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ANTONIO TIAGO TEOTONIO ANDRADE

A JUSTIÇA MILITAR BRASILEIRA: UMA REPAGINAÇÃO QUANTO A SUA


COMPETÊNCIA E ATRIBUIÇÕES CONSTITUCIONAIS.

Santa Maria
2018
ANTONIO TIAGO TEOTONIO ANDRADE

A JUSTIÇA MILITAR BRASILEIRA: UMA REPAGINAÇÃO QUANTO A SUA


COMPETÊNCIA E ATRIBUIÇÕES CONSTITUCIONAIS.

Projeto de Trabalho Final de Graduação,


Apresentado à disciplina de Trabalho Final de
Graduação I, Área de Direito Constitucional e
Militar, Curso de Direito.

Orientador: Prof. João Hélio Ferreira Pes

Aprovação:_______________________________

Santa Maria
2018
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SUMÁRIO

1 TEMA................................................................................................................................. 04
2 DELIMITAÇÃO DO TEMA........................................................................................... 04
3 PROBLEMA...................................................................................................................... 04
4 OBJETIVOS...................................................................................................................... 05
4.1 OBJETIVO GERAL...................................................................................................... 05
4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS....................................................................................... 05
5 JUSTIFICATIVA............................................................................................................. 06
6 METODOLOGIA............................................................................................................. 07
6.1 MÉTODO DE ABORDAGEM..................................................................................... 07
6.2 MÉTODO DE PROCEDIMENTO.............................................................................. 07
7 PLANO PROVISÓRIO.................................................................................................. 08
8 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA................................................................................... 09
9 CRONOGRAMA.............................................................................................................. 15
10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS......................................................................... 16
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1 TEMA

A Justiça Militar brasileira e a sua repaginação quanto à sua competência e atribuições


constitucionais.

2 DELIMITAÇÃO DO TEMA

O tema escolhido para o presente trabalho situa-se no contexto sobre – A Justiça


Militar brasileira e a sua repaginação quanto à sua competência e atribuições constitucionais.
Principalmente quanto a proposta de Emenda Constitucional que pode dar nova atribuição à
Justiça Militar brasileira, ampliando sua competência, obedecendo a uma justa e rigorosa
aplicação dos preceitos fundamentais da Carta Magna.

3 PROBLEMA

A Constituição Federal confere à Justiça Militar uma atribuição demasiadamente


restrita em relação a sua capacidade de julgar e processar os crimes do Codigo Penal Militar.
É possível a ampliação dessa competência?
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4 OBJETIVOS

4.1 Objetivo Geral

Analisar uma possivel reconstrução da Justiça Militar brasileira, ampliando sua


competência constitucional, com a finalidade de atingir novos horizontes, garantindo uma
melhor eficácia nas decisões judiciais onde figuram militares e a união, seja nos polos ativo,
passivo ou como interessados e assistentes, bem como a apreciação de atos administrativos
emanados das Forças Armadas.

4.2 Objetivos específicos

- Descrever um breve histórico do Direito Militar, da sua origem à atualidade;

- Analisar a atual competência constitucional da Justiça Militar, abordando os artigos


122 a 124;

- Descrever o que são Operações de Garantia da Lei e da Ordem e determinar a atual


nescessidade do emprego das Forças Armadas nas questões de segurança pública.

- Analisar a alteração do CPM, introduzida pela lei 13.491/17, verificando se fere ou


não a competêcia do tribunal do Júri.

- Verificar e analisar os argumentos daqueles que defendem a extinção da Justiça


Militar

-Analisar a possibilidade de apreciação de atos administrativos emanados das Forças


Armadas pela Justiça Militar.
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5 JUSTIFICATIVA

A escolha do presente tema se dá em razão da problemática da atual competência da


justiça militar da união e a limitação de seu alcance jurisdicional vigente na atual competência
constitucional, onde somente lhe é atribuida a esfera penal militar, deixando de lado questões
de cunho administrativo onde figurem como partes, assistentes ou interessados a União e
militares da ativa ou reserva remunerada.

O objetivo principal do presente trabalho é analisar a atual competência atribuída


constitucionalmente, compreendendo sua esfera de alcance e emprego, construindo uma nova
competência que lhe permita adentrar em outras esferas além do Direito Penal Militar, sem
ofensa aos princípios constitucionais, trazendo celeridade processual, economicidade e
segurança jurídica as partes, em termos que a própria constituição trás a definição de militares
como categoria especial de servidores públicos, devido as suas peculiaridades para melhor
emprego em suas atribuições constitucionais.

Vivemos atualmente grandes mudanças com relação as políticas de segurança pública.


A problemática vivida em alguns estados brasileiros em relação ao crime organizado e a
precariedade de pessoal e material vivenciada pelas instituições policiais aliadas aos diversos
episódios trágicos ocorridos em cadeias públicas, ressaltam ainda mais a importância do
emprego das Forças Armadas em conjunto com as Forças auxiliares de segurança pública,
afim de evitar maior caos e desordem social, conforme determina o texto constitucional.

Perceba-se, que o presente trabalho encontra-se de acordo com a linha de pesquisa do


curso de direito, tendo em vista que deve ser trabalhado e refletido mais a fundo, merecendo
sim uma minuciosa e detalhada pesquisa sobre este tema.
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6 METODOLOGIA

6.1 Método de Abordagem

A presente proposta de trabalho é de caráter de pesquisa científica, portanto, mostra-se


adequada a aplicação de um método de abordagem dedutivo, pois a partir da analise geral dos
artigos 122 a 124 da CF/88 é possível determinar a atual competência constitucional da JMU
e elaborar um novo panorama constitucional que trará nova definição e ampliação da
competência observando no espectro de direitos e garantias fundamentais protegidos pelo
ordenamento jurídico brasileiro, determinando se este é o meio mais viável para a solução da
problemática atual do emprego das FA e o desafogamento da justiça federal, transferindo as
demandas relacionadas aos atos administrativos envolvendo União e militares para os juizes
militares.

6.2 Método de Procedimento

Os métodos monográfico e comparativo serão utilizados no presente trabalho, pois


consistem em uma investigação de determinado assunto, não somente em profundidade, mas
em comparação a outros instrumentos jurídicos como a eficiência de outra área. A
comparabilidade dar-se-á mediante assertivas de juristas que abordem a temática central
quanto a sua conveniência ou não em relação a ideologia e interpretação emprestada à
temática e termos integrantes. Para alcançar os objetivos propostos, utilizar-se-á, também, a
pesquisa bibliográfica, realizada a partir da análise detalhada de materiais já publicados na
literatura e artigos científicos divulgados por meio eletrônico.
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7 PLANO PROVISÓRIO

INTRODUÇÃO

1. Justiça Militar Brasileira.

1.1 Breve histórico.

1.2 Justiça Militar e a Constituição Federal de 1988.

2. A Atual Competencia da JMU.

2.1 Conceito de Crime Militar e Operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

2.2 Alteração feita pela Lei 13.491/17 à luz da Constitução.

3. Teses a favor do fim da Justiça Militar – Uma análise crítica.

4. Uma nova competencia: Poderia a Justiça Militar possuir uma competência cível para
processar e julgar atos administrativos emanados das Forças Armadas?

5. Conclusão
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8 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

1. Justiça Militar brasileira.


1.1 Breve histórico.

A justiça militar, ou melhor, o direito militar existe desde os primeiros códigos de


regramento jurídico das primeiras civilizações, tais como mesopotâmia e babilônia, na grécia
antiga, Homero já citava anciãos escolhidos dentre os guerreiros para representar a justiça e as
punições àqueles que por ventura viriam a contrariar as leis daqueles guereiros. A história da
justiça militar brasileira possui origens remotas, em relação a própria história do Brasil,
quando em 1808, a família real lusitana declara o Brasil como Reino Unido a Portugal, fato
que modifica de forma significativa todo o curso histórico do país como já conhecemos. Tal
feito nos trouxe, junto com a vinda da coroa portuguesa, diversas instituições, entre elas a
militar, que a acompanhava em sua defesa e também a criação de outras como o Banco do
Brasil, o Jardim botânico e a Real Brigada da Marinha. As instituições militares por sua vez,
possuíam regulamentação prórpria aos que seguiam a carreira das Armas, baseada nos pilares
básicos, ou princípios básicos, de Hierarquia e Disciplina (OLIVEIRA. 2008).
Ao chegar em “terrae brasilis”, a coroa tratou de organizar as bases do Estado, em
uma das leis, assinada pelo próprio Príncipe Regente, Cria o Conselho Supremo Militar,
através do Alvará de 1º de Abril de 1808:

Eu O Principe Regente faço saber aos que o presente Alvará com força de lei virem:
que sendo muito conveniente ao bem do meu real serviço, que tudo quanto respeita á
boa ordem e regularidade da disciplina militar [...] L Haverá nesta Cidade um
Conselho Supremo Militar, que en- tenderá em todas as materias que pertencião ao
Conselho de Guerra, ao do Almirantado, e ao do Ultramar na parte militar
somente[...] e isto mesmo se deverá entender a respeito do titulo do meu Conselho,
de que gozam os Conselheiros do Almirantado pelo Alvará de ô de Agosto de 1795
e o de 30 do mesmo mez e anno. (BRASIL. Alvará de 1º de Abril. 1808).

Dessa forma, o Conselho Supremo Militar é o primeiro tribunal Superior do Brasil,


além de julgamento dos crimes militares em última instância, tinha também como
competência, alguns atos administrativos como emitir cartas patentes de oficiais, atos de
nomeação e reforma de militares e emitia pareceres à coroa, quando consultado para esse fim.
Ao longo do tempo, sua nomeclatura foi alterada para Supremo Tribunal Militar pela
constituição de 1893, e regulamentada pela lei Lei nº 149, de 18-7-1893, Com a constituição
de 1934 passou a integrar o poder judiciário e com a Constituição de 1946 recebeu a atual
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nomeclatura de Superior Tribunal Militar. Ademais, somente nesta última Constituição citada,
a de 1946, foi criada a Justiça Militar Estadual.

1.1 Justiça Militar e a Constituição Federal de 1988.

Atualmente, a Justiça Militar da União está elencada como parte do poder jurdiciário,
conforme Artigo 92, inciso VI, sua organização interna no art. 122 a 124 da constituição
Federal. Se não, vejamos o que descreve o texto Constitucional:

Art. 122. São órgãos da Justiça Militar: I - o Superior Tribunal Militar;


II - os Tribunais e Juízes Militares instituídos por lei. Art. 123. O
Superior Tribunal Militar compor-se-á de quinze Ministros vitalícios,
nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a
indicação pelo Senado Federal, sendo três dentre oficiais-generais da
Marinha, quatro dentre oficiais-generais do Exército, três dentre
oficiais-generais da Aeronáutica, todos da ativa e do posto mais
elevado da carreira, e cinco dentre civis. Parágrafo único. Os
Ministros civis serão escolhidos pelo Presidente da República dentre
brasileiros maiores de trinta e cinco anos, sendo: I - três dentre
advogados de notório saber jurídico e conduta ilibada, com mais de
dez anos de efetiva atividade profissional; II - dois, por escolha
paritária, dentre juízes auditores e membros do Ministério Público da
Justiça Militar. Art. 124. à Justiça Militar compete processar e julgar
os crimes militares definidos em lei. Parágrafo único. A lei disporá
sobre a organização, o funcionamento e a competência da Justiça
Militar. (BRASIL. Constituição brasileira de 1988).

Como podemos observar, a organização e composição da justiça militar, mais


precisamente a composição do Superior Tribunal Militar nos dias atuais dá se pela
composição de Oficiais Generais das três Forças militares federais, Advogados, juízes
auditores e membros do Ministério Público Militar, formando assim, um plenário de 15
ministros vitalícios de diversas origens profissionais, todos indicados, com notável saber
jurídico. O constituinte, assim como nos demais Tribunais Superiores, diversifica seus
membros, evitando deste modo que sejam tomadas decisões puramente arbitrárias, colocando
as questões em pauta sob as diversas opiniões e fundamentos jurídicos, buscando dessa forma
estabelecer uma decisão mais justa. Cabe ressaltar ainda que o parágrafo único do artigo 124
dá ensejo a outra discussão: Qual o limite da lei, entenda-se aqui a legislação infra
constitucional, em estabelecer a competência da justiça militar? faremos uma análise
minuciosa do que já foi alterado por lei ordinária e o que pode ser modificado no próprio texto
constitucional.
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Em termos de alteração do texto constitucional, houve a EC nº 45, que modificou a


competência da Justiça Militar, conforme já havia sido feita de forma indireta pela lei nº
9.299/96, que alterou o art. 9º do Código Penal Militar, DL 1.001/1969. Dessa forma, crimes
dolosos contra a vida praticados por militares contra civis, passaram a ser de competência do
tribunal do júri justiça comum. Tal alteração tem fundamento claro de que se um militar,
pratica crime doloso contra a vida de civil, desde que não esteja em razão de nescessidade de
serviço e estrito cumprimento do dever legal, o texto o coloca como qualquer outro cidadadão
comum. Porém, tal redação sofreu nova mudança mais recente. A lei nº 13.491, de 2017, dá
ensejo a um novo panorama que, por sua vez, visa atender a segurança jurídica dos Militares
Federais quando estes atuam em operações de GLO. Para continuar, faz nescessário trazer a
este estudo, conceitos de Crime Militar e operação de Garantia da Lei e da Ordem.
(CAMPOS. 2005).

1. Atual Competência da JMU.


2.1 Conceito de Crime Militar e Operação de de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

Em primeiro lugar, O conceito de crime, dado pelo professor e doutrinador Cezar


Roberto Bittencourt (2012, p. 580), trás para o Direto Penal o conceito de Crime como todo
fato típico, antijurídico e culpável. Em síntese, é todo fato previamente estabelecido em lei
geral e abstrata, que por sua vez possui teor de atentado ao bem jurídico protegido pelo
ordenamento para um harmonioso convívio social e por fim culpável, como elemento
subjetivo. O crime militar, por sua vez, são os crimes previstos no Código Penal Militar, DL
1.001/1969. Deste modo, o legislador decidiu por utilizar-se da taxatividade para dar
definição e conceito ao crime militar (SILVA. 2011). O que distingue o crimes militares dos
crimes comuns, estão no bem jurídico a ser tutelado, que em suma, são os princípios basilares
de hierarquia e disciplina bem como a administração pública militatar. O art. 9º do CPM ainda
trás outros critérios gerais para estabelecer quando se trata ou não de crime sujeito a JM, seja
em razão do local ou da pessoa.
Outro conceito no qual se faz nescessário apresentar antes de dar continuidade,
é o das Operações de Garantia da Lei e da Ordem. A Carta Magna estabelece os princípios
constitucionais e regras gerais destinadas as Forças Armadas:

Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela
Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com
base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da
República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e,
por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.
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A garantia da Lei e da Ordem descrita neste artigo, está regulada na Lei


Ccomplementar Nº 97 de 1999 e no Decreto 3897 de 2001, que fixa as diretrizes das
Operações de GLO. Em uma definição trazida pelo Ministério da Defesa, no MD-33-10, trás
os seguinte conceito:

Operação de Garantia da Lei e da Ordem (Op GLO) é uma operação


militar determinada pelo Presidente da República e conduzida pelas
Forças Armadas de forma episódica, em área previamente
estabelecida e por tempo limitado, que tem por objetivo a preservação
da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio em
situações de esgotamento dos instrumentos para isso previstos no art.
144 da MD33-M-10 15/64 Constituição ou em outras em que se
presuma ser possível a perturbação da ordem (Artigos 3º, 4º e 5º do
Decreto Nº 3.897, de 24 de agosto de 2001).( Brasil. MD-33-10).

Como a própria definição já diz, trata-se de uma operação militar cuja


finalidade é assegurar a Ordem constitucional, a segurança, o funcionamento adequado das
instituições e proteção dos cidadãos em situação de fragilidade e saturação das forças
auxiliares em suas atribuições constitucionais. É de competência exclusiva da União a
situação de Intervenção Federal, porém pode ser solicitada por qualquer um dos poderes,
como podemos ver em diversos cenários de falha na segurança pública nos Estados da Bahia,
Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro, onde as Forças Armadas atuaram nesse
sentido. Além das situações descritas acima, atuaram também as tropas federais nas operações
de segurança durante eventos internacionais de grande vulto, como visita do Papa Francisco
em 2013. Copa do Mundo em 2014 e Olimpíadas de 2016. (Brasil. Ministério da Defesa.
Garantia da Lei e da Ordem. 2013).
A GLO possui um regramento próprio e diverso do que seria em caso de
operações de guerra, devido ao fato de que segurança pública e a atividade fim das Forças
Armadas são bem divesas em sua natureza. Dados esses conceitos, seguimos adiante na linha
de estudos.

2.2 Alteração feita pela Lei 13.491/17 à luz da Constitução.

A lei 13.491/17, como já foi dito anteriormente, alterou parte do dispositivo do art. 9
do CPM. A atual redação modificada do referido artigo encontra-se desta forma:

Art. 9º[...] II – os crimes previstos neste Código e os previstos na legislação penal,


quando praticados: [..] § 1º Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra
a vida e cometidos por militares contra civil, serão da competência do Tribunal do
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Júri. § 2º Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e
cometidos por militares das Forças Armadas contra civil, serão da competência da
Justiça Militar da União, se praticados no contexto: I – do cumprimento de
atribuições que lhes forem estabelecidas pelo Presidente da República ou pelo
Ministro de Estado da Defesa; II – de ação que envolva a segurança de instituição
militar ou de missão militar, mesmo que não beligerante; ou III – de atividade de
natureza militar, de operação de paz, de garantia da lei e da ordem ou de atribuição
subsidiária, realizadas em conformidade com o disposto no art. 142 da Constituição
Federal e na forma dos seguintes diplomas legais: a) Lei no 7.565, de 19 de
dezembro de 1986 - Código Brasileiro de Aeronáutica; b) Lei Complementar no 97,
de 9 de junho de 1999; c) Decreto-Lei no 1.002, de 21 de outubro de 1969 - Código
de Processo Penal Militar; e d) Lei no 4.737, de 15 de julho de 1965 - Código
Eleitoral. ” (BRASIL. Lei nº 13.491. 2017)

Tal redação possui finalidade de garantir segurança jurídica aqueles militares


que integram corpo de tropa utilizados nas diversas atividades não compreendidas como
finalisticas, ou seja, aquelas que atendem aos requisitos das operações de GLO incluindo as
operações de Paz desenvolvidas no exterior.
O cabe ressaltar que os militares exercem uma atividade de extrema importância no
que tange a defesa nacional e as atribuições do art. 142, bem como são vedados do exercício
de alguns direitos, tais como a greve e sindicalização bem como o a proibição de habeas
corpus nos casos de prisão disciplinar, que por sua vez também é caracteristica própria das
instituições militares.
Sendo assim, em uma operação de GLO, devido a sua temporariedade e restrição
quanto ao local de atuação, juntamente com o poder de polícia judiciária dado a tropa, exigem
por sua vez, que sejam tomadas medidas para efetivar o emprego das FFAA, mantendo sob o
controle do Estado, todas as diretrizes dessas operações, e em contrapartida, dar segurança
jurídica aos militares envolvidos. A alteração feita nessa lei não criou competência nova,
muito menos ofendeu o tribunal do júri, visto que este é atribuido aos crimes dolosos contra a
vida ocorridos em circunstancias diversas daqueles definidos pelo CPM. Para
exemplificarmos, um militar que, durante o serviço, visando a sua integridade física e a
integridade do aquartelamento que está ali sendo resguardado, que após todos os
procedimentos corretos para tentar evitar tal invasão e como último recurso, vir a alvejar um
invasor e este venha a morrer, não atuou puramente afim de matá-lo, mas entende-se aqui que
este atuou no estrito cumprimento do dever legal, conforme a doutrina criminalista descreve
como causa excludente de ilicitude, positivada na parte geral do Código penal brasileiro.
(GRECO. 2015)
Esse entendimento foi estendido para aqueles fatos ocorridos também quando as
tropas federais atuarem como “substitutas” das polícias, durante a GLO. O atual quadro
crítico de segurança pública no qual vive a nação exige que a atuação dos militares das Forças
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Armadas ocorram com mais frequência, o que se fez nescessário para a redação dessa nova
lei.
O que ocorreu com a nova redação dessa lei, foi uma ampliação da
competência da JMU, sendo aumentado o rol de crimes militares (ROTH. 2017, p3).
Seguindo com a linha de raciocínio, tal entendimento que tal alteração na lei, não atenta
contra os princípios constitucionais, vejamos a redação do art. 124 da CF: “Art. 124. à Justiça
Militar compete processar e julgar os crimes militares definidos em lei. (BRASIL.
Constituição brasileira de 1988)”.
Ou seja, a definição dos crimes militares, sempre dar-se-á por lei. Por tanto, o meio
empregado para alcançar o fim nescessário utilizado pelo legislador foi o correto dentro do
modelo jurídico do Estado Democrático de Direito no qual o Brasil está fundado.

2. Teses a favor do fim da Justiça Militar: Uma análise crítica.

A Justiça Militar gera polêmica em sua essência, talvez por tratar-se de um tribunal
especial, a pesar de estar inserida na constituição cidadã, muitos anseiam e criam teses com os
mais diversos fundamentos para a sua extinção. Nesse sentido, vejamos alguns destes.
Há em primeiro plano, a tese de redução de custos, já que a manutenção deste orgão da
justiça é onerosa aos cofres públicos. Dentro do plano de contas e orçamentos disponibilizado
pelo portal da transparência pública, no site do Conselho Nacional de Justiça, é possível
verificar e calcular o quantum do valor do orçamento anual de todos os Orgãos diretamente
ligados ao Poder Judiciário da União, ou seja, não levamos em conta aqui o orçamento
destinado aos órgãos das Justiças Estaduais.
Prosseguindo nossa linha de raciocínio, o orçamento efetivamente pago a JMU no ano
de 2017 foi de R$ 483.260.144,00, que corresponde a 1,48% do valor no montante da
somatória de todos os valores pagos Pelo Poder Judiciário da União, R$ 42.097.615.480,00.
(Fonte: CNJ). Comparando com os gastos da Justiça do Distrito Federal e Territórios, no
mesmo exercício orçamentário, os valores correspondem a 6,44% do Total, 5,6 vezes mais
onerosa que a JMU.
Com a extinção dos Tribunais Militares e o STM os encargos como o pagamento dos
vencimentos dos Ministros Militares, juízes e de procuradores de justiça bem como os de
aposentados e pensionistas, além dos funcionários que seriam absorvidos pelo Poder
Judiciário permaneceriam os mesmos (MORENO. 2000).
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Outro argumento defendido por há ainda em se falar que há teses de que a justiça
militar como um todo deva ser extinta por tratar-se de Tribunal de Exceção, palco de
impunidade que valida a violencia policial. (ROSA, 1999).
Neste contexto então, não há o de que se falar. O poder constituinte na elaboração da
Constituição Cidadã, manteve a Justiça Militar. Pode-se falar em justiça especial, visto que
sua função está atrelada à atividade militar em razão de seus princípios peculiares, já trazidos
neste presente trabalho, e não aos militares. Neste sentido, diz Gonçalves Dias Moreno:

Assim, a Justiça Militar é um órgão constitucional, que existe em função da


condição de militar do integrante da instituição militar e não em função da classe
militar. O fato da organização militar possuir como sustentáculo, os princípios de
hierarquia e disciplina que visam preservar a própria instituição militar, bem como a
ética profissional em respeito às instituições democráticas, e o de ter por escopo à
manutenção da ordem no Estado, preservando a segurança do cidadão e de seus
bens, torna necessária a existência de um ordenamento jurídico particular e de uma
Justiça especial militar que entenda os reais fins destas instituições, para que as
normas sejam aplicadas de forma rígida, mas sempre com respeito aos princípios
que regem a instituição militar. Esse respeito aos princípios não atenua o rigor,
muito pelo contrário, fortalece a seriedade com que deve ser tratado o múnus militar.

Por fim, cabe ressaltar que a atuação da Justiça Militar se demonstra nescessária e
eficaz como vem demonstrando ao longo das décadas. Nossa sociedade hoje carece de uma
efetiva atuação do poder legislativo para alcançar melhorias nos mais diversos setores
públicos e com a justiça militar o cenário não é diferente.
Ademais, retirar o “manto de obscuridade” à respeito da Justiça militar, assim como o
do próprio Direito Militar, depende de melhorias no própria Academia nos estabelecimentos
de Ensino Superior do País, por tratar-se de uma matéria não obrigatória em grande parte
destas, o que limita de forma significativa a formação de uma base adequada, o que
impossibilita um debate mais crítico e fundamentado à cerca do tema. (ROSA, 1999).

3. Uma nova competencia: Poderia a Justiça Militar possuir uma competência cível
para processar e julgar atos administrativos emanados das Forças Armadas?

A Emenda Constitucional 45/2004 trouxe outra mudança atinente ao direito militar,


mais especificamente, a Justiça Militar dos Estados, alterando o artigo 125, §4º, da Carta
Magna, estabelecendo nova competência as Justiças Militares Estaduais, dessa forma ficando
assim referido texto:

§ 4º Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os militares


dos Estados, nos crimes militares definidos em lei e as ações judiciais
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contra atos disciplinares militares, ressalvada a competência do júri


quando a vítima for civil, cabendo ao tribunal competente decidir
sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das
praças. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004).
(BRASIL. Constituição brasileira de 1988).

O texto constitucional neste ponto, limitou a atuação na esfera cível da JME as


ações decorrentes de atos disciplinares, o que implica citar, que não caberá, a apreciação de
qualquer ato derivado da administração pública militar. Neste sentido, é possível afirmar que
tais atos derivam da Disciplina. Hierarquia e Disciplina, como já citados neste presente
trabalho, compõem os princípios basilares das instituições militares. (ROCHA, 2010).
Para melhor conceituar o que são hierarquia e disciplina militar, encontra-se
assim escrito o texto contido no art. 14, §2º do Estatuto dos Militares, lei 6.880/80:

Art. 14. A hierarquia e a disciplina são a base institucional das Forças Armadas. A
autoridade e a responsabilidade crescem com o grau hierárquico. § 1º A hierarquia
militar é a ordenação da autoridade, em níveis diferentes, dentro da estrutura das
Forças Armadas. A ordenação se faz por postos ou graduações; dentro de um mesmo
posto ou graduação se faz pela antigüidade no posto ou na graduação. O respeito à
hierarquia é consubstanciado no espírito de acatamento à seqüência de autoridade. §
2º Disciplina é a rigorosa observância e o acatamento integral das leis,
regulamentos, normas e disposições que fundamentam o organismo militar e
coordenam seu funcionamento regular e harmônico, traduzindo-se pelo perfeito
cumprimento do dever por parte de todos e de cada um dos componentes desse
organismo. § 3º A disciplina e o respeito à hierarquia devem ser mantidos em todas
as circunstâncias da vida entre militares da ativa, da reserva remunerada e
reformados..(BRASIL, Estatuto dos Militares.1980).

Já o controle da disciplina é realizado por outro princípio básico das


instituições castrenses, a hierarquia. Nesse contexto, tal controle dá-se com os superiores
hierárquicos possuiem o poder e a autoridade de fiscalizar a conduta dos seus subordinados
dentro do pleno acatamento do ordenamento jurídico e regras nas quais estão sujeitos tais
agentes da administração pública. Por tanto, o não cumprimento de tais regras, fere o
regulamento disciplinar, que a partir deste, resguardado o direito de ampla defesa e
contraditório, será passivel de sanção disciplinar, previamente estabelecida em regulamento.
(FILHO, 2005)
Nesse sentido, não caberia a justiça militar da união a revisão de atos
administrativos oriundos das sanções disciplinares, e somente a este, a possibilidade de
revisão? A resposta para tal pergunta veio junto com o Projeto de Emenda Constitucional.
PEC n° 358/2005 ao art. 124, que estabelece uma nova competência à Justiça Militar da
União, somente no tocante ao controle judicial sobre os atos punitivos. O novo texto proposto
pela EC segue com a seguinte redação: “Art. 124. À Justiça Militar da União compete
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processar e julgar os crimes militares definidos em lei, bem como exercer o controle
jurisdicional sobre as punições disciplinares aplicadas aos membros das Forças
Armadas.”(BRASIL, PEC 358/2005).
Com esta redação, passaria à Justiça Militar da União realizar o controle de legalidade
das punições sancionadas na esfera administrativa militar. Nada mais justo, já que os juízes-
auditores e militares possúem mais subsídios para rediscutir, validar ou anular atos
adminstrativos dessa natureza, se equiparados aos juizes federais, proporcionando assim aos
militares, um dos direitos básicos do art. 5º da Constituição federal, em seu inciso XXXV,
onde estabelece que "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a
direito".
O fato de que o ato revisto possa prejudicar a situação jurídica de quem esteja
atualmente exercendo funções militares não confere ao ato de controle da legalidade a
natureza disciplinar. Mesmo após o militar entrar no exercício de funções militares, pode a
Administração rever os seus atos em face do controle da legalidade. Nesse sentido, a Súmula
473 do Supremo Tribunal Federal dispõe que “a Administração pode anular seus próprios
atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos
[...]”.afirma Fernando Galvão (2011, p.10).
No entanto, há de se considerar neste ponto que a Justiça Militar proporciona maior
celeridade em seus processos, o que é de interesse tanto para o demandante quanto para a
demandada. Ações que se prolonguem com o tempo podem aumentar os seus valores
decorrentes da sentença, dando ao Estado o dever de idenizar um montante maior, se assim o
juiz entender os efeitos de uma sanção disciplinar que julgou ser nula em relação a vida
profissional de determinado militar.

4. Conclusão.

Por fim, fica claro que a discussão que rodeia o tema enseja horas de debate e análise
minuciosas, dentro dos limites cinentíficos da doutrina do Direito e da Administração pública,
respeitando os princípios basilares da Constituição Federal.
Mesmo diante dos desafios e das opiniões contrárias, os argumentos apresentados a
favor de uma reforma da Justiça Militar possuem um peso considerável e capaz de dar
resposta ao objetivo deste presente trabalho.
O poder legislativo possui em suas mãos uma solução que está em trâmite há anos no
parlamento, e não se sabe quando será colocada em pauta afim de dar cabo a essa discussão,
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seja por acrescer a competência da Justiça Militar da União ou anular o projeto de emenda
contitucional 358/2005.
Para isso, cabe a sociedade exirgir mais de seus legisladores nos quais lhe outorgaram
o poder do povo através do voto e isso se traduz na participação ativa da sociedade como um
todo nas políticas nacionais de forma que não seja apenas espectador de um grande teatro que
se chama parlamento.
O debate do Tema nos dias atuais gera uma grande polarização quanto ao futuro da
justiça militar no Brasil, muitos defendem o fim da justiça militar, por considerarem
retrógrada e desnecessária no aparato do poder judiciário atual. Outros defendem um melhor
uso e aperfeiçoamento da mesma, visto que a carreira pública militar se difere, e muito, das
outras carreiras públicas e privadas por sua especialidade, possuindo estatuto próprio, e
exceções a diversos regramentos de direitos fundamentais para os membros das Forças
Armadas, devido ao seu emprego, a rigidez, disciplina e hierarquia, ditas retrógradas por
muitos, são extremamente necessárias em casos de calamidade pública, guerras externas e
garantia dos poderes institucionais, já que são em suma, último recurso do Estado
Democrático de Direito, conforme prevê a Carta Magna, e da nação brasileira como um todo,
para a manutenção, segurança e defesa destes.
Por tanto, estudar e definir novos horizontes para a justiça militar, significa também
colocar novas diretrizes e ideais a justiça no Brasil como um todo. Atendendo a demanda
constante do emprego dos Militares e da tão buscada Segurança Jurídica para com seus
Agentes, que em defesa da Nação, se colocam diante das mais diversas situações de perigo,
com renúncia até da própria vida, conforme o juramento que todos os militares proclamam
diante da Bandeira nacional.
19

9 CRONOGRAMA

Ano:
Mar. Abril. Maio. Junho. Julho.
Pesquisa Bibliográfica X X X
Encontros com o Orientador X X
Ajustes no plano provisório X X
Redação X
Entrega da primeira versão X
Submissão da versão definitiva ao orientador X
Revisão X
Entrega da versão definitiva X
Preparação da defesa
Defesa
20

REFERÊNCIAS:

BITTENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal: parte geral, 1/– 17. ed. rev.,
ampl. e atual. De acordo com a Lei n. 12.550, de 2011. – São Paulo :Saraiva, 2012.

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GALVÃO, Fernando. Competência cível da Justiça Militar estadual / Fernando A. N.


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ROCHA, Fernando Antonio Nogueira Galvão da. Competência cível da Justiça Militar
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