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Histórico da Investigação Criminal no Brasil (1)

A história da investigação criminal no Brasil tem origem com as Ordenações


Afonsinas de 1456 (2), entretanto, seu detalhamento acabou sendo efetivado apenas
durante as Ordenações Filipinas de 1603 (3) e se limitava, basicamente, à audiência de
testemunhas.

A “investigação criminal” que hoje é materializada no inquérito policial era


anteriormente denominada “devassa” (4) e ficava sob a responsabilidade dos juízes (Livro
1, título 65, itens 31 a 72 das Ordenações Filipinas), que podiam ser “de fora” (nomeados
pelo rei e identificados nas vilas pela “vara vermelha” que portavam) ou “ordinários”
(eleitos anualmente pelos povos e câmaras e que eram identificados pela comunidade
pela “vara branca” que obrigatoriamente portavam durante suas caminhadas).

A partir de 7 de setembro de 1822, com o nascimento da emancipação política de


nosso país pelas mãos do então Príncipe-regente no Brasil, D. Pedro de Alcântara de
Bragança, também príncipe real do reino unido de Portugal, Brasil e Algarves, diversas
medidas processuais foram tomadas e, numa delas, já se fez a separação entre
investigação e processo: o ato 81, de 2 de abril de 1824, impediu que o juiz da devassa
julgasse a causa.

Segundo palavras do Procurador da República João Marques Brandão Neto (5), a


consolidação das mudanças ocorridas no processo penal, depois da independência, se
deu com o Código de Processo Criminal de 1832, que também inovou a investigação
criminal, passando o inquérito policial, então chamado corpo de delito, a ser realizado
pelo juiz de paz (art. 12), entretanto, ainda restava confusa a competência para a
realização da acusação: ora da Justiça, ora do promotor (Código Criminal do Império,
1831, art. 312), ora do acusador privado (Regulamento 120, de 31 de janeiro de 1842,
artigos 337 a 339).

Até 1841, portanto, a investigação criminal era feita por juízes: juízes ordinários, na
vigência das ordenações, e juiz de paz, de 1832 a 1841. Porém, a partir do referido ano é
que os chefes de polícia e seus delegados passaram a realizá-la. Note-se que é aí que
surge a expressão “delegado”, ou seja, o que recebe delegação do chefe de polícia (6).
Mesmo assim, só os desembargadores e os juízes de direito podiam ser chefes de
polícia, enquanto juízes e cidadãos podiam ser delegados e subdelegados (todos
amovíveis e obrigados a aceitar o encargo – Lei 261/1841, Art. 2º (7)), todavia, a Lei 261
ainda mantinha atribuições policiais aos juízes municipais (art. 17, parágrafo 2º).

No que tange à polícia judiciária, esta é criada no Brasil em 1842 pelo


Regulamento 120, mas a investigação continuava a se chamar “auto de corpo de delicto”
(art. 198) e era conduzida pela polícia ou pelos juízes municipais (art. 262).

O inquérito policial (Art. 4º ao 23 do Código de Processo Penal - Decreto-Lei nº


3.689, de 3 de outubro de 1941), com a conformação mais próxima da que hoje é
conhecida, surge no Brasil em 1871 (Decreto 4.824, de 22 de novembro de 1871), sendo
responsabilidade do Chefe, Delegados e Subdelegados de Policia, os quais deveriam,
além de outras missões legais, proceder ao inquérito policial (Art. 42 do Decreto 4.824/71)
e a todas as diligencias para o descobrimento dos fatos criminosos e suas circunstâncias,
inclusive o corpo de delito.

Apesar de ser uma atribuição da polícia, as autoridades judiciárias ainda podiam


interferir no inquérito policial, ou seja, ele continuava a ser monopólio do Judiciário (e não
da polícia, como de fato deveria ser), sendo o promotor público (Art.44) o seu destinatário.

Ainda segundo o supracitado Procurador da República, com a proclamação da


República, cada estado passou a ter sua legislação processual penal. De 1891 a 1941,
vigoraram os códigos processuais dos estados, mas Almeida Júnior, em livro de 1911,
sempre se reporta às disposições do Código de Processo Criminal de 1832 e leis e
decretos que o modificaram.

Em 1941, entrou em vigor o atual Código de Processo Penal (Decreto-Lei nº 3.689,


de 3 de outubro de 1941), cuja essência guardava estreita semelhança com a legislação
processual do Império, pois apesar do inquérito policial ser dirigido pela polícia, o seu
destinatário continuava sendo o juiz (art. 10, parágrafo 1º), o que somente foi alterado
com a Constituição Federal de 1988, a qual consagrou o monopólio da ação penal ao
Ministério Público (art. 129, I), ocorrendo, desde então, uma desjudicialização dos
procedimentos investigatórios, atribuindo-se, expressamente, às polícias civis (Art. 144, §
4º), dirigidas por delegados de polícia de carreira, as funções de polícia judiciária e a
apuração de infrações penais, exceto as militares, passando a investigação policial a
caracterizar, segundo preceitua o Manual de Formação em Direitos Humanos para as
Forças Policiais, a “primeira etapa fundamental da administração da justiça”, e segundo
Rogério Greco (8), instrumento de produção da “justa causa”.

Referências:

(1) Manual sobre a Atuação da Polícia Civil Frente a Grandes Eventos (JARBAS, Rogers
Elizandro. Senasp/MJ, 2011, p. 35 - 37)

(2) Texto integral disponível no sítio do Instituto de História e Teoria das Ideias da
Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra –
http://www1.ci.uc.pt/ihti/proj/afonsinas/

(3) Disponível em: http://www1.ci.uc.pt/ihti/proj/filipinas/

(4) “31 ... Porém para que os malefícios sejam sabidos e punidos, somente tirem e sejam
obrigados a tirar as devassas particulares sobre as mortes, forças de mulheres, que se
queixarem, que dormiram com ellas carnalmente per força, fogos postos, e sobre fugida
de presos, quebrantamento de cadea, moeda falsa, resistencia, Ofensa de Justiça,
cárcere privado, furto de valia de marco de prata e dahi para cima.” -
http://www1.ci.uc.pt/ihti/proj/filipinas/l1p139.htm

(5) Disponível em: http://forumdainteligencia.blogspot.com/2009/08/historia-da-


investigacao-criminal.html

(6) Art. 1º da Lei 261/1841 “Haverá no Municipio da Côrte, e em cada Provincia um Chefe
de Policia, com os Delegados e Subdelegados necessarios, os quaes, sobre proposta,
serão nomeados pelo Imperador, ou pelos Presidentes. Todas as Autoridades Policiaes
são subordinadas ao Chefe da Policia.”

(7) Art. 2º da Lei 261/1841 “Os Chefes de Policia serão escolhidos d'entre os
Desembargadores, e Juizes de Direito: os Delegados e Subdelegados d'entre quaesquer
Juizes e Cidadãos: serão todos amoviveis, e obrigados a acceitar.”
(8) Greco, Rogério. Atividade Policial. Niterói: Impetus, 2010, 2ª Edição (pág. 58)