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O Festival de Música Cidade Canção

Em 2018, o Festival de Música Cidade Canção (Femucic) completou 40 anos de existência. É


praticamente o espaço de tempo de duas gerações. Com muita justiça, foram homenageados
artistas que se destacaram nas dezenas de edições do Festival (nomear todos os
homenageados).
Em 1977, um grupo de colaboradores do Serviço Social do Comércio (SESC) de Maringá, sob a
coordenação de Luiza Elisabeth Basaglia, idealizaram a realização de um festival, nos mesmos
moldes dos grandes festivais de música, que ocorreram no final dos anos 60 e início dos 70, mas
com a diferença de que, por trás do evento, não estava uma grande emissora de televisão.
Como bem pontuado pelo historiador João Laércio Lopes Leal, os grandes festivais de música
popular representaram um momento de transição do rádio, até então o grande meio de
comunicação de massa, para a televisão, como nova fronteira do avanço tecnológico, que passa
a ser o instrumento de difusão, para as grandes massas, das tendências da música popular que,
à época, abrigava e encetava a disputa por preferência de diversas vertentes musicais, como o
samba, a bossa nova, o rock e ramificações regionais, como a música caipira, o baião, o forro, o
maracatu e outros.

Além dessa perspectiva histórico-sociológica, do ponto de vista estético, nos grandes festivais,
tornou-se plenamente aceitável pelo grande público a exposição do compositor no palco que,
mesmo sem uma voz possante, nem uma aparência “comercial”, vinha diante da plateia, em
carne e osso (e, às vezes, com os nervos à flor da pele) defender a sua própria composição,
fundindo-se autor e cantor num único artista, um artista integral, de existência inconsútil.
Em 1977, a primeira edição, de caráter competitivo, foi intitulada “Festival de Música do SESC”
(Femusesc), contando com duas eliminatórias, sendo apresentadas 15 músicas em cada uma
delas. Dessas quinze, seriam classificadas somente cinco. E o júri escolheria, dentre as 10
finalistas, as três melhores músicas, tendo por critério a música (melodia, harmonia e ritmo), a
letra, o arranjo e a interpretação, com premiação de troféus e em dinheiro. O Femusesc recebeu
61 inscrições, vindas de seis Municípios paranaenses: Apucarana, Mandaguaçu, Maringá,
Paranavaí, Sarandi e Terra Boa.
A música vencedora do Femusesc foi “O Último Aboio”, do compositor maringaense Frambel
Carvalho, interpretada pelo grupo Pano de Boca. Uma curiosidade: Frambel Carvalho é também
o autor do hino do Grêmio Esporte Maringá e não esteve presente na final do Femusesc, no
auditório do Sesc, porque, no mesmo momento, estava assistindo ali ao lado, no Estádio Willie
Davids, o primeiro jogo da final do Campeonato Estadual de Futebol, entre Grêmio Maringá e o
Coritiba. E outra curiosidade: neste festival, o júri foi presidido por Gilberto Gil, que estava de
passagem por Maringá, apresentando o show “Refazenda”.

Para Rachel de Oliveira Coelho, a trajetória do Femucic pode ser dividida em três momentos: a
primeira fase, que vai de 78 a 84, quando o Festival possuía uma estrutura simples. A segunda
fase, de 85 a 92, quando o show de artistas de renome nacional fazia parte da programação do
evento. E a terceira fase, a partir de 1993, quando o Festival deixa de ser competitivo para
tornar-se uma mostra de música brasileira.

Antonio Vieira assumiu a unidade do Sesc em Maringá no dia 11 de agosto de 1980. Até então,
as edições do Femucic haviam ocorrido no auditório do SESC, que já não comportava mais, em
suas modestas dimensões físicas, o público interessado em participar no Festival. A partir de
1980, o Femucic sai do Sesc e vai ocorrer, como desde o início, no mês de setembro, em novo
endereço: Cine Maringá, na Av. Getúlio Vargas. Esse ano de 1980 guarda outra peculiaridade: o
Femucic serviu como eliminatória para o Festival Todos os Cantos, promovido pelo governo
estadual, na gestão de Ney Braga. Assim, os três primeiros lugares do Femucic daquele ano
participaram da grande final estadual, no Teatro Guaíra, em Curitiba.

A edição de 1987 do Femucic marca o lançamento do primeiro LP do Festival, patrocinado pelo


Banestado e que saiu pelo selo Som Livre, um dos principais do país. Nesse ano, César Camargo
Mariano presidiu a comissão de jurados, o que elevou o Festival a um novo patamar, pela
credibilidade e seriedade que inspirava o compositor paulista no meio musical. Vieira conta uma
passagem que merece o registro: depois das apresentações, era praxe que os jurados fossem
recebidos no Sesc para um jantar. Afinal de contas, não eram remunerados para a tarefa de
julgar as composições e a recepção era uma forma de retribuição pelo trabalho realizado. Nesse
ano, foram contratados os serviços de Seu Eidi, que preparou um carneiro espetacular. E César
Camargo Mariano deu uma canja no piano do Sesc. Começou a tocar por volta de uma e meia
da madrugada e foi até as seis da manhã, encantando a todos os presentes, e embalando o sono
das crianças que dormiram por ali mesmo, acomodadas de forma improvisada, inclusive os filhos
de Vieira. Depois de tocar uma música belíssima, os ouvintes perguntam pelo nome da
composição. César responde que ele havia acabado de criar aquela melodia e que seria batizada
de “Festival”. Vieira conta que nunca mais teve oportunidade de rever o compositor para saber
se ele teria regatado a inspiração daquela noite de Femucic.

Em 1988, mais uma novidade: o Femucic abriu inscrições para a música instrumental, pois, desde
o ano anterior, já havia uma cobrança, por parte dos instrumentistas, para que ocorresse esta
mudança. Dessa forma, os prêmios seriam dados aos vencedores do Femucic MPB e do Femucic
Instrumental. O que ocorreu, então? Responde Vieira: “- Uma chuva de inscrições!” E essa
divisão exigiu ainda mais dos jurados, que deveriam se ater a critérios de julgamento diversos
para cada modalidade do Festival. Destaca Vieira que o Femucic Instrumental era um dos poucos
eventos nacionais que abrigavam o gênero musical.

Foram lançados LPs (os “bolachões”, como eram conhecidos à época) nas edições do Femucic
em 1987, 1989, 1990 e 2000. Os promotores do evento, Antonio Vieira (SESC), Marilyn Tupã
(Secretaria Municipal de Cultura) e Ézio Ribeirete (TV Cultura) viajam em busca de apoio para as
novas edições. Nesse período, o Festival firmou parcerias com a Funarte, com sede no Rio de
Janeiro, na gestão de Hermínio Bello de Carvalho, trazendo para Maringá quatorze oficinas nas
mais diversas áreas, com profissionais de destaque nacional. Também foi acertado com a
fabricante de pianos Fritz Dobbert, de São Paulo, que os vencedores do Festival seriam
premiados com instrumentos da marca.

Encerrada a edição de 1992, a direção do Festival percebe que é o momento de mudança do


formato do Femucic, buscando a sua revitalização. Mas o que fazer? Qual o novo rumo a tomar?
Até então, era perceptível para os organizadores que se fazia um esforço muito grande para
atrair o público para o Festival, mesmo com o apoio da Prefeitura e a divulgação pela TV Cultura.
Em troca de grandes atrações, como Moraes Moreira, MPB4, Eduardo Dusek e grandes nomes
da MPB, a plateia era numerosa, mas isso soava como um meio de conseguir audiência para o
cerne do evento, isto é, para a apresentação das músicas selecionadas pelo júri.

Vieira relembra que Marilyn Tupã, com o seu espírito de agitadora cultural, lançou uma ideia
bombástica para uma nova roupagem do Femucic: “por que não fazer um Woodstock em
Maringá?” E já sonhava alto: “espalhamos chuveiros no entorno do Chico Neto, o pessoal monta
as barracas por ali, etc. Levada a ousada proposta ao Paço Municipal, ouviram de Said Ferreira,
então prefeito da cidade, a advertência de que a organização do evento deveria ter atenção
redobrada se realmente quisessem levar adiante o projeto, considerando que a Maringá do
início dos anos 90 ainda guardava valores provincianos, que poderiam se chocar com a vinda de
milhares de jovens de fora da cidade, com hábitos e ideias não muito próximas ao que o Festival
deveria difundir. Diante de tais ponderações, o pequeno Woodstock de Maringá não vingou.
Para a edição de 1993, optou-se por um formato de mostra, ao invés de competição, passando
a contemplar-se também, ao lado da MPB e da música instrumental, o sertanejo de raiz e,
naturalmente, o rock, que já vinha há algum tempo com muita força pelos meios de
comunicação. Foram quatro noites de apresentações, sendo as duas primeiras, com rock e
sertanejo, em cada dia, no Ginásio Chico Neto e as duas últimas noites no Cine Teatro Plaza,
mesclando MPB e instrumental. Vieira destaca que as inscrições, para 1993, praticamente
triplicaram, passando de 250 a 300 para quase novecentas músicas inscritas para a seleção.

Quais os nomes dos jurados do Femucic? Rafael Bezerra, Celso Barretto, Robson Jorge Souza,
Rubens Baldassi, ...

Toninho Paladino, diretor da Som Livre, veia a Maringá? Em qual ano?

Quem veio a Maringá pelo SESC para dar oficinas de música? Vítor Santos, Arismar do Espírito
Santo, Nelson Faria, ...