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RECURSOS DIDÁTICOS EM AULAS DE SOCIOLOGIA

Bruno Monteiro Duarte - UFV

Letícia Cristina Silva Andrade - UFV

RESUMO:
O presente artigo teve por objetivo observar quais recursos didáticos são utilizados na
disciplina de Sociologia em uma escola de centro no Município de Viçosa, cidade localizada
na Zona da Mata de Minas Gerais. Também teve o objetivo identificar quais destes recursos
foram mais utilizados por duas educadoras desta disciplina na presente escola. Dependendo da
forma como o conteúdo de Sociologia é passado aos educandos, acaba fazendo com que não
se tenha o interesse pela matéria e vendo como mais umas disciplinas obrigatórias que não
veem sentindo aplicado à sua realidade, veem como uma disciplina distante e a aprendizagem
se tornam conflituosa e se deparando com muitas dificuldades. É uma pesquisa de cunho
qualitativo e a coleta de dados se deu por entrevistas sobre os recursos didáticos utilizados
pelas educadoras da área, observação participante nas salas de aula e na escola, além de
conversas com os educandos sobre estes recursos didáticos e qual a influencias destes na sua
aprendizagem.

Palavras-chave: Metodologia, Sociologia, Ensino.

INTRODUÇÃO:

Com a Lei de Diretrizes e Bases (LDB 11.648, de 2008), a sociologia, passou a fazer

parte da grade escolar como uma disciplina obrigatória. A LDB, no artigo 36 diz que o

educando deve ter ou demonstrar ter “domínio dos conhecimentos de filosofia e sociologia

necessários ao exercício da cidadania” e apresentou algumas mudanças em sua carga horária,

o objetivo do estudo de sociologia no ensino médio, seria o de ampliar um conhecimento por

parte dos educandos sobre sua realidade social, tornando-os capacitados para que possam

fazer uma analise mais critica de sua realidade, incentivando o pensamento crítico-reflexivo

de questões em seu entorno. Em A Sociologia do Brasil, Florestan Fernandes afirmava que ‘o

estudo das ciências sociais no curso secundário seria uma condição natural para a formação

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de atitudes capazes de orientar o comportamento humano no sentido de aumentar a

eficiência e a harmonia de atividades baseadas em uma compreensão racional das relações

entre os meios e os fins, em qualquer setor da vida social’, com isso é de se esperar que a

disciplina da sociologia no ensino médio, estimule a criação de uma personalidade com

tendências à participação política e domínio do seu exercício de cidadão perante sua

sociedade.

Considerando o papel da sociologia no ensino médio e o papel do educador, como

sujeito sociocultural, formador de opiniões e de seu compromisso com a formação do

educando para o exercício da cidadania, esta pesquisa vêm com o intuito de saber quais são as

práticas metodológicas, e pode se entender como metodologia como uma série de técnicas,

estratégias e métodos de ensino-aprendizagem, utilizadas em sala de aula por educadores de

sociologia em uma escola pública e como essas novas metodologias vão influenciar de

alguma maneira a aprendizagem destes educandos, quanto estas metodologias, como as

músicas, os vídeos, Datashow, debates vão contribuir de alguma forma para que o papel da

sociologia seja cumprido de forma plena.

Para a realização deste trabalho serão feitas entrevistas com as educadoras que

ministram a disciplina na Escola Estadual Raul de Leoni, participação e observação em suas

aulas e consulta a materiais teóricos sobre o presente tema.

CONTEXTO HISTÓRICO:

De acordo com Berguer, ‘a sociologia é uma forma particularmente moderna e atual

do pensamento critico’, o que faz com que ela contribua para uma melhor forma de se

conhecer o mundo humano, o mundo social. A palavra sociologia é um vocábulo nascido

dentro da língua francesa, em 1939, e quem a criou foi Augusto Comte, que foi influenciado

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pelas ciências da natureza. Sua etimologia é bem simples, vem de societas, do latim,

“sociedade” e logos, do grego, uma raiz que significa “ciência”. Hoje em dia há muitas

escolas, muitas correntes em sociologia, como a positivista, funcionalista, crítica, entre outras

e cada uma vai entender e pratica-la a sua maneira. Como qualquer outra ciência, a sociologia

não é neutra. Nela encontramos teorias e práticas diferentes que vão trazer consequências

diferentes, como a transformação ou a conservação do “status quo”. O contexto social em que

esta ciência surgiu foi entre os séculos XVIII e XIX, onde estava acontecendo a Revolução

Industrial, momento em que a indústria têxtil inova-se com o tear a vapor, este, possibilita

uma serie de outros inventos, que facilitam a mecanização das maquinas, influindo

decisivamente no surgimento, juntamente com a burguesia, de uma nova classe social: o

operariado, classe composta pelos camponeses sem terra e artesãos sem suas antigas maquinas

manuais. E nesse mesmo contexto, vai nascer à escola moderna, onde teria sua principal tarefa

a “reprodução da divisão social do trabalho e dos valores ideológicos dominantes”

(MENDONÇA, p.347).

A sociologia é uma disciplina com importantes implicações práticas. Ela pode


contribuir para a crítica social e para a reforma social práticas de várias formas. Para
começar a compreensão aperfeiçoada de um dado cenário de circunstâncias sociais
frequentemente nos da uma melhor chance de controlá-las. Ao mesmo tempo, A
sociologia nos fornece os meios de aumentar nossas sensibilidades culturais
divergentes. Em termos práticos, podemos investigar as consequências da adoção de
programas políticos particulares. Finalmente, e talvez mais importante, a sociologia
fornece autoesclarecimento, oferecendo aos grupos e aos indivíduos uma
oportunidade aperfeiçoada de alterar as condições de suas próprias
vidas. (GIDDENS, Anthony).

Sociologia no Brasil: Inserção no Ensino Médio

A sociologia no Brasil vai surgir com o desenvolvimento do capitalismo, com a

industrialização e a centralização do poder pelo Estado, em meados da década de 30,

juntamente com a proposta do desenvolvimento do nacionalismo, com o desejo de unir as

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diversas camadas sociais. A escola livre de Sociologia e Política, da Faculdade de Filosofia,

Ciências e Letras de São Paulo, é fundada em 1932, fazendo com que se surja intelectuais

como, Caio Prado Junior, Sergio Buarque de Holanda, Fernando Azevedo, Gilberto Freire,

que foi o maior representante dessa linha de pensamento da época, mas sua maior

preocupação foi a de formar professores para o ensino fundamental. Foi na década de 40 que

os países começaram a adquirir uma consciência de quão complexos eram e de suas

particularidades, com a Segunda Guerra Mundial na porta, que se responsabilizou por uma

grande industrialização, acarretando em uma transformação radical nas relações sociais, onde

o trabalho agrícola perdeu sua importância. A década de 50 no Brasil foi marcada por dois

grandes pensadores, Florestan Fernandes, que dizia que a sociedade poderia ser estudada

pelos padrões e estrutura, de Celso Furtado, que defendeu a ideia de que o

subdesenvolvimento era uma formação econômica gerada apelo próprio capitalismo. Durante

o Golpe Militar de 1964, a sociologia vinha com o papel de denuncias as inúmeras

desigualdades que existiam no país e as relações de opressão e dominação, assim, esta,

buscava conscientizar a população sobre estas questões, mas com a implantação da ditadura,

esta disciplina, juntamente com a filosofia foram retiradas das grades das escolas e trocadas

por outras que acompanhavam a ideologia do capitalismo estadunidense e legitimavam as

desigualdades e as relações de poder. Em 1985, com a derrubada dos militares do poder e

instaurada a democracia, volta-se a discussão de reintegração da sociologia e filosofia como

obrigatórias no ensino médio, varias lutas e pressão social desde o inicio da década foram

essências para mudar esse quadro no Brasil.

Com a obrigatoriedade da disciplina de Sociologia, definida pela Lei de Diretrizes e

Bases, surgiu um cenário com vários problemas a serem enfrentados para a efetiva

consolidação da Sociologia como matéria do ensino básico. O primeiro deles é o que atinge

não só a Sociologia, mas como toda a educação brasileira, que o a baixa remuneração dos

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professores, sendo consequência de uma desvalorização da profissão de magistério, e uma

desvalorização do ensino público. Essa baixa valorização aumenta ainda mais um problema já

existente, que é a falta de profissionais formados na área de Ciências Sociais, sendo estes os

únicos competentes para ministrar a nova disciplina. Com a ausência de profissionais

qualificados, acaba sendo delegado a professores de outras áreas o ensino de Sociologia.

Outra dificuldade para efetivar a LDB 9394/96 é a própria desvalorização da

disciplina dentro do ambiente escolar, onde a mesma é vista como “inferior” pelos alunos,

pais, funcionários da escola e pelos outros professores. Como reflexo disso, sobra a disciplina

uma carga horária menor que das outras, uma aula de cinquenta minutos por semana, tempo

insuficiente para uma abordagem completa dos assuntos propostos a serem estudados pela

matéria. Por fim, uma das consequências de todo esse contexto é a falta existente de materiais

didáticos ofertados para a Sociologia, como exemplo a pouca diversidade de livros e apostilas

que servem de auxílio aos professores.

Recursos Metodológicos: Áreas a Serem Exploradas

Aula expositiva é considerada um método tradicional de dar aulas, por muito tempo

este foi o único recurso utilizado em salas de aula, e, que alguns educadores desejam seu fim

por considera-las um método unilateral, onde se transmite o conhecimento do educador, o

detentor do conhecimento, para o educando, que era visto como aquele que receberia o

conhecimento e que não o tinha de nenhuma espécie, previamente, só estava ali pra que o

educador o transmitisse. Este método de ensino nasceu na Idade Média, com os jesuítas, pois

se acreditava que bastasse o educador falar, pra que o educando aprendesse. Com a chegada

do século XX, alguns psicólogos, como Jean Piaget e Lev Vygotsky mostraram em suas

pesquisas que a ação de cada indivíduo era importante na construção do seu próprio saber e o

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educador teria o papel de mediador entre aluno e o conhecimento, assim a escola passou a

valorizar algumas outras formas de aprendizagem. O que vemos ainda nas escolas é que este

método ainda vive e é muito comum, mesmo diante de várias novas tecnologias do nosso

mundo contemporâneo que podem auxiliar o professor em suas aulas, despertando o interesse

dos alunos e chamando-os a participarem ativamente das aulas. Este método pode-se dizer, é

o mais fácil, e dependendo do educador, podem-se estimular, com perguntas,

questionamentos, exemplos, entre outros, a interação com os alunos.

Os recursos didáticos, vão servir de mediadores entre os conteúdos e os alunos, seria

todo e qualquer tipo de material que seria utilizado com o intuito de facilitar a absorção do

conteúdo pelo aluno, como filmes, músicas, computadores, etc. O papel do professor seria,

então, de selecionar os melhores desses recursos com o intuito de facilitar o entendimento,

visando a necessidade e as peculiaridades de cada turma. Fazendo os importantes não só no

ensino de Sociologia, mas de qualquer disciplina.

As aulas expositivas podem ou não, abrir um caminho para se aplicar alguns recursos

didáticos, como músicas, Datashow, transparências, filmes, livros didáticos, vídeos, debates,

internet, computador, notícias de jornais, material impresso, seminários, jogos, biografias,

trabalhos em grupos, pesquisas, atividades práticas, uso da biblioteca da escola, peças de

teatro e até a interdisciplinaridade com outras matérias, ao se utiliza-los, estes métodos

tornam-se atrativo e menos cansativo para os alunos, uma vez que as aulas de sociologia

abrem um espaço maior para serem usados, de modo que ao atrair a atenção do aluno para o

conteúdo dado, este tem uma aprendizagem mais satisfatória e prazerosa, deixando um

caminho aberto para que possa haver a interdisciplinaridade.

Alguns destes recursos são utilizados e explorados em uma escola de centro da

Cidade de Viçosa, interior de Minas Gerais. A Escola Estadual Raul de Leoni, que mesmo

com uma aula por semana as educadoras de sociologia tentam utilizar em seus cinquentas

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minutos de aula algumas formas de inovação, buscando uma melhor forma de estudar os

conteúdos programáticos e uma aprendizagem mais efetiva por parte dos alunos. Há uma

utilização dos recursos didáticos, como quadro negro, Datashow, debates, pesquisas em

grupo, seminários, misturados, ou não, com as aulas expositivas, entre outros.

MATERIAIS E MÉTODOS:

Identificação da Instituição:

A Escola Estadual Raul de Leoni está localizada no bairro Santo Antônio, região

central de Viçosa, MG. É uma escola que recebe um público de baixo poder aquisitivo de

diferentes áreas de Viçosa, incluindo as áreas rurais. Começou a funcionar em

estabelecimento próprio na Rua Mário Dultra dos Santos, no referido bairro em fevereiro de

1992. Possui um amplo espaço físico, contendo doze salas de aula, um laboratório de

informática, um laboratório de ciências, biblioteca com um acervo considerável, possuindo

clássicos das Ciências Humanas, cartilhas sobre gênero para a educação infantil, matérias

sobre cultura africana, textos e livros sobre literatura brasileira e estrangeira, entre outros. A

escola também conta com salas dos professores, de supervisão, uma secretaria, diretoria, uma

quadra de esportes, refeitório e cozinha, todos bem espaçosos. Passando por recentes

reformas, conta também com uma rampa pra portadores de necessidades especiais, além de

banheiros adaptados.

Oferecendo o Ensino Fundamental e o Médio, atende uma demanda de

aproximadamente 470 educandos, com vinte turmas regulares, sendo dezesseis do Ensino

Fundamental, seis do Ensino Médio e quatro turmas do “Projeto Escola Tempo Integral”,

criado em 2008 e que atende aproximadamente 110 educandos. O quadro da escola conta com

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uma secretária, quatro auxiliares de secretaria, uma diretora, aproximadamente quarenta

educadores e duas supervisoras pedagógicas.

As salas de aulas possuem uma estrutura que, no geral, não atende as necessidades

para o ensino. Com ausência de iluminação, carteiras e ventilação, a escola possui uma

estrutura defasada para o atendimento a todos os educandos. Outro problema enfrentado pelos

educadores é a falta de mecanismos de produção e reprodução de avaliações e materiais

didáticos (textos e artigos a serem trabalhados em aulas, por exemplo). Sendo necessário os

professores bancarem financeiramente tais materiais. Vale ressaltar também a disponibilidade

de apenas um equipamento de Data show, sendo alvo de muitas disputas por parte dos

professores, pois os mesmos argumentam a sua boa eficácia no ensino-aprendizagem dos

alunos.

A pesquisa:

A pesquisa teve como públicos-alvo as educadoras de Sociologia da Escola Estadual

Raul de Leoni, para a realização desta, foram utilizadas de entrevistas com o corpo docente,

que os responderam sobre o uso de recursos didáticos em suas aulas e aos educandos foram

coletados alguns relatos sobre quais eram utilizados e qual ou quais, na opinião deles, eram

mais eficazes em sua função de auxiliar de aprendizagem.

O trabalho se baseou em dados qualitativos, onde sua analise e coleta dos mesmos se

deu através de referências bibliográficas, pois permite maior conhecimento e domínio sobre o

tema observação participante em salas de aulas como também conversas com alguns alunos

sobre os métodos utilizados pelas professoras em suas aulas.

Os dados qualitativos foram obtidos com o contato direto e interativo do pesquisador

com o objeto de estudo. Buscou-se entender os fenômenos segundo a perspectiva dos

participantes da situação estudada. Assim, foi utilizado um conjunto de técnicas

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interpretativas que visam descrever os componentes desse sistema complexo de significados

no ambiente escolar. Empregou-se certa perspectiva de analise fenomenológica ao trabalho,

pois se trata de um fenômeno com muitas singularidades e dotado de certo grau de

ambiguidade.

Nesta pesquisa, vamos abordar um método da antropologia, a observação

participante que consiste em examinar todos os tipos de eventos dentro de um contexto

determinado: ambiente, comportamento e interação de um grupo ou individuo. No caso, esse

contexto seria as aulas de Sociologia da Escola Estadual Raul de Leoni. A observação

participante será importante nesse trabalho, pois poderemos ter um convívio com as pessoas

que utilizam e frequentam a área desta escola, onde a coleta de registro será feita através das

anotações das observações, a coleta de depoimentos e entrevistas com as educadoras, é

através desses registros que iremos descrever a realidade observada, a relação existente entre

os recursos didáticos utilizados por essas educadoras e o ensino-aprendizagem.

RESULTADOS E DISCUSSÕES:

Observação Participante:

Ao decorrer do ano de 2014, foram feitas observações nas aulas de Sociologia, nas

turmas de segundo e terceiro anos do Ensino Médio. Sendo que às segundas eram observadas

as aulas com uma educadora X e as quartas às aulas ministradas por uma educadora Y. O

objetivo dessa participação nas aulas seria o de observar quais os recursos didáticos foram

utilizados por essas educadoras e a eficácia no ensino-aprendizagem, quanto na dinâmica

quanto na participação dos alunos, identificando assim a importância desses recursos nesse

processo de compreensão de conteúdos dados.

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Observação das Aulas da Professora X

Nas aulas observadas, geralmente é feita pelo quadro negro, onde a educadora passa

um pequeno texto, um resumo do capítulo que será estudado aos educandos para que eles

copiem. Há muita dispersão por parte dos educandos, que não demonstram muito interesse

pela matéria e nem pela didática da educadora, havendo ambiente conflituoso, onde a

aprendizagem não se realiza de forma efetiva.

O material didático utilizado por esta educadora, geralmente são apostilas de

Filosofia & Sociologia da Marilena Chauí, não utilizando o livro didático ofertado pelo

Estado. A forma como ela avalia o aprendizado dos alunos se dá por aplicação das provas

bimestrais, onde todo o conteúdo dado durante este período será cobrado, há também o uso de

trabalhos em grupos, onde se dá algumas perguntas para que os alunos reunidos em grupos

respondam em horários extraclasses.

Com a presença dos bolsistas do PIBID- sociologia UFV, há algumas intervenções

por parte destes, que lançando temas considerados tabus e polêmicos, incitam o debate entre

os educandos, lançando perguntas e tirando dúvidas, também, os bolsistas ajudam em sala de

aula, com o auxílio da educadora, realizam atividades em grupos em cima de temas

trabalhados em sala de aula pela educadora.

Observação das Aulas da Professora Y:

Nas aulas de Sociologia da educadora Y, que é ministrada para a turma de terceiro

ano, a didática abordada por esta é de incentivar pesquisas em grupo, cooperação entre os

educandos e um posicionamento crítico diante de questões sociais, fazendo um recorte em seu

próprio município e até mesmo em bairros próximos à escola, pertencentes a muitos de seus

educandos, contextualizando com o cenário mundial, assim como apresentações de

seminários, a utilização de Power point e Datashow, pois, de acordo com ela, tem a

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preocupação de dar um conhecimento técnico destes recursos didáticos aos educandos, além

de mostrar a importância para a vida acadêmica deles sobre a utilização destes. Suas aulas são

bem diversificadas, usando de recursos como quadro negro, seminários, debates, visitas

técnicas, livros didáticos, materiais impressos, que de acordo com ela são muito importantes

para o ensino-aprendizado em suas aulas.

O método avaliativo aplicado por ela se dá basicamente por provas bimestrais, em

que ela também avalia todo o conteúdo dado, há redações escritas em sala de aula baseado em

um texto dado pela própria educadora além dos seminários em grupos descritos acima. Além

de utilizar o livro didático dado pelo Estado, Tempos Modernos, ela utiliza de outros vários

meios, como outros livros didáticos, textos da internet, jornais e revistas, criando um arsenal

cultural rico para seus educandos, trazendo debates contemporâneos para suas aulas.

Contando também com bolsistas do PIBID-Sociologia da UFV, que a ajudam,

fazendo interferências em suas aulas, como em debates, dúvidas de trabalho, gincanas, criação

de cartazes e projetos. O último projeto realizado foi sobre Política em Viçosa, que contou

com o contexto histórico do surgimento e dos tipos de votos no Brasil, falando de democracia

e outros regimes políticos que passaram pelo país, à entrevista com políticos e visitas na

prefeitura da cidade. Situações que despertam o interesse dos alunos pela atual situação

política do Brasil e fomentam o debate e a atividade prática do voto, mostrando a importância

deste para o exercício da cidadania. Este projeto vai se estender até o fim do bimestre, com

palestras, seminários e apresentações de trabalhos pelos educandos, assim, ao começar o

próximo bimestre, entrará em vigor um novo projeto a ser trabalho com os alunos, que ainda

não foi decidido pela educadora.

Considerações sobre as aulas observadas:

Nas duas salas observadas, houve divergência entre o comportamento dos

educandos, no segundo ano, por exemplo, a falta de disciplina e a didática da educadora,

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segundo eles, é a principal causa da falta do interesse pela matéria, vendo como uma

disciplina “fácil”, como mais uma matéria que só preenche a grade curricular, não entendendo

como esta possa contribuir para sua vida sem conexão com a sua realidade. A falta de um

plano de aula e a desorganização da educadora também contribui para esse desinteresse, pois

nunca sabem qual é a próxima matéria que será estudada, não utilizando muitos recursos

didáticos em aulas além dos já descritos e que não chamam muito a atenção do educando, já

que ela se atém muito às teorias sem a devida contextualização, o que torna a compreensão

distante e insatisfatória.

Já na turma do terceiro ano, com a educadora Y, a aula se mostrou menos

conflituosa, mesmo tendo conversas paralelas de assuntos não relacionados à aula, na maioria

das vezes, turmas cheias e sendo aula do primeiro horário, com muitos atrasos dos alunos, a

aula se conduz relativamente bem em vista de alguns contratempos, mesmo por falta de

estrutura e organização escolar. A educadora passou um cronograma de atividades para o

semestre, que mesmo não sendo seguido a risca, por conta desses mesmos contratempos, são

colocados em práticas, há uma participação maior dos educandos nos debates, que colocam

elementos de sua própria vivencia exemplificando com situações cotidianas em que a

professora consegue dar o conteúdo ou continuar o debate sem que se fuja do assunto.

Fazendo com que estes educandos do terceiro ano tenham uma maior consciência e entendam

o papel e o valor da sociologia em suas vidas.

Em termos de utilização dos recursos didáticos, percebemos que as educadoras

poderiam explorar mais os ofertados pela escola, não se atendo só a debates e quadro negros,

mas como oficinas, uso de músicas, filmes e documentários que se relacionam com a matéria

e condizem com o gosto dos educandos, e vão dar outra perspectiva sobre o mesmo tema aos

educandos e que de acordo com eles são mais atrativos e dinâmicos para as aulas. Mas

percebemos que por falta de tempo das aulas, cinquenta minutos e uma vez por semana, e de

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como abordar toda a matéria prevista no currículo, e até a escassez de alguns desses recursos,

como por exemplo, há um Datashow apenas e todas as atividades escolares, o que torna

inviável contar com aulas muito variadas das tradicionais.

Análise das entrevistas aplicadas as educadoras:

Como forma de uma melhor compreensão do perfil das educadoras dos recursos

didáticos utilizados por elas e sua eficiência no processo de ensino-aprendizagem, realizamos

entrevistas com as educadoras de Sociologia da Escola Estadual Raul de Leoni. São duas

educadoras que ministram Sociologia em todas as cinco turmas da escola, sendo as duas

mulheres com mais de 40 anos de idade e 23 anos de serviço. Ambas não são formadas na

área de Ciências Sociais, colocando essa questão como um complicador a mais no processo de

ensino da Sociologia. As cinco turmas do ensino médio da escola, possuem em torno de 25 a

30 alunos.

As educadoras avaliam ser muito importante o ensino de Sociologia para entender o

funcionamento da sociedade e despertar uma consciência crítica nos alunos. Elas demonstram

que os alunos possuem uma boa aceitação da disciplina.

Em um segundo momento das entrevistas, questionamos os recursos didáticos por

elas utilizados e os que são ofertados pela a escola. As educadoras relataram que a escola

conta com filmes/documentários, livros, revistas/jornais, uma biblioteca com livros de

Sociologia catalogados e apenas um equipamento de Data show e que elas utilizam todas

essas ferramentas fornecidas pela instituição, além de outras. As docentes disseram ainda que

a falta de mais equipamentos de Data show causa uma defasagem no ensino, uma vez que ele

é visto como o que é utilizado com mais frequência. As duas educadoras relataram que

receberam ajuda de estagiários dentro da sala de aula, e que a influencia obtida foi muito

positiva, e ambas utilizam trabalhos, provas e debates como métodos de avaliação dos alunos.

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Em um terceiro, e último, momento da entrevista, observamos que todas as docentes

avaliaram como importante os recursos didáticos no processo de ensino-aprendizagem, sendo

eles um facilitador para a compreensão dos educandos. O grande problema apontado por elas

é a falta de tempo de aula, sendo a solução apontada por elas é aumentar para duas aulas de

cinquenta minutos semanais ao invés de uma, seria uma mudança possível para aprimorar o

ensino de Sociologia no Ensino Médio.

CONCLUSÕES:

Nas entrevistas realizadas, podemos ver que não há muita ligação no que

responderam e a realidade concreta na sala de aula. Nas aulas observadas, percebemos que os

recursos didáticos mais utilizados são debates e o quadro negro. Na entrevista, nos disseram

que utilizam grande parte dos recursos didáticos que a própria escola oferece, dos citados,

afirmaram que o Datashow é o mais utilizado, pois facilita na construção do conhecimento em

sala, e que os acham muito importantes nessa construção do ensino-aprendizagem e que

ajudam a prender a atenção do aluno sendo mais interativo e diferente das aulas tradicionais.

O objetivo da escola e que todos os alunos que lá transitam tenham um bom

aproveitamento e rendimento em sua construção do saber, para isso é preciso salientar e

sensibilizar aos professores a importância desses novos métodos que sintetizam uma

aprendizagem significativa nos alunos, havendo uma cooperação entre educadores, os

educandos e a própria escola, visando em um melhor aproveitamento e utilização desses

recursos didáticos que a própria instituição oferece e também os seus espaços de convívio em

comum, como o aproveitamento de pátios, a quadra de esporte, bibliotecas para promover

uma interdisciplinaridade e aproveitar todos estes espaços da escola, promovendo

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brincadeiras, gincanas, jogos de tabuleiros, vendo que se pode trabalhar com estes recursos

em todas as áreas de conhecimento.

As educadoras deveriam investir mais em suas abordagens pedagógicas, colocando o

educando de forma que ficasse no centro do aprendizado, pois deveria entender que não

poderá realizar o processo de ensino-aprendizagem sem a ajuda destes, para isso deveriam

trabalhar juntos, de forma cooperativa, ou seja, o educador deveria medir se o ensino está

satisfatório ou não ao se utilizar de algum determinado recurso didático, também preparar

suas aulas e fomentar mais discussões com temas levados pelos próprios educandos que

teriam uma visão sobre a sua realidade posta sob outra perspectiva.

É de conhecimento geral, que dentro de uma sala de aula, há vários tipos de saberes,

onde o educador não é o detentor do conhecimento e sim o mediador e o educando não é o ser

desprovido de conhecimento, mas carrega com sua vivencia seu saber, que dentro daquele

ambiente será construído como uma via de mão dupla, tendo uma nova visão sobre o ensino

de sociologia e as contribuições que este saber pode trazer para sua vida.

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Chateaubriand. Centro Técnico Educacional Superior do Oeste Paranaense, 2011.
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Crítica de Educação: estudo introdutório. In.: OLIVEIRA, M.R.N.S.(org.). Didática:
ruptura, compromisso e pesquisa. Coleção Magistério. 1993. P.79-95.

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ANEXO I

Entrevista com as Professoras

1. Sexo

( ) Feminino ( ) Masculino

2. Faixa Etária

( ) 26 a 30 ( ) 36 a 40

( )31 a 35 ( ) Mais de 40

3. Tempo de Serviço?

4. É formado em qual área?

5. Qual/Quais disciplina(s) leciona e em quantas classes?

6. Você ministra outra disciplina?

7. Há quanto tempo trabalha nesta escola?

8. Como você avalia a escola em que trabalha?

9. Qual número médio de alunos na sua classe?

10. Com que frequência a disciplina de sociologia é ministrada?

11. Qual a sua opinião sobre a importância do ensino da sociologia no ensino médio?

12. Qual a importância do uso de novos recursos didáticos nas salas de aula, em sua opinião.

13. Para você, o que são recursos didáticos? Dê um exemplo.

14. Qual ou quais dos recursos didáticos existem nesta escola? Qual/quais foram utilizados

por você?

( )( )Power Point ( )( )Peças de Teatro

( )( )Data show ( )( )Experimentos

( )( )Filmes e/ou documentários ( )( )Transparências

( )( )Músicas ( )( )Debates

( )( )Jogos e/ou Gincanas ( )( )Materiais Impressos


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( )( )Revistas e/ou Jornais ( )( )Seminários

( )( )Livros ( )( )Pesquisas em grupos

( )( )Atividades Práticas ( )( )Visitas e Passeios

15. Sabe utilizar os recursos que descreveu?

( ) Sim ( ) Não

16. Quais são utilizados por você com mais frequência? Por quê?

17. Estes recursos facilitam o processo de ensino e aprendizagem?

( ) Sim ( ) Não ( ) Algumas vezes.

18. A escola possui biblioteca com livros de sociologia catalogados?

( ) Sim ( ) Não

19. Você já promoveu alguma atividade extraclasse?

( ) Sim ( ) Não

20. Qual o método você utiliza para avaliar o desempenho dos alunos?

21. Você já contou com a ajuda de outros professores/estagiários em alguma atividade?

22. Qual a influência da ajuda recebida?

23. Em sua opinião que mudanças poderiam ser feitas para aprimorar o ensino de sociologia

no ensino médio?

24. Com relação a aceitação da disciplina pelos alunos, você considera:

( ) Ótima ( ) Ruim ( ) Boa ( ) Péssima ( ) Regular

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