de se oferecer o ingresso com o preço superior ao da face já é
conduta que inegavelmente ofende o bem jurídico. O cambismo deve ser tido como uma conduta dotada de
reprovabilidade penal pela simples razão de envolver a exploração, artificiosa, de um bem finito, que é a quantidade
de lugares no estádio.

523-O filho do autor da herança tem direito de exigir de seus irmãos a colação dos bens recebidos por doação a
título de adiantamento de legítima,ainda que não tenha sido concebido no momento da liberdade?

R. Decidiu o STJ que sim - existe essa necessidade. Segundo o STJ, o que deve prevalecer no caso não é a idéia de que
a doação de ascendente para descendente não é ineficaz ou ilegal(ao contrário da venda, que sem o consentimento
é anulável, consoante o CC), mas impõe ao donatário à época do óbito do doador trazer o patrimônio que recebeu
para colação de bens e igualar as legítimas - o tão só fato de um herdeiro não contemplado não altera essa
obrigação legal. Vejamos a ementa do julgado: RECURSO ESPECIAL. DIREITO DAS SUCESSÕES. INVENTÁRIO. 1.
OMISSÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA. 2. DOAÇÃO EM VIDA DE TODOS OS BENS IMÓVEIS AOS FILHOS E
CÔNJUGES FEITA PELO AUTOR DA HERANÇA E SUA ESPOSA. HERDEIRO NECESSÁRIO QUE NASCEU POSTERIORMENTE
AO ATO DE LIBERALIDADE. DIREITO À COLAÇÃO. 3. PERCENTUAL DOS BENS QUE DEVE SER TRAZIDO À CONFERÊNCIA.
4. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.
1. Embora rejeitados os embargos de declaração, tem-se que a matéria controvertida foi
devidamente enfrentada pelo Colegiado de origem, que sobre ela emitiu pronunciamento de
forma fundamentada, ainda que sucinta, com enfoque suficiente a autorizar o conhecimento do
recurso especial, não havendo que se falar, portanto, em ofensa ao art. 535, II, do CPC.
2. Para efeito de cumprimento do dever de colação, é irrelevante o fato de o herdeiro ter
nascido antes ou após a doação, de todos os bens imóveis, feita pelo autor da herança e sua
esposa aos filhos e respectivos cônjuges. O que deve prevalecer é a ideia de que a doação
feita de ascendente para descendente, por si só, não é considerada inválida ou ineficaz pelo
ordenamento jurídico, mas impõe ao donatário obrigação protraída no tempo de, à época do
óbito do doador, trazer o patrimônio recebido à colação, a fim de igualar as legítimas, caso não
seja aquele o único herdeiro necessário (arts. 2.002, parágrafo único, e 2.003 do CC/2002).
524-A tentativa de contravenção é punível?

R. Em que pese podermos imaginar que pela própria configuração da contravenção penal(até porque
essencialmente ela não difere do crime até no seu próprio iter criminis), poder-se-ia imaginar a existência de
tentativa de contravenção, mas a própria Lei de Contravenções Penais estabeleceu, em seu art. 4o, que não é
punível a tentativa de contravenção.

525-Os alimentos entre ex-cônjuges devem ser fixados por tempo indeterminado?

R. Consoante entedimento já reiterado do STJ, como regral, os alimentos entre ex- cônjuges devem ser fixados
alimentos transitórios. São aqueles fixados por tempo determinado,'até que a outra se reestabeleça, consiga um
trabalho, etc. Vejamos parte de um julgado que aborda o tema: “a obrigação de prestar alimentos transitórios — a
tempo certo — é cabível, em regra,
quando o alimentando é pessoa com idade, condições e formação profissional compatíveis com uma provável
inserção no mercado de trabalho, necessitando dos alimentos apenas até que atinja sua autonomia financeira,
momento em que se emancipará da tutela do alimentante — outrora provedor do lar —, que será então liberado da
obrigação, a qual se extinguirá automaticamente” (REsp 1.025.769/MG,
DJe 01/09/2010). Nesse informativo, foram estabelecidas exceções a essa regra: será cabível a pensão por prazo
indeterminado somente quando o alimentado (ex-cônjuge credor) se encontrar em circunstâncias excepcionais,
como de incapacidade laboral permanente, saúde fragilizada ou impossibilidade prática de inserção no mercado de
trabalho.

526-È cabível a reconvenção em embargos à execução?

R. É incabível o oferecimento de reconvenção em embargos à execução. O processo de execução tem como


finalidade a satisfação do crédito constituído, razão pela qual revela-se inviável a reconvenção, na medida em que,
se admitida, ocasionaria o
surgimento de uma relação instrumental cognitiva simultânea, o que inviabilizaria o prosseguimento da ação
executiva. Assim sendo, a reconvenção somente tem finalidade de ser utilizada em processos de conhecimento, haja
vista que a mesma demanda dilação probatória, exigindo sentença de mérito, o que vai de encontro com a fase de
execução, na qual o título executivo já se encontra definido.
Esse entendimento persiste mesmo com a entrada em vigor do CPC 2015.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.528.049-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 18/8/2015 (Info 567).

527-Cabe impedimento ou suspeição de membro do Senado Federal em julgamento de impeachment?

R. Consoante entendimento do STF, NÃO se aplica ao membro do Senado Federal as hipóteses de impedimento e
suspeição do CPP no processo de impeachment. Vejamos a justificativa:
STF MS 21623 DF Impedimento e suspeição de Senadores: inocorrencia. O Senado, posto investido da função de
julgar o Presidente da Republica, não se transforma, as inteiras, num tribunal judiciario submetido as rigidas regras a
que estao sujeitos os órgãos do Poder Judiciario, ja que o Senado e um órgão político. Quando a Câmara Legislativa -
o Senado Federal - se investe de "função judicialiforme", a fim de processar e julgar a acusação, ela se submete, e
certo, a regras juridicas, regras, entretanto, proprias, que o legislador previamente fixou e que compoem o processo
político-penal. Regras de impedimento: artigo 36 da Lei n. 1.079, de 1.950. Impossibilidade de aplicação subsidiaria,
no ponto, dos motivos de impedimento e suspeição do Cod. de Processo Penal, art. 252. Interpretação do artigo 36
em consonancia com o artigo 63, ambos da Lei 1.079/50. Impossibilidade de emprestar-se interpretação extensiva
ou compreensiva ao art. 36, para fazer compreendido, nas suas alineas a e b, o alegado impedimento dos Senadores.

528-Nos casos de afastamento deo Presidente do Senado Federal, a quem cabe presidir a Mesa do Congresso
Nacional?
R. Consoante já decidiu o STF, nos casos de afastamento do Presidente do Senado Federal(que é o do Congresso
Nacional), cabe ao 1º Vice-Presidente da Mesa do Congresso Nacional(que é o 1º Vice-Presidente da Câmara de
Deputados) presidir a sessão conjunta do Congresso Nacional, em obediência ao disposto no art. 57, parágrafo 5o da
CF/88. Não cabe, assim, ao 1º Vice-Presidente do Senado, na condição de Presidente Interino do Senado Federal.
Vejamos a decisão do STF sobre o tema:
O Tribunal, por unanimidade, decidiu que, nas hipóteses de ausência eventual ou afastamento por licença do
Presidente do Senado Federal, cabe ao 1º Vice-Presidente da Mesa do Congresso Nacional convocar e presidir a
sessão conjunta do Congresso Nacional. Com esse entendimento, o Tribunal deferiu o mandado de segurança para
cassar a convocação do Congresso Nacional para sessão conjunta, feita pelo 1º Vice-Presidente do Senado Federal,
na condição de Presidente Interino do Senado Federal. Considerou-se que a Mesa do Congresso Nacional, criada
pela CF/88, é distinta das Mesas da Câmara e do Senado, de modo que o Presidente interino do Senado Federal não
pode presidir as sessões do Congresso Nacional, pois sequer é integrante da Mesa do Congresso Nacional, devendo a
substituição ser feita pelos membros desta, nos termos do art. 57, § 5º, da CF ("A Mesa do Congresso Nacional será
presidida pelo Presidente do Senado Federal, e os demais cargos serão exercidos, alternadamente, pelos ocupantes
de cargos equivalentes na Câmara dos Deputados e no Senado Federal."). Afastou-se a tese defendida no parecer da
Procuradoria-Geral da República no sentido de que o substituto do Presidente do Senado Federal exerceria em toda
sua plenitude as competências do substituído, nelas se incluindo a Presidência do Congresso Nacional.
MS 24.041-DF, rel. Min. Nelson Jobim, 29.8.2001.(MS-24041)

529-O que é significa a expressão “Supremocracia”?

R. Em termos sucintos, trata-se de um termo criado para fazer críticas às funções que vem sendo desempenhadas
pelo STF nos últimos tempos - argumentando que ele não apenas mais está exercendo uma função de "proteção de
regras" constitucionais, como também vem exercendo, em muitos casos, o pale de órgão "criador dessas regras" -
assim, estaria acumulando exercício de autoridade com exercício de poder. Alguns alegam que isso ocorreu na ADPF
132, a respeito da união estável homoafetiva. Fiquem ligados. Em um artigo sobre o tema, Oscar Vilhena Vieira
define:
Em um primeiro sentido, o termo supremocracia refere-se à autoridade do
Supremo em relação às demais instâncias do judiciário. Criado há mais de um século
(1891), o Supremo Tribunal Federal sempre teve uma enorme dificuldade em
impor suas decisões, tomadas no âmbito do controle difuso de constitucionalidade,
sobre as instâncias judiciais inferiores. A falta de uma doutrina como a do stare decisis do common law, que
vinculasse os demais membros do Poder Judiciário às decisões do
Supremo, gerou uma persistente fragilidade de nossa Corte Suprema. Apenas em
2005, com a adoção de da súmula vinculante, completou-se um ciclo de concentra-
ção de poderes nas mãos do Supremo, voltado a sanar sua incapacidade de enquadrar
juízes e tribunais resistentes às suas decisões. Assim, supremocracia diz respeito, em
primeiro lugar, à autoridade recentemente adquirida pelo Supremo de governar
jurisdicionalmente (rule) o Poder Judiciário no Brasil. Neste sentido, finalmente o
Supremo Tribunal Federal tornou-se supremo. No caso específico, o “s” minúsculo do
adjetivo vale mais que o “S” maiúsculo que convencionalmente reservamos aos órgãos
máximos da República. Em um segundo sentido, o termo supremocracia refere-se à expansão da autoridade
do Supremo em detrimento dos demais poderes. A idéia de colocar uma corte no
centro de nosso sistema político não é nova. Como lembra Leda Boechat Rodrigues,
o próprio Pedro II, no final de seu reinado, indagava se a solução para os impasses
institucionais do Império não estaria na substituição do Poder Moderador por uma
Corte Suprema como a de Washington. A epígrafe deste texto, escrita por Rui
Barbosa, em 1914, também advoga por uma centralidade política do Supremo, como
um órgão de conciliação entre os poderes. A história institucional da República, no
entanto, seguiu rumos mais acidentados. O papel de árbitro último dos grandes conflitos
institucionais que, no Império, coube ao Poder Moderador, foi exercido,
sobretudo, pelo Exército, como reivindica Alfred Stepan, e apenas subsidiariamente
pelo Supremo, como propõem José Reinaldo Lima Lopes e eu mesmo.18 Foi apenas
com a Constituição de 1988 que o Supremo deslocou-se para o centro de nosso
arranjo político. Esta posição institucional vem sendo paulatinamente ocupada de
forma substantiva, em face a enorme tarefa de guardar tão extensa constituição. A
ampliação dos instrumentos ofertados para a jurisdição constitucional tem levado o
Supremo não apenas a exercer uma espécie de poder moderador, mas também de
responsável por emitir a última palavra sobre inúmeras questões de natureza substantiva,
ora validando e legitimando uma decisão dos órgãos representativos, outras
vezes substituindo as escolhas majoritárias. Se esta é uma atribuição comum a outros
tribunais constitucionais ao redor do mundo, a distinção do Supremo é de escala e
de natureza. Escala pela quantidade de temas que, no Brasil, têm natureza constitucional
e são reconhecidas pela doutrina como passíveis de judicialização; de natureza,
pelo fato de não haver qualquer obstáculo para que o Supremo aprecie atos do poder
constituinte reformador. Neste sentido, a Suprema Corte indiana talvez seja a única
que partilhe o status supremocrático do Tribunal brasileiro, muito embora tenha deixado
para trás uma posição mais ativista.

530-A diferenciação de preços praticada por lojista para as hipóteses de pagamento em dinheiro,cheque ou cartão
de crédito caracteriza prática abusiva no mercado de consumo,por ser considerada nociva ao
Equilíbrio contratual?

R. o STJ no Informativo 571 consolidou de vez essa questão: é prática abusiva diferenciar os preços para as compras
realizadas de pagamento em dinheiro, cheque ou cartão. A verdade é que o preço à vista deve ser dado também aos
que pagam pro cartão, pois no momento em que é autorizado o pagamento, extingue-se a obrigação do consumidor
com o fornecedor. Vejamos um precedente do STJ nesse sentido:
(...)II - O consumidor, ao efetuar o pagamento por meio de cartão de crédito (que só se dará a partir da autorização
da emissora), exonera-se, de imediato, de qualquer obrigação ou vinculação perante o fornecedor, que deverá
conferir àquele plena quitação. Está-se, portanto, diante de uma forma de pagamento à vista e, ainda, "pro soluto"
(que enseja a imediata extinção da obrigação);
III - O custo pela disponibilização de pagamento por meio do cartão de crédito é inerente à própria atividade
econômica desenvolvida pelo empresário, destinada à obtenção de lucro, em nada referindo-se ao preço de venda
do produto final. Imputar mais este custo ao consumidor equivaleria a atribuir a este a divisão de gastos advindos do
próprio risco do negócio (de responsabilidade exclusiva do empresário), o que, além de refugir da razoabilidade,
destoa dos ditames legais, em especial do sistema protecionista do consumidor;
IV - O consumidor, pela utilização do cartão de crédito, já paga à administradora e emissora do cartão de crédito
taxa por este serviço (taxa de administração). Atribuir-lhe ainda o custo pela disponibilização de pagamento por
meio de cartão de crédito, responsabilidade exclusiva do empresário, importa em onerá-lo duplamente (bis in idem)
e, por isso, em prática de consumo que se revela abusiva; (...)
STJ. 3ª Turma. REsp 1.133.410/RS, Rel. Min. Massami Uyeda, julgado em 16/03/2010.

531-Admite-se o tombamento de bem da União por município?

R. A respeito da desapropriação, cumpre observar o DL 3365, que traz restrições a respeito da desapropriação entre
entes públicos: Art 2o, § 2o Os bens do domínio dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios poderão ser
desapropriados pela União, e os dos Municípios pelos Estados, mas, em qualquer caso, ao ato deverá preceder
autorização legislativa. § 3º É vedada a desapropriação, pelos Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios de
ações, cotas e direitos representativos do capital de instituições e emprêsas cujo funcionamento dependa de
autorização do Governo Federal e se subordine à sua fiscalização, salvo mediante prévia autorização, por decreto do
Presidente da República.
Obs: Ressalte-se: parte da doutrina, argumentando que a CF/88 não poderia prever tal diferenciação em face da
autonomia dos entes políticos, entende que tal artigo é inconstitucional. Tem predominado, no entanto, o
entendimento de que é ele constitucional, em razão do princípio da predominância do interesse.
Tal artigo deveria ser aplicado também ao tombamento?
Consoante a doutrina majoritária e a jurisprudência, tem-se que não. O fato é que a desapropriação é uma
intervenção supressiva, que implica transferência de propriedade, o que não ocorre no que cumpre ao tombamento,
já que se trata de uma intervenção apenas restritiva. Vejamos ementa que trata sobre o caso:

ADMINISTRATIVO – TOMBAMENTO – COMPETÊNCIA MUNICIPAL.


1. A Constituição Federal de 88 outorga a todas as pessoas jurídicas de Direito Público a competência para o
tombamento de bens de valor histórico e artístico nacional.
2. Tombar significa preservar, acautelar, preservar, sem que importe o ato em transferência da propriedade, como
ocorre na desapropriação.
3. O Município, por competência constitucional comum – art. 23, III –, deve proteger os documentos, as obras e
outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios
arqueológicos.
4. Como o tombamento não implica em transferência da propriedade, inexiste a limitação constante no art. 1º, § 2º,
do DL 3.365/1941, que proíbe o Município de desapropriar bem do Estado.
(STJ, RMS 18.952/RJ)

532-MPE possui legitimidade recursal perante os Tribunais Superiores?

R. Argumentava-se que o Ministério Público é uma instituição una, consoante o princípio da unidade cabendo a seu
chefe, o Procurador-Geral da República, representá-la, atuando, em seu nome, junto às Cortes Superiores: STF e STJ.
Assim, segundo o entendimento que anteriormente era seguido, o Ministério Público Estadual, por meio de seus
Procuradores-Gerais de Justiça, até podiam interpor Recurso Extraordinário e Recurso Especial contra os acórdãos
dos Tribunais de Justiça, no entanto, depois de interposto, a atribuição para oficiar junto aos tribunais superiores
seria do Procurador-Geral da República ou dos Subprocuradores da República. Assim, o MPE não possuia
legitimidade recursal perante as Cortes Superiores.

Ocorre que, por meio de sucessivas decisões(notadamente uma primeira que sinalizou ao permitir que o MPE
ajuizasse reclamação perante o STF), tal entendimento foi modificado.
Assim, por meio do REsp 1.327.573-RJ ficou consignado que o MPE possui sim legitimidade recursal perante as
Cortes Superiores.

Confiram os princípios que foram utilizados para embasar tal decisão:


a) Inexistência de hierarquia entre MPU e MPE;
b) Violação ao princípio federativo - no caso do entendimento anterior, existia uma nitidamente diferença de
tratamento injustificável no que cumpre ao MPF;
c) Autonomia do MPE - ao não permitir a sua atuação perante as Cortes Superiores, ela era tolhida;
d) MPE e MPF não são unos entre si - a existência da unidade existe no âmbito de cada um deles;
e) Os interesses podem ser conflitantes entre eles;
f) Paridade de armas.

Assim, o MPE possui sim legitimidade recursal perante as Cortes Superiores.

533- Há a possibilidade de a CPI excepcionar o segredo de justiça?

R. Segundo a CF/88, a CPI possui os poderes de investigação próprios da autoridade judiciária. Devem se referir aos
poderes instrutórios. Não detém, assim, o chamado poder geral de cautela, inerente ao órgão jurisdicional.
a) Pode quebrar sigilo bancário, fiscal, telefônico e de dados (informáticos). Contudo, não pode realizar
interceptação telefônica.
b) Pode buscar e apreender documentos, desde que não estejam protegidos por sigilo, como o de domicílio.
c) Pode conduzir coercitivamente para prestar depoimento. O STF já decidiu que uma CPI não pode exigir a presença
de indígena no Congresso Nacional, o que não impede de ouvi-lo dentro da sua própria comunidade.
d) Pode determinar a realização de exames periciais. Importante: a CPI pode determinar a quebra do sigilo telefônico
(lista de ligações realizadas, duração das ligações, etc.), mas não pode realizar por si só a interceptação telefônica
(conteúdo das ligações). A CPI tem o dever de fundamentar satisfatoriamente todas essas decisões, além de
observar princípio da colegialidade, o qual informa que as decisões devem ser tomadas pela maioria dos votos e não
isoladamente.
Confiram a decisão do STF que trata sobre o tema: "O princípio da colegialidade traduz diretriz de fundamental
importância na regência das deliberações tomadas por qualquer Comissão Parlamentar de Inquérito, notadamente
quando esta, no desempenho de sua competência investigatória, ordena a adoção de medidas restritivas de direitos,
como aquelas que importam na revelação ('disclosure') das operações financeiras ativas e passivas de qualquer
pessoa. A legitimidade do ato de quebra do sigilo bancário, além de supor a plena adequação de tal medida ao que
prescreve a Constituição, deriva da necessidade de a providência em causa respeitar, quanto à sua adoção e
efetivação, o princípio da colegialidade, sob pena de essa deliberação reputar-se nula" (MS 24.817, Rel. Min. Celso
de Mello, j. 03.02.2005, Plenário, DJE de 06.11.200
A respeito da possibilidade de CPI quebrar sigilo imposto a processo submetido a segredo de justiça, notadamente
em razão da reserva de jurisdição, o STF decidiu que não se pode.Vejamos um dos julgados que comprova isso: "CPI
não tem poder jurídico de, mediante requisição, a operadoras de telefonia, de cópias de decisão nem de mandado
judicial de interceptação telefônica, quebrar sigilo imposto a processo sujeito a segredo de justiça. Este é oponível a
CPI, representando expressiva limitação aos seus poderes constitucionais." (MS 27.483-MC-REF, rel. min. Cezar
Peluso, julgamento em 14-8-2008, Plenário, DJE de 10-10-2008.)

534- É constitucional a norma que determina o ressarcimento ao SUS dos pacientes com planos privados de
saúde?

R. O STF, instado a se pronunciar sobre o tema na ADI 1.931, decidiu que o art. 32 da Lei 9656/98, que, com
limitações legais, dá a possibilidade a Administração Pública buscar ressarcir-se dos gastos realizados em tratamento
de cidadão que possui plano de saúde privada em face desse plano, é constitucional – e vem decidindo
reiteradamente sobre o tema nesse sentido. Vejamos parte do julgado que traz a fundamentação sobre o tema:
“Outra questão tida como contrária e ofensiva ao princípio da proporcionalidade seria o ressarcimento, de que trata
o caput do artigo 32 da lei, ao Poder Público dos serviços de atendimento que a rede hospitalar de saúde pública
prestar ao contratado do plano. Frise-se que esses serviços só atingem os atendimentos previstos em contrato e que
forem prestados aos respectivos consumidores e seus dependentes por instituições públicas ou privadas,
conveniadas ou contratadas, integrantes do SUS, como está explicitamente disciplinado no § 1º do artigo 32, na
versão atual (...) Não vejo atentado ao devido processo legal em disposição contratual que assegurou a cobertura
desses serviços que, não atendidos pelas operadoras no momento de sua necessidade, foram prestados pela rede do
SUS e por instituições conveniadas e, por isso, devem ser ressarcidos à Administração Pública mediante condições
preestabelecidas em resoluções internas da CÂMARA DE SAÚDE COMPLEMENTAR. (...) Também nenhuma
consistência tem a argumentação de que a instituição dessa modalidade de ressarcimento estaria a exigir lei
complementar nos termos do artigo 195, § 4º da Constituição Federal, que remete sua implementação ao artigo
154, I da mesma Carta. Como resulta claro e expresso na norma, não impõe ela a criação de nenhum tributo, mas
exige que o agente do plano restitua à Administração Pública os gastos efetuados pelos consumidores com que lhe
cumpre executar.

535-No que consiste o caráter forfetário do salário?

R. O caráter forfetário confere ao salário a qualidade de obrigação absoluta do empregador, ou seja, ele não
depende da sorte do empreendimento. Tem origem na expressão francesa "à forfait". Liga-se, portanto, à própria
alteridade do empregador, segundo a qual é vedada a assunção dos riscos do negócio pelo empregado (art. 2o, CLT)

536-È necessário o recolhimento da multa de litigância de má-fé na interposição de recursos trabalhistas?


R.NÃO!

O TST entende que a multa de litigância de má-fé não pode ser considerada como custas processuais na seara
trabalhista. Portanto, o recolhimento do valor dessa multa NÃO é pressuposto objetivo para a interposição dos
recursos de natureza trabalhista. Não se aplica o art. 35, CPC, uma vez que as custas, na Justiça do Trabalho, são
reguladas pelo art. 789, CLT (OJ 409, SDI-1, TST). MAS, Em se tratando da multa do art. 557, parágrafo 2o, CPC, a
parte fica obrigada a recolhê-la, ainda que pessoa jurídica de direito público, sob pena de deserção, a teor da OJ 389,
SDI-1, TST. Portanto, o candidato deve atentar que, nesse caso, a multa é considerada como pressuposto recursal.

537-O que é ombusdman?

R. Ombudsman é uma expressão de origem sueca, que significa delegado do parlamento para fiscalizar atos da
administração.
Seu início é datada do século XVI, tendo sido consagrado pela constituição sueca de 1809, que, por meio do
ombudsman, permitiu que todos os cidadãos tivessem o direito de reclamar contra atos de funcionários do rei,
inclusive juízes.
Assim, o ombudsman é basicamente um instituto do Direito Administrativo de natureza unipessoal, funcionalmente
autônomo e formalmente vinculado ao Legislativo, destinado ao controle da Administração Pública e, nesta
condição, voltado a defesa dos direitos fundamentais.
No Brasil, a figura do ombudsman foi descartado pelo Constituinte Originário, vez que o Ministério Público pleiteou e
ocupou o espaço de agente fiscalizador do Estado, na defesa dos direitos fundamentais.
Em parecer proferido em julho de 2015, o professor Daniel Sarmento defendeu que as características institucionais e
a missão constitucional da Defensoria Pública permitem o seu enquadramento como Ombudsman.
Obs: O termo ombudsman vem aparecendo expressamente nos editais de alguns concursos, a título exemplificativo
cita-se:TJAM/MPF/MPDFT,MPT, na parte de controle da Administração Pública. É bom ficar atento, sendo possível
sua cobrança em provas orais de Defensoria, tal como a Defensoria de São Paulo e Maranhão,sendo aconselhável
que o candidato defensa que a DP tem esse papel do ombudsman.

538-O que é “closed shop”?

R. “Closed shop" é uma cláusula de sindicalização forçada, segundo a qual o empregador se obriga perante o
sindicato profissional a somente contratar trabalhadores a este filiados.
Essa cláusula atenta contra a liberdade sindical, sendo vedada tanto pelo ordenamento jurídico Internacional
(Convenção 98, no âmbito da OIT), quanto pela Constituição Federal (art.8o, V).

539-O município pode propot o cancelamento de uma súmula vinculante?

R. Em que pese o município nas conste no rol dos legitimados previsto no art.3, caput, da Lei 11.417/3006, que
estabelece os legitimados autônomos para propor o cancelamento, revisão ou edição de uma SV, o parágrafo
primeiro do mesmo artigo estipula que o município tem legitimidade para propor o cancelamento de súmula
vinculante, INCIDENTALMENTE, no curso do processo em que seja parte, não sendo possível a suspensão do
processo. Essa é a denominada legitimidade incidental para cancelamento de SV.

540- Ainda que juridicamente relevante, a reticência não pode ser invocada para invalidar o negócio jurídico?

R. Reticência é, consoante a doutrina, o dolo negativo ou a omissão dolosa, que se configura quando se quer induzir
alguém em engano por omissão - há, assim, uma violação ao dever de informação e de boa-fé.
Há a previsão legal da reticência no art. 147 do CC: "nos negócios jurídicos bilaterais, o silêncio intencional de uma
das partes a respeito de fato ou de qualidade que a outra parte haja ignorado constitui omissão dolosa, provando-se
que sem ela o negócio jurídico não se teria celebrado." Assim, pode ser sim a reticência invocada como causa para a
anulabilidade do negócio jurídico.

541- O dito popular "achado não é roubado" deve ser considerado válido?

R. Tal dito popular não deve ser considerado válido em nosso ordenamento jurídico. Consoante determina o Código
Civil: Artigo 1233, CC - Quem quer que ache coisa alheia perdida há de restituí-la ao dono ou legítimo possuidor.
P. Único: Não o conhecendo, o descobridor fará por encontrá-lo, e, se não o encontrar, entregará a coisa achada à
autoridade competente.

542- Uma ação individual foi julgada improcedente, tendo transitada em julgado. Posteriormente, uma ação
coletiva, com o mesmo objeto, foi julgada procedente. O indivíduo pode ser beneficiar da coisa julgada dessa ação
coletiva?

R. A questão é objeto de divergência na doutrina. Para uma primeira corrente, defendida pela doutrinadora Ada
Pelegrini, a coisa julgada individual sempre irá prevalecer sobre a coisa julgada coletiva, uma vez que, na demanda
individual, houve a análise de todas as peculiaridades do caso concreto.
Para uma segunda corrente, defendida pelo doutrinador Hugo Mazzili, deve prevalecer a coisa julgada coletiva, sob
pena de macula ao princípio da isonomia, bem como pelo fato de o autor da demanda individual não ter tido
oportunidade de suspender a ação individual, nos termos do art.104, do CDC, vez que não havia ação coletiva àquele
tempo.
A discussão é doutrinária, ainda não há julgados sobre o tema.

543-Pode o Estado legislar sobre temas gerais da DP após a LC 80?

R. Segundo Franklin Rogers, caso haja o conflito entre a Lei Complementar nº 80/1994 e eventual lei estadual
editada posteriormente, não será aplicado o instituto da suspensão de eficácia; nesse caso, como já teve a
oportunidade de decidir o Supremo Tribunal Federal, haverá inconstitucionalidade porviolação da competência
concorrente não cumulativa do art. 24, XIII, da CRFB.
É inconstitucional lei complementar estadual, que, ao fixar critérios destinados a definir a escolha do Defensor
Público Geral do Estado e demais agentes integrantes da Administração Superior da Defensoria Pública local, não
observa as normas de caráter geral, institutivas da legislação fundamental ou de princípios, prévia e validamente
estipuladas em lei complementar nacional que a União Federal fez editar com apoio no legítimo exercício de sua
competência concorrente. (STF, Pleno, ADI 2.903, Rel. Min. Celso de Mello, decisão: 1º.12.2005)(ROGERS, Franklin.
Princípios Institucionais da Defensoria Pública, 2ª Edição)

544- A nomeação da DP como curadora especial gera o benefício da justiça gratuita?

R. Segundo o STJ, a atuação da Defensoria na qualidade de curador especial não está relacionada ao fator
hipossuficiência, por isso a nomeação de curador especial não gera necessariamente o benefício da justiça gratuita.
Aqui a Defensoria está atuando na defesa de um outro direito fundamental, qual seja, o do contraditório e o da
ampla defesa. Vejamos um julgado sobre o tema:
AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. RÉU REVEL. CURADORA ESPECIAL. DEFENSORIA PÚBLICA.
IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO ACERCA DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. CONDENAÇÃO AOS ÔNUS
SUCUMBENCIAIS MANTIDA. RECURSO IMPROVIDO. I.- A necessidade de litigar sob o pálio da justiça gratuita não se
presume quando a Defensoria Pública atua como mera curadora especial, face à revelia do devedor. (AgRg no REsp
846.478/MS, Rel. Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR, QUARTA TURMA, DJ 26/02/2007). II.- Agravo Regimental
improvido. (REsp 857.464/RS, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, DJe 2/3/2009)

545- O que é mutatio libelli no direito à saúde?


R. Pode ser que a DP ajuíze um processo, e durante esse processo a situação de saúde do assistido piore e agora ele
precisa de um outro medicamento/tratamento em relação ao que estava no início.
Consoante a mutatio libelli, aplicada no processo civil nesses casos, deve ser entendido que o pedido formulado é o
direito a tutela da saude do autor, sendo o medicamento indicado apenas a forma instrumental para que o pedido
seja atendido.
Existe entendimento já do STJ nesse sentido: a simples alteração de alguns medicamentos postulados na inicial não
se configura como modificação do pedido, que é o próprio tratamento medico. É Comum durante um tratamento
médico que haja alteração dos fármacos, o que não resulta com isso em qualquer ofensa ao art 264 do CPC pois a
ação em comento encontra-se fulcrada no art 196 da CF/88.

546-A simples condição do empregado já gera o furto qualificado pelo abuso de confiança?

R. Consoante entendimento do STJ, a simples condição de empregado não configura por si só a qualificadora do
abuso da confiança: há a necessária a análise do caso concreto. Em um caso tratado, entendeu a Corte da Cidadania
que havia sido a empregada contratada contratada há menos de uma semana – ou seja, não houve tempo
necessário de serviço para um grau elevado de intimidade e confiança.

547-O que é preceito fundamental para find de ADPF?

R. O nome da ação é “Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental”. O parâmetro são os preceitos


fundamentais. O problema é que nem a Constituição nem a Lei n. 9882/99 definem o que é preceito fundamental.
Para isto utiliza-se o entendimento do Supremo na ADPF n. 33. Neste julgado foi fixado como preceito fundamental
o seguinte:
Princípios fundamentais (são os do art. 1o ao art. 4o, CRFB). Direitos fundamentais (art. 5o ao art. 17 e também
outros direitos esparsos na
CRFB). Princípios constitucionais sensíveis (art. 34, VII, CRFB – princípios que uma vez
violados ensejam a intervenção federal). Cláusulas pétreas (art. 60, § 4o, CRFB).
Obs: A Defensoria Pública é preceito fundamental para fins de ADPF!!

548- Admite-se o litisconsorcio ativo necessário?

R. A maioria da doutrina entende que não é possível. Principal argumento: não pode subordinar o direito de ação,
autônomo e personalíssimo de alguém, ao intento,à vontade, de outro.
Existe uma posição muito particular de Nelson Nery, que é sempre bom de se colocar na prova: esse doutrinador
assevera que que quando a pessoa não quer ingressar no polo ativo(apesar de, em tese, ter que ser litisconsórcio
ativo) deve o autor coloca-la no polo passivo.

549-O que é elemento subjetivo do injusto?

R. Certos tipos penais, por exigência legal, prevêem, ao lado do dolo, outro elemento que pertence ao campo
psíquico ou subjetivo do autor, que particularizam a sua conduta para a realização do tipo. Para a doutrina
tradicional, seria o dolo especifico - para muitos essa visão está superada - melhor estudado sob o enfoque do
elemento subjetivo do injusto. Dolo se esgotaria na consciência e vontade. Exemplos: furto - para si ou para outrem.

550-O que é coculpabilidade as avessas?

R. Essa teoria enfoca na necessidade de penalidades mais severas para crimes que comprometem as finanças
publicas, o sistema tributário, ou de qualquer onera o dinheiro público, pois argumenta que é ai que reside a origem
de toda a criminalidade. Prega-se, assim, uma maior punição para os crimes de “ricos”, aduzindo que o Direito Penal
escolhe, por vezes, as suas próprias vítimas e as pune de maneira desproporcional.
Por exemplo: critica-se a propria extincao de punibilidade de crimes tributários, enquanto em outros crimes apenas,
como o de furto, ocorre diminuição de 1/3 a 2/3.

551-Declaração falsa de pobreza é conduta típica(falsidade ideológica) ?

R. O STJ está com posicionamento firme que a mera declaração de pobreza para fins de obtenção dos benefícios de
justiça gratuita não é considerada falsidade ideológica, diante da possibilidade de o juiz avaliar no caso concreto tal
documento, comportando apenas presunçao relativa.
PROCESSUAL PENAL. PENAL. RECURSO EM HABEAS CORPUS. CRIMES DE USO DE DOCUMENTO FALSO E FALSIDADE
IDEOLÓGICA. DECLARAÇÃO DE POBREZA PARA OBTENÇÃO DA JUSTIÇA GRATUITA. DENÚNCIA TAMBÉM CONTRA
ADVOGADOS. CONDUTA ATÍPICA. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA.
CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. RECURSO PROVIDO. 1. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça é
no sentido de que a mera declaração de estado de pobreza para fins de obtenção dos benefícios da justiça gratuita
não é considerada conduta típica, diante da presunção relativa de tal documento, que comporta prova em contrário.
2. Reconhecer responsabilidade penal de maneira extensiva ao advogado, por ato praticado por seu cliente, é afastar
as garantias constitucionais e legais conferidas ao advogado para o exercício da sua atividade jurídica na condição de
procurador/mandatário e atribuir-lhe responsabilidade objetiva por atos de terceiros. 3. Recurso em habeas corpus
provido. (STJ - RHC: 24606 RS 2008/0219353-9, Relator: Ministro NEFI CORDEIRO, Data de Julgamento: 26/05/2015,
T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe 02/06/2015)

552-Imóvel em área de fronteira pode sofrer usucapião?

R. A área situada em zona de fronteira pode ser objeto de usucapião. A decisão é da 4ª Turma do Superior Tribunal
de Justiça. Os ministros mantiveram decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (RS) e negaram recurso da
União, que pretendia assumir a posse de um imóvel no município de Uruguaiana (RS).
A jurisprudência consolidada pelo STJ permite usucapião quando é reconhecida a existência de “aforamento”, ou
seja, da transferência do domínio útil e perpétuo de um imóvel. Para o relator, ministro Aldir Passarinho Junior, não
existe impedimento a que a usucapião recaia sobre imóvel situado em faixa de fronteira, “por ausência de óbice
constitucional ou legal”.
No caso, o município de Uruguaiana transferiu o domínio útil do terreno a Marcolino Fagundes. Ele, por sua vez,
repassou o direito ao Club União Cyclista, que registrou o imóvel em 1899.
A ação de usucapião foi movida pelos possuidores da terra que conseguiram, em primeira instância, o domínio útil
sobre o imóvel. A União recorreu da decisão com o argumento de que, pela carta de aforamento, a área seria de
domínio público. Ressaltou, ainda, que o município de Uruguaiana encontrar-se em zona de fronteira, portanto
sujeito a proteção nacional.
Os argumentos da União não foram aceitos pelo TRF-4. Para os desembargadores, não existe ameaça à segurança
nacional no caso: “o povoamento e a fixação do homem na terra, tornando-a produtiva, constrói a segurança
nacional e protegem as nossas fronteiras”. O entendimento foi mantido pelo STJ.
REsp 262.071

553-No que consiste o Estado de Coisas Inconstitucional?

R. A teoria do "Estado de Coisas Inconstitucional" surgiu na Corte Constitucional da Colômbia, em 1997, com a
chamada Sentencia de Unificación (SU), e tem aplicação quando se está diante de um quadro insuportável de
violação massiva de direitos fundamentais, decorrente de atos comissivos e omissivos praticados por diferentes
autoridades públicas, agravado pela inércia continuada dessas mesmas autoridades, de modo que apenas
transformações estruturais da atuação do Poder Público podem modificar a situação inconstitucional.
Diante desse quadro, reconhecendo a existência de um "Estado de Coisas Inconstitucional", a Corte Constitucional se
afirma legitimada a interferir na formulação e implementação de políticas públicas e em alocações de recursos
orçamentários e a coordenar as medidas concretas necessárias para superação do estado de inconstitucionalidades.
Trata-se de tema em discussão no julgamento da ADPF 347 em que se discute a a situação atual do sistema
penitenciário brasileiro.

554-No que consiste o Estado de Coisas Inconstitucional?

R. A teoria do "Estado de Coisas Inconstitucional" surgiu na Corte Constitucional da Colômbia, em 1997, com a
chamada Sentencia de Unificación (SU), e tem aplicação quando se está diante de um quadro insuportável de
violação massiva de direitos fundamentais, decorrente de atos comissivos e omissivos praticados por diferentes
autoridades públicas, agravado pela inércia continuada dessas mesmas autoridades, de modo que apenas
transformações estruturais da atuação do Poder Público podem modificar a situação inconstitucional.
Diante desse quadro, reconhecendo a existência de um "Estado de Coisas Inconstitucional", a Corte Constitucional se
afirma legitimada a interferir na formulação e implementação de políticas públicas e em alocações de recursos
orçamentários e a coordenar as medidas concretas necessárias para superação do estado de inconstitucionalidades.
Trata-se de tema em discussão no julgamento da ADPF 347 em que se discute a a situação atual do sistema
penitenciário brasileiro.

555-Qual a natureza jurídica do habeas corpus?

R. Doutrina e jurisprudência são pacíficas em definir que o habeas corpus é uma verdadeira ação autônoma de
impugnação, de natureza constitucional, tendo por escopo a tutela da liberdade de locomoção. Logo, qualquer
afirmativa no sentido de caracterizar o presente instrumento como recurso deve ser considerada errada, em que
pese a sua posição topográfica no CPP.
Além disso, em questões discursivas, caso lhe seja apresentado um caso concreto e se indague: qual o recurso
cabível contra essa decisão? Nunca responda habeas corpus, hehehehe. Você pode até, após indicar o recurso
cabível, demonstrar que seria possível tb manejar um HC, mas sempre deixando claro para o examinador que você
sabe que o HC não é um recurso.

556-O que é a teoria da unidade do crime falimentar? Ainda é aplicada em nosso ordenamento?

R. A teoria da unidade ou unicidade do crime falimentar, aceita durante a vigência do Decreto-Lei n. 7.661/45,
estabelecia que, ainda que o falido tivesse realizado condutas que se enquadrassem em dois ou mais tipos penais
falimentares, responderia por crime único, pois constituiriam eles fases sucessivas que teriam gerado uma única
falência. Nesse caso, a pena a ser aplicada seria a do crime mais grave. A embasar esse entendimento, existia, no art.
192 do decreto, dispositivo determinando a aplicação do concurso formal apenas se a conduta ilícita envolvesse
crime falimentar e delito de outra natureza. Com o advento da nova lei essa teoria não mais se sustenta, na medida
em que nela não existe dispositivo semelhante ao do referido art. 192. Essa é também a opinião de Hélvio Simões
Vidal (Os tipos penais na nova Lei de Falências e Recuperação Judicial, artigo inserto em De Jure — Revista do
Ministério Público de Minas Gerais, n. 6, p. 214-216) e de Arthur Migliari Júnior (Crimes de recuperação de empresas
e de falências, São Paulo: Quartier Latin, 2006, p. 106-107). Tal conclusão, todavia, embora seja óbvia, quando
envolver a prática, por uma mesma pessoa, de crimes pré e pós-falimentares, só ficará sedimentada, em definitivo,
após a análise dos tribunais, principalmente quando envolver duas ou mais condutas ilícitas anteriores à decretação
da quebra, pois certamente continuarão existindo defensores da tese de que os vários atos contribuíram para um
único resultado — a falência — e, por isso, deve haver condenação por crime único. Resta esperar.

557-È fundamento para a decretação de prisão preventiva a credibilidade das instituições públicas?

R. Segundo o STF, em entendimento divulgado no Informativo 783(em decisão relativa à Operação Lava Jato), não é
legítima a decretação da preventiva unicamente com o argumento da credibilidade das instituições públicas.
É certo que a sociedade está indignada com a notícia dos crimes em comento, passando a exigir resposta adequada
do Estado. Ocorre que também deve-se compreender que a credibilidade das instituições somente se fortalece na
exata medida em que seja capaz de manter o regime de estrito cumprimento da lei, seja na apuração e julgamento
dos delitos, seja na preservação dos princípios constitucionais em jogo. Não é, assim, o mero argumento de
credibilidade das instituições públicas como legítimo para justificar a imposição de segregação cautelar, até porque
medida excepcional em nosso ordenamento jurídico.
Julgado: STF, 2ª Turma, HC 127186/PR

558- O que é Constituição plástica?

R. Segundo Pedro Lenza, em um sentido definido por Pinto Ferreira, Constituição Plástica é, quanto à alterabilidade,
a Constituição flexível, ou seja, que possui de regras de mudança igual aos da legislação infraconstitucional.
CUIDADO: em outro sentido, Raul Machado Horta considera a Constituição brasileira de 1988 plástica, na medida em
que permite o preenchimento das regras constitucionais pelo legislador infraconstitucional. Assim, o conceito de
Constituição plástica para Pinto Ferreira (em seu entender, aquelas flexíveis — critério quanto à alterabilidade) não é
o mesmo para Raul Machado Horta. Para este último, “a Constituição plástica estará em condições de acompanhar,
através do legislador ordinário, as oscilações da opinião pública e da vontade do corpo eleitoral. A norma
constitucional não se distanciará da realidade social e política. A Constituição normativa não conflitará com a
Constituição real. A coincidência entre a norma e a realidade assegurará a duração da Constituição no tempo”

559-Subtração de cadáver configura crime de futuro?


R. Segundo a doutrina, nesse caso nos fazendo uso da de Cleber Masson, existem dois casos:
1) Se o cadáver ostentar valor econômico e encontrar-se na posse legítima de uma pessoa, física ou jurídica, estará
delineado o delito de furto (exemplo: cadáver pertencente a uma Faculdade de Medicina ou a um hospital). 2) O
cadáver, quando destituído de valor econômico, não se encaixa no conceito de coisa alheia. Ao contrário, ingressa
no rol das coisas fora do comércio, e sua tutela penal repousa em princípios éticos, religiosos, sanitários e de ordem
pública determinados pelo ordenamento jurídico. Será cometido, assim, em tese, o crime do art. 211 do CP.

560-Qual o conceito de prova fora de terra?

R. Prova fora de terra é simplesmente aquela prova produzida perante juízo diverso daquele em que se processa o
feito. Trata-se das provas produzidas por meio de carta precatoria, de ordem ou rogatória.
As condições para sua admissibilidade são: 1) que o sujeito/objeto da prova se encontre em território fora da
jurisdição do Juiz da causa; 2) que a prova seja admissível, não seja inútil/inócua, bem como que não tenha sido
requerida com intuito meramente protelatório.

561-Furto mediante o uso de mixa é qualificado?

R. Segundo Luiz Flavio Gomes, Chave “mixa” é instrumento utilizado para dar acesso a vários objetos com tranca,
muito utilizado para a prática de infrações penais. Decorem bem essa expressão, pois pode aparecer na sua prova
sem se referir à chave falsa.
Consoante entendimentos consolidados do STF e do STJ, o furto é qualificado também por esse inciso em caso de
emprego de "mixa".
Vejamos uma decisão que representa esse entendimento:
EMENTA: HABEAS CORPUS. CONSTITUCIONAL. PENAL. FURTO QUALIFICADO. FURTO COMETIDO COM USO DE
CHAVE “MIXA”. ALEGAÇÃO DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL DECORRENTE DA EVENTUAL ATIPICIDADE DA
QUALIFICADORA DO EMPREGO DE CHAVE FALSA: IMPROCEDÊNCIA. ORDEM DENEGADA. 1. A jurisprudência do
Supremo Tribunal Federal é firme no sentido de que o conceito de chave falsa abrange a chave “mixa” e todo e
qualquer instrumento ou dispositivo empregado para abertura de fechaduras. Precedentes. 2. Ordem denegada. (HC
106095, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Primeira Turma, julgado em 03/05/2011, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-094
DIVULG 18-05-2011 PUBLIC 19-05-2011)

562-È possível controle concentrado de decreto legislativo que susta ato do executivo que exorbite do poder
regulamentar(ART.49,VDACF)?
R. Sim! Como se sabe, a CF permite o controle concentrado de leis e atos normativos. Cf. o STF um ato normativo
pode ser objeto de controle abstrato quando for A.G.A: abstrato, genérico e autônomo (fundamento direto na CF).
Analisando se o decr. legislativo do art. 49 V da CF preencheria tais requisitos o Supremo concluiu que tal ato "não se
desveste da normatividade pelo fato de se limitar a suspensão de eficácia de outro ato", também realizando função
nitidamente normativa, posto que "a eficácia inibitória de conseqüências jurídicas constitui um dos momentos
concretizadores do processo normativo" (ADI 748, 6.11.1992). O julgado é antigo, mas a conclusão poderia ser
deduzida do conhecimento da teoria do controle constitucional.

563-

R. 🚩Ação penal popular – encontra dois sentidos possíveis na doutrina: i) para alguns, seria o HC, mas essa tese não
prevalece, pois o HC é uma ação libertária, que visa preservar a liberdade de locomoção e não uma ação penal; ii)
seria a possibilidade de qualquer cidadão promover a ação penal. Alguns citam a possibilidade de qualquer do povo
representar pelo impeachment, mas prevalece que essa representação não é ação penal popular, posto que é para
casos de infração político-administrativa e não crimes propriamente ditos. 🚩Ação penal adesiva – Seria o caso em
que, na ação penal, haveria um litisconsórcio ativo entre o MP e a vítima. Segundo Tourinho Filho, só existe na
Alemanha, onde o MP ingressa na ação penal pública, oportunidade em que a vítima ingressa de maneira adesiva,
porem com objetivos exclusivamente patrimoniais. No Brasil, não há ação adesiva, mas intervenção adesiva
facultativa: o assistente de acusação. Art. 268 do CPP. 🚩Ação penal ex officio - É a ação decorrente do antigo
processo judicialiforme, ou seja, iniciada por provocação da autoridade judicial ou do delegado. Não mais existe no
nosso ordenamento, apesar de ainda haver previsão expressa, mas não recepcionada no CPP. 🚩Ação penal
secundária - Ela se caracteriza pela variabilidade quanto à legitimidade para o exercício da ação penal em razão da
alteração das circunstancias que prontificam o caso concreto. Ex., Injúria é crime contra a hora, portanto, crime de
ação penal privada (art. 145, caput); se a injuria for racial, todavia, a ação penal será pública condicionada (art. 140,
§3º do CP). Ocorre quando as circunstâncias do caso concreto fazem variar a modalidade de ação penal. O ITEM “D”
É O CORRETO! 🚩Ação de prevenção penal - É aquela deflagrada com o objetivo de aplicar medida de segurança aos
absolutamente inimputáveis.

564-Cabe suspensão condicional do processo para crimes com pensa supeior a 1 ano?

R. Sim, a depender do caso!


Como sabemos, o art. 89 da Lei 9.099/95 restringe o sursis processual para os crimes com pena igual ou inferior a
um ano.
Entretanto, devem ser levadas em consideração as causas de diminuição da pena.
O melhor exemplo é o crime praticado na forma tentada. Nesse caso, para chegarmos na menor pena em abstrato
possível, devemos aplicar o redutor no patamar máximo (2/3) e verificar se a pena é igual ou inferior a um ano. Se
for, caberá sursis processual. Exemplo: furto qualificado tentado. Apesar de a pena-base ser dois anos, caberá a
suspensão, pois, após incidir a minorante da tentativa, a pena mínima cai para 8 meses.
Vale lembrar que o mesmo raciocínio não vale para as atenuantes, já que estas não possuem patamar de redução
predeterminado!

565-Apenas no regime fechado tem direito à prisão domiciliar?

R.Pela literalidade do art. 117 da


Lei de Execuções Penais, somente o condenado no regime aberto tem direito à prisão domiciliar. Entretanto, a
jurisprudência flexibiliza a literalidade da norma, para admitir o direito a apenados no regime semiaberto e fechado,
com base na dignidade da pessoa humana (art. 1o, inciso III, da CF/88). Nesse sentido, o Superior Tribunal de
Justiça:
PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO. DOENÇA GRAVE. PRISÃO DOMICILIAR (1) IMPETRAÇÃO
SUBSTITUTIVA DE RECURSO ESPECIAL.
IMPROPRIEDADE DA VIA ELEITA. (2) PRISÃO DOMICILIAR. PORTADOR DE EPILEPSIA. TRATAMENTO DE SAÚDE
DENTRO DAS NECESSIDADES DO APENADO.
AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ILEGALIDADE. (3) ORDEM NÃO CONHECIDA.
1. É imperiosa a necessidade de racionalização do emprego do habeas corpus, em prestígio ao âmbito de cognição
da garantia constitucional, e, em louvor à lógica do sistema recursal.
2. A jurisprudência tem admitido a concessão da prisão domiciliar aos condenados que se encontram em regime
semiaberto e fechado, em situações excepcionalíssimas, como no caso de portadores de doença grave, desde que
comprovada a impossibilidade da assistência médica no estabelecimento prisional em que cumprem sua pena. In
casu, as instâncias ordinárias concluíram que o tratamento pode ser ofertado no estabelecimento prisional.
3. Ordem não conhecida.
(HC 292.627/GO, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 18/11/2014, DJe
03/12/2014)

Verifica-se, portanto, que os requisitos para concessão da medida são bem mais rigorosos, sendo aferido seu
cabimento caso a caso!

566-O que é obsolência programada?

R. Leonardo de Medeiros Garcia cita Hildeliza Lacerda e Maria Madalena de Oliveira Rodrigues: dentre as práticas
abusivas, vem merecendo especial atenção a denominada obsolescência programada, uma prática consistente em
os fornecedores lançarem no mercado de consumo produtos com vida útil cada vez menor, fazendo com que o
consumidor adquira outros em intervalos mínimos de tempo, incentivando a produção desenfreada de descartáveis.
Diante dessa prática abusiva que se encontra vedada pela lei, uma vez que certos produtos atualmente são
fabricados com um mínimo padrão de qualidade que, transcorrido o prazo de garantia, tornam-se obsoletos,
estragados, impróprios ao uso a que se destinam. Podemos verificar tal fenômeno no que ocorre a produção de
vários celulares hodiernamente. É impressionante como apenas apos alguns anos de usos se tornam praticamente
descartáveis, lentíssimos e com bateria funcionado apenas por algumas horas.

567-O que é superendividamento?

R. Superendividamento - Segundo Leonardo de Medeiros Garcia, citando Claudia Lima Marques,


superendividamento pode ser definido como impossibilidade global do devedor pessoa física, consumidor leigo de
pagar todas as suas dividas atuais e futuras de consumo(excluídas as dividas com Fisco, delitos e alimentos). Busca-
se, assim, tal como no Direito Empresarial existe o instituto da falência e da recuperação de empresas, soluções para
esse caso. Tais soluções podem passar por controle da publicidade, direito de arrependimento para prevenir o
superendividamento, dentre outras. Pode ser: -
Ativo - em que o consumidor se endivida voluntariamente, iludido muitas vezes pelos marketings das empresas Esse
ativo divide-se em consciente, em que o consumidor de má-fé sabendo que não vai pagar as divida consome ainda
mais, ou inconsciente, que ocorre quando o consumidor age impulsivamente de maneira imprudente e sem malicia,
e acaba gastando mais do que deveria sem fiscalizar. Este material é disponibilizado de forma gratuita no site -
Passivo - aquele que ocorre em decorrente dos denominados acidentes da vida, tais como desemprego e divorcio.
Classificação importante, pois a doutrina consumerista, encampada pela jurisprudência do STJ, entende que apenas
o superendividamento ativo inconsciente e o passivo é que merecem a tutela estatal para que o Poder Público
ajude-o a solucionar as suas dividas.

568-O dever de informação do direito de ficar calado também se aplica à mídia?

R. Consoante disposto na CF/88, no art 5º, LXIII, uma pessoa, ao ser presa, deve ser advertida de seus direitos,
dentre os quais permanecer calada, sendo-lhe assegurada a assistência de um advogado e família. Vamos imaginar
que em um caso a imprensa chegou a um preso antes mesmo que a polícia. Esse dever de informação, de que o
preso pode permanecer calado, estende-se a mídia, à imprensa? . Para o STF, o dever de informação não se aplica à
imprensa, mas apenas ao Poder Público (HC 99.558/ES). HABEAS CORPUS. 2. Alegação de ilicitude da prova,
consistente em entrevista concedida pelo paciente ao jornal “A Tribuna”, na qual narra o modus operandi de dois
homicídios perpetrados no Estado do Espírito Santo, na medida em que não teria sido advertido do direito de
permanecer calado. 3. Entrevista concedida de forma espontânea. 5. Constrangimento ilegal não caracterizado. 4.
Ordem denegada. (HC 99558 / ES - ESPÍRITO SANTO - HABEAS CORPUS - Relator(a): Min. GILMAR MENDES -
Julgamento: 14/12/2010 - Órgão Julgador: Segunda Turma)

569-O que é a “Regra da gangorra”no processo civil?

R. "regra da gangorra" é mencionada pelo processualista da PUC-SP, Leonardo Ferres da Silva Ribeiro, e novamente
citada em importante recente livro em coautoria com a Profa Teresa Arruda Alvim Wambier, para explicar a
concessão das tutelas de urgência - cautelares e antecipações - possuindo uma importante repercussão prática, além
de ser deveras didática! Segundo a "regra da gangorra", quanto mais "periculum in mora" é demonstrado, menos
"fumus boni iuris" se exige para a concessão da tutela pretendida, "pois a menos que se anteveja a completa
inconsistência do direito alegado, o que importa para a sua concessão é a própria urgência". Desse modo, na
gangorra das tutelas de urgência, quanto mais perigo na demora existir, menos indícios de direito forte será
necessário! Essa didática regra é um excelente guia para a concessão ou não de tutelas de urgência!

570-Confissão qualificada faz incidir a atenuante de pena?

R. Confissão qualificada é aquela em que o agente, apesar de confessar, alega teses descriminantes (que afastam a
ilicitude) ou exculpantes (que tiram a culpabilidade). Exemplo: o réu confessa que matou, mas alega que agiu em
legítima defesa. Existia grande discussão se esse réu deveria ver incidir em sua pena a atenuante da confissão
espontânea. O Superior Tribunal de Justiça já pacificou que sim:

AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. PENAL. APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA. ATENUANTE DA


CONFISSÃO ESPONTÂNEA. APLICABILIDADE.
PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. A jurisprudência desta eg. Corte Superior firmou o entendimento de que a confissão, ainda que qualificada, pela
qual são suscitadas outras teses defensivas, descriminantes ou exculpantes, enseja a incidência da circunstância
atenuante do art. 65, inciso III, alínea d, do Código Penal, devendo ser considerada na segunda fase da dosimetria da
pena. Precedentes.
2. Agravo Regimental desprovido.
(AgRg no REsp 1347801/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 05/11/2015,
DJe 11/11/2015)

Dessa forma, ainda que qualificada, a confissão enseja a atenuação da pena!


571-Portar metralhadora desmuniciada é crime?

R. Com efeito, tal conduta se enquadra na norma do art. 14 do Estatuto do Desarmamento, caso seja de uso
permitido, ou no art. 16 do mesmo diploma normativos, se de uso restrito (metralhadora, p.ex) No entanto, por
muito tempo se discutiu a inconstitucionalidade de tais dispositivos, por ofensa ao princípio da lesividade. Os
defensores da atipicidade, os quais abominam a noção de espiritualização dos bens jurídicos e defendem a
consequente inconstitucionalidade dos crimes de perigo abstrato, alegavam que uma arma desmuniciada não é apta
a ocasionar lesão ao bem jurídico tutelado. Contudo, prevaleceu na Jurisprudência o entendimento em sentido
contrário, uma vez que se reconhece que o bem jurídico tutelado pelo Estatuto do Desarmamento não é só a
integridade física, mas a sensação de segurança pública e o controle do Estado sobre as armas. Nesse sentido:
EMENTA Habeas corpus. Penal. Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido (art. 14 da Lei nº 10.826/03). Arma
desmontada e desmuniciada. Crime de perigo abstrato. Tipicidade da conduta configurada. Precedentes. Ordem
denegada. Prescrição da pretensão punitiva efetivada. Habeas corpus concedido de ofício para julgar extinta a
punibilidade do paciente. 1. O Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que é de perigo abstrato o crime
de porte ilegal de arma de fogo, sendo, portanto, irrelevante para sua configuração encontrar-se a arma
desmontada ou desmuniciada. HC 95861, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. DIAS
TOFFOLI, Segunda Turma, julgado em 02/06/2015, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-128 DIVULG 30-06-2015 PUBLIC 01-
07-2015)

572-Incide a causa de aumento de pena no roubo quando a metralhadora é de brinquedo?

R. Segundo o CP, no parágrafo segundo do art.157, aumenta-se a pena do roubo de 1/3 até 1/2 quando a violência
ou grave ameaça é exercida com emprego de arma.
Até 2002, havia a Súmula 174 do STJ que aduzia que mesmo a arma sendo de brinquedo, deveria incidir essa súmula.
Hoje, esse entendimento não mais prevalece, e se entende que a arma de brinquedo não gera mais a causa de
aumento de pena.
Obs: A arma de brinquedo, em que pese não servir para a causa de aumento de pena, serve sim para fins da própria
incidência do tipo do roubo, ou seja, para fins de "violência ou grave ameaça."

573-O que é Exceptio Plurium Concubentium?

R. Na ações investigatórias de paternidade, era comum, antigamente, que o demandando apresentasse uma defesa
de mérito indireto, em que confirmava a existência da relação sexual, todavia afirmava a existência de plúrimos
relacionamentos da mãe com outros homens, no período da concepção.
Essa forma de defesa é denominada exceptio plurium concubentium. Com o surgimento do exame de DNA, essa
possibilidade de defesa não tem mais o condão de afastar a procedência do pedido investigatório.

574-O que é desconsideração indireta da personalidade jurídica?

R. Fala-se em desconsideração indireta da personalidade jurídica quando a empresa controladora comete fraudes
por meio da empresa controlada ou coligada, entre outras, em prejuízo de terceiros ou para obter vantagem
indevida. Dessa forma, desconsidera-se a personalidade da empresa controlada, para que se atinja os bens da
controladora, responsabilizando esta pelas dívidas e atos ilícitos daquela. (STJ, Resp 744.107/SP).

575-Cabe intervenção de terceiros em mandado de segurança?

R. onsoante entendimento consolidado no âmbito dos Tribunais Superiores, o mandado de segurança, dado o seu
rito necessariamente célere, com vistas à pronta reparação da ilegalidade sofrida pelo administrado, não comporta
intervenção de terceiros, que comprometeria o seu julgamento em tempo hábil Vejamos o teor desse
entendimento:
Ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO PARA PROVIMENTO E REMOÇÃO DE
OUTORGAS DE CARTÓRIOS EXTRAJUDICIAIS. MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA ATO DO CONSELHO NACIONAL DE
JUSTIÇA. PEDIDO DE INTERVENÇÃO DE TERCEIRO. INCOMPATIBILIDADE COM O RITO DO MANDADO DE SEGURANÇA.
INDEFERIMENTO. PRELIMINAR DE INTEMPESTIVIDADE REJEITADA. WRIT IMPETRADO DENTRO DO PRAZO
DECADENCIAL DE 120 DIAS (LEI Nº 12.016/09, ART. 23). INVALIDADE JURÍDICO-CONSTITUCIONAL DA ATRIBUIÇÃO DE
CARÁTER ELIMINATÓRIO A PROVAS DE TÍTULOS EM CONCURSOS PÚBLICOS. INTERPRETAÇÃO DO ART. 37, II, DA
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. NECESSIDADE DE COERÊNCIA NORMATIVA DO CNJ NO TRATAMENTO DOS CERTAMES
PARA INGRESSO NA CARREIRA DE MAGISTRADO E NA CARREIRA DE NOTÁRIO. APARENTE INCOMPATIBILIDADE
ENTRE OS REGIMES FIXADOS PELAS RESOLUÇÕES CNJ Nº 75/09 E 81/09. ERRO MATERIAL NA FÓRMULA
MATEMÁTICA CONSAGRADA PELA RESOLUÇÃO Nº 81/09 DO CNJ. NULIDADE DO ATO DE ELIMINAÇÃO DA
IMPETRANTE NO 7º CONCURSO PARA OUTORGA DE DELEGAÇÕES DE NOTAS E DE REGISTRO DO ESTADO DE SÃO
PAULO. ORDEM CONCEDIDA.
4. O prazo decadencial de 120 dias para a impetração do mandado de segurança (Lei nº 12.016/09, art. 23) tem
início com a ciência do ato coator pelo titular do direito violado. 5. O rito procedimental do mandado de segurança é
incompatível com a intervenção de terceiros, ex vi do art. 24 da Lei nº 12.016/09, ainda que na modalidade de
assistência litisconsorcial, na forma da jurisprudência remansosa do Supremo Tribunal Federal (MS nº 24.414, Rel.
Min. Cezar Peluso, DJ de 21/11/2003; MS nº 32.450, rel. Min. Marco Aurélio, DJe-251 de 19/12/2013; MS nº 32824
MC, rel. Min. Roberto Barroso, DJe-072 de 11/04/2014; RMS nº 31.553, rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJe-050 de
14/03/2014; MS nº 29.178, rel. Min. Ayres Britto, DJe de 15.3.2011; ; (...)
(STF, MS 32074, Rel Min Luis Fux)

576-TRF jamais poderá dirimir conflito de competência entre juiz estadual e um juiz federal. C ou E?

R. Errado!
Para responder essa questão é preciso lembrar do art.109, par.3, da CF/88, que prever a possibilidade de o Juiz
Estadual exercer competência supletiva de um Juiz Federal, estando, nesse caso, vinculado ao TRF, tanto é que o
recurso de eventual decisão é destinado ao Tribunal Federal.
Sendo assim, quando houver conflito entre um Juiz Estadual e um Juiz Federal, em que o Juiz Estadual esteja no
exercício supletivo da competência de um Juiz Federal, o conflito será dirimido pelo Tribunal Regional Federal, e não
pelo STJ.
Logo, o termo JAMAIS tornou a alternativa incorreta.

577-O que é “contempt of court”?

R. Segundo o grande Professor Araken de Assis, "pode-se definir o 'contempt of court' como a ofensa ao órgão
judiciário ou à
pessoa do juiz, que recebeu o poder de julgar do povo, comportando -se a parte conforme suas conveniências, sem
respeitar a ordem emanada da a utoridade judicial".Em resumo, o "contempt" está relacionado com o dever de
respeito à Justiça, ao juiz e às decisões judiciais. Possui origem anglo-saxã e a decisões históricas da "comom law".
Não obstante isso, a doutrina nacional, identifica alguns possíveis desdobramentos no ordenamento jurídico
brasileiro. Podem ser citados: 1) O Art. 14 do CPC que estabelece os "deveres das partes e de todos aqueles que de
qualquer forma participam do processo", prevendo aplicação de multa em caso de deslealdade processual; 2) As
variadas possibilidades de aplicação de "astreintes" no direito nacional como, p. ex., as do Art. 461 do CPC; 3) A
existência do crime de desobediência em caso de descumprimento de decisão judicial (é polêmico o caso, visto que
hoje o crime não gera prisão per si e a sua finalidade seria apenas retrospectiva sem uma capacidade real de inibir o
descumprimento no momento em que ocorre); 4) Prisão Civil por descumprimento (ainda mais polêmica, pois a
doutrina diverge gravemente sobre a constitucionalidade do instituto). Por envolver o respeito às decisões judiciais,
o "contempt of court" é tema super relevante em concursos e na atividade prática!

578-O próprio apenado pode pedir transferência para presídio federal?


R. O art. 5º da Lei Nº 11.671/08, que dispõe sobre a transferência e inclusão de presos em estabelecimentos penais
federais, trata dos legitimados para pedir a transferência de presos para o sistema federal, estabelece a decisão
prévia do juiz da origem sobre a transferência, garante ao interno a assistência por Defensor Público Federal, além
de estabelecer algumas outras regras procedimentais: “Art. 5º. São legitimados para requerer o processo de
transferência, cujo início se dá com a admissibilidade pelo juiz da origem da necessidade da transferência do preso
para estabelecimento penal federal de segurança máxima, a autoridade administrativa, o Ministério Público e o
próprio preso. §1º. Caberá à Defensoria Pública da União a assistência jurídica ao preso que estiver nos
estabelecimentos penais federais de segurança máxima. §2º. Instruídos os autos do processo de transferência, serão
ouvidos, no prazo de 5 (cinco) dias cada, quando não requerentes, a autoridade administrativa, o Ministério Público
e a defesa, bem como o Departamento Penitenciário Nacional – DEPEN, a quem é facultado indicar o
estabelecimento penal federal mais adequado. §3º. A instrução dos autos do processo de transferência será
disciplinada no regulamento para fiel execução desta Lei. § 4º. Na hipótese de imprescindibilidade de diligências
complementares, o juiz federal ouvirá, no prazo de 5 (cinco) dias, o Ministério Público Federal e a defesa e, em
seguida, decidirá acerca da transferência no mesmo prazo. § 5º. A decisão que admitir o preso no estabelecimento
penal federal de segurança máxima indicará o período de permanência. § 6º. Havendo extrema necessidade, o juiz
federal poderá autorizar a imediata transferência do preso e, após a instrução dos autos, na forma do § 2o deste
artigo, decidir pela manutenção ou revogação da medida adotada. (...)”. Dos dispositivos acima, merece destaque a
fixação do rol dos legitimados para solicitar a transferência de internos para o sistema federal, quais sejam: a) a
autoridade administrativa; b) o Ministério Público; c) o próprio preso. Portanto, o próprio preso pode sim pedir
transferência para Presídio Federal.

579-È possível a intervenção de terceiros em processo fundados em relação de consumo?

R. Em regra, é inadmissível a intervenção de terceiros nas ações submetidas ao regime jurídico do CDC, nos termos
do Art. 88 ("Na hipótese do art. 13, parágrafo único deste código, a ação de regresso poderá ser ajuizada em
processo autônomo, facultada a possibilidade de prosseguir-se nos mesmos autos, vedada a denunciação da lide"),
a fim de evitar que a tutela do consumidor seja retardada. A EXCEÇÃO É A POSSIBILIDADE DE CHAMAMENTO AO
PROCESSO DO SEGURADOR, na forma do art. 101, II ("Na ação de responsabilidade civil do fornecedor de produtos e
serviços, sem prejuízo do disposto nos Capítulos I e II deste título, serão observadas as seguintes normas: (...) II - o
réu que houver contratado seguro de responsabilidade poderá chamar ao processo o segurador, vedada a
integração do contraditório pelo Instituto de Resseguros do Brasil...), que é facultada ao réu. Assim sendo, É
VEDADO DE MODO GERAL A DENUNCIAÇÃO DA LIDE, MAS É PERMITIDA UMA ESPÉCIE TAXATIVA DE CHAMAMENTO,
A DO SEGURADOR! Uma observação importante, inicialmente, a jurisprudência do STJ fazia uma diferenciação entre
o a possibilidade de denunciação no caso fato do produto ou do serviço. Atualmente, o entendimento foi
consolidado: nos dois casos (fato do produto ou do serviço), É IMPOSSÍVEL A DENUNCIAÇÃO DA LIDE, vide o recente
julgado: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ALEGADA FALHA NA
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TURISMO. DENUNCIAÇÃO DA LIDE. VEDAÇÃO DO ART. 88 DO CDC. ACÓRDÃO
RECORRIDO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. RECURSO INTERPOSTO PELA ALÍNEA "A". SÚMULA
N. 83/STJ. APLICABILIDADE. DECISÃO MANTIDA. 1. 'A vedação à denunciação da lide prevista no art. 88 do CDC não
se restringe à responsabilidade de comerciante por fato do produto (art. 13 do CDC), sendo aplicável também nas
demais hipóteses de responsabilidade civil por acidentes de consumo (arts. 12 e 14 do CDC)' (REsp n. 1.165.279/SP,
Relator Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 22/05/2012, DJe de
28/5/2012).(...)" (AgRg no AREsp 694.980/MS, julgado em 22/09/2015).

580-Quais requisitos devem estar prsentes no Decreto de Intervenção?Toda intervenção necessita da figura do
interventor?

R. Resposta 1: Segundo a CF/88, "Art. 36. A decretação da intervenção dependerá: (...) § 1º O decreto de
intervenção, que especificará a amplitude, o prazo e as condições de execução e que, se couber, nomeará o
interventor, será submetido à apreciação do Congresso Nacional ou da Assembléia Legislativa do Estado, no prazo de
vinte e quatro horas". Assim sendo, os requisitos objetivos que devem estar contidos no Decreto de Intervenção são:
a) a amplitude da intervenção - aspecto territorial, ou seja, a área geográfica afetada; b) o prazo - aspecto temporal,
portanto, o tempo inicial que durará a intervenção; c) as condições de execução - as condições para reorganizar as
finanças de uma unidade da Federação (Art. 34, V da CF/88), p. ex.; e d) se for o caso, a nomeação do
interventor. Resposta 2: Nem todas as intervenções exigem a presença de interventor, pois, nos termos do Art. 36, §
3º da CF/88, nos casos do art. 34, VI (prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial) e VII (assegurar a
observância dos chamados princípios constitucionais sensíveis) , ou do art. 35, IV (o Tribunal de Justiça der
provimento a representação para assegurar a observância de princípios indicados na Constituição Estadual, ou para
prover a execução de lei, de ordem ou de decisão judicial - nos casos de intervenção estadual em Município), o
decreto limitar-se-á a suspender a execução do ato impugnado, se essa medida bastar ao restabelecimento da
normalidade, PORTANTO, NESSES CASOS, PODE SER DISPENSÁVEL A NOMEAÇÃO DE INTERVENTOR FEDERAL.

581-A presunção de veracidade decorrente da revelia do réu,em uma ação reparatótia,atinge o quantum
idenizatória. C ou E?

R. Errado.
A revelia permite ao Juiz considerar verdadeiro os fatos narrados pelo autor. Logo, como a presunção é dos fatos, o
que deve ser considerado como verdadeiro é a ocorrência do dano, mas não a quantificação indicada pelo autor.
O quantum devido é decorrência do dano sofrido, devendo sua mensuração corresponder ao prejuízo efetivamente
sofrido, a fim de evitar o enriquecimento sem causa do autor.
Nesse sentido, inclusive, entende o STJ, vide: Resp 1.520.659-RJ, disponível no informativo 574.

582-Uma pessoa que se encontra em coma, internada em uma UTI, é considerada relativamente incapaz. C ou E?

R.Certo.
Trata-se de uma inovação legislativa.
Antigamente, umas das hipóteses listadas pelo art.3, do Código Civil, como hipótese de incapacidade absoluta era a
situação das pessoas que, mesmo por causa transitória, não pudessem exprimir a sua vontade.
Atualmente, com a edição da Lei 13.146 (estatuto da pessoa com deficiência), que promoveu alterações no Código
Civil, a única hipótese de incapacidade absoluta é o de menor de 16 anos.
Assim, conforme expõe a nova redação do art.4, inciso III, do Código Civil, aquele que por causa transitória ou
permanente não puder exprimir sua vontade é considerado relativamente incapaz.

583-Carta psicografada é meio lícito de prova para ser utilizada no processo penal?

R. Por exemplo, imagine, no Tribunal do Juri, uma carta psicografada, em nome da vítima, afirmando ser o acusado
inocente ou dizendo ter o perdoado e que não queria sua condenação... Seria isso possível? Poderia isso lastrear a
absolvição? A questão é interessante, POIS JÁ OCORREU NA PRÁTICA, inclusive, MAIS DE UMA VEZ! Então, é
juridicamente admissível, como prova judicial, mensagens psicografadas que digam respeito à determinação de
responsabilidade penal? Embora não haja vedação legal, doutrinariamente, parece haver uma maioria pelo não
cabimento, haja vista se tratar de prova irracional, cuja autenticidade não pode ser demonstrada. Por outro lado, há
quem defenda, com base na liberdade de crença religiosa (art. 5º, VI, VIII, CF/88), a admissibilidade, desde que se
trate de prova subsidiária e em harmonia com asvoutras provas do processo. Pois bem, em que pese a divergência
doutrinária, em um julgado do TJRS, decidiu-se ser a carta psicografada prova LÍCITA, veja-se o interessante julgado:
"Ementa: JÚRI. DECISÃO ABSOLUTÓRIA. CARTA PSICOGRAFADA NÃO CONSTITUI MEIO ILÍCITO DE PROVA. DECISÃO
QUE NÃO SE MOSTRA MANIFESTAMENTE CONTRÁRIA À PROVA DOS AUTOS. Carta psicografada não constitui meio
ilícito de prova, podendo, portanto, ser utilizada perante o Tribunal do Júri, cujos julgamentos são proferidos por
íntima convicção. Havendo apenas frágeis elementos de prova que imputam à pessoa da ré a autoria do homicídio,
consistentes sobretudo em declarações policiais do co-réu, que depois delas se retratou, a decisão absolutória não
se mostra manifestamente contrária à prova dos autos e, por isso, deve ser mantida, até em respeito ao preceito
constitucional que consagra a soberania dos veredictos do Tribunal do Júri. Apelo improvido. (Apelação Crime Nº
70016184012, Primeira Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Manuel José Martinez Lucas, Julgado em
11/11/2009)".

584-O que é método científico espiritual?

R. método científico espiritual é um dos métodos da Nova Hermenêutica Constitucional, que é aquela que tenta
superar os cânones clássicos da Hermenêutica Tradicional, baseada na lógica normativista do positivismo, já que a
Constituição pela abertura de suas normas e seu caráter político fundamental exige uma interpretação diferenciada
em relação às demais normas. Pois bem, o Método Científico Espiritual foi desenvolvido pelo alemão Rudolf Smend,
em seu país natal, depois da segunda guerra, justamente na tentativa de superar a interpretação positivista da
Constituição. Smend defendia que a Hermenêutica Constitucional deveria buscar decidir os conflitos jurídicos por
meio da adoção da solução que estivesse mais conforme os valores fundamentais do povo. Assim, a palavra chave
desse método é: VALORES!!! Valores manifestados por meio dos direitos fundamentais! A busca pelos valores da
sociedade tenta promover uma reaproximação do Direito com a Ética, o que era rechaçado pelo positivismo! Smend
influenciou bastante o TCF alemão em um primeiro momento, gerando a chamada jurisprudência dos valores!

585-Os interpretativistas são os adeptos de linhas teóricas hermenêuticas que permitem a ampliação do sentido
original do texto da Constituição,por isso,facilitam o ativismo judicial. C ou E?

R. ERRADO!!!
Apesar do termo poder levar a erro, os interpretativistas são uma linha teórica do direito norte-americano que
defende a interpretação literal do texto constitucional, seguindo a mesma linha que o Constituinte Originário
pretendia. Em oposição há os NÃO-INTERPRETATIVISTAS, que defendem a liberdade criativa do juiz e a possibilidade
de adequação de sentido do texto às novas realidades sociais. Os não-interpretativistas são as linhas teóricas
proximas ao ativismo judicial! A Suprema Corte Americana alterna juizes interpretativistas e não-interpretativistas,
geralmente, a depender se Democratas (não-interpretativistas) ou Republicanos (interpretativistas) estão no poder.

586-A ação é um direito público subjetivo que se exerce contra o réu,por meio do qual se postula o provimento
jurisdicional. C ou E?

R. Errado.
O erro dessa assertiva é bem sútil e pode passar despercebido.
O direito de ação é exercido em face do Estado, e não em face do réu. Isso porque o poder jurisdicional é regido, via
de regra, pelo princípio da inércia, só podendo atuar quando for devidamente provocado.
Sendo assim, ao exercer o direito de ação, o autor provoca o estado a agir, evidenciando assim que este direito
subjetivo é exercido contra o Estado.
Como assevera o doutrinador Marcus Vinícius (Processo Civil Esquematizado, 6ed, p.152): "é verdade que o
adversário do autor é sempre o réu, mas o direito de ação não é dirigido contra este, mas contra o próprio Estado,
porque serve pra movimentá-lo".

587-A CIPA é obrigatória em todos os estabelecimentos. C ou E?

R.Errado.
De acordo com o item 5.2, da NR 5, devem constituir CIPA, por estabelecimento, e mantê-la em regular
funcionamento as empresas privadas, públicas, sociedades de economia mista, órgãos da administração direta e
indireta, instituições beneficentes, associações recreativas, cooperativas, bem como outras instituições que admitam
trabalhadores como empregados. ⚠ENTRETANTO, conforme o porte e o tipo de CNAE (Classificação Nacional de
Atividade Econômica), a empresa está DISPENSADA de constituir CIPA, mas nesse caso haverá a designação de um
responsável pelo cumprimento dos objetivos da NR 5, podendo ser adotados mecanismos de participação dos
empregados, através de negociação coletiva (item 5.6.4, NR 5). Logo, independentemente da obrigação de constituir
a CIPA, todas as empresas devem contar ao menos com um empregado treinado e capacitado a aplicar a NR 5.

588-Qual o prazo para pleitar indenização por ocorrência de esbulho administrativo?

R. A desapropriação indireta, também denominada de esbulho administrativo, ocorre quando o Poder Público
adentra ao imóvel de um particular sem observar as exigências legais da desapropriação.
Consoante o art. 35 do DL/3365, depois que afetado ao interesse público, o particular apenas pode exigir perdas e
danos, não cabendo ter de volta a propriedade do bem.
A respeito do prazo prescricional para que se ajuizasse essa ação de desapropriação indireta, o tema sempre foi alvo
de grandes controvérsias. O STJ firmou entendimento recentemente:
“A ação de desapropriação indireta possui natureza real e, enquanto não transcorrido o prazo para aquisição da
propriedade por usucapião, ante a impossibilidade de reivindicar a coisa, subsiste a pretensão indenizatória em
relação ao preço correspondente ao bem objeto do apossamento administrativo. 2. Com fundamento no art. 550 do
Código Civil de 1916, o STJ firmou a orientação de que "a ação de desapropriação indireta prescreve em 20 anos"
(Súmula 119/STJ). 3. O Código Civil de 2002 reduziu o prazo do usucapião extraordinário para 10 anos (art. 1.238,
parágrafo único), na hipótese de realização de obras ou serviços de caráter produtivo no imóvel, devendo-se, a partir
de então, observadas as regras de transição previstas no Codex (art. 2.028), adotá-lo nas expropriatórias indiretas.
(STJ - REsp: 1300442)”
O prazo, então, é de 10 anos, caso tenha sido realizadas obras/construções de caráter produtivo. Caso o Poder
Público apenas tenha se apossado, sem nada fazer, o prazo é de 15 anos.

589-Crimes vagos são os que não há a descrição competa e precisa do modelo de conduta proibida ou imposta,
fazendo-se necessária a complementação pelo intérprete.Certo ou Errado?

R.Errado.
No item proposto, a definição apresentada refere-se ao conceito de tipo penal aberto, em que as condutas não são
precisamente definidas, a exemplo do que ocorre nos crimes culposos.
Por sua vez, crimes vagos, na definição de Damásio de Jesus, "são os que têm por sujeito passivo entidades sem
personalidade jurídica, como a família, o público ou a sociedade. Ex: ato obsceno.

590-No que consiste a teoria dos limites dos limites?

R. Embora haja certa divergência doutrinária, podemos dizer que atualmente é majoritário o pensamento de que os
direitos fundamentais podem ser restringidos (limitados) por atos normativos infraconstitucionais. Mas quais seriam
os limites para essas limitações aos direitos fundamentais? Para responder a essa questão é que surgiu a teoria dos
limites dos limites (Schranken-Schranken), segundo a qual as limitações aos direitos fundamentais devem observar
os seguintes parâmetros: 1) respeito ao núcleo essencial dos direitos fundamentais; 2) clareza e precisão na
limitação como forma de se garantir a segurança jurídica; 3) abstração e generalidade das limitações, evitando-se o
casuísmo; e 4) respeito ao princípio (ou postulado normativo) da proporcionalidade (adequação, necessidade e
proporcionalidade em sentido estrito).
Fonte: FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. 6 ed. Salvador: Juspodivm, 2014. p. 336-
339.

591-A constituição Mexicana de 1917 e a Constituição Alemã de 1919 são ícones do Estado Providência. Certo ou
Errado?

R:Certo.
A Constituição Mexicana de 1917 e a Constituição de Weimar de 1919 (Constituição Alemã) são sim as primeiras a
tratar de direitos sociais de forma sistemática, inaugurando assim o chamado Estado de Bem Estar Social, Estado
Social, Estado Providência ou Welfare State (todos sinônimos), ou seja, uma forma de Estado de matriz capitalista,
mas que possui o dever de reduzir as desigualdades sociais pela intervenção no domínio econômico e pela promoção
de direitos sociais.

592-O que é crime de tendência ou atitude pessoal?

R. Segundo Cleber Masson, é aquele em que a tendência afetiva do autor delimita a ação típica, ou seja, a tipicidade
pode ou
não ocorrer em razão da atitude pessoal e interna do agente. Exemplos: toque do ginecologista na
realização do diagnóstico, que pode configurar mero agir profissional ou então algum crime de
natureza sexual, dependendo da tendência (libidinosa ou não), bem como as palavras dirigidas contra
alguém, que podem ou não caracterizar o crime de injúria em razão da intenção de ofender a honra ou
de apenas criticar ou brincar.

593-O que é a doutrina da situação irregular?

R. Sob a égide do Código de Menores de 1979, vigorava a doutrina da situação irregular, segundo a qual as crianças e
adolescentes eram tratados como mero objeto de proteção, a nomenclatura utilizada era "menor" em detrimento
dos termos "criança" e "adolescente", a internação e a retirada do seio da família original não eram tratadas como
exceção. A partir da Constituição de 1988, tal modelo se tornou totalmente incompatível com o ordenamento pátrio,
fundado na proteção integral da criança e do adolescente! Essa nova doutrina se consagrou com a vigência do
Estatuto da Criança e do Adolescente, em 1990. Caracteriza-se por considerar as crianças e adolescentes sujeitos de
direito, e portanto, titulares de direitos fundamentais a todos garantidos, além de alguns em específico, como o
direito à convivência familiar e o direito à prioridade absoluta por parte do Estado e da Sociedade.

594-Qual a diferença entre direitos e garantias fundamentais?

R. Direitos Fundamentais podem ser considerados um gênero, do qual decorrem os direitos fundamentais em
sentido estrito, as garantias fundamentais e os deveres fundamentais. A diferença entre essas espécies é que os
direitos fundamentais em sentido estrito são normas declaratórias, conferindo direitos aos indivíduos, enquanto as
garantias, segundo Jorge Miranda, são direitos fundamentais em estado de defesa, ou seja, são direitos
fundamentais que existem para a defesa de outros direitos, p. ex, o habeas corpus que existe para a defesa do
direito de liberdade. Por sua vez, os deveres são obrigações impostas ao indivíduo pela própria CF, p. ex., votar e
pagar tributos.

595-O que é a teoria do domínio do fato? O STJ já a aplicou? Aplicou corretamente?

R. Segundo Luís Flávio Gomes, "de forma clara e didática foi Welzel (a partir do final da década de 30) quem iniciou
a transformação da doutrina clássica (SOBRE A AUTORIA), afirmando 'autor de um crime é quem tem o domínio do
fato, é quem pratica o fato diretamente – o verbo descritivo do crime -, quem tem o poder de alterar o seu curso e
eventualmente interromper a sua trajetória". Assim sendo, a teoria do domínio do fato amplia o leque da autoria,
possibilitando a responsabilização não só de quem pratica o núcleo do verbo do tipo penal, mas quem poderia
interromper o fato ou dominava os executores materiais. O STF já aplicou a teoria do domínio do fato no caso do
Mensalão para gerar a responsabilização da cúpula do esquema criminoso, mas que não teria praticado os atos
materiais dos crimes em questão. Sobre a correção ou não da aplicação, o examinador gostaria de saber se o
examinado conhecia as críticas de Roxin, um dos maiores teóricos sobre o tema, à aplicação da teoria no Brasil. Pois,
segundo o autor alemão, a teoria NÃO dispensa provas contra os mandantes, do contrário, gerar-se-ia verdadeira
responsabilidade objetiva em matéria penal, o que é abominável e, segundo ele, ocorrera no Mensalão!

596-Qual a diferença entre a tutela cautelar e a antecipação dos efeitos da tutela?


R. A cautelar é um processo autônomo que serve para proteger um processo principal (dupla instrumentalidade) e
possui um caráter, como o próprio nome diz, de resguardo ou conservação do processo para que o bem da vida
tutelado não pereça, ou seja, acaba por preservar o bem da vida em uma situação de urgência, mas não permite o
gozo imediato de tal bem. Já a antecipação dos efeitos da tutela ocorre no bojo do processo principal e goza de
satisfatidade, ou seja, diferente da cautelar que só preserva o bem da vida em litígio, a antecipação já permite que a
parte que possui aparência de direito e está em situação de urgência possa ir gozando do bem da vida até o fim do
processo. Alguns ainda falam serem diferentes os requisitos, o que não nos parece adequado ante a própria
fungibilidade entre os institutos. OBS: NO NOVO CPC, VAI ACABAR A PRIMEIRA DIFERENÇA, POIS A CAUTELAR VAI
OCORRER NO BOJO DO PROCESSO PRINCIPAL, restando como diferença apenas a satisfatividade presente na
antecipação e não na cautelar.

597-O que é a criação judicial do Direito?

R. Bem, em regra, o que aprendemos basicamente é que o Direito é criado legislativamente. No entanto, não se
pode esquecer que o Direito é um fenômeno social! Há o velho bocardo "onde há Sociedade, há Direito". Assim
sendo, em que pese como função atípica, visto que tipicamente sua função é a interpretação e aplicação, o Judiciário
também pode, excepcionalmente, criar o Direito. Tal aspecto vem sendo ainda mais aprofundado com o
Neoconstitucionalismo e o Ativismo Judicial, que vem ampliando os poderes do Judiciário na conformação do
Direito, pode-se citar as sentenças aditivas no controle concentrado de constitucionalidade que estabelecem
verdadeiros regramentos da aplicação de determinados institutos, p. ex, as regras para demarcação de terras
indígenas no caso Raposa Serra do Sol. O processo de criação do Direito pode ser legitimado pela participação de
agentes sociais através, p. ex., do Amicus Curiae ou das audiências públicas!

598-È possível ACP para fornecimentos de fraldas geriatricas? E para fornecimento de estimulante sexual?E de
xampu anticaspa?

R. Em regra, segundo a jurisprudência majoritária, é possível a ACP para o fornecimento de fraudas geriatricas,
sendo essas fraldas consideradas INSUMOS que devem ser fornecidas como decorrência do direito à saúde. Do
mesmo modo os estimulantes sexuais podem ser fornecidos, posto que servem para combater doenças sexuais,
podendo ainda, em certos caos, servir para outras doenças como problemas cardíacos e de pressão. E o xampu
anticaspa?! Realmente, neste caso, assim como qualquer outro de saúde, o importante é consultar os especialistas
médicos! Verificar as indicações, se há aprovação da ANVISA, se não se trata de produto experimental e qual os
benefícios para a saúde!

599-O que é família poliafetiva?

R. O conceito de família poliafetiva remete a casos atípicos em nossa sociedade em que um núcleo familiar é
formado por um homem e mais de uma mulher, uma mulher e mais de um homem ou mais de um homem e mais de
uma mulher e todos aceitam e convivem com tal situação todos se reconhecendo como integrantes de uma mesma
família. Que tais espécies de relações familiares existem é inequívoco, vide o filme, baseado em fatos reais, "Eu, tu,
eles". A questão é a aceitabilidade jurídica do instituto, o que prevalece na doutrina e na jurisprudência é a
inadmissibilidade do RECONHECIMENTO JURÍDICO de tais relações humanas como família e sendo negado efeitos
conjugais e sucessórios a tais tipos de união. Por outro lado, há a forte voz de Maria Berenice Dias, defendendo a
possibilidade de tais espécies familiares, dada, segundo a autora, a não previsão da monogamia como princípio
constitucional ou legal em nosso ordenamento, sendo, na verdade, tal aspecto uma construção cultural e moral.
Como afirmado, em que pese a existência social, atualmente, ainda é muito difícil o reconhecimento de efeitos
jurídicos ao instituto.

600-Qual o fundamento jurisprudencial da interrupção do tempo da progressão de regime,quando o apenado


comete falta grave?
R. Com efeito, segundo a súmula 534 do STJ, "a prática de falta grave interrompe a contagem do prazo para a
progressão de regime de cumprimento de pena, o qual se reinicia a partir do cometimento dessa infração." Não há
qualquer previsão da Lei de Execução Penal, nem de outro diploma legislativo nesse sentido, o que já desperta a
crítica de ofensa ao princípio da legalidade; é pura inovação da Jurisprudência. E uma das razões de ser desse
entendimento sumular é de conferir uma consequência negativa ao apenado em regime fechado que comete falta
grave, já que o efeito da regressão de regime (art. 118, I da LEP) não o inibiria nesses casos, tendo em vista que já se
encontra no regime de cumprimento de pena mais gravoso. No entanto, vale ressaltar que a regressão de regime
não é a única consequência expressamente prevista na lei; cita-se, por exemplo, a perda de dias remidos e a
transferência para o RDD.

601-Quais as características do Poder Constituinte?

R. O Poder Constituinte pode ser Originário e Derivado. O Poder Constituinte Originário, como manifestação da
soberania popular, é inicial, autônomo e ilimitado. Inicial significa que a nova Constituição dá origem a um novo
Estado, iniciando nova ordem jurídica. Autônomo, derivado do fato de ser inicial, significa que ele não se limita à
ordem jurídica anterior, não estando sujeito aos Poderes Anteriores. E ilimitado significa que o Poder Constituinte
Originário pode moldar a nova ordem jurídica da forma que melhor lhe aprouver. A questão da falta de limites do
PCO é bem polêmica nos dias atuais, pois vários autores, como Jorge Miranda, defendem a existência de limites
transcendentes, como a cultura e a história de um povo. O Poder Constituinte Derivado, por óbvio goza de
características opostas, sendo de não inicial, derivado e condicionado, pois deriva direto da Constituição e por ela é
limitado.

602-Diferencia interesse público primário de interesse público secundário:

R. O interesse público primário é o interesse com as necessidades sociais, interesse do Estado com enfoque na
coletividade, voltado à sociedade. Já, o interesse público secundário é o interesse do Estado para com o Ente Estatal,
é o interesse particular do Estado com si próprio como pessoa jurídica de direito público que é.
Obs: A título de complemento, saliente-se que tal diferenciação tem origem na doutrina italiana e vem sendo muito
utilizada pelo STJ nos casos de discussão a respeito da necessidade de intervenção do MP em certos
processos(quando o interesse é meramente econômico, secundário, não se tem exigido a sua intervenção. exemplo:
ação de desapropriação de imóvel urbano.)

603-Ocupação do bem público gera posse? Há direito de indenização em caso de construção de benfeitorias?

R. Segundo entendimento do STJ, em caso de ocupação de bem público, notadamente por não serem eles alvo de
usucapião e em razão da aplicação do art. 1208 do CC(são considerados atos de mera permissão/tolerância), não
existe posse, mas sim mera detenção(REsp 489732, STJ).
Ademais, não se visualiza como possível a indenização de benfeitorias realizadas pelos particulares nessas áreas.
Segundo o espelho da banca:
"Não terá direito à indenização pelas acessões feitas, mesmo que de boa-fé, pois como rnão tem posse não exerce
poderes inerentes à propriedade. A indenização por benfeitorias ou acessões pressupõe ainda,vantagem ao
proprietário e impede que haja enriquecimento sem causa, já com a ocupação de áreas públicas não há vantagem,
pois, além da construção não ter utilidade para o Poder Público, ensejará dispêndio para sua demolição, o que afasta
o pleito indenizatório e por consequência o direito de retenção.
O Estado deve fornecer moradia aos desamparados
através das Políticas Públicas de Habitação e não
beneficiando aqueles que invadem bens públicos"

Para finalizar, adicionamos ainda argumentos utilizados pelo STJ no REsp 808708: "Além de rasgar a Constituição e
humilhar o Estado de Direito,substituindo-o, com emprego de força ou manobras jurídicas, pela"lei da selva", a
privatização ilegal de espaços públicos,notadamente de bens tombados ou especialmente protegidos, dilapida o
patrimônio da sociedade e compromete o seu gozo pelas gerações futuras."

604-Normas constitucionais de princípio institutivo são espécies de normas de eficácia limitada. C ou E?

R.Certo.
Trata-se da Teoria da Aplicabilidade das Normas Constitucionais de José Afonso da Silva. Por essa teoria, as normas
constitucionais, quanto ao grau de aplicabilidade, podem ser: a) de eficácia plena, b) de eficácia contida, c) de
eficácia limitada. As de eficácia plena possuem aplicação direta e imediata. As de eficácia contida possuem aplicação
imediata, mas podem a ser no futuro limitadas por leis infraconstitucionais. Já as de eficácia limitada seriam de
aplicação indireta e mediata só sendo aplicadas depois de reguladas por lei. Segundo JAS, as normas de eficácia
limitada dividir-se-iam em: c.1) normas programáticas, c.2) normas de princípio institutivo. As programáticas
criariam metas para serem alcançadas no futuro, p. ex, a norma que estabelece o fim das desigualdades regionais. As
de princípio institutivo criariam instituições e órgãos para efetivação de preceitos constitucionais, p. ex, a norma que
prevê a existência das agências reguladoras.

605-Segunda a teoria da aplicabilidade das normas constitucionais de José Afonso da Silva,as normas de eficácia
limitada possuem um mínimo de aplicabilidade. C ou E?

R. Certo!
Segundo a teoria da aplicabilidade das normas constitucionais de JAS, TODAS AS NORMAS CONSTITUCIONAIS
POSSUEM UM MÍNIMO DE APLICABILIDADE, até mesmo as de aplicabilidade LIMITADA, pois a simples existência da
norma já gera alguns efeitos como, p ex, a vedação da produção contrárias a elas. Assim sendo, a resposta é correta.
O fato de pela teoria a aplicabilidade ser limitada não significa a ausência total de aplicabilidade, ou seja, de
produção de efeitos.

606-Quais são as teorias que justificam a prescrição?

R. 1) Teoria do Esquecimento – Essa teoria prega que deve ocorrer a prescrição pelo fato de própria sociedade
esquecer o fato típico, não existindo mais motivos para punição;
2) Teoria da expiação moral – O sofrimento que já foi imposto ao criminoso acaba por angustiá-lo, ante a
possibilidade de sofrer uma pena, o que por si só já é uma punição;
3) Teoria da emenda do delinquente: Tal teoria aduz que o criminoso com o decurso do tempo pode ter mudança de
comportamento, o que traduz a desnecessidade da aplicação da pena;
4) Teoria da dispersão das provas – Tal teoria afirma que tempo conduz à perda das provas ou ao menos ao seu
afastamento da veracidade. É bastante criticada pois se argumenta que ela ignora o poder discricionário do juiz de
realizar a livre apreciação das provas;
5) Teoria psicológica – Tal teoria prega que o criminoso altera seu modo de ser com o passar do tempo. Desse modo,
equivale à teoria da emenda do delinquente;
6) Teoria da exclusão dos efeitos anti jurídicos – Prega que o decurso do tempo faz com que determinados bens
jurídicos percam a relevância e passem os tipos penais, que antes os protegiam, a serem tolerados com a cessação
dos efeitos da condenação - como se fosse uma ab-rogação branca.
7) Teoria da prescrição como forma de evitar a ineficiência do Estado – Tal teoria aduz que a prescrição é forma de
cobrar eficiência do Estado pois, se não houvesse, seria ainda mais retardado o fim da lide e com isso o término da
pena.

607-O próprio Delegado de Polícia pode arbitrat fiança em casos em que a pena máxima seja de até dois anos de
prisão. C ou E?
R. Errado!
Como restou alterado pela Lei nº 12.403, de 2011, que ampliou as medidas cautelares diversas da prisão, o CPP, no
Art 322, estatui: " a autoridade policial somente poderá conceder fiança nos casos de infração cuja pena privativa de
liberdade máxima não seja superior a 4 (quatro) anos". Portanto, a alternativa está ERRADA! Vale atentar que o que
não pode ser é a pena MÁXIMA que deve ser até QUATRO ANOS!

608- O que é o quebramento (quebra) da fiança?

R. Se o indiciado/acusado descumpre determinados deveres impostos pelo CPP ou pela autoridade judiciária, ele
demonstra que não está merecendo a confiança (fidúcia) que lhe foi conferida. Ocorrendo isso, o magistrado
considera que a confiança foi quebrada.
.
.
Quais são as consequências decorrentes do quebramento da fiança?
O quebramento injustificado da fiança acarretará a:
a) perda de METADE do valor dado em fiança;
b) imposição de outras medidas cautelares (art. 319) ou até mesmo a decretação da prisão preventiva
do indiciado/réu se o juiz entender que somente a segregação é suficiente para o caso concreto;
c) impossibilidade de ser concedida nova fiança ao indiciado/réu neste mesmo processo.
.
.
Quais são as hipóteses em que haverá o quebramento da fiança?
A autoridade judiciária julgará que a fiança está quebrada quando o acusado:
I - regularmente intimado para ato do inquérito ou do processo, deixar de comparecer, sem motivo justo;
II - deliberadamente praticar ato de obstrução ao andamento do processo;
III - descumprir medida cautelar imposta cumulativamente com a fiança;
IV - resistir injustificadamente a ordem judicial;
V - praticar nova infração penal DOLOSA;
VI - descumprir as obrigações processuais assumidas no termo de fiança (arts. 327 e 328).
.
.
Qual o recurso cabível contra a decisão que decretou o quebramento da fiança?
Recurso em sentido estrito (art. 581, VII, do CPP)".

609-O que é elemento subjetivo do injusto?

R. Elemento subjetivo do injusto –


Certos tipos penais, por exigência legal, prevêem, ao lado do dolo, outro elemento que pertence ao campo psíquico
ou subjetivo do autor, que particularizam a sua conduta para a realização do tipo. Para a doutrina tradicional, seria o
dolo especifico. Para muitos, no entanto, essa visão está superada - melhor estudado sob o enfoque do elemento
subjetivo do injusto, pois o dolo se esgotaria na consciência e vontade. Exemplos: furto - para si ou para outrem.

610-Quais são as modalidades específicas de cheque?

R. Segundo André Luis Santa Cruz Ramos, A legislação especial cuida de algumas modalidades específicas de cheque,
que serão analisados
agora.
Há, por exemplo, o cheque cruzado (arts. 44 e 45 da Lei do Cheque), muito utilizado na praxe
comercial. O cruzamento consiste na aposição de dois traços transversais e paralelos no anverso do
título, e tem por objetivo conferir segurança à liquidação de cheques ao portador. Isso porque ao ser feito o
cruzamento o cheque só pode ser pago a um banco ou a um cliente do banco, mediante crédito em conta, o que
evita, consequentemente, o seu desconto na boca do caixa.
A lei também menciona o cheque administrativo (art. 9.°, inciso III, da Lei do Cheque), que é
aquele emitido por um banco contra ele mesmo, para ser liquidado em uma de suas agências. O
banco, portanto, é ao mesmo tempo emitente e sacado.
Outra modalidade de cheque disciplinada pela lei é o cheque visado (art. 7.° da Lei do Cheque), aquele em que o
banco confirma, mediante assinatura no verso do título, a existência de fundos suficientes para pagamento do valor
mencionado. Segundo a lei, somente pode receber o visto do banco o cheque nominativo que ainda não tiver sido
endossado.
Ao visar o cheque, o banco garante que o mesmo tem fundos e assegura o seu pagamento durante
o prazo de apresentação. Com o visto, o banco se obriga a reservar a quantia constante do cheque
durante o período de apresentação.
Por fim, trata a lei ainda do chamado cheque para ser creditado em conta (art. 46 da Lei do
Cheque), aquele que o sacado não pode pagar em dinheiro, por expressa proibição colocada no
anverso do título pelo próprio emitente, consistente na colocação da expressão “para ser creditado
em conta” (como manda a lei) ou da menção ao número da conta do beneficiário entre os traços do
cruzamento (como é feito na prática). Nesse caso, o banco sacado deve proceder ao pagamento do
cheque por meio de lançamento contábil (crédito em conta, transferência ou compensação).

611-A lei orgânia do município è manifestação do poder constituinte decorrente?

R. Como explica Daniel Sarmento, a Lei Orgânica Municipal é uma inovação da CF/88. Nos regimes constitucionais
anteriores, cabia aos Estados regular a vida política dos Municípios. A própria condição de ente político autônomo
pelo Município possui algumas resistências na literatura. O fato é que a CF/88 conferiu ao Município um poder de
auto-organização a ser exercido via Lei Orgânica. Isso faz da LO uma manifestação do Poder Constituinte
Decorrente?! Há grave contovêrsia jurídica sobre o tema. Hely Lopes e José Afonso da Silva, p. ex., defendem o
caráter constitucional da LO. Outra corrente entende que como a LO deve respeitar os parâmetros da Constituição
Estadual ela teria caráter legal, assim se posicionam, p. ex., Luiz Alberto David Araújo e Vidal Serrano Nunes Junior. O
próprio Sarmento parece reconhecer o caráter constitucional à LO, apesar de reconhecer a ausência de controle
abstrato de constitucionalidade e às limitações constitucionais impostas pela Constituição Estadual em face da LO.

612-O que é o princípio do Efeito Integrador?

R. O princípio do Efeito Integrador é um dos princípios norteadores da chamada Nova Hermenêutica Constitucional.
Tal princípio, segundo Ingo Sarlet, tem ligação estreita com a Unidade da Constituição e significa a utilização da
"integração política e social" como vetor na orientação de decisões jurídico-constitucionais. Alerta Konrad Hesse,
todavia, que não basta a escolha de um fim integrador, mas o processo (os meios) gerado por essa decisão deve
respeitar a licitude dos meios constitucionais.

613-Se o autor, na petição inicial, expressamente, afirma não possuir interesse na conciliação, ainda assim, o juiz
deve marcar audiência de conciliação ou mediação?

R. SIM!!! DEVE SIM MARCAR!!! Segundo o Art. 334, p. 4°, a audiência só não ocorrerá se ambas as partes
manifestarem-se expressamente contrárias a ela ou for caso de direito ou interesse em que seja vedada a
autocomposição. Assim sendo, mesmo se o autor manifestar, expressamente, seu desinteresse, ainda assim, o juiz
citará para a audiência de conciliação, quando, então, o réu poderá manifestar, por simples petição, no prazo de 10
dias, seu desinteresse na conciliação, a partir de quando contará o prazo de 15 dias para a Contestação. Caso a
audiência ocorra, não chegando as partes a consenso, da audiência frustrada, corre o prazo da Contestação.

614-No que consiste o princípio da proibição do atalhamento constitucional?


R. Segundo o Professor Fábio Konder Comparato, trata-se de um "desvio de poder constituinte'" que os autores
alemães denominam "Verfassunsbeseitigung", expressão que, traduzida literalmente, significa "atalhamento da
Constituição".
Consagra-se, portanto, o princípio que veda qualquer mecanismo a ensejar o "atalhamento da Constituição", vale
dizer, qualquer artifício que busque abrandar, suavizar, abreviar, dificultar ou impedir a ampla produção de efeitos
dos princípios constitucionais.

Exemplo: ADI 3.685 - Ao modificar o art. 17, §1º, da CF/88, a EC n. 52/2006 estabeleceu ser assegurada aos partidos
políticos autonomia para definir sua estrutura interna, organização e funcionamento e para adotar os critérios de
escolha e o regime de suas coligações eleitorais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em
âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos prever normas de disciplina e fidelidade
partidária. O art. 2º da EC n. 52/2006, por sua vez, determinou a aplicação do novo preceito (que acabava com a
obrigatoriedade da verticalização das coligações partidárias) às eleições que ocorreram no ano de 2002. Sem dúvida
o objetivo dessa remissão era fazer com que a regra, supostamente direcionada para as eleições de 2002, pudesse já
ser aplicada às eleições de 2006, na medida em que, aparentemente, intacto estaria o princípio contido no art. 16 da
CF/88.
Pode-se afirmar, como o Ministro Ricardo Lewandowski, em seu voto, que a manobra empreendida pelo
Constituinte Reformador (EC n. 52/2006) " ... incorre no vício que os publicistas franceses de longa data qualificam
de "détournement de pouvoir", isto é, de "desvio de poder ou de finalidade", expediente mediante o qual se busca
atingir um fim ilícito utilizando-se de um meio aparentemente legal". E continua: "em outras palavras, repita-se,
buscou-se, no caso, como se viu, atalhar o princípio da anualidade, dando efeito retroativo à Emenda 52,
promulgada em plena vigência do moralizador artigo 16 da Carta Magna." Fonte: Direito Constitucional
Esquematizado - Pedro Lenza - 19ª ed. - Editora Saraiva

615-A união pode celebrar consórcio administrativo diretamente com os com os municípios de um dado Estado,
mesmo que este não participe da evnça. Certo ou Errado?

R.Errada!
Segundo o Art. 1°, p.2° da Lei N° 11.107/05, "A União somente participará de consórcios públicos em que também
façam parte em todos os Estados em cujos territórios estejam situados os Municípios consorciados". Assim sendo, a
doutrina afirma, com tranquilidade, que a União somente pode firmar consórcio público com dado Município, se o
Estado onde está tal Município também participar da avença. Portanto, o item está ERRADO!

616-No NCPC, o que é o princípio da decisão informada?

R: O princípio da decisão informada está previsto no art. 166, "caput", do NCPC e aplica-se à conciliação e à
mediação.Segundo Daniel Amorim Neves, o referido princípio "cria o dever ao conciliador e ao mediador de manter
o jurisdicionado plenamente informado quanto aos seus direitos e ao contexto fático no qual está inserido". Assim, é
uma forma de permitir que as partes celebrem acordos tendo plena ciência do ato que estão praticando.

617- A coabitação é requisito para a aplicação da Lei Maria da Penha?

R: Segundo a Lei Maria da Penha: Art. 5o Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a
mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou
psicológico e dano moral ou patrimonial:

III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida,
independentemente de coabitação.

Desse modo, a coabitação é desnecessária para a aplicação da referida lei.

618- Qual a terceira via do Direito Penal?


R: Segundo Rogério Sanches, a primeira via é a aplicação de penas, enquanto que a segunda via é a aplicação de
medidas de segurança. Por último, a terceira via do Direito Penal é a substituição da aplicação da pena ou medida de
segurança pela reparação do dano causado à vítima, notadamente nos crimes patrimoniais.

619- O CPP prevê que o Juiz poderá substituir a prisão preventiva pela domiciliar somente quando a agente for
gestante a partir do sétimo mês de gravidez ou se sua gravidez for de alto risco. Certo ou Errado?

R: Errado.

A prisão domiciliar é uma espécie de medida cautelar prevista no CPP. Com a determinação da prisão domiciliar,
ocorrerá o recolhimento do indiciado ou acusado em sua residência, só podendo se ausentar mediante autorização
judicial.
Poderá o Juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar nos seguintes casos: quando o agente tiver mais de 80
anos; quando estiver extremamente debilitado por motivo de doença grave; quando for imprescindível aos cuidados
especiais de pessoa menor de 06 anos de idade ou com deficiência; quando for gestante; quando for mulher com
filho de até 12 anos de idade incompletos; homem, caso seja o único responsável pelos cuidados de filho de até 12
anos incompletos.

Dessa forma, a alternativa acima apresentada estava errada porque afirmava que a prisão domiciliar só era possível
quando se tratasse de gestante a partir do sétimo mês de gestação ou se a gravidez fosse de alto risco. Como vimos,
a prisão domiciliar poderá ser substituída quando a indiciada ou acusada for gestante, independente do tempo de
gestação ou do risco da gravidez. Além disso, também terá cabimento nos outros casos acima descritos (vale
ressaltar que as hipóteses acima descritas estão em consonância com as alterações promovidas pela Lei 13.257/16).
Por fim, vale ressaltar que a prisão domiciliar é decretada em substituição a preventiva, necessitando de ordem
judicial. Essa substituição não é automática e só ocorrerá quando a prisão preventiva não for recomendável.

620- O dolo consecutivo é aceito no direito brasileiro. Certo ou Errado?

R: Errado.

O dolo consecutivo ou subsequente consiste na situação em que o agente produz um resultado, sem que, para
tanto, houvesse qualquer conduta penal relevante, em face da ausência de dolo ou culpa, sendo que, após verificar
o resultado, o agente teria aceitado o resultado.

Ora, tal espécie de dolo não é aceita, pois, conforme ensina Roxin, a mera aprovação retroativa de um resultado já
produzido nunca constitui dolo.

621- Tombamento gera direito à indenização?

R: Tombamento é forma de intervenção estatal na propriedade que visa registrar, manter e conservar determinado
bem, com o fim de resguardar o patrimônio paisagístico, histórico, cultural, arqueológico, artístico, por representar a
identidade de um povo (art. 216, § 1º, CF e Decreto-lei n.º 25/37). O tombamento atinge o caráter absoluto da
propriedade, o que significa dizer que o titular já não poderá mais usar, gozar e dispor da coisa da maneira que
melhor lhe aprouver. Apesar disso, o tombamento não atinge o caráter exclusivo (permanecendo a coisa com o seu
dono), nem o caráter perpétuo (a coisa pertence ao proprietário enquanto este quiser). O tombamento não
transforma a coisa tombada em bem público, mantendo-a no domínio do seu proprietário. Porém, sujeita o dono a
uma série de restrições, extensivas, inclusive, a terceiros.

O tombamento, em regra, por si só, não gera direito à indenização. Considerando que o dever de conservar o bem,
com a preservação de suas características originais, não gera prejuízo, não há que se falar em indenização.
622- Quanto ao procedimento do reconhecimento de pessoas, é imprescindível que a pessoa a ser reconhecida
seja colocada ao lado de outras que com ela tenham qualquer semelhança. Certo ou Errado?

R: ERRADA.

Segundo a literalidade do artigo 226, II, do Código de Processo Penal, se POSSÍVEL, a pessoa a ser reconhecida será
colocada ao lado de outras de semelhantes características.
Cabe destacar, ainda, que o Supremo Tribunal Federal admite o reconhecimento de pessoas ou coisas por meio de
fotografias (HC n.74.267).

623- A competência para o processo e julgamento do crime de adulteração de combustíveis é da Justiça Estadual.
Certo ou Errado?

R: Certo.

A lei 8.176/91 define os crimes contra a ordem econômica, porém a respectiva norma é silente quanto à Justiça
competente para o processo e julgamento.
A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), entidade autárquica vinculada à União, possui
a atribuição para fiscalizar. Apesar disso, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do conflito de competência
132834/SP, entendeu que não há interesse da União.

Logo, a Justiça Estadual é a competente para processar e julgar tais delitos.

624- O que é o “período suspeito” nas desapropriações?

R: As desapropriações dependem de um Decreto Expropriatório. Esse ato normativo, todavia, pode caducar e perder
sua força de imperatividade jurídica. A caducidade do decreto, nos casos de desapropriações por necessidade ou
utilidade, nos termos do Art. 10 do Decreto-lei 3365, ocorre se a desapropriação não for efetivada mediante acordo
ou se não for proposta a devida ação judicialmente, dentro de cinco anos, contados da data da expedição do
respectivo decreto. Já, na desapropriação por interesse social, o prazo de caducidade do Decreto Expropriatório é de
dois anos. Nesses termos, na prática, a Administração Pública possui o prazo de 5 ou 2 anos para, a contar do
Decreto, efetivamente desapropriar ou propor a ação de desapropriação e conseguir a citação válida (OBS.: para
evitar a caducidade a Administração necessita conseguir a CITAÇÃO VÁLIDA – não basta a propositura da ação –
antes de se completarem os 5 ou 2 anos da publicação do decreto). Pois bem, esse período de 5 ou 2 anos é o que se
chama de período suspeito, isto é, o espaço de tempo entre a expedição do decreto desapropriatório e a propositura
da ação respectiva ou da efetiva realização da desapropriação.

O nome é evidente, visto que com o decreto a Administração demonstra o interesse de intervir na propriedade do
cidadão, mas isso ainda não significa que, de fato, irá efetivar plenamente tal desiderato, visto, p. ex., a possibilidade
de caducidade do decreto. Assim, esse período compreendido entre a declaração de utilidade e a efetiva
transmissão do bem ao expropriante é denominado de “período suspeito”. Em nossas pesquisas, o termo remonta
ao célebre Seabra Fagundes, apontando tal momento como fase intermediária entre a livre propriedade anterior do
indivíduo e a propriedade ulterior da Fazenda Pública, na qual o indivíduo ainda é dono, mas não dispõe
integralmente da coisa.

625- Quanto ao sistema de avaliação de provas, o ordenamento jurídico admite apenas o da persuasão racional do
juiz. Certo ou Errado?

R: ERRADA.
Há três sistemas de valoração da prova: o da livre ou íntima convicção; da prova legal ou tarifada; e da persuasão
racional ou livre convencimento motivado. Embora a regra atual seja o sistema da persuasão racional, há a aplicação
dos outros sistemas de forma excepcional. Pode-se citar, como exemplo, a aplicação do sistema da íntima convicção
na segunda fase do rito do Júri, uma vez que os jurados não precisam fundamentar seus votos em cada quesito.

Depreende-se da regra do artigo 158 do Código de Processo Penal, a incidência do sistema da prova legal ou
tarifada, que exige a realização de exame de corpo de delito para comprovar a materialidade das infrações penais
que deixam vestígios. Não se pode esquecer, também, do artigo 62 do CPP que trata da extinção da punibilidade em
caso de morte somente à vista de certidão de óbito.

626- O indiciamento pode ser requisitado pelo Juiz ou pelo Promotor de Justiça?

R: Nos termos da Lei 12.830/2013, o indiciamento é ato privativo do Delegado de Polícia e deverá ocorrer de forma
fundamentada, mediante análise técnico-jurídica do fato, devendo indicar a autoria, materialidade e circunstâncias.
Portanto, não cabe requisição judicial ou ministerial para que o Delegado faça o indiciamento de alguém.
Como o Delegado preside o Inquérito Policial e é a autoridade que mantém o contato imediato com o que está
sendo investigado, somente a ele cabe o indiciamento, o qual deverá ser realizado após análise criteriosa dos
elementos colhidos, verificando questões técnicas e jurídicas do fato, bem como os aspectos referentes a
materialidade, autoria e circunstâncias.
O STF também entende nesse sentido, tendo definido que " o indiciamento é ato privativo da Autoridade Policial,
segundo sua análise técnico-jurídica do fato. O Juiz não pode determinar que o Delegado de Polícia faça o
indiciamento de alguém". (STF. 2 Turma. HC 115015/SP, rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 27/08/2013).

627- O que é a continuidade normativo-típica?

R: Para que ocorra "abolitio criminis", não é suficiente a simples revogação do tipo penal. Isso porque, conforme
Cleber Masson, além da supressão formal do crime, é também necessária a supressão material, de modo que aquela
conduta específica não mais seja tipificada como crime.

Assim, caso um tipo penal seja revogado, mas a conduta seja tipificada em outra lei ou artigo, não terá havido
"abolitio criminis", mas continuidade normativo-típica, de modo que quem praticar aquela conduta ainda poderá
sofrer sanção penal. Isso ocorreu, por exemplo, com o crime de atentado violento ao pudor, que foi revogado, mas
incluído como uma das condutas do crime de estupro.

628- O Judiciário pode intervir na escolha das comarcas de atuação dos Defensores Públicos?

R: NÃO! Não é cabível a intervenção jurisdicional na definição das comarcas que receberão Defensores Públicos, por
afronta à autonomia da Instituição deferida constitucionalmente no art. 134. Ademais, salienta-se que a EC 80/2014
estabeleceu critérios para a lotação de Defensores Públicos, quais sejam, o índice de adensamento populacional e
exclusão social. Tal EC também preconiza que deve haver Defensor Público em toda comarca e seção judiciária do
País. Contudo, até a implementação desse preceito constitucional, impende à Administração Superior da Defensoria
gerenciar o seu reduzido quadro para atender às comarcas, de acordo com o critério da CF/88. Em suma, o ideal
seria ter Defensor em todo lugar, mas como não há, a lotação deve ser definida pelo próprio órgão, guiada pelos
parâmetros constitucionais, não havendo espaço para intervenção do PJ. Nesse sentido, no STA 800, o STF se
manifestou acerca do assunto, em julgado envolvendo a DPU. Vejam a notícia na íntegra do site do STF: O presidente
do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, proferiu decisão que assegura a autonomia da
Defensoria Pública da União (DPU) na definição das localidades em que atuarão seus quadros. Na Suspensão de
Tutela Antecipada (STA) 800, a DPU questionou decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em
resposta a pedido do Ministério Público Federal, que determinou que a defensoria promovesse atendimento à
população na Subseção Judiciária de Cruz Alta (RS).
No entendimento do presidente do STF, o pedido trata de tema constitucional, uma vez que cuida de ofensa à
autonomia da DPU para decidir onde deve lotar seus defensores, e implica lesão à ordem, saúde, segurança ou
economia públicas. “Como relatado pela DPU, já foram contabilizadas 58 ações com o mesmo objetivo do processo
em exame, o que demonstra o chamado ‘efeito multiplicador’ da causa, podendo repercutir de maneira efetiva na
atuação da DPU”, diz a decisão.

629- Cirurgia estética reparadora que elimine a deformidade na vítima afasta a qualificadora da deformidade
permanente no crime de lesão corporal?

R: Inicialmente vale ressaltar que é considerado deformidade permanente o dano estético, a modificação estética na
integridade corporal, que causa uma impressão vexatória.

No crime de lesão corporal, havendo deformidade permanente na vítima, restará configurada uma qualificadora e a
lesão será considerada gravíssima, tudo nos termos do art. 129, &2º, IV do Código Penal.

Segundo o STJ, " A qualificadora da deformidade permanente do crime de lesão corporal (art. 129, &2º, IV, do CP)
não é afastada por posterior cirurgia estética reparadora que elimine ou minimize a deformidade da vítima. Isso
porque, o fato criminoso é valorado no momento de sua consumação, não o afetando providências posteriores,
notadamente quando não usuais (pelo risco ou pelo custo, como cirurgia plástica ou de tratamentos prolongados,
dolorosos ou geradores de risco de vida) e promovidas a critério exclusivo da vítima". (STJ. 6 Turma. HC 306.677-RJ,
julgado em 19/05/2015 - Inf. 562). Portanto, a qualificadora acima mencionada não é afastada por posterior cirurgia
estética que elimine ou minimize a deformidade na vítima.

630- O prazo prescricional de tributos lançados de ofício começa a partir da notificação do lançamento?

R: É de grande relevância prática saber precisar o momento em que se inicia o curso do prazo prescricional de
tributos sujeitos à lançamento de ofício, encontrando-se divergência até mesmo no âmbito do STJ.

A redação literal do art. 174 do CTN determina que o prazo quinquenal para a cobrança do crédito fazendário
começa a partir da constituição definitiva do crédito.

O questionamento reside em especificar se o início do prazo prescricional dá-se com a notificação do lançamento,
que, no caso do IPTU e IPVA, por exemplo, se perfectibiliza com a entrega do carnê de cobrança no endereço de
cadastro do contribuinte, ou se teria o início em momento posterior, com o vencimento do tributo indicado no
carnê, segundo a legislação local.

Em relação ao primeiro posicionamento, podemos apontar o seguinte julgado: “ É pacífico o entendimento no


Superior Tribunal de Justiça de que o início da contagem do prazo prescricional dos tributos sujeito a lançamento de
ofício, como o IPVA e o IPTU, é a data da notificação para pagamento". (AgRg no REsp 1.488.483/SC, Rel. Ministra
REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/08/2015, DJe 21/08/2015). Em relação ao segundo
posicionamento, podemos, por sua vez apresentar o julgado abaixo: “1. À luz da jurisprudência do STJ, o termo
inicial da prescrição com relação aos tributos lançados de ofício, tais como IPVA e IPTU, é a data de vencimento do
tributo.”(AgRg no REsp 1566018/MG, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em
24/11/2015, DJe 01/12/2015). Desta forma, devemos ficar atentos ao responder a eventual questionamento, uma
vez que a matéria ainda não se encontra totalmente pacificada nos tribunais.

Ressaltamos ainda que, em relação ao IPVA, encontra-se pendente recurso repetitivo (tema 903. Discussão:
definição acerca do momento em que verificado o lançamento e a sua notificação quanto ao crédito tributário de
IPVA, com o escopo de fixar o termo inicial do prazo prescricional para a cobrança do crédito respectivo.).

631- Na reconvenção, a natureza da pretensão do réu reconvinte pode ser diversa da pretensão do autor
reconvindo. Certo ou Errado?
R: Certo.

É cediço que a reconvenção tem natureza jurídica de ação, apesar de não formar um novo processo e ser oferecida
no bojo da contestação.

Em apartada síntese, expõe-se que os requisitos da reconvenção são: 1) conexão com a ação principal ou
fundamentos da defesa; 2) juízo seja competente; 3) compatibilidade de procedimentos.

Uma vez preenchidas essas condições, nada obsta que a pretensão do réu reconvinte em face do autor reconvindo
seja de natureza diversa, ou seja, é possível reconvenção condenatória em ação declaratório e vice-versa.
Portanto, ao exigir que a reconvenção seja conexa com os fundamentos da defesa ou da ação principal, isso não
quer dizer que a pretensão formulada tenha que ser da mesma natureza.

632- A utilização do bem público de uso comum pode ser cobrada. Certo ou Errado?

|R: Certo! O Código Civil, em seu art. 103, permite que o uso de bem público comum seja remunerado, conforme
estabelecido legalmente pela entidade a que pertencer. Assim, embora o referido bem pertença a toda a
coletividade, o seu uso pode ser remunerado. Um exemplo é a cobrança para acesso a um parque público.

633- A irrepetibilidade da prestação alimentícia é absoluta?

R: Não! Consoante ponderação do doutrinador Rolf Madaleno, seria injusto não restituir alimentos claramente
indevido, fato que implicaria em notória infração ao princípio do não-enriquecimento sem causa.

Além disso, não se pode olvidar que o primado da eticidade regula toda a legislação cível, inclusive a relação familiar,
devendo sempre se perquirir a boa-fé do alimentado ou seu representante legal, a fim de evitar que a má-fé seja
usada como uma forma de locupletamento ilícito.

Dessa feita, pode-se afirmar que a regra geral é, de fato, a irrepetibilidade dos alimentos, somente admitida a
restituição judicial em casos especiais, respeitando o princípio da boa-fé objetiva e vedação ao enriquecimento
ilícito.

634- A sentença declaratória pode ter eficácia executiva?

R: Apesar de aparentemente tratar-se de uma contradição, os tribunais e a doutrina vêm admitindo a


executoriedade das sentenças meramente declaratórias, desde que preenchidos determinados requisitos.

O posicionamento acima não é pacífico. Neste sentido, vejamos a lição de Nelson Nery Jr. (Código de Processo Civil
Comentado, 2016, p. 1368): “Como na ação meramente declaratória (CPC 19) não há imposição de obrigação nem
de sanção, traço caracterizador da eficácia executiva da sentença, não contem ela aptidão para impor a pratica de
atos de execução, não contem força executiva”

Por outro lado, formou-se entendimento majoritário de que “as sentenças declaratórias (inclusive as de
improcedência) são executáveis quando explicitarem todos os elementos de uma prestação exigível. A nosso ver,
não faz sentido impor nova fase de cognição para explicitar um comando condenatório a uma sentença que já
contém todos os elementos identificadores da obrigação” (Wambier, Teresa Arruda Alvim et al. Primeiros
comentários ao novo código de processo civil. 2016. P.933/934)

Segundo essa corrente, a nova definição a título executivo judicial conferida pelo art. 515, I do NCPC apenas
corrobora esse entendimento.
O STJ, por sua vez, já tem reiteradas decisões neste sentido. Trazemos abaixo apenas uma mais recente:

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. SENTENÇA


DECLARATÓRIA. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. AGRAVO IMPROVIDO.
1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica no sentido de que a sentença declaratória pode ter
força executiva, caso presentes os elementos necessários à execução, como exigibilidade, liquidez e certeza da
obrigação.

2. Não há como analisar a questão referente à ocorrência de coisa julgada, tendo em vista a ausência de
prequestionamento.

3. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 604.194/GO, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA
TURMA, julgado em 08/03/2016, DJe 28/03/2016)

Desta forma, é possível a execução de sentença declaratória, caso presentes os elementos necessários à execução,
como exigibilidade, liquidez e certeza da obrigação.

635- TST é competente para julgar reclamação constitucional?

R: Eis uma importante novidade legislativa da semana passada: a Emenda à Constituição n° 92/2016, que incluiu o
inciso II-A no art. 92 da CF, o qual passou a prever o TST como órgão do Poder Judiciário. Ademais, criou-se um novo
parágrafo ao art. 111-A, o qual versa que "Compete ao Tribunal Superior do Trabalho processar e julgar,
originariamente, a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões."

636- O que é licitação deserta? Quais os requisitos para dispensa de licitação nesse caso?

R: O art. 24, V, da Lei 8.666/1993115 dispensa a licitação quando não acudir interessado à licitação anterior e esta,
justificadamente, não puder ser repetida sem prejuízo para a Administração, mantidas, neste “caso, todas as
condições preestabelecidas.
Nesse caso, em razão da ausência de interessados, a licitação é denominada de “deserta”. Ressalte-se que a licitação
deserta não se confunde com a “licitação frustrada ou fracassada”, pois, nesse último caso, existem licitantes
presentes no certame, mas todos são inabilitados ou desclassificados. A característica comum dessas duas hipóteses
é que a licitação não chegará ao seu termo final.

A dispensa na licitação deserta depende dos seguintes pressupostos: a) ausência de interessados na licitação
anterior; b) motivação: a justificativa deve demonstrar que a repetição do certame acarretaria prejuízos ao interesse
público; e c) manutenção das condições preestabelecidas: o intuito é evitar a violação aos princípios da moralidade e
da impessoalidade, pois a alteração substancial das condições estabelecidas na licitação anterior poderia atrair o
interesse de licitantes, o que exigiria a realização da licitação.

637- Qual a diferença entre o federalismo de agregação e de desagregação?

R: O Estado federado pode formar-se por agregação ou por desagregação.


Na primeira hipótese, a situação pretérita revela a existência de Estados independentes ou soberanos que abriram
mão de sua soberania para a constituição de um único Estado federal, indissolúvel, onde passarão a gozar de
autonomia. Diz-se, nesse caso, que ocorre um movimento centrípeto, de fora pra dentro. É o caso clássico dos
Estados Unidos da América, que se formaram a partir da união das 13 colônias inglesas.
No federalismo por desagregação (ou segregação), consoante lição de Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino, “um
Estado unitário descentraliza-se, instituindo uma repartição de competências entre entidades federais autônomas,
criadas para exercê-las”. Nessa hipótese, ocorre um movimento centrífugo, de dentro para fora. É o caso da
federação brasileira, que surgiu a partir da proclamação da República, em 1889, rompendo com o Estado unitário
emanado após a independência do país, em 1822.

638- No contrato de crédito educativo, aplica-se o CDC, já que se trata de serviço bancário. Certo ou Errado?

R: Errado.

O objeto do contrato de crédito educativo é um programa de governo, em benefício do estudante, sem conotação
de serviço bancário. Sendo assim, não há relação de consumo nessa relação. Nesse sentido, inclusive, já decidiu o STJ
(resp 1.256.227).

639- O que é infração bagatelar imprópria?

R: A infração bagatelar imprópria é aquela que nasce com relevância para o Direito Penal, conquanto presentes o
desvalor da conduta e do resultado, configurando-se conduta típica (presença de tipicidade material e formal),
antijurídica e culpável; no entanto, no caso concreto analisado, a aplicação da pena se mostra desnecessária.

Segundo os defensores da aplicação da bagatela imprópria, mesmo que exista a comprovação da tipicidade, ilicitude
e culpabilidade, se estiverem presentes fatores que comprovem a inutilidade ou contraproducência da aplicação da
pena, a mesma não deve ser aplicada.

Os defensores da tese sustentam que sua aplicação decorre do artigo 59 do Código Penal, pois o mesmo, em sua
parte final, vincula a aplicação da pena à sua necessidade.
Vale ressaltar que o STF negou a aplicação da bagatela imprópria em um caso de violência doméstica contra a
mulher em que o casal reatou o relacionamento após a condenação do agente. (HC 130.124). No entanto, a tese
vem ganhando força e possui diversos adeptos.

640- No Processo Penal, a incompetência relativa pode ser conhecida de ofício?

R: Segundo a maior parte da doutrina, a súmula 33 do STJ, que veda o conhecimento de ofício da incompetência
relativa, não se aplica ao processo penal, já que os precedentes que lhe deram origem foram oriundos apenas do
processo civil. Apesar disso, o STJ já decidiu aplicando a referida súmula ao processo penal, de modo que o assunto
ainda é polêmico.

641- O que vem a ser a desconsagração no Direito Administrativo?

R: Expressão comumente utilizada para designar a alteração de um bem de uso comum do povo para bem dominical
é "desafetação". Entretanto, existe um sinônimo para este termo que vem sendo cobrado em bancas de concurso: É
a "desconsagração". Afetação significa conferir ao bem público uma destinação. Consequentemente, a desafetação
ou desconsagração consiste em retirar do bem a destinação anteriormente conferida a ele. Os bens dominicais são
aqueles que não possuem destinação pública, ou seja, não estão afetados, não necessitando, assim,
ser desafetados/desconsagrados para que sua alienação ocorra.

642- No processo civil, é admitida a legitimação extraordinária negocial?

R: A legitimidade extraordinária é a possiblidade de tutelar judicialmente o direito alheio em nome próprio (art. 18
do CPC). Em relação ao Código revogado, não havia maiores debates quanto à impossibilidade de legitimação
extraordinária negocial.
O NCPC, por sua vez, como já tivemos a oportunidade de comentar neste espaço antes, possibilitou que as partes,
tendo em vista a sua autonomia, estabeleçam negócios jurídicos cujos objetos sejam relações processuais (art. 190).
Juntamente com esta inovação, o art. 18, em redação mais ampla que a contida no Código revogado, determinou
que a legitimidade extraordinária será obtida a partir do “ordenamento jurídico”. Sem dúvidas, a expressão
“ordenamento jurídico” é mais ampla que “lei”, utilizada no Código Buzaid.

A partir da conjugação destes dois dispositivos, parte da doutrina, capitaneada por Fredie Didier jr., passou a admitir
a legitimidade extraordinária ativa negocial (o autor admite, em caráter de exceção, a legitimidade passiva
extraordinária). Neste sentido, vejamos a lição do professor: “Não há qualquer obstáculo normativo a priori para a
legitimação extraordinária de origem negocial. E, assim sendo, o direito processual civil brasileiro passa a permitir a
legitimação extraordinária atípica, de origem negocial” (DIDIER Jr. Fredie. Curso De Direito Processual Civil, V. 1.
2015, p. 351)

Por outro lado, podemos apontar a posição de Tereza Arruda Alvim Wanbier, Maria Lúcia Lins Conceição, Leonardo
Ferres e Rogerio Liscasto (Primeiros comentários ao Novo Código de Processo Civil, 2016, p. 94), que defendem a
impossibilidade de legitimação extraordinária sem autorização legal. Vejamos: “1. Substituição Processual e princípio
da legalidade. O legislador aqui ‘disse mais do que queria’. Não bastaria a autorização do ordenamento jurídico, que
é mais do que a lei: abrange lei, doutrina, jurisprudência. 1.1. Aqui incide o princípio da estrita legalidade. Só a lei
pode criar hipóteses de substituição processual. 1.2. a nosso ver, a segurança que a situação exige afasta
definitivamente parâmetros diferentes da previsão legal expressa.”

643- A causa de aumento do repouso noturno pode incidir nas hipóteses de furto qualificado?

R: Recentemente o STJ decidiu que a causa de aumento prevista no &1º do artigo 155 do CP (repouso noturno) é
aplicável tanto na forma simples quanto na forma qualificada do delito de furto. Para o STJ, não existe nenhuma
incompatibilidade entre a majorante do repouso noturno e as qualificadoras, pois são circunstâncias diversas, que
incidem em momentos diferentes da aplicação da pena.

No julgado também ficou consignado que a posição topográfica do &1 (causa de aumento do repouso noturno), o
qual vem antes do &4 (qualificadoras), não é fator que impede a aplicação da causa de aumento. (STJ. 6 Turma. HC
306.450-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 4/12/2014- Inf. 554). Por fim, vale ressaltar que a
posição acima descrita revela mudança de entendimento do STJ, já que, em julgados anteriores, o Tribunal entendia
pela incompatibilidade da causa de aumento do repouso noturno com as qualificadoras do crime de furto.

644- Há nulidade se a DPE defende réu na Justiça Federal?

R: O STJ julgou o seguinte caso: a Defensoria Pública do Estado de Roraima apresentou defesa em processo penal
que tramitava na Justiça Federal. Não havia Defensoria Pública da União instalada no município do réu. Em grau de
recurso, alegou-se nulidade em razão da atuação da DPE na Justiça Federal. O STJ entendeu que houve nulidade?

Não! A Corte entendeu que, diante da peculiaridade de não haver DPU no domicílio do réu e este haver procurado
auxílio da própria DPE, não houve nulidade no processo. Além disso, a decisão fundamentou no princípio da unidade
institucional, previsto na CF/1988 (art. 134, parágrafo 4º), segundo o qual a Defensoria faz parte de um corpo único
e indivisível. A decisão é o RHC 45.727/RR.

645- A ação no delito de furto sempre será pública incondicionada. Certo ou Errado?

R: Errado.
Inicialmente, cabe frisar que o Título II (Crimes contra o patrimônio), capítulo I ( Do Furto) é composto por dois tipos
penais, quais sejam: art.155 e art.156.
No caso do art.155, em todas as modalidades de furto, a ação é pública incondicionada.

Todavia, o art.156, ao prever o delito de furto de coisa comum, estipula que a ação deste só será movida caso tenha
a representação do ofendido, ou seja, seria um caso de ação penal pública condicionada a representação.

A opção do legislador é plenamente justificável, uma vez que, nessa modalidade de furto, muitas vezes, os co-
proprietários são parentes ou amigos próximos, não devendo haver uma ingerência indevida do Estado. Além disso,
não se pode olvidar das hipóteses previstas no art.182, do Código Penal.

646- Prisão preventiva pode ser decretada com base na gravidade genérica do crime?

R: NÃO!

Ao analisar o HC 132615/SP, em 01/07/16, o Ministro Celso de Mello fez questão de deixar explícito que o Supremo
entende que a gravidade em abstrato do crime não justifica, por si só, a privação cautelar da liberdade individual,
ainda que o delito imputado ao réu seja classificado como crime hediondo ou equiparado.

Segundo o Ministro, a legitimidade da prisão cautelar necessita que, além do atendimento dos pressupostos do art.
312 do CPP (prova da existência material do crime e presença de indícios suficientes de autoria), se evidenciem, com
base em elementos idôneos, as razões que justifiquem a imprescindibilidade da medida excepcional.

647- O que é desenquadramento no Direito Administrativo?

R: Em tempos de crise financeira e orçamentária em alguns Estados da Federação, faz-se necessário falar em
desenquadramento, que nada mais é do que a exoneração de servidores públicos, com o espoco de adequar as
despesas com pessoal ao limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. Ressalta-se que se trata de medida dura e que,
portanto, a CF veda a criação de cargo, emprego ou função com atribuições iguais ou assemelhadas pelo prazo de
quatro anos prevê, bem como prevê uma indenização para os servidores estáveis à época da exoneração. Vejam-se
os artigos da CF atinentes ao tema: Art. 169. A despesa com pessoal ativo e inativo da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios não poderá exceder os limites estabelecidos em lei complementar. § 3º Para o
cumprimento dos limites estabelecidos com base neste artigo, durante o prazo fixado na lei complementar referida
no caput, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios adotarão as seguintes providências:

I - Redução em pelo menos vinte por cento das despesas com cargos em comissão e funções de confiança;

II - Exoneração dos servidores não estáveis. § 4º Se as medidas adotadas com base no parágrafo anterior não forem
suficientes para assegurar o cumprimento da determinação da lei complementar referida neste artigo, o servidor
estável poderá perder o cargo, desde que ato normativo motivado de cada um dos Poderes especifique a atividade
funcional, o órgão ou unidade administrativa objeto da redução de pessoal. § 5º O servidor que perder o cargo na
forma do parágrafo anterior fará jus a indenização correspondente a um mês de remuneração por ano de serviço. §
6º O cargo objeto da redução prevista nos parágrafos anteriores será considerado extinto, vedada a criação de
cargo, emprego ou função com atribuições iguais ou assemelhadas pelo prazo de quatro anos.

648- O que é tipicidade delegada?

R: A tipicidade delegada é a ocorrida no âmbito dos atos infracionais. Isso porque considera-se ato infracional toda
conduta descrita em lei como crime ou contravenção.
Logo, não há no ECA um rol de condutas que configuram ato infracional, devendo ser verificada se houve subsunção
a alguma conduta descrita em lei como crime ou contravenção.
Portanto, fala-se que a tipicidade do ato infracional é delegada.
Referido assunto foi abordado no nosso curso de 2 fase para a Defensoria do MT, ao tratar da aplicação do princípio
da insignificância aos atos infracionais.

649- O que é crime de ensaio?

R: Também denominado de crime de ensaio, crime de experiência ou flagrante provocado, verifica-se quando
alguém, insidiosamente, induz outra pessoa a cometer uma conduta criminosa, e, simultaneamente, adota medidas
para impedir a consumação. A consumação deve ser absolutamente impossível, sob pena de configuração da
tentativa. Compõe-se, pois, de dois atos: um de indução, pois o agente é provocado por outrem a cometer o delito, e
outro de impedimento, eis que a pretensa vítima adota providências aptas a obstar a consumação. Como exemplo,
podemos ilustrar com a situação da patroa que, desconfiada de furtos supostamente praticados por sua empregada
doméstica, simula sua saída de casa e o esquecimento de cédulas de dinheiro sobre um móvel, atraindo a suspeita a
subtraí-los. Ao mesmo tempo, instala uma câmera de filmagem no local e solicita a presença de policiais militares
para acompanharem a atuação do serviçal. Quando ela se apodera do dinheiro e o coloca em sua bolsa, os milicianos
prontamente ingressam na residência e efetuam a prisão em flagrante.

650- No homicídio culposo, a morte instantânea da vítima afasta a causa de aumento prevista no art. 123, & 4º,
do Código Penal?

R: A morte instantânea da vítima só afasta a referida causa de aumento se o óbito for evidente, perceptível por
qualquer pessoa. O STJ tem julgado sobre o tema, tendo definido que: " No homicídio culposo, a morte instantânea
da vítima não afasta a causa de aumento de pena prevista no art. 121, &4º, do CP- deixar de prestar imediato
socorro à vítima -, a não ser que o óbito seja evidente, isto é, perceptível por qualquer pessoa. Com efeito, o
aumento imposto à pena decorre do total desinteresse pela sorte da vítima"... (Resp 277.403- MG, Quinta Turma, DJ
2/9/2002. HC 269.038-RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 2/12/2014, DJe 19/12/2014). Assim, só restará afastada
a causa de aumento se a ocorrência do óbito for clara, sem que exista qualquer dúvida sobre o fato. Havendo dúvida
sobre a morte, o autor da conduta deve imprimir esforços para minimizar as consequências do seu ato, sob pena de
ter sua pena aumentada.

651- O jus puniendi é de titularidade exclusiva do Estado?

R: Em regra, nosso ordenamento jurídico não admite a justiça privada, tipificando como crime o ato de fazer justiça
pelas próprias mãos (crime de exercício arbitrário das próprias razões, art. 345 do CP). No entanto, existe exceção
prevista no art. 57 da Lei 6.001/73 (Estatuto do Índio), o qual dispõe que: " será tolerada a aplicação, pelos grupos
tribais, de acordo com as instituições próprias, de sanções penais ou disciplinares contra os seus membros, desde
que não revistam caráter cruel ou infamante, proibida em qualquer caso a pena de morte".

652- As ações de ressarcimento por danos causados ao erário público são imprescritíveis?

R: A resposta está ERRADA por generalizar.

Trata-se de interessante decisão, proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE
669069/MG que teve a repercussão geral reconhecida.
Fixou-se o entendimento de que é PRESCRITÍVEL a ação de reparação de danos à Fazenda Pública decorrente de
ilícito civil, não oriundo de improbidade administrativa.
Contudo, tal tese não se aplica aos prejuízos decorrentes de atos de improbidade administrativa. Nestes casos, as
ações de ressarcimento ao erário são imprescritíveis por força do artigo 37, §5º, da Constituição Federal.
Logo, se o Poder Público sofreu um dano ao erário decorrente de um ilícito civil, que não decorra de atos ímprobos,
e deseja ser ressarcido, ele deverá ajuizar a ação no prazo prescricional previsto em lei.

653- Constituição Estadual pode limitar a nomeação do procurador geral do estado aos membros da
procuradoria?

R: NÃO. A antiga jurisprudência do STF, junto com parcela da doutrina, sustentava que a autonomia federativa
outorgava aos Estados Membros determinar a forma e as condições de nomeação do Procurador-Geral do Estado
livremente. Entretanto, em 2010 o STF passou a entender que no caso deve prevalecer a regra constitucional que
dispõe sobre o procedimento de escolha do Advogado Geral da União previsto no art. 131 da CF por força da regra
da simetria, a saber: "O cargo de Procurador Geral do Estado é de livre nomeação e exoneração pelo Governador do
Estado, que pode escolher o Procurador Geral entre membros da carreira ou não." (ADI 291, rel. min. Joaquim
Barbosa, julgamento em 7-4-2010, Plenário, DJE de 10-9-2010.) No mesmo sentido: ADI 2.682, rel. min. Gilmar
Mendes, julgamento em 12-2-2009, Plenário, DJE de 19-6-2009.

654- O que é testemunha anônima?

R: A testemunha anônima é aquela cuja sua verdadeira identidade (nome, endereço e demais dados pessoais) não é
divulgada ao acusado e ao seu defensor técnico.
Para muitos, esse tipo de testemunho não deveria ser aceito, pois violaria a ampla defesa, já que impossibilitaria o
réu de contradita-la.

655- Os cartórios são imunes ao ISS em razão da imunidade recíproca?

R: NÃO! A questão foi discutida no julgamento da ADI 3089. Apesar do interesse público envolvido na prestação do
serviço notarial sob regime de delegação, as atividades de cartórios, notários, serviços de registro público não são
abrangidas pela imunidade recíproca. Isto porque esta imunidade é prerrogativa de entidades políticas federativas, e
não de particulares que prestem serviço público "com nítido intuito lucrativo". Assim, os cartórios são enquadrados
no art. 150 prgf. 3 que exclui da imunidade recíproca serviços em que "haja contraprestação ou pagamento de preço
ou tarifa pelo usuário".

656- O que é obsolescência programada?

R: Obsolescência programada é um tema que interessa ao Direito do Consumidor. Consiste em artifícios utilizados
pelos fornecedores, no momento de fabricação do produto, que reduzem a sua vida útil esperada e terminam
obrigando o consumidor a realizar uma nova aquisição em menos tempo.

O tema é bastante debatido, havendo até projeto de lei visando ao seu combate. Atualmente, o consumidor pode
valer-se da disciplina, no CDC, dos vícios ocultos para combater a obsolescência programada, se restar demonstrado
que, por vício oculto de fabricação, o produto durou menos do que previsto para a sua vida útil.

657- Quais as três fases históricas do direito empresarial?

R: Em grande síntese a doutrina divide a evolução do direito empresarial em três grandes momentos históricos,
conforme o critério utilizado pelos comercialistas para identificar quem é comerciante (i.e. quando deve ser aplicado
o d. empresarial), a saber: (1) Fase Subjetivista: comerciante é aquele inscrito em uma corporação de ofício ou guilda
(critério subjetivo de identificação). Era a teoria adotada na idade média e primórdios do d. Comercial. (2) Fase
Objetivista: empresário é aquele que pratica um ato de comércio. Nesse sistema, chamado de "teoria dos atos de
comércio" há um rol de atos que seriam classificados como 'de comércio' (ex. armação de navio), bastando pratica-
los para sujeitar-se ao regime jurídico do d. empresarial/comercial. Foi a teoria adota pelo CCom/1850. (3) Fase
Atual - Teoria da Empresa: o empresário passa a ser caractetizado pelo MODO ou FORMA em que exerce sua
atividade. É a teoria adotada pelo CC/02, art. 966 ("considera-se empresário quem exerce profissionalmente
atividade econômica organizada para produção ou circulação de bens ou serviços").

658- No caso de homicídio, a qualificadora da paga ou promessa de recompensa ou por qualquer outro motivo
torpe é aplicada só ao executor do crime ou será aplicada também ao mandante?

R: O STJ decidiu recentemente (informativo 575 - Resp 1.209.852-PR) que o reconhecimento da referida
qualificadora em relação ao executor do crime não qualifica automaticamente o delito em relação ao mandante. No
entanto, a qualificadora poderá incidir caso o motivo que levou o mandante a prática do ato também seja torpe.
Assim, caso o motivo do mandante seja ignóbil, repugnante, vil, certamente incidirá a qualificadora. Por outro lado,
quando o mandante, por relevante valor moral, contrata pistoleiro para matar o estuprador de sua filha, não irá
incidir a qualificadora em relação a ele em razão da incompatibilidade da qualificadora do motivo torpe com o crime
privilegiado, de forma que apenas o executor do delito (que recebeu a paga ou promessa de recompensa) responde
pela qualificadora.
Vale ressaltar que o STJ entendeu ainda que a "paga ou promessa de recompensa" não é elementar, mas sim
circunstância de caráter pessoal do delito de homicídio, sendo, portanto, incomunicável automaticamente a
coautores do homicídio, conforme o artigo 30 do CP.

Diante do exposto, entendemos que o Tribunal da cidadania aplica a qualificadora do inciso I, &, 2º do art. 121 do
Código Penal ao mandante não em razão da "paga ou promessa de recompensa em si", mas sim em razão da
presença de qualquer outro motivo torpe.

659- Na persecução penal, o consenso das partes não é capaz de influir na busca da verdade. Certo ou Errado?

R: Errado.

Com a edição da Lei 9.099/95, houve a implementação de importantes medidas despenalizadoras, tais como: 1)
composição dos danos civis; 2) transação penal; 3) suspensão condicional do processo.

Logo, no âmbito dos Juizados, a busca da verdade processual cede espaço ao consenso das partes, uma vez que não
há necessidade de verificação judicial da veracidade dos fatos para aplicar as medidas despenalizadoras, ficando a
busca da verdade em segundo plano.

660- O Código do Processo Penal, no tocante aos sistemas de solução das questões prejudiciais, adotou o sistema
da cognição incidental. Certo ou Errado?

R: Errado.

Inicialmente, cumpre registrar que existem 04 sistemas de solução de questões prejudiciais, quais sejam: 1) Sistema
de Cognição Incidental; 2) Prejudicialidade obrigatória; 3) prejudicialidade facultativa; 4) eclético (misto). Para o
sistema da cognição incidental, o Juiz Penal sempre terá competência para apreciar a questão prejudicial,
independentemente da matéria levantada.
O sistema eclético, adotado pelo CPP, é a fusão do sistema da prejudicialidade obrigatória com o da prejudicialidade
facultativa. Isso porque, quando uma questão prejudicial heterogênea for relativa ao estado civil, obrigatoriamente,
a matéria será resolvido pelo juízo cível (prejudicialidade obrigatória), ao passo que, se a matéria prejudicial
heterogênea não for relativa ao estado civil, cabe ao Juiz penal decidir se aprecia ou não (prejudicialidade
facultativa). Sendo assim, o item é falso!

661- O que é “resipiscência” e qual a sua natureza jurídica?

R: Resipiscência é um sinônimo de arrependimento eficaz, o qual está previsto no artigo 15º do Código Penal. Trata-
se de uma das espécies de tentativa abandonada ou qualificada, ocorrendo quando os atos executórios foram
praticados, mas o agente conseguiu, com um novo ato, impedir a consumação do crime. Pressupõe o esgotamento
dos atos executórios e, por isso, só é cabível nos crimes materiais. (Cunha, Rogério Sanches. Manual de Direito
Penal. P. 359).

Exemplo: José desfere seis disparos de arma de fogo em Alberto, com a intenção de matar. No entanto, após efetuar
os disparos, José se arrependeu de forma voluntária e conduziu Alberto até o hospital para que fosse prestado
socorro à vítima. Se a vítima sobreviver, estará configurada a resipiscência (arrependimento eficaz) e o autor só
responderá pelos atos já praticados (lesões causadas na vítima). Por outro lado, em caso de falecimento de Alberto,
ocorrerá o arrependimento INEFICAZ e José responderá pelo homicídio.

Em relação a natureza jurídica, existem duas correntes sobre o tema, sendo que a primeira defende a resipiscência
como causa excludente de tipicidade e a segunda como causa pessoal excludente de punibilidade.

662- O que é cooperação dolosamente distinta?

R: Cooperação dolosamente distinta é um instituto criado para evitar a responsabilidade objetiva. Ocorre nela um
desvio subjetivo de condutas, pois um dos concorrentes do crime tinha a intenção de praticar infração penal de
menor gravidade do que a que foi efetivamente praticada.

A consequência, nesse caso, é a aplicação da pena do crime que o agente pretendia cometer, aumentada até a
metade na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave.
Exemplo: Carlos e José decidem praticar, em concurso de pessoas, um roubo na residência de Joana. No entanto,
durante a execução do roubo, José decide estuprar Joana, sem que Carlos soubesse, já que estava dando cobertura
ao roubo do lado de fora da casa. Nesse caso, só será aplicada a Carlos a pena do crime que ele pretendia cometer (o
roubo).

663- Profissional do sexo que subtrai bem como forma de pagamento comete crime?

R: Curioso caso aportou no STJ, noticiado no Info 584, que tratava da hipótese em que uma profissional do sexo,
ante o não pagamento dos serviços prestados, subtraiu violentamente um cordão de ouro do pescoço do cliente.

Teria a mulher praticado crime de ROUBO?

O STJ ENTENDEU QUE NÃO! Seria apenas o crime de exercício arbitrário das próprias razões, previsto no art. 345 do
CP. A polêmica em torno do caso existe porque o art. 345 do CP exige que a pretensão cobrada seja legítima. Seria a
pretensão da prostituta de receber pelos seus serviços legítima?

O STJ entendeu que sim, e pontuou que "pode-se concluir, como o faz doutrina, ser perfeitamente viável que o
trabalhador sexual, não tendo recebido pelos serviços sexuais combinados com o cliente, possa se valer da Justiça
para exigir o pagamento. Sob esse viés, mostra-se correto afastar a tipicidade do crime de roubo - cujo elemento
subjetivo não é compatível com a situação aqui examinada - e entender presente o exercício arbitrário das próprias
razões, ante o descumprimento do acordo de pagamento pelos serviços sexuais prestados" HC 211.888-TO, Rel.
Ministro Rogerio Schietti Cruz, julgado em 17/5/2016, DJe 7/6/2016.

664- O que é família reconstituída?

R: Também denominada de família recomposta, segundo Rolf Madaleno, consiste na estrutura familiar originada em
um casamento ou uma união estável de um par afetivo, onde um deles ou ambos os integrantes têm filhos
provenientes de um casamento ou de uma relação precedente. Ressalta-se que a lei reconhece o parentesco entre
os componentes dessa família, isto é, entre madrasta/padrasto e enteados, ao prever no art. 1595 § 1º que "Cada
cônjuge ou companheiro é aliado aos parentes do outro pelo vínculo da afinidade".

"§ 1o O parentesco por afinidade limita-se aos ascendentes, aos descendentes e aos irmãos do cônjuge ou
companheiro.". Ademais, consoante o estimado civilista já mencionado acima, a legislação valoriza e prevê
consequências jurídicas do reconhecimento essa espécie de unidade familiar, dentre as quais estão a possibilidade
de adoção do filho exclusivo do companheiro sem que importe na obrigação de destituição do poder familiar do pai
biológico (art. 41 do ECA), conhecida como adoção unilateral; e a autorização de o enteando incluir o sobrenome da
madrasta e do padrasto em seu nome, desde que haja concordância destes, sem prejuízo dos seus apelidos de
família, nos termos do art. 57, § 8º da Lei de Registros Públicos.

665- Existe possibilidade de prisão preventiva pela extensão do dano causado?

R: Muito embora o CPP não aponte a extensão do dano provocado como hipótese autorizadora da prisão preventiva,
o art. 30 da Lei 7.492/86, que trata dos crimes contra o sistema financeiro nacional, prevê o seguinte: "Sem prejuízo
no disposto no art. 312 do Código de Processo Penal (...), a prisão preventiva do acusado da prática de crime previsto
nesta Lei poderá ser decretada em razão da magnitude da lesão causada".

Vejam, porém, que o dispositivo condiciona a custódia aos pressupostos do art. 312 do CPP, que deverão ser
cumulativos com a magnitude da lesão provocada.

Assim, caso sua prova afirme simplesmente que "é possível, por si só, a prisão preventiva pela magnitude da lesão
provocada", a assertiva estará incorreta, pois a tal pressuposto deverá ser agregado algum dos previstos no art. 312
do CPP. Por outro lado, caso a afirmação seja no sentido de que "a magnitude da lesão provocada é uma das
hipóteses autorizadoras da prisão preventiva no ordenamento jurídico brasileiro", poderá ser considerada correta.

666- Pode o delegado de polícia considerar uma conduta atípica e deixar de lavrar o flagrante?

R: A divergência doutrinária e jurisprudencial sobre o tema é enorme. Entretanto, prevalece o entendimento de que
o Delegado de Polícia NÃO pode deixar de lavrar o flagrante por entender ser atípica a conduta praticada, sob o viés
da tipicidade material.

667- Aplica-se o instituto do “amicus curiae” ao Processo do Trabalho?

R: A CLT, em razão da reforma recursal, previu a figura do amicus curiae, em casos de recurso repetitivo, no art. 896-
C, §8, "O relator poderá admitir manifestação de pessoa, órgão ou entidade com interesse na controvérsia, inclusive
como assistente simples (...)" Já o art. 138, NCPC dispõe que o juiz ou o relator, considerando a relevância da
matéria, a especificidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia, poderá, por decisão
irrecorrível, de ofício ou a requerimento das partes ou de quem pretenda manifestar-se, solicitar ou admitir a
participação de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, com representatividade adequada, no
prazo de 15 (quinze) dias de sua intimação.
A redação do NCPC é mais ampla que a da CLT, uma vez que não restringe a participação do amicus curiae somente
aos casos de recurso repetitivo. Entretanto, pode-se sustentar que, por haver omissão e compatibilidade, é possível
a aplicação do amicus curiae ao Processo do Trabalho, na forma prevista do NCPC.

668- O que é competência territorial absoluta?

R: O Código de Processo Civil, ao categorizar as modalidades de competência, classificou-as em absoluta ou relativa.

A competência absoluta é aquela fixada no interesse da administração da justiça e não se submete à alterações por
vontade das partes.

Por outro lado, a competência relativa é aquela fixada tendo em vista primordialmente o interesse privado das
partes, podendo ser objeto de negócios jurídicos ou alteradas por vontade das partes. Nesta segunda categoria se
insere a competência territorial.

Todavia, o art. 47 do Código de Processo Civil estabeleceu algumas hipóteses de competência territorial absoluta.
Com efeito, o citado artigo traz hipóteses de competência territorial que não podem ser alteradas por vontade das
partes sem ser alterada por conexão ou continência. Vejamos o dispositivo legal:

Art. 47. Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o foro de situação da coisa.

§ 1o O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição se o litígio não recair sobre direito de
propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de terras e de nunciação de obra nova.

§ 2o A ação possessória imobiliária será proposta no foro de situação da coisa, cujo juízo tem competência absoluta.

A doutrina denomina tais hipóteses de competência territorial funcional, “partindo-se da premissa de que ela é
estabelecida em virtude da função do magistrado, a qual seria mais em exercida, diante de determinados litígios, no
local em que está o imóvel. ” (Marinoni, Arenhart e Mitidiero. Novo Curso de Processo Civil. Vol. II, p. 67, 2016).

669- A desconsideração da personalidade jurídica só pode ser feita pelo juiz?

R: NÃO!

Em regra, de fato, a desconsideração da personalidade jurídica é feita em processo judicial, em especial com o
regramento previsto no NCPC (arts. 133 e seguintes). .

No entanto, a lei 12.846/13, também conhecida como Lei Anticorrupção, permite que a autoridade administrativa,
no âmbito de um processo administrativo, desconsidere a personalidade jurídica sempre que esta for utilizada com
abuso do direito para facilitar, encobrir ou dissimular a prática dos atos ilícitos previstos na Lei ou para provocar
confusão patrimonial. Essa é, com efeito, uma exceção à regra geral.

670- Os serviços de natureza não eventual são aqueles imprescindíveis à consecução dos fins da empresa, do que
decorre a necessidade contínua e habitual do trabalho prestado. Certo ou Errado?

R: Segundo Maurício Godinho Delgado, há quatro teorias que buscam explicar o que seria a eventualidade (e a não
eventualidade, por via de consequência). São elas:

a) Teoria da descontinuidade - "Para essa formulação teórica, o trabalho eventual tem caráter fragmentado,
verificando-se sua ocorrência de modo disperso no tempo, com rupturas e espaçamentos temporais significativos
com respeito ao tomador de serviços examinado. Tem-se compreendido que a teoria da descontinuidade foi
enfaticamente rejeitada pela CLT [...]. Desse modo, à luz da Consolidação, um trabalhador que preste serviços ao
tomador, por diversos meses seguidos, mas apenas em domingos ou fins de semana (caso de garçons de clubes
campestres, por exemplo), não poderia se configurar como trabalhador eventual, em face da não absorção, pela CLT,
da teoria da descontinuidade." O autor ressalta que somente configuraria o vínculo caso presentes os outros
requisitos da relação de emprego, evidentemente.

b) Teoria do evento - "Considera como eventual o trabalhador admitido na empresa em virtude de um determinado
e específico fato, acontecimento ou evento, ensejador de certa obra ou serviço. Seu trabalho para o tomador terá a
duração do evento esporádico ocorrido. [...] Nessa linha, é trabalho eventual “aquele que depende de
acontecimento incerto, casual, fortuito. (...) Os fatos é que revelarão, portanto, se a tarefa do trabalhador na
empresa é eventual ou permanente"

c) Teoria dos fins do empreendimento - "Informa tal teorização que eventual será o trabalhador chamado a realizar
tarefa não inserida nos fins normais da empresa -tarefas que, por essa mesma razão, serão esporádicas e de estreita
duração." Godinho destaca que essa teoria é a mais prestigiada.

d) Teoria da fixação jurídica ao tomador de serviços - Amauri Mascaro Nascimento conceitua a figura jurídica:
“eventual é o trabalho que, embora exercitado continuamente e em caráter profissional, o é para destinatários que
variam no tempo, de tal modo que se torna impossível a fixação jurídica do trabalhador em relação a qualquer um
deles."

Portanto, o item apresentado está CORRETO, tendo adotado a teoria mais aceita, qual seja, a dos fins do
empreendimento, para caracterizar os serviços de natureza não eventual.

671- O que é “dolus bonus”?

R: Inicialmente, cumpre verificar o que é o dolo. Segundo o Código Civil:

Art. 145. São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, quando este for a sua causa.
Tem-se, então, que o dolo é um vício de consentimento em que o agente é induzido a se equivocar em virtude de
manobras ardilosas perpetradas por outrem. Esse dolo, disciplinado no CC, que acarreta a anulação do negócio
jurídico, caso seja essencial, é o denominado “dolus malus”.

Por um outro lado, o “dolus bonus” é espécie tolerada juridicamente, especialmente no Direito do Consumidor.
Exemplo que acontece diariamente é o exagero cometido pelo vendedor ao valorizar o objeto que será vendido,
sendo admissíveis tais manifestações exageradas (“é o melhor relógio do mundo!”), pois já é costume de nosso
ordenamento isso acontecer e um mínimo de pesquisa pode fazer com que tal informação seja dissipada.
Ademais, cumpre também frisar que isso não é ilimitado, até pelo fato de o CDC disciplinar, em seu art. 37, a
impossibilidade de propaganda enganosa.

672- A prévia composição do dano é pressuposto de admissibilidade da transação penal?

R: Em regra, a prévia composição do dano não é requisito para a concessão da transação penal, sendo necessário
que: 1) se trate de infração de menor potencial ofensivo; 2) não ter sido o autor condenado pela prática de crime à
pena privativa de liberdade; 3) não ter sido beneficiado nos últimos 05 anos;
Todavia, no caso de crimes ambientais, é necessário que tenha ocorrido a prévia composição do dano ambiental,
salvo quando impossível, nos termos do art. 27, da Lei 9605/98.

673- O que são Constituições preceituais?

R: Trata-se de uma classificação de Constituição no que tange ao sistema adotado por ela.
A Constituição preceitual é aquela em que prevalecem as regras, individualizadas em normas constitucionais com
baixo grau de abstração, e com poucos princípios. A doutrina cita como exemplo a Constituição Mexicana.

Contrapõem-se à Constituição principiológica. Nela, prevalecem os princípios, espécie de norma jurídica, como
sabido, de alto grau de abstração e consagradora de valores. A doutrina cita como exemplo a CF/88.

674- O que são Constituições ortodoxas?

R: São aquelas em que se adota apenas uma ideologia como embasadora de todo o seu regramento. Podemos citar
como exemplo as diversas Constituições da China Marxista.
Contrapõem-se, assim, às ecléticas, em que se buscam adotar ideologias conciliatórias, como o caso da CF/88.

675- Quais são as teorias que versam sobre a criação da pessoa jurídica?

R: Existem duas grandes correntes que discutem a respeito da criação de pessoas jurídicas, com certas divisões.
Vamos lá:

1) Corrente negativista: negava a existência da pessoa jurídica - alguns aduzem, inclusive, que se trataria tão
somente de um mero grupo de pessoas físicas reunidas. Corrente que não é adotado.

2) Corrente afirmativista: Admite a existência de pessoas jurídicas. Divide-se em:


a) Teoria da ficção: entende que a pessoa jurídica teria uma existência meramente abstrata, de técnica de direito; b)
Teoria da realidade objetiva: também conhecida como teoria sociológica ou organicista, contrária à teoria da ficção,
defendendo que a pessoa jurídica seria, em verdade, um organismo social vivo, a ser explicado pela sociologia, e não
pela técnica do direito; c)Teoria da realidade técnica: trata-se de uma teoria que busca juntar os dois conceitos
anteriormente tratados. Reconhece que a pessoa jurídica, ao mesmo tempo que existe por causa da técnica do
direito, também possui importante e relevante dimensão social, integrando relações de variada ordem e de
importante relevância. Para a maioria da doutrina e, inclusive, para as bancas de concursos públicos, é a teoria
adotada pelo CC/02.

676- O que é a teoria do inferno da severidade?

R: Segundo o Código Civil, no que tange à responsabilidade civil, aplica-se o princípio da reparação integral, ou seja, a
indenização mede-se pela extensão do dano (art. 944, Código Civil, caput). Existe, no entanto, uma exceção, prevista
no parágrafo único, que a doutrina aduz que consiste na teoria do inferno da severidade:

CC- Art. 944. A indenização mede-se pela extensão do dano. Parágrafo único. Se houver excessiva desproporção
entre a gravidade da culpa e o dano, poderá o juiz reduzir, equitativamente, a indenização.

Vejamos a explicação do STJ sobre o tema: “A aplicação irrestrita do princípio da reparação plena do dano pode
representar, em algumas situações, para o causador do evento danoso, conforme a aguda crítica de Geneviève
Viney, um autêntico inferno de severidade (enfer de severité). Se, na perspectiva da vítima, as vantagens da
consagração irrestrita do princípio são evidentes, na do agente causador do dano, a sua adoção plena e absoluta
pode constituir um exagero, conduzindo à sua ruína econômica em função de um ato descuidado praticado em um
momento infeliz de sua vida.” (SANSEVERINO, Paulo de Tarso Vieira. Princípio da reparação integral. São Paulo:
Saraiva, 2010, p. 84) STJ. Quarta Turma. REsp 1.127.913-RS, Rel. originário Min. Marco Buzzi, Rel. para acórdão Min.
Luis Felipe Salomão, julgado em 20/9/2012.

Desse modo, então, diante de circunstâncias excepcionais, em que um dano de elevada monta tenha sido causada
através de uma conduta culposa em reduzido grau, poder-se-ia aplicar tal teoria do inferno da severidade, para fins
de mitigar o princípio da reparação plena.

677- Há nulidade pelo simples fato de a defesa da União em causa não fiscal ser feita pela PFN?

R: Inexistência de nulidade pelo simples fato de a defesa da União, em causa não fiscal, ter sido feita pela
Procuradoria da Fazenda Nacional Atenção! Qual é o órgão responsável pela representação jurídica da União?

• Em causas de natureza fiscal: a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN); • Em causas de outra natureza: a
Procuradoria-Geral da União (PGU). Foi proposta demanda contra a União relacionada com matéria que não tinha
natureza fiscal. O mandado de citação da União, em vez de ser encaminhado a uma unidade da PGU, foi remetido
para a PGFN, que apresentou contestação refutando o pedido e acompanhou todo o processo até a sentença, que
foi procedente. Em recurso, a União, agora representada pela PGU, suscitou a nulidade do processo alegando que
houve falha na citação da União, considerando que esta ocorreu na pessoa do representante da Procuradoria da
Fazenda Nacional. O STJ não concordou com o pedido e decidiu que o fato de a PGFN ter atuado em defesa da União
em causa não fiscal de atribuição da PGU não justifica, por si só, a invalidação de todos os atos de processo no qual
não se evidenciou – e sequer se alegou – qualquer prejuízo ao ente federado, que exercitou plenamente o seu
direito ao contraditório e à ampla defesa, mediante oportuna apresentação de diversas teses jurídicas eloquentes e
bem articuladas, desde a 1ª instância e em todos os momentos processuais apropriados. STJ. 1ª Turma. REsp
1.037.563-SC, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 25/11/2014 (Info 554).

678- O fato de o réu ter bons antecedentes pode ser considerado como uma atenuante inominada do artigo 66, do
Código Penal?

R: NÃO!

O artigo 66 do Código Penal estabelece a chamada "atenuante inominada", permitindo ao magistrado levar em
conta outras circunstâncias, não previstas em lei, para reduzir a pena do réu.

Disso surge uma dúvida: os bons antecedentes podem ser levados em conta como atenuante inominada?? O STJ
ENTENDEU QUE NÃO! Os antecedentes criminais são considerados na primeira fase da dosimetria da pena, na
fixação da pena-base, tendo em vista que se trata de uma circunstância judicial do artigo 59, do Código Penal. Sendo
assim, não podem ser considerados como uma atenuante inominada. (STJ. 6 Turma. Resp 1405989/SP, julgado em
18/08/2015).

679- A pessoa que sofre um acidente, entra em como, e fique transitoriamente impedida de exercer sua vontade,
é considerada absolutamente incapaz. Certo ou Errado?

R: ERRADO!

Trata-se alteração no CC promovida pela Lei 13.146/2015(Estatuto da Pessoa com Deficiência).

Agora, nesses casos, a pessoa impedida transitoriamente de exercer sua vontade é considerada relativamente
incapaz!
680- A Defensoria Pública possui legitimidade para interpor mandado de injunção coletivo?

R: Sim, e a justificativa é a previsão legal no recém-promulgado diploma legislativo nº 13.300/2016, que entrou em
vigor ontem, 23/06/2016. Veja-se: "Art. 12. O mandado de injunção coletivo pode ser promovido: IV - pela
Defensoria Pública, quando a tutela requerida for especialmente relevante para a promoção dos direitos humanos e
a defesa dos direitos individuais e coletivos dos necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5o da Constituição
Federal." Ressalta-se que a lei exige a pertinência temática do objeto da demanda com as funções institucionais da
Defensoria Pública.

681- Servidora comissionada gestante tem estabilidade?

R: SIM! Servidora ocupante de cargo comissionado que se encontra gestante faz jus à estabilidade provisória. Esse é
o entendimento pacificado no STF. Veja-se o que foi registrado no Informativo 665 da Suprema Corte: "Servidora
pública no gozo de licença gestante faz jus à estabilidade provisória, mesmo que seja detentora de cargo em
comissão ou temporário. Jurisprudência pacífica desta Suprema Corte a respeito do tema".

682- A prisão especial destina-se apenas à prisão cautelar?

R: A prisão especial é aquela destinada a determinadas pessoas que, por possuírem alguma condição especial,
devem ser recolhidas em local distinto da prisão comum. As hipóteses constam do art. 295 do Código de Processo
Penal e de algumas leis esparsas, a exemplo da Lei Orgânica Nacional da Defensoria Pública.

Em regra, a prisão especial destina-se apenas àquela decretada antes do trânsito em julgado da sentença
condenatória, ou seja, a prisão cautelar. Com efeito, o Código de Processo Penal, em seu art. 295, "caput", prevê que
a prisão especial destina-se ao momento anterior à "condenação definitiva".

No entanto, há exceções a tal regra: conforme o art. 84, parágrafo 2º, da Lei de Execuções Penais, por exemplo,
aquele que, ao tempo do FATO, era servidor da Administração da Justiça Criminal, ficará em dependência separada,
ainda que após o trânsito em julgado.

683- CFM (Conselho Federal de Medicina) possui legitimidade para adentrar com ADC? (AGU – 2016 – Subjetiva)

R: Segundo o STF, NÃO!! Vejamos a resposta da banca na prova, extremamente didática: “O CFM, por não ser
entidade de classe, mas uma entidade de fiscalização profissional, não é legitimado para propor ADC, pois, conforme
previsto no art. 103 da CF, o rol dos legitimados para propor ADC é taxativo e não inclui esse tipo de entidade de
fiscalização. A única exceção, entre os conselhos de classe, é o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil,
em virtude de menção expressa na CF. Assim, não se mostra viável a ADC apresentada, por ilegitimidade ativa ad
causam. Nesse sentido: ADI 641 MC, relator para Acórdão min. Marco Aurélio, DJ 12/03/1993; ADI 1997, relator
ministro Marco Aurélio, DJ 8/6/1999. “

684- Decisão contrária à Fazenda Pública, em sede de dissídio individual, que alberga entendimento esposado em
Súmula ou OJ do TST, se submete ao duplo grau de jurisdição?

R: Segundo o item I da Súmula 303, TST: "Em dissídio individual, está sujeita ao duplo grau de jurisdição, mesmo na
vigência da CF/1988, decisão contrária à Fazenda Pública, salvo: a) quando a condenação não ultrapassar o valor
correspondente a 60 (sessenta) salários mínimos; b) quando a decisão estiver em consonância com decisão plenária
do Supremo Tribunal Federal ou com súmula ou orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho." Ou
seja, quanto ao enunciado proposto, pode-se concluir que a decisão contrária à Fazenda Pública baseada em Súmula
ou OJ do TST também NÃO se submete à remessa obrigatória.
Nesse particular, vale destacar a lição de Élisson Miessa, acerca da influência do NCPC na seara laboral: "[...] Quanto
à alínea b do item em comentário, o §4º do art. 496 do NCPC amplia as hipóteses de dispensa da remessa necessária
em razão do fundamento da sentença impugnada, dando prevalência aos precedentes judiciais. Assim, quando a
sentença estiver fundada em súmula de tribunal superior, acórdão proferido pelo STF ou pelo STJ (incluímos TST) em
julgamento de recursos repetitivos, em entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas
ou de assunção de competência será dispensada da remessa necessária. Do mesmo modo, será dispensado o
reexame necessário quando a decisão estiver fundada em entendimento coincidente com orientação vinculante
firmada no âmbito administrativo do próprio ente público, consolidada em manifestação, parecer ou súmula
administrativa.
Nesse ponto, não se pode deixar de dizer que o C. TST ampliou o conteúdo das referidas exceções, pois estabeleceu
a não incidência do reexame necessário, quando a decisão estiver de acordo com orientação jurisprudencial do TST,
embora o § 3º do art. 475 do CPC/73 e o § 4º do art. 496 do NCPC não versem sobre o assunto. Conquanto a seara
trabalhista tenha forma diferenciada de sedimentar a jurisprudência, ora por meio de súmulas, ora por meio de
orientações jurisprudenciais, pensamos que se tratando de exceção sua interpretação deve ser restritiva e não
ampliativa como fez o Tribunal Superior do Trabalho.

685- No Direito Coletivo, o que é intervenção móvel?

R: A Lei da Ação Popular (art. 6º, parágrafo 3º) e a Lei de Improbidade Administrativa (art. 17, parágrafo 3º) preveem
uma peculiaridade quanto à intervenção processual da Administração Pública. Isso porque os diplomas legais
permitem que a pessoa jurídica de direito público ou de direito privado, cujo ato seja objeto de impugnação na ação,
se abstenha de contestar o pedido ou atue ao lado do autor, e não no polo passivo, desde que presente o interesse
público.

Chama-se tal especificidade de intervenção móvel, uma vez que, em tese, o Poder Público pode ocupar qualquer dos
lados da demanda, desde que, como dito, isso atenda ao interesse público.

686- O que é tecnologia assistiva?

R: Nos termos do art.3, inciso III, da Lei 13.146 (Estatuto da Pessoa com Deficiência), a tecnologia assistida ou ajuda
técnica são produtos, equipamentos, dispositivos, recursos, metodologias, estratégia, práticas e serviços que
objetivem promover a funcionalidade, relacionada à atividade e à participação da pessoa com deficiência ou com
mobilidade reduzida, visando a sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social.
A expressão tem origem americana (Assistive Techonology), sendo conceituada pelos autores Cook e Hussey como
"uma ampla gama de equipamentos, serviços, estratégias e práticas concebidas e aplicadas para minorar os
problemas encontrados pelos indivíduos com deficiências".

687- O auxílio alimentação se estende aos servidores inativos?

R: Não! A resposta da controvérsia em comento - que já era objeto da súmula 680 do STF - foi recentemente
cristalizada na súmula vinculante n. 55 segunda a qual "o direito ao auxílio alimentação não se estende aos
servidores inativos". Isso se dá em razão do auxílio ter natureza de verba indenizatória "propter officium", posto que
se destina a cobrir os custos de alimentação que o servidor deve arcar durante a jornada de trabalho. Assim, não há
razão jurídica para fundamentar a sua extensão para os inativos. A mesma lógica já foi usada pelo STF para afastar
pleito de procuradores de justiça aposentados que desejavam seguir recebendo auxílio moradia na inatividade,
muito embora a SV se limite ao auxílio refeição.

688- Grande novidade do NCPC é a estabilização dos efeitos da tutela cautelar antecedente. Certo ou Errado?
R: Sob a égide do Novo Código de Processo Civil, as tutelas provisórias dividem-se em tutela de evidência e tutela de
urgência, que, por sua vez, ramifica-se em tutela cautelar ou antecipada. Ambas, tanto a cautelar quanto a
antecipada, podem ser antecedentes ou incidentais. A tutela antecipada antecedente constitui grande novidade
desse Código e está prevista nos seguintes termos no art. 303 "Nos casos em que a urgência for contemporânea à
propositura da ação, a petição inicial pode limitar-se ao requerimento da tutela antecipada e à indicação do pedido
de tutela final, com a exposição da lide, do direito que se busca realizar e do perigo de dano ou do risco ao resultado
útil do processo". Para esse tipo de tutela, previu-se a estabilização dos efeitos que, segundo Teresa Arruda Alvim
Wambier, diz respeito à característica da decisão proferida em sede de antecipação de tutela, no âmbito do
procedimento antecedente, que produz e mantém seus efeitos, independentemente da continuidade do processo
de cognição plena, quando as partes se conformarem com tal decisão. De acordo com a processualista, se as partes
ficam satisfeitas com a decisão que concedeu a tutela antecipada, baseada em cognição sumária e sem força de
coisa julgada, o NCPC não as obriga a prosseguir no processo, para obter uma decisão de cognição plena, com força
de coisa julgada material. A parte ré há de mostrar sua irresignação com a interposição de agravo de instrumento,
sob pena de se tornarem estáveis os efeitos da tutela (art. 304). NO ENTANTO, ESSE INSTITUTO SE APLICA SOMENTE
À TUTELA ANTECIPADA ANTECEDENTE, não sendo cabível na tutela antecipada incidental e em qualquer tipo de
tutela cautelar. Portanto, a alternativa está ERRADA.

689- No caso de conflito entre o Estatuto da Juventude e o ECA, qual deve prevalecer?

R: O Estatuto da Juventude procura conferir proteção a uma parcela especial da população situada entre a faixa
etária de 15 a 29 anos. Ocorre que entre 15 e 18 anos a pessoa também é adolescente, de acordo com o ECA.

Como compatibilizar ambos os estatutos? O próprio estatuto da juventude apregoa expressamente que os
adolescentes entre 15 e 18 anos serão disciplinados por ambos os estatutos e, no caso de conflito, prevalecerá as
normas de proteção integral do ECA.
Sendo assim, entre 15 e 18 anos, a pessoa será um adolescente-jovem, gozando de dupla proteção (ECA e Ejuve), e,
no caso de algum conflito, aplica-se apenas o Estatuto da Criança e do Adolescente.

690- Quais parâmetros podem ser utilizados para fins de controle da duração razoável do processo?

R: De acordo com o art. 4o do CPC: Art. 4o As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do
mérito, incluída a atividade satisfativa. Consagra-se, então, norma que já estava prevista na própria CF:

Art 5o – LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados arazoável duração do processo e os
meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (colocar artigo da CF que fala de duração razoável do processo)

Existe um tempo pré-determinado para que o processo se resolva? Não. Existem, no entanto, parâmetros que
podem e devem ser utilizados. Segundo a Corte Européia dos Direitos Humanos, citada por Fredie Didier, são esses
os parâmetros:

a) complexidade do assunto; b) comportamento dos litigantes e de seus procuradores ou da acusação e defesa no


processo; c) atuação do órgão jurisdicional;

Didier ainda adiciona um novo requisito adaptado para o caso peculiar brasileiro: a análise da estrutura do próprio
Poder Judiciário.

691- O que é crime vago?

R: Crime vago é aquele que não atinge uma pessoa física ou jurídica determinada, mas toda a coletividade, sendo
impossível determinar, individualmente, quem seria seu sujeito passivo.
Como exemplos, podem ser citados os crimes de porte de arma de fogo e de tráfico de drogas. Além disso, como
inexiste um sujeito passivo determinado, a esses crimes não é possível aplicar institutos como o consentimento do
ofendido (causa supralegal de exclusão da ilicitude) e o arrependimento posterior (causa de diminuição de pena).

692- Contrato de performance x Contrato de eficiência

R: Denominam-se Contratos de Performance aqueles contratos administrativos que constam a possibilidade de


remuneração variável do particular vinculada ao desempenho da contratada, com base em metas e outros
parâmetros legalmente previstos. No âmbito do direito positivo, encontra-se previsto no art. 10 da Lei 12462/2011,
no bojo das contratações pelo RDC, assim como no art. 6º, parágrafo único, da Lei 11079/2004, no âmbito das
Parcerias Público-Privadas.

Já a figura do contrato de eficiência está prevista no art. 23, §1º da Lei 12462/2011, cujos termos aduzem que o
contrato de eficiência terá por objeto a prestação de serviços, podendo incluir a realização de obras e o
fornecimento de bens, com o objetivo de proporcionar economia ao contratante, na forma de redução de despesas
correntes, sendo a remuneração do particular baseada em percentual da economia gerada.

693- Há a possibilidade de criação de Defensorias Públicas Municipais?

R: Segundo Franklin Rogers, não há possibilidade de criação de Defensorias Públicas Municipais! Quais as razões para
isso?

1) Inexistência de referência na CF acerca de competência dos Municípios para realizar assistência jurídica municipal;

2) Silêncio eloquente do legislador: inexistência de competência legislativa do Município para legislar sobre
Defensoria Pública;

3) A necessidade de não se possibilitar a criação desse tipo de Defensoria tem relação intrínseca com a autonomia:
advogados desses serviços ficariam muito mais vulneráveis a interesses locais;

Em verdade, finaliza o autor aduzindo que o que se deve admitir é apenas a colaboração dos Município para melhor
prestar serviços de assistência jurídica gratuita - como por exemplo com o melhoramento infraestrutura, cedendo
espaços para o funcionamento das Defensorias.

694- É constitucional lei estadual que atribuiu ao chefe do Poder Executivo estadual a competência de autorizar o
afastamento de Defensores Públicos para estudo ou missão?

R: É inconstitucional lei estadual que atribui ao chefe do Poder Executivo estadual competências administrativas no
âmbito da Defensoria Pública.

Assim, viola o art. 134, § 2o da CF/88 a lei estadual que preveja que compete ao Governador: a) a nomeação do
Subdefensor Público-Geral, do Corregedor-Geral, dos Defensores Chefes e do Ouvidor da Defensoria Pública
estadual; b) autorizar o afastamento de Defensores Públicos para estudos ou missão; c) propor, por meio de lei de
sua iniciativa, o subsídio dos membros da Defensoria Pública. Obs: tais competências pertencem ao Defensor
Público-Geral do Estado.

STF. Plenário. ADI 5286/AP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 18/5/2016 (Info 826).

695- O que é crime “multitudi nario”?


R: Segundo Cleber Masson: “É aquele praticado pela multidão em tumulto. A lei não diz o que se entende por
“multidão”, razão pela qual sua configuração deve ser examinada no caso concreto. Exemplo: agressões praticadas
em um estádio por torcedores de um time de futebol.

No Direito Canônico da Idade Média, exigiam-se ao menos 40 pessoas”. Trecho de: MASSON, Cleber. “Direito Penal
Esquematizado - Parte Geral - Vol. 1”.

696- O que é coautopia sucessiva?

R: Em regra, todos os coautores iniciam, simultaneamente, a empreitada criminosa. Contudo, pode acontecer que
alguém, ou mesmo um grupo, tenha começado a executar o delito, quando outra pessoa adere à conduta criminosa
já iniciada e, unidos pelo vínculo subjetivo, contribui de forma efetiva para a consumação da infração penal.
Cabe destacar que somente é possível a coautoria sucessiva até a consumação do delito. Logo, se o crime já estiver
consumado, condutas posteriores configurarão crimes autônomos, a exemplo do favorecimento real.

697- O roubo impróprio não admite violência imprópria. Certo ou Errado?

R: CERTA.

O roubo impróprio ou por aproximação é um furto que se transforma em roubo. Nesta hipótese, o agente subtrai e,
em seguida, para assegurar a detenção ou impunidade, emprega violência física ou grave ameaça. Veja que a
subtração, aqui, é ato antecedente e, por sua vez, a violência física ou grave ameaça são atos subsequentes.

Assim, o roubo impróprio possui apenas dois modus operandi: violência física e grave ameaça. Portanto, não se
admite a violência imprópria que se constitui no emprego de qualquer outro meio de execução, a exemplo do uso de
psicotrópicos “boa-noite cinderela”.

698- O que se entende por tredestinação?

R: A tredestinação é o desvio na finalidade inicialmente dada pelo Estado quando da expropriação de um bem
(móvel ou imóvel). Os bens desapropriados pelo Estado devem possuir uma destinação pública. Por conta disto,
surgem as espécies de tredestinação, que pode ser lícita ou ilícita.

A tredestinação lícita é aquela em a Administração muda a destinação planejada quando da expropriação, porém,
conserva o atendimento ao interesse público. O motivo permanece sendo o interesse público, mas, como ensina
Carvalho Filho, o "aspecto específico" dentro desse interesse público é diferente. Logo, não se vislumbra ilicitude
porque o fim especial foi diferente, porém, o motivo que deu ensejo à expropriação (interesse público) permanece.
(CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo . 12. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro:
Lumen Juris, 2005)
Por exemplo, o Estado desapropria um bem para construir uma universidade, entretanto, decide por construir um
hospital público. Neste caso, o interesse público foi preservado.

Já a tredestinação ilícita se dá quando o Estado muda a destinação do bem prevista no ato expropriatório, mas desta
vez, para uma finalidade não publica. Por exemplo, o Estado desapropria um imóvel para a construção de uma
estrada, porém, decide por vender a um particular.

Diferentemente da lícita, a tredestinação ilícita não é admitida, e caso ocorra, dá direito à retrocessão (direito de
reaver o bem pelo particular) ou à perdas e danos. Por fim, destaca-se que a demora na utilização do bem não
significa tredestinação.
699- Decisão interlocutória não faz coisa julgada. Certo ou Errado?

R: Em regra, costuma-se se associar as decisões interlocutórias àquelas de caráter provisório, fruto de uma cognição
não exauriente, impassível de formar coisa julgada. No entanto, não esqueçamos da decisão que julga parcialmente
o mérito, a qual resolve definitivamente sobre parte do pedido do autor e possui natureza de decisão interlocutória,
já que não põe fim ao processo (Art. 356. O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou mais dos pedidos
formulados ou parcela deles:

I - mostrar-se incontroverso;

II - estiver em condições de imediato julgamento, nos termos do art. 355.). Desse modo, apesar de não ser uma
sentença, a decisão que julga parcialmente o mérito forma coisa julgada, nos termos do Art. 502: Denomina-se coisa
julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso.
Portanto, a assertiva está ERRADA, pois a regra geral comporta exceção.

700- A causa de aumento prevista no inciso V do art. 40 da Lei de Drogas, exige a efetiva transposição da fronteira
interestadual?

R: NÃO! O STF determinou que para incidir a causa de aumento prevista no inciso V do artigo 40, não se exige a
efetiva transposição da fronteira interestadual pelo agente, sendo suficiente a comprovação de que a droga tinha
como destino localidade em outro Estado do Brasil. Neste mesmo sentido, entende a 6 Turma do STJ. (Resp
1470391/MS, julgado em 03/11/2015). (STF. 1 Turma. HC 122791/MS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
17/11/2015).

701- A greve pode ser considerada como fonte do Direito do Trabalho?

R: As fontes do Direito podem ser formais, as quais dizem respeito à própria exteriorização da norma, ou materiais,
que são relativas ao momento pré-jurídico, ou seja, de "inspiração" para a norma jurídica.

Neste sentido, é possível considerar a greve como fonte material do Direito do Trabalho, uma vez que a deflagração
do movimento paredista pode vir a servir de inspiração para legislação trabalhista posterior.

702- O período de prova do sursis conta como cumprimento de pena?

R: NÃO é possível o cômputo do período de prova cumprido em suspensão condicional da pena como cumprimento
de pena para nenhum benefício, a exemplo do INDULTO. O "sursis" não tem natureza de pena, pois se trata de uma
alternativa à pena e é considerado um benefício que o condenado recebe para não ter que cumprir a pena. Desta
forma, cumprimento de período de prova NÃO é cumprimento de pena. (STF. 1 Turma. RHC 128515/BA, julgado em
30/06/2015 e STF. 2 Turma. HC 123698/PE, 17/11/2015).

703- O que é a competência anexa no âmbito do Direito Tributário?

R: Como forma de garantir o federalismo no Brasil, a Constituição Federal estipulou a cada ente federativo
competência para a instituição e cobrança de tributos.

A repartição de competência tributária segue, em regra, duas lógicas: ou a lógica da atribuição expressa de
competência para cada tributo ou a lógica da competência anexa.
Segundo Luis Eduardo Schoueri, a competência anexa é a regra de distribuição de competência tributária a ser
aplicada às taxas e contribuições de melhorias. Por meio desta, o ente que tenha a atribuição de prestar o serviço ou
exercer o poder de polícia será o ente competente para instituir a respectiva taxa. Nos tributos não vinculados, por
não ter relação direta com um serviço ou obra, este critério não pode ser utilizado. Para estes, a constituição então
aplicou a regra da atribuição específica de competências.

Conclui o Professor: “ Vê-se, pois, na visão sistemática ora proposta, que o tema da repartição de competências foi
resolvido, pelo constituinte, conforme as seguintes diretrizes:

- Para os tributos vinculados, justificados pelo sinalagma, a competência se resolve a partir do conceito de
competência anexa: quem tem a atribuição para a atividade estatal terá, igualmente, competência tributária;

- Para os tributos não vinculados, justificados pela capacidade contributiva, o próprio constituinte trata de atribuir as
competências tributárias, tomando o cuidado de afastar a cumulação de competências, distribuindo, daí o poder
tributário entre as diversas ocasiões em que se manifesta aquela capacidade”. (Direito Tributário, 2016, p. 263).

704- É possível substituir uma pena privativa de liberdade por restritiva de direito no caso de crime de ameaça?

R: Sim. É cediço que um dos requisitos objetivos para a ocorrência da substituição da pena privativa de liberdade por
restritiva de direito é que o crime não tenha sido cometido com violência ou grave ameaça.

Acontece que o crime de ameaça é uma infração de menor potencial ofensivo, sendo-lhe aplicado as disposições da
Lei 9.099/95, que busca penas alternativas.

Sendo assim, ante uma interpretação sistemática, deve prevalecer a possibilidade da substituição, já que seria
desarrazoado aplicar os institutos da Lei 9099 e vedar a substituição por restritiva de direito.

705- As hipóteses de morte presumida sem declaração de ausência estão previstas apenas no CC/02?

R: As hipóteses de morte presumida independentemente de declaração de ausência estão previstas no art. 7º do


Código Civil. Segundo a lei, as hipóteses são as seguintes: se for extremamente provável a morte de quem estava
em perigo de vida; se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos
após o término da guerra.

Porém, outra hipótese menos conhecida está prevista no art. 1º da Lei 9.140/95, que assim prevê: "são reconhecidos
como mortas, para todos os efeitos legais, as pessoas que tenham participado, ou tenham sido acusadas de
participação, em atividades políticas, no período de 2 de setembro de 1961 a 5 de outubro de 1988, e que, por este
motivo, tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem delas haja
notícias".

Assim, as hipóteses não estão apenas previstas no Código Civil, pois a Lei 9.140/95 também prevê situação de morte
presumida sem declaração de ausência, como afirma Flávio Tartuce em seu livro de Manual de Direito Civil.

706- O valor mínimo de indenização a ser fixado na sentença penal pode contemplar danos morais?

R: A questão é objeto de divergência na doutrina, ainda não havendo posição consolidada na jurisprudência.

Para uma primeira corrente, não é possível a fixação do dano moral pelo juízo criminal, pois se trata de montante
que precisaria de um aprofundamento probatório específico, não cabendo ao juízo penal realizá-lo, sob pena de
acarretar indevida dilação do feito.
Para uma segunda corrente, seria possível a fixação de danos morais, uma vez que o dispositivo faz menção aos
danos causados pela infração, não limitando, em qualquer momento, aos danos meramente materiais.
Por fim, urge salientar que o enunciado 16 do Primeiro Fórum Nacional de Juízes Federais Criminais (FONACRIM)
preceitua que: "o valor mínimo para reparação dos danos causados pelo crime pode abranger danos morais".

707- O que significa Prefeito “itinerante”?

R: Em breves palavras, Prefeito "itinerante" é aquele que, após cumprir dois mandatos consecutivos em um
determinado Município, vem a candidatar-se, logo nas eleições seguintes, ao mesmo cargo em outro Município. O
TSE considerou a conduta proibida, tendo sido seguido pelo STF, que corroborou o entendimento no RE 637.485.
Segundo as Cortes, havia uma burla à vedação constitucional de um terceiro mandato no âmbito da chefia do Poder
Executivo.

708- Qual a natureza jurídica do valor recebido pelo empregado em razão da “stock option”?

R: Segundo Gustavo Filipe Barbosa Garcia, na chamada opção de compra ("stock option"), "o empregado recebe da
empresa um lote de ações, podendo, após certo prazo, se ainda estiver prestando serviços, exercer o direito de
compra das ações, pelo preço do dia da reserva, mas vendê-las pelo valor atualizado, do momento de exercício da
referida opção.

Quanto à natureza jurídica do valor que o empregado recebe, correspondente à diferença entre o valor das ações
quando foram concedidas, e o preço obtido quando do exercício da opção de compra, existe certa controvérsia. Há
quem defenda a natureza salarial, pois o empregado estaria recebendo o valor em questão como contraprestação
dos serviços. Tendo em vista a sistemática específica, o trabalhador não teria como sofrer prejuízos com a opção de
compra, confirmando o seu caráter salarial. A Lei 12.973/2014, embora de natureza tributária, no art. 33, dispõe que
“o valor da remuneração dos serviços prestados por empregados ou similares, efetuada por meio de acordo com
pagamento baseado em ações, deve ser adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real no período
de apuração em que o custo ou a despesa forem apropriados”. No entanto, para fins trabalhistas, prevalece o
entendimento de que a opção de compra não apresenta natureza salarial, por se tratar de valor decorrente de
negociação desvinculada do contrato de trabalho. Trata-se, na realidade, de negócio jurídico de natureza comercial,
pois o empregado tem a faculdade de vender, ou não, as referidas ações, podendo, ou não, alcançar eventual lucro
na operação em questão. Assim, pode-se verificar até mesmo eventual risco do mercado financeiro, assumido pelo
empregado, quanto à “flutuação” do valor das ações. Como se nota, o valor não é concedido pelo empregador, mas
apenas possível de ser obtido pelo empregado, na transação mercantil em destaque. Não se verificam, assim, os
requisitos do salário, das parcelas salariais ou remuneratórias, afastando a incidência das disposições trabalhistas
sobre o valor em questão." Trecho adaptado do Manual de direito do trabalho / Gustavo Filipe Barbosa Garcia. - 7.
ed. rev., atual. e ampl. - Rio de Janeiro: Forense.

709- O que é deep cover? (MPE/GO – 2016)

R: A questão versa sobre a infiltração policial. Lembremos que, segundo a Lei de Organizações criminosas:

Art. 3o Em qualquer fase da persecução penal, serão permitidos, sem prejuízo de outros já previstos em lei, os
seguintes meios de obtenção da prova: VII - infiltração, por policiais, em atividade de investigação, na forma do art.
11;

Art. 10. A infiltração de agentes de polícia em tarefas de investigação, representada pelo delegado de polícia ou
requerida pelo Ministério Público, após manifestação técnica do delegado de polícia quando solicitada no curso de
inquérito policial, será precedida de circunstanciada, motivada e sigilosa autorização judicial, que estabelecerá seus
limites.
Art. 11. O requerimento do Ministério Público ou a representação do delegado de polícia para a infiltração de
agentes conterão a demonstração da necessidade da medida, o alcance das tarefas dos agentes e, quando possível,
os nomes ou apelidos das pessoas investigadas e o local da infiltração.

Consoante entendimento doutrinário, baseado no estudo norte-americano do tema(que é bem mais aprofundado,
em razão da própria experiência que eles possuem no tema), as operações light cover não duram mais de seis
meses, não exigem permanência contínua no meio criminoso, demandando menos planejamento, os agentes
mantém sua identidade e seu lugar na estrutura policial. Podem constituir uma única transação ou somente um
encontro para recolhimento de informações. As deep cover, por um outro lado, têm duração superior a seis meses,
exigem total imersão no meio criminoso, os agentes assumem identidades falsas e os contatos com a família ficam
irregulares podendo até ser suspensos totalmente. As deep cover são mais perigosas e envolvem problemas
logísticos, humanos e éticos.

710- O que é pré-questionamento implícito?

R: Como sabido, o pré-questionamento é um dos requisitos de admissibilidade do recurso especial e do recurso


extraordinário.

Segundo Didier, pré-questionamento implícito é: “Esse enfrentamento pode ter sido feito com menção expressa ao
dispositivo normativo cuja interpretação é objeto do recurso; é o chamado pré-questionamento expresso. Mas
também é possível que o enfrentamento ocorra sem menção expressa a um dispositivo normativo; nesse caso, há o
chamado pré-questionamento implícito', como ocorre, por exemplo, quando a decisão recorrida tenha entendido
que se considera motivada uma decisão que se vale de uma paráfrase normativa, violando o inciso I do §1° do art.
489 do CPC, embora sem fazer menção a ele. Se alguma questão fora julgada, mesmo que não seja mencionada a
regra de lei a que está sujeita, é óbvio que se trata de matéria 'questionada' e isso é o quanto basta. Há, enfim, em
ambos os casos, pré-questionamento. ” Ou seja, é aquele que ocorre, quando enfrentada a matéria pelo órgão
julgador, sem a necessidade de que se mencione o artigo ou dispositivo legal.

711- A conduta de trocar as placas de veículo automotor roubado para ajudar o autor do delito a ocultar o bem
configura o crime de favorecimento real. Certo ou Errado?

R: Errado.

O crime de favorecimento real consiste na conduta de auxiliar o autor de um crime a tornar seguro o proveito da
empreitada delituosa, desde que não seja um caso de concurso de pessoas.

O caso relatado, antigamente, perfectibilizava o tipo penal do art.349 (favorecimento real), no entanto, após a
edição da lei 9.426, a citada conduta constitui o crime de adulteração de sinal identificador de veículo automotor,
previsto no art.311, do Código Penal.

712- A “abolito criminis” temporária do Estatuto do Desarmamento também abrangeu o porte de arma de fogo de
uso permitido. Certo ou Errado?

R: Errado!

O Estatuto do Desarmamento previu que, durante um certo período de tempo, algumas condutas nele previstas
seriam atípicas. Com as sucessivas prorrogações por leis posteriores, o assunto tornou-se polêmico, até que veio a
ser pacificado pelo STJ.
Assim, a conduta de POSSE de arma de fogo de uso permitido (art. 12) ficou atípica até o dia 31/12/2009. Duas
conclusões podem ser tiradas: a) quem praticou tal conduta após o Estatuto do Desarmamento e até essa data
praticou indiferente penal; b) por sua vez, quem praticou a mesma conduta antes do Estatuto do Desarmamento foi
beneficiado com a extinção da punibilidade, já que uma ação que antes era típica passou a ser atípica.

Outra conduta que teve a tipicidade suspensa pelo Estatuto do Desarmamento foi a de POSSE de arma de fogo de
numeração raspada, suprimida ou adulterada (art. 16, parágrafo único, inciso IV). Aqui, o STJ pacificou, na súmula
513, que a "abolitio criminis" durou apenas até 23/10/2005. Assim, até esse período, a conduta ficou
temporariamente atípica.

Como se vê, a "abolitio criminis" temporária abrangeu apenas a POSSE de arma de fogo, nunca o porte.

713- Quais são os pressupostos da falência?

R: “A doutrina aponta que são três os pressupostos da falência: o primeiro, denominado de pressuposto material
subjetivo, consiste na qualidade de empresário do devedor; o segundo, denominado de pressuposto material
objetivo, é consubstanciado na insolvência do devedor; e o terceiro, por fim, denominado de pressuposto formal, é a
sentença que a decreta. ” Trecho de: RAMOS, André Luiz Santa Cruz. “Direito Empresarial Esquematizado”.

714- O que é exceção de notoriedade nos crimes contra a honra?

R: Segundo Cleber Masson, “O art. 523 do Código de Processo Penal, dispondo sobre o processo e julgamento dos
crimes de calúnia e injúria, de competência do juiz singular, fala em “exceção de notoriedade”. Esse dispositivo, na
prática, é utilizado principalmente para o crime de difamação, pois não haveria motivos legítimos para permitir a
exceção da notoriedade do fato imputado à calúnia e à injúria, e negá-lo para remanescente delito contra a honra.

Quem se vale da exceção da notoriedade alega a falta de ofensividade da conduta do sujeito. Aduzem seus
partidários, precipuamente, a falta de potencialidade da ação para lesar a honra alheia, uma vez que o fato
imputado já era público. Destarte, a ação praticada em nada altera o sentimento da coletividade acerca dos
atributos físicos, morais e intelectuais da vítima.

Essa regra, entretanto, é inútil, pois na difamação – como a falsidade não integra o tipo penal – é irrelevante seja
verdadeira ou falsa a imputação de fato ofensivo à reputação da vítima. Com efeito, a vedação da exceção da
verdade (salvo no tocante ao funcionário público) é extensiva à exceção da notoriedade.

As pessoas não devem formular comentários inadequados sobre a honra alheia, pouco importando se verdadeiros
ou falsos. Esse é o fundamento da previsão legal da difamação como crime. ” Trecho de: MASSON, Cleber. “Direito
Penal Esquematizado - Parte Especial - Vol. 2. ”

715- O que é aborto miserável? Há crime nesse caso?

R: Segundo Cleber Masson, “Aborto econômico, miserável ou social é a interrupção da gravidez fundada em razões
econômicas ou sociais, quando a gestante ou sua família não possuem condições financeiras para cuidar da criança,
ou até mesmo por políticas públicas baseadas no controle da natalidade. Há crime, pois o sistema jurídico em vigor
não autoriza o aborto nessas situações.” Trecho de: MASSON, Cleber. “Direito Penal Esquematizado - Parte Especial -
Vol. 2.” iBooks. Pag. 259/260.

716- Há arquivamento de inquérito policial em crime de ação penal privada?


R: Não há que se falar em arquivamento de inquérito policial em crime de ação penal privada. Para esta espécie de
ação penal, se a vítima não deseja prosseguir com a persecução criminal, basta que, no prazo decadencial de 6 (seis)
meses, permaneça inerte, o que provoca a extinção da punibilidade do investigado (art. 104, IV, CP).
No entanto, caso ela faça requerimento expresso de arquivamento de inquérito, entende-se que está se operando a
renúncia ao direito de queixa, o que igualmente enseja a extinção da punibilidade do agente delitivo (art. 107, inciso
V, CP).

717- O que determina o princípio da exclusiva proteção de bens jurídicos?

R: O princípio da exclusiva proteção dos bens jurídicos, decorrente do princípio da ofensividade, visa impedir que o
Estado lance mão do Direito Penal na proteção de bens ilegítimos. Pois, segundo tal princípio, o Direito Penal tem
como missão proteger apenas os bens jurídicos indispensáveis, ou seja, somente aqueles mais relevantes aos
cidadãos. Assim, não pode utilizar o Direito Penal, a exemplo, para tutelar a moral, a religião, os valores ideológicos
etc.

Nesse diapasão, o referido princípio alinha-se ao Direito Penal do Fato, que sanciona a pessoa pelo que ela faz, em
contraposição ao Direito Penal do Autor, que sanciona a pessoa pelo que ela é, pensa, e não pelo que faz.

718- Pode ser realizado o depoimento antecipado de testemunhas pelo fato de serem policiais?

R: NÃO, segundo a jurisprudência do STF!

A 2 Turma do STF decidiu que a produção antecipada de prova testemunhal baseada tão somente na possibilidade
de esquecimento dos fatos é inadmissível. É necessário que se comprove o risco de perecimento da prova a ser
produzida, conforme dispõe o artigo 225, do Código de Processo Penal.

Ademais, ressalta-se que a alegação de que as testemunhas são policiais responsáveis por diversas operações de
prisão semelhantes e, assim, tal atividade contribui para o esquecimento dos fatos a serem apurados em relação a
cada infração penal. (STF. 2 Turma. HC 130038/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 03/11/2015). CUIDADO: O STJ
possui alguns julgados em sentido contrário!

719- O que é Justiça Terapêutica?

R: Segundo Eduarda Giacomini, a Justiça Terapêutica é o programa judicial que compreende um conjunto de
medidas voltadas para a possibilidade de se permitir que infratores usuários, em uso indevido, ou dependentes
químicos tenham a faculdade, salvo exceções, de entrar e permanecer em tratamento médico ou receber outro tipo
de medida terapêutica, em substituição ao andamento de processo criminal ou à aplicação de pena privativa de
liberdade, quando da prática de delitos relacionados ao consumo de drogas. Tal modelo de Justiça emerge em um
cenário de crise na execução penal e da falência do modelo de "guerra contra o tráfico".

720- No processo penal, o que é álibi? Ele pode ser alegado em sede de habeas corpus?

R: O álibi é um dos meios de prova através do qual o imputado demonstra que no dia, hora e local onde
aconteceram os fatos delituosos que lhe foram imputados se encontrava em outro lugar, de forma que,
materialmente, não poderia estar presente no local do delito e, portanto, impossível juridicamente lhe ser imputada
a autoria dos fatos delituosos, em razão do álibi comprovado. Diga-se de passagem, o álibi alegado deve ser isento
de dúvida, irrefutável e claramente demonstrado, para que possa produzir os efeitos jurídicos capazes de afastar