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Discursos, Ciências e as Miçangas

Prof. Me. Eliane Fernandes Azzari

Faculdade de Letras – PUC Campinas

Em 1625, Francis Bacon rompeu paradigmas e contestou discursos de repetição


ao escrever ensaios em inglês. Em The Great Restoration, tratando Ciências Naturais,
Bacon instigou mudanças no pensamento científico ocidental e em “Of Studies”, usando
aforismos, sugeriu que o principal objetivo da leitura seria “pesar e considerar” ideias.
Seu ensaio inaugura um inglês em prosa direta, menos prolixo, focado nas
Humanidades que, para alguns, só teriam alçado status de Ciência no início do século
XX quando Dilthey nomeou as “ciências do homem ou do espírito”. Os ensaios de
Bacon contribuíram, então, para diversas áreas do discurso científico. Neste texto, adoto
perspectiva Bakhtiniana e acato o papel político da linguagem, de modo que discurso
remete à prática social ideologicamente norteada e materializada em enunciados - que
apresentam dimensões comunicativas e valorativas, estabelecidas dialogicamente entre
interlocutores historicamente situados.

Em 2015, as Tecnologias da Informação e Comunicação Digitais (TICDs)


medeiam produção e acesso ao conhecimento abrindo novo paradigma para os estudos,
com espaços para o trato da transculturalidade e das diversidades em meio à
globalização. Por esse viés, leio o enunciado “Japão pede que universidades cancelem
cursos de humanas1” e um texto publicado pela Embaixada do Japão no Brasil2
questionando razões para o inusitado abate das Humanidades. Afirmando que o Japão é
“especializado em módulos e processos de alta tecnologia e conhecimento técnico”, o
discurso neoliberalista reitera o conceito de estado-nação e adota tom assertivo (“será
necessário aumentar a produtividade de trabalho”) para golpear as Ciências Humanas. A
urgência em “focar aspectos vocacionais mais práticos” que “antecipem melhor as
necessidades da sociedade”, trata a “vocação” para as tecnologias por mera
instrumentalidade.

Numa sociedade perigosamente desprovida de Ciências Humanas não haveria


promoção dos letramentos necessários para legitimar direitos, pesando e considerando
ideias criticamente. É preciso, pois, o engajamento do profissional de Humanas (talvez
1
Fonte: http://noticias.terra.com.br/educacao/japao-pede-para-que-universidades-cancelem-cursos-
de-humanas,6ebd46a6261af0d724368316dde58525p9j1qquz.html. Acesso em 16 de set de 2015.
2
Disponível em http://www.br.emb-japan.go.jp/cultura/economia.html. Acesso em 16 de set de 2015.
pelas TICDs?) em discursos de resistência que recusem discursos de repetição – como
os enunciados em comunidades apoiadas em rede social como a “Ajudar o povo de
humanas a fazer miçanga3”. Representando identidades que se percebem parte de uma
ciência menor, “fazer miçanga” remete à função-artesão, que atua às margens da
sociedade tecnologizada. Simplesmente acatar os atuais discursos tecnicistas contrários
às Humanidades representaria (re)encaminhar seus profissionais para as novas linhas de
produção ou encarregá-los apenas das velhas miçangas.

3
Disponível em :https://www.facebook.com/ajudaropovodehumanasfazermicanga?fref=ts.