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DIREITO DE FAMÍLIA E DAS SUCESSÕES

PÓS-GRADUAÇÃO

Direito de Família e das Sucessões em


uma Visão Multicultural
Curso
Direito de Família e das Sucessões

Disciplina
Direito de Família e das Sucessões em uma Visão Multicultural

Autor
César Calo Peghini

2
Índice ÍNDICE

Tema 01: Mediação no Direito de Família: Teoria e Prática. Contratos, Direito de Família e 06
Direito das Sucessões

Tema 02: Direito Penal e Direito de Família. Lei Maria da Penha: Questões Teóricas e 20
Práticas

Tema 03: Questões Notariais e Registrais Relativas ao Direito de Família e das Sucessões 38

Tema 04: Proteção Familiar: Aspectos Quanto à Proteção do Idoso e da Criança e 56


Adolescente

Como citar este material:

PEGHINI, César Calo. Direito de Família e das Sucessões em


uma Visão Multicultural. Valinhos: 2016.

© 2016 Kroton Educacional


Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua
portuguesa ou qualquer outro idioma.

3
4
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA
A presente disciplina tem por escopo a análise o Direito de Família e das Sucessões em
uma visão multicultural.

Assim, serão analisadas inicialmente questões modernas como Mediação no Direito de Família:
teoria e prática. Contratos, Direito de Família e Direito das Sucessões.

Em continuidade elementos emblemáticos como o Direito Penal e Direito de Família. Lei Maria
da Penha: Questões Teóricas e Práticas e questões Notariais e Registrais relativas ao Direito de
Família e das Sucessões também serão estudados.

Por fim, não obstante a proteção Familiar, em especial os aspectos quanto à proteção do idoso e
da criança e adolescente também terão suas considerações.

5
TEMA 01
Mediação no Direito de Família: Teoria
e Prática. Contratos, Direito de Família e
Direito das Sucessões

6
LEGENDA
DE ÍCONES

Início
seções
Vamos
pensar
Glossário

Pontuando

Verificação
de leitura

Referências

Gabarito

7
Aula 01
Mediação no Direito de Família: Teoria e Prática.
Contratos, Direito de Família e Direito das
Sucessões
Objetivos

Apresentar ao aluno as bases sobre as quais se edificam a mediação no Direito de Família,


consolidando assim, a sua aplicação na teoria e prática.

1. Do processo, Família e do Estado

Preliminarmente destaca-se ao operador do direito a vasta oportunidade em advogar em


causas abrangentes ao direito de família, isto porque desde antes do término da graduação
inúmeros são as oportunidades em opinar acerca desta abrangente área do direito.

Ora, não raro ocorrem perguntas, consultas, inúmeros “e se?” desde familiares até vizinhos,
colegas entre outros ao jovem operador do direito.

Destarte, muito embora haja oportunidades infindáveis para sanar conflitos atinentes à família,
a advocacia é por deveras árdua neste ramo, pois trata intimamente com o subjetivo de cada
cliente, e esta tarefa, não é fácil1.

Ademais não há previsão processual capaz de sanar todas as lides que abarcam a matéria,
dependendo claramente da técnica do patrono da ação, o qual acima de tudo deve orientar
de forma clara acerca de todas as possibilidades de ganho ou perda da pretensão de seu
cliente2.

Outrossim, importante seja realizada uma tentativa de composição entre as partes, o que não
depende do advogado necessariamente, e sim das partes optar por tal solução consensual.

1 TARTUCE, Fernanda. Processo civil Aplicação ao Direito de Família. Rio de Janeiro: Forense: São Paulo: Método,
2012, p. 1.
2 TARTUCE, Fernanda. Processo civil Aplicação ao Direito de Família. Rio de Janeiro: Forense: São Paulo: Método,
2012, p. 1.

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Aula 01 | Mediação no Direito de Família: Teoria e Prática. Contratos, Direito de
Família e Direito das Sucessões

Pois, muitas vezes a relação está tão desgastada e a verdade está verificadamente distorcida
que inevitável é o desdobramento sintomático no processo judicial3.

Portanto, nessa esteira, para as partes, há opção na via consensual em resposta à via
contenciosa uma alternativa de solução de autocomposição de ampla aplicação nas
questões familiares, quais sejam a mediação e a conciliação4, medidas estas consagradas
pelo novo CPC/2015.

Como destaca Fernanda Tartuce5:

“A principal diferença entre as duas modalidades está concentrada no objetivo


perseguido ao encetar a autocomposição: o mediador não induz propriamente as
partes a um acordo, mas se esforça para auxiliá-las a restabelecer a comunicação
para que possam gerar novas formas de relacionamento e equacionamento
de controvérsias; diversamente o conciliador, de modo mais incisivo, foca na
obtenção de um acordo inclusive sugerindo formas de alcançá-lo e extinguir o
litígio já instalado”.

Dessa maneira o facilitador da comunicação não deve ser apenas um advogado, mas sim
também das diversas áreas do conhecimento, pois de acordo com o caso concreto, poderá
melhor auxiliar as partes6.

Em continuidades trataremos da mediação em específico.

3 TARTUCE, Fernanda. Processo civil Aplicação ao Direito de Família. Rio de Janeiro: Forense: São Paulo: Método,
2012, p. 15.
4 TARTUCE, Fernanda. Processo civil Aplicação ao Direito de Família. Rio de Janeiro: Forense: São Paulo: Método,
2012, p. 28.
5 TARTUCE, Fernanda. Processo civil Aplicação ao Direito de Família. Rio de Janeiro: Forense: São Paulo: Método,
2012, p. 29.
6 Disponível em: <http://sergiooliveiradesouza.jusbrasil.com.br/artigos/152372717/mediacao-judicial-no-direito-de-
-familia?ref=topic_feed>. Acesso em 15/4/2016.
“A mediação de conflitos pode ocupar-se de qualquer conflito: comunitário, ecológico, empresarial, escolar, familiar, pe-
nal, civil, direitos do consumidor, trabalhistas, políticas e diplomáticas, etc. Contudo deve-se respeitar à ordem pública e
às leis vigentes - dever de velar para que eventual acordo entre os envolvidos não viole a ordem pública, nem contrarie
as leis vigentes”.

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Aula 01 | Mediação no Direito de Família: Teoria e Prática.
Contratos, Direito de Família e Direito das Sucessões

2. Da Mediação e o direito de família

Os interessados, tidos como partes, são assistidos por um mediador qual se presta como
um facilitador da comunicação.

Conforme o art. 4º da Lei 13.140/2015:

Art. 4o O mediador será designado pelo tribunal ou escolhido pelas partes.  

§ 1o O mediador conduzirá o procedimento de comunicação entre as partes,


buscando o entendimento e o consenso e facilitando a resolução do conflito.

No novo CPC/2015 desde a parte geral, ou das normas fundamentais do processo civil, já se
verifica sua aplicação no art. 3º, vejamos:

Art. 3o Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.

§ 1o É permitida a arbitragem, na forma da lei.

§ 2o  O Estado promoverá, sempre que possível, a solução consensual dos


conflitos.

§ 3o  A conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de


conflitos deverão ser estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e
membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo judicial.

A finalidade do mediador trata em restaurar as condições das partes, para um diálogo eficiente,
podendo resultar em acordo7.

Consiste a mediação numa técnica alternativa para levar as partes rumo à solução consensual,

7 Disponível em: <http://www.jusbrasil.com.br/topicos/294897/mediacao-de-conflitos>. “A mediação representa uma


forma consensual de resolução de controvérsias, na qual as partes, por meio de diálogo franco e pacífico, têm a
possibilidade, elas próprias, de solucionarem seu conflito, contando com a figura do mediador, terceiro imparcial que
facilitará a conversação entre elas. A mediação possibilita a transformação da ?cultura do conflito? em ?cultura do
diálogo? na medida em que estimula a resolução dos problemas pelas próprias partes. A valorização das pessoas é
um ponto importante, uma vez que são elas os atores principais e responsáveis pela resolução da divergência. A busca
do ?ganha-ganha?, outro aspecto relevante da mediação, ocorre porque se tenta chegar a um acordo benéfico para
todos os envolvidos. A mediação de conflitos propicia a retomada do diálogo franco, a escuta e o entendimento do
outro. A visão positiva do conflito é considerada um ponto importante. O conflito, normalmente, é compreendido como
algo negativo, que coloca as partes umas contra as outras. A mediação tenta mostrar que as divergências são naturais
e necessárias pois possibilitam o crescimento e as mudanças. O que será negativo é a má-administração do conflito”.
Acesso em 15/04/2016.

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Aula 01 | Mediação no Direito de Família: Teoria e Prática. Contratos, Direito de
Família e Direito das Sucessões

Maria Berenice Dias pontua o quanto segue8:

A sentença raramente produz o efeito apaziguador desejado, principalmente nos


processos que envolvem vínculos afetivos. A resposta judicial nunca corresponde
aos anseios de quem busca muito mais resgatar prejuízos emocionais pelo
sofrimento de sonhos acabados do que reparações patrimoniais ou compensações
de ordem econômica. Independentemente do término do processo judicial,
subsiste o sentimento de impotência dos componentes do litígio familiar.

Fernanda Tartuce9, assevera:

Nesse tão peculiar ramo jurídico, em respeito à sua capacidade de


autodeterminação, o indivíduo deve estar pronto para definir os rumos de seu
destino, sabendo identificar o melhor para si sem necessitar da decisão impositiva
de um terceiro que não conhece detalhes de sua relação controvertida. Por tal
razão, avulta a importância da mediação; afinal, o sistema jurídico, cada mais
vez, valoriza e fomenta a realização de atos negociais pelos indivíduos para a
definição, por si próprios, de suas situações jurídicas.

Tanto é verdadeira a afirmação de que é indispensável abrir canais de facilitação que entre
os arts. 165 a 175, verifica-se um Seção inteira do CPC/2015 nesse sentido, ademais
procedimentalmente é imperioso desejar ou não, a conciliação ou a mediação, na primeira
oportunidade que se apresenta a lide, ou seja na petição inicial, e na defesa pelo réu, conforme
asseveram os arts. 334 a 341, ato o qual será repetido na audiência de instrução e julgamento
pelo juiz, conforme se verifica no art. 359, do mesmo Codex.

Outrossim, no procedimento especial destinado ao direito de família, verifica-se igualmente


a tentativa incisiva na resolução do conflito por meio de mediação, conforme arts. 693 a 699
do CPC/2015.

8 DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. 10ª. ed. – São Paulo: RT, 2015, p. 65.
9 TARTUCE, Fernanda. Mediação nos conflitos civis. Rio de Janeiro: Forense: São Paulo: Método, 2008, p. 278.

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Aula 01 | Mediação no Direito de Família: Teoria e Prática.
Contratos, Direito de Família e Direito das Sucessões

Diante da premente necessidade em assegurar e adotar medidas extrajudiciais, o Tabelião


de Notas pode proceder algumas atividades, antes atinentes apenas ao poder judiciário10.

Diante da presença de tantos elementos sentimentais é imperioso que a necessidades das


partes envolvidas sejam resolvidas por elas próprias, sem contar com a delegação de uma
solução de suas crises a um terceiro estranho11, mas não é o que a prática mostra, em via de
regra.

Uma pequena observação se faz neste momento, se depreende ao longo da presente aula
que numa situação qual respeitada às exigências legais, as partes podem convencionar
da melhor forma acerca de seus direitos, inclusive acerca de direitos indisponíveis, sem a
necessidade da intervenção Estatal.

Contudo, com a vigência da nova lei de mediação Lei n. 13.140/2015, há um afunilamento


negativo quantos das vantagens da sua aplicação.

Ora, ao invés de acelerar a resolução de um conflito, a nova lei obriga a judicialização, isto
porque deverá ser homologado por um juiz, tudo aquilo que versar sobre direito indisponível.

Isso implica dizer que numa lide, que foi liquidada nas vias consensuais, deverá ainda sim ser
a chancela do Poder Judiciário para ter validade.

Destarte, assevera sabiamente Maria Berenice Dias12:


A regulamentação dessa atividade que busca aproximar as pessoas para
encontrar uma solução consensual vem em boa hora, mas, de uma maneira
injustificada, não admite que seja feita a mediação quando se trata de direitos
indisponíveis. No âmbito do Direito de Família, não vejo como não haver a
possibilidade de fazer mediação extrajudicial quando há interesse de crianças ou
de incapazes em geral.

Siaba Mais
Acerca do tema dissertado sobre a nova Lei de Mediação, acesse: <http://www.conjur.com.br/2015-jul-13/
entrevista-maria-berenice-dias-advogada-direito-familia>

10 TARTUCE, Fernanda. Mediação nos conflitos civis. Rio de Janeiro: Forense: São Paulo: Método, 2008, p. 278.
11 TARTUCE, Fernanda. Mediação nos conflitos civis. Rio de Janeiro: Forense: São Paulo: Método, 2008, p. 280.
12 Acesso em: 15/04/2016. Disponível em: <http://www.conjur.com.br/2015-jul-13/entrevista-maria-berenice-dias-
advogada-direito-familia>

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Aula 01 | Mediação no Direito de Família: Teoria e Prática. Contratos, Direito de
Família e Direito das Sucessões

Em continuidade, é nítida a importância de uma mediação bem conduzida, tanto é assim, que
Fernanda Tartuce que por meio das conversas promovidas pelo mediador, há a possibilidade
em focar a pretensão das partes, eliminando resistências indevidas de despropositadas as
quais insurgiram apenas por fatores subjetivos estranhos à causa13.

Destarte, muito embora haja a quebra de um vínculo


conjugal, por exemplo, em boa parte dos casos haverá Link
ainda uma ligação entre as partes, seja ela com relação Referente ao tema da Mediação
aos alimentos, seja em relação à ligação para com os filhos; indica-se a visualização do se-
guinte vídeo, da décima quarta
assim a mediação ou um tratamento de autocomposição parte do Curso de Mediação de
bilateral sempre denota ser um método consensual de Conflitos, extraída do DVD produ-
zido em 2007 pelo Vida e Juven-
abordagem do conflito14. tude, com o apoio da Secretaria
Especial dos Direitos Humanos e
Casos como divórcio consensual ou separação os Governo Federal Brasil, <http://
www.youtube.com/watch?v=TR8i
envolvidos no conflito poderão procurar um Centro s47398o&feature=related>
Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc).

Lá, contaram com a ajuda de um Conciliador ou Mediador Judicial, que auxiliaram na


composição, após, resultando êxito, será homologado o acordo por um juiz.

Passados um pequeno lapso temporal em regra de 15 dias será expedida a Certidão de


Homologação do acordo judicial do divórcio consensual, por exemplo15. Mediante tal
documentação poderão dirigir-se no Cartório para averbar o divórcio.

Nesse sentido, a doutrina pontua16:

Na audiência de Conciliação ou Mediação Judicial as partes poderão conciliar


sobre todos os temas de direito de família: Guarda do menor, estabelecimento de
visitas, Provisão de Alimentos (pensão alimentícia), divórcio consensual, Divisão
de bens, investigação de paternidade com ou sem exame de DNA.

13 TARTUCE, Fernanda. Mediação nos conflitos civis. Rio de Janeiro: Forense: São Paulo: Método, 2008, p. 281.
14 TARTUCE, Fernanda. Mediação nos conflitos civis. Rio de Janeiro: Forense: São Paulo: Método, 2008, p. 282.
15 Acesso em 15/04/2016. Disponível em: <http://sergiooliveiradesouza.jusbrasil.com.br/artigos/152372717/mediacao-
-judicial-no-direito-de-familia?ref=topic_feed>
16 Acesso em 15/04/2016. Disponível em: <http://sergiooliveiradesouza.jusbrasil.com.br/artigos/152372717/mediacao-
-judicial-no-direito-de-familia?ref=topic_feed>

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Aula 01 | Mediação no Direito de Família: Teoria e Prática.
Contratos, Direito de Família e Direito das Sucessões

Lembrando que é” sempre “aconselhável a presença de um advogado na sessão


de Conciliação ou Mediação Judicial, mas caso não seja possível, a presença
do advogado não é obrigatória e a maioria dos procedimentos não tem qualquer
custo para as partes, somente o exame de DNA em casos de investigação de
paternidade tem um custo mínimo.

Como resultado da mediação, o termo lavrado constituirá título executivo extrajudicial, ou


então será um título executivo judicial se homologado pelo juiz.

Portanto, os meios alternativos de solução de conflito são muito mais eficientes, pois os
melhores juízes são as partes e o conflito pode ser resolvido por elas.

Pontuando

• Introdução

• Do processo, família e do Estado

• Da Mediação e o direito de família

Glossário

Autocomposição: solução de conflitos entre as próprias partes.

Heterocomposiação: solução de conflitos em que as partes indicam um terceiro para


solucionar um conflito entre elas.

Multicultural: analise sobre mais um aspecto cultural.

14
Verificação
de leitura
Questão 1 INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA Questão 3 INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA

Considerando que duas pessoas envolvidas Em relação à Mediação da Lei nº 13.140/2015,


em um acidente de trânsito, sem vítimas, assinale a questão incorreta:
tenham em razão do incidente e dos danos
a) O mediador será designado pelo tribunal ou
causados aos veículos, discutido. Assinale a escolhido pelas partes.  
opção correta no que se refere aos métodos
b) O mediador conduzirá o procedimento de
extrajudiciais de soluções de conflitos.
comunicação entre as partes, buscando o en-
a) Cabe às partes solicitar a um mediador que tendimento e o consenso e facilitando a resolu-
interfira positivamente na lide a fim de que as ção do conflito.  
partes se componham.
c) Aos necessitados não será assegurada a
b) Devem as partes procurar um conciliador gratuidade da mediação. 
com intuito de que este atue como um juiz do
d) Aplicam-se ao mediador as mesmas hipóte-
Poder Público impondo sua vontade em rela-
ses legais de impedimento e suspeição do juiz.
ção ao caso concreto.

c) Enseja ao mediador conduzir o procedimen- Questão 4 INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA


to de comunicação entre as partes, buscando
o entendimento e o consenso e facilitando a A previsão contratual de mediação deverá
resolução do conflito.   conter alguns elementos, de acordo com a
Lei nº 13.140/15, indique a alternativa erra-
d) Não cabe qualquer medida, pois não houve
vítimas no aludido acidente da:

a) prazo mínimo e máximo para a realização


Questão 2 INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA da primeira reunião de mediação, contado a
partir da data de recebimento do convite; 
A mediação não será orientada pelo seguin-
te princípio:  b) local da primeira reunião de mediação; 

a) imparcialidade do mediador;  c) critérios de escolha do mediador ou equipe


de mediação; 
b) isonomia entre as partes; 
d) não fixar penalidade em caso de não com-
c) busca do consenso;  parecimento da parte convidada à primeira
d) má-fé reunião de mediação.

15
Verificação de Leitura

Questão 5 INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA

Em relação ao procedimento de mediação,


indique a alternativa correta:

a) O mediador não é obrigado a aceitar qual-


quer tipo de termo que invoque eventual regra
de confidencialidade entre as partes.

b) A requerimento das partes ou do mediador,


e com anuência daquelas, poderão ser admi-
tidos outros mediadores para funcionarem no
mesmo procedimento, quando isso for reco-
mendável em razão da natureza e da comple-
xidade do conflito. 

c) Se houver processo arbitral ou judicial em


curso, as partes não poderão submeter-se à
mediação.

d) É recorrível a decisão que suspende o pro-


cesso nos termos requeridos de comum acor-
do pelas partes.

16
Referências

AZEVEDO, Álvaro Villaça. Curso de Direito Civil: Direito de Família. 1. Ed.. Atlas. São Paulo. 2013.

BEVILAQUA, Clovis. Direito das Sucessões. Rio de Janeiro: ed. Rio, 1978.

CASSETTARI, Christiano. Elementos de Direito Civil. 2. ed - São Paulo: Saraiva, 2013.

COELHO, Fábio Ulhoa. Família e Sucessões: De acordo com o novo divórcio (EC. 66/2010). 4. ed.
- São Paulo: Saraiva, 2011.

DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. 10ª. ed. – São Paulo: RT, 2015.

DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro: 6. Direito das Sucessões. 27. ed. - São Paulo:
Saraiva, 2013.

GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro:Direito das sucessões. 8. ed. - São Paulo:
Saraiva, 2014.

HIRONAKA, Giselda Maria Fernandes Novaes. Comentários ao Código Civil. Coordenação de Antô-
nio Junqueira de Azevedo. São Paulo: Ed. Saraiva, 2003. V. 20.

LISBOA, Roberto Senise. Manual de Direito Civil: Direito de Família e Sucessões. 6. ed – São Paulo:
Saraiva, 2010

TARTUCE, Fernanda. Mediação nos conflitos civis. Rio de Janeiro: Forense: São Paulo: Método,
2008.

_________, Fernanda. Processo civil Aplicação ao Direito de Família. Rio de Janeiro: Forense: São
Paulo: Método, 2012.

TARTUCE, Flávio. Direito Civil: Direito das Sucessões. 7. ed. - São Paulo: Método, 2014.

TARTUCE, Flávio. SIMÃO, José Fernando. Direito Civil: Direito das Sucessões. 3. ed - São Paulo:
Método, 2010.

VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: direito das sucessões. 14. ed. – São Paulo: Atlas, 2014.

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Gabarito

Questão 1

Resposta: Alternativa C.

Resolução: Conforme o art. 4º da Lei 13.140/2015.

Questão 2

Resposta: Alternativa D.

Resolução: Desconformidade ao art. 2º da Lei 13.140/2015.

Questão 3

Resposta: Alternativa C.

Resolução: Desacordo com o art. 4º, §2º da referida Lei.

Questão 4

Resposta: Alternativa D.

Resolução: Desacordo com o Art. 22, IV da Lei.

Questão 5

Resposta: Alternativa B.

Resolução: Nos termos do art. 15 da Lei de Mediação.

18
19
TEMA 02
Direito Penal e Direito de Família.
Lei Maria da Penha: Questões
Teóricas e Práticas

20
LEGENDA
DE ÍCONES

Início
seções
Vamos
pensar
Glossário

Pontuando

Verificação
de leitura

Referências

Gabarito

21
Aula 02
Direito Penal e Direito de Família. Lei Maria da
Penha: Questões Teóricas e Práticas
Objetivos

Apresentar ao aluno as bases sobre as quais se edificam os elementos do Direito Penal


e Direito de Família, consolidando assim, em linhas gerais os tipos penais aplicados. Sem
deixar de lado a aplicação da Lei Maria da Penha.

1. Crimes Contra a Família – Introdução

Tento em vista a importância histórica, bem como a verificação da instituição familiar como
instrumento fundamental da vida em sociedade, o legislador verifica entre os arts. 235 a 249
do CP, sua proteção1.

Sendo assim, o legislador trata da matéria


no Título VII em quatro momentos distintos. Link
São eles: dos crimes contra o casamento; Sobre os crimes contra a família, o tratamento dado
pelo projeto do novo Código Penal PLS 236/2012 é
dos crimes contra o estado de filiação;
completamente distinto. Desta forma se faz relevan-
dos crimes contra a assistência familiar; te a leitura do mesmo, no site do Senado Federal:
<http://www.senado.gov.br/atividade/materia/deta-
dos crimes contra o pátrio poder, tutela lhes.asp?p_cod_mate=106404>
curatela.

Desta forma, sem maiores delongas, os referidos crimes serão estudados pontualmente.

2. Análise dos Crimes em Espécie

2.1. Dos Crimes Contra Casamento


a. Bigamia: art. 235 do CP - Contrair alguém, sendo casado, novo casamento:Pena -
reclusão, de dois a seis anos.

1 DE JESUS, Damásio.Direto Penal: Parte especial. Volume 3.São Paulo: Saraiva, 2015, p. 199.

22
Aula 02 | Direito Penal e Direito de Família. Lei Maria da Penha: Questões
Teóricas e Práticas

Referido crime, conforme aponta a doutrina, visa a proteção matrimonial como base
monogâmica2.

Pode ser observado ainda, que o tipo penal é contrair, já sendo casado, já em relação ao
núcleo do tipo é contrair, que significa unir-se com outra pessoa3.

A consumação se verifica com o novo casamento, bem como a tentativa é possível. Por
fim, trata-se a ação é pública incondicionada.

b. Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento: art. 236 do CP - Contrair


casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente, ou ocultando-lhe impedimento
que não seja casamento anterior: Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

Em continuidade, referido crime, conforme aponta a doutrina, visa evitar a realização de


casamentos nulos e anuláveis4.

Pode ser observado ainda, que o tipo penal é


induzir outrem a errou ou ocultar erro essencial, Saiba Mais
já o núcleo do tipo é contrair, que significa unir-se Sobre os casamentos nulos, indica-se a
com outra pessoa. leitura da palavra digital na disciplina In-
trodução ao Direito de Família. Conceito
e princípios contemporâneos. Conceito
A consumação se verifica com casamento, bem de família e categorias constitucionais.
como a tentativa é possível. Por fim, trata-se a Em especial a aula 03 - Conceito de ca-
samento e natureza jurídica. Impedimen-
ação penal depende de queixa do contraente tos matrimoniais e causas suspensivas
enganado e não pode ser intentada senão do casamento. Invalidade do casamento:
Casamento inexistente, casamento nulo e
depois de transitar em julgado a sentença que, casamento anulável.
por motivo de erro ou impedimento, anule o
casamento5.

2 DE JESUS, Damásio.Direto Penal: Parte especial. Volume 3.São Paulo: Saraiva, 2015, p. 203.
3 MASSON, Cleber. Código Penal comentado. 3. ed. rev., atual. eampl. - Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO,
2015. P. 238
4 DE JESUS, Damásio.Direto Penal: Parte especial. Volume 3.São Paulo: Saraiva, 2015, p. 207.
5 MASSON, Cleber. Código Penal comentado. 3. ed. rev., atual. eampl. - Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO,
2015. P. 239.

23
Aula 02 | Direito Penal e Direito de Família. Lei Maria da
Penha: Questões Teóricas e Práticas

c. Conhecimento prévio de impedimento: art. 237 do CP - Contrair casamento,


conhecendo a existência de impedimento que lhe cause a nulidade absoluta: Pena -
detenção, de três meses a um ano.

Em continuidade, referido crime, visa evitar a realização de casamentos nulos com base
em impedimento matrimonial conhecido.

Pode ser observado ainda, que o tipo penal é contrair casamento conhecendo impedimento
matrimonial, já o núcleo do tipo é contrair, qual significa unir-se com outra pessoa.

A consumação se verifica com casamento, bem como a tentativa é possível. Por fim, trata-
se a ação penal é publica incondicionada.

d. Simulação de autoridade para celebração de casamento: art. 238 - Atribuir-se


falsamente autoridade para celebração de casamento: Pena - detenção, de um a três
anos, se o fato não constitui crime mais grave.

Conforme aponta a doutrina, essa regra é especial em relação ao art. 328 do CP que trata
de usurpação pública, e somente será aplicada subsidiariamente quando não houver a
aplicação do último dispositivo citado6.

Pode ser observado ainda, que o tipo penal é se avocar na pessoa de autoridade celebrante,
já o núcleo do tipo é se passar ou atribuir-se na condição7.

A consumação se verifica com a imputação, bem como a tentativa é possível. Por fim,
trata-se a ação é pública incondicionada.

e. Simulação de casamento: art. 239 do CP - Simular casamento mediante engano de


outra pessoa:Pena - detenção, de um a três anos, se o fato não constitui elemento de
crime mais grave.

6 DE JESUS, Damásio.Direto Penal: Parte especial. Volume 3.São Paulo: Saraiva, 2015, p. 203.
7 MASSON, Cleber. Código Penal comentado. 3. ed. rev., atual. eampl. - Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO,
2015. P. 240

24
Aula 02 | Direito Penal e Direito de Família. Lei Maria da Penha: Questões
Teóricas e Práticas

O tipo penal é simular casamento mediante engano de outrem, já o núcleo do tipo é


simular, enganar ou disfarçar.

A consumação se verifica com a simulação, bem como a tentativa é possível. Por fim,
trata-se a ação é pública incondicionada.

Por fim, conforme ser apercebido o crime se adultério uma faz previsto no art. 240 do
CP, foi revogado pela Lei nº 11.106, de 2005, assim como não há tipificação penal na
modalidade familiar constituída pelos conviventes, ou seja, na união estável.

2.2. Dos Crimes Contra o Estado de Filiação


Os crimes a partir de então, incluído o referido tópico são mais latentes na sociedade, pois
ocorrem com maior incidência prática. Tal apontamento tem como fundamento a ocorrência
comum das adoções a brasileira, bem como os casos de sequestro de incapazes para fins
de trafico de crianças.

a. Registro de nascimento inexistente: Art. 241 do CP - Promover no registro civil a


inscrição de nascimento inexistente:Pena - reclusão, de dois a seis anos.

O tipo penal é promover no registro civil a inscrição de nascimentoinexistente, já o núcleo


do tipo é realizar. A consumação se verifica com a inscrição no registro, bem como a
tentativa é possível. Por fim, trata-se a ação penal é publica incondicionada.

b. Parto suposto. Supressão ou alteração de direito inerente ao estado civil de


recém-nascido: Art. 242 do CP - Dar parto alheio como próprio; registrar como seu o filho
de outrem; ocultar recém-nascido ou substituí-lo, suprimindo ou alterando direito inerente
ao estado civil: Pena - reclusão, de dois a seis anos. 

Em continuidade, referido crime, conforme aponta a doutrina verifica quatro condutas


distintas: parto suposto; registro de filho alheio; supressão de direito inerente ao estado
civil de recém-nascido; alteração de direito inerente ao estado civil de recém-nascido8.

8 DE JESUS, Damásio.Direto Penal: Parte especial. Volume 3.São Paulo: Saraiva, 2015, p. 229.

25
Aula 02 | Direito Penal e Direito de Família. Lei Maria da
Penha: Questões Teóricas e Práticas

Pode ser observado ainda, que o tipo penal composto dar parto alheio como próprio,
registrar como filho seu o de outrem e suprimir ou alterar direito inerente ao estado civil.

A consumação se verifica com apresentação, ocultação, alteração ou substituição. Por


fim, trata-se a ação penal pública.

c. Sonegação de estado de filiação: Art. 243 do CP - Deixar em asilo de expostos ou outra


instituição de assistência a filho próprio ou alheio, ocultando-lhe a filiação ou atribuindo-lhe
outra, com o fim de prejudicar direito inerente ao estado civil: Pena - reclusão, de um a
cinco anos, e multa.

Por fim, o tipo penal deixar em asilo de expostos ou outra instituição de assistência filho
próprio ou alheio, ocultando-lhe a filiação ou atribuindo-lhe outra, com o fim de prejudicar
direito inerente ao estado civil’, bem como o núcleo do tipo é deixar9.

A consumação se dá com o abandono. Por fim, trata-se a ação penal pública.

2.3. Dos crimes contra a assistência Familiar


a. Abandono material: art. 244 do CP - Deixar, sem justa causa, de prover a subsistência
do cônjuge, ou de filho menor de 18 (dezoito) anos ou inapto para o trabalho, ou de
ascendente inválido ou maior de 60 (sessenta) anos, não lhes proporcionando os recursos
necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada,
fixada ou majorada; deixar, sem justa causa, de socorrer descendente ou ascendente,
gravemente enfermo: Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa, de uma a dez
vezes o maior salário mínimo vigente no País. 

Inicialmente, referido crime, conforme aponta a doutrina verifica quatro condutas distintas:
deixar sem justa causa de prover a subsistência do cônjuge e do filho; não pagar pensão
alimentícia; deixar em desamparo ascendente10.

Pode ser observado ainda, que o núcleo do tipo é deixar, ou seja, não atender. A consumação
se verifica a omissão. Por fim, trata-se a ação penal pública.

9 MASSON, Cleber. Código Penal comentado. 3. ed. rev., atual. eampl. - Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO,
2015. P. 242
10 DE JESUS, Damásio.Direto Penal: Parte especial. Volume 3.São Paulo: Saraiva, 2015, p. 239.

26
Aula 02 | Direito Penal e Direito de Família. Lei Maria da Penha: Questões
Teóricas e Práticas

b. Entrega de filho menor a pessoa inidônea: art. 245 do CP - Entregar filho menor de
18 (dezoito) anos a pessoa em cuja companhia saiba ou deva saber que o menor fica
moral ou materialmente em perigo: Pena - detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos. 

Pode ser observado, que o tipo penal é entregar filho menor de 18 (dezoito) anos a pessoa
em cuja companhia saiba ou deva saber que o menor fica moral ou materialmente em
perigo, já o núcleo do tipo entregar a outra pessoa.

A consumação se verifica com entrega, bem como a tentativa é possível. Por fim, trata-se
a ação é pública incondicionada.

c. Abandono intelectual: art. 246 do CP - Deixar, sem justa causa, de prover à instrução
primária de filho em idade escolar: Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.

Por fim, tipo penal é Deixar, sem justa causa, de prover à instrução primária de filho
em idade escolar, já o núcleo do tipo deixar de prover. A consumação se verifica com a
omissão, bem como a tentativa é possível.

Deve ficar claro ainda, que há uma qualificadora, também conhecida como abandono
moral11 prevista no art. 247 do CP no sentido de permitir alguém que menor de dezoito anos,
sujeito a seu poder ou confiado à sua guarda ou vigilância frequente alguns ambientes.
São eles:

I - frequente casa de jogo ou mal-afamada, ou conviva com pessoa viciosa ou de


má vida; II - frequente espetáculo capaz de pervertê-lo ou de ofender-lhe o pudor,
ou participe de representação de igual natureza;III - resida ou trabalhe em casa
de prostituição;IV - mendigue ou sirva a mendigo para excitar a comiseração
pública:

A pena no referido caso é de detenção, de um a três meses, ou multa, bem como se trata
de uma ação pública incondicionada.

11 DE JESUS, Damásio.Direto Penal: Parte especial. Volume 3.São Paulo: Saraiva, 2015, p. 253.

27
Aula 02 | Direito Penal e Direito de Família. Lei Maria da
Penha: Questões Teóricas e Práticas

2.4 Dos Crimes Contra o Pátrio Poder, Tutela e Curatela


a. Induzimento a fuga, entrega arbitrária ou sonegação de incapazes. art. 248 do
CP - Induzir menor de dezoito anos, ou interdito, a fugir do lugar em que se acha por
determinação de quem sobre ele exerce autoridade, em virtude de lei ou de ordem judicial;
confiar a outrem sem ordem do pai, do tutor ou do curador algum menor de dezoito anos ou
interdito, ou deixar, sem justa causa, de entregá-lo a quem legitimamente o reclame:Pena
- detenção, de um mês a um ano, ou multa.

Inicialmente, que o tipo penal composto Induzir menor de dezoito anos, ou interdito, a
fugir do lugar em que se acha por determinação de quem sobre ele exerce autoridade,
em virtude de lei ou de ordem judicial; confiar a outrem sem ordem do pai, do tutor ou do
curador algum menor de dezoito anos ou interdito, ou deixar, sem justa causa, de entregá-
lo a quem legitimamente o reclame. Já o núcleo o tipo é induzir, confiar ou deixar de
entregar.

A consumação se verifica com a simples prática das condutas. Por fim, trata-se a ação
penal pública incondicionada12.

b. Subtração de incapazes: art. 249 do CP- Subtrair menor de dezoito anos ou interdito
ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou de ordem judicial:Pena -
detenção, de dois meses a dois anos, se o fato não constitui elemento de outro crime.

O tipo penal é Deixar, Subtrair menor de dezoito anos ou interdito ao poder de quem o tem
sob sua guarda em virtude de lei ou de ordem judicial, já o núcleo do tipo é subtrair.

A consumação se verifica com subtração, bem como a tentativa é possível. Se tratando


de uma ação é pública incondicionada.

Feitas as anotações acerca dos tipos penais, podem ser pontuados os principais pontos
da Lei Maria da Penha.

12 MASSON, Cleber. Código Penal comentado. 3. ed. rev., atual. eampl. - Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO,
2015. P. 243

28
Aula 02 | Direito Penal e Direito de Família. Lei Maria da Penha: Questões
Teóricas e Práticas

3. Lei Maria da Penha n.º 11.340/2006

Conforme pode ser apercebido do próprio teor da lei, a mesma cria mecanismos para
coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, e estabelece medidas de
assistência e proteção às mulheres nesta situação, ou seja, há uma nítida proteção de um
vulnerável da relação familiar.

Deve ficar claro desde inicio que a referida lei não faz referência a qualquer tipo penal, mas
sim medidas e implementos de proteção à violência doméstica.

Nesse sentido, pontua Maria Berenice Dias13: “A partir da vigência da nova lei, a violência
doméstica não guarda correspondência com quaisquer tipos penais.”

Desta forma, referida lei em seu art. 5°, estabelece o âmbito de proteção que caracteriza
violência doméstica indicando o que segue:

a. âmbito da unidade domiciliar, isto é, o local onde as pessoas convivem em


caráter permanente, ainda que esporadicamente agregadas;

b. âmbito da família, isto é, pessoas de uma comunidade que se consideram


aparentadas, ainda que sem vínculo e voluntariamente;

c. âmbito das relações íntimas de afeto, ainda que não haja coabitação e também
os ex-relacionamentos.

Em continuidade, o art. 7° estabelece as cinco formas de violência abrangidas pela lei:

a. Física: que atente contra a integridade e a saúde corporal da vítima;

b. psicológica: que atente contra o equilíbrio emocional e a auto-estima da mulher;

c. Sexual: que atente contra na dignidade sexual da mulher. Ex: obrigar a manter
relação, a presenciá-la ou obrigá-la a engravidar, ou a abortar etc.;

d. Patrimonial: que inclui também os instrumentos de trabalho;

e. moral: que decorre de calúnia, difamação e injúria.

13 Disponível em: <http://www.mariaberenice.com.br/uploads/17a_lei_maria_da_penha_na_ justi%E7a.pdf>. Acesso em


15/04/2016.

29
Aula 02 | Direito Penal e Direito de Família. Lei Maria da
Penha: Questões Teóricas e Práticas

Atinente os referidos dispositivos citados, lembra Maria Berenice Dias14: “Estas condutas, no
entanto, mesmo que sejam reconhecidas como violência doméstica, nem por isso configuram
crimes que desencadeiam uma ação penal.”

Em continuidade, o art. 10 e seguintes da lei estabelecem os deveres de diversas categorias,


tais como: a autoridade policial, MP, DP etc. em especial nos termos do art. 16; a mulher
somente poderá renunciar à sua vontade de processar o agente em juízo em audiência
especificamente designada para este fim.

Outro elemento interessante é a vedação expressa da imposição de cestas básicas, de


prestação pecuniária de qualquer natureza e a multa imposta isoladamente em substituição
(art. 17), bem como o art. 41 proíbe aplicação da Lei nº 9.099/95 nos crimes abrangidos por
esta lei.

Por fim, uma dos instrumentos mais importantes são as medidas protetivas que são de duas
grandezas.

Em um primeiro momento, o art. 22 estabelece as medidas protetivas de urgência que obrigam


o agressor. Como exemplo a proibição de aproximação da vítima, familiares e testemunhas;
bem como a suspensão da posse ou porte da arma de fogo.

Já em um segundo momento, os arts. 23 e 24 estabelecem as medidas protetivas de urgência


à vítima. Como exemplo a separação de corpos, recondução ao lar e cancelamento de
procurações outorgadas ao agressor.

Lembra ainda, a legislação que o art. 20 prevê a decretação da prisão preventiva para
assegurar o cumprimento das medidas protetivas.

14 Disponível em: <http://www.mariaberenice.com.br/uploads/17a_lei_maria_da_penha_na_ justi%E7a.pdf>. Acesso em


15/04/2016.

30
Pontuando

• Crimes contra a família – Introdução.

• Análise dos crimes em espécie.

• Dos crimes contra casamento.

• Dos crimes contra o estado de filiação.

• Dos crimes contra a assistência Familiar.

• Dos crimes contra o pátrio poder, tutela e curatela.

• Lei Maria da Penha n.º 11.340/2006.

Glossário

Tipo penal: descrição de um fato tido como ilícito pelo Direito Penal.

Usurpação pública: tipo penal segundo o qual o agente atua com dolo e retira vantagem.

31
Verificação
de leitura
Questão 1 INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA Questão 3 INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA

Dos referidos crimes contra o casamento in- Em relação ao casamento, assinale a alter-
dique um deles que atualmente se encontra nativa incorreta:
revogado.
a) prova a sua existência a partir do registro
a) Bigamia em certidão junto ao cartório de Registro Civil
das Pessoas Naturais
b) Adultério

c) Induzimento a erro essencial e ocultação de b) é ato solene


impedimento c) deve observar a fase de habilitação somen-
te
d) Conhecimento prévio de impedimento
d) deve observar a fase de habilitação e de ce-
Questão 2 INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA lebração

Indique a alternativa incorreta: No atendi-


Questão 4 INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA
mento à mulher em situação de violência do-
méstica e familiar, a autoridade policial deve- Das seguintes alternativas abaixo indique,
rá, entre outras providências: qual deles refere a um crime contra o pátrio
poder, tutela e curatela.
a) garantir proteção policial, quando necessá-
rio, comunicando de imediato somente ao Po- a) Abandono material
der Judiciário
b) Entrega de filho menor a pessoa inidônea
b) encaminhar a ofendida ao hospital ou posto
c) Abandono intelectual
de saúde e ao Instituto Médico Legal
d) Induzimento a fuga, entrega arbitrária ou
c) fornecer transporte para a ofendida e seus
sonegação de incapazes
dependentes para abrigo ou local seguro,
quando houver risco de vida

d) se necessário, acompanhar a ofendida para


assegurar a retirada de seus pertences do lo-
cal da ocorrência ou do domicílio familiar

32
Verificação de Leitura

Questão 5 INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA

Assinale a alternativa incorreta acerca das


certidões de nascimento, casamento e óbito:

a) Não serão cobrados emolumentos pelo re-


gistro civil de nascimento e pelo assento de óbi-
to, bem como pela primeira certidão respectiva.

b) Os reconhecidamente pobres estão isentos


de pagamento de emolumentos pelas demais
certidões extraídas pelo cartório de registro ci-
vil.

c) O estado de pobreza não será comprova-


do por declaração do próprio interessado ou
a rogo, tratando-se de analfabeto, neste caso,
acompanhada da assinatura de duas testemu-
nhas.

d) A falsidade da declaração ensejará a res-


ponsabilidade civil e criminal do interessado.

33
Referências

AZEVEDO, Álvaro Villaça. Curso de Direito Civil: Direito de Família. 1. Ed.. Atlas. São Paulo. 2013.

BEVILAQUA, Clovis. Direito das Sucessões. Rio de Janeiro: ed. Rio, 1978.

BIANCHINI, Alice; GOMES, Luiz Flávio. Lei Maria da Penha: aspectos assitenciais, protetivos e cri-
minais. 3. ed. rev., atual. eampl. - Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2015.

CASSETTARI, Christiano. Elementos de Direito Civil. 2. ed - São Paulo: Saraiva, 2013.

COELHO, Fábio Ulhoa. Família e Sucessões: De acordo com o novo divórcio (EC. 66/2010). 4. ed.
- São Paulo: Saraiva, 2011.

DE JESUS, Damásio. Direto Penal: Parte especial. Volume 3 . São Paulo: Saraiva, 2015, p. 253.

DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. 10ª. ed. – São Paulo: RT, 2015.

DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro: 6. Direito das Sucessões. 27. ed. - São Paulo:
Saraiva, 2013.

GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro:Direito das sucessões. 8. ed. - São Paulo:
Saraiva, 2014.

HIRONAKA, Giselda Maria Fernandes Novaes. Comentários ao Código Civil. Coordenação de Antô-
nio Junqueira de Azevedo. São Paulo: Ed. Saraiva, 2003. V. 20.

LISBOA, Roberto Senise. Manual de Direito Civil: Direito de Família e Sucessões. 6. ed – São Paulo:
Saraiva, 2010

MASSON, Cleber. Código Penal comentado. 3. ed. rev., atual. eampl. - Rio de Janeiro: Forense; São
Paulo: MÉTODO, 2015.

TARTUCE, Flávio. Direito Civil: Direito das Sucessões. 7. ed. - São Paulo: Método, 2014.

TARTUCE, Flávio. SIMÃO, José Fernando. Direito Civil: Direito das Sucessões. 3. ed - São Paulo:
Método, 2010.

VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: direito das sucessões. 14. ed. – São Paulo: Atlas, 2014.

34
Gabarito

Questão 1

Resposta: Alternativa B.

Resolução: Art. 240 - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005)

Questão 2

Resposta: Alternativa A.

Resolução: Art. 11, inc. I da Lei - garantir proteção policial, quando necessário, comunicando
de imediato ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.

Questão 3

Resposta: Alternativa C.

Resolução: Nos termos do art. 1.5431 do CC o casamento celebrado no Brasil prova pela
certidão do registro. Assim, o casamento é ato solene para dar publicidade que necessita de
duas fases importantes, ou seja, a habilitação e celebração.

Questão 4

Resposta: Alternativa D.

Resolução: Art. 248 - Induzir menor de dezoito anos, ou interdito, a fugir do lugar em que se
acha por determinação de quem sobre ele exerce autoridade, em virtude de lei ou de ordem
judicial; confiar a outrem sem ordem do pai, do tutor ou do curador algum menor de dezoito
anos ou interdito, ou deixar, sem justa causa, de entregá-lo a quem legitimamente o reclame.

35
Gabarito

Questão 5

Resposta: Alternativa C.

Resolução: Desacordo com o art. 30, § 2º da Lei nº 6.015/73.

36
37
TEMA 03
Questões Notariais e Registrais Relativas
ao Direito de Família e das Sucessões

38
LEGENDA
DE ÍCONES

Início
seções
Vamos
pensar
Glossário

Pontuando

Verificação
de leitura

Referências

Gabarito

39
Aula 03
Questões Notariais e Registrais Relativas ao
Direito de Família e das Sucessões
Objetivos

Apresentar ao aluno as bases sobre as quais se edificam os elementos dos Atos Notariais
e Registrais, consolidando assim, em linhas gerais sua aplicação junto ao Direito de Família.

1. Introdução

As serventias extrajudiciais são compostas pelos serviços notariais (tabelionatos), bem


como pelos registros (ofícios de registro).

Atualmente existem algumas espécies de serventias, dentre elas podem ser citadas1:

Cartório de Registro Civil: é o responsável pelo registro de nascimento, de


casamento, de óbito etc., e por fornecer as certidões desses atos;

Cartório de Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoas Jurídicas:


responsável pelo registro dos contratos sociais, atos constitutivos e estatutos – e
suas respectivas alterações –, das empresas, sindicatos, associações, fundações
e sociedades civis, pias, religiosas, morais, científicas etc;

Cartório de Títulos e Documentos: registra documentos gerais e é o responsável


por fazer notificações extrajudiciais, como as de cobrança;

Cartório de Notas: é o cartório competente para lavrar escrituras, como as de


imóveis e de reconhecimento de paternidade, testamentos, autenticação de
cópias e procurações, reconhecimento de assinaturas, entre outros;

Cartório de Registro de Imóveis: registra os títulos de propriedade de imóveis e


respectivas averbações. Para que se possa saber quem é o proprietário de um
imóvel é necessário consultar o registro do imóvel nesse cartório. É importante
saber que a escritura de um imóvel pode ser lavrada em qualquer cartório de
notas, inclusive de outra cidade ou estado, mas deve ser registrada no cartório
que jurisdiciona o endereço do imóvel.

1 Tal apontamento pode ser retirado tanto da lei de registros públicos, bem como do seguinte site: <http://www.senado.
gov.br/noticias/jornal/cidadania/Cart%C3%B3riosconcess%C3%B5 esp%C3%BAblicas/not02.htm>

40
Aula 03 | Questões Notariais e Registrais Relativas ao Direito de Família
e das Sucessões

Cartório de Protestos de Títulos: é o cartório competente para o protesto de


cheques, notas promissórias, duplicatas e outros documentos em que se
reconheçam dívidas;

Cartório de Registro de Contratos Marítimos e de Distribuição: restritos a alguns


estados, os primeiros tratam exclusivamente de atos relativos a transações de
embarcações marítimas; os segundos respondem pela distribuição eqüitativa de
serviços cartoriais de que trata a Lei 8.935, e atos complementares à função.

Todas as serventias extrajudiciais cumprem uma


função social relevante, pois tem como objetivo Link
a segurança jurídica, bem como a publicidade de Para saber mais sobre as serventias jurí-
determinados atos da vida civil . 2 dicas acessar: <http://www.arpensp.org.
br/principal/index.cfm para obter mais in-
formações sobre matérias>.
Dentre todos os cartórios, o que mais tem forte
relação com o Direito de Família é o Cartório de
Registro Civil3, pois esse conforme anotado anteriormente o mesmo é responsável pelo
registro de nascimento, de casamento, de óbito etc. Em decorrência disto, o estudo será
direcionado nesse sentido.

2. O Registro Civil das Pessoas Naturais

O registro civil das pessoas naturais é serviço público de organização técnica e administrativa
destinado a garantir publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos atos e fatos da vida,
bem como do estado da pessoa natural.

O registro civil das pessoas naturais é incumbido dos atos de registro de nascimento, adoção,
casamento, conversão união estável casamento religioso, óbito e natimorto, averbações,
anotações e expedição de certidões4.

A lei de registros públicos estabelece que os oficiais de registro civil devem encaminhar
trimestralmente ao IBGE, um mapa dos nascimentos, casamentos e óbitos ocorridos no
trimestre anterior5.

2 CENEVIVA, Walter.Lei dos Registros Públicos comentada. 18ª. Ed. - São Paulo: Saraiva, 2008, p. 81.
3 CENEVIVA, Walter.Lei dos Registros Públicos comentada. 18ª. Ed. - São Paulo: Saraiva, 2008, p. 82.
4 CENEVIVA, Walter.Lei dos Registros Públicos comentada. 18ª. Ed. - São Paulo: Saraiva, 2008, p. 82.
5 CENEVIVA, Walter.Lei dos Registros Públicos comentada. 18ª. Ed. - São Paulo: Saraiva, 2008, p. 81.

41
Aula 03 | Questões Notariais e Registrais Relativas ao Direito
de Família e das Sucessões

Todavia não é só, pois outros órgãos são beneficiados com referidos dados, dentre eles
podem ser citados:

O INSS: nos casos de óbitos (art. 68, Lei nº 8.212/91); Justiça Eleitoral: cidadãos
alistáveis, Cód. Eleitoral – art. 71, §3º; Ministério da Justiça: estrangeiros art. 46,
Lei nº 6815/80; Ministério da Defesa: cidadãos do sexo masculino entre 17 e 45
anos Lei nº 4375/97; FUNAI: nascimentos de indígenas; secretaria da Fazenda
e instituto de identificação etc...

3. Escrituração (art. 332 da Lei n. 6.015/73)

A competência para escrituração é territorial, sendo os seguintes livros obrigatórios do


Cartório de Registro Civil6:

A - Registro de Nascimentos;

B - Registro de Casamentos;

B - Auxiliar – Registro de Casamentos Religiosos;

C - Registro de Óbitos;

C - Auxiliar – Registro de Natimortos;

D - Registro de Editais de Proclamas;

E - Demais Atos do Estado Civil.

Há ainda o livro de protocolo de entrada em suporte físico ou eletrônico, para lavratura de


procurações, revogação, renúncia e substabelecimento, bem como o livro de visitas do MP -
Ministério Público.

Assim, mais uma vez o estudo focará os livros citados.

6 CENEVIVA, Walter.Lei dos Registros Públicos comentada. 18ª. Ed. - São Paulo: Saraiva, 2008, p. 97.

42
Aula 03 | Questões Notariais e Registrais Relativas ao Direito de Família
e das Sucessões

3.1. Registro de Nascimentos (Livro A)


A pessoa natural possui registro de nascimento, que não é constitutivo e sim declaratório
e comprobatório, pois comprova o ato do nascimento e dá publicidade a esse nascimento7.

Não se cobra no cartório o registro de nascimento e a primeira certidão, bem como o registro
de nascimento é perpétuo, exceto em caso de adoção, eis que cancela o registro civil, sendo
o único caso.

Em continuidade, o registro civil é dinâmico, sempre está mudando e qualquer informação


que ocorra na vida desta pessoa é anotado no registro civil de nascimento, por exemplo, se
houve casamento.

Para tanto, como regra se faz necessária à apresentação da DNV - Declaração de nascido
vivo se a criança nasceu em hospital ou maternidade, já se a criança nasceu em casa, os pais
ou a pessoa responsável pelo registro podem ir direto a um cartório e efetuarem o registro de
nascimento8.

O prazo para registro de nascimento consta do art. 50 da Lei dos Registros Públicos. Assim,
como para efetuar o registro de nascimento deve-se fazer a identificação do declarante, deve
ter o número do RG ou carteira do órgão de associação, passaporte de brasileiro desde que
válido, para o estrangeiro o passaporte não necessita ser válido9.

7 CENEVIVA, Walter.Lei dos Registros Públicos comentada. 18ª. Ed. - São Paulo: Saraiva, 2008, p. 121.
8 CENEVIVA, Walter.Lei dos Registros Públicos comentada. 18ª. Ed. - São Paulo: Saraiva, 2008, p. 133.
9 CENEVIVA, Walter. Lei dos Registros Públicos comentada. 18ª. Ed. - São Paulo: Saraiva, 2008, p. 120.

43
Aula 03 | Questões Notariais e Registrais Relativas ao Direito
de Família e das Sucessões

a. Filiação

Em nenhum caso haverá indicação da origem da filiação nos termos do artigo 227, § 6º da
CF10 e do artigo 6º da Lei nº 8.560/9211.

Assim, não deve constar na certidão de registro a origem da filiação, o estado civil dos
pais, o local de casamento ou qualquer indicação que possa levar à discriminação pela
origem da filiação.

b. Elementos do registro de nascimento:

Deve conter no registro de nascimento a nacionalidade, naturalidade, idade, filiação, dia,


mês, além de outras informações possíveis.

Na certidão de registro de nascimento deve constar o dia, mês, hora do nascimento, a


circunscrição onde a pessoa nasceu e o oficial deve verificar a DNV (declaração de nascido
vivo) que possui tais informações.

10 Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta
prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade,
ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência,
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
(...)
§ 6º Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações,
proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação.
11 Art. 6° Das certidões de nascimento não constarão indícios de a concepção haver sido decorrente de relação
extraconjugal.
§ 1° Não deverá constar, em qualquer caso, o estado civil dos pais e a natureza da filiação, bem como o lugar e cartório
do casamento, proibida referência à presente lei.
§ 2º São ressalvadas autorizações ou requisições judiciais de certidões de inteiro teor, mediante decisão fundamentada,
assegurados os direitos, as garantias e interesses relevantes do registrado .

44
Aula 03 | Questões Notariais e Registrais Relativas ao Direito de Família
e das Sucessões

Por fim, o artigo 54 da LRP nº 6.015/7312 dispõe como um dos requisitos do assento de
nascimento, a anotação do fato de ser gêmeo, bem como no caso de nascimento de
gêmeos deverá, no registro, constar ao assento a ordem de nascimento e ter prenomes
diferentes13.

3.2. Casamento (Livros B e D)


Conforme já anotado anteriormente, nos termos do art. 1.5431 do CC o casamento
celebrado no Brasil prova pela certidão do registro. Assim, o casamento é ato solene para dar
publicidade que necessita de duas fases importantes, ou seja, a habilitação e celebração14.

12 Art. 54. O assento do nascimento deverá conter:       


1°) o dia, mês, ano e lugar do nascimento e a hora certa, sendo possível determiná-la, ou aproximada;
2º) o sexo do registrando; 
 3º) o fato de ser gêmeo, quando assim tiver acontecido;
4º) o nome e o prenome, que forem postos à criança;
5º) a declaração de que nasceu morta, ou morreu no ato ou logo depois do parto;
6º) a ordem de filiação de outros irmãos do mesmo prenome que existirem ou tiverem existido;
7º) Os nomes e prenomes, a naturalidade, a profissão dos pais, o lugar e cartório onde se casaram, a idade da genitora,
do registrando em anos completos, na ocasião do parto, e o domicílio ou a residência do casal.
8º) os nomes e prenomes dos avós paternos e maternos;
9o) os nomes e prenomes, a profissão e a residência das duas testemunhas do assento, quando se tratar de parto
ocorrido sem assistência médica em residência ou fora de unidade hospitalar ou casa de saúde.
10) número de identificação da Declaração de Nascido Vivo - com controle do dígito verificador, ressalvado na hipótese
de registro tardio previsto no art. 46 desta Lei. 
§ 1o  Não constituem motivo para recusa, devolução ou solicitação de retificação da Declaração de Nascido Vivo por parte
do Registrador Civil das Pessoas Naturais: 
I - equívocos ou divergências que não comprometam a identificação da mãe; 
II - omissão do nome do recém-nascido ou do nome do pai; 
III - divergência parcial ou total entre o nome do recém-nascido constante da declaração e o escolhido em manifestação
perante o registrador no momento do registro de nascimento, prevalecendo este último
 IV - divergência parcial ou total entre o nome do pai constante da declaração e o verificado pelo registrador nos termos
da legislação civil, prevalecendo este último
 V - demais equívocos, omissões ou divergências que não comprometam informações relevantes para o registro de
nascimento.
 § 2o  O nome do pai constante da Declaração de Nascido Vivo não constitui prova ou presunção da paternidade, somente
podendo ser lançado no registro de nascimento quando verificado nos termos da legislação civil vigente. 
§ 3o  Nos nascimentos frutos de partos sem assistência de profissionais da saúde ou parteiras tradicionais, a Declaração
de Nascido Vivo será emitida pelos Oficiais de Registro Civil que lavrarem o registro de nascimento, sempre que haja
demanda das Secretarias Estaduais ou Municipais de Saúde para que realizem tais emissões.
13 CENEVIVA, Walter.Lei dos Registros Públicos comentada. 18ª. Ed. - São Paulo: Saraiva, 2008, p. 134
14 CENEVIVA, Walter.Lei dos Registros Públicos comentada. 18ª. Ed. - São Paulo: Saraiva, 2008, p. 108 e 169.

45
Aula 03 | Questões Notariais e Registrais Relativas ao Direito
de Família e das Sucessões

O casamento é negócio jurídico complexo,


como também o é o testamento, pois o Saiba Mais
casamento é o que mais apresenta requisitos Tendo em vista, que o tema já foi tratado anterior-
especiais e solenidades, mas isso tende a mente é valida a leitura da palavra digital conti-
da na disciplina Introdução ao Direito de Família.
ser relativizado15. Conceito e princípios contemporâneos. Conceito
de família e categorias constitucionais em especial
Em outras palavras, o casamento se as aulas Aula 03 - Conceito de casamento e natu-
reza jurídica. Impedimentos matrimoniais e causas
aperfeiçoa com a celebração, que lhe dá suspensivas do casamento. Invalidade do casa-
publicidade. mento: Casamento inexistente, casamento nulo e
casamento anulável e Aula 04 - Celebração, prova
e efeitos existenciais do casamento.
Cumpre registrar que todas as modalidades
de casamento e interferências registrais já
foram apontadas anteriormente.

3.3. Óbito (Livros C e E)


O óbito encerra a personalidade jurídica e o registro do óbito tem o efeito probatório. São
os livros atingidos:

a. Livro C: registra morte real - (artigo 6°do CC), com cadáver ou sem cadáver (artigo 882
da LRP - 6.015/73).

b. Livro C auxiliar: registra o natimorto.

c. Livro E: óbito com ausência e sem a decretação de ausência (artigo 7° do CC), a morte
neste caso é provável.

A retirada de órgãos é permitida quando confirmada


a extinção da personalidade que é morte encefálica, Saiba Mais
como se pode extrair do artigo 3º da Lei nº 9.434 - Os critérios clínicos são estabeleci-
dos pelo Conselho Federal de Medi-
de transplante, precedido de “diagnóstico de morte
cina (Resolução 1.480/97).
encefálica”.

15 CENEVIVA, Walter.Lei dos Registros Públicos comentada. 18ª. Ed. - São Paulo: Saraiva, 2008, p. 177.

46
Aula 03 | Questões Notariais e Registrais Relativas ao Direito de Família
e das Sucessões

O óbito deve ser registrado, bem como seu registro tem efeito probatório, tornando público e
dando eficácia ao fato, a quem se refere e ao momento em que ocorreu16.

Este registro de óbito deve ser anotado a margem dos assentos de nascimento e de casamento,
propiciando conhecimento imediato sobre eventual morte de uma pessoa.

Conforme disposto na legislação, o assento de óbito deverá conter17:

a) a hora, se possível, o dia, o mês e o ano do falecimento;B) o lugar do falecimento,


com a sua indicação precisa;c) o prenome, o sobrenome, o sexo, a idade, a cor,
o estado civil, a profissão, anaturalidade, o domicílio e a residência do morto;d)
se era casado ou vivia em união estável, o nome do cônjuge ou companheiro
sobrevivente, mencionando-se a circunstância quando separado judicialmente,
divorciado, ou deunião estável dissolvida; se viúvo, o nome do cônjuge ou
companheiro pré-morto; e o Registro Civil das Pessoas Naturais do casamento
ou união estável;e) no caso da alínea anterior, a menção se limitará as relações
de estado civil atuais, salvo se o declarante apresentar as informações relativas
a toda cadeia de casamentos e uniões estáveis anteriores;f) os prenomes, os
sobrenomes, a profissão, a naturalidade e a residência dos pais; g) se faleceu
com testamento conhecido;h) se deixou filhos, nome e idade de cada um,
mencionando se entre eles há interditos; i) se a morte foi natural ou violenta e
a causa conhecida, com o nome dos atestantes;j) o lugar do sepultamento;k)
se deixou bens;l) se era eleitor;m) pelo menos uma das informações a seguir
arroladas; número de inscrição do PIS/PASEP; número de inscrição no Instituto
Nacional de Seguro Social - INSS; se contribuinte individual; número de benefício
previdenciário - NB, se a pessoa falecida for titular de qualquer benefício pago
pelo INSS; número do CPF; número de registro de Carteira de Identidade e
respectivo órgão emissor; número do título de eleitor; número de registro de
nascimento, com informação do livro, da folha e do termo; número e série da
Carteira de Trabalho;n) o nome do declarante e sua qualificação.

Em continuidade, o registro de óbito é gratuito nos termos da Lei n.º 9.534/9718 - ato essencial
ao exercício da cidadania.

16 CENEVIVA, Walter.Lei dos Registros Públicos comentada. 18ª. Ed. - São Paulo: Saraiva, 2008, p. 196.
17 Disponível em: <http://www.arpensp.org.br/principal/index.cfm?tipo_layout=SISTEMA&url=noticia_mostrar.
cfm&id=17387>. Acesso em: 16/04/2016.
18 Art. 1º O art. 30 da Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, alterada pela Lei nº 7.844, de 18 de outubro de 1989,
passa a vigorar com a seguinte redação:
"Art. 30. Não serão cobrados emolumentos pelo registro civil de nascimento e pelo assento de óbito, bem como pela
primeira certidão respectiva.
§ 1º Os reconhecidamente pobres estão isentos de pagamento de emolumentos pelas demais certidões extraídas pelo
cartório de registro civil.
§ 2º O estado de pobreza será comprovado por declaração do próprio interessado ou a rogo, tratando-se de analfabeto,
neste caso, acompanhada da assinatura de duas testemunhas.
§ 3º A falsidade da declaração ensejará a responsabilidade civil e criminal do interessado.

47
Aula 03 | Questões Notariais e Registrais Relativas ao Direito
de Família e das Sucessões

A documentação necessária para o registro do até a Declaração de Óbito, que será lavrado
em vista do atestado de médico, se houver no lugar, ou em caso contrário, de 02 (duas)
pessoas qualificadas que tiverem presenciado ou verificado a morte19.

Importante anotar, que o prazo para declaração de óbito inicialmente deverá ocorrer
antes do sepultamento (art. 77 da LRP) ou em 24 horas (art.78 da LRP)20, bem com o seu
descumprimento é tipificado como contravenção penal (Dec. Lei 3.688/41).

Já na impossibilidade de ser feito o registro dentro de 24 (vinte e quatro) horas do falecimento,


pela distância ou por qualquer outro motivo relevante, o assento será lavrado depois, poderá
ocorrer em até 15 dias com a maior brevidade possível21.

Por fim, até 03 meses para os lugares distantes mais de 30 (trinta) quilômetros da sede da
Unidade de Serviço.

3.4. Averbações e Anotações (Livro E)


São anotados ou averbados no Livro E os atos da vida civil menos recorrentes, mas não
menos importantes. Tal livro somente existirá no 1º Cartório de Registro Civil das Pessoas
Naturais do Subdistrito da Comarca22.

A finalidade do mesmo é a autenticidade, segurança, publicidade, eficácia, bem como os


atos inseridos junto ao mesmo são basicamente a emancipação, as interdições, a ausência,
a morte presumida, a união estável, as transcrições de nascimento/casamento/óbito de
brasileiros registrados no exterior.

19 CENEVIVA, Walter.Lei dos Registros Públicos comentada. 18ª. Ed. - São Paulo: Saraiva, 2008, p. 196.
20 Art. 77 - Nenhum sepultamento será feito sem certidão, do oficial de registro do lugar do falecimento, extraída após
a lavratura do assento de óbito, em vista do atestado de médico, se houver no lugar, ou em caso contrário, de duas
pessoas qualificadas que tiverem presenciado ou verificado a morte. 
§ 1º Antes de proceder ao assento de óbito de criança de menos de 1 (um) ano, o oficial verificará se houve registro de
nascimento, que, em caso de falta, será previamente feito. (
§ 2º A cremação de cadáver somente será feita daquele que houver manifestado a vontade de ser incinerado ou no
interesse da saúde pública e se o atestado de óbito houver sido firmado por 2 (dois) médicos ou por 1 (um) médico
legista e, no caso de morte violenta, depois de autorizada pela autoridade judiciária.
Art. 78. Na impossibilidade de ser feito o registro dentro de 24 (vinte e quatro) horas do falecimento, pela distância ou
qualquer outro motivo relevante, o assento será lavrado depois, com a maior urgência, e dentro dos prazos fixados no
artigo 50.
21 CENEVIVA, Walter.Lei dos Registros Públicos comentada. 18ª. Ed. - São Paulo: Saraiva, 2008, p. 201
22 CENEVIVA, Walter.Lei dos Registros Públicos comentada. 18ª. Ed. - São Paulo: Saraiva, 2008, p. 219.

48
Aula 03 | Questões Notariais e Registrais Relativas ao Direito de Família
e das Sucessões

Em continuidade, a averbação ou anotação23 se refere a uma consignação à margem do


assento da alteração de seus elementos.

Tal situação somente ocorrerá por meio de Carta de Sentença, Mandado Judicial, ou uma
petição instruída de documento autêntico, que servirão para o Oficial proceda à averbação da
alteração dos elementos ou fatos da vida civil24.

Por fim, a anotação é a remissão a outro ato registral que não tem o caráter de segurança,
publicidade e eficácia. Não dispensa o acesso ao registro ou averbação em si para comprovação
do fato ou ato, como exemplo pode ser citado o óbito por força do art. 107 da LRP25.

4. Retificação de Registro

Conforme pode ser observado há duas formas para retificação do registro. A primeira
delas é pela via judicial, prevista no art. 109 da LRP26. Já em um segundo momento há o
procedimento o procedimento extrajudicial.

23 CENEVIVA, Walter.Lei dos Registros Públicos comentada. 18ª. Ed. - São Paulo: Saraiva, 2008, p. 236.
24 CENEVIVA, Walter.Lei dos Registros Públicos comentada. 18ª. Ed. - São Paulo: Saraiva, 2008, p. 220.
25 Art. 107. O óbito deverá ser anotado, com as remissões recíprocas, nos assentos de casamento e nascimento, e o
casamento no deste:
§ 1º A emancipação, a interdição e a ausência serão anotadas pela mesma forma, nos assentos de nascimento e
casamento, bem como a mudança do nome da mulher, em virtude de casamento, ou sua dissolução, anulação ou
desquite.
 § 2° A dissolução e a anulação do casamento e o restabelecimento da sociedade conjugal serão, também, anotadas nos
assentos de nascimento dos cônjuges.
26 Art. 109. Quem pretender que se restaure, supra ou retifique assentamento no Registro Civil, requererá, em petição
fundamentada e instruída com documentos ou com indicação de testemunhas, que o Juiz o ordene, ouvido o órgão do
Ministério Público e os interessados, no prazo de cinco dias, que correrá em cartório.         
§ 1° Se qualquer interessado ou o órgão do Ministério Público impugnar o pedido, o Juiz determinará a produção da
prova, dentro do prazo de dez dias e ouvidos, sucessivamente, em três dias, os interessados e o órgão do Ministério
Público, decidirá em cinco dias.
§ 2° Se não houver impugnação ou necessidade de mais provas, o Juiz decidirá no prazo de cinco dias.
 § 3º Da decisão do Juiz, caberá o recurso de apelação com ambos os efeitos.
§ 4º Julgado procedente o pedido, o Juiz ordenará que se expeça mandado para que seja lavrado, restaurado e retificado
o assentamento, indicando, com precisão, os fatos ou circunstâncias que devam ser retificados, e em que sentido, ou os
que devam ser objeto do novo assentamento.
§ 5º Se houver de ser cumprido em jurisdição diversa, o mandado será remetido, por ofício, ao Juiz sob cuja jurisdição
estiver o cartório do Registro Civil e, com o seu "cumpra-se", executar-se-á.
§ 6º As retificações serão feitas à margem do registro, com as indicações necessárias, ou, quando for o caso, com
a trasladação do mandado, que ficará arquivado. Se não houver espaço, far-se-á o transporte do assento, com as
remissões à margem do registro original.

49
Aula 03 | Questões Notariais e Registrais Relativas ao Direito
de Família e das Sucessões

Assim, os erros que não exijam qualquer indagação para a constatação imediata de necessidade
de sua correção poderão ser corrigidos de ofício pelo oficial de registro no próprio Registro
Civil de Pessoas Naturais onde se encontrar o assentamento, mediante petição assinada
pelo interessado, representante legal ou procurador, independentemente de pagamento de
selos e taxas, após manifestação conclusiva do Ministério Público27.

Prazo para manifestação do Ministério Público é de 5 dias, bem como quando a prova depender
de dados existentes no próprio Registro Civil das Pessoas Naturais, poderá o Oficial certificá-
lo nos autos.

Entendendo o órgão do Ministério Público que o pedido exige maior indagação, requererá
ao Juiz a distribuição dos autos a um dos Ofícios Judiciais da circunscrição, caso em que se
processará a retificação, com assistência de advogado, observado o rito sumaríssimo.

Deferido o pedido, o Oficial averbará a retificação à margem do registro, mencionando o


número do protocolo e a data da sentença e seu trânsito em julgado, quando for o caso28.

5. Cancelamento de Registro

O juiz pode determinar o cancelamento em caso de adoção ou de registro em duplicidade


e após o trânsito em julgado. Uma vez ocorrendo a determinação do juiz, o Oficial deverá
proceder ao cancelamento do registro29.

27 CENEVIVA, Walter.Lei dos Registros Públicos comentada. 18ª. Ed. - São Paulo: Saraiva, 2008, p. 240.
28 CENEVIVA, Walter.Lei dos Registros Públicos comentada. 18ª. Ed. - São Paulo: Saraiva, 2008, p. 245.
29 CENEVIVA, Walter.Lei dos Registros Públicos comentada. 18ª. Ed. - São Paulo: Saraiva, 2008, p. 250.

50
Pontuando

• Introdução

• O Registro Civil das Pessoas Naturais

• Escrituração (art. 332 da Lei n. 6.015/73)

• Registro de Nascimentos (Livro A)

• Casamento (Livros B e D)

• Óbito (Livros C e E)

• Averbações e Anotações (Livro E)

• Retificação de registro

• Cancelamento de registro

Glossário

IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

FUNAI: Fundação Nacional do Índio.

Morte encefálica: perda irreversível das funções cerebrais.

51
Verificação
de leitura
Questão 1 INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA c) O estado de pobreza não será comprova-
do por declaração do próprio interessado ou a
Assinale a alternativa errada acerca dos li-
rogo, tratando-se de analfabeto, neste caso,
vros da escrituração do Registro Civil das acompanhada da assinatura de duas testemu-
Pessoas Naturais: nhas.
a) Livro A - Registro de Nascimentos; d) A falsidade da declaração ensejará a res-
b) Livro B - Registro de Casamentos; ponsabilidade civil e criminal do interessado.

c) Livro B - Auxiliar – Registro de Casamentos


Questão 4 INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA
Religiosos;
Sabendo que com o óbito se encerra a per-
d) Livro F - Registro – Registro de Natimortos
sonalidade jurídica e o registro do óbito tem o
efeito probatório. Assinale os livros não atin-
Questão 2 INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA
gidos:
Em relação ao Registro de Nascimento - Li-
a) Livro C: registra morte real
vro A – é correto afirmar:
b) Livro C auxiliar: registra o natimorto
a) trata de ato constitutivo;
c) Livro E: óbito com ausência e sem a decre-
b) trata de ato condenatório;
tação de ausência
c) trata de ato declaratório e comprobatório;
d) Livro A: Registro de Nascimentos
d) trata de ato simplesmente comprobatório
Questão 5 INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA
Questão 3 INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA

São atos atinentes a averbações e anota-


Assinale a alternativa incorreta acerca das
ções junto ao Livro E, salvo:
certidões de nascimento, casamento e óbito:
a) casamento
a) Não serão cobrados emolumentos pelo re-
gistro civil de nascimento e pelo assento de óbi- b) interdição
to, bem como pela primeira certidão respectiva.
c) ausência
b) Os reconhecidamente pobres estão isentos
de pagamento de emolumentos pelas demais
d) união estável
certidões extraídas pelo cartório de registro ci-
vil.

52
Referências

AZEVEDO, Álvaro Villaça. Curso de Direito Civil: Direito de Família. 1. Ed.. Atlas. São Paulo. 2013.

BEVILAQUA, Clovis. Direito das Sucessões. Rio de Janeiro: ed. Rio, 1978.

CASSETTARI, Christiano. Elementos de Direito Civil. 2. ed - São Paulo: Saraiva, 2013.

CENEVIVA, Walter. Lei dos Registros Públicos comentada. 18ª. Ed. - São Paulo: Saraiva, 2008.

COELHO, Fábio Ulhoa. Família e Sucessões: De acordo com o novo divórcio (EC. 66/2010). 4. ed.
- São Paulo: Saraiva, 2011.

DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. 10ª. ed. – São Paulo: RT, 2015.

DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro: 6. Direito das Sucessões. 27. ed. - São Paulo:
Saraiva, 2013.

GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro:Direito das sucessões. 8. ed. - São Paulo:
Saraiva, 2014.

HIRONAKA, Giselda Maria Fernandes Novaes. Comentários ao Código Civil. Coordenação de Antô-
nio Junqueira de Azevedo. São Paulo: Ed. Saraiva, 2003. V. 20.

LISBOA, Roberto Senise. Manual de Direito Civil: Direito de Família e Sucessões. 6. ed – São Paulo:
Saraiva, 2010

TARTUCE, Flávio. Direito Civil: Direito das Sucessões. 7. ed. - São Paulo: Método, 2014.

TARTUCE, Flávio. SIMÃO, José Fernando. Direito Civil: Direito das Sucessões. 3. ed - São Paulo:
Método, 2010.

VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: direito das sucessões. 14. ed. – São Paulo: Atlas, 2014.

53
Gabarito

Questão 1

Resposta: Alternativa D.

Resolução: Livro C - Auxiliar – Registro de Natimortos.

Questão 2

Resposta: Alternativa C.

Resolução: A pessoa natural possui registro de nascimento, que não é constitutivo e sim
declaratório e comprobatório, pois comprova o ato do nascimento e dá publicidade a esse
nascimento.

Questão 3

Resposta: Alternativa C.

Resolução: Desacordo com o art. 30, § 2º da Lei nº 6.015/73.

Questão 4

Resposta: Alternativa D.

Resolução: A pessoa natural possui registro de nascimento no livro A e não de falecimento.

Questão 5

Resposta: Alternativa A.

Resolução: Deve ser realizada nos Livros B e D.

54
55
TEMA 04
Proteção Familiar: Aspectos
Quanto à Proteção do Idoso
e da Criança e Adolescente

56
LEGENDA
DE ÍCONES

Início
seções
Vamos
pensar
Glossário

Pontuando

Verificação
de leitura

Referências

Gabarito

57
Aula 04
Proteção Familiar: Aspectos Quanto à Proteção
do Idoso e da Criança e Adolescente
Objetivos

Apresentar ao aluno as bases sobre as quais se edificam os elementos à proteção familiar,


consolidando assim, em linhas gerais os aspectos quanto da proteção do idoso e da criança
e adolescente.

1. Introdução, Conceito, Características Gerais e Doutrina da Proteção


Integral

O atual conceito de infância e juventude tem início na CF/88, podendo ser conceituada
como o conjunto de normas e princípios que visam garantir a criança e o adolescente os
direitos indispensáveis ao desenvolvimento integral de sua personalidade1.

Desta monta, o direito da infância objetiva buscar um caminho democrático, pois se preocupa
com crianças e jovens, podendo ser denominada de doutrina da proteção integral, organizada
em: reconhecer a condição peculiar de desenvolvimento do infanto; evidenciar proteção
peculiar devido a esses; atingir toda coletividade de forma preventiva2.

O art. 2º do ECA, define criança como aquele indivíduo entre 0 e 12 anos e adolescente como
aqueles entre 12 e 18 anos. Tal distinção tem como base o elemento cronológico baseado
das ciências auxiliares como psicologia jurídica e a psiquiatria forense3.

Cumpre registrar, porém, que apesar de ambos terem os mesmos direitos fundamentais,
tal divisão é importante, pois como exemplo, para fins de medida aplicáveis para cada um
desses, haverá uma hipótese de incidência distinta, qual seja criança será submetida às
medidas de proteção e os adolescentes, por sua vez, receberão medidas sócioeducativas4.

1 ISHIDA, VálterKenji. Estatuto da criança e do adolescente: doutrina e jurisprudência – 12. ed. – São Paulo: Atlas, 2010,
p. 1.
2 ISHIDA, VálterKenji. Estatuto da criança e do adolescente: doutrina e jurisprudência – 12. ed. – São Paulo: Atlas, 2010,
p. 3.
3 CURY, Munir. Estatuto da Criança e do Adolescente Comentado. – 9ª ed. – São Paulo: Malheiros, 2008, p.20.
4 ISHIDA, VálterKenji. Estatuto da criança e do adolescente: doutrina e jurisprudência – 12 .ed. – São Paulo: Atlas, 2010,

58
Aula 04 | Proteção Familiar: Aspectos Quanto à Proteção do Idoso e da Criança e
Adolescente

Ainda quando ao presente conceito, temos a condição do nascituro, que não está previsto
expressamente no art. 2º, parágrafo único, do ECA5, e sendo assim, haveria dúvidas quando
a sua proteção na referida legislação.

Conforme bem aponta a doutrina majoritária, tal dúvida não pode perdurar, ou mesmo se
perpetuar, pois não obstante o nascituro não esteja arrolado no art. 2º do ECA, há o tratamento
específico quanto ao mesmo no art. 8º do ECA6-7, sendo assim, deferindo a esse todos os
direitos fundamentais aqui previstos.

p. 5.
5 CURY, Munir. Estatuto da Criança e do Adolescente Comentado. – 9ª ed. – São Paulo: Malheiros, 2008, p. 23.
6 ISHIDA, VálterKenji. Estatuto da criança e do adolescente: doutrina e jurisprudência – 12 .ed. – São Paulo: Atlas, 2010,
p. 15.
7 Art. 8o  É assegurado a todas as mulheres o acesso aos programas e às políticas de saúde da mulher e de planejamento
reprodutivo e, às gestantes, nutrição adequada, atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério e atendimento
pré-natal, perinatal e pós-natal integral no âmbito do Sistema Único de Saúde. (Redação dada pela Lei nº 13.257, de
2016)
§ 1o  O atendimento pré-natal será realizado por profissionais da atenção primária. (Redação dada pela Lei nº 13.257, de
2016)
§ 2o  Os profissionais de saúde de referência da gestante garantirão sua vinculação, no último trimestre da gestação,
ao estabelecimento em que será realizado o parto, garantido o direito de opção da mulher. (Redação dada pela Lei nº
13.257, de 2016)
§ 3o  Os serviços de saúde onde o parto for realizado assegurarão às mulheres e aos seus filhos recém-nascidos alta
hospitalar responsável e contrarreferência na atenção primária, bem como o acesso a outros serviços e a grupos de apoio
à amamentação. (Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 4o  Incumbe ao poder público proporcionar assistência psicológica à gestante e à mãe, no período pré e pós-natal,
inclusive como forma de prevenir ou minorar as consequências do estado puerperal. (Incluído pela Lei nº 12.010, de
2009) Vigência
§ 5o   A assistência referida no § 4o  deste artigo deverá ser prestada também a gestantes e mães que manifestem
interesse em entregar seus filhos para adoção, bem como a gestantes e mães que se encontrem em situação de privação
de liberdade. (Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 6o  A gestante e a parturiente têm direito a 1 (um) acompanhante de sua preferência durante o período do pré-natal, do
trabalho de parto e do pós-parto imediato. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 7o  A gestante deverá receber orientação sobre aleitamento materno, alimentação complementar saudável e crescimento
e desenvolvimento infantil, bem como sobre formas de favorecer a criação de vínculos afetivos e de estimular o
desenvolvimento integral da criança. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 8o   A gestante tem direito a acompanhamento saudável durante toda a gestação e a parto natural cuidadoso,
estabelecendo-se a aplicação de cesariana e outras intervenções cirúrgicas por motivos médicos. (Incluído pela Lei nº
13.257, de 2016)
§ 9o  A atenção primária à saúde fará a busca ativa da gestante que não iniciar ou que abandonar as consultas de pré-
natal, bem como da puérpera que não comparecer às consultas pós-parto. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 10.  Incumbe ao poder público garantir, à gestante e à mulher com filho na primeira infância que se encontrem sob custódia
em unidade de privação de liberdade, ambiência que atenda às normas sanitárias e assistenciais do Sistema Único de
Saúde para o acolhimento do filho, em articulação com o sistema de ensino competente, visando ao desenvolvimento
integral da criança. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)

59
Aula 04 | Proteção Familiar: Aspectos Quanto à Proteção
do Idoso e da Criança e Adolescente

2. Normatização e interpretação do Direito da Criança e do Adolescente

O Estatuto da Criança e do Adolescente foi editado para regulamentar o art. 227 a 229
da Constituição Federal, rompendo com a doutrina da situação irregular, substituída pela
doutrina da proteção integral. Dessa forma, filiou-se aos ditames já adotados pelos tratados
internacionais.

Dentre eles podemos citar a Convenção Internacional dos Direitos da Criança de 19898 elenca
como direitos das crianças e dos adolescentes: sobrevivência, desenvolvimento, proteção e
participação.

Conforme disposto art. 6º do ECA, para a interpretação deste dispositivo, deve ser levando
em conta9:

os fins sociais a que ela se dirige, as exigências do bem comum, os direitos e


deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar da criança e do adolescente
como pessoas em desenvolvimento.

Pode-se afirmar que o referido dispositivo teve como inspiração o art. 5º da LINDB, e sendo
assim, deve levar em conta a proteção integral como prioridade absoluta, seja no seu âmbito
individual ou coletivo10.

Não obstante, outras normas de caráter de alta relevância também regulam a presente
matéria na ordem infraconstitucional, dentre elas cita o Código Civil, Consolidação das Leis
do Trabalho; Código de Defesa do Consumidor; e Lei de Diretrizes da Educação.

8 Disponível em: <http://www.unicef.org/brazil/pt/resources_10120.htm>. Acesso em: 16/07/2015:


(...)Reconhecendo que as Nações Unidas proclamaram e concordaram na Declaração Universal dos Direitos Humanos e
nos pactos internacionais de direitos humanos que toda pessoa possui todos os direitos e liberdades neles enunciados,
sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, idioma, crença, opinião política ou de outra natureza, seja de
origem nacional ou social, posição econômica, nascimento ou qualquer outra condição;
Recordando que na Declaração Universal dos Direitos Humanos as Nações Unidas proclamaram que a infância tem
direito a cuidados e assistência especiais (...)
9 ISHIDA, VálterKenji. Estatuto da criança e do adolescente: doutrina e jurisprudência – 12. ed. – São Paulo: Atlas, 2010,
p. 10.
10 ISHIDA, VálterKenji. Estatuto da criança e do adolescente: doutrina e jurisprudência – 12. ed. – São Paulo: Atlas,
2010, p. 11.

60
Aula 04 | Proteção Familiar: Aspectos Quanto à Proteção do Idoso e da Criança
e Adolescente

Desse arcabouço legislativo, afirma-se que o primeiro critério hermenêutico apresentado,


logo após sua entrada em vigor prevalecia à ideia, pela qual o ECA seria um microssistema
jurídico totalmente autossuficiente.

Entretanto, essa ideia esta quase superada pela teoria de diálogo das fontes, Erick Jayme,
nacionalizada pela Claudia Lima Marques e Hermamm Benjamim, procura uma comunicação
entre o sistema normativo, que não se excluem, mas se complementam11.

Referida teoria foi inicialmente implementadano diálogo entre o CDC e CC/2002, e possui
como fundamento principal do diálogo das fontes aplicando as convenções internacionais
concomitantemente da legislação interna prevalecendo sempre à proteção dos consumidores.
Tal situação se adequa perfeitamente nas situações atinentes à criança e adolescente, e
sendo assim, deve ser implementada nessa situação.

3. Princípios fundamentais do Direito da Criança e do Adolescente

a. Principio da Proteção integral: Trata-se de uma postura doutrina universal que pelo
mundo inspirou a modificação de vários ordenamentos jurídicos, em especial em tratados,
pactos e convenções internacionais12.

No direito Brasileiro referida proteção encontra-se forjada no art. 227 da CF, coloca termo
final na doutrina da “situação irregular” inspirada na legislação anterior, porém somente
em 1990 entra em vigor o ECA que revoga definitivamente o Código de Menores13.

Sendo assim, o ECA Lei nº 8.069/90 em seu art. 1º, cuidou por explicitar à proteção integral
da criança e do adolescente, passando a criança e o adolescente do status de sujeitos dos
seus próprios direitos, e, não meros objetos da intervenção de terceiros ou representantes.

11 CURY, Munir. Estatuto da Criança e do Adolescente Comentado. – 9ª ed. – São Paulo: Malheiros, 2008, p. 52.
12 MACIEL, Kátia. Curso de Direito da Criança e do Adolescente: Aspectos Teóricos e Práticos. – 4. Ed. – Rio de Janeiro:
Lumen Juris, 2010, p. 13.
13 MACIEL, Kátia. Curso de Direito da Criança e do Adolescente: Aspectos Teóricos e Práticos. – 4. Ed. – Rio de
Janeiro: Lumen Juris, 2010, p. 14.

61
Aula 04 | Proteção Familiar: Aspectos Quanto à Proteção
do Idoso e da Criança e Adolescente

Analisando os direitos fundamentais estão relacionados no art. 227 da CF, bem como
regulamentados no ECA, pode ser apercebido que os entes subordinados a tais direitos:
Estado, sociedade e família14.

b. Princípio da Prioridade Absoluta: O presente princípio tem seu regramento anotado no


art. 4º do ECA. Ao registrar o termo “absoluta prioridade”, pode-se afirmar a efetividade a
proteção integral, uma vez que Estado, sociedade e família devem assegurar os direitos
fundamentais com absoluta prioridade, conferindo ao mesmo ferramentas protetivas
adequadas aos seus tutelados, ou seja, para assegurar os direitos das crianças e dos
adolescentes, pode-se utilizar qualquer meio possível, podendo ser ainda até mesmos
procedimentos específicos se necessário15.

Apesar do rol previsto no art. 4º, parágrafo único do ECA, que compreende a priorização em
determinadas situações, conforme bem pontua a corrente doutrinária majoritária referido
rol é exemplificativo, devendo se analisado de acordo com o caso concreto16.

c. Princípio da Condição Peculiar da Criança e do Adolescente de Pessoa em


Desenvolvimento: Este princípio verifica a fragilidade, bem como identifica a vulnerabilidade
da criança e do adolescente, atribuindo a esse a tutela dos seus próprios direitos (art. 6º
do ECA)17.

Nítida se faz demonstrar que a proteção integral com prioridade absoluta, confere a
verdadeira noção de isonomia assegurando tratamento desigual a indivíduos desiguais.

d. Participação Popular: Ainda ao analisar o art. 227 da CF, cumpre anotar que além
da família, sociedade está convocada para ao lado do Estado deve zelar pelos direitos
fundamentais da criança e do adolescente18.

14 MACIEL, Kátia. Curso de Direito da Criança e do Adolescente: Aspectos Teóricos e Práticos. – 4. Ed. – Rio de
Janeiro: Lumen Juris, 2010, p. 13.
15 MACIEL, Kátia. Curso de Direito da Criança e do Adolescente: Aspectos Teóricos e Práticos. – 4. Ed. – Rio de
Janeiro: Lumen Juris, 2010, p. 20.
16 ISHIDA, VálterKenji. Estatuto da criança e do adolescente: doutrina e jurisprudência – 12 .ed. – São Paulo: Atlas,
2010, p. 6.
17 MACIEL, Kátia. Curso de Direito da Criança e do Adolescente: Aspectos Teóricos e Práticos. – 4. Ed. – Rio de
Janeiro: Lumen Juris, 2010, p. 45.
18 MACIEL, Kátia. Curso de Direito da Criança e do Adolescente: Aspectos Teóricos e Práticos. – 4. Ed. – Rio de Janeiro:
Lumen Juris, 2010, p. 29.

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Aula 04 | Proteção Familiar: Aspectos Quanto à Proteção do Idoso e da Criança
e Adolescente

Como exemplo de alguns instrumentos de participação popular, pode-se citar a criação


dos conselhos tutelar (art. 131 e seguintes do ECA) e dos direitos (art. 88 do ECA); a
participação de entidades de atendimento não governamentais, acolhimento familiar (lei
nº 12.010/09), dentre outros aqui não arrolados19.

4. Direito Fundamentais

Conforme pode ser percebido, a regulamentação quando os direitos fundamentais, esses


estão previstos entre os arts. 7º ao 69 que arrolam os mesmos na seguinte ordem: a) Direito
à vida e à saúde (art. 7º a 14, ECA): b) Direito à liberdade, ao respeito e à dignidade (arts.
15 a 18 do ECA): c) Direito a convivência familiar e comunitária (arts. 19 a 22 do ECA): d)
Direito a convivência familiar e comunitária (arts. 19 a 52 do ECA): e) Direito à educação,
cultura, esporte e lazer (arts. 53 a 59 do ECA): f) Do Direito à Profissionalização e à Proteção
no Trabalho (arts. 60 a 69 do ECA)20.

Todavia, deve-se registrar aos infantos também são aplicados os institutos conferidos aos
adultos, em especial o que tange os arts. 5º 6º e 7º da CF, porém como são sabidos, bem
como notório, esses direitos não são atendidos de forma espontânea, tanto pelos entes
familiares, como pela sociedade ou Estado.

Em decorrência disso, muitas são as ações judiciais para o reconhecimento e execução dos
já citados direitos, como exemplo não somente a intervenção do Ministério Público junto a
tutela desses direitos (art. 201, IV do ECA21), mas também as distribuição de ações civis
públicas voltadas à proteção e garantia dos direitos assegurados pelo ECA.

Pois bem, seguem alguns apontamentos sobre cada um dos institutos.

19 MACIEL, Kátia. Curso de Direito da Criança e do Adolescente: Aspectos Teóricos e Práticos. – 4. Ed. – Rio de Janeiro:
Lumen Juris, 2010, p. 29.
20 Quanto aos artigos citados, cuidado com as alteração da Lei nº 13.257, de 8 de março de 2016.
21 ISHIDA, VálterKenji. Estatuto da criança e do adolescente: doutrina e jurisprudência – 12. ed. – São Paulo: Atlas,
2010, p. 440.

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Aula 04 | Proteção Familiar: Aspectos Quanto à Proteção
do Idoso e da Criança e Adolescente

4.1. Direito à Vida e à Saúde (art. 7º a 14, ECA)


Conforme é possível notar o art. 7º do ECA se preocupa com o nascimento sadio e
harmonioso do infanto, sendo assim, verifica-se implementações de cuidados especiais
desde a fase de gestação22.

Em decorrência do exposto, as gestantes, são destinatárias das políticas públicas previstas


nos arts. 201, 203, 227, §1º da CF, bem como o art. 8º do ECA23, que garante, por meio do
Sistema Único de Saúde, o atendimento pré e perinatal: É assegurado a todas as mulheres
o acesso aos programas e às políticas de saúde da mulher e de planejamento reprodutivo e,
às gestantes, nutrição adequada, atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério e
atendimento pré-natal, perinatal e pós-natal integral no âmbito do Sistema Único de Saúde.

Outro direito previsto, trata-se do direito ao aleitamento regulamentado pelo art. 9º do ECA,
que deve ser analisado em conjunto com os arts. 14, §3º e 83, §2º da Lei das Execuções
Penais. Vejamos:

Art. 9º O poder público, as instituições e os empregadores propiciarão condições


adequadas ao aleitamento materno, inclusive aos filhos de mães submetidas a
medida privativa de liberdade.

§ 1o   Os profissionais das unidades primárias de saúde desenvolverão ações


sistemáticas, individuais ou coletivas, visando ao planejamento, à implementação
e à avaliação de ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno
e à alimentação complementar saudável, de forma contínua. (Incluído pela Lei nº
13.257, de 2016)

§ 2o  Os serviços de unidades de terapia intensiva neonatal deverão dispor de


banco de leite humano ou unidade de coleta de leite humano. (Incluído pela Lei
nº 13.257, de 2016)

Art. 14. O Sistema Único de Saúde promoverá programas de assistência médica


e odontológica para a prevenção das enfermidades que ordinariamente afetam
a população infantil, e campanhas de educação sanitária para pais, educadores
e alunos.

22 ISHIDA, VálterKenji. Estatuto da criança e do adolescente: doutrina e jurisprudência – 12. ed. – São Paulo: Atlas,
2010, p. 13.
23 ISHIDA, VálterKenji. Estatuto da criança e do adolescente: doutrina e jurisprudência – 12. ed. – São Paulo: Atlas,
2010, p. 15.

64
Aula 04 | Proteção Familiar: Aspectos Quanto à Proteção do Idoso e da Criança
e Adolescente

§ 1o   É obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas


autoridades sanitárias. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 13.257, de
2016)

§ 2o  O Sistema Único de Saúde promoverá a atenção à saúde bucal das crianças
e das gestantes, de forma transversal, integral e intersetorial com as demais
linhas de cuidado direcionadas à mulher e à criança. (Incluído pela Lei nº 13.257,
de 2016)

§ 3o   A atenção odontológica à criança terá função educativa protetiva e será


prestada, inicialmente, antes de o bebê nascer, por meio de aconselhamento
pré-natal, e, posteriormente, no sexto e no décimo segundo anos de vida, com
orientações sobre saúde bucal. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)

§ 4o   A criança com necessidade de cuidados odontológicos especiais será


atendida pelo Sistema Único de Saúde. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)

4.2. Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade (Arts. 15 a 18 do


ECA)
O direito à liberdade, ao respeito e à dignidade tem como objetivo maior o amplo acesso
aos logradouros, espaços comunitários, direito de livre expressão, culto e ainda de brincar,
interagir dentro da sua condição conforme ditames do ECA.

Porém, cumpre registrar que esse direito disposto nos arts. 15 a 18 do ECA, não são absolutos,
e dessa monta sofrem nítida mitigação do poder familiar, que busca a educação dos filhos
da maneira como eles entendam adequado, com restrição de algumas liberdades inclusive24.

4.3. Direito a Convivência Familiar e Comunitária (Arts. 19 a 52 do


ECA)
Referido direito encontra-se pautado no art. 19 do ECA atendendo o disposto no art. 226 da
Constituição Federal, no que tange a direito à criação e educação no seio da família natural.

24 ISHIDA, VálterKenji. Estatuto da criança e do adolescente: doutrina e jurisprudência – 12. ed. – São Paulo: Atlas,
2010, p. 25.

65
Aula 04 | Proteção Familiar: Aspectos Quanto à Proteção
do Idoso e da Criança e Adolescente

Não obstante a redação do art. 19 do ECA25 ser a


original, cumpre registrar que a ideia de proteção
Saiba Mais
do infanto no seu seio familiar natural foi reforçada É indicada a leitura da palavra digital da disci-
plina Direito de Família e Relações de Paren-
pela denominada vulgarmente “Lei da Adoção”, a talidade, em especial da aula 04 - Colocação
Lei nº 12.010/09, esta prioriza a manutenção do em família substituta: aspectos da adoção
nacional (adoção da criança e do adolescen-
menor na família natural em vários dispositivos, te; adoção de adulto; adoção post mortem) e
bem como passa a regular integralmente o internacional. Direito a antecedência genéti-
ca.
procedimento de adoção26.

Lembra-se que a colocação em família substituta já foi estuda anteriormente. Sendo assim,
vale a releitura do material de aula.

4.4. Direito à Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Arts. 53 a 59 do


ECA)
O disposto nos arts. 5327 e 5428 explanam de maneira exemplificativa os direitos subjetivos
da criança e do adolescente, tal situação facilita a compreensão dos mesmos, bem como
pode ser objeto de proteção em juízo, conforme art. 208 do ECA29.

No art. 55 do ECA30encontra a obrigação dos pais de matricularem os filhos em estabelecimentos


de ensino e realizar o acompanhamento escolar, de forma a garantir-lhes o direito à educação,
referida obrigação está ligada a outros dispositivos do ECA, como os arts. 22, 24 e o art. 129,
V, todos do ECA.

25 ISHIDA, VálterKenji. Estatuto da criança e do adolescente: doutrina e jurisprudência – 12. ed. – São Paulo: Atlas,
2010, p. 27.
26 Art. 19 ECA: É direito da criança e do adolescente ser criado e educado no seio de sua família e, excepcionalmente,
em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente que garanta seu desenvolvimento
integral. 
27 ISHIDA, VálterKenji. Estatuto da criança e do adolescente: doutrina e jurisprudência – 12. ed. – São Paulo: Atlas,
2010, p. 123.
28 ISHIDA, VálterKenji. Estatuto da criança e do adolescente: doutrina e jurisprudência – 12. ed. – São Paulo: Atlas,
2010, p. 126.
29 CURY, Munir. Estatuto da Criança e do Adolescente Comentado. – 9ª ed. – São Paulo: Malheiros, 2008, p. 805.
30 ISHIDA, VálterKenji. Estatuto da criança e do adolescente: doutrina e jurisprudência – 12. ed. – São Paulo: Atlas,
2010, p. 130.

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Aula 04 | Proteção Familiar: Aspectos Quanto à Proteção do Idoso e da Criança
e Adolescente

4.5. Direito à Profissionalização e à Proteção no Trabalho (Art. 60 a


69 do ECA):
O art. 60 do ECA foi revogado quando da nova redação do art. 7°, XXXIII da Constituição
Federal31, que vedou o trabalho aos menores de 14 anos, ainda que na condição de aprendiz,
sendo assim devem ser consideraras as situações elencadas no seguinte:

a) o menor de 14 anos não pode trabalhar, nem exercer qualquer emprego; b) entre 14 e 16
anos o infanto pode trabalhar, apenas, na condição de aprendiz; e c) entre 16 e 18 anos, o
mesmo é livre para trabalhar, contanto que não seja trabalho noturno, perigoso ou insalubre.

Não obstante a proteção ao trabalho dos adolescentes ser regulada por lei especial, a matéria
encontra disciplina também nos arts. 62 a 67 do ECA32, assegurando ao infanto por exemplo:
a) garantia de acesso e frequência obrigatória ao ensino regular; b) atividade compatível com o

31 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:
(...)
XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de
dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos
32 Art. 62. Considera-se aprendizagem a formação técnico-profissional ministrada segundo as diretrizes e bases da
legislação de educação em vigor.
Art. 63. A formação técnico-profissional obedecerá aos seguintes princípios:
I - garantia de acesso e freqüência obrigatória ao ensino regular;
II - atividade compatível com o desenvolvimento do adolescente;
III - horário especial para o exercício das atividades.
Art. 64. Ao adolescente até quatorze anos de idade é assegurada bolsa de aprendizagem.
Art. 65. Ao adolescente aprendiz, maior de quatorze anos, são assegurados os direitos trabalhistas e previdenciários.
Art. 66. Ao adolescente portador de deficiência é assegurado trabalho protegido.
Art. 67. Ao adolescente empregado, aprendiz, em regime familiar de trabalho, aluno de escola técnica, assistido em
entidade governamental ou não-governamental, é vedado trabalho:
I - noturno, realizado entre as vinte e duas horas de um dia e as cinco horas do dia seguinte;
II - perigoso, insalubre ou penoso;
III - realizado em locais prejudiciais à sua formação e ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social;
IV - realizado em horários e locais que não permitam a frequência à escola.
Art. 68. O programa social que tenha por base o trabalho educativo, sob responsabilidade de entidade governamental ou
não-governamental sem fins lucrativos, deverá assegurar ao adolescente que dele participe condições de capacitação
para o exercício de atividade regular remunerada.
§ 1º Entende-se por trabalho educativo a atividade laboral em que as exigências pedagógicas relativas ao desenvolvimento
pessoal e social do educando prevalecem sobre o aspecto produtivo.
§ 2º A remuneração que o adolescente recebe pelo trabalho efetuado ou a participação na venda dos produtos de seu
trabalho não desfigura o caráter educativo.
Art. 69. O adolescente tem direito à profissionalização e à proteção no trabalho, observados os seguintes aspectos, entre
outros:
I - respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento;
II - capacitação profissional adequada ao mercado de trabalho.

67
Aula 04 | Proteção Familiar: Aspectos Quanto à Proteção
do Idoso e da Criança e Adolescente

desenvolvimento do adolescente; c) são assegurados os direitos trabalhistas e previdenciários;


d) respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento; e) capacitação profissional
adequada ao mercado de trabalho.

5. Conselho Tutelar e Suas Atribuições

O conceito encontra-se no art. 131 do ECA33 e exterioriza a participação da sociedade no


processo de instauração definitiva dos direitos da criança e do adolescente.

Trata-se de um órgão não jurisdicional permanente e autônomo incumbido de zelar pelos


direitos fundamentais pelos direitos da criança e do adolescente. Foi criado e regulado pelo
ECA nos arts. 131 e seguintes embora possua suas raízes nos princípio da proteção integral
da participação popular a da democracia participativa previstos nos artigos 227 “caput” e 1º
da Constituição Federal Respectivamente.

O conselho tutelar se organiza no âmbito do município o qual poderá conter mais de um


Conselho conforme sua dimensão populacional. O Conselho seguira a regra de competência
territorial afeta a jurisdição nos termos do art. 147 do ECA, bem como os agentes do conselho
tutelar conforme dispor a lei do município a remuneração34.

Será composto por 5 cinco membros, que poderão ser reconduzidos uma vez, bem como o
mandato é de 3 anos. O processo de escolha deve ser democrático sob pena de contrariar
sua própria origem. (art. 132 do ECA)

Em continuidade, quanto às atribuições do Conselho tutelar, pode ser afirmado que o mesmo
atua no cenário da infância e da juventude ao lado do sistema de justiça e atende a um
princípio “de desjudicialização”.

33 ISHIDA, VálterKenji. Estatuto da criança e do adolescente: doutrina e jurisprudência – 12. ed. – São Paulo: Atlas,
2010, p. 269.
34 ISHIDA, VálterKenji. Estatuto da criança e do adolescente: doutrina e jurisprudência – 12. ed. – São Paulo: Atlas,
2010, p. 287.

68
Aula 04 | Proteção Familiar: Aspectos Quanto à Proteção do Idoso e da Criança
e Adolescente

As ideias de funções estão elencadas no art. 136 do ECA35, sendo que além da atividade
fiscalizatória, poderá ainda requerer certidões de óbito, bem como ter serviços essenciais de
natureza publica como saúde educação.

Já as funções executivas, o conselho atende o art. 98 do ECA para aplicação de medida de


proteção as crianças consideradas autoras de ato infracional e atende pais e responsáveis
para aplicação das medidas do art. 129 inciso I ao VII36, os quais podem se inserir na
infração administrativa prevista no art. 249 do ECA37 caso não atendam as determinações do
conselho.

6. Proteção ao Idoso

Assim como ocorre com a criança e o adolescente, o fundamento da proteção ao idoso é


a igualdade, ou seja, o legislador procura nivelar o idoso às demais pessoas como forma de
medida protetiva.
Para efeitos da lei nº 10.741/200338 o Idoso é determinada pessoa que tem idade igual ou
superior a 60 anos com direitos e garantias regulados de forma especial nos termos do
anotado acima.

35 CURY, Munir. Estatuto da Criança e do Adolescente Comentado. – 9ª ed. – São Paulo: Malheiros, 2008, p. 521.
36 Art. 129. São medidas aplicáveis aos pais ou responsável:
I - encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à família;
I - encaminhamento a serviços e programas oficiais ou comunitários de proteção, apoio e promoção da família; (Redação
dada dada pela Lei nº 13.257, de 2016)
II - inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos;
III - encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico;
IV - encaminhamento a cursos ou programas de orientação;
V - obrigação de matricular o filho ou pupilo e acompanhar sua freqüência e aproveitamento escolar;
VI - obrigação de encaminhar a criança ou adolescente a tratamento especializado;
VII - advertência;
VIII - perda da guarda;
IX - destituição da tutela;
X - suspensão ou destituição do pátrio poder poder familiar. (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009)   Vigência
Parágrafo único. Na aplicação das medidas previstas nos incisos IX e X deste artigo, observar-se-á o disposto nos arts.
23 e 24.
37 CURY, Munir. Estatuto da Criança e do Adolescente Comentado. – 9ª ed. – São Paulo: Malheiros, 2008, p. 945.
38 Art. 1o, da Lei de Idoso.É instituído o Estatuto do Idoso, destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com
idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos.

69
Aula 04 | Proteção Familiar: Aspectos Quanto à Proteção
do Idoso e da Criança e Adolescente

Todo o regulamento da citada lei gira em torno de Direitos Fundamentais do Idoso, direitos
esses, muito próximos do estabelecido no Estatuto da Criança e do Adolescente, por esse
motivo a doutrina afirma que o Estatuto do Idoso é praticamente uma reprodução direcionada
em prol do Idoso39.

Sendo assim, são os Direitos Fundamentas do Idoso...

6.1. Prioridade absoluta: significa que é dever da sociedade, do Estado, da Família e da


Comunidade assegurar ao idoso, com preferência absoluta, a efetivação dos seus direitos.
Significa que no confronto no atendimento ao idoso e a outra pessoa, deve-se optar primeiro
pelo idoso.

Todavia, conforme muito bem aponta a doutrina,


pode haver certos conflitos de interesses do Idoso Link
com a Criança e o Adolescente. Há quem sustente Nesse sentido vale a leitura do seguinte
que os direitos de crianças e adolescentes tem artigo: <http://www.revistas.unifacs.br/in-
dex.php/redu/article/view/2271/1667>
âmbito constitucional, devendo prevalecer40.

Parece que o melhor caminho, é a análise do caso concreto e verificar o conflito casuístico
aplicando a ponderação41.

6.2. Proteção integral: significa que o idoso é titular de todos os direitos próprios de qualquer
pessoa como vida, saúde, lazer etc., assim como alguns próprios da idade42.

Podem ser citados os seguintes exemplos gratuidade no transporte, atendimento preferencial


à saúde etc.

39 CAVALCANTI, Ana Elizabeth Lapa Wanderley, LEITE, Flávia Piva Almeida, LISBOA, Roberto Senise. Direito da
infância, juventude, idoso e pessoas com deficiência. – São Paulo: Atlas. 2014, p.31.
40 CAVALCANTI, Ana Elizabeth Lapa Wanderley, LEITE, Flávia Piva Almeida, LISBOA, Roberto Senise. Direito da
infância, juventude, idoso e pessoas com deficiência. – São Paulo: Atlas. 2014, p. 2.
41 CAVALCANTI, Ana Elizabeth Lapa Wanderley, LEITE, Flávia Piva Almeida, LISBOA, Roberto Senise. Direito da
infância, juventude, idoso e pessoas com deficiência. – São Paulo: Atlas. 2014, p.2.
42 CAVALCANTI, Ana Elizabeth Lapa Wanderley, LEITE, Flávia Piva Almeida, LISBOA, Roberto Senise. Direito da
infância, juventude, idoso e pessoas com deficiência. – São Paulo: Atlas. 2014, p. 211.

70
Aula 04 | Proteção Familiar: Aspectos Quanto à Proteção do Idoso e da Criança
e Adolescente

6.3. Direitos à prioridade: sendo aqueles compostos por atendimento especializado,


preferencial e imediato em órgãos públicos e privados prestadores de serviços; Preferência nas
políticas públicas (conflito com o ECA); Destinação privilegiada de recursos públicos; Convívio
do idoso com as demais gerações (não exclusão de acesso); Prioridade de atendimento na
própria família (evitar, tanto quanto possível, a colocação em entidade – asilo, abrigo etc.);
Capacitação de recursos humanos (a ideia é que todos os órgãos saibam atender o idoso de
forma especializada, sem maiores problemas)43.

6.4. Direitos relativos à liberdade: Direito de ir e vir; Direito de opinião e expressão; Direito
ao culto religioso; Prática de esportes e diversões; Participação na família e na comunidade;
Participação na política; Possibilidade de buscar abrigo, auxílio e orientação44.

6.5. Direitos relativos à saúde: Atenção integral à saúde, por meio do sistema único de
saúde - SUS45,

Atenção deve ser especial às doenças que afetam


preferencialmente o idoso, como a criação de Link
unidades geriátricas, Atendimento domiciliar, Sobre o SUS, indica-se a leitura do se-
Medicamentos (que possibilitem a vida do idoso), guinte link: <http://portalsaude.saude.gov.
br/index.php/cidadao/entenda-o-sus>
Reabilitação, próteses (algo que se incorpora ao
organismo – marca-passo, membros mecânicos) e
órteses (algo que pode ser deixado de lado, removido – muleta, dentadura etc.). Igualdade
em planos de saúde (não pode ficar mais caro só porque o sujeito completou 60 anos).

6.6. Direito à entrada, com desconto: É assegurado ao idoso o desconto de pelo menos
50% em ingressos para eventos artísticos, culturais, esportivos e de lazer.

43 CAVALCANTI, Ana Elizabeth Lapa Wanderley, LEITE, Flávia Piva Almeida, LISBOA, Roberto Senise. Direito da
infância, juventude, idoso e pessoas com deficiência. – São Paulo: Atlas. 2014, p.227.
44 CAVALCANTI, Ana Elizabeth Lapa Wanderley, LEITE, Flávia Piva Almeida, LISBOA, Roberto Senise. Direito da
infância, juventude, idoso e pessoas com deficiência. – São Paulo: Atlas. 2014, p.200.
45 CAVALCANTI, Ana Elizabeth Lapa Wanderley, LEITE, Flávia Piva Almeida, LISBOA, Roberto Senise. Direito da
infância, juventude, idoso e pessoas com deficiência. – São Paulo: Atlas. 2014, p.227.

71
Aula 04 | Proteção Familiar: Aspectos Quanto à Proteção
do Idoso e da Criança e Adolescente

6.7. Direito ao benefício mensal assistencial: Aos idosos a partir dos 65 anos que não
possuam meios de subsistência é assegurado o benefício mensal de 1 salário mínimo, nos
termos das Lei Orgânica da Assistência Social, também conhecido como LOAS46.

6.8. Direito à gratuidade no transporte: Aplica-se aos maiores de 65 anos - exceção


ao Estatuto do Idoso-, não obstante entre 60 e 65 anos, leis locais podem estabelecer a
gratuidade, devendo sempre ser aplicada a lei mais favorável.

6.9. São reservados 10% dos assentos de cada veículo para os idosos: a gratuidade abrange
o transporte urbano e semiurbano.

6.10. Reserva de 5% de vagas cômodas em estacionamentos públicos e privados. Como


exemplo os supermercados e shoppings.

7. Crimes contra o Idoso

Conforme pode ser apercebido entre os artigos 93 até 108 do Estatuto do Idoso há alguns
tipos penais especiais.

Dentre os referidos crimes, pode ser citada a omissão de socorro ao idoso; Abandono do
idoso em hospital; Exposição da integridade e da saúde do idoso a perigo; Retenção de
cartão magnético bancário e Coagir o idoso a doar, contratar, testar ou outorgar procuração.

8. Defesa Coletiva dos Interesses do Idoso

O artigo 93 do Estatuto do Idoso47 determina a aplicação subsidiária da Lei da Ação Civil


Pública (legitimados, o que se pode fazer etc.), bem como no âmbito do Estatuto do Idoso é
possível a defesa coletiva dos interesses sócio individuais.

46 CAVALCANTI, Ana Elizabeth Lapa Wanderley, LEITE, Flávia Piva Almeida, LISBOA, Roberto Senise. Direito da
infância, juventude, idoso e pessoas com deficiência. – São Paulo: Atlas. 2014, p.227.
47 Art. 93.Aplicam-se subsidiariamente, no que couber, as disposições da Lei no 7.347, de 24 de julho de 1985.
Art. 94.Aos crimes previstos nesta Lei, cuja pena máxima privativa de liberdade não ultrapasse 4 (quatro) anos, aplica-se
o procedimento previsto na Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995, e, subsidiariamente, no que couber, as disposições
do Código Penal e do Código de Processo Penal.

72
Pontuando
• Introdução, conceito, características gerais e doutrina da proteção integral.

• Normatização e interpretação do Direito da Criança e do Adolescente

• Princípios fundamentais do Direito da Criança e do Adolescente

• Direito Fundamentais

• Direito à vida e à saúde

• Direito à liberdade, ao respeito e à dignidade

• Direito a convivência familiar e comunitária

• Direito à educação, cultura, esporte e lazer

• Direito à profissionalização e à proteção no trabalho

• Conselho tutelar e suas atribuições

• Proteção ao Idoso

• Crimes contra o Idoso

• Defesa coletiva dos interesses do idoso

Glossário

Psiquiatria forense: subespecialidade da psiquiatria, que lida com a interface entre lei
e psiquiatria.

Medidas sócioeducativas:  são medidas aplicáveis a adolescentes autores de atos


infracionais e estão previstas. 

Perinatal: pouco antes ou depois do nascimento.

73
Verificação
de leitura
Questão 1 INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA d) revistas e publicações em geral contendo
material próprio ou adequado a crianças e ado-
Das seguintes alternativas abaixo, indique a
lescentes 
correta:

a) Considera-se criança, para os efeitos do Questão 3 INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA

ECA, a pessoa até doze anos de idade incom-


Quanto aos direitos fundamentais da criança
pletos, e adolescente aquela entre doze e de-
zoito anos de idade. e do adolescente assinale a alternativa erra-
da.
b) Considera-se criança, para os efeitos do
ECA, a pessoa até treze anos de idade incom- a) O poder público, as instituições e os em-
pletos, e adolescente aquela entre doze e de- pregadores propiciarão condições adequadas
zoito anos de idade. ao aleitamento materno, inclusive aos filhos de
mães submetidas a medida privativa de liber-
c) Considera-se criança, para os efeitos do
dade.
ECA, a pessoa até quatorze anos de idade in-
completos, e adolescente aquela entre doze e b) A criança e o adolescente têm direito a pro-
de anos de idade. teção à vida e à saúde, mediante a efetivação
de políticas sociais públicas que permitam o
d) Considera-se criança, para os efeitos do
nascimento e o desenvolvimento sadio e har-
ECA, a pessoa até doze anos de idade incom-
monioso, em condições dignas de existência.
pletos, e adolescente aquela entre doze e de-
zessete anos de idade. c) É assegurado à gestante, através do Siste-
ma Único de Saúde, o atendimento pré e pe-
rinatal.   
Questão 2 INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA

d) É facultativa a vacinação das crianças nos


Referente aos Produtos e Serviços, previs-
casos recomendados pelas autoridades sani-
tos no ECA, é vedada a venda à criança ou
tárias.
ao adolescente, salvo:

a) armas, munições e explosivos Questão 4 INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA

b) bebidas alcoólicas Assinale a alternativa errada. Ao tratar do di-


c) produtos cujos componentes possam cau- reito a vida e a saúde, o ECA determina que
sar dependência física ou psíquica ainda que aos hospitais e demais estabelecimentos de
por utilização indevida atenção à saúde de gestantes, públicos e
particulares, são obrigados a:

74
Verificação de Leitura

a) manter registro das atividades desenvolvi-


das, através de prontuários individuais, pelo
prazo de vinte e um anos;

b) identificar o recém-nascido mediante o re-


gistro de sua impressão plantar e digital e da
impressão digital da mãe, sem prejuízo de ou-
tras formas normatizadas pela autoridade ad-
ministrativa competente;

c) proceder a exames visando ao diagnósti-


co e terapêutica de anormalidades no meta-
bolismo do recém-nascido, bem como prestar
orientação aos pais;

d) fornecer declaração de nascimento onde


constem necessariamente as intercorrências
do parto e do desenvolvimento do neonato;

Questão 5 INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA

Assinale a alternativa errada. É dever do Es-


tado assegurar à criança e ao adolescente:

a) ensino fundamental, obrigatório e gratuito,


inclusive para os que a ele não tiveram acesso
na idade própria

b) oferta de ensino diurno e vespertino regu-


lar, inadequado às condições do adolescente
trabalhador

c) progressiva extensão da obrigatoriedade e


gratuidade ao ensino médio

d) atendimento educacional especializado aos


portadores de deficiência, preferencialmente
na rede regular de ensino

75
Referências

AZEVEDO, Álvaro Villaça. Curso de Direito Civil: Direito de Família. 1. Ed.. Atlas. São Paulo. 2013.

BEVILAQUA, Clovis. Direito das Sucessões. Rio de Janeiro: ed. Rio, 1978.

CASSETTARI, Christiano. Elementos de Direito Civil. 2. ed - São Paulo: Saraiva, 2013.

CAVALCANTI, Ana Elizabeth Lapa Wanderley, LEITE, Flávia Piva Almeida, LISBOA, Roberto Seni-
se. Direito da infância, juventude, idoso e pessoas com deficiência. – São Paulo: Atlas. 2014.

COELHO, Fábio Ulhoa. Família e Sucessões: De acordo com o novo divórcio (EC. 66/2010). 4. ed.
- São Paulo: Saraiva, 2011.

CURY, Munir. Estatuto da Criança e do Adolescente Comentado. – 9ª ed. – São Paulo: Malheiros,
2008.

DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. 10ª. ed. – São Paulo: RT, 2015.

DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro: 6. Direito das Sucessões. 27. ed. - São Paulo:
Saraiva, 2013.

GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro:Direito das sucessões. 8. ed. - São Paulo:
Saraiva, 2014.

HIRONAKA, Giselda Maria Fernandes Novaes. Comentários ao Código Civil. Coordenação de Antô-
nio Junqueira de Azevedo. São Paulo: Ed. Saraiva, 2003. V. 20.

ISHIDA, VálterKenji. Estatuto da criança e do adolescente: doutrina e jurisprudência – 12. ed. – São
Paulo: Atlas, 2010.

LISBOA, Roberto Senise. Manual de Direito Civil: Direito de Família e Sucessões. 6. ed – São Paulo:
Saraiva, 2010

MACIEL, Kátia. Curso de Direito da Criança e do Adolescente: Aspectos Teóricos e Práticos. – 4.


Ed. – Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010.

TARTUCE, Flávio. Direito Civil: Direito das Sucessões. 7. ed. - São Paulo: Método, 2014.

TARTUCE, Flávio. SIMÃO, José Fernando. Direito Civil: Direito das Sucessões. 3. ed - São Paulo:
Método, 2010.

VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: direito das sucessões. 14. ed. – São Paulo: Atlas, 2014.

76
Gabarito

Questão 1

Resposta: Alternativa A.

Resolução: Art. 2º Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos
de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade.

Questão 2

Resposta: Alternativa D.

Resolução: Art. 81, V do ECA – somente são vedadas as revistas e publicações a que alude
o art. 78.

Questão 3

Resposta: Alternativa D.

Resolução: Art. 14, parágrafo único do ECA: É obrigatória a vacinação das crianças nos
casos recomendados pelas autoridades sanitárias.

Questão 4

Resposta: Alternativa A.

Resolução: Art. 10, inc. I do ECA I - manter registro das atividades desenvolvidas, através de
prontuários individuais, pelo prazo de dezoito anos.

77
Gabarito

Questão 5

Resposta: Alternativa B.

Resolução: Art. 57, inc VI do ECA - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições
do adolescente trabalhador.

78
79