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PRESCRIÇÃO

A partir do momento que um direito é violado, nasce para o titular deste a pretensão
de repará-lo dentro de um prazo estipulado legalmente, para garantir segurança
jurídica às pessoas que não devem viver ad eternun na iminência de uma possível
condenação.

Assim, o Código Civil dispôs que “Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a
pretensão, a qual se extingue, pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e
206 ”. E em casos de reparação civil esse prazo é de 3 anos: “Art. 206. Prescreve: § 3o
Em três anos: V - a pretensão de reparação civil”.

Quanto a isso, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento que nas ações de
reparação por abandono afetivo a prescrição é trienal e o marco inicial para contagem
desse prazo se dá a partir do momento que é atingida a maioridade civil, visto que o
Código Civil instituiu “Art. 197. Não corre a prescrição: II - entre ascendentes e
descendentes, durante o poder familiar”.

CRÍTICA >>

1) Como defende Charles Bicca no documentário acadêmico “O abandono afetivo


da criança”, esse prazo de 3 anos, bem como seu termo inicial é algo pode vir a
suscitar discussão porque se trata de uma ação não muito conhecida, da qual
muitas vítimas não tinham sequer conhecimento há um tempo, o que dificultava
buscar a atitude devida em relação ao seu direito.

2) Além disso, pauta-se uma controvérsia quanto ao dano – a partir de que


momento foi identificado? Muitas vezes o dano pode se manifestar tardiamente,
e então teremos uma prescrição de algo que a pessoa ainda nem estava sofrendo.
Trata-se de pouco tempo para ajuizar uma ação que muitas vezes deixa sequelas
para vida inteira.

“abandono é a morte em vida” – Charles bicca

O prazo previsto para requerer a indenização por abandono afetivo é o constante no


Código Civil de 2002, artigo 206, § 3º, inciso II, que assevera ser de 3 (três) anos
contados da maioridade, 18 anos completos

E NO CASO DA PATERNIDADE/MATERNIDADE NÃO CONFIRMADA?

Essa regra é aplicável aos casos em que não haja dúvidas quanto à paternidade e o
requerente esteja registrado.
Nas situações em que se pleiteia indenização e a paternidade ainda não foi
reconhecida o prazo começa a fluir da sentença que reconhece ou do ato voluntário do
genitor, nesse sentido:

“AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS (ABANDONO AFETIVO). Prescrição.


Fluência a partir do reconhecimento da paternidade, época que, segundo a inicial, já
ocorriam as lesões morais reclamadas. Princípio da "actio nata". Início do prazo desde
o nascimento da pretensão e a sua possibilidade de exercício em juízo. Precedente do
STJ. SENTENÇA MANTIDA. APELO IMPROVIDO (TJ-SP, Relator: Donegá Morandini, Data
de Julgamento: 17/09/2015, 3ª Câmara de Direito Privado)”.

COMPETÊNCIA

Sobre a competência para processar e julgar as ações de indenização por abandono


afetivo, atualmente é predominante o entendimento pela competência das varas
Cíveis e não das Varas de Família.

A ação de indenização, ainda que fundamentada no abandono afetivo por parte do genitor,
não se encontra inserida no rol de matérias submetidas à competência do Juízo de Família,
que é absoluta. Com efeito, destacaram que por se tratar de ação de cunho indenizatório, a
demanda encontra-se submetida à competência residual da Vara Cível.

QUANTUM

A possibilidade de o pai ser condenado a indenizar o seu filho é maior quando o


filho já é plenamente capaz, pois será mais fácil o dano ser comprovado, além de
ficar evidente o caráter punitivo, pois geralmente só se busca a indenização
quando efetivamente todas as tentativas de se estabelecer os laços de afetividade
foram infrutíferas.

Quanto ao valor da indenização por abandono afetivo, deve ser pautada de acordo
com a conduta reprovável omissiva e as consequências experimentadas pelo filho,
bem como, as condições financeiras do ofensor, sua participação material no sustento
até o momento da ajuização da demanda e, sempre, objetivando desestimular
condutas dessa natureza.

Isso porque, o objetivo da condenação é minimizar os danos sofridos, pois por mais
que seja de alta monta não supre a ausência do pai nem os efeitos decorrentes dessa
omissão ao longo dos anos, devendo assim ser arbitrada de acordo com sua condição
financeira do ofensor, porém, de forma que o quantum não seja ínfimo.

A responsabilização por abandono afetivo deve ser vista pelos juristas com cautela, pois
deve ser afastada a idéia da “indústria do dano moral” ou de “loterias indenizatórias”,
estando o poder decisório do Juiz diretamente atrelado a uma matéria baseada num
valor essencialmente humano.
Sendo assim, a indenização advinda da procedência da ação, que reconhece o dano
psicológico ocasionado ao filho, deverá servir para no mínimo, custear-lhe tratamento
específico por profissional da área da psicologia ou da psiquiatria, visto que o
tratamento de uma patologia gerada ao longo dos anos não poderá ser sanada em poucas
sessões de tratamento, o que irá ocasionar um elevado custo, nas lições de Schuh
(2006).

Logo, a indenização deverá ter um caráter punitivo e compensatório ao mesmo tempo,


baseada sempre na comprovação do dano efetivo decorrente diretamente do abandono
afetivo, e como forma de punir o pai que deixou de cumprir os princípios
constitucionais da paternidade responsável e da dignidade da pessoa humana.

Onze são os tópicos que, segundo a autora, devem ser observados pelo magistrado
quando da fixação do montante indenizatório:

a) o juiz deve evitar indenização simbólica e enriquecimento sem justa causa, ilícito ou
injusto da vítima. A indenização não poderá ter valor superior ao dano, em face da
situação de penúria do lesado; tampouco, poder-se-á conceder a uma vítima rica
indenização inferior ao prejuízo sofrido, em razão de sua fortuna;

b) o juiz não deve aceitar tarifação, porque esta requer despersonalização e


desumanização;

c) o juiz deve diferenciar o montante indenizatório segundo a gravidade, a extensão e a


natureza da lesão;

d) o juiz deve verificar a repercussão pública provocada pelo fato lesivo e as


circunstâncias fáticas;

e) o juiz deve atentar para as peculiaridades do caso concreto e para o caráter antissocial
da conduta lesiva;

f) o juiz deve averiguar não só os benefícios obtidos pelo lesante com o ilícito, mas
também a sua atitude ulterior e situação econômica;

g) o juiz deve apurar o real valor do prejuízo sofrido pela vítima;



h) o juiz deve levar em conta o contexto econômico do país;


 i) o juiz deve verificar a intensidade do dolo ou o grau de culpa do lesante;


 j) o juiz deve basear-se em prova firme e convincente do dano;


k) o juiz deve analisar a pessoa do lesado, considerando a intensidade de seu


sofrimento, seus princípios religiosos, sua posição social ou política, sua condição
profissional e seu grau de educação e cultura.

PROJETO DE LEI

Nesse ponto, alguns estudiosos fazem a seguinte reflexão: será que todos os pais que
abandonam sua prole possuem patrimônio para responder em uma possível demanda
judicial? A resposta é negativa, aliás, a maioria não possui bens, pensando nisso, o PL
700/2007, acrescenta o artigo 232 – A ao Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei
8.069/1990) com a proposta da seguinte redação: "Art. 232-A. Deixar, sem justa causa,
de prestar assistência moral ao filho menor de dezoito anos, nos termos dos §§ 2º e 3º
do art. 4º desta Lei, prejudicando o desenvolvimento psicológico e social. Pena -
detenção, de um a seis meses".