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RESUMO DOS INFORMATIVOS - SITE DIZER O DIREITO

DIREITO CONSTITUCIONAL

Atualizado em 16/02/2018: novos julgados

  • 1. SIGILO BANCÁRIO

  • 1.1. Publicação no jornal dos nomes dos clientes que tinham contas de poupança

no banco, em determinado período, representa quebra do sigilo bancário (Info 605)

A divulgação de elementos cadastrais dos beneficiários de decisão proferida em ação civil pública que determinou o pagamento dos expurgos inflacionários

decorrentes de planos econômicos

configura quebra de sigilo bancário

. STJ. 3ª Turma. REsp 1.285.437-MS, Rel. Min. Moura Ribeiro, j. 23/5/2017 (Info 605).

  • 1.2. Requisição pelo MP de informações bancárias de ente da administração

pública (Info 572)

Não são nulas as provas obtidas por meio de requisição do MP de informações bancárias de titularidade de prefeitura municipal para fins de apurar supostos crimes praticados por agentes públicos contra a Administração Pública. É lícita a requisição pelo Ministério Público de informações bancárias de contas de titularidade da Prefeitura Municipal, com o fim de proteger o patrimônio público, não se podendo falar em quebra ilegal de sigilo bancário.

STJ. 5ª Turma. HC 308.493-CE, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 20/10/2015 (Info 572).

RESUMO DOS INFORMATIVOS - SITE DIZER O DIREITO DIREITO CONSTITUCIONAL Atualizado em 16/02/2018: novos julgados 1.
  • 2. DIREITOS FUNDAMENTAIS

  • 2.1. INVIOLABILIDADE DE DOMICÍLIO: Mera intuição de que está havendo

tráfico de drogas na casa não autoriza o ingresso

consentimento do morador (Info 606)

IMPORTANTE
IMPORTANTE

sem mandado judicial ou

!!!

O ingresso regular da polícia no domicílio, sem autorização judicial, em caso de flagrante delito, para que seja válido, necessita que haja fundadas razões (justa causa) que sinalizem a ocorrência de crime no interior da residência.

A

mera intuição acerca de eventual traficância praticada pelo agente, embora

 

pudesse autorizar abordagem policial, em via pública, para averiguação, não

configura, por si só, justa causa a autorizar o ingresso em seu domicílio, sem o seu

consentimento e sem determinação judicial

 

. STJ. 6ª Turma. REsp 1.574.681-RS, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, j. 20/4/17 (Info

606).

  • 2.2. DIREITO À SAÚDE: Ação pedindo suplemento para criança lactente não

perde o objeto pelo simples fato de terem se passado vários anos sem o julgamento (Info 601)

Não há perda do objeto em mandado de segurança cuja pretensão é o fornecimento de leite especial necessário à sobrevivência de menor ao fundamento de que o produto serve para lactentes e o impetrante perdeu essa qualidade em razão do tempo decorrido para a solução da controvérsia.

Como se trata de direito fundamental da pessoa e dever do Poder Público garantir a saúde e a vida, não há que se falar que o pleito se tornou infrutífero pelo simples

fato de a solução da demanda ter demorado

 

. A necessidade ou não do fornecimento de leite especial para a criança deverá ser apurada em fase de execução, quando será conferida oportunidade ao demandante para comprovar suas alegações. Se ficar realmente comprovada a impossibilidade de se acolher o pedido principal, em virtude da longa discussão judicial acerca do tema, nada impede que a parte requeira a conversão em perdas e danos.

STJ. 1ª Turma. AgRg no RMS 26.647-RJ, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, j. 2/2/17 (Info 601).

  • 2.3. Informações detalhadas do cartão corporativo do governo (Info 552)

Determinado jornal solicitou que o governo federal fornecesse a relação dos gastos efetuados com o cartão corporativo pela chefe da representação da Presidência da República em SP. O Governo concedeu ao jornal a relação dos gastos efetuados no período, ou seja, os valores despendidos. No entanto, negou-se a fornecer informações detalhadas como os tipos de gastos, as datas, valores individuais de cada transação, CNPJ/razão social das empresas contratadas etc.

O STJ entendeu que essa recusa ao fornecimento do extrato completo (incluindo tipo, data, valor das transações efetuadas e CNPJ dos fornecedores) constitui ilegal

violação ao direito de acesso à informação de interesse coletivo (Lei 12.527/2011),

que não havia qualquer evidência de que a publicidade desses elementos atentaria contra a segurança do Presidente e Vice-Presidente da República ou de suas famílias.

STJ. 1ª Seção. MS 20.895-DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, j. 12/11/14 (Info

552).

3.

ACESSIBILIDADE

  • 3.1. Judiciário pode determinar a realização de obras de acessibilidade em prédios

públicos (Info 592)

 

O Poder Judiciário pode condenar universidade pública a adequar seus prédios às normas de acessibilidade a fim de permitir a sua utilização por pessoas com deficiência. No campo dos direitos individuais e sociais de absoluta prioridade, o juiz não deve se impressionar nem se sensibilizar com alegações de conveniência e oportunidade trazidas pelo administrador relapso. Se um direito é qualificado pelo legislador como absoluta prioridade, deixa de integrar o universo de incidência da reserva do possível, já que a sua possibilidade é obrigatoriamente, fixada pela Constituição ou pela lei. STJ. 2ª Turma. REsp 1.607.472-PE, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 15/9/2016 (Info

592).

 

OBS

:

A situação concreta, com adaptações, foi a seguinte: O Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública contra a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) requerendo que a instituição fosse condenada a adequar seus prédios às normas de acessibilidade a fim de permitir a sua utilização por pessoas com deficiência.

Fundamentos invocados no pedido formulado na ACP: Constituição Federal, Convenção Internacional sobre Direitos das Pessoas com Deficiência, Lei 10.098/00 e Decreto 5.296/04.

Importante: em uma prova discursiva ou prática do MPF, Defensoria ou Magistratura envolvendo este tema, é fundamental que você mencione todos estes diplomas. Na ação, o MPF pediu que as obras começassem em um prazo máximo de 6 meses e que, depois de iniciadas, fossem concluídas em até 18 meses.

Contestação: A UFPE contestou a ação invocando, dentre outros argumentos:

  • a) que a forma como serão gastos os recursos da Universidade é uma decisão de

conveniência e oportunidade do reitor, não sendo possível ao Poder Judiciário

adentrar no mérito administrativo; e

 
  • b) a teoria da reserva do possível, segundo a qual os recursos são limitados e as

necessidades ilimitadas, de forma que não há condições financeiras de o Poder Público

atender a todas as demandas sociais.

 

O pedido do MPF deve ser acolhido, segundo a jurisprudência do STJ?

SIM .
SIM
.

Conveniência e oportunidade: Em se tratando de direitos individuais e sociais de absoluta prioridade, o juiz não deve se impressionar nem se sensibilizar com alegações de conveniência e oportunidade trazidas pelo administrador relapso. Se o Judiciário deixasse de garantir os direitos de absoluta prioridade levando em conta tais argumentos, ele estaria fazendo juízo de valor ou político em uma esfera na qual o legislador não lhe deixou outra possibilidade de decidir que não seja a de exigir o

imediato

e

cabal

cumprimento

dos

Administração Pública.

deveres,

completamente

vinculados,

da

Reserva do possível: Se um direito é qualificado pelo legislador como absoluta prioridade, ele deixa de integrar o universo de incidência da reserva do possível, já que a sua possibilidade é obrigatoriamente fixada pela Constituição ou pela lei. Ademais, tratando-se de direito essencial, incluso no conceito de mínimo existencial, inexistirá empecilho jurídico para que o Judiciário estabeleça a inclusão de determinada política pública nos planos orçamentários do ente político, especialmente quando não houver comprovação objetiva da incapacidade econômico-financeira da pessoa estatal. Sobre o tema, é interessante conhecer o seguinte julgado do STJ que é uma verdadeira aula:

(

)

1. A tese da reserva do possível assenta-se em ideia de que,

desde os romanos, está incorporada na tradição ocidental, no sentido de que a obrigação impossível não pode ser exigida (Impossibilium nulla obligatio est - Celso, D. 50, 17, 185). Por tal motivo, a insuficiência de recursos orçamentários não pode ser considerada uma mera falácia.

  • 2. Todavia, observa-se que a dimensão fática da reserva do

possível é questão intrinsecamente vinculada ao problema da

escassez. Esta pode ser compreendida como "sinônimo" de desigualdade. Bens escassos são bens que não podem ser usufruídos por todos e, justamente por isso, devem ser distribuídos segundo regras que pressupõe o direito igual ao bem e a impossibilidade do uso igual e simultâneo.

  • 3. Esse estado de escassez, muitas vezes, é resultado de um

processo de escolha, de uma decisão. Quando não há recursos

suficientes para prover todas as necessidades, a decisão do administrador de investir em determinada área implica escassez de recursos para outra que não foi contemplada. A título de exemplo, o gasto com festividades ou propagandas governamentais pode ser traduzido na ausência de dinheiro para a prestação de uma educação de qualidade.

  • 4. É por esse motivo que, em um primeiro momento, a reserva

do possível não pode ser oposta à efetivação dos Direitos Fundamentais, já que, quanto a estes, não cabe ao

administrador público preteri-los em suas escolhas. Nem mesmo a vontade da maioria pode tratar tais direitos como secundários. Isso porque a democracia não se restringe na vontade da maioria. O princípio do majoritário é apenas um instrumento no processo democrático, mas este não se resume àquele. Democracia é, além da vontade da maioria, a realização dos direitos fundamentais. Só haverá democracia real onde houver liberdade de expressão, pluralismo político, acesso à informação, à educação, inviolabilidade da intimidade, o respeito às minorias e às ideias minoritárias

etc. Tais valores não podem ser malferidos, ainda que seja a

vontade da maioria. Caso contrário, se estará usando da "democracia" para extinguir a Democracia.

5. Com isso, observa-se que a realização dos Direitos Fundamentais não é opção do governante, não é resultado de um juízo discricionário nem pode ser encarada como tema que depende unicamente da vontade política. Aqueles direitos que estão intimamente ligados à dignidade humana não podem ser limitados em razão da escassez quando esta é fruto das escolhas do administrador. Não é por outra razão que se afirma que a reserva do possível não é oponível à realização

do mínimo existencial. 6. O mínimo existencial não se resume ao mínimo vital, ou seja, o mínimo para se viver. O conteúdo daquilo que seja o mínimo existencial abrange também as condições socioculturais, que, para além da questão da mera sobrevivência, asseguram ao indivíduo um mínimo de inserção na "vida" social. ( ) ... 11. Todavia, a real insuficiência de recursos deve ser demonstrada pelo Poder Público, não sendo admitido que a tese seja utilizada como uma desculpa genérica para a omissão estatal no campo da efetivação dos direitos fundamentais, principalmente os de cunho social. No caso dos autos, não houve essa demonstração. ( ) ... STJ. 2ª Turma. AgRg no AREsp 790.767/MG, Rel. Min. Humberto Martins, DJe 14/12/2015.

Dessa forma, não se mostra abusiva nem ilegal a fixação de prazo para o início e o fim das obras de acessibilidade nos prédios da Universidade Federal.

Precedente semelhante do STF: O STF já enfrentou questão parecida, ocasião em que decidiu que o Poder Judiciário pode obrigar a Administração Pública a garantir o direito a acessibilidade em prédios públicos: A CF/88 e a Convenção Internacional sobre Direitos das Pessoas com Deficiência asseguram o direito dos portadores de necessidades especiais ao acesso a prédios públicos, devendo a Administração adotar providências que o viabilizem. O Poder Judiciário, em situações excepcionais, pode determinar que a Administração Pública adote medidas assecuratórias de direitos constitucionalmente reconhecidos como essenciais, sem que isso configure violação do princípio da separação de poderes. STF. 1ª Turma. RE 440028/SP, rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 29/10/2013 (Info 726).

Este entendimento do STF já foi cobrado em prova:

(

MPAM-2015

): Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a

acessibilidade em escolas depende de política pública sujeita à esfera de discricionariedade do administrador público, não podendo o Judiciário exercer

qualquer tipo de controle, pois estaria se imiscuindo no “mérito” administrativo. (errado)

4.

COMPETÊNCIA

4.1.

Competência para julgar MS contra ato do chefe do MPDFT no exercício de

atividade submetida à jurisdição administrativa federal (Info 587)

IMPORTANTE
IMPORTANTE

!!!

É do TRF da 1º Região (e não do TJDFT) a competência para processar e julgar mandado de segurança impetrado contra ato do Procurador-Geral de Justiça do Distrito Federal que determinou a retenção de Imposto de Renda (IR) e de contribuição ao Plano de Seguridade Social (PSS) sobre valores decorrentes da conversão em pecúnia de licenças-prêmio. O Procurador-Geral de Justiça do Distrito Federal, ao determinar a retenção de tributos federais por ocasião do pagamento de parcelas remuneratórias (conversão de licenças-prêmio em pecúnia), está no exercício de função administrativa federal, razão pela qual não se pode reconhecer a competência do Tribunal de Justiça do Distrito Federal para o julgamento de mandado de segurança impetrado contra tal ato.

Obs
Obs

: quando o MS é impetrado contra atos praticados pelo PGJ-DF sob jurisdição

administrativa local, a competência será do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. STJ. 1ª Turma. REsp 1.303.154-DF, Rel. Min. Gurgel de Faria, j. 16/6/16 (Info 587).

  • 5. CONTROLE EXTERNO DA ATIVIDADE POLICIAL

  • 5.1. MPF não tem acesso irrestrito a todos os relatórios de inteligência produzidos

pela Diretoria de Inteligência da Polícia Federal (Info 587)

IMPORTANTE
IMPORTANTE

!!!

 

O

controle externo da atividade policial exercido pelo MPF não lhe garante o acesso

 

irrestrito a todos os relatórios de inteligência produzidos pela Diretoria de Inteligência do Departamento de Polícia Federal, mas somente aos de natureza

persecutório-penal

 

. O controle externo da atividade policial exercido pelo Parquet deve circunscrever- se à atividade de polícia judiciária, conforme a dicção do art. 9º da LC 75/93, cabendo-lhe, por essa razão, o acesso aos relatórios de inteligência policial de natureza persecutório-penal, ou seja, relacionados com a atividade de investigação criminal. O poder fiscalizador atribuído ao MP não lhe confere o acesso irrestrito a "todos os relatórios de inteligência" produzidos pelo Departamento de Polícia Federal, incluindo aqueles não destinados a aparelhar procedimentos investigatórios criminais formalizados. STJ. 1ª Turma. REsp 1.439.193-RJ, Rel. Min. Gurgel de Faria, j. 14/6/16 (Info 587).

 
  • 6. TRIBUNAL DE CONTAS

  • 6.1. Legitimidade do MPTC de impetrar mandado de segurança contra acórdão do

Tribunal de Contas que teria violado prerrogativas institucionais do Parquet (Info

611)

 
 

O

membro do Ministério Público que atua perante o Tribunal de Contas

possui

 

legitimidade e capacidade postulatória para impetrar mandado de segurança, em defesa de suas prerrogativas institucionais, contra acórdão prolatado pela

respectiva Corte de Contas

 

. Ex: Procurador de Contas pode impetrar mandado de segurança contra acórdão do Tribunal de Contas que extinguiu representação contra licitação sem incluí-la em pauta e sem intimar o MP.

STJ. 2ª Turma. RMS 52.741-GO, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 8/8/17 (Info 611).

MPTC não possui as atribuições do Ministério Público comum: O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas possui atuação funcional exclusiva perante as Cortes de Contas, limitada ao controle externo a que se refere o art. 71 da CF/88:

MPTC não possui fisionomia institucional própria: O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas não dispõe de “fisionomia institucional própria”, estando

Especial

ter

atuação

restrita

ao

âmbito

do

Tribunal

de

Contas

não

exclui

a

possibilidade de o Procurador de Contas impetrar mandado de segurança em defesa

de suas prerrogativas institucionais

. Assim, deve ser reconhecida a legitimidade

Assim,

a atuação do Procurador de Contas é restrita ao âmbito administrativo do

Tribunal de Contas ao qual faz parte, não possuindo

,

em regra

,

legitimidade ativa

para propor demandas judiciais

.

O Ministério Público tem legitimidade e capacidade postulatória para o presente MS? É possível a impetração de mandado de segurança pelo Ministério Público de Contas

ativa do Ministério Público de Contas para propositura de mandado de segurança que tenha por objetivo questionar acórdão do Tribunal de Contas que determinou a extinção e arquivamento de representação promovida pelo Parquet de Contas.

. Defesa de suas prerrogativas institucionais: O fato de o Ministério Público

127), cuja abrangência é disciplina no art. 128 da Constituição Federal. STF. 2ª Turma. Rcl 24162 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 22/11/16.

Nos termos do art. 128 da CF/88, o

Ministério Público junto

aos

Tribunais

de

Contas

não

compõe

a

estrutura

do

Ministério Público comum da União e dos Estados

,

sendo

atribuídas

apenas

aos

membros

daquele

as

mesmas

prerrogativas funcionais deste (art. 130)

.

As

atribuições do Ministério Público comum, entre as quais

se inclui sua legitimidade processual extraordinária e

autônoma, não se estendem ao Ministério Público junto aos

Tribunais de Contas

, cuja

atuação está limitada ao controle

externo a que se refere o art. 71 da CF/88

. STF. 1ª Turma. Rcl

O

Ministério Público junto ao Tribunal de Contas não

dispõe de fisionomia institucional própria

,

não integrando

o

conceito

de

Ministério

Público

enquanto

ente

despersonalizado de função essencial à Justiça

(CF/88, art.

contra ato do Tribunal de Contas ao qual ele está vinculado?

vinculado administrativamente às Cortes de Contas:

24159 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 8/11/16.

Exceção
Exceção

OBS:

SIM .
SIM
.
  • 6.2. Requisito para integrar Tribunal de Contas (Info 584)

Membro do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas de Estados ou do

Distrito Federal que

ocupa esse cargo há

menos de dez anos

pode ser indicado para

compor lista tríplice destinada à escolha de conselheiro da referida corte

 

. STJ. 2ª Turma. RMS 35.403-DF, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 3/3/16 (Info 584).

 

OBS

:

 

Como é a composição dos Tribunais de Contas:

 

TCU: 9 membros (são chamados de Ministros do TCU).

TCE: 7 membros (são chamados de Conselheiros do TCE).

Quais são os requisitos constitucionais para ser membro dos Tribunais de Contas?

São requisitos para ser Ministro do TCU ou Conselheiro do TCE:

 
  • a) nacionalidade brasileira (brasileiros natos ou naturalizados);

  • b) mais de 35 e menos de 65 anos de idade;

  • c) idoneidade moral e reputação ilibada;

 
  • d) notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de

administração pública;

 
  • e) mais de 10 anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional

que exija os conhecimentos mencionados.

 
 
Obs:
Obs:

os requisitos acima estão previstos no art. 73, § 1º c/c o art. 75 da CF/88.

Como é a forma de composição do TCU?

 

1/3 (3 Ministros) são escolhidos pelo Presidente da República. Desses 3 Ministros, o Presidente deverá escolher:

1 dentre os auditores do TCU (indicados em lista tríplice pelo Tribunal) 1 dentre os membros do MP que atuam junto ao TCU (também indicados em lista tríplice) 1 de livre escolha do Presidente (esta escolha é livre, atendidos os requisitos constitucionais).

Todos os indicados pelo Presidente precisarão ser aprovados pela maioria simples do Senado, em arguição secreta.

2/3 (6 Ministros) são escolhidos pelo Congresso Nacional.

Os Ministros do TCU terão as mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens dos Ministros do STJ (art. 73, § 3º, CF).

Como é a forma de composição do TCE?

 

A CF/88 não traz, de modo detalhado, como deve ser a composição dos Tribunais de

Contas dos Estados, dizendo apenas que o TCE deve ser formado por 7 Conselheiros

e que as normas previstas para o TCU aplicam-se, no que couber, ao TCE (art. 75 da

CF/88).

 

Assim, entende-se que a forma de escolha dos membros do TCE deve ser prevista na respectiva Constituição Estadual. O STF, contudo, afirmou que, por força do princípio da simetria, essas regras de escolha dos Conselheiros do TCE devem obedecer ao mesmo modelo estabelecido pela Constituição Federal para o TCU (art. 73, § 2º da CF). Em suma, a Constituição Estadual deverá detalhar as normas sobre a escolha dos membros do TCE, mas tais regras deverão seguir a mesma sistemática adotada para a composição do TCU. Esse entendimento deu origem à súmula 653 do STF:

 

Súmula 653-STF

: No Tribunal de Contas estadual, composto

por sete conselheiros, quatro devem ser escolhidos pela Assembleia Legislativa e três pelo Chefe do Poder Executivo estadual, cabendo a este indicar um dentre auditores e outro

dentre membros do Ministério Público, e um terceiro à sua livre escolha.

Desse modo, os 7 membros do TCE são designados da seguinte forma:

  • 3 Conselheiros são escolhidos pelo Governador do Estado.

Desses 3 Conselheiros, o Governador deverá escolher:

  • 1 dentre os auditores do TCE (indicados em lista tríplice pelo Tribunal)

  • 1 dentre os membros do MP que atuam junto ao TCE (também indicados em lista tríplice)

  • 1 de livre escolha do Governador (esta escolha é livre, atendidos os requisitos constitucionais).

  • 4 Conselheiros escolhidos pela Assembleia Legislativa.

Os Conselheiros do TCE terão as mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens dos Desembargadores do TJ (STF. Plenário. ADI 4190 MC- REF, Rel. Min. Celso de Mello, j. 10/03/10).

Art. 73, § 1º, IV, da CF/88 não exige que o candidato ao cargo tenha 10 anos de carreira

no MP: O art. 73, § 1º, da CF/88 não estabelece que os membros do Ministério Público ou os auditores devem ter mais de 10 anos no cargo para poderem ser nomeados para a função de membro do Tribunal de Contas. O que o § 1º do art. 73 da CF/88 prevê é

que, para ser nomeado membro do Tribunal de Contas, a pessoa deve ter mais de 10 anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração pública. Desse modo, a pessoa pode ter apenas 7 anos, por exemplo, no cargo de Procurador de Contas, mas se ela tiver outros 3 anos de atividade profissional na qual se exija notórios conhecimentos jurídicos, ela terá preenchido o requisito constitucional.

As regras do quinto constitucional (art. 94 da CF/88) não se aplicam para a escolha dos Conselheiros do Tribunal de Contas: Realmente o art. 94 da CF/88 prevê a

exigência de que o membro do MP tenha 10 anos no cargo para que possa ser nomeado Desembargador nos Tribunais Regionais Federais ou Tribunais de Justiça, nas vagas

destinadas ao chamado "quinto constitucional". No entanto,

essa regra não se aplica

às Cortes de Contas

. Os Tribunais de Contas, embora se denominem tribunais e

tenham alta relevância constitucional, não integram o Poder Judiciário, razão pela qual não se pode pretender que normas destinadas a reger o Judiciário devam ser aplicáveis a eles, salvo previsão constitucional específica.

  • 7. MANDADO DE SEGURANÇA

  • 7.1. Teoria da Encampação (Sem Info) (MPGO-2016)

 

O STJ, no julgamento do MS 015114-DF, no dia 26.08.2015, tendo como Relator o Ministro Nefi Cordeiro, da Terceira Seção, afirmou que o STJ firmou entendimento no sentido de ser aplicável a teoria da encampação quando a autoridade apontada

 

como coatora, ao prestar as informações, não se limita a alegar a sua ilegitimidade,

mas defende a prática do ato impugnado. A

teoria da encampação tem

aplicabilidade nas hipóteses em que são atendidos os seguintes pressupostos:

subordinação hierárquica entre a autoridade efetivamente coatora e a apontada na

petição inicial, discussão do mérito nas informações e ausência de modificação da competência . ( MPGO-2016
petição inicial, discussão do mérito nas informações e ausência de modificação da
competência .
( MPGO-2016 ): A teoria da encampação no mandado de segurança tem
aplicabilidade nas hipóteses em que atendidos os seguintes pressupostos:
subordinação hierárquica entre a autoridade efetivamente coatora e a apontada na
petição inicial, discussão do mérito nas informações e ausência de modificação da
competência.
  • 8. IMUNIDADE PARLAMENTAR

  • 8.1. Deputado que, em entrevista à imprensa, afirma que determinada Deputada

"não merece ser estuprada" deve pagar indenização por danos morais (Info 609)

estuprá-la porque ela não merece". Bolsonaro pelo mesmo fato. Para maiores informações, veja: STF. 1ª Turma.
estuprá-la porque ela não merece".
Bolsonaro pelo mesmo fato. Para maiores informações, veja: STF. 1ª Turma. Inq
3932/DF e Pet 5243/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgados em 21/6/2016 (Info 831).
.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.642.310-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 15/8/17 (Info 609).
e são aptas a gerar dano moral
imprensa, em manifestações que não guardam nenhuma relação com o exercício do
mandato, não estão abarcadas pela imunidade material prevista no art. 53 da CF/88
opiniões ofensivas proferidas por deputados federais e veiculadas por meio da
danos morais em favor da Deputada. Decidiu o Tribunal
parlamentar
STJ entendeu que a conduta do parlamentar não está abrangido pela imunidade
OBS
muito feia, não faz meu gênero”. E acrescentou que, se fosse estuprador, "não iria
O Deputado Federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) afirmou que a também Deputada
Federal Maria do Rosário (PT-RS), “não merece ser estuprada por ser muito ruim,
: Sobre o tema, vale ressaltar que o STF já recebeu denúncia e queixa-crime contra
:
ele deveria ser condenado a pagar indenização por
e que, portanto,
O
As
  • 9. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

  • 9.1. Não há violação à reserva de plenário na decisão que decreta a nulidade de ato

administrativo por violação à CF/88 (Info 546)

O STJ afirmou que não há ofensa à cláusula da reserva de plenário quando o órgão fracionário do Tribunal reconhece, com fundamento na CF/88 e em lei federal, a nulidade de um ato administrativo fundado em lei estadual, ainda que esse órgão julgador tenha feito menção, mas apenas como reforço de argumentação, à inconstitucionalidade da lei estadual. No caso concreto, o Tribunal de Justiça, por meio de uma de suas Câmaras (órgão fracionário) julgou que determinado ato administrativo concreto que renovou a concessão do serviço público sem licitação seria nulo por violar os arts. 37, XXI, e

175 da CF/88 e a Lei 8987⁄95. Além disso, ele mencionou, como mais um argumento,

que a Lei Estadual que autorizava esse ato administrativo seria inconstitucional. Não houve violação porque o ato administrativo que foi declarado nulo não era um ato normativo. Ademais, a menção de que a lei estadual seria inconstitucional foi apenas um reforço de argumentação, não tendo essa lei sido efetivamente declarada inconstitucional.

 

STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1.435.347-RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 19/8/2014 (Info 546).

 

OBS:

 

Controle difuso de constitucionalidade: No chamado controle difuso de constitucionalidade, também adotado pelo Brasil, ao lado do controle abstrato, qualquer juiz ou Tribunal pode declarar a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo no caso concreto. No entanto, se o Tribunal for fazer essa declaração, deverá respeitar a cláusula de reserva de plenário.

Cláusula de reserva de plenário: A chamada “cláusula de reserva de plenário” significa que, se um Tribunal for declarar a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo, é obrigatória que essa declaração de inconstitucionalidade seja feita pelo voto da maioria absoluta do Plenário ou do órgão especial deste Tribunal. Esta exigência da cláusula de reserva de plenário tem como objetivo conferir maior segurança jurídica para as decisões dos Tribunais, evitando-se que, dentro de um mesmo Tribunal, haja posições divergentes acerca da constitucionalidade de um dispositivo, gerando instabilidade e incerteza. A reserva de plenário é também conhecida como regra do full bench, full court ou julgamento en banc e está prevista no art. 97 da CF/88 e no NCPC.

  • 9.2. Controle jurisdicional de políticas públicas (Info 544)

IMPORTANTE
IMPORTANTE

!!!

Constatando-se inúmeras irregularidades em cadeia pública superlotação, celas sem condições mínimas de salubridade para a permanência de presos, notadamente em razão de defeitos estruturais, de ausência de ventilação, de iluminação e de instalações sanitárias adequadas, desrespeito à integridade física e moral dos detentos, havendo, inclusive, relato de que as visitas íntimas seriam realizadas dentro das próprias celas e em grupos, e que existiriam detentas acomodadas improvisadamente , a alegação de ausência de previsão orçamentária não impede que seja julgada procedente ação civil publica que, entre outras medidas, objetive obrigar o Estado a adotar providências administrativas e respectiva previsão orçamentária para reformar a referida cadeia pública ou construir nova unidade, mormente quando não houver comprovação objetiva da incapacidade econômico-financeira da pessoa estatal

Constatando-se inúmeras irregularidades em cadeia pública – superlotação, celas sem condições mínimas de salubridade para a

. STJ. 2ª Turma. REsp 1.389.952-MT, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 3/6/14 (Info 543).

9.3.

Amicus curiae e momento limite para a sua intervenção

(Info

CUIDADO
CUIDADO

!!! NCPC

VIDE ART. 138, §3

º -

LEGITIMIDADE RECURSAL

!!!

540)

O segundo assevera remansosa . deve ser realizado antes do início do julgamento pelo pedido de
O
segundo assevera remansosa
.
deve ser realizado antes do início do julgamento pelo
pedido de intervenção, na qualidade de amicus curiae, em recurso submetido ao
rito do art. 543-C do CPC,
órgão colegiado
. Isso porque, uma vez iniciado o julgamento, não há mais espaço
para o ingresso de amicus curiae. De fato, já não há utilidade prática de sua
intervenção, pois nesse momento processual não cabe mais sustentação oral, nem
apresentação de manifestação escrita, e,
jurisprudência, o amicus curiae não tem legitimidade recursal, inviabilizando-se a
pretensão de intervenção posterior ao julgamento
7/5/14 (Info 540)
STJ. Corte Especial. QO no REsp 1.152.218-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j.
  • 10. PODER LEGISLATIVO

10.1. Possibilidade de juiz afastar vereador da função que ocupa – (Info 617) – IMPORTANTE !!!
10.1.
Possibilidade de juiz afastar vereador da função que ocupa – (Info 617) –
IMPORTANTE !!!
É possível que o Juiz de primeiro grau, fundamentadamente, imponha a
parlamentares municipais as medidas cautelares de afastamento de suas funções
legislativas sem necessidade de remessa à Casa respectiva para deliberação .
STJ. 5ª Turma. RHC 88804-RN, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, j. 7/11/17 (Info
617).
OBS :
Os vereadores possuem foro por prerrogativa de função? Em regra, não . Os
vereadores, em regra, são julgados criminalmente por juízes de 1ª instância.
Exceção : a Constituição Estadual pode prever que o Tribunal de Justiça será
competente para julgar vereadores . Essa previsão da CE é válida:
(
)
Não afronta a Constituição da República, a norma de
Constituição estadual que, disciplinando competência
originária do Tribunal de Justiça, lha atribui para processar e
julgar vereador.
STF. 2ª Turma. RE 464935, Rel. Min. Cezar Peluso, j. 3/6/08.
Imagine que determinado vereador está respondendo a processo em 1ª instância por
crimes contra a Administração Pública. O juiz poderá aplicar medidas cautelares
contra esse vereador, dentre elas a medida de afastamento de suas funções (art. 319,
VI, do CPP)? SIM . Vale ressaltar que as normas de imunidade formal previstas no
art. 53, § 2º da CF/88 para Deputados Federais e Senadores NÃO se aplicam para os
vereadores . Nesse sentido:
Os edis, ao contrário do que ocorre com os membros do
Congresso Nacional e os deputados estaduais não gozam da
denominada incoercibilidade pessoal relativa (freedom from
arrest), ainda que algumas Constituições estaduais lhes
assegurem prerrogativa de foro. ( ) ...
STF. 1ª Turma. HC 94059, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j.
(
)
6/5/08.
Assim, é plenamente possível que o juiz determine a aplicação de medida cautelar
de afastamento das funções de vereador (e de Presidente da Câmara Municipal),
desde que o magistrado o faça fundamentadamente .
Para que haja esse afastamento das funções, é necessário autorização da Câmara dos
Vereadores? NÃO . Não existe na legislação tal exigência.
  • 11. PODER JUDICIÁRIO

  • 11.1. Limitação do pagamento de diárias a juiz federal (Info 614)

 

É ilegal a limitação de duas diárias e meia semanais, à luz do art. 5º da Resolução

 

CJF nº 51/2009,

quando o deslocamento de juiz federal convocado para substituição

 

em tribunais regionais for superior a esse lapso

 

. STJ. 2ª Turma. REsp 1.536.434-SC, Rel. Min. Og Fernandes, j. 17/10/17 (Info 614).

  • 12. MINISTÉRIO PÚBLICO

12.1. Intimação pessoal dos membros do Ministério Público no processo penal – (Info 611) – ATENÇÃO
12.1.
Intimação pessoal dos membros do Ministério Público no processo penal –
(Info 611) – ATENÇÃO ! MINISTÉRIO PÚBLICO !
O termo inicial da contagem do prazo para impugnar decisão judicial é, para o
Ministério Público, a data da entrega dos autos na repartição administrativa do
órgão, sendo IRRELEVANTE que a intimação pessoal tenha se dado em audiência,
em cartório ou por mandado .
STJ. 3ª Seção. REsp 1.349.935-SE, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, j. 23/8/17 ( recurso
repetitivo ) (Info 611).
12.2.
Termo inicial da ação civil
para
a
perda do cargo
– Atenção ! Ministério
Público !! IMPORTANTE !!! – (MPSC-2016)
Na hipótese de membro de Ministério Público Estadual praticar falta
administrativa também prevista na lei penal como crime, o prazo prescricional da
ação civil para a aplicação da pena administrativa de perda do cargo somente tem
início com o trânsito em julgado da sentença condenatória na órbita penal .
STJ. 2ª Turma. REsp 1.535.222-MA, Rel. Min. Og Fernandes, j. 28/3/2017 (Info 601).
OBS :
Imagine a seguinte situação hipotética: Chegaram indícios no Ministério Público de
que João, Promotor de Justiça vitalício, teria praticado solicitado, em razão de sua
função, vantagem indevida. Diante disso, a Corregedoria do Ministério Público
instaurou Processo Administrativo Disciplinar para apurar o suposto delito. Em 2011,
foi prolatada decisão no PAD recomendando a propositura de ação penal e de ação
civil de perda do cargo contra o referido Promotor.
Neste PAD, o Promotor poderia ter sido demitido? Se um membro do Ministério
Público pratica uma infração disciplinar grave, ele poderá ser condenado, em processo
administrativo, à pena de demissão? NÃO . Os membros do MP gozam de
vitaliciedade e somente podem perder o cargo por sentença judicial transitada em
julgado (art. 128, § 5º, I, “a”, da CF/88). Além da CF/88, essa vitaliciedade foi
regulamentada pelo art. 38, § 1º da Lei 8.625/93 (Lei Orgânica Nacional do MP) e pelo
art. 57, XX, da LC 75/93 (Estatuto do MPU). Essas leis preveem que é necessária a
propositura de uma ação civil para a decretação da perda do cargo contra o membro
do Ministério Público que tiver praticado uma infração disciplinar grave .
Lei nº 8.625/93: O § 2º do art. 38 da Lei 8.625/93 (que trata sobre os membros do MP
estadual) exige que a ação para perda do cargo seja proposta contra o Promotor de
Justiça pelo Procurador-Geral de Justiça, após autorização do Colégio de
Procuradores:
Art. 38 . ( ) ...
§ 1º O membro vitalício do Ministério Público somente
perderá o cargo por sentença judicial transitada em julgado,
proferida em ação civil própria, nos seguintes casos:
I - prática de crime incompatível com o exercício do cargo,
após decisão judicial transitada em julgado;
II - exercício da advocacia;

III - abandono do cargo por prazo superior a trinta dias corridos. § 2º A ação civil para a decretação da perda do cargo será proposta pelo Procurador-Geral de Justiça perante o Tribunal de Justiça local, após autorização do Colégio de Procuradores, na forma da Lei Orgânica.

LC 75/93: O inciso XX do art. 57 da LC 75/93 (que versa sobre os membros do MPU) afirma que a ação para perda do cargo deve ser proposta pelo PGR, após autorização do Conselho Superior do MPF:

Art. 57 . Compete ao Conselho Superior do Ministério Público

Federal:

XX - autorizar, pela maioria absoluta de seus membros, que o Procurador-Geral da República ajuíze a ação de perda de cargo contra membro vitalício do Ministério Público Federal, nos casos previstos nesta lei; ( ) ...

  • . As infrações disciplinares serão apuradas em

processo administrativo; quando lhes forem cominadas penas de demissão, de cassação de aposentadoria ou de disponibilidade, a imposição destas dependerá, também, de decisão judicial com trânsito em julgado.

Voltando ao exemplo: Em 2012, o Procurador-Geral de Justiça ajuizou ação penal contra o Promotor no Tribunal de Justiça (art. 96, III, da CF/88) pela prática de corrupção passiva (art. 317 do CP).Em 2016, o Tribunal de Justiça condenou o réu a uma pena de 2 anos. Houve o trânsito em julgado.

O Tribunal de Justiça poderá determinar a perda do cargo, com base no art. 92, I, “a”,

do CP (São também efeitos da condenação: a perda do cargo quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes praticados

com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública)?

NÃO
NÃO

. As regras sobre a perda do cargo de membro do Ministério Público estadual estão previstas em norma especial, qual seja, Lei 8.625/93 (Lei Orgânica Nacional do Ministério Público), que dispõe que a perda do referido cargo somente pode ocorrer

após o trânsito em julgado de ação civil proposta para esse fim. Em outras palavras, o

art. 92, I, “a”, do CP não se aplica para membros do Ministério Público

. STJ. 5ª

Turma. REsp 1.251.621-AM, Rel. Min. Laurita Vaz, j. 16/10/14 (Info 552).

Ação civil de perda do cargo: Em 2017, o Procurador-Geral de Justiça ajuizou ação civil contra João pedindo a perda de seu cargo. Em sua defesa, João alegou que esta ação civil está prescrita. Isso porque os prazos prescricionais para punições contra os membros do Ministério Público estão previstos no art. 244 da LC 75/93 (Estatuto do MPU):

  • . Prescreverá:

I - em um ano, a falta punível com advertência ou censura;

II - em dois anos, a falta punível com suspensão; III - em quatro anos, a falta punível com demissão e cassação de aposentadoria ou de disponibilidade. Parágrafo único. A falta, prevista na lei penal como crime, prescreverá juntamente com este.

Segundo a tese de João, a falta disciplinar por ele praticada é prevista como crime (corrupção passiva art. 317 do CP). Logo, deve ser aplicado o art. 244, parágrafo único, da LC 75/93. Como João recebeu pena de 2 anos pelo crime praticado, a prescrição deverá ser contada com base nessa pena em concreto. Assim, o prazo prescricional seria de 4 anos, nos termos do art. 109, V, do CP:

Art. 109
Art. 109

. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença

final, salvo o disposto no § 1º do art. 110 deste Código, regula- se pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime, verificando-se:

( ) ... V - em quatro anos, se o máximo da pena é igual a um ano ou, sendo superior, não excede a dois;

De acordo com João, este prazo prescricional iniciou-se na data da decisão do PAD, em 2011.

Primeira pergunta

: A LC 75/93 pode ser aplicada à situação de João, mesmo ele sendo

SIM
SIM

. A Lei Orgânica do Ministério Público

membro do Ministério Público estadual?

(Lei 8.625/93) determina que a LC 75/93 deverá ser aplicada de forma subsidiária:

Art. 80. Aplicam-se aos Ministérios Públicos dos Estados, subsidiariamente, as normas da Lei Orgânica do Ministério Público da União.

Segunda pergunta

: O prazo prescricional da ação civil de perda do cargo do membro

SIM .
SIM
.

do Ministério Público é regido pelo art. 244 da LC 75/93?

Terceira pergunta

: Em caso de falta disciplinar que também é crime, o prazo

prescricional será regido pela pena em concreto que foi aplicada? Em nosso exemplo,

o prazo prescricional deve ser calculado a partir da pena de 2 anos?

NÃO
NÃO

. O prazo

prescricional deve ser contado com base na pena máxima em abstrato do crime imputado. Nesse sentido:

(

)

3. Quando o promotor comete uma infração

administrativa, a prescrição é aquela disciplinada em um dos incisos do art. 244 da Lei Complementar nº 75/93; já quando a

infração cometida é prevista também na lei penal, o prazo prescricional é aquele referente ao crime praticado. 4. A disposição da lei de que a falta administrativa prescreverá no mesmo prazo da lei penal, leva a uma única interpretação possível, qual seja, a de que este prazo será o mesmo da pena em abstrato, pois este, por definição originária, é o prazo próprio prescricional dos crimes em espécie. ( ) ... STJ. 6ª Turma. REsp 379.276/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 14/12/2006.

Em nosso exemplo, o crime imputado é o de corrupção passiva (art. 317), cuja pena máxima é de 12 anos. Logo, aplicando-se o art. 109, II, do CP, o prazo prescricional para ajuizar a ação contra João seria de 16 anos.

Quarta pergunta

Quarta pergunta

: Esse prazo prescricional para o ajuizamento da ação é contado a

a ação civil para perda do cargo somente

nos casos em que

. Assim, uma das

,

partir de quando? A partir do trânsito em julgado da condenação criminal. Isso porque

o art. 38, § 1º, I, da Lei 8.625/93 afirma que

 

deve ser interposta após o trânsito em julgado da sentença penal

   

a falta funcional corresponde também a uma conduta criminosa

 

condições de procedibilidade da ação civil para perda do cargo é a existência de decreto condenatório proferido no juízo criminal e transitado em julgado. Logo, se a ação somente pode ser proposta após o trânsito em julgado, não se pode contar a prescrição antes dessa condição ocorrer. Prescrição somente ocorre quando alguém, podendo agir, deixa de fazê-lo, no tempo oportuno.

  • 12.3. Acesso do MPF a procedimentos do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB

depende de prévia autorização judicial – (Info 589) – IMPORTANTE !!! O acesso do MPF às
depende de prévia autorização judicial – (Info 589) – IMPORTANTE !!!
O acesso do MPF às informações inseridas em procedimentos disciplinares
conduzidos pela OAB depende de prévia autorização judicial .
O fundamento para esta decisão encontra-se no § 2º do art. 72 da Lei nº 8.906/94,
que estabelece que a obtenção de cópia dos processos ético-disciplinares é matéria
submetida à reserva de jurisdição, de modo que somente mediante autorização
judicial poderá ser dado acesso a terceiros.
STJ. Corte Especial. REsp 1.217.271-PR, Rel. Min. Humberto Martins, j. 18/5/16 (Info
589).
OBS :
Estatuto da OAB garante o sigilo desses procedimentos: Segundo o § 2º do art. 72 da
Lei nº 8.906/94 (Estatuto da OAB):
Art. 72 . (
...
§ 2º O processo disciplinar tramita em sigilo, até o seu término,
)
só tendo acesso às suas informações as partes, seus defensores
e a autoridade judiciária competente.
  • 12.4. Legitimidade do Ministério Público estadual para atuar no STJ (Info 576)

O Ministério Público Estadual possui legitimidade para atuar diretamente no STJ nos processos em que figurar
O Ministério Público Estadual possui legitimidade para atuar diretamente no STJ nos processos em que figurar

O Ministério Público Estadual possui legitimidade para atuar diretamente no STJ

nos processos em que figurar como parte

.

O Ministério Público Estadual possui legitimidade para atuar diretamente no STJ nos processos em que figurar
 

O MPE, nos processos em que figurar como parte e que tramitam no STJ, possui

 
 

legitimidade para exercer todos os meios inerentes à defesa de sua pretensão.

   
 

função de fiscal da lei no âmbito do STJ será exercida exclusivamente pelo Ministério Público Federal, por meio dos Subprocuradores-Gerais da República

designados pelo Procurador-Geral da República

   
 

STJ. Corte Especial. EREsp 1.236.822-PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado

 
 

ajuizamento de ação rescisória perante o STJ para impugnar acórdão daquela Corte que julgou processo no qual o parquet estadual era parte.

Os Ministérios Públicos estaduais não estão vinculados, nem subordinados, no plano processual, administrativo e/ou institucional, à Chefia do Ministério Público da União, o que lhes confere ampla possibilidade de atuação autônoma nos processos em que forem partes, inclusive perante os Tribunais Superiores. Assim, por exemplo, o Ministério Público Estadual possui legitimidade para o

uma tese, aceita durante vários anos, no sentido de que somente o Ministério Público Federal poderia
uma tese, aceita durante vários anos, no sentido de que somente o Ministério Público
Federal poderia atuar diretamente no STJ e no STF. Dessa forma, o Ministério Público
Estadual, por meio do Procurador-Geral de Justiça, não poderia, por exemplo, propor
uma reclamação, impetrar mandado de segurança, interpor agravo regimental, fazer
sustentação oral, entre outros atos processuais, quando envolvesse o STF/STJ.
Segundo se entendia, isso teria que ser feito por intermédio do Procurador-Geral da
República.
dois ramos distintos (MPE e MPU), não havendo qualquer relação de hierarquia ou
subordinação entre eles. O chefe do Ministério Público da União é o Procurador-Geral
da República (art. 128, § 1º da CF/88). Por sua vez, o chefe de cada Ministério Público
estadual é o seu respectivo Procurador-Geral de Justiça (art. 128, § 3º). Logo, não há
1) Inexistência de hierarquia entre MPU e MPE
Argumentos que fundamentam a atuação do MP Estadual no STF e STJ:
MPU)
Estadual podem ser defendidos diretamente pelo Procurador-Geral de Justiça no STF
e STJ, não sendo necessária a atuação do Procurador-Geral da República (chefe do
Promotor de Justiça). Dessa forma, atualmente,
Qual a posição que prevalece, portanto, atualmente? O Ministério Público estadual
possui legitimidade para atuar no STF e no STJ de forma autônoma, ou seja, por meio
de seu Procurador-Geral de Justiça ou alguém por ele designado (até mesmo um
em 2011, quando o STF reconheceu a legitimidade ativa autônoma do Ministério
Público estadual para propor reclamação perante aquela Corte (Rcl 7358/SP, rel. Min.
Ellen Gracie, julgado em 24/2/2011). O STJ seguiu no mesmo correto caminho e
decidiu que o Ministério Público Estadual tem legitimidade recursal para atuar
também no STJ (AgRg no AgRg no AREsp 194.892-RJ, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques, julgado em 24/10/2012 – brilhante voto).
Esse entendimento restritivo ao MPE foi superado?
Procuradores-Gerais de Justiça, até podiam interpor Recurso Extraordinário e Recurso
Especial contra os acórdãos dos Tribunais de Justiça, no entanto, depois de interposto,
a atribuição para oficiar junto aos tribunais superiores seria do Procurador-Geral da
República ou dos Subprocuradores da República.
segundo o
Qual era o fundamento para essa tese? Argumentava-se que o Ministério Público é
uma instituição una, cabendo a seu chefe, o Procurador-Geral da República,
representá-la, atuando, em seu nome, junto às Cortes Superiores: STF e STJ. Assim,
OBS:
Por que esse tema foi discutido pelo STJ? Havia polêmica sobre o assunto?
Poderá atuar sozinho, sem a participação do MPF. O Ministério Público Estadual tem
legitimidade para atuar diretamente como parte em recurso submetido a julgamento
perante o STJ.
Se o Ministério Público Estadual é parte em um processo e houve recurso para o STJ,
ele poderá atuar diretamente neste recurso ou ele precisará da participação do MPF?
STF. 1ª Turma. ACO 2351 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 10⁄02⁄2015.
Sim
SIM
. Havia
: O Ministério Público é dividido em
, como se entendia até então.
entendimento anterior, o Ministério Público Estadual, por meio de seus
os interesses do Ministério Público
. O primeiro passo foi dado

Mandado de segurança (contra decisão do CNMP, v.g.); Reclamação constitucional; Pedido de suspensão de segurança; Pedido de tutela antecipada;

importante ressaltar que

Subprocuradores da República

MPF atuará como custos legis (fiscal da lei), oferecendo parecer.

3) Autonomia do MPE

4) MPU e MPE não são unos entre si

6) Paridade de armas

Mandado de segurança (contra decisão do CNMP, v.g.); Reclamação constitucional; Pedido de suspensão de segurança; Pedido

2) Princípio federativo

os

do MPU

Ministério Público oferecerá a denúncia e atuará no processo criminal?

qualquer sentido em se permitir que o MPF atue diretamente nas Cortes Superiores e negar esse poder aos Ministérios Públicos Estaduais.

: Viola o regime federativo impedir que o Ministério Público

Estadual tenha acesso aos Tribunais Superiores, uma vez que haveria uma diferença

de tratamento em relação ao MPF, o que mitigaria sua autonomia funcional.

: Está também relacionada com o princípio federativo,

considerando que, não permitir que o Ministério Público Estadual atue, no STF e STJ, nos processos de seu interesse, significaria tolher a autonomia e liberdade de atuação do Parquet estadual.

: O Ministério Público, de fato, é uno (art. 127, §

1º, CF/88). No entanto, a unidade institucional é princípio aplicável apenas no âmbito de cada Ministério Público. Não é possível dizer, por exemplo, que entre o Ministério Público estadual e o Ministério Público federal exista unidade. Desse modo, quando houver necessidade de atuação do Ministério Público Estadual nos processos que tramitam no STF e STJ, esta deverá ocorrer por meio do seu Procurador-Geral de Justiça, não suprindo isso o fato de haver a intervenção do Procurador-Geral da República.

5) Os interesses defendidos pelo MPE podem, eventualmente, ser conflitantes com

 

: Poderia acontecer de os Ministérios Públicos Estaduais deduzirem

pretensão no STF e STJ com a qual não concorde, eventualmente, a chefia do

Ministério Público da União, o que obstaria o acesso do Parquet estadual aos Tribunais Superiores (STF Rcl 7358/SP).

: Fazer com que o Ministério Público estadual ficasse na

dependência do que viesse a entender o Ministério Público Federal seria incompatível, dentre outros princípios, com o da paridade de armas, considerando que, em eventual conflito entre o MPE e o MPU, o chefe do MPU (PGR) poderia atuar diretamente no STF, mas não o MPE (STF Rcl 7358/SP).

Exemplos de atuação direta dos Ministérios Públicos estaduais no STF e STJ:

MPF
MPF
. Em tais
. Em tais

Recursos contra as decisões proferidas no STF e STJ (embargos de declaração, embargos de divergência, agravo regimental etc.).

Qual órgão do Ministério Público participa no STF e STJ como custos legis? a atuação do
Qual órgão do Ministério Público participa no STF e STJ como custos legis?
a atuação do Ministério Público como custos legis no STF e
STJ continua sendo feita sempre pelo Procurador-Geral da República ou pelos
(por delegação ou designação). Desse modo,
passou a permitir foi a atuação direta do Ministério Público Estadual como parte no
STF e STJ. Vale sublinhar que nos processos em que o MPE for parte no STJ e STF, o

Nos casos de ação penal de competência originária do STF e do STJ, qual órgão do

hipóteses, a atribuição continua sendo do MPF, por meio do Procurador-Geral da República (ou um Subprocurador-Geral, mediante delegação do Procurador-Geral). Nesse sentido: STJ Corte Especial. APn 689-BA, Rel. Min. Eliana Calmon, julgada em 17/12/2012.Trata-se de previsão legal do art. 46, parágrafo único, III e 48, II, da LC

75/93.

O Ministério Público do Trabalho tem legitimidade para atuar diretamente no STF e

STJ?

NÃO
NÃO

. A jurisprudência continua entendendo que o MPT não pode atuar

diretamente no STF e STJ. Nesse sentido: STF. Plenário. RE 789874/DF, Rel. Min. Teori

Zavascki, julgado em 17/9/2014 (repercussão geral) (Info 759).

Se for necessário, por

exemplo, propor uma reclamação no STF e que seja do interesse do MPT, quem deve

manejar essa reclamação é o Procurador-Geral da República

. O Procurador do

Trabalho não pode atuar diretamente no STF (nem mesmo o Procurador-Geral do Trabalho). O exercício das funções do Ministério Público da União junto ao STF cabe privativamente ao Procurador-Geral da República (ou aos Subprocuradores por ele designados), nos termos do art. 46 da LC 75/93 (Estatuto do Ministério Público da União). Assim, o MPT é parte ilegítima para, em sede originária, atuar no STF e STJ, uma vez que integra a estrutura orgânica do Ministério Público da União, cuja atuação funcional compete, em face da própria unidade institucional, ao seu chefe, qual seja, o Procurador-Geral da República. Vale ressaltar, no entanto, que, quando se diz que o MPT não pode atuar diretamente no STF, isso significa que não pode ajuizar ações originárias no STF nem pode recorrer contra decisões proferidas por essa Corte. Importante esclarecer, dessa forma, que o membro do MPT pode interpor recurso extraordinário, a ser julgado pelo STF, contra uma decisão proferida pelo TST.

  • 12.5. Intervenção do MP nas ações cíveis (Info 567)

Determinado banco ajuizou ação de reintegração de posse contra Maria pedindo que o imóvel onde ela reside com seus dois filhos menores fosse desocupado, já que ela não teria pago as prestações do financiamento realizado. O juiz julgou o pedido procedente, tendo ocorrido a reintegração. O Ministério Público alegou que houve a nulidade do processo considerando que o feito envolveria interesse de incapazes (pessoas menores de 18 anos) e não houve intimação do Parquet para atuar como fiscal da ordem jurídica. O pedido do MP deve ser aceito? O fato de morarem menores de idade no imóvel faz com que seja obrigatória a intervenção do MP na ação reintegração de posse?

NÃO
NÃO

. O fato de a ré residir com seus filhos menores no imóvel não torna, por si só,

obrigatória a intervenção do Ministério Público (MP) em ação de reintegração de posse. Segundo prevê o CPC, o MP deve intervir nas causas em que houver interesse de incapazes, hipótese em que deve diligenciar pelos direitos daqueles que não podem agir sozinhos em juízo. Logo, o que legitima a intervenção do MP nessas situações é a possibilidade de desequilíbrio da relação jurídica e eventual comprometimento do contraditório em função da existência de parte absoluta ou relativamente incapaz. Nesses casos, cabe ao MP aferir se os interesses do incapaz estão sendo assegurados e respeitados a contento, seja do ponto de vista processual ou material. Na hipótese em tela, a ação de reintegração de posse foi ajuizada tão somente contra a genitora dos menores, não veiculando, portanto, pretensão em desfavor dos incapazes. A simples possibilidade de os filhos virem a ser atingidos pelas

consequências fáticas oriundas da ação de reintegração de posse não justifica a intervenção do MP no processo como custos legis.

STJ. 3ª Turma. REsp 1.243.425-RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, j. 18/8/15

(Info 567).

  • 12.6. Legitimidade do Ministério Público Estadual para atuar no STJ (Info 556)

IMPORTANTE!!!

ATENÇÃO!!!

MINISTÉRIO PÚBLICO!!!

O Ministério Público Estadual tem legitimidade para atuar diretamente no STJ nos processos em que figure como parte. Assim, o MPE possui legitimidade para atuar diretamente em recurso por ele interposto e submetido a julgamento perante o STJ.

STJ. Corte Especial. EREsp 1.327.573-RJ, Rel. originário e voto vencedor Min. Ari Pargendler, Rel. para acórdão Min. Nancy Andrighi, julgado em 17/12/2014 (Info

556).

  • 12.7. Intimação pessoal em cartório judicial e termo inicial do prazo para o MP

recorrer (Info 554)

IMPORTANTE!!!

ATENÇÃO!!!

MINISTÉRIO PÚBLICO!!!

No processo penal, quando o Ministério Público for intimado pessoalmente em

cartório, dando ciência nos autos, o seu prazo recursal se iniciará nessa data, e não no dia da remessa dos autos ao seu departamento administrativo. Isso porque o prazo recursal para o MP inicia-se na data da sua intimação pessoal.

STJ. 3ª Seção. EREsp 1.347.303-GO, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 10/12/2014

(Info 554).

12.8. Ilegitimidade do MP para execução de condenação proferida pelo Tribunal de Contas – (Info 552)
12.8.
Ilegitimidade do MP para execução de condenação proferida pelo Tribunal de
Contas – (Info 552) – IMPORTANTE !!! MUDANÇA DE ENTENDIMENTO !!!
O Ministério Público possui legitimidade para ajuizar a execução de título executivo
extrajudicial decorrente de condenação proferida pelo Tribunal de Contas?
NÃO . A legitimidade para a propositura da ação executiva é apenas do ente público
beneficiário.
O Ministério Público, atuante ou não junto às Cortes de Contas, seja federal, seja
estadual, é parte ilegítima.
Essa é a posição tanto do STF (Plenário. ARE 823347 RG, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 02/10/2014. Repercussão geral), como do STJ (2ª Turma. REsp 1.464.226-
MA, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 20/11/2014).
STJ. 2ª Turma. REsp 1.464.226-MA, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em
20/11/2014 (Info 552).
  • 12.9. Não-obrigatoriedade de intervenção do MP nas ações de ressarcimento ao

erário (Info 548) - ATENÇÃO !

MINISTÉRIO PÚBLICO

!

consequências fáticas oriundas da ação de reintegração de posse não justifica a intervenção do MP no

O art. 82, III, do CPC estabelece que o MP deverá intervir obrigatoriamente nas causas em que há interesse público. Segundo a doutrina e jurisprudência, o inciso refere-se ao interesse público primário. Assim, o Ministério Público não deve

consequências fáticas oriundas da ação de reintegração de posse não justifica a intervenção do MP no
obrigatoriamente intervir em todas as ações de ressarcimento ao erário propostas por entes públicos . STJ.
obrigatoriamente intervir em todas as ações de ressarcimento ao erário propostas
por entes públicos .
STJ. 1ª Seção. EREsp 1.151.639-GO, Rel. Min. Benedito Gonçalves, j. 10/9/14 (Info
548).

13.

DEFENSORIA PÚBLICA

13.1. Nos concursos da Defensoria Pública podem ser exigidos três anos de

atividade jurídica?

ATENÇÃO !

DEFENSORIA PÚBLICA

!

Defensoria Pública.

No entanto,

é indispensável a edição de uma lei complementar

prevendo isso

(art. 37, I e art. 134, § 1º, da CF/88).

 

Enquanto não for editada lei complementar estendendo a exigência dos três anos

para a Defensoria Pública,

 

continua válida a regra do art. 26 da LC 80/94, que exige

do candidato ao cargo de Defensor Público apenas dois anos de prática forense,

computadas,

inclusive as atividades realizadas antes da graduação em Direito

.

Desse modo,

não é possível que Resolução do Conselho Superior da Defensoria

Pública (ato infralegal) exija três anos de atividade jurídica depois da graduação

para os concursos de Defensor Público

.

STJ. 2ª Turma. REsp 1.676.831/AL, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 05/09/17

Defensoria Pública. No entanto, é indispensável a edição de uma lei complementar prevendo isso (art. 37,

três anos de atividade jurídica para os candidatos nos Essa exigência pode ser estendida para os concursos da

O art. 93, I, da CF/88 exige concursos da Magistratura.

(Info 611).

Três anos de atividade jurídica: O inciso I do art. 93 trata dos concursos públicos para a magistratura e exige do candidato que ele tenha, no mínimo, 3 anos de atividade jurídica. Confira:

Art. 93 da CF/88 aplica-se à DP, no que couber: A EC 80/14 inseriu o § 4º ao art. 134 da CF/88 prevendo que devem ser aplicados à Defensoria Pública, no que couber, os princípios constitucionais estabelecidos para a Magistratura. Veja:

Desse modo, depois da EC 80/14, as normas do art. 93 da CF/88 também devem ser aplicadas à Defensoria Pública, no que couber.

I - ingresso na carreira, cujo cargo inicial será o de juiz substituto, mediante concurso público de provas e títulos, com

  • . Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal

  • . Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal

Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios:

Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios:

no inciso II do art. 96 desta Constituição Federal. (Incluído

§ 4º São princípios institucionais da Defensoria Pública a unidade, a indivisibilidade e a independência funcional,

aplicando-se também, no que couber, o disposto no art. 93

O art. 93 diz o seguinte:

pela EC nº 80/2014)

  • (

OBS:

( ) ...

...

e

)

a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as fases, exigindo-se do bacharel em direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica e obedecendo-se, nas nomeações, à ordem de classificação;

O STF entendeu que este art. 93, I,

é autoaplicável
é autoaplicável

, ou seja, possui natureza de norma

jurídica de eficácia plena, de sorte que não precisa de lei para produzir todos os seus efeitos.

Previsão da LC 80/94: A Defensoria Pública é regida pela Lei Complementar nº 80/94. Esta Lei traz regra diferente do art. 93, I, da CF/88. Segundo a LC 80/94, nos concursos para o cargo de Defensor Público federal, o candidato precisa ter apenas 2 anos de prática forense, sendo que esse período pode ser computado por meio de atividades realizadas antes da colação de grau:

Art. 26
Art. 26

. O candidato, no momento da inscrição, deve possuir

registro na Ordem dos Advogados do Brasil, ressalvada a

situação dos proibidos de obtê-la, e

dois anos de prática forense

comprovar, no mínimo,

, devendo indicar sua opção por

uma das unidades da federação onde houver vaga.

§ 1º Considera-se como atividade jurídica o exercício da

advocacia,

o cumprimento de estágio de Direito reconhecido

por lei e o desempenho de cargo, emprego ou função, de

nível superior, de atividades eminentemente jurídicas

.

(Redação dada pela Lei Complementar nº 132/2009).

Discussão sobre a aplicação ou não da exigência de três anos para os concursos da Defensoria Pública: Diante disso, com a promulgação da EC 80/14, surgiram as seguintes dúvidas:

O inciso I do art. 93 da CF/88, que exige três anos de atividade jurídica para o

candidato ao cargo, aplica-se para os concursos da DPU?

 

O art. 26 da LC 80/94 continua em vigor ou foi revogado (não-recepcionado) pela EC 80/2014?

Os candidatos ao concurso da DPU precisam comprovar três anos de atividade jurídica realizada depois da colação de grau?

Podemos apontar a existência de três correntes de interpretação

:

1ª posição

:

o art. 93, I, da CF/88 aplica-se à Defensoria Pública, por força do

art. 134, § 4º, e, portanto, o art. 26, caput e § 1º da LC 80/94 não estão mais em

vigor

. Como consequência, exigem-se três anos de atividade jurídica, que

somente podem ser computados depois da colação de grau. Isso porque foi assim que o STF interpretou o art. 93, I, da CF/88 para os concursos da Magistratura, devendo ser adotada a mesma exegese para a Defensoria Pública. Esta foi a interpretação dada pelo Conselho Superior da Defensoria Pública da União (Resolução 118/2015).

2ª posição

:

 

o art. 93, I, da CF/88 aplica-se à Defensoria Pública

. Assim,

exigem-se três anos de atividade jurídica do candidato ao cargo de Defensor Público. No entanto, esses três anos de atividade jurídica podem ser

computados antes da colação de grau

   

. Os partidários dessa corrente alegam que:

O art. 93, I, da CF/88 não é expresso em exigir a contagem da atividade jurídica somente depois da graduação; e O § 1º do art. 26 da LC 80/94 autoriza que a atividade jurídica para os concursos da Defensoria considere também a prática forense realizada antes da colação de grau. Logo, para essa corrente, o caput do art. 26 da LC 80/94 não foi recepcionado pela EC 80/2014, mas o § 1º continua em vigor por não ser incompatível com a emenda.

3ª posição

:

É possível aplicar o art. 93, I, da CF/88 à Defensoria Pública, no

entanto, para isso, exige-se a edição de uma lei complementar alterando a LC

80/94

.

Enquanto não houver lei complementar disciplinando o tema segundo

o art. 93, I, da CF/88,

permanece válida a exigência de dois anos de prática

forense prevista no art. 26 da LC 80/94

.

Posição do STJ: O STJ possui um precedente recente adotando a 3ª corrente.

A questão, por envolver tema constitucional, será ao final resolvida pelo STF. Vamos aguardar o que o STF irá decidir. No entanto, trata-se de importante precedente e de uma esperança para os candidatos que estão fazendo o concurso da DPU e que ainda não possuem os três anos de atividade jurídica.

Concursos da Defensoria Pública estadual: No caso dos concursos da Defensoria Pública dos Estados, a LC 80/94 nem sequer exige 2 anos de prática forense. Confira:

Art. 112
Art. 112

. O ingresso nos cargos iniciais da carreira far-se

mediante aprovação prévia em concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil. § 1º Do regulamento do concurso constarão os programas das disciplinas sobre as quais versarão as provas, bem como outras disposições pertinentes à sua organização e realização. § 2º O edital de abertura de inscrições no concurso indicará, obrigatoriamente, o número de cargos vagos na categoria inicial da carreira.

Nesses casos, deve-se analisar a lei que rege a Defensoria Pública no Estado. A maioria das leis complementares estaduais que conheço repete a previsão do art. 26 da LC 80/94 e exige dois anos de prática forense, permitindo o estágio profissional realizado antes da colação de grau. Aplicando o mesmo raciocínio da decisão do STJ acima comentada (que analisou o concurso da DPU), pode-se concluir que, enquanto a Lei complementar do respectivo Estado não for alterada, não será possível exigir três anos de atividade jurídica nos concursos das Defensorias Públicas estaduais.

Concurso da Defensoria Pública do Distrito Federal: Para complicar ainda mais o

tema, no caso do concurso da Defensoria Pública do DF, a LC 80/94 traz uma regra

ligeiramente diferente. Isso porque se exige que

o estágio

tenha sido feito na

Defensoria Pública, exigência que não existe para o caso da DPU

. Veja:

 

Art. 71

. O candidato, no momento da inscrição, deve possuir

registro na Ordem dos Advogados do Brasil, ressalvada a situação dos proibidos de obtê-la, e comprovar, no mínimo, dois anos de prática forense.

§ 1º Considera-se como prática forense o exercício profissional

de consultoria, assessoria,

Defensorias Públicas

o cumprimento de estágio nas

e o desempenho de cargo, emprego ou

função de nível superior, de atividades eminentemente jurídicas. § 2º Os candidatos proibidos de inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil comprovarão o registro até a posse no cargo de Defensor Público.

13.2. A intimação da Defensoria somente se aperfeiçoa com a remessa dos autos mesmo que o
13.2.
A intimação da Defensoria somente se aperfeiçoa com a remessa dos autos
mesmo que o Defensor esteja presente na audiência na qual foi proferida a decisão –
(Info 611) – ATENÇÃO ! DEFENSORIA PÚBLICA !
A LC 80/94 (Lei Orgânica da Defensoria Pública) prevê, como uma das
prerrogativas dos Defensores Públicos, que eles devem receber intimação pessoal
(arts. 44, I, 89, I e 128, I).
Se uma decisão ou sentença é proferida pelo juiz na própria audiência, estando o
Defensor Público presente, pode-se dizer que ele foi intimado pessoalmente
naquele ato ou será necessário ainda o envio dos autos à Defensoria para que a
intimação se torne perfeita?
Para que a intimação pessoal do Defensor Público se concretize, será necessária
ainda a remessa dos autos à Defensoria Pública .
A intimação da Defensoria Pública, a despeito da presença do defensor na
audiência de leitura da sentença condenatória, somente se aperfeiçoa com sua
intimação pessoal, mediante a remessa dos autos.
Assim, a data da entrega dos autos na repartição administrativa da Defensoria
Pública é o termo inicial da contagem do prazo para impugnação de decisão judicial
pela instituição, independentemente de intimação do ato em audiência.
STJ. 3ª Seção. HC 296.759-RS, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, j. 23/8/17 (Info 611).
STF. 2ª Turma. HC 125270/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 23/6/15 (Info 791).
13.3.
Legitimidade da Defensoria para propor ACP em defesa de juridicamente

necessitados (Info 573) -

IMPORTANTE!!!

A Defensoria Pública tem legitimidade para propor ação civil pública em defesa de interesses individuais homogêneos de consumidores idosos que tiveram plano de saúde reajustado em razão da mudança de faixa etária, ainda que os titulares não sejam carentes de recursos econômicos. A atuação primordial da Defensoria Pública, sem dúvida, é a assistência jurídica e a defesa dos necessitados econômicos. Entretanto, também exerce suas atividades em auxílio a necessitados jurídicos, não necessariamente carentes de recursos econômicos. A expressão "necessitados" prevista no art. 134, caput, da CF/88, que qualifica e orienta a atuação da Defensoria Pública, deve ser entendida, no campo da Ação Civil Pública, em sentido amplo. Assim, a Defensoria pode atuar tanto em favor dos carentes de recursos financeiros como também em prol do necessitado organizacional (que são os "hipervulneráveis"). STJ. Corte Especial. EREsp 1.192.577-RS, Rel. Min. Laurita Vaz, j. 21/10/15 (Info 573)

13.4.

Defensor Público não precisa de procuração para atuar como representante do

assistente de acusação (Info 555)

Em regra, o Defensor Público não precisa de mandato (procuração) para representar a parte em processos
Em regra, o Defensor Público não precisa de mandato (procuração) para representar a parte em processos

Em regra, o Defensor Público não precisa de mandato (procuração) para representar a parte em processos administrativos ou judiciais. Isso está previsto na LC 80/94.

procuração judicial somente nas hipóteses em que a lei exigir Atuar como representante do assistente de
procuração judicial somente nas hipóteses em que a lei exigir
Atuar como representante do assistente de acusação não é
.
: será necessária procuração se o Defensor Público for praticar algum dos
atos para os quais a lei exige poderes especiais (exemplos: transigir, desistir,
renunciar – art. 38 do CPC).
Se a vítima (ou seus sucessores) quiserem ingressar no processo criminal como
assistente de acusação, será necessário que outorguem uma procuração ao Defensor
Público para que este as represente em juízo?
. Quando a Defensoria Pública atuar como representante do assistente de
acusação, é dispensável a juntada de procuração com poderes especiais. O Defensor
Público deve juntar
poderes especiais.
considerado um poder especial, não se exigindo procuração especial
A participação da Defensoria Pública como representante do assistente de acusação
pode ser negada sob o argumento de que a vítima ou seus sucessores não são
hipossuficientes (“pobres”)?
Compete à própria Defensoria o direito de apurar o estado de carência de
seus assistidos
.
STJ. 5ª Turma. HC 293.979-MG, Rel. Min. Gurgel de Faria, j. 5/2/15 (Info 555).
Exceção NÃO
Exceção
NÃO

NÃO

.

14. INDÍOS 14.1. Não se exige que eventuais interessados na remarcação das terras indígenas sejam notificados
14. INDÍOS
14.1.
Não se exige que eventuais interessados na remarcação das terras indígenas
sejam notificados diretamente a respeito da existência do procedimento – (Info 611) –
ATENÇÃO ! CONCURSOS FEDERAIS !
A demarcação de terras indígenas é realizada mediante processo administrativo
disciplinado pelo Decreto nº 1.775/96.
Este Decreto não exige que eventuais interessados na demarcação (ex: pessoas que
possuem títulos de propriedade da área a ser demarcada) sejam notificados
diretamente a respeito da existência do procedimento .
Basta que seja publicado um resumo do relatório circunstanciado nos Diários
Oficiais da União e da unidade federada onde se encontra a área sob demarcação -
publicação essa que também deve ser afixada na sede da Prefeitura Municipal da
situação do imóvel (art. 2º, § 7º do Decreto nº 1.775/96). Isso já é suficiente para
garantir o contraditório.
Vale ressaltar, no entanto, que nesta publicação deverá constar o nome do
interessado ou de sua propriedade rural (ex: Fazenda Terra Boa).
Assim, não há nulidade em processo de remarcação de terras indígenas por
ausência de notificação direta a eventuais interessados, bastando que a publicação
do resumo do relatório circunstanciado seja afixada na sede da Prefeitura
Municipal da situação do imóvel.
STJ. 1ª Seção. MS 22.816-DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 13/9/17 (Info
611).
14.2.
Impossibilidade de remarcação ampliativa de terra indígena – (Info 564) –
IMPORTANTE !!!

Em 2000, João comprou uma fazenda que fica ao lado da reserva indígena Wassú- Cocal. Essa reserva indígena foi demarcada em 1987, ou seja, antes da CF/88. Em 2012, o Ministro da Justiça, a partir de estudo da FUNAI, editou portaria ampliando os limites da reserva indígena Wassú-Cocal. Pela nova demarcação proposta, João perderia a sua fazenda, que passaria a fazer parte da reserva indígena. Segundo argumentaram a FUNAI e o Ministério da Justiça, a remarcação agora realizada é um procedimento destinado a "corrigir falhas" cometidas na demarcação originária já que esta não teria observado os parâmetros impostos pela CF/88. Desse modo, seria uma correção para adequar a demarcação às regras da CF/88. A jurisprudência concorda com essa prática? Se uma terra indígena foi demarcada antes da CF/88, é possível que agora ela seja “remarcada”, ampliando-se a área anteriormente já reconhecida?

NÃO
NÃO

. Tanto o STF como o STJ condenam essa prática.

A alegação de que a demarcação da terra indígena não observou os parâmetros estabelecidos pela CF/1988 não justifica a remarcação ampliativa de áreas originariamente demarcadas em período anterior à sua promulgação. Desde o julgamento da Pet 3.388-RR (Caso Raposa Serra do Sol), a jurisprudência passou a entender que é vedada a ampliação de terra indígena já demarcada, salvo em caso de vício de ilegalidade do ato de demarcação e, ainda assim, desde que respeitado o prazo decadencial. É inegável que a CF/88 mudou o enfoque atribuído à questão indígena e trouxe novas regras mais favoráveis a tais povos, permitindo a demarcação das terras com critérios mais elásticos, a partir da evolução de uma perspectiva integracionista para a de preservação cultural do grupamento étnico. Isso, contudo, não é motivo suficiente para se promover a revisão administrativa das demarcações de terras indígenas já realizadas, especialmente nos casos em que se passou o prazo

decadencial. STJ. 1ª Seção. MS 21.572-AL, Rel. Min. Sérgio Kukina, j. 10/6/15 (Info 564). STF. 2ª Turma. RMS 29542/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 30/9/14 (Info 761).

  • 15. INTERVENÇÃO FEDERAL

  • 15.1. Deferimento de intervenção envolvendo descumprimento de decisão judicial

de reintegração de posse em invasão do MST (Infos 545 e 550)

IMPORTANTE
IMPORTANTE

!!!

Se o Tribunal Superior . A União poderá intervir no Estado ou DF para prover (garantir)
Se o Tribunal Superior
.
A União poderá intervir no Estado ou DF para prover (garantir) a execução de
ordem ou decisão judicial que esteja sendo desrespeitada (art. 34, VI, da CF/88).
Ocorrendo esse descumprimento, o STF, o STJ ou o TSE, a depender de qual
ordem/decisão judicial esteja sendo desatendida, irá requisitar do Presidente da
República a intervenção federal.
Se o Estado/DF estiver descumprindo uma decisão de juiz ou Tribunal de 2ª
instância, o Tribunal local deverá fazer uma representação ao Tribunal Superior
competente (STF, STJ ou TSE) solicitando a intervenção
concordar, ele irá requisitar ao Presidente da República a intervenção
.
Para saber qual o Tribunal Superior será competente, deverá ser analisada a
matéria discutida e para quem seria dirigido o eventual recurso.
Se o Tribunal Superior . A União poderá intervir no Estado ou DF para prover (garantir)
Se o Tribunal Superior . A União poderá intervir no Estado ou DF para prover (garantir)
Se o Tribunal Superior . A União poderá intervir no Estado ou DF para prover (garantir)

Compete ao STJ julgar pedido de intervenção federal baseado no descumprimento de ordem de reintegração de posse de imóvel rural ocupado pelo MST expedida por Juiz Estadual e fundada exclusivamente na aplicação da legislação

infraconstitucional civil possessória

. Isso porque
. Isso porque

a decisão descumprida analisou

tema relacionado com direito civil privado, não tendo feito considerações sobre
tema relacionado com direito civil privado, não tendo feito considerações sobre
tema relacionado com direito civil privado, não tendo feito considerações sobre

tema relacionado com direito civil privado, não tendo feito considerações sobre

questões constitucionais

. Logo, o eventual recurso contra a decisão, quando o

que não foi cumprido, deverá ser deferida a intervenção federal? O STJ possui precedentes em sentidos
que não foi cumprido, deverá ser deferida a intervenção federal?
O STJ possui precedentes em sentidos opostos:
STJ. Corte Especial. IF 107-PR, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em
de famílias é sempre um fato que merece a consideração da autoridade
encarregada da desocupação, mas não é em si impeditiva da intervenção. A
inércia do Estado-executivo em dar cumprimento à decisão do Estado-juiz
enfraquece o Estado de direito, que caracteriza a República brasileira.
STJ. Corte Especial. IF 111-PR, Rel. Min. Gilson Dipp, julgado em 1º/7/2014 (Info
Incra para fins de reforma agrária
quando verificado o descumprimento pelo Estado, sem justificativa
plausível e por prazo desarrazoado, de ordem judicial que tenha requisitado
força policial para promover reintegração de posse em imóvel rural ocupado
pelo MST, mesmo que, no caso, tenha se consolidado a invasão por um
grande número de famílias e exista, sem previsão de conclusão,
procedimento administrativo de aquisição da referida propriedade pelo
A Corte decidiu que
. IF 107-PR, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 15/10/2014.
buscada via ação de indenização (desapropriação indireta) promovida pelo
interesse público e que
devendo se considerar que as fazendas ocupadas foram afetadas ao
uma hipótese de intervenção federal, esta não deveria ser decretada,
. Logo, apesar de tecnicamente, a situação se enquadrar em
decisão judicial foi descumprida, a remoção das diversas famílias que
vivem no local, se fosse feita hoje, iria causar um enorme conflito social, até
mesmo porque não existe lugar para acomodar de imediato, de forma digna,
precedente, entendeu-se que,
: STJ. IF 111-PR, Rel. Min. Gilson Dipp, julgado em 1º/7/2014. Neste
deve ser deferido pedido de intervenção federal
processo superasse as instâncias ordinárias e chegasse aos Tribunais Superiores,
seria apreciado pelo STJ em sede de recurso especial. Não caberia, no caso, recurso
extraordinário ao STF, razão pela qual esta Corte não seria competente para julgar
o pedido de intervenção relacionada com o desatendimento da decisão.
Quanto ao mérito, na situação concreta envolvendo ocupação de sítio pelo MST,
tendo sido deferida decisão judicial para a retomada do imóvel há muitos anos, o
interessado
.
SIM
essas pessoas
NÃO
15/10/2014 (Info 550).
545).
a questão deverá ser resolvida em reparação a ser
como já se passaram muitos anos desde que a
. É certo que a ocupação de grande número
  • 16. MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES

  • 16.1. Direito de acesso a informações sobre expedição de passaportes diplomáticos

(Info 543)

O Ministério das Relações Exteriores não pode sonegar o nome de quem recebe passaporte diplomático emitido na forma do § 3º do art. 6º do Anexo do Decreto

5.978/2006.

O nome de quem recebe um passaporte diplomático emitido por interesse público

não pode ficar escondido do público

 

. Assim, se um jornal requer essa informação, o Ministro é obrigado a fornecer. STJ. 1ª Seção. MS 16.179-DF, Rel. Min. Ari Pargendler, julgado em 9/4/2014 (Info

543).