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Supremo Tribunal Federal

Ementa e Acórdão

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18/05/2017 PLENÁRIO

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.000 SÃO PAULO

RELATOR : MIN. EDSON FACHIN


REQTE.(S) : GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DE SÃO PAULO
INTDO.(A/S) : ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO
PAULO

EMENTA: CONSTITUCIONAL. AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE. LEI DO ESTADO DE SÃO PAULO N.
12.516/2007. INSTITUIÇÃO DOS CONSELHOS GESTORES NAS
UNIDADES DE SAÚDE DO ESTADO. INICIATIVA PRIVATIVA DO
CHEFE DO PODER EXECUTIVO. SEPARAÇÃO DOS PODERES.
PRINCÍPIO DA SIMETRIA. AÇÃO DIRETA JULGADA PROCEDENTE.
1. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem reconhecido
que o disposto no art. 61, § 1º, II, “a”, da Constituição Federal estabelece
regra de iniciativa privativa do chefe do poder executivo para criação e
extinção de órgão da administração pública. Precedentes.
2. Ofende o princípio da separação dos poderes lei de iniciativa
parlamentar que disponha sobre órgãos da administração pública.
Precedentes.
3. Ação direta julgada procedente.
ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do


Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência da
Ministra Cármen Lúcia, na conformidade da ata de julgamento e das
notas taquigráficas, preliminarmente, por unanimidade e nos termos do
voto do Relator, em julgar procedente a ação para declarar a
inconstitucionalidade da Lei Complementar do Estado de São Paulo nº
12.516, de 02 de janeiro de 2007.

Brasília, 18 de maio de 2017.

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O
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ADI 4000 / SP

Ministro EDSON FACHIN


Relator

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18/05/2017 PLENÁRIO

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.000 SÃO PAULO

RELATOR : MIN. EDSON FACHIN


REQTE.(S) : GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DE SÃO PAULO
INTDO.(A/S) : ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO
PAULO

RE LAT Ó RI O

O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN (RELATOR): O Governador do


Estado de São Paulo interpõe ação direta a fim de que o Supremo
Tribunal Federal declare a inconstitucionalidade da Lei Estadual nº
12.516/2007.
O diploma impugnado tem o seguinte teor:

“LEI Nº 12.516, DE 02 DE JANEIRO DE 2007


(Projeto de lei nº 851, de 1999 dos Deputados Roberto Gouveia
– PT e Maria Lúcia Prandi – PT)
Dispõe sobre a organização dos Conselhos Gestores nas unidades
de saúde do Sistema Único de Saúde no Estado e dá outras
providências.
O PRESIDENTE DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA:
Faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu promulgo,
nos termos do artigo 28, § 8º, da Constituição do Estado, a seguinte
lei:
Artigo 1° - Ficam instituídos Conselhos Gestores de Unidades
de Saúde nas unidades do Sistema Único de Saúde que prestam
assistência sob gestão, gerência ou responsabilidade da Secretaria de
Estado da Saúde, inclusive nos laboratórios e institutos de pesquisa.
Parágrafo único - Os Conselhos Gestores de Unidades de Saúde
terão composição tripartite, com no mínimo 8 (oito) e no máximo 16
(dezesseis) membros efetivos e o mesmo número de suplentes, sendo
50% (cinqüenta por cento) de representantes de usuários, 25% (vinte

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e cinco por cento) de representantes dos trabalhadores da saúde e 25%


(vinte e cinco por cento) de representantes da direção da unidade
respectiva.
Artigo 2° - Ficam instituídos Conselhos Gestores nas Diretorias
Regionais de Saúde (DIRS).
§ 1° - Os Conselhos Gestores das Diretorias Regionais de Saúde
terão composição quadripartite, com 24 (vinte e quatro) membros e
respectivos suplentes, sendo 50% (cinqüenta por cento) de
representantes de usuários, 25% (vinte e cinco por cento) de
representantes dos trabalhadores da saúde e 25% (vinte e cinco por
cento) repartidos entre representantes do Poder Público Estadual e
Municipal e de prestadores de serviços, indicados pelas respectivas
instituições.
§ 2° - Poderão ser constituídos Conselhos Gestores nas demais
unidades da Secretaria de Estado da Saúde voltadas à gestão político-
administrativa, organizados, no que couber, nos termos do § 1° deste
artigo.
§ 3° - Os Conselhos Gestores das Diretorias Regionais de Saúde
deverão ser instalados no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias,
contados da data de publicação desta lei.
Artigo 3° - Os Conselhos Gestores de Unidades de Saúde, os
Conselhos Gestores das Diretorias Regionais de Saúde e os demais
conselhos gestores de que trata esta lei, de caráter permanente e
deliberativo, têm por finalidade o planejamento, avaliação, fiscalização
e controle da execução das políticas e das ações de saúde, em sua área
de abrangência.
§ 1° -A indicação de representação dos membros dos Conselhos
Gestores dar-se-á com plena autonomia e ampla divulgação no
conjunto de cada um dos segmentos.
§ 2° - O mandato dos integrantes dos Conselhos Gestores será
de 2 (dois) anos, sendo permitida uma única recondução.
§ 3° - As funções dos membros dos Conselhos Gestores não serão
remuneradas, sendo suas atividades consideradas de relevante
interesse público.
§ 4° - Os gastos dos membros dos Conselhos Gestores de
Diretorias Regionais de Saúde, com deslocamento e de outras

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naturezas, poderão ser ressarcidos, desde que atendam ao disposto em


decreto regulamentador e estejam devidamente comprovados.
§ 5° - Os Conselhos Gestores reunir-se-ão, ordinariamente, uma
vez a cada mês, podendo ser convocados extraordinariamente por
solicitação de, no mínimo, 50% (cinqüenta por cento) de seus
membros ou da direção da unidade de saúde.
§ 6° - As reuniões dos Conselhos Gestores serão ampla e
previamente divulgadas, com participação livre de todos
osinteressados, que terão direito a voz.
§ 7° - Apenas os membros eleitos terão direito a voto nas
reuniões dos Conselhos Gestores, sendo que os suplentes exercerão
esse direito quando em regular substituição aos respectivos titulares.
§ 8° - As deliberações e os comunicados de interesse dos
Conselhos Gestores deverão ser afixados nas unidades, em locais de
fácil acesso e visualização a todos os usuários.
Artigo 4° - Os Conselhos Gestores instituídos por esta lei,
observadas as diretrizes da Política Estadual de Saúde e do Sistema
Único de Saúde e a pactuação com os Municípios na região, serão
organizados e atuarão em consonância com o Conselho Estadual de
Saúde.
Artigo 5° - Compete aos Conselhos Gestores, observadas as
diretrizes do Sistema Único de Saúde:
I- acompanhar, avaliar e fiscalizar os serviços e as ações de saúde
prestados à população;
II - propor e aprovar medidas para aperfeiçoar o planejamento, a
organização, a avaliação e o controle das ações e dos serviços de saúde;
III - solicitar e ter acesso às informações de caráter técnico-
administrativo, econômico-financeiro e operacional, relativas à
respectiva unidade e participar da elaboração e do controle da execução
orçamentária;
IV - examinar propostas, denúncias e queixas, encaminhadas
por qualquer pessoa ou entidade, e a elas responder;
V - definir estratégias de ação visando à integração do trabalho
da unidade a que se vincula aos planos locais, municipais, regional e
estadual de saúde, assim como a planos, programas e projetos
intersetoriais;

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VI - elaborar e aprovar o seu regimento interno e normas de


funcionamento.
Artigo 6° - A direção da unidade a que se vincula, proporcionará
ao Conselho Gestor as condições para o seu pleno e regular
funcionamento.
Artigo 7° - Fica eleito o Conselho Gestor da Diretoria Regional
de Saúde como instância de recurso para os Conselhos Gestores de
Unidades de Saúde da respectiva área de abrangência.
Parágrafo único - Das decisões dos Conselhos Gestores das
Diretorias Regionais de Saúde e de outras unidades da Secretaria de
Estado da Saúde, voltadas à gestão político administrativa, caberá
recurso ao Conselho Estadual de Saúde.
Artigo 8° - As instituições de saúde da administração indireta,
autárquica e fundacional do Estado, prestadoras de serviços de saúde
ou voltadas à gestão político-administrativa, deverão contar com
Conselhos Gestores, organizados, no que couber, nos termos desta lei.
Artigo 9° - As entidades particulares, filantrópicas e outras sem
fins lucrativos, que mantêm ou vierem a manter contratos ou
convênios com o Sistema Único de Saúde para a prestação de serviços
técnico-assistenciais, também poderão contar com Conselhos Gestores,
organizados, no que couber, nos termos desta lei para exercerem o
controle da utilização dos recursos públicos a elas destinados.
Artigo 10 - As unidades de saúde prestadoras de assistência
terão 120 (cento e vinte) dias para instalar seu Conselho Gestor, a
partir da publicação desta lei.
Artigo 11 - Os Conselhos Gestores já instituídos deverão
adequar-se aos termos desta lei no mesmo prazo estabelecido no artigo
anterior.
Artigo 12 - O Poder Executivo regulamentará a presente lei no
prazo de 60 (sessenta) dias, a contar da data de sua publicação.
Artigo 13 - As despesas decorrentes da execução desta lei
correrão à conta dos recursos orçamentários próprios, suplementados
se necessários.
Artigo 14 - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.”

O autor noticia, no que tange ao conteúdo da norma em exame, o

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seguinte (eDOC 1, p. 12):

“16. Com efeito, versam as suas disposições sobre: a criação de


órgãos públicos — os Conselhos Gestores, e sua composição (art. 1°;
art. 2°, capta e §§ 1° e 2°; art. 3°, §§ 1° e 2°: art. 80; e art. 9°); a
finalidade e competência dos órgãos criados (art. 3°, capta; e art. 5°); o
modo de funcionamento desses órgãos (art. 3°, §§ 3° a 8°); a relação
entre os Conselhos Gestores e os demais órgãos e entidades da
Administração Estadual com atuação no âmbito do SUS (art. 4°; art.
6°; e art. 70); além de normas transitórias sobre a instalação dos novos
colegiados, com a adaptação dos preexistentes (art. 2°, § 3°; art. 10; e
art. 11); prazo para regulamentação (art. 12); cláusula financeira (art.
13); e cláusula de vigência (art. 14).”

Desta forma, sustenta a inconstitucionalidade da lei atacada, uma


vez que, após o advento da EC nº 32/2001, o art. 61, § 1º, II, “e”, da
Constituição Federal, foi alterado para consignar a competência
legislativa privativa do Presidente da República para dispor sobre a
criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública,
observado o disposto no art. 84, VI, da CF/88. Sendo assim, afirma que, de
igual forma, a competência para dispor acerca da organização e do
funcionamento da administração pública estadual é do Governador do
Estado. Neste sentido, aponta os arts. 19, VI; 24, § 2º, II e 47, XIX, “a”, da
Constituição do Estado de São Paulo, que, adequados à reforma trazida
pela EC nº 32/2001, estabelecem a competência exclusiva do Chefe do
Poder Executivo estadual para estruturar a administração pública.
Para lastrear a sua tese, indica a existências de precedentes do STF
que reconhecem a competência exclusiva do Governador.
Requereu medida cautelar para suspender a eficácia do diploma
vergastado.
Em 24.12.2007, a Min. Ellen Gracie, então relatora, solicitou
informações à Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, nos termos
do art. 12 da Lei nº 9.868/1999.
A Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo informou o

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seguinte (eDOC 9, p. 6-7):

“As funções dos conselhos em questão são meramente


consultivas e opinativas, relacionadas a planejamento futuro, em
momento algum interferindo diretamente nas atividades típicas do
Poder Executivo.
Dessa forma, não se poderia cogitar de a sua criação configurar
ingerência nas atribuições do Poder Executivo, justamente em
decorrência do fato de os conselhos não atuarem administrativamente,
mas apenas emitirem aconselhamentos.
(…)
Vislumbra-se, desse modo, que a criação de conselhos, como os
presentes, em momento algum interfere na estrutura administrativa,
visto que o seu único e exclusivo caráter é o consultivo, opinativo e de
planejamento não vinculativo. A criação de lei com a finalidade de
estruturar tais conselhos insere-se perfeitamente dentre as
competências desta Assembléia Legislativa, previstas nos artigos 19,
21, inciso III e 24 “caput”, da Constituição Estadual e 146, inciso III,
do Regimento Interno então vigente.”

A Advocacia-Geral da União opinou pela procedência do pedido,


aduzindo que, embora não se extraia da lei a inclusão dos conselhos
criados como órgãos da administração pública estadual, o seu art. 1º
atribui deveres à Secretária de Saúde, o que evidencia a afronta à
competência do Governador. A manifestação restou assim ementada:

“Constitucional. Diploma legal, resultante de projeta de origem


parlamentar, que cria Conselhos Gestores não integrantes da
estrutura administrativa do Poder Executivo estadual, mas impõe que
a sua gestão, gerência e responsabilidade sejam da Secretaria de Saúde
estadual. Vicio de iniciativa configurado. Precedentes do STF.
Manifestação pela procedência da ação.”

A Procuradoria-Geral da República opinou pela procedência da


ação, asseverando que “na hipótese dos autos, não há dúvida de que a lei

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impugnada, ao criar os Conselhos de Gestão e atribuir à Secretaria de Estado da


Saúde a gestão desses órgãos, promoveu alteração na organização e
funcionamento da Administração Estadual” (eDOC 13, p. 7), em parecer
assim ementado:

“AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI


ESTADUAL, DE INICIATIVA PARLAMENTAR, QUE DISPÕE
SOBRE A INSTITUIÇÃO E ORGANIZAÇÃO DOS
CONSELHOS GESTORES NAS UNIDADES DE SAÚDE DO
SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE DO ESTADO. ALEGADA
OFENSA À INICIATIVA RESERVADA AO CHEFE DO PODER
EXECUTIVO PARA INSTAURAR PROCESSO LEGISLATIVO
ACERCA DA ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DA
ADMINISTRAÇÃO ESTADUAL (ART. 61, § 1º, II, E, E 84, VI, A,
DA CF). OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PARA OS ESTADOS
MEMBROS DAS NORMAS DE RESERVA DE INICIATIVA
LEGISLATIVA PREVISTAS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
PARECER PELA PROCEDÊNCIA DA AÇÃO.”

É, em síntese, o relatório.

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AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.000 SÃO PAULO

VOTO

O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN (RELATOR): Registro,


inicialmente, a plena cognoscibilidade da presente ação direta. A parte
requerente é legitimada para a propositura da ação de controle de
constitucionalidade, nos termos do art. 103, V, da Constituição Federal.
Observe-se, ainda, que embora os Governadores ostentem
legitimidade especial, há, na hipótese dos autos, a necessária pertinência
temática.
Finalmente, é também adequada a presente ação, na medida em que
impugna, nos termos do art. 102, I, “a”, da Constituição Federal “ato
normativo estadual”, qual seja a Lei n. 12.516, de 02 de janeiro de 2007, do
Estado de São Paulo.
Quanto ao mérito, assiste razão jurídica à parte requerente.
Depreende-se da norma objeto desta ação direta que, sendo oriundo
de projeto de lei de iniciativa parlamentar, dispõe sobre o funcionamento
da administração direta do Estado.
Com efeito, pelo disposto no art. 1º da norma impugnada, são
instituídos órgãos que se submetem à Secretaria de Estado da Saúde.
Confira-se:

Artigo 1° - Ficam instituídos Conselhos Gestores de Unidades


de Saúde nas unidades do Sistema Único de Saúde que prestam
assistência sob gestão, gerência ou responsabilidade da Secretaria de
Estado da Saúde, inclusive nos laboratórios e institutos de pesquisa.

É possível, ainda, depreender que são fixadas obrigações a órgãos do


poder executivo a partir da leitura do disposto nos arts. 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º,
8º, 10, 11 e 12:

“Artigo 2° - Ficam instituídos Conselhos Gestores nas

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Diretorias Regionais de Saúde (DIRS).


§ 1° - Os Conselhos Gestores das Diretorias Regionais de Saúde
terão composição quadripartite, com 24 (vinte e quatro) membros e
respectivos suplentes, sendo 50% (cinqüenta por cento) de
representantes de usuários, 25% (vinte e cinco por cento) de
representantes dos trabalhadores da saúde e 25% (vinte e cinco por
cento) repartidos entre representantes do Poder Público Estadual e
Municipal e de prestadores de serviços, indicados pelas respectivas
instituições.
§ 2° - Poderão ser constituídos Conselhos Gestores nas demais
unidades da Secretaria de Estado da Saúde voltadas à gestão político-
administrativa, organizados, no que couber, nos termos do § 1° deste
artigo.
§ 3° - Os Conselhos Gestores das Diretorias Regionais de Saúde
deverão ser instalados no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias,
contados da data de publicação desta lei.
Artigo 3° - Os Conselhos Gestores de Unidades de Saúde, os
Conselhos Gestores das Diretorias Regionais de Saúde e os demais
conselhos gestores de que trata esta lei, de caráter permanente e
deliberativo, têm por finalidade o planejamento, avaliação, fiscalização
e controle da execução das políticas e das ações de saúde, em sua área
de abrangência.
§ 1° -A indicação de representação dos membros dos Conselhos
Gestores dar-se-á com plena autonomia e ampla divulgação no
conjunto de cada um dos segmentos.
§ 2° - O mandato dos integrantes dos Conselhos Gestores será
de 2 (dois) anos, sendo permitida uma única recondução.
§ 3° - As funções dos membros dos Conselhos Gestores não serão
remuneradas, sendo suas atividades consideradas de relevante
interesse público.
§ 4° - Os gastos dos membros dos Conselhos Gestores de
Diretorias Regionais de Saúde, com deslocamento e de outras
naturezas, poderão ser ressarcidos, desde que atendam ao disposto em
decreto regulamentador e estejam devidamente comprovados.
§ 5° - Os Conselhos Gestores reunir-se-ão, ordinariamente, uma
vez a cada mês, podendo ser convocados extraordinariamente por

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ADI 4000 / SP

solicitação de, no mínimo, 50% (cinqüenta por cento) de seus


membros ou da direção da unidade de saúde.
§ 6° - As reuniões dos Conselhos Gestores serão ampla e
previamente divulgadas, com participação livre de todos
osinteressados, que terão direito a voz.
§ 7° - Apenas os membros eleitos terão direito a voto nas
reuniões dos Conselhos Gestores, sendo que os suplentes exercerão
esse direito quando em regular substituição aos respectivos titulares.
§ 8° - As deliberações e os comunicados de interesse dos
Conselhos Gestores deverão ser afixados nas unidades, em locais de
fácil acesso e visualização a todos os usuários.
Artigo 4° - Os Conselhos Gestores instituídos por esta lei,
observadas as diretrizes da Política Estadual de Saúde e do Sistema
Único de Saúde e a pactuação com os Municípios na região, serão
organizados e atuarão em consonância com o Conselho Estadual de
Saúde.
Artigo 5° - Compete aos Conselhos Gestores, observadas as
diretrizes do Sistema Único de Saúde:
I- acompanhar, avaliar e fiscalizar os serviços e as ações de saúde
prestados à população;
II - propor e aprovar medidas para aperfeiçoar o planejamento, a
organização, a avaliação e o controle das ações e dos serviços de saúde;
III - solicitar e ter acesso às informações de caráter técnico-
administrativo, econômico-financeiro e operacional, relativas à
respectiva unidade e participar da elaboração e do controle da execução
orçamentária;
IV - examinar propostas, denúncias e queixas, encaminhadas
por qualquer pessoa ou entidade, e a elas responder;
V - definir estratégias de ação visando à integração do trabalho
da unidade a que se vincula aos planos locais, municipais, regional e
estadual de saúde, assim como a planos, programas e projetos
intersetoriais;
VI - elaborar e aprovar o seu regimento interno e normas de
funcionamento.
Artigo 6° - A direção da unidade a que se vincula, proporcionará
ao Conselho Gestor as condições para o seu pleno e regular

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ADI 4000 / SP

funcionamento.
Artigo 7° - Fica eleito o Conselho Gestor da Diretoria Regional
de Saúde como instância de recurso para os Conselhos Gestores de
Unidades de Saúde da respectiva área de abrangência.
Parágrafo único - Das decisões dos Conselhos Gestores das
Diretorias Regionais de Saúde e de outras unidades da Secretaria de
Estado da Saúde, voltadas à gestão político administrativa, caberá
recurso ao Conselho Estadual de Saúde.
Artigo 8° - As instituições de saúde da administração indireta,
autárquica e fundacional do Estado, prestadoras de serviços de saúde
ou voltadas à gestão político-administrativa, deverão contar com
Conselhos Gestores, organizados, no que couber, nos termos desta lei.
(…)
Artigo 10 - As unidades de saúde prestadoras de assistência
terão 120 (cento e vinte) dias para instalar seu Conselho Gestor, a
partir da publicação desta lei.
Artigo 11 - Os Conselhos Gestores já instituídos deverão
adequar-se aos termos desta lei no mesmo prazo estabelecido no artigo
anterior.
Artigo 12 - O Poder Executivo regulamentará a presente lei no
prazo de 60 (sessenta) dias, a contar da data de sua publicação.”

A jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal tem reconhecido


que o disposto no art. 61, § 1º, II, “a”, da Constituição Federal estabelece
regra de iniciativa reservada ao chefe do poder executivo para criação e
extinção de órgão da administração pública. O dispositivo constitucional
invocado como parâmetro tem a seguinte redação:

“Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias


cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos
Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao
Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos
Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos
cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição.
§ 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República
as leis que:

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ADI 4000 / SP

(...)
II - disponham sobre:
a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na
administração direta e autárquica ou aumento de sua
remuneração;”

Tal dispositivo, embora preveja literalmente hipótese de iniciativa da


Presidência da República, tem sido estendido pela jurisprudência desta
Corte aos demais entes federativos. Confiram-se:

“EMENTA: AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE. LEI ALAGONA N. 6.153, DE 11
DE MAIO DE 2000, QUE CRIA O PROGRAMA DE LEITURA
DE JORNAIS E PERIÓDICOS EM SALA DE AULA, A SER
CUMPRIDO PELAS ESCOLAS DA REDE OFICIAL E
PARTICULAR DO ESTADO DE ALAGOAS. 1. Iniciativa
privativa do Chefe do Poder Executivo Estadual para legislar
sobre organização administrativa no âmbito do Estado. 2. Lei de
iniciativa parlamentar que afronta o art. 61, § 1º, inc. II, alínea e,
da Constituição da República, ao alterar a atribuição da
Secretaria de Educação do Estado de Alagoas. Princípio da
simetria federativa de competências. 3. Iniciativa louvável do
legislador alagoano que não retira o vício formal de iniciativa
legislativa. Precedentes. 4. Ação direta de inconstitucionalidade
julgada procedente.”
(ADI 2329, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal
Pleno, julgado em 14/04/2010, DJe-116 DIVULG 24-06-2010
PUBLIC 25-06-2010 EMENT VOL-02407-01 PP-00154 LEXSTF v.
32, n. 380, 2010, p. 30-42 RT v. 99, n. 900, 2010, p. 143-150)

EMENTA: AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE. LEI DO ESTADO DE SÃO
PAULO. CRIAÇÃO DE CONSELHO ESTADUAL DE
CONTROLE E FISCALIZAÇÃO DO SANGUE - COFISAN,
ÓRGÃO AUXILIAR DA SECRETARIA DE ESTADO DA
SAÚDE. LEI DE INICIATIVA PARLAMENTAR. VÍCIO DE

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Supremo Tribunal Federal
Voto - MIN. EDSON FACHIN

Inteiro Teor do Acórdão - Página 15 de 17

ADI 4000 / SP

INICIATIVA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA.


I - Projeto de lei que visa a criação e estruturação de órgão da
administração pública: iniciativa do Chefe do Poder Executivo
(art. 61, § 1º, II, e, CR/88). Princípio da simetria. II - Precedentes
do STF. III - Ação direta julgada procedente para declarar a
inconstitucionalidade da Lei estadual paulista 9.080/95.
(ADI 1275, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI,
Tribunal Pleno, julgado em 16/05/2007, DJe-032 DIVULG 06-06-
2007 PUBLIC 08-06-2007 DJ 08-06-2007 PP-00028 EMENT VOL-
02279-01 PP-00044 RT v. 96, n. 864, 2007, p. 158-163)

Com efeito, incide, in casu, o princípio da simetria que reconhece a


aplicação das limitações ao poder legislativo constantes da Constituição
Federal aos demais entes da federação:

“Ação direta de inconstitucionalidade. 2. Artigos 238 e 239


da Constituição do estado do Rio Grande do Sul. 3. Lei estadual
n. 9.726/1992. 4. Criação do Conselho de Comunicação Social. 5.
O art. 61, § 1º, inciso II, alínea “a” da Constituição Federal,
prevê reserva de iniciativa do chefe do Poder Executivo para
criação e extinção de ministérios e órgãos da administração
pública. 6. É firme a jurisprudência desta Corte orientada pelo
princípio da simetria de que cabe ao Governador do Estado a
iniciativa de lei para criação, estruturação e atribuições de
secretarias e de órgãos da administração pública. 7. Violação ao
princípio da separação dos poderes, pois o processo legislativo
ocorreu sem a participação chefe do Poder Executivo. 8. Ação
direta julgada procedente.”
(ADI 821, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal
Pleno, julgado em 02/09/2015, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-
239 DIVULG 25-11-2015 PUBLIC 26-11-2015)

De fato, a norma invocada como parâmetro de controle


consubstancia, em verdade, concretização do princípio da separação dos
poderes. Por essa razão, lei de iniciativa parlamentar que dispunha sobre
matéria constante do art. 61, § 1º, II, “a”, da Constituição Federal, não

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Supremo Tribunal Federal
Voto - MIN. EDSON FACHIN

Inteiro Teor do Acórdão - Página 16 de 17

ADI 4000 / SP

apenas ofende diretamente o referido dispositivo, como também atenta


contra o princípio fixado no art. 2º da CRFB.
Ante o exposto, tendo em conta a manifesta inconstitucionalidade
formal da Lei do Estado de São Paulo n. 12.516, de 02 de janeiro de 2007,
voto pela procedência da ação direta para declarar sua
inconstitucionalidade.
É como voto.

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Supremo Tribunal Federal
Extrato de Ata - 18/05/2017

Inteiro Teor do Acórdão - Página 17 de 17

PLENÁRIO
EXTRATO DE ATA

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.000


PROCED. : SÃO PAULO
RELATOR : MIN. EDSON FACHIN
REQTE.(S) : GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DE SÃO PAULO
INTDO.(A/S) : ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Decisão: Retirado de pauta em razão da aposentadoria do


Relator. Presidência do Ministro Ricardo Lewandowski, Vice-
Presidente no exercício da Presidência. Plenário, 06.08.2014.

Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do


Relator, julgou procedente a ação para declarar a
inconstitucionalidade da Lei do Estado de São Paulo nº 12.516, de
02 de janeiro de 2007. Ausentes, justificadamente, o Ministro
Roberto Barroso, em compromisso na Universidade de Oxford, no
Reino Unido, e o Ministro Gilmar Mendes. Presidiu o julgamento a
Ministra Cármen Lúcia. Plenário, 18.5.2017.

Presidência da Senhora Ministra Cármen Lúcia. Presentes à


sessão os Senhores Ministros Celso de Mello, Marco Aurélio,
Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Luiz Fux, Rosa Weber, Edson
Fachin e Alexandre de Moraes.

Vice-Procurador-Geral da República, Dr. José Bonifácio Borges


de Andrada.

p/ Doralúcia das Neves Santos


Assessora-Chefe do Plenário

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