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Origem em Revista

1º Semestre 2018 1
Resgatando nossas origens
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universo criacionista no Brasil e no mundo. Publicação Semestral - Vol. 1, Nº. 1 - Março de 2018
ISSNe: 2594-6579
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FICHA TÉCNICA
Editor-Chefe
Everton Fernando Alves
Editores Associados
Michelson Borges, Eduardo Lütz, Rogéria Ventura, Márcio
Fraiberg, Rodrigo Meneghetti e Alexandre Kretzschmar
Revisão
Michelson Borges, Yuri Kateivas dos Santos
Direção de Arte e Diagramação
Alexandre Kretzschmar
Jornalista
Débora Carvalho - Mtb 51.160/SP
Colaboraram nesta edição
Gabriela Cruz (Desenho Capa), Diego Müller Francisco,
Eberson Ramos de Carvalho (Ilustração), Célio João Pires,
Leonardo Henrique Arruda de Souza
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Origem em Revista
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Origem em Revista
2 1º Semestre 2018
Novidades na história
Temos o prazer de lhe apresentar a edição de lançamento da
Origem em Revista. Com esta edição inaugural, apostamos em um novo
território e visando impactar a um público mais amplo e, ao mesmo
tempo, marcar uma nova fase na comunidade criacionista do Brasil. A
Origem em Revista foi criada com o intuito de proporcionar ao público
estudantil e acadêmico um espaço para divulgação de suas
experiências em sala de aula, bem como suas produções e reflexões
teóricas advindas de pesquisas em desenvolvimento acerca de temas
relacionados à ciência da criação.
Nosso rigoroso processo editorial pretende elevar a qualidade das
publicações criacionistas e encorajar pesquisas originais sobre os
difíceis problemas da ciência da criação.
Queremos incentivar estudiosos com interesse especial nas Origens
e no Gênesis, a fim de promover o pensamento crítico.Uma vez que a
ciência da criação é dependente da correta interpretação das
Escrituras, a sinergia entre estudiosos da Bíblia e da ciência é
inestimável para o desenvolvimento de modelos da criação que sejam
tanto científicaquanto teologicamente sólidos. Na verdade, foi a
interação entre a teologia e a ciência que levou George McCready Price
em 1923 a publicar o livro The New Geology, obra considerada pioneira
na Geologia criacionista e que acabou revigorando os fundamentos da
comunidade evangélica quase cem anos atrás. Por isso, esta edição foi
reservada para a história do criacionismo moderno.
O século 21 é uma grande oportunidade para os estudiosos
dedicarem uma leitura direta do Gênesis a fim de entender a história do
cosmo, da Terra, da biosfera e do homem. A Origem em Revista valoriza
a interdisciplinaridade e o apoio mútuo aos níveis individual e da
sociedade. Não só elas levam à defensabilidade científica e teológica,
mas também à consonância explicativa entre os modelos de criação
focados em diversas questões. Esperamos que os textos aqui presentes
possam contribuir para a reflexão e o fortalecimento da fé cristã de
nossa comunidade brasileira composta tanto por pesquisadores e/ou
estudiosos criacionistas quanto do design inteligente. Juntos
oferecemos este novo veículo de divulgação na esperança de apoiar
essa missão com rigor e honestidade.

Uma ótima leitura para você !

Everton F. Alves
Editor
Seções Sumário

3 Editorial
5 Capa 19 Os principais tipos de
modelos das origens
Como lidar com as informações conflitantes divulgadas em
15 Pesquisa diferentes canais de comunicação? Uma equipe de especialistas

19 Evolucionismo ou Criacionismo em ciência da Criação apresenta conceitos simples e diretos e que


possam ser usados como referenciais.
33 Design Inteligente na natureza
37 Impacto
45 Perguntas & Respostas
53 Materiais didáticos 37 Os cinco principais centros de
pesquisa criacionista no mundo
Vamos conhecer a história dos centros de pesquisa criacionista e
56 Educação em ciências suas principais atividades!

58 Cartas ao editor
63 Cosmovisão bíblica
Pioneirismo 53 Atualização do
termo “Criacionismo”

5
Nova geração de cientistas criacionistas reinvidica atualização
Uma breve história do do termo “criacionismo” pelo fim do preconceito equivocado na
criacionismo moderno comunidade científica.

Conheça a trajetória do criacionismo moderno no Brasil


e no mundo incluindo os detalhes sobre os pioneiros, a
literatura especializada, as propostas e descobertas e as
organizações criacionistas e suas principais atividades.

15 A descoberta da ciência 58 Um milagre em forma de livro

Conheça detalhes especiais da revelação de Deus compilada


Saiba como separar a verdadeira da falsamente chama-
em forma de livro, e descubra se a Bíblia Sagrada é realmente
da ciência. Veja como a ciência era vista e pensada pelos
confiável.
pioneiros da ciência e como eles, sim, impulsionaram a
verdadeira revolução científica.

63 Os 15 mais influentes
pesquisadores criacionistas
brasileiros
Tudo o que você precisa saber sobre a jornada e contribuição dos
15 mais influentes pesquisadores criacionistas brasileiros.
Capa EVERTON FERNANDO ALVES

Uma breve história do


criacionismo moderno
Contribuições da Igreja Adventista do Sétimo Dia

O
movimento adventista tem sua origem que Deus estava morto, nasceu em 1844. E por
relacionada com um grande reavivamen- essa época surgiram o marxismo e o espiritismo
to religioso norte-americano que teve moderno.
seu ápice no ano de 1844. Os adventistas do séti- Após a publicação de A Origem das Espécies,
mo dia derivam desse movimento e ficaram mais em 1859, essa busca por uma base segura de
conhecidos pela ênfase na pregação da breve conhecimento “racional” se intensificou. Por ou-
volta de Jesus e do sábado como memorial da tro lado, sabe-se que a crença da Igreja Adventis-
criação. A Igreja Adventista surgiu em um período ta no criacionismo é bem clara e específica. A
histórico de grande turbulência epistemológica, Igreja Adventista em uma longa história de defe-
ou seja, época em que estava em debate qual sa do criacionismo, o que a manteve firme na
fonte de conhecimento (Bíblia ou ciência) deveria proclamação da mensagem da criação ao longo
ser considerada a autoridade máxima sobre a desse tempo. Seria coincidência o nascimento do
questão das origens.1 movimento adventista, proclamando a mensa-
Em 1842, Charles Darwin já havia redigido o gem do sábado e da criação de Deus, ao mesmo
que seriam as primeiras notas (com 35 páginas) tempo em que Darwin começava a escrever sua
de suas ideias. Esse pequeno texto foi, então, teoria evolucionária, renunciando à necessidade
ampliado em 1844 para um documento chamado de um Criador?
“Ensaio”, com 230 páginas. Darwin incumbiu o A Igreja Adventista iniciou sua defesa e divul-
mestre-escola local de fazer uma cópia a limpo gação literária do criacionismo a partir dos escri-
do texto.2 Ali teve início, efetivamente, seu livro A tos da escritora e educadora cristã norte-ameri-
Origem das Espécies, o qual revolucionaria o cana Ellen White, uma das fundadoras da
pensamento científico e marcaria o início da ne- denominação.3 Em seus vários livros nas temáti-
gação do relato bíblico da criação. O interessante cas de educação, ciência e religião, White se po-
é que Nietzsche, que ficou famoso por afirmar siciona da seguinte maneira a favor da criação da

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Terra em seis dias de 24 horas: “A Bíblia não ad- são resultado do dilúvio bíblico. Essa obra acabou
mite longas eras em que a Terra vagarosamente influenciando Henry Morris e John Withcomb,
evoluiu do caos. De cada dia consecutivo da fundadores do Criacionismo Científico no moder-
criação, declara o registro sagrado que se consti- no movimento da geologia diluviana. Em 1961,
tuiu de tarde e manhã, como todos os outros Morris e Whitcomb atualizaram a obra de Price
dias que se seguiram. No fim de cada dia dá-se o escrevendo The Genesis Flood.
resultado da obra do Criador”.4:70-71 Em seu livro Ainda em 1929, o biólogo Harold Willard Clark
The Creationists, o renomado historiador da ci- (1891-1986), ex-aluno de George McCready Price,
ência Ronald Numbers afirma que o criacionismo havia publicado seu primeiro livro, Back to Crea-
se espalhou rapidamente durante o século 20, tionism, e o dedicou a Price. Nesse livro, Clark
desde seu humilde começo “nos escritos de Ellen convidou os leitores a abandonar a evolução e a
White”.5 adotar a nova “ciência do criacionismo”. Após
Mas as discussões e os estudos científicos isso, o termo “criacionismo” tornou-se de uso
sobre o criacionismo no meio adventista tiveram comum.6:139 Em 1938, Clark visitou alguns campos
início com George McCready Price (1870-1963), de petróleo e sua observação da perfuração
um adventista do sétimo dia que, após anos de profunda confirmou as suspeitas de longa data
estudo e investigação profundos dos escritos de de que existia uma significativa coluna geológica.
Ellen White e da área de geologia, escreveu em Clark atribuiu essa coluna àordem dos ambientes
1906 um livro intitulado Illogical Geology, em que erodidos e destruídos pelas águas em gradual
enfatizou que a única maneira realmente eficaz ascensão, que vão desde profundidades oceâni-
para derrotar a evolução era mostrar que seu cas até montanhas.5:144-148 A essa observação, pu-
quadro de eras geológicas é inválido.5 Mas so- blicada em 1946 em seu livro The New Diluvia-
mente em 1923 Price lançou o livro The New Ge- nism, ele deu o nome de “modelo do
ology, obra considerada pioneira na Geologia zoneamento paleoecológico”, proposta utilizada
criacionista em que argumenta que todas as ca- até hoje pela comunidade criacionista.7,8
racterísticas geológi- Em 1941, Frank Lewis Marsh (1899-1992), tam-
cas que vemos hoje bém ex-aluno de George McCready Price, publi-
cou o livro Fundamental Biology.9 Marsh foi o
primeiro adventista a receber o título
de PhD em Biologia e o primeiro dire-
tor (1958-1964) do Geoscience Rese-

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arch Institute (GRI). Dentre as contribuições mais Paluxy, no Texas.
popularizadas e amplamente divulgadas de De igual modo, a Igreja Adventista é pioneira
Marsh está o conceito de “baraminologia”, que no ensino do criacionismo no Brasil. No livro Te-
deriva de dois termos hebraicos: bara, “criar”, e ologia e Ciências Naturais, da editora católica
min, “tipos”.10 Marsh criou o termo “baramin”, que Paulinas, é dito que “o criacionismo [...] trata-se
ele traduzia como “tipos criados”. Segundo Mar- de um fenômeno moderno, ligado primariamente
sh, essa nomenclatura tinha por objetivo solucio- aos adventistas e ao fundamentalismo cristão
nar a confusão causada pela palavra “espécie”. norte-americano.11:239 E ele acrescenta: “Uma das
Poucos cristãos evangélicos sabem que as bases denominações mais importantes no desenvolvi-
para o moderno criacionismo foram construídas mento do criacionismo foi (e ainda é) a Igreja
por adventistas, cuja lei- Adventista do Sétimo
tura do Antigo Testa- Dia”. 11:241 Mas o livro vai
mento era notavelmente mais longe, ao informar
literalista quanto ao livro (corretamente) que “a
de Gênesis.5 história do criacionismo
Outro aluno de Price, no Brasil está fortemen-
Clifford Burdick (1945- te vinculada à Igreja
1974), fez pós-graduação Adventista do Sétimo
em Geologia na Univer- Dia”. A primeira obra
sidade de Wisconsin. Ele brasileira que tratou do
escreveu muitos artigos importantes de pesqui- criacionismo foi publicada em 1919, quatro anos
sacom orientação criacionista, incluindo, nos antes do lançamento do The New Geology, de
anos de 1945, um artigo com uma das primeiras Price. Seu autor, Guilherme Stein Jr. (1871-1957), foi
críticas sérias à datação radiométrica. Burdick foi o primeiro adventista batizado no Brasil.11:245
o primeiro criacionista a realizar uma série de O livro Teologia e Ciências Naturais chega a
pesquisas e fazer uma reportagem sobre as fa- listar os considerados criacionistas mais impor-
mosas pegadas de homens e dinossauros no Rio tantes do Brasil, nesta ordem: o jornalista Michel-

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son Borges, os membros no Núcleo de Estudos na produção de várias coleções, como A Con-
das Origens (como a bióloga Márcia Oliveira de quista do Espaço, Maravilhas da Ciência, Enciclo-
Paula e o físico Urias Takatohi), o biólogo Rober- pédia Peone Mistério e Surpresas do Átomo.
to Azevedo, o arqueólogo Rodrigo Silva, o geólo- Participou ativamente como membro da Asso-
go Nahor de Souza Jr. e o astrofísico Eduardo ciação Brasileira de Astronomia (ABA).
Lütz. Há, claro, menção especial ao engenheiro Maravilhas da Ciência foi publicado em 1959
Ruy Carlos de Camargo Vieira, fundador e presi- pela Associação Brasileira de Astronomia. Nele,
dente da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB). na página 281, Minham escreveu: “Uma escritora
Um nome menos conhecido, mas que mere- americana, Ellen G. White, que nada sabia de as-
ce figurar na história do criacionismo no Brasil é tronomia e que provavelmente nunca ouvira falar
o do pastor Júlio Minham Ares (1897-1973). Júlio da Nebulosa de Órion, em um de seus livros tra-
nasceu na Espanha, veio para o Brasil e se esta- duzido para o português com o título de Vida e
beleceu em Porto Alegre, RS. Trabalhou em uma Ensinos, depois de comentar essa luminosidade
fábrica de doces. Sua supervisora, Nila, o convi- escreveu [e ele cita o texto de Ellen White]. Isso
dou para assistir a uma série de conferências da dito assim tão simplesmente por quem nunca
Igreja Adventista. Ambos foram batizados e se olhou um livro de astronomia, nem sonhava com
casaram. Júlio se formou em Teologia pelo CAB buracos em parte alguma do céu, só pode ser
(hoje UNASP), em 1925 (quarta turma). Foi pastor creditado a dois fatores: histerismo ou inspiração.
no Brasil, na Espanha e em Portugal. Autodidata Para ser histerismo, parece científica demais a
e estudioso (dominava sete idiomas), passou a afirmação de que toda uma cidade, a Nova Jeru-
escrever artigos sobre salém, tenha livre passagem pelo túnel de Órion.
temas científicos liga- A escritora não sabia do túnel, nem que ele é tão
dos à Astronomia, o largo a ponto de comportar noventa sistemas
que resultou solares. Terá sido revelado a essa escritora uma
verdade que os astrônomos não puderam des-
cobrir?”
Em 1950, o matemático e professor Orlando
Rubem Ritter começou a lecionar Astronomia e
Geologia criacionistas para o curso de Teologia
do Centro Universitário Adventista de São Paulo
(Unasp), então conhecido como Colégio Adven-
tista Brasileiro.12 Mais tarde, essas disciplinas fo-
ram agrupadas numa só, conhecida como Ciência
e Religião. Em 1977, Orlando elaborou um ma-
terial didático pioneiro: as apostilas “Estudos
em Ciência e Religião” (aliás, posterior-
mente, essematerial foi reeditado e trans-
formado em livro pela SCB).
A ideia de se organizar uma entidade
criacionista (a atual SCB), no fim de 1971,
está diretamente ligada à pessoa de Or-
lando Ritter e à realização de uma semana
cultural organizada no ano anterior, em
São Carlos, SP. Nesse evento, vários pales-
trantes, na maioria professores do Instituto
Adventista de Ensino (IAE), foram convida-
Professor Orlando Rubem Ritter
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dos a expor assuntos de interesse cultural e Centros de pesquisa
científico. O professor Ritter apresentou uma pa- Geoscience Research Institute (GRI) – Funda-
lestra sobre datação com carbono radioativo.12 do em 1958, é o principal órgão de produção e
No fim de sua fala, ele indicou bibliografia crítica divulgação de pesquisa científica baseada no pa-
sobre o assunto, fazendo menção à Creation radigma criacionista. O GRI está localizado no
Research Society, entidade criacionista norte-a- campus da Universidade Adventista de Loma
mericana, fundada havia cerca de dez anos, e Linda, na Califórnia (http://grisda.org), e possui
que vinha publicando sua revista trimestral com uma filial no Brasil (www.evidenciasonline.org). O
artigos muito bem fundamentados. O impacto
desse contato do professor Ritter com os futuros
fundadores da SCB os inspirou a publicar, inicial-
mente, traduções em português dos artigos da-
quele periódico norte-americano.
Para fins de conhecimento, apresentaremos
a seguir, em ordem cronológica, algumas contri-
buições técnico-científicas (pesquisa, ensino e
extensão) da Igreja Adventista para o estabeleci-
mento do criacionismo no Brasil e no exterior:
Sede do GRI em Loma Linda - Califórnia
Principais cientistas adventistas
Atualmente, há vários cientistas criacionistas GRI Brasil (uma das sub-sedes do GRI) foi fundado
em junho de 2008 e está localizado no Centro
que fazem boa ciência e apresentam argumenta-
Universitário Adventistade São Paulo, campus
ção lógica na divulgação da história de nossas
Engenheiro Coelho. O GRI Brasil é um centro de
origens. Dentre eles, estão os principaisnomes estudos, de produção e divulgação de materiais
atuantes ao longo das últimas décadas: de interesse científico, teológico e filosófico rela-
Cientistas internacionais: Harold Coffin (in cionado com a controvérsia criacionismo versus
memoriam), Harold Clark (in memoriam), Ariel evolucionismo. Foi estabelecido para abordar
Roth, James Gibson, Robert Brown, Arthur Cha- esse tema ao examinar as evidências científicas
dwick, Leonard Brand, Robert V. Gentry, Raúl Es- sobre as origens. O instituto usa tanto a ciência
perante, entre outros. quanto a Revelação para estudar a questão das
Cientistas brasileiros: Ruy Carlos de Camargo origens, pois considera que o uso exclusivo da ci-
Vieira, Orlando Rubem Ritter, Nahor Neves de ência seja uma abordagem muito limitada. O ins-
Souza Jr., Marcos Natal Costa, Eduardo Lütz, Mar- tituto serve à Igreja Adventista do Sétimo Dia em
cia Oliveira de Paula, Wellington Silva, Roberto de duas áreas principais: pesquisa e comunicação.
Azevedo, Rodrigo Silva, Urias Takatohi, Queila de Earth History Research Center – O Centro de
Souza Garcia, Tarcisio da Silva Vieira, Marcio Pesquisa da História da Terra (http://origins.swau.
edu) é mantido pela Southwestern Adventist Uni-
Fraiberg Machado, Matusalém Alves Oliveira, Air-
versity (http://www.swau.edu), localizada em Kee-
ton Deppman, entre outros.
ne, no Texas, EUA. É uma organização sem fins
Esses cientistas têm contribuído com a causa lucrativos e nãosectária de cientistas ativos. O
criacionista de diversas maneiras ao longo do centro tem como missão desenvolver uma visão
tempo. Além desses, a Igreja Adventista possui cientificamente crível da história da Terra, de
renomados escritores de livros e artigos,tais acordo com as Escrituras, além de realizar pesqui-
como o Dr. Ruy Vieira e o jornalista Michelson sa científica relacionada com esse objetivo e pro-
Borges, que têm ajudado a disseminar o criacio- mover sua visão por meio de publicações e da
nismo e influenciado gerações. educação.

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Universidades adventistas Faculdades adventistas brasileiras
norte-americanas Dentre elas, destacam-se IAP, FADBA, Fadmi-
Dentre as diversas instituições de ensino su- nas e Unasp, que preparam diversos pesquisado-
perior espalhadas pelo mundo, três grandes uni- res por ano e os estimulam ao mundo investigativo
versidades adventistas se destacam: dentro dos temas em ciência e religião.
Loma Linda University – É tida como referência
em pesquisas médicas e epidemiológicas sobre Instituições, entidades, publicações
estilo de vida saudável, vegetarianismo, atividade e eventos
física, assuntos esses também relacionados ao Casa Publicadora Brasileira (CPB) – A CPB, com
criacionismo. As pesquisas científicas adventistas mais de um século de existência, é uma das 60
editoras adventistasespalhadas pelo mundo e
produzidas por essa universidade são tidas como
possui grande variedade de livros didáticos, os
referência na área (saiba mais em http://publiche-
quais procuram conciliar as exigências do MEC
alth.llu.edu/adventist-health-studies/scientific-pu-
com a filosofia da educação adventista. A editora
blications).
está no mercado didático há mais de três décadas.
Andrews University – Tida como referência em A CPB tem publicado ao longo dos anos livros e
estudos científicos em Arqueologia, de lá saem revistas com teor criacionista, dentre eles os livros
profissionais altamente competentes e disputados Estudos Sobre Criacionismo e Evolução ou Criação
no mercado trabalho. Os trabalhos desenvolvidos Especial?, de Frank Marsh; Deus e Evolução, de
pelo Instituto de Arqueologia da Andrews têm sido Francis Nichol; Origens, de Ariel Roth; A História da
destaque nas manchetes nacionais e internacio- Vida, A Descoberta e Por Que Creio, do jornalista
nais (leia a matéria “Arqueólogos adventistas são Michelson Borges. A coleção didática Este Mundo
destaque na IstoÉ” no site www.criacionismo.com. Maravilhoso atingiu a marca de um milhão de
br). exemplares e foi adotada em escolas públicas. O
Southwestern Adventist University – A institui- teor criacionista dos livros gerou polêmica e mani-
ção mantém o Dinosaur Project, liderado pelo Dr. festações contrárias em veículos de grande circula-
Arthur Chadwick, que consiste na escavação de ção, como a Folha de S. Paulo, que publicou matéria
fósseis de dinossauros e estudos tafonômicos re- criticando a oposição ao evolucionismo.
alizados no sítio paleontológico Formação Han- Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) – A his-
son, no Estado de Wyoming, EUA, onde se supõe tória da SCB (www.scb.org.br) remonta ao fim de
que haja entre dez a quinze mil dinossauros soter- 1971, quando a família do engenheiro Dr. Ruy Carlos
rados (http://dinosaurproject.swau.edu). Os fósseis de Camargo Vieira, incluindo sua falecida esposa e
seu filho Rui Vieira, diretor executivo da entidade,
são pesquisados com o auxílio tecnológico de um
ambos adventistas, foi especialmente tocada por
GPS de alta resolução e programas de computa-
Deus para abraçar essa missão.13 No início da déca-
dor sofisticados. Aliás, atualmente é o único grupo
da de 1990, a sede da SCB foi transferida da cidade
de pesquisa a utilizar esse tipo de tecnologia. No
de São Carlos, no interior paulista, para Brasília,
decorrer de suas pesquisas, Chadwick conseguiu mudança que marcou uma fase de muitos avanços
observar evidências de que os dinossauros foram da entidade. Mas somente em agosto de 2000 a
extintos simultaneamente por meio de uma gran- SCB foi oficialmente institucionalizada, passando a
de catástrofe, sinalizando morte catastrófica e so- ter personalidade jurídica.
terramento de dinossauros que apontam para um Revista Criacionista – Em abril de 1972, foram
dilúvio global. Além disso, também são feitas ex- lançados 500 exemplares do primeiro numero da
cursões com alunos e o projeto oferece horas de Folha Criacionista. Essa publicação, durante muitos
créditos para os estudantes dos cursos de ciências anos, foi a viga-mestra das atividades da SCB. Em
da universidade. 1994, a Folha Criacionista passou por aprimora-

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Universitários (AMiCUS), em cooperação com as 13
divisões mundiais da Igreja Adventista do Sétimo
Dia (http://dialogue.adventist.org/en/home). A re-
vista cobre assuntos contemporâneos referentes a
artes, ciências humanas, filosofia, religião e ciências
físicas. Dentre os artigos, destacam-se os que têm
sido publicados sobre ciência e religião, assinados
por conceituados cientistas criacionistas de várias
Dr. Ruy Carlos de Camargo Vieira no centro
universidades ao redor do mundo, focalizando as-
cultural da Sociedade Criacionista Brasileira. pectos relacionados com a controvérsia entre o
mentos, mas somente em 2002 ela foi renomeada evolucionismo e o criacionismo bíblico. A revista
para Revista Criacionista com a colaboração de possui diversas edições voltadas a pesquisas cria-
Michelson Borges. A partir de então, ela manteve cionistas. Diálogo é publicada três vezes por ano,
edições semestrais. Além disso, a editora da SCB em quatro edições paralelas: inglês, francês, portu-
começou a publicar vários livros, produzir vídeos e guês e espanhol. Com uma circulação de trinta mil
elaborar kits e cartazes didáticos. exemplares por edição, Diálogo tem leitores em
Seminários “A Filosofia das Origens” –Nesse mais de cem países. A revista é dirigida a estudan-
período, também teve início uma série de palestras tes colegiais e universitários, professores, capelães
de divulgação do criacionismo em várias capitais e profissionais adventistas do sétimo dia ao redor
brasileiras: os seminários intitulados “A Filosofia do mundo.
das Origens”. Museu de Geociências – Fundado em 1991 pelo
Centro Cultural – A ideia de um centro cultural médico Dr. Carlos Gama Michel, foi o primeiro mu-
criacionista surgiu, inicialmente, devido à necessi- seu criacionista do Brasil (www.adventista.edu.br/
dade de organizar um espaço para abrigar o volu- geociencias). O museu é mantido pela Faculdade
moso acervo bibliográfico (livros, periódicos, publi- Adventista da Bahia (FADBA) e ligado ao Seminário
cações avulsas, cartazes e painéis) formado ao Adventista Latino-americano de Teologia. Está lo-
longo de mais de 30 anos, bem como expor as calizado na cidade de Cachoeira, BA. A partir de
coleções de rochas, minerais, gemas, fósseis, obje- 2001, esse Museu passou à direção do Dr. Welling-
tos e artefatos de interesse arqueológico, etnológi- ton dos Santos Silva, e em 2013 foi revitalizado,
co e antropológico. Assim, o centro cultural, inau- passando a manter parceria com o GRI Brasil. O
gurado em 2 novembro de 2004, funciona como Museu de Geociências oferece uma viagem ao
museu e biblioteca e possui infra-estrutura de mundo da paleontologia, com a exibiçãode fósseis
multimídia para a realiza-
ção de palestras e cursos
em um auditório, além de
teleconferências e educa-
ção a distância.
Revista Diálogo Uni-
versitário – Lançada em
1989, a Diálogo Universi-
tário é uma revista acadê-
mica internacional, publi-
cada pela Comissão do
Ministério Adventista para
Estudantes Colegiais e MAB - Museu de Arqueologia Bíblica, Paulo Bork (Unasp-EC)

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de algumas espécies extintas. O museu conta com grava vídeos que são veiculados em seu canal no
mais de 500 peças, entre fósseis, rochas, minerais YouTube.
e objetos arqueológicos. Programa de TV “Evidências” – Lançado em
Núcleo de Estudos das Origens (NEO) – Desde 2007, o programa Evidências (http://novotempo.
1999 funciona no Unasp, campus São Paulo, o Nú- com/evidencias), desenvolvido pelo canal de tele-
cleo de Estudos das Origens (NEO), fundado du- visão Novo Tempo e apresentado pelo arqueólogo
rante o 3º Encontro Nacional de Criacionistas, Dr. Rodrigo Silva, segue o formato documentário e
evento periódico promovido também por essa ins- oferece 30 minutos de conhecimento sobre diver-
tituição de ensino, que visa a orientar seus cerca de sos assuntos, entre os quais temas relacionados à
4.000 alunos a respeito do criacionismo. Aliás, controvérsia evolucionismo versus criacionismo.
dentro do currículo de todos os cursos de gradua- Consórcio Criacionista Adventista (CCA) – Em
ção, há um curso chamado “Ciência das Origens” dezembro de 2012, foi assinado um protocolo de
que, ministrado por acadêmicos de várias áreas, intenções entre a Divisão Sul-Americana da Igreja
vale-se das “teorias científicas” para fortalecer o Adventista (sede geral dos adventistas para oito
criacionismo. 3 países sul-americanos), SCB, GRI Brasil, NEO do
Museu de Arqueologia Bíblica Paulo Bork (MAB Unasp e Museu de Geociências da FADBA. Esse
Unasp-EC) – Inaugurado em maio de 2000, é o consórcio teve como objetivo promover a implan-
único museu de arqueologia bíblica da América tação de um conjunto integrado de ações destina-
Latina (http://www.unasp-ec.edu.br/conheca/mu-
das a disseminar o criacionismo no Brasil, no âmbi-
seu-de-arqueologia). Está localizado no Unasp,
to da América do Sul e em outras regiões, além de
campus Engenheiro Coelho, e tem como objetivo
receber maior apoio da Divisão para a consecução
manter coleções e expor achados arqueológicos,
de seus objetivos comuns. Na prática, haverá mais
além do comprometimento na divulgação da vera-
pesquisa criacionista, maior número de publicações
cidade do relato bíblico, inclusive em questões so-
na área e visibilidade nos meios de comunicação
bre as origens da humanidade. Com um acervo
dos materiais científicos produzidos.
demais de duas mil peças, ele é, sem dúvida, um
Programa de TV “Origens” – Lançado em maio
importante símbolo do compromisso da Igreja Ad-
de 2015, o programa “Origens” (http://novotempo.
ventista no Brasil com a autoridade normativa das
Escrituras. Inaugurado em 14 de maio de 2000, o com/origens) é mantido pelo canal de TV Novo
museu foi estabelecido para prover um meio de Tempo, da Igreja Adventista. O programa apresen-
apresentar a cultura da Europa (antes da Idade ta questões relacionadas à origem da Terra e dos
Moderna), Egito, Grécia e antigo Oriente Médio, re- seres vivos, e parte do pressuposto de que nosso
lacionada à narrativa bíblica e à origem do cristia- planeta está repleto de monumentos do tempo e
nismo, inclusive do criacionismo. O curador do da história. Que pistas eles podem nos dar sobre
museu é o doutor em arqueologia Rodrigo Pereira quem somos e de onde viemos? Em formato de
da Silva. documentário, “Origens” apresenta o que há de
Site Criacionismo – Criado em 2006 pelo jorna- mais fascinante na natureza – e revelações intri-
lista, escritor e editor da CPB Michelson Borges, o gantes de ciências como paleontologia, física, ge-
site www.criacionismo.com.br ajudou a popularizar nética e neurologia.
os conceitos criacionistas para os falantes da língua Núcleo Maringaense da SCB (Numar-SCB) – Em
portuguesa. Com uma abordagem simples e apre- outubro de 2015, um pequeno grupo de adventis-
sentação de temas de interesse geral, o site, aces- tas, sob a coordenação do químico Dr. Agrinaldo
sado por dezenas de milhares de pessoas todos os Jacinto do Nascimento Junior, percebeu a necessi-
dias, contribui para divulgar o criacionismo e as dade de um ambiente em que pudessem dialogar
entidades que estão relacionadas com o tema. Mi- sobre assuntos convergentes, como a ciência e as
chelson indica livros, artigos científicos e também Escrituras Sagradas, tão necessários em um polo

Origem em Revista
12 1º Semestre 2018
universitário como a cidade em que logo Considerações finais
seria fundado um núcleo de estudos. Dois Desde o seu surgimento no século 19, a Igreja
meses após essa primeira reunião, o Núcleo Adventista do Sétimo Dia tem se empenhado na pro-
Maringaense da Sociedade Criacionista Bra- clamação da mensagem de Apocalipse 14:6, 7, que diz:
sileira (Numar-SCB) (www.numar.scb.org.br) “E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o
foi estabelecido oficialmente na cidade de evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam
Maringá, PR, durante a programação do 1º sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e
Workshop do Numar-SCB, realizado na Câ- povo. Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-
mara Municipal da cidade. O evento contou -Lhe glória; porque é vinda a hora do Seu juízo. E
com a presença do presidente da SCB, Dr. adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as
Ruy Carlos de Camargo Vieira. A criação do fontes das águas.” Um dos grandes propósitos desse
1º Núcleo da SCB foi celebrada por meio da movimento suscitado pelo Criador é levar as pessoas
assinatura do Termo de Intenções entre as de volta à verdade de que elas não são um “acidente
organizações representadas pelos respecti- cósmico”, mas resultado de um projeto pensado com
vos diretores-presidentes e recebimento de carinho. Debaixo dessa bandeira, ao longo das déca-
certificado. das, homens e mulheres têm dedicado tempo e talen-
Em fevereiro de 2016, tiveram início as to a fim de levar avante a mensagem da criação.
atividades de ensino do Numar-SCB por
meio do programa “Diálogo Sobre as Ori-
gens”, aberto à comunidade e que consiste Referências
em encontros semanais com palestras trans- 1. Silva S. O debate por trás de uma declaração. Revista Adventista
mitidas ao vivo– em seu canal no YouTube– (06/07/2015). Disponível em: http://www.revistaadventista.com.br/
conferencia-geral-2015/tag/criacionismo/
de pesquisadores de diversas áreas do co- 2. Du Preez R. 1844: Coincidence or providence? Dialogue. 2006;18(3):13-
15. Disponível em:https://dialogue.adventist.org/1373/1844-
nhecimento. Além disso, o Núcleo tem coincidence-or-providence
produzido materiais escritos que podem ser 3. Santos MFS, Rodrigues WG. O ensino do criacionismo nas aulas de
ciências. Capítulo 2, pp.47-80. In: Silva WS. Criacionismo no século 21:
encontrados em seu site, e promovido even- uma abordagem multidisciplinar. Cachoeira, BA: Editora Ceplib, 2013.
tos de grande porte com expoentes do cria- 4. White E. Educação. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2008.
5. Numbers RL. The Creationists: From Scientific Creationism to Intelligent
cionismo nacionais e internacionais. Ademais, Design. Expanded Edition. Cambridge, MA: Harvard University Press,
tem participado de atividades científicas e 2006. 624p.
6. Clark HW. Back to Creationism. Angwin, CA: Pacific Union College Press,
culturais. 1929, p.139.
7. Clark HW. The New Diluvialism. Andwin, CA: Science Publications, 1946,
pp. 39-93.
8. Clark HW. Paleoecology And The Flood. CRSQ 1971; 8(1):19-23.
9. Marsh FL. Fundamental Biology. Lincoln, NE: Published by the Author,
1941.
10. Marsh FL. Variation And Fixity Among Living Things. A New Biological
Principle. CRS Quarterly 1978;15(2):115-118.
11. Da Cruz ER. Teologia e Ciências Naturais. São Paulo: Paulinas, 2011,
352p.
12. Borges M. Educador por excelência. Revista Adventista (26/05/2015).
Disponível em: http://www.revistaadventista.com.br/blog/2015/05/26/
educador-por-excelencia/
13. Borges M. SCB 40 anos: em defesa do princípio. Blog Criacionismo
(15/10/2012). Disponível em: http://www.criacionismo.com.br/2012/10/
scb-40-anos-em-defesa-do-principio.html

Everton F. Alves é mestre em Ciências (Imunogenética) pela


Universidade Estadual de Maringá (UEM). É Cofundador e
editor da Origem em Revista.
editorial@origememrevista.com.br

Inauguração da sede do Numar-SCB

Origem em Revista
1º Semestre 2018 13
A ciência nos dá o
conhecimento do mundo
e a religião nos dá o
significado.

Michael Keller, pesquisador polonês


que formulou a Teologia da Ciência
Pesquisa GRAÇA LÜTZ

A descoberta da

A
Ciência
palavra “ciência” vem do latim scientia e significa “conhecimento”. Vem de scire, “conhecer”, “saber”. Está
relacionada a scindere, “cortar”, “dividir”. É provável que originalmente significasse “separar uma coisa de
outra para distinguir”.1 Ao longo dos séculos, essa palavra foi usada apenas como sinônimo de conhecimento
ou de conhecer, mas nos séculos 17 e 18, durante a Revolução Científica, ela passou a ter um significado mais
definido e específico. Por outro lado, uma linha de investigadores prosseguiu utilizando o significado vago da
palavra, de forma que uma série de diferentes tipos de investigação com resultados diversos em termos de
eficiência e confiabilidade pudesse ser chamada de ciência. Especialmente a partir do século 19 isso se tem
demonstrado desorientador em termos de clareza e eficiência nos meios acadêmicos. É da história desses
significados e suas consequências que pretendo tratar.

A Revolução Científica o que diz o pai da Ciência Moderna, Galileu Galilei:


As bases do protocolo conhecido como “A [verdadeira] filosofia está escrita neste grandioso
método científico, ou seja, observação, formulação livro que está sempre aberto à nossa contempla-
de uma hipótese, experimentação, interpretação ção (refiro-me ao universo), mas que não pode ser
entendido sem que primeiro se aprenda a língua, e
dos resultados e conclusão, podem ser traçadas
conheçam-se os caracteres com os quais está escri-
desde Aristóteles. 2-5 Portanto, a ideia de que uma
to. Ele está escrito em linguagem Matemática, e seus
investigação requer observação, dados empíricos caracteres são triângulos, círculos, e outras figuras
e sistematização é muito antiga e não remete ao geométricas sem as quais é humanamente impossí-
tempo da Revolução Científica, nos séculos 17 e 18. vel entender sequer uma de suas palavras; sem estes
Então, qual foi a novidade trazida pela Revolução [caracteres] fica-se a vagar por um escuro labirinto.”
Científica que ocasionou essa explosão de novos co- “Deixando de lado as sugestões, falando aber-
nhecimentos convertidos em tecnologia, que séculos tamente e tratando a Ciência como um método de
de história não foram capazes de produzir? Vejamos demonstração e raciocínio humanamente alcan-

Origem em Revista
1º Semestre 2018 15
çável, sustento que quanto mais
“Ciência é o conjunto de métodos
isso participa da perfeição, menor matemáticos [ferramentas] que
será o número de proposições que podemos usar coerentemente para
prometerá ensinar, e menos ainda estudar qualquer assunto”
provará conclusivamente. Conse-
quentemente, quanto mais perfeita
é [a metodologia], menos atrativa
será e menos seguidores terá.”6
Em outras palavras, “ciência é
um método de demonstração e ra-
ciocínio baseado em Matemática de
maneira coerente com o que apren-
demos na natureza”, ou “ciência é o
conjunto de métodos matemáticos
[ferramentas] que podemos usar
coerentemente para estudar
qualquer assunto”.
A noção da importância estra-
tégica da Matemática na pesquisa
científica era compartilhada por
outros que contribuíram para a
descoberta da ciência.
Roger Bacon (1214-1294), mesmo
ainda usando a palavra “ciência” no
sentido de área do conhecimento,
já reconhecia a matemática como
a base de todas as disciplinas: “Se
em outras ciências devemos chegar à certeza sem que abriu as portas para o estudo não apenas da
dúvida e à verdade sem erro, compete-nos colocar Mecânica, mas também das demais leis da natureza.
os fundamentos do conhecimento na Matemática.”7 Convém definir, neste ponto, o significado de
“Há quatro grandes ciências, sem as quais as demais Matemática: deriva do grego μάθημα (máthema =
não podem ser conhecidas e nem um conhecimento ciência, conhecimento, instrução).11 Pode-se dizer que
das coisas assegurado... Dessas ciências, a porta e ela é o conhecimento em si, independentemente do
a chave é a Matemática... Aquele que é ignorante ser humano, incluindo toda a lógica, todas as possi-
disso não pode entender as outras ciências nem os bilidades, todas as relações, todas as conexões, todas
assuntos deste mundo.”8 as estruturas. Isso significa que ela é mais do que os
Leonardo da Vinci (1452-1519): “A natureza é uma símbolos e os números com que estamos acostuma-
fonte de verdade. A experimentação nunca erra; é dos. Essa simbologia é apenas uma forma de apre-
apenas seu julgamento que erra prometendo a si sentar algo da realidade. Qualquer metodologia que
mesmo resultados não causados de seus experi- tenha correspondência com nossa realidade ou com
mentos.”9 “Nenhuma investigação humana pode qualquer realidade possível, necessariamente possui
ser chamada de verdadeira ciência se não pode ser uma base matemática, podendo ser mais ou menos
demonstrada matematicamente.”10 eficiente dependendo de quão exatamente representa
Partindo dessas ideias, Isaac Newton se propôs padrões reais e do grau de correção com o qual é uti-
a usar métodos matemáticos para estudar as leis da lizada. A humanidade tem usado diferentes linguagens
Mecânica. Percebeu que os conhecimentos da época para representar estruturas matemáticas. Exemplos
não eram suficientes, mas encontrou nas próprias leis disso são as diferentes linguagens de programação de
do movimento as pistas para deduzir o que precisa- computadores.
va. Descobriu assim o Cálculo Diferencial e Integral, O Cálculo que Newton descobriu estudando as

Origem em Revista
16 1º Semestre 2018
leis da Mecânica permitiu investigações sobre calor, natureza. Esses métodos, embora úteis, não têm o
luz, eletricidade, magnetismo e átomos, que levaram poder de produzir conhecimento com o mesmo grau
ao desenvolvimento da Química, Biologia, Geologia, de eficiência e precisão que métodos matemáticos
Medicina, Engenharias e tecnologias que alavancaram permitem. Devido a esse fato, outras áreas além da
todas as áreas do conhecimento.12 Física, como a Química e a Biologia, por exemplo,
demoraram mais a ter o mesmo progresso. Por fim, os
Pilares da pesquisa científica métodos e instrumentos produzidos pelo avanço da
O tipo de metodologia que produziu todo o Física chegaram a essas e outras áreas, alavancando e
progresso que conhecemos hoje está baseado, auxiliando o desenvolvimento delas.
Na metade do século 19, Charles Darwin publicou A
resumidamente, nos seguintes pilares:
Origem das Espécies. A unificação do princípio darwi-
1. Coleta de informações segundo critérios estabe-
niano da seleção natural com a genética mendeliana,
lecidos matematicamente; esse tipo de estudo pode
no século 20, produziu o que hoje é conhecido como
ser chamado de experimentação; os resultados desse
Teoria da Evolução, a Síntese Evolutiva Moderna. A Teo-
tipo de estudo chamam-se dados (experimentais). ria da Evolução, no entanto, não pode ser considerada
“2. Estudo de dados em busca de regularidades, uma teoria científica no mesmo sentido das teorias de
ou leis, segundo critérios estabelecidos pela Estatís- Newton, Einstein e outros. Um conceito mais light de
tica (que é uma área da Matemática); formulação de Ciência é necessário para que ideias mais filosóficas
modelos (bases relacionais formais) que sintetizam (organizadas, mas sem uma estrutura matemática
uma infinidade (literal) de dados coletados e por explícita e coerente), como as de Darwin, possam ser
coletar; estabelecimento de teoremas relacionando consideradas como teorias científicas.
as classes infinitas de modelos possíveis; os modelos De fato, o legado de Darwin contribuiu para que
matemáticos mais abrangentes são chamados de uma linha de investigação mais ao estilo de Aristóteles
teorias científicas.”13 prosseguisse nos meios acadêmicos lado a lado com
Existem vários importantes conceitos auxiliares: pesquisas mais avançadas. E esse é o motivo por que
tantos pesquisadores acreditam que a ciência pode er-
rar, que o que é verdade hoje pode já não ser amanhã,
por exemplo.
O legado do conceito mais light de ciência produziu
um conceito confuso do que ela significa, de tal forma
que ao longo de um discurso o termo vai derivando
para diferentes significados. A palavra “ciência”, ao longo
de uma palestra ou diálogo, pode passar por todos os
seguintes significados: área do conhecimento, pesquisa
que está sendo realizada, os resultados dessa pesquisa,
a academia, um conjunto de cientistas, o consenso
acadêmico, a opinião de um conjunto de cientistas, etc.

Unificação das diversas áreas


de conhecimento
Como disse Leonardo da Vinci, “nenhuma
investigação humana pode ser chamada de verdadeira
ciência se não pode ser demonstrada matematica-
mente”.10 A utilização de métodos matemáticos nas
diferentes áreas de pesquisa possibilita uma unifi-
cação sem precedentes entre elas. Porque o uso
O século 19 e a teoria da evolução desses métodos torna explícita a profunda interde-
Enquanto a Revolução Científica prosseguia, nos pendência entre tudo que compõe nossa realidade.
séculos 17 e 18, havia uma linha de investigadores O ser humano é limitado e precisa separar o conhecimen-
que continuava utilizando apenas observação, dados to em áreas para poder lidar com um conjunto limitado
empíricos e sistematização para compreender a de temas de cada vez. Ao lidar com esses temas sem as

Origem em Revista
1º Semestre 2018 17
prosseguiu coexistindo com o novo con-
ceito. O conceito antigo possibilitou que
uma filosofia baseada em observações e
racionalizações, como a Teoria da Evo-
lução, pudesse ser elevada ao status de
ciência e assim permanecer até hoje.
O uso de um conceito mais avançado
de ciência, como o proposto pelos pio-
neiros dela, possibilitaria uma visão mais
abrangente e conectada da realidade.
Essa visão seria benéfica, inclusive, para
aprofundar estudos sobre evolução.

Referências
1. Online Etymology Dictionary.  http://www.ety-
monline.com/index.php?term=science; aces-
sado em 18/10/2016.
2. History of the Scientific Method. https://explo-
ferramentas que a Matemática pode fornecer
rable.com/history-of-the-scientific-method;
– tornando possível inclusive tratar de um acessado em 19/10/2016.
Foi a noção e o número infinito de aspectos –, há a tendência 3. Stanford Encyclopedia of Philosophy; Scienti-
desenvolvimento de se perderem de vista a quantidade e a ri- fic Method.  http://plato.stanford.edu/entries/

de métodos queza de conexões entre as diferentes áreas.


scientific-method/#HisRevAriMil; 13/11/2015.
4. Williams, L. Pearce. History of Science. https://
matemáticos Se nos fosse possível contemplar de uma global.britannica.com/science/history-of-s-

por parte de só vez toda a realidade, não veríamos um cience; acessado em 18/10/2016.
5. Faria, Caroline. Método Científico. www.infoes-
pioneiros como conjunto de áreas de conhecimento com re- cola.com/ciencias/metodo-cientifico/; acessa-
giões de intersecção entre elas, mas um todo
Galileu, Newton do em 19/10/2016.
contínuo e harmônico. Essas separações 6. Galiei, Galileu. Il Saggiatore; 1624.
e outros que são artifícios de nosso raciocínio humano 7. Shapiro, Fred R. The Yale Book of Quotations,
possibilitaram limitado, mas os métodos matemáticos nos
39; 2006. Opus Majus of Roger Bacon (1928),
vol 1, 124.
o fantástico permitem lidar com aquilo que nossos sen- 8. Burke, R.B. The Opus Majus of Roger Bacon
desenvolvimento tidos, nossa intuição e nosso senso comum (1928), v. I, 116. Opus Majus [1266-1268], Part
IV, distinction I, chapter I.
que acabou por não conseguem lidar. 9. Vinci, Leonardo da.  http://todayinsci.com/D/
revolucionar DaVinci_Leonard/DaVinciLeonardo-Quota-

os modos de Considerações finais tions.htm; acessado em 20/10/2016.


10. Vinci, Leonardo da. http://www.azquotes.com/
Observação, formulação de uma
produção e a hipótese, experimentação, interpretação dos
quote/1003639; acessado em 20/10/2016.

comunicação resultados e conclusão, em sua essência,


11. Isidro Pereira, S.J. Dicionário Grego-Portu-
guês e Português-Grego, sexta edição. Livraria
sobre a face do com menos sofisticação do que o protocolo Apostolado da Imprensa.
globo. atual, é um método que pode ser traçado 12. https://global.britannica.com/science/history-
-of-science; acessado em 18/10/2016.
desde Aristóteles. Ele não pode, portanto, 13. Lütz, Eduardo F. Considerações sobre Ciência,
ser considerado responsável pelo fantásti- 164. Cosmovisão Criacionista Bíblica – Coletâ-
co boom que o conhecimento da natureza nea de artigos publicados nos periódicos da
e consequente desenvolvimento tecnológico SCB; Brasília, 2015.
14. Merriam-Webster Dictionary. Theorem  http://
teve a partir dos séculos 17 e 18. Foi a noção e www.merriam-webster.com/dictionary/theo-
o desenvolvimento de métodos matemáticos rem; acessado em 20/10/2016.
por parte de pioneiros como Galileu, Newton
e outros que possibilitaram o fantástico de- Graça Lütz é bióloga e mestre em Bio-
senvolvimento que acabou por revolucionar química pela Universidade Federal
os modos de produção e a comunicação do Rio Grande do Sul (UFRGS).
sobre a face do globo. gflutz@gmail.com
O conceito antigo e vago de ciência

Origem em Revista
18 1º Semestre 2018
Evolucionismo ou Criacionismo? EDITORES

Os principais tipos de modelos das

Origens
É fundamental saber o que significam os termos
que abordamos em nossas conversas ou em nossos
textos. O fato de não definirmos um termo da
maneira correta implica em não conseguir transmitir
a ideia correta em favor de nossas discussões. Muito se tem discutido sobre o que é
criacionismo e quais as suas variações. Basta uma breve busca para nos depararmos
com uma série de “definições” diferentes e confusas.

D
iante desse problema, nós, mentas para cada tipo de tarefa, inicialmente complexa, completa
da Origem em Revista, de- desde as mais simples até as mais e funcional, em tipos básicos de
cidimos dedicar um tempo sofisticadas. Os pioneiros da ciên- seres vivos dotados do aporte ne-
considerável para reunir os me- cia reconheciam a Matemática cessário para sofrer diversificação
lhores especialistas em ciência da como estando na base de todas limitada ao longo do tempo. Exis-
Criação no Brasil, ligados à Socie- as demais áreas do conhecimen- tem três principais ramificações
dade Criacionista Brasileira (SCB), to humano. Também entendiam distintas dentro do criacionismo:
a fim de que, juntos, pudéssemos que Matemática não se inventa, a religiosa, a bíblica e a científica.
desenvolver conceitos simples se aprende na natureza. Normalmente, quando falamos de
e diretos sobre cada um desses Evolucionismo é uma estrutu- criacionismo, as pessoas tendem
modelos das origens, para facilitar ra conceitual segundo a qual os a associar apenas aos dois primei-
a sua compreensão, bem como o seres vivos surgiram por proces- ros e se esquecem de que existe
conceito de ciência que norteará sos naturais, casuais e a partir de uma terceira ramificação, que
toda a linha de publicação da re- um ancestral comum universal, e vem sendo divulgada desde 1970
vista. se diversificaram ao longo do nos Estados Unidos, chamada de
Ciência é um conjunto infini- tempo geológico por meio de pe- “criacionismo científico”.  Mas an-
to de métodos matemáticos que quenas e grandes mudanças, sem tes de falar sobre o criacionismo
pode ser usado coerentemente direção nem propósito definidos. científico, vamos definir as duas
em investigações sobre qual- Criacionismo é uma estrutu- propostas criacionistas mais co-
quer assunto. Esse conjunto de ra/modelo conceitual que ado- nhecidas.
métodos é como uma caixa de ta para o estudo da natureza a O criacionismo religioso é
ferramentas. Nela, encontramos possibilidade da existência de um uma estrutura/modelo conceitual
os mais variados tipos de ferra- Criador. A vida teria sido criada que, apenas pela fé, aceita como

Origem em Revista
1º Semestre 2018 19
“A vida teria sido criada inicialmente
complexa, completa e funcional,
em tipos básicos de
seres vivos dotados do
aporte necessário para
sofrer
diversificação limitada
ao longo do tempo.”

verdadeiros certos escritos de determinada religião, tanto, neste modelo, a Terra poderia ter 20 mil,
tais como exemplo o hinduísmo e o islamismo, que 30 mil anos, caso as evidências atuais da ciência
tratam da origem do universo e da vida. Não tem apontassem nessa direção (o que não é o caso)...
necessariamente a intenção de comprovar ou testar Muitas pessoas também confundem o “criacionis-
cientificamente suas afirmações. Também abrange mo científico” com o design inteligente. Segundo
os mitos da criação (tais como os chineses, hinduísta a definição oficial, o criacionismo científico é uma
sou de tribos indígenas, por exemplo). linha de pesquisa que utiliza métodos da ciência
O Criacionismo bíblico é uma estrutura/modelo para identificar e analisar evidências de que o uni-
conceitual que defende a Bíblia como a infalível Pa- verso e a vida foram criados. O criacionismo cien-
lavra de Deus. Leis, evidências, processos naturais tífico apenas avalia evidências de que processos
e testes científicos são perfeitamente compatíveis naturais e leis da natureza não teriam trazido à exis-
com as revelações e os conceitos bíblicos. A vida é tência o universo, a vida, nem a complexidade ne-
criada complexa e vai degenerando em decorrência les encontrada. Dessa forma, vemos que o criacio-
dos efeitos deletérios do pecado, processo intensifi- nismo científico trabalha somente com processos
cado pelo dilúvio global, descrito na Bíblia e em ou- naturais, leis da natureza e métodos matemáticos.
tros documentos antigos. Já o design inteligente (DI) é uma proposta diferente.
Em relação à idade da terra, os criacionistas bí- Oficialmente, ele é definido como “uma teoria cien-
blicos utilizam a expressão “menos de 10.000 anos” tífica que defende que certas características do uni-
para se referir ao tempo decorrido desde a criação. verso e dos seres vivos são mais bem explicadas
Isto porque o texto massorético da Bíblia hebraica por uma causa inteligente ao invés de processo não
sugere uma idade em torno de 6.000 anos, enquan- direcionado, como a seleção natural”. O DI utiliza
to a versão Septuaginta sugere cerca de 7.500 anos, métodos da ciência a fim de demonstrar se  o  de-
e a versão Samaritana ainda outro valor. O calendá- sign observado na natureza é real ou um produto
rio judaico aponta também uma idade diferente.” das leis naturais, necessidades ou do acaso. Logo,
Mas a grande confusão realmente está no o design inteligente trabalha apenas com a detec-
“criacionismo científico”. Muitas pessoas confun- ção de design. Ou seja, seu campo investigativo é
dem o criacionismo científico com o criacionismo bem mais delimitado e específico em relação ao
bíblico, quando, na verdade, ambas são propostas criacionismo científico.
distintas. O criacionismo científico não se preocu-
pa em defender uma Terra jovem, de cerca de 6
a 10 mil anos de idade, tal como faz grande par-
te dos proponentes do criacionismo bíblico. Por-

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LANÇAMENTOS
Acabam de sair duas super obras, aguardadas há muito tempo, que exploram assuntos atualizados sobre
as nossas reais origens, de autoria do escritor, palestrante e mestre em Ciências Everton Fernando Alves,
que vêm somar e contribuir com a divulgação ddo criacionismo e do design inteligente em nosso país.
Ambos os livros estão sendo lançados pelo recém-inaugurado selo editorial do Núcleo Maringaense da SCB
(Numar-SCB).

“Um desses integrantes da nova geração é... Ever- “em 31 capítulos, fundamentados em mais de 350
ton Fernando Alves. Seus trabalhos primam pela artigos científicos (revisados por pares), expõe
boa pesquisa acadêmica ao mesmo tempo em que evidências que, antes mesmo de apoiar a Teoria do
ele procura utilizar uma linguagem acessível, pop- Design Inteligente, contestam alguns aspectos da te-
ularizando assim os conteúdos relacionados com a oria neodarwiniana lançando mão apenas de pesqui-
controvérsia entre o criacionismo e o evolucionis- sas e resultados científicos, nos quais a proposta
mo. Este livro é um bom exemplo disso.” causal evolucionista não pode ser bem sucedida.”

Michelson Borges Jônatas Duarte Lima


Jornalista e Editor da CPB Leitor

Para maiores informações sobre valores e compras, acesse a loja virtual


do Numar-SCB. Para agendamento de palestras, entre em contato direta-
mente com o autor.
www.numar.scb.org.br/lojavirtual
+55 44 9 9841-6858
evertonando@hotmail.com

Origem em Revista
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Design Inteligente na natureza CLEOMACIO MIGUEL DA SILVA
SÓSTENES RÔNMEL DA CRUZ

Complexidade
irredutível da
identidade
de Euler
A matemática oferece diversos exemplos de conexões entre entes que aparentemente
não possuem qualquer vínculo estético. Muitas vezes, essas interações criam padrões
que impressionam. A identidade de Euler é considerada como “o padrão de ouro
para a beleza matemática” devido à sua simplicidade, beleza e elegância. Ao usarmos
operações básicas da função exponencial e suas interações, revela-se a complexidade
irredutível da identidade de Euler, um sistema indissolúvel e enigmático.

A
ntes de qualquer grego, os antigos babilô- máticos reconhecem, as combinações úteis são
nicos desenvolveram estudos matemáticos precisamente, as mais bonitas”.4 No ano de 1988,
avançados de cálculo e astronomia.1,2 Se- os leitores do periódico Mathematical Intelligen-
gundo Aristóteles, “aqueles que afirmam que as cer participaram de uma enquete para votar em
ciências matemáticas nada dizem sobre a beleza qual fórmula matemática seria a mais bela de to-
das coisas, cometem grave erro. Na matemáti- dos os tempos. A identidade eiπ+1=0 ficou em
ca, as principais formas de beleza são a ordem, primeiro lugar com média 7,7.5 Quando Richard
a proporcionalidade e a precisão”.3 Hardy em Feynman, aos quatorze anos de idade, deparou
uma passagem famosa afirmou: “o matemático pela primeira vez a com a identidade eiπ+1=0,
é como um pintor ou um poeta, é um criador de ele escreveu em letras garrafais em seu diário
padrões. Os padrões do matemático, tais como que aquela era “a mais incrível fórmula matemá-
os do pintor ou do poeta, devem ser lindos. A tica”. Keith Devlin, professor de matemática de
beleza é o primeiro teste: não existe um lugar Stanford, declarou que “essa equação é análo-
permanente no mundo para a matemática feia”. go matemático da Mona Lisa de Dan Vinci, ou
John Von Neumann escreveu: “eu acho correto da estátua de Davi feita por Michelangelo. Paul
dizer que os critérios de seleção do matemáti- J. Nahin, professor de engenharia elétrica, regis-
co, e também de todos aqueles de sucesso, são trou em seu livro, a fabulosa fórmula do doutor
principalmente estéticos”. Poincaré refletiu uma Euler, que a expressão nos dá o “padrão ouro”
opinião semelhante quando escreveu: “é ver- para a beleza matemática”. Alguns a chamam de
dade o sentimento estético que todos os mate- “a equação de Deus”.6

Origem em Revista
1º Semestre 2018 33
Para Crease,6 a identidade de Euler também gonométricas. Ele começou revisando o fato de
é um símbolo de como o seu autor redesenhou que, se o diâmetro de um círculo fosse igual a 1,
a matemática. Toda a equação de forma implíci- o comprimento da circunferência será o núme-
ta faz referência a essa estrutura herdada. Mas, ro irracional 3,14159295…, que ele chamou de
Euler rearranjou essa ontologia, reorganizando-a π (“pi”), talvez por ser a primeira letra da palavra
de maneira que a análise ficasse no centro, com “perímetro”, em grego. Euler também estudou
a geometria e a álgebra nas vizinhanças. A identi- os números imaginários que foram chamados de
dade eiπ+1=0 conseguiu encontrar aquele lugar ficção por René Descartes. Contrariando Descar-
exato na arquitetura dos números, onde núme- tes, Euler mostrou que os números imaginários
ros racionais, irracionais e imaginários se unem tinham seu lugar na análise matemática. Ele cha-
para, de maneira assustadora, “se equilibrar” e mou os números imaginários de números com-
resultar em 0. plexos, onde √-1=i [6]. Com isto Euler ampliou o
Já se disse que toda a análise está concentra- número de soluções de equações e mostrou que
da na identidade eiπ+1=0. Ela serve como exem- os argumentos de Descartes contra os números
plo claro e conciso do que uma fórmula e uma imaginários estavam completamente equivoca-
equação fazem: elas mostram como os elemen- dos. Euler descobriu conexões profundas entre
tos em aparência independentes e até incompa- funções exponenciais, trigonométricas e os nú-
tíveis (números racionais, irracionais e imaginá- meros complexos. Substituindo x=iy na função
rios) participam de uma unidade. E a identidade exponencial ex, ele constatou que,7
eiπ+1=0 faz isso de modo muito conciso, como se
possuísse poucas partes móveis. Ao mesmo tem-
po, ela simplifica, organiza e unifica. Traz à tona
o que as equações devem fazer. É uma equação
que mostra o que é ser uma equação.6

A função exponencial complexa


Leonard Euler mostrou que havia muitas van- Porém,
tagens matemáticas quando se utilizava a base
da função exponencial para encontrar a soma da
série infinita:7

Euler verificou que a soma dos termos é o Portanto,


número irracional 2,718281828459…, que ele
representou por e, possivelmente por ser a pri-
meira letra da palavra exponencial, que por sua
vez lembra o nome Euler. O número e é a base
dos logaritmos naturais e uma das mais impor- Essa fórmula estabelece conexões profun-
tantes constantes da matemática. Euler verificou das entre funções exponenciais, trigonométricas
se e fosse usado como base dos expoentes, a e números complexos. Quando o grande mate-
função ex pode ser calculada, para qualquer va- mático indiano Srinivasa Ramanujan descobriu
lor de x, usando a série infinita:7 as conexões por conta própria, ainda no ensino
médio, ele ficou entusiasmado, mas ficou deso-
lado quando descobriu que não foi o único a ter
alguns cálculos escondidos na manga. Como
pode ser observado, as etapas que resultaram
na descoberta da identidade de Euler eiπ+1=0,
foram provenientes de etapas de informações
Isto é conhecida como a função exponencial, especificamente complexas com os termos mi-
um exemplo clássico da série de Taylor. nuciosamente interconectados.
Euler estudou exaustivamente as funções tri- Assim, a identidade de Euler pode ser con-

Origem em Revista
34 1º Semestre 2018
siderada como complexamente irredutível. Por
exemplo, se x=π na função exponencial comple-
xa, temos,

Os matemáticos conseguem representar


essa série como vetores, conforme mostra a Fi-
gura 1. Neste caso, cada um começa no final do
vetor anterior e com o número imaginário i rota- Figura 1. Espiral de Euler na forma vetorial
cionando o vetor em 90º no sentido anti-horário.
Resolvendo a série,
Se começarmos no 0, o primeiro termo (1) é um
vetor que nos leva a uma unidade da origem, so-
bre o eixo x, para a coordenada (1,0). O segundo
termo (iπ) é um vetor que começa no ponto (1,0)
e, rotacionando no sentido anti-horário em rela-
ção ao primeiro, vai até π, terminando no ponto em relação às funções cosseno e seno, ob-
(1, π). O terceiro termo (-π2/2!) é um vetor que temos,
começa no ponto (1, π) e, rotacionando de 90º
em relação ao anterior, vai no sentido oposto do
primeiro vetor, cruzando o eixo x = 0 até o ponto
(-π2/2+1). O quarto vetor é apontado para baixo,
terminando abaixo do eixo x, e assim por diante.
Como os valores sempre são rotacionados em Esta expressão é conhecida como identida-
90º no sentido anti-horário, e vão ficando cada de de Euler. Porém, esta identidade possui as
vez mais curtos, pois o denominador aumenta cinco constantes fundamentais da matemática,
muito mais rapidamente que o numerador, o re- 0, 1, e, i e π, além das operações de adição, mul-
sultado é uma espiral poligonal que converge tiplicação, exponenciação e igualdade, e cada
para o ponto (-1, 0).6 um desses entes aparece apenas uma única vez.

Origem em Revista
1º Semestre 2018 35
Considerações finais
Realmente, a identidade eiπ+1=0 une en- Referências
tes matemáticos aparentemente sem qualquer 1. Cowen R.Ancient Babylonians took first steps to calculus. Science.
conexão entre si. Ela possui informações com- 2016;351(6272):435.
plexamente especificadas formando uma ex- 2. Ossendrijver M. Ancient Babylonian astronomers calculated Jupi-
ter’s position from the area under a time-velocity graph. Science.
pressão irredutível, imaterial e atemporal. Esta
2016;351(6272):483.
identidade é icônica na matemática, pela sua 3. Aristóteles. Metafísica. 3rd ed. São Paulo: Loyola; 2014, 342 p.
simplicidade, beleza e elegância, a ponto de ser 4. Wells D. Which is the most beautiful? The Mathematical Intelligen-
chamada “o padrão de ouro para a beleza mate- cer. 1988;10(4):30-31.
5. Wells D. Are These the Most Beautiful? The Mathematical Intelli-
mática”. Porém, a identidade de Euler é apenas gencer. 1990;12(3):41.
o resultado de combinações de funções expo- 6. Crease RP. As grandes equações. As histórias das fórmulas ma-
nenciais, trigonométricas e números complexos. temáticas mais importantes e os cientistas que a criaram. Rio de
Janeiro: Zahar; 2011, 276 p.
Ela foi criada por Deus, mas quem a descobriu 7. Zill DG, Shanahan PD. Introdução à análise complexa. Com aplica-
foi o teólogo-matemático Leonard Euler, que se ções. 2rd ed. Rio de Janeiro: LTC; 2009, 377 p.
vivo estivesse ficaria impressionado com tanta
fascinação e obsessão por uma simples expres-
são matemática, quando na verdade, Deus era Cleomacio Miguel da Silva é professor
quem deveria ser admirado e adorado por ter Adjunto de Física e Matemática da
Universidade de Pernambuco (UPE).
criado tão bela identidade eiπ+1=0. Pois, como
está escrito na primeira parte do livro aos Roma- cleomacio@hotmail.com
nos 1:20: “Porque os atributos invisíveis de Deus,
assim o seu eterno poder, como também a sua
própria divindade, claramente se reconhecem, Sóstenes Rônmel da Cruz é professor
desde o princípio do mundo, sendo percebidos Assistente de Matemática do Instituto
por meio das coisas que foram criadas”. “Quão Federal de Educação, Ciência e Tecnologia
grandes, Senhor, são as Tuas obras! Os Teus pen- do Sertão Pernambucano.
samentos, que profundos! (Salmos 92:5). sostenesronmel@gmail.com

Origem em Revista
36 1º Semestre 2018
Impacto EVERTON FERNANDO ALVES

Os cinco principais
centros de
pesquisa
criacionista no
mundo
Ao longo dos anos temos observado constantes mudanças na
estrutura organizacional de centros e ministérios especializados
em criacionismo da Terra jovem. O crescimento das organizações
paraeclasiásticas, isto é, organizações cujas atividades são paralelas
ao ministério de uma determinada denominação religiosa, énotável
e frequentemente impulsionado por um dos dois principais
fatores: uma personalidade dinâmica ou um nicho necessário e
uma organização que é hábil em preencher essa necessidade com
recursos de qualidade.

U
ma das primeiras organi- dy Price, um dos pais do criacio- ser fundadas mais tarde ao redor
zações criacionistas norte- nismo moderno, que também do planeta.
-americanas foi a Religion fazia parte da diretoria da orga- Neste artigo, focamos e re-
and Science Association (RSA), nização (para mais informações, visamos as principais organiza-
fundada em meados dos anos leia o artigo “A Brief History of ções científicas criacionistas mo-
1930 por Dudley Whitney, edi- the Modern American Creation dernas, abrangendo sua história,
tor de vários jornais agrícolas. Movement”, por Jerry Bergman). os antecedentes dos fundadores
Ele era um exímio conhecedor Essa e outras organizações cria- e algumas de suas principais ati-
da geologia e foi fortemente in- cionistas pioneiras serviram de vidades.
fluenciado por George McCrea- inspiração para as que viriam a

Origem em Revista
1º Semestre 2018 37
Geoscience Research ropa), França (Europa), México dicidade trimestral, e o Science
Institute (GRI) (América do Norte), Argentina News, que é atualizado semanal-
(América do Sul)
e Brasil (Améri-
ca do Sul).
Em 1958, o GRI, organização A equipe do
científica criacionista paraeclesi- GRI apresenta
ástica, foi fundado oficialmente palestras para
nos EUA pela Associação Geral pré-universitá-
da Igreja Adventista do Sétimo rios, universitá-
Dia (IASD), sob a direção do bi- rios, professores
ólogo Frank Lewis Marsh, a fim e pastores em
de servir e aconselhar a IASD muitas partes
sobre questões relacionadas à dos Estados
Geologia e à Paleontologia. O Unidos e outros
GRI começou com dois cientis- países. Durante Velociraptor na entrada da sede do GRI
tas e um secretário, sediados na os últimos cinco
Universidade de Andrews, no anos, o GRI apresentou pales- mente. Relatórios recentes são
estado de Michigan. Em 1980, o tras e realizou seminários em encontrados no Current News,
GRI foi transferido para o cam- mais de 35 países. O GRI tam- enquanto os relatórios mais anti-
pus da Universidade de Loma bém realizou duas conferências gos também são acessíveis (para
Linda, Califórnia, onde cresceu de campo no oeste dos Estados mais informações clique aqui).
para empregar uma equipe de Unidos e publicou um total de Mídia/audiovisual – O GRI
cinco cientistas, duas pessoas 40 números de periódicos, uti- fornece uma lista de links para
da equipe de apoio e um biblio- lizando quatro idiomas diferen- DVDs selecionados, videoclipes
tecário de meio período. tes. Além disso, os membros do e gravações de áudio/vídeo em
Em 2001, o instituto de pes- GRI participaram de Seminários tópicos relacionados a origens.
quisa ampliou sua sede graças de Fé e Aprendizagem, Confe- Atualmente, eles estão produ-
à generosidade de sua mante- rências Interna-
nedora e de doadores individu- cionais de Fé e
ais. O prédio de dois andares Ciência e Con-
oferece aproximadamente 975 ferências Regio-
metros quadrados de espaço, nais de Fé e Ci-
com oito escritórios, duas salas ência.
de reuniões, quatro laborató- Revista: Ori-
rios, computadores para aná- gins – É uma
lise de dados e uma biblioteca revista técnica,
científica com 18.000 volumes, revisada por pa-
incluindo 100 assinaturas de res, que aborda
periódicos. Hoje, o GRI recebe questões cientí-
um orçamento anual de US$ ficas e teológi-
Museu do GRI na Coréia do Sul
1,37 milhão. Atualmente o GRI cas relativas às
mantém uma rede global de fi- origens. A revista foi inaugurada zindo uma série chamada Clash
liais e centros de recursos a fim em 1974 e agora é publicada ir- of Ideas (Choque de Ideias) que
de tornar as informações sobre regularmente, à medida que os está em sua primeira temporada
a criação mais amplamente dis- materiais se tornam disponíveis. (clique aqui e assista à série).
poníveis. As filiais se encontram Além dela, o GRI mantém seu Mini-museu – O edifício
na Coreia (Ásia), Espanha (Eu- boletim de notícias, com perio- como um todo é utilizado para

Origem em Revista
38 1º Semestre 2018
exposições educacionais de Bolsas de Pesquisa – Os sub-
de automóvel), uma das mais
fósseis. Essa exposição abriga sídios do GRI são concedidos a importantes fontes da pesqui-
o esqueleto de um velocirap- cientistas acadêmicos que con- sa criacionista.
tor, um dinossauro predador do duzem pesquisas de origens A origem da CRS pode
tamanho de um veado. Há tam- de originalidade e importância ser atribuída diretamente à in-
bém o destaque para ovos de nas ciências da terra e da vida.
capacidade de um grupo de
dinossauro que se acredita te- O patrocínio pode envolver as- dez cientistas criacionistas em
rem vindo de um oviraptor, um sistência com os custos de de-
publicar em periódicos com
dinossauro semelhante ao ve- senvolvimento conceitual, pes-
revisão por pares. Após sua
lociraptor em tamanho e algu- quisa bibliográfica, investigação
fundação, a CRS quase que
mas características. O corredor laboratorial, estudos de campo
imediatamente começou a
do segundo andar apresenta e publicação. Valores em média
publicar a Creation Research
exposições de quatro famosos de US$ 4000-6000. Os pedidos
Society Quarterly (CRSQ). A
locais fósseis.Essas exposições de subsídios são julgados prin-
CRS ocasionalmente patroci-
ilustram o grau de preservação cipalmente pela originalidade
na ou co-patrocina conferên-
científica e significado da pes-
que é por vezes encontrado no
quisa proposta e pela compro- cias, seminários e viagens de
registro fóssil. A biblioteca con-
tém exposições de fósseis liga- vada competência ou promessa campo. Esses eventos servem
dos à Explosão Cambriana, bem de criatividade do investigadorpara facilitar o diálogo entre
como réplicas de crânios de ho- cientistas da criação e servir
principal. O GRI exige relatórios
minídeos fósseis e uma peque- aos interesses de seus mem-
anuais de progresso e relatórios
na coleção de peixes e insetos bros.
financeiros, e exorta a publica-
da famosa Formação Santana, ção de resultados em revistas Editora – A editora CRS
no Brasil. Books, afiliada à CRS, publica
profissionais, incluindo o reco-
Projetos de pesquisa – Pro- nhecimento do apoio do GRI. uma série de livros que tra-
jetos atuais incluem estudo de tam principalmente de temas
baleias fósseis, sedimentos con- Creation Research Society específicos e aprofundados.
tendo cascas de ovos de dinos- Esses livros, além de outros
sauro, tendências químicas em livros criacionistas, vídeos e
grandes corpos de granito e a DVDs, podem ser comprados
genética molecular (sequências em sua livraria on-line (para
de DNA em vermes redondos). mais informações clique aqui).
O GRI também patrocina pes- A Creation Research Socie- Revistas – A Creation Re-
quisas em Utah, Wyoming, Novo ty é uma sociedade científica search Society Quarterly
México e Argentina. Essa pes- com membros espalhados por
quisa produziu vários resumos todo o mundo. Fundada em
e artigos publicados em revistas
1963, é uma das mais antigas
científicas profissionais. Segun-
organizações criacionistas de
do o diretor do GRI, James Gib-
caráter interdenominacional,
son, “o que eles fazem é colocar
nos Estados Unidos, localiza-
os dados sobre a mesa e, em se-
guida, avaliá-los a partir de uma
da em Chino Valley, no estado
visão de mundo baseada em do Arizona. Estrategicamen-
sua compreensão da revelação te localizada, encontra-se em
especial. O que eles não preten- áreas biológicas e geológicas
dem fazer é afirmar que os da- de grande importância para a
dos suportam sua posição de fé posição criacionista, próxima
quando não o fazem”. ao Grand Canyon (duas horas
Edição da CRSQ

Origem em Revista
1º Semestre 2018 39
(CRSQ), lançada em julho de Institute for Creation e Frank Lewis Marsh. Morris foi
1964, é uma revista técnica, Research (ICR) também co-fundador da Crea-
revisada por pares, com pe- tion Research Society, em 1963.
riodicidade trimestral, que O objetivo do ICR é o de
enfatiza a pesquisa original e conduzir pesquisas científicas
a reinterpretação de dados e reunir evidências em apoio à
científicos existentes den- verdade bíblica, especialmen-
te sobre a questão das origens.
tro do quadro criacionista. A
Seu trabalho tem sido significa-
CRS Quarterly continua a ser
É um instituto de pesquisa tivo na formação da cosmovisão
reconhecida mundialmente em criacionismo sediado atual- criacionista nos Estados Unidos,
como a primeira revista em mente na cidade de Dallas, Texas atuando principalmente em
seu campo. Além disso, desde (EUA), considerado o segundo igrejas, escolas, universidades e
1996 tem sido produzida uma maior centro de pesquisa cria- promovendo debates públicos
publicação popular intitulada cionista dos Estados Unidos. A contra defensores da evolução.
Creation Matters, com perio- origem do ICR pode ser atribuí- Escola – Em 1981, foi funda-
dicidade bimestral, contendo da ao Creation Science Research da a Escola de Pós-Graduação
artigos populares para um pú- Center (CSRC), uma “divisão de do ICR (ICRGS, em inglês) inicial-
blico leigo. pesquisa” da instituição de ensi- mente na Califórnia. O objetivo
Centro de Pesquisa – A no ligada à Igreja Batista Chris- dessa escola era o de fornecer
CRS também estabeleceu um tian Heritage College criada em treinamentoem nível de pós-
centro de pesquisa para aju- 1970, na cidade de Santee, Cali- -graduação em campos da ciên-
dar os cientistas criacionistas fórnia, pelo engenheiro Dr. Hen- cia particularmente relevantes
em seus esforços de pesqui- ry Morris, juntamente com Nell e para o estudo da apologética bí-
sa. O Van Andel Creation Re- Kelly Segraves. blica. Os alunos receberam título
Porém, os fundadores desse de mestre em Ciências da Edu-
search Center (VACRC) possui
centro discordavam sobre este cação, Astrofísica/Geofísica, Bio-
diversos equipamentos que
estar ou não ligado a uma insti- logia, Geologia e Ciência Geral.
podem ajudar na investigação
tuição religiosa. Foi devido a isso Após o ICR transferir sua sede
sobre a criação, de modo que
que o ICR foi fundado por Henry para o Texas, a escola fechou
as pessoas do grupo podem Morris em 1972, após uma divi- as portas devido à derrota em
pesquisar ou obter informa- são organizacional com o CSRC. ação judicial movida pelo Con-
ções de forma mais facilitada O Dr. Morris é reconhecido como selho de Educação do Texas.
(para mais informações sobre um dos pais do movimento mo- Após isso, o ICR abriu a Escola
os equipamentos e projetos derno da ciência da criação, ao de Apologética Bíblica, ofere-
de pesquisa mantidos pelo lado de George McCready Price cendo cursos EAD e programas
VACRC clique aqui).
Bolsas de Pesquisa – A
CRS administra um programa
de subsídios de pesquisa por
meio do qualfundos modes-
tos são distribuídos a pesqui-
sadores qualificados para a
realização de pesquisas rela-
cionadas à criação (para apro-
vação, acesse o site da institui- Discovery Center for Science and Earth History
ção). que está sendo planejado para Dallas

Origem em Revista
40 1º Semestre 2018
de bacharelado (maiores e me- dou a fundar. Essa editora é o alizada com a nova diretoria em
nores [o grau “Minor” não existe braço direito de publicação do Wyoming e naquele momento
no Brasil]). Cursos “Minor” estão material produzido pelo ICR, e é foi decidido mudar o nome da
disponíveis (Estudos do Gêne- especializada em teologia e tra- organização para Answers in
sis, Pesquisa da Criação, História balhos em ciências da criação. Genesis, para refletir o fato de
da Criação, Gerenciamento da Revista – A revista mensal que o ministério não era apenas
Criaçãoe Ministérios da Comu- Acts & facts, do tipo magazine, sobre a “criação”, mas sobre a
nicação). Além disso, ofereceo mantida pelo ICR desde 1973, autoridade de toda a Escritura
mestrado em Educação Cristã contém artigos e informações assim como também sobre equi-
por meio de um novoprograma de interesse atual que tratam de par os cristãos a fim de que eles
de pós-graduação, lançado em criação, evolução e tópicos rela- construíssem uma cosmovisão
2009. cionados. bíblica. Algum tempo depois, o
Projetos de Pesquisa – O ICR Programa de rádio – O ICR CSF–Austráliaseguiu a liderança
emprega grande número de Podcast é um programa de rádio americana e mudou seu nome
cientistas. Os projetos de pes- produzido com o objetivo de para Answers in Genesis (AiG).
quisa mantidos pelo ICR são os encorajar a fé cristã, mostrando Em meados de 2004, dife-
seguintes: (1) GENE – Projeto como a evidência científica su- renças de filosofia e de opera-
Genêmico; (2) RATE – Radioisó- porta a Bíblia, particularmente o ção estavam se tornando mais
topose a Idade da Terra; e (3) relato de Gênesis. evidentes entre o ministério
FAST – Sedimentaçãoe Tectônica AiG dos EUA e da Austrália (que
Ativada por Inundações. Answers in Genesis (AiG) eram duas organizações autôno-
Museu – Em 1992, foi funda- mas separadas com conselhos
do o Museu da Criação e da His- separados, mas com uma decla-
tória da Terra onde aconteciam ração de fé comum). Então, em
diversas exposições e apresen- 2005 foi mutuamente decidido
tações de mídia com a missão de por ambas as diretorias que eles
equipar os cristãos com evidên- Atualmente, o AiG é o maior deveriam se separar totalmente,
cias da precisão e autoridade centro de pesquisa criacionista embora continuassem a traba-
da Bíblia por meio de pesquisas interdenominacional dos Esta- lhar cooperativamente em pro-
científicas, mas ele foi vendido dos Unidos. A origem do AiG re- jetos conjuntos. Em outubro de
em 2008 devido à mudança da monta ao ano de 1993. Depois 2005, o conselho australiano se
sede para o Texas. O ICR está de Ken Ham ter sido “empresta- reuniu cordialmente com o con-
planejando construir outro mu- do” como orador à ICR por sete selho dos EUA no norte de Ke-
seu chamado Discovery Center anos e ter auxiliado na solidifica- ntucky para elaborar os arranjos
for Science and Earth History, ção daquele ministério frutuoso formais. Tempos depois, o mi-
em Dallas. A instalação plane- de conferências de ensino em nistério australiano passou a se
jada terá qualidade muito alta toda a América, tinha chegadoa chamar Creation Ministries Inter-
em todos os aspectos, e terá um horade Ken iniciar um novomi- national (CMI).
planetário 3D, um auditório, um nistério criacionista nos EUA. No Museu – Em meados da dé-
parque ao ar livre e uma loja de fim de 1993, Ken Ham tomou cada de 1990, o AiG estava à
museus onde as pessoas pode- a decisão de sair do ICR. Dois procura de terras no norte de Ke-
rão comprar materiais referentes colegas da mesma instituição, ntucky para construir um Museu
à apologética cristã e evidências Mark Looy e Mike Zovath, tam- da Criação e novas sedes para
da criação. bém se juntaram a Ken e os três seu ministério em rápido cresci-
Editora – A editora Master fundaram uma nova organização mento. No início de 2006, uma
Books é uma divisão dentro da inicialmente chamada de Crea- doação de US$ 50.000 de uma
editora Creation-Life Publishers, tion Science Foundation (CSF). família da Califórnia quebrou a
outra empresa que Morris aju- Em 1994, uma reunião foi re- marca de US$ 20.000.000 em

Origem em Revista
1º Semestre 2018 41
doações para o Museu da Cria- www.answersingenesis.org re- que se intensificou quando a
ção que estava em construção. cebeu o prestigioso prêmio “Site abertura do museu se aproxi-
O Creation Museum foi inaugu- do Ano”, do National Religious mou. Entre 2008 e 2010, o pro-
rado em 28 de maio de 2007, em Broadcasters. Entre 2008 e 2010, grama era ouvido em cerca de
Kentucky, atraindo mais de qua- o site do AiG já era considerado 900 estações em todo o mundo.
tro mil pessoas (e cerca de 60 um dos sites religiosos mais vi- Revista – Em 2006, foi lan-
manifestantes). No fim de 2009, sitados do mundo. Em 2012, o çada uma revista própria que
cerca de um milhão de pessoas AiG recebeu o prêmio “Melhor enfatizava a cosmovisão bíbli-
já haviam visitado o Museu da Site do Ministério” da National ca. Essa revista bimestral do
Criação desde sua inauguração. Religious Broadcasters. Dali em tipo magazine levava o nome
Em 2010, a diretoria do AiG de- diante, o site ganhou diversos Answers Magazine. Entre 2008
outros prêmios. e 2010, a revista tinha explodi-
Programa do em crescimento com mais de
de rádio – Em 75.000 assinantes. Em 2011, a
outubro de revista Answers do AiG recebeu
1994, o pro- o “Prêmio de Excelência” da As-
grama de rádio sociação Evangélica de Impren-
“The answers... sa (EPA). Dali em diante, a revista
with Ken Ham” ganhou diversos outros prêmios.
começou a ser Além disso, a AiG possui a revis-
transmitido em ta técnica, revisada por pares, de
Interior da Ark Encounter 45 estações. Em periodicidade anual, intitulada
dezembro do Answers Research Journal.
mesmo ano, 142
estações de rádio Creation Ministries
estavam trans- International (CMI)
mitindo o novo
programa. Na
década de 2000,
centenas de no-
vas estações de O CMI, um grupo de ministé-
The Ark Encounter - Museu temático do AiG rádio levaram o rios criacionista interdenomina-
programa de rá- cional, iniciou suas atividades em
cidiu que era o momento certo dio Answers, dando um enorme 1977 na Austrália, sob o nome
de construir uma arca de Noé impulso em termos de visitas ao de Creation Science Association
em larga escala (construída em site da AiG (uma média de cer- (CSA), dirigido pelo Dr. Carl Wie-
madeira). Chamado The Ark En- ca de 25.000 visitas por dia). Em land. Em 1979/80, a CSA uniu for-
counter, esse projeto prometia 2006, o programa estava sendo ças com o grupo de Queensland
tornar-se mais um esforço efeti- transmitido por cerca de 800 es- (que se tornou a Creation Scien-
vo para mostrar aos convidados tações nos EUA e centenas de ce Foundation [CSF]). Em 1993,
que a Bíblia é verdadeira. Em 7 outras no exterior, e os porta- o ministério australiano CSF
de julho de 2016, a arca foi aber- -vozes do AiG estavam regular- adotou o nome Answers in Ge-
ta ao público. mente aparecendo na mídia se- nesis. Já em 2006, devido a uma
Site – Em 1995, foi lançado cular e cristã (por exemplo, CBS diferença no foco administrativo
o site da AiG levando inicial- News, NBC Nightly News, The entre os ministérios/escritores lo-
mente o nome de www.Christia- PBS News Hour com Jim Lehrer, calizados nos EUA (dirigidos por
nAnswers.net. Em 2006, com o Nightline, CNN, BBC, Times de Ken Ham) e no Reino Unido e os
site totalmente reformulado, o Londres, etc.), uma tendência demais países, as organizações

Origem em Revista
42 1º Semestre 2018
da Austrália, Nova Zelândia, Ca- pelas estradas da Austrália como Creation Media – A CMI pro-
nadá e da África do Sul deixaram uma casa móvel e ambiente de duz os Audio/radio spots, uma
o nome Answers in Genesis para exposição pública do criacionis- biblioteca pública de arquivos
trás e adotaram, definitivamente, mo, contendo biblioteca, vídeos de áudio para serem usados e
o nome Creation Ministries Inter- e equipamentos para reuniões. A divulgados por programas de
national, iniciando seu próprio van Ark Van substituiu o ônibus e rádio, sites de igrejas ou mesmo
website. é utilizada para exposições cria- sites pessoais; esses áudios li-
Embora recente, em seu novo cionistasfeitas em igrejas, esco- dam com algumas das perguntas
formato, o CMI é atualmente con- las e universidades, em conjunto mais frequentes sobre criacionis-
siderado uma das principais or- com as organizações estudantis mo e temas atuais na mídia hoje.
cristãs. Também produz o Creation Ma-
ganizações criacionistas do mun-
Revistas – Mantida pelo CMI, gazine Live, um programa de te-
do, com escritórios na Austrália,
levisão aos moldes talk-show (28
Nova Zelândia, Canadá, África do a revista popular Creation Maga-
minutos) que refuta a evolução.
Sul, Estados Unidos, Reino Unido zine foi iniciada em 1978 (títulos
Outro recurso disponibilizado
e Cingapura. Cada um dos sete anteriores: Ex Nihilo e Creation
em seu site são dezenas de Po-
ramos do ministério tem seu pró- Ex Nihilo), e hoje conta com pe-
dcasts sobre temas variados na
prio conselho administrativo tra- riodicidade trimestral e assinan-
controvérsia criação/evolução.
balhando em conjunto. Além dis- tes em mais de 110 países (com
Além disso, é produzido o Gene-
so, o CMI Worldwide é um órgão a possibilidade de versão digi-
sis Unleashed, vídeos de ensino
federativo para o qual cada um tal). Em 1984 foi lançada a revista sobre temas específicos (8-30
dos órgãos nacionais se reporta. técnica Journal of Creation (ante- minutos) e a seção deDVD Pre-
O ex-diretor-geral e co-fundador riormente chamada de Technical views, uma lista de vídeos curtos
do ministério matriz (Austrália) é Journal), revisada por pares, e de divulgação de todos os DVDs
o Dr. Carl Wieland (1987-2015); que hoje tem periodicidade qua- produzidos pelo CMI.
atualmente, o Dr. Don Batten é o drimestral. Nota:Vimos nessa matéria
diretor geral. Editora – A editora Creation que essas e outras organizações
Book Publishers foi fundada em criacionistas têm contribuído
Exposição móvel – Suas ati-
2006 para promover uma com- com atividades criativas e diver-
vidades ministeriais na Austrália
preensão bíblica da criação de sas para a divulgação da men-
incluem o Creation Bus (Ônibus
Deus. Publicam livros que pro- sagem da criação ao redor do
da Criação, agora aposentado),
movem uma interpretação literal mundo. O Brasil não fica atrás
que viajou durante alguns anos
do livro do Gênesis e que defen- desses grandes centros, haja
dem a autoridade das Escrituras. vista que temos em nosso país
Além dos livros impressos, são a Sociedade Criacionista Brasi-
vendidos CDs de áudio, blu-rays, leira (SCB), fundada em abril de
DVDs, ebooks e folhetos. 1972 na cidade de São Carlos,
Documentários – Em 2009 o SP (para mais informações, leia
CMI lançou um documentário de a edição completa de nº 84 da
um milhão de dólares america- Revista Criacionista e a matéria
nos destacando o impacto dos desta edição intitulada “Os 15
pontos de vista de Darwin sobre mais influentes pesquisadores
o mundo. Intitulado The Voyage criacionistas brasileiros”).
that Shook the World (A Viagem
que Abalou o Mundo), a pro- Everton F. Alves é mestre em
dução esteve entre os maiores Ciências (Imunogenética)
projetos de documentários reali- pela Universidade Estadual de
zados por qualquer organização Maringá (UEM). É Cofundador
Capa do Journal of Creation e editor da Origem em Revista.
fundada na fé cristã no mundo. editorial@origememrevista.com.br

Origem em Revista
1º Semestre 2018 43
Considerando a Terra, o sistema
solar, a nossa e outras galáxias,
vemos uma estrutura coerente e
lógica a tal ponto de podermos
estabelecer modelos que indicam
planejamento. Tente fazer um
modelo do comportamento da
economia de certos países do
chamado Terceiro Mundo, por
exemplo. É algo extremamente
difícil, pois há muitos fatores
caóticos e aleatórios que acabam
interferindo, como a bolsa de Hong
Kong, portarias do governo, ou
mesmo uma geada em outro país;
tudo isso influi.

O próprio fato de poder existir ciência – que pressupõe que


a determinadas causas vão corresponder determinados
efeitos – já mostra planejamento no Universo. Senão,
hoje largaríamos algum objeto e ele cairia. Amanhã,
subiria. Depois, iria para o lado; e assim por diante. Mas
não. As coisas invariavelmente têm a tendência de cair, o
que permitiu a Newton descobrir (pois já existia) a Lei da
Gravidade.

Ruy Carlos de Camargo Vieira


Fundador e Presidente Emérito da Sociedade Criacionista Brasileira

Origem em Revista
44 1º Semestre 2018
Perguntas & Respostas ALEXANDRE KRETZSCHMAR

A pergunta Por que a comunidade científica ateísta debocha


dos criacionistas e por que os cientistas

da vez criacionistas não são levados a sério?

R
esposta: Existe uma cultura estabeleci- listas tendem a rejeitar qualquer ideia, descoberta
da que diz que para determinado in- ou publicação que tenha sido conduzida a partir
divíduo ser um cientista “racional” ele de uma interpretação alternativa à do paradigma
obrigatoriamente deve se desprender de científico materialista da época. No entanto, tanto
suas cosmovisões religiosas. Essa cultura se o naturalismo quanto o criacionismo necessita de
formou durante o período do Iluminismo uma série de suposições e hipóteses ad hoc quan-
em que qualquer ideiaque invocava Deus do se entra no campo das ciências históricas.
deveria ser combatida e rejeitada. De lá pra Atualmente, há vários cientistas criacionistas
cá, a tentativa de ser cientista e criacionis- que fazem boa ciência e apresentam argumenta-
ta é uma árdua missão. Porém, vemos que ção lógica e importante para ser transmitida. Des-
esse pensamento entra em conflito com a tacamos aqui apenas três biólogos, dois norte-a-
própria história da ciência, que tem como mericanos e um espanhol: Leonard Brand, Harold
pioneiros (ou como têm sido chamados Coffin e Raúl Esperante, com artigos publicados
“pais da ciência”) os seguintes pensadores: nos mais prestigiados periódicos científicos e
Newton, Pasteur, Mendel, Pascal, Kelvin, Lin- com assuntos diversos, tais como as baleias fos-
naeus e Maxwell, homens que faziam boa silizadas da Formação Pisco (Peru) e as florestas
ciência e não deixavam do lado de fora do petrificadas de Yellowstone (EUA). No Brasil, des-
laboratório suas cosmovisões. (Para saber taca-se o químico Dr. Marcos Eberlin, que, além
mais, leia o artigo publicado nesta edição de professor titular MS-6 da Unicamp, é fundador
intitulado “A descoberta da ciência”). e coordenador do Laboratório ThoMSon de Es-
O criacionismo bíblico, embora filosofi- pectrometria de Massas, membro da Academia
camente embasado no teísmo bíblico, tam- Brasileira de Ciências e terceiro cientista brasileiro
bém se utiliza para suas investigações na mais citado em publicações científicas de grande
busca pela verdade elementos científicos prestígio.
taiscomo o próprio método científico. Portanto, diante disso, o deboche da comu-
Uma análise mais acurada da história da nidade mainstream se torna infundado em fatos
ciência nos permite entender que os natura- e baseado apenas no puro preconceito herdado
através da história criando, assim, uma cultura po-
bre, seletiva e um ensino unilateral que não con-
tribui em nada para a formação crítica da nova so-
ciedade.

Bacharel em administração de empresas, pós-


graduado em Engenharia de Produção, fundador
do projeto Onze de Gênesis, e Cofundador da
Origem em Revista.

Se você tem alguma dúvida acerca de assuntos com o escopo cria-


cionista e quer que ela seja selecionada a fim de ser respondida
nas próximas edições da revista, envie um e-mail para :

faleconosco@origememrevista.com.br

Infelizmente, a revista não é capaz de responder todas as


dúvidas e perguntas que chegam até a redação.

Origem em Revista
1º Semestre 2018 45
Materiais Didáticos EVERTON FERNANDO ALVES

As Melhores Revistas
Criacionistas Estrangeiras
P
ara os amantes da escrita científica, aqui Diante disso, se torna fundamental esse le-
vai uma lista elaborada a partir de um vantamento que consideramos um serviço de
levantamento minucioso das principais utilidade pública.
revistas de língua estrangeira nos formatos Lembrando que uma revista ou periódico
técnico e magazine especializadas em criacio- científico é aquele em que há um sistema de
nismo, e que atualmente estão em circulação. “revisão cega por pares” de manuscritos sub-
Para você, escritor ou pesquisador, que se inte-metidos à apreciação da equipe editorial. Nes-
ressa em divulgar suas pesquisas ou de outrem se tipo de avaliação, frequentemente dois ou
acerca das evidências científicas disponíveis demais especialistas da área avaliam o rigor me-
uma criação recente, sugerimos que envie sua todológico do manuscrito e observam se o tex-
colaboração (matérias e/ou artigos) para algu- to se encaixa ou não no escopo do periódico, a
ma das revistas listadas abaixo que melhor se fim de, finalmente, dar seu parecer. Já a revista
encaixe no escopo do seu trabalho. do tipo magazine geralmente não possui esse
Ainda hoje são frequentes comentários até sistema rigoroso de avaliação do texto a ser
mesmo por parte da comunidade criacionista publicado.
alegando que não existem revistas técnicas Para facilitar a busca e compreensão, as re-
voltadas à Ciência da Criação. No entanto, elas vistas foram separadas por tipo de publicação
existem e subsistem há décadas, tanto no for- (técnica ou magazine) e organizadas pelo ano
mato magazine quanto em periódicos revisa- em que foi lançada sua primeira edição:
dos por pares.

Origem em Revista
1º Semestre 2018 46
Revistas técnico-científicas

Perspectives on Science and Creation Research Society Zygon: Journal of Religion


Christian Faith Quarterly CRS Quarterly and Science
(trimestral, desde 1949) (trimestral, desde 1964) (trimestral, desde 1966)

Título anterior: Journal of the Mantida pela Creation Mantida pelo Institute on
American Scientific Affiliation Research Society, ativa há Religion in an Age of Science
mais de 50 anos nos EUA. [IRAS] e pelo Center for
Mantida pela American
Advanced Study in Religion
Scientific Affiliatio
and Science [CASIRAS].

Christian Scholar’s Review Origins


(trimestral, desde 1970) (periodicidade irregular, desde 1974)

Mantida pela Hope College. Mantida pelo Geoscience


Research Institute da IASD

Origem em Revista
1º Semestre 2018 47
Journal of Creation Science & Christian Belief Theology and Science
(quadrimestral, desde 1984) (semestral, desde 1989) (trimestral, desde 2003)

Título anterior: Creation Ex Mantida pela Christians Mantida pelo Center for
Nihilo Technical Journal in Science e pelo Victoria Theology and the Natural
Institute Sciences
Mantida pelo Creation
Ministries International

LSI Journal Answers Research Journal AJournal of Creation Theolo-


(trimestral, desde 2007) (científica, anual, desde 2008) gy and Science Series B: Life
Mantida pelo Lutheran Mantida pelo Answers in Sciences
(semestral, desde 2011)
Science Institute Genesis
Mantida pela Creation Biolo-
gy Society

Origem em Revista
48 1º Semestre 2018
Think & Believe newsletter
(bimestral, desde 1984)

Mantida pelo Alpha Omega


Institute

Revistas Magazine

Acts & Facts Creation Reason and Revelation


(mensal, desde 1973) (trimestral, desde 1978) (mensal, desde 1981)

Mantida pelo Institute for Mantida pelo Creation Mantida pela Apologetics
Creation Research Ministries International Press

Genesis
(trimestral, desde 1988)

Mantida pela Sociedade Genesis, na


Suécia.

Origem em Revista
1º Semestre 2018 49
Creation Illustrated Does God Exist? Creation Matters
(trimestral, desde 1993) (bimestral, desde 1995) (bimestral, desde 1996)

Mantida inicialmente por Mantida por John Clayton, Mantida pela Creation
um casal de cristãos, Tom ex-professor de ciências Research Society, ativa há
e Jennifer Ish, alguns anos aposentado das escolas mais de 50 anos nos EUA
depois sendo transferido o públicas em South Bend,
processo editorial para uma Indiana.Possui graduação
empresa privada no sul da em física e matemática pela
Califórnia Universidade de Indiana
e é mestreca. Ele tem
Tem como foco principal a mestrado em educação
divulgação de ilustrações [área de concentração em
e fotografias sobre as química e psicometria] pela
maravilhas da Criação com Universidade de Indiana. Ele
breves comentários e notas. também tem mestrado em
Geologia pela Universidade
A revista possui um sistema
de Notre Dame
anual de premiação - Prêmio
Anjo.

Daylight: Origins Science


for Catholics
(quadrimestral, desde 1991)

Mantida pela Daylight


Origins Society, no Reino Foundations of Science
Unido (trimestral, desde 1998)

Mantida pelo Common


Sense Science
Tem como foco o
criacionismo e física nuclear

Origem em Revista
50 1º Semestre 2018
Creation Science Dialogue Answers magazine God & Nature magazine
(trimestral, desde 2006) (trimestral, desde 2006) (trimestral, desde 2014)

Mantida pela Associação Mantida pelo Answers in Mantida pela Christians in


Criacionista de Alberta, Genesis Science e pela American
ativa há mais de 30 anos no Scientific Affiliation
Canadá
Tem como foco publicar
poesia, prosa, ensaios e obras
de arte de cientistas, teólogos
e membros leigos cristãos de
todo o mundo.

Everton F. Alves é mestre em


Ciências (Imunogenética)
pela Universidade Estadual de
Maringá (UEM). É Cofundador
e editor da Origem em Revista.
editorial@origememrevista.com.br

Origem em Revista
1º Semestre 2018 51
“Cada fórmula que
expressa a lei da natureza
é um hino de louvor a
Deus.”
Maria Mitchell

Origem em Revista
52 1º Semestre 2018
Educação em Ciências EVERTON FERNANDO ALVES

É importante viver em um ambiente de interações que permita debates capazes


de revisar, modificar e atualizar formas de conhecimento. Nos últimos anos,
temos observado o surgimento de um novo movimento criacionista, muitas vezes
intitulado neocriacionismo, que visa revisitar e/ou resgatar o termo “criacionismo”
do preconceito e da exclusão que tem sofrido desde que o termo foi cunhado.

O
termo criacionismo não atacasse algum criacionista fi- tar, fazendo com que apenas
era de uso comum antes xista”.3 Ainda assim, por cerca Darwin fale, deixando de fora
do final do século XIX. O de setenta e cinco anos após a qualquer opinião ou proposta
Historiador da Ciência Ronald publicação de seu livro, tais ad- levantada pelo outro lado”.
Numbers afirma que, em 1859, versários eram mais tipicamente Do mesmo modo, a mídia
época da publicação do livro A chamados de “defensores da por meio de seu jornalismo
Origem das Espécies de Charles criação”. Esse costume prevale- “científico” foge às suas propos-
Darwin, o termo criacionista co- ceu até o século XX. tas de esclarecimento quando
mumente designava uma pes- De lá para cá, temos presen- divulga artigos carregados de
soa que acreditava na origem ciado cada vez mais discursos preconceito e premissas ques-
especial de uma alma para cada radicais por parte de evolucio- tionáveis quando a pauta da
feto humano, ao contrário de nistas, tratando os criacionistas vez é a origem da vida e a con-
um traducianista, que acreditava com pouco ou nenhum respei- trovérsia entre criacionismo e
que as almas das crianças eram to e evitando a todo custo que evolucionismo, formando ape-
herdadas de seus pais.1 Desde seus adeptos ouçam os argu- nas opiniões unilaterais. Eles
1840, Darwin (em particular) e mentos que o outro lado, no têm associado erroneamente,
seus aliados ocasionalmente se caso, o do criacionismo, teria a ou apenas por mera questão
referiam a seus oponentes (em dizer. Isso revela insegurança de desonestidade intelectual,
tom de deboche) como ‘criacio- e preconceito, não um debate o criacionismo com o cristianis-
nistas’.1-4 racional e equilibrado sobre a mo, puro e simples. É incrível
Aliás, apenas um dia após questão. Como bem descreve como o preconceito anticristão
a aparição de seu livro, Darwin o arqueólogo Dr. Rodrigo Silva vem sempre acompanhado de
empregou o mesmo rótulo, em acerca da postura de Michael uma roupagem “científica” e de
uma carta a Thomas Huxley, Ruse em seu livro The Evolution- combate ao preconceito, quan-
para se referir aos oponentes da -Creation Struggle, é deplorável do, de fato, o que se tem é o
evolução. “Que piada seria”, ele “a postura acadêmica de mono- contrário.
escreveu para Huxley, “se eu te pólio teórico que nega ao outro De olho nisso, nas últimas
batesse nas costas quando você a oportunidade de se manifes- décadas uma nova geração de

Origem em Revista
1º Semestre 2018 53
criacionistas tem percebido a Arqueologia Bíblica. Pensan- do em Arqueologia Bíblica pela
necessidade de uma atualiza- do nisso, a Origem em Revista Andrews University (EUA).
ção do termo a fim de que a ci- decidiu entrevistá-lo, diante de Qual a principal problemá-
ência da criação seja mais bem tais experiências de preconcei- tica em torno do termo cria-
recebida pelo público leigo, por to que tem sofrido ao longo de cionismo?
decisores políticos, por educa- sua carreira como pesquisador, Por questão didática e aca-
dores e pela comunidade cien- e entender melhor a sua visão dêmica, eu não posso dar um
tífica. Essa nova geração de cria- acerca dessa questão da neces- significado tão abrangente à pa-
cionistas surge com o propósito sidade de revisão do termo cria- lavra criacionismo, pois a gente
de se posicionar e re-enquadrar cionismo no meio acadêmico. terá um problema com isso no
o debate sobre as origens da Comente brevemente so- mundo acadêmico. Não seria o
vida no campo científico, sem bre sua formação acadêmica.
ideal usar o termo criacionismo
apelos às Escrituras Sagradas. Sou bacharel em Teologia
para tratar da controvérsia rela-
Nesse contexto, nos vem à pela Faculdade Adventista da
cionada às duas principais po-
mente que em 2013 seria rea- Bahia (FAB) e licenciado em
sições sobre a origem da vida,
lizado na UNICAMP o 1º Fórum Filosofia pelo Centro Univer-
mas, sim, “ciência e fé” ou “fé e
Unicamp de Filosofia e Ciências sitário Assunção (UNIFAI). Sou
razão”.
das Origens. Infelizmente, a três especialista em Arqueologia
dias da data do fórum, o evento pela Universidade Hebraica de Na tua opinião, é necessá-
foi cancelado. Os palestrantes Jerusalém, onde participei de ria uma revisão ou atualização
daquele que seria o 1º Fórum a escavações em Cesaréia Marí- do termo criacionismo? Por
revisitar o tema das Origens sob tima e Shar Ha Golan. Também quê?
outra perspectiva tinham a con- tenho mestrado em História da Eu não me sinto confortável
vicção de que deveriam, cada Teologia pela Faculdade Jesuíta em usar a palavra criacionismo,
um em sua respectiva palestra de Filosofia e Teologia (FAJE). porque conversando com meus
e área, tratar do tema sob a óti- Sou doutor em Teologia do pares vemos que é um termo
ca científico-filosófica. Nenhum Novo Testamento pela Pontifícia que hoje necessita ser revisado
deles iria ao campus falar de Faculdade Católica de Teolo- pra evitar preconceitos desne-
religião, Bíblia nem mesmo cria- gia N. S. Assunção (PUC-SP) e, cessários. Primeiro, porque exis-
cionismo. em 2015, terminei meu segun- te aquele questionamento se
Dentre os cinco que seriam do doutorado em Arqueologia criacionismo é ciência ou se não
os palestrantes convidados, está pela Universidade de São Paulo é ciência, se é filosofia. Até mes-
Rodrigo Pereira Silva, doutor em (USP). Fiz também pós-doutora- mo em nosso ambiente criacio-
nista, isso é dividido. Muitos de
nós não gostamos de falar que
criacionismo é uma teoria cien-
tífica. Então, eu prefiro não me
associar a este termo, porque
eu não investigo na área de cria-
cionismo.
Uma coisa que é muito im-
portante na academia é que
você publique na sua área. Eu
não faço investigação na área
de criacionismo. O fato de a re-
vista criacionista publicar maté-
Rodrigo Silva - Doutor em Arqueologia
rias minhas, por exemplo, não

Origem em Revista
54 1º Semestre 2018
significa que eu estou pesqui- Como podemos ver, pesqui- “uma visão da história que re-
sando na área de criacionismo. sadores cristãos cada vez mais conhece o importante papel da
Seria a mesma coisa de me per- sentem a necessidade de atua- intervenção inteligente na histó-
guntarem o que eu digo sobre lização do termo criacionismo. ria, incluindo a criação, a inter-
a área de música, mesmo que Engana-se quem pensa que o venção na história geológica e
exista alguma produção minha Dr. Rodrigo Silva apresenta uma a comunicação de Deus com o
publicada numa revista sobre opinião isolada, pontual acerca homem através da Bíblia.”6
música, o fato é que eu não sou desse tema dentro da comuni- Esse termo, segundo Brand,
músico. Eu estudo na área de dade cristã. O famoso paleontó- “não define a natureza da inter-
Arqueologia bíblica, e do novo logo criacionista norte-america- venção e poderia incluir uma va-
testamento. É bem específico no Dr. Kurt Wise também afirma riedade de interpretações, des-
mesmo, caso contrário fica pa- que “estamos diante de uma de o conceito de um Deus que
recendo aquela pessoa que dá fantástica transformação do iniciou o universo e o deixou a
tiro pra todo lado. Portanto, a criacionismo e que ela substitui- se desenvolver à evolução teísta
palavra criacionismo tem sim rá o espírito de erro pelo espíri- e à mais literal interpretação da
que ser refinada e re-estudada: to de correção, o antigo modelo Bíblia.”6
o que vem a ser o criacionismo? da criação por um melhor”.5 E pra você, qual seria a pro-
Mesmo em meio a tanta Para o paleontólogo Dr. posta alternativa mais coerente
problemática sobre o signifi- Leonard Brand, “termos como ao termo criacionismo?
cado de criacionismo, ainda criação, criacionista e criacionis-
assim você se considera um mo têm adquirido muitas vezes
criacionista? conotações negativas e isso não Referências
Se nós estamos falando do é apenas por causa do desacor-
1. Numbers RL. Darwinism Comes to Ame-
criacionismo como princípio de do sobre o conteúdo da criação. rica. Cambridge, MA: Harvard University
vida, ou como filosofia, ou como Para muitos, essas palavras evo- Press, 1998, p.50.
2. Charles Darwin, (5 de Julho, 1856). Da-
doutrina, aí sim, eu sou criacio- cam uma imagem de batalhas rwin para J. D. Hooker. Darwin Corres-
nista, mas como campo investi- em tribunais sobre o que pode pondence Project, “Letter no. 1919”.
Acesso em: 4 de abril de 2017. Disponí-
gativo, eu acho que essa visão ser ensinado nas aulas de ciên- vel em: http://www.darwinproject.ac.uk/
abrangente do criacionismo cias”.6 Dessa forma, ele propõe DCP-LETT-1919
a atualização do atual termo 3. Charles Darwin, (25 de novembro,
é prejudicial, porque aí acaba
1859). Darwin para T. H. Huxley. Citado
abarcando tudo e nada, ao mes- para outro que não incluiria em: Francis Darwin. The Life and Letters
mo tempo. É a mesma coisa, por qualquer agenda política. of Charles Darwin. Vol 2. New York: D.
Appleton, 1889, p. 28.
exemplo, de um indivíduo que é Ademais, segundo o Dr. 4. Charles Darwin, (31 de Maio, 1863). Da-
ateu falar que o ateísmo é a linha Brand “a criação bíblica, em es- rwin para Asa Gray. Darwin Correspon-
dence Project, “Letter no. 4196”. Acesso
de investigação dele. Não é! Ele trito senso, é aquilo que aconte- em: 4 de abril de 2017. Disponível em:
não publica na área de ateísmo. ceu no princípio. A maior parte http://www.darwinproject.ac.uk/DCP-
do que os criacionistas tratam -LETT-4196
Por outro lado, tem muitos ateus
5. Wise K. Prólogo, p.6. In: Brand L. Fé, Ra-
que dizem: “eu sou ateu, mas envolve a história da Terra e a zão e História da Terra. São Paulo: UNAS-
eu sou ateu como convicção. biologia histórica que ocorre- PRESS, 2005.
6. Brand L. Prefácio, p.8-9. In: Brand L. Fé,
Na hora de publicar, eu publi- ram depois da criação inicial.”6 Razão e História da Terra. São Paulo:
co como biólogo. Eu estudo a Portanto, ele propõe que o ter- UNASPRESS, 2005.

biologia, não estudo na área de mo criacionismo seja substitu- Everton F. Alves é mestre em
Ciências (Imunogenética)
filosofia do ateísmo”. Então, essa ído pelo termo intervenção in- pela Universidade Estadual de
mesma distinção é importante formada que se apresenta como Maringá (UEM). É Cofundador
ser feita dentro da comunidade um termo mais inclusivo e que e editor da Origem em Revista.

criacionista também. descreve melhor, segundo ele, editorial@origememrevista.com.br

Origem em Revista
1º Semestre 2018 55
Cartas ao editor

Michelson Borges
Pastor, Jornalista, e Mestre em Teologia

Entre os protestantes e evangélicos, em ge-


ral, e entre os adventistas, em específico, cresceu
muito a quantidade de universitários e de mem-
bros com boa formação acadêmica. Com isso,
cresceu também a exigência desse público em
relação ao acesso a materiais que atendam seu Graça Lütz
interesse por abordagens mais profundas de te- Bióloga e Mestre em bioquímica
mas como apologética, ciência e religião, teolo-
gia e afins. Evidentemente que editoras cristãs A proposta de publicar uma revista que trate
como a Casa Publicadora Brasileira e outras têm das origens sob um ponto de vista criacionista
feito sua parte e publicado em anos recentes vem ao encontro da necessidade de se ter uma
obras muito relevantes neste cenário de contro- fonte de pesquisas sobre estes temas reunidas
vérsia entre o criacionismo e o evolucionismo. em uma publicação. Isto vai facilitar a pesquisa
Organizações como a Sociedade Criacionista dos que buscam se informar sobre estes assun-
Brasileira igualmente têm dado tremenda con- tos e encontrar referências, além de divulgá-los,
tribuição com suas publicações e seus eventos oportunamente, entre os que ainda não tinham
periódicos. Iniciativas pessoais e voluntárias por considerado estas questões.
parte de blogueiros e vlogueiros também se so-
maram a esses esforços pró-criacionismo. Mas
ainda havia espaço para um tipo de publicação
que unisse a abordagem bem fundamentada
Eduardo Lütz
técnica e filosoficamente com uma “pegada” Físico e mestre em Astrofísica
mais popular e atrativa. Havia! A Origem em re-
vista veio justamente para ocupar essa interface É importante haver espaços em que evidên-
entre o bom jornalismo científico e a divulgação cias sejam avaliadas sob diferentes perspectivas
popular da cultura bíblico-criacionista. Vida lon- e cosmovisões sejam questionadas e polidas. A
ga à Origem em Revista! Origem em Revista propõe-se a contribuir nes-
se sentido ao publicar matérias que apresentem
e avaliem evidências e argumentos envolvendo
origens e cosmovisões. Em especial, abre es-
Gabriell Stenvenson
Historiador e idealizador do projeto Apologética XXI paço para que se discuta de maneira séria cos-
movisões criacionistas, as quais tendem a ser
A Origem em Revista é uma poderosa fer-
tratadas de maneira simplória e jocosa no meio
ramenta para todos aqueles que buscam um
acadêmico, com frequente uso de argumentos
conteúdo de valor e informação de qualidade
a fim de conhecerem de forma mais profunda do espantalho. Também abre espaço para que
e precisa o criacionismo bíblico-científico; prin- criacionistas possam aperfeiçoar e ajustar seus
cipalmente os apologistas cristãos criacionistas. pontos de vista, corrigindo equívocos e levando
Com certeza não irão se decepcionar. em conta evidências de maneira mais fiel.

Origem em Revista
56 1º Semestre 2018
ation Magazine, editada pela Creation Ministry
International, e da própria Revista Criacionista,
Firmo Neto
Fundador e ex-presidente do Núcleo Baiano de editada pela Sociedade Criacionista Brasilei-
Estudo e Pesquisa sobre as Origens (NUBEPO)
ra. O surgimento de novas publicações, longe
de rivalizar com as já existentes, contribui para
O periódico Origem em revista é a linha edi-
o fortalecimento da mensagem da Criação.
torial independente de referência no seguimen-
Origem em Revista vem se juntar a esse time
to criacionista que faltava no Brasil. Creio que as
vencedor, constituindo-se em um espaço para
notícias atualizadas e artigos científicos interdis-
a publicação de opiniões de especialistas das
ciplinares deste meio de comunicação contri-
mais diversas áreas. Em adição a outros canais
buirão ainda mais na divulgação deste modelo,
eletrônicos que já se firmaram na divulgação
principalmente quanto a literalidade do livro
do criacionismo no Brasil, Origem em Revista
de Gênesis. Que o grande Projetista Inteligente
servirá como referência para os interessados na
abençoe todos os colaboradores e pesquisado-
controvérsia evolução/criação. Uma publicação
res desse magnífico periódico e que seus leito-
nesses moldes poderá centralizar o trabalho
res possam ser agraciados pelo conhecimento
dos diversos estudiosos da Criação no Brasil,
filosófico e científico do criacionismo.
permitindo também o intercâmbio e o amadu-
recimento de ideias. Espero ansiosamente para
colocar os olhos na primeira edição!
Márcio Fraiberg Machado
Biólogo e professor da Faculdade Adventista Paranaense

Giannina Invernizzi
A fundação da Origem em Revista vem pre- Jornalista e apresentadora do Programa
Origens da TV Novo Tempo
encher importante lacuna no exercício do livre
pensar e pesquisar novas abordagens a res- Conhecer nossas origens é mais do que res-
peito do que nos cerca. Permitirá o desenvolvi- ponder uma pergunta existencial. O que acre-
mento da ciência sem dogmas pré-concebidos, ditamos sobre nosso passado influencia dire-
sem a limitação de uma visão neo-darwinista à tamente o futuro que estamos construindo. E é
priori, fortalecendo o desenvolvimento de pes- nesse desenvolvimento, feito possível através
quisas que permitam aparecer o real, os dados, da educação, que o papel de uma revista como
não o imaginário estabelecido por grupos de Origem em Revista se torna indispensável.
pesquisa comprometidos com o materialismo. Numa sociedade como a nossa, moldada pelo
Fortalecerá uma das evidências mais encontra- acesso a informação, precisamos de mais fontes
das nas pesquisas em ciências naturais: Há um que contribuam na construção do conhecimen-
Criador. A revista permitirá que a voz dos pes- to aproximando ao público informação científi-
quisadores comprometidos com as evidências ca séria, mas que pela sua contradição aos para-
apareça, especialmente num momento como digmas convencionais, grande parte dos meios
esse, de grande fervilhar tecnológico. massivos de comunicação tem decidido ignorar.

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Rodrigo Meneghetti
Químico e professor adjunto da editorial@origememrevista.com.br
Universidade Estadual de Maringá

Infelizmente, a revista não é capaz de responder toda


A fundação de Origem em Revista repre- a correspondência.
senta um importante passo nos esforços para
ampliar a popularidade do Criacionismo no
Brasil. As mais diversas sociedades criacionistas
do mundo têm como emblema algum tipo de
publicação na qual seus pontos de vista são de-
fendidos. É o caso da Answer Magazine, editada
pela Answers in Genesis, da Acts & Facts, edita-
da pelo Institute for Creation Research, da Cre-

Origem em Revista
1º Semestre 2018 57
Cosmovisão Bíblica MICHELSON BORGES

Um milagre
em forma de livro
A
natureza é considerada a “re- grada é realmente confiável?
velação natural” de Deus. Isso Quando Paulo diz que “toda a Es-
está em harmonia com o Sal- critura [o Antigo e o Novo Testamen-
mo 19:1: “Os céus proclamam a gló- tos] é inspirada por Deus” (2 Timóteo
“A Escritura
ria de Deus, e o firmamento anuncia 3:16), ele usa a palavra grega the-
contém o
divino e o as obras das Suas mãos.” Mas há pelo opneustos, que significa literalmen-
humano; a menos dois problemas com essa for- te “proveniente do fôlego de Deus”.
verdade é ma de revelação: (1) a queda preju- “Deus ‘inspirou’ a verdade nas men-
inspirada por dicou a obra de Deus, que, por isso,
tes dos homens, os quais expressa-
Deus, mas reflete-Lhe o caráter apenas obscu-
ram essas mesmas verdades em suas
é moldada ramente, e (2) nossa compreensão
próprias palavras, que foram consoli-
pelo espírito da natureza e dAquele que deseja Se
dadas nas Escrituras. Portanto, inspi-
humano de revelar por meio dela será incomple-
acordo com ta enquanto houver lacunas em nos- ração é o processo através do qual
o idioma, o so entendimento das leis naturais. Deus comunica Sua verdade eter-
ambiente e a Por isso, o Criador da natureza deci- na.”1:19 Em outras palavras, “as ideias
inteligência diu nos conceder outra revelação, a de Deus tornaram-se ideias [dos ho-
humana fim de deixar mais claras as verdades mens], e eles registraram exatamen-
de cada espirituais que Ele julgou por bem te o que Ele queria que soubésse-
escritor.” nos revelar. Mas será que a Bíblia Sa- mos”.2:34

Origem em Revista
58 1º Semestre 2018
Os homens santos escolhidos interessantes com o texto bíblico. Mais de
por Deus traduziram as revelações Exemplo: o Enuma Elish, datado do 200 culturas
divinas em linguagem humana com 7º século a.C., traz sete tabletes de espalhadas
suas limitações e imperfeições, mas argila que descrevem a criação do pelo mundo
ainda assim a Bíblia é o testemunho mundo dividida em sete partes, sen- preservaram
de Deus. A Bíblia é o maravilhoso do a sétima correspondente a um dia relatos de
livro divino-humano. Resumindo: a de descanso. Apesar das diferenças, uma grande
inundação
Bíblia é a verdade divina expressa as semelhanças entre esses mitos e
que destruiu
em linguagem humana. Um milagre o relato bíblico apontam para uma a Terra e da
em forma de livro! mesma fonte primordial. Kenneth Ki- qual foram
“A Escritura contém o divino e o tchen, respeitado egiptólogo da Uni- salvas algu-
humano; a verdade é inspirada por versidade de Liverpool, Inglaterra, e mas pessoas
Deus, mas é moldada pelo espírito especialista em literatura do antigo num grande
humano de acordo com o idioma, o Oriente Médio, afirma que geral- barco.
ambiente e a inteligência humana de mente na cultura
cada escritor.”3:28 De seu primeiro li- literária daquela
vro (Gênesis) ao último (Apocalipse), região as tradi-
a Bíblia se compõe de 66 livros es- ções mais simples
critos por cerca de 40 escritores de são aquelas que
formação social, educacional e pro- originam os mitos
fissional amplamente diversificada. A e lendas, e não o
escrita foi produzida num período de contrário.4:89
16 séculos, todavia, o produto final é Quando com-
um livro harmonioso e coerente. parada com os
mitos babilônicos,
O testemunho da arqueologia assírios, hititas e
Deus criou o mundo em sete dias. egípcios, a tradi-
O diabo usou uma serpente para en- ção do relato da
ganar a primeira mulher. Um dilúvio criação em Gêne-
cobriu toda a Terra e apenas uma fa- sis desponta como
mília e representantes das espécies a versão menos
terrestres de animais foram salvos elaborada, com
numa grande arca de madeira. Deus grande probabi-
Poema de Gilgamesh
criou a diversidade de línguas para lidade de ser a original. Mais: De
impedir a construção da Torre de Ba- onde teria surgido o ciclo semanal, A Epopeia
bel. Escravos cruzaram o Mar Verme- que não depende de movimentos de Gilgamesh
lho que se abriu diante deles. Jesus de corpos celestes, como os dias, os é um antigo
curou paralíticos, deu vista aos cegos meses e os anos? E como ficaria o poema
e até ressuscitou mortos – tendo Ele quarto mandamento da lei de Deus, épico da
mesmo ressuscitado depois de mor- que estabelece a guarda do sábado Mesopotâmia
to e sepultado. Isso tudo é possível? semanal – “porque em seis dias fez o que
Trata-se de fatos reais ou meras ale- Senhor o céu e a terra, o mar e tudo curiosamente
traz uma
gorias para transmitir verdades espi- o que neles há” (Êx 20:11) –, caso a
história de
rituais? Lembre-se: é preciso analisar semana da criação não fosse literal? um dilúvio
os fatos antes de chegar a uma con- 2. A queda. De modo semelhan- global com
clusão precipitada. te, o relato da queda pelo engano da característica
1. A criação. Quando analisa- serpente é sugerido em outras cultu- similares
mos os relatos ou mitos de criação ras. Um selo mesopotâmico do 3º mi- ao livro de
antigos, percebemos semelhanças lênio a.C. traz a imagem de um casal Gênesis.

Origem em Revista
1º Semestre 2018 59
O zigurate sentado em frente a uma árvore com que se recua no tempo.5
é uma forma uma serpente por trás deles. Resquí- 5. O Êxodo. Estudos indicam que,
de templo, cios dessa história são encontrados de fato, houve escravos semitas no
criada pelos em outras culturas, apontando igual- Egito, como atestam pinturas nas pa-
sumérios e mente para um relato primordial. redes de pirâmides (como em Beni
comum para 3. O dilúvio. Mais de 200 culturas Hassan, por exemplo). E um papiro
os babilônios do sacerdote egípcio Ipuwer men-
espalhadas pelo mundo preserva-
e assírios, ciona, inclusive, algumas das pragas
pertinente ram relatos de uma grande inunda-
ção que destruiu a Terra e da qual que assolaram a nação.
à época do
antigo vale da foram salvas algumas pessoas num 6. Milagres de Jesus.6 Fontes ex-
Mesopotâmia grande barco. Além disso, há várias trabíblicas, como o historiador judeu
e construído evidências geológicas que apontam do 1º século Flávio Josefo e o Tal-
na forma de para uma tremenda catástrofe hídri- mude, importante obra do judaís-
pirâmides ca. Exemplo: cerca da metade dos mo concluída por volta do ano 500
terraplanadas. sedimentos continentais são de ori- d.C., sugerem que Jesus de Nazaré
gem marinha; são encontrados em foi responsável por feitos miraculo-
montanhas fósseis de animais mari- sos. Quando Jesus ressuscitou, os
nhos; os estratos da coluna geológi- maiores interessados em desmentir
ca se apresentam de forma paralela o fato eram os líderes judaicos e os
em grandes extensões, sem revelar soldados romanos. Mas eles não pu-
sinais de erosão entre as camadas, o deram fazer isso. O surgimento do
que indica uma formação rápida; etc. cristianismo em Jerusalém só pode
4. A Torre de Babel. Os zigurates ser explicado por meio da ressurrei-
ção de Jesus Cristo, uma vez que se o
encontrados em Ur, no Iraque, e que
corpo dEle ainda estivesse na tumba
eram usados para facilitar o contato
de José de Arimateia, a crença num
dos sacerdotes com os deuses, ates-
Messias ressurreto seria infundada e
tam que o povo de Babel construiu
insana. Além disso, teriam os cristãos
torres com propósitos religiosos.
sido torturados, perseguidos e mor-
Além disso, estudos linguísticos têm
tos por uma mentira que eles mes-
demonstrado que os idiomas remon-
mos inventaram?
tam a um tronco comum, à medida
O mais interessante é que Jesus,
o Filho de Deus, confirmou todos os
eventos bíblicos citados acima ao fa-
zer referência a eles como fatos his-
tóricos e não meras alegorias.
Erwin Lutzer afirma que “a geo-
grafia, a cronologia e as descrições
que a Bíblia faz do surgimento e que-
da dos impérios, tudo se conforma
com os dados da história secular. Se
a Bíblia é confiável nesses assuntos
em que pode ser testada, temos mo-
tivos para crer em sua confiabilidade
nos assuntos que estão além do atual
reino de investigação”.2:65
Chega a ser estranha, então, a
oposição que alguns movem contra
a Bíblia. Note o que escreveu o Dr.

Origem em Revista
60 1º Semestre 2018
Rodrigo Silva: “Você sabia que até mesmo as cumpridas à risca.9 Leia, por exemplo, o capí-
mais conhecidas fontes históricas de Alexan- tulo 2 do livro de Daniel e você verá, represen-
dre Magno são baseadas em documentos tada por uma estátua, a história dos impérios
bastante tardios? Não há registros do 4º sécu- mundiais, desde Babilônia, passando pela Pér-
lo a.C. que confirmem sua presença ou de seu sia, Grécia, Roma e Europa, culminando com a
exército na Índia ou, sequer, mencione sua implantação do Reino de Deus. Pesquise tam-
existência e seus feitos. As mais antigas fontes bém sobre a profecia cumprida a respeito da
sobre a vida de Alexandre que conhecemos destruição da antiga Tiro (que hoje está exata-
datam de 300 a 800 anos depois de sua mor- mente como previsto nas páginas sagradas),
te. Além disso, muitas delas são reconhecida- ou da queda de Babilônia10 e a reconstrução
mente mitológicas e não estão preservadas de Jerusalém. Além disso, há cerca de dois
nos manuscritos originais, mas em cópias tar- mil anos, Jesus pintou um quadro do fim dos
dias posteriores ao 2º século d.C. Por que, en- tempos que é a perfeita descrição de nossos
tão, dizer que Alexandre é histórico e Abraão dias (cf. Mateus 24), motivo pelo qual muitos
é um mito?”.7:17 cristãos creem que a segunda vinda de Jesus
É uma boa pergunta, não? Cristo está próxima.
Quando ainda era ateu, Lee Strobel, jorna- A Bíblia, como nenhum outro livro sagra-
lista do Chicago Tribune, se propôs investigar do, possui credenciais divinas. É um milagre
o Novo Testamento e a vida de Jesus com o em forma de livro!
intuito de provar que essa história se tratava
de um mito engendrado pelos cristãos. Apli- Referências
1. Associação Ministerial da Associação Geral dos Adventistas do
cou sua perícia investigativa e pesquisou o Sétimo Dia (organização). Nisto Cremos – 28 Ensinos Bíblicos dos
assunto a fundo por quase dois anos. Resulta- Adventistas do Sétimo Dia. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira,
2008.
do: tornou-se cristão e autor de vários livros,
2. Lutzer E. 7 Razões Para Confiar na Bíblia. São Paulo: Vida, 2001.
como Em Defesa de Cristo e Em Defesa da Fé. 3. Apolinário P. História do Texto Bíblico. São Paulo: Instituto Adven-
Strobel escreveu: “Os primeiros discípulos tista de Ensino, 1985.
4. Kitchen K. Ancient Orient and Old Testament. Londres: Tyndale
subitamente passaram a acreditar tão forte-
Press; Chicago: InterVarsity Press, 1966.
mente que Deus havia ressuscitado Jesus que 5. Vale a pena conferir os livros A Origem Comum das Línguas e das
estavam dispostos a morrer por essa cren- Religiões, de Guilherme Stein Júnior, e Um Tronco Comum Para
os Idiomas?, de Ruy Carlos de Camargo Vieira, ambos publicados
ça.”.8:111 Em seguida, ele cita o estudioso do
pela Sociedade Criacionista Brasileira (www.scb.org.br).
Novo Testamento Luke Johnson, que escre- 6. Para aprofundamento nesse assunto, vale a pena conferir Gary
veu: “Algum tipo de experiência poderosa e Habermas, “Did Jesus perform miracles?”, In: Wilkins M, Moreland
JP (Eds.). Jesus Under Fire: Modern scholarship reinvents the his-
transformadora é necessária para gerar o tipo
torical Jesus. Grand Rapids: Zondervarn, 1995.
de movimento que foi o cristianismo dos pri- 7. Silva R. Escavando a Verdade. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasi-
mórdios.”.8:111 leira, 2007.
8. Strobel L. Em Defesa da Fé. São Paulo: Vida, 2002.
Os escritores do Novo Testamento sabiam 9. Segundo Alexander vom Stein, em seu livro Criação – Criacionis-
que a narração deles estava fundamentada mo Bíblico. Brasília: Sociedade Criacionista Brasileira, 2007, a Bí-
em fatos. Pedro, uma das testemunhas ocula- blia contém cerca de seis mil profecias, das quais quase a metade
já se cumpriu.
res da transfiguração de Cristo e um dos márti- 10. Durante muito tempo pairaram dúvidas sobre a existência de Ba-
res cristãos, escreveu: “De fato, não seguimos bilônia e de seu rei, Nabucodonosor, até que a descoberta das
fábulas engenhosamente inventadas, quando ruínas da cidade e a decifração de escritas em tabletes e nas pare-
des dos edifícios públicos provaram que tanto a cidade quanto o
lhes falamos a respeito do poder e da vinda rei realmente haviam existido. Um dos tijolos de Babilônia com o
de nosso Senhor Jesus Cristo; ao contrário, nome de Nabucodonosor impresso nele está exposto no Museu
nós fomos testemunhas oculares de Sua ma- de Arqueologia Bíblica do Centro Universitário Adventista de São
Paulo (Unasp), em Engenheiro Coelho, SP.
jestade” (2 Pedro 1:16).
Muito mais poderia ser escrito sobre con-
firmações arqueológicas da historicidade das Michelson Borges é jornalista formado pela
UFSC, autor de vários livros sobre criacionis-
Escrituras Sagradas ou mesmo sobre as pro- mo e editor associado da Origem em Revista.
fecias que ela traz e que foram e estão sendo michelson.borges@gmail.com

Origem em Revista
1º Semestre 2018 61
LANÇAMENTOS

O designer e escritor criacionista blumenauense Alexandre Kretzschmar, hoje um dos principais


nomes em nosso país em termos de popularização da temática por meio de designs gráficos, acaba de
lançar o livro Onze de Gênesis. Acompanhe a jornada dos personagens numa aventura cheia de dra-
ma, amor e descobertas que poderão mudar também a sua vida. É disso que se trata Onze de Gênesis,
o romance criacionista que está caindo no gosto dos leitores brasileiros.

Onze de Gênesis conta a história intensa e


quase enigmática de um pai zeloso que deixa
uma herança para o filho. No entanto, muitas
dúvidas e questionamentos precisam de
respostas. Depois da morte de seu pai, Gabriel
Edelweiss volta à sua cidade natal e o retorno
traz grandes surpresas e muitas mudanças. Em
meio a tantos detalhes por resolver, Gabriel
encontra pistas deixadas pelo pai que o levarão
a uma análise breve, porém sistemática, verso
por verso, dos onze primeiros capítulos da
Bíblia. Isso fará com que ele inicie uma jornada
de encontros consigo mesmo e com sua fé.
Digitais deixadas por um pai criativo levam
Gabriel a descobrir novos horizontes e a colocar
em xeque antigos conceitos.

Esta obra apresenta ao leitor, de forma


simples e quase poética, uma resposta sobre a
verdadeira história de nossas origens.

Onze de Gênesis é uma ótima opção para quem deseja presentear pessoas que mantêm um
ceticismo (e mesmo um ateísmo) do tipo mente aberta.

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Origem em Revista
62 1º Semestre 2018
Pioneirismo EDITORES

Os 15 mais influentes
pesquisadores criacionistas brasileiros
Neste artigo, entrevistamos 15 cientistas e/ou pesquisadores em áreas como a Biologia,
a Bioquímica, Geologia, a Física, a Matemática, a Engenharia e a Teologia. Todos eles são
considerados peças fundamentais para a inserção, o estabelecimento e o progresso do
criacionismo no Brasil, o que lhes garantiu lugar de honra na história do criacionismo moderno
no país. Todos eles têm mestrado ou doutorado obtido em universidades públicas e privadas
no Brasil e nos Estados Unidos.

E
sses arautos da Criação explicam suas Orlando Rubem Ritter
razões para a escolha dessa perspectiva
criacionista e afirmam que é possível con-
ciliar a fé com a pesquisa científica. Pela primei-
ra vez todos esses bravosgigantes que lutam
o bom combate estão sendo cobertos simulta-
neamente em uma só entrevista com os teste-
munhos pessoais acerca de seu entendimento
sobre o criacionismo e as suas contribuições
para que o mesmo se mantivesse em destaque
no cenário científico, mesmo em meio a uma
impregnação ideológica e um domínio natura-
lista filosófico dentro das Academias.
Muitos desses ainda estão na ativa, mas é 1) O que o criacionismo representa para
inegável que já contribuíram muito partilhan-
você?
do seus conhecimentos, os resultados de suas
O criacionismo bem cedo passou a fazer
pesquisas, em incontáveis palestras e cursos
aqui e no exterior, com a publicação de sóli- parte de minha vida. Cursando Física no ensino
dos materiais de estudo e, mais importante, a médio, o prof. S. Schwantes soube colocar no
inspiração que sua vida e carreira representam contexto criacionista o estudo da Termodinâ-
para a nova geração de criacionistas que está mica e da lei da Entropia. Fiquei profundamen-
surgindo. te interessado. Meu pai, que não era físico, mas

Origem em Revista
1º Semestre 2018 63
tinha na sua boa biblioteca obras versitário Adventista de São Paulo
criacionistas editadas nos Estados (UNASP, campus 1). Hoje, aos 93
Unidos (várias obras do prof. Price, anos, estou aposentado, após mais
entre elas New Geology), Espanha de 40 mil aulas ministradas duran-
e Argentina, contribuiu para ci- te minha carreira.
mentar meu interesse. 3) Descreva quais têm sido
Complementando, ao estudar suas contribuições/realizações
Física Teórica na USP, pude con- no campo do criacionismo.
siderar a entropia no contexto da Fui professor e diretor, sempre
matemática avançada e descobrir lecionei no contexto criacionista
que a entropia é expressa pelo (vide seu livro intitulado O Profes-
logaritmo de uma probabilidade sor, editado pela CPB). A partir de
(Estatística de Stefam e Boltzman) 1954, me tornei palestrante viajan-
e tem, portanto natureza probabi- do por todo o Brasil e participando
lística, ou seja, no andamento dos de reuniões e conclaves os mais di-
processos naturais ocorre o mais versos. Sempre havia lugar para o
provável e, o mais provável, é fácil criacionismo. Em 1984, fiz uma pre-
ver que é a desordem. Raciocinan-
leção no Instituto Tecnológico de
do, os professores, então grandes
Aeronáutica (ITA) na presença de
mestres europeus, concluíam: o
todos os alunos e de muitos pro-
mais provável (desordem) permite
fessores, tentando mostrar como o
a ocorrência do improvável (evolu-
princípio da entropia legisla contra
ção). Isso aumentou ainda mais o
a teoria da evolução.
meu interesse pelo criacionismo
Em 1950, a pedido do diretor
que para mim é o cerne do adven-
da Faculdade de Teologia (S. Küm-
tismo e do sabatismo.
pel), comecei a lecionar Geologia
2)  Comente brevemente so-
Ao estudar Física Criacionista e Astronomia para o
bre sua formação acadêmica (ti-
Teórica na USP, tulações e experiências profis- 3º e 4º anos do curso de Teologia,
pude considerar sionais). e posteriormente com o nome de
a entropia no Ciência e Religião até 1992. Nos
Sou bacharel em Matemática
contexto da anos 70, preparei a apostila de
matemática pela Universidade de São Paulo
(USP, 1944-1948). Aliás, fui um dos Ciência e Religião (Estudos) que foi
avançada e transformada pela Sociedade Cria-
descobrir que primeiros professores adventistas
a entropia é no Brasil com formação em uni- cionista no livro Estudos em Ciên-
expressa pelo versidade pública. Sou Mestre em cia e Religião. (Nota da edição: A
logaritmo de uma Educação pela Andrews University propósito, a ideia de se organizar
probabilidade (1965-1966), nos Estados Unidos, uma entidade criacionista, no fim
e tem, portanto onde me graduei com honra e de 1971, conhecida atualmente
natureza aproveitei o tempo para me envol- como Sociedade Criacionista Bra-
probabilística, ver ainda mais com as lides criacio- sileira (SCB), está diretamente li-
ou seja, no gada à pessoa de Orlando Ritter).
andamento dos nistas. Fui diretor de faculdades e
processos naturais fundador de escolas, e professor Em 1970, num encontro com o en-
ocorre o mais de Matemática, Física e Ciência e genheiro Dr Ruy Vieira surgiram as
provável e, o Religião por mais de 60 anos na idéias que resultaram na fundação
mais provável, é mesma instituição (1944-2004). da SCB. Na época, o Dr. Ruy era di-
fácil ver que é a Também fui coordenador do cur- retor da Escola de Engenharia de
desordem. so de Pedagogia do Centro Uni- São Carlos.

Origem em Revista
64 1º Semestre 2018
Ruy Carlos de Educação Superior do MEC, Con- Durante muitos
Camargo Vieira selheiro do Conselho Federal de anos, décadas
Educação, Conselheiro, Vice-Pre- mesmo, vivi um
sidente e Consultor do Conselho verdadeiro con-
Federal de Engenharia, Arquitetu- flito em busca de
ra e Agronomia. Representante do uma solução para
MEC na Agência Espacial Brasilei- o confronte entre
ra.
evolução e cria-
3) Descreva quais têm sido
suas contribuições/realizações
ção. Infelizmente,
no campo do criacionismo.
porém, naqueles
No campo do Criacionismo, primeiros anos,
minhas atividades centraram-se na década de 60,
1) O que o criacionismo re- produção de literatura em língua o criacionismo
presenta para você? portuguesa em nível adequado era incipiente no
Para mim o Criacionismo re- para a divulgação de conhecimen- Brasil e pastores
presenta o resgate de uma verda- tos básicos sobre a controvérsia não tinham uma
de a respeito das origens de todas entre Criação e Evolução no meio resposta para essa
as coisas sob o prisma do conhe- acadêmico, o que tenho feito des- questão, a não
cimento científico de nossos tem- de 1972, com a fundação informal ser que eu deve-
pos. da Sociedade Criacionista Brasi- ria crer no que a
2) Comente brevemente so- leira, e mais recentemente, desde Bíblia diz e não
bre sua formação acadêmica (ti- 2000 com a institucionalização da dar ouvidos aos
tulações e experiências profis- Sociedade. professores de
sionais). ciência na escola,
Formei-me em Engenharia Christiano Pinto a não ser para res-
Mecânico-Eletricista pela Escola da Silva Neto ponder as ques-
Politécnica da USP, fui Auxiliar de tões das provas.
Ensino e Professor Assistente no
Instituto Tecnológico de Aeronáuti-
ca, Professor contratado para reger
a Cadeira de Física Técnica, Máqui-
nas Térmicas e de Fluxo na Escola
de Engenharia de São Carlos da
USP, onde segui a carreira acadê-
mica fazendo estágios no exterior
e os concursos de Livre-Docência
e de Cátedra, recebendo após
minha aposentadoria o título de
Professor Emérito. Na EESC-USP, 1) O que o criacionismo re-
implantei o Departamento de Hi- presenta para você?
dráulica e Saneamento, o Curso de   O criacionismo foi de uma
Pós-graduação em Hidráulica e Sa- importância vital para minha vida
neamento e o Centro de Recursos com Deus. Durante muitos anos,
Hídricos e Ecologia Aplicada, de- décadas mesmo, vivi um verdadei-
sempenhei atividades de pesquisa ro conflito em busca de uma solu-
e extensão orientando dezenas de ção para o confronte entre evolu-
mestrados e doutorados, realizan- ção e criação. Infelizmente, porém,
do pesquisas na área de Mecânica naqueles primeiros anos, década
dos Fluidos e consultoria junto à de 60, o criacionismo era incipien-
Companhia de Água de São Pau- te no Brasil e pastores não tinham
lo e ao Metrô de São Paulo. Fui uma resposta para essa questão, a
Coordenador da Comissão de Es- não ser que eu deveria crer no que
pecialistas de Ensino e Engenharia a Bíblia diz e não dar ouvidos aos
e Diretor Adjunto da Secretaria de professores de ciência na escola,

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1º Semestre 2018 65
a não ser para responder as ques- 2)  Comente brevemente so-
tões das provas. Obviamente, isso bre sua formação acadêmica (ti-
não resolvia o meu problema. tulações e experiências profis-
O resultado é que, pouco a sionais).
pouco, a minha fé foi começando a   Sou bacharel em Matemática
desfalecer. Ela nunca chegou a ruir pela Universidade Federal do Pa-
completamente, até porque, mi- raná (UFPR). Sou mestre na área de
nha conversão havia sido genuína. concentração “Non-Stand Analy-
Lembro-me, porém, de um tempo sis”, no campo da Topologia, pela
em Londres em que ainda ia à igre- University of London. Atualmente,
ja quase que só porque reconhe-
souprofessor universitário aposen-
cia que seu ambiente era muito
tado e ex-professor de Matemática
apropriado para o crescimento de
minha filha, então com 4 anos. de quatro grandes universidades,
O criacionismo mostrou a mim, sendo elas: Universidade Gama
além de qualquer dúvida, que a Filho (Rio de Janeiro), Universida-
teoria da evolução é falsa ciência, de Estadual de Maringá (Paraná),
intrometida no seio da Ciência Universidade de Alberta (Canadá)
como se Ciência fosse. Mostrou- e meu último emprego na Univer-
-me, também, que a natureza res- sidade Federal de Viçosa, Minas
pira criação por todos os poros. Gerais (1977-1987).
É com esse espírito que tenho 3) Descreva quais têm sido
estado a serviço do meu Deus, suas contribuições/realizações
proclamando o criacionismo nos no campo do criacionismo.
ambientes em que tenho tido a  Sou membro da Igreja Batista
oportunidade de penetrar e, desse e, em julho de 1979, fundei e pre-
modo, já pude participar do res- sidi a ABPC – Associação Brasileira
gate de muitas pessoas, algumas de Pesquisa da Criação –, organi-
como eu, que já tinham uma for- zação localizada inicialmente na
mação cristã, outras já convertidas, cidade de Viçosa, Minas Gerais.
mas em dificuldades existenciais, Em 1987, me mudei para Belo Ho-
e, também, outras completamente
rizonte, atual sede da associação,
avessas à realidade de Deus.
quando entendi que era a vontade
Muitos afirmam que o criacio-
nismo é a ideia de que Deus criou de Deus que assumisse o minis-
todas as coisas de acordo com a tério da ABPC em tempo integral.
narrativa do livro bíblico de Gêne- Desde a fundação dessa organiza-
sis. Porém, vemos que esta é uma ção, tenho proferido palestras em
referência ao cristianismo, e não ao todo o país, de norte a sul, de leste
Muitos a oeste, em escolas, igrejas e uni-
afirmam que o criacionismo. É o cristianismo que
parte do que a Bíblia diz! Se o cria- versidades.
criacionismo é a Ao longo desses 38 anos, em
cionismo partisse do que está es-
ideia de que Deus nome da ABPC, tenho publicado
crito na Bíblia, considerando esse
criou todas as texto como correto, não haveria boletins, revistas e livros. Sou autor
coisas de acordo qualquer necessidade de se em- de cinco livros sobre as origens,
com a narrativa pregar conceitos e métodos cien- entre os quais estão A Criação – na
do livro bíblico de tíficos para validar seus argumen- Bíblia e na Ciência, Datando a Terra
Gênesis. Porém, tos que, em princípio, já estariam – Perspectiva criacionista, Revela-
vemos que esta é validados em sua origem. Nesse ções de um Koala, O Criador Vem!
uma referência ao caso, o criacionismo não seria nem - reflexões sobre os últimos tempos
cristianismo, e não fé nem ciência, muito pelo con- e Origens – A Verdade Objetiva dos
ao criacionismo. É trário, seria uma monstruosidade Fatos. Também fui o tradutor do li-
o cristianismo que intelectual que não mereceria, de vro “Scientific Creationism” para o
parte do que a nenhum de nós, a menor conside- português com o título O Enigma
Bíblia diz! ração. das Origens – A Resposta. Além de

Origem em Revista
66 1º Semestre 2018
autor de muitos artigos publicados princípio, Deus criou... Ele se re-
em vários periódicos evangélicos velou em um livro, a Bíblia, que foi
e seculares. A ABPC tem editado, e é a base espiritual e cultural dos
também, uma série de vcd’s e dvd’s israelitas/judeus, de Cristo e dos
ao longo dos anos. cristãos.
 Através da presença da ABPC Ela também é um livro históri-
na internet foi possível, também, co fidedigno para a Arqueologia.
exercer influência junto à Socie- A nação de Israel deriva do nome
dade Brasileira Criacionista. Re- de Israel (Jacó), e os judeus de seu
centemente, a ABPC finalizou um filho Judá. Os demais povos e na-
trabalho que considera da maior ções derivam dos descendentes de
importância porque coloca os pin- Noé, todos estes personagens his-
gos nos is em relação ao que a so- tóricos. Os nomes dessas nações
ciedade pensa acerca do criacio- muitas vezes também utilizaram os
nismo, muitas vezes equivocado próprios nomes reais  dos  70 des-
cendentes dos três filhos de Noé e
com a verdadeira natureza do cria-
suas noras (Gênesis 10 e 11), pois
cionismo. O título desse trabalho é
informações extrabíblicas também
O Resgate do Criacionismo, que é as corroboram. A Bíblia
enviado gratuitamente por email A Bíblia traz informações rele- fornece dados
em formato virtual, bastando solici- vantes para a ciência. Ela ensinou científicos, como:
tá-lo através do endereço eletrôni- e ensina a pensar da causa para o O planeta Terra foi
co  abpc@impacto.org, colocando efeito, a base da ciência moderna, cuidadosamente
no campo assunto “Documento O e estimulou a busca do conheci- preparado para
Resgate do Criacionismo” e infor- mento na natureza, outro livro pro- abrigar a vida;
mando no corpo do email nome duzido pelo mesmo Criador. havia apenas
completo, formação profissional A Bíblia fornece dados cien- um grande
e cidade. Temos coletado, ao lon- tíficos, como: O planeta Terra foi continente; explica
go dos anos, muitas evidências de cuidadosamente preparado para a origem do
que o trabalho que temos realiza- abrigar a vida; havia apenas um surgimento do mal
do tem contribuído para que mui- grande continente; explica a ori- e da degeneração;
tas pessoas sejam libertadas da gem do surgimento do mal e da descreve o maior
falsa ciência da evolução, encon- degeneração; descreve o maior evento catastrófico
evento catastrófico global do pla-
trando, posteriormente, o Deus da global do planeta;
neta; menciona os sobreviventes
criação. menciona os
da catástrofe nominalmente; des-
creve o surgimento dos povos e
sobreviventes
Roberto Cesar de das línguas a partir desse peque-
da catástrofe
Azevedo no grupo fundador; sugere o prin- nominalmente;
cípio das leis da hereditariedade; descreve o
afirma que há seres inteligentes surgimento dos
em outros mundos; que a terra é povos e das
redonda, etc. línguas a partir
Ocorreu um grande e catastró- desse pequeno
fico evento global, que produziu grupo fundador;
bilhões de toneladas de fósseis. sugere o princípio
A descoberta de tecidos moles das leis da
1) O que o criacionismo re- aponta para fósseis recentes, que hereditariedade;
presenta para você? podem ser comprovados pela aná- afirma que há
Para mim, o Criador superpo- lise do Carbono 14. As idades de seres inteligentes
deroso, inteligente e capaz, origi- tais fósseis serão similares entre si em outros
nou o universo, os elementos quí- e recentíssimas. A discussão deste mundos; que a
micos, as leis e princípios naturais, tema continuará na ordem do dia, terra é redonda,
os seres vivos e os mantém. No e apontará cada vez mais para o etc.

Origem em Revista
1º Semestre 2018 67
Ocorreu relato bíblico do dilúvio global de Com esta percepção evoluti-
um grande e Noé. va, entre 1972 e 1986, comecei
catastrófico 2) Comente brevemente so- a escrever cartas para os autores
evento global, que bre sua formação acadêmica evolucionistas em artigos onde
produziu bilhões Sou formado em Ciências Bio- atacavam a visão criacionista, em
de toneladas lógicas pela Universidade de São revistas e jornais, como Ciência e
de fósseis. A Paulo (USP), onde também fiz o Cultura, Manchete, O Estado de
descoberta de Mestrado em Ciências da Comuni- São Paulo,    depois Ciência Hoje,
tecidos moles cação. Além de possuir cursos de Veja, Folha de São Paulo, Jornal da
aponta para Extensão pela Andrews University Tarde, etc. Nestas cartas, eu discu-
fósseis recentes, em Educação e Teologia. Fui Pro- tia os temas apresentados, discor-
que podem ser fessor de Ciências e Biologia, Dire- dando, mas colocando outras po-
comprovados tor Geral e Coordenador de cursos sições.
pela análise do de Pós-Graduação do Centro Uni- Mas em 1987, com o lança-
Carbono 14. As versitário Adventista de São Paulo mento do primeiro livro didático
idades de tais entre o período de 1964 e 2008. de ciências com visão criacionis-
fósseis serão Também fui diretor do Departa- ta para a 5ª. série, publicado pela
similares entre si mento de Educação Adventista da CPB, ocorreu um ataque frontal
e recentíssimas. A União Sul Brasileira (1972-1985) e contra os criacionistas. O jornal
discussão deste na América do Sul (1990-2005). Folha de São Paulo, armou uma ar-
tema continuará Sou autor dos livros A Origem madilha. Combinou com os auto-
na ordem do dia, e Superior das Espécies (Editora res do livro, a professora Nair Elias
apontará cada vez UNASPRESS, 1999), O Tempo do dos Santos, minha colega no IASP,
mais para o relato Fim (Editora CPB e Kit’s Editora, e o doutor Admir Arrais de Matos,
bíblico do dilúvio 1999), O Enigma das Estátuas (Edi- meu aluno de Biologia no nível
global de Noé. tora CPB, 2002), Genoma, passado, médio, uma entrevista para divul-
presente e futuro (Editora UNAS- gar o livro.
PRESS, 2004) e ABC das Origens Como havia dado sugestões
(Kit’s Editora, 2006). aos autores, e na ocasião era dire-
3) Descreva quais tem sido tor geral do UNASP-SP, fui convi-
suas contribuições/realizações dado para a entrevista. Logo nas
no campo do Criacionismo. primeiras perguntas, percebi que a
Após entrar no curso de Ciên- repórter era tendenciosa, e ataquei
cias Biológicas da USP, passei a as idéias evolucionistas. No dia se-
conviver mais diretamente com guinte, saiu uma pequena repor-
as idéias evolucionistas. Naquela tagem sobre o livro, e um ataque
época havia pouca literatura cria- feroz contra os autores e o livro,
cionista disponível em português, em artigos que ocuparam o restan-
estando disponível apenas o livro te da página, classificando  o livro
de Frank L. Marsh (Estudos em cria- lançado como uma “bobajada”.
cionismo), a apostila do professor A partir desta data, decidi que
Orlando Ritter, um livro de Júlio responderia, na medida do possí-
Minhan (Maravilhas da Ciência), vel, qualquer ataque ao criacionis-
e de Daniel Hammerly Dupuy em mo, com argumentos científicos,
espanhol. No decorrer do tempo, evidências científicas, e com a vi-
além de fazer perguntas de vez em são que mencionei sobre as idéias
quando, comecei a notar algumas evolutivas que encontrei na USP.
questões contraditórias, tais como Expondo as debilidades evolucio-
a origem da vida casual frente aos nistas, escrevi então dezenas de
experimentos de Pasteur golpean- cartas (e e-mails), enviei artigos de
do de morte a geração espontâ- minha autoria indexados até o ano
nea, entre outros exemplos. de 2016. Especialmente em 2009,

Origem em Revista
68 1º Semestre 2018
por ocasião da celebração dos criação); e 3) Criacionismo Bíblico Mas de onde
150 anos da publicação do livro (narrativa judeu-cristã detalhada surgiram estas
de Darwin, participei de inúmeras da criação). Em relação aos mitos leis? Cientistas
discussões. Uma delas foi com o de criação encontrados no criacio- não criam essas
Clube  Cético. nismo religioso, não creio neles e leis nem esses
Em 2008, a então Ministra Mari- nem os aceito. Quanto aos outros processos. Eles
na Silva do meio ambiente, partici- dois, não tenho dúvidas que am- apenas descobrem
pou de um congresso Criacionista, bos, juntos, oferecem a verdadeira essas leis e
que coordenei no UNASP-EC. Uma resposta sobre as origens. esses processos.
de suas declarações foi divulga- A base do criacionismo científi- Também sabemos
da intensamente em toda mídia co é sólida: as Leis da natureza e os que não foi a
nacional com grande exposição e processos naturais. Em relação a natureza que
ampla discussão sobre o tema. eles, não existe nenhum processo criou as leis que
Também publiquei inúmeros natural ou lei da natureza pelo qual regem a si própria.
artigos em revistas, jornais e em informação altamente codificada Portanto, as leis
especial na Revista Criacionista. (como a encontrada no DNA) teria da natureza,
A parir de 1999, escrevi vários li- sido produzida espontaneamente, que dão origem
vros.    Quando estive no Depar- independente do tempo. Proces- aos processos
tamento de Educação da antiga sos naturais e leis da natureza não naturais, que dão
União Sul Brasileira, e depois na produzem informação codificada. forma, função
Divisão Sul Americana, estimulei Outro ponto a ser mencionado é e estabilidade
que as leis da natureza são a ori- a tudo o que
a abertura de minicentros criacio-
gem dos processos naturais, os existe, foram
nistas, e bibliotecas com livros de
quais produzem forma, função e criadas. É esse
autores criacionistas, em colégios
estabilidade na natureza. Sabemos tipo de raciocínio
Adventistas e Universidades Ad-
que sem tais leis e processos a na- basal que o
ventistas.
tureza não existiria. Mas de onde Criacionismo
Durante todo este período, e
surgiram estas leis? Cientistas não Científico oferece.
até agora ainda participo de en-
criam essas leis nem esses proces- Ele não trata
contros criacionistas, congressos e sos. Eles apenas descobrem essas
apresentações para professores, e do Criador. Ele
leis e esses processos. Também apenas responde
também junto a igrejas, escolas e sabemos que não foi a natureza
mesmo universidades públicas, se a essa simples
que criou as leis que regem a si
convidado. pergunta:
própria. Portanto, as leis da nature-
Teria surgido
za, que dão origem aos processos
Adauto Lourenço espontaneamente
naturais, que dão forma, função e
estabilidade a tudo o que existe,
ou não (foi
foram criadas. É esse tipo de ra-
criado)?
ciocínio basal que o Criacionismo
Científico oferece. Ele não trata
do Criador. Ele apenas responde
a essa simples pergunta: Teria sur-
gido espontaneamente ou não (foi
criado)?
Quanto ao Criacionismo Bíbli-
co, posso fazer minhas as palavras
1) O que o criacionismo re- de um grande cientista do Século
presenta para você? XX: “Para mim, fé começa com a
Para mim, existem três tipos compreensão  de que uma inteli-
de criacionismos: 1) Criacionismo gência suprema trouxe o universo
Científico (apresenta uma respos- à existência e criou o homem. Não
ta científica sobre as origens); 2) é difícil para eu ter esta fé, pois
Criacionismo Religioso (mitos de um  universo organizado e inte-

Origem em Revista
1º Semestre 2018 69
ligente testifica a  favor da maior rios diferentes, com oito palestras
afirmação jamais pronunciada: ‘No cada um, abordando um aspec-
princípio, Deus...’” (Arthur Comp- to específico ou do criacionismo
ton,  Prêmio Nobel de Física de científico ou do criacionismo bíbli-
1927) co. Foram produzidos oficialmente
2) Comente brevemente so- quatro jogos de DVDs com quatro
bre sua formação acadêmica (ti- de meus seminários (oito pales-
tulações e experiências profis- tras por jogo de DVD). Além disso,
sionais). existem muitos vídeos no youtube
Sou bacharel em Física pela com minhas apresentações. Sou
Bob Jones University (1990). Entre autor de quatro livros Como Tudo
1990 e 1992, me especializei em Começou: uma Introdução ao Cria-
física de superfície por meio de mi- cionismo (2007) – que recebeu os
nhas pesquisas realizadas no Oak prêmios de apologética e design
Ridge National Laboratory (EUA). gráfico na XX Bienal Internacional
Possuo Mestrado em Física pela do Livro (2008-SP); Gênesis 1&2:
Clemson University (1994).  Minha a mão de Deus na Criação (2011),
dissertação de mestrado foi basea- A Igreja e o Criacionismo (2011) e
da em pesquisas efetuadas no Max o e-book Dez Mitos Sobre o Cria-
Planck Institut für Strömungsfur- cionismo (2016). Meu maior desejo
chung (Alemanha). Após esse tem- é que uma nova geração de pes-
po, eu retornei ao Brasil para atuar quisadores e pensadores tenha a
como professor da Universidade ousadia de buscar a verdade, in-
O Livro dos de Americana no estado de São dependente das barreiras e pre-
Livros (As Paulo e pesquisador independen- conceitos que tiverem que enfren-
Sagradas te na área de Matéria Condensada tar.
Escrituras) e o livro e Física de Superfície. Em 2005,
da natureza. As recebi o prêmio Troféu Fumagalli Nahor Neves de
informações na categoria Ciência em reconhe-
cimento às minhas atividades no
Souza Junior
obtidas a partir
destes dois campo da ciência aqui no Brasil.
compêndios, Meu trabalho em física de superfí-
quando cie tem sido na área de consulto-
corretamente ria, documentação e aprovação de
compreendidas novas tecnologias.
e analisadas, 3) Descreva quais têm sido
complementam- suas contribuições/realizações
se mutuamente no campo do criacionismo.
e nos conduzem Divido minhas atividades entre
1)   O que o criacionismo re-
para mais perto do Brasil e Estados Unidos. No Brasil,
próprio Autor – o eu tenho uma residência na cida- presenta para você?
nosso Criador e de de Limeira-SP onde congrego Entendo o criacionismo como
Mantenedor. na Igreja Presbiteriana Central de a relação funcional entre a Bí-
Limeira. Tenho como ministério o blia e a ciência (definição simpli-
de ensinar criacionismo. Ao lon- ficada do próprio criacionismo).
go desses últimos 18 anos (1998- Deus nos presenteou com dois
2016), eu realizei cerca de 500 extraordinários livros: O Livro dos
seminários no Brasil e no exterior, Livros  (As Sagradas Escrituras) e
tratando dos temas Criacionismo, o  livro da natureza. As informa-
Ciência e Religião. Foram mais de ções obtidas a partir destes dois
300 mil participantes ao todo. Eu compêndios, quando corretamen-
tenho apresentado onze seminá- te compreendidas e analisadas,

Origem em Revista
70 1º Semestre 2018
complementam-se mutuamente e 3) Descreva quais têm sido Para mim, o
nos conduzem para mais perto do suas contribuições/realizações criacionismo é
próprio Autor – o nosso Criador e no campo do criacionismo. um esforço para
Mantenedor. Assim, a convergên- Como Geólogo criacionista, te- compatibilizar
cia entre esses dois livros estimula nho sido considerado um dos mais uma interpretação
o pesquisador a se envolver, en- ativos divulgadores do  criacionis- da Bíblia com o
tusiasticamente, com a investiga- mo  no  Brasil. Tenho me dedicado conhecimento
ção científica, ao mesmo tempo exclusivamente à obra do Criador, desenvolvido pela
em que ele identifica na natureza seja ligado ao meu trabalho como ciência moderna.
as notáveis digitais do Criador. professor, pesquisador e coorde- Como há
Finalmente, essa gratificante as- nador no UNASP, ou através da diferentes nuances
sociação coerente e sustentável publicação do livro Uma Breve His- de interpretação
do conhecimento bíblico com o tória da Terra  (em fase de conclu- bíblica e
conhecimento científico lhe pro- são da 3ª edição), preparação de diferentes
porciona as mais significativas ale-
artigos, CD-ROM e participação consciências do
grias intelectuais.  
na produção de DVDs; Além disso, conhecimento
2) Comente brevemente so-
tenho apresentado centenas de científico, há
bre sua formação acadêmica (ti-
palestras criacionistas por todo o certa pluralidade
tulações e experiências profis-
Brasil; inclusive sou um dos pales- de práticas
trantes oficial dos eventos promo- criacionistas.
sionais). vidos pela SCB.
Sou formado em Geolo-
gia  pela Universidade Estadual
Urias Echterhoff
Paulista (UNESP, 1980), mestre em
Geotecnia pela Universidade de
Takatohi
São Paulo (USP, 1986) e doutor em
Geotecnia/Engenharia Civil pela
USP (1992). Minha tese doutoral
foi baseada em pesquisas feitas
em rochas basálticas, muito co-
muns na região sul do Brasil.
Entre 1982 e 1995, eu lecionei
Geologia em duas das mais con-
ceituadas universidades do País.
A partir de 1995, tenho desenvol- 1) O que o criacionismo re-
vido minhas atividades junto ao presenta para você?
Centro Universitário Adventista Para mim, o criacionismo é um
(UNASP), como coordenador do esforço para compatibilizar uma
interpretação da Bíblia com o co-
Departamento de Pós-Graduação, nhecimento desenvolvido pela
Pesquisa e Extensão, Diretor da ciência moderna. Como há diferen-
faculdade de Engenharia Civil e tes nuances de interpretação bí-
professor de Geologia e Ciência e blica e diferentes consciências do
Religião.  Sou membro do Núcleo conhecimento científico, há certa
de Estudos das Origens (NEO) do pluralidade de práticas criacionis-
UNASP e do Earth History Resear- tas. Pessoalmente, tenho procura-
ch Center  ligado à Southwestern do definir os pontos essenciais de
Adventist University onde minhas minha crença, em grande parte
orientada por uma interpretação
áreas de interesse estão ligadas da Bíblia, ao mesmo tempo em
à Geologia e a Vulcanologia. Sou que observo como o limitado co-
também diretor da subsede bra- nhecimento que tenho da ciência
sileira do Geoscience Research se relaciona com esses pontos es-
Institute. senciais.

Origem em Revista
1º Semestre 2018 71
O criacionismo  2)  Comente brevemente so- fósseis (Peixes da Serra de Araripe).
é o modelo bre sua formação acadêmica (ti- Observando a dificuldade de apli-
conceitual que tulações e experiências profissio- cação segura para datação, restrin-
ajudou a trazer nais). gi o âmbito da pesquisa ao estudo
paz à minha Com o objetivo de ser profes- das propriedades termoluminis-
mente inquieta, sor, iniciei o bacharelado no Institu- centes do espécime estudado.
mostrando to de Física da Universidade de São Fiz algumas palestras procu-
que é possível Paulo (USP) e concluí a licenciatura rando explicar de maneira acessí-
harmonizar em Física na Organização Santa- vel algumas técnicas de datação
adequadamente marense de Educação e Cultura baseadas em fenômenos físicos.
a boa ciência e (antigo nome da Universidade de Dada a complexidade de fatores
a boa teologia, Santo Amaro, UNISA). Fiz mestra- envolvidos e minha ignorância
duas áreas pelas do e doutorado em Física também com respeito a aspectos técnicos
quais sempre tive na USP, com pesquisa em alguns importantes dessas técnicas, não
grande interesse. aspectos da Física da Matéria Con- mais falo de datação. Nas aulas de
Percebi que, densada. Fui professor do Ensino Ciência e Religião dadas a alunos
nesse esforço, eu Básico nas diversas disciplinas (Fí- de diversos cursos no UNASP, pro-
estava em boa sica, Matemática, Química, Lingua- curei mostrar o valor e limitações
companhia, pois gem de Programação e Estatística) da ciência e como preservar a fé
pessoas do quilate no Instituto Educacional LuzWell nos valores bíblico-cristãos mes-
de um Newton, (instituição particular com proprie- mo quando pessoas de prestígio
um Galileu, um tários adventistas), no Instituto Ad- da ciência ou publicações de divul-
Pascal e outros ventista Caxiense, no Instituto Ad- gação científica insinuem uma des-
haviam percorrido ventista Petropolitano de Ensino e valorização da Bíblia (para quem
o mesmo caminho. no Instituto Adventista de Ensino. quiser saber mais, apresento aqui
Fui também professor universitário minha última contribuição na área:
das disciplinas de Física, Ciência e http://cevisa.org.br/unasp/essen-
Religião e de diversas outras disci- cia.pdf)
plinas relacionadas à Matemática
no Instituto Adventista de Ensino Michelson Borges
(atual Centro Universitário Adven-
tista de São Paulo [UNASP]). Sou
membro do Núcleo de Estudos das
Origens (NEO), sediado no UNASP,
campus 1, e tenho feito palestras
por todo o Brasil, sendo, inclusi-
ve, um dos palestrantes oficiais da
SCB.
3) Descreva quais têm sido 1)  O que o criacionismo re-
suas contribuições/realizações presenta para você?
no campo do criacionismo. O criacionismo é o modelo
Inicialmente procurei aprender conceitual que ajudou a trazer paz
o que era discutido, principalmente à minha mente inquieta, mostran-
na área relacionada à datação. Fiz do que é possível harmonizar ade-
algumas traduções de alguns ma- quadamente a boa ciência e a boa
teriais. No mestrado, estudei uma teologia, duas áreas pelas quais
técnica de datação com aplicação sempre tive grande interesse. Per-
em Arqueologia (Termoluminiscên- cebi que, nesse esforço, eu estava
cia) observando seu valor e limita- em boa companhia, pois pessoas
ções. Por sugestão do orientador, do quilate de um Newton, um Ga-
procurei explorar a possibilidade lileu, um Pascal e outros haviam
de usar essa técnica em datação de percorrido o mesmo caminho. A

Origem em Revista
72 1º Semestre 2018
descoberta mais especial que fiz, cia e religião, procurando escrever Se
quando descobri o criacionismo em linguagem acessível e com compreendermos
lá pelos meus 17, 18 anos, foi a de abordagem atrativa. Minha inten- o criacionismo
que eu não sou um “acidente cós- ção sempre foi a de mostrar que os como ciência,
mico”. Muito pelo contrário, fui pla- grandes temas sobre a origem e o devemos entender
nejado por um Deus de amor que destino do Universo e da vida não que não temos
está conduzindo a História ao seu precisam ser complicados. “Se até todas as respostas,
desfecho: a recriação da Terra e a um jornalista entende, por que os já que isso faz
concessão da vida eterna aos que demais também não podem?” parte do jogo da
aceitarem Seu plano.  própria ciência. No
2) Comente brevemente so- Marcos Natal entanto, devemos
bre sua formação acadêmica (ti- de Souza Costa entender isso não
tulações e experiências profis- como dificuldades,
sionais). mas como
Sou formado em Jornalismo desafios para
pela Universidade Federal de San- maiores estudos.
ta Catarina (UFSC). Fiz estudos
de especialização em Teologia e
mestrado em Teologia pelo Cen-
tro Universitário Adventista de São
Paulo (UNASP, campus Engenheiro
Coelho). Há duas décadas tenho
trabalhado como editor na Casa
1)  O que o criacionismo re-
Publicadora Brasileira, tendo atua-
presenta para você?
do em várias editorias. Atualmen-
Uma grande revelação sobre
te, sou editor da revista Vida e Saú-
de. Escrevi alguns livros pela CPB as nossas origens. Um campo
e sou o idealizador e mantenedor imenso de estudos que nos per-
do site  www.criacionismo.com.br, mite compreender, ainda que de
trabalho que desempenho de ma- maneira restrita, o poder e as ma-
neira voluntária há dez anos. Atual- ravilhas do Deus que cremos. Se
mente, sou também editor associa- compreendermos o criacionismo
do da Origem em Revista. como ciência, devemos entender
3) Descreva quais têm sido que não temos todas as respos-
suas contribuições/realizações tas, já que isso faz parte do jogo
no campo do criacionismo. da própria  ciência. No entanto,
Sou autor dos livros criacio- devemos entender isso não como
nistas A História da Vida, Por Que dificuldades, mas como desafios
Creio,  A Descoberta, Terra de Gi- para maiores estudos.
gantes, Se Deus fez, se Deus não 2)  Comente brevemente so-
fez (para crianças) e Expedição bre sua formação acadêmica (ti-
Galápagos (a ser lançado em bre-
tulações e experiências profis-
ve). Além dos livros e das palestras
sionais).
criacionistas que tenho realizado
em vários lugares do Brasil e de Sou bacharel em Geologia
outros países, uma contribuição pela Universidade Federal de Mi-
significativa que eu acredito ter nas Gerais (UFMG), Mestre em
dado à causa criacionista nestes úl- Geologia Econômica também
timos dez anos é a manutenção do pela UFMG, onde estudei a apli-
blog Criacionismo. Por meio dele, cação de isótopos estáveis na pes-
procuro atualizar os leitores quan- quisa de depósitos de ouro. Sou
to aos temas relacionados à ciên- Doutor em Geologia pela Univer-

Origem em Revista
1º Semestre 2018 73
sidade estadual paulista “Júlio de cience Research Institute Com-
Mesquita Filho” (UNESP), também mitte (GRICOM), um órgão criado
na área de Geologia Econômica, para promoção e difusão do cria-
mas desta vez relacionada a mi- cionismo em todo o mundo. É um
nerais industriais. Eu trabalhei por trabalho que amo de paixão.
12 anos como geólogo prospec-
tor pesquisando áreas potenciais Wellington dos
para depósitos auríferos. Estou há Santos Silva
17 anos no Centro Universitário
Adventista de São Paulo (UNASP)
dando aulas de Geologia, Paleon-
tologia, Levantamento de Recur-
sos Naturais e Ciência e Religião,
além da coordenação do Núcleo
de Estudo das Origens (NEO).
3) Descreva quais têm sido
suas contribuições/realizações
no campo do criacionismo.
Comecei a trabalhar para o
criacionismo quando cheguei
ao  UNASP em  2000, e ingres-
sei no NEO. Desde então, tenho
feito um número incontável de 1)  O que o criacionismo re-
palestras em  igrejas e escolas, presenta para você?
promovido cursos de capacita- Um ministério. Uma forma de
ção  para professores e fóruns de ajudar as pessoas a reconhecer o
discussão. Eu promovi até agora Criador através de Suas obras. Du-
8 encontros nacionais de criacio- rante os anos da faculdade, senti
nistas, um evento realizado a cada a necessidade de material com a
3 anos e que tem crescido a cada cosmovisão criacionista. Um dia
edição. Em 2009, auxiliei na inau- visitando uma amiga no hospital
guração do Museu de ciências Na- eu vi o esposo dela com um exem-
turais, localizado no UNASP, que plar da então Folha Criacionista da
tem sido uma benção para a pro- SCB. Logo depois escrevi para a
pagação do criacionismo entre os SCB solicitando todos os números
alunos do ensino fundamental ao disponíveis em português. Isso foi
superior e de escolas públicas e em 1990. Na época do meu mes-
privadas da região. trado, um fato marcante aconteceu
Sou membro da Sociedade em uma aula em que estava apren-
Criacionista Brasileira e participo dendo a estimar a taxa de consan-
praticamente de todos os semi- guinidade em grupos casalados.
nários da série “Filosofia das Ori- O meu professor, sabendo que eu
gens” promovido por esta organi- acreditava na Bíblia, me perguntou
Um ministério. zação. Ademais, tenho auxiliado qual foi a mulher com quem Caim
Uma forma de na revisão de artigos da Revista casou. Eu respondi que ele havia
ajudar as pessoas Criacionista e de livros, tais como se casado com uma de suas irmãs.
a reconhecer o Fé, Razão e História da Terra e Em Depois disso começou uma dis-
Criador através de Busca das Origens. Atualmente, cussão acalorada com os colegas
Suas obras. estou contribuindo com o Geos- e o professor teve que suspender

Origem em Revista
74 1º Semestre 2018
a aula. Hoje, agradeço a Deus por do criacionismo adventista no Brasil Me reservo o direi-
ter testemunhado em um ambien- e traduzindo o livro Genetic Entropy to de considerar
te acadêmico. de John Sanford. Pretendemos lan- como falso cria-
2) Comente brevemente sobre çar esses dois livros no segundo se- cionismo ao con-
sua formação acadêmica (titula- mestre deste ano. junto de crenças
ções e experiências profissionais). incoerentes nessa
Quando eu terminei a graduação Eduardo Lütz área (isto é, o que
em Ciências Biológicas pela Universi- acredita primeiro,
dade Católica do Salvador (UCSAL),
e observa as evi-
dências depois), e
senti o desejo de estudar mais a evo-
de verdadeiro cria-
lução, então eu fui para São Carlos/ cionismo ao que
SP fazer o mestrado em Genética e sobra de coeren-
Evolução pela Universidade Fede- te, tanto interna-
ral de São Carlos (UFSCar). Fiz meu mente quanto em
doutorado em Patologia Molecular termos de com-
pela Universidade de Brasília (UnB) patibilidade com
com pesquisas voltadas a popula- evidências.
ções naturais do Recôncavo Baiano.
Estudei uma doença genética conhe-
cida como Anemia Falciforme. Con- 1) que o criacionismo re-
tinuo trabalhando no pós-doutorado presenta para você?
na Universidade Federal da Bahia O Criacionismo representa
(UFBA) com esta patologia, procu- para mim uma oportunidade de
rando desenvolver um protocolo desfazer equívocos e trazer à
não farmacológico para tratar a dor tona questões importantes. Isso
nesses pacientes. As nossas pesqui- é um tipo de tarefa que conside-
sas hoje são uma referência no esta- ro importante. Existem diversos
do da Bahia. Também sou professor grupos de pessoas, por exemplo,
de Genética para os cursos de saúde que se consideram criacionistas
na Faculdade Adventista da Bahia e e que crêem em coisas muito di-
Ciência e Religião no Seminário Ad- ferentes entre si. Algumas des-
ventista  Latino americano de Teolo- sas crenças são coerentes, ou-
gia. tras apenas parecem coerentes
3) Descreva quais têm sido na superfície.
suas contribuições/realizações no Seguindo uma linha que nor-
campo do criacionismo. malmente utilizo ao lidar com
Tenho feito inúmeras palestras conceitos importantes (como
em vários estados do país e também ‘ciência’, ‘matemática’, ‘metodo-
em outros países. Faço parte da SCB e logia científica’, etc.), me reservo
tenho contribuído com vários artigos o direito de considerar como fal-
publicados na Revista Criacionista e so criacionismo ao conjunto de
capítulos de livros da SCB. Em 2013, crenças incoerentes nessa área
publiquei o livro Criacionismo no sé- (isto é, o que acredita primeiro,
culo XXI pelo CEPLIB. Atualmente, e observa as evidências depois),
sou coordenador do Museu de Geo- e de verdadeiro criacionismo ao
ciências e do Centro de Recursos em que sobra de coerente, tanto in-
Geociências filiado ao Geoscience ternamente quanto em termos
Research Institute (GRI). Estou escre- de compatibilidade com evidên-
vendo um livro que fala da história cias. Existem desde linhas filosó-

Origem em Revista
1º Semestre 2018 75
O Criacionismo  ficas criacionistas (algumas dog- versos temas de interesse nessa
representa máticas, outras abertas a avaliar área por todo o Brasil. Atualmen-
para mim uma evidências) até linhas de pesqui- te, sou editor associado da Ori-
cosmovisão sa utilizando métodos da ciência gem em Revista.
alternativa àquela para investigar hipóteses e pre-
que sempre visões criacionistas, sendo que Tarcísio da Silva Vieira
tive contato estas últimas constituem o que
no ambiente chamo de criacionismo científi-
acadêmico.
co.
Tudo isso gira em torno da
ideia (seja via dogma ou via evi-
dências e hipóteses que são es-
tudadas) de que existe um Ser
que criou a realidade, o que o
coloca além do mundo natural
como o conhecemos, ou seja,
esse Ser é sobrenatural por de-
finição. 1) que o criacionismo repre-
2) Comente brevemente senta para você?
sobre sua formação acadêmica O Criacionismo representa para
(titulações e experiências pro- mim uma cosmovisão alternativa
fissionais). àquela que sempre tive contato no
Sou bacharel em Física pela ambiente acadêmico. Embora não
Universidade Federal do Rio tenhamos pesquisas com viés cria-
Grande do Sul (UFRGS), Mes- cionista sendo desenvolvidas em
grandes centros de pesquisa secu-
tre em Astrofísica Nuclear pela
lar, é possível  reinterpretar os da-
UFRGS, desenvolvendo méto- dos disponíveis na literatura cientí-
dos para lidar com Teoria Quân- fica de modo a construir modelos
tica de Campos em presença de alternativos para o surgimento e o
campos gravitacionais intensos, desenvolvimento da vida.
desenvolvendo modelos mate- Como desenvolvi meus estu-
máticos nessa e em muitas ou- dos em Química, gosto de exem-
tras áreas. Efetuei Pesquisas em plos dessa área, tangenciando ou-
tras áreas do conhecimento, para
Física Hipernuclear (com hípe-
ilustrar esse tipo de reinterpreta-
rons) na Universidade Friedri-
ção. Considere as explicações que
ch-Alexander (Alemanha). Hoje, são apresentadas para a suposta
sou engenheiro de software para origem espontânea da vida,seja
a Hewlett-Packard (HP), desen- qual for a proposta apresentada,
volvendo tecnologias em Infor- de algum modo, moléculas de bai-
mática há décadas. xo peso molecular, como as bases
3) Descreva quais têm sido nitrogenadas e o açúcar que cons-
suas contribuições/realizações tituem o DNA, deveriam ser está-
veis nos supostos cenários pré-bió-
no campo do criacionismo.
ticos, dados os longos intervalos de
Tenho discutido com forma- tempo que supostamente teriam
dores de opinião, escrito e re- transcorrido entre a síntese dessas
visado artigos, participado em moléculas e a sua incorporação a
livros, fornecido entrevistas e macromoléculas como o DNA e/ou
feito muitas palestras sobre di- RNA.

Origem em Revista
76 1º Semestre 2018
No  entanto, estudos versando 3) Descreva quais têm sido
sobre características cinéticas e ter- suas contribuições/realizações
modinâmicas de reações químicas no campo do criacionismo.
de bases nitrogenadas e açúcares Infelizmente, em função do tra-
têm mostrado que tais moléculas balho e dos estudos, não dedico
são altamente instáveis, seja qual ao Criacionismo o tempo que eu
for o cenário proposto. Num des- gostaria de dedicar. Tenho tentado
ses estudos, os autores chegam contribuir, sempre que solicitado,
a afirmar que bases nitrogenadas com a Sociedade Criacionista Bra-
e açúcares não poderiam ter sido sileira (SCB). Na verdade, eu tenho
utilizados na síntese espontânea é muito mais recebido do que con-
das primeiras moléculas de RNA. tribuído com o Criacionismo. A pro-
Porém, todas as formas de vida ximidade com as pessoas que tra-
são constituídas por essas molé- balham na SCB, especialmente na
culas. Isso permite concluir que, se pessoa do Dr. Ruy Carlos de Camar-
tais moléculas são altamente instá- go Vieira, mudou  profundamente,
veis, elas deveriam ser utilizadas na tanto a minha vida pessoal, como
construção de moléculas de RNA também minha vida profissional.
logo depois de sua síntese. Essa Sou muito grato a eles por tudo. As
conclusão está em maior harmonia
contribuições que tenho dado se
com o relato Bíblico da Criação, se-
restringem a participar como pales-
gundo o qual a vida foi criada de
trante dos Seminários “Filosofia das
modo rápido, em perfeita harmo-
Origens”, organizados pela SCB e
nia com o conhecimento químico.
também a escrever artigos e revisar
2) Comente brevemente so-
alguns materiais e textos que a SCB
bre sua formação acadêmica (ti-
pretende publicar.
tulações e experiências profissio-
nais).
Sou licenciado em Ciências Marcia Oliveira de Paula
Biológicas pela Universidade de
Rio Verde (UniRV), Mestre em Quí-
mica pela Universidade de Brasília
(UnB) e Doutor em Química pela
Universidade Federal de Goiás
(UFG). Sempre trabalhei como Pro-
fessor, lecionando Matemática, Físi-
ca e Química em escolas e Cursos
pré-vestibular em diversas cidades
no Estado de Goiás. Desde 2009,
sou Professor concursado no Insti-
tuto Federal de Educação, Ciência
e Tecnologia (IFTO) do Tocantins,
lecionando disciplinas de Química Como cristã e
Analítica, Química Orgânica, Bio- 1) O que o criacionismo repre- adventista, não
química, entre outras. Desenvolvi senta para você? posso abrir mão
estudos sobre a utilização da téc- Meus pais são adventistas e da história da
nica de Ressonância Magnética meus avôs maternos se converte- criação. Para mim,
Nuclear associada à Quimiometria
ram ao adventismo quando jovens.
o criacionismo é
na diferenciação de matrizes bioló- fundamental, pois
gicas, e também no estudo da con- Assim, desde menina ouvia as histó- sem a história da
formação tridimensional de peptí- rias da Bíblia, incluindo a da criação. criação, pouca
deos de interesse biológico. Como cristã e adventista, não posso coisa faz sentido.

Origem em Revista
1º Semestre 2018 77
abrir mão da história da criação. Para Atualmente, tenho trabalhado mais
mim, o criacionismo é fundamental, com pesquisas nas áreas de Zoologia
pois sem a história da criação, pouca e Educação Ambiental.
coisa faz sentido na Bíblia. 3) Descreva quais têm sido
Em um sermão do Dr. James Gib- suas contribuições/realizações no
son, do Geoscience Research Institu- campo do criacionismo.
te, que eu tive o prazer de traduzir, Ajudei na tradução e revisão da
ele diz que quando você se veste, tradução de vários livros e artigos em
coloca uma camisa e a abotoa, ao revistas sobre o criacionismo. Tam-
começar, se você colocar o primeiro bém auxiliei na tradução simultânea
botão na casa errada, a camisa ficará de palestras em inglês. Fui membro
abotoada de forma errada até o fim. do Faith and Science Council, ligado
A única maneira de vestir a camisa de à Conferência Geral da IASD, por vá-
forma correta é colocando o primei- rios anos e participei de várias reu-
ro botão na casa correta. Da mesma niões promovidas por eles nos EUA,
maneira, na vida espiritual, devemos em 2002, 2004, 2006, 2007 e 2008.
ter o fundamento correto. E esse fun- Eu era a única representante do Bra-
damento é acreditar na Bíblia do co- sil. Já apresentei também muitas pa-
meço ao fim, da história da criação lestras sobre criacionismo em esco-
ao Apocalipse. Se o primeiro “botão” las, universidades e igrejas.
da criação não for colocado no lugar Participei como palestrante oficial
E esse correto, teremos problemas com o da SCB em vários de seus seminários
fundamento é resto da Bíblia. “Filosofia das Origens”.Também par-
acreditar na Bíblia 2) Comente brevemente sobre ticipei na organização de todos os
do começo ao sua formação acadêmica (titula- Encontros Nacionais de Criacionis-
fim, da história
da criação ao ções e experiências profissionais). tas, realizados no UNASP Campus SP
Apocalipse. Se o Sou bióloga, formada em li- a cada 3 anos. Em janeiro de 2016,
primeiro “botão” cenciatura e bacharelado pela Uni- realizamos a 8ª edição deste evento.
da criação não for versidade Federal de Minas Gerais No UNASP, eu leciono as disciplinas
colocado no lugar (UFMG), onde também concluí meu Ciência e Religião e Ciência das Ori-
correto, teremos mestrado em Ciências Biológicas, gens para o curso de Ciências Bioló-
problemas com o
resto da Bíblia. com ênfase em Microbiologia. De gicas desde 2013.
1989 a 1991, lecionei as disciplinas Nunca trabalhei com pesquisa,
Genética, Evolução e Embriologia propriamente dita, na área do criacio-
em várias universidades e faculda- nismo. Creio que precisamos incre-
des particulares em Minas Gerais. mentar a pesquisa nessa área a fim
Em 1998, concluí meu doutorado em de publicarmos em periódicos revi-
Ciências Biológicas na USP (também sados por pares. Precisamos de mais
com linha de pesquisa em Microbio- verbas e pessoas especializadas para
logia). Fui professora das disciplinas desenvolver projetos de pesquisa na
de Genética I, Genética II e Evolução área do criacionismo. Só assim pode-
e também coordenadora do curso remos, quem sabe, ter respostas para
de Ciências Biológicas do Centro muitas das perguntas que envolvem
Universitário Adventista de São Pau- o assunto do criacionismo.
lo, campus 1, por 10 anos, e do Nú-
cleo de Estudos das Origens (NEO).
Origem em Revista
78 1º Semestre 2018
Johannes Gerson Jansen 3) Descreva quais têm sido Se a natureza é
suas contribuições/realizações criada por Deus
no campo do criacionismo. ela é inteligível,
Tenho feito palestras sobre boa e real.
Design Inteligente e Criacionismo Finalmente, a
em diversas igrejas e Universida-
criação afeta o
des. Desde 2011 tenho mantido
conceito de mim
mesmo. Se devo a
o Blog Origem e Destino (http://
minha existência
www.origemedestino.org.br/blog/ a Deus, então não
johannesjanzen). Atualmente, te- tenho direitos
nho dirigido e mantido a Socieda- sobre Deus. Minha
de Origem e Destino (SOD), uma existência é um
1) O que o criacionismo re- sociedade criacionista com fins de
presenta para você?
projeto divino.
divulgação de artigos em portu- Devo a Ele tudo.
Inicialmente, a Criação faz dife-
rença no meu conceito de Deus. Se
guês relacionados a temas cristãos, Nada é de mim
Deus é o Criador, então Ele deve
inclusive sobre a controvérsia Cria- mesmo.
ção/Evolução. A SOD foi fundada
ser infinitamente poderoso, imen-
em 1983 em Campo Grande-MS
suravelmente sábio, um grande
pelo pastor Fridolin Janzen, meu
artista e muito generoso. Também
pai. Logo que fundada, iniciou-se a
faz diferença no meu conceito da
revista com visão criacionista-pro-
natureza. Se a natureza é criada
por Deus ela é inteligível, boa e fética Origem & Destino, com pu-
real. Finalmente, a criação afeta o blicação trimestral distribuída em
conceito de mim mesmo. Se devo todo o Brasil e outros países onde
a minha existência a Deus, então houvesse interessados. As publi-
não tenho direitos sobre Deus. Mi- cações foram realizadas até a 43ª
nha existência é um projeto divino. edição.
Devo a Ele tudo. Nada é de mim
mesmo. Queila de Souza Garcia
2) Comente brevemente so-
bre sua formação acadêmica (ti-
tulações e experiências profis-
sionais).
Sou bacharel em Engenharia
Civil pela Universidade federal do
Mato Grosso do Sul (UFMS), Mes-
tre e Doutor em Engenharia Hi-
dráulica e Saneamento  pela Uni- 1) O que o criacionismo re- À medida que
presenta para você? me aprofundo no
versidade de São Paulo (USP)com
O criacionismo é uma cosmo- conhecimento da
período sanduíche no Karlsruhe
visão que pressupõe a ação direta vida (biologia),
Institute of Technology (KIT, Ale-
de um ser inteligente na criação especialmente no
manha). Também possuo Pós-Dou-
do universo e da vida. Na visão ju- funcionamento
torado em Mecânica dos Fluidos das plantas e suas
pelo Massachusetts Institute of Te- daico-cristã, com a qual estou de
acordo, este ser é o Deus bíblico,
interações com
chnology (MIT, EUA). Atualmente, o ambiente em
sou professor Adjunto 3 do De- por meio do qual todas as coi-
que vivem, mais
partamento de Hidráulica e Trans- sas foram criadas e são mantidas.
convicta me torno
portesda UFMS e Coordenador do À medida que me aprofundo no de que tudo foi
Programa de Pós-Graduação em conhecimento da vida (biologia), meticulosamente
Tecnologias Ambientais da mesma especialmente no funcionamen- planejado.
instituição. to das plantas e suas interações
Origem em Revista
1º Semestre 2018 79
com o ambiente em que vivem, mais cializadas.
convicta me torno de que tudo foi 3) Descreva quais têm sido suas
meticulosamente planejado. O que contribuições/realizações no cam-
constatamos experimentalmente no po do criacionismo.
laboratório é que a vida é o resultado Tenho participado como pales-
de reações químicas precisas, rigoro- trante nos eventos promovidos pela
samente regidas por leis físicas e ma- SCB (especialmente nos Seminários
temáticas, não cabendo a imprevisibi- “Filosofia das Origens”), tanto no Bra-
lidade do acaso. sil como no exterior. Eventualmente
2) Comente brevemente sobre faço palestras em outros eventos e
sua formação acadêmica (titulações em igrejas. Sou uma das entrevistadas
e experiências profissionais). que compõem o livro Por Que Creio
Sou graduada em Ciências Bioló- do jornalista Michelson Borges e te-
gicas pela Universidade Federal do nho uma matéria publicada na Revista
Espírito Santo (UFES), com mestrado Adventista sobre o tema planejamen-
em Biologia Vegetal e doutorado em to inteligente. Além de artigos que
Ciências pela Universidade Estadual escrevi para a Revista Criacionista.
de Campinas (UNICAMP) e residên- Participei de alguns episódios da Sé-
cia pós-doutoral na Universitat de rie “Origens” veiculada pela TV Novo
Barcelona, Espanha. Atualmente, sou Tempo, abordando especialmente
professora titular da Universidade Fe- aspectos relacionados à biologia das
deral de Minas Gerais (UFMG) e pes- plantas.
quisadora do CNPq. Oriento no Pro-
grama de Pós-graduação em Biologia
Vegetal (mestrado e doutorado). Atuo
na área de Fisiologia Vegetal e minha
principal linha de pesquisa científica
é a temática da ecofisiologia de se-
mentes. Estou envolvida em muitos
projetos de pesquisa, alguns com co-
laborações internacionais, os quais
geraram a publicação de mais de 70
artigos científicos em revistas espe-

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