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UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA 1

CENTRO DE COMUNICAÇÃO, EDUCAÇÃO, LETRAS E SECRETARIADO – CENCEL


DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
OIRAN BRAGA DOS SANTOS

RADIO COMUNITÁRIA:

INSTALAÇÃO E GERENCIAMENTO NO BAIRRO TANCREDO NEVES

BOA VISTA-RR

2002
UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA 2
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DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
OIRAN BRAGA DOS SANTOS

RADIO COMUNITÁRIA:

INSTALAÇÃO E GERENCIAMENTO NO BAIRRO TANCREDO NEVES

Projeto Experimental apresentado à


banca examinadora da Universidade
Federal de Roraima, como exigência
parcial para a obtenção do título de
Bacharel em Comunicação Social –
Jornalismo, sob a orientação da Prof.
Maria Dantas Nóbrega Albuquerque.

BOA VISTA-RR

2002
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TERMO DE AVALIAÇÃO

Aprovada em / /

BANCA EXAMINADORA

_____________________________________________________

Profª.: Maria Dantas Nóbrega Albuquerque


_____________________________________________________

Profª.:

_____________________________________________________

Profª.:
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Dedico este trabalho ao saudoso


professor e amigo Alexandre Borges que
iniciou comigo este projeto. Ele, profundo
conhecedor do assunto e um confesso
apaixonado pelo radiojornalismo,
ajudando muitos colegas como eu a
descobrir essa paixão
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AGRADECIMENTOS

A Deus, por seu amor e compreensão incondicionais;

À minha esposa Leci, meus filhos Vitória, Guilhermi e Gisele, pela força e
paciência;

À professora Maria Dantas pela força dada, que não mediu esforços para
tornar possível a conclusão deste trabalho;

Aos professores da Universidade Federal de Roraima, pelos ensinamentos


e dedicação a mim conferidos.

Aos amigos Gutenberg Moura, Josué Araújo, Francineth Raposo e Selmar


Almeida pelos momentos de discussões, estudos, trabalhos, debates e embates
políticos que nos enriqueceram intelectual e socialmente.

À milha mãe, irmãos e sobrinhos foram muitas lutas juntas, muitas


batalhas vencidas, sempre contando com o apoio de todos;

Ao meu pai, apesar da distancia é sempre bom contar com os poucos,


porém ricos momentos;

Ao Departamento de Comunicação Social da UFRR;

A todos que contribuíram direta e indiretamente construção da minha


historia cultural e intelectual
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“Não há caminho favorável


para quem não sabe aonde
vai.”

Sêneca
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RESUMO

Os meios de comunicação e suas dimensões de interferência (a


televisão), é um tema que estuda a influência da televisão na cultura do povo
Macuxi da comunidade Santa Cruz. O contato com a tv se deu de fato com a
instalação da mesma na comunidade, em 2002. A partir daí vem exercendo
influência sobre seus moradores que, através de depoimentos, afirmam que a
televisão interferiu de forma positiva e negativa em sua cultura, sendo o aspecto
positivo de maior relevância, o que foi demonstrado na análise da pesquisa
realizada.
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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 10
CAPÍTULO I ....................................................................................................................... 12
1. ANTECEDENTES TEÓRICOS................................................................................... 12
1.1. OBJETIVOS ............................................................................................................. 12
1.1.1 Geral.................................................................................................................. 12
1.1.2 Específicos ....................................................................................................... 12
1.2 JUSTIFICATIVA ...................................................................................................... 12
1.3 METODOLOGIA ...................................................................................................... 14
CAPÍTULO II ...................................................................................................................... 16
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .................................................................................. 16
2.1 TEORIA DA COMUNICAÇÃO ............................................................................... 16
2.2 IDEOLOGIA E OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA ............................ 17
2.3 RÁDIO ....................................................................................................................... 20
2.2.1 Rádio no Brasil ................................................................................................ 20
2.3.2 Características ................................................................................................. 23
2.3.3 Vantagens e Desvantagens .......................................................................... 24
2.3.4 O papel do rádio .............................................................................................. 26
2.3.5 A voz no rádio .................................................................................................. 27
2.4 RÁDIOS PIRATAS, CLANDESTINAS E COMUNITÁRIAS................................ 28
2.4.1 Rádio Pirata ..................................................................................................... 28
2.4.2 Rádio Clandestina ........................................................................................... 29
2.4.3 Rádio Livre ....................................................................................................... 30
2.4.4 Rádio Comunitária .......................................................................................... 30
2.5. MEIOS DE COMUNICAÇÃO EM RORAIMA...................................................... 35
CAPÍTULO III ..................................................................................................................... 36
3. LEGISLAÇÃO E DIREITO A INFORMAÇÃO........................................................... 36
3.1 LEGISLAÇÃO .......................................................................................................... 36
3.1.1 Constituição Federal ....................................................................................... 36
3.1.2 Portaria 17/83 .................................................................................................. 38
3.1.3 Lei 9.612/98 (comentada) .............................................................................. 39
3.1.2– Medida Provisória Nº 2.143-32 ................................................................... 50
3.2 DIREITO À INFORMAÇÃO .................................................................................... 50
3.2.1 Pacto de San José de Costa Rica................................................................ 50
3.2.2 Decreto 678, de 06.11.92: ............................................................................. 51
CAPÍTULO IV .................................................................................................................... 54
4. ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS E INSTALAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS ....... 54
4.1 Transmissor ................................................................................................................ 54
4.2 - A Antena .................................................................................................................. 56
4.3 - Estúdio ..................................................................................................................... 59
4.3.1 Equipamentos de estúdio .............................................................................. 59
4.4. BRIEFING DO PROJETO RADIOFÔNICO........................................................... 60
4.4.1- Demanda:........................................................................................................ 60
4.4.2- Público Alvo: ................................................................................................... 60
4.4.3- Área de localização/Atuação: ...................................................................... 60
4.4.4- Nível intelectual: ............................................................................................. 61
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4.4.5- Articuladores:.................................................................................................. 61
4.4.6- Identificação de ruídos/feed-back: .............................................................. 61
4.4.7- Balanço Inicial: ............................................................................................... 61
4.5 ORÇAMENTO .......................................................................................................... 61
CAPÍTULO V ...................................................................................................................... 64
5. ANÁLISE DA PESQUISA ............................................................................................ 64
CRONOGRAMA................................................................................................................. 74
CONCLUSÃO ..................................................................................................................... 75
BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................. 76
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INTRODUÇÃO

A elaboração deste projeto, que tem como tema “Rádio comunitária:


instalação e gerenciamento de uma emissora no bairro Tancredo Neves”, é uma
forma de experimentação do que foi assimilado no curso de Comunicação Social,
em especial nas disciplinas: Comunicação Comunitária, Teoria da Comunicação I
e II, Comunicação Comparada e Estética e Cultura de Massa.

Tem como objetivo elaborar um a instalação e gerenciamento de uma rádio


comunitária na Associação de Moradores do bairro Tancredo Neves na cidade de
Boa Vista-RR, para divulgar a cultura, o convívio social e eventos locais; noticiar
os acontecimentos comunitários e de utilidade pública; promover atividades
educacionais e outras para a melhoria das condições de vida daquela
comunidade.

Este trabalho justifica-se devido à grande importância social para as


organizações sociais do bairro, bem como das regiões circunvizinhas, além do
que pode ser potencializado como um instrumento de educação popular e
também como mais um laboratório para o curso de jornalismo.

O rádio é um veículo de comunicação de importância significativa na vida


das pessoas. Uma de suas inúmeras vantagens é atingir lugares longínquos.
Consegue se fazer presente em todos os locais. Com tantas vantagens, a difusão
de músicas se torna um pequeno detalhe em sua programação.

Mas nos últimos tempos o veículo radiofônico sofreu significativas


mudanças. A maioria das programações perdeu qualidade; os investimentos
publicitários foram reduzidos bruscamente. Programas musicais passaram a
ocupar destaque, tornando-se, em muitos casos, o objetivo da emissora. Sua
contribuição ficou presa ao passado.
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Verifica-se a necessidade, nas emissoras brasileiras, de se dar os primeiros
passos em direção a uma rádio participativa, onde se coloque em prática os
resultados das pesquisas realizadas sobre o veículo radiofônico e as
comunidades que utilizam este meio de comunicação.

Segundo descobertas dos pesquisadores de comunicação, as pessoas


passaram a exigir informações sobre cultura, política, educação. Nesse sentido,
observa-se que a busca da cidadania é um reflexo de que o ser humano, mesmo
vivendo num mundo globalizado, está preocupado com as coisas que estão
acontecendo ao seu redor. A partir disso, percebe-se a necessidade de identificar
as necessidades da sociedade e preparar um projeto de comunicação que supra
estas lacunas.

É neste ponto que surge a idéia da rádio comunitária, uma forma de


democratização da comunicação, assim como uma alternativa de mercado. É o
que pretendemos demonstrar com a implementação deste projeto na capital de
Roraima, mais especificamente no bairro Tancredo Neves. Nesse sentido, são
definidos os objetivos, o público-alvo, escolhido o formato e desenvolvidas todas
as etapas necessárias para que o proposto seja real, pois acreditamos que o
rádio deve continuar fazendo diferença.
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CAPÍTULO I

1. ANTECEDENTES TEÓRICOS

1.1. OBJETIVOS

1.1.1 Geral

Instalação e gerenciamento de uma rádio comunitária na Associação de


Moradores do bairro Tancredo Neves na cidade de Boa Vista-RR, para divulgar a
cultura, o convívio social e eventos locais; noticiar os acontecimentos
comunitários e de utilidade pública; promover atividades educacionais e outras
para a melhoria das condições de vida da população do referido bairro.

1.1.2 Específicos

a) Divulgar para a comunidade as atividades dos diversos setores que


se organizam e trabalham comunitariamente como: Associação de Pais e
Mestres, Grêmio Estudantil, Clube de Mães entre outros.
b) Envolver a comunidade do Bairro Tancredo Neves no processo de
discussão para montagem da rádio, bem como projetar a grade de programação;
c) Estabelecer os prazos e as atividades a serem desenvolvidas
durante a elaboração dos projetos.
d) Identificar as pessoas interessadas em colaborar com o
funcionamento da rádio;

1.2 JUSTIFICATIVA

A grande maioria das Associações de Moradores na cidade de Boa Vista


tem alguma ligação com o poder público (Governo do Estado ou Prefeitura) e, no
momento atual, existem algumas ligadas ao grupo do ex-prefeito Ottomar Pinto.
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Por essa razão ao invés de representar o povo, acabam se tornando meros cabos
eleitorais em épocas de eleição e assalariados dos órgãos governamentais para
exercerem a presidência das respectivas entidades.

Este vínculo muito forte transforma as entidades em meros aparelhos de


controle e as associações são diminuídas para a execução de algumas políticas
assistencialistas.

As poucas entidades independentes passam por dificuldades e perseguições


para executarem os seus projetos e, como os meios de comunicação sociais
estão nas mãos dos grupos que dominam a política local, é quase impossível
conseguir espaço para a divulgação dos poucos que conseguem empreender.

A entidade representativa dos moradores do bairro Tancredo Neves se


enquadra neste perfil. Há quase um ano tem uma diretoria independente e
comprometida com a comunidade. Em contatos preliminares, demonstraram o
interesse real de empreender a implantação e o gerenciamento de uma rádio
comunitária na entidade em parceria com outras entidades locais.

Por essas razões, e devido à grande importância social deste trabalho para
as organizações sociais do bairro, bem como das regiões circunvizinhas, além do
que pode ser potencializado como um instrumento de educação popular e mesmo
como mais um laboratório para o curso de jornalismo, é que resolveu-se escolher
este tema para ser trabalhado.
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1.3 METODOLOGIA

Na estratégia investigativa, optei pela metodologia qualitativa de natureza


descritiva e analítica, onde os métodos utilizados, através de questionários e
análise bibliográfica, permitiram a elaboração deste projeto concernente ao tema
abordado, identificando fatos relevantes e registrando dados referenciais para o
aperfeiçoamento do trabalho.

Para a elaboração deste projeto, foram analisadas bibliografias e


documentos existentes relativo aos meios de comunicação de massa, destacando
o papel do rádio, especialmente a rádio comunitária, como um novo processo de
comunicação que possibilite, entre outras coisas, o ser humano se apropriar das
técnicas e construir a partir de suas vivências, de forma coletiva, novos modelos e
sistemas de divulgação de seus meios de produção; e, a partir da democratização
da comunicação, contribuir para a democratização da sociedade.

A comunidade do bairro Tancredo Neves foi a escolhida para o fim dos


objetivos do estudo proposto, assim também como profissionais da área.

O tamanho da representatividade foi selecionada a partir dos componentes


da associação do bairro em questão, constituído de um grupo de ........ pessoas
que responderam os questionários com perguntas abertas e fechadas para
obtenção de opiniões sobre o projeto experimental de instalação e gerenciamento
de uma rádio comunitária neste bairro de Boa Vista-RR.

O processo de investigação científica passa pelas seguintes etapas, quanto


a sua metodologia: a investigação a um nível fenomenológico; e a construção da
teoria na base do material empírico.

Através do trabalho de campo pretende-se fazer da prática uma extensão da


teoria, unindo comunicação e comunidade num só objetivo; utilizando a rádio
comunitária como laboratório para a democratização da comunicação;
contribuindo, assim, para que o cidadão comum não seja mais tratado como um
elemento a mais na manipulação da informação.
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Objetivamos implementar este projeto de forma consciente, atingindo, assim,
o fim desejado.

Para lograr êxito na elaboração e na boa execução do Projeto Experimental


será necessário fazer um levantamento completo da área em que se pretende ser
trabalhado como:

- Conhecer as organizações sociais existentes, como: associação de


moradores, de pais e mestres, grupos de jovens, clube de mães, grêmio
estudantil e igrejas, mediante contato com seus dirigentes e membros para
possíveis parcerias;

- Realizar uma pesquisa através de amostragem populacional para colher a


opinião dos moradores sobre a audiência das rádios convencionais e sobre a
possibilidade de implantação de uma rádio que atenda aos interesses do bairro e
que tenha uma programação diferenciada.

- Identificar entre a população, possíveis colaboradores diretos e indiretos


para a elaboração e execução do projeto;

- Pesquisar qual o tipo de equipamento que melhor atenda às necessidades


e que estejam em consonância com a legislação, bem como preço do
equipamento e instalação.
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CAPÍTULO II

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 TEORIA DA COMUNICAÇÃO

É a partir do surgimento dos meios de comunicação de massa que, segundo


Araújo1, podemos falar numa Teoria da Comunicação, que seria o conjunto de
estudos e pesquisas sobre as práticas comunicativas.

Mas este conjunto não constitui um corpo homogêneo ou contínuo mas,


antes, representa uma multiplicidade de conhecimentos, métodos e pontos de
vista bastante heterogêneos e discordantes.

Segundo a teoria matemática da comunicação, a comunicação é


apresentada como um sistema no qual uma fonte de informação seleciona uma
mensagem desejada a partir de um conjunto de mensagens possíveis, codifica
esta mensagem transformando-a num sinal passível de ser enviada por um canal
ao receptor, que fará o trabalho do emissor ao inverso. A comunicação é
entendida como um processo de transmissão de uma mensagem por uma fonte
de informação, através de um canal, a um destinatário.

Segundo McLuhan, em sua contribuição para os paradigmas da


comunicação, “o meio é a mensagem”, desloca a questão da comunicação para
outro espaço: a natureza nova que a presença de um determinado meio cria.
Configura-se a partir daí uma crítica às análises de conteúdo e ao
encaminhamento dado até então às investigações sobre a comunicação nos
Estados Unidos.

1
Carlos Alberto Ávila Araújo, no texto A trajetória e os paradigmas da teoria da comunicação, parte do
segundo capítulo da monografia “O modelo comunicativo da Teoria do Jornalismo”, apresentada como
trabalho de conclusão de curso junto ao Departamento de Comunicação Social da FAFICH/UFMG,
defendida em 1996.
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O que seria mais importante, no sentido de detectar mudanças, alterações
na vida social, não são os conteúdos veiculados pelos meios, mas a presença
destes meios proporcionando uma outra forma de se relacionar com a realidade.
Os conteúdos específicos até podem trazer modificações, mas é a existência do
meio provocando uma nova sensibilidade que deve ser o centro das análises a
serem empreendidas.

Com isso, desloca-se o papel transmissivo dos meios - em que importava o


conteúdo por eles veiculado -, essencial para a lógica do modelo clássico, para
uma perspectiva que identifica na simples presença dos meios uma nova
natureza e dinâmica social.

2.2 IDEOLOGIA E OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA

Atualmente, em todas as sociedades, a circulação generalizada de formas


simbólicas, como expressões lingüísticas, gestos, ações; desempenha papel
fundamental e sempre crescente. Os meios de comunicação de massa receberam
considerável impulso com os progressos na transmissão e codificação eletrônica
de formas simbólicas. Pessoas adultas passam horas por semana ouvindo rádio
ou música estereofônica, olhando televisão, lendo jornais e consumindo outros
produtos do que são hoje as indústrias de comunicação transnacionais de grande
porte. Há poucas sociedades que não foram atingidas pelas instituições e
mecanismos da comunicação de massa.

Segundo Thompson2, os escritores que se interessaram pelos problemas da


ideologia não conseguiram tratar adequadamente a natureza e o impacto dos
meios de comunicação no mundo moderno. A ideologia foi entendida como uma
espécie de “cimento social”, e os meios de comunicação de massa foram vistos
como mecanismos especialmente eficaz para espalhar o cimento. Vivemos, hoje,
em sociedades onde a produção e recepção das formas simbólicas são sempre
mais mediadas por uma rede complexa, transnacional de interesses institucionais.
Conceitualmente, deve-se examinar a natureza das formas simbólicas e sua

2
THOMPSON, John B. Ideologia e cultura moderna : teoria social crítica na era dos meios de comunicação
de massa. Petrópolis, RJ : Vozes, 1995.
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relação com os contextos sociais dentro dos quais elas são produzidas,
transmitidas e recebidas. Historicamente, deve-se reconstruir o desenvolvimento
de alguns dos meios técnicos de transmissão e das formas institucionais dentro
das quais esses meios técnicos foram e, correntemente, ainda são tratados.
Teoricamente, deve-se refletir sobre a natureza desse processo geral de
“midiação”, sobre seu impacto na vida social e política do mundo moderno, sobre
suas implicações para a teoria social e política em geral e para a teoria da
ideologia em particular.

A multiplicidade de significados que o conceito de ideologia tem hoje é um


produto de seu itinerário histórico. Quando se usa o termo ideologia, não se sabe
se ele está sendo usado descritiva ou prescritivamente, se ele está sendo usado
para descrever ou avaliar um estado de coisas. “Ideologia é o pensamento do
outro, o pensamento de alguém diferente de nós. (...) o conceito de ideologia
parece transmitir um sentido negativo, crítico”.3

Na literatura da teoria social e política das duas últimas décadas,


aproximadamente, houve duas respostas comuns à herança ambígua do conceito
de ideologia. Uma resposta foi tentar domar o conceito. O que implicou uma
tentativa de tirar do conceito seu sentido negativo e de incorporá-lo num conjunto
de conceitos descritivos empregados pelas ciências sociais. Isso criou a
concepção neutra da ideologia, segundo a qual as ideologias podem ser vistas
como “sistemas de pensamento”, “sistemas de crenças”, ou “sistemas
simbólicos”, que se referem à ação social ou à prática política. Armado com essa
concepção, o analista pode procurar delinear e descrever os principais sistemas
de pensamento ou crença que animam a ação social e política. A segunda
resposta é a de abandonar o conceito. O que ganhou terreno entre alguns dos
mais originais e inteligentes pensadores sociais.

Para o autor citado, o conceito de ideologia permanece uma noção útil e


importante no vocabulário intelectual da análise social e política. Ele afirma que
ideologia é sentido (significado) a serviço do poder; e devido a isso, o estudo da
ideologia exige que se investigue as maneiras como o sentido é construído e
usado pelas formas simbólicas de vários tipos. Exige que se investigue os

3
Ob. cit. p. 14.
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contextos sociais dentro dos quais essas formas simbólicas são empregadas e
articuladas. Como o sentido é mobilizado para estabelecer e sustentar relações
de dominação. “É necessário estudar as formas simbólicas sob a luz das relações
sociais estruturas, cujo emprego e articulação podem ajudar a criar, alimentar,
apoiar e reproduzir.”

A análise da ideologia pode ser vista como uma parte integrante de um


interesse mais geral ligado às características da ação e da interação, às formas
de poder e de dominação, à natureza da estrutura social, à reprodução e à
mudança social, às qualidades das formas simbólicas e a seus papéis na vida
social. Essa reformulação do conceito de ideologia proposta possibilita evitar
tendências que prejudicam a maioria da literatura teórica recente, como a de ver a
ideologia como um “cimento social” que conseguiria estabilizar as sociedades,
unindo conjuntamente seus membros e propiciando-lhes valores e normas
coletivamente compartilhados.

As formas simbólicas não são ideológicas em si mesmas, depende da


maneira como são usadas e entendidas em contextos sociais específicos.

“Para a maioria das pessoas, as relações de poder e dominação que as


atingem mais diretamente são as caracterizadas pelos contextos sociais
dentro dos quais elas vivem suas vidas cotidianas: a casa, o local de trabalho,
a sala de aula, os companheiros. Esses são contextos em que os indivíduos
gastam a maior parte de seu tempo, agindo e interagindo, falando e
escutando, buscando seus objetivos e seguindo os objetivos dos outros.
Esses contextos estão organizados de maneiras complexas.”4

Reformulando o conceito de ideologia em termos da interação entre sentido


e poder, pode-se também evitar a tendência de pensar a ideologia como uma
pura ilusão, como uma imagem invertida e distorcida do que é real. Nesse
sentido, afirma Thompson:

“Como pessoas, nós estamos imersos em conjuntos de relações sociais e


estamos constantemente envolvidos em comentá-las, em recriá-las e em
transformá-las a nós mesmos e aos outros, em verbalizá-las, em recriá-las e
em transformá-las através de ações, símbolos e palavras. As formas
4
Ob. cit. p. 18.
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simbólicas através das quais nós nos expressamos e entendemos os outros
não constituem um outro mundo, etéreo, que se coloca em oposição ao que é
real: ao contrário, elas são parcialmente constitutivas do que em nossas
sociedades é “real”.”

Para o autor, a vida social é um campo de contestação em que a luta se


trava tanto através de palavras e símbolos como pelo uso da força física.
Ideologia, então, é uma parte integrante dessa luta; é uma característica criativa e
constitutiva da vida social que é sustentada e reproduzida, contestada e
transformada, através de ações e interações, as quais incluem a troca contínua
de formas simbólicas.

2.3 RÁDIO

A rádio foi o primeiro meio de comunicação à disposição do homem


moderno, que assumiu o aspecto fascinante de falar, ao mesmo tempo, a um
indivíduo e a uma massa coletiva. Esse meio de comunicação veio impor
modificações profundas nos hábitos e na maneira de viver dos homens modernos.
Uma nova forma de comunicação foi estabelecida: os ouvintes sentem-se menos
sós e participam na vida social. Atinge-se, assim, um ponto extremamente
importante: a reação instintiva contra um sentimento de solidão, por um lado, e a
tomada de consciência coletiva por outro; como uma réplica interior ao caráter
bivalente da rádio.

Informar, divertir, educar é o que os ouvintes pedem à rádio. Caracteriza-se,


dessa forma, a massa ouvinte: conjunto de elementos individuais, conjunto de
compartimentos habitados – enormes colméias, onde, em cada alvéolo, existe um
receptor e um ou mais ouvintes isolados entre si.

2.2.1 Rádio no Brasil

A primeira cidade brasileira a instalar oficialmente uma emissora de rádio foi


o Rio de Janeiro, em 1922, quando foram importadas para a inauguração de sete
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de setembro 80 aparelhos de rádio, para que as famílias mais abastadas
pudessem ouvir a inauguração. Sabe-se, porém, que experiências anteriores
foram feitas por alguns amadores.

Documentos provam que o rádio, no Brasil, nasceu em Recife, em 1919.


Mas a instalação oficial da radiodifusão no nosso país deu-se em abril de 1923,
com o funcionamento da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, de caráter
educativo, fundada por Roquete Pinto e Henry Morize.

O rádio nasceu como meio de comunicação da elite: dirigia-se a quem


tivesse poder aquisitivo para mandar buscar do exterior os aparelhos receptores.

No início, a programação era seleta, mas Roquete Pinto estava convencido,


desde o início, de que o rádio se transformaria num meio de comunicação de
massa.

A partir da década de trinta o rádio sofre transformação radical. Em maio de


1931 surgiu o primeiro documento sobre radiodifusão, o Decreto nº 20.047,
divulgou o primeiro diploma legal sobre a radiodifusão. Nesta época, o rádio
brasileiro já estava comprometido com os “reclames” (anúncios), para garantir sua
sobrevivência.

A introdução de mensagens comerciais transfigura imediatamente o rádio: o


que era “erudito”, “cultural”, passa a se transformar em “popular”, voltado ao lazer
e à diversão. As transformações que ocorrem no país a partir da Revolução de
1930 são o contexto que favorece a expansão da radiodifusão.

Os primeiros profissionais, chamados de “programistas”, adquiriam espaços


nas estações, produziam programas e ainda revendiam intervalos aos
anunciantes. Aos poucos, a linguagem radiofônica foi sendo aprendida. Mais
coloquial, mais direta e com atendimento fácil, começava a invadir todas as
emissoras. Dessa forma, começa a profissionalização na área de criatividade
radiofônica.

No início dos anos trinta o rádio também veiculava propaganda política. A


rádio Record foi a pioneira, sendo líder em audiência e ainda modelo de
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programação, organizada por César Ladeira, quem introduziu o “cast” profissional
por exclusivo com remuneração mensal. A partir daí, as grandes emissoras
contratavam a “peso de ouro” astros populares e orquestras filarmônicas.

Em 1935 cria-se o primeiro auditório, e a partir daí as transmissões das


programações contam com a participação do público.

Após a Revolução de 30, é criado o Departamento Oficial de Propaganda –


DOP, em seguida, o Departamento de Imprensa e Propaganda – DIP,
diretamente ligado à Presidência da República. Nesse ambiente, surge a
emissora que se torna a maior lenda do rádio brasileiro, a Rádio Nacional do Rio
de Janeiro.

A época de ouro do rádio nacional começa nos anos 40, quando surge a
primeira radionovela. É também a fase em que o radiojornalismo começa a surgir
de forma mais estruturada, como o Repórter Esso, que surge em 1941, por
necessidade de informar os acontecimentos na Segunda Guerra Mundial. Ficou
no ar durante 27 anos. O Repórter Esso e o Grande Jornal Falado Tupi foram
marcos importantes para que o radiojornalismo brasileiro fosse definindo os
caminhos de uma linguagem própria, deixando de ser apenas uma “leitura ao
microfone” das notícias e dos jornais impressos.

A época de ouro acaba com o surgimento da TV no Brasil, em 1950. Para


enfrentar a forte concorrência, investe-se no radiojornalismo, através da
programação noticiosa, que começa com a Rádio Bandeirantes, em 1954; no
serviço de utilidade pública, lançado pela Rádio Jornal do Brasil; e introduz-se o
esquema de “música, exclusivamente música”, lançado pela Rádio Tamoio.

A partir dos anos 70 as grandes emissoras tentam ganhar diversos


segmentos de público mantendo programas que atinjam diferentes faixas em
diferentes horários.

As transmissões esportivas sempre foram um destaque, não apenas com o


futebol, pois desde os anos 30, transmitia competições automobilísticas, e mais
tarde, corridas internacionais.
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Atualmente, o rádio apresenta duas tendências: 1) rádio de alta estimulação;
e 2) rádio de baixa estimulação; também chamadas de rádio de mobilização e
rádio de relaxamento, respectivamente. O rádio de mobilização está voltado à
fala, o outro, ao relaxamento de muita música.

Se um dos caminhos do rádio é a concentração em sistema de exploração


comercial, no extremo oposto encontram-se as chamadas rádios livres, rádios
piratas, rádios comunitárias, que tentam quebrar esse monopólio estatal, sobre as
quais falaremos posteriormente.

As emissoras de rádio clandestinas existiram desde o início da radiofusão.


No Brasil, o fenômeno das rádios livres ganha grande impulso nos anos 80.

2.3.2 Características

Entre os meios de comunicação de massa, o rádio é o mais popular e o de


maior alcance público, devido suas características intrínsecas, entre as quais
destacamos:

A linguagem oral: o rádio fala e, para receber a mensagem, é necessário


apenas ouvir;

Penetração: em termos geográficos, o rádio é o mais abrangente dos


meios, podendo chegar aos pontos mais remotos;

Mobilidade: 1) emissor: sendo menos complexo tecnicamente do que a


televisão, o rádio pode estar presente com mais facilidade no local dos
acontecimentos e transmitir as informações mais rapidamente do que a televisão.
2) receptor: o ouvinte de rádio está livre de fios e tomadas e não precisa ficar em
casa ao lado do aparelho;

Baixo custo: o aparelho receptor de rádio é o mais barato. Sua aquisição


está ao alcance de uma parcela maior da população;

Imediatismo: os fatos podem ser transmitidos no instante em que ocorrem;


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Instantaneidade: a mensagem precisa ser recebida no momento em que é
emitida. Se o ouvinte não estiver exposto ao meio naquele instante, a mensagem
não o atingirá;

Sensoriadade: o rádio envolve o ouvinte, fazendo-o participar por meio da


criação de um diálogo mental com o emissor. Ao mesmo tempo, desperta a
imaginação através da emotividade das palavras e dos recursos de sonoplastia,
permitindo que as mensagens tenham nuances individuais, de acordo com as
expectativas de cada um;

Autonomia: o rádio, livre de fios e tomadas, deixou de ser meio de recepção


coletiva e tornou-se individualizado. As pessoas podem receber suas mensagens
sozinhas, em qualquer lugar.

2.3.3 Vantagens e Desvantagens

Entre as vantagens do rádio, podemos destacar: é mais fácil para produzir,


apresenta custo menor. Seu uso é massificado, pois existem muitos aparelhos de
rádio no mercado. Há possibilidade de selecionar audiência (regional). Atinge
melhor a população brasileira devido ao alto índice de analfabetismo e, pode
atingir os ouvintes enquanto estão fazendo outras coisas.

As desvantagens estão no fato de receber menor atenção do ouvinte;


possuir apresentação somente via áudio, sendo a única mídia não visual; tem vida
curta e grande concorrência da televisão.

Mas existem razões incontestáveis da força do rádio, como as que


comprovam que o rádio é melhor vendedor comparado à televisão. Destacamos
dez destas razões:

1. Está junto do consumidor na hora da compra, influenciando sua decisão;

2. Pessoas passam mais tempo com o rádio. Para convencer o consumidor,


o comercial tem que ser ouvido por ele várias vezes ao dia, e o rádio é o veículo
que ele mais ouve, em média 3 horas e 45 minutos;
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3. É imbatível no horário comercial. Tem o triplo de audiência da televisão
durante a manhã e mais do dobro durante a tarde, sendo que no horário nobre da
tv (19 às 22 horas) o rádio atinge mais pessoas do que a tv durante todo o dia;

4. Atinge consumidores dos grandes ramos de atividade com mais eficiência.


Segundo pesquisa, o rádio atinge quase a totalidade dos consumidores dos
principais ramos de atividade em 15 dias. Ex.: 93% dos consumidores de
refrigerantes cola foram atingidos pelo rádio em 15 dias (as classes A, B e C
representam 71% do total de consumidores e a idade varia entre 25 e 39 anos);
99% dos motoristas que passam mais de 10 horas no volante (78% homens e
22% mulheres, com idade entre 25 e 39 anos, classes A, B e C) = 96%);

5. Chega aonde a tv não vai;

6. Está em 98% das casas, enquanto a tv em apenas 75%;

7. O horário nobre do rádio dura 13 horas, o da tv se limita a três;

8. Só o rádio acompanha os consumidores no verão, ganhando audiência


sobre a tv, pois no verão as pessoas tendem a sair mais de casa durante a noite,
o que esvazia o horário nobre da tv, aumentando a audiência do rádio;

9. Possui maior credibilidade. Segundo pesquisas para aferir a credibilidade


dos vários setores junto ao público, o rádio é o segundo, logo atrás da Igreja
Católica;

10. Uma produção de rádio custa 95% menos.

E tem mais, rádio é 10% equipamentos e 90% atitude.


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2.3.4 O papel do rádio

As comunidades passaram a exigir qualidade, pois para ela, se há um


veículo que atinge muitas pessoas, então é preciso que este seja útil. Haye5
esclarece qual deve ser o papel do rádio.

“La suma de estas circunstancias debiera servir para crear consciência acerca
de cuál es el papel que deben cumplir los medios de comunicación en este
momento: motivar la participación, propiciar el espíritu crítico, desarrollar un
sentido humanista y solidario de la comunidad y ayudar al hombre a
interpretar la realidad, proponiéndole interrelacionar y contextualizar los
hechos que la van determinado.”

Os pesquisadores de comunicação descobriram que o rádio está se


tornando um meio que estar de mãos dadas com os ouvintes. E atualmente, nas
comunidades, o veículo passou a ser visto sob a ótica da participação, onde todos
os membros intervêm nas decisões e ações que o afetam. Dessa forma, o rádio
se torna o meio que dá acesso e permite que o conceito se transforme em ação.

Em Roraima, por exemplo, verifica-se que nas emissoras existentes, há


necessidades de programas que atinjam toda a sociedade.

Um dos programas propostos no IV Curso Internacional para o


Desenvolvimento Regional6, é o de serviço público, assim conceituado por Trigo7:

“Produto desenvolvido com o objetivo de suprir necessidades ou promover


melhorias na qualidade de vida de determinada população ou segmento dela,
através da conscientização, educação não formal, desenvolvimento de
consciência crítica etc.”

Esses programas visam construir uma sociedade melhor, desenvolvendo as


potencialidades dessa população para o pleno exercício da cidadania. Observa-se
que as pessoas passaram a exigir informações sobre cultura, política, educação.
E essa busca de cidadania é um reflexo de que o ser humano, mesmo vivendo

5
HAYE, Ricardo M. Hacia uma nueva radio. Buenos Aires : Paidós, 1995. p. 128.
6
Promovido pela Cátedra UNESCO/UMESP de Comunicação.
7
TRIGO, Lígia. Produção de programas de serviço público. Julho de 1999. p. 2.
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num mundo globalizado, está preocupado com as coisas que estão acontecendo
ao seu redor.

Nesse sentido, estudos demonstram que há uma carência de produtores que


ofereçam produtos de qualidade através de documentários, radiogramas,
radionovelas. Roteiros com conteúdos consistentes ligados aos acontecimentos;
contextualizando e buscando respostas para os problemas cotidianos; prestação
de serviços como campanhas de saúde. Sabe-se que o presente tenta esquecê-
los, deixando-os no passado, mas o hoje requer competência e seriedade. Dessa
forma, os responsáveis pelas emissoras radiofônicas precisam tomar consciência
que planejar é de suma importância.

2.3.5 A voz no rádio

Com relação à voz no rádio, é necessário atentar que interpretar não


significa apenas emprestar a um texto escrito o som da nossa fala acompanhado
do código de organização desta linguagem. A interpretação vai muito além do que
ter uma boa voz, um bom conhecimento gramatical e uma boa dicção.

O locutor, para atingir excelência na interpretação de um texto, necessita,


antes de mais nada, analisar com cuidado este texto, identificar para que foi
escrito, o que quer dizer, a que público se destina, de que forma quer dizer; e, a
partir da plena compreensão de todos estes elementos, iniciar o processo de
atribuir vida ao texto: sensação de tempo real e presente; contemporaneidade, a
mensagem está sendo comunicada aqui e agora, de uma pessoa para a outra,
simultaneamente impregnada de sabores, texturas, cheiros, sons, tons, cores,
espaços, volumes, pulsações, tempos, imagens, sentidos, intenções, fantasias
etc. Somente com a junção efetiva de todas as capacidades técnicas, intelectuais,
cognitivas, psicológicas, sensitivas, emocionais etc, é que irá transformar o
indivíduo em um comunicador na área de locução.
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2.4 RÁDIOS PIRATAS, CLANDESTINAS E COMUNITÁRIAS

2.4.1 Rádio Pirata

Rádio Pirata é o termo que identifica um tipo de atividade específica na


radiodifusão sonora. O termo surgiu no início da década de 60, na Inglaterra, para
identificar irradiações em FM cuja estação emissora encontrava-se em um navio
na costa britânica, porém fora do controle das milhas marítimas.

Essa estação, considerada ilegal pelo governo inglês, foi montada por jovens
que não aceitavam o monopólio estatal e não suportavam as programações das
emissoras oficiais controladas pelo governo. A emissora pirata tinha uma
produção musical baseada no movimento de contra cultura que não tinha espaço
nas emissoras oficiais e era combatida pela programação conservadora da cultura
inglesa.

Para combatê-la, o governo inglês ampliou seu domínio sobre as milhas


marítimas. Quando a rádio pirata foi apreendida, houve uma reação da juventude
inglesa que fez surgir centenas de emissoras em território inglês. Portanto, o
termo pirata se aplica especificamente às irradiações ilegais que transmitem do
mar para a terra.

No Brasil, o termo foi adaptado sem a preocupação com sua origem e


passou, principalmente no Rio de Janeiro, a identificar estações de rádio
irregulares. Em São Paulo o termo também foi usado, na década de 80, por
algumas emissoras mas foi logo depois descaracterizado.

Nas poucas iniciativas que se tem notícia, em meados de 1990, no Rio de


Janeiro, a emissora ilegal confundia emissões clandestinas com emissões piratas,
já que algumas iniciativas procuravam emitir sem permitir a identificação e tinham
uma característica político-partidária.

Em alguns registros fotográficos ou em vídeo, os participantes dessas


poucas emissoras apresentavam-se fantasiados e mascarados de piratas. O
termo pirata passou a ser usado como pejorativo de tudo quanto é ilegal pelos
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proprietários das grandes emissoras e pela indústria de produção cultural para
identificar cópias ilegais de seus produtos em música, cinema e vídeo.

Para os latinos e católicos o termo pirata é associado culturalmente ao mal.


Isso se deve a atuação dos piratas na libertação da Inglaterra da influência do
Santo Império que teve seu momento decisivo na batalha de 1488, onde
espanhóis e portugueses, sob as ordens de Roma, com 250 embarcações
conhecidas como a Esquadra Fantástica, foram derrotados pelos ingleses que
não possuíam mais que 80 embarcações e cuja vitória deveu-se às ações dos
seus piratas.

2.4.2 Rádio Clandestina

As emissoras clandestinas se identificam por emitirem em países onde há


Estado de Exceção, onde não existem direitos e garantias individuais ou se está
sob um regime ditatorial civil ou militar.

Nesse sentido, as emissoras clandestinas servem a todas as estruturas


ideológicas. Na Nicarágua surgiu a Rádio Venceremos, onde os sandinistas
emitiam suas opiniões e orientações com o objetivo de derrubar o governo de
Anastácio Somoza. Ao conquistarem o poder, os sandisnistas passaram a ser
criticados por outra emissora clandestina organizada por seus inimigos políticos e
militares.

Rádios clandestinas são usadas em guerras. Na Segunda Guerra Mundial


havia emissoras dos ingleses que emitiam em alemão e dos alemães que emitiam
em inglês. Essas emissoras eram clandestinas e tinham objetivo estritamente
político, fazendo parte dos instrumentos de guerra.

Fidel Castro e seu grupo criaram uma emissora clandestina que irradiava em
Cuba até a tomada do poder em 1959.

A ditadura militar no Brasil, preocupada com o uso de emissoras de rádio


clandestinas, por forças de esquerda, criou o decreto 236 com seu artigo 70 em
1967, complementando a Lei 4.117 de 1962. Porém a esquerda brasileira nunca
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usou de meio de comunicação eletromagnético clandestino. O decreto acabou
servindo para punir os responsáveis pelos projetos de comunicação de baixa
potência, ainda hoje.

2.4.3 Rádio Livre

Quando a emissora inglesa pirata foi apreendida e começou a surgir


centenas de emissoras dentro do território inglês, esse movimento passou a se
chamar de rádios livres; mesmo porque o termo pirata não cabia na identificação
daquela atividade.

As rádios livres passaram para o território francês, depois para o italiano,


para o alemão e segue-se numa onda acompanhando o desenvolvimento
tecnológico da comunicação pelo mundo.

Existiam, desde a década de 60, nos EUA e lá foram atendidas pelo estado
norte-americana que reserva uma parte do Dial para esse tipo de manifestação.
Não existem nem concessões e nem permissões para o funcionamento dessas
emissoras, apenas regras técnicas para protegê-las do interesse do grande
capital. Quem controla essas emissoras é a própria população, que pode solicitar
seu fechamento.

2.4.4 Rádio Comunitária

O Ministério das Comunicações define rádio comunitária da seguinte forma:

"... Tipo especial de emissora de rádio FM, de alcance limitado a, no máximo,


1 km a partir de sua antena transmissora, criada para proporcionar
informação, cultura, entretenimento e lazer a pequenas comunidades.

Trata-se de uma pequena estação de rádio que dará condições à comunidade


de ter um canal de comunicação inteiramente dedicado a ela, abrindo
oportunidade para divulgação de suas idéias, manifestações culturais,
tradições e hábitos sociais.
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Uma Rádio Comunitária não pode ter fins lucrativos nem vínculos de qualquer
tipo, tais como: partidos políticos, instituições religiosas etc. (...)

É proibido a uma Rádio Comunitária utilizar a programação de qualquer outra


emissora simultaneamente, a não ser quando houver expressa determinação
do Governo Federal.

Não pode, em hipótese alguma, inserir propaganda comercial, a não ser sob
a forma de apoio cultural, de estabelecimentos localizados na sua área de
cobertura."

Na prática, rádio comunitária é o veículo da expressão social dos membros


de uma comunidade. Uma comunidade é uma população local que partilha
interesses comuns.

A rádio comunitária é gerida por uma associação cultural comunitária sem


fins lucrativos, tem baixa potência e é fiscalizada por um Conselho Comunitário
com pelo menos cinco representantes de entidades da comunidade.

A supervisão da emissora se fará de acordo com o Código de Ética da


Radiodifusão Comunitária. Esse é o desenho que se pode fazer a partir de
deliberações tiradas em encontros de radiodifusores comunitários e de sentenças
de juízes federais que concederam liminares. Essa, no entanto, é uma prática
muito nova no Brasil, mas que já se faz em pelo menos dois a três milhares de
comunidades.

A radiodifusão comunitária consiste num exemplo de trilha que pode se


tornar um largo caminho para a sociedade pretendida, se feita em um projeto
devidamente elabora e acompanhada pela comunidade.

Baseada em tecnologia fácil, barata e inovadora, disseminada inicialmente


por pessoas da população pobre e desassistida, mostra imediatamente aspectos
de um achado que hoje todos aplaudem.

Sabe-se que onde se instala, a rádio comunitária mostra rapidamente sua


força transformadora na base das relações sociais. Ela não toma o lugar de
ninguém, não fere os interesses econômicos das rádios comerciais, embora
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receba patrocínios culturais de vendedores de caldo de cana; cachorro quente;
comércios como farmácias e açougues; mas ela cuida de temas que não têm
espaço em outros meios: a cultura; as festas; a saúde; a segurança da
comunidade, que é o lugar onde as pessoas vivem, constroem relações de
sangue e de espírito e fazem as opções definitivas.

Com relação ao conteúdo, é importante estar voltada para a identidade da


produção cultural na qual está inserido todo o processo em que passa; além, é
claro, do constante combate ao monopólio sobre o conjunto interligado desses
bens.

A rádio comunitária é uma forma de democratização da comunicação.


Segundo estudiosos da área, sem a democratização da comunicação, não haverá
a democratização da sociedade.

Os carentes e marginalizados pelo monopólio e pelo oligopólio da


comunicação somos todos nós, que vemos a cada dia novas mentiras e meias
verdades serem divulgadas pelos meios de comunicação.

Várias comunidades e organizações do movimento social redescobriram as


rádios comunitárias como forma de articulação das pessoas, afirmação cultural e
valorização da auto-estima.

Outrora utilizadas como desobediência civil em relação à falta de uma


legislação para o setor e ao rigor do (quase) extinto Dentel, responsável pelas
apreensões de equipamentos, essa nova geração de emissoras de rádio
comunitária começou a surgir incentivada pela possibilidade de aprovação da lei
de Radiodifusão.

As rádios comunitárias voltaram, recentemente, a ser assunto de imprensa e


caso de polícia. A ABERT começou a tomar providências. Matérias foram
colocadas na imprensa denunciando o caráter comercial, político e oportunista de
algumas rádios. Alertava-se para o perigo de se afetar o controle de aeronaves,
através do descontrole das ondas radioelétricas. Afirmava-se que o número de
rádios poderia atrapalhar a comunicação dos aviões e chamou a atenção do
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próprio movimento social para o desnível no sinal das rádios comerciais de
grande alcance, muito mais perigoso do que as inofensivas rádios comunitárias.

Essa nova expectativa abriu várias seqüelas. Um movimento irreversível de


abertura de novas rádios foi iniciado. A partir daí foram rearticuladas as
associações de rádio comunitária de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Em 1996 foi criada a ABRAÇO – Associação Brasileira de Radiodifusão


Comunitária, a partir de um encontro que reuniu mais de 100 emissoras de todo o
país e incentivou a criação de outras associações estaduais. Esta associação
está acompanhando a aprovação da legislação de radiodifusão comunitária em
Brasília, com sede no local, e já realiza seus congressos regularmente.

A definição de rádio comunitária para o movimento foi uma verdadeira


escultura. Mas também, a ABRAÇO não deixa a desejar para a Sociologia, a
Antropologia e outros ramos das ciências sociais que se perdem em meio a tantas
definições do termo “comunidade”.

Após diversos encontros e teses, rádio comunitária, para a ABRAÇO,


precisa ter algumas características básicas: ser formada por uma sociedade civil
sem fins lucrativos ou projeto de organização do mesmo caráter; formar conselho
comunitário, constituído por organizações da sociedade civil no alcance do sinal
da rádio; e ter programação plural, que reflita esse coletivo, bem como os demais
aspectos da comunidade.

Em Roraima, o Setor de Comunicação da Diocese de Roraima teve uma


experiência interessante, com a montagem de uma emissora com as
características de RadCom que contou com a visita de um técnico da ABRAÇO
que instalou e deu um treinamento para os operadores. Inclusive contou com a
participação deste estudante de comunicação. Este evento foi no final do ano de
1996. Por questões internas o projeto acabou não avançando, o equipamento foi
repassado para a Associação das Entidades Sociais – ASES, que protocolou um
pedido de concessão, mas não colocou o equipamento para funcionar. A ultima
notícia que obtive destes equipamentos e que foram furtados da sede da
entidade.
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2.4.4.1 Alternativa de mercado

As rádios comunitárias começam a surgir como alternativas locais de


mercado.

As atuais experiências de radiodifusão comunitária são marcadas pela


tentativa de sobrevivência, apesar de todo descaso relativo à sua importância.
Procura-se, a qualquer preço, sua auto-sustentação, através da venda de
comerciais ou da produção de serviços (de acordo com a legislação: em forma de
apoio cultural), já que os financiamentos estão cada vez mais escassos.

A maioria das rádios comunitárias que surgem atualmente copiam modelos


de seus mentores. A idéia de ser alternativo deveria acompanhar a idéia de ser
experimental, levando a pensar em vários formatos e estilos.

Nesse sentido, o professor Adilson Cabral8, lança a questão: se hoje tem-se


vários grupos pensando em ampliar suas ações para tvs comunitárias de baixa
potência, quantos deles se dispõem a construir e desenvolver um projeto político
alternativo de sociedade? Quantos estão contribuindo para democratizar a
comunicação visando a democratização da sociedade?

O citado autor chama a atenção para a importância de se tornar os


movimentos sociais conscientes da importância da comunicação a partir de suas
próprias frentes de atuação; mostrando que muitas de suas limitações se devem
ao sistema de comunicação em vigor no país e da falta de uma ação conjunta,
voltada para reverter esse quadro. Descobrindo o papel da comunicação como
atividade-meio se terá mais chance de construir uma base mais qualificada e
participativa para se prosseguir na luta diária.

8
da Universidade Estácio de Sá – RJ. Mestre em Comunicação Social pela UMESP – Universidade
Metodista do Estado de São Paulo -, no artigo Democratizar a comunicação para a democratização da
sociedade, um desafio, um mito.
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2.5. MEIOS DE COMUNICAÇÃO EM RORAIMA

Os meios de comunicação sociais no Brasil, assim como em Roraima, estão


cada dia mais centralizados nas mãos de algumas famílias ou grupos políticos e
econômicos.

O compromisso com a notícia, com os serviços de utilidade e interesse


público são substituídos pelo lucro e pela conquista de votos. Concessões são
trocadas vergonhosamente por favores políticos, fazendo do acesso ao direito de
informar cada vez mais distante do cidadão comum ou das organizações sociais
que de fato representam os anseios da comunidade.

Em Roraima este fato é facilmente identificado, uma vez que cada órgão de
imprensa, incluindo-se aqui as rádios FM e AM, estão ligados aos grupos
dominantes que se revezam no comando da política roraimense.

A política de legalismo e burocratismo do Ministério das Comunicações


seleciona política e economicamente, formando um verdadeiro funil, para a
distribuição de concessões de rádios e televisões.

Neste contexto, na tentativa de democratizar o processo de veiculação de


notícia, vem surgindo um movimento em nível nacional de rádios e tvs
comunitárias gerenciadas pelas próprias comunidades, associações de
moradores, diretórios estudantis e universidades.

Em Roraima, surgiram algumas rádios clandestinas no intuito de se


caracterizarem como “rádio comunitária” para se enquadrar na Lei das
concessões. No entanto, a única coisa que as colocavam nos padrões
estabelecidos era a potência de 25watts, uma vez que eram de propriedades de
políticos e operadas por pessoas contratadas ou por funcionários públicos
cedidos.

Essas experiências eram, de certa forma, aprovadas pelas comunidades


respectivas, mas por não se enquadrarem nos padrões do Ministério das
Comunicações, acabaram lacradas.
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CAPÍTULO III

3. LEGISLAÇÃO E DIREITO A INFORMAÇÃO

Instalar uma rádio comunitária no Brasil não é crime. O que é necessário


para o seu funcionamento é que lhe seja dada concessão e freqüência pelo
Ministério das Comunicações, o que pode ser feito após ser formalizado o pedido
por parte da Associação de Moradores do bairro onde será instalada.

É necessário, também, que obedeça aos padrões técnicos e de segurança


exigidos, observando sempre as normas de regulamentação que o governo
deverá fixar, tais como: Sem fins lucrativos; Abertura as lideranças de
representação popular; Ética na programação; Baixa potência de operação (até
25 Watts); Apoio firmado pela comunidade; Participação Popular; Liberdade de
expressão; Repúdio ao anonimato; Responsabilidade pelo conteúdo; Sem vinculo
com interesses de grupos econômicos, políticos ou religiosos.

O funcionamento da rádio comunitária é previsto na Constituição de 1988, e


é amparada em leis posteriores, que podem ser verificadas a seguir.

3.1 LEGISLAÇÃO

3.1.1 Constituição Federal

A Rádio Comunitária fundamenta-se na Constituição Federal de 1988,


no artigo 5º, Inciso IX, no qual está insculpido:
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É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de


Comunicação, independentemente de censura ou licença. (grifei)

Esse artigo da Constituição é básico para garantir a liberdade de


comunicação. Ninguém, em nenhuma hipótese, pode coibir esse direito.

LIV - Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido


processo legal.

O art. 2l5, ao invés de reprimir, o Estado tem a obrigação de garantir ao


cidadão, o direito à comunicação.

Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e
acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a
difusão das manifestações culturais

O artigo 220, também prega e reafirma a liberdade de expressão, mas agora


definindo que se dará sob qualquer forma, subentendendo também o veículo
radiofônico.

Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a


informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer
restrição, observado o disposto nesta constituição.

§ 1o. Nenhuma Lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço a plena
liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação
social, observado o disposto no art. 5, incisos IV, V, XIII e XIV.

Ora, se nenhuma lei conterá dispositivo que cause embaraço a liberdade de


comunicação, entendemos que a Lei 4.117 (anterior a Constituição) não mais se
justifica, nem pertence à realidade diante da nova constituição.

§ 2o. É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e


artística.

Parágrafo 5 - Os meios de Comunicação Social não podem direta ou


indiretamente ser objeto de monopólio ou oligopólio.
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Art. 223: "Compete ao Poder Executivo outorgar ou renovar


concessão, permissão e autorização para o serviço de radiodifusão
sonora e de sons e imagens, observado o princípio da
complementaridade dos sistemas privado, público e estatal."

O que mais se vê na comunicação são os oligopólios, que se distribuem por


todo território nacional em redes pasteurizadas de programação que não condiz
com o que reza a lei das concessões.

A Constituição enumera três sistemas: privado, público e estatal. Se


analisado pelo prisma constitucional, ter-se-á todas as garantias na criação de
rádios comunitária, mas existem interesses escusos que ainda tentam bloquear
as iniciativas populares.

3.1.2 Portaria 17/83

É comum acusações de prática de "radiodifusão sem concessão", mas se


analisarmos a Portaria 17/83, do Ministério das Comunicações de
regulamentação da radiodifusão FM no Brasil, vamos notar que a atividade de
comunicação comunitária, não se configura tecnicamente como radiodifusão
devido sua baixa potência. Essa portaria classifica as Emissoras em categorias
distintas: Classe Especial - Até l00.000 Watts ; Classe A - Até 50.000 Watts; Classe B -
Até 5.000 Watts; Classe C - Até 1.000 Watts.

Em ocasiões especiais, o MiniCom poderá conceder autorização temporária


para o funcionamento de emissora volante com potência de 50 a 300 Watts
(nunca abaixo de 50 watts).

É claro que o Ministério não concede autorização para funcionamento abaixo


dessa potência. Tudo que ocorre abaixo de 50 Watts não configura radiodifusão,
de acordo com determinação e pesquisa do próprio Conselho Técnico Normativo
do MiniCom, isto porque o próprio Sol emana sobre a terra luz, calor e outras
radiações, inclusive na faixa de rádio que superam esses patamares.

A sessão ordinária da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e


Informática da Câmara dos Deputados aprovou, em 04/12/96, projeto de lei
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1.521/96, que regulamenta "a radiodifusão livre e comunitária e dá outras
providências".

3.1.3 Lei 9.612/98 (comentada)

- "Institui o Serviço de Radiodifusão Comunitária e dá outras providências".

Esta Lei regulamenta o serviço de rádio comunitária. Foi sancionada em


19/2/98, sendo publicada no Diário Oficial da União de 20/2/98. Sua
regulamentação ou o seu detalhamento, cabia ao Governo Federal fazer até
junho de 1998, o que não ocorreu até a presente data. É sabido que esta Lei
ainda tem limitações, mas é fruto de uma batalha de alguns deputados federais,
na sua maioria do Partido dos Trabalhadores, podendo-se destacar aqui a
atuação do Deputado Fernando Ferro (PT/PE), que encamparam a luta junto com
as entidades representativas do movimento nacional de rádios livres e
comunitárias.

Analisaremos a Lei em todo o seu conteúdo, com base no conhecimento


acumulado por meio de palestras, pronunciamentos, oficinas e cartilhas de
movimentos populares, já que não existem muitos estudos publicados a este
respeito no Brasil, para um referencial teórico mais aprofundado.

Art. 1º. Denomina-se Serviço de Radiodifusão Comunitária a radiodifusão


sonora, em freqüência modulada, operada em baixa potência e cobertura
restrita, outorgada a fundações e associações comunitárias, sem fins
lucrativos, com sede na localidade de prestação do serviço.

A associação precisa ser representativa da sociedade geral, não pode ser de


apenas um seguimento. A entidade deve abranger a comunidade. Se já existe a
associação dos moradores de determinado bairro, ela pode alterar o estatuto,
incluindo a operação de uma rádio em suas atividades. O ideal, porém, é criar
uma associação própria para rádio comunitária que incorpore os vários
segmentos da sociedade. O caráter comunitário é fundamental. Fará parte dela as
outras entidades existentes na localidade - sindicatos, associações, instituições
religiosas - e pessoas físicas. Estes administrarão a rádio. Em suma, o essencial
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da pessoa jurídica a ser constituída, independentemente da natureza jurídica, se
Fundação ou Associação, é que tenha finalidades e objetivos voltados para toda a
comunidade, que seja apartidária, sem fins lucrativos, e que não pretenda
alcançar apenas um determinado segmento representativo da comunidade.

No que diz respeito à potência diz o Parágrafo Primeiro do mesmo artigo:

§ 1º. Entende-se por baixa potência o serviço de radiodifusão prestado a


comunidade, com potência limitada a um máximo de 25 watts ERP e altura do
sistema irradiante não superior a trinta metros.

O alcance de uma rádio FM depende da topografia da região. Se a


antena ficar num lugar alto, com 25 watts, o alcance pode chegar até 50 Km. A
transmissão em Freqüência Modulada é feita em linha reta. Portanto, havendo
edifícios ou morros na frente da antena, a onda será interrompida. Num local
entupido de edifícios, com esta potência, o alcance pode se limitar a 1 Km .

§ 2º. Entende-se por cobertura restrita aquela destinada ao atendimento de


determinada comunidade de um bairro e/ou vila.

Art. 2º. O Serviço de Radiodifusão Comunitária obedecerá aos preceitos desta


Lei e, no que couber, aos mandamentos da Lei nº 4.117, de 27 de agosto de
1962, modificada pelo Decreto-lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967, e demais
disposições legais.

Parágrafo único. O Serviço de Radiodifusão Comunitária obedecerá ao disposto


do art. 223 da Constituição Federal.

O Código Brasileiro de Telecomunicações, Lei 4.117/62 e o Decreto


236/67, são aplicados a esta Lei das rádios comunitárias. Trata-se de instrumento
jurídico ultrapassado, mas que foi mantido na nova Lei por força do Governo e
seus parceiros, os donos das grandes emissoras. Na prática, continuam em vigor
todos os dispositivos estabelecedores de condutas e sanções penais constantes
da Lei nº 4.117/62 no que se refere ao funcionamento das Rádios Comunitárias.
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Aí incluindo a detenção para quem opere rádios comunitárias sem autorização do
Governo.

Art. 3º. O Serviço de Radiodifusão Comunitária tem por finalidade o


atendimento à comunidade beneficiada, com vistas a:

I - dar oportunidade à difusão de idéias, elementos de cultura, tradições e


hábitos sociais da comunidade;

II - oferecer mecanismos à formação e integração da comunidade, estimulando


o lazer, a cultura e o convívio social;

III - prestar serviços de utilidade pública, integrando-se aos serviços de defesa


civil, sempre que necessário;

IV - contribuir para o aperfeiçoamento profissional nas áreas de atuação dos


jornalistas e radialistas, de conformidade com a legislação profissional vigente;

V - permitir a capacitação dos cidadãos no exercício do direito de expressão da


forma mais acessível possível.

As rádios comunitárias existem para promover o desenvolvimento social,


cultural, político e comunitário, buscando o exercício pleno da cidadania. É notório
que tais aspectos são desprezados pelas atuais emissoras comerciais, que têm,
como único objetivo, o lucro. As emissoras comunitárias, portanto, têm um papel
de suma importância na história.

Art. 4º. As emissoras do Serviço de Radiodifusão Comunitária atenderão, em


sua programação, aos seguintes princípios:

I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas em


benefício do desenvolvimento geral da comunidade;

II - promoção das atividades artísticas e jornalísticas na comunidade e da


integração dos membros da comunidade atendida;

III - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família, favorecendo a


integração dos membros da comunidade atendida;

IV - não discriminação de raça, religião, sexo, preferências sexuais, convicções


político-ideológico-partidárias e condição social nas relações comunitárias.

Pode-se observar que mais uma vez é enfatizada a importância do papel


das rádios comunitárias.
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§ 1º. É vedado o proselitismo de qualquer natureza na programação das


emissoras de radiodifusão comunitária.

Rádio comunitária não pode pertencer a empresário, partido político ou


religião. O espaço é democrático. Proselitismo significa defender uma crença ou
idéia de forma sectária. Isto não é permitido na rádio comunitária.

§ 2º. As programações opinativa e informativa observarão os princípios da


pluralidade de opinião e de versão simultâneas em matérias polêmicas,
divulgando, sempre, as diferentes interpretações relativas aos fatos noticiados.

§ 3º. Qualquer cidadão da comunidade beneficiada terá direito a emitir opiniões


sobre quaisquer assuntos abordados na programação da emissora, bem como
manifestar idéias, propostas, sugestões, reclamações ou reivindicações,
devendo observar apenas o momento adequado da programação para fazê-lo,
mediante pedido encaminhado à Direção responsável pela Rádio Comunitária.
Pluralidade.

É outro caráter fundamental das rádios comunitárias. Todos os


segmentos, e todos os cidadãos têm direita a voz nas emissoras.

Art. 5º. O Poder Concedente designará, em nível nacional, para utilização do


Serviço de Radiodifusão Comunitária, um único e específico canal na faixa de
freqüência do serviço de radiodifusão sonora em freqüência modulada.

Parágrafo único. Em caso de manifesta impossibilidade técnica quanto ao uso


desse canal em determinada região, será indicado, em substituição, canal
alternativo, para utilização exclusiva nessa região.

De acordo com a Lei, cada bairro ou vila só pode ter uma rádio
comunitária. Será uma freqüência única. Isto é, todas as emissoras operarão na
mesma freqüência dentro da faixa do dial (entre 88 e 108 MGhz). A
Regulamentação da Lei (feita por Decreto) ou portarias do Ministério das
Comunicações, definirão esta faixa única.
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Tecnicamente é complicado. Pode haver salada de sons. Se duas
emissoras de dois bairros fronteiriços colocam suas ondas no ar, na mesma
freqüência, tem uma região aí onde o ouvinte vai escutar as duas de uma só vez!
A salada será um prato comum, uma vez que as ondas não obedecerão a divisão
política ou geográfica entre dois bairros!

Art. 6º. Compete ao Poder Concedente outorgar à entidade interessada


autorização para exploração do Serviço de Radiodifusão Comunitária,
observados os procedimentos estabelecidos nesta Lei e normas reguladoras
das condições de exploração do Serviço.

Parágrafo único. A outorga terá validade de três anos, permitida a renovação


por igual período, se cumpridas as exigências desta Lei e demais disposições
legais vigentes.

A "concessão" para operação da rádio comunitária será atribuída pelo


Ministério das Comunicações (conforme o Art. 9º, Parágrafo 1º, desta Lei). Os
procedimentos são explicados no artigo 25 da Lei. Mas ainda falta a
Regulamentação para que o processo seja aceito.

Até que saia a Regulamentação, o entendimento do Governo é de que a


Lei sancionada exige a "concessão oficial". Como ninguém, neste momento,
possui a autorização oficial, eles se acham no direito de apreender equipamentos,
lacrar emissoras, deter pessoas. Para o Governo, mesmo existindo Lei, é ilegal
manter rádio comunitária em atividade no país. A Constituição dá direito ao povo,
mas se até agora o Governo não obedeceu a Carta Magna, porque iria mudar de
opinião?

Art. 7º. São competentes para explorar o Serviço de Radiodifusão Comunitária


as fundações e associações comunitárias, sem fins lucrativos, desde que
legalmente instituídas e devidamente registradas, sediadas na área da
comunidade para a qual pretendem prestar o Serviço, e cujos dirigentes sejam
brasileiros natos ou naturalizados há mais de 10 anos.
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A entidade jurídica que vai administrar a rádio deve ser instalada na
região. Mas não há empecilho a que os transmissores e antenas se instalem em
outro bairro (onde há um morro, por exemplo).

Parágrafo único. Os dirigentes das fundações e sociedades civis autorizadas a


explorar o Serviço, além das exigências deste artigo, deverão manter residência
na área da comunidade atendida.

Art. 8º. A entidade autorizada a explorar o Serviço deverá instituir um Conselho


Comunitário, composto por no mínimo cinco pessoas representantes de
entidades da comunidade local, tais como associações de classe, beneméritas,
religiosas ou de moradores, desde que legalmente instituídas, com o objetivo de
acompanhar a programação da emissora, com vista ao atendimento do
interesse exclusivo da comunidade e dos princípios estabelecidos no art. 4º
desta Lei.

A instalação deste Conselho é fundamental para o caráter da rádio


comunitária. Sua função é administrar a rádio em toda sua amplitude, aí incluindo
os aspectos administrativos mas também programação musical e jornalismo. O
Conselho Comunitário deve ser o mais abrangente possível, não se limitando as
cinco entidades mínimas preconizadas pela Lei. Deve abarcar associações,
sindicatos, religiões (todas), associações,...

O Conselho Comunitário é o colegiado que determina como deve ser a


emissora comunitária.

Art. 9º. Para outorga da autorização para execução do Serviço de Radiodifusão


Comunitária, as entidades interessadas deverão dirigir petição ao Poder
Concedente, indicando a área onde pretendem prestar o serviço:

§ 1º. Analisada a pretensão quanto a sua viabilidade técnica, o Poder


Concedente publicará comunicado de habilitação e promoverá sua mais ampla
divulgação para que as entidades interessadas se inscrevam.

§ 2º. As entidades deverão apresentar, no prazo fixado para habilitação, os


seguintes documentos:

I - estatuto da entidade, devidamente registrado;

II - ata da constituição da entidade e eleição dos seus dirigentes, devidamente


registrada;
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III - prova de que seus diretores são brasileiros natos ou naturalizados há mais
de dez anos;

IV - comprovação de maioridade dos diretores;

V - declaração assinada de cada diretor, comprometendo-se ao fiel


cumprimento das normas estabelecidas para o serviço;

VI - manifestação em apoio à iniciativa, formulada por entidades associativas e


comunitárias, legalmente constituídas e sediadas na área pretendida para a
prestação do serviço, e firmada por pessoas naturais ou jurídicas que tenham
residência, domicílio ou sede nessa área.

O Ministério das Comunicações ainda não está apto a receber a petição.


Só depois que tiver a Regulamentação. A petição pode ser encaminhada em
caráter político, marcando presença, mas o Ministério não terá como atender
porque ainda está elaborando as normas para fazer a habilitação. Com a
Regulamentação, o pedido de outorga deve ser feito nas Delegacias (ANATEL)
ou Secretarias do Ministério nos estados. Mas, não está definido – talvez o pedido
tenha que ser feito diretamente em Brasília.

Enviar esta petição agora, enquanto se elabora a Regulamentação, não


dá garantia a nenhuma emissora de que receberá o certificado. A Lei aprovada
não estabelece que os primeiros a encaminharem petição neste momento terão
preferência na obtenção da "concessão".

Aliás, considerando que pela nova Lei há necessidade de outorga


oficial para funcionamento, e ninguém tem este documento, quem solicitar petição
se expõe diante do Governo, podendo haver repressão sob o argumento de
exercício de atividade ilegal, fazendo com que a repressão atue... É preciso
pensar duas vezes antes de fazer esta petição.

§ 3º. Se apenas uma entidade se habilitar para a prestação do Serviço e


estando regular a documentação apresentada, o Poder Concedente outorgará a
autorização à referida entidade.

§ 4º. Havendo mais de uma entidade habilitada para a prestação do Serviço, o


Poder Concedente promoverá o entendimento entre elas, objetivando que se
associem.
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§ 5º. Não alcançando êxito a iniciativa prevista no parágrafo anterior, o Poder


Concedente procederá à escolha da entidade levando em consideração o
critério da representatividade, evidenciada por meio de manifestações de apoio
encaminhadas por membros da comunidade a ser atendida e/ou por
associações que a representem.

§ 6º. Havendo igual representatividade entre as entidades, proceder-se-á à


escolha por sorteio.

Representatividade significa presença qualitativa dos segmentos sociais


na emissora. A associação responsável pela rádio deve buscar incorporar os
diversos segmentos que compõem a sociedade local. Significa ter como
associado pessoas físicas e jurídicas (sindicatos, associações...). Não significa
quantidade. Por exemplo, uma rádio que só tem evangélicos, ou católicos, como
associados, mesmo sendo em número gigantesco, não pode ser considerada
comunitária. Ou quando tem apenas sindicalistas de uma categoria. Uma
comunidade é representada pelas múltiplas expressões da natureza humana,
social e política. A emissora tem que possuir estas expressões. Tampouco pode
ser confundida com expressão financeira. O fato de determinada emissora possuir
como associadas pessoas físicas ou jurídicas com poder financeiro não lhe dá
maior representatividade.

Art. 10. A cada entidade será outorgada apenas uma autorização para
exploração do Serviço de Radiodifusão Comunitária.

Parágrafo único. É vedada a outorga de autorização para entidades prestadoras


de qualquer outra modalidade de Serviço de Radiodifusão ou de serviços de
distribuição de sinais de televisão mediante assinatura, bem como à entidade
que tenha como integrante de seus quadros de sócios e de administradores
pessoas que, nestas condições, participem de outra entidade detentora de
outorga para exploração de qualquer dos serviços mencionados.

Art. 11. A entidade detentora de autorização para execução do Serviço de


Radiodifusão Comunitária não poderá estabelecer ou manter vínculos que a
subordinem ou a sujeitem à gerência, à administração, ao domínio, ao comando
ou à orientação de qualquer outra entidade, mediante compromissos ou
relações financeiras, religiosas, familiares, político-partidárias ou comerciais.

Art. 12. É vedada a transferência, a qualquer título, das autorizações para


exploração do Serviço de Radiodifusão Comunitária.

Art. 13. A entidade detentora de autorização para exploração do Serviço de


Radiodifusão Comunitária pode realizar alterações em seus atos constitutivos e
modificar a composição de sua diretoria, sem prévia anuência do Poder
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Concedente, desde que mantidos os termos e condições inicialmente exigidos
para a outorga da autorização, devendo apresentar, para fins de registro e
controle, os atos que caracterizam as alterações mencionadas, devidamente
registrados ou averbados na repartição competente, dentro do prazo de trinta
dias contados de sua efetivação.

Art. 14. Os equipamentos de transmissão utilizados no Serviço de Radiodifusão


Comunitária serão pré-sintonizados na freqüência de operação designada para
o serviço e devem ser homologados ou certificados pelo Poder Concedente.

O termo "Equipamentos homologados" significa equipamentos com o


selo de qualidade do Ministério das Comunicações. São equipamentos cuja
eficiência técnica foi testada e aprovada pelo Ministério.

A homologação é dada ao equipamento e não à empresa. Existem


equipamentos nacionais e estrangeiros já homologados pelo órgão para baixa
potência (25 a 250 watts). Antes de adquirir tais equipamentos solicite o
certificado de homologação da empresa e confirme junto ao Ministério das
Comunicações. Não sendo homologado a emissora não terá a "concessão" para
operar.

Art. 15. As emissoras do Serviço de Radiodifusão Comunitária assegurarão, em


sua programação, espaço para divulgação de planos e realizações de entidades
ligadas, por suas finalidades, ao desenvolvimento da comunidade.

Art. 16. É vedada a formação de redes na exploração do Serviço de


Radiodifusão Comunitária, excetuadas as situações de guerra, calamidade
pública e epidemias, bem como as transmissões obrigatórias dos Poderes
Executivo, Judiciário e Legislativo, definidas em leis.

Originalmente, formar rede, significa fazer como as grandes emissoras


fazem: levar o mesmo sinal à emissoras filiadas. Se for este o entendimento, o
texto fica sem sentido porque, como se viu, rádio comunitária tem que ser única.
Não tem como existir rede de emissoras comunitárias!

A redação talvez tenha se equivocado, colocando a proibição quanto a


formação de rede quando deveria colocar proibição quanto a entrar em cadeia,
que é bem diferente. Entrar em cadeia significa várias emissoras transmitirem o
mesmo sinal, mas não necessariamente serem da mesma propriedade. Por
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exemplo, obrigatoriamente todas entrarão em cadeia para transmitir "A voz do
Brasil", os programas eleitorais, pronunciamentos do presidente da República...

Art. 17. As emissoras do Serviço de Radiodifusão Comunitária cumprirão tempo


mínimo de operação diária a ser fixado na regulamentação desta Lei.

As rádios comunitárias terão que ficar no ar por um tempo mínimo,


digamos, oito horas por dia. Quem não cumprir este dispositivo será punido. O
tempo mínimo de operação será estabelecido pela Regulamentação.

Art. 18. As prestadoras do Serviço de Radiodifusão Comunitária poderão admitir


patrocínio, sob a forma de apoio cultural, para os programas a serem
transmitidos, desde que restritos aos estabelecimentos situados na área da
comunidade atendida.

A princípio, "apoio cultural" significa apenas citação do nome da empresa


que patrocina o espaço. Por exemplo, "Programa Música na tarde; apoio cultural,
Lojas Clemente, Rua 14 de maio, em frente à Praça central". Não poderia, dizer,
por exemplo, que a "Loja Clemente tem promoção este mês de sapatos, a R$
20,00 e cintos a R$ 10,00..."

O Artigo também tem o caráter de limitar a publicidade (em apoio


cultural) aos estabelecimentos do bairro. Portanto, não admite propaganda de
empresas de fora.

Art. 19. É vedada a cessão ou arrendamento da emissora do Serviço de


Radiodifusão Comunitária ou de horários de sua programação.

Art. 20. Compete ao Poder Concedente estimular o desenvolvimento de Serviço


de Radiodifusão Comunitária em todo o território nacional, podendo, para tanto,
elaborar Manual de Legislação, Conhecimentos e Ética para uso das rádios
comunitárias e organizar cursos de treinamento, destinados aos interessados
na operação de emissoras comunitárias, visando o seu aprimoramento e a
melhoria na execução do serviço.
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Art. 21. Constituem infrações na operação das emissoras do Serviço de


Radiodifusão Comunitária:
I - usar equipamentos fora das especificações autorizadas pelo Poder
Concedente;

II - transferir a terceiros os direitos ou procedimentos de execução do


serviço;

III - permanecer fora de operação por mais de trinta dias sem motivo justificável;

IV - infringir qualquer dispositivo desta Lei ou da correspondente


regulamentação;

Parágrafo único. As penalidades aplicáveis em decorrência das infrações come


tidas são:

I - advertência;

II - multa; e

III - na reincidência, revogação da autorização.

Art. 22. As emissoras do Serviço de Radiodifusão Comunitária operarão sem


direito a proteção contra eventuais interferências causadas por emissoras de
quaisquer Serviços de Telecomunicações e Radiodifusão regularmente
instaladas, condições estas que constarão do 8seu certificado de licença de
funcionamento.

Art. 23. Estando em funcionamento a emissora do Serviço de Radiodifusão


Comunitária, em conformidade com as prescrições desta Lei, e constatando-se
interferências indesejáveis nos demais Serviços regulares de
Telecomunicações e Radiodifusão, o Poder Concedente determinará a correção
da operação e, se a interferência não for eliminada, no prazo estipulado,
determinará a interrupção do serviço.

Se uma rádio comunitária interfere numa comercial o Ministério das


Comunicações vai à comunitária e pune, exige a correção. Se uma emissora
comercial interfere na comunitária, Governo não faz nada! Estes dois Artigos –
discriminatórios por natureza - foram conquistas do Governo no debate no
Congresso; mostram de que lado FHC está, do lado dos ricos.
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3.1.2– Medida Provisória Nº 2.143-32

MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.143-32, DE 2 DE MAIO DE 2001. Altera


dispositivos da Lei n° 9.649, de 27 de maio de 1998, que dispõe sobre a
organização da Presidência da República e dos Ministérios, e dá outras
providências.

EMENDA MODIFICATIVA - Dê-se ao art. 30 da Medida Provisória nº 2.143-


32 a seguinte redação:

“Art. 30 O caput do art. 6º da Lei n° 9.612, de 19 de fevereiro de 1998, passa


a ter a seguinte redação:

Art. 6º Compete ao Poder Concedente, ouvidas as entidades da sociedade


civil representativas do setor, outorgar à entidade interessada autorização para
exploração do Serviço de Radiodifusão Comunitária, observados os
procedimentos estabelecidos nesta lei e normas reguladoras das condições de
exploração do serviço.”

3.2 DIREITO À INFORMAÇÃO

3.2.1 Pacto de San José de Costa Rica

O Brasil participou do Encontro Pan-americano de Democracia Cidadania e


Comunicação na cidade de San José em Costa Rica. Lá estiveram presentes
representantes de todas as nações Pan-americanas. Nesse encontro foram
discutidos assuntos dos mais relevantes no que toca a manutenção do Estado
Democrático e a consolidação da cidadania.

Nesse Encontro, chegou-se a conclusão que não se consolida a Democracia


enquanto não se garante pleno acesso do cidadão aos meios de comunicação.
Também concluíram que onde a Democracia mais "capengava" era onde ainda
não se democratizou os meios de comunicação.
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Por ocasião desse Encontro, os países ali presentes, através de seus
representantes, resolveram firmar um pacto onde se comprometiam em criar leis
que ajudasse o acesso do cidadão a esses meios, regulamentando as práticas e
incentivando as iniciativas populares de comunicação, deixando claro que "todo
cidadão Pan-americano tem o direito de fazer uso dos meios de comunicação
existentes e os meios que ainda estão por ser inventados".

Para tanto, o então Presidente da República, Itamar Franco, baixou o


Decreto no dia 6 de novembro de 1992, onde comprometia a legislação a garantir
os direitos lá firmados:

3.2.2 Decreto 678, de 06.11.92:

Art. 13. LIBERDADE DE PENSAMENTO E EXPRESSÃO

1. Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento e de expressão. Esse


direito compreende a liberdade de buscar, receber e difundir informações e
idéias de toda a natureza, sem consideração de fronteiras, verbalmente ou
por escrito, ou em forma impressa ou artística ou em qualquer outro processo
de sua escolha;

2. O exercício do direito previsto no início procedente não pode estar sujeito a


censura prévia, mas a responsabilidade ulteriores, que devem ser
"expressamente fixadas por Lei a ser necessárias para assegurar;

a) O respeito aos Direitos ou a reputação das demais pessoas ou;

b) A proteção da segurança nacional, da ordem pública, ou da saúde ou da


moral pública;

3. Não se pode restringir o direito por vias ou por meios indiretos, tais como o
abuso de controles oficiais ou particulares de papel de imprensa, de
freqüências radioelétricas ou de equipamentos ou aparelhos usados na
difusão de informação, nem por quaisquer outros meios destinados a obstar a
comunicação e a circulação de idéias e opiniões;
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De acordo com o demonstrado, conclui-se que, para o pleno funcionamento
das rádios comunitárias, o que falta é vontade política do governo em
regulamentar a matéria relativa a elas, que existem pela vontade do povo e pelo
livre exercício da democracia.
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FIGURA 1
Área de alcance da rádio comunitária o centro, “X” é a Associação de Moradores

Fonte: Novo Mapa de Boa Vista


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CAPÍTULO IV

4. ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS E INSTALAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS

4.1 Transmissor9

O transmissor a ser utilizado é homologado pelo Ministério das


Comunicações e possui as seguintes especificações técnicas.

Alimentação: 100 / 220 Volts AC 50 hz / 60 hz em rede monofásica;

Consumo Máximo de Potência: 25 Watts;

Temperatura Ambiente de Operação: 0ºC até 55ºC;

Ventilação: Forçada a ventilador;

Máxima Altitude: 3000 metros em reação ao nível do mar;

Máxima Umidade: 95% sem condensação;

9
Informações disponíveis no site do fabricante ( www.dbnet.com.br) , essas informações serão importantes
para a compra dos equipamentos, principalmente o transmissor.
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Dimensões Externas: 483mm de comprimento, 63mm de altura e 255mm de
profundidade;

Peso: 8 Kg;

Potência de Saída: 25W RMS;

Impedância de Saída: 50;

Conector de Saída: Tipo UHF;

Conector de Entrada de Áudio: I estéreo RCA, mono BNC;

Supressão de Harmônicos: > - 65db;

Supressão de Sinais Espúrios: > - 80db;

Impedância de Entrada de Áudio: 10 K Ohms em todas as entradas;

Distorção de Intermodulação em Mono: < 0,05 medido a 1 e 1,3 Khz, relação


de 1:1 a 100% de modulação;

Tipo de Modulação: Em FM, diretamente sobre a portadora;

Resposta de Freqüência: 75 Khz nominal a carga completa;

Separação de Canais Estéreo: > 65dB;

Pré-ênfase: norma 75us;

Distorção Harmônica: < 0,1% (Típica de 0,05%);

Relação Sinal / Ruído: > 75dB mono, > 70dB estéreo, medido com desvio
de 75 Khz em banda de 30 Hz à 15 Khz;

Modulação AM Residual Assíncrona: aprox. 0,05% (55dB);

Modulação AM Residual Síncrona: 0,1% (65dB);

Tempo de Ataque do Bloco limitador: 1ms;


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Tempo de Recuperação do Bloco limitador: 200ms;

Taxa Máxima de Compressão: 40:1 dB;

4.2 - A Antena

A antena é um dos principais equipamentos da Rádio Comunitária. Dela


depende a qualidade de sinal recebido pelo seu ouvinte, bem como a segurança e
a estabilidade da radiofreqüência emitida pela rádio. Deve ser de procedência
confiável e imprescindivelmente que sejam industrializados por uma empresa
idônea e reconhecida no mercado com tecnologia de ponta, que possa confiar
garantia de funcionamento, assistência técnica.

Por ocasião da proliferação das emissoras comunitárias (RadCom - Lei


9.612), surgiram repentinamente muitos curiosos de plantão com projetos
mirabolantes, mas sem nenhum suporte técnico para montá-los devidamente.
Esses experimentos têm provocado inúmeros problemas, causando até uma
péssima imagem no movimento, além do que, nem sempre oferecem garantias de
funcionamento nem qualidade suficiente e adequada para receberem uma
homologação de funcionamento pelo Ministério das Comunicações. Portanto,
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procurem saber da procedência da sua antena ao adquiri-la, uma vez que na
regulamentação, são exigidos equipamentos homologados no MiniCom.

Todo e qualquer antena transmissora deve ser instalada de forma correta:


Calibrada no local da transmissão por técnico competente, habilitado e
instrumentalizado. O mesmo se dá com o cabo coaxial que liga o transmissor à
antena, pois o bom funcionamento do sistema irradiante depende muito de vários
fatores técnicos, entre eles:

1 - A freqüência a ser utilizada;

2 - O dimensionamento do coaxial;

3 - O modelo da antena;

4 - Até mesmo a topografia e a concentração urbana da região

Tudo isso deve ser levada em conta. Não adianta a aquisição de um bom
equipamento se o mesmo for instalado de forma incorreta. O relapso nesses
detalhes pode levar a outros fatores inconvenientes, como por exemplo as
indesejáveis interferências em outras freqüências, o superaquecimento do
transmissor e seu conseqüente encurtamento da vida útil.
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A antena deve ser calibrada através de um medidor de Relação de Onda


Estacionária (R.O.E.), que deve apresentar o menor índice possível de potência
refletida. Lembrando que este é o detalhe mais delicado na instalação do sistema
irradiante.

Também, recomenda-se que o transmissor seja instalado o mais próximo


possível de sua antena, pois quanto maior for o cabo coaxial que liga o
transmissor à antena, maior será a perda de potência irradiada, sabendo-se que
ambos devem ser instalados em lugar ALTOS e ABERTOS.

A torre será instalada sobre terreno firme e plano. Com alicerces de


alvenaria para sustentação da mesma. Sabendo-se que quanto mais alta for a
torre, mais profundo deverá ser esse alicerce, no mínimo um quarto do tamanho
da torre de profundidade. Como a torre terá aproximadamente 10 metros de
altura, o alicerce deverá ter ao menos 2,5 metros de profundidade.

Além do alicerce, os estirantes de sustentação são muito importante,


principalmente que na nossa cidade os ventos são bem fortes. De acordo com as
recomendações do fabricante, nossa torre deverá ter dou jogos de três estirantes,
um a cada cinco metros. Formando anglo de 40 graus em relação ao eixo da
torre. Será instalado na torre um pára-raios, dois metros acima da antena e um
metro longe do seu eixo, pois só assim poderá se garantir sua eficiência.
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4.3 - Estúdio

Para as instalações de nossa rádio comunitária na sede da Associação de


Moradores do Bairro Tancredo Neves disponibilizaremos de uma sala onde será
adaptada para contemplar: estúdio, cabina do transmissor (tx). Somente o
estúdio, terá isolamento acústico.

O transmissor deve ficar em ambiente separado dos equipamentos de áudio


para evitar interferências indesejáveis (RAMI).

As mesas e cadeiras da cabina de locução ou estúdio, serão especiais, para


não serem barulhentas e a mesa será forrada com tecido especial próprio para
bancos de carro, com a finalidade de abafar ruídos desagradáveis.

Serão utilizados três aterramentos independentes e distantes um do outro,


sendo um para os equipamentos de som, outro para o transmissor e outro para o
pára-raios.

A Distribuição dos equipamentos obedecerá a padrões ergométricos de


maneira que todos os equipamentos deverão estar ao alcance das mãos de
maneira confortável e operacional.

O tipo de mesa padrão terá o formato da letra "U" com 1,80 m de largura por
1,80 de comprimento (quadrada) e ainda terá um vão interno de 1 metro. Seu
tampo terá 40 cm de largura. A altura será de 80 cm.

4.3.1 Equipamentos de estúdio

4.3.1.1 - Mesa de Som - Mistura o áudio de diversas fontes (CD Playes; MD;
Tape Deck etc). É importante ser de boa qualidade, principalmente quanto a
robustez dos controles deslizantes. Deve ter de preferência mecanismo de pré-
escuta e entradas de plugs variadas;

4.3.1.2 - CD Player - Deve ser utilizado o modelo profissional, o doméstico


quebra facilmente. O ideal é adquirir 02 (dois) equipamentos, mas se for utilizado
estúdio automatizado (computador) só um basta.
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4.3.1.3 - MD Player - É de uso obrigatório, muito versátil para gravação de
vinhetas, musica e comerciais. Todo equipamento para uso em radiodifusão tem
que ser do modelo profissional.

4.3.1.4- DVD Player - Este equipamento é bastante versátil, pois existem


modelos que podem reproduzir CD's CDR, CDRW e CD's de MP3 (áudio digital).
Só um disco com MP3 tem capacidade para 200 trilhas sonoras. Entretanto, este
equipamento não estar relacionado para a instalação inicial, sua aquisição se
dará posteriormente.

4.3.1.5 - Microcomputador – outro equipamento de fundamental importância


que será adquirido posteriormente para não onerar a instalação da emissora.
Será para sofisticar e utilizar o sistema automatizado deve comprar um
microcomputador na plataforma PENTIUM III, Memória RAM mínima de 128 Mb,
Disco Rígido de 30 Gb e Placa de Som Profissional Sound Blaster MP3.
Adquirindo um micro pode-se dispensar o uso dos CD Players.

4.4. BRIEFING DO PROJETO RADIOFÔNICO

4.4.1- Demanda:

Existente e limitada à área de alcance da emissora.

4.4.2- Público Alvo:

Moradores do bairro Tancredo Neves e bairros vizinhos que estão


dentro do raio de alcance de um quilometro a partir do ponto de irradiação.

4.4.3- Área de localização/Atuação:

Ponto de Irradiação no Bairro Tancredo Neves, atingindo parte dos


bairros, Asa Branca, Caimbé e Santa Tereza.
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4.4.4- Nível intelectual:

Apresenta grau de dificuldade na esfera popular, devido ao processo


de produção comunitária dos textos e programas veiculados, bem como o
nível geral do público ao qual é direcionado.

4.4.5- Articuladores:

Associações Comunitária e de Moradores, Associação de Pais e


Mestres da Escola Tancredo Neves, Grupo de Jovens, Clube de Mães
entre outros.

4.4.6- Identificação de ruídos/feed-back:

Os ruídos esperados permanecerão apenas até que o ouvinte/morador


reconheça na Radio comunitária um veículo direcionado a ele e feito por um
grupo da própria comunidade, havendo espaço destinado esclarecer suas
dúvidas e abordar temas que sejam de seu interesse numa linguagem clara
e de fácil entendimento.

4.4.7- Balanço Inicial:

Satisfatório, devido ao fato de o produto possuir características de fácil


aceitação. A expectativa é de que a radio obtenha ótima receptividade e
alcance a credibilidade esperada de um órgão de comunicação que
representa uma comunidade de base gerida por pessoas envolvidas com o
movimento popular e ligada umbilicalmente com a história de vida do povo.

4.5 ORÇAMENTO

O orçamento abaixo descrito, diz respeito ao material básico para o


investimento inicial de instalação da emissora. Vale ressaltar que a entidade
ABRAÇO – Associação Brasileira de Radio Comunitária e o Movimento Nacional
de Rádio Livre, em contato anterior se disponibilizaram de enviar representante
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(técnico e político) das respectivas entidades para instalar os equipamentos com
segurança e ainda ministrar um curso para os operadores da emissora.

Quanto a origem do recurso a ser investido, a própria comunidade, através


da Associação, comerciantes e pessoas está se propondo a realizar eventos para
arrecadar os valores necessários para a viabilização do projeto.
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ITEM DESCRIÇÃO VALOR R$

Transmissor de FM, em estado sólido, 25 W de potência com gerador de


01 2.800,00
estéreo, homologado pela ANATEL para categoria de Rádio Comunitária

Antena dipolo com ganho de 0 dB, 30m de cabo coaxial Kmp/RG 213 e
02 650,00
Rack 19”

05 02 (dois) Microfones profissionais 450,00

06 02 (dois) Pedestais para microfone (1 girafa) 120,00

02 (dois) CD Player profissional, com controle remoto, alimentação


07 1.000,00
110/220v.

08 MD Player profissional 800,00

Mesa de som, Entradas balanceadas: Conector XLR (MIC); Conector P10


(LINE); Controle de ganho: GAIN; Equalização em 3 vias: Graver: +/- 15 dB
(80 Hz), Médios: +/- 13 dB (2,7 KHZ), Agudos: +/- 15 dB (8 KHz); Auxiliares
09 870,00
1 e 2: Efeitos Stereo; Auxiliar 3: Monitores; Controle de endereçamento L &
R: PAN; Chave de endereçamento PFL (pré-escuta); Controle de volume; 2
canais stereo.

11 Rádio Gravador AM/FM com sintonia digital para monitoração 300,00

15 Head fone profissional 100,00

Cabos, conectores, plugs e adaptadores para interligação dos


18 300,00
equipamentos

19 Pára-raios 350,00

7.740
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CAPÍTULO V

5. ANÁLISE DA PESQUISA

O Bairro Tancredo Neves local do projeto


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O bairro Tancredo Neves está localizado na Zona este da Cidade de Boa
Vista, ladeado pelos bairros Asa Branca, Caimbé, Santa Tereza, Cambará e
Caranã. Possui, segundo o IBGE (Censo 2000), 6.735 habitantes, com uma
grande parcela de migrantes nordestinos, em especial do Maranhão e do Ceará.
A renda média é de apenas R$ 477,00 por pessoa.

No Bairro, Av. Ataíde Teive, existe um importante centro comercial, onde se


destaca a chamada Feira do Garimpeiro, todo o domingo. Representando uma
importante contribuição para a economia do Bairro.

No intuito conhecer o pensamento da comunidade do bairro sobre o assunto


abordado neste trabalho, foi feito uma pesquisa de campo com auxílio de algumas
lideranças da Associação de Moradores para a aplicação de questionário. O
questionário foi aplicado a 110 moradores do bairro Tancredo Neves; que foi
assim distribuído:

- 55 homens; 40 com mais de 30 anos de idade; 40 com o ensino


fundamental concluído; 15 residem no bairro há mais 5 anos, 10 há mais de 9
anos; os demais residem no bairro há mais ou menos 2 a 13 anos.

- 55 mulheres; 35 com mais de 30 anos de idade; 30 com o ensino médio


concluído; 15 residem no bairro há mais de 5 anos, 20 residem no bairro há mais
ou menos 7 e 10 anos, e o restante entre 6 meses e 7 anos.

A partir da análise, chegou-se aos seguintes resultados:

Questão 01. Se ouve rádio.

A maioria das pessoas respondeu afirmativamente, apenas 5 disseram não


ouvir rádio com freqüência.
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Questão 1
Se ouve rádio

5%

sim
não

95%

Questão 02. Com que freqüência ouve rádio.

- 40 pessoas responderam que só escutam rádio de vez em quando, à noite.

- 65 pessoas responderam que escutam rádio todos os dias, pela manhã.

Questão 2
Com que frequência ouve rádio

escutam rádio todos


os dias, pela manhã
38%

escutam rádio de vez


62% em quando, à noite

Questão 03. Qual a programação preferida.

- 30 pessoas responderam que preferem uma programação variada.


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- 30 pessoas responderam que preferem ouvir notícia.

- 20 pessoas responderam que preferem ouvir música.

- 10 pessoas responderam que preferem ouvir música e notícia.

- 10 pessoas responderam que preferem ouvir música e variedades.

- 5 pessoas responderam que preferem ouvir música e esporte.

- das 5 pessoas que freqüentemente não ouve rádio, quando ouve, preferem
notícia.

- 5 pessoas responderam que preferem ouvir esporte.

Questão 3 programação variada


Programação preferida preferem notícia
4%
4% 4% 27% preferem música
9% preferem música e notícia

preferem música e variedade

9% preferem música e esporte

preferem notícia
17% 26%
preferem esporte

Questão 04. Opinião sobre a programação que ouve.

- 20 pessoas responderam que a programação é péssima; sendo 10 que


preferem música e variedades e 10 que prefere apenas variedade.

- 55 pessoas responderam que a programação é razoável; sendo 10 que


preferem música e notícia; 5 que preferem notícia; 30 que preferem variedade; 5
que preferem música; 5 que preferem música e esporte.

- 25 pessoas responderam que a programação é boa; sendo 5 que prefere


música; 5 prefere esporte; 5 prefere notícia; 5 prefere variedade.
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- 10 pessoas responderam que a programação é ruim; que preferem notícia.

Questão 4
Opinião sobre a programação que ouve

9% 18%
23% péssima
razoável
boa
50% ruim

Questão 05. Se já ouviu falar em rádio comunitária.

- 85 pessoas responderam que sim, 25 que não. Das que não conhecem, 15
são do sexo feminino, sendo que 10 concluíram apenas o ensino fundamental, 10
são do sexo masculino, que também só concluíram o ensino fundamental. Dessas
25 pessoas, têm mais de 30 anos de idade.

Dos que conhecem, 40 são mulheres; das quais, 25 têm mais de 30 anos de
idade, e 25 cursou o ensino médio. 45 são do sexo masculino; dos quais, 40 tem
mais de 30 anos de idade, e 25 concluiu apenas o ensino fundamental.
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Questão 5
Já ouviu falar em rádio comunitária

23%

sim
não

77%

Questão 06. A opinião sobre ter uma emissora de rádio voltada para a
realidade da comunidade do bairro.

- 70 pessoas considera que é uma boa idéia;

- Para 35 pessoas é uma necessidade;

- Para 5 pessoas é uma idéia para o futuro.

Entre estes estão os que disseram não saber o que é uma rádio comunitária,
e só responderam essa questão após explicação do autor deste projeto. A
maioria, 20 pessoas, considera uma boa idéia.

Das que consideram uma boa idéia, 40 são do sexo feminino; sendo
também desse sexo 20 das que consideram uma necessidade.
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Questão 6
O que acha de o bairro ter uma emissora de rádio voltada
para a realidade da comunidade
5%

32% boa idéia

uma necessidade
63%

idéia para o futuro

Questão 07. Qual deve ser a programação principal da emissora.

- 35 pessoas responderam que deve ser de cunho social, informando a


comunidade.

de cunho social, informando a


comunidade
Questão 7 educativa e cultural
Qual deve ser a programação apenas musica
principal da emissora música e informação

notícia

educativa, cultural e esportiva

educação, saúde, agricultura

notícia, cultura, esporte

educação, saúde

infantil, musical, informativa

não souberam opinar

- 25 pessoas responderam que deve ser educativa e cultural.

- 10 pessoas responderam que deve ser apenas música.

- 5 pessoas responderam que deve ter muita música e informação.

- 5 pessoas responderam que deve ser só notícia.


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- 5 pessoas responderam que deve ser educativa, cultural e esportiva.

- 5 pessoas responderam que deve conter educação, saúde e agricultura.

- 5 pessoas responderam que deve conter notícia, cultura e esporte.

- 5 pessoas responderam que deve conter educação e saúde.

- 5 pessoas responderam que deve ser infantil, musical e informativa.

- 5 pessoas não souberam opinar.

Questão 08. O que a emissora deve divulgar.

Questão 8
O que a emissora deve divulgar
de interesse da comunidade

programação diversificada

23% deve divulgar música


45%
divulgar notícia
5%
9% programação educativa e cultural
9% 9%
notícia, comerciais locais, saúde,
educação,música

- 50 pessoas disseram que a emissora deve divulgar assuntos referentes ao


bairro, de interesse da comunidade, como eventos sociais, campanhas de saúde,
promoção do comércio local, esporte, segurança etc.

- 10 pessoas disseram que a emissora deve ter uma programação


diversificada, com música, esporte, notícia.

- 10 pessoas disseram que a emissora deve divulgar apenas música.

- 10 pessoas disseram que a emissora deve divulgar apenas notícia.


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- 5 pessoas afirmaram que deve ser uma programa apenas educativa e
cultural.

- As demais responderam que deve divulgar notícias, comerciais locais,


saúde, educação e música.

Questão 09. De que forma uma rádio comunitária pode ajudar a comunidade
de um bairro.

- Para 55 pessoas a rádio pode ajudar informando a comunidade sobre o


que está acontecendo no bairro, na cidade; esclarecendo dúvidas e explicando as
notícias;

- Para 35 pessoas, pode facilitar a vida dos moradores, direcionando-os na


solução de seus problemas do dia-a-dia.

- Para 15, pode ajudar a comunidade a se organizar.

Para 5, pode ajudar na conscientização da comunidade.

Questão 9
Como a rádio comunitária pode ajudar
a comunidade do bairro
informando a comunidade
14% 5% sobre o que acontece no
49% bairro
direcionando os moradores
na solução de seus
problemas
ajudando a comunidade a
32% se organizar

contribuir para a
conscientização da
comunidade

Questão 10. Se a pessoa está disposta a contribuir para o funcionamento da


rádio.

Todas responderam afirmativamente.


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A partir da análise, conclui-se que a população recebe positivamente a idéia
de instalação e gerenciamento de uma rádio comunitária no bairro Tancredo
Neves; demonstrando, em termos, conhecer a utilidade de um meio de
comunicação como o sugerido neste projeto.

Duas respostas chamaram a atenção: a primeira, onde 100% afirmam ouvir


rádio; e a segunda, onde todos se predispõe a contribuir de alguma forma para o
funcionamento da rádio.
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CRONOGRAMA

ATIVIDADES JULHO AGOSTO SETEMBRO OUTUBRO

1-15 16- 1-15 16-30 1-15 16-31 1- 16-30


31 15
Coleta de dados
existentes
Seleção de bibliografia
Estudo de Bibliografia
Aplicação de
questionários
Entrevistar a pessoas.
Reuniões com
comunidade e palestras
Sistematização dos
dados e orçamento
Primeira redação.
Revisão e correção
Redação final
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CONCLUSÃO

A pesquisa bibliográfica, análise da legislação existente e, por ultimo a


pesquisa de campo demonstram a viabilidade do projeto. Desta forma a idéia de
se ter um veiculo eletrônico de comunicação gerido pela própria comunidade, que
mesmo com a baixa potencia e um alcance dentro do raio de um quilometro, cujo
conteúdo será produzido e apresentado pela própria comunidade é perfeitamente
possível.

Levando-se em conta, também, a atual conjuntura do país, em que


caminhamos para a vitória de um candidato que se propõe a fazer um governo
democrático e popular, aumenta a possibilidade de este projeto sair do papel e
irradiar notícias, cultura e educação no bairro Tancredo Neves. A comunidade
está ansiosa e disposta a ajudar.
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BIBLIOGRAFIA

FRANÇA, Fábio e FREITAS, Sidineia Gomes. Manual da Qualidade em Projetos de


comunicação – São Paulo: Pioneira 1997.

Site da CENAD – Centro Nacional de Auto-desenvolvimento


www.cenad.signet.com.br

Cartilha de RADIO COMUNITÁRIA – Coletivo Petista no Congresso Nacional –


Organização Deputado Federal Fernando Ferro.

Lei n.º 4.117, de 27 de agosto de 1962, modificada pelo Decreto-lei n.º 236, de 28 de
fevereiro de 1967.

Lei n.º 9.612, de 19 de fevereiro de 1998, que institui o Serviço de Radiodifusão


Comunitária.

Decreto n.º 52.795, de 31 de outubro de 1963, que aprova o Regulamento dos Serviços
de Radiodifusão, e suas alterações.

Decreto n.º 2.615, de 3 de junho de 1998, que aprova o Regulamento do Serviço de


Radiodifusão Comunitária.

Portaria nº 017, de 31 de janeiro de 1983, que dá nova redação à N-07/80 - Norma


Técnica para a Execução do Serviço de Radiodifusão Sonora em Freqüência
Modulada.
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ANEXO I

PROJETO EXPERIMENTAL DE IMPLEMENTAÇÃO E GERENCIAMENTO DE


RÁDIO COMUNITÁRIA NO BAIRRO TANCREDO NEVES

Questionário aplicado à população do Bairro Tancredo Neves

Idade: ____________________________________________________________

Tempo que mora no bairro: ___________________________________________

Escolaridade: ______________________________________________________

Sexo: ( ) masculino ( ) feminino

1- Ouve rádio? ( ) sim ( ) não

2- Com que freqüência? ( ) todo o dia ( ) de vez em quando

( ) final de semana ( ) manhã ( ) tarde ( ) noite ( )

3- Programação preferida:

( ) música ( ) notícia ( ) esporte ( )variedade


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4- Qual a opinião sobre a programação?

( ) é boa ( ) é ruim ( ) razoável ( ) péssima

5- Já ouviu falar em rádio comunitária?

( ) sim ( ) não

6- O que você acha de ter no bairro Tancredo Neves uma emissora de rádio
voltada para a realidade da comunidade desse bairro?

( ) uma boa idéia ( ) uma necessidade ( )uma idéia para o futuro

( ) não há necessidade

7- Qual deve ser a programação principal da emissora?

______________________________________________________________

8- O que deverá ser divulgado na emissora?

______________________________________________________________

9- Acha que uma emissora como esta poderá auxiliar a comunidade? De que
forma?

______________________________________________________________

10- Está disposto a contribuir de alguma forma para o funcionamento desta rádio?

______________________________________________________________