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GOLDENBERG, Mirian.

A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em


ciências sociais. Rio de Janeiro: Record, 2007.

Resumo
A autora busca esclarecer sobre como construir uma pesquisa científica e, para
isso, utiliza o exemplo da escola de Chicago como ponto de partida. Essa escola teve
um importante papel como aliada na disseminação da pesquisa qualitativa nas
ciências sociais, pois sua perspectiva era interacionista, envolvendo diversas áreas do
conhecimento como sociologia, antropologia, ciência política, psicologia e filosofia.
Além disso, destaca a importância da pesquisa qualitativa estar amparada por, pelo
menos, um método de coleta de dados. Outro aspecto importante é a interação entre
análise quantitativa e qualitativa, mostrando que é possível utilizar duas técnicas para
chegar a um ponto comum.
Alguns pensadores são citados pela autora a fim de apresentar as contribuições
e métodos que foram trazidos para o campo da pesquisa. Entre eles, Frederic Le Play,
pioneiro nos estudos da realidade social dentro de uma perspectiva científica, que
considerava a observação direta controlável, exposto pelo método das monografias.
Lewis Henry Morgan, antropólogo que utilizou o método etnográfico em sua
pesquisa, contudo, era um evolucionista. Franz boas, geólogo, crítico antropológico
evolucionista que se apoiou no trabalho de campo como técnica de pesquisa.
Malinowski, pai do funcionalismo, que fez uma expedição nas ilhas
Trobriand, pois acreditava que cada cultura tem como função a satisfação das
necessidades básicas dos indivíduos, criando assim, instituições para responder estas
necessidades. E Clifford Geertz, representante da “abordagem interpretativa”,
propunha o modelo de análise cultural hermenêutico: o antropólogo deveria fazer uma
descrição em profundidade das culturas, como teias de significados a serem
interpretados. Inspirou a “antropologia reflexiva”.
Assim, a pesquisa qualitativa apresenta caminhos, dependendo do tipo de
pesquisa que o teórico busca empreender. Nesse sentido, a autora destaca o
interacionismo simbólico, que propõe que o pesquisador deve estar envolvido com a
vida de sua cidade e sua transformação social. Tal perspectiva é contraposta à visão
durkheimiana que defende que as manifestações subjetivas não pertencem ao domínio
da sociologia, mas que é a concepção dos indivíduos que constitui o objeto da
pesquisa sociológica.
Para a autora, tornar o problema um objeto concreto é o primeiro passo para
construir os argumentos para pesquisa. Isso pode ser feito a partir da imersão
sistemática no assunto; estudo da literatura existente e da discussão com pessoas que
acumularam experiência na prática do campo de estudo. Ao escolher seu objeto, o
pesquisador deve identificar o tema; escolher como trabalhar e se organizar; fazer a
pesquisa bibliográfica; selecionar o material e analisá-lo; fazer fichamento para que
seja explicitado na pesquisa os caminhos que percorreu.
Depois de todo o processo que constitui a pesquisa qualitativa, a autora
destaca a importância da análise e do relatório final. Nesse momento, o pesquisador
deve comparar e compilar as informações colhidas. O relatório reúne informações
importantes sobre o processo, ao presentar o problema e as razões da pesquisa; a
técnica e método empregados; os resultados e dificuldades encontrados; as perguntas
que não foram respondidas e novas indagações; e, por fim, as conclusões principais.
Para a pesquisa que usa a metodologia de coleta de dados é importante
delimitar o campo de estudo no qual se busca respostas; evitar favorecer uma
determinada resposta; definir os conceitos que serão usados; além de estar atento para
possíveis reformulações que podem ser necessárias ao processo. Os passos da
pesquisa são: escolha do tema; delimitação do problema; definição dos objetos a
serem pesquisados; objetivos; construção do referencial teórico; formulação de
hipótese; elaboração de instrumentos de coleta de dados. Quando utilizada a
ferramenta qualitativa é necessário que exista um padrão a ser seguido e apresentado
às pessoas de forma igual. Contudo, podem variar no seu tipo, podendo ser aberta ou
fechada, utilizando recursos visuais ou não.
A autora pretende explicitar as diferenças entre a pesquisa qualitativa e
quantitativa e suas especificidades sob a luz das sociologias positivista, compreensiva
e interpretativa. Para isso, os autores Comte e Durkhein são colocados como
referências no que diz respeito a abordagem positivista. Além disso, a autora aponta a
influência de Kant sobre outros teóricos que se opunham ao positivismo como modelo
aplicado à pesquisa, como o alemão Wilhelm Dilthey. O filósofo entendia que os
objetos de pesquisa das ciências sociais eram de origem emocional, valorativa e
subjetiva, o que impossibilitaria o uso de fórmulas generalizantes.
Resumidamente, a autora se preocupa ao longo do texto em esclarecer todas as
etapas da pesquisa qualitativa, bem como as dificuldades que possam surgir durante o
processo. Para isso, utiliza diversos autores para apresentar sua argumentação, o que
torna o texto repleto de informações importantes para os pesquisadores das ciências
sociais.