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Universidade Federal do Piauí

Diversidade da flora apícola no município de São João do Piauí

Teresina
2014
Universidade Federal do Piauí

Diversidade da flora apícola no município de São João do Piauí

Joseane Inácio da Silva

Dissertação apresentada à Universidade


Federal do Piauí como parte das
exigências do Programa de Pós-
Graduação em Genética e Melhoramento
para obtenção do título de “Mestre”.

Teresina
2014
Universidade Federal do Piauí

Diversidade da flora apícola no município de São João do Piauí

Orientadora:
a a
Pof . Dr . REGINA LUCIA FERREIRA GOMES
Co-orientadoras:
a
Dr . MARIA TERESA DO REGO LOPES
a a
Prof . Dr . ÂNGELA CELIS DE ALMEIDA LOPES

Dissertação apresentada à Universidade


Federal do Piauí como parte das
exigências do Programa de Pós-
Graduação em Genética e Melhoramento
para obtenção do título de “Mestre”.

Teresina
2014
FICHA CATALOGRÁFICA
Universidade Federal do Piauí
Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Agrárias
Serviço de Processamento Técnico

S586d Silva, Joseane Inácio da


Diversidade da flora apícola no município de São João do Piauí.
/ Joseane Inácio da Silva - 2014
61 f. : il.
Dissertação ( Mestrado em Genética e Melhoramento) –
Universidade Federal do Piauí, Teresina, 2014.
Orientação: Profª. Drª. Regina Lucia Ferreira Gomes

1. Apicultura 2. Nectar 3.Pólen 4.Recursos florais.I Título

CDD 638.1
Diversidade da flora apícola no município de São João do Piauí

Joseane Inácio da Silva


Licenciada em Ciências Biológicas

Aprovada em: 30/ 06/ 2014

Comissão Julgadora:

Prof. Dr. Carlos Alfredo Lopes de Carvalho - UFRB

Profa. Dra. Clarissa Gomes Reis Lopes – UFPI/CCN

Dra Maria Teresa do Rego Lopes – Embrapa Meio Norte


(Co-orientadora)

Profa. Dra. Regina Lucia Ferreira Gomes – UFPI/CCA


(Orientadora)
À minha mãe pelo amor incondicional, estímulo e bondade,
ao meu pai por sempre acreditar nos meus sonhos,
à minha irmã pelo carinho
Dedico.
AGRADECIMENTOS

A Deus, pelo dom da vida, por me trazer sabedoria e perseverança;


À Universidade Federal do Piauí e ao Programa de Pós-Graduação em
Genética e Melhoramento pela oportunidade de adquirir mais conhecimento;
À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES),
pela concessão da bolsa;
À Embrapa Meio-Norte pela infraestrutura e recursos humanos para realização
deste estudo o qual não teria sido possível sem esse apoio;
À professora Dra Regina Lúcia Ferreira Gomes, pela confiança depositada,
pelos conhecimentos e ensinamentos transmitidos;
À pesquisadora Dra Maria Teresa do Rêgo Lopes, pelo exemplo de
simplicidade, pelos ensinamentos transmitidos, pela paciência e por estar
sempre disponível para me orientar;
Á professora Dra Ângela Celis de Almeida Lopes, pelo incentivo durante todo o
período do mestrado, pelo carinho e pelos momentos de compreensão;
Aos pesquisadores Dra Fábia de Mello Pereira e Dr. Bruno de Almeida Souza
por estarem sempre disponíveis para ajudar, orientar e aconselhar,
contribuindo para o enriquecimento de minha caminhada profissional;
A Técnica de laboratório da UFPI – Floriano Leudimar Aires Pereira, pela ajuda
na identificação das plantas;
A pesquisadora Dra Ranyse Barbosa Querino da Silva (Embrapa Meio-Norte) e
ao Professor Dr. Fernando A. Silveira pela identificação das abelhas;
Aos Professores Dr° Carlos Tadeu dos Santos Dias e Dr° João Batista Lopes
pela realização das análises estatísticas.
Às técnicas de laboratório da Embrapa Meio-Norte, Rosângela Severo Diniz e
Ieda Baad dos Santos, pela ajuda, ensinamentos e pelos momentos de
descontração;
Ao senhor Antônio Gonçalves de Moura e à Beatriz de Mello Pereira, por todo
apoio e ajuda durante as viagens e pelos momentos de alegria compartilhados;
Ao meu noivo Elizeu Alves de Moraes pelo amor, incentivo e compreensão;
À todos os professores do Mestrado em Genética e Melhoramento pelas
disciplinas ministradas e pelos ensinamentos transmitidos;
Á todos os colegas de turma em especial Rosimere Xavier Amaral, Rafael da
Costa Almeida, Jessica Daniele Lustosa da Silva, Polyanna Araújo Barcelar,
Iolly Tábata Oliveira Marques, Sérgio Ewerton Menezes dos Santos, Larrone da
Silva Sousa e Josilane Souza da Penha pelos momentos que passamos juntos
estudando, pelos momentos de descontração e pelas amizades conquistadas;
A todos os estagiários da apicultura, que contribuíram de alguma forma durante
o andamento deste estudo;
Aos demais amigos que me acompanham desde outras etapas da minha vida;
A todos os familiares pela compreensão e amor;
A todos que contribuíram direta ou indiretamente para minha formação
acadêmica e realização deste trabalho.
SUMÁRIO

RESUMO ........................................................................................................... 8
ABSTRACT ........................................................................................................ 9
LISTA DE FIGURAS ........................................................................................ 10
LISTA DE TABELAS ........................................................................................ 10
1 INTRODUÇÃO .............................................................................................. 12
2 REVISÃO DE LITERATURA ......................................................................... 14
2.1 Produção apícola ....................................................................................... 14
2.2 Flora Apícola .............................................................................................. 19
2.3 Apifauna ..................................................................................................... 22
2.4 Influência dos elementos climáticos na apicultura ...................................... 24
3 MATERIAL E MÉTODOS .............................................................................. 28
3.1 Caracterização da área de estudo ............................................................. 28
3.2 Levantamento da flora apícola ................................................................... 30
3.3 Levantamento da fauna apícola ................................................................. 32
3.4 Preparação das lâminas de pólen .............................................................. 32
3.5 Análises melissopalinológicas .................................................................... 34
3.6 Análises estatísticas ....................................................................................34
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO..................................................................... 35
5 CONCLUSÕES ............................................................................................. 51
6 REFERÊNCIAS ............................................................................................. 52
ANEXO ............................................................................................................. 59
8

RESUMO

SILVA, J. I. Diversidade da flora apícola no município de São João do


Piauí. Dissertação (Mestrado/Genética e Melhoramento) – UFPI, Teresina,
2014.

A flora apícola de uma região é constituída pelo conjunto de plantas


que fornecem os recursos essenciais à sobrevivência das abelhas. Assim, para
que o apicultor possa desenvolver sua atividade de forma sustentável é de
fundamental importância que ele tenha conhecimento das espécies que
compõem o pasto apícola. Dessa forma, ele poderá preservá-las e multiplicá-
las, contribuindo também para a preservação do meio ambiente. O presente
trabalho teve como objetivo, estudar a diversidade de flora melitófila no
município de São João do Piauí, região do semiárido piauiense, buscando
informações que possam subsidiar os apicultores na escolha das áreas a
serem exploradas e na escolha das técnicas e estratégias de manejo produtivo
a serem adotadas. Durante o período de abril de 2012 a setembro de 2013
foram realizadas coletas de material botânico em florescimento e das espécies
de abelhas que foram observadas coletando recursos florais na Fazenda
experimental da Embrapa Meio-Norte, no município de São João do Piauí.
Foram feitas 222 observações, sendo que em 11,26% das espécies vegetais
foram observadas abelhas coletando néctar, em 10,81% abelhas coletando
pólen, em 4,05% coletando tanto néctar quanto pólen. O horário em que houve
um maior número de visitantes florais coletando algum tipo de recurso foi entre
8h00 e 10h00 no período da manhã. As abelhas Apis mellifera foram as mais
representativas da região amostrada, sendo observadas visitando 11 famílias
botânicas. Euphobiaceae, Fabaceae e Malvaceae foram as mais visitadas por
esta espécie coletando preferencialmente néctar. A análise de agrupamento
método vizinho mais próximo classificou as espécies botânicas em seis grupos
distintos e o índice de correlação de Spearman indicou que há especificidade
entre a abelha e o recurso coletado para a área estudada.

Palavras-chave: Abelhas, Néctar, Pólen, Recursos florais


9

ABSTRACT

SILVA, J. I. Diversity of bee flora in São João do Piauí. Dissertation (Master


/Genetics and Breeding) – UFPI, Teresina, 2014.

The bee flora of a region consists of a set of plants that provide essential
resources for the survival of bees. To develop sustainable activities, knowledge
of the beekeepers about the species that make up the bee pasture is
fundamental. Thus, apiculturists can preserve and propagate these species,
thereby also contributing to environmental preservation. The aim of this study
was to assess the diversity of the melitophylous flora in São João do Piauí, in
the semiarid region of Piauí, collecting information that would support
beekeepers in selecting areas to be explored as well as appropriate
management techniques and strategies. From April 2012 to September 2013,
sampling was performed of flourishing botanical material and of the bee species
observed collecting floral resources, on the experimental farm of Embrapa
Meio-Norte, in São João do Piauí. In 222 observations, bees were observed
collecting nectar from 11.26% of the species, pollen from 10.81%, and nectar as
well as pollen from 4.05%. The time when there was a greater number of
pollinators collecting some kind of resource was between 8.00 and 10.00 AM.
The most representative bees of the sampled region were Apis mellifera, which
were observed visiting 11 botanical families. Euphorbiaceae, Fabaceae and
Malvaceae were the most visited by this species, collecting preferentially nectar.
The nearest neighbor cluster analysis classified the plant species in six groups
and the Spearman correlation coefficient indicated specificity between the bees
and collected resource in the study area.

Keywords: Bees, nectar, pollen, floral resources


10

LISTA DE FIGURAS

Figura 1. Dados da produção total de mel (kg) por região, no Brasil, no


período de 01.01 a 31.12 de 2012................................................ 15
Figura 2. Média da produção de mel (Kg) no Piauí, nos últimos dez anos,
destacando as microrregiões mais produtoras do Estado............ 18
Figura 3. Localização do município de São João do Piauí no mapa do
Piauí.............................................................................................. 28
Figura 4. Vista de vegetação da área de estudo na fazenda experimental
da Embrapa Meio-Norte, nos meses de setembro de 2012 e
fevereiro de 2013......................................................................... 29
Figura 5. Médias de temperatura e umidade relativa do ar (1) e do
acúmulo de precipitação pluviométrica (2) da fazenda
experimental da Embrapa Meio-Norte, em São João do Piauí,
no período de 2010 a 2013........................................................... 30
Figura 6. Distribuição das espécies botânicas coletadas em relação ao
hábito de crescimento................................................................... 38
Figura 7. Índices de precipitação pluviométrica e número de espécies de
plantas floridas na fazenda experimental da Embrapa Meio-
Norte, em São João do Piauí, no período de abril de 2012 a
setembro de 2013......................................................................... 41
Figura 8. Dendrograma de dissimilaridades genéticas entre 21 espécies
consideradas apícolas para o município de São João do Piauí,
gerado pelo método de agrupamento hierárquico do vizinho
mais próximo, com base no recurso coletado pelas abelhas, tipo
de abelha visitante e período de florescimento das espécies
vegetais, em 2012/2013................................................................ 46
Figura 9. Imagens microscópicas do pólen presente no mel de Apis
mellifera coletado na fazenda experimental da Embrapa Meio-
Norte, no município de São João do Piauí.................................... 49
11

LISTA DE TABELAS

Tabela 1. Relação das espécies em florescimento e o recurso coletado,


representativas da área da fazenda experimental da Embrapa
Meio-Norte, no município de São João do Piauí, no período de
abril de 2012 a setembro de 2013............................................. 35
Tabela 2. Calendário de florescimento das plantas consideradas apícolas,
inventariadas na fazenda experimental da Embrapa Meio-
Norte, em São João do Piauí, no período de abril de 2012 a
setembro de 2013....................................................................... 43
Tabela 3. Horário de visitação das abelhas às espécies vegetais
identificadas e o recurso por elas coletado................................ 44
Tabela 4. Estimativas dos coeficientes de correlação de Spearman entre a
espécie de abelha, recurso coletado pelas abelhas, visitação
de abelhas e horário de visitação com os elementos
climáticos: temperatura (T), umidade relativa do ar (UR) e
precipitação pluviométrica (PP), avaliados em São João do
Piauí,
2012/2013................................................................................... 47

Tabela 5. Estimativas dos coeficientes de correlação de Spearman entre a


espécie de abelha (TA), recurso coletado pelas abelhas (RC)
e horário de visitação das abelhas (HV) avaliados em São
João do Piauí, 2012/2013........................................................... 48

Tabela 6. - Porcentagem de tipos polínicos presentes nas amostras de


méis de Apis mellifera coletadas nos anos de 2013 e 2014 na
fazenda experimental da Embrapa Meio-Norte, no município
de São João do Piauí................................................................. 50
12

1 INTRODUÇÃO
A apicultura é uma atividade que vem conquistando cada vez mais
espaço no agronegócio brasileiro, destacando-se também em cenário
internacional. Desde a antiguidade se tem relatos da criação de abelhas, sendo
uma atividade que beneficia não só o apicultor, mas às próprias abelhas e
principalmente as espécies vegetais que dependem desses insetos para se
reproduzirem. Atualmente, é a atividade que mais realiza a inclusão social,
além de propiciar ganhos econômicos (FREITAS E SILVA, 2006; RANGEL
2010).
Para que se desenvolva a atividade apícola de forma sustentável é
fundamental, entre outras coisas, que se conheça a flora que fornece recurso
às abelhas. Esse conhecimento permite identificar as espécies vegetais
visitadas pelas abelhas e indicar aos apicultores as fontes adequadas de
suprimentos de pólen e néctar para a formação do mel produzido na localidade
(SODRÉ et al., 2008).
Na região Nordeste, pesquisas têm sido realizadas visando
principalmente a identificação dessas espécies. Em levantamentos realizados
no semiárido já foram identificadas algumas espécies apícolas mais frequentes,
cuja importância varia de acordo com a densidade em cada área, como,
Campomanesia aromatica (Aubl.) Griseb. (guabiraba), Pterocarpus vilosus
Mart. (pau-sangue), Borreria verticillata (L.) G. Mey (vassourinha-de-botão),
Mimosa pudica L. (sensitiva), Hyptis suaveolens (L.) Poit (bamburral) e Melissa
officinalis L. (erva cidreira) dentre outras (CHAVES et al., 2007; MARQUES et
al., 2007; VIDAL et al., 2008). No entanto, essas pesquisam precisam ser mais
abrangentes possibilitando entre outras a elaboração de um calendário
ecossistemático, indicando o período de florescimento das espécies melíferas
em cada bioma ou região.
Nos últimos anos, o Piauí tem se destacado por apresentar uma
significativa produção de mel, principalmente o mel orgânico (VILELA, 2000).
Apesar do potencial produtivo das colônias ser elevado, pela disponibilidade de
florada local, são escassos os estudos relacionados à diversidade de flora
apícola da região.
13

Diante do exposto, constata-se a necessidade de estudos de diversidade


de flora apícola local visando à identificação das espécies de referência para a
alimentação das abelhas. Portanto, o objetivo deste trabalho foi estudar a
diversidade genética da flora apícola e realizar levantamento das espécies de
abelha ocorrentes na fazenda experimental da Embrapa Meio-Norte no
município de São João do Piauí, região do semiárido piauiense. Buscando,
desta forma, informações que possam subsidiar os apicultores na escolha das
áreas a serem exploradas ou na otimização das que já estão sendo utilizadas,
bem como na escolha das técnicas e estratégias de manejo produtivo a serem
adotadas.
Os métodos estatísticos utilizados foram Correlação de Spermam e o
método de estatística multivariada Análise de Agrupamento do vizinho mais
próximo. Foram ainda realizadas análises melissopalinológicas do mel presente
no apiário da região com o objetivo de comparar o pólen presente no mel com
o pólen das espécies vegetais que foram observadas/coletadas sendo visitadas
pelas abelhas durante o período de realização do estudo.
14

2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Produção apícola


A apicultura é uma das atividades mais antigas e importantes do mundo,
contribuindo para o homem com a produção de mel, pólen, própolis, cera,
geléia real, apitoxina e ainda participando da preservação do meio ambiente,
mediante a polinização, perpetuando, assim, um grande número de espécies
vegetais e ampliando a produção de frutos e sementes (GONÇALVES, 2004;
LEITE et al., 2002).
De acordo com Winston (2003), as abelhas são insetos sociais da ordem
Hymenoptera que apresentam uma combinação de características individuais e
de cooperação não encontrada em nenhum outro representante do reino
animal.
Tanto a apicultura como a meliponicultura são atividades que envolvem
a criação de abelhas de forma racional. Enquanto a apicultura está relacionada
à criação das abelhas do gênero Apis, as mais utilizadas comercialmente, a
meliponicultura se ocupa da criação de abelhas do gênero Melipona
(VENTURIERI, 2003). No entanto, são as abelhas Apis mellifera, responsáveis
pela produção apícola do país (MARTINEZ; SOARES, 2012).
Os relatos sobre a criação de abelhas Apis de forma racional datam de
muito tempo, sendo realizada desde as civilizações mais antigas (GONZAGA,
1998).
O Brasil é considerado um país com alto potencial para produção
apícola. Os fatores que contribuem para isso estão relacionados às
características apresentadas por sua flora, que se apresenta em grande
quantidade e diversidade distribuída por todas as regiões e, também, às
diferentes condições climáticas aqui encontradas, fazendo com que se tenha
produção praticamente durante todos os meses do ano (SABBAG;
NICODEMO, 2011; LENGLER, 2007; OLIVEIRA, 2006).
A apicultura brasileira vem aos poucos se consolidando e ganhando
espaço no cenário mundial. Além disso, o desenvolvimento da atividade
apícola possibilita a utilização dos recursos naturais apresentando um
significativo retorno financeiro sem causar impacto ambiental (OLIVEIRA et al.,
2010; SILVA, 2010).
15

Dos produtos apícolas, o que tem maior destaque no mercado é o mel,


principalmente por ser produzido em maior quantidade pelas abelhas, seguido
da cera, do pólen e da própolis, e, em quantidades não tão expressivas, a
geleia real e a apitoxina (PAULA-NETO; ALMEIDA-NETO, 2006).
As regiões Sul e Nordeste são as que apresentam dados de maior
produção de mel (Figura 1), seguidas das regiões Sudeste, Centro-Oeste e
Norte. Na região Nordeste, Ceará, Piauí, Bahia e Pernambuco destacam-se
como os Estados com maiores índices de produção (IBGE, 2014).

Figura 1 - Dados da produção total de mel (kg) por região, no Brasil, no período de 01.01 a
31.12 de 2012 (IBGE, 2014a).

Praticamente em todos os Estados brasileiros há quem desenvolva


alguma atividade apícola em maior ou menor grau, sendo predominantemente
uma atividade característica de pequenos produtores, para complementação da
renda familiar. No entanto, nos últimos anos, o país vem conquistando cada
vez mais o mercado, tanto interno, quanto externo (PAULA-NETO; ALMEIDA-
NETO, 2006).
O desenvolvimento dessa atividade envolve cerca de 350 mil
apicultores, gerando aproximadamente 450 mil ocupações no campo e cerca
16

de 16 mil empregos diretos no setor industrial, relacionados a serviços desde a


manutenção de apiários até a produção de equipamento e manejo dos
produtos (CBA, 2013).
O mel brasileiro começou a ganhar espaço no mercado internacional
somente a partir do ano 2000. Esse fato ocorreu porque a China, principal país
produtor, perdeu espaço no mercado devido ao uso de produtos químicos em
suas colmeias para o controle de doenças, e a Argentina sofreu uma redução
nas suas exportações devido às medidas anti-duping implantadas pelos
Estados Unidos (PAULA-NETO; ALMEIDA-NETO, 2006; PINATTI et al., 2006;
PAULA, 2008).
A apicultura apresenta-se em estágio de expansão considerável, de
forma que hoje o Brasil é considerado como 11° (décimo primeiro) produtor
mundial e o 5° (quinto) maior país exportador de mel. No entanto, em 2012
houve uma redução na produção de mel em torno de 19%, principalmente
devido à severa estiagem enfrentada pelos Estados nordestinos. A região
Nordeste foi a mais afetada com baixa, principalmente, nos estados do Piauí,
Ceará, Pernambuco e Bahia (RESENDE, 2008; CBA, 2013; IBGE, 2014a).
A produção estimada de mel no país em 2012 foi de 34.000 toneladas.
Os Estados que obtiveram as maiores produções nesse ano foram Rio Grande
do Sul, Paraná e Santa Catarina, ocupando respectivamente as três primeiras
colocações no ranking. Nesse mesmo ano, o Piauí ocupou o oitavo lugar no
ranking nacional (IBGE, 2014a). Comparado aos anos anteriores, pode-se
inferir que houve uma queda considerável na produção do estado piauiense.
Em nível regional, o Nordeste apresenta-se em constante ascensão na
produção de mel. Dentre os fatores que contribuem para tal expansão
destacam-se a comercialização do mel orgânico, a comercialização do mel de
espécies nativas e a produção de preparações aromáticas e terapêuticas
(PAULA-NETO; ALMEIDA-NETO, 2006). Nas ultimas décadas, houve um
aumento de cerca de 370% na produção devido, principalmente, aos incentivos
financeiros aplicados na região e a inclusão do mel produzido no programa da
Agencia de Promoção de Exportações (APEX). Os principais Estados
produtores são Piauí, Ceará, Bahia e Pernambuco (IBGE 2014b; PASIN, et al.,
2012).
17

O Piauí tem conquistado seu espaço no mercado por apresentar uma


significativa produção de mel, principalmente o mel orgânico (VILELA, 2000),
livre de substâncias químicas. A produção do Estado concentra-se
principalmente nos municípios da região semiárida, abrangendo as
microrregiões de Picos, Simplício Mendes e São Raimundo Nonato.
Nos últimos dez anos, o aumento da produção de mel chegou a cerca de
170%. Em 2010, um dos anos de maior produção, o Estado chegou a destacar-
se como o 4° (quarto) principal produtor do país e 2° (segundo) em relação à
exportação. Os municípios que apresentaram as maiores produções (figura 2)
foram Simplício Mendes, Picos e São Raimundo Nonato (PASIN, et al., 2012;
IBGE, 2011; IBGE, 2014).
No entanto, devido à severa estiagem ocorrida em 2012, houve um
decréscimo acentuado na produção de mel do Estado. A microrregião do Alto
Médio Canindé foi uma das mais afetadas, obtendo queda na produção de
mais de uma tonelada de mel (IBGE, 2014a e b).
18

Figura 2 - Média da produção de mel (Kg) no Piauí, nos últimos dez anos, destacando as
microrregiões mais produtoras do Estado (IBGE, 2014b).

A própolis brasileira também tem conquistado cada vez mais espaço no


mercado internacional. No Piauí, são poucas as informações existentes sobre a
produção e a qualidade deste produto. Em 2009, a Embrapa Meio-Norte deu
início a um projeto apoiado pelo Banco do Nordeste do Brasil, para a realização
de um levantamento da produção de própolis em dois municípios do Estado
com vegetação de transição cerrado-caatinga (EMBRAPA MEIO-NORTE,
2012).
Apesar do alto potencial do mercado brasileiro relacionado a produtos
como o mel e a própolis, o país ainda apresenta-se deficiente quanto à
19

produção de outros produtos como o pólen, geléia real e a apitoxina, por


exemplo. Mesmo apresentando cada vez mais demanda, tanto pelo mercado
interno, quanto externo, devido ao aumento do consumo de produtos naturais
pela população, estes produtos ainda apresentam produção insuficiente para
atender a demanda do mercado consumidor, sendo encontrados poucos
registros de sua produção.
Outro aspecto importante que atrai atenção de um seleto grupo para a
apicultura brasileira é a produção de produtos de origem orgânica. O
desenvolvimento de produtos livres de agentes contaminantes permite a
abertura de novos mercados consumidores, a agregação de valor ao produto,
aumentando assim os ganhos com a produção e consequentemente um
incremento da economia do país.

2.2 Flora Apícola


A flora apícola de uma região é constituída pelo conjunto de plantas que
desempenham papel importante para sobrevivência das abelhas (BARTH,
2005). É composta por espécies com diferentes graus de importância, que vão
desde o número de plantas existentes até a concentrações diferentes de
açúcar presente no néctar ofertado (LIMA, 2003).
O conhecimento da flora apícola é de extrema importância para o
sucesso da apicultura, pois o néctar e o pólen constituem basicamente a única
fonte de alimentos das abelhas durante suas etapas de desenvolvimento,
desde a fase larval até a idade adulta (MEYER, 1985).
Conhecer a flora permite ainda que o produtor obtenha maiores ganhos
em sua produção, pois a quantidade de pólen e néctar disponíveis pode
interferir no desenvolvimento da colônia, causando problemas como a redução
da quantidade de cria e interferir nas atividades dos indivíduos adultos dentro
da colméia (MICHENER, 1979).
De acordo com Barth (2005), as plantas podem ser classificadas em três
grupos, de acordo com a oferta de recursos disponibilizados às abelhas:
plantas nectaríferas, plantas poliníferas e plantas nectaríferas-poliníferas.
Apesar do potencial produtivo dos enxames ser expresso pela
disponibilidade de florada local, são escassos os estudos relacionados à
diversidade de flora apícola na região piauiense. Os apicultores ainda
20

enfrentam dificuldades relacionadas à constantes mudanças da flora de


interesse apícola, ocorridas devida as mudanças climáticas nos últimos anos,
o que afeta principalmente o período de florescimento das espécies botânicas.
Segundo Freitas (1999), conhecer a disponibilidade da flora de uma
região é importante, pois permite identificar as espécies vegetais visitadas
pelas abelhas e assim indicar aos apicultores as fontes adequadas e
abundantes de suprimentos de pólen e néctar para a formação do mel
produzido na localidade (Hower, 1953). Essas informações possibilitam ainda a
preservação e a multiplicação das plantas de potencial melífero, aumentando
os recursos ofertados por estas espécies e auxiliam o estabelecimento de uma
apicultura sustentável (SODRÉ et al., 2008).
Assim, para aproveitamento do potencial existente, é necessário não só
que o produtor tenha conhecimento sobre ocorrência da flora favorável, mas
também de seu período de florescimento (ROBISON; OERTEL, 1979). Essas
informações são, portanto, essenciais para o estabelecimento da atividade
apícola, uma vez que será a partir desses dados que serão estabelecidas
metas para a exploração racional da atividade.
A flora apícola constitui-se num importante fator para o progresso das
atividades de apicultura, de onde o produtor deve ter conhecimento referente
aos recursos oferecidos às abelhas, bem como do período em que esses
recursos encontram-se disponíveis (SANTOS, 2009).
Um fato que pode afetar negativamente a atividade apícola no Brasil é
que muito da flora nativa nos últimos anos vem sendo perdida, devido
principalmente aos desmatamentos provocados pela ação humana voltados
para exploração de madeira e implantação de grandes campos agrícolas.
Ferreira (1981) afirma que os estudos de diversidade de flora apícola
devem ser regionais, isso porque, devido às condições edafoclimáticas, as
espécies que apresentam uma excelente produção de néctar em uma região
podem não apresentar a mesma produção significativa em outra.
Devido à necessidade de aproveitamento dos recursos apícolas
oferecidos pela flora, alguns levantamentos das espécies visitadas pelas
abelhas vêm sendo realizados nas diferentes regiões brasileiras. Esses
estudos fazem-se cada vez mais necessários, tendo em vista as interferências
climáticas no fornecimento desses recursos florais.
21

Para a região Centro-Oeste são encontrados os estudos de composição


de flora apícola de Vieira et al. (2008), Araújo et al. (2006), e Mendonça et al.
(2008) que identificaram as famílias Malpighiaceae, Melastomataceae,
Fabaceae, Asteraceae e Bignoniaceae, como sendo as mais ocorrentes e
importantes da região.
Na região Nordeste, algumas pesquisas têm sido realizadas visando à
identificação de espécies de interesse para a apicultura, sendo o trabalho de
Barth (1971) o pioneiro sobre as espécies vegetais do Nordeste que fornecem
néctar para as abelhas. Em levantamentos realizados no semiárido, já foram
identificadas algumas espécies mais freqüentes, cuja importância varia de
acordo com a densidade em cada área, como Campomanesia aromatica
(Aubl.) Griseb. (guabiraba), Pterocarpus vilosus Mart. (pau-sangue), Borreria
verticillata (L.) G. Mey (vassourinha-de-botão), Mimosa pudica L. (sensitiva),
Hyptis suaveolens (L.) Poit (bamburral) e Melissa officinalis L. (erva cidreira),
Croton sonderianus (Marmeleiro) dentre outras (CHAVES et al., 2007;
MARQUES et al., 2007; VIDAL et al., 2008; ALCOFORADO-FILHO e
GONÇALVES, 2000).
No Piauí, alguns levantamentos realizados incluem os de Alcoforado
Filho (1996), Alcoforado Filho e Gonçalves (2000), Lorenzon et al., (2003)
Chaves et al. (2007), Lopes et al. (2010), Pereira et al. (2010).
A caracterização ambiental, o mapeamento das áreas apícolas e o
potencial produtivo dessas áreas são ferramentas para o desenvolvimento e
exploração da atividade apícola de forma sustentável (BARROS et al., 2008).
A identificação das espécies que são fonte de alimento às abelhas é o
principal objetivo, quando se pretende realizar tais levantamentos, no entanto,
é importante ressaltar que apesar da flora constituir-se em uma fonte essencial
de suplementação para elas, esta também pode, em alguns casos, representar
fonte de perigo, uma vez que, algumas plantas são consideradas tóxicas, o que
pode vir a ocasionar a mortalidade da cria e dos indivíduos adultos (PEREIRA
et al., 2006), sendo também importante a realização de estudos nesse sentido.
As pesquisas a respeito da flora apícola do semiárido contribuem para
suprir as necessidades das abelhas, entretanto, precisam ser mais
abrangentes, possibilitando a realização de zoneamentos apibotânicos e a
elaboração de calendários ecossistemáticos das espécies melíferas e
22

poliníferas, indicando seu período de floração em cada bioma, dados que ainda
não se encontram disponíveis ao apicultor/meliponicultor. Estas informações
podem subsidiar os produtores na escolha das áreas a serem exploradas ou na
otimização das que já estão sendo utilizadas, bem como na escolha das
técnicas e estratégias de manejo produtivo a serem adotadas.

2.3 Apifauna
As abelhas são notadamente um grupo de insetos que possuem grande
importância econômica, pois disponibilizam ao homem os seus produtos como
o mel, o pólen a geleia real, a própolis e ainda possuem importância ecológica,
tendo em vista que possuem contribuição fundamental para a reprodução de
muitas espécies vegetais.
Este grupo de insetos destaca-se como principais polinizadores porque
possuem adaptações morfológicas para a coleta do pólen e néctar e precisam
visitar uma grande quantidade de flores para obtenção de alimento, muitas
vezes sendo fiéis às espécies visitadas. É através da polinização realizada
pelas abelhas que muitas espécies vegetais se reproduzem e produzem
melhores e maiores quantidades de frutos e sementes. Muitas vezes a relação
entre abelha e a espécie polinizada é tão específica que não pode ser
substituída por outro polinizador. Outro grande benefício da polinização é
permitir o fluxo gênico entre as muitas espécies vegetais existentes na área,
promovendo, assim, o aumento da diversidade existente entre elas (FREE,
1993; LEITE et al., 2002; D’AVILA; MARCHINI, 2008; PEREIRA et. al., 2009).
Freitas (1999) afirma que as abelhas são importantes agentes da
manutenção biológica, sendo indicadores biológicos do equilíbrio ambiental, útil
no esforço de conservação da biodiversidade. Devido ao fato dessas espécies
serem suscetíveis a extinção justamente por participarem de interações
ecológicas e, na maioria das vezes, ocorrerem em populações com um número
reduzido, a extinção de uma espécie que mantém relação de dependência com
outra, pode ocasionar o desaparecimento de várias outras com as quais ela
interage (MOUGA; KRUG, 2010).
É notória a importância de se avaliar a diversidade, tanto de fauna, como
de flora de uma região para o conhecimento das relações existentes entre os
seres vivos. No entanto, apesar da importância não só das abelhas, mas
23

também de outros artrópodes, raramente essa fauna é considerada em estudos


de conservação (MYERS, 1987; DANTAS et al., 1998; MARJER, 1997).
Com o crescente aumento do número de áreas degradadas nos últimos
anos, principalmente devido à necessidade de expansão da agricultura e
desmatamento de florestas, tornam-se cada vez mais necessários estudos
para a preservação das espécies de abelhas, bem como das interações
existentes entre as plantas e estas espécies, no sentido de conservar a
biodiversidade (VIEIRA, 2008).
A realização de um levantamento e a identificação das espécies de
abelhas existentes em uma área ou região constitui a maneira mais eficaz para
que se conheçam os potenciais polinizadores e, dessa forma, sejam definidas
as estratégias de conservação e exploração racional dos recursos biológicos
existentes (LOPES et al., 2010; SANTOS et al., 2004).
No Brasil, a realização de levantamentos sistematizados relacionados à
identificação da fauna apícola teve início com os estudos de Sakagami et al.
(1967), em São José dos Pinhais, Paraná, e tinha por objetivo estudar a
riqueza em espécies, sua distribuição geográfica e abundância relativa das
comunidades. A partir desse estudo, vários outros têm sido realizados,
seguindo basicamente a mesma metodologia, com apenas algumas
adaptações.
Na região Nordeste, esses inventários tiveram início com os estudos de
Duck (WESTERKAMP et al., 2007), estando entre os mais recentes os de
Aguiar et al. (2005) na Bahia, de Millet-Pinheiro et al. (2008) em Pernambuco, e
os de Lopes et al. (2010) no Piauí.
A realização desses levantamentos exige a permanência em
determinada localidade por um grande período de tempo, pois as abelhas
precisam ser localizadas e capturadas nas plantas que estão em período de
florescimento, devendo ser levado em conta a sazonalidade (SAKAGAMI et al.,
1967).
Apesar da grande importância dos levantamentos destinados a
identificação da diversidade existente e de suas relações com a comunidade,
muitos desses estudos, no entanto, ainda são concentrados nas abelhas que
polinizam uma espécie determinada de planta, geralmente de interesse
econômico, como os de Carvalho Neto (2010), Milfonte et al. (2009), Cruz e
24

Freitas (2013), que estudaram a polinização do café, da mamona, do gergelim


e do algodão, respectivamente.
De acordo com Silveira et al. (2002), a apifauna brasileira é constituída
por cinco famílias: Andrenidae, Colletidae, Helictidae, Megachilidae e Apidae,
com 232 gêneros e 880 espécies e muitas ainda a serem identificadas.
Para a região de Caatinga, que apresenta uma fauna consideravelmente
baixa de espécies quando comparada a outros biomas, são conhecidas cerca
de 200 espécies, apresentando uma fauna significativa de abelhas sem ferrão
e abelhas melíferas com uma grande parte de abelhas não sociais. Estima-se
ainda que haja um alto potencial de espécies consideradas endêmicas
(ZANELLA, 2012).
O conhecimento da apifauna de uma região é importante, pois permite a
identificação da diversidade existente em cada bioma ou localidade, bem como
as suas interações com a comunidade a qual pertencem e assim o
desenvolvimento de estratégias de manejo e conservação. Permite ainda
estudos relacionados a impactos ambientais, uma vez que o declínio dessas
abelhas permite inferir em degradação ambiental, tendo em vista que a
destruição das matas nativas destrói o habitat natural desses insetos.
Embora se conheça grande número de espécies existentes e sua
variabilidade dentro do grupo ao qual pertencem, ainda existem poucas
informações sobre as alterações causadas por impactos devido à ação
antrópica nos habitats naturais dessas espécies.

2.4 Influência dos elementos climáticos na apicultura


A atividade apícola sofre grande influência de condições ambientais, isto
porque, tanto a fauna quanto a flora são afetadas diretamente por esses
fatores. Alterações climáticas têm impacto no desenvolvimento das abelhas,
podendo causar desde o abandono de enxames até mesmo a morte delas no
caso de alterações drásticas. Com relação à flora, influenciam diretamente na
produção dos recursos florais, pólen e néctar, que são essenciais ao
desenvolvimento e sobrevivência das abelhas.
Um dos aspectos mais visíveis das alterações que vêm acontecendo no
clima nos últimos anos é o aquecimento global, ocasionando um aumento
25

gradual nas temperaturas e irregularidades na distribuição das chuvas. Esse


aumento de temperatura afeta a vida das abelhas dentro das colônias, uma vez
que essas alterações acarretarão em redução ou aumento das áreas de
alimento disponível. Elas, portanto, irão abandonar as áreas que são afetadas
pela seca à procura de áreas com as condições ideais de sobrevivência (LE
CONTE; NAVAJAS, 2008).
A temperatura dentro das colmeias, principalmente na área de cria deve
ser mantida entre 34 °C e 35 °C, pois temperaturas mais elevadas ou mais
baixas afetam o desenvolvimento, provocando a mortalidade das crias ou um
desenvolvimento deficiente. Para resfriar a colônia, as abelhas batem as asas e
espalham gotas de água pelos favos; já para aquecê-las, em épocas de baixas
temperaturas, elas aglomeram-se em cachos e vibram o corpo gerando calor
(BARBOSA et.al., 2007).
O simples aumento de 2°C na temperatura ambiente faz com que as
abelhas migrem para fora de sua área de distribuição em busca de
temperaturas mais amenas, dificultando assim a manutenção da atividade.
Assim, é necessário também que os apicultores mudem seus métodos de
desenvolvimento da atividade, e, como alternativa, eles movem seus enxames
para novas áreas (LE CONTE; NAVAJAS, 2008).
Na tentativa de amenizar os efeitos do ambiente é necessário que o
apiário esteja localizado em áreas que não sejam muito expostas ao sol, pois o
calor demais ou frio em excesso prejudica o desenvolvimento das crias
(BARBOSA et al., 2007). Deve-se ainda disponibilizar água próximo à colmeia,
para que as abelhas não necessitem se deslocar a longas distâncias à sua
procura, evitando também o gasto desnecessário de energia.
Para que se tenha uma boa produção melífera, entre outras coisas, é
importante também que haja um solo com adequado suprimento de água para
que a vegetação possa se desenvolver de forma adequada, pois a secreção de
néctar pelas plantas é influenciada não só pela temperatura, mas também por
outros fatores externos como a umidade do ar, radiação solar e solo. Em solos
secos, o número de flores e a produção de pólen e néctar podem ser reduzidos
(BRAGA, 1998). Esse fato explica porque muitas plantas que são consideradas
apícolas em uma região podem não apresentar-se como sendo de interesse
para a atividade em outras regiões.
26

Algumas flores que ofertam grandes quantidades de néctar às abelhas,


quando são expostas a períodos de intensidade chuvosa, não são mais
atraentes, pois o néctar presente é lavado pela água da chuva. De forma
semelhante, flores que são expostas a climas excessivamente secos reduzem
ou não produzem nenhum néctar. Quando esses fatos ocorrem de maneira
extrema, as abelhas podem chegar a morrer de fome se o apicultor não
oferecer-lhes alimentos alternativos que permitam a sobrevivência (LE CONTE,
2008).
No Nordeste brasileiro, durante o período em que não há ocorrência de
chuvas ou estação “seca”, é perceptível a escassez de pasto apícola
ocasionando uma redução acentuada na quantidade de alimento disponível.
Como resultado, muitas abelhas abandonam os apiários e enxameiam para
outras regiões onde encontrem condições de sobrevivência (LE CONTE, 2008;
FREITAS, 1991; LIMA, 1995).
O percentual de abandono ou a chegada de novos enxames na região
semiárida está intimamente relacionado com os registros de precipitação
pluviométrica (FREITAS, 2007).
De acordo com Le Conte (2008), as abelhas ajustam seu
comportamento às condições meteorológicas. Fazem isso não só quando
chove, mas, em clima extremamente quente, pois possuem grande capacidade
de adaptar-se, apresentando grande variabilidade genética. Essas mudanças
climáticas prejudicam o desenvolvimento da atividade apícola, uma vez que
causa a redução das áreas de alimento disponível e, em conseqüência, a
redução da produção de pólen, mel e dos outros produtos derivados da
atividade. Entretanto, essas alterações, poderiam trazer benefícios à atividade
apícola em outras regiões como, por exemplo, em regiões de clima frio, uma
vez que o aquecimento global é propício para a expansão da abelha fora da
sua atual área de distribuição e a atividade possa começar a ser desenvolvida
em ambientes em que antes não era possível.
Da mesma forma, essas alterações também podem causar danos
maiores, como por exemplo, em espécies de abelhas sem ferrão que são
consideradas endêmicas de uma determinada área ou região, prejudicando
ainda a reprodução de algumas espécies de plantas, uma vez que estas
27

podem depender da polinização realizada exclusivamente por algumas ou até


mesmo uma única espécie de abelha (KUHLMANN, 2012).
28

3 MATERIAL E MÉTODOS

3.1 Caracterização da área de estudo


O estudo foi conduzido na Fazenda Experimental do Centro de Pesquisa
Agropecuária do Meio-Norte da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa Meio-Norte), localizada em São João do Piauí (Figura 3), na região
sul do estado do Piauí, durante o período de abril de 2012 a setembro de 2013.
O município de São João do Piauí está localizado a 08º21’29” S de
latitude e 42º14’48” W de longitude, apresentando altitude média de 222m
acima do nível do mar e distância de aproximadamente 460 km da capital do
estado, Teresina (CEPRO, 1990, 1992).

Teresina

São João do Piauí

Figura 3 - Localização do município de São João do Piauí no mapa do Piauí (IBGE, 2014c, d).

O clima predominante da região é o semiárido, com vegetação de


caatinga arbustiva e arbórea com densidades variadas. Os solos são de origem
sedimentar e predominantemente arenosos. O clima semiárido é caracterizado
pela presença de temperaturas elevadas e chuvas irregulares, com
29

predominância de longos períodos de estiagem (CARACTERÍSTICAS, 2012). A


precipitação pluvial média anual da região chega a ser menor que 900 mm,
com distribuição entre os meses de novembro e abril, com maior concentração
em quatro meses (LIMA, 1982). Na figura 4 é possível observar o contraste
apresentado entre o período seco e o período chuvoso na região.

1 2
Fonte: SILVA, J. I (2012/2013).
Figura 4 - Vista de vegetação da área de estudo na fazenda experimental da Embrapa
Meio-Norte, nos meses de setembro (1) de 2012 e fevereiro (2) de 2013.

Durante todo o período de condução do estudo foram registrados os


dados de variação de temperatura, umidade relativa do ar e precipitação
pluviométrica (Figura 5), por meio de uma estação meteorológica automática
instalada na fazenda experimental.
As médias de temperatura, umidade relativa dor ar e o acumulado de
precipitação pluviométrica no período de 2010 a 2013 podem ser observados
na Figura 5. Os dados de temperatura e umidade relativa do ar
correspondentes aos meses de novembro e dezembro do ano de 2010 não
foram coletados devido a problemas ocorridos com a estação meteorológica
nesse período.
A temperatura média durante o período em que se realizou o estudo foi
de 28,8°C, com mínima de 22,9°C e máxima de 35,7°C. Já a umidade média
do ar foi de 51,5%, com mínima de 24,8% e máxima de 53,3%.
30

Figuras 5 - Médias de temperatura e umidade relativa do ar (1) e do acúmulo de precipitação


pluviométrica (2) da fazenda experimental da Embrapa Meio-Norte, em São João
do Piauí, no período de 2010 a 2013.

3.2 Levantamento da flora apícola


Para o estudo da composição da flora apícola da região, inicialmente foi
feita a definição da trilha na qual as espécies botânicas e as abelhas deveriam
ser coletadas, de forma que a mesma contornasse o apiário da fazenda
experimental, apresentando esta, uma extensão de aproximadamente 2.500m.
31

Durante o período de um ano e cinco meses (abril de 2012 a setembro


de 2013), foram realizadas viagens ao município para a coleta do material de
interesse. Em função da severa estiagem ocorrida durante os meses de abril
de 2012 a janeiro de 2013 (Período 1), foram realizadas viagens mensais, visto
que havia pouco recurso a coletar na vegetação que se encontrava bastante
seca. No período subsequente, quando ocorreu um maior volume de
precipitação e, consequentemente, maior número de plantas em florescimento,
(fevereiro a setembro de 2013, período 2), foram realizadas viagens
quinzenais. A trilha foi percorrida em zig-zag nos períodos da manhã e tarde do
mesmo dia ou em dois dias, de forma a possibilitar a observação dos horários
em que os recursos eram ofertados às abelhas pelas espécies vegetais.
Foram coletadas todas as espécies que apresentaram material
reprodutivo pelo Método de Coletas Preferenciais (MCP), segundo Castro
(1994), considerando um número de cinco amostras por espécie. Durante todo
o processo de coleta, foram observadas e anotadas as espécies que se
encontravam em floração, as espécies visitadas por abelhas, assim como o
comportamento das abelhas em contato com o vegetal.
As amostras vegetais foram processadas seguindo as técnicas usuais
de acondicionamento, prensagem e herborização de material botânico, para
serem incorporadas ao herbário da Embrapa Meio-Norte.
Para a prensagem das plantas, estas foram colocadas entre jornais,
papelão e prensas de madeira; em seguida, colocadas em estufa à
temperatura de 52°C por 48h.
A identificação das espécies botânicas, bem como o recurso que a
mesmas ofertam as abelhas, foi realizada através de observações (no campo e
no laboratório), e em comparações com materiais similares já identificados,
assim como com a utilização da metodologia usual em taxonomia, com o
auxílio de estereomicroscópios (lupas), chaves analíticas e bibliografias
especializadas.
Após esses procedimentos, os exemplares que apresentaram
dificuldade para identificação tiveram suas duplicatas enviadas para o
Laboratório de Botânica da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Campus
Amilcar Ferreira Sobral, no município de Floriano, PI, para identificação por
especialistas da área. A identificação dos exemplares também foi
32

complementada por meio de comparações com material já identificado do


Herbário Graziela Barroso da UFPI, Campus Ministro Petrônio Portela, em
Teresina.

3.3 Levantamento da fauna apícola


Ao tempo em que foi realizado o levantamento da flora apícola, foi
realizado também o levantamento da apifauna na área amostral. A coleta das
abelhas foi realizada com auxílio de uma rede entomológica, seguindo-se
basicamente a metodologia proposta por Sakagami et al. (1967), com algumas
adaptações. Após serem capturadas, as abelhas foram colocadas em câmara
mortífera contendo acetato de etila, separadas em recipientes etiquetados com
nome ou número da planta, data e horário de coleta, sendo acondicionadas em
freezer para posterior identificação. A identificação das abelhas foi realizada
pela Dra. Ranyse B. Querino da Silva, da Embrapa Meio-Norte, e pelo
Professor Dr. Fernando A. Silveira do Departamento de Zootecnia da
Universidade Federal de Minas Gerais.

3.4 Preparação das lâminas de pólen


Para o preparo das lâminas palinológicas durante o levantamento
botânico, foram coletadas amostras das flores, que foram estocadas em tubos
tipo Eppendorf com álcool na proporção 70% e posteriormente acondicionadas
em geladeira. No Laboratório de Controle de Qualidade de produtos Apícolas
da Embrapa Meio-Norte, os grãos de pólen foram retirados das inflorescências
para o preparo de lâminas, de acordo com a metodologia de Barth (1970 a, b,
c, d), com algumas adaptações. Essas lâminas constituirão o laminário de
referência para a área estudada, sendo incorporadas à palinoteca da Embrapa
Meio-Norte.
Para o preparo das lâminas, as inflorescências foram retiradas dos tubos
onde se encontravam acondicionadas e colocadas em placas de petri. Com o
auxílio de lupas, os grãos de pólen foram retirados das anteras e colocados
sobre as lâminas. Nesse processo, foram utilizados pinças e estiletes,
esterilizados sob a chama de uma lamparina a álcool. Durante o processo,
33

foram tomados os cuidados necessários para evitar contaminação da lâmina


com pólen oriundo de outras espécies.
Sobre a lâmina foram colocados apenas os grãos de pólen; após isso,
esta foi posicionada sobre uma placa aquecedora para secagem; acrescentou-
se, então, a gelatina glicerinada com fucsina. A lâmina foi novamente
posicionada na placa aquecedora para que a gelatina derretesse a uma
temperatura de aproximadamente 40°C. Essa temperatura não pode ser muito
alta, para evitar que a gelatina forme bolhas e que os grãos de pólen sofram
alterações. Após montada, a lâmina foi visualizada ao microscópio óptico e,
estando em perfeito estado, a mesma foi vedada com o auxílio de parafina.

3.5 Análise melissopalinológica


Para identificar os tipos polínicos presentes no mel (análises
melissopalinológicas), foram coletadas duas amostras de mel centrifugado
produzido no apiário da área avaliada nos meses de maio de 2013 e maio de
2014, período em que ocorre a colheita de mel na fazenda experimental, com o
objetivo de comparar o pólen presente no mel com o pólen das espécies
botânicas inventariadas. As amostras foram acondicionadas em tubos de
Eppendorf e encaminhadas ao Laboratório de Controle de Qualidade de
Produtos Apícolas da Embrapa Meio-Norte.
As lâminas foram preparadas seguindo metodologia proposta por Barth
(1989). Inicialmente pesou-se 10g de mel, que foi, em seguida, diluído em 20
mL de água destilada e agitado por 15 minutos. A mistura (mel e água
destilada) foi colocada em dois frascos Eppendorf e centrifugada durante 15
minutos com rotação de 600 rpm. Retirou-se o sobrenadante, preencheu-se
novamente o frasco Eppendorf com outra porção da mistura que foi novamente
levada à centrífuga. Após esse processo, o sobrenadante foi novamente
descartado e, com o auxílio de seringa e agulha, esfregou-se dois pequenos
pedaços de gelatina com fucsina nos resíduos restantes no fundo do
Eppendorf. Colocou-se cada um dos pedaços de gelatina nas duas
extremidade das lâminas, previamente identificada. A lâmina foi aquecida a
uma temperatura aproximada de 40°C, para que a gelatina derretesse. Após
esse processo, colocou-se uma lamínula em cada lado da lâmina. Após a
34

visualização ao microscópio óptico, estando em perfeito estado, a lâmina foi


vedada com o auxílio de esmalte incolor.
Os tipos polínicos foram analisados qualitativamente, por meio de
comparações com as lâminas de pólen das espécies botânicas coletadas na
área estudada e auxílio de literatura especializada. A análise quantitativa foi
realizada mediante a contagem de 200 grãos de pólen por amostra
determinando-se as classes de ocorrência, que segundo Louveaux et al.
(1978), são: pólen dominante (PD - > 45% do total de grãos), pólen acessório
(PA-16 a 45%), pólen isolado importante (PII - 3 a 15%) e pólen isolado
ocasional (PIO - < 3%).
As lâminas de pólen foram fotografadas por meio de câmera fotográfica
digital acoplada ao microscópio óptico, em aumento de 40x.

3.6 Análises estatísticas


Na análise dos dados utilizou-se o teste de associação não paramétrico
Qui-Quadrado (X2), não havendo dependência dos parâmetros populacionais,
como média e variância. O princípio básico deste método é comparar
proporções, isto é, as possíveis divergências entre as frequências observadas
e esperadas para um certo evento (RAMALHO et al., 2012).
A divergência entre as espécies foi determinada pelo método de
agrupamento hierárquico do vizinho mais próximo (MANLEY, 2008), com base
nas variáveis multicategóricas: recurso ofertado pelas plantas consideradas
apícolas, seu período de florescimento e a espécie de abelha visitante,
utilizando-se a matriz de dissimilaridades gerada com a moda de cada variável
por espécie, sem repetição.
Para verificar como as variáveis analisadas estavam correlacionadas,
estimou-se os coeficientes de correlação de Spearman entre tipo de abelha,
recurso coletado pelas abelhas, visitação de abelhas e horário de visitação com
os elementos climáticos: temperatura média, umidade relativa do ar e
precipitação pluviométrica.
As análises estatístico-genéticas foram realizadas com o auxílio do
programa computacional SAS (SAS INSTITUTE INC, 2002).
35

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Durante a realização do estudo, foram identificadas e catalogadas na


área da fazenda experimental 67 espécies em floração, distribuídas em 21
famílias e 47 gêneros (Tabela 1). Entre as espécies identificadas, apenas 22
(32,8%) foram consideradas apícolas, por ter sido observada coleta de
recursos (néctar, pólen ou resina) nas mesmas. As famílias botânicas
Malvaceae, Fabaceae e Euphobiaceae foram as que apresentaram o maior
número de representantes.
Em levantamentos realizados, no Piauí, Lorezon et al. (2003)
identificaram as famílias Mimosaceae, Fabaceae, Acanthaceae e Lamiaceae
como as mais representativas em São Raimundo Nonato; Chaves et al. (2007),
as famílias Bignoniaceae, Euphorbiaceae e Lamiaceae no município de Cocal e
Lopes et al (2010), a família Mimosaceae em Teresina.

Tabela 1 - Relação das espécies em florescimento e o recurso coletado, representativas da


área da fazenda experimental da Embrapa Meio-Norte, no município de São João
do Piauí, no período de abril de 2012 a setembro de 2013.

Família / Espécie Recurso coletado

Amaranthaceae
Alternanthera philoxeroides (Mart.) Griseb. Néctar
--
Alternanthera tenella Colla.

Anacardiaceae
Myracrodruon urundeuva Allemão. Pólen e Néctar
Spondias tuberosa Arruda. --

Apocynaceae
Calotropis procera W.T. Aiton. Néctar e Pólen

Bignoniaceae
Clytostoma campanulatum Bureau & K. Schum. --
Cuspidaria sp
Fridericia dichotoma (Jacq.) L.G. Lohmann. --
Neojobertia candolleana Mart. ex DC.) Bureau & --
K. Schum. --
Boraginaceae
Heliotropium indicum L. --
Euploca procumbens (Mill) Diane & Higer. --
36

Tabela 1 – Continuação.

Família / Espécie Recurso coletado

Bombacaceae
Pachira aquatica Aubl. --
Burseraceae
Commiphora leptophloeos (Mart.) J.B. Gillett Néctar e pólen

Combretaceae
Combretum leprosum Mart. Néctar e Pólen

Commelinaceae
Commelina obliqua Vahl. --

Convolvulaceae
Evolvulus brevifolius (Meish.) Ooststr. --
Evolvulus sp --
Ipomoea asarifolia (Desr.) Roem. & Schult --
Ipomoea glabra (Aubl.) Choisy Néctar
Ipomoea bahiensis Willd. Ex. Roem. & Schult. --
Ipomoea wrightii A. Gray. --
Jacquemontia sphaerostigma (Cav.) Rusby. --

Euphorbiaceae
Manihot sp --
Croton betaceus Baill. Néctar
Croton campestris A. St-Hil. Néctar e Pólen
Croton mucronifolius Mull. Arg. Néctar
Croton sonderianus Müll. Arg. Néctar e Pólen
Croton zehntneri Pax e K.Hoffm. --
Jatropha pohliana Müll. Arg. --
Fabaceae
Bauhinia forficata Link. --
Caesalpinia microphylla Mart. ex G. Don. --
Chamaecrista supplex (Mart. Ex Benth.) Britton --
& Rose ex Britton & Killip.
Macroptilium lathyroides (L.) Urb. --
Mimosa cf. arenosa (Wild.) Poir. Pólen
Mimosa sp --
Mimosa quadrivalvis L. Pólen
Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir. Pólen
Neptunia oleracea Lour. --
Pólen
Poincianella pyramidalis (Tul.) L.P. Queiroz
Néctar
Schrankia leptocarpa DC.
--
Senna lechriosperma H. S. Irwin & Barneby.
--
Senna obtusifolia (L.) H. S.Irwin & Barneby.
--
Stylosanthes guianensis (Aubl.) SW.
37

Tabela 1 – Continuação.

Família / Espécie Recurso coletado


Hydroleaceae
Hydrolea spinosa L. --

Lamiaceae
Hyptis suaveolens (L.) Poit. Néctar

Malvaceae
Herissantia crispa (L.) Brizichy. Néctar
Herissantia tiubae (K.Schum.) Brizicky. Néctar
Pavonia cancellata Huber. Néctar
Sida cordifolia L. Pólen
Sida cf. rhombifolia L. --
Sida cf. urens L. --
Waltheria indica L. --
Malpighiaceae
Banisteriopsis sp --
Banisteriopsis stellaris (Griseb) B. Gates. --
Stigmaphyllon sp --
Stigmaphyllon tomentosum A. Juss. --

Nyctaginaceae
Boerhavia coccinea Mill. Néctar e Pólen

Polygalaceae
Polygala paniculata DC. --

Rhamnaceae
Ziziphus joazeiro Mart. Néctar, Pólen e
Resina
Rubiaceae
Borreria verticillata (L.) Mey. --
Diodia teres Steyerm. --
Staelia sp --

Oxalidaceae
Oxalis corniculata L. Néctar
Oxalis divaricata Zucc. --

Turneraceae
Piriqueta rosea Urb --
Turnera pumilea L.
Turnera ulmifolia L. Pólen
Néctar
(--) Espécies em que não foi observada a visita de abelhas
38

Segundo Silva et al. (2008), a presença das famílias Anacardiaceae e


Burseraceae em determinada área pode indicar que naquele local há pouca
interferência humana, pois as espécies pertencentes a essas famílias
geralmente são encontradas em áreas cujas matas permanecem mais
conservadas e, raramente, são encontradas em áreas degradadas.
Em relação ao estrato da vegetação (Figura 6), a área estudada
apresentou-se predominantemente com espécies herbáceas (26), arbustivas
(13) e trepadeiras (11), seguida dos subarbustos (10) e das espécies arbóreas
(7) com quase nenhuma predominância de plantas cultivadas (Tabela 1). Esse
fato pode indicar que há uma boa preservação da vegetação nativa da região.
As espécies herbáceas e arbustivas florescem mais intensamente no
período chuvoso e seco, respectivamente. A importância das herbáceas em
períodos chuvosos deve-se principalmente ao numero considerável de
espécies em florescimento durante esse período e a presença de flores mais
próximas as colmeias (RODARTE et al., 2008).
Ainda, de acordo com Freitas (1996), o estrato herbáceo constitui a
principal fonte de pólen e néctar, principalmente no período das chuvas e na
transição chuva-seca.

Abóreo Herbáceo Arbusto Trepadeira Subarbusto

15% 10%

16%

40%

19%

Figura 6 – Distribuição das espécies botânicas coletadas em relação ao hábito de


crescimento.

Durante todo o período de realização do inventário, foram realizadas 222


observações de espécies botânicas em florescimento. Quanto à coleta de
algum tipo de recurso floral, em 11,26% das observações verificou-se abelhas
39

coletando néctar nas espécies vegetais; em 10,81%, abelhas coletando pólen;


em 4,05%, as abelhas estavam coletando tanto néctar quanto pólen e uma
apenas uma espécie foi observado abelha coletando resina. Esses resultados
demonstram que em 72,97% das espécies que se encontravam em floração
não se observou a presença de abelhas coletando qualquer tipo de recurso
(Anexo A).
Essa frequência pode ser considerada alta, uma vez que, Pereira et al.
(dados não publicados), em levantamento realizado no município de Castelo
do Piauí, verificaram que, de 408 observações, em apenas 0,74% das espécies
botânicas não foi observada a presença de abelhas coletando qualquer tipo de
recurso. Ainda na realização desse estudo foi constatado que 7,84% das
espécies ofertaram néctar, em 4,90% foi observada a oferta de pólen, em
1,72% oferta de resina e em 74,51% oferta de pólen e néctar.
Comparando-se, portanto, os resultados obtidos, com dados disponíveis
na literatura sobre plantas apícolas no Nordeste do Brasil, foi verificado que
algumas espécies classificadas como plantas apícolas, como por exemplo,
Spondias tuberosa, Stylosanthes guianensis, Waltheria indica, Borreria
verticillata, Heliotropium indicum, Jatropha pohliana, Senna obtusifolia,
Alternanthera tenella e Commiphora leptophloeos (LORENZON et al., 2003;
PEREIRA et al., 2006, MUNIZ; BRITO, 2007; SILVA et al., 2008; PEREIRA et
al, 2010), não apresentaram visitação de abelhas nesse estudo.
No entanto, as espécies classificadas como apícolas por outros autores
e que nesse estudo não foram observadas recebendo visitação de abelhas,
não deixam de ser importantes, uma vez que as condições climáticas atípicas
ocorridas no período de realização do inventário pode ter interferido na
produção de pólen e néctar pelas plantas. Ferreira (1981) afirma que, as
diferentes condições de clima influenciam a produção de recursos pelas
espécies vegetais que podem apresentar uma excelente produção de néctar
em uma região e não apresentar produção significativa em outra.
As abelhas podem ainda, ter realizado a coleta de alimento em horários
diferentes, visto que, com a seca as flores podem abrir mais cedo. Durante o
período do estudo os índices de precipitação pluviométrica foram baixos, sendo
que, o maior volume de chuvas observado ocorreu no mês de janeiro de 2013
40

(221 mm) chegando a zero nos meses de abril a setembro de 2012, e zero nos
meses de junho a setembro de 2013 (Figura 5).
Levi (1998) e Alcoforado Filho e Gonçalves (2000) afirmam que a
ocorrência de períodos prolongados de seca com consequente baixa de
precipitação pluviométrica prejudicam a produção apícola, pois esse fator afeta
as espécies vegetais que muitas vezes abortam seus botões florais devido a
falta de continuidade das chuvas, aumentando, assim, o período em que não
irá ocorrer a produção de recursos alimentares essenciais às abelhas. Logo,
fica claro que, não só a presença das chuvas, mas sua regularidade, são
considerados fatores essenciais para que se tenha uma boa produção apícola.
Constatou-se ainda que a espécie S. guianensis teve florescimento em
um único mês, enquanto que, em estudo realizado por Lorezon et al. (2003)
esta mesma espécie foi observada florescendo por um período de
aproximadamente quatro meses. A diferença no período de florescimento da
espécie provavelmente foi ocasionada devido aos fatores acima mencionados.
O número de espécies em floração aumentou significativamente com o
aumento da precipitação, principalmente no período de janeiro a abril (Figura
7). Nenhuma das espécies catalogadas apresentou floração durante todo o
período de condução do experimento, o que de certa forma contribui para a
formação do mel heterofloral da região.
Observou-se também que mesmo no período em que não há registro de
precipitação pluviométrica há espécies em florescimento, como por exemplo,
M. urundeuva e Z. joazeiro, que são consideradas excelentes fontes de
recursos para abelhas (Tabela 2). A primeira floresceu no final do período
chuvoso e a segunda no final do período seco. Assim pode-se afirmar que, não
só essas, mas outras espécies que também florescem nesse período são
importantes para a manutenção dos enxames, pois ocorrem em uma época
que é considerada crítica para as abelhas na região do semiárido
(ALCOFORADO FILHO; GONÇALVES, 2000; PEREIRA et al., 2006).
Já a espécie M. tenuiflora floresce em diferentes épocas do ano,
disponibilizando recursos florais às abelhas, tanto no período seco, como no
período chuvoso.
Portanto, é importante que o apicultor preserve, conserve e até mesmo
promova a multiplicação dessas espécies, assim, poderá evitar o abandono de
41

seus enxames durante a estação seca e até mesmo evitar gastos com o uso de
alimentação artificial em períodos em que a oferta de recursos florais às
abelhas decresce acentuadamente.
As diferenças observadas no período de florescimento entre as espécies
são importantes, pois dessa maneira as abelhas têm disponível a produção de
alimento em diferentes épocas do ano. As espécies Z. joazeiro, C. procera, M.
urundeuva e M. tenuiflora estão entre as espécies que apresentaram um maior
período de florescimento. Das espécies listadas apenas C. procera recebeu
visitas apenas de abelhas do gênero Trigona.

Precipitação (mm) N° de espécies em floração

250 40
Preciptação pluviométrica (mm)

N° de espécies em floração
35
200
30

150 25
20
100 15
10
50
5
0 0
JUN

JUN
JUL

JUL
SET
OUT

DEZ

SET
MAI

MAI
MAR
ABR

ABR
AGO

AGO
NOV

FEV
JAN

Figura 7 - Índices de precipitação pluviométrica e número de espécies de plantas floridas na


fazenda experimental da Embrapa Meio-Norte, em São João do Piauí, no período
de abril de 2012 a setembro de 2013.

As espécies de abelhas que foram coletadas e/ou observadas coletando


algum recurso nas espécies vegetais em florescimento (Tabela 3) foram: Apis
mellifera (Linnaeus, 1758), Melipona asilvai (Moure, J. S. 1971), Centris
(Hemisiella) tarsata (Smith,1874), Epicharis flava (Friese, 1900), Plebeia
droryana (FRIESE, 1900) e espécies do gênero Trigona, grupo amalthea
(Olivier, 1789).
As abelhas do gênero Apis foram as mais representativas da região
amostrada, sendo observadas visitando 11 famílias botânicas, que corresponde
a 78,5% do total das plantas consideradas apícolas. As famílias Euphobiaceae,
Fabaceae e Malvaceae foram as mais visitadas, nas quais as abelhas
coletaram preferencialmente néctar. Lorezon et al. (2003), observaram visita de
42

abelhas do gênero Apis em 12 famílias, sendo as mais visitadas Acanthaceae e


Lamiaceae. D’Avila e Marchini (2008) também identificaram esta espécie de
abelha como a mais predominante em seu estudo. Esses resultados confirmam
o que já existe disponível na literatura sobre o hábito generalista desse gênero,
se alimentando conforme a oferta de recurso disponível.
Já as abelhas do gênero Trigona visitaram seis famílias e coletaram
tanto néctar quanto pólen.
As análises realizadas mostraram ainda que a espécie botânica que
apresentou maior número de visitas por abelhas foi C. procera (Anexo A),
sendo visitada por abelhas do gênero Trigona, sendo que, do total de 24
observações, em 22 delas foi observada a presença de abelhas coletando
algum tipo de recurso, na maioria das vezes pólen.
Segundo Santos (2009), quando o recurso coletado pelos visitantes
florais nas espécies vegetais é o pólen, geralmente a espécie tende a ser
restrita à visitação de polinizadores específicos, uma vez que são exigidas
deles adaptações morfológicas ou comportamentais específicas.
Apesar de C. procera ter apresentado visitação significativa, a densidade
de indivíduos dessa espécie na área estudada era mínima e localizada em uma
região onde o solo permanecia sempre regado e adubado, próximo a um local
de criação de animais. Deve-se levar ainda em consideração que, essa espécie
botânica é considerada invasora, em função da sua grande disseminação de
sementes pelo vento, floresce praticamente durante o ano todo e é bem
adaptada a regiões semiáridas (LÁZARO et al., 2012).
De acordo com o período de florescimento (Tabela 2) e a frequência de
visitação de abelhas (Anexo A), as espécies identificadas que provavelmente
contribuem para a formação do mel e do pólen na região são: Alternanthera
philoxeroides, Myracrodruon urundeuva, Boerhavia coccinea, Poincianella
pyramidalis, Calotropis procera, Combretum leprosum, Croton betaceus, Croton
mucronifolius, Croton sonderianus, Herissantia tiubae, Hyptis suaveolens,
Ipomoae glabra, Mimosa arenosa, Mimosa tenuiflora, Oxalis corniculata,
Schrankia leptocarpa, Sida cordifolia, Sida rhombifolia, Turnera pumilea,
Turnera ulmifolia e Ziziphus joazeiro.
A estação chuvosa apresentou uma maior quantidade de plantas em
florescimento (Figura 7), sendo o período de novembro a maio a época de
43

maior oferta de alimento. Algumas das espécies que floresceram nessa época
foram: C. leprosum, C. sonderianus, T. ulmifolia, M. tenuiflora e C. betaceus.

Tabela 2 - Calendário de florescimento das plantas consideradas apícolas, inventariadas na


fazenda experimental da Embrapa Meio-Norte, em São João do Piauí, no período
de abril de 2012 a setembro de 2013.
Espécie Período chuvoso Período seco
Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out
Alternanthera
philoxeroides
Myracrodruon urundeuva
Boerhavia coccínea
Calotropis procera
Combretum leprosum
Croton betaceus
Cróton mucronifolius
Cróton sonderianus
Herissantia crispa
Herissantia tiubae
Hyptis suaveolens
Ipomoae glabra
Mimosa arenosa
Mimosa tenuiflora
Myracrodruon urundeuva
Oxalis corniculata
Poincianella pyramidalis
Schrankia leptocarpa
Sida cordifolia
Sida rhombifolia
Turnera pumilea
Turnera ulmifolia
Ziziphus joazeiro

Foi verificado ainda se a visitação das abelhas às espécies vegetais


apresentava alguma preferência quanto ao horário. Verificou-se que houve um
maior número de visitantes coletando algum tipo de recurso nos horários
correspondentes entre 8h e 10h no período da manhã e entre 15h e 16h, no
período da tarde. Esses resultados foram observados no período de abril de
2012 a setembro de 2013.
Nesses horários também foi observada uma maior oferta de néctar,
principalmente no período entre 08h00 e 09h00. Resultados semelhantes foram
encontrados por Malerbo-Souza e Tasinafo (2012), estudando a sazonalidade
de abelhas africanizadas na coleta de pólen e néctar.
De acordo com Crane (1983), há uma redução nas atividades de vôo
das abelhas ao redor ou logo após o meio dia, pois, principalmente em regiões
tropicais, a secreção de néctar é característica de períodos menos quentes
44

como o início da manhã ou o final da tarde. Essa autora afirma ainda que,
quando as temperaturas estão muito elevadas, ocorre falha no sistema
direcionado de danças das abelhas nos favos indicando a localização das
fontes de recursos alimentares.

Tabela 3 - Horário de visitação das abelhas às espécies vegetais identificadas e o recurso


por elas coletado.
Espécie botânica Espécie de N P Horário de visitação
abelha * *
Alternanthera philoxeroides Apis mellifera x 14h às 15h
Boerhavia coccínea Apis mellifera x x 7h às 8h
Plebeia droryana x x 7h às 9h
Calotropis procera Trigona sp x x 08h01min às 11h /
15h01min às 17h
Combretum leprosum Apis mellifera x x 08h01min às 10h
Melipona asilvai x 08h01min às 9h
Croton betaceus Apis mellifera x 09h01min às 10h
Croton mucronifolius Apis mellifera x 08h01min às 9h
Croton sonderianus Apis mellifera x 08h01min às 9h
Herissantia crispa Apis mellifera x 08h01min às 09h
Herissantia tiubae Apis mellifera x 15h01min às 16h
Hyptis suaveolens Apis mellifera x 09h01min às 10h
Ipomoae glaba Apis mellifera x 08h01min às 09h
Mimosa arenosa Apis mellifera x 15h01min às 16h
Mimosa tenuiflora Apis mellifera x x 08h01min às 10h /
15h01min às 16h
Melipona asilvai x x 08h01min às 10h
Centris tarsata x x 09h01min às 10h
Trigona sp x 08h01min às 9h
Myracrodruon urundeuva Apis mellifera x x 08h01min às 11h /
15h01min às 17h
Oxalis corniculata Apis mellifera x 08h01min às 9h
Poincianella pyramidalis Epicharis flava x 08h01min às 9h
Schrankia leptocarpa Apis mellifera x 08h01min às 9h
Sida cardifolia Apis mellifera x 08h01min às 9h
Sida rhombifolia Apis mellifera x 09h01min às 10h
Ziziphus joazeiro Epicharis flava x x 08h01min às 10h
Trigona sp x x 08h01min às 10h
Turnera pumilea Apis mellifera x 08h01min às 9h
Trigona sp x 08h01min às 9h
45

Tabela 3 – Continuação.
Espécie botânica Espécie de N P Horário de visitação
abelha * *
Turnera ulmifolia Epicharis flava x 8h01min às 9h
Plebeia droryana x 8h01min às 10h
* P = Pólen, N = Néctar
Durante os dezoito meses de realização do estudo, foi observada a
presença de abelhas em alguma espécie botânica, com exceção do mês de
dezembro em que as espécies que se encontravam em florescimento não
receberam nenhuma visitação. Em estudo semelhante, Lorezon et al. (2003)
não observaram a visitação de abelhas às espécies vegetais nos meses de
agosto e outubro. Os meses que apresentaram maior oferta de recurso floral
foram março e abril enquanto os que apresentaram um menor índice foram
outubro e novembro.
A análise de agrupamento pelo método do vizinho mais próximo é
utilizada para agrupar as observações de acordo com suas semelhanças
(MANLEY, 2008) e, portanto, foi realizada com o objetivo de verificar como
estavam agrupadas as espécies vegetais, com base no recurso ofertado por
essas plantas consideradas apícolas, seu período de florescimento e a espécie
de abelha visitante. Verificou-se a formação de seis grupos distintos (Figura 8).
Assim, a análise separou por grupos as espécies botânicas que
possuem características que mais semelhante ente si, como por exemplo, as
espécies botânicas que recebem visitação das mesmas espécies de abelha e o
tempo em que a espécie permanece florida.
O primeiro grupo foi constituído por 12 espécies, que floresceram por um
período de um a cinco meses, nas quais houve visitação somente de abelhas
A. mellifera coletando néctar. O segundo grupo foi formado por duas espécies
em que as abelhas visitantes foram E. flava coletando pólen e néctar e Trigona
sp coletando pólen, néctar e resina. O terceiro grupo formado reuniu quatro
espécies que ofertaram tanto pólen quanto néctar, no entanto, possuem
períodos de florescimento diferentes variando de um a três meses. As abelhas
que visitaram as espécies vegetais neste grupo foram A. mellifera, M. asilvai,
Trigona sp e C. tarsata. As espécies botânicas C. procera, T. ulmifolia e M.
tenuiflora formaram grupos com um único componente, sendo que esta última
espécie ficou sozinha principalmente por ter recebido um maior e mais
diversificado número de espécies de abelhas visitantes. C. procera e T.
46

ulmifolia também formaram grupos em função do tipo de abelha visitante e do


período de florescimento.

Figura 8 - Dendrograma de dissimilaridades genéticas entre 21 espécies consideradas apícolas


para o município de São João do Piauí, gerado pelo método de agrupamento
hierárquico do vizinho mais próximo, com base no recurso coletado pelas abelhas,
tipo de abelha visitante e período de florescimento das espécies vegetais, em
2012/2013.

A verificação de como as variáveis analisadas estavam correlacionadas


foi realizada estimando-se os coeficientes de correlação de Spearman entre
tipo de abelha, recurso coletado pelas abelhas, visitação de abelhas e horário
de visitação com dados diários dos elementos climáticos: temperatura média,
umidade relativa do ar e precipitação pluviométrica (Tabela 4). As estimativas
mostram que não houve correlação significativa entre tipo de abelha, horário de
visitação e recurso coletado com os elementos climáticos: precipitação
pluviométrica, umidade relativa do ar e temperatura. Esses resultados divergem
dos esperados, tendo em vista que autores como Levi (1998) e Alcoforado
Filho e Gonçalves (2000) afirmaram que os índices pluviométricos influenciam
diretamente a oferta de recurso das espécies vegetais às abelhas, e Malerbo-
47

Souza e Tanisafo (2012) e Crane (1983), que os períodos de coleta ocorrem


em horários em que as temperaturas encontram-se mais amenas.
As correlações entre os fatores analisados pode não ter sido
significativa porque as condições climáticas durante a condução do estudo
foram atípicas para a região e, portanto, não existiu período favorável para o
aumento da visitação das abelhas às espécies vegetais. O período chuvoso
foi muito curto, com distribuição de chuvas irregulares (Figura 7), o que
consequentemente afetou o período de florescimento das espécies apícolas.

Tabela 4 - Estimativas dos coeficientes de correlação de Spearman entre a espécie de abelha,


recurso coletado pelas abelhas, visitação de abelhas e horário de visitação com os
elementos climáticos: temperatura (T), umidade relativa do ar (UR) e precipitação
pluviométrica (PP), avaliados em São João do Piauí, 2012/2013.
Elementos climáticos
T (ºC) UR (%) PP (mm)
Espécie de abelha -0,00962 -0,07613 0,01027
Probabilidade > |t| 0,8867 0,2587 0,8790

Recurso coletado -0,00556 -0,07780 0,00371


Probabilidade > |t| 0,9344 0,2483 0,9561

Visitação de abelhas - 0,0047 - 0,0612 0,0195


Probabilidade > |t| 0,9447 0,3639 0,7728

Horário de visitação -0,04723 -0,03140 -0,02405


Probabilidade > |t| 0,4838 0,6417 0,7216

Pela análise das estimativas dos coeficientes de correlação de


Spearman entre tipo de abelha, recurso coletado pelas abelhas e horário de
visitação (Tabela 5), verifica-se correlação alta (r> 0,7) e significativa (P<
0,0001) entre o tipo de abelha e o recurso por elas coletados. Isto pode ser
observado também na análise de agrupamento realizada (Figura 8), uma vez
que o primeiro grupo formado é constituído somente por espécies botânicas em
que A. mellifera coletou néctar. Ainda no estudo, foi verificado que as abelhas
Trigona Sp. coletaram pólen na maioria das observações.
A correlação estimada indica que existe especificidade entre o tipo de
abelha e o recurso coletado, ou seja, em função das necessidades da colônia
48

determinadas espécies podem ter preferência por coletar néctar em um período


específico, enquanto outras podem coletar preferencialmente pólen ou ainda
coletar ambos.

Tabela 5 - Estimativas dos coeficientes de correlação de Spearman entre a espécie de abelha


(TA), recurso coletado pelas abelhas (RC) e horário de visitação das abelhas (HV)
avaliados em São João do Piauí, 2012/2013.
RC HV

Espécie de abelha 0,9851 0,1615


Probabilidade > |t| < 0,0001 0,0160
Recurso coletado 0,1813
Probabilidade > |t| 0,0067

Os resultados das análises polínicas são encontrados na Tabela 6 e na


Figura 9.
A análise qualitativa das amostras de mel coletadas na área estudada
demonstrou a diversidade de fontes de néctar visitada pelas abelhas A.
mellifera existentes na área. Os tipos de pólen encontrados confirmam que a
flora da região proporciona um pasto apícola diversificado e um mel com
característica heterofloral.
Foram encontrados 11 tipos polínicos distribuídos em nove famílias
(Tabela 6), sendo que, do total aproximadamente 63% das espécies pertencem
às espécies classificadas como apícolas nesse estudo (Tabela 2). Os outros
37% restante pertencem a espécies botânicas, como já mencionadas
anteriormente, já classificadas como apícolas por outros autores (MUNIZ e
BRITO, 2007; SILVA et al., 2008; PEREIRA et al, 2010), mas que nesse
levantamento não foram observadas recebendo visitação por abelhas, fato este
provavelmente influenciado pelas condições climáticas adversas ocorridas
durante o estudo (Figura 5).
A análise polínica quantitativa demonstrou a importante participação das
espécies C. sonderianus e M. tenuiflora, reiterando o potencial apícola da
espécie C. sonderianus para a região, uma vez que M. tenuiflora é uma
espécie considerada polinífera e o pólen presente no mel provavelmente foi
oriundo de contaminação.
49

Em nenhuma das amostras foi observada a presença de pólen


dominante. A ocorrência de pólen ocasional foi estimada em 55,5% e em
33,3% pólen acessório. Segundo Barth (1971e), a presença de pólen acessório
nos méis brasileiros ainda é muito frequente em função da atividade apícola
ainda ser realizada de maneira rudimentar quanto ao pasto apícola. O pólen
isolado tem pouca importância quanto à quantidade de néctar fornecido as
abelhas, no entanto, são essenciais para auxiliar na identificação da
composição da flora de importância apícola de uma determinada região.

A B C

D E F

Fonte: SILVA, J. I (2014).


Figura 9 - Imagens microscópicas do pólen presente no mel de Apis mellifera coletado na
fazenda experimental da Embrapa Meio-Norte, no município de São João do Piauí
em maio de 2013 (A e B) e de alguns grãos de pólen que compõem a palinoteca
de referência: (C) Hyptis suaveolens (Bamburral); (D) Mimosa arenosa (Jurema
sem espinho); (E) Combretum leprosum (Mufumbo); (F) Croton sonderianus
(Marmeleiro).
Aumento: (40X)
50

Tabela 6 - Porcentagem de tipos polínicos presentes nas amostras de méis de Apis mellifera
coletadas nos anos de 2013 e 2014 na fazenda experimental da Embrapa Meio-
Norte, no município de São João do Piauí.
Família Tipos Porcentagem de classe de ocorrência*
polínicos 2013 2014
PD PA PII PIO PD PA PII PIO
Amaranthaceae Alternanthera 0,09 0,015
tenella
Combretaceae Combretum 0,06 0,025
leprosum
Euphorbiaceae Croton 0,33
sonderianus
Mimosa 0,42 0,07
Fabaceae tenuiflora
Mimosa 0,11 0,15
arenosa
Macroptilium 0,04 0,16
lathyroides
Lamiaceae Hyptis 0,21 0,13
suaveolens
Malvaceae Sida 0,01 0,05
rhombifolia
Oxiladaceae Oxalis
divaricata
Passifloraceae Piriqueta
rosea
Rubiaceae Borreria 0,06 0,105
verticillata
*PD = pólen dominante maior que 45% do total de grão de pólen, PA = pólen acessório de 16 a
45%, PII = pólen isolado importante de 3 a 15% e PIO = pólen isolado ocasional menor que 3%.
51

5 CONCLUSÕES
A área estudada no município de São João do Piauí apresenta flora
diversificada com presença de espécies características de áreas preservadas e
as famílias Malvaceae, Fabaceae e Euphorbiacea são as mais representativas
da área.

O período chuvoso apresenta uma maior visitação de abelhas,


principalmente Apis mellifera coletando néctar. As espécies botânicas
Combretum leprosum, Croton sonderianus, Mimosa tenuiflora e Croton
betaceus florescem nessa época, enquanto que as espécies M. urundeuva e Z.
joazeiro florescem na estação seca.

M. tenuiflora floresce a cada dois meses na região, e apresenta grande


diversidade de visitantes florais.

O horário de maior visitação das abelhas na região estudada é no inicio


da manha de 8h as 10h, e no final da tarde de 15h às 16h.

A espécie A. mellifera e as abelhas no gênero Trigona são as mais


frequentes na área estudada. A. mellifera coleta principalmente néctar
enquanto que as abelhas do gênero Trigona coletam preferencialmente pólen.

Os méis analisados na região estudada apresentam em sua constituição


principalmente pólens das espécies Croton sonderianus e M. tenuiflora.
52

REFERÊNCIAS
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Apoidea) em uma área de Caatinga, Itatim, Bahia, Brasil. Revista Brasileira de
Zoologia, Curitiba, v. 20, n. 3, p. 457-467, 2003.
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BARROS, D. da S.; SANTOS, C. S. V. dos; MELO, V. F.; LOPES, G. N.
Mapeamento e caracterização ambiental das áreas apícolas dos Municípios de
Macajaí e Cantar do Estado de Roraima. Agro@mbiente On-line, vol.2, n.1,
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59

ANEXO
60

Anexo A – Relação das espécies botânicas em florescimento e porcentagem


de observações em relação ao recurso coletado, na área da
fazenda experimental da Embrapa Meio-Norte, no município de São
João do Piauí, no período de abril de 2012 a setembro de 2013.
(continua)
Porcentagem de observações em
relação ao recurso coletado* Total de
Espécie botânica
Sem Néctar Pólen Resina Pólen visitações
visitação e
Néctar
Alternanthera philoxeroides 2,70 0,45 0,00 0,00 0,00 7
Myracrodruon urundeuva 2,70 0,00 0,00 0,00 0,00 8
Banisteriopsis stellaris 2,70 0,00 0,00 0,00 0,00 6
Bauhinia forficata 0,45 0,00 0,00 0,00 0,00 1
Boerhavia cocciea 0,00 0,45 0,00 0,00 0,45 2
Borreria verticillata 1,80 0,00 0,00 0,00 0,00 4
Calotrois procera 0,90 0,00 9,46 0,00 0,45 24
Chamaecrista supplex 0,90 0,00 0,00 0,00 0,00 2
Clytostoma campanulatum 0,45 0,00 0,00 0,00 0,00 1
Combretum leprosum 0,45 0,90 0,00 0,00 0,45 4
Commelina obliqua 0,90 0,00 0,00 0,00 0,00 2
Commiphora leptophloeos 0,45 0,00 0,00 0,00 0,00 1
Croton betaceus 0,90 0,45 0,00 0,00 0,00 3
Croton campestris 1,35 0,00 0,00 0,00 0,00 3
Croton mucronifolius 0,00 0,45 0,00 0,00 0,00 1
Crotonsonderianus 0,45 0,45 0,00 0,00 0,00 2
Croton zehntneri 0,45 0,00 0,00 0,00 0,00 1
Cuspidaria sp 0,45 0,00 0,00 0,00 0,00 1
Diodia teres 0,45 0,00 0,00 0,00 0,00 1
Elvolvulus sp cf. 0,45 0,00 0,00 0,00 0,00 1
Euploca procumbens 0,45 0,00 0,00 0,00 0,00 1
Evolvulus sp cf 0,45 0,00 0,00 0,00 0,00 1
Evolvus brevifolium 0,45 0,00 0,00 0,00 0,00 1
Fridericia dichotoma 1,35 0,00 0,00 0,00 0,00 3
Heliotropium indicum 4,50 0,00 0,00 0,00 0,00 10
Herissantia crispa 2,70 0,45 0,00 0,00 0,00 7
Hydroleaspinosa 0,90 0,00 0,00 0,00 0,00 2
Hyptis suaveolens 0,45 0,45 0,00 0,00 0,00 2
Ipomoae glabra 3,45 0,45 0,00 0,00 0,00 8
Ipomoea asarifolia 5,86 0,00 0,00 0,00 0,00 13
Ipomoea bahiensis 0,90 0,00 0,00 0,00 0,00 2
Jacquemontia sphorostigma 0,45 0,00 0,00 0,00 0,00 1
Jatropha pohliana 0,90 0,00 0,00 0,00 0,00 2
Macroptilium lathyroides 2,25 0,00 0,00 0,00 0,00 5
Manihot sp 0,45 0,00 0,00 0,00 0,00 1
Mimosa arenosa 0,45 0,45 0,00 0,00 0,00 2
Mimosa quadrivalvis 1,80 0,00 0,00 0,00 0,00 4
Mimosa sp 0,45 0,00 0,00 0,00 0,00 1
61

Anexo A – Continuação.

Porcentagem de observações em
relação ao recurso coletado* Total de
Espécie botânica
Sem Néctar Pólen Resina Pólen visitações
visitação e
Néctar
Mimosa tenuiflora 1,35 1,35 0,00 0,00 0,45 7
Myracrodruon urundeuva 2,70 0,00 0,00 0,00 0,00 8
Não idententificada 0,90 0,00 0,00 0,00 0,00 2
Neojobertia candolleana 0,45 0,00 0,00 0,00 0,00 1
Neptunia oleracea 0,90 0,00 0,00 0,00 0,00 2
Oxalis corniculata 0,45 0,45 0,00 0,00 0,00 2
Oxalis divaricata 0,45 0,00 0,00 0,00 0,00 1
Pachira aquatica 0,90 0,00 0,00 0,00 0,00 2
Pavoniacancellata 1,35 0,00 0,00 0,00 0,00 3
Piriqueta rosea 0,45 0,00 0,00 0,00 0,00 1
Poincianella pyramidalis 2,70 0,00 0,45 0,00 0,00 7
Polygala paniculata 0,45 0,00 0,00 0,00 0,00 1
Schrankia leptocarpa 0,00 0,00 0,45 0,00 0,00 1
Senna obtusifolia 2,25 0,00 0,00 0,00 0,00 5
Senna sechriosperma 0,45 0,00 0,00 0,00 0,00 1
Sida cardifolia 0,00 0,45 0,00 0,00 0,00 1
Sida cardifolia 2,25 0,45 0,00 0,00 0,00 6
Sida rhombifoliarcf. 2,25 0,45 0,00 0,00 0,00 6
Sida urens 0,90 0,00 0,00 0,00 0,00 2
Spondias tuberosa 0,45 0,00 0,00 0,00 0,00 1
Staelia sp 0,45 0,00 0,00 0,00 0,00 1
Stigmaphyllon sp 1,35 0,00 0,00 0,00 0,00 3
Stylosanthes guianensis 0,45 0,00 0,00 0,00 0,00 1
Turnera pumulea 1,35 0,00 0,45 0,00 0,00 4
Turnera ulmifolia 3,60 0,45 0,00 0,00 0,00 9
Varronia leucocephala 0,45 0,00 0,00 0,00 0,00 1
Waltheria indica 2,25 0,00 0,00 0,00 0,00 5
Ziziphus joazeiro 0,00 0,00 0,00 0,90 1,35 5
Total 162,00 25,00 24,00 2,00 9,00 222
(%) 72,97 11,26 10,8 0,90 4,05 100,00
* Diferença significativa pelo teste Qui-quadrado (P< 0,001)

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