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SEXTA CÂMARA CÍVEL

APELAÇÃO Nº 35678/2013 - CLASSE CNJ - 198 - COMARCA CAPITAL

APELANTE: ROGER DE OLIVEIRA LIMA


APELADO: AYMORÉ CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S. A.

Número do Protocolo: 35678/2013


Data de Julgamento: 21-08-2013

EMENTA
APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE
ABSOLUTA DE ATO CUMULADA COM INEXISTÊNCIA DE OBRIGAÇÃO
DE PAGAMENTO - CONTRATO DE FINANCIAMENTO DE VEÍCULO -
TERMO DE ENTREGA AMIGÁVEL - PRETENDIDA NULIDADE SOB O
FUNDAMENTO DE TRATAR-SE DE PESSOA RELATIVAMENTEINCAPAZ -
SITUAÇÃO NÃO RECONHECIDA NA SENTENÇA QUE JULGOU
IMPROCEDENTE O PEDIDO - CLÁUSULA EXPRESSA DE
RESPONSABILIDADE DO DEVEDOR PELO EVENTUAL SALDO DEVEDOR
- SENTENÇA MANTIDA - RECURSO DESPROVIDO.
Se da análise do Termo de Entrega Amigável firmado entre as partes, do
veículo objeto de financiamento, não se visualiza nenhuma irregularidade formal no
pacto, bem como se não comprovada a alegada incapacidade para a prática do ato,
os efeitos do instrumento devem ser observados pelos contraentes.
Presumida a capacidade mental, para a decretação de nulidade de ato
jurídico, mostra-se necessária a prova cabal de insanidade mental do agente ao tempo
da prática do termo, o que não se visualizano caso em exame.
Para que se reconheça a alegada incapacidade relativa, mostra-se
necessário processo judicialcom interdição da pessoa tida por incapaz (artigos 1.767
e seguintes do Código Civil), cujas eventuais e parciais deficiênciasna fala e audição
não se mostram suficientes para declarar nulo o pacto ajustado entre as partes.

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APELAÇÃO Nº 35678/2013 - CLASSE CNJ - 198 - COMARCA CAPITAL

APELANTE: ROGER DE OLIVEIRA LIMA


APELADO: AYMORÉ CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S. A.

RELATÓRIO
EXMO. SR. DES. GUIOMAR TEODORO BORGES
Egrégia Câmara:
Cuida-se de Recurso de Apelação interposto por Roger de Oliveira
Lima, contra sentença que na Ação Declaratória de Nulidade Absoluta de Ato c/c Inexistência
de Obrigação de Pagamento de Saldo Remanescente que move contra Aymoré Crédito
Financiamento e Investimento S/A, rejeitou o pedido inicial, com base no artigo 269, I, do
CPC.
Sustenta que o negócio jurídico para a entrega amigável realizado com a
apelada é nulo, porque por se tratar de pessoa relativamente incapaz, não estava devidamente
representado para a concretização do ato.
Reclama que não há mais obrigação referente ao pagamento de parcelas
ou saldo devedor do financiamento do veículo, porquanto houve a entrega amigável do bem,
além de que necessita do dinheiro que lhe é cobrado indevidamente.
Justifica a condenação da apelada em danos morais e materiais, porque
depois da entrega amigável do veículo, ainda assim, a requerida incluiu seu nome nos cadastros
de proteção ao crédito.
Requer a reforma da sentença para que os pedidos da ação sejam
julgados procedentes.
Contrarrazões pelo desprovimento do apelo (fl.161/216).
Em razão da alegação do apelante de se tratar de pessoa relativamente
incapaz, o feito foi encaminhado à Procuradoria-Geral de Justiça (fl.222), que deixou de emitir
parecer, por entender pela ausência de interesse público, porque a questão em análise versa
apenas sobre direitos patrimoniais disponíveis, de pessoas capazes e devidamente assistidas por
seus procuradores (fl.226/227).
É o relatório.

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VOTO
EXMO. SR. DES. GUIOMAR TEODORO BORGES (RELATOR)
Egrégia Câmara:
Cinge-se a controvérsia em saber se comporta reforma a sentença que na
Ação Declaratória de Nulidade Absoluta de Ato c/c Inexistência de Obrigação de Pagamento de
Saldo Remanescente que Roger de Oliveira Lima move contra Aymoré Crédito Financiamento
e Investimento S/A, rejeitou o pedido inicial,com base no artigo 269, I, do CPC.
A lide gira em torno de um contrato de financiamento firmado entre as
partes em 02-10-2010, para aquisição pelo apelante, do veículo Palio Fire Flex ano 2006/2007, a
ser pago em 60 parcelas mensais de R$644,82. Todavia, em razão da impossibilidadedo apelante
em continuar o pagamento do débito, as partes ajustaram Termo de Entrega Amigável do bem
em 11-03-2011 (fl.26).
O fundamento de reforma da sentença se assenta no argumento de que o
Termo de Entrega Amigável do veículo é nulo, porque em razão de sua incapacidade, era
obrigatória a presença de sua representante, bem como que a dívida de R$3.045,22, oriunda do
saldo devedor do contrato deve ser declarada inexistente, ao fundamento de que procedeu à
entrega do bem com a finalidade de obter a quitação do contrato e a retirada de seu nome dos
órgãos de restrição ao crédito.
Pois bem.
No que diz respeito a nulidade do Termo de Entrega Amigável em
11-03-2011 (fl.26), em razão da suposta incapacidade do apelante, colhe-se das provas, que não
procede o argumento.
Ocorre que da análise dos documentos colacionados (fl.33-38) que
dizem respeito à receita de óculos de grau e avaliação audiológica que remontam os anos de
2004 e 2005, portanto, anteriores à formalização do Contrato de Financiamento (2010) e do
Termo de Entrega Amigável (2011), não são suficientes para comprovar a incapacidade do
apelante para a os referidos instrumentos.
Como bem salientou a sentença recorrida (fl. 146):
"pelos documentos acostados aos autos às fls.33/38, a deficiência da
parte Requerente é na fala e na audição, e conforme documentos de fls. 37-verso e

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38-verso é uma perda de grau moderada, não significando perda total da audição.
Além do mais, pelo documento de fls. 35, foi atestado que "baixa de visão", não que
ele seja cego."
Nota-se que por conta da deficiência da parte requerente não ser visível,
porquanto no primeiro momento quando a assinatura do contrato de financiamento exercia
plenamente sua capacidade civil, não se mostra razoável alegar agora a nulidade do Termo de
Entrega Amigável do bem, máxime porque fundamentado em exames realizados e datados há
mais de cinco anos antes da formalização do Termo de Entrega, caso em que não se mostra
possível exigir da apelada o conhecimento das referidas limitações, justamente por não serem
visíveise que, de resto, não comprometeram a capacidade do apelante em assinar o termo.
Diante da validade do Termo de Entrega Amigável do bem, observa-se
em seu item V (fl. 26), que diante da impossibilidadede adimplir o contrato de financiamento, o
financiado, ora apelante, entregou o veículo com o objetivo de que a credora, ora apelada,
vendesse em leilão ou outra forma que julgasse conveniente, com o objetivo de amortizar o
saldo devedor do aludido contrato.
No mesmo sentido, no parágrafo quarto do referido Item V do Termo,
expressamente consta que o "Financiado/Arrendatário se compromete a liquidar o saldo
remanescente, inclusive multas, juros, custas e honorários advocatícios, se houver".
Desta forma, como o bem entregue pelo apelante foi leiloado pelo valor
de R$ 16.800,00 (fl. 122), referida quantia foi utilizada para amortizar o saldo devedor do
contrato e com isso, restou o remanescente a ser pago de R$3.045,22, como o próprio apelante
noticia.
Por derradeiro, é necessário destacar que para que se reconheça a
alegada incapacidade relativa, mostra-se necessário processo judicial com a interdição da pessoa
tida por incapaz, o que não se visualiza no caso em exame (artigos 1.767 e seguintes do Código
Civil).
Na hipótese, o apelante não se desincumbiusatisfatoriamente do ônus da
prova que lhe incumbia, de demonstrar que padecia de enfermidade suficiente para considerá-lo
como incapacitado para o entendimento e assinatura do Termo de Entrega Amigável(fl. 26).
Nesse sentido:
"Nulidade do ato. Prova da (in) capacidade. Presumida a capacidade

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mental, é de exigir-se prova completa e cabal da insanidade mental do agente ao


tempo da prática do ato jurídico, para a decretação de sua nulidade (STF, 2ª T., Ag
21531-DF, rel. Min. Ribeiro da Costa), in Nelson Nery Junior Rosa Maria de
Andrade Nery, in Código Civil Comentado, 9ª Edição, Editora Revista dos
Tribunais, em comentários ao artigo 1.773, página 1.495).
Desta forma, agiu com acerto a sentença ao julgar improcedente o
pedido de nulidade do Termo de Entrega Amigável (fl. 26) firmado entre as partes, cuja
consequência, por logicidade, também afasta o pedido de declaração de inexistênciade dívida no
valor de R$3.045,22, oriunda do saldo remanescente do referido pacto.
Por derradeiro, com a manutenção da sentença de improcedência dos
pedidos da presente ação, não há falar em ato ilícito praticado pela apelada capaz de justificar
indenização por danos morais pretendida pelo apelante.
Posto isso, nega-se provimento ao recurso para manter a sentença que na
Ação Declaratória de Nulidade Absoluta de Ato c/c Inexistência de Obrigação de Pagamento de
Saldo Remanescente movida por Roger de Oliveira Lima, contra Aymoré Crédito
Financiamento e Investimento S/A, rejeitou o pedido inicial, com base no artigo 269, I, do
CPC.
É como voto.

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ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos os autos em epígrafe, a SEXTA CÂMARA
CÍVEL do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, sob a Presidência do DES. RUBENS
DE OLIVEIRA SANTOS FILHO, por meio da Câmara Julgadora, composta pelo DES.
GUIOMAR TEODORO BORGES (Relator), DES. RUBENS DE OLIVEIRA SANTOS
FILHO (Revisor) e DES. JURACY PERSIANI (Vogal), proferiu a seguinte decisão:
RECURSO DESPROVIDO, À UNANIMIDADE.

Cuiabá, 21 de agosto de 2013.

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DESEMBARGADOR RUBENS DE OLIVEIRA SANTOS FILHO -
PRESIDENTE DA SEXTA CÂMARA CÍVEL

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DESEMBARGADOR GUIOMAR TEODORO BORGES - RELATOR

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