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Lei 11.

101/05 - Regula a recuperação judicial, a extrajudicial e a falência do empresário e da


sociedade empresária.
Legitimidade passiva  Art. 1º: devedor empresário / sociedade empresária / EIRELI (àqueles
que exercem atividade empresarial).
 sociedade simples não se socorre desta lei (ex.: sociedade de médicos, advogados, etc.).
Art. 1º Esta Lei disciplina a recuperação judicial, a recuperação extrajudicial e a falência do
empresário e da sociedade empresária, doravante referidos simplesmente como devedor.

 A EIRELI entrou no art. 44 do CC apenas em 2011 e o artigo 1º da L. 11.101/05 não foi


modificado para incluí-la, porém ela se encaixa no conceito de atividade empresarial.
Estão expressamente excluídos da lei de falência e recuperação judicial (Art. 2º):
1. Empresa Pública e sociedade de economia mista  No caso de dívidas, haverá lei própria para
definir o que irá ocorrer.
2. Instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio, entidade de
previdência complementar, sociedade operadora de plano de assistência à saúde, sociedade
seguradora, sociedade de capitalização e outras entidades legalmente equiparadas às
anteriores.  Tem legislação própria e passam pelo processo de liquidação extrajudicial. 
Para gravar e não ter que decorar o rol: se é uma atividade que tem agência reguladora,
tem interesse do governo, então está fora da lei de recuperação judicial e falência.

FALÊNCIA
Quando se trata dos devedores do art. 1º da Lei de Falência, não importa quem entrou com
o pedido de falência antes, todos os credores da empresa irão receber de forma paritária (é feito um
cálculo para estipular em qual porcentagem cada um irá receber). A ordem de recebimento é
estipulada pela Lei, no art. 83.
Conceito: falência é processo judicial de execução coletiva, no qual o juiz mandará a
arrecadação de todos os bens do devedor para pagamento de todos os seus credores de forma
paritária (proporcional).
 Judicial: Não existe falência fora do Poder Judiciário.
 Execução coletiva: respeita a ordem de credores.
 Todos os bens: faz o levantamento dos ativos e passivos.
 Paritária: o pagamento ocorre de forma proporcional/equânime, e nunca de maneira
igualitária.
 Apenas a empresa insolvente correrá o risco de ter sua falência decretada.
INSOLVÊNCIA: significa que o conjunto de bens da empresa (ativo) é menor do que o seu
conjunto de dívidas (passivo).

PROCESSO DE FALÊNCIA/FALIMENTAR
(regulamentado pela L. 11.101/05).
 JUÍZO COMPETENTE:
 Estadual;
 Vara especializada, caso não exista, será a vara cível;
 Principal estabelecimento empresarial do devedor (geralmente é a matriz, mas as vezes não
coincide). Isso serve para facilitar a venda dos bens em virtude de economia e celeridade processual,
bem como segurança jurídica.
E se o principal estabelecimento empresarial for fora do Brasil? Aí o juiz competente será o da filial
no Brasil.
L. 11.101/05:
Art. 3o É competente para homologar o plano de recuperação extrajudicial, deferir a
recuperação judicial ou decretar a falência o juízo do local do principal estabelecimento do devedor ou
da filial de empresa que tenha sede fora do Brasil.
CF/88:
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem
interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de
acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho;

 LEGITIMIDADE ATIVA:
1. Qualquer pessoa, física ou jurídica, que seja credora do réu.
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: se esta pessoa for jurídica (empresa vai pedir falência de outra
empresa) tem que estar regularmente constituída no órgão competente (juntar na petição inicial o
documento/certidão que comprove a sua regularidade).
2. O próprio devedor (autofalência)  é raro de acontecer.
 LEGITIMIDADE PASSIVA: devedor empresário / sociedade empresária / EIRELI, desde que não
sejam excluídos pelo artigo 2º da lei.
Eu posso colocar no polo passivo o administrador da empresa, presidente, etc.? Não, pois a
Lei apenas se aplica as pessoas elencadas no art. 1º. Posteriormente apura-se, dentro da ação de
falência, o responsável pela falência.
FASES:
1ª Fase: pré-falimentar: Petição inicial até a sentença declaratória de falência
2ª Fase: falimentar: sentença declaratória de falência até sentença de encerramento de falência
3ª Fase: pós-falimentar (pós reabilitação): é opcional, pode ocorrer ou não. Vai da sentença de
encerramento de falência até a sentença de extinção das obrigações.

1ª FASE – PRÉ-FALIMENTAR:
Quando o credor inicia o processo falimentar:
Petição inicial – “ação de falência”
o A Lei 11.101/05 exige alguns requisitos para o pedido de falência, os quais estão no art. 94,
sendo eles:
I. sem relevante razão de direito, não paga, no vencimento, obrigação líquida materializada em
título ou títulos executivos protestados cuja soma ultrapasse o equivalente a 40 salários-
mínimos na data do pedido de falência;  hipótese mais comum
 O pedido se baseia em contratos, duplicatas, notas promissórias, etc.
 ATT.: o valor de 40 salários pode ser atingido por meio de litisconsórcio ativo.
 O protesto deve ser especial, para fins de falência (na notificação prévia já consta essa
informação).
 Caso o credor não comprovar que preencheu todos os requisitos, o juiz dará o prazo de
15 dias para emendar a inicial, sob pena de extinção.
 Há hipóteses que justificam o inadimplemento (art. 94).
II. executado por qualquer quantia líquida, não paga, não deposita e não nomeia à penhora bens
suficientes dentro do prazo legal;  chamado pela doutrina de “execução frustrada”
 Neste caso, o credor pede uma certidão de objeto e pé (certidão de situação processual)
do processo no qual a execução foi frustrada e, a partir disso, inicia-se o processo
falimentar
 Assim, prova que já houve a tentativa de execução do crédito.
 Neste caso não importa o valor, nem é necessário o protesto, pois, neste caso, a empresa
já sabe que tem uma ação de execução, que foram feitas buscas e já tem plena ciência
de que pode ocorrer a ação de falência.
 Requisitos objetivos (não há juízo de valoração)
III. pratica qualquer dos seguintes atos, exceto se fizer parte de plano de recuperação judicial:
 são chamados de atos de falência, os quais são considerados abusivos e contrários à lei.
a) procede à liquidação precipitada de seus ativos ou lança mão de meio ruinoso ou
fraudulento para realizar pagamentos;
 Liquidação que gerará situação de insolvência, pois ela abrirá mão de seus bens sem
quitar a dívida com seus credores.
 É necessário prova documental de que a empresa está vendendo, bem como os
comprovantes de débito (inclusive do credor que é autor da ação). Neste caso não cabe
prova testemunhal.
b) realiza ou, por atos inequívocos, tenta realizar, com o objetivo de retardar pagamentos ou
fraudar credores, negócio simulado ou alienação de parte ou da totalidade de seu ativo a terceiro,
credor ou não;
 Simula negócios jurídicos para que, em uma eventual arrecadação, tais bens não sejam
alcançados, fraudando seus credores.
 É necessária a prova documental (certidão ciretran no caso da transferência de um carro,
etc).
c) transfere estabelecimento a terceiro, credor ou não, sem o consentimento de todos os
credores e sem ficar com bens suficientes para solver seu passivo;
 Estabelecimento comercial: conjunto de bens, materiais ou imateriais, que fazem parte
da atividade comercial (máquinas, patentes, inovações, etc.).
 É possível fazer o trespasse a qualquer momento. Entretanto, há alguns requisitos a
serem preenchidos, como a necessidade de a empresa informar/notificar (simples carta
com AR) todos os seus credores;

d) simula a transferência de seu principal estabelecimento com o objetivo de burlar a


legislação ou a fiscalização ou para prejudicar credor;
 Neste caso faz o trespasse de forma simulada, criando nova empresa e transferindo tudo
para ela. Até ocorre a notificação, porém esta é simulada.

e) dá ou reforça garantia a credor por dívida contraída anteriormente sem ficar com bens
livres e desembaraçados suficientes para saldar seu passivo;
 Se o credor já tinha um contrato sem garantia, o devedor não pode privilegiá-lo, no
decorrer do caminho, prometendo-lhe uma garantia para que ele “suba” na ordem de
preferência.
f) ausenta-se sem deixar representante habilitado e com recursos suficientes para pagar os
credores, abandona estabelecimento ou tenta ocultar-se de seu domicílio, do local de sua sede ou
de seu principal estabelecimento;
 O simples fato de o oficial de justiça não encontrar o representante da empresa, e este
não tiver deixado outro representante legal em seu lugar, está caracterizado o ato de
falência.
g) deixa de cumprir, no prazo estabelecido, obrigação assumida no plano de recuperação
judicial.
 O juiz decreta, de ofício, a falência.

Estando em termos a petição inicial, sem fazer nenhum juízo de valoração, o magistrado
determinará que ocorra a citação do réu, para que este, no prazo de 10 dias, apresente sua defesa.
Há quatro possibilidades ao apresentar a defesa:
1. Contestar todos os itens da petição inicial.
2. Contestar e praticar o depósito elisivo (o qual abrange o valor corrigido + juros de 1% ao mês
+ honorários advocatícios de 10 a 20% do valor da causa, cf. arbitrado pelo juiz).
3. Apenas realizar o depósito elisivo (afasta pedido de falência, cf. sum 29 STJ).
4. Não fazer nada.
 Na contestação o devedor pode pedir a recuperação judicial, entretanto é aconselhável
que, caso haja este pedido, seja acompanhado do depósito elisivo (o prazo do plano de recuperação
é de 60 dias).
A partir daí que o juiz poderá sentenciar, extinguindo o pedido ou não.
Se tem depósito elisivo, o juiz não irá decretar a falência.
Processo falimentar
Petição inicial  manda citar  Defesa (10 dias)
ATT: SÚMULA 29 STJ
Se a empresa apresentou depósito elisivo + contestação, o juiz proferirá a sentença
denegatória de falência (improcedente), porém o dinheiro irá para o credor.
 Apenas no caso em que a empresa não apresenta defesa, o Juiz determina a conferência
da citação, para não ter risco de decretar a falência de uma empresa sem ela saber.
Sentença denegatória de falência: o juiz julgou a ação improcedente e deu a razão para o
réu. Da sentença denegatória de falência é cabível a APELAÇÃO, a qual pode ser apresentada pelo
autor da ação ou o MP  até então o órgão ministerial não estava participando do processo, mas
passará a atuar como custos legis (guardião da lei).
Sentença declaratória da falência:
Dá razão para o autor.
O réu pode recorrer desta sentença por meio de AGRAVO DE INSTRUMENTO (art. 100), bem
como o MP. Quando o juiz profere a sentença declaratória de falência (cuja natureza não é
declaratória, mas sim constitutiva).
A sentença de falência cria o denominado juízo universal da falência, que possui vis atractiva,
(ou seja, ele é atraente), assim atrai para esse processo de falência todas ações e execuções que
estejam tramitando em relação ao falido, SALVO:
1. As ações que demandem quantias ilíquidas (assim que determinar o valor, essa ação será
habilitada no processo de falência).
2. Ações trabalhistas (depois que transitar em julgado, o valor será habilitado no processo de
falência). Se o processo trabalhista já estava em fase de execução, ela será suspensa e o
crédito será levado para o processo de falência.
3. Ação de execução fiscal não será atraída para o processo de falência, porém não pode haver
nenhum ato de penhora de bens. Depois do trânsito em julgado será habilitado os bens no
processo de falência.
Na sentença declaratória de falência, além de inaugurar o juízo universal, manda intimar:
a) o MP,
b) todas as Justiças (tribunais) para que se tenha conhecimento da ação de falência,
c) todas as fazendas (Municipal, Estadual e da União),
d) Juntas Comerciais
Ademais, o juiz, na sentença, irá nomear o administrador judicial. Era chamado de síndico
antigamente. É aquele que vai levantar o ativo da massa falida, o passivo, vai se manifestar em todas
as habilitações de crédito, é ele quem vai dialogar com os credores, presidir leilões, enfim, ele é quem
fica à frente do processo falimentar.
O administrador é de livre escolha do juiz, a lei só exige que ele tenha formação técnica em
alguma dessas áreas: Bacharel em Direito, Ciências Contábeis, Administração de empresas ou
economia.
O administrador recebe o percentual de 1 a 5% do total de bens que a empresa tenha (não é
o que sobra). Na ordem de recebimento ele é o primeiro.

SENTENÇA DECLARATÓRIA DE FALÊNCIA


Art. 100. Da decisão que decreta a falência cabe agravo, e da sentença que julga a
improcedência do pedido cabe apelação.
Efeitos (art. 99, L. 11.101/05):
- Intimações
- Nomeia Administrador Judicial
- Constitui a massa falida
 A massa falida é o conjunto de bens e débitos do falido. Não tem personalidade
jurídica. Sua natureza jurídica é de universalidade de direitos, significa que, apesar de ser uma
soma dos objetos da empresa que faliu, ela vai à juízo em nome próprio.
- Inabilitação do falido: falido fica inabilitado de exercer a atividade empresarial até a
reabilitação.
- Afastamento do falido (todos aqueles que trabalham estarão afastados desde a data de
prolação da sentença; há casos em que a empresa é lacrada)
- Vencimento antecipado das dívidas/suspensão fluência juros: no caso de obrigações
vincendas, antecipa-se para o dia em que foi decretada a falência, calculando os valores dos créditos.
- Atração ações e execuções, SALVO as ações que demandem quantias ilíquidas; as ações de
conhecimento trabalhistas e ações de execução fiscal.
- Fixação TERMO LEGAL da falência (art. 99, II)
II – fixará o termo legal da falência, sem poder retrotraí-lo por mais de 90 (noventa)
dias contados do pedido de falência, do pedido de recuperação judicial ou do 1o (primeiro)
protesto por falta de pagamento, excluindo-se, para esta finalidade, os protestos que tenham
sido cancelados;
O termo legal da falência é o período suspeito em que serão revistos todos os atos e contratos
praticados pela empresa.
O juiz tem que vasculhar tudo o que foi feito antes de ser decretada a falência, pois o falido
pode ter desviado bens, entre outras fraudes, para ter culminado na quebra da empresa.

ARRECADAÇÃO DE BENS:
O Administrador Judicial fará o levantamento do ativo.
No ativo considera-se tanto os bens que estão na posse da empresa, quanto àqueles que são
da sua propriedade.
Se um indivíduo deixar um bem dentro da empresa, ele também será arrecadado.
Após a arrecadação, o administrador irá avaliar documentalmente os bens. Caso o
administrador não tenha condições de avaliar os bens, ele contratará um profissional específico para
tal, e quem pagará pelo serviço é a massa falida.
A pessoa que teve o seu bem arrecadado indevidamente pela massa falida, pode ingressar
com o pedido de restituição (art. 85).

(Resumo)
FASE PRÉ-FALIMENTAR
Pedido (ação) de falência  defesa  sentença denegatória OU declaratória de falência
FASE FALIMENTAR
 45 dias (contados a partir do momento em que o adm. judicial aceita a nomeação) 
relatório do administrador judicial (quadro de credores)  edital + carta 15 dias para credores
manifestarem-se (concordância/silêncio)  divergência (habilitação de crédito)  improcedente
(manutenção quadro de credores) OU procedente (retificação quadro de credores).

2ª Fase – FASE FALIMENTAR


No relatório do administrador judicial deve constar:
- O auto de arrecadação (com todos os bens arrecadados – levantamento do ativo).
- Levantamento do passivo (formando o quadro de credores, no qual deve constar o nome
da empresa credora, bem como sua qualificação completa; a origem do crédito; a data do
vencimento dos créditos com seus respectivos juros, qual seja, a data da sentença;). Findo o quadro
de credores, ele será publicado no diário oficial, em um jornal de média circulação, bem como será
enviada uma carta para os credores, pois os credores precisam dizer se aquela conta está certa ou
não. É interessante que a empresa credora contrate um advogado para realizar a concordância
expressa do crédito, pois, assim, ele será intimado de todos os atos processuais.
Art. 7o A verificação dos créditos será realizada pelo administrador judicial, com base nos livros
contábeis e documentos comerciais e fiscais do devedor e nos documentos que lhe forem
apresentados pelos credores, podendo contar com o auxílio de profissionais ou empresas
especializadas.
§ 1o Publicado o edital previsto no art. 52, § 1o, ou no parágrafo único do art. 99 desta Lei, os
credores terão o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar ao administrador judicial suas habilitações
ou suas divergências quanto aos créditos relacionados.
Art. 9o A habilitação de crédito realizada pelo credor nos termos do art. 7o, § 1o, desta Lei
deverá conter:
I – o nome, o endereço do credor e o endereço em que receberá comunicação de qualquer
ato do processo;
II – o valor do crédito, atualizado até a data da decretação da falência ou do pedido de
recuperação judicial, sua origem e classificação;
III – os documentos comprobatórios do crédito e a indicação das demais provas a serem
produzidas;
IV – a indicação da garantia prestada pelo devedor, se houver, e o respectivo instrumento;
V – a especificação do objeto da garantia que estiver na posse do credor.

No incidente de habilitação de crédito, precisam ser ouvidos: o administrador, o MP, falido (o


qual fala em nome dele; em nome da massa falida quem fala é o administrador judicial).
Caso julgado procedente o incidente processual de habilitação de crédito, ficará a cargo do
administrador proceder com a retificação do quadro de credores.
É no incidente que são realizados os atos mais morosos do processo de falência.
 O que acontece com o credor que não viu o edital e/ou não recebeu a carta, tendo perdido
o prazo de 15 dias para se habilitar?
Ele realizará a habilitação de crédito de forma incidental, mas por meio da “habilitação de
crédito retardatária”.
Não há diferença de processamento entre elas. A diferença consiste no fato de que o processo
de falência não fica esperando o julgamento da habilitação de crédito retardatária, não fazendo com
que os atos de quitação fiquem parados (exemplo: se um credor trabalhista demorar vários anos para
se habilitar, e já tiver passado a fase de quitação dos créditos trabalhistas, ele deverá esperar o
pagamento de todos os credores para, só assim, receber seu crédito).

- Análise dos atos ineficazes perante a massa falida (art. 129 e 130). ESTUDAR ISSO ANTES DA
PRÓXIMA AULA.

ATOS INEFICAZES PERANTE A MASSA FALIDA

 Não se tratam de atos nulos ou anuláveis, mas, apenas, ineficazes (sua validade não é
comprometida, sendo apenas ineficazes perante a massa falida, mas produzem efeitos perante os
demais sujeitos de direito). Ex.: renúncia da herança permanecerá válida para o direito das sucessões.
Ação revocatória: é uma ação incidental, distribuída à dependência da ação de falência.
 Titularidade:
- Ativa: Art. 132. A ação revocatória, de que trata o art. 130 desta Lei, deverá ser proposta
pelo administrador judicial, por qualquer credor ou pelo Ministério Público no prazo de 3 (três) anos
contado da decretação da falência.
- Passiva: Art. 133. A ação revocatória pode ser promovida:
I – contra todos os que figuraram no ato ou que por efeito dele foram pagos, garantidos
ou beneficiados;
II – contra os terceiros adquirentes, se tiveram conhecimento, ao se criar o direito, da
intenção do devedor de prejudicar os credores;
III – contra os herdeiros ou legatários das pessoas indicadas nos incisos I e II
do caput deste artigo.
 Competência: juízo da falência.
 Objeto da ação: afronta ao princípio da paridade de credores (pars conditio creditorum).
Trata os credores de forma desigual, porém equivalente a sua classificação.
- Causas objetivas (art. 129):
 Não se analisa a intenção das partes (se sabia ou não que estava fraudando credor).
 Deve ocorrer no prazo dos incisos (exceção inciso VI, q ñ estipula prazo).
Art. 129. São ineficazes em relação à massa falida, tenha ou não o contratante
conhecimento do estado de crise econômico-financeira do devedor, seja ou não intenção
deste fraudar credores:
I – o pagamento de dívidas não vencidas realizado pelo devedor dentro do termo
legal, por qualquer meio extintivo do direito de crédito, ainda que pelo desconto do próprio
título;
II – o pagamento de dívidas vencidas e exigíveis realizado dentro do termo legal,
por qualquer forma que não seja a prevista pelo contrato; (ex.: pagamento era pra ser em $
e foi feito com bens).
III – a constituição de direito real de garantia, inclusive a retenção, dentro do termo
legal, tratando-se de dívida contraída anteriormente; se os bens dados em hipoteca forem
objeto de outras posteriores, a massa falida receberá a parte que devia caber ao credor da
hipoteca revogada;
IV – a prática de atos a título gratuito, desde 2 anos antes da decretação da falência;
(OBS: de acordo com a jurisprudência, doações de pequena monta não entram nesse caso)
V – a renúncia à herança ou a legado, até 2 anos antes da decretação da falência;
(Se aplica, geralmente, ao empresário individual, visto que responde com todo o seu
patrimônio).
VI – a venda ou transferência de estabelecimento feita sem o consentimento
expresso ou o pagamento de todos os credores, a esse tempo existentes, não tendo restado
ao devedor bens suficientes para solver o seu passivo, salvo se, no prazo de 30 (trinta) dias,
não houver oposição dos credores, após serem devidamente notificados, judicialmente ou
pelo oficial do registro de títulos e documentos; (aqui tem-se o trespasse irregular)
VII – os registros de direitos reais e de transferência de propriedade entre vivos,
por título oneroso ou gratuito, ou a averbação relativa a imóveis realizados após a
decretação da falência, salvo se tiver havido prenotação anterior. (a prenotação é um
procedimento do cartório de notas, pois ele tem 30 dias para analisar a documentação; se
for no mesmo dia, deve-se ver a hora da sentença).
Parágrafo único. A ineficácia poderá ser declarada de ofício pelo juiz, alegada em
defesa ou pleiteada mediante ação própria ou incidentalmente no curso do processo.
Se ocorrer uma dessas hipóteses, devolve-se o bem, ou se esse não existir, o valor dele
corrigido monetariamente.
- Causas subjetivas (art. 130):
Art. 130. São revogáveis (ineficazes) os atos praticados com a intenção de prejudicar
credores, provando-se o conluio fraudulento entre o devedor e o terceiro que com ele
contratar e o efetivo prejuízo sofrido pela massa falida.
Aqui se faz necessária a prova da fraude.
Não importa o prazo, o tipo de contrato. A partir do momento em que teve o conluio fraudulento e o
evento danoso, já está caracterizada a hipótese do art. 130.
Os atos praticados pelo falido após a sentença que decretou a falência serão NULOS, não precisando
de ação revocatória para declará-lo, podendo o juiz fazê-lo de ofício.

Prazo da ação revocatória: 03 anos contados da sentença de falência (art. 132).


Arrecadação e custódia de bens: fica a cargo do administrador judicial, o qual vai levantar
os bens e guardá-los.
Todos as despesas serão arcadas pela massa falida.
Realização do ativo: venda de bens que compõe a massa falida.
Art. 139. Logo após a arrecadação dos bens, com a juntada do respectivo auto ao
processo de falência, será iniciada a realização do ativo.
Formas de alienação: o administrador que sugere, ao juiz, a melhor forma de alienar os
bens.
Art. 140. A alienação dos bens será realizada de uma das seguintes formas,
observada a seguinte ordem de preferência:
I – alienação da empresa, com a venda de seus estabelecimentos em bloco;
II – alienação da empresa, com a venda de suas filiais ou unidades produtivas
isoladamente;
III – alienação em bloco dos bens que integram cada um dos estabelecimentos do
devedor;
IV – alienação dos bens individualmente considerados.
No caso do inciso I, a pessoa que comprar o estabelecimento comercial, o adquirirá livre e
desembaraçado de ônus (uma exceção à regra do trespasse);
Instrumentos utilizados para a alienação:
1. Leilão: a proposta é feita oralmente, então deposita-se o valor no processo, por meio de
guia de recolhimento judicial e, posteriormente, lavra-se o auto de arrematação.
2. Propostas fechadas: os interessados colocam as propostas em envelopes fechados, os
quais serão abertos em determinado dia na presença deles.
3. Pregão: cada interessado apresenta um valor, o administrador escolhe as propostas com
valores mais próximos (cerca de 10% de diferença), reúne-se com esses interessados e
questiona se algum deles tem interesse em cobrir a oferta do outro.

EFEITOS DA FALÊNCIA QUANTO AOS CONTRATOS DA EMPRESA FALIDA


Os contratos não são automaticamente extintos; a extinção dependerá do interesse da massa falida,
bem como do disposto no contrato (cláusula de rescisão).
1. Contratos unilaterais: que estipula obrigações e direitos para apenas uma das partes; não
sinalagmático. Ex.: doação.
O administrador analisará se a massa falida é a beneficiária e se não tem cláusula de rescisão em
razão da falência  contrato será executado.
No caso da massa falida não for a beneficiária e não tiver a cláusula de rescisão  contrato será
rescindido e, caso o beneficiário entenda que sofreu algum dano, a indenização deverá ser pleiteada em
processo próprio.

2. Contratos bilaterais (art. 117): direitos e obrigações recíprocas (sinalagmático). Ex.: compra e
venda.
Art. 117. Os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser
cumpridos pelo administrador judicial se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do
passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos,
mediante autorização do Comitê.
§1º O contratante pode interpelar o administrador judicial, no prazo de até 90
(noventa) dias, contado da assinatura do termo de sua nomeação, para que, dentro de 10
(dez) dias, declare se cumpre ou não o contrato.
§2º A declaração negativa ou o silêncio do administrador judicial confere ao
contraente o direito à indenização, cujo valor, apurado em processo ordinário, constituirá
crédito quirografário.

Ex.: a empresa falida tem um contrato de locação, no qual é a locatária. Não faz sentido rescindir
esse contrato, se ele está dando lucro para a massa falida.
Assembleia de credores: o administrador judicial deve presidi-la, sendo responsável por convocar,
convidar os credores a integrar essa assembleia. Trata-se de órgão colegiado, composto por todos os
credores da massa falida.
Será dividida em 4 blocos:
1. Credores trabalhistas acidentados do trabalho;
2. Credores com garantia real (àquele cujo crédito está garantido pelo direito real de penhor,
hipoteca ou anticrese);
3. Credores com crédito privilegiado
4. Credores microempresa ou EPP.
Art. 41. A assembleia-geral será composta pelas seguintes classes de credores:
I – titulares de créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de
acidentes de trabalho;
II – titulares de créditos com garantia real;
III – titulares de créditos quirografários, com privilégio especial, com privilégio geral
ou subordinados.
IV - titulares de créditos enquadrados como microempresa ou empresa de pequeno
porte.

ORDEM DE PAGAMENTO DOS CREDORES


P. da paridade de credores: serão pagos os credores conforme a sua classificação, seguindo a ordem
estabelecida pela lei de falências, sendo certo que, dentro da mesma classe, todos receberão de forma o
mesmo percentual de pagamento.
 Só vai para a próxima classe se conseguir pagar a totalidade da anterior.
1º) Despesas com a administração da falência (art. 150);
2º) Créditos natureza salarial vencidos nos 3 meses anteriores ao decreto da falência, até limite de 5
salários mínimos (R$4.770,00) por cabeça (art. 151);  engloba apenas o empregado registrado; caso o salário
devido seja maior que o valor estipulado, a diferença ele recebe na 5ª classe da ordem de recebimento (é
reclassificado)
3º) Restituições em dinheiro;  são contratos específicos em que a falida trabalhava com ACC
(adiantamento de contrato de câmbio). Ex.: uma empresa de câmbio dos EUA enviou um valor em moeda
(dólar), o qual deveria ser pago em determinada data, entretanto, a falência é decretada antes do pagamento
à essa empresa. Nos ACC até 15 dias antes da falência, se o administrador tiver notícia de que esse valor entrou
no caixa da empresa, ele deverá fazer a restituição.
4º) Créditos extraconcursais (art. 84);  ônus/custas do processo falimentar; se a massa falida não
conseguir pagar, o ônus caberá ao Estado (como se fosse uma justiça gratuita).
Art. 84. Serão considerados créditos extraconcursais e serão pagos com
precedência sobre os mencionados no art. 83 desta Lei, na ordem a seguir, os relativos a:
I – remunerações devidas ao administrador judicial e seus auxiliares, e créditos
derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho relativos a
serviços prestados após a decretação da falência;
II – quantias fornecidas à massa pelos credores;
III – despesas com arrecadação, administração, realização do ativo e distribuição do
seu produto, bem como custas do processo de falência;
IV – custas judiciais relativas às ações e execuções em que a massa falida tenha sido
vencida;
V – obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a
recuperação judicial, nos termos do art. 67 desta Lei, ou após a decretação da falência, e
tributos relativos a fatos geradores ocorridos após a decretação da falência, respeitada a
ordem estabelecida no art. 83 desta Lei.

5º) Créditos trabalhistas até o limite de 150 salários mínimos (R$143.100,00) por credor E os
decorrentes de acidente de trabalho (valor arbitrado na sentença de indenização);
 aqui também entra o representante comercial + honorários advocatícios.
Art. 83, I – os créditos derivados da legislação do trabalho, limitados a 150 (cento e
cinqüenta) salários-mínimos por credor, e os decorrentes de acidentes de trabalho;

6º) Créditos com garantia REAL (hipoteca, penhor e anticrese);


Art. 83, II - créditos com garantia real até o limite do valor do bem gravado;
Ex.: tenho uma dívida de 200 mil, mas dei em garantia um imóvel que vale 120 mil. A garantia real é
os 120 mil, e os 80 mil que falta entra como quirografário.
7º) Créditos tributários, exceto multas;  paga o valor principal, acrescidos de juros e correção
monetária, até a data da sentença de falência.
Art. 83, III – créditos tributários, independentemente da sua natureza e tempo de
constituição, excetuadas as multas tributárias;
OBS.: alguns créditos tributários são mais importantes do que outros, devendo seguir essa ordem:
a) Federal
b) Estadual e DF correspondente
c) Municipal e DF correspondente

8º) Créditos com privilégio especial (art. 964, CC);  ME e EPP


Art. 964. Têm privilégio especial:
I - sobre a coisa arrecadada e liquidada, o credor de custas e despesas judiciais feitas
com a arrecadação e liquidação;
II - sobre a coisa salvada, o credor por despesas de salvamento;
III - sobre a coisa beneficiada, o credor por benfeitorias necessárias ou úteis;
IV - sobre os prédios rústicos ou urbanos, fábricas, oficinas, ou quaisquer outras
construções, o credor de materiais, dinheiro, ou serviços para a sua edificação, reconstrução,
ou melhoramento;
V - sobre os frutos agrícolas, o credor por sementes, instrumentos e serviços à
cultura, ou à colheita;
VI - sobre as alfaias e utensílios de uso doméstico, nos prédios rústicos ou urbanos,
o credor de aluguéis, quanto às prestações do ano corrente e do anterior;
VII - sobre os exemplares da obra existente na massa do editor, o autor dela, ou seus
legítimos representantes, pelo crédito fundado contra aquele no contrato da edição;
VIII - sobre o produto da colheita, para a qual houver concorrido com o seu trabalho,
e precipuamente a quaisquer outros créditos, ainda que reais, o trabalhador agrícola, quanto
à dívida dos seus salários.
IX - sobre os produtos do abate, o credor por animais.

9º) Créditos com privilégio geral (art. 965, CC);


Art. 965. Goza de privilégio geral, na ordem seguinte, sobre os bens do devedor:
I - o crédito por despesa de seu funeral, feito segundo a condição do morto e o
costume do lugar;
II - o crédito por custas judiciais, ou por despesas com a arrecadação e liquidação da
massa;
III - o crédito por despesas com o luto do cônjuge sobrevivo e dos filhos do devedor
falecido, se foram moderadas;
IV - o crédito por despesas com a doença de que faleceu o devedor, no semestre
anterior à sua morte;
V - o crédito pelos gastos necessários à mantença do devedor falecido e sua família,
no trimestre anterior ao falecimento;
VI - o crédito pelos impostos devidos à Fazenda Pública, no ano corrente e no
anterior;
VII - o crédito pelos salários dos empregados do serviço doméstico do devedor, nos
seus derradeiros seis meses de vida;
VIII - os demais créditos de privilégio geral.

10º) Créditos quirografários (contratos sem garantia);


Está aqui:
 Fiança;
 Saldo do crédito trabalhista (valor acima de 150 sal min)
 Saldo da garantia real (valor acima do bem dado em garantia);
 Crédito trabalhista cedido à 3º.
11º) Multas (tributárias, de natureza administrativa, penal, etc.);
12º) Créditos subordinados  ex.: “pro labore” de algum sócio; participação nos lucros; ou seja,
créditos relacionados aos sócios da falida.
RESUMINDO:
Aula 26/09/18

AUTOFALÊNCIA
(art. 105 e seguintes)

É a falência pedida pelo próprio sujeito que exercia a atividade empresarial.

Competência: foro do principal estabelecimento do devedor; justiça estadual.

Autor (art. 97):


- Próprio devedor (empresário individual, EIRELI, sociedade)
- Cônjuge ou companheiro sobrevivente
- Herdeiro / inventariante
- Sócio / acionista  entra em nome próprio, nos casos em que haja discordância dos demais
sócios ou acionistas.
Réu: depende do autor da ação:
- Próprio devedor  não haverá réu na ação.
- Cônjuge supérstite, herdeiro, inventariante, sócio ou acionista  pessoa jurídica.

Inicial (art. 105):


Art. 105. O devedor em crise econômico-financeira que julgue não atender aos requisitos para pleitear
sua recuperação judicial deverá requerer ao juízo sua falência, expondo as razões da impossibilidade de
prosseguimento da atividade empresarial, acompanhadas dos seguintes documentos:
I – demonstrações contábeis referentes aos 3 últimos exercícios sociais e as levantadas
especialmente para instruir o pedido, confeccionadas com estrita observância da legislação societária
aplicável e compostas obrigatoriamente de:
a) balanço patrimonial;
b) demonstração de resultados acumulados;
c) demonstração do resultado desde o último exercício social;
d) relatório do fluxo de caixa;
II – relação nominal dos credores, indicando endereço, importância, natureza e classificação dos
respectivos créditos; (relação de passivo)
III – relação dos bens e direitos que compõem o ativo, com a respectiva estimativa de valor e
documentos comprobatórios de propriedade; (relação de ativo)
IV – prova da condição de empresário, contrato social ou estatuto em vigor ou, se não houver, a
indicação de todos os sócios, seus endereços e a relação de seus bens pessoais;
V – os livros obrigatórios e documentos contábeis que lhe forem exigidos por lei;
VI – relação de seus administradores nos últimos 5 (cinco) anos, com os respectivos endereços,
suas funções e participação societária.

Sentença declaratória de falência: (art. 99)


ATT: da sentença denegatória cabe apelação e da declaratória cabe agravo.
 Segue o mesmo procedimento da falência comum, não tem diferença nenhuma.

PROVA: 04 questões dissertativas + 1 problema, com consulta da Lei 11.101/05.


- Legitimidade da ação de falência e suas exceções (art. 2º);
- Fundamento da inicial (art. 94);
- Sentença declaratória de falência (art. 99);
- Administrador judicial (quem é, o que faz, atribuições, responsabilidade, por quem é nomeado, etc).
- Termo legal da falência;
- Ação revocatória (art. 129 e 130);
- Contratos do falido (quem decide se irão continuar ou não)
- Alienação dos bens (leilão, envelope, pregão, etc);
- Ordem de pagamento dos credores.
- Responsável pela massa falida, etc.

PRESTAÇÃO DE CONTAS DO ADMINISTRADOR JUDICIAL


(art. 154 a 160)

Conclusão da realização do ativo e pagamento do passivo  30 dias  prestação de contas


 edital  impugnações (10 dias)  5 dias parecer do MP  então o juiz pode:
1. rejeitar as contas e decretar a indisponibilidade de bens do administrador (ele não pode
mais praticar atos de alienação de seus bens pessoais)  substituição do administrador judicial 
abre vista p/ MP tomar providências cabíveis (instaurar IP p/ apurar os crimes comuns, sem prejuízo
dos crimes falimentares; bem como há possibilidade de ingressar com ação cível para reaver os
valores desviados pelo adm. judicial) então o processo de falência fica aguardando a devolução dos
valores para realizar o pagamento dos demais credores.
2. aprovar as contas  administrador judicial  relatório final (feito dentro do processo de
falência, no prazo de 10 dias)  edital do relatório final sentença de encerramento da falência 
então pode: 1) encerrar a fase falimentar; 2) voltar a correr o prazo prescricional (credor pode tentar
cobrar os coobrigados; entretanto a jurisprudência tem entendido que, neste caso, não cabe mais a
desconsideração da personalidade jurídica, pois, durante o processo falimentar, já houve a
oportunidade para declarar a ineficácia dos atos).

Art. 155. Julgadas as contas do administrador judicial, ele apresentará o relatório final da
falência no prazo de 10 (dez) dias, indicando o valor do ativo e o do produto de sua realização, o valor
do passivo e o dos pagamentos feitos aos credores, e especificará justificadamente as
responsabilidades com que continuará o falido.
Art. 156. Apresentado o relatório final, o juiz encerrará a falência por sentença.
Parágrafo único. A sentença de encerramento será publicada por edital e dela caberá
apelação.

Prestação de contas = incidente processual


Impugnações: podem ser realizadas por qualquer interessado.

FASE PÓS FALIMENTAR – é fase facultativa, pois depende da vontade do falido em passar por
ela ou não (reabilitação do falido).
Legitimado ativo: próprio falido.
Trata-se de incidente processual.
Sentença de encerramento da falência  reabilitação do falido, a qual ocorrerá:
 em 05 anos, se não condenado por crime falimentar;
ou
 em 10 anos, se condenado por crime falimentar;
+
 Pagamento de todos os créditos;
ou
 Pagamento de, no mínimo, 50% dos quirografários.

RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS

Pode ser:
 judicial
 especial (também é judicial, porém é própria para ME e EPP)
 extrajudicial

Até 2005 esse instituto tinha o nome de concordata.

Art. 47. A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação da situação
de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte
produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo,
assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica.

Conceito: favor legal/benefício oferecido ao empresário individual, à EIRELI ou à sociedade


empresária que estejam passando por uma crise econômico-financeira, porém sem estar insolvente
(passivo maior que o ativo).
Objetivos: superar a crise econômico-financeira, por meio da manutenção da fonte produtora
de bens e serviços, dos empregos e do interesse dos credores.
Princípios:
o Preservação da empresa (p. implícito na CF).
o Função social
o Estímulo da atividade empresarial

RECUPERAÇÃO JUDICIAL

É a mais importante e utilizada. Só ocorre dentro de um processo, necessitando do poder


judiciário, levando o nome de “ação de recuperação judicial de empresa”.
Requisitos objetivos (art. 48):
 Inscrição do autor na junta comercial há, pelo menos, 02 anos.
 Não haver gozado do benefício nos últimos 05 anos (serve para todos os tipos de empresa)
 Comprovação da possibilidade de superar a crise econômico-financeira.
 Ausência condenação por crime falimentar (juntar certidões de antecedentes criminais –
não importa condenação por crimes comuns, apenas falimentares);
 Não ter sido decretada a falência.
OBS: quando o sujeito é citado da ação de falência, a empresa pode utilizar, como meio de
defesa, o pedido de recuperação judicial.

Art. 48. Poderá requerer recuperação judicial o devedor que, no momento do


pedido, exerça regularmente suas atividades há mais de 2 (dois) anos e que atenda aos
seguintes requisitos, cumulativamente:
I – não ser falido e, se o foi, estejam declaradas extintas, por sentença
transitada em julgado, as responsabilidades daí decorrentes;
II – não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de recuperação
judicial;
III - não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de recuperação
judicial com base no plano especial de que trata a Seção V deste Capítulo
IV – não ter sido condenado ou não ter, como administrador ou sócio
controlador, pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos nesta Lei.

Principais diferenças entre a recuperação e a antiga concordata:


Recuperação judicial Concordata
 Meio de saída da crise econômica;  Só entrava crédito quirografário;
 Pode incluir uma série de créditos;  Credores eram apenas intimados, não
 Os credores têm protagonismo (darão manifestando qualquer opinião;
opinião/voto sobre a viabilidade do plano);  A empresa só podia apresentar dois planos:
1) pagamento parcial dos credores
quirografários;
2) dilação de prazo.

ROL DO ART. 50 É MERAMENTE EXEMPLIFICATIVO:


Art. 50. Constituem meios de recuperação judicial, observada a legislação
pertinente a cada caso, dentre outros:
I – concessão de prazos e condições especiais para pagamento das obrigações
vencidas ou vincendas;
II – cisão, incorporação, fusão ou transformação de sociedade, constituição de
subsidiária integral, ou cessão de cotas ou ações, respeitados os direitos dos sócios, nos
termos da legislação vigente;
III – alteração do controle societário;
IV – substituição total ou parcial dos administradores do devedor ou
modificação de seus órgãos administrativos;
V – concessão aos credores de direito de eleição em separado de
administradores e de poder de veto em relação às matérias que o plano especificar;
VI – aumento de capital social;
VII – trespasse ou arrendamento de estabelecimento, inclusive à sociedade
constituída pelos próprios empregados;
VIII – redução salarial, compensação de horários e redução da jornada,
mediante acordo ou convenção coletiva;
IX – dação em pagamento ou novação de dívidas do passivo, com ou sem
constituição de garantia própria ou de terceiro;
X – constituição de sociedade de credores;
XI – venda parcial dos bens;
XII – equalização de encargos financeiros relativos a débitos de qualquer
natureza, tendo como termo inicial a data da distribuição do pedido de recuperação judicial,
aplicando-se inclusive aos contratos de crédito rural, sem prejuízo do disposto em legislação
específica;
XIII – usufruto da empresa;
XIV – administração compartilhada;
XV – emissão de valores mobiliários;
XVI – constituição de sociedade de propósito específico para adjudicar, em
pagamento dos créditos, os ativos do devedor.

AÇÃO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL DE EMPRESAS

PETIÇÃO INICIAL: Deverá conter a narração dos fatos, a comprovação dos requisitos
mencionados acima através de documentos, a juntada do balanço contábil (de patrimônio e de
resultado) e do imposto de renda da empresa, preferencialmente dos últimos 5 anos, a juntada da
relação nominal e salarial dos empregados e das as ações em andamentos da empresa.

 Legitimidade ativa:
1. Titular da atividade empresária (sociedade empresária, EIRELI, empresário
individual).
2. Herdeiro/inventariante do empresário individual ou EIRELI;
3. Cônjuge sobrevivente;
4. Sócio ou acionista da sociedade empresarial  quando ele é voto vencido.

Art. 48, §1o - A recuperação judicial também poderá ser requerida pelo cônjuge
sobrevivente, herdeiros do devedor, inventariante ou sócio remanescente.

ATENÇÃO ao rol de exceções de quem não se submete à L. 11.101/05 (art. 2º). Podem
pedir a recuperação, porém têm regras específicas:
Art. 2o Esta Lei não se aplica a:
I – empresa pública e sociedade de economia mista;
II – instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio, entidade de
previdência complementar, sociedade operadora de plano de assistência à saúde, sociedade
seguradora, sociedade de capitalização e outras entidades legalmente equiparadas às anteriores.

 Legitimidade passiva: não possui, visto que o pedido de recuperação judicial se trata de
um pedido do legitimado ativo para beneficiá-lo.
ATT.: credor não é legitimado ativo para o pedido de recuperação judicial, apenas no caso
de falência.
 Competência: o foro do principal estabelecimento da atividade empresarial.
Art. 51. A petição inicial de recuperação judicial será instruída com:
I – a exposição das causas concretas da situação patrimonial do devedor e das
razões da crise econômico-financeira;
II – as demonstrações contábeis relativas aos 3 (três) últimos exercícios sociais
e as levantadas especialmente para instruir o pedido, confeccionadas com estrita
observância da legislação societária aplicável e compostas obrigatoriamente de:
a) balanço patrimonial;
b) demonstração de resultados acumulados;
c) demonstração do resultado desde o último exercício social;
d) relatório gerencial de fluxo de caixa e de sua projeção;
III – a relação nominal completa dos credores, inclusive aqueles por obrigação
de fazer ou de dar, com a indicação do endereço de cada um, a natureza, a classificação e o
valor atualizado do crédito, discriminando sua origem, o regime dos respectivos vencimentos
e a indicação dos registros contábeis de cada transação pendente;
IV – a relação integral dos empregados, em que constem as respectivas funções,
salários, indenizações e outras parcelas a que têm direito, com o correspondente mês de
competência, e a discriminação dos valores pendentes de pagamento;
V – certidão de regularidade do devedor no Registro Público de Empresas, o ato
constitutivo atualizado e as atas de nomeação dos atuais administradores;
VI – a relação dos bens particulares dos sócios controladores e dos
administradores do devedor;
VII – os extratos atualizados das contas bancárias do devedor e de suas
eventuais aplicações financeiras de qualquer modalidade, inclusive em fundos de
investimento ou em bolsas de valores, emitidos pelas respectivas instituições financeiras;
VIII – certidões dos cartórios de protestos situados na comarca do domicílio ou
sede do devedor e naquelas onde possui filial;
IX – a relação, subscrita pelo devedor, de todas as ações judiciais em que este
figure como parte, inclusive as de natureza trabalhista, com a estimativa dos respectivos
valores demandados.

 Créditos sujeitos a recuperação:


Art. 49. Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na data do pedido,
ainda que não vencidos.
O pedido é feito na época da PI, ainda que os créditos não estejam certos e exigíveis.

Exceções:
a) Crédito tributário  a empresa não tem competência para sugerir recuperação com
relação a esse crédito, pois só quem pode renegociar a dívida é o Fisco (por meio do ReFis – programa
de recuperação fiscal). Só se sujeita à falência.
b) Casos do artigo 49, §3º:
- Crédito de propriedade fiduciária (alienação fiduciária em garantia): É o contrato de
alienação fiduciária em garantia. Nele a pessoa que vai emprestar algum valor para outra, ficará
com a propriedade fiduciária do bem. Eu terei a propriedade resolúvel e posse direta do bem. O
credor ficará com a propriedade fiduciária e a posse indireta do bem.
O banco deve esperar o prazo de 06 meses para recuperar o bem.
- Crédito de arrendamento mercantil (leasing);
- Compromisso de compra e venda com caráter irrevogável/irretratável;
Art. 49, §3º - Tratando-se de credor titular da posição de proprietário fiduciário de
bens móveis ou imóveis, de arrendador mercantil, de proprietário ou promitente vendedor
de imóvel cujos respectivos contratos contenham cláusula de irrevogabilidade ou
irretratabilidade, inclusive em incorporações imobiliárias, ou de proprietário em contrato de
venda com reserva de domínio, seu crédito não se submeterá aos efeitos da recuperação
judicial e prevalecerão os direitos de propriedade sobre a coisa e as condições contratuais,
observada a legislação respectiva, não se permitindo, contudo, durante o prazo de suspensão
a que se refere o § 4o do art. 6o desta Lei, a venda ou a retirada do estabelecimento do
devedor dos bens de capital essenciais a sua atividade empresarial.

c) Contrato de adiantamento de câmbio.


Art. 49, §4º - Não se sujeitará aos efeitos da recuperação judicial a importância a
que se refere o inciso II do art. 86 desta Lei.

Recuperação judicial:
Se inicia com a petição inicial, a qual possui pressupostos (art. 48 – já estudado
anteriormente) e requisitos (art. 51).
Art. 51. A petição inicial de recuperação judicial será instruída com:
I – a exposição das causas concretas da situação patrimonial do devedor e das razões da crise
econômico-financeira;
II – as demonstrações contábeis relativas aos 3 (três) últimos exercícios sociais e as levantadas
especialmente para instruir o pedido, confeccionadas com estrita observância da legislação societária
aplicável e compostas obrigatoriamente de:
a) balanço patrimonial;
b) demonstração de resultados acumulados;
c) demonstração do resultado desde o último exercício social;
d) relatório gerencial de fluxo de caixa e de sua projeção;
III – a relação nominal completa dos credores, inclusive aqueles por obrigação de fazer ou de
dar, com a indicação do endereço de cada um, a natureza, a classificação e o valor atualizado do
crédito, discriminando sua origem, o regime dos respectivos vencimentos e a indicação dos registros
contábeis de cada transação pendente;
IV – a relação integral dos empregados, em que constem as respectivas funções, salários,
indenizações e outras parcelas a que têm direito, com o correspondente mês de competência, e a
discriminação dos valores pendentes de pagamento;
V – certidão de regularidade do devedor no Registro Público de Empresas, o ato constitutivo
atualizado e as atas de nomeação dos atuais administradores;
VI – a relação dos bens particulares dos sócios controladores e dos administradores do
devedor;
VII – os extratos atualizados das contas bancárias do devedor e de suas eventuais aplicações
financeiras de qualquer modalidade, inclusive em fundos de investimento ou em bolsas de valores,
emitidos pelas respectivas instituições financeiras;
VIII – certidões dos cartórios de protestos situados na comarca do domicílio ou sede do
devedor e naquelas onde possui filial;
IX – a relação, subscrita pelo devedor, de todas as ações judiciais em que este figure como
parte, inclusive as de natureza trabalhista, com a estimativa dos respectivos valores demandados.
§ 1o Os documentos de escrituração contábil e demais relatórios auxiliares, na forma e
no suporte previstos em lei, permanecerão à disposição do juízo, do administrador judicial e,
mediante autorização judicial, de qualquer interessado.
§ 2o Com relação à exigência prevista no inciso II do caput deste artigo, as microempresas
e empresas de pequeno porte poderão apresentar livros e escrituração contábil simplificados nos
termos da legislação específica.
§ 3o O juiz poderá determinar o depósito em cartório dos documentos a que se referem
os §§ 1o e 2o deste artigo ou de cópia destes.
Juiz proferirá despacho de processamento da recuperação judicial  deste despacho cabe AGRAVO
 no caso de provimento do agravo, a inicial será emendada (cabe juízo de retratação).
Art. 6º, § 4o Na recuperação judicial, a suspensão de que trata o caput deste artigo em hipótese
nenhuma excederá o prazo improrrogável de 180 (cento e oitenta) dias contado do deferimento do
processamento da recuperação, restabelecendo-se, após o decurso do prazo, o direito dos credores de iniciar
ou continuar suas ações e execuções, independentemente de pronunciamento judicial.  ATENÇÃO:
jurisprudência entende que o prazo PODE ser prorrogado/flexibilizado desde que a causa do atraso não possa
ser reputada à autora (seguindo o p. da preservação da empresa).
Processo da recuperação:

Art. 52. Estando em termos a documentação exigida no art. 51 desta Lei, o juiz deferirá o
processamento da recuperação judicial e, no mesmo ato:
I – nomeará o administrador judicial, observado o disposto no art. 21 desta Lei;
II – determinará a dispensa da apresentação de certidões negativas para que o devedor exerça
suas atividades, exceto para contratação com o Poder Público ou para recebimento de benefícios ou
incentivos fiscais ou creditícios, observando o disposto no art. 69 desta Lei;
III – ordenará a suspensão de todas as ações ou execuções contra o devedor, na forma do art.
6o desta Lei, permanecendo os respectivos autos no juízo onde se processam, ressalvadas as ações previstas
nos §§ 1o, 2o e 7o do art. 6o desta Lei e as relativas a créditos excetuados na forma dos §§ 3o e 4o do art. 49
desta Lei;
IV – determinará ao devedor a apresentação de contas demonstrativas mensais enquanto
perdurar a recuperação judicial, sob pena de destituição de seus administradores;
V – ordenará a intimação do Ministério Público e a comunicação por carta às Fazendas Públicas
Federal e de todos os Estados e Municípios em que o devedor tiver estabelecimento.
§ 1o O juiz ordenará a expedição de edital, para publicação no órgão oficial, que conterá:
I – o resumo do pedido do devedor e da decisão que defere o processamento da recuperação
judicial;
II – a relação nominal de credores, em que se discrimine o valor atualizado e a classificação de
cada crédito;
III – a advertência acerca dos prazos para habilitação dos créditos, na forma do art. 7o, § 1o,
desta Lei, e para que os credores apresentem objeção ao plano de recuperação judicial apresentado pelo
devedor nos termos do art. 55 desta Lei.
§ 2o Deferido o processamento da recuperação judicial, os credores poderão, a qualquer tempo,
requerer a convocação de assembleia-geral para a constituição do Comitê de Credores ou substituição de
seus membros, observado o disposto no § 2o do art. 36 desta Lei.
§ 3o No caso do inciso III do caput deste artigo, caberá ao devedor comunicar a suspensão aos
juízos competentes.
§ 4o O devedor não poderá desistir do pedido de recuperação judicial após o deferimento de seu
processamento, salvo se obtiver aprovação da desistência na assembleia-geral de credores.
Após a PI, é realizado o Despacho de Processamento.
O edital (publicado no DOE e em jornal de média circulação da comarca) conterá:
- Despacho de processamento
- Relação de credores
- Fixação de prazo de 60 dias para a apresentação do plano de recuperação.
Tal prazo começa a contar da publicação do edital e não do despacho de processamento.
Outrossim, trata-se de prazo IMPRORROGÁVEL e, caso não apresentado, a recuperação será
convolada em falência.

Plano de recuperação (art. 50):


É a estratégia utilizada para sair da crise financeira.
Exemplos: venda de algumas das filiais; participação de uma fusão de empresas, redução de salários
dos empregados junto ao Sindicato.
Lembrando que tudo deve ser demonstrado com documentos, planilhas, a fim de comprovar a
redução de gastos, e a possibilidade de manutenção e recuperação da empresa.
Os credores votarão no plano, se concordam ou não. Entretanto, a decisão será do magistrado.
A autora apresenta que pagará todos os credores até x data. ATT: o crédito fiscal não pode ser
negociado.
No plano de recuperação, a empresa pode apresentar proposta de flexibilização do pagamento dos
créditos. Ex: pagarei em 25 meses, pagarei 50% dos créditos, pagarei 70% dos créditos em 20 meses.
EXCETO: créditos trabalhistas e acidente de trabalho que devem ser pagos em, no máximo, um ano.
Dessa forma, no plano de recuperação é possível apresentar propostas de forma livre.
Cumpre salientar que é possível a reunião com os credores antes da realização do plano para que os
pagamentos sejam negociados (integral, parcial, parcelado). Posteriormente, haverá a votação dos credores
e, por fim, será aprovado ou não pelo juiz.

Publicado o edital que contém o despacho de processamento e a relação de credores, passa a correr
o prazo de 15 dias para a realização das habilitações de crédito. As habilitações são incidentes processuais
promovidos pelos credores que não constam no rol do edital para que, então, haja a inclusão de seus
respectivos créditos, ou pelos credores que queiram promover a alteração dos valores do crédito ou, ainda,
alteração da sua ordem de classificação.
A habilitação é endereçada ao adm. judicial (para que seja mais rápido o procedimento) por meio de
petição simples, sem a necessidade de adv. Eles são feitos para que haja a correção de erros, sendo
dispensável caso esteja tudo ok.
Após apresentação das habilitações de crédito, o administrador judicial terá o prazo de 45 dias para
apresentar uma nova relação de credores, sendo possível a prorrogação do prazo por quantos dias forem
necessários.
Após 10 dias da publicação da nova relação de credores, aquele que credor que continuar
insatisfeito poderá apresentar ação de impugnação.
A ação de impugnação de créditos só existe na recuperação judicial.
Ela deve ser promovida por advogado, por meio de incidente processual, e direcionada ao Juiz.
Desse modo, haverá instrução processual com respeito a ampla defesa e contraditório, podendo,
inclusive, ser interposto recurso de apelação para o Tribunal.
OBS: se o credor perder o prazo para entrar com a habilitação do seu crédito, ele deve aguardar a
publicação da nova relação e, consequentemente, a abertura do prazo para AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO, para
apresentar suas razões.
Em paralelo, publicada a Nova Relação de Credores, corre o prazo de 30 dias para que os legitimados
ativos (credores e/ou MP) apresentem AÇÃO DE OBJEÇÃO (ato processual para impugnar o plano), quanto
ao Plano de Recuperação, endereçada ao juiz competente.

Se não houve objeções, o juiz presume que o Plano de Recuperação foi APROVADO e proferirá uma
SENTENÇA CONCESSIVA DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL (pode ser AGRAVADA no Tribunal de Justiça). É a partir
da publicação dessa sentença que se inicia o cumprimento do Plano, bem como a empresa agregará em seu
nome o termo “- em recuperação judicial” na Junta Comercial, para que todos os possíveis novos credores
tenham ciência da situação. Nesse período, a empresa deve informar ao Administrador Judicial todos os seus
atos, este, que por sua vez, informará no processo.
Na SENTENÇA CONCESSIVA DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL o juiz solicita a apresentação e juntada de
CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS no processo. Contudo, a jurisprudência admite e orienta que
os juízes dispensem esse ato, tendo em vista que é muito difícil uma empresa em recuperação judicial ter
todos os seus débitos tributários pagos, uma vez que deve-se prevalecer o princípio da preservação da
empresa (caso o contrário, não apresentada, deveria ser decretada a falência) e que as ações de execução
fiscal, e as demais ações de âmbito tributário, continuam por correr normalmente, sem relação com o Plano
de Recuperação (o fisco tem meios próprios para reaver seus créditos).
Importante ressaltar que o Plano de Recuperação é relativo apenas aos débitos anteriores. Surgindo
novos credores, novas dívidas, esses são pagos normalmente, conforme seus próprios vencimentos, sem
previsão no Plano de Recuperação Judicial.
Se o juiz obtiver informações de que o Plano foi descumprido, sem ouvir ninguém, ele decretará a
FALÊNCIA, ocorrendo a convolação, ou seja, conversão do Plano de Falência em Falência propriamente dita.
Havendo objeções apresentadas, o juiz convocará a Assembleia Geral de Credores (reunião entre
todos os credores, de qualquer classe, relacionados ao Plano de Recuperação, acompanhados ou não de
seus procuradores). Quem preside tal Assembleia é o Administrador e os custos são direcionados à própria
empresa, o juiz não participa.
Essa Assembleia dividirá os credores em 3 blocos: trabalhistas, com garantias e os demais (junto dos
quirografários), para que seja feita a votação de aprovação ou rejeição do Plano, que de início é feita por
cabeça em cada bloco, gerando o voto geral.
Aprovado por unanimidade, 3x0, ou 2x1, o Plano está aprovado e o juiz profere a SENTENÇA
CONCESSIVA DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL.
Rejeitado por unanimidade, o Plano será rejeitado e o juiz DECRETA FALÊNCIA. Mas se o plano for
rejeitado por 2x1, é possível que o juiz aprove o Plano, mesmo sendo contrário a maioria dos credores,
objetivando o princípio da preservação da empresa, através do instituto do CRAWN DOWN (goela abaixo).
Se não houve descumprimento, terminado o Plano de Recuperação Judicial, o juiz proferirá a
sentença de ENCERRAMENTO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL e a empresa tira de seu nome o termo
anteriormente adicionado.
O cumprimento dura o prazo previsto no Plano, sendo o Administrador quem acompanha todo esse
processo.

Não cumprido o Plano, o juiz decreta a FALÊNCIA, iniciando-se já a FASE FALIMENTAR (e não a fase
pré-falimentar).
RECUPERAÇÃO JUDICIAL ESPECIAL:

sentença de
concessão da
recuperação
não objeção aprovação plano
despacho (60 dias) plano
Petição inicial processamento de recuperação edital
objeção de +
decreta falência
1/2 credores

- É uma faculdade oferecida pela lei 11.101/05 ao microempreendedor individual (MEI),


microempresário (ME) ou empresário de pequeno porte (EPP).
- Só crédito quirografário pode ser negociado (se tiver algum outro crédito, tem que ser a recuperação
normal).
- Requisitos da PI = art. 48 e 51
- Não precisa de administrador, o plano pode ser feito pelo advogado, e consiste em pagar os
quirografários em ATÉ 36 meses com juros de 12%/ ano ou 1%/mês.
No caso de objeção:
a) Ocorre por incidente processual
b) Legitimidade:
a. credor quirografário
b. MP  geralmente é relativa a legalidade
→ a objeção deve ser feita em 15 dias, através de incidente processual, e deve haver objeção de ½
dos credores quirografários. Todas as objeções serão analisadas e julgadas, e, se procedentes pelo
juízo, o plano de recuperação será julgado improcedente, e consequentemente, a falência irá ser
decretada.
Para que não haja objeções, é possível que o advogado da empresa devedora converse anteriormente
com os credores e os deixem cientes dos planos que farão.
LC 123/05 – FATURAMENTO BRUTO ANUAL
a) MEI até R$ 81.000,00
b) ME até R$ 360.000,00
c) EPP até R$ 4.800.000,00
Recuperação extrajudicial
- Consiste no acordo privado realizado entre credores e devedora (novação)
- Também deve preencher os requisitos do art. 48
- Nunca será convolada em falência.
- Estão excluídos da negociação da recuperação extrajudicial, os quais deverão ser pagos
conforme é devido, sendo créditos:
o tributários (pois precisa de lei autorizando, a qual tem que ser genérica, abrangendo
vários devedores, deve possuir um prazo, etc)
o Trabalhista de qualquer espécie (simples, em virtude de acidente de trabalho, etc.).
- 100% dos credores assinam o plano de novação → homologação judicial facultativa → torna-se
título executivo judicial → sentença de homologação → caso de descumprimento o autor entra
com ação de descumprimento de sentença (não convola a recuperação em falência)
- Se menos de 3/5 dos credores assinarem o plano → não tem possibilidade de recuperação
extrajudicial
- Se ≥ 3/5 (60%) dos credores assinarem o plano → é necessária a homologação judicial caso a
empresa queira fazer valer aquele acordo (art. 163 – o “poderá” significa que se ela não
homologar judicialmente, não terá validade, então ela deve seguir o pagamento da dívida sem a
novação) → se o juiz homologar, os credores que não concordaram, serão obrigados a fazê-lo →
se o plano for descumprido, também não se convola em falência
o Se o juiz não achar o plano de recuperação extrajudicial bom, ele simplesmente não
homologa e extingue o processo. Então, a empresa pode apresentar novo plano.