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Genésis 4

Gênesis 4 fala principalmente sobre a história envolvendo os irmãos Caim e


Abel. Um estudo bíblico de Gênesis 4 mostra o quão perverso o homem se
tornou após o pecado. Gênesis 4 também registra a genealogia de Caim e o
nascimento de Sete após a morte de Abel.

Em Gênesis 4 podemos ler claramente sobre a consequência da Queda do


homemregistrada em Gênesis 3. Além disso, a profecia divina acerca da
inimizade entre a descendência da serpente e o descendente da mulher tão
logo começa tomar forma nesse capítulo. O impiedoso Caim se mostra
completamente hostil ao próprio irmão, Abel (Gênesis 4:1-16). Depois, na
parte final do capítulo, a descendência ímpia de Caim também é contrastada
com a descendência piedosa de Sete (Gênesis 4:17-5:32).

Abel e Caim (Gênesis 4:1-5)

Após Adão e Eva terem sido expulsos do Jardim do Éden, o autor de Gênesis
relata que Eva concebeu de Adão e deu à luz a Caim. Eva ficou muito feliz
com o nascimento de Caim e declarou: “Adquiri um varão com o auxílio do
Senhor” (Gênesis 4:1).

É interessante notar que Eva veio de Adão, isto é, a mulher veio do homem, e
agora um homem havia nascido da mulher. Essa dependência mutua entre
homem e mulher finalmente deve apontar para a dependência que ambos têm
de Deus (cf. 1 Coríntios 11:8-12). Por isso foi muito apropriada a declaração
de Eva ao perceber que todo ser humano deve sua existência a Deus.

Depois de Caim nasceu Abel. Caim era lavrador, enquanto Abel era pastor de
ovelhas. Alguns estudiosos dizem que o nome Abel significa “fôlego”, e que
esse significado estava curiosamente relacionado ao fato de que foi ele o
primeiro ser humano a ter seu fôlego cessado nesta terra.

Gênesis 4 diz que num certo tempo os dois irmãos trouxeram ofertas ao
Senhor. Sendo lavrador, Caim trouxe sua oferta do fruto da terra. Já Abel
trouxe sua oferta das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Isso
significa que ele ofereceu ao Senhor o primeiro e o melhor entre o seu
rebanho.

O texto bíblico revela que Deus se agradou de Abel e de sua oferta. Sim, Deus
se agradou não apenas da oferta, mas também do próprio adorador. Na
verdade não há como separar o verdadeiro adorador de sua adoração ao
Senhor. Sobre isso o escritor de Hebreus escreve que pela fé, Abel ofereceu
maior sacrifício do que Caim e obteve testemunho de que era justo (Hebreus
11:4).

Mas Caim não fez nada disso. Caim achou que poderia se aproximar de Deus
sem fé e de qualquer maneira. Jamais ele teria sucesso, pois sem fé é
impossível agradar a Deus (Hebreus 11:4). Saiba também o que é a fé.

O primeiro homicídio (Gênesis 4:6-16)

Caim não apenas fracassou em sua adoração ao Senhor, mas também ficou
completamente irado (Gênesis 4:5,6). Deus ainda o advertiu acerca de seu
comportamento antiético e imoral. Deus o exortou a não ceder ao desejo mal
que estava lhe espreitando. Mas Caim não deu ouvidos ao Senhor. Ele
continuou obstinado em seu caminho de ira, inveja e vingança. Isso significa
que o homem é sempre convidado ao arrependimento, mas por sua própria
natureza ele é incapaz de controlar o seu pecado.

Sem a ação do Espírito Santo, nenhum homem é capaz de resistir à sua


natureza pecaminosa e fazer o bem diante de Deus. Depois da Queda o
homem natural não pode fazer a vontade do Senhor, pois seu coração é
inclinado ao mal. Por isso o apóstolo Paulofala do homem pecador estando
morto em seus delitos e pecados (Efésios 2). Ele é tão incapaz de fazer o bem
espiritual como um cadáver é capaz de responder a qualquer estímulo.

Completamente dominado em sua iniquidade, Caim arrumou um ocasião para


matar Abel. Ele levou seu pobre irmão ao campo, e ali o matou (Gênesis 4:8).
Quando questionado por Deus acerca de Abel, Caim ainda respondeu com
sarcasmo e desdém. Claro que Deus sabia que Abel já havia sido morto, mas
mesmo assim interrogou Caim. Deus também fez o mesmo com Adão e Eva
no Éden (Gênesis 3).

Em ambos os casos não houve uma confissão de pecados. O homem pecador é


tão louco a ponto de pensar que pode enganar a Deus. Sozinho, o pecador é
capaz de tentar se auto-justificar, mas não é capaz de confessar seu pecado e
mostrar genuíno arrependimento. Por isso que é o Espírito Santo quem
convence o homem do pecado e o faz confessar a Cristo em arrependimento e
fé.

A sequência do texto de Gênesis 4 mostra que Caim foi amaldiçoado por


Deus. Ele jamais encontraria descanso, e andaria errante pela terra. É
interessante notar que mesmo diante do juízo de Deus Caim não se
arrependeu. Na verdade ele temeu pelo seu próprio bem-estar; ele teve medo
de que alguém o matasse por ser um assassino. Mas em nenhum momento
Caim temeu o próprio Deus; em nenhum momento ele reconheceu ter pecado
contra o Senhor e contra o seu próximo.
O homicídio é um dos pecados mais graves cometidos pelo homem.
O homicídio é um pecado contra a vitima e contra o próprio Deus, pois o
homem é a imagem de Deus. O assassinato é um atentado contra a imagem do
próprio Deus representada no homem.

Deus também colocou em Caim um marca, ou seja, um sinal para que sua vida
fosse preservada. É inútil especular que marca era essa, mas seu propósito
claramente era o de preservação.

A descendência de Caim (Gênesis 4:17-26)

Depois de ser amaldiçoado por Deus, Caim partiu para a terra de Node, ao
oriente do Éden. Ali ele habitou e até edificou uma cidade chamada Enoque.
O nome dessa cidade também foi o nome de seu filho. Saiba mais sobre com
quem Caim se casou.

O texto de Gênesis 4 ainda descreve a sequência da linhagem de Caim.


O escritor bíblico destaca Lameque, o primeiro o homem a praticar poligamia
na Bíblia. Assim como Caim, Lameque foi um assassino. Parece que ele se
gloriava por ter matado pessoas por motivos banais (Gênesis 4:19-24). Dessa
linhagem também vieram inventores de instrumentos musicais, homens que
dominavam os metais, e pessoas que desenvolveram a criação de gado e a
vida nômade em tendas.

Mas Gênesis 4 termina registrando o nascimento de Sete. De sua descendência


piedosa haveria de vir o Messias. Isso explica a declaração de Eva ao
dizer: “Deus me concedeu outro descendente em lugar de Abel, que Caim
matou” (Gênesis 4:1-25,26). Apesar do pecado, o plano de Deus jamais seria
frustrado.