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AOS PRESBÍTEROS, AOS JOVENS E À IGREJA

1 Pedro 5:1-14

1 Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo,
e ainda co-participante da glória que há de ser revelada:
2 pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus
quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade;
3 nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho.
4 Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória.
5 Rogo igualmente aos jovens: sede submissos aos que são mais velhos; outrossim, no trato de uns com os outros,
cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça.
6 Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte,
7 lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.
8 Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém
para devorar;
9 resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade
espalhada pelo mundo.
10 Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um
pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar.
11 A ele seja o domínio, pelos séculos dos séculos. Amém!
12 Por meio de Silvano, que para vós outros é fiel irmão, como também o considero, vos escrevo resumidamente,
exortando e testificando, de novo, que esta é a genuína graça de Deus; nela estai firmes.
13 Aquela que se encontra em Babilônia, também eleita, vos saúda, como igualmente meu filho Marcos.
14 Saudai-vos uns aos outros com ósculo de amor. Paz a todos vós que vos achais em Cristo.

INTRODUÇÃO

O último capítulo da carta de Pedro apresenta vários conselhos para a igreja dispostos
em basicamente três categorias: aos presbíteros, aos jovens e à igreja em geral. São
orientações visando a estrutura e o bem maior do povo de Deus. Como o próprio apóstolo
mostra, o objetivo é “aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar” (v. 10). Nesse sentido, a
seguinte mensagem trará a exposição desses temas com algumas aplicações.

I – AOS PRESBÍTEROS. vv. 1-4

Pedro inicia sua mensagem, nessa perícope, direcionando-se aos presbíteros. O


objetivo desse trecho é alcançá-los para correção e exortação. Ele faz isso rogando. Ele não
tem uma postura de autoridade dominadora, impositiva. Mas, roga, pede, suplica para que
os presbíteros ouçam seus conselhos. “Em vez de mandar, Pedro prefere rogar, e rogar com
senso de urgência”1.
O apóstolo age com humildade, não se coloca como superior aos outros, mas se
identifica como “presbítero com eles”, ou seja, é um irmão, um líder na mesma estatura que
os outros, “e o faço na qualidade de presbítero como eles” (NVI); não como uma espécie de
bispo superior aos demais, não como um papa digno de maior honra, mas como um co-
igual2.
Mesmo tendo sido testemunha dos sofrimentos de Cristo e tendo a consciência de que
é participante da glória futura que será revelada pelo Senhor, o apóstolo trata com seus
liderados com muita humildade. Não se reconhecendo superior, nem melhor por conta dos

1
LOPES, Hernandes Dias. 1Pedro: com os pés no vale e o coração no céu. São Paulo: Hagnos, 2012. p. 166.
2Quão distante é a atitude de Pedro da posição em que o catolicismo romano o colocou! A declaração de que Pedro foi o
primeiro papa, o bispo universal da igreja, o vigário de Cristo na terra, a pedra fundamental sobre a qual a igreja foi
edificada, está em total desacordo com o ensino das Escrituras. Idem.
privilégios que alcançou na fé, no sentido de ter sido testemunho ocular de Cristo, e ter sido
chamado para uma excelente missão.
Na verdade, Pedro preenche os requisitos de pastor, que ele mesmo elencará
posteriormente, ou seja, ele não age como um dominador, mas como modelo; é humilde, ao
contrário de arrogante e age com total espontaneidade e liberdade, não forçado ou
constrangido. Tais condições são imprescindíveis para o exercício do pastorado!
Um ponto interessante é o primeiro imperativo para os presbíteros: “pastoreiem o
rebanho de Deus que está aos seus cuidados”3. Parece óbvio, mas necessário frisar que o
presbítero deve pastorear o rebanho. Eles precisam saber qual a atribuição clara de sua
função. Devem saber que o povo de Deus necessita de pastores. Ademais, a frase indica
ainda que poderia haver alguns que não pastoreavam. Havia muitos “pastores” não pastores!
Até hoje o chamado pastoral ainda é mal compreendido, por vezes temos “pastores” que
fazem de tudo, menos pastorear! São empresários, políticos, marqueteiros, promoters; tudo,
menos pastores!
Depois de falar para os presbíteros pastorearem, foi muito salutar a colocação de que
o rebando é de Deus. Não é do pastor. Ele está apenas aos cuidados momentâneos e limitados
do pastor, mas pertence ao Senhor. Ninguém pode se apropriar desse rebanho! A igreja não
é propriedade exclusiva de homens.
Por ser de Deus, o presbítero já deve ter em mente que deverá prestar contas de seu
serviço. O rebando deverá ser bem cuidado. Deverá estar forte e crescer. Um mal pastor
apresentará um péssimo rebanho. Um bom pastor, nutrirá as ovelhas e as fará crescer e
multiplicar!
Mas, quais os princípios pelos quais os presbíteros deverão exercer seu chamado?
Vejamos os aspectos negativos e positivos da prática pastoral.

a) Pastoreai não por constrangimento/mas espontaneamente

O pastor não deve exercer sua função por obrigação, como se estivesse sendo
constrangido para isso. Esse serviço deve ser exercido por vocacionados que amam a obra
do Senhor. “Ninguém pode ser constrangido a ocupar uma posição de liderança na igreja. O
presbiterato deve ser um ministério espontâneo (1 Tm 3.1). O comissionamento divino não
contradiz a aspiração humana”4. O trabalho deve ser um prazer, uma honra, uma satisfação.
Agir por obrigação, ou de má vontade não representa o sentimento legítimo que deve ter o
presbítero. Não se pode ser presbítero por pressão externa, mas por convicção interna.
Assim, ao contrário de uma obrigação, sua prática deverá ser espontânea, cheia de
satisfação.

b) Pastoreai não com sórdida ganância/mas pelo desejo de servir

A motivação para servir não deve ser o dinheiro! O ministério não é feito para
enriquecer pessoas, mas para salvar vidas. A avareza é criticada nas Escrituras; é pecado. O
amor ao dinheiro ainda é tido como a raiz de todos os males. Não se deve entrar no ministério
visando lucrar com isso, para obter vantagens financeiras. O pastor não deve pensar na
recompensa, mas servir pelo legítimo desejo de trabalhar para o Senhor.
Outras falhas quanto à motivação em relação ao ministério são a busca pela fama, o
desejo de sucesso, a visibilidade que o título de pastor traz. Enfim, motivações erradas
produzem falsos ministros.

3 Onde quer que as igrejas primitivas fossem organizadas, presbíteros eram eleitos (At 14.23, 15.2, 6, 22; 20.17, 18, 28;
Fp 1.1; 1 Tm 5.17; Tt 1.5; Tg 5.14). Na verdade, os presbíteros eram os anciãos que lideravam as igrejas (At 20.17), os
bispos que supervisionavam as igrejas e os pastores que apascentavam as igrejas (At 20.28). Idem. p. 167.
4 Idem. p. 168.
c) Pastoreai não como dominadores/mas como modelo

Por fim, a tirania é totalmente rejeitada no povo de Deus. O pastor não é o dono da
igreja, do rebanho. Não controla a vida das pessoas. Sua ação é limitada e ninguém lhe deve
obediência absoluta. Obediência absoluta somente a Deus que é perfeito! Claro que se deve
respeitar o líder, deve-se ouvir a mensagem e conselhos bíblico que por ele são trazidos, deve-
se considerar que Deus o está direcionando para guiar o rebanho, contudo, quando o mesmo
se desvia de seus limites, impondo condições dominadoras, deve-se saber que o mesmo não
representa a vontade de Deus. Deus não escolhe dominadores para liderar sua obra.
O alerta surge para se evitar o coronelismo na igreja. Não se pode ter uma comunidade
com um coronel comandando tudo. Com um ditador com poderes absolutos sendo impostos.
Não deve ser assim o funcionamento da igreja.
É preciso lembrar à liderança que o rebanho é de Deus e não propriedade privada! O
supremo pastor é um só: Jesus Cristo!

d) Recompensa

O Senhor tem recompensa para os que o servem. Ele é um Deus galardoador. Apesar
de nosso serviço não ser feito com base no ganho, o Senhor se agrada em abençoar seu povo.
Assim, o pastor fiel será agraciado, na vinda do Supremo Pastor, com a imperecível coroa da
glória” (NVI); com a “participação perpétua na sua glória e na sua honra” (VIVA).

APLICAÇÃO

Pastorear é uma nobre missão. Paulo disse: “quem aspira ao episcopado, excelente
obra almeja” (1 Tm 3.1). É preciso realmente um chamado específico de Deus para essa área.
Um pastor não deve agir com má vontade, relaxadamente ou por obrigação. Aos líderes e
presbíteros: estamos agindo com má vontade? Fazendo a obra de Deus por obrigação? Caso
esse seja o caso, que nos arrependamos rapidamente e busquemos a graça de Deus para
exercermos adequadamente o ministério, ou que Deus nos reconduza aonde possamos servir
de modo mais adequado.
O pastor não deve pastorear por ganância. Em nossa época vemos casos escandalosos
do “mercadejamento” da fé. Igrejas se transformando quase em balcão de negócios. Homens
praticamente extorquindo o dinheiro das pessoas. Pastores que cobram para pregar! Pastores
que viraram magnatas, com mansões, carros importados e até aviões! Igrejas que funcionam
como franquia. E, para nosso assombro, igrejas inteiras sendo negociadas a portas fechadas
como se fossem lojas. Tudo isso tem o contexto da ganância, do fazer a obra por dinheiro.
Não devemos fazer isso e nem mesmo ser coniventes com o erro! Jesus Cristo expulsou os
cambistas do templo porque tinham esse mesmo comportamento! A fé não é fonte de lucro.
Não é um negócio, mas uma vida! A igreja não deve aceitar esse tipo de pastor!
Por fim, o pastor não deve ser dominador do rebanho. Há uma ideologia no meio cristão
que obriga o crente a pedir autorização do pastor até mesmo sobre questões pessoais, tais
como: com quem casar, onde trabalhar, em quem votar, quando e para onde viajar, sobre
amizades, etc. É um verdadeiro coronelismo da fé. Comunidades inteiras dominadas por um
líder. Isso é um absurdo e afronta ao padrão bíblico de ministério. O pastor não deve oprimir
e tiranizar o povo. Até porque o rebanho não é seu, é de outro! Oremos para que o Senhor
nos livre de sermos dominadores! A igreja não deve aceitar um pastor assim!

II – AOS JOVENS. v. 5

Dos presbíteros aos jovens, o foco da mensagem muda. O conselho, agora, é para a
juventude, pincelando um fator essencial para a mesma: a necessidade de respeitar, ouvir,
submeter-se, ter boas referências para balizar sua vida!
a) Sede submissos

O conselho para os jovens é a submissão! Da mesma forma que a submissão da mulher


em relação ao homem é legítima, conforme (3.1-6), assim também a submissão, pelos jovens,
aos mais velhos é recomendada. Trata-se de respeito, de consideração pelos mais
experientes. Aqueles que já viveram mais, que conhecem muitos contornos da vida, merecem
atenção. Devem ser considerados como líderes, em certo sentido, da condução cristã dos
jovens. “Os jovens precisam ter a humildade para aprender com os mais velhos e respeitar a
liderança dos presbíteros. Desacatar e desrespeitar os mais velhos não é uma atitude digna
de um jovem cristão”5.
Então, aos jovens, a humildade e consideração aos mais velhos é desejável.

ILUSTRAÇÃO

Uma ilustração interessante desse fato é o episódio de Roboão, filho de Salomão. Após
a morte de seu pai ele assumiu o trono. O momento de transição foi tenso, o povo se reuniu
e fez algumas reivindicações: “Teu pai fez pesado o nosso jugo; agora, pois, alivia tu a dura
servidão de teu pai e o seu pesado jugo que nos impôs, e nós te serviremos” (1 Reis 12.4).
Qual foi a resposta inicialmente sábia do rei? “Ide-vos e, após três dias, voltai a mim. E o
povo se foi” (1 Reis 12.5). Roboão pediu um tempo para dar a resposta ao povo. Neste ínterim
foi pedir conselhos a duas categorias de pessoas: jovens e idosos. Os idosos disseram: “Se,
hoje, te tornares servo deste povo, e o servires, e, atendendo, falares boas palavras, eles se
farão teus servos para sempre” (1 Reis 12.7). Contudo, Roboão não deu ouvidos a este
conselho. Tomou conselho com os jovens, os quais disseram: “Assim falarás a este povo que
disse: Teu pai fez pesado o nosso jugo, mas tu alivia-o de sobre nós; assim lhe falarás: Meu
dedo mínimo é mais grosso do que os lombos de meu pai. Assim que, se meu pai vos impôs
jugo pesado, eu ainda vo-lo aumentarei; meu pai vos castigou com açoites, porém eu vos
castigarei com escorpiões” (1 Reis 12.10-11). Desse modo Roboão falou ao povo. Qual foi o
resultado? Divisão do povo! O povo não aceitou ser governado por Roboão.
A ilustração nos faz pensar justamente na relação que há entre os idosos (mais velhos)
e os jovens. Uma vez que a Escritura orienta aos jovens terem consideração pelos mais
velhos, serem submissos a eles, ela está objetivamente tentando proteger o mancebo de agir
loucamente como visto na história de Roboão. O conselho é para que os jovens tenham boas
referências, consideram a sabedoria dos mais experientes, deixem-se tutelar até a plena
maturidade física, psicológica e espiritual.

APLICAÇÃO

Uma das maiores dificuldades do jovem é ouvir, considerar, se submeter. O desejo de


independência e o sabor da autonomia são apetitosos. Contudo, o conselho do apóstolo é
para proteger o jovem até sua plena formação. Assim, o jovem deve se submeter aos mais
velhos. Jovem, você tem se submetido aos mais velhos? Tem ouvido sua voz, seus conselhos?
Tem sido obediente aos pais? Lembre-se, um bom futuro igualmente depende disso!

III – À IGREJA. vv. 5-14

Depois de se dirigir aos presbíteros e aos jovens, agora Pedro fala seus últimos
conselhos, nesta epístola, para a igreja em geral. Vejamos.

a) Cingi-vos de humildade

A humildade é recomendada com a informação extra de que: “Deus resiste aos


soberbos”, ou seja, se opõe aos seus atos. Agir com orgulho, em altivez, é estar contra o
próprio Deus que não aprova esse comportamento.
5 Idem. p. 172.
O caminho para a filho de Deus seguir é o da humildade. “Humilhai-vos debaixo da
potente mão de Deus para que ele os exalte no tempo devido”.
O maior problema da falta de humildade é o orgulho e sua proposta de independência
da vontade de Deus. Quem é orgulhoso não consegue ouvir, obedecer, submeter-se! Logo, é
uma contradição ao evangelho que clama para que nos sujeitamos à vontade de Deus.
O orgulhoso também não se arrepende, não reconhece seus erros, seus pecados. O
orgulhoso, num dito popular, “não dá o braço a torcer”. Sempre terá uma desculpa para as
ações, sempre achará uma esquiva; conseguirá relativizar e suavizar as circunstâncias.
Dificilmente olhará para si em busca de concerto, mas prontamente apontará o dedo para
incriminar o outro.
O orgulhoso terá desejos inconvenientes, irá desejar o que não pode, e quererá
assentar-se aonde não convém. Lembremos do próprio Lúcifer que quis sentar-se no trono
de Deus.
O orgulhoso manifesta amor-próprio excessivo. É egoísta. Pensa mais em si do que nos
outros, não consegue viver adequadamente em comunidade.
O orgulhoso desprezará a modéstia no trato com os outros irmãos. Não usará a
moderação diante das circunstâncias, não agirá com sobriedade diante dos dilemas!
Assim, a humildade é extremamente importante para preservar os relacionamentos e
um ambiente de paz na comunidade.
Mas, o “fruto” inevitável da humildade é a exaltação! Não é errado ser exaltado, quando
isso é feito por Deus ou pelos outros! “Seja outro o que te louve, e não a tua boca; o
estrangeiro, e não os teus lábios” (Provérbios 27.2). Deus exalta a quem se humilha. Deus
honra aquele que lhe é fiel. O caminho para ser exaltado no reino de Deus é ser humilhado!
Mas, a exaltação virá. Pense que o próprio Deus nos glorificará! Distribuirá de sua glória
entre seu povo. A igreja será radiante! Ser humilde, portanto, não significa ser escória! Pelo
contrário, os lugares mais elevados e as maiores posições estão sendo reservadas para os
humildes! “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus”
(Mateus 5.3).

b) Não sejam ansiosos

A ansiedade consome muitas pessoas. Segundo alguns já é a doença do século! Pedro,


há milênios atrás, já recomendava ao cristão se esvaziar da ansiedade. O método cristão é
crer em Deus. Ele é nosso provedor e protetor. Deve-se confiar em Deus, pois ele cuida de
nós. Ele leva nossos fardos! O Senhor é quem nos ajuda no momento da dificuldade. O texto
diz que ele “tem cuidado”, não que ele cuidará ou cuidou, mas tem cuidado, no presente. O
Senhor tem nos sustentado. É preciso confiar em Deus e sair da ansiedade.
O conselho reverbera o próprio ensino de Jesus Cristo no “sermão do monte”. “Por isso,
vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem
pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir” (Mateus 6.25). A grande questão é: “Qual
de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?” (Mateus
6.27). A grande conclusão: “(...) buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça,
e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6.33). E, por fim, o conselho para não
pensar no amanhã (ansiosamente): “Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois
o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal” (Mateus 6.34).

c) Sede sóbrios e vigilantes

Por fim, há um sonoro sinal de cuidado! Estejam alertas e vigilantes! Apesar de termos
a proteção de Deus, e vitória final em relação ao mal, temos que manter a vigilância na vida
contra as tentações e investidas do diabo. Ele, o adversário, existe! E age para conturbar a
vida do servo de Deus.
O diabo não é uma lenda, um mito, um espantalho para intimidar os místicos. É um
anjo caído, um ser maligno, assassino, ladrão, destruidor. É a antiga serpente, o dragão
vermelho, o leão que ruge. É assassino e pai da mentira. Veio roubar, matar e destruir.
Temos um adversário real, invisível e medonho. Não podemos subestimar seu poder
nem suas artimanhas.6

A figura usada por Pedro é até apavorante, um leão rugindo ao derredor procurando
alguém para devorar! Entretanto, o cristão deve resistir ao diabo. Uma vez que se humilhou
na presença de Deus (v. 6), deve ter confiança para enfrentar o inimigo. Deve-se resistir-lhe
firme na fé. A resistência não é uma espécie de misticismo, ação ou investidura humana,
mas espiritual. A maior necessidade na resistência é simplesmente o crente não perder a fé!
Resistir na fé! Os ataques malignos querem destruir a fé. Mais do que simplesmente
atrapalhar a vida, os negócios, a saúde; o diabo quer minar a fé. Até porque a tentação, às
vezes, ocorre por meio de coisas legítimas! Ter saúde é uma coisa legítima, mas aceitá-la
mediante pacto com o inimigo é sucumbir à tentação. Ser próspero é um alvo legítimo, mas
enriquecer nos termos satânicos é cair em tentação. Então, o maior desafio para o cristão é
manter a sua fé.
A fé estava sendo atacada naquela comunidade. Havia perseguição aos cristãos,
sofrimentos sem medida e mortes sumárias. Esse era o ataque do inimigo para minar a fé
naquele contexto, pela perseguição de Roma, por meio da espada! Mas, Pedro lembrou àquele
povo de que outros estavam passando pelas mesmas provações! A cristandade estava sendo
perseguida em toda parte! Vocês não são os únicos! Não tenham um pensamento de
autocomiseração, aumentando o seu sofrimento; nem mesmo auto aprovação, considerando-
se acima da média e com méritos, porque supostamente ninguém estaria suportando as
mesmas circunstâncias. Ambos os posicionamentos são perigosos. Assim, deve-se resistir ao
inimigo e saber que a tentação acontece em toda parte, alcança toda a igreja. Não se deve ter
o sentimento de vitimismo, nem ao contrário, o de soberba, por achar que tem muito mérito!

APLICAÇÃO

Temos sido humildes uns com os outros? É preciso vivermos essa realidade na igreja.
Perguntemos aos outros se eles nos acham humildes! Será que teremos uma boa avaliação?
Peçamos desculpas por nossa arrogância! Reconheçamos nossas falhas! Ás vezes falamos o
que não devia, agimos de forma errada. A igreja está cheia de casos de pessoas magoadas,
irmãos que não se falam, pessoas que tem ressentimento umas das outras; irmãos que não
são humildes! Que não pedem perdão! Como crescer espiritualmente num ambiente onde
não há humildade?
A questão da ansiedade é igualmente importante. Aprendamos a confiar mais em Deus.
Lancemos nossa ansiedade diante dele, pois “ele tem cuidado de nós”! Exercite ações práticas
para se livrar da ansiedade. Confie que o Senhor irá suprir suas necessidades de
alimentação, vestimenta, etc. O Senhor é com seu povo!
Por fim, temos sido vigilantes em nossa vida? O inimigo anda ao derredor buscando
espaço para tentar minar nossa fé. Temos que resistir ao diabo e ele fugirá de nós. O cristão
deve ter discernimento em sua vida. Às vezes, as situações, o contexto, aponta clara
influência do inimigo para tentar o crente. É importante ter discernimento para resistir à
tentação do diabo. Além de, se possível, se desviar de todo mal, nem mesmo ter que passar
por ele. Sejamos simples como as pombas, mas sagazes como as serpentes!

IV – SAUDAÇÕES FINAIS

O propósito de todas as recomendações da epístola é mostrar que Deus está agindo no


meio da igreja. Primeiramente Deus nos chamou, por meio de Cristo, das trevas à luz, à
eterna glória. Depois, ele mesmo nos aperfeiçoará, nos firmará, nos fortificará e irá nos
fundamentar!
Pedro se despede enviando saudações da igreja “que se encontra na Babilônia”
possivelmente uma referência à Roma; envia saudações de Marcos, que o acompanhava e

6
LOPES, Hernandes Dias. 1Pedro: com os pés no vale e o coração no céu. São Paulo: Hagnos, 2012. p. 176.
posteriormente foi responsável pelo evangelho homônimo, fruto de anotações das preleções
de Pedro.
O apóstolo recomenda o ósculo santo e deseja a paz a todos.
Glória a Deus por sua obra!

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pedro finaliza seu texto dirigindo-se aos presbíteros, jovens e igreja. São conselhos
finais para completar o rol de orientações à igreja visando seus crescimento e fortalecimento.
A suma é que Deus está trabalhando no seu povo no sentido de “aperfeiçoar, firmar, fortificar
e fundamentar”.
***
Em relação à primeira epístola de Pedro, pode-se dizer que o apóstolo trabalhou
visando fortalecer uma igreja perseguida. Naquele momento difícil, a Palavra de Deus chegou
de modo a dar firmeza, entendimento e salvação ao povo.
Pedro falou, após uma breve saudação, sobre a “esperança da vida eterna” (1.3-12),
alertou a igreja sobre a santidade (1.13-25), falou sobre a “pedra viva e o povo escolhido”
(2.1-12), orientou sobre a submissão, primeiramente às autoridades e governo (2.13-17), dos
servos aos senhores (2.14-25) e, por fim, das esposas aos seus maridos (3.1-7). Em seguida,
o apóstolo entrou no tema do sofrimento, “sofrendo pela retidão” (3.8-22). No capítulo 4 é
enfatizado o “viver para Deus” (4.1-11) também num contexto de sofrimento. O “sofrer como
cristão” (4.12-19). No último capítulo, como visto anteriormente, encontra-se os conselhos
para “os presbíteros, jovens e à igreja”.
O tema do sofrimento, as orientações e o alvo final é resumido no versículo: “Ora, o
Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido
por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar” (5.10), que
expressa bem o resumo da carta.
Que essa mensagem possa edificar nossas vidas e nossas igrejas.
Deus seja louvado!

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