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As relações de poder no Candomblé de Ketu.

Introdução

As relações de poder dentro de um terreiro (ilê) de candomblé estão


muito ligadas à idéia de um poder não localizado. Apesar da estrutura
hierárquica dos cargos religiosos, das dos ritos de passagem, ou para usar
um termo próprio ao universo do Candomblé, das obrigações religiosas e
dos elementos surpresa, que pode ser entendido como uma determinação
das divindades relacionada a qualquer membro da religião, o poder está
mais diretamente associado às necessidades ritualísticas para o bom
desempenho na realização do Axé, ou seja, da parte mágico-religiosa.
Os cargos e suas funções e, em muitos casos, subfunções, existem
com o intuito de cumprir todos os fundamentos do axé, sem que a
responsabilidade fique concentrada em uma única pessoa, como por
exemplo, o líder religioso. O (a) líder, o Babalorixá ou a Iyalorixá, (pai ou
mãe de santo), é quem informa aos demais membros os cargos e quem
orienta a todos em suas funções, mas quem determina cargos e funções são
as divindades, sendo que cabe, portanto, ao Babalorixá (ou a Iyalorixá)
apenas o papel de mensageiro das ordenações divinas.
E é nesse sentido que o poder é sempre um elemento, condicionado e
fruto das necessidades e relações mágico-religiosas, levando em
consideração, é claro, as relações políticas, na medida em que se devem
manter a ordem e a autoridade no relacionamento entre o divino (orixás e
encantados), e seus fiéis dentro da comunidade religiosa.
Colocar a nota explicando o que é orixá, encantado e axé.

Hierarquia, Cargos e Poderes

A estrutura de hierarquia no candomblé de Ketu pode metaforicamente


ser pensada como uma pirâmide. Na qual, em seu cume aparece o líder
espiritual, no nível intermediário ao dele estão aqueles que lhe prestam
assessoria política e espiritual, representados pelos cargos da Ekedi e do
Ogã, e na base piramidal estão seus filhos de santo, independente de seus
cargos e funções. Muito embora essa hierarquia não represente
necessariamente a mesma ordem para localizar as relações de poder.
O papel e o poder do líder podem ser entendidos como aquele que zela
pelos cuidados e rituais dos orixás de cada membro do terreiro, que inicia
seus filhos de santo nos ritos de passagem e que também é responsável por
transmitir as ordens e conselhos das divindades para os demais, sendo ele a
autoridade máxima e o detentor do macropoder dentro dessa estrutura
religiosa, podendo, dependendo do caso, a ter punir qualquer pessoa da
casa.

(Macropoder como conceito Fukotiano)

Aos seus assessores ficam os deveres e cuidados com o orixá do pai ou


da mãe de santo, além de outras funções que vão depender das
necessidades de cada terreiro.
Como já foi dito acima, os cargos são determinados pelas divindades e,
sendo assim, o direito de exercer os micropoderes vai depender da
importância que adquire tal cargo ou função para o ritual a ser feito naquele
momento. Portanto, não existe uma hierarquia de poderes relacionados aos
cargos, mas sim a importância deles desempenhada nos rituais e
necessidades do ilê.

Funções e Obrigações

Outro elemento ao qual o poder pode estar associado são as


obrigações, (ritos de passagem feitos aos orixás de tempos em tempos), no
axé. Tais obrigações colocam, a quem as cumpre, em grupos diferenciados
dentro da religião. Aquele fiel que apenas participa da roda religiosa é
chamado de “abian”, isso quer dizer que este filho de santo não é iniciado
em nenhum orixá. O próximo grupo é daqueles chamados “iyaôs”, que
dizem respeito aos filhos já iniciados em seu orixá (no orixá do qual é filho)
e o terceiro e último grupo pertence aos “ebômis”, estes cumprem a
obrigação para seu orixá depois de sete anos de iniciados.
As funções podem ser fixas de acordo com o cargo estabelecido ou
podem ser temporárias e transitórias no caso de algumas pessoas
dependendo das necessidades, ou seja, podem ser de responsabilidade de
uma pessoa até que outra possa assumir esta função permanentemente.
Podemos perceber, assim, que esse poder ou autoridade não se centra em
um único indivíduo e nem no mesmo indivíduo de maneira taxativa, pois
tanto as funções quanto os cargos podem ser dados e retirados dos fiéis
conforme as necessidades do ilê e dependendo da conduta moral exercida
por quem a recebe. Essa conduta moral estabelece uma relação direta na
maneira como esse poder é exercido. Pois o cargo e as funções podem ser
dados ao fiel, juntamente com a autorização de exercer o poder acrescido à
tais tarefas, porém quem o recebe deve conquistar o respeito do grupo
religioso por meio de uma conduta moral e da dignidade para que possa
exercer tal poder.
De uma maneira geral, os cargos e as funções são vistos pelos fiéis
como presentes do orixá dono da casa (ilê), ou seja, do orixá do líder,
(exemplo: se o pai ou a mãe de santo for filho (a) de Ogum, então a casa
será de Ogum - orixá do ferro), por reconhecerem os esforços e o caminho
trilhado por cada um dentro da vida religiosa. A partir dessa relação entre
orixá e fiéis, pode-se dizer que o poder adquirido pelos membros não são
determinados pelas relações humanas, mas estabelecidos pelas relações
com o sobrenatural.

Conclusão

Por uma questão ética ou pela própria conduta moral, cada terreiro
cria em seu espaço religioso as maneiras pelas quais as relações de poder
entre divindades e fiéis ou entre líderes e os demais membros se
constituem. O que vale observar é como esse poder perpassa por entre a
fé, os comportamentos morais e políticos, a estrutura hierárquica e as reais
necessidades mágico-religiosas do espaço sagrado.
O prestígio e o respeito, intimamente ligados aos poderes, devem ser
conquistados a todo o momento, visto que são necessários para se usufruir
de qualquer autoridade no espaço em questão. Pois o poder é algo que se
ganha e se perde na medida em que se conquista por mérito moral ou por
necessidades da casa se perde por má conduta religiosa ou por este ser
transitório a determinada pessoa.
E uma vez que esse poder não é localizado, mas funciona como um
elemento surpresa ao gosto de divindades, não existe uma hierarquia de
poderes que esteja ligada aos cargos, as funções ou ao tempo de casa na
religião. Ganha tal cargo ou função ou obrigação aquele que for indicado
pelos orixás segundo as próprias regras e interesses divinos, muitas vezes
sem explicações racionais.
O poder de punir, para manutenção da ordem, cabível as divindades
também o é ao líder e se necessário for poderá ser representado por outras
pessoas indicadas pelo líder ou mesmo pelas autoridades divinas.
As relações de poder no Candomblé, como em todas as outras
instituições de qualquer ordem, é necessário para um controle social, na
medida em que disciplina os indivíduos a manterem as regras.