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Materiais de Construção Civil e Princípios de Ciência e Engenharia dos Materiais

Geraldo Cechella Isaia (Organizador/Editor)


0 '7010 Ibracon. Todos direitos reservados.
~- -

Capítulo 5

Critério s de Projeto para Seleção de


Materia is
Jorge Batlormi Neto
Tecnum Construtora

5.1 Introdução
No decorrer do desenvolvimento dos projetos da construção civil, as inúmeras
decisões tomadas pelos projetistas das mais variadas especialidades devem estar
embasadas em diversos critérios. Em particular, na seleção de materiais, os
critérios devem ser estabelecidos de modo a propiciar que tais materiais atinjam
os desempenhos esperados (durabilidade, vida útil, facilidade de manutenção e
assim por diante), e também estejam coerentes com o orçamento estimado,
respeitando as normas técnicas, os aspectos estéticos e o meio ambiente. Nessa
seleção é preciso focalizar sempre o sistema a que os materiais pertencem, para
que o desempenho seja obtido em cada um dos elementos constituintes da
construção e, também, de forma global.
No planejamento, na concepção do projeto e no seu desenvolvimento
propriamente dito tem-se a maior possibilidade de interferência, tanto nos
aspectos de custo, quanto de qualidade e desempenho. A Figura 1 demonstra a
necessidade de se decidir bem, desde o início dos estudos de viabilidade, para que
se possa obter o resultado esperado dos custos de produção. A oportunidade para
influenciar as características finais do edifício é grande na fase de planejamento,
mas toma-se progressivamente menor durante o desenvolviment? ~o projeto. Na
fase inicial de estudo de viabilidade, as horas gastas com a análise do produto
representam uma despesa muito menor do que nas fases seguintes. ~ém disso,
nessa etapa podem ser feitas grandes mudanças do rumo da soluçao adotada
(BATLO UNI NETO 2003). Nas fases seguintes, de concep ção e
desenvolvimento do p;ojeto, que também_ t~m. ~ande influ~ncia, fazem-se as
definições e escolhas. A seleção de mate:1ais! mtunamente ligada ao pr?cesso
construtivo, deve ser exaustivamente d1scut1da ?essas ~a~es, por meio_ dos
diversos critérios que serão apresentados neste capitulo. Iniciada a construçao, a
124 J. Batlouni Neto

possibilidade de interferência t~ma-se lirrút~da, ou seja, uma vez o ~rojeto pronto


pouco poderá ser feito na tentativa de reduzrr os custos da construçao, melhorar a
qualidade ou aumentar o desempenho._ . , . .
Para que os materiais tenham atendidos os cntenos que os selecionaram, não
basta a qualidade de sua especificação, mas também a de sua aquisição, pois 0
material deve ser comprado e entregue na obra nas condições estabelecidas. Na
recepção do material, por meio de procedimentos de inspeção, o construtor pode
verificar a conformidade da fabricação do produto e a conformidade do que foi
entregue com aquilo que foi adquirido. Uma vez recebido, o material precisa ser
adequadamente transportado e armazenado para manter suas características até 0
momento da aplicação, que por sua vez, deve ser feita em conformidade com 0
projeto, com as orientações do fabricante e as normas técnicas . Aí se inclui
também a qualidade dos materiais acessórios ou complementares (parafusos
buchas, argamassas colantes, rejuntes, fôrmas de madeira para concreto, '
espaçadores para as barras de aço , e assim por diante). Após a aplicação, deve ser
protegido durante a obra, até a entrega do produto final ao cliente. Finalmente,
para que tenha conservadas suas características originais após a entrega da obra,
o material precisa ser utilizado e mantido corretamente durante sua vida útil. A
Figura 2 resume esse conceito.

100%

~osslbilidad e de ~Custo acumulado


Interferência
de produção

LEGENDA

c:J Planejamento
c:J Concepção

c:J Projeto
Construção
c:J

Projeto Construção Tempo

Decisão do Cliente para construir


(definição do produto)

Decisão do Cliente para


estudar a viabtlldade

Figura 1 -Avanço da obra versus possibilidade de reduzir custos de falhas


(HAMMARLUND e JOSEPHSON, 1992)

Pretende-se com todO esse processo que o matenal .


. aplicado trUção
na cons d0
tenha os aspectos est't" d
e icos e e desempenho imaginados quando da concepça'"'o
Critérios de Projeto para Seleção de Materiais J25

proj~tista e da especi~cação, de modo que ? morador, nas condições de uso


previstas, possa usufrurr plenamente do material. Afinal, é para ele que é feita a
obra.

QUALIDADE NA QUALIDADE
ESPECIFICAÇÃO,
AQUISIÇÃO,
RECEPÇÃO E
e NA APLICAÇÃO
( • doa materiais
aceaa6rlo a)
e QUALIDA DE
NA OPERAÇÃO
E
ARMAZENAMENTO MANUTENÇÃO

Figura 2 - A qualidade de um material depende da qualidade da especificação, da aquisição da aplicação, da


operação e da manutenção.

..ação, Os critérios a seguir apresentados são, na verdade, sugestões que influenciarão


ce. Fin as tomadas de decisão, deixando à experiência e ao bom senso do especificador
trega estabelecer as prioridades que deverão ser atendidas.
a vida 5.2 Critérios
1
5.2.1 Normas Técnicas e legislação oficial

Desde a entrada em vigor, em 11 de setembro de 1990, o Código de Defesa do


Consumidor (lei federal número 8078) estabelece em seu artigo 39, inciso VII, a
lado obrigatoriedade do cumprimento das normas técnicas publicadas no âmbito da
ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Esse artigo estabelece que é
vedado ao fornecedor de produtos ou serviços colocar no mercado de consum o
qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos
oficiais competentes ou pela ABNT. Dessa forma, apesar de a norma técnica não
ser lei, passa a ter força de lei devendo, assim, ser respeitada.
O fabricante de materiais de construção, a loja que os revende, a construtora do
edifício e, assim por diante, só podem produzir, vender ou aplicar materiais que
atendam às normas técnicas daABN T, e não só a elas, mas também às normas ou
leis municipais, estaduais e federais às quais estão sujeitas. Portant o, a
especificação de um determinado material ou serviço também tem de ser calcada
em normas técnicas correspondentes. Contudo, isso não é fácil, pois são centenas
de normas relacionadas com a construção de um edifício. Isso leva a concluir-se
que as especificações devem ser feitas por técnicos competentes e com grande
experiência profissional.
Mesmo com a obrigatoriedade da utilização das normas técnicas, sua aplicação
pode ser muito difícil. Muitas delas estão obsoletas, necessitando ser revisadas,
outras são de difícil aplicação, por serem rigorosas demais para os padrões
brasileiros. Outras ainda são tendenciosas, induzindo a um tipo específico de
sistema construtivo ou material. Além disso, existem materiais produzidos no
Brasil ou importados cujas normas nacionais ainda não foram elaboradas,

'Mais detalhes sobre este assunto podem ser encontrados no capítulo 3 deste livro.
126 J. Batlow1i Neto

obrigando neste caso, a recorrer-se a normas internacionais re~ o~e ~id as. Apesar
de todas essas dificuldades, é dever dos agentes da construçao civil cumprir as
exigências constantes nas normas técnicas e legislações oficiais.

52 2 Meio ambiente e a sustentabilidade ambiental2

A atividade da construção civil, em bor a reconhecidamente importante nos


aspectos sociais e econômicos, é considerada um a grande geradora de impactos
ambientais, tanto pelo alto consumo de recursos naturais, quanto pelo volume de
resíduos gerados (SINDUSCON, 2005). O grande desafio do setor é implementar
um programa de desenvolvimento sustentável capaz de reduzir ambos os tipos de
impactos ambientais.
Entendendo-se com o desenvolvimento sustentável aquele capaz de suprir as
necessidades de recursos naturais das presentes gerações, sem comprometer a
capacidade de atender às necessidades de recursos naturais das futuras gerações3,
a cadeia da construção muito tem a contribuir, principalmente no que concerne à
seleção dos materiais.

5 .2 .2 .1 Em pre gan do me lho r os recursos naturais


Um dos materiais mais utilizados na constmção civil é a madeira. Ela está
presente em pisos, forros, portas e batentes, estruturas de telhado, fôrmas e
escoramentos par a estmturas de concreto e outras aplicações (Figura 3).
O processo de escolha e especificação da madeira mais adequada a cada tipo de
uso deve lev ar em conta a sua origem, relacionando-a ao manejo florestal
praticado. O manejo deve ter um projeto aprovado pelo IBA MA (Instituto
Brasileiro do Me io Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e adotar o
princípio da "sustentabilidade", ou seja, a exploração que permita a recomposição
da floresta de um a determinada área, viabilizando-a econômica, social e
ambientalmente (IPT, 2003). Assim, a especificação de madeiras de origem
controlada, que respeitem projetos de manejo florestal, contribuirá para evitar
desmatamentos irresponsáveis e danos ao meio ambiente.

Figu ras 3 - Exem plos de aplic ação de mad eira de reflo resta men to (euc alipt o salig na) em (a) tamp o de pia e em (b)
estru tura porta nte e telha do.

2 Para infon naçõ es mais detal


hada s sobr e o assu nto cons ultar o Capí tulo 4.
3 Definição da Comissão Muncüal sobre Meio
Ambiente e Desenvolvimento da ONU (Organização das Nações Unidos).
Critérios de Projeto para Seleção de Materiais ]27

o exemplo da madeira é, sem dúvida, emblemático mas há uma série de


atitudes relacionadas à aplicação dos recursos naturais que podem ser adotadas
quando das especificaç~es dos ~ateriais:
• 0 emprego de madeiras de ongem controlada com manejo florestal conforme
anteriormente explicado; '
• nos cimbramentos ~e fôrmas para estruturas de concreto, a substituição de
pontaletes de made1ra por escoramentos metálicos, pois permitem maior
número de repetições, evitando o corte de árvores (Figura 4);

Figura 4 - Cimbramento de fõrma com escoramento metálico.

• a utilização de painéis compensados de madeira para fôrmas com maior


número de reaproveitamentos, pois torna mais eficiente o uso da madeira;
• a substituição de areia natural extraída do leito do rio (dragagem diretamente
do canal do rio) ou de cava imersa (camadas de areia dos taludes
localizadas às margens de rios ou lagos são retiradas por dragas flutuantes)
por pó de pedra nos traços de concreto, evitando a agressão aos rios e lagos;
• a utilização de materiais reciclados evitando o uso de recursos naturais, por
exemplo, agregado reciclado obtido de entulho, selecionado de processos de
construção e demolição, em argamassas, blocos de alvenaria e concretos
especiais;
• o emprego de concretos de maior resistência, os quais diminuem o volume
total de concreto e, por conseqüência, o volume de agregados, e ainda
aumentam a durabilidade da estrutura;
• especificação de lâmpadas com maior vida útil, pois utilizam menos matéria-
prima ao longo do tempo; .
• especificação de tintas à base de água em vez de solvente, p01s causam menos
poluição ao meio-ambiente.

5.2.2.2 Diminuindo a geração de resíduos


A resolução do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) de número
307 define, classifica e estabelece os possíveis destinos finais dos resíduos da
128 J. Batlouni Neto

construção e demolição, atribuindo responsabilidades para o poder público


municipal e também para os geradores de resíduos no que se refere à sua
destinação (SINDUSCON, 2005). ,, ,,
Com essa resolução, a construtora passa tambem a ser responsavel pela
destinação do resíduo gerado em suas obras. Por isso, ª:
construtoras têm
implantado uma série de ações que visam a atende:, a reso~uçao do ~ONAMA e
que podem vir a se tomar até um sistema de gestao .~b1ental c~rtificado pela
NBR ISO 14001 (Sistemas da gestão ambiental - reqms1tos com onentações para
uso).
A melhor estratégia passa a ser a de empregar materiais que gerem menos
resíduos, ou aqueles que possam ser reutilizados ou reciclados, dentro ou fora do
canteiro de obras (alvenarias, concretos, metais), desde que no canteiro seja
implantado um sistema de separação e disposição desses materiais (Figura 5). Por
outro lado, deve-se evitar a seleção e aplicação de materiais que gerem resíduos
perigosos (tintas, solventes, óleos) ou sem tecnologia disponível para recuperação
(gesso).

- .
Figura 5 - Acondicionamento de resíduos separados por tipo, em bombonas plásticas ou em baias.

5 .2.2.3 Especificando materiais mais adequados


Além dos dois aspectos tratados anteriormente, intimamente ligados ao período
de construção, há mais três conceitos ligados ao meio ambiente que podem ser
levados em conta pelo especificador.
O primeiro conceito se refere ao emprego de materiais e equipamentos que
re~?zam o consumo dos recursos naturais durante a utilização do edifício ou
u~ze~ recursos na~ra~ ~ais adequados, como, por exemplo: .
eqmpam~ntos hidrauhcos de baixo consumo de água, tais
~orno, caix~s acop~adas para bacias sanitárias (ou descargas) com volume de
agua reduzid? (6 litros), torneiras automáticas com fechamento comandado
~or sensore~ mfra-v~rmelho ou por temporizador, que reduzem o consumo de
gua em ~te SO% (Figura 6), e outros dispositivos "economizadores" de água
em tornerras e chuveiros·
• luminárias
.d e l" d ' fi
1 ·
.amp.a as e c1entes na relação lúmen/potênci a com alta
capac1 ade de ilummaçao - e baixo· consumo de energia; '
Critérios de Projeto para Seleção de Materiais 129

• geradores alimentados a gás natural em vez de óleo diesel, pois emitem


menos poluentes para a atmosfera;

Figura 6 - Torneiras com dispositivos "economizadores": (a) por temporizador do fabricante DECA
(www.deca.com.br) e (b) por sensor de infra-vermelho do fabricante DOCOL (www.doc ol.com.br ).

O segundo conceito diz respeito ao emprego de materia is cujo proces so de


fabricação gere poucos resíduos, ou necessite de pouca energia ou, ainda, emita
poucos poluentes (COx, NOx, etc.). As ações nesse sentido ainda não estão
consolidadas. Falta conscientização e até a divulgação desse conceit o. Um
exemplo é a utilização de tijolos de solo-cimento que, ao invés de serem
queimados, são prensados, diminuindo a emissão de poluent es.
O terceiro conceito está relacionado à definição por materiais que não emitam
gases tóxicos durante a sua utilização ou liberem baixo teor de produto s orgânic os
voláteis (VOC), um conceito importante para materiais de acabam ento como
carpetes, revestimentos plásticos e vinílicos, resinas, vernizes, tintas, entre outros.

523 Custo e produtividade

Desde a estabilidade da moeda brasileira, que se deu com o Plano Real a partir
de 1994, as construtoras começaram a utilizar a qualidade do orçame nto da obra
como diferencial de competitividade. A redução do custo de constru ção passou a
ser a melhor forma de aumentar os lucros, substituindo os ganhos que antes eram
auferidos com a correção monetária advinda da variação da inflação . O orçame nto,
antes uma "peça de ficção", mascarado pelas constantes variaçõ es de preços ,
passou a ser algo orientador e controlável.
Sem dúvida um dos critérios mais rigorosos na seleção dos materia is, desde o
. '
início do projeto, é o custo que eles representam. Como o orçame nto da obra é hoje
um guia a ser cumprido, cada decisão de projeto ~e_ve te: seu ~usto v~rific.ado e~
ento co em particular, as decisões para a escolha dos ~atenai s. 0,1d~al e que seJa feito um
mocon trabalho integrado entre projetistas e engenh~rr?s responsa~e1s pelo custo, para que
adores" a meta orçamentária seja atendida sem preJlllZO da qualida de e desemp enho de
projeto, comparando, a todo momento, o custo do materia l especif icado com o
Valor previsto no orçamento.
130 J. Batlouni Neto

5 .2 .3 .1 Custo de aquisição dos materiais ,, . .


A maneira mais direta de reduzir os custos e P?r. meio da especificação e
aquisição de materiais com preços b~os. ~os :natenais de acabamento ocorrem
as maiores possibilidades de econom1as, nao so por r~presentare_:11 de 15 a 20%4
do custo final de uma edificação (esse porcentual v~a e~ funça.o ~o padrão de
acabamento), mas também porque são neles que ha. a maior ~ariaçao. de preço,
pelos diversos tipos de materiais que podem ser refendas. Por isso, mmtas vezes,
a especificação dos materiais que consta no projeto é. contestada pel! construtora,
que vislumbra, por meio de substituições, a oportumdade .de re~u9~0 dos custos.
Porém, tais substituições devem ser feitas com mmto cnteno e com a
concordância do arquiteto, pois estes materiais ficarão por muitos anos revestindo
o edifício com grande influência na beleza do projeto.

5 .2.3 .2 A produtividade como redutora do custo de mão-de-obra


Outra maneira de diminuir o custo do orçamento pela seleção de materiais é
objetivando o aumento da produtividade da mão-de-obra. Aproximadamente 40%
do custo de construção de um edifício advêm da mão-de-obra, e atuar firmemente
no sentido de melhorar sua produtividade pode gerar significativas reduções de
custo. O projeto pode contribuir com isso na medida em que esteja prevista a
utilização de peças ou sistemas industrializados, transferindo para a indústria
parte do serviço que seria realizado na obra. É o caso dos "kits" porta-pronta, que
são entregues, pré-montados, o batente com as respectivas porta, fechadura e
dobradiças, permitindo a sua instalação com espuma de poliuretano expansível
(Figura 7).

Figura 7 - "Kit'' porta-pronta fixado por espuma (catálogo eletrônico do fabricante Sincol www.sincol.com.br)

Um~ outra forma ~e projetar buscando melhorar a produtividade no canteiro de


obr~ e _o desenvolvimento do projeto em uma grade modular que permite ª
pagmaçao
. d " · 1 · ' .
e vanos e ementas construtivos, como os azulejos e cerâmicas, que
~specifica?~s conforme os módulos de projeto, evitam recortes e, p01tanto, perdas
os matenais, melhorando a produtividade da mão-de-obra.
4
Em estudo elaborado pelo autor na Tecnum Construtora
Critérios de Projeto para Seleção de Mater;ais 131

5.2.3.3 O preço relativo dos materiais


Mas há outros aspectos a considerar. Certo projeto pode ser adequado em
relação aos custos de execução em um determinado momento e não sê-lo em
outro, em conseqü ência da alteraçã o dos preços relativos dos insumo s
(BATLOUNI ~TO, 2003). Com isso, os pr~jetistas devem estar sempre atentos
aos preços dos msumos quando tomarem decisões. Alguns materiais podem estar
com seus preços relativos muito elevados, por causa da forte demand a
internacional. Por exemplo, dependendo da época, pode ser conveniente priorizar
0 maior consumo de concreto ou de aço nos elementos estruturais. Outro
exemplo é o cobre, que , de forma semelhante, o projetista de instalações
hidráulicas pode substituir nas tubulações de água quente por tubos de PPR
(polipropileno randômico), em virtude de seu elevado preço.

5.2.3.4 Custo de operaçã o e manute nção


Outro ponto relevante, mas ao qual nem sempre é dada a devida importância, são
os custos de operação (utilização) e manutenção do edifício. Quando a obra é
entregue , o grande investimento do incorporador está consumado. É nesse
momento que se iniciam as despesas que serão arcadas, por muitos anos, pelos
usuários do edifício. Um bom projeto também deve levar em conta esse aspecto, a
fim de que o imóvel habitado tenha eficiência econômica e de desempenho ao longo
de sua vida útil. O custo global de um empreendimento passa a ser aquele do
investimento inicial até a entrega da obra, somado aos custos de utilização e
manutenção (Figura 8). Por isso, é muito importante que a escolha do material leve
em conta que ele ficará instalado no edifício por muitos anos e que os custos dos
diversos tipos são importantes fatores a serem considerados.
Os exemplos, citados anteriormente, de torneiras e luminárias que são adequadas
ao meio ambiente por utilizarem poucos recursos naturais (água e energia) podem
ser repetidos nesse momento, pois eles também geram um custo de operação baixo,
urna vez que reduzirão as contas de água e de energia elétrica do edifício.

CUSTO DE CUSTO DE
CUSTO DE UTILIZA ÇÃO MANUTE NÇÃO
CONSTRUÇÃO
IOPERA CÃOl IREPOS ICÃOl

Figura 8 - O custo global do edifício é a soma do custo de construção, de utilização e de manutenção .

Na seleção dos materiais, o custo de aquisição deve ser confrontado também com
o tempo de vida útil do material e, conseqüentemente, com a sua reposição. Um
caso típico é a comparação de duas lâmpadas que tenham a mesma característica
quanto à eficiência luminosa (medida por lumens por watt - lrn/W), mas com vida
média prevista diferente: uma 30% superior ao da outra. Pode-se concluir ser mais
conveniente comprar a lâmpada de maior durabilidade, caso seu preço, por
, que
" . exemplo , seja apenas 10% mais elevado.
cer
portan
132 J. Batlouni Nero

52.4 Aspectos estéticos


_ h ., e deixar de atribuir aos critérios estéticos a ma·
Nao a como s . ., . M · 1or
bTd de pela beleza final do ed1f1c10. u1tas vezes, limitact
resFoncs:st101 :orno está descrito no item 5 .2.3 ' os m ateriais ~s
pe ºb to' têm a função de valorizar o edifício. Por meio deles se d:
aca amen d.f. - Q d 1. a
o contato entre o morador e a e i icaçao. . uan o ap icados na
fachadas dos edifícios (Figura ?) ,
imp"act~m a paisagem das cidades po~
muitos anos , 0 que ressalta a 1mportancia da adequada escolha desses
materiai s.
Os materiais de acabamento vão most~ar a ~o~temporaneidade do
edifício , ou., seja, eles representam a atualidade a epoca em que foram
aplicados. E comum, por exemplo , reconhecer-se a idade de construção
de uma residência pelo tipo de azulejo que nela está aplicado, porque os
azulejos , como outros diversos materiais de acabamento , têm moda. Já
foram pequenos (15 x 15cm), brilhantes, coloridos, florido s, decorados
acetinados e assim por diante. Da mesma forma as ferragens das porta;
j á foram cromadas brilhantes, douradas , envelhecidas , cromadas foscas.

I 1 1l

Mas, para se obter o as t ., · .


aplicação do mater· 1 . pec o estetico ~eseJado , é necessário que a
técnicas as orienta 1~ s;Ja co~reta, respeitando o proje to , as normas
por profissionais 6~:.srtºlªbnc ante (ver item 5 .1) e com esmero,feita
práticas. A Figura 1 i ª os que sabem executar conforme as boas
10
poderiam ser facilme ' ta se~uu, mostra alguns pequenos erros, que
0
esre~ho do interrupto~ e ~~~tados com um cuidado na execução:.
eletnca está mal 1
. . e e nco recorta a guarnição porque a caixa
. pos1c10nada · 0 Ih . d0s
pe1O verniz utilizado p d ' espe O e o azulejo estão mancha
ara ar acabamento à guarnição.
Critérios de Projeto para Seleção de Materiais 133

ena
ição
e
L:]
l---j
..

Figura LO - Pequenos erros de execução que poderiam ser evitados: guarnição recortada; espelho elétrico e azulejos
manchados por verniz.

5.2.5 Desempenho

A norma NBR 15575: Edifícios Habitacionais de até cinco pavimentos -


Desempenho é composta de seis partes: requisitos gerais, requisitos para os
sistemas estruturais, requisitos para os sistemas de pisos internos, requisitos para
os sistemas de vedações verticais internas e externas, requisitos para os sistemas
de coberturas e requisitos para os sistemas hidrossanitários. A publicação dessa
norma vem preencher uma lacuna nas normas técnicas brasileiras da construção
civil, que são preponderantemente prescritivas. A ISO (International Organization
for Standartization), desde 1979, havia estabelecido um comitê de elaboração de
normas de desempenho (SILVA,1996) e o setor da construção civil brasileira
carecia desse conjunto de normas técnicas.
Essa norma estabelece uma abrangente série de exigências de desempenho:
estrutural, segurança contra incêndio, segurança no uso e na operação, estanqueidade,
desempenho térmico, desempenho acústico, desempenho lumúrico, durabilidade e
manutenabilidade, saúde, higiene e qualidade do ar, funcionalidade e acessibilidade,
conforto tátil e antropodinâmico e adequação ambiental.
O conceito de desempenho pode ser empregado no processo de projeto, desde
as fases iniciais de concepção até a retroalimentação de avaliações pós-ocupação
(SILVA ,1996). Esse conceito, bastante atual, é um grande aliado do projetista na
seleção de materiais, pois permite, através de requisitos (exigências), estabelecer
o comportamento (desempenho) desejado nas c?ndições de ex~~siçã9 ~uso) a que
estará sujeita a edificação, atendendo às necessidades dos usuar10s. E rmportante
me s~entar , que nesse momen to, o material ainda não está explicit~~ent~ definido,
s err pois desempenhos equivalentes podem ser. alcançados por matenais di~ersos.
exec . Por exemplo, um projetista pode especifi~ar o desempenho requend o ,.de ~1:1
~ piso de uma calçada em uma rua de intenso tr~e~o ~e P,edestre~ El~ d~v:ra ~xigrr
·que desempenhos quanto a durabilidade, a resis~encia a ~brasao, msist~ncia ao
0 ma escorregamento características de manutençao, porosidade e coeficiente de
absorção, confo~o tátil e assim por diante, levando em conta as condições de
]34 J. Batlouni Neto

exposição: um local yúbli.co, de. alto tráfego, que ?eve estar pe~~enternente
limpo e, portanto, nao suJar facilmente. As necessidades dos usuarios tarnb,
. - d di ern
devem ser le~adas em conta:. .º piso nao ~o e ser e~correg~ o~ deve ter
rugosidades diferentes para facilitar a percepçao de deficientes visuais, e ass'
por diante. Certamente alguns pisos atenderão aos desempenhos solicitad un
pedras nanrrais, ladrilhos hidráulicos, placas pré-fabricadas de concreto, dive:s,8
tipos de cimentados, pisos intertravados de concreto, entre outros (Figuras uº
12). Caberá então, ao projetista, utilizando-se dos outros critérios de sele -e
(custo, disponibilidade, aspectos estéticos, normas técnicas), escolher dentreçao
pisos aprovados aquele que melhor se apresentar. os

Figura 11 - Calçadas da cidade de Bl~ena~ (S~) em piso intertravado de concreto: Rua XV de novembro e
Averuda Berra-no, margem do Rio Itajaí-açu.

Figura 12 - Calçada trabalhada em cerâ · , · na cidade de Abu Dhabi nos Emirados Árabes
nuca rusttca

52.6 Disponibilidad d ..
e os matenazs e da mão-de-obra
ae Umd ·d
.os cu1 ados que o projetist d
specificação feita é possível d a eve ter nas suas escolhas é a de verificar se
Po ' no 1ocal onde a obra sera'
expostos e ser realizad ·
,, a, nos diversos aspectos a seguir·
r ser o Brasil um ,, construida.
tecnológica ' alguns materiais
pais podem
continental
f il ' com elevada diversidade cultural e
ac mente ser encontrados em uma região e
Critérios de Projeto para Seleçtio de Materiais 135

dificilmente e~ outras. ,Quando o ~qu~teto especifica um piso natural em pedra


ardósia em Minas Gerais, este sera facilmente encontrado. Mas se a obra for no
Amazo~a~? ~º,caso da especifi~ação de ul"D:~oncreto de alto desempenho, com
alta res1st:ncia a compressao, ex1~tem na reg1ao da obra agregados que permitem
a execuçao ~esse co:1cret? cr~rutos, ba~altos)? Analogamente, um engenheiro
projetista de mstalaçoe~ ~drauhca.s precisa verificar a possibilidade de executar
uma obra em PEX (polietileno reticulado), por se tratar de uma tecnologia mais
recente, ainda não muito difundida.
Pelos exemplos anteriores, antes da seleção dos materiais ou sistemas, é
importante que sejam verificadas na região da obra, respeitando a cultura
construtiva local e os materiais naturais presentes nesta região, as condições a
segmr:
• a existência ou a possibilidade de obtenção dos materiais, inclusive dos
materiais de reposição no caso de eventual necessidade de manutenção, bem
como a obtenção dos materiais acessórios ou complementares à aplicação;
• a comprovação de que os acessos à obra permitem o transporte do material
e dos equipamentos necessários à execução;
• a existência de mão-de-obra qualificada para aplicação do material ou
sistema, inclusive para executar as futuras manutenções.

52.7 Aspectos construtivos

As soluções adotadas no projeto têm amplas repercussões em todo o processo


de construção, com forte impacto na execução da obra, pois definem partidos,
detalhes construtivos e especificações que permitem maior ou menor facilidade
de construir, afetando diretamente os custos (SOUZA et al.,1994).
Ocorre que quem detém a tecnologia para construir, o método construtivo, é a
construtora; daí a importância de sua participação no processo de elaboração do
projeto. Sua intervenção é altamente positiva e necessária para assegurar o custo
global previsto para o produto em desenvolvimento, a produtividade necessária e,
também, a compatibilidade com o sistema de produção da própria construtora
(BATLOUNI NETO, 2003).
Assim, projetistas e construtora devem previamente considerar o método
construtivo (estruturas de concreto, estruturas metálicas, alvenaria estrutural,
elementos pré-moldados, entre outros) e os equipamentos que estarão disponíveis
(elevadores, guindastes, guinchos, gruas, ~árticos, bombas de concreto), para
definir e selecionar os materiais a serem aplicados. Por exemplo, se a fachada de
um determinado edifício for executada em painéis pré-fabricados de concreto, na
estrutura do edifício deverão estar previstos insertos metálicos para a fixação dos
painéis. Equipamentos, como, por exemplo grua, precisam estar disponíveis para
0 içamento dessas pesadas peças (Figura13).
i:lesse aspecto, vale ressaltar que o tamanho .da obra acab~ influindo,, nas
d~c1sões, pois soluções que dependam de eqmpamentos mais caros so se
viabilizam em obras de grande porte.
l 36 J. Batlouni Neto

Figura 13 - Fachada com painéis pré-moldados de concreto.

5 .3 Como deve ser feita a seleção e especificação dos materiais

5 3 .1 A responsabilidade de quem especifica


A primeir a questão a ser resolvida é definir quem tem a responsabilidade de
especificar os materiais. Numa primeira análise, o projetista de cada especialidade
define o material do projeto que elaborou. Assim, o engenheiro projetista de
hidráulica faz a especificação dos materiais hidráulicos; o de elétrica, dos
materiais elétricos, e assim por diante. E a cada projetista cabe a responsabilidade
técnica e jurídica pela correta especificação, de modo que, caso o material ou
componente não atinja o desempenho em uso requerido, o profissional será
responsabilizado.
Erros de especificação e seleção como: um disjuntor com a capacidade
incompatível com o circuito elétrico, um piso escorregadio em áreas molháveis,
o diâmetro de uma tubulação hidráulica menor que o necessário, uma porta corta-
fogo cuja resistência ao fogo seja inferior ao que estabelecem as normas técnicas
e os decretos estaduais, uma janela cuja área de ventilação seja inferior ao
estabelecido nos códigos de obra dos municípios, e outros inúmeros casos, são
imputáveis aos profissionais que os cometeram.
Portanto, ao especificar, o profissional deve cumprir rigorosamente as normas
técnicas e legislações oficiais, atendendo aos critérios de desempenho, sob o risco
de, não o fazendo, a ele ser atribuída a responsabilidade pelos erros cometidos.
Mas, 1.1~ práti~a há muitos ~utros aspectos a considerar, pois as especificações dos
matenais advmdas dos proJetos nem sempre são suficientes para adquiri-los.

532 Complementando a especificação do projeto

O projetista,d~ estrutur~, q~ando especifica o concreto, determina algumas ~e


suas caractenst1cas, pois sao valores que utilizou no seu cálculo. Tais
Critérios de Pr, ·
OJeto para Seleção de Materiais 137

·edades referem-se apenas ao concreto no estad


rl d .d
prop - fi 1 fi · 1 . . o en urec1 o. A
specificaçao ma ' e1ta pe o engenherro residente, deve ser complementada com
e propriedades do concreto no estado fresco (trabalhabili.dade )
as , · d , por exemp1o ,
l 'rn de outras caractensticas ecorrentes do método construu· d
ae d d d .fi .d d vo, o que po e
exigir, depen en o a~ espec1 1c1 a es da obra, a participação de um consultor
0
engenheiro t~cnolog1.st~ de concr~to. ,
Os engenherros prOJ<:_tlstas d~ sistemas prediais (elétricos, hidráulicos, de ar
condicionado, ~~tomaçao pred1a~, entre outros) normalmente especificam, no
memorial descnt1vo anexo ao proJeto específico, várias marcas/modelos para um
mesmo tipo de componente, todas elas atendendo ao desempenho definido em
projeto. Na hora da comp~~' o engenheiro residente da obra requisitará as marcas
constantes, sendo adqmnda aquelas que melhor atenderem aos critérios
definidos. Ocorre que só isso não basta. No caso da aquisição de um quadro
elétrico, por exemplo, é preciso verificar, antes da compra, se a sua profundidade
e suas dimensões totais de largura e altura estão coerentes com a parede em que
riais vai ser instalado. Analogamente, deve-se verificar a compatibilidade com o
tamanho e número de disjuntores, o tipo de porta (única ou dividida) e o fecho,
se há um barramento central, ou se as interligações são feitas por cabos. Essas
informações precisas não vêm em projeto, mas precisam ser resolvidas para se
onsabilidad evitarem futuros problemas de instalação. Uma boa solução é solicitar um
tia especiali protótipo do quadro elétrico já montado, para verificar in loco se todas as
fº projetista exigências estão sendo atendidas (Figura 14).
ae elétrica, ~ Esses exemplos mostram que, em alguns casos, a equipe da obra precisa atuar
l~ sponsabilidall para completar a especificação, propiciando a aquisição correta.
p o material a
rrofissional sei

~ a capacidade
µ-eas molhávi
lima porta co~~
pormas técni' I
seja inferior !l
íleros casos, s

nente as no
fnho, sob o · Figura 14 - (a) Protótipo de quadro elétrico e (b) local onde será instalado.
erros cometid
ecificações SJ J ificação
- por desempenho
adquiri-los. Aspectos gerais da especificaçao e a especz
N t a seleção deve ser objeto do
determma
°
arq ~ caso dos materiais de acabam~n e deve zelar pelos aspectos
Uiteto p · , 1 , 1 1
estéf , ois e e e quem 1 ngenheiro responsave pe o
O
orça icos, mas auxiliado sempre pe de a balizar em que faixa de
rnento do empreendime nto, de mo 0
138 J. Batlouni Neto

cu st os tais m at er ia is de ve m se si tu ar . M ui to s arq_uitetos. nã o perceb


eralll
e a lia do s aos as pe ct os es té ti co s, a m an ei ra m ai s ad eq ua da d
qu '
es pe ci fi ca r m at er ia is é at ra vé s do de se m pe n h o, ou seJa. ,_ e_sta b elec e
endo
os re qu is ito s de co ~p or ta ~e ~t o em us ~ qu e os_ ~ at en ai s deve
1? ter.
E xc et o em m at er ia is m du st na li za do s, cuJa de sc nç ao po de se r fe
ita de
m an ei ra pr ec is a (m ar ca , m od el o, ti po , r_eferên~ia), a deter1;1inaç
ão dos
re qu is ito s de de se m pe nh o de um de te rm rn ad o ti po de mate_nal co
ntribui
para a su a m el ho r ca ra ct er iz aç ão e se le çã o. N es se se nt id o, a
norma
(NBR 15 57 5/ 20 09 : E di fí ci os ha bi ta ci on ai s de at é ci nc o pavimen
tos _
D es em pe nh o - Pa rt e 1: R eq ui si to s ge ra is , e su as pa rt es se gu in te
s) será
um a ef ic ie nt e fe rr am en ta do ar qu it et o e do s de m ai s pr oj et is
tas do
ed if íc io .
C om o to da at iv id ad e, a es pe ci fi ca çã o e a se le çã o de m at er ia is
têm
algumas pe cu li ar id ad es qu e es tã o a se gu ir tr at ad as .
Uma de la s re fe re -s e ao s m at er ia is in du st ri al iz ad os , qu
e são
pr od uz id os po r um de te rm in ad o te m po e de po is sã o ti ra do s de
linha.
Como há um a de fa sa ge m en tr e a ép oc a do pr oj et o e a da execuç
ão da
ob ra , po de oc or re r de o m at er ia l de fi ni do não es ta r m ai s di sp on ív
el para
aq ui si çã o. E nt ão , re co m en da -s e ao s pr oj et is ta s qu e nã o inclua
m em
su as fo lh as de pr oj et o a es pe ci fi ca çã o de ta lh ad a de mat
eriais
in du st ri al iz ad os , e, si m , em re la çõ es se pa ra da s co m o os mem
oriais
de sc ri tiv os , qu e po de m se r fa ci lm en te su bs ti tu íd as , ev it an do ,
dessa
m an ei ra , qu e os pr oj et os es te ja m de sa tu al iz ad os na ho ra da execuç
ão, o
que ob ri ga ri a a su a re vi sã o, pa ra qu e se te nh a a ve rs ão co rr et a do
"como
co ns tr uí do ".
O ut ra pe cu li ar id ad e re la ci on a- se a um cu id ad o qu e o pr oj et ista
deve
ter: a tr an sp ar ên ci a da s de ci sõ es to m ad as . O pr oc es so de de
cisão
pr ec is a tr an sc or re r da fo rm a m ai s ét ic a e cl ar a po ss ív el
, com
co ns is te nt es ju st if ic at iv as té cn ic as , es té ti ca s e de cu st o. M ui ta s ve
zes, a
es co lh a po r um ou ou tr o m at er ia l, ou ai nd a po r um determ
inado
fo rn ec ed or , en vo lv e gr an de so m a de di nh ei ro , e o cu id ad o m en ci
onado
ju st if ic a- se pa ra ev it ar su po si çõ es de qu e ta l se le çã o te nh a sido
feita
co m al gu m be ne fí ci o pa rt ic ul ar do pr oj et is ta .
Os dois as pe ct os m en ci on ad os an te ri or m en te po de m se r solucionad
os
se a es pe ci fi ca çã o do m at er ia l fo r po r m ei o de se u de se m pe nh
o que,
somados aos as pe ct os es té ti co s, po de m ca ra ct er iz ar be m um mat
erial.
Para_ at es ta r se de te rm in ad o m at er ia l at in gi rá o de s empe
nho
req~~nd~, de ve m se r re al iz ad os pe lo s fa br ic an te s e, ev en tu al m en
te , por
so hc ita ça o do co nt ra ta nt e ou da co ns tr ut or a, en sa io s te cn ol ógic
os ern
co m po ne nt es , em pr ot ót ip os de m od el os re ai s ou re du zi do s (Figur 15
a )·
Critérios de p,-, .
OJeto para Seleção de Materiais
139

ão perceb e
adequa d
estabe lec
iais devem
de ser feit
ermina ção
terial contl'f' ~
'd ...... 1
ti o,_ a nolftta
o pavim ento
segu_in~es) S~á
proJeti stas tio

" materi ais têlll

tdos, que são


ados de linlia.
a execuç ão âa
dispon ível para
ao inclua m ~
de materi:iis Figura 15 - Ensaio de estanqueidade de protótipo de esquadria.

53.4 O conteúdo da especificação

Um profissional que tem a responsabilidade de especificar um determinado


material, produto ou componente em seu projeto pode seguir diversos caminh os
projeti sta d até chegar à seleção ideal. Isto vai depender não só das características do material:
o de dec· complexidade, homogeneidade, grau de tecnologia e inovação, mas também de
os sível, sua experiência profissional e conhecimento sobre o material.
Muitas vez Utilizando-se dos critérios propostos no item 5.2 deste capítul,o, pode ser
determ i elaborado um roteiro que sirva de guia para a seleção dos materiais. E importante
~
tdo meneio ressaltar que os critérios são orientadores e a escolha final dependerá sempre do
tenha sido b~~ ~enso do projetista, atribuindo graus de importância diferentes para cada
cnteno.
O resultado da seleção é a especificação, 9u~ deve ~o~te~: a descri~ão do
rer solucio n
produto, seu local de aplicação as normas tecmcas aplicave1s, os fabncan tes
esempe nho selecionados, as marcas e os ~odeio s, a cor e a tonalid~de, os desem~enhos
um mater
~
req~eridos, 0 custo estimado e os demais critérios possíveis de serem aplicados
o desem p
ntualm ente ª tipo de material.
0 _
A descrição da es ecifica ão deve apresentar informaço~~ ~ID:°~'. corretas e
:ecnoló gico completas . . Pd b ç . . - 0 processo de aqms1çao rmcia-s e com a
. , prop1c1an o a oa aqms1çao. . ·d d b
dos (Figur requisição do m t .al alm nte feita pelo engenherro res1 en~ a o ra, ao
depan ª en , norm e O conteúd o estara baseado nas
es e/lrne~ o de suprimentos da _construtora. se~ais acrescidas da quantidade,
doppr!caço es constantes no proJeto e n~s _m~':de ~utros elementos definidos
0 e da forma de entrega dos matenrus,
140 J. Batlouni Neto

pela equipe da obra, como mencionado no item ante~or. Oco~ que o engenhe·
hoje mais voltado à produção e até mesm? ! questoes adrrurustr~tivas, não Iro,
tempo para elucidar dúvidas na descnçao d~ prod~to advmdas de ufein
inconsistente especificação. Portanto, quanto m~s preci~a for a especifica~
maior a possibilidade de a requisição chegar tambem pr~~1s! ao departarnent~
suprimentos da construtora, repercutindo numa boa aqms1çao.

5.4 Exemplos de seleção e especificação

5.4.1 Concreto estrutural5


A estrutura de um determinado edifício está sendo ~ciada, e o engenheiro
residente está definindo o concreto a s~r ~ontratado Junto a uma empresa
especializada fornecedora de concreto pre-Illisturado. O concreto que ele esij
solicitando é o dos pilares do subsolo.
No projeto da es~tura, de acordo com a ~R 6} 18/20~3: Projeto de es~~ras
de concreto - procedimento (ABNT, 2003), Jª está especificado o fck (res1stencia
característica à compressão) do concreto da estrutura em 30MPa , o módulo de
elasticidade secante Ecs em 26GPa, valores utilizados nos cálculos do projeto.
Consta também a relação água-cimento (a/c) máxima de 0,55, que foi
estabelecida em função da agressividade do ambiente onde a obra será executada,
no caso, Classe Il. Outra norma a ser seguida é a NBR 12655/2006: Concreto de
cimento Portland - Preparo, controle e recebimento- Procedimento (ABNT, Referên1
2006), que estabelece o consumo mínimo de cimento por metro cúbico de
concreto, em função também da agressividade do meio-ambiente , que para a
classe Il é de 280kg/m3.
O engenheiro definiu que o concreto será bombeado, e como não há altura a
ser vencida, pois se trata de concretagem de subsolo, abaixo do nível da rua,
especificou uma consistência de 8±2 cm. Determinou também que fosse
empregado agregado graúdo de diâmetro máximo 19mm, em virtude da alta
densidade de aço naquela peça estrutural.
Não se aplicam, neste caso, os critérios de aspectos estéticos, pois não se trai~
de c?ncreto aparente, nem de disponibilidade do material, pois a obra eSla
localizada em um grande centro urbano , servido por diversas empresas
fornecedoras. Com as definições acima, pode-se montar o Quadro 1:

Critério
Produto
Local de a lica - o
Normas técnicas
Desem nho/durabilldade
Características do concreto
Trabalhabilidade
A re ado
Pre

5
A ABESC (Associação Brasile· d s . s· duscon·5pe
outras construtoras I b d ira os erviços de Concretagem) elaborou juntamente com o in ue está
co a ora oras uma min ta em q
estabelecida uma sén'e de · 1" _ u para a contratação dos serviços de concretagem
m onnaçoes necessári .
as para a boa caractenzação do concreto.
Critério.1· de Pro·
'}elo para Seleção de Materiais
141

.2 Disju11tor elétrico
s.4
0111 cn11cnhc iro está elabora~do um projeto elétrico . " .
Finalizou os calculos para determmação dos circuitos elétricde um~ res1~enc1a.
'pecificar os disjuntores que protegerão os condut dos e ~ai s~lec1onar e
es b U ·1· ores os crrcmtos contra
rrentes de so recarga. ti 1zou, para tanto as nonnas NBR 5410 . _
eO b ·
Jétricas de aixa -
tensao (ABNT ' Instalaço
, 2004) e NBR NM 60898 .. 0 ISJUntore
. .· es
e ~ d b . _ s para
proteçao e so reco!1"~ntes para mstalaçoes domésticas e similares ABNT
2004). Optou pelos d1sJuntores padrão DIN6 (europeu) confonne Quadr~ 2: '
Quadro 2 - Especificação de disjuntor

Critério

Características

Referências Bibliográficas
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LTDA: INFORMAÇÕES E TÉCNICAS EM CONSTRUÇÃO CCVCL S/C LTDA. Gestão ambiental de resíduos da COnstru ERVJÇos _

civil. São Paulo: Sinduscon-SP, 2005. 48 p. Çllo


SOUZA. R. et ai. Sistema de gestão da qualidade para empresas construtoras. São Paulo: CTE / SEBRAE / SINDUSCON, 1994.

Sugestões para estudo complementar


MASCARÓ,J. L. O custo das decisões arquitetônicas. 2. ed. Porto Alegre: Sagra Luzzato, 1988. 180 p.
SILVA, M. A. C.; SOUZA, R. Gestão do processo de projeto de edificações. São Paulo: O Nome da Rosa, 2003. 181 p.