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Comparação No Dimensionamento Entre o

Diagrama Parábola-Retângulo e o Bloco Retangular


Comparison in the design using the parabola-rectangle diagram and rectangular block

Victor Hugo Dalosto de Oliveira (1); Lucas Gabriel Lopes Da Silva (2);
Rodolfo Alves Carvalho (3); Stéphane Duarte Lima (4); Nélvio Dal Cortivo (5).

(1) Mestrando em Estruturas e Construção Civil, Universidade de Brasília – UNB. victordalosto@gmail.com


(2) Graduando em Engenharia Civil, Universidade Católica de Brasília – UCB. lukkasgabriel0@gmail.com
(3) Engenheiro Civil, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUCMG.
(4) Engenheira Civil, Centro Universitário de Brasília – UNICEUB. stephanelima@outlook.com
(5) Professor Doutor. Universidade Católica de Brasília – UCB. nelviodc@yahoo.com.br

Resumo
O presente artigo possui o objetivo de apresentar uma comparação entre o diagrama parábola-retângulo e o
seu modelo simplificado de bloco retangular no dimensionamento de estruturas no estado-limite último (ELU).
Para alcançar este objetivo, foram analisados cem exemplos de vigas retangulares sujeitas à flexão normal
simples em que a obtenção de esforços para o diagrama retangular foi realizada por meio da equação do 2º
grau e, para o diagrama parábola-retângulo, através da integração do diagrama de tensões. Como resultado,
verificou-se que apesar de as abordagens apresentarem hipóteses distintas, não conduzem a diferenças
significativas no quesito do dimensionamento, apresentando quase sempre uma diferença menor do que 1 %
de área de armadura. Sendo assim, conclui-se que a simplificação de cálculo não se encontra contra a
segurança, mesmo que as duas conformações tenham área comprimida e braço de alavanca diferentes.
Palavras-Chaves: Diagrama parábola-retângulo. Bloco retangular. Flexão simples.

Abstract
The objective of this article is to demonstrate a comparison between the parabola-rectangle diagram and its
simplified rectangular block model, when considering the design of structures in the ultimate limit state (ULS).
In order to reach the objective, one hundred examples of rectangular beams subjected to simple normal
bending were analyzed where the reactions of the rectangular diagram were made through the equation of the
second degree and for the parabola-rectangle diagram through the integration of the stress diagram. As a
result, it was verified that although both approaches present different hypotheses, they do not lead to results
with significant differences in the design, always presenting a difference less than 1 %. Therefore, it can be
concluded that simplification of calculation is not against safety.
Keywords: Parabola-rectangle diagram. Rectangular block. Simple bending.

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1 Introdução
A capacidade resistente de uma estrutura consiste em uma das premissas mais importantes
do cálculo estrutural no escopo do dimensionamento.
Tratando-se de elementos sujeitos a solicitações normais, conforme a NBR 6118 (2014),
são adotadas as seguintes hipóteses para o cálculo: (i) as seções transversais permanecem
planas após as deformações, (ii) há uma aderência perfeita entre as barras de aço e o
concreto, (iii) despreza-se a resistência à tração do concreto, (iv) a distribuição de tensão
de compressão do concreto é feita de acordo com o diagrama parábola-retângulo, entre
outras.
Como simplificação de cálculo, a norma permite a substituição do diagrama idealizado
parábola-retângulo, sem prejuízos de cálculo, por um retângulo de profundidade
equivalente (y = ·x), e afirma que a diferença de resultados obtidos com as duas
abordagens é pequena, sem haver necessidade de correção.
Sendo assim, as tensões em uma seção transversal, utilizando as duas formulações,
podem ser representadas conforme a Figura 1.

Figura 1: Diagramas de tensão e deformação em uma seção transversal.

De acordo com HOGNESTAD (1951), o bloco retangular de tensões trata-se de uma


simplificação de cálculo que tenta representar o comportamento à compressão do concreto,
fornecendo uma mesma compressão nominal.
Entretanto, conforme NETO (2006), as duas abordagens conduzem a resultados distintos
no dimensionamento da armadura, na qual o bloco retangular se encontra, na maioria das
vezes, contra a segurança quando comparado ao diagrama parábola-retângulo.
Sendo assim, pelo fato de haver duas hipóteses de cálculo, este artigo propõe uma
comparação numérica no dimensionamento de seções retangulares solicitadas à flexão
normal simples, utilizando o diagrama parábola-retângulo e seu modelo simplificado de
bloco retangular.
Para tal, foi desenvolvido um programa computacional, em linguagem MATLAB, para o
dimensionamento no estado-limite último de 100 vigas aplicando as duas abordagens de
cálculo.

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2 Formulações e simulação numérica
2.1 Dimensionamento pelo modelo parábola-retângulo
O dimensionamento com o modelo parábola-retângulo foi realizado por meio de um
processo de integração do diagrama de tensão para a obtenção dos esforços, conforme a
metodologia proposta por CORTIVO, LIMA E OLIVEIRA (2018).
O procedimento consiste em um processo iterativo de: arbitrar uma posição para a linha
neutra, determinar as deformações específicas da seção, realizar os cálculos dos esforços
internos e verificar as condições de equilíbrio. Para a convergência do resultado, é utilizado
o método da bisseção até a obtenção de um valor satisfatório, conforme o critério de parada
do programa computacional.
Assim, o momento resistente de uma seção solicitada à flexão normal simples é calculado
conforme as Equações 1 e 2.

Para 0 ≤ c ≤ c2

(Equação 1)

Para c2 < c ≤ cu

(Equação 2)

Sendo:
M d - o momento fletor resistente de cálculo;
bw - a largura da seção transversal;
fcd - a resistência de cálculo do concreto;
d - a altura útil da seção;
h - a altura da seção;
x - a profundidade da linha neutra;
n - um coeficiente que depende da classe do concreto;
c2 - o encurtamento do concreto no início do patamar plástico;
cu - o encurtamento do concreto na ruptura;
 - representa a diferença entre a deformação na borda mais comprimida e o valor
da menor deformação de compressão.
Por fim, a área de armadura pode ser calculada conforme CARVALHO E FILHO (2014),
utilizando a seguinte equação:

(Equação 3)

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Em que:
As - é a área de armadura;
- é o ponto de aplicação da resultante de tensões normais do concreto;
fs - é a tensão do aço;
d’ - é a distância entre o centro de gravidade da armadura longitudinal comprimida e
a fibra mais comprimida do concreto;
M d1 - é o momento máximo resistido pela seção, utilizando apenas armadura simples
para satisfazer às condições de ductilidade;
M - é a diferença entre o momento solicitante e M d1.

2.2 Dimensionamento pelo modelo bloco retangular


Conforme a NBR 6118 (2014), é possível substituir o diagrama parábola-retângulo por um
bloco equivalente em que a distribuição de tensão de compressão do concreto é dada por
um retângulo de profundidade y e tensão de pico igual a c·f cd, conforme representado na
Figura 1.
Assim, a altura equivalente é dada por:

y = · x (Equação 4)

Os valores de c e  são definidos em função da classe do concreto, da seguinte maneira:

Para f ck ≤ 50 MPa Para f ck > 50 MPa


 = 0,8  = 0,8 – (f ck – 50) /400 (Equação 5)
c = 0,85 c = 0,85·[1– (f ck – 50) /200]

O equilíbrio da seção é realizado a partir do equilíbrio de momentos no ponto de aplicação


da resultante de tensão normal do aço, conforme a seguinte expressão:

Msd = c·f cd ·bw··x·(d – 0,5 · ·x) (Equação 6)

Em que M sd é o momento fletor solicitante de cálculo, e a única variável a ser determinada


é a posição da linha neutra (x), que pode ser obtida por manipulação algébrica da equação
do segundo grau, chegando-se à seguinte expressão:

(Equação 7)

As áreas de armadura simples e armadura dupla são determinadas de maneira análoga à


Equação 3, em que = 0,5 · ·x.

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2.3 Programa computacional
Com o objetivo de comparar as duas abordagens de cálculo, foi desenvolvido um programa
computacional, em linguagem MATLAB, para realizar o cálculo das integrais e da equação
do segundo grau no processo de dimensionamento.
A interface gráfica do programa utilizado encontra-se representada na Figura 2.

Figura 2: Interface do programa computacional utilizado.

3 Resultados
Foram realizadas comparações utilizando as duas formulações em 100 exemplos de vigas
retangulares solicitadas à flexão normal simples. Os resultados de área de aço CA-50 de
alguns exemplos encontram-se representados na Tabela 1.

Tabela 1 – Valores comparativos obtidos com as duas abordagens de cálculo.


Concreto Base Altura útil Momento projeto Área de Aço (As)
(fck) (bw) (d) (Msd) Bloco retangular Parábola-retângulo Diferença
30 kN.m 2,125 cm² 2,138 cm² 0,612%
45 kN.m 3,337 cm² 3,351 cm² 0,420%
20 Mpa 15,0 cm 35,0 cm
60 kN.m 4,694 cm² 4,725 cm² 0,660%
65 kN.m 5,190 cm² 5,230 cm² 0,771%
30 kN.m 1,429 cm² 1,446 cm² 1,190%
50 kN.m 2,442 cm² 2,460 cm² 0,737%
20 Mpa 15,0 cm 50,0 cm
80 kN.m 4,077 cm² 4,093 cm² 0,392%
120 kN.m 6,541 cm² 6,583 cm² 0,642%
Continua..

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Continuação da Tabela 1
50 kN.m 3,027 cm² 3,053 cm² 0,859%
80 kN.m 5,017 cm² 5,042 cm² 0,498%
30 Mpa 18,0 cm 40,0 cm
120 kN.m 7,947 cm² 7,987 cm² 0,503%
150 kN.m 10,427 cm² 10,505 cm² 0,748%
125 kN.m 5,076 cm² 5,116 cm² 0,788%
200 kN.m 8,457 cm² 8,493 cm² 0,426%
30 Mpa 18,0 cm 60,0 cm
275 kN.m 12,182 cm² 12,244 cm² 0,509%
325 kN.m 14,918 cm² 15,021 cm² 0,690%
600 kN.m 18,531 cm² 18,643 cm² 0,604%
800 kN.m 25,408 cm² 25,514 cm² 0,417%
40 Mpa 30,0 cm 80,0 cm
1000 kN.m 32,751 cm² 32,898 cm² 0,449%
1200 kN.m 40,669 cm² 40,917 cm² 0,610%
1000 kN.m 20,179 cm² 20,355 cm² 0,872%
1400 kN.m 28,912 cm² 29,080 cm² 0,581%
40 MPa 30,0 cm 120,0 cm
1800 kN.m 38,112 cm² 38,271 cm² 0,417%
2400 kN.m 52,979 cm² 53,244 cm² 0,500%
280 kN.m 14,003 cm² 14,075 cm² 0,514%
350 kN.m 17,945 cm² 18,013 cm² 0,379%
50 Mpa 25,0 cm 50,0 cm
420 kN.m 22,124 cm² 22,229 cm² 0,475%
490 kN.m 26,591 cm² 26,754 cm² 0,613%
1000 kN.m 25,290 cm² 25,402 cm² 0,443%
1250 kN.m 32,542 cm² 32,680 cm² 0,424%
50 MPa 20,0 cm 100,0 cm
1500 kN.m 40,321 cm² 40,551 cm² 0,570%
1750 kN.m 48,764 cm² 49,133 cm² 0,757%
100 kN.m 4,758 cm² 4,830 cm² 1,513%
200 kN.m 9,882 cm² 9,938 cm² 0,567%
60 MPa 18,0 cm 50,0 cm
300 kN.m 15,470 cm² 15,540 cm² 0,452%
350 kN.m 18,485 cm² 18,754 cm² 1,455%
800 kN.m 21,898 cm² 22,012 cm² 0,521%
1000 kN.m 27,918 cm² 28,002 cm² 0,301%
75 Mpa 20,0 cm 90,0 cm
1200 kN.m 34,215 cm² 34,323 cm² 0,316%
1350 kN.m 39,145 cm² 39,305 cm² 0,409%
800 kN.m 15,104 cm² 15,364 cm² 1,721%
1600 kN.m 31,066 cm² 31,350 cm² 0,914%
80 MPa 25,0 cm 125,0 cm 2400 kN.m 48,050 cm² 48,090 cm² 0,083%
2800 kN.m 56,993 cm² 57,051 cm² 0,102%
3200 kN.m 66,283 cm² 66,365 cm² 0,124%
1000 kN.m 15,602 cm² 15,871 cm² 1,724%
2000 kN.m 31,783 cm² 32,233 cm² 1,416%
3000 kN.m 48,611 cm² 48,962 cm² 0,722%
90 MPa 30,0 cm 150,0 cm
4000 kN.m 66,172 cm² 66,059 cm² 0,171%
5000 kN.m 84,571 cm² 84,264 cm² 0,363%
6000 kN.m 103,939 cm² 103,451 cm² 0,470%

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4 Discussão
Foram realizadas comparações numéricas utilizando diferentes valores de fck, geometria e
momento solicitante de projeto e foi obtida uma diferença média de área de aço de 0,62%
entre as duas abordagens.
No total, foram encontrados 3 casos a favor da segurança e 97 casos em que a
simplificação de cálculo encontra-se contra a segurança, nos quais a maior diferença
percentual foi de 1,72 % e a maior diferença absoluta de área de aço foi de 0,49 cm² para
uma área total de 103,451 cm².
NETO (2006) aborda um tema similar deste trabalho para o dimensionamento na flexão
composta e chega à mesma conclusão: o bloco retangular encontra-se sistematicamente
contra a segurança.
As maiores diferenças foram encontradas em concretos de classe superior a C50, em que
a seção encontra-se no domínio 2. Isto se deve ao fato de o bloco retangular representar
apenas simplificadamente o comportamento do concreto e não contemplar as relações
entre as tensões e deformações.
Entretanto, é possível notar que, na maioria das vezes, a divergência é irrelevante, e apenas
o arredondamento da área de aço na escolha das bitolas já atenua a diferença de armadura
e satisfaz com segurança aos dois critérios.
Sendo assim, é possível afirmar que, apesar de as duas conformações apresentarem uma
área comprimida e um braço de alavanca diferentes, ambas conduzem a resultados
próximos no processo de dimensionamento.

5 Conclusão
Conclui-se que, para um determinado momento solicitante, as duas formulações
apresentam valores diferentes de linha neutra (área comprimida) e braço de alavanca,
contudo, conduzem a uma diferença quase sempre menor do que 1 % de área de aço.
Isso mostra que a simplificação de cálculo pelo bloco retangular alcança resultados
satisfatórios no processo de dimensionamento, não apresentando, na maioria das vezes,
diferenças significativas a ponto de tornar-se uma medida contra a segurança.
Apesar disso, devido às divergências encontradas, ressalta-se que são necessários mais
dados e estudos a respeito do tema para se chegar a resultados mais conclusivos.
Este assunto será abordado futuramente pelos autores, em novos artigos, no qual as duas
abordagens serão comparadas principalmente para concretos de classes superiores a C50.

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6 Referências

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CARVALHO, Roberto Chust; FILHO, Jasson Rodrigues de Figueiredo. Cálculo e


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4. ed. São Carlos, SP: EdUFSCar, 2016. 415 p.

CHAPRA S. C.; CANALE, R. P. – Métodos Numéricos para Engenharia. Editora


MCGRAW-HILL INTERAMERICANA. 2008. 5ª edição.

CORTIVO, Nélvio dal; LIMA, Stéphane Duarte; OLIVEIRA, Victor Hugo Dalosto de.
Formulação para o Dimensionamento de Estruturas Utilizando o Diagrama
Parábola-Retângulo. 60º Congresso Brasileiro do concreto, Anais, Foz do Iguaçu/PR,
2018.

FUSCO, P. B. Solicitações Normais. Rio de Janeiro: Guanabara dois, 1989.

HOGNESTAD, E. A Study of Combined Bending and Axial Load in Reinforced


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flexão composta, Anais do VI Simpósio EPUSP sobre Estruturas de Concreto, Abril,
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