Vous êtes sur la page 1sur 12

Planejamento do traçado de uma trilha

interpretativa por meio da caracterização


florística

Vander Luiz Gonzaga


Graduado em Ciências Biológicas pelas Faculdades Integradas Teresa D’Avila.
vandinholg@gmail.com

Luiz Fernando da Silva Martins


Mestre em Recursos Florestais pela Universidade de São Paulo.
Professor Titular das Faculdades Integradas Teresa D’Ávila.
lfsmarti@hotmail.com
RESUMO
Num futuro próximo, é eminente que a ecologia e suas teorizações fundamentais se apre-
sentem como leis científicas de um tipo geral, capazes de governar a natureza, a sociedade e
o pensamento. Há tempos faz-se necessário buscar opções que viabilizem algumas práticas
ecológicas. Dentre tantas outras, a interpretação ambiental através de trilhas guiadas é
uma delas. A busca por refúgios naturais e o gosto pela aventura, incentivam as pessoas
a praticarem caminhadas, o que possibilita a interação direta com o meio ambiente.
Uma alternativa para trabalhos educativos em atividades de campo a partir da análise
de seus recursos e da interpretação de suas belezas naturais são as trilhas interpretativas,
que tornam-se ferramentas interessantes e úteis no processo de construção da cidadania
ecológica. O objetivo deste estudo foi implantar uma trilha interpretativa guiada, na
Floresta do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO) em
Lorena, SP, por meio do estudo florístico da área. Foram implantados 9 (nove) pontos
interpretativos. Cada um permitiu uma parada para explorar aspectos florestais, edáfi-
cos (solo), hidrológicos e ecológicos. Os subtemas abordados em cada ponto de parada
detalharam as diferenças entre alguns grupos vegetais (Pteridophytas, Angiospermae e
Ginmospermae), bem como a relação existente entre a vegetação e o meio abiótico. Ao
demarcar os 9 pontos interpretativos, foi observada a presença de diferentes espécies da
fauna brasileira, como pequenos primatas, aves, répteis e 32 espécies de essências nativas e
exótica, destacando: Anadenthera colubrina, Centrolobium tomentosum, Cassia grandis,
Caesalpinia férrea, Lafoensia glyptocarpa, Plinia edulis, Caesalpinia echinata, Caesalpinia
tenctoria, Pinus elliottii, Sterculia striata, Cedrila físsilis, Piptadenia gonoacantha. O uso
de trilhas interpretativas leva o participante/visitante a refletir sobre a importância da
conscientização dos recursos naturais, visando mesclar os aspectos recreativos e educati-
vos. Esse processo se dá devido à curiosidade, imaginação e redescobertas, fazendo com
que o participante conheça e reconheça mais profundamente a relação entre o homem e
os aspectos ecológicos existentes na Floresta do ICMBIO de Lorena.

PALAVRAS CHAVES:
trilha interpretativa, educação ambiental, florística

60 Janus, Lorena, n.13, Jan./Jun., 2011. p. 059 - 070


ABSTRACT
In the near future, it is eminent that Ecology and its fundamental theories present
themselves as scientific laws of a general type, capable of governing nature, society and
thought. It is high time one had to find some options that allow ecological practices.
Among many others, the environmental interpretation through guided trails is one of
them. The search for natural refuges and taste for adventure encourage people to practice
walking, which allows direct interaction with the environment. An alternative to work
in educational field activities from the analysis of its resources and interpretation of its
natural beauty are the trails that make interesting and useful tools in the construction of
good ecological citizenship. The aim of this study was to implement a guided interpretive
trail in the Forest Chico Mendes Institute for Biodiversity Conservation (ICMBIO) in
Lorena, SP, through the study of the floristic area. 9 (nine) interpretative points of were
implanted. Each of them allowed a stop to explore aspects of forest, edaphic (soil), hydro-
logical and ecological ones. The subtopics covered in each breakpoint gave details of the
differences between plant groups (Pteridophyta, Angiospermae and Ginmospermae) as
well as the relationship between vegetation and abiotic environment. By demarcating the
nine points of interpretation, one observed the presence of different species of Brazilian
fauna, such as small primates, birds, reptiles and 32 species of native and exotic, highli-
ghting: Anadenthera colubrina, Centrolobium tomentosum, Cassia grandis, Caesalpinia
ferrea, Lafoensia glyptocarpa, Plinia edulis, Caesalpinia echinata, Caesalpinia tenctoria,
Pinus elliottii, Sterculia striata, Cedrila fissile, Piptadenia gonoacantha. The use of trails
leads the participant / viewer to reflect on the importance of the awareness of natural
resources in order to merge the recreational and educational aspects. That happens due
to curiosity, imagination and rediscovered, so that the participant knows and recognizes
more fully the relationship between humans and the ecological aspects of the existing
Forest ICMBIO of Lorena.

KEYWORDS:
interpretive trail, environmental education, florística

Janus, Lorena, n.13, Jan./Jun., 2011. p. 059 - 070 61


INTRODUÇÃO
As relações do homem com a natureza evoluíram da condição inicial de coletor e
caçador, quando os impactos eram restritos e localizados, para uma fase de crescimento,
passando por um estagio de agressão e conquista do meio ambiente (LAURIE, 1976;
VASCONCELLOS, 2006).
Neste processo, o interesse pelo crescimento econômico substituiu o conceito amplo
de desenvolvimento e alienou as pessoas da realidade de seu habitat. Os elementos dos
ecossistemas passaram a ser considerados apenas como recursos e sua exploração tem ido
além de sua capacidade natural de renovação. Nas ultimas décadas, cresce uma relação
contra esta situação insustentável e começa uma transição para um estagio de qualidade
de vida com responsabilidade ambiental (LAURIE, 1976).
A combinação de fatores como a desenfreada devastação das florestas e a perda
da biodiversidade explicam o aumento da preocupação mundial pelas áreas naturais
protegidas. As Unidades de Conservação da Natureza foram criadas a partir da
segunda metade do século XIX e podem ser conceituadas como espaços territoriais
com características relevantes, limites e objetivos de conservação definidos, legalmente
instituídos pelo Poder Público (BRASIL, 2000).
Nos últimos tempos, as trilhas em ambientes naturais estão sendo usadas cada vez
mais, por pessoas que buscam contato com a natureza, preferindo caminhar, passear,
escalar, excursionar longe da aglomeração e atropelos urbanos (Boo, 1992). A experiência
de atravessar uma floresta, e chegar a um campo luminoso, aproximar-se de uma cachoeira
e sentir o ímpedo das águas, pode ser uma experiência tão densa de significado que não
requeira mais nada, além da admiração (COLÔMBIA, 1989).
Segundo Lima (1998), uma trilha interpretativa é sempre puro encantamento, é uma
lição de sabedoria, se assim explorada, pois ao mesmo tempo em que novos aspectos ou
detalhes da paisagem externa são descobertos, relações relacionadas ás paisagens internas,
interpretação de imagens e cenários, sentimentos e emoções criam perplexidade.
As trilhas, enquanto instrumentos pedagógicos para a educação ambiental e biológica
devem explorar o raciocínio lógico, incentivar a capacidade de observação e reflexão, além
de apresentar conceitos ecológicos e estimular a prática investigatória (LEMES et al., 2004).
A prática de caminhar em ambientes naturais possibilita uma melhor compreensão
do meio ambiente e suas inter-relações, aguçando ainda, uma dinâmica de observações, de
reflexão e sensibilização para com as questões relativas ao meio ambiente. Sua necessidade
tem-se mostrado como de grande importância diante dos valores econômicos e sociais
que têm distanciado o ser humano da realidade e do seu contato com o meio ambiente
(GUILLAUMON et al., 1997).
O objetivo deste trabalho é implantar uma trilha interpretativa guiada na Floresta do

62 Janus, Lorena, n.13, Jan./Jun., 2011. p. 059 - 070


Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO) de Lorena, SP, por
meio do estudo florístico da área. Esta trilha poderá ser usada em projetos de Educação
Ambiental, subsidiando uma importante ferramenta didática de ensino, além de estimular
e desenvolver a conscientização da preservação dos recursos naturais.

MATERIAL E MÉTODOS

ÁREA DE ESTUDO
O estudo foi desenvolvido na Floresta do ICMBIO localizado no município de Lorena,
SP. A área possui 249,30 ha, apresentando uma cobertura vegetal constituída por bosques
e árvores nativas e exóticas. A latitude e longitude de sua sede são respectivamente 22º 43’
519”S e 45º 05’ 596” W. Está localizada a 5 km do centro da cidade de Lorena, Estado de
São Paulo, a aproximadamente 180 km da capital.
A trilha foi implantada numa área onde já havia um traçado, aproveitando todas as
características físicas e biológicas do local.
Para a implantação da trilha, foi escolhido um tema com o propósito de contar
uma “história em vários capítulos”, com uma sequência lógica, seguida de introdução,
desenvolvimento e conclusão, deixando no final uma mensagem para o público.
O tema da trilha foi relacionado aos elementos naturais presentes no percurso,
mais especificamente, aos diferentes pontos de parada, de tal forma que o mesmo seja
relacionado aos atrativos ambientais por meio da demonstração, observação e pelo
contato direto.
As espécies foram identificadas in loco através de observações de suas estruturas,
inflorescências e frutos, e comparadas com bibliografia especializada (LORENZI 2002).
Para a escolha dos pontos interpretativos foi utilizada a metodologia de Vasconcellos
(2006), a qual, por sua vez, foi originada do método denominado indicadores de
atratividade de pontos interpretativos (IAPI), proposta primeiramente por MAGRO e
FREIXÊDAS (1998).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

ESTUDO DA ÁREA PARA A IMPLANTAÇÃO DA TRILHA


INTERPRETATIVA
Foram realizadas 8 expedições na área para planejar o traçado e identificar os pontos
interpretativos mais relevantes. De acordo com Vasconcellos (2006) os pontos foram

Janus, Lorena, n.13, Jan./Jun., 2011. p. 059 - 070 63


baseados em 5 itens:

• 1º – Escolha do tema da trilha.


Na implantação da trilha, foi verificado que anteriormente o local possuía
mata ciliar, e que em determinados pontos eram utilizados como área de
lazer e recreação. Com o passar dos anos, a área foi dividida em talhões e
cada área foi plantada com essências nativas de diferentes espécies.
• 2º – Levantamento dos pontos potenciais para interpretação, levando-se
em consideração a atratividade de cada ponto.
Para a demarcação dos pontos foi observada a necessidade de aguçar
a curiosidade do visitante sobre as origens das espécies de plantas
nativas e exóticas. Uma forma é mostrar que as espécies vegetais não
foram semeadas pelo homem, mas sim pela natureza, mostrando a
integração entre o reino animal e vegetal. Algumas das espécies vegetais
provavelmente tiveram suas sementes dispersadas pela fauna, promovendo
a chegada das sementes em áreas de difícil acesso pelo homem.
• 3º - Seleção de indicadores (diversidade, beleza e conforto).
A trilha oferece uma grande diversidade de espécies nativas e exóticas,
em diferentes fases de crescimento. A beleza que o visitante encontra
no decorrer da trilha não fica somente nas espécies vegetais. Podem-se
observar também diferentes tipos de primatas, répteis, aves e mamíferos.
Dependendo da época do ano, vários tipos de plantas como bromélias e
orquídeas, estão em fase de floração, dando assim uma beleza quase rara.
O espaço designado é seguro, amplo e não implica riscos aos visitantes,
fazendo com que o grupo percorra o trajeto e alcance seus objetivos,
aproveitando as belezas naturais e despertando a conscientização
ambiental.
• 4º – Elaboração da ficha de campo (atribuições de notas para os referidos
indicadores).
Foi elaborada uma ficha de campo para que sejam verificados aspectos
positivos e negativos, visando à melhoria do trajeto.
• 5º – Seleção final dos pontos.
Neste ponto final foi realizada a interpretação ambiental da trilha de
maneira geral, analisando cada ponto de parada. Esta é uma forma
de estimular as pessoas a entenderem o seu ambiente e o seu entorno
ecológico.

A interpretação ambiental proporciona entendimento ao traduzir a linguagem da

64 Janus, Lorena, n.13, Jan./Jun., 2011. p. 059 - 070


natureza para a linguagem comum das pessoas, fazendo com que descubram um mundo
que não tinham percebido antes, porém não se deve confundir com educação ambiental,
pois se trata de um instrumento de comunicação que favorece as conexões intelectuais
e emocionais entre os interesses e os significados inerentes dos recursos educativos. Os
ambientes naturais não falam por si e o publico não entende sua linguagem, sua beleza
necessita de um interlocutor quando surgem dúvidas como: O que, Como e Por Que
(VASCONCELLOS, 2006).
Segundo Feinsinger et al., (1997), uma trilha é considerada interpretativa quando
seus recursos são traduzidos para o visitante com a utilização de guias especializados,
folhetos ou painéis. Tem o propósito de desenvolver nos usuários um novo campo de
percepções, levando-os a descobrir um mundo ainda desconhecido, uma nova forma de
olhar e sentir a natureza, estimulando-os a observar objetivamente, pensar criticamente
e decidir conscientemente.

IMPLANTAÇÃO DOS PONTOS INTERPRETATIVOS NA TRILHA


Foi implantada na área da Floresta do ICMBIO de Lorena, SP, uma trilha interpretativa
guiada, de 1.000 m de comprimento por 3 m de largura aproximadamente (Figura 1). Na
trilha foram implantados 9 pontos de parada para a interpretação ambiental.

Figura 1 - Croqui da localização da trilha implantada na área da Floresta do ICMBIO, de Lorena, SP.

Janus, Lorena, n.13, Jan./Jun., 2011. p. 059 - 070 65


A trilha tem como tema principal “A vida na floresta depende de várias interações
e quando associada ao homem de maneira positiva consegue se desenvolver de forma
harmoniosa”
A trilha tem inicio em uma ponte de concreto onde foi implantado o ponto 1. Neste
ponto é indicada a preparação do grupo para a saída para a trilha, e o guia tem o primeiro
contato com o visitante. Neste momento serão abordados assuntos como: vestuário
apropriado, o uso de repelentes e orientações gerais de como se comportar durante o
percurso da trilha.
Ainda no ponto 1, o guia faz uma pequena introdução sobre a historia da Floresta
do ICMBIO, mostrando uma área próxima que hoje é composta por uma pequena floresta
que abriga diversas espécies de essências nativas como: angico (Anadenthera colubrina),
araribá (Centrolobium tomentosum), cássia grandes (Cassia grandis), pau ferro (Caesalpinia
ferrea) e mirindiba (Lafoensia glyptocarpa). Esta área é aberta e de livre acesso aos visitantes,
além de já possuir nas proximidades quadras de futebol e bocha.
No ponto 2, a parada é no bosque de guajuvira (Patagonula americana) e bambus
(Bambusa vulgaris) onde será feita uma observação abordando o tema: “A água e sua
importância em nossa vida”. Seu foco é o Ribeirão Coatinga, onde poderá ser contada uma
breve historia sobre o seu percurso e sua importância para a agricultura local, pois a floresta
é cortada por diversas “valas” que servem para abastecer plantações de arroz e pastagem.
O ponto 3, recebe o subtema “A diferença entre um bosque de espécies nativas e
exóticas”. Este ponto está localizado em frente a uma área com grande predominância de
pinus (Pinus elliottii), que é uma planta exótica e invasora, e ao lado, espécies nativas como
o cambucá (Plinia edulis), pau brasil (Caesalpinia echinata), falso pau brasil (Caesalpinia
tinctoria), pau rei (Sterculia striata), cedro rosa (Cedrila físsilis) e pau jacaré (Piptadenia
gonoacantha).
Os pontos 4 e 5 estão em torno do campo de futebol e o subtema é “ A interação dos
animais com a floresta leva à diferenciação das espécies”. É uma área em que os visitantes
têm a possibilidade de visualizar algumas espécies de animais como saguis (Callitrichidae
sp.), cutia (Dasiproctidae sp.) e algumas espécies arbóreas como, embaúba (Cecropia
sciadophylla), guapuruvu (Schizolobium parayba), jacarandá (Jacarandá mimosifolia),
paineira (Chorisia glaziovii), tamanqueiro (Alchormea glandilosa), monjoeiro (Andenthera
faecata), carrapeta (Guarea guidonia) e pau viola (Citharexylum myrianthum).
O ponto 6 que é localizado a 550 m do inicio da trilha, o subtema abordado é “A
floresta como uma grande fabrica de alimentos”. Neste ponto de parada o guia irá abordar
o quanto a floresta é importante para a alimentação de todos os seres vivos que ali habitam.
O guia pode mostrar a diversidade vegetal e destacar curiosidades relevantes de algumas
espécies como a casca, o porte, o tamanho das folhas, características dos frutos e a cor
do tronco da árvore do cambuí (Blepharocalyx salicifolius), da pimenteira (Gomidesia

66 Janus, Lorena, n.13, Jan./Jun., 2011. p. 059 - 070


lindeniana), do jequitibá (Cariniana legalis), do pau ferro (Caesalpinia ferrea) e do angico
(Anadenthera colubrina).
No ponto 7 o subtema é “O crescimento de uma espécie depende da evolução da
outra”. Este tema foi escolhido pelo fato de o ponto 7 estar no interior de uma área onde
a vegetação está num processo dinâmico de transformações. Neste ponto poderá ser
explorado pelo guia o conceito de dinâmica florestal, mostrando os diferentes estrados
de uma floresta.
O sub-bosque local está em franco estabelecimento, com a predominância de
espécies arbustivas e arbóreas como: capororoca (Raphanea ferruginia), murici (Byrsonima
verbacifolia), cambuí (Blepharocalyx salicifolius) e mirindiba (Lafoensia glyptocarpa).
No ponto 8, o subtema é “ O convívio harmonioso entre espécies exóticas e nativas”.
Neste ponto há grande interação entre espécies arbóreas exóticas: palmeira de leque
(Lifistonea chinensis) e pinus (Pinus elliottii), frutíferas: mangueira (Mangifera indica) e
pitanga (Eugenia uniflora), e epífitas como as orquídeas com suas inflorescências raras
ao longo do ano: Catleya mesquitae, Catasetum fimbriatum, Oeceoclades maculata,
Bulbophyllum lobbii, Epidendrum difforme, Oncidium varicosum, Vanilla chamissonis,
Polystachya foliosa (SILVA e CAMPOS 2007).
No final da trilha, próximo dos 900 m da chegada, fica a casa do cata-vento, cujo
nome se deve à presença de um grande cata-vento desativado. Neste ponto será destacada a
arquitetura do local e realizada a conclusão que fica no ponto 9 com o subtema “ A floresta
é um ecossistema, em que todos os elementos estão inter-relacionados, o reflorestamento
necessita de ajuda para que seja cumprida as suas funções ambientais” .
A trilha não necessariamente termina neste ponto, pois há ainda um caminho a ser
percorrido, só que agora fora da mata, mesmo assim tendo muito que explorar, observar
e comentar pelo guia, pois passa por varias casas podendo o guia neste momento explanar
sobre a história da Floresta do ICMBIO de Lorena.
As trilhas interpretativas se bem planejadas, constituem-se de importante
instrumento pedagógico, o qual propicia contato mais próximo entre o homem e a natureza.
Segundo Vasconcellos (2006) uma trilha guiada é uma atividade interpretativa em
que um guia intérprete dirige um grupo de pessoas através de um caminho, com paradas
pré-estabelecidas, onde um tema é desenvolvido.
Cada vez mais são utilizadas em programas de Educação Ambiental, uma vez que,
através do processo de sensibilização, fomenta a aquisição de conhecimento cognitivo
relativo ao meio ambiente, fundamentais para a formação de valores e mudanças de
comportamento (GUILLAUMONT et al., 1997; VASCONCELLOS, 2004).

Janus, Lorena, n.13, Jan./Jun., 2011. p. 059 - 070 67


INTERPRETAÇÃO DA TRILHA ATRAVÉS DA OBSERVAÇÃO DA
FLORA
Na implantação dos pontos na trilha interpretativa foram observadas diversas espécies de
plantas nativas e exóticas, de porte herbáceo, arbustivo e arbóreo. Na caracterização florística dos
primeiros 2 m da borda da trilha foram encontradas 22 famílias, 31 gêneros e um total de 32 espécies.
A família com maior representatividade foi Fabaceae, com 7 gêneros e 8 espécies (Caesalpinia
echinata, Caesalpinia tenctoria, Anadenthera colubrina, Clitorea racemosa, Tipuana tipu,
Centrolobium tomentosum, Andenthera faecata e Cassia grandis), totalizando 25 % das espécies
levantadas (Tabela 1).

FAMILIA NOME CIENTÍFICO NOME POPULAR


ANACARDIACEAE Mangifera indica mangueira
ARECACEAE Livistonea chinensis palmeira de leque
BIGNONIACEAE Jacaranda mimosifolia jacarandá
BORAGINACEAE Patagonula americana guajuvira
BOMBACACEAE Chorisia glaziovii paineira
BROMELIACEAE Catleya mesquitae bromélia
CAESALPINACEAE Caesalpinia ferrea pau ferro
CECROPIACEAE Cecropia sciadophylla embaúba
EUPHORBIACEAE Alchormea glandilosa tamanqueira
FABACEAE Caesalpinia echinata pau brasil
Caesalpinia tinctoria falso pau brasil
Anadenthera colubrina angico
Clitorea racemosa sombreiro
Tipuana tipu bico de pato
Andenthera faecata monjueiro
Centrolobium tomentosum araribá
Cassia grandis cássia grande
LECYTHIDACEAE Cariniana legalis jequitibá
LYTHRACEAE Lafoensia glyptocarpa mirindiba
MALVACEAE Schizolobium parahyba guapuruvu
MALPIGHIACEAE Byrsonima verbacifolia murici
MELIACEAE Cedrila fissílis cedro rosa

68 Janus, Lorena, n.13, Jan./Jun., 2011. p. 059 - 070


Guarea guidonia carrapeta
MYRTACEAE Plinia dulis cambucá
Gomidesia lindeniana pimenteira
Blepharocalyx salicifolius cambuí
MYRSINACEA Rafhanea ferriginia capororoca
MIMOSACEAE Piptadenia gonoacantha pau jacaré
PINACEAE Pinus elliottii pinus
POACEAE Bambusa vulgaris bambu
STERCULIACEAE Sterculia striata pau rei
VERBENACEAE Citharexylum myrianthum pau viola
Tabela 1 - Espécies arbóreas amostradas ao longo do traçado da trilha interpretativa da Floresta do
ICMBIO, Lorena, SP.

No levantamento florístico foi constatada uma espécie arbórea ameaçada de extinção:


Caesalpinia echinata, a mais importante das madeiras brasileiras da família Fabaceae.
Também, foram encontradas espécies exóticas ornamentais, utilizadas no paisagismo,
que se propagaram para o interior da floresta. Entre elas destacam-se: Dracena fragans,
Impatiens walleriana, Pilea cadierei, Tradescantia zebrina e Lifistonea chinensis.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao desenvolver esse trabalho, foi possível observar o quanto é importante o trabalho
junto à natureza, pois muitas vezes há lugares lindos tão próximos, porém pouco explorados
e visitados. Isso é o que ocorre na Floresta do ICMBIO, um lugar rico em diversidades,
aberto ao público com diversas áreas a serem utilizadas, mas não é o que acontece.
Esse trabalho teve o intuito de implantar uma trilha interpretativa guiada, em que a
mesma poderá ser utilizada para fins de educação ambiental ou mesmo um passeio para
os moradores da cidade e regiões.
A intenção maior dessa trilha é deixar o visitante com uma consciência ambiental,
levando consigo uma idéia de que a natureza precisa de ajuda para sobreviver e que o
homem tem condições de fazer com que vivamos em um planeta muito melhor, realizando
pequenos atos com grandes resultados.
Os resultados desse trabalho servirão de base para o desenvolvimento de outros
trabalhos futuros que irão ser desenvolvidos com o intuito de cada vez mais criar condições
e fortalecer trabalhos de educação ambiental na área da Floresta do ICMBIO de Lorena, SP.

Janus, Lorena, n.13, Jan./Jun., 2011. p. 059 - 070 69


REFERENCIAS
BOO, E. The Ecoturism Boom: Planning for Development and Mandgement. Technical Paper Series,
Washington: WWF/ WHN, 1992. 14p.

BRASIL, Lei 9,985, de 18 de julho de 2000. Dispõe sobre o SINUC- Sistema Nacional de Unidades
de Conservação. Brasília, 2000.

COLOMBIA, Ministerio del Medio Ambiente. Manual de Senderos de interpretacion ambiental. Sistema
de Parques Nacionales, Colômbia, 1989. 32p.

FEINSINGER, P.; MARGUTTI, L.; OVIEDO, R. D. School yards and nature trails: ecology education
outside the university. Trends in Ecology and Evolution, Amsterdam, v. 12, n. 3, p. 115-120, 1997.
GUILLAUNON, J.R. et al. Análise das trilhas de interpretação. São Paulo. Instituto Florestal, 1997, p. 57.

LAURIE, M. An Introduction to Landscape Architeture. New Yorck : Elsevie, 1976. 214p.

LEMES, E.O. et al., Criação de 3 trilhas interpretativas como estratégia em um programa de


interpretação ambiental do Parque Estadual do Itacolomi. Relatório do Projeto: UFOP. Ouro Preto
2004.

LIMA, S.T. Trilhas interpretativas: A aventura de conhecer a paisagem. Cadernos Paisagem, Paisagens
III, Rio Claro. UNESP, n 3, p.39-44. 1998.

LORENZI, H. Árvores Brasileiras: Manual de Identificação e Cultivo de Plantas Arbóreas Nativas


do Brasil, vol.01. 3ºEd. Nova Odessa, SP.: Instituto Plantarum. 2002. 352p.

LORENZI, H. Árvores Brasileiras: Manual de Identificação e Cultivo de Plantas Arbóreas Nativas


do Brasil, vol.02. 2ºEd. Nova Odessa, SP.: Instituto Plantarum. 2002. 352p.

MAGRO, T. C. e FREIXEDAS, V.M. Trilhas: como facilitar a seleção de pontos interpretativos. Circular
Técnica nº 186, São Paulo: ESALQ-USP, 1998.

SILVA, R. J.; CAMPOS, S. B. Levantamento Florístico das Orchydaceas da Floresta Nacional do


IBAMA do Município de Lorena - S.P., 2007. 44f. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso) –
Licenciatura em Biologia – FATEA-Lorena.

VASCONCELLOS. J. M. O; Educação e Interpretação Ambiental em Unidades de Conservação. Curitiba/


PR: Fundação O Boticário de Proteção a Natureza. Cadernos de conservação. Ano 3, Nº 4, 2006.

________, Avaliação da eficiência de diferentes tipos de trilhas interpretativas no Parque Estadual Pico do
Morumbi e Reserva Natural Salto Morato, PR. Natureza e Conservação. Curitiba, vol. 2 n.2, p48-57, 2004.

70 Janus, Lorena, n.13, Jan./Jun., 2011. p. 059 - 070