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Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural

Disciplina: Metodologia em Pesquisa Ambiental e Agrária.


Professor: Moisés Balestro.
Mestranda: Joice Marielle da Costa Moreira. Matrícula:

REVISÃO DE LITERATURA EM METODOLOGIA DE PESQUISA AMBIENTAL E


AGRÁRIA.

Nesse trabalho, procuramos realizar uma Revisão de literatura dos textos


trabalhados na disciplina de Metodologia em Pesquisa Ambiental e Agrária. Para
isso, focamos nossa atenção nos conteúdos relacionados ao Desenho de Pesquisa,
e buscamos compreender de que forma é feito e quais as técnicas utilizadas em sua
realização, a partir da visão dos diversos autores trabalhados durante o semestre.

Com isso, buscamos reunir as principais ideias dos autores trabalhados, de


modo a compor um texto que posso contribuir e servir de base para a formulação do
capítulo de Metodologia no Texto de Dissertação de Mestrado. De acordo com o
método de elaboração, nos propomos a realizar aqui uma Revisão Narrativa de
Literatura.

Foram trabalhadas, no decorrer da disciplina, cinco obras de autores distintos:


John Gerring; Gary King, Robert O. Keohane e Sydney Verba; Uwe Flick; Anselm
Strauss e Juliet Corbin; Earl Babbie. Pretendemos, então, revisar os principais
aspectos de cada um dos conteúdos trabalhados nas obras desses autores
propostas para a disciplina.

Começamos pelo estudo da obra de John Gerring, intitulada Social Science


Methodology: a unified framework (Metodologia das Ciências Sociais: uma
abordagem unificada). Nessa obra, John Gerring se propõe a identificar as
atribuições básicas das Ciências Sociais, as estratégias necessárias para que seja
possível concretizar tais atribuições, bem como as condições associadas a cada
atribuição e estratégia, com o objetivo de evidenciar as normas compartilhadas que

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conduzem, de forma implícita ou explícita, as ações na comunidade dos cientistas
sociais. Nesse sentido, Gerring defende que uma abordagem unificada seria útil
para estabelecer um “chão” relativamente comum, que sirva de base para o trabalho
e a reflexão dentro do campo de estudos de Metodologias das Ciências Sociais.

Foram trabalhadas na disciplina as partes I e II da obra de John Gerring.


Composta por quatro capítulos, na primeira parte da obra Gerring busca familiarizar
o(a) leitor(a) com os conceitos gerais presentes na área das ciências sociais.

O primeiro capítulo introduz essa ideia geral, enquanto o segundo (Origens)


traz os dois conceitos compreendidos por Gerring como essenciais a todos os
cientistas sociais. São eles Descoberta e Avaliação (ou Apreciação). Nesse sentido,
Gerring afirma que o principal objetivo da ciência é descobrir coisas novas sobre o
mundo e avaliar o ‘valor verdade’ das proposições vigentes sobre o mundo. Nesse
sentido, as ciências sociais poderiam ser entendidas como uma dupla busca por
‘descoberta’ e ‘avaliação’. Assim, o segundo objetivo da ciência seria assegurar que
os “valores verdade” das proposições sobre o mundo podem ser rigorosamente
testados (GERRING, 2012, p. 01 et. seq.)

Ao citar Karl Popper, Gerring defende que “O critério do status científico de


uma teoria é sua falseabilidade, refutabilidade ou verificabilidade” (Idem, Ibidem, p.
31), sendo que o sinal de que uma proposição é irrefutável seria que “virtualmente
qualquer conclusão poderia ser daí retirada”. Gerring destaca que, embora
verdadeira por definição, tal definição não seria verdadeira se submetida a um teste
empírico. Para Popper é exatamente isso o que acontece com várias teorias
importantes, como o Marxismo e as teorias de Freud. Tais teorias não podem ser
nem comprovadas nem refutadas, não estando, portanto, nem certas, nem erradas.
Afirma, no entanto, que a refutabilidade não é uma questão dicotômica, mas uma
questão de “graus de refutabilidade” (Idem, Ibidem, p. 29), podendo uma teoria ser
mais refutável ou menos refutável, de acordo com os critérios estabelecidos.

Em seguida, já tendo introduzido os objetivos da ciência, o autor se propõe a


analisar suas consequências em atividades metodológicas mais específicas.
Aconselha que a pesquisa seja conduzida de modo exploratório, no qual o principal
objetivo seria encontrar uma “Questão de pesquisa” e uma Hipótese relevantes.

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Para isso, o autor faz orientações específicas, divididas em sessões, e se vale de
verbos de ação para conduzir tais orientações. Assim, para se “achar uma questão
de pesquisa” é importante que o(a) cientista social: Estude a tradição; Comece de
onde está; Saia do próprio “quintal” (no sentido de explorar outras áreas com as
quais não esteja tão familiarizado); “Brinque” com as ideias; Pratique a descrença;
Observe enfaticamente; Teorize amplamente; Pense adiante e Conduza análises
exploratórias.

Em seguida, Gerring discute os critérios que são pertinentes a todos os


Argumentos (Arguments) dentro das Ciências Sociais: Verdade, Precisão,
Abrangência, Delimitações, Parcimônia, Coerência, Comensurabilidade e
Relevância. Define “argumento” como “aquilo que especulamos que possa ser
verdadeiro sobre o mundo”, e defende que um argumento completo consiste em um
conjunto de conceitos chave, hipóteses testáveis (proposições) e, talvez, um modelo
formal ou uma abordagem teórica mais ampla. É importante destacar que, para o
autor, todas as tarefas, estratégias e critérios explorados são formas de se alcançar
ou exemplificar a Descoberta ou a Apreciação (avaliação).

Em Análise, quarto e último capítulo da Parte I, algumas das questões


centrais propostas por Gerring são “O que está sendo discutido?” e “É verdade?”
(Idem, Ibidem, p. 74). Com relação a isso, o autor defende a necessidade de
distinguirmos entre as propriedades formais de um argumento e os métodos por
meio dos quais tentaremos responder ao argumento, o que poderia ser feito por
meio das duas questões por ele propostas. A distinção entre as questões também
marcaria uma separação entre a teoria e a análise, e Gerring afirma que “A
metodologia entra onde o senso comum falha” (Idem, Ibidem, p. 75).

Gerring discute, ainda, questões referentes ao Processo de Testagem da


pesquisa. Para ele, o processo de testagem se divide em dois estágios distintos:
Desenho de Pesquisa e Análise de dados. O estágio do Desenho de Pesquisa
estaria relacionado à seleção e organização da evidência, enquanto o estágio de
Análise de dados seria referente à análise dos dados em si, depois de coletados
(Idem, Ibidem, p. 78). Nesse sentido, o Desenho de Pesquisa sempre antecede a
Análise de dados, embora em pesquisas aplicadas em “ciclos” essa delimitação não
fique tão evidente.

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Assim, questões relativas ao desenho de pesquisa são consideradas
primárias, enquanto as questões relativas à análise de dados são consideradas
secundárias (Idem, Ibidem, p. 79). Uma analogia médica feita por Gerring é a de que
o Desenho de Pesquisa seria uma prevenção a uma doença, enquanto a Análise de
dados seria a tentativa de cura. A conclusão para tal analogia seria que um Desenho
de Pesquisa ruim não pode ser concertado por uma Análise de dados boa.

De forma geral, com relação ao assunto de Desenho de Pesquisa e Análise


de dados, a proposta de John Gerring é mais no sentido de conferir importância ao
Desenho de Pesquisa, e enfatizar que, embora este não seja devidamente
reconhecido por sua importância no âmbito das ciências sociais, se faz essencial, e
que é a partir dessa perspectiva que todo o seu trabalho nesta obra se dará.

Gerring explora as quatro categorias relacionadas ao Desenho de Pesquisa e


Análise de dados, notadamente: Precisão, que se subdivide em Validade (interna e
externa), Precisão e Incerteza; Amostragem, que se subdivide em
Representatividade, Tamanho e Nível de Análise; Acumulação, subdividida em
Padronização, Réplica e Transparência; e Adequação teórica, subdividida em
Validade do Constructo, Rigor e Segmentação. Cada uma das categorias exploradas
é essencial, no sentido de conduzir uma metodologia de pesquisa adequada.

A Parte II da obra está centrada nas “Descrições”. Para Gerring, descrever é


tarefa essencial para se explicar algo, sendo que a definição do termo seria
“proposições empíricas que respondem as questões centrais da pesquisa”: O que?;
Como?; Quando?; Quem?; De que forma? (Idem, Ibidem, p. 107). Na Descrição
estão presentes alguns dilemas, relacionados principalmente à “Incerteza” no
processo de se chegar a um determinado consenso sobre algo.

Embora sejam noções importantes no que se refere à Metodologia de


Pesquisa, buscaremos manter nosso foco centrado nas questões referentes ao
Desenho de Pesquisa. Por essa razão, optamos por não estender nossa análise à II
Parte, de forma a explorar melhor os outros autores estudados que tratam sobre
questões referentes ao Desenho de Pesquisa.

É esse o caso da obra de Gary King, Robert O. Keohane e Sydney Verba


(KKV), de nome “Desenhando a Investigação Social: Inferência científica na

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Pesquisa Qualitativa” (tradução livre). Essa obra trata sobre pesquisa nas ciências
sociais, mais especificamente sobre o desenho de pesquisa, dentro do campo de
Metodologia de Pesquisa. Foram trabalhados, na disciplina, os quatro primeiros
capítulos da obra, os quais buscaremos explorar aqui.

O capítulo inicial, A “ciência” nas Ciências Sociais, busca conectar as


tradições das pesquisas Qualitativas e Quantitativas, por meio da aplicação de uma
lógica de Inferência a ambas. Embora ambas as tradições pareçam ser diferentes, o
que os autores almejam é demonstrar que tais diferenças são “metodologicamente e
essencialmente insignificantes” (KING; KEOHANE; VERBA, 1994, p. 4), se
constituindo, de forma geral, de diferenças de estilo e técnicas específicas (Idem,
Ibidem, p. 3).

Assim, KKV defendem que, embora a pesquisa quantitativa tenha como


característica estilística o uso de medidas numéricas, métodos estatísticos e
métodos facilmente reproduzíveis e a pesquisa qualitativa, por outro lado, faça uso
de pequenas quantidades de casos ou eventos particulares e os investigue por meio
de análises históricas e entrevistas, ambas as abordagens são sistemáticas e tem
como base a pesquisa científica (Idem, Ibidem, p. 5). Além disso, KKV afirmam que
a maioria das pesquisas não podem ser definidas como unicamente Qualitativas ou
Quantitativas, sendo o mais comum que se utilize elementos de ambas em
momentos diferentes da pesquisa.

A partir disso, os autores buscam enumerar as características que ambas as


pesquisas Qualitativas e Quantitativas têm em comum, sendo o resultado o que se
segue: 1) O objetivo é a Inferência, seja a Inferência Causal, na qual se observa os
efeitos causais nos dados observados, ou Inferência Descritiva, na qual se utiliza
observações sobre o mundo para depreender outros fatos que não os observados;
2) Os procedimentos da pesquisa são públicos, o que torna possível que as técnicas
de coleta de dados possam ser reproduzidas e investigadas por qualquer uma das
partes interessadas ou envolvida; 3) As conclusões são incertas, uma vez que as
incertezas constituem um aspecto central de qualquer pesquisa e conhecimento de
mundo; 4) O conteúdo é o método, pois a pesquisa científica se adequa a um
conjunto de regras de inferência das quais sua validade depende (Idem, Ibidem, p.

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9), portanto o conteúdo são as regras, não o assunto em si, uma vez que qualquer
assunto tem a possibilidade de ser pesquisado cientificamente.

No que se refere à questão do Desenho de Pesquisa, os autores defendem


que os principais componentes do Desenho da Pesquisa Científica são a Questão
de pesquisa, a Teoria, os Dados e o Uso dos Dados. Afirmam que esses
componentes não são trabalhados pelos pesquisadores de forma desvinculada uns
dos outros, e que também não são trabalhados de acordo com uma ordem pré-
estabelecida (Idem, Ibidem, p. 13). KKV enfatizam que isso pode ser percebido, por
exemplo, se o trabalho de campo começar antes da delimitação do tema de estudo
(e, portanto, do desenho de pesquisa), em oposição a pesquisas que se iniciam com
o desenho de pesquisa, em si. Ambas as possibilidades são válidas e correntes no
mundo da pesquisa.

KKV chamam a atenção para as formas de se aprimorar os componentes do


desenho de pesquisa (Questão de pesquisa, Teoria, Dados e Uso dos Dados
coletados). Para isso, fazem uma série de sugestões de aprimoramento de tais
componentes.

O primeiro grupo de sugestões está em Aprimorando Questões de Pesquisa.


Os autores sugerem, nesse tópico, que a Questão de Pesquisa deve, em primeiro
lugar, constituir importância para o mundo real. Em segundo lugar, deve contribuir
de alguma forma com a literatura produzida na área da Pesquisa, de forma a
colaborar com a construção de um conhecimento comum em determinada área.

O segundo grupo de sugestões está em Aprimorando a Teoria. A primeira


recomendação de KKV nessa seção se refere a escolher teorias que possa estar
erradas. Defendem, nesse sentido, que muitas vezes é possível aprender muito
mais a partir de teorias que não se confirmam. Além disso, só há uma teoria a partir
do momento em que é possível responder à seguinte pergunta: “Qual evidência
seria capaz de nos convencer de que estamos errados?” (Idem, Ibidem, p. 19).

Em segundo lugar, KKV afirmam que, para nos certificarmos de que uma
teoria é falseável, devemos escolher uma teoria que seja capaz de gerar quantas
implicações observáveis forem possíveis, o que possibilitará uma maior variedade

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de dados, além de contribuir para a construção de evidência mais forte para a teoria
em questão (Idem, Ibidem, loc. cit.).

Em terceiro lugar, os autores recomendam que, no que se refere ao desenho


de teorias, devemos ser o mais concretos possível, pois tal concretude possibilita
uma identificação mais fácil de teorias que possam estar erradas, aumentando a
precisão dos resultados a serem obtidos.

O terceiro grupo de sugestões está em Aprimorando a qualidade dos dados.


Segundo KKV, Dados são elementos coletados de forma sistemática, contendo
informações sobre o mundo, e podem se apresentar de forma qualitativa ou
quantitativa. Em relação à qualidade dos dados, os autores recomendam que os
processos por meio dos quais os dados são gerados e coletados devem ser
sistematicamente descritos e registrados. Isso tornará possível que o método de
coleta utilizado seja reproduzido por outros pesquisadores, convergindo para a
possibilidade de que o método seja replicado (KING; KEOHANE; VERBA, 1994, p.
23 et. seq.; GERRING, 2012, passim.).

A segunda recomendação é que o pesquisador colete dados sobre a maior


quantidade possível de implicações observáveis (contextos diferentes), de modo a
avaliar melhor uma teoria. (KING; KEOHANE; VERBA, 1994, p. 24). A terceira
recomendação consistiria em Maximizar a validade das medidas, no sentido de ser
capaz de medir exatamente o que achamos que estamos medindo, o que confere
validade à medida utilizada (Idem, Ibidem, p. 25). A quarta recomendação reside em
nos certificarmos de que os métodos de coletas de dados são confiáveis. A quinta e
última recomendação de dos autores é que todos os dados e toda a análise devem,
sempre que possível, ser passíveis de serem replicados. (Idem, Ibidem, p. 26).

O quarto e último grupo de sugestões está no tópico Aprimorando o uso de


dados existentes. Em primeiro lugar, KKV recomendam que, sempre que possível,
devemos usar dados para gerar inferências que não tenham viés, ou seja, que de
forma geral, sejam corretas. (Idem, Ibidem, p. 27). A segunda recomendação
consiste em maximizar a informação usada para realizar a inferência causal ou
descritiva (Idem, Ibidem, p. 28).

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Em Inferência Descritiva King, Keohane e Verba distinguem os termos
“Interpretação” e “Inferência”. Na Interpretação se buscaria resumos precisos de
detalhes históricos, alocando os eventos em um “contexto inteligível no qual o
significado das ações se torna ‘explicável’” (Idem, Ibidem, p. 36), como uma forma
de compreensão dos aspectos intencionais do comportamento humano. Nesse
sentido, os autores defendem que se faça uma “imersão cultural profunda” antes de
se formular as Questões de pesquisa, mas argumenta que a Inferência é um método
científico, não um método emocional, devendo, portanto, ser conduzido como tal,
para que se obtenha eficiência. Os autores defendem, ainda, a necessidade de se
distinguir quais eventos são sistemáticos e quais não o são, pois caso isso não seja
feito, há o risco de que “as lições da história se perderão, e nós não aprenderemos
nada sobre quais aspectos do nosso assunto são mais prováveis de persistirem ou
de serem relevantes para estudos ou eventos futuros” (Idem, Ibidem p. 63).

Já em Causalidade e Inferência Causal os autores trabalham em uma


definição rigorosa e extensa sobre o termo Causalidade, apropriada aos contextos
de pesquisa qualitativa e quantitativa. Em seguida, esclarecem várias noções
alternativas de causalidade na literatura, e buscam demonstrar que tais noções
estão em sintonia com a definição explorada na obra. Discutem os pressupostos e
as hipóteses necessárias para que se obtenha evidências confiáveis. Trabalham,
também, as 5 Regras para se construir teorias causais: 1) Construa teorias
refutáveis; 2) Construa teorias consistentes internamente; 3) Selecione variáveis
dependentes de forma cuidadosa; 4) Maximize concretude; 5) Estabeleça teorias o
mais abrangentes possível.

Determinando o que observar, quarto capítulo da obra de King, Keohane e


Verba, traz, entre outros tópicos, uma seção sobre os Desenhos de Pesquisa
‘Indeterminados’. Em relação a isso, os autores afirmam que desenhos de pesquisa
indeterminados infelizmente ocorrem tanto nas pesquisas qualitativas quanto nas
pesquisas quantitativas, embora assumam especificidades em cada um dos tipos.
Nas pesquisas quantitativas, a consequência de um desenho de pesquisa
indeterminado reside na impossibilidade de os programas de computador
conseguirem chegar a um resultado quando há erro. Um desenho de pesquisa
indeterminado na pesquisa qualitativa também pode gerar problemas, mas se o

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pesquisador souber o caminho que percorreu para obter seus dados, será mais fácil
transpor os problemas gerados e seguir a diante na análise de dados ou mesmo na
coleta de novos dados.

A partir deste ponto, o foco dos autores está principalmente em como os


casos ou observações devem ser selecionados para que seja possível construir uma
boa análise. Nesse sentido, defendem que “devemos buscar derivar tantas
implicações observáveis de nossas teorias quanto for possível, e testar quantas
dessas for viável” (KING; KEOHANE; VERBA, 1994, p. 115).

Seguindo a ordem das obras trabalhada, em seguida temos a obra de Uwe


Flick, chamada Desenho de Pesquisa Qualitativa. Na disciplina a que este trabalho
se destina, foram trabalhados apenas os capítulos de 2 a 6. De forma geral,
segundo Flick, a função do livro seria descrever de forma ampla os problemas e
soluções no campo do desenho de pesquisa qualitativa, além de estabelecer uma
estrutura aos outros livros que compõem a coleção na qual está inserido, tanto em
nível prático quanto metodológico (FLICK, 2007, p. 12).

Em De uma ideia a uma Questão de Pesquisa, segundo capítulo da obra, o


autor define como objetivos do capítulo fazer com que o aluno/ leitor/ pesquisador
seja capaz de: Compreender de que forma as experiências pessoais podem
determinar temas de pesquisa, no sentido de despertar o interesse do pesquisador
pelo tema; Expandir o conhecimento, de forma que um interesse se transforme em
uma “questão de pesquisa”; Compreender a importância de se adotar um ponto de
vista e fazer uso da teoria na realização da pesquisa qualitativa (Idem, Ibidem, p.
33). Segundo Flick, o segundo capítulo da obra se direciona a tratar de questões de
planejamento e preparação do estudo, além de introduzir ações de pesquisa
propriamente ditas no campo (Idem, Ibidem, p. 31). Flick se propõe, então, a discutir
questões e problemas de planejamento a partir de exemplos concretos retirados de
sua própria pesquisa.

Para tanto, o autor parte de Interesses e ideias para pesquisa: exemplos para
demonstrar de que forma os interesses ou vivências pessoais do(a) pesquisador(a)
podem se tornar Questões de Pesquisa, por meio dos exemplos concretos. Em
seguida, no tópico Assumindo uma perspectiva de pesquisa, Flick afirma que o

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passo que se segue à ideia para a pesquisa é o de assumir uma perspectiva, ou um
lugar de fala, no sentido de ponto de vista, dentro da pesquisa.

Uma das perspectivas mais comumente usadas, de acordo com Flick, se


refere a desenvolver uma teoria a partir dos dados. Trata-se da Pesquisa em Teoria
fundamentada, ou seja, que parte dos fenômenos e práticas em direção à teoria e à
explicação. A isso, Flick chama de Perspectiva de baixo para cima (Idem, Ibidem, p.
38).

Outra possibilidade está relacionada a “se concentrar em experiências


pessoais de quem teve determinadas experiências” (Idem, Ibidem, p. 36), de modo a
“dar aos indivíduos com essa experiência o espaço para fazer um relato de suas
vidas em uma entrevista” (Idem, Ibidem, loc. cit.). Essa seria, segundo o autor, a
Teoria de Representação Social, e se daria a partir dos conceitos teóricos e modelos
científicos em direção às práticas do dia-a-dia. A isso Flick chama de Perspectiva de
cima para baixo (Idem, Ibidem, p. 38). Assim, caso se entre em contato com
diferentes formas de se vivenciar determinado tipo de experiência, por parte de
pessoas também distintas, é possível comparar as experiências, de modo a elaborar
uma tipologia das diferentes formas de se encarar uma experiência, e em seguida,
talvez elaborar novas teorias, por exemplo, de enfrentamento ao evento, embora
esse passo não seja obrigatório e não se complete em todas as pesquisas.

No tópico Usando a teoria na pesquisa qualitativa Flick afirma existir um mito


de que a pesquisa qualitativa não parte de uma teoria existente. Em seguida, debate
esse argumento a partir da perspectiva de que “Também na pesquisa qualitativa
temos que partir das teorias existentes e dos resultados da pesquisa empírica, a
menos que queiramos correr o risco de ser ingênuos ao dar início à nossa pesquisa”
(Idem, Ibidem, loc. cit.)

Em Desenvolvendo uma pergunta de pesquisa, último tópico do capítulo 2,


Uwe Flick trata sobre a necessidade de deixarmos claro, durante a definição da
questão de pesquisa, tanto para nós mesmos(as) quanto para nossos leitores, o que
exatamente estamos nos propondo a estudar. Isso nos permite desenvolver
desenhos de pesquisa e instrumentos de pesquisa, de forma a obter um conjunto de
dados claros e relevantes (Idem, Ibidem, p. 39 et. seq.).

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Assim, há diferentes caminhos que podemos seguir para uma definição bem
sucedida da questão de pesquisa. Flick propõe dois caminhos: um deles seria
começar pela definição e formulação da pesquisa, seguida por sua devida aplicação,
por meio do trabalho empírico, de forma a obter uma resposta. O outro seria
começar com uma observação mais geral, seguida pelo direcionamento da pergunta
de pesquisa durante seu desenvolvimento (FLICK, 2007, p. 41).

Por fim, o autor faz uma conclusão do capítulo, na qual afirma que os passos
apresentados “são importantes para fazer funcionar um desenho e um estudo no
caso concreto”. Além disso, defende que “se deve planejar e escolher uma
perspectiva de pesquisa, e fazer o trabalho necessário na fase de planejamento de
seu projeto” (Idem, Ibidem, loc. cit.).

Em Amostragem, seleção e acesso, o autor objetiva fazer com que o leitor(a) /


pesquisador(a) seja capaz de: Enxergar as diferentes lógicas de amostragem na
pesquisa qualitativa; Conhecer os níveis em que se tomam as decisões na pesquisa
qualitativa; “Entender que a amostragem de casos é complementada pela
amostragem em casos”; 4) Aprender sobre como acessar um campo.

O autor propõe um questionamento sobre o termo “amostragem”, e se o


mesmo seria adequado em casos de pesquisa qualitativa. Como a pesquisa
qualitativa busca alcançar a possibilidade de realizar generalizações, o autor propõe
que o termo “amostragem” continue a ser utilizado (FLICK, 2007, p.43).

Em seguida, Flick defende que a amostragem segue lógicas distintas na


pesquisa qualitativa, havendo dois tipos básicos: Uma delas seria uma amostragem
mais formal, com critérios estabelecidos previamente. A outra seria um tipo de
amostragem mais flexível, que teria seu foco principal nas necessidades que
aparecem durante a realização da pesquisa. (Idem, Ibidem, p.44).

De acordo com Uwe Flick, Miles e Huberman (1994, p. 16-18) propõem outra
forma de distinção para os desenhos de pesquisa, de importante relevância. Tal
distinção seria entre Desenhos de Pesquisa rígidos e Desenhos de Pesquisa mais
amplos, possuindo cada um dos tipos suas devidas vantagens, conforme o projeto
concreto e as circunstâncias (FLICK, 2007, p. 45). Nesse sentido, os Desenhos de
Pesquisa rígidos teriam como principal característica as perguntas fechadas e

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restritas (respostas em sim ou não) e procedimentos de seleção de dados pré-
estruturados.

Ainda segundo Flick, Miles e Huberman recomendam que os Desenhos de


Pesquisa rígidos sejam utilizados por pesquisadores com pouca experiência em
pesquisa qualitativa, ou, ainda, “quando a pesquisa se baseia em constructos
claramente definidos e quando se restringe à investigação de relações específicas
em contextos conhecidos”, pois facilitam a seleção, comparação e o resumo de
dados relevantes para a pesquisa. (Idem, Ibidem, loc. cit.).

Os Desenhos de Pesquisa amplos, por outro lado, seriam recomendados em


casos nos quais houvesse conceitos menos definidos ou procedimentos
metodológicos menos fixos, sendo indicado por Miles e Huberman para
pesquisadores com experiência em pesquisa qualitativa em diferentes campos do
conhecimento (Idem, Ibidem, loc. cit.).

Ainda em relação à amostragem, Flick busca mostrar que esta pode tratar de
diferentes níveis, podendo abranger lugares, pessoas, eventos, grupo, materiais,
casos etc., a depender da pergunta de pesquisa e dos métodos aplicados. A nível de
conclusão, Flick afirma que “Resumindo, a amostragem é um passo crucial no
desenho da pesquisa qualitativa, dado que é aquele em que se reduz o horizonte
potencialmente infinito de materiais e casos possíveis para seu estudo a uma
seleção administrável e, ao mesmo tempo, justificável.” (Idem, Ibidem, p. 52).

Embora tratados de forma ampla no capítulo 3, os Desenhos de pesquisa são


tema do quarto capítulo na obra de Flick (Desenhos em Pesquisa Qualitativa).
Nesse capítulo, o autor traz como objetivos fazer com que o(a) leitor(a) /
pesquisador(a) / aluno(a) seja capaz de: Compreender o papel dos desenhos de
pesquisa na pesquisa qualitativa; Conhecer os componentes do desenho e quais as
influências na construção do desenho de pesquisa; Conhecer os desenhos básicos
de pesquisa; Compreender o que torna um desenho de pesquisa com ou ruim, por
meio de exemplos do autor (FLICK, 2007, p. 57).

Segundo Uwe Flick, o conceito de Desenho de Pesquisa é menos comum na


pesquisa qualitativa do que na pesquisa quantitativa, e há especificidades nesse
contexto. Na pesquisa quantitativa, o desenho de pesquisa desempenha um

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importante papel enquanto instrumento de pesquisa, sendo o “principal instrumento
para planejar a pesquisa e garantir a qualidade de seus resultados” (Idem, Ibidem,
loc. cit.). Para corroborar com esse argumento, Flick menciona Ragin, que afirma
que:

O desenho de pesquisa é um plano para coletar e analisar as evidências


que possibilitarão ao investigador responder a quaisquer perguntas que
tenha feito. O desenho de uma investigação toca em quase todos os
aspectos de uma pesquisa, desde os detalhes minuciosos da coleta de
dados até a seleção de técnicas de análise de dados. (FLICK, 2007, p. 58
apud. RAGIN, 1994, p. 191)

Em relação aos componentes do Desenho de Pesquisa, Flick os divide no


decorres de seu texto por meio dos seguintes tópicos: Amostragem, Comparação
Pretendida, Generalização Pretendida, Questões relativas à qualidade, Públicos e
Escritos, Triangulação, Limitando o foco (Idem, Ibidem, p. 60-67). Flick define um
bom desenho de pesquisa da seguinte maneira:

Um bom desenho tem um foco claro e está construído em torno de uma


pergunta de pesquisa clara. Tanto o desenho quanto a pergunta permitem
que a pesquisa reduza o estudo ao tema essencial para responder à
pergunta. Um bom desenho torna a pesquisa administrável em termos de
recursos e tempo e é claro nas decisões sobre amostragem e nas razões
para se usar determinados métodos. Também está bem relacionado ao
pano de fundo teórico e baseado na perspectiva de pesquisa do estudo. Por
fim, reflete as metas da generalização e os públicos do estudo e, mais
concretamente, permite fazer as comparações que se pretendem no estudo.
Visto assim, um bom desenho de pesquisa é resultado de reflexão,
planejamento e decisões claras sobre os passos de sua construção, que
foram discutidos neste capítulo. Entretanto, um bom desenho deve, ao
mesmo tempo, ser sensível, flexível e ajustável às condições em campo, e,
nesse sentido, estar aberto a novas visões resultantes dos primeiros passos
ou durante o processo de pesquisa. (FLICK, 2007, p. 72-73)

Uwe Flick trabalha, ainda, questões relativas aos Recursos e Obstáculos


presentes durante a pesquisa, assim como as questões relativas à Qualidade na
pesquisa qualitativa. Nesse sentido, defende que tais questões são de fundamental
importância na pesquisa qualitativa, especialmente no que diz respeito ao desenho
de pesquisa. Afirma que “A qualidade, nesse contexto, está intimamente ligada à

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padronização e ao controle da situação de pesquisa e às influências que ela sofre”
(FLICK, 2007, p. 87), de forma a possibilitar que o pesquisador controle e exclua
influências perturbadoras, de fora ou do próprio viés do pesquisador.

Na sequência das obras trabalhadas em sala está o livro Pesquisa


Qualitativa: Técnicas e Procedimentos para o desenvolvimento da Teoria
Fundamentada. Embora questões relativas à Teoria Fundamentada também tenham
sido trabalhadas brevemente por Flick (2007, p. 38), na obra de Strauss e Corbin o
tema aparece mais esmiuçado, já que se trata de uma obra inteira para a análise do
tema. No entanto, apenas os capítulos de 7 a 11 foram trabalhados na disciplina, e é
sobre esses capítulos que nossa atenção recairá.

Assim, no sétimo capítulo o autor e a autora definem o termo “ferramentas


analíticas” como “mecanismos e técnicas usadas por analistas para facilitar o
processo de codificação” (STRAUSS; CORBIN, 2008, p. 91), podendo ser utilizadas
para fazer comparações e formular perguntas. O objetivo das ferramentas analíticas
seria “aumentar a sensibilidade, ajudar o usuário a reconhecer “tendências” até certo
ponto e ajudá-lo a superar “bloqueios analíticos”” (Idem, Ibidem, loc. cit.). Já o
objetivo da análise é construir teoria de forma a investigar determinado caso e
descobrir o que esse caso revela sobre os outros casos. Ou seja, do mais específico
para o mais geral.

Segundo Strauss e Corbin, “O caso específico fornece diretrizes


(propriedades e dimensões) para analisar todos os casos, permitindo aos
pesquisadores passar da descrição para a conceitualização e do mais específico
para o mais geral ou abstrato” (Idem, Ibidem, p. 92). Isto torna possível reconhecer
igualdades e variações dentro das categorias.

Nesse sentido, seriam 10 os objetivos das ferramentas analíticas: Evitar que o


pesquisador fique preso apenas dentro da literatura técnica e da experiência
pessoal; Evitar formas padronizadas de pensar os fenômenos; Estimular a indução;
Não presumir, mas focar no que está nos dados; Promover esclarecimento e
desmistificação dos que estão sendo estudados; Perceber o ‘dizer’ em
contraposição ao ‘fazer’. Evitar ignorar os “diamantes brutos” durante a análise de

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dados; Estimular perguntas e respostar provisionais; Permitir rotulação provisória de
conceitos, se proveitoso; Descobrir as propriedades e dimensões das categorias.

Em seguida, Strauss e Corbin passam a explicar individualmente cada uma


das ferramentas analíticas, que são: O uso do questionamento; Análise de uma
palavra, uma frase ou um parágrafo; Análise adicional por meio de comparação
(subdividida em três técnicas de comparação: A técnica flip-flop; Comparação
sistemática de dois ou mais fenômenos; Acenando a bandeira vermelha).

Em Codificação aberta, esse termo é definido como “processo analítico por


meio do qual os conceitos são identificados e suas propriedades e dimensões são
descobertas nos dados” (STRAUSS; CORBIN, 2008, p. 103). O autor e a autora
ainda elucidam alguns termos que serão utilizados no decorrer do capítulo:
fenômenos; conceitos; categorias; propriedades; dimensões; subcategorias. A
codificação seria um processo de desdobrar a análise, e embora seja uma tarefa
artificial, os autores defendem que é necessária, uma vez que possibilita a
compreensão da lógica por detrás da análise, por meio do uso de técnicas e
procedimentos. É importante que o pesquisador não o faça de forma puramente
mecânica, mas que tente obter as respostas e dosar o processo de forma pertinente.

Assim, os autores se propõem a discutir conceitos e o ato de


conceitualização, nas seções intituladas: Ciências e Conceitos; Conceituação
(subdividida em: Conceituação conduzindo à classificação; Objetos classificados de
formas múltiplas; Conceituação ou abstração; Exemplo de conceituação; Cavando
mais fundo a análise). Em seguida, explicam como as categorias são descobertas
nos dados e desenvolvidas (propriedades e dimensão), durante as seções:
Descobrindo categorias (subdividida em: Categorias e fenômenos; Nomeando
categorias e subcategorias; Desenvolvendo categorias em termos de propriedades e
dimensões; Subcategorias); e por fim, traz uma visão geral das técnicas para a
codificação aberta, na seção Variações na forma de fazer codificação aberta.

As principais formas seriam a “análise linha por linha”, que possibilitaria uma
codificação teórica, uma análise “de uma frase ou parágrafo inteiro”, quando há
várias categorias e o pesquisador quer categorizar em relação a elas, e “ler o
documento inteiro e perguntar o que está acontecendo”, ou seja, tentar ter uma

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visão ampla do que está acontecendo para tentar encontrar categorias que
classifiquem adequadamente os dados que se tem.

Por último, Anselm Strauss e Juliet Corbin trazem uma seção de nome
Redigindo notas de codificação, na qual fornecem dicas de como registrar por
escrito, ou transcrever, o processo de codificação. Esse processo pode envolver,
por exemplo, memorandos e alguns programas de computador. O importante é que
cada pessoa deve encontrar qual o sistema se adequa mais às suas necessidades
ou preferências.

Em Codificação Axial, o termo ‘Axial’ é definido como “O processo de


relacionar categorias às suas subcategorias. É chamado de “axial” porque ocorre em
torno do eixo de uma categoria, associando categorias ao nível de propriedades e
dimensões” (STRAUSS; CORBIN, 2008, p. 123). Alguns dos outros termos
conceituados pelos autores e importantes para a compreensão do que é proposto no
capítulo são: o Paradigma; Estrutura; Processo.

Os autores defendem a importância dos “esquemas explanatórios” (ou


explicações), e afirmam que eles “não apenas guiam o comportamento, como
também garantem algum controle e previsibilidade aos fatos” (Idem, Ibidem, loc. cit.).
Segundo eles, “O objetivo da codificação axial é começar o processo de
reagrupamento dos dados que foram divididos durante a codificação aberta” (Idem,
Ibidem, p. 124). Propõem-se, então, a “descrever a lógica por trás da codificação
axial, e demonstrar como reunir dados nos níveis de propriedade e dimensão,
formando categorias densas, bem desenvolvidas e relacionadas” (Idem, Ibidem, p.
loc. cit.).

Strauss e Corbin lembram que o paradigma é o meio, não o fim, portanto


deve ser tratado como tal. Além disso, destacam a importância de se manter diários
de campo no qual expliquem seus processos de pensamento, pois nos momentos
de redação tais diários auxiliam o pesquisador a explicar como chegou às suas
conclusões e quais processos reflexivos percorreu.

No décimo capítulo, os autores definem Codificação seletiva como “O


processo de integrar e de refinar a teoria” (STRAUSS; CORBIN, 2008, p. 143), e
buscam, no decorrer do capítulo, descrever os processos de integrar e refinar as

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categorias. Afirmam que a integração vai desde os primeiros passos da análise até o
final da redação, e que diversas técnicas podem ser utilizadas para facilitar tal
processo. Após destacado o esquema teórico, a teoria poderá ser refinada, e a
validação será feita por meio da comparação com dados brutos ou de sua
apresentação aos informantes / participantes, sendo que as reações mostrarão a
validade da teoria.

Em Codificação para processo, Strauss e Corbin definem processo como


“sequências de ação/interação evolutiva, mudanças que podem ser associadas a
mudanças nas condições estruturais” (Idem, Ibidem, p. 160). Para eles, “trazer o
processo para a análise é uma parte essencial da técnica de construção da teoria”
(Idem, Ibidem, loc. cit.), e se propõem a explicar o que querem dizer com o termo
processo e como se pode descobrir processo nos dados. Afirmam que não estão
propondo uma mudança de análise, apenas uma sutil mudança no foco analítico.

Desse modo, os autores afirmam que processo e estrutura estão


intrinsecamente ligados, e que embora o processo possa assumir diversos papéis, o
importante é a perspectiva que temos dele, ou que ele assume, já que “a teoria sem
processo perde uma parte vital de sua história – a forma como a ação/interação se
desenvolve” (Idem, Ibidem, p. 175).

A última obra a ser analisada é o livro de Earl Babbie intitulada Métodos de


Pesquisa de Survey (2003). No entanto, apenas a parte 2 da obra foi trabalhada, e
está relacionada ao Desenho de Pesquisa de Survey, constituindo-se dos capítulos
de 4 a 8. Nessa parte da obra, o autor se propõe a examinar alguns dos tipos de
survey, a seleção de amostras e a questão da medição.

Babbie afirma que é comum que a análise de dados seja considerada mais
empolgante e desafiadora do que o desenho do survey e a coleta de dados, e
defende que, embora concorde com esse pensamento, o desenho e a coleta de
dados devem receber atenção especial, e que é de fundamental importância
escolher um desenho de pesquisa que se adeque às necessidades de cada
pesquisa, observando suas especificidades (BABBIE, 2003, p. 101).

No capítulo referente a Tipos de Desenho de Pesquisa, o autor defende que,


embora o termo pesquisa de survey se refira a um tipo particular de pesquisa social

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empírica, há muitos tipos de survey, podendo incluir, segundo o autor, censos
demográficos, pesquisas de opinião pública, pesquisas de mercado, estudos
acadêmicos, entre outros. Os objetivos do capitulo residem em: Discutir os possíveis
objetivos da pesquisa survey; examinar o conceito de unidade de análise; Fornecer
uma visão geral das estratégias disponíveis para que a pesquisa survey atinja sua
finalidade.

Babbie defende que, embora apresentados alguns tipos de survey, esses não
se esgotam, podendo ser realizadas adaptações nos tipos. Além disso, o desenho
de pesquisa geralmente se constitui de uma combinação de diferentes tipos de
survey, de forma a adaptar a que melhor se encaixa nas necessidades de cada
pesquisa.

Earl Babbie trata, ainda, sobre A lógica da Amostragem do Survey. Segundo


o autor, nesse livro o termo survey se refere a “survey por amostragem”, que se
relaciona a uma parcela de determinado grupo, em oposição à análise de todos os
componentes do grupo analisado. O autor defende que o uso de amostras é bem
aceito em pesquisas, mas não se conhece muito bem o porquê de usá-la. Então o
autor faz uma breve contextualização desse uso, na sessão chamada “Por que fazer
amostragem?”, na qual defende que as principais razões residem na eficiência de
tempo e de custo, além da precisão dos resultados obtidos.

Em seguida traz, na seção de mesmo nome, o questionamento “Dados por


amostragem são realmente exatos?”. Nesse sentido, o autor defende que, embora
haja um risco, os resultados geralmente se mostram precisos. No entanto, é
necessário ter cuidado, já que pode haver certa ambiguidade nos resultados obtidos.
Em “Dois tipos de métodos de amostragem” Babbie faz a distinção entre
amostragem probabilística e amostragem não probabilística. O termo probabilístico
está relacionado à probabilidade, e neste capítulo o autor foca as atenções na
amostragem probabilística.

O capítulo intitulado Exemplos de desenhos de amostragem traz algumas


considerações do autor sobre alguns dos principais desenhos de amostragem,
embora não sejam apresentados de forma exaustiva. O autor o faz por meio de
quatro exemplos concretos: 1) Amostragem estratificada sistemática de estudantes

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da universidade do Havaí; 2) Amostragem por conglomerados de professores de
escolas de medicina nos EUA; 3) Amostra por conglomerados de mulheres de
igrejas episcopais no norte da Califórnia; 4) Amostra complexa de área, projetada
para um survey de residências em Oakland, Califórnia.

Em Conceituação e desenho de instrumentos Babbie afirma que a pesquisa


científica tem duas metas principais: a descrição e a explicação. Nesse sentido,
busca fundamentar os processos de descrição e explicação, bem como examinar a
lógica e as possibilidades de medição descritiva. O faz a partir de “notas gerais
relativas à lógica da conceituação e da operacionalização” (BABBIE, 2003, p. 179).
Em seguida, se propõe a considerar os diferentes tipos de dados que podem ser
observado em um survey e, por último, discorre sobre técnicas para se construir
boas perguntas.

Por ultimo, Babbie aborda a questão da medição, e objetiva auxiliar na


Construção de Índices e Escalas como medidas de variáveis. O autor afirma que
índices e escalas são eficientes para a análise de dados, e funcionam como uma
forma de fazer uma redução dos dados, ao mesmo tempo em que preserva
praticamente todas as informações (Idem, Ibidem, p. 220 et. seq.).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BABBIE, Earl. Métodos de Pesquisas de Survey. Tradução: Guilherme Cezarino.


2ª reimpressão. Editora UFMG. Belo Horizonte, 2003. Caps. 4, 5, 6, 7 e 8. pp. 101 –
252.

FLICK, Uwe. Designing Qualitative Research. London, Sage Publications, 2007.


Caps 2 a 6. pp. 33 a 94. Versão do texto consultada para a sistematização : Versão
Brasileira.

GERRING, John. Social Science Methodology: a unified framework. Cambridge


University Press. Cambridge, 2012. Partes I e II. pp. 01 – 163.

KING, Gary; KEOHANE, Robert O. et VERBA, Sydney. Designing Social Inquiry:


Scientific Inference In Qualitative Research. Princeton, Princeton University
Press, 1994. Capítulos 1, 2, 3, 4. pp. 01 – 149.

STRAUSS, Anselm et CORBIN, Juliet. Pesquisa Qualitativa: Técnicas e


Procedimentos para o desenvolvimento de teoria fundamentada. Tradução:
Luciane de Oliveira da Rocha, 2ª edição, Porto Alegre, Artmed e bookman, 2008.
Caps. 7, 8, 9, 10, 11. pp. 91 – 175.

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