Vous êtes sur la page 1sur 6
A partir do livro quase classico de Carl Degler, uma reflexao sobre os mitos ¢ fatos do sisema brasileiro de relagdes raci: omulato, um obstaculo epistemologico” Eduardo de Oliveira e Oliveira bom convivio entre as ragas, assim como a indole pacitica do povo bra- sileiro era tido como fato social no Brasil quando, por volta de 1950 (1), UNESCO resolve comproviclo, A principio acreditouse que a escravi- dio na América Latina fora mais suave do que nas colonias inglesas, holandesas ou dinamarquesas. Atualmente, tudo leva a ‘erer numa total inversio de perspectiva, que muito deve ao vasto material de pes quisa surgido no campo das relagées ra: ciais, principalmente nos Estados Unidos. Com base em que tanto o Brasil como os Estados Unidos tém uma grande popula io negra (a maior fora do continente africano), € que em ambas a5 nagdes 0s ne- fgros foram introduzidos como escravos, € que 0 Sr. Carl N. Degler, historiador nor- sth Een White see ont Race Re Hons in Brasil ond the United States, Nova York, MacMillan, 1970. () Cf, Florestan Fernandes, Pref. da 24 edigso de Roger Baxtide.¢ Florestan Fernandes, Branco: Negros em Sto Paulo, S80 Paulo, Editora ack a, 159. 66 teamericano, numa tentativa de fazer his: ria comparada, propdese conhecer a presente realidade brasileira. Os resulta- dos de suas investigagSes encontramse em Neither Black nor White: Slave and Race Relations in Brazil and the United States. No geral, 0 livro pode ser descrito como uma tentativa de captar a natureza das relagées entre brancos € negros nos Esta- dos ‘Unidos vendo como elas se configu: ram num outro contexto nacional € $o- cial, 0 brasileiro. propésito primério @ ajudar os norte-americanos a entender tanto as dificuldades como as facilidades de se desenvolver uma sociedade biracial igualitaria com preponderancia numérica dos brancos. Na verdade estamos diante de um traba- Iho altamente controverso, e por vezes no sabemos se 0 autor é movido pela paixio ‘ou pela razio. Tomando a expresso “minha nega’ como o comeco da diferenca, ja que o bra sileizo branco dirigese assim tanto 4 sua mulher como A sua amante branca, coisa totalmente impensivel nos Estados Unidos, srpuneio ficamos sabendo que 1a a dominagio bran- @ pautouse sempre por uma segregagio costumeira, cuja elaboragio legal data prineipalmente do séeulo XIX. "No Bra- sil, em contraste, jamais se dew uma sis temética separagio das rasas, apesar de fat leis coloniais discriminarem 05 pretos. Entretanto, © Brasil sempre foi, e ainda 6 consciente da dramética diferenga entre suas atitudes ¢ préticas, comparadas com as existentes nos Estados Unidos. Adianta @ Si Dele que enquanto i mente 2g0- 12.0 papel do negro vem sendo reconheci- do, no Brasil jé vinha sendo cantado por literatos, teatrdlogos, historiadores. Exem- plificando, cita Joio Dornas Fitho, para quem as con do negro so tio grandes que seria dificil emumerdlas, pois "vio da arte culindria 4 maneira de fazer ‘o amor € 0 sofrimento” (sic). Como se v8, estamos diante do eterno bindmio cozi- ‘aha/eama. As figuras “‘pretos ilustres” mencionadas fazem parte da eterna galeria de excegses: Machado de Assis, Aleijadi tho, Reboucat, etc. ‘Acentua 4 seguir que, embora a escrx vidio tenba unta Tonga bistia tanto no Brasil come nor Estados Unidos, a bate de sua comparagio serh a esravidSo em 0 maturidade nos dois pate, isto & durante ©. seculo XIX. Indscutivelmente, aqui faut inicio dos muitos desencontros © Se, Degleradmite que tanto n0 Br si como mi Hondo, Unidos a eapreno tnais comin da inquitago. doy ecravor tra anter + Toga do que a insoreigio, 0 {Que leva & confundis guilombor com re Yolts, ard suficlente para duvidarse da tradicional repataio de rebeions bases fas de craven Conc que, no que cm eve aos quilombor © rast manitagbes provavelmente a melhor explicagio para Seus frequentes surgimentos esteja simples. mente ma diferenga de clima. Outra dife Tega decorria do fato de se armarem sol ddados ‘negros entre nds, recurso este que, fembora empregedo de maneira relutante pelos portugueses, no deixeria de ser sig: hificativo para a integragio do negro a sociedade, mesmo sendo um produto mais de circunstlnclas do que da ideologia. Mas fo wecho de uma carta de Henrique Dias 2 EVRet, citado no préprio liwo, contre 2 idéia de uma "digniticagio” do ne- grovoldado, Escreve ele: "Sou tatado