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Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício


ISSN 1981-9900 versão eletrônica
P e r i ó d i c o d o I n s t i t u t o B r a s i l e i r o d e P e s q u i s a e E n si n o e m F i s i o l o g i a d o E x e r c í c i o
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TREINAMENTO RESISTIDO COM PESOS NO TRATAMENTO DA


OSTEOPOROSE EM MULHERES
1,2 1,3
Silvia Martins Crispim , Tamara Fernanda Silva ,
1,4 1
Ivana Rodrigues Souza ,Rafaela Liberali

RESUMO ABSTRACT

Com o aumento da expectativa de vida, houve Resistance training on osteoporosis treatment


um aumento das doenças crônico- in women
degenerativas, entre elas a osteoporose.
Distúrbio osteometabólico, caracterizado pela With the increase in life expectancy, there was
diminuição da densidade mineral óssea an increase in chronic degenerative diseases,
(DMO), com deterioração da microarquitetura including osteoporosis. A bone metabolic
óssea, levando a um aumento da fragilidade disturbance, characterized by the reduction of
esquelética e do risco de fraturas. Essa bone mineral density, with deterioration of
patologia é apontada mundialmente como um bone micro architecture, taking to an increase
grave problema de saúde pública, acometendo of the bone fragility and breaking risks. This
principalmente as mulheres. A utilização do pathology is pointed worldwide as a serious
treinamento resistido com pesos no tratamento problem of public health, affecting mainly
da osteoporose, quando comparado a outro, women. The use of resistance training in the
vem sendo apontado como melhor promotor treatment of osteoporosis, as compared to
osteogênico, devido às ações mecânicas que others, has been identified as best osteogenic
este proporciona. Diante do exposto, este promoter because the mechanical actions that
estudo caracteriza-se como uma pesquisa provides. Given the above, this study is
bibliográfica, com objetivo de apresentar as characterized as a bibliographic search, with
influências do treinamento resistido com pesos the aim of presenting the influences of
no tratamento da osteoporose em mulheres. resistance training in the treatment of
Dessa forma, contribuir com o meio científico e osteoporosis in women. Thus, contributing to
principalmente com os profissionais da saúde, the scientific way and mainly with the health
para que os mesmos estabeleçam a melhor professionals, so that they establish the best
prescrição de exercícios físicos a esta prescription for physical exercises to this
população. Concluímos que o treinamento population We conclude that the resistance
resistido com pesos tem demonstrado training has shown positive influence on the
influência positiva na manutenção e até maintenance and even on possible increases
mesmo em possíveis aumentos da densidade in bone mineral density, providing an
mineral óssea, proporcionando uma melhora improvement in muscular strength and
da força muscular e do equilíbrio, tornando balance, thus making this exercise a great ally
assim este exercício um grande aliado no in the treatment of osteoporosis.
tratamento da osteoporose.
Key words: resistance exercise training,
Palavras Chaves: Treinamento resistido, osteoporosis, osteogenic, bone mineral density
Osteoporose, Osteogênico, Densidade Mineral (BMD).
Óssea.
Endereço para correspondência:
1 - Programa de Pós- graduação Latu-senso silvia_mcrispim@hotmail.com
em Fisiologia do Exercício: prescrição de tamarapersonal@hotmail.com
exercício da Universidade Gama Filho – UGF. ivanaadagi@hotmail.com
2 - Licenciada em Educação Física pela Rua: Nereu Ramos, 1021, Apto 103
Universidade do Extremo Sul Catarinense – Braço do Norte – Centro - SC / Cep: 88750-
UNESC. 000
3 - Licenciada em Educação Física pela
Universidade Federal de Santa Catarina – 4 - Licenciada em Educação Física pela
UFSC Fundação Educacional de Criciúma – FUCRI.

Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.2, n.7, p.97-109. Janeiro/Fev. 2008. ISSN 1981-9900.
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INTRODUÇÃO Este artigo teve como objetivo


apresentar a influência do treinamento
resistido com pesos no tratamento da
A osteoporose é uma doença osteoporose em mulheres. Dessa forma,
metabólica do tecido ósseo, caracterizada por contribuir com o meio científico e
perda gradual de massa óssea, que principalmente com os profissionais da saúde,
enfraquece os ossos, por deterioração da para que os mesmos estabeleçam o melhor
microarquitetura tecidual, tornando-os mais programa de exercícios físicos a esta
frágeis e suscetíveis às fraturas (Guarniero e população.
Oliveira, 2004).
No Brasil, de acordo com o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ANATOMIA E FISIOLOGIA ÓSSEA
dos 7,540 milhões de idosos atualmente,
chega-se em 2020 a 17,9 milhões, dos quais
20% desenvolverão osteoporose (Almeida e O tecido ósseo é formado por duas
Rodrigues, 1997). porções uma orgânica e uma mineral. O
O pico de massa óssea geralmente colágeno e a substância fundamental fazem
não é alcançado antes de 30 anos e o estilo parte da porção orgânica. O colágeno
de vida é um importante determinante da representa 95% da parte orgânica. A
probabilidade de desenvolver mais tarde substância fundamental é onde estão imersas
osteoporose (Lanzillotti e colaboradores, as fibras colágenas, mucoproteínas e
2003). mucopolissacarídeos. As fibras colágenas
Além dos fatores hormonais, que contribuem muito para a resistência e
favorecem a osteoporose (Ocarino e elasticidade do osso. A porção mineral que
Serakides, 2006) a perda de massa muscular, confere a dureza e rigidez aos ossos (inclui
força muscular e massa óssea, ocasionados fosfato de cálcio (85%), carbonato de cálcio
pelo avançar da idade, são aceleradas pela (10%) pequenas quantidades de fluoreto de
falta de atividade física. O que caracteriza o cálcio e fluoreto de magnésio) (Miranda,
sedentarismo, como outro importante fator de 2006).
risco (Söot e colaboradores, 2005). As fibras colágenas do osso, como as
As evidências científicas demonstram dos tendões, têm grande força tênsil, enquanto
que os exercícios resistidos com pesos vêm os sais de cálcio exibem grande força
sendo apontados como melhor promotor compressiva. Essas propriedades
osteogênico quando comparado aos combinadas, juntamente com o grau de
exercícios aeróbios, devido às ações coesão entre as fibras colágenas e os cristais,
mecânicas que este proporciona (Elsangedy, resultam em estrutura óssea dotada de força
Krinski e Jabor, 2006). Dessa forma o tênsil e forças compressivas extremas (Gayton
treinamento resistido com pesos pode fazer e Hall, 2002).
parte integrante de um tratamento da De acordo com Dangelo e Fattini
osteoporose e promover possíveis aumentos (2005), o estudo do tecido ósseo distingue a
na quantidade de massa óssea (Cunha e substância óssea compacta e esponjosa. Na
colaboradores, 2007). O treinamento resistido substância óssea compacta, as lamínulas de
com pesos quando praticado com tecido ósseo encontram-se fortemente unidas
regularidade, pode aumentar a força muscular umas a outras pelas suas faces, sem que haja
com positivas repercussões na proteção espaço livre interposto. Por esta razão, este
contra as quedas, influenciando fatores de tipo é mais denso e rijo. Na substância óssea
risco relacionados com osteoporose (Jovine e esponjosa as lamínulas ósseas, mais
colaboradores, 2006). irregulares em forma e tamanho, se arranjam
Diante do exposto, este estudo de forma a deixar entre si espaços ou lacunas
caracteriza-se como uma pesquisa que se comunicam umas com as outras.
bibliográfica, pois levantou dados sobre Ainda no tecido ósseo encontramos
treinamento resistido com pesos e uma série de canais que o percorrem, são os
osteoporose em livros científicos, artigos canais de Havers aqueles que percorrem os
impressos e on-line, a partir do ano de 1995. ossos no sentido longitudinal e os canais de
Volkmann aqueles que partem da superfície

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do osso, percorrendo-os transversalmente segurança e acuradamente a densidade


(Miranda, 2006). óssea. A versão mais nova e acurada utiliza
O osso é um tecido multifuncional uma tecnologia denominada DEXA (Dual-
composto de três tipos celulares, os Energy X-ray Absortiometry). A osteoporose é
osteoblastos, osteoclastos e osteócitos. Os definida como uma queda da densidade óssea
osteoblastos são responsáveis pela síntese e de 30 % ou mais abaixo da densidade óssea
calcificação da matriz óssea. À medida que a média das pessoas saudáveis na terceira
matriz é sintetizada, os osteoblastos ficam década de vida (Nieman, 1999).
envoltos por ela e passam a ser chamados de Especialistas têm preconizado que o
osteócitos, cuja função é manter a viabilidade diagnóstico de osteoporose e os riscos de
do tecido ósseo e reabsorver a matriz e os fraturas sejam analisados pelo T-score, um
minerais do osso, mantendo constantes os valor correspondente à diferença entre a
níveis de cálcio extracelulares. Os densidade mineral óssea média de jovens
osteoclastos são células multinucleadas que normais e a do indivíduo examinado, dividido
têm como função principal promover a pelo desvio-padrão da média de jovens
reabsorção óssea. Por ser um tecido normais. Critérios da Organização Mundial da
multifuncional, o osso é responsivo a uma Saúde, (1) normal: -1; (2) baixa massa óssea
variedade de estímulos, dentre eles, os (osteopenia): -1 a -2,5; (3) osteoporose: < -
biológicos, os bioquímicos e biomecânicos 2,5; (4) osteoporose estabelecida: < -2,5 e
(ACSM, 1995; Ocarino e Serakides, 2006). pelo menos uma fratura por fragilidade óssea
Encontra-se sempre o osso revestido (Frazão e Naveira, 2006).
por delicada membrana conjuntiva, com Ossos fracos e osteoporosos têm
exceção das superfícies articulares. Esta contribuído de forma crescente para o número
membrana é denominada periósteo e de mortalidade e debilitação na velhice,
apresenta dois folhetos: um superficial e outro especialmente no mundo ocidental
profundo, este em contato direto com a (Nordström, Olsson e Nordström, 2006). A
superfície óssea. A camada profunda é osteoporose é a mais comum de todas as
chamada osteogênica pelo fato de suas doenças que atacam o tecido ósseo (Gayton e
células se transformarem em células ósseas, Hall, 1997) e por isso apontada como um
que são incorporadas à superfície do osso, grave problema de saúde pública em todo
promovendo assim o seu espessamento mundo. Nos Estados Unidos, é considerada a
(Dangelo e Fattini, 2005). maior causa de morbidade e mortalidade,
Muitos fatores estão envolvidos na especialmente em idosos, sendo responsável
formação, ou mineralização, do tecido ósseo, por 1,5 milhões de fraturas anualmente
incluindo o estresse mecânico, como o do (Chubak e colaboradores, 2006), com um
exercício; hormônio, como o paratormônio, a custo provável de 10 bilhões de dólares
calcitonina, a vitamina D (calcitriol) e o (Jovine e colaboradores, 2006). No Brasil, de
estrogênio e o cálcio da dieta. Um acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia
desequilíbrio em qualquer desses fatores pode e Estatística (IBGE), dos 7,540 milhões de
resultar em desmineralização óssea, causando idosos atualmente, chega-se em 2020 a 17,9
raquitismo em crianças e osteoporose em milhões, das quais 20% desenvolverão
adultos (Williams, 2002). osteoporose (Almeida e Rodrigues, 1997).
O pico de massa óssea geralmente
não é alcançado antes de 30 anos e o estilo
OSTEOPOROSE de vida é um importante determinante da
probabilidade de desenvolver mais tarde
osteoporose (Lanzillotti e colaboradores,
A osteoporose é uma doença 2003).
metabólica do tecido ósseo, caracterizada por Estudos de metabologia mostraram
perda gradual de massa óssea, que que a densidade óssea aumenta até os 30
enfraquece os ossos, por deterioração da anos de idade e declina conforme uma rede
microarquitetura tecidual, tornando-os mais complexa de fatores (Frazão e Naveira, 2006).
frágeis e suscetíveis às fraturas (Guarniero e Uma vez que o pico de massa óssea é
Oliveira, 2004). atingido, atividade dos osteoclastos e dos
Vários exames podem mensurar com osteoblastos permanece em equilíbrio até

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aproximadamente aos 45 - 50 anos, quando a quando, então, a condição clínica será


atividade osteoclástica torna-se maior e os denominada osteoporose primária. A
adultos começam a perder paulatinamente osteoporose poderá ocorrer também como
massa óssea (Nieman, 1999). Para Lianza e uma doença secundária a uma série de
Fonseca (1995), este declínio tem duas fases condições clínicas, como por exemplo,
distintas de perda de massa óssea e podem anormalidades endócrinas e neoplásias.
ser reconhecidas: uma fase lenta, relacionada A osteoporose primária é subdividida
com a idade que ocorre em ambos os em: TIPO I - Osteoporose pós-menopausa;
gêneros, e uma fase acelerada, que ocorre TIPO II - Osteoporose senil (relacionada com a
nas mulheres depois da menopausa. idade do indivíduo).
Muito ainda permanece por ser A osteoporose secundária pode
aprendido sobre a etiologia da osteoporose, no ocorrer nas seguintes condições clínicas:
entanto, para a mulher na pós-menopausa, hiperparatiroidismo, diabetes mellitus, ingestão
existem três fatores comuns contribuintes de corticosteróides, menopausa cirúrgica,
importantes: deficiência de estrogênio, tumores da medula óssea e mieloma múltiplo
ingestão inadequada de cálcio e atividade (Guarniero e Oliveira, 2004).
física inadequada. Embora o primeiro desses
itens seja um resultado direto da menopausa,
os dois últimos refletem os padrões Fisiopatologia da Osteoporose
alimentares e de exercício durante a vida.
(Wilmore e Costill, 2001).
A queda na produção dos estrogênios, Os 206 ossos vivos e dinâmicos do
característica do estágio de vida após a corpo renovam-se durante a vida por meio de
menopausa, é um fator que acelera a redução um processo de degradação-produção
da densidade mineral óssea. Isso faz das conhecido como remodelagem. Na
mulheres uma população especialmente remodelagem, sinais químicos complexos
suscetível à osteoporose (Jovine e estimulam as células ósseas denominadas de
colaboradores, 2006). O que vem ao encontro osteoclastos a degradar e remover o osso
com a afirmação de Gayton e Hall (2002), que antigo e outras células denominadas de
o estrogênio produz aumento da atividade osteoblastos a depositar osso novo (Nieman,
osteoblástica do osso. E depois da 1999).
menopausa, os ovários quase não secretam Segundo Caldore, Brentano e Kruel
mais estrogênio. Essa deficiência de (2005), esse processo ocorre ao longo da vida
estrogênio resulta em diminuição da atividade em ciclos de quatro a seis meses de duração.
osteoblástica; redução da matriz óssea e A osteoporose pode ocorrer por defeito na
deposição diminuída de cálcio e fosfato nos formação óssea, como é exemplo a
ossos. Entretanto, estima-se que dentro dos osteogênese imperfeita, ou por um
próximos 50 anos o número de homens desequilíbrio na relação entre a formação e a
acometidos pela osteoporose deve triplicar reabsorção ósseas, com predomínio desta
(Nordström, Olsson e Nordström, 2006), última (Canhão, Fonseca e Queiroz, 2004).
justificando a importância de medidas De acordo com o American College of
preventivas para ambos os gêneros. Sports Medicine - ACSM (1995), os eventos de
Além dos fatores hormonais, que remodelagem em condições normais são
favorecem a osteoporose (Ocarino e processos acoplados onde a formação
Serakides, 2006), a perda de massa muscular, acompanha a reabsorção. Todavia admite-se
força muscular e massa óssea, ocasionados que este processo seja ineficiente no
pelo avançar da idade, são aceleradas pela esqueleto adulto, onde apresenta pequenos
falta de atividade física. O que caracteriza o déficits na formação que persistem após ter
sedentarismo, como outro importante fator de sido completado um ciclo de remodelagem.
risco (Söot e colaboradores, 2005). Entende-se que o acúmulo desses déficits de
formação é responsável em parte pelas perdas
na massa óssea relacionadas ao
Classificação da osteoporose envelhecimento.

A osteoporose pode ser idiopática

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Fatores que desencadeiam a osteoporose fatores de risco para a adoção de medidas


preventivas é de extrema importância, pois
uma vez detectada a doença, as opções
Os fatores de risco para instalação da terapêuticas são limitadas financeiramente e
osteoporose são: idade; gênero; obesidade; implicam em algum risco (Krahe; Friedman e
inatividade física; consumo excessivo de Gross, 1997).
álcool, fumo, café, sal; falta de vitamina D; Segundo ACSM (2004), a reposição
deficiência de estrogênio e outros hormônios hormonal se destaca como sendo a melhor
responsáveis pela retenção de cálcio e terapia para a preservação da densidade
conseqüente manutenção do sistema ósseo; mineral óssea. Todavia, muitas mulheres têm
pouca exposição ao sol; mulheres claras e de hesitado em usar essa prática por uma
descendência européia; baixo peso corporal; variedade de motivos que oscilam desde o
histórico familiar de osteoporose; amenorréia desconforto causado pelos amplos efeitos
decorrente de exercícios intensos; colaterais ao medo de câncer, sugerindo que
nuliparidade; mulheres magras e pequenas; os riscos dessa terapia podem sobrepor-se
utilização de certas medicações como aos benefícios.
corticóides, esteróides, hormônios da tireóide; Para minimizar o risco de
distúrbios endócrinos; artrite reumatóide; desenvolvimento de níveis baixos críticos da
hepatopatia crônica; dietas intensas e densidade mineral óssea na maturidade
freqüentes com alto teor de proteínas, fósforo avançada, o pensamento corrente sugere que
e fibras, além de restringir a quantidade os indivíduos maximizem sua densidade
ingerida de cálcio e grandes períodos de mineral de pico na maturidade recente,
imobilização e repouso. É importante ressaltar quando eles são mais capazes de
que cerca de 60 a 80% da massa óssea é desempenhar as atividades físicas intensas
determinada geneticamente (Simões, 1995). que aumentam a densidade mineral óssea
(Simão, 2007).
A atividade física atua no osso por
Tratamento efeito direto, força mecânica, ou indireta,
mediada por fatores hormonais. Mas os
mecanismos pelos quais a atividade física
O tratamento da osteoporose pode ser melhora a massa óssea ainda não são
dividido em três tópicos, o tratamento totalmente conhecidos. Embora alguns
sintomático, tentando melhorar o quadro resultados sejam contraditórios, a literatura
doloroso e prevenindo possíveis não deixa dúvidas quanto aos efeitos
complicações; farmacológico, medicamentos benéficos dessa atividade sobre o tecido
anti-reabsorvitivos e os estimuladores da ósseo, tanto em indivíduos normais quanto na
formação óssea e o preventivo, como prevenção e tratamento da osteoporose
cuidados na juventude, para se prevenir contra (Ocarino e Serakides, 2006). Em especial,
a doença e aumentar a densidade da massa exercícios que desencadeiam contrações
óssea na fase pré e pós-menopausa, melhor musculares contra alguma forma de
os hábitos de vida, prevenir as deformidades e resistência externa, geralmente pesos,
as fraturas (Lianza e Fonseca, 1995). denominados em português de treinamento
O objetivo primário do tratamento da com pesos, ou de força, ou contra-resistência
osteoporose é a prevenção. Devemos dar (Jovine e colaboradores, 2006).
ênfase à fase de formação máxima de massa
óssea, o “pico de massa óssea”, que ocorre
entre os 20 e os 30 anos de idade (Guarniero TREINAMENTO RESISTIDO COM PESOS E
e Oliveira 2004). OSTEOPOROSE
Essa fisiopatologia é multifatorial e
pode ser influenciada por uma série de outros
fatores como baixo nível de atividade física, Para Simão (2007), o exercício cria
alterações endócrinas (concentração de forças mecânicas que causam deformação de
estrógeno), baixa ingestão de cálcio, abuso de regiões específicas do esqueleto. Essas forças
álcool, baixa exposição à luz solar e outros podem ser de curvatura, compressiva ou
(Kasper, 2004). A determinação desses criadas por contrações musculares na

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inserção tendinosa de um músculo no osso. apesar de mantido os exercícios durante as


Em resposta à carga mecânica, as células viagens espaciais. As forças de compressão
ósseas chamadas osteoblastos migram para a são realizadas por atividades de impacto, por
superfície do osso que está experimentando o descarga de peso e carga exercida pelos
esforço e começam o processo de modelagem tendões e músculo sobre os ossos, daí a
ósseo. Isto é reforçado pela lei de Wolff de importância do exercício para a manutenção
1892, à qual enuncia que a remodelação do da integridade do tecido ósseo.
osso é influenciada e modulada pelo estresse Sabe-se, que exercícios de alto
mecânico (Nordin e Frankel, 2003). impacto são benéficos ao osso, pois a carga
A teoria mais aceita para explicar a mecânica estimula tanto o desenvolvimento
estimulação da atividade osteoblástica muscular quanto o ósseo (Heinonen,1996).
proporcionada pela força mecânica considera Pesquisas em humanos e animais têm
que osso reage como um cristal piezoelétrico sugerido que as contrações musculares
que transforma o estresse mecânico em resultantes da vibração mecânica podem
energia elétrica. As modificações elétricas aumentar o volume e qualidade dessa
estimulam o acúmulo de cálcio por parte dos estrutura. Entretanto ainda não se conhece a
osteoblastos (Mcardle; Katch e Katch, 2003). quantidade ideal de exercícios para a
Gayton e Hall (2002) relatam que a otimização desses efeitos (Chubak, 2006).
deposição do osso é regulada pela quantidade As evidências indicam que o
de força que está sendo aplicada. Isto é, treinamento resistido com pesos pode fazer
quanto maior a carga mecânica a que estão parte integrante de um tratamento da
submetidos os ossos, tanto mais se ativam os osteoporose e promover possíveis aumentos
osteoblastos, estimulando o crescimento na quantidade de massa óssea (Cunha, 2007).
ósseo. Segundo Nieman (1999), para que o Segundo Wilmore e Costill (2001),
osso torne-se maior e mais denso, a pressão estudos do treinamento de força realizado em
deve ser maior e além dos níveis normais. mulheres mais velhas sugerem que a perda
A aplicação apropriada dos princípios óssea associada à menopausa pode ser
de sobrecarga do sistema musculoesquelético atenuada ou mesmo revertida com esse tipo
e o aumento progressivo da carga, quando os de treinamento. Por ser uma atividade que
tecidos tornam-se acostumados ao estímulo, têm como princípio o aumento progressivo das
são as chaves para aumentar a força do osso cargas, é mais efetiva para estímulo
e do tecido conjuntivo. A massa total de um osteogênico do que aquelas atividades cuja
músculo reflete a força que o músculo é capaz base do treinamento é somente o número de
de exercer nos ossos ao qual ele está ligado. repetições de exercícios (Simão, 2005).
Numerosos estudos têm demonstrado uma O ACSM (1995), estabeleceu que
correlação positiva significativa entre a cinco princípios devem ser considerados na
densidade mineral óssea, a força e a massa avaliação do sucesso de um programa de
da musculatura atrelada. Atividades que exercício na prevenção e tratamento da
estimulam a hipertrofia muscular e ganho de osteoporose (por exemplo, levantamento de
força parecem estimular o crescimento do peso): Princípio da especificidade, princípio da
osso e o tecido conjuntivo associado (Simão, sobrecarga, princípio da reversibilidade,
2007). princípios dos valores iniciais e princípios de
Segundo Hawkins e colaboradores, redução dos ganhos.
(1999), o treinamento muscular excêntrico é
mais osteogênico que o treinamento muscular
concêntrico. Os resultados de estudos PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO PARA
sugerem que o treinamento muscular PESSOAS COM OSTEOPOROSE
excêntrico é mais eficiente por realizar maior
produção de força, quando comparado com
treinamento muscular concêntrico. Existe o questionamento de qual,
De acordo com Converso (2004), um dentre tantos exercícios físicos, é o mais
dos principais requisitos para a formação eficiente para a prevenção e o tratamento da
óssea é a força da gravidade, sendo verificado osteoporose. Para o ACSM (1995), o
em astronautas, quando do retorno a terra, treinamento com peso é essencial para o
uma perda de massa óssea significativa,

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desenvolvimento normal e a manutenção de uma influência positiva na densidade mineral


um esqueleto saudável. óssea de mulheres pós-menoupausa, mas
Segundo Madureira e colaboradores, com poucas evidências científicas, diferente
(2006), existe uma relação direta entre a da natação, que tem pouca resposta
diminuição do equilíbrio e a incidência de osteogênica em razão dos praticantes ficarem
quedas na terceira idade, especialmente nos em posição horizontal e sem estímulo
idosos com osteoporose. Essas quedas estão mecânico (Balsamo e Simão, 2005).
consequentemente, associada às altas taxas Resultados de vários estudos que
de mortalidade e morbidade, requerendo investigaram o efeito da caminhada
também uma intervenção médica de alto demonstram que essa atividade, comumente
custo. Dessa forma o exercício é importante recomendada para as mulheres na pós-
na manutenção funcional da independência ao menopausa, não previne a perda óssea.
longo da terceira idade devido ao aumento da (Nieman, 1999).
força muscular, equilíbrio e coordenação, O ACSM (1995) acrescenta que
diminuindo os fatores de risco para quedas e apesar de a atividade com sustentação do
consequentemente fraturas, necessitando de peso ser essencial para o desenvolvimento
menos ajuda para realizar as atividades físicas normal e a manutenção de um esqueleto
do cotidiano e assim, melhorando sua sadio, a atividade física não pode ser
qualidade de vida (Aveiro e colaboradores, recomendada como um substituto para a
2006). terapia de reposição hormonal por ocasião da
Segundo Elsangedy, KrinskI e Jabor menopausa. Segundo seu posicionamento,
(2006), as evidência científicas demonstram cargas funcionais proporcionadas pela
que os exercícios resistidos com pesos vêm atividade física têm uma influência positiva
sendo apontados como melhor promotor sobre a massa óssea nos seres humanos. O
osteogênico quando comparado aos grau dessa influência e os tipos de programas
exercícios aeróbios, devido às ações de exercício físico que induzem o estímulo
mecânicas que este proporciona. osteogênico mais efetivo ainda são,
Para os adultos, os especialistas têm entretanto, controversos.
estabelecido essas recomendações para
ajudar a preservar o osso: tipo de atividade, de
resistência que sustentem o peso corporal PESQUISAS ENVOLVENDO ATIVIDADE
como tênis, caminhada, atividades que FÍSICA E OSTEOPOROSE
envolvam saltos e exercícios de força (levantar
pesos), realizados em intensidade moderada a
alta e com uma freqüência de atividades que Foram achados na literatura 9 estudos
sustentem o peso corporal de 3 a 5 vezes por envolvendo treinamento resistido com pesos e
semana, exercícios de resistência 2 a 3 vezes osteoporose que atendem os critérios de
por semana com a duração de 30 a 60 inclusão dessa revisão, 100% dos estudos
minutos por dia combinados (ACSM, 2004). envolveu mulheres na faixa etária entre 18 a
A atividade física com carga tem mais 72 anos.
efeito sobre ossos do que as que não recebem Uma das grandes divergências,
carga, como bicicleta e natação. Tem-se observadas nos trabalhos selecionados nesta
verificado a vantagem da atividade física com revisão, se deve talvez, aos diversificados
carga sobre a atividade aeróbica em métodos de treinamento resistidos com pesos
indivíduos idosos, onde grande parte da que foram utilizados, assim como a
população já apresenta osteoporose associação destes com outras atividades
associada, o que contra-indica ou limita físicas. Além, das diferenças nas variáveis do
exercícios (Consenso Brasileiro de treinamento, como: tipo de exercício aplicado,
Osteoporose, 2002). volume (número de séries e repetições),
O treinamento de força demonstra um intervalo entre séries e exercícios, intensidade
efeito direto sobre a massa óssea. Porém (de 40 a 90% de 1RM), freqüência (de 2 a 7
indiretamente, tem maior influência, vezes na semana) e o período de duração da
melhorando equilíbrio, força, mobilidade, intervenção (3 a 14 meses).
coordenação e a marcha, reduzindo possíveis Esses fatores, somados ao nível de
quedas. A hidroginástica, também parece ter treinamento da amostra, a faixa etária que

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variou de 18 a 72 anos, a utilização de Os autores apontam o ganho de força


suplementação e de terapia de reposição muscular como significativo resultado obtido
hormonal foram determinantes ao caracterizar nas pesquisas. Somado aos demais benefícios
a complexidade desta revisão. Entretanto, os apresentados como melhor equilíbrio,
estudos analisados tenderam a apresentar velocidade da marcha, mobilidade, resistência
resultados bastante similares. Dentre os quais e qualidade de vida, o treinamento resistidos
pode - se observar o aumento da força com pesos indiretamente se torna um aliado
muscular e alterações relevantes na no tratamento da osteoporose diminuindo a
densidade mineral óssea. incidência de quedas com conseqüentes
Em contraste com os demais estudos fraturas.
Bembem e colaboradores, (2000); Humphries Os resultados também apresentam
e colaboradores, (2000); Mullings e Sinning uma relevante alteração na densidade mineral
(2005); Chien e colaboradores, (2005) em óssea, com um aumento ou estabilização da
seus estudos, não obtiveram alterações mesma nas mulheres que faziam exercício e
significativas da densidade mineral óssea. um declínio no grupo controle, comprovando a
Acredita-se que o tempo de duração destes eficiência do treinamento resistido com pesos
estudos tenha sido um fator limitante dos no tratamento da osteoporose.
resultados obtidos. Todos eles foram Bemben e colaboradores, (2000), em
realizados por um período de tempo inferior a seu estudo comparou o efeito do treinamento
6 meses. Como os ciclos da remodelação resistido com pesos de baixa intensidade e
óssea levam de 4 a 6 meses para se alta repetição (40% de 1 RM, 3 séries de 16
completar, talvez, fosse necessário um tempo repetições), com o treinamento resistido com
adicional para a mensuração da densidade pesos de alta intensidade e baixa repetição
mineral óssea. (80% de 1 RM, 3 séries de 08 repetições).
Além da curta duração de 6 meses, os Estes não apresentaram aumento na
resultados não significativos sobre a densidade mineral óssea, mas resultaram em
densidade mineral óssea apresentados nos aumento da força muscular. Os achados
estudos de Humphries e colaboradores, (2000) demonstram que quanto maior a magnitude da
e Bemben e colaboradores, (2000), podem ser carga, maior o estímulo para o crescimento do
justificados pelo princípio dos valores iniciais. osso. Considerando que exercícios que
Os indivíduos com os níveis mais baixos de resultam em ganho de força são favoráveis à
densidade mineral óssea possuem uma maior estabilização da perda óssea ou seu
capacidade de aprimoramento percentual nos acréscimo, um treinamento com a intensidade
estudos de treinamento; aqueles com uma mais baixa pode ser benéfico e mais seguro
massa óssea média ou acima da média para mulheres que apresentam contra
possuem a menor capacidade. As amostras, indicação para um treinamento de alta
também formadas por mulheres que não se intensidade.
encontravam na menopausa e cujo faixa etária Os benefícios para aumento da força
era de 41 a 65 anos, poderiam estar muscular, com uma intensidade mais baixa
apresentando um valor na densidade mineral (50% de 1 RM) também são observados nos
óssea inicial alto. estudos de Aveiro e colaboradores, (2006) e
O estudo realizado por Hawkins e Kemmler e colaboradores, (2002).
colaboradores, (1999), demonstra que o Os autores cujo tempo de pesquisa foi
treinamento muscular excêntrico é mais maior, Jessup e colaboradores, (2003) 8
osteogênico que o treinamento muscular meses, Hodes e colaboradores, (2000) 13
concêntrico. Considerando, a correlação meses e Kemmler e colaboradores, (2002) 14
significativa entre densidade mineral óssea e meses apresentaram resultados positivos no
força muscular é de se deduzir que o aumento da densidade mineral óssea,
treinamento muscular excêntrico é mais sugerindo a importância de uma padronização
eficiente por estar associado a maior produção de estudos apara analise e resultados mais
de força. conclusivos.

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APRESENTA – SE NA TABELA 1, ALGUNS ESTUDOS ENVOLVENDO O TREINAMENTO


RESISTIDO COM PESOS E A OSTEOPOROSE.
Autores Amostra Procedimentos e Suplementa- Métodos de Resultados
duração ção e/ou TRH avaliação
Jessup e 18 mulheres Treinamento de Ambos Absorciometria Aumento na
colaborado- com media Força periodizado suplemen- radiologica por densidade mineral
res (2003) de 69 anos de 50 a 75% de tados com raio-X de dupla óssea do colo
1RM 8 meses / 3x Cálcio e energia (DEXA) femoral: 1,7% e
semana versus vitamina D melhora do
grupo controle equilíbrio
Humphries 64 Treinamento de Cada um dos Concentração Aumento da força
e mulheres Força de 60 a 90% grupos foi sérica de muscular sem
colaborado- entre 45 e de 1RM versus subdividido osteocalcina e aparente alteração
res (2000) 65 anos caminhada com e sem absorciometria na densidade
6 meses/ 2x Terapia de radiologica por mineral óssea
semanas Reposição raio-X de dupla
Hornomal energia (DEXA)

Hodes e 44 mulheres Exercício de Absorciometria O estudo apontou


colaborado- sedentárias Resistência radiológica por significativas
res (2000) com média Progressiva 75% raio-X de dupla mudanças, na força
de 68,8 de 1RM (3 séries energia muscular e
anos de 8 repetições) x (Lunar DPX) mudanças relativas
grupo controle na densidade
13 meses/ 3x mineral óssea.
semana
Aveiro e 12 mulheres Alongamento mais Resultados
colaborado- com média Treinamento de sugerem uma
res (2006) de 68 anos Força de 50% de melhora no
e 1RM (10 equilíbrio,
diagnóstico repetições) velocidade de
de exercícios de marcha e força dos
osteoporose dorso-flexão e músculos do
flexão plantar tornozelo
versus grupo
controle
3 meses/ 3x
semana
Chien; Yang 28 mulheres Fortalecimento dos Absorciometria O programa pode
e Tsauo (pós- músculos radiológica por aumentar a força e
(2005) menopausa) extensores e raio-X de dupla mobilidade do
entre 60 e flexores do tronco energia DEXA tronco e melhorar a
70 anos (3 séries de 10 qualidade de vida
com rep) das participantes
diagnóstico 3 meses/7x sem
de
osteopenia
e/ou
osteoporose

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Kemmler e 100 Aquecimento mais Grupo Schnell-trainer, Melhoria da força,


colaborado- mulheres saltos mais intervenção e Schnell-M3 e resistência,
res (2002) (pos- treinamento de controle DXA parâmetro de
menopausa) força {TF de 50% receberam qualidade de vida e
com média 1RM (2 séries-20 cálcio e densidade mineral
de 55 anos repetições)} mais vitamnina D óssea da lombar de
alongamento 1,3%
14 meses/2x
semanas
Bemben e 25 mulheres TR 40% de 1RM Suplementa- Absorciometria Sem alterações
colaborado- (pos- (16 repetições) x ção de cálcio radiológica por significativas na
res (2000) menopausa) TF 80% 1RM (8 raio-X de dupla densidade mineral
entre 41 e repetições) X grupo energia (DXA) óssea de nenhum
60 anos controle dos grupos
6 meses/ 3x
semanas
Hawkins e 20 mulheres Treinamento de Dinamômetro Os resultados
colaborado- entre 20 e Força concêntrico (Kincom), apontam que o
res (1999) 23 anos (3 series de 4 absorciometria treinamento
repetições radiológica por muscular
máximas) versus raio-X de dupla excêntrico e mais
Treinamento de energia DEXA osteogênico que
Força excêntrico (3 concêntrico. O
séries de 3 treinamento
repetições excêntrico promove
máximas) versus aumento na
grupo controle densidade mineral
4,5 meses/dias não óssea do fêmur em
consecutivos 3,9 %.

Mullins e 24 mulheres Treinamento Suplementa- Concentrações Aumento da força e


Sinning entre 18 e resistido com pesos ção protéica de creatinina e massa magra sem
(2005) 29 anos entre 75-85% de versus cálcio urinário, mudanças
1RM (3 séries de 6- placebo osteocalcina significativas nos
10 repetições) sérica e alcalino marcadores do
3 meses/ 3x fosfatase. metabolismo ósseo
semanas) versus
período controle

TRH: terapia reposição hormonal TF: treinamento força ERP: exercício resistência progressiva TR:treinamento resistido

CONCLUSÃO para reduzir possíveis quedas e fraturas


osteoporóticas.
O treinamento resistido com pesos
Concluímos que o treinamento tem demonstrado ser mais efetivo para o
resistido com pesos tem demonstrado estímulo osteogênico, por ser uma atividade
influência positiva na estabilização e até física que tem como princípio o aumento
mesmo no aumento da densidade mineral progressivo das cargas. Importante também
óssea de mulheres com osteoporose. Os no tratamento da osteoporose por empregar
estudos apontam o treinamento resistido com exercícios que sobrecarregam diretamente
pesos como eficiente para o aumento da força, uma região particular do esqueleto,
do equilíbrio, da mobilidade articular, melhor desempenhando estímulos específicos de
qualidade de vida, contribuindo indiretamente maneira mais fácil e intensa.

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Conforme os estudos, mulheres mais


jovens também podem aumentar sua 6- Bemben, D.A.; e colaboradores.
densidade mineral óssea, sugerindo que estas Musculoskeletal responses to high and low-
maximizem sua densidade mineral de pico na intensity resistance training in early
maturidade recente, quando são mais capazes postmenopausal women. Med Sci Spor Exerc,
de desempenhar as atividades físicas v. 32, n.11, p.1949-57, 2000.
intensas, pois com o envelhecimento, em
qualquer idade determinada, vão apresentar 7- Cadore, E.L.; Bretano, M.A.; Kruel, L.F.M.
uma vantagem na reserva óssea, minimizando Efeitos da atividade física na densidade
os riscos relacionados à osteoporose. mineral óssea e na remodelação ósseo. Rev.
Segundo os achados, quanto maior a Bras. med. Esporte. V.11, n.6, 2005.
magnitude da carga, maior estímulo para o
crescimento do osso, mas, intensidades mais 8- Canhão, H; Fonseca, M.; Queiroz, V.
baixas de treinamento também apresentaram Diagnóstico e terapia da osteoporose na idade
capacidade de aumentar a densidade mineral pediatra. Acta Méd Port, 2004.
óssea e proporcionar ganhos de força
muscular podendo ser recomendados a 9- Chien M.Y.; Yang, R.S.; Tsauo, J.Y. Home-
mulheres com osteoporose para quem based trunk-strengthening exercise for
treinamento de alta intensidade é contra- osteoporotic and osteoporotic and osteopenic
indicado. postmenopausal women without fracture- a
Com base nos resultados pilot study.Clin Rehabil, v.19, p. 28-36, 2005.
apresentados pelos estudos não se pode tirar
conclusões decisivas para determinar qual o 10- Chubak, J.; e colaboradores. Effect of
mais eficiente método de treinamento resistido Exercise on Bone Mineral Density and Lean
com pesos para aumentar a densidade mineral Mass in Postmenopausal Women. Med Sci
óssea, mas estes servem como referência Spor Exerc, v. 38, n.7, 2006.
para elaboração de um programa de
treinamento para o tratamento de mulheres 11- Converso, M.E.R. Programa de Atividade
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Recebido para publicação em 27/01/2008


Aceito em 28/03/2008

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