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CENTRO UNIVERSITÁRIO PROJEÇÃO

ESCOLA DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS


CURSO DE DIREITO
THIAGO HENRIQUE DE SOUSA LIMA

A PRÁTICA DE DUMPING SOCIAL E O POSICIONAMENTO


DA JUSTIÇA DO TRABALHO

BRASÍLIA/DF
2018
THIAGO HENRIQUE DE SOUSA LIMA

A PRÁTICA DE DUMPING SOCIAL E O POSICIONAMENTO


DA JUSTIÇA DO TRABALHO

Trabalho de conclusão de curso apresentado


perante Banca Avaliadora do curso de Direito
da Escola de Ciências Jurídicas e Sociais do
Centro Universitário Projeção como pré-
requisito para a aprovação na disciplina de
“TCC 2” e para a obtenção do grau de bacharel
em Direito.

Área de concentração: Direito do Trabalho


Orientador: Prof. Fernanda da Rocha Teixeira

BRASÍLIA/DF
2018
AGRADECIMENTOS

A Deus pela força, a minha família pela compreensão, a professora pela


orientação e técnica.
RESUMO: Esta pesquisa tem por objetivo abordar a prática de Dumping Social e o
posicionamento da Justiça do Trabalho bem como as repercussões jurídicas desta
prática, busca pontuar o entendimento doutrinário sobre a temática, bem como o
posicionamento jurisprudencial, busca também responder à problemática sobre a
aplicabilidade deste instituo no ordenamento pátrio. Serão abordados alguns
princípios constitucionais e direitos fundamentais, dentre eles o da função social da
propriedade, valor social do trabalho e da livre iniciativa bem como a dignidade do
trabalhador. Discute-se a responsabilização pela prática de Dumping Social bem
como a atuação do judiciário em coibir tal prática, inclusive da análise de atuação de
ofício. Destaca-se nesse particular grande divergência jurisprudencial notabilizando o
posicionamento do TST bem como o posicionamento doutrinário capitaneado pelo
doutrinador Jorge Souto Maior, ademais serão analisados alguns institutos do direito
comparado em face de sua similitude com a temática aqui proposta destacando entre
estes o Punitive Damage e a Fluid Recovery ambos do direito norte-americano, país
onde o juiz tem amplos poderes, inclusive resolvendo diversas demandas de ofício.
Quanto à atuação de ofício, o presente trabalho também se baliza pelos estudos de
Mauro Cappelletti que já previa a possibilidade do magistrado atuar de ofício em face
dos novos desafios sociais existentes, outro tópico a ser abordado é referente à
repercussão social do Dumping Social, sendo este uma faceta do Dano social, vez
que atinge toda à sociedade, notabilizando neste ponto os estudo do professor
Antonio Junqueira de Azevedo.
.
Palavras-chave: Dano; Indenizações; Social; Ofício; Jurisprudência

ABSTRACT: This research aims to address the practice of Social Dumping and the
positioning of Labor Justice as well as the legal repercussions of this practice, seeks
to punctuate the doctrinal understanding on the subject, as well as the jurisprudential
positioning, also seeks to answer the problematic about the applicability of this
institution in the country. It will address some constitutional principles and fundamental
rights, including the social function of property, social value of work and free initiative
as well as the dignity of the worker. It is discussed the responsibility for the practice of
Social Dumping as well as the legal action in curbing such practice, including the
analysis of legal action. Particularly noteworthy in this particular case-law divergence
is the positioning of the TST as well as the doctrinal position headed by the doctrine
Jorge Souto Maior, in addition will be analyzed some institutes of comparative law in
face of its similarity with the theme here proposed highlighting among these the
Punitive Damage and to Fluid Recovery both of the American right, where the judge
has ample powers, including solving diverse demands of office. As for the legal action,
the present work is also based on the studies of Mauro Cappelletti, which already
provided for the possibility of the magistrate acting ex officio in the face of new social
challenges, another topic to be addressed is referring to the social repercussion of
Social Dumping, being this is a facet of Social Damage, once it reaches the whole of
society, noting in this point the study of Professor Antonio Junqueira de Azevedo.

Keywords: Damage; Indemnification; Social; Craft; Jurisprudence


SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 5

2 DUMPING SOCIAL NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO ...................... 5

2.1 Etimologia do termo dump e conceituação do termo dumping social .................... 5

2.2 Natureza jurídica do dumping social ..................................................................... 6

2.4 Projeto de lei 1615/2011 regulamentação do dumping social ............................... 9

3. POSICIONAMENTO DO TST ................................................................................10

3.1 A tese de dumping social em seu aspecto material. ........................................... 11

3.1.1 Função social da responsabilidade civil e breves considerações sobre o punitive


damage. .................................................................................................................... 12

3.2 A tese de dumping social em seu aspecto processual, da aplicação de ofício ... 13

3.2.1 Função social do processo e breves considerações sobre a fluid recovery. .... 15

4 DANO SOCIAL DECORRENTE DO DUMPING SOCIAL ...................................... 16

4.1 Dano in re ipsa .................................................................................................... 18

4.2 Abuso de direito .................................................................................................. 19

5 CONCLUSÃO......................................................................................................... 19
1 INTRODUÇÃO

A prática de Dumping Social traz à baila a velha dicotomia capital versus


trabalho, reacende a discussão do ter em prejuízo do ser, eleva o tom do debate
socioeconômico, e escancara uma realidade cruel por detrás do consumismo
exacerbado, ao mesmo tempo convida à sociedade a uma reflexão quanto ao
enfrentamento de tal prática, que remonta a priscas eras em que se tolerava a cultura
escravagista. O Dumping Social é um retrocesso, é um acinte à humanidade, que
superou regimes totalitários e agora se vê refém do poder econômico, que não
conhece limites, que tira tudo de quem não tem “nada”, que se serve da
vulnerabilidade social, administrando-a com mãos de ferro.
A proposta do presente trabalho restringe-se ao cenário nacional, busca
sobretudo conceituar o Dumping Social no ordenamento pátrio, objetivando subsidiar
o leitor de informações quanto à pratica Dumping Social, bem como despertar um
senso crítico nesse, ademais uma outra proposta é analisar se há possibilidade,
quanto aos instrumentos jurídicos existentes de combater tal pratica, ressalte-se que
o debate sobre esta pratica é deveras importante, visto que somente através de uma
conscientização coletiva de todos atores integrantes da sociedade que se poderá
vencer este cancro enraizado na sociedade.
Neste sentido a primeira seção limita-se a conceituar o que vem a ser o
Dumping Social seu impacto na sociedade, sua repercussão social, sua natureza
jurídica, bem como analisar qual a proposta dos representantes da sociedade
(legislativo), para combater tal prática e se há interesse em combatê-la.
A segunda seção é a espinha dorsal da proposta do presente, vez que já há
uma reação da comunidade jurídica, então, como não poderia ser diferente, este tema
divide opiniões no campo jurídico, ressalte-se que a tese jurídica proposta goza de
uma certa aceitabilidade no direito material, contudo em seu aspecto processual a
celeuma reside, quando da aplicação de ofício do magistrado, sendo esta
possibilidade negada pela Corte superior trabalhista.
A terceira seção é uma extensão da primeira, contribui, sobretudo, para
demonstrar que trata-se de um dano que não atinge somente os trabalhadores, atinge
toda a sociedade, é um dano essencialmente notabilizado pela conduta do agente e
representa manifesto abuso de direito, vez que o Estado brasileiro não se opõe a livre
inciativa; o empreendedorismo no Brasil goza de uma relativa liberdade para gerir e
buscar da melhor forma possível que seu empreendimento lhe dê lucro, por obvio o
Estado brasileiro legitima essa busca, contudo essa busca não pode ser irresponsável
e despropositada, sendo aí que reside o abuso de direito e consequente dano social.

2 DUMPING SOCIAL NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO

2.1 Etimologia do termo dump e conceituação do termo dumping social

De etimologia inglesa do verbo “to dump”, “cujo significado é despejar,


desfazer-se de, jogar fora, o termo Dumping exprime a ideia de reduzir algo à condição

5
de lixo”,1 precipuamente tal definição esteve relacionada ao campo do comércio
Internacional tal conduta remete à ideia de desonestidade concorrencial. 2
Já o termo Dumping social para Souto maior é o fenômeno marcado
notadamente pela contumácia em transgredir a legislação trabalhista, objetivando com
isso auferir proveito desse expediente frente à concorrência bem como a maximização
de lucros.3
O conceito acima delineado, carregado de uma conotação social que
ultrapassa os limites privativos à relação laboral entre empregador e empregado
irradia seus efeitos, trazendo consequências impactantes na esfera econômica e
social, atingindo assim toda a sociedade4.
Seguindo essa esteira em função de sua concepção didática é digno de nota o
conceito de Dumping Social do Professor Ari Beltran citado por Aline de Farias, sendo
para este o desrespeito de natureza severa ao ordenamento jurídico social, mormente,
em face do estipêndio aviltante realizado por empresas que se valem desse
expediente para minimizar seus dispêndios com fito a potencializar sua
competitividade5.
Já para o professor Enoque Santos Dumping Social é a atuação
administrativa/gerencial institucionalizada infensa ao direito, estruturada pela
competição insidiosa que atenta contra os princípios consagrados na esfera jurídica
como o da boa-fé contratual, visto que persegue precipuamente a obtenção de
porções do mercado de produtos e serviços interno ou externo, acarretando lesão
tanto no âmbito trabalhista que é marcado por princípios protetivos em face da
vulnerabilidade laboral, bem como no âmbito empresarial. 6
Tal prática como obtempera Jorge Souto Maior “causa um grave desajuste em
todo modo de produção”7, visto que a empresa que incorpora tais práticas em seu
modo de gestão acaba por se tornar um paradigma negativo, pois influencia as
empresas concorrentes a adotarem as mesmas práticas para reduzirem seus custos
de produção causando assim um severo agravamento que repercute sobretudo nos
trabalhadores e na sociedade como um todo.8

2.2 Natureza jurídica do dumping social

Estabelecidas as balizas iniciais outro ponto a ser abordado para melhor


compreensão do instituto em análise é investigar sua natureza jurídica, neste ponto

1SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações
de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014. Página:17.
2SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações

de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014. Página:17.


3SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações

de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014. Página: 20-21


4SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações

de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014. Página: 20.


5ARAÚJO, Aline de Farias. A necessária repressão da justiça do Trabalho aos casos de Dumping

Social. Revista da ESMAT13, João Pessoa. Página: 18-36.


6SANTOS, Enoque Ribeiro dos. O dumping social nas relações de trabalho: formas de

combate. Revista do TRT 10, [S.l.], v. 19, n. 20, p. 64-79, abr. 2017. ISSN 0104-7027. Disponível em:
<http://revista.trt10.jus.br/index.php/revista10/article/view/80>. Acesso em: 03 maio 2018
7SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações

de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014. Página:21.


8MAIOR, Jorge Souto; MENDES, Ranúlio Jorge; SEVERO, Valdete Souto. Dumping social nas relações

de trabalho. 2. ed. São Paulo: Ltr, 2014. Página:21.


6
merece destaque a contribuição doutrinária desenvolvida sobre a temática, visto que
a luz desta é possível responder alguns questionamentos a saber, se o instituto
analisado é de natureza coletiva ou individual, patrimonial ou extrapatrimonial.
Maria Helena Diniz citada por Reis Friede leciona que natureza jurídica é a
correlação que um determinado instituto jurídico tem com uma categoria jurídica de
maior abrangência nela podendo ser inserido e classificado9. Reis Fried obtempera
ser a ação direcionada, que objetiva compreender a natureza ontológica de
determinado instituto10, já para Alberto Bezerra entende-se por Natureza Jurídica os
elementos constitutivos de determinado regramento que diante de suas
peculiaridades norteiam o olhar do observador para qual campo jurídico pertença
determinado instituto11, notabiliza-se neste sentido a busca pela compreensão de
determinado instituto jurídico, ou seja, a sua gênese a sua essência.
Para Jorge Souto Maior Dumping Social é um instituto de “natureza jurídica de
dano material coletivo”, ou seja, Dumping Social é uma subespécie do dano
patrimonial coletivo e este por sua vez é uma espécie do gênero “dano social”12. Para
o professor Enoque Santos Dumping Social é um dano que tem características
sociais, atingindo a sociedade de forma indistinta, bem como a grupos determinados
e/ou indeterminados, é uma prática que passa a ser vista sob o espectro da
transindividualidade13, os dois conceitos apresentados se interpenetram e se
complementam o conceito mencionado por Souto Maior pode ser visualizado com
maior clareza em algumas decisões judiciais.
Neste sentido impende mencionar a decisão paradigmática prolatada pelo Drº
Jonatas dos Santos Andrade em que condenou a empresa Vale do Rio Doce no
importe de 200 milhões de reais pela prática de Dumping Social, deixando claro o
caráter patrimonial desta prática frente aos prejuízos financeiros amargados pelos
empregados da empresa, frisa também em sua decisão que a empresa Vale do Rio
Doce não pagava as horas in itinere, não obstante o acesso à mina dos Carajás ser
bastante distante, representando para os trabalhadores o gasto diário de duas horas
de trajeto.14
Com esta prática a Vale do Rio Doce auferiu uma lucratividade em um período
de 5 anos de R$ 133.872.000,00 milhões de reais, somando-se à escala ininterrupta
de revezamento que era de 8 horas diárias, que em regra deveria ser de 6 horas, a
lucratividade auferida nesta modalidade girava em torno de R$ 70.227.000 milhões de
reais, totalizando-se assim no quinquênio prescricional lucro no importe de R$
204.099.000,00 milhões de reais15 na decisão aqui em comento o magistrado deixa

9FRIED, Reis; ARAGÃO, Luciano. Dos Danos Sociais. Disponível em:


http://www5.tjba.jus.br/unicorp/images/artigo_dos_danos_sociais.pdf. Acesso em 03 maio 2018 às
15:30
10 Ibidem.
11BEZERRA, Alberto. Qual significado de natureza jurídica? Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=-SF6EBr1ytw>. Acesso em: 03 maio 2018. Às 12:45
12 SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações

de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014. Página: 60.


13SANTOS, Enoque Ribeiro dos. O dumping social nas relações de trabalho: formas de

combate. Revista do TRT 10, [S.l.], v. 19, n. 20, p. 64-79, abr. 2017. ISSN 0104-7027. Disponível em:
<http://revista.trt10.jus.br/index.php/revista10/article/view/80>. Acesso em: 03 maio 2018 às 15:00
14REPORTERBRASIL. Processo nº 0068500-45.2008.5.08.0114. Disponível em:
http://www.reporterbrasil.org.br/documentos/sentenca_vale.pdf. Acesso em 03 maio 2018 às 16:00.
15ibidem

7
claro que embora a prática ilustrada tenha sua gênese patrimonial ela atinge bens
jurídicos diversos e cita haver também um prejuízo à Ordem econômica16.
Neste passo Paulo Bonavides obtempera que os “direitos sociais, culturais e
econômicos bem como os direitos coletivos e de coletividades” estão positivados na
carta magna sendo estes (direitos humanos de segunda geração)17, Souto maior
menciona que os aspectos econômicos são indissociáveis dos aspectos socais, e
relembra que esse compromisso foi consagrado no “Pacto Internacional dos Direitos
Econômicos, Sociais e Culturais”18 registra-se a propósito que o Brasil é signatário do
pacto mencionado19.
Embora a prática de Dumping Social atinja patrimonialmente uma coletividade
determinada ou determinável em um primeiro momento (os trabalhadores), tal prática
não se restringe somente ao âmbito laboral a lesão perpetrada não atinge somente os
trabalhadores, aliás, é de simples compreensão a repercussão social de tal prática,
visto que a infringência patronal tem reflexos em toda a sociedade, não é demais
lembrar que várias ações de Estado, registre-se programas sociais, são alavancados
por intermédio dos encargos sociais recolhidos, dos quais estes estão intimamente
ligados à folha de pagamento dos trabalhadores, cite-se como exemplo o FGTS, que
tem repercussão, inclusive, no mercado imobiliário, fica claro assim que da conduta
em análise há um desencadeamento lógico lesivo à sociedade20
Ademais esta prática representa um desestímulo aos empregadores que
cumprem com suas obrigações laborais, visto que tal prática repercute no âmbito
patronal, pois as empresas cumpridoras de suas obrigações não conseguem fazer
frente à concorrência, que consegue reduzir seus custos, oferecer preços mais
acessíveis e consequentemente desbancar seus concorrentes21.

2.3 Configuração da repercussão social da prática de dumping social

Seguindo essa esteira é importante definir os elementos caracterizadores da


repercussão social da prática de Dumping Social, ou seja, após definida sua natureza
jurídica, mais um importante passo para a compreensão do instituto é reconhecê-lo
quando da existência de seu principal elemento (repercussão social) no mundo
jurídico, nesse particular é imprescindível pontuar o enunciado IV da 1ª Jornada do
Trabalho divulgado pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho
diante de sua inegável representatividade doutrinária sendo um importante marco
balizador quanto ao que vem a ser de fato o Dumping Social.
Conforme o enunciado retrocitado pode se definir Dumping Social como as
violações contumazes de caráter inescusável à ordem jurídica trabalhista que
acarretam uma lesão à sociedade, tal conduta intencionalmente ignora o arcabouço
do Estado Social bem como a própria ordem econômica capitalista auferindo assim

16ibidem
17BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucional. 15.ed. São Paulo: Malheiros, 2004. 564 p
18SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações
de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014. Página: 20.
19BRASIL.DECRETO N. 591, DE 6 DE JULHO DE 1992. Disponível em:
www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/d0591.htm. Acesso em 05 maio 2018.
20SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações

de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014. Página: 09.


21ibidem

8
benefício injustificado ao seu perpetrador perante à concorrência22. Prima facie é
preciso pontuar conforme posicionamento doutrinário a relevância da conduta para
caracterização deste dano, visto que dela pode-se analisar se o seu perpetrador
incorre em abuso de direito, diante desses fatos é mister compreender alguns
elementos fulcrais que conduzem o observador a identificar uma conduta típica de
Dumping Social.
Neste sentido a doutrina, por sua vez pondera que o magistrado antes de emitir
um juízo de valor quando da existência de uma conduta que possa caracterizar
Dumping Social deverá verificar a existência de dois elementos, sendo estes:
voluntariedade e reincidência. Quanto a voluntariedade ou elemento volitivo, é de se
frisar que a verificação deste é factível através do modus operandi perpetrado23,
Souto Maior exemplifica alguns atos que demonstram o caráter voluntário do agente
como “não pagamento das verbas resilitórias; não concessão de férias; trabalho em
condições insalubres ou perigosas”24, outra característica a ser notabilizada no bojo
do aspecto voluntariedade do agente, refere-se a saber quanto a inescusabilidade de
sua conduta, neste sentido pode se definir uma conduta inescusável como uma
conduta que subestima o intelecto mediano, é uma conduta que não tem respaldo no
direito por não ser crível que alguém mediante um crivo raso, quanto à
cognoscibilidade esperada de qualquer indivíduo, incorra em tais práticas25, Souto
Maior acrescenta também não se admitir escusa quanto a uma possível dificuldade
econômica26.
Quanto a reincidência é importante frisar que a contumácia delitiva em que o
autor incorre “nem sempre se confunde ou coincide com reincidência de
condenações”27, na esfera penal é cediço as implicações in pejus ao criminoso
contumaz28, por sua vez a codificação consumerista também notabiliza que o ofensor
renitente está passível de sanções administrativas29, deste modo é possível concluir
que no ordenamento jurídico pátrio a contumácia é um comportamento que atrai uma
reprimenda mais severa para o seu transgressor, assim pode-se concluir quais sejam
os pressuposto que definam um prática de Dumping Social que tenha repercussão
social sendo estes: reincidência e voluntariedade.

2.4 Projeto de lei 1615/2011 regulamentação do dumping social

22CONSULTOR JURÍDICO. Enuciados da ANAMATRA mostram tendências dos juízes.2008.


Disponível em: https://www.conjur.com.br/2008-jan-28/enunciados_anamatra_mostram_tendencias
_juizes?pagina=2 Acesso em 05 maio 2018.
23SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações

de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014. Página:75.


24ibdem
25RICKEN, Suzane. A figura do erro no defeito do negócio jurídico. Disponível em:
http://www.conteudojuridico.com.br/artigo,a-figura-do-erro-no-defeito-do-negocio-juridico,37490.html.
Acesso em 06 maio 2018.
26SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações

de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014. Página:76.


27SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações

de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014, Página: 75.


28ibdem
29Ibdem

9
Quanto à regulamentação do instituto do dumping social no ordenamento
jurídico pátrio é digno de nota o projeto de lei 1615/2011de autoria do Deputado Carlos
Bezerra do MDB/MT que conceitua “ Dumping Social” em seu artigo 1º é o
descumprimento reiterado ao ordenamento jurídico laboral que beneficia em seu
ramo de atuação a empresa em face da concorrência 30, a justificativa apresentada
retrata as nuances características do Civil Law a qual o Brasil se submete e pontua
que a atuação legislativa não consegue acompanhar a volatilidade em que os fatos
socais surgem nem responde-los a contento , nesse sentido a jurisprudência se
desponta objetivando preencher as lacunas existentes se valendo da hermenêutica
jurídica, contudo esta não consegue suprimir as especificidades que somente pela via
legal podem ser preenchidas, pontua também que deixar tal instituto a cargo da
jurisprudência revela-se deveras arriscado, visto que o caminho jurisprudencial é
marcado notadamente de decisões dispares ,comprometendo assim a segurança
jurídica, até que se uniforme a jurisprudência 31.
Ressalta no artigo 2º que a prática de Dumping Social submete as empresas a
reprimenda legal em ter que reparar ao trabalhador lesado no importe de 100% por
cento do montante suprimido no pacto laboral.32
Em ter que reparar as empresas lesadas integrantes do mesmo ramo de
atuação análoga a desvantagem auferida quando da colocação de seu produto no
mercado.33
No âmbito administrativo submete a empresa a penalidade administrativa de
1.000,00 reais por cada obreiro lesado, dobrando esta ao infrator reincidente em
benefício do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).34
Contudo tal projeto que foi proposto desde de 2011 depende da vontade
legislativa, nesse sentido não parece prosperar visto que em sua última tramitação na
Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público em parecer emitido pelo
Deputado Silvio Costa do PSC/CE em maio de 2015 este decidiu pelo não acolhimento
do presente projeto.35

3 POSICIONAMENTO DO TST

A temática do Dumping Social, não obstante recente a reação da comunidade


jurídica Brasileira a tal conduta, já está sendo enfrentada no âmbito do Tribunal
Superior do Trabalho, neste sentido é inegável a relevância do posicionamento da
mais alta Corte Trabalhista que dentre outros papéis tem a função de uniformizar a
jurisprudência laboral, desta forma o posicionamento do TST representa um
importante marco balizador, visto que decerto muitas das decisões prolatadas
poderão passar pelo seu crivo, ademais o posicionamento do TST representa uma

30BRASIL.Câmara dos Deputados. Projeto de Lei Complementar PLC 1615/2011.Dispõe sobre


“dumping social” Disponível em: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mo
strarintegra;jsessionid=CA821CAFEA6F74F895866482679B8D0E.proposicoesWebExterno2?codteor
=889754&filename=Tramitacao-PL+1615/2011. Acesso em 07 maio 2018 às 20:12
31Ibdem
32Ibdem
33Ibdem
34Ibdem.
35BRASIL. Câmara dos Deputados. Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público

Disponível em:http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=FB16B8
655F2CA28D89AE9552C86AE6FD.proposicoesWebExterno1?codteor=1336293&filename=Tramitac
ao-PL+1615/2011. Acesso: em 06/05/2018 às 20:08
10
grande contribuição ao debate quanto a aplicabilidade da matéria que já põe em
polvorosa a comunidade acadêmica quanto aos limites do já repisado ativismo judicial,
neste sentido tem-se que a análise do instituto além do debate no campo material
como já ilustrado no presente trabalho, a luz do TST ganha mais um componente
objeto de acirrada discussão que é o seu aspecto processual assim o que se proporá
nesta seção é analisar o posicionamento do TST no campo material e processual e
confrontá-lo ante o entendimento doutrinário.

3.1 A tese de dumping social em seu aspecto material.

Quanto ao enfrentamento da temática no âmbito TST frisa-se o excerto retirado


do voto da lavra do Ministro Walmir Oliveira da Costa no processo (nº TST-RR-11900-
32.2009.5.04.0291) de sua relatoria, o qual obtempera “que a atividade jurisdicional
não pode ser conivente com possíveis práticas abusivas”36 no processo citado é
factível pelos menos no campo material não existir óbice a tese de Dumping Social
sendo esta portanto aceita, neste sentido esta tese encontra respaldo nos princípios
insertos no artigo 3º inciso III da Constituição Federal, bem como no posicionamento
doutrinário, inclusive, no processo supramencionado é citado o entendimento quanto
à matéria de Eugenio Faccini, este leciona que o homem como um ser social que é
inclusive dependente da vida em sociedade para sua subsistência, bem como para
atingir um patamar civilizatório mínimo de vida digna tem para com esta mesma
sociedade que lhe suporta, no sentido de dar suporte, uma relação imbricada, sendo
portanto evidente que uma atitude, em que pese individualizada reflita nos direitos de
terceiros sendo assim nada mais justo que o Direito reaja a altura para assegurar a
reparação de danos sofridos as vítimas que não contribuíram para o resultado danoso
e prossegue ao afirmar a relevância da vida em sociedade, sendo assim para este o
Direito não pode se omitir de tal responsabilidade, ou seja, seus instrumentos jurídicos
também devem ter uma função social, e preconiza a “ função social da
responsabilidade civil” 37
Nesse aspecto a responsabilidade civil avança para além de sua clássica
função reparatória e toma contornos dissuasivos e punitivos Flávio Tartuce obtempera
que os princípios basilares do código civil como o da sociabilidade representam um
avanço no reconhecimento da coletividade em prejuízo do individualismo notabilizado
no Código Civil de 1916, leciona também que os paradigmas emblemáticos típicos da
relação privada assumem um relevante papel social sendo estes a “ propriedade, o
contrato, a posse, a família, a empresa e também a responsabilidade civil”38. Cristiano
Chaves preleciona que a visão estritamente reparatória da responsabilidade civil
calcada na individualidade, que desconsidera a repercutibilidade social, mais
preocupada na restauração do status quo ante, do que na prevenção tem se revelado
inócua visto que o assoberbamento de demandas judiciais envolvendo o mesmo

36TST.RECURSO DE REVISTA : RR 11900322009504029111900- 32.2009.5.04.0291. Relator:


Ministro Walmir Oliveira da Costa.DJ: 21/08/2012. Jus Brasil, 2012 Disponível em:
https://tst.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/22187785/recurso-de-revista-rr-1
19003220095040291-11900-3220095040291-tst/inteiro-teor-110570019?ref=juris-tabs. Acesso em
05/07/ 2018 às 00:00.
37FACCHINI NETO, Eugênio. A função social do direito privado. Revista da Ajuris: doutrina e

jurisprudência. Porto Alegre, v. 34, n. 105. Páginas:153-188.


38TARTUCE, Flávio. Direito Civil: direito das obrigações e responsabilidade civil. 9.ed São Paulo:

Método, 2014.Página: 318.


11
ofensor demonstra estar embutida em suas práticas o custo judicial de eventuais
condenações, para ser mais claro é uma questão de custo/benefício, neste sentido o
custo de eventuais condenações tem se revelado ínfimo diante do benefício auferid39.
O entendimento esposado acima encontra respaldo no TST conforme pode se
extrair do voto de relatoria da Ministra Relatora Maria de Assis Calsing processo nº
TST-RR-131000-63.2009.5.04.0005 a eminente relatora ressalta não pairar dúvidas
quanto a repercussão social do Dumping Social40 ficando claro em seu voto o
entendimento do TST quanto a aceitabilidade da tese de Dumping Social, frisa-se no
campo material, que por via de arrastamento alberga a tese da função social da
responsabilidade civil, que assume um duplo papel tanto de caráter disciplinar como
de caráter preventivo, neste aspecto pelo que foi exposto a relevância desta dimensão
salta aos olhos, sendo certo que a essência da reprimenda imposta a título de dano
social é elidir as condutas agressivas que repercutem na sociedade em geral ou que
tenham um alto potencial lesivo à coletividade41.

3.1.1 Função social da responsabilidade civil e breves considerações sobre o


punitive damage.

Cristiano Chaves obtempera que diante de condutas desprezíveis notabilizadas


pelo alto grau de reprovabilidade social o juiz deverá impor uma “pena civil” 42, contudo
a terminologia pena tem enfrentado uma reação por parte da doutrina havendo
doutrinadores refratários a essa ideia Pamplona Filho citado por Rodrigo Trindade
afirma que a terminologia pena está ligada ao direito penal, essencialmente quando
da infringência do ordenamento penal que tem bens jurídicos específicos, sendo
corolário de tal delinquência a imposição de reprimenda legal específica43 diante desta
divergência doutrinária é necessário mencionar mesmo que em uma análise
superficial, a existência do instituto do Punitive Damage, este não obstante originário
do ordenamento Anglo-Saxão, sua maior profusão e destaque constata-se no direito
Norte Americano.44
Rodrigo Trindade citado por Souto Maior analisa, em que pese rebatida a
temática na jurisprudência norte americana, um interessante julgado envolvendo a
BMW e uma consumidora (Drª. Ira Gore) o caso data-se em 1990 em que Drª Ira Gore
após mandar seu veículo para manutenção foi informada que o mesmo havia sofrido
um processo de repintura antes de ser colocado à venda, de posse dessas
informações Drª Ira Gore acionou judicialmente a BMW em face de omissão da
obrigatoriedade de comunicar seus clientes do evento ocorrido, comprovou também
prejuízo patrimonial em decorrência desse evento de US$4 mil dólares, ademais ficou

39FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson; BRAGA NETO, Felipe Peixoto. Curso de
direito civil 3: responsabilidade civil. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2015.Página:343.
40TST. Turma absolve empresa gaúcha acusada de Dumping Social. 2013. Disponível em:

http://www.tst.jus.br/noticias/-/asset_publisher/89Dk/content/id/3870105. Acesso em: 05 maio 2018.


41SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações

de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014. Página:62.


42FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson; BRAGA NETO, Felipe Peixoto. Curso de

direito civil 3: responsabilidade civil. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2015. Página:53.
43SOUZA, Rodrigo Trindade de. Punitive damages e o Direito do Trabalho Brasileiro: adequação

condenações punitivas para a necessária repressão da delinquência patronal. Disponível em:


http://www.trt7.jus.br/files/jurisprudencia/revista_tribunal/Revistado_TribunalDEF_2010.pdf Acesso
em: 06 maio 2018 às 18:00.
44Ibidem

12
comprovado no decorrer do processo que a BMW havia adotado o mesmo
procedimento em outros 1000 veículos, diante desses fatos o magistrado sentenciou
a BMW no importe de US$ 4 milhões de dólares levando em consideração a lesão
coletiva perpetrada, multiplicando o prejuízo aferível (US$ 4mil dólares) e sua projeção
coletiva (1000 veículos)45.
O termo Punitive Damage, conforme Rodrigo Trindade traduz-se em
“condenação punitiva” 46, inclusive a Corte Superior Trabalhista em tutelas coletivas
já tem julgados posicionando-se favoravelmente à tese do Punitive Damage,
reafirmado sua preocupação em não somente penalizar o transgressor mas também
em desestimulá-lo em empreitadas futuras47 neste sentido impende mencionar o
conceito de Punitive Damage sendo este a condenação imposta de caráter preventivo
instrumentalizada através de indenização suplementar, que represente um paradigma
suficiente a inibir condutas semelhantes48, evidenciando assim a “função social da
responsabilidade civil”49 cumpre esclarecer não ser objeto do presente esgotar o
instituto do Punitive Damage, assim em que pese a semelhança deste instituto com o
Dumping Social/ Dano Social há vozes na doutrina refratária a utilização deste instituo
no Brasil, sobretudo em face da ausência de previsão legal neste ponto Cristiano
Chaves obtempera que “só haverá pena civil aquiliana no Brasil com reconhecimento
pelo legislador em norma específica.”50, contudo a tese de Dumping Social/Dano
Social no campo material não enfrenta nenhum óbice por parte da Corte Superior
Trabalhista, bem como a tese do Punitive Damage em tutelas coletivas.

3.2 A tese de dumping social em seu aspecto processual, da aplicação de ofício

Um dos pontos altos quanto a temática aqui desenvolvida objeto de acirradas


discussões no campo doutrinário e jurisprudencial, que reacende a grande discussão
que gira em torno do ativismo judicial, debate tão em voga nos momentos atuais,
inclusive diante do cenário de grave insegurança jurídica que nos tempos hodiernos
vivencia-se a sociedade é o reconhecimento de ofício do dumping social, este
reconhecimento representa uma quebra de paradigma de qual deva ser a postura do
magistrado em face de situações que envolvam o direito da coletividade, tendo
despertado um repensar da comunidade jurídica quanto aos poderes adstritos aos
magistrados.
Antes de aprofundar quanto a temática é salutar citar uma interessante

45SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações
de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014. Página:65-66.
46SOUZA, Rodrigo Trindade de. Punitive damages e o Direito do Trabalho brasileiro: adequação

condenações punitivas para a necessária repressão da delinquência patronal. Disponível em:


http://www.trt7.jus.br/files/jurisprudencia/revista_tribunal/Revistado_TribunalDEF_2010.pdf. Acesso
em: 06 maio 2018 às 18:00
47
TST. RECURSO DE REVISTA : RR 2480087201152210005 Ministro Relator. Delaide Miranda
arantes disponível em: https://tst.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/200531965/recurso-de-revista-rr-
248008720115210005/inteiro-teor-200531986. Acesso em 06 maio 2018
48RESEDÁ, Salomão. A APLICABILIDADE DO PUNITIVE DAMAGE NAS AÇÕES DE INDENIZAÇÃO

POR DANO MORAL NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO. 2008. 324 f. Dissertação


(Mestrado) - Curso de Direito, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2008. Cap. 6. Disponível em:
<https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/12303/1/SALOMÃO RESEDÁ.pdf>. Acesso em: 05 maio 2018
às 00:15
49 ibdem
50 FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson; BRAGA NETO, Felipe Peixoto. Curso de direito

civil 3: responsabilidade civil. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2015. Página:356.


13
passagem do voto do eminente ministro Ricardo Lewandowski à época, presidente do
Supremo Tribunal Federal, ao afirmar que “os juízes italianos quando iniciam as suas
sentenças começam assim, em nome do povo italiano”51, em seu discurso de abertura
do 17º Congresso Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho o então
presidente do TST a época Barros Levenhagen frisou que o juiz “atua como
representante indireto do povo”52, diante dessas duas declarações dos presidentes da
mais alta Corte trabalhista e da Suprema Corte Federal é possível abstrair uma
sinalização de uma aparente mudança de posicionamento da magistratura mostrando-
se engajada com as questões sociais que por diversas vezes impõe uma interpretação
mais criativa do direito diferente do usual, causando espécie entre aqueles que
adotam uma linha mais conservadora.
O objeto do presente não pretende esgotar a temática sobre o ativismo judicial
e sim analisar uma de suas facetas quanto a temática aqui proposta, feito estes
esclarecimentos, retornando a linha de raciocínio predecessora, quanto a
interpretação criativa do magistrado, notabiliza-se a doutrina italiana capitaneada por
Mauro Cappelletti que preleciona ser tal interpretação ínsita na atuação jurisdicional,
entretanto há vozes refratárias a este posicionamento mais ativo do magistrado se
valendo da alegação que o ativismo promove insegurança jurídica53, em rota de
colisão a esta argumentação pontua-se que no campo material tal crítica não há razão
de ser, visto que tanto o processo “legislativo e o jurisdicional. Ambos constituem o
processo de criação do direito”,54 já não se podendo dizer o mesmo no campo
processual, neste particular a atuação jurisdicional ganha novos contornos55.
Neste sentido em recente acordão publicado pelo Tribunal Superior do
Trabalho no processo (RR-2269-83.2013.5.15.0011), não obstante reconhecer a
repugnância da pratica delitiva de Dumping Social o eminente relator ministro
Alexandre Agra Belmonte invocando a jurisprudência da Corte Trabalhista ponderou
que “o TST tem adotado o entendimento de que a ausência do pedido de condenação
da empresa em razão de dumping social consiste em julgamento extra petita”56,
contudo a doutrina dissente deste entendimento e traça algumas ponderações.
A primeira ponderação a ser mencionada é que o Dumping Social/Dano Social
ofende a coletividade como um todo,57 a segunda ponderação a doutrina obtempera
que o indivíduo que ingressa em juízo busca a tutela jurisdicional sob a sua
perspectiva invidualizada, busca sanar o seu problema e não tem a dimensão da
reiteração de práticas agressivas ao direito do Trabalho, portanto “a ausência de

51BRASIL. TV JUSTIÇA. Julgamento conjunto: MS 34127 e MS 34128. Disponível em:


<https://www.youtube.com/watch?v=mxf7N_Emtc0>. Acesso em: 05 maio 2018.
52Amatra IV. Presidente do TST afirma que magistrados devem ser vocacionados. Disponível em:

<http://www.amatra4.org.br/77-noticias/727-presidente-do-tst-afirma-que-magistrados-devem-ser-
vocacionados>. Acesso em: 05 maio 2018.
53Consultor Jurídico. Ativismo judicial não é bom para a democracia. Disponível em:
<https://www.conjur.com.br/2009-mar-15/entrevista-lenio-streck-procurador-justica-rio-grande-sul>.
Acesso em: 05 maio 2018
54CAPPELLETTI, Mauro. Juízes legisladores? Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor,
1993.Página:27.
55ibdem
56
TST.NOTICIAS. Empresa agropecuária consegue excluir condenação por dumping sócia não pedida
por ex-empregada Disponível em: http://www.tst.jus.br/noticias/-
/asset_publisher/89Dk/content/empresa-agropecuaria-consegue-excluir-condenacao-por-dumping-
social-nao-pedida-por-ex-empregada?refererPlid=10730&inheritRedirect=false. Acesso em
06/05/2018
57 TARTUCE, Flávio. Manual de direito civil. 6. ed. São Paulo: Método, 2016. Página:547..

14
pedido revela-se mesmo como da natureza dessa espécie de condenação”.58

3.2.1 Função social do processo e breves considerações sobre a fluid recovery.

Com advento da nova codificação processualista não sobeja dúvidas


quanto à finalidade social do processo exegese do artigo 8º do CPC, decerto a nova
codificação processualista representou um marco a ser notabilizado, contudo o marco
introdutório da nova visão processualista foi protagonizado com advento da carta
magna de 1988 que ressignificou não só no campo processual mas também no campo
material o ideal de sociedade a ser perseguido59 “uma sociedade livre justa e
solidárias”60 daí novos desafios exsurgem Noberto Bobbio menciona que o grande
desafio nos tempos hodiernos não é reconhecer a existência do direitos humanos,
mas sim efetivá-los61, por sua vez Carlos Henrique Bezerra menciona o processo de
massificação social dos tempos hodiernos e menciona também as “lesões de massa
(macrolesões)”62 ressignificando a postura de advogados, promotores e sobretudo do
juiz.63
É neste ponto que continua o debate quanto à possibilidade de
reconhecimento de ofício da existência de Dumping Social, visto que em seu cotidiano
o magistrado consegue perceber estas lesões de massa, tendo em vista o
assoberbamento de demandas judiciais envolvendo o mesmo ofensor64 podendo-se
assim, aferir a existência de um dano diluído no seio da sociedade65, portanto requerer
que cada ofendido busque a sua reparação individualmente parece ser ilógico, pois o
dano social subdividido em microlesões pode desestimular o ofendido em face de
todos os aspectos que envolvem uma demanda judicial a provocar o poder judiciário.66
Neste sentido notabiliza-se na jurisprudência norte-americana o instituto da
Fluid Recovery (dano fluído), este instituto preconiza que o magistrado após constatar
uma multiplicidade de lesões individuais possa aplicar uma condenação que não
somente repare o lesado que buscou a tutela jurisdicional, mas também toda
coletividade que não pleiteou tal reparação67 por via de arrastamento quanto à
aplicação de ofício surge um outro debate referente à coletivização de demandas
individuais.
Neste sentido Mauro Cappelletti não deixa margem dessa possibilidade ao
afirmar que para o enfrentamento das grandes corporações de grande poderio
econômico, como o caso de muitas das empresas transgressoras dos direitos
fundamentais trabalhistas, os juízes deverão assumir novos papéis sendo “inevitável

58SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações
de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014. Página:129.
59BRASIL. Constituição da República Fderativa do Brasil de 1988 Disponível em
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em 02/05/2018 às 17:00
60 Ibidem.
61 BOBBIO, Noberto. A era dos direitos. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. Página:17.
62 BEZERRA, Carlos Henrique. Curso de direito processual do trabalho. 14. ed. São Paulo: Saraiva,

2016. Página: 18.


63 ibdem
64SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações

de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014. Página: 10.


65CAPPELLETTI, Mauro. Juízes legisladores? Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor,1993. 59 p.
66ibdem
67SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações

de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014. Página: 65.


15
que assumam novas responsabilidades e lhes sejam atribuídos novos poderes,
sobretudo processuais”.68, neste contexto o professor Homburger citado por Mauro
Cappelletti obtempera que o traço mais marcante das ações coletivas é “o papel
extraordinariamente ativo que o juiz deve assumir no controle e direção do
procedimento”69
No ordenamento pátrio não é diferente conforme se abstrai do artigo 404 do
Código Civil o juiz pode aplicar sanções não requeridas pelas partes, frisa-se que a
relação civil é uma relação que pressupõe paridade em que não há necessidade de
intervenção do estado para equilibrar a relação material70 assim pode-se concluir que
inadmitir a atuação de ofício do magistrado na seara trabalhista marcada por
princípios protetivos foge do razoável, pois se na relação civil paritária o magistrado
pode agir de oficio quanto mais na esfera trabalhista, noutro giro impende mencionar
que o alegado princípio dispositivo, que o processo dependa da disposição das partes,
diante do interesse público tem sido mitigado ao longo do tempo, sendo possível ao
magistrado inclusive “conhecer ex officio de circunstancias que até então dependiam
da alegação das partes”.71 Não obstante os argumentos esposados a jurisprudência
do TST permanece uníssona ao inadmitir julgamento de oficio por ser extra petita:72

4 DANO SOCIAL DECORRENTE DO DUMPING SOCIAL

Como já mencionado com advento da Constituição de 1988 os chamados


direitos de terceira geração ganham relevo, a proteção ao gênero humano passa ser
vista como um dos pilares da carta magna, a coletividade em sua concepção plena
exsurge como nunca antes visto, o tão decantado princípio da dignidade humana ecoa
na comunidade jurídica como um mantra, de fato são novos tempos, uma nova era,
uma nova concepção de vida, novos desafios, a intolerabilidade da coisificação da
pessoa humana parece comover todos atores jurídicos a uma pronta resposta, “surge
então o Estado Democrático de Direito, também chamado Estado Constitucional”.73
Em rota de colisão a este projeto constitucional, exsurgem novos danos dentre
estes o Dumping Social/Dano Social o que Souto Maior pontua ser “uma séria
agressão ao Estado de Direito Social”74, neste sentido pode se definir Dano Social
como o aviltamento da condição humana75, é o “rebaixamento imediato do nível de
vida da população”76 no âmbito laboral o Dumping Social representa um aviltamento

68CAPPELLETTI, Mauro. Juízes legisladores? Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor,1993.
Página:60.
69Ibidem.
70SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações

de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014. Página:138.


71CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido

Rangel. Teoria geral do processo.22. ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2006. Página: 70.
72TST.RECURSO DE REVISTA : RR 202496020145040772. Relator: Ministra Kátia Magalhães

Arruda.DJ: 05/04/2017. Jus Brasil, 2012 Disponível em:


https://tst.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/449279819/recurso-de-revista-rr-
202496020145040772/inteiro-teor-449279857?ref=topic_feed. Acesso em 05/05/2018 às 14:00
73BEZERRA, Carlos Henrique. Curso de direito processual do trabalho. 14. ed. São Paulo: Saraiva,

2016. Página:60.
74SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações

de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014, Página:17.


75AZEVEDO, Antônio Junqueira. Por uma nova categoria de dano na responsabilidade civil: o dano

social. In: RTDC, vol. 19, julho/setembro 2004.


76Ibidem.

16
do stauts aquo dos trabalhadores,77 Um retrocesso ao padrão de vida conquistado
Antes de avançar há que se fazer uma breve digressão, em que pese ser uma
posição minoritária ou até mesmo isolada, impende mencionar, arguta fundamentação
de Souto Maior, que sustenta estar o direito do trabalho topologicamente situado no
direito público78, neste sentido é digno de nota a decisão do juiz Rodrigo Trindade
citado por Souto Maior. Em sua decisão fica claro que a cidadania percorre a via
laboral, em interessante exemplo na decisão citada o magistrado cita quando no
âmbito da administração pública há existência de dumping social envolvendo
empregados terceirizados, os efeitos danoso são facilmente percebidos pela
sociedade, vez que se vê prejudicada quando da ausência da efetiva prestação dos
serviços públicos, bem como aos empresários que embutiram os devidos encargos
trabalhistas no processo licitatório e viram seu direito adjucatório obstaculizado,
visto que a empresa vencedora ao desprezar os encargos trabalhista ofereceu
um menor preço.79
Feita esta digressão é preciso enfatizar que o Dumping Social é uma faceta do
Dano Social, é um comportamento agressivo à sociedade, vez que a lucratividade
auferida tem como escopo sacrifício dos direitos trabalhistas, bem como a
deslealdade a mais não poder no ramo empresarial80, é uma prática deletéria a
sociedade, vez que desencadeia um verdadeiro efeito cascata, primeiro atingindo os
empregados da empresa transgressora, depois os empregados das empresas
concorrentes, com o decorrer do tempo há um prejuízo à economia, vez que o poder
aquisitivo é afetado, por fim diminui a receita do Estado e aumento do contingente
social.81
Pois bem como já mencionado o ideal de justiça social com o advento da carta
magna notabiliza-se, a importância da incolumidade da sociedade em sua inteireza
importa a todos, a solidariedade é um valor a ser observado, pois a vulnerabilidade
social é uma agressão ao princípio da dignidade humana82, neste contexto ressalta-
se a importância do trabalho como um instrumento de inserção social, sendo
consagrado como um direito fundamental83, portanto as lesões relacionadas à relação
de emprego estão longe de serem visualizadas sob o espectro da individualidade,
visto que os direitos fundamentais dos trabalhadores tem como titulares a sociedade. 84

77SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações
de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014. Página: 25.
78SOUTO MAIOR, Jorge. A Fúria. Disponível em: https://juslaboris.tst.jus.br/bitstream/handle/

20.500.12178/70730/006_souto_maior.pdf?sequence=1 acesso em 07/05/2018 às 01:00


79SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações

de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014.Página: 90.


80SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações

de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014. Página: 25.


81FERNANDEZ, Leandro. Dumping Social. 1. Ed. São Paulo: Saraiva, 2014. Página133
82DELGADO, Maurício Godinho. Direitos Fundamentais na Relação de Trabalho. Disponível em:

http://sisbib.emnuvens.com.br/direitosegarantias/issue/view/10/showToc. Acesso em 01/05/2018 às


14:00.
83Ibdem.
84SOUZA, Rodrigo Trindade de. Punitive damages e o Direito do Trabalho Brasileiro: adequação

condenações punitivas para a necessária repressão da delinquência patronal. Disponível em:


http://www.trt7.jus.br/files/jurisprudencia/revista_tribunal/Revistado_TribunalDEF_2010.pdf Acesso
em: 06 maio 2018.
17
4.1 Dano in re ipsa

O Dano in re ipsa pode-se definir como um dano aferível a partir da conduta do


agente, Cavalieri Filho obtempera ser uma “presunção natural, uma presunção
hominis ou facti, que decorre das regras de experiência comum”85. Conclui-se ser
despiciendo requerer a prova do dano em razão da obviedade da existência deste,
sendo o dano uma decorrência lógica da conduta, neste sentido é possível emitir um
juízo de valor, quando a conduta possuir elementos, que possam presumir o evento
danoso.
Feito estes esclarecimentos, o Dumping Social/Dano social, em que pese já
demonstrado seus prejuízos ao Estado Social ao longo do presente trabalho, quando
de sua comprovação de existência no mundo jurídico, é despiciendo pelo menos em
uma primeira análise comprovar a extensão do dano, como já demonstrado, o
interesse social é preventivo86, ou seja, o que a sociedade deseja é coibir
comportamentos antissociais, pois, a presunção de dano à sociedade está
intimamente ligada com a reprovabilidade social do ato87, neste particular impende
esclarecer porque uma conduta de grande repercussão social presume um dano à
sociedade, pois atenta contra o bem comum, ou seja, contra o padrão de vida que
permeia o inconsciente coletivo. Antônio Junqueira preleciona que “esses atos
causam um rebaixamento do nível coletivo de vida- mais especialmente na qualidade
de vida”88 ou seja repercute na tranquilidade da coletividade, pois frustra às justas
expectativas da sociedade, imagine por exemplo se toda empresa atrasar
reiteradamente os salários de seus empregados89. “É evidente que essa empresa –
ou outra que a imite está diminuindo às expectativas de bem-estar da população”90.
Avançando um pouco mais é preciso rememorar que o Dumping Social/Dano
Social é um dano que em regra é notabilizado pelo somatório de demandas individuais
é um dano diluído91, neste sentido o Código consumerista em seu artigo 100 não
deixa dúvida quando da existência de um dano in re ipsa, vez que “a razão para o
pagamento da condenação em que se verifica lesão a interesses individuais
homogêneos tem por origem os danos causados, e não os prejuízos sofridos”92, neste
sentido é despiciendo para a constatação do dano que o ofendido comprove o prejuízo
advindo desta prática delituosa.
Ademais o bem jurídico que se está a proteger é de natureza objetiva, direitos
fundamentais trabalhistas, é o comportamento desvalioso que deve ser combatido,
assim o prejuízo advindo de tal prática é mero exaurimento do dano, Souto Maior
obtempera que a comprovação da vantagem econômica do empregador em face da

85FILHO, Sérgio Cavalieri. Programa de Responsabilidade Civil.10. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
Página:97.
86FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson; BRAGA NETO, Felipe Peixoto. Curso de direito

civil 3: responsabilidade civil. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2015. Página:53.


87TARTUCE, Flávio. Manual de direito civil. 6. ed. São Paulo: Método, 2016. Página: 272.
88AZEVEDO, Antônio Junqueira. Por uma nova categoria de dano na responsabilidade civil: o dano

social. In: RTDC, vol. 19, julho/setembro 2004.


89Ibdem.
90Ibdem.
91SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações

de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014.Página:10.


92SOUZA, Rodrigo Trindade de. Punitive damages e o Direito do Trabalho Brasileiro: adequação

condenações punitivas para a necessária repressão da delinquência patronal. Disponível em:


http://www.trt7.jus.br/files/jurisprudencia/revista_tribunal/Revistado_TribunalDEF_2010.pdf. Acesso
em: 06/05/2018
18
concorrência não é pré-requisito para a constatação de Dumping Social93.

4.2 Abuso de direito

Conforme o artigo 187 do Código Civil, “comete ato ilícito o titular de um direito
que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico
ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes”, o Dumping Social/Dano Social,
segundo o entendimento doutrinário consubstanciado é um abuso de direito,
incialmente é preciso pontuar que na carta magna não há óbice a livre iniciativa ao
revés é assegurado ao empreendedor que se utilize dos meios que achar mais
oportuno para obter lucro94, assim o exercício das estratégias empresariais, em regra,
não tem a intervenção estatal, sendo assegurado esse direito constitucional ao
empreendedor, contudo conforme o artigo 1º da Constituição Federal a livre iniciativa
tem a sua função social95, ficando claro aqui os limites dessa.
É cediço que no ordenamento pátrio a doutrina francesa contribuiu para
evolução deste instituto , neste sentido Cavalieri Filho ancorado no entendimento de
Saleilles obtempera que “para bem se compreender o abuso de direito precisa-se
partir de que o direito tem sempre uma finalidade”96 , neste contexto a empresa que
incorre em Dumping Social desvia-se de sua finalidade pois a chancela estatal à livre
concorrência finca suas bases na ordem social, dessa forma a empresa que
descumpre esse desiderato constitucional passa a ter uma atuação clandestina97.
Pontue-se que quanto a caracterização do abuso de direito não há que se
perscrutar o elemento subjetivo da conduta (culpa ou dolo)98, o foco é a análise da
conduta, do mesmo modo o Enunciado 37 da Jornada de Direito Civil “A
responsabilidade civil decorrente do abuso do direito independe de culpa e
fundamenta-se somente no critério objetivo-finalístico”99, neste diapasão ganha relevo
o Dumping Social/Dano Social, vez que é uma pratica econômica abusiva que afronta
o Estado Social.

5 CONCLUSÃO

Há uma grande corrente doutrinária que defende a tese do Dumping Social,


inclusive, existindo diversos trabalhos acadêmicos neste sentido, em que pese suas
peculiaridades, diversas obras tangenciam no sentido de que a pedra de toque deste
instituto é a contumácia de seu ofensor.
O Dumping Social é essencialmente do âmbito laboral, vez que a vantagem
comparativa do empregador frente à concorrência é obtida através do aviltamento das

93SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações
de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014. Página: 25.
94ROSSIGNOLI, Estefânia. Direito Empresarial. 4.Ed. Salvador: Juspodvim, 2015. Página:43.
95BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 Disponível em
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em 07/05/2018 às 15:00.
96FILHO, Sérgio Cavalieri. Programa de Responsabilidade Civil.10. ed. São Paulo: Atlas, 2012.

Página:172.
97SOUTO MAIOR, Jorge, MENDES Ranúlio, SEVERO, Valdete Souto. Dumping Social nas Relações

de Trabalho. São Paulo: LTR, 2014, pág 10-11


98FILHO, Sérgio Cavalieri. Programa de Responsabilidade Civil.10. ed. São Paulo: Atlas, 2012.pg 173
99CJF. Enunciados. Disponível em http://www.cjf.jus.br/enunciados/enunciado/698. Acesso 07/05/2018

às 15:14
19
condições de trabalho e da omissão do pagamento de encargos trabalhistas.
O Dumping Social causa um prejuízo econômico aos trabalhadores, à
sociedade e ao Estado, esta prática colapsa a economia sendo uma das
manifestações do capitalismo selvagem e irresponsável, ademais causa um
rebaixamento da qualidade de vida da população.
Para que uma conduta possa ser enquadrada tipicamente como de Dumping
Social deverá ter repercussão social, (reincidência e voluntariedade), quanto à
reincidência, registra-se que esta não necessariamente implica em reincidência de
condenações, o magistrado pode constatar a contumácia do ofensor se valendo por
exemplo das informações colhidas em processo investigatório do Ministério Público
do Trabalho, quanto à voluntariedade diversas práticas do ofensor como não
pagamento de insalubridade, periculosidade e horas extras demonstram a atuação
consciente, consequentemente voluntária de seu ofensor .
Em que pese existir um projeto de lei que trata sobre a temática e que de fato
traria uma maior segurança jurídica, não há vontade política em regular a matéria,
inclusive a última tramitação deste projeto de lei teve parecer em sentido contrário
quanto à sua aprovação.
No âmbito do TST, em seu sentido material, não há óbice quanto à aceitação
da tese de Dumping Social, vez que em diversos votos dos ministros da Corte Superior
Trabalhista os ministros se posicionam a favor da tese explicitamente, inclusive
demonstrando repugnância quanto à esta prática.
Conclui-se que da existência de institutos semelhantes no direito norte-
americano, no direito material, o seu correspondente jurídico seria o Punitive Damage,
com as devidas ressalvas.
Conclui-se que da aplicação de ofício, no direito norte-americano, o seu
correspondente jurídico seria o instituto da Fluid Recovery, com as devidas ressalvas,
na jurisprudência norte-americana os poderes conferidos aos magistrados tem um
efeito preventivo na sociedade, sobretudo quanto às empresas que adotam práticas
econômicas abusivas.
No âmbito do TST o reconhecimento de ofício do instituto do Dumping Social é
rechaçado integralmente não existindo divergência jurisprudencial.
O aporte doutrinário dos que defendem à aplicação de oficio vem da doutrina
italiana capitaneada por Mauro Cappelletti.
O Dumping Social é uma das facetas do dano social, portanto atinge
indistintamente toda a sociedade e não somente os trabalhadores diretamente
envolvidos, registra-se que os direitos fundamentais trabalhistas têm como titulares
toda a sociedade, nesse particular é digno de nota o posicionamento de Maurício
Godinho Delgado.
O Dumping Social em seu aspecto social representa uma agressão à
sociedade, vez que prejudica o bem comum, representando um retrocesso social e
uma ofensa ao Estado democrático de direito, visto que a carta magna tem como
objetivo fundamental construir uma sociedade livre, justa e solidária.
O Dumping Social é um dano presumido (in re ipsa), implicando quando de sua
comprovação somente a demonstração da conduta delituosa não sendo necessário
perquirir quanto à existência dos prejuízos advindos desta prática.
O Dumping Social é uma das manifestações do abuso de direto, vez que o
estado chancela a livre inciativa, contudo coíbe o lucro que não tenha uma função
social.

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