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A VISÃO ESPÍRITA DA MORTE

Morte, desencarne, passagem, seja lá o termo que utilizemos, a grande maioria das pessoas
tem esta situação, comum a todos, que chamamos de morte. E o Espírita? Deveria o Espírita
temer a morte?

No livro As vidas de Chico Xavier1, encontramos a passagem em que Chico encontrava-se em


um avião entre Uberaba e Belo Horizonte, no ano de 1958 e diante de uma situação de perigo,
manifestou seu medo de morrer, ao que foi imediatamente repreendido por Emmanuel.

Todos somos Espíritos, criados por Deus, simples e ignorantes e todos temos um longo
caminho de evolução a percorrer, sendo que nossa evolução depende de inúmeras
experiências na vida material. A cada experiência, nascemos, vivemos e... morremos!

A morte é inevitável e, sendo assim, devemos aprender a lidar com ela, afinal de contas: Todos
vão morrer!

A maior parte das pessoas dizem:

- Não quero pensar na morte!

- Não quero ir embora desta vida!

- Morrer é ruim!

- Tenho medo do que exista do “outro lado”!

Uma coisa é certa: Você vai morrer! Você já morreu muitas vezes e você irá morrer muitas
outras vezes.

Caso queiramos viver bem, entendermos a nossa morte e a dos demais, precisamos discutir
sobre isso. A morte é um fato da vida

Todos nos preocupamos em viver! Corremos atrás de nossos sonhos, buscamos ganhar
dinheiro para termos uma vida confortável. Por que, então, não ganharmos conhecimento
para termos uma morte confortável?

Um dos grandes problemas é o apego. Todo apego dificulta no momento da morte. Na nossa
morte, se estamos apegados a coisas materiais, a assuntos não resolvidos, a questões diversas,
dificultamos o nosso processo de passagem para o plano espiritual. Na morte do outro, se
ficamos questionando, o que será da minha vida sem o outro, o porquê do outro ter nos
deixado, e coisa deste tipo, prejudicamos o processo de passagem do outro para o plano
espiritual.

Temos que entender que a surpresa que a morte nos provoca é compreensível, assim como
são compreensíveis o sentimento de ausência e a saudade. Até mesmo a tristeza é
compreensível.

1
SOUTO MAIOR, Marcel, 2003, p. 143 e 144.
Devemos encarar a morte não como um sentimento de perda. Devemos pensar que, caso essa
pessoa que se “perdeu”, tenha sido uma grande pessoa para nós e para a comunidade, ela
cumpriu seu papel, deu bons exemplos e foi, na realidade, um grande ganho termos convivido
com ela.

Lembre-se que Deus não pune nem premia, ou seja, não há injustiça divina. Nós somos donos
de nosso próprio destino.

Todos nós vivemos o tempo que precisamos viver, mas também, todos nós vivemos da
maneira que escolhemos viver. Queremos e buscamos viver muito e isso não está em nosso
controle, uma vez que vivemos o tempo que precisamos viver. No entanto, não nos
preocupamos em viver bem e isso está no nosso controle, já que vivemos da maneira que
escolhemos viver.

Ruim é chegar ao momento da morte e nos darmos conta que nossa vida foi vazia. Desta
maneira, é importante chegarmos ao momento da morte com a certeza de termos feito um
bom papel, de termos vivido bem.

Muitos devem se perguntar sobre como conversar com quem morreu, em um momento de
oração. Bem, por que falar com quem morreu de um modo diferente do que falávamos
durante sua vida conosco? Fale com intimidade, alegria e informalidade. Ore por ele e ore com
ele.

Não é por ter morrido que alguém irá se transformar em um “santo”, portanto, não fique
pedindo aos que morreram que intercedam a seu favor em todas as coisas. Peça a Deus, ao
seu espírito protetor, à espiritualidade superior. Deixe os que morreram seguir o seu caminho,
deixe que o espírito após a morte siga seu processo evolutivo. Lembremos que, mesmo sem
chamarmos, aqueles que nos amam querem estar a nosso lado, seja uma mãe, um pai, um
companheiro...

Devemos pedir que eles sigam seu caminho, sem se preocuparem conosco. Deixar claro que
foram muito importante para nós enquanto conviveram conosco mas que devem seguir em
frente.

E quanto à saudades? Existe a saudade boa, que é lembrar das coisa boas que foram
compartilhadas com aquele que morreu e existe a saudade ruim, tentar trazer de volta aquele
que já partiu; aquela cobrança sobre termos ficado sozinho; de termos sido abandonado.
Agindo deste modo, estaremos funcionando como uma âncora, a segurar o espírito que deve
buscar sua evolução.

Abro espaço aqui para reproduzir o depoimento de uma filha após a morte de seu pai.

Em fevereiro de 2014, ao cobrir uma manifestação contra o aumento da tarifa do transporte


público no centro do Rio de Janeiro, o cinegrafista da TV Bandeirantes, Santiago Andrade, foi
atingido por um rojão, vindo a desencarnar quatro dias depois. Sua filha, Vanessa Andrade,
postou uma mensagem sobre o pai no Facebook, contando como foi sua despedida do pai.
“Esta noite eu passei no hospital me despedindo. Só eu e ele. Deitada no seu ombro, tivemos
tempo de conversar sobre muitos assuntos, pedi perdão pelas minhas falhas e prometi seguir
de cabeça erguida e cuidar de minha mãe e dos meus avós. Ele estava quetinho e sereno.
Éramos só nós dois, pai e filha, na despedida mais linda que eu poderia ter. E ele também se
despediu.

Sei que ele está bem. Claro que está. E eu sou a continuação da vida dele. Um dia meus futuros
filhos saberão quem foi Santiago Andrade, o avô deles. Mas eu, somente eu, saberei o orgulho
de ter o nome dele na minha identidade.

Obrigada, meu Deus. Porque tive a chance de amar e ser amada. Tive todas as alegrias e
tristezas de pai e filha. Eu tive um pai. E ele teve uma filha.

Obrigada a todos. Ele também agradece. Eu sou Vanessa Andrade, tenho 29 anos e os anjinhos
do céu acabam de ganhar um pai”.2

Tudo que Vanessa fez na morte do pai foi enternecer-se e agradecer a Deus, ao pai e a todos, a
alegria do convívio com seu pai. Relatou que, como todos, ela teve alegrias e tristezas. Como
todos, ela diz ter tido falhas. Mas como poucos, Vanessa reconhece e agradece a beleza do
convívio que teve junto a seu pai.

Que bom será quando todos nós formos como ela. Que bom será quando todos nós
soubermos reconhecer o ganho que é vivermos e convivermos com todos os que estão à nossa
volta. Quando isso acontecer, a morte desses e a nossa morte não passarão de apenas mais
um belo marco nas nossas vidas. Afinal de contas, conforme a música da banda inglesa Queen,
Who wants to live forever?3

Ninguém morre! O que morre é o corpo físico e o que cessa é nossa experiência nesta vida
material. Para finalizar, três coisas para serem lembradas sobre a morte: a morte é um
fenômeno biológico comum, é apenas uma transição, um instante em meio a um caminho
infinito.

2
Globo.com de 10/02/2014 (http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/02/esta-noite-eu-passei-
no-hospital-me-despedindo-diz-filha-de-cinegrafista.html)
3
Que quer viver para sempre? Música do álbum A Kind of Magic (1986), composta por Brian May e
tema do filme Highlander.

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