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POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE RONDÔNIA

DIRETORIA DE ENSINO
DIVISÃO DE ENSINO
SEÇÃO TÉCNICA
CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTOS

DISCIPLINA
DIREITO PENAL

​“Nossa missão é formar com fundamentos na ética, técnica e legalidade”


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CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTOS PMRO


CFS - 2018

INSTRUTORES:
MAJ PM ADM RE 03405-1 EDSON LUIZ DE ​ARRUDA
CAP PM RE 09465-9 EMANOEL ​LOURENÇO​ DO NASCIMENTO
CAP PM RE 09299-7 RACHID DINIZ FERREIRA ​SALLÉ

PORTO VELHO - RO
2018

​“Nossa missão é formar com fundamentos na ética, técnica e legalidade”


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SUMÁRIO

1 DO DIREITO PENAL 4
2 FONTES DO DIREITO PENAL 4
2.1 FONTE MATERIAL 4
2.2 FONTE FORMAL 4
2.2.3 Fontes formais imediatas 5
2.2.4 Fontes formais mediatas 5
3 OS PRINCÍPIOS JURÍDICO-PENAIS 6
3.1 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE 6
3.1.1 Desdobramentos do princípio da legalidade 6
3.2 RESERVA LEGAL 7
3.3 PRINCÍPIO DA TAXATIVIDADE OU DA DETERMINAÇÃO 7
3.4 PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE 7
4 DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL 7
4.1 LEI PENAL NO TEMPO 7
4.2 SUCESSÃO DE LEIS NO TEMPO 8
4.3 DO TEMPO DO CRIME 9
4.4 EFICÁCIA DA LEI PENAL NO ESPAÇO 10
4.5 TERRITORIALIDADE 10
5 TEORIA GERAL DO CRIME 11
5.1 O FATO TÍPICO 11
5.1.1 Da conduta 12
5.2 FORMAS DA CONDUTA: AÇÃO E OMISSÃO 13
5.2.1 Ação 13
5.2.2 Omissão 13
5.3 DO TIPO DO CRIME DOLOSO 13
5.3.1 Do Dolo Alternativo e Dolo Eventual 14
5.4 DO TIPO CULPOSO 15

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5.5 DO CRIME PRETERDOLOSO 16


5.6 RELAÇÃO DE CAUSALIDADE 17
5.7 ILICITUDE OU ANTIJURIDICIDADE 17
5.8 CAUSAS DE EXCLUSÃO DA ANTIJURIDICIDADE 18
5.8.1 Do Estado de Necessidade 18
5.8.2 Da Legítima Defesa 19
5.8.3 Do Estrito Cumprimento do Dever Legal 19
5.8.4 Do Exercício Regular de Direito 20
5.9 CULPABILIDADE 21
5.10 DO CONCURSO DE PESSOA 21
5.11 CONCEITO DE AUTOR 21
5.12 FORMAS DE CONCURSO DE PESSOAS 22
5.12.1 Co-autoria 22
5.12.2 Participação 22
6 CÓDIGO PENAL (PARTE ESPECIAL) 23

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1 DO DIREITO PENAL

Direito penal pode se entendido como conjunto de normas jurídicas pelas


quais o Estado proíbe determinadas condutas sob ameaça de sanção penal,
estabelecendo ainda os princípios gerais e os pressupostos para a aplicação das
penas e das medidas de segurança. (Mirabete)

2 FONTES DO DIREITO PENAL

Pelo nosso vernáculo, fonte é o lugar onde nasce água. Fonte, em


linguagem codificada, significa lugar de origem, do nascimento ou surgimento de
alguma coisa, de alguma teoria, de algum princípio, enfim, de determinado
ordenamento jurídico, político, social, cultural etc. O Direito Penal e Processual penal
também têm suas fontes. (Cezar Roberto Bitencourt).

Na concepção Clássica a Fonte do Direito Penal é dividida em ​Fonte


Material​ e ​Formal.

2.1 FONTE MATERIAL

Também chamada de ​Produção ou ​Substancial​: refere-se ao órgão


incumbido de sua elaboração. É o Estado. A ​União é a fonte de produção do Direito
Penal e Processual penal no Brasil (CF, art. 22, I).

2.2 FONTE FORMAL

Também chamada ​de cognição ou de conhecimento: ​refere-se ao


modo pelo qual o Direito Penal se exterioriza. A fonte formal se subdivide em
imediata​ (direta) e ​mediata​ (indireta).

As ​fontes formais​ são tradicionalmente classificadas em:

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(A) ​Imediata:​ a lei é a única fonte formal imediata do direito penal.

(B) ​Mediata: abrange os costumes, os princípios gerais de direito,


Doutrina e Jurisprudência.

2.2.3 Fontes formais imediatas

A lei figura como o único instrumento normativo capaz de criar infrações


penais (crimes e contravenções penais) e cominar sanções (pena ou medida de
segurança).

2.2.4 Fontes formais mediatas

Os ​costumes são comportamentos uniformes e constantes (elemento


objetivo) pela convicção de sua obrigatoriedade (elemento subjetivo). São
obedecidas com tamanha frequência, que acabam se tornando, praticamente, regras
imperativas, ante a sincera convicção social da necessidade de sua observância.

Os ​princípios gerais do direito são premissas éticas extraídas da


legislação, do ordenamento jurídico. Está o Direito Penal sujeito às influências
desses princípios, estabelecidos com a consciência ética do povo em determinada
civilização, que podem suprir lacunas e omissões da lei penal.

A ​doutrina consiste na atividade pela quais especialistas estudam,


pesquisam, interpretam e comentam o Direito, permitindo aos operadores um
entendimento mais adequado do conteúdo das normas jurídicas.

A Jurisprudência ​é a reiteração de decisões judiciais, interpretando as


normas jurídicas em um dado sentido e uniformizando o seu entendimento.

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Imediatas Lei (Norma Legislativa)

Fontes Formais do Costumes


Direito Penal Princípios gerais do direito
Mediatas
Doutrina
Jurisprudências

3 OS PRINCÍPIOS JURÍDICO-PENAIS

A teoria geral do Direito se encarregou ao longo do século XX de


demonstrar a importância que os princípios possuem para a determinação de
conteúdo do Direito como um todo, e de cada área do Direito em específico. Tal
determinação através dos princípios ganha corpo sobretudo, na interpretação de
normas estatais e na aplicação de tais normas interpretadas a casos concretos.
Assim o é no Direito Penal. Há um conjunto de princípios que servem como
diretrizes interpretativas e aplicativas das diversas normas penais (incriminadoras e
não incriminadoras), ou seja, dentro das fontes imediatas, são as diretrizes de
conteúdo do Direito Penal.

3.1 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE

Previsão Legal: ​Art. 1º do CP- Não há crime sem lei anterior que o
defina. Não há pena sem prévia cominação legal.
Previsão Constitucional: ​Art. 5º, XXXIX/CF- Não há crime sem lei
anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal.
Princípio: ​Nullum crimen,​ ​nulla poena sine lege.​

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3.1.1 Desdobramentos do princípio da legalidade

1. Princípio da reserva legal;


2. Princípio da taxatividade ou da determinação; e
3. Princípio da anterioridade.

3.2 RESERVA LEGAL

Segundo o princípio da reserva legal, a infração penal somente pode ser


criada por lei em sentido estrito, ou seja, lei complementar ou lei ordinária,
aprovadas e sancionadas de acordo com o processo legislativo respectivo, previsto
na CF/88. (ficam excluídos: decretos, regulamentos, resoluções, portarias, Medida
Provisória)

3.3 PRINCÍPIO DA TAXATIVIDADE OU DA DETERMINAÇÃO

Proibição de leis penais indeterminadas (genéricas). O Princípio da


taxatividade impõe que a descrição da conduta criminosa seja detalhada e
específica, não se coadunando com tipos genéricos, demasiadamente abrangentes.

3.4 PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

Proibição da edição de leis retroativas que fundamentem ou agravem a


punibilidade. Necessário que a lei já esteja em vigor na data em que o fato é
praticado.
Um dos efeitos decorrentes da anterioridade da lei penal é a
irretroatividade, pela qual a lei penal é editada para o futuro e não para o passado.

4 DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL

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4.1 LEI PENAL NO TEMPO

Como decorrência do princípio da legalidade, aplica-se, em regra, a lei


penal vigente ao tempo da realização do fato criminoso (​tempus regit actum​). A lei
penal, para produzir efeitos no caso concreto, deve ser editada antes da prática da
conduta que busca incriminar. Excepcionalmente, no entanto, será permitida a
retroatividade da lei penal para alcançar fatos passados, desde que benéfica ao réu.
A esta possibilidade conferida à lei de movimentar-se no tempo (para
beneficiar o réu) dá-se o nome de extra-atividade. A extra-atividade deve ser
compreendida como gênero do qual são espécies
(A) a retroatividade​, capacidade que a lei penal tem de ser aplicada a
fatos praticados antes da sua vigência e
(B) a ultra-atividade​, que representa a possibilidade de aplicação da lei
penal mesmo após a sua revogação ou cessação de efeitos.

4.2 SUCESSÃO DE LEIS NO TEMPO

Entre a data do fato praticado e o término do cumprimento da pena,


podem surgir várias leis penais, ocorrendo aquilo que chamamos de sucessão de
leis no tempo. Quando ocorre a sucessão, é necessário observar, em especial, as
regras da ultra-atividade ou retroatividade.
O artigo 5 o, XL da CF/88 enuncia, como regra geral, que “a lei penal não
retroagirá, salvo para beneficiar o réu”. Trata-se da iararetsroatividade da lei penal,
excetuada somente quando esta lei beneficia de algum modo o acusado (ou mesmo
o condenado). Esta retroatividade da lei benéfica é determinada por razões de
política criminal, autorizando que a lei nova - que deveria produzir efeitos a partir da
sua entrada em vigor - produza efeitos sobre as ações ou omissões realizadas antes
de sua existência no mundo jurídico. (Rogério Sanches)

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4.3 DO TEMPO DO CRIME

A determinação do tempo em que se reputa praticado o delito tem


relevância jurídica não só para ​fixar a lei que vai reger​, mas também para ​fixar a
imputabilidade do sujeito​. A questão apresenta interesse no caso em que, depois de
realizada a atividade executiva do delito e antes da produção do resultado, surge
nova lei alterando a legislação sobre a conduta punível: qual a lei a ser aplicada, a
do tempo da atividade ou a em vigor por ocasião da produção do resultado? Além
disso, é preciso fixar o momento da prática do delito para efeito de apreciação de
seus elementos subjetivos, circunstância, prescrição, anistia etc.
Existem várias teorias a respeito. As principais são:
1ª) teoria da atividade;
2ª) teoria do resultado;
3ª) teoria mista.
Segundo a ​teoria da atividade,​ atende-se ao momento da prática da ação
(ou omissão). Ex.: no homicídio, o tempo do crime é o da prática dos atos
executórios.
Em face da ​teoria do resultado (do evento, ou do efeito),​ considera-se
tempus delicti o momento da produção do resultado. No homicídio, tempo do crime é
o de seu resultado (morte).

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De acordo com a teoria mista (ou da ubiqüidade), ​tempus delicti é,


indiferentemente, o momento da ação ou do resultado.
O CP adotou a teoria da atividade: “Considera-se praticado o crime no
momento da ação ou da omissão, ainda que outro seja o momento do resultado” –
Art. 4º CP.

4.4 EFICÁCIA DA LEI PENAL NO ESPAÇO

A lei penal é elaborada para viger dentro dos limites em que o Estado
exerce sua soberania. Como cada Estado possui sua própria soberania, surge o
problema da delimitação espacial do âmbito da eficácia da legislação penal.
Estamos em face do denominado Direito Penal Internacional, que se refere ao
estudo do modo pelo qual um determinado ordenamento jurídico interno provê, com
referência a matéria penal, em virtude da coexistência com outros Estados da
comunidade internacional.

4.5 TERRITORIALIDADE

Existem vários princípios a respeito dessa matéria e o CP adotou, como


regra, o princípio da territorialidade (art 5º), onde se aplica a lei brasileira ao crime
cometido no território nacional, que compreende:
a) Território (solo principal; ilhas; rios, lagos e mares interiores; golfos,
baías e portos; navios e aeronaves, conforme as circunstâncias);
b) Mar territorial: 12 milhas marítimas – Lei 8617/93 – art.1º;
c) Espaço aéreo: camada atmosférica – Código do Ar – Lei 7.565/86 – art.
11;

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5 TEORIA GERAL DO CRIME

No aspecto formal, crime é o comportamento humano (ação ou omissão)


contrário ao Direito, o qual a lei comina sanção. Já no aspecto material, crime é o
comportamento humano (ação ou omissão) que lesa ou expõe a perigo um bem
jurídico protegido pela lei penal. Por fim, no aspecto analítico, crime é a soma de fato
típico, antijurídico e culpável.

5.1 O FATO TÍPICO


Fato Típico é o comportamento humano – positivo (ação) ou negativo
(omissão) – que provoca um resultado (em regra) e é previsto na lei penal como
infração. Desta forma, somente o fato típico – o fato que se amolda ao conjunto de
elementos descritivos do crime contido na lei –, é penalmente relevante.
Exemplo: “A” esfaqueia “B”, matando-o. O sujeito, por meio de uma ação,
lesou um bem jurídico tutelado, qual seja, a vida de um homem. A conduta de “A”,
portanto, deve corresponder a um fato que a lei penal descreve como crime. Visto o
CP, encontramos no art. 121, ​caput,​ o fato de ​matar alguém​, como sendo um crime
(homicídio simples). É este o primeiro requisito formal do crime.

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OBS.: Se o fato não se amolda à norma, ou seja, se não esta previsto na


legislação penal, este será denominado ​fato atípico​, não constituindo, desta forma,
crime.
Exemplo: A subtração de coisa com a simples intenção de usá-la (furto de
uso) é fato irrelevante para a nossa legislação penal, pois não se subsume a norma
penal incriminadora do art. 155. Falta-lhe o fim de assenhoreamento definitivo,
contido na expressão ​“para si ou para outrem” do tipo. Sem ele o fato não se ajusta
à norma. É atípico. (ressalva para o Código Penal Militar, o qual será estudado em
momento futuro).
Importante​:
O ​fato típico​ é composto dos seguintes elementos:
1º) ​conduta​ humana dolosa ou culposa;
2º) ​resultado ​(salvo nos crimes de mera conduta);
3º) ​nexo de causalidade entre a conduta e o resultado (salvo nos crimes
de mera conduta) – ​ver art. 13 do CP;​
4º) ​tipicidade: enquadramento do fato material (conduta, resultado e
nexo) a uma norma penal incriminadora.

5.1.1 Da conduta

Conduta é a ação ou omissão humana consciente e dirigida à


determinada finalidade.
Características:
a) A conduta se refere ao comportamento do homem, não dos animais
irracionais. O ato do homem, por sua vez, constitui conduta como expressão
individual de sua personalidade. O sujeito ativo do delito nas infrações penais
comuns só pode ser uma pessoa física. A pessoa jurídica não é ​capaz de delinqüir
no tocante a crimes comuns, como o furto, o homicídio etc. De ver-se que a Lei n.º
9.605, de 12-2-1998, em seus arts. 3º e 21 a 24, admite responsabilidade penal da
pessoa jurídica em relação a delitos ambientais.

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b) Só as condutas corporais externas constituem ações. O Direito Penal


não se ocupa da atividade puramente psíquica.
c)​ A conduta humana só tem importância para o direito quando voluntária.
d) O comportamento consiste num movimento ou abstenção de
movimento corporal.
Se a vontade constitui elemento de conduta, é evidente que esta não
ocorre quando o ato é involuntário. Como exemplos de ausência de conduta podem
ser citados os casos de movimentos ação reflexo imediatamente após a excitação
de um nervo sensitivo; movimentos durante o sonho ou sonambulismo, sob sugestão
ou hipnose e em estado de inconsciência.

5.2 FORMAS DA CONDUTA: AÇÃO E OMISSÃO

5.2.1 Ação

A maioria dos núcleos dos tipos penais se consubstancia em modos


positivos (ação) de agir, como matar, lesionar, apropriar-se, destruir, danificar etc.
quando o crime é cometido por essa forma positiva de agir diz-se que é praticado
mediante ​Ação​.

5.2.2 Omissão

São os que se perfazem com a simples conduta negativa do sujeito,


independentemente de produção de qualquer consequência posterior. A norma que
os contêm, ao invés de um mandamento negativo (não furtarás, p. ex.), determina
um comportamento positivo. Assim no crime de ​omissão de socorro (art. 135) o
núcleo do tipo é o verbo “deixar”.

5.3 DO TIPO DO CRIME DOLOSO

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Dolo é a vontade de concretizar as características objetivas do tipo.


Constitui elemento subjetivo do tipo (implícito).
Podemos estabelecer o seguinte quadro:
1 – consciência da conduta e do resultado;
2 – consciência da relação causal objetiva entre a conduta e o resultado;
3 - vontade de realizar a conduta e de produzir o resultado;

5.3.1 Do Dolo Alternativo e Dolo Eventual

O art. 18, I, do CP afirma: “Diz-se o crime doloso, quando o agente quis o


resultado ou assumiu o risco de produzi-lo”.
Com fundamento nessa conceituação, a doutrina distingue duas formas
de dolo:
a)​ dolo direto (ou determinado); e
b)​ dolo indireto (ou indeterminado).
No dolo direto, o sujeito visa a certo e determinado resultado. Ex. o
agente joga o televisor da vítima ao solo com a intenção de quebrá-lo. O dolo se
projeta de forma direta no resultado dano.
Há dolo indireto quando a vontade do sujeito não se dirige a certo e
determinado resultado. Possui duas formas:
​a)​ dolo alternativo; e
b)​ dolo eventual.
Há ​dolo alternativo quando a vontade do sujeito se dirige a um ​ou outro
resultado. Ex.: o agente desfere golpes de faca na vítima com a intenção alternativa:
ferir ou matar.
Ocorre o ​dolo eventual quando o sujeito assume o risco de produzir o
resultado, isto é, admite ou aceita o risco de produzir. Ela não quer o resultado, pois
se assim fosse haveria dolo direto. Ele antevê o resultado e, mesmo assim, age.
Percebe que é ​possível causar o resultado e, não obstante, realiza o
comportamento. Ex.: O agente pretende atirar na vítima, que se encontra
conversando com outra pessoa. Percebe que, atirando na vítima, pode também
atingir a outra pessoa. Não obstante essa ​possibilidade,​ prevendo que pode matar o

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terceiro é-lhe indiferente que este último resultado se produza. Ele tolera a morte do

terceiro. Para ele tanto faz que o terceiro seja atingido ou não, embora ​não queira o
evento. Atirando na vítima e matando também o terceiro, responde por dois crimes
de homicídio: o primeiro, a título de dolo direto; o segundo, a título de dolo eventual.

5.4 DO TIPO CULPOSO

O art. 18, II do CP apresenta: “Diz-se o crime culposo, quando o agente


deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia”.
São formas de manifestação da inobservância do cuidado necessário:
​ ​imprudência é a prática de um fato perigoso. Ex.: dirigir veículo em
a) A
rua movimentada com excesso de velocidade.
​ ​negligência é a ausência de preocupação ou indiferença em relação
b) A
ao ato realizado. Ex.: deixar arma de fogo ao alcance de uma criança.
c) A ​Imperícia é a falta de aptidão para o exercício de arte ou profissão. O
químico, o eletricista, o motorista, o médico, o policial, o engenheiro, o farmacêutico
etc. É possível que, em face da ausência de conhecimento técnico ou de prática
para o exercício de suas atividades, venham a causar dano a interesses jurídicos de
terceiros. Fala-se, então, em imperícia. De observar que se o sujeito não realiza uma
conduta fora de sua arte, ofício, profissão, não se fala em imperícia, mas em
imprudência ou negligência. Além disso, é possível que, não obstante o fato tenha
sido cometido no exercício da profissão, ocorra imprudência ou negligência.
São elementos do fato típico culposo:
1º) ​Conduta Voluntária
– O fato se inicia com a realização voluntária de uma conduta. O agente
não pretende praticar um crime nem expor interesses jurídicos de terceiros a perigo
de dano. A conduta pode ser positiva (ação), como, p. ex., dirigir um veículo; ou
negativa (omissão), como, p. ex., mãe deixa de medicar um filho.
2º) ​Inobservância do dever de cuidado objetivo, manifestada pela
imprudência,​ ​negligência​ ou ​imperícia.​

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– Cuidado Objetivo – A todos, no convívio social, é determinado o dever


de diligência, a obrigação de realizar conduta de forma a não causar prejuízos
(danos) a terceiros.
3º) ​Previsibilidade Objetiva
– É a possibilidade de ser antevisto o resultado, nas condições em que o
sujeito se encontrava. A previsibilidade do resultado é apurada tomando-se o
homem dotado de discernimento e prudência colocado na mesma situação do
sujeito.
4º) ​Ausência de previsão
– É necessário que o sujeito não tenha previsto o resultado. Se o previu,
não estamos no terreno da culpa, mas do dolo. O resultado era previsível, mas não
foi previsto pelo sujeito.
5º) ​Resultado Involuntário
– Sem resultado não há crime culposo.
6º) ​Nexo Causal
– Relação de causalidade entre conduta e resultado.
7º) ​Tipicidade
– Previsão legal do delito na forma culposa (p. ex.: homicídio culposo, art.
121, § 3º).

5.5 DO CRIME PRETERDOLOSO

Crime preterdoloso (ou preterintencional) é aquele em que a conduta


produz um resultado mais grave que o pretendido pelo sujeito. O agente quer um
minus e seu comportamento causa um ​majus,​ de maneira que conjugam o ​dolo na
conduta antecedente e a ​culpa no resultado (conseqüente). Daí falar-se que o crime
preterdoloso é um misto de dolo e culpa.
Ex.: lesão corporal seguida de morte (art. 129, § 3º), a lesão é punida a
título de dolo; a morte a título de culpa.

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Do ponto de vista da qualificação dos crimes, temos que o legislador,


algumas vezes, após descrever o crime em sua forma fundamental, acrescenta-lhe
um resultado que aumenta abstratamente a pena imposta no preceito sancionador.
São os crimes ​qualificados pelo resultado​, punidos em sua maioria a t´titulo de
preterdolo ou preterintenção:
Exs.: arts. 127; 129, § 1º, II; 129, § 2º, V, 129, § 3º; 133, §§ 1º e 2º; 134,
§§ 1º e 2º; 135, parágrafo único; 136, §§ 1º e 2º; 137, parágrafo único; 148, § 2º;
223, parágrafo único; 232 (com vistas ao art. 233); 258, 1ª parte; 260, § 1º; 262, § 1º;
263; 264, parágrafo único; 267, § 1º; 285.

5.6 RELAÇÃO DE CAUSALIDADE


Como foi visto anteriormente, representa o terceiro elemento do fato típico
– nexo de causalidade entre o comportamento humano e a modificação do mundo
exterior (resultado material).
Ex.: “A” mata “B” a golpes de faca. Há o comportamento humano (atos de
desferir facadas) e o resultado (morte). O primeiro elemento é a ​causa​; o segundo,
efeito.​ Entre um e outro há uma ​relação de causalidade,​ pois a vítima faleceu em
conseqüência dos ferimentos produzidos pelos golpes de faca.
O nosso Código adotou a teoria da equivalência dos antecedentes
causais. Reza o art. 13, ​caput​, 2ª parte, que é considerada causa a ação ou omissão
sem a qual o resultado não teria acontecido.

5.7 ILICITUDE OU ANTIJURIDICIDADE

Não basta, porém, que o fato seja típico para que exista crime. É preciso
que seja contrário ao Direito, ​antijurídico​. O legislador, tendo em vista o complexo
das atividades do homem em sociedade e o entrechoque de interesses, às vezes
permite determinadas condutas que, em regra, são proibidas. Assim, não obstante
enquadradas em normas penais incriminadoras, tornando-se ​fatos típicos​, não
ensejam a aplicação de sanção.

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Exemplo: “A”, em legitima defesa, atira em “B”, matando-o.


O fato se enquadra na descrição legal do homicídio: é típico. Mas, não
basta ser típico, necessita também ser contrário à ordem jurídica. E no caso,
concorre uma causa de exclusão da antijuridicidade, prevista nos arts. 23, II, e 25 do
CP. É excluída a antijuridicidade, não há crime. É, pois, a antijuridicidade o segundo
requisito formal do crime.
Desta forma, a antijuridicidade é a relação de contrariedade entre o fato
típico e o ordenamento jurídico. A conduta descrita em norma penal incriminadora
será ilícita ou antijurídica quando não for expressamente declarada lícita. Assim, o
conceito de ilicitude de um fato típico é encontrado por exclusão: ​É antijurídico
quando não declarado lícito por causas de exclusão da antijuridicidade (CP,
art. 23 ou normas permissivas encontradas em sua Parte Especial do CP ou em leis
especiais).

5.8 CAUSAS DE EXCLUSÃO DA ANTIJURIDICIDADE

São causas de exclusão da antijuridicidade, prevista no art. 23 do CP:


1º) estado de necessidade;
2º) legítima defesa;
3º) estrito cumprimento do dever legal;
4º) exercício regular do direito.
A Parte Especial prevê também excludentes da ilicitude. Exs.: arts. 128, I,
e 142.

5.8.1 Do Estado de Necessidade

Estado de necessidade é uma situação de perigo atual de interesses


protegidos pelo direito, em que o agente, para salvar um bem próprio ou de terceiro,
não tem outro caminho senão o de lesar o interesse de outrem, nos termos do art.
24 do CP.

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Exemplos:
a) danos materiais produzidos em propriedade alheia para extinguir um
incêndio e salvar pessoas que se encontram em perigo;
b) dois náufragos nadam em direção a uma tábua de salvação; para
salvar-se Lúcio mata Arnaldo.

Requisitos:
a)​ um perigo atual;
b)​ ameaça a direito próprio ou alheio;
c)​ situação não causada voluntariamente pelo sujeito;
d)​ inexistência de dever legal de arrostar perigo (art. 24, §1º);
A prática da conduta lesiva exige:
a)​ inevitabilidade do comportamento lesivo;
b)​ inexigibilidade de sacrifício do interesse ameaçado;
c)​ conhecimento de situação de fato justificante;
A ausência de qualquer requisito exclui o estado de necessidade.

5.8.2 Da Legítima Defesa

Nos termos do art. 25 do CP, “entende-se em legítima defesa quem,


usando moderadamente os meios necessários, repele injusta agressão, atual ou
iminente, a direito seu ou de outrem”.
Requisitos:
a)​ agressão injusta, atual ou iminente;
b) direitos do agredido ou de terceiro, atacado ou ameaçado de dano pela
agressão;
c)​ repulsa com meios necessários;
d)​ uso moderado de tais meios;

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e) conhecimento da agressão e da necessidade da defesa (vontade de


defender-se);
A ausência de qualquer dos requisitos exclui a legitima defesa.

5.8.3 Do Estrito Cumprimento do Dever Legal

Há casos em que a ​lei impõe determinado comportamento, em face do


que, embora típica a conduta, não é ilícita. Exemplos:
a) fuzilamento do condenado pelo executor: a conduta do carrasco é
típica, uma vez que se enquadra na descrição do crime de homicídio; a
antijuridicidade é excluída pelo cumprimento do dever legal;
b)​ prisão em flagrante realizada pelo policial;
c)​ oficial de justiça que invade domicílio alheio e apreende bens.
A excludente só ocorre quando há um dever imposto pelo direito objetivo.
As obrigações de natureza social, moral ou religiosa não determinadas por lei, não
se incluem na justificativa. O dever pode estar contido em regulamento, decreto ou
qualquer outro ato emanado do poder público, desde que tenha caráter geral. O ato
administrativo particular pode ensejar a obediência hierárquica (CP, art. 22, 2ª
parte).

5.8.4 Do Exercício Regular de Direito

A expressão ​direito é empregada em sentido amplo, abrangendo todas as


espécies de direitos subjetivos (penal e extrapenal). Desde que a conduta se
enquadre no exercício de um direito, embora típica, não apresenta o caráter de
antijurídica. Ex.:
a)​ prisão em flagrante realizada por um particular;
b)​ liberdade de censura prevista no art. 142 do CP;
c)​ direito de retenção permitido pelo Código Civil;

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d)​ direito de correção do pai em relação ao filho;


e) I​ ntervenções médicas e cirúrgicas;
f)​ violência esportiva, desde que haja obediência irrestrita às regras.
Importante​: Trata o art. 23, parágrafo único, que o agente, em qualquer
das hipóteses de excludentes de ilicitude, responderá pelo excesso doloso ou
culposo.

5.9 CULPABILIDADE

Por sua vez, a culpabilidade ​é a reprovação da ordem jurídica em face


de estar ligado o homem a um fato típico e antijurídico. Reprovabilidade que vem
recair sobre o agente, porque a ele cumpria conformar a sua conduta como
mandamento do ordenamento jurídico, porque tinha a possibilidade de fazê-lo e não
o fez.
Não basta, porém, que o fato seja típico e ilícito. Suponha que o agente
cometa um homicídio, não se encontrando acobertado por qualquer justificativa.
Basta acrescentar que o agente é portador de doença mental, que lhe tenha retirado
inteiramente a capacidade de compreensão do caráter ilícito do fato no momento de
sua prática. Nos termos do que dispõe o art. 26, ​caput,​ do CP, ele é isento de pena.
Faltou-lhe a culpabilidade.

5.10 DO CONCURSO DE PESSOA

A infração penal nem sempre é obra de um só homem. Com alguma


freqüência, é produto da concorrência de varia condutas referentes a distintos
sujeitos. Assim, p. ex., o crime de furto (art. 155) pode ter o concurso de varias
pessoas: uma rompe a porta da residência, outra nela penetra e subtrai bens,
enquanto uma terceira fica de atalaia. Neste caso, quando varias pessoas
concorrem para a realização da infração penal, fala-se em ​concurso de pessoas​,

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participação,​ ​co-delinqüência​, ​co-participação ou ​concurso de delinqüente​. O CP


emprega a expressão “concurso de pessoas” (art. 29).

5.11 CONCEITO DE AUTOR

É o sujeito que realiza a conduta expressa pelo verbo típico da figura


delitiva ou se vale de outrem para realizar o delito. Pode ser: ​a) autor executor; ​b)
autor intelectual; ​c) autor mediato (utiliza-se de terceiro, que age sem culpa, para a
prática do crime).

5.12 FORMAS DE CONCURSO DE PESSOAS

1º) co-autoria; e
2º) participação

5.12.1 Co-autoria

Pode ser:
1ª) direta; e
2ª) parcial ou funcional.
Na ​co-autoria direta todos os sujeitos realizam a conduta típica. Ex.:
diversas pessoas agridem a vítima produzindo-lhe lesões corporais.
Na ​co-autoria parcial ou funcional há divisões de tarefas executórias do
delito. Trata-se do chamado ​“domínio funcional do fato”,​ assim denominado
porque alude à repartição da atividade (funções) entre os sujeitos. Exs.: no roubo
(art. 157, ​caput)​ , uma das pessoas ameaça a vítima com arma de fogo, enquanto a
outra a despoja de seus valores; no estupro (art. 213), um ameaça com emprego da
arma e outro mantém com ela a conjunção carnal.

5.12.2 Participação

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Dá-se quando o sujeito, não praticando atos executórios do crime,


concorre de qualquer modo para a sua realização (CP, art. 29). Ele não realiza
conduta descrita pelo preceito primário da norma, mas realiza uma atividade que
contribui para a formação do delito. Chama-se ​partícipe.
​ conduta não se amolda ao núcleo da figura típica;
a) a
b)​ não possui o domínio finalista do fato.
Contribui, por intermédio de conduta acessória​, ​mediante ​induzimento​,
instigação​ ou ​auxílio material​ (a chamada cumplicidade).

6 CÓDIGO PENAL (PARTE ESPECIAL)

1) HOMICÍDIO (ART. 121)


1.1) ​Bem jurídico​: Vida humana;
1.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa (delito comum);
passivo​ – qualquer ser humano com vida;
1.3) ​Tipo objetivo​: Matar alguém (outro ser humano) por qualquer meio;
1.4) ​Consumação​: com a morte da vítima;
1.5) ​Homicídio privilegiado​: Ocorre quando o agente comete o crime impelido por
motivo de relevante valor social ou moral, ou sob domínio de violenta emoção, logo
em seguida a injusta provocação da vítima (art. 121, §1º, CP);
1.6) ​Homicídio qualificado​: Verifica-se cometido (art. 121, §2º, CP):
1) mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;
2) por motivo fútil;
3) com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio
insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
4) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que
dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido;
5) para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de
outro crime;

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6) Feminicídio: praticado contra a mulher por razões da condição de sexo


feminino, considera-se essas condições quando o crime envolve a violência
doméstica e familiar ou é cometido mediante o​ menosprezo ou discriminação à
condição de mulher.
7) Agentes de Segurança Pública: contra autoridade ou agente
descrito nos ​arts. 142​ e ​144 da Constituição Federal​, integrantes do sistema prisional
e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em
decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até
terceiro grau, em razão dessa condição:​
1.7) ​Homicídio culposo​: A produção do resultado morte decorre da inobservância,
pelo agente, do cuidado objetivamente devido, da diligência indispensável em face
das circunstâncias (art. 121, §1º, CP);
1.8) ​Causas de aumento de pena​: Aumenta-se a pena de um terço, no homicídio
culposo, se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou
ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura
diminuir as conseqüências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante.
Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é
praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. Já
nos crimes de feminicídio a pena é aumentada de um terço até a metade se o crime
é praticado durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto; contra
pessoa menor de 14 (quatorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos ou com
deficiência ou​ ​na presença de descendente ou de ascendente da vítima.​
1.9) ​Perdão Judicial​: Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de
aplicar a pena, se as conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma
tão grave que a sanção penal se torne desnecessária.

2) Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio (Art. 122)

Para esclarecer:

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a) induzir: é contribuir para a criação da intenção suicida na vítima,


dando-lhe a séria impressão que o suicídio deve ser praticado;
b) instigar:​ é aguçar uma vontade que já era manifestada pela vítima; e
c) auxiliar: é prestar ajuda material à vítima, como entregando-lhe o
veneno, por exemplo.
2.1) ​Bem jurídico​: Vida humana;
2.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa (delito comum);
passivo – qualquer ser humano vivo, determinado e com capacidade de
discernimento.
2.3) ​Tipo objetivo​: Induzir (inspirar, incutir, sugerir) ou Instigar (estimular, reforçar
uma idéia existente) alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxilio (material ou moral)
para que o faça;
2.4) ​Consumação​: Exige-se a superveniência do evento morte ou lesão corporal
grave (gravíssima), a expressão “lesão corporal de natureza grave” abrange a grave
propriamente dita e também a gravíssima (CP, art. 129, §§ 1.° e 2.°);
2.5) Tentativa: Não é possível a tentativa da participação em suicídio, pois a lei só
pune o crime se o suicídio se consuma, ou se da tentativa de suicídio resulta lesão
corporal de natureza grave. Cuida-se de ​crime condicionado​, em que a
punibilidade está sujeita à produção de um resultado legalmente exigido.

3) Infanticídio (Art. 123)


3.1) ​Bem jurídico​: Vida humana;
3.2) ​Sujeitos​: ​ativo – somente a mãe (delito especial, próprio). É possível o concurso
de pessoas (art. 29, CP);
passivo​ – o ser humano nascente ou recém-nascido.
3.3) ​Tipo objetivo​: Matar, sob influência do estado puerperal (critério fisiopsíquico,
cabendo a perícia determinar tal estado), o próprio filho, durante ou logo após o
parto;
3.4) ​Consumação​: Com a morte do filho nascente ou recém-nascido;

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4) Aborto (Arts. 124 a 128)


4.1) ​Bem jurídico​: Vida humana intra-uterina;
4.2) ​Sujeitos​: ​ativo – no auto-aborto (crime próprio), a própria gestante. Nas demais
modalidades, pode ser qualquer pessoa.
passivo – o ser humano em formação. No aborto não consentido e no
aborto qualificado pelo resultado, também a gestante pode figurar como vítima do
delito.
4.3) ​Tipo objetivo​: Provocar aborto – morte do nascituro pelas manobras abortivas. O
termo inicial para a prática do delito é o início da gravidez (nidação) e o termo final, o
início do parto;
4.4) ​Consumação​: Com a morte do produto da concepção;
4.5) ​Formas qualificadas​: As penas cominadas são aumentadas de um terço, se, em
conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre
lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas,
lhe sobrevém a morte;
4.6) ​Exclusão de ilicitude​: 1) ​Aborto Necessário - se não há outro meio de salvar a
vida da gestante; 2) ​Aborto sentimental ou humanitário - se a gravidez resulta de
estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz,
de seu representante legal. Em ambos os casos devem ser praticados por médico.

OBS.​ : A competência para processo e julgamento de todos os “Crimes dolosos


contra a vida” é do Tribunal do Júri (art. 5º, XXXVIII, CF/88)..

5) Lesão corporal (Art. 129)


É a agressão à integridade corporal ou a saúde humana. Para que se fale
nesse delito, no entanto, há que se comprovar que a conduta estava direcionada a
essa intenção, devendo-se estar atento para não confundir esta com a forma tentada
de outros crimes. Como exemplo, quando alguém atira contra outra pessoa, com a

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intenção de matá-la, e apenas a fere, não haverá que se falar em lesão corporal,
mas sim em homicídio tentado.
5.1) ​Bem jurídico​: Incolumidade física e psíquica do ser humano;
5.2) ​Sujeitos​: ​ativo – pode ser qualquer pessoa (delito comum), com exceção do art.
129, §9º, do CP que será sempre o ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou
companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se
o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade (delito
especial próprio).
passivo​ – qualquer ser humano vivo, a partir do início do parto.
5.3) ​Tipo objetivo​: Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem. Lesão
corporal é alteração prejudicial – anatômica ou funcional, física ou psíquica, local ou
generalizada – produzida por qualquer meio, no organismo alheio;
5.4) ​Consumação​: com a efetiva ofensa à integridade corporal ou a saúde de
outrem;
5.5) ​Espécies​:
1) ​lesão corporal leve ou simples – compreende os danos á incolumidade
física ou psíquica que, por exclusão, não integram as hipóteses previstas como
lesões graves e gravíssimas;
2) ​lesão corporal grave – se da ofensa à integridade corporal ou à saúde de
outrem resulta (art. 129, §1º): a) Incapacidade para as ocupações habituais, por
mais de trinta dias; b) perigo de vida; c) debilidade permanente de membro, sentido
ou função; d) aceleração de parto;
3) ​lesão corporal gravíssima – se da ofensa à integridade corporal ou à saúde
de outrem resulta (art. 129, §2º): a) Incapacidade permanente para o trabalho; b)
enfermidade incurável; c) perda ou inutilização do membro, sentido ou função; d)
deformidade permanente; e) aborto;
4) ​lesão corporal seguida de morte – se da ofensa à integridade corporal ou à
saúde de outrem resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não
quis o resultado, nem assumiu o risco de produzí-lo. È um misto de dolo

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(antecedente) e culpa (conseqüente) – Este tipo é conhecido como ​crime


preterdoloso​;
5) ​lesão corporal culposa – a produção do resultado, não querido pelo agente,
decorre de inobservância de dever objetivo de cuidado;
6) ​violência doméstica – se a violência é praticada contra ascendente,
descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha
convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de
coabitação ou de hospitalidade, havendo, ainda, aumento de pena se o crime for
cometido contra pessoa portadora de deficiência.
7) ​Agentes de segurança -s​ e a lesão for praticada contra autoridade ou
agente descrito nos ​arts. 142​ e ​144 da Constituição Federal​, integrantes do sistema
prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em
decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até
terceiro grau, em razão dessa condição, a pena é aumentada de um a dois terços.

6) Omissão de socorro (Art. 135)


6.1) ​Bem jurídico​: Vida e saúde da pessoa humana;
6.2) ​Sujeitos​: ​ativo – qualquer pessoa, desde que não tenha provocado, dolosa ou
culposamente, a situação de perigo. Inadmissível o concurso de pessoas. A
assistência prestada por qualquer uma das pessoas presentes, salvo se insuficiente
e inadequada, exime as demais.
passivo – criança abandonada ou extraviada, pessoa invalida ou ferida,
ao desamparo, ou qualquer pessoa em grava e iminente perigo.
6.3) ​Tipo objetivo​: deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco
pessoal, criança abandonada ou extraviada, pessoa inválida ou ferida, ao
desamparo, ou qualquer pessoa em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses
casos, o socorro da autoridade pública.
6.4) ​Consumação​: ocorre quando o agente não presta o socorro, ainda que outrem o
faça posteriormente;

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7) Maus-tratos (Art. 136)


7.1) ​Bem jurídico​: Vida e incolumidade pessoal;
7.2) ​Sujeitos​: ​ativo – apenas aquele que tenha a vítima sob sua guarda, vigilância ou
autoridade, para fins de educação, ensino, tratamento ou custódia (delito especial,
próprio);
passivo – aquele que esteja sob a autoridade, guarda ou vigilância do
sujeito ativo, para fins de educação, ensino, tratamento ou custódia.
7.3) ​Tipo objetivo​: Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua guarda,
vigilância ou autoridade, para fins de educação, ensino, tratamento ou custódia, em
uma das seguintes formas:
a) privando a vítima – total ou parcialmente – de alimentação;
b) privando a vítima de cuidados indispensáveis;
c) sujeitando a vítima a trabalho excessivo (ou seja, além de suas forças
físicas ou mentais);
d) sujeitar a vítima a trabalho inadequado (impróprio ou incompatível com
suas habilidades ou condições orgânicas);
e) Abusando o agente de meios de correção ou disciplina.

Obs​.: O exercício moderado do poder disciplinar é considerado lícito – ​exercício


regular do direito​.

7.4) ​Consumação​: com o perigo à vida ou a saúde da vítima;


7.5) ​Formas qualificadas​: Se o fato resulta lesão corporal grave, a pena é de
reclusão, de um a quatro anos (art. 136, §1º); se resulta morte, reclusão, de quatro a
doze anos (art. 136, §2º);

8) Rixa (Art. 137)


8.1) ​Bem jurídico​: Incolumidade pessoal;

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8.2) ​Sujeitos​: ​ativo – qualquer pessoa, porém só se configura com o concurso de


três ou mais pessoas. A conduta plural é tipicamente obrigatória;
passivo​ – qualquer pessoa.
8.3) ​Tipo objetivo​: Participar de rixa, salvo para separar os contendores. É o embate
violento travado entre três ou mais pessoas. O que se constata é um combate
desordenado, no qual cada rixoso pratica atos de violência material contra qualquer
um dos integrantes do tumulto, indistintamente.
Não é suficiente para a configuração da rixa a mera altercação, a discussão
acalorada ou a troca de ofensas ou de ameaça, mesmo que exaltados os ânimos. É
indispensável à existência de violência física, constituída por, no mínimo, vias de
fato. O contato físico não é indispensável, já que é possível a luta à distância,
através de arremesso de objetos, por exemplo.
O núcleo ​participar significa concorrer, tomar parte, contribuir para o
desencadeamento ou empenhar-se para a continuidade da rixa. É da essência da
rixa a confusão e a reciprocidade das agressões, envolvendo três ou mais pessoas.
De conseguinte, a briga conduzida por dois grupos rivais, cujos integrantes apenas
agridem os componentes da equipe adversária e não o membro do próprio grupo,
nada mais é do que troca de lesões corporais, e não rixa.
8.4) ​Consumação​: com a participação na rixa, independentemente de qualquer
resultado (morte/lesão corporal grave);
8.5) ​Formas qualificadas​: A ocorrência de lesão corporal grave ou morte qualifica a
rixa, respondendo por ela inclusive a vítima da lesão corporal grave (art. 137,
parágrafo único);

9) Calúnia (Art. 138)


9.1) ​Bem jurídico​: Honra;
9.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa (delito comum);

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passivo – qualquer pessoa, inclusive pessoa jurídica, já que esta pode praticar, em
tese, crime ambiental. Na calúnia irrogada contra mortos, são sujeitos passivos seus
cônjuges, ascendentes, descendentes ou irmão.
9.3) ​Tipo objetivo​: caluniar alguém. Apresenta três pontos principais.
a) a imputação de um fato;
b) que o fato imputado à vítima, seja, obrigatoriamente, falso;
c) Além de falso, o fato deve ser definido como crime.
9.4) ​Consumação​: com o conhecimento da imputação falsa por terceira pessoa;
9.5) ​Formas equiparadas​: Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a
imputação, a propala – propaga, espalha – ou divulga – a torna pública ou notória;
9.6) ​Exceção da verdade​: demonstração pelo acusado da verdade da imputação,
propalação ou divulgação – é admitida como regra geral, salvo:
a) nos crimes de ação privada, se o ofendido não foi condenado por sentença
irrecorrível;
b) nos fatos imputados contra o Presidente da República ou Chefe de
Governo Estrangeiro;
c) nos crimes de ação pública, se o ofendido foi absolvido por sentença
irrecorrível.

10) Difamação (Art. 139)


10.1) ​Bem jurídico​: Honra;
10.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa (delito comum);
passivo – qualquer pessoa, inclusive os inimputáveis e desonrados, ou
jurídica. Não é punível a difamação contra os mortos, salvo se praticada através da
imprensa (art. 24, Lei n.º 5.250/1967 – Lei de Imprensa)
10.3) ​Tipo objetivo​: difamar alguém. Consiste na atribuição de fato(s)
determinado(s), verdadeiro(s) ou não, a pessoa ou pessoas determinadas, que
tenham por finalidade macular a reputação do ofendido, ou seja, a sua honra
objetiva.

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10.4) ​Consumação​: com o conhecimento da imputação ofensiva por terceira pessoa;


10.5) ​Exceção da verdade​: Não é admitida, salvo:
a) se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de
suas funções;
b) se o crime é cometido contra órgão ou entidade que exerça funções de
autoridade pública (art. 21, §1º, ​a​ , Lei n.º 5.250/1967);
c) se o ofendido permite a prova (art. 21, §1º, ​b​ , Lei n.º 5.250/1967).

11) Injúria (Art. 140)


11.1) ​Bem jurídico​: Honra;
11.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa (delito comum);
passivo – qualquer pessoa, inclusive os inimputáveis e desonrados, ou
pessoa jurídica. Não é punível a injúria contra os mortos, salvo se praticada através
da imprensa (art. 24, Lei n.º 5.250/1967 – Lei de Imprensa)
11.3) ​Tipo objetivo​: Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro. Consiste
na atribuição genérica de qualidade negativa ou de fatos vagos e indeterminados.
Admite-se vários meios de execução (palavras, gestos, escritos, canções, imagens,
caricaturas, etc.). Desnecessária a presença do sujeito passivo.
11.5) ​Consumação​: com o conhecimento da ofensa pela vítima;
11.6) ​Injúria real e discriminatória​: A injúria real consiste em violência ou vias de fato,
que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considere aviltante (art. 140,
§2º). De outro lado, constata-se a injúria discriminatória (injúria racial) pela utilização
de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa
idosa ou portadora de deficiência (art. 140, §3º).

OBS.:​ ​Exclusão do crime

Art. 142 - Não constituem injúria ou difamação punível:


I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu
procurador;

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II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando


inequívoca a intenção de injuriar ou difamar;
III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou
informação que preste no cumprimento de dever do ofício.
Parágrafo único - Nos casos dos ns. I e III, responde pela injúria ou pela
difamação quem lhe dá publicidade.

Retratação
Art. 143 - O querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente da calúnia
ou da difamação, fica isento de pena.
​ Parágrafo único. Nos casos em que o querelado tenha praticado a calúnia ou
a difamação utilizando-se de meios de comunicação, a retratação dar-se-á, se assim
desejar o ofendido, pelos mesmos meios em que se praticou a ofensa.
Art. 144 - Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou
injúria, quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele que se
recusa a dá-las ou, a critério do juiz, não as dá satisfatórias, responde pela ofensa.
​ omente se procede mediante
Art. 145 - Nos crimes previstos neste Capítulo s
queixa​, salvo quando, no caso do art. 140, § 2º, da violência resulta lesão corporal.
Parágrafo único - Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no
caso do n.º I do art. 141, e mediante representação do ofendido, no caso do n.º II do
mesmo artigo.

OBS​. ​1: Para facilitar a compreensão acerca dos crimes contra a honra:
1) Calúnia – “Fez algo criminoso”, p. ex.: ​Ariovaldo furtou o relógio de Jussara.​
2) Difamação – “Fez algo”, p. ex.: ​Ariovaldo vive enchendo a cara de cachaça.
3) Injúria – “É”, p. ex.: ​Ariovaldo é um ladrão.

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OBS. 2: ​Em regra, os crimes contra a honra são sempre de ação penal
privada, cabendo ao ofendido formalizar a queixa, salvo quando, no caso do art. 140,
§2º, da violência resulta lesão corporal (Injúria real)

12) Constrangimento ilegal (Art. 146)


12.1) ​Bem jurídico​: Liberdade pessoal;
12.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa (delito comum);
passivo​ – qualquer pessoa.
12.3) ​Tipo objetivo​: Constranger ​(significa forçar, compelir, obrigar, coagir) alguém,
mediante violência ​(física) ou grave ameaça ​(violência moral)​, ou depois de lhe
haver reduzido, por qualquer outro meio ​(deve ser idôneo – hipnose, ingestão de
álcool, drogas etc.),​ a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou
a fazer o que ela não manda.
12.4) ​Consumação​: com a efetiva realização, pelo coagido, da conduta visada pelo
agente;
12.5) ​Exclusão de ilicitude​: Não há crime na intervenção médica ou cirúrgica
realizada sem o consentimento do paciente ou de seu representante legal, se
justificada por iminente perigo de vida ou na coação exercida para impedir suicídio
(art. 146, §3º).

13) Ameaça (Art. 147)


13.1) ​Bem jurídico​: Liberdade pessoal;
13.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa (delito comum);
passivo​ – qualquer pessoa.
13.3) ​Tipo objetivo​: A ameaça é a violência moral, destinada a perturbar a liberdade
psíquica e a tranqüilidade da vítima, pela intimidação ou promessa de causar a
alguém, futura ou imediatamente, mal injusto e relevante. Admite-se vários meios de
execução: palavra, escrito, ou outro meio simbólico, desde que idôneo. O mal

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ameaçado deve ser verossímil e sua execução possível. Dispensável a presença da


vítima.
13.4) ​Consumação​: Ocorre quando a vítima tem ciência da ameaça, ainda que não
se sinta intimidada;
13.5) Delito de mera conduta, somente se procede mediante representação da
vítima.

14) Sequestro e cárcere privado (Art. 148)


14.1) ​Bem jurídico​: Liberdade individual;
14.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa (delito comum);
passivo – qualquer pessoa, mesmo que não disponha da possibilidade
de locomover-se por si mesmo.
14.3) ​Tipo objetivo​: ​Seqüestro é o gênero, do qual o ​cárcere privado é espécie.
Enquanto neste a privação de liberdade é mais intensa (pressupõe confinamente,
clausura), tendente inclusive a imobilizar a vítima, normalmente feita em recinto
fechado ​(p.ex.: casa, apartamento, veículo)​, naquele a vítima tem sua liberdade
privada, e normalmente é detida em locais com maiores limites espaciais (locais
abertos), do qual é mantido privado de sua liberdade de locomoção ​(p.ex.: rua, sítio,
ilha), ambos por tempo juridicamente relevante.​ Ademais, o sequestro e o cárcere
privado podem ser cometidos mediante ​detenção​ (exemplo:
levar a vítima a um cativeiro) ou ​retenção (exemplo: impedir a saída da vítima de sua
residência).
14.4) ​Consumação​: O crime é ​permanente e material​. Por corolário, a consumação
se prolonga no tempo, ou seja, reclama a privação da liberdade de alguém por
tempo juridicamente relevante, a ser aferido com razoabilidade no caso concreto. É
possível a prisão em flagrante a qualquer momento, enquanto subsistir a eliminação
da liberdade da vítima. Há, todavia, entendimentos no sentido de que a duração da
privação de liberdade é irrelevante para a consumação do delito, devendo ser
considerada unicamente na dosimetria da pena.
Exige-se certeza da intenção do agente de tolher o poder de locomoção da vítima.

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Nesse contexto, o crime de sequestro ou cárcere privado distingue-se nitidamente


do constrangimento ilegal (CP, art. 146). Enquanto no sequestro ou cárcere privado
o sujeito ativo retira da vítima sua liberdade de locomoção por período razoável, sem
nenhuma motivação especial (exemplo: prender alguém, gratuitamente, no
porta-malas de um automóvel), no constrangimento ilegal o agente interfere na
esfera de locomoção da vítima para obrigá-la a fazer ou deixar de fazer alguma
coisa (exemplo: vítima compelida a dar fuga a um criminoso em seu automóvel).;
14.4) ​Formas Qualificadas​: Se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge ou
companheiro do agente ou maior de sessenta anos; se o crime é praticado mediante
internação da vítima em casa de saúde ou hospital; se a privação da liberdade dura
mais de quinze dias; se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoito) anos; se o
crime é praticado com fins libidinosos; se resulta à vítima, em razão de maus-tratos
ou da natureza da detenção, grave sofrimento físico ou moral.

15) Violação de domicílio (Art. 150)


15.1) ​Bem jurídico​: Liberdade individual (inviolabilidade domiciliar);
15.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa (delito comum);
passivo​ – o morador, titular do direito de inclusão/exclusão.
15.3) ​Tipo objetivo​: ​Entrar – introduzir-se por inteiro nos limites da casa alheia ou de
suas dependências (pátios, jardins, quintais, garagens, varandas, edículas, celeiros
etc.);
Permanecer – ​recusar a sair;
Clandestinamente​ – às escondidas;
Astuciosamente​ – fraudulentamente;
Contra a vontade expressa ou tácita​ – afronta ostensiva a vontade do morador.
​ compreende qualquer compartimento habitado; aposento ocupado de
Casa –
habitação coletiva; compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce
profissão ou atividade ​(escritório de advocacia ou engenharia, consultório médico ou
odontológico, estúdio fotográfico, atelier de arte ou costura etc)​.

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Não se compreende, entretanto, a hospedaria, a estalagem, ou qualquer outra


habitação coletiva, enquanto abertas – salvo o aposento ocupado – e tampouco a
taverna ​(botequim),​ casa de jogos e outras do mesmo gênero ​(bares, danceterias,
restaurantes).​

15.4) ​Consumação​: na modalidade “entrar”, quando o agente transpõe os limites que


separam a casa ou suas dependências do mundo exterior; na modalidade
“permanecer”, quando insiste em continuar no local, contrário à vontade do morador.
15.5) ​Causas especiais de justificação1: 1) durante o dia, com observância das
formalidades legais, para efetuar prisão ou outra diligência; 2) a qualquer hora do dia
ou da noite, quando algum ilicito está sendo ali praticado ou na iminência de o ser.

16) Furto (Art. 155)


16.1) ​Bem jurídico​: A inviolabilidade do patrimônio (propriedade, a posse e a
detenção);
16.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa, exceto o proprietário da coisa subtraída;
passivo​ – o proprietário, possuidor ou detentor.
16.3) ​Tipo objetivo​: A ação incriminadora é ​subtrair (tirar, diminuir) coisa alheia
móvel. Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha
valor econômico. O furto de uso é conduta atípica, diferentemente do Direito Penal
Militar​.
16.4) ​Consumação​: com a manutenção da posse tranqüila da coisa furtada, dá-se a
posse pacífica no instante em que o ladrão não está mais sujeito aos atos de
legítima defesa por parte da vítima ou de terceiro;
16.5) ​Formas Qualificadas​: 1) Com destruição ou rompimento de obstáculo à
subtração da coisa; com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou
destreza; 2) com emprego de chave falsa; 3) mediante concurso de duas ou mais
pessoas; 4) se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado

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para outro Estado ou para o exterior. 5) subtração for de semovente domesticável de


produção, ainda que abatido ou dividido em partes no local da subtração.

17) Roubo (Art. 157)


17.1) ​Bem jurídico​: A inviolabilidade do patrimônio (propriedade, a posse e a
detenção); a liberdade individual e a integridade corporal e ainda a vida.
17.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa, exceto o proprietário;
passivo – qualquer pessoa, incluindo o possuidor ou terceiro que sofre
a violência.
17.3) ​Tipo objetivo​: A ação incriminadora no art. 157, caput, é ​subtrair (tirar, diminuir)
coisa alheia móvel, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a
pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de
resistência (roubo próprio).
17.4) ​Consumação​: com a posse tranquila da coisa roubada, dá-se a posse tranquila
no instante em que o ladrão não está mais sujeito aos atos de legítima defesa por
parte da vítima ou de terceiro;

Roubo Impróprio

17.5) ​Tipo Objetivo​: O art. 157, §1º, incrimina a conduta de quem, após a subtração,
usa de violência ou grave ameaça, para assegurar a impunidade do crime ou a
detenção da coisa para si ou para terceiro.

17.6) ​Formas Qualificadas​: Mediante o emprego de violência de que resulte:


1) lesão corporal grave;
2) morte ​(l​ atrocínio​ – roubo seguido de morte).

17.7) Objetividade jurídica: O roubo, como corolário de sua classificação como crime
complexo, é também definido como ​crime pluriofensivo​: afronta dois bens jurídicos

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igualmente tutelados pela lei penal, que podem ser o patrimônio e a integridade
física (se praticado com violência à pessoa), ou mesmo a vida, ou então o patrimônio
e a liberdade individual (quando cometido mediante grave ameaça). Há uma junção
de crimes contra o patrimônio (furto) e contra a pessoa (lesão corporal ou ameaça).
Mas o roubo foi acertadamente inserido no Título II da Parte Especial do Código
Penal – Dos crimes contra o patrimônio, uma vez que o resultado almejado pelo
agente é a subtração patrimonial.

OBS. 1: ​Uma das diferenças entre o roubo simples ou próprio e o chamado


roubo impróprio está no momento de emprego do meio de execução, pois no roubo
próprio, a grave ameaça ou a violência (própria ou imprópria) é empregada antes ou
durante a subtração, pois constituem meios idôneos para que o sujeito possa
concretizá-la.
Exemplo: “A” aponta uma arma de fogo para “B” e, ameaçando-a de morte,
determina a entrega de sua carteira. Por sua vez, no roubo impróprio a grave
ameaça ou a violência à pessoa (própria) é utilizada posteriormente à subtração. Em
síntese, o desejo inicial do agente era a prática de um furto, pois ele se apodera da
coisa alheia móvel, sem valer-se de qualquer tipo de constrangimento.
Posteriormente, contudo, emprega a grave ameaça ou a violência à pessoa a fim de
assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro.
Exemplo: “A” entra na casa de “B”, durante a madrugada, e subtrai seu relógio.
Entretanto, “B” acorda com o barulho do alarme e aborda “A”, vindo a ser por este
ameaçado de morte para não gritar por socorro. Cumpre destacar que no roubo
impróprio a violência à pessoa ou grave ameaça é utilizada após a subtração do
bem, mas imediatamente antes da consumação do furto, pois em caso contrário
estaria configurado um crime de furto consumado em concurso material com lesão
corporal (CP, art. 129) ou ameaça (CP, art. 147), quando o constrangimento fosse
dirigido à vítima da subtração ou a um terceiro qualquer, ou então furto em concurso

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material com resistência (CP, art. 329), na hipótese de ser o constrangimento


endereçado a um agente de segurança pública.

OBS​. 2: Há latrocínio consumado quando o homicídio se consuma, ainda que


o agente não consiga a subtração de bens da vítima. (Súmula n.º 610, STF).
A competência para processo e julgamento, embora haja o evento morte, não é do
Tribunal do Júri, e sim do Juiz singular.

18) Extorsão (Art. 158)


18.1) ​Bem jurídico​: Patrimônio (propriedade, a posse e a detenção) e a integridade
física e psíquica do indivíduo.
18.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa;
passivo – qualquer pessoa, inclusive quem sofre o constrangimento
sem lesão patrimonial.
18.3) ​Tipo objetivo​: A ação incriminadora é ​constranger ​(neste tipo penal, significa
coagir) alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si
ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar
fazer alguma coisa.
18.4) ​Consumação​: com o emprego da violência ou grave ameaça,
independentemente de obtenção da indevida vantagem – ​delito de mera atividade;​
18.5) ​Formas Qualificadas​: “Sequestro Relâmpago”, ou seja, se o crime é cometido
mediante a restrição da liberdade da vítima; se resulta lesão corporal de natureza
grave; se resulta morte;

OBS​.: A extorsão, apesar de muito semelhante, não se confunde com o


roubo. Na extorsão, o apoderamento do objeto material ​depende sempre do
comportamento da vítima (entrega da coisa), enquanto que no roubo há a subtração.

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Entretanto, no exemplo do assalto, é irrelevante que a coisa venha a ser


entregue pela vítima ao agente ou que lhe seja tomada. De acordo com a
jurisprudência, trata-se de roubo.
Exemplo de Extorsão​: Agente coage a vítima, empregada doméstica, a
“pegar” coisas do patrão e lhe entregar.

19) Extorsão mediante sequestro (Art. 159)


19.1) ​Bem jurídico​: A inviolabilidade patrimonial e a liberdade pessoal.
19.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa;
passivo – qualquer pessoa, não sendo necessário que a vítima da
privação da liberdade seja a mesma que sofre a lesão patrimonial.
19.3) ​Tipo objetivo​: A ação incriminadora é ​seqüestrar pessoa, isto é, arrebata-la,
detê-la, tira-la de circulação. O agente objetiva obter qualquer vantagem (de
natureza econômica), como condição ou preço de resgate.
19.4) ​Consumação​: com o seqüestro da pessoa, independentemente da obtenção
da vantagem (delito de mera conduta);
19.5) ​Formas Qualificadas​: Se o seqüestro dura mais de 24 (vinte e quatro) horas;
se o seqüestrado é menor de 18 (dezoito) ou maior de 60 (sessenta) anos, ou se o
crime é cometido por bando ou quadrilha; se do fato resulta lesão corporal de
natureza grave; se resulta a morte.

OBS​.: ​No caso de ​“extorsão mediante seqüestro seguido de morte”,​ a


competência para processo e julgamento, embora haja o evento morte, não é do
Tribunal do Júri, e sim do Juiz singular.

20) Dano (Art. 163)


20.1) ​Bem jurídico​: O patrimônio, visando garantir a integridade da posse e a
propriedade.

20.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa;

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passivo​ – o proprietário ou o possuidor.


20.3) ​Tipo objetivo​: As ações incriminadoras são: a) destruir (eliminar); b) inutilizar
(tornar imprestável); c) deteriorar (estragar). O dano pode ser total ou parcial. O
objeto material do crime é a coisa alheia (bens móveis ou imóveis, públicos ou
privados).
20.4) ​Consumação​: com o efetivo dano causado;
20.5) ​Formas Qualificadas​:
a) com violência à pessoa ou grave ameaça;
b) com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui
crime mais grave;
c) contra o patrimônio da União, Estado, Município, empresa concessionária
de serviços públicos ou sociedade de economia mista;
d) por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima

21) Apropriação indébita (Art. 168)

21.1) ​Bem jurídico​: A inviolabilidade patrimonial.

21.2) ​Sujeitos​: ​ativo – qualquer pessoa, diversa do proprietário, que tenha a posse
ou detenção lícita de coisa alheia móvel;
passivo​ – o proprietário e, excepcionalmente, o possuidor.
21.3) ​Tipo objetivo​: A ação incriminadora é ​apropriar-se​, que significa tomar para si,
inverter a natureza da posse, agindo como se fosse dono da coisa alheia móvel.
21.4) ​Consumação​: ocorre no momento em que o agente inverte o título da posse ou
detenção, com o ânimo de ter a coisa para si.

22) Estelionato (Art. 171, ​caput)​

22.1) ​Bem jurídico​: Patrimônio.

22.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa;


passivo​ – qualquer pessoa.

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22.3) ​Tipo objetivo​: obter ​(alcançar, conseguir)​, para si ou para outrem, vantagem
ilícita ​(não necessariamente econômica),​ em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo
alguém em erro ​(desvirtuada da realidade),​ mediante artifício ​(astuta alteração)​, ardil
(aplicação de meio enganoso)​, ou qualquer outro meio fraudulento.
22.4) ​Consumação​: com obtenção de vantagem ilícita e produção de prejuízo alheio.

23) Disposição de coisa alheia como própria (Art. 171, §2º, I)

23.1) ​Bem jurídico​: Patrimônio.

23.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa;


passivo​ – proprietário da coisa ou que a recebe.
23.3) ​Tipo objetivo​: vende, permuta ​(troca),​ dá em pagamento, em locação ​(aluguel)
ou em garantia coisa alheia como própria.
23.4) ​Consumação​: com a obtenção do preço ou recebimento da coisa trocada, da
prestação aluguel etc.
23.5) § 4​o​ Aplica-se a pena em dobro se o crime for cometido contra idoso.

Obs: Quem cometer crime de estelionato contra idoso poderá receber pena de
até dez anos de prisão, o dobro do previsto no Código Penal. A Lei
13.228/2015, acrescentou o referido dispositivo.

24) Fraude no Comércio (Art. 175)

24.1) ​Bem jurídico​: Patrimônio e a moralidade do comércio.


24.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – comerciante (delito especial próprio);
passivo​ – adquirente ou consumidor.
24.3) ​Tipo objetivo​: Enganar, no exercício de atividade comercial, o adquirente ou
consumidor: a) vendendo, como verdadeira ou perfeita, mercadoria falsificada ou
deteriorada; b) entregando uma mercadoria por outra.
24.4) ​Consumação​: com a obtenção do preço ou recebimento da coisa trocada, da
prestação aluguel etc.

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24.5) ​Formas qualificadas​: Alterar em obra que lhe é encomendada a qualidade ou o


peso de metal ou substituir, no mesmo caso, pedra verdadeira por falsa ou por outra
de menor valor; vender pedra falsa por verdadeira; vender, como precioso, metal de
ou outra qualidade.

25) Receptação (Art. 180)

25.1) ​Bem jurídico​: O patrimônio e a administração da justiça, supletivamente.

25.2) ​Sujeitos​: ​ativo – qualquer pessoa (​caput e §2º). No parágrafo 1º é o industrial


ou comerciante;
passivo​ – vítima do crime antecedente.
25.3) ​Tipo objetivo​: ​Receptação própria – Adquirir, receber, transportar, conduzir ou
ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime.
Receptação imprópria – influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou
oculte.
25.4) ​Consumação​: momento da entrega da coisa na receptação própria e na prática
de atos idôneo à indução, na recepção imprópria.

Receptação qualificada
25.5) ​Tipo objetivo​: Os atos ​supra,​ acrescido das ações de ter em depósito,
desmontar, montar, remontar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar,
em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, coisa
que deve saber ser produto de crime.

Receptação culposa
25.6) ​Tipo objetivo​: Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela
desproporção entre o valor e o preço, ou pela condição de quem a oferece, deve
presumir-se obtida por meio criminoso.

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Receptação de animal
Com o advento da Lei nº 13.330/2016 foi acrescentado novo tipo penal.
25.7) Tipo objetivo​: Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito
ou vender, com a finalidade de produção ou de comercialização, semovente
domesticável de produção, ainda que abatido ou dividido em partes, que deve saber
ser produto de crime:

26) Estupro (Art. 213)

26.1) ​Bem jurídico​: A liberdade sexual.

26.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa.


passivo​ – qualquer pessoa.
26.3) ​Tipo objetivo​: consiste em constranger alguém, mediante violência ou grave
​ ua
ameaça, a ter conjunção carnal ​(penetração total ou parcial do pênis na vagina) o
praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso.

Ato libidinoso – É todo aquele que serve de desafogo à concupiscência. É o ato


lascivo, voluptuoso, que visa o prazer sexual, tais como a conjunção carnal, o coito
anal ou oral, o uso de instrumentos ou dedos para a penetração no órgão genital
feminino.

26.4) ​Consumação​: ocorre com prática do ato libidinoso, mediante violência ou grave
ameaça.

27) Assédio sexual (Art. 216-A)


27.1) ​Bem jurídico​: A liberdade sexual.

27.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – o superior hierárquico (homem ou mulher).


passivo​ – o subordinado (homem ou mulher).

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27.3) ​Tipo objetivo​: Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou


favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior
hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função.
27.4) ​Consumação​: no momento em que constrange a pessoa do subordinado,
ainda que não obtenha vantagem ou favorecimento sexual.

28) Estupro de vulnerável (Art. 217-A)


28.1) ​Bem jurídico​: A dignidade sexual.

28.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa.


passivo – menor de 14 (catorze) anos ou alguém que, por enfermidade
ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou
que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência.
28.3) ​Tipo objetivo​: Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com pessoa
vulnerável.
28.4) ​Consumação​: Ocorre com a prática do ato libidinoso com pessoa vulnerável,
independentemente do uso de violência ou grave ameaça.

29) Ato obsceno (Art. 233)

29.1) ​Bem jurídico​: A moralidade pública.

29.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa.


passivo​ – a coletividade.
29.3) ​Tipo objetivo​: Praticar ​ato obsceno ​(manifestação corpórea de cunho sexual)
em lugar público, ou aberto ou exposto ao público.
29.4) ​Consumação​: ocorre com a realização do ato que ofende a moralidade pública
sexual.

OBS​.: Palavras obscenas não caracterizam o delito embora possam configurar a


contravenção penal de “importunação ofensiva ao pudor” (LCP, art. 61);

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Lugar aberto ao público​: é o local acessível a pessoas, ainda que nele só possam
penetrar mediante determinadas condições (ingresso, convite etc.).

30) ​Associação Criminosa​ (Art. 288)

30.1) ​Bem jurídico​: A paz pública em uma concepção subjetiva e a incolumidade da


ordem pública objetivamente considerada.

30.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa.


passivo​ – a coletividade.
30.3) ​Tipo objetivo​: ​Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de
cometer crimes​.

30.4) ​Consumação​: ​Ocorre com a união de vontades entre ao menos 3 integrantes


para a prática de crimes​, ou no momento em que alguém ingressa na associação
criminosa antes organizada.

30.5) Causas de Aumento de Pena - art. 288, Parágrafo único:

a) Associação armada;

b) Participação de criança ou adolescente;

31) Moeda Falsa (Art. 289)

31.1) ​Bem jurídico​: A fé pública.

31.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa.


passivo – Principal é o Estado. Secundariamente, a pessoa, física ou
jurídica, prejudicada pela conduta.
31.3) ​Tipo objetivo​: consiste na falsificação de moeda metálica ou papel-moeda de
curso legal no país ou no estrangeiro. O tipo traz duas formas: 1ª) ​Fabricação – o
sujeito faz a moeda; 2ª) ​Alteração – O agente modifica a moeda verdadeira, em
regra, aumentando a indicação do valor.

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31.4) ​Consumação​: ocorre com a fabricação ou alteração da moeda. Não se exige


que seja posta em circulação nem que venha a causar dano a outrem.

31.5)​ Circulação da moeda falsa (Art. 289, §1º)


31.6) ​Tipo objetivo​: crime de múltiplas condutas – responde também quem, por
conta própria ou alheia, importa ou exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta,
guarda ou introduz na circulação moeda falsa.

Tipo privilegiado (Art. 289, §2º)


31.7) ​Tipo objetivo​: trata daquele que, tendo recebido de boa-fé, como verdadeira,
moeda falsa ou alterada, a restitui à circulação, depois de conhecer a falsidade.

32) Resistência (Art. 329)

32.1) ​Bem jurídico​: A autoridade e o prestigio da função pública.

32.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa.


passivo – Principal é o Estado. Secundariamente, o funcionário a quem
a conduta é dirigida e o terceiro que lhe presta auxilio eventual.
32.3) ​Tipo objetivo​: consiste na oposição à execução de ato funcional legal.

32.4) ​Consumação​: ocorre com a violência ou a ameaça.

OBS​.: Deve ser ressaltado que o ato executado pelo policial militar seja ​legal​,
em decorrência de lei, p. ex., em cumprimento a mandado judicial, prendendo
em flagrante.
É necessário também que a oposição seja feita com violência ou grave
ameaça. Lembre-se: quem foge da polícia, deita-se no chão ou se agarra num
poste não está resistindo.

33) Desobediência (Art. 330)

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33.1) ​Bem jurídico​: A Administração Pública.

33.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa, inclusive outro funcionário público.


passivo – Principal é o Estado. Secundariamente, o funcionário autor
da ordem.
33.3) ​Tipo objetivo​: consiste na em ​desobedecer ​(desatender, não cumprir) ​à ordem
legal do funcionário público.

33.4) ​Consumação​: ocorre com a ação ou omissão do desobediente.

OBS​.: Não comete o crime quem foge diante da voz de prisão.


Também não comete crime aquele que se nega a coleta de sangue ou fazer o
teste do bafômetro, pois ninguém é obrigado a fazer prova contra si mesmo.

34) Desacato (Art. 331)

34.1) ​Bem jurídico​: A Administração Pública.

34.2) ​Sujeitos​: ​ativo​ – qualquer pessoa.


passivo – Principal é o Estado. Secundariamente, o funcionário
ofendido na sua honra profissional (funcional).
34.3) ​Tipo objetivo​: consiste em ​desacatar – ofender, humilhar, agredir, desprestigiar
o funcionário público no exercício da função ou em razão dela.

34.4) ​Consumação​: ocorre no momento em que o sujeito realiza o ato ofensivo:


injúria, calúnia, difamação, lesões corporais, vias de fato, gestos etc.

OBS​.: Caracteriza o crime: o sorriso debochado, palavras de baixo calão,


expressões grosseiras, rasgar ou atirar documentos ao solo; lançar objetos (p.
ex.: ovos, lata de cerveja etc.).

35) Corrupção passiva (Art. 317)

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Tipo objetivo: Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente,


ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem
indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:

Bem Jurídico:​ Tutela-se o funcionamento normal da Administração Pública.

Três são as condutas típicas:

● Solicitar: pedir, manifestar o desejo de querer algo. O próprio


funcionário solicita a vantagem.

● Receber: aceitar, entrar na posse. Aqui a proposta à qual adere o


funcionário parte de terceiros (extraneus), ou seja, o agente não só aceita a proposta
mas também recebe a vantagem indevida.

● Aceitar promessa​: concordar com o recebimento. A proposta à qual


adere o funcionário também parte de terceiros (extraneus), mediante a aceitação de
receber a vantagem. Nesse caso ainda não há o seu efetivo recebimento.

Sujeito ativo: ​Trata-se de crime próprio, portanto só pode ser cometido por
funcionário público em razão da função.

Sujeito passivo: ​É o Estado. O terceiro também pode ser sujeito passivo na


hipótese em que não pratica o crime de corrupção ativa, por exemplo: quando o
funcionário público solicita a vantagem indevida ao particular. Nessa hipótese, o
particular não ofereceu nem prometeu qualquer vantagem, logo não há o crime de
corrupção ativa.

Elemento Subjetivo: ​É o dolo, a vontade livre e consciente de praticar uma


das ações típicas. Exige-se, também, o elemento subjetivo do tipo (finalidade
especial exigida pelo tipo) contido na expressão “para si ou para outrem”. Não se

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exige que o sujeito ativo tenha a intenção de realizar ou deixar de realizar o ato de
ofício que deu ensejo à corrupção.

Consumação: ​Trata-se de ​crime formal​. Consuma-se no instante em que a


solicitação chega ao conhecimento do terceiro ou em que o funcionário recebe a
vantagem ou aceita a promessa de sua entrega. Prescinde-se, portanto, de que o
funcionário efetivamente realize, retarde ou omita o ato funcional. Se, contudo,
realiza o prometido, incide a causa de aumento de pena prevista no § l do art. 317, o
que, em princípio, sendo mero exaurimento, funciona como aumento de pena por
expressa previsão legal. Nas modalidades receber e aceitar, há a prática, por outra
pessoa, do crime de corrupção ativa (art. 333 do CP).

Tentativa : ​A tentativa é de difícil ocorrência, mas não é impossível. Basta


que haja um iter criminis a ser cindido: solicitação feita por carta, que é interceptada
pelo chefe da repartição (nesse sentido: NORONHA, 1992, v. 4, p. 252).

36) Prevaricação (Art. 319)

Tipo objetivo: Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou


praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento
pessoal.

As condutas típicas consubstanciam-se nos seguintes verbos:

● Retardar: é atrasar, adiar, deixar de praticar o ato de ofício no prazo


estabelecido.
● Deixar de praticar:​ é a omissão. O agente não pratica o ato de ofício.
● Praticar ​(contra disposição expressa de lei): é a conduta comissiva em
que o agente executa o ato de maneira ilegal.

O tipo penal contém dois elementos normativos: 1) o retardamento do ato ou a sua


omissão devem ser indevidos (injustos ou ilegais); 2) a prática do ato de ofício, por

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sua vez, deve ser contra disposição expressa de lei (trata-se de norma penal em
branco).

Sujeito ativo: ​Trata-se de crime próprio, pois somente pode ser cometido por
funcionário​ ​público. Admite-se a participação de terceiro.

Sujeito passivo: ​Sujeito passivo principal é o Estado. O particular, de


maneira secundária, ​também pode ser vítima do delito em tela, caso venha a sofrer
algum​ ​dano em face da conduta criminosa do funcionário público.

Elemento subjetivo: ​É o dolo, a vontade livre e consciente de retardar, omitir


ou praticar ilegalmente o ato de ofício.

Consumação e tentativa: ​Consuma-se o crime com o retardamento, omissão


ou prática do ato. ​As condutas omissivas inadmitem a tentativa. Se o crime for
comissivo, a ​tentativa é perfeitamente possível, pois há um iter criminis passível de
ser​ ​fracionado.

37) Corrupção ativa (Art. 333)

Tipo objetivo:​ Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público,


para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício:

Sujeito ativo: ​Trata-se de crime comum, pois o crime pode ser cometido por
qualquer pessoa, inclusive pelo funcionário público, desde que não aja com essa
qualidade. O menor de idade que oferece ou promete vantagem indevida a um
policial, o qual o flagrou praticando um ilícito, não responde pelo crime de corrupção
ativa, pois é inimputável; o policial, por sua vez, que aceita a vantagem pratica crime
de corrupção passiva.

Sujeito passivo: O Estado, titular do bem jurídico ofendido. Se a corrupção é


da testemunha ou perito, tradutor ou intérprete, aplica-se o art. 343 do CP.

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Elemento subjetivo: É o dolo, isto é, a vontade livre e consciente de oferecer


ou prometer vantagem, ciente de que ela é indevida e de que se destina a
funcionário público. Exige-se também o elemento subjetivo do tipo: “(...) para
determiná- lo a praticar, omitir ou retardar ato de oficio”

Consumação: Trata-se de ​crime formal​. Consuma-se o crime com a simples


oferta ou promessa de vantagem indevida por parte do terceiro ao funcionário
público, isto é, quando chega ao conhecimento deste, independentemente de ele
aceitá-la ou recusá-la. Também não é necessário que o funcionário pratique, retarde
ou omita o ato de ofício de sua competência.

Tentativa: ​Tratando-se de crime unissubsistente, como a oferta ou promessa


oral, não é possível a tentativa. Tratando-se de crime plurissubsistente, como a
oferta ou promessa escrita, se esta não chega ao conhecimento do funcionário por
circunstâncias alheias à vontade do sujeito ativo, há tentativa do crime em tela.

Causa de aumento de pena: ​Se o funcionário, em razão da vantagem ou


promessa, pratica ato de ofício legal, não se aplica a qualificadora, uma vez que o
tipo menciona ato de ofício realizado com infração de dever funcional.

38) Exercício arbitrário das próprias razões (Art. 345)

Tipo objetivo:​ Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão,
embora legítima, salvo quando a lei o permite:

Sujeito ativo: Trata-se de crime comum. Pode ser realizado por qualquer
pessoa. Tratando-se de funcionário público, entretanto, pode surgir outro delito como
abuso de autoridade, abuso de poder etc.

Sujeito passivo: ​O Estado, titular do bem jurídico ofendido, e a pessoa


diretamente​ ​lesada com a ação ou omissão do sujeito ativo.

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Elemento subjetivo: É o dolo, consistente na vontade livre e consciente de


fazer justiça pelas próprias mãos, acrescido de um fim especial, contido na
expressão “para satisfazer pretensão, embora legítima” Se o agente tem
conhecimento de que a sua pretensão é ilegítima, haverá outro crime (furto,
apropriação indébita, dano etc.).

Elemento normativo do tipo: ​O tipo penal contém um elemento normativo


que está consubstanciada na expressão “salvo quando a lei o permite”. A lei, em
alguns casos, assim, autoriza que se faça justiça pelas próprias mãos. Nessas
hipóteses, não haverá o crime em tela por atipicidade do fato: direito de retenção,
desforço imediato e legítima defesa da posse.

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