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PERSPECTIVAS ACERCA DO USO DA PREVENÇÃO DE RECAÍDAS

NO TRATAMENTO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA

Jaqueline Vago Ferrari1

RESUMO

A prevenção de recaídas é entendida como um conjunto de técnicas baseadas nos princípios


da terapia cognitivo-comportamental, e é utilizada em tratamentos de reabilitação para
dependentes químicos, assim como, em outras demandas terapêuticas. Tais técnicas ajudam o
indivíduo em tratamento a lidar com estímulos internos e externos, alterando-os e/ou
produzindo novas estratégias de enfrentamento frente aos fatores de riscos que envolvem a
recaída. Este trabalho tem como objetivo apresentar uma revisão bibliográfica das
contribuições que a prevenção de recaídas vem trazendo ou pode vir a colaborar no campo da
reabilitação de dependentes químicos. Para a realização deste estudo, foram pesquisadas as
bases de dados da PubMed e da PsycINFO – American Psychological Association. As
expressões buscadas foram “abuso de drogas”, “dependência química”, “prevenção de
recaídas” e “dependência química e prevenção de recaídas”. Concluiu-se que a literatura
revisada apresentou evidências positivas acerca do uso das técnicas de prevenção de recaídas,
sendo eficaz em tratamentos de diversos formatos (individual, grupal e conjugal), com
indivíduos dependentes de substâncias como o álcool, cocaína, tabaco ou poliusuários.

ABSTRACT

The relapse prevention is a set of techniques based on the principles of cognitive-behavioral


therapy, and is used in rehabilitation treatments for drug addicts, as well as in other
therapeutic demands. These techniques help the individual in treatment to deal with internal
and external stimuli by changing them and / or producing new strategies for coping with risk
factors related to relapse. This study aims to present a review of the contributions that relapse
prevention has brought or may collaborate in the field of rehabilitation of drug addicts. To
carry out this study, we researched the databases PubMed and PsycINFO - American
Psychological Association. The terms searched were "drug abuse", "addiction", "relapse
prevention" and "substance abuse and relapse prevention." It was concluded that the literature
reviewed showed positive evidence on the use of relapse prevention techniques, and effective
in treatment of various formats (individual, group and marital) with individuals dependent on
substances such as alcohol, cocaine, tobacco or poliusers

Palavras-chave: Dependência Química. Prevenção de recaídas. Abuso de drogas.


Reabilitação.

1 Psicóloga graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo, Especialização em Terapia Cognitivo-
Comportamental pelo Centro Universitário Amparense (UNIFIA). E-mail: jackyyferrari@gmail.com.br.
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1. INTRODUÇÃO

Ao falarmos de dependência química estamos tratando de um fenômeno que tomou


proporção maior a partir da segunda metade do século XX, passando a constituir nas últimas
décadas um grave problema social e de saúde pública (PRATTA & SANTOS, 2009). As
estatísticas sugerem que o início do uso de drogas está ocorrendo em pessoas cada vez mais
jovens e com substâncias de teor tóxico cada vez mais elevado (BUCHER, 1996).

Quando analisamos o termo dependência química na literatura científica, encontramos


que o mesmo passou a ser utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1964,
para substituir a nomenclatura pejorativa de “vício” (VIEIRA & FELDENS, 2013 apud
BENFICA & VAZ, 2003). Como aponta a própria OMS (1997), o termo “dependência
química” pode ser definido como um estado psíquico e físico que incluem uma compulsão de
modo contínuo ou periódico, podendo causar várias doenças crônicas físico-psíquicas, com
sérios distúrbios de comportamento. Pode também, ser resultado de fatores biológicos,
genéticos, psicossociais, ambientais e culturais, e é considerada hoje como uma epidemia
social, pois atinge toda gama da sociedade, desde a classe social mais elevada até a mais
baixa.

A OMS (2001), ainda levanta que a dependência química deve ser entendida e tratada
simultaneamente como uma doença médica crônica e como um problema social. Sendo assim,
ao tratarmos da dependência química, teremos que observar o indivíduo na totalidade de sua
existência, integrando os multideterminantes que envolvem o processo de uso e abuso de
substância psicoativas.

Ao observarmos que a dependência química vem se tornando uma mazela social


crescente, ponderamos que os tratamentos e métodos de intervenção no manejo da
dependência química necessitam ser renovados e suas eficácias, precisam ser analisadas.
Quando falamos de tratamento da dependência química, é necessário entendê-lo como um
processo que envolve fatores ambientais, biológicos, culturais, sociais, entre outros, sendo
assim, consideramos esse tratamento como um processo de reabilitação. Segundo o dicionário
da língua portuguesa, o termo “reabilitação”, refere-se ao ato ou efeito de reabilitar-se,
regeneração, ou ainda, “a recuperação total ou parcial da saúde física ou mental”.

O processo de tratamento da dependência química e modelos específicos de


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intervenção, serão especificamente abordados no presente artigo, que tratará sobre um


conjunto de técnicas utilizado nos processos de reabilitação, que vem sendo apresentada como
um modelo de excelência entre as possibilidades psicossociais no tratamento da dependência
química e, por conseguinte, tem recebido destaque na literatura: a prevenção de recaídas
(DIEHL et al., 2011).

A temática de reabilitação em dependência química traz diversos desafios e


problemáticas ainda a serem discutidas. Sabe-se que, para o indivíduo em tratamento, um dos
maiores desses desafios, é a manutenção da abstinência. O indivíduo em reabilitação, pode
passar por situações e estímulos que colocam em risco o seu estado de abstinência e podem
levá-lo à um processo de retorno aos padrões anteriores de consumo e comportamentos-
problema. Tal processo é definido pelo termo “recaída”, (LARANJEIRA & ZENALATTO,
2013) O autor Chiauzzi (1991), apresentou o seguinte conceito para “recaída”:

Recaída é o restabelecimento de uma conduta aditiva, pensamentos e sentimentos


depois de um período de abstinência. Este período de abstinência pode variar
consideravelmente... a recaída implica na interação de fatores biológicos,
psicológicos e sociais. A contribuição especifica de cada um destes fatores num
individuo certamente dependerá de sua historia de aprendizagem, seu funcionamento
físico, sua predisposição psicológica e seu ambiente.
A recaída não deve considerar-se, necessariamente, como uma indicação da
motivação que se tem, mas como uma falta que pode ser corrigida mediante um
exame e mudando os fatores de risco individuais. Um retorno breve à conduta
aditiva não deve considerar-se como uma recaída, a não ser que ocorra
freqüentemente ou desencadeie num retorno prolongado à pauta de conduta aditiva.
(CHIAUZZI, 1991 apud CABALLO, 2007, p. 13).

Na literatura recorrente na área da dependência química, encontramos que, a


motivação para a manutenção da abstinência pode oscilar em diferentes níveis. A motivação
dentro do tratamento é apresentada pelo autor Prochaska e DiClemente (1982) como um
estado interno, que pode ser influenciado por fatores externos. A recaída, portanto, não só
pode ocorrer, como também faz parte do processo de mudança de hábitos. O mesmo autor
refere que o indivíduo em tratamento, passa por estágios de mudança, descritos em seu
Modelo Transteórico da Motivação (MTM). Os estágios referidos por Prochaska e Diclemente
são: pré-contemplação, contemplação, preparação, ação, manutenção e recaída. Caballo
(2007), ao falar sobre o trabalho de Prochaska, refere que, segundo o Modelo Transteórico da
Motivação (MTM), a maioria dos dependentes químicos em recuperação recai em algum
momento do tratamento, e que, por isso a reabilitação dos vícios raramente segue “um
processo linear; é descontínuo, circular ou espiral” (CABALLO, 2007, p. 131).
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Dessa forma, o tratamento da dependência química deve englobar diversos métodos


capazes de modificar e/ou ensinar o indivíduo a lidar com estímulos internos e externos e a
lidar com a própria situação de recaída, necessitando de abordagens eficientes e técnicas
abrangentes. Diante dessa necessidade, os autores Marlatt e Gordon (1985) apresentaram o
modelo de prevenção de recaídas, que tem como meta principal o tratamento do problema da
recaída, assim como, desenvolver junto com o paciente, técnicas eficientes para o seu manejo.
Tais técnicas fazem parte da abordagem da terapia cognitivo-comportamental, e é a partir do
reconhecimento de situações de risco que o dependente químico em reabilitação passa a
treinar habilidades e estratégias de enfrentamento. No futuro, tais estratégias irão aumentar
sua auto-eficácia para manejar situações semelhantes. (SOUSA et al., 2013).

Na atualidade, o conjunto de técnicas da prevenção de recaídas vem sendo bastante


utilizado no tratamento de dependentes químicos, como já encontrado em trabalhos como o de
Hodgins (2008), que concluiu que o uso de técnicas de prevenção de recaídas é eficaz na
redução do uso de substâncias e na melhora da adaptação psicossocial, mostrando-se eficaz
tanto no tratamento individual como em grupo.

Sendo assim, este estudo tem como objetivo verificar na literatura científica do tema,
dados que indiquem que, as chances de o indivíduo retornar ao padrão comportamental de
consumo anterior, diminuem com o uso da prevenção de recaídas no tratamento para
dependência química. Da mesma forma, serão investigadas as variações de aplicação das
técnicas, e sua efetividade dentro da reabilitação.

Para tal investigação, foi realizada uma revisão bibliográfica de 8 publicações


científicas de estudos realizados nos últimos 30 anos. Na pesquisa bibliográfica, foram
pesquisadas as bases de dados da PubMed e da PsycINFO – American Psychological
Association. O acesso ocorreu entre junho de 2015 e outubro de 2015 e utilizou-se na busca as
seguintes expressões: “abuso de drogas”, “dependência química”, “prevenção de recaídas” e
“dependência química e prevenção de recaídas”.

Quanto aos critérios de inclusão foram escolhidos os estudos que abordavam


evidências sobre a eficácia de programas de prevenção de recaídas. Os estudos escolhidos
para apresentação nesse artigo são todos internacionais.

2. EVIDÊNCIAS ACERCA DA EFICÁCIA E VARIAÇÕES DA TÉCNICA DE


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PREVENÇÃO DE RECAÍDAS

Na literatura acerca do assunto prevenção de recaídas, encontramos que os autores


Estopiñán et. al. (2008), realizaram um estudo longitudinal com indivíduos diagnosticados
por abuso ou dependência de álcool. Tais indivíduos investigados, estavam pelo menos um
mês, abstinêntes de álcool. O estudo comparou dois grupos desses indivíduos, que
frequentavam uma unidade de saúde mental: um dos grupos realizava o tratamento
ambulatorial regular, com visitas agendadas com um psiquiatra (grupo controle), e o outro
grupo, além do tratamento ambulatorial regular, participava dos grupos de prevenção de
recaída. O estudo concluiu que, após 12 meses, 64,3 % dos participantes do grupo de
prevenção de recaídas encontravam-se abstinentes, 21,4% tiveram algum tipo de reincidência
para o uso, sem ser entendida como recaída e 14,3% retornaram para o consumo. Já o grupo
que fazia acompanhamento ambulatorial e não participava do grupo de prevenção de recaídas,
apenas 10% mantiveram-se abstinentes por 12 meses, 30% tiveram alguma reincidência ao
uso e 60% recaíram.

Em outro estudo realizado por Carrol et al. (1991), que comparava o uso de técnicas
de psicoterapia interpessoal e a prevenção de recaídas em usuários de cocaína, em tratamento
ambulatorial, o autor apresentou em sua análise que, entre o subgrupo de usuários mais
graves, indivíduos que participaram da prevenção de recaídas, foram significativamente mais
propensos a atingir a abstinência (54% contra 9% do grupo que só realizava psicoterapia
interpessoal).

Simpson & Dansereau (1994), também realizaram um estudo que examinou a eficácia
do treinamento de prevenção de recaídas. Os autores analisaram 83 dependentes de múltiplas
substâncias, em um programa de educação ambulatorial, que participaram de um treinamento
de prevenção de recaídas (RPT). Foi utilizado no treinamento, um manual de lições que
tratam de prevenção de recaídas. Notou-se que a participação dos usuários no programa
melhorou após a utilização do treinamento de prevenção de recaídas (RPT), e os estagiários
que completaram com sucesso as sessões RPT tiveram menores taxas de uso de drogas (com
base nos resultados de exames de urina). Além disso, os autores constataram que a utilização
do manual com instruções, pode enriquecer apresentações de grupo, aumentando a
participação na discussão, o aprimoramento da compreensão e aplicação da informação.

O estudo de Choquette et. al. (1993), avaliou indivíduos alcoolistas que já


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participavam de um programa de Terapia Comportamental de Casais (BMT – Behavior


Marriage Therapy). Os casais analisados tinham um marido alcoolista recentemente
abstinente. Após participarem por 05 meses da terapia de casais, um grupo de casais foi
selecionado para receber 15 sessões conjuntas de prevenção de recaídas ao longo de 12 meses.
Os casais faziam parte do Projeto “Counseling for Alcoholics' Marriages (CALM)” in
Veterans Affairs (VA), Centro médico localizado em Massachusetts- EUA.

Após a BMT e 15 sessões de prevenção de recaídas, os autores notaram que melhorias


significativas ocorreram nos casamentos e comportamentos-alvo dos casais, e que os
alcoolistas do sexo masculino tiveram mais dias de abstinência, quando comparado ao grupo
de casais que só recebeu a terapia comportamental de casais, sem a prevenção de recaídas. Tal
estudo nos mostra a variedade em que a técnica de prevenção de recaídas pode ser aplicada,
pois o autor reuniu a prevenção de recaídas ao tratamento de casais que necessitavam de
ajustamento conjugal.

Já o estudo de Stevens & Hollis (1989), avaliou a eficácia de um programa de


prevenção de recaídas em uma população de 744 tabagistas. A população total de tabagistas
participou primeiramente de reuniões intensivas de 2 horas, durante 4 dias, onde foram
treinados para usar mais de 40 técnicas cognitivas e comportamentais de cessação do uso do
tabaco. Após tais reuniões, os participantes foram designados para uma das três condições de
acompanhamento: (a) um grupo participou de um programa de 3 sessões de habilidades de
treinamento em que os assuntos desenvolvidos e ensaiados foram estratégias de
enfrentamento para as prováveis situações de recaída; (b) o outro grupo participou de um
programa de 3 sessões, que discutiam assuntos ligados à manutenção da abstinência, mas não
desenvolvia ou ensaiava estratégias de enfrentamento; (c) já o último grupo não recebeu
nenhuma sessão de tratamento após as reuniões iniciais.

A análise dos autores indicou que ocorreram maiores taxas de abstinência para o grupo
(a), que ensaiou estratégias de enfrentamento para as prováveis situações de recaída, quando
comparado aos outros grupos. Após 12 meses, a taxa de abstinência continuou sendo maior
no grupo de estratégias de enfrentamento (41,3% de abstinência entre os membros) do que
nos grupo de discussão da manutenção (34,1% de abstinência entre os membros) e grupo que
não recebeu tratamento (33,3% de abstinência entre os membros).

O autor Schmitz (1997) executou um trabalho em que 32 indivíduos dependentes de


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cocaína, foram distribuídos em 2 grupos para participarem de um programa de prevenção de


recaídas. Um grupo recebia terapia grupal e o outro recebia terapia individual. Os dois
programas contavam com 12 sessões de tratamento, com conteúdos idênticos, durante dois
meses, imediatamente após a internação.

A comparação entre os dois grupos concluiu que os indivíduos que participaram das
sessões de terapia grupal tiveram menos dias de uso de cocaína entre os participantes, e
menores problemas relacionados a cocaína em relação aos indivíduos que recebiam terapia
individual. Nesse mesmo estudo, houve um acompanhamento após 12 e 24 semanas do
término das sessões de prevenção de recaídas. Os dados após 12 e 24 semanas não revelaram
diferenças significativas entre os formatos (individual e grupal), em quaisquer medidas
relacionadas ao uso de cocaína. Porém, o tratamento de prevenção de recaídas foi
estatisticamente significativo a melhorias no funcionamento psicossocial dos participantes,
incluindo a capacidade de lidar com o vício e o desejo por cocaína. Os resultados desse
estudo sugeriram que a eficácia da prevenção de recaídas não é limitado pelo formato de
terapia (grupal ou individual), pois ambas mostraram eficácia.

Também foi observado na literatura, que autores como Carrol (1996) e Irvin (1999),
realizaram revisões bibliográficas acerca da eficácia do uso da prevenção de recaídas em
situações de indivíduos dependentes de substâncias psicoativas.

Carrol (1996) realizou uma revisão na literatura de 24 estudos que examinaram a


prevenção de recaídas (PR) em tratamentos de indivíduos dependentes do álcool, maconha,
cocaína tabaco e outras drogas. O autor concluiu que a prevenção de recaídas mostra-se mais
eficaz que outros tratamentos que não utilizam tal técnica, com resultados mais duradouros.

Já a revisão feita por Irvin (1999), revisou 26 estudos, avaliando técnicas de prevenção
de recaídas utilizadas no tratamento de dependentes de álcool, tabaco, cocaína e poliusuários.
O estudo concluiu que as técnicas de prevenção de recaídas são efetivas na redução do uso de
substâncias, sendo mais eficaz quando aplicada em dependentes de álcool ou polisubstâncias,
combinada com a utilização adjunta de medicação. A prevenção de recaídas mostrou-se eficaz
no estudo tanto no formato individual, quanto grupal ou em terapia de casais.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

As publicações analisadas nos mostraram a eficácia da técnica de prevenção de


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recaídas em diversas modalidades e em indivíduos com dependência de substâncias


psicoativas diferentes. Os dados trouxeram evidências de que, além da abordagem grupal e
individual, é possível utilizar a prevenção de recaídas aplicada a terapia de casais. Os
programas apresentados por cada autor, tinham duração e formatos de execução e
planejamento diferentes, demonstrando assim, que as técnicas de prevenção podem ser
adaptadas de acordo com o contexto, tipo de serviço e usuários que as utilizam.

Os resultados comprovaram sucesso, de uma forma geral, em indivíduos que são


dependentes de substâncias como álcool, tabaco, cocaína e poliusuários. Durante a
investigação de artigos, e através das revisões bibliográficas de Carrol (1996) e Irvin (1999),
poucos resultados foram encontrados acerca da utilização da prevenção de recaídas com
usuários dependentes de maconha. Inclusive, os poucos resultados apresentados não geraram
dados significativos para afirmar que houve sucesso com o uso da técnica em indivíduos
usuários de tal substância. Sendo assim, mostra-se necessário futuras investigações com
dependentes de maconha inseridos em programas de prevenção de recaídas.

Através da realização deste estudo, também foi observado que o contexto brasileiro
não exibe muitos trabalhos científicos concisos acerca da eficácia da prevenção de recaídas,
havendo a necessidade de realização de novas investigações no contexto brasileiro sobre a
eficácia da técnica.

Embora autores brasileiros como Romanini et. al. (2010) apresentem uma proposta de
programa de prevenção de recaídas para implantar em um Centro de Atenção Psicossocial em
Álcool e Drogas (CAPS – ad), os mesmos autores não mencionam resultados após a
implantação do programa.

Além da visão positiva acerca da utilização da prevenção de recaídas dentro do


tratamento da dependência química, podendo aumentar o tempo de abstinência e a qualidade
de vida de indivíduos dependentes de substâncias psicoativas, este trabalho mostrou a
variação dos formatos em que podemos aplicar a técnica, criando novos modelos de
intervenção e tratamento. Através da idéia trazida anteriormente, poderiam ser vislumbrados
novos programas de prevenção de recaídas, de forma a abranger um número maior de pessoas
que estão em tratamento e estimulá-las a realizar a manutenção da abstinência, diminuindo
assim, algumas taxas de reincidência em tratamentos, como por exemplo, os de regime de
internação.
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O desenvolvimento de novos modelos de reabilitação é necessário no campo da


dependência química, para que possamos acolher e atingir um problema social e de saúde que
vem se apresentando de forma crescente. Tratamentos mais eficazes e livres de preconceitos e
estigmas são urgentes, visto que, tal problema perpassa uma sociedade que ainda luta por uma
reestruturação e criação de novos métodos para tratar o indivíduo em sofrimento psíquico,
seja ocasionado ou não pela dependência de substâncias psicoativas.

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