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CLÍNICA FORENSE

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2016/000418/VS-C-1

IDENTIFICAÇÃO
O presente relatório refere-se à avaliação do examinado Pedro Miguel dos Santos
Ferreira, filho de António Ferreira de Figueiredo e Maria de Lurdes Loureiro dos
Santos, nascido a 13 de novembro de 1990, solteiro, sem profissão, natural e
residente em Lobão da Beira, Tondela.......................................................................

INTRODUÇÃO
A presente perícia foi efetuada a pedido do Exmo. Sr. Juiz de
Direito do Tribunal Comarca de Viseu – Juízo de Competência
Genérica de Tondela, no âmbito do Processo n.º 89/16.0GCTND,
com o seguinte quesito: “exame médico direto para aferir da
imputabilidade”.
Para a elaboração do presente relatório a perita psiquiatra
baseou-se nos dados constantes do Exame Documental e no
Exame
Direto……………………………………………………………………………
…………………………………………………….

EXAME DOCUMENTAL
O Exame Documental consistiu na consulta dos elementos
processuais tidos por relevantes e facultados pelo Tribunal
Comarca de Viseu – Juízo de Competência Genérica de Tondela –
e pela consulta do processo clínico, após consentimento do
Examinado a fim de solicitar informação clínica relevante, de
acordo com o disposto no artigo 10º da Lei n.º 45/2004, de 19 de
agosto e no artigo 15º do Decreto-Lei n.º131/2007, de 27 de abril...........................
Constam como relevantes para o presente exame:
- Seguimento por Pedopsiquiatria, inicialmente em Coimbra a
título particular e posteriormente no Departamento de Psiquiatria
e Saúde Mental (DPSM). Primeiro internamento no DPSM anterior
a 2007 (acompanhado por Pedopsiquiatra); segundo internamento
em Março de 2007 por comportamento autolesivo e um terceiro
internamento de 22 de Abril de 2016 a 13 de Maio de 2016, com
os seguintes Diagnósticos à data de alta: “Oligfrenia Ligeira,
Perturbação Depressiva Maior Episódio Recorrente e Distúrbio de
Comportamento Ncop”. Da Nota de Alta é possível apurar que: “o
examinado foi levado ao Serviço de Urgência por alterações do
comportamento, choro fácil e ideação suicida, após ter sido

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apresentado em Tribunal por furto de trator. Maiores níveis de
ansiedade, humor angodepressivo, alterações do comportamento
com heteroagressividade desde Dezembro de 2015, com
gravamento progressivo (…)” Teve alta com instituição de
terapêutica oral
psicofarmacológica……………………………………………………………
………………
Tem vindo a ser acompanhado regularmente em Consultas de
Psiquiatria com registo de boa adesão à terapêutica instituída, sob
supervisão
familiar…………………………………………………………………………
………………………………..

EXAME DIRETO
O Exame Direto consistiu na avaliação clínica do Examinado, Sr.
Pedro Miguel dos Santos Ferreira realizado no Gabinete Médico-
Legal e Forense de Dão Lafões (GML Viseu), no dia marcado, a
19/05/2017.
A título complementar foi também entrevistada a acompanhante,
a Sra. D. Maria de Lurdes Loureiro Santos, mãe do
Examinado………………………………………………………………………
…………………………………………...........................

EXAMES SUBSIDIÁRIOS
Não foram solicitados exames complementares por serem
considerados manifestamente
desnecessários………………............................................................
.............................................................................

AVALIAÇÃO CLÍNICO-PSIQUIÁTRICA
O examinado não mostrou compreender, de forma esclarecida, o
motivo da presente avaliação, tendo sido esclarecido da mesma.
Da anamnese foi possível apurar que é o segundo de uma fratria
de dois, natural de Lobão da Beira, sem registo de intercorrências
perinatais.
Desenvolvimento psicomotor descrito como com algumas
limitações, predominantemente a nível cognitivo (dificuldades de
aprendizagem no ler, escrever e fazer contas; de acordo com a
informação da mãe “era muito nervoso e não aprendia”). Concluiu
o 9º ano de escolaridade aos 16 anos, no Ensino Especial, após,
pelo menos, 3 reprovações. Nega alterações comportamentais,

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nomeadamente comportamentos disruptivos. Nega maltratar
animais.
Trabalhou na construção civil dos 16 aos 20 anos; emigrou para
França, onde permaneceu cerca de 3 meses em trabalho agrícola
sazonal. Regressou a Portugal e voltou a trabalhar na construção
civil por mais um ano, tendo sido despedido por ter havido
problemas com o patrão (sic). Encontra-se desempregado,
ajudando a mãe nos trabalhos agrícolas e pecuários e faz ainda
alguns trabalhos agrícolas para terceiros, quando solicitado para
tal. Não tem carta de condução. Não cumpriu Serviço Militar.
Apenas sabe ler palavras que lhe são familiares (como por
exemplo o seu nome e a sua morada; solicitado que lesse não
conseguiu ler por exemplo a palavra “eu”). Não escreve.
Relativamente a relacionamentos afetivos, descreve um
relacionamento que durou cerca de um ano, em 2008. Nega
consumo regular de álcool, tabaco e outras drogas recreativas.
Antecedentes pessoais patológicos de cirurgia do foro
otorrinolaringológico em 2002/2003. Seguimento por
Pedopsiquiatria, inicialmente em Coimbra a título particular e
posteriormente no Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental
(DPSM). Primeiro internamento no DPSM anterior a 2007
(acompanhado por Pedopsiquiatra); segundo internamento em
Março de 2007 por comportamento autolesivo e um terceiro
internamento em Abril de 2016 com os seguintes Diagnósticos à
data de alta: . Tem vindo a ser acompanhado regularmente em
Consultas de Psiquiatria com registo de boa adesão à terapêutica
instituída, sob supervisão familiar. Encontra-se medicado com
Quetiapina 300 id e Sertralina 100mg
2id…………………………………………………………………………………
……………………………………….
Quanto aos Antecedentes Familiares Psiquiátricos há a registar o
facto da mãe do Examinado ser acompanhada regularmente em
consulta de Psiquiatria no
DPSM……………………………………………………………………………
…………
Relativamente aos factos o Examinado, referiu “ando muito
esquecido” (sic). Incentivado a recordar-se dos factos
relativamente aos quais está acusado referiu que nunca tinha
pensado em roubar o trator e que como já tinha trabalhado em
mecânica pôs o motor a trabalhar… pintou-o para as pessoas não o
identificarem… o trator ainda lá esteve 4 ou 5 dias… dá-me para
isto…”(sic)
Ao Exame mental aspeto e arranjo adequados. Postura tensa, com
contacto ansioso, tentando colaborar. Orientado alo e
autopsiquicamente. Atenção captável com alguma distratibilidade.
Humor subdepressivo, com afetos congruentes. Discurso escasso,
de conteúdo pobre, sem outras alterações do conteúdo, posse ou
forma. Inteligência clinicamente aferida situando-se abaixo do

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padrão normativo. Escassos mecanismos de coping para a
resolução de problemas, particularmente centrados na emoção.
Baixa tolerância à frustração e diminuição do limiar impulsivo.
Não se apurou existência de alterações da sensopercepção (p.e.
alucinações). Instinto de conservação mantido. Ritmos biológicos
ocasionalmente prejudicados, com insónia terminal e atividade
onírica.
Apenas lê palavras familiares, não sabe escrever; apenas efetua
cálculos simples. Estabelece semelhanças, mas apresenta
dificuldade marcada na interpretação de provérbios. Desconhece
quem é o Presidente da República e o Primeiro-
ministro…………………………………………………………………………
…………………………………………………...

DISCUSSÃO CLÍNICO-PSIQUIÁTRICA
De acordo com a Avaliação clínico-psiquiátrica efetuada (numa
perspetiva psiquiátrico-forense) e reunidos os elementos
indispensáveis à apreciação do presente caso, quer em termos de
História Pregressa, quer os apurados pelo Exame Mental
propriamente dito, podemos afirmar que o examinado padece de
uma Debilidade Mental Ligeira a Moderada, enquadrável na
rúbrica F70 10ª Revisão da Classificação Internacional de
Doenças (CID-10) da Organização Mundial de Saúde (OMS)
……………………………………………………………………………………
…………………
Esta perturbação caracteriza-se por um funcionamento intelectual
global inferior à média que é acompanhado por limitações no
funcionamento adaptativo em pelo menos duas das seguintes
áreas: comunicação, cuidados próprios, vida doméstica,
competências sociais/interpessoais, uso de recursos
comunitários, autocontrolo, competências académicas funcionais,
trabalho, tempos livres, saúde e segurança.
Estas limitações cognitivas dificultam grandemente a capacidade
do examinado estabelecer raciocínios mais elaborados,
nomeadamente a nível da conceptualização abstrata da realidade
(p.e. não interpreta provérbios). Parece, pois, evidente, que a
capacidade da avaliação da licitude e/ou ilicitude dos seus atos se
encontra franca e definitivamente comprometida.
Longitudinalmente, é possível identificar como fator de
agravamento comportamental a perda do pai, de forma súbita,
num acidente presenciado pelo examinado a quem coube prestar
socorro. Era o pai a figura parental que exercia maior e mais
eficaz controlo externo, do ponto de vista comportamental e que
não foi inteiramente assumida pela progenitora
sobrevivente…………………………………………………………………..
………………………………………………………..............

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Pela natureza do seu estado deficitário (em termos de recursos
cognitivos e do funcionamento adaptativo), o Examinado vê
afetada a sua capacidade de avaliar a ilicitude dos seus atos e de
se determinar em função dessa avaliação…………….
À data da prática dos factos, e uma vez que a Oligofrenia Mental
Moderada é uma condição presente desde a infância e irreversível,
o Examinado não possuía a capacidade de discernimento para
avaliar a ilicitude dos seus atos e, em função desta se
autodeterminar…………………………………………………………………
……………………………………………

CONCLUSÕES
Pela natureza do seu estado deficitário (em termos de recursos
cognitivos e do funcionamento adaptativo), o Examinado vê
afetada a sua capacidade de avaliar a ilicitude dos seus atos e de
se determinar em função dessa avaliação……………
À data da prática dos factos, o Examinado não possuía a
capacidade de discernimento para avaliar a ilicitude dos seus atos
e, em função desta se
autodeterminar…………………………………………………………………
………………………………
Existem assim, motivos de natureza clínico-psiquiátrica para se
invocar a figura da Inimputabilidade, em razão de anomalia
psíquica, à data da prática dos
factos……………………………………………………………………………
…………….
Relativamente à perigosidade é nossa convicção de que o facto de
se encontrar a ser acompanhado em Consultas de Psiquiatria com
boa adesão à terapêutica psicofarmacológica instituída, reduz a
probabilidade de ocorrerem comportamentos ilícitos de natureza
semelhante aqueles por que vem ora
acusado……………………………………………..
VISEU, 19 de junho de 2017

O(a) Perito(a) Médico(a)


Dr.ª Ana Isabel Oliveira

Este relatório é único e concluído

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