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HUMANIZAÇÃO DO MORRER

UNIDADE DE CUIDADOS PALIATIVOS

acadêmica orientadora departamento instituição turma


Natália Moneró Prates Patrícia Biasi Cavalcanti Arquitetura e Urbanismo Universidade Federal de Santa Catarina 2014.2
APRESENTAÇÃO

Este trabalho consiste no desenvolvimento de um anteprojeto arquitetônico para uma


Unidade de Cuidados Paliativos destinada a adultos e idosos na cidade de Joinville, SC.
Trata-se de planejar ambientes capazes de acolher e proporcionar melhor qualidade
de vida aos doentes terminais, assim como às suas famílias e à equipe profissional. O
projeto deverá integrar as necessidades do ambiente de saúde com as necessidades
físicas, psicológicas e espirituais dos usuários.

“Não se trata de saber como salvar vidas, mas de como propiciar uma boa
morte” Sérgio Carrara
INTRODUÇÃO AO TEMA E JUSTIFICATIVA
Nos deparamos nas últimas décadas com inúmeras transformações tecnológicas e científicas na área
da medicina. A vacinação erradicou muitas doenças e a evolução de tratamentos e medicações ajudaram
a diminuir os índices de mortalidade e a aumentar a expectativa de vida. Com a nossa população envelhe-
cendo, observamos o aumento do número de vítimas de tumores e doenças crônicas associadas à velhice.
Hoje morrer é muito solitário, mecânico e desumano. Grande parte disso decorre dessas evoluções
tecnológicas, em que o paciente fica conectado a máquinas, não necessitando de um acompanhamento
humano 24hs por dia. Muitas vezes, o doente espera sua morte em um leito de um hospital ouvindo apenas
os equipamentos que o mantém vivo, privado da companhia de sua família e da atenção emocional e espi-
ritual de um profissional.
Menezes (2004), em Em Busca da Boa Morte, relata as diferentes visões da morte. O modo como ela
é tratada hoje na maioria das instituições de saúde é identificada como “morte moderna” e o tratamento
ideal corresponde a “morte contemporânea”. No modelo da “morte moderna”, o doente que está morrendo
é silenciado - não participa das decisões referentes à sua vida, doença e morte. Na rotina institucional do
hospital moderno não há espaço para emoções, sejam dos médicos, dos doentes e dos familiares.
A instituição especializada em cuidados paliativos busca minorar o máximo possível a dor e os demais
sintomas dos doentes e simultaneamente, possibilitar mais autonomia e independência aos mesmos. O ideal
é que o paciente tenha controle do processo da morte, realizando escolhas com o suporte de uma equipe
multidisciplinar. A “morte contemporânea” está vinculada ao direito de “morrer bem”, com autonomia e
principalmente com dignidade.
Com o envelhecimento da população e o crescente debate em torno dos Cuidados Paliativos e da
humanização do morrer, no contexto mundial e nacional, verifica-se a necessidade de materializar em pro-
postas arquitetônicas os princípios do novo conceito da morte, objetivando a melhor “qualidade de vida”
durante o tempo que resta aos enfermos. Trata-se de planejar ambientes de total suporte aos usuários, cen-
trados em suas necessidades e anseios, oferecendo-os dignidade e mantendo a identidade social deles.
Ainda pouquíssimo presente no Brasil, a proposta de um centro especializado em Cuidados Paliativos
já é realidade em muitos países do mundo. Por aqui, nossa rede pública sofre com uma grande carência den-
tro do contexto do envelhecimento populacional. As instituições que atendem esses pacientes não possuem
infraestrutura e equipe adequadas para atendê-los. Além disso, devido a grande demanda, a maioria dos
asilos ou lares de idosos possuem filas e muitos deles nem aceitam pacientes enfermos.
O tema complexo e ainda muito novo foi escolhido através do meu interesse pessoal pela arquitetura
hospitalar. Acredito que a arquitetura tenha um papel importantíssimo na humanização dos ambientes de
saúde e neste tema em especial. Além de toda a complexidade de um edifício hospitalar, a sensibilidade
necessária para trabalhar com a chegada da morte é um grande desafio.

fonte: Instituto Paliar


A MORTE E O MORRER

O cenário da morte e do morrer se configura de formas diferentes para cada cultura, socieda- A partir da segunda metade do século XX, é consolidada a exclusão
de, comunidade e família. “Os aspectos diferenciais de cada modelo refere-se ao contexto social, ao da morte do contexto social através da transferência do local da morte. A
sistema de autoridade regente, às concepções de corpo, morte e luto, e aos valores prevalecentes e morte em casa entre amigos e familiares é substituída pela morte solitária
crenças associadas à morte em cada conjuntura” (MENEZES, 2004, p. 21). As transformações sociais no ambiente hospitalar. O velório também deixa de ser realizado na casa
ao longo dos séculos alteraram a relação do homem com a morte e o morrer. Será analisada neste da família e passa a ser uma cerimônia mais discreta seguida por um pe-
trabalho esSa relação no contexto da cultura ocidental. ríodo reduzido de luto. O período é marcado pela “morte interdita”, que
Na Alta Idade Média havia uma intimidade entre o morrer e o cotidiano da sociedade, a tende a ocultar do moribundo a real gravidade do seu estado de saúde.
morte era considerada e encarada como fase natural da vida. A “morte domada”, como denomi- Esta interdição busca poupá-lo do sofrimento, mas o impede de participar
nou Ariès (2003), era ritualizada, comunitária e enfrentada com dignidade e resignação. “A fami- do processo que para muitos é um período de reflexão, reconciliação e bus-
liaridade com a morte espelhava a aceitação da ordem da natureza, na qual o homem se sentia ca pela paz espiritual.
inserido. Com a morte, o homem se sujeitava a uma das grandes leis da espécie e não cogitava em “Como outros fenômenos da vida social, o processo do morrer pode
evitá-la ou exaltá-la: simplesmente a aceitava” (MENEZES, 2004, p. 26). ser vivido de distintas formas, de acordo com os significados compartilha-
No século XII, já na Baixa Idade Média, a incerteza ganha espaço a partir do momento que dos por esta experiência. Os sentidos atribuídos ao processo de morrer so-
fonte: Catraca Livre
a Igreja passa a intermediar o acesso da alma ao paraíso e o julgamento final. A morte deixa de ser frem variação segundo o momento histórico e os contextos socioculturais. O
encarada como natural e passa a ser uma punição. É nesta época que surge a ideia da “morte de si”, morrer não é então apenas um fato biológico, mas um processo construído
para Ariès ela é marcada pelo reconhecimento da finitude da própria existência. Têm-se as origens socialmente, que não se distingue das outras dimensões do universo das re-
do Individualismo com a substituição gradativa dos túmulos coletivos por individuais, traduzindo o lações sociais” (MENEZES, 2004, p. 24).
apego às coisas da vida. Nossa cultura ocidental contemporânea baniu a morte para as insti-
Na Idade Moderna, a partir do século XVIII, a morte passa a ser romantizada. As igrejas dei- tuições hospitalares excluindo ela do convívio social. A morte se tornou cada
xaram de ser o local dos sepultamentos, que passam a ocorrer nos cemitérios. A individualização das vez mais temida, caracterizada pelo mistério, pela incerteza e, consequen-
sepulturas se concretiza, deixaram de ser anônimas e crescendo a preocupação com a demarcação temente, pelo medo daquilo que não se conhece. O avanço do materialismo
do lugar. A morte era vivenciada de modo mais familiar e onipresente. “O nascimento e a morte científico distanciou o homem da morte e de tudo o que pode ser natural,
tinham caráter público: constituíam acontecimentos sociais, vividos na e pela comunidade” (MENE- como o adoecer e o falhar. “Há uma mudança no sistema de valores, nas
ZES, p. 2004, 29). representações e nas sensibilidades contemporâneas relativas à morte e ao
A partir do século XIX, a morte do outro se torna dramática e o luto ganha proporções exage- morrer” (MENEZES, 2004, p. 21).
radas. A morte é apresentada de forma cruel e violenta marcada pela intolerância da perda e da A cultura ocidental passa a priorizar a preservação da felicidade.
separação. Essas mudanças causaram alterações nas perspectivas das pessoas em relação à morte, O excessivo apego à vida, característico da civilização industrial, acabou
iniciando, a partir do século XX, o afastamento da morte do cotidiano, “transformando-a em tabu criando uma obsessão por estar sempre feliz, evitando tudo que possa cau-
fonte: Flickr Philippe Meunier e privando o homem de sua própria morte” (MENEZES, 2004, p. 27). sar tristeza ou aborrecimento.
fonte: Pinterest
A HUMANIZAÇÃO E OS AMBIENTES DE SAÚDE

O estresse pode ser o responsável pela causa


ou agravamento de inúmeras doenças. O ambiente
As mudanças que ocorreram na medicina e na compreensão da saúde aliada às hospitalar naturalmente já é um gerador de estresse,
pesquisas na área de psicologia ambiental comprovaram o impacto positivo do ambiente tanto para o paciente quanto para os funcionários.
acolhedor sobre a saúde e o bem-estar dos pacientes. Essas mudanças refletiram na arqui- A falta de familiaridade com o ambiente, a perda
tetura, e o termo “arquitetura humanizada” tornou-se cada vez mais frequente nos proje- de independência, a separação da família, os pro-
tos da área. A relação entre o homem e o ambiente pode influenciar no bem-estar físico e blemas financeiros e o medo de procedimentos são
mental dos usuários, ficando evidente a responsabilidade da arquitetura. algumas situações que podem ocasionar estresse nos
Os ambientes hospitalares nem sempre tiveram as funções e características pelas pacientes. Este estado ainda pode ser agravado pela
quais os identificamos hoje. “Até o século XVIII, o hospital era essencialmente uma instituição sobrecarga ou falta de estímulos sensoriais, o des-
de assistência aos pobres, administrada por religiosos. [...] O objetivo de quem trabalhava conforto térmico, a discriminação social e frustações
no hospital não era fundamentalmente obter a cura do doente, mas alcançar sua própria causadas pelo ambiente.
salvação” (MENEZES, 2004, p.27). Ao projetarmos edificações mais saudáveis e
No final do século XVIII, o hospital começou a ser visto como instrumento terapêutico. humanizadas, devemos explorar o potencial tera-
“A medicina, seu saber e sua instituição tornam-se referências centrais no que se refere a pêutico do ambiente construído dando ênfase para
fonte: Heath Care Design Magazine fonte: Plataforma Arquitectura fonte: Heath Care Design Magazine
saúde, vida, sofrimento e morte”(MENEZES, 2004, p.28). Este processo resultou em meados algumas características ambientais, como: a quali-
do século XIX, na transferência do local da morte das residências para as instituições hospi- dade do ar, o conforto térmico, acústico e lumínico,
talares, e com isso a responsabilidade dos cuidados aos moribundos passou dos familiares a privacidade, a transparência, o contato com a na-
para os médicos e funcionários do hospital. tureza e aos estímulos visuais de acordo com o tipo
Já no século XX, os hospitais e ambientes de saúde primaram pela funcionalidade, de ambiente, explorando as cores, texturas e formas.
pela incorporação da tecnologia e pela assepsia. Estes fatores acabaram resultando em Um ambiente bem projetado também é um
ambientes austeros, monótonos e pouco acolhedores. A partir dos anos 70, começa-se a estímulo para a equipe profissional e os familiares
questionar esse modelo de ambiente de saúde. Passa-se a entender que o local deve ser do paciente. A relação entre o ambiente e os fun-
eficiente, mas ao mesmo tempo ser acolhedor e humanizado. De acordo com CLEMESHA, é cionários quando bem explorada minimiza o estres-
nesta época que modelos multidimensionais, ou holísticos, de saúde ganharam espaço. Ne- se, motiva o trabalho e estimula a empatia entre a
les, a relação entre corpo, mente e espírito é reforçada e a saúde passa a ser tratada como equipe e o paciente, resultando assim, em um me-
um todo, não apenas a doença. lhor atendimento e satisfação de todos. Para os fa-
Paralelamente a esses conceitos, um processo de transformação cultural iniciado nos miliares, ambientes adequados para longas horas de
anos 60 introduz o conceito de psicologia ambiental através dos estudos de ambiente e espera de angustia e estresse, são essenciais e con-
comportamento. “Novos paradigmas para o estudo da percepção conduziram a uma visão tribuem fundamentalmente para manter uma boa
mais complexa, subjetiva e criativa (ou interativa) da relação entre o homem e o ambien- saúde mental e poder oferecer todo o suporte que o
te” (CLEMESHA, 2003, p.39). fonte: Heath Care Design Magazine fonte: Parkin Architects Limited fonte: Heath Care Design Magazine paciente necessita.

OS CUIDADOS PALIATIVOS NO MUNDO NO BRASIL
A precursora do que conhecemos hoje como Cuidados Paliativos foi a enfer- No Brasil os cuidados paliativos estão começando a ganhar

DEFINIÇÃO E PRINCÍPIOS meira, médica e assistente social inglesa Cicely Saunders. Ela dedicou sua vida ao
alívio do sofrimento humano e deu início ao que se chama hoje de Movimento Hos-
espaço. Em função do tamanho do país e das diferenças regionais,
em termos de estrutura sanitária e diferenças culturais a respeito
pice Moderno ao fundar o primeiro Hospice em Londres em 1967. O St. Christopher da morte, o processo é bem lento. Mas, nos últimos anos conseguiu
Hospice é reconhecido até hoje como um dos principais serviços no mundo em Cui- maior reconhecimento pela sociedade e pelo governo.
Em 2002 a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu os Cuidados Paliativos dados Paliativos e Medicina Paliativa . Na década de 1970, o encontro dos ideais de Segundo a Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP)
como uma abordagem ou tratamento que melhora a qualidade de vida de pacientes Cicely Saunders com os de Elisabeth Kübler-Ross, nos Estados Unidos, fez com que o no Brasil, iniciativas isoladas e discussões a respeito dos Cuidados Pa-
e familiares diante de doenças que ameacem a continuidade da vida, ou seja, doenças Movimento também crescesse naquele país, hoje já são mais de 5 mil hospices nos liativos são encontradas desde os anos 70. Contudo, foi nos anos 90
incuráveis ou graves, em fase avançada e progressiva. Para tanto, é necessário avaliar e Estados Unidos. Elisabeth foi uma psiquiatra que dedicou grande parte de sua vida que começaram a aparecer os primeiros serviços organizados, ainda
controlar não somente a dor, mas, todos os sintomas de natureza física, social, psicológica aos estudos da morte e do morrer. Em seu principal livro Sobre a Morte e o Morrer, de forma experimental. Foi em 1996 que foi criado o primeiro serviço
e espiritual. “Paliativo vem do latim palium que quer ela identifica fases nos períodos que antecedem a morte e cria métodos para que o de Cuidados Paliativos no país, a Unidade IV no Instituto Nacional

São entendidos por sintomas:
dizer manto/cobertor. Era uma capa colocada fim da vida seja mais ameno para os pacientes, médicos e familiares. de Câncer do Rio de Janeiro – INCA.
O tema desde então tem ganhado espaço nas pesquisas e nos investimentos A primeira tentativa de congregação dos paliativistas acon-
nas costas dos cavaleiros das cruzadas para pro-
em saúde pública, mas ainda permanece carente ou inexistente na maior parte dos teceu com a fundação da Associação Brasileira de Cuidados Palia-
Físicos – dor, tosse, fadiga, febre, falta de ar, náuseas... tegê-los das intempéries. É o cuidado de prote- países em desenvolvimento e subdesenvolvidos. Segundo o Atlas Global dos Cuida- tivos – ABCP em 1997. Após 5 anos, em julho de 2002 os Cuidados
Sociais – necessidades de apoio da família, questões da alimentação, trabalho, ção contra o sofrimento, que é a natureza de dos Paliativos no Fim da Vida (Global Atlas of Palliative Care at the End of Life), Paliativos foram incluídos no Sistema Único de Saúde – SUS. Con-
moradia e relações interpessoais. o primeiro relatório mundial sobre o tema, elaborado e divulgado pela OMS no tudo, com a fundação da Academia Nacional de Cuidados Paliati-
Psicológicos – preocupações, medos, tristeza, raiva, angústia, solidão... uma doença grave, incurável, fora de possibili-
início de 2014, apenas 20 países no mundo têm um sistema adequado de cuidados vos - ANCP em 2005, estas atividades deram um salto institucional
Espirituais – questões do sentido da vida e da morte, necessidade de estar em paz. dade de tratamento, de controle, que ameaça paliativos. O Brasil não é um deles. enorme.
a continuidade da vida e está em progressão No mapa abaixo podemos analisar os níveis de desenvolvimento de cuida- A Resolução 1805/2006 do Conselho Federal de Medicina, que
As ações paliativas compreendem medidas terapêuticas sem intuito curativo, tra- dos paliativos em todos os países. Nota-se que o Brasil está classificado como nível trata da efetivação do direito de morrer com dignidade, regula-
ta-se do gerenciamento dos sintomas atendendo as necessidades e anseios do paciente e naquela pessoa”. (ARANTES, 2012) 3a, caracterizado por fornecimentos isolados. Isso significa que o desenvolvimento menta a prática da ortotanásia no Brasil. Esta resolução ganhou
de seus familiares. Os especialistas de cuidados paliativos, conhecidos como paliativistas, destas atividades é desigual no território brasileiro e não tem estrutura de suporte força de lei após a sentença do Ministério Público Federal em 2010
passam a tratar do doente e não mais de sua doença. Para isto, o tratamento deve adequada, além de ser destinado a uma parcela muito limitada da população. e deu visibilidade para o tema. Conforme o Dicionário Houaiss da
reunir as habilidades de uma equipe multiprofissional incluindo desde médicos a fisiote- Língua Portuguesa, a ortotanásia é a morte natural, normal. Este
rapeutas e assistentes sociais.
“Os cuidados paliativos, seus ideólogos e institui- termo é usado na medicina em referência à interrupção de procedi-
Os cuidados paliativos têm como princípios o respeito à autonomia, à vontade, a mentos e/ou medicações consideradas invasivas que adiam a morte
individualidade, a dignidade do ser humano e a inviolabilidade da vida humana. Res- ções buscam criar uma nova representação do
de um paciente já considerado sem possibilidades de cura. Esta in-
peita valores, crenças e práticas pessoais, culturais e religiosas. Consiste na afirmação da morrer” terrupção deve ser um desejo do paciente e de seus familiares.
vida e do valor intrínseco de cada pessoa, considerando a morte como processo natural (MENEZES, 2004, p.20) Em entrevista em 2009, o então Ministro da Saúde José Gomes
que não deve ser prolongado através da obstinação terapêutica. As famílias recebem Temporão, afirma que “Os cuidados paliativos são essenciais em um
apoio adequado à sua situação e necessidade, incluindo a facilitação do processo do sistema de saúde. Não são meras alternativas, mas complementos
luto. necessários dentro do ciclo da vida das pessoas”. Desta forma, vemos
Os maiores beneficiários têm sido os portadores de câncer em estágio avançado, que o governo está ciente das necessidades e vantagens destas ati-
mas o atendimento de cuidados paliativos também contemplam pacientes com: doen- vidades. Ainda segundo ele, o Ministério da Saúde tem como projeto
ças cardiovasculares (excluindo mortes súbitas), cirrose do fígado, doenças pulmonares a disseminação do tema com a intenção de sensibilizar a população
obstrutivas crônicas, diabetes, HIV / AIDS, insuficiência renal, esclerose múltipla, doença da sua importância.
de Parkinson, artrite reumatóide, tuberculose fármaco-resistente (TB). fonte: CONNOR S, BERMEDO M., 2014
OS USUÁRIOS EQUIPE DE FUNCIONÁRIOS COMUNIDADE
Os usuários de uma Unidade de Cuidados Paliativos, ou Hospice, podem ter diferentes etnias,
culturas, religiões, idades e situação socioeconômica. No projeto devem ser consideradas todas suas
FAMILIARES, VISITANTES A equipe interdisciplinar, pressuposto básico da assistência paliativa, pode
ser composta de médicos, enfermeiros, assistentes sociais, nutricionistas, psicólogos,
Na Inglaterra nos anos 90, surgiu um movimento que começou a introduzir a temática
da morte visando os benefícios da aceitação da morte natural. “Foi fundado por três psico-
necessidades: físicas, sociais, psicológicas e espirituais.
O Hospice também é um espaço de trocas. Nele, os pacientes, familiares, profissionais e comu-
E CUIDADORES EXTERNOS farmacêuticos, fisioterapeutas, técnicos de enfermagem e de farmácia, além de
pessoal técnico-administrativo e grupo de voluntários.
terapeutas, o Natural Death Center, uma instituição educacional sem fins lucrativos, para
divulgar a morte natural. [...] Este Centro se propõe a ensinar e a divulgar as melhores formas
nidade podem estar constantemente trocando experiências e aprendendo não apenas sobre a mor- A família também passa por um desgaste emocional durante o proces- Os paliativistas podem ser considerados os “profissionais da morte”. Eles de- de cuidados aos doentes que estão morrendo, seja em hospices ou em casa, por quaisquer do-
te, mas principalmente sobre a vida. “A equipe hospitalar, os médicos, as enfermeiras, os assistentes so de perda de um parente. Além do suporte emocional prestado ao paciente, vem ser pacientes, atenciosos, ter compaixão, bom senso, empatia, tranquilidade enças, e não apenas o câncer” (MENEZES, 2004, p.48). A Instituição publicou em 1993 o livro
sociais, os capelães não sabem o que perdem evitando esses pacientes. Se estamos interessados no os Cuidados Paliativos incluem assistência à família do doente. “No período e sensibilidade para poder enfrentar todas as dificuldades da profissão e tentar The Natural Death Handbook que é até hoje sucesso de vendas, desempenhando um grande
comportamento humano, nas adaptações e nas defesas de que os seres humanos lançam mão para da doença, os familiares desempenham papel preponderante, e suas rea- proporcionar o melhor ambiente para os pacientes e suas famílias. Eles têm um papel social.
enfrentar essas dificuldades, não existe melhor lugar para aprender.” (KUBLER-ROSS, 2008, p. 50). ções muito contribuem para a própria reação do paciente” (KUBLER-ROSS, importante papel social e tem a consciência da “profundidade da ruptura cultural Neste trabalho a comunidade também será considerada um usuário e o Hospice terá
2008, p.163). “O moribundo também pode ajudar seus familiares, fazendo que seu ideário e prática implicam” (MENEZES, 2004, p. 12). um importante papel social introduzindo no dia-a-dia a temática da morte, tentando des-
com que encarem a sua morte” (KUBLER-ROSS, 2008, p.167). mistificá-la e tornando a problemática em um evento social natural e mais leve. A instituição
PACIENTES Os familiares recebem apoio para enfrentar seus próprios medos, mas Através das palavras da médica brasileira Maria Gorette Sales Maciel no pode adotar posturas semelhantes ao Natural Death Center e prestar serviços de orientação
também são orientados e “treinados” para cumprir o papel de cuidadores “Juramento do Paliativista” pode-se entender um pouco melhor qual o papel do para a comunidade.
Os pacientes são compostos por doentes terminais, de diferentes patologias que não buscam reali- quando necessário. “Os familiares passam a ser objetos de intervenção da paliativista e a situação a qual estão expostos.
zar tratamentos com fins curativos. Eles buscam um atendimento humanizado que proporcione o alívio equipe, que busca integrá-los ao de “cuidadores”. Para tanto, é fundamen-
da dor e o máximo de qualidade possível no período terminal de suas vidas. Alguns desses pacientes “pro- tal sua aderência aos princípios básicos dos Cuidados Paliativos e incorpora-
curam não somente viver com a suas limitações e habilidades físicas diminuídas, mas também enfrentar “Juro por todos os meus ancestrais, pelas forças vivas da na-
ção dos mesmos” (MENEZES, 2004, p. 126).
a solidão e o isolamento com os anseios e angustias que deles advêm” (KÜBLER-ROSS, 2008, p.6). tureza e por todos os dons e riquezas desta vida, que em
A atenção e amparo às famílias podem ir além da morte do pacien-
Seguindo os princípios dos Cuidados Paliativos, o paciente “tem voz”, portanto, algumas restrições todos os meus atos preservarei e respeitarei a vida do meu
te, sendo muitas vezes necessário apoio durante todo o processo de luto. “As
quanto à alimentação, a visitas e ao hábito de fumar, encontradas nos ambientes hospitalares, não são paciente. Sentarei ao seu lado e escutarei suas queixas, suas
necessidades da família variarão desde o princÍpio da doença, e continuarão
impostas em um Hospice. O ambiente deve proporcionar as oportunidades e estimular a comunicação histórias e seus anseios. Cuidarei, reunindo todos os recur-
de formas diversas até muito tempo depois da morte” (KUBLER-ROSS, 2008,
dos doentes. sos de uma equipe multiprofissional, para que ele se sinta
p.165).
da melhor forma possível, importando-se sempre de tratar
o que o incomoda, usando apenas os recursos necessários e
imprescindíveis para isto. Estarei ao seu lado e não o aban-
donarei ate o seu último instante. Farei, silenciosamente, a
nossa despedida, desejando-lhe amor e sorte no seu novo lo-
cal. Zelarei pelo seu corpo e consolarei sua família e pessoas
queridas logo após sua partida, permitindo-lhe que vá com
segurança e tranquilidade. Por fim, falarei de amor e com
amor. E aprenderei, com cada um deles, a amar cada vez
mais, incondicionalmente”. fonte: visitingnurse.org fonte: Pinterest
(Autoria de Maria Gorette Sales Maciel)

A estrutura de um Hospice deve proporcionar para a equipe profissional um “Todo o interesse na doença e na morte é, em verdade, apenas
ambiente de estimulo e conforto, incentivando boas relações entre os funcionários
e com o paciente, os familiares e a comunidade. Devem ser previstas áreas restri-
uma outra expressão do nosso interesse pela vida ”
tas a eles permitindo privacidade quando necessário, como áreas para descanso e (MANN, Thomas, A montanha mágica)
fonte: Pinterest Denise Lopez fonte: Billings Gazette fonte: Harrison’s Hope Hospice
alimentação, e espaços para reuniões.
HOSPICE ESTUDOS DE CASO
O Hospice é uma instituição especializada exclusivamente no atendimento de Cuidados Pa- Robin House Children’s Hospice, Balloch - Escócia, 2005.
liativos. É um ambiente acolhedor que oferece cuidados especiais para pacientes que possuem do- O projeto de Hospices contempla a complexidade material de
Projetado pelo escritório Gareth Hoskins Architects, a Robin House
enças que ameacem a continuidade da vida, ou seja, pacientes terminais. Sua filosofia trata o pa- unidades de saúde e a complexidade humana com relação aos sen-
é um hospice para as crianças do Children’s Hospice Association of
ciente e sua família como entidade única, seguindo todos os ideais dos Cuidados Paliativos que já timentos de perda e chegada da morte. Desta forma, a arquitetura
Scotland. A edificação tem como objetivo proporcionar cuidados
foram descritos, tendo como essência a dignidade do ser humano até o final da vida. deve se expressar em várias dimensões, através da funcionalidade,
residenciais e acomodações para até nove crianças e suas famí-
O modelo de Hospice como é conhecido hoje é fruto do Movimento Hospice Moderno surgido da estética, do simbolismo e da espiritualidade. Estes estabelecimen-
lias. O hospice oferece um ambiente acolhedor e convidativo, ao
na Inglaterra na segunda metade do século XX. Seu modelo mais recorrente é um estabelecimento tos devem sobre tudo transmitir comprometimento, compaixão, su-
mesmo tempo em que é moderno, é animado e atraente para a
com internação, que pode também conter serviços ambulatoriais e estrutura de hospital-dia. porte, proteção, segurança e cordialidade.
criança. Grande parte da fachada é revestida com madeira, mas
Essa instituição será o último lar desses pacientes, por isso, eles
o seu interior tem um desenho orgânico, que combinado com a
devem sentir a sensibilização não só da equipe de cuidados palia-
forma ondular do telhado cria ambientes vibrantes. O telhado pa-
tivos, mas também do ambiente. O edifício deve estar preparado
rece flutuar acima da fachada, seu desenho permite maximizar a
para receber e acolher os usuários, deve incluir o desenho universal e
luz do dia, e também criar uma identidade única para o edifício. fonte: Gareth Hoskins Architects fonte: Gareth Hoskins Architects fonte: Gareth Hoskins Architects
facilitar a orientabilidade do paciente.
Muitos autores defendem que a arquitetura para se tornar Hospice Djursland, Rønde - Dinamarca, 2007.
humanizada deve transmitir ao usuário a sensação de lar. Contudo, O Hospice Djursland é uma instalação de tratamento paliativo
mesmo que a instituição transmite o simbolismo do lar, ela não deve localizado no leste da Dinamarca. Assinado pelo escritório dina-
se limitar à arquitetura tradicional, rústica ou clássica. A arquitetura marquês C.F. Möller, tem cerca de 1900 m² e possui acomodação
pode ser inovadora, usufruindo da tecnologia e compondo uma di- de internação para 15 pacientes.
versificada palheta de materiais. O Hospice é um edifício dentro da paisagem, independente de
O programa da unidade pode variar conforme o tipo de ser- onde você estiver a paisagem estará sempre presente. A implan-
viço oferecido, podendo ser uma unidade ambulatorial, de inter- tação semicircular garante que todos os pacientes/quartos desfru-
nação e/ou hospital-dia (day care). Independente do programa, tem de uma vista igualmente privilegiada da baía. Os materiais
devemos considerar que a filosofia dos cuidados paliativos não tem predominantes tanto interna quanto externamente são o cobre, o
o isolamento do paciente como princípio, ele deve ter a escolha de carvalho e vidro, que interagem naturalmente com a paisagem e
fonte: CF Moller fonte: CF Moller fonte: CF Moller
fonte: Willowbrook Hospice interagir ou se isolar. Assim, a arquitetura deve proporcionar espaço proporcionam uma sensação de aconchego nos ambientes.
suficiente para estimular a convivência dos pacientes com familiares,
amigos e equipe profissional, mas também proporcionar ambientes North London Hospice, Londres - Inglaterra, 2012.
que assegurem boas condições de privacidade. Projetado por Allford Hall Monaghan Morris (AHMM), o North
“O exterior de um Hospice tem que expressar seus ide- As unidades podem estar contextualizadas tanto no meio ru-
ral quanto no urbano e são muitos os fatores que devem ser analisa-
London Hospice teve muitas premiações conquistadas. A edifica-
ção foi projetada para ser uma versão grande de uma casa fami-
ais. A conexão com a comunidade pela sua fachada e dos para a escolha do local. Fatores demográficos, culturais, facilida- liar, transmitindo assim, um sentimento caseiro de bem estar em
de de acesso, capacidade de atendimento, infraestrutura do bairro, um ambiente contemporâneo, bonito e “não clínico”, de modo a
entrada pode provocar uma reação positiva e elevar a proximidade com outros equipamentos de saúde etc. Sempre deve evitar quaisquer conotações institucionais negativas. O programa
ser analisado a logística dos pacientes, das famílias, dos funcionários
autoestima dos funcionários, voluntários e pacientes” e o acesso aos recursos – medicamentos, alimentação, transporte,
não possui internação apenas atividades diárias. Os pacientes e
seus cuidadores são incentivados a participar de conversas, a se
etc. juntar em terapias criativas ou submeter-se a tratamentos.
(VERDERER; REFUERZO, 2006, p. 63). fonte: AHMM fonte: AHMM fonte: AHMM
ÁREA DE INTERVENÇÃO

CIDADE BAIRRO

O bairro Costa e Silva teve o primeiro loteamento inaugurado em 1969, mas


Localizada no Norte do Estado de San- passou a se chamar assim apenas em 1977. Com a implantação da Zona Industrial
ta Catarina, Joinville é a maior cidade cata- Norte na década de 70, surgiram diversos loteamentos e hoje o bairro é um dos mais
rinense, responsável por cerca de 20% das populosos de Joinville e que continua no processo de adensamento.
exportações do estado. É o mais importante Segundo os últimos dados do SEBRAE (2010) a densidade demográfica do
polo econômico, tecnológico e industrial de bairro é de 4.424 hab./km² e conta com uma área de 6,58km².
Santa Catarina, e o 3º da região Sul. JOINVILLE Ele está localizado de forma estratégica na cidade, com fácil acesso à Br 101 e
Com mais de 515 mil habitantes, Join- ao Centro da cidade, permitindo fácil acesso aos pacientes da cidade e da região.
ville é a maior cidade do estado em popula- O bairro já possui infraestrutura adequada facilitando a implantação da ins-
ção. Segundo o site da prefeitura de Joinville, tituição evitando gastos extras.
é a sexta cidade que mais cresceu no Brasil
nos últimos 10 anos (www.joinville.sc.gov.br). LEGENDA (hab/km²):
Além de ser populosa e ter uma eco-
nomia forte, Joinville possui uma localização
estratégica estando próxima de duas capitais
da região Sul, Florianópolis e Curitiba.

fonte: Arquivo Pessoal

LEGENDA:
No contexto da saúde pública, a cida-
terreno
de possui um déficit na estrutura do sistema
de sáude pública. Possuindo menos leitos de BR 101
internação disponíveis do que a média esta- Av. Marquês
dual e nacional. de Olinda
(acesso ao
centro da
fonte: Arquivo Pessoal cidade)
fonte: Arquivo Pessoal
6
ÁREA DE INTERVENÇÃO
5 4

TERRENO 2

Localizado em uma área residencial e tranquila do bairro, o terreno 3


escolhido é composto por dois lotes que somam certa de 6.600 m². O terre- LEGENDA: fonte: Arquivo Pessoal fonte: Arquivo Pessoal
no pertence ao município, possui fácil acesso por transporte público e está Avenida Marquês de Olinda
bem inserido na malha viária. Ele se encontra a cerca de 2,8km da BR 101 1
(acesso direto ao Centro) 1 - Rua Padre José Sandrup, vindo do PA 24 horas. 2 - Rua Padre José Sandrup, vindo do PA 24 horas.
e aproximadamente 4,5km do centro da cidade.
Como ilustrado na figura ao lado, comércio pode ser encontrado Raio 500m (cerca de 5min caminhando) fonte: Arquivo Pessoal
dentro de um raio de 500m, distância que pode ser percorrida em 5min de
caminhada. A proximidade com o Pronto Atendimento é extremamente Percurso Transporte Público Existente O terreno possui grande relação com as vias e se destaca na
importante pois em caso de emergência ele pode dar suporte à instituição.
paisagem devido a topografia da área. A acentuada declividade
As linhas de ônibus existentes podem ser observadas em laranja, pe-
1 - PA 24 horas (Pronto Atendimento) do terreno pode se tornar uma aliada ou um desafio para o projeto,
quenas alterações nos itinerários poderiam deslocar os percursos para as
2 - Farmácia são aproximadamente 8 metros de diferença de nível da parte alta
vias de acesso à instituição. Além das linhas convencionais, Joinville conta
3 - Mercado até a parte baixa do terreno. Abaixo pode-se entender melhor os
com um transporte exclusivo para portadores de necessidades especiais
4 - Escola níveis naturais dos lotes.
chamado “Transporte Eficiente”, agendamentos podem ser feitos com 24
fonte: Arquivo Pessoal 5 - Campo de Futebol A presença da esquina valoriza o terreno e pode dar força
horas de antecedência, o transporte busca o passageiro em casa e o leva
para o projeto se for bem explorada. Ela pode ser convertida como
até o destino desejado.
espaço público para uso da comunidade e funcionar como elemento
de atração do público. fonte: Arquivo Pessoal fonte: Arquivo Pessoal

LEGISLAÇÃO: 3 - Rua João Koneski, sem saída. 4 - Rua Helena Degelmann.

No Plano Diretor vigente da cidade, o terreno está localizado dentro da Zona Residencial - ZR4b.
Na tabela abaixo podemos observar que nesta área são permitidas instituições de saúde e podemos analisar seus índices admitidos.

LEGENDA: E2.2- Saúde


Casa de Saúde; Centro de Saúde; Consultórios comunitários; Dispensários; Hospital; Hos- fonte: Arquivo Pessoal fonte: Arquivo Pessoal
terreno pital Psiquiátrico; Maternidade; Pronto atendimento médico; Pronto-socorro.
5- Esquina Rua Helena Degelmann 6 - Rua João Koneski.
com Padre José Sandrup.
DIRETRIZES PROJETUAIS / CONCEITOS
Ignorada e temida pela maioria das pessoas, a morte é um acontecimento natural HUMANIZAÇÃO - Ambiência RELAÇÃO INTERIOR x EXTERIOR
no curso da vida. Carregada de incertezas e medos, a descoberta de uma doença grave Trabalhar a imagem do local estimulando o bem estar dos usuários. Os ambien- Promover a integração entre os ambientes internos e a área exter-
que ameaça a continuidade da vida é um dos momentos de maior fragilidade para o tes devem transmitir segurança, acolhimento, tranquilidade, paz, serenidade e na, explorando o efeito restaurador e benéfico da natureza sobre a
ser humano. Cada pessoa encara esse processo de maneira diferente, mas tanto para o aconchego. Trabalhar a identidade do local de forma que a frieza da maioria saúde de todos os indivíduos, ainda mais significativo para pessoas
paciente quanto para o familiar é um momento de muita reflexão e pode vir acompa- dos estabelecimentos institucionais seja esquecida, e a instituição crie uma nova enfermas ou em situações de estresse. Esta relação também contribui
nhada de sofrimento emocional. identidade forte e contemporânea para o segmento da arquitetura hospitalar. para a orientação espacial dos usuários e também permite que se-
Passar por este processo em um ambiente adequado e com o suporte de profis- A escala do edifício deve ser respeitada, evitando a escala monumental para jam identificadas as condições do clima e as diferentes horas do dia.
sionais é um grande diferencial. Nem sempre encontramos em nossos lares a estrutura garantir o acolhimento dos usuários. Materiais, texturas, formas e cores, devem Prever: jardins internos; tratamento paisagístico das áreas externas
adequada e a disponibilidade de um cuidador. Já no ambiente hospitalar a estrutura ser explorados na construção de ambientes mais acolhedores e humanizados. acomodando várias atividades para os usuários (espaços para sen-
tecnológica não se faz mais necessária e os custos hospitalares são muito elevados, além tar, caminhar, conversar, fazer atividades em grupo, se isolar...); ao
das limitações da convivência com os familiares. HUMANIZAÇÃO - Vivência projetar as aberturas, explorar os melhores visuais.
Para atender a essas necessidades foram traçadas algumas diretrizes projetuais Proporcionar opções ao usuário, oportunizando tanto momentos de socialização
para o desenvolvimento de um projeto arquitetônico de um Hospice, uma Unidade de DIVERSIDADE DE USUÁRIOS
quanto de reclusão. Para isso, o projeto deve prever ambientes privativos e am- Planejar a edificação tendo em vista a diversidade de usuários, mi-
Cuidados Paliativos. bientes coletivos em diferentes graus e para diferentes atividades. Por exemplo, nimizando perdas ou limitações decorrentes do envelhecimento e/ou
prever locais para atividades individuais ou introspectivas como ambientes de das doenças vivenciadas pelos pacientes. Para tanto, os ambientes
meditação, biblioteca e jardim; e locais que estimulem a comunicação e convi- devem: explorar mais de um sentido, compensando perdas específi-
vência com outros, como estares e refeitório. Assegurar tanto condições ideais de cas (como a visão ou a audição); ser seguros, encorajando a autono-
privacidade no quarto quanto de recepção para visitas. Oportunizar a vivência mia dos usuários; ser simples e intuitivo, eliminando complexidades
do usuário com a natureza, com a família e com animais de estimação. desnecessárias; ter as informações de fácil percepção; ser práticos e
Tendo em vista a importância do suporte social para o paciente, o espaço deve evitar o desgaste físico.
ser acolhedor e estruturado de forma a oportunizar e estimular a permanência
de familiares e acompanhantes por longos períodos. Para tanto, deve-se prever CONFORTO AMBIENTAL
condições favoráveis para a longa permanência deles junto ao leito dos pacien- Buscar oferecer conforto térmico, acústico e lumínico no ambiente
tes internados, bem como ambientes de suporte como estares, refeitório/ café e construído. Preferencialmente buscando condições favoráveis à sus-
biblioteca. tentabilidade, admitindo menor impacto ambiental e consumo de
energia possível.
ORIENTABILIDADE E LEGIBILIDADE
Projetar ambientes claros, de fácil compreensão, que estimulem a percepção e RELAÇÃO COM O BAIRRO
possibilitem uma boa orientação. Considera-se que provavelmente boa parte Trazer a comunidade para perto da edificação através de uma pra-
dos usuários é idosa, e que aqueles que estão internados na unidade tendem a ça pública e de ambientes internos de interesse público, que promo-
se encontrar bem debilitados. Por isso, é importante que: a planta da edificação va o acolhimento de todos, com objetivo de desmitificar a morte,
seja de fácil memorização; os corredores não sejam longos, monótonos e repetiti- recuperando a naturalidade e familiaridade do tema, que deveria
vos; os ambientes tenham funções fáceis de serem identificadas; haja referenciais fazer parte deste processo. A comunidade pode ter acesso às diversas
para os deslocamentos dos usuários, como por exemplo, contato visual com áreas atividades promovidas pela instituição como palestras, terapias em
externas; e que o ambiente de modo geral seja visualmente atrativo e estimu- grupo e exibição de filmes. Restaurante, café e biblioteca são exem-
lante (explorando-se formas, cores, texturas, etc.). plos de ambientes comunitários que podem ter na edificação.
PROGRAMA DIRETRIZES DE OCUPAÇÃO

O zoneamento foi lançado tentando atender as


Pela ausência de uma legislação própria ou mesmo de um
particularidades do terreno, do entorno, das condições de
modelo nacional, o programa para a Unidade de Cuidados Palia- Apoio à conforto e das diretrizes projetuais.
tivos foi desenvolvido com base nos estudos de caso, em conversas Comunidade/ Como o terreno possui 3 vias de acesso foram ana-
com geriatrias e profissionais da área da saúde e na norma para Ensino e Lazer lisados os fluxos e determinados os pontos de maior che-
ambientes de saúde redigida pela Agência Nacional de Vigilância
gada de veículos e pedestres. Após isto, foram locados os
Sanitária, a RDC 50 da ANVISA.
Internação Apoio principais acessos, o de embarque/ desembarque, o de pe-
Os Cuidados Paliativos podem ser inseridos na rede pública
Administrativo destres e o acesso ao estacionamento, para este, também
de saúde de diferentes formas. A ANCP (Academia Nacional de
foi levado em conta o aproveitamento da declividade do
Cuidados Paliativos) classifica cada serviço de acordo com a mo-
terreno para propô-lo no subsolo.
dalidade de atendimento, podendo ser classificado como: equipe
Para recepcionar os usuários e fazer o aproveita-
de interconsulta, enfermaria, ambulatório, assistência domiciliar,
LEGENDA: mento apropriado da esquina, foi proposta uma praça
hospital dia, hospedaria ou hospital especializado.
pública, que servirá de apoio à comunidade como área
Este projeto propõe um hospital especializado em Cuidados
incidência predominante dos ventos: LESTE de lazer.
Paliativos que inclui no programa setores de internação, ambula- UNIDADE DE
Ambulatório Apoio Técnico A área de carga e descarga foi locada em uma área
tório, hospital dia, atividades terapêuticas e atendimento domi- CUIDADOS e Logístico do terreno de fácil acesso, com pouca declividade e que
ciliar, juntos funcionariam de forma a atender todos os tipos de PALIATIVOS não interferisse na relação do usuário com o edifício.
pacientes que necessitam destes cuidados, seja nas dependências
A parte mais isolada e baixa do terreno foi reserva-
da Instituição ou em seu domicílio.
da para um pátio mais privado, permitindo que os quartos
Este hospital será destinado apenas à adultos e idosos, acre-
de internação pudessem se relacionar com a área externa
ditando que instiuições pediátricas possuem algumas particulari-
sem que perdessem a privacidade e conforto. Para isto, o
dades que exigem um projeto diferenciado.
acesso ao terreno pela via sem saída será interditado.
Como mensionado anteriormente, a comunidade será con- Hospital Dia Estacionamento Toda a área central do terreno estaria destinada
siderada um usuário de bastante importância, desta forma foram
LEGENDA: para a área contruída da instituição.
inclusos no programa áreas de apoio à comunidade, áreas de en-
Mesmo as leis municipais permitindo gabarito de
sino e lazer, sempre com a intenção de aproximar a temática do
esquina recepção comunidade até 6 pavimentos o entorno existente possui edificações de
cotidiano das pessoas, tentando tornar a experiência com a morte Terapias acesso principal (embarque e desembarque) 2 e 3 pavimentos. Para manter as proporções do contexto
o mais natural possível.
acesso estacionamento e evitar a escala monumental, grande parte da edificação
Para completar o programa, áreas de apoio administrativo,
praça públlica/ recepção ficará abaixo da via de acesso, mantendo assim, o mes-
apoio técnico e logístico e estacionamento foram adicionadas para
área carga e descarga mo gabarito de 2/3 pavimentos existente fazendo relação
garantir o bom funcionamento da Instituição.
pátio/ jardim privado com a via principal (a de maior testada).
área construída
EVOLUÇÃO VOLUMÉTRICA
Durante o processo de desenvolvimento do projeto foram feitos vários estudos volumé-
tricos. A volumetria final evoluiu adaptando-se às condições naturais do terreno, à incidência
solar e dos ventos predominantes, do programa proposto para a instituição, das diretrizes pro-
jetuais estabelecidas e da estética da composição. Abaixo pode-se ver algumas etapas dessa
evolução.

O primeiro volume se acomoda no terreno Dois volumes de ligação são adicionados Estes volumes de ligação são ajustados Uma área é subtraída da volumetria Um volume retangular “pousa” sobre o Buscando volumes mais soltos, foram Volumes para a infraestrutura e apoio VOLUMETRIA FINAL
respeitando as curvas de nível, enquanto o para conectar os volumes maiores, des- buscando melhor conforto ambiental e criando um terraço que compõe com o edifício fortalecendo a relação do con- adicionados balanços nas extremidades. são adicionados na composição com-
segundo volume é posicionado buscando ta forma criam pátios internos, que são uma composição volumétrica mais inte- conjunto e favorece a iluminação natu- junto com a via de acesso. Eles trouxeram mais leveza para o con- pondo com o desenho geométrico.
melhores condições de conforto, como ven- grandes aliados para a humanização ressante, que “abraça” o pátio central. ral. junto.
tilação e iluminação naturais. dos espaços.
“Simbolizar a morte e a devastação ao celebrar seus opostos – a vida e a beleza”

SETORIZAÇÃO E CIRCULAÇÕES VERTICAIS TADAO ANDO

A setorização evoluiu durante o desenvolvimento do projeto pro- As circulações verticais foram locadas nos nós da edificação criando áreas de
curando sempre evitar cruzamento de fluxos e manter uma definição estar, de forma que facilita a orientabilidade dos usuários. As escadas enclausura-
clara das funções para auxiliar os usuários na legibilidade e orientabili- da e protegida foram dispostas atendendo as exigências das normas de bombeiros
dade do espaço. Os setores foram locados respeitando uma hierarquia para ambientes de saúde. E uma escada aberta, foi projetada para incentivar seu
de privacidade, evitando que pacientes internos e externos se cruzassem uso no nó de maior fluxo e de maior controle. Os elevadores estão sempre em pa-
sem necessidade, bem como os usuários da comunidade não interferis- res, um elevador social e outro de serviço e estão posicionados evitando contrangi-
sem nas atividades institucionais sem que esta fosse a intenção. mentos e mantendo a privacidade dos pacientes.

escada enclausurada
ligando todos os pisos

elevadores ligando
último piso ao 1° piso
escada enclausurada elevadores ligando
o 2° e 3° pisos ao piso todos os pisos
de descarga (1° piso)
escada protegida
elevadores ligando ligando subsolo e 2°
os pisos de internação piso ao piso de des-
carga (1° piso)
LEGENDA

ambulatório
hospital dia escada aberta
terapias ligando todos os pisos
internação
apoio técnico e logístico
apoio administrativo
apoio à comunidade
estacionamento

VISTA GERAL DA EDIFICAÇÃO - FACHADA LESTE


VISTA DA RUA PADRE JOSÉ SANDRUP - O edifício semi enterrado se camufla entre as árvores e um túnel dá acesso ao estacionamento no subsolo da edificação. A esquina com a Rua Helena VISTA FACHADA SUL - Os terraços se escalonam abrindo a edificação para o exterior mantendo os ambientes internos bem iluminados e ventilados naturalmente. Clarabóias perfuram a laje
Degelman recepciona os usuários com uma praça aberta para a comunidade. sobre a hidroterapia permitindo a influência do ambiente externo durante o tratamento dos pacientes.
VISTA DA ESQUINA DA RUA PADRE JOSÉ SANDRUP COM A RUA HELENA DEGELMAN - O edifício cria relação com o entorno mantendo a escala humana e tornando os espaços receptivos

IMPLANTAÇÃO
e aconchegantes. As palmeiras quebram com a horizontalidade da fachada enquanto os painéis de madeira quebram com a estaticidade do concreto armado aparente. A arte na esquina auxilia
na humanização do espaço e dá vida à praça, que por conter um cinema ao ar livre não pode ter vegetação de grande porte impedindo a visualização da parede de projeção.

escala 1:500
C

D
3° PAVIMENTO - TÉRREO
A
nível 0,0m

ELA
ANTE E CAP
RESTAUR
ACESSO AO
A
COT
A 26
m

TERRAÇO

escala 1:250

D
C
C

D
2° PAVIMENTO
nível -3,5m
A

escala 1:250

D
C
C

D
1° PAVIMENTO A

nível -7,0m

-1,3m

-0,60m
assentos
A
i=8%

escala 1:250

D
C
C

D
SUBSOLO
nível -10,5m A

i=
21
%

escala 1:250

D
C
C

D
4° PAVIMENTO
nível +3,5m A

escala 1:250

D
C
C

D
PAVIMENTO TÉCNICO
nível +7,0m A

escala 1:250

D
C
VISTA DO ACESSO NA RUA PADRE JOSÉ SANDRUP - A água e a vegetação atraem a comunidade para a apropriação do espaço. O ambiente passa tranquilidade e conforto aos usuários VISTA DO CINEMA AO AR LIVRE - A praça conta com uma arquibancada e um espaço livre onde crianças da comunidade podem se apropriar para andar de bicicleta e para interagir com
buscando afastar os sentimentos de incerteza e tristeza que geralmente envolvem as experiências com a morte. as brincadeiras em grupo. Eventos promovidos pela Instituição utilização a parede cega do Salão da Paz para a projeção de filmes com temas que aproximem a comunidade da temática.
RESERVATÓRIO

BARRILETE MÁQ. AR CONDICIONADO

DEPÓSITO ESTAR DML SALA ADM. SALA ADM. SALA MULTIUSO ESTAR BIBLIOTECA

ESTAR DML SALA FUNCIONÁRIOS BWC RECEPÇÃO CAFETERIA ESTAR SALÃO DA PAZ

CENTRAL
DE GASES ESTAR GUARDA ÁREA RECEB. ÁREA DISTR. VEST. FEM. VEST. MASC. COPA FUNC. NUTRIÇÃO ESTAR CORREDOR QUARTO ISOL.

SUBEST. SALA PARA


ELÉTRICA ESTAR CME CME CME FARMÁRCIA FARM. ALMOX. VELÓRIO ESTAR CORREDOR QUARTO ISOL.

ESTAR ESTACIONAMENTO HALL ACESSO ESTACIONAMENTO ESTACIONAMENTO

ACESSO POÇO

uma passarela permite que o público cruze o jardim e


o hall da recepção tem pé direito duplo a sala multiuso pode ser usada para atividades com a acessoe a área do restaurante e o salão da paz, ela ainda o salão da paz é um espaço de meditação e reflexão,
e com a ajuda das clarabóias e da grande integração comunidade ou ainda como sala para treinamento de permite que as pessoas sintam a sensação de estar pode abrigar eventos de conscientização e ainda
com o ambiente externo torna-se um ambiente receptivo funcionários, nela podem acontecer eventos culturais, andando sobre a copa das árvores. cerimônias de homenagens.
e aconchegante. workshops e palestras.
o armazenamento de água superior é dividido em
3 reservatórios, 2 para a água fornecida pela
a cafeteria aberta à comunidade serve de apoio aos o jardim interno permite que as circulações recebam
concessionária de agua da cidade e outro reservatorio os elevadores possuem dimensões suficientes para
pacientes, visitantes e funcionários, possui integração com iluminação e ventilação naturais, a presença da água, da
para o armazenamento de águas pluviais. transportar macas; o modelo escolhido não necessita de
a área externa através de áreas de estar sob a marquise natureza e da arte ajudam a criar ambientes
casa de máquinas, já que esta fica acoplada na lateral aconchegantes e alegres.
da entrada, a estrutura ainda conta com caixas
do elevador no ultimo pavimento.
eletrônicos.

VISTA INTERNA DA RECEPÇÃO - A recepção possui forte integração com o ambiente externo através dos panos de vidro e das clarabóias. A presença da cafeteria, da vegetação e da arte
trazem vida para o ambiente que foge do padrão de recepção de uma Instituição de saúde.
CORTE AA
ângulo da imagem escala 1:250
RESTAURANTE

QUARTO QUARTO QTO. BWC BWC QTO. QUARTO QUARTO QTO. BWC BWC QTO. CIRCUL. BWC ROUP. COPA BWC QTO. BWC BWC QTO. QUARTO QUARTO QTO. BWC BWC QUARTO ISOL.

QUARTO QUARTO QTO. BWC BWC QTO. QUARTO QUARTO QTO. BWC BWC QTO. CIRCUL. BWC ROUP. COPA BWC QTO. BWC BWC QTO. QUARTO QUARTO QTO. BWC BWC QUARTO ISOL.

o restaurante também é aberto à comunidade; assim a biblioteca é aberta ao público e conta com espaços de
o terraço entre o ambulatório e o restaurante conta com um leitura com vista para a cidade e a natureza, pode ser
os painéis deslizantes de madeira funcionam como brises de canteiro que serve de barreira física entre os dois ambientes e como a cafeteria ele funciona como atrativo para o
envolvimento da comunidade com a temática; ele possui usada pela comunidade, pelos funcionários ou visitantes
proteção do sol e seu desenho cria uma dinamica para a permite o contato direto com natureza; o terraço ainda é que querem entender melhor o processo da morte.
fachada. composto por espelhos d'água e áreas de lazer. grande interação com o ambiente externo e a natureza.

o caminho para a entrada do salão da paz é


o espaço de estar para pacientes internos e seus visitantes o terraço em cima do restaurante está integrado com a área guiado por uma fileira de árvores de pequeno
possui um jardim interno para ajudar a criar um aberta ao público e permite atividades com a comunidade porte plantadas em vasos.
ambiente confortável e aconchegante, o ambiente ainda ao ar livre; também pode ser usada pelos usuários da
conta com uma lareira para as estações frias e faz biblioteca que queriam fazer sua leitura na área externa.
contato direto com elementos de água na ára externa.

VISTA INTERNA DA SALA DOS PACIENTES E FAMILIARES - Para maior conforto àqueles que visitam os pacientes internos foi projetado um ambiente de estar que possui uma cozinha de
apoio e vestiários com chuveiros. Por vezes estes visitantes ficam longas horas na companhia de seus familiares internados e necessitam de um espaço para reposição de energia. O espaço também
serve para os pacientes recepcionarem seus visitantes fora do ambiente do quarto de internação. A forte integração com o ambiente externo e a presença da vegetação ajudam no acolhimento dos
usuários.
CORTE BB
ângulo da imagem escala 1:250
RESERVATÓRIO RESERVATÓRIO

BARRILETE

AMBULATÓRIO CONSULTÓRIO

ABRIGO CONFORTO
LIXO HOSPITAL DIA MÉDICO

TERAPIAS

CASA DE
ESTACIONAMENTO BOMBAS CISTERNA

o jardim interno no piso das atividades teraupeuticas a estrutura de concreto armado solta das aberturas
pode ser visto dos andares superiores; na parede ao da edificação permite a privacidade dos consultórios e
fundo do jardim que segue até o último pavimento proteção do sol sem prejudicar a ventilação natural
encontra-se um painel/mural que traz a arte para o terraço jardim da área de espera do ambulatório dos ambientes.
dentro da instituição. quebra com a geometria do edificio e permite que
iluminação natural alcance o centro do salão do
o abrigo de lixo possui a separação adequada para os todos os quartos de internação estão voltados
hospital dia, contribuindo para a humanização do
tipos de lixo e ainda uma área para a higienização das para um jardim com diferentes ambientes que
espaço e para o conforto dos usuários.
lixeiras; seu acesso se da pelo pátio de serviços, o que o estimulam diferentes sentidos, a presença da água
deixa fora do campo de visão de quem passa pela rua. e da vegetação ajudam no bem estar dos
pacientes, funcionários e visitantes.

VISTA INTERNA DO HOSPITAL DIA - O ambiente do hospital dia possui separações individuais para medicação, para não torná-los claustrofóbicos as divisórias foram feitas com materiais
translúcidos que não fecham muito o ambiente e ao mesmo tempo mantém a privacidade. Além das aberturas para o ambiente externo, a clarabóia triangular marca a circulação do ambiente.
CORTE CC
ângulo da imagem escala 1:250
o pátio central pode ser visto de grande parte da
a marquise da entrada principal é edificação, além de permitir iluminação e ventilação os quartos de internação do segundo piso contam
sustentada por tirantes presos na estrutura naturais aos ambientes e circulações, ele possui uma com uma sacada larga que permite que as macas
da edificação; palmeiras "furam" a grande árvore que funciona como o coração da instituição saiam do quarto e os pacientes possam tomar banho
horizontalizade da marquise para compor de sol sempre que necessário sem precisarem
com a fachada percorrer grandes distancias
a arte entra para humanizar o ambiente da
recepção e café em forma de painel/mural na parede para vencer os grandes vãos do estacionamento
externa da sala multiuso foi utilizado como sistema estrutural
a laje nervurada protendida

VISTA INTERNA DO QUARTO DE INTERNAÇÃO - O quarto tem que ser um ambiente tranquilo e ao mesmo tempo estimulante. Da cama o paciente consegue ver o jardim e ter as percepções

CORTE DD
ncessárias para definir o dia e a noite. Ao mesmo tempo que o ambiente permite a privacidade, ele possui espaço para recepcionar seus visitantes.

escala 1:250
ângulo da imagem
VISTA DO PÁTIO CENTRAL - O pátio central pode ser visto de grande parte da edificação, além de permitir iluminação e ventilação naturais aos ambientes e circulações, ele possui uma gran- VISTA DO JARDIM PRIVADO - O jardim da internação proporciona diferentes oportunidades para os usuários, eles podem interargir com a terra, podem se isolar, apreciar a água e a arte,
de árvore que funciona como o coração da instituição. Decks com áreas de estar estão disponíveis para os funcionários, pacientes e visitantes. Um grande jardim japonês na escala humana permite podem receber seus visitantes e relaxar na sombra das árvores. A intenção é estimular a autonomia e o bem estar do paciente enfermo dando à ele o poder de escolha. Neste ambiente eles podem
terapias na areia além de estimular a concentração e estabilidade dos pacientes. fumar ou ainda brincar com seus animais de estimação.
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