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UNIVERSIDADE DE SOROCABA

Faculdade de Filosofia

João Vitor de Carvalho Corrêa Sá Freire


RA: 00085158

O Sofista, de Platão

Itapetininga
2016
1 INTRODUÇÃO
Ler Platão, atualmente, para a Filosofia, é como buscar água quando se tem sede.
Possibilidades de encontrá-la surgirão, pois há a procura. Contudo, o apetite pode aumentar a
medida em que se quer beber. Foi e é assim há mais de dois mil anos. Questões aparentemente
“ultrapassadas” para os dias de hoje são discutidas pelo filósofo grego, mas de fundamental
importância para a atitude filosófica atual.
Em seu diálogo O Sofista, Platão discute a respeito do ser e do não-ser, tendo como plano
de fundo a busca por uma definição do sofista. A conversa se dá entre Sócrates, Teeteto,
Teodoro de Cirene e um estrangeiro eleata a respeito, em um primeiro momento, das diferenças
entre sofista, político e filósofo, em Eleia, pátria do último personagem.
Começam, no entanto, pela definição de sofistas que, para Sócrates, são “pretensos
filósofos” (216c). Sócrates indaga o estrangeiro exatamente por não considerar filósofos os
sofistas, visto que usam do conhecimento que têm - ou não - em benefício próprio, iludindo
aqueles que ignoram o saber.
Para explanar o tema sugerido, o estrangeiro escolhe o método de perguntas, e para isso,
chama Teeteto como seu interlocutor. Para chegar à conclusão esperada, a forma dialética faz-
se, portanto, presente e permeará toda a discussão, principalmente no que diz respeito ao ser –
parte propriamente metafísica do diálogo.

2 DEFINIÇÕES DE SOFISTA
Antes, porém, das definições de sofista, o estrangeiro faz uma alusão ao pescador, para
poder exemplificar o caminho dialético a ser seguido, o da lógica. Essa forma de explicação
elucidará a discussão que está por vir, uma vez que eles precisam testar todas as possibilidades
se querem, de fato, chegar à definição esperada:

Estrangeiro – Desse modo, no que respeita a arte da pesca, eu e tu chegamos


a um completo acordo, e não apenas quanto ao nome, pois demos uma
explicação cabal da própria coisa. Vimos, em verdade, que metade da arte em
geral é aquisição; metade da aquisição é captura; metade da captura é caça,
cuja metade, por sua vez, é caça aos animais, com uma das metades reservada
à caça aos animais aquáticos. A seção inferior dessa porção consiste na pesca
vulnerante, e a desta, na pesca por fisga. Esta modalidade de pesca, a que
apanha a vítima e a puxa de baixo para cima, tira a denominação do próprio
ato da tração da linha naquele sentido, de onde vem ser chamada aspaliêutica.
(221b).

A primeira definição apresentada é a de caçador de jovens ricos, pois o sofista busca,


como inspiração, o poder aquisitivo. Como segunda definição, dá-se o nome de comerciante,
pois viaja vendendo conhecimento. A terceira e a quarta definições estão relacionadas ao
comércio, porque fabrica e negocia o próprio conhecimento.
Na quinta definição, o sofista é tido como um polemizador. Na arte das disputas, ele
sempre sai ganhando, uma vez que não se interessa pela verdade, mas apenas por ser vitorioso.
A isso dá-se o nome de erística. Não importa se é sem fundamento e, sim, lutar e vencer a todo
custo.
Para a sexta definição, refutador é a melhor escolha, pois separa o que é bom do que é
ruim:

Estrangeiro - O mesmo pensam aqueles a respeito da alma, que não pode


colher vantagem dos ensinamentos ministrados, enquanto não for submetida
a crítica rigorosa e a refutação não a fizer enrubescer de vergonha, com livrá-
la das falsas opiniões que servem de obstáculo, levá-la à convicção de que só
sabe o que realmente sabe, nada mais do que isso. (230d).

Esse possível “lado positivo” da prática sofista abre alguns questionamentos aos dois
interlocutores. Percebem que os sofistas discutem assuntos gerais, ou seja, sabem tudo. Mas
será isso possível? Ou dizem conhecer, apenas para criar ilusão ou imitação de um discurso
verdadeiro?

3 O SIMULACRO
Exatamente é esta a concluão a que chegaram: o sofista é um ilusionista. Essa arte da qual
ele domina, a mímesis - imitação – é dividida pelo estrangeiro em duas definições distintas: a
cópia e o simulacro. A primeira é uma reprodução fiel do original, enquanto a segunda apenas
parece ser o que não, tentando, assim, enganar que se depara com ela - ilusão.
Porém, há uma contradição, à mostra nessa conclusão, que dará margem ao que se
discutirá de mais importante na obra platônica aqui estudada. Por ser um discurso falso aquele
que o sofista se propõe a fazer, a ideia do não-ser faz-se presente, trazendo mais um nó no
emaranhado da discussão entre os dois personagens.
4 SER E NÃO-SER
A questão discutida está, agora, acerca do ser e do não-ser. Quando se viu a possibilidade
do falso discurso, deu-se, também, a aparição do não-ser, visto que iludir é dizer algo que do
não é. Isso, contudo, contraria Parmênides (237a), que diz ser impossível que o não ser possa
ser.
Portanto, se a falsidade é fruto do não-ser, então os sofistas, de fato, não dizem falsos
discursos. O discurso só pode dizer aquilo que é. O estrangeiro não se satisfaz com isso, pois
assim teria que anular sua tese de que o sofista discursa falsamente. Assim, ele deixa de lado a
definição própria do sofista para pensar o não-ser.
Mas para pensar no não-ser é necessário pensar, em primeiro lugar, no ser. Para isso, ele
expõe aquilo que já foi dito a respeito do ser, na tentativa de achar uma resposta que elucide
toda essa problemática. As teorias já existentes são: as pluralistas, as unitárias, as materialistas
e os amigos da forma.
Para os pluralistas, dois princípios formam o que existe, como quente e frio, úmido e seco,
uno e múltiplo. Porém, se um é, o outro, seu contrário, não é. O ser, então, é um terceiro
elemento? Se o for, excluiria os outros dois. Se os dois existem, então seriam uma só e não
plural. Assim, o estrangeiro derruba essa ideia de vários princípios formadores.
Nas ideias unitárias, principalmente para Parmênides, o ser é uno. A própria designação
“o ser é uno” já exclui essa possibilidade, pois não se uno, o ser não pode chamar-se outra coisa.
Ou ser ou uno. Também para os unitários, o todo é idêntico ao uno. Contudo, o todo contém
partes, e assim, não é uno; e o uno não é todo, pois não é divisível.
Os materialistas, por sua vez, não admitem nada que não seja visível e palpável, excluindo
tudo que é incorpóreo. Assim, porém, aquilo que é material, como uma virtude, não existiria?
Os amigos das formas, últimos a serem analisados, ao contrário, apenas acreditam no imaterial.
Isso é um problema, pois o que é incorpóreo não age nem reage.

Estrangeiro – Logo, o filósofo que tem tudo isso na mais alta estima, tanto
será obrigado a rejeitar, segundo creio, a doutrina dos adeptos do Uno
juntamente com as sequazes do múltiplo, que proclama a imobilidade do todo
universal, como a fazer ouvidos moucos para os que movimentam o ser em
todos os sentidos, e, à maneira de crianças quando preferem as duas gulodices
que lhes damos a escolher, quando afirmar simultaneamente ambas as coisas
a respeito do ser e do todo: que é imóvel e que está em movimento. (249c).
As teorias revistas pelo estrangeiro mostram-se inaptas a dizer algo correto sobre o ser.
Mais ainda, são contraditórias. Por isso, ele admite que tudo existe ao mesmo tempo. A
problemática se dará dentro das contradições.

5 RELAÇÃO DO SER E SEU GÊNEROS


Através da contradição apresentada anteriormente, a linguagem se faz primordial para
entender a relação do ser e não-ser e de outros gêneros. Ou seja, a escolha pelas duas partes ao
invés de apenas uma, sempre com o discurso como ponto de referência.

Alguns gêneros desejam comunicar-se entre si, outros não, alguns com
poucos, outros com muitos, e uns tantos, ainda, por isso mesmo que em tudo
penetram, nada encontram que os proíba de comunicar-se com todos.

Essa contradição ainda fica explícita, porém, quando o estrangeiro faz essa análise,
colocando gêneros em choque, o resultado parece sair. Para isso, ele usa os gêneros repouso e
movimento e, associando-os, elenca três hipóteses para entender essa relação.
Primeiro, não se une ser ao repouso e ao movimento; segundo, fica livre a combinação
entre gêneros; e terceiro, a hipótese mais plausível, alguns se unem e outros não. Portanto, as
duas primeiras hipóteses não tem fundamento filosófico.
O estrangeiro, dentro desse pensamento sobre os gêneros, no campo da linguagem, cita
cinco deles como principais: o próprio ser, o repouso, o movimento, o outro e o não-ser. Para
compreendê-los, basta relacioná-los entre si.
O movimento é outro que não o repouso; é, por existir; outro que o mesmo; também é o
mesmo pois tudo participa do mesmo; não é o outro; é o outro; é outro que outra coisa; é outro
em outra relação. Portanto, qualquer movimeneto, relacionando-se com outraos, pode e e pode
não-ser. O não-ser, então, não é conrátio do ser, mas outro que não ele. Assim, o não-ser é e a
falsidade existe.

6 CONCLUSÃO
Dentro do discurso mimético, próprio do sofista, a análise do simulacro, enfim, se
resolveu. Ou seja, no discurso falso - existente - o não-ser não pode ser visto como oposto do
ser, uma vez que ele é tido como outro.
Ainda dentro do discurso mimético, de imitação, do qual o sofista é mestre, há a divisão,
no simulacro, por instrumentos e pelo próprio corpo. Esta, a do corpo, é chamada de mímica e
também é dividida entre os que conhecem o objeto imitado e os que não conhecem. O sofista
se encaixa na segunda opção, pois versa em assuntos gerais, o que é impossível.
Ainda dentro dessa segunda definição, duas outras apresentam-se: o imitador ingênuo,
que o faz por opinião, e os imitadores irônicos, que criam sua imagem de sábios. E mais, além
de ilusionistas, procuram refutar e contradizer seus interlocutores com discursos breves e
diretos.
A definição do sofista, proposta por Platão, abre caminho para a metafísica, dentro de um
panorama dialético da busca pelo não-ser, também no campo da linguagem, uma vez que os
gêneros são de fundamental importância para a compreesão de todo esse processo. Mais do que
buscar a identidade do sofista, essa obra caracteriza-se por dar fundamentos que auxiliaram na
construção do pensamento filosófico ocidental.
REFERÊNCIAS

LIMA, Jorge dos Santos. A dialética presente na estrutura textual d’O sofita de Platão. Saberes,
Natal, v.1, n.1, dez. 2008.

PLATÃO. O sofista. Tradução: Carlos Alberto Nunes. UFB: 1980.

VAZ, Antonio Claudio de Lima. Escritos de Filosofia VI: Ontologia e História.