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50 Revista Brasileira de Ensino de Fisica, vol. 17, n° 1, 1995 O calendadrio Gregoriano Rodrigo Dias Tarsia Observatério Astrondmico, Departamento de Fisica, ICEx Universidade Federal de Minas Gerute, C.P, 702, 3061-970, Belo Horizonte, MG, Brasil ‘Trabalho recebido em 13 de maio de 1994 I. Introdugao, Estamos nos aproximando do final do século ¥ do segundo milenio. ntretanto, uma pesquisa ripida junto a pessoas de varios niveis de cultura e formagio profissional, mostrou: 1a minoria muito pe- quena tem alguina idéia nio sé sobre questies reln- tivas #0 nosso calendirio, como também que existem outros atualmente em uso por uma pareela grande da populagao do mundo. O habito de contar dias © anos ‘est to arraigado aos conceites con 0 questiona como esta contagem é feita, quais suns origens sign Este artigo pretende reviver a histéria do nosso calenditio, chamado de Gregoriano, bem como fazer algumas observagées sabre cle. que quase nico. ado. II. Bases de um calendirio Um calendario é um sistema de organizagio das unidades de tempo, com o objetivo de conté-las por periodos longos, de modo a satisfazer as necessidades © preocupagies de uma sociedade. Os calendérios sempre exerceram um papel impor- tante para o planejamento de atividades agriculturais, de ciclas de migragio © de eventos religiosos « civis, Além de setvir a propésitos priticos, exe processo ad 3654.2421896698 — 0.000006153597 — 7.29. de organizagio dé um sentido, embora ilussrio, de com- preensio ¢ controle do tempo, Dessa forma, os ea lenditios servem como ligagio entre 0 Homem e 0 Cosmo. nioé de se estranhiar que, ao longo da Histéria, ain tido um status sagrado e servido como fonte de ordem social e de identidade cultural. Existem cerea de quarenta ealendirios atualmente ‘em uso em todo.o mundo, Embora alguns sejam basca- dos em ciclos astronomicos de acordo com regras fixas, outros hii, baseados em ciclos repetitives, sem nenkuma ligagio com a Astronomia; alguns definem ¢ contam ti gorosamente cada uma das suas unidades, enquanto que outros coutém ambiguidades ¢ descontinuidades. Para calendarios com base astronomica, a unidade fundamental pode ser © dia (baseado na rotagio da ‘Terra em torno de seu eixo), o ano (baseado na re- volugio da Terra em torno do Sol) ou o més (baseado na revolugio da Lua em torno da Terra). A complexi- dade desses calendérios é consequéncia do fato de que esses ciclos niio sio constantes ¢ nem comensuraveis, uns em relagao aos outros. © ano trépico é, por definigéo, o intervalo de tempo centre duas passagens sucessivas do Sol pelo Equinécio A sua duragao ¢ dada por: nal. y- 7? + 2.641017 (= ¥0 Equindcio Vernal ou Ponto Vernal é 0 nodo ascendente da Ecliptica sobre o Equador Celeste. A Eeliptica é o plano orbital da ‘Terra; o Equador Celeste é a projecia do equaddor terrestre na exfera celeste. A passage do Sol par este panto, em sett movimento, amual aparente, determina o inicio da primavera (outono) no hemisfério norte (sul). 2 Dias Tarsia em que T é 0 mimero de séculos de 36 525 dins, decor- ridos desde 12h de 1 de janeiro de 2000, Entretanto, © intervalo entre duas passagens pode diferir de varios minutos desse valor médio. O més sinédico iunar é 0 intervalo de tempo médio levado pela Lua, vista da Terra, para oeupar a mesma posigio no espago em relagio no Sol e cortesponde ao ciclo das fases da Lua. Ble tem uma duragio dada p +294.5905888531 + 0.00000021621T — 3.6410-!°72 ‘Qualquer ciclo de fase particular pode varinr de até sete hhoras desse valor médio. As férmulas acima sio aproximagées polinominis (vilidas para alguns séeulos anteriores © posteriores no nosso), que descrevem a variagio lenta desses ciclos com © tempo, Essa varingio é devida a perturbaces nas rbitas da Terra ¢ da Lua, exercidas pelos outros pla netas do sistema solar. Dessa tipos distintos de ealendarios: 4-0 solar, como o Gregoriano, que procura manter sineronia com o ano trépi luagao resultam tres b © funar tal como o Islimico, que segue as fases da Lua sem tomar conbecimento do ano trépico; €- 0 lunissolar, como o Hebrew ou 0 Chinés, que tem 4 sequéncia de meses baseada no cielo lunar mas que periodicamente intercala um fase com 0 ano trépico. Os calendarios também incorporam elementos nao astrondiicos, como cielos numéricos usos loeais ou de- terminagdes de autoridades locais. No calenditio Gro- foriano, 9 semana é um exemplo. Sua origem & des conhecida, tendo chegado até nds através da tradigio judaica na forma de contagem continua de sete dias, ‘embora textos biblicos ¢ talmiidicas indiquem uma vari- edade grande de praticas. De qualquer forma, o niimero sete teve sempre um significado mistico © cosmolégico nas culturas semiticas, tendo sido usado pelos Assirics € Babilonios em seus calenditios, embora niio de forma continua, ‘Na prética judaica, os dias da semana sio numera- dos, exceto o sétimo, que’é conhecido como Sabbath. © uso da semana ¢ a obvervincia do Sabbath como dia de descanso espalhon-se gradualmente pelo mundo Tomano, que também introduziu 0 costume de se dar nés inteiro para ficar em 51 homes aos dias da semana (séculos He I aC). Esses homes vieram da crenga astrolégica de que os plane- tas governavam cada dia (0 Sol ¢ a Lua exam ineluidos como planetas), IIL. Origens do calendario gregoriano © calenditio Gregoriano & por assim dizer, um. deseendente do calendétio Romano, cuja origem esté na data da fundagio de Roma que, de acordo com a radigio escrita, teria ocorrido em 753 0.0. Ainda se- gundo esta tradigio nos primérdios da civilizagio ro- mana o ano civil constava de 304 dias divididos em seis tinham 30 dias ¢ quatro, 31. Marco era o primeiro més do ano, seguindo-se abril, maio, junlio, quintilis, sextilis, setembro, outubro no- vembro © detembro, Apesar de ser um ealendirio de 10 meses dos qui inspiracio lunissolar, seus meses no acompanharam as fases da Lua e ano deixou de acompanhat o inicio das estagées que, com o tempo, comegaram a cair em meses diferentes do ano, ‘Teria sido Numa Pompilio, sucessor de Rémulo, 0 pri ‘8 procurar cotrigir ease’ problema, introdu- tindo os meses de janeiro ¢ fevereiro, ¢ dando no ano ‘30 de 355 dias, distribuidos em 12 meses, com feverciro sendo 0 tiltimo més do ano, Mesmo as- esa nio cra a solusio, pois 0 ano trépico excedia © ano civil em cerca de 10.25 dias. Criou-se, entdo, um més suplementar, chamado de mercedonius, composto de 11 Com isso, 0 ano passou a ter 366 dias, Por ser maior que o ano trépico, as estagdes, que antes se atrasavam de ano para ano, passaram a se adiantar, Para compensar este efeito, estabeleceu-se que omer cedonius teria um miméro de dins varidvel, de acordo com ay necessidades, 0 que acarretava grande confusio, 0 calendiirio Romano foi reformado por Jiilio César no ano 708 (ou 46 a.C,), passando a ser conhecido como calendirio Juliano, sendo também a base do calendério uitilizado atualmente'no mundo dito civilizado, O ideatizador do calendaio Juliano foi o astrénomo exipcio Sosigenes, cucarregado por Julio César para a reforma. Admitindo que 0 ano trépico teria 365.25 dias ‘exatamente, ele aconselhou a César que o ano deveria ter 365 dias. Como a fragio 0.25 de dia, somaria.a 1 dia ei 4 anos, ela deveria ser compensnda.com 0 acréscimo civil a dura 52 de um dia no ano apés cada 3 anos, que passatia, entio, a ter 366 dias. César manteve a divisio do ano em 12 meses. En- tretanto, como o ano do calendiirio Romano era de 355 dias, 05 10 dias de diferenga entre 0 antigo e novo ea- lendirios foram acrescentados acs viitios meses. As sim, janeiro sextilis ¢ dezembro gauharam 2 dins, en- quanto que junho setembro, e novembro ganhavam 1 dia, Como fevereito era o iiltimo més do ano, César decidiu, também, que o dia extea a ser acrescentado 20 ‘ano, de 4 em 4 anos, seria colocado em fevereito Os romanos dividiam o més em trés partes: Calen- das, Nonas ¢ Idos. As Calendas cram o primeiro dia do inés; 08 Idos, eram o décimo-tereeiro dia, exeeto em margo, maio, julho e outubro quando eram o décimo- quinto dia; as Nonas eram o oitavo dia anterior nos fdos, As datas entre esses pontos de separacio eram contadas decrescentemente a partir deles, Tendo César mandado colocar o dia extra "entre o sétimoe sexto dia antes das Calendas de marco”, (isto é, entre 24 e 23 de feverciro), © no querendo alterar a ordem de contagem dos dias, sexto din foi contado duas vezes; dai a origem do nome bissexto dado a este dia e, posteriormente, aos anos de 366 dins. © sexto dia para as Calendas de marco era um dia eélebre em Roma pois nele se realizava a festa da Regifuga, que comemorava a fuga de Roma de Tar- quinio Soberbo, iltimo de seus reis. Quando César reformou o calendério, ja havia uma diferenga de 90 dias entre o ano trépico ¢ 0 ano civil. Esses dias foram adicionados ao ano corrente (46 a.C.) que passou a ter 445 dias, divididos em 15 meses. Este ano foi chamado de ano da confusio. A partir de 45 a.C., 0 ano civil passon a ter 12 meses, cada um de 30 on 31 dins; fevereiro nao teve alterndo seu mimero de dias ¢ janeiro passou a ser 0 primeiro més do ano em vez de margo. Por isso, quintilius pas- #0 nio ser mais © quinto més do ano, sextilius a nio set 0 sexto, sctembro a nio ser o sétimo o assim por diante. calendiio Juliano foi modificado posteriormente por duas vezes: na primeira, por ordem do Consul Marco Antonio, o més quintilius passou a ser chamado de julius em homenagem a Jillio César. Na segunda, por ordem do’Senado romano, o més sextilius passou Revista Brasileira de Ensino de Fisica, vol. 17, n® 1, 1995 ‘ser chamiddo de augustus em homenagem a Augusto, © primeito imperador de Roma. A fim de que agosto io tivesse menos dias que julho, foi tirado um dia do més de fevereiro, que ficou desfaleado para que agosto tivesse 31 dins, No ano 325 A.D., 0 equindcio de primavera do he- mistério Norte cain no dia 21 de marco. O Concilio de Nicea, julgando entio que o calendario era perfeito adotou 0 © que em todo 21 de marco isso ocorreri: calendério Juliano para ser o calendirio eristio, com ‘8 modificagio de que seriam bissextos os anos cujos milésimos fossem divisiveis por 4. IV. 0 calendario Gregoriano O calendatio Gregoriano, que serve de padrao inter- ional para uso civil, fo eclesidstico © ainda hoje regula o ciclo cerimonial das Igrejas Cristas. Os calendaios eclesiisticas dessas igrejas sio basea- dos em ciclos de festas méveise fixas. O Natal é a festa fixa principal, com sua data de 25 de dezembro. A prin- cipal festa mével é a Paiscoa e as datas de muitas outras festas méveis sio determinadas por els. Por exemplo, a quarta-feira de Cinzas deve ocorrer quarenta e seis dias antes do domingo de Péscoa; a Ascenso, quarenta dias apés esta data, A data da Péscoa ¢ fixada como sendo o dor guinte & Lua Chein eclesidstica que sticede ao Equinécio Vernal. Se esta Lus Chein'ocorrer no Equinécio Ver- nal, a Péscoa ocorreré no domingo apés a Lua Cheia seguinte, O mais cedo que Pascoa pode ocorrer é em 20 de Margo; o mais tarde é em 25 de abril. jado como um calendario A Lua Chein eclesidstiea € definida como sendo 0 décimo-quarto dia de um meito dia corresponde A Lua Nova. As tabelas que permitem esse ealeulo diferem das astronémicas porque no levam em conta as complexidades do movimiento da Lua e, em consequéncia, a Lua Cheia eclesiéstica difere da verdadeira. Os célculos sio baseados no chamado ei- clo meténico, no qual 235 meses sindidicos médios ocor- rem em 6939,688 dias: Como dezenove anos gregorianos contém 6939.6075 dias, as datas das fases da Lua em um dado ano sio aproximadamente as mesmas que as de dezenove anos antes ow depois. Pars evitar que a di- lunagio tabular, onde o pri-