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Supremo Tribunal Federal

MEDIDA CAUTELAR NO HABEAS CORPUS 110.792 RIO GRANDE DO SUL

RELATOR : MIN. LUIZ FUX


PACTE.(S) : ANTONIO RICARDO SILVEIRA VASCO
IMPTE.(S) : DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO
PROC.(A/S)(ES) : DEFENSOR PÚBLICO-GERAL FEDERAL
COATOR(A/S)(ES) : SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

PENAL. ESTATUTO DO DESARMAMENTO.


HABEAS CORPUS. LIMINAR. ARMA DE FOGO
COM NUMERAÇÃO RASPADA – ART. 16,
PARÁGRAFO ÚNICO, INC. IV, DA LEI N.
10.826/03. DESCLASSIFICAÇÃO PARA O CRIME
DE PORTE DE ARMA DE FOGO DE USO
PERMITIDO, ANTE A CIRCUNSTÂNCIA DE QUE
A ARMA RASPADA NÃO É SUFICIENTE PARA
CLASSIFICÁ-LA COMO ARMA DE USO
PROIBIDO OU RESTRITO. IMPROCEDÊNCIA:
CRIME, IN CASU, SEM VINCULAÇÃO COM OS
DELITOS DE PORTE DE ARMA DE FOGO DE
USO PERMITIDO OU PROIBIDO, DESCRITOS
NOS ARTS. 14 E 16, CAPUT, DA LEI N.
10.826/03. IRRELEVÂNCIA DA CLASSIFICAÇÃO
DA ARMA, COMO DE USO PERMITIDO OU
PROIBIDO, PARA A CONSUMAÇÃO DO CRIME
AUTÔNOMO DESCRITO NO INC. IV DO
PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 16 DO ESTATUTO
DO DESARMAMENTO.
- Liminar indeferida.

DECISÃO: Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar,


impetrado contra decisão que deu provimento ao Recurso Especial n.
1.134.357, verbis:

“Trata-se de recurso especial interposto pelo MINISTÉRIO


PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, com

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O
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HC 110792 MC / RS

fundamento na alínea ‘a’ do inciso III do artigo 105 da


Constituição da República, contra acórdão do e. Tribunal de
Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, assim ementado:

‘PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. SENTENÇA


CONDENATÓRIA. APELAÇÃO.
Apelo defensivo acolhido para reclassificar o fato
como crime previsto no art. 14 e não no art. 16, parágrafo
único, inciso IV da Lei nº 10.826/2003, por se cuidar do
revólver apreendido com o réu arma de fogo de uso
permitido, sem relevância classificatória o fato de ostentar
numeração raspada, redimensionando-se a pena privativa
de liberdade aplicada.’ (fl. 324)

Em suas razões recursais, alega a parte recorrente que o


acórdão recorrido violou o artigo 15, parágrafo único, inciso IV,
da Lei 10.826/03.
Ao final, requer o provimento do recurso para que,
reformado o v. acórdão recorrido, seja o acusado condenado
pelo crime previsto no supramencionado dispositivo legal.
Contrarrazões apresentadas (fls. 354/358).
Admitido o recurso no Tribunal de origem (fls. 360/362),
ascenderam os autos a esta Corte Superior de Justiça.
O Ministério Público Federal opinou pelo provimento do
recurso especial (fls. 369/371).
É o relatório.
DECIDO.
De plano, denota-se que o v. acórdão hostilizado adotou
entendimento divergente do perfilhado pela jurisprudência
desta Corte Superior de Justiça. Isso porque, a orientação
jurisprudencial deste Sodalício firmou-se no sentido de que se a
pessoa é surpreendida portando arma com numeração raspada,
incide no crime do artigo 16, parágrafo único, IV, da Lei
10.826/03, pouco importando seja a arma de uso permitido,
restrito ou proibido. A esse respeito, confiram-se os seguintes
precedentes:

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HC 110792 MC / RS

‘RECURSO ESPECIAL. PORTE DE ARMA DE FOGO


DE USO PERMITIDO. NUMERAÇÃO RASPADA. CRIME
PREVISTO NO ART. 16 DA LEI Nº 10.826/03. RECURSO
PROVIDO.
1. O porte de arma de fogo com numeração raspada
se adequa ao crime do artigo 16, parágrafo único, IV, da
Lei nº 10.826/03, pouco importando seja a arma de uso
permitido, restrito ou proibido.
2. Na espécie, tendo o recorrido sido surpreendido
portando arma de fogo de uso permitido com numeração
suprimida, incabível a desclassificação de sua conduta
para aquela prevista no art. 14 do Estatuto do
Desarmamento.
3. Recurso especial provido a fim de restabelecer a
sentença condenatória.’
REsp 1047664/RS, Rel. Min. JORGE MUSSI, QUINTA
TURMA, julgado em 21/09/2010, DJe 11/10/2010)

‘RECURSO ESPECIAL. PENAL. PORTE ILEGAL DE


ARMA DE FOGO COM NUMERAÇÃO RASPADA.
CRIME DO ART. 16, PARÁGRAFO ÚNICO, INCISO IV,
DA LEI Nº 10.826/03. ARMA DE USO PERMITIDO,
RESTRITO OU PROIBIDO. IRRELEVÂNCIA.
DESCLASSIFICAÇÃO PARA O CRIME DO ART. 14 DO
ESTATUTO DO DESARMAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
RECURSO PROVIDO.
1. Apesar de o caput do art. 16 da Lei nº 10.826/03
referir-se a armas de fogo, munições ou acessórios de uso
proibido ou restrito, o parágrafo único, ao incriminar a
conduta de porta arma de fogo modificada, refere-se a
qualquer arma, sendo irrelevante o fato de ela ser de uso
permitido, proibido ou restrito.
2. Recurso provido.’
(REsp 918.867/RS, Rel. Ministra LAURITA VAZ,
QUINTA TURMA, julgado em 28/09/2010, DJe 18/10/2010)

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HC 110792 MC / RS

In casu, verifica-se que o entendimento firmado pela e.


Corte de origem está em contraste com a jurisprudência do STJ,
devendo, portanto, ser reformado.
Diante do exposto, nos termos do art. 557, § 1º-A, do
Código de Processo Civil, DOU PROVIMENTO ao recurso
especial para, reformando o v. acórdão recorrido, restabelecer a
r. sentença condenatória.
[…].”

O paciente foi preso em flagrante, em 06/12/2006, portando um


revólver calibre 38, marca Rossi, com numeração raspada, e denunciado
como incurso no art. 16, parágrafo único, inciso IV, da Lei n. 10.2826/03.
Sobreveio, em 04/07/2008, sentença condenando-o à pena de 3 (três)
anos de reclusão, em regime inicial aberto, pelo crime de porte de arma
de uso restrito ou proibido, tipificado no art. 16 da Lei n. 10.286/03,
substituída a pena privativa de liberdade por duas restritivas de direito
consistentes em prestação de serviços comunitários e pecuniária, sendo-
lhe concedido o direito de apelar em liberdade.
Irresignada, a defesa apelou requerendo a desclassificação para o
crime do art. 14 da Lei do Desarmamento, vale dizer, para o delito de
porte de arma de uso permitido, sob o argumento de que a circunstância
de a arma ser raspada não autoriza sua classificação como de uso restrito,
tendo o TJ/RS provido o apelo, verbis:

“PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. SENTENÇA


CONDENATÓRIA. APELAÇÃO.
Apelo defensivo acolhido para reclassificar o fato como
crime previsto no art. 14 e não no art. 16, parágrafo único, inciso
IV da Lei nº 10.826/2003, por se cuidar do revólver apreendido
com o réu arma de uso permitido, sem relevância classificatória
o fato de ostentar numeração raspada, redimensionando-se a
pena privativa de liberdade aplicada.”

A pena foi redimensionada para 2 anos de reclusão.

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Daí o REsp do Ministério Público, provido pelo STJ para restabelecer


a sentença condenatória.
A impetrante, Defensoria Pública da União, insiste em que o fato de
a arma de fogo ostentar numeração raspada não autoriza sua classificação
para arma de uso restrito ou proibido.
Requer a concessão de liminar a fim de suspender os efeitos da
decisão ora impugnada, até o julgamento definitivo deste writ, e, no
mérito, o deferimento para restabelecer o acórdão da Corte estadual.
É o relatório.
DECIDO.
verifico, ab initio, que a defesa não interpôs agravo regimental da
decisão monocrática que proveu o recurso especial da acusação, o que,
em tese, é suficiente ao não conhecimento do presente writ.
O art. 16 descreve várias núcleos relacionados com arma de fogo,
acessório ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização legal
ou em desacordo com determinação legal ou regular e comina pena de 3
(três) a 6 (seis) anos de reclusão e multa, ao passo que seu parágrafo
dispõe que “Nas mesmas penas incorre quem:

I – Suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer


sinal de identificação de arma de fogo ou artefato;
II – modificar as características de arma de fogo, de forma
a torná-la equivalente a arma de fogo de uso proibido ou
restrito ou para fins de dificultar ou de qualquer modo induzir
a erro autoridade policial, perito ou juiz;
III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato
explosivo ou incendiário, sem autorização ou em desacordo
com determinação legal ou regulamentar;
IV – portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer
arma de fogo com numeração, marca ou qualquer outro sinal
de identificação raspado, suprimido ou adulterado; [grifei]
V) vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente,
arma de fogo, acessório, munição ou explosivo a criança ou
adolescente; e
VI) produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal,

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ou adulterar, de qualquer forma, munição ou explosivo.”

As condutas descritas nos incisos I a VI do parágrafo único do art.


16 da Lei n. 10.826/03 constituem crimes autônomos, sem qualquer
relação com a conduta descrita no caput. Infere-se daí que a finalidade do
parágrafo único foi tão somente a de cominar a mesma pena do crime
tipificado no caput aos crimes autônomos tipificados nos incisos I a VI.
A técnica legislativa não é das melhores, mas isso não autoriza
interpretações equivocadas, porquanto não se cogita do tipo descrito no
art. 16 do Estatuto do Desarmamento, mas da figura típica descrita no
inciso IV de seu parágrafo único; vale dizer, a classificação da arma como
de uso permitido ou proibido é irrelevante à subsunção do fato à norma.
Ex positis, INDEFIRO a liminar.
Os autos estão suficientemente instruídos, por isso dispenso a
requisição de informações e dou vista ao Ministério Público Federal.
Publique-se. Int..
Brasília, 21 de fevereiro de 2013.
Ministro LUIZ FUX
Relator
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