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REVISTA DO INSTITUTO DO CEARA 215 FAMILIAS CEARENSES Estudo Genealdgico dos Bezerra de Meneses «Um povo 6 um organismo criado pelo passado™ (GUSTAVO LEBON) Por MURILO BEZERRA DE SA (special para a “Revista do Instituto do Ceara”) PRIMEIRA PARTE A genealogia é um estudo que apaixona e enleia os que a perlustram. Outro dia, “garimpando os tempos de antanho, fixados em velhos do- cumentos dos quais é possivel extrair, como nas lavras auriferas, 0 filio riquissimo de suaves evocagées ¢ de valiosos informes”, encoutrei a cépia de uma carta que meu saudoso avd Antonio Teéfilo Bezerra, dedicado 4 genealogia da familia Bezerra de Meneses, escrevera, em 1918, ao Snr. ‘Aratjo, cunhado do Cel. Marcos Franco Rabelo, que fora presidente do Estado do Cear4, em 1912. Quanto mais investigo o passado da familia da qual descendo, mais me convenco das palavras do grande socidlogo francés Gustavo Leben quando diz que “os mortos sia 08 tinicos senhores indiscutiveis dos vivos”, Sim porque nés “nao sé suportamos o peso das suas culpas como também recebemos o prémio das suas virtudes”. A familia BEZERRA DE MENESES, no expressar de Joo Brigi- do, é uma das mais antigas e notiveis que se perpetuaram na nossa his- toria de Provincia. Por sua vez ja Carlos de Laet dizia que a “familia Bezerra é nobre em todo o rigor da accepgao”. Nessa carta o meu avO agradecia o album que aquele sew amigo lhe remetera, dedicado as festas jubilares em “honra e gloria do eminentissi- mo Cardeal Arcoverde”. 216 REVISTA DO INSTITUTO DO CEARA E aproveitando o feliz ensejo lembrou-se que poderia muito bem prin- cipiar a genealogia desse grande artifice da igreja catélica com Don Di- niz, marido de Dona Izabel ¢ o sexto Rei de Portugal, mas preferin come- car com Lopo de Albuquerque, casado com Dona Joana de Bulhées. Entre os colaterais no século 17, diz Carlos de Laet, citado por José Bonifacio de Sousa em seu livro “LEANDRO BEZERRA MONTEI- RO”, figura Frei Vicente do Salvador éptimo historiador, cuja obra per- maneceu desconhecida até que o fez irradiar o zelo bibliogrdfico de Ca- pistrano de Abreu. Luis Barbalho Bezerra, a quem chamam o Xenofonte nacional, também ilustra a gloriosa ascendéncia. Dona Joana de Bulhdes por sta vez pertencia 4 familia de Santo An- tonio de Padua, que se chamava Fernando de Bulhdes. ‘Assim, o grande taumaturgo pertencia pelo lado paterno & ilustre fa- milia de Godofredo de Bulhdes e, pelo lado de sua mie. D*, Maria ‘Teresa de Tavora, 4 familia real das Astérias. Destarte, do consércio de. LOPO DE ALBUQUERQUE com D*, JOANA DE BULHOES nasceram varios filhos, dentre 0s quais se des- taca JERONIMO DE ALBUQUERQUE, cunhado de D. Duarte Coelho, primeiro donatario da Capitania de Pernambuco, natural de Olinda (Per- nambuco), “o verdadeiro conquistador do Rio Grande do Norte, em 1599. Quinze anos depois, auxiliado por Alexandre de Moura, exptilsou de Sao Luis do Maranhao os franceses, destrogando-os completamente” Foi em meméria deste feito que juntou ao nome de Albuquerque o de Maranhio, E’ 0 que nos diz a historia. “Tempo depois, marchando Jerénimo de Albuquerque contra o cacique dos indios Tabajaras, de Olinda, cognominado Arcoverde, perdeu uma das vistas, motivado por uma frecha, em renhido combate. Preso em seguida, uma das fithas do Cacique apaixonou-se pelo des temido prisioneiro, dizendo ao pai que o queria por esposo. Participando Jerénimo de Albuquerque o seu casamento com D*, Ma- tia do Espirito-Santo Arcoverde, a india Tabajara, a D. Catarina, Rainha de Portugal, esta se opés a tal unio, mandando-Ihe dizer que esperava que ele casasse com uma das filhas de D. Cristévio. de Melo, que vinha como Governador da Baia. Rezam as crénicas genealégicas que dessa unio tiveram varios fi- Thos, que foram os ascendentes dos ALBUQUERQUE MARANHAO, dos CAVALCANTE DE ALBUQUERQUE e de muitas outras fami- lias ilustres de Pernambuco, Jerénimo de Albuquerque por morte de D'. Maria do Espirito- Arcoverde casou-se com D'. FILIPA DE MELO, filha de D. Cristé de Melo, fidalgo da Casa Real e Governador da Baia, e D*. Joana da va, por stia vez filha de Rui de Melo e Wa. Maria de Menezes, de cujo cons6rcio tiveram ANDRE DE MELO ALBUQUERQUE (de onde vem portanto, os MELO ALBUQUERQUE) que por stta vez se casou com D*. CATARINA DE MELO. Deste consércio tiveram dentre os filhos, ISABEL DE MELO AL- BUQUERQUE, que se casou com ANDRE PEREIRA DA CUNTHA, cuja filha Da. CATARINA DE MELO ALBUQUERQUE se casou com SIMAO PITA PORTO CARREIRO, de onde veio SIMAO PITA PORTO CARREIRO. REVISTA DO INSTITUTO DO CEARA 217 Este, casando-se com D. MARIA DA SILVA tiveram ANTONIO PITA PORTO CARREIRO, que se consorciou com D*, MADALENA BARBOSA. Desse casamento tiveram LEONOR DE MELO ALBUQUERQUE que, unindo-se a ESTEVAQ FERREIRA NOBRE, natural do Estado da Paraiba, tiveram D*. TERESA DE JESUS DE MELO E ALBUQUER- QUE. Esta é a esposa do Cel. de 1%. linha JOAQUIM DOS REIS LIMA, sogro de Antonio de Barros Lima — 0 “Leio Coroado”, de que nos fala a histéria de Pernambuco. Assim, partindo deLOPO DE ALBUQUERQUE, pai de jerénimo de Albuquerque, até o supra citado Coronel JOAQUIM DOS REIS LIMA, temos nove geragoes, ascendentes dos BEZERRA DE MENESES. Desse casal nasceu MANUEL ALEXANDRE DE ALBUQUER- QUE LIMA (o quase frade) que, tendo-se casado em segundas mipcias com D*. MARIA DE NAZARE BEZERRA, tiveram duas filhas que se consorciaram, respectivamente, com os dois irmaos, Drs, Manuel Soares da Silva Bezerra e Teofilo Rufino Bezerra de Menezes — D*. MARIA TE- RESA e MARIA LEOPOLDINA, essa ultima minha bisavo materna. SEGUNDA PARTE JOANA BEZERRA DE MENESES, ¢ seu marido Jo%o de Sousa Pereira, n. 14. 10, 1714, natural de Portugal, vindo de Pernambuco, sao no dizer do saudoso Mons. Bruno de Figueiredo os troncos mais antigos que se conhecem até hoje, na familia Bezerra e outras muitas do Ceara, Desse casamento nasceram quatro filhos — Antonio Bezerra de Sousa, Francisco Barbosa Bezerra de Menezes, Bento Bezerra de Mene- zes e d. Teresa Maria de Jesus. Do casamento de ANTONIO BEZERRA DE SOUSA com a sua sobrinha Teresa Maria José, filha de sua irma d. Teresa Maria de Jesus c. c. José Ferreira Colago, em primeiras nupcias, vieram: 1) — CORONEL ANTONIO BEZERRA DE MENESES, 0 Revolu- cionario, n. 23.3.1758, natural da Freguesia da Sé de Olinda, em Pernambuco. “Foi homem de influéncia e de ac&o, como mostrou em 1817 e 1824. Foi 0 comandante das armas da Confederaca’o do Equador, no Cear, Prisioneiro na Fazenda Cruz, foi lancado a ferro numa prisio e condenado 4 morte, mas gracas ao patrocinio de Conrado de Niemeyer, presidente da Comissio Militar nomeada para julgar da rebelido, e por proposta da mesma Comissio, the foi comutada a pena de morte na de degredo perpétuo, pena, alids, nao cumprida por ter falecido em caminho para o desterro”. (Diciond- rio Biografico, de Bario de Studart”. Era casado com D. Ana Maria da Costa, filha do portugués Domingos Antunes da Costa e D. Maria de Sousa Maciel. D. Ana Maria era tia avé de Antonio Vicente Mendes Maciel (Antonio Consetheiro) n. em 1828, autor do grande drama de Canudos. £ natural de Quixerameobim -|- 6.10.1897.D." Maria de Sousa Maciel ¢ filha do portugués Bernardo de Sousa Presa e d. Maria Pinheiro do Lago, filha do portugués Manuel Pinheiro do Lago Landim e