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METODOLOGIA DE RESGATE COM LINHA DE VIDA

Autor

Carmelindo Monteiro Neto

COMPANHIA ENERGÉTICA DO CEARÁ - COELCE

Apoio Fidelidade:
RESUMO

Este trabalho apresenta metodologias bastante simples de instalação de linha de


vida / resgate utilizando-se cinturão tipo pára-quedistas alguns acessórios contando
com três etapas distintas conforme abaixo:
a) Utilização do ponto de ancoragem na própria escada;
b) Utilização do ponto de ancoragem nos furos dos postes de concreto duplo T,
utilizando-se a ferramenta desenvolvida pela COPEL denominada “Agulhão”.
c) Utilização do ponto de ancoragem em diversas partes das estruturas de acordo
com a situação encontrada e avaliada pela equipe em campo, com a utilização do
dispositivo de ancoragem denominado ICC – Içador de Corda Coelmig, utilizado
pela CEMIG;
O diferencial entre os métodos que conhecemos é que a corda linha de vida é
também a própria corda de resgate conferindo grande grau de segurança contra
quedas e agilidade em caso de resgate de vítima inconsciente em cima do poste nos
serviços realizados em estruturas (postes) das redes de distribuição de elétrica sem
influenciar praticamente em nada no processo produtivo quando de sua instalação.

Apoio Fidelidade:
INTRODUÇÃO
Tendo em vista o registro histórico da ocorrência de acidentes ocasionados por
queda de diferença de nível acima de 2 metros, o setor de Segurança e Saúde
Ocupacional da Coelce desenvolveu uma metodologia visando preservar a saúde e
a integridade física de seus empregados e dos empregados de suas empresas
contratadas que executam atividades em nas linhas e redes aéreas de distribuição
de energia elétrica objetivando assim, evitar a possibilidade de queda e suas
conseqüências indesejáveis bem como, o imediato resgate de vítima inconsciente no
topo do poste.
Muito embora a Coelce já tivesse um método padronizado de resgate de vítima
inconsciente em cima do poste não tinha ainda implementado e padronizado a
metodologia de colocação da “linha de vida” que conjuntamente com o resgate tanto
evita a queda em trabalhos com diferença de nível como também proporciona a
retirada do trabalhador em seu plano elevado de trabalho em tempo hábil para o
pronto atendimento e aplicação dos primeiros socorros quando necessário.
DESENVOLVIMENTO
A Metodologia de Resgate com Linha de Vida é uma sistemática criada para
proteger os profissionais que trabalham em altura superior a 2 metros principalmente
quando estes trabalhos são realizados em estruturas (postes) pertencentes ao
sistema elétrico de potência da concessionária de energia elétrica.
Para que esta metodologia seja utilizada foram especificados 02 kit´s de
equipamentos, sendo o primeiro kit para ser utilizado quando da realização de
serviços com a utilização de escadas simples ou extensível e o segundo para
trabalhos utilizando-se esporas para poste de concreto duplo T, tendo os mesmos as
seguintes composições:
a) PARA TRABALHOS COM A UTILIZAÇÃO DE ESCADAS
a) Este kit é utilizado nos serviços que são realizados somente na rede
secundária de baixa tensão energizada ou não (área comercial) tais como:
ligação e/ou corte de unidade de consumo, religação ou outros serviços
feitos no poste na altura da rede de baixa tensão.

Apoio Fidelidade:
KIT EPI: 01 Cinto de Segurança modelo pára-quedista; 01 Trava Quedas para
corda; 01 Talabarte de Corda; 01 Bolsa para guarda dos componentes.
KIT EPC: 01 Corda de poliamida trançada com 24m (linha de vida / resgate); 02
Mosquetões ovais dupla trava; 01 Cinta de poliéster revestida com 550mm e com
Absorvedor impacto (ponto de ancoragem no topo da escada); 01 Cinta de
Poliéster revestida com 2000mm (ponto de ancoragem na base do poste); 01
Freio Oito; 01 Bolsa para guarda dos componentes.
Para estes trabalhos com a utilização de escadas se faz necessário uma equipe
de pelo menos 02 profissionais, portanto, deve ser fornecido 01 kit EPI para cada
empregado e 01 kit EPC para a dupla.
Seqüencia da utilização e colocação dos equipamentos:
1) No ponto de trabalho, realizar a Análise Preliminar de Riscos - APR e definir o
local de colocação da escada no poste;
2) Retirar a lona da viatura estendendo-a no solo próximo ao local de trabalho, o
kit EPI e EPC e demais materiais necessários a execução da tarefa
colocando-os sobre a mesma, deixando a corda linha de vida / resgate dentro
de sua sacola e a conduzir até o poste colocando-a na sua base;
3) Retirar a escada da viatura e colocar no solo próximo ao poste ficando na
posição mais propícia para seu içamento e colocação no ponto de trabalho;
4) Colocar o Cinturão tipo e através de seu mosquetão tripla trava interligar os
dois pontos de fixação peitorais com os dois pontos abdominais;
5) Dirigir-se simultaneamente cada um dos executores da tarefa para as
extremidade da escada e a rotacionar em 180º ficando esta apoiada em sua
lateral sobre seu montante com a face da escada base (caso uso de escada
extensível) voltada para o poste;
6) Quem se encontra segurando a base da escada permanece nesta posição.
Quem está na parte superior se desloca até a corda de extensão da escada e
a desamarra de seus degraus, em seguida, vai até a lona pega a cinta de
ancoragem do topo da escada (cinta de 550mm com Absorvedor impacto já
fixado um mosquetão oval) e a coloca na parte superior da escada cruzando

Apoio Fidelidade:
os dois montantes dando duas voltas sobre a mesma ficando o mosquetão
oval entre o primeiro e segundo degrau;
7) Dirige-se até a sacola kit EPC que já está na base do poste com a corda linha
de vida / resgate pega sua ponta e traz até a cinta passando-a pelo
mosquetão indo até o primeiro degrau da escada base amarrando-a;
8) Volta ao topo da escada e junto com o companheiro faz seu içamento e
coloca a escada no poste no ponto de trabalho deixando sua base a
aproximadamente ¼ de sua altura;
9) Um executante da tarefa inicia a amarração da base da escada através da
sua corda de extensão e o outro se dirige até a lona pega a cinta de
ancoragem da base do poste (cinta com 2000mm já fixado um mosquetão
oval) e o freio oito, fixando esta na base do poste, local onde ficará o ponto de
ancoragem. Na corda linha de vida / resgate instala o freio oito fixando este
no mosquetão da ponta da cinta, tenciona a corda e da uma laçada sobre o
freio oito.
10) Pegam os trava quedas e instalam na corda linha de vida / resgate. Neste
momento, está formado e pronto para uso o conjunto para trabalhos em
altura;
11) Quem vai subir pega seu talabarte e o fixa em uma das argolas do cinto.
Atrela o gancho de seu trava quedas no mosquetão tipo pêra do cinturão e
sobre até o ponto de trabalho onde fixa o talabarte na estrutura passando-o
por entre os degraus da escada. Caso venha a cair na subida ou na descida
após final da tarefa, ficará preso a linha de vida / resgate pelo seu trava
quedas podendo ser regatado do solo por seu companheiro que
simplesmente irá até o freio oito desfará o laço e descerá o mesmo.
12) Já no topo da escada, faz a amarração superior da mesma ao poste através
de sua corda de topo e inicia suas tarefas. Neste momento, o conjunto para
trabalhos em altura se encontra com sua total função e condições de uso.
13) Caso durante a execução da tarefa ocorra algum acidente principalmente de
origem elétrica ou desmaios quando normalmente o acidentado perde a

Apoio Fidelidade:
consciência ou fica sem condições de descer sozinho da escada, tendo de
ser imediatamente resgatado e socorrido pelo companheiro, o executante da
tarefa ficará simultaneamente preso no ponto de trabalho pelo talabarte e
trava quedas. Seu companheiro vai até a escada, atrela seu trava quedas que
já está fixado na corda linha de vida / resgate ao mosquetão oval na argola de
seu cinturão e sobe até o acidentado. Em seguida, afrouxa o talabarte do
acidentado através de seu dispositivo de regulação de comprimento (bola de
regulação) deixando o acidentado preso e suspenso pela linha de vida /
resgate através do seu trava quedas. Destrava o mosquetão tipo gancho do
talabarte da argola do cinturão do acidentado, desce da escada e,
desfazendo o laço do freio oito, desce imediatamente o acidentado fazendo
os primeiros socorros.
b) PARA TRABALHOS COM A UTILIZAÇÃO DE ESPORAS PARA POSTE DE
CONCRETO DUPLO T.
Este kit é utilizado nos serviços que são realizados nas redes primárias de média
tensão com a utilização de esporas para poste de concreto duplo T. Neste caso,
as redes de baixa e média tensão devem estar obrigatoriamente
desenergizadas, serviços estes tais como: atendimento emergencial (196),
manutenção corretiva, construção, ampliação e/ou reforma de redes (área
técnica).
KIT EPI: 01 Cinto de Segurança modelo pára-quedista com mosquetão oval tripla
trava; 01 Trava Quedas para corda; 01 Talabarte de Corda; 01 Bolsa para guarda
dos componentes.
KIT EPC: 01 Corda de poliamida trançada com 30m (linha de vida / resgate); 02
Mosquetões ovais dupla trava; 01 Cinta de Poliéster revestida com 2000mm
(ponto de ancoragem na base do poste); 01 Freio Oito; 01 Agulhão de aço; 01
Cinta de poliéster revestida com 1500mm com Absorvedor impacto (ponto de
ancoragem no agulhão); 01 Dispositivo de Ancoragem em tudo de PVC, ICC/3;
01 Cabeçote dupla fenda; 01 Bolsa para guarda dos componentes.

Apoio Fidelidade:
Para estes trabalhos se faz necessário uma equipe de pelo menos 02
profissionais, portanto, deve ser fornecido 01 kit EPI para cada empregado e 01
kit EPC para a dupla.
1º SITUAÇÃO: UTILIZAÇÃO DO DISPOSITIVO DE ANCORAGEM
“AGULHÃO”
Seqüencia da utilização e colocação dos equipamentos:
1) No ponto de trabalho, realizar a Análise Preliminar de Riscos - APR e definir a
face e o furo do poste onde vão colocar o agulhão com a cinta;
2) Retirar a lona da viatura estendendo-a no solo próximo ao local de trabalho, o
kit EPI e EPC e a Vara de Manobra tipo seccionável ou telescópica e demais
materiais necessários a execução da tarefa colocando-os sobre a mesma,
deixando a corda linha de vida / resgate dentro de sua sacola e a conduzir até
o poste colocando-a na sua base;
3) Colocar o Cinturão tipo e através de seu mosquetão tripla trava interligar os
dois pontos de fixação peitorais com os dois pontos abdominais;
4) Pegar o cabeçote dupla fenda e afixar na vara de manobra em seguida, pega
o agulhão e a Cinta de ancoragem do agulhão (Cinta de poliéster revestida
com 1500mm já fixado um mosquetão oval) passando esta por dentro do
olhal do agulhão fazendo um laço ficando desta maneira presa no olhal e fixar
o agulhão no cabeçote;
5) Pegar a cinta de ancoragem da base do poste (cinta com 2000mm já fixado
um mosquetão oval) e fazer sua fixação na base do poste local onde ficará o
ponto de ancoragem de sua base.
6) Pegar a ponta da corda que está dentro da sacola e passar por dentro do
mosquetão oval da cinta de ancoragem do agulhão levando-a até a base do
poste e fazer sua amarração através de uma laçada no olhal da cinta de
ancoragem da base do poste.
7) Içar a vara de manobra com o conjunto agulhão, cinta de ancoragem e corda
linha de vida / resgate. Enfiar o agulhão no furo escolhido no poste e com a
ponta do cabeçote, trançam a cinta passando pela face do poste cruzando a

Apoio Fidelidade:
ponta do agulhão e voltando novamente para o lado do olhal, neste momento
está formado o ponto de ancoragem superior;
8) Pegar o freio oito, e instalar na corda linha de vida / resgate fixando o mesmo
no mosquetão da ponta da cinta de ancoragem da base do poste, tencionar a
corda dando uma laçada sobre o freio oito.
9) Pegar os trava quedas e instalar na corda linha de vida / resgate. Neste
momento, está formado e pronto para uso o conjunto para trabalhos em
altura;
10) Quem vai subir pega seu talabarte e o fixa em uma das argolas do cinto.
Atrela o gancho de seu trava quedas no mosquetão tipo pêra do cinturão e
utilizando-se das esporas sobre até o ponto de trabalho onde fixa o talabarte
na estrutura e inicia suas tarefas. Caso venha a cair na subida ou na descida
após final da tarefa, ficará preso a linha de vida / resgate pelo seu trava
quedas podendo ser regatado do solo por seu companheiro que
simplesmente irá até o freio oito desfará o laço e descerá o mesmo.
11) Caso durante a execução da tarefa ocorra algum acidente principalmente de
origem elétrica ou desmaios quando normalmente o acidentado perde a
consciência ou fica sem condições de descer sozinho do poste, tendo de ser
imediatamente resgatado e socorrido pelo companheiro, o executante da
tarefa ficará simultaneamente preso no ponto de trabalho pelo talabarte e
trava quedas. Seu companheiro vai o poste atrela seu trava quedas que já
está fixado na corda linha de vida / resgate ao mosquetão oval na argola de
seu cinturão e sobe até o acidentado. Em seguida, afrouxa o talabarte do
acidentado através de seu dispositivo de regulação de comprimento (bola de
regulação) deixando o acidentado preso e suspenso pela linha de vida /
resgate através do seu trava quedas. Destrava o mosquetão tipo gancho do
talabarte da argola do cinturão do acidentado, desce do poste, desfazendo o
laço do freio oito, desce imediatamente o acidentado fazendo os primeiros
socorros.

Apoio Fidelidade:
2º SITUAÇÃO: UTILIZAÇÃO DO DISPOSITIVO DE ANCORAGEM ICC/3
Seqüencia da utilização e colocação dos equipamentos:
Seguir os mesmos passos dos itens de 1 até 5 da 1º SITUAÇÃO: UTILIZAÇÃO
DO DISPOSITIVO DE ANCORAGEM “AGULHÃO”;
1) Pegar a ponta da corda que está dentro da sacola e passar sua ponta por
dentro do orifício inferior do ICC pegando-a na parte superior onde dá um laço
“tipo forca”;
2) Içar a vara de manobra com o conjunto formado pelo ICC e corda linha de
vida / resgate. Na altura do ponto de ancoragem escolhida (normalmente um
dos lados de uma cruzeta no seu cruzamento com o poste) fixar o gancho do
ICC e em seguida com a ponta do cabeçote, pegam a laçada e trazer a corda
até o chão desfazendo o laço “tipo forca” fazendo sua amarração através de
uma laçada no olhal da cinta de ancoragem da base do poste;
3) Seguir os mesmos passos dos itens de 8 até 11 da 1º SITUAÇÃO:
UTILIZAÇÃO DO DISPOSITIVO DE ANCORAGEM “AGULHÃO”;
CONCLUSÃO
Com a implantação destas metodologias se praticamente se elimina a ocorrência de
acidentes provocados por quedas de postes aumentando cada vez mais a agilidade
de resgate e em primeiros socorros aos acidentados.
Esperamos com a disseminação desta metodologia neste encontro a mesma possa
ser adotada por outras empresas do setor e desta maneira estaremos contribuindo
na redução e/ou eliminação dos acidentes por queda de postes no setor elétrico.
ILUSTRAÇÕES

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