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UNIDADE 01

Psicologia da Aprendizagem UNIDADE 01 AULA 01

Glauco Barbosa de Araújo


Maria Betânia da Silva Dantas

INSTITUTO FEDERAL DE
EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
PARAÍBA

Psicologia Geral

1 OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM

„„ Conhecer as principais ideias que contribuíram


para o desenvolvimento da Psicologia;
„„ Assimilar os principais conceitos e definições da Psicologia Geral;
„„ Situar-se sobre a importância da Psicologia para a educação.
Psicologia Geral

2 Começando a história

Olá! Vamos iniciar agora uma trajetória muito interessante que envolve o estudo
de uma ciência determinante para o processo de educar e entender as pessoas,
a Psicologia.

Figura 1 Quem nunca se perguntou: como meu cérebro faz


para pensar? Como é que eu consigo aprender? Como
minha memória funciona? O que é a mente?

Todos esses questionamentos invadem os pensamentos


desde quando a humanidade passou a existir. Pensar
sobre como nós pensamos é uma atividade que o
homem sempre realizou, desde suas origens até hoje,
e, com certeza, não vai parar de se questionar e buscar
respostas cada vez mais complexas.

3 Tecendo conhecimento

3.1 O caminho da Psicologia para se tornar uma ciência

Imagine agora como seu cérebro está fazendo para que você consiga ler essas
palavras, interpretá-las, dar um sentido lógico, utilizar essa informação em outra
situação de sua vida. Imagine que células especializadas (neurônios), junto com
substâncias químicas (neurotransmissores) e todo um processamento cerebral
envolvido, trabalham para alcançar um resultado fantástico, habilidade de pensar,
de sentir e de se comportar.

Neurônio e neurotransmissores

Figura 2 Os neurônios são as principais células que compõem


o Sistema Nervoso Central. Elas têm fibras que se
projetam por todo cérebro e corpo, com a função de
realizar atividades elétricas e integrar toda estrutura
física do homem através das conexões realizadas por
suas fibras.

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Para se comunicarem, os neurônios utilizam Figura 3


os neurotransmissores, que são substâncias
químicas, proteínas específicas que transmitem
mensagens de um neurônio para outros
através de reações químicas que acontecem
nas sinapses (que são espaços muito pequenos
nos contatos entre os neurônios). Um neurônio
libera seus neurotransmissores para outro
neurônio, e esses neurotransmissores levam a informação, a comunicação
que precisa ser transmitida, como se ele desse seu recado para quem está
ao lado (DAVIDOFF, 2001).

Como foi visto nas aulas de Filosofia da Educação, todas as civilizações antigas
tinham sua forma de procurar entender essa maneira complexa de pensar e, em
sua maioria, atribuíam o funcionamento do cérebro ou da mente a entidades
divinas, entidades superiores que controlavam os pensamentos, fazendo com
que a causa dos fenômenos mentais estivesse associada aos deuses ou ao místico.

Essa forma mística de entender o pensamento permaneceu por séculos e milênios,


até que surgiu a civilização grega que, com a influência do conhecimento de
outros povos, como os árabes, e por conta de uma excelente posição econômica,
social, cultural e militar, conseguiu investir no conhecimento filosófico através
de pessoas conhecidas como filósofos.

Com a filosofia, o pensamento se liberta do misticismo e passa a buscar, nos


eventos naturais, a explicação de como funcionam os indivíduos. Esses filósofos
utilizavam sua razão e a observação do ambiente natural para compreender e
explicar o próprio homem.

Então por que destacar o pensamento grego e sua visão Figura 4


de homem? Exatamente para entender que, a partir desse
pensamento e do uso da razão, o homem passou a ser
estudado de forma mais complexa, saindo do óbvio ou
do místico para a construção dos primeiros passos do
que, no futuro, seria chamado de Psicologia. Portanto, os
filósofos gregos desbravaram os caminhos para os futuros
psicólogos.

Dos grandes pensadores gregos que contribuíram para a construção da Psicologia,


pode-se destacar Sócrates; ele acreditava que o conhecimento existia dentro de
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Psicologia Geral

cada indivíduo e pode ser acessado pela razão, e o que cada indivíduo precisa
para descobrir esse conhecimento era olhar para dentro dele mesmo e investigar
a verdade.

Seu aluno Platão considerava a existência do mundo das ideias, no qual as coisas
são perfeitas, sendo a razão a condição humana para ter acesso a esse mundo
e retirar dele as impressões para construir a realidade, construir as coisas presentes
no ambiente, no mundo, a partir do reflexo original do mundo das ideias. O
aluno mais brilhante de Platão, o filósofo Aristóteles, discordou de seu mestre
e afirmou que o conhecimento não vem do mundo das ideias, as ideias são
formadas através da observação dos acontecimentos do mundo natural, sendo
o mundo natural e as experiências a fonte para as ideias, e não o contrário, como
afirmava seu mestre.

Após esses pensadores, o conhecimento passou a ser orientado


pela razão em duas maneiras distintas de elucidar a condição
humana, um método voltado para a introspecção (olhar
para dentro), utilizando o pensamento como a maneira
segura de adquirir o conhecimento; e outro método chamado
Figura 5 empirismo, utilizando a observação do ambiente e das
experiências como a forma mais adequada de adquirir o conhecimento. Mais tarde,
a Psicologia une esses dois métodos para estudar o homem em sua totalidade.

Depois de ter entendido que o homem sempre procurou conhecer a si mesmo


desde o início de sua existência e que a Filosofia deu os primeiros passos para
construir a Psicologia, agora vamos saber como foi a trajetória que a Psicologia
percorreu para conseguir o status de ciência.

Muitos foram os fatores que, somados, conduziram a Psicologia para a condição


de uma ciência independente. Começamos pela transição do feudalismo para
o capitalismo, que ofereceu uma nova maneira de se administrar o mundo, na
qual o homem passa a ter mais valor e autonomia, graças às mudanças nas
condições de trabalho, nas relações sociais e políticas, proporcionando o
surgimento da burguesia, ou seja, a classe média trabalhadora.
Figura 6 Com a chegada da Idade Moderna e o avanço
da Ciência, várias são as contribuições a
serem destacadas. Em meados do século
XVI, Copérnico, ao estudar os planetas e as
estrelas, esclarece, para a humanidade, que
a ideia da Terra ser o centro do Universo
não se sustenta, provocando uma quebra
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do pensamento de que o homem é o centro de tudo. Um pouco depois, no


início do século XVII, Galileu desenvolve métodos e regras básicas para guiar
a construção do conhecimento. Esses métodos direcionam a elaboração das
atividades científicas sistematizando-as e facilitando a padronização.

Ainda no século XVII, o filósofo René Descartes afirma que o homem é formado
por uma condição material e outra pensante ou espiritual, propondo o dualismo
mente-corpo. Essa afirmativa foi adotada pela comunidade científica e possibilita
o avanço da Anatomia e Fisiologia, considerando que, após a morte, a alma não
habita mais o corpo, abrindo a possibilidade deste corpo ser estudado.

A história segue e, no século XIX, o naturalista


Charles Darwin aponta uma nova perspectiva de
compreensão do homem através do processo
de Evolução das Espécies. Nesse seu estudo, ele
demonstra sistematicamente evidências de que as
espécies do planeta, inclusive o homem, evoluem
se adaptando ao ambiente. O meio seleciona os Figura 7
Charles Darwin
mais aptos e elimina aqueles não têm habilidades de
sobrevivência necessárias para continuar existindo como espécie. Esse trabalho
gerou um grande impacto em todas as ciências, inclusive na Psicologia, pelo
efeito que provocou na forma de compreender a natureza humana.

Agora, vamos juntar as peças para entender como a Psicologia se torna


uma ciência independente.

„„ O primeiro passo foi dado com o nascimento da Filosofia.


Com ela houve o desenvolvimento das primeiras ideias
sistematizadas e fundamentadas na razão, com o apoio das
observações do ambiente, para chegar a compreender o
mundo natural, bem como o sistema mental do homem;
„„ Com a Filosofia, os pensadores passaram a construir conhecimentos
que deram ao homem a condição para os primeiros passos
de uma Ciência. Utilizando métodos sistematizados, as
pesquisas passaram a gozar de maior precisão e qualidade,
podendo ser entendidas e replicadas por outros pesquisadores
ou seja, uma linguagem universalizada que possibilita o
reteste e a reprodução da pesquisa por outros estudiosos
através do uso dos métodos anteriormente aplicados;
„„ Com a edificação da Ciência e o avanço dos estudos
sobre os processos de funcionamento da mente humana,
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Psicologia Geral

apoiados pelo crescente conhecimento da Fisiologia e


Anatomia, os futuros psicólogos conseguiram ferramentas
para elucidar os processos mentais humanos.

Esse caminho descrito e apresentado até aqui tem seu


ápice com o médico e professor Wilhelm Wundt. Ele
lecionou Fisiologia durante quase vinte anos na
Universidade de Heidelberg, na Alemanha, e se destacou
pelo seu interesse de conhecer os processos elementares
da consciência. Esse seu interesse o direcionou para o
campo da Psicologia, fazendo-o perceber que a
Psicologia precisava se emancipar da Filosofia e caminhar
Figura 8 Wilhelm Wundt de forma autônoma. Após esse grande período em
Heidelberg, ele passou a trabalhar na Universidade de Leipzig, também na
Alemanha, onde fundou o primeiro laboratório de Psicologia Experimental para
estudar os processos mentais envolvidos na percepção. Por conta de seu histórico
de pesquisador e pela relevância dos estudos em seu laboratório, resultou que,
em 1979, a Psicologia passou a ter status de ciência independente (BOOK, 2009
e GOODWIN, 2005).

3.2 Principais conceitos e definições da Psicologia Geral

Mais de dois mil anos de história e de conhecimentos desenvolvidos modelaram


a Psicologia e deram para ela o status de ciência. Agora vamos conhecer suas
principais escolas, ideias e conceitos que a conduziram à condição atual, condição
essa que é de extrema utilidade para o homem contemporâneo, graças a suas
pesquisas e estudos que oferecem os melhores caminhos para o homem se
adaptar ao mundo de hoje.

Vamos apreciar grandes escolas ou movimentos da Psicologia moderna (BOOK,


2009; DAVIDOF, 2001 e GOODWIN, 2005):

Começando pelo Estruturalismo – esta escola nasce com os trabalhos de Wundt,


o mesmo autor que deu à Psicologia o seu status de ciência, porém foi o seu
aluno e pesquisador, Titchener, quem primeiro utilizou o termo Estruturalismo.
Este termo se refere ao método de estudo que priorizava a consciência humana,
em particular as experiências sensoriais como principal foco das pesquisas.

Nessa perspectiva, esta área da Psicologia afirma que as pesquisas devem ser
realizadas no laboratório e utilizar o método de introspecção analítica (utiliza-se
a auto-observação) para analisar os processos mentais e identificar quais são as
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estruturas cerebrais envolvidas. Para explicar o sistema psicológico humano, o


Estruturalismo valoriza a relação entre as atividades mentais e as localizações
das áreas cerebrais correspondentes.

O Funcionalismo – este termo está diretamente associado ao psicólogo e professor


de Harvard, o americano William James. Os seus trabalhos são considerados os
primeiros estudos sistemáticos da Psicologia realizados nos Estados Unidos.
James também define a consciência como o foco de trabalho e o uso de métodos
rigorosos de investigações como meio para compreender o funcionamento da
consciência, para entender como o homem se adapta ao meio.

Diferente do Estruturalismo, que busca identificar quais as estruturas do sistema


nervoso central estão envolvidas com as respostas perceptivas e sensoriais, os
funcionalistas se preocupam com a maneira como os sistemas psicológicos
trabalham. O Funcionalismo tem o objetivo de desvendar como ocorre o processo
de adaptação do ser humano e o funcionamento de seu cérebro.

O Associacionismo – é a primeira grande teoria voltada para o processo de


aprendizagem da Psicologia. Essa escola tem Edward L. Thorndike como seu
maior representante e seu trabalho demonstra que a aprendizagem se dá por
associações de ideias, das mais simples para as mais complexas, ou seja, para
uma criança aprender a ler, ela precisa primeiro aprender as letras, depois as
sílabas, para posteriormente ler as palavras, sendo o processo de associação o
principal meio que guia esse aprendizado. O trabalho de Thorndike influencia o
Behaviorismo, principalmente através de sua Lei do Efeito, quando ele afirma que
a consequência favorável vai reforçar um aprendizado aumentando a probabilidade
de sua ocorrência, enquanto uma consequência desfavorável vai enfraquecer esse
aprendizado diminuindo a probabilidade de ocorrer novamente. Com essa ideia,
,Thorndike oferece a compreensão de que as consequências são os principais
fatores que estabelecem a aprendizagem para o ser humano.

O Behaviorismo – ou Comportamentalismo é uma área de estudo da Psicologia


americana e tem como sua primeira grande referência o psicólogo John Watson. No
início do século XX, ele tornou-se um crítico do Funcionalismo e do Estruturalismo
afirmando que ambos estudavam a consciência e que esses estudos não podiam
ser testados ou reproduzidos, impedindo que a Psicologia realmente se tornasse
uma Ciência objetiva. Watson propõe que a Psicologia estude o comportamento
observável por meio de métodos objetivos.

Ele afirmou que, diante do frio, as pessoas buscam se aquecer; com fome, as
pessoas buscam comida; diante da luz, as pupilas se fecham; esses exemplos
explicam que os estímulos ambientais que antecedem a ação vão determinar
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Psicologia Geral

como os indivíduos aprendem a se comportam, ou seja, o indivíduo sempre está


respondendo, reagindo a algum fator externo que excita seu organismo, e essa
estimulação vai provocar uma resposta comportamental através da associação
entre o estímulo do ambiente com a resposta que o sujeito apresenta – estímulo
+ resposta resulta na aprendizagem.

Outro grande estudioso do Behaviorismo, o psicólogo B. F. Skinner, influenciado


pelos estudos de Thorndike, amplia a visão do comportamentalismo considerando
que são as consequências que vão controlar a probabilidade de que esse
comportamento ocorra novamente. Por exemplo, quando um taxista passa
por uma determinada rua e nela encontra clientes, a chance de ele passar pela
mesma rua outras vezes aumenta; no caso de ele não conseguir cliente ao passar
na rua, a chance do taxista voltar a esta rua diminui.

Quando um comportamento ocorre e sua consequência for agradável (reforço),


o indivíduo tende a repetir o comportamento, e quando a consequência for
desagradável (punição), o comportamento tende a diminuir de frequência ou
desaparecer. Esse processo de reforço e punição é determinante para o processo
de aprendizagem humana.

A Psicologia da Gestalt – nos Estados Unidos, o Behaviorismo era a escola


dominante da Psicologia, enquanto que na Alemanha, a escola dominante da
Psicologia era a Gestalt. Representada por estudiosos como Koffka, Kohler e
Wertheimer, a Gestalt se opunha ao Comportamentalismo afirmando que eram
estudos limitados, que reduziam o homem a elementos simples quando isolavam
o comportamento dos demais aspectos da consciência humana. Para a Gestalt,
as experiências precisam ser vistas pela sua totalidade para que o homem possa
de fato ser estudado.

A percepção é o processo mental pelo qual os estímulos do ambiente


são traduzidos pela consciência e passam a ter um significado, passam a
ser compreendidos, e a cognição é o próprio funcionamento mental, é
a maneira como o cérebro processa as informações, como a memória, a
atenção, a lógica...

Uma experiência só pode ser compreendida se for considerado todo o processo


envolvido, sendo o todo maior que a soma das partes. Considere que, se você
observa peças de um quebra-cabeça separadamente, nunca vai saber qual
sua imagem final, só quando montá-lo é que vai saber o que ele representa. A
Gestalt devolve à Psicologia a importância de estudar os processos subjetivos
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do ser humano e desenvolve métodos para realizá-los, utilizando-se do estudo


da linguagem, que mais tarde será uma forte influência para a Psicologia em
todo mundo, inclusive nos Estados Unidos.

A Psicanálise – o mais conhecido e popular dos teóricos que influenciaram a


Psicologia, Sigmund Freud, médico neurologista, viveu entre o final do século XIX
e começo do século XX na Europa e depois nos Estados Unidos. Ele elaborou a
ideia de que a mente humana é controlada por processos inconscientes, sendo a
desarmonia entre o ID (inconsciente), o Ego (consciência) e o Superego (as regras
e normas sociais) a grande responsável pelo sofrimento humano.

Suas conclusões foram elaboradas a partir das observações clínicas com pacientes
neuróticos que não conseguiam melhorar de suas enfermidades psicológicas,
resultados de traumas na infância, causados pela má elaboração das condições
psíquicas entre a criança e seus pais. Para Freud, a relação de afeto com seus
entes mais próximos resulta na energia sexual (libido), que se origina do ID e é
a grande responsável pelas ações do homem no mundo.

Essa sexualidade não se limita ao comportamento sexual do homem, e sim a toda


energia que influencia a condição psicológica do indivíduo, desde seu impulso
de viver ou até de morrer. A sua teoria psicanalítica e o tratamento através da
fala foram as grandes contribuições que Freud deixou para a Psicologia, sendo
ele o primeiro profissional a desenvolver um método clínico estruturado e
reconhecido como eficaz no tratamento das pessoas através da palavra, dando
origem às psicoterapias. Freud também foi importante para a compreensão do
processo de aprendizagem por observar que a relação de afeto desenvolvida
entre o professor e a criança também vai ser determinante para a maneira como
ele aprende.

Psicologia Cognitiva – com o foco no processo de como o homem aprende, a


Psicologia Cognitiva estuda e procura compreender a maneira como os processos
mentais organizam os estímulos do mundo externo no cérebro do indivíduo. Este
campo de estudo considera que o homem atua ativamente no seu ambiente,
influenciando-o diretamente e, ao mesmo tempo, sendo influenciado por ele.

Com esse mecanismo de vai e vem de informações, estruturas psicológicas são


construídas, também conhecidas como esquemas cognitivos ou de crenças, que
passam a determinar a maneira como o indivíduo pensa, como ele entende e
interpreta a realidade.

A Psicologia Cognitiva considera que o homem está sempre em processo de


adaptação e que seu cérebro desenvolve métodos, estratégias complexas de
relacionar as informações e dar sentido para elas, tornando-as úteis no processo
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Psicologia Geral

de evolução e adaptação do próprio indivíduo. A corrente da Psicologia Cognitiva


junto com o Behaviorismo são os grandes pilares para se compreender o processo
de aprendizagem do homem, processo esse que será detalhado mais adiante
em capítulos específicos estudados ao longo da disciplina.

A Psicologia Humanista, tema que será mais aprofundado em nossa aula 03, traz,
em seu próprio termo humanismo, a intenção de tornar a Psicologia mais voltada para
o próprio homem, uma Psicologia mais humana, mais direcionada para o estudo dos
fenômenos internos, das emoções e dos potenciais que são características dos seres
humanos, e dessa forma se opõe a uma Psicologia voltada para o comportamento
ou métodos rigorosos de medir e avaliar pessoas, criticando-a.

Abraham Maslow e Carl Rogers são seus grandes ícones e afirmam que o homem
precisa desenvolver-se a alcançar patamares cada vez maiores de consciência
e progressão em sua vida, e essas são as principais características humanas, a
capacidade de alcançar a autoatualização (desenvolver seu potencial máximo
em todos os aspectos da vida).

Maslow estudou esse desenvolvimento potencial através dos aspectos


motivacionais considerando que existem necessidades com hierarquias diferentes,
desde as mais básicas, como dormir e comer, às mais complexas, como ser
criativo e desenvolver potenciais. Assim, o impulso do homem seria na direção
de ultrapassar os diferentes níveis de necessidades até chegar à autoatualização.

Seguindo essa perspectiva, Rogers focava nos aspectos da saúde mental,


acreditava que, para tratar os problemas psicológicos, o processo clínico deve ser
centrado no indivíduo, tendo o psicólogo o papel de atuar no presente, adotar
as perspectivas da Psicologia Humanista e criar as condições adequadas para
que seu cliente atue livremente em busca de seu potencial de autoatualização,
que está dentro dele e que ele precisa deixar emergir, reduzindo assim suas
enfermidades e proporcionando bem-estar e saúde.

A Psicologia Construtivista e a Socioconstrutivista, temáticas que iremos


aprofundar nas aulas 04 e 05, respectivamente. A Psicologia Construtivista
tem sua referência com Jean Piaget, psicólogo e biólogo suíço que estudou o
desenvolvimento da inteligência a partir das observações das ações dos seus
filhos sobre o meio ambiente. Ele concluiu que o pensamento sofre influência da
maturação biológica como uma condição para o desenvolvimento da inteligência.
Piaget utilizou entrevistas e observações dos comportamentos para elaborar
a teoria da construção da inteligência, a teoria construtivista, que, mesmo não
sendo uma teoria pedagógica, fundamenta as práticas na área da educação,

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AULA 01

exatamente por explicar como se dá o processo de aprendizagem, da construção


da inteligência, como a mente da criança se desenvolve.

No caso da Psicologia Socioconstrutivista, ela pode ser definida como uma teoria
que estuda o processo de desenvolvimento psicológico dos indivíduos a partir da
influência das interações sociais. Entre os anos 1920 a 1930, o russo L. S. Vygotsky
elaborou essa teoria para explicar como o processamento cerebral constrói
estruturas responsáveis pela aprendizagem e desenvolvimento psicológico.
Ele afirma que é a interação social que cria as condições para que a criança se
desenvolva, opinião inversa à de Piaget, que considerava a maturação biológica
como uma condição para o desenvolvimento da inteligência. Vygotsky considera
que a evolução do processo de aprendizagem acontece de fora para dentro, a
assimilação da cultura por meio das relações sociais é a grande responsável para
que as condições de maturação do organismo aconteçam.

Piaget e Vygotsky serão temas de capítulos específicos nesta disciplina que agora
você estuda, dada a grande importância que ambos têm para se conhecer como
a aprendizagem e o processo de educação devem ser conduzidos.

3.3 A importância da Psicologia para a educação

Todo esse percurso sobre a trajetória da Psicologia nos oferece uma série de
conhecimentos fundamentais para a compreensão do ser humano, da própria
ciência e também para quem pretende trabalhar na educação.

Pode-se separar este capítulo em três momentos com conteúdos complementares:

Primeiro observam-se as próprias origens do pensamento científico através da


Filosofia grega, objetivando oferecer, para você, estudante, a perspectiva de como
a humanidade se dedicou a esclarecer suas curiosidades e anseios, conduzindo o
conhecimento para um patamar mais organizado, proporcionando o surgimento
de ciências como a Física, a Química, a Biologia, a Medicina e também da Psicologia.
Nesse momento a curiosidade e a necessidade de conhecer a mente humana
impulsionaram os primeiros passos da Psicologia, que passará a ser uma grande
área do conhecimento utilizada no desenvolvimento das ações da educação.

No segundo momento deste capítulo, foi realizada uma breve revisão dos estudiosos
e das áreas do conhecimento mais associadas à Psicologia, considerando o ponto
de vista filosófico e passando para os primeiros cientistas e suas contribuições
para o nascimento da Ciência Moderna, como conhecemos hoje. Estudiosos como

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Psicologia Geral

Galileu, Descartes e Darwin ofereceram à humanidade perspectivas inovadoras


que se tornaram os pilares para a Psicologia e para a Ciência.

Ainda neste segundo capítulo, podemos observar o salto na capacidade de


produzir conhecimento do homem, esse salto culmina com a emancipação da
Psicologia da Filosofia. O resultado desse percurso é observado em 1979 quando
o alemão Wundt, apoiado nas suas publicações e nos métodos utilizados no
primeiro laboratório de Psicologia, apresenta ferramentas e estudos suficientes
para que a Psicologia fosse reconhecida como uma ciência independente,
mudando seu status e ampliando seu campo de ação em todo mundo.

No terceiro momento deste texto, vimos, de forma sintética, as diversas escolas


e as grandes áreas da Psicologia. É muito importante destacar, para todos que
estão estudando este texto, que a Psicologia Comportamental, Cognitiva,
Construtivista e Socioconstrutivista, todas têm a aprendizagem como seu principal
campo de trabalho, são elas que fundamentam grande parte do conhecimento
utilizado na educação e no entendimento do funcionamento do cérebro humano.
Suas pesquisas visam conhecer o homem através da forma como ele aprende,
como ele se adapta ao meio, como a sua estrutura e funcionamento cerebral se
desenvolvem.

Figura 9 Vale destacar, em nossos estudos iniciais, uma


área de pesquisa que cresce muito em todo
mundo e oferece um conhecimento valioso
e extremamente atualizado, a Neurociência.
Ela pode ser compreendida com uma área de
pesquisa que se dedica a entender o processo
de aprendizagem humana com o auxílio de
tecnologias inovadoras como exames de neuroimagem, que utilizam equipamentos
capazes de ver o cérebro por dentro, vê-lo executar tarefas enquanto o indivíduo
está acordado e ativo. Esse indivíduo fica conectado a uma máquina de ressonância
de última geração que consegue ver as áreas do cérebro trabalhando ao vivo,
como uma máquina de raio-x supermoderna e de alta resolução.

Essas pesquisas deram a condição de saber o que acontece dentro de nossas


cabeças sem ter que abrir para olhar dentro, tornando possível a verificação de
como o cérebro responde a métodos e técnicas instantaneamente. Por exemplo:
uma nova técnica para ensinar a crianças é desenvolvida e aplicada; depois se
observa diretamente como o cérebro dessas crianças reage à técnica através
dos exames de neuroimagem, podendo assim decidir se essa técnica é ou não
eficaz e se provoca mudança no funcionamento do cérebro e, posteriormente,
decidir se ela deve ou não ser aplicada.
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AULA 01

4 Aprofundando seu conhecimento

Abaixo você vai encontrar links disponíveis no Youtube para você assistir aos
vídeos com temas diretamente relacionados com sua primeira aula. Esses
vídeos foram elaborados a partir do livro Psicologias: uma introdução ao estudo
de psicologia, de Ana Bock.
àà http://www.youtube.com/watch?v=dEAuAn0VNFw
àà http://www.youtube.com/watch?v=U7yZ5KzdWVo

àà http://www.youtube.com/watch?v=K0UPnnmV50Y

Livro: Psicologias: uma introdução ao estudo


de psicologia

Autora: Ana Mercês Bahia Bock

Editora: Saraiva

Figura 10

Miguel Nicolelis

Assista aos vídeos disponíveis no Youtube


e conheça um pouco do trabalho de um
pesquisador brasileiro, Miguel Nicolelis, sobre
o cérebro e a aprendizagem:
àà http://www.youtube.com/watch?v=3MyJGz73faU
àà http://www.youtube.com/watch?v=TGANxeTcMlg

Figura 11

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Psicologia Geral

Exercitando

Com base nas questões norteadoras abaixo, construa um texto sobre a evolução
da Psicologia da educação. É necessário que esse texto seja construído com o
encadeamento de ideias, a partir de introdução, desenvolvimento e conclusão.
Envio de arquivo único.

1) Como os fatores históricos contribuíram para o surgimento dos primeiros


filósofos?
2) Qual a relação entre a Filosofia e a Psicologia?
3) Exemplifique os motivos que levaram a Psicologia a se tornar uma ciência
independente.
4) Como as escolas da Psicologia contribuíram para os estudos do processo
de aprendizagem?

5 Trocando em miúdos

Vimos nesta aula os caminhos que a Psicologia trilhou para se transformar em


ciências e as principais ideias que contribuíram para o seu desenvolvimento, bem
como os principais conceitos e definições da Psicologia Geral e sua importância
para a educação.

6 Autoavaliando

Analise atentamente o fragmento da música Estudo Errado, de Gabriel O Pensador,


e em seguida registre, no fórum de discussão, suas reflexões sobre a forma como
a Psicologia da Educação poderá auxiliar na mudança da realidade dessa escola
apresentada pelo poeta.

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ESTUDO ERRADO (Gabriel, O Pensador)

Eu tô aqui pra quê? Será que é pra aprender?


Ou será que é pra sentar, me acomodar e obedecer?
Tô tentando passar de ano pro meu pai não me bater
Sem recreio de saco cheio porque eu nao fiz o dever
A professora já tá de marcação porque sempre me pega
Disfarçando, espiando, colando toda prova dos colegas
E ela esfrega na minha cara um zero bem redondo
E quando chega o boletim lá em casa eu me escondo
Eu quero jogar botão, vídeo-game, bola de gude
Mas meus pais só querem que eu “vá pra aula!” e “estude!”
Então dessa vez eu vou estudar até decorar cumpadi (...)
Refrão
Encarem as crianças com mais seriedade
Pois na escola é onde formamos nossa personalidade
Vocês tratam a educação como um negócio onde a ganância, a
exploração, e a indiferença são sócios
Quem devia lucrar só é prejudicado
Assim vocês vão criar uma geração de revoltados
Tá tudo errado e eu já tô de saco cheio
Agora me dá minha bola e deixa eu ir embora pro recreio...
Juquinha você tá falando demais assim eu vou ter que lhe deixar
sem recreio!
Mas é só a verdade professora!
Eu sei, mas colabora senão eu perco o meu emprego.

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Psicologia Geral

Referências

BOCK, Ana Mercês Bahia. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia.


14. ed. São Paulo: Saraiva, 2008.

DAVIDOFF, L. Introdução à Psicologia. São Paulo: Makron Books, 2001.

GOODWIN, C. James. História da psicologia moderna. Tradução Marta Rosas.


São Paulo: Cultrix, 2005.

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