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Faculdade de Economia

Curso: Economia Laboral

Turma: D1+D2

História do Pensamento Económico

ESCOLATICISMO

Discente:

Ássia Timane

Dário Matusse

Marcos Congolo

Docentes:

Prof. Doutor José Guamba

Dr. Estevão Licussa

Maputo, Agosto de 2018


1. Introdução

Com a decadência da Grécia e da Roma deu-se início à Idade Média, caracterizada por uma
nova fase da economia e da cultura, onde a igreja controlava o poder político e económico. O
pensamento escolástico revela-se como uma das fontes basilar para a compreensão da já
consolidada economia moderna,pois, muitos dos factos e problemas das economias actuais
não são novos, somente ganharam novas formas de se manifestar, o que requer obviamente o
domínio da própria ciência para a sua solução. A época escolástica (IX até XVI) confunde-se
com uma parte da idade Média pelo que, alguns acontecimentos da época medieval são
próprios da filosofia escolástica sendo Santo Agostinho de Hipona e Tomás de Aquino
vistos como maiores defensores da filosofia escolástica. A nossa intenção aqui não é esgotar
o assunto, longe de nós tal pretensão, nem prestar serviços a especialistas familiarizados com
os grandes repertórios bibliográficos a este respeito, mas levar ao conhecimento apenas
aquilo que numa exposição sucinta nos foi permitido abordar resumidamente. Neste contexto,
nossa reflecção sobre o pensamento escolástico é, conhecer, entender, definir, analisar a
filosofia escolástica bem como avaliar sua influência no comportamento e organização social
na época medieval e moderna.

2. Objectivos

2.1 Objetivo geral


Compreender de que forma a corrente do Escolaticismo e a Ética Cristã inibiu a emergência
da Economia como ciência autónoma.

2.2 Objectivos específicos

 Explicar a origem do escolaticismo;


 Identificar os principais percursores e o seu contributo para a corrente;
 Caracterização das Principais Doutrinas defendidas pelo Escolasticismo e o seu
enquadramento económico.
3. Metodologia
O presente trabalho cinge-se numa pesquisa exploratória e descritiva, cujos objectivos se
centram num melhor entendimento do tema em estudo, descrevendo os factos, as ideias
político-económicas que vigoraram na idade média. Desse modo, foram analisados os
comportamentos, as atitudes e os valores dos principais pensadores da época em questão,
desenvolvendo conceitos por meio do método dedutivo através de obras literárias, livros e
artigos eletrónicos.
4. Enquadramento Teórico e Histórico do Escolaticismo

No século V d.C. o império romano do ocidente sofrera muitas invasões dos povos bárbaros,
o que levou paulatinamente os habitantes dos pequenos povoados a sucessivos confrontos,
instaurando-se uma instabilidade social e económica acompanhada da ausência de um poder
central de organizar minimamente a sociedade. A única entidade de poder universal que
sobreviveu à tendência de fragmentação das autoridades foi a Igreja. A unidade institucional
da igreja e a coesão doutrinária foram chaves para lhe proporcionar uma expressão política,
espiritual e cultural sem paralelo na idade média.

Com esta queda do império Romano, a igreja toma conta do poder político e económico e faz
um conjunto sistematizado de leis baseada na ética cristã e numa parte do pensamento de
Aristóteles, deste modo podemos definir o escolaticismo como uma doutrina que se
desenvolveu nas escolas da idade média que tentava resolver os problemas da sociedade com
base na ética cristã.

O escolaticismo surgiu da necessidade de responder às exigências da fé, ensinadas pela


Igreja, considerada então como a guardiã dos valores espirituais e morais de toda a
Cristandade. Este surgiu pelo forte domínio da Igreja na época, principalmente a Igreja
Católica que tentava conciliar fé cristã com um sistema de pensamento racional,
especialmente o da filosofia grega.

A corrente escolástica representou a aliança entre o saber filosófico clássico e o da Sagrada


Escritura e, portanto, uma resposta às questões que estavam sendo postas pela sociedade
medieval. Entre os problemas que mais ocuparam a mente dos escolásticos, nesse período,
esteve a relação entre razão e fé.

O pensamento escolástico pode ser dividido em três fases:

A Escolástica Primitiva que se inicia com o renascimento carolíngio e dentre várias


questões procurava explicar a relação entre a razão e a fé; a Escolástica Média caracterizada
pelo surgimento de mais tipos de escolas (inclusive as primeiras universidades); e, a
Escolástica Tardia que é marcada pela separação definitiva entre a filosofia e a teologia.

Dentre seus principais pensadores podem-se destacar os teólogos Santo Agostinho e São
Tomás de Aquino.
Agostinho de Hipona (Santo Agostinho) nascido no norte da África, no fim do século IV: o
pensamento de Agostinho, mais conservador, defende uma subordinação maior da razão em
relação a fé, por crer que esta venha restaurar a condição decaída da razão humana.

Tomás de Aquino (São Tomás de Aquino), nascido na Itália do século XIII: defende uma
certa autonomia da razão na obtenção de respostas, por força da inovação do aristotelismo,
apesar de em nenhum momento negar tal subordinação da razão a fé.

5. Pensamento Económico de Santo Agostinho


O comércio e o lucro comercial foram condenados por este teólogo, pois afastavam o homem
do desejo de encontrar Deus. Deste modo, a atividade comercial deveria ser realizada
atendendo aos requisitos do preço justo, como na análise de inspiração aristotélica.
Para os escolásticos, no processo de troca de bens e serviços, o preço do vendedor é justo
quando não é mais do que ele necessita para sustentar-se em sua categoria social de vida, isto
é, a pessoa deveria realizar as suas actividades reproduzindo o seu próprio nível de vida. Se
este vendedor é camponês, deverá praticar um preço justo de modo que ele continue a ser
camponês.

6. Pensamento Económico de São Tomas de Aquino


O desenvolvimento ou expansão das actvidades comercias na idade média deu lugar a
práticas ou comportamentos contrários aos ensinamentos da igreja, pelo que, surgiram as
seguintes questões:
 Será justo vender uma coisa por mais do que vale?
 Quais são as obrigações dos compradores e dos vendedores nas transações comercias?
 Será pecado receber juros pelo dinheiro que emprestamos a outrem?

Para responder a estas questões São Tomas de Aquino examinou o Direito civil com base em
dois fundamentos: a doutrina cristã e a lógica Aristotélica.
Nesta senda, compilou, alicerçado por outros escolásticos, um conjunto de normas de
comportamento definindo como as pessoas deveriam ou não agir, e a esse conjunto de
normas chamou-se Direito canónico.
A escolástica assumiu a tarefa de flexibilizar do pensamento económico da Igreja mediante
um conjunto de leis e preceitos morais criados para possibilitar uma boa administração da
vida económica, e coube a Santo Tomás de Aquino o papel de apresentar a formulação mais
acabada sobre o tema.
Para São Tomas de Aquino O princípio fundamental para a sociedade económica preservar
seu equilíbrio era respeitar o preço justo, definido por Santo Tomás tanto do ponto de vista
formal quanto prático, e o Estado só deveria intervir no sistema em casos de absoluta
necessidade.

Tomás de Aquino abordou esta questão do preço justo no tratado Suma Teológica, que ele
considerava necessário para a reprodução da ordem social, um preço justo deveria ser o que
somente permite cobrir os custos de produção e a manutenção da sua família.

Ele argumentou que é imoral os vendedores elevarem seus preços, simplesmente porque os
compradores estavam em necessidade premente de um produto.

A influência do pensamento de Aristóteles em Santo Tomás se manifestou em vários aspectos


de seu “pensamento econômico”, em especial na maneira como via a riqueza, as relações
entre indivíduo e coletividade, a propriedade, o comércio e a usura.
A riqueza, para São Tomás de Aquino, não era, em si, um mal, mas condenava a sua busca
como um fim porque corresponderia a avareza que é um dos 7 pecados que vão contra a
ordem de Deus.
O comércio era considerado por Aquino como algo antinatural, mas inevitável num mundo
imperfeito, e podia ser justificado com as seguintes condições:
a) Se os ganhos obtidos pelo comerciante fossem somente os que permitem manter sua
família e seu lar (preço justo);
b) Se fosse benéfico à comunidade e ao Estado. Desse ponto de vista, considerava justo
o lucro do comércio desde que fosse uma retribuição ao trabalho do comerciante, e
não um fim em si mesmo e fonte de riqueza e de luxo.
São Tomás foi contra a usura que naquele tempo significou emprestar dinheiro com pedido
de juros, o que também se baseou também no pensamento de Aristóteles de que a moeda não
deveria criar valor, isto é, defendia a esterilidade da moeda, não obstante a usura não estava
de acordo com a ética cristã (não obedecia o Direito canónico) porque para a igreja “quem
pede emprestado é porque não tem”. Para Aquino as acções das pessoas deveriam ser
baseados pela irmandade.
7. Conclusão
O presente trabalho falou do escolaticismo que foi uma corrente filosófica que vigorou na
idade média e que foi baseada na ética cristã dado que o domínio político e económico era
da igreja na altura, tendo sido a única entidade de poder generalizado que se manteve após a
queda do império romano, os principais escolásticos foram Santo Agostinho de Hipona e
São Tomás de Aquino, que de ponto de vista económico procuraram responder as questões
como: será justo vender uma coisa por mais do que vale? Ou será pecado exigir juros pelo
dinheiro emprestado? Para responder a esse tipo de questões os escolásticos inspiraram-se na
ética cristã e no Pensamento de Aristóteles, compilando um conjunto de normas de
comportamento que veio a ser chamado de Direito Canónico.
Para responder a primeira questão introduziu-se o conceito de preço justo, de modo que,
cada vendedor deveria praticar um preço que lhe permita somente sustentar-se e a não mudar
a sua categoria de vida e para a segunda questão, os escolásticos condenaram a usura, isto é,
o Direito canónico proibia que se emprestasse o dinheiro a outrem com condição de
pagamento de juros o que veio a demonstrar a inspiração no pensamento de Aristóteles que
defendia a esterilidade da moeda.
O prevalecimento do chamado preço justo e a assumpção da esterilidade do dinheiro foram os
principais inibidores da época para o surgimento da Economia como ciência autônoma.
8. Referências Bibliográficas

THOMAS De Aquino. suma de teología Biblioteca de Autores Cristianos


Don Ramón de la Cruz, 57. Madrid 2001

RIMA, Ingrid Hanne; História Do Pensamento Económico. 1ª ed. São Paulo. Editora Atlas S.
A. 1990. 593 PP.

HENRI, Denis; História Do Pensamento Económico. 5ª ed. Lisboa. Livros Horizonte; 1987.

BRUE, S.L., História do Pensamento Económico, (6ª edição),[tradução de Luciana Penteado


Miquelino] São Paulo: Thomson

NUNES, R. Capítulo IX A escolástica. História da Educação na Idade Média. São Paulo:


Edusp, 1979, p. 243-286.

OLIVERA,de Roberson e GENNARI, Adilson Marques; História Do Pensamento


Económico. Editora Saraiva, 2009.