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C1NESIOLOGIA
do
APARELHO
USCULOESQUELÉTICO
Fundamentos para a Reabilitação Física

D O N A L D A. N E U M A N N , PT, PHD
Associate Professor
Department oj Physical Therapy
Marquette University
Milwaukee, Wisconsin

Arte-final por
ELISABETH E. ROWAN, B S C , BMC

***

m GUANABARA^r/KOOGAN
O autor e a editora empenharam-se para citar adequadamente e dar o devido crédito a todos
os detentores dos direitos autorais de qualquer material utilizado neste livro, dispondo-
se a possíveis acertos caso, inadvertidamente, a identificação de algum deles tenha sido
omitida. Traduzido por

Os direitos de Donald A. Neumann, identificado como autor desta obra, foram-lhe assegu- ALEXANDRE LINS W E R N E C K
rados de acordo com a lei de Direitos Autorais, Projetos e Patentes de 1988. W I L M A LINS WERNECK

Copyright © 2002, Mosby, Inc. All rights reserved.


This edition of Kinesiology of the Musculoskeletal System le by Neumann is published by Sob a Supervisão de
arrangement with Elsevier Inc., New York; USA
ISBN 0-8151-6349-5 H é L C I O W E R N E C K , M.D., PH.D.

Translated and published by Docente-Livre de Anatomia da Faculdade de Medicina da UFMG.


Editora Guanabara Koogan S.A. Professor Titular de Anatomia Humana
Copyright © 2006 da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto.
Ex-Pro/cssor Titular de Anatomia Humana da Faculdade
Direitos exclusivos para a língua portuguesa de Mediana da Universidade Federal de Uberlândia.
Copyright © 2006 by Presidente da Comissão de Terminologia Anatómica da 5BA.
EDITORA GUANABARA KOOGAN S.A. Membro da SBA
Uma editora integrante do GENI Grupo Editorial Nacional
Reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo
ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação,
fotocópia, distribuição na internet ou outros), sem permissão expressa da Editora.

Travessa do Ouvidor, 11
Rio de Janeiro, RJ — CEP 20040-040
Tel.: 21-3970-9480
Fax: 21-2221-3202
gbk@grupogen.com.br
www.editoraguanabara.com.br

Editoração Eletrônica: l^c-rformn

CIP-BRASEL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ.
N4Hc

Neumann, Donald A.
Cinesiologia do aparelho musculoesquelético: fundamentos para a reabilitação
física / Donald A. Neumann ; arte-final Elisabeth E. Rowan ; [traduzido por
Alexandre Lins Werneck, Wilma Lins Wemeck ; sob a supervisão de Hélcio
Werneck]. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006
il.;

Tradução de: Kinesiology of the musculoskeletal system


Apêndices
Inclui bibliografia
ISBN 978-85-277-1121-0

I. Cinesiologia. 2. Mecânica humana. 3. Sistema musculoesquelético - Doenças -


Pacientes - Reabilitação. 4. Sistema musculoesquelético - Fisiologia. 5.
Biomecânica. 6. Movimento.
I. Título.

05-2966. CDD 612.76


CDU 612.7

19.09.05 21.09.05 011634


Aqueles cujas vidas mudaram pelo
esforço e alegna de aprender
S O B R E O A U T O R

Donald A. Neumann
Donald Neumann começou sua carreira em 1972, como assistente licenciado de Fisioterapia, em
Miami, Florida. Em 1976, recebeu o grau de Bacharel em Ciências em Fisioterapia, na University of
Florida. Por volta de 1986, recebeu os títulos de Mestre e PhD em Ciências na University of Iowa.
Suas áreas de estudo de graduação incluíram Ciência da Educação, Ciência do Exercício e Cinesio-
logia. Enquanto estudante de graduação na University of Iowa, Donald recebeu o Mary McMillan
Scholarship Award da American Physical Therapy Association (APTA).
Em 1976, Donald aceitou seu primeiro trabalho como membro da equipe de fisioterapeutas, no
Woodrow Wilson Rehabilitation Center, Virginia, onde se especializou no tratamento de pessoas
com lesões na medula espinal. Devido ao seu interesse em ensinar, tornou-se Coordenador de
Educação Clinica do Departamento de Fisioterapia desse mesmo centro de reabilitação. Até hoje, o
Dr. Neumann permanece envolvido com a reabilitação de pessoas com lesões na medula espinal. Em
2002, produziu uma série de vídeos educacionais financiada pela Paralyzed Veterans Association.
Esses videos descrevem muitos dos princípios usados para intensificar o potencial do movimento
em pessoas com quadriplegia.
Desde que se graduou, em 1986, Donald Neumann permanece na Equipe do Departamento de
Fisioterapia da Marquette University, em Milwaukee. Suas principais áreas de ensino são Cinesio-
logia, Anatomia e reabilitação de lesão da medula espinal. Em 1994, recebeu o prémio de Professor
do Ano da Marquette University. Em 1997, a APTA concedeu-lhe o Dorothy E. Baethke - Eleanor J.
Carita Award, por Excelência no Ensino Académico. O Dr. Neumann também apresentou diversos
seminários sobre a relevância clínica da cinesiologia para uma ampla variedade de profissionais de
saúde. Em 2002, foi agraciado com a Fulbright Scholarship para ensinar cinesiologia na Lituânia.
O Dr. Neumann recebeu verba da National Arthritis Foundation para conduzir pesquisa com
ênfase na biomecânica da articulação do quadril. Estudou métodos de proteção do quadril instável
ou dolorido de forças potencialmente grandes e prejudiciais. Em 1989, foi o primeiro a receber o
StevenJ. Rose Endowment Award, por Excelência em Pesquisa de Fisioterapia Ortopédica. Em 1991,
recebeu o Eugene Michels New Investigator Award da APTA. Em 2000, o Dr. Neumann recebeu o
APTA'5 Jack Walker Award, pelo melhor artigo sobre pesquisa clinica publicado no Physical Therapy
em 1999. Atualmente, o Dr. Neumann é Editor Adjunto do journal oj Orthopaedic &• Sports Physical
Therapy.

Sobre a Ilustradora: Elisabeth E. Rowan


Aos oito anos de idade, Elisabeth já sabia que queria ser ilustradora. Quando criança, passava muitas
horas ilustrando os livros que havia lido. Seu interesse pela ilustração médica cresceu ã medida que
estudava ciências biológicas. Estava especialmente interessada na forma e no funcionamento do
corpo humano.
A educação formal de Elisabeth em arte integra um Bacharelado de Belas-Artes em Desenho e
Pintura pela University of Wisconsin, Milwaukee, e um Bacharelado de Ciências em Comunicações
Biomédicas (Ilustração Médica) pela University of Toronto. Elisabeth, atualmente, trabalha na Kalm-
bach Publishing Company, Waukesha, Wisconsin, como ilustradora de revistas. Seu trabalho é apre-
sentado regularmente na Astronomy e Birder's World. Atualmente vive em Milwaukee.
x Sobre o Autor Sobre o Autor xi

No segundo tipo (Fig. 2), urilizou-se uma formação em camadas dos meios artísticos, integrada
Sobre as Ilustrações com um programa de computador. Muitas das peças começaram com uma fotografia digital, trans-
formada em um esboço simplificado'de uma pessoa que estava realizando um movimento especí-
Em sua maioria, as mais de 650 ilustrações apresentadas neste volume são originais, produzidas pelos fico, imagens de ossos, aniculações e músculos foram, então, encaixadas eletronicamente no esboço
esforços conjuntos de Donald Neumann e Elisabeth Rowan. Elas foram inicialmente idealizadas pelo produzido. A sobreposição de várias imagens biomecãnícas realçou ainda mais o efeito da ilustração.
Dr. Neumann e, depois, reproduzidas pela Sra. Rowan, com meticulosa atenção aos detalhes. Traba- O desenho final apresentou conceitos biomecãnicos espedficos e, muitas vezes complexos, de uma
lhando em equipe, Don e Elisabeth Teuniam-se semanalmente, ao longo de seis anos e seis meses, para maneira relativamente simples, ao mesmo tempo que preservou a expressão e a forma humanas.
a realização deste prqjeto. Afirma o Dr. Neumann que "Ás ilustrações realmente direcionaram grande
parte do meu trabalho. Sem dúvida, eu precisava compreender um conceito cinesiolõgico particular,
no seu nível mais essencial, a fim de melhor explicar ã Elisabeth o que precisaria ser ilustrado. Dessa
forma, a ilustração me manteve concentrado; escrevi apenas o que, de fato, compreendi."

Músculo estemocíeidomastoideo direito


{no lado anterior)
Músculo esplênio esquerdo MftV?g.
a cabeça e do pescoço

Músculo oblíquo externo direito do abdome


(no lado anterior)

"pata de ganso'

Élllg Acelera ifòn


Músciíio bíceps femora!
(cabeça curta)

Vista superior

FIG, 2

Neumann e Rowan produziram dois tipos principais de ilustração para este texto (consulte os
exemplos a seguir). Elisabeth fez ã mão a anatomia dos ossos, articulações e músculos, criando dese-
nhos a bico-de-pena muito detalhados (Fig. 1). Esses desenhos começaram com uma série de esboços
a lápis, muitas vezes baseados em espécimes anatómicas dissecadas pelo Dr. Neumann. Escolheu-se
o desenho a bico-de-pena para conferir ao material um sentido clássico e orgânico.

Bainhas fibrosas
do dedo

Ligamentos colaterais
(fascículos B partes acessórias) Lâminas palmares"
Bainha fibrosa do dedo
Ligamentos metacarpals
transversos profundos
Tendão do musculo
flexor profundo dos
dedos

Tendão do músculo
lexor superficial dos
SOBRE OS C O L A B O R A D O R E S

A . J O S E P H THRELKELD, PT, PHD


Professor Adjunto e Catedrático do Departamento de Fisioterapia; Diretor do Laboratório de Biome-
cânica do Departamento de Fisioterapia da Creighton University, Omaha, Nebraska
O Dr. Threlkeld, graduado em 1976 em Fisioterapia pela University of Kentucky, Lexington, está
envolvido com o manejo clinico das disfunções musculoesqueléticas, especialmente a artrite e os
distúrbios relacionados. Em 1984, completou seu trabalho de Doutorado em Anatomia com ênfase
na remodelação da cartilagem articular. Desde então, conduz pesquisa sobre cinemática anormal
associada com a diminuição das capacidades musculoesqueléticas e neuromusculares, bem como
sobre as respostas neuromusculoesqueléticas na intervenção terapêutica. Suas áreas de ensino são a
cinesiologia, a anatomia e a histologia.
Estrutura Básica e Função das Articulações (Capítulo 2)

DAVID A. BROWN, PT, P H D


Professor Assistente do Departamento de Fisioterapia e Ciência dos Movimentos Humanos e do
Departamento de Reabilitação e Medicina Corporal da Northwestern University Medical School,
Chicago, Illinois
O Dr. David Brown é filho de um fisioterapeuta (Elliott). David obteve o grau de Mestre em Fisio-
terapia pela Duke University, Durham, em 1983, tendo depois recebido o titulo de PhD em Ciência
do Exercício pela University of Iowa, Iowa City, em 1989. Sua principal área de habilidade clinica é
a neurorreabilitação, com ênfase especial na deficiência locomotora pós-acidente vascular cerebral.
Publica pesquisas em periódicos, como, por exemplo, o Journal of Neurophysiology, Brain, Stroke, e
Physical Therapy. O Dr. Brown apresenta suas pesquisas tanto em conferências nacionais quanto inter-
nacionais. Sua maior ambição é contribuir para a descoberta de estratégias de intervenção inovadoras
para a melhoria da diminuição das incapacidades neuromusculares e para a restauração da função
locomotora.
Musculo: O Definitivo Gerador de Força no Corpo (Capitulo 3)

DEBORAH A. NAWOCZENSKI, PT, P H D


Professora Adjunta do Departamerto de Fisioterapia no Ithaca College's Rochester Campus, Rochester,
New York
A Dra. Nawoczenski obteve o Bacharelado de Ciências em Fisioterapia e o Mestrado em Educação pela
Temple University, Philadelphia. Também obteve o título de PhD em Ciência do Exercício (Biome-
cânica) pela University of Iowa, Iowa City. Ê co-diretora do Laboratório de Análise do Movimento
no Ithaca College's Rochester Campus e está desenvolvendo pesquisas sobre a biomecânica do pé
e tornozelo. Permanece como Professora Assistente Adjunta de Ortopedia na School of Medicine
and Dentistry da University of Rochester, Rochester, New York. Serviu como Membro do Conselho
Editorial do Journal o/ Orthopaedic & Sports Physical Therapy e foi co-editora da edição especial em
dois volumes sobre o pé e o tornozelo. A Dra. Nawoczenski é co-autora e co-editora em dois livros:
Buchanan LE, Nawoczenski DA (eds): Spinal Cord Injury: Concepts and Management Approaches e
Nawoczenski DA, Epler ME (eds): Orthotics in Functional Rehabilitation of the Lower Limb.
Princípios de Biomecânica (Capítulo 4)

GUY G. SIMONEAU, PT, P H D , ATC


Professor Adjunto, Marquette University, Departamento de Fisioterapia, Milwaukee, Wisconsin
O Dr. Simoneau obteve o Bacharelado de Ciências em Fisioterapia pela Urtiversité de Montreal, Canadá,
o Mestrado de Ciências em Medicina Esportiva pela University of Illinois, em Urbana-Champaign,
Illinois, e o PhD em Ciência do Exercício (Estudos da Locomoção) pela Pennsylvania State University,
State College. Ensina Fisioterapia Ortopédica e desenvolve pesquisas sobre o modo de andar e sobre
xiv Sobre os Colaboradores
REVISORES
o desenho ergométrico dos teclados de computador. O Dr. Simoneau recebeu diversas condecorações
de ensino e pesquisa da American Physical Therapy Association, incluindo o 2000 Education Award
da Orthopaedic Section, o 1998 Education Award da Sports Section, o 1997 Eugene Michels New
Investigator Award e o 1996 Margaret L Moore New Academic Faculty Award. O Dr. Simoneau recebe
verba dos National Institutes of Health e da Foundation for Physical Therapy, entre outras instituições,
para estudar a deambulação assistida no andador, do National Institute of Occupational Safety and
Health (NIOSH) e da Arthritis Foundation, para estudar o desenho dos teclados dos computadores.
Atualmente é redator-chefe do Journal o/Orthopaedic èV Sports Physical Therapy. Paul Andrew, PT, PhD Gary Chleboun, PT, PhD Sports Medicine Institute
Department of Physical Therapy School of Physical Therapy Aurora Sinai Medical Center
Cinesioiogia da Caminhada (Capitulo 15) Ibaraki Prefectural University of Health Ohio University Milwaukee, WI
Sciences Athens, OH
Ibaraki-ken, Japan Michelle Lanouette, PT, MS
Mary A. Cimrmancic, DDS Physical Therapy Department
Susana Arciga, PT Marquette University School of Dentistry Zablocki VA Medical Center
St. Mary's Hospital Milwaukee, WI Milwaukee, WI
Outpatient Orthopedic and Sports
Medicine Center Adam M. Davis, PT Paula M. Ludewig, PT, PhD
Milwaukee, WI Quad Med, LLC Program in Physical Therapy
Sussex, WI University of Minnesota
Cindi Auth.PT Minneapolis, MN
Physical Therapy Department Brian L. Davis, PhD
Zablocki VA Medical Center Department of Biomedical Engineering Jon D. Marion, OTR, CHT
Milwaukee, WI The Lerner Research Institute St. Josephs Hospital
The Cleveland Clinic Foundation Marshfield, WI
Marilyn Beck, RDH, MEd Cleveland, OH
Department of Dental Hygiene Brenda L. Neumann, OTR, BCIAC
Marquette University Sara M. Deprey, PT, MS Clinic for Neurophysiologic Learning
Milwaukee, WI Department of Allied Health Milwaukee, WI
Carroll College
Teri Bielefeld, PT, CHT Waukesha, WI Janet Palmatier, PT, MHS, CHT
Physical Therapy Department Work Injury Care Center
Zablocki VA Medical Center Sara Jean Donegan, DDS, MS
Glendale, WI
Milwaukee, WI Marquette University School of Dentistry
Milwaukee, WI Randolph E. Perkins, PhD
Peter Blanpied, PT, PhD Physical Therapy and Cell and
Physical Therapy Program William F. Dostal, PT, PhD
Molecular Biology
University of Rhode Island Department of Rehabilitation Therapies
Northwestern University Medical School
Kingston, PJ University of Iowa Hospitals and Clinics
Chicago, 1L
Iowa City, 1A
Ann M. Brophy, PT
Christopher M. Powers, PT, PhD
NovaCare Outpatient Rehabilitation Joan E. Edelstein, PT, MA
Department of Biokinesiology and
Milwaukee, WI Physical Therapy
Physical Therapy
Columbia University
Frank L. Buczek, Jr., PhD University of Southern California
New York, NY
Motion Analysis Laboratory Los Angeles, CA
Shriners Hospital for Children Timothy Fagerson, PT, MS
Erie, PA Orthopaedic Physical Therapy Services, Kathryn E. Roach, PT, PhD
Inc. Division of Physical Therapy
Daniel J. Capriani, PT, MEd Wellesley Hills, MA University of Miami School of Medicine
Department of Physical Therapy Coral Gables, FL
Medical College of Ohio Kevin P. Farrell, PT, OCS, PhD
Toledo, OH Physical Therapy Michelle G. Schuh, PT, MS
Saint Ambrose University Department of Physical Therapy and
Anya Carlisle, MPT Davenport, IA Program in Exercise Science
Physical Therapy Department Marquette University
Zablocki VA Medical Center Esther Haskvitz, PT, PhD Milwaukee, WI
Milwaukee, WI Notre Dame College
Physical Therapy Program Christopher J. Simenz, MS, CSCS
Leah Cartwright, PT Manchester, NH Department of Physical Therapy and
Physical Therapy Department Program in Exercise Science
Zablocki VA Medical Center Jeremy Karman, PT Marquette University
Milwaukee, WI Physical Therapy Department Milwaukee, WI
xvi Revisores
I N T R O D U ç ã O
Guy G. Simoneau, PT, PhD, ATC Carolyn Wadsworth, FT, MS, OCS, Chris L. Zimmermann, PT, PhD
Department of Physical Therapy CHT Physical Therapy Program
Marquette University Department of Rehabilitation Therapies Concordia University, Wisconsin
Milwaukee, WÍ University of Iowa Hospitals and Clinics Mequon, WI
Iowa City, IA

Ser autor de um texto é tarefa de vulto e, possivelmente, esdmada Reservado e cortês por natureza, emprega suas energias para
apenas por aqueles que já completaram aventura semelhante. a excelência do projeto que realiza. Levaria muito tempo para
O autor tem a responsabilidade não apenas de propiciar uma descrever todas as suas qualidades pessoais, o que apenas cons-
informação exata, mas também de entregar o material de forma trangeria esse autor. Tive o distinto privilégio de tê-lo como
adequada ã compreensão. Um fator de confusão significativo é estudante na graduação, como assistente de ensino e como critico
a explosão continua de conhecimento, cuja inclusão no trabalho do meu trabalho. Embora sem sucesso nas tentativas de contratá-
é responsabilidade do autor. lo, reconheço que outros ganharam com sua presença.
Talvez, a princípio, Don Neumann não tenha previsto a criação Don deveria ser parabenizado pela conclusão do livro Cine-
deste volume sobre Cinesiologta do Aparelho Muscuhesquelético, sioíogia do Aparelho Musculoesquelittco: Fundamentos para a Reabi-
mas o trabalho era inerente a ele desde seus primeiros dias como litação Física. A osteologia, a artrologia e a neurologia, assim
assistente de Fisioterapia, no início da década de 1970. Recebeu como o músculo - como unidade funcional -.reúnem elementos
os prémios Outstanding Clinical Award e Outstanding Academic significativos para um texto sobre cinesiologia, ciência funda-
Award como estudante universitário na University of Florida, mental para o estudante e o clinico prático. Dignas de mérito
sob a tutela do corpo docente, incluindo Martha Wroe, Fred são as ilustrações, que transmitem exclusivamente uma mescla
Rutan e Claudette Finley. Foi, então, em busca do mestrado e de material cinesiológico e anatómico. Cinesiologia do Aparelho
do doutorado. Contudo, nunca se afastou da clinica, onde ainda Musailoesqueléhco é também inestimável pela inclusão de ques-
trata pacientes com lesões da medula espinal. tões no Enfoque Especial e outras características, de considerável
O Dr. Neumann destaca-se como autêntico professor. Nessa relevância clínica para a apresentação.
especialidade, demonstra seu carinho ao ensinar e compartilha Don teve sucesso em desenvolver um livro útil, não apenas
sua empolgação com a disciplina em questão. Entretanto, Don para fisioterapeutas, mas também para os profissionais de várias
foi além do ensino. Contribuiu como um profundo conhe- outras disciplinas. Seu trabalho é abrangente e de fácil leitura,
cedor ao centralizar sua atenção sobre a articulação do quadril com o mérito de contribuir grandemente para o conjunto de
e a influência do processo artrítico. Seus esforços nesse âmbito literatura disponível aos estudantes e profissionais afins.
lhe valeram inúmeras honras, como, por exemplo, o American
Physical Therapy Association's Eugene Michels New Investigator Gary L. Soderberg, PT, PhD, FAPTA
Award (1991) e o Jack Walker Award (2000), que reconhece a Professor e Diretor do Departamento de Pesquisa de
pesquisa clínica publicada na Physical Therapy. Fisioterapia da Southwest Missouri State University
Todos esses aspectos, entretanto, revelam apenas parte do Springfield, Missouri
quadro, porque precisamos conhecer o homem para estimá-lo.
P R E F á C I O

Cinesiologia é o estudo do movimento humano, tipicamente O livro contém 15 capítulos, distribuídos em quatro seções
adotado no contexto do esporte, arte ou medicina. Em graus principais. A Seção I fornece os tópicos essenciais da cinesio-
variados, Cinesiologia ão Aparelho Muscubesquelético: Fundamentos logia, incluindo uma introdução à terminologia e aos conceitos
para a Reabilitação Física relaciona-se com todas essas três áreas. básicos, uma revisão da estrutura básica e do funcionamento do
Todavia, foi planejado, originalmente, como uma base para a aparelho musculoesquelético, além de uma introdução à biome-
prática da reabilitação física. A expressão "reabilitação física" cânica e aos aspectos quantitativos da cinesiologia. As Seções JI ;
é usada em um sentido mais amplo, referindo-se aos esforços a IV apresentam os detalhes anatómicos específicos e a cinesio-
terapêuticos que restauram a função física ideal. Embora a cine- logia das três principais regiões do corpo. A Seção JI enfatiza
siologia possa ser apresentada de muitos ângulos diferentes, eu plenamente o membro superior, do ombro até a mão. A Seção
e meus colaboradores enfatizamos essencialmente as interações IH trata da cinesiologia do esqueleto axial, que inclui a cabeça, o
mecânicas entre os músculos e as articulações do corpo. Essas tronco e a medula espinal. Um capítulo especial incluído nessa
interações são descritas para o movimento normal e, no caso de seção trata da cinesiologia da mastigação e ventilação. A Seção
doença, trauma ou tecido alterado de outras maneiras, para o W apresenta a cinesiologia do membro inferior, do quadril até
movimento anormal. Espero que este livro forneça uma fonte o tornozelo e o pé. O capítulo final nessa seção, Cinesiologia da
educacional valiosa para uma ampla gama de profissões da área Caminhada, integTa e reforça funcionalmente a cinesiologia do
de saúde e relacionadas ã medicina, tanto para estudantes quanto membro inferior.
para médicos. Este livro foi elaborado com um específico propósito educa-
Este livro dá ênfase especial ao detalhe anatómico do aparelho cional: ensinar. Com essa finalidade, os conceitos são apresen-
musculoesquelético. Aplicando princípios surpreendentemente tados em etapas, começando com a Seção I, que apresenta a
novos da física e da fisiologia, o leitor deverá ser capaz de trans- fundamentação científica para os capítulos contidos nas Seções
formar mentalmente uma imagem anatómica estática em um 11 até a IV. O assunto desenvolvido nesses capítulos também é
movimento relativamente previsível, tridimensional e dinâmico. apresentado etapa por etapa, objetivando tanto a clareza quanto
As ilustrações criadas para o livro Cinesiologia do Aparelho Muscu- o nível de conhecimento. A maioria dos capítulos começa com
loesquelético são destinadas a encorajar essa transformação mental. osíeoiogia — o estudo da morfologia e a subsequente finalidade j
Essa abordagem da cinesiologia reduz a necessidade de memo- dos ossos. Segue-se a artrologia - o estudo da anatomia e função
rização pela repetição e favorece o raciocínio baseado na análise da articulação, incluindo os tecidos conectivos periarticulares
mecânica. Esse tipo de raciocínio pode auxiliar o médico no associados. Uma descrição completa da cinemática regional,
desenvolvimento da avaliação, no diagnóstico e nos tratamentos tanto com enfoque artrocinemático quanto osteocinemãtico,
adequados relacionados com a disfunção do aparelho muscu- está incluída nesse estudo.
loesquelético. O componente mais extenso da maioria dos capítulos que
A conclusão deste livro representa a síntese de mais de 25 anos integram as Seções 11 até IV realça as interações dos músculos e arti-
de experiência como fisioterapeuta. Essa experiência inclui um culações. Esse tópico começa pela descrição das fixações esque-
rico conjunto de atividades clínicas, de pesquisa e ensino, que léticas dos músculos em uma região, incluindo um resumo da
estão relacionadas, de uma forma ou de outra, com a cinesio- inervação para as estruturas tanto musculares quanto articulares.
logia. Embora não percebesse isso na época, meu trabalho neste Logo que a forma e a orientação física dos músculos são estabe-
livro começou no dia em que preparei minha primeira aula em lecidas, a interação mecânica entre os músculos e as articulações
cinesiologia como professor universitário na Marquette Univer- torna-se evidente. Os tópicos apresentados incluem [orça e movi-
sity, em 1986. Desde então, tive a felicidade de lecionar para mento potencial dos músculos, forças produzidas por músculos e
estudantes inteligentes e motivados. Sua vontade de aprender impostas às articulações, sinergias intermuscular e interartícular,
estimula continuamente minha ambição de ensinar. Para motivar papéis funcionais importantes dos músculos e relações funcionais
meus alunos a prestar atenção, em vez de copiarem minhas aulas entre os músculos e as articulações subjacentes.
passivamente, desenvolvi um extenso conjunto de anotações Exemplos clínicos e proposições adicionais são amplamente
didáticas de cinesiologia. Ano a ano, minhas anotações evoluíam, usados do começo ao fim, para ajudar a preencher a lacuna
formando o esboço deste livro. Agora completo, ele reúne meu entre o que é frequentemente ensinado em sala de aula e o que
conhecimento de cinesiologia, bem como minhas experiências é experimentado na prática clínica. Exemplos clínicos referem-
como professor dessa disciplina. O livro contém muitas ilus- se a uma ampla variedade de questões, tipicamente relacionadas
trações claras e estimulantes, assim como uma lista atrativa de ao modo como a patologia, o trauma e outras condições contri-
referências que sustentam meus preceitos. buem para a diminuição da capacidade funcional ou limitações.
A organização deste livro reflete o plano geral de estudo usado As discussões estão frequentemente relacionadas com questões
na sequência do meu curso de cinesiologia em dois semestres. que envolvem a imobilização prolongada dos membros; a insta-
xx Prefacio
A G R A D E C I M E N T O S
bilidade ou o desalinhamento das articulações; postura anormal referência rapidamente acessível para as inserções ósseas deta-
ou amplitude limitada de movimento; paralisia e desequilíbrio lhadas dos músculos. Essa informação é útíl em exercícios de
de forças musculares; e trauma e inflamação dos músculos, arti- laboratório destinados a estudar a ação de um músculo baseado
culações e tecidos conectivos periarticulares. nas suas inserções especificas. Uma atividade muito instrutiva é
Diversas características educacionais especiais estão incluídas. aquela em que os estudantes usam um modelo de esqueleto e um
Em primeiro lugar estão as ilustrações anatómicas e cinesiolõgicas pedaço de barbante para imitar a linha de força de um músculo.
de alta qualidade. A finalidade dessas ilustrações é estimular e Grupos de estudantes podem discutir a ação potencial de um
simplificar, sem comprometer a intensidade do material. O livro músculo, observando a linha de força do "barbante" em refe-
é associado ao website Evolve, o qual mantém uma coleção de rência a um eixo imaginário de rotação através de determinada Recebo com imensa alegria esta oportunidade de agradecer a revisão de provas, verificação de referências ou conceitos,
imagens eletrônicas que inclui a maioria das figuras contidas no articulação. Esse exercício ajuda os estudantes a compreender a um grande número de pessoas que me prestaram sua assistência posando para fotografias ou fomecendo-as, tirando raios X e
livro. As imagens, que podem ser impressas ou transformadas natureza tridimensional das ações musculares e como as ações amável e solicita durante o decorrer deste longo projeto. Ciente prestando assistência religiosa. Sou grato a Santana Deacon,
em slides no PowerPoint, estão disponiveis como ferramentas e a força de um músculo podem variar segundo as diferentes da possibilidade de, involuntariamente, ter deixado de mencionar Monica Diamond, Gregg Fuhrman, Barbara Haines, Douglas
de ensino para instrutores que adotem o livro para uso em sala posições de um membro. Providenciamos múltiplos Quadras e algumas, antecipo minhas sinceras desculpas. Heckenkamp, Lisa Hribar, Erika Jacobson, Davin Kimura,
de aula. (Os instrutores devem obter junto ao representante de Resumos com o propósito de organizar o conteúdo para facilitar Meus agradecimentos iniciais a minha familia, especialmente Stephanie Lamon, John Levene, Lorna Loughran, Christopher
vendas maiores informações.) As características dos Enfoques a aprendizagem. a minha esposa Brenda, que, com seu estilo altruistico e encan- Melkovitz, Melissa Merriman, Alexander Ng, Michael O'Brien,
Especiais são usadas para destacar áreas de interesse especial. Minha intenção inicial ao escrever este texto foi apresentar tador, pavimentou o caminho para a conclusão deste trabalho. Ellen Perkins, Gregory Rajala, Elizabeth Shanahan, Pamela
Os tópicos com Enfoques Especiais incluem notáveis proposições a Cinesiologia de uma maneira abrangente, relevante, lógica e Agradeço a meu filho, Donnie, e a minha enteada, Megann, por Swiderski, Donald Taylor, Michelle Treml, Stacy Weineke, Sidney
clínicas adicionais, relações estruturais e funcionais distintas e clara. Estou certo de que este livro despertará o estudante para sua paciência e compreensão. Também agradeço a meus gene- White e David Williams.
os conceitos "alcançados" destinados a estimular maior interesse uma matéria de grande fascínio e importância. Espero que esta rosos pais, Betty e Charlie Neumann, pelas muitas oportunidades É um grande privilégio poder demonstrar meu reconheci-
ou fornecer conhecimento adicional. Os Apêndices no final de primeira edição seja o inicio de um esforço constante. que me deram durante toda a minha vida. mento a todos que causaram um impacto positivo e significativo
cada uma das quatro seções fornecem materiais de referência de Quatro pessoas influenciaram de modo significativo a reali- na minha vida profissional. Em certo sentido, o espirito dessas
grande utilidade. Os Apêndices II até IV, por exemplo, fornecem DAN zação do livro Cinesiologia do Aparelho Muscuioesquelético: Funda- pessoas está entrelaçado com este texto. Agradeço a Shep Barish
mentos para a Reabilitação Física. Primeiramente, quero agradecer por, antes de tudo, ter me inspirado a ensinar cinesiologia; a
a Elisabeth E. Rowan, a ilustradora médica original do texto, por Martha Wroe, por servir como exemplo permanente a ser seguido
seus anos de dedicação e pelo seu elevado padrão de excelência. para a minha prática da fisioterapia; a Claudette Finley, por me
Estendo minha gratidão aos Drs. Lawrence Pan e Richard Jensen, propiciar um fundamento valioso em anatomia humana; a Patty
atual e ex-diretor, respectivamente, do Departamento de Fisiote- Altland, por reafirmar a Darrell Bennett e a mim mesmo a impor-
rapia na Marquette University, que, generosamente, me propor- tância de não limitar o potencial funcional de nossos pacientes;
cionaram a oportunidade de realizar um sonho. Também desejo a Gary Soderberg, por sua orientação geral e firme dedicação
agradecer a Scott Weaver, Gerente Editorial da Harcourt Health aos princípios; a Thomas Cook, por me mostrar que tudo isso
Sciences, por sua paciência e orientação até a fase final — e mais pode ser divertido; e a Mary Pat Murray, por estabelecer elevados
desafiadora - do projeto. padrões para o ensino de cinesiologia na Marquette University.
Meus sinceros agradecimentos são extensivos às seguintes Desejo agradecer às muitas pessoas especiais que influen-
pessoas que contribuíram com capítulos especiais para este livro; ciaram este projeto de vários modos, difíceis de descrever. Dentre
David A. Brown, Deborah A. Nawoczenski, Guy G. Simoneau e elas, incluem-se minha família, velhos e novos amigos e colegas
A. Joseph Threlkeld, e a todas aquelas que revisaram os capítulos, de profissão. Agradeço às seguintes pessoas por seu senso de
muitas das quais o fizeram sem nenhuma remuneração. Esses humor ou aventura, lealdade e intensa dedicação as suas próprias
revisores também estão listados em seções anteriores. metas e crenças, e pela grande tolerância e compreensão: minhas
Diversas pessoas na Marquette University contribuíram com quatro irmãs, Chip, Suzan, Nancy e Barbara; Brenda Neumann,
sua assistência técnica e pesquisas inestimáveis. Agradeço a Dan Tad Hardee, David Eastwold, Darrell Bennett, Tony Hornung,
Johnson por grande parte das fotos digitais contidas no livro. Fico Joseph Berman, Robert Morecraft, Bob Myers, Debbie Neumann,
grato a Nick Schroeder, artista giãfico, por sempre me encaixar Guy Simoneau e a familia Mehlos, especialmente Harvey, por
em sua atribulada agenda de trabalho. Quero agradecer também sempre me perguntar "Como está indo o livro?"
a Ljudmila ("Milly") Mursec e Rebecca Eagleeye por sua impor- E agradeço penhoradamentè a todos os meus estudantes,
tante ajuda com a pesquisa bibliográfica. antigos e atuais, por tomarem meu trabalho tão gratificante.
Muitas pessoas afiliadas, direta ou indiretamente, ã Marquette
University prestaram amplas e variadas atividades, incluindo DAN
C O N T E ú D O

SEçãO I

Tópicos Essenciais de Cinesiologia, 1

CAPíTULO 1 Iniciando, 3
DONALD A. NEUMANN, PT, PHD

CAPíTULO 2 Estrutura Básica e Função das Articulações, 25


A. JOSEPH THRELKELD, PT, PHD

CAPíTULO 3 Músculo: O Definitivo Gerador de Força no Corpo, 41


DAVID A. BROWN, PT, P H D

CAPíTULO 4 Princípios de Biomecânica, 57


DEBORAH A. NAWOCZENSKI, PT, P H D
DONALD A. NEUMANN, PT, PHD

APêNDICE 1, 88

S E ç ã O II

M e m b r o Superior, 9 1

CAPíTULO 5 Complexo do Ombro, 93


DONALD A. NEUMANN, PT, PHD

CAPíTULO 6 Complexos do Cotovelo e Antebraço, 137


DONALD A. NEUMANN, PT, PHD

CAPíTULO 7 Pulso, 176


DONALD A. NEUMANN, PT, PHD

CAPíTULO 8 Mão, 198


DONALD A. NEUMANN, PT, PHD

APêNDICE II, 248

SEçãO III

Esqueleto Axial, 2 5 3

CAPíTULO 9 E s q u e l e t o Axial Osteologia e Artrologia, 255


DONALD A. NEUMANN, PT, PHD

CAPíTULO 10 E s q u e l e t o Axial Interações M ú s c u l o e Articulação, 315


DONALD A. NEUMANN, PT, PHD

CAPíTULO 11 Cinesiologia da Mastigação e Ventilação, 357


DONALD A. NEUMANN, PT, P H D

APêNDICE III, 385


xxiv Conteúdo

E C Ã O I
S E ç ã O IV

Membro Inferior, 389

CAPíTULO 12 Quadril, 391


DONALD A. NEUMANN, PT, PHD

CAPíTULO 13 Joelho, 437


DONALD A. NEUMANN, PT, P H D

CAPITULO 14 Tornozelo e P é , 4 8 0
DONALD A. NEUMANN, PT, PHD

CAPíTULO 15 C i n e s i o l o g i a d a Caminhada, 523


GUY G. SlMONEAU, PT, PHD, ATC

APêNDICE IV, 574

ÍNDICE ALFABéTICO, 580

Essenciais
nesioiogia

Bxo de
rotação-
PS

FM

BME, PS
•FM CAPíTULO 1

Eixo de
rotação -
Iniciando
PS FAI ' FM
S E ç ã O I

D O N A L D A. N E U M A N N , PT, PHD

Tópicos Essenciais de
Cinesiologia R E S U M O DOS T Ó P I C O S

O que E Cinesiologia? Rotação Forças Internas e Externas


CINEMÁTICA Movimentos que Combinam Rolamento e Torques Musculoesqueléticos
Translação Comparada com Rotação Deslizamento e Artrocinemática da Inleração entre Músculo e Articulação
Dsteocinemálica Rotação Tipos de Ativação Muscular
Planos de Movimento Prevendo um Padrão Artrocinemâtico Baseado Ação de um Músculo em uma Articulação
CAPíTULO 1: Iniciando Eixo de Rotação na Morfologia da Articulação Terminologia Relacionada com as Ações
Graus de Liberdade Posições de Ajustamento íntimo e Ajustamento dos Músculos
CAPITULO 2: Estrutura Básica e Função das Articulações Osteocinemãtica: Uma Questão de Perspectiva Frouxo em uma Articulação Alavancas Musculoesqueléticas
Artrocinemática CINÉTICA Três Classes de Alavancas
CAPITULO 3: Músculo: O Definitivo Gerador de Força no Corpo Forças Musculoesqueléticas Vantagem Mecânica
Morfologia Articular Típica
CAPíTULO 4: Princípios de Biomecânica Movimentos Fundamentais entre as Faces Impacto das Forças sobre os Tecidos Ditando a "Troca" entre Força e Distância
Articulares Musculoesqueléticos: Conceitos GLOSSÁRIO
APêNDICE I: Material de Referência Relacionado com os Tópicos Essenciais da linesiologia Movimentos de Rolamento e Deslizamento Introdutórios e Terminologia RESUMO

INTRODUÇÃO bilidades representam a marca registrada de alta qualidade para


A S e ç ã o I ê dividida em quatro capítulos, cada um descrevendo um tópico diferente rela- qualquer profissional de saúde comprometido com a prática da
cionado com a cinesiologia. Esta seção propicia o conhecimento para discussões mais espe- O que É Cinesiologia? reabilitação física.
cíficas da cinesiologia de várias regiões do corpo (Seções II a IV). O Cap. 1 fornece a termi- Este texto de cinesiologia baseia-se, em grande parte, em três
As origens da palavra cinesiologia são do grego kinesis, mover, e
nologia introdutória e os conceitos biomecânicos relacionados com a cinesiologia. ,0 Cap. 2 blocos de conhecimento: anatomia, biomecânica e fisiologia. Ana-
olqgia, estudar. Este livro que trata sobre a cinesiologia do "siste-
apresenta os aspectos anatómicos básicos e funcionais das articulações - articulações tomia é a ciência da forma e estrutura do corpo humano e suas
ma" musculoesquelético e dos fundamentos para a reabilitação
trocóideas para o movimento do corpo. O Cap. 3 revê os aspectos anatómicos básicos e partes. A biomecânica é uma disciplina que usa princípios da fí-
física serve como um guia para a cinesiologia, focalizando as in-
funcionais do músculo esquelético - a fome que produz movimento ativo e estabilização sica para estudar, quantitativamente, como as forças interagem
terações anatómicas e biomecânicas dentro do "sistema" muscu-
das articulações. O Cap. 4 oferece uma discussão mais detalhada e uma análise quantitativa em um corpo vivo. A/isiologia é o estudo biológico dos organis-
loesquelético. A beleza e a complexidade destas interações ins-
de muitos dos princípios biomecânicos introduzidos no Cap. 1. mos vivos. Este livro faz uma revisão ampla da anatomia muscu-
piraram o trabalho de dois grandes artistas: Michelangelo
loesquelétíca com princípios selecionados da biomecânica e da
Buonarroti (1475-1564) e Leonardo da Vinci (1452-1519). O
fisiologia. Esta abordagem permite que as funções cinesiológicas
trabalho deles provavelmente inspirou a criação do texto clássi-
do "sistema" musculoesquelético sejam aprendidas em vez de
co Tabulae Sceletí et Musculorum Corporis Humani, publicado em
simplesmente memorizadas.
1747 pelo anatomista Bernhard Siegfried Albinus (1697-1770).
Uma amostra deste trabalho é apresentada na Fig. 1.1. O restante deste capitulo apresenta conceitos biomecânicos
A primeira intenção deste livro é propiciar aos estudantes e fundamentais e a terminologia relacionada com a cinesiologia.
médicos os/undameníos para a prática da reabilitação física. Uma O glossário no final do capítulo resume muito da terminologia
revisão detalhada da anatomia do "sistema" musculoesquelético, essencial. Uma abordagem mais elaborada e quantitativa da bio-
incluindo sua inovação, é apresentada como base para os aspec- mecânica aplicada a cinesiologia é apresentada no Cap. 4.
tos estruturais e funcionais do movimento e suas aplicações cli-
nicas. As discussões são apresentadas tanto nas condições nor- CINEMÁTICA
mais quanto nas anormais que resultam de doença e trauma. Um
conhecimento sólido de cinesiologia permite o desenvolvimen- A ánemâtica é um ramo da mecânica que descreve o movimento
to de uma avaliação racional, um diagnóstico preciso e um trata- de um corpo, sem considerar as forças ou torques que podem
mento eficiente dos distúrbios musculoesqueléticos. Estas ha- produzir movimento. Na biomecânica, o termo corpo é usado um
4 iniciando Iniciando 5

A rotação, em contrapartida, descreve um movimento no qual


um suposto corpo rigido se move em uma trajetória circular so-
bre um mesmo ponto central. Como resultado, todos os pontos
no corpo giram simultaneamente na direção angular (e.g., no
sentido horário e anti-horário) através da mesma quantidade de
graus.
O movimento do corpo humano, como um todo, é frequen-
temente descrito como uma translação do centro de massa do
corpo, localizado geralmente logo na frente do sacro. Embora o
centro de massa de uma pessoa mude de posição através do es-
paço, é impulsionado pelos músculos que giram os membros. O
fato de o membro girar pode ser percebido, observando-se a tra-

m FIG. 1.2 É mostrado um ponto no topo da cabeça transladando para cima


e para baixo de uma maneira curviimea enquanto se anda. O eixo X
jetória criada pelo fechamento da mão, enquanto flectimos o
cotovelo (Fig. 1.3). (É comum em cinesiologia usar, alternada-
mente, as palavras "rotação de uma articulação" e "rotação de um
mostra a porcentagem da conclusão de uma marcha inteira (ciclo da osso".)
3ES marcha). O ponto central para o movimento angular é chamado de eixo
ES de rotação. O eixo está no ponto em que o movimento de rota-
ção do corpo é zero. Para a maioria dos movimentos do corpo, o

m^ tanto vagamente para descrever todo o corpo, ou quaisquer de


suas partes ou segmentos, tais como ossos ou regiões individu-
eixo de rotação está localizado dentro da estrutura da articula-
ção ou muito próximo desta.
O movimento do corpo, independentemente de translação ou
síSim
mÈm
Sffe
ais. Em geral, há dois tipos de movimentos: translação e rotação.

Translação Comparada com Rotação


rotação, pode ser descrito como ativo ou passivo. Movimentos
ativos são produzidos pelo músculo estimulado. Movimentos pas-
sivos, em contrapartida, são produzidos por outras fontes que não
A translação descreve um movimento linear, no qual todas as músculos, tais como um empurrão de outra pessoa, atração da .

1
partes de um corpo rigido movem-se paralelas e na mesma dire- gravidade, e assim por diante.
As variáveis primárias relacionadas com a cinemática são: >
'«is ção de todas as outras partes do corpo. A translação pode ocor-
rer em linha reta (reíilinea) ou em linha curva (curvilínea). Enquan- posição, velocidade e aceleração. Unidades especificas de medi-
to caminhamos, por exemplo, um ponto na cabeça se move, em ção são necessárias para indicar a quantidade destas variáveis. •
geral, de uma maneira curvilínea (Fig. 1.2). Metros ou pés são usados para translação, e graus ou radianos
são usados para rotação. Na maioria das situações, este livro uti-
liza o Sistema internacional de Unidades, adotado em 1960. A
abreviatura deste sistema é SI, em virtude de Système Internati-
onal, o homónimo francês. Este sistema de unidades é ampla-
mente aceito em muitos periódicos relacionados à cinesiologia e
à reabilitação. As conversões da cinemática entre as unidades mais
comuns do SI e outras unidades de medida estão listadas no
Quadro 1.1.
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Osfeocinemática
PLANOS DE MOVIMENTO;
A osieocmemdtica descreve o movimento, dos ossos em relação aos
três (principais) planos cardinais do corpo: sagital, frontal e ho-

9HÉÍ
• • • • wmÈmt
rizontal. Estes planos deimovimento são representados no con-

íBMBPIB^
FIG. 1.1 Uma ilustração do texto anatómico Tabéae Sceleíi et Musculorum Corporis Humani (1747) por Bemhard Siegfried Albinus. 1 m = 39,37 polegadas 1 pol = 0,0254 m
FIG. 1.3Usando umjlash estroboscópico, uma camera é capaz de captu- 1 centímetro (cm) = 0,39 pol 1 pol = 2,54 cm
rar a rotação do antebraço. Não fosse pelos refreamemos anatómicos do l m = 1,09 jarda ljd = 0,91m
cotovelo, o antebraço poderia, em teoria, girar 360 graus aproximada- 1 quilómetro (km) = 0,62 milha 1 mi = 1,61 km
mente ao redor do eixo de rotação localizado no cotovelo (circulo ver- 1 grau = 0,0174 radiano 1 rad = 57,3 graus
melho).
6 Iniciando iniciando 7

mite movimento em todos os três planos e, consequentemente, FIG. 1.5 A articulação do ombro direito realça três eixos ortogonais de
^ % > ^ PUNBISSMIêk,
possui três eixos de rotação (Fig. 1.5). Embora os três eixos rotação e os planos associados do movimento angular flexão e exten-
—^sr ortogonais sejam descritos como estacionários, na realidade, como são (setas curvadas brancas) que ocorrem sobre um eixo medial-lateral
(ML) de rotação; abdução e adução (selas curvadas vermelhas) ocor-
em todas as articulações, cada eixo muda durante toda a amplitu-
rem sobre um eixo ãntero-posterior (AP) de rotação; e a rotação lateral
de de movimento. O eixo de rotação permanece estacionário ape- e medial (setas curvadas cinzentas) ocorre sobre um eixo vertical de ro-
nas se p membro convexo de uma articulação for uma esfera per- tação. Cada eixo de rotação está em código colorido com seu plano as-
feita, articulando-se com um membro em formato convexo reci- sociado de movimento. As selas retas mostradas paralelas a cada eixo
procamente perfeito. Os membros convexos da maioria das arti- representam a ligeira translação potencial do úmero relativamente â es-
culações, como a cabeça do úmero no ombro, são esferas imper- capula. Esta ilustração mostra os graus angular e translacional de liber-
feitas com superfícies de curvaturas variáveis. A questão de um eixo dade. (Veja o texto para descrições adicionais.)
migratório de rotação é discutida mais adiante, no Cap. 2.

GRAUS DE LIBEF DADE tabelecer o osso que é considerado o segmento de rotação pri-
Graus de liberdade são as quantidades de movimentos indepen- mário. Como na Fig. 1.6, por exemplo, os termos movimento
dentes permitidas em uma articulação. Uma articulação pode ter da tíbia sobre o fémur ou movimento do fémur sobre a tibia
até três graus de liberdade angular, que correspondem às três descrevem adequadamente a osteocinemática.
dimensões do espaço. Como representado na Fig. 1.5, por exem- A maioria dos movimentos de rotina, realizados pelos mem-
plo, o ombro pc ssui três graus de liberdade angular, um para cada bros superiores, envolve cinemática do segmento distai sobre o
plano. O pulso permite dois graus de liberdade, e o cotovelo, proximal. Isto reflete a necessidade de trazer objetos segurados
apenas um. pelas mãos em direção ao corpo ou afastá-los dele. O segmento
proximal de uma articulação no membro superior, normalmen-
A menos que seja especificado de modo diferente no texto, o
te, é estabilizado pelos músculos ou pela gravidade, enquanto o
termo graus de liberdade indica a quantidade de planos de movi-
segmento distai, relativamente livre, gira.
mento angular permitida em uma articulação. A partir de uma
perspectiva estritamente de engenharia, contudo, os graus de li- Alimentar-se ou atirar uma bola são dois exemplos comuns
berdade se aplicam aos movimentos angulares assim como aos de cinemática de segmento distai sobre o proximal empregados
de translação. Todas as articulações sinoviais no corpo possuem pelos membros superiores. Os membros superiores, com certe-
pelo menos alguma translação, guiada ativamente pelo múscu- za, sâo capazes de realizar a cinemática do segmento proximal
FIG. 1.4 Os ties planos cardinais do corpo estão mostrados como em uma lo, ou passivamente devido á frouxidão natural dentro da estru- sobre o distai, como na flexão e extensão dos cotovelos, enquan-
pessoa de pé na posição anatómica. tura da articulação. As translações passivas leves que ocorrem na to se realiza um levantamento.
maioria das articulações são chamadas de movimentos acessórios Os membros inferiores realizam rotineiramente as cinemáti-
e são definidas em três direções lineares. A partir da posição cas dos dois movimentos: distai sobre proximal e proximal so-
texto de uma pessoa ereta na posição anatómica, como na Fig. 1.4. anatómica, as direções correspondem àquelas dos três eixos de bre distai. Estas cinemáticas refletem, em parte, as duas fases pri-
O plano sagital corre paralelo à sutura sagital do crânio, dividin- rotação. Na articulação do ombro relaxado, por exemplo, o úmero márias da caminhada: a/ase da estação, quando o membro está
do o corpo em seções direita e esquerda; o plano frontal corre pode ser passivamente transladado ântero-posteriormente, mé- plantado no solo, sob a carga do peso do corpo, e a/ase da osci-
paralelo ã sutura coronal do crânio, dividindo o corpo em se- dio-lateralmente e súpero-inferiormente (ver Fig. 1.5). Em mui- lação, quando o membro é avançado para a frente. Muitas outras
ções anterior e posterior. O plano horizontal (ou transversal) se- tas articulações,! especialmente no joelho e no tornozelo, a quan- flexão do joelho, na Fig. 1.6. Um termo como, por exemplo, fle- atividades, além da caminhada, usam ambas as estratégias cine-
gue paralelo ao horizonte e divide o corpo em seções superior e tidade de translação é usada clinicamente para testar a integri- xão do joelho, descreve apenas o movimento relativo entre a coxa máticas. Flectir o joelho na preparação para chutaruma bola, por
inferior. O Quadro 1.2 apresenta uma amostra dos termos usa- dade dos ligamentos. e a perna. Não descreve qual dos dois segmentos está, na reali- exemplo, ê um tipo de cinemática do segmento distai sobre o
dos para descrever as diferentes osteocinemáticas. Termos mais dade, girando. Frequentemente, para ser claro, é necessário es- proximal (Fig. 1.6A). Ao descer para a posição de agachamento,
específicos são definidos nos capítulos que descrevem as várias
0STE0CINEMAT1 ;A: UMA QUESTÃO DE PERSPECTIVA
regiões do corpo.
Em geral, as articulações dos dois segmentos do corpo constitu- Flexão do joelho i © Segmento proximal livre
em uma articulE ção. O movimento na articulação pode, portan-
EIXO DE ROTAÇÃO
to, ser considerE do a partir de duas perspectivas. (1) o segmento
Os ossos giram sobre uma articulação em um plano perpendicu- proximal pode girar contra o segmento distai relativamente fixo,
lar ao eixo de rotação. O eixo está tipicamente localizado através e (2) o segmento distai pode girar contra o segmento proximal
do membro convexo da articulação. O ombro, por exemplo, per- relativamente fixo. Essas duas perspectivas são mostradas para a
Segmento proximal fixado Segmento distai livre

FIG. 1.6 O plano sagital osteoci-


Plano Sagital Plano Frontal Plano Horizontal
nemático no joelho mostra um
Flexão e extensão Abdução e adução Rotação lateral e medial exemplo da cinemática do seg-
Dorsiflexão e flexão plantar Flexão lateral Rotação axial mento distai sobre o proximal
Inclinação para a frente e para trás Desvio radial e ulnar i Segmento distai lixado (A) e da cinemática do segmento
Eversão e inversão proximal sobre o distal (B). O
eixo da rotação está mostrado
Muitos dos termos são específicos para uma região particular do corpo. O polegar, por exemplo, usa terminologia diferente. A Perspectiva da libia sobre o fémur Perspectiva do fémur sobre a libia como um circulo no joelho.
8 Iniciando Artrocinemática convexa sobre côncava

por outro lado, é um exemplo de cinemática do segmento pro-


ximal sobre o distal (Fig. 1.6B). Neste último exemplo, coloca-
se uma demanda relativamente grande sobre o músculo
quadriceps femoral para controlar a descida gradual do corpo.
As denominações cadeia cinética aberta e cadeia cinética fe-
chada são frequentemente usadas na literatura da reabilitação
física e clinica para descrever o conceito de cinemática do seg-
mento relativo.4-10 Uma cadeia cinemática refere-se a uma série
de ligações segmentadas articuladas, como a pelve, a coxa, a perna Cápsula articular
e o pé, conectadas ao membro inferior. Os termos "aberto" e "fe-
chado" são comumente usados para indicar se a parte distai de
uma extremidade está fixada ao solo ou a algum outro objeto
imóvel. Uma cadeia cinemática aberta descreve uma situação na
qual o segmento distai de uma cadeia cinética, como o pé no
membro inferior, não está preso à terra ou a outro objeto imóvel.
O segmento distai, consequentemente, é livre para se mover (ver
Fig. 1.6A). Uma cadeia cinemá&afechada descreve uma situação,
na qual o segmento distai da cadeia cinemática está preso ao solo
ou a outro objeto imóvel. Neste caso, o segmento proximal está FIG. 1.7 A articulação umeroulnar no cotovelo é um exemplo de uma
livre para se mover (ver Fig. 1.6B). Estes termos são empregados relação convexa-côncava entre duas faces articulares. A tróclea do úme-
amplamente para descrever métodos de aplicação de resistência ro é convexa e a incisura troclear da uina é côncava.
aos músculos e ligamentos, especialmente no joelho. 2J
Embora a terminologia seja muito conveniente, as denomi-
nações cadeia cinemática aberta e cadeia cinemática fechada são superfície para forças de contato dissipadoras e ajuda a guiar o
muito ambíguas. A partir de uma perspectiva restrita de enge- movimento entre os ossos.
nharia, essas denominações se aplicam mais à interdependência
cinemática de uma série de elos rígidos conectados, o que não é
MOVIMENTOS FUNDAMENTAIS ENTRE AS FACES ARTICULARES
exatamente o mesmo que as definições anteriores discutidas aqui.
A partir desta perspectiva de engenharia, a cadeia é "fechada" se Existem três movimentos fundamentais entre as faces articula-
ambas as extremidades são fixadas a um objeto comum, muito res: rolamento, deslizamento e rotação." Estes movimentos ocor-
semelhante a um circuito fechado. Neste caso, o movimento de rem quando uma face convexa se move sobre uma face côncava
qualquer um dos elos requer um ajuste cinemático de mais de e vice-versa (Fig. 1.8). Embora outros termos sejam usados, es-
um elo na cadeia. "Abrir" a cadeia, desconectando uma extremi- tes são úteis para a visualização dos movimentos relativos que
dade a partir de suafixaçãofixa, interrompe esta interdependência ocorrem dentro de uma articulação. Os termos são definidos
cinemática. Esta terminologia mais precisa não se aplica univer- formalmente no Quadro 1.3.
salmente no âmbito de todas as disciplinas relacionadas com a
saúde e a engenharia. Realizar um agachamento parcial sobre uma movimentos de Rolamento e Deslizamento
perna, por exemplo, é frequentemente referido clinicamente Um modo primário pelo qual um osso gira através do espaço é
como o movimenta de uma cinemática fechada. Pode-se argu- por meio do rolamento de sua face articular contra a face articu-
mentar, contudo, que este é o movimento de uma cadeia lar de um outro osso. O movimento é mostrado para uma su-
cinemática aberta, porque a perna contralateral não está fixada perfície convexa sobre uma côncava na articulação do ombro, na
Fig. 1.9A. A contração do músculo supra-espinal rola a cabeça
ao solo (i.e., o circuito formado pelo corpo todo está aberto). Para
evitar confusão, este texto usa comedidamente as denominações convexa do úmero contra a leve concavidade da cavidade
FIG. 1.8 Três movimentos hindamentais entre faces articulares: rolamento, rotação e deslizamento. A. Artrocinemática convexa sabre côncava; B.
cadeia cinemática aberta e cadeia cinemática fechada, e a prefe- glenoidal. Em essência, o rolamento direciona a via osteocine-
artrocinemática côncava sobre convexa.
rência é para explicitar o estado no qual o segmento (proximal mática do corpo do úmero em abdução.
ou distai) ê considerado fixo ou livre. Uma superfície convexa de rolamento envolve, tipicamente,
um deslizamento concorrente, antagonicamente direcionado. V(foife\|in[^iM
Como mostrado na Fig. 1.9A, o deslizamento da cabeça do úme-
Artrocinemática ro direcionado para baixo compensa a maior pane da migração Movimento Definição Analogia
superior potencial da cabeça do úmero em rolamento. A com- Rolamento* Múltiplos pontos ao longo de uma face articular Um pneu rodando através da extensão do
MORFOLOGIA ARTICULAR TÍPICA
pensação da cinemática de rolamento e deslizamento é análoga rolante fazem contato com múltiplos pontos na pavimento.
A artrocinemática descreve o movimento que ocorre entre as faces a um pneu de carro que fica girando sobre uma lâmina de gelo. outra face articular.
articulares das articulações. Como descrito mais adiante, no Cap. O potencial com relação ao pneu girar para frente sobre uma Deslizamento? Um ponto único em uma face articular faz contato Um pneu estacionário derrapando através da
2, as formas das faces articulares das articulações variam de pla- superfície congelada é compensado por um deslizamento contí- com múltiplos pontos na outra face articular. extensão de um. pavimento gelado.
nas a curvas. A maioria das faces articulares, contudo, são cur- nuo do pneu na direção oposta ã rotação pretendida. Um exem- Rotação Um ponto único em uma face articular gira sobre Um brinquedo rotatório em cima de um ponto no
vas, com uma superfície relativamente convexa e outra relativa- plo patológico clássico de uma superfície convexa, rolando sem um ponto único na outra face articular. assoalho.
mente côncava (Fig. 1.7). A relação convexa-côncava da maioria um deslizamento de compensação, é mostrado na Fig. 1.9B. A "Também denominado balanço.
das articulações melhora sua congruência, aumenta a área de cabeça do úmero se movimenta para cima e colide contra os te- tTambém denominado escorregamento.
10 Iniciando iniciando 11

olsa subacromial , /, Tração do M.


Bolsa subacromial

Traçãodo
M. supra-esplnal

A
FIG. 1.9 Artrocinemática na articulação do ombro durante a abdução. A fossa glenoidal é côncava e a cabeça do úmero é convexa. A, Artrocinemá-
tica rolamento e deslizamento típica de uma face articular convexa, movendo-se sobre uma face articular côncava relativamente estacionária. B,
Consequências de um rolamento sem um deslizamento compensatório suficiente.

eidos delicados situados no espaço subacromial. A migração al- no joelho. A rotação conjunta ajuda a travar, de modo seguro, a FIG. 1.11 A extensão do joelho demonstra uma combinação de rolamento e deslizamento com artrocinemática giratória. O côndilo do fémur é
tera a localização relativa do eixo de rotação, mudando assim a articulação do joelho quando totalmente estendida. convexo e o platô tibial é ligeiramente côncavo. A, Extensão fémur sobre líbia (joelho). B, Extensão Ubia sobre fémur (joelho).
força mecânica dos músculos que cruzam a articulação do om-
bro. Como mostrado na Fig. 1.9A, o rolamento e o deslizamento PREVENDO UM PADRÃO ARTROCINEMÁTICO BASEADO NA
concorrentes maximizam o deslocamento angular do úmero em MORFOLOGIA DA ARTICULAÇÃO deslizamento diferente. Como representado nas Figs. 1.11A do congruência máxima é chamada de posição de ajustamento íntimo
abdução e minimizam a translação auferida entre as faces articu-
Como mencionado anteriormente, a maioria das faces articula- joelho e 1.9A do ombro, durante um movimento convexo sobre côn- da articulação. Nesta posição, a maioria dos ligamentos e partes
lares. Este mecanismo é particularmente importante nas articu-
res dos ossos é convexa ou côncava. Dependendo de qual osso ê cavo, a face convexa rola e desliza em direções opostas. Como des- da cápsula são retesados, fornecendo um elemento de estabili-
lações nas quais a área de superfície articular sobre o membro
movimentado uma face convexa pode girar sobre uma face côn- crito anteriormente, o deslizamento contradirecional compensa a dade natural para a articulação. Movimentos acessórios são mí-
convexo excede aquela do membro côncavo.
cava ou vice-versa (compare a Fig. 1.11A com a 1.11B). Cada tendência à translação inerente ã face convexa de rolamento. Du- nimos na posição de ajustamento intimo da articulação.
cenário apresenta um padrão artrocinemático de rolamento e rante um movimento côncavo-convexo, como representado na Fig. Para muitas articulações nos membros inferiores, a posição de
Holação
1.11B, a face côncava rola e desliza em direções semelhantes. Estes ajustamento íntimo está associada com uma função habitual. No
Um outro modo primário pelo qual um osso gira é por meio da dois princípios são muito úteis para visualizar a artrocinemática joelho, por exemplo, a posição de ajustamento íntimo é a exten-
rotação de sua face articular contra a face articular de outro osso. durante um movimento. Além disso, os princípios servem como são total - uma posição que é tipicamente alcançada quando se
Isto ocorre quando o rádio do antebraço gira contra o capítulo uma base para algumas técnicas de terapia manual. Forças exter- está de pé. O efeito combinado da congruência máxima da arti-
do úmero durante a pronação do antebraço (Fig. 1.10). Outros nas podem ser aplicadas pelo médico que auxilia ou orienta a ar- culação e ligamentos esticados ajuda a promover a estabilidade
exemplos incluem rotação lateral e medial da articulação do trocinemática natural na articulação. Por exemplo, em certas cir- transarticular para o joelho.
ombro abduzida a 90° e a flexão e extensão do quadril A rota- cunstâncias, a abdução do ombro pode ser facilitada pela aplica- Todas as posições, com exceçâo da posição de ajustamento
ção é o mecanismo primário para a rotação da articulação quan- ção de uma força direcionada para baixo, na parte proximal do íntimo da articulação, são chamadas de posições de ajustamento
do o eixo longitudinal do osso longo cruza a face articular de outro úmero, simultaneamente comum esforço de abdução ativo. Con- frouxo da articulação. Nestas posições, os ligamentos e cápsula
osso em ângulo reto. tudo, os princípios da artrocinemática, na realidade, requerem um estão relativamente relaxados, permitindo um aumento nos mo-
Capitulo -
conhecimento da morfologia da face da articulação. vimentos acessórios. A articulação ê geralmente menos congruente
Movimentos que Combinam Rolamento e Deslizamento e
Artrocinemática úa Rotação próximo de sua amplitude média. Nos membros inferiores, as
Fovea - posições de ajustamento frouxo das principais articulações ten-
Diversas articulações por todo o corpo combinam rolamento e
Princípios da Artrocinemática do Movimento dem em direção à flexão. Estas posições geralmente não são usa-
deslizamento com a artrocinemática da rotação. Um exemplo 1. Para um movimento dajace articular convexo sobre côncavo, o das quando se fica de pé, mas são frequentemente preferidas pelo
clássico desta combinação ocorre durante a flexão e a extensão membro convexo rola e desliza em âireções opostas. paciente durante longos períodos de imobilização, como um
do joelho. Como mostrado durante a extensão do fémur sobre a 2. Para um movimento ãaface articular côncavo sobre convexo, o repouso prolongado.
tíbia no joelho (Fig. 1.11A), o fémur gira de leve, medialmente, membro côncavo rola e desliza em direções semelhantes.
quando o seu cõndilo rola e desliza em relação à tíbia fixa. Esta
artrocinemática também é mostrada quando a tíbia se estende
POSIÇÕES DE AJUSTAMENTO INTIMO E AJUSTAMENTO CINÉTICA
em relação ao fémur fixo na Fig. l.HB.Nojoelho.o movimento
de rotação que ocorre com a flexão e a extensão o faz automati- FROUXO EM UMA ARTICULAÇÃO Cinética é um ramo da mecânica que descreve o efeito das forças
camente e está ligado mecanicamente ao movimento primário de Um par de faces articulares dentro das articulações sinoviais "en- sobre o corpo. O tópico da emética é introduzido aqui como se
extensão. Como descrito no Cap. 13, o movimento de rotação FIG. 1.10 A pronação do antebraço mostra um exemplo de um movi- caixa" melhor em apenas uma posição, normalmente no final da aplica ao "sistema" musculoesquelético. Uma explicação mais
obrigatório baseia-se na forma das faces articulares localizadas mento rotatório entre a cabeça do rádio e o capítulo do úmero. amplitude de um movimento ou próximo dela. Esta posição de ampla e detalhada deste assunto é fornecida no Cap. 4.
12 Iniáando Iniciando 13

A partir de urna perspectiva cinesiológica, uma/orça pode ser


considerada como uma "compressão" ou "tração", que pode pro-
-
duzir, reprimir ou modificar o movimento. Portanto, as forças S^—~\
fornecem o impeto final para o movimento e a estabilização do
s'~ ' Li D
corpo. Como descrito pela segunda lei de Newton, a quantidade _ FIG. 1.13 Está mostrada a curva de estres-
de uma força (F) pode ser medida pelo produto da massa (m)
- se-deformação de um ligamento excisa-
que recebeu a compressão ou a tração, multiplicado pela acele- Y/X = rigidez / g!;?!?ipfSl|||Í| /[
do que foi esticado a um ponto de falha
ração (a) da massa. A fórmula F = ma mostra que, dada uma E ' mecânica (ruptura). O ligamento é con-
massa constante, uma força é diretamente proporcional à acele- E " siderado um tecido elástico. A zona A
ração da massa - a medição da força fornece a aceleração e vice- Y Zona plástica
mostra a região não-linear. A zona B (zona
SEM CARGA TENSÃO COMPRESSÃO FLEXÃO
M -
versa. Uma força é zero quando a aceleração da massa é zero e elástica) mostra a relação linear entre es-
X
vice-versa. ai —
LU / tresse e deformação, demonstrando a ri-
Com base no SI, a unidade de força é o Newton (N): 1 N = 1
kg X 1 m/s2. O equivalente inglês ao newton é a libra (lb): 1 lb
8/
Zona elástica
tlSlfillflÉl gidez do tecido. A zona C indica a propri-
edade mecânica da plasticidade. As zonas
D e E demonstram os pontos de falha
= 1 "slug" X 1 pé/s2 (4,448 N = 1 lb). mecânica progressiva do tecido. (Modifi-
A cado com permissão de Neumann DA:
-, A Arthrokinesiologic considerations for the
aged adult. In Guccione AA (ed): Geriatric
i'i" i V 't '\ • i r- i i , . — I I I ! 1 1 1 Physical Therapy, 2nd ed. Chicago,
CISALHAMENTO TORÇÃO CARGA COMBINADA
extensão fisiológica Deformação (%) Mosby-YearBook, 2000.)
FIG. 1.12 Representação da maneira pela qual [orças ou cargas sâo mais
Peso Corporal Comparado com Massa Corporal frequentemente aplicadas ao "sistema" musculoesquelético. A carga
Um quilograma (kg) é uma unidade de massa que indica o combinada de torção e compressão está também ilustrada. (Com per-
missão de Nordin M. Frankel VH: Biomechanics of bones. Basic A zona B, na Fig. 1.13, é frequentemente referida como zona compressão constante causada pelo peso do corpo sobre a colu-
número de partículas dentro de um objeto. Um quilograma não é
Biomechanics of the Musculoskeletal System, Inded. Philadelphia, Lea elástica do gráfico estresse-deformação. A quantidade de estiramen- na vertebral durante o dia literalmente força para fora o líquido
uma unidade de força ou peso. Sob a influência da gravidade,
contudo, uma massa de 1 kg pesa 9,8 N. Este é o resultado da SrFebiger, 1989.) to (deformação) aplicada ao ligamento nesta zona é significativa e dos discos intervertebrals. O líquido é reabsorvido à noite en-
gravidade aluando para acelerar a massa de 1 kg em direção ao provavelmente experimentada durante muitos movimentos natu- quanto a pessoa dorme em uma posição na qual não sustenta
centro da Terra a uma taxa de aproximadamente 9,8 m/s2. Se rais do corpo. Dentro desta zona, o tecido retoma ao seu compri- peso.
uma pessoa pesa 69,450 kg, a gravidade está puxando o centro mento ou forma originais, uma vez que a força de deformação seja A curva de estresse-deformação de um material viscoelástico
de massa da pessoa em direção ao centro da Terra com uma presentadas na Fig. 1.12. A parte proximal do femur enfraqueci-
removida. A área sob a curva (em vermelho) representa a energia é também sensível à taxa de carga do tecido. Em geral, a inclina-
força igual a 69,450 kg (667 N). do por osteoporose, por exemplo, pode fraturar a partir do im-
de deformação elástica. A maioria da energia utilizada para defor- ção de uma relação estresse-deformação quando colocada sob
Contudo, frequentemente, o peso do corpo é expresso em pacto de uma queda, devido a compressão, torção, ásalhamento
mar o tecido é liberada quando a força é removida. Mesmo em um tensão ou compressão aumenta através de toda a sua amplitude
quilogramas. A suposição é que a aceleração devida à gravidade ouflexãa do colo do fémur.
sentido estádco, a energia elástíca pode realizar trabalho útil para elástica à medida que a taxa de carga aumenta.8 A natureza volu-
atuando sobre o corpo é constante e, para propósitos práticos, é A capacidade inerente dos tecidos conectivos de tolerar pe-
ignorada. Tecnicamente, contudo, o peso de uma pessoa varia o corpo. Até mesmo quando submetidos a uma quanridade mo- me-sensibilidade dos tecidos conectivos víscoelãsticos pode pro-
sos pode ser observada experimentalmente, representando-se
inversamente com o quadrado da distância entre a massa da derada de estiramento dentro da zona elástica, os ligamentos e teger as estruturas adjacentes dentro do "sistema" musculoesque-
graficamente a quantidade de força necessária para deformar um
pessoa e o centro da Terra. Uma pessoa no cume do monte outros tecidos conectivos que circundam os músculos realizam lético. A cartilagem articular no joelho, por exemplo, toma-se
tecido extirpado.6 A Fig. 1.13 mostra a tensão gerada por um li-
Everest, a 8.852 m, pesa ligeiramente menos do que uma pessoa funções de estabilização articulares importantes. mais enrijecida à medida que a taxa de compressão aumenta,7
gamento extirpado que foi estirado até o ponto de falência me-
com massa idêntica ao nível do mar.s A aceleração devida à A zona C, na Fig. 1.13, mostra uma propriedade mecânica do como, por exemplo, durante a corrida. O aumento da rigidez
gravidade sobre o monte Everest é de 9,782 m/s2 comparada com cânica. O eixo vertical do gráfico é denominado estresse, um ter-
tecido conectivo esticado, chamada de plasticidade. Neste estira- proporciona maior proteção ao osso subjacente naquele momen-
9,806 m/s2 ao nível do mar.4 mo que indica a resistência interna gerada quando um tecido re-
mento extremo e anormalmente extenso, o tecido gera somente to, quando as forças articulares são maiores.
siste à sua deformação, dividida por sua área de corte transversal.
aumentos marginais na tensão ã medida que continua a se alon-
O eixo horizontal é denominado "deformação", que é a relação
gar. Neste ponto, o ligamento experimenta u m declínio mínimo
entre o comprimento do tecido deformado e seu comprimento FORÇAS INTERNAS E EXTERNAS
e se mantém permanentemente deformado. A área sob a curva
original.8 Um procedimento semelhante pode ser realizado por
(cinza) representa a energia de deformação plástica. Diferente da As principais forças que atuam para mover e estabilizar o "siste-
Forças Musculoesqueléticas meio da compressão, em vez do estiramento, de uma fatia extirpa-
energia de deformação elástica (região B), a energia plástica não ma" musculoesquelético podem ser convenientemente divididas
da de cartilagem ou osso, por exemplo, e depois registrando gra-
IMPACTO DAS FORÇAS SOBRE OS TECIDOS é recuperável na sua totalidade quando a força de deformação é em dois grupos: internas e externas. As/oiças internas são pro-
ficamente a quantidade de estresse dentro do tecido.
MUSCULOESQUELÉTICOS: CONCEITOS INTRODUTÓRIOS E liberada. À medida que o alongamento continua, o ligamento duzidas a partir de estruturas localizadas dentro do corpo. Essas
A Fig. 1.13 mostra cinco zonas (A a E). Na zona A, o liga- atinge seu ponto inicial de declínio, na zona D, e de declínio to- forças podem ser "ativas" ou "passivas". As forças ativas são ge-
TERMINOLOGIA
mento ligeiramente esticado ou alongado produz apenas uma tal, na zona E. radas pelo músculo estimulado, geralmente sob controle volitivo.
As mesmas forças que movem e estabilizam o corpo também têm pequena quantidade de tensão. Esta região não-linear de baixa As forças passivas, em contraste, são tipicamente geradas pela
O gráfico na Fig. 1.13 não indica a variável de tempo. Os te-
o potencial para deformar e machucar o corpo. A maneira pela tensão reflete o fato de que as fibras colágenas dentro do liga- tensão nos tecidos conectivos periarticulares esticados, incluin-
cidos nos quais a curva estresse-deformação muda como uma
qual forças ou cargas são mais frequentemente aplicadas ao "sis- mento precisam ser esticadas antes que uma tensão significati- do os tecidos conectivos intramusculares, ligamentos e cápsulas
função do tempo são considerados víscoelãsticos. A maioria dos
tema" musculoesquelético está ilustrada na Fig. 1.12. (Ver o glos- va seja medida. A zona B mostra a relação linear entre o estresse articulares. As forças ativas produzidas pelos músculos são tipi-
tecidos dentro do "sistema" musculoesquelético demonstra pelo
sário no final deste capítulo para definições.) Tecidos saudáveis e a deformação em um ligamento normal. A relação entre o es-
menos algum grau de viscoelasticidade (Fig. 1.15). Um fenóme- camente as maiores de todas as forças internas.
são capazes de resistir a mudanças na sua forma. A força de ten- tresse e a deformação em um material elástico é uma medida de
no de um material viscoelástico é o deslizamento. Como demons- Asforças externas são tipicamente produzidas pelas forças que
são que estira um ligamento saudável, por exemplo, ê exercida sua rigidez. Todos os tecidos normais dentro do "sistema"
trado pela ramificação na Fig. 1.15, o deslizamento descreve um atuam fora do corpo. Essas forças normalmente se originam da
por uma tensão intrínseca gerada dentro do tecido estirado. musculoesquelético exibem algum grau de rigidez. O termo clí-
esforço progressivo de um material quando exposto a uma carga gravidade, que exerce uma tração sobre a massa de um segmento
Qualquer tecido enfraquecido por doença ou trauma pode não nico "retesamento" normalmente implica uma condição pato-
constante através do tempo. O fenómeno do deslizamento ex- do corpo, ou de uma carga externa, como, por exemplo, aquela
ser capaz de resistir adequadamente à aplicação das cargas re- lógica de rigidez anormalmente alta.
plica por que uma pessoa é mais alta de manhã do que à noite. A da bagagem ou pesos "livres", ou de contatojísico, como aquela
14 Imtianâo Iniciando 15

3. O sentido de cada vetor de força é indicado pela orientação


da ponta da seta. No exemplo mostrado na Fig. 1.16A, a força
interna atua para cima em um sentido Vpositivo; a força externa
atua para baixo em um sentido Y negativo.
Antagonismo Produtivo: A Capacidade do Corpo para Converter pelo músculo B é usada para esticar o músculo A, e o ciclo se
4. O ponto de aplicação dos vetores é onde a base da seta do
Tensão Passiva em Trabalho Útil repete. I
vetor toca a parte do corpo. O ponto de aplicação da força mus-
Essa transferência e armazenagem de energia entre músculos
Como descrito anteriormente, o tecido conectivo produz tensão cular é onde o músculo se fixa ao osso. O ângulo de fixação des-
opostos é útil em termos de eficiência metabólica geral. Esse
quando esticado. Uma vez que a tensão é uma força, ela possui a creve o ângulo formado entre um tendão de um músculo e o
fenómeno é frequentemente expresso de maneiras diferentes pelos
capacidade de realizar trabalho. Em todo o texto, são mostrados
músculos multiárticulares (i. e., músculos que cruzam diversas eixo longo do osso no qual se fixa. Na Fig. 1.16A, o ângulo de
diversos exemplos nos quais a tensão produzida pelos tecidos
conectivos tensionados exerce funções úteis. Esse fenómeno é
articulações). Considere o músculo reto femoral, um músculo que fixação é de 90 graus. O ângulo de fixação muda quando o co-
flecte o quadril e estende o joelho. Durante a fase ascendente do tovelo gira na flexão ou na extensão. O ponto de aplicação da
chamado de antagonismo produtivo e é demonstrado por um par de
pulo, por exemplo, o músculo reto femoral se contrai para estender FIG. 1.15 O galho da árvore está demonstrando uma propriedade depen- força externa depende de a força ser resultado da gravidade ou
músculos no modelo simplificado na Fig. 1.14. Como mostrado no
o joelho. Ao mesmo tempo, o quadril em extensão estica o músculo dente do tempo de arrasto associada com um material viscoelástico. A da resistência aplicada pelo contato físico. A gravidade atua so-
meio, parte da energia produzida pela contração ativa do músculo A
reto femoral athjo através da parte anterior do quadril. Como aplicação de uma carga no galho às 8 da manhã cria uma deformação bre o centro de massa do segmento do corpo (ver Fig. 1.16A,
é transferida e armazenada como energia elástica nos tecidos
consequência, o encurtamento geral do músculo reto femoral é imediata. Ás 6 horas da tarde, a carga causou deformação adicional no ponto no antebraço). O ponto de aplicação de uma resistência
conectivos esticados dentro do músculo B. A energia elástica é
minimizado, maitendo, assim, um baixo de nível de tensão passiva galho. (Com permissão de Panjabi MM, White AA: Biomechanics in the
liberada quando o músculo B se contrai ativamente para cravar um gerada a partir do contato físico pode ocorrer em qualquer par-
útil dentro do musculo. Musculoskeletal System, New York, Churchill Livingstone, 2001.)
prego na madeira (embaixo). Parte da energia contrátil produzida
te do corpo.

aplicada por um terapeuta contra o membro de um paciente. A Fatores Necessários para Descrever Completamente um
Fig. 1.16Á mostra um par oposto de forças internas e externas: Vetor na Maioria das Análises Biomecânicas
uma força interna (músculo), tracionando o antebraço, e uma • Magnitude
força externa (gravitational), tracionando o centro de massa do • Direção (linha de força ou linha de gravidade)
antebraço. Cada força ê caracterizada por uma seta que repre- • Sentido
senta um vetor. Por definição, um veior é uma grandeza comple- • Ponto de aplicação
tamente especificada por sua magnitude e direção. (Grandezas
como massa ou velocidade são escalares, não vetores. Uma gran-
Assim como um empuxo ou uma tração, todas as forças que
deza escalar é aquela completamente especificada por sua mag-
atuam sobre o corpo produzem uma translação potencial do seg-
nitude e não possui direção.)
mento. A direção da translação depende do efeito liquido de to-
Para descrever completamente um vetor em uma análise bio-
das as forças aplicadas. Como na Fig. 1.15A a força muscular é
mecânica, sua magnitude, direção, sentido e ponto de aplicação
três vezes maior do que o peso do antebraço, o efeito líquido das
precisam ser conhecidos. As forças representadas na Fig. 1.16A
duas forças aceleraria o antebraço verticalmente para cima. Na
mostram esses quatro fatores.
realidade, contudo, o antebraço é normalmente impedido de
1. A magnitude de cada vetor de força é indicada pelo compri- acelerar para cima por uma força de reação articular produzida
mento da haste da seta. entre as faces da articulação. Como mostrado na Fig. 1.16B, a
2. A direção dos dois vetores de força é indicada pela orienta- extremidade distai do úmero está empurrando para baixo com
ção espacial da haste das setas. As duas forças são orientadas ver- uma força de reação contra a extremidade proximal do antebra-
ticalmente e referidas, em geral, como direção Y. A direção de uma ço. A magnitude da força de Teação articular ê igual à diferença
força também pode ser descrita pelo ângulo formado entre a haste entre a força muscular e a força externa. Como resultado, a soma
da seta e a linha de referência. Por todo o texto, a direção da força de todas as forças verticais que atuam sobre o antebraço é equi-
muscular e a direção da gravidade são comumente referidas como librada, e a aceleração líquida do antebraço na direção vertical é
sua linha de força e linha de gravidade, respectivamente. zero. O "sistema" está, portanto, em equilíbrio linear estático.

FIG.1.14Ummodelo simplificado mostra um par de


músculos opostos, que circundam uma articulação. A À Força interna B Á Força interna
Os músculos A e B no alto estão mostrados no seu
estado relaxado. No meio, o músculo A (em verme-
i I
lho) está se contraindo para fornecer a força neces-
sária para levantar o martelo na preparação para
golpear o prego. Na vista inferior, o músculo B (em Força da (*k FIG. 1.16 Uma vista do plano sagital da articula-
vermelho) está se contraindo, impulsionando o mar- reação ção do cotovelo e ossos associados. A, As forças
telo contra o prego, enquanto simultaneamente es- articular
interna (músculo) e externa (gravitacional) estão
ticando o músculo A. (Modificado com permissão •\ mostradas agindo ambas verticalmente, mas cada
M'
de Brand PW: Clinical Biomechanics of the Hand,
St. Louis, CV Mosby, 1985.) r'•- _^_^-^^.£_£_^> • uma em um sentido diferente. Os dois vetores
têm, cada um, uma magnitude diferente e dife-
rentes pontos de inserção no antebraço. B, É adi-
cionada uma força de reação articular para im-
pedir a aceleração do antebraço para cima. (Os
Força externa Força externa vetores estão desenhados em escala relativa.)
16 Iniciando Màando 17

Torques Musculoesqueléticos articulação. Este tópico é revisto repetidamente em todo o livro. tipos de ativação: isométrica, concêntrica e excêntrica. A fisiolo- creve uma ativação isométrica ou excêntrica. Tecnicamente, a
Uma força produzida por um músculo que tem um braço de ota dos três tipos de ativação é descrita com maior detalhe no contração de um músculo ocorre apenas durante uma ativação
As forças exercidas sobre o corpo podem ter dois resultados. Pri- Cap. 3 e brevemente resumido em seguida.
momento produz um torque e um potencial para girar a articu- concêntrica.
meiro, como mostrado na Fig. 1.16A, as forças podem movimen- A ativação isométrica ocorre quando um músculo está produ-
lação. Uma força produzida por um músculo que não possui um
tar um segmento do corpo. Segundo, as forças, se atuando longe zindo uma força enquanto mantém um comprimento constan-
braço de momento (i.e., a força muscular passa através do eixo AÇÃO DE UM MÚSCULO EM UMA ARTICULAÇÃO
do eixo de rotação na articulação, produzem uma rotação poten- te. Esse tipo de ativação é aparente pela origem da palavra iso-
de rotação) não produzirá um torque ou uma rotação. Contudo,
cial da articulação. A menor distância entre o eixo de rotação e a métrica (do grego isos, igual; e metron, medida ou comprimen- A ação de um músculo em uma articulação é definida como seu
a força muscular ainda é importante, porque normalmente for-
força é chamada de braço de momento. O produto de uma força e to). Durante uma ativação isométrica, o torque interno produzi- potencial para produzir torque em uma rotação, direção e plano
nece uma fonte de estabilidade para a articulação.
seu braço de momento é um torque ou um momento. O torque do na articulação é igual ao torque externo; por essa razão, não específicos. A denominação real da ação de um músculo é base-
pode ser considerado como um equivalente rotatório de uma for- há encurtamento muscular ou rotação da articulação (Fig. 1.18A). ada em uma nomenclatura estabelecida, como flexão e extensão
TIPOS DE ATIVAÇÃO MUSCULAR
ça. Uma força empurra e puxa um objeto de modo linear, enquanto A ativação concêntrica ocorre quando um músculo produz uma no plano sagital, abdução ou adução no plano frontal, e assim
um torque gira um objeto sobre um eixo de rotação. Um músculo é considerado ativado quando é estimulado pelo força à medida que se contrai (diminui) (Fig. 1.18B). Literalmen- por diante. Os termos "ação muscular" ç "ação articular" são usa-
Torques ocorrem em planos sobre um eixo de rotação. A Fig. sistema nervoso. Um músculo produz uma força por meio de três te, concêntrico significa "em direção ao centro". Durante uma dos de modo alternado em todo o livro, dependendo do contex-
1.17 mostra os torques produzidos dentro do plano sagital pelas ativação concêntrica, o torque interno na articulação excede o to da discussão. Se a ação está associada a uma ativação muscu-
forças internas e externas introduzidas na Fig. 1.16. O torque torque externo em oposição. Isso é refletido pelo fato de que o lar não-isométrica, a osteocinemática resultante pode envolver a
interno é definido como o produto da força interna (músculo) pelo músculo se contraiu e acelerou urna rotação da articulação na cinemática do segmento distai sobre o proximal ou vice-versa,
braço de momento interno. O braço de momento interno (ver Fig. iS'ilO'&If.-uiilto direção do músculo ativado. dependendo da estabilidade relativa dos dois segmentos que
1.17.D) é a distância entre o eixo de rotação e a intersecção per- A ativação excêntrica, em contrapartida, ocorre quando um compreendem a articulação.
pendicular com a força interna. Como mostrado na Fig. 1.17, o músculo produz uma força ativa enquanto está sendo alongado. A cinesiologia permite que se determine a ação de um mús-
0 Torque Faz o Mundo Girar
torque interno tem o potencial para girar o antebraço numa di- A palavra excêntrica significa literalmente "afastado do centro". culo sem confiar puramente na memória. Suponha que o estu-
reção anti-horária ou flexão. Todos nós já experimentamos torques, de uma maneira ou de
Durante uma ativação excêntrica, o torque externo sobre a arti- dante deseje determinar a ação da "parte espinal do músculo del-
outra. Os músculos e a gravidade estão constantemente
O torque externo é definido como o produto da força externa culação excede o torque interno. Nesse caso, a articulação gira tóide" na articulação do ombro. Nessa análise especifica, fazem-
competindo pela dominância de torque sobre o eixo de rotação
(gravidade) pelo braço de momento externo. O braço de momento na direção imposta pelo torque externo relativamente maior, se duas suposições. Primeira, supõe-se que o úmero é o segmen-
nas articulações. A direção da rotação de um osso sobre uma
externa (ver Fig. 1.17.D,) é a distância entre o eixo de rotação e a articulação pode indicar o torque mais dominante. Além do mais, como aquele produzido pelo cabo na Fig. 1.18C. Muitas ativida- to mais livre da articulação e que a escápula está fixa, embora a
interseção perpendicular com a força externa. O torque externo forças de contato manuais aplicadas contra objetos no ambiente des comuns empregam ativações excêntricas do músculo. Colo- suposição contrária também pudesse ter sido feita. Segunda,
tem o potencial para girar o antebraço numa direção no sentido são frequentemente convertidas em torques. Torques são usados car vagarosamente um copo de água na mesa, por exemplo, é supõe-se que o corpo esteja na posição anatómica no momento
horário ou extensão. Ocorre que os torques interno e externo são para desatarraxar a tampa de uma jarra, girar uma chave inglesa, resultado da força da gravidade sobre o antebraço e a água. O da ativação do músculo.
iguais na Fig. 1.17, portanto não acontece rotação na articulação. girar um taco de beisebol e abrir uma porta. No último exemplo, a músculo biceps ativado alonga lentamente para controlar a des- O primeiro passo na análise é determinar os planos de movi-
Esta condição é chamada de equilíbrio rotativo estático. porta é aberta pelo produto do empuxo sobre a maçaneta cida. O músculo triceps, embora considerado como "extensor" mento de rotação (graus de liberdade) permitidos na articulação.
multiplicado pela distância perpendicular entre a maçaneta e a do cotovelo, fica mais provavelmente inativo durante esse pro- Nesse caso, a articulação do ombro permite rotação em todos os
dobradiça. Tentar abrir uma porta empurrando-a a apenas uns cesso especifico.
Iníeração entre Músculo e Articulação três planos (ver Fig: 1.5). A Fig. 1.19A mostra o potencial para o
poucos centimelros da dobradiça é muito difícil, mesmo quando
se aplica uma grande força de empuxo. Em contraste, uma porta O termo "contração" é frequentemente usado como sinoni- músculo "deltóide posterior" girar o úmero no plano frontal. O
A denominação iníeração entre músculo e articulação refere-se ao pode ser aberta com um leve empuxo, fornecido pelo empurrão mo de "ativação", não importando se o músculo, na realidade, eixo de rotação na articulação passa na direção ãntero-posterior
efeito geral que uma força muscular pode exercer sobre uma que é aplicado na maçaneta, que está localizada de propósito está diminuindo, alongando ou permanecendo com um compri- através da cabeça do úmero. Na posição anatómica, a linha de
longe da dobradiça. Um torque é o produto de uma força pelo seu mento constante. O termo "contrair" significa literalmente apro- força da "parte espinal do músculo deltóide" passa inferior ao eixo
braço de momento. Ambas as variáveis são igualmente ximar, consequentemente seu uso pode ser confuso quando des- de rotação. Considerando a escápula estável, a "parte espinal do
influentes.
Força interna (Fl)
Os torques estão envolvidos na maioria das situações
terapêuticas com pacientes, especialmente quando envolvem
Torque interno =Torque externo Três tipos de ativação muscular
exercício físico ou avaliação de força. A "força" de uma pessoa é

0 (í o produto de sua força muscular e, igualmente importante, da


distância entre a linha de força do músculo e o eixo de rotação.
Como explicado mais adiante, no Cap. 4, o comprimento de um
braço de momento do músculo muda constantemente durante
toda a amplitude de movimento. Isso explica parcialmente por
que uma pessoa é naturalmente mais forte em certas partes de
vS uma amplitude de movimento da articulação.
33
Clínicos frequentemente aplicam resistência manual contra
seus pacientes como meio de avaliar, facilitar e desafiar a
atividade de um músculo em particular. A força aplicada contra
Força externa (FE) uma extremidade do paciente é normalmente percebida como um
torque externo pelo "sistema" musculoesquelético do paciente.
FÍG. 1.17 Está mostrado o equilíbrio dos torques externo e interno agin- Um clínico pode desafiar um grupo muscular específico,
do no plano sagital sobre o eixo dejrotação no cotovelo (círculo peque- aplicando um torque externo em vez de uma pequena força
Isométrica Concêntrica Excêntrica
no). O torque interno é o produto da força interna multiplicada pelo braço manual exercida a uma grande distância da articulação, ou uma
do momento interno (D). O torque interno tem o potencial para girar o grande força manual exercida próximo da articulação. Os dois FIG. 1.18 Estão mostrados três úpos de ativação muscular à medida que o músculo peitoral maior tenta ativamente girar medialmente a articulação
antebraço em uma direção anú-horãria. O torque externo é o produto da meios podem produzir o mesmo torque externo contra o do ombro. Em cada uma das três ilustrações, o torque interno é o produto da força muscular (em vermelho) pelo seu braço de momento; o torque
força externa (gravidade) pelo braço do momento externo (D,). O torque paciente. Modificar as variáveis de força e do braço de momento externo é o produto da força no cabo (em cinza) pelo seu braço de momento. Observe que o braço do momento externo, e portanto o torque
externo tem o potencial para girari o antebraço na direção horária. Os externo permite que sejam empregadas diferentes estratégias externo, é diferente em cada ilustração. A, A ativação isométrica é mostrada quando o torque interno iguala-se ao torque externo. B, A ativação
torques externo eintemosão iguais, demonstrando uma condição do equi- baseadas na força e na habilidade do clínico. concêntrica é mostrada quando o torque interno excede o torque externo. C, A ativação excêntrica é mostrada quando o torque externo excede o
líbrio rotatório estático. (Os vetoresfestãodesenhadas em escala relativa.) torque interno. (Os vetores não estão desenhados em escala.)
18 Iniciando Iniciando 19

Plano Frontal Plano Horizontal Plano Sagital converter força em torque. Como mostrado na Fig. 1.21, um
homem de 672 N (cerca de 69,700 kg), sentado a 0,91 m do
ponto de articulação, produz um torque que equilibra um me-
nino pesando metade de seu peso sentado no dobro da distância
do ponto de articulação. Na Fig. 1.21, torques opostos são iguais:

?m PCh X D = PQ, X D,

Como indicado, o menino possui a maior vantagem mecânica


(D,). A vantagem mecânica descreve o comprimento do braço de
momento relativo dominado por uma força especifica.
As forças internas e externas produzem torques por todo o
corpo através de um sistema de alavancas ósseas. As forças mais
importantes envolvidas com as alavancas musculoesqueléticas são
aquelas produzidas por músculo, gravidade e contato físico den-
tro do ambiente. As alavancas são classificadas como de primei-
Vista posterior Vista superior Vista lateral
ra, segunda e terçara ciasses.
FIG. 1.19 As múltiplas ações da parte espinal do M. deltóide estão mostradas.na articulação do ombro. A, Adução no plano frontal. B, Rotação
lateral no plano horizontal. C, Extensão no plano sagital. O braço do momento interno eslã mostrado, estendendo-se do eixo de rotação (ctrculo Alavanca de Primeira Classe. Como representado na Fig.
pequeno através da cabeça do úmero) até uma intersecção perpendicular com a linha de força do músculo. 1.21, a alavanca de primeira classe possui seu eixo de rotação
F1G. 1.20 Vista lateral do par-de-força formado entre dois músculos re- posicionado entre as forças em oposição. Um exemplo de uma
presentativos dos flexores do quadril (reto femoral e iliopsoas) e os
alavanca de primeira classe no corpo são os músculos extenso-
músculos extensores do dorso (eretor da espinha) quando eles se con-
músculo deltóide" giraria o úmero na direção da abdução, com 2. Considera-se antagonista o músculo ou grupo de músculos traem para inclinar a pelve em uma direção anterior. Os braços dos res da cabeça e pescoço, que controlam a postura da cabeça no
uma força igual ao produto da força muscular multiplicado pelo que realiza ação oposta ao de um agonista. Por exemplo, os momentos internos usados pelos músculos estão indicados pelas linhas plano sagital (Fig. 1.22A). Como no exemplo da gangorra, a ca-
seu braço de momento interno. Essa mesma lógica é aplicada a músculos gastrocnêmio e sóleo são considerados os antagonis- pretas escuras. O eixo da rotação corre através de ambas as articulações beça é mantida em equilíbrio quando o produto da força mus-
seguir para determinar a ação do músculo nos planos horizontal tas em relação ao tibial anterior. do quadril. cular (FM) multiplicado pelo braço de momento interno (BMI)
e sagital. Como mostrado na Fig. 1.19B e C, é evidente que o 3. Um par de músculos é considerado sinergisía quando coo-
músculo também é um rotador lateral e extensor da articulação peram durante a execução de um movimento específico. Na re-
do ombro. alidade, os movimentos mais significativos do corpo envolvem
A lógica assim apresentada pode ser usada para determinar a múltiplos músculos que atuam como sinergistas. Considere, por Alavanca de primeira classe
ação de qualquer músculo do corpo, em qualquer articulação. Se exemplo, os músculos flexor ulnar do carpo e flexor radial do
disponível, um modelo de esqueleto articulado e um pedaço de carpo durante a flexão da mão. Os músculos atuam de maneira
barbante que imite a linha de força de um músculo é útil na apli- sinérgica, porque cooperam para flectir a mão. Cada músculo,
cação dessa lógica. Esse exercício é especialmente útil quando se contudo, precisa neutralizar a tendência do outro de movimen-
analisa um músculo cuja ação muda, dependendo da posição da tar a mão lateralmente (desvio radial e ulnar). A paralisia de um
articulação. Esse músculo é a pane espinal do deltóide. A partir dos músculos afeta significativamente a ação global do outro.
da posição anatómica, a "parte espinal do músculo deltóide" é um
Um outro exemplo da sinergia do músculo é descrito como
adutor da articulação do ombro. Contudo, se o braço é erguido
uma força muscular conjugada. Uma/orca muscular conjugada é
(abduzido) completamente acima da cabeça, a linha de força do
formada quando dois ou mais músculos produzem forças simul-
músculo muda para o lado superior do eixo de rotação. Como con-
taneamente em direções lineares diferentes, embora os torques
sequência, a parte espinal do deltóide abduz ativamente o ombro.
atuem na mesma direção de rotação. Uma analogia familiar para
Essa mudança pode ser visualizada com a ajuda da Fig. 1.19A. O
uma força conjugada ocorre entre as duas mãos enquanto gira-
exemplo mostra como um músculo pode ter ações opostas, de-
mos a direção de um carro. O movimento da mão direita ao puxar
pendendo da posição da articulação no momento da arivação do
para baixo e o da mão esquerda ao empurrar para cima, por exem-
músculo. É importante, por essa razão, estabelecer uma posição
plo, gira para a direita o volante de direção. Embora as mãos
de referência para a articulação quando analisar as ações de um
estejam produzindo forças em direções lineares diferentes, pro-
músculo. Uma posição de referência comum é a posição anatómi-
duzem torque no volante em uma direção giratória comum. Os
ca (ver Fig. 1.4). A menos que especificado de outra maneira, as
músculos flexores do quadril e extensores da parte inferior do
ações dos músculos descritas nas Seções II a IV estão baseadas na
lombo, por exemplo, formam uma força conjugada para girar a
suposição de que a articulação está na posição anatómica.
pelve no plano sagital sobre ambas as articulações do quadril (Fig.
1.20).
Terminologia Relacionada com as Ações dos músculos
Os termos seguintes são frequentemente usados quando se des-
Alavancas Musculoesqueléticas
creve as ações dos músculos:
1.0 agonista é o músculo ou grupo de músculos que está mais TRÊS CLASSES DE ALAVANCAS
FIG. 1.21 Uma gangorra é mostrada como uma típica alavanca de primeira classe. O peso do corpo do homem (PQ) é 672 N (aproximadamente
diretamente relacionado com o início e a execução de um movi- Uma alavanca é uma maquina simples que consiste em uma barra 69,750 kg). Ele esta sentado a 0,91 m do ponto do pivô (D). O peso do corpo do menino (PCJ é somente 336 N (aproximadamente 34,800 kg).
mento específico. Por exemplo, o tibial anterior é o agonista para suspensa sobre um ponto de articulação. A gangorra é um exem- Ele está sentado a 1,82 m do ponto do piv6 (D,). A gangorra está equilibrada, uma vez que o torque em direção horária produzido pelo homem
o movimento de dorsiflexão do pé. plo clássico de uma alavanca. Uma das funções da alavanca é ê igual em magnitude ao torque antí-horário, produzido pelo menino: 672 N X 0,91 m = 336 N X 1,82 m.
20 Iniciando Iniciando 21

Alavanca de primeira classe se iguala ao produto do peso da cabeça (PC) multiplicado por que um e, na realidade, pode ser mais apropriado chamar isso de
seu braço de momento externo (BME). Nas alavancas de primei- desvantagem mecânica! Considere, por exemplo, o bíceps bra-
ra classe, as forças internas e externas atuam tipicamente em di- quial no cotovelo, o quadriceps femoral no joelho e o supra-es-
reções lineares semelhantes, embora produzam torques em di- pinal e deltóide no ombro. Cada um desses músculos se fixa ao
reções giratórias opostas. osso relativamente próximo ao eixo de rotação da articulação. As
forças externas que seopõemàação dos músculos normalmente
Dados para a alavanca da primeira classe: Alavanca de Segunda Classe. Uma alavanca de segunda
Força muscular (FM) = desconhecida exercem sua influência, de modo considerável, disíaimente à ar-
classe possui duas características únicas. Primeira, seu eixo de
Peso da cabaça (PC) = 46,7 N (5,250 kg) ticulação, como na mão ou no pé. Considere a demanda de for-
Sraço do momento interno (BMI) = <t,0 crn
rotação está localizado em uma das extremidades de um osso.
ça exigida dos músculos supra-espinal e deltóide para manter o
Braço do momento externo (BME) = 3,2 cm Segunda, o músculo, ou força interna, possui vantagem mecâni-
ombro abduzido a 90 graus, enquanto suporta um peso externo
Vantagem mecânica = 7,25 ca maior do que a força externa. Como ilustrado na Fig. 1.22B,
de 35,6 N (3,7 kg) nas mãos. Para a finalidade desse exemplo,
FM x BMI = PC x BME um grupo de músculos da panturrilha usa uma alavanca de se-
F M . PC x BME suponha que os músculos tenham um braço de momento inter-
gunda classe para produzir o torque necessário para ficar nas
BMI no de 2,5 cm e que o centro de massa do peso externo tenha um
FM = 46,7 N x 3,2 c m pontas dos pés. O eixo de rotação para esta ação é através das
4,0 c m
braço de momento de 50 cm. (Para maior clareza, ignora-se o
articulações metatarsofalãngicas. O braço de momento interno
FM . 37,4 N (3,780 kg) peso do membro.) A VM 1/20 requer que o músculo tenha pro-
usado pelos músculos da panturrilha excede muito o braço de
duzido 711,7 N (± 73,60 kg) de força, ou vinte vezes o peso da
momento interno usado pelo peso do corpo. Alavancas de se-
carga externa! Como principio geral, os músculos esqueléticos
gunda classe são raras no "sistema" musculoesquelético.
produzem forças diversas vezes maiores do que as cargas exter-
Alavanca de Terceira Classe. Como na alavanca de segun- nas que se opõem a elas. Dependendo da forma do músculo e da
da classe, a alavanca de terceira classe possui um eixo de rotação configuração da articulação, uma certa percentagem da força do
localizado em uma das extremidades de um osso. Os músculos músculo produz forças de compressão ou de cisalhamento mai-
Alavanca de segunda classe flexores do antebraço usam uma alavanca de terceira classe para ores nas faces da articulação. Tecidos periarticulares, como car-
produzir o torque de flexão necessário para suportar um haltere tilagem periarticular, corpos adiposos e bolsas devem absorver
(Fig. 1.22Q. Diferentemente da alavanca de segunda classe, o ou dissipar parcialmente essas/orças miogênicas (produzidas pelo
peso externo suportado por uma alavanca de terceira classe sem- músculo). Na ausência de tal proteção, as articulações podem se
pre possui vantagem mecânica maior do que a força muscular. degenerar parcialmente e se tornar doloridas e inflamadas cro-
Dados para a alavanca de segunda classe:
Força muscular (FM) = desconhecida
A alavanca de terceira classe é a alavanca mais comum usada pelo nicamente. Essa apresentação é a marca registrada de osteoartri-
Peso do corpo (PC) = 667 N (67.500 k j ) "sistema" musculoesquelético. te grave.
o do momento interno (BMI) = 12,0 cm
Braço do momento externo (BME) = 3,0 cm
VANTAGEM MECÂNICA Ditando a "Troca" entre Força e Distância
Vantagem mecânica = 4,0
Como anteriormente descrito, a maioria dos músculos são for-,
FM x B M I » PC x BME A vantagem mecânica (VM) de uma alavanca musculoesqueléti- çados a produzir uma força muito maior do que a resistência
FM = PC x BME
BMI
ca é definida como a razão entre o braço de momento interno e aplicada pela carga externa. A princípio, esse modelo pode pare-
FM * 6 6 7 N x 3 , 0 c m o braço de momento externo. Dependendo da localização do eixo cer defeituoso. Contudo, o modelo é absolutamente necessário
12,0 c m
de rotação, a alavanca de primeira classe pode ter uma VM igual, quando se consideram as grandes distâncias e velocidades expe-
FM = 166,8 N (16,750 kg)
menor ou maior do que um. Alavancas de segunda classe sem- rimentadas pelos pontos mais distais das extremidades.
pre têm uma VM maior do que um. Como representado nos
TraMho é o produto da força vezes a distância (ver Cap. 4).
quadros relacionados com a Fig. 1.22A e fl, os sistemas de ala-
Além de converter uma força em um torque, uma alavanca mus-
vancas com urna VM maior do que um são capazes de equilibrar
culoesquelética converte o trabalho de um músculo em contra-
a equação de equilíbrio de torque por meio de uma força (mus-
ção em trabalho de um osso em rotação. A vantagem mecânica
cular) interna que é menor do que a força externa. Alavancas de
de uma alavanca musculoesquelética determina como o traba-
terceira classe sempre têm uma VM menor do que um. Como
lho é convertido - seja através de uma força relativamente gran-
representado na Fig. 1.22C, para equilibrar a equação de equilí-
de sobre uma pequena distância, seja de uma força pequena exer-
Dados para a alavanca de terceira ciasse: brio de torque, o músculo precisa produzir uma força muito maior
cida sobre uma grande distância. Considere a pequena vantagem
Força muscular (FM) = desconhecida do que a força externa de oposição.
Peso externo (PE) = 66,7 H (6,750 kg) mecânica de 1/20 descrita anteriormente para os músculos su-
Braço do momento Interno (BMI) = 5,0 cm pra-espinal e deltóide. Essa vantagem mecânica implica que o
Braço do momento externo (BME) = 35,0 cm
músculo precisa produzir uma força 20 vezes maior do que o peso
Vantagem mecânica =0,143
A Vantagem Mecânica (VM) é igual ao Braço de Momento da carga externa. O que também precisa ser considerado, contu-
FM x BMI = PE x BME Interno/Braço de Momento Externo do, é que os músculos precisam se contrair apenas 5% (1/20) da
FM * PS x BME
• Alavancas de primeira classe podem ter uma VM menor do 1, distância que o centro de massa da carga seria erguido pela ação
BMI
igual a 1 ou maior do que 1.
FM =• 66,7 N x 35,0 c m de abdução. Uma distância de contração muito curta dos mús-
5,0 c m • Alavancas de segunda classe sempre têm uma VM maior do
FM = 467,0 N (47,250 kg) que 1. culos produz um deslocamento angular grande do braço.
• Alavancas de terceira classe sempre têm uma VM menor do Embora todos os pontos no braço em abdução compartilhem
quel. o mesmo deslocamento e velocidade angulares, os pontos mais
FIG. 1.22 São mostrados exemplos anatómicas das alavancas de primeira classe (A), de segunda classe (B) e de terceira classe (C). (Os vetores não distais no braço se movem em uma velocidade e deslocamento
estão desenhados era escala.) Os dados contidos nas caixas da direita mostram como calcular a força muscular necessária para manter o equilíbrio
lineares até mesmo maiores. A capacidade de uma amplitude de
rotatório estático. Observe que a vantagem mecânica está indicada em cada caixa. A ativação muscular é isométrica em cada caso, com nenhum
movimento ocorrendo na articulação. A maioria dos músculos por todo o "sistema" musculoesque- contração menor para gerar velocidades maiores do membro pode
lético funciona com uma vantagem mecânica de muito menos do ter uma vantagem fisiológica importante para o músculo. Como
22 iniciando Iniciando 23

Atrito: resistência ao movimento entre duas superfícies de con- no seu lado côncavo e colocado sob tensão no seu lado con-
^%i!glMj^gfiji^ mM^mmM tato. vexo. Momento de flexão éuma medida quantitativa de uma
Braço de momento externo: distância entre o eixo de rotação e flexão. Semelhante ao torque, o momento de flexão é o pro-
Alterando Cirurgicamente a Vantagem Mecânica de um Músculo: funcionalmente "e mais importante" do que a perda de velocidade e
a intersecção perpendicular com uma força externa. duto da força de curvatura e a distância perpendicular entre a
Lidando com o Intercâmbio distância de movimento. Braço de momento intemo: distância entre o eixo de rotação e a força e o eixo de rotação da curvatura.
intersecção perpendicular com uma força muscular (interna). Força: um empuxo ou uma tração que produz, suspende ou
Um cirurgião pode realizar uma operação de transferência de
Cadeia cinemática: série de ligações segmentadas articuladas, modifica um movimento.
músculo-tendão como um meio de restaurar parcialmente a perda
de torque interno na articulação. Considere, por exemplo, a paralisia
como a pelve, a coxa, a perna e o pé, dos membros inferiores. Força ativa: empuxo ou tração gerados por meio de músculo
completa dos músculos flexores do antebraço após poliomielite. Carga: termo geral que descreve a aplicação de uma força sobre estimulado.
Semelhante paralisia pode ter consequências funcionais profundas, um corpo. Força conjugada: interação de dois ou mais músculos amando
especialmente se ocorrer bilateralmente. Uma tentativa de restaurar Centro de massa: ponto no centro exato da massa de um obje- em direções lineares diferentes, mas produzindo um torque
a flexão do antebraço é redirecionar cirurgicamente o tendão do to (também referido como centro de gravidade quando se na mesma direção de rotação.
músculo triceps braquial totalmente inervado para o lado anterior do considera o peso da massa). Força de gravidade: aceleração potencial de um corpo para o
cotovelo (Fig. 1.23). O músculo triceps braquial, agora passando Cinemática: ramo da mecânica que descreve o movimento de centro da terra devido à gravidade.
anteriormente ao eixo medial-lateral de rotação no cotovelo, torna-
um corpo sem considerar as forças ou torques que podem Força de reação articular: empuxo ou tração produzido pela
se um flexor em vez de um extensor. O comprimento do braço de
momento interno para a ação de flexão pode ser exagerado, se
produzir o movimento. face articular contra outra, geralmente com o propósito de
desejado, aumentando a distância perpendicular entre o tendão Cinemática do segmento distai sobre o proximal: tipo de manter o equilíbrio linear estático de uma articulação e ossos
transferido e o eixo de rotação. Aumentando a vantagem mecânica movimento no qual o segmento distai de uma articulação gira associados.
do músculo, o músculo ativado produz um torque maior por nível em relação ao segmento proximal fixo (também chamada de Força externa: empuxo ou tração produzido por forças locali-
de força muscular. Isso pode ser um resultado benéfico, cadeia cinemática aberta). zadas fora do corpo. Estastipicamenteincluem gravidade e
dependendo das circunstâncias especificas do paciente. Cinemática do segmento proximal sobre o distai: tipo de contato físico contra o corpo.
Existe um intercâmbio mecânico importante sempre que a movimento no qual o segmento proximal de uma articulação Força interna: empuxo ou tração produzido por uma estrutura
vantagem mecânica do músculo é aumentada. Embora um torque gira em relação ao segmento distai fixo (também referido como localizada dentro do corpo. Mais frequentemente, a força in-
maior seja produzido por nível de força muscular, uma dada uma cadeia cinemática fechada). terna refere-se àquela produzida por um músculo ativo.
quantidade de encurtamento do músculo resulta em um
Cinética: ramo da mecânica que descreve o efeito de forças so- Força mecânica: comprimento do braço de momento possuído
deslocamento angular reduzido da articulação. Como resultado,
uma contração muscular completa pode produzir um torque amplo,
bre o corpo. por uma força específica.
entretanto a articulação pode não completar sua amplitude total de Cisalhamento: forças sobre um material que atuam em direções Força passiva: empuxo ou tração gerado por outras fontes que
movimento. Em resumo, a amplitude ativa de movimento "retarda- opostas, mas paralelas (como a ação de uma tesoura). não o músculo estimulado, como tensão nos tecidos
se" à conlração muscular. 0 deslocamento angular reduzido e a Compressão: Aplicação de uma ou mais forças que pressionam conectivos periarúculares esticados, contato físico e assim por
velocidade da articulação podem ter consequências funcionais FiG. 1.23 Uma transferência anterior do M. triceps braquial em segui- um objelo ou objetos simultaneamente. A compressão tende diante.
negativas. Esse intercâmbio mecânico necessita ser considerado da ã paralisia dos núsculos flexores do cotovelo. O tendão do M. tri- a encurtar e a alargar um material. Graus de liberdade: número de movimentos independentes
antes que o braço de momento interno do músculo seja ceps braquial está alongado por um enxerto de faseia. (De Bunnell S: Deformação: relação entre o comprimento do tecido deforma- permitidos na articulação. Uma articulação pode ter até três
cirurgicamente exagerado. Frequentemente, o potencial de torque Restoringflexionto the paralytic elbow. J Bone Joint Surg 33A:5fi6, do e seu comprimento original. graus de translação e três graus de rotação.
maior obtido por meio do aumento do braço de momento 1951.)
Deslizamento: um único ponto em uma face articular contata Linha de força: direção da força de um músculo.
pontos múltiplos em outra face articular. Linha de gravidade: direção do empuxo gravitational sobre um
Deslocamento: mudança na posição linear ou angular de um corpo.
objeto. Massa: quantidade de matéria em um objeto.
explicado no Cap. 3, um músculo produz sua força máxima do se refere especificamente ao potencial de um músculo para Distração: movimento de dois objetos em direções opostas. Movimento ativo: músculo ou grupo de músculos que está mais
apenas dentro de uma amplitude relativamente estreita do seu girar uma articulação). Termos que descrevem a ação mus- Eixo de rotação: uma linha imaginária que se estende através diretamente relacionado com o início e a execução de um
comprimento total. cular são: flexão, extensão, pronação, supinação e assim por de uma articulação em tomo da qual a rotação ocorre (tam- movimento específico.
Em resumo, a maioria dos sistemas musculares e articulares nodiante. bém chamado de ponto de articulação ou centro de rotação). Movimento passivo: movimento produzido por outra fonte que
corpo funciona com uma vantagem mecânica de menos de 1. Os Aceleração: mv. dança na velocidade de um corpo pelo tempo Eixo longitudinal: eixo que se estende dentro e paralelo a um não o músculo ativado.
músculos e as articulações subjacentes devem, consequentemen- expressa em :ermos linear (m/s2) e angular (7s2). osso longo ou segmento do corpo. Movimentos acessórios: movimentos leves, passivos e involun-
te, "pagar o preço" por gerar e dispersar forças relativas grandes,
Ângulo de inserção: ângulo formado entre o tendão de um Elasticidade: propriedade de um material demonstrada por sua tários permitidos na maioria das articulações (também cha-
respectivamente, mesmo para atívidades aparentemente de baixa músculo e o eixo longo do osso no qual ele se insere. capacidade de retornar ao seu comprimento original após mados de "atívidades da articulação").
carga. Obter uma velocidade linear alta da ponta distai das extre-
Antagonismo produtivo: fenómeno no qual uma tensão de ní- remoção de uma força de deformação. Músculo agonista: músculo ou grupo de músculos que está mais
midades é uma necessidade para gerar forças de contato grandes vel relativamente baixo dentro dos tecidos conectivos estica- Equilíbrio de rotação estático: estado de um corpo em repou- diretamente relacionado ao início e à execução de um movi-
contra o ambiente. Essas forças superiores podem ser usadas para dos realiza uma função útil. so no qual a soma de todos os torques ê igual a zero. mento especifico.
acelerar rapidamente objetos segurados pelas mãos, como uma Arrasto: deformação progressiva de um material quando exposto Equilíbrio linear estático: estado de um corpo em repouso no Músculo antagonista: músculo ou grupo de músculos que tem
raquete de ténis, ou simplesmente para acelerar os membros como a uma carga constante por tempo demasiado. qual a soma de todas as forças é igual a zero. a ação oposta a um músculo agonista específico.
uma expressão de arte e atletismo, como a dança. ArtrocinemátiGa: movimentos de rolamento, deslizamento e Escalar: grandeza, como, por exemplo, velocidade e tempera- Osteocinemátjca: movimento dos ossos em relação aos três pla-
rotação que ocorrem entre as faces articulares das articulações. tura, que é completamente especificada por sua magnitude e nos cardinais ou principais.
GLOSSÁRIO Ativação concêntrica: músculo ativado que diminui â medida não possui direção. Peso: força gravitational que atua sobre uma massa.
que produz força. Estresse: força gerada quando um tecido resiste ã deformação, Plasticidade: propriedade de um material demonstrada pela
Absorção de choque: capacidade de dissipar forças. Ativação excêntrica: músculo ativado que está se alongando ã dividida por sua área de corte transversal (também chamado deformação permanente após a remoção de uma força.
Ação muscular: potencial de um músculo para produzir um medida que produz força. de pressão). Posição de ajustamento íntimo: posição única da maioria das
torque interno dentro de um plano especifico de movimento Ativação isomé'rica:músculo ativado que mantém um compri- Flexão: efeito de uma força que deforma um material em ângu- articulações do corpo, nas quais as faces articulares são mais
e direção de rotação (também chamado de ofão articular quan- mento constante à medida que produz uma força. los retos ao seu eixo longo. Um tecido flectido é comprimido congruentes e os ligamentos são tencionados ao máximo.
24 Iniàando

CAPíTULO 2
Posições de ajustamento frouxo: posições da maioria das arti- Velocidade: mudança de posição de um corpo no tempo expres-
culações do corpo, nas quais as faces articulares são menos sa em termos lineares (m/s) e angulares (graus/s).
congruentes e os ligamentos ficam relaxados. Vetor: grandeza, como velocidade ou força, completamente es-
Pressão: força dividida por uma área superficial (também cha- pecificada por sua magnitude e direção.
mada de estresse). Viscoelasticidade: propriedade de um material expressa por uma
Rigidez: relação entre o estresse (força) e a deformação (alonga-
mento) em um material elástico.
mudança na relação estresse/deformação com o tempo. Estrutura Básica e Função das Articulações
Rolamento: pontos múltiplos ao longo de uma face arucular em
rotação fazem contato com pontos múltiplos em outra face
RESUMO
articular. (Também chamado de balanço.) São fornecidos muitos dos princípios biomecãnicos básicos, ter-
Rotação: movimento angular no qual um corpo rigido se move mos e conceitos essenciais usados para transmitir o conteúdo da A. JOSEPH THRELKELD, PT, PHD
em uma via circular ao redor de um ponto de articulação ou matéria de Cinesiologia. Os Caps. 2 e 4 fornecem conhecimen-
um eixo de rotação. tos adicionais sobre os tópicos essenciais da Cinesiologia. Este
Rotação (spin): um único ponto sobre uma face articular gira material, então, solidifica as fundamentos para mais capítulos ba-
sobre um único ponto sobre uma outra face articular (como seados em anatomia, começando com o complexo do ombro, no
o topo de um brinquedo giratório). Cap. 5. R E S U M O DOS T Ó P I C O S
Rotação axial: movimento angular de um objeto em uma dire-
ção perpendicular ao seu eixo longitudinal, frequentemente CLASSIFICAÇÃO E DESCRIÇÃO DAS Simplificandu a Classilicação das Articulações Tecido Conectivo Denso Irregular
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usado para descrever um movimento no plano horizontal.
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de a girar o corpo ou segmento sobre um eixo de rotação. 7. Nordin M, Frankel VH: Basic Biomechanics of the Musculoskeletal Sys-
Torque externo: produto de uma força externa e seu braço de tem, 2nd ed. Philadelphia, Lea & Febiger, 1989. INTRODUÇÃO movimento (Quadro 2.1). n Com base neste esquema existem três
8. Panjabi MM, White AA: Biomechanics in the Musculoskeletal System.
momento externo (também chamado de momento externo). New York, Churchill Livingstone, 2001
tipos de articulação no corpo, definidas como sinartrose,
Torque interno: produto de uma força interna e seu braço de Uma articulação é a junção ou ponto de união entre dois ou mais anfiartrose e diartrose.
9. Rodgers MM, Cavanagh PR; Glossary of biomechanical terms, concepts,
momento interno. and units. Phys Ther 64:1886-1902, 1984. ossos. O movimento do corpo como um todo ocorre principal-
10. Steindler A: Kinesiology of the Human Body: Under Normal and Patho- mente através da rotação dos ossos sobre articulações individu-
Translação: movimento linear, no qual todas as partes de um logical Conditions. Springfield, Charles C Thomas, 1955. SINARTROSE
corpo rígido movem-se paralelas e na mesma direção de to- ais. As articulações também transferem e dissipam forças devi-
11. Williams PL, Bannister LH, Berry M, et ah Gray's Anatomy, 38th ed.
New York, Churchill Livingstone, 1995. das ã gravidade e à ativação muscular por todo o corpo. Uma sinartrose é uma junção entre ossos mantida unida por te-
das as outras partes do corpo.
Artrologia - o estudo da classificação, estrutura e função das cido conectivo denso irregular. Essa junção, relativamente rígi-
Vantagem mecânica: relação do braço de momento interno com
articulações - é um fundamento importante para o estudo geral da, permite pouco ou nenhum movimento. Exemplos de articu-
o braço de momento externo.
da cinesiologia. O envelhecimento, a imobilização de longo pra- lações sinartrodiais são as estruturas do crânio, os dentes engas-
zo, trauma e doença afetam a estrutura e a função fundamental tados na mandíbula e maxilas, a articulação tibiofibular distal e
das articulações. Esses fatores também influenciam significativa- as membranas interósseas do antebraço e da perna. A lâmina
mente a qualidade e a quantidade do movimento humano. epifisária de um osso em crescimento também ê classificada por
Este capitulo realça a função e a estrutura anatómica gerais alguns como uma "articulação" sinartrodial.27 Como a função de
das articulações. Os capitulos contidos nas Seções II a TV revi- uma epiRse é o crescimento esquelético em vez de movimento,
sam a anatomia especifica e a função detalhada das articulações essa classificação não é usada aqui.
individuais em todo o corpo. Essa informação detalhada é um A função de uma sinartrose é manter os ossos juntos e trans-
pré-requisito para a reabilitação real das pessoas com disfunção mitir força de um osso para o outro com o mínimo de movimen-
articular. to articular. Uma articulação sinartrodial permite que as forças
sejam dissipadas através de uma área de contato relativamente
grande, reduzindo, desse modo, a possibilidade de lesão.
CLASSIFICAÇÃO E DESCRIÇÃO DAS
ARTICULAÇÕES ANFIARTROSE

Classificação Baseada na Estrutura Anatómica e no Uma anfiartrose é uma junção entre ossos formada principalmente
por fibrocartilagem e/ou cartilagem hialina. Talvez o exemplo
Potencial de Movimento mais familiar de uma anfiartrose seja a articulação intercorporal
Um método comum para classificar articulações enfoca princi- da coluna vertebral. Essa articulação usa um disco intervertebral
palmente a estrutura anatómica e seu subsequente potencial de e um núcleo pulposo incrustado para propiciar um amortece-
26 Estrutura Básica c Função das Articulações Estrutura Básica e Função dos Articulações 27

te são excluídos do espaço sinovial. As células da membrana si- de superfície sinovial e permitem movimento articular total sem
novial também produzem e acrescentam hialuronato e glicopro- tensão inadequada sobre o revestimento sinovial. Se essas pre-
Material Articular Movimento Possível Função Primária Exemplos teínas lubrificantes (i.e., lubricina) ao liquido articular.26 gas são muito extensas ou tomam-se espessadas ou aderentes
A camada externa ou fibrosa da cápsula articular da articula- devido a inflamação, podem produzir dor e mecânica alterada
Sinartrose Tecido conectivo denso Desprezível Liga ossos dentro de uma Suturas do crânio
irregular unidade funcional; ção sinovial é composta de tecido conectivo denso irregular. A da articulação.3-4-15
Dentes engastados nos
dispersa forças através alvéolos da maxila e da cápsula articular fornece suporte entre os ossos e retenção dos
dos ossos articulados mandíbula conteúdos da articulação. Certas regiões da cápsula fibrosa são
Membrana interõssea do
Classificação das Articulações Sinoviais Baseada
mais espessas para resistir ou controlar movimentos específicos.
antebraço e da perna As regiões mais grossas de tecido conectivo representam os (5) na Analogia Mecânica
Articulação tibiofibular
distai
ligamentos capsulares. Exemplos de ligamentos capsulares eviden- Até aqui, as articulações foram classificadas em três amplas cate-
tes são os ligamentos glenoumerais anteriores e o ligamento co- gorias de acordo com a'estrutura anatómica e o potencial de
Anfiartrose Cartilagem hialina c Mínimo a moderado Fornece uma combinação Disco intervertebral
fibrocartilagem lateral tibial do joelho. A cápsula articular é irrigada por peque-
movimento subsequente: sinartrose, anfiartrose e diartrose. Como
de movimento (dentro das articulações
relanyamente reprimido intercorporais da coluna nos (6) vasos sanguíneos com leitos capilares que penetram até a um conhecimento profundo das articulações sinoviais é vital para
e absorção de choque vertebral) junção da cápsula fibrosa com a membrana sinovial. Os (7) ner- uma compreensão da mecânica do movimento, elas ainda são
Sinfise xifostemal vos sensitivos também fornecem ã cápsula fibrosa receptores apro- classificadas aqui usando-se uma analogia com objetos ou for-
Sínfise púbica priados para dor e propriocepção.
Sínfise manubrioestemal mas mecânicas familiares (Quadro 2.2).
Para acomodar o amplo espectro de formas de articulações e Um gíngíimo é análogo a uma dobradiça de porta, formado por
Diartrose (articulação Espaço articular Extenso Fornece os pontos Articulação do ombro demandas funcionais, outros elementos podem, algumas vezes, um pino central circundado por um cilindro côncavo maior (Fig.
sinovial) verdadeiro preenchido primários de pivô para o Articulação do joelho
com fluido sinovial e movimento do aparelho aparecer nas articulações sinoviais (ver Fig. 2.1). Os discos inlra-
2.2A). O movimento angular na articulação em dobradiça
Articulação interfalãngica
circundado por uma musculoesquelético Articulação dos processos articulares ou meniscos são coxins de fibrocartilagem fixos entre (gíngíimo) ocorre principalmente em um plano localizado em
cápsula articulares da coluna as faces articulares das articulações sinoviais. Essas estruturas ângulo reto com a dobradiça, ou eixo de rotação. A articulação
vertebral aumentam a congruência articular e melhoram a dissipação da umeroulnar é um exemplo claro de uma articulação em dobra-
força. Encontram-se os discos intra-articulares e os meniscos em diça (gíngíimo) (Fig. 2.2B). Como em todas as articulações
diversas articulações do corpo (ver boxe). Os meniscos são oca- sinoviais, a translação leve (i.e., deslizamento) é permitida em
sionalmente encontrados nas articulações dos processos articu- complemento à rotação. Embora a semelhança mecânica seja
dor elástico resistente que absorve e dissipa as forças entre as Articulações diartrodiais, ou sinoviais, são articulações espe- lares da coluna vertebral, mas sua função, constância e frequên- menos completa, as articulações interfalângicas dos dedos tam-
vértebras adjacentes. Outros exemplos de articulações anfiartro- cializadas em movimento e sempre apresentam sete elementos cia permanecem discutíveis.'•8~*J0 bém são classificadas como gínglimos.
diais são a sínfise púbica e a articulação manubrioestemal. Essas (Fig. 2.1). A cavidade articular é preenchida com (1) líquido si- Uma articulação trocóidea é formada por um pino central cir-
articulações permitem movimentos relativamente limitados. Tam- novial. Isso propicia nutrição e lubrificação para (2) a cartilagem cundado por um cilindro maior. Diferente de um gíngíimo, o
bém transmitem e dissipam as forças entre os ossos. articular que recobre as extremidades dos ossos. A articulação é Discos Intra-articulares (Meniscos) São Encontrados cm membro móvel de uma articulação trocóidea está paralelo ao eixo
envolvida por uma cortina periférica de tecido conectivo que Diversas Articulações Sinoviais do Corpo de rotação. Essa orientação mecânica produz o movimento an-
forma (3) a cápsula articular. A capsula articular é composta de • Do joelho (tibiofemoral) gular primário de rotação, semelhante à rotação da maçaneta em
D1ARTR0SE: A ARTICULAÇÃO SINOVIAL
duas camadas histologicamente distintas. A camada interna con- • Radiulnar distai torno de um eixo central (Fig. 2.3A). Dois exemplos excelentes
Uma diartrose é uma articulação que tem uma cavidade articular siste em (4) uma membrana sinovial fina, que mede, em média, • Estemoclavicular
de articulações trocóideas são as articulações radiulnar proximal,
preenchida com liquido entre as partes ósseas. Devido ã presen- de três a dez camadas de células de espessura. A membrana alua • Acromioclavicular
• Temporomandibular mostrada na Fig. 2.3B e a adantoaxial, entre o dente da segunda
ça de uma membrana sinovial, as articulações diartrodiais são como uma barreira para os capilares adjacentes, permitindo so- vértebra cervical e o arco anterior da primeira vértebra cervical.
mais frequentemente chamadas de articulações sinoviais. As arti- mente o b'quido e solutos de plasma sanguíneo no líquido sino-
Uma articulação elipsôidea possui um elemento com uma face
culações sinoviais são a maioria das articulações das extremida- vial de uma ar iculação normal. As células sanguíneas e as pro-
Duas grandes articulações sinoviais do corpo possuem um alongada convexa em uma dimensão que se encaixa em uma face
des superior e inferior. teínas grandes como, por exemplo, os anticorpos, normalmen-
lábio periférico de fibrocartilagem. O lábio se estende das mar- igualmente alongada côncava no segundo elemento (Fig. 2.4A).
gens ósseas tanto da cavidade glenoidal do ombro quanto do As faces elípticas encaixadas restringem rigorosamente a rotação
acetábulo do quadril. Essas estruturas especializadas aprofundam entre as duas faces, mas permitem movimento em dois planos,
Elementos SEMPRE associados com Vaso sanguíneo a parte côncava dessas articulações, suportam e espessam a fixa- normalmente definidos como flexão-extensão e abdução-adução.
articulações diartrodiais (sinoviais). ção da cápsula articular. Corpos adiposos são de tamanhos varia- A articulação radiocarpal é um exemplo de uma articulação
• Fluido sinovial Ligamento - dos e posicionados na substância da cápsula articular, interpos- elipsôidea (Fig. 2AS). A "esfera" achatada do membro convexo
• Cartilagem articular
Nervo
• Cápsula articular tos entre a cápsula fibrosa e a membrana sinovial. Os corpos da articulação (i.e., ossos carpais) não pode girar dentro da vala
Cápsula fibrosa—/
• Membrana sinovial Músculo adiposos são mais proeminentes nas articulações do cotovelo e alongada (i.e., parte radial do rádio) sem deslocamento.
• Ligamentos capsulares do joelho. Esses corpos espessam a cápsula articular, fazendo com Uma articulação esjerôiáea possui uma face convexa esférica
• Vasos sanguíneos Membrana sinovial - é B S L f |u|(j 0 sinodal
• Nervos sensitivos que a face interna da cápsula ocupe os espaços sinoviais não-ar- que forma par com um soquete côncavo (Fig. 2.5A). Essa articu-
Elementos ÀS VEZES associados com
articulações diartrodiais (sinoviais).
• Discos ou meniscos Intra-articulares
Coxim gorduroso -
P Menisco
ticulados (te., os recessos) formados pelos contornos ósseos in- lação proporciona movimento em três planos. Diferente da arti-
congruentes. Nesse sentido, os corpos adiposos reduzem o vo- culação elipsôidea, a simetria das curvas das duas faces encaixa-
Cartilagem articular— - K lume de líquido sinovial necessário para o funcionamento ade- das da articulação esferóidea permite rotação sem deslocamen-
• Lábio periférico
• Coxins gordurosos quado da articulação. Se esses corpos adiposos se tomam aumen- to. As articulações esferóideas no corpo incluem as articulações
• Pregas sinoviais tados ou inflamados, podem alterar a mecânica da articulação.
Bolsa do ombro e do quadril.
Pregas sinoviais (i.e., redundâncias sinoviais ou fímbrias Uma articulação plana é um par de faces planas ou relativa-
sinoviais) são dobras sobrepostas frouxas de tecido composto de mente planas. Os movimentos combinam deslizamento e algu-
camadas internas da cápsula articular. Essas pregas ocorrem ma rotação de um elemento em relação ao outro - muito seme-
normalmente em articulações com grandes áreas de superfície lhante a um livro deslizando sobre o tampo de uma mesa (Fig.
FIG. 2.1 Elementos associados a uma articulação sinovial típica. As pregas sinoviais não estão desenhadas. capsular, como o joelho e o cotovelo. As pregas aumentam a área 2.6A). Como mostrado na Fig. 2.6B, a maioria das articulações
28 Estrutura Básica c Função das Articulações Estrutura Básica e Função das Articulações 29

Movimentos Angulares Primários Analogia Mecânica Exemplos Anatómicos


Glnglimo Somente flexão e extensão Dobradiça de porta Articulação umeroulnar
Articulação interfalângica
Articulação trocóidea Giro de um membro em volta de um Maçaneta da porta Articulação radiuinar proximal Rádio
único eixo de rotação Articulação atlantoaxial
Articulação elipsóidea Movimento biplanar (flexão e Par elipsóideo convexo Articulação radiocarpal
extensão e abdução e adução) achatado com uma concha
Escafóide
Articulação esferóidea Movimento triplànar (flexão e Face convexa esférica Articulação do ombro
extensão, abdução e adução, e emparelhada com uma Articulação do quadril
rotação medial e lateral) concha côncava
Articulação plana Os movimentos típicos incluem um Faces relativamente chatas Articulações intercarpais
deslizamento (translação) ou um justapostas umas às outras, Articulações intertarsais FIG. 2.4 Uma articulação elipsóidea (A) é mostrada como
deslizamento-rotação combinados como um livro sobre uma mesa análoga ã articulação radiocarpal (do pulso) (B). Os dois
Articulação selar Movimento biplanar; uma rotação Cada membro tem uma face eixos da rotação estão mostrados pelos pinos cruzados.
Articulação carpometacarpal do
entre os ossos é possível, mas pode curvada reciprocamente polegar
ser limitada pela natureza engatada côncava e convexa orientada Articulação esternoclavicular
da articulação em ângulos retos uma para a
outra, como um cavaleiro e
uma sela
Articulação bicondilar Movimento biplanar; tanto Rexão e Face na maior parte esférica Articulação metacarpofalãngica
extensão e abdução e adução, convexa que é aumentada em Articulação do joelho
quanto flexão e extensão e rotação uma dimensão como um nó
axial (rotação medial e lateral) dos dedos; emparelhada com
: uma concha côncava rasa

FIG. 2.5 Uma articulação esferóidea (A)


está desenhada como análoga à articu-
lação do quadril (B). Os três eixos da
rotação estão representados pelos três
pinos cruzados.

FIG. 2.2 Uma dobradiça (gínglimo) (A) é ilustrada como


análoga à articulação do ombro (B). O eixo da rotação
(i.e., ponto de pivô) é representado pelo pino.

B i

Metacarpals

Ulna F1G. 2.6 Uma "articulação" plana é forma-


Ligamento anular linclnado
da por oposição de duas faces achatadas
(A). O livro movendo-se no topo da mesa
FIG. 2.3 Uma arriculação trocóidea (em pivô) (A) é mostrada como aná- está desenhado como análogo ao desliza-
loga à articulação radiuinar proximal (B). O eixo de rotação está repre- mento e giro combinados na quarta e na
sentado pelo pino. quinta articulações carpometacarpals (B).
30 Estrutura Básica c Função das Articulações Estrutura Básico c Função das Articulações 31

A Côncava

Fêmur Tíbia

Primeiro metacarpal FIG. 2.7Uma articulação selar (A) está ilustrada como
análoga ã articulação carpometacarpal do polegar (B).
A sela em A representa o osso trapézio. O "cavalei-
M
b' 90° a'
ro", se presente, representaria a base do metacarpal
Convexa do polegar. Os dois eixos da rotação estão mostrados F1G. 2.9 Duas Formas básicas de faces articulares. A, Ajacc ovóide repre-
emB. senta uma característica de muitas articulações sinoviais do corpo (por Tíbia •
exemplo, articulação do quadril, articulação radiocarpal, articulação do
joelho, aniculação metacarpofalãngica). O diagrama mostra somente o
membro convexo da articulação. Um membro côncavo, reciprocamen-
te formado, completaria um par de superficies ovóides articulantes. B,
A superfície selar é o segundo tipo básico de face articular, tendo uma
intercarpais são consideradas articulações planas. As forças in- pio, têm formas semelhantes, mas diferem consideravelmente na face convexa e uma face côncava. A face articular emparelhada da outra
ternas que produzem ou restringem o movimento entre os ossos magnitude relativa de movimento e função geral. As articulações metade da articulação deveria ser girada de modo que uma face cônca-
carpais são produzidas pela tensão nos músculos e ligamentos. sempre apresentam variações sutis que tomam as simples des- va esrivesse acasalada com uma face convexa do parceiro.
Cada elemento de uma articulação selar possui duas faces: uma crições mecânicas menos aplicáveis. Um bom exemplo da dife-
face é côncava e a outra, convexa. Essas faces são orientadas em rença entre a classificação mecânica e a função real é observada
ângulos aproximadamente retos entre si e são reciprocamente Fémur
nas suaves ondulações que caracterizam as articulações Uma articulação selar foi descrita anteriormente. Cada membro
curvadas. A forma de uma articulação selar é melhor visualizada intercarpais e intertarsais. Essas articulações produzem movimen- apresenta faces curvas pares em direções opostas e mutuamente
usando-se a analogia da sela e do cavaleiro (Fig. 2.7A). Da frentetos em multiplanos variados que não condizem com sua classifi- orientadas em ângulos de aproximadamente 90 graus. Essa classi-
para trás, a sela apresenta uma face côncava que vai do arção da cação mecânica "planar" simples. Para evitar essa dificuldade, um ficação simplificada permite a generalização dos padrões artroti-
sela até a parte traseira. De um lado ao outro, a sela é convexa, esquema de classificação simplificado reconhece somente duas nemáticos de movimento como rolamento, deslizamento ou rota-
indo de um estribo ao outro por cima do lombo do cavalo. O ca- formas articulares: as articulações "ovóide" e selar (Fig. 2.9). Es- ção (ver Cap. 1). Essa generalização é usada em todo o texto.
valeiro também está duplamente curvado, apresentando curvas sencialmente, todas as articulações sinoviais, com a notável ex-
convexa e côncava para complementar o formato da sela. A arti- ceção das articulações planas, podem ser categorizadas sob esse
culação carpometacarpal do polegar é o exemplo mais claro de esquema. EIXO DE ROTAÇÃO
uma articulação selar (Fig. 2.7B). A natureza interligada recipro- Uma articulação "ovóide" possui faces de encaixe pares que não
ca dessa articulação permite amplo movimento em dois planos, Na analogia da dobradiça de porta (ver Fig. 2.2A), o eixo de ro-
são totalmente esféricas, ou ovóides, com partes adjacentes que
tação (i.e., o pino dentro da dobradiça) éjixo, porque permane-
mas rotação limitada entre o trapézio e o primeiro metacarpal. possuem uma curvatura de superfície variável. Em cada caso, a
ce estacionário durante a rotação da porta. Com o eixo de rota-
• ftlWP;
Uma articulação bicondilar é muito semelhante a uma articu- face articular de um osso é convexa e a outra, côncava.
ção fixo, todos os pontos na porta suportam curvas iguais de
lação esferõidea, com exceção da parte côncava da articulação,
rotação. Nas articulações anatómicas, entretanto, o eixo de rota-
que é muito rasa (Fig. 2.8A). As articulações bicondilares nor-
ção raramente, senão nunca, é fixo durante a rotação óssea. Des-
malmente permitem dois graus de liberdade. Os ligamentos ou FIG. 2.1 D Um método simplificado para determinar o eixo instantâneo
cobrir a posição exata do eixo de rotação nas articulações anató-
incongruências ósseas restringem o terceiro grau. As articulações da rotação para 90 graus de flexão do joelho (A). Com o uso dos raios
micas, portanto, não é tão óbvio. Um método simplificado de
bicondilares frequentemente ocorrem em pares, como as articu- X, dois pontos (a e b) são identificados no platô tibial. Com a posição
determinar a posição do eixo de rotação nas articulações anató- do fémur segurado estacionário, os mesmos dois pontos são identifica-
lações do joelho (Fig. 2.8B) e as articulações temporomandibu-
micas é mostrado na Fig. 2.10A. A interseção de duas linhas dos seguindo 90 graus de flexão (a' e b'). Em seguida, duas linhas per-
lar e adantoccipital (i.e., os cõndilos occipitais com a primeira
perpendiculares traçadas de a-a' e b-b' define o eixo instantâneo pendiculares são desenhadas a partir de a-a' e b-b'. O ponto da inter-
vértebra cervical). A articulação metacarpofalãngica do dedo tam-
de rotação para o arco de 90 graus de flexão do joelho. O termo secção destas duas linhas perpendiculares identifica o eixo instantâneo
bém é um exemplo de uma articulação bicondilar. A raiz do ter-
instantâneo indica que a localização do eixo confirma apenas o da rotação do arco de 90 graus do movimento. Este mesmo método pode
mo, "condito", significa, na realidade, "nó dos dedos". ser repetido para muitos arcos menores do movimento, produzindo vá-
arco especifico do movimento. Quanto menor a amplitude an-
A cinemática das articulações bicondilares varia com base na gular usada para calcular o eixo instantâneo, mais precisa a esti- rios eixos de rotação ligeiramente diferentes (B). O caminho dos eixos
estrutura da articulação. No joelho, por exemplo, os cOndilos mativa. Se é feita uma série de linhas para uma sequência de ar- "migrantes" é denominado evoluta. No joelho, a média do eixo da rota-
femorais se ajustam dentro da concavidade superficial formada ção está orientada na direção medial-lateral, atravessando o epicõndilo
cos angulares menores de movimento, a localização dos eixos
pelo platô da tíbia. Essa articulação permite flexão-extensâo e lateral do fémur.
instantâneos pode ser representada graficamente para cada par-
rotação axial. Contudo, abdução e adução são limitadas, princi- te dentro do arco de movimento (Fig. 2.10B). O trajeto das loca-
palmente, pelos ligamentos. lizações seriais dos eixos instantâneos ê chamado de evoluta. O
eulação. Essas estimativas são necessárias na realização da
trajeto da evoluta é mais longo e mais complexo quando as faces
gemiometria, medição de torque sobre uma articulação, ou na
articulares de encaixe sâo menos congruentes ou têm mudanças
Simplificando a Classificação das Articulações maiores nos raios de curvaturas, como, por exemplo, no joelho.
construção de uma prótese ou órtese. Uma série de medições de
Sinouiais: Articulações Trocóidea e Selar raios X é necessária para identificar com exatidão o eixo instan-
Quanto menores os arcos individuais usados para o cálculo,
HG. 2.8 Uma articulação bicondilarestá mostrada (A) representando uma tâneo de rotação de uma articulação (ver Fig. 2.10A). Esse mé-
Frequentemente é difícil classificar as articulações sinoviais com menos precisa é a evoluta resultante.
analogia ã ardieulação do joelho (B). Os dois eixos da rotação estão todo não é prático em situações clínicas comuns. Presume-se,
base apenas na analogia mecânica. A articulação metacarpofalãn- mostrados peli pinos. O movimento do joelho no plano frontal é blo- Em muitas situações clinicas práticas é necessário fazer esti- ao contrário, que um eixo médio de rotação ocorra durante todo
gica (bicondilar) e a articulação do ombro (esferõidea), por exem- queado pela te ;ão no ligamentocolateral mativas simples de localização do eixo de rotação de uma arti- o arco do movimento. Localiza-se esse eixo pelo ponto de refe-
32 Estrutura Básica e Função das Articulações Estrutura Básica e Função das Articulações 33

rência anatómico que coincide com o membro convexo da articu- proporcionam uma estrutura entrelaçada flexível para manuten- ra de suporte adjacente, como ossos ou faixas densas de fibras. Comparado com os ligamentos, os músculos são mais lentos para
lação. ção da forma geral e da consistência de estruturas mais comple- A interação entre as fibras restringentes e as glicosaminoglicanas fornecer força devido à demora eletromecânica necessária para
xas, como a cartilagem hialina. O colágeno tipo II fornece ainda dilatadas propicia uma estrutura túrgida que resiste à compres- formação da força ativa. As forças musculares têm um alinhamen-
resistência ao tecido no qual existe. são, muito semelhante a um balão ou um colchão cheios de água. to inferior ao ideal para restringir movimentos articulares inde-
MATERIAIS BIOLÓGICOS QUE FORMAM TECIDOS Além do colágeno, os tecidos conectivos no interior das arti- Um exemplo de tal material estruturalmente dinâmico é a carti- sejáveis e frequentemente não podem fornecer uma força
CONECTIVOS NO INTERIOR DAS ARTICULAÇÕES culações têm quantidades variadas de jibros de elastina. Essas fi- lagem articular. Esse tecido importante fornece uma cobertura restringente ótima.
A composição, proporção e disposição dos materiais biológicos bras são compostas de uma malha entrelaçada de pequenas fi- superficial ideal para as articulações e é capaz de dissipar os
que compõem o tecido conectivo no interior das articulações brilas de elastina que resistem às forças elásticas (estiramento), milhões de forças repetitivas que têm impacto sobre as articula-
Cartilagem Articular
influenciam francamente seu desempenho mecânico. Os mate- mas têm mais a "oferecer" quando alongadas. Após a deforma- ções durante a vida.
riais fundamentais que formam os tecidos conectivos de uma ção, os tecidos com uma alta proporção de elastina retomam A cartilagem articular é um tipo de cartilagem hialina especializada
articulação sãofibras,substãntiafundamental e células. Esses ma- prontamente ã sua forma original. Essa propriedade é útil nas Células
que forma a superfície de sustentação de peso das articulações.
teriais biológicos são misturados em proporções variadas com estruturas que sofrem deformação significativa, como a cartila- A cartilagem articular que recobre as extremidades dos ossos da
base nas demandas mecânicas da articulação. gem da orelha, ou em certos ligamentos espinais que ajudam a As células no interior dos tecidos conectivos das articulações são articulação tem uma espessura que varia de 1 a 4 mm nas áreas
voltar o osso ã sua posição original após o movimento. responsáveis pela manutenção e reparo. Em contraste com as de baixa compressão de força e de 5 a 7 mm nas áreas de alta
células do músculo esquelético, essas células não conferem pro- compressão. " s O tecido é avascular e aneural. Ao contrário da
priedades mecânicas importantes ao tecido. Componentes dani- cartilagem hialina regular, a cartilagem articular não tem peri-
Materiais Biológicos que Formara os Tecidos Conectivos no Substância Fundamental
Interior das Articulações ficados ou velhos são removidos e novos componentes são pro- cõndrio. Isso permite que as faces em oposição da cartilagem
1. Fibras Fibras colágenas e de elastina estão engastadas no interior de uma duzidos e remodelados. As células dos tecidos conectivos das formem superficies de sustentação de peso ideais. Semelhante ao
.;..„: Colágenas (tipos lell) / . •. matriz, saturada com água, conhecida como substância fundamen- arúculações são geralmente dispersas e espalhadas entre os fila- periósteo do osso, o pericõndrio é uma camada de tecido conec-
•;:;..> Elastina \::\:; tal. A substância fundamental dos tecidos das articulações é com- mentos de fibras, ou engastadas profundamente nas regiões de tivo que recobre a maior parte da cartilagem. Contém vasos san-
2.; Substancia fundamentals posta de glicosaminoglicanas (GAGs), dgua e solutos. As glicosami- alto conteúdo de glicosaminoglicanas. Essa escassez de células guíneos e um suprimento disponível de células primitivas que
Glicosaminoglicanas: ;^:^; noglicanas são "aminoaçúcares" altamente ramificados e carre- em conjunto com suprimento sanguíneo limitado frequentemente mantêm e reparam o tecido subjacente. Isso é uma vantagem
• Água gados negativamente, fortemente ligados com água. Estrutural- resulta na cicatrização deficiente ou incompleta dos tecidos da- indisponível na cartilagem articular.
Solutos
mente, as glicosaminoglicanas assemelham-se a escovas longas nificados ou lesados da articulação. Condrócitos de formas diversas localizam-se na substância fun-
3. Células '•,••'• ';:.'';.-v
para limpar garrafas que são acentuadamente hidrofílicas devi- damental de diferentes camadas ou zonas de cartilagem articular
do ã sua carga negativa (Fig. 2.11). A água fornece um meio li- (Fig. 2.13A). Essas células são banhadas e nutridas pelos nutrien-
quido para difusão de nutrientes no interior do tecido. Além
TIPOS DE TECIDOS CONECTIVOS QUE FORMAM A
tes presentes no líquido sinovial. A nutrição é facilitada pela ação
Fibras ESTRUTURA DAS ARTICULAÇÕES
disso, a água favorece as propriedades mecânicas do tecido. A de "ordenha" de deformação da face articular durante a carga in-
Diversos típos de fibras colágenas e elásticas ocorrem nas articula- tendência das glicosaminoglicanas para absorver e manter água Quatro tipos de tecidos conectivos predominam nas articulações: termitente da articulação. Os condrócitos são circundados predo-
ções. As/ibros colágenas são compostas de subunidades diminutas faz com que o tecido inche. O inchaço ê limitado pelas fibras minantemente pelas fibras colágenas tipo II. Como mostrado na
tecido conectivo denso irregular, cartilagem articular, fibrocartilagem
(fibrilas) envolvidas em uma estrutura em forma de espiral, muito colágenas engastadas ou de elastina ancoradas em uma estrutu- e osso. Os detalhes anatómicos e funcionais dos quatro tipos de Fig. 2.13B, as fibras estão organizadas para formar uma rede
semelhante a feixes curtos. Esses feixes são colocados juntos em tecidos conectivos estão listados no Quadro 2.3. O quadro tam- restringente ou "arcabouço" que acrescenta estabilidade estrutu-.
uma estrutura filiforme, várias das quais são trançadas em espiral, bém inclui correlações clinicas associadas com cada tecido. ral ao tecido. As fibras mais profundas, situadas na zona calcifica-
formando uma corda. Foram descritos doze tipos de fibras colá- da, estão firmemente ancoradas nos ossos subcondrais. Essas fi-
genas,2' mas dois tipos formam a maioria das fibras colágenas nas bras estão ligadas às fibras orientadas verticalmente na zona pro-
articulações normais - tipos I e II. Asfibrascolágenas tipo í são fi- Tecido Conectivo Denso Irregular funda adjacente, que por sua vez estão ligadas às fibras orientadas
bras enrugadas e espessas que são reunidas em feixes e se alon- Tecido conectivo denso irregular é encontrado na camada externa obliquamente da zona média e, finalmente, estão ligadas às fibras
gam muito pouco quando submetidas a tensão. Sendo relativamen- fibrosa da cápsula articular, nos ligamentos, nas faseia e nos ten- orientadas transversalmente da zona tangencial superficial. As sé-
te inflexíveis, as fibras colágenas tipo I são ideais para amarrar e dões. Estruturalmente, esse tecido conectivo possui uma alta ries de fibras interligadas quimicamente formam uma estrutura
sustentar as articulações entre os ossos. O colágeno tipo I é, por- proporção de fibras colágenas tipo I que são dispostas em feixes fibrosa reticular que aprisiona as grandes moléculas de glicosami-
tanto, a proteína primária encontrada nos ligamentos, faseias e e alinhadas para resistirem aos estresses naturais exercidos so- noglicanas abaixo da face articular. As glicosaminoglicanas, por sua
cápsulas articulares fibrosas. Esse tipo de colágeno também forma bre o tecido. Os feixes de tecido conectivo funcionam mais efe- vez, atraem água que fornece um elemento único de rigidez para
os feixes fibrosos paralelos que compõem os tendões - as estrutu- LMONÕMERO LIGADO tivamente quando são esticados paralelos ao seu eixo longo. Após a cartilagem articular. A rigidez aumenta a capacidade da cartila-
ras que transmitem a força do musculo para o osso. o relaxamento inicial ser esticado firmemente, os ligamentos e a gem de resistir adequadamente ao peso.
cápsula articular proporcionam tensão imediata que restringem A cartilagem articular distribui e dissipa as forças compressi-
movimento indesejado entre as partes ósseas associadas. vas para o osso subcondral. Também reduz o atrito entre as fa-
Dois Tipos Predominantes de Fibras Colágenas nas A cápsula articular fibrosa e os ligamentos resistem a forças ces articulares. O coeficiente de atrito entre duas faces recober-
Articulações Normais . . multidirecionais. Para conseguir isso, os feixes de fibras no inte- tas pela cartilagem articular e banhadas com líquido sinovial é
.-•• Tipo í:fibrasenrugadas e espessas que se alongam muito rior do tecido conectivo são dispostos em diversas direções do- extremamente baixo, variando, por exemplo, de 0,005 a 0,02 no
pouco quandoi esticadas; compõem ligamentos, tendões, vr minantes, diferente do alinhamento paralelo do feixe de fibras joelho humano. Isto é 5 a 20 vezes mais baixo e mais escorrega-
:'•;• faseias e cápsulas fibrosas. AGREGADOS NA REDE COLAGENA
colágenas encontrado em um tendão (Fig. 2.12)." 0 As glicosa- dio do que gelo sobre gelo, que possui um coeficiente de 0,1."
• Tipo íí: mais delgadas e mais flexíveis do que as Fibras tipo I; :
FIG. 2.11 Desenho esquemático da organização molecular da cartilagem. minoglicanas e o conteúdo de fibras de elastina normalmente são O impacto das atividades normais que sustentam peso, conse-
proporcionam uma estrutura entrelaçadaflexívelpara . Uma molécula de giicosaminoglicana (GAG) ê formada por um fio cen- baixos no tecido conectivo irregular. quentemente, é reduzido a um estresse que pode tipicamente ser
manutenção cia forma e da consistência das estruturas, como a
tral de ácido hialurõnico ao qual estão presos monômeros proteoglica-
cartilagem hialina. nos, formando uma configuração de escova de limpar garrafas. A molé- Quando trauma ou doença produzem frouxidão no ligamen- absorvido sem danificar o sistema esquelético.
cula de GAG está mostrada entrelaçando-se com as fibrilas colágenas. A to ou nas cápsulas, os músculos assumem uma função mais do- A ausência de um pericõndrio na cartilagem articular tem a
água preenche a maior pane do espaço no interior da matriz. (De Nordin minante na limitação dos movimentos articulares. Mesmo que consequência negativa da eliminação de uma fonte disponível de
Asfibrascolágenas tipo II são mais delgadas do que as do tipo M, Frankel VH: Basic Biomechanics of the Musculoskeletal System, 2nd os músculos que envolvem uma articulação com ligamentos frou- células fibroelásticas pericondrais primitivas usadas para repa-
I e possuem resistência elástica ligeiramente menor. Essas fibras ed. Philadelphia, Williams & Wilkins, 1989.) xos sejam resistentes, há perda da estabilidade da articulação. ro. Embora a cartilagem articular seja capaz de manutenção e
34 Estrutura Básica c Função das Articulações Estrutura Báska e Função das Arikuíaçõcs 35

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1
Substância
Fundamental
Localização (GAGs + Água Especialização Correlação
Anatómica Fibras + Solutos) Células Mecânica Clínica

Tecido Compõe a lâmina Alio conteúdo de Baixo conteúdo Células Ligamento: une os A ruptura do complexo
conectivo fibrosa externa da fibra colãgena de substância esparsamente : ossos e restringe ligamento colateral
denso capsula articular tipol fundamental localizadas os movimentos lateral do tornozelo
irregular Forma ligamentos. A maioria dos altamente indesejados nas pode levar à
faseia e tendões tecidos tem empacotadas articulações; instabilidade
baixo conteúdo entre fiaras resiste a tensão medial-lateral LIGAMENTO
de fibras erri várias direções da articulação
FIG.2.12]Representação diagramãtica da organização fibrosa dos tendões e ligamentos. A, Os feixes de colágeno em um tendão estão apertadamente
colágenas Tendão: prende o talocrural.
Fibras paralelas músculo no osso empacotados e arranjados paralelos u m ao outro. O arranjo permite ao tendão transmitir forças tênseis unidirecionaís de um músculo sem ter que
estão arranjadas encurtar a folga entre os feixes. As células que mantêm este tecido conectivo (fibrõeitos) são poucas em número e achatadas entre as fibras colá-
em feixes genas. B, Um íigamenío tem feixes colágenos que são menos paralelos um ao outro- Isto permite ao ligamento aceitar Torças tênseis de várias dire-
orientados ções diferentes enquanto mantém os dois ossos juntos. Os Feixes podem ser organizados paralelamente às linhas mais comuns de tensão. Os fibrócítos
em varias
do ligamento não estão mostrados neste desenho, mas são poucos em número e achatados.
direções
Cartilagem Recobre as Alto conteúdo de Alto conteúdo de Número Ttoderado Resiste e distribui Durante o estagio
articular extremidades dos fibra colãgena substância das células; forças inicial da osteoarmie.
ossos articulantes Tipo 11; as fibras fundamental achatadas perto compressivas as GAGs são reabastecimento normais de sua matriz, o d a n o significativo à sos d e colágeno ú p o 1 passam e m muitas direções com u m a q u a n -
nas articulações ajudam a da face articular e (carga articular) liberadas das
smovtats ancorar a arredondadas nas e forças de profundidades do cartilagem articular adulta é m u i t a s vezes deficientemente repa- tidade m o d e r a d a d e glicosaminoglicanas. C o m o mostrado na Fig.
cartilagem ao camadas mais cisalhamento tecido, reduzindo rado, ou n ã o é reparado d e m o d o algum. 2.14, condrócitos a r r e d o n d a d o s residem nas lacunas q u e estão
ossosubcondra! profundas da (deslizamento a capacidade de engastadas e m u m a rede d e colágeno denso.
e restringem a canilag da superfície); distribuição de
coeficiente de Torça; o osso Á fibrocarlilagem forma m u i t o da substância d o s discos i n -
substância
atrito muito adjacente se espessa
Fibrocarlilagem
fundamemaí. tervertebrals, d o lábio e d o s discos localizados na sínfise púbica
baixo para absorver a força C o m o o n o m e sugere, a fíbrocartiíagem possui u m c o n t e ú d o fi- e outras articulações d a s extremidades ( p o r exemplo, o s menis-
aumentada,
frequentemente broso m u i t o maior d o q u e outros tipos d e cartilagem. O tecido cos d o j o e l h o ) . Essas estruturas ajudam a s u p o r t a r e estabilizar
causando a formação compartilha funcionalmente propriedades tanto d o tecido conec- as articulações, assim c o m o dissipar as forças de compressão.
dos osteófitos
tivo denso irregular q u a n t o da cartilagem articular. Feixes d e n - C o m o m o s t r a d o n a Fig. 2.14A, os meniscos d o j o e l h o dissipam
(esporões ósseos).
Fibrocarlilagem Compõe os discos Feixes Conteúdo moderado Número noderado de Fornece algum A ruptura do disco
intervertebrals e multidirecionais de substância células q^ue sao suporte e intervertebral
o disco dentro da de colágeno fundamental circulares e estabilização para pode deixar - Face articular -
sínfise púbica tipo i residen em as articulações; a escapar o núcleo
Forma os discos lacunas celulares principal função pulposo central
intra-articulares (herniação) e -ZTS-
é fornecer
(meniscos) das pressionar um (10%-20%)
"absorção de
articulações do choque"ao nervo espinal
joelho, resistir e ou uma raiz nervosa. - Zona média •
estemoclavicular, distribuir forças (40%-B0%)
acromioclavicular, compressivas e de
e radiulnar dista! cisalhamento
Forma o lábio da
cavidade — Zona profunda—
glenoidal e do (30%-40%)
acetábulo
-Zona calcificada -
Forma as alavancas Arranjos Conteúdo baixo de Número moderado Resiste a A osteoporose da
internas do especializados GAG das cêli .las deformação; a coluna vertebral
aparelho de colágeno achatadas resistência mais produz uma perda Zona subcondral
mu5cufoesquelêtico tipo 1 para embebidas entre fone é aplicada das trabéculas ósseas
formar lamelas as camadas do contra forças e do conteúdo
Condrócito "Marca da maré" Osso esponjoso "Marca da maré"
e osteons e colágeno; muitas compressivas mineral no corpo
fornecer um células devidas ao peso vertebral da coluna; FIG. 2.13 Dois diagramas esquemáticos da cartilagem articular hialina. A, A organização das células (condrócitos) é mostrada localizada atravessan-
arcabouço para progenitoras do corpo e ã pode resultar em
os sais minerais encontradas nas força muscular fraturas do corpo do a substância fundamental da cartilagem articular. Os condrócitos achatados próximo da face anicular estão dentro da zona tangencial superficial
duros (e.g., camadas fibrosas Fornece uma vertebral durante o (ZTS) e estão orientados paralelos à face articular. A ZTS compreende aproximadamente 10% a 20% da espessura da canilagem articular. As
cristais do externa JÊperiosteal) alavanca rígida caminhar ou mesmo células na zona média são mais redondas e íicam cada vez mais arranjadas em colunas na zona profunda. Uma região de canilagem calcificada (zona
cálcio) e interna para transmitir calcificada) liga a zona profunda com o osso subcondral subjacente. A margem da zona calcificada que confina com a zona profunda é conhecida
(endost ai) força muscular
como a marca da maré e forma uma barreira para a difusão entre a cartilagem articular e o osso subjacente. Nutrientes e gases precisam passar do
para mover e
estabilizar o corpo fluido sinovial através de todas as camadas da cartilagem anicular para nutrir os condrócitos, incluindo as células na base da zona profunda. O
processo de difusão é auxiliado pela compressão intermitente (ação de "ordenha") da cartilagem articular. B, A organização das fibras colágenas na
cartilagem articular é mostrada neste diagrama. Na zona tangencial superficial, o colágeno está orientado paralelo ã face articular, formando uma
granulação fibrosa que ajuda a resistir à abrasão da face articular. As fibras tornam-se menos tangenciais e mais obliquamente orientadas na zona
média, ficando, finalmente, quase perpendiculares ã face articular na zona profunda. As fibras mais profundas estão ancoradas na zona calcificada
para ajudar a amarrar a cartilagem ao osso subcondral subjacente.
36 Estrutura Básica e Função das Articulares Estmíura Bdsica e função das Articulações 37

COMPRESSÃO bólicos na fibrocartiiagem das articulações anfiartrodiais são cortical compacto espesso (Fig. 2.15). As extremidades dos os- s e m dúvida, a m e l h o r capacidade d e remodelação, reparo e re-
auxiliadas pela ação de "ordenha" de sustentação intermitente de sos longos, entretanto, estão recobertas c o m u m a fina lâmina de generação.
peso.' 3 Esse princípio é facilmente perceptive! nos discos inter- osso compacto q u e recobre u m a rede entrelaçada d e osso espon- O osso d e m o n s t r a sua maior resistência q u a n d o c o m p r i m i -
vertebrals adultos que não são suficientemente nutridos quando joso. Ossos d o esqueleto axial adulto, c o m o o corpo vertebral, d o longitudinalmente ao eixo longo d e seu corpo, o q u e é com-
a coluna vertebral é mantida em posturas fixas por longos perí- possuem u m a camada externa d e osso cortical q u e é preenchida parável a carregar u m a palha ao longo d e seu eixo longo. As ex-
odos. Sem nutrição adequada, os discos podem se degenerar com u m núcleo d e sustentação d e osso esponjoso. tremidades dos ossos longos recebem forças compressoras m u i -
parcialmente e perder parte de sua função protetora. A s u b u n i d a d e estrutural d e osso cortical ê o osteon o u sistema tidirecionais p o r meio das superfícies d a cartilagem articular q u e
Um suprimento sanguíneo direto penetra na margem exter- de Havers, q u e organiza as fibras colãgenas, p r e d o m i n a n t e m e n t e s u p o r t a m peso. O s estresses são distribuídos para o osso s u b -
na das estruturas fibrocartilaginosas onde elas se fixam aos liga- do tipo I, e m u m a série única d e espirais concêntricas q u e for- condral subjacente e depois para a rede d e osso esponjoso, q u e
mentos (e.g., a coluna vertebral) ou às cápsulas articulares (e.g., m a m as lamelas (Fig. 2 . 1 6 ) . A matriz d o osso contém cristais d e p o r sua vez atua c o m o u m a série d e suportes para redirecionar
o joelho). Nas articulações adultas, pode ocorrer algum reparo fosfato d e cálcio q u e p e r m i t e m ao osso aceitar cargas compressi- as forças para o eixo longo d o osso cortical do c o r p o d o osso.
das fibrocartilagens danificadas próximo da periferia vasculari- vas extraordinárias. As células d o osso ficam confinadas e m la- Esse arranjo e s t r u t u r a l redireciona as forças para absorção e
zada, como, por exemplo, o terço externo dos meniscos do joe- cunas (i.e., espaços) estreitas posicionadas entre as lamelas d o transmissão, tirando vantagem d o d e s e n h o arquitetõnico único
lho e as lamelas mais externas dos discos intervertebrals. As re- osteon. C o m o o osso deforma m u i t o p o u c o , os vasos sanguíneos do osso.
Menisco (cortado)
giões mais internas das estruturas de fibrocartiiagem, muito se- p o d e m passar para sua substância a partir das camadas perioste-
melhantes à cartilagem articular, demonstram um restabeleci- al externa e endosteal interna. O s vasos p o d e m , então, alterar o
mento deficiente ou insignificante devido ã ausência de uma fonte curso e seguir ao lorígo d o eixo longo d o osso e m u m túnel n o
EFEITOS DO ENVELHECIMENTO
disponível de células fibroblásticas indiferenciadas.'3-21-13 centro dos canais d e Havers. O tecido conectivo d o periósteo e O envelhecimento está associado com as mudanças histológicas
do endõsteo é ricamente vascularizado e inervado c o m recepto- no tecido conectivo que, por sua vez, podem produzir mudan-
res sensitivos para pressão e dor.
Osso ças mecânicas no funcionamento da articulação. A velocidade e
O osso é u m tecido m u i t o dinâmico. A remodelação constan- o processo pelos quais o tecido envelhece são altamente indivi-
Fibra colágena O osso fornece suporte rígido para o corpo e equipa seus múscu- te ocorre e m resposta às forças aplicadas através da atividade Tí- duais e podem ser modificados, positiva ou negativamente, pe-
los com um sistema de alavancas. O córtex externo dos ossos sica e e m resposta às influências h o r m o n a i s q u e regulam o equi- los tipos e frequência das atividades e por meio de inúmeros fa-
Condrõcitos longos do esqueleto adulto possui um corpo composto de osso líbrio d o cálcio sistémico. A remoção de osso e m larga escala é tores médicos e nutricionais.2 Em um sentido mais amplo, o
realizada pelos osteoclastos - células especializadas q u e se origi- envelhecimento é acompanhado por uma diminuição do padrão
n a m da m e d u l a óssea. Fibroblastos primitivos para o reparo d o da fibra e pela substituição e reparo das glicosaminoglicanas.2-"
1 osso originam-se d o periósteo, d o endósteo e a partir d o s teci- Os efeitos do microtrauma podem se acumular com o tempo para
1 «•„•'-"•' ,-v '.i ?i•'%:-' ?. -i
dos perivasculares q u e estão entrelaçados e m todos os canais d o produzir dano subclínico que pode evoluir para uma insuficiên-
Estrutura microscópica de
fibrocartiiagem
FIG. 2.14 Organização histológica da nbrocartilagem. A, Este é um cone
ál osso. Dos tecidos envolvidos c o m as articulações, o osso possui, cia estrutural ou uma mudança mensurável nas propriedades

transversal de um pedaço cuneiforme comprido de fibrocartiiagem (i.e.,


menisco) tirado do joelho. O menisco dissipa parcialmente a força de
BP^
ÍÍÍÍIHÍ'*"^',;'?
' • r y j , , 'H8i
Lamelas circunferenciais
compressão, espalhando-se em uma direçãoradialindicada pelas setas. externas
B, Ilustração esquemática de um corte microscópico do meio da amos- ?y.'. ,. r
tra do menisco fibrocartilagmeo. .'••••.:-^ -1 .i ', '//''- í--V.-\ i j l l l l l l i
Lamelas
intersticiais
Í^M&v-A/-- S~\}
I

as forças de compressão espalhando-as radialmente. As fibras tfí*r^Va{S;v^Í&r '. :i


••.'•V-1*';i->' Mi
colãgenas densas entrelaçadas também permitem ao tecido re-
sistir às forças de tensão e cisalhamento em planos múltiplos. A ••",?-'-'••'&,!•
fibrocartiiagem é, portanto, um absorvedor de choque ideal nas
regiões do corpo que estão sujeitas a altas forças multidirecio-
nais. Essa função é mais bem constatada nos meniscos do joelho jjVi.' •, h w&

e nos discos intervertebrals da coluna vertebral. ^^jycSJKLjfllSl^i^.T^'-^^


O pericõndrio que envolve a fibrocartiiagem é muito pouco
7
organizado e contém pequenos vasos sanguíneos localizados )
somente próximo da margem periférica do tecido. A fibrocarti-
iagem é amplamente aneural e, portanto, não produz dor ou ^^í-t^S&Sj - '. .'" "•• /r*fg£íiP
participa na propriocepção, embora uns poucos receptores neu- í :'- ••k—|||§
rais possam ser encontrados na periferia, na qual a fibrocartiia- ^JÉf#ÍM& ".£"- "'" BR
gem entra em contato com um ligamento ou cápsula articular. Endósteo
FÍG. 2.15 Um cone transversa! mostrando a arquitetura interna da por- Canais de
A alimentação da fibrocartiiagem adulta é amplamente depen- Havers
ção proximal do fémur. Observe as áreas mais grossas de osso compac-
dente da difusão de nutrientes através do liquido sinovial pre-
to em volta da diáfise e o osso esponjoso como treliça ocupando a mai- FIG. 2.16 Organização histológica do osso cortical.
sente nas articulações sinqviais. Nas articulações anfiartrodiais,
or parte da região medular. (De Neumann DA: An Arthritis Home Stu- (De Fawcett DW: A Textbook oí Histology, 12ih ed.
como, por exemplo, o disco intervertebral adulto, os nutrientes dy Course: The Synovial Joint: Anatomy, Function, and Dysfunction. New York. Chapman & Hall, Redesenhado de
se difundem através do líquido contido no osso trabecular adja- The Orthopedic Section of the American Physical Therapy Association, Benninghoff A: Lehrbuch der Anatomie des Mens-
cente. A difusão dos nutrientes e a remoção dos resíduos meta- La Crosse, Wl, 1998.) chen, Berlin, Urban and Schwarzenberg, 1994.)
.38 Estrutura Básica c Função das Articulações f Estrutura Básica c Função âas Articulações 39

• mecânicas. Um exemplo clinico desse fenómeno é a deteriora- depois da conclusão de um extenso programa de exercício pós- O trauma crónico é frequentemente classificado como um tipo A instabilidade recorrente pode produzir condições de carga
ção, relacionada à idade, dos ligamentos e da cápsula associada imobilização, os ligamentos continuam a ter menor resistência ã de "síndrome de uso excessivo" e reflete um acúmulo de dano anormal sobre os tecidos da articulação, causando sua insufici-
da articulação do ombro. O suporte estrutural reduzido forneci- tensão do que os ligamentos que nunca foram submetidos a relativamente menor não reparado. Cápsulas articulares e liga- ência mecânica. As superfícies da cartilagem articular e da fibro-
do por esses tecidos pode, por fim, culminar em tendinite ou imobilização.'"" Outros tecidos como osso e cartilagem também mentos cronicamente danificados perdem gradualmente suas cartilagem podem se tomar fragmentadas com uma perda con-
dilacerações nos músculos do manguito rotador." apresentam uma perda de massa, volume e resistência após a funções limitantes, embora a instabilidade da articulação possa corrente de ghcosaminoglicanas e subsequente diminuição da
O envelhecimento também inEuencia a resiliência mecânica imobilização.1'1 M Os resultados de estudos experimentais conclu- ser mascarada por um substituto muscular limitador. Nesse caso, resistência às forças de compressão e cisalhamento. Os estágios
das glicosaminoglicanas no interior do tecido conectivo. As em que os tecidos perdem resistência rapidamente em resposta as forças da articulação podem ser aumentadas devido a uma iniciais de degeneração frequentemente mostram uma superfície
moléculas de glicosaminoglicana produzidas pelo envelhecimen- ã redução da c rrga. A recuperação completa da resistência após "proteção" muscular exagerada da articulação. A instabilidade da cartilagem articular enrugada ou "fibrilada" (Fig. 2.17). Uma
to das células são muito poucas em número e de tamanho redu- a restauração c a carga é muito mais lenta e frequentemente in- toma-se claramente óbvia somente quando a articulação é exigi- região fibrilada da cartilagem articular pode desenvolver, posteri-
zido em comparação com aquelas produzidas pelas células jo- completa. da subitamente ou forçada por um movimento extremo. ormente, rachaduras, ou fendas, que se estendem da superfície até
vens.11 ' Essa mudança nas glicosaminoglicanas resulta na dimi- A imobilização de uma articulação por um período extenso as camadas médias ou profundas do tecido. Essas mudanças po-
nuição da capacidade de ligação hídrica, o que reduz a hidrata- ê, frequentemente, necessária para promover o restabelecimen- dem reduzir a qualidade da absorção de choque do tecido.
ção dos tecidos conectivos. Quanto menos hidratado o tecido for, to após uma lesão como a fratura de um osso. É necessário o Dois estados patológicos que comumente produzem disfun-
menor a resistência â compressão. Os tecidos conectivos mais julgamento clínico para equilibrar os potenciais efeitos negati- ção articular são a osteoartrite (OA) e a artrite reumatóide (AR).
secos não deslizam um sobre o outro tão facilmente. Como re- vos da imobilização com a exigência de promover o restabeleci- A osteoartrite é caracterizada por uma erosão gradual da cartila-
sultado, os feixes de fibras nos ligamentos não se alinham tão mento. A manutenção da resistência tecidual máxima em tomo gem articular com um componente inflamatório baixo.' Alguns
facilmente com as forças impostas, dificultando a capacidade do das articulações requer o uso criterioso da imobilização, um re- referem-se à osteoartrite como "osteoartrose" para enfatizar a
tecido de resistir tanto quanto possível a uma força aplicada ra- tomo rápido à carga e intervenção restauradora rápida. ausência de um componente inflamatório distinto. À medida que
pidamente. A probabilidade de formação de adesões entre os a erosão da cartilagem articular avança, o osso subcondral sub-
planos de tecido anteriormente móvel é aumentada; consequen- jacente toma-se mais mineralizado e, em casos severos, toma-se
temente, as articulações em processo de envelhecimento podem PATOLOGIA DA ARTICULAÇÃO a superfície de sustentação de peso quando o coxim da cartila-
perder a amplitude de movimento mais rapidamente do que as O trauma aos tecidos conectivos de uma articulação pode ocor- gem articular está completamente gasto. A cápsula articular fi-
articulações mais jovens. Uma cartilagem articular velha contém rer a partir de um simples evento esmagador (trauma agudo), ou brosa e a membrana sinovial tomam-se distendidos e espessa-
menos água e é menos capaz de atenuar e distribuir forças im- em resposta a um acúmulo de lesões menores durante um longo dos. A articulação gravemente envolvida pode tomar-se comple-
postas ao osso adjacente. período (trauma crónico). O trauma agido frequentemente pro- tamente instável e deslocada, ou pode fundir-se, não permitin-
A alteração do metabolismo do tecido conectivo no osso rela- duz patologia perceptível. Um ligamento ou cápsula articular do qualquer movimento.
cionada com a idade contribui para um restabelecimento mais dilacerados ou seriamente distendidos causam uma reação infla- A frequência de osteoartrite aumenta com a idade e possui
lento das fraturas. O metabolismo alterado também contribui para matória aguda. A articulação também pode se tomar estrutural- diversas manifestações. A osíeoartriíe idiopdtica ocorre na ausên-
a osteoporose, especificamente a osteoporose do tipo II ou senil mente instável quando os tecidos conectivos danificados não são cia de uma causa específica; afeta somente uma ou algumas ar-
- um tipo que afina o osso tanto trabecular quanto cortical em capazes de impedir os extremos naturais do movimento. ticulações, especificamente aquelas que estão sujeitas a cargas de
ambos os sexos.' As articulações frequentemente afetadas por instabilidade trau- sustentação de peso mais elevadas: quadril, joelho e parte lom-
mática aguda são tipicamente associadas com os braços de ala- bar da coluna vertebral. A osteoartrife/amiriar ou osteoartrite ge-
vanca mais longos do esqueleto e, portanto, estão expostas a neralizpãa afeia articulações da mão e é mais frequente nas mu-
EFEITOS DA IMOBILIZAÇÃO SOBRE A RESISTÊNCIA torques externos elevados. Por essa razão, as articulações do jo- lheres. A osteoartrite pos-íraumáíica pode afetar qualquer articu-
DOS TECIDOS CONECTIVOS DE UMA ARTICULAÇÃO elho, a talocrural e a do ombro são frequentemente submetidas lação sinovial que já tenha sido exposta a um trauma de muita
a dano ligamentar agudo com instabilidade resultante. gravidade.
A quantidade e disposição das fibras e glicosaminoglicanas nos O trauma agudo também pode resultar em fraturas intra-artí- A artrite reumatóide difere acentuadamente da osteoartrite,
tecidos conectivos são influenciadas pela atividade física. No nível culares envolvendo a cartilagem articular e o osso subcondral. A porque é um distúrbio auto-imune e sistémico do tecido conec-
normal de atividade física, os tecidos conectivos são capazes de redução cuidadosa ou o realinhamento dos fragmentos fratura- tivo com um componente fortemente inflamatório.10 A destrui-
resistir adequadamente à variação natural das forças impostas ao dos ajuda a restaurar as funções de deslizamento suave e de bai- ção de articulações múltiplas é uma manifestação evidente de
aparelho musculoesquelético. Uma articulação imobilizada por xo atrito das superfícies articulares. Isso é crítico para a recupe- artrite reumatóide. A disfunção da articulação manifesla-se pela
um longo período demonstra mudanças acentuadas na estrutu- ração máxima da função. Embora o osso adjacente a uma articu- inflamação insignificante da cápsula, membrana e líquido
ra e função de seus tecidos conectivos associados. A resistência lação possua excelente capacidade de reparo, a restauração da sinoviais. A cartilagem articular é exposta a um processo enzi-
mecânica do tecido é reduzida de acordo com a diminuição das cartilagem articular fraturada é frequentemente incompleta e mático que pode corroer rapidamente a face articular. A cápsula
forças da condição de imobilização. Essa é uma resposta normal produz áreas mecanicamente inferiores da superfície articular que articular é distendida pela intumescência e inflamação recorren-
a uma condição anormal. A colocação de uma parte do corpo em são propensas a degeneração. O aumento do foco no estresse tes, causando frequentemente dor e instabilidade articulares acen-
uma atadura rígida e o confinamento de uma pessoa ao leito são devido ao alinhamento incompleto da superfície em conjunto tuadas.
exemplos nos quais a imobilização reduz dramaticamente o ní- com a resistência debilitada da cartilagem articular podem levar
FIG. 2.17 Uma micrograíia eletrõnica de varredura da face articular de um
vel de força imposta ao aparelho musculoesquelético. Embora a osteoartrite pós-traumática.
côndilo do fémur de um joelho em um cadáver masculino de 71 anos de
por diferentes razões, paralisia ou fraqueza muscular também idade embalsamado, pondo em contraste os níveis de degeneração. A,
RESUMO
A restauração das estruturas articulares fibrocartilagíneas da-
reduzem a força sobre o aparelho musculoesquelético. nificadas depende da proximidade e da adequação de um supri- Cartilagem articular de uma região aparentemente "normal" do condito As articulações fornecem a base do movimento musculoesquelé-
A taxa de declínio na resistência do tecido conectivo depende mento sanguíneo. Uma dilaceração da região externa do menisco lateral do fémur. A textura ondulada mas lisa da face representa o proces- tico e permitem a estabilidade e a dispersão de forças internas e
relativamente da atividade metabólica normal do tecido especí- do joelho adjacente aos vasos sanguíneos engastados na cápsula so de envelhecimento normal na cartilagem hialina (200 X). B, Cartila-
externas. Existem diversos esquemas de classificação para catego-
fico. A imobilização produz uma diminuição acentuada na re- pode se recuperar completamente.21-23 Em contrapartida, as di- gem articular abrilada de uma região do côndilo medial do fémur do
mesmo joelho como em A (225 X). C, O aumento maior de B (SOO X) rizar as articulações e permitir uma discussão de suas característi-
sistência à tensão dos ligamentos do joelho, por exemplo, no lacerações da circunferência interna de um menisco normalmente cas mecânicas e cinemáticas. Os movimentos das articulações ana-
mostra a região áspera ou desgastada da cartilagem (cabeços de setas). O
período de semanas. "•!S Os marcadores bioquímicos iniciais dessa não se recuperam p.or completo. Esse também é o caso nas la- "c" minúsculo indica um condrõeito exposto, que geralmente está escon- tómicas são frequentemente complexos devido às suas formas as-
remodelação óssea podem ser detectados poucos dias depois da melas internas do disco intervertebral adulto que não têm capa- dido na matriz. (Micrografias cortesia do Dr. Roben Morecraft, Universi- simétricas e superfícies incongruentes. O eixo de rotação é frequen-
imobilização.12-18 Mesmo após a interrupção da imobilização e cidade de recuperação após dano significativo.13 ty of South Dakota School of Medicine, Sioux Falls, South Dakota.) temente estimado para propósitos de mensuração clínica.
40 Estrutura Básica e Função das Articulações'
T
CAPíTULO 3
A função e resiliência das articulações são determinadas pela 15. Kim SJ, Choe WS: Arthroscopic findings of the synovial plicae of the
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INTRODUÇÃO sárias para formular hipóteses clínicas sobre as diminuições da
capacidade muscular que interferem nas atividades funcionais. .
A postura estável resulta de um equilíbrio de forças concorren- Essa compreensão pode levar à aplicação criteriosa das interven-
tes. O movimento, em contraste, ocorre quando as forças con- ções para melhorar as habilidades do paciente.
correntes estão desequilibradas. A força gerada pelos músculos
é o meio principal de controle do equilibrio complexo entre
postura e movimento. O músculo controla a postura e o movi- MÚSCULO COMO UIV1 ESTABILIZADOR DO
mento de duas formas: (1) estabilização dos ossos, e (2) movi- ESQUELETO: GERANDO UMA QUANTIDADE
mento dos ossos. APROPRIADA DE FORÇA EM UM DADO
Este capitulo considera o papel do músculo e do tendão na
COMPRIMENTO
geração, modulação e transmissão de força. Essas funções são
necessárias para estabelecer e/ou mover as estruturas esqueléti- Os ossos suportam o corpo humano quando ele interage com seu '•
cas. lnvestiga-se como o músculo estabiliza os ossos, gerando uma ambiente. Embora muitos tecidos que se fixam ao esqueleto su-,
quantidade de força apropriada em um dado comprimento. A portem o corpo, somente o músculo pode se adaptar às forças
geração de força ocorre tanto passivamente (i.e., pela resistência imediatas e externas de longa duração que podem desestabilizar
do músculo ao estiramento) quanto ativamente, em uma propor- o corpo. O tecido muscular é perfeitamente apropriado para esta
ção muito maior (i.e., pela contração ativa). função, porque é combinado tanto com o ambiente externo quan-
Os meios pelos quais o músculo modula ou controla a força to com os mecanismos de controle interno oferecidos pelo siste-
de modo que os ossos se movam suave e vigorosamente são in- ma nervoso. Sob controle preciso do sistema nervoso, o múscu-
vestigados a seguir. O movimento normal é altamente regulado lo gera a força necessária para estabilizar as estruturas esqueléti-
e sofisticado, independente das restrições ambientais infinitas cas sob um arranj'o surpreendentemente amplo de condições. Por
impostas a uma dada tarefa. exemplo, o músculo exerce controle preciso para estabilizar os
A abordagem aqui contida permite que o estudante de cine- dedos que manejam um bisturi minúsculo durante uma cirurgia
siologia compreenda os múltiplos papéis dos músculos no con- ocular. Pode, também, gerar forças maiores durante os segun-
trole das posturas e movimentos que são usados nas tarefas diá- dos finais de uma tarefa de levantamento de peso "sem auxilio
rias. Além disso, os médicos também obtêm informações neces- mecânico".
42 Músculo: O De/inilivo Gerador de Força no Corpo Músculo: O Definitivo Gerador de Força no Corpo 43

A compreensão do papel especial do músculo na geração de Peniforme. Fusiforme A Ventre Muscular


forças de estabilização começa com uma avaliação de como a •Epimísio
morfologia do músculo e a arquitetura músculo-tendão afeiam a
variação da força disponível para um determinado músculo. Os
componentes do músculo são explorados ao produzir tensão
passiva, quando um músculo é alongado (ou esticado), ou força Fascículo
ativa, quando um músculo é estimulado pelo sistema nervoso. A
relação entre força e comprimento muscular e como isso influ-
encia o torque isométrico gerado sobre uma articulação são a
seguir examinados. O Quadro 3.1 é um resumo dos principais
conceitos tratados nesta seção.

Morfologia do Músculo: Forma e Estrutura


A morfologia muscular descreve a forma básica de um músculo
inteiro. Os músculos têm muitas formas, refletindo sua função B Fibra Muscular
fundamental. A Fig. 3,1 mostra duas formas comuns de múscu-
lo: fusiforme e peniforme (do latim penna). Os músculos jusifor-
mes, como o músculo bíceps braquial, têm fibras que não cor- FIG. 3.1 Duas formas comuns do músculo, fusiforme e peniforme. For-
rem paralelas umas às outras, mas se concentram em um tendão mas diferentes são formadas pela orientação diferente das fibras em re-
lação à conexãoj no tendão. (Modificado de Williams PL: Gray's Ana-
central. Nos músculos peniformes, as fibras aproximam-se do ten- tomy: The Anatomical Basis of Medicine and Surgery, 38th ed. New York,
dão central obliquamente. Os músculos peniformes podem ser Churchill Livingstone, 1995.)
classificados ainda como peniformes, semipeniformes ou multi-
peniformes, dependendo do número dos arranjos angulares se-
melhantes das fibras que se fixam no tendão central.
tente que envolve toda a superfície do ventre do músculo e o
A fibra muscular é a unidade estrutural do músculo, varian- separa de outros músculos. Em resumo, o epimísio dá forma ao
do, em espessura de aproximadamente 10 a 100 micrõmetros, e ventre do músculo. O epimísio contém feixes firmemente entre- Mílocóndria
em comprimento de cerca de 1 a 50 cm.17 Cada fibra muscular laçados de fibras colágenas que são altamente resistentes ao esti-
é, na realidade, uma célula individual com núcleos múltiplos. O ramento. O perimísio situa-se abaixo do epimísio e divide o mús-
tecido conectivo que envolve e suporta os músculos tem muitas culo em fascículos que formam um canal para os vasos sanguí-
funções. Semelhante ao tecido conectivo presente em outras es- neos e nervos. Esse tecido conectivo, como o epimísio, é flexível Endomísio
truturas do corpo, o tecido conectivo no interior do músculo e espesso e resistente ao estiramento. O endomísio envolve as fi-
consiste em fibras engastadas em uma substância fundamental bras musculares individuais. É composto de um sistema de ma-
amorfa. A maioria das fibras são colágenas e o restante, de elas- lhas relativamente densas de fibrilas colágenas parcialmente co-
tina. A combinação dessas duas proteínas fornece resistência, nectadas ao perimísio. Por meio de conexões laterais com as fi-
suporte estrutural e elasticidade ao músculo. bras musculares, o endomísio transporta parte da força de con- FIG. 3.2 Três conjuntos de tecido conectivo são identificados no músculo. A, O ventre muscular está envolvido pelo epimísio e depois mais subdi-
Três conjuntos diferentes de tecido conectivo, embora estru- tração para o tendão. vidido em fascículos individuais pelo perimísio. B, Cada fibra muscular contém miofibrilas que estão envolvidas pelo endomísio. (Modificado de
turalmente relacionados, ocorrem no músculo: epimísio, Embora os três tipos de tecido conectivo sejam descritos como Williams PL: Gray's Anatomy: The Anatomical Basis o! Medicine and Surgery, 38th ed. New York, Churchill Livingstone, 1995.)
perimísio e endomísio (Fig. 3.2). O epimísio é uma estrutura resis- entidades separadas, estão entrelaçados de tal maneira que po-
dem ser considerados como uma lâmina contínua de tecido co-
nectivo. Todo tecido conectivo que envolve um músculo ccoitri- músculo de comprimento e morfologia semelhantes com pou- tida para o tendão. Teoricamente, um músculo com um ângulo
"'uiíii {biMn.Mnn" ' ^ui, < ^ r e l a o u ipdiretamente, para os tendões do músculo. cas fibras mais finas. O potencial dejorça máxima de um músculo é, de empenagem próximo de zero grau transmite força total para
portanto, proporciona! d soma da área de corte transversal de todas o tendão, enquanto o mesmo músculo com um ângulo de em
asfibras.Sob condições normais, quanto mais grosso o múscu- empenagem próximo de 30 graus transmite 86% de sua força para
1. Morfologia muscular Arquitetura do Músculo
lo, maior o potencial de força. Medir a área de corte transversal o tendão. (O co-seno de 30 graus é 0,86.)
2. Organização estrutural do músculo esquelético Cada músculo e seus tendões têm arquitetura diferente e, como de um músculo fusiforme é relativamente simples, porque todas Em geral, os músculos peniformes produzem força máxima
3. Tecidos conectivos dentro do músculo
4. Área da seção transversal fisiológica consequência, são capazes de gerar amplitudes diferentes de for- as fibras correm paralelas. É necessário usar cautela, contudo, maior do que os músculos fusiformes de tamanho semelhante.
5. Ângulo da implantação ça. Compreender a arquitetura muscular permite o prognóstico quando medimos a área de corte transversal de músculos Orientando as fibras obliquamente para o tendão central, um
6. Curva de comprimento-tensão passiva do papel funcional de um determinado músculo. A ãrea de corte peniformes, porque as fibras correm em ângulos diferentes en- músculo peniforme pode ajustar mais fibras em um determina-
7. Componentes elásticos em série e em paralelo do músculo e transversal fisiológica e o ângulo de empenagem são os princi- tre si. do comprimento de músculo. Essa estratégia que economiza
do tendão
pais determinantes da amplitude e da força produzidas pelo O ângulo de empenagem refere-se ao ângulo de orientação en- espaço produz músculos peniformes com uma área de corte trans-
8. Propriedades viscosas e elásticas do músculo
9. Curva de comprimento-tensão ativa músculo. tre as fibras musculares e o tendão (Fig. 3.3). Se as fibras muscu- versal fisiológico relativamente grande e, por essa razão, uma
10. Histologia da fibra muscular A drea de corte transversalfisiológicode um músculo reflete a lares fixam-se paralelas ao tendão, o ângulo de empenagem é capacidade relativamente maior de gerar força extrema. Consi-
11. Curva comprimento-tensão total quantidade de proteína contrátil disponível para gerar força. Em definido como zero grau. Nesse caso, essencialmente toda a for- dere o músculo gastrocnêmio mulúpeniforme que precisa gerar
12. Força isométrica e desenvolvimento da curva do torque geral, a área de corte transversal (cm2) de um músculo fusiforme ça gerada pelas fibras musculares é transmitida para o tendão e forças muito grandes durante o salto, por exemplo. Curiosamente,
inlemo-angulo da articulação
é determinada dividindo-se o volume do músculo (cm3) por seu de um lado a outro da articulação. Se, contudo, o ângulo de a transferência reduzida de força da fibra peniforme para o ten-
13. Propriedades mecânicas e fisiológicas que afetam da curva do
torque intemo-ãngulo da aniculação comprimento (cm). Um músculo fusiforme com muitas fibras empenagem é maior do que zero gTau (i.e., oblíquo ao tendão), dão, devido ao ângulo de empenagem major, é menor compara-
espessas possui uma área de corte transversal maior do que um então, menos da força produzida pela fibra muscular é transmi- da com o potencial de força maior fornecida pelo ganho na área
44 Músculo: O Definitivo Gerador de Força no Corpo Músculo: O Definitivo Gerador de Força no Corpo 45

Vetor de força paralela um estiramento rápido e vigoroso. As propriedades viscosas do


ao tendão músculo prolongam a aplicação da força para permitir um alon-
gamento mais gradual, reduzindo o risco de rompimento do te-
1. Fornece estrutura macroscópica ao músculo cido. Em resumo, tanto a elasticidade quanto a viscosidade ser-
Vetor de força da 2. Serve como um conduto para os vasos sanguíneos e nervos vem como mecanismos de amortecimento que protegem os com-
fibra muscular 3. Gera tensão passiva por resistência ao estiramento
ponentes estruturais do músculo e do tendão.
4. Ajuda o músculo a recuperar forma após o estiramento
5. Dirige a força contrãtil para o tendão e através da articulação
CURVA COMPRIMENTO-TENSÃO ATIVA
Ângulo da
implantação (e) O tecido muscular é destinado exclusivamente a gerar força ati-
=30° vamente em resposta a um estimulo proveniente do sistema ner-
eidos conectivos no tendão. Como o tendão está disposto em série voso. Esta seção descreve os meios para geração de força ativa. A
Vetor de força a 90° com as proteínas contrateis, forças ativas produzidas por essas força ativa é produzida pela fibra muscular. Basicamente, a força
Y ao tendão proteínas são transferidas diretamente para o osso e através da ativa e a tensão passiva precisam ser transmitidas para as estru-
arnculação. Estirar um músculo por meio da extensão de uma turas esqueléticas. A interação entre as forças ativa e passiva é
Tendão articulação alonga tanto o componente elástico paralelo quanto explorada na próxima seção.
o componente elástico serial, gerando uma resistência semelhante Como explicado anteriormente, as fibras musculares constitu-
Comprimento do músculo
a uma mola, ou inflexibilidade, no músculo. A resistência é cha- em o elemento funcional básico do músculo. Além disso, cada fi-
FIG. 3.3 Um músculo semipeniforme está mostrado com as libras mus- mada de tensão passiva porque não depende da contração ativa Estiramento crescente bra ou célula muscular é composta de muitos filamentos minús-
culares orientadas em um ângulo de 30 graus de implantação (0). ou voluntária. O conceito de componentes elásticos paralelos e culos chamados miofibrilas. As miq/ibrilas são os elementos con-
seriais é uma descrição simplificada de anatomia; contudo, é útil FIG. 3.5 Uma curva da tensão-comprimento passiva generalizada. À
medida que um músculo é progressivamente esticado, o tecida está frou- trateis da fibra muscular e têm uma estrutura característica. Cada
explicar os níveis de resistência gerados pelo estiramento de um xo durante seus comprimentos encurtados iniciais até que ele atinge um miofibrila mede de 1 a 2 micrOmetros de diâmetro e consiste em
de corte transversal fisiológico. Como mostrado na Fig. 3.3, um músculo. comprimento critico onde começa a gerar tensão. Além deste compri- muitos rmo/ilamenios. As estruturas primárias presentes nos mio-
ângulo de empenagem de 30 graus ainda permite que as fibras O tendão possui diversas propriedades mecânicas únicas. mento crítico, a tensão se mostra como uma função exponencial. filamentos são dois tipos de proteinas: actina e miosina. A organi-
transfiram 86% de sua força através do eixo longo do tendão. Devido ã orientação longitudinal e ã espessura de suas fibras zação regular dos miofilamentos produz a aparência característica •
colágenas, o tendão pode resistir a grandes forças que podem, da miofibrila em forma de faixa como visto ao microscópio (Fig. •
por outro lado, danificar o tecido muscular. As fibras muscula- 3.6). A actina e a miosina interagem fisicamente através de liga-
Muscula e Tendão: Geração de Força res diminuem até 90% do diâmetro quando se fundem com o dos a um nível inicial de tensão. Após esse comprimento critico
ções transversais (i.e., projeções provenientes do filamento de
tecido do tendão. u Como resultado, a força através de uma fibra ter sido alcançado, a tensão aumenta progressivamente até atin-
CURVA C0MPRIMENT0-TENSÂ0 PASSIVA miosina) e outras estruturas conectivas. As miofibrilas finalmente
muscular por área de corte transversal (i.e., estresse) aumenta gir níveis de inflexibilidade extremamente altos. Em tensões
se conectam ao tendão via endomísio. Esta rede conectiva elegan-
O músculo contém proteínas contrateis que estão engastadas em significativamente. Em cada extremidade de uma fibra muscular maiores, o tecido enfraquece. A curva simples comprimento-ten-
te, formada entre os miofilamentos e os tecidos conectivos, per-
uma rede de tecidos conectivos, a saber, o epimisio, o perimisio encontra-se uma dobra extensa de plasmalema (i.e., a membra- são passiva representa um componente importante de capacida-
mite que a força seja distribuída igualmente por todo o músculo e
e o endomísio. O Quadro 3.2 lista as funções desses tecidos. Os na que envolve a fibra muscular), que se interdigita com o teci- de de geração de força nos tecidos muscular e tendíneo. Essa
transmitida de modo eficiente para as estruturas esqueléticas.
tecidos conectivos são ligeiramente elásticos e, como uma fita de do conectivo do tendão. Essa dobra garante que forças extremas capacidade é especialmente importante em comprimentos mui-
to longos, nos quais as fibras musculares começam a perder sua Na inspeção da fibra muscular, faixas claras e escuras distin-
borracha, geram força resistiva (te., tensão) quando alongados. possam ser distribuídas sobre uma área grande, reduzindo as-
Para propósitos mais propriamente funcionais do que anató- sim o estresse sobre o músculo. capacidade de geração de força ativa. A tensão passiva estabiliza tas tomarn-se aparentes (Fig. 3.7). As faixas escuras, as/abcas A,
micos, os tecidos conectivos no músculo e tendão foram descri- Quando os componentes elásticos paralelos e seriais são esti- as estruturas esqueléticas contra a gravidade e responde às per- correspondem â presença de miosina - os filamentos espessos. A
tos como componente elástico paralelo e componente eiástico serial rados no músculo, gera-se uma curva comprimento-tensão passi- turbações e outras cargas impostas. O alongamento passivo do miosina também contém projeções chamadas ligações transver-
O alongamento ou estiramento de todo o músculo estende os va (Fig. 3.5). A curva é semelhante àquela obtida pelo estiramento tendão de Aquiles (tendão do calcãneo) durante a descida do sais, que estão dispostas em pares (Fig. 3.8). As faixas claras, as
elementos do tecido conectivo (Fig. 3.4). O componente elásti- de uma fita de borracha. Aproximando-se do formato de uma pedal da bicicleta, por exemplo, permite a transmissão de forças faixas l, contêm actina - os filamentos finos (veja Fig. 3.7). Na
co paralelo refere-se aos tecidos conectivos que envolvem ou si- função matemática exponencial, os elementos passivos no mús- do quadril e dos músculos para o pedal da bicicleta.6 Essa capa- fibra muscular em repouso, os filamentos de actina se sobrepõem
tuam-se paralelos às proteínas que levam ã contração do múscu- culo começam a gerar tensão passiva após o comprimento criti- cidade, contudo, é limitada, devido à baixa adaptabilidade do parcialmente aos filamentos de miosina. No microscópio eletrô-
lo. O componente elástico serial, em contraste, refere-se aos te- co, no qual todos os tecidos relaxados (i.e., frouxos) foram leva- tecido às forças externas que mudam rapidamente e por causa nico, as faixas revelam um padrão mais complexo que consiste
da quantidade significativa de alongamento inicial que deve ocor- nas faixas H, linhas M e discos Z (Quadro 3.3).
rer antes que o tecido possa gerar tensão passiva suficiente.
O tecido do músculo estirado exibe as propriedades de elas-
CE paralelos Osso ticidade e viscosidade. Ambas as propriedades influenciam a
FIG. 3.4 Estão mostrados os componen- quantidade e o índice de tensão passiva desenvolvidos no mús-
Faixas A Faixas escuras causadas pela presença do filamento
(Tecido conectivo) tes contrateis e componentes elásticos culo estirado. Um músculo estirado mostra elasticidade porque espesso de miosina
(CE) que geram Força no tecido mus- pode armazenar, temporariamente, parte da energia que criou o
Série do CE cular. O componente contrãtil repre- Faixas I Faixas claras causadas pela presença do filamento
estiramento. A energia armazenada, embora relativamente peque- delgado de actina
senta as estruturas da ponte cruzada de
actina e miostaa. O componente elás- na quando comparada com o potencial de força total do múscu-
Faixa H Região dentro da faixa A onde a actina e a miosina
(Tendão) (Tendão) tico paralelo (paralelo ao componente lo, ajuda a impedir que um músculo seja danificado durante o
(Aciina e mioslna) não se sobrepõem
contrãtil) representa o tecido conecti- alongamento máximo. A viscosidade, neste contexto, descreve a
vo muscular. A série do componente resistência dependente da taxa encontrada entre as superfícies Linhas M Espessamento da região média do filamento
elástico (em série com o todo múscu- espesso de miosina no centro da faixa H
de tecidos adjacentes semelhantes a um líquido. A viscosidade é
lo) representa os tecidos conectivos Discos Z Região onde os sucessivos filamentos de actina se
dentro do tendão. Os tecidos conecti- dependente da taxa; portanto, a resistência interna do músculo
enredam. O disco Z ajuda a ancorar os delgados
vos paralelos e em série agem de uma ao alongamento aumenta com a velocidade do estiramento. A filamentos.
Componente contrãtil maneira semelhante a uma mola. viscosidade ajuda a proteger um músculo de ser danificado por
46 Músculo: O Definitivo Gerador de força no Corpo Músculo: O Definitivo Gerador ãt Força no Corpo 47

Disco Z
W*
:'£$$$4bm: FIG. 3.B Mais detalhes de um sar-
/Actina
/Troponina /Tropomiosina
%IÉS1ll|ptP cõmero mostrando a estrutura da
ponte cruzada criada pelas cabe-
ças de miosina e sua inserção nos
BK; filamentos de actina. Observe que
^ÇjMgJijjgK o filamento de actina também
contém as proteínas de troponina
e tropomiosina. A troponina ê res-
ponsável pela exposição do fila-
mento de acrina ã cabeça da mio-
sina, permitindo, deste modo, a
formação da ponte cruzada. (Mo-
vi dificado de Berne KM, Levy MN:
Principles of Physiology, 2nd ed.
St. Louis, Mosby, 1996.)

quantidade de uniões de ligações transversais potenciais dimi- forma que a diminuição na força ativa é compensada pelo au-
nui, de modo que são geradas quantidades menores de força ati- mento da tensão passiva, achatando efetivamente esta parte da
va, até mesmo sob condições de ativação total. A curva compri- curva comprimento-tensão total. Esta parte característica da curva
mento-tensão resultante é descrita pela forma de U invertido, com comprimento-tensão passiva permite ao músculo manter níveis
seu pico no comprimento de repouso ideal. elevados de força, mesmo quando o músculo é estirado até um
A denominação relação comprimento-força é mais apropria- ponto no qual a geração de força ativa é comprometida. À medi-
da, considerando a terminologia estabelecida neste texto (veja da que a fibra muscular toma-se mais estirada (c), a tensão pas-
definição de força e tensão no Cap. 1). A expressão comprimen- siva domina a curva, de modo que os tecidos conectivos estão
Mlllfe Jte*S^fi to-tensão é, contudo, usada por causa de sua ampla aceitação na quase sob estresse máximo. Níveis elevados de tensão passiva são
FIG. 3.6 A micrografia eletrõnica das miofibrilas musculares mostra a organização regularmente estriada dos miofilamentos- actina e miosina. (De literatura de fisiologia. mais aparentes nos músculos biarticulares colocados em posições
Fawcett DW: The Cell, Philadelphia, W.B. Saunders, 1981.) de alongamento excessivo. Por exemplo, quando o pulso é es-
SOMATÓRIA DA FORÇA ATIVA E DA TENSÃO PASSIVA: tendido, os dedos normalmente se flexionam um pouco passi-
vamente, devido ao estiramento colocado nos músculos flexores
CURVA COMPRIMENTO-TENSÃO TOTAL
O padrão de bandas se repete ao longo do comprimento do possível entender a mecânica da contração muscular, visto que dos dedos à medida que cruzam à frente do pulso. A quantidade
músculo. Cada unidade de banda individua] é chamada sarco- A curva comprimento-tensão ativa, quando combinada com a de tensão passiva depende, em parte, da rigidez natural do mús-
este processo é repetido de um sarcõmero para outro.
mere, estendendo-se de um disco Z a outro. O sarcõmero é con- curva comprimento-tensão passiva, produz a curva comprimen- culo.
O modelo atualmente aceito para descrever a geração de for-
siderado o gerador de força ativa da fibra muscular. Compreen- to-tensão total do músculo. A combinação da força ativa com a
ça ativa é chamado hipótese do filamento deslizante e foi desenvol-
tensão passiva permite uma ampla gama de força muscular so-
dendo os eventos contrateis ativos que ocorrem no sarcõmero, é vido independentemente por Hugh Huxley8 e Andrew Huxley
bre uma grande variação de comprimento muscular. Considere
(nenhum parentesco).9 Neste modelo, a força ativa é gerada quan-
a curva comprimento-tensão total para o músculo mostrado na B C
do os filamentos de actina deslizam, passando pelos filamentos
Faixa Disco Faixa Faixa Fig. 3.11. Nos comprimentos curtos (a), abaixo do comprimen-
de miosina, causando a aproximação dos discos Z e o estreita-
H Z A .1 to de repouso ativo e abaixo do comprimento que gera a tensão
mento da faixa H. Esta ação resulta na sobreposição progressiva
n dos filamentos de actina e miosina, de modo que o comprimen-
passiva, a força ativa domina a capacidade de geração de força
do músculo. Assim, a força aumenta rapidamente à medida que
to do sarcõmero é efetivamente diminuído, embora os próprios
o músculo é alongado (estirado) para o seu comprimento de re-
filamentos não diminuam (Fig. 3.9). Cada ligação transversal se
pouso. Quando a fibra muscular é estirada além de seu compri-
une ao seu filamento de actina adjacente, de forma que a força
mento de repouso (b), a tensão passiva começa a contribuir, de
gerada depende da quantidade de uniões de ligações transver-
tn a.
sal/actina simultâneas. Quanto maior a quantidade de uniões de
ligações transversais, maior a quantidade de força ativa gerada
Miofilamenlos
dentro do sarcõmero.
Filamento de actina
Como consequência do arranjo entre a actina e a miosina Movimento,
presentes no sarcõmero, a quantidade de força ativa depende, em 0 1 2 3 4
2 ~T '—' \ Z parte, do comprimento instantâneo da fibra muscular. Uma Comprimento do sarcõmero (micrõmetros)
LinhaM
Actina Miosina mudança no comprimento da fibra-pela contração ativa ou pelo
FIG. 3.10 Curva de comprimento-tensão ativa de um sarcõmero para
FIG. 3.7 Detalhe da organização estriada e regular da miofibrila mostrando alongamento passivo - altera a quantidade de sobreposição en- quatro comprimentos especificados do sarcõmero (acima à direita, de
a posição da faixa A, faixa 1, faixa H e disco Z. A vista expandida de um tre as ligações cruzadas e os filamentos de actina. A curva com- A a D). Os filamentos de actina (A) se sobrepõem de modo que o nú-
único sarcõmero demonstra como os filamentos de actina e miosina primento-tensão ativa para um sarcõmero é apresentada na Fig. mero de ligações da ponte cruzada é reduzido. Em B e C, os filamentos
Filamento de miosina
contribuem para a organização estriada. (Modificado de Guyton AC, Hall 3.10. O compn mento de repouso ideal de uma fibra muscular ou de actina e miosina estão posicionados para permitir um número ótimo
JE: Textbook of Medical Physiology, 10th ed. Philadelphia, W.B. Saun- FIG. 3.9Está ilustrada a ação do filamento deslizante que ocorre quando de ligações da ponte cruzada. Em D, os filamentos de actina estão posi-
de um sarcõmero é o comprimento que permite a maior quanti-
ders, 2000. Modificado em Guyton de Fawcett DW: Bloom and Fawcett: as cabeças da miosina se prendem e então se libertam do filamento de cionados fora da amplitude das cabeças de miosina de modo que ne-
A Textbook of Histology: Philadelphia, W.B. Saunders, 1986. Arte ori- dade de uniões de ligações transversais e, consequentemente, o actina. Força contrátil é gerada durante o golpe de força do ciclo. (De nhuma ligação da ponte cruzada é possível. (De Guyton AC, HallJE:
ginal por Sylvia Colani Kccnc. Reproduzido por permissão de Edwardmaior potenciai de força ativa. Â medida que o sarcõmero é alon- Guyton AC, HallJE: Textbook of Medical Physiology, 10th ed. Phila- Textbook of Medical Physiology, 10th ed. Philadelphia, W.B. Saunders,
Arnold Limited.) gado e encurtado a partir de seu comprimento de repouso, a delphia, W.B. Saunders, 2000.) 2000.)
48 Miisoib: 0 Definitivo Gerador de Força no Corpo Músculo: O Definitivo Gerador de Força no Corpo 49

•— Força total mensuração é feita com o músculo no estado isométrico, supõe-


— Força atira se que o torque interno seja igual ao torque externo. í-Ig-W-i ;@|j| 3ffi'í<S
— Tensão passiva A forma de uma curva de ângulo de torque de esforço máxi-
mo é muito específica para cada grupo de músculos (veja Fig.
i/4. Explorando as Razões para a "Assinatura" Única de uma Curva
3.12A e B). Sua forma produz informação importante sobre os
fatores fisiológicos e mecânicos que determinam o torque pro-
duzido pelo grupo de músculos. Considere os dois fatores se-
W Ãngulo-Torque Isométrico de Grupo de Músculos
Considere as implicações funcionais associadas com a forma da
curva ângulo-torque de um grupo de músculos. Certamente, a
guintes mostrados na Fíg. 3.13. Primeiro, o comprimento do mús- forma está relacionada com a natureza das demandas de força
culo muda à medida que o ângulo da articulação muda. Como externa sobre a articulação. Para os músculos flexores do
descrito anteriormente, a produção da força muscular- tanto em cotovelo, por exemplo, o potencial de torque interno máximo é
maior nas amplitudes médias do movimento do cotovelo e menor
termos ativos quanto passivos - é altamente dependente do com- próximo da extensão e flexão totais (ver Fig. 3.12/1). Não
coincidentemente, a influência do torque externo devido à
gravidade sobre objetos seguros pelas mãos é também
A Flexores do Cotovelo tipicamente maior em amplitudes médias do movimento do
cotovelo e menor nos extremos deste movimento.
100 - r Para os músculos abdutores do quadril, o potencial de torque
a b c interno é maior próximo do neutro (0 graus de abdução) (ver Fig.
Comprimento crescente 3.128). Este ângulo articular coincide com o ângulo aproximado,
c no qual os músculos abdutores do quadril são mais necessários
para a estabilidade do plano frontal enquanto se caminha.
FIG. 3.11 Curva comprimemo-tensão total de um musculo típico. Nos Raramente são exigidas grandes quantidades de torque na
comprimentos encurtados (a), toda força í gerada ativamente. À medi- Comprimento decrescente do músculo abdução do quadril em uma posição de abdução máxima do
da que afibramuscularé esticada além de seu comprimento em repou- quadril.
so (b), a tensão passiva começa a contribuir para a força total. Em c, o Braço do momento muscular crescente
musculo está ainda mais esdcado e a tensão passiva responde pela maior
FIG. 3.13 O comprimento muscular e o braço do momento têm um im-
pane da força total.
pacto sobre o torque de esforço máximo para um dado músculo. A, O
músculo está próximo de seu maior comprimento e o braço do momento
muscular (linha vermelha) está em seu comprimento mais curto, fl, O comprimento quanto a vantagem mecânica são alterados simul-
comprimento muscular está encurtado e o braço do momento muscu- taneamente pela rotação da articulação, nem sempre é possível
Força Isométrica: Desenvolvimento da Curva do lar é o maior. (Modificado de LeVeau BF: Williams & Lissners Biome- saber qual é mais influente na determinação da forma final da
Torque Interno-Ângulo da Articulação chanics of Human Motion, 3rd ed. Philadelphia, W.B. Saunders, 1992.) curva torque-ãngulo. Uma mudança em qualquer uma das vari-
áveis - mecânica ou fisiológica - altera a expressão clinica de um
Como definido no Cap. 1, a ativação isométrica do músculo é 0 30 60 90 120 torque interno produzido pelo músculo (Quadro 3.4).
um processo pelo qual o músculo produz força sem uma mu- Ângulo da articulação do cotovelo (graus) primento do músculo. Segundo, a mudança do ângulo da ard- A curva torque-ãngulo dos músculos abdutores do quadril
dança sigrúficaúva no seu comprimento. Isto ocorre naturalmente
culação altera o comprimento do braço de momento, ou vanta- demonstrada na Fig. 3.12B depende principalmente do compri-
quando a articulação, sobre a qual um músculo estimulado cru-
gem mecânica, que é disponível para o músculo. Como tanto o mento do músculo, como mostrado pela redução linear do torque
za, tem seu movimento limitado. A limitação frequentemente
B Abdutores do Quadril
ocorre a partir de uma força produzida por um músculo antago-
nista. As forças produzidas isometricamente fornecem estabili- 100-r
J|ft[ÍllÉilj?li;j®£ferii^^ ^VrWl^ifegWfrffjfej
dade necessária para as articulações e para o corpo como um todo.
|virri3rntr^rMt-»'iÈKiinr^irrhJ^til^^tia)tti|rf?;irrfr^oTr»i L r
^ t -
A amplitude de uma força produzida isometricamente a partir
de um músculo determinado reflete o resultado das forças ativa Variável Modificada Exemplo Clínico Efeito do Torque Interno Possível Consequência Clinica
e passiva dependentes do comprimento.
Mecânica: Braço do momento Descolamento cirúrgico do Diminuição na quanddade de A força diminuída do abdutor do
A força isométrica máxima de um músculo é frequentemente quadril pode reduzir a força
S. E interno aumentado trocanter maior para força muscular requerida
usada como um indicador geral do pico de força do músculo e para produzir um dado nível gerada através da articulação do
= •5 aumentar o braço do
pode indicar recuperação motora.110'16 No ambiente clinico não momento interno dos de torque da abdução do quadril instável ou dolorida;
é possível mensurar diretamente o comprimento ou a força de músculos abdutores do quadril considerado um modo de
quadril "proteger" uma aniculação de
um músculo totalmente ativado. Contudo, a geração de torque
forças danosas
interno do músculo pode ser mensurada isometricamente com
relação a diversos ângulos articulares diferentes. A Fig. 3.12 Mecânica: Braço do momento Patelectomia seguindo a Aumento da quantidade da A força aumentada necessária
interno diminuído severa luxação da patela força do músculo extensor para estender o joelho pode
mostra o torque interno versus a curva do ângulo da ardculação
do joelho requerida para aumentar o desgaste das faces
("curva torque-ãngulo") de dois grupos de músculos sob condi- produzir um dado nível de articulares da articulação do
ções de esforço isométrico máximo. A curva torque-ângulo é o torque dos extensores do joelho
equivalente rotacional para a curva comprimento-tensão total de -10 0 10 20 30 40 joelho
um grupo de músculos. O torque interno produzido isometrica- Ângulo da articulação do quadril (graus) Fisiológica: Ativação muscular Dano à porção profunda do Força diminuída nos músculos Habilidade reduzida para o
mente por um grupo de músculos pode ser determinado, pedin- FIG. 3.12 Está mostrado o torque interno versus curva do ângulo articu- diminuída nervo fibular dorsiflexores andar seguro
do-se a um indivíduo que produza um esforço máximo de con- lar de dois grupos de músculos sob condições de esforço isométrico Fisiológica: Comprimento Dano ao nervo radial com A força diminuída nos músculos Apeno de mão ineficaz devido
tração contra um torque externo conhecido. Como descrito no máximo. A forma das curvas é muito diferente para cada grupo de muscular significadvamente paralisia dos músculos extensores do pulso leva os aos deficientes músculos
músculo. A, O torque interno dos flexores do cotovelo é maior em um diminuído no tempo da extensores do pulso músculos flexores dos dedos flexores dos dedos
Cap. 4, um torque externo pode ser determinado usando-se um
ângulo de aproximadamente 75 graus de flexão. B, O torque interno da ativação neural a flectirem o pulso enquanto
dispositivo sensível ã força externa (dinamõmetro) a uma distân- abdução do quadril é maior em um ângulo do plano frontal de —10 graus fazem um aperto de mão
cia conhecida a partir do eixo de rotação da articulação. Como a (i.e., 10 graus em direção ã adução).
50 Musculo: O Definitivo Gerador de Força no Corpo Músculo: O Definitivo Gerador de Força no Corpo 5 1

Nenhuma carga fazer ajustes em uma fração de segundos nos níveis de ativação
até uma quantidade relativamente pequena de fibras muscula-
Concêntrico
res. Com esta estratégia de controle, a ação de apontar o dedo •Mf^Sfe^kyiteMbi^lteM^^W^^^.^««^^^gs^«at^j^i;^^^-^aaia^,^í^
Pequena carga
não muda de direção quando perturbações externas ou resistên-
Combinando as Relações Comprimento-Tensão e
cia são impostas. Se a tarefa é produzir um movimento vigoroso, Força-Velocidade
o controlador precisa, então, ativar rápida e eficientemente gran-
Embora as relações comprimento-tensão e força-veloeidade de
des quantidades de fibras musculares. um músculo sejam descritas separadamente, na realidade, ambas
Carga média
A compreensão da função da ativação dos músculos na gera- são, de fato, simultâneas. Em um determinado período, um
ção de movimento começa com uma avaliação de como a força músculo ativo está funcionando em um comprimento especifico e
muscular é modulada enquanto o músculo está alongando ou em uma velocidade de contração específica, incluindo a
Carga grande isomélrica. É útil, portanto, gerar uma imagem gráfica que
contraindo. Os modos pelos quais a força é modulada pela ati- represente a relação tridimensional entre força muscular,
vação neutra são explorados. A redução na força que ocorre com comprimento e velocidade de contração (Fig. 3.16). A imagem
Carga muito a fadiga muscular é examinada. Finalmente, introduz-se o uso gráfica, contudo, não inclui o componente de comprimento-
grande da eletromiograíia como uma ferramenta para a compreensão da tensão passivo do músculo. A imagem gráfica mostra, por
(velocidade = 0) Velocidade do Velocidade do exemplo, um músculo se contraindo em alta velocidade sobre a
ativação muscular durante o movimento.
alongamento encurtamento amplitude diminuída de seu comprimento total, produzindo níveis
de força relativamente baixos, mesmo com esforço máximo. Em
Tempo (seguinte à estimulação) FIG. 3.15 Ê mostrada a curva teórica de velocidade-força de um múscu- contraste, um músculo se contraindo em velocidade baixa, quase
FIG. 3.14 Relação entre carga muscular (resistência externa) e velocida-
Modulando a Força Através da Ativação lo ativado. A ativação concêntrica está mostrada à direita e a ativação isométrica, na amplitude média de seu comprimento total (i.e.,
Concêntrica ou Excêntrica: Relação excêntrica à esquerda. A advaçâo isométrica ocone no ponto de veloci- próximo de seu comprimento muscular ôtimo), produz uma força
de de encurtamento máxima. (A velocidade é igual ao declive da linha
dade zero no gráfico. ativa substancialmente maior.
pontilhada.) Na condição de nenhuma carga, um musculo é capaz de Força-Velocidade
encurtar-se a uma velocidade alta. À medida que um músculo lorna-se
progressivamente carregado, a velocidade de encurtamento máxima O sistema nervoso estimula um músculo a gerar uma força ou a
diminui. Por fim, em alguma carga muito grande, o músculo é incapaz
resistir a ela por meio da ativação concêntrica, excêntrica ou iso- ser expressa como um produto da força vezes a velocidade de
de encurtar-se eaveloridadeéO. (Redesenhado de McComas AJ: Skeletal
Muscle: Form & Function. Champaign, IL, Human Kinetics, 1996.) métrica. Durante a ativação concêntrica, o músculo diminui (con- contração (i.e., a área sob a curva no lado direito da Fig. 3.15).
trai); durante a ativação excêntrica, o músculo se alonga; e du- Uma produção de força constante de um músculo poder ser
rante a ativação isométrica, o comprimento do músculo perma- mantida aumentando-se a carga (resistência) enquanto se dimi-
nece constante. Durante as ativações concêntrica e excêntrica, a nui proporcionalmente a velocidade de contração, ou vice-ver-
máximo produzido em ângulos de abdução progressivamente taxa de mudança do comprimento está significativamente relaci- sa. Isto é muito semelhante ao conceito da mudança de marchas
maiores do quadril. Independentemente do grupo de músculos, onada com o potencial de força máxima do músculo. Durante a quando se anda de bicicleta.
contudo, a combinação de força muscular total elevada (basea- ativação concêntrica, por exemplo, quando a carga é insignifi- Um músculo submetido a uma contração concêntrica contra
da no comprimento do músculo) e grande vantagem mecânica cante, a velocidade de contração do músculo é máxima (Fig. uma carga está realizando trabalho positivo sobre a carga. Em
(baseado no comprimento do braço de momento) resultam em 3.14). Ã medida que a carga aumenta, a velocidade de contração contrapartida, um músculo submetido a uma ativação excêntri-
torque interno relativamente alto. máxima do músculo diminui. Em algum ponto, uma carga mui- ca contra uma carga dominadora está realizando trabalho negati-
Em resumo, as mensurações do torque isométrico diferem, to grande resulta na velocidade de contração zero (i.e., o estado vo. No último caso, o músculo está armazenando energia que é
dependendo do ângulo articular, independentemente do esfor- isométrico). fornecida pela carga. Um músculo, portanto, pode amar como
ço máximo. Por essa razão, é importante que as mensurações É necessário considerar a ativação excêntrica separadamente um acelerador ativo do movimento contra uma carga enquanto
clinicas do torque isométrico incluam o ângulo articular, de modo da ativação concêntrica. Com a ativação excêntrica, uma carga
se contrai (i.e., através da ativação concêntrica) ou pode atuar FIG. 3.1B O diagrama de superfície representa a relação tri-
que comparações futuras sejam válidas. O teste da força isomé- que mal excede o nível de força isométrica faz com que o mús-
como um "freio" ou desacelerador quando uma carga é aplicada dimensional entre força muscular, comprimento e velocidade de
trica em ângulos articulares diferentes permite a caracterização culo alonguellentamente. A velocidade de alongamento aumen- contração durante o esforço máximo. O trabalho positivo indica
e o músculo ativado está alongando (i.e., através da ativação ex-
da amplitude funcional da força de um músculo. Esta informa- ta à medida que uma carga maior é aplicada. Há uma carga má- ativação muscular concêntrica e trabalho excêntrico indica ativa-
cêntrica).
ção pode ser necessária para determinar a adequação de uma xima à qual o músculo não pode resistir, e além deste nível de ção muscular excêntrica. (De Winter DA: Biomechanics and Mo-
pessoa a uma determinada tarefa no ambiente de trabalho, espe- carga o músculo se alonga de modo incontrolável. tor Control of Human Movement, 2nd ed. New York, John Wiley
& Sons, Inc., 1990.) Este material está usado com permissão de
cialmente se a tarefa requer um torque interno critico para ser Ativando o Músculo via Sistema Nervoso John Wiley & Sons, Inc.
A curva fdrça-velocidade teórica para o músculo através das
produzido em determinados ângulos articulares.
ativações concêntrica, isométrica e excêntrica é frequentemente Foram examinados diversos mecanismos mecânicos importan-
mostrada com a força sobre o eixo Y (vertical) e a velocidade de tes essenciais ã geração de força muscular. Da maior importân-
MÚSCULO COMO MOTOR DO ESQUELETO: contração e alongamento sobre o eixo X (horizontal) (Fig. 3.15). cia, contudo, é o fato de que o músculo ê estimulado pelos im-
Em geral, durante uma ativação concêntrica de esforço máximo, rõnios espinais e neurónios descendentes corticais. Cada fonte
MODULAÇÃO DA FORÇA pulsos que são gerados no sistema nervoso, especificamente pe-
a quantidade de força muscular é inversamente proporcional à pode ativar um neurônio motor alfa; primeiro, recrutando o neu-
los neurónios motores alfas localizados no corno anterior da
rônio motor e, depois, conduzindo-o a velocidades mais eleva-
A seção anterior procura mostrar como um músculo isometrica- velocidade de contração do músculo. Durante uma ativação ex- medula espinal. Cada neurônio motor alfa possui um axõnio que
das de ativação sequencial. A sequência de condução dos neuró-
mente ativado pode estabilizar o sistema esquelético; esta próxi- cêntrica de esforço máximo, a força muscular é, até certo ponto, se projeta para fora da medula espinal e se conecta com múlti-
nios motores a velocidades mais elevadas, conhecida como codi-
ma seção estuda como os músculos modulam forças ativamente diretamente proporcional à velocidade de alongamento do mús- plas fibras musculares localizadas em todo o músculo como um
jicação de velocidade, permite ao músculo recrutado gerar quan-
enquanto mudam de comprimento, o que é necessário para culo. A expressão clínica de uma relação força-velocidade do todo. O neurônio motor alfa e todas as fibras musculares que são
tidades maiores de força. Estas duas questões da condução dos
mover o sistema esquelético. A modulação ativa da força mus- músculo é uma relação da velocidade angular torque-articulação. inervadas por ele são chamados de unidade motora. Devido a este
neurónios motores são discutidas posteriormente.
cular requer um mecanismo para controlar a estimulação do te- Este tipo de dado pode ser obtido através da dinamometria arranjo, o sistema nervoso pode produzir uma força muscular a
cido muscular. O sistema nervoso atua como um "controlador" isocinéíica (ver Cap. 4). partir de pequenas contrações, envolvendo apenas umas poucas
que pode variar a ativação do músculo de acordo com as exigên- A relação inversa entre o potencial de força máxima de um fibras musculares e grandes contrações que envolvem a maioria RECRUTAMENTO
cias especiais da tarefa. Por exemplo, se a tarefa é indicar preci- músculo e sua velocidade de contração está associada com o das fibras. O estímulo dos neurónios motores alfa pode originar- O recrutamento se refere â ativação inicial de um conjunto espe-
samente um alvo pequeno, o controlador precisa ser capaz de conceito de potência. Potência, ou a quantidade de trabalho, pode se de muitas fontes, por exemplo, neurónios aferentes, intemeu- cífico de neurónios motores que resultam na geração de poten-
52 Músculo: O Definitivo Gerador de Força no Carpa Musculo: O Definitivo Gerador de Força no Corpo 53

esquerda). As unidades motoras associadas a estas fibras são Tipo de unidade:


motora RF RF
classificadas como RF (rápidas e facilmente fatigáveis) ou RG (rá-
pidas e glicoliticas), refletindo o perfil histoquímico. As fibras RG Perfil
RG FOG LO
1. Potencial de ação iniciado e propagado por um axõnio motor sofrem fadiga facilmente. , histoquímico
2. Acetilcqlina liberada do terminal do âxônio na junção Existe todo um espectro de unidades motoras que apresen-
neuromuscular
tam perfis fisiológico e histoquímico entre os tipos rápido e len-
3. Acedlcolina ligada aos locais receptores na placa motora
:tenmr>al •<:;::; ^ ^ y i ; to (Fig. 3.17, centro). As unidades motoras associadas com estas
4. íons sódio e potássio entram e despolarizam a membrana fibras são denominadas RF (resistentes à fadiga). As fibras são
muscular. denominadas FOG para mostrar claramente a utilização combi-
5. Potencial de ação muscular propagada sobre a superfície da Neuronic motor
nada de fontes de energia oxidante e glicolítica.
"""membrana ' : :' ; ":.::•;'"
6. Túbulos transversos despolarizados levando â liberação dos Os tipos de unidades motoras representadas na Fig. 3.17 per-
tons caldo circundando as miofibrilas mitem uma ampla gama de respostas fisiológicas provenientes
7. íons cálcio ligam-se à troponina, o eme leva à liberação da das fibras presentes nos músculos esqueléticos. Os neurónios
inibição sobre a ação de ligação da actinae miosina motores (menores) recrutados primeiro produzem pequenas
8. Aãctínacombina-secomotrifosfato de àdenosiria(ATP)da contrações de força de longa duração. Os neurónios motores
1
miosina, uma moléculafornecedorade energia i J \= '
9. Energia liberada para produzir movimento das pontes (maiores) recrutados depois acrescentam sucessivamente forças
iSvcnizate'demiasira:);;^ •'.?:::''.f maiores de menor duração. Através deste espectro, o sistema
10. Osfilamentosdelgados e espessos deslizam um em relação nervoso é capaz de ativar as fibras musculares que mantêm pos-
ao outro . turas estáveis por longos períodos e, quando necessário, produ-
11. À ligação actinae miosina é quebrada e restabelecida se a • Unidade"'
zem explosões de força intensa de curta duração para movimen- muscular'
concentração de cálcio permanecer suficientemente alta
tos mais impulsivos.

CODIFICAÇÃO DA TAXA
ciais de ação que estimulam as fibras musculares alvos. O siste-
ma nervoso recruta uma unidade motora alterando o potencial Após o recrutamento de um neurônio motor, a força do múscu-
de voltagem através da superfície da membrana do neurônio lo é modulada por um aumento na taxa de seu estímulo, um
motor alfa. O processo de facilitação é o resultado final da com- conceito chamado codificação da taxa. Embora um único poten-
petição da entrada inibidora e facilitadora que finalmente resul- cial de ação em uma fibra de músculo esquelético dure de 1 a 2 | Respostas de
ta em um limiar de potencial de ação, que leva o neurônio mo- milissegundos (ms), a contração da fibra muscular (comumente contração
tor a propagar o estimulo para as fibras musculares. Uma vez chamada de contração muscular) pode durar até 130 ms em uma
ativada a fibra muscular, ocorre uma rápida contração muscular fibra L. Devido â longa duração da contração muscular, é possí-
e uma pequena quantidade de força é gerada. O Quadro 3.5 lis- vel para diversos potenciais de ação subsequentes começarem
ta a sequência principal de eventos essenciais ã ativação da fibra durante a contração muscular inicial.'1 Se for permitido a uma FIG. 3.17 Classificação dos dpos de
unidade motora de um músculo com
muscular. Ao recrutar mais neurónios, mais fibras musculares são fibra relaxar completamente antes do potencial de ação subse-
base no perfil histoquímico, tamanho
ativadas, e, consequentemente, mais força é gerada no músculo quente, a contração muscular da segunda fibra gera força equi- Curvas
e características de contração muscu-
' de fadiga'.
como um todo. valente à primeira contração muscular (Fig. 3.18). Contudo, se lar (Modificado de Beme RM, Levy
Os neurónios motores têm tamanhos diferentes e estão conec- o próximo potencial de ação ocorrer antes do relaxamento da MN: Principles of Physiology, 3rd ed.
contração muscular precedente, as contrações musculares se St. Louis, Mosby, 1996.)
tados as fibras musculares de diferentes características contrateis
(Fig. 3.17). O tamanhó;.do neuronic motor influencia a ordem acumulam, gerando um nível ainda maior de força máxima. Al-
na qual é recrutado pelo sistema nervoso (i.e., neurónios moto- ternativamente, se o próximo potencial de ação ocorrer mais
res menores serão recrutados antes dos maiores). Este princípio próximo do nível de fora máxima da contração muscular inicial, Fadiga Muscular
Tetanização
é chamado de Princípio do Tamanho de Henneman. Foi demons- a força será ainda maior. Como asfibrasmusculares são estimuladas repetidamente, a força
trado e desenvolvido experimentalmente pela vez por Elwood Um conjunta de potenciais de ação em sequência, separados gerada por uma fibra ao final diminui, embora a taxa de ativação
Henneman no final dos anos 1950.7 O princípio é responsável por um intervalo de tempo apropriado, gera uma série de con- permaneça a mesma (Fig. 3.19). O declínio da força muscular
pelo recrutamento ordenado das unidades motoras, especifica- trações musculares mecânicas acumuladas, denominada de con- sob condições de ativação estável é denominado Jadtga muscu-
das pelo tamanho, o que permite o desenvolvimento regular e tração tetânica descontinua. À medida que o intervalo de tempo lar. Na teoria, a fadiga muscular pode ocorrer a partir de proces-
controlado da força. diminui, a contração tetânica contínua gera uma força maior até sos metabólicos ou a partir de colapso nos mecanismos fisioló-
As fibras musculares que estão conectadas aos neurónios que os picos e as valéculas sucessivas de contrações musculares gicos envolvidos com o sistema neuromuscular. Normalmente,
motores menores têm respostas de contração muscular que são mecânicas se fundem em um nível de força muscular único e o sistema nervoso compensa a fadiga muscular, aumentando a
de duração relativamente longa e de amplitude baixa (veja Fig. estável denominado contração tetânica contínua (ou tetanização) 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 taxa de ativação (i.e., codificação da taxa) ou recrutando unida-
3.17, direita). Unidades motoras associadas a estas fibras são clas- (veja Fig. 3.18). A contração tetânica descontínua representa o Taxa da estimulação (vezes por segundo) des motoras auxiliares (i.e., recrutamento), mantendo, desse
sificadas como L (lentas) porque as fibras demoram a responder maior nível de força possível para uma fibra muscular. Portanto, FIG. 3.18 A soma das contrações individuais do músculo está gravada modo, u m nível de força estável. Quando um músculo em exer-,
aos estímulos, ou LO (lentas, oxidantes). O O reflete o perfil his- unidades motoras ativadas em taxas elevadas são capazes de ge- sobre uma ampla taxa de frequências de estimulação. Observe que nas cicio começa a sofrer fadiga e o desempenho começa a diminuir,
toqutmico. As fibras LO mostram relativamente pouca fadiga (i.e., rar força total maior que o mesmo número de unidades motoras baixas frequências de estimulação (5-10 por segundo) a contração ini- um período de repouso permite que o músculo recupere seu nível
perda de força durante ativação sustentada); ativadas em taxas mais baixas. Como as unidades motoras são cial é relaxada antes que a próxima contração possa se somar. Em fre- de desempenho normal. O período de repouso que é exigido
quências progressivamente mais altas, as contrações se somam para gerar
As fibras musculares que estão conectadas aos neurónios distribuídas através de todo o músculo, as forças contrateis da depende do tipo e da intensidade da contração de fadiga.1 Por
níveis de força mais altos até que ocorra uma contração fundida (tetani-
motores maiores têm respostas de contração muscular que são fibra se acumulam por todo o músculo e, finalmente, são trans- zação). (De Guyton AC, HallJE: Textbook oIMedical Physiology, 10th exemplo, um músculo que sofre fadiga rapidamente por meio
de duração relativamente curta e de amplitude alta (Fig. 3.17, mitidas para o tendão e por meio da articulação. ed. Philadelphia, W.B. Saunders, 2000.) exercícios de alta intensidade e curta duração se recupera apôs
•54 Músculo: O Definitivo Gerador de Força no Corpo Miiscuio: O Definitivo Gerador de Força no Corpo 55

vação concêntrica através de seu comprimento de geração de força processo permite a quantificação cumulativa da EMG ou a EMG
ótima, em uma velocidade contração relativamente alta. Combase média durante um períodofixode tempo. Os sinais que são re-
nas relações comprimento-tensão e força-velocidade, o Músculo gulares e/ou integrados podem ser usados nos dispositivos de
A está operando em uma vantagem jisioidgica relativa para pro- Biofeedback, como medidores visuais ou sinais de áudio, e para
duzir força. O Músculo A, portanto, necessita recrutar menos guiar outros dispositivos, como simuladores elétricos para auxi-
neurónios motores, e em taxas mais lentas, do que o Músculo B. liar na ativação muscular em um limiar pré-ajustado de ativação
FIG. 3.19 A fadiga muscular é demonstrada por uma redução
Os níveis da EMG, consequentemente, seriam menores para o voluntária.
Estímulos na força sobre uma ativação isométrica sustentada. À medi- movi realizado pelo Músculo A, embora ambos os músculos pro- Quando se compara a intensidade de um sinal de EMG pro-
da que o estímulo continua além do tempo, as forças de res- duzam forças submáxfmas equivalentes. O uso da magnitude da. cessado entre músculos diferentes, é frequentemente necessário
Tempo posta do músculo diminuem. EMG não é uma'ferramenta válida para comparar a força interna que o sinal seja normalizado para algum sinal de referência co-
produzida por estes dois músculos. Contudo, a EMG é uma fer- mum. Isto é especificamente necessário quando a magnitude da
ramenta útil para este propósito se os dois músculos estão ope- EMG está sendo comparada entre pessoas ou entre seções, re-
um repouso de segundos a minutos. Em contraste, um músculo nível relativos do impulso neural para um músculo e, portanto, rando sob condições de ativação, comprimento e velocidades querendo que os eletrodos sejam reaplicados. Um método co-
que sofre fadiga lentamente por meio de exercícios de baixa in- podem ser ú eis na compreensão da função de um músculo par- semelhantes. mum de normalização envolve a referenciação de nm sinal de
tensidade e longa duração requer até 24 horas para recuperação. ticular no controle de um determinado movimento. Sob deter- A EMG'pode ser realizada com eletrodos de registro de su- EMG não processado a partir de um músculo, para o sinal pro-
A fadiga envolve uma variedade de elementos localizados por minadas condições, a magnitude do sinal da eletromiografia tam- perfície ou com agulha (de inserção). Os eletrodos de superfície duzido quando uma pessoa realiza contração isométrica voluntá-
todo o sistema neuromuscular. É conveniente pensar que a fadi- bém pode indicar os níveis relativos da força muscular. são fáceis de aplicar e não-invasivos e podem detectar sinais pro- ria máxima. Podem ser feitas comparações significativas a partir
ga ocorre principalmente nos elementos neuromusculares cen- Quando uma unidade motora é ativada, o impulso elétrico venientes de uma grande área subjacente ao músculo. Os eletro- da intensidade relativa, expressa como uma percentagem, do
trais ou periféricos. A fadiga central pode ser afetada por fatores segue ao longo do axônio até chegar nas placas terminais moto- dos com agulha, inseridos no ventre do músculo, permitem uma impulso neural do músculo durante alguma atividade.
psicológicos, como uma percepção de esforço, e/ou fatores ras das fibras musculares. Como o tecido em torno das fibras maior especificidade em termos de região muscular, e permitem A coleção de sinais de EMG durante o movimento, quando
neurofisiológicos, como o controle decrescente sobre os inter- musculares é um condutor de eletricidade, a despolarização sub- a escolha de músculos mais profundos que não estão acessíveis suplementados pelas medidas cinemática e cinética, pode forne-
neurõnios e neurónios motores localizados na medula espinal. sequente das fibras musculares atiradas induz um sinal elétrico quando se usa eletrodos de registro de superfície. Entretanto, os cer um método abrangente para analisar como os músculos con-
Com a fadiga central, os esforços voluntários na ativação da co- mensurável que pode ser percebido por um eletrodo que está eletrodos com agulha requerem um nível alto de habilidade téc- tribuem para um movimento. A EMG também pode fornecer uma
leção de neurónios motores tomam-se subótimos quando se pede colocado próximo das fibras musculares. O sinal é denominado nica e treinamento antes da implementação segura; consequen- compreensão clara do controle neural de movimentos intencio-
a um indivíduo que gere uma contração muscular máxima.13 de potenáalâe ação da unidade motora (MUAP) e pode ser perce- temente, os eletrodos de registro de superfície são mais comu- nais. Um médico pode usar a EMG para auxiliar na compreen-
Durante um esforço máximo, o sistema nervoso pode iniciar vias bido por ambos os eletrodos residentes (i.e., eletrodos coloca- mente usados na prática clínica. são da diminuição da capacidade física subjacente ao movimen-
inibidoras para impedir a ativação eficiente das coleções de neu- dos sobre a pele subjacente ao músculo). Como os sinais da EMG originam-se como sinais muito pe- to anormal. Esta compreensão pode, então, levar à identificação
rónios motores. Conduções tardias ou bloqueios das vias neu- Dependendo das características da unidade motora, a força quenos, há um risco alto de ruído elétrico externo. O sinal do de diagnósticos associados com disfunção do movimento e a
rais, como na esclerose múltipla, podem prejudicar a capacida- máxima é alcançada 20 a 150 ms após a despolarização. Portan- ruído pode ser controlado de diversas maneiras. Configurações estratégias de intervenção apropriadas.
de de ativar as coleções de neurónios motores.15 Quando a fadi- to, existe um! atraso eletromêcãnico entre o aparecimento da atí- diferenciais do eletrodo (dois eletrodos de captação que são ele-
ga central torna-se um mecanismo suspeito, contribuindo para vidade elétrica muscular e a geração da força mecânica.14-18 Como tricamente acoplados) são usados para eliminar o sinal de ruído
REFERÊNCIAS
diminuir o rendimento da força muscular, o estímulo verbal ou descrito, existem dois mecanismos para modular a força muscu- que é comumente registrado por ambos os eletrodos. A prepara-
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comandos em voz alta podem momentaneamente aumentar o lar: recrutamento e codificação da taxa. Quando o número de ção adequada da pele assegura que os minúsculos sinais da EMG (eds): Restoration of Walking for Paraplegics. Amsterdam, Ios Press,
rendimento. unidades motoras ativas no músculo é aumentado via recruta- sejam mais eficientemente registrados em vez de serem excessi- 1992, pp 197-202.
A fadiga periférica pode resultar de fatores neurofisiológicosmento, quantidades maiores de potenciais de ação das unidades vamente impedidos pela pele sem preparo. O ambiente de regis- 2. Asmussen E Muscle fatigue. Med Sci Sports Exeic 25:412-420,1993.
3. Brouwer B, Wheeldon RK, Stradiotto-Parker N, ABum J: Reflex excit-
relacionados com a propagação do potencial de ação nos nervos motoras ocorrem. A somatória destes sinais gera um sinal de EMG tro pode ser isolado eletricamente, de modo que o ruído externo ability and isometric force production in cerebral palsy: The effect of
motores e com a transmissão da ativação para asfibrasmuscula- de amplitude total maior. Quando a taxa de disparo das unida- é mantido distante do equipamento. Sinais elétricos podem ser serial casting. Dev Med Child Neurol 40:168-175, 199B.
res. O terminal do nervo motor, onde o nervo motor inerva as des motoras ativas é aumentada, quantidades maiores de poten- pré-amplificados na fonte do eletrodo, em vez de amplificados 4. Burke R, Ixvine D, Tsairis P, Zajac F: Physiological types and histo-
chemical profiles in motor units of the cat gastrocnemius. J Physiol
fibras musculares, pode exibir falha na transmissão, de modo que ciais de ação das unidades motoras ocorrem em um detennrna- após a condução dos sinais para um amplificador distante, de 234:723-748,1973.
o potencial de ação não é transmitido para o plasmalema.11 A do período de tempo. Ocorre também um sinal de EMC de am- maneira que a interferência do ruído proveniente do movimen- 5. Fitts RH, Metzger JM: Mechanisms of muscular fatigue. In PoortmansJR
Ced): Principles of Exercise Biochemistry, 2nd revised ed. 1993, pp
ativação repetida das unidades motores pode resultar em uma plitude maior, indicandotipicamenteum nível maior de força to do cabo do eletrodo é minimizado. Afiltraçãodo sinal (i.e., a
248-268.
redução gradual da liberação de acetilcolina.2 Visto que a no componente contrátil ativo do músculo. eliminação de frequências específicas de sinais elétricos) pode ser 6. Fregly B, Zajac F: A state-space analysis of mechanical energy genera-
aceticolina é o transmissor essencial responsável pela ativação do Aconselha-se prudência quando se interpretam mudanças na usada para reduzir fontes de interferência de sinais elétricos. tion, absorption, and transfer during pedaling. J Biomech 29:81-90,
Ruídos de baixa frequência, por exemplo, podem estar presen- 1996.
plasmalema, uma redução gradual na sua liberação reduz o ta- amplitude da EMG sob condições diferentes da ativação isomé- 7. Henneman E, Mendell JM: Functional organization of motoneuron pool
manho da contração muscular resultante para um determinado trica. Quando um músculo ativado está alongando ou encolhen- tes nas fontes de energia acopladas nas tomadas de energia. Um and its inputs. In Brookhart, JM, Mountcasde, VB, Brooks, VB (eds):
músculo. Fatores bioquímicos podem estar envolvidos na fadi- do, a fonte do sinal elétrico muda sua orientação em relação ao filtro projetado para eliminar a maior parte do sinal elétrico a 60 Handbook of Physiology, vol. 2. Bethesda, American Physiological Soci-
Hz e abaixo reduz significativamente o ruído proveniente destas ety, 1981, pp 423-507.
ga periférica. A composição química do citoplasma das fibras eletrodo que pega o sinal. O sinal, portanto, pode representar uma 8. Huxley H, Hanson J: Changes in the cross-striations of muscle during
musculares pode sofrer uma variedade de mudanças que, com o compilação de potenciais de ação das unidades motoras prove- fontes. contraction and stretch and their structural interpretation. Nature 173:
tempo, reduzem a produção de força.5 nientes de diferentes regiões de um músculo ou mesmo de mús- O sinal da EMG requer processamento para ser útil para in- 973-976,1954.
culos diferentes. terpretação cinesiolâgica. Sinais não processados oufiltradosnão 9. Huxley A, Niedergerke R: Structural changes in muscle during contrac-
tion. Interference microscopy of living muscle fibres. Nature 173:971-
Devido às relações comprimento-tensão e força-vèlocidade do processados referem-se a forma de onda bifásica original que é 973, 1954.
ELETROMIOGRAFIA: JANELA PARA 0 IMPULSO músculo, a amplitude da EMG pode variar consideravelmente captada pelo eletrodo. Frequentemente, o sinal não processado 10. Jaramillb J, Worrell TW, Ingetsoll CD: Hip isometric strength following
quando um músculo produz uma força via ativações não é regular e/ou integrado. A regularização refere-se ao achatamento knee surgery. J Orthop Sports Phys Ther 20:160-165, 1994.
MEURAL DO MÚSCULO 11. Kmjevic K, Miledi R: Failure of neuromuscular propogation in rats. J
isométricas. Considere os dois exemplos extremos seguintes. O dos picos e valéculas que ocorrem em um sinal elétrico bifásico. Physiol 140,1958.
Quando um músculo é ativado via sistema nervoso, são gerados Músculo A produz uma determinada força submáxima via ati- A regularização é realizada para permitir a quantificação de mo- 12. Loeb G, Pratt C, Chanaud C, Richmond F: Distribution and innervation
potenciais elétricos. O registro destes potenciais de ação ampli- vação excêntrica através de seu comprimento de geração de for- mento a momento do sinal, porque este elimina as mudanças of short, interdigitated muscle fibers in parallel-fibered muscles of the
cat hindlhnb.J Morph 191:1-15, 1987.
ficados através de eletrodos especiais é chamado de ektromiograjkça ôtima, em uma velocidade de alongamento relativamente alta. transitórias nos valores de pico do sinal. A integração é um ter- 13. McKemrie DK, Biglandritchie B, Gorman RB, Gandevia SC- Central and
(EMG). Os sinais da eletromiografia podem indicar o ritmo e o O Músculo B produz uma força submáxima equivalente via ati- mo matemático que se refere ã medida da área sob a curva. Este peripheral fatigue of human diaphragm and limb muscles assessed by
56 Músculo: O Definitivo Gerador de Força no Corpo

CAPíTULO 4
twitch interpolation. J Physiol 454:643-:626, 1992. Enoka R, Fuglevand A: Motor unit physiology: Some unresolved issues.
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Segunda Lei de Newton: Lei da Aceleração influência da Mudança do Ângulo da Decompondo a Força Articular
Relação Força (Torquej-Aceleração Articulação Problema 2
Métodos Analíticos de Análise de Força Decompondo o Torque Interno e a Força
Relação Impulso-Momento
Comparando Dois Métodos para Muscular
Relação Trabalho-Energia
Determinação do Torque sobre uma Decompondo a Força Articular
Terceira Lei de Newton: Lei da Ação-Reação
Articulação Análise Dinâmica
INTRODUÇÃO À ANÁLISE DO MOVIMENTO: Questões Clinicas Relacionadas com a Sistemas de Mensuração Cinemática e Cinética
ESTABELECENDO AS BASES Força e o Torque da Articulação Sistemas de Mensuração Cinemática:
Antropometria "Proteção" da Articulação
Setrogoniômetro, Acelerômetro,
Diagrama de Corpo Livre Aplicação Manual de Torques Externos
Técnicas de Imagem e Dispositivos de
Passos Iniciais para Estabelecer o Diagrama de durante o Exercício
Rastreamento Hatromagnético
Corpo Livre INTRODUçãO ã ANáLISE DO MOVIMENTO: Sistemas de Mensuração Cinética:
Pontos de Referência MéTODOS' QUANTITATIVOS DE ANáLISE Dispositivos Mecânicos, Transdutores e
Representação de Forças Análise Estática Dispositivos Eletromecânicos
Métodos Gráficos de Análise de Forças

INTRODUÇÃO ser usada para compreender os mecanismos da lesão, assim como


para orientar as abordagens de tratamento. Os avanços tecnoló-
Pode ser assoberbante considerar todos os fatores que podem ter
gicos continuam a aumentar a.capacidade de compreender e
impacto sobre o movimento humano. E muitas abordagens de
influenciar o desempenho humano.
tratamento usadas na reabilitação física dependem da descrição
precisa do movimento e de uma avaliação confiável da resposta
LEIS DE NEWTON: APLICAÇÃO À ANÁLISE DO
da pessoa ã intervenção. A justificação e o resultado bem-suce-
MOVIMENTO
dido de intervenções cirúrgicas e não-cirúrgicas também são fre-
quentemente mensurados pelas mudanças na qualidade e quan- O resultado de toda a análise do movimento é, essencialmente,
tidade do movimento. Em resposta a estes fatores, uma varieda- determinado pelas forças aplicadas sobre o corpo em movimen-
de de técnicas de análise podem ser utilizadas para avaliação do to. No século XVII, Sir Isaac Newton observou que as forças es-
movimento, variando da observação visual às análises sofistica- tavam relacionadas com a massa e o movimento de uma forma
das de movimentos e técnicas de imagem. Mais frequentemente, previsível. Seu livro Philosophiae Naíuraíis Principia Maihematica
a complexidade da análise do movimento é simplificada come- (1687) forneceu as leis e princípios básicos de mecânica que for-
çando-se com a avaliação das forças atuantes sobre um único mam o alicerce da análise do movimento humano. Estas leis,
segmento rígido do corpo. As leis do movimento de Newton aju- chamadas de let da inércia, lei da aceleração e lei da ação e rea-
dam a explicar a relação entre as forças e seu impacto sobre as ção, são coletivamente conhecidas como ás leis âo movimenta e
articulações individuais, bem como sobre o movimento total do formam a estrutura a parrir da qual derivam as técnicas avança-
corpo. Mesmo nos níveis básicos de análise, esta informação pode das de análise de movimento.
58 Princípios de Biomecânica Princípios de Biomecânica 59

Leis do Movimento de Newton A primeira lei de Newton também é chamada de lei da inér- colhido funcionalmente reduz a distância média das partículas
cia. A inércia está relacionada com a quantidade de energia ne- de massa no membro em relação ao eixo medial-lateral de rota-
Este capítulo usa as leis do movimento de Newton para introdu-
cessária para alterar a velocidade de um corpo. A inércia presen- ção da articulação do quadril. A redução do momento de massa
zir técnicas de análise para descrever a relação entre as forças
te em um corpo é diretamente proporcional ã sua massa (i.e., a da inércia diminui a força exigida pelos músculos flexores do
aplicadas sobre o corpo e as consequências dessas forças sobre o
quantidade de matéria que constitui o corpo). Por exemplo, se quadril para acelerar o membro para frente. Alternativamente,
movimento humano. (Neste capítulo, o termo "corpo" é usado
dois corpos têm massas diferentes, mas estão se movendo a ve- uma dada força muscular pode avançar o membro inferior mais
quando se elaboram os conceitos relacionados com as leis de
locidades lineares iguais, é necessária uma força maior para alte- rapidamente enquanto se caminha quando a extremidade infe-
movimento e métodos de análise quantitativa. O leitor deve es-
rar o movimento do corpo mais pesado. rior é flectida comparada com quando está endireitada. A mu-
tar ciente de que este termo pode também se referir a todo o corpo
Cada corpo tem um ponto sobre o qual sua massa é distribu- dança na posição da articulação (i.e., aumento na flexão do qua-
humano; a um segmento ou parte do corpo, como o segmento
ída igualmente. O ponto, chamado de centro de massa, é onde a dril e do joelho ena dorsiilexão do tornozelo) usada para dimi-
do antebraço; a um objeto, como um peso que é erguido; ou ao
aceleração da gravidade atua sobre o corpo. Quando submetido nuir a resistência ao movimento angular toma-se até mesmo
sistema sob consideração, como a interface pé-chão. Na maioria
à gravidade, b centro de massa de um corpo é frequentemente mais aparente quando uma pessoa muda da caminhada para a
dos casos, o termo mais simples, corpo, é usado quando se des-
descrito com seu centro de gravidade. Para todo corpo humano corrida.
crevem os conceitos principais.) As leis de Newton são descritas
na posição ereta, o centro de massa situa-se imediatamente an- Os atletas frequentemente tentam controlar o momento de
tanto para o movimento linear como para o movimento rotacio-
terior à segunda vértebra sacral (Fig. 4.1A). O centro de massa massa da inércia de seu corpo alterando a posição dos segmen-
nal (angular) (Quadro 4.1).
para os segmentos da coxa e perna de um indivíduo é mostrado tos corpóreos individuais. Este conceito está bem ilustrado pe-
na Fig. 4.13 e C, respectivamente. Durante o movimento, o cen- los mergulhadores que reduzem seu momento de inércia a fim
PRIMEIRA LEI DE NEWTON: LEI DA INÉRCIA de completar com sucesso múltiplos saltos mortais completos
tro de massapuda continuamente - sua localização sendo uma
A primeira lei de Newton afirma que um corpo, permanece em função da localização e do tamanho dos segmentos do corpo do ainda no ar (Fig. 4.3Á). O adeta pode assumir uma posição
repouso ou em velocidade linear constante, exceto quando é obri- indivíduo, informações adicionais com relação ao centro de massa "carpada" extrema colocando a cabeça próxima dos joelhos,
gado a mudar sua condição por meio de uma força externa. É dos segmentos do corpo são discutidas posteriormente neste mantendo os braços e as pemas firmemente juntos, trazendo
necessária uma força para começar, parar ou alterar o movimento capítulo sob o tópico "Antropometria". dessa forma mais massa corporal para mais próximo do eixo de
linear. A aplicação da primeira lei de Newton ao movimento ro- rotação. Com base no princípio da "conservação do momento
O momento de massa da inércia de um corpo é uma quantida-
tacional afirma que um corpo permanece em repouso ou em ve- angular", reduzir a resistência ao movimento angular aumenta a
de que indica sua resistência a uma mudança na velocidade angu-
locidade angular constante sobre um eixo de rotação, a menos velocidade angular. De modo inverso, o adeta pode diminuir ou
lar. Diferentemente da massa, sua contraparte linear, o momen-
que forçado a mudar sua condição por meio de um torque ex- parar a rotação assumindo um posição "estendida" ou endirei-
to de massa da inércia depende não apenas da massa do corpo,
terno. Seja o movimento linear ou rotacional, a primeira lei de tando as extremidades (Fig. 4.3B). A massa das extremidades é
mas também da distribuição de sua massa com relação a um eixo
Newton descreve o caso no qual um corpo está em equilíbrio. posicionada mais longe do eixo medial-lateral de rotação, aumen-
de rotação.6 Como a maior parte do movimento humano é an-
Um corpo está em equilíbrio estdrico quando sua velocidade é zero, tando assim a resistência ao movimento angular e diminuindo a
gular, e não pnear, é importante compreender o conceito de
ou em equilíbrio dinâmico quando sua velocidade é diferente de velocidade de rotação.
momento deimassa da inércia. O momento de massa da inércia
zero, mas constante. Em qualquer caso, a aceleração do corpo é
(I) é definido na caixa de texto, onde n indica o número de par-
zero.
tículas em um corpo, m, indica a massa de cada partícula no corpo SEGUNDA LEI DE NEWTON: LEI DA ACELERAÇÃO
e r, é a distribuição ou a distância de cada partícula a partir do FIG. 4.1 O centro de massa do corpo todo (A) está mostrado com rela-
ção ao plano frontal. O centro de massa está também mostrado para o Relação Força flíorquBJ-Aceleraçãa
eixo de rotação.
Terraos-chavc Associados com a Primeira Lei de Newton segmento da coxa (B) e o segmento da perna (O. A segunda lei de Newton afirma que a aceleração de um corpo é
• Equilíbrio estático diretamente proporcional à força que a produz, ocorre na mes-
' ° Equilíbrio dinâmico
Momento de Massa da Inércia ma direção na qual a força atua, e é inversamente proporcional ã
• Inércia
- Centro de massa massa do corpo. A segunda lei de Newton gera uma equação que
A distância média entre o eixo de rotação e o centro de massa
- Momento de massa de inércia ,. I=£m,r,! (Equação 4.1) de um corpo é chamada de raio de rotação. A letra grega rõ (p) é
relaciona força (F), massa (m) e aceleração (a) (consulte a Equa-
• Raio de rotação i -i ção 4.3). Conceitualmente, a Equação 4.3 define uma relação
usada para indicar o raio de rotação. Substítuindo p, o raio de
jorça-acàeraçâo. Considerada uma relação de causa e efeito, o lado
rotação, por r no momento da equação de inércia (Equação 4.1),
esquerdo da equação, força (F), pode ser considerado como uma
tem-se a Equação 4.2, mais simples, mostrada na caixa de texto.
causa porque representa a interação entre um corpo e seu ambi-
As unidades de 1 são quilogramas por metro quadrado (kgm2).
ente. O lado direito, m X a, representa o efeito da interação so-
A equação mostra que a resistência do corpo a uma mudança na
bre o sistema. Nesta equação, £F indica a soma das forças ou as
velocidade angular é proporcional à massa do objeto (m) e à dis-
forças "líquidas" que atuam sobre um corpo. Se a soma das for-
tância elevada ao quadrado entre o centro de massa do objeto e
ças que atuam sobre um corpo é zero, a aceleração também é zero
o eixo de rotação (p2).
Primeira: Lei da Inércia ' • ; h: Um corpo permanece emrepousoou em W; Um corpo permanece em repouso ou em velocidade e o corpo está em ecmillbrio linear. Como discutido anteriormen-
velocidade linear constante exceto .•'í angular constante ao redor de um eixo da rotação a te, este caso é descrito pela primeira lei de Newton. Se, no en-
quando compelido poruma força externa: ••::' menos que compelido por um torque externo a mudar tanto, a força liquida produz uma aceleração, o corpo se move
.:.' pai? mudar seu estado. : •; ; seu estado. Momento de Massa da Inércia ,
na direção da força resultante.
l = mXp3 (Equação 4.2)
Segunda: Lei da Aceleração . A aceleração linear de um corpo é A aceleração angular de um corpo t diretamente
-•;., diretamente proportional à forc^que a v proporcional ao torque que a causa, tem lugar na
causa, tem lugarriamesma direção na'!" ^ : mesma direção rotatória na qual o torque age, e é
'inversamente proporcional ao momento de massa O fato de p ser elevado ao quadrado na Equação 4.2 tem im- Segunda Lei do Movimento Linear de Newton
qual a força age, e é inversamente
;
. ' proporcional ã massa do corpo. r' da inércia do corpo. plicações biomecânicas importantes. Considere, por exemplo, Quantificando uma Força
que durante a fase de oscilação da caminhada todo o membro XF = m X a (Equação 4.3)
Terceira: Lei da Ação-Reação Para cada força bá uma força igual e Para todo forque háumtorqueiguale diretamente
diretamente o p o s m . : • oposto. inferior encolhe devido aos movimentos combinados de flexão
1 Newton (N) = 1 kgm/s2
do quadril e joelho e dorsiflexâo do tornozelo. Um membro en-
60 Princípios de Biomecânica Princípios de Biomecânica 61

A refeção impulso-momento fornece uma outra perspectiva para


.^ty^Mrmmé Fifeji-iãB ®m-&& : •&, ri estudar o desempenho humano, bem como para obter uma com-
preensão mais clara dos mecanismos de lesão. O conceito de uma
IP
relação irnpulso-rnomento é frequentemente utilizado nas confi-
Uma Visão Mais de Perto do Momento de Massa da Inércia determinado eixo de rotação, afeta dramaticamente o momento de
gurações dos projetos esportivos e equipamento de recreação com
A Rg. 4.2 ilustra o conceito de momento de massa da inércia. massa da inércia do objeto em rotação. Considere Y, como o eixo de
rotação. 0 momento de massa da inércia é determinado usando-se a o propósito de proteger os usuários de lesões. Calçados para cor-
Gonsidera-se que um objeto retangular consista em cinco pontos de rida com sistema de amortecimento no solado e capacetes para
massas (M,-M s ), cada um com uma massa de 0,5 kg. 0 objeto é Equação 4.1 e substituindo-se valores conhecidos (veja o boxe). A
seguir, considere Y2 como o eixo de rotação. As partículas de massa ciclistas com acolchoamento protetor são exemplos de equipamen-
livre para girar no plano horizontal. Neste exemplo, o objeto
são distribuídas de modo diferente se cada eixo for considerado tos planejados para reduzir as lesões aumentando o tempo ou
retangular é capaz de girar separadamente sobre dois eixos verticais
separadamente. Como observado nos cálculos, o momento de duração do impacto para minimizar a força de pico do impacto.
de rotação (Y, e Yz). As distâncias (r,-r 5 ) medem cada uma 0,1 m de
massa da inércia, se considerarmos Y2 como eixo, é 5,5 vezes
comprimento, representando a distância entre cada partícula de A segunda lei de Newton envolvendo torque pode se aplicar
menor do que se considerarmos Y, como eixo. Uma razão para a A Velocidade angular B Velocidade angular
massa (M,-M 5 ) e entre as partículas de massa indicadas e os dois ao caso rotatório da relação impulso-momento. Semelhante às
redução do momento de inércia é que a partícula de massa M3, que aumentada diminuída
eixos de rotação. 0 eixo de rotação Y2 gira através do centro de é coincidente com o eixo Y2, oferece resistência zero para a rotação substituições e rearranjos para a relação linear, a relação angular
massa de todo o objeto (M3). Os cálculos seguintes demonstram
como a distribuição das partículas de massa, em relação a um
do objeto retangular. Como princípio geral, entretanto, o momento FIG. 4.3 Um mergulhador ilustra um exemplo de como o momento de pode ser expressa pela substituição e reananjo da Equação 4.4.
de massa da inércia sobre um eixo de rotação que passa através do massa da inércia próximo de um eixo medial-lateral (ponto preto) pode Substituindo Acn/t (mudança na velocidade angular) por a (ace-
centro de massa de um corpo é sempre menor do que o momento ser alterado através das mudanças na posição do tronco e dos membros. leração angular) tem-se a Equação 4.7 (ver boxe). A Equação 4.7
EixoY, ExoY2 de inércia sobre qualquer eixo paralelo. Na posição A, o mergulhador diminui o momento de massa da inércia, pode ser reajustada para a Equação 4.8 - o equivalente angular
csb> o que aumenta a velocidade angular do giro. Na posição B, uma mu- da relação impulso-momento.
' dança na posição dos membros causa maior momento de massa de inér-
EixoYj cia e diminui a velocidade angular do giro.
; T = lA«j/t : :: (Equação 4.7)
i =5>.tf
Tt = I X a . (Equação 4.8)
-mrf + m 2 (r M ) 2 + m 3 (r 1+IH ) 2 + m 1 (r 1+2HH ) 2 /
iíri:V + m
5( r l+2+3-H+í) 2
áy •••::•'
^•yiipl saiii asasasa
s Momento Angular .== I X .Velocidade Angular.

v = 0,5 kg-(0,l m)2 + 0,5 kg (0,2 m)2 + 0,5 kg (0,3 m)2 Impulso Angular = Torque X Tempo
••Cb Í-'.G> í; O : + 0,5 kg (0,4 m)2 + 0,5 kg (0,5 m)2 Momento de Massa da Inércia e Modelo Protético
= 0,275 kgm2 Relação Trabalho-Bnergia
0 momento de massa da inércia é levado em consideração no modelo
EixoY2 protético para a pessoa com uma amputação. 0 uso de componentes Até agora, a segunda lei de Newton foi descrita usando-se (1) as
mais leves na prótese do pé, por exemplo, não apenas reduz a relações força (torque)-aceleração(Equações 4.3 e 4.4) e (2) as re-
I=I>,r, 2 massa total da prótese, mas também resulta em mudança na lações impulso-momento (Equações 4.5 até 4.8). A segunda lei de
distribuição da massa para um local mais proximal na perna. Newton pode ser reformulada para fornecer uma relação trabalho-
'= ni[(r2+3)2 + m 2 (r 3 ) 2 + m 3 r ! + m,(r,) 2 + m5(r<+5)2 Como resultado, menos resistência á imposta sobre o restante do energa. Esta terceira abordagem pode ser usada para estudar o
"= 0,5 kg (0,2 m)2 + 0,5 kg (0,1 m)2 + 0,5 kg (0 m)2 membro durante a fase da oscilação na marcha. 0 benefício
movimento humano analisando-se a extensão na qual uma força
+ 0,5 kg (0,1 m)2 + 0,5 kg (0,2 m)2 destes componentes mais leves é realizado em termos de redução
= 0,05 kgm2 ou torque pode mover ou girar um objeto através de uma distancia
de demandas de energia para a pessoa com uma amputação.
FIG. 4.2 Um objetoretangularestá mostrado com um potencial para qualquer. Trabalho (D em um serrado linear é igual ao produto da
girar ao redor de dois eixos separados de rotação (Y,, Y2). Os dois magnitude da/orça (F) aplicada contra um objeto e a distância que
Cada segmento no corpo humano é composto de tecidos
conjuntos de cálculos associados com cada eixo de rotação mostram diferentes, como osso, músculo, gordura e pele, e não tem o objeto percorre na direção da força enquanto a força está sendo
como a distribuição da massa dentro de um corpo afeta o momento densidade uniforme. Isto torna o cálculo do momento de massa da
A aceleração é a taxa de mudança de velocidade (Av/t). A subs- aplicada (Equação 4.9 no boxe). Se nenhum movimento ocorrer,
de massa da inércia. 5upõe-se que o objeto consiste em cinco pontos inércia mais desafiador do que o cálculo da massa. Valores para o
iguais de massa (MrMj), localizados a distâncias fixadas (r,-!,) um ' momento de massa da inércia para cada segmento do corpo são tituição desta expressão pela aceleração linear na Equação 4.3 re- nenhum trabalho mecânico é realizado. As unidades mais comu-
do outro e dos eixos da rotação. O centro de massa do objeto inteiro gerados a partir de estudos em cadáveres, modelos matemáticos e sulta na Equação 4.5 (ver boxe). A Equação 4.5 pode ser rearranja- mente usadas para descrever trabalho são unidades equivalentes: o
está localizado em M3'(circula vermelho). várias técnicas de imagem. 14 '™ 5 da novamente na Equação 4.6. O produto da massa e velocidade Newton-metro (Nm) e o joule 0). Semelhante ao caso linear, o tra-
no lado direito da Equação 4.6 define o momento de um corpo em balho angular pode ser definido como o produto da magnitude do
movimento. O momento descreve a quantidade de movimento con- torque (T) aplicado contra o objeto pela distância angular em graus
tida em um corpo. O momento é geralmente representado pela letra ou radianos que o objeto gira na direção do torque enquanto o
Á contraparte angular da segunda lei de Newton afirma que um diretamente proporcional ã aceleração angular da rotação do coto- p e é medido em kgm/s. O produto da força pelo tempo no lado torque está sendo aplicado. (Equação 4.10)
torque CO produz urna aceleração angular (o;) do corpo que é pro- velo e inversamente proporcional ao momento de massa da inércia esquerdo da Equação 4.6 é chamado de impulso, e mede o que é
porcional ao torque e na direção da rotação deste e é inversamente da rotação do antebraço e dos segmentos dá mão. " necessário para mudar o momento de um corpo. O momento de
um objeto pode ser mudado por uma grande força exercida por um Trabalho (T)
proporcional ao momento de massa da inércia do corpo (I) (ver T (linear) = F X distância; (Equação4.9)
Equação 4.4 no boxe). (Este capítulo usa o termo "torque". O lei- breve instante ou uma pequena força exercida durante um longo
período de tempo. A Equação 4.6 define a relação impulso-momento. •TCangulàr) — TXgraus ' (Equação 4.10)
tor deve estar ciente de que este termo é intercambiável com mo- Segunda Lei do Movimento de Rotação de Newton. _
mento e momento de força.) Nessa equação, XT indica a soma dos Quantificando um Torque '"• —
torques ou torques "efetivos" que atuam para girarum corpo. Con- ST = I X a (Equação 4.4) A relação trabalho-energia descreve o trabalho mecânico em
ceitualmente, a Equação 4.4 define uma relação de aceleração tor- .'."';"F.~mAv/t:•:.,;'•':•• •'"'::;;;'• (Equação4.5) termos de gasto de energia. A energia pode ser considerada como
que-angdar. No aparelho musculoesquelético, o produtor de tor- Relação Imoulso-Mamento Ft = m X v ;:;iw.^;^(EqU2ÇâQ 4.6) a medida de "combustível" disponível para o sistema realizar tra-
que primário é o músculo. A contração do músculo bíceps braqui- Relações adicionais podem ser obtidas a partir da segunda lei de Momento linear (p) = Massa X Velocidade linear balho. A relação trabalho-energia é particularmente útil para o
al, por exemplo, produz um torque líquido de flexão no cotovelo Newton através da expansão e reananjo das Equações 4.3 e 4.4. Tal estudo da caminhada rios humanos. O trabalho mecânico da
Impulso linear -= Força X Tempo
quando a mão é acelerada em direção ã boca. O torque deflexãoé relação é especificada como a relação impulso-momento. caminhada ê frequentemente o.indicador global das demandas
62 Princípios de Biomecânica Princípios de Biomecânica 63

i^^^MW^M^&Mi'XSj^Ss^a
Aplicação Linear Aplicação Rotacional
Uma Visão Mais de Perto da Relação Impulso-iUIomenio o impulso direcionado para trás durante o contato iniciai com o solo Medida Física. Definição Unidades Definição UniãaâES
Numericamente, um impulso pode ser calculado como o produto da é negativo e o impulso direcionado para frente durante a propulsão é
Distância Deslocamento linear Metro (m) Deslocamento angular Graus (°)*
força média (N) pelo seu tempo de aplicação. O impulso pode ser positivo. Se dois impulsos (i.e., as áreas sob as curvas) são iguais,
o impulso efe' ivo é zero, e não há mudança no momento do Velocidade Taxa do deslocamento linear Metros por segundo Taxa do deslocamento angular 7s
representado também graficamente como a área sob a curva força-
sistema. Neste exemplo, contudo, o impulso direcionado para trás é (m/s)
tempo. A Fig. 4.4 mostra uma curva força-tempo do componente
horizontal da força de cisaihamento anterior-posterior aplicada pelo maior do que para frente, indicando a diminuição do momento para Aceleração Taxa de mudança na m/s2 Taxa da mudança na 7s !
solo contra o pé {força de reação do solo) como uma corrida frente do corredor. velocidade linear velocidade angular
individual através de uma placa de força embutida no solo. A curva é Massa Quantidade de matéria em Quilograma (kg) Não aplicável
bifásica: um objeto; influencias da
resistência do objeto a uma
mudança na velocidade
linear
Momento de massa Não aplicável Quantidade e distribuição
da inércia da matéria em um objeto;
influencias da resistência
do objeto a uma mudança
z S na velocidade angular
o
o Um empurrão ou puxão; kgm/s2 (N) Não aplicável
m Força
massa vezes aceleração
linear
Torque Não aplicável Uma força vezes um braço do kgm20/;? (ou Nm)
momento; momento de
massa da inércia vezes
a
aceleração angular
impulso Força vezes tempo • Ns Torque vezes tempo Nms .
Momento Massa vezes velocidade kgm/s Momento de massa da inércia kgm27s
linear vezes velocidade angular
Trabalho Força vezes deslocamento Nm (joules) Torque vezes deslocamento Nm (joules)
linear angular
Potência Taxa do trabalho linear Nm/s ou J/s (watts) Taxa de trabalho angular Nm/s ou J/s (watts)

'Radianos, que não tem unidades, devem ser usados em lugar dos graus.
Tempo (ms)

FIG. 4.4 Representação gráfica das áreas sob uma curva força-tempo mostrando os impulsos dirigido-posterior (A) e dirigido-anterior (B) do
componente horizontal da força de reação do solo enquanto se corre. distância (d), a taxa de trabalho pode ser reformulada na Equa- simultaneamente e a consequência é especificaria pela lei da acele-
ção 4.12 como o produto da força pela velocidade (d/í). A força ração: 2F = ma. isto é, cada corpo experimenta uma efeito dife-
angular pode ser definida também como no caso linear, usando rente e este efeito depende de sua massa. Por exemplo, uma pessoa
os análogos angulares de força e velocidade, torque (T) e veloci- que cai do telhado de um prédio de dois andares exerce uma força
metabólicas do corpo, sem o cálculo detalhado das. complexida- dade angular (a)), respectivamente (Equação 4.13). sobre o solo e o solo exerce uma força igual e oposta sobre a pes-
|§I^@lii^§M@MffliiB^ij des do movimento. soa. Devido às discrepâncias na massa entre o solo e a pessoa, o
rendimento, ou aceleração experimentada pela pessoa, é muito
As relações trabalho-energia anteriormente descritas nas Equa-
Potencia (P) maior do que o rendiínerito "experimentado" pelo solo. Como re-
Usando a Força Angular como uma Medida de Desempenho ções 4.9 e 4.10 não levam em consideração o tempo durante o
Muscular P = T/t (Equação 4.11) sultado, a pessoa pode sofrer lesão significativa.
qual as forças ou torques são aplicados. No entanto, na maioria
das atividades diárias, é frequentemente a taxa na qual a força P (linear) = F X d/t ou F X v • (Equação 4.12) Talvez a aplicação mais direta da lei de ação e reação de
0 conceito de força angular é muitas vezes usado como uma
medida clinica de desempenho muscular. A força mecânica realmente funciona que é importante. A taxa de trabalho é defi- P (angular) = T X w (Equação 4.13) Newton seja a força de reação fornecida pela superfície sobre a
produzida pelo músculo quadriceps femoral, por exemplo, é igual nida como força. A capacidade dos músculos de gerar força ade- qual andamos. O pé produz uma força contra o solo devido às
ao torque interno efetivo produzido pelo músculo vezes a quada pode ser critica para o sucesso do movimento ou para a acelerações de sobreposição de todos os segmentos do corpo. De
velocidade média angular da extensão do Joelho. A força é muitas
O Quadro 4.2 resume as definições e unidades necessárias para acordo com a terceira lei de Newton, o solo gera uma força de
compreensão do impacto de uma intervenção de tratamento. Na
vezes usada para designar a transferência liquida de energia entre descrever muitas das medidas físicas relacionadas com a segun- reação ão saloia direção oposta, porém de igual magnitude (Fig.
quadra de basquetebol, por exemplo, é frequentemente..!! velo-
músculos ativos e cargas externas. Força positiva reílete a taxa de cidade na qual um jogador pode saltar para um rebote que de- da lei de Newton. 4.5). A força de reação do solo muda em magnitude, direção e
trabalho realizado pelos músculos ativos centralmente contra uma termina o sucesso. Um outro exemplo da importância da taxa ponto de aplicação sobre o pé/sapato durante todo o período da
carga externa. Força negativa, em contrapartida, reflete a taxa de TERCEIRA LEI DE NEWTON: LEI DA AÇÃO-REAÇÃO marcha. As forças de reação do solo podem ser medidas por pla-
de trabalho pode ser avaliado em uma pessoa idosa com mal de
trabalho realizado pela carga externa contra os músculos ativos taformas de força (consulte seção sobre Sistemas de Mensuração
Parkinson qv. e precisa atravessar uma rua movimentada em um A terceira lei do movimento de Newton afirma que para toda ação
excentricamente. Esta informação pode ser utilizada como
tempo determinado pelo sinal de tráfego para pedestres. há uma reação igual e oposta. Esta lei demonstra que cada ação que Cinemática e Cinética mais adiante neste capitulo), e as forças
ferramenta de pesquisa e diagnóstico para comparações das
um corpo exerce sobre outro é correspondida por uma ação que o são normalmente usadas como dados de entrada para análise
funções normal e patológica. Potência (P) é trabalho (T) dividido pelo tempo (consulte a
segundo corpo exerce sobre o primeiro. Os dois corpos interagem quantitativa do movimento humano.
Equação 4.11). Como o trabalho é o produto da força (F) pela
64 Princípios de Biomecânica Princípios de Biomecânica 65

temente requer informações a respeito da massa dos segmentos


individuais ou a distribuição da massa em um determinado seg-
mento. Estes fatores determinam as propriedades inerciais que os
músculos devem superar para gerar movimento. A informação
antropométrica também é valiosa no projeto do ambiente de tra-
balho, da mobília, de ferramentas e de equipamentos esportivos.
Muito da informação a respeito do centro de massa e do mo-
mento de inércia dos segmentos do corpo são derivados de estu-
dos em cadáveres.4 Consulte o Quadro 1 no Apêndice IA para
dados antropométricos sobre pesos dos diferentes segmentos do
corpo e localizações dos centros de massa. Outros métodos para
obter estas informações incluem modelos matemáticos e técni-
Forças cas de imagem, como tomografia computadorizada e imagem de
dope
ressonância magnética.

FIG. 4.7 Um diagrama de corpo livre do sistema delirado como o pé. Es-
Diagrama de Carpo Livre tão mostradas as seguintes forças verticais: força muscular doflexorplantar
resultante (FM); força de reação articular (FRA),peso do pé (PP); e força
A análise do movimento requer que todas as forças que atuam
de reação do solo (FRS). Os vetores não estão desenhados em escala.)
sobre o corpo possam ser levadas em consideração. Antes de qual-
quer análise, é construído um diagrama de corpo livre para facili-
% tar o processo de resolução dos problemas biomecãnicos.O di-
FIG. 4.5 As forças entre o solo e o pê estão mostradas durante a pane agrama de corpo livre é um "instantâneo", ou um esboço simpli- PASSOS INICIAIS PARA ESTABELECER 0 DIAGRAMA
inicial do ciclo da marcha. As forças de reação do solo (setas vermelhas) ficado, que representa a interação entre um sistema e seu ambi- FIG. 4J Um diagrama de corpo livre de um corredor de velocidade. As DE CORPO LIVRE ' í; ":
agem superiormente e posteriormente, enquanto as forças do pé (setas ente. O sistema sob consideração pode ser u m simples segmen- forças externas no sistema incluem a força devida ao peso do corpo (PC)
Os elementos principais necessáricè para.começar a resolver o
pretas) agem inferiormente e anteriormente. to rígido, como o pé, ou podem ser vários segmentos, como a do corredor e forças de contato: a força de reação do solo (FRS) nas
problema no movimento humano são: determinar o propósito
direções horizontal (X) e vertical (Y), e a força criada pela resistência do
cabeça, braços e tronco. Estes podem ser considerados em con- da análise, identificar ô corpo e indicar todas as forças que atu-
ar (RA). (Os vetores de força não estão desenhados em escala.)
junto como um único sistema rígido. am sobre aquele corpo, O exemplo seguinte, apresenta os passos
Um diagrama de corpo livre requer que todas as forças rele- para auxiliar na construção de um diagramá-de corpo livre.
INTRODUÇÃO A ANALISE DO MOVIMENTO:
vantes que atuam sobre o sistema sejam cuidadosamente deline- Considere a situação na qual um indivíduo está segurando um
ESTABELECENDO AS BASES adas. Estas forças podem ser produzidas pelo músculo; pela gra- usado para representar a soma total de todas as forças muscula- peso com o braço esticado, como mostrado;na Fig. 4.8. Admita-
A seção anterior descreve a natureza da relação de causa e efei- vidade, quando refleúda no peso do segmento; por um fluido; res. Para completar o diagrama de corpo livre, a força de reação mos que este sistema esteja em equilíbrio estático e a soma de
to entre força e movimento, como demonstrado pelas leis de pela resistência do ar; pelo atrito e por forças de reação do solo. do solo (FRS) e o peso do pé (PP) são indicados de maneira se- todas as forças e torques opostos seja igual. Um dos objetivos da
Newton. Embora possa ser relativamente simples conceituar o As setas são usadas para indicar vetores de força. melhante àquela descrita para a análise na Fig. 4.6. análise pode ser determinar quanta/fòrça muscular é necessária
papel dos músculos no movimento humano, também é impor- O modo como um diagrama de corpo livre é definido depen- Como mostrado no diagrama de corpo livre da Fig. 4.7, uma pelos músculos abdutores da articulação do ombro para manter
tante compreender a adição do impacto da gravidade e outras de do propósito pretendido pela análise. Considere o exemplo força de contato adicional é identificada: a/orça de reação da ar- o braço abduzido em 90 graus; um outro objetivo poderia ser
forças externas. A observação e análise do movimento devem apresentado na Fig. 4.6. Neste exemplo, o diagrama de corpo livre ticulação (FRA). O termo reação significa que uma face articular determinar a magnitude da força de reação da articulação do
levar em consideração o rendimento efeúvo da atividade mus- representa as/orças externas que atuam sobre o corpo de um in- empurra de volta contra a outra face. A força de reação da arti- ombro durante esta mesma atividade.
cular, as forças internas resultantes, bem como todas as forças divíduo durante uma arrancada, ou a fase de impulsão da corri- culação representa o rendimento efetivo ou cumulativo das for- O passo I no estabelecimento do diagrama de corpo livre é
externas atuantes sobre a quantidade e a qualidade do movi- da. Neste exemplo, o "sistema" em consideração é definido como ças transmitidas de um segmento para outro.5 As forças de rea- identificar e isolar o sistema que está sendo estudado. Neste exem-
mento. A seção seguinte ilustra os métodos para a análise bási- parte inferior do tronco e extremidades inferiores. Os vetores de ção da articulação são produzidas principalmente pela ativação plo, o sistema é todo o braço e a combinação de peso.
ca do movimento, começando com uma introdução ã antropo- força externa compreendem o peso dos segmentos do corpo do músculo e pela tensão passiva nos ligamentos estirados e a O posso H envolve o estabelecimento de um ponto de referên-
metria - a mensuração das dimensões características do corpo combinadas, que foram reduzidos a um único vetor chamado de gravidade (peso do corpo). As forças passivas provenientes dos cia que permita definir a posição e o movimento de um corpo
humano. Esta seção também demonstra como as mudanças nas peso do corpo (PC), e as forças de contato. As forças de contato tecidos estirados são de magnitude relativamente pequena e são, com relação a um ponto, localização ou eixo .conhecidos (con-
forças e torques externos podem exercer um impacto sobre a são as forças de reação do solo (FRS), nas direções vertical 00 e frequentemente, excluídas da análise. sulte a Fig. 4.8, referência X-Y). Mais detalhes sobre o estabele-
resposta muscular, o movimento da articulação e a força de horizontal (X), e a resistência do ar (RA). Clinicamente, reduzir a força de reação da artículação é o cimento de um ponto de referência são discutidos na seção se-
reação da articulação. O sistema, conforme foi descrito, pode ser especificado de ponto principal nos programas de tratamento projetado para guinte, v
modo diferente, dependendo da análise. Suponha que seja de diminuir a dor e impedir a degeneração da artículação. Frequen- O passo Hl ilustra as forças internas e externas que atuam so-
interesse examinar as principais forças verticais" atuantes no pé e temente, os tratamentos visam reduzir as forças da articulação bre o sistema. As forças internas são aquelas produzidas pelo
Antropometria
na região do tornozelo, enquanto se fica na ponta dos pés (Fig. por meio de mudanças na magnitude da atividade muscular e músculo (FM). As forças externas incluematração gravitacional
A antropometria é derivada da raiz grega anthropos (homem) e 4.7). O sistema de interesse é redefinido como o pé, e é repre- seus padrões de ativação ou por meio da redução no peso trans- tanto do peso da carga (PC) como do peso dó braço (PB). As forças
metron (medida). No contexto da análise do movimento huma- sentado como uma ligação rigida única simplificada isolada do mitido através de uma articulação. Considere o paciente com externas estão representadas na figura'no ponto aproximado de
no, a antropometria pode ser amplamente definida como a men- restante do corpo. O diagrama de corpo livre envolve figuràtiva- osteoartrite da articulação do quadril como um exemplo. A mag- aplicação destas forças. A localizaçãcíçlo vetor (PB) atua como o
suração de certos aspectos característicos das dimensões físicas mente "passar através" da articulação desejada. Os rendimentos nitude da força de reação da articulação pode ser diminuída com centro de massa da extremidade superior e é determinada usan-
do corpo humano, como comprimento, massa, volume, densi- da força muscular geralmente são diferenciados dos rendimen- a pessoa reduzindo a velocidade da caminhada, climinuindo dessa do-se dados antropométricos, como aqueles apresentados no
dade, centro de massa, raio de rotação e momento de massa de tos de outros tecidos moles, como a cápsula da articulação e os maneira a magnitude da ativação muscular. Alternativamente, Apêndice LA. :.f"
inércia. Estes parâmetros dos segmentos do corpo são essenciais ligamentos. Embora a contribuição dos músculos individuais uma bengala pode ser usada para reduzir as forças que atuam A direção da força muscular (FM) interna'é traçada em uma
para a condução das análises cinemática e cinétíca para os movi- atuando através de uma articulação possa ser determinada, um através da articulação do quadril.11 Deve-se recomendar um pro- direção que se opõe ao movimento poterioal produzido pelas
mentos normal e patológico. A análise do movimento frequen- único vetor de força muscular (FM) resultante é muitas vezes grama de redução de peso se a obesidade for um fator. forças externas. Neste exemplo, a rotaçãojproduzida pelas for-
66 Princípios dg Biomecânica Princípios de Biomecânica 67

FIG. 4.8 Diagrama de corpo livre isolando o sistema como uma combinação de um braço direito e peso: força do músculo abdutor do ombro
resultante (FM); força de reação da articulação do ombro (FRA); peso do braço (PB); e peso da carga (PC). O eixo de rotação está mostrado como
um círculo vermelho na articulação do ombro. (Modificado de leVeau BF: Williams & Lissner's Biomechanics of Human Motion, 3rd ed. Phila-
delphia, WB Saunders, 1992.)

A Marco de referência Marco de referência


relativa global
ças externas, PB e PC, junto com seus braços de momento, ten- segmento ou u m objeto sejam definidas com relação a um pon-
de a mover o braço no sentido horário ou em direção à adução. to, localização ou eixo de segmento de rotação conhecidos. Se Y
Assim, a linha de força da FM, em combinação com seu braço um marco de referenda e um sistema de coordenadas não forem
de momento, tende a girar o braço no sentído anti-horário ou identificados, torna-se muito difícil interpretar e comparar as M FIB. 4.9 Dois tipos de marcos de referência. A re-
presenta um marco de referencia relativo mostran-
em direção à abdução. medidas no ambiente clinico e de pesquisa.
do o tronco girado 100 graus em relação à coxa;
O passo IV do procedimento é mostrar as forças de contato Um marco de referência é estabdeddo arbitrariamente e pode B representa um marco de referência global mos-
que atuam sobre o sistema. Como supomos que este sistema esteja ser colocado dentro ou fora do corpo. Marcos de referência usa- " trando o tronco girado 65 graus em relação ao pla-
em equilíbrio estático, as forças de contato, como a resistência dos para descrever posição ou movimento podem ser conside- no horizontal (X).
do ar, são ignoradas. Uma outra força de contato a considerar é rados relativos ou globais. Um marco de referenda relativo des-
o empuxo ou a tração aplicada ã face externa do corpo, como a creve a posição de um segmento de membro com rdação a um
resistência manual realizada por um terapeuta ou por um joga- segmento adjacente, como o pê em relação ã perna, o antebraço
dor do time adversário em um evento esportivo. Neste exemplo, em relação à parte superior do braço, ou o tronco em rdação à diferentes, realça a importância da identificação do marco de tema 2D, as coordenadas em um sistema 3D podem designar qual-
a única força de contato relevante é a força de reação da articula- coxa, como mostrado na Fig. 4.9A. Uma medida é feita por com- referência ao descrever o movimento humano. quer ponto ou vetor no espaço em relação aos eixos X, Y e Z.
ção (FRA) criada através da articulação do ombro. Inicialmente, paração de movimento entre um ponto de referenda anatómico Se o movimento é medido por mdo de um marco de referên- Um sistema de coordenadas precisa indicar a direção do
a direção da força da articulação pode não ser conhecida, mas, ou coordenadas de um segmento com um ponto de referenda cia relativo ou global, a localização de um ponto ou segmento no movimento, assim como a posição - tanto no sentido linear como
como será explicado adiante, é normalmente representada na anatómico ou coordenadas de u m segundo segmento. A espaço pode ser especificado usando-se um sistema de coordena- no sentido giratório. Por convenção, a maioria dos sistemas de
direção oposta à da tração da força muscular dominante. A dire- goniometria fornece um exemplo de um sistema de coordena- das. Na análise do movimento humano, emprega-se mais frequen- coordenadas são construídos de modo que os movimentos line-
ção precisa da força de reação da articulação pode ser determi- das relativas usado na prática clinica. A amplitude de movimen- temente o sistema de coordenadas carksianas. O sistema cartesiano ares para a direita, para dma e para a frente são definidos como
nada após a realização da análise estática e do cálculo das variá- to da articulação do cotovelo, por exemplo, descreve uma medi- utiliza coordenadas para localizar um ponto em um plano identi- positivos, enquanto os movimentos paraa esquerda, para baixo
veis descoiiheddas. Este método de análise é discutido com de- da usando um marco de referenda relativo definido pdos eixos ficando a distânda do ponto a partir de duas linhas de intersec- e para trás são negativos. A direção de uma força que produz um
talhes na próxima seção deste capítulo. O boxe resume os pas- longos da parte superior do braço e segmentos do antebraço, com ção, ou, no espaço, pela distância de cada um dos três planos que movimento pode ser definida pela direção na qual o objeto está
sos principais no estabelecimento do diagrama de corpo livre. um eixo de rotação através do cotovelo. se cruzam em um ponto. Este sistema, consequentemente, é bidi- sendo acelerado. Os movimentos giratórios ou angulares são
Marcos dej referenda relativos, contudo, carecem da informa- mensional (2D) ou tridimensional (3D). Um sistema 2D é defini- descritos no plano (sagital, frontal e horizontal) no qual um seg-
ção necessária para definir o movimento com relação a i m pon- do por dois eixos imaginários dispostos perpendicularmente en- mento está se movendo, que é perpendicular ao eixo de rotação.
Passos Iniciais no Estabelecimento do Diagrama . to fixo ou localização no espaço. Para analisar o movimento com tre si. Os dois eixos (X, Y) são geralmente posidonados de modo A direção de rotação de um segmento pode ser descrita como
de Corpo livre rdação ao solo, à direção da gravidade ou a um outro tipo de que um fique na horizontal (X) e o outro na vertical (Y), embora horária ou anti-horãria, ou como flexão ou extensão (consulte o
Passo I: Identificar e isolar o sistema em estudo. possam estar orientados de modo que fadlite as soluções quanti- Cap. 1), dependendo da situação. Neste texto, a direção do tor-
Posso tt Estabelecer um ponto de referenda. ponto de referência no espaço definido externamente, um mar-
co de referência laboratorial ou global precisa ser definido. A posi- tativas. Um sistema 2D é frequentemente utilizado quando o mo- que que está produzindo a rotação é designada pela direção (e.g.,
Passo III: Ilustrar as forças interna (muscular) e externa
(gravitational) que atuam sobre o sistema. ção do tronco com relação a uma referência horizontal é um vimento descrito é predominantemente planar (i.e., em um pla- anti-horária, flexão) do segmento que está sendo acderado. Uma
Passo IV: Ilustrar as forças de contato que atuam sobre o sistema, exemplo de uma medida feita com rdação a um marco de refe- no), como a flexão e extensão do joelho durante a marcha. convenção baseada mais matematicamente para designar a dire-
incluindo normalmente a força de reação da articulação. renda global (Fig. 4.9B). Emmuitos casos, o movimento humano ocorre em mais de ção de um torque usa a regra da mão direita.5 Esta convenção é
O uso de um tipo de marco de referenda em detrimento de um-plano.--GansideraTSe que, mesmo o joelho, cujo movimento descrita no Apêndice TB.
outro pode resultar em medidas de resultados diferentes. A Fig. ocorre predominantemente no plano sagital enquanto se cami- No final, a análise 3D é mais complicada do que a 2D, mas
PONTOS DE REFERENCIA 4.9 ilustra como um marco de referência relativo e global pode nha, também sofra pequenas rotações nos planos horizontal e fornece um perfil mais abrangente do movimento humano. Há
Para descrever precisamente um movimento ou esclarecer for- ser usado para descrever a posição do tronco durante uma atívi- frontal. Para descrever adequadamente os movimentos que ocor- excelentes recursos disponíveis que descrevem as técnicas para
ças desconheddas, um marco de referência e um sistema de co- dade de senta-levanta; mas as medidas resultantes são diferen- rem em mais de um plano, é necessário um sistema de referen- conduzir uma análise 3D, e algumas destas referendas são for-
ordenadas associadas devem ser estabelecidos. Esta informação tes. O uso de dois marcos de referência distintos para descrever da 3D. Um sistema 3D possui três eixos, cada um perpendicular neddas no final do capítulo. 13 - 1 " 8 A análise quantitativa discuti-
permite que a posição e direção de movimento de um corpo, um o mesmo "instantâneo" de uma atívidade, mas com resultados ou ortogonal ao outro. Em contraste com a descrição planar do sis- da neste capítulo enfatiza as técnicas de análise 2D.
68 Princípios fie Biomecânica
XJ°
Representação de Forças método do polígono. A Fig. 4.11 ilustra como o método do polígo-
no pode ser aplicado ao modelo do plano frontal para calcular a
Vetores de força podem ser representados de diferentes manei-
força de reação sobre um quadril protétíco, enquanto se perma-
ras, dependendo do contexto da análise. Diversos vetores podem
nece de pé sobre um membro. Com as setas desenhadas na pro-
ser combinados para representar um único vetor. Este método
porção da sua magnitude e na orientação correta, os vetores do
de representação é chamado de composição vetorial. Alternativa-
peso do corpo (PC) e da força de abdução do quadril (FAQ) são
mente, um único vetor pode ser resolvido ou "decomposto" em
acrescentados num estilo de "ponta aponta" (Fig. 4.1 IB). O efeito
diversos componentes. Esta técnica é denominada de decompo-
sição vetorial. combinado dos vetores do peso do corpo e da força de abdução
do quadril é determinado colocando-se a cauda do vetor da for-
A representação de vetores usando composição e decompo-
ça de abdução do quadril na ponta do vetor do peso do corpo. A
sição fornece os meios de compreensão de como as forças giram
complementação do polígono produz a força de reação do qua-
ou transladam os segmentos do corpo e subsequentemente pro-
dril protétíco resultante (FRQP), mostrando sua magnitude e
duzem rotação, compressão, cisalhamento ou desordem nas fa-
direção (veja Fig. 4.11B, linha tracejada). Neste caso, o vetor
ces da articulação.
resultante representa uma força de reação e, consequentemente,
Pode-se realizar a composição e a decomposição de forças
está direcionada de modo que se oponha à soma dos outros dois FIG. 4.11 A, Três forças estão mostradas agindo em uma pelve que está
usando métodos gráficos de análise ou trigonometria do ângulo
vetores. envolvida no apoio de um único membro da articulação do quadril di-
reto. Estas técnicas são necessárias para representar e subsequen-
temente calcular as forças do músculo e da articulação. Um paralelogramo também pode ser construído para deter- reita protétíca. As forças são a força do abdutor do quadril (FAQ), o peso
minar a resultante de duas forças coplanares, porém não parale- do corpo (PC) e a força de reação do quadril protétíco (FRQP). B, O
las. Em vez de colocar os vetores de força ligando a ponta com a método do polígono ("ponta a ponta" ou "ponta-cauda") está usado para
MÉTODOS GRÁFICOS DE ANÁLISE DE FORÇAS determinara magnitude e a direção da FRQP, baseado na magnitude e
cauda como discutido no exemplo anterior, o vetor resultante
direção da FAQ e PC. (De Neumann DA: Hip abductor muscle activity
Composição de Forças pode ser encontrado desenhando-se um paralelogramo baseado
in persons who walk with a hip.prosthesis while using a cane and
A composição vetorial permite que várias forças coplanares pa- na magnitude e direção dos vetores componentes de força: AFig. carrying a load. Phys Ther 79:1163-1176; 1999, com permissão da
ralelas sejam combinadas graficamente apenas como uma única 4.12A fornece uma ilustração do método do paralelogramo para Physical Therapy Assoctanon.)
força resultante (Fig. 4.10). Na Fig. 4.10A, o peso do segmento combinar diversos vetores componentes em um único vetor re-
da perna (PS) e o peso da carga (PC) são adicionados graficamente sultante. Os-vetores componentes de força Fi e F 2 (setas sólidas
por meio de um régua e um fator de graduação determinado pelos pretas) são gerados pela tração dos músculos flexores superficial
vetores. Neste exemplo, a força resultante (FR) atua para baixo e e profundo dos dedos à medida que passam anteriores à articu-
tem a tendência de desordenar (separar) a articulação do joelho, lação metacarpofalângica. A diagonal, originando-se na interse- Articulação
metacarpofalângica
se não houver oposição de outras forças. AFig. 4.10B ilustra um ção de Fi e F z , representa a força resultante (FR) (consulte a Fig.
dispositivo de tração cervical que emprega um sistema de polias 4.12A, seta vermelha grossa). Devido ao ângulo formado entre Articulação
com peso, atoando na direção oposta da força criada pelo peso Fi e F2, a força resultante tende a levantar os tendões na direção interfalângica
proximal
da cabeça. Um simples acréscimo produz o valor da força resul- oposta ã articulação. Clinicamente, este fenómeno é descrito
tante. O sinal positivo da força resultante indica uma ligeira for- como/orça de esãramento em corda de arco, devido ã semelhança Articulação
ça de distração liquida para cima sobre a cabeça e o pescoço. do tendão com uma corda estirada presa às duas extremidades carpometacarpal
Os vetores de força que atuam sobre um corpo podem ser de um arco. Na artrite reumatóide, a força de estiramento pode Articulação
interfalângica
coplanares, mas, provavelmente, nem sempre são paralelos. Neste romper os ligamentos e deslocar as articulações metacarpofalãn- distal
caso, os vetores individuais podem ser compostos usando-se o gicas (Fig. 4.12B).

FT-PC = FR

(Força de tração) A F R
(Força resuitante)

PC
(Peso da cabeça)

FIG. 4.10 Composição vetorial deforçascoplanares paralelas. A, Dois vetores de força estão agindo no joelho: ojpeso do segmento (perna) (PS) e FIG. 4.12 A, O método do paralelogramo está usado para ilustrar o efeito de dois vetores de força (Fx e F2)produzidoS'pela contração dos músculos
a peso da carga (PC) aplicados ao tornozelo. Estas forças são somadas para determinar a força, resultante (FR). Ò sinal negativo indica um puxão flexores profundo e superficial dos dedos no outro lado da articulação metacarpofalângica (MCF). O vetor de força resultante (FR) cria uma força
para baixo. B, O peso da cabeça (PC) e a força de tração (FI) agem ao longo da mesma linha mas em direções opostas. A força resultante (FR) é de corda de arco sobre os tecidos conectivos da articulação (MCF). B, Em um dedo com artrite reumatóide, a força.résultame pode, com o tempo,
a soma algébrica destes vetores. romper os ligamentos e causar luxação palmar da ardculação metacarpofalângica. • ' .
70 Principias de Biomecânica Principias de Biomecânica 71

Em muitos casos, especialmente quando se analisam as for- los retos en xe si e são chamados de componentes normal e tan- . gular de uma articulação altera o ângulo de inserção ao músculo
ças musculares, o método do paralelogramo pode ser descrito gencial (FMN e FMT)- O componente normal representa o com- (veja Cap. 1). A Fig. 4.15 mostra a força do músculo bíceps bra-
como um retãngulo, de modo que os componentes da força re- ponente da força resultante do músculo que atua perpendicu- quial (FM) em quatro diferentes posições da articulação do co-
sultante formem ângulos retos entre si. Como mostrado na Fig. larmente ao eixo longo do segmento do corpo. Por causa do bra- tovelo, cada uma com um ângulo de inserção diferente (or) no
4.13, as duas forças que formam um ângulo reto são chamadas ço de momento interno (consulte o Cap. 1) associado a este com- antebraço. Cada ângulo de inserção resulta em uma combinação
de componentes normal e tangencial (FMN e FMT). A hipotenusa ponente de força, um efeito da força normal de um músculo é diferente de componentes de força tangencial (FMT) e normal
do triângulo direito é a força muscular (FM) resultante. produzir uma rotação (i.e., produzir um torque). A força normal (FMN). As forças tangenciais criam compressão ou forças de de-
Em resumo, quando duas ou mais forças aplicadas a um seg- também pode produzir uma translação do segmento do corpo. sordem no cotovelo. Amando com um braço de momento inter-
mento são combinadas em uma única força resultante, a magni- O componente tangencial representa o componente da força no (BMI), as forças normais também geram um torque interno
tude da força resultante é considerada igual à soma dos vetores resultante do músculo que é direcionada paralelamente ao eixo (i.e., rotação potencial) na articulação. Como mostrado na Fig.
componentes. A força resultante pode ser determinada grafica- longo do segmento do corpo. O efeito desta força é comprimir e 4.15A, um ângulo de inserção relativamente pequeno favorece
mente como resumido no boxe. estabilizar a articulação ou, em alguns casos, perturbar ou sepa- uma força tangencial relativamente maior, que direciona uma
rar os segmentos que forniam a articulação. O componente tan- porcentagem maior de força muscular total para comprimir as
gencial de uma força muscular não produz um torque quando faces da articulação do cotovelo. Como o ângulo de inserção é
Resumo de Como Compor Graficamente os . passa através do eixo de rotação, porque não possui braço de menor que 45 graus, a força tangencial supera a força normal.
Vetores de Força momento (veja a Fig. 4.13, FMT). O Quadro 4.3 resume as ca- Em um ângulo de inserção de 45 graus, as forças tangencial e
• Vetores de forças paralelas podem ser combinados usando-se racterísticas dos componentes de força tangencial e normal de normal são iguais, cada uma formando 71% da força resultante.
a simples adição de vetor (Fig. 4.10). Quando o ângulo de inserção do músculo atinge 90 graus (Fig.
um músculo, como na Fig. 4.13.
• Vetores de força coplanar não-paralelos podem ser compostos
usando-se o método do polígono ("ponta com a cauda da 4.15B), 100% da força total está disponível para girar a articula-
seta") (Fig. 4.11) ou o método do paralelogramo (Figs. 4.12 e Comparando Forças e Torques Internos versus Externos ção e produzir torque.
4.13). Os exemplos apresentados até aqui sobre métodos de decomposi- Como mostrado na Fig. 4.15C, a magnitude dos componen-
ção de forças em componentes normal e tangencial têm enfatiza- tes da força continua a mudar ã medida que a flexão do cotovelo
do as forças e torques produzidos pelo músculo. Como descrito prossegue. Um ângulo de inserção de 135 graus produz compo-
Resolução de Forças
no Cap. 1, músculos, por definição, produzem torques e forças nentes de força tangencial e normal iguais, cada um formando
A seção anterior ilustra o método de composição das forças de internos. A-decomposição das forças em componentes normal e
71% da força resultante. Como a força tangencial está agora di-
representação, pormeio das quais as forças coplanares múltiplas tangencial também pode ser aplicada àsforças externas que atuam
recionada para longe da articulação, produz uma força de desor-
atuantes sobre um corpo são substituídas por uma única força sobre o corpo humano, como aquelas provenientes da gravidade,
dem ou de separação sobre a articulação. Quando o ângulo de
resultante. Em muitas situações clínicas, um conhecimento do ren- carga ou peso externo e resistência manual, como aplicada por um
inserção é maior que 135 graus (Fig. 4.15D), o componente da
dimento dos componentes individuais que produzem a força resul- clínico. Na presença de um braço de momento externo, as forças
força tangencial supera o componente da força normal.
tante pode ser mais relevante para uma compreensão do impacto externas produzem um torque externo. Geralmente, na condição
Na Fig. 4.15A até D, o torque interno é o produto da FMN
destas forças sobre o movimento da articulação e da carga da arti- de equilíbrio, o torque externo atua sobre o eixo de rotação da
versus o braço de momento interno (BMI). Como a FMN muda
culação, bem como das estratégias de tratamento especifico em articulação na direção oposta a um determinado torque interno.
com o ângulo de inserção, a magnitude do torque interno na-
desenvolvimento. A decomposição do vetar é o processo de substi- Diagrama de corpo livre
A Fig. 4.14 ilustra a decomposição das forças interna e exter- turalmente muda completamente a amplitude de movimen-
tuição de uma única força resultante por duas ou mais forças que, na para um! indivíduo que está realizando um exercício de ex-
FIG. 4.14 Resolução de forças internas (vermelho) e forças externas (preto) to. Este conceito ajuda a explicar por que as pessoas têm maior
quando combinadas, são equivalentes à força resultante original. tensão isométrica do joelho. As três forças resultantes são mos-
de um individuo realizando um exercido de extensão isométrica do força em determinados locais durante toda a amplitude de
Uma das aplicações mais úteis da decomposição das forças tradas na Fig. 4.14A: força do músculo extensor do joelho (FM),
joelho. A, Estão desenhados os seguintes vetores de força resultantes: movimento da articulação. As capacidades geradoras de tor-
envolve a descrição e o cálculo dos componentes retangulares de peso do segmento da perna (PS) e peso da carga externa (PC)
força muscular (FM) dos extensores do joelho; peso do segmento da que do músculo dependem não apenas do ângulo de inser-
uma força muscular. Como mostrado na Fig. 4.13, os compo-
perna (PS); e peso da carga (PC) aplicados ao joelho. B, Um diagrama ção, e subsequente magnitude da FMN, mas também de ou-
nentes retangulares da força muscular são mostrados em ãngu- de corpo livre mostra os vetores resultantes resolvidos em seus compo- tros fatores psicológicos, discutidos no Cap. 3. Estes incluem
nentes retangulares: componente normal da força muscular (FMN); com- o comprimento do músculo, o tipo de ativação (i.e., isomé-
ponente tangencial da força muscular (FMT); componente normal do trica, concêntrica ou excêntrica) e a velocidade de ativação do
7^t utromiFr J peso do segmento (PSN); componente tangendal do peso do segmento
músculo.
: (PSj); componente normal do peso da carga (PCN); e componente tan-
Componente v " As mudanças no ângulo da articulação também afetam a ex-
Componente de Força Normal de Força Tangencial gendal do peso da carga (PQ). Tanto em A como em B, os círculos
vermelhos marcam o eixo medial-lateral da rotação no joelho. Observe tremidade externa ou de "resistência" do aparelho musculoesque-
•' Age perpendicular a um \ Age paralela a um segmento que o marco de referência XY está girado de modo que as forças tan- lético. Recorrendo ao exemplo do exercício de extensão isomé-
segmento ósseo ósseo genciais estão orientadas na direção X e as forças normais estão orienta- trica do joelho, a Fig. 4.16 mostra como uma mudança no ângu-
•-Frequentementeindicado ::; das na direção Y. (Os vetores não estão desenhados em escala.) lo da articulação do joelho afeta o componente normal das for-
Frequentemente indicado
como FK roas deve ser ;"•' ";'; como FT;'mãs pode ser ças externas. O torque externo experimentado pela pessoa em
indicado como FY, i indicado como Fx, exercício é igual ao produto do braço de momento externo (BME)
dependendo da escolha ; i dependendo da escolha versus o componente normal das forças externas (PCN ou PSN).
do marco de referenda > ; do marco de referência aplicada ao tornozelo. O peso do segmento da perna e a carga
Na Fig. 4.16A, não existe torque externo no plano sagital por-
Pode causar rotação e/ou i Uma translação pode ocorrer ; externa atuam no centro das respectivas massas. A Fig. 4.14B
que os vetores de força PS e PC passam através do eixo de rota-
translação: como uma compressão ou mostra as forças internas resultantes e as forças externas decom-
ção e, consequentemente, não têm braço de momento. A Fig.
Uma rotação deve ocorrer se. •.:.; desordem entre faces >;.-..; postas nos seus componentes normal e tangencial.
o momento do braço > 0, ardculares ' 4.16B até C mostra como um torque externo maior é colocado
FIB. 4.13 A força muscular (FM) produzida pelo M. braquiorradial está
Uma translação deve ocorrer Inlluêmia da Mudança do Ângulo da Articulação contra o indivíduo com o joelho completamente estendido com-
representada como a hipotenusa (diagonal) do retãngulo. A força nor- :
como uma compressão, A magnitude relativa dos componentes normal e tangencial da parado com o joelho flectido a 45 graus. Embora as forças exter-
mal (FMN) e a força tangencial (FMT) estão também indicadas. O braço ;' desordem ou 'dsalhamento
do momento interno (BMI) é a distância perpendicular entre o eixo da força aplicada a um osso depende da posição do segmento do nas, PS e PC, sejam as mesmas em todos os três casos, o torque
'•'"'. entre faces ardculares.
rotação (círculo vermelho) e (FMN). membro. Considere primeiro como a mudança na posição an- externo é maior quando o joelho está em extensão total. Como
Princípios de Biomecânica 73

Planejando Exercícios de Resistência de Modo que os Potenciais são máximos. Nesta posição única do cotovelo, os potenciais de
de Torque Interno e Externo Sejam Otimamente Equiparados torque interno e externo são máximos, assim como otimamente
0 conceito de alteração do ângulo de uma articulação é combinados. À medida que a posição do cotovelo é alterada na Rg.
frequentemente utilizado nos programas de exercícios para ajustar a 4.17B, o torque externo permanece máximo; contudo, o potencial de
magnitude da resistência experimentada pelo paciente ou cliente. torque interno é significativamente reduzido. Quando o cotovelo se
Muitas vezes é desejável planejar um programa de exercícios de aproxima da extensão, o ângulo de inserção e a força normal do
modo que o torque externo combine com o potencial de torque músculo (FMN) são reduzidos, desse modo diminuindo o potencial
interno do músculo ou do grupo de músculos. Considere uma para geração de torque interno. Uma pessoa com fraqueza
pessoa realizando um exercício de "rosca do bíceps" mostrado na significativa do músculo flexor do antebraço pode ter dificuldade de
Hg. 4.17A Com o cotovelo flectido em 90 graus, os potenciais de segurar um objeto na posição B, mas pode não ter dificuldade de
torque interno e externo são maiores, porque o produto de cada segurar o mesmo objeto na posição A
força resultante (FM e PC) e seus braços de momento (BMI e BME)

FIG. 4.15 Amudança do angulo da articulação do cotovelo altera o angulo de inserção (a) do músculo no antebraço. Estas mudanças, por sua vez,
alteram a magnitude dos componentes normal (FMN) e tangencial (FMT) da força muscular do bíceps braquial (FM). A proporção das FM„ e FMT
para FM está listada em cada uma das quatro caixas. A, ângulo de inserção de 20 graus; B, ângulo de inserção de 90 graus; C, ângulo de inserção
de 135 graus; e D, ângulo de inserção de 165 graus. O braço do momento interno (BM1) está desenhado como uma linha preta, estendendo-se do
FIG. 4.17 Mudando o ângulo da flexão do cotovelo altera tanto os
eixo de rotação até a interseção perpendicular com FM„. O BMI permanece constante em toda pane de A a D. (Modificado de LeVeau BF: Willi-
torques potenciais externo como interno. A, A posição de 90 graus
ams & Lissner's Biomechanics of Human Motion, 3rd ed. Philadelphia, WB Saunders, 1992.)
do cotovelo maximiza a potência de ambos os torques, externo e in-
terno. B, Com o cotovelo mais próximo da extensão, o torque exter-
no permanece máximo, mas o torque interno potencial (i.e., o pro-
duto da FMN pelo BMI) ê reduzido. (FM, é igual ã força muscular,
A. 90° deflexão B. 45° de flexão C. 0 o de flexão (extensão completa) FMN, componente normal da força muscular; BMI, braço do momen-
to interno; PC, peso da carga; BME, braço do momento externo.) (Mo-
BME, dificado de LeVeau BF: Williams Sr Lissner's Biomechanics of Human
Moaon, 3rd ed. Philadelphia, WB Saunders, 1992.)

principio geral, o torque externo aplicado contra uma articula- Comparando Dois Métodos para Determinação do
ção é maior quando o vetor da força externa resultante cruza o Torque sobre uma Articulação
osso ou segmento do corpo em ângulo reto. No contexto da cinesiologia, um torque é o efeito de uma força
que tende a mover um segmento do corpo sobre o eixo de rota-
MÉTODOS ANALÍTICOS DE ANÁLISE DE FORÇA ção da articulação. Torque é o equivalente rotatório de uma força.
Matematicamente, torque é o produto de uma força versus seu
Até aqui, a composição e decomposição das forças são descritas braço de momento e possui unidades de Nm. Torque é um ve-
principalmente usando um método gráfico para determinar a tor de quanddade que possui magnitude e direção.
magnitude das forças. Uma desvantagem deste método é a exi-
Dois métodos para determinação do torque produzem soluções
gência de um grau maior de precisão para representar precisa- matemáticas idênticas. Os métodos se aplicam aos torques inter-
mente as forças analisadas. Na resolução de problemas envolven- no e externo, supondo que o sistema em questão esteja em equi- .
FIG. 4.16 Uma mudança no ângulo da articulação do joelho afeta a magnitude do componente normal das/orças externas geradas pelo peso do
do componentes retangulares, a "trigonometria do ângulo reto" librio rotatório (i.e., a aceleração angular sobre a articulação é zero).
segmento da perna (PS) e pelo peso da carga (PC) aplicados ao tornozelo. Os componentes normais do PC e PS estão indicados como PÇ, e PSN,
respectivamente. Torques externos diferentes são experimentados em ângulos diferentes do joelho. Os torques externos maiores são gerados quando fornece um método mais preciso de análise de força. As funções
o joelho está em extensão completa (C), visto que PSN e PÇ, são maiores e iguais à magnitude completa do PS e PC, respectivamente. Não são trigonométricas baseiam-se na relação que existe entre os ângu- Torque Interno
produzidos torques externos quando o joelho éflectido90 graus (A), visto que PSN e PCN são zero. (BME, é igual ao braço do momento externo los e os lados de um triângulo retãngulo. Consulte o Apêndice O primeiro método para determinação do torque interno está
de PSN; BMEZ é igual ao braço do momento externo para PCN.) IC para uma revisão deste material. ilustrado na Fig. 4.18 (letras em negrito). O torque interno é
74 Princípios ãc Biomecânica Princípios de Biomecânica 75

mostrado como o produto de FMN (o componente normal da momento fará um chão torque devem se arumr em um ângulo de 90
força muscular resultante (FM) e seu braço de momento interno graus. Bt>5i!3iSftS
(BMIi)). O segundo método, representado em letras vermelhas
na Fig. 4.18, não requer força resultante para ser decomposto Torque Externo
A Fig. 4.19 mostra um torque externo aplicado ao cotovelo por quando o ângulo de inserção do músculo forma um ângulo de 90 julgar a demanda relativa aplicada sobre os músculos devido ao
nos componentes retangulares. Neste método, o torque interno
meio de umapesistênria produzida por um cabo (representado graus com o osso. torque externo é útil em termos de proteger uma articulação que
é calculado como o produto da força resultante (FM) versus BM12 A seguir, considere o torque externo. Clinicamente, muitas está dolorida, ou por outro lado, que é anormal. Por exemplo, uma
(i.e., o braço de momento interno que se estende entre o eixo de por R). O peso do segmento do corpo é ignorado neste exem-
vezes é necessário comparar rapidamente o torque externo pessoa com dor artrítica entre a patela e o fémur é, frequentemente,
rotação e uma interseção perpendicular com a FM). Ambos os relativo gerado pela gravidade ou outras forças externas aplicadas aconselhada a limitar atividades que envolvam ações de agachar e
métodos produzem o mesmo torque interno, porque ambos sa- •contra uma articulação. A vantagem mecânica de uma força levantar a partir de uma posição de agachamento. Esta atividade
tisfazem a definição de torque (i.e., o produto de uma força pelo externa, como o BMES na Fig. 4.19, provavelmente precise ser exige muito dos músculos do quadril, o que aumenta as forças de
seu braço de momento associado). A força assoáaàa e o braço de TorqW Externo : R N X BME X = R X BME 2 ajustada para combinar mais eficientemente com o potencial de compressão sobre as faces da articulação.
torque interno da musculatura. Considere, por exemplo, o torque
externo no joelho, durante as duas posturas de agachamento (Fig.
4.21). Visualizando o braço de momento externo entre o joelho e a
linha de força do peso do corpo, pode-se concluir, com facilidade,
Torque Interno: F M N x BMIi = FM X BMI 2 que o torque externo é maior no agachamento acentuado (,4) em B. 45° de flexão (agachamento parcial)
comparação com o agachamento parcial (B). A capacidade para

A. 90° de flexão (agachamento profundo)

FIG. 4.19Um-tórque externo está aplicado ao cotovelo através da resis-


FIG. 4.18 O torque deflexãointerna (produzido pelo músculo) no coto- tência gerada por tensão em um cabo (R). O peso do segmento do cor-
velo pode ser determinado usando-se dois diferentes métodos. O pri- po está ignorado. O torque externo pode ser determinado usando-se dois
meiro método (mostrado em letras pretas) é expresso como o produto métodos diferentes. O primeiro método (mostrado em letras pretas) está
da força normal do músculo (FMN) vezes seu braço de momento (BMI,). expresso como o produto da força normal de resistência (E^) vezes seu
O segundo método (mostrado em letras vermelhas) é expresso como o braço de momento externo (BME,). O segundo método (mostrado em
produto da força resultante do músculo (FM) vezes seu braço de mo- letras vermelhas) é expresso como o produto da força resultante de re-
mento interno (BM12). Ambas as expressões rendem torques internos sistência CR) vezes seu braço de momento externo (BME;). Ambas as
equivalentes. O eixo de rotação está representado pelo circulo preto no expressões rendem torques internos equivalentes. O eixo da rotação está
cotovelo. representado pelo círculo preto no cotovelo.

Método "Abreviado" para Avaliar o Potencial de Torque


Relativo

0 segundo método usado para medir torques interno e externo,


mostrado em letras vermelhas nas Rgs. 4.18 e 4.19,
respectivamente, é considerado como um atalho, porque não é
necessário decompor as forças resultantes em suas forças
componentes. Considere primeiro o forque interno (ver Fig. 4.18).
0 braço de momento interno relativo (representado por BMIJ - Peso corporal Peso corporal
ou vantagem mecânica - da maioria dos músculos no corpo pode
ser avaliado quantitativamente visualizando-se simplesmente a FIG. 4.21 A profundidade de um agachamento afeta significativamente a magnitude do torque externo produzido pelo peso do corpo no joelho.
distância mais curta entre um dado conjunto de músculos e o eixo O torque externo relativo, dentro do plano sagital, pode ser estimado comparando-se a que distância o vetor de força do peso do corpo cai
de rotação da articulação associada. Esta experiência pode ser FIG. 4.20 Um pedaço de cordel preto é usado para imitar a linha de posteriormente ao eixo de rotação medial-lateral do joelho. O braço do momento externo (BME) - e, desta maneira, o torque externo criado
praticada com o auxílio de um modelo de esqueleto e um pedaço força do vetor de força resultante de um músculo bíceps braquial pelo peso do corpo - é maior em A do que em B.
de cordão que representa a linha de força resultante do músculo advado. O braço do momento interno está mostrado como uma li-
(Fig. 4.20). Como é evidente na figura, o braço de momento é nha vermelha; o eixo de rotação no cotovelo está representado pelo
maior na posição  do que na posição 0; não coincidentemente, o circulo preto sólido. Observe que o braço do momento é maior quan-
torque interno máximo dos músculos flexores do antebraço do o cotovelo está na posição A comparado com a posição B. (Modi-
também é maior na posição A do que na ft Em geral, o braço de ficado de LeVeau BF: Williams Sr iissner's Biomechanics of Human
momento interno disponível para qualquer músculo é maior Motion, 3rd edj Philadelphia, WB Saunders, 1992.)

(conánua)
76 Princípios de Biomecânica Princípios deBiomecõnica 77

pio. O primeiro método para determinar o torque externo é Minimizar grandes forças articulares com base na muscula- quadril.5 A redução de torques externos desnecessariamente gran- inicialmente, aplicar resistência manual aos músculos extenso-
mostrado em letras pretas. O torque externo é representado tura pode ser importante para pessoas com próteses ou reposi- , des pode diminuir demandas de grandes forças desnecessárias res do joelho na região média da Ubia. À medida que a resistên-
como o produto de E^ (o componente normal da força de re- ções de articulação artificial. Uma pessoa com uma prótese do em relação aos músculos abdutores do quadril e em relação às cia do joelho do paciente aumenta, o clinico pode exercer uma
sistência do cabo) versus seu braço de momento externo (BMEi). quadril, por exemplo, é frequentemente aconselhada sobre como articulações protéticas subjacentes do quadril. força maior na região média da tíbia ou a mesma força próximo
O segundo método, mostrado em letras vermelhas, usa o pro- minimizar forças desnecessariamente grandes produzidas pelos Certos procedimentos ortopédicos demonstram como os con- do tornozelo.
duto da força de resistência (R) resultante do cabo e seu braço músculos abdutores do quadril.9'10'12 A Fig. 4.22 mostra uma ceitos de proteção da articulação são utilizados na prática da re- Como o torque externo é o produto de uma força (resistên-
de momento externo (BMEJ. Semelhante ao torque interno, representação esquemática simples da pelve e do fémur enquanto abilitação. Considere o caso de osteoartrite severa do quadril que cia) e de um braço de momento externo associado, um torque
ambos os métodos produzem o mesmo torque externo, porque se fica de pé sobre um membro inferior direito que tem uma resulta na destruição da cabeça do fémur e na diminuição asso- externo equivalente pode ser aplicado por meio de um braço de
ambos satisfazem a definição de torque (ie., o produto de uma prótese de quadril. O instante durante a fase de suporte de um ciada no tamanho do colo e da cabeça do fémur (Fig. 4.23A). A momento relativamente curto e de uma força externa grande, ou
força de resistência (externa) e seu braço de momento externo único membro na marcha supõe uma condição de equilíbrio perda óssea diminui o comprimento do braço de momento in- um braço de momento externo longo e uma força externa me-
associado). estático (i.e., a pelve não sofre aceleração em relação ao fémur). terno (D) disponível para os músculos abdutores do quadril; nor. Como mostrado na Fig. 4.24, o mesmo torque externo (15
Para que o equilíbrio se mantenha no plano frontal, os torques Nm) aplicado contra o músculo quadriceps pode ser gerado por
assim, forças musculares e articulares maiores são produzidas
Questões Clínicas Relacionadas com a Força e o interno (anti-horário) e o externo (horário) com relação ao qua- duas combinações diferentes de forças externas e braços de mo-
para manter o equilíbrio do*'plano frontal. Um procedimento
Torque da Articulação dril ortostático devem ser equilibrados: o produto da força do mento. Observe que a/orça de resistência aplicada ã perna é maior
cirúrgico que é uma tentativa de reduzir as forças articulares am-
"Proteção" da Articulação músculo abdutor do quadril (FAQ) vezes seu braço de momen- na Fig. 4.24A do que na Fig. 4.24B. A força de contato maior
ando sobre o quadril acarreta a recolocação do trocanter maior
Alguns tratamentos na medicina de reabilitação são direciona- to D deve ser igual ao peso do corpo (PC) vezes seu braço de pode ser desconfortável para o paciente e precisa ser levada em
para uma posição mais lateral (Fig. 4.23B). Este procedimento
dos para a redução da magnitude da força sobre as faces da arti- momento Di, ou FAQ X D = PC X Dj. O braço de momento consideração durante a aplicação da resistência. Um braço de
aumenta o comprimento do braço de momento interno dos
culação durante a realização de uma atívidade física. O propósi- externo com relação ao quadril é quase duas vezes o comprimento momento externo maior, mostrado na Fig. 4.24B, pode ser ne-
músculos abdutores do quadril. Um aumento no braço de mo-
to deste tratamento é proteger uma articulação enfraquecida ou do braço de momento interno. A disparidade no comprimento cessário se o clínico escolher desafiar manualmente um grupo
mento interno reduz a força exigida pelos músculos abdutores
dolorida de forças maiores e potencialmente prejudiciais. Este do braço de momento requer que a força muscular seja quase o de músculos tão potencialmente poderoso quanto o quadriceps.
dobro da força do peso do corpo para manter o equilíbrio. Em para gerar um determinado torque durante a marcha com suporte
resultado pode ser obtido reduzindo-se a taxa de movimento de um único membro.
(força), proporcionando absorção de choque (e.g., calçados acol- teoria, reduzir o peso do corpo, carregar pesos mais leves, ou
choados) ou limitando as demandas de força mecânica coloca- carregar pesos de uma determinada maneira pode diminuir o INTRODUÇÃO À ANÁLISE DO MOVIMENTO:
braço de momento externo e o torque externo em relação ao Aplicação Manual de Torques Externos durante o Exercício MÉTODOS QUANTITATIVOS DE ANÁLISE
das sobre o musculo.
Torques externos ou de resistência são frequentemente aplica-
dos manualmente durante um programa de exercício. Por exem- Na seção anterior, introduzimos conceitos que fornecem a estru-
plo, se um paciente está começando um programa de reabilita- tura para a realização de métodos quantitativos de análise. Na
ção do joelho para reforçar o músculo quadriceps, o clínico deve, biomecânica, foram aplicadas muitas abordagens na resolução

c
X~? w?

F1G. 4.23 O modo como o braço do momento interno usa-


do pelos músculos abdutores do quadril é alterado por
doença ou cirurgia. A, O quadril direito está mostrado com
degeneração pardal da cabeça do fémur, o que diminui o
comprimento do braço do momento interno (D) para a
força do abdutor do quadril (FAQ). B, Está mostrada uma
FIG. 4.22 A, A força abdutora do quadril (FAQ) a partir dos músculos abdutores do quadril direito produz um torque necessário para a estabilidade abordagem cirúrgica na qual o trocanter maior está reco-
da pelve no plano frontal durante a fase de suporte da marcha do membro direito isolado. A estabilidade rotatória é estabelecida, considerando locado para uma posição mais lateral, aumentando, deste
equilíbrio estático, quando o torque anti-horario iguala-se ao torque dextrorso. O torque anti-horário iguala-se à FAQ vezes seu braço de momen- modo, o comprimento do braço do momento interno (D)
to (D), e o torque dextrorso iguala-se ao peso do corpo (PC) vezes seu braço de momento (D,). B, Este modelo de gangorra da alavanca de primeira para a força do abdutor do quadril. (Adaptado e modifi-
classe simplifica o modelo.mostrado em A. A força de reação articular (FRA), considerando que todos vetores de força agem verticalmente, é cado de Neumann DA, Biomechanical analysis of selected
mostrada como uma força direta para cima com uma magnitude igual à adição da força do abdutor do quadril com o peso do corpo. (Reimpresso principles of hip joint protection. Arthr Care Res 2:146-
e modificado com permissão de Ebevier Sdence Publishing Co., Inc., de Neumann DA, Biomechanical analysis of selected prindples of hip joint 155, 1989. Copyright 1989 by the Arthritis Health
protection. Arthr Care Res 2:146-155,1989. Copyright 1989 by the Arthritis Health Professions Association.) Professions Association.)
78 Princípios àt Biomecânica Princípios de Biomecânica 79

culo. Esta suposição é confirmada na análise na qual a vanta-


gem mecânica do sistema é menor do que um (i.e., quando as
forças musculares são maiores dó que as forças de resistência
1. Desenhe o diagrama de corpo livre e indique todas as forças externa) (veja o Cap. 1). Se após a resolução do problema a força
que agem no corpo ou no sistema em consideração. É da articulação for positiva, então essa suposição inicial está
necessário estabelecer um marco de referência XY que "
especifique a orientação desejada das "forças. Frequentemente é correta.
conveniente designar o eixo X paralelo ao segmento isolado do Como todas as forças resultantes indicadas neste problema
corpo (tipicamente um osso longo), e o eixo Y perpendicular atuam paralelas ao eixo Y, é necessário decompor as forças re-
ao segmento do corpo. .. sultantes em seus vetores componentes. Não existem forças am-
2. Resolva todas as forças nos seus componentes normal e , ando na direção X (horizontal).
tangencial.
3. Identifique os braços de momento associados com cada força,
O braço do momento associado com um dado torque é a Decompondo o Torque Interno e a Força Muscular
; distância entre o eixo da rotação e a interseção de 90 graus Os torques externos que se originam do peso do segmento ante-
com a força. Observe que força de reação articular não terá um braço-mão (PS) e do peso da carga (PC) geram um torque (ex-
F1G. 4.24 O mesmo torque externo (15 Nm) é aplicado contra o músculo quadriceps femoral usando uma resistência relativamente grande e um - braço de movimento, porque ela estátipicamentedirigida, tensão) no sentido horário em relação ao cotovelo. Para que o
braço do momento externo pequeno (A) ou uma resistência relativamente pequena e um braço do momento externo grande (B). Os braços dos através do centro da articulação. -
sistema permaneça em equilíbrio, o músculo flexor do antebra-
momentos externos estão indicados pelas linhas vermelhas que se estendem do eixo de rotação medial-lateral no joelho. 4. Use as Equações 4.14 e 4.15 quando preciso para resolver os
problemas. X ::'"•* :•'":•" ço tem que gerar um torque interno (flexão) oposto, amando no
sentido anti-horário. Esta suposição de equilíbrio giratório per-

dos problemas. Estas abordagens podem ser empregadas para boxe. Esta equação estabelece que a soma dos torques no senti-
avaliar (1) o efeito de urna força em um instante no tempo (rdo- do anti-horário deve ser igual aos torques no sentido horário.
çãoforça-acéíeração); (2) o efeito de uma força aplicada durante O modelo da gangorra da Fig. 4.22B fornece um exemplo sim-
um intervalo de tempo (relação impulso-momento) e (3) a aplica- plificado de equilíbrio de rotação estático. A força do abdu-
ção de uma força que movimente um objeto por alguma dis- tor do quadril (FAQ) vezes seu braço de momento (D) cria
tância (relação trabalho-energia). A abordagem particular sele- um torque potencial no sentido horário (abdução), enquanto
cionada depende do objetivo da análise. As seções subsequen- o peso do corpo (PC) vezes o seu braço de momento (D,) cria
tes neste capítulo são direcionadas para a análise de forças ou um torque potencial no sentido horário (adução). A qualquer
torques em um instante no tempo, ou a abordagem força (tor- instante, supõe-se que os torques em oposição no quadril se-
que)-acéleração. jam iguais. I
Quando se consideram os efeitos de uma força e a aceleração
resultante em um instante no tempo, duas situações podem ser Bxotte
definidas. No primeiro caso, a aceleração tem um valor zero, Análise Estática:. Forças c Torques Estão em Equilíbrio - rolação-
porque o objeto é estacionário ou se move em velocidade cons- Equações de Equilíbrio de Força
tante. Este é o ramo da mecânica conhecido como esMftat. Na
'- | XFx = 0 . (Equação 4.14 A)
segunda situação, a aceleração tem u m valor diferente de zero,
porque o sistema está sujeito a forças ou torques desiguais. Esta I ZFv = 0 • (Equação 4.14 B) Força muscular (FM) = desconhecida
área de estudo é conhecida como dinâmica. A análise estática é a Equação de Equilíbrio de Torque • Peso do segmento (PS) = 17N
abordagem mais simples para a resolução de problemas na bio- FA FM odacanja(PC) = 60N
£T = 0 (Equação 4.15) Força articular (FA) no coEovelo = desconhecida
mecânica e é o foco neste capitulo.
Braço do Momento interno (BMI) da FM = 0,05m

Análise Estática
DIRETRIZES PARA RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS
As diretrizes" listadas no Quadro 4.4 podem ajudar a calcular a
X Braço do Momento Externo do PS (BME,)« 0,15m
Movimento Externo do Braço do PC (BMEJ=0,35m

Estudos biomecânicos frequentemente induzem condições de magnitude e a direção da força muscular, o torque e a força de
equilíbrio estático a fim de simplificar a abordagem para a análi- reação da articulação. As duas amostras de problemas seguintes
se do movimento humano. Na análise estática, o sistema está em ilustram o uso destas diretrizes para a resolução de problemas
equilíbrio porque não sofre aceleração. Como consequência, a em uma situação de equilíbrio estanco.
soma das forças ou torques amantes sobre o sistema é zero. As
forças ou torques em uma direção são iguais as forças ou torques Problema 1 " BIV1E, PS
na direção oposta. Como as acelerações linear e angular são iguais, Considere a situação na Fig. 4.25A, na qual uma pessoa gera
o efeito inercial da massa e o momento de inércia dos corpos é uma força muscular isométrica no cotovelo enquanto segura um
ignorado. objeto na mão. Admitindo o equilíbrio, temos que resolver três
As Equações de equilíbrio de força 4.14 A e B são usadas para variáveis desconhecidas: (1) o torque interno (produzidVpelo
o movimento de translação uniplanar e estão listadas na caixa de músculo), (2) a força muscular e (3) a força de reação da arti-
texto. Para o movimento de rotação, as forças atuam juntas com culação no cotovelo. Para começar, constrói-se um diagrama PC
seus braços de momento e produzem um torque sobre o mes- de corpo livre. O eixo de rotação e todas as distâncias do braço FIG. 4.25 Problema 1. A, Um exercício daflexãoisométrica do cotovelo está executado contra uma carga de peso segurado pela mão. O antebraço
mo eixo. No caso do equilíbrio de rotação estático, a soma dos de momento são indicados (Fig. 4.25B). Embora neste ponto a está mantido na posição horizontal, paralelo ao eixo X. B, É mostrado um diagrama de corpo livre do exerdeio, incluindo um boxe com as abre-
torques sobre um eixo de rotação ou um outro ponto é zero. A direção da força de reação da articulação (FRA) seja desconhe- viações e dados necessários para resolver o problema. O eixo de rotação medial-lateral no cotovelo está mostrado como um circulo vermelho
Equação 4.15 de equilíbrio de torque também está incluída no cida, presume-se que atue na direção oposta ã tração do mús- aberto. (A modificado de LeVeau BF: Williams Sr Lissner's Biomechanics of Human Motion, 3rd ed. Philadelphia, WB Saunders, 1992.)
80 Princípios de Biomecânica Principias de Biomecânica 8 1

mite que a Equação 4.15 seja usada para resolver a magnitude ção, a direção da força efetiva da articulação deve se opor à tra-
do torque interno e a força muscular: ção do músculo. Sem esta força, por exemplo, o músculo indi-
cado na Fig. 4.25 aceleraria o antebraço para cima, resultando
ST = 0 (Torque interno + — torque externo = 0) em uma articulação instável. Em resumo, a força articular for-
Torque interno = torque externo necida pelo úmero contra o antebraço, neste caso, fornece a
Torque interno = (PS X BME,) 4- (PC X BMEj) força necessária que falta para manter o equilíbrio estático li-
Angulo do segmento do antebraço relativo á horizontal (8)=30°
near no cotovelo. Como afirmado anteriormente, a força arti-
Torque interno = (17 N X 0,15 m) 4- (60 N X 0,35 m) Força Muscular (B/1) - desconhecida
cular não produz torque, porque se supõe que atue através do Ângulo de inserção da FM no cotovelo (a)=30°
Torque interno = 23,6 Nm eixo de rotação e, consequentemente, tem um braço de momen- FM» e FM,=desconhecidas
Peso do Segmento (PS). 17N
O torque muscular (interno) resultante é a soma líquida de to zero.
PS,= (sen8)xPS
todos os músculos que flectem o cotovelo. Este tipo de análise, PS,=(sene)xPS
Problema 2 Peso da carga (PC) = B0N
contudo, não fornece informação sobre como o torque é distri- PG,.(sene)xPC
No Problema 1, o antebraço é mantido na horizontal, originan-
buído entre os diversos músculos flexores do antebraço. Isto PC,= (sene)xPC
do assim as forças interna e externa perpendiculares ao antebra-
requer procedimentos mais sofisticados, como modelação mus- Força da Articulação (FA) no cotovelo = desconhecida
ço. Embora esta apresentação simplifique muito os cálculos, não Ângulo da aproximação da FA para eixo X (n,) = desconhecida
cular e técnicas de otimização, que estão além do escopo deste FA, e FAX=desconhecidas
representa uma situação biomecânica muito típica. O Problema
texto. Braço do Momento Interno (BMI) da FM, = 0,05m
2 mostra uma situação mais comum, na qual o antebraço é man- Braço do Momento Externo PS,= (BME,) = 0,15m
A força muscular necessária para manter o antebraço em uma FM
tido em uma posição diferente da horizontal (Fig. 4.26A). Como Braço do Momento Externo do PC, = (BME;) = 0,35m
posição estática em um dado instante no tempo é calculada divi-
resultado da mudança na posição do antebraço, o ângulo de in-
dindo-se o torque externo pelo braço de momento interno:
serção dos músculos flexores do antebraço e o ângulo no qual as
Torque interno = torque externo forças externas cruzam o antebraço não são mais perpendicula-
res. Em princípio, todos os outros aspectos deste problema são
FM X BMI = (PS X BME,) 4- (PC X BMEJ
idênticos aos do Problema 1, com exceção dos vetores resultan-
(17 N X 0,15 m) 4- (60 N X 0,35 m) tes que precisam ser decompostos em componentes retangula-
Força muscular (FM) res (X e Y). Isto requer passos adicionais e cálculos trigonomé-
0,05 m
tricos. Supondo o equilíbrio, uma vez mais temos que determi-
FM = 471,0 N nar três variáveis desconhecidas: (1) o torque interno (produzi-
do pelo músculo), (2) a força muscular e (3) a força de reação da
A magnitude da força muscular é seis vezes maior do que a
articulação no cotovelo.
magnitude da forças externas (i.e., segmento antebraço-mão e
A Fig. 4.26B mostra o diagrama de corpo livre do antebraço
peso da carga). A maior exigência de força pode ser explicada
mantido em ângulo de 30 graus abaixo da horizontal (0). Para
pela disparidade no comprimento do braço de momento usa-
simplificar os cálculos, estabelece-se a estrutura de referência X-
do pelos flexores do antebraço quando comparado com os bra-
Y, de modo que o eixo X fique paralelo ao segmento do antebra-
ços de momento usados pelas duas forças externas. A dispari-
ço. Todas as forças que atuam sobre o sistema estão indicadas e
dade no comprimento do braço de momento não é único para
cada uma está decomposta em seus respectivas componentes
o modelo de flexão do cotovelo, mas é ompresente em todos
tangencial (X) e normal (Y). O ângulo de inserção dos flexores
os sistemas músculo-artículares no corpo. Por esta razão, a maio-
do antebraço no antebraço (a) é de 60 graus. Todos os dados
ria dos músculos do corpo gera, rotineiramente, uma força
numéricos e informações secundárias estão listados no boxe re-
muitas vezes maior do que o peso da carga externa. Este prin-
lacionados com a Fig. 4.26.
cípio exige que o osso e a cartilagem articular absorvam gran-
des forças articulares que resultam aparentemente de atívida- Decompondo o Torque Interno e a Força Muscular
des não estressantes.
2T = 0
Decompondo a Força Articular Torque interno = torque externo
Como a força de reação articular (FRA) é a única variável desco-
nhecida restante mostrada na Fig. 4.25B, esta variável é deter- Torque interno = (PSy X BME,) 4- (PCY X BMEJ*
minada pela Equação 4.14 B. Torque interno = (cos 30° X 17 N X 0,15 m)

ZFY = 0 + (cos 30° X 60 N X 0,35 m)


FM-PS-PC-FRA = 0 Torque interno = 20,4 Nm FIG. 4.26 Problema 2. A, Um exerdcio de flexão isométrica do cotovelo é executado contra uma carga de peso idêntica, como desenhado na Fig.
-FRA=-FM4-PS4-PC 4.25.0 antebraço está mantido a 30 graus abaixo da posição horizontal. B, É mostrado um diagrama de corpo livre incluindo uma caixa comas
abreviações e dados necessários para resolver o problema. C, Os vetores da força de reação articular (FRA) estão mostrados na resposta â biome-
- F R A = - 4 7 1 N 4-17N 4-60N cânica representada em B. (A modificado de LeVeau BF: Williams & lissner's Biomechanics of Human Motion, 3rd ed. Philadelphia, WB Saun-
- FRA = - 394,0 N ders, 1992.)
•Os componentes CO normais (PS, e PC,) das forças resullanr.es são usados neste
FRA = 394,0 N cálculo porque estes vetares cruzam os comprimentos dos braços de momento
externos (0,15me0,35m)em ângulos retos. O uso das forças exremas resul-
O valor positivo da força de reação articular verifica a supo- tantes (PS e PC) requer comprimentos de braços de momento que cruzem essas
forças em ângulos retos. Estes comprimentos debraços de momento "ajustados"
sição de que a força articular agiu para baixo. Como a força mus- podem ser calculadas com dadas fornecidas com este problema. Esta aborda-
cular normalmente é a maior força atuante sobre uma articula- gem é igualmente válida.
82 Princípios de Biomecânica Princípios de Biomecânica 83

A força muscular necessária para gerar o torque flexor inter- ção resultante (FRA) pode ser determinada usando-se o teorema SISTEMAS DE MENSURAÇÃO CINEMÁTICA E CINÉTICA
no no cotovelo é determinada por de Pitágoras: Esta seção introduz métodos e sistemas comuns usados para
Torque interno = torque externo FRA = T/(FRA Y 2 ) 4- (FRAX2) coletar dados cinemáticos e cinéticos no estudo do movimento
humano.1-13-1'!"10 Sugerimos ao leitor as Leituras Adicionais, no
FMY X BMI = (PS, X BME,) + (PCY X BME2)
FRA = T/341,3 N2 +197,1 N2 final deste capítulo, para elaboração posterior dos usos, vanta-
FMY = gens e desvantagens destas técnicas de mensuração.
FRA = 394,1 N
(cos 30° X 17 N X 0,15 m) + (cos 30° X 60 N X 0,35 m)
Uma outra característica da força de reação da articulação que Sistemas de Mensuração Cinemática: Eletrogoniômetro,
0,05 m
Acelerômelro, Técnicas de Imagem e Dispositivas de
é de interesse é a direção da FRA com relação ao eixo (X) do
FMY = 408,0 N Rastreamenlo Elelromagnético
antebraço. Esta é calculada usando-se a relação:
A análise detalhada do movimento requer uma avaliação cuida-
Como foi usado um comprimento de 0,05 m para o braço de tan/* = FRAY/FRAx dosa e objetiva do movimento das articulações e do corpo como
momento interno, o último cálculo produziu a magnitude de seu
ft = tan" 1 (341,3 N/197,1 N) um todo. A análise, mais frequentemente, inclui uma avaliação
vetor perpendicular associado, FMV, não FM. A força muscular
da posição, deslocamento, velocidade e aceleração. A análise pode
resultante, ou FM, pode ser determinada por /i=60°
ser usada para medir forças produzidas indiretamente pelo cor-
FM = FM/sen 60° A força de reação articular resultante tem uma magnitude de po ou para avaliar a qualidade e a quantidade de movimento sem
394,1 N e está direcionada para o cotovelo em um ângulo de 60 considerar forças e torques. A análise cinemática é realizada em
FM = 408 N/0,866 graus com o segmento do antebraço (i.e., o eixo X). O ângulo é uma variedade de ambientes, incluindo esporte, ergonomia e
FM = 471,1 N o mesmo do ângulo de inserção do músculo, um restante do papel reabilitação.
dominante do músculo na determinação da magnitude e da dire-
O componente tangencial da força muscular, FMX, pode ser de-
ção da força dzmação da articulação. Eleímgoniômetro
terminado por
Um eletrogoniômetro mede o deslocamento angular da articula-
FMX = FM X cos 60° Análise Dinâmica ção durante o movimento. O dispositivo consiste tipicamente em
FMX = 471,1 N X 0,5 um potenciômetro elétrico construído no ponto de articulação
A análise estática é a abordagem mais básica para a análise ciné-
(dobradiça) de dois braços rígidos. A rotação de um potenciô-
tica do movimento humano. Esta forma de análise é usada para
FMX = 235,6 N metro calibrado mede a posição angular da articulação. O resul- ^
avaliar forças atuantes sobre o ser humano quando as acelera-
tado pode ser enviado para um gravador de diagramas ou
Decompondo a Força Articular ções linear e angular são muito pequenas ou insignificantes. Em
osciloscópio, ou, mais frequentemente, é usado como alimen-
A força de reação da articulação (FRA) e seus componentes normal contraste, quando as acelerações linear e angular ocorrem devi- tador de dados para um programa de computador. Os braços do FIG. 4.27 Um eletrogoniômetro está mostrado preso por tiras à coxa e à
e tangencial (FRAY e FRAx) são mostrados separadamente na Fig. do ao desequilíbrio das forças, deve-se realizar uma análise di-
eletrogoniômetro são amarrados aos segmentos do corpo, de tal perna. O eixo do goniómetro contêm o potenciômetro e está alinhado
4.26C. (Isto é feito para aumentar a clareza da ilustração.) Na rea- nâmica. Caminhar é um exemplo de movimento devido ao de-
modo que o eixo de rotação do goniómetro (potenciômetro) fi- sobre o eixo de rotação medial-lateral da articulação do joelho. Este ins-
lidade, as forças da articulação estão atuando simultaneamente sobre sequilíbrio de forças, já que o corpo está em um estado continuo trumento particular grava somente um único plano de movimentação.
que aproximadamente alinhado com o eixo de rotação da arti-
a extremidade proximal do segmento do antebraço junto com ou- de perda e recuperação do equilíbrio a cada passo. Portanto, a
tras forças. Presume-se que as direções da FRAY e FRAX atuem para análise dinâmica da marcha é uma análise frequentemente con- culação (Fig. 4.27). Os dados de posição obtidos a partir do
baixo (negativas) e para a direita (positivas), respectivamente. Es- duzida da ciência do movimento. eletrogoniômetro combinados com os dados de tempo podem
tas são as direções que se opõem ã força do músculo. Os compo- ser matematicamente convertidos em velocidade e aceleração
As forças dinâmicas que atuam contra o corpo podem ser me-
nentes retangulares (FRAY e FRAx) da força da articulação (FRA) po- didas diretamente por meio de vários instrumentos, como um angulares. Embora o eletrogoniômetro forneça meios razoavel-
mente baratos e diretos de captar o deslocamento angular da Técnicas de Imagem
dem ser facilmente determinados usando-se as Equações 4.14 A e B. - Fotografia
transdutor de força. As forças dinâmicas geradas a partir do inte-
articulação, o aparelho sobrecarrega a pessoa e é difícil de ajus- • . Cinematografia /.
rior do corpo, contudo, geralmente são medidas indiretamente com
ZFY = 0 tar e firmar sobre os tecidos gorduroso e muscular. Um ele- » Videografia
base nas leis de movimento de Newton. (Consulte Enfoque Espe-
trogoniômetro-triaxial mede a rotação da articulação em três r Optoeletrònica v
FMY - PS, - PCY - FRAY = 0 cial 4.7 para este método específico). Decompor as forças e torques
planos; contudo, este sistema tende a restringir o movimento
- FRA, = - FMY + PSV + PCY sob condições dinâmicas requer conhecimento de momento de
natural.
massa de inércia e aceleração linear e angular (ver Equações 4.16 Diferentemente do eletrogoniômetro e do acelerômetro, que
- FRAY = - 4 0 8 N + (cos 30° X 17 N) + (cos 30° X 60 N) e 4.17 no boxe). Os dados antropométricos fornecem as caracte- medem o movimento diretamente a partir de u m corpo, os mé-
- FRAY = 341,3 N rísticas inerriais dos segmentos do corpo (massa, momento de Acelerômetro todos de imagem normalmente requerem condicionamento de
massa de inércia), bem como os comprimentos dos segmentos do Um acelerômetro é um dispositivo que mede a aceleração do sinal adicional, processamento e interpretação antes de obter um
FRAV = 341,3 N corpo e localizações dos centros articulares. Dados cinemáticos, segmento ao qual está preso. Acelerõmetros são transdutores de resultado significativo.
como deslocamento, velocidade e aceleraçõesdos segmentos, força que consistem em um aferidor de tensão ou circuito A fotografia é uma das técnicas mais antigas para mensura-
2Fx = 0 podem ser medidos por meio de técnicas de laboratório. piezorresistivo que mede as forças de reação associadas com uma ção de dados cinemáticos. Com o obturador da câmara aberto,
-FM X + PSx + PCX + FRAX = 0 dada aceleração. Com base na segunda lei de Newton, a acelera- a luz estroboscópica pode ser usada para rastrear a localização
ção é determinada como a razão da força medida dividida por dos marcadores refletivos usados sobre a pele de uma pessoa
FRAx = FMx - PSx - PCX Análise Dinâmica de Força c Torque uma massa conhecida. em movimento (ver Cap. 15 e Fig. 15.3). Conhecendo-se a fre-
FRAX = 235,6 N - (sen 30° X 17 N) - (sen 30° X 60 N) Equações de Força quência da luz estroboscópica, os dados do deslocamento an-
FRAx = 197,1 N IF x = max (Equação 4.16 A) Técnicas de Imagem gular podem ser convertidos em dados de velocidade e acele-
j XFY = ma, (Equação 4.16 B) Técnicas de imagem são os métodos mais amplamente usados ração angulares. Além do uso de uma luz estroboscópica como
Como representado na Fig. 4.26C, FRAY e FRAX atuam para para coletar dados de movimento. Muitos tipos diferentes de sis- uma fonte de luz intermitente, uma câmara de 35 mm pode usar
Equação de Torque
baixo e para a direita, respectivamente, na direção oposta à da temas de imagem estão disponíveis. Esta discussão está limitada uma fonte de luz constante e bater várias fotos de um evento
ZT = In (Equação 4.17)
força do músculo. A magnitude da força de reação da articula- aos sistemas listados no boxe. em movimento.
84 Princípios de Biomecânica Prinrfpfas de Biomecânica 85

A ármãatografia, a arte da fotografia cinematográfica, foi uma bi e tridimensionais de marcadores são identificadas no es- pio, o dinamômetro mede uma força de resistência (FR) em res-
vez o método mais popular de registro de movimento. A cine- paço por meio de um computador, e são então usadas para posta a um esforço máximo, o torque de extensão do cotovelo
matografia de alta velocidade, usando filmes de 16 mm, permi- reconstruir a imagem (imagem imóvel) para subsequente aná- produzido isometricamente. A força do tríceps braquial (FT) é
tiu a mensuração de movimentos rápidos. Conhecendo-se a ve- lise cinemática. determinada dividindo-se o torque externo (FR X BME) por uma
locidade do obturador, realizava-se um trabalho intenso de aná- Os sistemas baseados em vídeo são muito versáteis e são usa- estimativa do braço de momento interno.
lise digital quadro a quadro do movimento em questão. A análi- dos para analisar atividades de natação e até de digitação. Alguns
se digital era realizada no movimento de pontos de referência sistemas permitem que o movimento seja capturado ao ar livre e Transdutores
anatómicos ou de marcadores usados pelas pessoas. A análise de processado mais tarde. Uma outra característica desejável do sis- Foram desenvolvidos diversos tipos de transdutores e usados
movimento bidimensional era realizada com o auxílio de uma tema é que a pessoa não está sobrecarregada de fios ou outros amplamente para medir forças. Entre estes estão os calibrado-
câmara; a análise tridimensional, contudo, requeria duas ou mais dispositivos eletrõnicos. res de tensão e transdutores piezelétricos, piezorresistivos e de
câmaras. A aptaeletrônica é um outro tipo popular de sistema de aqui- capacitância. Essencialmente, estes transdutores operam a par-
Na maioria das vezes, a análise da fotografia estática e da sição cinemática que usa marcadores atívos que pulsam sequen- tir do princípio de que uma força aplicada deforma o trans-
cinematografia raramente são usadas para o estudo do movi- cialmente. A luz é detectada por câmaras especiais que se con- dutor, resultando em uma mudança na voltagem de uma ma-
mento humano. Os métodos não são práticos devido ao tem- centram em uma face do diodo semicondutor. O sistema permi- neira conhecida. O sinal de saída do transdutor é convertido
FIG. 4.29 Um dinamômetro manual é usado para medir o torque da
po necessário para revelar o filme e analisar manualmente os te a coleta de dados em taxas de amostragem altas e pode obter em medidas significativas por meio de um processo de cali-
extensão isométrica do cotovelo produzido pelo musculo triceps bra-
dados. A viáeografia substituiu estes sistemas e é u m dos mé- dados tridimensionais em tempo real. O sistema é limitado na bração.
quial. O produto da força resistente (FR) vezes seu braço de momen-
todos mais populares para coletar informações cinemáticas em sua capacidade de obter dados fora de um ambiente controlado. to externo (BME), presumindo equilíbrio estático, é igual ao produto Um dos transdutores mais comuns para coleta de dados
ambientes clínicos e laboratoriais. O sistema consiste, normal- Pessoas podem se sentir obstruídas pelos fios que estão conecta- da força do triceps braquial (FT) vezes seu braço de momento interno cinemáticos enquanto uma pessoa está caminhando, marchan-
mente, em uma ou mais câmaras de vídeo, u m gravador, u m dos aos marcadores atívos. Os sistemas de telemetria permitem (BMI). do ou correndo é a placa dejorça. As placas de força utilizam
monitor, um processador de imagem ou uma interface que que dados sejam coletados sem que a pessoa esteja presa a uma
digitaliza o sinal analógico, um dispositivo de calibração e um fonte de força, mas são vulneráveis à interferência elétrica ambi-
computador. Os procedimentos envolvidos em sistemas base- ente.
ados em vídeo normalmente requerem que os marcadores se-
jam fixados na pessoa em pontos de referência anatómicos. Dispositivos de Raslrearnento Eletromagnético
Os marcadores são considerados passivos se não estão conec- Os dispositivos de rastreomento eletromagnético medem seis graus
tados a u m outro dispositivo eletrõnico ou fonte de força. de liberdade (três giratórios e três translacionais), fornecendo da-
Marcadores passivos servem como uma fonte de luz, refle- dos de posição e orientação durante as atividades estática e di-
tindo a luz de volta para a câmara (Fig. 4.28). Coordenadas nâmica. Pequenos receptores são presos à pele, ficando sobre os
pontos de referência anatómicos. Os dados de posição e orienta-
ção provenientes dos receptores localizados dentro dos limites 1.400
de uma amplitude operacional específica do transmissor são en- [A
viados para o sistema de captura de dados.
Uma desvantagem deste sistema ê que transmissores e recep-
1.200 r/ \
\
Z1*s
v- -FRS
/ V
tores são sensíveis a metal na sua proximidade. O metal distorce
I \ /' \
o campo eletromagnético gerado pelos transmissores. Embora a
telemetria esteja disponível para estes sistemas, a maioria opera
com cabos que conectam os receptores ao sistema de captura de
V
\ /
l\
dados. Os cabos limitam o volume de espaço a partir do qual o *v. *w /
movimento pode ser registrado.
Em qualquer sistema de análise de movimento que use sen-
O
sores cutâneos para gravar movimento ósseo subjacente, existe
u.
o potencial para erro associado com movimento externo da pele
e do tecido mole.

Sistemas de Mensuração Cinética: Dispositivas Mecânicas,


Transdutores e Dispositivos Eletromecãnicos
/
Dispositivos Mecânicos - •'" V
*< r^ - - - * - — • - FRS*
Os dispositivos mecânicos medem uma força aplicada pela quan-
tidade de tensão ou compressão do material deformável. Atra-
vés de meios puramente mecânicos, a tensão no material pro- LF -{SAP
duz o movimento de um disco. Os valores numéricos associa-
dos ao disco são calibrados para uma força conhecida. Alguns
FIG. 4.28 Marcadores refledvos são usados para indicar localizações ana- 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0
dos dispositivos mecânicos mais comuns para mensuração de
tómicas para determinação do deslocamento angular da articulação de
um indivíduo andando. A localização do marcador é obtida usando-se força incluem uma balança para banheiro, u m dinamômetro de Tempo (segundos)
uma câmara baseada em vídeo que pode operar a taxas de amostragem força de aperto e um dinamômetro manual. O dinamômetro
variáveis. (Conesia de Peak Performance Technologies, Inc., Englewood, manual, por exemplo, fornece mensurações clínicas úteis do tor- FIG. 4.30 O resultado de uma lâmina de força indica as forças de reação do solo (FRS) nas direçôes verdcal (V), medial-lateral (ML) e anterior-
Colorado.) que interno produzido por um paciente (Fig. 4.29). No exem- posterior (AP) durante uma prova de andar normal.
86 Princípios âe Biomecânica Princípios de Biomecânica 87

transdutores piezelétricos de quartzo ou de calibração de tensão,


que são sensíveis ã carga em três direções ortogonais. A placa de ISsSfflll
força mede as forças de reação do solo em componentes vertical, ^IIP^
médio-lateral e ãntero-posterior (Fig. 4.30). Cada componente
tem forma e magnitude características. Os dados da força de re- Suposições Feitas Durante a Abordagem Dinâmica Inversa
1. Cada segmento ou ligação possui uma massa fixa que está
ação do solo podem ser usados como insumo para análise dinâ- concentrada no seu centro de massa.
mica subsequente. 2. A localização de cada centro de massa do segmento
permanece fixa durante o movimento.
Dispositivos Betromecênicos 3. As amculações neste modelo são consideradas gfnglimos
'sematrito. -
Um dos dispositivos eletromecânicos mais populares para men- 4. O momento de massa de inércia de cada segmento é
suração do torque interno em uma articulação específica é o constante durante o movimento.
dinamõmetro isoànético. O dispositivo mede o torque interno 5. O comprimento de cada segmento permanece constante.
produzido enquanto se mantém uma velocidade angular cons-
tante da articulação. O sistema isocinético é ajustado para
Coxa(C)
medir o torque produzido pelos mais importantes grupos
musculares do corpo. A máquina mede dados cinéticos pro-
duzidos pelos músculos durante todos os três tipos de ativa-
ção: concêntrica, isométrica e excêntrica. A velocidade angu-
lar é determinada pelo usuário, variando entre 0 grau/s (iso-
(
^^â^t^Sc métrica) e até 500 graus/s para ativação nâo-isométrica. A Fig.
4.31 mostra uma pessoa que está exercendo um esforço máxi-
Perna (P) FIG. 4.32 U m modelo articulado do membro inferior consistindo nos
três segmentos: coxa (C), perna (P) e pé (Pe). Em A, O centro da massa
(CM) de cada segmento está representado por um círculo vermelho;
mo, torque de flexão no joelho por meio de uma contxação
CMc, CMP, e CMft.. F m B , os segmentos estão desarticulados a fim de
concêntrica da musculatura flexora do joelho direito. A Pé(Pe) que as forças internas e torques sejam determinados, começando com
FIG. 4.31 Dinamometria isocinética. O individuo gera torque de esforço dinamometria isocinética fornece um registro objetivo dos o segmento mais distai do pé. As setas curvas vermelhas representam o
máximo da flexão do joelho a uma velocidade angular articular de 60 dados cinéticos musculares produzidos durante diferentes ti- torque ao redor dos eixos da rotação. (P, peso do segmento; FAX e FAy,
graus/s. A máquina está funcionando em seu "modo concêntrico", for-
pos de ativação muscular em velocidades de teste múltiplas. forças articulares nas direções horizontal (X) e vertical (Y); FRSX e FRSy,
necendo resistência contra os músculos em conlração. Observe que o
O sistema também fomece/eedbacl! imediato dos dados ciné- forcas de reação do solo nas direções horizontal (X) e vertical (Y).
eixo da rotação medial-lateral do joelho direito está aproximadamente
alinhado com o eixo de rotação do dinamõmetro. (Cortesia de Biodex ticos, que podem servir como uma fonte de biofeedback durante
Medicai Systems, Inc., Shirley, New York.) treinamento ou reabilitação.

REFERENCIAS
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Decomposição das Forças e Torques Internos 6. Hamill j , Knutzen KM: Biomechanical Basis of .Human Movement. Balti- teristics of the human body by means of the best predictive regression
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A mensuração das forças de reação da articulação e torques chanics. Champaign, Human Kinetics, 198'5.
série de ligações começa normalmente com a análise do 7. Hatze H: A mathematical model for the computational determination of
efetivos produzidos pelos músculos durante condições dinâmicas parameter values of anthropometric segments, j Biomech 13:833-843,
segmento mais distai, neste caso, o pé. A informação reunida por
é frequentemente realizada indiretamente, utilizando-se uma 1980.
meio das técnicas de análise de movimento, normalmente LEITURAS ADICIONAIS
técnica chamada abordagem dinâmica inversa.™ Esta abordagem 8. Hindrichs R: Regression equations to predict segmental moments of
realizada com Câmaras, serve como dados de entrada para as
usa dados da antropometria, cinemática e forças externas, como inertia from anthropometric measurements. J Biomech 18:621-624, Hall Sj: Basic Biomechanics. SL Louis, Mosby, 1998.
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segmento e seu centro de massa, e a força de reação que atua protection. Arthritis Care Res 2:146-155,1989. LeVeau BF: Williams & Lissner's Biomechanics of Human Motion. Philadel-
dados posição-tempo para produzir dados de velocidade-tempo e
sobre a extremidade distai do segmento. A partir desses dados, 10. Neumann DA: Hip abductor muscle activity in persons with a hip phia, WB Saunders, 1992.
aceleração-tempo, respectivamente. A importância da aquisição prosthesis while walking and carrying loads in one hand. Phys Ther 76: Low J, Reed A: Basic Biomechanics Explained. Oxford, Butterwonh-Heine-
determinam-se a força de reação e o torque muscular efetivo na
de dados de aceleração-tempo precisos é um pré-requisito para a 1320-1330,1996. mann, 1996.
articulação do tornozelo. Essa informação é, então, utilizadacomo.
integridade desta abordagem, porque erros nos dados das 11. Neumann DA: Hip abductor muscle activity in persons who walk with Mow VC,' Hayes W C Basic Cfrthopaedic Biomechanics. New York, Raven
insumo para a análise contínua do próximo segmento mais a hip prosthesis with different methods of using a cane. Phys Ther 78: Press, 1991.
medidas de posição aumentam os erros de velocidade e
proximal, a perna. A análise ocorre até que todos os segmentos 490-501, 1998. Nordin M, Frankel VH: Basic Biomechanics of the Musculoskeletal System.
aceleração.
ou ligações no modelo sejam estudados. Diversas suposições 12. Neumann DA: Arthrokinesiological considerations in the aged adult In Philadelphia, Lea. and Febiger, 1989.
Na abordagem dinâmica inversa, o sistema em estudo é
feitas durante o uso da abordagem dinâmica inversa estão Gucrione AA fed): Geriatric Physical Therapy, 2nd ed. SL Louis,
muitas vezes definido como uma série de ligações. A Fig. 4.324 Mosby, 2000.
incluídas rio boxe.., '
ilustra a relação entre os modelos de segmento de ligação
anatómicos do membro inferior. Na Hg: 4.32S, os segmentos
(contínua)
Apêndice í 89

P Ê I C E
.r t':ftffMji;tnKfivnai^-:.;imiMiii]ufíyttróMim'ST7rt WÊÈSÊÊ3ÊÊÊ
Peso do Segmento* Localização dos Centros de Massa

Cabeça: 46,2 N (6,9%) Cabeça: No seio esfenoidal, 4 mm atrás da margem inferior anterior da sela.
(Na face lateral, acima da fossa temporal na linha do nãsio-ínio ou próxima dela.)
Cabeça e pescoço: 52,9 N (7,9%) Cabeça e pescoço: Na face inferior do osso basioccipital ou dentro do osso, 23 ± 5 mm
Apêndice IA: Dados Antropométricos Selecionados A Fig. IC.l ilustra o uso da trigonometria para determinar os
da crista do dorso da sela. (Na face lateral, 10 mm anterior à "incisura supratragal"
componentes da força da parte espinal (posterior) do músculo acima da cabeça da mandíbula.)
Quadro IA. 1 fornece dados antropométricos selecionados de um deltóide durante atividade de atívaçâo isométrica. O ângulo de Cabeça, pescoço t tronco: 395,3 N (59,0%) Cabeça, pescoço e tronco: Anterior à décima primeira vértebra torácica.
homem de 670-N. inserção (a) do músculo com o osso ê 45 graus. Com base em
Membro Superior
um sistema de referência particular, os componentes retangula-
Apêndice IB: A Regra da "Mão Direita" res da força muscular (FM) são marcados FM, (força tangencial) Membro superior: Logo acima da articulação do cotovelo.
e FMx (f°rÇ2 normal). Dada uma força muscular constante de 200 Braço: 18,1 N (2,7%) Braço: Na cabeça medial do músculo triceps braquial, adjacente ao sulco do
Como foi dito no Capítulo 1, o torque é definido como uma/orça N. radial; 5 mm proximal à extremidade distai da inserção do músculo deltóide.
N, pode-se determinar FMy e FM,, como se segue:
mutóplicada por seu braço de momento. Força é uma grandeza vetorial Antebraço: 10,7 N (1,6%) Antebraço: 11 mm proximal à parte mais distai da inserção do músculo pronador
que possuí magnitude e direção. O comprimento do braço de FMX = FM sen 45° = 200 N X 0,707 = 141,4 N redondo; 9 mm anterior ã membrana interóssea.
momento, contudo, pode ser tratado como umvetor ou como uma Mão: 4,0 N (0,6%) Mão (na posição de repouso): No eixo do metacarpal 111, em geral 2 mm
FMy = FM cos 45° = 200 N X 0,707 = 141,4 N profundamente â face volar da pele; 2 mm proximal à prega palmar transversa
grandeza escalar. Quando se considera um braço de momento Membro superior 32,8 N (4,9%)
como um vetor, o torque é calculado como o produto de dois ve- Se FMX e FMY são conhecidas, pode-se determinar a FM Antebraço e mão: 14,7 N (2,2%) da pele, no ângulo entre as pregas longitudinal radial e transversa proximal.
tores. Multiplicar dois vetores ortogonais (força'e seu braço de (hipotenusa), usando o teorema de Pitágoras: Membro Inferior
momento) por meio da multiplicação cruzada produz um tercei-.
FM2 =FM X 2 4-FM Y 2 Membro inferior. Logo acima da articulação do joelho.
ro vetor (torque) que é direcionado perpendicularmente ao plano
FM = T/141,4 2 + 141.4 2 Coxo.- 65,0 N (9,7%) Coxa: No músculo adutor curto (ou magno ou vasto medial) 13 mm medial à linha
que contém os outros dois vetores. Usando este esquema, os fle-
aspem, profundamente ao canal dos adutores; 29 mm abaixo do ápice do trigono
xores do cotovelo, na Fig. 1.17, por exemplo, produziriam um FM = 2 0 0 N femoral e 18 mm proximal àsfibrasmais distais do músculo adutor curto.
vetor de torque interno que é direcionado para a página ou para Perna: 30,2 N (4,5%) Perna: 35 mm abaixo do músculo poplíteo, na parte posterior do músculo tibial
fora da página. A regra da "mão direita" éuma convenção que pode Os componentes normal e tangencial das/orças externas, como
posterior, 16 mm acima da extremidade proximal do tendão do calcãneo
ser usada para designar uma direção para o produto vetorial. Os aquelas exercidas por uma polia de parede, peso do corpo ou
(de Aquiles); 8 mm posterior â membrana interóssea.
dedos da mão direita são virados na direção do segmento em rota- manualmente pelo clínico, são determinados de maneira seme- Pé: 9,4 N (1,4%) Pé: Nos ligamentos plantares, ou logo superficialmente aos músculos profundos
ção. A direção positiva do torque é definida pela direção do pole- lhante àquela descrita para a força muscular (interna). Membro inferior 104,5 N (15,6%) adjacentes do pé; abaixo das metades proximais do segundo e terceiro ossos
gar estendido. Na Fig. 1.17, a direção do torque interno está "fora Perna e pé: 40,2 N (6,0%) cuneiformes. Em uma linha entre o centro da articulação do tornozelo e a
da página", ou em uma direção Z positiva. "bola do pé" no plano do metatarsal II.
Corpo inteiro: Anterior ã segunda vértebra sacral.
Apêndice IC: Revisão Básica de Trigonometria *Expressado em Newtons CN) e porcentagem do peso corporal total.
Baseado em Dempster WT: 1955: Space requirements for the seated operator. WADC-TR-55-159, Wright Patterson Air Force Base. Os valores para o peso da
As funções trigonométricas são baseadas na relação que existe cabeça foram computados de Braune and Fischer, 1889. Os locais dos centros de massa são de Dempster, exceto aqueles para os membros inteiros e corpo.
entre os ângulos e lados de um triângulo retângulo. Os lados do
triângulo podem representar distâncias, magnitude de força,
velocidade e outras propriedades físicas. Quatro das funções
A trigonometria também pode ser usada para determinar a sen 45° =FM X /FM
trigonométricas comuns usadas na análise quantitativa encon-
magnitude da força resultante quando um ou mais componen- FM = 1 4 1 , 4 N/sen 45°
tram-se na tabela seguinte. Cada função trigonométrica possui
tes e o ângulo de inserção são conhecidos. Considere o mesmo FM = 2 0 0 N
um valor específico para um determinado ângulo. Se os vetores
exemplo dado na Fig. IC.l, porém, considere agora que o obje-
que representam dois lados de um triângulo retângulo são co- Se apenas FMY e FMX são conhecidas, o ângulo de inserção da
tivo da análise é detenninar a força muscular resultante da parte
nhecidos, o outro lado do triângulo pode ser determinado, usan- FM pode ser determinado, usando o inverso: tan -1 a. Observe
espinal (posterior) do músculo deltóide. O ângulo de inserção
do-se o teorema de Pitágoras: a2 = b 2 + c \ no qual a é a hipotenusa que os componentes da força sempre têm a magnitude menor
do músculo é 45 graus e FMX é 141,4 N. A força muscular resul-
do triângulo. Se um lado e um ângulo diferentes do ângulo reto do que a magnitude do vetor resultante.
tante (hipotenusa do triângulo) pode ser derivada, usando a re-
são conhecidos, os outros lados e ângulos podem ser determi-
lação dos componentes retangulares:
nados, usando-se urna das quatro funções trigonométricas lis-
tadas na tabela.

Funções Trigonométricas no Triângulo Retângulo


Comumente Usadas na Análise Biomecânica

Função Trigonométrica Definição


FIG. IC.1 Dada um ângulo de inserção da parte espinal (posterior) do
Seno (sen) Lado oposto/hipotenusa músculo deltóide (a — 45 graus) e a força muscular resultante da parte
Co-seno (cos) Lado adjacente/hipotenusa espinal (FM), os dois componentes da força retangular da força muscu-
Tangente (tan) Lado oposto/lado adjacente lar (FM* e FMy) são determinados usando as relações trigonométricas.
Cotangente (cot) Lado adjacente/lado oposto O eixo de rotação na articulação do ombro está indicado pelo círculo
aberto na cabeça do úmero.
•:•", - v . . I.' . Í 1

W^

1=1 <D
1=1

• o
w

M -Sis»' - .. i iVjl,
CAPíTULO 5

Complexo do Ombro
S E ç ã O II

D O N A L D A. N E U M A N N , PT, P H D

Membro Superior
-*a
R E S U M O DOS T Ó P I C O S
-^~- 5,-plfl^fIfÉÍIS
si? ^ jiB
:' -''ÍN. /.:. •';.".- .-.",'-
OSTEOLOGIA
Esterno
Cinemática
Movimento da "Articulação
Interação das Articulações Eslernoclavicular e
Acromioclavicular

CAPíTULO 5: Complexo do Ombro '•••'; '.'•'•'•:.:._.,_'.•••'. -fj;Ví* Clavícula


Escápula
Escapulotorácica": Uma Combinação
dos Movimentos das Articulações
INTERAÇÃO MÚSCULO E ARTICULAÇÃO
Inervação dos Músculos e Articulações do
ESÉr" .'• - .••.-„'. .-.' "í,'.-••:-
CAPíTULO 6: Complexos do Cotovelo e Antebraço Úmera: Parle de Proximal ao Meio Eslernoclavicular e Acromioclavicular Complexo do Ombro
ARTROLOGIA Elevação e Abaixamento Músculos da "Articulação Escapulotorácica"
CAPíTULO 7: Pulso Articulação Eslernoclavicular Prolração e Retração Levantadores da "Articulação Escapulotorácica"
Características Gerais Rotação para Cima e para Baixo Abaixadores da "Articulação Escapulotorácica"
CAPíTULO 8: Mão Tecido Conectivo Periarticular Articulação do Ombro Protratores da "Articulação Escapulotorácica"
Cinemática Características Gerais Retratares da "Articulação Escapulotorácica"
•APÊNDICE II: Material de Referência sobre Inervação e Inserções dos Músculos do Membro Superior Elevação a Abaixamento Tecido Conectivo Periarticular Rotadores para Cima e para Baixo da
Protração e Retração Estabilidade Estática na Articulação do Ombro "Articulação Escapulotorácica"
Rotação Axial (Longitudinal) da Clavícula "Arco Coracoacramiar e Bolsa Associada Músculos que Elevam o Braço
Articulação Acromioclavicular Cinemática na Articulação do Ombro Músculos que Elevam o Braço na Articulação do
Características Gerais Abdução e Adução Ombro
Tecido Conectivo Periarticular Flexão e Extensão Rotadores da "Articulação Escapulotorácica"
Cinemática Rotação Medial e Lateral para Cima
floiacão para Cirna e para Baixo Resumo da Artrocinemãtica na Articulação Função dos Músculos do Manguito Rotador
"Ajustes Rotacionais" nos Planos Horizontal do Ombro Durante a Elevação do Braço
A S e ç ã o I I é composta de quatro capítulos, cada um descrevendo a cinesiologia de uma e Sagital na Articulação Cinemática Total do Ombro Durante a Abdução Músculos que Aduzem e Estendem o Ombro
região articular principal no membro superior. Embora apresentadas como estruturas ana- Acromioclavicular Ritmo Escapuloumeral Músculos que Giram o Ombro Medial e
tómicas separadas, as quatro regiões cooperam funcionalmente para colocar a mão em uma "Articulação Escapulotorácica" Lateralmente

posição para interagir mais otimamente com o ambiente. O rompimento na função dos
músculos ou articulações de qualquer região pode interferir grandemente na capacidade do
membro superior como um todo. Como descrito através da Seção II, danos envolvendo os
músculos e articulações do membro superior podem reduzir, de modo significativo, a qua-
lidade ou a facilidade de realizar muitas atividades importantes relacionadas com cuidado
pessoal, meio de vida e recreação.

INTRODUÇÃO de um único músculo, frequentemente desorganiza a sequência


cinemática natural de todo o ombro. Este capítulo descreve di-
Nosso estudo do membro superior começa com o complexo do versas das importantes sinergias musculares que existem no com-
ombro, um conjunto de quatro articulações envolvendo o ester- plexo do ombro e como o enfraquecimento de um músculo pode
no, a clavícula, as costelas, a escápula e o úmera (Fig. 5.1). Esta afetar o potencial de geração de força nos outros.
série de articulações fornece extensa amplitude de movimento
para a extremidade superior, aumentando assim a capacidade de
manipular objetos. Trauma ou doença frequentemente limitam OSTEOLOGIA
o movimento do ombro, causando uma redução significativa na
eficiência de todo o membro superior..
Esterno
De fato, raramente um único músculo atua isolado no com- O esterno consiste em manúbrio, corpo e processo xifóide (Fig.
plexo do ombro. Os músculos trabalham em "grupos" para pro- 5.2). O manúbrio possui um par de incisuras daviculares ovala-
duzir uma ação altamente coordenada, que se manifesta através das, que se articulam com as clavículas. As incisuras costaís, lo-
de múltiplas articulações. A natureza muito cooperativa dos calizadas na margem lateral do manúbrio, fornecem locais de
músculos do ombro aumenta a versatilidade, o controle e a am- fixação para as duas primeiras costelas. A incisure jugular está
plitude dos movimentos ativos. Devido ã natureza desta relação localizada na face superior do manúbrio, entre as incisuras
funcional entre os músculos, a paralisia ou o enfraquecimento daviculares.
94; Complexo do Ombro Complexo ao Ombro 95

A face inferior da extremidade lateral da clavícula é bem acentu-


ada pelo tuiér nJo conóide e pela linha trapezóiãea.
Articulação acromioclavicular
Face superior
'Articulação ^sternoclavicular FsCÍDUl3

A escápula, triangular, possui três ângulos: inferior, superior e la-


teral (Fig. 5.5)1 A palpação do ângulo inferior fornece u m méto-
do conveniente para acompanhar o movimento da escápula du-
rante o movimento do braço. A escápula também possui três
margens. Com o braço repousando ao lado do corpo, a margem
medial corre quase paralela ã coluna vertebral. A margem lateral
corre do angulo inferior até o ângulo lateral da escápula. A mar-
gem superior estende-se do ângulo superior, lateralmente, em
direção ao processo coracóide.

FIG. 5.3 As faces inferior e superior da


Vista anterior clavícula direita. A linha em volta das
extremidades da clavícula mostra inser-
ções da cápsula articular. A inserção
proximal dos músculos estão mostradas
em vermelho, as inserções distais em articular esternal
cinzento. Face inferior
FIG. 5.1 As articulações do complexo do ombro direito.
Anterior

Características Ostcológicas do Esterno


0
Manúbrio Faceta acromial
• Incisuras claviculares
- Incisuras costais
° mrisura jugular Extremidade
lateral

Clavícula
Quando se olha de cima, o corpo da clavícula é curvo, com sua
face anterior em geral sendo convexa medialmente e côncava
lateralmente (Fig. 5.3). Com o braço na posição anatómica, o eixo
longo da clavícula fica orientado ligeiramente acima do plano
horizontal e cerca de 20 graus posterior ao plano frontal (Fig.
5.4; ângulo A). A extremidade estemal ou medial proeminente
e arredondada da clavícula se articula com o esterno (veja Fig.
5.3). A "face articular costal" da clavícula (veja Fig. 5.3; face
inferior) repousa contra a primeira costela. Lateral e ligeiramente
posterior à face articular costal está a distinta impressão do liga-
mento costoclavicular, u m local para fixação do ligamento cos-
toclavicular.

Características Osteológicas da Clavícula


• Corpo
• Face articular costal
• Impressão do ligamento costoclavicular
• Face acromial
• Tubérculo conóide
• ynji_i,t^p.eçóid.ea:
FIG. 5.2 Uma vista anterior do esterno com clavícula esquerda e costelas FIG. 5.4 Vista superior de ambos os ombros na posição anatómica. Angulo A a orientação da clavícula desviada aproximadamente 20 graus pos-
removidas. A linha em voítá da faceta clavicular mostra as inserções da terior ao planofrontal.Angulo B: a orientação da escápula (plano escapular) desviada aproximadamente 35 graus anterior ao plano frontal. Ân-
A extremidade acromial ou lateral da clavícula artícula-se com cápsula na articulação estemoclavicular. As inserções proximais do gulo C: retroversão da cabeça do úmero aproximadamente 30 graus posterior ao eixo medial-lateral do cotovelo. A clavícula direita e o acrômio
a escápula rmjace acromial ovalada (veja Fig. 5.3; face inferior). músculo estão mostradas em vermelho. foram removidos para expor o topo da articulação do ombro direito.
96 Complexo do Ombro Complexo do Ombro 97

Vista posterior Vista anterior Vista superior músculos bíceps braquial e triceps braquial, respectivamente (veja
Parte ascendente do M. trapézio Partes clavicular e acromial do M. deltóide Fig. 5.5B). Próximo da margem superior da cavidade glenoidal
^ Parte ascendente do M. trapézio encontra-se o proeminente processa coracóide, que significa "em
forma do bico do corvo". O processo coracóide se prqjeta acen-
« Cabeça curta do tuadamente a partir da escápula, fornecendo fixações múltiplas
1
-*• M. bíceps Lateral para ligamentos e músculos (Fig. 5.7). Afossa subescapular está
braquial e M.
Spí coracobraquial localizada na face anterior da escápula. A concavidade no interi-
Ligamento conóide
or da fossa é preenchida com o espesso músculo subescapular
Partes Cabeça longa
transversas doM.bíceps (veja Fig. 5.5B).
descendente braquial no
doM. ' tubérculo Ligamento trapezoids
ar trapézio supraglenoli
M. Úmero: Parte de Proximal ao Meio
peitoral Ligamento coracoumeral
M. peitoral menor
menor A cabeçada itmera, quase metade de uma esfera, forma o compo-
Ligamento coracoacramial nente convexo da articulação do ombro (Fig. 5.8). A cabeça é
Cabeça longa do M. Cabeça curta do Kl. bíceps orientada medial e superiormente, formando um ângulo de in-
bíceps braquial no braquial e M. coracobraquial clinação de aproximadamente 135 graus com o eixo longo do
tubérculo infraglenoidal
corpo do úmero (Fig. 5.9A). Em relação ao eixo medial-lateral
FIG. 5.7 Uma vista mais próxima do processo coracóide observado por
cima. As inserções proximais dos músculos estão em vermelho, as in- através do cotovelo, a cabeça do úmero é girada posteriormente
serções distais em cinzento. A inserção ligamentosa está indicada pela cerca de 30 graus dentro do plano horizontal (Fig. 5.9B). Esta
área em cinza-claro contornada pela linha tracejada. rotação, conhecida como retroversão (da raiz latina retro; para trás,
+ verto; virar, girar), orienta a cabeça do úmero no plano esca-
M. serrátil anterior
pular para articulação com a cavidade glenoidal (Fig. 5.4; ângu-
rior ao plano frontal (veja Fig. 5.4; ângulo B). Esta orientação lo C).
da escápula é chamada de plano escapular. A escápula e o úme- O colo anatómico do úmero separa a face articular lisa da ca-
ro tendem a seguir esse plano quando o braço é erguido acima beça do úmero da parte proximal do corpo (Fig. 5.8A). Os pro-
da cabeça. eminentes tubérculos maior e menor envolvem a circunferên-
Localizados nas margens superior e inferior da cavidade gle- cia anterior e lateral da extremidade proximal extrema do úmero
FIG. 5.5 Faces posterior (A) e anterior (B) da escápula direita. A inserção proximal dos músculos está mostrada em vermelho, as inserções distais noidal estão os tubérculos supraglenoida! e infraglenoidal. Estes (Fig. 5.8B). O tubérculo menor se projeta mais acentuada e an-
em cinzento. As linhas tracejadas mostram as inserções capsulares em volta da articulação do ombro.
tubérculos servem para fixação proximal da cabeça longa dos teriormente para fixação do músculo subescapular. O grande

Caractérisricas Osteológicas da Escápula 1


• Ângulos: inferior, superior e lateral -
• Margem medial Vista anterior V i s t a superior
• Margem lateral
• Margem superior
. • Fossa supra-espinal M. supra-espinal M. redondo menor,
• Fossa inrra-^spinal
• '- Espinha da escápula . . Tubérculo maior "Faceta inferior"
• "Raiz" da espinha da escápula "Faceta média"
• Acrõmio
" Face articular da clavícula - M. infra-espinal
• Cavidade glenoidal
• Túbérculossupráglenoidal é irúraglenoidalt
• Processo coracóide , M. subescapular no
tubérculo menor Lateral
« Fossa subescapular
M. subescapular
"Faceta superior"
A face posterior da escápula é separada, pela proeminente
espinha da escápula, em uma fossa supra-espinal e outra in/ra-
espinal. O interior da fossa supra-espinal é preenchido pelo
musculo supra-espinal. A extremidade medial da espinha da FIG. 5.6 Vista anterior da escápula direita mostrando uma inclinação Anterior
escápula diminui de tamanhp na "raiz" ãa espinha ãa escápula! aproximada 5 graus da cavidade glenoidal para cima relativa à margem
Em contraste, a extremidade lateral da espinha da escápula' ali- medial da escápula.
menta consideravelmente e se achata, formando o acrõmio, lar-
go e proeminente. O acrõmio se estende em uma direção lateral
e anterior, formando uma prateleira horizontal sobre a cavidade + ridos; semelhante) (Fig. 5.5B). A cavidade glenoidal é incli- M. deltóide na
tuberosidade M. coracobraquial
glenoidal. A face articular ãa clavícula no acrõmio marca a face nada para cima cerca de 5 graus em relação à margem medial FIG. 5.8 Aspectos anterior (A) e superior (B) do úmero direito.
da articulação acromioclavicular (veja Fig. 5.17B). da escápula (Fig. .5.6). Em repouso, a escápula normalmente A linha tracejada em A mostra as inserções capsulares em volta
A escápula se articula com a cabeça do úmero na camãaãe está posicionada contra a face póstero-lateral do tórax, com a da articulação do ombro. A inserção distai dos músculos está
glenoidal (da raiz grega glene; soquete (alvéolo) da articulação, cavidade glenoidal orientada aproximadamente 35 graus ante- mostrada em cinzento.
96 Complexo do Ombro Complexo ão Ombro 97

Vista posterior Vista anterior Vista superior músculos bíceps braquial e triceps braquial, respectivamente (veja
Parte ascendente do M. trapézio Partes clavicular e acromial do M. deltóide Fig. 5.5B). Próximo da margem superior da cavidade glenoidal
^ Parte ascendente do M. trapézio encontra-se o proeminente processo coracóide, que significa "em
forma do bico do corvo". O processo coracóide se projeta acen-
% Cabeça curta do J? tuadamente a partir da escápula, fornecendo fixações múltiplas
^ M. b í c e p s " " Lateral para ligamentos e músculos (Fig. 5.7). Ajossa subescapular está
braquial e M.
coracobraquial
localizada na face anterior da escápula. A concavidade no interi-
or da fossa é preenchida com o espesso músculo subescapular
Cabeça longa Ligamento conóide
X transrarea e doM.bfceps. (veja Fig. 5.5B).
'- descendente braquial no
do M. tubérculo Ligamento frapezóide
trapézio supragíenoldal Úmero: Parte de Proximal ao Meio
peitoral Ligamento coracoumeral
M. peitoral menor
menor A cabeça do úmero, quase metade de uma esfera, forma o compo-
Ligamento coracoacromial
nente convexo da articulação do ombro (Fig. 5.8). A cabeça é
Cabeça longa do M. Cabeça curta do M. bíceps orientada medial e superiormente, formando um ângulo de in-
bíceps braquial no • braquial e M. coracobraquial
tubérculo infraglenoidal
clinação de aproximadamente 135 graus com o eixo longo do
corpo do úmero (Fig. 5.9A). Em relação ao eixo medial-lateral
FIG. 5.7 Uma vista mais próxima do processo coracóide observado por
cima. As inserções proximais dos músculos estão em vermelho, as in- através do cotovelo, a cabeça do úmero é girada posteriormente
serções distais em cinzento. A inserção ligamentosa está indicada pela cerca de 30 graus dentro do plano horizontal (Fig. 5.9B). Esta
área em cinza-claro contornada pela linha tracejada. rotação, conhecida como relroversão (da raiz latina retro; para trás,
+ verto; virar, girar), orienta a cabeça do úmero no plano esca-
M. serrátil anterior
pular para articulação com a cavidade glenoidal (Fig. 5.4; ângu-
rior ao plano frontal (veja Fig. 5.4; ângulo B). Esta orientação lo C).
da escápula é chamada de plano escapular. A escápula e o úme- O colo anatómico do úmero separa a face articular lisa da ca-
ro tendem a seguir esse plano quando o braço é erguido acima beça do úmero da parte proximal do corpo (Fig. 5.8A). Os pro-
da cabeça. eminentes tubérculos maior e menor envolvem a circunferên-
Localizados nas margens superior e inferior da cavidade gle- cia anterior e lateral da extremidade proximal extrema do úmero
FIB. 5.5 Faces posterior (A) e anterior (B) da escápula direita. A inserção proxiinal dos músculos está mostrada em vermelho, as inserções distais
noidal estão os tubérculos supraglenoidal e infraglenoidal. Estes (Fig. 5.8B). O tubérculo menor se projeta mais acentuada e an-
em cinzento. As linhas tracejadas mostram as inserções capsulares em volta da articulação do ombro.
tubérculos servem para fixação proximal da cabeça longa dos teriormente para fixação do músculo subescapular. O grande

Características Psteológicas da Escápula :


•'•.••• Ângulos: inferior; superior e lateral í;;X
• Margem medial;S: ; • . ' Vista anterior Vista superior
•: -Margem lateral -ví'/:S;yV : :J : í ;
•.Margem superior
;.• Fossa supra-espinal M. supra-espinal M. redondo menor,
"•••'•: Fossa infra-espmal;Sv;í ••:•;:>,
.? Espinha da escápula .'. • . Tubérculo maior "Faceta inferior"
; • "Raiz" da espinha da escápula .;g g: "Faceta média*

• Face articular da clavícula - M. infra-espinal


• Cavidade glenoidal
• Tubérculos supraglenoidal éinJraglenoidal •:
::'• Processo coracóide M. subescapular no
tubérculo menor Lateral
"•' Fossa subescapular .
M. subescapular
"Faceta superior"
A face posterior da escápula é separada, pela proeminente
espinha da escápula, em uma jòssa supra-espinal e outra in/ra-
espinai. O interior da fossa supra-espinal é preenchido pelo
músculo supra-espinal. A extremidade medial da espinha da FIG. 5.6 Vista anterior da escápula direita mostrando uma inclinação Anterior
escápula diminui de tamanho na "raiz" da espinha da escapuli aproximada 5 graus da cavidade glenoidal para rima relativa ã margem
Em contraste, a extremidade lateral da espinha da escápula' au- medial da escápula.
menta consideravelmente e se achata, formando o acrômio, lar-
go e proeminente. O acrômio se estende em uma direção lateral
e anterior, formando uma prateleira horizontal sobre a cavidade + eidos; semelhante) (Fig. 5.5B). A cavidade glenoidal é incli- M. deltóide na
glenoidal. A/oce articular da clavícula no acrômio marca a face tuberosidade
nada para cima cerca de 5 graus em relação ã margem medial FIG. 5.8 Aspectos anterior (A) e superior (B) do úmero direito.
da articulação acromioclavicular (veja Fig. 5.17B). da escápula (Fig. .5.6). 'Em repouso, a escápula normalmente A linha tracejada em A mostra as inserções capsulares em volta
A escápula se articula com a cabeça do úmero na cavidade está posicionada contra a face póstero-lateral do tórax, com a da articulação do ombro. A inserção distai dos músculos está
glenoidal (da raiz grega glene; soquete (alvéolo) da articulação, cavidade glenoidal orientada aproximadamente 35 graus ante- mostrada em cinzento.
100 Complexa do Ombro Complexo do Ombro 101

baixo. Este movimento ocorre como um componente natural do Tecidos que Estabilizam a Articulação Esternoclavicular vez de luxação da articulação esternoclavicular. As fraturas da A artrocinemática para elevação e abaixamento da clavícula ocor-
abaixamento do braço para o lado, a partir da posição elevada. • ligamentos estemoclaviculares anterior e posterior clavícula são mais comuns em homens com menos de 30 anos. re ao longo do diâmetro longitudinal da articulação esternoclavi-
° ligamento interclavicular Mais frequentemente estas fraturas são o resultado de esportes cular (veja Fig. 5.13). A elevação da clavícula ocorre quando a face
• ligamento costoclavicular de contato ou de acidentes rodoviários.51 convexa de sua cabeça rola para cima e desliza simultaneamente
Articulação Esternoclavicular • Disco articular para baixo na concavidade do esterno (Fig. 5.15A). O ligamento
° Músculos estemocleidomastóideo, estemotireóideo e
CARACTERÍSTICAS GERAIS esterno-híóideo CINEMÁTICA costoclavicular estirado ajuda a estabilizar a posição da clavícula.
O abaixamento da clavícula ocorre por meio da açâo de rolamento
A articulação esternoclavicular (EC) é uma articulação complexa, A osteocinemática da clavícula é definida por 3 graus de liberda- para baixo e deslizamento para rima de sua cabeça (Fig. 5.15B).
envolvendo a extremidade medial da clavícula, a incisure clavicu- de. Cada grau de liberdade está associado com um dos três pla- Uma clavícula totalmente abaixada alonga e estica o ligamento in-
O ligamento cosiodavicuiar é uma estrutura forte que se es-
lar no esterno e a margem superior da cartilagem da primeira cos- nos cardinais: sagiíaí, frontal e horizontal. A clavícula se eleva e se terclavicular e a parte superior dos ligamentos capsulares.'1
tende da cartilagem da primeira costela até a impressão para o
tela (Fig. 5.12). A articulação é a articulação básica da extremidade abaixa, se protrai e se retrai, e gira sobre o eixo longitudinal do
ligamento costoclavicular, na face inferior da clavícula. O liga-
superior, ligando o esqueleto axial ao apendicular. Como tal, a ar- osso (Fig. 5.14). Essencialmente, todo movimento funcional do Protração e Retração
mento possui dois feixes de fibras distintos que correm perpen-
ticulação esternoclavicular está sujeita a demandas funcionais úni- ombro envolve pelo menos algum movimento da clavícula so-
diculares um ao outro.60 O feixe anterior corre obliquamente A protração e retração da clavícula ocorrem quase em paralelo
cas que são satisfeitas por uma face articular, complexa, em forma bre a articulação esternoclavicular.
em uma direção superior e lateral, e o feixe mais posterior cor- com-o plano horizontal sobre um eixo vertical de rotação (veja
de sela (Fig. 5.13).68 Embora altamente variável, a extremidade
re obliquamente em uma direção superior e medial (veja Fig. Fig. 5.14). O eixo é mostrado na Fig